ESTUDANDO A IMAGEM

Leitura crítica e produção
Oficina ministrada aos participantes do IV Encontro Nacional das Licenciaturas e III Encontro Nacional do PIBID Universidade Federal do Triângulo Mineiro - Uberaba, MG - 4 e 5 de dezembro de 2013 Professora responsável: Dra. Alexandra Bujokas de Siqueira Centro de Educação da Distância e Aprendizagem com Tecnologias da Informação e Comunicação - CEAD

Que palavras você associa a esta imagem?

Quarta, 4/12 - 16 às 18h ICTE/ICENE Univerdecidade/Unidade II Sala - B201 Quinta, 5/12 - 16 às 18h ICTE/ICENE Univerdecidade/Unidade II Sala - B201

PLANO DE TRABALHO
Primeiro dia - Exposição dialogada sobre fundamentos da linguagem fotográfica; - Análise de fotografias feitas por profissionais e amadores a fim de identificar os fundamentos presentes; - Produção de um pequeno ensaio, aplicando os fundamentos estudados. Segundo dia - Exposição dialogada sobre os conceitos de conotação e denotação na fotografia, segundo o semiólogo Roland Barthes; - Análise de fotografias feitas por profissionais e amadores a fim de identificar os fundamentos estudados; - Produção de um pequeno ensaio que incorpore alguns dos processos de conotação estudados.

ANOTAÇÕES

O Estado de São Paulo, em 7/6/2000 Autor: Associated Press

Estudando a imagem

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Elementos fundamentais da linguagem fotográfica
PLANOS Abertos e fechados FOCO Profundidade e foco diferencial MOVIMENTO Intensidade e estaticidade

ANOTAÇÕES

Alexandra Bujokas, 2009

Sid Vicious desafia a morte

ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Estudando a imagem

O que fazemos é responder à linguagem fotográfica. Mas do que é feita essa linguagem?

Quando lemos uma imagem, partimos do princípio que a fotografia é um reflexo da realidade, mas um estudo mais apurado mostra que, a despeito da realidade registrada, o modo como lemos as imagens tem mais a ver com nosso repertório cultural e os valores da época e do local social em que vivemos. O leitor crítico sabe disso; o leitor ingênuo, não. Nesta imagem, o vemos objetivamente é um plano fechado mostrando o focinho de um cão maltês do lado esquerdo e uma escultura representando a morte do lado direito. A composição é feita de modo que o cão e a escultura parecem se enfrentar. Ao fundo vê-se ladrilhos de piso. Obviamente, não é essa leitura fria que a maioria das pessoas faz. Ao contrário, o que esta foto tende a provocar é o riso, por causa da irreverência da cena. A identificação da irreverência é o que chamamos de cena cultural, produto do confronto entre os signos da imagem e o repertório do leitor. A legenda enfatiza a anedota da cena cultural, ao dizer que o cão está enfrentando a morte. Obviamente, foi a ténica fotográfica que permitiu a leitura.

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1. PLANOS
Aberto

2. FOCO
Profundidade

3. MOVIMENTO
Intensidade

4. ÂNGULOS
Plongèe

Médio

Diferencial

Estaticidade

Contre-plongèe

Fechado

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5. PERSPECTIVA
Ponto de fuga ao centro

6. COMPOSIÇÃO
Inversão de escalas

7. COR
contraste

8. ILUMINAÇÃO
Luz natural

Ponto de fuga acima

Contraste de formas

Harmonia

Contra luz

Ponto de fuga abaixo

Dois mundos

Luz artificial

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9. TEXTURA

10. EQUILÍBRIO

11. TENSÃO

ANOTAÇÕES

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Trucagem Pose Uso de objetos na cena Fotogenia Esteticismo Sintaxe Ancoragem do texto

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Analisando criticamente uma imagem publicada pela imprensa
À medida em que a fotografia se torna uma linguagem mais familiar, fica mais fácil analisá-la criticamente. A esta altura, você já tem um olhar mais experiente e pode começar a desenvolver o hábito de ler as imagens que chegam pela imprensa mais atentamente. Uma forma de fazer isso é aplicar o método de decodificação do semiólogo Roland Barthes. Veja que não é preciso recorrer a citações acadêmicas ou ficar repetindo conceitos teóricos. Apenas adquira o hábito mental de separar as três mensagens (cena literal, cena cultural e mensagem linguística) toda vez que uma imagem chamar sua atenção e, com base nos dados dessa separação, tentar compreender porque aquela foto, de algum modo, lhe afetou, que tipo de significado você deu a ela e porque fez isso. Inspire-se no exemplo ao lado, caso você não saiba bem por onde começar.
Autor: Roberto Stuckert Filho PRESIDÊNCIA Endereço da imagem: http://brasil247.com/get_im g?ImageWidth=651&ImageId=64118

