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FORMAÇÃO ÉTICA PARA O EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA 
ETHICAL FORMATION FOR THE EXERCISE OF THE TEACHING PROFESSION 
Almiro Schulz 
RESUMO 
O  texto  tem  por  objetivo  socializar  preocupações  e  resultados  de  pesquisas  sobre  a 
formação  ética  para  o  exercício  da  docência,  considerando  que  se  trata  de  uma 
atividade  complexa  e  com  grandes  desafios.  O  texto  tem  por  base  uma  revisão 
bibliográfica  sobre  a  dimensão  ética  de  textos  considerados  mais  clássicos  em  suas 
diferentes perspectivas. Também tem por referência algumas pesquisas empíricas que 
foram  desenvolvidas  com  alunos  de  iniciação  científica  e  com  alunos  do  Curso  de 
Mestrado  em  Educação  Superior.  No  processo  da  formação  ética  estão  implicados 
paradigmas  e  métodos.  A  razão  como  único  critério  já  não  responde  mais  ao  tempo 
atual, é preciso incluir o sensitivo. A formação ética se dá no processo da ação docente
(práxis), de uma forma circular, mesclando-se entre conhecimento e sabedoria, pela
prática das virtudes, num intercâmbio do desenvolvimento cognitivo e emocional/moral.  
 
PALAVRAS‐CHAVE:  Docência, Competência, Ética, Formação, Paradigma , Método . 

ABSTRACT 
The  text  has  the  objective  of  socializing  concerns  and  results  of  research  regarding 
ethical  formation  for  the  exercise  of  the  teaching  profession,  considering  that  it  is  a 
complex  activity  with  great  challenges.  The  text  is  based  on  a  bibliographical  review 
regarding  the  ethical  dimension  of  texts  considered  to  be  the  most  classical  in  their 
different perspectives. It also refers to some empirical research which was developed 
among  students  in  scientific  initiation  and  students  in  the  Master’s  Degree  course  in 
Higher  Education.  Paradigms  and  methods  are  involved  in  the  process  of  ethical 
formation. Reason as the only criteria no longer responds to the current situation; it is 
necessary to include the sense aspects. Ethical formation occurs in the process of the 
act  of  teaching  (praxis)  in  a  circular  way,  moving  between  knowledge  and  wisdom, 
through the practice of the virtues, in an exchange of cognitive and emotional/moral 
development.  
 
KEY WORDS:  Teaching profession, Competence, Ethics, Training, Paradigm, Method. 

 

 Diante disso. dentre eles.  de  textos considerados mais clássicos em suas diferentes perspectivas.  gerando  instituições  e  práticas  coletivas  inéditas ( LIPOVETSKY.  sobretudo.    .2    I‐INTRODUÇÃO  Atualmente  o  assunto  sobre  formação  de  professores  é  objeto  de  muitos  estudos.  fornecendo  matéria  para  reflexão  filosófica. como: “Instrução  pública e formação moral” de Condorcet.    O  estudo  tem  por  base  uma  revisão  bibliográfica  sobre  a  dimensão  ética.   Considerando  a  formação  docente. como “A construção  da  personalidade  moral”  de  Puig.  verifica‐se  que  a  ética  também  está  em  pauta.  e de publicações contemporâneas.  com  alunos  de  iniciação  científica  e  com  alunos  do  Curso  de  Mestrado  em  Educação  Superior.  os textos de José Maria Quintana Cabanas. xxvii). tem‐se o objetivo socializar algumas  preocupações sobre a ética no exercício da docência. destaca‐se  alguns  aspectos  sobre  a  formação  ética  no  processo  da  profissionalização  para  o  exercício de um profissionalismo ou profissionalidade com ética.  pesquisas  e  publicações. quer‐se então destacar  aspectos sobre a formação ética para o exercício da docência.  chamando  primeiro à atenção para a relevância e pertinência do assunto ora em pauta.    A  abordagem  do  tema  está  estruturando  em  três  eixos  maiores. de Sidney.  Da  mesma  forma.  a  ética  é  uma  das  competências  que  se  espera do profissional da educação. a seguir.  as  traduções  de  textos  e  as  publicações  sobre  o  assunto  têm  aumentado e se divercificado.  jurídica  e  deontológica. Em terceiro lugar.  o  impacto  da  ética  não  cessa  de  crescer  em  profundidade. como  “A Pedagogia Moral: El  Desarrollo  Moral  Integral”  e  “Pedagogía  Axiológica  –  La  Educación  ante  los  valores”.  invadindo  as  mídias. tendo em vista que se trata de  uma atividade complexa e com grandes desafios.  Também  tem  como  referência  algumas  pesquisas  que  foram  desenvolvidas.    II‐A IMPORTÂNCIA DO ASSUNTO SOBRE A ÉTICA  E A FORMAÇÃO DOCENTE    Há  mais  de  uma  década. “Formação  moral em Rawls”.  “O  livro  das  virtudes  de  sempre”  de  Marques  e.  situa‐se a ética no âmbito das competências da docência. 2005. p. “A educação moral” de Durkeim.

