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O GLOBO _14 DE MAIO DE 2017

ELE ESTÁ EM TODAS

O veludo re ssurge neste inve rno em peças justas e coloridíssimas

METALEIROS

De luminária a banheira, o cobre vira a cor da vez na decoração

SAFRA QUE DÁ GOSTO

Temporada de caquis instiga chefs a criar receitas jamais vistas

REVISTA
REVISTA

Maria Lucas de Luiza Paiva Jobim

Ela canta, ele toca: dupla do Opala faz barulho no Rio
Ela canta, ele
toca: dupla do
Opala faz
barulho no Rio

EU COM

EU COM CHIQUE COMO SÓ O RIO SABE SER N enhuma cidade brasileira consegue ser tão

CHIQUE COMO SÓ O RIO SABE SER

N enhuma cidade brasileira consegue ser tão naturalmente cos- mopolita quanto o Rio. E o segundo número da nossa revista mostra isso bem, trazendo na capa dois cariocas que tradu-

zem este estilo: os músicos Maria Luiza Jobim e Lucas de Paiva, foto- grafados cheios de atitude na Cidade das Artes. Na entrevista à re- pórter Joana Dale, eles falam dos caminhos que seguiram para for- mar o duo. Filha caçula de Tom, Luiza fez Arquitetura (como o pai) e agora está terminando Letras. Filho de diplomata, Lucas teve uma infância nômade e chegou a cursar Economia. Apresentados por uma amiga em comum, descobriram de cara um interesse mútuo (o Japão!) e deram liga. O resultado foi a criação da banda Opala, que produz um pop eletrônico cool, para se ouvir de fone de ouvi- do. Chique como só o Rio sabe ser. E por falar na cidade, temos nesta edição a criatividade de nossos chefs, que se esbaldaram com a supersafra de caqui. Você sabia que o fruto é a nossa ostra vegetal? Quem conta é a crítica de gastronomia Luciana Fróes. E trazemos também o novo point dos bikers, aberto há duas sema- na no Horto. Montado dentro de um antigo mercadinho, o mix de loja, oficina e bistrô manteve o grafite que herdou, que diz : “O beijo é a melhor tradução entre duas línguas.” Tão Rio.

EDITORA Ana Cristina Re is ana.reis@oglobo.com.br EDITOR ASS ISTENTE Marce lo Balbio balbio@oglobo.com.br REPÓRTERES Carolina Ribeiro carolina.ribeiro@oglobo.com.br Emiliano Urbim emiliano.urbim@oglobo.com.br Joana Dale joana.dale@oglobo.com.br DIREÇÃO DE ARTE Chico Amaral DIAGRAMAÇÃO Christiana Lee e Cristina Flegner CAPA Bruno Machado

O GLOBO

06

/ DOMINGO COM EL A

08

/ GERALDO CARNEIRO

10 / MARTHA MEDEIROS

12

/ EL A DESEJA

16

/ EL A AC ONTECE

18

/ DE OLHO

21

/ BRUNO DRUMMOND

22

/ LÁ FORA

24 / CAPA OPAL A 32 / EL A PERFIL CINTHIA MARCELLE

36

/ EL A BELEZA

38

/ EL A MODA

42

/ EL A CASA

44

/ EL A PASSAPORTE

48

/ EL A GOURMET

53 / LU IZ HORTA

54 / ANA CRISTINA REIS

ARQUIVO PESSOAL

DOMINGO COM

A R Q U I V O P E S S O A L DOMINGO COM

Que horas vo cê escreve?

Entre 4h e 9h da ma nhã.

Pe ra í quatro da manhã?

Sim. No auge da produção, é minha rotina. Escrevo at é 9h, aí eu vou dor mir umas 11h, acordo 18h. Quando sinto que preciso ficar escrevendo eu peço deliver y das próx imas três refeições, para não precisar sair de casa.

Quanto tempo isso dura?

ARIA

CLARA

DRUMMOND

Noites insones, baladas insanas, escrita

Se manas. Se vejo que não está re ndendo, me dou uns dias de fér i- as, saio com amigos. Às vezes, se o Rio está desanimado, vou para São Paulo, tenho grandes amigos lá.

inspirada. Um bate-papo com a jovem

autora, que prepara seu terceiro livro

Domingo é dia de quê?

Em geral, estou de ressaca (r isos.) Ac ordo tarde e vou comer uma pizza no So uth Fe rro, que é aqui pela vizinhança (em Botaf og o). Outro lugar que frequento é o Alfa Bar, na Me na Bar re to. Go sto porque fica aber to até muito tarde, dá para beber na ru a, sempre encontro alguém. No último domingo fui à Fe ira Tijuana de Ar te Impressa, no Parq ue Lage.

Bacana. Comprou algum fa nzine?

Estou sem grana, pegando menos fr ilas, totalmente dedicada ao novo livro, que está fic ando gr ande . “A fe s ta é minh a e eu chor o se eu quiser ” ( 2013 ) e “A re alidade dever ia ser proibida” ( 2016 ) tinham menos de cem páginas. Este já passou de 150.

Nos livros anteriores, críticos fa laram em “retrato de uma geração”, “flagrante da jovem burguesia descolada”. É por aí?

Os outros protagonistas eram ma is jovens do que eu era. Esta vai ter minha idade, 30 anos. Re tomo temas como os rótulos sociais e a ânsia de per tencimento, acho que está ma is maduro, ma s penoso para escrever. Esta semana até desativei a minha conta do Face- book para dar uma focada a mais.

E que tipo vo cê fa z nas fe st as?

Na adolescência, achavam que eu era autista. Hoje não sou a alma da festa, até interajo. Gosto de dançar. Não sou do samba, cur to pop, gosto de eletrô- nico, pr incipalmente junto com MPB.

E para escrever, vo cê põ e trilha?

Este livro está com cara de Ma ri na Lima anos 1980. “Eu espero uns aconteci- mentos / Só que quando anoitece / É festa no outro apar tamento” (cantarola ). Estes versos têm tudo a ver com o que penso, escrevo, vivo.

Emiliano Urbim emiliano.urbim @oglobo.com.br
Emiliano Urbim
emiliano.urbim
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6_ ELA REVISTA _14.5.2017

O GLOBO PROJETOS DE MAR KETING

Prêmio Ela Casa Premium de Decoração

Seu talento também merece brilhar aqui.

de Decoração Seu talento também merece brilhar aqui. O CasaShopp ing e o Ela Re vi
de Decoração Seu talento também merece brilhar aqui. O CasaShopp ing e o Ela Re vi
de Decoração Seu talento também merece brilhar aqui. O CasaShopp ing e o Ela Re vi

O CasaShopp ing e o Ela Re vi sta c riar am o Pr êmio Ela Casa Pr emium de Decoraç ão. A premia ção irá eleger os pr ofiss ionai s que se des tacarem em diversas categori as de Pr ojetos de Ar qu itetur a e De sign de Inter iores, com tr abalhos qu e consigam ali ar beleza, soluçõ es inovad oras e pr omoç ão da su stentabili dade.

Não perca ess a oportu ni dade. Insc reva-se pe lo site premio elacasapre mium.com.b
Não perca ess a oportu ni dade. Insc reva-se pe lo site
premio elacasapre mium.com.b r
Os projetos vencedores ga nhar ão as págin as do Ela Revi sta em um a colu na especi al.

PORQUE HOJE É DOMINGO

Geraldo Carneiro elarev ista @oglobo.com.br
Geraldo Carneiro
elarev ista
@oglobo.com.br

PERIGOS

DA

AMIZADE

Carneiro elarev ista @oglobo.com.br PERIGOS DA AMIZADE U ltimamente assisti a dois documentár ios admiráv eis.

U ltimamente assisti a dois documentár ios admiráv eis. O pr imeiro, de Camila Pi- tanga e Beto Brant, sob re Antonio Pitanga, um dos ma iores ícones do cinema brasileiro. O segundo se chama “C inema Novo”, de Er yk Rocha, e ganhou o prê-

mio de melhor documentár io no último Fe stival de Cannes. Ambos são filmes de amor. “Pitanga”, de amor à vida ; “Cinema Novo”, de amor ao cinema. E os dois se entrelaçam : Antonio Pitanga é o ator que ma is aparece em “Ci- nema Novo”. Se m a sua presença, não haver ia tanta força poética em “Bar ravento”,

pr imeir o long a de Gla uber Ro ch a, nem em “A Gr a nde Cidade ”, de Ca cá Di egues. Pi- tanga deu corpo e alma ao Cinema Novo, inau gurado por Ne lson Pe reira dos Santos

e agora re contado por Er yk com poesia e paixão.

O p ro blem a é que , alé m da adm ir aç ão, te nh o gr ande amiz ade tan to por Pita n-

ga do r mod er no que sup unh a ser, co mece i a apoiar con stanteme nt e o at aque. De pois dos de z min uto s de jog o, no e nt an to , vi tud o pr eto ao me u re dor. Ta mb ém havi a me esqu e- ci do que pas sara os úl tim os 15 anos sem fazer q ualqu er exe rc ício fís ico, a nã o se r os imp re scin d íve is. Fu i re tir a- do, de ma ca , e de it a do à ma rg em do ca mpo , de onde assisti à vitór ia do Po lyth eam a e ao en ter ro de minh a úl- ti ma qu i mer a. Pit ang a out ro di a ope ro u o joelh o, ma s tenho cer te za de que con ti nu ar á br ilh ando nos ca mpos do cinem a e do futebol. E o Er yk é sempre a nossa espe- ra nça de poster idade cinemat ográfica.

ga, qu an to por Er yk. É aí qu e mor a o pe ri go. Se mpr e que me en con tr o co m Er yk, por exem plo, te mos a compu lsão de ir ao bot equim , enche r a ca ra e tr oc ar idei -

as at é as qua tr o da ma nh ã. Fa zem os pla nos par a as pr óx im as enc arn açõ es , so- nh amo s com av en tur as cin epoé tic as , que já nos re nde ra m um fil me ch am ado “ Mi ra gem em ab ismo”. Ne m tivemos tem po de ex ibi- lo dir eito, por que es ta- mos se mpr e pen sando no pr óx im o. Com Pitang a, a bar ra tam bém é pe sada . So mos

amigos desde os anos 70 e, se mpre que nos re encon-

tr amos, é como se a con versa tivess e par ado na vé s p e -

ra. Se m falar que, ao re ver um amigo, a gen te se sen te tão feliz que é ca pa z de fa zer coisas ex tr aordin ár ias, às

ve zes d esas trosas. Nu m desses reencontros, nos anos 80, o Pitanga me convi do u pa ra jo ga r uma pe lad a no ca mpo do Ch ic o Bu arque, no Recreio. Claro que topei. Esclareço que já fui craque da pelota — infelizmente, só na imaginação. Aos 10 anos, supunha que era capaz de fazer as jogadas do Pe lé ou do futuro Neymar. Na realidade, era um per- na de pau. Fu i sendo rebaixado ao longo de um ano de

ca rreir a, de gênio cr ia tivo a za gueiro de baixo nível. Acabei expulso não só de meu time, como também do ca mpo, porque, nã o bastasse a falt a de tal ent o co m a bola, me faltava compostura. Provave lme nt e o fracasso me subi u à cab eça, tant o que eu não me lembrava ma is do passado e estava de novo ali, pronto para entrar no gramado contra o time do Chico, o lendár io Polytheama, que, segundo a crôni- ca espor tiva, jamais perdeu em casa.

