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O Recife

à Beira de um

Abismo Urbanístico

De como a cidade que teve o primeiro

plano urbanístico do continente namora

perigosamente com o risco de se transformar num “não lugar” tão ruim como milhões pelo mundo a fora.

Francisco Cunha Recife, 03 de fevereiro de 2015

Plantação Porto Cidade
Plantação
Porto
Cidade

José Luiz da Mota Menezes

Capibaribe Colonizador

“O rio Capibaribe conformava-se num incessante criador de nódulos rurais, permeados de zonas de cultura e de riqueza. Desde o século XVI, a colonização pernambucana mostrava um traçado interessante no qual designavam às margens do rio pitorescamente apenas como ‘terra de engenhos’. Eram pelas águas

mansas do Capibaribe, do Beberibe (e afluente Água

Fria) ao norte, e dos pequenos rios Jiquiá, Jordão e

Tejipió ao sul, que os senhores de engenho, até quase

os meados do século XIX, faziam escoar em canoas a

produção de suas fábricas, rumo aos pontos de embarque, ou aos depósitos no centro do Recife.

Bruno Maia Halley

1639

1639

Palácio de Friburgo Palácio da Boa Vista

Palácio de Friburgo

Palácio de Friburgo Palácio da Boa Vista
Palácio de Friburgo Palácio da Boa Vista

Palácio da Boa Vista

Uma parte da Passagem, c.1863

Uma parte da Passagem, c.1863

Caes da Rua do Trapiche, c.1863

Caes da Rua do Trapiche, c.1863

Largo da Alfandega, c.1863

Largo da Alfandega, c.1863

Ponte da Boa Vista, c.1863

Ponte da Boa Vista, c.1863

Casa de Detenção, c.1863

Casa de Detenção, c.1863

Vista das Cinco Pontas (tomada do Hospital D. Pedro II), c.1863

Vista das Cinco Pontas (tomada do Hospital D. Pedro II), c.1863

Vista do Recife tomada do Salão do Theatro de S. Isabel, c.1863

Vista do Recife tomada do Salão do Theatro de S. Isabel, c.1863

Uma parte da Rua D'Aurora e Ponte de S. Isabel (tirada do Jardim do Palacio),

Uma parte da Rua D'Aurora e Ponte de S. Isabel (tirada do Jardim do Palacio), c.1863

Emil Bauch - Porto de Recife

Emil Bauch - Porto de Recife

Detalhe da Ponte da Boa Vista Litogravura de Emil Bauch

Detalhe da Ponte da Boa Vista Litogravura de Emil Bauch

Emil Bauch, 1852

Emil Bauch, 1852

Largo da Matriz da Boa Vista by Emil Bauch

Largo da Matriz da Boa Vista by Emil Bauch

Rua da Cruz, antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, em litogravura de

Rua da Cruz, antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, em litogravura de Emil Bauch, do século XIX.

Arrabaldes “Medicinais”

“Segundo uma notícia da fundação do povoado do

Poço da Panela, os médicos do Recife, por volta de

1758, por observações feitas, concluíram que havia no

uso de banhos no rio Capibaribe grande vantagem para

debelar certa febre epidêmica que desde 1746

aparecera aqui. Com esta descoberta e o gosto da

população pelos banhos do rio, as grandes

propriedades marginais foram sofrendo as primeiras divisões e começaram a surgir os sítios ou chácaras recifenses, muito deles com suas capelas, na sua

maioria do século XVIII: a da Sagrada Família no Chora Menino, a de São José do Manguinho, a dos Aflitos, a da Jaqueira, a do Rosarinho, etc.”

Mário Lacerda de Melo

As Festas de Verão

“Em dezembro, ‘centenas de canoas impelidas por amestrados tanoeiros’ levavam as pessoas rio a dentro para Poço

da Panela, Casa-Forte, Monteiro, Apipucos, Caxangá e rzea,

onde havia fandangos, congos, bumbas-meu- boi, sambas, presépios - e até recitais de poesia, para os enamorados mais intelectualizados. A presença nessas festas chegou a se tomar

uma obrigação social () os pemambucanos menos abastados

eram capazes de vender até o ltimo negro para comprar roupa nova, adornos e doces para frequentá-las. O caminho do Capibaribe tornaria a área conhecida como Poço

da Panela o ponto central dessas festas. Era ali, onde as águas do rio eram as mais cristalinas, que as famílias mais abastadas iriam veranear a partir da virada do século dezoito.”

Marcus Carvalho, UFPE

Sobrado Patriarcal do Recife, Gilberto Freyre – Sobrados & Mucambos

Sobrado Patriarcal do Recife, Gilberto Freyre Sobrados & Mucambos

Rua Marquês de Olinda antes de ter seus sobrados derrubados

Rua Marquês de Olinda antes de ter seus sobrados derrubados

1

1 Panorâmica com as principais edificações e, ao fundo, os limites do Cabo de Santo Agostinho.
1 Panorâmica com as principais edificações e, ao fundo, os limites do Cabo de Santo Agostinho.

