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ELLIS REGINA ARAÚJO
ELIZETE CRISTINA DE SOUZA

OBRAS JORNALÍSTICAS
UMA SÍNTESE

COM QUESTÕES DE CONCURSOS

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3a edição
Brasília

Vestcon
2008

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2008 Vestcon Editora Ltda.

Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nO9.610, de 19/2/1998.
Proibida a reprodução de qualquer parte deste livro, sem autorização prévia expressa por escrito do
autor e da editora, por quaisquer meios empregados, sejam eletrônicos, mecânicos, videogr áficos,
fonográficos, reprográficos, microfílmicos, fotográficos, gráficos ou outros. Essas proibições apli-
cam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas.

Araújo, Ellis Regina.


Obras jornalísticas: uma síntese. Ellis Regina Araújo, Elizete Cristina de Souza. - 3.
ed. - Brasília: Vestcon, 2008.
558 p. ; 21 em.
ISBN 85-7400-376-X
1. Comunicação SociaL 2. Jornalismo. 1.Souza, Elizete Cristina de. lI. Título.
CDD070

DIRETORIA EXECUTIVA EDITORAÇÃO ELETRÔNICA


Norma Suely A. P. Pimentel Daniel dos Santos Sampaio

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO REVISÃO


Cláudia Alcântara Prego de Araújo Aline Silva Araújo

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO CAPA


Carla Cunha Agnel0 Pacheco
Bertoni Design
SUPERVISÃO EDITORIAL
Maria Neves

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EOITORA FlUADA

Vestcon A todos que amamos ...


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Atualizado até 1/2007


3' tiragem em 612008
(LJOOI)
SUMÁRIO

Apresentação 0... 9

Capítulo I
História da Imprensa..... 11

Capítulo 11
) Teorias da Comunicação 67

Capítulo 111
Objetividade Jornalística................................ 153

Capítulo IV
Técnicas de Jornalismo ,.. 177

Capítulo V
Radiojornalismo 235

Capítulo VI
Telejornalismo............................... 271

..1 Capítulo VII


Novas Tecnologias e Estudos de Comunicação . 307
!

Capítulo VIII
Assessoria de Imprensa . 329

Capítulo IX
Ética Jornalística 355

V Capítulo X APRESENTAÇÃO
Legislação em Comunicação Social 383

Capítulo XI
Questões dos Últimos Concursos.... 473
Este livro serve como material auxiliar de estudo por ser síntese das
Gabarito 519 obras que nós consideramos essenciais na área dejornalismo. Recomendamos,
na medida do possível, a leitura das obras da referência bibliográfica,
Bibliografia 551 levando-se em consideração que elas possuem informações adicionais que
complementam o estudo do conteúdo teórico.
Além de oferecer informações, esta obra visa a capacitar aqueles que
pretendem realizar concursos públicos e exames na área de comunicação
social. Por isso, uma grande parte dos textos foi organizada em tópicos com
possíveis repetições de idéias, intencionalmente, para facilitar a fixação
do conteúdo. Incluímos questões de provas de jornalismo elaboradas
pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe/UnB), pela
Universidade do Rio de Janeiro, entre outros.
Desconhecemos outro livro que reúna sínteses de tantas obras
jornalísticas de autores consagrados.

Ellis Regina e Elízete Cristina


Capítulo I
HISTÓRIA DA IMPRENSA

A IMPRENSA NO BRASIL (SODRÉ, 1999)


As fases da imprensa se compreendiam em:
1) Fase colonial- esta fase iniciou-se com a multiplicação dos textos
bíblicos na Alemanha;
2) Fase industrial - o aparelhamento dos jornais apresentou propor-
ções desmedidas, com grandes oficinas; o jornal dispensa a opinião
dos leitores e passa a servir anunciantes predominantemente.
Em 1954, rádio e jornais, habitualmente consorciados empresarial-
mente, montaram uma operação que levou o presidente Vargas ao suicídio,
praticamente já deposto, em três semanas, entre 5 e 24 de agosto.
Em 1964, jornais, rádio e televisão levaram o presidente Goulart, já
deposto, ao exílio, em operação realizada em menos de um mês. Os dois
editoriais do Correio da Manhã do Rio assinalaram nos últimos dias de
março os termos finais da ofensiva.
A imprensa do século XX se aproxima do fim e define-se pelo nú-
mero reduzido de grandes jornais e pela oligopolização. O número de re-
vistas aumentou, mas estas se caracterizam pela especialização, na maior
parte dos casos.
Nenhumjol1,lal chegou a se definir como nacional quanto ao alcance
territorial, dimensão que o rádio e a TV atingiram.
Antigamenté, um jornal dividia o pessoal em três categorias: dire-
ção, redação e oficinas. A direção exercia a propriedade do jornal, com

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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

todos os poderes; a redação, já emancipada da linguagem literária da fase Primeiras Tipografias


artesanal, firmara a diferença entre literatura e jornalismo, e os jornalistas
Em 1706, instalou-se no Recife uma pequena tipografia para im-
já apresentavam uma fisionomia profissional. A mudança mais importante
pressão de letras de. câmbio e orações devotas. A carta régia de oito de
foi operada nas oficinas. Elas não comportavam mais o aparelhamento grá-
junho do mesmo ano acabou com a tentativa.
fico diversificado em que reinava a linotipo. A oficina, termo em desuso,
resume-se à grande impressora que substituiu a rotativa. Em 1746, outra tentativa conhecida ocorreu no Rio de Janeiro, com
apoio governamental de Gomes Freire. Antonio Isidoro da Fonseca, an-
Sodré (1987) divide a história da imprensa em: Imprensa Colonial, Im-
tigo impressor de Lisboa, transferiu-se à Colônia. Trouxe na bagagem o
prensa da Independência, O Pasquim, Imprensa do Império e a Grande Imprensa.
material tipográfico que montou no Rio como uma pequena tipografia. Im-
primiu a Relação de.Entrada do bispo Antonio Desterro, redigida por Luis
IMPRENSA COLONIAL
Antonio Rosado da Cunha, com 17 páginas. A metrópole mandou rapida-
A Imprensa Colonial ocorreu na fase em que os livros em Portugal mente fechar a tipografia em uma ordem régia de 6/7/1747. A Relação de
estavam sujeitos a três censuras: episcopal ou do ordinário; da inquisição; Entrada foi o primeiro folheto impresso no Brasil.
e a Régia, exercida pelo Desembargo do Paço. Desde 1576, essa censura
proibia a impressão de qualquer obra sem passar primeiro pelos desembar- Gazeta do Rio de Janeiro
gadores. Instrumento herético, o livro no Brasil foi visto sempre com muita
desconfiança, sendo apenas natural nas mãos de religiosos. Nos fins do sé- A Gazeta do Rio de Janeiro foi um jornal oficial feito pela impren-
culo XVIII, começam a aparecer bibliotecas particulares. A entrada de livros sa oficial. Surgiu dirigida por Frei Tibúrcio. Tinha periodicidade curta e
no Brasil, salvo aqueles cobertos pela licença da censura, eram clandestinas intenção mais informativa que doutrinária, poucas folhas e preço baixo. A
e perigosas. Em alguns casos, eram confiscados assim que recebidos. Em Gazeta se parecia muito com o tipo de periodismo que existe hoje como
14/10/1808, ordenou-se não admitir na alfàndega papéis impressos sem que jornal, embora fosse um exemplo rudimentar disso. Esse veículo de co-
fosse mostrada licença do desembargador do Paço. Em 30/05/1809, baixou- municação foi o principal exemplo, do ponto de vista cronológico, da fase
se norma determinando que os avisos, anúncios e notícias de livros à venda Proto-Histórica da imprensa brasileira. Foi fundado em 10/9/1808 e durou
só fossem publicados depois de autorização policial. Nessa época, já entrava até dezembro de 1821.
no país o Correio Braziliense, fundado por Hipólito José da Costa. De primeiro de janeiro de 1822 a 30/12/1822 circula como Diário
do Governo. De 1824 a 1831 circula como Diário Fluminense. A partir de
O Clero 1833, passa a se chamar Correio Oficial. De dezembro de 1840 a 1846 não
houve jornal oficial. A gazeta oficial do império do Brasil é retomada em
o clero teve participação na literatura e deu origem a ardorosos jor-
1846 até 1848. O Diário do Rio de Janeiro, fundádo em 1821 e que durou
nalistas como Frei Caneca, criador do Tifis Pernambucano. Foi um dos
até 1878, publicou as notícias oficiais por contrato com o governo de 1841
grandes jornalistas brasileiros, com espírito rebelde e indomável. Em 10 de
a 1846. De 16 de novembro de 1889 a 1891, foi editado o Diário Oficial da Re-
julho de 1824, Tifis Pernambucano apresenta as bases do programa elabo-
rado pelos intelectuais da província, um documento político que destacava pública dos Estados Unidos do Brasil. De 1892 até hoje, passou a ser editado
a liberdade de imprensa e fazia referências aos trabalhos escravos. como Diário Oficial, impresso em Brasília a partir de 22 de abril de 1960.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Correio Braziliense A IMPRENSA DA INDEPENDÊNCIA

o Correio Braziliense era feito em Londres por Hipólito José da Nessa fase, a liberdade de imprensa concedida é quase nula. A cen-
Costa Pereira Furtado de Mendonça, que o fundou, dirigiu e redigiu. O sura era implacável. Quando ocorreu o movimento constitucionalista, cir-
jornal entrava no Brasil clandestinamente e era do tipo doutrinário, não do culavam no país a Gazeta do Rio de Janeiro, Idade de Ouro do Brasil e
tipo noticioso. O primeiro exemplar saiu em 8 de junho de 1808, três meses O Patriota - periódicos típicos da Imprensa Áulica. Em 1821, surgiu o
antes de sair a Gazeta do Rio de Janeiro. Em tudo o Correio se parecia com Semanário Cívico, na Bahia. Nessa época, apareceu também o Jornal dos
o que hoje conhecemos como Revista Doutrinária. Era de brochura, cerca Anúncios, que saiu em sete números com anúncios.
de 40 páginas, mensal e preço alto. Possuía de 96 a 150 páginas, formando
29 volumes. A publicação não indicava quem o dirigia e eram poucos os Diário do Rio de Janeiro
trabalhos assinados. Dividia-se em seções: política, comércio, artes, litera-
O Diário do Rio de Janeiro apareceu em 10 de junho de 1821,
tura, ciências, miscelânea, reflexões e correspondência.
fundado e dirigido pelo português Zeferino Vitor de Meireles. Ocupava-
Esse jornal circulou até dezembro de 1822. O primeiro ato de proi- se somente de questões locais. Também procurava fornecer aos leitores
bição de sua circulação ocorreu em 27 de março de 1809, quando a corte o máximo de informação. Inseria informações particulares e anúncios. A
do Rio de Janeiro determinou a apreensão de material impresso no exterior popularidade do periódico cresceu, passando a ser conhecido como Diário
contendo críticas ao governo brasileiro. Em 11de setembro de 1811, Rodrigo do Vintém, devido ao seu preço baixo, e Diário da Manteiga, por causa do
de Sousa Coutinho determinou aos governadores de Portugal a proibição do distanciamento das questões políticas (sequer noticiou a Proclamação da
jornal de Hipólito. Com a revolução do Porto, em 1820, as perseguições ao Independência). Esse veículo teve todas as características de jornal de in-
jornal cessaram e ele passou a circular livremente no Reino e no Brasil. formação. Em 1860, foi dirigido por Saudanha Marinho, Quintino Bocaiúva
e Henrique Cezar Muzzio.

