2 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

Editor Geral
Délio Nunes e Norberta Canha
Assistente de Edição
Liliana Ferreira

Ilustração
Tiago Preces e Nuno Simões

Designer do jornal
Liliana Ferreira e João Carlos
Correia

Lazer
Sónia Martins, Andreia Matos

Entrevistador
Bruno Ferreira e Liliana Ferreira

Cultura
Nino Conceição e Bruno Ferreira

Editor de texto
Liliana Ferreira

Dezembro de 2016 ¤ Nº 2

Fotógrafo
Jaime Cortesão, Nino Conceição
e Délio Nunes

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notas da redação

Na segunda e tão aguarda edição do Quinta em Folha
continuamos a dar brilho à prata da casa, aos assuntos
que todos conhecemos mas que nem todos conhecem.
A frase é ambígua? Passamos a explicar: esta edição é
dedicada aos portadores de paralisia cerebral e a todos

Esta introdução não será longa nem será nossa. Utiliza-

aqueles que fazem parte da sua esfera pessoal, íntima e

remos as palavras de pessoas que olharam para esta

social.

complexa relação entre sociedade civil e aqueles que não
se enquadram, de determinada forma, para dar voz mais
forte e soante às nossas próprias palavras. Utilizaremos
as palavras de César Rodrigues e outras recolhidas pela
jornalista Catarina Marques Rodrigues, que nos autorizaram a utilizar as suas inspirações e talento sem exigências e com grande entusiasmo. Para eles, um profundo obrigado.
Esperamos que gostem tanto como nós.
DÉLIO NUNES / LILIANA FERREIRA
DIRETORA DE REDAÇÃO

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Com o fim dos Jogos Paralímpicos 2016, o testemunho passou para Tóquio 2020, que terá como lema "Mudança e
Atitude". No Rio foi possível assistir a uma ‘atitude’ positiva por parte de atletas especiais e, em alguns casos, com
resultados acima do "normal", como aconteceu nos 1500 metros T3 (atletas de baixa visão), prova onde os quatro
primeiros obtiveram melhor tempo do que o alcançado, em Agosto, pelo campeão olímpico.
Seria positivo que se antecipasse 2020, na “mudança” de mentalidades permitindo a estes atletas – e aos que revelam
qualquer desvio da norma – usufruir, efetivamente, de igualdade de oportunidades.
No quotidiano, os portadores dos mais variados géneros de deficiência excedem-se perante os obstáculos que lhes
surgem ao caminho. A sua competição é uma prova diária, a sociedade é o estádio onde competem pela plena aceitação e cada dia transposto equivale à conquista de medalha pela tenacidade. Muitos acabam por fazer do
desporto a sua forma de vida, testando os próprios limites. Nos Jogos Paralímpicos, estes atletas tornam-se, fruto da
maior visibilidade mediática, verdadeiros exemplos de superação perante a sociedade.
Desportivamente, a competição correu bem a Portugal com a conquista de 4 medalhas de bronze, duas no
Atletismo e duas no Boccia. No total e em 10 participações, Portugal conquistou 92 medalhas paralímpicas. No limite, tão bons resultados serão obra dos atletas, mas também das (fracas) acessibilidades que Portugal, em
muitos casos, ainda oferece a estas pessoas, obrigando-os a suplantarem-se para poderem melhorar a sua
mobilidade.
A 19 de Setembro de 2000, nos Jogos de Sidney, o judoca Nuno Delgado venceu por ippon (designação para
‘perfeito’) e conquistou o bronze. Com o significado de movimento "perfeito", os Jogos Paralímpicos
contribuíram para que se faça ippon à discriminação e para que se celebre a diferença.
E os Jogos encerraram ao ritmo de “One Love” como agradecimento a todos aqueles que fizeram acontecer magia
através do desporto. Como sempre declara o meu amigo Toninho, ao tom de Bob Marley: "One love (sport), one
heart (spirit), let's get together and feel all right".

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JOAQUIM
VIEGAS

PRESIDENTE DA PCAND - PARALISIA CEREBRAL ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DESPORTO

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“uma vida com direitos e
deveres como qualquer
outro cidadão”
O que é a paralisia cerebral? Como descreveria esta patologia a
pessoas que nunca tiveram contato com a mesma?
Para muitas pessoas que não têm
esse contato, a ideia que têm é que
paralisia cerebral é “que o cérebro
parou”. Mas não tem nada a ver, a
paralisia cerebral é uma lesão no
sistema nervoso central, e que origina algumas limitações principalmente na funcionalidade da vida
diária. Por vezes têm que se deslocar em cadeira de rodas ficando
“obrigados” a ter apoio para conseguir ganhar competências, ou seja,
com mais capacidade de fazer o
máximo possível daquilo que é comum as pessoas fazerem na sua
vida, e assim, terem uma vida digna, uma vida com direitos e deveres
como qualquer outro cidadão.
Quais as instituições que apoiam
pessoas com paralisia cerebral?
As instituições que apoiam pessoas
com paralisia cerebral são maioritariamente as associações de paralisia
cerebral que existem pelo país fora,
estas são a forma mais importante
de ser apoiado, e nós estamos numa
delas, a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Existem outras
instituições, porque as associações
de paralisia cerebral não estão em
todo o país e não conseguem dar
apoio em todas as zonas, embora
procurem fazê-lo quando são chamadas, mas há muita gente que não
tem transportes próprios, ou que
tem poucos recursos económicos e
por que existem outras instituições
muito perto da sua residência, mes-

mo não sendo especialistas em paralisia cerebral, acabam por frequentar essas instituições e têm
apoio nessas instituições, esse apoio
não é só em termos de reabilitação
física e motora, é também para as
atividades da vida diária, para a
escola, para atividades ocupacionais
e isto pode ser feito noutras instituições. Para um apoio mais especializado da paralisia cerebral pode
ser na associação de paralisia cerebral mais próxima ou em hospitais,
em que também fazem esse serviço
nomeadamente em crianças com
paralisia cerebral.
Como é que a sociedade lida com
os portadores de paralisia cerebral? Quais as respostas sociais
dadas a esta questão?
Isso é um pouco como ligam num
modo geral com outra deficiência
que eles não compreendem, temos
que pôr aqui dois níveis, a sociedade em que vivemos é muito competitiva e mesmo que não se tenha
nenhuma deficiência só os mais
fortes, os mais capazes, enfim aqueles que conseguem fazer melhor as
coisas é que tem possibilidades de
ter sucesso e ter acesso as coisas
melhores, melhores empregos, arranjarem companheiros ou companheiras com mais facilidade do que
as outras pessoas, tudo está facilitado, ou está mais facilitado, para
quem tem mais competência, aqueles que não tendo deficiência mas
tem menos competências porque
vivem em meios mais rurais, são de
origem sócio económica mais baixa, muitas vezes têm problemas

familiares em casa, ou com drogas
ou com álcool são pessoas que à
partida, e eu que sou professor e
que dei aulas muitos anos em escolas reparo de facto que há muitas
crianças que tendo essas origens,
são “postas de lado”, ou essas pessoas têm uma força muito grande
em serem ajudadas é que conseguem, mas não deveria ser assim,
todas as pessoas têm que ter oportunidades iguais. Quero chegar
com este exemplo, que as pessoas
com deficiência partem com uma
certa desvantagem e estão mais perto daqueles que identifiquei com
menos oportunidades de inclusão.
Por exemplo, toda a gente compreende, um individuo que é cego, toda sabe a sua deficiência, hoje em
dia tem meios que ajudam a estudar, que os auxiliam a ler, tiram os
seus cursos, constituem as suas famílias, são relativamente autónomos e portanto toda a gente compreende, não tem grandes dificuldades de aceitação entre os seus pares,
terá certas dificuldades, por exemplo encontrar um emprego, mesmo
que compreenda a deficiência, porque querem pessoas que deem mais
rendimento. Quando falamos de
uma pessoa com paralisia cerebral
muita gente pelo nome não conhece, tem uma deficiência mental,
associam muito facilmente a isso, e
depois se essa pessoa com paralisia
cerebral não é autónoma, está numa cadeira de rodas, tem movimentos involuntários, baba-se, tem um
bocado a cara por vezes torta, tem
dificuldade em falar, tudo isto as
pessoas não compreendem porque

