Você está na página 1de 23

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ENSINOS BÁSICO

2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E
EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E
EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E
EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E
EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E
EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E

EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT, SALTO VERTICAL E REMATE EM FUTEBOLISTAS SUB 15 DE NÍVEL NACIONAL

Pedro Jorge Leites Ramos

Orientador: Professor Doutor Mário António Cardoso Marques Co-orientador: Professor Doutor Roland van den Tillaar

Vila Real, Dezembro (2011)

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

EFEITOS DE 8 SEMANAS DE TREINO DE FORÇA SOBRE A PERFORMANCE SPRINT VERTICAL, SALTO E REMATE EM FUTEBOLISTAS SUB 15 DE NÍVEL NACIONAL

Pedro Jorge Leites Ramos

Orientador: Professor Doutro Mário António Cardoso Marques

Universidade da Beira Interior

Orientador: Professor Doutro Mário António Cardoso Marques Universidade da Beira Interior VILA REAL, Dezembro de 2011

VILA REAL, Dezembro de 2011

Dissertação apresentada à UTAD, no DEP ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Mário António Cardoso Marques e da co- orientação do Professor Doutor Roland van den Tillaar

AGRADECIMENTOS

O presente estudo só foi possível com a colaboração de diversas pessoas, que generosamente

prestaram o seu contributo em todo o desenvolvimento e concretização deste trabalho. Assim, gostaria de expor o meu honesto agradecimento:

Ao Professor Doutor Mário António Cardoso Marques, por ter aceitado ser meu orientador, e acompanhar de perto todo o desenvolvimento deste trabalho, com a sua sabedoria proferiu comentários, sugestões e correcções constantes;

Ao Professor Doutor Roland van den Tillaar por ter aceitado ser meu co-orientador, e acompanhar de perto todo o desenvolvimento deste trabalho, sugestões e correcções constantes;

À Associação Desportiva de Barroselas, nomeadamente ao treinador Nuno Lima e à equipa de

iniciados por terem feito parte deste trabalho, onde sem eles nada teria sido possível;

Aos meus pais e irmão, pois proporcionaram-me a oportunidade de estudar e frequentar este curso. Por todo o apoio e por serem únicos;

Ao João Lima por toda a amizade e por ter ajudado em diversos momentos a realização deste trabalho;

À Família F por estarmos sempre juntos ao longo deste percurso universitário, e ajudarmo-nos

mutuamente sempre que alguma dificuldade aparece.

V

ÍNDICE

RESUMO

VII

ABSTRACT

VIII

1.INTRODUÇÃO

1

2.MÉTODOS

3

2.1.Amostra

3

2.2.Desenho Experimental

3

2.3.Treino de Força

5

2.4.Avaliação

5

2.4.1.Velocidade da bola

6

2.4.2.Salto vertical

6

2.4.3.Sprint

7

2.5.Análise estatística

7

3.APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

8

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

10

5. PRINCIPAIS CONCLUSÕES

11

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

12

VI

RESUMO

Objectivo: A presente dissertação teve como objectivo examinar os efeitos da aplicação de um treino de força sobre a performance de salto vertical, de sprint e de remate em jovens futebolistas sub15 praticantes da modalidade de futebol. Métodos: A amostra foi constituída por doze jogadores de futebol do escalão de iniciados, participantes no campeonato Nacional. A totalidade da amostra foi posteriormente dividida em dois grupos: um grupo experimental (GE=7, 14.29 ± 0.49 anos) e um grupo de controlo (GC=5, 14.20 ± 0.45 anos). O GE realizou, para além dos habituais treinos de futebol e jogos oficiais, um programa de treino de força de carácter explosivo com a duração de oito semanas e com uma frequência semanal de duas sessões semanais. O GC apenas efectuou o programa habitual de treino de futebol e jogos oficiais. Ambos os grupos foram avaliados antes e após as 8 semanas para as capacidades referidas. Resultados: O GE sofreu aumentos significativos na velocidade de remate (VR:

p=0.019), salto com contramovimento (CMJ: p=0.043), sprint de 15 m (V0-15: p=0.023), 30 m (V0-30: p=0.002) e entre os 15 m e os 30 m (V15-30: p=0.001). De realçar que o GC também sofreu aumentos significativos, mas apenas na capacidade de sprint e para as duas ultimas distâncias referidas. Conclusões: As 8 semanas de treino de força aplicado promoveram melhorias significativas na VR, no CMJ e no sprint na V0-15. O sprint nas distâncias V0-30 e V15-30 também sofreu melhorias, no entanto, devido às adaptações relativas aos treinos e às competições

