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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO TECNOLÓGICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA PROJETO DE GRADUAÇÃO

PROJETO BÁSICO DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

RODRIGO COSTA GUZZO

VITÓRIA – ES

OUTUBRO/2008

RODRIGO COSTA GUZZO

PROJETO BÁSICO DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Projeto de Graduação do aluno Rodrigo Costa Guzzo, apresentado ao Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo, para obtenção do grau de Engenheiro Eletricista.

VITÓRIA – ES

OUTUBRO/2008

RODRIGO COSTA GUZZO

PROJETO BÁSICO DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

COMISSÃO EXAMINADORA:

Prof. Dr. Wilson Correia Pinto de Aragão Filho Orientador

Prof. Dr. Domingos Sávio Lyrio Simonetti Examinador

Prof. Dr. Paulo José Mello Menegáz Examinador

Vitória - ES, 01, Outubro, 2008

DEDICATÓRIA

i

A minha família.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, a minha família, aos meus amigos, aos meus professores e todos aqueles que me apoiaram e me incentivaram nesses anos de esforço e dedicação.

ii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Arquitetura Básica de um Sistema Isolado

11

Figura 2 - Arquitetura Básica de um Sistema Híbrido

12

Figura 3 - Arquitetura Básica de um Sistema Conectado a Rede

13

Figura 4 - Corte de um Modulo Fotovoltaico

14

Figura

5

-

Junção PN da célula FV

15

Figura 6 - Mercado Mundial das Recentes Tecnologias FV

18

Figura 7 - Relação entre Profundidade Média de Descargas e o Número de Ciclos

24

Figura

8

-

Média

anual típica de radiação solar

29

Figura 9 - Média Diária Anual de Horas de Sol Pleno no Brasil

31

Figura 10 - Curva característica da célula FV

32

Figura 11 - Efeito da variação de intensidade de radiação

33

Figura 12 - Influência da temperatura

33

Figura 13 - Característica IxV do módulo ao decorrer do dia

34

Figura 14 - Potencia entregue pelo painel ao longo do dia

34

- Figura 16 - Relação entre potência gerada e potência demandada

Figura

15

Variação da corrente de carga da bateria

35

36

Figura 17 - Fator de Espaçamento

37

Figura 18 - Distancia Mínima entre painel e obstáculos para a luz

37

Figura 19 - Planta baixa da casa modelo

43

Figura 20 - Variação de tensão e corrente do módulo KC 130TM para diferentes

níveis de insolação

Figura 21 - Variação de tensão e corrente do módulo KC 130 TM para diferentes

níveis de temperatura

48

48

Figura 22 – Inversor CONERGY ISA 3000/5000 capaz de fazer o controle de carga.54 -

Figura

56

23

Tela inicial

do programa de dimensionamento

Figura 24 - Janela para o Calculo de Demanda de Carga

59

Figura 25 - Entrada de Dados preenchida para o Caso Isolado

60

Figura 26 - Saída do programa para o Sistema Isolado proposto

60

iii

Figura 27 - Entrada de dados para o Caso Híbrido

61

Figura 28 - Saída do programa para o Sistema Hibrido proposto

61

Figura 29 - Entrada de Dados para o Caso Ligado a Rede Elétrica

62

Figura 30 - Saída do programa para o Sistema Ligado a Rede Elétrica proposto

62

iv

LISTA DE QUADROS

Quadro

1

-

Angulo de Inclinação X Latitude

38

Quadro

2

-

Consumo diário de energia

44

Quadro

3

-

Inversores de Tensão Linha MCE Power

45

Quadro 4 - Folha de dados do inversor POWERBRAS -

Quadro

5

Baterias fornecidas pela

45

46

Quadro

6 - Especificações Técnicas do Painel KC 130TM

47

Quadro 7 - Resultado do programa SUNDATA para as Latitude e Longitude de

49

Quadro 8 - Controladores de Carga da linha CC VISION da CONERGY BRASIL 51

Vitória/ES

v

SUMÁRIO

DEDICATÓRIA

I

AGRADECIMENTOS

II

LISTA DE FIGURAS

III

LISTA DE QUADROS

V

SUMÁRIO

VI

RESUMO

IX

1 MOTIVAÇÃO

10

1.1

Introdução

10

1.2

Os Sistemas Fotovoltaicos

10

1.2.1 Sistemas

Isolados

11

1.2.2 Sistemas

Híbridos

12

1.2.3 Sistemas Conectados à Rede

12

1.3

Conclusões

13

2 COMPONENTES DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS

14

2.1

Introdução

14

2.2

Módulos Fotovoltaicos

14

2.2.1 Efeito Fotovoltaico nos painéis

15

2.2.2 Evolução Tecnológica

16

2.2.3 Tecnologias Disponíveis

17

2.2.3.1 Silício mono cristalino (m-Si) e silício poli-cristalino (p-Si)

18

2.2.3.2 Silício Amorfo Hidrogenado (a-Si)

19

2.2.3.3 Telureto de Cádmio (CdTe)

21

2.2.3.4 de Cobre Índio (CIS)

Disseleneto

22

2.2.3.5 HIT

22

2.3

Baterias

23

2.3.1 chumbo-ácido

Bateria

23

2.3.2 níquel-cádmio

Bateria

25

vi

2.4

Controladores de Carga

25

2.5

Inversores

27

2.6

Conclusões

27

3 CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES PARA O PROJETO

28

3.1

Introdução

28

3.2

Atlas Solarimétrico do

Brasil e Programa SUNDATA

28

3.3

Horas

de sol pleno por

dia

31

3.4

Efeito dos fatores ambientais no desempenho das células fotovoltaicas

32

3.5

Interação entre o painel e

as baterias

35

3.6

Localização e Orientação

dos painéis

36

3.7

Conclusões

38

4 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO

39

4.1

Introdução

39

4.2

Cálculo de

carga

39

4.3

Escolha do Inversor de Tensão

40

4.4

Banco de baterias

40

4.5

Painéis Fotovoltaicos

41

4.6

Controlador de Carga

42

4.7

Dimensionamento dos Cabos CC\CA

42

4.8

Conclusão

42

5 CASO PRÁTICO

 

43

5.1

Introdução

43

5.2

Sistema Isolado

43

5.2.1 de carga

Cálculo

43

5.2.2 do Inversor de Tensão

Escolha

44

5.2.3 Banco de baterias

46

5.2.4 Painéis Fotovoltaicos

46

5.2.5 Controlador de Carga

50

5.2.6 Dimensionamento dos cabos

51

5.3

Sistemas Híbridos

52

vii

5.4

Sistemas Conectados à Rede Elétrica

53

5.5

Conclusão

54

6 DIMENSIONAMENTO COMPUTACIONAL

56

6.1

Introdução

56

6.2

Entrada de

dados

56

6.3

Validação do Programa

59

6.3.1 SISTEMA ISOLADO

59

6.3.2 Híbrido

Sistema

61

6.3.3 Ligado à Rede Elétrica

Sistema

62

6.4

Conclusões

63

7 CONCLUSÕES

64

ANEXO

A

65

ANEXO

B

66

REFERÊNCIAS

67

viii

RESUMO A exploração e a pesquisa de fontes alternativas de energia elétrica são temas importantes e atuais. O presente trabalho visa elaborar um projeto de um sistema de energia elétrica a partir das células fotovoltaicas. O projeto de tal sistema consiste na determinação da quantidade necessária de módulos para atender uma determinada demanda de carga elétrica. O correto dimensionamento do número de módulos depende de dois fatores básicos: quanto de energia é exigido e quanta radiação solar está disponível. Deve-se compatibilizar a demanda e a oferta. Neste projeto não haverá preocupação sobre viabilidade econômica da instalação de um sistema fotovoltaico em comparação com a rede elétrica comercial eventualmente disponível. A preocupação principal será a elaboração e o dimensionamento do projeto, dependendo da disponibilidade ou não de uma rede elétrica de concessionária de energia ou de outras fontes de geração.

ix

10

1

MOTIVAÇÃO

1.1 Introdução

A crise energética, de repercussão mundial, tem acelerado o processo de busca

por fontes alternativas de energia. Diante da redução das reservas mundiais de petróleo e da adoção de práticas de preservação do meio ambiente, a utilização de fontes renováveis, em grande escala, representa hoje o grande desafio do setor energético. Aliada às crises, o sistema energético brasileiro ainda apresenta dificuldades com a falta de recursos econômicos para a ampliação da capacidade de geração e de distribuição.

A maior parte da energia elétrica produzida no Brasil é de origem hidráulica,

oferecendo para a sociedade uma energia renovável e, do ponto de vista dos efeitos globais sobre o clima, uma energia limpa. Mas, a energia elétrica produzida por fonte hidráulica possui certa sazonalidade, pois depende do regime hídrico dos rios das principais bacias, onde se situam os maiores aproveitamentos. Aproveitar outras fontes de energia, que sejam complementares a este regime sazonal, é uma alternativa bastante conveniente para o país, pois preserva recursos ambientais e econômicos. O desenvolvimento e fortalecimento das energias renováveis no país são fundamentais, já que o Brasil possui as melhores condições de produção dessas fontes. Dentre as mais significativas fontes renováveis do país, a energia solar destaca-se, pois, praticamente inesgotável, pode ser usada para a produção de eletricidade através de painéis solares e células fotovoltaicas. No Brasil, a quantidade de sol abundante durante quase todo o ano estimula o uso deste recurso [1].

1.2 Os Sistemas Fotovoltaicos

Um sistema de geração fotovoltaica é uma fonte de energia que, através da utilização de células fotovoltaicas, converte diretamente a energia luminosa proveniente do sol em eletricidade.

11

Vantagens fundamentais:

Não consome combustível;

Não produz poluição nem contaminação ambiental;

É silencioso;

Tem uma vida útil superior a 20 anos;

É resistente a condições climáticas extremas (granizo, vento, temperatura e umidade);

Não tem peças móveis e, portanto, exige pouca manutenção (só a limpeza do painel);

Permite aumentar a potência instalada por meio da incorporação de módulos adicionais. Geralmente é utilizado em zonas afastadas da rede de distribuição elétrica, podendo trabalhar de forma independente ou combinada com sistemas de produção elétrica convencional [3].

1.2.1 Sistemas Isolados São autônomos, isto é, independentes da rede elétrica convencional e outras formas de geração. Estes sistemas utilizam alguma forma de armazenamento para que se possa utilizar a energia elétrica fora do período de geração dos painéis. Este armazenamento é obtido através de baterias, as quais são associadas a um dispositivo de controle de carga e descarga, conforme a Figura 1.

de controle de carga e descarga, conforme a Figura 1. CC CA CC PAINEL SOLAR INVERSOR
CC CA CC PAINEL SOLAR INVERSOR INVERSSOR CARGA CONTROLADOR DE CARGA CC BANCO DE BATERIAS
CC
CA
CC
PAINEL SOLAR
INVERSOR
INVERSSOR
CARGA
CONTROLADOR
DE CARGA
CC
BANCO DE
BATERIAS
Figura 1 - Arquitetura Básica de um Sistema Isolado

12

O painel solar, através dos módulos fotovoltaicos, alimenta a carga e recarrega as baterias durante os períodos de insolação. As baterias fornecem energia elétrica ao sistema, quando a geração é insuficiente ou não existe. O inversor é necessário para a alimentação das cargas de corrente alternada, que são a maioria das cargas residenciais usadas hoje. O controlador de carga impede a carga ou descarga demasiada do conjunto de baterias, prolongando assim sua vida útil [2].

