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CUIABÁ, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014 A GAZETA A- política 6

SONIA FIORI
DA REDAÇÃO
D
eclaração à imprensa do coordenador da equipe
de transição do governador eleito, Pedro Taques
(PDT), Otaviano Pivetta, sobre possível extinção
do MT Saúde, plano de saúde dos servidores
públicos do Estado, provocou reação imediata de defensores
do sistema em Mato Grosso. Deputado estadual Emanuel
Pinheiro (PR), relator da CPI do MT Saúde, presidida pelo
deputado Walter Rabello (PSD), e autor de emendas que
deram suporte à reestruturação do plano, mandou aviso à
equipe de Taques, podendo respingar no “bom
relacionamento” entre Poderes Constituídos a partir de 2015.
“Não admitimos, depois de tanta luta, o fim do MT Saúde. É
inegociável. Essa posição é um patrocínio claro ao
retrocesso. E o apoio à governabilidade da próxima gestão
passa pela consolidação do sistema no Estado”.
Após a declaração, Pivetta informou que o assunto será
analisado com profundidade pelo governador eleito, a quem
cabe decidir o futuro do sistema em Mato Grosso.
Outro zelador do plano, um dos principais
representantes do Fórum Sindical, Gilmar Brunetto foi
categórico: “É lamentável. O Pivetta precisa respeitar os
compromissos que o governador Taques fez com o Fórum
Sindical, e vamos cobrar o diálogo. Não é com
autoritarismo que se governa e sim com diálogo. Não é um
privilégio e sim a valorização do servidor público,
diminuindo a carga do SUS”, asseverou Brunetto.
Ele se reuniu com o presidente estadual do PDT,
deputado Zeca Viana, solicitando reunião de
representantes do Fórum com Taques, nesta semana, para
discutir o MT Saúde e ainda o MT Prev, programa
previdenciário único dos servidores do Estado, matéria em
tramitação no Poder Legislativo.
Pinheiro pontuou entender e concordar com a
necessidade de enxugamento de gastos da máquina pública
e seu total respaldo às mudanças no eixo da transformação
de Estado. Mas não concorda com a ideia de extinguir um
plano de característica social e pautado na Constituição.
“Não aceito discutir uma proposta assim, ainda mais no
momento em que além de garantirmos a seguridade do
sistema, estamos com todas as ações voltadas para a
realização de convênios com municípios, para a
interiorização do MT Saúde”, mencionou ao frisar
inovações na gestão, sob Flávio Taques, que permitirão
colocar em prática a oferta de plano odontológico ao
custo médio de R$ 12,15.
Brunetto lembrou que a reestruturação do plano,
aprovada pela Assembleia Legislativa através de Projeto de
Lei Complementar, em abril de 2014, permite uma gestão
eficiente, com participação mínima do Executivo, de 30%.
“Hoje com certeza o Estado assegura uma participação de
cerca de 60% para manutenção do sistema, isso significa
aproximadamente R$ 5 milhões por mês. Somos a
favor da economia dos gastos públicos e acho
que o governo pode reduzir até 80% dos
cargos comissionados, porque tem muito
empreguismo. Só que o Pivetta falou
sobre algo sem conhecer. Acredito
que o governador Pedro Taques
saberá governar. Essa é a
esperança, porque já tivemos a
experiência de outros que não
foram eleitos e governaram,
como o Éder Moraes”,
disparou. emendando o
cutucão: “é só gerir o
Estado sem
roubalheira”.
DECLARAÇÃO
- Na última quarta-
feira (15), Pivetta
concedeu
entrevista coletiva
à imprensa. Na
ocasião, tratou da
composição da
equipe de
transição, falando
sobre cortes na
máquina pública,
momento em que foi
questionado por
jornalistas à respeito
da continuidade ou
não do MT Saúde.
“O MT Saúde, eu vou resumir um pensamento do
coordenador da equipe de transição. Eu acho que combina
com o governador (Pedro Taques). O MT Saúde é saúde
pública de qualidade para todos os mato-grossenses. Eu acho
que não pode separar um tipo de saúde para os servidores
públicos e outro tipo de saúde para o povo sendo que quem
contribui para este Estado são todos na mesma proporção.