Palavras-chave: FUTEBOL, TREINO DE FORÇA, JOVENS PRATICANTES, REMATE, SALTO, SPRINT

VII

ABSTRACT

Objective: The aim of the present study was to examine the effects of a specific strength training program over ball kick velocity, vertical jump height and a sprint performance in young soccer players under 15. Methods: 12 soccer players took part in the national championship. The sample was divided into two groups: a experimental one (GE=7, 14.29 ± 0.49 years) and a control group (GC=5, 14.20 ± 0.45 years). Apart of daily soccer tasks and competitions the GE was submitted to a 8 weeks strength treaining program composed by sprints, jumps with a frequency of two session per week. The GC only participated in the soccer sessions and official matches. Both groups were tested before and after 8 weeks over the addressed physical capacities. Results: In GE were observed a significant differences the speed in the ball kick (VR: p=0.019), countermovement jump (CMJ: p=0.043), sprint in the 15 meters (V0-15, p=0.023) in the 30 meters (V0-30 p=0.002) and between the 15 meters and 30 meters (V15-30 p=0.001), however the GC also improved in 2 last distances. Conclusion: The 8 weeks of strength training applied promoted significant improvements in the VR, the CMJ and sprint in the V0-15. The sprint distances in V0-30 and V15-30 also experienced improvements, however, due to adjustments relating to training and competitions.

Key-Words: FOOTBALL, STRENGHT TRAINING, YOUNG PLAYERS, KICK, JUMP, SPRINT

VIII

1.INTRODUÇÃO

O Futebol é talvez a modalidade desportiva mais popular em todos os Continentes (Sousa,

Garganta & Garganta, 2003). As exigências proporcionadas por este jogo impõem que os praticantes possuam elevadas performances, entre as quais se destacam acções de alta intensidade como o remate, o salto e o sprint (Hoff & Helgerud, 2004;). Devido à sua importância, estas capacidades têm vindo a ser cada vez mais estudadas nas diferentes faixas etárias (Chelly et al., 2009; Garrido et al, 2010; Hoff & Helgerud, 2004; Thomas, French, & Hayes, 2008; Pollard, 1995). Desenvolver programas de treino capazes de potenciar todas estas capacidades em uníssono torna-se aliciante principalmente quando se tratam dos mais jovens.

(Alves, Rebelo, Abrantes & Sampaio, 2010).

O treino de força (TF) tem sido indicado como um meio eficaz para desenvolver as habilidades

específicas em diferentes modalidades, nomeadamente nas colectivas, melhorando significativamente a prestação dos seus participantes (Alves, 2010; Garrido et al., 2010; Marques & González-Badillo, 2006). Nos mais jovens, todavia, o conhecimento e a forma com estas capacidades podem ser potenciadas carece de mais e melhor investigação (Marques, 2004). Durante décadas a fio o TF foi erroneamente associado apenas aos adultos, no entanto esta visão tem sido abandonada (Faigenbaum et al. 2001). De facto, o TF permite um desenvolvimento equilibrado e sustentado nas crianças e nos jovens, tal como tem sido demonstrado pela literatura mais recente (Alves, 2006; Faigenbaum, Westcott, Loud & Long, 1999; Garrido et al., 2010; Marques & González-Badillo, 2005). Diminuir a frequência dos erros técnicos que os jovens cometem é também um dos principais benefícios do TF, pois alguns desses mesmos erros não se devem a uma técnica deficiente ou a uma falha de coordenação motora, mas sim à falta de força na musculatura dos membros participantes na execução específica dos movimentos (Marques & Oliveira, 2001).