Panorâmica com as principais edificações e, ao fundo, os limites do Cabo de Santo Agostinho.

2

2 Torres da antiga Alfândega, casario do Bairro de Santo Antônio com as Igrejas de São
2 Torres da antiga Alfândega, casario do Bairro de Santo Antônio com as Igrejas de São

Torres da antiga Alfândega, casario do Bairro de Santo Antônio com as Igrejas de São

Pedro dos Clérigos, do Espírito Santo e de Nossa Senhora do Rosário.

3

3 Panorâmica do Bairro de Santo Antônio, com a Igreja do Rosário, o Arco da Conceição,
3 Panorâmica do Bairro de Santo Antônio, com a Igreja do Rosário, o Arco da Conceição,

Panorâmica do Bairro de Santo Antônio, com a Igreja do Rosário, o Arco da Conceição, Rua do Crespo, Arco de Santo Antônio, Igreja do Hospital e Igreja do Santíssimo Sacramento.

4

4 Ordem III de São Francisco, Igreja e Convento de Santo Antônio, torre da Igreja da
4 Ordem III de São Francisco, Igreja e Convento de Santo Antônio, torre da Igreja da

Ordem III de São Francisco, Igreja e Convento de Santo Antônio, torre da Igreja da Madre de Deus

5

5 Casario do Bairro do Recife, vendo-se, no Istmo de Olinda o Forte do Brum, o
5 Casario do Bairro do Recife, vendo-se, no Istmo de Olinda o Forte do Brum, o

Casario do Bairro do Recife, vendo-se, no Istmo de Olinda o Forte do Brum, o Forte do

Buraco e a silhueta de Olinda.

6

6 Ao longe a Cidade de Olinda com o Convento de São Bento.
6 Ao longe a Cidade de Olinda com o Convento de São Bento.

Ao longe a Cidade de Olinda com o Convento de São Bento.

FINAL DO SÉCULO XIX: RECIFE, A “PARIS DO NORDESTE”

Francisco do Rego Barros Conde da Boa Vista
Francisco do Rego Barros
Conde da Boa Vista
FINAL DO SÉCULO XIX: RECIFE, A “PARIS DO NORDESTE” Francisco do Rego Barros Conde da Boa

Louis Léger Vauthier

Louis Léger Vauthier
Louis Léger Vauthier
Louis Léger Vauthier
Casario do Bairro do Recife visto dos arrecifes - final do século XIX
Teatro Santa Isabel - 1905

Teatro Santa Isabel - 1905

Engenhos/Sítios/Arrabaldes/Bairros

“Que foram esses engenhos os germes desses

centros ganglionares de crescimento, atraídos pela

força absorvente da cidade-porto, ou melhor, da direção imposta pelo porto, não se pode ter nenhuma

dúvida quando se põe em confronto qualquer mapa

antigo da região com a localização dos engenhos, e qualquer mapa atual da cidade com seus diferentes bairros, trazendo até hoje as denominações dos primitivos engenhos da Torre, da Madalena, da Várzea,

de Caxangá, de Cordeiro, de Dois Irmãos, de Apipucos, do Monteiro, da Casa Forte, de Beberibe, de Jiquiá,

etc.”

Josué de Castro

Crescimento “Ganglionar”

“O aparecimento dos subúrbios ao longo do Capibaribe não se fez de

maneira geograficamente contínua, mas

ganglionar (…) a dispersão com que

surgem os subúrbios parece estar ligada

à disposição dos proprietários dos antigos engenhos de se desfazerem de

suas terras".

Evaldo Cabral de Melo

Arrabalde da Várzea

Arrabalde da Várzea

ExpansãoTentacular

“Melo (1978) descreve que a partir do centro urbanizado, o Recife

estendeu-se por cinco vias de circulação principais, configurando um esboço

de expansão tentacular. Seu quadro de crescimento representava-se por um

alongamento que partindo do bairro de São José estendia-se sobre o dique da época dos holandeses (hoje Rua Imperial) até Afogados, onde se trifurcava

em vias de curta extensão, balizadas pelas estradas “do Sul”, “da Vitória” e

“dos Remédios”; por outro alongamento que, partindo da Boa Vista,

alcançava Madalena e Torre, de onde prosseguia ao longo da “Estrada de Caxangá” (hoje Avenida Caxangá) até a povoação do mesmo nome; por uma

terceira ramificação que, partindo também da Boa Vista, subia pela margem

esquerda do Capibaribe, compreendendo sucessivamente os então subúrbios

da Capunga, Santana, Casa Forte e Monteiro; por uma quarta ramificação

que, partindo ainda uma vez da Boa Vista, era aproveitada pelo curso da maxambomba de Olinda, ligando aquele bairro a Encruzilhada e a Campo