O j ogo começo u. Assum i a lateral direita e, com o jo-

Nos anos 80, Pitanga me convidou para jogar uma pelada no campo do Chico Buarque. Claro que topei. Já fui craque da pelota — na imaginação

8_ ELA REVISTA _14.5.2017

NÓS

Martha Medeiros marthamedeiros @terra.com.br
Martha Medeiros
marthamedeiros
@terra.com.br

MÃES

POSTIÇAS

Medeiros marthamedeiros @terra.com.br MÃES POSTIÇAS E stereótipos precisam ser re visados de tempos em tempos.

E stereótipos precisam ser re visados de tempos em tempos. Não faz sentido conti- nuar classificando as pessoas como loiras bur ras, baianos preguiçosos, france- ses fedorentos — a lista de generalizações é longa e preconceituosa (esperamos

novo espaço para si mesma — um es- paço que exigirá cuidado, paciência e muita dedicação. Não é uma materni- dade legítima, mas é uma experiência fami liar e sen timen tal que tam bém costuma impactar a vida de todos os envolvidos. A elas, essas mu lh eres que ab ri ra m mã o do se u des ejo an ces tr al de ser mã e a fim de pr eser va r o seu ideal ro mâ nt ico (o de nã o procur ar um re - pr odutor, e sim ma nt er um a re laç ão amor osa com o homem pelo qual se apaixon ar am e co m os filhos dele), o meu ma is pr ofundo re speit o. Fe liz dia das mã es que , do jeit o poss íve l, você s também se tornaram.

ansiosos pelo dia em que também re visaremos o estereótipo do político ladrão, ma s, por enquanto, está difícil re ver tê-lo).

O da ma drasta má felizmente está com o praz o de va lidade vencido, ma s, ainda as-

sim, pouco se fala no modelo que a substituiu: o da madrasta boa gente, aquela mu- lher ma dura que não tenta substituir a mã e de seus enteados e sim contr ibuir para que eles se sintam emocionalmente amparados. Mu itas ma dr astas são mã es : tiver am seus própr ios filhos no pr imeiro ca samen- to e, en tr ando nu ma seg unda re laç ão, se depar ar am com a exper iência de con vi- ver com os filhos de seu no vo ma ri do. Nã o é um a tarefa mole, pois são cr ianç as ou adolescen tes que passar am pelo tr au ma da separ aç ão dos pais e nã o estava m

exa tamen te ansio sos par a ve r um a no va pe ssoa en tr ar pa ra a famí lia . A at ual mu lher do pai cheg a sempre como um a in tr usa , ma s havendo bom senso na dis-

tr ibuiç ão dos papéis, logo ninguém se sen tir á ameaç ado e o no vo nú cleo se for-

ma : os meus, os teus e, quem sa be, os nossos — no ca so do no vo ca sal querer ter um filho em com um .

At é aí, tudo cer to, é um ar ra njo equilibr ado. Ma s te-

nho pensado na quela mu lher que sempre sonhou em engr av idar e ser mã e, que a l im en tou esse desejo des- de ga ro ta , e que um dia conhece o homem da sua vi-

da : um ca ra que já teve os filhos que gostar ia dur an te

o p ri meiro ca samen to e que nã o cogita ter ma is um .

“C omo nã o cogita? Qu e egoísta!”, podem br adar algu-

ma s coleg as de au ditór io, ma s, co nv enh amos, um ho- mem de meia-idade talve z nã o deseje um no vo be bê

ju sto na fase da vida em que seus filhos crescer am e

ele se enc on tr a com ma is tempo par a inici ar outr os projetos — nã o é por poderem procr iar em qualquer faixa etár ia que os homens devem ser in tim ados a fa- zê-lo. Algum direito esses pobres por tadores de cro- mossomos XY ainda têm .

A mulher talvez pegue sua bolsa e vá bater em outra

freguesia para realizar o sonho de ser mãe biológica — e deve fazer isso mesmo, caso não tenha a menor vontade de se adaptar às circunstâncias. Mas se ela resolver ficar com este homem, poderá transferir todo seu potencial de afeto para os filhos do seu grande amor, não a fim de ocu- par o espaço da mãe deles, mas a fim de inaugurar um

Não é uma maternidade legítima, mas é uma experiência familiar e sentimental que costuma impactar a vida de todos os envolvidos

10_ ELA REVISTA _14.5.2017

DESEJA UMA LUZ RENDADA O designer italiano Ferruccio Laviani produz a partir de todos os

DESEJA

UMA LUZ

RENDADA

O designer italiano Ferruccio Laviani produz

a partir de todos os tipos de materiais e

estilos, da madeira ao plástico. Pa ra a Kar- tell, uma de suas criações foi a série Kabuki, que inclui de pendentes como este a lumi- nárias de piso. Nada como um efeito cênico.

este a lumi- nárias de piso. Nada como um efeito cênico. BRILHANTES EM ÓRBITA   O

BRILHANTES

EM ÓRBITA

 

O

presente de 15 anos do Atelier Schiper foi ganhar, em 2015, o iF

Pe ndente Ka buki:

Design Award — o selo de maior importância do design mundial

R$3.560, na Novo Ambiente, na Rua Redentor 4, Ipanema

—, graças ao anel de ouro Órbitas. Ag ora, Alessandra Schiper criou ve rsões da peça, co mo a de ródio negro e brilhantes.

12_ ELA REVISTA _14.5.2017

Anel Atelier Schiper:

R$ 7.460, no Shopping Le blon

e no Shopping da Gáve a

BATE FORTE

O TAMBOR

As bolsas criadas por Leo Neves, da Waiwai, são objeto de desejo. As peças da nova coleção, África Brasil, não deixam por menos. Um

dos hits promete ser a Bolsa Alfaia, de couro, com estrutura de cipó

e redonda como o instrumento que lhe empresta o nome.

Bolsa Alfaia: R$ 2.200, no wa iwai.com.br
Bolsa Alfaia:
R$ 2.200,
no wa iwai.com.br
BOA DOSE DE SURREALISMO Inspirada num jogo criado pelos surrealistas, a Christian Lacroix criou para
BOA DOSE DE SURREALISMO Inspirada num jogo criado pelos surrealistas, a Christian Lacroix criou para
BOA DOSE DE SURREALISMO Inspirada num jogo criado pelos surrealistas, a Christian Lacroix criou para

BOA DOSE DE SURREALISMO

Inspirada num jogo criado pelos surrealistas, a Christian Lacroix criou para a Vist a Alegre uma char- mosa co leção de porta-copos, a Love Wh o You Want. Carregados de bom-humor, os quartetos co nv i- dam a misturas insólitas. Depois de algumas doses, Miste r Ti ger e Dona Girafa podem trocar de ro upa ao sabor da sua imaginação, faze ndo surgir novo s e inusitados personagens. Diversão pura.

ndo surgir novo s e inusitados personagens. Diversão pura. Po rta-copos Vi st a Alegre: R$

Po rta-copos Vi st a Alegre:

R$ 363, cada jogo co m quatro bases. br.v istaalegre.co m

14.5.2017_ ELA REVISTA _13

DESEJA A GISELE BÜNDCHEN DAS ESTANTES Flavio Borsato e M auricio Lamosa, do estudiobola, de

DESEJA

DESEJA A GISELE BÜNDCHEN DAS ESTANTES Flavio Borsato e M auricio Lamosa, do estudiobola, de São

A GISELE BÜNDCHEN DAS ESTANTES

Flavio Borsato e M auricio Lamosa, do estudiobola, de São Pa ulo, acabam de lançar a estante Calle. “Hoje, os espaços não são tão compartimentados quanto antes, e pensamos numa estante que servis- se co mo divisória e tivesse leveza e transparência”, ex plica Mauricio. A peça — fe ita de MDF co m laminado de sucupira ou laqueada de branco — mede 1,74m x 0,69m x 1,80m.

