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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS FACULDADES UNIFICADAS DA FEB CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

DESTINAÇÃO FINAL DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS E SEUS POSSÍVEIS IMPACTOS AMBIENTAIS

Bruno Giovani Perosso Gabriel Prado Vicente Orientadora: Profª. Msc. Jaqueline A. B. Fernandez

Barretos

2007

Bruno Giovani Perosso Gabriel Prado Vicente

DESTINAÇÃO FINAL DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS E SEUS POSSÍVEIS IMPACTOS AMBIENTAIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil, Faculdades Unificadas da Fundação Educacional de Barretos, como requisito à obtenção do grau de Engenheiro Civil com ênfase em Ambiental.

Orientadora: Profª. MSc. Jaqueline A. B. Fernandez

Barretos

2007

FOLHA DE APROVAÇÃO

Candidatos: BRUNO GIOVANI PEROSSO GABRIEL PRADO VICENTE

“DESTINAÇÃO FINAL DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS E SEUS POSSÍVEIS IMPACTOS AMBIENTAIS”

Fundação Educacional de Barretos Monografia defendida e julgada em 07 / 11 / 2007 perante a Comissão Julgadora:

___________________________________

Profa. MSc. Jaqueline A. B. Fernandez

Fundação Educacional de Barretos

___________________________________

Profa. MSc. Marony Costa Martins

Fundação Educacional de Barretos

___________________________________

Profa. Drª. Lindamar Maria de Souza Fundação Educacional de Barretos

_____________________________

_____________________________

_____________________________

______________________________________________

Prof. Msc. Antônio de Paulo Peruzzi Coordenador dos Trabalhos de Conclusão de Curso

DEDICATÓRIA

Aos nossos pais, que dedicaram todo seu esforço para dar a nós o melhor presente que poderíamos receber: a educação.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pela oportunidade a mim concebida na realização de mais esse sonho e que a cada obstáculo que tive, me mostrou que a melhor solução sempre, é trilhar no caminho da verdade e da honestidade. Aos meus pais, Natal Perosso e Sandra Maria Bragato Perosso pela oportunidade proporcionada abrindo mão de alguns de seus sonhos para realizar os meus, pelo apoio e esperança depositados em mim, pelo sacrifício que fizeram para me ver chegar até este momento e pelas orações que sempre me fortaleceram, obrigado. Eu amo vocês! Ao meu irmão Guilherme Antonio Perosso pela ajuda, incentivo e confiança, tenho muito orgulho em te-lo como irmão, obrigado!!! A amiga e, orientadora Profª. Msc. Jaqueline A. B. Fernandez, que apesar de seu pouco tempo disponível dispôs-se a nos orientar dando todo o suporte necessário para desenvolvermos este trabalho. A todos os professores que durante nossa vida acadêmica nos passaram seus conhecimentos. Aos meus companheiros de trabalho: Engenheiros: Adhemar Watanuki Filho, Anderson Lima Paleari, e principalmente a Paulo Soldera. Com os quais aprendi muito e continuo aprendendo, não só conhecimentos técnicos, mas também como se relacionar com os diferentes funcionários e profissionais da área. Aos amigos e colegas de curso e, em especial a Gabriel Prado Vicente parceiro durante todo o ciclo da faculdade e não poderia ser também na realização deste trabalho, e a todos que de alguma forma contribuíram para que esse sonho fosse realizado. Muito Obrigado a Todos Vocês!!!

Bruno Giovani Perosso

AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus pela possibilidade de realização de mais uma etapa da minha vida e pelas pessoas maravilhosas (citadas abaixo) que foram colocadas em meu caminho e me ajudaram a concretizar esse sonho. Aos meus pais: Valdoni Calocci Vicente e Márcia Regina Prado, que são os alicerces da minha vida, pela educação que me deram, pelas alegrias vividas junto a mim, pelos conselhos dados e por abrirem mão de seus sonhos para que seu filho conseguisse algo que o transformaria em um homem vencedor na vida. Aos meus irmãos: Nathália Prado Vicente e Enzo Calocci de Almeida Vicente; a primeira minha eterna companheira nas horas boas e ruins, sempre meu porto seguro; o segundo que chegou há pouco tempo e me emociona, me ensinando a ver a vida com outros olhos. As minhas avós Maria Helena Calocci Vicente e Aparecida Marc Prado, que sempre fizeram o melhor por mim, com a doçura que só avós podem ter; aos meus avôs Nidoval Vicente e José Carlos Prado que infelizmente não podem estar ao meu lado comemorando está vitória mas tenho certeza que sempre olharam por mim e também se orgulham muito por mais esse degrau ultrapassado. A minha namorada, amiga e companheira Aline Sândalo, que lutou muito para que este trabalho fosse concluído, sempre me orientando, me aconselhando, me consolando e me apoiando nas horas mais difíceis, sempre procurando ou criando a luz quando chegava ao fim do túnel, pessoa que orgulho em ter ao meu lado e serei eternamente grato por fazer parte da minha vida. Aos meus eternos amigos: Iago Gonçalves Cunha, Giovana Meinberg Garcia e Eduardo de Carvalho Crispim, que nunca se furtaram em ajudar-me, em guiar-me e em apoiar-me, sendo de suma importância para que eu me torne um Engenheiro e uma pessoal melhor e mais feliz. Aos professores e amigos da faculdade, especialmente a amiga e orientadora Profª. Msc. Jaqueline A. B. Fernandez, que não mediu esforços para incentivar-nos e ajudar-nos na elaboração do trabalho; e ao amigo, companheiro desde o primeiro ano da faculdade, desde o primeiro trabalho e parceiro deste: Bruno Giovani Perosso, pessoa da qual me orgulho em ter como amigo, que sempre me identifiquei e me ensinou muita coisa que levarei para o resto de minha vida.

Gabriel Prado Vicente

“Nós que vivemos neste planeta somos seres racionais, ou assim nos chamamos. Mas não parece que o que estamos fazendo tenha muito que ver com a razão; pelo menos com a razão respeitosa com a vida e a dignidade.” (José Saramago, jornal ABC, Madri, 06-01-2001)

RESUMO

PEROSSO, B.G.; VICENTE, G.P. (2007). Destinação final de embalagens de agrotóxicos e seus possíveis impactos ambientais – estudo de caso Município de Barretos. Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdades Unificadas da Fundação Educacional de Barretos, Barretos – SP.

O presente trabalho teve como objetivo levantar informações acerca da destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, seus possíveis impactos ambientais e formas de manejo ambientalmente corretas, a partir de um estudo de caso, no município de Barretos - SP. Observou-se, os procedimentos para destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, o local de origem e de destino desse material, formas de aproveitamento ou descarte das embalagens e os equipamentos de segurança utilizados pelos funcionários na unidade de recebimento. O estudo permitiu realizar constatações a respeito da destinação final ambientalmente correta das embalagens utilizadas, e se os procedimentos encontram-se de acordo com as normas previstas na legislação.

Palavras chaves: Embalagens; Agrotóxicos; Destinação; Segurança.

ABSTRACT

PEROSSO, B.G.; VICENTE, G.P. (2007). Final destination agro toxics packing and possible ambient impacts – Barretos City Study Case. Course Conclusion Report – Faculdades Unificadas da Fundação Educacional de Barretos, Barretos – SP.

The present work has as objective of obtaining information of related of the final usage of empty agro-toxics packing materials, their possible impacts and environmentally corrects methods, besed en true facts occurred in the Barretos’s / SP municipality. It was reported the procedment for the final used empty agro-toxics packing, the origin location and destination of suich materials, recovery methods or the dis posal of packaging plus security equipament used by the employers at the receiving enterprise. The present work weir allow the achievement of definitions about the environmentally correct final usage, and their precedents are all in accordance with the legislation rules.

Keys words: Packings; Agro toxics; Destination; Security.

10

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1: LOGÍSTICA DE TRANSPORTE DAS EMBALAGENS (FONTE: INPEV

 

47

(FONTE: INPEV

48

FIGURA 3: EMBALAGEM TIPO

51

FIGURA 4: EMBALAGEM TIPO

52

FIGURA 5: EMBALAGEM TIPO

53

FIGURA 6: LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADES DE RECEBIMENTO (FONTE:

INPEV

54

FIGURA 7: REGIÃO ADMINISTRATIVA DE

57

FIGURA 8: UNIDADES DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS

58

FIGURA 9: MUNICÍPIOS PERTENCENTES À BACIA (FONTE: DAEE

59

FIGURA 10: POSTO DE RECEBIMENTO DE EMBALAGENS VAZIAS DE

AGROTÓXICOS NO MUNICÍPIO DE

62

63

FIGURA 12: CULTURAS ANUAIS E SEMI-PERENES CULTIVADAS NAS

PROPRIEDADES

63

FIGURA 13: CULTURAS PERENES EXISTENTES (QUANTIDADE EM

64

FIGURA 14: PROPRIEDADES AGRÍCOLAS QUE CULTIVAM LARANJA E

UTILIZAM

64

FIGURA 15: HISTÓRICO DE INTOXICAÇÃO HUMANA POR AGROTÓXICOS

(1985 A

65

FIGURA 16: HISTÓRICO DE INTOXICAÇÃO HUMANA POR AGROTÓXICOS

(1991 A

65

FIGURA 17: HISTÓRICO DE INTOXICAÇÃO HUMANA POR AGROTÓXICOS

(2001 A

65

FIGURA 18: PARTICIPAÇÃO DE CADA REGIÃO NA TOTALIDADE DE

INTOXICAÇÕES POR AGROTÓXICOS NO

66

FIGURA 19: POSTO DE RECEBIMENTO DE EMBALAGENS VAZIAS DE

AGROTÓXICOS EM

67

FIGURA 20: SISTEMA DE

67

FIGURA 21: DOCUMENTAÇÕES NECESSÁRIAS PARA OPERAR O POSTO DE

 

68

FIGURA 22: TAMPAS DAS EMBALAGENS SEPARADAS POR

69

11

LISTA DE TABELAS

TABELA 1: CLASSIFICAÇÃO TOXICOLÓGICA DOS AGROTÓXICOS

SEGUNDO A DL

27

TABELA 2: CLASSE TOXICOLÓGICA E COR DA FAIXA NO RÓTULO DE

PRODUTO AGROTÓXICO

27

TABELA 3: SINAIS A SINTOMAS DE INTOXICAÇÃO POR AGROTÓXICO

SEGUNDO TIPO DE EXPOSIÇÃO

34

SEGUNDO TIPO DE EXPOSIÇÃO

35

TABELA 5: UNIDADES CENTRAIS DE RECOLHIMENTO DE EMBALAGENS 54

TABELA 6: UNIDADES POSTO DE RECOLHIMENTO DE EMBALAGENS

55

TABELA 7: TIPOS DE AGROTÓXICOS

70

12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas ANAMT: Asssociação Nacional de Medicina do Trabalho ANDAV: Associação Nacional de Distribuidores de Defensivos Agrícolas ANDEF: Associação Nacional de Defesa Vegetal ANTT: Agência Nacional de Transportes Terrestres ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária CAT: Comunicação de Acidentes de Trabalho CATI: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral CETESB: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CIT: Centro de Informação e Assistência Toxicológica COEX: Coextrusão CONAMA: Conselho Nacional de Meio Ambiente CONASQ: Comissão Nacional de Segurança Química CONFEA: Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia COOPERCITRUS: Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo DAEE: Departamento de Águas e Energia Elétrica DAS: Secretaria de Defesa Agropecuária DDT: Dicloro Difenil Tricloroetano EMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EPI: Equipamento de Proteção Individual IBAMA: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IGC: Instituto Geográfico e Cartográfico IMA: Instituto Mineiro de Agropecuária INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INPEV: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias LI: Licença de Instalação LO: Licença de Operação LP: Licença Prévia MBH: Microbacias Hidrográficas NBR: Normas Brasileiras de Regulamentação OMS: Organização Mundial de Saúde

13

PAEP: Pesquisa de Atividade Econômica Paulista PCMSO: Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PEAD: Embalagens Plásticas Monocamadas PEAD MONO: Polietileno de Alta Densidade PET: Tereftalato de Etileno PND: Plano Nacional de Desenvolvimento PP: Polipropileno PPRA: Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais SIH: Sistema de Informações Hospitalares SIM: Sistema de Informação sobre Mortalidade SINAM: Sistema de Informação de Agravos de Notificação SINITOX: Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica UBV: Ultra Baixo Volume UGRH: Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos

14

SUMÁRIO

RESUMO

ABSTRACT

  • 1. INTRODUÇÃO___________________________________________________

16

 
  • 2. OBJETIVO

18

2.1.

Geral

18

2.2.

Específico

18

  • 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

19

3.1.

Definições

19

3.1.1.

Meio Ambiente....................................................................................................................19

3.1.2.

Impactos Ambientais...........................................................................................................20

3.1.3.

Agrotóxicos.........................................................................................................................21

3.1.4.

Resíduos Sólidos .................................................................................................................21

a)

Resíduos classe I - Perigosos .................................................................................................23

b)

Resíduos classe II – Não Perigosos ........................................................................................23

3.2.

23

3.2.1.

Agrotóxicos – Aspectos Gerais ............................................................................................23

3.2.2.

Agrotóxicos - Classificação .................................................................................................25

3.2.3.

Tipos de Embalagens...........................................................................................................27

a)

Embalagens Laváveis ............................................................................................................27

b)

Embalagens Não Laváveis.....................................................................................................28

3.2.4.

Impactos Ambientais Causados por Agrotóxicos..................................................................28

3.2.5.

Riscos à Saúde.....................................................................................................................30

3.2.6.

Riscos à População Rural.....................................................................................................32

3.2.6.1

Efeitos aos Humanos......................................................................................................33

3.2.7.

Equipamentos de proteção individual (EPIs) ........................................................................35

3.2.8.

Transporte ...........................................................................................................................36

3.2.9.

Armazenamento ..................................................................................................................36

a)

Recomendações gerais...........................................................................................................36

b)

Pequenos depósitos................................................................................................................37

3.2.10.

Receituário agronômico .....................................................................................................38

3.2.11.

Legislação Vigente ............................................................................................................39

3.3.

Elos do

41

3.3.1.

Canais de Distribuição.........................................................................................................41

3.3.2.

Responsabilidade do Agricultor ...........................................................................................42

3.3.3.

Responsabilidade das Indústrias...........................................................................................43

3.3.4.

Responsabilidade do Poder Público......................................................................................43

3.4.

Gerenciamento de Unidades de Coleta de Embalagens Vazias de

43

3.4.1.

Instalação ............................................................................................................................44

3.4.1.1

Construção ....................................................................................................................44

3.4.1.2

Licenciamento ...............................................................................................................44

3.4.1.3

Credenciamento.............................................................................................................45

3.4.2.

Operação.............................................................................................................................45

3.4.2.1

Inspeção ........................................................................................................................45

3.4.2.2

Preparação.....................................................................................................................46

3.4.2.3

Armazenamento.............................................................................................................46

3.4.2.4

Transporte .....................................................................................................................46

3.4.3.

Logística para Coleta ...........................................................................................................47

3.4.4.

Destinação Final..................................................................................................................48

3.5.

