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ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA SSEC 8ª DIRETORIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO DIRED ESCOLA ESTADUAL PROFESSORA FRANCISCA ALVES DA SILVA ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

Análise termodinâmica na degustação de refrigerantes brasileiros

AUTORES: Pedro Pierre de Sena Neto, Cheila Karine Mendes Pereira, Edival de Morais Nunes

ORIENTADOR: Prof. Ícaro Kennedy Francelino Moura

FERNANDO PEDROZA - RN

2016

SUMÁRIO

RESUMO

3

INTRODUÇÃO

4

OBJETIVOS

5

MATERIAL E MÉTODOS

6

RESULTADOS

8

CONCLUSÃO

11

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

12

ANEXOS

133

RESUMO

A beleza e a riqueza que algumas teorias científicas apresentam residem em sua simplicidade e aplicabilidade no cotidiano. Neste sentido, a física contribui com duas teorias que formaram a base da sociedade moderna: a termodinâmica e o eletromagnetismo. Esta pesquisa teve como foco a aplicabilidade cotidiana e interdisciplinaridade da Termologia, investigando a influência de grandezas termodinâmicas na percepção gustativa de refrigerantes comercializados no Brasil. Foi aplicado um questionário para definir a temperatura média, Tm, em que o refrigerante apresenta paladar agradável. Esta temperatura encontrada ficou em 18 °C. Posteriormente, foi investigado a influência de fatores externos, como a temperatura ambiente, toque da mão humana e espessura do vidro do copo; e internos, como capacidade térmica e calor específico, influenciam na troca de calor que altera a temperatura do refrigerante até a temperatura considerada como limiar da agradabilidade gustativa. A evolução temporal das grandezas termodinâmicas também foi analisada para estabelecer, frente às condições iniciais do ambiente e do refrigerante, o tempo médio para se alcançar a temperatura Tm. Conseguimos calcular o valor do calor específico de 3 tipos de refrigerantes e descobrimos que o copo que perde calor mais lentamente para o meio externo é o copo de plástico.

Palavras-chave: Termologia, Refrigerante, Temperatura, Calor Específico.

INTRODUÇÃO

A beleza e a riqueza que algumas teorias científicas apresentam residem em sua simplicidade e aplicabilidade no cotidiano. Neste sentido, a física contribui com duas teorias que formaram a base da sociedade moderna: a termodinâmica e o eletromagnetismo. Esta pesquisa teve como foco a aplicabilidade cotidiana e interdisciplinaridade da Termologia, investigando a influência de grandezas termodinâmicas na percepção gustativa de refrigerantes comercializados no Brasil.

Refrigerante é uma bebida não-alcoólica e não fermentada, fabricada industrialmente, à base de água mineral e açúcar, podendo conter edulcorante, extratos ou aroma sintetizado de frutas ou outros vegetais e gás carbônico. Este alimento foi escolhido pelo fato de haver sempre mais pessoas o consumindo. Os sabores de refrigerantes mais conhecidos e consumidos no Brasil são os de cola, guaraná, laranja, limão e uva.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde do Brasil, o número de pessoas que está passando a consumir refrigerantes regularmente está aumentando. No ano de 2008, a porcentagem de brasileiros era de 24,6%. A pesquisa realizada no final do ano de 2009 mostrou um aumento para 27,9%. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (ABIR), mostram que o consumo de refrigerantes no Brasil aumentou. No ano de2008, o volume total foi de 14.148.363 milhões de litros e no ano de 2009, passou para 14.339.322 milhões de litros, um aumento de 1,35%.

Tal pesquisa, ilustra a grandiosa aplicabilidade dos conhecimentos físicos, possibilitando uma desmistificação do processo científico. Se por um lado a Física é usada no estudo da composição química de estrelas, na criação de novas ligas metálicas e na otimização das telecomunicações, por outro lado, enxergamos neste trabalho a aplicação do método científico de forma didática em um setor que movimenta bilhões na economia brasileira.

OBJETIVOS

O presente trabalho tem por objetivos:

Definir a temperatura média, T m , em que o refrigerante apresenta paladar agradável,

Investigar como a influência de fatores externos, como a temperatura ambiente, toque da mão humana e espessura do vidro do copo; e internos, como capacidade térmica e calor específico, influenciam na troca de calor que altera a temperatura do refrigerante.