14_ ELA REVISTA _14.5.2017

Estante Calle:

R$ 12.900 no Arquivo Co ntemporâneo, Rua Re dentor 146, Ipanema

ACONTECE CUSTÓ DIO CO IMBRA
ACONTECE
CUSTÓ DIO CO IMBRA

POINT

DO

O vaivém de ciclistas noite e dia na Rua Pacheco Leão, no Horto, fez o comerci-

ante e lutador Márcio Rocha passar por um processo intenso de desapego. Em

meados de janeiro, ele fechou as portas de um mercadinho típico de bairro, há

65 anos sob o comando de sua família, para dar lugar ao Vista Bike Club, mix de lojinha descolada de artigos do gênero, oficina mecânica, bistrô e bar, estrategicamente posici- onado na subida da via. — Era um armazém tradicional. Tinha balanças antigas manuais, o leite era vendido em garrafas, e muitos moradores tinham conta. Compravam fiado e pagavam no fim do mês — conta Márcio, sem esconder o saudosismo. — Quando meu pai chegou aqui, o chão era de barro. Depois, virou paralelepípedo e vimos o asfalto tomar conta. A numeração do estabelecimento continua intacta (“Preciso mudar, né?”, ele pede

opinião), assim como a frase estampada anos atrás por um grafiteiro a seu pedido no

muro do lado de fora: “O beijo é a melhor tradução entre duas línguas.” De resto, a meta- morfose é geral. Na entrada da loja estão mesinhas para a turma do pedal se acomodar. Uma com um balde de cer vejas, outra com isotô- nicos. É por essa e outras que já virou ponto de en- contro. Subindo pelas paredes estão penduradas bicic letas de todos os tipo s e cores para ciclis tas amadores e profissionais. — Os doi s mode los pr inci pais são a moun ta in

PEDAL

Mix de loja, oficina e bistrô abre as portas na vista chinesa

Carolina Ribeiro

carolina.ribeiro

@oglobo.com.br

bike e as bicicletas híbr idas — resume Má rc io, que abre a loja às 6h. A que está na vitrine é o filé-mignon da casa. Pesa seis quilos e é toda preta e de carbono. Custa R$ 58 mil. Mas há magrelas a partir de R$ 4.800. O catálogo da loja tem de tudo um pouco que um ciclista precisa (ou não) para pedalar : sapatilhas, macacões, capacetes, suportes para garrafa d’água e plaquinhas do “Respeite um carro a menos”.

d’água e plaquinhas do “Respeite um carro a menos”. “É A SEGUNDA VIA DO MUNDO CO

“É A SEGUNDA VIA DO MUNDO CO M O MAIOR TR ÂNSITO DE BICICLETAS”

Mário Rocha, dono do Vist a Bike Club

16_ ELA REVISTA _14.5.2017

FOTOS DE FERNANDO LEMOS

Co nsulte seu médico.

FOTOS DE FERNANDO LEMOS Co nsulte seu médico. Há es paço ainda para peças de decoração,
FOTOS DE FERNANDO LEMOS Co nsulte seu médico. Há es paço ainda para peças de decoração,
FOTOS DE FERNANDO LEMOS Co nsulte seu médico. Há es paço ainda para peças de decoração,

Há es paço ainda para peças de decoração, como abajures e mesas feitas com rodas e quadros assinadas por Má ri o Sé rgio Fe rreira, e almofadas. O terceiro braço do Vi sta Bike Club é a oficina mecânica, uma espécie de salva-vidas local.

— O que ma is tem aqui é gente com pneu furado. Mas fazemos todo tipo de re paro e ma nu-

tenção. Inclusive, temos um ser viço de pr imeiros socor ro s para buscar o ciclista no trajeto — explica o dono do estabelecimento, inau gurado há 15 dias. Acostumado a dar bom dia para os clientes do mercado, ele repete o ritual com as novas visitas.

— Fi co só obser vando. Passam mais de 500 ciclistas por dia. É a segunda via do mundo que

mais de 500 ciclistas por dia. É a segunda via do mundo que Além da loja

Além da loja de bicicle- tas e de acessórios para pedalar, o Vist a Bike Club oferece serviços de reparo e manutenção

tem o ma ior trânsito de bicicletas — diz Má rc io, baseado em dados do Strava, aplicativo que funciona como uma re de social desta tr ibo.

Aparelhos auditivos 100% invisíveis.

social desta tr ibo. Aparelhos auditivos 100% invisíveis. Bruna, cliente Audium e usuária do Lyric. Fa
social desta tr ibo. Aparelhos auditivos 100% invisíveis. Bruna, cliente Audium e usuária do Lyric. Fa
social desta tr ibo. Aparelhos auditivos 100% invisíveis. Bruna, cliente Audium e usuária do Lyric. Fa

Bruna, cliente Audium e usuária do Lyric.

Fa ça uma ex pe ri ên cia sem cust o por at é 30 dia s*

Fa ça uma ex pe ri ên cia sem cust o por at é 30 dia

par a ap ar elh os Ph onak Ly ri c. Pa ra dem ais apar el ho s, co nsul te co nd iç õe s.

Phonak Lyric: Use 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem retirar da orelha para dormir, tomar banho ou praticar esportes, e no tratamento de zumbido.

13 lojas no Ri o de Janeiro e re gi ão.

Ligue 0800 011 1000 ou acesse www.audiumbrasil.com.br

tratamento de zumbido. 13 lojas no Ri o de Janeiro e re gi ão. Ligue 0800
DE OLHO D izem que cinema é a ar te da espera. O cinema brasileiro

DE OLHO

D izem que cinema é a ar te da espera. O cinema brasileiro é, com cer teza. De pois de fazer seu pr imei ro fi lm e, o diretor Jo ão Ca et ano Fe ye r

levou 11 anos at é concluir o segundo. Depois do cur-

ta “B alada de duas mocinh as de Bot afo go” (20 06),

ele foi assi stente do ci neast a Jú lio Bressa ne, trab a- lhou com publicidade e, em paralelo, ia bur ilando o projeto do longa-metragem “O rastro”, ter ror psico- lógico que está chegando aos cinemas. No filme, Rafael Ca rd oso (f otos acima) vive João, médico re sponsá vel pela re moç ão de pacientes de um hospital prestes a ser desativado. Na noi te d a trans fe rê n-

Emiliano Urbim emiliano.urbim @oglobo.com.br
Emiliano Urbim
emiliano.urbim
@oglobo.com.br

cia, porém, uma men ina desapare-

ce. Confor me Jo ão investiga o caso, vai se enredando numa trama sobre- nat ural, re ple ta de re vi ravoltas de ro - teir o e belos enq u adr amen tos . Estr elad a tam - bé m por Le an dr a Le al, a pr oduç ão est re ia na próx ima quinta-feira. J.C. , como é mais conhecido, explica por que insistir no projeto ao longo de tanto tempo:

— A vida vai te levando por outros caminhos, ma s chega um ponto em que você precisa voltar para a fonte e encher de novo o seu copo — conta J.C. — No cenár io atual, talvez fosse mais fácil gara ntir finan- ciamento e público com uma comédia. Ma s a gente decidiu apostar nesse híbr ido, que tem ter ro r, drama e até denúncia sobre a nossa saú- de pública. Além de se inspirar em clássicos (ver qua dro na pá gina se guinte) , tra- zer brasilidade foi uma meta de J. C. , dos produtores Ma lu Mi ra nda e André Pe re ira e da roteir ista Beatr iz Ma nella. Po r isso, o cenár io esco-

Pa ra o diretor, havia algo ali na Beneficência Portuguesa:

“A gente passava pela porta do hospital e sentia um turbilhão, a equipe via coisas, co ntava casos. Filmamos com essa te nsão nos ombros. Essas co isas ex iste m.”

‘O RASTRO’, TERROR NACIONAL QUE SE PA SSA EM HOSPITAL ABANDONADO, TEM RAFA EL CARDOSO E LEANDR A LEAL NO ELENCO, MA S PROTAG ONISTA É O PRÓPRIO CENÁRIO

lhido foi um hospital público decadente, cenár io que em nosso país in- vari av elmente re mete a pesadelos. Curiosamente, realidade e ficção acabaram se misturando durante as filmagens, realizadas no primeiro semestre de 2016. Procurando loca- ções, a equipe encontrou um hospital que de fato estava sendo desativa- do: a Beneficência Portuguesa, na Rua Santo Amaro, na Glória. Além de ladrilhos hidráulicos e paredes simétricas, o prédio vinha cheio de efei- tos especiais, como morcegos que voavam sobre a equipe. Uma noite,

cortaram a luz e foi preciso recorrer a gerador e lanternas de celular pa- ra contin uar trab al ha nd o. No quinto andar, desativa- do há 16 anos , biólogos identificaram uma série de ameaças : foi preciso lim- par tudo e de pois suj ar novamente com recursos cenográficos. — Se fosse estúdio , não ser ia tão per feito — comen ta J. C. — Po de-

, não ser ia tão per feito — comen ta J. C. — Po de- Aparição.

Aparição. Le andra Le al também está no filme

mos dizer que o hospi- tal é o protagonista.

está no filme mos dizer que o hospi- tal é o protagonista. CLÁSSICOS QUE INSPIRARAM OFILME

CLÁSSICOS QUE INSPIRARAM OFILME

1. “O iluminado” (1980).

Stephen King livremente adaptado por Stanley Ku brick deu num filme ate rrorizante e bom.

2. “O sexto se n ti do”

(1999). Se não co nhece o

final, não fa le co m nin- guém e vá assistir agora.

3. “Os outros” (2001).

Além da trilha sensacio- nal, do próprio diretor Alejandro Amenábar, te m uma at uação antoló- gica de Nicole Kidman.

FOTOS DE DIVULGAÇÃO

antoló- gica de Nicole Kidman. FOTOS DE DIVULGAÇÃO 1. “C hegooou Johnny!” 2. “Vejo pessoas mortas!”

1.

“C hegooou Johnny!”

Nicole Kidman. FOTOS DE DIVULGAÇÃO 1. “C hegooou Johnny!” 2. “Vejo pessoas mortas!” 3. “C adê

2. “Vejo pessoas mortas!”

Nicole Kidman. FOTOS DE DIVULGAÇÃO 1. “C hegooou Johnny!” 2. “Vejo pessoas mortas!” 3. “C adê

3. “C adê meu Oscar?”