 dando lugar para uma nova função profissional.3    Constata‐se.  como  por  exemplo.  onde  se  concentram  os  focos  das  monografias.  Também  está  em  alta  a  questão  da  formação  docente. nas pós‐ graduações.  Não  é  menor  a  ênfase  em  outras  áreas.  A pretensão nesse item foi chamar a atenção para a importância da formação  ética.  Diz  que  a  “Exigência  ética    agora  não  é  apenas  por  produtos ou serviços de qualidade. constatou‐se  que os professores se deparam com uma  série de situações que consideram dilemas  éticos e que ocorrem com relativa freqüência e tem uma incidência ou impacto sobre  suas vidas (SCHULZ. pois.  É  só  jogar  as  palavras‐chave  em  torno da ética nem site de busca e teremos uma enorme lista de publicações de textos  e debates disponíveis para estudo. onde se concentram o maior número de participantes.  dissertações  e  teses  nos  últimos anos.  a  ética  ecológica  etc. 2007).  Verifica‐se  que  o  interesse  pelo  assunto  é  grande. Fraedrich e  Forrell e muitos outros.  pois. que a ética ocupa hoje um ponto de destaque. em duas pesquisas nossas. bem como. Nesse sentido. constatou‐se que os vários segmentos  ou atores da comunidade do ensino superior.  o  exercício  da  docência  requer  atitudes.  as  abordagens  éticas  em  torno  da  bioética.  estamos  buscando  e  enfatizando  a  qualidade  ética. muitas são as publicações sobre o assunto.   por exemplo: “Ética empresarial” de Srour. Numa delas.  realizada com 230 professores de oito instituições de educação superior. 89). p.  a  ética  empresarial ou organizacional está em alta. os consultores  de ética organizacional e associações de assessoramento.  Em  uma  das  nossas  pesquisas  sobre  dilemas  éticos  da  prática  da  docência.  decisões  e  ações  que  tem  implicações éticas.  Se  ética  e  formação  docente  são  hoje  assuntos  que  estão  num  pedestal.  tais  como:  no  “mundo”  corporativo. mas também de natureza ética” ( 2007. em instituições de ensino superior no  .  é  preciso  considerar  como  eles  se  pertencem  no  processo  da  formação  e  na  prática  docente.  Segundo  Amôedo  (2007).  é  só  observar  nos  congressos  ou  eventos  de  educação. dão grande importância à formação ética  dos professores. com 514 sujeitos.  Percebe‐se que cada vez mais o seu uso se amplia  para  diferentes  âmbitos  e  instâncias.  hoje  vivemos  a  pós‐qualidade. “Ética empresarial” de Forrell. até considera‐ se que vivemos na “era da ética”.