Grande. Havia também uma linha transversal de ocupação suburbana que

ligava Madalena e Afogados através da já mencionada Estrada dos Remédios.” Bruno Maia Halley

Jaboatão

Jaboatão Caxangá Recife Dois Irmãos Beberibe Boa Viagem Olinda

Caxangá

Recife
Recife
Jaboatão Caxangá Recife Dois Irmãos Beberibe Boa Viagem Olinda

Dois Irmãos

Beberibe

Boa

Viagem

Olinda

“Engrossamento” dos Tentáculos

“Com o passar dos decênios, outras manifestações de expansão surgem no tecido da cidade. Os tentáculos tornaram-

se mais largos e amplos, perdendo pouco a pouco a configuração

linear original. Dessa maneira, emerge uma faixa densamente

ocupada no quadrante sul, estimulada pela ocupação litorânea de Boa Viagem e Pina, que iriam transpor os limites meridionais do município. No âmbito dessa evolução, os pequenos nódulos

situados na periferia também foram dilatando-se e melhor

ajustando-se aos outros bairros e subúrbios, e todos com o centro, formando uma massa urbanizadora contínua. Por conseguinte, ao longo do decênio de 1940, ocorre o desmanche

da forma tentacular. Os bairros se interligaram com a ocupação

dos morros entre os tentáculos ao norte, tornando-se uma mancha contínua de quadras, ruas e edificações. Abrangiam, assim, os bairros do Recife, Santo Antônio, São José, Boa Vista, Santo Amaro, Graças, Encruzilhada, Água Fria, Beberibe, Casa Amarela e Poço. (PONTUAL, 2001).”

Bruno Maia Halley

Jaboatão

Caxangá Recife
Caxangá
Recife

Dois Irmãos

Beberibe

Boa

Viagem

Olinda

Jaboatão Caxangá Dois Irmãos Beberibe Boa Viagem Recife Olinda
Jaboatão
Caxangá
Dois Irmãos
Beberibe
Boa
Viagem
Recife
Olinda
Caxangá Dois Irmãos Recife
Caxangá
Dois Irmãos
Recife

Beberibe

Olinda

Jaboatão

Boa

Viagem

A Reforma do Porto do Recife

A Reforma do Porto do Recife
Igreja do Corpo Santo - Litografia de Luis Schlappriz, 1863

Igreja do Corpo Santo - Litografia de Luis Schlappriz, 1863

Demolição da Igreja do Corpo Santo - 1914

Demolição da Igreja do Corpo Santo - 1914

Localização da Igreja do Corpo Santo (Superposição de plantas dos século XVII e XX)

Reforma do Porto

Reforma do Porto
Reforma do Porto
Construção dos armazéns e docas, década de 1910

Construção dos armazéns e docas, década de 1910

Alternativas

Alternativas Perspectiva do Porto de Recife com melhoramentos previstos no projeto Manuel Antônio de Moraes Rêgo,

Perspectiva do Porto de Recife com melhoramentos previstos no projeto Manuel Antônio de Moraes Rêgo, 1932 Fonte:

Arquivo Público Estadual Jordão Emereciano, setor de Mapas

Francisco Saturnino Rodrigues de Brito

Francisco Saturnino Rodrigues de Brito Campos/RJ, 1864-1929 Plano geral de esgotos da Recife de Saturnino de

Campos/RJ, 1864-1929

Plano geral de esgotos da Recife de Saturnino de Brito Fonte: BRITO, F. .Saturnino de. “Le tracé sanitaire des villes” (1916). In: Obras completas, v. XX:

urbanismo. Rio de Janeiro:

INL/Imprensa Nacional,

1944

completas, v. XX: urbanismo. Rio de Janeiro: INL/Imprensa Nacional, 1 9 4 4 Plano de Saneamento

Plano de Saneamento do Recife, 1909-1915

1898 1898
1898
1898

Saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas, 1921-1923

Saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas, 1921-1923
Saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas, 1921-1923

Plano para Retificação do Tietê

Plano para Retificação do Tietê Saturnino de Brito projetou a retificação do Tietê sem a construção

Saturnino de Brito projetou a retificação do Tietê sem a construção das vias marginais. O plano incluía um parque com 25 km de extensão por 1 km de largura ao longo do Tietê e outros menores ao longo de córregos como os da Moóca, do Tatuapé e do Ipiranga - todos já sumidos da paisagem urbana.