Esta foto foi feita por Roberto Stuckert Filho para a Presidência da República. Por isso, é uma foto de tipo “oficial”. Trata-se de um plano médio, que mostra o ex-presidente Lula e a atual presidente, Dilma Roussef, ambos do PT, sentados e sorrindo. Lula olha para algo à sua frente e Dilma olha para Lula. Ambos vestem roupas azuis e usam cocares com penas azuladas. Embora haja pessoas atrás e, provavelmente ao lado deles, o fotógrafo fechou o plano de modo que o restante da foto é preenchido por um céu também azul. Esta foto é simétrica e equilibrada, iluminada e harmônica, principalmente por causa da dominância da tonalidade azul. A técnica usada criou fotogenia e favoreceu a imagem dos dois políticos. Além disso, por estarem usando cocares, eles podem ser interpretados como os grandes caciques do PT, que estão satisfeitos e felizes. Por fim,a cor azul, que faz parte do logotipo do partido de oposição,

o PSDB, pode ser interpretada como uma ironia. Lula e Dilma têm o poder, inclusive aquele que antes era do PSDB. Essa hipótese pode ser reforçada com o estudo do contexto possível da foto: muito provavelmente, havia pessoas com outras cores ao redor mas, ao fechar o plano, o fotógrafo - que trabalha para a presidência - soube valorizar as conotações de poder e de ironia. No final das contas, essa é uma foto que representa a política como sendo uma disputa de caciques de dois dos mais importantes partidos da atualidade: PT e PSDB. Do ponto de vista do cidadão, trata-se de uma imagem que distorce a realidade, já que o poder político, conforme a Constituição brasileira, deve emanar do povo e em seu nome ser exercido. Fotos como essa ajudam a reforçar uma visão ideológica de que política é coisa de político “profissional”, afastando as pessoas do debate e da particpação política.

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Publicando suas fotos no Flickr
O site Flickr reúne fotos de profissionais e amadores do mundo todo. Você pode organizar álbuns, exposições, incluir geotags, comentar e atribuir licenças Creative Commons para as suas imagens. Se você nunca usou este serviço, veja aqui um passo-a-passo de como fazer.
1 Vá ao site www.flickr.com, no qual você deve ter criado uma conta na atividade 1.1. Acesse sua conta e clique em FAÇA UPLOAD DAS PRIMEIRAS FOTOS (1). 2 Quando esta janela se abrir, clique na caixa azul (2) para carregar suas fotos que estão no computador. Clique duas vezes sobre a foto que você quer carregar.

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3 Assim que você carregar a foto, o Flickr abre esta janela, que te dá algumas opções de edição. Essas opções se referem aos metadados da foto (descrição do contéudo, pessoas e tipo de licensa que você quer atibuir ao seu produto). Veja no infográfico abaixo o que são cada uma delas e o que você pode fazer.

ADICIONAR TAGS Tags são etiquetas que associamos à imagem para facilitar sua identificação e compreensão. Assim, quando outros usuários estão procurando imagens sobre um assunto específico, o Flickr organiza uma seleção com base nas tags. Não há uma regra para fazê-las e, no contexto da cultura digital, essa prática tem sido chamada de folksonomia. A palavra é inspirada no termo “taxonomia” a ciência que classifica os seres vivos. O prefixo “folk” vem do inglês e significa povo, pessoas. Consequentemente, “folksonomia” é a arte de classificar alguma coisa na internet com uma ou mais palavras-chaves vindas da linguagem espontânea do povo.