1.2.2 Sistemas Híbridos

Consistem na combinação dos sistemas fotovoltaicos com outras fontes de geração de energia que assegurem a carga das baterias na ausência de sol. As fontes de

energia auxiliares podem ser geradores eólicos, diesel, gás, gasolina ou outros combustíveis, conforme Figura 2.

gás, gasolina ou outros combustíveis, conforme Figura 2. PAINEL SOLAR CONTROLE DE GERAÇÃO E INVERSOR INVERSSOR
PAINEL SOLAR CONTROLE DE GERAÇÃO E INVERSOR INVERSSOR CARGA GERADOR CARGA BANCO DE BATERIAS Figura
PAINEL SOLAR
CONTROLE DE
GERAÇÃO E
INVERSOR
INVERSSOR
CARGA
GERADOR
CARGA
BANCO DE
BATERIAS
Figura 2 - Arquitetura Básica de um Sistema Híbrido

São utilizados em sistemas de maior porte, com potência gerada na faixa de dezenas e centenas de quilowatt-hora-pico (kWp). Devido à grande complexidade de arranjos e multiplicidade de opções, a forma de otimização do sistema torna-se um estudo particular para cada caso e necessidade [2].

1.2.3 Sistemas Conectados à Rede

Representam uma fonte complementar ao sistema elétrico de grande porte ao qual estão conectados.

13

Normalmente não utilizam armazenamento de energia, pois toda a geração é entregue diretamente à rede. Para a injeção de energia na rede são utilizados inversores especiais que devem satisfazer a severas exigências de qualidade e de segurança da mesma.

A potência fotovoltaica instalada neste tipo de sistema é muito variável, podendo atingir centenas de kWp em centrais fotovoltaicas e dezenas de kWp para alimentação de cargas residenciais. Em um sistema fotovoltaico residencial conectado à rede elétrica de distribuição, normalmente a energia é injetada na rede de baixa tensão e o medidor do usuário (relógio de medição) é bidirecional, efetuando um balanço entre a energia gerada e a consumida, tal com mostrado na Figura 3 [2].

PAINEL SOLAR INVERSOR INVERSSOR REDE TARIFADOR ELÉTRICA
PAINEL SOLAR
INVERSOR
INVERSSOR
REDE
TARIFADOR
ELÉTRICA

QUADRO DE

DISTRIBUIÇÃO

CARGAS
CARGAS

Figura 3 - Arquitetura Básica de um Sistema Conectado a Rede

1.3 Conclusões A geração fotovoltaica é uma grande alternativa de complementação ao sistema atual e as condições geográficas do Brasil a tornam uma opção que não pode ser descartada.

14

2 COMPONENTES DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS

2.1 Introdução

Para o correto dimensionamento de qualquer projeto elétrico é essencial que se conheçam todos os elementos a serem utilizados, bem como suas funções, limitações e aplicações. Este estudo prévio é de fundamental importância para minimizar as perdas e potencializar os ganhos do sistema.

2.2 Módulos Fotovoltaicos

Convertem diretamente em energia elétrica a energia proveniente do sol que incide em sua superfície. São formados por células fotovoltaicas conectados em série ou em paralelo dispostas de forma a alcançar a tensão e a potência de pico necessário para o abastecimento das cargas instaladas.

As células solares são feitas de materiais semicondutores e são responsáveis pela conversão da radiação solar em eletricidade, através do fenômeno físico denominado “efeito fotovoltaico”. Este fenômeno ocorre quando o fóton luminoso transforma-se em uma carga elétrica ao incidir sobre uma lâmina de silício adequadamente tratada. As células solares comerciais, exemplificadas na Figura 4, são geralmente fabricadas a base de silício com alto grau de pureza, são encapsuladas de modo a oferecer proteção contra intempéries, permitindo ao mesmo tempo um caminho ótico para a luz. Cada célula é capaz de proporcionar uma tensão de aproximadamente 0,5 Volts (V), e uma corrente entre 1,5 e 4,5 Ampéres (A), sendo necessária a conexão em série de um determinado número de células para produzir tensões adequadas às aplicações elétricas.

produzir tensões adequadas às aplicações elétricas. Figura 4 - Corte de um Modulo Fotovoltaico Fonte: Alves

Figura 4 - Corte de um Modulo Fotovoltaico Fonte: Alves da Cunha, 2006

15

A eficiência de conversão do processo fotovoltaico está diretamente

relacionada com a fração do espectro solar absorvida pelas células, pois apenas os

fótons que efetivamente forem absorvidos pelo material semicondutor é que contribuirão para a geração da corrente elétrica [2].

2.2.1 Efeito Fotovoltaico nos painéis

Os módulos são compostos de células solares fabricadas a base de silício. Elas

são semicondutoras porque o silício é um material com características intermédias entre um condutor e um isolante.

O silício apresenta-se normalmente como areia. Através de métodos

adequados obtém-se o silício em forma pura. O cristal de silício puro não possui elétrons livres e, portanto é um mau condutor elétrico. Para superar este problema acrescentam-se porcentagens de outros elementos. Este processo denomina-se dopagem. Mediante a dopagem do silício com o fósforo obtém-se um material com elétrons livres ou material com portadores de carga negativa (silício tipo N). Realizando o mesmo processo, mas acrescentando boro ao invés de fósforo, obtém-se um material com características inversas, ou seja, déficit de elétrons ou material com cargas positivas livres (silício tipo P). Cada célula solar compõe-se de uma camada fina de material tipo N e outra com maior espessura de material tipo P, como mostrado na Figura 5. Separadamente, ambas as capas são eletricamente neutras. Mas ao serem unidas, exatamente na união P-N, gera-se um campo elétrico devido aos elétrons do silício tipo N que ocupam os vazios da estrutura do silício tipo P.

elétrons do silício tipo N que ocupam os vazios da estrutura do silício tipo P. Figura

Figura 5 - Junção PN da célula FV

16

Ao incidir a luz sobre a célula fotovoltaica, os fótons que a integram chocam- se com os elétrons da estrutura do silício dando-lhes energia. Devido ao campo elétrico gerado na união P-N, os elétrons são orientados e fluem da camada "P" para a camada "N". Por meio de um condutor externo, conecta-se a camada negativa à positiva. Gera-se assim um fluxo de elétrons (corrente elétrica) na conexão. Enquanto a luz continuar a incidir na célula, o fluxo de elétrons se manterá. A intensidade da corrente gerada variará proporcionalmente conforme a intensidade da luz incidente. Cada módulo fotovoltaico é formado por uma determinada quantidade de células conectadas em série. Como se viu anteriormente, ao unir-se a camada negativa de uma célula com a positiva da seguinte, os elétrons fluem através dos condutores de uma célula para a outra. Este fluxo repete-se até chegar à última célula do módulo, da qual fluem para carga ou o acumulador de energia. Cada elétron que abandona o módulo é substituído por outro que regressa do acumulador ou da carga. O cabo da interconexão entre módulo e bateria contém o fluxo, de modo que quando um elétron abandona a última célula do módulo e encaminha-se para a carga outro elétron entra na primeira célula a partir da bateria.

É por isso que se considera inesgotável um dispositivo fotovoltaico. Produz

energia elétrica em resposta à energia luminosa que entra no mesmo [3].

2.2.2 Evolução Tecnológica

A primeira geração de células fotovoltaicas consiste numa camada única e de

grande superfície p-n, capaz de gerar energia elétrica a partir de fontes de luz com os

comprimentos de onda da luz solar. Estas células são normalmente fabricadas utilizando-se placas de silício. A primeira geração de células constituem a tecnologia dominante na sua produção comercial, representando mais de 86% do mercado.

A segunda geração de materiais fotovoltaicos está baseada no uso de películas

finas de depósitos semi-condutores. A vantagem de utilizar estas películas é a de reduzir a quantidade de material necessário na produção, bem como os custos. Atualmente, existem diferentes tecnologias e materiais semicondutores em estudo ou

17

em produção, como o silício amorfo, silício poli-cristalino ou micro-cristalino, telureto de cádmio e Cobre-Índio-Gálio-Selênio ("CIGS"). Tipicamente, as eficiências das células solares de películas são baixas quando comparadas com as de silício compacto, mas os custos de manufatura são também mais baixos, podendo assim atingir um preço mais reduzido por watt. Outra vantagem da reduzida massa é o menor peso e conseqüentemente o menor suporte que é necessário para a fixação dos painéis nos telhados, o que permite arrumá-los e dispô-los em materiais flexíveis, como os texteis. Atualmente, as células solares comerciais ainda apresentam uma baixa eficiência de conversão, da ordem de 16%. Existem células fotovoltaicas com eficiências de até 28%, fabricadas de arsenieto de gálio, mas o seu alto custo limita a produção dessas células solares para o uso da indústria espacial [4].

2.2.3 Tecnologias Disponíveis Atualmente, existem no mercado várias tecnologias fotovoltaicas, baseadas em diferentes elementos. Em termos de aplicações terrestres destacam-se as células solares de silício cristalino (c-Si), o silício amorfo hidrogenado (a-SiH ou a-Si), o HIT, baseado em silício cristalino com uma camada de silício amorfo, o telureto de cádmio (CdTe) e outros compostos relacionados ao cobre e índio, CIS. Neste último grupo, aparecem elementos altamente tóxicos e raros. Este fator faz com que surja um obstáculo considerável na utilização mais acentuada destas tecnologias em alguns países. Dentre os modelos mencionados, os que possuem maior utilização, como se pode notar através da Figura 6, são os painéis de silício cristalino (poli ou mono cristalino) e os de silício amorfo.

18

18 Figura 6 - Mercado Mundial das Recentes Tecnologias FV Fonte: Goetzberger, 2002 O c-Si é

Figura 6 - Mercado Mundial das Recentes Tecnologias FV Fonte: Goetzberger, 2002

O c-Si é a tecnologia mais tradicional e a única das mencionadas que faz o uso

de lâminas cristalinas, relativamente espessas, o que aumenta os custos de produção. O restante das tecnologias é baseado em películas delgadas (filmes finos) de material semicondutor, aspecto que reduz os custos desta tecnologia. A tecnologia baseada em c-Si, dentre as utilizadas para aplicações terrestres é a que apresenta maior eficiência, em torno de 15% para módulos fotovoltaicos comercialmente disponíveis. As tecnologias de filmes finos, sendo inerentemente menos eficientes e também por estarem ainda na infância de seu desenvolvimento, têm um rendimento ao redor de 8% para painéis comerciais, o que significa que se necessita de aproximadamente o dobro da área em painéis solares de filmes finos para obter a mesma energia fornecida pelos painéis de c-Si [5;6].

2.2.3.1 Silício mono cristalino (m-Si) e silício poli-cristalino (p-Si)

A tecnologia c-Si é a mais tradicional e dominante no mercado fotovoltaico.

Além de apresentar uma maior limitação em termos de redução de custos de produção, não é considerada tão eficiente quando submetida a temperaturas altas, pois a

eficiência está diretamente relacionada com a temperatura.

19

A perda de rendimento do sistema fotovoltaico com o aumento das temperaturas tem sido profundamente discutida. Cada vez mais, pesquisadores estão estudando o melhor design do sistema para evitar estas perdas por super aquecimento. A tecnologia do c-Si ainda é a mais tradicional, apresentando maior escala de produção a nível comercial. Ela possui maior eficiência e se consolidou no mercado pela sua confiabilidade e robustez, porém as possibilidades de redução do seu custo já foram praticamente esgotadas. Nas células fotovoltaicas de silício monocristalino (m-Si), o monocristal é “crescido” a partir de um banho de silício fundido de alta pureza (Si=99,99% a 99,9999%) em reatores sob atmosfera controlada e com velocidades de crescimento do cristal extremamente lentas (da ordem de cm/hora). As temperaturas envolvidas são da ordem de 1400 o C. O silício policristalino (p-Si) apresenta menor eficiência de conversão, tendo também mais baixo custo de produção, já que a perfeição cristalina é menor que no caso do c-Si e o processamento mais simples. O material de partida é o mesmo que para o m-Si, que é fundido e posteriormente solidificado direcionalmente, o que resulta num cristal com grande quantidade de grãos, no contorno dos quais se concentram os defeitos que tornam este material menos eficiente do que as células de m-Si em termos de conversão fotovoltaica. Existe a possibilidade de as tecnologias fotovoltaicas atingirem níveis de custos menores antes do final desta década, isto pode ser relacionado à penetração no mercado dos módulos de filmes finos. Pesquisas estão sendo feitas para aumentar a eficiência dos painéis baseados em filmes finos, a fim de que, no futuro, sejam competitivos, em termos de eficiência, com os modelos baseados em silício cristalino [5].