Estudo de Salubridade em Casas

Estudo de Salubridade em Casas Casas salubres em lotes estreitos Fonte: BRITO, F. .Saturnino de. “Le

Casas salubres em lotes estreitos Fonte: BRITO, F. .Saturnino de. “Le tracé sanitaire des villes” (1916). In:

Obras completas, v. XX:

urbanismo. Rio de Janeiro:

INL/Imprensa Nacional, 1944

“Projeto de Melhoramentos”

“Projeto de Melhoramentos” “Urbanismo Sanitarista” Saneamento do Recife – Projeto de melhoramentos Saturnino

“Urbanismo Sanitarista”

Saneamento do Recife Projeto de melhoramentos Saturnino de Brito Fonte: IPHAN/ Fundação Nacional Pró-memória (mapoteca), n. 1875, de 23/11/83

Alfred Humbert Donat Agache

Alfred Humbert Donat Agache

Plano Agache para o Rio de Janeiro

“O objetivo do Plano Agache era

resolver os problemas funcionais do Rio

de Janeiro, dar-lhe uma feição de

capital e incutir na mente de seus

habitantes um ideal social de vida moderna, sem descurar de

requerimentos funcionais, como

zoneamento e tráfego.”

Fernando Diniz Moreira

UFPE

“Mobilidade, Higiene, Estética”

“Mobilidade, Higiene, Estética”

Alfred Agache

Projeto de Agache para a Esplanada de Santo Antônio.

Projeto de Agache para a Esplanada de Santo Antônio.

Praça Paris, 1929

Praça Paris, 1929

Praça Paris

Praça Paris
Centro do Recife visto do Zeppelin – 1922

Centro do Recife visto do Zeppelin 1922

Cerca de 1920

Cerca de 1920

1932

Domingos Ferreira 1927

Domingos Ferreira

1927

Nestor de Figueiredo

Nestor de Figueiredo

Plano de Nestor de Figueiredo

Plano de Nestor de Figueiredo
Fernando de Almeida 1932

Fernando de Almeida

1932

Attilio Correia Lima

Attilio Correia Lima Plano de remodelação do bairro de Santo Antônio – Attílio Corrêa Lima (1936)
Attilio Correia Lima Plano de remodelação do bairro de Santo Antônio – Attílio Corrêa Lima (1936)

Plano de remodelação do bairro de Santo Antônio Attílio Corrêa Lima (1936) Fonte: Urbanismo e Viação. Rio de Janeiro, n. 11, set. 1940

Plano de remodelação do bairro de Santo Antônio – Attílio Corrêa Lima (1936) Fonte: BALTAR,

Plano de remodelação do bairro de Santo Antônio Attílio Corrêa Lima

(1936)

Fonte: BALTAR, Antônio Bezerra. Diretrizes de um plano regional para o Recife. Recife, 1951, p.87

ÚLTIMO PLANO URBANO DO RECIFE

ULHÔA CINTRA

1943
1943

PREMISSAS URBANAS AINDA VIGENTES

PREMISSAS URBANAS AINDA VIGENTES

Avenida Guararapes

Avenida Guararapes
Avenida Guararapes 1960

Avenida Guararapes 1960

1ª. METADE DO SÉCULO XX: RECIFE, A TERCEIRA CAPITAL

1ª. METADE DO SÉCULO XX: RECIFE, A TERCEIRA CAPITAL

A MODERNA AV. GUARARAPES

A MODERNA AV. GUARARAPES
Mudança do Footing

Mudança do Footing

Mudança do Footing

UM FESTIM

UM FESTIM “Na avenida Guararapes, o Recife vai marchando. O bairro de Santo Antonio, tanto se

“Na avenida Guararapes, o Recife vai marchando. O bairro

de Santo Antonio, tanto se foi

transformando que, agora, às cinco da tarde, mais se

assemelha a um festim, nas

mesas do Bar Savoy, o refrão tem sido assim: São trinta copos de chopp, são trinta

homens sentados, trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados.”

Carlos Pena Filho

O PERÍMETRO ONDE TUDO ACONTECIA NO RECIFE

O PERÍMETRO ONDE TUDO ACONTECIA NO RECIFE

PERSONAGENS GRAVITANDO EM TORNO DA GUARARAPES

PERSONAGENS GRAVITANDO EM TORNO DA GUARARAPES

RECIFE, A PARIS DE CAETANO

RECIFE, A PARIS DE CAETANO “ Pernambuco entrou na minha vida aos 4 anos de idade,

Pernambuco entrou na minha

vida aos 4 anos de idade, através de uma canção de

Capiba. Botei o nome de minha

irmã por causa dela ( lá do interior da Bahia

olhávamos o Recife como o

mundo olhava para Paris.

). Nós de

Caetano Veloso

compositor baiano

NA SORVETERIA

-Onde fica o lixo reciclável?

-Não tem lixo reciclável aqui…

-E a gente joga tudo num

lugar só?

Artur, 4 anos

Morou em Torono por 6 meses

ATRAVESSANDO A RUA

- Aonde é a faixa de pedestre?

- Aqui não tem faixa de

pedestre - E a gente vai atravessar

como?

Artur, 4 anos

Morou em Torono por 6 meses

“Tem muito jovem

hoje no Recife que

conhece Orlando

antes de conhecer o

centro da cidade.”