No futebol, à imagem de muitas outras modalidades, o TF também possui uma enorme relevância (Alves, 2010; Hoff & Helgerud, 2004; Marques & Oliveira, 2001). Por exemplo, a literatura tem reportado alguns estudos onde se pode constatar que a introdução de um TF pode induzir melhorias significativas em habilidades específicas do futebol, tais como o sprint, o salto, as mudanças de direcção, o remate, entre outras (Hoff & Helgerud, 2004; Sousa et al, 2003); que são fundamentais para a performance global do futebolista (Aziz, Mukherjee, Chia &

1

Teh, 2008). Assim, os indivíduos que possuem maiores níveis de força aumentam as suas probabilidades de sucesso (Luthanem, 1994; Poulmediz et al., 1988). Neste capítulo, Manolopoulos, Papadopoulos e Kellis (2006) verificaram aumentos significativos na velocidade da bola durante o remate após a aplicação de um TF num grupo de jogadores de futebol (19.9 anos). Também Alves et al. (2010), num estudo com atletas de futebol de 17 anos de idade, puderam perceber que a realização de apenas uma sessão de TF por semana era possível observar uma melhoria significativa tanto no salto vertical, bem como no sprint de 5 e de 15 metros. Hoff e Helgerud (2004) verificaram ainda que 8 semanas de treino força, 3 vezes por semana, permitiram aumentar em 52% os níveis de força máxima no agachamento, atestando uma melhoria de 0.08 segundos numa distância de 10 metros e de 0.13 segundos na distância de 40 metros, investigando uma estreita ligação entre o trabalho de força, a aceleração e a velocidade. Mais recentemente, Chelly et al. (2009) realizaram um estudo similar com atletas juniores de futebol (17anos), mas com apenas 2 sessões por semana de TF, onde avaliaram a velocidade em 3 momentos: no primeiro passo logo após o começo, entre os 0 os 5metros e entre os 35 e os 40metros. Ainda assim, também puderam perceber melhorias significativas no sprint em todas as distâncias estudadas.

Na literatura, apesar de encontrarmos alguns trabalhos que abordassem o TF em crianças e jovens, poucos são os que se abordaram, no mesmo estudo, os seus efeitos sobre o sprint, o salto vertical e o remate em crianças futebolistas sub15. Assim, este estudo teve como objectivo examinar os efeitos da aplicação de um treino de força sobre a performance de salto vertical, de sprint e de remate em jovens futebolistas sub15 praticantes da modalidade de futebol. Relembramos que é nesta faixa etária que se iniciam os campeonatos Nacionais de futebol em Portugal, e que para se poder treinar a um nível elevado é necessária informação científica que suporte as escolhas dos treinadores e dos clubes.

Assim, pretendeu-se dar resposta à seguinte questão: 1) qual a eficácia do TF no aumento da performance de salto vertical, de sprint e de remate em jovens futebolistas sub15 praticantes de futebol?

2

2.MÉTODOS

2.1.Amostra

A amostra foi constituída (Tabela 1) por doze jogadores de Futebol sub 15 (n=12), do sexo masculino, que disputam o campeonato Nacional de Iniciados, nascidos em 1996 com um mínimo três anos de prática da modalidade. Todos os sujeitos eram saudáveis e possuíam exame médico que comprovava as suas aptidões para a prática desportiva. Os responsáveis pela equipa, os pais dos atletas e os próprios atletas foram esclarecidos relativamente ao tipo de trabalho desenvolvido. Após os esclarecimentos todos aprovaram a participação.

Tabela 1 Caracterização da Amostra.