2.2.3.2 Silício Amorfo Hidrogenado (a-Si) No início dos anos 80 a tecnologia de a-Si era vista como a única tecnologia fotovoltaica em filmes finos (películas delgadas) comercialmente viável.

20

A fabricação dos painéis baseados em filmes finos difere significativamente

da dos módulos de silício cristalino, além de ter uma eficiência consideravelmente

menor.

Os módulos são baseados no depósito de uma fina camada (0.5-10µm) de um material semicondutor em um substrato, usualmente uma lâmina de vidro. São

basicamente do mesmo produto que os painéis de vidro, revestidos por películas comumente utilizadas pela construção civil. Dessa forma, esteticamente podem substituir o vidro comum na edificação e apresentar uma variabilidade e uma flexibilidade maior do que os módulos baseados em c-Si.

O recorde de eficiência em células de a-Si individuais em laboratório é inferior

a 15% e os melhores módulos de a-Si disponíveis no mercado estão na faixa de 8-9%. Em algumas aplicações arquitetônicas como material de revestimento é que o a-Si leva

grande vantagem sobre o c-Si, pois o custo por m 2 , e não o custo por Wp, é a grandeza de interesse e neste aspecto já hoje, o a-Si tem custo inferior à metade do custo do c- Si. O a-Si apresenta uma característica que a princípio se mostrou uma limitação para esta tecnologia. Painéis de a-Si sofrem um decréscimo intrínseco, mas reversível, em seu desempenho que se estabiliza após um declínio em eficiência de aproximadamente 15 a 20%. Desta forma, logo que adquirido, um painel solar de a-Si apresenta um desempenho superior à especificada para o produto. Após aproximadamente um ano em operação é que o desempenho estabiliza nos níveis da garantia do produto. As células de silício amorfo têm coeficientes de temperatura, sobre a potência, nulos após a estabilização do material, ou seja, esta tecnologia é inerte à temperatura de operação, o que a torna atraente para aplicações integradas à edificação, onde a

temperatura dos módulos fotovoltaicos pode chegar a 100 o C. Outro benefício é que este material pode ser depositado diretamente sobre grandes superfícies e com uma variedade de substratos. A tecnologia de filmes finos vem sendo cada vez mais utilizada, principalmente na integração do entorno construído, por apresentar uma maior diversidade de modelos e por possuir baixos custos de produção. Hoje, estão disponíveis no mercado módulos flexíveis, inquebráveis, mais leves,

21

semitransparentes, ou até mesmo com superfícies curvas, que podem substituir elementos de revestimento na edificação. Estudos realizados relatam que uma excelente performance tem demonstrado que os módulos de a-Si são uma boa escolha de tecnologia para sistemas interligados, integração com a edificação e utilização em climas quentes como no Brasil [5].

2.2.3.3 Telureto de Cádmio (CdTe) Comercialmente disponível para produtos há quase uma década, para aplicações em calculadoras, a tecnologia CdTe é a recente competidora das tecnologias c-Si e a-Si. Estes módulos, também na forma de filmes finos, normalmente sob a forma de placas de vidro num tom marrom/azul escuro, apresentam um atrativo estético em comparação ao c-Si e as empresas envolvidas com esta tecnologia vêm buscando as aplicações arquitetônicas como um nicho de mercado enquanto desenvolvem seu produto, ampliam seus volumes de produção e reduzem custos. Assim como no caso do a-Si, os custos de produção do CdTe são atrativamente baixos para produção em grande escala e esta tecnologia tem ótimas chances de despontar como um sério competidor no mercado fotovoltaico para a geração de potência elétrica. A relativamente baixa abundância dos elementos envolvidos e sua toxicidade são aspectos que têm de ser levados em conta, principalmente se esta tecnologia atingir quantidades significativas de produção. Com o recorde de eficiência de células individuais de pequenas áreas em laboratório ao redor de 16%, módulos solares encontrados no mercado internacional apresentam eficiência entre 7% e 9%. Assim como a tecnologia baseada em c-Si, esta tecnologia possui coeficientes

de temperatura, sobre a potência, negativos, que são da ordem de –0,20%/ o C, havendo desta forma, uma redução de eficiência do sistema fotovoltaico com o aumento das temperaturas [5].

22

2.2.3.4 Disseleneto de Cobre Índio (CIS)

Outros competidores no mercado fotovoltaico no futuro próximo são os compostos baseados no disseleneto de cobre e índio (CuInSe2, ou simplesmente CIS), principalmente por seu potencial de atingir eficiências relativamente elevadas. Células de CIS de pequenas áreas produzidas em laboratório apresentam no momento eficiências em torno dos 18%, com eficiências ao redor de 9 - 10% para os módulos de grande área, comercialmente disponíveis. Assim como as tecnologias baseadas em a-Si e CdTe, apresentam uma excelente aparência estética, permitindo diversas aplicações arquitetônicas. Como no caso do CdTe, a pouca abundância dos elementos envolvidos e sua toxicidade são

aspectos que têm de ser considerados. Segundo estudos realizados esta tecnologia apresenta coeficientes de temperatura, sobre a potência, negativos na ordem de –0,45%/ ºC, havendo desta forma, uma redução na eficiência do sistema fotovoltaico com o aumento das temperaturas maior do que para o restante das tecnologias [5].

2.2.3.5 HIT

A mais nova tecnologia fotovoltaica disponível no mercado, desenvolvida pela empresa japonesa SANYO é a tecnologia HIT (Heterojunction with Intrinsic Thin layer), que utiliza avançadas técnicas de produção. A tecnologia é baseada em células cristalinas com camadas ultrafinas de silício amorfo, que apresenta os maiores percentuais de eficiência de conversão e até o momento, seus custos são maiores, se comparados com as outras tecnologias. Segundo pesquisas realizadas pela SANYO, esta nova tecnologia, que combina a eficiência do silício cristalino com as características de temperatura do silício amorfo, pode prover uma potência 10% maior nas condições de altas temperaturas, além de oferecer um aumento de 36% na potência anual se comparado com os módulos de silício cristalino para a mesma área de cobertura. Durante a produção, as células HIT requerem uma temperatura de 2000 ºC para a formação do processo de junção, valor significativamente menor se comparado

23

com as células convencionais, que requerem uma temperatura de 9000 ºC. Em adição, as células HIT são 200 micrometros mais finas do que as outras tecnologias, utilizando menos silício do que as tecnologias convencionais. A tecnologia apresenta coeficientes negativos na ordem de –0,33 %/ ºC, havendo desta forma, uma diminuição na eficiência do sistema em função do aumento das temperaturas [5]

2.3 Baterias Quando, em um sistema fotovoltaico, a energia é requerida em momentos em que não ocorre a geração, torna-se necessária a utilização de baterias. As baterias são capazes de transformar diretamente energia elétrica em energia potencial química e posteriormente converter, diretamente, a energia potencial química em elétrica. Cada bateria é composta por um conjunto de células eletroquímicas ligadas em série obtendo-se a tensão elétrica desejada. As baterias podem ser classificadas em duas categorias, primárias e secundárias. As baterias primárias não podem ser recarregadas, ou seja, uma vez esgotados os reagentes que produzem energia elétrica, devem ser descartadas. As secundárias podem ser recarregadas através da aplicação de uma corrente elétrica em seus terminais. Os sistemas fotovoltaicos utilizam acumuladores secundários, dentre os mais comuns, os chumbo-ácido e os níquel-cádmio [2].

2.3.1 Bateria chumbo-ácido Possuem esta denominação, pois sua matéria ativa é o chumbo e possui uma solução aquosa de ácido sulfúrico. São formadas por elementos constituídos por duas placas de polaridades opostas, isoladas entre si e banhadas pela solução de ácido sulfúrico. Sua capacidade é medida pela quantidade de carga elétrica, expressa em Ampére-hora (Ah), isto é o produto da corrente em Ampéres pelo tempo em horas corrigido para a temperatura de referência.

24

Um processo de descarga seguido de um processo de carga que restabeleça completamente a capacidade da bateria é denominado “ciclo”. A vida útil de uma bateria pode ser definida pelo número de ciclos que ela pode realizar. A profundidade de descarga de uma bateria chumbo-ácido é um fator importante para sua escolha. Tal parâmetro define o percentual em relação a sua capacidade nominal que uma bateria pode fornecer sem que seja comprometida sua vida útil. As de baixa profundidade são empregadas principalmente em automóveis, já para os sistemas fotovoltaicos são indicadas as de alta profundidade de descarga. O relação entre a profundidade de descarga e a vida útil da bateria é mostrada na Figura 7.

descarga e a vida útil da bateria é mostrada na Figura 7. Figura 7 - Relação

Figura 7 - Relação entre Profundidade Média de Descargas e o Número de Ciclos Fonte: Alves da Cunha, 2006

Para aumentar a durabilidade destas baterias é preciso carregá-las adequadamente, conforme as recomendações dos fabricantes, antes que sua descarga alcance níveis superiores aos pré-estabelecidos para sua profundidade de descarga. Deve-se evitar manter as baterias descarregadas por longos períodos de tempo, carregamentos parciais prolongados e a operação contínua em temperaturas acima de 45 graus Celsius (ºC), pois diminuem sua vida útil. Nestas situações ocorre o processo

25

de sulfatação, com a formação de cristais de sulfato de chumbo nas placas dos elementos das baterias. Estes cristais formam uma barreira entre o eletrólito e o material ativo das placas. As baterias chumbo-ácido são as mais utilizadas para armazenamento de energia em sistemas fotovoltaicos devido ao seu baixo custo e sua grande disponibilidade no mercado [2].

2.3.2 Bateria níquel-cádmio Estas baterias, também da categoria secundária, são utilizadas em sistemas de geração de energia elétrica fotovoltaica. Apresentam estrutura física semelhante à das baterias chumbo-ácido, utilizando hidróxido de níquel para as placas positivas, óxido de cádmio para as placas negativas e hidróxido de potássio paro o eletrólito. As baterias de níquel-cádmio, quando comparadas com as chumbo-ácido, são menos afetadas por sobrecargas e podem ser totalmente descarregadas, não estando sujeitas a sulfatação e, ainda, seu carregamento não sofre influência da temperatura. Porém possuem um custo mais elevado que as chumbo-ácido [2].

2.4 Controladores de Carga Os controladores de carga são componentes indispensáveis para o sistema fotovoltaico, pois permitem o controle do limite de carga que os módulos de baterias podem receber evitando desta forma a sua queima por sobrecarga e conseqüente aumento do ciclo de vida destes módulos. São especificados pela tensão de trabalho dos módulos e da corrente. Sua capacidade deve superar a corrente total dos painéis a serem conectados. Caso a corrente supere o valor do controlador, deve ser considerada a possibilidade de divisão de instalação. São compostos por um circuito de controle e outro de comutação. O circuito de controle monitora as grandezas do sistema, como tensão, corrente e temperatura na bateria, processando essas informações e gerando sinais de controle que são utilizados

26

para comandar o circuito de comutação. O circuito de comutação é formado por chaves semicondutoras que controlam a tensão e/ou a corrente de carga ou de descarga das baterias. As principais funções atribuídas aos controladores de carga das baterias são:

Providenciar o carregamento da bateria

Evitar sobrecarga na bateria

Bloquear corrente reversa entre a bateria e o painel

Prevenir descargas profundas (no caso de baterias chumbo-ácido)

Existem basicamente dois tipos de controladores, os que são conectados em paralelo e os que são conectados em série com as baterias. Os controladores conectados em paralelo são constituídos de transistores que dissipam a potência gerada em excesso, quando a tensão nos pólos da bateria atingir um determinado valor. A tensão de corte recomendada é de 2,35 V / elemento quando a temperatura for de 25ºC. Neste caso, é conveniente instalar um diodo de bloqueio entre a bateria e o transistor para evitar dissipação da energia das baterias através dos transistores. Os controladores conectados em série desconectam os painéis das baterias quando a tensão atinge um determinado valor pré-fixado. O interruptor utilizado pode ser um dispositivo eletromecânico, como um relé, ou estático, por exemplo, um transistor.