Unidades de Recebimento de Embalagens de Agrotóxicos

53

15

  • a) Municipios de Recebimento...................................................................................................54

  • 4. METODOLOGIA

56

_________________________________________________

  • 4.1. Caracterização Geral do

56

  • 4.2. Levantamento de Dados

59

  • 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

62

  • 5.1. Estabelecimentos Rurais

62

  • 5.2. Gerenciamento das

66

  • 6. CONCLUSÃO____________________________________________________

71

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

73

APÊNDICE

78

ANEXO A

80

ANEXO B

87

ANEXO C

91

ANEXO D

93

16

1. INTRODUÇÃO

Há mais de 2 mil anos os agricultores utilizavam substâncias que preveniam os danos causados por pragas. Um dos primeiros recursos utilizados foi o enxofre. No século XV, outras sustâncias tóxicas, como arsênico, mercúrio e chumbo, foram incorporadas no combate às pragas. Já no século XVII, o sulfato de nicotina, extraído das folhas de tabaco, também passou a ser adotada como arma contra insetos (ANVISA,

2006).

A utilização dos agrotóxicos na agricultura inicia-se na década de 20 época em que eram pouco conhecidos do ponto de vista toxicológico. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) foram utilizados como arma química, tendo seu uso se expandido enormemente a partir de então, chegando a produção industrial mundial a atingir dois milhões de toneladas de agrotóxicos por ano (OMS, 1997). No Brasil, foram primeiramente utilizados em programas de saúde pública, no combate a vetores a controle de parasitas, passando a ser utilizados mais intensivamente na agricultura a partir da década de 60. Os agrotóxicos também apareceram no Brasil, na década de 60-70, como a solução científica para o controle das pragas que atingiam lavouras e rebanhos (PERES et al., 2003). Tal visão, reforçada pela forte e crescente atuação da indústria química no país, passou a legitimar o uso indiscriminado de agrotóxicos no meio rural e, ao mesmo tempo, não eram oferecidas alternativas à grande massa de trabalhadores que, ano a ano, se expunha cada vez mais aos efeitos nocivos destas substâncias. Em 1975, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), responsável pela abertura do Brasil ao comércio de agrotóxicos, condiciona o agricultor a comprar o veneno com recursos do crédito rural, ao instituir a inclusão de uma cota definida de agrotóxico para cada financiamento requerido (OMS, 1997). Essa obrigatoriedade, somada à propaganda dos fabricantes, determinou um enorme incremento e disseminação da utilização dos agrotóxicos no Brasil, que é atualmente um dos maiores consumidores mundiais, do que resultam inúmeros problemas, tanto de saúde da população como de meio ambiente. Muito desses produtos não possuem antídotos e são proibidos em seus países de origem (OMS, 1997).

17

Aquela política de crédito integrou o movimento conhecido como “Revolução Verde”, iniciado nos Estados Unidos da América com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola a partir do incremento da utilização de agroquímicos, da expansão das fronteiras agrícolas e do aumento da mecanização da produção. De acordo com Meirelles (1996), no Brasil, a revolução verde se deu através do aumento da importação de produtos químicos, da instalação de indústrias produtoras e formuladoras de agrotóxicos e do estímulo do governo, através do crédito rural, para o consumo de agrotóxicos e fertilizantes. O uso contínuo e em grande escala de agrotóxicos, o crescimento do número de produtos utilizados e a falta de conscientização tanto no uso como comercialização, feita sem receituário e controle, contribuem para o desenvolvimento de espécies de pragas resistentes, causando problemas de saúde humana, ambientais, contaminação de solos, águas superficiais e subterrâneas, além de provocar a extinção de inimigos naturais, e interferindo de forma nociva sobre a fauna e a flora (IMA, 2007). Segundo Trapé (1993), no ano de 1989 ocorreram no mundo cerca de três milhões de intoxicações agudas por agrotóxicos, com 220 mil mortes por ano. Destas, cerca de 70% se dão em países em desenvolvimento. Além da intoxicação dos trabalhadores que têm contato direto ou indireto com esses produtos, a contaminação de alimentos tem causado intoxicações e mortes. De acordo com Faria (2007), o trabalho agrícola é uma das mais perigosas ocupações na atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos que são relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais No Brasil, não há dados que reflitam a realidade do número de intoxicações e mortes por agrotóxicos, porém é fácil supor que o tamanho do problema não é pequeno, pois o país é um dos maiores consumidores mundiais e, muitas vezes, requisitos básicos de segurança para aplicação, armazenamento e disposição final das embalagens não são cumpridos (OMS, 1997).

18

2. OBJETIVO

  • 2.1. Geral

O objetivo geral da pesquisa é levantar informações acerca da destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, seus possíveis impactos ambientais e formas de manejo ambientalmente corretas, a partir de um estudo de caso, no município de Barretos - SP. A região foi escolhida, pois, possui sua economia voltada para cultivos agrícolas que demandam uso intensivo de agrotóxicos e, também, por possuir unidade de recebimento de embalagens vazias.

  • 2.2. Específico

Os objetivos específicos da pesquisa são:

  • - Levantar na bibliografia os usos de agrotóxicos, impactos ao ambiente e à saúde humana relacionados;

  • - Conhecer a legislação correlata ao tema;

  • - Conhecer as formas de manejo adequado das embalagens de agrotóxicos vazias.

19

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1. Definições

3.1.1. Meio Ambiente

O meio ambiente pode ser entendido como o conjunto de condições e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento de um organismo. A seguir segue algumas definições sobre meio ambiente.

Para Antunes (2001, p. 47), a definição de meio ambiente é feita nos seguintes termos:

[…] definimos o ambiente de uma dada população de seres humanos como o sistema de constantes espaciais e temporais de estruturas não- humanas, que influencia os processos biológicos e o comportamento dessa população. No “ambiente” compreendemos os processos sociais diretamente ligados a essas estruturas, como sejam o trajeto regular dos suburbanos, ou o desvio comportamental em correlação direta com a densidade da população ou com as condições habitacionais. Excluímos, no entanto, os processos que se desenvolvem principalmente no exterior do sistema social. É evidente que tal distinção, em certa medida, é arbitrária, pois num sistema social casa elemento se acha vinculado a todos os outros.

Para Fiorillo (2004, p. 19),

Primeiramente, verificando a própria terminologia empregada, extraímos que meio ambiente relaciona-se a tudo aquilo que nos circunda. Costuma-se criticar tal termo, porque pleonástico, redundante, em razão de ambiente já trazer em seu conteúdo a idéia de “âmbito que circunda”, sendo desnecessária a complementação pela palavra meio.

20

Para Mota (2000, p. 18),

Conjunto de condições que afetam a existência, desenvolvimento e bem estar dos seres vivos. Não se trata, pois, apenas de um lugar no espaço, mas de todas as condições físicas, químicas e biológicas que favorece ou desfavorecem o desenvolvimento.

Sendo que para Antunes (2001, p. 190)

um conjunto de ações, circunstanciais de origem culturais, sociais,

físicas, naturais e econômicas que envolve o homem e todas as formas

de vida;

meio ambiente é tudo aquilo que circunda a vida, é todo

o meio no qual os seres vivos estão inseridos.

Desta forma, entende-se que os costumes, a natureza, os microorganismos e tudo que se respira, enfim tudo que faz parte do meio que vivemos pode ser compreendido como Meio Ambiente.

3.1.2. Impactos Ambientais

Algumas vezes, os resultados das ações humanas sobre o meio ambiente, causam sérios problemas ao próprio meio ambiente. Alguns autores, definem impacto ambiental como:

Segundo Antunes (2001, p. 193-194),

Impacto é um choque, uma modificação brusca causada por alguma força exterior que tenha colidido com algo. Sinteticamente, poderíamos dizer que o impacto ambiental é uma modificação brusca causada no meio ambiente.

A multiplicidade de circunstância e eventos que podem advir da intervenção humana no mundo natural é tão ampla que, dificilmente, poderá ser avaliada pela ciência. A humanidade necessita intervir na natureza para sobreviver. Por mais “ambientalista” que uma pessoa seja, ela não poderá viver sem consumir recursos ambientais. Qualquer ação humana produz repercussão na natureza. O homem está condenado a viver dos recursos naturais, ou sucumbir sem a utilização deles.

O impacto ambiental é, portanto, o resultado da intervenção humana sobre o meio ambiente. Pode ser positivo ou negativo, dependendo da qualidade da intervenção desenvolvida.

21

Segundo a Resolução n. 1/1986, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), em seu artigo 1º, fixou o conceito normativo de impacto ambiental, sendo:

Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:

I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II – as atividades sociais e econômicas; III – a biota; IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V – a qualidade dos recursos ambientais.

Mota (2000, p. 301), diz que

“[...]

entende-se qualquer alteração significativa no

meio – em um ou mais componentes – provocada por uma ação humana”.

  • 3.1.3. Agrotóxicos

Agrotóxico é um tipo de insumo agrícola. Os agrotóxicos podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas. Os agrotóxicos podem ser: pesticidas ou praguicidas (combatem insetos em geral), fungicidas (atingem os fungos), herbicidas (que matam as plantas invasoras ou daninhas) Os agrotóxicos são produtos químicos usados na lavoura, na pecuária e mesmo no ambiente doméstico: inseticidas, fungicidas, acaricidas, nematicidas, herbicidas, bactericidas, vermífugos (AMBIENTE BRASIL, 2007).

  • 3.1.4. Resíduos Sólidos

A ABNT 2004 por meio da NBR 10.004, caracteriza os resíduos sólidos como, qualquer resíduo nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede

22

pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. Resíduos é o resultado de processos de diversas atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e ainda da varrição pública. Os resíduos apresentam-se nos estados sólido, gasoso e líquido. Ficam incluídos nesta definição tudo o que resta dos sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d'água, ou aqueles líquidos que exijam para isto soluções técnicas e economicamente viáveis de acordo com a melhor tecnologia disponível (AMBIENTE BRASIL, 2007). Os Resíduos sólidos são materiais heterogêneos, (inertes, minerais e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. Os resíduos sólidos constituem problemas sanitário, ambiental, econômico e estético (AMBIENTE BRASIL, 2007) A classificação de resíduos envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e de seus constituintes e características e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido (ABNT NBR 10004:2004). A identificação dos constituintes a serem avaliados na caracterização do resíduo deve ser criteriosa e estabelecida de acordo com as matérias-primas, os insumos e o processo que lhe deu origem (ABNT NBR 10004:2004). O laudo de classificação pode ser baseado exclusivamente na identificação do processo produtivo, quando do enquadramento do resíduo nas listagens dos anexos A ou B da NBR 10004. Deve constar no laudo de classificação a indicação da origem do resíduo, descrição do processo de segregação e descrição do critério adotado na escolha de parâmetros analisados, quando for o caso, incluindo os laudos de análises laboratoriais. Ainda de acordo com a ABNT NBR 10004:2004, os resíduos são classificados

em:

a) resíduos classe I - Perigosos; b) resíduos classe II – Não perigosos; – resíduos classe II A – Não inertes. – resíduos classe II B – Inertes.

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  • a) Resíduos classe I - Perigosos

Aqueles que apresentam periculosidade como: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

  • b) Resíduos classe II – Não Perigosos

Resíduos classe II A - Não inertes

Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe II B - Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.

Resíduos classe II B - Inertes

Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não

tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.

3.2. Agrotóxicos

3.2.1. Agrotóxicos – Aspectos Gerais

Os agrotóxicos são um dos mais importantes fatores de riscos para a saúde humana. Utilizados em grande escala por vários setores produtivos e mais intensamente pelo setor agropecuário, têm sido objeto de vários tipos de estudos, tanto pelos danos que provocam à saúde da população humana, e dos trabalhadores rurais de modo particular, como pelos danos ao meio ambiente e pelo aparecimento de resistência em organismos-alvo (pragas e vetores) nas empresas. Na agricultura são amplamente utilizados nos sistemas de monocultivo em grandes extensões. As lavouras que mais os utilizam são as de soja, cana-de-açúcar, milho, café, cítricos, arroz irrigado e algodão. Também as culturas menos expressivas por área

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plantada, tais como fumo, uva, morango, batata, tomate e outras espécies hortícolas e frutícolas empregam grandes quantidades de agrotóxicos (OIT, 2001; Brasil, 1997). Essas substâncias são ainda utilizadas na construção e manutenção de estradas, tratamento de madeiras para construção, armazenamento de grãos e sementes, produção de flores, combate às endemias e epidemias, como domissanitários etc. Enfim, os usos dos agrotóxicos excedem em muito aquilo que comumente se reconhece. Os agrotóxicos são agentes constituídos por uma grande variedade de compostos químicos (principalmente) ou biológicos, desenvolvidos para matar, exterminar, combater, repelir a vida (além de controlarem processos específicos, como os reguladores do crescimento). Normalmente, têm ação sobre a constituição física e a saúde do ser humano, além de se apresentarem como importantes contaminantes ambientais e das populações de animais a estes ambientes relacionadas (ANVISA,

2002).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), dada a grande diversidade de produtos, cerca de 300 princípios ativos em 2 mil formulações comerciais diferentes no Brasil, é importante conhecer a classificação dos agrotóxicos quanto á sua ação e ao grupo químico a quem pertencem. Esta classificação também é útil para o diagnóstico das intoxicações e instituição de tratamento específico. Os agrotóxicos classificam-se em:

a) lnseticidas: possuem ação de combate a insetos, larvas e formigas. Os inseticidas pertencema quatro grupos químicos distintos:

organofasforados: são compostos orgânicos derivados do ácido fosfórico, do ácido tiofosfórico ou do ácido ditofosfórico. Ex.: Folidol, Azodrin, Malation, Diazinon, Nuvacron,Tantaron, Rhodìatox. carbamatos: são derivados do ácido carbâmico. Ex.: Carbaril, Tentfk, Zeclram, Furadan. organoclorados: são compostos à base de carbono, com radicais de cloro. São derivados do clorobenzeno, do ciclo-hexano ou do ciclodieno. Foram muito utilizados na agricultura, como inseticidas, porém seu emprego tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido. Ex.: Aldrin, Endrin, MtIC, DUr, Endossulfan, Heptacloro, Lindane, Mirex. piretróides: são compostos sintéticos que apresentam estruturas semelhantes à piretrina, substâncìa existente nas flores do Chrysanthmum (pyrethrum)

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cinenariaefolium. Alguns desses compostos são: aletrina, resmetrina, decametrina, cipermetrina.

b) Fungicidas: combatem fungos. Existem muitos fungicidas no mercado. Os principais grupos químicos são:

etileno-bis-ditiocarbonatos: Maneb, Mancozeb, Dithane, Zineb,Tiram.

trifenil estânico: Duter e Brestan.

captan: Ortocide a Merpan.

hexaclorobenzeno.

c) Herbicidas: combatem ervas daninhas. Nas últimas duas décadas, este grupo tem tido uma utilização crescente na agricultura. Seus prìncipais representantes são:

paraquat: comercializado com o nome de Gramoxone glifosato: Round-up pentaclofenol derivados do ácido fenoxiacético: 2,4 diclorofenoxiacético (2,4 D) a 2,4,5 triclorofenoxiacético (2,4,5 T). A mistura de 2,4 D com 2,4,5 T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã. O nome comercial dessa mistura é Tordon. dinitrofenóis: Dinoseb a DNOC. Outros grupos importantes compreendem:

raticidas ( dicumarínicos ): utilizados no combate a roedores acaricidas: ação de combate a ácaros diversos nematicidas: ação de combate a nematóides molusquicidas: ação de combate a moluscos, basicamente contra o caramujo da esquistossomose fumigantes: ação de combate a insetos, bactérias: fosfetos metálicos (fosfina) e brometo de metila.

