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ESCOLA DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS CURSO DE DIREITO DISCIPLINA: CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA GERAL DO

ESCOLA DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS CURSO DE DIREITO DISCIPLINA: CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA GERAL DO ESTADO

PROFESSOR: MATHEUS PASSOS SILVA Turma: 1AN

A CONSTRUÇÃO DO ESTADO MODERNO: CONTRIBUIÇÕES POLÍTICAS À CONSTITUIÇÃO DE 1988

Alunos:

Noel Farias do Nascimento 201357572 Mª Valdenete M. de Macedo - 201358154 Cristiano da Silva Alves - 201355462 Willian Idelfonso 201255925 Johnson Rocha Lima Júnior - 200821605 Michelle de Araújo Costa Otávio - 200821483

Taguatinga-DF

2013

PENSAMENTOS DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU

Jean-Jackes Rousseau nasceu na cidade de Genebra no ano de 1712 e faleceu 66 anos depois, no ano de 1778. Dono de qualidades excepcionais de inteligência e imaginação foi um dos maiores escritores, filósofos e teóricos políticos de sua época. Defendia a ideia da volta à natureza, um estado democrático que garantia a igualdade para todos e o respeito ao desenvolvimento educacional. Considerado como um dos principais filósofos do iluminismo, suas ideias e escritos influenciaram a Revolução Francesa de 1789 e parte delas são utilizadas como modelo atualmente em nossa Constituição Federal.

Para Rousseau, “o homem é bom por natureza e é a sociedade quem o corrompe”. Em uma de suas obras apresentava além de ideias políticas, romances, religião e literatura, os ensaios de educação, no qual um dos sintomas das falhas da sociedade em atingir o bem comum é a desigualdade a que se deve às desigualdades sociais do homem e a causada pelas circunstâncias sociais.

Um caso recente de violação do direito é a matrícula fora da idade ideal. A questão foi tratada através do instrumento do mandado de segurança, pela mãe de uma adolescente, de 15 anos, contra o Colégio de Aplicação de Universidade Federal, na pessoa de seu diretor, por este ter decidido que o aluno “não poderia permanecer como aluno daquela entidade por já ter atingido a ‘idade limite’ para cursar a 7ª série, que, segundo atribuição de tal entidade, é de 15 anos”. Nesse caso, a ação é prontamente acatada,

garantindo-se a matrícula do aluno já que a Constituição garante o ensino fundamental

gratuito e obrigatório “inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”.

A desigualdade social é um hábito e nos acostumamos a ela. O homem é um animal cultural, porém, não sendo a desigualdade social encontrada no estado natural, é necessário tomar uma atitude de estranhamento de uns pelos outros como uma realidade natural e imutável. Somente a partir do reconhecimento da desigualdade social como ela se apresenta, ou seja, como produto da sociedade, a realidade social poderá ser combatida e transformada.

A lei precisa ser fundamentada de acordo com a vontade geral, pressupõe-se a virtude do indivíduo que tem por objetivo garantir a igualdade material e não a igualdade formal, pois essa já se encontra na lei.

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes

no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à "

segurança e à propriedade

...

(CF, 1988)

A Constituição Federal de 1988 adotou o princípio da igualdade de direitos, prevendo a igualdade de aptidão, uma igualdade de possibilidades virtuais, ou seja, todos os cidadãos tem o direito de tratamento idêntico pela lei, em consonância com os critérios albergados pelo ordenamento jurídico.

A igualdade se configura como uma eficácia transcendente, de modo que toda situação de desigualdade persiste à entrada em vigor da norma constitucional deve ser considerada não recepcionada, senão demonstrar compatibilidade com os valores que a Constituição, como norma suprema proclama. Rousseau faz uma analogia da sociedade, surgindo da ideia de estado da natureza, comparando a noção dela como a nossa sociedade está distante do seu estado natural.

Essas diferenças existentes na sociedade hoje foram autorizadas pelo direito natural. Esse homem natural foi criado pelo autor para fundamentar toda a sua teoria e fazer a crítica ao modelo social criado por nossos antepassados. O homem esqueceu as suas funções primárias e passou a se ocupar apenas de assuntos sociais. Preocupou-se apenas com o progresso. Este tem aspectos positivos e negativos.

Se por um lado, consegue façanhas e feitos inimagináveis, por outro seus costumes estão depravados, e onde houver a exploração do homem pelo homem, haverá a degeneração da bondade e liberdade naturais. Essa degeneração social foi provocada pelo distanciamento que nós, enquanto seres socais, estamos do ser natural que um dia fomos. Entendo que o autor deseja que nós possamos construir uma sociedade harmoniosa, entre governantes e governados, baseados na liberdade. Liberdade essa, política.

Rousseau versa sobre pontos importantes da educação à sua época. Propõe um projeto para a formação de um novo homem e de uma nova sociedade, apresentando os princípios gerais para uma educação de qualidade. É um pensamento revolucionário que pouco é utilizado na educação atual. Muitas de suas ideias são utilizadas apenas como bandeira nas escolas. A verdadeira visão do autor implica numa visão diferente da infância, que é um momento da vida importantíssimo em que as crianças têm a sua maneira de ver sentir e pensar completamente diferentemente dos adultos e devem ser respeitadas por isso.

O grande macro da educação de Rousseau é de respeitar o momento da infância com liberdade, e que a criança não deveria ser subjugada nem mesmo para o seu bem. Rousseau crítica muito à educação que deforma que domestica e não forma aquele indivíduo moral dotado de liberdade do livre arbítrio, como a natureza o criou.