Para a proteção de sobrecarga, desconecta-se o gerador fotovoltaico da bateria quando a tensão em seus pólos atinge cerca de 2,45 V / elemento, voltando a conectá- la quando a tensão cair para 2,2 V / elemento. Para a proteção de sobredescarga, desconecta-se a carga da bateria quando a tensão em seus pólos atingir um valor determinado pela profundidade de descarga máxima estipulada para o subsistema de acumulação em questão. O controlador de carga volta a conectar a carga na bateria quando a tensão nos pólos desta atingir cerca de 2,1 V / elemento. Estes valores de tensão podem variar segundo o tipo e o regime de trabalho dos acumuladores [2].

27

2.5 Inversores

A tensão produzida pelos painéis fotovoltaicos durante o processo de

conversão da energia solar em energia elétrica é do tipo contínua, fato que limita, em muitos casos, o consumo de energia e os usos finais, pois o mercado de equipamentos alimentados com este tipo de tensão é ainda limitado. Nos casos em que se deseja usar aparelhos em corrente alternada (CA), o sistema necessitará de possuir um inversor de corrente contínua em alternada. O inversor deverá garantir o fornecimento de energia elétrica com a qualidade necessária para que não se produza nenhuma degradação dos aparelhos ligados ao sistema ou prejudique o funcionamento. O dimensionamento do inversor deve ser feito de acordo com a potência nominal, fator de demanda e característica de operação das diversas cargas. Existem basicamente dois tipos de inversores atualmente no mercado: os que produzem onda senoidal modificada e os que produzem onda senoidal pura. A diferença entre eles é sutil, porém significativa quanto à forma de operar certas cargas. O inversor de onda senoidal modificada pode suprir de forma satisfatória a maioria dos equipamentos e eletrodomésticos de uma residência. Tem um custo menor, porém, pode apresentar problemas com alguns tipos de equipamentos de precisão como impressora a laser, relógios digitais e carregadores de bateria para equipamentos sem fio.

O inversor de onda senoidal pura é projetado para fornecer energia de

qualidade igual ou superior à fornecida pela concessionária [2].

2.6 Conclusões

Concluído estudo sobre os componentes do sistema é formada uma visão geral do projeto e da interação entre seus elementos. Conhecendo-se também a limitação do projeto quanto às condições ambientais pode-se partir para o dimensionamento, após algumas considerações importantes para o projeto.

28

3

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES PARA O PROJETO

3.1

Introdução

Como já foi abordada anteriormente, a eficiência de um sistema fotovoltaico é seu maior empecilho na disseminação da tecnologia, o custo-benefício ainda é muito baixo e o retorno do investimento é lento. Sendo assim, é imprescindível no projeto de um sistema fotovoltaico, buscar o ponto de maior eficiência para a geração dos painéis e de menores perdas para o armazenamento e distribuição da energia. Muitos dos projetos de geração fotovoltaica desconsideram fatores importantes como temperatura, intensidade luminosa, tempo de carga das baterias, autonomia do sistema entre outros.

3.2 Atlas Solarimétrico do Brasil e Programa SUNDATA

O Atlas solarimétrico do Brasil constitui basicamente uma junção entre mapas

de isolinhas da radiação solar e é uma importante base de dados organizada, classificada e padronizada a partir de dados medidos e publicados por diversos autores

e instituições ao longo das últimas décadas. Em 2001 foi apresentada uma versão atualizada do Atlas, baseada na compilação de dados de insolação referentes a aproximadamente 350 pontos no Brasil

e em países vizinhos. Esta fonte de informação traz mapas de radiação global diária

média, além de outras informações relevantes para a concepção de projetos de energia

solar.

O atlas é uma consolidação e uma representação do estado da arte de dados de

irradiação solar global para o Brasil, computados com o algoritmo do modelo físico,

com base em dados de satélite geoestacionário.

O resultado são imagens de irradiação mensal (Wh/m²) e as variabilidades

diárias no mês, como mostrado na Figura 8, construídas por meio das médias de irradiação mês a mês no período de 1995 a 1998, empregando-se todos os dados disponíveis neste período.

29

29 Figura 8 - Média anual típica de radiação solar Fonte: Colle e Pereira, 1998 Os

Figura 8 - Média anual típica de radiação solar Fonte: Colle e Pereira, 1998

Os dados computados foram validados com base em coletas nas estações solarimétricas do INMET (1985/ 86), do LABSOLAR e ABRACOS – INPE (1995/

98).

Muito embora os dados computados até o presente tenham boa concordância com aqueles coletados nas estações disponíveis, torna-se imperativa a comparação desses para um número maior de estações de superfície qualificadas. As possíveis falhas associadas ao modelo não impedem algumas conclusões quanto ao potencial de aproveitamento energético solar brasileiro. É possível observar que mesmo as regiões com menores índices de radiação possuem um razoável potencial, tendo em vista que, idealmente, a insolação deve estar acima de 5 kWh/m²/dia durante o ano para que o painel fotovoltaico seja bem aproveitado [7;8].

30

Outro instrumento valioso na determinação do potencial solar para geração de energia em um determinado local é o Programa Potencial Solar – Sundata, desenvolvido pelo Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito (CRESESB). Este programa destina-se ao cálculo da radiação solar média diária mensal em

qualquer ponto do território nacional e constitui-se em uma tentativa do CRESESB de oferecer uma ferramenta de apoio ao dimensionamento de sistemas fotovoltaicos.

O programa SUNDATA baseia-se no banco de dados CENSOLAR (1993).

Este contém valores de radiação média diária mensal no plano horizontal para cerca de 350 pontos no Brasil e em países limítrofes. Opera-se o programa com facilidade.

Basta conhecer as coordenadas geográficas (latitude e longitude) do ponto de interesse onde se deseja conhecer a radiação solar para efetuar-se o cálculo do potencial solar de geração energética.

A obtenção dos resultados é extremamente simples. Basta escrever, na própria

página da Web que contém o programa (http://www.cresesb.cepel.br/), a latitude e a longitude do local de interesse e requisitar o cálculo. O programa fornece os dados de radiação solar para as 3 localidades disponíveis mais próximas do ponto de interesse, em kWh/m².dia no plano horizontal, correspondentes às médias diárias mensais para os 12 meses do ano. Ainda quanto à radiação solar, é mostrado, também, o valor da menor média diária mensal (MÍNIMO), da maior média diária mensal (MÁXIMO), da média diária anual (MÉDIA) e da diferença entre a máxima e a mínima (DELTA). Para cada uma das três localidades selecionadas são também fornecidos os valores de radiação solar convertidos do plano horizontal para planos inclinados com três diferentes ângulos em relação ao plano horizontal:

o ângulo igual à latitude;

o ângulo que fornece a maior média diária anual de radiação solar;

o ângulo que fornece o maior valor mínimo mensal de radiação solar.

31

Estas são, geralmente, as inclinações mais favoráveis para a instalação dos

contidas em

http://www.cresesb.cepel.br [9]. No título das tabelas de resultados é mostrado o nome da localidade, suas coordenadas, o Estado da Federação (ou o país a que pertence, se não for o Brasil) e a

distância em linha reta ao ponto especificado (km) [9].

painéis

fotovoltaicos,

segundo

as

informações

3.3 Horas de sol pleno por dia Outro fator de vital importância no projeto de um arranjo fotovoltaico são as horas de sol pleno por dia. Como os painéis só geram energia na presença de luz, será necessário que durante as horas de maior insolação os painéis sejam capazes de gerar potência suficiente a ser armazenada para suprir a carga durante todo o período [10]. Na Figura 9 observa-se as médias de insolação no Brasil.

Na Figura 9 observa-se as médias de insolação no Brasil. Figura 9 - Média Diária Anual

Figura 9 - Média Diária Anual de Horas de Sol Pleno no Brasil Fonte: SUNLAB

32

3.4 Efeito dos fatores ambientais no desempenho das células fotovoltaicas

A representação típica da característica de saída de um dispositivo fotovoltaico

(célula, módulo, sistema) denomina-se curva corrente tensão.

A corrente de saída mantém-se praticamente constante dentro da amplitude de

tensão de funcionamento e, portanto, o dispositivo pode ser considerado uma fonte de

corrente constante neste âmbito, como exemplificado na Figura 10.

ICC: Corrente de curto circuito IMP: Corrente de maior potência VMP: Tensão de maior potência

ICC: Corrente de curto circuito IMP: Corrente de maior potência VMP: Tensão de maior potência VCA: Tensão de circuito aberto PMP: Ponto de maior potência

Figura 10 - Curva característica da célula FV Fonte: SOLARTERRA

A corrente e a tensão em que opera o dispositivo fotovoltaico são determinadas pela radiação solar incidente, pela temperatura ambiente, e pelas características da carga conectadas ao mesmo. Nota-se na Figura 11 que o resultado de uma mudança na intensidade de radiação é uma variação na corrente de saída para qualquer valor de tensão. A corrente varia com a radiação de forma diretamente proporcional. A tensão mantém-se praticamente constante.

33

33 Figura 11 - Efeito da variação de intensidade de radiação Fonte: SOLARTERRA O principal efeito

Figura 11 - Efeito da variação de intensidade de radiação Fonte: SOLARTERRA

O principal efeito provocado pelo aumento da temperatura do módulo, como

exemplificado na Figura 12, é uma redução da tensão de forma diretamente proporcional. Existe um efeito secundário dado por um pequeno incremento da corrente para valores baixos de tensão.

Fonte: SOLARTERRA
Fonte: SOLARTERRA

Figura 12 - Influência da temperatura Fonte: SOLARTERRA

É por isso que para locais com temperaturas ambientes muito elevadas são

adequados módulos que possuam maior quantidade de células em série a fim de que as mesmas tenham suficiente tensão de saída para carregar as baterias.

34

A característica I x V do módulo varia com as condições ambientais (radiação, temperatura). Isto quer dizer que haverá uma família de curvas I-V que nos mostrará as características de saída do módulo durante o dia numa época do ano, como mostrado na Figura 13.

o dia numa época do ano, como mostrado na Figura 13. Figura 13 - Característica IxV

Figura 13 - Característica IxV do módulo ao decorrer do dia Fonte: SOLARTERRA

Observa-se na Figura 14 que não é possível falar de um valor constante de energia entregue pelo módulo em Watts hora uma vez que varia conforme a hora do dia. Será necessário então trabalhar com os valores da quantidade de energia diária entregue. (Wh/dia) [3].

da quantidade de energia diária entregue. (Wh/dia) [3]. Figura 14 - Potencia entregue pelo painel ao

Figura 14 - Potencia entregue pelo painel ao longo do dia Fonte: SOLARTERRA

35

3.5 Interação entre o painel e as baterias Uma bateria tem uma tensão que depende do seu estado de carga, tempo de uso, temperatura, regime de carga e descarga, etc. Esta tensão é imposta a todos os elementos que a ela estão ligados, incluindo o módulo fotovoltaico. É incorreto pensar que um módulo solar com uma tensão máxima de saída de 20 volts elevará uma bateria de 12 volts para 20 volts e a danificará. É a bateria que determina o ponto de funcionamento do módulo. A bateria varia sua amplitude de tensão entre 12 e 14 volts. Dado que a saída do módulo fotovoltaico é influenciada pelas variações de radiação e de temperatura ao longo do dia, como mostrado na Figura 15, isto se traduzirá numa corrente variável entrando na bateria [3].

traduzirá numa corrente variável entrando na bateria [3]. Figura 15 - Variação da corrente de carga

Figura 15 - Variação da corrente de carga da bateria Fonte: SOLARTERRA

Normalmente o banco de baterias e os módulos fotovoltaicos trabalham em conjunto para alimentar as cargas. Durante a noite toda a energia pedida pela carga é fornecida pelo banco de baterias, durante o dia os módulos começam a gerar, mas se a corrente que fornecerem for menor que aquela que a carga exige, a bateria deverá contribuir. A partir de uma determinada hora da manhã a energia gerada pelos módulos fotovoltaicos supera a energia média procurada. Os módulos não só atenderão

36

à exigida como, além disso, o excesso será armazenado na bateria que começará a carregar-se e a recuperar-se da sua descarga da noite anterior. Finalmente, durante a tarde a corrente gerada diminui e qualquer diferença em relação à demanda será entregue pela bateria [3]. Todo este processo é exemplificado pelos gráficos presentes na Figura 16.

