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Ácidos Graxos Ômega 3 e 6

Erick Frank Bragato

Centro de Ciências da Saúde


Universidade Estadual de Londrina

Londrina
2009
Resumo

Nos dias atuais existe um interesse considerável nos ácidos graxos


poliinsaturados ômega-3 na alimentação humana. A essencialidade deste e de
outros ácidos graxos foram descritas pela primeira vez por Burr (1929) e
reafirmado por inúmeros trabalhos científicos, sendo determinado pela
impossibilidade dos animais, ao contrário dos vegetais, em sintetizar ácidos
graxos a partir de precursores estruturalmente simples.
Os vegetais terrestres e marinhos podem sintetizar ácidos graxos (AG) a
partir de precursores mais simples e os peixes e outros animais podem alongar
e dessaturar estes ácidos em ácidos graxos poliinsaturados (PUFA – do inglês
poyunsaturated fatty acids). Em contrapartida, os mamíferos, apesar de
possuírem capacidade para tal, só o fazem a partir de precursores que devem
estar presentes na constituição de sua dieta nutricional. Este é o caso dos
ácidos pertencentes à série ômega.
Na série ômega, podemos encontrar dois tipos de famílias principais:
ômega-6 e ômega-3, que se distinguem na posição da primeira dupla ligação,
contando desde o grupo metílico terminal da cadeia de ácido graxo.
A família ômega-3 pode ser representado pelo ácido alfa-linolênico
(ALA), que por sua vez, podem dar origem a outros ácidos essenciais de
cadeias mais longas (LCPUFA – Long chain polyunsaturated fatty acids), como
o ácido eicosapentaenóico (EPA), ácido docosahexaenóico (DHA) e o
ácido docosapentaenóico (DPA). O alfa-linolênico é encontrado em
quantidades apreciáveis em sementes oleaginosas como a canóla, soja e
linhaça. Contudo, os derivados do ALA (EPA, DHA, DPA) são encontrados
tanto nos vegetais (algas, microalgas, fitoplancton), quantos nos animais de
origem marinha (peixes e crustáceos). A formação desses LCPUFA – ômega-3
pelas algas marinhas e sua transferência através da cadeia alimentar aos
peixes, explica a abundância deles em alguns óleos de peixe de origem
marinha.
Já o ômega-6 tem como principal representante o ácido linoléico que
podem ser metabolizados em outros ácidos ω-6, incluindo os γ-linolênico,
dihomo-γ-linolênico e araquidônico. Este processo metabólico é mediado por
enzimas, as quais participam na formação dos PUFA, ω-6 e ω-3, resultando em
uma competição metabólica entre os dois grupos.
Um excesso de ácido linoléico vai impedir a transformação do α-linolênico
em seus derivados EPA, DHA e DPA. Porém, como a enzima tem maior
especificidade pelos ácidos graxos ômega 3, precisará de menores
quantidades destes ácidos que dos ômega 6 para produzir a mesma
quantidade de produto. Isto significa que deve existir uma proporção maior de
ácido linoléico que de α-linolênico.
Considerando que os ácidos graxos da série ômega 3 podem influenciar
uma variedade ampla de funções biológicas, devido à associação dos mesmos
na incorporação ou formação de parte das membranas celulares e serem
essenciais para o crescimento e funcionamento do organismo humano, eles
devem ser indispensáveis para todos nós.
O principal interesse neste trabalho é abordar minuciosamente tanto os
fatores bioquímicos relacionados com o ω-3, apresentar os alimentos em que
são encontrados e desvendar seus benefícios para a saúde humana.
Breve revisão: Ácidos Graxos

Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos derivados dos hidrocarbonetos,


por isso, são altamente reduzidos. Possuem cadeias hidrocarbonadas de
comprimento entre 4 e 36 carbonos. Em alguns ácidos graxos, essa cadeia é
totalmente saturada (não contém ligações duplas) e não ramificadas; em
outros, a cadeia contém uma ou mais duplas ligações. Observe abaixo:

A nomenclatura para esses compostos especifica o comprimento da


cadeia e o número de duplas ligações, separados por dois pontos. As posições
de quaisquer duplas ligações são indicadas por números superescritos a seguir
da letra grega ∆ (delta), por exemplo, o ácido linolênico possui 18 carbonos e
três duplas ligações (18:3 ∆ 9 12,15). Os ácidos graxos de ocorrência mais
frequente têm um número par de átomos de carbono em uma cadeia não-
ramificada de 12 a 25 carbonos. A localização das duplas ligações também é
regular na maioria dos ácidos graxos monoinsaturados e a dupla ligação está
entre C-9 e C-15.
As propriedades físicas dos ácidos graxos e dos compostos que os
contém, são principalmente determinadas pelo comprimento e pelo grau de
insaturação da cadeia de hidrocarboneto. A cadeia apolar é responsável pela
mínima solubilidade de ácidos graxos na água. Quanto mais longa for a cadeia
carbônica do ácido graxo e menor o número de duplas ligações, menor será a
solubilidade em água. O grupo ácido carboxílico é polar e determina a pequena
solubilidade em água de ácidos graxos de cadeia curta.
O ponto de fusão também é fortemente influenciados pelo comprimento e
pelo grau de insaturação da cadeia hidrocarbonada. Em temperatura ambiente
(25ºC), os ácidos graxos saturados de 12 a 24 carbonos têm consistência
serosa, enquanto os ácidos insaturados do mesmo comprimento são líquidos
oleosos. As diferenças nos pontos de fusão são devidas a diferentes graus de
empacotamento das moléculas de ácidos graxos. Nos ácidos graxos
insaturados, uma dupla ligação em cis provoca curvatura na cadeia de
hidrocarboneto. Ácidos graxos com uma ou mais dessas curvaturas não podem
agrupar-se de forma tão compacta como os ácidos saturados, e as interações
entre eles serão consequentemente mais fracas, por isso, possuem pontos de
fusão consideravelmente mais baixos que os ácidos graxos saturados com o
mesmo comprimento de cadeia.
Os ácidos graxos insaturados podem existir tanto na forma cis como na
forma trans, dependendo da configuração dos átomos de hidrogênio que se
anexam às duplas ligações de carbono, de acordo com a figura abaixo:

Os Ácidos Graxos essenciais

Os ácidos gordurosos essenciais EFA (do inglês “Essential fatty acids”),


são designados como tal, porque os humanos não podem sintetizá-los (como
os aminoácidos essenciais) e, portanto, precisam ser obtidos na dieta.
Esses ácidos graxos são precursores necessários para a síntese de
outros produtos, sendo que os mais importantes são: o ácido linoléico, que são
representantes da família ômega-6 (ω-6 ou n-6), e o ácido linolênico, este
último, também chamado de alfa-linolênico representa a família ômega-3 (ω-3
ou n-3). No entanto, uma vez consumido, os ácidos linoléico e α-linolênico
podem ser elongados até cadeias de pelo menos 20 ou 22 carbonos. O ácido
linoléico pode ser metabolizado em outros ácidos incluindo os ácidos γ-
linolênico, dihomo-γ-linolênico e araquidônico. O ácido α-linolênico é
metabolizado em outros da série, entre eles DPA, EPA e DHA que serão
comentados mais adiante no decorrer desse trabalho. Este processo
metabólico é mediado pelas enzimas chamadas elongases e dessaturases, as
quais participam da formação dos ácidos graxos poliinsaturados (PUFA), ω-6 e
ω-3, resultando em uma competição metabólica entre os dois grupos.
Um excesso de ácido linoléico vai impedir a transformação do α-
linolênico em seus derivados DPA, EPA e DHA, o mesmo acontecerá no caso
contrário, com um menor consumo do ácido linoléico haverá uma diminuição da
formação do ácido araquidônico. A concorrência entre os ácidos linoléico e α-
linolênico está determinada pela afinidade da enzima delta 6 dessaturase por
ambos ácidos graxos (observe o esquema abaixo de competição). Como a
enzima tem maior especificidade pelos ácidos graxos ômega 3, precisará
então, de menores quantidades destes ácidos que dos ômega 6 para produzir
a mesma quantidade de produto. Isto significa que deve existir uma proporção
maior de ácido linoléico que de α-linolênico. Portanto, é necessário um
equilíbrio entre o aporte dos dois ácidos graxos através da dieta.
Competição metabólica entre as séries ω-6 e ω-3