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do seu mundo, não entendem,
“quem está ali?”, “quem é aquela
pessoa?” e isso associado à sua dificuldade em poder fazer as coisas,
faz com que a inclusão seja muito
mais difícil.
Os portadores de paralisia cerebral têm um papel na sociedade?
Como se pode integrar uma pessoa com paralisia cerebral?
Respeitando-a, analisando e olhando para as suas potencialidades e
trabalhando-as e olhando para as
suas dificuldades e satisfazendo as
suas necessidades básicas. É como
as árvores, temos a raiz, a raiz é
uma necessidade básica e só precisa
de um bocadinho de água, e às vezes nem é preciso se a raiz for forte,
se não for muito forte temos que
ajudar, pôr algum adubo e água, e ir
tratando. Depois temos que ajudar
a criar condições em termos de formação para que essa pessoa tenha
condições para ter uma vida digna e
ser incluída na sociedade e ter direito a ser feliz como qualquer uma
das outras pessoas.
Como contribui o desporto para o
bem-estar de um portador de paralisia cerebral? Que tipos de desportos podem praticar os portadores de paralisia cerebral?
O desporto, mas quando digo desporto posso incluir a atividade física em si, não quer dizer que seja
desporto de competição, se vamos
para um ginásio, ou se vamos correr com amigos, em recriação, tudo
isso é atividade física, está englobado no desporto, contribui para o
bem-estar de todas as pessoas. Nós
todos gostamos de ter sucesso, se

nós fazemos uma atividade desportiva e vamos começar sem ser a
competição com os outros, mas
competição connosco próprios, por
exemplo, hoje consigo esticar um
braço até a um certo sitio, daqui a
três meses ainda mais, daqui a seis
já estico quase todo, isto dá motivação, sendo em termos de satisfação
pessoal. Depois em termos de competições, uma satisfação se ganharmos ou desilusão se perdemos e o
desporto ajuda a controlar as emoções e um domínio maior em termos psicológicos. Sendo assim, na
minha opinião que se justifica ainda
mais o desporto para as pessoas
com paralisia cerebral, porque para
além do bem que faz a qualquer
outra pessoa, permite ainda a ajuda
a desenvolver as suas capacidades e
ajuda o controlo emocional, e ajuda
no aspeto intelectual, pensar nas
jogadas ou nas próximas jogadas do
adversário, por tudo isso tem um
conjunto de fatores que são muito
positivos para a pessoa com paralisia cerebral. Quase todas as modalidades podem ser praticadas, a natação é muito importante, se uma
pessoa não consegue andar com a
cadeira manualmente, pois se praticar natação vai exercitar a capacidade cardiorrespiratória, faz com que
o coração trabalhe de forma mais
acelerada e bombear mais sangue e
refazer todo o sistema circulatório.
Temos o Boccia, o futebol em cadeira de rodas também, mas como é
praticado por outras pessoas sem
ser com paralisia cerebral que acabam por ter mais hipóteses muitos
deles ter sucesso, os que têm paralisia cerebral gostaria que tivessem
mais entusiamo em instituições

pelo pais fora, vamos tentar dar um
empurrãozinho para haver mais
pessoas a jogar. Há sempre hipóteses de fazer outras atividades, fazer
caminhadas, ou passeios por sítios
na cidade ou no campo que tenha
algum obstáculo para ganhar orientação.
Qual a modalidade mais praticada
por pessoas portadoras de paralisia cerebral?
Eu creio que é o Boccia, porque se
nós vamos por aquilo que conheço
em Portugal, sem dúvida é o Boccia, pelos atletas que temos inscritos. Noutros países eu vejo daquilo
que são as diversas modalidades
têm federações internacionais, há o
futebol para paralisia cerebral, mas
é só para independentes, nós cá em
Portugal temos 3 equipas com 30 a
40 jogadores a praticar, no Boccia
temos por volta de 300 a 400 jogadores.
A nível internacional tem centenas,
8 ou 9 praticantes em cada um deles. Eu diria que o Boccia e o futebol podem ter sucesso, porque são
as modalidades mais procuradas,
mas para jogar futebol em cadeira
de rodas elétrica é preciso dinheiro,
enquanto que no Boccia não é tanto.

“condições para ter uma
vida digna”

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MODALIDADES PRATICADAS POR
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
TRICICLETA
Tricicleta é uma modalidade desportiva realizada em pistas de atletismo. Destina-se exclusivamente a
pessoas com Paralisia Cerebral. Os
atletas correm utilizando os seus
pés, num equipamento semelhante
a uma bicicleta, mas com três rodas
e sem pedais.
Para participarem em competição,
todos os atletas têm de ser classificados segundo as normas determinadas pela CP-ISRA (Cerebral
Palsy International Sports & Recreation Association).Trata-se de uma
competição mista, sendo as provas
de 100, 200, 400 e 800 metros.

Classificação para a modalidade:
Classe 1 - RR1 - Atletas com atetose severa, espasticidade, ataxia, distonia ou quadriplegia mista.
Classe 2 - RR2 – Atletas com envolvimento moderado dos membros
superiores e tronco, com envolvimento moderado e severo dos
membros.
Classe 3 - RR3 - Atletas com ligeiro
a moderado envolvimento de um
ou de ambos os membros superiores, equilíbrio do tronco razoável a
bom, e moderado envolvimento
dos membros superiores.

A Tricicleta é um equipamento para correr/andar, que é constituído
por 1 roda dianteira (20” ou 21”), 2
rodas traseiras (24” ou 26”), 1 selim, 1 suporte de tronco plano e
anterior, guiador com ou sem travão de mão, direção dupla veio de
direção assistida.
Apesar de a APCC ter iniciado a
prática da tricicleta há pelo menos14 anos (em 1999 participou no
campeonato da Europa de atletismo
onde a modalidade esteve presente
e ganhou 2 medalhas de prata), a
modalidade acabou por ficar um
pouco esquecida. Em 2013, a modalidade voltou a ser implementada e
tem vindo a cativar atletas.

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N AT A Ç Ã O
A Natação foi uma das oito modalidades desportivas
praticadas nos primeiros Jogos Paralímpicos, em 1960,
em Roma, na Itália, e atualmente é uma das modalidades mais populares.
Trata-se de uma modalidade desportiva que tem reduzido impacto na estrutura óssea. A água facilita o movimento sem que seja necessário grande esforço. A sua
densidade elimina a força de gravidade, alivia a pressão
sobre as articulações que sustentam o peso do corpo,
auxilia no equilíbrio estático e dinâmico, propicia uma
maior facilidade na execução de movimentos. Em termos motores, a natação ajuda a aumentar a resistência
cardiovascular graças aos exercícios ininterruptos, bem
como a aumentar a flexibilidade e a amplitude das articulações, a melhorar a força e a resistência muscular.
Os competidores, quer masculinos, quer femininos,
classificados com base nas respetivas capacidades funcionais para a execução de cada estilo, põem à prova as
suas competências em eventos de estilo livre, costas,
mariposa, bruços e estilo misto. Os atletas podem ter
deficiência física, visual ou intelectual. Em resultado
disso, as regras da Federação Internacional de Natação
(FINA) foram modificadas para incluírem plataformas
de partida opcionais e partidas dentro de água para alguns atletas e o uso de sinais ou “avisadores”, no caso de
atletas com deficiência visual. Próteses ou dispositivos
auxiliares não são permitidos dentro da piscina.
Competição
Existem 10 classes.
As classes começam com a letra S (Swimming,
«natação» em inglês) e o atleta pode ter classificações
diferentes para o nado bruços (SB, Breaststroke) e o estilos (SM).
– S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – para nadadores
com limitações físico-motoras.
– S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13
– para nadadores com Deficiência Visual.
– S14, SB14, SM14 – para nadadores com Deficiência
Intelectual.
– S21 – para nadadores com Síndrome de Down.

Na APCC, são desenvolvidas atividades na água, desde
adaptação ao meio aquático, a aprendizagem, a manutenção e treino.

FUTEBOL EM CADEIRA DE
RODAS ELÉCTRICA
Power Soccer (Futebol em cadeira de rodas elétrica). É
onde duas equipas de quatro jogadores jogam com uma
bola bem maior que a de futebol. É uma questão de
igualdade, pois o futebol, que é o desporto mais popular
do mundo, possa ser acessível a todos, inclusive pessoas
com deficiência. O Futebol em cadeira de rodas elétrica,
também conhecido como Power Soccer é um desporto
coletivo que está em pleno desenvolvimento e que provoca muita adrenalina. É necessário o domínio de si
próprio, uma boa destreza de movimentos.
É um desporto competitivo para pessoas com deficiência que utilizam cadeiras de rodas elétricas. Pode ser
jogado num campo de basquetebol pois tem as mesmas
dimensões. Duas equipas de quatro jogadores usam cadeira de rodas elétricas equipadas com para-choques
frontal para atacar, defender e chutar uma bola de futebol adaptada, na tentativa de marcar golos.

