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Islamismo

É uma religão e um projeto de organização da sociedade expresso na palavra árabe Islã,


a submissão confiante a Alá (Allah, em árabe – Deus, ou "a divindade", em abstrato).
Seus seguidores chamam-se muçulmanos (muslimun, em árabe): os que se submetem a
Deus para render-lhe a honra e a glória que lhe são devidas como Deus único.
Maomé, fundador do islamismo, nasceu em Meca (na tribo árabe coraixita), no atual
Reino da Arábia Saudita, em 570 da era cristã, portanto meio milênio depois de Cristo.
Trabalhou como mercador e pregou a existência de um só Deus, Alá, Onisciente e
Onipotente.
Se no cristianismo o verbo se faz carne, pode-se dizer que no islamismo o verbo se fez
livro, porque o islamismo repousa num só livro: o Corão, que é a "palavra de Deus".
Livro sagrado do islamismo, o Corão (que significa recitação) é revelado a Maomé pelo
arcanjo e redigido ao longo de cerca de 20 anos de sua pregação. É fixado entre 644 e
656 sob o califado de Uthman ibn Affan. São 6.226 versos em 114 suras (capítulos).
Traz o mistério do Deus-Uno e a história de suas revelações de Adão a Maomé,
passando por Abraão, Moisés e Jesus, e também as prescrições culturais, sociais,
jurídicas, estéticas e morais que dirigem a vida individual e social dos muçulmanos.
Nota: A esposa de Abraão, Sara, tinha uma escrava chamada Asgar, a qual serviu
Abraão e teve um filho chamado Ismael... Entretanto, Ismael, primogênito de Abraão,
só é considerado como primeiro filho para os muçulmanos... Enquanto que para os
judeus é considerado como primeiro o filho de Abraão com Sara, Isac...
Abaixo, um selo que ilustra o livro "The Spring of Koran", emitido em 2001 pela
República Islâmica do Irã, com valor facial de 500 Rial iranianos. Ao lado, selo do
Estado Islâmico do Afeganistão de 22/11/2003, com valor facial de 9 Afeganis e
impresso por Sahara Printing Company, o selo mostra "Coming down of the Holy
Quran".

A palavra Maomé é uma corruptela hispânica de Mohammed, nome próprio derivado do


verbo hâmada e que significa "digno de louvor". Segundo a tradição, aos 40 anos recebe
a missão de pregar as revelações trazidas de Deus pelo arcanjo Gabriel...
Muitas pessoas tem esse nome, uma delas é o famoso pachá do Egito: Mohammed Ali...
Amir significa príncipe árabe ou governador, é um título dado a um homem descendente
de Mohammed...
Seu monoteísmo choca-se com as crenças tradicionais das tribos semitas e, em 622,
Maomé é obrigado a fugir para Iatribe, atual Medina, onde as tribos árabes vivem em
permanente tensão entre si e com os judeus.
Maomé estabelece a paz entre as tribos árabes com as comunidades judaicas e começa
uma luta contra Meca pelo controle das rotas comerciais. Conquista Meca em 630.
Morre dois anos depois (632), deixando uma comunidade espiritualmente unida e
politicamente organizada em torno aos preceitos do Corão...
Os estudos na linha da História Política permitem identificar as complexas relações que
existem entre a religião e o fenômeno político.
Por esta perspectiva, percebe-se que, com relação ao Islã, o sistema religioso tornou-se
uma dimensão da política, na medida em que o espaço privilegiado para a vivência da fé
e para a concretização das promessas de Alá aos seus fiéis é o Estado Islâmico
juridicamente constituído e reconhecido enquanto tal.
Além disso, a Shariah (a jurisprudência) nasceu a partir dos textos sagrados e
regulamenta as relações políticas, sociais e religiosas do Estado com a Umma (a
comunidade muçulmana).
No Islam, o poder político e a estrutura social são benefícios de Deus, graças concedidas
para a felicidade de todos os homens. Assim, o propósito dos muçulmanos não é tanto o
de debater sobre a essência de Deus, mas, sobretudo, o de interpretar a vontade divina e
de conhecer e observar as leis que são religiosas e políticas ao mesmo tempo.
Os governantes devem ser capazes de concentrarem em si as atribuições de chefe de
Estado e de Iman (aquele que conduz os fiéis nas orações).
Por isso, o melhor sistema de poder para o Islam, de acordo com o Corão e a Sunna, é o
califado, que foi determinado após a morte do Profeta Muhammad, e que constitui o
modelo eterno de uma forma perfeita de Estado que Deus desejou que atuasse no tempo
histórico.
A deturpação do califado, na perspectiva dos pensadores muçulmanos do século XIX,
como Rashîd Ghannîsh, da Tunísia, surgiu do desejo de se adotar a modernidade
ocidental, a ponto dos Estados de maioria muçulmana se apropriarem do princípio da
separação dos poderes temporal e espiritual, o que contribuiu para o divórcio entre
religião e política e para o enfraquecimento do poder do governante, distanciando-o da
comunidade de fé e aproximando-o dos Kafir (os ignorantes dos princípios islâmicos).
Tal fato teve como consequência o abandono da observância da Shariah, o que fez com
que diversos Estados deixassem de ser reconhecidos como Islâmicos, provocando a
restrição do espaço para a vivência da fé, pautado e orientado pelo Corão e pela Sunna.
Para se reconquistar o bem perdido tornou-se necessário percorrer o salaf (o caminho
dos antigos), porque foi no passado, ou melhor, no auge do sistema do califado, durante
a Idade Média, que os muçulmanos souberam, na perspectiva das correntes islâmicas
dos século XIX e XX, praticar corretamente os ensinamentos de Alá.
Este movimento de relembrar as virtudes dos antepassados de fé transformou o Islã, no
século XIX, em um princípio mobilizador da defesa da identidade dos povos não
europeus islamizados e também uma alternativa política e social antimperialista que
atraiu populações não muçulmanas na África e na Ásia...
Como foi comprovado no surgimento de várias revoluções islâmicas onde o percentual
de participação de aliados não convertidos foi bastante significativo, como a Mahdia no
Sudão (1881-1898), por exemplo...
Ilustração sobre o Islamismo