ADICIONAR PESSOAS Esta ferramenta permite que você coloque o nome e até o e-mail da pessoa fotografada, para que a foto seja um canal de acesso a ela. Mas tome cuidado para não desrespeitar a privacidade dos outros! Por outro lado, se você fotgrafou uma pessoa pública, que tem um email institucional, você pode usar esse recurso para fazer algum tipo de ativismo. Suponha que você flagre um vereador da sua cidade jogando lixo no chão. Você pode publicar essa foto, colocar o e-mail institucional dele e pedir aos seus contatos no Flickr que mandem um email pedindo ao vereador que use lixeiras!

ADICIONAR AOS ÁLBUNS Quanto mais organizadas forem as suas fotos, tanto melhor para você e para o seu público. O Flickr facilita esse trabalho com a ferramenta de álbuns. Você pode criar álbuns e, no momento da edição, adicionar suas fotos a um ou mais álbuns já existente ou criar outros. Use, mas não abuse! Procure criar nomes genéricos, que contemplem boa parte das suas fotos, para não aborrecer seu público com aquele monte de divisões. CONFIGURAÇÕES DO DONO Não é porque você publicou uma foto que ela se torna de todo mundo, né? O Flickr possui uma ferramenta para que você deixe claro para o público que tipo de uso gostaria que outras pessoas fizessem da sua produção. Você pode ser totalmente liberal e permitir que outros usem, editem, remixem sua foto e, inclusive, usem-na para fins comerciais. Pode permitir que tudo isso seja feito mas sem fins comerciais, pode permitir que outros reproduzam, mas não interfiram no seu original. Nesta opção você também decide quem pode ver sua foto: todos no Flickr ou apenas seus amigos. Ao final desta tarefa 5, veja o quadro com informações sobre os tipos de licenças Creative Commons.

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4 Quando estiver satisfeito(a) com as opções de edição da sua foto, clique no botão UPLOAD (3). O Flickr vai confirmar se você quer carregar com as configurações que acabou de ajustar. Clique em UPLOAD NA GALERIA (4) e pronto! Sua foto será publicada com todos os metadados que você escolheu.

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5 Quando sua foto já estiver publicada, clique nas duas caixas logo abaixo dela (5) para editar um título e uma legenda. Use a técnica de redação de legendas da página 13, caso você não saiba como escrevê-las. Clique em salvar (6) e pronto! Missão cumprida!

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A Creative Commons é uma organização não governamental sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, mas que tem representações em muitos outros países, inclusive no Brasil. Ela foi criada para oferecer uma resposta à demanda por inovações no campo dos direitos autorais, depois que a chamada web 2.0 revolucionou a estrutura de produção de bens simbólicos. As licenças Creative Commons (CC) permitem cópia e compartilhamento com menos restrições que o tradicional “Todos os direitos reservados” (representado pelo símbolo ©). A proposta da CC é que todas as pessoas que produzem e compartilham con-

teúdo na internet usem licenças que informem aos outros usuários o modo como gostariam que suas obras fossem usadas, e que vão da simples reprodução citando a fonte ao remix e exploração comercial. Para aplicar uma licença a uma obra sua, basta acessar o site www.creativecommons.org.br, escolher as opções que lhe agradam e gerar um selo, que pode ser associado ao seu produto. Muitos sites na internet possuem ferramentas que incorporam a criação de uma licença CC, tal como o Flickr, que você está usando. Veja abaixo a descrição dos tipos de licenças possíveis.

Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso com fins comerciais, contanto que seja dado crédito pela criação original. Esta é a licença menos restritiva de todas as oferecidas, em termos de quais usos outras pessoas podem fazer de sua obra.

Esta licença permite que outros remixem, adaptem, e criem obras derivadas ainda que para fins comerciais, contanto que o crédito seja atribuído ao autor e que essas obras sejam licenciadas sob os mesmos termos. Esta licença é geralmente comparada a licenças de software livre. Todas as obras derivadas devem ser licenciadas sob os mesmos termos desta. Dessa forma, as obras derivadas também poderão ser usadas para fins comerciais.

Esta licença permite a redistribuição e o uso para fins comerciais e não comerciais, contanto que a obra seja redistribuída sem modificações e completa, e que os créditos sejam atribuídos ao autor.

Esta licença permite que outros remixem, adaptem, e criem obras derivadas sobre a obra licenciada, sendo vedado o uso com fins comerciais. As novas obras devem conter menção ao autor nos créditos e também não podem ser usadas com fins comerciais, porém as obras derivadas não precisam ser licenciadas sob os mesmos termos desta licença.

Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, desde que com fins não comerciais e contanto que atribuam crédito ao autor e licenciem as novas criações sob os mesmos parâmetros. Outros podem fazer o download ou redistribuir a obra da mesma forma que na licença anterior, mas eles também podem traduzir, fazer remixes e elaborar novas histórias com base na obra original. Toda nova obra feita a partir desta deverá ser licenciada com a mesma licença, de modo que qualquer obra derivada, por natureza, não poderá ser usada para fins comerciais.

Esta licença é a mais restritiva dentre as nossas seis licenças principais, permitindo redistribuição. Ela é comumente chamada “propaganda grátis” pois permite que outros façam download das obras licenciadas e as compartilhem, contanto que mencionem o autor, mas sem poder modificar a obra de nenhuma forma, nem utilizá-la para fins comerciais.

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Editando legendas para as suas fotos
TÉCNICAS DE PRODUÇÃO
Legendas são texto curtos colocados próximos a fotografias e que têm a função de “ancorar” a imagem. Em outras palavras, como a fotografia tende a ser uma mensagem polissêmica, isto é, que pode gerar diversos sentidos, o jornalismo usa o recurso da legenda para “fixar” a imagem nos sentidos propostos pela pauta. Mas a legenda não deve apenas descrever a imagem, repetindo aquilo que o público já está vendo. Também é preciso usar este recurso para acrescentar informações que a imagem não mostra, mas que são relevantes para a compreensão do fato reportado. Procure escrever frases curtas e diretas, isto é, com sujeito, verbo e complemento. Use verbos no presente e, caso julgue necessário repetir algo dito pela pessoa retratada, transcreva exatamente o que ela falou, entre aspas. O Manual da Redação do jornal Folha de São Paulo1 faz as seguintes recomendações aos seus jornalistas: - Quando aparecerem até cinco pessoas numa foto, a legenda deve procurar identificar todas elas, ainda que por um único nome; - Em foto de grupo, conforme a necessidade, esclareça a posição que cada pessoa ocupa: à dir., à esq., ao fundo, no centro, atrás, na frente, de chapéu, de óculos, sentado etc. Mas não insulte a inteligência do leitor. Numa foto em que apareçam Pelé e Xuxa, por exemplo, é ridículo indicar quem está à esquerda ou à direita; - Em foto de ação (competição esportiva, por exemplo), a legenda deve contextualizar o momento (José chuta a gol depois de receber a bola de João).
1 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual_edicao_l.htm> FOGO CERRADO Dois focos de incêndio no cerrado produzem coluna de fumaça que sobe por trás da cúpula da câmara dos Deputados, ainda em recesso, em Brasília; clima seco facilita ocorrência de incêndios neste período do ano.

Veja este exemplo: a foto usa recurso de trucagem, que aproxima a fumaça da cúpula do prédio do Senado, dando margem a interpretações jocosas por parte do leitor. A legenda joga com essa leitura engraçada ao colocar o título “Fogo Cerrado” mas, a seguir, descreve brevemente a foto e acrescenta informação relevante, que não pode ser transmitida pela imagem, mas que é fundamental para que o leitor compreenda o fato noticiado.

JORNAL: Folha de S. Paulo, 31/07/1999 AUTOR: Sérgio Lima / Folha Imagem

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ENSAIO COM CONOTAÇÃO NA FOTOGRAFIA
1. Exercício com planos Produza duas imagens de uma mesma cena: uma com plano geral e outra com um close, de modo que o aspecto fotografado (pode ser uma pessoa, um grupo, um animal) seja objetivo no enquadramento aberto e subjetivo no enquadramento fechado. 2. Exercício com fotogenia Produza duas imagens de um mesmo aspecto, de modo que a primeira seja o olhar “real” tanto quanto possível e o segundo seja um olhar embelezado por técnicas como composição em plongée (de cima para baixo) ou contre-plongée (de baixo para cima), uso de ângulos, contra luz etc. 3. Uso de objetos na cena Produza uma imagem que tenha um objeto no centro das atenções, de modo que o objeto arraste para dentro da cena um significado que não está, necessariamente, presente na realidade da qual a imagem foi retirada. 4. Conotação texto-imagem Produza uma foto que tenha um texto dentro da imagem (você pode “fabricar” esta cena, produzindo um cartaz, por exemplo e o fotografando no cenário que você planejou), de modo que o texto crie uma conotação que não estaria necessariamente presente na realidade. 5. Sintaxe Faça duas fotos distintas de modo que possam ser colocadas lado a lado para criar algum significado fruto da aproximação. Publique suas fotos no Flickr com legendas que expliquem suas intenções ao fazer a foto e acrescentem informações importantes para que o leitor compreenda o fato registrado.
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Campanha publicitária do jornal sul-africano Cape Times

