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Apostila de Direito Civil

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1º. Semenstre 2012

Parte Geral

2

Pablo Stolze, Christiano Chaves e Tartuce
Site: www.novodireitocivil.com.br (apostila de acompanhamento
do curso)
contato@pablostolzer.com.br

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CONTEÚDO
PERSONALIDADE JURÍDICA............................................................................................. 7
1. CONCEITO............................................................................................................... 7
2. CAPACIDADE............................................................................................................ 9
2.1. Incapacidade:.................................................................................................... 9
2.2. Efeitos da redução da maioridade civil...........................................................11
2.3. Emancipação................................................................................................... 12
2.3.1. Emancipação Voluntária............................................................................13
2.3.2. Emancipação Judicial................................................................................ 13
2.3.3. Emancipação Legal................................................................................... 13
2.3.4. Questões especiais referente ao Menor emancipado................................15
3. DIREITOS DA PERSONALIDADE.............................................................................. 15
3.1. Linhas gerais e conceituação..........................................................................15
3.2. Momento aquisitivo dos direitos da personalidade.........................................18
3.3. Momento extintivo dos direitos da personalidade...........................................19
3.4. Direitos da Personalidade e liberdades públicas.............................................22
3.5. Fontes dos Direitos da Personalidade..............................................................22
3.6. Direitos da personalidade da pessoa jurídica.................................................22
3.7. Conflito entre direitos da personalidade e direito de comunicação social......24
3.8. Características dos direitos da personalidade................................................25
3.9. Proteção jurídica dos direitos da personalidade..............................................27
3.9.1. Proteção Preventiva.................................................................................. 27
3.9.2. Proteção Compensatória...........................................................................29
3.9.3. Proteção Coletiva...................................................................................... 32
3.10. Direitos da personalidade das Pessoas Públicas (Celebridades)...................33
3.11. Direitos da personalidade em espécie..........................................................33
3.11.1 Direito ao Corpo Vivo............................................................................... 34
3.11.2. Direito ao Corpo Morto............................................................................ 36
3.11.3. Autonomia do paciente (ou livre consentimento informado)..................37
3.11.4. Direito ao nome civil............................................................................... 37
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3.11.5. Direito à imagem.................................................................................... 38
3.11.6. Direito à privacidade (ou à vida privada)................................................40
4. EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL (MORTE)............................................40
4.1. Morte presumida............................................................................................. 41
4.2. Procedimento da Ausência..............................................................................42
4.3. Comoriência.................................................................................................... 45
PESSOA JURÍDICA.......................................................................................................... 47
1. CONCEITO............................................................................................................. 47
2. SURGIMENTO DA PESSOA JURÍDICA......................................................................47
3. TEORIAS EXPLICATIVAS DA PESSOA JURÍDICA........................................................47
4. AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE PELA PESSOA JURÍDICA......................................48
5. ESPÉCIES DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO...........................................49
5.1. Breve Síntese do “Drama Existencial” vivido pelo ART. 2031 DO CC..............50
5.2. Fundações....................................................................................................... 51
5.2.1. Etapas para constituição da fundação:.....................................................51
5.2.2. A modificação do estatuto da fundação é possível, nos termo dos arts. 67
e 68 do CC.......................................................................................................... 52
5.2.3. Atribuições Fiscalizatórias do Ministério Público........................................52
5.2.4. Destino do patrimônio de uma fundação extinta......................................53
5.3. Sociedades...................................................................................................... 53
5.3.1. Classificação das sociedades....................................................................54
5.3.2. Diferenciação das Espécies.......................................................................55
5.4. Associações..................................................................................................... 56
5.5. EIRELI.............................................................................................................. 58
6. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (DISREGARD DOCTRINE).....................59
6.1. Modalidades.................................................................................................... 60
6.2. Elementos da desconsideração da pessoa jurídica no CC...............................61
6.3. Teorias Justificadoras da Desconsideração da Personalidade Jurídica.............62
6.4. Aprofundamento do Tema...............................................................................63
7. DISSOLUÇÃO DA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO.....................................65
DOMICÍLIO.................................................................................................................... 66
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1. CONCEITO............................................................................................................. 66
2. DOMICILIO DA PESSOA NATURAL...........................................................................66
2.1. Classificação do Domicilio da Pessoa Natural quanto a Origem......................67
3. DOMICILIO DA PESSOA JURÍDICA...........................................................................68
BENS JURÍDICOS........................................................................................................... 70
1. DIFERENÇAS ENTRE COISAS E BENS.....................................................................70
2. CLASSIFICAÇÃO DOS BENS QUANTO A SUA MOBILIDADE......................................70
2.1. Bens Imóveis................................................................................................... 70
2.2. Bens Móveis.................................................................................................... 71
3.

CLASSIFICAÇÃO

DOS

BENS

QUANTO

À

DEPENDENCIA

(RECIPROCAMENTE

CONSIDERADOS)....................................................................................................... 73
3.1. Modalidades de bens acessórios.....................................................................73
4. BEM DE FAMÍLIA..................................................................................................... 76
4.1. Origem............................................................................................................ 76
4.2. Espécies de Bem de Família............................................................................76
4.2.1. Voluntário ou convencional (art. 1711, CC)...............................................76
4.2.2. Legal......................................................................................................... 78
TEORIA DO FATO JURÍDICO........................................................................................... 84
1. FATO JURÍDICO....................................................................................................... 84
2. ATO JURÍDICO........................................................................................................ 84
2.1. Ato jurídico em sentido estrito........................................................................85
2.2. Negócio Jurídico.............................................................................................. 85
3. ATO FATO JURÍDICO............................................................................................... 85
4. NEGÓCIO JURÍDICO............................................................................................... 85
4.1. Teorias explicativas do Negócio Jurídico..........................................................86
4.2. Planos de análise do negócio jurídico (Pontes de Miranda).............................86
DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS..........................................................................89
1. ERRO..................................................................................................................... 89
1.1. Espécies de erro (Roberto de Ruggiero)..........................................................89
2. DOLO..................................................................................................................... 91
3. COAÇÃO MORAL.................................................................................................... 93
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......3.........................................2................1........ Classificação das ações quanto à eficácia de sua sentença......109 9.......................................... Hipóteses.................... Hipóteses (arts..... Classificação das Invalidades.............105 8..... 94 5............120 2......................................... 109 8..................... 116 1.... 166 e 167 do CC)...............................................3............................. Partes..... 98 7...................121 3...................... 122 4..................... 166 a 184.... 102 8..............118 2.................................................... Encargo....................................96 6..................6...................... Critério topográfico para identificar prazos prescricionais de decadenciais..........................2.................. 114 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA................ DIFERENCIAÇÃO DOS INSTITUTOS MEDIANTE A CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS........ CARACTERÍSTICAS E ASPECTOS RELEVANTES DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA ................................................................. Os direitos potestativos..............107 8.. Termo....................... ESTADO DE PERIGO....................121 2...................................................... Do fundamento da prescrição........................................................................... PLANO DE EFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS..............111 9....................................................................104 8.................... 124 7 ..... Os direitos a uma prestação........ Do fundamento da decadência.......... Características da nulidade relativa......2........................................117 2............... FRAUDE CONTRA CREDORES (ANULABILIDADE).................................................3........2........... Requisitos................................................105 8..........................4.........................3...3.............................................................................. Características da nulidade absoluta.................................................................1..........................2......................................104 8............ SUSPENSIVAS E INTERRUPTIVAS DO PRAZO PRESCRICIONAL ..............................100 7...................................................5.........1........................................... INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO (Arts.....2.................................................................... Nulidade absoluta (Nulidade)......... 116 2........... CC).................................109 8... NOÇÕES INTRODUTÓRIAS.......................................121 2.......1......................................................................................... 112 9................4............................ 101 7............1.................................................................................. Condição........ 116 2...............................................................................................................................2...................................... 112 9.... Nulidade relativa (anulabilidade)............................ SIMULAÇÃO (NULIDADE)...... CAUSAS IMPEDITIVAS..2......... LESÃO (ANULABILIDADE PARA CC E NULIDADE PARA CDC).......................1......................................................

... QUESTÕES ESPECIAIS DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA.............126 8 .......................5.

. Eduardo Espínola). não seria ele uma pessoa? (Caio Mário) Então há uma contradição entre a primeira e a segunda parte do art. 9 . 30 do CC espanhol. 2º do CC. Pessoa Física: sujeito de direito dotado de personalidade jurídica. com vida intra-uterina): 1) NATALISTA: teoria mais conservadora (Vicente Ráo. Silmara Chinelato – “A Tutela Civil do Nascituro”).Direito Civil PERSONALIDADE JURÍDICA 1. Em que momento a PF adquire personalidade jurídica? Nos termos da primeira parte do art. o sistema brasileiro. Esta teoria dá ênfase à primeira parte do art. Segunda parte do art. gozando de mera expectativa. é a qualidade para ser sujeito de direito. uma vez que a personalidade só é adquirida a partir do nascimento com vida. os direitos do nascituro. mas ainda não se pode dizer que é majoritária (Teixeira de Freitas. apesar da evidente contradição com a segunda parte do art. Para esta teoria. Teorias explicativas do nascituro (que é o ente concebido. ao considerar que o nascituro não é sujeito de direito. tendo mínimo de sobrevida de 24h e forma humana!). 2º do CC: “(.” Se o nascituro tem direitos. Segundo Pablo. CONCEITO A personalidade jurídica é aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações na órbita do Direito. desde a concepção. 2º. Clóvis Beviláqua. inclusive para efeitos patrimoniais. para efeito de aquisição de personalidade jurídica. a personalidade civil da PF começa do nascimento com vida. não exige tempo mínimo de sobrevida nem forma humana. 2º. 2º do CC. mas ainda não nascido. Silvio Venosa. ou seja. Silvio Rodrigues. portanto. ambas detêm personalidade jurídica. Adquire personalidade jurídica desde a concepção. o nascituro seria considerado pessoa. À luz do princípio da dignidade da pessoa humana. Limongi França. 2) CONCEPCIONISTA: vem ganhando espaço no direito brasileiro. é a teoria mais adotada na doutrina brasileira.. PF e PJ são sujeitos de direito. afastando-se do art.) mas a lei põe a salvo. desde a concepção. (Espanha: nascer com vida. inclusive para efeitos patrimoniais.

DATA DA FIXAÇÃO PELO JUIZ. porquanto o fundamento da compensação é a existência de um sofrimento impossível de ser quantificado com precisão. DESNECESSIDADE. POSSIBILIDADE. observa Clóvis Beviláqua na obra “Código Civil dos Estados Unidos do Brasil”. por ser mais prática. podemos observar no sistema brasileiro inúmeros dispositivos que. 399028-SP). de maneira que os efeitos patrimoniais só seriam observados a partir do nascimento com vida. FIXAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. em comparação com outros filhos do de cujus. todavia. 10 . posto não tão relevante: DA PERSONALIDADE FORMAL OU CONDICIONAL. tratando-o como sujeito. PROCESSO CIVIL. o próprio autor aponta inúmeras situações em que o nascituro é considerado pessoa. Rio. Assim. já nascidos na ocasião do evento morte. Esta teoria afirma que o nascituro é dotado de personalidade em face de direitos extra-patrimoniais. admitindo indenização por dano moral (que é lesão a direito da personalidade) ao nascituro. o codificador. JUNTADA DE DOCUMENTO NA FASE RECURSAL. reforçando tese já esposada pela jurisprudência. Obs2: Existe uma teoria intermediária. teria adotado a TEORIA NATALISTA.804/2008 consagrou os alimentos gravídicos (reconhecendo alimentos em favor do nascituro). Reforçando ainda mais a tese na qual o nascituro é um sujeito de direitos no direito brasileiro. . Qual a teoria adotada pelo CC brasileiro? Aparentemente. DATA DO EVENTO DANOSO. Em reforço à teoria concepcionista. CORREÇÃO MONETÁRIA. ANULAÇÃO DO PROCESSO. Ed. FILHO NASCITURO.Impossível admitir-se a redução do valor fixado a título de compensação por danos morais em relação ao nascituro.Direito Civil Obs1: Reforçando a teoria concepcionista. MORTE. nascituro goza de direito à personalidade. demonstrando a inequívoca influência concepcionista. 1975. INEXISTÊNCIA DE DANO. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. confere-lhe direitos (ver quadro esquemático do material de apoio). DIE A QUO. existe entendimento no STJ (Respe nº 931556-RS. a Lei nº 11. Ementa (Respe 931556) RESPONSABILIDADE CIVIL. DESDE QUE NÃO CONFIGURADA A MÁ-FÉ DA PARTE E OPORTUNIZADO O CONTRADITÓRIO. ACIDENTE DO TRABALHO. JUROS DE MORA.

o direito à indenização por dano moral não desaparece com o decurso de tempo (desde que não transcorrido o lapso prescricional). sem que acarretem prejuízos aos litigantes. ATENUAÇÃO. DANOS MORAIS. inclusive nesta instância. Recurso especial da ré não conhecido. PRECEDENTES DA TURMA. buscando dar solução definitiva ao caso e evitando inconvenientes e retardamento da solução jurisdicional. mas é fato a ser considerado na fixação do quantum. é principalmente com base na gravidade da lesão que o juiz fixa o valor da reparação. NASCITURO. Recurso especial dos autores parcialmente conhecido e. estão sujeitos ao regime da responsabilidade extracontratual.O nascituro também tem direito aos danos morais pela morte do pai.É possível a apresentação de provas documentais na apelação.É devida correção monetária sobre o valor da indenização por dano moral fixado a partir da data do arbitramento. nesta parte. a Súmula nº 54 da Corte.Direito Civil . DOUTRINA. portanto. II . à imagem e à sepultura. provido. que em geral é adquirida aos 18 anos): 11 . Ementa (Respe 399028) DIREITO CIVIL. em se tratando de acidente de trabalho. Enunciado nº 1 da 1ª Jornada de Direito Civil reconheceu que o natimorto é merecedor de tutela jurídica. COMPOSIÇÃO FÉRREA. O que é natimorto? É o nascido morto. I . Precedentes . . contabilizando-os apartir da data do evento danoso. PRESCRIÇÃO INEXISTENTE. devendo ser reputados válidos os atos que cumpram a sua finalidade essencial. há a capacidade plena.Embora sejam muitos os fatores a considerar para a fixação da satisfação compensatória por danos morais. Goza de eficácia promocional que aplica-se àqueles que não nasceram com vida. ATROPELAMENTO. como o direito ao nome. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Precedentes. AÇÃO AJUIZADA 23 ANOS APÓS O EVENTO. CAPACIDADE A capacidade desdobra-se em (reunindo ambas. . Precedentes.Nos termos da orientação da Turma. MORTE.Recomenda-se que o valor do dano moral seja fixado desde logo. FIXAÇÃO NESTA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. 2. mas a circunstância de não tê-lo conhecido em vida tem influência na fixação do quantum. desde que não fique configurada a má-fé da parte e seja observado o contraditório. DIREITO AOS DANOS MORAIS. . INFLUÊNCIA NA QUANTIFICAÇÃO DO QUANTUM. III .A sistemática do processo civil é regida pelo princípio da instrumentalidade das formas. aplicando-se.Os juros moratórios.

temos que a legitimidade é a pertinência subjetiva para a 2.521. são capazes mas não têm legitimidade. sem sentença de interdição (portanto. seria válido o ato? O incapaz portador de enfermidade ou deficiência mental. interpretando o inciso II do art. Em caso de pessoa em surto psicótico. a incapacidade é a falta da capacidade de fato. Incapacidade: A incapacidade pode ser absoluta ou relativa. a) Absoluta: são representados. Incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I – os menores de 16 anos (menores impúberes). não puderem exprimir sua vontade*2. sem declaração da incapacidade) prévia. IV). III – os que. Orlando Gomes diz que no atual estágio do direito moderno. e 1. mesmo por causa transitória. O que é. que venha a praticar ato prejudicial ao seu interesse. 3º do CC. por enfermidade ou deficiência mental.749. prática de determinado ato. Assim. realiza ato jurídico prejudicial a si mesmo. Art.1. 2. II – os que. na teoria do Direito Civil. CAPACIDADE DE FATO: traduz aptidão para pessoalmente praticar atos na vida civil. mas não há legitimidade. este permanecerá inválido. Faltar legitimidade significa existir um impedimento específico para a prática de determinado ato (art. 3º é forte no sentido de que. caso o incapaz pratique ato posterior em momento de lucidez. ainda não interditado. CAPACIDADE DE DIREITO: qualquer pessoa tem pelo simples fato de ter personalidade. não há que se separar os conceitos de personalidade e de capacidade de direito. Nem todo mundo tem capacidade de fato. daí a incapacidade. a “legitimidade”? Seguindo a doutrina de Calmon de Passos. há capacidade de direito. mas estar impedida de praticar determinado ato: isto é a ilegitimidade. I. Sendo pessoa. É genérica. Nada tem a ver com capacidade.Direito Civil 1. pode ter este ato posteriormente 12 . uma vez interditado (sentença declaratória). 1. Uma pessoa pode ser capaz. Exs: casamento de irmãos. aquisição de bens do tutelado pelo tutor: há capacidade do tutor. *1Obs: a doutrina. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos*1.

4º do CC. Outro caso é o entorpecimento fortuito (ex: pessoa recebe chiclete de terceiro com substância entorpecente). *2 Obs: se a causa transitória gera incapacidade absoluta. Art. Esta teoria.net: texto de Claus Roxin sobre o tema da actio libera in causa. Indicação: www. por deficiência mental. b) Relativa: são assistidos. que leva à incapacidade absoluta por causa transitória. entende-se que o caso específico permanece dentro da incapacidade absoluta. apesar do CC/02 não repetir o texto. Em reforço à tese exposta.Direito Civil invalidado? Deve-se seguir a segurança jurídica (aqui o ato seria válido) ou se ater aos interesses do incapaz? A doutrina brasileira. em coma induzido: trata-se de incapacidade absoluta por causa transitória. especialmente influenciada pelos sistemas italiano e francês. II – os ébrios habituais. e os que. tenham o discernimento reduzido. Segundo Orlando Gomes. lançando mão de substância estupefacientes ou congêneres. 503 do Código Civil francês admite a invalidação dos atos praticados pelo incapaz ainda não interditado.cienciaspenales. a causa permanente também (o CC/16 dizia que o surdo-mudo que não tinha habilidade para manifestar a vontade era absolutamente incapaz. O caso de Felipe Massa. com base na teoria da actio libera in causa. a invalidação desse ato pressupõe: A incapacidade do agente. coloca-se em estado de incapacidade não pode alegar isenção de responsabilidade. Demonstração da má-fé da outra parte. segundo o grande Alvindo Lima (pai da responsabilidade objetiva no Brasil). também se aplica ao Direito Civil. 13 . sustenta a possibilidade de invalidação do ato. o art. os viciados em tóxicos. Incapazes a certos atos ou a maneiras de os exercer: I – os maiores de 16 e menores de 18 anos (menores púberes). Silvio Rodrigues afirma que a má-fé da outra parte pode ser circunstancialmente demonstrada (ex: compro um Audi de um incapaz por R$500. A pessoa que. voluntariamente. O grave prejuízo sofrido por ele. em sua tese da culpa ao risco. já que se trata de uma causa permanente).00).

Senilidade (idade avançada) não é por si só causa de incapacidade. segundo a qual. Parágrafo único. que. mas é regulada no art. nos termos da lei especial. 4º. O curador deve se manifestar no casamento do curatelado? Não. quanto ao aspecto pessoal. adaptado à convivência social. Não se enquadra ao índio em contato. 14 . *3 Obs: O pródigo é a pessoa que gasta imoderadamente o seu patrimônio. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial*4. em regra. devendo ser nomeado um curador para assisti-lo em atos de repercussão patrimonial. considera-o absolutamente incapaz. em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana. desde que não lhe seja prejudicial. é considerado relativamente incapaz. O pródigo. é vida digna). Não se aplica a regra deste artigo no caso em que o índio revele consciência e conhecimento do ato praticado. Ed.001/73 (Estatuto do Índio).782. 8º São nulos os atos praticados entre o índio não integrado e qualquer pessoa estranha à comunidade indígena quando não tenha havido assistência do órgão tutelar competente. 8º da Lei nº 6. nos termos do art. mas deve se manifestar no âmbito patrimonial na habilitação para o casamento. c/c 1.Direito Civil III – os excepcionais. Renovar. sem desenvolvimento mental completo. as normas civis devem resguardar sempre um mínimo de patrimônio para que cada pessoa tenha vida digna (não é apenas sobrevivência. *4 Obs: o índio não tem a capacidade tratada no CC. no que tange ao regime de bens. Parágrafo único. Luiz Edson Fachin. Art. podendo reduzir-se à miséria. e da extensão dos seus efeitos. IV – os pródigos*3. IV. O que é “Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo”? Tese desenvolvida pelo Prof.

Com a maioridade cessa o pátrio-poder. com instrução sumária. o Enunciado nº 3 da 1ª Jornada de Direito Civil traduz a posição predominante no sentido de que. Filhos. Ementa (Respe 442502) Pensão alimentícia. quando então será apurada a eventual necessidade de o filho continuar recebendo a contribuição. Reforçando a tese segundo a qual o cancelamento da pensão não é automático. mas não termina automaticamente. Ação própria. Recurso conhecido pela divergência. nem do filho o ingresso com ação de alimentos. Extinção.Direito Civil 2. a despeito da redução da maioridade civil para os 18 anos. salvo situação especial que recomende sejam as partes enviadas à ação própria. . Exoneração. exigindo o devido processo civil constitucional. o alimentante pode requerer. fora editada a Súmula nº 358. Maioridade. o cancelamento da pensão não se dá de imediato.DJe 08/09/2008Cancelamento de Pensão Alimentícia de Filho .Maioridade – Contraditório: O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial. nos autos da ação em que foram estipulados os alimentos. mas desprovido. Filho Maior. do STJ1.13/08/2008 . há procedimento específico para isso. A exoneração da pensão alimentar depende de ação própria na qual seja dado ao 1 STJ Súmula nº 358 . Assim. QUE ESTABELECE A IDADE DE 21 ANOS. uma vez que tudo pode ser apreciado nos mesmos autos. Ementa (Respe 347010) ALIMENTOS. PARA FIM DE PAGAMENTO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PREVALECE O LIMITE DE IDADE DA LEI ESPECIAL. ainda que nos próprios autos. que deve tomar como referência de TERMO FINAL O PERÍODO DE CONCLUSÃO DOS ESTUDOS (Respe nº 347010-SP. 15 .Não se há de exigir do pai a propositura de ação de exoneração. 442502-SP). o dever de prestar alimentos.Atingida a maioridade do filho. mediante contraditório. . o cancelamento da prestação.2. Necessidade. Efeitos da redução da maioridade civil 1) No que tange ao aspecto previdenciário. 2) Alimentos e Direito de Família: o STJ já firmou o entendimento no sentido de que a maioridade civil não implica cancelamento automático do pagamento da pensão alimentícia.

quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos. ouvido o tutor. Cessará.pela concessão dos pais. Recurso especial conhecido e provido. a incapacidade: I . por razão do princípio da isonomia). se for o caso.1. se o menor tiver dezesseis anos completos. Emancipação Voluntária A emancipação voluntária. a exemplo do art. ou de um deles na falta do outro. antecipa os efeitos da maioridade civil. III . 133 do Código de Portugal. b) Judicial (I. Barros Monteiro. a maioridade é atingida no primeiro instante do dia em que a pessoa completa 18 anos.pelo casamento. ou por sentença do juiz. 2. Está prevista no art. IV . ou de um deles na falta do outro. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.3. podendo ser: a) Voluntária (I. ambos devem comparecer ao cartório. Segundo o Prof. a impossibilidade de prover a própria subsistência. parágrafo único. desde que o menor tenha pelo menos 16 anos completos.pelo exercício de emprego público efetivo.pelo estabelecimento civil ou comercial. desde que. mediante instrumento público. c) Legal (II a V) Art. independentemente de homologação do juiz é manifestação dos pais (assim.pela colação de grau em curso de ensino superior. independentemente de homologação judicial. instituto jurídico não apenas consagrado no Brasil. em função deles.3. II . mas também em diversos outros sistemas. V . ou pela existência de relação de emprego. 5º. 2. 16 . comprovando. Emancipação A emancipação. conferida em caráter irrevogável e por instrumento público. É irrevogável. 1ª parte).Direito Civil alimentado a oportunidade de se manifestar. 2ª parte). Parágrafo único. para os menores.

a doutrina brasileira (Silvio Venosa). Fernando Simão. é possível por exceção. antecipar os efeitos da maioridade civil. mas o juiz. Uma vez casado. 2. a pessoa permanece emancipada. casando-se mediante autorização dos representantes legais ou do juiz (assim. Em Direito de Família será estudado oportunamente. o casamento de pessoa com idade inferior a 16 anos. Nesse caso. quem emancipa o menor não é o tutor. 1520 do CC.2. casamento de menor de 16 anos. Logicamente. desde que o menor tenha pelo menos 16 anos completos. Emancipação Legal Hipóteses de emancipação legal: 1) Por meio do casamento: a idade mínima para se casar é 16 anos para ambos os nubentes (o CC/16 previa que era 16 para mulheres e 18 para homens). regra geral. a despeito de existir polêmica. ocorre por conseqüência a emancipação).Direito Civil Obs: A despeito de a emancipação.3. assim como a jurisprudência (RTJ 62/108. Pode haver casamento de menores de 16 anos? Na forma do art.3.3. caso o indivíduo venha a se separar ou a se divorciar posteriormente. 17 . em 2 situações: ocorrência de gravidez ou para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. 2. ressalvada a hipótese do casamento putativo (neste. forte corrente doutrinária sustenta a retroatividade dos efeitos da sentença de invalidade (Flávio Tartuce. por consequência. Nesse caso. ouvido o tutor. de maneira que seria adequado concluir o retorno à situação de incapacidade. ocorrerá também a emancipação. a autorização é para casar. Emancipação Judicial A emancipação judicial é aquela concedida pelo juiz. casando-se. extinguir o poder e a responsabilidade dos pais sobre os filhos. No que tange à invalidade do casamento. e. uma vez que tais sentenças têm eficácia para o futuro. RT 494/92). o indivíduo está emancipado. Zeno Veloso). Emancipado pelo casamento. sustentam a possibilidade de os pais permanecerem responsáveis pelo filho emancipado até os 18 anos de idade. esse tipo de emancipação se aplica a menores que não estão sob poder familiar dos pais.

será o mesmo tratado 18 . Se menor aos 16 anos trabalha em shopping. com economia própria (ex: banca sua subsistência. está emancipado por força de lei (observe-se que não há nenhum documento que formalize tal situação). desde que em função deles. A CF autoriza o exercício laborativo de pessoas a partir de 16 anos (e dos maiores de 14 como aprendizes). Ex: carreira militar. A perda do emprego não o faz retornar a situação anterior.3. Caso venha cometer ilícito criminal. um dos vetores normativos do novo código civil segundo Miguel Reale. moradia). são: os princípios da socialidade (prestígio da função social) e o princípio da eticidade (prestígio da boa-fé).4. que só é atingida aos 18 anos. Questões especiais referente ao Menor emancipado 1.Direito Civil mesmo inválido. o menor com 16 completos tenha economia própria. a ser preenchido pelo juiz segundo as circunstâncias do caso concreto. assim como a expressão “justa causa”. 2. Raríssimas hipóteses permitem que um menor de 18 anos assuma um cargo público. são preservados seus efeitos). 3) Por colação de grau em curso de ensino superior: também raríssimos casos. Os dois outros princípios regentes do Código Civil. 2) Pelo exercício de emprego público efetivo: se exercício de emprego público emancipa assim também o faz o exercício de cargo público. ainda segundo Reale. o moderno direito Civil adotou um sistema aberto de normas. Assim o CC está em consonância com a CF. por conta da boa-fé de um dos cônjuges. “economia própria” é um conceito vago ou fluídico. empresarial) ou pela existência de relação de emprego. O que se entende por economia própria? Como se sabe. 4) Opera-se ainda pelo estabelecimento civil ou comercial (atualmente. permeado de clausulas gerais e conceitos abertos ou indeterminados. Comete crime? O menor emancipado não tem imputabilidade penal. A luz do princípio da operabilidade.

3. DIREITOS DA PERSONALIDADE 3. A partir das décadas de 60 e 70. Os entes despersonalizados. 19 . fatores outros como sociais. que podem ser sujeitos de direito e titularizar relações jurídicas. LFG sustenta a tese no sentido de admitir a prisão civil já que é apenas é apenas meio coercitivo de pagamento. foi estabelecida uma relação implicacional com a seguinte perspectiva: Toda pessoa 2 tem personalidade jurídica. sociedade de fato. mas depende muito da situação. Historicamente. Emancipação cancela Pensão Alimentícia? Regra geral sim. 2. no Código Civil de 16. Linhas gerais e conceituação A boa compreensão da matéria exige como premissa fundamental a compreensão do que é personalidade jurídica.1. Ter personalidade. o conceito de personalidade jurídica não trazia diferenciação entre os entes despersonalizados e os demais. por exemplo. argumentando que se ter personalidade é apenas ter aptidão para ser sujeito de direito é insuficiente. atributo para ser sujeito de direito. são sujeitos de direito. pessoa só interessa porque detem personalidade jurídica. 2 No Direito. caso configurado crime falimentar. embora não dotados de personalidade jurídica. Falência? O Prof. Paulo Sumariva (artigo: Lei de Falências e imputabilidade penal) sustenta que o menor emancipado poderá falir e. O Prof. inciso I do CBT exige que o condutor seja “penalmente imputável”. antropologica ou políticos (metajuridicos) estão fora do alcance do Direito. responder por ato infracional segundo o ECA. ou seja. 4. herança jacente. Pontes de Miranda começa a contestar esta relação obrigacional. Basta pensar na situação dos entes despersonalizados (condômino. pois figuram nos pólos ativo ou passivo de relações jurídicas. Por que o emancipado não pode dirigir? O artigo 140. 3. ou seja. massa falida). filosóficos. Praticamente. significava ter um atributo que permitia titularizar relações jurídicas. não poderá emancipar o filho com o intuito de livrar-se da pensão alimentícia. na forma do ECA. O pai.Direito Civil como ato infracional.

vice-versa. pois os direitos da personalidade constituem uma proteção fundamental dentro de uma relação privada. Art. Percebeu-se que da personalidade jurídica decorreria a necessidade de uma proteção fundamental essencial. quem tem personalidade jurídica dispõe de uma proteção elementar. O conceito de personalidade é um conceito de proteção fundamental. Ser pessoa agora significa ter proteção. FUNDAMENTAL.819RJ. Abraçando as críticas de Pontes de Miranda. que seriam os direitos de personalidade. como a honra. Na decisão proferida no RE 201. Todo direito da personalidade é um direito fundamental. como a integridade física e a psíquica são direitos da personalidade. o Supremo consagrou a tese da eficácia horizontal dos direitos fundamentais (aplicação direita dos direitos 20 . mas outros. Trata-se de um movimento chamado REPERSONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL. extremamente relacionado com o Direito Civil Constitucional. imagem e privacidade (são ambos). tudo direito fundamental é um direito da personalidade? De modo algum. do CC de 2002. apresenta uma nova concepção sobre o tema. o Artigo 1º. onde o Direito Civil passa a se preocupar com a proteção da pessoa. Alguns direitos da personalidade são direitos fundamentais e. ainda. nota-se que os Direitos da Personalidade constituem uma das categorias fundamentais do Sistema do Direito Privado. ou. E. São direitos que não se confundem. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.Direito Civil Diante disso. consubstanciada nos DIREITOS DA PERSONALIDADE. nenhuma pessoa poderá sofrer limitações a sua personalidade (conceito uno e indivisível). Quem é pessoa tem personalidade jurídica. básica. Trata-se de um passo evolutivo na matéria. portanto. percebeu-se que procedia a crítica de Pontes de Miranda: Para que serviria a personalidade jurídica se mesmo não dispondo dela poderia ser sujeito de direito? Tal incoerência conceitual fez com que houvesse necessidade de um novo redimensionamento do conceito de personalidade. Com isso. mas não são direitos fundamentais.

mas a recíproca não é verdadeira. mas possuem capacidade e. do CC foi além: quem tem personalidade também tem capacidade. direitos da personalidade não se confundem com direitos fundamentais. Obs: Se o conceito de personalidade prende-se aos direitos de personalidade. Antes. contudo. Todo aquele que titulariza relação existencial. quem titulariza direitos da personalidade pode ser sujeito de qualquer relação jurídica. nem todo aquele que tem capacidade tem personalidade. mas poderão titularizar relações patrimoniais. paragrafo 2º. Capacidade Jurídica é a aptidão para ser sujeito de direito. Assim. terá capacidade jurídica quem é sujeito de direito. A aplicação da multa ao condômino. embora os direitos fundamentais sejam constituídos na perspectivas do direito público.Direito Civil fundamentais na relações privadas). também poderá titularizar relações patrimoniais. Nos artigos 1336. podem ser sujeitos de direito. onde toda e qualquer relação privada deve ser compreendida conforme as garantias constitucionais. os entes despersonalizados jamais titularizarão relações existenciais. Na capacidade de direito é a possibilidade de titularizar a relação. mas que tem personalidade também tem capacidade. Agora. enquanto a capacidade de fato é a capacidade de ser sujeito PESSOALMENTE. Pessoa tem personalidade e tem direitos da personalidade. O artigo 1º. enquanto o conceito de CAPACIDADE prende-se às RELAÇÕES PATRIMONIAIS. dizia-se que capacidade jurídica seria a medida da personalidade. de ser sujeito. Capacidade é outra. é necessário garantir-lhe o devido processo legal? Sim. ou seja. já que é dividida em capacidade de direito (gozo) e capacidade de exercício (fato). Assim. então o conceito de PERSONALIDADE diz respeito às RELAÇÕES EXISTENCIAIS. porque direito fundamental e os direitos fundamentais trazem consigo uma eficácia horizontal. Já o conceito de capacidade admite gradações. deste modo. Os entes despersonalizados não possuem personalidade jurídica. Assim. mas. Personalidade é uma coisa. e 1337 estabelecem a possibilidade de exclusão do condômino anti social. intuitiva eficácia vertical. essa capacidade pode ser plena (pratica pessoalmente os atos) ou limitada (não pratica os atos 21 . eles possuem também uma eficácia horizontal ao lado de sua natural.

direitos da personalidade e pode ser sujeito de direito e portanto tem capacidade de direito. de que um imóvel de elevado valor poderia ser objeto de penhora. mas não tem capacidade de fato. O conceito de capacidade admite gradações e é denominada TEORIA DAS INCAPACIDADES que incide sobre a capacidade de exercício. Assim. O conteúdo jurídico mínimo do princípio da dignidade humana seria: a) integridade física e psíquica (Ex: Lei nº 11346/2006: direito a alimentação adequada) b) liberdade e igualdade (Ex: Respe 820. portanto.475-RJ: reconhecimento do STJ de possibilidade de declaração judicial de união familiar homoafetiva) c) direito ao mínimo existencial (patrimônio mínimo) (Ex: Lei nº 11. Sendo assim. 649 do CPC. O STJ (Resp 1. 1º. com base no princípio da dignidade. sob forte influência cristã. independente 22 . no início de 2011.469-SP). sendo esta categoria um atributo da pessoa. Existe a cláusula geral de proteção da personalidade.382/2006: modificou o art. sendo que estes são apenas os necessários para manter o padrão médio de vida digna) Marinoni capitaneou a corrente. com a ideia de dignidade. diante do abrangente caráter existencial dos direitos da personalidade. que seria este o descrímen. para impedir novas barbáries contra a pessoa humana). O rol dos direitos da personalidade é taxativo? O rol é somente exemplificativo.que os direitos da personalidade constituem a proteção fundamental para as pessoas nas relações privadas.178. podemos sustentar que não há conceituação do princípio da dignidade. mas é possível enxergar a sua densidade mínima. pacificou o entendimento de que. Celso Antonio Bandeira de Melo. transportando este raciocínio. da CF. dignidade da pessoa humana. ao tratar do princípio da igualdade. III. consequentemente. Estes direitos da personalidade são de construção recente (pois somente vislumbrados após a 2º. tem densidade. alterando o conceito de proteção do bem de família móvel. Conclui-se. Ex: criança de 3 anos tem personalidade e. seu núcleo duro.Direito Civil pessoalmente). também chamado de direito geral da personalidade: art. Direitos da personalidade correspondem a tudo aquilo que é necessário para garantir uma vida digna em uma relação privada. sustenta que este princípio não tem conceito. Guerra. os DP formam a categoria jurídica fundamental do sistema privado.