Comunidade do Islã
Alá é o Deus único e Maomé é o seu profeta maior e último. O islamismo se propagou
numa época em que a Arábia Saudita era politeísta, cultivava mais de 360 deuses, e os
próprios cristãos se arrebatavam com discussões sobre a Santíssima Trindade...
É permitida a poligamia com até 5 esposas legítimas, o divórcio e fomenta-se a guerra
santa, contra os infiéis, Djihad, semelhante às cruzadas, graças à qual este sistema
religioso se expandiu muito no primeiro século de sua existência. Hoje, a cultura
islâmica ocupa 21% da superfície do planeta, aproximadamente.
A fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, chamada hégira (busca de proteção)
marca o início do calendário muçulmano e indica a passagem de uma comunidade pagã
para uma comunidade que vive segundo os preceitos do Islã.
A doutrina do profeta e a idéia de comunidade do Islã (al-Ummah) formam-se durante a
luta pelo controle de Meca - todos os muçulmanos são irmãos e devem combater todos
os homens até que reconheçam que só há um Deus.
Suna – A segunda fonte doutrinal do islamismo. É um compêndio de leis e preceitos
baseados nos ahadith (ditos e feitos), conjunto de textos com as tradições relativas às
palavras e exemplos do Profeta.
Deveres dos Muçulmanos
Todo muçulmano deve prestar o testemunho (chahada), ou seja, professar publicamente
que Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta.
Fazer a oração ritual (salat) cinco vezes ao dia (ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio
da tarde, ao pôr-do-sol e à noite), voltado para Meca e prostrado com a fronte por terra.
Dar a esmola legal (zakat) para a purificação das riquezas e a solidariedade entre os
fiéis.
Jejuar do nascer ao pôr-do-sol, durante o nono mês do calendário muçulmano
Ramadãm.
Fazer uma peregrinação (hadjdj) à Meca ao menos uma vez na vida, seja pessoalmente,
se tiver recursos, ou por meio de procurador, se não tiver.
Mesquita na cidade de Meca - centro de peregrinação muçulmana
Em 28/12/2005, o Reino da Arábia Saudita emitiu uma série de 2 selos e um bloco
sobre Meca - Cidade Capital da Cultura Muçulmana (Mecca - Capital City of the
Moslem Culture). Abaixo, um dos selos, com valor facial de 2 Rial Sauditas que marca
o Al Hajj 1426H. O bloco (imagem reduzida), tem valor facial de 5 Rial Sauditas e
mostra o centro de peregrinação na cidade de Meca. Ambos foram impressos por Saudi
Arabia State Printing House.
Festas Islâmicas
Ramadãm ou Ramadan (fevereiro/março)? durante o nono mês do calendário
muçulmano....
Pequena Festa (Eid Al-Fitr), celebrada nos três primeiros dias do mês de Shaual
(março/abril), ao final do jejum do mês de Ramadãm, comemora a revelação do Corão.
Grande Festa ou Festa do Sacrifício (Eid Al-Adha) é celebrada no dia 10 do mês de
Thul-Hejjah (maio/junho).
Hégira (fuga de Maomé de Meca), marca o Ano-novo do calendário muçulmano, no dia
1° do mês de Al-Moharam (junho/julho).
Aniversário de nascimento do Profeta, no dia 12 do mês de Rabi'I (agosto/setembro).
Calendário muçulmano – Mede o ano pelas 12 revoluções completas da Lua em torno
da Terra e é, em média, 11 dias menor do que o ano solar. O ano 1994/1995 foi o 1.415°
da hégira.
Abaixo, um de uma série de 4 selos, emitida 29/11/2004 pelo Irã, com valor facial de
500 Rial iranianos, sobre "The First International Biennial of Islamic World Poster". O
selo mostra a meia-lua, um dos símbolos do Islã.