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BOCCIA
O Boccia foi praticado durante muitos anos como atividade de lazer até ser apresentado nos Jogos Paralímpicos de Nova Iorque 1984 como desporto de competição.
É praticado em mais de 50 países por pessoas com paralisia cerebral ou condições neurológicas relacionadas
que implicam a utilização de cadeira de rodas.
Todos os eventos incluem homens e mulheres e apresentam competições individuais, de pares e por equipas.
O jogo consiste em quatro rondas nas provas individuais e seis rondas na competição por equipas. As provas
desenrolam-se numa superfície dura tendo como objetivo lançar as bolas do jogo de modo a que se aproximem
o mais possível de uma bola-alvo especial, chamada
“jack”.
Nos recentes Jogos do Rio 2016 competiram 106 atletas
em 14 eventos para medalha.

Classificação
Os jogadores podem ser classificados em quatro classes:
BC1: Atletas podem competir com o auxílio de assistentes, que devem permanecer fora da área de jogo do
atleta. O assistente pode apenas estabilizar ou ajustar a
cadeira do jogador e entregar a bola a pedido.
BC2: Os jogadores não podem receber assistência.
BC3: Para jogadores com características funcionais
mais limitadas, já que não conseguem lançar as bolas.
Para o lançamento das bolas os jogadores utilizam dispositivos auxiliares, calhas, capacetes com ponteiros e
são auxiliados sempre por um acompanhante que deve
manter-se sempre de costas para a área de jogo. Se esta
regra for quebrada o jogador sofrerá penalizações.
BC4: Para jogadores com outras deficiências locomotoras, mas que são totalmente autónomos relativamente
à funcionalidade exigida pelo jogo não podem receber
auxílio.

ANDEBOL
Andebol em cadeira de rodas é jogado por duas equipas
de 5 jogadores e 1 guarda-redes (números podem variar). O objetivo de cada equipa é marcar na baliza do
adversário e impedir a outra equipa de pontuar.
O andebol cadeira de rodas deverá basear-se no espirito
de Fair Play.
O campo tem medidas idênticas às medidas oficiais de
andebol: 40 metros de comprimento e 20 metros de largura, mas podem ser ajustadas de acordo com as circunstâncias dadas.
Tempo de jogo
Recomenda-se utilizar duas metades de 20 minutos ou
menos. Os jogadores têm de usar as mãos para mover-se
com a sua cadeira de rodas, que é um “acessório” adicional e isso tem de ser considerado em relação ao tempo
de jogo. Para as equipas juvenis o tempo de jogo será
reduzido. O intervalo de jogo será de 10 minutos. Cada
equipa tem o direito de receber um 1 minuto de tempo
técnico em cada metade do tempo de jogo regular. A
equipa solicitando um tempo técnico deve estar na posse de bola.

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A bola
As bolas devem corresponder às regras da IHF
(International Handball Federation). Para facilitar o
controlo da cadeira de rodas e da bola, são recomendados tamanhos:
Idosos (mais de 16 anos de idade) - Tamanho 2: 5456cm e 325-375g (medições da IHF)
Juniores (até 16 anos) - Tamanho 1: 50-52cm e 290330g (medições da IHF)

Sistema de Classificação Funcional
Provas de Pista (Track) – corridas de velocidade e
fundo
- T11 a T13 – Deficientes Visuais;
- T20 – Deficientes Intelectuais
- T31 a T38 – Paralisia Cerebral (31 a 34 – cadeiras de
rodas; 35 a 38 – ambulantes);
- T41 a T46 – Amputados;

Nota:
Ao iniciar-se com a cadeira de rodas no andebol, uma
bola macia pode ser usada para se familiarizar com o
manuseio da cadeira.

- T51 a T54 – competem em cadeiras (sequelas de Poliomielite, lesões medulares e amputações).
Provas de Campo (Field) – lançamentos e saltos
- F11 a F13 – Deficientes Visuais;
- F20 – Deficientes Intelectuais;
- F31 a F38 – Paralisia Cerebral (31 a 34 – cadeiras; 35 a
38 – ambulantes);
- F40 – Anões;
- F41 a F46 – Amputados;
- F51 a F58 - competem em cadeiras (sequelas de Poliomielite, lesões medulares e amputações).

AT L E T I S M O
As primeiras competições oficiais para atletas com deficiência aconteceram no ano de 1952 em Stoke Mandeville (ING), com corridas de cadeiras de rodas nos Jogos
realizados para veteranos da Segunda Guerra Mundial.
Jogos Paralímpicos
A modalidade está no programa paralímpico desde a
primeira edição dos Jogos – Roma 1960. Ao longo dos
anos, novas classes foram criadas para que homens e
mulheres com diversos tipos e graus de deficiência pudessem competir, assegurando uma competição justa e
equilibrada.
Eventos
- Pista (track) – corridas de curta, média e longa distancias, estafetas e maratona;
- Campo (field) – saltos e lançamentos.

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BASQUE TEBOL
O Basquetebol em Cadeira de Rodas foi inicialmente
desenvolvido por veteranos da Segunda Grande Guerra
nos E.U.A. em 1945. Na mesma altura, Sir Ludwig Guttmann desenvolveu um desporto semelhante, Netball em
Cadeira de Rodas, no Hospital de Reabilitação de Deficientes da Espinal Medula, em Stoke-Mandeville.
Desde então o desporto expandiu-se por todo o mundo,
foi apresentado a nível mundial nos Jogos Paralímpicos
de Roma 1960 e atualmente é praticado em quase 100
países. Está concebido para atletas com uma deficiência
física que impeça de correr, saltar e girar.
Homens e mulheres jogam em equipas de cinco jogadores cada e as medidas do campo e a altura dos cestos são
iguais às do basquetebol para não-deficientes.

Classe Desportiva 4.5:
Os jogadores desta classe desportiva têm a deficiência
mínima elegível e não têm restrições na rotação do
tronco ou na inclinação para a frente ou para os lados.
Os jogadores com amputação do pé ou uma diferença
de 6 cm no comprimento das pernas são elegíveis para
esta classe desportiva. Aos atletas podem também ser
atribuídas as classes desportivas 1.5, 2.5 ou 3.5. O perfil
de atividade destas pontuações intermédias encaixa entre os perfis da classe inferior e da classe superior.

Classes desportivas:
Os jogadores de Basquetebol em Cadeira de Rodas são
incluídos numa de oito classes desportivas de 1.0 a 4.5.
A Classe desportiva 1.0 descreve a limitação de funcionalidade mais significativa.
Classe Desportiva 1.0:
Os jogadores da classe desportiva 1.0 não têm controlo
do tronco e, portanto, não conseguem dobrar-se para a
frente ou para os lados ou rodar para agarrar e passar a
bola. Para manterem uma posição estável o encosto da
retaguarda da cadeira de rodas é um pouco mais alto e
os atletas são presos com correias à cadeira.
Classe Desportiva 2.0:
Estes jogadores podem inclinar-se para a frente e, até
certo ponto, rodar o corpo, o que lhes permite agarrar a
bola dentro de um raio maior. Tal como nos colegas de
equipa da classe 1.0, as cadeiras de rodas têm umas costas mais altas e correias para suportar o tronco.
Classe Desportiva 3.0:
Este perfil descreve os jogadores cujo controlo do tronco lhes permite rodar totalmente e inclinar-se para a
frente, mas não lhes permite inclinar-se para os lados.
Uma vez que, sentados, precisam de apoio, as cadeiras
de rodas têm costas mais baixas.
Classe Desportiva 4.0:
Enquanto os jogadores 4.0 podem mover-se para a frente e rodar de modo análogo aos companheiros de equipa da classe desportiva 3.0, eles podem também inclinar
-se parcialmente para os lados. Muitas vezes os jogadores desta classe desportiva conseguem inclinar-se apenas
para um dos lados, por exemplo, por causa de uma deficiência numa das pernas, a qual provoca a perda do
equilíbrio relativamente ao outro lado.