Então, se tivesse um sistema de saúde eficiente, bom para
toda a sociedade não precisaria MT Saúde. Então vamos ver
se nós conseguimos fazer o que é o dever de um governo,
fazer saúde pública de qualidade para toda a população, e
consequentemente para todos os servidores públicos
também”. Continuou: “Nós não temos informações, vamos
buscar informações para analisar cada caso, inclusive esse
(MT Saúde). Eu acho que
deve ser revisto sim (o
modelo). É o que eu
acabei de falar
aqui. O Estado
tem obrigação
de fazer
saúde pública de qualidade para toda a população. Não é
porque é servidor público que tem direito a um sistema de
saúde de elite e o resto do povo aos corredores. Ou nós
colocamos qualidade na saúde para todo mundo ou para
ninguém. Não pode ter dois sistemas públicos de saúde”.
HISTÓRICO - O MT Saúde foi criado na gestão do
ex-governador e senador Blairo Maggi, em 2003. Chegou a
atender 55 mil pessoas no Estado, com qualidade de
serviços comparável a operadoras de ponta da iniciativa
privada. No início de 2011, somente depois de 8 anos, o
Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou a
irregularidade do funcionamento, tendo como base
suposta inconstitucionalidade. Essa tese foi levada por
terra no Poder Legislativo, com fundamento de
constitucionalidade assinalado por Pinheiro, contando
com aliado à tese, o presidente da Assembleia Legislativa,
deputado José Riva (PSD).
Propósito do TCE deu largada ao completo
desmantelamento do sistema no Estado, concebendo
pedido em massa de descredenciamento por parte de
hospitais, laboratórios e profissionais médicos. A crise
também sustentou a criação da CPI do MT Saúde, na
Assembleia Legislativa, em novembro de 2011. Em julho de
2013, foi aprovado relatório da comissão que investigou a
situação administrativa, financeira e contábil do MT Saúde,
com muitas ações propositivas para a manutenção do
plano, como emendas de autoria de Emanuel Pinheiro.
Deputada Luciane Bezerra (PSB), vice-presidente da CPI,
entregou voto em separado, apontando irregularidades e
solicitando prisão de 18 pessoas que ela entendeu ser
responsáveis por fraudes que teriam levado R$ 25 milhões
dos cofres do sistema. Cópia de sua proposta foi levado ao
Ministério Público Estadual (MPE). A Lei Complementar
539/2014, sancionando o MT Saúde, foi publicada no dia
18 de junho deste ano.
Paralelamente, o MT Saúde contou com apoio do
ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad, e
na sequência, do atual gestor da pasta, Pedro Elias. Na
administração direta do MT Saúde está Flávio
Taques, gestor de perfil técnico, que
ajudou a reformular o modelo. Ele
contribuiu para a revisão da atual
estrutura, com luta para o resgate da
qualidade dos serviços, em
recuperação gradativa, prevendo
inovações como o plano
odontológico em vias de
implantação. A continuidade
do MT Saúde está agora nas
mãos do novo governador do
Estado. Será cobrado a
manter diálogo com a classe
dos servidores públicos, e
ainda por representantes
do Poder Legislativo acerca
do tema, sob risco
iminente de desgaste de
imagem antes mesmo de
assumir o Executivo de
Mato Grosso.
FIM DO MT SAÚDE
Deputado e Fórum Sindical
se posicionam contra
, g
autoritarismo que se governa e sim com diálogo. Não é um
privilégio e sim a valorização do servidor público,
diminuindo a carga do SUS”, asseverou Brunetto.
Ele se reuniu com o presidente estadual do PDT,
deputado Zeca Viana, solicitando reunião de
representantes do Fórum com Taques, nesta semana, para
discutir o MT Saúde e ainda o MT Prev, programa
previdenciário único dos servidores do Estado, matéria em
tramitação no Poder Legislativo.
Pinheiro pontuou entender e concordar com a
necessidade de enxugamento de gastos da máquina pública
e seu total respaldo às mudanças no eixo da transformação
de Estado. Mas não concorda com a ideia de extinguir um
plano de característica social e pautado na Constituição.
“Não aceito discutir uma proposta assim, ainda mais no
momento em que além de garantirmos a seguridade do
sistema, estamos com todas as ações voltadas para a
realização de convênios com municípios, para a
interiorização do MT Saúde”, mencionou ao frisar
inovações na gestão, sob Flávio Taques, que permitirão
colocar em prática a oferta de plano odontológico ao
custo médio de R$ 12,15.