Idade de Ouro do Brasil


Diário Constitucional
Depois da Gazeta, surgiu em Salvador (BA), antiga capital colo-
O jornal Diário Constitucional foi o primeiro jornal que defendeu
nial, a Idade de Ouro do Brasil, de quatro páginas. Circulava às terças e
os interesses brasileiros, quebrando a monotonia da Imprensa Áu1ica. Cir-
sextas-feiras e durou até 24 de junho de 1823. Esse periódico mostrava um
culou na Bahia a partir de 4 de agosto de 1821. Em 1822, reduziu seu título
caráter nacional que ganhou consideração pela adesão ao seu governo e à
para O Constitucional, porque deixou de ser diário.
religião.

Revérbero Constitucional Fluminense


Imprensa Régia
Revérbero Constitucional Fluminense circulou a partir de 15 de se-
Em 1808, a Imprensa Régia começou a imprimir livros como as Ob- tembro de 1821. Tomou-se um órgão doutrinário da independência brasi-
servações sobre o Comércio Franco do Brasil, de Silva Lisboa, em 1809, e leira. Possuía as dificuldades técnicas da imprensa doutrinária. Também
o Tratado de Trigonometria de Legendre. A Imprensa Régia foi organizada foi um órgão doutrinário da facção democrática, na fase da proclamação da
à base de rudimentares impressoras de madeira. República, e o melhor veÍCulo de reivindicações brasileiras.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

o Espelho O PASQUIM
o órgão áulico, O Espelho, tinha pretensões à imparcialidade.Constituiu-se Farol Paulistano
em um depositário de informações com seções da corte que trazia o jornalismo
Farol Paulistano foi o primeiro jornal de São Paulo, apareceu em 7
oficial, mas não tinha posição, não opinava. Circulou de 1821 a 1823. Sua neu-
de fevereiro de 1827 e foi dirigido por José da Costa Carvalho. O segundo
tralidade salvou-o da repressão que destruiu a imprensa livre da época.
a funcionar foi o Observador Constitucional. Era bi-semanário e possuía
quatro páginas.
A Malagueta

A Malagueta alcançou grande repercussão. Foi formado e dirigido por Diário da Câmara dos Deputados à Assembléia Legislativa do
Luís Augusto May, começou a circular a partir de 18 de setembro de 1821, no Império do Brasil
Rio de Janeiro. Teve quatro fases e, salvo na segunda, aparecia duas vezes na
Este jornal começou a circular em 1826 e encerrou sua existência
semana. Apresentou-se ao público como independente, sustentou a causa dos
em 1830, divulgando os debates daquela casa.
brasileiros e era de caráter doutrinário.

Caricatura
o Ano da Independência
A Caricatura no Brasil surgiu primeiro em avulsos. Só em 1844 sur-
O ano que marcou a independência do Brasil assinalou o apareci-
giria a primeira publicação periódica ilustrada com desenhos humorísti-
mento de numerosos periódicos. Continuavam a circular: O Diário do Rio
cos. Em 1854, o Brasil ilustrado passa a usar regularmente caricaturas,
de Janeiro, na sua omissão política; O Revérbero Constitucional Fluminen-
trazendo ao lado do texto desenhos humorísticos de costumes. Em 1876,
se; O Espelho; A Malagueta, que atingira seu auge e prestígio; A Gazeta do
surge a revista ilustrada, um dos grandes acontecimentos da imprensa bra-
Rio de Janeiro, mudando seu título depois da independência para Diário
sileira. Ângelo Agostini engrandeceu suas criações com o sentido político
do Governo; no Maranhão, prosseguia o Conciador; e, em Pernambuco, a
que lhes deu. A Gazeta de Notícias iniciou uma série de publicações de
Segarrega e o Relator Verdadeiro.
Portrait-charges de políticos e homens de letra, com série de "caricaturas
instantâneas" .
Sentinela

Em 9 de abril de 1822, no Recife, Cipriano José Barata de Almeida Diário do Comércio


iniciou a série de Sentinela. Ele as publicava de onde estivesse. Foi o pio-
O Diário do Comércio sai em 1° de outubro de 1827. Pretendia ex-
neiro da imprensa libertária do Brasil.
plorar e ampliar o filão do Diário do Rio de Janeiro.

Correio do Rio de Janeiro Diário Novo


O jornal Correio do Rio de Janeiro surgiu para disputar com o Re-
Este periódico, Diário Novo, representa a luta contra a opressão e
vérbero Constitucional. Colocaria em destaque o problema da independên-
limitação da liberdade de imprensa. Constitui um dos mais significativos e
cia. Sua posição era essencialmente subversiva. dignificantes exemplos da história do periodismo brasileiro.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Características Formais de um Pasquim em 1880, Memórias Póstumas de Brás Cubas na Revista Brasileira. Em
sua redação, surge a idéia da fundação da Academia Brasileira de Letras.
o pasquim constava de quatro páginas. Não havia venda nas ruas,
A primeira reunião da Academia ocorreu em 15 de dezembro de 1896 e
comprava-se em tipografias e em lojas de livros. Não houve pasquim que
Machado foi o presidente, além de ser colaborador de jornais.
não se utilizasse de uma epígrafe curiosa, anunciando seu propósito em
versos, na maior parte, de autores conhecidos. Não tinha periodicidade cer-
Agência Reuter-Havas
ta, nem aparecia em dias previamente fixados. A maior parte não passou
do primeiro número. Era um jornal de um só assunto e escrito por um Em 1874, a agência instalou no Rio de Janeiro sua primeira sucur-
único jornalista ou panfletário. Tinha um anonimato costumeiro, às vezes, sal. Em 1877, o Jornal do Comércio publicava os primeiros telegramas por
desvendado pela linguagem. Além disso, usava também pseudônimos e ela distribuídos. Essa agência serviu durante 71 anos à imprensa brasileira.
apelidos. Muitos permaneciam apenas no campo doutrinário, o noticiário Ao fim da Segunda Guerra Mundial, passou a se chamar France Press.
era praticamente nulo e não possuía um sentido comercial. Um de seus
traços mais marcantes foi o "jacobinismo" - com a reivindicação reiterada A Província de São Paulo/Estadão
e veemente de sua reserva aos nascidos no país e com desprezo pelos por-
tugueses. Usavam da calúnia e da injúria na maioria das vezes.
o Estadão foi fundado em 1875 e vivia de anúncios e de assinaturas
estimuladas por prêmios sorteados na loteria. Em 1876, passou a fazer a
venda avulsa pelas ruas, o que muitos criticaram como mercantilização da
o Semanário Político, Industrial e Comercial
imprensa. Júlio Mesquita assume a direção do jornal em 1891, quando o
No Rio de Janeiro, em 1831, o Semanário Político, Industrial e Co- jornal entrou na campanha pela abolição e pela República. Em 1890, pas-
mercial foi a primeira revista brasileira exclusivamente econômica. sou a chamar o Estado de São Paulo.
o periódico, numa tentativa pioneira, anunciou novos métodos na
o Constitucional imprensa: enviou ao teatro dos acontecimentos um correspondente de
guerra. Esse correspondente foi Euclides da Cunha, que parte com a expe-
o Constitucional foi o primeiro jornal diário de São Paulo. Surgiu
dição militar destinada a liquidar Canudos, tido como reduto monarquista.
em 1853.
O jornalista passa a enviar telegramas e relatos coloridos, que constituirão
livro póstumo e servirão de rascunho para o livro Os Sertões.
A IMPRENSA DO IMPÉRIO
O ano de 1929 foi de prosperidade para o jornal, que passa a tirar
Machado de Assis o suplemento em rotogravura. Em 1940, o jornal foi ocupado pela polícia
o jornalista e escritor Machado de Assis estreou aos) 6 anos na militar. Foi, então, tomado, reaparecendo como diretamente subordinado
Marmota. Dali passaria à Imprensa Nacional como aprendiz d circulação ao DIP, (Departamento de Imprensa). O jornal só foi restituído em 6 de
T
do tempo. Permanece no Diário Oficial até 1874. Por outro lado, publica, dezembro de 1945.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Folhetim Fins do Século XIX