EQUI TAÇÃO
A Equitação tornou-se parte dos Jogos Paralímpicos
pela primeira vez em 1996 em Atlanta. Está aberta a
atletas com qualquer tipo de deficiência física ou visual.
Os eventos incluem homens e mulheres, que se agrupam em conformidade com os respetivos perfis funcionais.
Os atletas podem competir em provas de dressage, prova de campeonato de movimentos obrigatórios e uma
prova de estilo livre com música. Há também uma prova por equipas que implica três a quatro membros.
Os cavaleiros são avaliados pela destreza revelada na
equitação e podem usar dispositivos tais como chibatas
de dressage, barras de ligação de rédeas, bandas de borracha e outros auxiliares.
Nos Jogos do Rio 2016 competiram 76 atletas em 11
eventos para medalha.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 13

FUTEBOL 5
O Futebol 5 estreou-se nas
Paraolimpíadas nos Jogos de Atenas, em 2004, e está
aberto a atletas com deficiência visual.
Cada equipa é constituída por cinco jogadores e o jogo
dura 50 minutos. As regras são semelhantes às da modalidade destinada aos praticantes não deficientes, com
algumas modificações. A bola produz ruído quando se
move e todos, com exceção do guarda-redes, têm os
olhos vendados para garantir a igualdade de condições.
O guarda-redes pode ser visual e agir como guia durante o jogo. Também as medidas do campo são menores e
não existe a regra do fora-de-jogo.
Nos Jogos do Rio 2016 competiram neste desporto 80
atletas.

ESGRIMA
A Esgrima em Cadeira de Rodas foi desenvolvida
por Sir Ludwig Guttmann no Hospital de StokeMandeville e a apresentação mundial foi nos Jogos Paralímpicos de Roma 1960.
Homens e mulheres com amputações, lesões na espinal
medula e paralisia cerebral são elegíveis para competirem em eventos de florete, espada (homens e mulheres)
e sabre (homens). As cadeiras de rodas são presas ao
solo durante a competição.

GOALBALL
O Goalball foi criado em
1946 num esforço para reabilitar veteranos deficientes
visuais provenientes da Segunda Grande Guerra. Em
1976 foi apresentado ao mundo nos Jogos Paralímpicos
de Toronto.
Este desporto, exclusivamente destinado a atletas com
deficiência visual, consiste em dois meios-tempos de 12
minutos cada e os atletas evoluem no recinto de jogo
com os olhos vendados.
O objetivo do jogo é fazer rolar a bola para dentro da
baliza adversária enquanto os jogadores oponentes tentam bloquear a bola com o corpo. Guizos existentes no
interior das bolas ajudam a orientar os jogadores, indicando-lhes a direção do avanço da bola. Por isso, durante a realização do jogo, exige-se silêncio absoluto no
local, para que os jogadores possam reagir instantaneamente à bola.

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JUDO
O Judo, que começou como atividade das artes marciais
para exercitar a mobilidade, foi incluído como desporto
de competição nos Jogos Paralímpicos pela primeira vez
em Seul, em 1988. Nos jogos de Atenas 2004 foram incluídas pela primeira vez as categorias de peso femininas.
O desporto está aberto a atletas com deficiência visual
agrupados em várias categorias, conforme o peso. Os
recontros duram cinco minutos e ganha o atleta que
obtiver a pontuação mais alta.
Nos jogos do Rio 2016 competiram 131 atletas em 40
eventos para medalha.

H A LT E R O F I L I S M O
O halterofilismo é a prova decisiva da força da parte
superior do corpo e por vezes podemos ver atletas a levantar mais do triplo do seu próprio peso.
Está aberto a todos os atletas com paralisia cerebral,
lesões na espinal medula, amputação de membros inferiores e do grupo “Les Autres”, desde que satisfaçam os
critérios mínimos de deficiência.
O levantamento supino é a única disciplina deste desporto, com 10 categorias diferentes, baseadas no peso
do corpo. Os competidores têm de baixar a barra até ao
peito, sustentá-la sobre o peito sem se moverem e, depois, levantá-la a toda a altura dos braços erguidos e de
cotovelos imobilizados. Os atletas têm três ensaios e
ganha o atleta que levantar o peso maior.
A modalidade é governada pelo IPC e coordenada pelo
Comité Técnico do IPC para o Halterofilismo.

CA NOAGEM
A Canoagem foi incluída nos Jogos Paralímpicos, pela
primeira vez, no Rio de Janeiro em 2016.
A modalidade é exatamente igual à canoagem regular e
permite que os atletas com deficiência física de todos
níveis pratiquem este desporto.
O sistema de classificação baseia-se na capacidade funcional dos atletas para pagaiar e para aplicar força na
tábua de apoio dos pés, ou no assento, para impelir a
embarcação.
Há atualmente oito eventos diferentes, mas com a continuação do desenvolvimento da modalidade mais eventos serão considerados.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 15

CICLISMO
O ciclismo começou por ser praticado por ciclistas deficientes visuais que competiam utilizando bicicletas de
tandem e foi introduzido como desporto paralímpico
em Seul em 1988.
Atualmente, além de atletas deficientes visuais, o desporto inclui pessoas com paralisia cerebral, amputações
e outras deficiências físicas. Os atletas correm em bicicletas, triciclos, tandem ou bicicletas manuais, conforme a deficiência.
O programa de competições inclui provas de velocidade, perseguições individuais, o contra-relógio de 1000
metros, corridas de estrada e provas de estrada contrarelógio individuais e por equipas.
Nos Jogos do Rio 2016 competiram 122 atletas em 28
eventos para medalha em pista e 228 atletas competiram em 33 eventos para medalha em estrada.

SURF
A SURFaddict nasceu de um projeto, criado em 2009
chamado “Estado Líquido”. Fundada em 16 de Maio de
2012, a SURFaddict - Associação Portuguesa de Surf
Adaptado é a primeira associação de surf adaptado da
Europa. Criada por um grupo de amigos entre os quais
Nuno Vitorino, um antigo nadador paralímpico.
Empenhados em transformar a modalidade num desporto para todos, e fazer com a que a deficiência, ou a
cadeira de rodas, não sejam um impedimento para que
qualquer pessoa possa sentir as ondas.
A SURFaddict pretende criar um movimento à escala

nacional e quem sabe à escala europeia que permita às
pessoas com deficiência desfrutarem do mar, baseandose num princípio simples: dar formação às escolas de
surf e criar entre a comunidade surfista, um grande
movimento de voluntários. A associação tem como fim
a defesa dos direitos dos praticantes com mobilidade
reduzida no acesso às praias e aos desportos de ondas,
nas áreas da competição, recriação, desenvolvimento,
ações de sensibilização, divulgação e proteção do ambiente, bem como a promoção nacional do surf junto daqueles praticantes.
A sua missão: Trazer à praia pessoas portadoras de deficiências físicas ou outras, para que, com o apoio de
monitores com competências específicas, possam desfrutar da boleia das ondas.
A SURFaddict pretende mudar mentalidades, tornar
mais ténue a barreira da exclusão e estreitar relações
(espírito de grupo), proporcionar bem-estar físico e
mental e contribuir para o reforço da autoestima.

16 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

JÚLIA
SANTOS

FISIOTERAPEUTA—QUINTA DA CONRARIA—ASSOCIAÇÃO DE PARALISIA CEREBRAL DE
COIMBRA

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 17

- O que é a paralisia cerebral? Como descreveria esta patologia a pessoas que nunca tiveram contato com a mesma?
A paralisia cerebral é uma perturbação não progressiva do movimento e da postura, devido à lesão cerebral ocorrida
num período precoce do desenvolvimento do cérebro (no útero e até aos cinco anos). Não é hereditária e nem transmissível.
- Existem vários tipos de paralisia cerebral? Quais são?
Existem três grandes grupos:
Espástica – caracterizada pela rigidez muscular e dificuldade no movimento.
Disquinésia – caracterizada por movimentos atípicos e involuntários.
Atáxica – caracterizada por sensação de desequilíbrio e perceção de profundidade.
- O que pode provocar a paralisia cerebral?
Infeções congénitas (toxoplasmose; rubéola; entre outros) que ocorrem durante a gravidez. Privação de oxigénio grave ao cérebro, durante o trabalho do parto. Traumatismo grave.
- Como se manifesta esta patologia?
Algumas crianças têm perturbações ligeiras, quase impercebíveis, que as tornam desajeitadas, pouco harmoniosas a
andar, falar ou em tarefas manuais.
Outras, gravemente afetadas, com incapacidade motora grave, impossibilitadas de andar e falar, e dependentes em
todas as atividades da vida diária.
- Como contribui a fisioterapia para o bem-estar de um portador de paralisia cerebral?
O que vou descrever aplica-se aos portadores de paralisia cerebral a partir dos dezasseis anos, pois só com essa idade
é que são inseridos na Quinta da Conraria.
Alívio da dor e promoção do bem-estar físico. Facilitação do movimento. Promoção da mobilidade. Promoção da
autonomia e conforto através de produtos de apoio. Ajudamos a aceitar as caraterísticas individuais de cada um. Desenvolvemos estratégias no sentido de minimizar os efeitos naturais do envelhecimento. Prevenção e manutenção da
condição cardiorrespiratória (uma das comorbidades mais frequente das pessoas com paralisia cerebral). Aconselhamento e apoio à família/cuidadores relativamente às características e necessidades das pessoas com paralisia cerebral.
Promovemos a inserção/integração social e profissional.