"Tudo é bom ao sair das mãos do autor das coisas e tudo degenera

nas mãos do homem”. “O Homem é dotado de livre arbítrio, ele é bom por sua natureza precisando manter a sua individualidade voltada para a questão da formação moral” (Rousseau)

Os pais e professores devem ser referência e não pode ser qualquer um, devendo sempre exemplificar e não ordenar as crianças, pois fazendo com que a criança obedeça às ordens faz com que seu caráter seja deformado.

Toda pessoa tem direito à educação, devendo ela ser gratuita, para assim visar à expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos.

“Aos pais pertence à prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos”. (Declaração Universal dos Direitos dos Homens)

De acordo com a constituição federal, no capítulo II dos Direitos Sociais:

“Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e a infância, assistência aos desamparados, na forma desta constituição.(EC nº 26/2000 e EC nº 64/2010).

Vinculado também ao capítulo III, “Da educação, da cultura e do desporto”, Seção I, que diz:

"Art. 205 - A educação, direito de todos e dever do estado e da família será provida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa se prepara para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

Portanto, fica evidenciado que o pensamento do autor influenciou quase todas as legislações modernas relativas à garantia do direito à educação e que destaca a importância que tratava os direitos iguais, a educação e a família. Para Rousseau, essa questão é muito séria, sendo à base da sociedade.

Infelizmente, no Brasil, uma educação de qualidade é restrita à sociedade, comprometendo uma socialização adequada à população. E mesmo assim, a legislação inspirada às ideias de Rousseau, inseridas em nossa Constituição Federal, trata a educação como um direito de todos e dever do Estado e da família e que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

PENSAMENTOS DE JHON LOCKE

John Locke nasceu na cidade de Wrington, em Somerset, na região sudoeste da Inglaterra, no ano de 1632, e faleceu no ano de 1704. Em uma de suas principais obras, escreveu a obra os "Dois Tratados sobre o Governo" que tinha como objetivo contestar a doutrina do direito divino dos reis e do absolutismo real e suas ideias ajudou a combater o absolutismo na Inglaterra naquela época.

Locke acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo, ou seja, que a mente de uma pessoa ao nascer era uma tabula rasa, uma espécie de folha em branco e as experiências que esta pessoa passa pela vida é que vão formando seus conhecimentos e personalidade. Defendia também que todos os seres humanos nascem bons, iguais e independentes, sendo assim, a sociedade é responsável pela formação do indivíduo. Com isso, dizia ele que todos os homens ao nascer tinham direito à vida, à liberdade e da propriedade. Esses direitos deveriam ser respeitados pelos governantes.

ESTADO DE NATUREZA

Vivendo igualmente, livres e independentes os homens só se submetem às Leis da natureza, ou seja, à razão. Cada homem é livre para fazer o que quiser, porém, não

deveria abusar de sua liberdade para prejudicar os demais. No “estado de natureza” os

homens são juízes em causa própria, o que os impedirá de atingir a justiça que serão

sempre parciais em suas decisões. Livres na natureza com muitos bens, não há conflito entre os homens. Portanto, os bens da natureza não são inesgotáveis, e na falta, os conflitos aparecem. O homem que se apropria e domina a natureza com o esforço legítimo do seu trabalho, acumula propriedades.

No mundo natural de abundância e harmonia, baseado na razão, não haveria necessidade do Estado. Porém, nem todos os homens agem com razão. Os homens que agem de forma contrária à razão, transgridem as leis da natureza e devem ser condenados. Inicia-se, assim, o estado de guerra; guerra de alguns contra os demais. Havia a necessidade de superar essa guerra sem fim e para isso os homens desistem de aplicar as leis naturais com as próprias mãos e criam o Estado de Direito e dão a esse

Estado o direito de julgar e punir os criminosos. E terá o monopólio da força, usado para garantir a cada membro da sociedade: segurança e paz.

No Estado liberal de Locke o poder emana de leis gerais e abstratas, que traduzem o conjunto de interesses da sociedade. Poder que mesmo estando acima dos homens mantém preservadas a igualdade e a liberdade humana.

SEPARAÇÃO ENTRE O ESTADO E O GOVERNO

Locke é criador do conceito de Estado Liberal, em que o Estado precisa da unanimidade da maioria, pois é responsável pela criação das leis e o Governo, do consentimento da maioria que são as pessoas que se inserem no poder executivo de um Estado.

“Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos temos da Constituição”. (Art. 1º,

Parágrafo único da CF)

As ideias de Locke dá então base para a criação dos três poderes:

“São

poderes da União,

independentes e harmônicos entre si, o

Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. (Art. 2º, CF)

Locke afirma ainda em sua obra, que a organização das leis e do Estado deve ser feita com o objetivo de garantir o respeito aos direitos naturais. A garantia dos direitos naturais do povo, a proteção da vida, da liberdade e da propriedade de todos, é definida por ele como a única razão de ser de um governo. Se o governante não respeita esses direitos, os governados podem derrubá-lo e substituí-lo por outro mais competente.

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à

segurança e à propriedade, nos termos seguintes

...

(Art. 5º, CF)

Portanto, Locke exerceu enorme influência sobre os pensadores de seu tempo e foi uma das principais referências teóricas para os líderes das revoluções. Suas ideias políticas não eram originais, mas a sua influência foi grande, e manteve-se muito depois de as pessoas terem deixado de acreditar nas teorias do estado de natureza e da lei natural que as sustentavam. Tem em várias constituições, inclusive a Constituição Federal, um grande número de ideias, e expressões, do autor.

REFERÂNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RUSSEAU, Jean-Jackes. O Contato Social. Ed. Ridendo Castigat Mores, 2001. Curso De Ciência Política - Grandes Autores Do Pensamento Político Moderno E Contemporâneo