Os folhetins despertaram o interesse do povo pela literatura. É pro- A imprensa brasileira aproxima-se dos padrões e das características
duto específico do Romantismo europeu, mas foi imitado com sucesso na de uma sociedade burguesa. A imprensa artesanal estava sendo substituí-
imprensa brasileira. Era, basicamente, o produto mais atrativo dos jornais. da pela imprensa industrial. As inovações técnicas prosseguem em 1895,
com os jornais definindo-se com uma estrutura empresarial. Aparecem os
o Constitucional primeiros clichês obtidos por zincografia. A passagem do século assinala
a transição da pequena à grande imprensa. O jornal toma-se, assim, uma
Em 1901, aparecia O Constitucional. Vinha romper efetivamente empresa capitalista, desaparecendo como empreendimento individual e
com os louvores em relação ao governo Campos Sales, que presidia a po- aventura isolada nas ~randes cidades.
lítica da estagnação. Foi um veículo que quebrou a uniformidade política, Houve também um declínio do folhetim, que foi substituído pelo
levantou o protesto e se transformou depressa em empresa jornalística. Era colunismo e, pouco apouco, pela reportagem. A tendência pela entrevista
chefiado por Edmundo Bitterncourt. substitui o simples artigo político e há tendência também para o predomí-
nio da informação sobre a doutrinação.
A GRANDE IMPRENSA
A Noite
o .Jornal do Brasil
Irineu Marinho fundou A Noite em 1911, com um reduzido capital.
Em 1891, apareceu o Jornal do Brasil. Essa época foi o momento
Era um jornal moderno, bem diagramado, feito por profissionais compe-
dos anúncios que ocupavam até a primeira página, deixando pouco espaço tentes.
para redação. Apresentou-se com oito páginas, foi montado como empresa,
com estrutura sólida. Trouxe novidades, como a distribuição em carroças e ABI
o uso de correspondentes estrangeiros. O JB passou a publicar caricaturas
em 1898. Em 1912, passa a dedicar página inteira ao esporte. No mesmo Em 7 de abril de 1908, foi fundada a Associação Brasileira de Im-
ano, em dezembro, Assis Chateaubriand assume a função de editor-chefe. prensa, composta por oito jornalistas e idealizada por Gustavo de Lacerda.
A entidade tomou-se poderosa numa fase ditatorial, a do Estado Novo de
O veículo lança, em 1920, o vespertino A Hora. No ano seguinte, Getúlio Vargas.
também tem o monopólio dos pequenos anúncios: cerca de 85% do espaço
do jornal é preenchido por anúncios. Em 1956, o jornal iniciou reforma Folha da Noite
ampla com um grupo formado por Reinaldo Jardim, Ferreira Gullar e Jânio
de Freitas. Assim, ganhou uma apresentação inteiramente nova em uma O jornal Folha da Noite surge em 19 de fevereiro de 1921 e revela
o caricaturista Belmonte. Em 1931, o Folha da Noite e o Folha da Manhã
tarefa que só se completou em 1959.
passaram por reforma empresarial, abrindo-se nova fase para esses diários.

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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

Em 1948, aparecia ali o Jornal Folha de São Paulo, que desapareceria nes- Capital Estrangeiro
se mesmo ano, para ressurgir em 1950. Em 1965, Otávio Frias de Oliveira
Em 1946, foi elaborada nova Constituição Federal que determinava
toma-se proprietário da Folha.
que as empresas jornalísticas deveriam ser nacionais. Os estrangeiros fi-
caram proibidos de mantê-las. O dispositivo começava por deixar de fora
o Jornal agências de notícias. Contudo, revistas dirigidas por estrangeiros, como
Readers Digest, circulavam no Brasil, ferindo o dispositivo constitucional.
De Renato de Toledo Lopes, O Jornal, em circulação desde 1919,
O artigo era inócuo já que as agências estrangeiras de publicidade deti-
é comprado por Assis Chateaubriand com a ajuda de Alfredo Pujol e Vir-
nham absoluto controle sobre a imprensa brasileira. Em 1957, realizou-se a
gilio de Melo Franco. Em 1929, Assis lança o Diário de São Paulo, que
primeira tentativa de levar ao Congresso o problema do controle estrangei-
conquistou o público com distribuição gratuita por um mês a assinantes ro: uma CPI foi instalada para tratar do assunto. De fevereiro até novembro
potenciais. de 1965, o grupo Time Life remeteu ao grupo Roberto Marinho mais de
dois milhões de dólares - na época, seis bilhões de cruzeiros. O caso moti-
Última Hora vou uma campanha comandada pelo Deputado João Calmon. Uma portaria
ministerial destinada a investigar as denúncias é criada em 24 de janeiro de
A aprendizagem em Diretrizes foi fundamental para SamuelWainer
1966, mas sem resultado.
introduzir mudanças no Jornal Última Hora, que ele fundou em 1951. O
jornalista criou uma folha vibrante, graficamente modular, revolucionária
A TRADIÇÃO DA IMPRENSA (MELO, 1994-A)
em seus métodos de informar e até de opinar. O Última Hora foi funda-
do com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas. Toda a A imprensa foi o único canal de expressão jornalística durante os séculos
imprensa de 1953 mobilizou-se para mostrar que esse jornal só se tomara XVII, XVIII e XIX. Nessa época, o jornal foi o único meio de informação.
possível graças à concessão de grandes empréstimos nos estabelecimentos
comerciais. A Trajetória Histórica

Informar-se constitui o requisito básico da sociabilidade. A infor-


Período Negro para a Imprensa mação toma-se um bem social, um indicador econômico e um instrumento
político. Isso devido ao resultado de crescentes exigências socioculturais
No Brasil, de 1937 a 1945, um grande número de jornais, revistas e
que tomaram a reprodução de conhecimento um fator significativo.
panfletos foi fechado por determinação do executivo. Além disso, muitos
jornalistas foram presos por delitos de imprensa. A ditadura criou o De-
O Desenvolvimento da Comunicação (DEFLEUR, 1997)
partamento de Imprensa (DIP), chefiado por Lourival Fontes, nos moldes
nazistas. O DIP controlava a imprensa, o rádio e baixava listas de assuntos A invenção de tipos móveis, no século XV, por Johann Gutenberg,
proibidos. Nos Estados, foram instalados os Depkrtamentos Estaduais de desencadeou o processo de evolução da imprensa. Só depois disso, efeti-
Imprensa (DEI). vou-se a alfabetização das massas.

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r História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

A imprensa colonial norte-americana, depois de ter-se estabelecido, A imprensa foi introduzida na Inglaterra no fim de 1400. Os perió-
distribuía pequenos jornais e panfletos para as elites alfabetizadas. A lin- dicos, denominados corantos, noticiavam assuntos de política. Devido ao
guagem desses jornais era excessivamente apurada, logo estava além da intenso controle governamental, não eram publicados com freqüência.
capacidade do cidadão mediano. O jornalismo evoluiu mais rapidamente nos países em que a auto-
O primeiro veículo de comunicação de massa foi o Penny Press na ridade central era mais fraca. Isso representa que, à medida que uma for-
forma do jornal de um tostão, nos meados da década de 1830, em Nova Ior- ma de governo depende da opinião pública favorável, mais provável é seu
que. O sucesso do jornal atingiu, inclusive, outros países em poucos anos. apoio à imprensa livre.

Em 1830, surge a tecnologia da impressão rápida. Alguns pequenos jornais, com público restrito, já eram publicados
na primeira parte do século XVIII. Esses periódicos eram denominados
O telégrafo foi inventado em meados do século XIX. Essa invenção
imprensa colonial, editados e publicados por indivíduos desconhecidos da
propiciou um arranque na tecnologia dos veículos eletrônicos de comuni-
literatura. A impressão era a mesma que foi utilizada por Gutenberg três
cação de massa. séculos antes.
No início do século XX, houve o mais significante desenvolvimento
O surgimento da classe média, a evolução tecnológica (a partir da
de técnicas de comunicação. Durante a primeira metade do século, o cine-
revolução industrial) e a educação pública de massa impulsionaram o de-
ma tomou-se uma forma de diversão familiar. Na década de 20, deu-se o
'senvolvimento da imprensa.
surgimento do rádio doméstico e, na década de 40, ocorreu a introdução da
Benjamin H. Day montou o jornal New York Sun nos EUA. O pe-
televisão nos lares.
riódico começou a circular no dia 3 de setembro de 1833. Ele era barato e
Em meados da década de 50, o rádio atingiu o ponto de saturação podia ser vendido regularmente, não mais anualmente, como acontecia até
nas residências norte-americanas. No fim da década de 50 e princípio da então. Quanto ao conteúdo, a ênfase recaía sobre as notícias locais, e as his-
década de 60, ocorreu o ponto de saturação da TV. tórias de interesse humano eram apresentadas em reportagens magníficas,
repletas de emoção. Esse material era destinado, especialmente, às classes
A Sociedade e a Imprensa de Massa operárias. O maior adversário de Benjamin era James Gordon Bennett, que
ignorou as normas ortodoxas e publicou reportagens arrebatadoras sobre
Ainda antes de Cristo, os romanos afixavam folhas de notícias, de-
processos criminais, violações, pecado e depravação.
nominadas Acta Diurna, em lugares públicos. Além disso, os chineses e
Esse período foi considerado o período do "jornalismo amarelo",
coreanos utilizavam tipos móveis e papel de impressão centenas de anos
que explodiu no início da década de 90 e foi considerado um dos fatos mais
antes do surgimento desse tipo de material na Europa.
chocantes no processo de evolução da imprensa.
No século XVI, após a introdução da imprensa na Europa, o Go-
Por volta de 1880, os jornais haviam se introduzido amplamente nas
verno veneziano imprimiu uma pequena folha de notícias, que podia ser
residências norte-americanas. Vinte anos depois, já eram lidos pela maior
adquirida por uma gazeta (moeda de pequeno valor). Hoje, ainda existem
parte da população. Nesse período, a imprensa estava estabelecida no as-
jornais que empregam "gazeta" para denominar a empresa. Mas foi na Ale-
pecto econômico. O momento culminante da circulação dos jornais foi por
manha, em 1600, que foi publicado um jornal com características aproxi-
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volta de 1920, logo depois da Primeira Guerra.
li ' madas ao que se tem hoje em relação a formato e a conteúdo. 'I 'r:
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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