“Prevenção e manutenção
da condição cardiorrespiratória”

18 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra
Catarina Marques Rodrigues
Jornalista no jornal O Observador

Opressão, pobreza e exclusão social. Há deficientes alvo de crimes de ódio, como abuso sexual e escravização. Qual é
a situação das pessoas com deficiência em Portugal?
Pressão nas famílias, pobreza, falta de inclusão, barreiras físicas e sociais por resolver. Fernando Fontes diz que somos mais condescendentes com quem “fica deficiente” do que com
quem “nasce deficiente”; sublinha que vemos a deficiência como uma sentença de morte e
refere que só quando temos de andar com um carrinho de bebé num pavimento desnivelado
é que percebemos as dificuldades de uma pessoa em cadeira de rodas.
O sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, especialista em políticas de deficiência e crimes de ódio contra pessoas com deficiência, é o autor
do ensaio “Pessoas com deficiência em Portugal”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em entrevista ao Observador, conta tudo o que viu e aprendeu sobre a deficiência.
No livro fala numa tríade de fenómenos ligados à
deficiência: opressão, pobreza e exclusão social. A
deficiência nunca vem sozinha?
Muito dificilmente. Os recentes estudos dizem que
existe uma forte ligação entre a deficiência e estes fenómenos. A opressão e a falta de inclusão têm a ver a forma como as pessoas com deficiência são vistas na sociedade portuguesa. São vistas como sendo inativas e
como não tendo capacidade de trabalho. O seu corpo é
perspetivado como um objeto estranho.
E a parte da pobreza? São pessoas que têm muitos
gastos e, ao mesmo tempo, têm poucas possibilidades
de arranjar emprego?
Exatamente. Têm custos acrescidos porque vivem em
sociedades que não estão abertas à diferença, com
constantes barreiras à participação e à mobilidade. Os
subsídios são mínimos. O subsídio mensal vitalício,
para pessoas com mais de 24 anos, é de 176,76€. Alguém consegue viver neste país com este valor? Há
despesas médicas acrescidas, há despesas de deslocação
que é preciso ter em conta, uma vez que os transportes
públicos muitas vezes não são acessíveis a estas pessoas. E mais: há que ter em conta o custo de ter um elemento da família a despender imenso tempo com
aquela pessoa.
A família pode sofrer tanto ou mais que a pessoa
com deficiência?
Sim, até porque muitas das consequências abatem-se
sobre a família. O que eu verifiquei na minha investiga-

ção é que, no caso das crianças, a grande maioria das
mães acaba por deixar o posto de trabalho ou por perdê-lo. Ter uma criança com deficiência significa levá-la
muitas vezes à terapia e ter consultas médicas que podem durar uma manhã inteira ou um dia inteiro.
Aquela mãe perde
26.300€
uma manhã inteira
de trabalho para estar Estima-se que um agregado
familiar que tenha uma pessoa
ali. Isto tem um imcom deficiência tenha um custo
pacto direto na sua
adicional por ano de 5100 a
vida profissional e
26.300 euros.
depois, quando é alCentro de Estudos Sociais da
tura da renovação do
Universidade de Coimbra
contrato, isso não
acontece. Ou então acaba por deixar o seu local de trabalho, uma vez que não confia nos serviços de saúde
para tomar conta do filho, ou sente-se responsável e
acaba por ficar em casa a tomar conta dele.
Os pais têm medo do que vai acontecer aos filhos depois de morrerem?
Sim, sem dúvida. Têm pânico de morrer. Pensam muito no que vai acontecer aos filhos. Por isso é preciso
dar ferramentas às pessoas com deficiência para que
elas se autonomizem e para retirar alguma pressão das
famílias.
E como é que isso se faz?
Estamos a dar passos importantíssimos em Lisboa com
o projeto “Vida Independente”, financiado pela Câmara Municipal de Lisboa.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 19
Foi constituído um Centro de Vida Independente
(CVI) que tem funcionários que são assistentes pessoais das pessoas com deficiência e que as ajudam nas
tarefas do dia-a-dia, como a higiene pessoal, o vestir,
acompanhar ao trabalho, acompanhar à universidade,
preparar refeições, e tudo o que aquela pessoa não consiga fazer sozinha. É preciso fazer uma avaliação às
competências das pessoas com deficiência, para determinar o número de horas de assistência que necessitam. E depois são essas pessoas que pagam ao assistente pessoal, com o dinheiro do projeto. E podem recrutar, treinar e gerir o seu assistente, sem a mediação de
terceiros.
O que é que isto vai fazer? Vai autonomizá-las das suas
famílias. Vai dar-lhes as rédeas da sua vida e das suas
decisões. Isto não significa que estas pessoas venham a
ser independentes, até porque nenhum de nós é totalmente independente. Todos nós somos dependentes
de um conjunto de coisas: de tecnologias, de eletricidade, de água… Isto significa, sim, que estas pessoas têm
um apoio para poderem funcionar na sociedade. A
ideia é que depois o projeto seja implementado em
outros municípios.
Ainda sobre a família. Também há algumas que se
separam por causa da deficiência, certo?
Sim, sobretudo em casos de deficiência adquirida. Por
exemplo, eu estive envolvido num projeto de pessoas
com lesão medular, que é uma lesão que pode acontecer por causa de um acidente ou por infeção na espinal
medula. É uma coisa repentina — uma pessoa tem
uma vida sem qualquer incapacidade e, de um momento para o outro, fica paraplégica ou tetraplégica.
Isto depois tem um impacto muito grande nas relações
dos casais. Muitas vezes as pessoas acabam por se divorciar, porque há uma “deserotização” da relação.
Um dos elementos do casal transforma-se num prestador de cuidados ao outro. E tem sempre o peso todo
sobre si. É uma pressão enorme.
No livro diz que somos mais condescendentes com a
deficiência adquirida do que com a deficiência de
nascença. Porquê?
É uma postura que já dura há séculos. Há visões diferentes. No caso da diferença congénita, basta falarmos
com pessoas de mais idade. Trabalhei com crianças dos
0 aos 6 anos com deficiência visual, que nasceram assim, e fiz a minha tese de mestrado em políticas de
apoio a famílias de crianças com deficiência visual. Nas
entrevistas era recorrente ouvir pessoas a dizer: “Ai,
valia mais que Deus o levasse!”. Ou seja, valia mais que
tivesse morrido, que não tivesse nascido. Isto é uma
coisa que magoa muito os pais e que muita gente diz. A
ideia de vida humana que está aqui, sobre o que é ou
não viável, é absolutamente terrível.

Por outro lado, quando a deficiência é adquirida num
momento da vida, há mais condescendência. Em termos históricos, as crianças com deficiência eram abandonadas para morrerem, mas se fosse uma deficiência
adquirida em resultado da guerra já havia médicos para tratar — na altura das Cruzadas, foram criados abrigos para homens que cegaram. A grande maioria dos
direitos que as pessoas com deficiência hoje têm em
Portugal, ao nível da Segurança Social, foram estabelecidos após o 25 de abril. Estes direitos foram para os
deficientes das Forças Armadas — os militares que lutaram na Guerra Colonial e que regressam a Portugal.
Isto ajudou a criar alguma consciência política da sua
situação.
No livro fala em “crimes de ódio” contra deficientes.
Não é um pouco estranho usar esta expressão aqui?
Porque é que associamos mais um “crime de ódio”
ao racismo, por exemplo?
Bom, historicamente os crimes de ódio surgem ligados
aos crimes de racismo, de xenofobia ou até da homofobia. Mas percebo a questão. Para nós, no caso das pessoas com deficiência, é um pouco inconcebível: “Como
é que as pessoas podem odiar as pessoas com deficiência?”. Mas é assim. Um crime de ódio contra uma pessoa com deficiência é um crime cometido com base no
preconceito. Os agressores têm um conjunto de ideias
sobre estas pessoas que as leva a atacá-las, a assaltá-las
e a violá-las.
O abuso sexual e a violação são os principais crimes
cometidos contra estas pessoas em Portugal, certo?
Sim, são sobretudo crimes de abuso sexual e violação.
As vítimas são mulheres entre 20 e 30 anos com dificuldades de aprendizagem e deficiência mental. Porque
é que estes homens abusam destas mulheres? Porque
existe a noção de que estas mulheres não são testemunhas credíveis e de que elas não vão dizer a ninguém o
que está a acontecer, porque ninguém vai acreditar
nelas. As vítimas até podem contar, mas ninguém acredita no que elas dizem. Depois, por cá, também há casos de escravização. Lembro-me de um caso de uma
família no Norte que escravizou um afilhado durante
20 anos. Utilizavam-no para trabalhar na agricultura,
ele vivia numa barraca ao lado da casa da família, comia os restos que sobravam da própria família. Noutros países, como por exemplo em Inglaterra, os crimes
têm outra natureza. Lembro-me do caso de uma senhora que tinha uma filha com deficiência intelectual e
que foi atacada durante anos pelos jovens da comunidade. Anos a fio. Partiam-lhe os vidros, atiravam lixo
para o jardim, pegavam fogo às árvores, destruíam-lhe
as janelas. Ela ligava para a polícia e nada foi feito. Um
dia, ela acaba por se suicidar. Vai para um beco, leva a
filha dela, pega fogo ao carro e mata-se a ela e à filha.