Potencia Gerada

Curva do Sistema Curva de Procura 6 12 18 0 Hora do Dia
Curva do Sistema
Curva de Procura
6
12
18
0
Hora do Dia

Figura 16 - Relação entre potência gerada e potência demandada

3.6 Localização e Orientação dos painéis Para a boa instalação é importante selecionar a melhor localização possível para os módulos fotovoltaicos. A localização deve reunir duas condições:

Estar o mais próximo possível das baterias (a fim de minimizar a secção do cabo)

Ter condições ótimas para a recepção da radiação solar. Os módulos deverão estar suficientemente afastados de qualquer objeto que projete sombra sobre eles no período de melhor radiação (habitualmente das 9 às 17 horas) no dia mais curto do ano. O fator de espaçamento varia com a Latitude de acordo com o gráfico da Figura 17.

37

37 Figura 17 - Fator de Espaçamento Fonte: SOLARTERRA A distância mínima que poderá estar localizado

Figura 17 - Fator de Espaçamento Fonte: SOLARTERRA

A distância mínima que poderá estar localizado o objeto será, como indicado na Figura 18.

estar localizado o objeto será, como indicado na Figura 18. Figura 18 - Distancia Mínima entre

Figura 18 - Distancia Mínima entre painel e obstáculos para a luz Fonte: SOLARTERRA

Distância = Fe* (Ho-Hm)

Onde (Fe) é o fator de espaçamento, (Ho) é a altura do obstáculo e Hm é a

(3.1)

altura em que estão instalados os módulos [3].

38

Os módulos deverão ser orientados de modo que a sua parte frontal olhe para o Norte geográfico (ou Sul, quando no hemisfério Norte). Para conseguir um melhor aproveitamento da radiação solar incidente, os módulos deverão estar inclinados em relação ao plano horizontal num ângulo que varia conforme a latitude da instalação. Recomenda-se a adoção dos ângulos mostrados no Quadro 1.

Quadro 1 - Angulo de Inclinação X Latitude

no Quadro 1. Quadro 1 - Angulo de Inclinação X Latitude Fonte: SOLARTERRA Estes valores são

Fonte: SOLARTERRA

Estes valores são apenas recomendados, para resultados mais precisos podem- se utilizar os ângulos fornecidos pelo programa SUNDATA.

3.7 Conclusões Com essas informações é possível desenvolver um sistema mais eficiente e robusto, e conseqüentemente com um custo-benefício mais interessante.

39

4

DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO

4.1

Introdução

Conhecendo os tipos de sistema, os componentes envolvidos e a forma como eles interagem pode-se finalmente começar o dimensionamento do projeto de geração fotovoltaica.

4.2 Cálculo de carga

Inicialmente, é de grande importância que as informações referentes à carga a ser atendida sejam as mais completas possíveis, para que o consumo verificado possa ser adequado aos sistemas de geração e armazenamento propostos [11]. Para isso identificam-se as cargas, seus consumos em Watt e a quantidade de horas por dia que elas irão operar, multiplica-se a potência nominal de cada carga pelo número de elementos e pelo número estimado de horas de uso, com isso tem-se o consumo da carga em watt-hora/dia. Para cargas que não possuem consumo diário, deve-se considerar o consumo dividido pelo ciclo de uso da carga, por exemplo, se um secador de cabelos é usado a

cada 3 dias durante 30 minutos, deve-se multiplicar a potência do secador por 0,5 (meia hora) e dividir pelo ciclo de uso, neste caso, 3 dias. Desta forma garante-se que,

a cada 3 dias, é gerada e armazenada energia suficiente para suprir a carga quando houver necessidade. Fazendo isso para todas as cargas da residência tem-se o consumo total, dado pela equação 4.1 abaixo:

Ct(Wh) = 1,25*(∑n*P*H/CiU) (4.1) Onde 1,25 é um fator de segurança devido a variações no consumo das cargas,

n é o numero de cargas, P é a potência nominal, H é o numero estimado de horas de

funcionamento e CiU é o ciclo de uso. Uma medida útil é a de consumo total em Ampere-Hora, que é adquirida pela divisão do consumo total obtido através da expressão 4.1, pela tensão de operação do banco de baterias, conforme equação 4.2. [3;11;12;13].

40

Ct(Ah) = Ct(Wh) Vbat

(4.2)

4.3 Escolha do Inversor de Tensão

O dimensionamento do inversor é diretamente relacionado à carga a ser

atendida, para o caso de sistemas isolados, e diretamente relacionado à geração, no caso de sistemas interligados à rede. A potência do inversor deve sempre exceder a potência da carga ou da geração, levando-se em consideração o tipo de carga (algumas cargas necessitam de senóides puras para seu perfeito funcionamento) e valores de pico de correntes (correntes de partida) no caso da utilização de equipamentos que

apresentem tal característica [3;11;13].

4.4 Banco de baterias

O calculo da capacidade do banco de baterias leva em consideração a

autonomia requerida, a profundidade de descarga da bateria e o consumo total da carga em Ampere-hora. A autonomia (A) refere-se ao número de dias em que se prevê, que diminuirá ou não haverá geração. Para sistemas domésticos tomam-se de 3 a 5 dias, quanto maior a estimativa de dias de baixa insolação, maior será a confiabilidade do sistema, porém, quanto maior a autonomia desejada, maior será o custo do banco de baterias. A profundidade de descarga no final da autonomia (PD) varia de 0,5 a 0,7, deve-se considerar que descargas mais profundas significam vida útil menor. O valor normalmente adotado para baterias de chumbo - ácido estacionárias apropriadas para sistemas fotovoltaicos é 0,6. Para baterias automotivas considera-se 0,5. Vale lembrar que no caso de baterias de níquel-cádmio o valor da profundidade de descarga pode ser considerado 1, já que nessas baterias a descarga total não afeta sua vida útil

[3;11;13;14].

Sendo assim, tem-se que a capacidade da bateria (Cbat) é dada pela equação

41

Cbat = C(Ah)*A

(4.3)

PD*ηinv O termo (ηinv) é o rendimento do inversor de freqüência escolhido, como o rendimento do sistema fotovoltaico é baixo, qualquer perda interna do sistema deve ser considerada com o propósito de se elevar a confiabilidade do mesmo.

Escolhe-se o modelo de bateria com valor normalizado imediatamente superior ao que resulte deste cálculo. Caso a capacidade encontrada seja superior ao maior modelo comercial disponível, então o banco de baterias deverá ser montado com elementos múltiplos ligados em paralelo.

4.5 Painéis Fotovoltaicos O dimensionamento dos painéis fotovoltaicos é o ponto mais crítico do

projeto: como a geração não ocorre durante a noite e os períodos de baixa insolação podem ser prolongados, é crucial que durante as horas de sol pleno o painel seja capaz de gerar energia suficiente para ser armazenada e suprir o sistema durante os períodos sem geração. Para a escolha dos painéis é preciso conhecer a potência mínima a ser gerada pelo arranjo fotovoltaico durante as horas de sol pleno (HSP). A expressão da potência a ser instalada (PI) é dada pela expressão 4.4 abaixo:

PI (Wp) = _Ct(Wh)_

(4.4)

HSP*FS Onde o termo (HSP) pode ser encontrado na Figura 9 e (FS) é um fator de segurança que visa compensar as perdas nos componentes do sistema, poeira nos painéis e incertezas na geração, seu valor típico é em torno de 0,8. Calculado o PI (Wp) pode-se fazer a escolha do painel, levando em consideração suas especificações e gráficos típicos de geração. É importante lembrar que, como já foi comentado no Capitulo 3, seção 3.4, fatores ambientais interferem consideravelmente na geração, e devem ser considerados na escolha dos painéis

[3;11;12;13].

42

4.6 Controlador de Carga

Para o correto dimensionamento do controlador de carga é preciso conhecer as máximas correntes às quais ele será submetido, tanto do lado dos painéis geradores quanto do lado das cargas. Para o lado das cargas a corrente máxima será dada pela potência máxima

consumida (Cmax) dividido pela tensão de funcionamento do banco de baterias (Vbat). Conforme a expressão 4.5 abaixo:

Imax = Cmax

Vbat Para o lado dos painéis geradores, a corrente máxima é dada pela corrente de

curto circuito do módulo fotovoltaico (Icc), multiplicada pelo número de módulos em paralelo (NMP) [3;11;12;13].

(4.5)

Imax = Icc*NMP

(4.6)

4.7 Dimensionamento dos Cabos CC\CA

Segundo a NBR 5410, não existe diferença na forma de dimensionamento de cabos para corrente contínua ou alternada, a tabela de ampacidade fornecida na NBR é

válida para os dois casos. Porém, devido às baixas tensões geradas nos arranjos fotovoltaicos, recomenda-se que as quedas de tensão sejam mantidas abaixo de 5%

[15;16].

As tabelas de ampacidade e de queda de tensão encontram-se nos Anexos A e B deste trabalho.

4.8 Conclusão

Como foi apresentado neste capítulo, a metodologia de dimensionamento do projeto fotovoltaico é bem simples e baseada em conhecimentos básicos de circuitos elétricos.

43

5 CASO PRÁTICO

5.1 Introdução

Será apresentado agora um caso prático para melhor exemplificar a metodologia de dimensionamento do sistema fotovoltaico. Para este exemplo será considerada uma residência hipotética simples com: 3 quartos, banheiro, sala e cozinha, conforme Figura 19, localizada em Vitória/ES.

e cozinha, conforme Figura 19, localizada em Vitória/ES. Figura 19 - Planta baixa da casa modelo

Figura 19 - Planta baixa da casa modelo

Para mostrar a facilidade na aquisição dos componentes, todos eles serão escolhidos através de buscas pela internet. Não será levado em conta o custo do projeto e sim o dimensionamento e escolha dos componentes.

5.2 Sistema Isolado

5.2.1 Cálculo de carga O Quadro 2 é meramente ilustrativo e visa apenas exemplificar o procedimento de cálculo e não representar um residência real. Aplicando a Equação 4.1 às cargas de acordo com o mostrado no Quadro 2, temos que:

44

Quadro 2 - Consumo diário de energia

     

Numero

       

Equipamento

Quantidade

estimado de

Horas de

Funcionamento

Ciclo de Uso (Dias)

Consumo em Watts (Dado de Placa)

Consumo

Total em

Watts

Watts

Hora por

Dia

1

Lâmpada Fluorescente Quartos

3

2

1

15

45

90,00

2

Lâmpada Fluorescente Sala

1

3

1

30

30

90,00

3

Lâmpada Fluorescente Cozinha

2

3

1

30

60

180,00

4

Lâmpada Fluorescente Banheiro

2

1

1

15

30

30,00

5

Radio

1

4

1

18

18

72,00

6

Ventilador de teto (Quarto Casal)

1

8

1

100

100

800,00

7

Geladeira

1

10

1

80

80

800,00

8

Liquidificador

1

0,5

3

20

20

3,33

 

TOTAL

383

2065,3333

Para esta residência específica, o consumo diário de energia é estimado em 2065,33 watts-hora. Acrescentando o fator de segurança de acordo com a Equação 4.1, tem-se que:

Ct(Wh) = 1,25*2065,3333 = 2581,67 Wh/dia (5.1) Para sistemas interligados à rede esta etapa pode ser menos rigorosa, pois a rede elétrica pode atuar como um sistema de back-up e, assim, o sistema fotovoltaico não deve obrigatoriamente atender à totalidade de carga instalada. Caso a finalidade do sistema interligado seja apenas a venda de energia à rede, a etapa de cálculo mostrada acima pode ser completamente dispensada, pois neste caso não haveria ponto de consumo atendido pela geração e toda a energia gerada seria diretamente injetada na rede [11]. Com o consumo total, pode-se calcular através da Equação 4.2 o consumo em Ah/dia, que será muito útil no dimensionamento do banco de baterias. Supondo um banco de baterias com tensão de funcionamento igual a 12 volts,

tem-se:

C(Ah/dia) = C(Wh/dia) = 2581,67 = 215,14 Ah/dia

Vbat

12

(5.2)

5.2.2 Escolha do Inversor de Tensão Existem vários inversores no mercado, para o exemplo dado foi escolhido o fabricante POWERBRAS (http://www.powerbras.com.br) [17]. O inversor deve fornecer uma potência mínima 383 W (Potência Total das cargas) e nenhuma das cargas necessita de uma senóide pura.