3.2.2. Agrotóxicos - Classificação

De acordo com Antunes (2001, p. 341) agrotóxicos são produtos químicos destinados à utilização pela agricultura com a finalidade de “proteção” contra pragas ou

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destinados a aumentar a produtividade de determinadas culturas. Inicialmente, foram denominados com fertilizantes ou defensivos agrícolas, denominação estas que caíram em desuso, tendo em vista a alta nocividade destes produtos químicos e a impressionante capacidade por eles demonstradas de criar uma verdadeira dependência química nas diversas espécies vegetais, fazendo com que, cada vez mais, seja necessária maior quantidade de agrotóxicos para a obtenção de um mesmo rendimento agrícola. De acordo com a Lei Federal nº 7802, de 11/07/1989, regulamentada pelo Decreto nº 98816, no seu artigo 2º, inciso I, define o termo agrotóxicos da seguinte forma: “os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento”. Essa definição exclui fertilizantes e químicos administrados a animais para estimular ou modificar comportamento reprodutivo. O termo “agrotóxico” ao invés de “defensivo agrícola” passou a ser utilizado no Brasil, para denominar os venenos agrícolas, após grande mobilização da sociedade civil organizada. Mais do que uma simples mudança de terminologia, esse termo coloca em evidência a toxicidade desses produtos para o meio ambiente e a saúde humana. São genericamente denominados pesticidas ou praguicidas. Os agrotóxicos são classificados, ainda, segundo seu poder tóxico. Esta classificação é fundamental para o conhecimento da toxicidade de um produto, do ponto de vista de seus efeitos agudos. No Brasil, a classificação toxicológica está a cargo do Ministério da Saúde. A TABELA 1 relaciona as classes toxicológicas com a dose letal 50 (DL 50), comparando-a com a quantidade suficiente para matar uma pessoa adulta.

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TABELA 1: Classificação toxicológica dos agrotóxicos segundo a DL 50

Grupos

Descrição

Dose capaz de matar um adulto

Extremamente

(DL 50 < 50 mg/kg de peso vivo)

5 mg/kg – algumas gotas

tóxicos

Muito tóxicos

(DL 50 – 50 a 500 mg/kg de peso vivo)

1 colher de chá

Moderadamente

(DL 50 – 500 a 5000 mg/kg de peso vivo)

1 colher de sopa

tóxicos

Pouco tóxicos

(DL 50 > 5000 mg/kg de peso vivo)

2 colheres de sopa

Fonte: Trapé (1993)

Por determinação legal, todos os produtos devem apresentar nos rótulos uma faixa colorida indicativa de sua classe toxicológica, conforme mostra a TABELA 2.

TABELA 2: Classe toxicológica e cor da faixa no rótulo de produto agrotóxico

Classe

Descrição

Faixa indicativa de cor

toxicológica

I

Extremamente tóxicos (DL 50 < 50 mg/kg de peso vivo)

Vermelho vivo

II

Muito tóxicos (DL 50 – 50 a 500 mg/kg de peso vivo)

Amarelo intenso

III

Moderadamente tóxicos (DL 50 – 500 a 5000 mg/kg de peso vivo)

Azul intenso

IV

Pouco tóxicos (DL 50 > 5000 mg/kg de peso vivo)

Verde intenso

Fonte: Trapé (1993)

3.2.3. Tipos de Embalagens

  • a) Embalagens Laváveis

São aquelas embalagens rígidas (plásticas, metálicas e de vidro) que

acondicionam formulações líquidas de agrotóxicos para serem diluídas em água (de acordo com a norma técnica NBR-13.968). Os procedimentos de lavagem destas embalagens são:

  • a) Esvaziar completamente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador;

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  • b) Adicionar água limpa à embalagem até ¼ do seu volume;

  • c) Tampar bem a embalagem e agite-a por 30 segundos;

  • d) Despejar a água de lavagem no tanque do pulverizador;

  • e) Fazer esta operação 3 vezes;

  • f) Inutilizar a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo.

  • b) Embalagens Não Laváveis

São todas as embalagens flexíveis e aquelas embalagens rígidas que não utilizam água como veículo de pulverização. Incluem-se nesta definição as embalagens secundárias não contaminadas rígidas ou flexíveis. Embalagens flexíveis: Sacos ou saquinhos plásticos, de papel, metalizadas, mistas ou de outro material flexível; Embalagens rígidas que não utilizam água como veículo de pulverização:

embalagens de produtos para tratamento de sementes, Ultra Baixo Volume (UBV) e formulações oleosas; Embalagens secundárias: refere-se às embalagens rígidas ou flexíveis que acondicionam embalagens primárias, não entram em contato direto com as formulações de agrotóxicos, sendo consideradas embalagens não contaminadas e não perigosas, tais como caixas coletivas de papelão, cartuchos de cartolina, fibrolatas e as embalagens termomoldáveis.

3.2.4. Impactos Ambientais Causados por Agrotóxicos

A contaminação ambiental causada pelo uso de agrotóxicos tem gerado preocupações quanto à utilização inadequada desses compostos. A crescente demanda da sociedade civil e de órgãos legisladores e fiscalizadores por processos produtivos com menor impacto ambiental têm levado à necessidade de se avaliar o comportamento e o destino dessas substâncias utilizadas nos agroecossistemas (LUCHINI & ANDRÉA, 2000; LUCHINI, 2004). A deriva é um dos principais motivos de perdas de agrotóxicos e conseqüente contaminação ambiental. De acordo com Velloso et al. (1984), Matuo (1990) e Christofoletti (1999), deriva é tudo aquilo que não atinge o alvo durante a aplicação.

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Miller (1993) define deriva como parte da pulverização agrícola que é carregada para fora da área-alvo, pela ação do vento. De maneira similar, Ozkan (2001) conceitua deriva como o movimento de um produto no ar, durante ou depois da aplicação, para um local diferente do planejado. Miller (2004) acrescenta ainda que o agrotóxico pode ser transportado da área-alvo na forma de gotas ou vapor. A perda na forma de vapor pode ocorrer durante ou posteriormente à aplicação, sendo muito dependente da pressão de vapor e das características da formulação do produto. Segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF, 2007), 100 milhões de litros de agrotóxicos são vendidos no país anualmente, sendo que 300 mil litros permanecem nas embalagens, oferecendo altos riscos aos que manipulam e ao meio ambiente. Com a prática da tríplice lavagem, muito pouco conhecida no meio rural brasileiro, os restos cairiam para apenas meio litro. O impacto da atividade humana sobre um território pode ser facilmente avaliado através do diagnóstico da qualidade das águas superficiais. Neste sentido, a avaliação de parâmetros como carga de sedimentos e de organismos, metais pesados, fósforo e moléculas de agrotóxicos em águas de microbacia hidrográfica (MBH) auxilia na determinação do nível de poluição, subsidiando a sua identificação e origem, permitindo a elaboração de estratégias adequadas de manejo (RHEINHEIMER et al., 2003). Em especial, cerca de 20% das quantidades dos agrotóxicos usados como tratamento profilático de plantas, podem alcançar as águas superficiais (BARRIUSO et al., 1996). Esta alíquota só não é superior porque existem alguns processos que atuam na imobilização de moléculas de agrotóxicos, diminuindo a quantidade de poluente. À exceção do processo de evaporação de moléculas de agrotóxicos, que é controlado pelas condições ambientais, a adsorção de moléculas pelas cargas dos constituintes de solo pode abreviar, de forma significativa, a transferência de agrotóxicos, como também de elementos traços metálicos e, por conseqüência, diminuir o risco de poluição das águas sub-superficiais (Schwarzenbach et al., 1993; Barriuso et al., 1996; Kastenholz et al., 2001); contudo, mesmo em solos argilosos com maior capacidade de adsorção de cátions e ânions, que funcionam como agente tampão, verifica-se que a transferência de agrotóxicos pode ocorrer pela perda de sedimentos através da erosão, fator ligado ao mau manejo do solo (Spongberg & Martin-Hayden, 1997; Barriuso et al., 1996).

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Assim, a transferência de moléculas de agrotóxicos dos ecossistemas terrestres aos aquáticos é uma constante, sobretudo em áreas agrícolas devido ao uso de quantidades elevadas e de tipos diferentes de princípios ativos por área e às altas taxas de erosão do solo (Lins et al., 2001). Segundo von Sperling (1996), Hatfield (1993) e Hatfield et al. (1995), a poluição oriunda da atividade agrícola é considerada do tipo difusa, de difícil identificação, monitoramento e, conseqüentemente, controle. Neste sentido, o monitoramento da qualidade das águas superficiais em unidades paisagísticas, com diferentes configurações de uso em MBH, pode auxiliar na escolha de critérios de uso do solo e preservar o recurso água (Franco, 1997). Objetivou-se, com o presente trabalho, investigar a presença de agrotóxicos em águas superficiais de cursos d'água em uma microbacia hidrográfica de cabeceira com cultivo de fumo, observando-se a configuração de uso do solo das unidades paisagísticas que a compõem.

3.2.5. Riscos à Saúde

A relação entre agricultura e saúde pública sempre foi muito grande, seja na função de supridora de alimentos, seja pelos riscos à saúde humana e ao meio ambiente causados pela utilização de agrotóxicos. O crescimento da demanda por alimentos que acompanhou a explosão demográfica resultou, em um primeiro momento, na intensificação da cultura em terras mais férteis e, em um segundo momento, na expansão dessas fronteiras agrícolas para áreas menos produtivas (VEIGA, 2007). A saúde humana pode ser afetada pelos agrotóxicos diretamente, através do contato com estas substâncias - ou através do contato com produtos e/ou ambientes por estes contaminados - e, indiretamente, através da contaminação da biota de áreas próximas a plantações agrícolas, que acaba por desequilibrar os ecossistemas locais, trazendo uma série de injúrias aos habitantes dessas regiões. As formas de exposição responsáveis pelos impactos destes agentes sobre o homem são razoavelmente conhecidas. Os processos através dos quais as populações humanas estão expostas, entretanto, constituem-se, ainda hoje, verdadeiros mistérios, dada a multiplicidade de fatores que estão envolvidos (PERES, 2005). As principais vias de penetração no corpo do ser humano, em ordem crescente, são: por ingestão, pela respiração e por absorção dérmica.

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A penetração pela pele vai variar com a formulação empregada, temperatura, umidade relativa do ar, regiões do corpo (verso das mãos, pulsos, nuca, pés, axilas e virilhas absorvem mais), tempo de contato, existência de feridas etc (GARCIA, 2001). Os agrotóxicos são substâncias que, apesar de serem cada vez mais utilizadas na agricultura, podem oferecer perigo para o homem, dependendo da toxicidade, do grau de contaminação e do tempo de exposição durante sua aplicação. Em muitos países, principalmente naqueles em desenvolvimento, o uso indiscriminado dos agrotóxicos é generalizado e tem chamado a atenção dos governos, das agências de proteção do meio ambiente e de trabalhadores. Igbedioh (1991), em seu estudo, relata que a exposição aos agrotóxicos por longo tempo em homens, plantas e animais tem efeitos nocivos e indesejáveis. Aponta como medidas para redução de riscos na sua utilização: a educação e treinamento dos agricultores, a regulação da propaganda, a limitação do uso de substâncias altamente tóxicas, o monitoramento da população mais exposta ao agrotóxico e a inspeção dos produtos nas lojas de venda e no campo. De acordo com a OMS (1999) e segundo o Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica (SINITOX) em relação à circunstância de ocorrência das intoxicações por agrotóxicos, 62,45 % dos casos foram registrados como acidente, 17,21 % como suicídio e 8,11 % como profissional. Os agrotóxicos podem determinar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. Na intoxicação aguda os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos extrema ou altamente tóxicos. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, a depender da quantidade de veneno absorvido. Os sinais e sintomas são nítidos e objetivos. A intoxicação subaguda ocorre por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos e tem aparecimento mais lento. Os sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, entre outros. A intoxicação crônica caracteriza-se por surgimento tardio, após meses ou anos, por exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos irreversíveis, do tipo paralisias e neoplasias. Essas intoxicações não são reflexo de uma relação simples entre o produto e a pessoa exposta. Vários fatores participam de sua determinação, dentre eles os fatores relativos às características químicas e toxicológicas do produto, fatores relativos ao

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indivíduo exposto, às condições de exposição ou condições gerais do trabalho, sendo brevemente descritas a seguir:

  • a) Características do produto: características toxicológicas, forma de apresentação,

estabilidade, solubilidade, presença de contaminantes, presença de solventes, etc.

  • b) Características do indivíduo exposto: idade, sexo, peso, estado nutricional,

escolaridade, conhecimento sobre os efeitos a medidas de segurança, etc.

  • c) Condições de exposição: condições gerais do trabalho, freqüência, dose, formas

de exposição, etc.

As características clínicas das intoxicações por agrotóxicos dependem, além dos aspectos acima citados, do fato de ter ocorrido contato/exposição a um único tipo de produto ou a vários deles. Nas intoxicações agudas decorrentes do contato/exposição a apenas um produto, os sinais e sintomas clínico-laboratoriais são bem conhecidos, o dìagnóstico é claro e o tratamento definido. Em relação às intoxicações crônicas, o mesmo não pode ser dito. O quadro clínico é indefinido e o diagnóstico difícil de ser estabelecido. Inicialmente serão descritos os quadros específicos dos agrotóxicos mais utilizados, acrescentando-se ao final uma descrição dos efeitos resultantes da exposição a múltiplos agrotóxicos.

3.2.6. Riscos à População Rural

O uso de agrotóxicos é um dos recursos mais utilizados pelos produtores rurais para tentar compensar a perda de produtividade provocada pela degradação do solo e controlar o aparecimento de doenças. Porém, muitas vezes, essa utilização de agrotóxicos é feita de forma inadequada, sem o conhecimento das reais necessidades do solo e das plantas (VEIGA, 2007). A diagnose de doenças de plantas no campo é tarefa difícil e um diagnóstico incorreto tem induzido à utilização de agrotóxicos de maneira e em quantidades inadequadas, gerando resultados duvidosos e elevando o risco à saúde humana e ao meio ambiente. Três fatores estão sempre presentes sinergicamente em qualquer doença de planta: um agente causal, um hospedeiro suscetível e condições climáticas favoráveis (LOPES, 1994). Ressalta-se que os efeitos negativos de uma possível contaminação por agrotóxicos à saúde humana seriam agravados em pequenas comunidades rurais, pelas

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precárias condições sanitárias, deficiência no sistema de saúde local e falta de infra- estrutura da maioria da população local, normalmente, de baixas condições socioeconômicas (VEIGA, 2007). Outro aspecto relevante no caso de contaminação por agrotóxicos em populações de pequenas comunidades rurais seria o fato de que a maioria dos trabalhadores tem nível de instrução inadequado para o desempenho da função. Esta inadequação se dá porque a capacidade de leitura do rótulo e entendimento dos procedimentos adequados de preparação e aplicação é uma condição indispensável para o manejo e aplicação dos agrotóxicos de forma correta (CASTRO, 2005).

3.2.6.1 Efeitos aos Humanos

As principais exposições a estes produtos ocorrem nos setores agropecuário, saúde pública, firmas desinsetizadoras, transporte, comercialização e produção de agrotóxicos. Além da exposição ocupacional, a contaminação alimentar e ambiental coloca em risco de intoxicação outros grupos populacionais. Merecem destaque as famílias dos agricultores, a população circunvizinha a uma unidade produtiva e a população em geral, que se alimenta do que é produzido no campo. Portanto, pode-se afirmar que os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde não dizem respeito apenas aos trabalhadores expostos, mas à população em geral. Como diz Chediack, 1986, apropriadamente, a unidade produtiva não afeta apenas o trabalhador, mas contagia o meio ambiente e repercute sobre o conjunto social. A TABELA 3 apresenta um resumo dos principais sinais e sintomas agudos e crônicos, considerando a exposição única ou por curto período e a continuada por longo período.