Grupos

GE (7)

GC (5)

 

M

DP

M

DP

Idade (anos)

14.29 ± 0.49

 

14.20 ± 0.45

 
 

Pré-Teste

Pós-Teste

Pré-Teste

Pós-Teste

 

M

DP

M

DP

M

DP

M

DP

Altura (cm)

168.6 ± 4.20

169.6±4.8

177 ± 5.10

178±5.43

Peso (Kg)

63.14 ± 11.50

63.6±11.05

70.2 ± 8.70

70.8±7.86

IMC (%)

22.15 ± 3.56

22.05±3.4

22.36 ± 1.96

22.30±1.68

Legenda: (GE): grupo experimental; (GC): grupo controlo; (M): média; (DP): desvio padrão; (IMC): índice de massa corporal

2.2. Desenho Experimental

Inicialmente a amostra foi dividida de forma homogénea, porém, factores como lesões contraídas em jogos, e a impossibilidade de alguns atletas por diversos motivos não poderem comparecer em alguns treinos tiveram nos factores que levaram a esta mortalidade experimental (4 atletas). Fizeram parte deste estudo dois grupos: um experimental (GE) constituído por sete gsujeitos e um de controlo (GC) constituído por cinco elementos. Para além dos três treinos semanais a que todos os atletas estavam sujeitos no clube onde habitualmente treinavam futebol, desenvolveu-se e aplicou-se, em paralelo, os seguintes programas de treino de força: o GC

3

apenas realizou as sessões normais (três dias por semana) de futebol durante oito semanas; o GE submeteu-se, antes de cada sessão de treino técnico/táctico, a um programa de força com a duração de 8 semanas com duas sessões semanais, para além dos três treinos habituais de futebol.

4

2.3.Treino de Força

Tabela 2 Treino de Força.

 

1ªsemana

2ªsemana

3ªsemana

4ªsemana

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

Salto bilateral

(sem flexão

3x20

3x20

3x20

3x25

3x25

3x25

3x30

3x30

dos joelhos)

Salto bilateral

(com flexão

3x10

3x10

3x10

3x10

4x10

4x10

3x10 +

3x10 +

dos joelhos)

Salto unilateral curto e rápido

2x10

2x10

3x10

3x10

2x10

2x10

3x10

3x10

Salto unilateral o mais alto possível

2x8

2x8

2x8

2x8

3x8

3x8

3x10

3x10

Sprint (Pausa - tempo de voltar ao inicio)

5x20m

6x20m

6x20m

6x20m

2x4x20m

2x4x20m

5x30m

5x15m

 

5ªsemana

6ªsemana

7ªsemana

8ªsemana

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

1ªsessão

2ªsessão

Salto bilateral

(sem flexão

4x20

4x20

5x20

5x20

6x20

6x20

6x20

6x20 ††

dos joelhos),

nas escadas

Salto bilateral

(com flexão

4x10 +

4x10 +

4x10 +

3x10 +

3x10

3x10

3x10

4x10

dos joelhos)

Salto unilateral curto e rápido

3x10

3x10

3x10

2x10

2x10 ‡‡

2x10 ‡‡

2x10 ‡‡

2x10 ‡‡

Cabeceamento sem bola (o mais alto possível)

3x5

3x5

3x5

3x5

4x5

4x5

4x5

4x5

Sprint (Pausa - tempo de voltar ao inicio - pausa entre séries 2-3’)

 

2x10-20-

2x10-20-

6x30m

6x15m

2x4x30m

50-40-30-

20-10m

50-40-30-

20-10m

50-40-30-

20-10m

30-20-

10m

30-20-

10m

Legenda: 1 degrau; ††2degraus; +o mais longe possível; o mais alto possível; ‡‡subindo escadas.

5

2.4. Avaliação

Para a avaliação os indivíduos foram sujeitos a um aquecimento prévio de 15 minutos efectuado pelo treinador. Entre cada teste foi atribuído um repouso de 5 minutos evitando a fadiga dos atletas. Todos os sujeitos foram previamente familiarizados com os procedimentos efectuados. Os testes foram efectuados pela seguinte ordem: velocidade do remate, salto vertical e sprint. Todos os testes foram repetidos no pré-teste e no pós-teste.