Série Ômega-3

O nome ômega 3 deve-se ao fato de sua cadeia carbônica possuir as


primeiras insaturações localizadas no terceiro carbono começando a contar do
final da cadeia. Estruturalmente os ácidos graxos ômega 3 estão torcidos
helicoidalmente porque cada ligação dupla cis, separada por um grupo
metileno, muda a direção do carbono ligado. Esta configuração pode explicar
muitos fenômenos biológicos observados nas estruturas que são ricas em
ácidos graxos poliinsaturados, especialmente a bicamada lipídica da
membrana celular. (α – hélice).
Como foi comentado acima, o principal representante dessa família é o
ácido α-linolênico (C18:3, LNA ω-3):
Este, por sua vez, pode dar origem a outros ácidos essenciais de cadeia
longa chamados de ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa (LCPUFA).
Dentre os mais importantes podemos citar o ácido eicosapentaenóico (EPA),
ácido docosahexaenóico (DHA) e o ácido docosapentaenóico (DPA). A
nomenclatura e as devidas posições das insaturações desses ácidos, podem
ser analisados na tabela:

Nome comum Código Nomenclatura

Ácidos graxos de cadeia longa

Alfa- linolênico C18: n-3, 6, 9, cis 9, 12, 15-octadecatrienóico

LCPUFA

Clupanodônico C20:5, n-3, 6, 9, 12, 15 cis 7,10,13,16,19


Docosapentaenóico

Timnodônico C20:5, n-3, 6, 9, 12, 15 cis 5,8,11,14,17


Eicosapentaenóico

Docosahexaenóico C22:6, n-3, 6, 9, 12, 15, 18 cis 4,7,10,13,16,19


Docosahexaenóico

Reações de elongação e dessaturação

Os processos de elongação dos ácidos graxos nos mamíferos ocorrem no


Retículo Endoplasmático ou nas Mitocôndrias das células. Os processos são
ligeiramente diferentes nesses dois locais. As variedades de ácidos graxos
poliinsaturados devem-se a combinação perfeita destes dois mecanismos. Uma
vez que a dupla ligação inicial tenha sido colocada entre os carbonos 9 e 10
pela estearoil- CoA dessaturase (enzima), duplas ligações adicionais podem
ser introduzidas logo depois dos átomos C-4, C-5 ou C-6. Dessaturação em C-
8 provavelmente ocorre também em alguns tecidos. As posições dessas
dessaturações são mostradas abaixo:

As especificidades relativas das várias enzimas ainda não foram


completamen-te elucidadas, mas, parece que a elongação e a dessaturação
pode ocorrer em qualquer ordem.
Os processos gerais de formação dos outros ácidos graxos podem ser
visualizados no simples esquema a baixo. E para maiores detalhes
apresentamos também a reação em cadeia da formação do DHA:
CH2-(CH2-CH=CH)3 - CH2-CH2-CH2-CH2-CH2-CH2-CH2-COOH
Ac. linolênico
6-dessaturase

CH2-(CH2-CH=CH)3-CH2-CH=CH-CH2-CH2-CH2-CH2-COOH

elongação

CH3-(CH2-CH=CH)3-CH2-CH=CH-CH2-CH2-CH2-CH2-CH2-COOH

5-dessaturase

CH3(CH2-CH=CH)3-CH2-CH=CH2-CH=CH-CH2-CH2-CH2-COOH

elongação

CH3-(CH2-CH=CH)3-CH2-CH=CH-CH2-CH=CH-CH2-CH2-CH2-CH2-CH2-COOH

4-dessaturase

CH3-(CH2-CH=CH)3-CH2-CH=CH-CH2-CH=CH-CH2-CH=CH-CH2-CH2-COOH

Ac. docosahexaenóico

Não vamos entrar no mérito de formação dos demais ácidos, nem dos
processos enzimáticos envolvidos, pois
estão além dos objetivos deste trabalho.
O problema da deterioração oxidativa

Os lipídios contendo PUFA são particularmente propensos ao ataque de


radicais livres e a deterioração oxidativa. Na ausência de antioxidantes
apropriados, os PUFA formam radicais livres e podem ter um efeito pró
oxidante significativo levando a depleção da vitamina E e o aumento dos
produtos de oxidação. Por conseguinte, é requisito necessário ter uma ingestão
aumentada de antioxidantes para acompanhar um consumo elevado de ácidos
graxos poliinsaturados para obter ações benéficas dos mesmos ( nesse caso
inclui também o grupo ω-3).
A autoxidação de lípides poliinsaturados de alimentos envolve uma
reação em cadeia de radicais livres, que é freqüentemente iniciada pela
exposição dos lípides à luz, calor, radiação ionizante, íons metálicos ou catálise
metalo-protéica. A enzima lipoxigenase pode também iniciar a oxidação. A rota
clássica de autoxidação inclui reações de iniciação (produção de radicais livres
dos lípides), propagação e terminação (síntese de produtos não radicais).
Observe:

Os radicais livres são moléculas que contém um elétron não pareado, são
espécies instáveis e reagem com diversos compostos. Os PUFA são
propensos a oxidação, resultando na formação de produtos como alcanos,
aldeídos, alcoóis e hidroperóxidos, além de epóxidos, cetonas e ácidos.
Valores Diários

Como as gorduras são macronutrientes, elas não possuem valores


diários recomendados (RDA). Macronutrientes apresentam uma dosagem
aceitável (AI) e uma taxa aceitável distribuída entre macronutrientes (AMDR),
ao invés dos valores diários recomendados. A AI para ω−3 é 1,6gramas/dia
para homens, e 1,1gramas/dia para mulheres, enquanto que o AMDR é 0,6%
para 1,2% do total energético.
A literatura relata que, uma pessoa em crescimento, que consome altas
doses de ácidos graxos α-linoleico, eicopentanóico (EPA) e docosahexanóico
(DHA), pode colaborar para aumentar sua proteção contra doenças
coronarianas, devido ao potencial fisiológico do EPA e DHA ser muito maior
que o α-linoleico. Não é possível estimar um AMDR para todos ácidos graxos
Ω3 . Aproximadamente 10% do AMDR pode ser consumido como EPA e/ou
DHA.”
Pesquisadores acreditam que o consumo ideal de ω−6 não pode superar
de 4 a 5 vezes aquele de Ω3. A Organização Mundial da Saúde recentemente
publicou as doses diárias recomendadas de ácidos graxos, recomendações
específicas incluem 650mg de EPA e DHA, 2,22g/dia de ácido α-linoleico e
4,44g/dia de ácido linoléico.
O maior risco da suplementação de ω−3 por óleo de peixes é o
envenenamento por metais pesados, devido a acumulação por magnificação
trófica de metais pelo organismo. Em particular: mercúrio, níquel, arsênico e
cádmio, assim como outros contaminantes (furanos, policlorados bifenilicos
PCBs, dioxinas), que podem ser encontrados especialmente em suplementos
de óleo de peixe menos refinados. Por estas razões, recomenda-se que o total
da dieta de ácidos graxos ω−3 de peixes seja limitada a 3g por dia, não sendo
mais do que 2g provenientes de suplementos.
Historicamente, o Conselho Responsável pela Nutrição, e a Organização
Mundial da Saúde publicaram os padrões aceitáveis de contaminantes em
óleos de peixes. O padrão atual mais estrito é o Padrão Internacional de Óleos
de Peixes (IFOS). Os óleos de peixes feitos com maior qualidade são aqueles
que são destilados molecularmente sobre vácuo e, tem um nível de
contaminantes virtualmente não mensurável. (medidos em ppb e ppt).