DE OLHOFOTOS DE DIVULGAÇÃO Donas “A vida não era fácil para ninguém, muito menos para as

FOTOS DE DIVULGAÇÃO

DE OLHO FOTOS DE DIVULGAÇÃO Donas “A vida não era fácil para ninguém, muito menos para

Donas

“A vida não era fácil para ninguém, muito menos para as mulheres. Não éramos livres, mas sonhávamos em ser.” A frase no trailer de “Las chicas del cable” (algo como “As telefonistas”) resume as intenções da nova

atração da Netflix . Primeira produção espanhola da plataforma, a série se passa em Madri no ano de 1928 e gira em torno de quatro funcionárias de companhia telefôni- ca. Lídia (Blanca Suárez) tem um passado misterioso que vem à tona; Ángeles (Maggie Civantos), mãe de uma menina, está presa a um casamento horrível; Carlota (Ana Fe- nández) é uma it-girl dos anos 1920 em busca de sua independência ; Marga (Nadia de

Santiago), por fim, é uma menina do interior recém-chegada à capital, cheia de ilusões.

das

linhas

SÉRIE MOSTR A TELEFONISTAS EMP ODER ADAS NA MADRI DE 1928

O p ro dutor -executivo , Ra-

món Ca mpos, fala do projeto à Ela Re vista :

— E scol hemos as telefonistas porque eram modernas, admiradas e ao mesmo tempo lutavam para não ficar à sombra dos homens. Feminismo à parte, “Las chicas” traz marcas de “Gran Hotel” (2011- 2013), dos mesmos criadores. Estão lá as locações primorosas, os figuri- nos impecáv eis, os diálogos inteli- gentes e o galã Yon González, ex-Ju- lio Olmedo, agora Francisco. A pr imeira temporada já est á to da no ar : são ágeis oito ca pítulos . Se ser ve de consolo, Ca mpos infor ma :

— Já estamos gravando a segunda temp or ada . Nã o dar ei sp oilers . Só adianto que elas estão cada vez mais for tes, lutando por seu espaço.

elas estão cada vez mais for tes, lutando por seu espaço. Quarteto fa ntástico. A partir

Quarteto fa ntástico. A partir da esquerda, as protagonistas da série: Nadia de Santiago, Maggie Civantos, Ana Fernández e Blanca Suárez

Emiliano Urbim emiliano.urbim @oglobo.com.br 20_ ELA REVISTA _14.5.2017
Emiliano Urbim
emiliano.urbim
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20_ ELA REVISTA _14.5.2017
GENTE FINA Bruno Drummond info @brunodrummond.com
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Bruno Drummond
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LÁ FORA 22_ ELA REVISTA_14.5.2017

LÁ FORA

22_ ELA REVISTA_14.5.2017

FOTOS DE DANIEL OCHOA DE OLZA/AP

FOTOS DE DANIEL OCHOA DE OLZA/AP Novas em flor Rito de passagem na Espanha Marcelo Balbio
FOTOS DE DANIEL OCHOA DE OLZA/AP Novas em flor Rito de passagem na Espanha Marcelo Balbio

Novas em flor

Rito de passagem na Espanha

Marcelo Balbio balbio @oglobo.com.br
Marcelo Balbio
balbio
@oglobo.com.br

P ara uns, é inquietante. Para outros, encantador. Para todos, intrigante. Sempre no início de

maio, a localidade de Colmenar Viejo, na Comunidade de Madri, na Espanha, promove um

dos rituais mais tradicionais do país, a festa de las mayas. O costume é assim : cinco meninas

são eleitas protagonistas da festa e devem se manter imóveis por ao menos um par de horas, sobre um altar, à vista de todos os familiares e visitantes. Enfeitadas com saias, xales, colares e tiaras, elas viram parte de um cenário, emolduradas por flores, oferendas e quitutes que passantes trocam por moedas. Elas ora parecem exultantes; ora não escondem certo desconforto. Pagão, seria um culto à feminilidade, à primavera e à fertilidade; religioso, um louvor à Nossa Senhora dos Remédios. Nestes tempos em que se discute o empoderamento feminino e a igualdade entre os sexos, o rito pode parecer anacrônico. Fato é que sempre faz pensar e rende boas imagens. No caso do fotó- grafo Daniel Ochoa de Olza, ótimas imagens. O espanhol chegou a ser premiado no World Press Photo, no ano passado, com sua série de mayas. Este ano, esteve lá de novo, e o resultado não foi diferente, como se vê nestas páginas. Beleza que convida à reflexão.

se vê nestas páginas. Beleza que convida à reflexão. Meninas na fe st a de las

Meninas na fe st a de las maya s, foto grafadas por Daniel Ochoa de Olza, da agência AP, que no ano passado foi agraciado co m um dos títulos do prêmio Wo rld Press Photo

14.5.2017_ ELA REVISTA _23

CAPA

os dois lados da pedra que

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o l

a

LU CAS DE PA IVA, FI LHO DE DIPLOMATA, E MARIA LU IZA JOBIM, FILHA DO MAESTRO, FA LAM SOBRE INFLUÊNCIA DA FA MÍLIA, VIAGENS, PA RCERIAS E, CL ARO, SEU DUO DE POP ELETRÔNICO

24_ ELA REVISTA _14.5.2017

Joana Dale joana.dale FOTOS @oglobo.com.br Bruno Machado elarevista @oglobo.com.br
Joana Dale
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Bruno Machado
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CAPA

CAPA M ar ia Luiza Jo bim e Lu cas de Pa iva, de 30 e

M ar ia Luiza Jo bim e Lu cas de Pa iva, de 30 e 29 anos, re spectivamente, fazem uma força danada para ma nter o carão e não gargalharem du- rante o ensaio fotográfico realizado na Cidade das Ar tes, na Barra.

— Tem que fazer cara de intensidade, de sofr imento, da nossa mú sica — dis- para Lucas, causando efeito inverso em Ma ri a Luiza.

O entrosamento entre os dois é resultado da parcer ia musical iniciada há

quatro anos, quando cr iaram o duo de pop eletrônico Opala.

Alfabetizados em inglês, Maria Luiza e Lucas compõem mais na língua estrangeira. Sete das oito músicas do primeiro CD são assim

26_ ELA REVISTA _14.5.2017

Você vive praticamente casado com a pessoa com quem você toca, especialmente nessa relação de compor, arranjar e produzir junto — opina Lucas. — So mos amigos de verdade, amanhã ele vai a um chur ra sco lá em casa — conta Mari a Lu iza. Lu cas também foi um dos convidados do casa- me nt o re li gioso de Ma ri a Lu iz a com o adv o ga do Paulo Fi gueiredo, em It aipava, em 2015. Na ocasi- ão, ela entrou na igreja com um vestido cr iado pelo

estilista Guilher me Guimarães ao som (apenas instr umental) de “Luiza”, com- posição de seu
estilista Guilher me Guimarães ao som (apenas instr umental) de “Luiza”, com- posição de seu

estilista Guilher me Guimarães ao som (apenas instr umental) de “Luiza”, com-

posição de seu pai, To m Jo bim (19 2 7 -1 99 4 ). A fest a nã o teve ca nja do Opa l a, ma s contou com show de Paula Mo relenbaum, amiga da família, Paulo Jobim, ir mã o da noiva, e Danilo Caymmi, seu padr inho. O som do Opala, aliás, não é de festa. Tem uma pegada mais intimista, para escutar com fones no ouvido.

— Não é para bombar na pista — resume Lucas.

O nome do duo, que tem ela nos vocais e ele no teclado, é uma re ferência à pedra preciosa de br ilho fur ta-cor :

— Opala tem uma sonor idade que nos agrada, ma s foi a Lu iza que veio com essa sugestão de nome — ele conta. Ela confir ma :

The Strokes ninguém associa a “Os derrames” e, sim, à banda — completa o tecladista. Enquanto o duo vai conquistando território, há ainda quem associe o nome ao carrão produzido pela General Motors no Brasil de 1968 a 1992. — A gente ficou até com vontade de fazer um disco com o carro na capa — diver te-se Lucas.

— Eu sempre gostei da pedra. O pr imeiro presente que meu pai deu para a

minha mã e foi um anel com uma opalinha — lembra. — É difícil dar nome para banda E a verdade é que inicialmente tudo soa meio ri dículo. —Mas, com o tempo, desassocia-se do significado de origem. Quando fala-se

meio ri dículo. —Mas, com o tempo, desassocia-se do significado de origem. Quando fala-se 14.5.2017_ ELA

14.5.2017_ ELA REVISTA _27

CAPA

Maria Luiza no co lo da mãe, Ana Lo ntra Jobim, em 1995

Ao lado de Danilo e Alice Caymmi, em evento musical, em 2013

Ao lado de Danilo e Alice Caymmi, em evento musical, em 2013 Brincando de esconde-esconde com

Brincando de esconde-esconde com o pai ao piano, em 1988

Ma ri a Lu iza fez algumas cur vas e paradas estratégicas até decidir seguir o caminho da música. A caçula de Tom Jo bim chegou a cursar cinco anos de Arquitetura, estagiou no escr itór io de Lia Siqueira, ma s acabou não se for ma ndo.

— A minha família tem cer ta tradição em arquitetura. Me u pai fez e largou no meio. Me u ir mão

Paulinho é arquiteto for ma do, foi ele quem projetou a casa no Ja rd im Botânico onde cresci —

lembra. — Ac ho que ex iste uma cor relação na constr ução do pensamento ar tístico. E a técnica musical é pura matemática. Existem vári os músicos que são matemáticos. Eu não sou um deles! So u absolutamente intuitiva. Não tive uma educação for ma l em música. Quando estava inclinada a deixar a prancheta, surgiu a Baleia, a banda. Mari a Luiza ficou al- guns anos no gr upo, onde interpretava standards de jaz z, mas sentiu falta de trabalhar compo- sições própr ias. E foi aí que o Opala entrou nessa histór ia.

— Tive um encontro feliz com o Lucas, a gente fala a mesma língua. Saí da Baleia porque estava

a fim de fazer um trabalho autoral. O Opala é uma banda totalmente independente. O nosso pri- meiro EP foi gravado dentro do closet da mãe do Lucas! Ser independente tem como moeda de troca o domínio criativo. Essa liberdade para mim é essencial, é o que torna o projeto único.

28_ ELA REVISTA _14.5.2017

“O NOSSO PRIMEIRO EP FOI GR AVADO DENTRO DO CLOSET DA MÃE DO LU CA S!”