2.4.1.Velocidade da bola

O teste de velocidade de saída da bola durante o remate (VR) foi efectuado utilizando uma bola Lacatoni colocada a uma distância de onze metros da baliza com medidas regulares. A bola utilizada no pré-teste e no pós-teste possuía a mesma pressão, de 0.8 atmosferas. Os sujeitos a cada remate eram incentivados a executaram os remates à maior força possível com o pé dominante. Para avaliar a VR foi usado um radar (Stalker Profissional Sports Radar), calibrado da seguinte forma: Setup menu: Ball Lo 16; range: Low. O radar foi colocado atrás da posição inicial da bola, no mesmo plano de deslocamento da bola à baliza (0º), diminuindo o erro associado (erro de 0.013 m/s). Foram concedidos três remates a cada individuo, sendo o resultado final a média da velocidade dos três remates expresso em metros por segundo. Cada remate foi dividido por três minutos de repouso.

2.4.2.Salto vertical

A avaliação do salto efectuou-se através do teste de salto com contramovimento (CMJ). Cada sujeito iniciou com uma posição erecta, com a planta dos pés em contacto com o tapete e mãos nos quadris. Efectuava um salto vertical após uma flexão dos joelhos a 90º (contramovimento). Para a avaliação deste salto recorreu-se a uma plataforma de contactos (Ergojump, Digitime 1000, Digest Finland). O ergómetro utilizado para avaliar o CMJ esteve ligado a um cronómetro digital para registar o tempo e altura de voo (cm). A avaliação da força explosiva foi realizada de acordo com o protocolo descrito por Marques e González-Badillo (2006). Foram realizados três saltos, cada um seguido de três minutos de descanso reduzindo a possibilidade de fadiga. Foi utilizado o melhor dos três saltos. Sempre que se verificava algum incumprimento na realização do salto este era repetido após o referido tempo de repouso.

6

2.4.3.Sprint

No teste do sprint avaliou-se as velocidades dos 0 aos 15 metros (V0-15), a velocidade dos 15 aos 30 metros (V15-30) e a velocidade dos 0 aos 30 metros (V0-30). Os sujeitos posicionaram- se atrás da linha de partida, na posição de pé, com o tronco ligeiramente inclinado para a frente. Os tempos foram medidos em segundos, através de três pares de células fotoeléctricas (Micrograte Equipment, Racetime2 Light Radio Kit, USA). Os membros inferiores estavam afastados no sentido antero-posterior, ligeiramente flectidos e o pé mais adiantado colocado imediatamente atrás da linha de partida. Os atletas realizavam um sprint com a máxima velocidade até ultrapassar a linha de chegada. O teste foi realizado em linha recta numa distância de 30 metros. Os tempos foram medidos através de três pares de células fotoeléctricas, colocadas nos seguintes pontos: um par de células no ponto de partida; o segundo par aos 15 metros; e o terceiro par aos 30m. Foram realizadas duas repetições, efectuando-se a média dos dois testes. Entre cada repetição efectuou-se um repouso de 5 minutos evitando fadiga.

2.5.Análise estatística

Os procedimentos estatísticos utilizados foram: média aritmética, desvio padrão, análise da variância (ANOVA), análise da co-variância (ANCOVA) e o t-teste para análise de amostras correlacionadas. O programa estatístico utilizado foi o SPSS.17, tendo-se aceite um nível de significância de 5%.

7

3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

A comparação dos dados iniciais revelou (ver características da amostra) que existia uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos relativamente ao peso e altura dos atletas. Estas diferenças deveram-se à mortalidade experimental, já que a amostra inicial estava composta por dezasseis indivíduos. Ainda que a distribuição se tenha efectuado de uma maneira homogénea, vários sujeitos foram excluídos do programa devido a vários factores externos, tais como: lesões, doenças, abandono da modalidade ou incumprimento dos treinos previstos. Aplicando uma ANOVA univariada, pôde apreciar-se a existência de diferenças significativas iniciais, quer na VR e no sprint, para ambos os casos (p <0,001). Dadas as diferenças iniciais (mortalidade experimental), foi necessário realizar uma análise da co-variância (ANCOVA), tomando como co-variante o VR inicial e o sprint (como controlo estatístico). Existiu homogeneidade na variância medida através do teste de Levene’s (p = 0,747).