 2004).  são  modificadas  e  podem  até  desaparecer.  em  oito  cursos  de  licenciaturas.4    Ato  Paranaíba/MG.  No  caso  da  docência.  ter  as  informações  e  conhecimentos  necessários  que  envolvem  e  demandam as profissões.  entendendo  que  elas  têm  um  viés  ideológico  do  mundo  mercadológico.  b)  Competência  técnica.  A  competência  tende  a  responsabilizar  o  sujeito.  atribui  o  peso  ao  mundo  produtivo.  elas  são  ampliadas. dos 47 professores.  ao  trabalho.  As  profissões  são  resultado  de  uma  construção  histórica  e  social.  voltado  mais  para  uma  formação  técnica  e  de  instrumentalização. diminuindo o papel político e social do processo educativo.  corporativista.  Não  se  está  aqui  entrando  na  .99%  consideram que a ética é importante para sua formação. especialização. pode se destacar  três  níveis  básicos:  a)  Competência  cognitiva.  do  fazer  as  coisas    bem  feito.    Ao  se  discutir  o  que  se  entende  por  competência  profissional. dentre eles padrões de desempenho.  naturalmente  que está em questão que profissão.  dos  459  alunos. Em síntese e de uma maneira aligeirada.    III‐COMPETÊNCIA ÉTICA DA PROFISSÃO DOCENTE      Competência e profissão são duas categorias que nem sempre são bem vistas  no  meio  da  comunidade  pedagógica.  Naturalmente  que  há  profissões  que  são  mais  práticas  enquanto  outras  mais  teóricas.  o  que  se  constata  é  que  ambos são hoje cada vez mais de uso comum. 100% (SCHULZ.    Nem  todo  trabalho  que  é  realizado  é  considerado  ou  qualificado  como  profissão.  94. o  termo  profissão. pesquisar e formar.  não  é  só  saber.  isto  é. ter domínio sobre a área do saber que  é  objeto  da  sua  docência. DELZA. 97.  cada  profissão  requer  competências  específicas do profissional. CSIKSZENTMIHALYI E DAMON 2004). identidade e  missão central (GARDNER.  é  a  capacidade  da  realização.87%  julgaram que ela é importante e dos oito coordenadores.  Uma  profissão  se  caracteriza  por alguns critérios.  há  resistência  por  uma  parte  dela.  ter  domínio  no  âmbito  do  conhecimento. Do outro lado.  mas  saber  fazer.  o  educando  pelo  seu  sucesso  e  fracasso.  podem  ser  entendidos  todos  os  aspectos  didáticos.  Contudo.  Nesse  sentido  poder‐se‐ia  então  dizer  que  a  profissão  docente  consiste  em:  ensinar. No caso da docência. se cada uma se caracteriza por uma determinada  essência?  Mesmo  que  há  similaridades.

cujos princípios eternos deveriam inspirar os homens. se age ( KIEL. Em relação à ética científica.  valores  morais  com  a  conduta. malgrado as contingências de lugar e de tempo” (2002.39).  portanto.  isto  é. Srour lembra. malgrado sua diversidade cultural e apesar da variedade de seus pressupostos normativos (.  com  o  comportamento  que se vive.  a  competência  ética  é  o  alinhamento  entre  princípios. que esta: “(. A rigor teria que se discutir mais sobre o que se entende por ética.     Ao  perguntar  para  uma  pessoa  se  ela  valoriza  a  honestidade. da filosofia etc. Segundo Taille e Menin.  Considerando que o foco deste texto é a formação ética.  quando  se  produz  conhecimento e este se aplica de forma virtuosa..) tende a ter um caráter normativo e de prescrição. Diante  dessas  considerações. quando trata das competências da  docência.  pesquisas confirmam isso.    É comum constatar que há uma distância entre o juízo e a ação. em relação à ética filosófica ou filosofia moral.  mesmo  na  hipótese  . 2005).  tal  juízo  não  . uma vez que esta categoria também nem sempre é usada com um mesmo significado ou conceito. Para Vazquez (1982) a “ética é ciência da moral”. é importante lembrar que a concepção da própria ética pode ser dimensionada como ética filosófica ou ética científica. mas. da psicologia.  c)  Competência  ética  –  O  que  se  entende por competência ética? Perrenoud (2000). Por exemplo.5    discussão dos conceitos e da questão dicotômica ou unívoca entre teoria e prática ou  práxis... O termo ética acaba sendo muitas vezes focado a partir do “lócus” de onde se “olha” e se “fala”: da política.    Numa  outra  perspectiva..  quer‐se  apontar  duas  concepções  sobre  a  competência  ética:  uso  do  conhecimento  com  sabedoria. dar-se-á um pouco mais atenção a alguns aspectos implicados.  cuja  ação  envolve  sempre  teoria  e  prática. p. é saber usar o conhecimento para o  bem  (STEPKE. p. LENNICK.)” (2002.  provavelmente ela responderá que sim. ele menciona que ela “(.. “Enfrentar os deveres e os dilemas  éticos da profissão”.39).. Nesse sentido. ansiosa por estabelecer uma moral universal.  2007). ele a relaciona entre as dez que aponta.  de  ela  ser  sincera.  DRUMOND. mesmo na hipótese de ela  não  estar  optando  por  um  juízo  moral  em  razão  de  sua  aceitabilidade  social. Porém. da religião.) tende a ter um caráter descritivo e explicativo porque centra sua atenção no conhecimento das regularidades que os fenômenos morais apresentam.