Maria Luiza Jobim

FOTOS DE ARQUIVO

Ve st ida de bailarina, em casa, co m o pai, To m Jobim, em 1990

ida de bailarina, em casa, co m o pai, To m Jobim, em 1990 Co m
Co m a mãe, o irmão João Francisco e o pai, na casa da fa
Co m a mãe, o irmão João Francisco e o pai, na casa da fa mília em 1989

Em performance com Ana Cláudia Lo melino, do To no, em 2013

No palco, entre Pa ulo e Isabel Jobim, em 2009, no Espaço To m Jobim

Em pa ra lelo ao tr ab alho no Opa la , agor a Ma ri a Lu iza cur sa Le tr as , na PUC .

— Ma s desta vez eu vou me for mar. Já, já. Gosto de poesia, de literatura. Escolhi fazer Le tras por- que a faculdade me ajuda na composição. Eu sempre escrevi, mas sem saber o que estava faze ndo. Ma ri a Lu iza — que aos 7 anos par ticipou do último disco do pai, “A nt ônio Br asileir o” (1994), cantando o samba que leva seu nome — tem cer ta resistência em se apresentar como cantora.

— Nunca me vi como cantora. Me sinto ma is segura de falar que sou talvez produtora, talvez

compositora. A cantora fica um pouco limitada a ser intérprete. E eu gosto de fazer tudo, ar ra n- jos, texturas. O pacote completo. No apa rtamento onde mora, em Ip anema, ela ainda toca piano e violão (ambos instr umentos herdados do pai), ma s só em saraus para os íntimos.

— So u uma Nara Le ão com síndrome do pânico ( risos ). A minha re lação com os instr umentos

ainda é coisa a ser trabalhada. Ac ho que tudo tem seu tempo. Eu nunca tive pressão da minha família para fazer na da. Fo i tudo mu ito nat ural para mim. Cresci em um a mb iente mu sical, quando o meu pai estava vivo, aconteciam vári os saraus lá em casa, que ele

chamava de ensaios. Era muito gostoso.

lá em casa, que ele chamava de ensaios. Era muito gostoso. “S OU UMA NA RA

“S OU UMA NA RA LEÃO CO M SÍNDROME DO PÂ NICO”

Maria Luiza Jobim

14.5.2017_ ELA REVISTA _29

CAPA

O Japão uniu Maria Luiza e Lucas. Quando ela estava de viagem marcada para Tó quio, seis anos at rás, uma amiga em comum comentou que ele tinha morado lá e que poderia dar dicas. E assim foi fe ito o primeiro co ntato. Há uma influência nipônica no Opala. “É uma co isa do sentimento estranho do Japão, meio aconchegante, meio isolado”, diz Lucas.

do Japão, meio aconchegante, meio isolado”, diz Lucas. Fi lho do diplomata cari oca Ma rc

Fi lho do diplomata cari oca Ma rc os Ca ramu ru de Paiva, Lu cas nasceu em Ca racas e cresceu no mundo. Há sete anos, se baseou no Rio e chegou a ingressar na faculdade de Economia, no Ibmec, ma s não se identificou.

— L ar guei a faculdade e fui fa zer ku ng fu na Chin a, fiquei um mês no mon as-

tér io, nu m vilarejo no meio do na da , e decidi que quer ia ser mú sico — lem br a. — S empre ou vi mu ita mú sic a em ca sa , meu pai tem um a coleç ão de ma is de qua tro mil CDs. To co teclado, ma s nã o sou um puta tecladista , sou mediano,

quem sa be um dia bom . Ma s sei ar ra nj ar, compor, fa zer as ha rm onias. A minh a re laç ão com a mú sic a sempre foi ma is in telectual do que de hab ilidade. Nã o sou um mú sico clássico. Pa ra se apr imorar em áudio e produção, Lucas foi estudar na Inglater ra e vol- tou para o Rio cheio de novidades. Conseguiu boas opor tunidades, como pro- duzir o pr imeiro EP do capixaba Si lva e fazer trabalhos em parcer ia com a can- tora Ma rc ela Vale, a Ma hmundi — “Eterno verão” é uma música dele.

— Se mpre consegui trabalhos na base do “tem um menino novo, que acabou

de voltar do exter ior, com umas ideias diferentes, conversa com ele”. As pe ss o- as se mpre me apresentam assim ( risos ). Fo i nessa época, há seis anos, que ele esbar ro u com Ma ria Luiza, num show da Ma hmundi na Comuna, em Botafogo. Um ano depois, o pr imeiro show do Opala aconteceu no mesmo palco.

— A Comuna foi minha casa de consagração, botou muita gente no ma pa.

Pe na que hoje não ro la ma is show lá, o público mudou — obser va Lucas, que passou a frequentar o Escr itór io e o Motim, espaços na Lapa.

“LARGUEI A FACULDADE E FUI FAZER KUNG FU NA CHINA”

Lucas de Pa iva

30_ ELA REVISTA _14.5.2017

Ao mesmo tempo que se dedica ao Opa la , Lu ca s toc a na ban d a Sé cul os Ap aix on ados e co m a ca nt or a Alic e Caymmi:

— Opala dá passos ma is len tos do que os outros projetos. A Sé culos Apai- xon ado s é um a band a que fa z todo e qualquer show, até em birosca para cin- co pessoas… Alice tem o desejo de ser grande. Enquanto isso, a Lu iza não tem pr essa par a bom bar, dig amos assim . A gente não se mete em fr ia, vai com calma, no nosso tempo. Um ri tm o par ticul ar de de ixa r a pedra rolar. Like a ro lling stone.

ticul ar de de ixa r a pedra rolar. Like a ro lling stone. Edição de

Edição de Moda: Rogério S. Produção de moda:

Lucas Magno Beleza: Mary Saavedra Assistente de foto grafia:

Marcus Sabah Agra decimento: Cidade das Artes

Foto da ca pa:

Maria Luiza: Pa letó Cris Barros, body e calça Lagoa na OS/O N Lucas: Camisa longa Handred na Dona Co isa, calça Osklen Foto pá gs. 24 e 25:

Maria Luiza: co lete Au gustana, tricô Animale, calça Uma na Dona Co isa, mules Melissa Lucas: parka Handred, blusa e calça Handred na Dona Co isa, tênis Co nverse Foto s págs. 26 e 27:

Maria Luiza: paletó Animale, camisa Andrea Marques na Dona Co isa, saia Cris Barros. Lucas: jaqueta Fo rever 21, camiseta e calça Osklen

FOTOS DE ARQUIVO

Pe dalando co m o pai, Marcos Caramuru de Paiva, nos EUA, em 1995

Po sando ao lado de Maria Luiza Jobim, em 2013, primeiro ano do Opala

Em Tó quio, este ano: o interesse pelo Japão uniu Lucas e Maria Luiza

Em fo rmação co m a banda Séculos Apaixonados, em 2013

Lucas em ação dentro de um estúdio em Syd ney, em 2008
Lucas em ação dentro de um estúdio em Syd ney, em 2008

14.5.2017_ ELA REVISTA _31

DIVULGAÇÃO/LETICIA WEIDUSCHADT

DIVULGAÇÃO/PA BLO ENRIQUEZ
DIVULGAÇÃO/PA BLO ENRIQUEZ

PERFIL

MINEIR A, ENGAJADA, DESCENDENTE DE ÍNDIOS: ARTISTA DE 43 ANOS É ESCOLHIDA PARA REPRESENTAR O BR ASIL NA BIENAL NA ITÁLIA, QUE COMEÇOU ESTA SEMANA

CINTHIA

MARCELLE

Veneza!

32_ ELA REVISTA_14.5.2017

DIVULGAÇÃO/C INTHIA MARCELLE

Ela também está em cartaz no PS1, anexo do MoMA, em Nova Yo rk, até se tembro, co m a obra “Educação pela pedra” (acima)

Joana Dale joana.dale @oglobo.com.br
Joana Dale
joana.dale
@oglobo.com.br

N ome ainda pouco conhecido do grande público brasileiro, a artista mineira Cinthia

Marcelle, de 43 anos, está com tudo lá fora. Ela foi a escolhida para representar o

Brasil na Bienal de Veneza, que começou esta semana, na Itália, e está em cartaz no

PS1, anexo do MoMA , em Nova York, com a instalação “Educação pela pedra”. — A Duplex Galler y do PS1 era uma escola pública, que virou espaço experimental de arte. No meu projeto, então, criei uma espécie de grande caderno pautado com bastões de giz, encaixados nas fissuras da parede de tijolos. É como se eu tivesse lendo o espaço — conta a artista, que a vida inteira estudou em escola pública.

tivesse lendo o espaço — conta a artista, que a vida inteira estudou em escola pública.

14.5.2017_ ELA REVISTA _33

PERFILDetalhes da instação “C hão de caça”, em ex ibição na Bienal de Ve neza

Detalhes da instação “C hão de caça”, em ex ibição na Bienal de Ve neza

Realizada em 1970, em Belo Horizonte, a lendária exposição “Do corpo à ter- ra” foi determinante na sua formação. Ela ainda não era nem nascida, mas em seu primeiro ano na Escola de Belas Artes da UFMG teve a oportunidade de conferir uma remontagem do evento. Um dos grandes nomes da mostra foi Artur Barrio, curiosamente, o último artista a ocupar sozinho o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, em 2011 — na ocasião, o artista português de 72 anos, radicado no Brasil há mais de seis décadas, levou à Itália uma retrospectiva e uma obra inédita. Por sua vez, Cinthia Marcelle desenvolveu a instalação “Chão de caça”, composta por um pi- so gradeado típico do metrô, um conjunto de esculturas e um vídeo feito em parce- ria com o cineasta Tiago Mata Machado, que representa um naufrágio. — É como se a ideia de nação estivesse naufragada. E um bando de entidades, os últimos sobreviventes, estão tentando se estabelecer, resistir, persistir. Não tem como ocupar o Pavilhão do Brasil, uma ferramenta muito poderosa no sentido político, sem levantar os problemas atuais. Fazer arte é fazer política — afirma a artista, que é bisne- ta de uma índia. — As pessoas perguntam muito se sou indiana (risos ). risos).

