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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ - UECE

CENTRO DE HUMANIDADES-CH
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
ANTROPOLOGIA III
PROF. : Max Maranhão
Aluno: Pedro Jorge Chaves Mourão Matricula : 0903470

Fichamento sobre o texto: A Utopia Urbana


Um Estudo de antropologia social
Gilberto Velho, Zahar, 6ª Ed, 2003.

1)Quais os objetivos ou questões da pesquisa:


“Pretendo, com este livro, dar inicio a uma série de trabalhos sobre o meio urbano, com uma
abordagem antropológica.” P.1

“Copacabana continua sendo um bairro emblemático carregado de significados para toda a


sociedade brasileira. (...) Copacabana expressa, dramaticamente, problemas de interação, convívio
e tensão social.” P.3
“É preciso saber que critérios presidiram esta opção e como eles se apresentam.” P.22
“Não é preciso ser nenhum gênio para perceber, de saída, que estamos lidando com uma
problemática de prestigio e status.” P.23
“Cabe então descer a níveis mais profundos e procurar quais foram os símbolos que
puderam ser manipulados e de que forma podem-se apresentar. Esta é uma tarefa constantemente
retomada no decorrer deste trabalho.”P.24
“É preciso agora contextualizar alguns destes dados apresentados. Como se traduze em
termos de realizações sociais?Como se relacionam com o fato de ‘existirem’ no Estrela?”P.43

2) Quais os aspectos técnico-metodológicos: conceitos, como se relacionou com


o objeto, mecanismos de apreensão do objeto:
“Copacabana é uma estreita faixa de terra de 5,2 km², apertada entre o Oceano Atlântico e
as montanhas do litoral carioca.” P.17
“Por ouro lado o que, o que significa ‘fama’?”P.22
“É interessante percorrer os jornais dos anos 40 até 60, examinando seus suplementos de
imóveis, especificamente os dominicais. Coisas do gênero: ‘Paraíso a beira-mar’, ‘Seja feliz em
Copacabana’, ‘More como gente bem – em Copacabana’, ‘Não negue a sua família o direito de
morar em Copacabana’ etc.” P.24
“Existem importantes diferenças internas em Copacabana, que caracterizam subáreas que
merecem ser consideradas”.P.24
“... sendo que uma pessoa moradora da rua Joaquim Nabuco disse que ‘isto aqui é mais
Ipanema do que Copacabana’, frase carregada de valor à medida que, atualmente, é mais
elitizada.”P.26
“(..)O importante no momento, é assinalar como subáreas, trechos, zonas etc são nitidamente
distinguidos pela maioria dos moradores (Claras noções de territorialidade).”P.27
“O fato de uma minoria de moradores participar dessas reuniões provoca sérios problemas
de descontentamento e tensão.”P.30
“Umas procurando reafirmar sua condição de ‘boas pagadoras’ proclamando em alto e bom
som, geralmente sem estarem se dirigindo a alguém especificamente, o fato de serem ‘pontuais’ e
‘corretas’.”P.32
“O síndico do Estrela contou-me que no inicio de sua gestão (1967) tivera que chamar a
policia várias vezes para acabar com ‘festinhas’, mas que geralmente ‘não dava em nada’, pois
sempre algum participante conhecia alguém na policia, tinha algum prestigio, relações etc.” P.33
“(...) o Estrela era considerado nas vizinhanças um ‘balança-mas-não-cai’. O estereótipo
básico existente em torno desse tipo de prédio expressa a crença em um ‘baixo padrão moral’ de
seus habitantes fenômeno não muito diferente do que ocorreu, por exemplo, em relação às
favelas.”P. 34
“‘Aí teremos o que chamamos de ‘conflito vertical’. Uma das brigas mais rotineiras era entre
pessoas de um apartamento mais baixo acusando as de andares de cima de deixarem cair água,
detritos, etc.”P.35
“Os habitantes do Estrela são sujeitos a um certo grau de descriminação, à medida que
carregam um ‘estigma’ no sentido que lhe dá Erving Goffman. Ou seja, morar no prédio pode ser
considerado uma característica, um atributo desabonador no nível de suas relações com outros
habitantes das redondezas e do bairro, de modo geral.”P.37
“Eles assim como a maior parte dos entrevistados, pertenciam ao universo dos white collar
antes de perderem seus empregos.(...)A utilização do conceito de white collar traz uma série de
problemas. Mills enfatiza a situação americana e a sua analise tem, permanentemente, como pano
de fundo a sociedade estadunidense. Desta forma, é preciso ficar claro que, na medida do possível,
estou procurando utilizar o conceito enquanto descrição de uma situação ocupacional e
procurando evitar uma necessária vinculação com qualquer coisa que pudesse ser definida como
‘subcultura white collar’.P.43
“Além disso, a noção de que é ‘preciso aprender a se defender’ faz com que a maioria das
pessoas esteja permanentemente em guarda contra qualquer tipo de aproximação. A frase ‘não
quero saber de vizinho’ ou ‘ não me meto na vida dos outros, não quero que se metam na minha’,
define a disposição dos moradores.”P. 43