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TABELA 3: Sinais a sintomas de intoxicação por agrotóxico segundo tipo de exposição

Sinais e sintomas

Exposição única ou por curto período

Exposição continuada por longo período

Agudos

Cefaléia; tontura; náusea; vômito; fasciculação muscular; parentesias; desorientação; dificuldade respiratória; coma; morte.

Hemorragias; hipersensibilidade; terafogénese; morte fetal.

Crônicos

Paralisias reversíveis; ação neurotóxicas retardada irreversível; pancitopenia; distúrbios neuropsicológicos.

Lesão cerebral irreversível; tumores malignos; atrofia testicular; esterilidade masculina; alterações neurocomporta mentais; nefrites periféricas; dermatites de contato; formação de catarata; atrofia do nervo óptico; lesbes hepáticas.

Fonte: OMS (1997)

Outro aspecto a ser ressaltado refere-se à exposição a múltiplos agrotóxicos. O trabalhador rural brasileiro freqüentemente se expõe a diversos produtos, ao longo de muitos anos, disso resultando quadros sintomatológicos combinados, mais ou menos específicos, que se confundem com outras doenças comuns em nosso meio, levando a dificuldades e erros diagnósticos, além de tratamentos equivocados. A TABELA 4 mostra os efeitos da exposição prolongada a vários produtos agrotóxicos.

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TABELA 4: Sinais a sintomas de intoxicação por agrotóxico segundo tipo de exposição

Sistema/órgão

Exposição única ou por curto período

Sistema nervoso

Sindroma asteno-vegetativa, polineurite, radiculite, encefalopatia, distonia vascular, esclerose cerebral, neurite retrobulbar angiopatia da retina.

Sistema respiratório

Traqueite crônica, pneumofibrose, enfisema pulmonar, asma brônquica

Sistema cardiovascular

Miocardite tóxica crônica, insuficiência coronária crônica, hipertensão, hipotensão.

Fígado

Hepatite crônica, colecistite, insuficiência hepática

Rins

Albuminúria, nictúria, alteração do clearance da uréia, nitrogênio e creatinina.

Trato gastrointestinal

Gastrite crônica, duodenite, úlcera, colite crônica (hemorrágica, espástica, formações polipóides), hipersecreção e hiperacidez gástrica, prejuízo da motricidade.

Sistema hematopoiético

Leucopenia, eosinopenia, monocitose, alterações na hemoglobina.

Pele

Dermatites, eczemas.

Olhos

Conjuntivite, blefarite

Fonte: OMS (1997)

3.2.7. Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Os EPIs mais comumente utilizados são: máscaras protetoras, óculos, luvas impermeáveis, chapéu impermeável de abas largas, botas impermeáveis, macacão com mangas compridas e avental impermeável. Os EPIs a serem utilizados são indicados via receituário agronômico e nos rótulos dos produtos (EMBRAPA, 2007). Devem ser utilizados em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e do produto a ser utilizado, devem possuir Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho, os filtros das máscaras e respiradores são específicos para defensivos e têm data de validade, as luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos, o trabalhador deve seguir as instruções de uso de respiradores, a lavagem deve ser feita usando luvas e separada das roupas da família, devem ser mantidos em locais limpos, secos, seguros e longe de produtos químicos (EMBRAPA,

2007).

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  • 3.2.8. Transporte

O transporte de defensivos pode ser perigoso, principalmente, quando as embalagens são frágeis, devendo-se tomar as seguintes precauções: nunca transportar defensivos agrícolas junto com alimentos, rações, remédios etc.; nunca carregar embalagens que apresentem vazamentos; embalagens contendo defensivos e que sejam suscetíveis a ruptura deverão ser protegidas durante seu transporte usando materiais adequados; verificar se as tampas estão bem ajustadas; impedir a deterioração das embalagens e das etiquetas; evitar que o veículo de transporte tenha pregos ou parafusos sobressalentes dentro do espaço onde devem ser colocadas as embalagens; não levar produtos perigosos dentro da cabine ou mesmo na carroceria se nela viajarem pessoas ou animais; não estacionar o veículo junto às casas ou locais de aglomeração de pessoas ou de animais; e em dias de chuva sempre cobrir as embalagens com lona impermeável se a carroceria for aberta (EMBRAPA, 2007).

  • 3.2.9. Armazenamento

Um fator importante na armazenagem é a temperatura no interior do depósito. As temperaturas mais altas podem provocar o aumento da pressão interna nos frascos, contribuindo para a ruptura da embalagem, ou mesmo, propiciando o risco de contaminação de pessoas durante a abertura da mesma. Pode ocorrer ainda a liberação de gases tóxicos, principalmente daquelas embalagens que não foram totalmente esvaziadas, ou que foram contaminadas externamente por escorrimentos durante o uso. Estes vapores ou gases podem colocar em risco a vida de pessoas ou animais da redondeza (EMBRAPA, 2007 Em relação ao armazenamento, a EMBRAPA orienta:

  • a) Recomendações gerais

A armazenar os agrotóxicos em locais cobertos de maneira a proteger os produtos contra intempéries e com relação à infra-estrutura dos depósitos sugere que a construção do depósito deve ser de alvenaria, não inflamável; o piso deve ser revestido de material impermeável, liso e fácil de limpar; não deve haver infiltração de umidade pelas paredes, nem goteiras no telhado; funcionários que trabalham nos depósitos devem ser

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adequadamente treinados, devem receber equipamento individual de proteção e ser periodicamente submetidos a exames médicos; junto a cada depósito deve haver chuveiros e torneira, para higiene dos trabalhadores; um “chuveirinho” voltado para cima, para a lavagem de olhos, é recomendável; as pilhas dos produtos não devem ficar em contato direto com o chão, nem encostadas na parede; deve haver amplo espaço para movimentação, bem como arejamento entre as pilhas; estar situado o mais longe possível de habitações ou locais onde se conservem ou consuma alimentos, bebidas, drogas ou outros materiais, que possam entrar em contato com pessoas ou animais; manter separados e independentes os diversos produtos agrícolas; efetuar o controle permanente das datas de validade dos produtos; as embalagens para líquido devem ser armazenadas com o fecho para cima; os tambores ou embalagens de forma semelhante não devem ser colocados verticalmente sobre os outros que se encontram horizontalmente ou vice-versa; deve haver sempre disponibilidade de embalagens vazias, como tambores, para o recolhimento de produtos vazados; deve haver sempre um adsorvente como areia, terra, pó de serragem ou calcário para adsorsão de líquidos vazados; deve haver um estoque de sacos plásticos, para envolver adequadamente embalagens rompidas; nos grandes depósitos é interessante haver um aspirador de pó industrial, com elemento filtrante descartável para se aspirar partículas sólidas ou frações de pós vazados; se ocorrer um acidente que provoque vazamentos, tomar medidas para que os produtos vazados não alcancem fontes de água, não atinjam culturas, e que sejam contidos no menor espaço possível. Recolher os produtos vazados em recipientes adequados. Se a contaminação ambiental for significativa, avisar as autoridades, bem como alertar moradores vizinhos ao local.

  • b) Pequenos depósitos

Com relação aos pequenos depósitos, a não guardar defensivos agrícolas ou remédios veterinários dentro de residências ou de alojamento de pessoal; não armazenar defensivos nos mesmos ambientes onde são guardados alimentos, rações ou produtos colhidos; se os defensivos forem guardados num galpão de máquinas, a área deve ser isolada com tela ou parede, e mantida sob chave; não fazer estoque de produtos além das quantidades previstas para uso a curto prazo, como uma safra agrícola; todos os produtos devem ser mantidos nas embalagens originais. Após remoção parcial dos conteúdos, as embalagens devem ser novamente fechadas; no caso de rompimento de

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embalagens, estas devem receber uma sobrecapa, preferivelmente de plástico transparente para evitar a contaminação do ambiente, deve permanecer visível o rótulo do produto; na impossibilidade de manutenção na embalagem original, por estar muito danificada, os produtos devem ser transferidos para outras embalagens que não possam ser confundidas com recipientes para alimentos ou rações, devem ser aplicadas etiquetas que identifiquem o produto, a classe toxicológica e as doses a serem usadas para as culturas em vista, sendo que essas embalagens de emergência não devem ser mais usadas para outra finalidade.

3.2.10. Receituário agronômico

Os agrotóxicos tornaram-se um problema em termos ambientais e de saúde. Mesmo com a existência de um Receituário Agronômico, a fiscalização sobre as vendas e sobre a aplicação é deficitária. Produtos com preços atrativos também chegam de outros países por fronteiras e caminhos não tradicionais, os chamados "agrotóxicos piratas". Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90). Para a elaboração de uma receita é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para visualizar avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção de prescrições técnicas. As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária - DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto. Para a aquisição dos defensivos agrícolas é necessário que a pessoal, procure orientação técnica com o engenheiro agrônomo ou florestal; solicitar o receituário agronômico, seguindo-o atentamente; adquire o produto em lojas cadastradas e de confiança; verifique se é o produto recomendado (nome comercial, ingrediente ativo e concentração); observe a qualidade da embalagem, lacre, rótulo e bula, se o prazo de

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validade, o número de lote e a data de fabricação estão especificados e exigir a nota fiscal de consumidor especifico.

3.2.11. Legislação Vigente

O conjunto da legislação que norteia a destinação final das embalagens vazias de defensivos agrícolas segundo o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – inpEV (2006), são:

  • a) Leis Federais:

Lei Federal n. 7.802 de 11 de julho de 1989 (com modificações da Lei n. 9.974/2000) que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização e propaganda comercial, a utilização, a importação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação e inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências; Lei Federal n. 9.974 de 06 de junho de 2000, que altera a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências;

  • b) Decretos Federais:

Decreto Federal n. 4.074 de 04 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei n. 7.802 de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização e propaganda comercial, a utilização, a importação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação e inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências; Decreto Federal n. 5.981 de 06 de dezembro de 2006 . que dá nova redação e inclui dispositivos ao Decreto no 4.074, de 4 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a

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experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins;

  • c) Leis Estaduais:

Lei Estadual n. 997 de 31 de maio de 1976, que dispõe sobre o controle

da Poluição do Meio Ambiente;

  • d) Decretos Estaduais:

Decreto Estadual n. 8.468 de 08 de setembro de 1976, que Aprova o

Regulamento da Lei n. 997, de 31 de maio de 1976, que dispõe sobre a Prevenção e o Controle da Poluição do Meio Ambiente;

Decreto Estadual n. 12.059 de 17 de março de 2006, regulamenta a Lei

n. 2.951, de 17 de dezembro de 2004, que dispõe sobre os agrotóxicos, seus

componentes e afins;

  • e) Resoluções:

Resolução CONAMA n. 275/2001,que dispõe sobre o código de cores

para diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva; Resolução CONAMA n. 334/2003, que dispõe sobre os procedimentos de licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos; Resolução n. 420/2004 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que descaracteriza embalagens vazias de agrotóxicos como resíduo perigoso para efeito de transporte em todo o País, desde que submetidas a processos de lavagem;

  • f) Portarias:

Portaria Normativa IBAMA n. 84, de 15 de outubro de 1996, dispõe

sobre a classificação dos agrotóxicos quanto ao potencial de periculosidade ambiental;

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  • g) Normas Técnicas:

ABNT NBR 12.235 de 1988, que dispõe dos procedimentos de armazenamento de armazenamento de resíduos sólidos perigosos;

ABNT NBR 13.221 de 1994, que dispõe dos procedimentos de transporte de resíduos; ABNT NBR 13.968 de 1997, que dispõe dos procedimentos de lavagens de embalagens rígidas vazias de agrotóxico; ABNT NBR 14.719 de 2001, que dispõe da Destinação final de embalagem lavadas rígidas vazias de agrotóxico;

ABNT NBR 14.935 de 2003, que estabelece procedimentos para correta e

segura destinaçõ final das embalagens vazias; ABNT NBR 10.000 de 2004, que dispõe sobre a Classificação dos Resíduos Sólidos;

3.3. Elos do Sistema

A Legislação Federal, Lei 9.974, disciplina a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos determinando responsabilidades para o agricultor, o canal de distribuição, o fabricante e o poder público. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) foi criado para representar a indústria fabricante de agrotóxicos no papel de conferir a destinação final (reciclagem ou incineração) às embalagens devolvidas pelos agricultores e para fomentar o desenvolvimento do sistema junto aos demais agentes co-responsáveis.

3.3.1. Canais de Distribuição

Segundo o inpEV (2007), entende-se como responsabilidades dos canais de

comercialização (distribuidores e cooperativas) dentro do sistema de destinação final:

  • a) informar: ao vender o produto, indicar o local de entrega na nota fiscal;

  • b) gerenciar: disponibilizar e gerenciar local de recebimento;

  • c) comprovar:emitir comprovante de entrega;

  • d) orientar: orientar e conscientizar o agricultor.

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3.3.2. Responsabilidade do Agricultor

O principal motivo para dar destinação final correta para as embalagens vazias de agrotóxicos é diminuir o risco de saúde das pessoas e de contaminação do meio ambiente. Como a maioria das embalagens é lavável, é fundamental a prática da lavagem para a devolução e destinação final correta. O agricultor deve preparar as embalagens vazias para devolvê-las nas unidades de recebimento, considerando que cada tipo de embalagem deve receber tratamento diferente:

  • a) tríplice lavagem:

A tríplice lavagem das embalagens é um procedimento indispensável após o uso completo do produto, pois além de evitar o desperdício do mesmo, a remoção de resíduos no interior da embalagem se torna mais fácil no momento logo após a sua utilização, evitando-se assim a aderência do produto na parede da embalagem. Quando esvaziadas, as embalagens retêm uma quantidade do produto original, cerca de 0,3 a 0,4% , podendo variar de acordo com a área da superfície interna, formato e formulação. O procedimento da tríplice lavagem reduz a quantidade permanente de resíduo do agrotóxico na embalagem em ordem de ppm (partes por milhão), assegurando o manuseio da mesma (inpEV, 2007). De acordo com recomendações do inpEV (2007), a tríplice lavagem pode ser realizada via manual ou mecânica. O método manual consiste no esvaziamento completo da embalagem, despejando-se o conteúdo no tanque do pulverizador. Logo após este procedimento adiciona-se água limpa nesta, completa-se ¼ do seu volume e agita-se por 30 segundos. Por fim, a água de lavagem é despejada no interior do tanque do pulverizador. Todo este processo deve ser realizado três vezes consecutivas para que

o resultado tenha validade.

  • b) lavagem sob pressão:

Este procedimento somente pode ser realizado em pulverizadores com acessórios adaptados para esta finalidade –: após o esvaziamento, encaixar a embalagem no local apropriado do funil instalado no pulverizador; acionar o mecanismo para liberar o jato de água limpa; direcionar o jato de água para todas as paredes internas da embalagem por 30 segundos; a água de lavagem dever ser transferida para o interior do tanque do

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pulverizador; inutilizar a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo; armazenar em local apropriado até o momento da devolução. As embalagens vazias devem ser devolvidas juntas com suas tampas e rótulos quando o agricultor reunir uma quantidade que justifique o transporte. O agricultor tem o prazo de até 1 ano depois de compra para devolver as embalagens vazias. Se sobrar produto na embalagem, poderá devolvê-la até 6 meses após o vencimento. O agricultor deve devolver as embalagens vazias na unidade de recebimento indicada pelo revendedor no corpo da nota fiscal.