Na tabela 3 são apresentados os valores da VR, do CMJ, da V0-15m, da V15-30m e da V0-30m no pré-teste e no pós-teste, tanto para o GE como para o GC. Relativamente à VR, quando comparado o pré-teste com o pós-teste do GE verificou-se a existência de melhorias estatisticamente significativas (p=0.019) com ganhos de 7.36%, por sua vez no grupo controlo não houve diferenças significativas (p=0.634). No CMJ quando comparado o pré-teste com o pós-teste, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas no GE (p=0.043) com uma percentagem de ganhos de 13.65%. No GC não se verificaram diferenças estatísticas significativas (p=0.473). Relativamente à V0-15m o GC não apresentou diferenças estatisticamente significativas (p=0.391) enquanto no GE verificaram-se aumentos de 2.66% (p=0.023). Na V15-30m verificaram-se diferenças estatisticamente significativas no GE (p=0.001) com uma melhoria de 6.8% e também no GC (p=0.004) com uma melhoria de 7.14%. Relativamente a V0-30m observaram-se diferenças estatisticamente significativas no GE (p=0.002) com uma melhoria percentual de 4.9% e no GC (p=0.015) com uma melhoria de

3.8%.

8

Tabela 3 Comparação dos valores de VR, CMJ, da V0-15, da V15-30 e da V0-30, do GE e do GC no Pré-Teste e no Pós-Teste.

GE

GC

VR (m/s)

M

DP

Ganhos

P

M

DP

Ganhos

P

percentuais

 

percentuais

Pré-Teste

24.33±2.2

7.36%

0.019*

26.54±1.13

1.28%

0.634

Pós-Teste

26.12±1.88

 

26.88±1.14

 

CMJ (m)

M

DP

Ganhos

P

M

DP

Ganhos

P

percentuais

 

percentuais

Pré-Teste

0.315±0.04

 

0.314±0,04

6.69%

Pós-Teste

0.358±0,053

13.65%

0.043*

0.335±0,046

 

0.473

 

Ganhos

Ganhos

V 0-15m (s)

M

DP

percentuais

P

M

DP

percentuais

P

Pré-Teste

2.64±0.80

 

2.66±0.16

 

Pós-Teste

2.57±0.07

2.66%

0.023*

2.63±0.14

1.13%

0.391

V 15-30m

Ganhos

 

Ganhos

(s)

M

DP

percentuais

P

M

DP

percentuais

P

Pré-Teste

2.06±0.94

 

2.1±0.12

 

Pós-Teste

1.92±0.08

6.8%

0.001*

1.95±0.1

7.14%

0.004*

V 0-30m

Ganhos

 

Ganhos

(s)

M

DP

percentuais

P

M

DP

percentuais

P

Pré-Teste

4.70±0.16

 

4.75±0.28

 

Pós-Teste

4.47±0.14

4.9%

0.002*

4.57±0.23

3.8%

0.015*

Legenda: (M): média; (DP): desvio padrão; * Diferenças estatisticamente significativas entre o Pré-Teste e o Pós- Teste (p<0.05)

9

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Este estudo teve como objectivo principal examinar os efeitos promovidos pelo TF em jovens futebolistas sobre a performance de sprint de salto e de remate. Os resultados obtidos indicaram que um programa de TF de carácter explosivo permite potenciar a performance dos atletas de forma significativa, confirmando os dados observados por outros autores em diferentes modalidades desportivas (Faigenbaum et al., 2009; Marques, 2004; Marques & Oliveira, 2001).

Relativamente ao remate, verificámos que a velocidade de saída da bola, quer para o GE, quer para o GC, em todas as medições realizadas no nosso estudo, varia entre os 24.33 m/s e 26.88 m/s, valores próximos aos que Kellis e Katis (2007) observaram numa revisão efectuada sobre a VR. Neste capítulo, pudemos verificar um aumento significativo no GE de 24.33 m/s para 26.12 m/s, valores próximos ao de atletas com idades superiores, tais como os que foram verificados por Jardim e Garganta (2003), com valores médios de 26.60 m/s. Também Manolopoulos et al. (2006) verificaram aumentos significativos na VR, ainda que este estudo tivesse uma maior duração (10 semanas). Seria interessante também termos efectuado um teste intermédio com o intuito de verificar de que modo o TF estaria a influenciar esta habilidade nas primeiras 4 semanas e verificar de forma mais clara a evolução dos resultados.