Ambiente Social dos Veículos de Radiodifusão Todos os inventos eram imediatamente patenteados, principalmente
pelos EUA e pela Inglaterra.
Cabos telegráficos foram estendidos através do Oceano Atlântico,
O engenheiro eletrônico David Sarnoff traduziu as mensagens em
em 1886, por Cyrus W. Field. Por volta de 1876, pela primeira vez a voz
código provenientes do local do desastre do Titanic direto de Nova Iorque.
humana foi transmitida por meio dos fios elétricos, graças a Alexander
Em 1916, ele enviou uma carta aos seus superiores sugerindo que o rádio
Graham Bell e seu assistente.
fosse utilizado como fonte de renda, na forma de veículo de comunicação
Durante o período da guerra civil norte-americana, James Maxwell,
de massa, para as famílias comuns. Dez anos depois, o rádio transformava-
na Escócia, havia formulado uma teoria matemática a respeito das miste-
se num veículo de uso doméstico.
riosas ondas eletromagnéticas, demonstrando que elas se movimentavam à
O controle governamental em relação aos veículos de comunicação
velocidade da luz. Em 1888, o alemão Heinrich Hertz demonstrou a exis-
tência dessas ondas e construiu um aparelho que as gerava e as captava. caiu no fim da Primeira Guerra, em detrimento das empresas privadas. O
governo havia permitido que o domínio do telégrafo parasse nas mãos de
No início da década de 90, Guglielmo Marconi, por meio dos es-
particulares e cedeu também o rádio. Essa decisão provocou uma reação,
tudos anteriores sobre as ondas hertzianas e os aparelhos que as geravam,
que foi definida como um palco de concorrência comercial, em oposição
percebeu que sinais e ondas poderiam ser transmitidos por uma espécie de
a um veículo público de comunicação operado por organizações governa-
telégrafo sem fio. Estava, então, criado o primeiro aparelho de telégrafo
mentais.
sem fio, que enviava mensagens a uma distância de mil e seiscentos me-
tros. Esse instrumento representou um passo importante para o desenvol- Com o intuito de estimular o interesse pela nova estação de trans-
vimento do rádio. missão regular e promover a venda de aparelhos receptores, a Westinghouse
noticiou que a nova estação iria transmitir os resultados da eleição presi-
A transmissão da voz humana pela radiotelegrafia marcou a etapa
dencial de 1920. Cerca de mil e quinhentas pessoas ouviram que Warren
posterior. Na véspera do Natal de 1906, os operadores de telégrafo nos na-
G. Hargins tinha sido eleito presidente dos EUA por meio de mensagem
vios que trafegavam pelo Atlântico, próximo às costas dos EUA, ouviram
pela primeira vez a voz humana através dos seus fones. Reginald A. Fes- transmitida na noite de 11 de novembro daquele ano.
senden construíra um aparelho que permitia a transmissão de sinais mais As transmissões regulares de rádio tiveram início em 1921, em
complexos. Surgia, assim, o radiotelefone. Nova Iorque. No segundo semestre deste ano, foram emitidas licenças a 32
Na primeira década do século XX, Lee de Forest criou a audion, na novas estações; e, na primeira metade do ano seguinte, esse número havia
época, denominada válvula (receptor feito de galena), hoje denominada subido para 254, período em que as estações eram montadas a um ritmo
tubo a vácuo. O audion foi o elemento-chave dos amplificadores eletrôni- acelerado.
cos. Eles podiam ampliar tanto os sinais radiofônicos de emissão quanto os Um dos primeiros problemas do rádio doméstico surgiu em conse-
de recepção. O equipamento de rádio, que era muito volumoso e pesado, qüência de sua popularidade. O grande número de estações sem controle
tomava-se leve e portátil. causava graves interferências. Devido a isso, quatro reuniões principais
A Primeira Guerra Mundial gerou necessidades militares urgentes eram realizadas anualmente em Washington (1922-1925) para debater os
para o aperfeiçoamento dos sistemas de rádio, o que facilitou a sua expan- problemas radiofônicos. A única legislação existente era a antiga Lei do
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Rádio, de 1922, que estava totalmente desatualizada.

26 27
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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Em 1925, todas as faixas de freqüência estavam ocupadas, sendo Falta de Periodicidade e Censura Prévia
que algumas por diversas estações ao mesmo tempo. Devido à confusão
As primeiras manifestações de jornalismo foram os avisos e as gaze-
que se seguiu, o então presidente dos EUA, Calvin Coolidge, solicitou ao
tas no século Xv. Essas manifestações ampliaram-se no século XVI devido
Congresso uma legislação apropriada para controlar as transmissões radio-
à necessidade social de informação dos habitantes das cidades, dos vassa-
fônicas, incluindo medidas adicionais de controle. O Congresso assumiu
los e dos governantes.
essa incumbência em 1927.
Nessa época, as publicações não tinham periodicidade, resultado
As leis do rádio da época impunham que as ondas no ar pertenciam
direto da censura prévia que vigorava em toda a Europa dos séculos XV e
ao público e que só podiam ser utilizadas pelos particulares com a permis-
XVI. Isso intimidava o exercício da imprensa, que somente tomou impulso
são formal do Governo mediante licença. Essas leis foram soluções apenas com publicações periódicas no século XVII.
temporárias. Somente em 1934, a Lei Federal de Comunicações tornou-se
o principal instrumento de controle da indústria radiofônica dos EUA.
Comunicação Social
Os anúncios foram introduzidos nos canais radiofônicos como fonte
de renda para as emissoras de rádio em 1922. A Estação WEAF vendeu O jornal, a revista, o rádio e a televisão constituem um meio para
10 minutos de sua programação para uma companhia imobiliária de Long o exercício do jornalismo e são os instrumentos que tornam públicas as
Island que vendia lotes de terreno. Contudo, o Secretário do Comércio era mensagens jornalísticas.
contrário à propaganda no rádio. A propaganda e as relações públicas são atividades de comunicação
O rádio progrediu durante as décadas de 30 e 40. Em meados da fortemente relacionadas ao jornalismo. No entanto, são atividades de na-
década de 40, havia cerca de um aparelho e meio por residência nos EUA. tureza diferentes, pois estão no terreno da persuasão, que não constitui o
objetivo do jornalismo.
Eram considerados tecnicamente excelentes. As estações recebiam as
transmissões diretas e as retransmitiam para o mundo inteiro.
Durante a Segunda Guerra, a indústria do rádio dedicou todos os
o .Jornalismo Opinativo
seus recursos técnicos às necessidades governamentais. Dessa forma, a fa- O jornalismo assumiu uma natureza política desde o seu surgimento,
bricação de rádio doméstico foi interrompida. como processo social, ora como publicações clandestinas que circulavam
ignorando a censura, ora como publicações oficiais que não passavam de
Televisão propagandas governamentais.
O autêntico jornalismo só surgiu com o fim da censura prévia e a
Em 1941, no início da Segunda Guerra, foi aprovada a televisão
ascensão da burguesia. Nesse primeiro momento, ele caracterizava-se pela
doméstica. O controle governamental era mais rigoroso do que com o rá-
expressão de opiniões. Contudo, os donos do poder, incomodados com a
dio, no caso de concessão de autorização para administrar redes. Mesmo
expansão da prática jornalística, instituíram taxas, impostos, controles fis-
assim, em 1948, já havia cerca de 70 estações em funcionamento e milhões
cais que restringiam o exercício do jornalismo de opinião e estimulavam o
de aparelhos em uso nos EUA. Por isso, as autorizações para instalação de
jornalismo de informação. Isso ocorreu especialmente na Inglaterra, onde
novos canais foram interrompidas até 1952, o que não impediu, porém, que
o jornalismo assumia essas características, diferentemente do jornalismo
a TV estivesse na maioria dos lares norte-americanos em 1962. francês, que era mais opinativo.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

o Jornalismo Informativo O regime de Portugal sufocou a manifestação do pensamento por


meio da palavra impressa. A Carta Régia fechava tipografias, punia infra-
o jornalismo informativo se tomou hegemônico no século XIX,
tores com pena de prisão e exílio.
quando a imprensa norte-americana acelerou seu ritmo produtivo e con-
verteu informação em mercadoria; mas o jornalismo opinativo ainda estava
presente, restrito às páginas de opinião. Gazeta do Rio de Janeiro

Dom João VI inaugurou a imprensa e fez circular a Gazeta do Rio de


PANORAMADAIMPRENSABRASILEIRA(BAIllA, 1990)- PRI-
Janeiro em 10 de setembro de 1808, que passou a constituir o acervo da im-
MEIRA FASE
prensa nacional depois de 14 anos de circulação. Nessa época, introduziram-se
A imprensa no Brasil foi inaugurada em 1808, com características na oficina oficial inovações presentes até hoje, como o sistema de assinatura e
de oficialismo, pois as matérias voltavam-se para a defesa das ideologias a regularidade na entrega dos exemplares de assinantes e a venda avulsa.
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políticas daquela época. Seu surgimento veio pouco antes de Hipólito José ~ A intolerância do regime serviu para garantir à Gazeta do Rio de Ja-
da Costa editar o primeiro jornal chamado Correio Braziliense ou Arma- neiro e à Idade d'Ouro do Brasil uma situação particular: foram os únicos
zém Literário, impresso e editado em Londres. jornais num período de seis anos, de 1814 a 1820.
O advento da imprensa marca o momento em que o país deixa de ser
colônia para ser sede do próprio governo metropolitano, com a instalação f Correio Braziliense
da família real no Brasil. 11::':

Na bagagem do príncipe regente de Portugal, foram incluídos prelos Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça é considerado
e material tipográfico que haviam sido encomendados na Inglaterra e se o fundador da imprensa no Brasil. Fez circular, em junho de 1808, o Cor-
destinavam a Lisboa. Essa tipografia deu origem à imprensa Régia no Bra- reio Braziliense ou Armazém Literário, que se pronunciava com ênfase
sil, instituída para a publicação de legislação e dos papéis diplomáticos. como não-oficial. Esse jornal não circulava livremente.
O Correio era um jornal noticioso, político, independente, composto
Censura Prévia e impresso em Londres. Ele tinha características bem diversas da Gazeta
do Rio de Janeiro, considerado um jornal mais oficialista.
Nada se imprimia no Brasil sem a censura prévia do governo, até a
divulgação do Decreto Regencial de 1822. Tal decreto criava restrições à O Correio teve circulação freqüente de 1808 até 1822, com 175 nú-
liberdade de propagação de pensamento e determinava um júri composto meros e seções de política, comércio, arte, literatura, ciências e miscelânia.
de cidadãos para julgar as publicações. 'j
Totalizava de 90 a 150 páginas e 29 volumes.
A arte gráfica existia no Brasil desde 1706. Contudo, uma tentativa
de funcionamento de um prelo em Pernambuco foi impedida pela autori- Outros Jornais e Revistas no Brasil
dade colonial. No Rio de Janeiro, em 1747, houve iniciativa de criação de
uma tipografia por Antonio Isidoro da Fonseca, também condenada por Pouco depois da Gazeta, surgiram na Bahia os primeiros jornais e
Carta Régia de 6 de julho do mesmo ano, que proibiu a impressão de livro revistas não-oficiais do Brasil. Em 1812, o Idade d'Ouro do Brasil anun-
ou papéis avulsos. ~\
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ciava a publicação de As Variedades ou Ensaios de Literatura.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