20 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

Vamos às barreiras que ainda existem em Portugal.
Ainda estamos na questão das rampas?
Ainda há imensas barreiras físicas, que se veem no dia-a
-dia: as escadas que não têm rampas (ou que as têm mas
que não respeitam as normas de inclinação), os elevadores que não têm a largura suficiente para uma pessoa em
cadeira de rodas… Mas depois temos as barreiras psicológicas, que são as que têm a ver com o preconceito: as
ideias preconcebidas sobre a pessoa com deficiência e
sobre o seu corpo.
É como se se ficasse inútil?
Sim. Para já, olhamos para a deficiência como uma tragédia que acontece na vida daquela pessoa. E isso tornaa incapaz de trabalhar, incapaz de tomar conta da sua
vida, incapaz de constituir família, incapaz de ter sexualidade. Incapaz de ter uma vida igual a qualquer outra
pessoa. E isso não é verdade. Nós nem reparamos neste
tipo de barreiras até passarmos por uma situação dessas.
E isto verifica-se sobretudo na questão das barreiras físicas.
Por exemplo?
Olhe, você só repara que o piso não está em condições
para uma pessoa em cadeira de rodas se tiver de circular
numa cidade com um carrinho de bebé. É a primeira
vez que se depara com isto. Agora imagine alguém que
vive isto todos os dias. Naquele projeto que tivemos
aqui no Centro de Estudos Sociais, que se chamava “Da
lesão medular à inclusão social”, analisámos todo o processo de reabilitação médica, de estabilização e depois a
reintegração na comunidade daquelas pessoas. Um entrevistado, que tinha estado no centro de Alcoitão, disse
-nos: “Aquilo lá era um paraíso, era a terra prometida.
Não há barreiras ali. Eu até me esquecia que sou uma
pessoa com deficiência. Quando chego cá fora a um sítio
e tenho umas escadas, há imediatamente um sininho a
tocar a dizer: ‘Eu sou uma pessoa com deficiência'”.
Mas o que é que impede a integração plena das pessoas com deficiência?
As nossas sociedades são herdeiras de uma cultura que
nunca foi simpática para as pessoas com deficiência. As
nossas bases estão na Grécia e na Roma antiga, que
eram sociedades muito centradas na perfeição do corpo
e do culto da beleza. A deficiência era absolutamente
excluída. As crianças com deficiência nas sociedades
gregas e romanas eram expostas e colocadas ao abandono em grutas, prestes a morrerem. Martinho Lutero dizia que as crianças com deficiência eram uma massa de
carne quase sem alma e que valia mais deixá-las morrer.
A própria Bíblia tem algumas noções da deficiência como forma de pecado e de impureza.

Mas a Igreja também está ligada à caridade e à ajuda
aos deficientes.
Sim, a questão da caridade ainda prevalece na nossa sociedade. A moral judaico-cristã ainda nos molda muito.
A Bíblia tem essas duas visões: a visão penalizadora da
deficiência e a visão da caridade com os deficientes. Ao
longo do tempo, a Igreja foi tendo um apoio importantíssimo a estas pessoas. Os primeiros abrigos, os primeiros hospitais, faziam parte da Igreja Católica.
Os Jogos Paralímpicos 2016 estão a terminar. Que
efeito tem um evento destes na valorização das pessoas com deficiência?
Dão visibilidade. Dão voz e imagem às pessoas com deficiência. Se não tivéssemos os Paralímpicos, se calhar
grande parte dos artigos da comunicação social sobre as
histórias destas pessoas não saíam. Depois, integra estas
pessoas no desporto. Existem desportos específicos para
pessoas com deficiência e são pessoas que não iriam
competir em pé de igualdade com pessoas sem deficiência.Mas a questão do “herói” também pode ser complicada. Uma vez, uma senhora de uma direção de uma
instituição perguntou-me: “Porque é que será que, para
que a sociedade nos valorize, temos de ser os melhores
em tudo aquilo que fazemos?” Na altura, eu percebi que
aquele pensamento era uma forma de opressão social.
Têm de ser os melhores porquê? A pessoa com deficiência tem de ser muito boa naquilo que faz para parecer
que nem tem deficiência. Para mostrar que não é igual
às outras pessoas com deficiência. Só aí é que ela é valorizada. É uma questão que merece cuidado.
No livro tem esta frase: “O aumento da esperança média de vida, os avanços da medicina e o envelhecimento da população transformaram cada ser humano numa potencial pessoa com deficiência”. Isto é um pouco assustador, não?
É, mas é a mais pura realidade. É um despertar para todos os nós. Tudo aquilo que nós fizermos para o bemestar e para a qualidade de vida das pessoas com deficiência, pode influenciar-nos a nós também. Um acidente
de carro, uma infeção, uma doença súbita. Todos nós
podemos vir a ser pessoas com deficiência.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 21

O Natal está a chegar!
Eis-nos de novo numa altura
Muito especial
É isso mesmo: estamos no Natal!
Esta festa significa
Que devemos dar e receber,
e celebrar o Deus menino
Acabado de nascer.
Acabado de nascer,
para o Natal festejar.
Eis de novo chegada a altura
de O homenagear.
Na Terra não devia
Haver algo como a guerra.
Como tal não é possível,
este Natal só queria que fosse inesquecível.
A melhor prenda que poderiam colocar no meu cabaz
era fazer a guerra acabar.
E nisto Reinar
“A PAZ“

22 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

CURIOSIDADES
O Campeonato do Mundo é o evento desportivo mun-

como o homem que criou a Copa do Mundo, um visio-

dial que mais atrai a atenção das pessoas. Os fãs de fute-

nário do futebol que reuniu as melhores seleções de fu-

bol acompanham o campeonato com entusiasmo e os

tebol do mundo para lutar pelo título de campeão mun-

jogos movimentam milhares de milhões de dólares de

dial da modalidade.

quatro em quatro anos.
O primeiro Campeonato do Mundo da história teve a
O Campeonato do Mundo FIFA foi criado pelo fran-

participação de Uruguai, Argentina, Bolívia, Brasil, Chi-

cês Jules Rimet, ex-presidente da organização. É por

le, Paraguai, Peru, Bélgica, França, Iugoslávia, Roménia,

isso que, até hoje, o troféu que serve como um dos

México e Estados Unidos.

prémios da competição recebe o nome do francês.

O primeiro campeonato mundial de futebol aconteceu em 1930, no Uruguai. Essa primeira edição contou com a participação de treze países. A final desse
campeonato mundial foi realizada pelas seleções nacionais do Uruguai e da Argentina. O primeiro Campeonato do Mundo foi vencido pelo Uruguai por 4 a 2.

O Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA começou
a ser planeado em 1928. Durante um congresso da entidade, o então presidente Jules Rimet aprovou a criação
de um torneio internacional. O sucesso da competição
foi tão grande que o evento se tornou uma referência do
calendário desportivo internacional, reunindo multidões de quatro em quatro anos para torcer por suas seleções nacionais.
O francês Jules Rimet marcou o seu nome na história da
FIFA (Federation International Football Association)

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 23

A invenção da

tém os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais da

bússola revoluci-

Terra. Esse objeto conta ainda com uma agulha magné-

onou a história da

tica, que é atraída pelo magnetismo da Terra.

humanidade e

Graças à invenção da bússola, o homem deu início às

deu ao homem a

grandes navegações. Com a ajuda do aparelho, os espa-

possibilidade de

nhóis e portugueses conseguiram se aventurar pelos

explorar um

mares e colonizar diversas regiões da América.

mundo novo.