— As pessoas perguntam muito se sou indiana ( risos ). Os batalhões envo lvidos na

Os batalhões envo lvidos na produção das obras de Cinthia Marce lle no Brasil e no ex terior

Cinthia surgiu no mercado como promessa em

2003. Na época, ela, Lais Myrrha, Marilá Dardot, Matheus Rocha Pitta e Sara Ramo chamaram a atenção com trabalhos desenvolvidos num pro- grama de residência no Museu da Pampulha. — O fato de trabalhar mos com instalações, si- te sp ecific , nos tornou uma geração que estabe-

de trabalhar mos com instalações, si- te sp ecific , nos tornou uma geração que estabe-
de trabalhar mos com instalações, si- te sp ecific , nos tornou uma geração que estabe-

34_ ELA REVISTA _14.5.2017

FOTOS DE DIVULGAÇÃO/MARILIA RUBIO

FOTOS DE DIVULGAÇÃO/MARILIA RUBIO Cinthia não te m ate liê. Cria em parques, no avião. “Quando

Cinthia não te m ate liê. Cria em parques, no avião. “Quando faço desenhos, trabalho em qualquer lugar. Te nho uma série fe ita em palestras de cinema e arte. Em vez de anotar, desenho e crio uma situação um pouco cômica, irônica. Co mo desenho mal, acabo reve lando um mundo cheio de subjetividades.”

lece resistência ao acelerado mercado da ar te — obser va. — O início do meu tra- balho foi muito lento. Fi quei muito tempo produzindo antes de expor, diferente- mente da geração atual, que mostra e já vende o que ainda está produzindo. Cinthia continua em seu ri tmo, o que acaba gerando fila de espera de interes- sados por suas obras nas galer ias que a re presentam no Rio e em São Paulo. De sde 2014, ela vive em São Paulo com a filha Ava, de 7 anos. — Não me mu dei pelo tr ab alho, vim por paixão, por um a questão afetiv a.

Do jeito que as coisas estão, com in ter- net , Wh at sA pp , enfim , poder ia tr ab a- lh ar em qualqu er lug ar — di z. — Me u at eliê é men tal. Uma coisa que funcion a mu ito comigo é o mo vimen to. Pa ra de ter min ad os pr ojeto s, Cin thia alug a ga lpões por tempor ada . Fo i assim para desenvolv er a obra da Bi enal de Ve - neza, que envolveu ma is de 40 pessoas, en- tr e ar qui tetos , pin tor es , telh adis tas . Os grandes trabalhos da ar tista costumam en- volver batalhões e, por isso, re luta em posar sozinha para fotos :

— É impor tan te o ar tista re pensar o seu lugar. Eu não cheguei a Veneza sozinha.

o ar tista re pensar o seu lugar. Eu não cheguei a Veneza sozinha. FOTOS DE

FOTOS DE ARQUIVO PESSOAL

o ar tista re pensar o seu lugar. Eu não cheguei a Veneza sozinha. FOTOS DE

14.5.2017_ ELA REVISTA_35

BELEZA FOTOS DE DIVULGAÇÃO 36_ ELA REVISTA _14.5.2017 Must , da Cartier. Notas de baunilha

BELEZA

FOTOS DE DIVULGAÇÃO
FOTOS DE DIVULGAÇÃO

36_ ELA REVISTA _14.5.2017

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de açafrão-preto indiano. Preço sugerido: R$ 524 (100ml) Myrrh & Tonka , da Jo Malone Lo

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14.5.2017_ ELA REVISTA _37

MODA Jacqueline Cost a jac @oglobo.com.br FOTOS Ro drigo Marques elarevista @oglobo.com.br À esquerda, vest

MODA

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38_ ELA REVISTA _14.5.2017

14.5.2017_ ELA REVISTA _39
14.5.2017_ ELA REVISTA _39

14.5.2017_ ELA REVISTA _39

MODA D epois de esq ueci do por a lgum mpo n o ro l

MODA

D epois de esq ueci do por a lgum

mpo n o ro l das tend ênc ias par a

te

o

i nv erno , o veludo volt ou com

tudo e de um jeito color id ér ri mo. Ab ai- xo a quele pr etinh o básic o de s empr e. As gr if es apo star am em mod elag ens ma is ju stin ha s, decot es ous ados e co - re s in usi tadas par a dar um ar ma is mode rno ao te cido. Bl usas , vestid os e ca lç as ap ar ecem ag or a em az ul, ro sa , ver de e nu ma in fi nida de de tons , que- br ando a monotonia . O veludo que

es tá em al t a me sm o é a qu ele qu e tem um look molh ado , ou sej a, co m um qu ê ma is eleg an te . Na Se ma na de Mo da de No va

Yo rk , ele ap ar ec eu de um jeit o tr adi- cion al na passar ela de Osc ar de la Re nt a e da Pr ab al Gu ru ng . Uma da s mode los que des fila ra m par a o es-

ti lis ta Je re my Sc ot t sur giu com um

look bem mode rni nho: ca lç a ro sa- shoc king de velud o e t- shir t. Em

Pa ri s, a Va le nt ino apr es en to u ves- tidos fluidos de veludo molh ado co mo um a fo rm a chiqu e e, ao me smo te mpo, mo dern a de usar

o t ecido. Po r aqui , a tendên cia apar ece

em look s par a to das as oc asi ões , sej am ca suais , descolados ou ma is for ma is . O velu do tam bé m

é u ma alt e rn at iv a fashio n par a quem cu rt e vi su al co m um to- que de anos 80. Na Sã o Pa ulo

Fa sh ion We ek , as gr ife s Pa tBo, Ap ar tam en to 03, Ra tier, Lilly

Sa rt i e Anim al e exalt ar am o

velud o. Vi to ri no Ca mpos , es-

ti lis ta da An im ale , lan ço u

mã o da tendência em vá ri as

pe ça s da col eç ão outo no -in- vern o da gr ife ca ri oc a:

— É um teci do que , além do confor to , dá à pe ça um ca imen to supe ri nt er ess an-

te . Ad or o tr ab al ha r com es-

ta mat ér ia- pr im a, que é a ca ra dos dias de in verno —

af ir ma Vi to ri no.

Qu er ma is opç õe s? Ap oste tam bém em aces- sór ios como bols as , mo-

chilas e sa ndálias . Ta m- bém na li nh a veludo mo-

lh ado, claro.

40_ ELA REVISTA_14.5.2017

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Pe ndentes To m Dixon, na Lumini, por R$ 6.050, cada

N em pr at a, nem our o. O cob re está com tudo qu ando o as sun to é deco - ra çã o. Da s lumi ná ri as de To m Dixo n a um a ban hei ra que ro uba a ce- na de tão mode rn a e eleg an te , nã o faltam obje tos par a seg uir a ten-

dênc ia . A pit ada de cob re na ca sa pode fic ar por con ta de um a ca deir a, co- mo a Ma ste rs , ass in ada por Ph ilip pe St ar ck par a a Ka rt el l, ou at é mesm o a ca rg o de um a lumin ár ia de mes a, como a Ja rd im , cr ia da pelo desi gner Ja de r Almeid a. Se a idei a é in vest ir em pequ enos de talhe s, as alt ern at iv as tam- bém são mu it as . Há lumin ár ias , va so s, bo w ls e um ch ar moso tr io de ab ac a-

xi s, qu e podem enfeitar o bar. A ar quiteta

ca ri oc a Lia Si queir a cr iou par a a De ca a té um a lin ha de met ai s par a ban hei ro no to m, que va i bem co m out ro s ma ter iai s, co mo ma de ir a, vi dr o e pedr as .

pe ça s dou ra das e pr at ea das . Af in al, o cob re me re ce re in ar so zinh o em qualq ue r am bi en te .

Um a dic a é evit ar

a mistu ra co m

ue r am bi en te . Um a dic a é evit ar a mistu

Kit de abacaxis (R$ 216, na LZ Studio)

ar a mistu ra co m Kit de abacaxis (R$ 216, na LZ Studio) Cadeira Masters,

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Philippe Starck para a Kartell (R$ 3.845, na Novo Ambiente) Centro de mesa de cerâmica (R$

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Luminária de mesa Jardim, por Jader Almeida (R$ 4.440, no Arquivo Co ntemporâneo)

14.5.2017_ ELA REVISTA _43

PASSAPORTELuciana Fróes elarev ista @oglobo.com.br ESQUEÇA O CAVIAR (P ORQUE NÃO TEM), AP OSTE NA

Luciana Fróes elarev ista @oglobo.com.br
Luciana Fróes
elarev ista
@oglobo.com.br

ESQUEÇA O CAVIAR (P ORQUE NÃO TEM), AP OSTE NA VODCA (Q UE TEM AO S MONTES), INVISTA NA CULINÁRIA (Q UE É BOA) E DESCUBR A A GR ANDE CIDADE PENSADA POR PEDRO, O GR ANDE

São

Petersburg

S ão 60 dias de sol por ano em São Petersburgo. Peguei três, e seguidos: dias lindos, radiantes, com

as onipresentes torres revestidas de ouro reluzindo nas alturas, e uma temperatura para lá de

camarada para os padrões de uma cidade onde os termômetros caem, fácil, para os 40 graus

Celsius negativos. Na virada do ano, a multidão que se reuniu na imponente Praça do Palácio, em frente ao Hermitage, encarou menos 24 graus numa alegria só. Haja vodca. Ou chás, que tomam bal- des, ou os bons vinhos produzidos na Geórgia, das uvas Saperati, que rendem tintos refinados e afi- nados com as muitas cozinhas desta que é a segunda maior cidade da Rússia. São cinco milhões de habitantes. À mesa, desfrutei da culinária do Cáucaso; provei (e não deu para escapar) do legítimo “stroganoff ”, ali ser vido com trigo sarraceno no lugar do arroz; procurei e não encontrei o frango à Kiev (será que é coisa nossa?); e não vi uma ova (uma sequer) de caviar pela frente. Eu e 90% dos locais, que, segundo as estatísticas, não comem caviar jamais. Beluga, ossetra, sevruga? Só indo para o Irã. Ou Paris. Em compensação, eles se fartam de outras ovas adoráveis de peixes do Cáspio, com as quais recheiam, sem parcimônia, as panquecas (e não blinis) ser vidas em casas como a rede Tepemok, na Nevsky, a maior (e linda) avenida de São Petersburgo.