Divisões do Islamismo
Os muçulmanos estão divididos em dois grandes grupos, os sunitas e os xiitas. Essas
tendências surgem da disputa pelo direito de sucessão a Maomé. A divergência
principal diz respeito à natureza da chefia:
Para os xiitas, o Imã ou "Imam" (líder da comunidade) é herdeiro e continuador da
missão espiritual do Profeta.
Para os sunitas, o Imã é apenas um chefe civil e político, sem autoridade espiritual, a
qual pertence exclusivamente à comunidade como um todo (umma).
Sunitas e xiitas fazem juntos os mesmos ritos e seguem as mesmas leis (com diferenças
irrelevantes), mas o conflito político é profundo.
Sunitas – Os sunitas são os partidários dos califas abássidas, descendentes de all-Abbas,
tio do Profeta. Em 749, eles assumem o controle do Islã e transferem a capital para
Bagdá. Justificam sua legitimidade apoiados nos juristas (alim, plural ulemás) que
sustentam que o califado pertenceria aos que fossem considerados dignos pelo consenso
da comunidade.
A maior parte dos adeptos do islamismo é sunita (cerca de 85%). No Iraque a maioria
da população é xiita, mas o ex-governo (2003) era sunita...
Xiitas – Partidários de Ali, casado com Fátima, filha de Maomé, os xiitas não aceitam a
direção dos sunitas.
Argumentando que só os descendentes do Profeta são os verdadeiros imãs: guias
infalíveis em sua interpretação do Corão e do Suna, graças ao conhecimento secreto que
lhes fora dado por Deus. São predominantes no Irã e no Iêmen.
A rivalidade histórica entre sunitas e xiitas se acentua com a revolução iraniana de 1979
que, sob a liderança do aiatolá Khomeini (xiita), depõe o xá Reza Pahlevi e instaura a
República Islâmica do Irã.
Selo da Arábia Saudita emitido em 27/12/2004, com valor facial de 2 Rial Sauditas,
impresso por Saudi Arabia State Printing House, para promover a paz no Islamismo:
Islã é Paz!

Outros grupos – Além dos sunitas e xiitas, existem outras divisões do islamismo, entre
eles os zeiitas, hanafitas, malequitas, chafeitas, bahais, drusos e hambaditas. Algumas
destas linhas surgem no início do Islã e outras são mais recentes. Todos esses grupos
aceitam Alá como deus único, reconhecem Maomé como fundador do Islamismo e
aceitam o Corão como livro sagrado. As diferenças estão na aceitação ou não da Suna
como texto sagrado e no grau de observância das regras do Corão.
Fonte: www.sergiosakall.com.br