Antes da invenção oficial da bússola, no entanto, o ho-

Tudo começou

mem antigo já contava com um dispositivo semelhante,

com a descoberta da agulha magnética, que era atraída

que teria sido inventado em 2000 a.C., pelos chineses.

para a direção dos polos do planeta Terra.

A bússola é eficiente graças a grande quantidade de fer-

A bússola foi inventada e aperfeiçoada por Flávio Gióia,

ro derretido que existe no interior da Terra. Esse ferro

em Amalfi, na Itália, no ano de 1280. Segundo relatos

funciona como um imã, que atrai a agulha magnetizada

históricos, o inventor teria usado uma caixa para colo-

da bússola.

car a rosa-dos-ventos com elementos de magnetismo.
A bússola tem a referência da rosa dos ventos, que con-

É comum vermos cavalos com ferraduras nas patas. Essa peça é colocada para proteger o casco dos animais.
A ferradura foi inventada por volta do século 10, quando os homens viram a necessidade de proteger os equinos. A
ferradura surgiu no formato de sandálias feitas de grama trançada.
Em seguida, o líder mongol, Genghis Khan, passou a utilizar a ferradura de couro, que durava mais tempo e tinha
mais poder de fixação ao casco. Mais tarde, os gregos evoluíram a invenção e criaram a hipo-sandália, feita de chapas
de ferro presas com tiras de couro.
Atualmente, as ferraduras apresentam design e material ortopédicos e corretivos. As ferraduras modernas são feitas
de alumínio leve, aço e alumínio.
Essas placas de ferro ajudam a preservar os cacos e evitar
problemas para o animal. A ferradura evita defeitos de
formação do casco e reduz irregularidades da marcha.

24 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

A NASA, Agência Espacial Norte-Americana, teria con-

danos significativos em caso de impacto. Até agora, o

firmado que um asteroide gigante estaria em curso de

que se sabe é que o asteroide 86666 é certamente um

encontro com a Terra num futuro próximo. O corpo

objeto grande, que vai chegar perto de Terra, mas não

estaria se movimentando pelo espaço a uma velocidade

perto o suficiente para causar qualquer dano.

de 40.000 milhas por hora (64.374 km/h).
A NASA usa seu sistema de monitoramento de colisão
Chamado de asteroide 86666, ele deve passar fora da

altamente automatizado, chamado de Sentry, para digi-

órbita da Terra. Contudo, os teóricos da conspiração

talizar continuamente o catálogo de asteroides e as pos-

ficaram confusos com o anúncio, e temem que este aste-

sibilidades de futuro impacto com a Terra nos próximos

roide se aproxime demais do nosso planeta. De acordo

100 anos. Para aqueles que estão preocupados com o

com uma profecia, quando um asteroide gigante esti-

futuro, vai uma notícia boa: fique tranquilo por mais 23

vesse previsto para se aproximar da Terra, ele poderia

anos, pois o próximo grande objeto observado recente-

até não bater no planeta, mas traria morte e destruição.

mente em rota com a Terra é o RN35 2015, que está
atualmente projetado para chegar relativamente perto

A NASA agiu de maneira incomum ao confirmar que

da Terra entre os anos de 2038 a 2114.

um asteroide gigante está sendo arremessado através do
espaço em alta velocidade, com capacidade de chegar

Nenhum dos milhares de objetos no sistema de monito-

perto de Terra. Normalmente, a agência mantém esse

ramento de risco da NASA é considerado como suscetí-

tipo de informação em sigilo para não causar pânico.

vel de impacto com a Terra num curto prazo. Atualmente, todas as possíveis ameaças estão classificadas

Os pesquisadores ainda não foram capazes de confirmar
o tamanho exato do asteroide, mas acredita-se que ele
tenha uma massa colossal de movimento rápido, podendo apresentar uma largura de até 1,6 milhas.

De acordo com a NASA, o asteroide foi descoberto pela
primeira vez há 5925 dias, ou 16 anos. Ele foi classificado
como um asteroide Near-Earth, ou seja, cuja órbita cruza a órbita da Terra.

Esse asteroide é semelhante ao Apollo 1862, que foi
classificado como um objeto potencialmente perigoso,
que tinha o potencial para fazer abordagens perto da
Terra e um tamanho grande o suficiente para causar

como risco zero.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 25

Hoje em dia, mediante as grandes promoções das em-

A aeronave que realiza tal proeza é um Boeing 787-9

presas aéreas, é algo comum viajar de avião, chega a ser

Dreamliner da empresa Vietnam Airlines, tal decola-

até mais barato do que algumas viagens de autocarro ou

gem pode ser vista durante uma exibição de um Show

de carro, sem mencionar no conforto e também na ve-

Aéreo que aconteceu em Paris. Tal novidade chamou

locidade, lugares que chegaríamos depois de, oito ou

atenção de todos os presentes e os vídeos gravados

nove horas de estrada, é possível chegar em simples

acabaram se tornando virais pela internet, afinal de

quatro horas de voo.

contas, alçar voo verticalmente, até hoje era exclusividade apenas dos foguetes.

Claro, não podemos descartar que algumas pessoas tem

Algo que a grande empresa americana provou não ser

medo de viajar de avião, algo bem comum, principal-

mais algo exclusivo, a subida desta maneira cria uma

mente quando é a primeira vez, depois dessa, a única

energia acentuada de arrasto que vai contra a aerodinâ-

sensação que realmente acabamos esperando é o mo-

mica das aeronaves, tornando-as mais pesadas e com

mento da descolagem, afinal de contas, quando o avião

riscos de simplesmente despencarem, algo mais conhe-

começa a subir, aquele frio na barriga faz-nos segurar

cido pelos profissionais deste ramo como stall.

mais forte nos apoios da cadeira.
Contudo, a empresa americana não teme tal possibiliBom, acredito que, tal sensação, acontece com toda a

dade, afinal de contas, o que possibilita tal proeza são

gente, até mesmo com as pessoas que já estão acostu-

suas turbinas projetadas pela General Electric, as GEnx-

madas com esse tipo de transporte. E, caso você nunca

1B, que não são turbinas tão comuns quanto as outras,

tenha voado em sua vida, não fique pensando que é algo

são simplesmente gigantescas. Segundo especialistas,

brusco, de uma vez, a aeronave vai subindo em uma

aviões com mais de uma turbina precisam alçar voo

angulação leve, nada muito brusco. Talvez, a sensação

com menos potência comparado a máxima, por exem-

aconteça devido a velocidade e também a força, já que

plo, digamos que o avião tenha duas turbinas, ele preci-

nossos corpos acabam sentindo a pressão atmosférica.

sa levantar voo com apenas uma, no caso de quatro,
com três.

Como disse acima, a subida é feita de maneira ponderada, ele sobe inclinado até terminado ponto e depois se

No caso deste modelo de avião, a demonstração provou

endireita no ar, então a sensação vai embora e você cur-

que a potência é muito maior, ou seja, ele subiu na ver-

te a viagem. Agora, voltando a sensação, lembre-se que

tical com uma parte de sua potência, podendo ser usado

falei que a subida é branda, agora, imagine um avião

na potência máxima somente em alguma necessidade.

que sobe na vertical... Isso mesmo, na vertical e não co-

Claro, vamos levar em consideração que na exibição o

mo aquelas naves dos filmes de ficção científica. Conse-

Boeing só transportava os pilotos, no entanto, ele foi

gue imaginar a sensação? Eu não...

projetado para fazer o mesmo em um voo de rotina,
com passageiros e bagagens.

26 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

Vale lembrar que esse voo foi de demonstração, provavelmente nenhum
passageiro iria gostar da sensação.
Esse tipo de descolagem é novidade no
mundo da aviação comercial, porém,
alguns aviões desenvolvidos para guerra
ou espionagem poderiam alçar voos
muito mais angulados do que os aviões
comuns, mas o novo Boeing veio para
mostrar que ele também pode. Uma
maneira que ajudará e muito nas descolagens nos aeroportos, já que utilizarão uma pista menor, agora, para a aterragem, nada melhor do que a forma tradicional, aquela, deslizando lenta e suavemente, pois se o negócio mudasse para uma aterragem na vertical, aí as coisas ficariam bem sinistras.

– Na Europa, antigamente, as pessoas deixavam a
porta de casa aberta durante a noite para que viajantes e pessoas pobres pudessem participar
da ceia de Natal. Até hoje, a refeição é o momento de confraternização entre amigos e familiares. No Brasil, o prato mais tradicional é o peru
assado.