  sobretudo.  o  estudo.    Quer‐se então destacar a questão ética como um componente nesse processo  da profissionalização.  que  representa  mudança  de  paradigma  em  relação  ao  conceito  da  docência.  ou  seja.  num  mundo  em  constantes mudanças é preciso sempre aprender.  p.  em  uma  situação  na  qual  a  desonestidade  trouxesse‐lhe  alguma  vantagem  desejada. ou seja.    Já profissionalização tem a ver com a formação. do outro lado há um risco  de que acaba perdendo uma dimensão importante. seja inicial ou  continuado.  Diante  disso.  quer‐se  chamar  a  atenção. porém. a sua  metodologia.6    garantiria  que.  Há  quem  faz  uma  crítica  ao  seu  uso.  tudo  aquilo  que  vem  agregar  para  o  exercício  de  um  trabalho  com  profissionalismo.  deixando  o  lado da vocação.  para  algumas  . Temos ciência de que se trata de um  terreno  que  é  bastante  movediço. com os valores de forma alinhada. com o preparo.  se  o  trabalho  é  realizado  dentro  de  padrões  de  qualidade  requerido e não de uma forma amador.  ao  menos.  mas.  aprende‐se  ao  longo  do  exercício  e  estudo  e.  ela  não  agisse  de  forma  desonesta  (2009. hoje já com certo  uso  em  textos  que  discutem  a  docência.  ter  competência  ética  é  agir. refere‐se à qualidade do trabalho  desenvolvido.    Pensar na formação ética é considerar sua especificidade. que trás uma conotação religiosa. humanística.  não  é  por  isso  que  não  tenha  importância  e  não possa ser discutido. da formação ética.  esclarecer  um pouco as duas categorias: profissionalização e profissionalismo.     Se  a  docência  é  uma  profissão.  com  a  qualificação  para  o  exercício  de  uma  profissão.11/12)      Nesse  caso. seu conteúdo.    Numa forma bem simples.  se  comportar  de  acordo  com  os  princípios.  ninguém  nasce  professor. profissionalismo.    IV‐FORMAÇÃO  ÉTICA  NO  PROCESSO  DA  PROFISSIONALIZAÇÃO  PARA  O  EXERCÍCIO  DE  UM PROFIOSSIONALISMO COM ÉTICA      Considera‐se  importante  antes  de  discutir  sobre  a  formação  ética.  esta  precisa  ser  aprendida.  a  experiência.

  com  destaque  pela  crítica  de  Peter  Singer  aos  parâmetros  morais  tradicionais (FELIPE.  está‐se  colocando  em  questão  a  razão  como  único  parâmetro.  o  sensitivo.  cujas  ações  têm  implicações  éticas.  características  essenciais  aceitos  pela  filosofia  moral  para  estabelecer a linha divisória que define quem pertence à comunidade moral  e têm direitos morais e quem dela fica excluído (2004.)  razão.  estavam  subordinados à razão.  ele  ganhou  força  no  âmbito  do  utilitarismo  contemporâneo.  far‐se‐á  duas  considerações  básicas  em  torno  desse  item...    No item anterior abordou‐se  uma concepção sobre a competência ética.     (. isto é. como o único parâmetro.  em  torno  do  paradigma  ou  critérios  éticos  e  a  metodologia. quer‐se aqui apenas destacar  dois aspectos que parecem ser pertinentes: um baseado na razão e outro no sensitivo.7    questões  que  se  consideram  significativos. dos paradigmas. com as novas preocupações com o eco‐ sistema.  como  critérios  básicos  do  processo  da  formação ética.  a  rigor.  com  o  movimento  ecológico  e  ambiental. aponta‐se o sensitivo.   a)A razão como único critério ‐ Segundo Felipe.  Assim.   .  com  o  desenvolvimento  da  bioética.    Nós  últimos  anos. como dito.  como  critério  o  sujeito  humano.  b)Sensitivo  como  critério  ético  –  Até  pouco. agora  pois.    Essas  questões  demandariam. quer‐se discutir como se dá ou de que forma se aprende ser ético? Como ocorre a  formação ética?    Levantar‐se‐á  duas  questões.  basicamente.  desde  Aristóteles.  pratica  atos  morais e é alvo delas.  Na  verdade.  ou  seja.  uma  longa  discussão  e  análise  em  torno  dos  fundamentos  da  ética  e  sobre  as  diferentes  concepções em torno dela. Atualmente.  dor  e  prazer. 2004). como quem tem deveres e direitos morais.  enquanto  processo  da  formação  ética.  na  dimensão  ativa  e  passiva.  isto  é. p 174). com a sustentabilidade. evoca‐se a necessidade da inclusão do sensitivo para  medir  nossas  ações.        Ao  longo  do  tempo  considerou‐se.  consciência  e  pensamento  têm  sido.  linguagem. já não responde a atualidade ou às questões bioéticas e ética da ecologia.   Em relação a primeira questão.