A partir de 1828, surgiram os jornais dedicados a assuntos especia- grafia perde seu conteúdo artesanal para conquistar a indústria gráfica com
lizados. O precursor das eleições de Ouro Preto, a primeira gazeta mineira, capacidade econômica.
O Compilador, em 1823; O Olindense de Recife; O Semanário Político, A abolição e a República criam novas perspectivas. Os editores
Industrial e Comercial do Rio; o Jornal da Sociedade da Agricultura, Co- compreendem que o jornalismo sem pretensões literárias e políticas não
mércio e Indústria da Província da Bahia. atende às novas necessidades de informação.
São numerosos os jornais, folhetos e pasquins do período de 1822 a Aceita-se que a imprensa deve ser veículo de interesse público, e
1831, principalmente porque havia sido decretada um ano antes a indepen- não exclusivamente de interesses individuais. Destacam-se, nessa época,
dência do Brasil e, junto com ela, a censura prévia. quatro conquistas: a máquina de papel de Louis Robert, a prensa mecânica,
Dois j ornais importantes são fundados em 1821 e 1827, a Malagueta a prensa rotativa e a linotipo.
e a Aurora Fluminense. O Diário de Pernambuco e o Jornal do Comércio Em 1880, surgiu, no Rio, O Abolicionista, que não durou mais de
do Rio de Janeiro surgiram em 1823 e 1827, no Recife e no Rio de Janeiro, um ano, mas serviu para estimular a circulação de jornais dedicados, ex-
respectivamente, e são dois jornais que circulam até hoje. Em 1829, saía, clusivamente, à causa abolicionista. A imprensa brasileira teve papel im-
em São Paulo, O Observador Constitucional, de Líbero Badaró, jornalista portante para esse fim.
identificado com idéias liberais. Até 1908, circularam no Rio e em São Paulo jornais como A Ban-
Quatro jornais destacam-se nos dois últimos meses do primeiro rei- dalheira Eleitoral, O Diabo da Meia-Noite, O Pândego, A Metralha e O
nado. São eles: O Buscapé, O Doutor Tirateimas, O Novo Conciliador e O Sociocrata.
Enfermeiro dos Doidos.
É na Bahia onde mais progridem, como empresa, os veículos de notí- Imprensa Republicana
cias para o povo, além dos diários oficiais, que surgem para compor o meio
O retomo das relações com Portugal, o conflito de Canudos, o pro-
próprio de divulgação governamental. Também províncias como Minas,
grama de recuperação financeira de Murtinho, a campanha civilista, o mo-
Paraíba, Maranhão e Pará imprimiam gazetas políticas.
tim de marinheiros de João Cândido, a questão das fronteiras, a conferência
Dois escritores de jornais panfletários tiveram atuação relevante no da paz, a rebelião militar de 1922, a eleição e o governo de Bemardes, a
jornalismo em sua fase inicial: José da Silva Lisboa (Correio do Rio de revisão da Constituinte de 1891 e o programa de estabilização econômica
Janeiro) e Cipriano José Barata de Almeida (Sentinela da Liberdade). de Washington Luiz puseram a imprensa republicana em uma tarefa de
consolidação de tal regime.
IMPRENSA BRASILEIRA - SEGUNDA FASE
Maquinaria
A segunda fase da imprensa no Brasil começa por volta de 1880, 72
anos depois da instalação da Gazeta do Rio de Janeiro. É a fase da indus- A imprensa se renovou com a aquisição de novas máquinas: as ro-
trialização, da consolidação do jornal como empreendimento mercantil. tativas Marinoni, em lugar das velhas máquinas Alauzet; a introdução da
Depois de 1880 e no fim do século XIX até princípios do século XX, a linotipo, em substituição à composição feita a base de caixas de tipos; e a
imprensa adquire notoriedade no campo das atividades industriais. A tipo- bobina de papel.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

ASPECTOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA IMPRENSA Anúncios - Agências

A introdução de nova maquinaria, o caráter comercial do jornal, a o primeiro anúncio em cores em jornal de influência foi feito em
qualificação do jornalismo como profissão, a necessidade de expansão e 1915, no jornal O Estado de S. Paulo, na primeira página.
criação de mercados internos e externos, o advento da propaganda como Desde sua fundação até 1828, O Diário de Pernambuco conservou
fonte de renda e organização específica e as responsabilidades estimadas na o aspecto de boletim comercial com inúmeros anúncios.
legislação própria consolidam a fase industrial. Até 1930, fundaram-se no Rio e em São Paulo muitas agências de
publicidade. Foi nessa fase que surgiram os melhores jornais da atualidade.
Surgimento do Jornal Standard A venda avulsa e a assinatura foram uma das melhores contribuições para
o desenvolvimento da imprensa, ao dividir tarefas entregando a um agente
Com a transformação da tipografia em indústria gráfica e o aprimo-
distribuidor a responsabilidade pela assinatura e pela venda avulsa.
ramento do trabalho jornalístico e da mão-de-obra gráfica, além do surgi-
mento da produção em massa, surge, em substituição ao formato tablóide,
FASE MODERNA DA IMPRENSA
o jornal em formato standard, usado pela maioria dos jornais de hoje. A
expressão standard é inglesa e designa um modelo-padrão. Na atualidade, Muitos dos grandes jornais brasileiros são do espaço de 1920 a
ri;t
jornais como a Folha de S.Paulo têm 54cm por 33cm de área de impressão. 1
.~ 1930, a época em que surgiu a radiodifusão. Na revolução de 30, as em-
presas jornalísticas estavam em plena expansão. Nessa época, os leitores
O Surgimento do Jornalismo Esportivo ficaram conhecendo a roto gravura. A implantação de uma nova República
para substituir os processos de voto de cabresto e do atraso social e econô-
A imprensa esportiva iniciou-se em 1856, com O Atleta passando mico do país abriu novas perspectivas ao jornalismo.
receitas de aprimoramento físico para os habitantes do Rio de Janeiro. Em
De acordo com Juarez Bahia, a partir de 1930, houve avanço na
1886, circularam o Sport e o Sportman.
mídia com a evolução dos processos de compor e imprimir gazetas com
No fim do século XIX, dois grandes jornais surgem: a Tribuna de it. a melhoria do conteúdo, da definição e da forma. Em 1932, a imprensa
Santos e o Correio do Povo, de Porto Alegre. Em 1899, foram criados, em insere-se num movimento de reconstitucionalização do país e, anos depois,
Uberaba-MG, O Lavoura e O Comércio. provoca a queda da ditadura e ajuda a recuperar a democracia e a confiança
na liberdade de pensamento.
A Gazeta de São Paulo e o Surgimento da Primeira Agência
Rádio e Propaganda
o principalacontecimento da primeira década de 1900 é o apareci-
mento de A Gazeta, em São Paulo. A Gazeta saiu em 1906, com a direção A participação do rádio, da propaganda e da televisão, com o apare-
de Cásper Líbero. Tratava-se de um jornal vespertino. cimento das novas técnicas de difusão, contribuiu para o desenvolvimento
Líbero foi também o responsável pela fundação da primeira agência ;~~; da imprensa e o avanço dos meios de comunicação na fase moderna.
do Brasil: a Agência Americana, que funcionou apenas um ano, de 1913 a O rádio e a propaganda planejados em conjunto com o jornal esta-
1914, mas o suficiente para estimular organizações semelhantes. beleceram marcos de progresso à imprensa. O primeiro, dando atualidade à

34 35

. .
OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

informação; o segundo, estruturando a capacidade econômica das gazetas. Em 1937, fazendo-se ditador, o chefe da revolução de 30, Getúlio Vargas,
Com isso, houve mais organização de departamentos de publicidade, assi- criou o Estado Novo e estabeleceu a censura, proclamando restrições e
natura, circulação, promoções, distribuição, pesquisas etc. limites à manifestação de pensamento. A administração federal criou o DIP
para controlar e regulamentar a censura.
Ética - Imprensa Ideológica - Os Conglomerados Um tribunai de segurança nacional fez processos arbitrários. Por
Depois de 1930, com o progresso das oficinas de jornais e o desen- isso, produzir jornais tomou-se uma atividade perigosa. Contudo, à exce-
volvimento do país, a imprensa ideológica cresceu e adquiriu significado. ção de pOUCOS órgãos que sustentaram uma posição independente, a maio-
Depois de 30, surgem também, nos moldes da Hearst americana, os Diários ria adaptou-se ao sistema ditatorial.
Associados, com cerca de 31 jornais, 4 revistas, 26 emissoras (21 de rádio
e 5 de TV) e uma agência de notícia. Reforma Gráfica do Jornal do Brasil
A cadeia noticiosa tomou conhecido Assis Chateaubriand, que se
Em 1956, o Jornal do Brasil passa por uma reforma gráfica, seguin-
elegeu senador, foi membro da Academia Brasileira de Letras, embaixador
do exemplos do Última Hora e do Diário Carioca.
em Londres e acumulou uma das maiores fortunas do país.
Com grande influência na vida política, o diretor dos Associados A reforma decidida pela condessa Pereira Carneiro, com a colabora-
conduziu seus editoriais na linha do conservadorismo e libertarismo in- ção de adilo Costa, Aníbal Freire e Amílcar de Castro, moderniza o matu-
tolerante. Mesmo apoiando um ditador ora absolutista, ora conservador, tino Jornal do Brasil, mais conhecido como sendo o jornal dos anúncios.
ora liberal, ora trabalhista como Vargas, Chateaubriand jamais deixou de Em 1957, o jornal já está totalmente transformado e passa a ser imitado
apoiar outros políticos. pelos concorrentes.
Grande parte dos anúncios de primeira página, chamados de artigos
A Censura - DIP e notícias, caricaturas e desenhos, estampados como se fossem chapas de
panfletos no espaço mais valorizado do jornal, passa a dar lugar à fotografia
A fase moderna da imprensa, com o crescente desenvolvimento das
e a uma ordenação hierárquica de assuntos conforme o valor jornalístico.
artes gráficas, contrastou com o advento da censura ostensiva, que se tor-
nou conhecida como "período da rolha", a partir de 1939, com o DIP - De- Surgem no jornal um novo conceito de notícia e um novo designo a
partamento de Imprensa e Propaganda. conteúdo é inovado (texto e fotografia), o que dá sentido revolucionário à
A Constituição Federal de 1823 proporcionou maior expressão à mudança pelas alterações gráficas.
liberdade de imprensa. Por 65 anos, o jornalismo seguiu os mesmos prin- A revolução gráfica racionalizou a produção editorial e tomou a no-
cípios. Nos primeiros anos da República, o diploma referente aos jornais tícia mais dinâmica. Mudaram os tipos, as medidas, os formatos, o material
sofreu alterações com numerosos decretos. Um deles, de 1921, era de re- de impressão, a organização administrativa, os critérios de investimentos,
pressão ao anarquismo difundido nas gazetas. as técnicas de elaboração da notícia, a veiculação dos classificados e dos
A Revolução de 1930, o Movimento Constitucionalista de 32 e, dois anúncios. a jornal, antes predominantemente preto, foi substituído pelo
anos depois, a Carta de 1934 abafaram as conseqüências daquele diploma. impresso com trabalho gráfico arejado pelo uso de branco.