“You can’t get any closer to the news” “Você não pode ficar mais perto da notícia”

ESTUDANDO A IMAGEM
Leitura crítica e produção
Alexandra Bujokas de Siqueira bujokas@uol.com.br medialiteracybrasil.net

Que palavras você associa a essa imagem?

DIFERENÇA
RACISMO
PATINHO FEIO

SUPERIORIDADE

SUPERAÇÃO

EXCLUSÃO
INTOLERÂNCIA

Enquadramento fechado que mostra um filhote de pato de penugem amarela no primeiro plano se preparando para saltar na borda de pedra do que parece ser um lago artificial, sobre a qual já se encontram seis filhotes de pato de penugem preta. Todos olham para o lago no segundo plano.

O Estado de São Paulo, em 7/6/2000 Autor: Associated Press

PATINHO FEIO – Patinho amarelo de três dias fica na ponta dos pés para ver os irmãos, que olham a mãe nadando em um lago em Salem, Virginia, EUA. É comum, numa mesma ninhada, haver um pato de plumagem diferente mas, ao crescer, todos poderão ter a mesma cor.

X
O que fazemos é responder à linguagem da fotografia

DO QUE É FEITA A LINGUAGEM FOTOGRÁFICA?

Elementos fundamentais da linguagem fotográfica
PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Rene Lopez – Oficinas de Mídia-educação

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Gueorgui Pinkhassov, Japão, 1996 www.magnumphotos.com

Alexandra Bujokas, South Bank, Londres, 2012

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Alessandra Sanguinetti, Buenos Aires, 1999 www.magnumphoto.com

PLONGÈE

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Rene Lopez – Oficinas de Mídia-educação

CONTRE-PLONGÈE

Oficinas Midialab, Bauru, SP, 2008

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Alexandra Bujokas, Manchester, 2012

Alessandra Sanguinetti, Buenos Aires, 1999 www.magnumphoto.com

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Alexandra Bujokas, Open University, Inglaterra, 2012

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Digital Stock

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO /TENSÃO
Rene Lopez – Oficinas de Mídia-educação

Sebastião Salgado - Terra

PLANOS Abertos e fechados

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA
Sebastião Salgado - Gênesis

EQUILÍBRIO /TENSÃO

PLANOS Abertos e fechados

Alexandra Bujokas, Brasília 2010

FOCO Profundidade e foco diferencial
MOVIMENTO Intensidade e estaticidade ÂNGULOS Plongèe e contre-plongèe PERSPECTIVA COMPOSIÇÃO COR ILUMINAÇÃO TEXTURA EQUILÍBRIO / TENSÃO
Alexandra Bujokas, Camburi, SP, 2010

VOCÊ APRENDEU?

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Digital Stock

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Digital Stock

Que elementos da linguagem se sobressaem nessas fotos?

Alessandra Sanguinetti, Buenos Aires, 1999 www.magnumphoto.com

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Participantes das oficinas de Mídia-Educação UFTM, 2011

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Participantes das oficinas de Mídia-Educação UFTM, 2011

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Alexandra Bujokas Olinda, PE 2012

Alexandra Bujokas Olinda, PE 2012

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Christopher Anderso Nova Yorke 2008 www.magnumphoto.com

Alexandra Bujokas Greenwich, Inglaterra 2007

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Participante oficinas Midialab Bauru, SP 2008

Alexandra Bujokas Bauru, SP 2010

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Danilo Rothberg Londres 2006

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Alexandra Bujokas Belém, PA 2012

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Participante Oficinas de Mídia-educação, UFTM 2011

Participante Oficinas de Mídia-educação, UFTM 2011

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Gueorgui Pinkhassov, Japão, 1996 www.magnumphotos.com

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Alexandra Bujokas, Open University, Inglaterra, 2012

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Alexandra Bujokas, Brasília, 2010

Que elementos da linguagem se sobressaem nessa foto?