MATERIAL E MÉTODOS

Inicialmente realizamos uma pesquisa de campo com 33 pessoas da comunidade em geral para descobrirmos qual a temperatura do limiar de agradabilidade dos refrigerantes. Coletamos informações como temperatura ambiente, temperatura inicial e final do refrigerante através de um termômetro e o sexo da pessoa, tabela 01 em anexo. Posteriormente, realizamos a parte experimental do trabalho nas dependências da escola. O material utilizado foram: Fonte de calor (botijão de gás), termômetros, tubos de ensaio, copos de vidro, alumínio e plástico. A divisão do trabalho experimental se deu de duas formas: um aparato experimental para o cálculo do calor específico e outro para medir a evolução temporal da temperatura em situações diversas.

CÁLCULO DO CALOR ESPECÍFICO

Neste procedimento, utilizamos a equação para troca de calor sem mudança de fase advinda da calorimetria dada por

(Eq. 01)

onde Q é o calor da fonte, m é a massa de cada refrigerante, e é o calor especifico de cada refrigerante e ∆t é a variação da temperatura do refrigerante. Porém, tínhamos o problema instrumental de não conhecer a taxa de transmissão de calor da nossa fonte (botijão de gás) retratada na figura 01 abaixo, já com o refrigerante.

Q = m ∙ e ∙ ∆t,

01 abaixo, já com o refrigerante. Q = m ∙ e ∙ ∆t , Figura 01:
01 abaixo, já com o refrigerante. Q = m ∙ e ∙ ∆t , Figura 01:

Figura 01: Aparato experimental. Fonte: Acervo pessoal do orientador

Figura 02: Balança de precisão Fonte: Acervo pessoal do orientador

Para contornar esse problema, utilizamos uma amostra de água com massa conhecida, medida na balança de precisão ilustrada na figura 02 acima, para calcular a taxa temporal de emissão de calor da fonte. O experimento foi realizado para amostras de 100g e 200g. Foram realizadas 7 medidas de temperatura, cada uma no intervalo de 1 minuto. Em um gráfico Q vs t (calor versus tempo) construído em programas científico de edição de gráficos como o Origin Lab, calculamos a reta de melhor ajuste para determinar essa taxa através da inclinação da reta ilustrada na figura 03 abaixo.

da inclinação da reta ilustrada na figura 03 abaixo. Figura 03: Gráfico da taxa de fornecimento

Figura 03: Gráfico da taxa de fornecimento de calor (Q) da fonte de calor. A linha vermelha é melhor ajuste para os dados coletados. Encontramos que a taxa de calor por segundo da nossa fonte de calor (botijão de gás) foi de 24,25 cal/s. Fonte: Pessoal.

Repetimos o mesmo procedimento para três marcas de refrigerantes e através da medição do tempo de permanência destes na fonte de calor, pudemos determinar os seus respectivos calor específicos, tabela 02.

EVOLUÇÃO TEMPORAL DA TEMPERATURA

Para observar a evolução da temperatura do refrigerante, deixamos três copos de diferentes materiais expostos a temperatura ambiente de 28°C, ver figura 04 em anexo. Cada copo contendo 200 g de refrigerante (Guaraná Kuat). Realizamos 11 medidas de temperatura a cada 1 min. Depois realizamos o mesmo procedimento só que com uma mão segurando cada copo sem soltá-los. Todos os dados coletados foram analisados e tratados no Origin e criado seus respectivos gráficos.

RESULTADOS

CÁLCULO DO CALOR ESPECÍFICO

Na tabela 02, temos o valor do calor específico para 3 tipos de refrigerantes. Estes valores foram obtidos utilizando a equação fundamental da calorimetria (eq. 01) e sabendo a taxa de fornecimento de calor da nossa fonte (fig. 03).

Tabela 02: Valores do calor específico para três tipos de refrigerantes

Tipo de Refrigerante

Calor específico (cal/g°C)

Guaraná Antarctica

1,27

Guaraná Kuat

1,25

Coca Pepsi

1,21

EVOLUÇÃO TEMPORAL DA TEMPERATURA

Os gráficos abaixo ilustram a evolução temporal da temperatura com o copo livre (esquerda) e com o copo sendo segurado durante 1 minuto a cada medição (direita). O limiar da temperatura agradável, ou seja, a maior temperatura que o refrigerante pode está para se tomar, de acordo com a pesquisa com a pesquisa de campo ficou na média de 18°C. Essa temperatura está retratada nos gráficos através da linha reta horizontal cinza. A fim de descobrir qual a lei de evolução da temperatura do refrigerante em cada caso, aplicamos 3 diferentes ajustes muito utilizados na literatura aos nossos dados obtidos. São eles o ajuste linear (linha vermelha), ajuste exponencial (linha de ponto azul) e ajuste polinomial (linha tracejada verde). Para o copo de Alumínio, ver figura 05, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 13 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante só variou 4 °C, não chegando assim no limiar de temperatura agradável. Os ajustes para os dados coletados foram idênticos, não deixando assim saber qual a melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante. Para o copo de Alumínio + Mão, ver figura 06, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 16 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante variou 9 °C, chegando no limiar de temperatura agradável em apenas 2 min (variou 2 °C). Os ajustes que melhor se adequaram aos dados coletados foram o exponencial e polinomial.