36 37
História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

Mudanças Propostas na Diagramação do JB o Última Hora

Amílcar de Castro, um pintor, escultor e artista gráfico que tivera Primeiramente, Samuel Wainer foi para O Jornal dos Diários Asso-
uma experiência anterior na revista Manchete, ao lado de Oto Lara Resen- ciados, conseguiu uma entrevista exclusiva com Vargas, no exílio de Itu.
de, chega ao JB com a certeza de que se na revista a força é horizontal, no Então, a matéria abre caminho para volta de Vargas ao poder e ele passa a
jornal ela é vertical. A partir dessa concepção, o JB é redesenhado. apoiar os planos de Wainer em fundar um jornal. Assim é criado o Última

Antes da reforma, o jornal era repleto de anúncios, sem preocupação Hora.


com a emissão de notícias ou publicação de imagens. Depois das mudan- O escândalo deflagrado pelo suposto favorecimento de Getúlio a
ças, o JB ganha o "L" da primeira página que provoca mudanças na diagra- Samuel Wainer toma público que empresas jornalísticas haviam se apro-
mação de jornais nacionais e estrangeiros. A forma consagrada do Jornal veitado de créditos do governo tanto quanto o Última Hora.
do Brasil com o "L" na primeira página e uma foto grande na metade de Durante mais de dez anos, o Última Hora foi o maior jornal popu-
cima com uma menor embaixo surgiu quando os responsáveis pelas mu- lista do Brasil. O fim de sua rede, ocorrido logo após o golpe do Estado mi-
danças começaram a examinar uma coleção antiga do jornal e encontraram litar de 1964, acabou com a única tentativa da época de formação de uma
um exemplar da década de 20, com um desenho grande de Raul Pedernei- rede nacional. Até os grandes jornais como O Estado de S. Paulo, o Jornal
ras em cima e uma foto menor embaixo. ,
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do Brasil, a Folha de S. Paulo e O Globo, apesar de serem distribuídos em
A condessa Pereira Carneiro apoiou as mudanças, embora tenha todo o Brasil, dirigiam-se, principalmente, a um público regional.
contestado no primeiro dia de publicação do novo jornal. Na segunda pá-
gina, no expediente, Amílcar havia substituído Jornal do Brasil por JB. O o Surgimento do Editor
nome permaneceu Jornal do Brasil, mas passou a ser conhecido como JB.
Antes do Jornal da Tarde, o Diário Carioca, o Jornal do Brasil e a
Com a reforma, os encartes, os suplementos e os cadernos especiais Tribuna da Imprensa haviam definido uma nova redação com a introdução
ganharam mais qualidade e maior identidade com o leitor. {
do editor, como já acontecia no jornalismo norte-americano. Essa modifi-
Em São Paulo, em 1966, O Estado reage à expansão das Folhas (que cação já não mais contava com o secretário de redação e descentralizava
circulavam sete dias, com vários títulos do mesmo grupo) e lança o Jornal as funções executivas. Porém, é no Jornal da Tarde que o editor passa a
da Tarde. Devido ao potencial técnico de O Estado, o Jornal da Tarde apa- ser mais exigido, assumindo as funções de pauteiro, chefe de reportagem,
I:~,
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rece dez anos depois da revolução do Jornal do Brasil para aprofundá-la. editor de texto, editor de fotografia, diagramador e redator.
~f
O Jornal da Tarde também causa uma revolução na imprensa e, '1~
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como o JB, influenciou novos padrões de informação e de cobertura. Mino :f o SURGIMENTO DA IMPRENSA ALTERNATIVA (KUCINSKI,
Carta, primeiro editor-chefe, e Murilo Felisberto, seu sucessor, imprimi- I~' 1991)
ram uma revolução no vespertino paulista. O jornal muda os jargões da
Bernardo Kucinski, em seu livro Jornalistas revolucionários, conta
época. Em lugar de "ponto" ou "tento" passa a usar "gol" no jornalismo
que durante os quinze anos de ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1980,
esportivo. Em 1975, uma arriscada decisão editorial transformou a primei-
nasceram e morreram no país cerca de 150 periódicos que tinham como tra-
ra página do jornal em um pôster. A primeira página foi quase toda tomada
ço comum a oposição intransigente ao regime militar. Esses jornais tinham
por uma única foto.

38 39

OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

um discurso alternativo e opunham-se por princípio ao discurso oficial. De acordo com Kucinski, as primeiras edições de O Pasquim traziam
Eles ficaram conhecidos como imprensa alternativa ou "imprensa nanica". traços e seções que caracterizavam ojornal durante toda sua existência. A gran-
O termo "nanico" usado para imprensa alternativa era inspirado no formato de entrevista, provocativa, dialogada, dicas de restaurantes sugeridas por Ja-
tablóide adotado pela maioria dos jornais alternativos. guar e escritas por sua mulher, Olga Savary, seriam imitadas por toda imprensa
brasileira. Os artigos corrosivos de Paulo Francis, o ratinho Sig - criação de
Nessa época, havia basicamente duas classes de jornais alternativos.
Jaguar em homenagem a Sigmund Freud e inspirada em Hugo Leão de Castro,
Alguns, predominantemente políticos, tinham raízes nas idéias de valorização
morador de Ipanema, que sempre levava consigo um ratinho no ombro - e a
do nacional e do popular dos anos 50 e no marxismo dos meios estudantis dos
enorme seção de cartas forneciam ao Pasquim sua identidade peculiar.
anos 60. Em geral, eram dogmáticos e pedagógicos. A outra classe de publi-
cações foi criada por jornalistas que passaram a rejeitar a primazia do discurso O Pasquim introduziu o uso de palavrões na linguagem jornalística
ideológico. Mais voltados à critica de costumes e à ruptura cultural, tinham e, na própria linguagem falada, tomou-se mais comum, por meio de ter-
mos que eram rapidamente incorporados ao cotidiano do público. Segundo
raízes nos movimentos de contracultura norte-americanos, com orientação
Kucinski (1991), causou sensação a entrevista de Leila Diniz ao jornal,
anarquista, e no existencialismo de Jean Paul Sartre. Esses jornais investiam
totalmente desprovida de auto-censura e repleta de palavrões.
principalmente contra o autoritarismo e o moralismo na esfera de costumes.
A aversão ao capitalismo foi outro traço marcante e um denomi-
EVOLUÇÃO DO FOTOJORNALISMO NO BRASIL
nador comum de todos os jornais alternativos que se identificavam com o
espírito anti-capitalista. 1900 a 1920 - mantêm-se as convenções que se exprimem no regis-
tro formal de imagens e no retratismo.
o Pasquim 1920 a 1940 - o flagrante se sobrepõe ao registro formal e quadrado
de imagens. O retrato começa a se despedir do conteúdo informativo.
o grande pioneiroda imprensa alternativa foi O Pasquim, que come-
1940 a 1950 - a ênfase do fotojornalismo contribui para associar a
çou a ser editado no Rio de Janeiro por volta de 1969. Ele direcionava suas
visão do dia-a-dia à prioridade do flagrante. O repórter fotográfico se afirma
críticas não só aos aspectos econômicos do regime militar, mas também
e a fotografia de imprensa se demarca definitivamente da fotografia comum.
fazia uma contestação cultural ao empregar em suas críticas expressões
da gíria carioca. Segundo Kucinski, O Pasquim foi imaginado por Jaguar 1950 a 1960 - período de profissionalização. A fotografia consolida
como um jornal a ser feito para o bairro de Ipanema no Rio de Janeiro, mas a tendência para exprimir nos meios de comunicação a sua própria lingua-
logo revelou sua vocação para a universalidade. O jornal tinha uma visão gem. Surge, nos fins dos anos 50 e 60, uma geração de fotógrafos que reto-
crítica compartilhada por jovens e artistas e, definitivamente, não se tratava ma a tradição do fotojornalismo dos pioneiros de Cruzeiro. Nesses anos, o
JB ajusta sua renovação editorial a um fotojornalismo dinâmico que eleva a
de um jornal comum de bairro, até porque quase não fazia reportagens.
força informativa por meio do impacto gráfico. Entre as revistas, Realidade
O Pasquim estourou sucessivas previsões de venda até se estabilizar
é a que mais se identificou com os recursos da fotografia aliada à notícia.
em 225 mil exemplares a partir da edição número 32, em janeiro de 1970.
1960 a 1970 - adesão do fotojornalismo aos padrões criados pela
Logo no primeiro número, conforme Kucinski, "O Pasquim revolucionou a
profissionalização. Nos anos 60, houve investimentos em basicamente
, linguagem do jornalismo brasileiro, instituindo uma oralidade que ia além
h i,' duas categorias de ilustração: interesse humano, crime e política ou segu-
da mera transparência da linguagem coloquial para a escrita do jornal". rança nacional.
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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

1970 a 1980 - período influenciado pela televisão, o que reduz o Diretrizes foi fechada em 1944 por ordem do governo de Getúlio Vargas.
alcance que a fotografia havia atingido nos anos anteriores. Marcou a história do jornalismo brasileiro ao liderar um movimento de opinião
favorável à entrada do Brasil na Segunda Guerra, ao lado das forças aliadas.
A partir dos anos 80 - a fotografia permanece conotada às perdas
Com o final do conflito e a volta da Força Expedicionária Brasileira,
da década de 70 relacionadas aos índices de penetração e às verbas publi-
citárias prejudicados por causa do advento da televisão. em 1945, Diretrizes passa a circular novamente, já como jornal diário.
Essa revista foi um marco do jornalismo semanal brasileiro de in-
1970 a 1990 - as fotos e páginas de ilustração disputavam espaço com
as histórias e as caricaturas. Confrontada pela própria fotografia e pela compu- formação.
tação gráfica da TV; a ilustração impressa ajusta-se a uma ênfase do jornalismo
informativo em lugar do jornalismo puramente ilustrativo do passado. Realidade

Em 1965, uma revista chamada Realidade é lançada pela Editora


o MERCADO DE REVISTAS Abril com uma proposta editorial inovadora, devido à qualidade editorial e

Manchete aos recursos visuais usados.