na Nevsky, a maior (e linda) avenida de São Petersburgo. 44_ ELA REVISTA _14.5.2017 Cate dral

44_ ELA REVISTA _14.5.2017

avenida de São Petersburgo. 44_ ELA REVISTA _14.5.2017 Cate dral do Sangue Derramado: torres reluzen- tes

Cate dral do Sangue Derramado: torres reluzen- tes num dos poucos dias de sol na segunda maior metrópole da Rússia e co nsiderada a joia do país

LUCIANA FRÓES

o

14.5.2017_ ELA REVISTA_45

PASSAPORTEDifícil não imaginar Catarina, que co lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio Av

Difícil não imaginar Catarina, que co lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio

lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio Av iso aos navegantes : viajar para a
lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio Av iso aos navegantes : viajar para a
lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio Av iso aos navegantes : viajar para a
lecionava amantes, namorando num dos aposentos do palácio Av iso aos navegantes : viajar para a

Av iso aos navegantes : viajar para a Rú ssia re quer um mínimo de conhecimento prévio. Ne stes tempos de cem anos da Revolução Ru ssa, achei por bem ler mais sobre a trajetó- ri a de Le nin; conhecer melhor Catar ina, a Grande; inteirar-me sobre o Mu seu Nacional Ru sso, com pinturas feitas antes e depois da re volução, o que muda tudo; e entrar no site do Her- mitage e selecionar o má xi mo para ver nas suas 1.053 salas. Não cheguei a 20. São três milhões de obras expostas, não é para desavisados. Mi nha guia, Anastácia, dois metros de altura, belíssi- ma e de por tuguês fluente, disse que são precisos 12 anos para conhecer plenamente o maior museu do mundo. Ta lvez numa nova encarnação. Ma s fiz o que deu. Circulei pelo Palácio de Inverno atenta ao chão, confer indo o tanto de madeira brasileira usada para compor os mosai- cos lindos. Chorei com o “O re gresso do filho pródigo”, de Re mbrandt. Imaginei Catar ina namo- ra ndo muito naqueles aposentos (ela colecionava amantes) e parei no tempo na sala simples, com mesa e cadeiras brancas, tapeçar ias nas paredes e um detalhe impactante: o re - lógio parado em 14h15m. Ali e naquela hora, Nicolau II, Alexandra e os cinco filhos souberam da chegada de Le nin. A Revolução estava em curso. Ele foi o último czar.

II, Alexandra e os cinco filhos souberam da chegada de Le nin. A Revolução estava em
II, Alexandra e os cinco filhos souberam da chegada de Le nin. A Revolução estava em
 
 

No alto, a partir da

direita: o co lorido dos doces da Eliseevsy; pâtisserie co m marzipã;

a

pintura de Arkhipov,

no Museu Nacional; e

hora exata da Revo lu- ção Russa

a

46_ ELA REVISTA _14.5.2017

FOTOS DE LU CIANA FRÓES

Pa lácio de ve rão de Catarina: Pushkin, a uma hora de carro

Sol sobre o Rio Neva , que te m 300 pontes: “s egunda Ve neza”
Sol sobre o Rio Neva , que te m 300 pontes: “s egunda Ve neza”
Mariinsky: onde Tchaikovsky estreou, para assistir à “A ída”
Mariinsky: onde Tchaikovsky estreou, para assistir à “A ída”

Id eal izada por Pe dr o, o Gr ande , em 1703, par a ser um a “s egu nda Ve ne za”, por con ta das 300 pon tes sobr e o Rio Ne va, a cidade é a joia da Rú ssia . Se ja pela ab undância de our o nos mon umen tos e igr ej as (a cer imônia or todo xa nã o tem ser- mã o, é ca nt ada , acon tece de pé e pode dur ar oito hor as , se anim a?); a bele za das constr u- ções color idas , “p ar a compensar a dur ez a do clim a”, os seus 56 tea tr os de pr ogr am aç ão at i- No Ma ri insk y, assist i à “A ída” por enxutos R$ 100. E bem sen tada . A Ig re ja do Sa lv ador do Sa ngue De rr am ado , por ma is foto s que já se t enh a visto na vida , emoci on a, surpr een- de , ar re ba ta . Ou tr a emoç ão e a um a hor a de ca rr o de Sã o Pe ters bur go: o Pa lácio de Ve rã o de Cat ar in a, em Pu shkin , cheio de histó ri as , detalhes em our o e um a sala toda em âm bar deslum br an te . Na Ne vsk y, fic a a bela ca sa de ch á Elisee yev, estilo ar t n ou vea u, com doce- ri a únic a e Tc ha ik ov sk y em balando tudo e todos . Fo i ali, aliá s, onde deixei minh as lu va s, volt ei par a re sg at á-las e ac ab ei esc apan do da bom ba que explo diu na Sp asska ya, estaç ão de metr ô nos planos do dia . E salve Sã o Jo rg e, o gr an de p adr oeir o da Rú ssia . Ma is um en tr e tan tos apr endiza dos que tr ouxe na bag agem dessa tr ip inesquec ível.

dos que tr ouxe na bag agem dessa tr ip inesquec ível. FINLÂNDIA RUS SIA Sã
FINLÂNDIA RUS SIA Sã o Pe ter sburgo MOSCOU UCRÂNIA
FINLÂNDIA
RUS SIA
Sã o
Pe ter sburgo
MOSCOU
UCRÂNIA

14.5.2017_ ELA REVISTA_47

Luciana Fróes email @oglobo.com.br GOURMET 48_ ELA REVISTA _14.5.2017
Luciana Fróes email @oglobo.com.br
Luciana Fróes
email
@oglobo.com.br

GOURMET

48_ ELA REVISTA _14.5.2017

Luciana Fróes email @oglobo.com.br GOURMET 48_ ELA REVISTA _14.5.2017

FOTOS DE FABIO ROSS I

SAFR A RECORDE E CRIATIVIDADE INESGOTÁVEL DE CHEFS FAZEM DA FRUTA A GR ANDE ESTRELA DA ESTAÇÃO. EM TAÇA S, PR AT OS E BOWLS, NOS RESTAURANTES DO RIO, SÓ DÁ EL A, PODE REPAR AR

DE SALTO

ALTO

Caqui batido e coro ado co m chantilly de mascarpone e crumble, por Fred de Maeyer, do Eça

14.5.2017_ ELA REVISTA_49

FA BIO ROSSI

FA BIO ROSSI GOURMET ÁGUA DE CAQUI Rafa Cost a e Silva leva dois dias para

GOURMET

ÁGUA

DE CAQUI

Rafa Cost a e Silva leva dois dias para ex trair to do o caldo da fruta, que perfuma co m horte- lã e rega sobre os gomos

F oi o gr upo Ecochefs que soprou a pedra. Ou melhor, a fr uta. O caqui está tendo a sua ma ior safra dos últimos anos. Passou de 800 toneladas. Daí, não deu outra: tem caqui quicando para tudo que é lado. Pratos, taças,

bowls. E o que ma is tiver pela frente O m elhor dessa histór ia é que estamos falando do ca qui cultiv ado logo ali — e olh a que a fr uta vem de longe, é nat iv a do Ja pão —, no Ma ciço da Pe dr a

Br anc a, o “s er tão ca ri oc a”, como já fo i c ha ma da a Zon a Oe ste do Rio nos anos 50. E é em meio à ma ior floresta em área urban a do mu ndo (fa z fron teir a com 17 bair ro s

da cidade) que um gr upo de 50 agr icultores cul- tiv a os mu itos tipos de ca quis — ra ma -for te, ta u- ba té, fuyu , kioto, guiom bo —, de ca sc a dur a ou mole, miolo fir me ou cremoso. E os tons? Am are- lados, alar anj ados, puxados par a o ver melho, co- ra dos E pequenos, medianos, gr aú dos Te m é ca qui par a o que der, vier e se in ven tar.

Os gomos da fruta tê m a co nsistê ncia e a text ura parecidas co m as das ostras. Ou seja, o caqui é a nossa ostra ve getal

50_ ELA REVISTA_14.5.2017

ANA BRANCO

ANA BRANCO GRELHADO E SALGADO No Puro, o fruto passa na grelha, ganha sal e acompanha

GRELHADO

E SALGADO

No Puro, o fruto passa na grelha, ganha sal e acompanha o lagostim e o crocante de milho de Pedro Siqueira

Bonit a e em plen a safr a, a fr uta ser ve de inspir aç ão par a vá ri os chefs do Rio , nomes como o do festej ado Rafa Costa e Si lv a, do L a s ai, que fa z água de ca qui per fum ada com hor telã , que re ga, na me sa , sobr e os gomo s da

fr uta . Po r cim a, um a nuv em de ca stanh a-de-c aju tor ra da . O per uano Vi r- gílio Ma rt ine z Vé liz, chef do Cen tr al, em Lim a, no ra nking dos melhor es do mu ndo , ac ab ou de pr ov ar e de apr ova r o pr at o do amigo .

— Pare ce br incadeira, mas é uma trabalheira danada fazer essa água. Gasto

quase dois dias para extrair todo o sumo da fr uta, que passa por um pano para coar. Na Espanha, usam muito água de tomate, que não é muito diferente do caqui. Mi nha inspiração vem daí, dos tempos em que morei e trabalhei no pa- ís — explica Rafa.

O gaú ch o Pe dro Si que ira, do Pu ro, tran sfo rma a fr uta em prat o salgado.

Grelha a polpa e ser ve com lagostins e um crocante de milho com er vas. Na saideira, ainda faz um sor vete 100% caqui, sem açúcar ou leite: fr uta pura, densa, per fumada, gostosa.