João Recena

O Recife que temos Hoje (O PROBLEMA)
O Recife
que temos
Hoje
(O PROBLEMA)

CADA VEZ MAIS

Uma paisagem bonita

só de longe. De perto,

uma caricatura

grotesca de cidade.

SITUAÇÃO HOJE

Uma cidade beirando perigosamente o colapso,

prestes a perder a sua almae tornar-se igual a

qualquer outra cidade ruim, sem personalidade

própriade fato, um não lugar.

” e tornar-se igual a qualquer outra cidade ruim, sem personalidade própria – de fato, um
POR QUÊ?

POR QUÊ?

POR QUÊ?

1
1

Intenso processo de

urbanização da sociedade

brasileira que passou de 20% urbana e 80% rural para 80% urbana e 20% rural em meio século (hoje é 86% urbana, uma das maiores taxas do mundo), com impacto agravado no Recife em virtude de sua natureza histórica de centro de atração regional.

2
2

Privilégio à política partidária/eleitoral em

detrimento da gestão da cidade no período pós-redemocratização no Brasil, com manifestação intensa deste fenômeno no Recife.

3
3

Falência do planejamento e do controle urbanos no Brasil com

desmantelamento em Pernambuco das estruturas de

planejamento da RMR (Fidem) e da prefeitura do Recife

(há décadas que, por exemplo, não há concurso para

arquiteto/urbanista na prefeitura).

4
4

Explosão da venda de

carros no Brasil com a entrada líquida de mais de 60 mil veículos particulares no Recife por ano.

Crescimento acelerado recente da economia de

Pernambuco com enorme pressão sobre a historicamente frágil infraestrutura do Recife catalisando o fenômeno de deterioração urbana galopante da cidade.

5
5

E UM PRESENTE MUITO PREOCUPANTE

Parece que o Recife, cidade tão cheia de personalidade e

história, toma um caminho

apressado para transformar-se

num reduto de não lugares,

numa paisagem desses não

lugares.

Kleber Mendonça Filho cineasta recifense

Uma cidade pode

PARARPARAR

Por causa de uma

árvore?

O Recife PAROU.
O Recife PAROU.

O Recife

PAROU.

SITUAÇÃO ATUAL

Perda completa pelo

poder público

municipal do controle urbano

do lote para fora.

BROKEN WINDOW THEORY

A janela quebrada atrai pedras.

Base teórica da Tolerância Zero

em Nova York.

O descaso pelo espaço público estimula a violência e

desencoraja a atuação cidadã.

Última

Última p á gi n a Francisco Cunha franciscocunha@revistaalgomais.com.br e v r.com/cunha_francisco O Recife atropelado A

p ági n a

Francisco Cunha

franciscocunha@revistaalgomais.com.br e

v

a Francisco Cunha franciscocunha@revistaalgomais.com.br e v r.com/cunha_francisco O Recife atropelado A pesar de ser

r.com/cunha_francisco

O Recife atropelado

A

pesar de ser graduado em Ar-

quitetura e Urbanismo pela

UFPE e de exercer o

em Ar- quitetura e Urbanismo pela UFPE e de exercer o de con- sultor em gest

de con-

sultor em gestão há mais de 25

anos, é sobretudo a condição de

andarilho contumaz que me auto-

riza a fazer as observações deste

r

luir mais lentamente agudizou-­­se.

Sintomas mais do que evidentes

dessa nova e muito preocupante

situação estão visíveis por todo

canto por onde se ande: (1) trava-

mento da mobilidade, numa espé-

cie de esclerosamento acelerado

ar

go. Afinal,

go. Afinal,

nos úl

ar go. Afinal, nos ú l mos cinco das art é rias da cidade, com todo

mos cinco

das artérias da cidade, com todo

anos andei

a

pé

mais

de 2.000

o

anos andei a p é mais de 2.000 o po de permissividade impune

po de permissividade impune

km dentro do Recife, vi de tudo

e não tenho dúvidas em afirmar,

peremptoriamente, que a cidade

que já vinha cronicamente doente

sofremu u

at opel amen t o

gra e

.