  • 3.3.3. Responsabilidade das Indústrias

Segundo o inpEV (2007), cabe a indústria a responsabilidade dentro do sistema de destinação final: recolher as embalagens devolvidas às unidades de recebimento; destinar dar a correta destinação final as embalagens vazias (reciclagem e incineração); e orientar e conscientizar o agricultor.

  • 3.3.4. Responsabilidade do Poder Público

Cabe ao Poder Público, conforme o inpEV (2007), a responsabilidade dentro do sistema:

a) fiscalizar o funcionamento do sistema de destinação final de embalagens de defensivos agrícolas; b) licenciar o funcionamento para unidades de recebimento de acordo com os órgãos competentes de cada estado; c) educar e conscientizar e apoiar os esforços de educação do agricultor, quanto as suas responsabilidades dentro do processo.

3.4. Gerenciamento de Unidades de Coleta de Embalagens Vazias de Agrotóxicos

Segundo a legislação vigente, os estabelecimentos comerciais deverão dispor de instalações adequadas para o recebimento e armazenamento das embalagens vazias devolvidas pelos usuários, até que sejam recolhidas pelas indústrias produtoras e

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comercializadoras de produtos fitossanitários, responsáveis pela destinação final destas embalagens (inpEV, 2007). A formação da Unidade de recebimento é de responsabilidade do setor de comercialização (distribuidores e cooperativas) sendo que seu gerenciamento pode ser terceirizado ou realizado por sua entidade representativa. Para otimizar recursos, normalmente os estabelecimentos comerciais de uma mesma região se organizam em associações e viabilizam a construção de uma única unidade de recebimento para uso e gerenciamento compartilhado (inpEV, 2007).

3.4.1. Instalação

  • 3.4.1.1 Construção

Para que a construção, o licenciamento

e credenciamento

de Unidades de

Recebimento sejam disponibilizados existem padrões a serem seguidos. Resolução

CONAMA n. 334/2003.

  • 3.4.1.2 Licenciamento

As Unidades de Recebimento necessitam de licenciamento ambiental para serem implantadas. Conforme o Artigo 4º da Resolução CONAMA n. 334/2003, o órgão ambiental competente exigirá as seguintes licenças ambientais:

I - Licença Prévia -LP: concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases;

II

-

Licença

de

Instalação

-

LI:

autoriza

a

instalação

do

empreendimento com especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo medidas de controle ambiental e demais condicionantes;

III - Licença de Operação -LO: autoriza a operação da atividade, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, das medidas de controle ambiental e suas condicionantes.

Parágrafo único. Os postos e centrais já em operação deverão requerer a LO, mediante apresentação de plano de adequação, no prazo de sessenta dias, contados a partir da data de publicação desta Resolução.

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  • 3.4.1.3 Credenciamento

Com toda a documentação aprovada, a Unidade de Recebimento de Embalagens deve solicitar seu credenciamento junto ao inpEV, cujo objetivo é a inclusão da Unidade no sistema de logística do inpEV para o recolhimento das embalagens vazias recebidas e encaminhamento ao destino final.

3.4.2. Operação

Para o início do funcionamento, as Unidades de Recebimento devem estar adequadas para o trabalho dos operadores e preparo das embalagens como a seguir, conforme o inpEV (2007). Dotar as unidades de recebimento de equipamentos e instalações especiais para o manuseio das embalagens lavadas ou não. Instalações especiais são células modulares para a separação e armazenamento das embalagens por tipo de material; Treinar a equipe de trabalho (supervisor e operadores) para o uso de equipamentos de proteção individual e atividades de recebimento, inspeção, triagem e armazenamento das embalagens; Ao receber uma partida de embalagens vazias, o encarregado da Unidade de Recebimento deverá adotar os seguintes procedimentos:

  • 3.4.2.1 Inspeção

No momento da entrega na Unidade de Recebimento, o agricultor receberá um Comprovante de Recebimento/Recibo onde constarão as quantidades e tipos de embalagens recebidas. A quantidade e condições das embalagens entregues em desacordo com a legislação deverão ser anotadas no recibo. Laváveis (embalagens rígidas plásticas, metálicas e de vidro), inspecionar uma a uma quanto à lavagem adequada: Separar as embalagens não lavadas adequadamente. Não laváveis (rígidas, embalagem para tratamento de sementes, e secundárias caixas coletivas de papelão): inspecionar uma a uma para verificar a existência de contaminação aparente; Armazenar as embalagens contaminadas em área segregada;

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Flexíveis (sacos ou saquinhos plásticos, de papel, metalizados, mistos ou de outro material flexível). Guardar dentro das embalagens de resgate (disponíveis nos locais de compra do produto) com a etiqueta devidamente preenchida.

  • 3.4.2.2 Preparação

Postos de Recebimento. Separar as embalagens não lavadas por matéria-prima (plástico, metal, vidro ou caixas coletivas de papelão); transferir as embalagens para uma central de recebimento.

Central de Recebimento. Selecionar e separar as embalagens por tipo (PEAD MONO, COEX, PET, metal, vidro ou caixas coletivas de papelão); prensar e enfardar as embalagens plásticas, metálicas e caixas coletivas de papelão; triturar as embalagens de vidro e acondicionar os cacos gerados em tambores metálicos; Separar as tampas recebidas com as embalagens e armazená-las em big bags. Solicitar big bag de 1.000 litros para armazenar as embalagens contaminadas e de 2.000 litros para o transporte de embalagens lavadas até as centrais.

Da unidade central de recebimento para o destino final (reciclagem e incineração). Agendar com o inpEV via ordem de coleta, o transporte dos fardos de embalagens plásticas, metálicas e tambores contendo vidro moído; solicitar big bag de 1.000 litros para armazenar as embalagens contaminadas.

  • 3.4.2.3 Armazenamento

O local de armazenamento precisa estar ao abrigo das intempéries, ser ventilado, com acesso restrito e ter piso pavimentado: armazenar as embalagens não lavadas separadas das lavadas, em local segregado; e identificar o local com placas de advertência.

  • 3.4.2.4 Transporte

Do posto de recebimento para a central de recebimento: agendar com o inPEV, via ordem de coleta; solicitar big bag de 1.000 litros para armazenar as embalagens contaminadas e de 2.000 litros para o transporte de embalagens lavadas até as centrais.

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3.4.3. Logística para Coleta

O inpEV é responsável pelo transporte adequado das embalagens devolvidas de Postos para Centrais e das Centrais de Recebimento para destino final (Recicladoras ou incineradoras) conforme determinação legal (Lei 9.974 / 2000 e Decreto 4.074 / 2002). Para gerir o processo logístico, o inpEV utiliza o conceito de logística reversa, que consiste em disponibilizar o caminhão que leva os agrotóxicos (embalagens cheias) para os distribuidores e cooperativas do setor e que voltariam vazio, para trazer as embalagens vazias (a granel ou compactadas) armazenadas nas unidades de recebimento. A FIGURA 2 mostra o uso do mesmo caminhão que transporta embalagens cheias de agrotóxicos da indústria de São Paulo para revenda em Maringá, retorna com embalagens vazias de agrotóxicos da central de recebimento em Maringá para destinação final em São Paulo, otimizando o custo do frete.

47 3.4.3. Logística para Coleta O inpEV é responsável pelo transporte adequado das embalagens devolvidas de
47 3.4.3. Logística para Coleta O inpEV é responsável pelo transporte adequado das embalagens devolvidas de
47 3.4.3. Logística para Coleta O inpEV é responsável pelo transporte adequado das embalagens devolvidas de

FIGURA 1: Logística de transporte das embalagens (Fonte: InpEV 2007).

A implantação bem sucedida do modelo de Logística Reversa foi viabilizada através de parceria com a empresa líder no transporte de defensivos agrícolas no Brasil, o Grupo Luft. Este conceito está alinhado com os princípios do instituto de preservação do meio ambiente e da saúde humana e apresenta duas grandes vantagens

  • 1 - Segurança para o meio ambiente e saúde humana: uso de transportadora capacitada para realizar este tipo de transporte;

  • 2 - Economia: caminhão já teve parte dos custos pagos quando levou produto cheio.

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Conheça o Fluxo Logístico:

48 Conheça o Fluxo Logístico: FIGURA 2: Fluxo logístico do transporte das embalagens (Fonte: inpEV 2007).

FIGURA 2: Fluxo logístico do transporte das embalagens (Fonte: inpEV 2007).

3.4.4. Destinação Final

De acordo com a Associação Nacional de Distribuidores de Defensivos Agrícolas (ANDAV) o principal motivo para a destinação final correta para as embalagens vazias dos agrotóxicos é diminuir o risco para a saúde das pessoas e de contaminação do meio ambiente. Durante vários anos, o Governo vem trabalhando em conjunto com a iniciativa privada num programa nacional para o destino final das embalagens, e hoje sabe-se que os principais ensinamentos sobre o tema abordado têm surgido através de iniciativas da indústria e da participação voluntária de diversos segmentos da sociedade. As parcerias estabelecidas e os convênios firmados com empresas e entidades permitiram a implantação de diversas centrais de recebimento de embalagens no Brasil, que hoje ajudam a reduzir o número de embalagens abandonadas na lavoura, estradas e às margens de mananciais d’água. Atualmente o Brasil já recicla de forma controlada 20% das embalagens plásticas monocamadas (PEAD) que são comercializadas. A destinação final das embalagens vazias de agrotóxicos é um procedimento complexo que requer a participação efetiva de todos os agentes envolvidos na fabricação, comercialização, utilização, licenciamento, fiscalização e monitoramento

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das atividades relacionadas com o manuseio, transporte, armazenamento e processamento dessas embalagens. Independente do tipo de embalagem (lavável ou não lavável), quando vazias, após serem devolvidas pelos usuários devem ser destinadas pelas empresas produtoras e comercializadoras, à reutilização, reciclagem ou inutilização, obedecidas as normas e instruções dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes.” (art. 6º, § 5º, da Lei 7.802/89). O destino final mais adequado das embalagens tríplice lavadas é a reciclagem controlada. Embalagens de plástico são devidamente processadas pela recicladora, podendo transformar-se em matéria prima para fabricação de conduites, embalagem de óleo lubrificante, tampa de agrotóxicos, corda PET, corda PEAD, madeira plástica, entre outros. Estas por apresentarem um alto poder calorífico, constituem em um excelente combustível alternativo em indústrias de cimento e para o co-processamento em fornos clínquer. As embalagens metálicas podem ser encaminhadas para siderúrgicas como sucata mista. Estas serão utilizadas como matéria prima nos fornos para fabricação de tarugos de aço. Já as embalagens de vidro podem ser enviadas às indústrias vidreiras, onde serão aquecidas e derretidas a temperaturas acima de 1.300ºC. Uma forma de destinação final adequada das embalagens não laváveis (flexíveis e que não utilizam água como veículo de pulverização) é a incineração. Este processo assegura a completa transformação do material e dos resíduos em cinzas inertes, ainda que possam resultar em emissões atmosféricas com potencial de causar impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana. Existem ainda as embalagens hidrossolúveis, as quais são caracterizadas por dissolverem-se completamente quando entram em contato com a água, minimizando assim o risco de causar danos ao meio ambiente. No levantamento realizado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF, sobre os tipos de embalagens de agrotóxicos comercializados no país, no período de 1987 a 1997, destaca-se a redução das embalagens de vidro, metal e fibrolatas e o aumento das embalagens plásticas e de papel. O aparecimento das embalagens hidrossolúveis veio como a solução mais adequada para a redução do número de embalagens vazias no campo, mas nem todos os agrotóxicos são compatíveis com este material (CONASQ, 2003).

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Segundo o inpEV, são passíveis de reciclagem 95% das embalagens vazias de defensivos agrícolas colocadas no mercado. Para que possam ser encaminhadas para reciclagem, as embalagens precisam ser lavadas corretamente (tríplice lavagem) no momento de uso do produto no campo. São incineradas as embalagens não laváveis (5% do total) e as embalagens que não foram tríplice-lavadas pelos agricultores. Como responsável pelo destino final ambientalmente correto das embalagens vazias de defensivos agrícolas, o instituto desenvolveu e fez parceria - nos últimos cinco anos - com 8 empresas (estrategicamente localizadas em 5 Estados), que recebem e reciclam as embalagens vazias com a segurança, qualidade e rastreabilidade necessárias ao processo. Somente essas empresas estão aptas a atuar com a reciclagem das embalagens vazias, ao cumprirem com as normas dos órgãos ambientais, as exigências legais e os padrões de qualidade e segurança estabelecidos. O volume de embalagens vazias de fitossanitários é finito, portanto o inpEV adotou um criterioso desenvolvimento de parceiros que pudessem oferecer a segurança do cumprimento da lei - que é o grande objetivo deste programa – sem qualquer risco ambiental. As empresas recicladoras se estruturaram para operar dentro dos padrões demandados. Como absorvem todo o volume de mercado, no momento o programa não estabelece novos parceiros. Atualmente a prioridade dos elos participantes deste sistema é a busca por mecanismos que tornem o programa auto-sustentável, já que hoje ele é deficitário e integralmente financiado por agricultores, distribuidores, cooperativas e indústria fabricante, cada qual com sua cota de responsabilidade. O programa não visa lucro e sim o cumprimento da legislação com benefícios ao meio ambiente. Os artefatos produzidos por meio do reaproveitamento das embalagens vazias são:

barrica de papelão, tubo para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia, embalagem para óleo lubrificante, caixa de bateria automotiva, conduíte corrugado, barrica plástica para incineração, duto corrugado, saco plástico de descarte e incineração de lixo hospitalar e tampas para embalagens de defensivos agrícolas, entre outros. As tampas das embalagens de defensivos agrícolas representam o primeiro produto que retorna para seu uso original por meio da reciclagem. Somente são produzidos produtos finais orientados e aprovados pelo inpEV, que prioriza artefatos para uso industrial.

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Nas Unidades de Recebimento do sistema de destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, as embalagens são inicialmente inspecionadas e classificadas entre lavadas e não lavadas. Após esta classificação as embalagens não lavadas são segregadas das demais e as lavadas são novamente separadas quanto ao tipo. Elas são constituídas de quatro materiais: PEAD MONO, COEX, PET e Embalagem Metálica. De acordo com o tipo de substância plástica ou metálica empregada na composição das embalagens será determinado o material que pode ser produzido após a reciclagem. A separação das embalagens pelo tipo é norteada por siglas e uma numeração específica que é reconhecida mundialmente.

Composição das embalagens:

PEAD MONO Polietileno de Alta Densidade é a segunda resina mais reciclada no mundo. Esta resina tem alta resistência a impactos e aos agentes químicos. Forma de identificação: através das siglas HDPE (high density polyethylene), PE (polietileno) ou PEAD. Este tipo de embalagem leva o número 2.

51 Nas Unidades de Recebimento do sistema de destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, as

FIGURA 3: Embalagem tipo PEAD.

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PET O PET, ou Tereftalato de Etileno possui excelente barreira para gases e odores. Forma de identificação: através da sigla PET ou PETE estampada na parte externa do recipiente. É uma estrutura monocamada identificada pelo número 1.

COEX

O

Coex,

ou

coextrusão

também

é

conhecido

pela

sigla

EVPE.