especialmente. estão Piaget. teoria antinômica.  indicar  três  abordagens. não nos autorizam excluí‐los dos que têm direitos morais  passivos. Por natureza.  desenvolvimento do juízo moral e formação integral. Entre os principais representantes.  ou a espécie humana. Kohlberg e.  No caso da primeira posição.  é  ao  menos. o ser humano está pré-disposto para fazer o bem. atualmente Habermans. cuja preocupação com a formação está voltada para a formação das virtudes.  teorias.  ou  métodos:  Formação  para  as  virtudes. antinômica. em detrimento às outras espécies animais. cujos textos tecem uma crítica às posições anteriores em relação à formação ética – valores e moral-. O foco principal do cognitivismo está voltado para o desenvolvimento da consciência. o processo da educação ética e moral leva em conta e centra seu foco mais na formação do caráter. . centra sua preocupação na formação da moral na reflexão. chamada também de moral máxima. vivas. ou seja. considerada idealista.8      Dor e prazer eram parâmetros para qualificar ações que envolvia o ser humano. A matriz dessa posição pode ser localizada em Sócrates. máxima. mas há deficiências naturais que precisam ser corrigidas e aperfeiçoadas.    A  segunda  grande  questão  implicada  no  processo  formativo  tem  a  ver  com  a  metodologia. que busca incluir na formação todos os domínios e níveis da moralidade e da ética. não é uma questão simples  que  se  resolve  numa  reflexão  em  uma  palestra  ou  artigo.  o  fato  de  não  termos  medidas  claras sobre a mente animal. chamar a atenção para a questão. Singer  tese  uma  crítica  ao  critério  racional. A segunda concepção. na consciência ou cognição.  quer‐se.  Mas  o  que  se  pretendia  nesse  momento. Cabanas propõe uma concepção que considera a formação integral. considerada por Cabanas (1995) e Marques (2001) como positivista ou cognitivista.  em  síntese. aqui representada por Cabanas e por Marques. ou juízo moral. que é o bem. os  animais  agem  segundo  suas  sensações.  São  questões  que  demandam  novos  elementos  no  processo  formativo. por meio do hábito. em Kant.  dor  e  prazer. que por  certo  afeta  a  economia  e  valores  culturais.    A inclusão do sensitivo como critério ético implica numa reeducação. A terceira posição. para se atingir uma vida feliz. sobretudo.  Contudo. Essa concepção tem sua matriz em Aristóteles. como formar para a ética? Outra vez.  o  qualifica  como  sendo  biológico  pertencente  à  espécie humana.  Considera que. quem era capaz de tomar consciência da dor e do prazer. mas.