Brunetto lembrou que a reestruturação do plano,
aprovada pela Assembleia Legislativa através de Projeto de
Lei Complementar, em abril de 2014, permite uma gestão
eficiente, com participação mínima do Executivo, de 30%.
“Hoje com certeza o Estado assegura uma participação de
cerca de 60% para manutenção do sistema, isso significa
aproximadamente R$ 5 milhões por mês. Somos a
favor da economia dos gastos públicos e acho
que o governo pode reduzir até 80% dos
cargos comissionados, porque tem muito
empreguismo. Só que o Pivetta falou
sobre algo sem conhecer. Acredito
que o governador Pedro Taques
saberá governar. Essa é a
esperança, porque já tivemos a
experiência de outros que não
foram eleitos e governaram,
como o Éder Moraes”,
g
disparou. emendando o
cutucão: “é só gerir o
Estado sem
roubalheira”.
DECLARAÇÃO
- Na última quarta-
feira (15), Pivetta
concedeu
entrevista coletiva
à imprensa. Na
ocasião, tratou da
composição da
equipe de
transição, falando
sobre cortes na
máquina pública,
momento em que foi
questionado por
jornalistas à respeito
da continuidade ou
não do MT Saúde.
g q g ,
fazer saúde pública de qualidade para toda a população, e
consequentemente para todos os servidores públicos
também”. Continuou: “Nós não temos informações, vamos
buscar informações para analisar cada caso, inclusive esse
(MT Saúde). Eu acho que
deve ser revisto sim (o
modelo). É o que eu
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acabei de falar
aqui. O Estado
tem obrigação
de fazer
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privada. No início de 2011, somente depois de 8 anos, o
Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou a
irregularidade do funcionamento, tendo como base
suposta inconstitucionalidade. Essa tese foi levada por
terra no Poder Legislativo, com fundamento de
constitucionalidade assinalado por Pinheiro, contando
com aliado à tese, o presidente da Assembleia Legislativ
deputado José Riva (PSD).
Propósito do TCE deu largada ao completo
desmantelamento do sistema no Estado, concebendo
pedido em massa de descredenciamento por parte de
hospitais, laboratórios e profissionais médicos. A crise
também sustentou a criação da CPI do MT Saúde, na
Assembleia Legislativa, em novembro de 2011. Em julho
2013, foi aprovado relatório da comissão que investigou
situação administrativa, financeira e contábil do MT Saú
com muitas ações propositivas para a manutenção do
plano, como emendas de autoria de Emanuel Pinheiro.
Deputada Luciane Bezerra (PSB), vice-presidente da CPI
entregou voto em separado, apontando irregularidades e
solicitando prisão de 18 pessoas que ela entendeu ser
responsáveis por fraudes que teriam levado R$ 25 milhõ
dos cofres do sistema. Cópia de sua proposta foi levado a
Ministério Público Estadual (MPE). A Lei Complementar
539/2014, sancionando o MT Saúde, foi publicada no dia
18 de junho deste ano.
Paralelamente, o MT Saúde contou com apoio do
ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad
na sequência, do atual gestor da pasta, Pedro Elias. Na
administração direta do MT Saúde está Fláv
Taques, gestor de perfil técnico, que
ajudou a reformular o modelo. Ele
contribuiu para a revisão da atual
estrutura, com luta para o resgate
qualidade dos serviços, em
recuperação gradativa, prevend
inovações como o plano
odontológico em vias de
implantação. A continuida
do MT Saúde está agora n
mãos do novo governador
Estado. Será cobrado a
manter diálogo com a cla
dos servidores públicos,
ainda por representante
do Poder Legislativo ace
do tema, sob risco
iminente de desgaste d
imagem antes mesmo d
assumir o Executivo de
Mato Grosso.
2003 Lei Complementar nº 127, de 11 de julho cria o MT Saúde
2011 Apontamento do TCE de irregularidades no plano
2011 Agosto - criada a CPI para investigar o sistema no Estado
2013 Julho - divulgado relatório final da CPI
2014 Julho - publicada Lei Complementar 539/2014 sancionando a reestruturação do plano do Estado
Histórico MT Saúde
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reunião com
Pedro Taques
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o

F
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Gilmar Brunetto diz que Taques se
comprometeu a dar continuidade
ao plano de saúde dos servidores