Forma

de

identificação:

através

das

siglas

COEX,

EVPE

ou

PAPE

(poliamida

polietileno). Seu número de identificação é o 7.

52 PET O PET, ou Tereftalato de Etileno possui excelente barreira para gases e odores. Forma

FIGURA 4: Embalagem tipo PAPE.

PP O PP ou Polipropileno é identificado pela sigla PP e através do número 5, ambos estampados no fundo das embalagens.

EMBALAGEM METÁLICA A embalagem metálica mais utilizada é o balde metálico de folha de aço. Este recipiente embora seja o mais comum dentre as embalagens metálicas, representa apenas 10% de todo o volume de embalagens no Brasil.

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53 FIGURA 5: Embalagem tipo METÁLICA. 3.5. Unidades de Recebimento de Embalagens de Agrotóxicos As Unidades

FIGURA 5: Embalagem tipo METÁLICA.

3.5. Unidades de Recebimento de Embalagens de Agrotóxicos

As Unidades de recebimento devem ser ambientalmente licenciadas para o recebimento das embalagens e podem ser classificadas em Postos ou Centrais de acordo com o tipo de serviço efetuado:

Postos de recebimento: são unidades de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos licenciadas ambientalmente com no mínimo 80m² de área construída (Resolução 334 do CONAMA), são geridas por uma Associação de Distribuidores/Cooperativas e realizam os seguintes serviços: recebimento de embalagens lavadas e não lavadas; inspeção e classificação das embalagens entre lavadas e não lavadas; emissão de recibo confirmando a entrega das embalagens e o encaminhamento das embalagens às centrais de recebimento.

Centrais de recebimento: são unidades de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos licenciadas ambientalmente com no mínimo 160 m² de área construída (Resolução 334 do CONAMA), geridas usualmente por uma Associação de Distribuidores/Cooperativas com o co-gerenciamento do inpEV e realizam os seguintes serviços: recebimento de embalagens lavadas e não lavadas (de agricultores, postos e estabelecimentos comerciais licenciados); inspeção e classificação das embalagens entre lavadas e não lavadas; emissão de recibo confirmando a entrega das embalagens; separação das embalagens por tipo (PET, COEX, PEAD MONO, Metálica, papelão);

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compactação das embalagens por tipo de material; emissão de ordem de coleta para que o inpEV providencie o transporte para o destino final (reciclagem ou inicineração).

  • a) Municipios de Recebimento

As unidades de recebimento no estado de São Paulo, conforme a FIGURA 6 são:

54 compactação das embalagens por tipo de material; emissão de ordem de coleta para que o

FIGURA 6: Localização das Unidades de recebimento (Fonte: inpEV 2007).

A TABELA 5 e a TABELA 6, identificam respectivamente, os municípios onde existem Unidades Centrais e Unidades Posto de Recolhimento.

TABELA 5: Unidades Centrais de recolhimento de embalagens

 

Unidade Central

Araraquara

Bebedouro

Bilac

Biritiba Mirim

Casa Branca

Guaíra

Guariba

Ituverava

Paraguaçu Paulista

Piedade

Piracicaba

São José do Rio Preto

São Manuel

Taquarivaí

Fonte: inpEV 2007

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TABELA 6: Unidades Posto de recolhimento de embalagens

 

Unidade Posto

Adamantina

Aguai

Araras

Atibaia

Barra Bonita

Barretos

Batatais

Bauru

Divinolândia

Franca

Garça

Holambra

Ibiúna

Limeira

Matão

Monte Alto

Novo Horizonte

Palmeira D’Oeste

Pedrinha

Piraju

Pirangi

Paulista

Pirassununga

Registro

São João da Boa Vista

São José do Rio Pardo

Tabatinga

Valinhos

Votuporanga

Fonte: inpEV 2007

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4. METODOLOGIA

4.1. Caracterização Geral do Município

O Município de Barretos localiza-se ao norte do Estado de São Paulo, a uma latitude 20º 33’ 26” sul e longitude 48° 34’04” oeste estando a uma altitude de 530 metros acima do nível do mar. Limita-se ao norte com o município de Colômbia, ao sul com os municípios de Colina, Jaborandi e Severínia, a oeste com Guairá e Morro Agudo e a oeste com os municípios de Guaraci e Olímpia (PREFEITURA MUNICIPAL,

2007).

A Figura 7 mostra a localização de Barretos dentro de sua Região Administrativa no Estado de São Paulo, segundo o Instituto Geográfico e Cartográfico. Sua estrutura industrial tem como principal ramo o da produção de alimentos e bebidas, direcionada para o processamento dos produtos agropecuários regionais, com marcante perfil exportador. As agroindústrias concentram-se, principalmente, nos municípios de Bebedouro, Guaíra, Olímpia, Barretos e Colina e sua produção vincula-se aos cítricos, curtume, carne, látex e peixe, entre outros. Segundo a Pesquisa de Atividade Econômica Paulista (Paep), realizada pela Fundação Seade, em 1996 e 2001, a participação das unidades locais da indústria da região no total do Estado passou de 0,64%, em 1996, para 0,59%, em 2001. No mesmo período, a do pessoal ocupado na indústria passou de 0,54% para 0,49% e a do valor adicionado industrial, de 0,77% para 0,71% do total estadual. Barretos já se constituiu a maior concentração de abatedouros e frigoríficos do Estado de São Paulo. Ainda hoje, destacam-se os frigoríficos, onde são produzidas conservas de carne e carne congelada, tanto para o mercado interno quanto para o de exportação.

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57 FIGURA 7: Região Administrativa de Barretos (Fonte: IGC 2007). O município encontra-se situado em uma

FIGURA 7: Região Administrativa de Barretos (Fonte: IGC 2007).

O município encontra-se situado em uma região de transição do alto e médio planalto. Sua vegetação predominante é a floresta tropical em sua variação latifoliada, cerrado e campo antrópico. Na região são encontrados solos com características bem diversificadas, passando pelo latossolo roxo estrífico argiloso da margem do Rio Pardo ao latossolo vermelho escuro distrófico arenoso e chegando aos solos podzolizados na parte oeste do município (PREFEITURA MUNICIPAL, 2007). O clima no município é predominantemente seco e quente. No verão, são registradas temperaturas médias que variam dos 30 aos 38 graus e no inverno a variação média varia dos 13 a 20 graus (PREFEITURA MUNICIPAL, 2007). Segundo o IBGE (2003), sua área territorial é de 1564 km² e uma população estimada em 01/07/2006 de 110.195 habitantes. A economia do município é baseada principalmente na produção de carne, citrus, borracha, grãos e cana-de-açúcar (PREFEITURA MUNICIPAL, 2007). O setor mais importante da economia é a agropecuária, observando grande parte de mão-de-obra não especializada, que em sua maioria é masculina; baseado em sua forte vocação agropecuária, sua estrutura fundiária é composta por 1404 propriedades rurais. A agropecuária é o setor mais destacado da economia da região administrativa, fortemente encadeada com a produção agroindustrial, onde sobressaem as culturas de cana-de-açúcar, laranja, milho, soja.

58

A cana-de-açúcar vem ganhando espaço, nos últimos anos, em detrimento das pastagens e tem obtido ganhos de produtividade com a mecanização da colheita. A pecuária regional possui vantagens comparativas, pela existência de mão-de-obra especializada e disponibilidade de serviços de suporte. De acordo com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE, 2007), Barretos faz parte da 12ª Unidade de gerenciamento de Recursos Hídricos – Baixo Pardo / Grande, no qual totaliza uma área de 7.239 km². As FIGURAS 8 e 9 nos revelam respectivamente a localização das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos e os municípios pertencentes a Bacia do Pardo / Grande.

58 A cana-de-açúcar vem ganhando espaço, nos últimos anos, em detrimento das pastagens e tem obtido

FIGURA 8: Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Fonte: DAEE 2007).

59

59 FIGURA 9: Municípios Pertencentes à Bacia (Fonte: DAEE 2007). 4.2. Levantamento de Dados O presente

FIGURA 9: Municípios Pertencentes à Bacia (Fonte: DAEE 2007).

4.2. Levantamento de Dados

O presente trabalho foi desenvolvido no município de Barretos, onde realizou-se a coleta das informações para averiguamento dos procedimentos para a destinação final de acordo com a LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989 (ANEXO A) modificada pela LEI Nº 9.974, DE 06 DE JUNHO DE 2000 (ANEXO B). O levantamento foi realizado, por meio de um questionário e visitas técnicas. No questionário aplicado (APÊNDICE A) também constou se os operadores do local de recebimento usavam adequadamente os equipamentos de proteção individual (EPIs). Os principais departamentos de registros onde se obteve a total colaboração, no período de agosto a novembro de 2007, foram os seguintes.

  • a) Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) –– obteve-se

registros de número de propriedades obtido.

  • b) Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) - órgão da Secretaria de

Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, desde 1967, quando foi criada, vem trabalhando para o produtor rural, prestando serviços e oferecendo seus produtos – obtiveram-se os tipos de cultura plantados no município.

  • c) Prefeitura Municipal de Barretos – registros sobre localização, clima, área,

economia e população.

60

d) Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus) – investigou-se a destinação final de embalagens de agrotóxicos. e) Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) - registros de intoxicações obtidos. O SINITOX é atualmente composto por 36 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIT), localizados em 19 estados brasileiros e também no Distrito Federal. f) Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) - Morbidade Hospitalar do

SUS por causas externas e por local de residência. Dados disponíveis on line de 1998 a

2004.

g) Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) - Dados de acidentes ou de doenças do trabalho de trabalhadores segurados da Previdência Social. Os dados disponíveis no site da Previdência Social são restritos aos 50 tipos mais freqüentes de diagnóstico, que não incluem as intoxicações por agrotóxicos. h) Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) - Tradicionalmente direcionado para doenças transmissíveis, nos últimos anos vem sendo utilizado para alguns agravos não transmissíveis, como as intoxicações por agrotóxicos. Foram avaliados dados relativos ao período 2001 a 2005. Alguns estados não registraram casos em alguns anos e por isto foram excluídos desta análise. i) Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) - Os dados de mortalidade até 2004 disponíveis no site do DATASUS são apresentados de forma agrupada e não apresentavam opção específica para envenenamento por agrotóxicos. Por isso, foram avaliados os dados do SIM, publicados em CD-ROM, relativos ao último triênio incluído nesta fonte: 1996-98. Ainda para avaliar a freqüência de intoxicações por agrotóxicos, bem como para discussão das questões metodológicas envolvendo estudos epidemiológicos sobre este tema, foi realizada uma busca bibliográfica de estudos brasileiros sobre agrotóxicos, com prioridade para aqueles publicados nos últimos cinco anos. A grande maioria das publicações foi obtida através de busca eletrônica em grandes bases de dados: MEDLINE (National Library of Medicine, EUA), Scielo (Scientific Eletronic Library On Line) e LILACS (Latin American Literature on Health Sciences). Também Buscou-se informações e publicações em sites de instituições oficiais (Ministério da Saúde/DATA-SUS, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho - FUNDACENTRO, Ministério da Agricultura) e outros de área técnica (Associação Nacional de Medicina do Trabalho - ANAMT). Os

61

termos usados nesta busca foram: pesticidas, agrotóxicos, praguicidas, agroquímicos, inseticidas, fungicidas, herbicidas, intoxicações, trabalhadores rurais, agricultura, agricultores, colinesterase e laboratório - e seus equivalentes em língua inglesa. Foram incluídos todos os tipos de estudos descritivos e analíticos e estudos com abordagem qualitativa, publicados em língua portuguesa, espanhola ou inglesa. Após a realização da visita juntamente com os dados obtidos no levantamento foi possível analisar o gerenciamento das embalagens de agrotóxicos conforme apresentado no Capítulo 5.

62

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Posto de Recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos no município de Barretos está sob responsabilidade da Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo – Coopercitrus, situada no próprio município, localizado na Rodovia Vicinal Nadir Kenan km. 1,7 (FIGURA 10). Desta unidade, as embalagens são enviadas para uma central de recebimento onde são separadas de acordo com o tipo de matéria-prima, sob a responsabilidade da Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo do município de Bebedouro – SP.

62 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO O Posto de Recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos no município

FIGURA 10: Posto de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos no município de Barretos.

5.1. Estabelecimentos Rurais

Dos estabelecimentos rurais que constaram no levantamento de informações (ANEXO C), observou-se que 39% das propriedades rurais são caracterizadas pelo INCRA (2005) como minifúndios; 36% como pequena propriedade, ou seja, possuem áreas inferiores a 50 hectares, seguido por 17% representando as médias propriedade, e apenas 7% representando as grandes propriedades rurais e ainda 1% não tiveram classificação pois não realizaram cadastro algum junto ao INCRA (2005), como pode ser visto na FIGURA 11.

63

Pequena

36% Classificam Minifundio Média Grande 39% Não 1% 17% 7%
36%
Classificam
Minifundio
Média
Grande
39%
Não
1%
17%
7%

FIGURA 11: Tipos de Propriedades Rurais do município de Barretos.

Foi possível observar também que das propriedades que cultivam culturas anuais e semi-perenes, 71% da área total plantada são de cana-de-açúcar, 20% da área total é de soja, 4% de sorgo, 3% de milho, 1,0% de amendoim e 1,0% de algodão.Das culturas que temos no município, estas se subdividem em anuais, perenes e semi- perenes. A FIGURA 12 revela os tipos de cultura.

Cana de açucar

71% Amendoim Algodão Sorgo Soja Milho 20% 3% 4% 1% 1%
71%
Amendoim
Algodão
Sorgo
Soja
Milho
20%
3%
4%
1%
1%

FIGURA 12: Culturas Anuais e Semi-Perenes cultivadas nas propriedades rurais.

De acordo com a FIGURA 13, observa-se também a quantidade de pés cultivados da cultura perene. A cultura Perene não é medida em quantidade de área plantada e sim em pés plantados. Foram verificados que do total de pés cultivados, 79% são de laranja (3.750.000 pés), 14% de seringueira (680.000 pés) e 7 % de limão (342.000).

64

7% 14% 79% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Laranja Limão Seringueira
7%
14%
79%
100%
80%
60%
40%
20%
0%
Laranja
Limão
Seringueira

FIGURA 13: Culturas Perenes existentes (quantidade em pés).

De acordo com a FIGURA 14, observa-se que a maioria das propriedades rurais que possuem plantações de laranja, utilizam mais de 2 tipos de fungicidas (51%), seguido de 35% destas as quais utilizam 3 tipos de fungicidas, e ainda nota-se que em 5% das propriedades rurais que cultivam laranja a diversidade de fungicidas é ainda maior, alcançando 5 tipos diferentes.

Usam 3 tipos de fungicidas Usam 5 tipos de fungicidas 9% 5% Usam 1 tipo fungicida
Usam 3 tipos
de fungicidas
Usam 5 tipos
de fungicidas
9%
5%
Usam 1 tipo
fungicida
51%
Usam 2 tipos
de fungicidas
35%

FIGURA 14: Propriedades agrícolas que cultivam laranja e utilizam fungicidas.

Também foi possível observar que a tríplice lavagem das embalagens após o uso é realizado por 90% dos trabalhadores rurais, conforme Lei Federal n ° 9974/2000 e recomendações do inpEV (2007). Ainda, de acordo com os dados obtidos, verifica-se que há orientação por meio da revendedora de defensivos agrícolas para a devolução das embalagens vazias nos postos de recebimento. A FIGURAS 15, 16 e 17 mostram os casos registrados historicamente por décadas pelo SINITOX.