Essa doença crônica existe des-

de há muito tempo, quando a nos-

sa capital firmou-­­se como o mais

importante

centro

do

Nordeste,

passou a atrair gente de toda a re-

gião e veio a se tornar uma cidade

inchadana expressão de Gilberto

Freyre. Na segunda metade do Sé-

culo 20, o inchaçodiminuiu de

ritmo acompanhando a queda de

crescimento de Pernambuco e a Re-

no trânsito, inclusive os absurdos

letais pra cados pelas motos; (2)

inclusive os absurdos letais pra cados pelas motos; (2) cal ç adas destru í das e

calçadas destruídas e atulhadas

de todos os

motos; (2) cal ç adas destru í das e atulhadas de todos os pos de obst

pos de obstáculos

dificultadores do sagrado direito

de ir e vir do cidadão pedestre,

inclusive supremo desrespeito

de um número crescente de auto-

móveis criminosa e impunemente

estacionados sobre os passeios;

(3) as ruas e praças, sobretudo

as do centro da cidade, invadidas

por uma população desabrigada e

crescente, inclusive visivelmente

a

çã o desabrigada e crescente, inclusive visivelmente a ngida pelo flagelo epid ê mico do crack,

ngida pelo flagelo epidêmico do

crack, que usa o espaço público

apenas 30% do esgoto do Recife é coletado e só 8% é tratado), abas- a
apenas 30% do esgoto do Recife é
coletado e só 8% é tratado), abas-
a
tecidos pela rede de águas pluviais
indevidamente transformadas em
rede de esgotamento sanitário (é
simplesmente
impressionante
a
quan dade de galerias estouradas
pelas ruas do Recife). E vou parar
por aqui porque o espaço não dá
para m i s ma el as.
Na prá
ca,
é preciso que se
diga, aprofundando a metáfora,
r
que o doente crônico Recife foi
atropelado pelo ritmo de cresci-
mento de Pernambuco (é espanto-
so como a degradação tornou-­­se
galopante de dois a três anos para
)u.
Não qero pa ecer
catstro
-
fista mas o próximo prefeito terá
que fazer o papel de um médico de

emergência: prestar os primeiros

socorros, remover o paciente para

a UTI e depois fazer uma gestão

de recuperação gradual e obs na-

o paciente para a UTI e depois fazer uma gest ã o de recupera çã o

da rumo a um futuro promissor. E

VAI PIORAR NO CURTO PRAZO

Na prática, o Recife que já tinha a

doença crônica do inchamentofoi

atropeladopelo ciclo acelerado

de crescimento do Estado e está a

exigir cuidados emergenciais, de

primeiro socorros, para não entrar

em coma” e, de fato, perder a sua “alma”.

Conheço poucas cidades

que se autodestroem

tão rapidamente quanto o Recife.

Circe Monteiro

arquiteta, mestre em Planejamento Urbano e doutora em Sociologia - docente da UFPE

A emergência mundial do conceito de cidade (A OPORTUNIDADE)
A emergência
mundial do
conceito de cidade
(A OPORTUNIDADE)

MOTORES DO CRESCIMENTO MUNDIAL

As cidades se tornaram motores

do desenvolvimento mundial, tirando proveito de uma de suas características mais marcantes:

concentram em um mesmo espaço,

empreendedores, trabalhadores e

consumidores.

CEO Exame

O Futuro das Cidades

MOTORES DO CRESCIMENTO MUNDIAL

Nova York, Londres e Toquio as

únicas cidades globais que existiam

no início dos anos 90

rede de cidades globais cresceu enormemente. Há pelo menos uma

centena delas no mundo.

[hoje] a

Saskia Sassen socióloga holandesa The Global City

MOTIVAÇÃO

Confusão clássica:

problemas do cidadão

x

problemas da cidade

Enfrentamento do travamento da mobilidade

Enfrentamento do travamento da mobilidade Eixos para uma Recuperação do centro da cidade gestão de Revitalização
Eixos para uma Recuperação do centro da cidade gestão de Revitalização recuperação do Rio
Eixos para uma
Recuperação do
centro da cidade
gestão de
Revitalização
recuperação
do Rio
cidade gestão de Revitalização recuperação do Rio Restabelecimento imediato do planejamento a longo prazo.

Restabelecimento imediato do

planejamento a longo prazo.

recuperação do Rio Restabelecimento imediato do planejamento a longo prazo. Retomada do Controle Urbano. Capibaribe

Retomada do Controle Urbano.

Capibaribe

Retomada do Controle Urbano.

Retomada do Controle Urbano.

SITUAÇÃO ATUAL

Perda completa pelo

poder público

municipal do

controle urbano do

lote para fora.

DIÁLOGO NA GUARARAPES

Pergunta feita ao ambulante que estava

vendendo óculos de grau na galeria:

- Não está proibida a venda desse tipo de óculos no Recife? Resposta do ambulante, na bucha:

- E tem nada proibido nessa cidade,

doutor

O QUE É INDISPENSÁVEL FAZER

Retomar o

controle urbano
controle urbano

na cidade como medida

prévia moralizadora e

legitimadora para as

demais iniciativas fundamentais.

Planejamento urbano de longo prazo.

Planejamento urbano de longo prazo.

A IMPORTÂNCIA DE UMA ESTRATÉGICA PRÓPRIA

Ou você tem uma

estratégia própria ou, então, você é parte da

estratégia de alguém.

Alvin Toffler futurólogo norte-americano

Planejamento

a Longo Prazo

25 Anos à Frente

Recife

500

Anos

O Recife não tem

uma estratégia

própria e, portanto,

é parte da estratégia

de inúmeros atores.