45

Para o exemplo dado o inversor ICH 12-500A da POWERBRAS, mostrado no Quadro3, é suficiente.

Quadro 3 - Inversores de Tensão Linha MCE Power

suficiente. Quadro 3 - Inversores de Tensão Linha MCE Power Fonte: POWERBRAS Obtém-se através da terceira

Fonte: POWERBRAS

Obtém-se através da terceira coluna do Quadro 4 a folha de dados deste inversor. Ele possui eficiência de 90% e suporta uma potência de surto de 700 Watts, o que é suficiente para suprir as correntes de partida do ventilador e da geladeira.

Quadro 4 - Folha de dados do inversor POWERBRAS

as correntes de partida do ventilador e da geladeira. Quadro 4 - Folha de dados do

Fonte: POWERBRAS

46

5.2.3 Banco de baterias

Em Vitória no Espírito Santo, a média de chuvas varia de 126 a 236 dias por ano (segundo dados estatísticos da VALE). Para o pior caso, pode-se considerar uma autonomia de 4 dias, quanto maior a autonomia, mais confiável o sistema. A capacidade da bateria (Cbat) é dada pela Equação 4.3 mostrada abaixo:

CB = C(Ah)*A = 215,14 *4 = 1593,62 Ah

PD*ηinv

0,6*0,9

(5.3)

Para o exemplo dado opta-se pelo fabricante de baterias SONNENSCHEIN, que

fornece a tabela mostrada no Quadro 5 abaixo:

Quadro 5 - Baterias fornecidas pela SONNENSCHEIN.

5 abaixo: Quadro 5 - Baterias fornecidas pela SONNENSCHEIN. Fonte: SONNESNSCHEIN Para o exemplo dado, são

Fonte: SONNESNSCHEIN

Para o exemplo dado, são suficientes 7 baterias do modelo BAT-S212/230A ligadas em paralelo.

5.2.4 Painéis Fotovoltaicos

Para a escolha dos painéis necessita-se da potência mínima a ser gerada pelo arranjo fotovoltaico durante as horas de sol pleno (HSP). Como mostrado no Capítulo 4, seção 4.5, esta potência pode ser obtida através da equação 4.4.

47

Da Figura 9 obtêm-se a media de horas de sol pleno em Vitória, que é igual a 6 horas/dia. Fazendo os cálculos:

PI(Wp) = _Ct(Wh)_= 2581,67 = 537,85 Wp

HSP*FS

6*0,8

(5.4)

Foi escolhido o painel KC 130TM do fornecedor KYOCERA (http://www.kyocerasolar.com.br) cujas especificações encontram-se no Quadro 6 e nas Figuras 20 e 21.

Quadro 6 - Especificações Técnicas do Painel KC 130TM

encontram-se no Quadro 6 e nas Figuras 20 e 21. Quadro 6 - Especificações Técnicas do

Fonte: KYOCERA

48

48 Figura 20 - Variação de tensão e corrente do módulo KC 130TM para diferentes níveis

Figura 20 - Variação de tensão e corrente do módulo KC 130TM para diferentes níveis de insolação Fonte: KYOCERA

Fonte: KYOCERA
Fonte: KYOCERA

Figura 21 - Variação de tensão e corrente do módulo KC 130 TM para diferentes níveis de temperatura Fonte: KYOCERA

Acessando o site http://www.cresesb.cepel.br obtêm-se a média de insolação para a região desejada.

49

A cidade de Vitória fica a uma Latitude aproximada de 20º Sul e uma Longitude de 40º Oeste; entrando com estes dados no programa SUNDATA tem-se como resultado as tabelas mostradas no Quadro 7.

Quadro 7 - Resultado do programa SUNDATA para as Latitude e Longitude de Vitória/ES

programa SUNDATA para as Latitude e Longitude de Vitória/ES Fonte: CRESESB Pode-se dimensionar o equipamento com

Fonte: CRESESB

Pode-se dimensionar o equipamento com base nas irradiações mínima, média ou máxima, dependendo do grau de confiabilidade que se deseja agregar ao sistema, para o exemplo dado considera-se a média, que de acordo com o Quadro 7 é igual a 5,06 kWh/m².dia. Como mostrado na Figura 20, não existe alteração na capacidade de geração de corrente do painel devido a média de insolação. A tensão gerada varia pouco com a insolação e sua influência é desconsiderada. No Brasil a insolação é abundante, tendo médias superiores a 4 kWh/m².dia, sendo assim, este não é um parâmetro que tenha grande influência em projetos implantados em seu território. Outra variável importante a ser considerada é a temperatura de operação do painel, para uma cidade como Vitória uma temperatura de 75ºC é bem aceitável, porém não pode ser considerado um valor absoluto. Por estar no litoral, Vitória é uma

50

cidade sujeita a muitos ventos que podem refrigerar o painel, dependendo da posição em que o arranjo fotovoltaico será instalado pode-se considerar até mesmo uma temperatura de 30º. Quando não é possível fazer a medição da temperatura, o bom senso do projetista é sempre uma boa alternativa. É o banco de baterias quem vai definir o ponto de operação dos painéis, como uma bateria de tensão nominal de 12 volts atua numa faixa de tensão em torno de 14 volts, pela Figura 21, para uma temperatura de 50 o C e uma tensão de 14 volts, o painel gera uma corrente de aproximadamente 7,7 amperes. Considerando os valores de corrente e tensão, pode-se estimar através da equação P=I*V que a geração do painel será de aproximadamente 107,8 Wp. Com esses dados calcula-se o número de painéis necessários para suprir a demanda de geração.

NP = 430,28 = 3,99

107,8

(5.5)

Para o projeto proposto, 4 painéis KC 130TM ligados em paralelo são capazes

de suprir a demanda da carga.

5.2.5 Controlador de Carga Como já foi explicado no Capitulo 4.6, para o correto dimensionamento do controlador de carga necessita-se da máxima corrente a que ele será submetido, podendo ser pelo lado das cargas ou da geração. Estas correntes podem ser encontradas através das equações 4.5 e 4.6. Para o lado das cargas:

Imax = Cmax = 383 = 31,92 A

(5.6)

Vbat

12

Para o lado dos painéis geradores:

 

Imax = Icc*NMP = 8,02*4 = 32,08 A

(5.7)

Onde Icc igual a 8,02 A foi tirada do Quadro 6. O controlador deve suportar uma corrente superior a 32,08 Amperes do lado

da geração e superior a 31,92 Amperes pelo lado das cargas.

51

o brasil.com.br/), obtêm-se as seguintes opções:

Considerando

fabricante

CONERGY

BRASIL

(http://www.conergy-

Quadro 8 - Controladores de Carga da linha CC VISION da CONERGY BRASIL

Controladores de Carga da linha CC VISION da CONERGY BRASIL Fonte: CONERGY Para o caso estudado

Fonte: CONERGY

Para o caso estudado a linha SCC 40 VISION atende as necessidades do

projeto.

5.2.6 Dimensionamento dos cabos Para o lado CC do sistema fotovoltaico, dimensionam-se os cabos para que possam suportar a máxima corrente de curto circuito do painel. Como calculado na equação 5.7, Imax é igual a 32,08 A. Supõe-se que o painel fique a 7,5 metros da casa e o eletroduto que leva os cabos do painel até o banco de baterias e o inversor esteja enterrado (Cabo tipo D). Recorrendo a tabela de ampacidade presente no Apêndice A deste trabalho, têm-se que a bitola mínima para o cabo segundo o critério da ampacidade é de 0,75 mm², porém a NBR 5410 recomenda que a secção mínima dos condutores para circuito de força seja de 2,5 mm². Da tabela presente no Apêndice B deste trabalho, obtém-se a resistência de um

cabo de 2,5 mm², que é igual a 7,41 Ω/Km, como o cabo terá 15 metros (ida e volta do condutor), a resistência do cabo é de:

Rcc = 7,41*15 = 0,11115 Ω

1000

Então a queda de tensão será:

(5.8)

52

ΔV = 32,08*0,11115 = 0,2971 = 29,71 %

12

(5.9)

Como a queda de tensão calculada na Equação 5.9 é superior a 5 % (queda máxima aceitável para sistemas fotovoltaicos), o cabo de 2,5 mm não pode ser usado. Sendo assim, escolhe-se um cabo de bitola maior, 16 mm².

Rcc = 1,15*15 = 0,01725 Ω

1000

A queda de tensão será:

ΔV = 32,08*0,01725 = 0,046115 = 4,6115 %

12

(5.10)

(5.11)

O cabo de 16 mm² atende ao critério de queda de tensão.

Pelo exemplo nota-se que no lado CC a capacidade de condução não é o maior

empecilho, mas sim a queda de tensão do condutor. Para o lado CA o dimensionamento é feito da mesma forma como se a casa fosse alimentada pela rede pública, por isso não será demonstrado aqui.

5.3 Sistemas Híbridos Para os sistemas do tipo Híbrido, onde existem outras formas de geração além do sistema fotovoltaico, utilizam-se os mesmos critérios de dimensionamento, apenas desconsiderando-se a demanda suprida por outros sistemas no cálculo de carga. Utilizando-se dos dados obtidos no caso prático para o sistema isolado e considerando a existência de um gerador eólico capaz de suprir 500 Wh/dia, tem-se que a demanda diária do sistema fotovoltaico será dado pela subtração do valor calculado na Equação 4.1 pela demanda gerada pela fonte alternativa, assim como mostrado abaixo. Ct(Wh) = 2065,33 - 500 = 1565,33 Wh/dia (5.12) Com a mudança da demanda, muda o dimensionamento dos painéis e do cabeamento CC, os demais itens de projeto (inversor, controlador e banco de baterias) não sofrem influência, já que seu dimensionamento depende das cargas, e não da geração.

53

Caso a geração alternativa não seja constante, como no caso de um gerador a diesel, é preciso que o controlador de carga seja capaz de acionar o gerador quando os níveis do banco de baterias esteja baixo. Como ja foi dito no Capitulo 1, seção 1.2.2, o detalhamento do projeto para um sistema híbrido é muito complexo, e depende de um estudo específico para cada caso e aplicação.

5.4 Sistemas Conectados à Rede Elétrica Para os sistemas conectados à rede elétrica o cálculo de carga pode ser completamente dispensado. Caso o intenção seja somente a venda de energia, a variável de interesse passa a ser o quanto de energia se deseja gerar, se o objetivo é gerar 1000 Wh/dia, esta será a demanda considerada. Para este tipo de sistema não existe a necessidade de um banco de baterias, nem de um controlador de cargas, já que toda a energia gerada será consumida ou entregue à rede no momento da geração [11].

A escolha do inversor vai depender da potência dos painéis. Para uma

demanda Ct(Wh) = 1000 Wh/dia, usando a Equação 4.4 temos que:

PI (Wp) = _Ct(Wh)_ = 1000 = 208,33 Wp

HSP*FS

6*0,8

(5.13)

Considerando os painéis KC 130 TM usados no exemplo para o sistema

isolado nas mesmas condições, e repetindo o cálculo 5.5 com o novo valor de potência, têm-se que:

NP = 208,33 = 1,93

107,8

(5.14)

Para atender a demanda desejada instalam-se dois painéis de 130 Wp em paralelo.