65

4889 3970 3550 3648 3257 3196 0 Década de 80 6000 5000 4000 3000 2000 1000
4889
3970
3550
3648
3257
3196
0
Década de 80
6000
5000
4000
3000
2000
1000
1985 1986 1987 1988 1989 1990 14000 12132 Década de 90 12000 10000 10840 11011 10270
1985
1986
1987
1988
1989
1990
14000
12132
Década de 90
12000
10000
10840 11011
10270
8000
8875
7431 7838
6000
6724
6379
5758
4000
2000
0
1991 1992
1993 1994 1995 1996 1997 1998
1999 2000
14200
2001 a 2003
14000
14054
13984
13800
13600
13400
13200
13122
13000
12800
12600

FIGURA 15: Histórico de intoxicação humana por agrotóxicos (1985 a 1990)

FIGURA 16: Histórico de intoxicação humana por agrotóxicos (1991 a 2000)

FIGURA 17: Histórico de intoxicação humana por agrotóxicos (2001 a 2003)

66

Nota-se que da totalidade de casos de intoxicação já registrados pelo SINITOX (150.938 casos), 51% dos casos foram registrados na região sudeste; 27% na região sul; 14% na região nordeste; 7% na região centro oeste e apenas 1% na região norte do Brasil (FIGURA 18).

Sudeste Nordeste Centro Oeste Norte 51% 27% Sul 7% 1% 14%
Sudeste
Nordeste
Centro
Oeste
Norte
51%
27%
Sul
7%
1%
14%

FIGURA 18: Participação de cada região na totalidade de intoxicações por agrotóxicos no Brasil.

Quando realizada visita à Secretaria de Estado da Saúde, não foi possível a obtenção de nenhum resultado.

Atualmente não se faz registro

algum de casos de intoxicação causado por

agrotóxicos. Mas foi revelado que a partir deste ano, serão registrados os casos de

intoxicação, quando o paciente der entrada no hospital, será obrigatório o preenchimento de uma Ficha de Investigação (ANEXO D).

5.2. Gerenciamento das Embalagens

As embalagens de defensivos agrícolas devolvidas pelos agricultores no posto de recolhimento são transportadas em caminhões, e entregues, com data e hora marcada, quando apenas caminhonetas transportando as embalagens, não há necessidade de agendamento. O posto de recolhimento conta com duas construções (FIGURA 19): em alvenaria, mas o galpão para o armazenamento apresenta também estrutura metálica. O galpão apresenta um sistema de drenagem independente (FIGURA 20) que recolhe os agrotóxicos que possam acidentalmente ter sido derrubados, sendo destinados até uma caixa no exterior do prédio, onde o material posteriormente é recolhido pela CETESB e encaminhado para incineração.

67

No interior do galpão

há uma divisória

de grades onde delimita a

área para

embalagens contaminadas, ou seja, aquelas que não passam pela tríplice lavagem.

67 No interior do galpão há uma divisória de grades onde delimita a área para embalagens

FIGURA 19: Posto de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos em Barretos.

67 No interior do galpão há uma divisória de grades onde delimita a área para embalagens

FIGURA 20: Sistema de drenagem.

O posto conta com apenas um funcionário responsável pela administração e também pelo descarregamento das embalagens dos caminhões de entrega, triagem,separação e encaminhamento posterior para a Central de Bebedouro. Após o descarregamento as embalagens são inicialmente separadas em duas classes, as contaminadas e as não contaminadas e posteriormente as não contaminadas

68

são separadas de acordo com o tipo de material constituinte (plástico, metal ou papelão). As embalagens de papelão são desmontadas e agrupadas em fardos, o que facilita o seu transporte posterior. Quando todas as embalagens recebidas somam um volume suficiente para completar a carga de um caminhão, elas são encaminhadas à Central de Bebedouro. Também se verificou as documentações necessárias (FIGURA 21) para operar um armazém comercial com produtos fitossanitários. É necessário obter todos os documentos exigidos junto aos órgãos estaduais e municipais. As documentações mais importantes são o alvará de funcionamento expedido pela Prefeitura; certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros; Licença Prévia, Instalação e de Operação expedida pelo órgão de meio ambiente (no caso CETESB); laudo de pára-raios; planta das instalações existentes; Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA); Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO); cadastro estadual.

68 são separadas de acordo com o tipo de material constituinte (plástico, metal ou papelão). As

FIGURA 21: Documentações necessárias para operar o posto de recebimento.

As tampas das embalagens são retiradas e separadas por cor (FIGURA 22), são transformadas novamente em tampas.

69

69 FIGURA 22: Tampas das embalagens separadas por cores. Em relação ao uso de EPIs, fica

FIGURA 22: Tampas das embalagens separadas por cores.

Em relação ao uso de EPIs, fica notória a necessidade do uso desses equipamentos conforme determina a lei. Por outro lado, quando são utilizados, não está implícito que esses equipamentos são adequados para a atividade fim e as condições climáticas que variam de região para região, as vezes os EPIs não são usados por serem desconfortáveis, dificultarem a locomoção e provocarem calor excessivo. Quanto aos tipos de agrotóxicos mais comercializados no município de Barretos podem ser observados na TABELA 7 a seguir:

70

TABELA 7: Tipos de Agrotóxicos comercializados.

Nome

Composição Química

Tipo Classe de

Classe

Comercial

Agrotóxico

Toxicológica

Decis

Piretróide

Inseticida

II

Gramoxone

Bipiridilos Paraquat

Herbicida

I

Manzate

Ditiocarbamato Mancozeb

Fungicida

III

Tamaron

Organofosforado

Inseticida

I

Roundup

Derivado de glicina

Herbicida

II

Reconil

Cúprico

Fungicida

IV

Cercomil

Chlorothalonil

Fungicida

II

Afugan

Organofosforado

Fungicida Inseticida

II

Microsol

Enxofre

Fungicida Acaricida

IV

Folidol

Organofosforado

Inseticida Acaricida

I

Thiovit

Enxofre

Fungicida Acaricida

IV

Meothrin 300

Fenpropethrin

Inseticida Acaricida

I

Daconil 500

Chlorothalonil

Fungicida

I

Malathion

Organofosforado

Inseticida

III

Recop

Cúprico

Fungicida Acaricida

IV

Thiodan

Organoclorado Endosulfan

Inseticida Acaricida

I

Trigard

Grupo de triazinas

Inseticida

IV

Ridomil

Diticarbamatos Alaninatos

Fungicida

II

Benlate

Benzimidazóis

Fungicida

III

Dipel

Produto Biológico

Inseticida

IV

Sevin

Carbamato

Inseticida

II

Dipterex

Organofosforado richlorfon

Inseticida

II

Trichlorfon

Organofosforado

Inseticida

II

Curzatem

Ditiocarbamatos

Fungicida

III

Fonte: Coopercitrus – Barretos, 2007.

71

6. CONCLUSÃO

A partir dos resultados da pesquisa acerca dos impactos e do gerenciamento de agrotóxicos e formas de manejo pode-se concluir que o gerenciamento no Município de Barretos possui conhecimento do manejo adequado das embalagens vazias de agrotóxico, da legislação em vigor, da importância em se realizar a tríplice lavagem nas embalagens após o uso e dos possíveis impactos ao meio ambiente e à saúde humana, contudo, algumas práticas de manejo para a conservação do solo, água e vegetação necessitam de maior atenção. Conclui-se de que a Lei Federal e Estadual avançaram muito e apresenta grande nível de amadurecimento e cuidado com o Meio Ambiente, mas ainda é preciso um grande trabalho de orientação e na prevenção, principalmente, investimento em conscientização aos agricultores e usuários em geral de agrotóxicos, quanto às responsabilidades de devolução, cumprimento as normas de tríplice lavagem e lavagem sob pressão. Verificou-se que o principal benefício do recolhimento de embalagens do meio ambiente, que a indústria realiza por meio do inpEV é a retirada dos recipientes vazios da natureza. Abandonadas nas lavouras, as embalagens plásticas podem levar mais de uma centena de anos para se decompor, além do risco de contaminação do ambiente. Com esse trabalho realizado pelo inpEV, as embalagens vazias dos produtos fitossanitários recebem o destino final ambientalmente correto e economicamente aceitável. O posto de recebimento do município de Barretos opera de forma legal e com todas instalações de acordo com as exigidas na lei, tendo total capacidade e consciência para receber as embalagens vazias de agrotóxicos dos produtores rurais do município de Barretos. No intuito de minimizar os efeitos dos agrotóxicos na saúde ambiental e na saúde humana são sugeridas como ações aos órgãos competentes:

Maior fiscalização da fabricação, importação, exportação e qualidade,

assim com das vendas de produtos; Maior fiscalização sobre o uso, incluindo a correta destinação final das embalagens vazias e dos resíduos;

72

Aplicação apenas quando necessária, na dose correta e dando-se preferência a formulações menos tóxicas; Maior fiscalização nos alimentos comercializados; Restrições pelos órgãos responsáveis àqueles produtos sem completos estudos epidemiológicos e ambientais; Simplificação dos rótulos nas embalagens, tornando o modo de uso mais facilmente compreensível, independentemente do nível de instrução do usuário; Comunicação de riscos; Mudanças no modelo de produção e de trabalho; Maior adequação dos equipamentos de proteção ao calor excessivo dos países tropicais; Participação dos trabalhadores rurais e da comunidade nas discussões informativas, avaliativas e decisórias; Incentivo à política governamental que incorporar, antes do crédito a estes produtos, uma anterior estruturação do sistema, como o preparo da mão-de- obra, a certificação de boas práticas agrícolas e o cumprimento das leis (e de sua modificação, quando necessária) e melhorias na fiscalização. A destinação final de embalagens de agrotóxicos está sendo muito estudada. Para isso, cabe aos técnicos responsáveis pensar numa destinação final segura a fim de evitar que eventuais riscos de sua manipulação venham a prejudicar a saúde humana e a do meio ambiente.

73

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78

APÊNDICE A

(Carta encaminhada ao Secretário Municipal de Indústria, Comércio e Agricultura de Barretos – SP)

79

79 Barretos, 13 de Agosto de 2007 À Roberto Arutim Secretário Municipal de Indústria, Comércio e

Barretos, 13 de Agosto de 2007

À Roberto Arutim Secretário Municipal de Indústria, Comércio e Agricultura

Assunto: Coleta de Material para Elaboração de TCC

Prezado Srº., Devido a busca de um melhor desenvolvimento da metodologia de pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, visando o tema Destinação Final de Embalagens de Agrotóxicos e seus Possíveis Impactos Ambientais, necessito coletar os seguintes pontos:

Qual o número de propriedades rurais no município? Qual o número de propriedades rurais que utilizam defensivos agrícolas? Quais os tipos de cultura do município? Quais culturas que utilizam agrotóxico e quais os agrotóxicos usados? Qual o volume total de agrotóxico utilizado mensalmente? É feita a tríplice lavagem? As lojas que vendem agrotóxicos tem licença? Expedida por quem? O que é feito com as embalagens após o término do produto? Existe algum posto de recebimento das embalagens na cidade? Aonde estas embalagens são armazenadas (em local provisório ou em um posto de recebimento que segue orientações técnicas). Qual o endereço? Responsável? Pode haver visitas ao local?

80

ANEXO A

(Lei Federal nº 7.82, de 11 de julho de 1989)

81

LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989

Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º A pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, serão regidos por esta Lei.

Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se:

I - agrotóxicos e afins:

a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos; b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento; II - componentes: os princípios ativos, os produtos técnicos, suas matérias- primas, os ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de agrotóxicos e afins.

Art. 3º Os agrotóxicos, seus componentes e afins, de acordo com definição do art. 2º desta Lei, só poderão ser produzidos, exportados, importados, comercializados e utilizados, se previamente registrados em órgão federal, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura. § 1º Fica criado o registro especial temporário para agrotóxicos, seus componentes e afins, quando se destinarem à pesquisa e à experimentação. § 2º Os registrantes e titulares de registro fornecerão, obrigatoriamente, à União, as inovações concernentes aos dados fornecidos para o registro de seus produtos. § 3º Entidades públicas e privadas de ensino, assistência técnica e pesquisa poderão realizar experimentação e pesquisas, e poderão fornecer laudos no campo da agronomia, toxicologia, resíduos, química e meio ambiente. § 4º Quando organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos e convênios, alertarem para riscos ou desaconselharem o uso de agrotóxicos, seus componentes e afins, caberá à autoridade competente tomar imediatas providências, sob pena de responsabilidade. § 5º O registro para novo produto agrotóxico, seus componentes e afins, será concedido se a sua ação tóxica sobre o ser humano e o meio ambiente for

82

comprovadamente igual ou menor do que a daqueles já registrados, para o mesmo fim, segundo os parâmetros fixados na regulamentação desta Lei. § 6º Fica proibido o registro de agrotóxicos, seus componentes e afins:

  • a) para os quais o Brasil não disponha de métodos para desativação de seus

componentes, de modo a impedir que os seus resíduos remanescentes provoquem

riscos ao meio ambiente e à saúde pública;

  • b) para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil;

  • c) que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, de

acordo com os resultados atualizados de experiências da comunidade científica;

  • d) que provoquem distúrbios hormonais, danos ao aparelho reprodutor, de

acordo com procedimentos e experiências atualizadas na comunidade científica;

  • e) que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório,

com animais, tenham podido demonstrar, segundo critérios técnicos e científicos atualizados;

  • f) cujas características causem danos ao meio ambiente.

Art. 4º As pessoas físicas e jurídicas que sejam prestadoras de serviços na aplicação de agrotóxicos, seus componentes e afins, ou que os produzam, importem, exportem ou comercializem, ficam obrigadas a promover os seus registros nos órgãos competentes, do Estado ou do Município, atendidas as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis que atuam nas áreas da saúde, do meio ambiente e da agricultura. Parágrafo único. São prestadoras de serviços as pessoas físicas e jurídicas que executam trabalho de prevenção, destruição e controle de seres vivos, considerados nocivos, aplicando agrotóxicos, seus componentes e afins.

Art. 5º Possuem legitimidade para requerer o cancelamento ou a impugnação, em

nome próprio, do registro de agrotóxicos e afins, argüindo prejuízos ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais:

  • I - entidades de classe, representativas de profissões ligadas ao setor;

II - partidos políticos, com representação no Congresso Nacional; III - entidades legalmente constituídas para defesa dos interesses difusos relacionados à proteção do consumidor, do meio ambiente e dos recursos naturais. § 1º Para efeito de registro e pedido de cancelamento ou impugnação de agrotóxicos e afins, todas as informações toxicológicas de contaminação ambiental e comportamento genético, bem como os efeitos no mecanismo hormonal, são de responsabilidade do estabelecimento registrante ou da entidade impugnante e devem proceder de laboratórios nacionais ou internacionais. § 2º A regulamentação desta Lei estabelecerá condições para o processo de impugnação ou cancelamento do registro, determinando que o prazo de tramitação não exceda 90 (noventa) dias e que os resultados apurados sejam publicados. § 3º Protocolado o pedido de registro, será publicado no Diário Oficial da União um resumo do mesmo.

Art. 6º As embalagens dos agrotóxicos e afins deverão atender, entre outros, aos seguintes requisitos:

  • I - devem ser projetadas e fabricadas de forma a impedir qualquer vazamento,

evaporação, perda ou alteração de seu conteúdo; II - os materiais de que forem feitas devem ser insuscetíveis de ser atacados pelo conteúdo ou de formar com ele combinações nocivas ou perigosas;

83

  • III - devem ser suficientemente resistentes em todas as suas partes, de forma a

não sofrer enfraquecimento e a responder adequadamente às exigências de sua normal conservação; IV - devem ser providas de um lacre que seja irremediavelmente destruído ao ser aberto pela primeira vez. Parágrafo único. Fica proibido o fracionamento ou a reembalagem de agrotóxicos e afins para fins de comercialização, salvo quando realizados nos estabelecimentos produtores dos mesmos.