No que concerne à capacidade de salto vertical, os resultados aqui apresentados são similares aos de Marques e González-Badillo (2005). Estes autores examinaram a influência da aplicação do TF desenvolvido com pesos livres num grupo de crianças praticantes de basquetebol (11.4 anos), tendo observado ganhos significativos na impulsão no salto vertical. Por sua vez, Alves et al. (2010) efectuaram um estudo com atletas de futebol (17.4 anos) onde aplicaram um TF com a duração de 6 semanas. Foram constituídos dois grupos com diferentes frequências semanais de TF (um grupo treino 2 vezes por semana e um outro apenas uma vez por semana). Os autores puderam observar melhorias significativas no salto vertical sem contramovimento, no entanto, não encontraram diferenças significativas no CMJ. Os investigadores atribuíram este resultado à curta duração do programa. Por sua vez, Chelly et al. (2009) num estudo muito semelhante, realizaram um TF um pouco mais extenso (8 semanas), tendo verificado uma ausência de melhorias significativas no CMJ. A amostra destes dois estudos, apesar de serem jovens jogadores, possui uma idade média superior à do nosso estudo. Uma vez que a nossa amostra foi composta por jovens pubertários, ou seja, com uma maior margem de progressão que pode

10

explicar parte do nosso sucesso. Porém, especificidade do nosso programa de TF poderá também ela ter tido um papel importante nas melhorias obtidas face a outros estudos.

No que diz respeito à capacidade de sprint, atestamos que o GE melhorou de forma significativa todas as distâncias avaliadas. No entanto, os nossos dados demonstraram também uma melhoria significativa no GC tanto na V15-30 como na V0-30. É de destacar que o GC não efectuou TF, tendo apenas realizado sessões de treino normais, e os jogos oficiais do campeonato em que participavam. Isto sugere-nos que as melhorias do GC advêm do tipo de treino que os jogadores de futebol estão sujeitos. Ou seja, a própria especificidade do jogo pode estimular ganhos importantes na manifestação de força. No entanto, os dados percebidos no GE corroboram os verificados por Chelly et al. (2009), ainda que estes autores tivessem avaliado diferentes distâncias (o primeiro passo, dos 0 aos 5, e dos 35 aos 40 m).

Respondendo de modo claro à pergunta inicial de estudo, podemos afirmar que o TF, quando aplicado correctamente, é um instrumento potenciador da performance de salto, de sprint e de remate em jovens sub15 praticantes de futebol.

Relembramos que esse mesmo TF não necessita da utilização de qualquer máquina ou material, sendo fácil execução para qualquer treinador, sendo por isso um instrumento relevante para quem pretenda desenvolver a força explosiva.

5. PRINCIPAIS CONCLUSÕES

Verificamos que apenas 8 semanas de TF são suficientes para melhorar a performance de atletas sub 15 de futebol desenvolvendo habilidades específicas como o salto, o remate e o sprint;

Através da aplicação do TF verificaram-se melhorias para a performance do remate, aumentando significativamente a VR;

O TF trouxe melhorias significativas ao nível do CMJ, desenvolvendo de modo claro a capacidade de salto dos atletas;

A capacidade se sprint, devido ao TF, também melhorou nos atletas, nomeadamente na V0-

15;

As melhorias verificadas no sprint nas distâncias V0-30 e V15-30 deveram-se essencialmente às adaptações desenvolvidas nos treinos e nas competições.

11

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alves, J.; Rebelo, A.; Abrantes, C.; Sampaio, J. (2010). Short-Term Effects of Complex and Contrast Training in Soccer Players’ Vertical Jump, Sprint and Agility Abilities. Journal of Strength and conditioning Research. 24(4)/936-941.

Aziz, A.; Mukherjee, S.; Chia, M.; Teh, K

Ability Test Among Playing Positions and Level os Competitiveness in Trained Soccer Players.

International Journal of Sports Medicine, 29:833-838.