Figura 05: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de alumínio. Figura 06:

Figura 05: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de alumínio.

evolução temporal do refrigerante em um copo de alumínio. Figura 06: Gráfico da evolução temporal do

Figura 06: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de alumínio + mão.

Para o copo de Vidro, ver figura 07, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 15 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante só variou 3 °C e chegou no limiar de temperatura agradável. Os ajustes para os dados coletados foram quase idênticos, não deixando assim saber qual a melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante. Para o copo de Vidro + Mão, ver figura 08, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 17,5 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante variou 6 °C, chegando no limiar de temperatura agradável em apenas 1 min (variou 1 °C). Os ajustes para os dados coletados foram idênticos, não deixando assim saber qual a melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante.

melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante. Figura 07: Gráfico da evolução temporal do

Figura 07: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de vidro.

da evolução temporal do refrigerante em um copo de vidro. Figura 08: Gráfico da evolução temporal

Figura 08: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de vidro + mão.

Para o copo de Plastico, ver figura 09, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 14 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante só variou 3 °C, não chegando assim no limiar de temperatura agradável. Os ajustes para os dados

coletados foram quase idênticos, não deixando assim saber qual a melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante. Para o copo de Vidro + Mão, ver figura 10, o refrigerante inicialmente estava com uma temperatura de 16,5 °C. Percebemos que ao passar 10 min o refrigerante variou 5,5 °C, chegando no limiar de temperatura agradável em apenas 2 min (variou 1,5 °C). Os ajustes para os dados coletados foram idênticos, não deixando assim saber qual a melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante.

melhor lei de evolução de temperatura para o refrigerante. Figura 09: Gráfico da evolução temporal do

Figura 09: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de plástico.

evolução temporal do refrigerante em um copo de plástico. Figura 10: Gráfico da evolução temporal do

Figura 10: Gráfico da evolução temporal do refrigerante em um copo de plástico + mão.

CONCLUSÃO

Tendo em vista os aspectos observados, percebemos que a influência de fatores externos, como a temperatura ambiente, toque da mão humana; e internos, como capacidade térmica e calor específico, influenciam sim na troca de calor que altera a temperatura do refrigerante até a temperatura considerada como limiar da agradabilidade gustativa no qual achamos seu valor médio na ordem de 18 °C. Pelos testes realizados percebemos que o copo feito de material de plástico é o que retém melhor o ganho de temperatura, deixando assim o refrigerante a baixas temperaturas por mais tempo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NEPOMUCENO, M. M. F.; MOURA, Í. K. F.; SANTIAGO, F. A. L.; VIANA, C. A. P.; FILHO, F. C. M.; FRANÇA, V. A.; PINHEIRO, A. V. B. Análise termodinâmica na degustação da cerveja pilsen brasileira. In: XXXIII ENCONTRO DE FÍSICOS DO NORTE E NORDESTE, 2015, Natal. Disponível em <http://www1.sbfisica.org.br/eventos/efnne/xxxiii/programa/authors.asp?c=m>. Acesso em 05 jun. 2016.

SANT’ANNA, Blaidi; MARTINI, Gloria; REIS, Hugo Carneiro; SPINELLI, Walter. Conexões com a física: estudo do calor, óptica geométrica e fenômenos ondulatórios. São Paulo: Moderna, 2013.

BONJORNO; CLINTON; EDUARDO; CASEMIRO. Física: termologia, óptica, ondulatória, 2° ano. --2. Ed. -- São Paulo: FTD 2013.

ANEXOS

Tabela 01: Informações coletadas na pesquisa de campo com pessoas da comunidade para descobrir a temperatura limiar de agradabilidade dos refrigerantes.

HORA

TEM.

MARCA DO

TEMPERATURA

SEXO

 

AMBIENTE

REFRIGERANTE

INICIAL

FINAL

         

F(

) M(

)

FINAL           F( ) M( ) Figura 04: Aparato experimental para recolher

Figura 04: Aparato experimental para recolher os dados da evolução temporal do refrigerante em um copos de diferentes materiais.