Alexandra Bujokas, Brasília, 2010

AGORA É A SUA VEZ!
Use o guia do seu material impresso para produzir um pequeno ensaio fotográfico que ilustre os elementos que você acabou de estudar. Depois, imprima as fotos e as cole nos quadros correspondentes para ilustrar seu material didático de maneira personalizada

ESTUDANDO A IMAGEM
Leitura crítica e produção
Alexandra Bujokas de Siqueira bujokas@uol.com.br medialiteracybrasil.net

PARA A IMAGEM A SEGUIR, ESCREVA

CINCO PALAVRAS QUE VIEREM
LIVREMENTE À SUA CABEÇA

Agora, considere as palavras escolhidas pela turma e as organize em duas categorias:

SENTIDO LITERAL SENTIDO SIMBÓLICO

COMO É QUE O SENTIDO BEM À IMAGEM?

RETÓRICA DA IMAGEM
BARTHES, Roland. O Óbvio e o obtuso. Lisboa, Edições 70, 1980.

CENA LITERAL
Cenário
Objetos Pessoas Iluminação Roupas Texto verbal

CENA CULTURAL
Valores historicamente
associados aos elementos da cena literal

MENSAGEM DENOTADA

MENSAGEM CONOTADA

SENTIDO

COMO É QUE SUA MENTE ATRIBUI SENTIDO À IMAGEM?
Cena literal e cena cultural: você as distingue nessa imagem? Quais são os principais processos de conotação?
Wilton de Souza Júnior/Agência Estado

Três mensagens:  Icônica não-codificada = literal = denotada  Icônica codificada = cultural = conotada  Linguística A distinção das duas mensagens icônicas não se faz espontaneamente ao nível da leitura corrente; lemos, ao mesmo tempo, a mensagem perceptiva e a mensagem cultural. O texto serve como âncora para sentido

Fonte: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/627-agentes-do-bope-ocupam-morro-no-rio#foto11620

Marcelo Sayão - Efe

Agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM) ocupam o morro do Turano, no Rio, para a implantação da 12ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora)

Tente identificar as três mensagens:  Icônica não-codificada = literal = denotada  Icônica codificada = cultural = conotada  Linguística

Mensagem icônica não-codificada = cena literal = mensagem denotada Trata-se de um plano médio de dois soldados do Bope. Eles seguram armas de guerra em posição de descanso e conversam entre si. Ao fundo vê-se uma imagem estilizada do palhaço Bozo, com os olhos vidrados, segurando uma arma com diversos canos e uma cinta de balas. No muro está escrito “A alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo”. Mensagem icônica codificada = cena cultural = mensagem conotada Os soldados foram retratados em pose de descanso, conversando descontraidamente, as armas de guerra valorizadas na composição e o enquadramento que une os soldados à imagem e ao texto ao fundo. Ao associar os dois soldados relaxados, o desenho do palhaço e a frase “A alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo”, emerge uma imagem que debocha do Bope: enquanto eles conversam distraidamente, o tráfico atua por trás. Ou que esses soldados somente vão à favela para gerar mais violência.

Mensagem linguística A legenda sob a foto diz “Agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais da PM) ocupam o morro do Turano, no Rio, para a implantação da 12ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora)”. A escolha pela combinação da informação denotada (ocupação do morro para implantação de Unidade de Política Pacificadora ) e da imagem depreciativa corrobora uma leitura de que a política de pacificação não irá resolver o problema.

E COMO É FEITA A CODIFICAÇÃO DA FOTOGRAFIA?
Basicamente, através de seis processos identificáveis: Trucagem Pose Uso de objetos na cena Fotogenia Esteticismo Sintaxe +  Ancoragem do texto

TRUCAGEM
No processo de trucagem, o fotógrafo une artificialmente na fotografia duas imagens separadas na realidade. É dessa montagem que surge o sentido, como neste caso, em que parece que o tubarão vai engolir a moça

POSE
No processo de pose, um gesto espontâneo (aquele feito para acompanhar a fala) é congelado e assume a conotação de um gesto convencionado (aquele que tem um sentido específico na nossa cultura, como o polegar apontando para cima e os outros dedos dobrados sobre a palma da mão para indicar “positivo”). Nesta foto, o homem da esquerda parece que vai dar um soco no guarda quando, na verdade, só estava pedindo passagem no meio do tumulto. Perceba que õ punho cerrado é de uma terceira pessoa...