• concepcionista: reconhece direitos existenciais (da personalidade) desde a concepção e os patrimoniais ficam condicionados ao nascimento com vida. salvo exceções como os alimentos gravídicos. Também entendem a personalidade adquirida na concepção. SERÁ SEMPRE IMPENHORÁVEL. já goza de personalidade em razão dos direitos existenciais. SENDO ÚNICO O IMÓVEL. mas todos os patrimoniais ficam condicionados ao nascimento com vida.2. 3. mas meras expectativas. Momento aquisitivo dos direitos da personalidade Art. os direitos do nascituro. desde a concepção. 23 . o momento aquisitivo dos direitos da personalidade é a CONCEPÇÃO. Assim. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida. folgadamente majoritárias. a personalidade só é adquirida a partir do nascimento com vida. mas a lei põe a salvo. De acordo com a 2ª e a 3ª teoria.Teorias: • natalista: não reconhece direitos ao nascituro. adotando entendimento mais regulatório do que principiológico. O STJ manteve o posicionamento da lei em detrimento da posição principiológica da doutrina.Direito Civil do seu valor. Assim. O nascituro tem direitos da personalidade. •condicionalista: reconhecem direitos da personalidade (existenciais) desde a concepção.

clausula de inclusão) no momento da abertura da sucessão. sendo que o descarte é para encaminhamento para pesquisas com células tronco. imagem e sepultura. Art. não poderiam ser descartados. Natimorto gozaria de direitos da personalidade? Trata-se dos casos em que foi concebido mas não nasceu com vida. Enunciado nº 1 da Jornada de Direitos Civis: 1 – Art. que se daria com a nidação. posicionando-se assim o Supremo no sentido de que os embriões não gozam de direitos da personalidade. como o direito à herança ou elgado. QUANTO À LABORATORIAL. há prevalência do entendimento de que esta expressão se refere TANTO À CONCEPÇÃO UTERINA. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas (norma de expansão. porque o princípio constitucional de igualdade entre os filhos é um princípio de inclusão e não exclusão. Apesar do texto referir-se a pessoas “já concebidas”. 2º: a proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade. 5º da Lei nº 11. porque tal dispositivo estabelece que no Brasil embrião laboratorial somente pode ser preparado para fins reprodutivos e não para pesquisas. Se o casal não mais tiver interesse. 1. tais como nome. Seria assim constitucional esse descarte para pesquisa? O STF entendeu que é constitucional.798. do contrário. mesmo não tendo personalidade. 24 . Embrião laboratorial não tem personalidade.Direito Civil E qual seria o momento da concepção? Caio Mário entende que concepção é uterina (como entende o direito penal). pode ter direitos patrimoniais. mas teria direito à herança? Ainda que não titularize relações existenciais. Se sobrar embriões o casal poderá utilizá-los novamente dentro do prazo de 3 anos.105/05 (Lei de Biossegurança). Como ficaria o caso de embriões em laboratório (concepção laboratorial)? A ADIn 3510-DF discutiu a constitucionalidade do art. o médico descarta. Assim. embrião pode titularizar direito patrimonial.

É questão puramente processual. Contudo. CC): estabelece o dispositivo que o direito à reparação de danos transmite-se ao espólio. Tal violação. Neste caso houve ou não transmissão dos direitos da personalidade? Claramente que não. Tal lesão não produzirá nenhum efeito jurídico.Direito Civil 3. o espólio pode promover a ação reparatória em nome do falecido. alguém que sofreu o dano ainda vivo e morreu sem promover a ação. Assim. Assim. promoveu a ação e faleceu no curso do procedimento. Neste caso. Momento extintivo dos direitos da personalidade Acompanha a mesma lógica do momento aquisitivo. esta lesão atingiu diretamente o morto. pois a morte não lhe suspende ou interrompe. 12. o CPC afirma que os seus sucessores se habilitam no processo e dão continuidade a ele. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança. O que se transmitiu foi o direito à reparação (um direito patrimonial) e não o direito da personalidade.3. o momento extintivo dos direitos da personalidade é a MORTE. c) LESADOS INDIRETOS (art. 43. 943. houve tão somente a substituição do pólo ativo da relação processual. 943. pressupõe a inexistência de prescrição. Art. em razão da morte do titular. o espólio recebe a indenização em nome do falecido. porque a sua personalidade já se extinguiu. há três situações polêmicas relativas aos direitos da personalidade e a morte: a) SUCESSÃO PROCESSUAL (art. garantido pelo art. Os Direitos da Personalidade são vitalícios e não perpétuos. Nesse caso. Sendo assim. a prescrição de reparação de danos é de 3 anos. sendo que este prazo prescricional será transmitido em curso. b) TRANSMISSÃO DO DIREITO À REPARAÇÃO DE DANOS SOFRIDOS EM VIDA (art. termina por atingir 25 . Este direito à reparação. Entretanto. CPC): ocorre quando o titular sofreu a violação à sua personalidade ainda vivo. contudo. Nesse caso. parágrafo único): quando a lesão à personalidade ocorre depois da morte do titular. 943.

ou qualquer parente em linha reta. noiva. enteado. § 3º. TRATANDO-SE DE LEGITIMIDADE CONJUNTIVA (cada um promovendo a sua ação).DIREITO DO COMPANHEIRO. Art. colaterais até o 4º grau. São os lesados indiretos: cônjuge ou companheiro. À PERCEPÇÃO DO BENEFÍCIO DA PENSÃO POR MORTE DE SEU PARCEIRO. ascendentes. 1. a direito da personalidade. NA UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA. padrasto). e reclamar perdas e danos. INDEPENDENTEMENTE DE SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL OU IDENTIDADE DE GÊNERO . DA LEI FUNDAMENTAL CONSTITUI TÍPICA NORMA DE 26 . cada lesado indireto terá indenização individualizada. DESDE QUE OBSERVADOS OS REQUISITOS DO ART. Em se tratando de morto. Ementa RE 477554. Trata-se de legitimação ordinária (pleiteia-se em nome próprio direito próprio) e. porque os LESADOS INDIRETOS ESTÃO LEGITIMADOS EM NOME PRÓPRIO.PRINCÍPIOS DE YOGYAKARTA (2006): DIREITO DE QUALQUER PESSOA DE CONSTITUIR FAMÍLIA. Pode-se exigir que cesse a ameaça. que pode ser ampliado para abrigar outras pessoas com vínculo afetivo (fundamento deste rol) com o morto (Ex: namorada. assim. Parágrafo único.O AFETO COMO VALOR JURÍDICO IMPREGNADO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL: A VALORIZAÇÃO DESSE NOVO PARADIGMA COMO NÚCLEO CONFORMADOR DO CONCEITO DE FAMÍLIA . ou a lesão.O DIREITO À BUSCA DA FELICIDADE. terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente. 226. 12.ALTA RELEVÂNCIA SOCIAL E JURÍDICO-CONSTITUCIONAL DA QUESTÃO PERTINENTE ÀS UNIÕES HOMOAFETIVAS . STF UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO . Não há transmissão dos direitos da personalidade.LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DO RECONHECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR: POSIÇÃO CONSAGRADA NA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (ADPF 132/RJ E ADI 4. VERDADEIRO POSTULADO CONSTITUCIONAL IMPLÍCITO E EXPRESSÃO DE UMA IDÉIA-FORÇA QUE DERIVA DO PRINCÍPIO DA ESSENCIAL DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ALGUNS PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DA SUPREMA CORTE AMERICANA SOBRE O DIREITO FUNDAMENTAL À BUSCA DA FELICIDADE .277/DF) . Entretanto. ou colateral até o quarto grau. este rol é exemplificativo.723 DO CÓDIGO CIVIL . sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.Direito Civil indiretamente os seus familiares vivos e estes familiares vivos são chamados de lesados indiretos. descendentes.O ART.

se lhe atingirem a honra. STJ. a boa fama ou a respeitabilidade.O DEVER CONSTITUCIONAL DO ESTADO DE IMPEDIR (E.109 (trata do caso da filha de Lampião e Maria Bonita. ou se se destinarem a fins comerciais. Direitos da Personalidade e liberdades públicas Trata-se de duas perspectivas distintas. Art.A FUNÇÃO CONTRAMAJORITÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO . Em se tratando de morto ou de ausente.697-RJ (biografia não autorizada de Garrincha.5º.A FORÇA NORMATIVA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O FORTALECIMENTO DA JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL: ELEMENTOS QUE COMPÕEM O MARCO DOUTRINÁRIO QUE CONFERE SUPORTE TEÓRICO AO NEOCONSTITUCIONALISMO . a divulgação de escritos. 20. a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas. 20). ART. NINGUÉM PODE SER PRIVADO DE SEUS DIREITOS EM RAZÃO DE SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL Quando se tratar do direito à imagem da pessoa morta. a transmissão da palavra.4. 27 . mas o pleno exercício. são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge. os colaterais estão excluídos do rol dos lesados indiretos (parágrafo único do art. Resp 86. ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública. 3. Os DP consitutem aquilo que é necessário para se ter vida digna em uma relação privada. Salvo se autorizadas. ajuizando indenização pelo uso da imagem de seus pais contra empresa do Rio de Janeiro) e Resp 521. ATÉ MESMO. XLI).Direito Civil INCLUSÃO . questionando os filhos a violação de sua privacidade).A PROTEÇÃO DAS MINORIAS ANALISADA NA PERSPECTIVA DE UMA CONCEPÇÃO MATERIAL DE DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL . Parágrafo único. a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber. pode exigir comportamentos positivos ou negativos impostas ao poder público. Estes comportamentos são chamados de liberdades públicas. ou a publicação. sua concretização.RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. DE PUNIR) “QUALQUER DISCRIMINAÇÃO ATENTATÓRIA DOS DIREITOS E LIBERDADES FUNDAMENTAIS” (CF. os ascendentes ou os descendentes.

Direito Civil Ex: direito de locomoção (direito da personalidade) e o habeas corpus (salvaguarda do direito de ir e vir). sendo que aquele é observado sob a ótica privada.5.6. o que não ocorre. se os direitos da personalidade fossem naturais. Algumas das liberdades públicas mereceram assento constitucional. aplicam-se também nas relações privadas. os Direitos da Personalidade não decorrem de uma ordem pré-concebida. 3. 3. Demais disso. há posição defendida por Pontes de Miranda e Gustavo Tepedino no sentido de que não seriam inatos. Sendo NATURAL assim. Direitos da personalidade e liberdades públicas são conceitos distintos. mas decorrem do próprio sistema jurídico. sejam liberdades públicas. mas decorrente de um POSITIVISMO CULTURAL. seriam também universais. Os direitos fundamentais. Direitos da personalidade da pessoa jurídica Vem-se discutindo se a Pessoa Jurídica titulariza ou não Direitos da Personalidade. ou não. isto é. seria uma ordem que possui um pré-concebida ao ordenamento jurídico (Maria Helena Diniz. Para esta tese os Direitos da Personalidade seriam inatos (inerentes à condição humana) e anterior ao sistema jurídico. sejam DP. um direito da personalidade. enquanto o HC é uma liberdade pública para garantir o direito de locomoção. Basta verificar a pena de morte nos EUA e os países da Asia e da Africa não poderiam prever inúmeras atrocidades aos Direitos Humanos. Embora minoritária. Pablo Stolze). (jus naturalisium). Um raciocínio mais superficial nos conduz a uma resposta afirmativa. encontramos posicionamentos a favor e contrariamente ao reconhecimento dos Direitos da Personalidade da Pessoa Jurídica. seria uma opção legislativa e não uma opção natural. sendo tratadas como garantias constitucionais. 28 . Ex: previsão da pena de morte em tempo de Guerra. Fontes dos Direitos da Personalidade A maioria da doutrina entende que a origem dos direitos da personalidade fundamento é o direito cristão. e como o sistema jurídico é construído por opções valorativas. Doutrinariamente. haja vista que ter personalidade é ter proteção.

direito à imagem. 29 . no que couber. a proteção dos direitos da personalidade.Direito Civil Predomina a posição de que os DIREITOS DA PERSONALIDADE ESTÃO SUSTENTADOS PELA CLÁUSULA GERAL DE DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (art. que permite que. “No que couber” significa naquilo que a sua falta de estrutura biopsicológica permita exercer. Aplica-se às pessoas jurídicas. 52 não diz que a Pessoa Jurídica tem Direitos da Personalidade. De qualquer maneira. a Pessoa Jurídica tem personalidade. mas a proteção deles decorrente alcança a Pessoa Jurídica. direito ao segredo empresarial. Cristiano. em razão de um atributo de elasticidade. Exs: direito ao nome. eles NÃO PODEM SER RECONHECIDOS ÀS PESSOAS JURÍDICAS. os Direitos da Personalidade constituem uma categoria essencialmente humana. mas tem PROTEÇÃO AOS DIREITOS DA PERSONALIDADE: Art. 52. Súmula 227 do STJ: “A PESSOA JURÍDICA PODE SOFRER DANO MORAL”. E o art. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais à pessoa humana. como o direito à integridade física e à intimidade. direito à privacidade. Este é uma qualidade dos Direitos da Personalidade. o STF decretou dano moral a PJ por protesto indevido de duplicata. decorrentes de sua dignidade. a sua PROTEÇÃO seja aplicável às Pessoas Jurídicas. Para o Prof. 52. Sendo assim. Por conclusão. NO QUE COUBER. direito autoral. embora não alcancem ordinariamente as Pessoas Jurídicas. Enunciado 286 da Jornada de Direito Civil: 286 – Art. Os direitos da personalidade constituem um categoria criada pelo Homem e para o Homem (proteção da pessoa humana). Outros Direitos da Personalidade não podem ser reconhecidos às Pessoas Jurídicas.954. JÁ QUE NÃO EXISTE A CLÁUSULA DE DIGNIDADE DA PESSOA JURÍDICA. a súmula estaria aperfeiçoada com a inclusão no final de seu texto da expressão “NO QUE COUBER”. 1º. não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais direitos. CF). No Resp 433.

que pessoa jurídica pode sofrer dano moral (violação aos direitos da personalidade). mas casuístico (depende de análise do caso concreto). RESPONSABILIDADE. mas nem toda proporcionalidade é ponderação de interesses. devendo indenizar o dano moral decorrente. em razão do ATRIBUTO DE ELASTICIDADE DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE. o conflito entre DP e direito de comunicação social encontra solução na técnica de ponderação de interesses. DANOS MORAIS. se se apresenta como técnica de solução de conflitos. Assim. . não tendo aspecto apriorístico.O banco endossatário que não toma as medidas necessárias à verificação davalidade da duplicata não aceita é responsável pelo protesto indevido do título emitido sem causa. Quando a proporcionalidade se mostra como princípio interpretativo das normas é considerada sinônimo de razoabilidade. . RECURSO ESPECIAL. A proporcionalidade pode se apresentar como princípio interpretativo das normas ou como técnica de solução de conflitos normativos.É inadmissível o recurso especial na parte em que não houve o prequestionamento do direito tido por violado.954 CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.7. PREQUESTIONAMENTO. BANCO ENDOSSATÁRIO. toda ponderação de interesses é proporcionalidade. DUPLICATA SEM CAUSA. Contudo. Conflito entre direitos da personalidade e direito de comunicação social O direito de comunicação social abrange: a) liberdade de imprensa b) liberdade de expressão Apresentada essa possibilidade de conflito é de se indagar qual seria a sua solução? A solução do conflito passa pela técnica da ponderação de interesses. Deste modo.Direito Civil Ementa REsp 433. 3. 30 . a proporcionalidade será técnica de ponderação de interesses. Conclui-se. portanto.

que os atos de restrição voluntária podem decorrer da autonomia privada e não apenas da lei. a doutrina vêm interpretando e concluindo. os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis. Com exceção dos casos previstos em lei. 11. cessão de imagem). DECORRENTE DE PUBLICAÇÃO PELA IMPRENSA. etc. como se denota do Enunciado 139 da Jornada de DC. não admite o hate speech. doação de órgãos. (Prejudicada pela não recepção da Lei de Imprensa. Embora o art. Súmula: 281 A INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL NÃO ESTÁ SUJEITA À TARIFAÇÃO PREVISTA NA LEI DE IMPRENSA. que dizia que o dano moral era estabelecido entre 5 e 10SM) 3. Características dos direitos da personalidade Art. ao contrário do norte-americano. 11 se refira a atos de restrição voluntária nos casos previstos em lei. Caracteristicas eleitas pelo Código Civil: Intransmissíveis e irrenunciáveis. doação de sangue. Ex: cessão de imagem. é o discurso do ódio ou da intolerância. contudo o STF negou o HC.8. 31 . numa tradução jurídica. nos casos previstos em lei. isto é. de atos de restrição voluntária: doação de sangue ou órgãos. com críticas odiosas aos judeus. Aqui. O autor alegou a sua liberdade de expressão. as manifestações de desprezo por pessoas ou grupos sociais. em que foi admitido pelo STF crime de racismo a autor de livro anti-semita.4242/RS. Lembrando que podem sofrer restrição voluntária (Exs. descrevendo o caráter não absoluto do direito. Súmula: 221 SÃO CIVILMENTE RESPONSÁVEIS (solidariamente) PELO RESSARCIMENTO DE DANO.Direito Civil O Direito brasileiro. como prova o HC. não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Melhor seria dizer: os Direitos da Personalidade são RELATIVAMENTE indisponíveis. STF 82. a liberdade de expressão (como todo direito) não é absoluta. TANTO O AUTOR DO ESCRITO QUANTO O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO.

mas de oponíveis erga omnes) b) inatos (no sentido de decorrentes do direito natural) c) extrapatrimoniais (o seu conteúdo não tem valor econômico. e) vitalícios e intransmissíveis (os Direitos da Personalidade se extinguem com o titular. ainda que não especificamente previstas em lei. Outras características dos direitos da personalidade: a) absolutos (não no sentido de não relativos. contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. se sofrerem dano à sua honra. • o ato de restrição NÃO PODE VIOLAR A DIGNIDADE DO TITULAR (mesmo com o seu consentimento).11: o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária. não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular. Enunciado 4 da Jornada de DC: 4 – Art. terão direito à indenização. desde que não seja permanente nem geral. 943) Art. Ex: Big Brother. Contudo. porque ninguém pode ser obrigado a ceder sua imagem para sempre. conforme o art. • o ato de restrição NÃO PODE SER GENÉRICO (tem de ser específico). mesmo com o consentimento dos participantes. São estes os limites: • o ato de restrição NÃO PODE SER PERMANENTE (tem de ser temporário). poderá denunciá-lo a qualquer tempo. Ex: se Ronaldo Fenômeno tiver contrato vitalício com a Nike. Como se observa. mas o direito a eventual reparação admite transmissão. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança. o que não impede que sua eventual violação gere uma reparação financeira) d) Impenhoraveis. mas a indenização que deles derivam pode ser). em que as pessoas estão cedendo à Rede Globo sua imagem e privacidade. Ex: arremesso de anão na França. em que a Suprema Corte francesa determinou a proibição do evento. por violar a sua dignidade. (O direito é impenhorável.Direito Civil 139 – Art. 32 . há limites ao ato de restrição voluntária aos Direitos da Personalidade. 11: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações. 943.

primeiramente a vítima quer a retirada de seu nome desse cadastro. Proteção jurídica dos direitos da personalidade Historicamente a proteção jurídica de direitos esteve baseada no binômio lesão e sanção. PRISÃO E TORTURA POR MOTIVOS POLÍTICOS. 1. No entanto. REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. e ostenta amparo constitucional no art. Exceção: há um caso em que o STJ estabelece a imprescritibilidade de uma pretensão reparatória: a decorrente de tortura. exercer seu direito da personalidade.º.º. o prazo comum: 3 anos).209/RJ PROCESSUAL CIVIL. Resp 816. REGIME MILITAR. doutrinanriamente. ADMINISTRATIVO. 3.º 20. Ao longo da década de 90. 33 . § 3. contudo haverá prazo extintivo para que o titular reclame indenização. Ex: se alguém tem seu nome indevidamente inscrito em cadastro de proteção de crédito. 8. PERSEGUIÇÃO. a Súmula 278 do STJ: O termo inicial do prazo prescricional. na ação de indenização. INDENIZAÇÃO.º DO DECRETO N. é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral. como sói ser a proteção da sua dignidade lesada pela tortura e prisão por delito de opinião durante o Regime Militar de exceção enseja ação de reparação ex delicto imprescritível. motivo pelo qual construiuse. 1. CC). ou seja. a teoria da Actio Nata. A violação aos direitos humanos ou direitos fundamentais da pessoa humana. passou-se a se questionar se o binômio era suficiente para tutelar um direito. por exemplo. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. IMPRESCRITIBILIDADE.9. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.910/32. INAPLICABILIDADE DO ART.Direito Civil f) imprescritíveis (não há prazo extintivo para o seu exercício. Percebeu-se que a vítima tinha interesse na proteção efetiva do seu direito e não meramente na sanção ao violador. isso não é justo pois a data da lesão não é necessariamente a data do conhecimento da lesão. A sanção se exteriorizava em perdas e danos. O prazo começa a correr da data da lesão (artigo 189.

1. CC).Direito Civil Influenciado pelo CDC e pelo CPC. consequentemente. Efetiva-se pela tutela específica por meio dos arts. O reconhecimento de uma tutela preventiva para os direitos da personalidade implica na despatrimonialização da proteção dos direitos da personalidade. ou seja. 34 . SEM PREJUÍZO DE SER COMPENSATÓRIA. ou colateral até o quarto grau. consagrando uma nova sistemática de proteção jurídica aos Direitos da Personalidade. passando a entender que a vítima da violação de um direito da personalidade não quer apenas perdas e danos. sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. “sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”: Refere-se as penais. ou qualquer parente em linha reta. Proteção Preventiva Ao estabelecer a exigência de que “cesse a ameaça ou a lesão” consagra a tutela preventiva. Art. administrativas e casos de autotutela previstas em lei. porque tal proteção deixa de se dar apenas através de perdas e danos (proteção compensatória e. como o jato de pedra: o embargo extrajudicial em sede de nunciação de obra nova. previsto no art. 12. 461 do CPC (jurisdição individual) e art. Em se tratando de morto. 12. ampliando sua finalidade protetiva. 3. a direito da personalidade. Parágrafo único. ESTABELECEU UMA PROTEÇÃO JURÍDICA PREVENTIVA. ou a lesão. 935. o CC/2002 estabeleceu um esquema de proteção jurídica dos direitos da personalidade (art. patrimonialização do direito). rompendo o binômio lesão-sanção em razão da sua insuficiência. terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente. CDC (jurisdição coletiva). 84. Pode-se exigir que cesse a ameaça. e reclamar perdas e danos.9.

3. determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.444. enunciadas no art. se necessário com requisição de força policial.Direito Civil Art. de 7. substituídas ou revogadas de ofício. 12: A primeira parte do art.2002) Enunciado 140 da Jornada de Direito Civil: 140 – Art. poderá o juiz. remoção de pessoas e coisas.9. 84. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. até que seja encontrada a medida certa para o caso concreto.1994) Art. Na tutela específica o juiz adotará a providência que se mostre necessária para a obtenção do RESULTADO PRÁTICO EQUIVALENTE. determinar as medidas necessárias. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. ampliadas. o rol das hipóteses de tutela específica é exemplificativo.1. 461 do CPC: § 5o Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente. se procedente o pedido. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer. aplicáveis de ofício. de ofício ou a requerimento. (Redação dada pela Lei nº 8. (Redação dada pela Lei nº 10.12. diminuídas.952. conforme nos demonstra §5º do art. de 13.5. 12 do Código Civil refere-se às técnicas de tutela específica. ou seja. 461. devendo ser interpretada com resultado extensivo. para o juiz descobrir qual a providencia que se faz necessária para um resultado equivalente. Isto porque dentro da tutela específica existem diversas tutelas: a inibitória. tais como a imposição de multa por tempo de atraso. a sub-rogatória. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou.1. Assim. 461 do Código de Processo Civil. Este rol exemplificativo permite que todas as medidas sejam concedidas. Aspectos polêmicos da tutela específica: 35 . busca e apreensão. de remoção do ilícito e etc. desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva.

vexame. devendo considerar as peculiaridades de cada lugar e PELAS PECULIARIEDADES DO CASO CONCRETO. X e XII. Proteção Compensatória O artigo 12. até pouco tempo. 36 . como Humberto Teodoro Júnior. A inexistência de prazo legal para duração desta prisão enfraquece esta corrente. b) uso de prisão civil a título de tutela específica: os autores clássicos. CF). SUBMETIDA A UM FATO OBJETIVO. humilhação. É efetivada através da indenização por danos morais (art. ou seja. vergonha. MAS IMPORTANTE PARA A QUANTIFICAÇÃO DO DANO. A PROVA DO DANO MORAL É IN RE IPSA (ÍNSITA NA PRÓPRIA COISA). Cristiano Chaves entende que é possível sua utilização.9. Hoje este posicionamento está superado. sob o argumento de que neste caso o juiz não está determinando a prisão por dívida.Direito Civil a) concessão de mandado de distanciamento (restrição do direito de locomoção ou restrição da liberdade de ir e vir): é possível ao juiz fazê-lo. Houve uma feliz aproximação entre direitos da personalidade e dano moral que. ao prever a possibilidade de “reclamar perdas e danos” estabelece a proteção compensatória. deve haver efetiva violação dos direitos da personalidade: honra. mas é a violação a um direito da personalidade. como Fredie Didier e Marinoni. DANO MORAL. confundia-se com um sentimento negativo.2. 5º. Autores mais modernos. mas por descumprimento espontâneo de uma decisão judicial. 3. V. etc. imagem. A REPERCUSSÃO SUBJETIVA É IRRELEVANTE PARA A CARACTERIZAÇÃO DO DANO MORAL. somente quando NENHUMA OUTRA MEDIDA SE MOSTROU SUFICIENTE (inefetividade das medidas adotadas anteriormente) e em PONDERAÇÃO DE INTERESSES (que o direito a ser protegido tenha maior densidade valorativa do que a liberdade). Ex: Direito à saúde. O dano moral não é mais dor. EM ULTIMA ANÁLISE É A VIOLAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA. admitem a prisão civil como forma de tutela específica. mal atendimento em uma loja) não geram dano moral. sofrimento. entendem que não. por conta da vedação constitucional. sentimentos negativos. Meros dissabores (Exs: filas demoradas. integridade física.

pois trata-se de direito disponível. A indenização por dano moral é a violação aos direitos da personalidade. CPP). STJ: “É LÍCITA A CUMULAÇÃO DAS INDENIZAÇÕES DE DANO ESTÉTICO E DANO MORAL”. O Ministério Público também não pode requerer para o interessado. É possível cumular dano moral com dano moral? A indenização por dano moral é aquela decorrente de violação de direitos da personalidade. desde que se tratem de bens jurídicos distintos. assim como o rol dos direitos da personalidade são exemplificativos. já que a indenização tem caráter patrimonial. Exs: honra (dano moral). Trata-se da aplicação do Princípio Dispositivo. que se dará na ação civil ex delito. integridade física (dano estético). A cada bem jurídico personalíssimo violado ocorrerá uma indenização. partindo da premissa que dano moral é a violação ao direito da personalidade. Dizem respeito a bens jurídicos distintos. Impossibilidade de concessão de dano moral ex officio: tutela compensatória não pode ser concedida de ofício. não tendo legitimidade para tal. Inclusive a matéria já está veiculada na Súmula 37 do STJ: “SÃO ACUMULÁVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E DANO MORAL ORIUNDOS DO MESMO FATO”. 134 da CF. melhor é a denominação de dano extra-patrimonial. Súmula 387. 37 . sendo que o dano moral seria uma das suas espécies. devendo se tratar de vítima pobre. sendo que a vítima passa a ter o direito de liquidar e executar o dano. Considerada a natureza exemplificativa do rol de danos morais. Há questionamento da constitucionalidade do instituto. Pela análise. é plenamente possível cumular dano moral com dano moral. imagem (dano à imagem). Exceção: ação civil ex delito (art. é possível sustentar a cumulabilidade de dano moral com dano material? Perfeitamente Possível. Como costumamos confundir dano moral como gênero e espécie. em que caberia atuação da Defensoria Pública e não ao MP. ação que decorre de condenação criminal.Direito Civil O rol de danos morais. Dano moral é violação ao direito da personalidade enquanto dano material é violação a direito patrimonial. 68. em razão do art.

sem prejuízo do próprio sustento. no RE 135328-SP fixou o entendimento de que há inconstitucionalidade progressiva (ou norma em vias de inconstitucionalidade).AÇÃO "EX DELICTO" . ou seja. LXXIV. dos necessitados. a orientação e a defesa. fixando um valor que sirva de conteúdo pedagógico ao causador do dano. o art.e. no campo dos interesses sociais e individuais.MINISTÉRIO PÚBLICO DEFENSORIA PÚBLICA . estando restrita a atuação do Ministério Público.Direito Civil O STF. da Carta. deve levar em conta a teoria do desestímulo. o MP continua legitimado. A teor do disposto no artigo 134 da Constituição Federal. Assim.CARTA DA REPUBLICA DE 1988. nas comarcas em que ainda não há Defensoria Pública em funcionamento. estando o Ministério Público legitimado para a ação de ressarcimento nele prevista. Polêmicas relativas à tutela compensatória dos direitos da personalidade: a) indenização por dano moral e natureza punitiva: genericamente não há natureza punitiva. cabe à Defensoria Pública. no que assegurado constitucionalmente certo direito.9. em face de não lhe competir.VIABILIZAÇÃO DO EXERCÍCIO DE DIREITO ASSEGURADO CONSTITUCIONALMENTE ASSISTÊNCIA JURÍDICA E JUDICIÁRIA DOS NECESSITADOS SUBSISTÊNCIA TEMPORÁRIA DA LEGITIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Irrelevância de a assistência vir sendo prestada por órgão da Procuradoria Geral do Estado. organizada . não tem natureza punitiva. 68 do CPP vai se tornando progressivamente inconstitucional. àqueles indisponíveis (parte final do artigo 127 da Constituição Federal).1. 3. a defesa daqueles que não possam demandar. permanece em vigor o artigo 68 do Código de Processo Penal. na unidade da Federação . Assim.2. que seria a indenização punitiva do Direito dos EUA. cumpre viabilizar o respectivo exercício. instituição essencial à função jurisdicional do Estado. Ao Estado. Enquanto não criada por lei. Ementa RE 135328/SP LEGITIMIDADE . contratando diretamente profissional da advocacia. Assim. o Direito brasileiro não admite o punitive damage. 38 .ARTIGO 68 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL . mas o cálculo do dano moral deve conter caráter punitivo-pedagógico ao agente. preenchidos os cargos próprios.a Defensoria Pública. à medida que as Defensorias Públicas são instaladas em cada comarca. O STJ entende que o juiz. já que a natureza é em si COMPENSATÓRIA. em todos os graus. entretanto. portanto. constitucionalmente. INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA . na forma do artigo 5º.

necessariamente. concluiu que: (I) restou caracterizada a responsabilidade civil da recorrente. com base no exame de fatos e provas. porque o julgamento da pretensão recursal. Aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF.PRECEDENTES DO STJ. 2. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO NAO-DEMONSTRADO. No entanto. VALORES RAZOÁVEIS. 541. (II) foram comprovados o ato lesivo. o dano. 83 DA LEI 5. deve ser devidamente demonstrada e comprovada (CPC. o reexame dos aspectos fáticos da lide notadamente para descaracterizar o ato lesivo. Não se conhece da suposta ofensa ao art. RISTJ.00 e a pensão mensal de três salários mínimos por vítima não são exorbitantes nem desproporcionais à ofensa sofrida pelos recorridos. 5. parágrafo único. REDUÇAO NAOAUTORIZADA. a 39 . MÉRITO. (III) a recorrente não demonstrou a culpa exclusiva de terceiro. atividade cognitiva vedada nesta instância especial (Súmula 7/STJ). não se admite Recurso Especial para discutir o quantum indenizatório por se tratar de uma questão fática. ALEGADA VIOLAÇAO DOS ARTS. O STJ admite a revisão dos valores fixados a título de reparação por danos morais. o STJ firmou entendimento pela admissibilidade de Recurso Especial para discussão do quantum reparatório. já que o inadimplemento contratual geraria tão somente danos patrimoniais.RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. 83 da Lei 5.108/66. levando em consideração as enormes discrepâncias fixadas a partir de diversas sentenças. 944 E 945 DOCC/2002. 3. (IV) os valores fixados a título de indenização por danos morais e materiais são razoáveis e proporcionais à lesão. REAPRECIAÇAO DE FATOS E PROVAS. o nexo causal.000. ou admitir a culpa exclusiva dos motoristas envolvidos no acidente . ACIDENTE DE TRÂNSITO. SUPOSTA OFENSA AO ART. Excepcionalidade não-configurada. o dano moral e o nexo de causalidade. por falta deprequestionamento. art. b) dano moral contratual: genericamente. RECURSO ESPECIAL. a indenização por danos morais de R$ 45. 6. art. sob pena de não-conhecimento. O STJ firmou entendimento. pressupõe.108/66.Direito Civil Em regra. 944 e 945 do CC/2002. as condições econômicas das partes e a finalidade da reparação. INDENIZAÇAO. 4. mas tão-somente quando se tratar de valores ínfimos ou exagerados. MORTE. além da similitude fático-jurídica. Considerando as circunstâncias do caso concreto. IMPOSSIBILIDADE. que perderam os filhos no acidente.FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ADMINISTRATIVO. consoante orientação contida na Súmula 07 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 255). O TRF da 1ª Região. Não se conhece da suposta ofensa aos arts. não existe.DANOS MORAIS E MATERIAIS. para fins de se afastar a condenação ou reconhecer a excludente de responsabilidade civil. Ementa Resp 816577/MG PROCESSUAL CIVIL. A divergência jurisprudencial. 1.