— O ca qui está bar at o, tem cor, sa bor, tex tur a, bele za , é cheio de vitamin as e ain- da tr az gr an de s his tór ia s. Co mo nã o fa zer bom pr ov eit o de tud o isso ? — ponder a Si - qu ei ra, que ago ra and a test ando o ca rpac- cio de ca qui. Vem coisa boa aí.

a Si - qu ei ra, que ago ra and a test ando o ca rpac-

14.5.2017_ ELA REVISTA_51

FOTOS DE FABIO ROSS I

GOURMET
GOURMET

TARTE

PR ATO

CAQUI

PRINCIPAL

Te resa Co rção reproduz o doce francês, mas no lugar da maçã usa caqui

Do Bazzar, grelhada, envo lta no atum, salpicada de bottarga e temperada co m manteiga de garrafa

O belga Fred de Ma eyer, que ma ri na a pol pa do ca qui e ser v e co m chantilly de ma scarpone e cr umble de sobremesa, re força o time Eco- chefs, um gr upo de cozinheiros atentos ao sazonal e ao mercado jus- to, uma parcer ia fina e direta com vá rios pequenos produtores de todo o esta- do. É uma parcer ia de valor. Uma prov inha? A profusão de caquis pelos card á- pios se deve não apenas à supersafra re gistrada, ma s a um pool de chefs que se uniram para fazer bom prov eito da fr uta. O re sultado é que não há encalhe. Ne m estrago da fr uta. Ve rd ade que a tur ma da A gro p rat a, a As s oc i ação d e Agr icultores Orgânicos da Pe dra Branca (todo o nosso caqui vem dali), tam- bém se esmerou. Os produtores, que costumam transpor tar a fr uta no lom- bo do bur ro, agilizaram o esquema de entrega nos re staurantes. — O caqui é uma fr uta delicada, perecível e de safra cur ta. Fi zemos um mutirão com estudantes e vári as entidades parceiras. O re sultado é que o que foi colhido foi entregue e está sendo usado — festeja a chef Tere sa Cor- ção, à frente do restaurante Navegador e do gr upo Ecochefs, que par ticipa

restaurante Navegador e do gr upo Ecochefs, que par ticipa com uma belíssima “tar te caqui”,

com uma belíssima “tar te caqui”, feliz adaptação do clássico doce francês. Já Claudio de Freitas, do Bazzar, fr itou a polpa, enrolou com atum, salpicou com ovas de bottarga e, nu m toque de mestre, tem perou com ma nteiga de ga rrafa com coentro. É caqui em grande estilo. Me recidamente.

52 _ ELA REVISTA _14.5.2017

BON VIVANT Luiz Horta instagram: @luiz.horta
BON VIVANT
Luiz Horta
instagram: @luiz.horta

VIVER BEM, MODO DE USAR

Luiz Horta instagram: @luiz.horta VIVER BEM, MODO DE USAR D ecidi que preciso me apresentar, explicar

D ecidi que preciso me apresentar, explicar o nome desta coluna, antes de entrar no assunto. Afinal, “bon vivant” costuma ser um xingamento, aquilo que se diz ao preguiçoso, deitado de boa no sofá, jogando games. “Você não passa de um

boa vida, não quer nada com a dureza!”, jogam na cara do infeliz. Eu sou bon vivant assumido, mas noutro sentido, de escolher viver bem. A vida, es- ta aí que temos, não tem segundo turno, pelo menos ninguém conseguiu provar que voltou para uma outra versão. Quando acabar, ponto final. O passado já foi, podemos relembrar os melhores momentos e esquecer os piores (é o que eu faço), mas re viver não tem jeito, passou e ficou lá. O futuro é uma abstração, mistura de sonhos com boas ideias, mas não dá para ga rantir que vai acontecer nada do que esperamos. Te- mos mesmo é o presente, o aqui e agora. Eu sigo alguns modelos de boas vidas que ser vem para esclarecer do que estou fa- lando. George Plimpton, fundador da revista literária “The Paris Review”, era um dos maiores. Nunca tinha dinheiro no bolso, mas tinha a alegria de inventar coisas, co-

nectar grandes escritores com artistas, criar festas do nada, viajar com o que dava. Ele conta, num texto, que estava saindo do metrô em Nova York e caiu uma chuva tor- rencial. Seu sapato estava furado e entrou água. Precisava telefonar para um amigo rico que ia pagar um número da revista, sempre deficitá-

ria de anunciantes, mas estava sem moedas para usar no telefone. Comprou uma bar ra de chocolate para fazer troco, mordeu e quebrou um dente. Conseguiu completar a ligação, o amigo atendeu no escr itór io, estressado, e soltou: “Você é um bon vivant!” Foi ali que nasceu a ideia, melhor estar na ru a com um bur aco na sol a do sapa to e um de nt e qu eb ra do, ma s uma viagem para Pari s ma rcada, que no meio do tor ve- linho das finanças, fazendo dinheiro e acabando com a própr ia saúde (e a adiando os praz eres). Prometo filosofar pouco, só vou falar uma vez da dife- rença entre os hedonistas, que buscam o praz er a qual- quer custo, e os epicur istas (d iscípulos do grego Epicu- ro), que ader iram ao conceito de praz er como au sência de dor e sofr imento. Isto é constr uído lentamente, um sor riso na adversidade. Vo to no epicur ismo. Dá para ser feliz com um bife e dois ov os fr itos em ci- ma, ou num almoço de horas num re staurante de luxo de monsieur Alain Ducasse. O av ião atra sou? Se nt e-se no a erop or to e obs er ve com gra ça as pes s oas, re pare na s ro upas , no s gest os . Nã o tem ch ampan he? Be ba água com gá s e um ra minho de alecr im fresco dentro

do copo, é gostoso, re frescante. Estamos na époc a dos pr az er es simples (não simplórios, que é sinôni- mo de tosco) num momento das coi- sas menos rebuscadas. Se tiver variá- veis demais e muito longe do alcance, nunca chegaremos a ter alegrias verda- deir as. O bon viv an t é sempre alegre com o que tem. Viaja de econômica, de carona, mas não deixa de viajar. E o melhor exemplo, o jeito mais fácil de entender o que é um bon vivant é o Rio, símbolo desta sabedoria de vida, ci- dade vocacionada para tal exercício. Então na próxima coluna começo para valer, fa- lando do Rio. Já nos apresentamos, aperta- mos as mãos e trocamos cartões de visita.

Dá para ser feliz com um bife e dois ovos fritos em cima, ou num almoço de horas num restaurante de luxo de monsieur Alain Ducasse

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PENSANDO BEM Ana Cristina Re is ana.reis @oglobo.com.br
PENSANDO BEM
Ana Cristina Re is
ana.reis
@oglobo.com.br

OEFEITO

MACRON

NA CAMA

Re is ana.reis @oglobo.com.br OEFEITO MACRON NA CAMA T udo começou inocentemente, conversa entre amigas sobre

T udo começou inocentemente, conversa entre amigas sobre notícias mundiais.

— E a Br igitte Bard ot? Pediu aos franceses que não votassem no Macron por-

que ele “é fr io”. “S e ele vencer, os animais mor rem”, disse.

— Ela enlouqueceu.

— Faz sentido: ela votou na Mari ne Le Pe n.

— A verdade é que a Br igitte quer ia ter o que a outra Br igitte tem.

— Ah, a juventude E o poder.

Je ito sutil de dizer que Br igitte Trogneux , de 64 anos, deve ser feliz com o mari do, Emma nuel Ma cron, de 39, o mais jovem presidente da Hi stór ia da França.

— Essa at ração tem nome clínico: cronoinversão ou gerontofilia. Inclinação sexu- al para as pessoas muito velhas.

— Maldade! Macron sabe das coisas. Imagina ter uma mulher que te elogia sem

parar? Começou quando ele tinha 15 anos e ela, professora, tecia os maiores louvo- re s ao aluno.

— Li sobre isso também. A Br igitte escrevia bilhetinhos dando parabéns pelas re dações e dizendo que ele era um gênio.

— Ma s nem tudo são flores. Li em algum lugar que ele tem um amante. Um ho- mem lindo, de 40 anos.

— Sabem qual foi a re sposta do Ma cron para os ru -

mor es? Dis se que ter i a que ser um hol ogr am a de si mesmo porque ele não tem tempo para mais ninguém além da Br igitte.

— Tempo a gente ar ru ma.

— Só se for você. Eu ma l dou conta de um namorado.

— Me ninas, na da disso te m im por tânc ia quando o assunto é Emma nuel Ma cron.

vol tou com depoi men tos sobr e os costumes sexuais, como o que re s-

salta a impor tância do na ri z (e das mordidas): “Eu a abra ço com todo o meu corpo, esfrego meu nariz no de-

la, sugo o seu lábio infer ior e ela suga

o meu . Então, tensos de paixão, mis- tur amos n ossas línguas ; nos morde- mos n o na ri z, nos mordemos na s bo- chec ha s, nos mordemo s nos queix os,

acar iciamos as ax ilas e as vir ilhas”.

O melhor ficou por último:

— Nu nca menosp rezem um home m

de na ri z gr a nde. Qu an to tudo ma is fa- lhar, eles ainda têm o nari z. Amigas, conversa, vinho e ensinamen- tos de alcova. Porque a vida pode ser boa.

Cyrano fazia troça do próprio nariz, que o precedia “15 minutos no tempo”. Mas no fundo ele representa o homem que ama em silêncio

— Claro! Imigração, ter rori smo, União Eu ropeia

— Não é a política. É o nari z.

Pr imei ra pausa n o bate-pa po. Ma s foi um inter va lo

cur to, seg uido de uma tor re nt e de obser va ções sob re nari zes. É isso que dá ter amigas cultivadas. Uma delas se lembrou de Cyra no de Bergerac:

— Ele fazia troça do própr io nari z, que o precedia “15

min utos n o tempo”. Ma s no fundo ele re pr esen ta o amor abnegado, o homem que ama em silêncio, apesar das lindas palavr as que ele empresta par a Chr ist ian conquistar Rox anne. Sã o as ca rt as que a seduzem , e não o rosto de ga lã. Outra amiga desencav ou Ma linowski. O antropólogo polonês que foi estudar a cultura das Ilhas Trobiand e

54_ ELA REVISTA_14.5.2017