ISLAMISMO
A religião que mais cresce vive ma hora decisiva
ADA VEZ MAIOR: peregrinação anual a Meca, um dos pilares do Islã
O mundo islâmico vem sendo rotineiramente devassado nos meios acadêmicos há muito
tempo. Contudo, até 11 de setembro de 2001, quando dezenove muçulmanos praticaram
o maior atentado terrorista da História, as multidões nos países ocidentais não sabiam
que o universo dos turbantes era muito mais complexo do que parecia. Depois do fim do
comunismo, os Estados Unidos e seus aliados - os países industrializados da Ásia e da
Europa - convenceram-se de que a modernidade, a democracia e a economia de
mercado são desejadas em todo o mundo. Devido a outra escala de valores, porém, tais
novidades não são bem-vindas para um número significativo de muçulmanos. Foi a
descoberta de que o Islã era um dos limites da globalização, até então despercebido.
Após o choque resultante da carnificina cometida em nome de Alá, o mundo islâmico
foi repentinamente iluminado por um holofote. Nunca, até onde a memória alcança,
uma civilização foi tão escrutinada como a muçulmana está sendo nos dias atuais. Uma
cultura e uma fé que viviam relegadas à periferia do mundo dito civilizado despertam
agora um interesse voraz em pessoas que até outro dia dispunham de pouquíssimas
referências sobre o universo islâmico. Os governos das nações poderosas também estão
ávidos por entender e agir de forma a evitar uma explosão nas sociedades dos turbantes
que elegeram como seu herói o terrorista Osama bin Laden e como bandeira a guerra
santa aos valores ocidentais. E, no decorrer desse processo de exploração, a opinião
pública mundial descobriu que esse universo era menos administrável do que se
imaginava.
20% do mundo - Para elevar ainda mais o grau de importância dessa revelação,
pesquisas realizadas ao redor do globo mostraram que o islamismo é a religião que mais
cresceu nas últimas décadas, e que essa tendência não mudou depois do 11 de setembro.
Em 1973, havia 36 países com maioria muçulmana no planeta; exatos trinta anos
depois, eles já eram 47. Também no início dos anos 70, o islamismo reunia cerca de 370
milhões de fiéis. Três décadas depois, eles chegaram a 1,3 bilhão. Hoje, quase 20% da
população do mundo é muçulmana, e estima-se que, em 2020, de cada quatro habitantes
do planeta um seguirá o islamismo. Essa explosão demográfica - em parte provocada
pela proibição religiosa do uso de métodos contraceptivos - está devolvendo ao
islamismo uma força considerável.
E não é só no Oriente: com o liberalismo religioso da maior parte do Ocidente, os
muçulmanos também se espalham com alguma facilidade. Só na Europa, berço da
civilização cristã, existem 20 milhões de muçulmanos, e quase metade deles está
instalada na Europa Ocidental. Há mesquitas até na Roma dos papas. Outro fator que
emprestou maior visibilidade aos países islâmicos está em sua imensa riqueza
estratégica: são donos das mais generosas reservas de petróleo do mundo. Entre os cinco
maiores produtores de óleo do Oriente Médio, o PIB conjunto quadruplicou nos últimos
trinta anos, enquanto o PIB mundial apenas dobrou de tamanho. O crescimento do
rebanho e a fartura do petróleo, no entanto, produziram um barril de pólvora.
Bomba-relógio - Em geral, os regimes dos países islâmicos são ditaduras teocráticas e a
riqueza não é distribuída, deixando a maior parte da população relegada à miséria. É
dentro desse caldeirão paradoxal que ressurgiu a força da religião, em especial depois da
Revolução Islâmica no Irã, em 1979. O Islã é multifacetado por várias nações, mas tem
uma característica curiosa: não produziu um só país democrático e desenvolvido. O
contraste entre a pobreza dos fiéis e a riqueza do Ocidente fomentou rancor.
A resposta às dificuldades materiais e à falta de liberdade, levantada nas mesquitas, é a
de que a identidade religiosa supera todos os valores políticos. A questão tornou-se
urgente depois do 11 de setembro, mas até agora não se encontrou uma resposta: como
desarmar a bomba-relógio do radicalismo islâmico? Enquanto os nós não forem
desfeitos, é possível que o extremismo e o fanatismo, embora restritos a grupos
minoritários, sigam achando espaço para ensangüentar a história humana.
Fonte: veja.abril.com.br