Direito Civil partir do Respe 202. mas. DIREITO DE AUTOR. Com efeito. ajuizada por meio de algum dos legitimados do art. que pressupõe ofensa anormal à personalidade. Proteção Coletiva O dano moral transindividual (difuso ou coletivo) é admitido pelos arts. 219 E 846 . Ementa Respe 202564/RJ CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.trata-se. a cautelar de antecipação de prova interrompe a prescrição quando se tratar de medida preparatória de outra ação. nos casos em que o inadimplemento contratual atinge a dignidade do contratante (o dano não decorre da violação do contrato. 40 .9. ressalvadas situações excepcionais. não dá margem ao dano moral. os outros colegitimados necessitam provar a pertinência temática. TERMO INICIAL. VI do CDC e pela Lei nº 7. o dano moral tem natureza extracontratual). PRESCRIÇÃO. CAUTELAR DE ANTECIPAÇÃO DE PROVA. CPC . RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. e não a favor de um dos indivíduos lesados. por si só. editado sob a égide do CPC /1939 3. ou a quebra da expectativa de receber valores contratados. II . 6º. 13. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL NÃO CARACTERIZADA. não tomam a dimensão de constranger a honra ou a intimidade. 5º da LACP. nesses casos. tornando inaplicável. do cabimento de dano moral contratual. em regra.ou seja. Embora a inobservância das cláusulas contratuais por uma das partes possa trazer desconforto ao outro contratante . EFEITO INTERRUPTIVO. do desconforto a que todos podem estar sujeitos. Assim. SOMENTE PODERÃO SER PLEITEADOS EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. a dificuldade financeira.564. MEDIDA PREPARATÓRIA DE AÇÃO INDENIZATÓRIA.347/85. pela própria vida em sociedade.O inadimplemento do contrato.e normalmente o traz . pode acarretar danos materiais e indenização por perdas e danos. 1º. ARTS. INOCORRÊNCIA EM REGRA. Exs: companhia energética corta indevidamente energia de consumidor. em princípio. revertendo-se a favor do fundo do art. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. plano de saúde que se nega à cobertura de determinada enfermidade. mas sim da dignidade.Na sistemática do Código de Processo Civil de 1973 . DANO MORAL. art.3. Enquanto o Ministério Público tem legitimidade incondicionada. o verbete sumular nº 154/STF. I .

A solidariedade entre todos que participam da relação de consumo estabelecida no parágrafo único do Artigo 7 do CDC tem sido utilizada para incluir quem deu o nome ao produto ou serviço. não perdem. Art. já que seu ofício ou sua profissão exigem uma exposição de sua personalidade. atingindo a duas ou mais pessoas. não sofrem subtração dos direitos da personalidades. 41 . deve-se observar que não haja um desvio de finalidade. Titularizam direitos da personalidade. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário. contudo. Em resumo. 94 e ss.Direito Civil Se o fato tratar-se de tutela de direitos individuais homogêneos. Contudo.10. as pessoas notórias. haverá direito de requerer indenização por este fato. costumes e eqüidade. do CDC). pessoa pública tem foto divulgada em propaganda de um produto. por exemplo. todo dano moral difuso ou coletivo só pode ser cobrado por meio de ação civil pública. 3. se. Assim. analogia. uma relativização em seu exercício. com liquidação e execução coletivos e o dano moral individual pode ser cobrado em ação individual ou. Direitos (Celebridades) da personalidade das Pessoas Públicas Pessoas públicas são as celebridades. sem a sua autorização. também são relativizados os DP das pessoas que estiverem acompanhando a pessoa pública. sofrem uma mitigação. de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes. da legislação interna ordinária. Ex: direito de imagem: não há necessidade de um órgão da imprensa solicitar autorização para divulgar uma foto da Presidente de República. com liquidação e execução individuais (arts. a pessoa pode escolher agir mediante ação individual ou por ação civil pública. bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito. sendo que a liquidação e execução serão individuais. por ação civil pública para defesa de Direitos Individuais Homogêneos. Junto à mitigação dos direitos da personalidade das pessoas públicas. com cada indivíduo recebendo a parcela que lhe cabe.

todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. quando importar diminuição permanente da integridade física. 13. Art. Arts.Direito Civil Parágrafo único. Integridade intelectual: tutela jurídica da inteligência humana. 14: direito ao corpo morto. Art. Art. O conceito de integridade física abrange não apenas o corpo como um todo. alma (integridade psíquica) e intelecto (integridade intelectual). 20: direito à imagem. Vejamos: 3. Quanto a integridade intelectual. integridade física. ou contrariar os bons costumes. mas também partes do corpo humano eventualmente separadas. integridade física. integridade psíquica. Tendo mais de um autor a ofensa. Art. Art.1 Direito ao Corpo Vivo É a proteção da integridade física através da proteção do corpo humano como um todo e das partes separadas do corpo humano. Critério Classificatório dos Direitos da personalidade no Código Civil: integridade física. não dedicando um instituo específico. já que subtraída uma de suas perspectivas. integridade psíquica. 42 . o Código Civil cuidou em dispositivos esparsos.11. Três perspectivas: Integridade física: tutela jurídica do corpo humano. 21: direito à privacidade. de sua atividade criativa. Direitos da personalidade em espécie O critério classificatório científico dos Direitos da Personalidade é tricotômico. estará excluído o conceito de vida digna.11. 16 a 19: direito ao nome civil. 13: direito do corpo vivo. 3. integridade psíquica. Salvo por exigência médica. Se a pessoa humana é corpo (integridade física). é defeso o ato de disposição do próprio corpo. onde estará o direito à vida digna? Este estará classificado nos três ramos. 15: autonomia do paciente (livre consentimento informado). Art. Integridade psíquica: tutela jurídica dos valores imateriais (Ex: honra e privacidade).

Há portanto uma autonomia no tratamento da integridade física. o objeto somente pode ser órgão dúplice ou regenerável. ATINGINDO CLIENTE. Lei no. Havendo conformidade entre o valor indenizatório fixado pelo Tribunal estadual e os fatos descritos. Ausente o prequestionamento da questão alusiva à nulidade do acórdão. Para caracterização do dano estético não é exigida a existência de seqüelas permanentes.576/PR CIVIL E PROCESSUAL. I. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. não demonstrado. 43 . A violação da integridade física gerará o dano estético. que regulamenta tanto os transplantes em vida quanto os em morte. Os transplantes entre vivos é permitido desde que atendidos os seguintes requisitos: gratuidade. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. IV. conforme Súmula 387. do requisito da admissibilidade. 13 proíbe essa situação. Ex: permissão de piercings e tatuagens. injustificável a excepcional intervenção desta Corte a respeito.Direito Civil Parágrafo único. ante a ausência de rigorosa similitude entre as espécies confrontadas. DESMORONAMENTO DE MERCADORIAS EM SUPERMERCADO. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante. STJ. da Lei de Transplantes). quando solicita amputação do órgão a um médico? O art. Os transplantes não foram tratados no Código Civil e sim na Lei de Transplantes. II. Como fica a situação jurídica dos wannabe (grupo de pessoas que tem determinada repulsa a determinada parte de seu corpo). RAZOABILIDADE. já que se não implicar diminuição permanente nem violar os bons costumes. ademais. no particular. III. QUANTUM DO RESSARCIMENTO. o ato de disposição do próprio corpo é válido. que as pessoas envolvidas sejam da mesma família (caso não seja. e. ACÓRDÃO ESTADUAL QUE REDUZ O VALOR DA INDENIZAÇÃO. na forma estabelecida em lei especial. padece o especial. Dissídio jurisprudencial. que não podem ser revistos pelo STJ. Recurso especial não conhecido. A proibição do ato de disposição corporal não é absoluta. que mesmo surgida em 2o grau exige a provocação expressa do tema pela parte. assim como no caso de exigência médica. O dano estético também pode ser cumulado com o dano moral. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. apenas com autorização judicial – artigo 9º. 9434/97. Ementa Resp 575.

Está obstando. físico: restando cirurgia de transgenitalização ou adequação de sexo (mudança de sexo). a irreversibilidade passa-se ao do tratamento resultado. não é patológico. Mas o transexualismo é patologia fisio-psíquica.11. A Resolução 1955/10 do Conselho Federal de Medicina confere natureza patológica ao transexualismo 3. o que se conclui que todos os atos de disposição em vida são nulos. Direito ao Corpo Morto O Código Civil condiciona o ato de disposição para depois da morte. Correto seria “barriga de comodato”.2. com rejeição do fenótipo e tendência à automutilação e ou auto-extermínio. Homossexualismo e bissexualismo dizem respeito à orientação sexual. 3 CONSIDERANDO ser o paciente transexual portador de desvio psicológico permanente de identidade sexual. Tais requisitos não são exigidos em caso de leite materno.Direito Civil intervenção do Ministério Público. com parentesco em sentido amplo (sogra e nora. óvulo. a eutanásia. psicólogo (dois anos de tratamento) e psiquiatra demonstrarem infrutífero. por haver uma dicotomia entre o sexo físico e o sexo psíquico. o ato deverá ser gratuito: por isso o termo “barriga de aluguel” é também incorreto. assim. Maria Berenice Dias sustenta o direito a mudança do nome e do estado do transexual. Na homologação de sentença estrangeira nº 1058-Itália. as pessoas devem ser parentes entre si. medula e sangue. a prática foi autorizada pelo Conselho Regional de Medicina na Resolução 1957/2010. o STJ firmou o entendimento no sentido de que o transexual operado tem direito de mudar tanto o nome tanto o sexo em seu registro civil. 3. impossibilidade gestacional da mãe biológica. sêmen. Quanto à barriga de aluguel (gestação em útero alheio ou gestação por substituição). 44 . independemente de cirurgia. Se porventura. A Prof. Cristiano. brinca o Prof. desde que dentro de determinados limites: tem que se tratar de pessoas maiores e capazes. por exemplo).

Assim. 14 do Código Civil. para depois da morte. 45 . por ninguém poder dispor do seu corpo ainda em vida. 14 do Código Civil deve ser interpretado em conjunto com o art. 4º da referida lei. portanto. O Direito brasileiro não permite o testamento vital ou diretivas antecipadas (Living Will – direito do morrer à viver em determinadas condições).Direito Civil Art. deveria ser aplicado somente se o de cujos não tivesse manifestado sua intenção em vida. o art. com objetivo científico. Não há intervenção do Ministério Público. Atualmente. no sentido do Enunciado 277 da Jornada de Direito Civil: 277 – Art. 14. para depois da morte. mas minoritário. Tanto o Código Civil quanto o Código Penal (eutanásia) proíbem o testamento vital. Para a maioria. O art. São requisitos dos transplantes por morte: gratuidade. o direito à morte digna. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo. depende do consentimento da família. 4º da Lei de Transplantes define que. Mesmo que o titular tenha manifestado a vontade em vida de doar seus órgãos. ao afirmar a validade da disposição gratuita do próprio corpo. 4º da Lei n. pelo entendimento mais razoável. no todo ou em parte. com objetivo científico ou altruístico. É válida. o art.14.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador. a aplicação do art. a disposição gratuita do próprio corpo. O art. 4º da Lei 9434/97 (Lei de Transplantes). Parágrafo único. consequentemente. O art. determinou que a manifestação expressa do doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares. O ato de disposição para depois da morte depende da vontade do titular. existe forte amparo doutrinário no sentido de sua aceitação e. para fins de transplantes (post morten). ou altruístico. dependerá de autorização do cônjuge ou parente. possibilidade de aproveitamento de todos os órgãos compatíveis. 14. respeito à fila (cada Estado possui uma fila organizada pelo critério de emergência e não cronológico). por ocasião de sua morte. 9. 4º da Lei de Transplantes suplanta o art.

A leitura do artigo nos leva a duas conclusões: A) a possibilidade de responsabilidade civil do médico por violação do dever de informação. Autonomia do paciente (ou livre consentimento informado) Art. com risco de vida. nestes casos. não dependendo obviamente da vontade do menor nem de pessoa por ele responsável. mitiga-se a autonomia do paciente. contra a sua vontade. O artigo 6º. apesar de ter seu corpo encaminhado para pesquisa (Ex: faculdade de Medicina). 3. A única hipótese de internação forçada é o interesse decorrente da saúde pública. 15 afirma que o paciente é sempre SUJEITO e jamais objeto do tratamento. O art. porque esta é Lei especial em relação ao Código Civil (lei geral). Em se tratando de menor de idade. mesmo em condições normais. Direito ao nome civil 46 . salvo quando houver necessidade. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se. da Lei de Transplantes impede a retirada de órgãos para fins de transplantes de pessoas que morrem na condição de indigente. B) o Direito brasileiro proíbe internação forçada. A jurisprudência dominante impõe. Ninguém pode sofrer intervenção médica. já que o médico está obrigado ao dever de informação. a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. o Testemunha de Jeová pode ser compelido a receber transfusão de sangue. que é dever decorrente da boa-fé objetiva (informação ao paciente ou a família). 15. Quanto ao caso das Testemunhas de Jeová.11. havendo exigência médica.Direito Civil dependendo sempre da vontade dos familiares.3. a prevalência da integridade física do paciente. 3.4.11. A posição majoritária é de que. que depende da vontade do paciente ou de exigência médica. portanto. a transfusão é imperativa.

assim. o hipocorístico pode se tornar elemento 47 . quem deve escolher. Nome é. Não integra o nome. contados da aquisição da maioridade) após a maioridade civil. mas como não tem como manifestar a vontade no seu nascimento. o direito ao nome será exercido no primeiro ano (prazo decadencial de um ano. toda pessoa tem direito ao nome. SOBRENOME (patronímico): identifica a origem familiar. Xuxa. Primeiro. 17. Pseudônimo não se confunde com hipocorístico (utilizado para atividades profissionais e para identificação pessoal). AGNOME: partícula diferenciadora para pessoas que possuem o mesmo nome e são da mesma família. Assim. Componentes do nome civil: PRENOME: identifica a pessoa. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público. o titular ou os pais? Do titular. direito da personalidade à identificação. É o direito à identificação. 16.Direito Civil Art. 19. Art. como o caso de Lula. O hipocorístico pode ser acrescido ou substituir o nome. Ex: pseudônimos de Fernando Pessoa. Pelé. do pai ou da mãe (origem familiar). nele compreendidos o prenome e o sobrenome. 18. Júnior. É o único caso de mudança imotivada de nome no Direito brasileiro. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. mas goza da mesma proteção que se dá ao nome. não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial. ainda quando não haja intenção difamatória. Art. Como é um direito da personalidade. Exs: Filho. Toda pessoa tem direito ao nome. Desta forma. Art. Sem autorização. Terceiro Não são elementos do nome: títulos (Ex: doutor) e pseudônimo (ou cognome ou heterônimo): nome utilizado para atividades profissionais. O nome é uma espécie de etiqueta colocada nas pessoas quando nascidas com vida. Não pode haver prejuízo ao sobrenome familiar. Neto.

se consentidos por estes) OU JUSTIFICATIVA JUDICIAL (Exs: motivo de viuvez.5. é compreendido de forma tridimensional: a) imagem retrato: características fisionômicas. a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber. O nome goza de proteção autônoma. a transmissão da palavra. voltando a ter o nome que tinha antes. o menor deverá consentir). 20 do CC. 3. b) imagem atributo: qualidades da pessoa. divórcio da mãe. o art. a boa fama ou a respeitabilidade. O nome poderá ser modificado QUANDO HOUVER PERMISSÃO LEGAL (Exs: adoção. O direito à imagem. c) imagem voz: timbre sonoro. V e X. É direito a identificação. Salvo se autorizadas. se tiver mais de 12 anos. Ex: pessoa caridosa. como no caso do Bráulio). ou se se destinarem a fins comerciais. Tangencia a identidade física e psíquica de alguém. a boa fama ou a respeitabilidade. 5º. em que se muda seu sobrenome. a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas. Ex: Lombardi A pessoa jurídica tem apenas imagem atributo. Para mudar seu prenome. o direito à imagem não é autônomo. da CF garante a autonomia do direito à imagem.11. apesar de não haver conferido autonomia ao direito de imagem. ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública. Lei nº 9807/99: programa de proteção à testemunha. embora um só. Contudo. adjetivação. O art. condicionou a proteção da imagem à violação da honra ou à exploração comercial.Direito Civil do nome. 48 . equivocadamente. o pôster da pessoa. os filhos têm direito de alterar também seus registros. a divulgação de escritos. homonímia depreciativa. se lhe atingirem a honra. Direito à imagem Art. Também muito concernente à PJ. Assim. Só o caso concreto é que determinará se se trata de pseudônimo ou hipocorístico. afastando a parte final do artigo 20 do Código Civil que garante a proteção à imagem APENAS se “lhe atingirem a honra. Lei nº 11. em razão de suas condicionantes. boa. para o CC. ou se se destinarem a fins comerciais”. Nosso Direito acolhe a regra da IMUTABILIDADE RELATIVA DO NOME. 20.924/2009: acréscimo de sobrenome de padrasto ou madrasta. ou a publicação.

a vida privada.11. 20. c) PESSOAS QUE ESTÃO EM LUGAR PÚBLICO – Resp 595600/SC. Relativização do direito de Imagem: a) FUNÇÃO SOCIAL DA IMAGEM: é tema atual tratado em razão do início do art. em nome do direito de privacidade. Assim. estabelecer-se uma redoma protetora em torno de uma pessoa para torná-la imune de qualquer veiculação atinente a sua imagem. sua proteção não depende nem de violação à honra nem de exploração comercial. a veiculação da imagem é permitida. moral ou à imagem. expresso ou tácito. X . a honra e a imagem das pessoas. DIREITO DE IMAGEM. De acordo com a Teoria dos Círculos Concêntricos. 21. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Direito à privacidade (ou à vida privada) Art. e o juiz. permite-se o uso da imagem alheia. Pela leitura do art. além da indenização por dano material. Diz respeito a assuntos que tocam apenas e tão somente ao titular. d) CONSENTIMENTO DO TITULAR. extrai-se que quando houver autorização. É a proteção da intimidade e do segredo. b) PESSOAS PÚBLICAS.é assegurado o direito de resposta. a privacidade abrange: 49 . Se a demandante expõe sua imagem em cenário público. como no caso do Carnaval. não é ilícita ou indevida sua reprodução pela imprensa. uma vez que a proteção à privacidade encontra limite na própria exposição realizada. proporcional ao agravo.Direito Civil V . É possível a autorização tácita. 3. adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.são invioláveis a intimidade. A vida privada da pessoa natural é inviolável.6. sendo integral. a requerimento do interessado. em que a pessoa naturalmente se expõe ao veículo de comunicação. TOPLESS PRATICADO EM CENÁRIO PÚBLICO. Recurso especial não conhecido. Ementa REsp 595600/SC DIREITO CIVIL. 20: “se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública”. Não se pode cometer o delírio de.

O direito à privacidade é autônomo. 4. O dano à privacidade não admite exceção da verdade.Direito Civil • sigilo ou segredo: informações que pertencem ao titular. a MORTE ENCEFÁLICA é o marco biológico mais seguro. o óbito deve ser declarado por um profissional da medicina. Já nos termos do art. Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supraespinal e apnéia. por duas testemunhas. 4º. dada a sua irreversibilidade. porque se imposta haverá nova violação da privacidade. a morte marca o fim da pessoa física ou natural. PRIVACIDADE SEGREDO INTIMIDADE Nem toda informação privada é íntima. excepcionalmente. Houve ofensa à intimidade. Ex: caso do Garrincha (Resp 521. 50 . Privacidade é gênero da qual decorre duas espécies: Segredo e a intimidade. embora a parada cardiorrespiratória possa caracterizar o óbito. já que em vida não se sabe do jogador se referir ao fato. 1480CFM – Conselho Federal de Medicina 4) sustentam que. porque entre a intimidade e a privacidade está o segredo. à privacidade. e. mas toda informação íntima é privada. em que jornalista em biografia disse que o jogador tinha um órgão genital avantajado. em seus artigos 77 e seguintes. 6º do CC.697/RJ). EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL (MORTE) As comunidades científicas internacional e brasileira (ver Res. 4 Art. mas pode haver interesse público no conhecimento dessas informações. em sua falta. Os filhos do jogador ajuizaram ação por dano moral. Nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei 6015/73). • intimidade: informações que pertencem somente ao titular e compartilha somente com quem desejar.

Art. Parágrafo único. 7º do CC estabelece outras situações de morte presumida QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A AUSÊNCIA. com os procedimentos acima descritos (art.13/12/1963: É legítima a incidência do imposto de transmissão "causa mortis" no inventário por morte presumida. morte de Ulisses Guimarães) II . sem decretação de ausência: I . 6o A existência da pessoa natural termina com a morte. desaparecido em campanha ou feito prisioneiro. A declaração da morte presumida.1. 331 afirmando ser legítima a incidência do Imposto de Transmissão Causa Mortis no inventário por morte presumida: STF Súmula nº 331 . O STF editou a Súmula no. haverá procedimento para declaração da inexistência do ato que declarou a morte presumida. 6º: haverá morte presumida NO CASO DA AUSÊNCIA quando for aberta a sucessão definitiva dos bens do ausente. Procedimento da Ausência 51 .se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. Há registro em livro de óbito e não em livro próprio de ausência. 4. Trata-se de PROCEDIMENTO DE JUSTIFICAÇÃO. nesses casos. 4. Morte presumida O CC admite duas situações de morte presumida: 1) 2ª parte do art. devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. presumese esta. 22 e ss. 22 e ss. do CC).2. 2) O art.Direito Civil Art. somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações. do CC). (Ex: passageiros do AirFrance. A ausência consiste simplesmente em um procedimento de transmissibilidade do patrimônio da pessoa que desaparece do seu domicílio sem deixar notícia ou representante (arts. nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. quanto aos ausentes. não for encontrado até dois anos após o término da guerra. 7o Pode ser declarada a morte presumida.se alguém. Em caso de retorno do “falecido”.

que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. se ele deixou representante ou procurador. ou simplesmente não tenha interesse em exercer o múnus. será nomeado curador. a partir do momento em que a lei autorizar a abertura de sucessão definitiva. ou se os seus poderes forem insuficientes” 52 . Na mesma situação se enquadrará aquele que. um estado de fato. se não estiver separado judicialmente. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente. antes de tudo. um longo caminho deve ser cumprido. ou não possa exercer ou continuar o mandato . a saber: 1) o cônjuge do ausente. estabelecendo a lei uma ordem legal estrita e sucessiva. porém. em seu art. 22 a 39 do novo CC). em se passando três anos 5. e não aos ascendentes em geral). 3) descendentes do ausente. b) Sucessão Provisória. tendo deixado mandatário. juridicamente (quando este seus último se encontre poderes outorgados impossibilitado. no caso de impossibilidade do anterior. Visando a não permitir que este patrimônio fique sem titular. em que uma pessoa desaparece de seu domicílio. poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. Para se chegar a este momento. a) Curadoria dos Bens do Ausente. 23 do CC: “Também se declarará a ausência. A requerimento de qualquer interessado direto ou mesmo do Ministério Público. o legislador traçou o procedimento de transmissão desses bens (em virtude da ausência) nos arts. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência. sem deixar qualquer notícia. quando o ausente deixar mandatário que não queira.6º. O Código Civil de 2002 reconhece a ausência como uma morte presumida. ou. 2) pais do ausente (destaque-se que a referência é somente aos genitores. 4) qualquer pessoa à escolha do magistrado. e se nomeará curador. 5 Esta segunda hipótese se limita à previsão do art. previsto ainda pelos arts. como a seguir veremos.463 a 484 do CC-16 (correspondente aos arts. Observe-se que esta nomeação não é discricionária. física ou forem insuficientes). preferindo os mais próximos aos mais remotos.Direito Civil A ausência é. 1159 a 1169 do vigente Código de Processo Civil brasileiro.

nos quais os herdeiros se imitiram provisoriamente na posse. o que pode ser explicado pela particularidade de seu direito. a provisoriedade da sucessão é evidente na tutela legal. que os “imóveis do ausente só se poderão alienar não sendo por desapropriação. II – os herdeiros presumidos. sujeitos a deterioração ou a extravio. cerca-se o legislador da exigência de garantia da restituição dos bens. descendentes e o cônjuge. quando o ordene o juiz. 7 Art.28 do Código Civil. pelo art. ao qual se acrescenta o Ministério Público. do prazo de 180 dias para produção de efeitos da sentença que determinar a abertura da sucessão provisória. porém. que o § 1º do art. do patrimônio do ausente. bem como que “antes da partilha. 30 estabelece que aquele “que tiver direito à posse provisória. Esta razoável cautela de exigência de garantia é excepcionada. por exemplo. por força do § 1º do art. 30. em imóveis ou em títulos garantidos pela União” (art. será excluído. inclusive. que o art. em relação aos ascendentes. em função dos outros sujeitos legitimados para requerer a abertura da sucessão provisória 7. ou hipotecar. para lhes evitar a ruína” (art. caso existente. da posse provisória poderá.28. legítimos ou testamentários. Um aspecto de natureza processual da mais alta significação.” 53 .29). mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo. 6 Ressalve-se. mediante a apresentação de penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. justificando falta de meios. uma vez provada a sua condição de herdeiros (§ 2º do art. proceder-se-á à abertura do testamento. III – os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte. ao máximo. mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador. quando julgar conveniente. IV – os credores de obrigações vencidas e não pagas.Direito Civil Por cautela. haja vista que é expressamente determinado. o juiz. 34 do CC-02 admite que o “excluído. valendo-se destacar. segundo o art. Para o efeito previsto no artigo antecedente. ou ao inventário e partilha dos bens.30). ou de outro herdeiro designado pelo juiz. requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria”. Em todo caso. ordenará a conversão dos bens móveis. e que preste essa garantia” 6. todavia. 27. após o que. transitando em julgado. na idéia de preservação. é a estipulação. somente se consideram interessados: I – o cônjuge não separado judicialmente.31). como se o ausente tivesse falecido.

com prestação anual de contas ao juiz competente. na data comprovada. considerandose a mesma aberta. se prova o efetivo falecimento do ausente. em favor dos herdeiros que o eram àquele tempo. 54 . que deverão. mas que não mais estavam vivos quando do processo de sucessão provisória. durante esta posse provisória. e que de cinco datam as últimas notícias dele”. o que não acontecerá com os demais sucessores. capitalizar metade destes bens acessórios. não há qualquer prejuízo ao seu patrimônio. pode gerar algumas modificações na situação dos herdeiros provisórios. obviamente. em função da expectativa média de vida do homem. passam os sucessores provisórios a representar ativa e passivamente o ausente. dependerá de provocação da manifestação judicial para a retirada dos gravames impostos – podendo os interessados requerer o levantamento das cauções prestadas. ascendentes ou cônjuges terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhe couberem. Se este aparece na fase de arrecadação de bens. Esta plausibilidade maior do falecimento presumido é reforçado. o que lhes faz dirigir contra si todas as ações pendentes e as que de futuro àquele foram movidas. estabelece a lei o momento próprio e os efeitos da sucessão definitiva. reforça as fundadas suspeitas de seu falecimento. se descendentes. necessariamente.Direito Civil Com a posse nos bens do ausente. 38 a possibilidade de requerimento da sucessão definitiva. inclusive. converter-se-á a sucessão em definitiva. o certo é que a existência de um longo lapso temporal. continuando ele a gozar plenamente de todos os seus bens. sem qualquer sinal de vida. c) Sucessão Definitiva. porém. converter-se-á a mesma em definitiva – o que. 33. admitindo o art. Isto. Se. Na forma do art. uma vez que não se pode descartar a hipótese de haver herdeiros sobreviventes na época efetiva do falecimento do desaparecido. Por isto. d) Retorno do Ausente Admite a lei a possibilidade de ausente retornar. “provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade. dez anos após o trânsito em julgado da sentença de abertura de sucessão provisória. presumindo efetivamente o seu falecimento. Por mais que se queira preservar o patrimônio do ausente. os herdeiros empossados. De fato.

Em função. em seu art. o ausente não regressar.36). 39. nos dez anos a que se refere este artigo. a prova de que a ausência foi voluntária e injustificada. 1571 § 1o : § 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio.33. decorrente da ausência.Direito Civil Se já tiver sido aberta a sucessão provisória. porém. que ficam obrigados a tomar medidas assecuratórias precisas. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva. deve-se considerar os comorientes simultaneamente mortos. de maneira que um não herda do outro. abrindo-se cadeias sucessórias autônomas e distintas (art. sua parte nos frutos e rendimento (art. já for definitiva. ou algum de seus descendentes ou ascendentes. aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem. todavia.3. 4. 8º do CC). 39. o seu reaparecimento. se localizados nas respectivas circunscrições. terá o ausente o direito aos seus bens. se ainda incólumes. incorporando-se ao domínio da União. Caso a questão do concurso não indique a sucessividade dos óbitos (ordem cronológica). 55 . parágrafo único). não respondendo os sucessores havidos pela sua integridade. faz com que o ausente perca. os sub-rogados em seu lugar. os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. quando situados em território federal. admitido pelo novo Código Civil. Olhe que interessante: Situação interessante diz respeito ao efeito dissolutório do casamento. faz cessar imediatamente todas as vantagens dos sucessores imitidos na posse. até a entrega dos bens a seu titular (art. conforme se verifica no art. da provisoriedade da sucessão. Se a sucessão. Comoriência Traduz uma situação de morte simultânea. ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.” OBS. aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente. Se. e nenhum interessado promover a sucessão definitiva. em favor do sucessor provisório. nos seguintes termos: Art.