RECIFE

RECIFE ANOS UMA VISÃO DE CIDADE

ANOS

UMA VISÃO DE CIDADE

Ao completar 500 anos em

2037 o Recife será

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente equilibrado

e espacialmente planejado

com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

uma cidade que terá:

1

Plena Fluidez

da Mobilidade

Ao completar 500 anos

em 2037 o Recife será

A prioridade estará claramente definida

economicamente pujante,

e implantada para a circulação dos

pedestres em calçadas livres,

socialmente justo,

regulares, desconfinadas, acessíveis e

sombreadas; para ciclovias seguras

ambientalmente

equilibrado e

implantadas em toda a malha urbana;

para transporte coletivo rápido, seguro,

confortável e com paradas e estações

espacialmente planejado

distantes, no máximo, 500 metros do

destino do usuário; e para engenharia

com todos os cidadãos

de tráfego municipal equiparável às

melhores do Brasil.

recifenses orgulhosos de

2

Intensa Apropriação

do Espaço Público

Ao completar 500 anos

em 2037 o Recife será

O espaço público da cidade estará

intensamente apropriado pelo

cidadão recifense e a legislação

municipal pertinente estimulará a

maior permeabilidade possível entre

as vias públicas e os lotes privados,

estabelecendo parâmetros de

adensamento compatíveis com as

redes e os serviços públicos

disponíveis em cada região da

cidade.

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

espacialmente planejado

com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

3

Desenvolvimento

Ao completar 500 anos

Espacialmente Descentralizado

em 2037 o Recife será

economicamente pujante,

Os bairros da cidade, inclusive as áreas

periféricas, estarão urbanisticamente

socialmente justo,

desenvolvidos, com serviços públicos

ambientalmente

(inclusive administração pública

municipal), comércio e vida cultural

equilibrado e

dinâmicos de modo a suprir as

principais necessidades de seus

espacialmente planejado

habitantes e desestimular

com todos os cidadãos

deslocamentos intramunicipais

extensos.

recifenses orgulhosos de

4

O Rio Capibaribe Revitalizado

Ao completar 500 anos

em 2037 o Recife será

O Rio Capibaribe estará despoluído e

sem lixo, completamente reintegrado à

vida da cidade sendo o principal eixo

de integração municipal e parque linear

interligando, por vias de pedestre e

ciclovias, as principais áreas verdes,

praças e parques do entorno, desde a

foz (incluindo o Parque dos

Manguezais) até o seu ponto extremo

navegável da várzea recifense (Parque

Brennand) e, daí, até a Cidade da Copa.

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

espacialmente planejado

com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

5

Saneamento Básico Resolvido

Ao completar 500 anos

em 2037 o Recife será

100% do território do Recife terá

cobertura de coleta de lixo (inclusive

seletiva) e esgoto sanitário e 100%

do esgoto será tratado de modo a

que os efluentes lançados nos

cursos d’água sejam de melhor

qualidade ambiental do que a água

deles.

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

espacialmente planejado

com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

6

Saúde, Educação

e Segurança Exemplares

em 2037 o Recife será

A saúde, a educação e a segurança

públicas serão exemplares no

Recife, com indicadores básicos

acima da média brasileira, nenhum

cidadão desassistido pela rede de

atenção primária, 100% do ensino

fundamental integral e zero

moradores de rua.

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

espacialmente planejado com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

7

Economia Forte

Ao completar 500 anos

em 2037 o Recife será

O Recife terá consolidada sua

vocação história de cidade criativa e

terá uma economia forte e

competitiva sendo referência

nacional e mundial no terciário

moderno, na economia da cultura,

nos serviços modernos e na

tecnologia da informação.

economicamente pujante,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

espacialmente planejado com todos os cidadãos

recifenses orgulhosos de

8

História Preservada

Ao completar 500 anos

Os pontos, locais e monumentos

em 2037 o Recife será

históricos do Recife estarão

economicamente pujante,

completamente recuperados e

sinalizados, em especial o centro da

cidade (habitado e revitalizado) que

será reconhecido como patrimônio

da humanidade associado a Olinda,

socialmente justo,

ambientalmente

equilibrado e

de modo a que os cidadãos tenham

acesso fácil ao rico patrimônio

espacialmente planejado

histórico e possam inspirar-se nele

com todos os cidadãos

para cuidarem da cidade e querem

bem a ela.

recifenses orgulhosos de

9

Equilíbrio Ambiental

Ao completar 500 anos

A cidade estará ambientalmente

em 2037 o Recife será

equilibrada, com área verde por

economicamente pujante,

habitante e níveis de poluição

ambientais compatíveis com os

socialmente justo,

ambientalmente

padrões recomendados pelos

organismos internacionais, com as

áreas de risco completamente

equilibrado e

mapeadas e controladas e com

planos desenvolvidos para

espacialmente planejado

enfrentamento das consequências

com todos os cidadãos

sobre o município das mudanças

climáticas.

recifenses orgulhosos de

10

Ampla Participação Cidadã

Os cidadãos recifenses participarão intensamente da vida da cidade encaminhando suas opiniões e colaborações pelo fortalecido canal

da sociedade civil organizada que

funcionará em estreita colaboração com a administração pública

municipal (que também será padrão

no Brasil).