O inversor deve ser dimensionado para suportar uma potência de 260 W

(Máxima potência do arranjo). Para este sistema o inversor deve ser capaz de gerar uma senóide perfeita, atendendo todos os requisitos exigidos pela rede convencional.

54

Outra diferença no projeto de um sistema conectado à rede elétrica está no relógio de medição da concessionária, que deverá ser bidirecional, ou seja, mede tanto

a energia consumida, como a gerada pela residência.

5.5 Conclusão Uma análise mais profunda do caso prático traz à tona as principais dificuldades de implantação desta nova tecnologia. É fácil notar, para o sistema hibrido ou isolado, que o projeto se torna inviável quanto maior as cargas a serem atendidas. A simples consideração de um chuveiro elétrico (3500 W), ou mesmo um secador de cabelos (800W) afeta todo o projeto. A demanda de carga sobe consideravelmente e faz-se necessária a utilização de inversores de freqüência mais robustos e modernos. O controlador de cargas também se torna um empecilho já que não se encontram no mercado controladores capazes de suportar correntes muito superiores a 60 Amperes. Existem controladores capazes de trabalhar em paralelo, mas são de maior custo e complexibilidade, além de representarem mais um possível ponto

de defeito; uma solução seria a aquisição de inversores que fazem este controle, como

o mostrado na Figura 22.

que fazem este controle, como o mostrado na Figura 22. Figura 22 – Inversor CONERGY ISA

Figura 22 – Inversor CONERGY ISA 3000/5000 capaz de fazer o controle de carga Fonte: CONERGY

Em resumo, os sistemas dos tipos híbrido e isolado, hoje, são mais aplicáveis a residências rurais e de baixo consumo, onde a rede convencional não é uma alternativa. O sistema conectado a rede também não possui grande aceitação,

55

principalmente devido ao maior custo do inversor, que deve manter em fase a tensão gerada pelo sistema e a rede convencional. Uma solução muito utilizada é a individualização das cargas. Normalmente o sistema é dimensionado para atender algumas cargas da residência, como uma geladeira ou a iluminação, quando a carga das baterias se torna insuficiente, o controlador de carga passa a alimentação para a rede convencional.

56

6 DIMENSIONAMENTO COMPUTACIONAL

6.1 Introdução

Neste capítulo será apresentado um programa desenvolvido em Excel preparado para facilitar o dimensionamento de sistemas fotovoltaico. O programa MS Excel foi escolhido por ser uma ferramenta poderosa e de grande circulação, praticamente todas as máquinas que operam pelo sistema operacional da Microsoft possuem o pacote Office instalado e a grande maioria dos usuários esta habituada à plataforma Excel, apesar de poucos conhecerem o real poder

desta ferramenta. Assim, como o restante deste trabalho, o programa apresentado agora não tem como objetivo a análise dos custos envolvidos no projeto, como forma de validação, no decorrer do capitulo serão usados os dados do caso prático apresentado no Capitulo

5.

6.2

Entrada de dados

Como mostrado na Figura 23, a entrada de dados é simples e fácil. Cada célula abre uma janela de ajuda quando clicada para que não haja nenhuma dúvida sobre o correto preenchimento dos dados.

 

DADOS DE PROJETO

 

Nome Projeto:

 

Tipo de Sistema

HIBRIDO

 

Localidade:

 

Latitude:

 

Longitude:

   

Média de Insolação

 

Wh/m².dia

Verificar no Atlas Solarimétrico

Horas de Sol Pleno por Dia

 

Horas

 

Verificar no Mapa

Demanda de Carga:

 

Wh/dia

 

Fazer o Calculo de Carga

Quantidade de Energia Disponível:

 

Wh/dia

 
 

INVERSOR DE FREQUENCIA

 
   

Tensão CC

Tensão CA

Rendimento

 

Capacidade do Inversor

300

12

127

0,9

 

BANCO DE BATERIAS

 

Tipo de Baterias:

Chumbo-Ácido

 

Tensão de Funcionamento

 

V

Capacidade

 

Ah

Autonomia Prevista:

 

Dias

 

PAINEIS FOTOVOLTAICOS

 

Potencia de Placa

 

Wp

Tipo de Painél:

p-Si

 

Tensão de Funcionamento

 

V

Temperatura de Operação:

 

ºC

Corrente de Curto

 

A

Distância do arranjo até o Inversor:

 

m

Gerar Relatório

Figura 23 - Tela inicial do programa de dimensionamento

57

Abaixo será apresentada uma breve explicação sobre todos os dados a serem preenchidos:

Nome do Projeto – nome, apenas para titulo de diferenciação de projetos correntes, não influencia nos cálculos;

Tipo de Sistema – selecionar entre o tipo Isolado, Híbrido e Ligado à Rede Elétrica, ao selecionar o tipo de projeto somente os dados de interesse estarão disponíveis para preenchimento;

Localidade – local, onde será instalado o projeto, apenas a titulo de informação, não influencia nos cálculos;

Latitude e Longitude – latitude e longitude da cidade onde o projeto será instalado;

Média de Insolação – média diária de insolação da cidade onde o projeto será implantado, pode ser adquirida através do programa SUNDATA ou pelo Mapa Solarimétrico brasileiro;

Horas de Sol Pleno por Dia – quantidade de horas por dia na qual ocorrerá geração, caso não saiba, o programa disponibiliza um mapa do Brasil com as médias regionais;

Demanda de Carga – é a quantidade de energia demandada por dia para suprir a carga, este valor pode ser digitado diretamente ou pode ser adquirido pelo Cálculo de Carga, o valor digitado será sempre o considerado, caso se deseje efetuar o Cálculo de Carga esta célula não deverá ser preenchida, neste caso a célula ficará vermelha;

Quantidade de Energia Disponível – é a quantidade de energia que será disponibilizada por outra forma de geração, esta opção somente estará disponível para o Sistema Híbrido;

INVERSOR DE FREQÜÊNCIA – dados do inversor que se deseja instalar no sistema fotovoltaico, caso a capacidade esteja abaixo da necessitada pela carga ou pela geração a célula ficará vermelha;

58

BANCO DE BATERIAS

o

Tipos de Baterias – selecionar o tipo de bateria que se deseja instalar no sistema, para cada tipo selecionado o programa considera uma profundidade de descarga adequada;

o

Tensão de Funcionamento – é a tensão de funcionamento da bateria escolhida, a tensão do banco é definida pela tensão do braço CC do inversor;

o

Capacidade – é a capacidade em Ah da bateria encolhida;

o

Autonomia Prevista – é o número de dias consecutivos na qual a geração diminuirá ou não existira (dias nublados), ou seja, é o número de dias estimado que o banco de baterias devera suprir a necessidade do sistema sem a geração;

PAINÉIS FOTOVOLTAICOS

o

Potência de Placa, Tensão de Funcionamento e Corrente de Curto – dados de placa do painel escolhido;

o

Tipo de Painel – selecionar o tipo de painel, o programa utiliza um gradiente de temperatura diferente para cada tipo de painel;

o

Temperatura de Operação – é a temperatura na qual o painel será submetido quando estiver em operação, os dados de placa são obtidos a uma temperatura padrão de 25 ºC, o programa utiliza estes dados para estimar a queda na eficiência do painel;

o Distância do Arranjo até o Inversor – é a distância que o cabeamento CC irá percorrer dos Painéis Fotovoltaicos até o restante dos elementos. Como mostrado na Figura 24, o preenchimento da planilha para Cálculo de Carga também é simples e prático.

59

59 Figura 24 - Janela para o Calculo de Demanda de Carga colunas: Abaixo será apresentada

Figura 24 - Janela para o Calculo de Demanda de Carga

colunas:

Abaixo

será apresentada informações para o

correto

preenchimento

das

Equipamento – entrar com o nome do equipamento, apenas para caráter de informação;

Quantidade – número de equipamentos iguais, tanto em tipo como em regime de operação, que estarão operando na casa;

Número estimado de Horas de Funcionamento – número de horas estimado que o equipamento permanecera em operação dentro de um determinado período;

Ciclo de Uso – para cargas de uso diário manter igual a 1, caso contrário, entrar com o intervalo de dias entre o uso da carga;

Consumo – consumo em Watts do equipamento, dado de placa.

6.3 Validação do Programa Como teste para o programa, ele será utilizado para desenvolver os mesmos projetos usados no Capítulo 5, o programa deverá retornar resultados iguais como forma de validação.

6.3.1 SISTEMA ISOLADO O programa foi preenchido com os mesmos dados utilizado no caso prático conforme figura abaixo:

60

 

DADOS DE PROJETO

 

Nome Projeto:

Projeto de Graduação

 

Tipo de Sistema

ISOLADO

 

Localidade:

Vitória-ES

Latitude:

-20

Longitude:

40

 

Média de Insolação

5060

Wh/m².dia

Verificar no Atlas Solarimétrico

Horas de Sol Pleno por Dia

6

Horas

 

Verificar no Mapa

Demanda de Carga:

 

Wh/dia

 

Fazer o Calculo de Carga

Quantidade de Energia Disponível:

500 Wh/dia

 
 

INVERSOR DE FREQUENCIA

 
   

Tensão CC

Tensão CA

Rendimento

 

Capacidade do Inversor

500

12

127

0,9

 

BANCO DE BATERIAS

 

Tipo de Baterias:

Chumbo-Ácido

 

Tensão de Funcionamento

12

V

Capacidade

230

Ah

Autonomia Prevista:

4

Dias

 

PAINEIS FOTOVOLTAICOS

 

Potencia de Placa

130

Wp

Tipo de Painél:

p-Si

 

Tensão de Funcionamento

12

V

Temperatura de Operação:

50

ºC

Corrente de Curto

8,02

A

Distância do arranjo até o Inversor:

7,5

m

Gerar Relatório

Figura 25 - Entrada de Dados preenchida para o Caso Isolado

Depois de completamente preenchido é só clicar em “Gerar Relatório”.

PROJETO BASICO PARA UM SISTEMA RESIDENCIAL DE GERAÇÃO FOTOVOLTAICA Projeto de Graduação Descrição: Sistema do
PROJETO BASICO PARA UM SISTEMA RESIDENCIAL DE GERAÇÃO
FOTOVOLTAICA
Projeto de Graduação
Descrição: Sistema do tipo ISOLADO com estimativa de 6 Horas de Sol Pleno por dia
Demanda a ser gerada pelo sistema: 2065,33 Wh/dia
PAINEIS FOTOVOLTAICOS
Tipo:
p-Si
Painéis em Série:
1
Orientação:
NORTE
Potencia de Placa:
130 Wp
Painéis em Paralelo:
4
Inclinação:
-15 º
Temperatura de Operação:
50 ºC
BANCO DE BATERIAS
Baterias em
Série:
1
Tensão de Funcionamento do Banco de Baterias:
12 Volts
Baterias em
Paralelo:
7
CONTROLADOR DE CARGAS
Máxima Corrente Suportada:
36
Amperes
Máxima Corrente de Geração:
36
Amperes
Máxima Corrente de Carga:
36 Amperes
INVERSOR DE FREQUECIA
Potencia Instalada:
500 W
Análise:
Atende
CABEAMENTO CC
Distância considerada entre o arranjo fotovoltaico e a residecia:
7,5 m
Bitola minima do cabo:
16 mm
Queda de Tensão:
4,6115 %

Voltar para Entrada de Dados

Figura 26 - Saída do programa para o Sistema Isolado proposto

Nota-se que a única diferença de resultado entre o dimensionamento manual e o computacional está na inclinação do painel, que segundo o programa SUNDATA seria de -20º, como o programa não dispõe do mesmo banco de dados do SUNDATA ele estima a melhor inclinação com base no Quadro 1, daí a diferença.