Realidade renova as revistas em dois aspectos: em termos de reporta-
Em 1952, a Bloch Editores lançou a revista Manchete, fenômeno
gem de investigação, sua proposta era sempre esgotar o assunto, desprezan-
editorial do grupo. Empregava uma concepção moderna e utilizava o fo-
do a visão panorâmica e privilegiando a interpretação e opinião; essa opção
tojornalismo como principal forma de linguagem. A Manchete, em poucas
de qualidade editorial é complementada pelo tratamento gráfico apurado.
semanas, chegou a ser a revista semanal de circulação nacional mais ven-
dida do país, destituindo a renomada revista O Cruzeiro.
Veja

o Cruzeiro o mercado das grandes revistas se consolidou nos anos 70 em quan-


tidade de exemplares, de títulos e de públicos.
A revista semanal O Cruzeiro teve a sua primeira publicação em 10
Nos anos seguintes, a revista Veja tomou-se como a revista semanal
de novembro de 1928. Foi fundada por Carlos Magalhães Dias e passou
de informação. Em 1986, vai a 820 mil exemplares semanais, superando
a integrar, posteriormente, o grupo Assis Chateuabriant. É considerada a
qualquer outra publicação editada no país desde a instalação da imprensa,
principal revista ilustrada brasileira do século XX devido a sua reformula-
ção técnica e estética com maior definição gráfica e uso de roto gravuras. em 1808.
Quando Veja sai, em 8 de setembro de 1968, a Editora Abril era o
maior parque gráfico da América Latina. A revista surgiu com a proposta
Diretrizes
de levar aos leitores uma seleção ordenada de todos os campos de conheci-
Em abril de 1938, surge Diretrizes, revista semanal de política, eco- mento dos fatos essenciais da semana.
nomia e cultura. Dirigida por Samuel Wainer e Azevedo Amaral, ela pos- A fórmula de Veja vem ao encontro do modelo das Newsmagazine,
suía uma orientação antifascista. consolidado, em 1923, pelo surgimento da Time nos Estados Unidos.

43
42

1l
OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

A revista semanal de informação passa a se distinguir dos jornais, de 2) Urbanização;


outras revistas, do rádio e da televisão por sua especialidade na ordenação 3) Generalização da instrução;
e na interpretação dos acontecimentos.
4) Evolução política;
Em 1987, Veja publicou seu número 1.000 como a mais importante
5) Maior desenvolvimento da imprensa;
revista semanal brasileira e a quinta no ranking internacional.
6) Novos temas para os jornais e um público maior;

CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS DO JORNALISMO (RI- 7) A capacidade de impressão cresceu e o avanço das estradas de
BEIRO, 1994) ferro permitiu a distribuição mais rápida dos jornais com redu-
ção de preços dos exemplares;
Três conceitos que interferem na evolução histórica do jornalismo:
8) A publicidade permitiu a concorrência e as massas se apropria-
1) Jornalismo - é o conjunto de técnicas, saber e ética voltado para ram da leitura;
a captação de informações;
9) O jornal deixou de ser um veículo de idéias e passou a adotar a
2) Imprensa - trata-se da divulgação periódica de notícias feitas lógica capitalista com o objetivo de obter lucro.
por jornais e revistas;
3) Empresa - corresponde à estrutura econômica responsável pela Principais Obstáculos para Difusão de Informações no Brasil
comercialização do material impresso. (século XIX)

1) Grandes distâncias;
Surgimento da Imprensa na Europa
2) .População dispersa;
A imprensa desenvolveu-se na Europa com a revolução comercial.
3) A censura da coroa portuguesa;
Lá, ela possuía características de tribuna política, em que o jornal era usado
4) Ainda não apresentava as características capitalistas industriais
como meio de difusão das respectivas ideologias.
presentes na Europa;
A tipografia já era utilizada amplamente na publicação de livros.
5) Surgimento da primeira tipografia.
Mas, por causa do alto custo das impressões, foi empregada tardiamente
para produção de gazetas.
CARACTERÍSTICAS DO JORNALISMO NO BRASIL NO
As primeiras gazetas impressas semanais só vieram a surgir em
SÉCULO XIX
1609, na Alemanha. Em 1702, o Daily Courant começou a circular em
Londres. Ele foi o primeiro jornal diário do mundo. Tribuna ampliada - o jornal era usado para difundir idéias políticas.
Assim, o jornalista atuava como ativista político e o jornal era o veículo de
Fatores que Contribuíram para o Desenvolvimento da Impren- suas idéias.
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sa no Século XIX na Europa ,I Não há especialização funcional (quem escreve é o mesmo que im-
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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Mistura de elementos religiosos, revolucionários e românticos. Década de 30


Nessa época, a função social do jornal é a de servir de canal às dis- 1) A empresa jornalística começou a ser vista como um investimen-
putas políticas por fatias do poder. to de lucro;-
O crescimento da população e da atividade econômica evoluíram 2) Em 1939, surge o DIP (Departamento de Imprensa e Propagan-
com uma tendência empresarial e um maquinário mais moderno no final da), que exercia o controle ideológico sobre a imprensa;
do século XIX.
3) Houve a regulamentação da profissão de jornalista;
4) Iniciou-se o investimento da propaganda oficial e privada.
IMPRENSA NO BRASIL NO SÉCULO XX

1) O Brasil completa sua evolução capitalista e industrial; Década de 50


2) Os jornais começam a se tomar, gradativamente, empresas;
1) Há a consolidação da radiodifusão: a baixa escolaridade conferiu
3) Passa a existir, nessa época, a especialização funcional (hierar- liderança imediata dos veículos audiovisuais pela dificuldade de
quização e divisão de funções); leitura da população;
4) O jornal começa a ser um dado econômico e não apenas político; 2) Surgem as redes nacionais e regionais a partir dos Diários e
5) Como dado econômico, o jornal passa a defender os interesses Emissoras Associadas de Assis Chateaubriand;
econômicos específicos do grupo a que está ligado seu proprietá- 3) Ocorrem melhorias técnicas.
rio e promove a divulgação de informações necessárias à manu-
tenção do sistema social, econômico e político da sociedade;
Anos 60 e 70
6) Há multiplicação dos jornais, queda do preço do exemplar, uso
de tecnologia e publicidade; 1) É o momento de consolidação da indústria cultural no Brasil- pa-
7) O jornais passam a se segmentar com o aperfeiçoamento gráfico dronização cultural;
(recursos visuais) e o jornalismo de consumo; 2) Percebe-se o amadorismo e a precariedade das condições de tra-
8) A imprensa incorpora-se ao cotidiano da sociedade. balho e da própria publicidade.

HISTÓRIA DO RÁDIO (FERRARETTO, 2001)


Final da Década de 20

1) O estilo europeu, presente no Brasil, passa a ceder ao estilo nor- As primeiras Transmissões do Rádio
te-americano;
2) Há transição do papel pedagógico da imprensa para a idéia de A primeira transmissão de rádio no Brasil data de 7 de setembro de
jornal feito para dar lucros; 1922, durante a exposição comemorativa do centenário da independência.

3) Nessa época, os principais obstáculos são a pouca I?rofissionali- O discurso do então presidente Epitácio Pessoa, além de ser ouvido
zação e o analfabetismo. no recinto da exposição, chegou também em Niterói, Petrópolis e São Paulo,

46 47

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OBRAS JORNALÍSTICAS
História da Imprensa

graças à instalação de uma retransmissora no Corcovado e de aparelhos de


eletroe1etrônica nacional, mais tarde absorvida pela multinacional Motoro-
recepção naqueles locais.
la. Constituída em meados dos anos 30, a Rede Verde-amarela, dos Bying-
ton, realizou a primeira cobertura esportiva de um campeonato mundial
Primeiras Emissoras (CESAR, 1999)
de futebol na França, em 1938. No entanto, a Rede Verde-Amarela não se
Em 20 de abril de 1923, surge a primeira emissora, fundada por desenvolveu e não se consolidou. O Brasil só contaria com as redes a partir
Edgard Roquette-Pinto, na Academia Brasileira de Ciências. Chamava-se dos anos 70, quando a estrutura de telecomunicações do país permitiu a
interligação de emissoras via satélite.
Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com o prefixo PRA-A. O slogan da
rádio era "Trabalhar pela cultura dos que vivem em nossa terra e pelo pro- Inaugurada em 25 de setembro de 1935, a rádio Tupi, do Rio de
gresso do Brasil". Janeiro, é a primeira emissora do conglomerado de Assis Chateaubriand,
Depois da criação da emissora carioca, Elba Dias fundou a Rádio dono dos Diários e Emissoras Associados, maior rede de comunicações do
Clube do Brasil. Fundada em 10de junho de 1924, a emissora foi a primeira país. Em 1948, o radiojornalismo ganha impulso com a emissora Conti-
do país a obter autorização para transmitir publicidade. Somente em 1932, nental, do Rio de Janeiro. À emissora atribui-se a criação de um formato
a publicidade é regulamentada pelo governo, dando início a uma nova fase radiofônico novo: o de música-esporte-notícia. Na Continental, a reporta-
na história da radiodifusão no país. De 1924 até 1926, o governo do presi- gem ganha espaço e se desenvolve. A cobertura do carnaval era o ponto
dente Arthur Bernardes cede a estrutura de transmissão da Praia Vermelha forte da emissora. A rágio inovou ainda pela cobertura de esportes como
voleibol e basquete.
para a Rádio Clube do Brasil. A emissora de Elba Dias e a de Roquette-
Pinto convivem de forma única na história da radiodifusão brasileira. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul é a pioneira em rádio
A primeira emissora de São Paulo - Educadora Paulista - foi funda- sem fins comerciais nas instituições de ensino superior. Surgem as emisso-
da em 1924 e presidida por Vergueiro Steidel. Em 11 de junho de 1931, São ras universitárias, parcela significativa da atual rede de radiodifusão edu-
Paulo ganhava uma emissora idealizada como empresa para gerar lucros. cativa. Nos anos 70, o governo militar utiliza as emissoras de rádio para i~'i
Era a Rádio Record. Nela, César Ladeira toma-se conhecido como uma transmitir programas de ensino a distância. No dia 4 de outubro de 1970,
espécie de voz da revolução constitucionalista. A Record adotou um novo o Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação começa I
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modelo de programação organizado por César Ladeira, introduzindo o cast ' " a operar o Projeto Minerva, em cinco horas semanais, com trinta minutos I
I,

diários de segunda a sexta-feira.


profissional e exclusivo, com remuneração mensal. A partir dessa época,
mesmo as emissoras menores procuram também ter o seu pessoal nxo. Em 10 de agosto de 1935, surge a rádio Jornal do Brasil. Em 1959,
Em setembro de 1936, começam a se esboçar o que serão as emissoras a JB lança um novo tipo de programa no rádio, os serviços de utilidade
educativas do país. Minas Gerais ganha a Rádio Inconfidência, com a idéia pública. A rádio é pioneira no formato de jornalismo 24 horas, chamado I
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central de levar conhecimento ao agricultor. O primeiro programa chamava-se