Importância Biológica

Os ácidos graxos essenciais são assim chamados porque, de acordo com


seus pesquisadores, estes eram essenciais para o crescimento normal de
crianças e animais. (O atual conceito de essencial é distinto como já foi visto).
Uma pequena dose de ω−3 na dieta (~1% do total de calorias) permite um
desenvolvimento normal, e o aumento da quantidade teve pouco ou nenhum
benefício adicional. Da mesma forma, pesquisadores descobriram que o ácido
graxo ω−6 (conhecido como ácido γ-linoléico, ou ácido araquidônico) possui
papel similar no crescimento normal. Entretanto, estudos apontam que o ω−6 é
“melhor” para manter a integridade da derme, a função renal e o trabalho de
parto. Isto motivou pesquisadores a concentrar seus estudos sobre o ω−6 e,
por tanto, somente nas últimas décadas que o ácido ω−3 ganhou interesse.
Em 1963 foi descoberto que o ácido araquidônico é convertido pelo corpo
em agentes pró-inflamatórios chamados de prostaglandina. Em 1979 novos
dados sobre eicosanóides foram descobertos, os tromboxanos, prostaciclinas e
os leucotrienos. Os eicosanóides, de importância nas funções biológicas,
tipicamente, possuem curto tempo de vida no organismo, começando com a
síntese dos ácidos graxos e terminando no metabolismo com as enzimas.
Entretanto, caso a taxa de síntese exceda a taxa do metabolismo, o excesso
de eicosanóides pode ter efeitos deteriorativos. Pesquisadores descobriram
que o ω−3 é convertido em eicosanóide, porém, sobre uma taxa muito lenta.
Caso ambos ômega 3 e ômega 6 estiverem presentes, eles irão “competir”
para serem transformados, então, a quantidade presente de ω−3 é diretamente
relacionada com um decréscimo na taxa de produção de eicosanóides.
Esta descoberta foi importante quando se soube que o tromboxano é um
fator de adesão de trombócitos (causadora de trombose). Os leucotrienos são
similarmente descobertos por serem importantes na resposta do sistema
imune/inflamatório, e consequentemente relevantes em casos de artrite, asma
e lúpus. Estas descobertas culminaram no grande interesse em encontrar
caminhos para controlar a síntese de ω−6 eicosanóides; um caminho viável, é
claro, é o consumo de grandes porções de ω−3.
Os ácidos graxos poliinsaturados no nosso organismo são importantes
para os sistemas reprodutivos, imunes, na manutenção das membranas
celulares, na fabricação de prostaglandinas, que são substancias reguladoras
de processos inflamatórios, e da coagulação do sangue.
Estão envolvidos também na produção e no transporte de energia das
células, e são necessários para o crescimento e desenvolvimento apropriado
das crianças, particularmente o desenvolvimento do sistema nervoso e
sensorial. Os ácidos graxos essenciais necessitam das vitaminas A, B3, B6, C
e E assim como dos minerais magnésio e zinco para poderem exercer suas
inúmeras funções vitais.

Riscos à Saúde

Em uma carta datada de 31 de outubro de 2000 intitulada: “Carta a


respeito da dieta de suplementos, notificando sobre ácidos graxos ômega-3 e a
doença coronária do coração”, a Administração de Drogas e Alimentos (USA),
Centro para a segurança do alimento e a Nutrição aplicada, o Escritório de
Produtos Nutricionais, etiquetou os suplementos dietéticos avisando que os
riscos conhecidos ou suspeitados dos ácidos graxos ômega-3 incluem:
• Sangramentos em casos de superdosagem (doses normais de 3g por
dia)
• Possibilidade de distúrbios hemorrágicos,
• Oxidação dos ácidos graxos ω−3, formando produtos oxidantes
biologicamente ativos (veja no “problema da deterioração oxidativa”)
• Aumento nos níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL)
colesterol, ou apoproteínas associadas com LDL colesterol entre
diabéticos ou hiperlipidêmicos.
• Redução do controle glicêmico entre diabéticos.
• Supressão da resposta imune e inflamatória e, conseqüentemente,
queda da resistência contra infecções e aumento da suscetibilidade à
bactérias oportunistas.

Ainda há risco significante da possibilidade de envenenamento por


hipervitaminose ao se ingerir altas doses de suplementos que contém altas
quantidades de vitaminas (particularmente vitamina A) adicionadas aos ácidos
graxos ω−3. Por essa razão, a fonte primária de ω−3, se for tomada como
suplemento, deveria ser do óleo corporal do peixe, e não do fígado deste.

Desordens psicológicas

Ômega 3 são conhecidos por realçarem a capacidade de melhoramento


da membrana em células cerebrais.
Uma explanação médica é que o ômega-3 tem um papel na fortificação
das bainhas de mielina. Não coincidentemente, os ácidos graxos ômega-3
compreendem aproximadamente oito por cento do cérebro humano médio de
acordo com o falecido Dr. David Horrobin, um pioneiro na pesquisa de ácidos
graxos.
Consequentemente, a década passada de pesquisa do ácido graxo
ômega-3, obteve-se algum interesse ocidental em ômega-3 como sendo um
alimento legítimo do cérebro. Ainda há notícias recentes que a quota da
inteligência e das habilidades verbais e do raciocínio são aumentadas com o
consumo de ω−3 entre mães grávidas que remanescem inacreditáveis e
controversas. Um foco mesmo mais significativo da pesquisa, entretanto,
encontra-se no papel do ômega-3 para o tratamento sem prescrição para
determinados diagnósticos psiquiátricos e mentais e transformou-se em um
tópico de muitas pesquisas e especulações.