"Não há nada como o

SONHO

para criar o futuro.

Utopia hoje,

CARNE E OSSO amanhã."

Victor Hugo, escritor francês.

Enfrentamento do problema da mobilidade lato senso

Enfrentamento do problema da

mobilidade lato senso

“ Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro,

Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro,

mas aquela em que até os

ricos usam

transporte público.”

Enrique Peñalosa

Ex-prefeito de Bogotá

MOBILIDADE LATO SENSO

MOBILIDADE LATO SENSO

PEÑALOSA

Calçadas são parte do sistema

de transporte. Se eu pudesse,

amarrava o secretário de Planejamento numa cadeira de

rodas e diria: vá andar pela sua

cidade. Uma cadeira de rodas

é a máquina do planejamento

urbano.

Recuperação do centro histórico do Recife como sala de visitas da cidade

Recuperação do centro histórico do

Recife como sala de visitas da cidade

PROJETO ORIENTADOR

Transformação do centro do

Recife em patrimônio da

humanidade, por extensão

de Olinda, no tempo da

próxima gestão municipal.

Temos que definir um perímetro para o tombamento compatível com os critérios de Olinda tempo/espaço.

Sugestão do Perímetro de Tombamento
Sugestão do Perímetro de Tombamento

Estudo: professor José Luiz da Mota Menezes

No Bairro do Recife estariam protegidos os polos Pilar (Igreja do Pilar / Forte do Brum), Bom Jesus, Novo Recife e Alfândega.

Perímetro no Bairro do Recife
Perímetro no Bairro do Recife

Estudo: professor José Luiz da Mota Menezes

Em São José e Santo Antônio a ideia seria proteger as áreas da ocupação holandesa e os bens culturais representados pelas igrejas e expressões imateriais.

Bairros de São José e Santo Antônio
Bairros de São José e Santo Antônio

Estudo: professor José Luiz da Mota Menezes

Revitalização física e sentimental do Rio Capibaribe

Revitalização física e sentimental do Rio Capibaribe

UM RIO VIVO E INTEGRADO À CIDADE

UM RIO VIVO E INTEGRADO À CIDADE Parte da passagem da Madalena. Autor: Luis Schlappriz, meados

Parte da passagem da Madalena. Autor: Luis Schlappriz, meados do século XIX. Fonte: Fundação Joaquim Nabuco.

Um Rio Desprezado

“O poema de Bandeira está cheio de

memórias de um outro Capibaribe íntimo

das famílias. O que nós subimos naquela

tarde era, como o de hoje, um rio cativo e

desprezado, por onde quase ninguém passeia, para onde as casas e os homens

voltam as costas. O poeta o procurou como

um velho amigo, com qualidades permanentes, mesmo através do

cativeiro.”

Gilberto Freyre

ÁGUA PRETA

Quando eu olhei

água preta do teu rio

Um calafrio me subiu ao

coração.

Petrúcio Amorim Cidade Grande, Moça Bela

compositor e cantor caruaruense

FOTO HENRIQUE PINTO | FLICKR HENRIQUEV

FOTO HENRIQUE PINTO | FLICKR HENRIQUEV

A TARTARUGA DE PONTE DUCHOA

A TARTARUGA DE PONTE D ’ UCHOA
A TARTARUGA DE PONTE D ’ UCHOA
A TARTARUGA DE PONTE D ’ UCHOA
A TARTARUGA DE PONTE D ’ UCHOA

PORTAS

ÁGUAS

ÁGUAS DO FUTURO
ÁGUAS DO
FUTURO
ÁGUAS DO FUTURO
ÁGUAS DA CULTURA
ÁGUAS DA
CULTURA
ÁGUAS DA CULTURA

CHEGAR

ATRAVESSAR

PERCORRER

ABRAÇAR

FOTO SANDRA FRIEDMAN

FOTO JORNAL DO COMMERCIO

FOTO JORNAL DO COMMERCIO

FOTO JORNAL DO COMMERCIO | FOTO GUGA MATOS

FOTO JORNAL DO COMMERCIO | FOTO GUGA MATOS

O RECIFE AINDA TEM JEITO E O JEITO É O RIO CAPIBARIBE OBRIGADO! UM BOM

O RECIFE AINDA TEM JEITO E O JEITO É O RIO CAPIBARIBE

OBRIGADO! UM BOM
OBRIGADO!
UM BOM

Francisco Cunha