  a  disponibilidade de escolha e o interesse pelo trabalho (2007. (.  ao  se  discutir  uma  metodologia. Marques lembra que.  como. 43). numa pessoa capaz de uma boa conduta moral. e.. Em relação à busca da autonomia.  do  próprio  sujeito  em  formação. Dessa  maneira.. avalia que ocorre uma inversão. na visão de Cabanas. superar o que chama de moral mínima. a educação da moral é reduzida à formação do juízo moral. de experiências que exige disciplina.  que  pode  ser  explícito.  por  exemplo. o seguinte: em linhas gerais. bem como sobre  as  implicações  éticas  ao  praticá‐la. nem normas morais e nem promover tipos de condutas morais. Nesse sentido. estes englobam a percepção que as pessoas  têm  de  si  mesmas  em  seus  empregos. para a formação do caráter.  é  delineado  formalmente.      Quanto aos fatores individuais.  que.  o  como  formar  para  o  ser.  Tais  percepções  enfocam  as  exigências  das  tarefas. não se entende que exista uma receita que possa ser aplicada  e  que  se  terá  um  resultado  certo. é preciso incluir na formação moral o campo pessoal e o campo social. quanto à formação moral. desconsiderando a formação dos sentimentos morais.9    Cabanas. das atitudes morais e dos hábitos morais. aspectos individuais. Também. Em razão de ser formal.  .  no  entanto  quer‐se  chamar  a  atenção  para  dois  aspectos  e  dois  níveis  que  Amoêdo  (2007)  considera  importante  no  processo  da  formação  ética  para  qualquer  profissional:  O  fator  subjetivo.  Quanto  ao  seu  papel. Para Cabanas. como implícito. não quer inculcar princípios morais. (1995). em ambos. Como lembra Amoedo.  e  não apenas para o fazer. enquanto ela é um meio. a formação envolve relações interpessoais. passa ser vista como um fim. por se apresentar como democrática confia na iniciativa dos educandos. p.  normalmente. em especial. que pode tanto ser usada para o bem como para o mal. de natureza subjetiva. da teoria cognitivista. aponta como limites. do que um discurso ético pós-convencional sem correspondência com uma conduta reveladora do respeito pelos outros.) vale mais uma moralidade heterônoma. preocupação com o bem-estar dos outros e orientada para o amor (2001.55).  sua  relação  com  seu  aluno. através de atividades de compartilhamento. também aceito por Marques (2001). p.    No caso do docente adquirir consciência clara da sua tarefa.  as  percepções  sobre  o  papel  desempenhado.

 considera‐se pertinente abordar as três dimensões da práxis ética: subjetiva. intersubjetiva.43).  mesmo  que  o  resultado  do  seu  trabalho  não  é  um  objeto.  nos  limites  do  espaço. institucional. mas  um sujeito que é partícipe.   Quer‐se lembrar ainda que honestidade.  não  se  abordou  neste  texto. em especial. que envolve o  dever ser e o dever fazer na perspectiva normativa.10    O  segundo  fator  pertinente  no  processo  da  formação  ético/moral  do  profissional.  como ação de um indivíduo. É  importante considerar os processos.  porém  outros  são  relevantes.  2º  ed.  até  porque.  se  vê.  expressada pela forma de viver.  para  outros  estudos.  . na dimensão da cultura organizacional.  representada  pelos  valores  e  pelo  estilo  operacional. exerce um potente efeito  sobre o que os funcionários identificam como preocupação de natureza ética  e de conduta a ser adotada (2007. os conteúdos.  mas  devem  fazer  parte  do  nosso caráter e conduta. Amoêdo  chama atenção  que:     Já  a  cultura.  de comer ou de estabelecer metas para o sucesso. justiça responsabilidade.  entre  outros.  solitário  em  sala  de  aula  para  tomar decisões. na sua realização numa coletividade. Jean. bem como.  entre  eles.  focar  aspectos  relativos  aos  objetivos  anunciados. Rio de  Janeiro: Sextante.  muitas  vezes. 2007. do docente. Desenvolva a sua inteligência emocional. Há a necessidade por uma formação da competência ético/moral do docente.  Sebstião. 2007. GREAVES.  não  são  apenas  exigências  para  os  outros. de vestir. é o externo. p. de definir o tempo.  Ética  do  trabalho  –  Na  era  da  pós‐qualidade.  ‐BRADBERRY. com  outro. torna‐se  responsável pelas possíveis conseqüências.  mas.  Rio  de  Janeiro: Qualitymark. Travis. Portanto. mesclando-se entre conhecimento/sabedoria. de conversar. objetiva.    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS    ‐AMOÊDO. de uma forma circular. num intercâmbio do desenvolvimento cognitivo e emocional/moral.  IV-CONSIDERAÇÕES FINAIS A formação ética se dá no processo da ação docente (práxis).  muitas  questões  do  conteúdo  da  formação  ética  do  docente.  Procurou‐se. integridade. pela prática das virtudes.  além  dos  novos  desafios.