Esse artigo tem importância na repercussão de transmissão de direitos. Exemplo: Os filhos de João são pré-mortos a ele. Tendo o casal e os filhos falecido simultaneamente. 7ª Câm. pois se os comorientes são herdeiros entre si não haverá transferência de direitos.Direito Civil Art. Mas. não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros. em tese. não se operou sucessão entre aqueles. vítimas de acidente automobilístico. AI 598569952. é de ser paga de forma rateada aos herdeiros de ambos. Rel. ou seja. em que os consortes constavam reciprocamente como beneficiários. Não se pode dizer que pelo fato de ser idoso e não saudável tenha morrido antes de jovem e saudável. j. “Morrer na mesma ocasião” significa que morreram no mesmo lugar? Em geral. nem entre aqueles e estes. basta que haja inviabilidade na apuração exata da ordem cronológica dos óbitos. a indenização decorrente de apólice de seguro de vida em grupo. Trata-se de expressão que caracteriza a situação de “pré-morte”. Inventário. com implicações no âmbito sucessório. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião. Dês. o CC não diz que a comoriência será aplicada no mesmo lugar. é no mesmo lugar de fato. Comoriência. só que o pai em Tóquio e o filho em Salvador. 17-3-1999). A expressão “na mesma ocasião” não requer que o evento morte se tenha dado na mesma localidade. Não há essa presunção no código. Exemplo: Pai e filho enfartaram ao mesmo tempo. Agravo improvido” (TJRS. Cív. Será visto no Direito Sucessório.. 56 . Maria Berenice Dias. Obs: Não se confunde com comoriência com PREMORIÊNCIA. Assim. pois esta nada tem a ver com morte simultânea. um não sucederá o outro. Indenização decorrente de seguro de vida. presumir-se-ão simultaneamente mortos.

tem a tendência inata ao agrupamento. pois perceberam que em grupos atingiriam com mais eficiência os seus propósitos. a exemplo das fundações e da EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada). “abstratas”. CONCEITO A origem da pessoa jurídica é o fato associativo. Assim. um primeiro e básico conceito de pessoa jurídica é no sentido de ser aquele grupo humano. não podendo a Receita Federal adjudicar esta função. criado na forma da lei e dotado de personalidade jurídica própria. muito embora no Direito Comparado outras terminologias já foram usadas como “pessoas morais”. Nessa perspectiva. Isto porque quem define quem é pessoa jurídica é a lei. Ex: condomínio.Direito Civil PESSOA JURÍDICA 1. para atingir fins comuns. dada a complexidade das relações sociais contemporâneas. a noção básica de pessoa jurídica deriva do agrupamento humano personificado pelo Direito. “ente de existência ideal” (Teixeira de Freitas). gregários por excelência. empresário individual e os notários e registradores. para a realização de fins comuns. sempre pendeu ao agrupamento. visando a atingir diversas finalidades. Nessa linha. segundo a doutrina do sociólogo Machado Neto. Como decorrência do fato associativo os seres humanos. Obs *1 : Naturalmente. até mesmo. 2. Portanto. Obs *2 : O fato de uma pessoa ter CNPJ não indica necessariamente o fato de ser pessoa jurídica. observa Orlando Gomes que a categoria da pessoa jurídica surgiu da necessidade de personificação destes grupos para que atuassem com autonomia. temos que pessoa jurídica é o grupo humano. adotamos a expressão pessoa jurídica. criado na forma da lei e dotado de personalidade própria. “místicas” e. notadamente os econômicos. SURGIMENTO DA PESSOA JURÍDICA Nos dias de hoje. 57 . O ser humano é gregário por excelência e. especiais tipos de pessoa jurídica tem natureza própria.

4. TEORIAS EXPLICATIVAS DA PESSOA JURÍDICA A) NEGATIVISTA (Brinz. na Alemanha e na França. Esta teoria é a que melhor explica o art. a ser estudado pela Sociologia. 45 do CC. B) AFIRMATIVISTA: afirmava a existência da pessoa jurídica como sujeito de direito. não predominou no Direito. Não tornava visível a atuação social que uma pessoa jurídica tem. uma pessoa jurídica seria um ORGANISMO SOCIAL VIVO. da realidade técnica. DA REALIDADE TÉCNICA (Raymond Saleilles. afirmava que a pessoa jurídica teria uma existência meramente ideal ou abstrata. da realidade objetiva ou organicista ou sociológica. Quais são as teorias afirmativistas? DA FICÇÃO (Windscheid e Savigny): vigente especialmente no séc. Por lógica. Ferrara): marca o equilíbrio entre as duas teorias anteriores. FRUTO DA TÉCNICA JURÍDICA. Os adeptos da teoria da realidade técnica. e. XVIII. reconhecia que a sua personalidade é fruto da técnica do Direito. Essa teoria deu extrema visibilidade à atuação social da pessoa jurídica e acabou negando a técnica do Direito (o que Savigny trazia como fator preponderante). Três teorias fundamentais: Da Ficção.Direito Civil 3. sem negar a dimensão e a atuação social da pessoa jurídica. AQUISIÇÃO JURÍDICA DA PERSONALIDADE PELA PESSOA 58 . A Sociologia é quem orienta essa teoria. DA REALIDADE OBJETIVA OU ORGANICISTA OU SOCIOLÓGICA (Clóvis Beviláqua): faz o contraponto da teoria de Savigny. outros diziam que era um grupo de pessoas físicas reunidas. diferentemente da visão sobremaneira abstrata de Savigny. Diziam que era apenas um patrimônio coletivo. Planiol. Ihering): negava a existência da pessoa jurídica como sujeito de direito. Para os adeptos da teoria da realidade objetiva ou organicista. negando-lhe dimensão social.

ou na Junta Comercial (registro público de empresa) ou Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. a pessoa jurídica exige a obtenção de uma autorização específica do Poder Executivo. caso em que os seus sócios passam a ter responsabilidade pessoal pelos débitos sociais.). 45. 45. o ato constitutivo da pessoa jurídica (estatuto ou contrato social) é registrado. ausente o registro da pessoa jurídica. podendo haver exceções. Até porque. é ente despersonificado. Caio Mário sustenta que a eficácia desse registro opera efeitos ex nunc. a polêmica é maior ainda. A doutrina reconhece entes que. 986 e ss. quando necessário. da herança jacente (art. 59 . Parágrafo único. Em geral. que deve ser inscrita na OAB. a exemplo do espólio. a exemplo daquela dada pelo Banco Central aos bancos ou da autorização concedida pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) às seguradoras. para que se possa constituir. O registro da pessoa jurídica é CONSTITUTIVO (e não meramente declaratório) da sua personalidade. contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. embora desprovidos de personalidade jurídica têm capacidade processual. havendo autores que preferem reconhecê-lo como ente despersonificado e outros que dizem ser uma pessoa jurídica especial sui generis (Flavio Tartuce e Simão). de autorização ou aprovação do Poder Executivo. Para Pablo. Quanto ao condomínio. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado. que goza naturalmente de capacidade processual. CPC). a saber: Art. precedida. como ocorre com a constituição da sociedade de advogados. averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. OBS: Em situações especiais. 12. da massa falida. tratada como ente despersonificado pelas regras do Direito Empresarial (arts. por defeito do ato respectivo.Direito Civil A pessoa jurídica passa a ter existência legal a partir do registro dos seus atos constitutivos (contrato social ou estatuto). a teor do supra mencionado art. temos uma mera sociedade irregular ou de fato.

Uma segunda corrente.as sociedades. (Incluído pela Lei nº 10. III . ao sigilo. de 22. (Incluído pela Lei nº 12.12. São pessoas jurídicas de direito privado: I .as empresas individuais de responsabilidade limitada. admite o dano moral objetivo à pessoa jurídica.12. elenca as pessoas jurídicas de direito privado em seu artigo 44: Art. de 22.2003) V .Direito Civil O que são entes despersonificados com capacidade processual (ou com personificação Pessoa jurídica anômala.os partidos políticos.as associações. bem CPC). as sociedades e as fundações. IV . tecnicamente amparadauma na Súmula pessoanº jurídica. cremos que a segunda corrente acaba recebendo reforço do Enunciado 286 da 4ª Jornada de Direito Civil. 60 .441.2003) VI . ESPÉCIES DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO O Código Civil. Uma pessoa jurídica não tem honra subjetiva. sendo que sua violação sujeita o agente à responsabilização por dano moral.825. nos termos do artigo 2031.as fundações. pessoa jurídica não sofreria dano moral (ver Wilson Melo da Silva). por não ter dimensão psicológica.”) herança e nos Resp jacente 752672 e massa RS. MORAL. O legislador expressamente reconheceu as categorias das “organizações religiosas e partidos políticos” em incisos autônomos. Contudo. AgRg falida. CC. pode sofrer segundo dano Maria moral Helena (ou extrapatrimonial)? Diniz)? São A corrente entes que. RJ. seguindo a posição negativista. de 2011) (Vigência) O artigo 44 considerava pessoa jurídica de direito privado apenas as associações. II . ao segredo profissional. no entanto tem direito à imagem. DANOespólio.as organizações religiosas. como no art. predominante embora sem emconfigurar nosso Direito.12. apesar de ser minoritária. 44. em ROL NÃO EXAUSTIVO. 227-STJ têm (“A capacidade PESSOA JURÍDICA processual PODE SOFRER (condomínio. 52 do CC.825. (Incluído pela Lei nº 10. 5. com o objetivo de excluílos e blindá-los do prazo de adaptação ao novo código civil. no referidas Resp 865658 no art. mesmo tendo natureza associativa.

Os empresários questionaram o fato de somente as organizações religiosas e partidos estarem excluídas da obrigatoriedade de adaptação. que não se aplica a organizações religiosas e partidos políticos. constituídas na forma das leis anteriores. que resultou nas seguintes mudanças: abriu-se um parágrafo único para excluir organizações religiosas (igrejas) e partidos políticos da sujeição ao prazo de adaptação e a dilatação para dois anos do prazo previsto para os empresários e demais entidades adaptarem os seus atos constitutivos. Para aqueles que não realizarem a necessária adaptação. • impossibilidade de obter crédito e financiamento em banco. Segundo o professor Richard Domingos. agora para 11 de janeiro de 2006. suas reivindicações dariam oportunidade à elaboração da Medida Provisória 234 de 10-01-2005. de 2005) Parágrafo único. 2031 DO CC Ao prever o prazo de um ano para se adaptarem às disposições deste Código.825. de 22. posteriormente. Não obtiveram êxito. no entanto. não há sanção específica prevista no Código Civil. Breve Síntese do “Drama Existencial” vivido pelo ART.031.127.127. • por estar irregular. a qual estabeleceria novo prazo. veio a sofrer. o artigo 2031. O prazo de adaptação ao Novo Código. sociedades e fundações constituídas anteriormente ao novo Código. analisando o sistema jurídico como um todo. mas a doutrina.825 de 2003 e 10. estendendo mais uma vez o prazo legal.838 de 2004). de 28-06-2005 alargaria o prazo mais uma vez. haverá a responsabilidade pessoal dos seus sócios ou administradores. a partir de sua vigência. a interferência de dois diplomas legais (Leis 10.Direito Civil Art. 2. Mais recentemente.2003) 5. para fixar como termo final o dia 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11. sociedades e fundações. bem como os empresários. As associações. deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.1. (Incluído pela Lei nº 10. pugnando pela aplicação dos efeitos também as associações. reconhece as seguintes: • proibição de participação em licitação. eis algumas conseqüências da não-adaptação a este prazo: 61 .12. findou em 11/01/2007. a Lei nº 11. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. CC.

e declarando. o estatuto pode ser elaborado pelo Ministério Público. não quanto ao testamento: assim. submetendo-o. culturais (ex: a educacional) ou de assistência.br/).Direito Civil "As piores conseqüências são: impedimento de participação em licitações. 65 CC. 3) A elaboração do seu ESTATUTO (fundação não se organiza por contrato social). impedimentos de fornecer produtos ou serviços para grandes empresas e. o estatuto da fundação projetada. 62 do CC). Para criar uma fundação. 62). Etapas para constituição da fundação: 1) A afetação de BENS LIVRES E DESEMBARAÇADOS do instituidor. impossibilidade de abertura de contas bancárias. nos termos do art. mas sim da afetação de um patrimônio que se personifica para a realização de finalidade ideal. o seu instituidor fará. podendo os sócios e administradores responder com seus bens pessoais" (http://www. com recurso ao juiz. à aprovação da autoridade competente. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio.2. especificando o fim a que se destina. Fundações As fundações. morais. 62 . dotação especial de bens livres.1. 62. Parágrafo único. diferentemente das sociedades e das associações. 5. em seguida. Art. O estatuto tanto pode ser elaborado diretamente por seu criador no ato de criação. não é necessário que este seja público. não derivam da união da união de indivíduos. O legislador foi expresso quanto à escritura pública. impedimento de obter empréstimos e financiamentos. como também por um terceiro (elaboração fiduciária). Subsidiariamente. em tendo ciência do encargo.callcenter. 2) A sua criação só se dará por ESCRITURA PÚBLICA OU TESTAMENTO. terem o contrato considerado irregular. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos. não lucrativa (art. 65.inf. se quiser.2. formularão logo. de acordo com as suas bases (art. por escritura pública ou testamento. 5. o que faz com que as responsabilidades dos sócios passem a ser ilimitadas e não mais restrita ao valor do capital social. a maneira de administrá-la. Art.

Art. Art. os administradores da fundação. 1. II . ou.quando a pessoa encarregada não cumprir o encargo no prazo assinado pelo instituidor ou. 67 e 68 do CC.202. se quiser. Art. 1202. quem aprova é o juiz.2. o Ministério Público). 5. 63 . nos termo dos arts. III . não havendo prazo. nos termos do art.não contrarie ou desvirtue o fim desta. caso este a denegue.2. em dez dias. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I . a incumbência caberá ao Ministério Público. 67. ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público. 5) REGISTRO DA FUNDAÇÃO NO CRPJ. 4) APROVAÇÃO DO ESTATUTO PELA AUTORIDADE COMPETENTE (em regra. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime.seja aprovada pelo órgão do Ministério Público. poderá o juiz supri-la. II .Direito Civil Parágrafo único. requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la. A modificação do estatuto da fundação é possível. em cento e oitenta dias. Incumbirá ao órgão do Ministério Público elaborar o estatuto e submetê-lo à aprovação do juiz: I .quando o instituidor não o fizer nem nomear quem o faça. dentro em 6 (seis) meses. Quando o próprio Ministério Público elabora o estatuto. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor. a requerimento do interessado. não havendo prazo. 68. e.seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação.

da atribuição ao Ministério Público Federal da veladura pelas fundações federais de direito público. Atribuições Fiscalizatórias do Ministério Público O Ministério Público ainda tem o dever legal de fiscalizar as fundações no Brasil. 66). em cada um deles. o órgão do Ministério Público. ou não.3.794-8)8 § 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado.) Declarada a inconstitucinalidade do §1º do art. de acordo com o art. Tornando-se ilícita. 66..2. ao respectivo Ministério Público. em outra fundação. designada pelo juiz. funcionem. caberá o encargo ao Ministério Público Federal. ou em Território. (Vide ADIN nº 2. incorporando-se o seu patrimônio. ou vencido o prazo de sua existência. 66 do CC.Direito Civil Se não houver unanimidade da alteração do estatuto.4. ao estabelecer a competência do Ministério Público Federal para a fiscalização das fundações no Distrito Federal. 64 . poderá haver impugnação pela minoria vencida (prazo decadencial de 10 dias). já julgada procedente.. atuando em parceria. que se proponha a fim igual ou semelhante. salvo disposição em contrário no ato constitutivo. 8 “(. do Artigo 66. a função fiscalizatória precípua é do próprio MP do DF e não da Procuradoria da República. estabeleceu o correto entendimento segundo o qual.2. cabendo ao MP do Estado ou do Distrito Federal (art. 5. no DF ou nos eventuais Territórios.794-8. 69. lhe promoverá a extinção. Destino do patrimônio de uma fundação extinta Art. 5. O §1º. ou no estatuto. Se a atividade da fundação se estende a mais de um Estado. deu ensejo à ADI 2. sem prejuízo. a fiscalização caberá a cada MP estadual no que lhe compete. Art. § 1o Se funcionarem no Distrito Federal. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. 68 do CC. caberá o encargo. ou qualquer interessado. se a fundação funciona no DF. impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação.

é constituída por meio de CONTRATO SOCIAL. 977 do CC admite a sociedade entre cônjuges ou com terceiros. à luz do dispositivo constitucional do ato jurídico perfeito.3. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. Marido e mulher podem constituir sociedade? O art. integrada por sócios. seu patrimônio deverá ser incorporada em outra fundação designada pelo juiz. No campo do Direito Empresarial. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. Sociedades As sociedades. Essa presunção de fraude. ou no da separação obrigatória. na opinião de Pablo Stolze. 5. Parágrafo único. com bens ou serviços. dotada de personalidade jurídica própria. quando uma fundação acaba. é flagrantemente inconstitucional. o art. desde que NÃO TENHAM CASADO NO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL OU SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS. com a finalidade de exercer a atividade econômica e partilhar lucros. pessoa jurídica de direito privado. que a probição do artigo 977 não atingiria sociedades anteriores ao Código de 2002. entre si. a despeito dessa opinião do citado doutrinador. 977. Art. conforme inclusive se pronunciou o DNRC (Departamento 65 . Tem prevalecido a idéia. espécie de corporação (união de indivíduos).Direito Civil Salvo disposição em contrário. de fins iguais ou semelhantes. Mas. desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens. o dispositivo está em pleno vigor. Art. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. cuida do contrato de sociedade. 981 do CC. dos resultados. para o exercício de atividade econômica e a partilha. entre si ou com terceiros. 981.

Art. 967). Classificação das sociedades Tradicionalmente.3. 982 do CC. seguindo a transformação experimentada pelo Direito Comercial. as sociedades eram classificadas da seguinte maneira: Sociedades civis. Sociedades mercantis (comerciais). 982. considera-se empresária a sociedade por ações. 982. no Brasil. Não se fala mais em sociedades civis e mercantis (o NCC não adotou a teoria dos atos de comércio). Parágrafo único. O Código Brasileiro de 2002. será simples. TODA SOCIEDADE ANÔNIMA É EMPRESÁRIA E TODA COOPERATIVA É SIMPLES. Independentemente de seu objeto. não se pode dizer que há absoluta identidade na medida em que a noção de empresa é mais abrangente que a de comércio. Para as outras sociedades é necessário verificar se é empresária. por força de lei (art. O ponto comum entre sociedades civis e mercantis era que ambas buscavam finalidade econômica.1. 977 do CC não atingiria 5.2. diferentemente das sociedades civis. que não praticavam atos de comércio. as demais. 5. OBS: Em geral. e. na trilha da consagração do conceito de empresa.Direito Civil Nacional de Registro de Comércio) no Parecer nº 125/2003 no sentido de que a proibição constante no art. em seu art. UMA SOCIEDADE PARA 66 . As sociedades mercantis praticavam atos de comércio (à luz da doutrina francesa). a sociedade empresária corresponde com a antiga sociedade mercantil (comercial) e a sociedade simples à antiga sociedade civil. simples. a cooperativa. parágrafo único). À luz do art. Mas.3. simples. passaria a classificar as sociedades em Sociedade Simples e Sociedade Empresária. Diferenciação das Espécies Vale lembrar que. A doutrina italiana revolucionou essa matéria (a noção de comércio era pouco precisa e foi substituída pela teoria da empresa). Salvo as exceções expressas. considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. e. 982. pois caso não seja.

trabalho. ou seja. as que não são empresárias. são sociedades prestadoras de serviços. nos termos do art. Uma sociedade empresária notabiliza-se por um acentuado caráter capitalista e impessoal: os seus sócios atuam basicamente como articuladores de fatores de produção (capital. 982. e além disso. tecnologia e matéria prima). ou seja. Art. Parágrafo único. a exemplo de um banco ou de uma revendedora de veículos. possui a característica da impessoalidade. estão sujeitas à falência e o seu registro é feito na Junta Comercial. A sociedade empresária é aquela que conjuga os requisitos do art. 67 . Art. Já a sociedade para ser simples será. ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores. 966. como a sociedade entre médicos para formação de uma clínica. tecnologia e matéria prima). os seus sócios atuam precipuamente como meros articuladores de fatores de produção (capital. de maneira que a atividade pessoal de cada sócio não se confunde com a atividade da sociedade. a sociedade será simples): • material: toda sociedade empresária realiza uma atividade econômica organizada. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. Os sócios de uma empresária podem pouco freqüentar a empresa. A sociedade simples. caracteriza-se principalmente pelo fato de os próprios sócios realizarem ou supervisionarem a atividade exercida. O seu registro é feito na Junta Comercial e sujeitam-se à legislação falimentar. de natureza científica. uma atividade empresarial. Em geral.  formal: o obrigatório registro na Junta Comercial. Além disso. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. literária ou artística. antes do início de sua atividade. sujeita a registro no CRPJ. 966. residualmente. no Registro Público de Empresas Mercantis. trabalho. 967.Direito Civil SER EMPRESÁRIA DEVE OBSERVAR DOIS REQUISITOS (ausente um dos requisitos.

entre os associados.Direito Civil OBS: Uma grande banca de advocacia. Vem ganhando força a tese segundo a qual. 53. cujos requisitos constam do art. CC.4. em regra. podem até constituir uma sociedade empresária (característica de empresa). o seu registro deverá ser feito no CRPJ e não na junta comercial (Julieta Lunz. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Associações As associações. a doutrina de direito empresarial. são formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem finalidade ideal ou não econômica (associação de moradores. São espécies de corporação (união de indivíduos) e constituem-se por meio de ESTATUTO. Parágrafo único. Não há. São reguladas a partir do art. Art. assim como as fundações. 54. direitos e obrigações recíprocos. pessoas jurídicas de direito privado. pois o registro continua sendo feito no CRPJ e na OAB (e não na J. mas a matéria ainda não é pacificada. de salvaguarda dos direitos da vizinha. por ser simples. Comercial). sob o aspecto material. 68 . a depender do caso concreto. não lucrativa. ela continua sendo simples. devendo o seu registro ser feito no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. Mas. de proteção ao meio ambiente. de incentivo a pesquisa acadêmica. 53. associação religiosa). 5. têm finalidade ideal. O estatuto é o ato normativo e organizacional de uma associação. Paulo Rego). sustenta que o seu registro deve continuar a ser feito na Junta Comercial por conta da norma especial (ver também Enunciado 69 da I Jornada de Direito Civil). A despeito de haver ainda acesa polemica por conta de as cooperativas terem sido consideradas sociedades simples. Portanto.

POR CUIDAR DE ASSOCIAÇÕES. (Incluído pela Lei nº 11.o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos.127. 57. o estatuto das associações conterá: I . ainda. de 2005) Parcela da doutrina. a garantia da função social e a vedação ao abuso do direito justificam a exclusão do condômino anti social. de 2005) Na forma do art. Condômino não é associado. invocando o PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL E A TEORIA DO ABUSO DE DIREITO. mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.a denominação.os direitos e deveres dos associados. nos termos previstos no estatuto. III .as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 1337 do Código Civil.a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. não sujeito à penalidade do art. 55 do CC. por meio de ação judicial própria.as fontes de recursos para sua manutenção. mas sim é CO-PROPRIETÁRIO. demissão e exclusão dos associados. 57. Art. Os associados devem ter iguais direitos. a tese de que o artigo 57. Art. 55.127. mas NA MESMA CATEGORIA NÃO PODE HAVER DIFERENÇAS ENTRE ELES. V. V . observada a garantia do contraditório. (Redação dada pela Lei nº 11. todavia. vale anotar que em uma associação até pode haver categorias diferentes de associados. para o qual é prevista sanção específica no parágrafo único do art.Direito Civil Art. (Redação dada pela Lei nº 11. começa a ganhar força defendendo a exclusão do condômino. IV . 69 . os fins e a sede da associação. II . 54.127. assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso.os requisitos para a admissão. Enunciado 508 da V Jornada de Direito Civil: “Verificando-se que a sanção pecuniária é ineficaz. Sob pena de nulidade. de 2005) VI . de EXCLUSÃO do associado. O CC/2002. 57 estabeleceu a possibilidade legal. não deve ser aplicado para expulsão de condômino anti-social. em seu art. Prevalece no Brasil. desde que ulterior assembléia. VII . A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa.

Art. o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado. de fins idênticos ou semelhantes. no Distrito Federal ou no Território. as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. 59. estadual ou federal. receber em restituição. Compete privativamente à assembléia geral: I – destituir os administradores. omisso este. 59. por deliberação dos associados. 70 . à instituição municipal. nos termo do art. por deliberação dos associados.410-RJ O SINDICATO TEM NATUREZA ASSOCIATIVA. podem estes. Dissolvida a associação. Qual a natureza jurídica dos Sindicatos? Ementa . instituição nas condições indicadas neste artigo. o remanescente do seu patrimônio líquido. de 2005) Parágrafo único. (Redação dada pela Lei nº 11.STJ no Resp 1. bem como os critérios de eleição dos administradores. omisso este. as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. Regra geral. cumpre recordar que o órgão mais importante de uma associação é a sua Assembléia Geral.127. atualizado o respectivo valor. no Estado. se for o caso. dissolvida a associação. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. ESTADUAL OU FEDERAL DE FINS IGUAIS OU SEMELHANTES. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim. 61. cuja competência está prevista no art. do Distrito Federal ou da União. ou. o seu patrimônio será atribuído a ENTIDADES DE FINS NÃO ECONÔMICOS DESIGNADAS PELO ESTATUTO. de 2005) II – alterar o estatuto.181. a OUTRA INSTITUIÇÃO MUNICIPAL. (Redação dada pela Lei nº 11.Direito Civil prevista na parte final do parágrafo único do artigo 1337 deliberem a propositura de uma ação judicial própria e para este fim”. antes da destinação do remanescente referida neste artigo. no seu silêncio. § 1o Por cláusula do estatuto ou. Art.127. cujo quorum será o estabelecido no estatuto. 56. ou. § 2o Não existindo no Município. depois de deduzidas. Quanto à composição da Associação. em que a associação tiver sede. 61.

O DNRC por meio da instrução normativa no.347/1985. LEGITIMIDADE ATIVA. mas novo ente jurídico personificado. ART. 44 e 980-A.) 5. Em regra. já existem julgados em sentido contrário. a teoria da 9 Como foi positivada nos artigos 28 do CDC e no artigo 50 do CC. No entanto. 71 . MÁ-FÉ. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada é. (. 6. A partir daí.Direito Civil PROCESSUAL CIVIL. Tramita a ADI 4637 que pretende o reconhecimento da inconstitucionalidade do mínimo de 100 salários mínimos para a constituição da EIRELI. não podemos mais falar em Teoria (Maria Helena Diniz).. Segundo o Enunciado 469 da V Jornada de Direito Civil).. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que o sindicato é considerado associação civil. no famoso caso Salomon e Salomon Company. Pessoa Jurídica poderá constituir EIRELI? A doutrina diverge sobre o tema. para fins de legitimidade ativa para Ação Civil Pública. XIX. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (DISREGARD DOCTRINE) O precedente da teoria9 ocorreu na Inglaterra. EIRELI Trata-se de um novo tipo de pessoa jurídica criada pela lei 12441/2011. final do séc. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. a EIRELI é registrada na Junta Comercial. 1. que versa sobre os Arts. 18 DA LEI 7. 117/2011 proibiu que a pessoa jurídica pudesse constituir EIRELI. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) não é sociedade.5. SINDICATO. Frederico Garcia. uma PESSOA JURÍDICA UNIPESSOAL que prevê a limitação da responsabilidade de seu titular ao capital integralizado que não poderá ser inferior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no País. segundo o Prof.

aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido 6. ou pela confusão patrimonial. 28). O CC/1916 não previa a desconsideração da personalidade jurídica.1. A DESPERSONIFICAÇÃO é mais grave porque resulta no cancelamento do registro e no FIM DA PESSOA JURÍDICA. a Legislação Ambiental. depois veio a Lei Anti-Truste. pode o juiz decidir. 50. para permitir que o credor satisfaça o seu direito no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. A doutrina da DESCONSIDERAÇÃO. Como bem denota o Enunciado 7 da I Jornada de Direito Civil. Em caso de abuso da personalidade jurídica. LIMITADAMENTE. Art. espraiando-se por todo o mundo. Modalidades Existem dois tipos de desconsideração: a DIRETA E A INVERSA OU INVERTIDA. pretende o afastamento temporário da personalidade da pessoa jurídica.Direito Civil desconsideração seria especialmente desenvolvida na Alemanha (com Rolf Serick) e na Itália (com Piero Verrucoli). O primeiro diploma legal a tratar do assunto foi o CDC (art. caracterizado pelo desvio de finalidade. o Art. 50 só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de ato irregular e. mais recentemente. e. 50. Rubens Requião. a requerimento da parte. também regulou a desconsideração da personalidade jurídica o CC/2002. introduzida no Brasil pelo Prof. “O Novo Direito Societário” (Calixto Salomão Filho) é doutrina excelente para aprofundamento. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Desconsideração não se confunde com DESPERSONIFICAÇÃO. Na direta responsabiliza-se o sócio e administradores por dividas da 72 . em seu art.

de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações do sócio controlador (REsp 948. da sociedade comercial que até as vésperas da sua separação judicial era por ele dirigida. com prejuízo a terceiros. Em sua decisão o juiz singular destacou a simulação do afastamento do réu da direção da empresa G. aduzindo ser ‘caso típico. elidem criminosamente o direito alimentar que busca assegurar a vida. oriunda da doutrina 10 e da jurisprudência11. para. onde sócio e sociedade se associam no propósito de encobrir a obrigação alimentícia do devedor executado. em tese. 11 A desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade.J. o juiz monocrático enfrentou em sentença. 73 . em prejuízo a terceiro de boa-fé. Na ação de separação judicial litigiosa nº 01291069282 que tramitou pela 1ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre. que capta a autêntica realidade que se oculta atrás da personalidade societária. A aplicação da desconsideração inversa ou invertida se faz sentir. em especial. contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade propriamente dita. que excedem o objetivo social e com afronta à ordem pública. de exigir da pessoa jurídica o 10 Enunciado 283 da IV Jornada de Direito Civil: Art. 50. como o mais importante de todos os direitos. responsabiliza-se a PJ pela divida de seus sócios e administradores. no Direito de Família.A. a questão do afastamento meramente formal do réu. Rolf Madaleno (“A Disregard nos Alimentos): “Cuida-se da despersonalização inversa.117/MS). Na Invertida.. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais. O que se entende por desconsideração inversa ou invertida? A desconsideração inversa. olvidando-se ambos.Direito Civil Pessoa Jurídica. como bem observa o Prof. consagrada no Enunciado nº 283 da IV Jornada de Direito Civil consiste em atingir o patrimônio da pessoa jurídica para a qual o sócio ou administrador indevidamente desviou bens particulares. atingir o ente coletivo e seu patrimônio social.

fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. enquanto no §5. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. para que a Empresa A se esconda das obrigações exigidas pelos credores. A desconsideração também será efetivada quando houver falência. pela aplicação da teoria da despersonalização da pessoa jurídica’. inexistente.. Em caso de abuso da personalidade jurídica. exigindo a conjugação DE DOIS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. Vejamos: Art.. Art. ou seja. 50. 50. pode o juiz decidir. 28. houver abuso de direito. presente a Teoria Maior. a Teoria Menor. São os elementos. estado de insolvência. 6.Direito Civil pagamento alimentar que o réu insiste em não poder fazer. caracterizado pelo desvio de finalidade. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração . que era omisso. No caput. de alguma forma. da Empresa B. com a finalidade espúria de que esta absorva os passivos. em detrimento do consumidor. Elementos da desconsideração da pessoa jurídica no CC O Código de Defesa do Consumidor regulou pioneiramente a matéria no art. para que haja a desconsideração da pessoa jurídica: 1) O descumprimento de uma obrigação. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. Haverá a DESCONSIDERAÇÃO INDIRETA DA PESSOA JURÍDICA para sanar o abuso.. o NCC regula a desconsideração em seu art. infração da lei. a parte podre (débitos) de A. a requerimento da parte. excesso de poder. que alcançariam apenas o ativo. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando.2." “Empresa Podre”: Empresa A constitui Empresa B. 74 . Diferentemente do Código anterior. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 28. ou pela confusão patrimonial.

tais como nos casos de desvio de finalidade ou de confusão patrimônio. 6. 50 do CC. Ministério Público.3. A teoria menor é aplicada quando presente interesse de vulnerável ou interesse público. Shopping Center de Osasco-SP. Legitimidade ativa.Direito Civil 2) O abuso cometido pelo sócio = desvio de finalidade OU confusão patrimonial. já a teoria menor. Limite de responsabilização dos sócios. Teorias Justificadoras da Desconsideração da Personalidade Jurídica Fabio Ulhoa Coelho aponta a existência de duas Teorias Justificadoras da Desconsideração: Teoria Maior e a Teoria Menor. OBS: Sob influência da doutrina do Prof. haverá análise apenas de requisitos objetivos. A Teoria Maior (Código Civil) possui dois elementos: o ABUSO da personalidade jurídica cometida pelo sócio administrador. Resp 279273SP Responsabilidade civil e Direito do consumidor. §5º. para efeito de desconsideração. concluímos pela desnecessidade de o credor demonstrar o dolo específico do sócio ou administrador. exige-se o requisito específico do abuso. Recurso especial. Teoria maior e teoria menor. aferindo-se a desconsideração da pessoa jurídica objetivamente. MAIS o PREJUÍZO ao credor. adotada pelo art. Assim. Esta prevista no artigo 28. Danos materiais e morais. Pessoa jurídica. Explosão. Desconsideração. Fábio Konder Comparato e à luz do relatório do senador Josaphat Marinho acerca do Código Civil. do CDC. caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial.. Consumidores. mais fácil de ser aplicada. basta comprovar o prejuízo sofrido. adotada pelo CDC e pela legislação ambiental não exige a demonstração de tal requisito (REsp 279273-SP). Pela Teoria Menor (CDC e Direito Ambiental). Qual é a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da pessoa jurídica? Segundo a teoria maior. previsto no artigo 50 do Código Civil. 75 . Código de Defesa do Consumidor.