“Há algumas ‘personagens chaves’ no prédio que se dão com um maior numero de pessoas
devido a certas condições particuilares.”P.44
“Parece-me que um dos mais efetivos meios de comunicação no prédio é o boato, o rumour.
Raymund Firth no seu Rumour in a primetive society diz as principais características do rumour
são: ‘...falar ou informar de coisas que ouvi-se dizer, não expressão original; divulgar ou espalhar
tal informação através de grupo social; afirmativas de base duvidosa ou não-verificadas’.”P.44-45
“De certa maneira, portanto, este tipo de rumour antecipa-se a algum tipo de ação que vá
prejudicar os moradores.”P.46
“Alguns moradores do prédio davam mais ‘assunto’ do que outros. Um deles era a louca.
(..).Compunha o estereótipo da ‘ louca’, com cabelos desgrenhados, ‘olhar alucinado’ etc. Outra
personagem (..) era um homem de seus 30 anos, com fama de ‘conquistador no prédio.”P.47
“(..) ao contrario do que poderia se supor, as relações de parentesco são extremamente
importantes para nosso universo”P.49
“Uma característica interessante no comportamento dos moradores do Estrela é a sua
atitude negativa em relação a sair do bairro para visitas,”P.51
“(..) parece-me que a família para os indivíduos pesquisados sem, obviamente, absorvê-los
totalmente nem constituir um grupo corporativo ocupa uma posição excepcional nos seus networks,
constituindo, de modo geral, a principal alternativa em termos de relações sociais.”P.52
“Contudo, é nesse mundo dos colarinhos brancos que se deve procurar as características da
vida no século XX.”P.53
“É minha hipótese que as decisões que estão sendo examinadas neste trabalho giram em
torno, essencialmente, de símbolos que expressam essa distribuição de poder dentro da sociedade.
Esses símbolos são de prestigio e status e, em ultima analisa expressam uma determinada visão da
sociedade comum ao universo pesquisado.”P.55
“Aplicamos cento e quarenta e dois questionários a moradores de Copacabana. A pergunta
básica foi a mesma das entrevistas do Estrela: Por que Copacabana?”P.57
“Trata-se de verificar que categorias são utilizadas, como se relacionam e hierarquizam, e os
princípios que presidem a organização.”P.65
3) conclusões
“O conceito de white collar parece-me adequado para situar o objeto de investigação,
partindo de uma caracterização ocupacional.”P.86
“Estava preocupado cm as representações dos entrevistados. Como eles se viam, como se
situavam no mundo, como organizam e classificam a sociedade.”P.87
“O homem do colarinho branco é o herói-vítima, a criatura modesta que sofre a ação, mas
não age, que trabalha despercebido em um escritório ou em uma loja que jamais levanta a voz,
jamais retruca, jamais toma uma posição.”P.87
“Realmente morar no bairro, a partir de uma determinada época, passou a ser definido como
símbolo de prestigio social.”P.87
“A criação do mito ‘Copacabana’(..) só é possível em um tipo de sociedade em que exista
uma identificação entre o local de residência e prestigio social de tal forma acentuada que a
simples mudança de bairro possa ser interpretada como ascensão social, mesmo não havendo
alteração na ocupação ou na renda das pessoas em pauta.”P.89
“O meu objetivo, no caso, é muito mais dimensionar e relacionar sistema de classificações e
representações com estratificações sem fazer outros tipos de julgamento”.P.90
“Daí a importância do trabalho de campo, com observação participante e entrevistas que
devem, em princípio, permitir ao investigador ir além das ‘aparências’ e identificar ‘códigos’ nem
sempre explícitos.”P.90
“Dificilmente, alguém crítica o sistema, embora, freqüentemente, surjam restrições a
indivíduos (..).”P.91
“Parece haver uma divisão em ‘ dois mundos’, de um lado, o cotidiano, (..), de outro há uma
esfera onde acontecem coisas que são importantes mas distantes e inacessíveis por sua própria
natureza – a ‘política’”.P.91
“Procurou-se classificar os tipos de respostas e descobrir sua lógica.”P.93