MAIS EXEMPLOS

OBJETOS
Objetos tem significados históricos muito precisos. No processo de objetos, o fotógrafo os valoriza na composição ressaltando a presença do objeto e, assim, induz a geração de um sentido simbólico que, muitas vezes, anula a primeira realidade da fotografia. Nesta foto, feita em 1997, durante a passagem da Marcha dos 100 Mil por São Paulo, o fotógrafo valorizou a foice e o boné com o logotipo do MST. Não é difícil associar a foto com violência e morte, por causa da foice, embora a marcha tenha sido pacífica. A questão está no significado cultural da foice e do MST.

Folha de S. Paulo, 15/04/1997 AUTOR: Marlene Bergamo / Folha Imagem

MAIS EXEMPLOS

FOTOGENIA
No processo de fotogenia, o fotógrafo usa recursos como enquadramento, composição, iluminação, velocidade do obturador. O problema é que a fotogenia pode embelezar coisas que não são bonitas na realidade. No exemplo desta foto, o muro neutro combinando com a roupa do soldado, o colorido das roupas das crianças e a composição assimétrica, porém equilibrada, fez desta uma foto bonita, embora o cenário real seja a devastação provocada pela guerra dos Estados Unidos contra o Afeganistão.

http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/5178-concurso-doexercito-britanico-premia-melhores-fotos

MAIS EXEMPLOS

ESTETICISMO
No processo de esteticismo, o fotógrafo usa recursos como cor, iluminação, textura e, assim, constrói imagens que lembram obras de arte. Neste exemplo, a foto do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1946-2009), o emprego da luz dramática que destaca silhuetas lembra a estética típica das obras do pintor italiano Michelangelo Caravaggio.

MAIS EXEMPLOS

SINTAXE
No processo de sintaxe, o diagramador aproxima na página uma determinada sequencia de fotos que, juntas, adquirem um sentido diferente daquele se essas imagens fossem lidas separadamente. Nesta composição feita pelo jornal “O Estado de São Paulo” o ex-presidente George W. Bush aponta para algum lugar que, certamente, não é o da foto da direita. Mas a composição final cria um sentido para justificar a declaração de guerra: os afegãos atacam os EUA, que devem revidar...

O Estado de S. Paulo, 24/09/2001

MAIS EXEMPLOS

ANCORAGEM
No processo de conotação texto-imagem, o editor acrescenta uma legenda ou slogan que direcionam a imagem para uma leitura. O texto também pode estar presente dentro da fotografia e, assim, modificar o sentido de maneira muito mais sutil.

MAIS EXEMPLOS

http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/627-agentesdo-bope-ocupam-morro-no-rio#foto-11620

HORA DA TAREFA!
Use o guia do seu material impresso para produzir fotos com ensaios de conotação

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Embora tenham sido feitas em épocas completamente diferentes, essas duas imagens usam a mesma pose para criar a conotação de liberdade. A da esquerda é uma propaganda de guerra, feita para estimular as mulheres britânicas a ir trabalhar nas fábricas de munição durante a Segunda Guerra Mundial. A fazer isso, elas estariam colaborando para conquistar a liberdade do Reino Unido, ameaçado pelo poder nazista. A peça da direita usa o mesmo gesto convencionado para associar o celular desbloqueado à liberdade de escolha.

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PRÓXIMO EXEMPLO

A proporção de dois terços para o céu e um terço para a terra além da valorização da textura das nuvens fez desta foto uma produção esteticamente inspirada na pintura de paisagens do artista inglês Willian Turner.

VOLTAR

A predominância de amarelo e laranja, as cores criando listras e a boca aberta indicando o grito fazem desta foto uma produção inspirada na obra do pinto norueguês Edvard Munch.

VOLTAR

O enquadramento, a composição, a iluminação e a pose são os mesmos nas duas fotos. Mas a troca de objetos sugere infância ou criança psicopata...

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JORNAL: Folha de S. Paulo, 02/04/1994

AUTOR: Bob Wolfenson LEGENDA: Os candidatos à Presidência Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT) posam, a convite da Folha, para o fotógrafo Bob Wolfenson

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