6. 50: A teoria da desconsideração da personalidade jurídica – disregard doctrine – fica positivada no novo Código Civil. 50: Só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de ato irregular e. limitadamente.4. 7) 76 . interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração da personalidade jurídica previstos no art. . a mera existência da pessoa jurídica.A teoria menor da desconsideração. ainda que estes demonstrem conduta administrativa proba. porquanto a incidência desse dispositivo não se subordina à demonstração dos requisitos previstos no caput do artigo indicado. acolhida em nosso ordenamento jurídico excepcionalmente no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental. 51 – Art. ou a demonstração de desvio de finalidade (teoria subjetiva da desconsideração). 28. Aprofundamento do Tema Enunciados da Jornada de Direito Civil 7 – Art. ou a demonstração de confusão patrimonial (teoria objetiva da desconsideração). . o risco empresarial normal às atividades econômicas não pode ser suportado pelo terceiro que contratou com a pessoa jurídica. mas apenas à prova de causar. . decorrentes de origem comum. . não pode ser aplicada com a mera demonstração de estar a pessoa jurídica insolvente para o cumprimento de suas obrigações.Para a teoria menor. . aqui. 146 – Art. independentemente da existência de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. Obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. para além da prova de insolvência. Exige-se. 50: Nas relações civis. incide com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações.Direito Civil Requisitos. regra geral no sistema jurídico brasileiro. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial). § 5º. (Este Enunciado não prejudica o Enunciado n. e incumbindo ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica. 28. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.Recursos especiais não conhecidos.A teoria maior da desconsideração. mas pelos sócios e/ou administradores desta. aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido (Teoria Maior – Apenas sócio administrador respondem). quanto a desconsideração ficam mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas legais e na construção jurídica sobre o tema. .A aplicação da teoria menor da desconsideração às relações de consumo está calcada na exegese autônoma do § 5º do art. Art. do CDC. isto é. mesmo que não exista qualquer prova capaz de identificar conduta culposa ou dolosa por parte dos sócios e/ou administradores da pessoa jurídica. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.Considerada a proteção do consumidor um dos pilares da ordem econômica. possui o Órgão Ministerial legitimidade para atuar em defesa de interesses individuais homogêneos de consumidores.

prevista no art. 50: A teoria da desconsideração. CC). 50: O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica. segundo a qual. não se confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a constitui. passará a ter responsabilidade na medida do benefício auferido”. 980-A: O patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica. 284 – Art. 283 – Art. segundo alguns autores. ainda. para outros autores. segundo a qual a sociedade não se responsabiliza pelo ato do administrador que extrapole os limites do ato constitutivo da pessoa jurídica (art.VIOLAÇÃO AO 77 . A respeito dela. salvo se tiver se beneficiado com a prática do ato. 1015. 470 – Art.SOCIEDADE ANÔNIMA . este ato ultra vires societatis não poderá ser imputado à sociedade. sem prejuízo da aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica. prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.EXECUÇÃO FRUSTRADA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA . preleciona o Prof. 50.Direito Civil 281 – Art. não basta para caracterizar abuso da personalidade jurídica. com prejuízo a terceiros. Interessante acrescentar. a sociedade fica isenta de responsabilidade perante terceiros. que com a doutrina da desconsideração não se confunde é a “teoria ultra vires societatis”. legitimando o direcionamento da execução fiscal ao sócio gerente. 50 do Código Civil. Cláudio Calo Souza: “Esta teoria surgiu na jurisprudência inglesa. 282 – Art. violar o objeto social (objetoatividade e objeto-lucro) delimitado no ato constitutivo. se o administrador. Este enunciado contraria o entendimento majoritário e a Súmula 435 do STJ: Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes. inválido e. ineficaz. quando então. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais. por si só. haver decidido o STJ que o sócio atingido pela desconsideração da pessoa jurídica TORNA-SE PARTE no processo: RECURSO ESPECIAL . Portanto. 50: A aplicação da teoria da desconsideração. no século XIX. descrita no art. 50: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos estão abrangidas no conceito de abuso de personalidade. pode ser invocada pela pessoa jurídica a seu favor. sendo considerado. Outra figura peculiar. ao praticar atos de gestão. 50 do Código Civil. 285 – Art.

Não há falar em julgamento extra petita quando o tribunal aprecia o pedido por outro fundamento legal. a todos os seus argumentos. III . EXTENSÃO DE EFEITOS À SOCIEDADE COM O MESMO OBJETO SOCIAL. SANÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR. II . POSSIBILIDADE. a própria doutrina (Gustavo Tepedino) e o STJ. . com o mesmo objeto social. com os mesmos sócios e com o mesmo endereço. o juiz conhece o direito. constitui abuso de forma e fraude à Lei de Licitações Lei n. em substituição a outra declarada inidônea para licitar com a Administração Pública Estadual... um a um. não estando vinculado aos dispositivos citados pelas partes. o magistrado não se encontra obrigado a responder todas as alegações das partes. PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA E DA INDISPONIBILIDADE DOS INTERESSES PÚBLICOS.º 8. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.No âmbito do recurso especial.A constituição de nova sociedade.NÃO OCORRÊNCIA JULGAMENTO 'EXTRA PETITA' . 358) Como o direito brasileiro trata a desconsideração administrativa da pessoa jurídica? Em geral.INEXISTÊNCIA .”). de modo a possibilitar a aplicação da teoria da desconsideração da 78 .12.Direito Civil ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL . salvo situações excepcionais de grave fraude.812/MG. RMS 15166-BA já admitiram a desconsideração em nível administrativo. Rel.666/93.REVOLVIMENTO FÁTICO INADMISSIBILIDADE .2006. TERCEIRA TURMA. Em outras palavras. não há como se reavaliar entendimento firmado pelo tribunal estadual com espeque nas provas dos autos (Súmula 7/STJ) IV . MESMOS SÓCIOS E MESMO ENDEREÇO. Em regra. (REsp 258. julgado em 29. Ministro CASTRO FILHO.O sócio alcançado pela desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresária torna-se parte no processo.DISSÍDIO NÃO COMPROVADO. DJ 18. V . DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. possa operar a desconsideração ex officio. I . tese defendida por Edmar Andrade.Havendo encontrado motivos suficientes para fundar a decisão. Recurso especial não conhecido. entende a doutrina que a desconsideração da pessoa jurídica é matéria sob “reserva de jurisdição” (“pode o juiz decidir. ADMINISTRATIVO. FRAUDE À LEI E ABUSO DE FORMA.Não se conhece do recurso pela alínea "c" quando não demonstrada similitude fática apta a configurar a alegada divergência interpretativa entre os julgados confrontados. não se admite que a Adm. LICITAÇÃO. todavia em situações excepcionais de fraude à lei. nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder.11. com o objetivo de burlar à aplicação da sanção administrativa. Públ.2006 p.

DISSOLUÇÃO PRIVADO DA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO a) Dissolução convencional: é aquela DELIBERADA PELOS PRÓPRIOS SÓCIOS ou administradores. 79 .Direito Civil personalidade jurídica para estenderem-se os efeitos da sanção administrativa à nova sociedade constituída. VII. . do CPC. em observância ao princípio da moralidade administrativa e da indisponibilidade dos interesses públicos tutelados. a exemplo do que se dá no procedimento falimentar. . desconsiderar a personalidade jurídica de sociedade constituída com abuso de forma e fraude à lei. ou nos termos do art. 1218. 7. b) Dissolução administrativa: deriva da CASSAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE CRIAÇÃO OU FUNCIONAMENTO de determinadas pessoas jurídica.A Administração Pública pode.Recurso a que se nega provimento. c) Dissolução judicial: é aquela OPERADA POR SENTENÇA. a exemplo dos bancos. desde que facultado ao administrado o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo regular. É especialmente aplicada às sociedades.

CONCEITO Domicílio. Art. considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. 70 do CC. quanto às relações concernentes à profissão. 80 . Se. viva. Assim. que é entendida como o lugar em que a pessoa se estabelece temporariamente. COM A INTENÇÃO DE ALI PERMANECER (animus manendi). Admite-se a pluralidade do domicilio residencial nos termos do artigo 71 do Código Civil. a pessoa pode ter vida social. negócios em mais de um domicílio. Art. antes se passa pelos conceitos de: MORADA. é o lugar em que a pessoa física fixa residência. É também domicílio da pessoa natural. 72 do Código Civil estabelece uma forma peculiar de domicílio limitada a aspectos da profissão. em seu conceito amplo.Direito Civil DOMICÍLIO 1. DOMICILIO DA PESSOA NATURAL Para atingir-se o conceito de domicílio. Também admite a pluralidade. caracterizado como o lugar em que a pessoa é encontrada com habitualidade. alternadamente. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. e de RESIDÊNCIA. TRANSFORMANDO-O EM CENTRO DA SUA VIDA JURÍDICA. 70. o lugar onde esta é exercida. nos termos do art. é o local onde a pessoa (natural ou jurídica) pode ser sujeito de direitos e deveres na ordem civil. lazer. O domicílio. 72. 83 do Código de Portugal o art. onde. porém. Art. 2. família. a pessoa natural tiver diversas residências. 71. O que é domicílio profissional no CC? Na vereda do art.

com as circunstâncias que a acompanharem B) Legal ou Necessário: Aquele que decorre da lei por força do artigo 76. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente. Não pode ser afastada por convenção entre as partes (são regras de ordem pública). mas é enunciado óbvio e sem aplicação prática: Art. 74. a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado. CC. Parágrafo único. Muda-se o domicílio. Art. e o do preso. Parágrafo único. o servidor público. o lugar em que exercer permanentemente suas funções. A mudança de domicílio é prevista no art. Tem domicílio necessário o incapaz. o do marítimo. 81 . se tais declarações não fizer. pelo Código Civil de 1916. CC. e. 74 do CC. a pessoa tinha apenas um domicilio. o do militar. 76. Já no Código Civil de 2002.Direito Civil Parágrafo único. onde servir. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos. da própria mudança. o do servidor público. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares. sendo da Marinha ou da Aeronáutica.1. sob pena de nulidade. a pessoa possui dois domicílios: onde estabelece sua residência e também onde exerce sua profissão. Classificação do Domicilio da Pessoa Natural quanto a Origem A) Voluntário: Ato de escolha da pessoa como exercício da autonomia privada (liberdade individual). cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. onde o navio estiver matriculado. pode coexistir com o domicilio voluntário em razão do artigo 71. o marítimo e o preso. que deixa. Regra Geral. o lugar em que cumprir a sentença. com a intenção manifesta de o mudar. ou. transferindo a residência. e para onde vai. 2. o militar. No entanto.

280. deverá o juiz declarar sua nulidade absoluta. nos termos do parágrafo único do art. o foro do domicílio do detentor da sua guarda. Art. que é militar. Argúi-se. Se for da Marinha ou da Aeronautica. Polícia Militar). 78. que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu. C) Contratual: aquele que consta em contrato. não é o das Forças Armadas. será a sede do comando. A nulidade da cláusula de eleição de foro. que transporta carga. em contrato de adesão. o lugar em que cumprir a sentença TRANSITADA EM JULGADO. em princípio. Parágrafo único. a incompetência relativa. particular. de 2006) Segundo consta no Enunciado 171 da III Jornada de Direito Civil. Entende-se que o domicilio militar é o quartel. 82 . poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. CPC. 112. (Incluído pela Lei nº 11. declinando da sua competência de ofício. por meio de exceção. Nos contratos escritos. 12 Sumula 335. OBS: Em havendo abusividade da cláusula de eleição 12. O domicilio marítimo refere-se ao marinheiro da marinha mercante. especialmente o consumidor. pode ser declarada de ofício pelo juiz. STJ estabeleceu que a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é. especificando o local para o cumprimento de deveres e obrigações contratuais. em evidente prejuízo ao aderente.Direito Civil A recente Súmula nº 383. valendo para forças terrestres (Exercito. 112. STF: É válida a cláusula de eleição do foro para os processos oriundos do contrato. O domicilio do preso. Art.

classificado como domicilio voluntário. Quanto às pessoas jurídicas. sito no Brasil. ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes.22/04/2009: Nos contratos bancários. tiver a sede no estrangeiro. o lugar do estabelecimento. com amparo na teoria da aparência.Direito Civil 171 – Art.do Município.das demais pessoas jurídicas. não se confunde com o contrato de consumo. o lugar onde funcione a administração municipal. OBS: Leitura de artigo de Pablo (em seu site) sobre a Súmula nº 381: ao juiz é proibido reconhecer de ofício nulidade de cláusula em contrato bancário. IV . 3. DOMICILIO DA PESSOA JURÍDICA O domicílio da pessoa jurídica. o lugar onde for encontrada. O que é domicílio aparente ou ocasional? Trata-se de um domicílio definido por ficção jurídica. 423 e 424 do novo Código Civil. ciganos. § 2o Se a administração.dos Estados e Territórios. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural. STJ Súmula nº 381 . 75 do CC. o domicílio é: I . II . 73 do CC. no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências. Art. tema cujo desdobramento é feito em Processo Civil. que não tenha residência habitual.da União. Art. as respectivas capitais. o Distrito Federal. ou diretoria. III . está previsto no art. É aplicado aos circenses. nos termos do art. 73. nômades. é vedado ao julgador conhecer. 75. a que ela corresponder. da abusividade das cláusulas. mencionado nos arts. cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica. o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações. 423: O contrato de adesão. de ofício. 83 .

Se uma Pessoa Jurídica tiver funcionamento no exterior. 84 . a pluralidade de domicílios da Pessoa Juríca. também.Direito Civil A lei prevê duas hipóteses: a de Domicílio Estatutário. invocando-se o instituto do domicilio aparente. nas hipóteses em que há administrações em diversos lugares. A pessoa Jurídica poderá ser demandada em qualquer um dos dois. É possível. deve ser levado em conta o domicilio da filial no Brasil. previsto no próprio Estatuto ou ato constitutivo ou a do Local de funcionamento das respectivas Diretorias ou Administrações.

Bens Imóveis São incorporados são solo de modo natural ou artificial. enquanto BEM seria espécie. b) bens imóveis por acessão física industrial. sendo que sua remoção produzem sua destruição. caracterizados por serem bens móveis incorporados ao imóvel pela vontade do proprietário. esta categoria persiste. tudo que não é humano. CLASSIFICAÇÃO MOBILIDADE DOS BENS QUANTO A SUA 2. Carlos Roberto Gonçalvez e Pablo Stolze).Direito Civil BENS JURÍDICOS 1. 79. majoritária. conforme Enunciado 11 da Jornada de Direito Civil. Art. Para uma corrente minoritária. c) bens imóveis e acessão física intelectual. Ex: TV na rede LFG. esta categoria não existe mais. DIFERENÇAS ENTRE COISAS E BENS Caio Mario dizia que a expressão BEM seria gênero (tudo que nos agrada). Os bens podem ser corpóreos ou incorpóreos (com os direitos). 85 . O Código Civil não utilizou esta divisão. CC (Maria Helena Diniz. onde a imobilidade decorre de uma atuação humana concreta e efetiva (construções e plantações). onde a imobilidade decorre de sua essência (árvore). mas sim a diferenciação de Silvio Rodrigues para quem COISA é gênero. enquanto o termo COISA seria espécie (bem corpóreo). 2. coisa com interesse econômico ou jurídico. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. confundindo-se com as pertenças do artigo 93. Para outra corrente. São quatro modalidades de bens imóveis: a) bens imóveis por natureza.1.

d) bens imóveis por determinação legal.os materiais provisoriamente separados de um prédio. onde a lei indica o que são imóveis e está contido no Artigo 80. A razão para se imobilizar e. 79 do CC. em conseqüência. mas conservando a sua unidade.as edificações que. como uma máquina beneficiadora de arroz). para nele se reempregarem. II . do CC estabelece ser imóvel por força de lei o direito à sucessão aberta (direito à herança). Todavia.os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram. 80. O art. 80. Não perdem o caráter de imóveis: I . CC: “São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (ex: crescimento de uma árvore) ou artificialmente (ex: construção de uma casa). com aumento de volume da coisa principal. 81. A intenção do enunciado está em dizer que acessão intelectual nada mais seria que uma acessão artificial. II. Diz o art.o direito à sucessão aberta. forem removidas para outro local. autores como Flávio Tartuce discordam do enunciado. Art.” O Enunciado nº 11 da I Jornada de Direito Civil não reconhece no Código Civil a categoria de “imóvel por acessão intelectual” (a exemplo de um equipamento agrícola empregado na fazenda. Art. não obstante a expressão “tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. nos termos do art. constante da parte final do art. 79: não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imóveis por acessão intelectual. II . Isto explica.793 do CC. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I .Direito Civil O que se entende por imóvel por acessão intelectual? Acessão traz a idéia de união. foi que o legislador quis conferir maior formalidade 86 . 1. separadas do solo. por exemplo. exigir-se escritura pública no dispositivo dado em exemplo. Acessão intelectual significa união intencional. 79. 11– Art. razão da negativa da classificação à luz do CC/02. a necessidade de escritura pública no instrumento de cessão.

Bens Móveis São aqueles que podem ser transportados ou removidos. conservam sua qualidade de móveis.os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Os materiais destinados a alguma construção. III .793.as energias que tenham valor econômico. Art. 87 . 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais: I . O direito à sucessão aberta. sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.2. 84. b) bens móveis por antecipação: eram imóveis mas foram mobilizados por uma atividade humana concreta e efetiva (Ex: materiais de demolição de um prédio). ou de remoção por força alheia. onde a mobilidade decorre de sua essência. para trazer mais segurança às relações deles decorrentes. Possuem três categorias: a) bens móveis por natureza. Art.os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes. seja por força alheia ou própria (semoventes. enquanto não forem empregados. c) bens móveis por determinação legal: Art.Direito Civil aos direitos sucessórios. 2. Navios e Aeronaves são móveis ou imóveis? São bens móveis sui generis ou especiais porque tem registro especial e admitem hipoteca. 1. animais). II . 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio. bem como o quinhão de que disponha o coerdeiro. pode ser objeto de cessão por escritura pública. Art. readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.

dotadas de valor econômico. que decorrem da atividade humana (cimento). qualidade e quantidade. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. Art. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes. industriais. sendo também considerados tais os destinados à alienação. Podem ser naturais (frutas).Direito Civil Seção II Dos Bens Fungíveis e Consumíveis Art. civis (rendimentos). 3. Principal é o bem que existe sobre si. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas. Art. de uma pessoa. Art. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Modalidades de bens acessórios a) Frutos: saem do principal SEM DIMINUIR SUA QUANTIDADE. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância. tenham destinação unitária. Seção V Dos Bens Singulares e Coletivos Art. 86. Parágrafo único. 3. 89. como ocorre com o juros ou o aluguel. Seção IV Dos Bens Divisíveis Art.1. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias. independentemente dos demais. 88 . embora reunidos. ou prejuízo do uso a que se destinam. São singulares os bens que. diminuição considerável de valor. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. aquele cuja existência supõe a do principal. CLASSIFICAÇÃO DOS BENS QUANTO À DEPENDENCIA (RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS) O artigo 92 consagra o princípio da Gravitação Jurídica: o acessório segue o principal. 88. Art. pertinentes à mesma pessoa. abstrata ou concretamente. Art. 85. 92. acessório. 90. e. se consideram de per si. 91. 87.

Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças. Podem ser NECESSÁRIAS. o petróleo. 96. que não aumentam o uso habitual do bem. Ex: a maçã em relação à macieira. d) Benfeitorias: Acréscimos e melhoramentos realizados no principal. se destinam de modo não duradorouro ao uso. que facilitam o uso. SALVO QUANDO DECORRE DA LEI OU DAS CIRCUNSTANCIAS DO CASO (PERTENÇA É ESSENCIAL). 93. o aluguel. da manifestação de vontade. 89 . Art. Art. o bezerro em relação à vaca.: Pepita de ouro. não constituindo partes integrantes. Ex: o minério em face da mina. 94. c) Pertenças: são os bens acessórios que não constituindo partes integrantes. cuja percepção não diminui a substância da coisa principal. etc. EM REGRA AS PERTENÇAS NÃO SEGUEM O PRINCIPAL. § 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio. Já os produtos. úteis ou necessárias. salvo se o contrário resultar da lei. VOLUPTUÁRIAS. ao uso. Art. ou das circunstâncias do caso. e. lente de câmera fora da câmera. ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. O fruto é uma utilidade renovável. Não se pode confundir fruto com produto. serviço ou ao embelezamento de outro. São pertenças os bens que. Ex: são os bens móveis incorporados a um imóvel pela vontade do proprietário (acessão intelectual). são utilidades que não se renovam e cuja percepção diminui a substância da coisa principal. Ex: toca CD de carro que vem de fábrica acoplado no painel. de modo duradouro. As benfeitorias podem ser voluptuárias.Direito Civil b) Produtos: saem do principal DIMINUINDO sua quantidade. essenciais que evitam que a coisa se deteriore. se destinam. ao serviço ou ao aformoseamento de outro. de mero luxo ou deleite. Qual a diferença entre pertença e parte integrante? A parte integrante forma com o principal um todo. não tendo autonomia como a pertença. Ex. ÚTEIS.

Art.os de uso comum do povo. Art. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. São bens públicos: I . Parágrafo único. ruas e praças. 97. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. observadas as exigências da lei. Não dispondo a lei em contrário. Qual a diferença entre benfeitoria e pertença? A pertença é introduzida pelo proprietário. II . Art. como objeto de direito pessoal.os de uso especial. tais como rios. Art. CAPÍTULO III Dos Bens Públicos Art.os dominicais. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. I as energias que tenham valor econômico são 90 . 101. enquanto conservarem a sua qualificação. 83.Direito Civil § 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. 102. na forma que a lei determinar. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis. possuidor ou detentor. Os bens públicos dominicais podem ser alienados. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído. 1) Nos termos do art. Art. 95. 100. § 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. mares. consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. III . os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. Apesar de ainda não separados do bem principal. inclusive os de suas autarquias. seja qual for a pessoa a que pertencerem. estradas. 103. todos os outros são particulares. territorial ou municipal. 99. ou real. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. estadual. Art. 98. conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. Art. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário. enquanto a benfeitoria é incorporada por quem não é proprietário. de cada uma dessas entidades.

1. é um bem acessório que serve ao uso.” (Art. em geral não traduza uma acessão artificial (ex: piscina com bar molhado). a natureza jurídica da piscina que. se destinam. ao uso. Origem O Direito Norte Americano traduz o referencial histórico mais importante de nosso bem de família: Lei texana de 1839 (Homestead act). 93. por exemplo. Toda benfeitoria é artificial. ao serviço ou ao serviço ou aformoseamento de outro. 2) O que são pertenças? “São pertenças os bens que. CC) Assim. Art. não constituindo partes integrantes. é uma benfeitoria voluptuária. 83. 4. A crise 91 .Direito Civil bens móveis. Mas. Na acessão artificial há construção. Pertença nunca integra a coisa principal. Acessão pode ser artificial ou natural. Na benfeitoria. 3) A benfeitoria é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa como propósito de conservá-la (necessária). uma piscina em um colégio poderia ser interpretada como uma benfeitoria útil à melhoria da efetividade da educação. aformoseamento de outro. de modo duradouro. BEM DE FAMÍLIA 4. como o sêmen de boi. A acessão artificial difere de benfeitoria.as energias que tenham valor econômico. outra pra abrir uma parede (útil) e a colocação de uma estátua no quintal (voluptuária). Finalmente em uma clínica de hidroterapia pode ser considerada uma benfeitoria necessária à finalidade do empreendimento. não opera aumento de volume da coisa. sem constituir parte integrante do mesmo (Ex: Orlando Gomes: ar condicionado encaixado na parede). uma reforma para restaurar uma viga (benfeitoria necessária). melhorá-la (útil) ou propiciar prazer (voluptuária). Assim. é feita na estrutura da coisa (é feita na coisa construída). Consideram-se móveis para os efeitos legais: I .

2. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição. Podem os cônjuges. 1711. hoje revogado pelos artigos 1711 e seguintes do CC de 2002.715. 1.Direito Civil que ocorreu nos EUA entre 1837 a 1839 devastou a economia do EUA.2. mediante registro público (cartório de imóveis – art. Espécies de Bem de Família Em nosso sistema podemos reconhecer DOIS tipos de bem de família: 4. mediante escritura pública ou testamento. Voluntário ou convencional (art. da entidade familiar ou de terceiro. 4. ou de despesas de condomínio. 1. desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição. (impenhorabilidade relativa) 92 . O Código Civil de 16 consagraria o nosso bem de família em seu artigo 70. O Texas institui o bem de família para da pequena propriedade segurança e aquecimento da economia. salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio. Art. – LRP) ou testamento.711. Obs: Logicamente. CC) É aquele instituído por ato de vontade do casal (nasce da autonomia privada). o instituidor do bem de família voluntário deve ser pessoa solvente. ambos com caráter relativo: a) Impenhorabilidade (art. CC) por dividas futuras. destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família. para se evitar o cometimento de fraude.1. A instituição do bem de família voluntário acarreta dois efeitos jurídicos fundamentais. Art.715. ou a entidade familiar. I. 1. 1. mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. 167.

comprar único imóvel suntuoso e revesti-lo da proteção contra seus credores. Art. com consentimento dos interessado e ouvido o MP. Obs: Situação diversa e peculiar. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural. 1. e poderá abranger valores mobiliários (rendas). constituídos como bem da família.712.717. 1.Direito Civil b) Inalienabilidade (art. não podem ter destino diverso do previsto no art. Art.711. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação. O prédio e os valores mobiliários.712).712 (domicilio familiar) ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus representantes legais.717. duas características são muito importantes no que tange ao bem de família voluntário: • o valor do bem de família deve observar o limite máximo de 1/3 do patrimônio líquido dos instituidores: a finalidade do legislador foi de evitar fraudes de insolventes. dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. 1. Também é relativa pois. com suas pertenças e acessórios. Art. que poderiam vender todos os seus bens previamente a execuções. 1. Parágrafo único. pode ser vendido. Em tal 93 . 1. 1.711 e 1. (inalienabilidade relativa) No Novo Código Civil (arts. CC). ouvido o Ministério Público. • a possibilidade de se incluir na instituição do bem de família valores mobiliários (rendas): a idéia é proteger alguma renda para manutenção do imóvel bem de família. destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar. aplicável inclusive ao bem de família legal. é aquele que o imóvel residencial próprio é alugado para que a família sobreviva da respectiva renda. cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família.

Art. 4. 1. Esta Corte Superior assentou entendimento de que é possível a afetação da impenhorabilidade do imóvel em razão da Lei n. o bem de família com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos. o Tribunal de origem destacou que o agravante 'não demonstra que utilize efetivamente a renda de seu imóvel. o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família. (AgRg no Respe 975. sobre a extinção do bem de família voluntário. o ônus da prova de sua veracidade'. A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. 3. se for o único bem do casal. Aferir a destinação dada ao imóvel demanda a reanálise do contexto fático-probatório dos autos. 8.SP) PROCESSO CIVIL – PENHORA – BEM DE FAMÍLIA – LEI N. 1. Dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges. ainda que o imóvel esteja locado a terceiros. Incumbia-lhe. para pagamento de seu aluguel residencial. Salvo disposição em contrário do ato de instituição. desde que não sujeitos a curatela. Extingue-se. do contrário. o O STJ já assentou entendimento no sentido da impenhorabilidade da renda proveniente do imóvel locado. in casu.720.722. Parágrafo único.009/90. sobre a extinção do bem de família voluntário Finalmente. a seu tutor. Com o falecimento de ambos os cônjuges. 1. Todavia. 94 . Documento comprobatório da situação jurídica do imóvel (contrato de locação) juntado aos autos apenas por ocasião da interposição do recurso especial. a administração passará ao filho mais velho.721 e 1722.858-SP e REsp 439. operando-se a preclusão temporal. Atentar aos art. Art. 8. o Artigo 1720 trata da Administração do bem de família voluntário. e. 2. além do ônus da alegação do fato na petição inicial.Direito Civil situação. e os artigos 1. 1. Art. 1720.009/90 – REEXAME DE PROVA – SÚMULA 7/STJ – AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.920. Parágrafo único.721. resolvendo o juiz em caso de divergência. igualmente. locado para fins comerciais. a administração do bem de família compete a ambos os cônjuges. sobre administração do bem de família voluntário e artigos 1721 e 1722. o que é defeso a este Tribunal em vista do óbice da Súmula 7/STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Agravo regimental improvido. se for maior.

considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente. instituído pela Lei nº 8.JUÍZO DINÂMICO . por meio da Súmula 205 estabeleceu que a impenhorabilidade atingiria inclusive penhoras anteriores à Lei nº 8. DESDE QUE OBSERVADOS PARÂMETROS LEGAIS . Existem situações que recomendam a instituição voluntária do bem de família. a exemplo daquela prevista no parágrafo único do artigo 5º.469/SP).PRECEDENTES . salvo se outro tiver sido registrado. OBS: O bem de família voluntário ganha interesse nos termos do art. uma vez que. a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor.009/90. ser possuidor de vários imóveis utilizados como residência. o bem de família legal. PARA EFEITOS DE IMPENHORABILIDADE .009/90.DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL .AUSÊNCIA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ .009/90. independentemente de valor (RESP 1178.QUESTÃO PRELIMINAR JULGAMENTO PROFERIDO POR CÂMARA COMPOSTA MAJORITARIAMENTE POR JUÍZES CONVOCADOS .IRRELEVÂNCIA.2. instituição voluntária e inscrição cartorária.PREQUESTIONAMENTO .PRECEDENTES .Direito Civil 4.BEM DE FAMÍLIA .AVALIAÇÃO . ou entidade familiar.DEMONSTRAÇÃO INEXISTÊNCIA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MULTA IMPOSSIBILIDADE . RECURSO ESPECIAL .POSSIBILIDADE. 5º Para os efeitos de impenhorabilidade. PARCIALMENTE PROVIDO. Na hipótese de o casal. Art. Legal Ao lado do bem de família voluntário. O STJ.2.DIREITO CIVIL .EXISTÊNCIA DE VÍCIO REDIBITÓRIO E O PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO DA FORMA MENOS ONEROSA AO DEVEDOR . 95 .PARTE IDEAL DE IMÓVEL POSSIBILIDADE . em havendo dois ou mais imóveis.BEM IMÓVEL DE ELEVADO VALOR . de que trata esta lei. de muito maior aplicabilidade prática e social.ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA .711 do Código Civil.RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E. 1. no Registro de Imóveis e na forma do art. Parágrafo único. para esse fim.PENHORA . NESSA EXTENSÃO.AUSÊNCIA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 98/STJ . 5º da Lei nº 8.INTUITO PROCRASTINATÓRIO . confere uma proteção traduzida em uma impenhorabilidade legal. a proteção legal automática recairá sempre no de menor valor.

em situações justificadas. 515. previdenciária ou de outra natureza. 510. o STJ. comercial. AUSÊNCIA.05.122-RS e noticiário STJ de 15. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ou móveis que guarnecem a casa. contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam. MULTA. é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil. SÚMULA 7/STJ. 1º O imóvel residencial próprio do casal. em mais de uma decisão. CARÁTER PROTELATÓRIO. Súmula 98 do STJ. IMPENHORABILIDADE. DESMEMBRAMENTO. salvo nas hipóteses previstas nesta lei. ou da entidade familiar. as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos.Direito Civil O Bem de família legal é muito mais efetivo.643 – DF. BEM DE FAMÍLIA. inclusive os de uso profissional.2007).É pacífica a jurisprudência do STJ de que os embargos declaratórios opostos com intuito de prequestionar temas de futuro recurso especial não têm caráter protelatório. ANDAR INFERIOR DA RESIDÊNCIA OCUPADO POR ESTABELECIMENTO COMERCIAL E GARAGEM. Parágrafo único.: Art. desde que tal providência não acarrete a descaracterização daquele e que não haja prejuízo para a área residencial. POSSIBILIDADE. A despeito da dicção deste parágrafo único. demonstrou-se que o andar inferior do imóvel é ocupado por estabelecimento comercial e por garagem. desde que quitados.Os recorrentes não demonstraram que o desmembramento seria inviável ou implicaria em alteração na substância do imóvel. Súmula 7/STJ. fiscal. SÚMULA 98/STJ. Recurso especial parcialmente provido. nos termos da redação conferida ao Artigo 1º. AFASTAMENTO. . . RECURSO ESPECIAL. OBJETIVO DE PREQUESTIONAMENTO. vem admitindo o desmembramento do imóvel para efeito de penhora (Respe 207693-SC.A jurisprudência desta Corte admite o desmembramento do imóvel protegido pela Lei 8. as plantações. Não estão protegidos pelo bem de família: 96 . enquanto a moradia dos recorrentes fica restrita ao andar superior.009/90. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção.Na presente hipótese. Afastamento da multa. CIVIL E PROCESSO CIVIL. . .

observado o disposto neste artigo. uma vez que comporta as exceções do art. ou até mesmo teclado musical (Resp 218882-SP). Art. máquina de lavar. através da Sumula 449 13. fiscal. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte. A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora.DJe 21/06/2010. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil. pode ser penhorada – não constitui bem de família A impenhorabilidade do bem de família legal é RELATIVA. Trabalhadores meramente eventuais. No caso de imóvel locado.em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência (empregados domésticos exclusivamente) e das respectivas contribuições previdenciárias.Direito Civil Art. obras de arte e adornos suntuosos. firmou o entendimento no sentido de que vaga de garagem só é impenhorável quando vinculada ao imóvel residencial. Pablo Stoltzer entende ser extensiva ao bem de família voluntário. Parágrafo único. estão protegidos por decisões: freezer. 97 . se a vaga de garagem tiver matrícula e registro próprios. trabalhista ou de outra natureza.733-SC. computador. Exemplos de bens móveis (quitados) que. previdenciária. ar-condicionado. conforme ficou assentado no Respe 644. 3º da Lei nº 8. em regra. não podem se valer da exceção do inciso I do art. televisão.009/90. O STJ. a impenhorabilidade aplicase aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário. 3º para 13 STJ Súmula nº 449 . Vale dizer. salvo se movido: I .02/06/2010 .

de 1990. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. inciso III. da Lei 8. STJ. não se confundem os serviçais da residência. como o exercido pelo DIARISTA. leonina. ITR). o próprio STF. interpretando o artigo 4º. IMPOSSIBILIDADE. na exceção legal da "penhorabilidade" do bem de família não se incluem os débitos previdenciários que o proprietário do imóvel possa ter. “vale dizer. INCISO I DA LEI 8.Direito Civil penhorar o imóvel residencial. A exceção prevista no art. 5. o que são “juros no pé” ? Clausula abusiva.009/90. com empregados eventuais que trabalham na construção ou reforma do imóvel. III . julgando o RESP 670..003-SP) entendimento que a cobrança de taxa de condomínio possibilita a penhora do bem de família legal: 98 . firmou (RE 439. 4. predial ou territorial. apenas a tributos relativos ao imóvel. Consectariamente. ELETRICISTA.pelo credor de pensão alimentícia. ARTIGO 3º. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar (ex: IPTU. A título de curiosidade. trabalhadores em geral. Juros compensatórios que a construtora indevidamente cobra antes da entrega das chaves. ISS não têm relação com o imóvel. inciso I. BEM IMPENHORÁVEL. Contudo. PEDREIRO. entendeu-se que a exceção não comporta interpretação extensiva. no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato (ex: financiamento da Caixa). IV tem que ser interpretada restritivamente. IV . é consectário do direito social à moradia. 3º.117-PA assentou a ilegalidade da cobrança antecipada de juros compensatórios antes do financiamento e da respectiva entrega das chaves do imóvel. II . MÃO DE OBRA EMPREGADA NA CONSTRUÇÃO DE OBRA. 1. sem vínculo empregatício. Em conseqüência. não sujeitarão o imóvel à penhora. oponível na forma da lei à execução fiscal previdenciária.009. IRPF. 2. PINTOR” (trabalhadores eventuais). Assim.para cobrança de impostos. isto é. deve ser interpretada restritivamente. A exceção prevista no artigo 3º. Neste julgado. há de ser restrita a exegese da exceção legal. ICMS. PROCESSUAL CIVIL. A impenhorabilidade do bem de família. estranhos às relações trabalhistas domésticas. Consignada a sua eminência constitucional. 3.pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel.