Fontes alimentares de ω-3

. Óleo de peixes (este encontrado em peixes de água salgada gelada e


também nos ovos Cardioeegs),pode ser de importância considerável.
Numerosos estudos têm demonstrado que o consumo de alimentos (como
peixes ricos em óleo) contendo os ácidos graxos Ômega 3 de cadeia longa
(EPA e DHA) está associado com o risco de doenças coronarianas (CHD),
provavelmente devido a mecanismos não relacionados com os níveis de
lipoproteína de soro.
Sementes de perilla (conhecida como shiso entre os japoneses), chia
(salvia hispanica), noz, linhaça, lingoberry (Vaccinium vitis-idaea var. minus),
portulaca (portulaca L.) e Cannabis. Ômega 3 também podem ser encontrado
no açaí.
A indústria de alimentos já está direcionada aos ácidos graxos essenciais
ω-3 para o fornecimento de alimentos suplementados. É necessário considerar
alguns itens envolvidos no enriquecimento dos alimentos, como por exemplo,
dosagem, segurança e fontes, para obter uma ingesta adequada destes ácidos
(SIMOPOULOS, 2000 e GARCIA, 1998), atualmente, há muitos produtos no
mercado, os quais são enriquecidos com PUFA ω-3, assim:
a) Óleos ricos em ácido α-linolênico, tais como canola, linhaça e soja,
levando a uma melhora na proporção ω-6/ω-3.
b) A farinha de linhaça e óleos de peixe encapsulados (ANDERSEN,
1995), são usados em produtos formulados. O enriquecimento com PUFA ω-3
de produtos como, pão, cereais matinais, pasta, bolachas, bolos, sucos de
frutas, entre outros, é possível através da microencapsulação.
c) Fórmulas infantis. O leite humano contém todos os ácidos graxos
polinsaturados, incluindo os dois ácidos essenciais linoléico e α-linolênico e
também os PUFA de cadeia longa que têm mostrado ter efeitos benéficos em
infantes prematuros e não prematuros. A busca de acrescentar LCPUFA em
fórmulas infantis tem sido um desafio intelectual e técnico, devido a
considerações relacionadas com dose, efeitos finais, bem como problemas
técnicos de estabilidade e portanto a segurança para os infantes (MAKRIDES e
GIBSON, 2001).
d) Maionese, margarina e molhos de salada.
e) Aves domésticas, gado e porcos estão sendo estudados no
enriquecimento de suas carnes com ω-3 (NAM et al., 1997; MANDELL et al.,
1998; ENSER et al., 2000; WARNANTS et al., 1998).
f) Leite
g) Ovos
h) Quinua
Segundo GARCIA (1998), a incorporação de LCPUFA ω-3 (óleo de peixe)
no alimento não é simples, já que são suscetíveis à oxidação, levando a
sabores e odores fortes, não desejáveis. Mas, um manuseio cuidadoso dos
compostos, modificações do processo e/ou mudanças na formulação podem
ajudar a minimizar bastante esses problemas sensoriais.

Conclusão

Constatamos a partir das pesquisas realizadas e do presente trabalho,


que é ponto consensual no meio científico, a necessidade de redução na
quantidade de ácidos ômega 6 e aumento da concentração de ácidos ômega 3
em nossa alimentação (pelo processo de competição enzimática). Os PUFA ω-
3 estão presentes em diversos alimentos, primeiramente são encontrados em
muitos vegetais e, por conseguinte, incorporados por diversos animais. Os
benefícios para a saúde humana disponibilizados por estes compostos são
inúmeros.

Referências Bibliográficas

DELVIN, Thomas M./ Text Book of Biochemistry With Clinical Correlations/


5ªedição/ New York: John Wiley e Sons, Inc., 2002.

NELSON, David L.; COX, Michael M./ Lehninger Princípios de Bioquímica/


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CAMPBELL, Mary K./ Bioquímica/ 3ªedição/ Porto Alegre: Art Med, 2000.

GÓMES, María Elena D. B./ Modulação da composição de PUFA ômega 3


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Doutorado: área de Bromatologia- Universidade de São Paulo, São Paulo.
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