ISLAMISMO
RAÍZES DE UMA RELIGIÃO PACÍFICA

Mensagem do profeta Maomé era de tolerância


FANATISMO É MINORIA: muçulmanas oram pela paz depois do 11/9
A ligação entre a carnificina provocada pelos terroristas muçulmanos e as raízes
verdadeiras da fé islâmica é o maior problema enfrentado nos dias atuais pela religião
mais praticada do planeta. Dezenas de milhões de pessoas, em especial no Ocidente,
confundem o islamismo com uma prática religiosa radical e raivosa, que convoca seus
seguidores a matar inocentes, permite (e recompensa) o suicídio em nome de Deus e
não tolera crenças diferentes. De acordo com a esmagadora maioria dos especialistas,
religiosos e fiéis, contudo, a verdadeira face do Islã é exatamente oposta: a de uma fé
que estimula o entendimento e desencoraja o conflito.
A própria origem do termo Islã - ou "rendição", em árabe - está ligada à palavra salam,
que significa "paz". O fundador do islamismo, o profeta Maomé, dedicou sua vida à
tentativa de promover a paz em sua terra, a Arábia. Antes do Islã, as tribos árabes
estavam presas num círculo vicioso de ataques, revides e vinganças. O próprio Maomé e
seus primeiros seguidores escaparam de dezenas de tentativas de assassinato e de uma
grande ofensiva para exterminá-los em Meca. O profeta teve de lutar, mas em nome da
própria sobrevivência - quando acreditou estar a salvo, passou a dedicar-se
exclusivamente à reconciliação das tribos, através de uma grande campanha ideológica
de não-violência. Quando morreu, no ano de 632, a meta havia sido cumprida - e
justamente em função de seus ensinamentos sobre paz e tolerância.
Espírito de caridade - Quando revelou a base da crença islâmica pelos versos do Corão,
Maomé convivia com uma guerra em larga escala em sua terra. Assim, muitas
passagens das escrituras sagradas dos muçulmanos tratam de conflitos armados, da
execução de inimigos, da guerra em nome de sua crença.
Os terroristas e radicais de hoje, contudo, gostam de citar o Corão apenas nos trechos
em que se convoca a luta, e não nos versos em que se prega a paz e o entendimento.
Pouco depois do ataque de 11 de setembro de 2001, a escritora americana Karen
Armstrong, autora de vários livros sobre a religião islâmica, compilou alguns desses
versos. A seguir, alguns deles:
• No Corão, os muçulmanos recebem a ordem de Deus para "eliminar os inimigos onde
quer que eles estejam". A frase é uma das preferidas de Osama bin Laden e seus
discípulos do terror. No verso seguinte, contudo, a mensagem é a segunte: "Se eles
deixarem-no em paz e não fomentarem guerra, e oferecerem a paz, Deus não permite
que sejam machucados".
• O texto sagrado dos muçulmanos diz que a única forma aceitável de guerra é aquela
conduzida em auto-defesa. Os muçulmanos jamais devem iniciar as hostilidades. A
guerra é sempre manifestação do mal, indica o Corão, mas às vezes é preciso lutar para
preservar seus valores - ou, como fez o profeta Maomé em Meca, para combater
perseguições e se livrar dos opressores.
• Em certo trecho, o Corão cita a Torá, escritura sagrada dos judeus, ao dizer que é
permitido ao muçulmano retribuir uma agressão - olho por olho, dente por dente. O
texto ressalta, porém, que perdoar e deixar de lado as vinganças em nome de um espírito
de caridade é uma atitude digna de mérito e admiração.
• Quando a guerra é necessária e justificada, as hostilidades contra o inimigo devem
acabar logo que for possível. A guerra termina quando o inimigo acena com um gesto
de paz. O Corão também diz que os outros povos, mesmo quando forem inimigos,
jamais devem ser forçados a seguir a crença dos muçulmanos: "Não deve haver coerção
nos assuntos da fé!"
• Na mais famosa distorção a respeito da doutrina muçulmana, a palavra "jihad" é
traduzida no Ocidente como "guerra santa" - quando, na verdade, equivale a "luta",
"esforço", "empenho". O termo se refere ao esforço que deve ser empregado para que a
vontade de Deus seja colocada em prática em todos os aspectos da vida - não só na
política, como também na vida pessoal e social. Há relatos de que Maomé disse certa
vez, ao retornar de uma batalha: "Estamos voltando da jihad menos importante para a
jihad maior", que seria a tentativa de curar os males da sociedade.
• O Corão diz que os "Povos das Escrituras", os cristãos e judeus - principais alvos dos
extremistas islâmicos hoje, - devem ser respeitados. Em um de seus últimos discursos, o
profeta Maomé teria dito: "Formamos nações e tribos para que conhecessem uns aos
outros" - ou seja, não para que os povos conquistassem outros povos e tentassem
oprimir suas crenças.
Reação à modernidade - Se a brutalidade contra outros povos e religiões é proibida, se a
guerra é uma manifestação do mal, se o inimigo só pode ser atacado se agredir primeiro,
por que os radicais muçulmanos continuam usando a religião para justificar seus atos de
terrorismo? Para quase todos os especialistas, essa pergunta não tem uma resposta
sensata - o que significa que a luta dos extremistas é, de fato, ilegítima e injustificada.
Na avaliação de Karen Armstrong, a forma militante de culto religioso surgida no
século XX sob a classificação de fundamentalismo é uma reação à modernidade. Seus
seguidores estão convencidos de que a sociedade liberal e secular visa acabar com a
religião - assim, os princípios de sua fé acabam desvirtuados e distorcidos em nome de
uma luta irracional. Desta forma, enxergar em Osama bin Laden e em seus seguidores
terroristas uma representação legítima da tradição e da fé islâmica é um erro gravíssimo.
Resta à maioria dos muçulmanos, que condenam os atos terroristas e as interpretações
radicais das escrituras, a árdua missão de reverter essa imagem e reforçar as raízes
pacíficas de sua crença.