(2008). Validity of the Running Repeated Sprint

Chelly, M.; Fatholoun, M.; Cherif, N.; Amar, M.; Tabka, Z.; Praagh, E. (2009). Effects of a Back Aquat Training Program on Leg Power, Jump, and Sprint Performances in Junior Soccer Players. Journal of Strength and Conditioning Research. 23(8)/2241-2249.

Faigenbaum, A.; Kraemer, W.; Blimkie, C.; Jeffreys, I.; Micheli, L.; Nitka, M.; Rowland, T. (2009). Youth Resistance Training: Updated Position Statement Paper From the National Strength and Conditioning Association. Journal of strength and Conditioning Research. 23(Supplement 5)/S60-S79.

Faigenbaum, A.; Loud, R.; O’connell, J.; Glover, S.; O’connell, J.; Westcott, W. (2001). Effects of Different Resistance Training Protocols on Upper-Body Strength and Endurance Development in Children. Journal of Strength and Conditioning Research, 15(4), 459-465.

Faigenbaum, A.; Westcott, W.; Loud, R.; Long, C. (1999). The Effects of Different Resistance Training Protocols on Muscular Strength and Endurance Development in Children. Pediatrics; 104; e5. DOI: 10.1542/peds.104.1e5 Disponível em: http://www.pediatrics.org/cgi/content/full/104/1/e5 consultado a 16/4/2007.

Garrido, N.; Marinho, D.; Reis, V.; Tillaar, R.; Costa, A.; Silva, A.; Marques, M. (2010). Does combined dry land and aerobic training inhibit performance of young competitive swimmers? Journal of Sports Science and Medicine, 9, 300-310.

12

Hoff, J.; Helgerud, J. (2004). Endurance and Strength Training for Soccer Players, Physiological Considerations. Sports Medicine, 34(3), 165-180.

Kellis, E.; Katis, A. (2007). Biomechanical characteristics and determinants of instep soccer kick. Journal of Sports Science and Medicine, 6, 154-165.

Jardim, N.; Garganta, J.; (2003). Velocidade da bola no remate em futebol. Estudo comparativo da performance de praticantes de diferentes idades e níveis competitivos. Revista Digital de Alto Rendimento em Fútbol.

Manolopoulos, E.; Papadopoulos, C.; Kellis, E. (2006) Effects of combined strength and kick coordination training on soccer kick biomechanics in amateur players. Scandinavian Journal of Medicine Science in Sports: 16: 102-110.

Marques, A. e Oliveira, J. (2001). O treino de jovens desportistas. Actualização de alguns temas que fazem a agenda do debate sobre a preparação dos mais jovens. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Vol.1, nº1, 130-137.

Marques, M. (2004) O trabalho de força no alto rendimento desportivo: da teoria à prática. Livros Horizonte: Lisboa.

Marques, M.; González-Badillo, J. (2005). O efeito do treino de força sobre o salto vertical em jogadores de basquetebol de 10-13 anos de idade. Revista Brasileira Ciência e Movimento, 13(2): 7-15.

Marques, M.; González-Badillo, J. (2006). In-Season Resistance Training and Detraining in Professional Team Handball Players. Journal of Strength and Conditioning Research, 10(3),

563-571.

Pollard, R. (1995). Do long kicks pay off? Soccer Journal, 40(3), 41-43.

13

Sousa, P.; Garganta, J.; Garganta, R. (2003). Estatuto posicional, força explosiva dos membros inferiores e velocidade imprimida à bola no remate em Futebol. Um estudo com jovens praticantes do escalão sub-17. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, vol.3, nº 3

[27-35].

Taskin, H.; (2008). Evaluating Sprinting Ability, Density, of Acceleration, and Speed Dribbling Ability of Professional Soccer Players With Respect to Their Positions. Journal of Strength and Conditioning Research, 22(5)/1481-1486.

Thomas, K.; French, D.; Hayes, P.; (2008). The Effect of Two Plyometric Training Techniques on Muscular Power and Agility in Youth Soccer Players. Journal of strength and Conditioning Research, 00(0)/1-13.

14