Art. 7º Para serem vendidos ou expostos à venda em todo território nacional, os agrotóxicos e afins ficam obrigados a exibir rótulos próprios, redigidos em português, que contenham, entre outros, os seguintes dados:

I - indicações para a identificação do produto, compreendendo:

  • a) o nome do produto;

  • b) o nome e a percentagem de cada princípio ativo e a percentagem total dos

ingredientes inertes que contém;

  • c) a quantidade de agrotóxicos, componentes ou afins, que a embalagem

contém, expressa em unidades de peso ou volume, conforme o caso;

  • d) o nome e o endereço do fabricante e do importador;

  • e) os números de registro do produto e do estabelecimento fabricante ou

importador;

  • f) o número do lote ou da partida;

  • g) um resumo dos principais usos do produto;

  • h) a classificação toxicológica do produto;

II - instruções para utilização, que compreendam:

  • a) a data de fabricação e de vencimento;

  • b) o intervalo de segurança, assim entendido o tempo que deverá transcorrer

entre a aplicação e a colheita, uso ou consumo, a semeadura ou plantação, e a

semeadura ou plantação do cultivo seguinte, conforme o caso;

  • c) informações sobre o modo de utilização, incluídas, entre outras: a indicação

de onde ou sobre o que deve ser aplicado; o nome comum da praga ou enfermidade que

se pode com ele combater ou os efeitos que se pode obter; a época em que a aplicação deve ser feita; o número de aplicações e o espaçamento entre elas, se for o caso; as doses e os limites de sua utilização;

  • d) informações sobre os equipamentos a serem utilizados e sobre o destino final

das embalagens;

III

- informações relativas aos perigos potenciais, compreendidos:

a)

os possíveis efeitos prejudiciais sobre a saúde do homem, dos animais e sobre

o meio ambiente;

b)

precauções para evitar danos a pessoas que os aplicam ou manipulam e a

terceiros, aos animais domésticos, fauna, flora e meio ambiente;

c)

símbolos de perigo e frases de advertência padronizados, de acordo com a

classificação toxicológica do produto;

d)

instruções para o caso de acidente, incluindo sintomas de alarme, primeiros

socorros, antídotos e recomendações para os médicos; IV - recomendação para que o usuário leia o rótulo antes de utilizar o produto. § 1º Os textos e símbolos impressos nos rótulos serão claramente visíveis e facilmente legíveis em condições normais e por pessoas comuns. § 2º Fica facultada a inscrição, nos rótulos, de dados não estabelecidos como obrigatórios, desde que:

84

  • I - não dificultem a visibilidade e a compreensão dos dados obrigatórios;

    • II - não contenham:

      • a) afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto à

natureza, composição, segurança e eficácia do produto, e sua adequação ao uso;

  • b) comparações falsas ou equívocas com outros produtos;

  • c) indicações que contradigam as informações obrigatórias;

  • d) declarações de propriedade relativas à inocuidade, tais como "seguro", "não

venenoso", "não tóxico"; com ou sem uma frase complementar, como: "quando

utilizado segundo as instruções";

  • e) afirmações de que o produto é recomendado por qualquer órgão do Governo.

§ 3º Quando, mediante aprovação do órgão competente, for juntado folheto complementar que amplie os dados do rótulo, ou que contenha dados que obrigatoriamente deste devessem constar, mas que nele não couberam, pelas dimensões

reduzidas da embalagem, observar-se-á o seguinte:

  • I - deve-se incluir no rótulo frase que recomende a leitura do folheto anexo,

antes da utilização do produto;

  • II - em qualquer hipótese, os símbolos de perigo, o nome do produto, as

precauções e instruções de primeiros socorros, bem como o nome e o endereço do fabricante ou importador devem constar tanto do rótulo como do folheto.

Art. 8º A propaganda comercial de agrotóxicos, componentes e afins, em qualquer meio de comunicação, conterá, obrigatoriamente, clara advertência sobre os riscos do

produto à saúde dos homens, animais e ao meio ambiente, e observará o seguinte:

  • I - estimulará os compradores e usuários a ler atentamente o rótulo e, se for o

caso, o folheto, ou a pedir que alguém os leia para eles, se não souberem ler;

  • II - não conterá nenhuma representação visual de práticas potencialmente

perigosas, tais como a manipulação ou aplicação sem equipamento protetor, o uso em proximidade de alimentos ou em presença de crianças; III - obedecerá ao disposto no inciso II do § 2º do art. 7º desta Lei.

Art.

No

providências:

exercício de sua competência, a União adotará as seguintes

  • I - legislar sobre a produção, registro, comércio interestadual, exportação,

importação, transporte, classificação e controle tecnológico e toxicológico;

  • II - controlar e fiscalizar os estabelecimentos de produção, importação e

exportação; III - analisar os produtos agrotóxicos, seus componentes e afins, nacionais e importados; IV - controlar e fiscalizar a produção, a exportação e a importação.

Art. 10. Compete aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos dos arts. 23 e 24 da Constituição Federal, legislar sobre o uso, a produção, o consumo, o comércio e o armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e afins, bem como fiscalizar o uso, o consumo, o comércio, o armazenamento e o transporte interno.

Art.

11.

Cabe

ao

Município

legislar

supletivamente

sobre

o

uso

e

o

armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e afins.

85

Art. 12. A União, através dos órgãos competentes, prestará o apoio necessário às ações de controle e fiscalização, à Unidade da Federação que não dispuser dos meios necessários.

Art.

13.

A

venda de

agrotóxicos e afins aos

usuários será feita através de

receituário próprio, prescrito por profissionais legalmente habilitados, salvo casos

excepcionais que forem previstos na regulamentação desta Lei.

Art. 14. As responsabilidades administrativa, civil e penal, pelos danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a produção, a comercialização, a utilização e o transporte não cumprirem o disposto nesta Lei, na sua regulamentação e nas legislações estaduais e municipais, cabem:

  • a) ao profissional, quando comprovada receita errada, displicente ou indevida;

  • b) ao usuário ou a prestador de serviços, quando em desacordo com o

receituário;

  • c) ao comerciante, quando efetuar venda sem o respectivo receituário ou em

desacordo com a receita;

  • d) ao registrante que, por dolo ou por culpa, omitir informações ou fornecer

informações incorretas;

  • e) ao produtor que produzir mercadorias em desacordo com as especificações

constantes do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto e da propaganda;

  • f) ao empregador, quando não fornecer e não fizer manutenção dos

equipamentos adequados à proteção da saúde dos trabalhadores ou dos equipamentos na

produção, distribuição e aplicação dos produtos.

Art. 15. Aquele que produzir, comercializar, transportar, aplicar ou prestar serviços na aplicação de agrotóxicos, seus componentes e afins, descumprindo as exigências estabelecidas nas leis e nos seus regulamentos, ficará sujeito à pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além da multa de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR. Em caso de culpa, será punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, além da multa de 50 (cinqüenta) a 500 (quinhentos) MVR.

Art. 16. O empregador, profissional responsável ou o prestador de serviço, que deixar de promover as medidas necessárias de proteção à saúde e ao meio ambiente, estará sujeito à pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além de multa de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR. Em caso de culpa, será punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, além de multa de 50 (cinqüenta) a 500 (quinhentos) MVR.

Art. 17. Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis, a infração de disposições desta Lei acarretará, isolada ou cumulativamente, nos termos previstos em regulamento, independente das medidas cautelares de estabelecimento e apreensão do produto ou alimentos contaminados, a aplicação das seguintes sanções:

I - advertência; II - multa de até 1000 (mil) vezes o Maior Valor de Referência - MVR, aplicável em dobro em caso de reincidência; III - condenação de produto; IV - inutilização de produto; V - suspensão de autorização, registro ou licença; VI - cancelamento de autorização, registro ou licença; VII - interdição temporária ou definitiva de estabelecimento;

86

VIII - destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, com resíduos acima do permitido; IX - destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, nos quais tenha havido aplicação de agrotóxicos de uso não autorizado, a critério do órgão competente. Parágrafo único. A autoridade fiscalizadora fará a divulgação das sanções impostas aos infratores desta Lei.

Art. 18. Após a conclusão do processo administrativo, os agrotóxicos e afins, apreendidos como resultado da ação fiscalizadora, serão inutilizados ou poderão ter outro destino, a critério da autoridade competente. Parágrafo único. Os custos referentes a quaisquer dos procedimentos mencionados neste artigo correrão por conta do infrator.

Art. 19. O Poder Executivo desenvolverá ações de instrução, divulgação e esclarecimento, que estimulem o uso seguro e eficaz dos agrotóxicos, seus componentes e afins, com o objetivo de reduzir os efeitos prejudiciais para os seres humanos e o meio ambiente e de prevenir acidentes decorrentes de sua utilização imprópria.

Art. 20. As empresas e os prestadores de serviços que já exercem atividades no ramo de agrotóxicos, seus componentes e afins, têm o prazo de até 6 (seis) meses, a partir da regulamentação desta Lei, para se adaptarem às suas exigências. Parágrafo único. Aos titulares do registro de produtos agrotóxicos que têm como componentes os organoclorados será exigida imediata reavaliação de seu registro, nos termos desta Lei.

Art. 21. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 90 (noventa) dias, contado da data de sua publicação.

Art. 22. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 23. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 11 de julho de 1989; 168º da Independência e 101º da República.

JOSÉ SARNEY

Íris Rezende Machado João Alves Filho

Rubens Bayma Denys

87

ANEXO B

(Lei Federal nº 9.974, de 6 de junho de 2000)

88

LEI N° 9.974, DE 6 DE JUNHO DE 2000.

Altera a Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização a propaganda comercial a utilização,, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1° O artigo 6° da Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 6°.................................................................................................................."

"I - devem ser projetadas e fabricadas de forma a impedir qualquer vazamento, evaporação, perda ou alteração de seu conteúdo e de modo a facilitar as operações de lavagem, classificação, reutilização e reciclagem;" (NR)

"............................................................................................................................."

"§ 1° O fracionamento e a reembalagem de agrotóxicos e afins com o objetivo de comercialização somente poderão ser realizados pela empresa produtora, ou por estabelecimento devidamente credenciado, sob responsabilidade daquela, em locais e condições previamente autorizados pelos órgãos competentes." (NR)

"§ 2° Os usuários de agrotóxicos, seus componentes e afins deverão efetuar a devolução das embalagens vazias dos produtos aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, de acordo com as instruções previstas nas respectivas bulas, no prazo de até um ano, contado da data de compra, ou prazo superior, se autorizado pelo órgão registrante, podendo a devolução ser intermediada por postos ou centros de recolhimento, desde que autorizados e fiscalizados pelo órgão competente." (AC)

"§ 3° Quando o produto não for fabricado no País, assumirá a responsabilidade de que trata o § 2° a pessoa física responsável pela importação e, tratando-se de produto importado submetido a processamento industrial ou a novo acondicionamento, caberá ao órgão registrante defini-la." (AC)

"§ 4° As embalagens rígidas que contiverem formulações miscíveis ou dispensíveis em água deverão ser submetidas pelo usuário à operação de tríplice lavagem, tecnologia equivalente, conforme normas e técnicas oriundas dos órgãos competentes e orientação constante de seus rótulos e bulas." (AC)

"§ 5° As empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, seus componentes e afins, são responsáveis pela destinação das embalagens vazias dos produtos por elas fabricados e comercializados, após a devolução pelos usuários, e pela dos produtos apreendidos pela ação fiscalizadora e dos impróprios para utilização ou em desuso, com vistas à sua reutilização, reciclagem ou inutilização, obedecidas as normas e instruções dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes." (AC)

"§ 6° As empresas produtoras de equipamentos para pulverização deverão, no prazo de cento e oitenta dias da publicação desta Lei, inserir nos novos equipamentos

89

adaptações destinadas a facilitar equivalente." (AC)

as operações de tríplice lavagem ou tecnologia

Art. 2° O caput e a alínea b do inciso II do art. 7° da Lei n° 7.802, de 1989, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 7° Para serem vendidos ou expostos à venda em todo o território nacional, os agrotóxicos e afins são obrigados a exibir rótulos próprios e bulas, redigidos em português, que contenham, entre outros, os seguintes dados:" (NR)

"............................................................................................................................. II - ...................................................................................................................."

"d) informações sobre os equipamentos a serem usados e a descrição dos processos de tríplice lavagem ou tecnologia equivalente, procedimentos para a devolução, destinação, transporte, reciclagem, reutilização e inutilização das embalagens vazias e efeitos sobre meio ambiente decorrentes da destinação inadequada dos recipientes." (NR)

"............................................................................................................................."

Art. 3° A Lei n° 7.802, de 1989, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 12A:

"Art. 12A.Compete ao Poder Público a fiscalização:" (AC) "I - da devolução e destinação de embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, de produtos apreendidos pela ação fiscalizadora e daqueles impróprios para utilização ou em desuso;" (AC)

"II - do armazenamento, transporte, reciclagem, reutilização e inutilização de embalagens vazias e produtos referidos no inciso I." (AC)

Art. 4° O caput e as alíneas b, c e e do art. 14 da Lei n° 7.802, de 1989, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 14. As responsabilidades administrativa, civil e penal pelos danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a produção, comercialização, utilização, transporte e destinação de embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, não cumprirem o disposto na legislação pertinente, cabem:" (NR)

"............................................................................................................................."

"b) ao usuário ou ao prestador de serviços, quando proceder em desacordo com o receituário ou as recomendações do fabricante e órgãos registrantes e sanitário- ambientais;" (NR)

"c) ao comerciante, quando efetuar venda sem o respectivo receituário ou em desacordo com a receita ou recomendações do fabricante e órgãos registrantes e sanitários-ambientais;"

"............................................................................................................................."

"e)

ao

produtor,

quando

produzir

mercadorias

em

desacordo

com

as

especificações constantes do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto e da

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propaganda, ou não der destinação às embalagens vazias em conformidade com a legislação pertinente;" (NR) "............................................................................................................................." Art. 5° O art. 15 da Lei n° 7.802, de 1989, passa a vigorar com a seguinte:

"Art. 15. Aquele que produzir, comercializar, transportar, aplicar, prestar serviço, der destinação a resíduos e embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins em descumprimento às exigências estabelecidas em legislação pertinente estará sujeito à pena de reclusão, de dois a quatro anos, além de multa." (NR)

Art. 6° O parágrafo único:

art. 19 da Lei n° 7.802, de 1989, passa a

vigorar com o seguinte

"Art. 19.................................................................................................................."

"Parágrafo único. A empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, seus componentes e afins, implementarão com o Poder Público, programas educativos e mecanismos de controle e estímulo à devolução das embalagens vazias por parte dos usuários, no prazo de cento e oitenta dias contado da publicação desta Lei." (AC)

Art. 7º (VETADO) AC = Acréscimo

Brasília, 6 de junho de 2000; 179° da Independência e 112° da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

José Gregori Marcus Vinicius Pratini de Moraes José Serra Alcides Lopes Tápias José Sarney Filho

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ANEXO C

(INCRA – Totalização e classificação das propriedades rurais do município de Barretos)

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ANEXO D

(SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação)

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