  Docência:  Uma  construção ético‐profissional. 2001.  A  sociedade  pós‐moralista:  o  crepçusculo  do  dever  e  a  ética  indolor dos novos tempos democráticos. 2005.  São  Paulo: Landy. Delza F. Rio de Janeiro: Ed. 2009.).  Sílvia  Ester  (orgs.  ‐VEIGA. Pedagogia moral. Campus.  Formação    ética  em  tempos  de  mudanças. 1995.11    ‐CABANAS.  Armindo.  ‐SCHULZ.161‐179. Émil.  P.  In:  QUILLICI  NETO. 2001.  Compreender  e  ensinar  –  Por  uma  docência  da  melhor  qualidade.    .  O  utilitarismo  em  foco:  um  encontro com seus proponentes críticos.  Docência  e  formação  de  professores  na  educação  superior: múltiplos olhares e múltiplas perspectivas. Campinas: Papirus.CHARLIER.  ‐LIPOVETSKY.  F.  E.  Dilemas  éticos  da  prática  docente.. Florianópois: Ed.  Porto  alegre:  Bookman.  L.Campinas/SP.  ‐KIEL.  ‐IMBERNÓN.  A  gestão  da  reputação. Mercado e Letras.57‐ 69.  ‐TAILLE. 2004.  Sônia  T. São Paulo: Cortez /Editora.  UNISO. LENNICK.  Universidade  e  conhecimento‐  desfios  e  perspectivas  no  âmbito  da  docência.  KAPUZINIOK.  Revsita  Quaestio.  PAQUAY.  tomadas de decisão e casos. Elsevier. José Maria Quintana. Sidney Reinaldo da.  ‐GARDNER. p. v. p.  John.  Célia.  O  livro  das  virtudes  para  sempre  ‐  ética  para  professores.  ‐SROUR.  Ilma  Passos  A.  FRAEDRICH.  In:  CECÍLIA.  pesquisa e gestão.  Maringoni  (org.  ‐RIOS. 203‐215.. p.  SILVA. 2º ed.  Mihaly.  Ética  empresarial:  dilemas. Maria Souzana de Stefano.  ‐PUING. 2006.  Linda.  ‐DURKEIM.  C. Doug.  Formando  professore  profissionais. Yves de La.  ‐PERRENOUD.  ‐FORRELL. 2001.  In:  PERRENOUD. 2004. 2003.. n.  Porto  Alegre:  Artmed.  ‐FELIPE.  Orrú. Porto Alegre: ArtMed. 2009.. 2005.  William. In: Caramen Campoy Scriptori  (org). p.  Formação  docente  e  profissional:  formar‐se  para  a  mudança  e  a  incerteza.  ‐TALLE. A construção da personalidade moral. Percepção da importância da ética  no interior das  instituições de educação superior – formação docente.  José  Carlos  S. Petrópolis: Ed.  M. Fred. São Paulo: Ed Ática.  Almiro. 2005. Formação moral em Rawls. MENDES.9.  M.  Trabalho  qualificado‐  quando  a  excelência  e  a  ética  se  encontram.  Parãmetros  da  concepção  ética  de  Peter  Singer.  Gilles. São Paulo: Cortez.  ARAUJO. Alínea. Madrid:  Dykinson.  E.  Yves  de  La.  Maria. 2007.  ALTET.99‐115  ‐SCHULZ. 2007.  ‐MARQUES.  ALTET. Inteligência Moral – Descubra  a poderosa relação entre os  valores morais e o sucesso nos negócios.. 10 competências para ensinar. 1998. Barueri/SP: Manole.  CSIKSENTMIHALYI.  DAMON. Curitiba: Editora CRV. 2008.  Ética  empresarial.  O. Vozes. Campinas: Ed.  Howard.  P.  .  Artmed.). Da UFSC.  CHARLIER.  Rio  de  Janeiro:  Campus. MENIN.  Moral  e  ética:  dimensões  intelectuais  e  afetivas. el desarrolo moral integral.  Ramiro.  Terezinha  Azeredo.  Sorocaba. 2001. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Ed.  CARVALHO. Josep Maria.  ‐PERROUNOUT.  ‐SCHULZ. p.2.  FORRELL. Almiro.. 2000.  Robert  Henry.  Almiro. 2003.  Igualdade  preferencial. Crise de valores ou valores em  crise? Porto alegre: Artmed..  Fecundas  incertezas  ou  como  formar  professores  antes  de  ter  todas  as  respostas.  quais  estratégias?  Quais  competências? Porto Alegre: ARTMED2001. A educação moral.167‐200.

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