Direito Civil

EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. BEM DE FAMÍLIA. PENHORA.
DECORRÊNCIA DE DESPESAS CONDOMINIAIS. 1. A relação condominial
é, tipicamente, relação de comunhão de escopo. O pagamento da
contribuição condominial [obrigação propter rem] é essencial à
conservação da propriedade, vale dizer, à garantia da subsistência
individual e familiar --- a dignidade da pessoa humana. 2. Não há razão
para, no caso, cogitar-se de impenhorabilidade. 3. Recurso
extraordinário a que se nega provimento.

V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia
real pelo casal ou pela entidade familiar;

Não se pode invocar a proteção do bem de família no caso de ter sido,
voluntariamente, gravada por hipoteca. O STJ tem variado seu posicionamento
em razão de determinadas nuances, como por exemplo na constituição
voluntária de hipoteca sobre o imóvel residencial. Neste caso, não há garantida.
Ag no RG 1152734, 726.201/DF.
No entanto, o STJ tem admitido que no curso de uma execução, se o devedor

simplesmente indicou os bens á penhora, este devedor poderia, pelo caráter de ordem pública,
voltar a trás e invocar a proteção do bem de família. RESP 875.687/ RS.
Assim, em mais de uma oportunidade, a exemplo do Respe 684.587-TO e do
AgRg no Respe 813.546-DF, tem sido admitido que o devedor, não obstante a indicação à
penhora, alegue depois a proteção do bem de família.

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. BEM DE FAMÍLIA
OFERECIDO À PENHORA. RENÚNCIA AO BENEFÍCIO ASSEGURADO PELA
LEI. 8.009/90. IMPOSSIBILIDADE.1. A indicação do bem de família à
penhora não implica em renúncia ao benefício conferido pela Lei
8.009/90, máxime por tratar-se de norma cogente que contém
princípio de ordem pública, consoante a jurisprudência assente neste
STJ. 2. Dessarte, a indicação do bem à penhora não produz efeito
capaz de elidir o benefício assegurado pela Lei 8.009/90. Precedentes:
REsp 684.587 - TO, Relator Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, Quarta
Turma, DJ de 13 de março de 2005; REsp 242.175 - PR, Relator Ministro
RUY ROSADO DE AGUIAR, Quarta Turma, DJ de 08 de maio de 2.000;
REsp 205.040 - SP, Relator Ministro EDUARDO RIBEIRO, Terceira Turma,
DJ de 15 de abril de 1.999) 3. As exceções à impenhorabilidade devem
decorrer de expressa previsão legal. 4. Agravo Regimental provido para
dar provimento ao Recurso Especial.

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Direito Civil

VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de
sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou
perdimento de bens.
VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de
locação. (Incluído pela Lei nº 8.245, de 1991)

O STF já firmou entendimento, por seu plenário, no sentido da
constitucionalidade da penhora do bem de família do fiador na locação (art. 3º,
VII) no AgRg no RE 477.953-SP. Inclusive reconhecendo repercussão geral RE
612.360, a constitucionalidade da penhora do imóvel do fiador na locação.
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
PENHORA. FIADOR. BEM DE FAMÍLIA. LEGITIMIDADE. 1. O Plenário do
Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE n. 407.688, decidiu pela
possibilidade de penhora do bem de família de fiador, sem violação do
art. 6º da Constituição do Brasil. Agravo regimental a que se nega
provimento.

O devedor solteiro goza de proteção do bem de família?
Súmula 364, STF: “O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também
o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas.”
O Respe 450.989-RJ reafirma a proteção ao devedor que more sozinho, com base no
direito constitucional à moradia.

"PROCESSUAL – EXECUÇÃO - IMPENHORABILIDADE – IMÓVEL RESIDÊNCIA – DEVEDOR SOLTEIRO E SOLITÁRIO – LEI 8.009/90.
- A interpretação teleológica do Art. 1º, da Lei 8.009/90, revela que a
norma não se limita ao resguardo da família. Seu escopo definitivo é a
proteção de um direito fundamental da pessoa humana: o direito à
moradia. Se assim ocorre, não faz sentido proteger quem vive em
grupo e abandonar o indivíduo que sofre o mais doloroso dos
sentimentos: a solidão. - É impenhorável, por efeito do preceito contido
no Art. 1º da Lei 8.009/90, o imóvel em que reside, sozinho, o devedor
celibatário."(EREsp 182.223-SP, Corte Especial, DJ de 07/04/2003).

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Direito Civil

TEORIA DO FATO JURÍDICO
Fato jurídico é todo acontecimento natural ou humano que deflagra
efeitos na órbita do Direito. (apto a criar, modificar ou extinguir relações
jurídicas). Agostinho Alvim: fato jurídico é todo acontecimento RELEVANTE para o
direito.
Orlando Gomes:
• em sentido estrito (Santoro Passarelli )

- ordinário
- extraordinário

Fato Jurídico

• ato-fato
- lícitas

ato jurídico

• em

sentido estrito
• ações humanas14

• negócio jurídico

- ilícitas

ato ilícito

15

(arts. 186 e 187, CC)

1. FATO JURÍDICO
Fato jurídico em sentido estrito é todo acontecimento NATURAL que
deflagra efeitos na órbita do Direito, podendo ser ordinário ou extraordinário.

Natureza Jurídica (o que é isso no direito, onde se enquadra no direito):
normalmente, fato, bem ou pessoa. A natureza jurídica do tempo, por
exemplo, é FATO jurídico comum ordinário.

Ordinário: são os comuns, como o decurso do tempo, nascimento,
morte natural.
14 Autores existem como Machado Neto que colocam o ato ilícito como espécie
de ato jurídico. Trata-se de uma posição filosófica respeitável. Todavia, preferimos
seguir a linha de autores como Zeno Veloso, segundo o qual o ato ilícito é uma
categoria própria, especialmente se considerados a autonomia de tratamento
normativo dispensado pelo CC 2002.
15 O

ato

ilícito,

que

será

objeto

da

responsabilidade

civil,

é

tratado

separadamente, juntamente com o abuso de direito.
101

diferentemente do simples ato em sentido estrito. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. também denominado de ato NÃO NEGOCIAL. manifestada segundo o princípio da autonomia privada. não infirma ou afasta a básica ideia segundo a qual todo negócio pressupõe uma margem mínima de liberdade. casamento. em geral. consiste em um mero comportamento humano voluntário e consciente. que deflagra efeitos jurídicos PREDETERMINADOS NA LEI. como uma notificação. pela qual o agente pretende atingir determinados efeitos jurídicos escolhidos. respeitando parâmetros de ordem pública. 2. Exs: 102 . atos de comunicação.1.2. ainda que seja para aderir ou não a proposta formulada. Faltam a este tipo de ato a autonomia privada e a liberdade para a ESCOLHA DOS SEUS EFEITOS. testamento. ATO JURÍDICO O que é ato jurídico em sentido estrito? Trabalham o assunto: Marcos Melo. Negócio Jurídico O negócio jurídico (categoria desenvolvida pela escola alemã).Direito Civil 2. é desprovido de voluntariedade e consciência em face do resultado pretendido (Marcos Bernado de Mello). Saleilles em 1901. figura jurídica reconhecida por Raymond 3. Há espaço de liberdade de escolha no âmbito dos efeitos jurídicos que se pretende alcançar. Exs: o ato de pegar uma concha na praia (res nullius) gera aquisição de propriedade. ATO FATO JURÍDICO O ato-fato (Pontes de Miranda. posto derive do homem. O ato-fato consiste em um comportamento que. com base no direito alemão) é categoria intermediária do fato jurídico em sentido estrito e do ato jurídico. Antonio Junqueira 2. O denominado contrato por adesão. traduz uma declaração de vontade. Exs: contrato.

observamos que. 103 . 185. Será ato-fato porque é ato desprovido de voluntariedade e consciência. Teorias explicativas do Negócio Jurídico TEORIA VOLUNTARISTA (Willenstheorie): o núcleo essencial do negócio jurídico seria a vontade interna ou a intenção do declarante. Influenciou fortemente o CC brasileiro (art. em verdade. • (Jorge César Ferreira) A compra de um doce por uma criança em tenra idade no boteco da esquina é um ato-fato. 112). a categoria mais importante do negócio jurídico (arts. Os enfermeiros adentram o local e o recolhem. 112. baseado na autonomia privada traduz uma declaração de vontade limitada pelos princípios da função social e da boa fé objetiva pela qual o agente pretende livremente alcançar determinados efeitos jurídicamente possíveis. CC). NEGÓCIO JURÍDICO O Direito Positivo Brasileiro adotou um sistema dualista reconhecendo ao lado do ato jurídico em sentido estrito (art. as duas teorias devem se conjugar. O negócio jurídico. pois o negócio jurídico perfeito resulta da união harmônica entre a vontade interna e a manifestada. O entendimento natural é de que fosse um contrato.Direito Civil • Um alienado mental entra em uma loja de artesanato e começa a comer argila. (Judith Martins Costa – autonomia solidária). 4.1. A argila que começou a comer foi vista por um crítico como uma obra de arte. TEORIA OBJETIVA OU DA DECLARAÇÃO (Erklarungstheorie): o núcleo essencial do negócio não seria a intenção. 4. mas a vontade externada ou declarada. porque desprovido de consciência e voluntariedade (não sabe distinguir uma nota de 2 de uma de 100). 104 e seg). Art. Seguindo o pensamento do grande Antonio Junqueira de Azevedo. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

o negócio é inexistente. em situações excepcionais (art. Planos de análise do negócio jurídico (Pontes de Miranda) A) EXISTÊNCIA: deve concorrer com quatro elementos essenciais (Marcos Melo: Plano de Existencia do Negócio Jurídico). 104 . não se concretizasse depois. quando a certeza subjetiva do declarante. 16 Plano substancial do negócio jurídico. 111 do CC. em situações especiais o silêncio pode caracterizar anuência (como no caso da doação pura e simples). (Joao de Matos) 4. 16 Alguns autores não aceitam em razão da essencialidade. o alemão e o suíço. sem os quais ele nada é.O requisito essencial da forma sofre uma mitigação: o silêncio. verificada ao tempo da celebração do negócio. como o belga. em regra. O silêncio pode ser encarado como uma manifestação de vontade? Segundo o Prof. Caio Mário. Excepcionalmente. 111. segundo a qual haveria invalidade do negócio jurídico.Todo negócio jurídico para existir necessita de uma forma para existir. O CC adotou um esquema dicotômico. é a ausência de manifestação de vontade. 104). • MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. já começando pelo plano de validade (art. o silêncio é o nada.2. • OBJETO. nos termos do art.Direito Civil O que é teoria da pressuposição? Trata-se de uma teoria do negócio jurídico desenvolvida por Windscheid. CC) aceita o silêncio como forma de manifestação da vontade. Ausente um dos elementos. que segue tendência dos sistemas britânico e alemão. o direito brasileiro. o Frances. • FORMA (meio pelo qual a vontade se manifesta). • AGENTE emissor da vontade. O CC não disciplina o plano de existência. Seguindo sistemas estrangeiros.

107 do CC. 107. A validade do negócio jurídico requer: I . • vontade LIVRE E DE BOA-FÉ. 104. B) VALIDADE (aptidão para gerar efeitos). como regra geral dos negócios jurídicos. • agente CAPAZ E LEGITIMADO.objeto lícito. o princípio da liberdade da forma. Trata-se do revestimento exterior da vontade. senão quando a lei expressamente a exigir. Seguindo o pensamento de Orlando Gomes.Direito Civil Art. veremos a conexão do silêncio com a invalidade do negócio jurídico e o venire contra factum proprium. a licitude do negócio jurídico abrange a legalidade e o respeito ao padrão médio de moralidade. 111. • objeto LÍCITO17. é elemento de existência do negócio jurídico de grande importância. III . O silêncio importa anuência. o meio pelo qual a vontade se manifesta (escrita. Art.forma prescrita ou não defesa em lei. II . e não for necessária a declaração de vontade expressa. determinado ou determinável. etc. POSSÍVEL.agente capaz. por si só. nos termos do art.104 do CC. Plano qualificativo do art. vigora no Brasil. Quanto à forma. quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem. possível. Art. mímica. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial.). 17 Licitude é a adequação ao padrão médio da sociedade. Quando do estudo do dolo. verbal. 105 . ou seja. A forma. • forma LIVRE OU AQUELA PRESCRITA EM LEI. DETERMINADO OU DETERMINÁVEL.

transferência. 108. 108 do Código Civil brasileiro. 108. 106 . C) EFICÁCIA (elementos acidentais): • condição. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Art. Não dispondo a lei em contrário. Parágrafo único. O valor de 30 salários mínimos constante no art. é o atribuído pelas partes contratantes e não qualquer outro valor arbitrado pela Administração Pública com finalidade tributária. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico. • modo. a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. 108). O enunciado 289 da IV Jornada de Direito Civil estabelece que o valor que se considera para efeito de se lavrar ou não escritura pública. 227. • encargo. 289 – Art. não se exige escritura pública. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. poderá ser para EFEITO DE PROVA do negócio jurídico (negócio ad probationem: art. em referência à forma pública ou particular dos negócios jurídicos que envolvam bens imóveis. • termo.Direito Civil Quando a lei prescreve determinada forma. Independentemente do valor. Vale lembrar que a promessa de compra e venda. Salvo os casos expressos. nos termos do art. 108. independentemente do valor. pode ser lavrado por instrumento particular. é aquele lançado no contrato. Art. por exemplo para contratos de contrato de compra e venda ou que tenha por objeto a aquisição de imóvel sujeito ao SFH. 227) ou a FORMA É EXIGIDA COMO REQUISITO DE VALIDADE do negócio (negócio solene ou ad solenitatem: art. nos termos do artigo 61 da Lei 4380/64.

ao passo que a ignorância traduz um estado negativo de desconhecimento. porque o dispositivo adota o princípio da confiança. a cognocibilidade (ser o erro conhecido pela outra parte) é necessário para sua configuração (José Fernando Simão). Qualquer pessoa de diligência média cometeria o mesmo erro. segundo a doutrina clássica. assim não pensamos. (anulabilidade).Direito Civil DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS 1.Na sistemática do art. Art. por sua vez. julgando o RESP 744311/2010 do MT adotou a corrente tradicional exigindo a conjugação dos dois requisitos. à luz do princípio da confiança (Enunciado 12 da I JDC): 12 . desconsidera esse segundo requisito. 138. Todavia. ERRO A legislação brasileira não distingue o erro da ignorância. O STJ. em face das circunstâncias do negócio. a doutrina mais moderna. quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal. São anuláveis os negócios jurídicos. 138. atenta ao fato de ser muito abstrato analisar a escusabilidade ou não do erro. O erro é causa de invalidade do negócio jurídico. pois em tal circunstância adentra-se na seara do dolo. Isto não quer dizer que ao se aplica a doutrina moderna. embora a doutrina sustente que o ERRO É UMA FALSA REPRESENTAÇÃO POSITIVA DA REALIDADE. é irrelevante ser ou não escusável o erro. b) escusabilidade: deve ser perdoável. O que deve ser pontuado é que inexiste uma jurisprudência consolidada. A despeito da corrente clássica. devendo ter. dois requisitos: a) essencialidade (substancial). Para a configuração do erro é necessário que a outra parte tenha conhecimento dele? Para alguns autores. 107 .

for o motivo único ou principal do negócio jurídico. Ex: mútuo e comodato. 139.TJRS APELAÇÃO. Quem casa tem uma lícita. O fato de que o cônjuge desconhecia completamente que. Ex. O sexo dentro do casamento faz parte dos usos e costumes tradicionais em nossa sociedade. temos três espécies básicas de erro (que incide sobre a realidade fática): Art. II . Quando o outro cônjuge não tem e nunca teve intenção de manter conjunção carnal após o casamento. Deram provimento. ERRO ESSENCIAL EM RELAÇÃO A PESSOA DO CÔNJUGE.: Irmãos gêmeos. ao objeto principal da declaração. não obteria do outro cônjuge anuência para realização de conjunção carnal demonstra a ocorrência de erro essencial. c) NA PESSOA: Incide nos elementos de identificação ou características da outra parte do negócio. será estudada a importante aplicação do erro como causa de invalidade do casamento (Arts. É o esperado. OCORRÊNCIA. Aliás.interessa à natureza do negócio. 70016807315 .Direito Civil 1.: cobre e latão. A pessoa pensa estar celebrando um negócio jurídico mas celebra outro. E isso autoriza a anulação do casamento. Espécies de erro (Roberto de Ruggiero) A luz do artigo 139 do CC. manterá conjunção carnal com o cônjuge. após o casamento. ocorre uma desarrazoada frustração de uma legítima expectativa. A existência de relacionamento sexual entre cônjuges é normal no casamento.1. ou a alguma das qualidades a ele essenciais. 1556 e 1557 CC). legítima e justa expectativa de que. Ementa: Ap. também no direito de família. o previsível.sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei. desde que tenha influído nesta de modo relevante. Ex. após o casamento. b) NO OBJETO: : é aquele que incide nas características do objeto do negócio. A principal aplicação do erro sobre a pessoa ocorre no casamento. ANULAÇÃO DE CASAMENTO. a) NO NEGÓCIO: Erro na estrutura do negócio: é aquele que incide sobre a natureza do ato que se realiza. Veremos em direito de família a possibilidade de se anular registro de nascimento por erro. O erro é substancial quando: I . (Segredo de 108 . mas não informa e nem exterioriza essa intenção antes da celebração do matrimônio. Civ. III .concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade.

2006). III. do CC): o CC/02 inova o sistema do CC/16 ao admitir o erro de direito (art. seria aquele que incide apenas na vontade declarada do agente. 139. a) dolus malus: é dolo carregado de má-fé. Carvalho Santos e Caio Mário passaram a sustentar essa categoria de erro desde que não caracterizasse recusa maliciosa à aplicação da lei. mas sim. III). Ou seja. (Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul – Oitava Câmara Cível/ Apelação Cível Nº 70016807315/ Relator: Desembargador Rui Portanova/ Julgado em 23. Clovis Beviláqua não era adepto à teoria do erro de direito. É o erro de proibição do Código Penal. causando-lhe prejuízo. utilizava a expressão dolus malus. não é adotado no Brasil por ser muito abstrato. DOLO O dolo. causa de invalidade do negócio jurídico (anulabilidade). caracteriza-se quando uma das partes é maliciosamente induzida ao erro. Existe uma quarta modalidade de erro.Direito Civil Justiça). O dolo traduz um malicioso artifício empregado por uma das partes ou por terceiros para enganar o outro. Nada mais é do que o erro provocado. O direito romano. um erro interpretativo sobre a ilicitude do fato. 2. querendo dizer locação”. cometido por pessoa de boa fé. grandes autores como Eduardo Spinola. na obra O ERRO NO NEGÓCIO JURÍDICO observa que o erro impróprio. uma modalidade possível de erro incidente no âmbito de atuação permissiva da norma. 109 .11. O que é erro impróprio? Também chamado de erro obstáculo ou obstativo. consiste no Erro de direito (art. que diverge do dolus bônus. O dolo também é causa de invalidade (anulabilidade) do negócio jurídico. A aplicação do erro de direito não significa recusa ao império da lei. para caracterizar esse vício. que é peculiar. Na grade da teoria do contrato deverá ser vista a diferença entre erro e vício redibitório. Posteriormente. derivado no pensamento de Savigny. como na hipótese em que diz “venda. 139. Ana Magalhães.

desde que não se desvirtue como propaganda enganosa (código de defesa do consumidor). CC. determina apenas a obrigação de pagar perdas e danos – Art. 110 . a mensagem subliminar é o estimulo enviado de forma dissimulada. Não é qualquer dolo que invalida o negócio jurídico. quando este for a sua causa. à luz do art. capaz de determinar escolha e atitude de sua vítima. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos. e é acidental quando. “Elementos de Direito Civil – Parte Geral”. 146 do CC). inclusive que o silêncio é capaz de violar a própria regra proibitiva do venire contra factum proprium se caracterizar comportamento contraditório. CC. o negócio seria realizado. 145. Na falta de uma tipologia específica do Código Civil. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo. 147 do CC. Art. abaixo do limite da percepção consciente. pode ser considerada dolosa e abusiva. Se a indução se der em nível subconsciente. violadora da boa-fé. o dolo deve ser principal. para invalidar o negócio jurídico. Nos termos do art. a sua essência. no caso de direito do consumidor. podemos concluir. 146. não invalida o negócio). e o dolo acidental (não atinge a causa. este será mantido. 145 do CC. Se o dolo for acidental. A luz dos ensinamentos do jurista argentino Santos Cifuentes. 145. é razoável entender que a denominada técnica “mensagem sub-liminar” não caracteriza atividade dolosa. Se o dolo disser respeito a aspectos acessórios não anula o negócio jurídico. a seu despeito. Para ser principal deve atacar a espinha dorsal do negócio jurídico. culminando na sua invalidade – art. cabendo ao prejudicado perdas e danos (art.Direito Civil b) dolus bônus: socialmente admitido e frequentemente invocado como possível técnica publicitária. 146. O dolo pode ser de duas espécies básicas: o dolo principal (ataca a causa do négocio). O que é o dolo negativo? Trata-se de silêncio ou omissão intencional de informação. tocando aspectos secundários do negócio jurídico. embora por outro modo. Segundo Henrique Pinheiro (ver artigo sobre o tema). Art.

Direito Civil Art. Dolo bilateral: fica tudo como está. 148. Art. A coação moral também é a chamada vis compulsiva está disposta no Artigo 151 do Código Civil. o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado. A seu turno. 111 . consiste na violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. a coação física (vis absoluta) torna o negócio INEXISTENTE. 147. haver dolo de terceiro. em caso contrário. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. Se ambas as partes procederem com dolo. nenhuma das partes poderá pleitear anulação. CC. caso em que O NEGÓCIO JURÍDICO SÓ SERÁ INVALIDADO SE O BENEFICIÁRIO SOUBESSE OU TIVESSE COMO SABER DO DOLO. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. A coação. COAÇÃO MORAL A coação que invalida o negócio jurídico (causa de anulabilidade) traduz uma violência psicológica apta a influenciar a vítima a efetuar negócio que voluntariamente não quer realizar. Nos negócios jurídicos bilaterais. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. O que é dolo de terceiro? É possível. nos termos do Art. Art. 3. ou reclamar indenização. provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. ainda que subsista o negócio jurídico. 148. constitui omissão dolosa. causa de anulação do negócio jurídico. 150. não há compensação de dolo.

”). A coação. o juiz.”) e nº 385 (“DA ANOTAÇÃO IRREGULAR EM CADASTRO INDENIZAÇÃO LEGÍTIMA DE POR PROTEÇÃO DANO INSCRIÇÃO. Parágrafo único. Sobre sistemas de proteção ao crédito ver as recentes Súmulas do STJ nº 359 (“CABE AO ÓRGÃO MANTENEDOR DO CADASTRO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO A NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR ANTES DE PROCEDER À INSCRIÇÃO. ter-se-ão em conta o sexo. mas sim analisar concretamente a condição da vítima. ou aos seus bens.Direito Civil Art. Assim como no dolo. decidirá se houve coação. 151. a idade. não se deve fazer um juízo abstrato (não há aferição pelo critério do “homem médio”). Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente. Nos termos do artigo 152 do Código Civil. familiar. a saúde. QUANDO RESSALVADO O NÃO CABE PREEXISTENTE DIREITO AO CANCELAMENTO. à sua família. 153 do CC. A diferença do dolo de terceiro e a coação de terceiro é a SOLIDARIEDADE. AO MORAL. No apreciar a coação. há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa. Nos termos do art. 112 . policial. Também na coação o negocio poderá ser invalidado se o beneficiário soubesse ou tivesse como saber do vício. trabalhista). CC. O temor reverencial é o respeito à autoridade instituída (militar. não se considera coação a ameaça de exercício regular de um direito nem o simples temor reverencial. o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. a coação também poderá partir de terceiro nos termos dos artigos 154 e 155. CRÉDITO. Art. a condição. 152. OBS: A simples informação de possível inscrição em sistema de proteção ao crédito é exercício regular de direito. com base nas circunstâncias. para viciar a declaração da vontade.

causa invalidante do negócio (anulabilidade). material. na medida em que a parte prejudicada assume prestação excessivamente onerosa para salvar-se ou a pessoa próxima de perigo de dano físico. ou a pessoa de sua família. em linha semelhante ao dolo de terceiro. regra geral. premido da necessidade de salvar-se.Direito Civil Art. ESTADO DE PERIGO Não havia previsão no CC/16. 156 da CC. 155. em que cada um responde conforme sua culpa. 156. temos situação muito MAIS DESESPERADORA DO QUE NA SIMPLES LESÃO. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. Subsistirá o negócio jurídico. vindo a ser tratado no CC/02. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. é causa de anulação do negócio jurídico.392/RN) exigese o dolo de aproveitamento. A outra parte tem de saber do perigo. segundo entendeu o próprio STJ (Respe 918. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. Configura-se o estado de perigo quando alguém. mas já era tratado pela doutrina. na coação de terceiro o negócio jurídico será anulado apenas se o beneficiário soubesse ou devesse saber da coação de terceiro. que a outra parte conheça a situação 113 . se a coação decorrer de terceiro. No estado de perigo. Esta solidariedade não é prevista no dolo de terceiro. assume obrigação excessivamente onerosa. de grave dano conhecido pela outra parte. moral ou psicológico. Trata-se de uma aplicação do estado de necessidade na teoria do negócio jurídico. o juiz decidirá segundo as circunstâncias. 4. ambos responderão SOLIDARIAMENTE pelas perdas e danos. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. Da leitura dos art. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante. Neste caso. Nota-se que o legislador considerou a coação de terceiro mais grave. Art. ou seja. Parágrafo único. tratado no art. O estado de perigo. Art. 154. Neste caso. 154 e 155 e.

que tem o dever de garantir tal atendimento aos brasileiros e estrangeiros residentes no País que não disponham de recursos próprios para contratá-lo (artigos 1º . III . a iminência do dano e o seu conhecimento pela outra parte. CAUÇÃO. CAUSA DEBENDI. pois acarretaria desequilíbrio entre as partes. ATENDIMENTO DE URGÊNCIA. Ementa Resp 918392/RN AÇÃO DE COBRANÇA. no valor arbitrado pelo credor. caput e 198. como pela desproporção entre a obrigação assumida e a capacidade daquele que se obriga. caso provado que o contratante agiu de má-fé ao buscar atendimento na rede privada.Direito Civil desesperadora de perigo e dela se aproveite. . ou ainda. 196.A onerosidade excessiva necessária para a caracterização do estado de perigo ocorre tanto pela dissociação daquilo a que o contratante se obrigou com os valores correntes de mercado. DESPESAS HOSPITALARES. POSSIBILIDADE . segundo firme jurisprudência (REsp 796.É possível assim. Não é razoável em cheque dado como caução para tratamento hospitalar ignorar sua causa. ESTADO DE PERIGO. ATENDIMENTO PELA REDE PRIVADA. OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO DO ESTADO. Pode resultar em representação ao MPF.739) tem perfeita aplicação em relação à espúria exigência de cheque caução como condição essencial para o atendimento de emergência. caput. e a caracterização da obrigação assumida como excessivamente onerosa (art.O juiz pode deferir a cobrança a título de ressarcimento por ilicitude de conduta. pela assunção de despesa que ele não estava obrigado contratar. II. CCB).V.Cheque entregue para garantir futuras despesas hospitalares deixa de ser ordem de pagamento à vista para se transformar em título de crédito substancialmente igual a nota promissória. Ministra Nancy Andrighi).Quando por deficiência de rede pública de saúde o atendimento de urgência ou emergência for prestado pela rede privada.392-RN. 6º. a investigação da causa debendi de tal cheque se o título não circulou. 5º . V. 171. Ementa Resp 796739/MT CHEQUE. 156. cujos pressupostos são: necessidade de salvar-se. 114 . (Res. conforme precedente do Colendo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 918. . ENCAMINHAMENTO DO SUS. OBRIGAÇÃO EXCESSIVAMENTE ONEROSA. O paciente em casos de necessidade. . caput.O negócio jurídico é anulável por vício de consentimento resultante do estado de perigo (art. CCB). 44/2003 da ANS). CONTRATO PARTICULAR. CARACTERIZAÇÃO. ou a pessoa de sua família. A teoria do estado de perigo. Rel. II. . REDE PÚBLICA. a cobrança das despesas hospitalares deve ser feita ao Estado. quedar-se-ia à mercê do hospital e compelido a emitir cheque. ANULABILIDADE. FALTA DE VAGA DE UTI. CF ). Viola o princípio da função social do contrato. REQUISITOS. .

IV) reconheceria o vício da lesão. que suporta onerosidade excessiva. LESÃO (ANULABILIDADE PARA CC E NULIDADE PARA CDC) O próprio Direito Romano já conhecia um instituto.Direito Civil Resolução no. 157. Encontra-se na CCJ o PLS 327/2011 que pretende tipificar como crime contra a economia popular a exigência de cheque caução ou qualquer outro tipo de garantia a associado de plano de saúde. a exigência. por parte dos prestadores de serviços contratados. 6º. de caução. 1º Fica vedada. Tempos mais tarde o CDC (art. 5.A lesão é um tipo de defeito que não foi previsto no CC/16. depósito de qualquer natureza. o CC/02. que punia com detenção de 6 meses a 2 anos a prática de contrato usurário. causa de invalidade do negócio jurídico. 51. em qualquer situação. Finalmente. CC). A lesão. Lei nº 1. art. 157. V. 157. Art. a despeito do silêncio do CC/16. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. § 2o Não se decretará a anulação do negócio. considerando-o cláusula abusiva. traduz o prejuízo resultante da desproporção entre as prestações do próprio negócio.. foi uma lei criminal: art. cooperados ou referenciados das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde e Seguradoras Especializadas em Saúde. nota promissória ou quaisquer outros títulos de crédito. ou por inexperiência. 4º. sob premente necessidade. A primeira lei brasileira a cuidar da lesão. 115 . em seu art. Caio Mário foi o primeiro doutrinador a tratar do tema no Brasil. ao reconhecer a diferença entre lesão enorme (com prestação superior à metade do preço justo) e a lesão enormíssima (com prestação superior a 2/3 do preço justo). se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. 44 da Agencia Nacional de Saúde: Art. § 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. no ato ou anteriormente à prestação do serviço. também regularia o defeito da lesão. Ocorre a lesão quando uma pessoa. se for oferecido suplemento suficiente.521/51 (Lei de Economia Popular). credenciados. 39. art. V. especialmente no Código de Justiniano. em virtude da necessidade ou da inexperiência de uma das partes (art.

que NASCE OU SURGE com sua própria celebração. a lesão é causa de ANULABIDADE do negócio jurídico. mas também o rompimento do contrato por via de nulidade pela ilicitude do objeto. art. já no CDC. autorizando a sua revisão judicial.687/RJ CIVIL. A previsão deste defeito. defeito invalidante do negócio. valendo acrescentar que julgado do STJ também chegou a conclusão de nulidade por “ilicitude do objeto” (RESP 434. COMPRA E VENDA. dada sua principiologia de ordem pública. atende ao princípio da função social. há apenas uma necessidade do agente. eivado do vício de lesão. com a doutrina ou teoria da imprevisão. que tiver sido firmado sob a égide do CC/16? A validade do negócio jurídico deve observar o regramento da época. em face do contexto probatório extraído do laudo pericial. que SOMENTE SE DESEQUILIBRA DEPOIS. 6º. Decidindo o Tribunal de origem dentro desta perspectiva. §2º. V. bastando. a afirmativa daquela instância no sentido da desproporção entre o preço avençado e o vero valor do imóvel. LESÃO. 1. Como fica o contrato. Daí ter-se dito na definição que a lesão é 116 . Não se confunde a lesão. de modo a permitir não só a recuperação do pagamento a maior. a adoção de posicionamento diverso pelo Superior Tribunal de Justiça encontra obstáculo na súmula 7. portanto. Caso o negócio jurídico viciado pela lesão haja sido celebrado sob a égide do CC/16. que pressupõe um negócio jurídico válido. Não há situação de perigo de dano. Na lesão é mais genérica.687/RJ) Ementa Resp 434. consagrada no Código de 2002 e ausente no anterior. à integridade física.Direito Civil No estado de perigo há perigo de dano (à saúde. Mais razoável sustentar-se a sua nulidade por afronta ao princípio constitucional da função social. Recurso especial não conhecido OBS: No Código Civil. art. ILICITUDE DO OBJETO. 2. a lesão é causa de NULIDADE ABSOLUTA. deu abrigo ao instituto da lesão. com a declaração de nulidade do negócio jurídico por ilicitude de seu objeto. não é correto defender-se a aplicação retroativa do Código Novo. A legislação esporádica e extravagante. diversamente do Código Civil de 1916. 157. DESPROPORÇÃO ENTRE O PREÇO E O VALOR DO BEM. à vida) decorrente da necessidade.