61

6.3.2 Sistema Híbrido Para este caso foi considerado a existência de um gerador eólico capaz de gerar 500 Wh/dia, mantendo os demais parâmetros temos:

 

DADOS DE PROJETO

 

Nome Projeto:

Projeto de Graduação

 

Tipo de Sistema

HIBRIDO

 

Localidade:

Vitória-ES

Latitude:

-20

Longitude:

40

 

Média de Insolação

5060

Wh/m².dia

Verificar no Atlas Solarimétrico

Horas de Sol Pleno por Dia

6

Horas

 

Verificar no Mapa

Demanda de Carga:

 

Wh/dia

 

Fazer o Calculo de Carga

Quantidade de Energia Disponível:

500

Wh/dia

 
 

INVERSOR DE FREQUENCIA

 
   

Tensão CC

Tensão CA

Rendimento

 

Capacidade do Inversor

500

12

127

0,9

 

BANCO DE BATERIAS

 

Tipo de Baterias:

Chumbo-Ácido

 

Tensão de Funcionamento

12

V

Capacidade

230

Ah

Autonomia Prevista:

4

Dias

 

PAINEIS FOTOVOLTAICOS

 

Potencia de Placa

130

Wp

Tipo de Painél:

p-Si

 

Tensão de Funcionamento

12

V

Temperatura de Operação:

50

ºC

Corrente de Curto

8,02

A

Distância do arranjo até o Inversor:

7,5

m

Gerar Relatório

Figura 27 - Entrada de dados para o Caso Híbrido

Como mostrado no Capítulo 5.3 com o gerador eólico a demanda da carga cai para 1565,33 Wh/dia, sendo assim teremos como resultado.

PROJETO BASICO PARA UM SISTEMA RESIDENCIAL DE GERAÇÃO FOTOVOLTAICA

 

Projeto de Graduação

 

Descrição:

Sistema do tipo HIBRIDO com estimativa de 6 Horas de Sol Pleno por dia

 

Demanda a ser gerada pelo sistema:

 

1565,33

Wh/dia

 

PAINEIS FOTOVOLTAICOS

 

Tipo:

p-Si

Painéis em Série:

 

1

Orientação:

NORTE

Potencia de Placa:

130 Wp

Painéis em Paralelo:

3

Inclinação:

-15 º

Temperatura de Operação:

 

50 ºC

 

BANCO DE BATERIAS

 

Baterias em

Série:

1

Tensão de Funcionamento do Banco de Baterias:

12 Volts

Baterias em

Paralelo:

7

 

CONTROLADOR DE CARGAS

 

Máxima Corrente Suportada:

 

36

Amperes

Máxima Corrente de Geração:

27

Amperes

Máxima Corrente de Carga:

 

36 Amperes

 

INVERSOR DE FREQUECIA

 

Potencia Instalada:

500 W

 

Análise:

Atende

 

CABEAMENTO CC

 

Distância considerada entre o arranjo fotovoltaico e a residecia:

 

7,5 m

Bitola minima do cabo:

16 mm

 

Queda de Tensão:

3,458625 %

Voltar para Entrada de Dados

Figura 28 - Saída do programa para o Sistema Híbrido proposto

62

Mais uma vez, o resultado é coerente com o que foi mostrado no Capítulo anterior.

6.3.3 Sistema Ligado à Rede Elétrica Para este caso foi considerada uma geração de 1000 Wh/dia

 

DADOS DE PROJETO

 

Nome Projeto:

Projeto de Graduação

 

Tipo de Sistema

LIGADO A REDE ELÉTRICA

 

Localidade:

Vitória-ES

Latitude:

-20

Longitude:

40

 

Média de Insolação

5060

W

h/m².dia

Verificar no Atlas Solarimétrico

Horas de Sol Pleno por Dia

6

Horas

 

Verificar no Mapa

Demanda a ser Gerada:

1000

W

h/dia

 

Fazer o Calculo de Carga

Quantidade de Energia Disponível:

500 W h/dia

 
 

INVERSOR DE FREQUENCIA

 
   

Tensão CC

Tensão CA

Rendimento

 

Capacidade do Inversor

500

 

12

127

0,9

 

BANCO DE BATERIAS

 

Tipo de Baterias:

Chumbo-Ácido

 

Tensão de Funcionamento Capacidade Autonomia Prevista:

12 V

 

230 Ah

4 Dias

 
 

PAINEIS FOTOVOLTAICOS

 

Potencia de Placa

130

W

p

Tipo de Painél:

p-Si

 

Tensão de Funcionamento

12

V

Temperatura de Operação:

50

ºC

Corrente de Curto

8,02

A

Distância do arranjo até o Inversor:

7,5

m

Gerar Relatório

Figura 29 - Entrada de Dados para o Caso Ligado a Rede Elétrica

O Sistema Ligado à Rede Elétrica dispensa o uso de baterias e a etapa de cálculo de cargas, logo, o resultado será:

PROJETO BASICO PARA UM SISTEMA RESIDENCIAL DE GERAÇÃO FOTOVOLTAICA Projeto de Graduação Descrição: Sistema do
PROJETO BASICO PARA UM SISTEMA RESIDENCIAL DE GERAÇÃO
FOTOVOLTAICA
Projeto de Graduação
Descrição:
Sistema do tipo LIGADO A REDE ELÉTRICA com estimativa de 6 Horas de Sol Pleno por dia
Demanda a ser gerada pelo sistema:
1000,00 Wh/dia
PAINEIS FOTOVOLTAICOS
Tipo:
p-Si
Painéis em
Série:
1
Orientação:
NORTE
Potencia de Placa:
130 Wp
Painéis em Paralelo:
2
Inclinação:
-15 º
Temperatura de Operação:
50 ºC
BANCO DE BATERIAS
Baterias em
Série:
Tensão de Funcionamento do Banco de Baterias:
Volts
Baterias em Paralelo:
CONTROLADOR DE CARGAS
Máxima Corrente Suportada:
24
Amperes
Máxima Corrente de Geração:
18
Amperes
Máxima Corrente de Carga:
24 Amperes
INVERSOR DE FREQUECIA
Potencia Instalada:
500 W
Análise:
Atende
CABEAMENTO CC
Distância considerada entre o arranjo fotovoltaico e a residecia:
7,5 m
Bitola minima do cabo:
10 mm
Queda de Tensão:
3,66915 %

Voltar para Entrada de Dados

Figura 30 - Saída do programa para o Sistema Ligado a Rede Elétrica proposto

63

Mais uma vez, os resultados foram consistentes.

6.4 Conclusões

O

uso

de

ferramentas

computacionais

dimensionamento de projetos.

é

um

importante

facilitador

no

64

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CONCLUSÕES

Neste projeto foram apresentados conceitos, informações e metodologias para auxiliar na elaboração e dimensionamento de projetos voltados para a geração residencial de energia fotovoltaica, servindo como uma base de estudos e direcionamento para aqueles que desejam usufruir desta nova e promissora tecnologia. Por ser uma tecnologia em desenvolvimento, a geração fotovoltaica encontra empecilhos e entraves na sua disseminação. Os painéis ainda não atingem rendimentos que se justifiquem e o mercado tem dificuldades em suprir as necessidades de projetos de potências mais elevadas. É fato que a tecnologia fotovoltaica, hoje, está mais voltada para as aplicações rurais. Suprir um projeto de grande porte é um exercício de vontade e determinação. Frente aos desafios energéticos que surgem no mundo atual, o potencial desta fonte renovável não pode ser ignorado e sua disseminação é apenas uma questão de tempo.

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ANEXO A

65 ANEXO A

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ANEXO B

66 ANEXO B

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REFERÊNCIAS

[1]

http://www.greenpeace.org.br/energia/pdf/dossie - [disponível em 05 de

GREENPEACE, A Possível Revolução Energética disponível em

junho/2006].

[2] ALVES DA CUNHA, J. L. P. Eletrificação de Edificações Rurais Isoladas Utilizando Energia Solar Fotovoltaica. MG: Universidade Federal de Lavras. Monografia apresentada para o curso de Pós Graduação em Fontes de Energia Renováveis, 2006. [3] SOLARTERRA, Energia Solar Fotovoltaica Guia Prático disponível em http://www.solarterra.com.br/pdf/curso-energia-solar-fotovoltaica.pdf - [disponível em 06 setembro/2008]. [4] WIKIPÉDIA, Célula Fotoelétrica disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula_fotoel%C3%A9ctrica – [disponível em 06

setembro/2008].

[5] SALAMONI, I. T. Metodologia de Calculo de Geração Fotovoltaica em Áreas Urbanas Aplicada a Florianópolis e Belo Horizonte. SC: Universidade Federal de Santa Catarina. Monografia apresentada ao programa de Pós Graduação em Engenharia Civil, 2004. [6] GOETZBERGER, A. et al. Photovoltaic Material, History, Status and Outlook. Materials Science and Engineering, 2002. [7] SANTHIAGO DE OLIVEIRA, A. Análise das Modalidades e Procedimentos Simplificados do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – Os Projetos de Pequena Escala e a Geração de Energia Renovável para Atendimento das Residências Rurais Isoladas. RJ: UFRJ/COPPE, Tese de Mestrado em Ciências em Planejamento Energético, 2003. [8] COLLE, S. e PEREIRA, E. B., ATLAS DE IRRADIAÇÃO SOLAR DO BRASIL, INMET – INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA e LABSOLAR – LABORATÓRIO DE ENERGIA SOLAR – EMC/ UFSC, Brasília, Outubro de 1998.

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[9] CRESESB – CENTRO DE REFERENCIA PARA ENERGIA SOLAR E EÓLICA. Potencial Energético Solar – SunData disponível em http://www.cresesb.cepel.br/ - [disponível em 06 setembro/2008]. [10] SUNLAB POWER. Energia Solar e suas Aplicações sem Segredos disponível em http://www.sunlab.com.br/dimensionamento.htm - [disponível em 06

setembro/2008].

[11] BLASQUES, L. C. M.; JOÃO T. PINHO. Programa Computacional para Análise de Viabilidade Econômica de Sistemas Fotovoltaicos para Geração de Eletricidade. PA: Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas/Universidade do Pará. Artigo Técnico. [12] MARINI, J. S. ; ROSSI L. A. Projeto de Sistemas Fotovoltaicos para Oferta de Energia Elétrica a Comunidades Rurais. SP: Universidade Estadual de Campinas – Faculdade de Engenharia Agrícola. Artigo Técnico. [13] FERNANDES DE LEVA, F.; SALERNO C. H.; CAMACHO J. R.; GUIMARÃES, S. C. Modelo de um Projeto de um Sistema Fotovoltaico. MG:

Núcleo de Eletricidade Rural e Fontes Alternativas de Energia, Faculdade de Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Uberlândia. Artigo Técnico. [14] PELLEGRINO, P. E. M. Dimensionamento de Baterias. Disponível em http://www.centralmat.com.br/Artigos/Mais/art5_baterias.html - [disponível em 07

setembro/2008].

[15] ABNT NBR 5410. Instalações Elétricas de Baixa Tensão, 2004 [16] PIRELLI. Os Seis Critérios Técnicos de Dimensionamento de Condutores Elétricos. [17] POWERBRAS. Inversores CC/CA disponível em http://www.powerbras.com.br/power.htm - [disponível em 07 setembro/2008]. [18] KYOCERA SOLAR DO BRASIL. Modulo Cristalino de Alta Eficiência KC 130 TM, disponível em http://www.kyocerasolar.com.br/site/pdfs/KC130TM_br.pdf - [disponível em 07 setembro/2008].

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[19] CONERGY BRASIL. Regulador de Carga / Dados Técnicos – Conergy SCC

http://www.conergy-

brasil.com.br/ResourceImage.aspx?raid=16247 – [disponível em 07 setembro/2008] [20] CONERGY BRASIL. Inversores Autônomos / Dados Técnicos – Conergy ISA 3000/5000 backup disponível em http://www.conergy-

brasil.com.br/ResourceImage.aspx?raid=16245 – [disponível em 07 setembro/2008]

Vision

disponível

em