– A criação da Missa do Galo é atribuída a São
Francisco de Assis, que teria construído o primeiro presépio em 1224, na cidade de Greccio,
na Itália. O ato era seguido de uma missa e, como
os galos cantavam às primeiras horas da madrugada, o povo deu a essa celebração o nome de
Missa do Galo.

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 27

– Há uma lenda que diz que foi um galo que anunciou o

– Para os muçulmanos, Cristo é uma espécie de profe-

nascimento de Cristo. O animal cantou exatamente à

ta, mas os fieis não possuem uma data especial para co-

meia-noite de 24 de dezembro, horário e dia que o re-

memorar seu nascimento. As duas principais festas da

bento nasceu. Em Portugal, Espanha e Brasil, havia o

religião são a Eid el-Fitr, celebração do desjejum realiza-

costume de levar um galo à missa. Se ele cantasse, era

da após o Ramadã, e o Eid el-Adha, que marca o encer-

sinal de bom agouro para o próximo ano.

ramento da peregrinação a Meca.

– A canção natalina Noite Feliz nasceu na Áustria, em

– Os judeus não reconhecem Jesus Cristo como Filho

1818. O padre Joseph Mohr saiu atrás de um instru-

de Deus e, portanto, não comemoram seu nascimento.

mento que pudesse substituir o antigo órgão da igreja.

No período do Natal, eles realizam o Chanuká, ou a

Em suas peregrinações, começou a imaginar como teria

Festa das Luzes. Ela relembra a reinauguração do Gran-

sido a noite em Belém, fez anotações, e procurou o mú-

de Templo de Jerusalém, reconquistado pelos judeus

sico Franz Gruber para criar a melodia.

após 3 anos de guerras.

– A maioria das versões sobre a procedência da árvore

– Como entendem que festas de aniversário são um cos-

de Natal indica a Alemanha como seu país de origem.

tume pagão, as Testemunhas de Jeová não fazem ne-

A mais aceita atribui a novidade ao padre Martinho

nhuma comemoração no dia 25 de dezembro. Apesar

Lutero. Ele montou um pinheiro enfeitado com velas

de prestarem devoção a Cristo, eles preferem negligen-

em sua casa, para mostrar às crianças como deveria ser

ciar a data.

o céu na noite do nascimento de Cristo.
– Em algumas religiões afro-brasileiras, como
– Foram os ingleses quem popularizaram a árvore de

a Umbanda, existe um forte sincretismo religioso, que

Natal. Eles tomaram contato com a tradição por volta

associa figuras cristãs às suas entidades, como o caso de

de 1850. Quando o príncipe Albert se casou com a rai-

São Jorge (Ogum). Esta religião associa Cristo a Oxalá,

nha Vitória, ela começou a montar árvores majestosas

maior de todos os Orixás. No dia 25 de dezembro, os

em sua residência de férias na ilha de Wight. A popula-

umbandistas agradecem à entidade.

ção passou a imitá-los.

– Natal é uma festa cristã, sendo encarado de forma diferente por outras religiões. Os hindus reconhecem
Cristo como um avatar (encarnação de Vishnu, uma das
principais entidades divinas). O dia 25 de dezembro é
reservado à comemoração da Festa das Luzes pois, neste dia, o nascimento da luz venceu a escuridão.

28 ¤ quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra

SOPA DE LETRAS
Divirta-se a descobrir as modalidades.
Boa sorte!!!
A  S  V  X  D  A  B  A  S  I 

A  D  Q  E  N  A  T  A  C  A  O  M  A  D  F  G  H  J  K  L  Ç 

S  D  F  G  H  J  K  L  Ç  M  B  C  Z  C  B  V  E  W  Q  U  I 
D  F  O  L  Ç  U  D  H  A  L  T  E  R  O  F  I 

P  E  Q  U  I 

T  A  C  A  O 

S  M  O  P  M  H  B  A  D  W  Q  U  R 

L  U  V  D  F  G  S  A  W  E  R  Y  U  Y  T  H  J  K  L  Ç  B  C  V  T  W  G  F  S  C  V  G 
A  T  L  E  T  I 

S  M  O  V  C  X  Z  V  B  M  D  S  W  E  R  T  Y  R  W  H  J  K  L  Ç  R 

Y  E  T  Ç  L  K  P  O  U  H  M  N  B  V  Z  X  C  D  F  H  G  J  Ç  I 

D  S  R  I 

P  Y  U 

H  B  H  Z  M  N  Z  X  V  F  A  Q  A  N  D  E  B  O  L  V  Ç  B  F  C  F  H  J  L  Ç  Ç  T 
J  O  K  U  E  G  Ç  O  J  L  Ç  D  G  H  T  R  O  J  H  I 

L  A  H  I 

D  H  J  L  Ç  E  T 

Ç  L  R  Y  L  K  J  H  G  F  D  S  Z  X  D  F  C  U  H  L  K  S  J  C  Z  A  D  H  G  F  U 
K  Ç  J  G  E  V  C  Z  X  C  V  V  B  N  M  Ç  C  L  G  H  G  Q  K  L  V  I 
L  C  S  T  C  Q  E  S  A  S  D  F  T  G  H  K  I 
O  A  L  K  T  P  E  S  S  E  G  O  K  I 

L  K  G  F  E 

T  H  K  F  U  T  E  B  O  L  X  5  D  J 

L  Ç  A  F  P  O  L  E  J  T  Q  A  S  E  Ç  L  J 

H  D  L  Ç  R  H  G  F  D  E  R  T  Y  U  O  P  F  G  X  Z  A  T  G  A  F  H  K  L  Ç  T  S 
G  E  W  T  I 
F  I 

B  H  J  K  L  M  N  O  E  Y  B  P  M  G  L  L  E  H  D  S  A  Q  W  L  J  B 

G  F  C  F  S  A  D  F  G  H  J  K  S  V  E  M  H  C  L  B  J  B  H  Y  T  I 

J  R  O  D  A  S  Y  T  M  N  U  O  Ç  L 

O  P  U 

G  N  M  N  K  F  O  K  H  A  S  D  F  G  H  J 

K  A  Z  L  O  M  N  H  J  L  Ç  P  T  W  A  K  R  J  L  K  L  L  G  X  Z  C  B  N  M  K  L 
H  J  K  L  Ç  O  P  Y  R  W  Q  A  S  O  V  M  H  I 

P  L  L  J  D  J  L  O  P  T  D  V  C 

Y  E  T  R  Y  G  D  S  Z  X  C  V  N  V  N  M  L  O  M  G  H  F  D  F  A  Z  X  C  B  V  S 
J  K  L  Ç  O  P  U  Y  T  R  W  A  S  V  C  X  Z  B  M  A  E  T  R  G  O  A  L  B  A  L  L 

K  L  P  A  R  A  R  C  I 

C  L 

S  M  O  I 

Futebol em cadeira de rodas elétrica

Esgrima

Boccia

Para-Canoagem

Para-Ciclismo

Equitação

Atletismo

Futebol 5

Natação

Halterofilismo

Andebol

Goalball

Basquetebol

Tricicleta

O  P  I 

U  Y  T  R  E  S  W  Q  C  V  B 

quinta em folha ¤ nº2 ¤ associação de paralisia cerebral de coimbra ¤ 29

Entre no espirito natalício e descubra as diferenças.
Boa sorte!!!

TRONCO DE
NATAL
Ingredientes
Massa:


9 ovos



9 gemas



200 g de farinha



400 g de açúcar



80 g de chocolate em pó



Manteiga e farinha q.b.

Creme:


350 g de manteiga



12 colheres de sopa de açúcar



7 colheres de sopa de chocolate em pó

Preparação
Iniciamos esta receita por preparar a massa. Batemos os ovos com as gemas e envolvemos com o açúcar, a
farinha e o chocolate em pó. Forramos o tabuleiro com papel vegetal e vertemos nele o preparado. Levamos
ao forno, pré-aquecido a 180°C, por 15 minutos. Entretanto preparamos o creme. Juntamos a manteiga
com o açúcar, misturamos bem e aos poucos vamos acrescentando 6 das 7 colheres do chocolate em pó.
Passados os 15 minutos, retiramos o tabuleiro do forno e viramos sobre um pano polvilhado de açúcar. Retiramos o papel vegetal, deixamos arrefecer e barramos com parte do creme.
Enrolamos com a ajuda de um pano e utilizamos o creme restante para cobrir toda a torta. Cortamos uma
das extremidades na diagonal e encostamos na lateral do tronco. Polvilhamos com o restante chocolate em
pó.
Receita para 12 porções e com um tempo estimado de preparação de 1H.
Bom apetite!

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