Direito Civil

causa de invalidade (gênero, que são espécies a anulação e a
nulidade).
Tradicionalmente, a doutrina costuma reconhecer dois requisitos na
lesão:
a) o elemento subjetivo ou imaterial da lesão é: o ABUSO DA
NECESSIDADE OU DA INEXPERIÊNCIA DA VÍTIMA. O dolo de aproveitamento,
ou seja, a intenção, o dolo específico de explorar a parte vítima da lesão (dolo de
aproveitamento) É DISPENSADO pelo sistema jurídico brasileiro.
b)

elemento

objetivo

ou

material

da

lesão

é:

manifesta

DESPROPORÇÃO DAS PRESTAÇÕES do negócio.
Silvio Rodrigues observa que a lesão só é passível de ocorrer em
negócios COMUTATIVOS (as prestações são certas, sabendo as partes,
previamente a prestação da outra) e não nos aleatórios, porquanto nestes
últimos o risco é previamente assumido.
Vale acrescentar a diferença entre contrato de compra e venda
aleatório emptio spei, em que o contratante assume o risco de não ganhar coisa
alguma, e o emptio rei speratae, em que o alienante se obriga a entregar alguma
quantidade do objeto do negócio.

Caio Mario observa que mesmo um indivíduo milionário pode
ser vítima de lesão.

6. SIMULAÇÃO (NULIDADE)
Pelo CC/16 a simulação era causa de ANULABILIDADE. Com entrada
em vigor do CC/02, a simulação foi tratada como causa de NULIDADE
ABSOLUTA do negócio jurídico.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se
dissimulou, se válido for na substância e na forma.

Na simulação celebra-se um negócio jurídico que tem APARÊNCIA
NORMAL, mas que, em verdade, não pretende atingir o efeito que juridicamente
deveria produzir. Em doutrina reconhecem-se duas espécies de simulação:

117

Direito Civil

a) ABSOLUTA: na simulação absoluta, as partes criam um negócio
jurídico DESTINADO A NÃO GERAR EFEITO JURÍDICO ALGUM. É um jogo de
cena.
b) RELATIVA (OU DISSIMULAÇÃO): na simulação relativa, as partes
criam um negócio jurídico destinado a encobrir um outro negócio jurídico que
SURTIRÁ EFEITOS PROIBIDOS POR LEI. É um negócio mascarado. Ex: sendo
vedada a doação de bem a concubina, esta em conluio com seu amante,
realizam uma compra e venda simulada para mascarar a doação ilegal.
Na simulação relativa, nos termos do art. 167 e do Enunciado nº 153
da III Jornada de Direito Civil, é possível, à luz do princípio da conservação,
aproveitar-se o negócio dissimulado se não houver ofensa à lei ou a terceiros.
153 – Art. 167: Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é
nulo, mas o dissimulado será válido se não ofender a lei nem causar
prejuízos a terceiros.

O novo CC acabou com a figura da “simulação inocente”, prevista no
artigo 103 do CC/16, tipo de simulação desprovida da intenção de prejudicar
terceiros ou violar a lei. Na mesma linha, nos termos do enunciado nº 294 da IV
Jornada de Direito Civil, perdeu espaço a regra do artigo 104 do CC/16, que
proibia uma parte alegar simulação contra outra. Ora, por ser causa de nulidade
absoluta, qualquer pessoa pode impugnar ou até mesmo o juiz reconhecer o
defeito de ofício.
294 – Arts. 167 e 168. Sendo a simulação uma causa de nulidade do
negócio jurídico, pode ser alegada por uma das partes contra a outra.

No dolo, alguém está sendo enganado. Na simulação há emissão
BILATERAL enganosa de vontade. No dolo, há um prejudicado na relação
jurídica, na simulação, há dois picaretas na relação jurídica.
Na fraude contra credores não há o necessário disfarce e na simulação
sempre há. Na fraude, a vítima é específica, o credor preexistente, na simulação
não há especificidade.

294 – Arts. 167 e 168. Sendo a simulação uma causa de nulidade do
negócio jurídico, pode ser alegada por uma das partes contra a outra.

118

Direito Civil

O que é reserva mental ou reticência? O direito romano, segundo Mário
Talamanca, considerava a reserva mental irrelevante. O CC/16 nada
dispunha sobre o tema. Todavia, é encontrada referencia no Código Civil
Alemão que serviu de inspiração para o Artigo 110 do CC/02. Na reserva
mental, o agente emite a declaração de vontade resguardando no seu
íntimo o recôndito propósito de não cumprir o que manifestou, ou, atingir
um fim diverso do ostensivamente declarado. O problema ocorre no
momento em que a RESERVA É MANIFESTADA, E DELA A OUTRA
PARTE TOMA CONHECIMENTO. Para o art. 110 do CC, na linha do
pensamento de Moreira Alves, que elaborou o anteprojeto do CC/02,
considera o negócio inexistente. Uma segunda corrente doutrinária
(Carlos Roberto Gonçalves) sustenta que, uma vez manifestada a reserva,
o negócio existe, mas é inválido por dolo ou simulação. A parte lesada
poderia ingressar com ação para invalidar o negócio, em razão do dolo ou
da simulação.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor
haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se
dela o destinatário tinha conhecimento.

O que é contrato de vaca-papel? O contrato de vaca-papel é uma patologia
jurídica no campo da simulação. Traduz um típico negócio simulado de
parceria pecuária que, em verdade, encobre empréstimo a juros extorsivos.
Segundo Prof. Marco Pissurno, em sua pesquisa intitulada “A parceria
pecuária: a patologia da vaca papel e o novo código civi”, trata-se de um
negócio simulado pelo qual, a pretexto de se celebrar um contrato de
parceria pecuária, encobre-se um contrato de empréstimo de direito a juros
extorsivos. Respe 595766/MS; Respe 441.903-SP:

Ementa Resp 441.903
CIVIL E PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. ACÓRDÃO
ESTADUAL.
NULIDADE
NÃO
CONFIGURADA.
EMBARGOS
DECLARATÓRIOS QUE SUSCITAM MATÉRIA PRECLUSA. MULTA APLICADA
EM 2º GRAU. ACERTO. CONTRATO DE PARCERIA PECUÁRIA. SIMULAÇÃO.
"VACA-PAPEL".
POSSIBILIDADE
DE
ANULAÇÃO
PELA
PARTE
CONTRATANTE. MATÉRIA DE FATO E CONTRATO. REEXAME.
IMPOSSIBILIDADE.
PREQUESTIONAMENTO
DEFICIENTE.
JUROS
MORATÓRIOS. NOVO CÓDIGO CIVIL. MULTA. REDUÇÃO. SÚMULAS N.
282 E 356-STF E 5 E 7-STJ. INCIDÊNCIA. I. Prazo para o aviamento do
119

apenas que trazendo conclusões adversas ao interesse da parte insatisfeita. 120 . interpretação que não tem como ser revista em sede especial. pela lei. Não é qualquer devedor que pratica a fraude contra credor. VII. um mútuo com cláusulas usurárias. não é necessário que já haja ação de execução proposta contra o devedor apta a reduzi-lo à insolvência). 5 e 7 do STJ. na verdade. Em síntese. 171 e 178 do CC. parágrafo único. Recurso especial conhecido em parte e parcialmente provido. são devidos no percentual de 0. STJ: “O RECONHECIMENTO DA FRAUDE À EXECUÇÃO DEPENDE DO REGISTRO DA PENHORA DO BEM ALIENADO OU DA PROVA DA MÁ-FÉ DO TERCEIRO ADQUIRENTE”. Quem tem como pagar não pratica fraude contra credores.Direito Civil recurso especial interrompido pela oposição de embargos declaratórios. Esta última é mais grave porque desrespeita a administração da justiça. T4 . A insuficiência do prequestionamento impede a admissibilidade do recurso especial em toda a sua extensão. Súmula 375. no caso.5% ao mês até a vigência do atual Código Civil e. Os atos praticados em fraude contra credores. Os juros moratórios. IV.QUARTA TURMA) 7. Correta a imposição de multa baseada no art. ante os óbices das Súmulas n. consiste na prática de um ato negocial que diminui o patrimônio do devedor. do CPC. uma vez que. prejudicando credor preexistente. à falta de pactuação válida. ainda que não conhecidos estes por debaterem matéria considerada preclusa. Data de Julgamento: 15/04/2010. 406. já existe demanda (pode ser de conhecimento. 538. III. V. representa. VI. na forma do seu art. OBS: Não se pode confundir fraude contra credores com fraude à execução. Relator: Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. FRAUDE CONTRA CREDORES (ANULABILIDADE) A fraude contra credores é viciosocial do Negógio Jurídico presente quando o devedor insolvente/à beira da insolvência realiza negócios onerosos ou gratuitos com o intuito de prejudicar credores. são anuláveis (artigos 158. Possível a um dos contratantes buscar a anulação de contrato de parceria pecuária que. a partir de então. Não padece de nulidade o acórdão estadual que enfrenta suficientemente as questões essenciais ao deslinde da controvérsia. instituto protetivo do crédito (credor). quando se verifica a apresentação de embargos declaratórios inoportunos. (STJ . comumente denominado "vaca-papel". na dicção do Tribunal a quo. É o devedor insolvente ou prestes à insolvência. II.

Direito Civil Art. O problema é que. ao consignar que “poderá” indica um litisconsórcio facultativo. 161). § 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. mediante hipoteca. a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. Partes Segundo a redação do artigo 161. como lesivos dos seus direitos. poderão ser anulados pelos credores quirografários. o terceiro de má-fé (art. A ação anulatória recebe o nome de Ação Pauliana ou Revocatória. Parte da doutrina e da jurisprudência entende que o ato praticado deve ser considerado como ineficaz 18 e não como anulável. Art. 121 . 158. como determina a lei. através do Enunciado 467. Alexandre Freitas Câmara e STJ. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida. Parágrafo único. ou por eles reduzido à insolvência. penhor ou anticrese. Anulados os negócios fraudulentos. para o acervo em concurso de credores) enquanto na ineficácia. o bem voltaria ao patrimônio do devedor insolvente (ou. Isto porque. 165. havendo anulabilidade do negócio jurídico. o negócio por ele realizado seria simplesmente desprezado. admitindo a penhora do autor da execução pauliana. havendo falência. sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada. CC. eventualmente. 7. a ação própria para pleitear a impugnação do negócio fraudulento pelo credor preexistente denomina-se Ação Pauliana. se os praticar o devedor já insolvente. a pessoa que com ele estipulou o ato e. assim. ainda quando o ignore. a Ação Pauliana poderá ser proposta (prazo decadencial de 4 anos) contra o devedor insolvente.1. 18 Entendem assim: Carlos Roberto Gonçalvez.

IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA SANÇÃO PREVISTA NO ART. salvo se houver malícia do réu. Ementa: Respe 242. Se o terceiro não estiver de má-fé não integrará o pólo passivo. segundo a qual a divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial. §1º). porquanto a sentença será. 535. haja vista tratar-se de litisconsórcio passivo necessário. não se insere no rol previsto no art. ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. englobando. 22. 22. não cabe aplicação da sanção prevista no art. CPC. sendo que o eventual bem adquirido permanecerá com ele. a mesma em relação às partes litigantes. Não viola o art. a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta. No entanto. caso esta se torne insuficiente (art. segundo reiterada jurisprudência. inexistindo má-fé ou conduta deliberada da parte. A legitimidade ativa para propor a Pauliana é do credor preexistente. Cuidando-se de matéria de ilegitimidade à causa. Ademais. NÃO CONFIGURADA A EXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS. 3. NÃO HÁ FALAR EM VIOLAÇÃO DO ART. CPC. DISSÍDIO NÃO COMPROVADO. 22. 535 do CPC o acórdão que analisa a matéria posta nos embargos.151-MG PROCESSUAL CIVIL. 158. Em se tratando de ação anulatória (pauliana) para tornar sem efeito negócio jurídico. 5. devendo o credor buscar outros bens do devedor para satisfazer seu direito. Recurso Especial não conhecido. Incidência da súmula 13/STJ. 2. CPC. RECURSO ESPECIAL. ILEGITIMIDADE RECONHECIDA DE OFÍCIO PELO TRIBUNAL "A QUO". haja vista que versa sobre questão de ordem pública. assim. a fraude contra credores. A ação. nos casos dos arts. há litisconsórcio necessário entre todos os que participaram do ato. sob fundamento diverso do pretendido pelo embargante. Dissídio não comprovado por inobservância dos pressupostos para a sua configuração. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. mesmo aquele com garantia. poderá ser intentada contra o devedor insolvente. 4. 122 . CPC. 161. necessariamente. o correto seria “deverá”. o negócio será nulo ou anulável? Será nulo prevalecendo a simulação. Havendo ato de simulação e de fraude contra credores ao mesmo tempo.Direito Civil Art. 158 e 159. 1.

2. Parágrafo único. má-fé). Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for. b) EVENTUS DAMNI (dano ao credor) Presume-se (relativamente) conluio fraudulento se a insolvência do devedor for notória ou houver motivo para ser conhecida pelo adquirente (casos de compra e venda).: negócios celebrados entre irmãos. para conservar os bens. Requisitos No caso de disposição de bens onerosa. o adquirente. poderá depositar o preço que lhes corresponda ao valor real. como a compra e venda. Ex. Se inferior. o requisito necessário resume-se ao REMISSÃO PREJUÍZO AO DE CREDOR (EVENTUS DAMNI). aproximadamente. Art. a doutrina clássica afirma que a fraude pressupõe dois requisitos: a) CONSILIUM FRAUDIS (conluio/colusão fraudulento entre o alienante e o adquirente. Maria Helena Diniz entende que há hipóteses em que a fraude é tão grave que haverá presunção da má-fé. para receber por fora valor acordado com este seu devedor. 123 . • remissão (perdão) fraudulenta de dívidas. podendo o adquirente pagar o preço em juízo. O conluio fraudulento não é requisito. • contratos onerosos do devedor insolvente: quando a insolvência for notória ou quando houver motivo para ser conhecida do outro contraente. Hipóteses legais: • alienação gratuita de bens por devedor insolvente. • na outorga de garantia de dívida dada a um dos credores em detrimento dos demais. o corrente. 160. Nos casos de DISPOSIÇÃO GRATUITA O DE DÍVIDAS. desobrigar-se-á depositando-o em juízo. • antecipação de pagamento feita a um dos credores quirografários em detrimento dos demais.Direito Civil 7. com a citação de todos os interessados. O artigo 160 do CC versa sobre a fraude não ultimada/não aperfeiçoada.

segundo o próprio Código Civil. RECURSO ESPECIAL. Há uma segunda corrente (processualista). NATUREZA DA SENTENÇA DA AÇÃO PAULIANA. não conduz a uma sentença anulatória do negócio. a sentença é anulatória. e que não poderiam alimentar expectativa legítima de se satisfazerem à custa do bem alienado ou onerado.312-MS.) 124 . Portanto. Pela letra da lei. restabelecendo sobre eles. que discorda do pensamento tradicional. O dispositivo consagra a tese do instituto jurídico do patrimônio mínimo (Luis Edson Facchin). DESCONSTITUIÇÃO DE PENHORA SOBRE MEAÇÃO DO CÔNJUGE NÃO CITADO NA AÇÃO PAULIANA. chegando a autores (civilistas) como Moreira Alves. 164. Frederico Pinheiro. ou à subsistência do devedor e de sua família. puro e simples. mas a responsabilidade por suas dívidas. EXECUÇÃO.. art. Ementa PROCESSUAL CIVIL. em prol da função social da empresa e da tutela da dignidade humana.Direito Civil A fraude contra credores pode ser afastada em casos de atos praticados de boa-fé. mas apenas declaratória da ineficácia do negócio relativamente ao credor preexistente. porém. conclui-se que a sentença é desconstitutiva anulatória. A fraude contra credores não gera a anulabilidade do negócio — já que o retorno. que não foram vítimas de fraude alguma. 106. não a propriedade do alienante. FRAUDE CONTRA CREDORES.só pode ser intentada pelos credores que já o eram ao tempo em que se deu a fraude (art. segundo a qual deve-se assegurar a pessoa um mínimo de direitos patrimonias para que viva com dignidade: Art. na dicção expressa do art. 3. ou industrial.)2. a ação pauliana. mas sim à de retirada parcial de sua eficácia.. ALÍNEA C. Qual é a natureza jurídica da sentença na Ação Pauliana? Desde Clóvis Beviláqua. § 2º. CC/16. contra legem.. 158. apesar desta corrente processualista ser mais precisa. permitindo-lhes excutir os bens que foram maliciosamente alienados. par. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DISSÍDIO. defendida por autores como Yussef Cahali.. ao status quo ante poderia inclusive beneficiar credores supervenientes à alienação. que adota a corrente processualista. único). Há um Respe 506. rural. a sentença não seria anulatória. de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil. Presumem-se. que. Nesta linha de pensamento. EMBARGOS DE TERCEIRO. 165 do CC. em relação a determinados credores. (.(.

nos seguintes termos: FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO Direito Civil Direito Processual Devedor tem dívidas e aliena o O devedor tem ações/demandas e patrimînio aliena o patrimônio Fraude ao interessado (à parte) – Fraude ao Processo – Ordem Pública Ordem Privada Anuláveis (Plano de Validade) Ineficazes (Plano da Eficácia) 8. procurando resolver os vícios do negócio jurídico no Plano da Validade. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO (ARTS. não adotou a Teoria da Inexistência do Negócio Jurídico19. formando a “escada ponteana”: Plano da Existência. envolvendo questões de ordem privada. B) Quanto a Amplitude/Extensão: INVALIDADE TOTAL: Todo o negócio jurídico é invalido ou todo ele é anulável. Classificação das Invalidades A) Quanto ao Grau de Invalidade: NULIDADE ABSOLUTA: gera um negócio jurídico nulo. Hoje. Informativo 486. No Plano da Validade estuda-se a Teoria das Nulidades do Negócio Jurídico: Negócio Jurídico Nulo e Anulável. na Alemanha em 1808. 19 Desenvolvida por Zachariae. a fim de explicar o casamento entre pessoas do mesmo sexo (casamento inexistente). no Brasil. menos grave. o casamento entre pessoas do mesmo sexo: Informativo 625. O CC/02. 166 A 184. a exemplo do CC/16. NULIDADE RELATIVA OU ANULABILIDADE: gera um negócio jurídico anulável. CC) Pontes de Miranda dividiu o negócio jurídico em três planos. STF e. STJ). 8. Plano da Validade e o Plano da Eficácia. 125 .Direito Civil A fraude contra credores diferencia-se da fraude à execução.1. é possível juridicamente. envolvendo questões de ordem pública.

sem a devida representação o negócio é nulo (inciso I). Art. sem cominar sanção. V .: a multa. mas a destas não induz a da obrigação principal. III . Respeitada a intenção das partes. enquanto o restante do negócio jurídico é válido.a lei taxativamente o declarar nulo. ou proibir-lhe a prática. impossível ou indeterminável o seu objeto. Nulidade absoluta (Nulidade) 8. 166. clausula penal é nula. A invalidade do acessório não gera invalidade do principal. É nulo o negócio jurídico quando: I . for ilícito. nos termos do art. comum a ambas as partes. 8. a 18ª é inválida. VII . a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida. Ex. parte é anulável. Hipóteses (arts.for ilícito. o juiz afasta a 18ª cláusula e mantém as demais.2. conservando-o no que for válido. VI . o Juiz poderá suprimir ou reduzir a parte viciada do negócio. em podendo.for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade.tiver por objetivo fraudar lei imperativa.não revestir a forma prescrita em lei.2. sempre que puder. II . Art. Na celebração de negocio jurídico por absolutamente incapaz.o motivo determinante.1. assim como nos casos em que o 126 . 184 do CC.Direito Civil INVALIDADE PARCIAL: Parte do negócio jurídico é nulo. aproveitar o negócio jurídico).celebrado por pessoa absolutamente incapaz. a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. se esta for separável. 166 e 167 do CC). IV . mas a invalidade do principal gera a do acessório. 184. Ex: um contrato tem 18 cláusulas. O que é redução do negócio inválido? À luz do princípio da conservação. O Artigo 184 do CC consagra a máxima: a parte inútil do Negócio Jurídico não prejudica na parte útil (Princípio da conservação: orienta o Juiz a.

: causa é a compra e venda. não é o motivo psicológico do declarante. do aspecto. enquanto solenidade é espécie (ato publico. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. Não dispondo a lei em contrário. 108. Pelo artigo 109. Nesta hipótese. Para este professor. Ex. 107. CC: 127 . a melhor interpretação deste inciso é no sentido de que é nulo o negócio jurídico quando a sua causa for ilícita. Causa não é o motivo do negócio. CC: Art. A causa é lícita. em regra são informais e não solenes (princípio da liberdade das formas). a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. motivo determinante ilícito para ambas as partes. forma é gênero (qualquer formalidade). modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. é o aspecto subjetivo da causa. devemos atentar para a regra do artigo 106 do CC que diz que a impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa (principio da conservação do negócio jurídico). etc. um exemplo de caso de motivo comum ilícito seria aquele em que duas partes celebram contrato visando a concorrência desleal. transferência. sustenta tratar-se da hipótese em que o motivo comum do negócio jurídico. motivo em razão da localização. Complementa o dispositivo o artigo 108. O Professor Tartuce.Direito Civil objeto tiver problema na sua causa ou razão de ser (inciso II). Em que pese alguns autores não diferenciarem forma de solenidade (a exemplo de Maria Helena Diniz). A nulidade pode ocorrer em razão da não observância da forma prescrita em lei (inciso IV) ou solenidade essencial (inciso V). escritura pública). Conforme artigo 107 do Código Civil. no entanto. ilícito. Art. Para o inciso III. mas o motivo é ilícito. senão quando a lei expressamente a exigir. mas sim a sua finalidade objetiva ou a função do próprio negócio.

109. pelo inciso VII o negócio jurídico é nulo quando assim o prevê expressamente a lei (NULIDADE TEXTUAL) ou proibi-lhe a prática. Características da nulidade absoluta A) Sendo de ordem pública.contiverem declaração. ou transmitem. Parte da doutrina entende que o negócio celebrado sob coação física é nulo porque existe pessoa absolutamente incapaz (art. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. como por exemplo. mas subsistirá o que se dissimulou. Nos termos do inciso VI. III . pelo MP (quando lhe couber intervir) ou até mesmo reconhecida de ofício pelo Juiz (art. o contrato de namoro. ou pós-datados. inciso III. É nulo o negócio jurídico simulado. 168 do CC). 426. STJ: Nos 128 . 167. Como exemplo de NULIDADE TEXTUAL. Renan Lotufo).Direito Civil Art.2. este é da substância do ato.os instrumentos particulares forem antedatados. CC: Art.2. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público.aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem. sem a cominação de sanção (NULIDADE VIRTUAL). São exemplos de NULIDADE VIRTUAL: Art. confissão. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I . CC). II . é nula qualquer fraude à lei imperativa (ordem pública). § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. pode ser argüida por qualquer interessado. Isto não é pacifico já que a coação física retira a vontade traduzindo a inexistência do negócio (Nelson Nery. temos o artigo 167. condição ou cláusula não verdadeira. 3. onde na realidade há entre as partes união estável. se válido for na substância e na forma. observada a exceção prevista na Sumula 381. 8. Finalmente.

os efeitos patrimoniais prescrevem. Parágrafo único. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado. como efeitos patrimoniais prescrevem. OBS: Embora a nulidade seja imprescritível. mas seus efeitos patrimoniais (Ex: pedido de indenização em perdas em danos) poderão estar prescritos. Assim. assim. C) A nulidade absoluta. As partes deverão fazer novo negócio. é vedado ao julgador conhecer de ofício. nos termos do art. Aos 18 anos. EM REGRA. B) Não admite a confirmação do negócio nem convalesce pelo decurso do tempo. Ex: Pablo celebra um contrato com 15 anos (contrato nulo). Art. ou pelo Ministério Público. melhor seria dizer indecadenciável). prevalece o entendimento de que a ação declaratória de nulidade deve obedecer aos prazos gerais de prescrição estabelecidos no artigo 205 do CC. 169. nem convalesce pelo decurso do tempo. não lhe sendo permitido supri-las. 168. não é possível que Pablo confirme o negócio. Contudo. CC.Direito Civil contratos bancários. quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. quando lhe couber intervir. 169: Art. a nulidade absoluta seria IMPRESCRITÍVEL (neologisticamente e tecnicamente. e. No entanto. 129 . não admite convalidação. da abusividade das cláusulas. estaria sujeita a um prazo prescricional de 10 anos. isto é. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação. ainda que a requerimento das partes. deverá ser declarada. ao ajuizar ação declaratória de nulidade absoluta muito tempo depois. não cabe cura pelo tempo ou confirmação pelas partes exceto nas hipóteses do artigo 170. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz.

130 . Ex: imóvel de valor superior a 30 SM precisa de escritura pública (requisito formal obrigatório) para celebração de contrato de compra e venda. Mais uma aplicação do princípio da conservação dos negócios jurídicos. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. O que é conversão do negócio jurídico? Trata-se de uma medida sanatória. por meio da qual aproveitam-se os elementos materiais de um negócio inválido. 170. b) o elemento imaterial: a intenção dos declarantes no sentido da conversão (se as partes houvessem previsto a nulidade. É anulável a venda de ascendente a descendente. convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos (Karl Larenz). Nulidade relativa (anulabilidade) 8. porém. como ocorre no artigo 496. 170.Direito Civil Art. se houvessem previsto a nulidade. 293). Para não se perder o negócio (nulo por vício de forma) pode-se fazer a conversão para uma promessa de compra e venda. Hipóteses De acordo com o caput do artigo 171. desde que tiver os requisitos do ultimo e as partes quiserem esta conversão. que influenciou o CC português. os casos de nulidade relativa são aqueles previstos em lei. 8. Estão espalhados pelo código.3. CC20. O negócio jurídico nulo pode ser convertido em outro.3. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. 20 Art. Art.1. Se. §140. 496. CC. D) a sentença declaratória de nulidade opera erga omnes e retroativamente quanto aos seus efeitos (ex tunc). o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro. oriunda do Direito alemão (Código Umdeutung. art. São necessários dois elementos para a conversão do negócio: a) o elemento material: o aproveitamento do suporte fático do primeiro negócio. teriam celebrado o negócio convertido.

e aproveita exclusivamente aos que a alegarem. ou se.3.2. (Note-se que este artigo não esgota as possibilidades de nulidade relativa. para eximir-se de uma obrigação. Deve ser argüida em ação própria. coação. invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte.por incapacidade relativa do agente. dolo. nem se pronuncia de ofício. pelo legítimo interessado (não pelo Ministerio Público). coação.por vício resultante de erro. 177 do CC). declarou-se maior. geralmente de cunho patrimonial). Cautela com os artigos 105 e 180. neste caso. não podendo o juiz reconhecêla de ofício (art. entre dezesseis e dezoito anos. estado de perigo. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. é anulável o negócio jurídico: I . Vejamos: Art. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio. 180. 177. lesão ou fraude contra credores. Art. Características da nulidade relativa A) a anulabilidade envolve ordem privada (interesse particular. não pode. Art. nem aproveita aos cointeressados capazes. o negócio é anulável por erro. só os interessados a podem alegar. conforme ressalvado pelo próprio dispositivo legal. lesão ou fraude contra credores. ambos do CC. 171. II . Além dos casos expressamente declarados na lei. salvo se. O menor. estado de perigo.Direito Civil Art. 131 . dolo. no ato de obrigar-se.) 8. Pelo inciso I do artigo 171. for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. 105. salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. Já no inciso II. negócios celebrados por relativamente incapaz sem a devida assistência são anuláveis.

sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação. se declaratória.no de erro. 178. dolo.no caso de coação. através de ação anulatória (CONSTITUTIVA NEGATIVA). OS PRAZOS SÃO DECADENCIAIS. Já as ações condenatórias (constitutivas). quer se dizer que existem prazos DECADENCIAIS previstos em lei para se impugnar o negócio anulável (arts. REVOGADA A SÚMULA 152. será este de dois anos. o prazo é prescricional e. III . imprescritível. prejudicou a súmula 494 do STF: “A AÇÃO PARA ANULAR VENDA DE ASCENDENTE A DESCENDENTE. Agnelo Amorin Filho.no de atos de incapazes. SEM CONSENTIMENTO DOS DEMAIS. Com isso. ou seja. OBS: A regra do art. 496. 179 do CC. a contar da data da conclusão do ato. estado de perigo ou lesão. 179. Neste sentido.” Art. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. do dia em que se realizou o negócio jurídico. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Art. II . convalesce pelo decurso do tempo. fraude contra credores. do dia em que cessar a incapacidade. segundo a tese do Prof. a anulabilidade convalescerá. cumulada com a do art. PRESCREVE EM VINTE ANOS. Se a parte não propuser ação anulatória dentro de seu prazo decadencial. As ações anulatórias são DESCONSTITUTIVAS OU CONSTITUTIVA NEGATIVA. contado: I . 496. É anulável a venda de ascendente a descendente. do dia em que ela cessar. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável. 368 da Jornada de Direito Civil: 132 . Art.Direito Civil B) a anulabilidade não é imprescritível. 178 e 179 do CC). CONTADOS DA DATA DO ATO. o Enunciado no.

O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes. sendo possível a cura pelo tempo. D) É bem verdade que as sentenças desconstitutivas em geral geram efeitos ex nunc. O prazo para anular venda de ascendente para descendente é decadencial de dois anos (art. ciente do vício que o inquinava. Não teria sentido se a sentença não tivesse eficácia retroativa. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. 496. restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Ocorre que esta sentença anulatória. 172. é uma exceção à regra. C) o negócio anulável admite convalidação livre. Art. e. recuperada da situação de coação. 133 . serão indenizadas com o equivalente. Art. 182. É escusada a confirmação expressa. entra com ação anulatória. Art. Ex: pessoa coagida a celebrar contrato em que deu sinal quando de sua celebração. Art.Direito Civil 368 – Art. salvo direito de terceiro. não sendo possível restituí-las. pois anulado o negócio as partes voltam ao estado anterior. 172 a 174 do CC) e a conversão substancial. como a coagida poderia reaver o sinal dado? Pontes de Miranda lembra que enquanto a sentença anulatória não é proferida. Art. 174. quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor. Anulado o negócio jurídico. o negócio anulável surte efeitos (eficácia interimística). Se fosse meramente ex nunc. Existe entendimento minoritário (Humberto Theodoro Júnior) no sentido de que a SENTENÇA ANULATÓRIA DE NEGÓCIO JURÍDICO TEM EFICÁCIA EX TUNC. embora desconstitutiva. dentro do prazo decadencial. 173. confirmação expressa ou tácita pelas partes (arts. 182 do CC. 179 do Código Civil).

No segundo ano do contrato. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. Art. 137. Martinho Garcez Neto. 136. São acidentais pois não são obrigatórios. PLANO DE EFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS Dizem respeito aos elementos acidentais do negócio jurídico.2. mas passou a ter. Encargo É um ônus que se atrela a uma liberalidade. Um exemplo prático é o de que antes era permitido o consumo de lançaperfume. 9. como condição suspensiva. previsto segundo a vontade das partes (art. Condição Trata-se de um elemento acidental. a exemplo de 9. observa que em determinadas situações é cabível a tese da nulidade superveniente. É caso de nulidade superveniente: na celebração do negócio não havia nulidade. Arts. Em geral.Direito Civil É possível haver nulidade superveniente? Parte da doutrina. É típico de negócios gratuitos. consistente em um evento futuro e incerto que subordina ou resolve a eficácia jurídica do negócio. se for interpretado como a própria finalidade do negócio. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. 9. todo este se invalida. pelo disponente. Ex: empresa importa produtos do exterior e tem contrato de 5 anos para comprar um produto. 136 e 137 do CC. caso em que se invalida o negócio jurídico. encargo ilícito ou impossível considera-se não escrito. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. que passou posteriormente a ser enquadrado como tóxico. Caracteriza-se por dois aspectos: a futuridade e a incerteza. Mas. lícito e de circulação permitida no Brasil.1. 121. Art. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. CC). podendo ou não ocorrerem. 134 . o governo brasileiro baixa norma pela proibição da circulação no país.

não tem eficácia quanto aos atos já praticados. 127 e 128) Art. Considera-se condição a cláusula que. mas se você limitar no tempo o período em que a morte deva ocorrer. 125 do CC deixa claro que a condição suspensiva. a sua realização. Se for resolutiva a condição. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. é válido. mas também os direitos (e deveres) decorrentes do negócio. no caso de C falecer até o dia 15 de outubro de 2009. salvo disposição em contrário. se há certeza de que um dia irá ocorrer. Sobrevindo a condição resolutiva. 121. enquanto não implementada. vigorará o negócio jurídico. Art. Art. Art. resolve ou desfaz os efeitos jurídicos do negócio (art. enquanto esta se não realizar. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. Classificação da condição: a) quanto ao modo de atuação: • suspensiva: é aquela que subordina o início da eficácia jurídica do negócio. quando implementada. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. extingue-se. não se terá adquirido o direito. a que ele visa.Direito Civil A incerteza que caracteriza a condição refere-se à ocorrência do fato. mas enquanto não se implementa a 135 . o direito a que ela se opõe. 127. Mesmo que incerto quanto ao dia da ocorrência. OBS: O art. converter-se-á em condição. enquanto esta se não verificar. a morte não é condição. não haverá condição. A morte é uma condição? Em geral. 128. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. Ex: A doará bem a B. podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. O negócio é existente. mas. para todos os efeitos. paralisa não apenas a exigibilidade. 125. • resolutiva: é aquela que. derivando exclusivamente da vontade das partes.

Isso porque. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. São lícitas. Interpretando o art. uma das partes.as condições incompreensíveis ou contraditórias. II . Caio Mário em sua obra Instituições de Direito pagamento Civil adverte indevido. Ex: A aluga imóvel a B sob a condição deste não lá residir) e a condição puramente potestativa. este não é eficaz.as condições ilícitas. outros fatores do seu desempenho. 122. Comparativamente em relação à condição simplesmente potestativa: Condição puramente potestativa Condição simplesmente potestativa A condição puramente potestativa. 123 do CC concluímos que uma condição ilícita (ou de fazer coisa ilícita) invalida todo o negócio jurídico. à ordem pública ou aos bons costumes. Também são consideradas ilícitas a condição perplexa (aquela contraditória em seus próprios termos. não há direitos e obrigações recíprocos. que priva o negócio jurídico totalmente de efeitos. ou de fazer coisa ilícita. como por exemplo.Direito Civil condição. 123. b) quanto à licitude: (art. A vedada por lei. 122) • lícita Art. embora dependa aquela que faz depender os efeitos da vontade de uma das partes não é abusiva do negócio ao exclusivo arbítrio de porque. à ordem pública ou aos bons costumes. 21 caso seja artilheiro do campeonato (depende no Ag 652. STJ (AgRg no AgRg circunstanciais. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. à qualidade do time) 136 . Art. e de natureza ilícita é admitida pelo nosso sistema. • ilícita: é a condição contrária à lei.503/RJ) condição se simplesmente correlaciona a potestativa. quando suspensivas. Ex: prêmio pago a um jogador. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I . mas também de outros fatores circunstanciais. enquanto não for verificada a condição. em geral. III .as condições física ou juridicamente impossíveis. todas as condições não contrárias à lei. quanto quando à este possibilidade de é antes realizado haver do implemento da condição suspensiva.

Ex: A doa a B um valor. Art. • casual: é a que depende de um fato da natureza. Ex: no exemplo de prêmio ao artilheiro do campeonato. A condição promíscua é aquela que nasce simplesmente potestativa e se impossibilita por uma circunstância superveniente. PROCESSO CIVIL. 21 AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Ex: X compra a safra de Y. ou ainda que a submeta ao arbítrio da outra. 137 .Direito Civil OBS: Em relação às condições puramente potestativas." (Artigo 115 do Código Civil de 1916). sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial. O decaimento de parte mínima do pedido não caracteriza a ocorrência de sucumbência recíproca. Em geral. ARTIGO 115 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. 4. em geral. 3. As regras de locação não admitem cláusula que conceda a uma das partes benefício ou vantagem que a torne mais poderosa. 9. É vedado pela Súmula 7/STJ o reexame do quantum fixado em multa contratual. 2. O que caracteriza o termo é a certeza de sua ocorrência. O consumidor pode desistir do contrato.3. Entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. se chover. todas as condições. que a lei não vedar expressamente. c) quanto à origem: • potestativa (puramente ou simplesmente): deriva da vontade da parte. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. • mista: é a que deriva da vontade da parte e do ato de um terceiro. 49. Termo É um acontecimento futuro e certo que interfere na eficácia jurídica do negócio. este vem a sofrer contusão no meio do campeonato que o inabilita a jogar o restante do campeonato. o termo é uma data. 49. sob a condição de B formar sociedade com C. É mista porque depende da vontade de B e de C. 5. um terceiro. CLÁUSULA PURAMENTE POTESTATIVA.1. no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço. PROIBIÇÃO PELO SISTEMA JURÍDICO. "São lícitas. CDC). LOCAÇÃO. especialmente por telefone ou a domicílio. vale lembrar a existência de situações excepcionais em que prevalece a exclusiva vontade de uma das partes como condição de eficácia do negócio (art. Agravo regimental improvido.

não impede a aquisição dos direitos e obrigações dele decorrentes. o termo inicial. enquanto esta se não verificar. enquanto a condição suspensiva suspende a exigibilidade e os direitos e obrigações decorrentes. posto suspenda a exigibilidade do negócio. não se poderia cobrar essa taxa. O art. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. mas não a aquisição do direito. Art. a que ele visa. O termo inicial suspende o exercício. Ex: se quero pagar antecipadamente empréstimo bancário e o banco me cobra R$100. o termo pode ser convencional (quando fixado pela vontade das partes). diferentemente da condição suspensiva (art. Art. 131 estabelece que.Direito Civil Quanto ao momento em que ocorre.00 para proceder à liquidação antecipada da dívida. Quanto à origem. 131. o termo poderá ser inicial ou final. assim como o direito do banco em receber. O termo só suspende a exigibilidade do negócio. Isso fere o art. 125). 125. 138 . O termo inicial não é igual a condição suspensiva. não se terá adquirido o direito. fixado pelo juiz em decisão ou sentença). Em razão disso. já que a obrigação de pagar já existia desde o início do termo. legal (ex: termos no campo das obrigações tributárias) e de graça (é o termo judicial. 131.

Direito Civil

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Natureza Jurídica do tempo: tempo é fato jurídico em sentido estrito.
A doutrina clássica (Silvio Rodrigues, Camara Leal, Clovis Beviláqua)
sustenta que “a prescrição ataca a ação”, ou ainda, “a ação extingue-se por
prescrição” ou “a ação está prescrita”. Agnelo Amorim Filho, na década de 50/60,
publicou trabalho acerca da prescrição e decadência, fazendo com que a questão
fosse repensada, demonstrando que estas assertivas não tinham razão de ser.
Ex: Caio e Tício celebram contrato no dia 15 de Janeiro. Em razão do
negócio, caio tornou-se credor a uma prestação de R$1000 e Ticio devedor.
Vencimento em 30 dias. Ticio não paga. A doutrina clássica sustenta que o prazo
prescricional começa a correr do dia em que o direito é violado. No CC/16, prazo
maximo prescricional era de 20 anos. Mesmo depois do prazo prescricional
consumado, O DIREITO DE AÇÃO NÃO PRESCREVE.

2. DIFERENCIAÇÃO DOS INSTITUTOS MEDIANTE
CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS

A

O exame desses dois institutos exige preliminarmente a distinção das
duas espécies de direitos subjetivos: direitos a uma prestação e direitos
potestativos. Foi partindo desta análise que Agnelo Amorim Filho, em seu artigo
“Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as
ações imprescritíveis” (RT no 300, p. 7-37), lançou as sementes da construção
doutrinária sobre o tema, que resultou no art. 189 do atual diploma civilista
brasileiro. Da compreensão dessa idéia flui naturalmente o alicerce para a
solidificação e diferenciação dos institutos da prescrição e da decadência.
A prescrição não extingue o direito de ação, mas sim a PRETENSÃO.

Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se
extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.

Os prazos prescricionais estão sempre previstos na lei, e, no Código
Civil, em dois únicos artigos, 205 (que traz o prazo prescricional geral máximo de
10 anos), e 206 (que traz prazos prescricionais especiais).
139

Direito Civil

2.1. Os direitos a uma prestação
Como o próprio nome diz, o titular de um desses direitos tem a
prerrogativa de receber do devedor uma prestação consistente em dar,
fazer ou não fazer. Assim ocorre com o direito do mutuante, que tem o direito
de receber do mutuário a quantia emprestada ou com o vendedor do bem que
tem o direito de receber do adquirente a prestação avençada. A tais direitos
contrapõe-se um procedimento do devedor que necessariamente deverá
colaborar com o credor, dando, fazendo ou deixando de fazer.
Por conta dessa colaboração necessária do devedor, há a
possibilidade de que tais direitos sejam violados. Assim, não é difícil
imaginar a hipótese de o devedor não adimplir com sua obrigação no prazo
combinado. Basta esta atitude do devedor para ocorrer a violação desta espécie
de direito.
Assim que tal direito é violado, nasce para o titular uma
pretensão, entenda-se, a possibilidade de o titular exigir a prestação do
devedor. Perceba que o direito ao crédito já existia desde o dia em que se
convencionou o pagamento ao credor. A sua pretensão, entretanto, só nasce a
partir do dia do vencimento. Pretensão é o poder jurídico confere ao credor
coercitivamente, exigir do devedor o cumprimento da prestação inadimplida.
Exemplos de direitos a uma prestação: o do credor em receber do
mutuário, o advogado receber honorários, a vítima do ato ilícito civil receber
indenização, o segurado receber do seguro etc.
Os prazos prescricionais estão sempre previstos na lei e, no Código
Civil, em dois únicos artigos: o 205, que traz o prazo prescricional máximo geral
de 10 anos e 206 (que traz prazos prescricionais especiais).

Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja
fixado prazo menor. (10 anos, prazo geral)
Art. 206. Prescreve: (prazos prescricionais especiais)
§ 1o Em um ano: (1 ano)
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados
a consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da
hospedagem ou dos alimentos;
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra
aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da
data em que é citado para responder à ação de indenização proposta
140

Direito Civil

pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a
anuência do segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da
pretensão;
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários
judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e
honorários;
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que
entraram para a formação do capital de sociedade anônima, contado
da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas
e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de
encerramento da liquidação da sociedade.
§ 2o Em dois anos, a pretensão para haver prestações alimentares, a
partir da data em que se vencerem. (2 anos)
§ 3o Em três anos: (3 anos)
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas
temporárias ou vitalícias;
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações
acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com
capitalização ou sem ela;
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa;
V - a pretensão de reparação civil;
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de
má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação
da lei ou do estatuto, contado o prazo:
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da
sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do
balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada,
ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à
violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar
do vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial;
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro
prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.
§ 4o Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da
aprovação das contas. (4 anos)
§ 5o Em cinco anos: (5 anos)
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de
instrumento público ou particular;
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores
judiciais, curadores e professores pelos seus honorários, contado o
prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos
contratos ou mandato;
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu
em juízo.

141

permanecendo sujeito à sua produção.” Existem direitos potestativos sem prazo para o seu exercício. Não há necessidade de colaboração por parte do devedor. Vejamos: 2.. desconstituir ou modificar uma relação jurídica perante o devedor. sendo que esta em face de particular terá prazo prescricional de 5 anos.354) firmou entendimento no sentido de que o prazo prescricional para se formular pretensão contra a Fazenda Pública é de 3 anos. mas nem por isso pode esquivar-se àquele efeito. Não há como imaginar uma violação a um direito potestativo. (Instituições. ou qualquer atitude dele.. no artigo mencionado.137. criados e concebidos pela lei. Seu único objetivo é constituir. Já a DECADÊNCIA nada tem haver com pretensão ou violação de direito de conteúdo prestacional. ou ainda. Outros exemplos: excluir a parente da sucessão por indignidade. contratante anular negócio por 142 . Agnelo Amorim Filho. que nada pode fazer.. CONSISTINDO EM UM MERO DIREITO DE INTERFERÊNCIA NA ESFERA JURÍDICA DA OUTRA PARTE. conclui: “Esses poderes [. Não pretende a esposa qualquer prestação do marido consistente num dar. com a necessária intervenção do juiz. credor anular negócio eivado de fraude contra credores.2. O objetivo deste direito é tão-somente desconstituir a relação jurídica do casamento estabelecida (MAGISTRATURA FEDERAL/1 a REGIÃO – 2001. O direito potestativo não tem conteúdo prestacional. A sujeição é um estado jurídico que dispensa o concurso da vontade do sujeito. 1/41-42). mas em alguns casos. o titular não pretende nenhuma prestação da outra parte.Direito Civil OBS: O STJ.. OAB/SP – 101o). o da esposa que – percebendo ter incidido em erro essencial quanto à pessoa de seu cônjuge – ganha o direito de anular seu casamento. São poderes puramente ideais. Port. fazer ou não fazer. trad. em recente julgado (Respe 1. o qual nada deve fazer.. a exemplo de divórcio.] se exercitam e atuam mediante simples declaração de vontade. Têm todas de comum tender à produção de um efeito jurídico a favor de um sujeito e a cargo de outro. Os direitos potestativos Nesta segunda categoria de direitos subjetivos.

em verdade o prazo prescricional. se o doador impõe um encargo ao donatário. O que é prescrição? Prescrição. entretanto. é o prazo para se formular uma pretensão em juízo. PRAZO DECADENCIAL NADA MAIS É DO QUE O PRAZO PARA O EXERCÍCIO DE UM DIREITO POTESTATIVO. VALE DIZER. Ao contrário. Do fundamento da prescrição 143 . Ao direito que o doador tem de revogar tal doação não se contrapõe nenhuma prestação por parte do donatário.Direito Civil qualquer vício do consentimento. anulação da compra e venda que pai fez com filho sem autorização do outro. Os prazos decadenciais podem ser legais ou convencionais. revogar a doação (art. se o direito potestativo tiver prazo para o seu exercício. Ainda que não se cumpra o encargo. 2. esposa que pretende anular compra e venda que marido fez sem outorga uxória etc. limita-se a suportar as conseqüências do exercício deste direito por parte do benevolente doador. nada podendo fazer para violá-lo ou não cumpri-lo. A este direito potestativo contrapõe-se não uma prestação do devedor.3. fica sujeito às conseqüências deste direito potestativo. Um último exemplo de direito potestativo muito corriqueiro é o que detém o locador – em contrato de 30 meses ou mais – de denunciar a locação quando findar o contrato. este será sempre decadencial. O marido. Agora. no exemplo acima. 555). Assim. o contrato está surtindo seus regulares efeitos. os efeitos permanecerão. VALE ACRESCENTAR QUE OS PRAZOS DECADENCIAIS PODEM SER LEGAIS (A EXEMPLO DO PRAZO DE ANULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO) OU CONVENCIONAIS (A EXEMPLO DO PRAZO DE DESISTENCIA DE UM CONTRATO). facultando-se ao doador. O que é decadência? O prazo decadencial nada mais é que o prazo para o exercício de direitos potestativos. mas um “estado de sujeição”. Os prazos prescricionais estão sempre previstos na lei. Outro exemplo ilustra bem: já dissemos que o encargo não subordina os efeitos do negócio jurídico.

Tal cenário geraria uma insegurança muito grande sobre a sociedade. conforme o art. mas com uma resposta negativa do Estado. 189 do Código Civil: “Violado o direito. que decorre da exigibilidade do direito subjetivo. a lei preferiu trilhar o meio-termo.” É por isso que os prazos prescricionais nascem após o direito ter sido violado. 2. 269. dizer que a prescrição extingue a ação. pairando sobre ele como uma espada de Dâmocles. pela prescrição. Logo. 205 e 206. Do fundamento da decadência Quando tratamos de direitos potestativos. o que não é de agrado da ciência do Direito. causando ameaça permanente ao devedor. Como já vimos. nos prazos a que aludem os arts. maio/jun. mas haverá resolução do mérito. (Revista Síntese de Direito Civil e Procesual Civil n. É por isso que Humberto Theodoro Jr. 189 diz respeito a casos em que a pretensão nasce imediatamente após a violação do direito absoluto ou da obrigação de não fazer. O titular não espera nenhuma prestação da outra parte. a pretensão nasce da violação de um direito a uma prestação e é esta pretensão que ameaça a sociedade. mas como o surgimento de uma exceção (na verdade objeção pois o juiz deve pronunciá-la de ofício conforme o parágrafo único do art.4. o juiz poderá conhecer de ofício deste óbice. não a existência do direito subjetivo. a qual se extingue.” Não é técnico. 2) o art. 112) apta a eliminar a pretensão do credor. IV do CPC. É esta a fundamentação do art. Caso o credor de dívida prescrita ajuíze a demanda. o direito de ação foi exercido. a ciência jurídica tinha por finalidade impedir que pretensões não exercidas durassem eternamente.Direito Civil Quando se idealizou o instituto da prescrição. 2003) é mais adequado entender o fenômeno não como a extinção de uma pretensão. percebemos que não há maneira de se imaginar uma violação a um direito potestativo. eliminando não o direito em si. nasce para o titular a pretensão. mas a pretensão de quem não a utilizou no momento oportuno.° 23. podendo apenas – a seu puro arbítrio 144 . O Conselho da Justiça Federal pronunciou-se sobre o assunto em seu Enunciado no 14: “1) o início do prazo prescricional ocorre com o surgimento da pretensão. fazendo coisa julgada material e impedindo nova propositura. portanto. Entre cometer a injustiça de ceifar o direito da parte e a injustiça de possibilitar que ela o exercesse a qualquer momento.

Se não há como violar tais direitos. e as últimas se prestam a declarar a existência ou inexistência de uma relação jurídica ou ainda a autenticidade ou falsidade de um documento (art. se a sentença tiver cunho condenatório. Critério topográfico para identificar prazos prescricionais de decadenciais 145 . o titular deve se valer de uma ação condenatória. as segundas limitam-se a constituir ou desconstituir uma relação jurídica. É por esse motivo que. para exercer um direito potestativo. enquanto. constitutivas. sujeito a prazo decadencial. sem nada poder fazer. Transcorrido este lapso. É por isso que os prazos decadenciais nascem junto com o direito protegido. deverá utilizar a ação constitutiva. Não podemos esquecer ainda que alguns direitos potestativos não têm prazo para ser exercidos. o direito subjetivo tutelado é sentença tiver cunho direito potestativo e. é certo que deles não deflui nenhuma pretensão.Direito Civil – constituir. 2. como. portanto. Fica claro que. o do mandante em desconstituir seu mandatário ou o do condômino de desfazer a comunhão. fazer ou deixar de fazer alguma coisa. o direito em si é atingido mortalmente (MAGISTRATURA/PB – 1998). As ações declaratórias não têm prazo 2. portanto. desconstituir ou modificar uma relação jurídica. temos (c) três espécies exclusivamente de ações: declaratórias. (a) Sem aprofundar muito no direito adjetivo. É por isso que se diz que. por exemplo. para ver efetivado um direito a uma prestação (sujeito a prazos prescricionais). num “estado de sujeição”. as primeiras têm como principal efeito condenação do réu a dar. é o próprio direito que – exatamente por isso – já nasce com “período de validade” para ser exercido. A outra parte fica apenas aguardando a decisão. Classificação das ações quanto à eficácia de sua sentença Utilizando condenatórias.5.6. (b) este critério. quando a constitutivo. 4 o do CPC). sujeito a prazo prescricional e. na decadência. Com isso se atinge uma certeza jurídica que vai de encontro aos anseios de segurança e estabilidade social. o direito subjetivo tutelado é direito a uma prestação e. o que causa insegurança na sociedade não é a pretensão.

a instauração de inquérito civil. 208. apenas e exclusivamente. Título IV. Todavia. são prescricionais somente aqueles prazos arrolados nos arts. sendo de decadência todos os demais dispersos pelo Código Civil. § 2° Obstam a decadência: I . II . optou a Comissão por uma fórmula que espanca quaisquer dúvidas. no sistema do projeto. sendo que finda a causa este volta a transcorrer. tais causas REFEREM-SE A PRAZOS PRESCRICIONAIS. isto é. que visa tornar a norma didática. 146 . §2º do CDC e no art. há paralisação do prazo. como complemento de cada artigo que rege a matéria. os taxativamente discriminados na Parte Geral. que deve ser transmitida de forma inequívoca. observamos a previsão de causa impeditiva de decadência no art. impede que o prazo transcorra. Capítulo I. CC. SUSPENSIVAS INTERRUPTIVAS DO PRAZO PRESCRICIONAL E Em geral. Prazos de prescrição. estabelecidos. até seu encerramento. A mesma causa que impede (impeditiva) o início do prazo é a mesma que suspende (paraliza o prazo que está em curso). tanto na Parte Geral como na Especial. de fácil aplicação e conhecimento da população. As causas que impedem e suspendem a prescrição estão nos arts. passam a ser.” 3. CAUSAS IMPEDITIVAS.(Vetado). clara. mas se o prazo já está no curso e esta causa sobreveio. 26. em cada caso. por exceção. A diferença está no momento em que ela ocorre.Direito Civil Um dos princípios que informaram a redação do Código Civil foi a operabilidade. Se no início. Exemplo vivo desta inspiração legislativa é o critério utilizado para separar prazos prescricionais dos decadenciais. 197 a 199.a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente. III . 205 e 206. É o que sustenta Miguel Reale na exposição de motivos do anteprojeto do Código Civil: “Para pôr cobro a uma situação deveras desconcertante. sendo de decadência todos os demais. Na sistemática do Código de 2002.

As causas que interrompem estão no art. IV . 202. dar-se-á: I . A interrupção da prescrição. STF Súmula nº153 . Art. II . dos Estados ou dos Municípios. II . que somente poderá ocorrer uma vez. ou do último ato do processo para a interromper. durante o poder familiar. na constância da sociedade conjugal. 3 o.por qualquer ato inequívoco. Art. II . III .pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores. nas condições do inciso antecedente.13/12/1963: Simples protesto cambiário não interrompe a prescrição.pendendo ação de evicção. 202. Não corre igualmente a prescrição: I . A Súmula nº 153. 198. (Ex: confissão de dívida) Parágrafo único. durante a tutela ou curatela. III. que importe reconhecimento do direito pelo devedor. Art. que dizia que o protesto cambial não interrompe prescrição.não estando vencido o prazo.contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas. 147 . mesmo incompetente. 199.por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor (interpelação.contra os ausentes do País em serviço público da União. se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. VI .por protesto cambial (protesto de título de crédito). perdeu eficácia em razão do disposto no art. em tempo de guerra. que ordenar a citação. Também não corre a prescrição: I . (habilitação de crédito) V .pendendo condição suspensiva.entre os cônjuges. II .contra os incapazes de que trata o art.entre ascendentes e descendentes. 202. Não corre a prescrição: I .por protesto (medida cautelar). III . notificação). A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. III . A interrupção da prescrição somente pode ocorrer uma única vez.entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores. 197. ainda que extrajudicial.Direito Civil Art.por despacho do juiz. III .

193). no sentido da retroatividade da eficácia interruptiva do despacho citatório. 219. Art. 2) A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela parte interessada (art. 192. a doutrina processual brasileira (Marcato) observa que este dispositivo do CC deverá ser entendido em consonância com o §1º do art.293/2008. A decadência legal também. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. 4. por óbvio apenas os convencionais. quando estabelecida por lei. pois pode ser até mesmo reconhecida de ofício (art. ainda quando ordenada por juiz incompetente. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição. 148 . Celso Russomano. Art. § 1o A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura da ação. 202. constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. 219 do CPC. admitem alteração. do Dep. pela parte a quem aproveita. induz litispendência e faz litigiosa a coisa. de ofício. A notificação deve ser judicial. I. Art. que pretende estabelecer que notificação extrajudicial também interrompa prescrição.Direito Civil OBS: Interpretando o art. 192). 193. NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL não interrompe a prescrição. Deve o juiz. 210) e a convencional alegada pelo interessado em qualquer grau de jurisdição (art. CARACTERÍSTICAS E ASPECTOS PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA RELEVANTES DA 1) Prazos prescricionais não podem ser alterados pela vontade das partes (art. conhecer da decadência. Pela análise do inciso V do art. 202. 210. Existe um Projeto de Lei nº 3. e. Art. Já os decadenciais. A citação válida torna prevento o juízo. 211).

Caso contrário. 6. III. 105. ATRIBUIÇÃO DO STF. da CR/88). Não merece acolhida a tese de contradição. 3. 535 do CPC. inc. 5. 2.] 1. Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Data de Publicação: DJe 15/12/2010) 149 . SÚMULA N. mas o juiz não pode suprir a alegação. Se a decadência for convencional. e embargos de declaração da empresa acolhidos. T2 SEGUNDA TURMA.Direito Civil Art. embora seja questão de ordem pública. de que esta Corte não se presta à análise de afronta a dispositivo constitucional. pretende a embargante o rejulgamento da causa. 211 desta Corte. COMPENSAÇÃO E PRESCRIÇÃO. somente é passível de apreciação nestes casos se estiver aberta a via do especial pelo conhecimento das demais alegações. Diante da presença de algum dos vícios do art. Data de Julgamento: 02/12/2010. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. OMISSÃO. Embargos de declaração da Fazenda Nacional parcialmente acolhidos. Ementa 1104691/RS PROCESSUAL CIVIL. 211 DO STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.EDcl no REsp: 1104691 RS 2008/0249465-0. CONSTITUCIONALIDADE. CONHECIMENTO. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. Não se depreende dos acórdãos de origem o necessário prequestionamento dos dispositivos legais citados nas razões do especial. aventada pela Fazenda Nacional. sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. não é possível superar a ausência de prequestionamento. nem mesmo para fins de prequestionamento. por não se conformar com a tese adotada no acórdão. Precedentes. EXAME DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DA CR/88. Incidência da Sumula n. Na realidade. Todavia. sem efeitos infringentes. a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. deixando de atender ao comando constitucional que exige a presença de causa decidida como requisito para a interposição do apelo nobre (art. 211. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. os embargos de declaração não se prestam a tal fim. sem efeitos infringentes. 535 do CPC aventada no especial se as questões não prequestionadas sequer foram suscitadas nos aclaratórios manejados na origem. 4. a matéria deve ter sido prequestionada (Edcl no Resp 1104691-RS). Nos tribunais superiores. NÍTIDO PROPÓSITO DE REJULGAMENTO. ALEGAÇÕES NÃO ANALISADAS. POSSIBILIDADE CONDICIONADA À ABERTURA DA INSTÂNCIA ESPECIAL POR OUTROS ARGUMENTOS. Não é possível acolher a tese de violação ao art. [PROCESSUAL CIVIL. tampouco das teses jurídicas aventadas nas razões recursais. o julgado merece ser reformado. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTAS. A prescrição. CONTRADIÇÃO AFASTADA. (STJ .

podendo assim. 191 prevê a hipótese do devedor renunciar a prescrição. Para processos em andamento. 40. e só valerá. art.051/2004. antes de pronunciar a prescrição conceda prazo para que autor e réu se manifestem. Caso o réu não se manifeste no prazo. deverá o juiz pronunciá-la de ofício. tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado. incompatíveis com a prescrição. por exemplo. QUESTÕES ESPECIAIS DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 1. Arruda Alvim.280/2006. O credor (autor) poderá demonstrar não ter havido prescrição. e o devedor renunciar a ela. inclusive. com propriedade. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. sendo feita. em respeito ao PRINCÍPIO DA COOPERATIVIDADE. Além disso. estando a pretensão já deduzida em juízo. depois que a prescrição se consumar. por querer discutir a relação jurídica. o art. que mudou a Lei de Execuções Fiscais (art. 219. nos termos da Lei nº 11. No Direito Tributário. 191. 191 do texto codificado. §5º do CPC firma a seguinte regra: § 5o O juiz pronunciará. renunciá-la. 194 do Código Civil pela Lei n. 11. foi admitida expressamente a prescrição intercorrente. trata-se da prescrição que se opera no bojo do próprio procedimento. Ex: prazo 150 . é recomendável que o juiz. O problema estará no caso. de ofício. §4º). não retira do devedor a faculdade de renúncia à sua defesa. 295 – Art. O que é prescrição intercorrente? Na linha de pensamento do Prof. sem prejuízo de terceiro. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. a prescrição. 5. estabelece que a previsão normativa do reconhecimento de ofício da prescrição.Direito Civil A prescrição pode ser reconhecida de ofício pelo juiz? O direito positivo brasileiro. A prescrição é uma defesa do devedor. se assim o quiser. Como conciliar as regras conflitantes? O Enunciado nº 295 da IV JDC. Art. 191. do devedor não querer que o juiz pronuncie de ofício. A revogação do art.

A demora na prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo judiciário. CULPA DO EXEQÜENTE. POR MOTIVOS INERENTES AO MECANISMO DA JUSTIÇA. do CPC.909/PE) PROCESSUAL CIVIL. pelo que não se opera a prescrição intercorrente. PRESCRIÇÃO.948/SP e Súmula nº 106 do STJ). 541.Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. 1. a teoria estudada é aplicada pelo Direito Processual. Conforme previsto no art. parágrafo único.Rg no Ag. mas o processo fica parado por 5 anos: ocorrerá a prescrição intercorrente. Inteligência da Súmula 106/STJ. DEMORA IMPUTADA AO PODER JUDICIÁRIO. 2. a pretensão foi deduzida em juízo.948/SP) RECURSO ESPECIAL. 618. Ementa (Ag. Ementa (Respe 827. conforme exigência dos arts. do RI/STJ. AUSÊNCIA. A DEMORA NA CITAÇÃO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Respe 827. O agravante não procedeu ao cotejo analítico do acórdão recorrido e dos paradigmas. A TESE DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NÃO É PACIFICAMENTE ADMITIDA NO PROCESSO CIVIL. SÚMULA Nº 264: VERIFICA-SE A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PELA PARALISAÇÃO DA AÇÃO RESCISÓRIA POR MAIS DE CINCO ANOS. a demora na citação. e 255. . NÃO JUSTIFICA O ACOLHIMENTO DA ARGUIÇÃO DE PRESCRIÇÃO OU DECADENCIA. 4.Rg no Ag. VIOLAÇÃO AO ART. assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão. os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade. contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. mormente porque a paralisação do processo pode decorrer do próprio Judiciário (Ag. (Súmula 106) OBS: Excepcionalmente. 3. 151 . INEXISTÊNCIA. Agravo regimental improvido. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.Direito Civil prescricional de 5 anos. referente à ação rescisória e da execução de título judicial. EM GERAL. 535 DO CPC. Não há omissão quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos. DEMORA NA CITAÇÃO. FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA EMBASAR A DECISÃO. §§ 1º e 2º.909/PE. 618. por motivos alheios à vontade do autor. Súmula 106 PROPOSTA A AÇÃO NO PRAZO FIXADO PARA O SEU EXERCICIO. a exemplo da Súmula nº 264 do STF. 535 do CPC. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO-OCORRÊNCIA.

T4 . É correto o entendimento de que o termo inicial do prazo prescricional para a propositura de ação indenizatória é a data em que o consumidor toma ciência do registro desabonador. STJ Súmula nº 405 . INAPLICABILIDADE DO PRAZO PRESCRICIONAL PREVISTO NO ARTIGO 206. 5. Noticiario STJ.Direito Civil 2. quando reduzidos por este Código. O caso não se amolda a nenhum dos prazos específicos do Código Civil. implica responsabilidade civil contratual. A violação dos deveres anexos. INSCRIÇÃO POSTERIOR NO SPC. RECURSO ESPECIAL. pelo princípio da "actio nata". reconhecendo que. 2. ou acessórios do contrato . no caso. (STJ . na data de sua entrada em vigor. informa que o prazo prescricional para formular pretensão indenizatória por inscrição indevida no SPC seria de 10 anos quando o dano decorre de relação contratual (RESP 1276311) Ementa Resp 1276311 DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. o direito de pleitear a indenização surge quando constatada a lesão e suas consequências. 27 do CDC. como leciona a abalizada doutrina com respaldo em numerosos precedentes desta Corte. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. Recurso especial não provido. A súmula 405 do STJ estabelece que o prazo prescricional para a cobrança do seguro DPVAT é de 3 anos. de 7 de outubro de 2011. Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. e se. DANDO CONTA DO DÉBITO QUE FORA EXTINTO POR NOVAÇÃO. DO CÓDIGOCIVIL. incidindo o prazo prescricional de dez anos previsto no artigo 205. CELEBRAÇÃO DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO EXTINGUINDO O DÉBITO ANTERIOR.028: “Serão os da lei anterior os prazos. que pressupõe um risco à segurança do consumidor. a negativação caracteriza ilícito contratual. dever geral de lealdade e confiança recíproca entreas partes -. § 3º. 3. RELAÇÃO ENTRE BANCO E CLIENTE. 2. DÍVIDA DEVIDAMENTE QUITADA PELO CONSUMIDOR. CONSUMO. OBS: (Ler no material de apoio o texto do Prof.laterais. do mencionado Diploma. 4. RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL.”) 3. pois. 1. O defeito do serviço que resultou na negativação indevida do nome do cliente da instituição bancária não se confunde com o fato do serviço. Data de Julgamento: 20/09/2011. Arruda Alvim a respeito da contagem de prazo no CC/2002 – Art.QUARTA TURMA) 152 .tais como a cláusula geral de boa-fé objetiva. e cujo prazo prescricional é definido no art.DJe 24/11/2009: A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) prescreve em três anos. também intitulados instrumentais. V.

De acordo com o principio. Principio da actio nata. um prazo prescricional somente deve começar a correr quando o prejudicado toma conhecimento do fato danoso. Turma do STJ entendese de 05 anos o prazo prescricional para a cobrança de cotas de condomínio. 153 .Direito Civil 4. Prazo prescricional para formular pretensão indenizatória contra o Estado? No que tange ao prazo prescricional para se formular pretensão de reparação civil contra o Estado. aguarda-se o julgamento da questão de ordem(QO) no AgReg no Ag 1364269 PR. O noticiário de 8 de Setembro de 2011 informa que a 3ª. Ver AgRg no Resp 1185902 MT. Por isso. 6. existe profunda divergência no STJ. firmando a dúvida de ser o referido prazo de 03 ou 05 anos. 5.