"Meia-hora do fazendeiro", depois transformado em "Hora do fazendeiro". O
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All News. A experiência começa em 1980 e dura seis anos. O formato será
retomado em 1991, quando o Sistema Globo de Rádio passa a operar a
programa recebeu 25 mil cartas em seus três primeiros anos de transmissão. tj Central Brasileira de Notícias - CBN, uma cadeia de emissoras voltadas
ao jornalismo 24 horas por dia.
A primeira tentativa de estruturação de uma rede de radiodifusão :J(

acontece por iniciativa da Byington&Cia, uma das pioneiras da indústria ;'li: Surgida em 3 de maio de 1944, a rádio Panamericana dá início ao
que seria o conceito de rádio da Jovem Pano No início dos anos 70, a rádio

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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

se emociona ao ler a última edição do noticiário. O Repórter Esso estava


será pioneira com a transmissão de um informativo em rede para diversos
saindo do ar após três décadas de transmissões.
estados do país com o "Jornal de Integração Nacional". Com esse progra-
O apogeu da rádio Nacional, conhecido como fase de ouro, durou
ma, a Jovem Pan antecipou-se aos noticiários via satélite que surgiriam nas
até 1955, com programas que marcaram época, como as novelas "Direito
décadas de 80 e 90.
de nascer", os programas de auditório com atuação de Paulo Gracindo e
César Alencar, os humorísticos "PRK 30" e "Balança mas não cai".
Popularização do Rádio
Astros da música como Carmem Miranda, Emilinha Borba, Orlan-
o rádio popularizou-se a partir da década de 30, voltando-se para o do Silva, Francisco Alves, Marlene, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Carlos
lazer e o entretenimento. No lugar de concertos e palestras, eram executadas Galhardo e Araci de Almeida passaram pela Rádio Nacional e tiveram seus
músicas populares e quadros humorísticos para famosos programas de rá- nomes consagrados na emissora.
dio. Nessa época, os empresários perceberam o potencial do rádio para
anúncios pagos, principalmente por poder atingir o grande número de anal-
A Hora do Brasil
fabetos do país.
O governo cria o programa Hora do Brasil em 22 de junho de 1935,
com o objetivo de divulgar suas realizações. Com a ditadura, o programa
Rádio Nacional
toma-se obrigatório e passa a ser transmitido em rede nacional de segunda
Inaugurada em 12 de setembro de 1936, no Rio de Janeiro, a Rádio a sexta-feira, das 18h45 às 19h30. Com a redemocratização, o presidente
Nacional manteve a liderança da radiodifusão no país por mais de 20 anos. Eurico Gaspar Dutra chegou a cogitar a extinção do programa, mas desis-
A emissora pertencia à empresa "A Noite", grupo responsável pela edição tiu, convencido pelos aliados políticos de que a Hora do Brasil poderia ser
dos jornais A manhã e A noite. A encampação da Nacional pelo governo um instrumento de propaganda para o governo. Em 6 de setembro de 1946,
ditatorial Vargas, em 1940, inaugura uma nova fase no rádio brasileiro. a Hora transforma-se em Voz do Brasil.
Uma grande inovação, concretizada em 1938, surge quando estréia
na emissora o programa "Curiosidades musicais". Na década de 40, a emis- HISTÓRIA DO RÁDIO (MOREIRA, 1999)
sora consolida-se com a primeira radionovela, "Em busca da felicidade", O rádio só iniciou programas compatíveis com a idéia capitalista de
e seu principal noticiário, o "Repórter Esso". "Em busca da felicidade" foi
,{ produção em massa dez anos após a primeira implantação de uma emissora
transmitida durante 284 capítulos por quase dois anos. Patrocinado pela 1~ no país, em 1923. Inicialmente, organizou-se em termos não-comerciais,
Esso brasileira de Petróleo e com o noticiário da Unitede Press lnternatio- '"
mantendo-se por sociedades ou clubes; o ouvinte tinha de pagar ao Estado
nal, estréia em 28 de agosto de 1941 o "Repórter Esso". A maior contri-
uma contribuição pelo uso das ondas.
buição do programa foi a introdução no Brasil de um texto linear, direto,
Roquette-Pinto, fundador da Rádio Sociedade Rio de Janeiro, pri-
corrido e sem adjetivações, apresentando um noticiário ágil e estruturado.
meira emissora do país, defendia que o rádio deveria ter programas educa-
O locutor mais conhecido do "Repórter Esso" foi o gaúcho Heron Do-
tivos e culturais para reduzir o analfabetismo no país, contudo seu objetivo
mingues, que assumiu o posto de locutor exclusivo em 3 de novembro de
não foi alcançado. A programação educativa da emissora, na década de 20,
1944. O Esso fica na Nacional até 1962, quando se transfere para a Globo.
era preenchida de palestras científicas e literárias, mas acessíveis apenas a
No dia 31 de dezembro, o então locutor do programa, Roberto Figueirede,

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

um público seleto. A veiculação da emissora sofria constantes interrupções nacional de equipamentos. Essa estratégia era parte do objetivo do governo
e a programação era insuficiente para preencher todo o horário noturno e de interiorizar a radiodifusão, de levá-la aos lugares onde as ondas da AM
diurno. não chegavam, pois a FM podia ser instalada em qualquer lugar. O governo
A década de 20 foi uma fase de experimentação. Predominava o estava preocupado com a instalação de emissoras estrangeiras em regiões
espírito idealizador, que depois cedeu lugar ao empresário, devido às in- chamadas "áreas de silêncio", em que se tinha pouco acesso à informação.
junções políticas e econômicas, aos avanços na legislação e à introdução A estratégia deu resultados. Os empresários passaram a explorar comercial-
de novas tecnologias. mente as FMs e o ouvinte ganhou programação diversificada.
A FM revolucionou o rádio ao conquistar o público jovem. No dia 2
Fatores que Mudaram a Situação da Rádio Brasileira na Déca- de dezembro de 1970, os Diários e Emissoras Associados inauguravam em
da de 30 São Paulo a Rádio Difusora FM, a primeira do país a transmitir exclusiva-
mente em freqüência modulada. A história da freqüência modulada muda
A introdução do rádio de válvulas substituiu o de galena, o que bara-
de rumo quando, em 1977, entra no ar a Cidade FM, do Rio de Janeiro. Em
teou os custos de produção do aparelho e permitiu sua popularização junto
pouco tempo, a emissora passa a ser líder de audiência e emissoras de todo
ao público.
o país passam a copiar seu formato de programação.
Houve a mudança da legislação que favoreceu a introdução da pu-
Na década de 80, as FMs passaram a receber 80% das verbas pu-
blicidade no rádio em 1932. Ela provocou alterações no modo de produção
blicitárias destinadas ao rádio. As rádios AMs ficaram mais direcionadas à
da programação, pois as emissoras puderam estruturá-las em bases mais
comunidade e à prestação de serviço e o segmento musical ficou por conta
duradouras com os recursos que surgiram.
daFM.
A rádio cultural-educativa deu lugar aos programas populares volta-
dos ao lazer e à diversão. Iniciou-se um processo de profissionalização com
Redes Via Satélite
a formação de um cast profissional e os programas passaram a ter horários
fixos e preparação anterior à veiculação. A radiodifusão sonora brasileira entrou na era das redes via satélite
em março de 1982, quando a Bandeirantes AM, de São Paulo, começou a
Popularização do Rádio - o Surgimento das FMs gerar o radiojornal "Primeira Hora" usando o tempo ocioso do subcanal
que a Rede Bandeirantes de Televisão havia alugado no Intelsat 4. Em
Nas décadas de 40 e 50, o rádio já era o veículo mais popular, con- 1985, o país passa a contar com um satélite próprio de comunicações, o
tudo o alcance limitado das ondas dificultava sua propagação. Brasilsat. Com o segundo satélite, lançado no ano seguinte, conforma-se
Na década de 60, o rádio passa por uma fase de estagnação. Houve um sistema nacional de telecomunicações via satélite. Com o Radiosat, em
perda de prestígio devido ao surgimento da TV, que passa a disputar a 25 de setembro de 1989, a Rede Bandeirantes de Rádio passou a operar um
publicidade. canal de satélite próprio.
Novidades surgem com as FMs que, até a década de 70, não tinham A Radiobrás, empresa criada pelo governo em 1975, passa a usar o
penetração popular. A freqüência ganhou impulso com a distribuição de novo serviço Embratel, transmitindo, em especial, o Jornal Nacional, gerado
concessões e permissões do governo e o estímulo à reativação da indústria pela Rádio Nacional AM, de Brasília, com cerca de 400 emissoras em cadeia.
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História da Imprensa
OBRAS JORNALÍSTICAS

Ao longo dos anos 90, surgem diversas redes nacionais e regionais,


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Seu primeiro apresentador foi Kalil Filho e, por mais de onze anos,
sempre no mesmo horário, o Repórter Esso foi ao ar na TV Tupi-Dijusora,
muitas delas vinculadas à idéia de segmentação. I
HISTÓRIA DA TELEVISÃO (SIMÕES, 1986)
como então se chamava a antiga PRF-3. O programa estava entre os dez
de maior audiência de São Paulo e, ao ser apresentado por Gontijo no Rio
de Janeiro, onde tinha pouco acesso à informação, devido à distância ou à
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Primeira Emissora de Televisão no Brasil impossibilidade de deslocamento da população, Teodoro consagrou a frase
A primeira emissora de TV no Brasil foi inaugurada por Assis Cha- "Aqui fala o Repórter Esso, testemunha ocular da história". Essa frase tor-
teaubriand em 18 de setembro de 1950, em São Paulo, às l6h, nos estúdios nou-se famosa a partir de 1941, quando foi dita pela primeira vez na Rádio
Nacional por Celso Guimarães, repetida depois por Saint Clair Lopes e,
instalados no Palácio do Rádio. Nesse dia, entrou no ar a PRF-3, TV Tupi
Difusora, canal 3, posteriormente canal 4, a primeira emissora da América finalmente, consagrada por Heron Domingues.
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do Sul. O programa televisivo Repórter Esso não se diferenciava muito do ~
padrão consagrado no rádio nos anos 40. O programa foi exibido pela últi- ':~
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A TV Tupi sobreviveu até 1980, quando uma portaria governamental
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lhe cassou a concessão. O fim da emissora representou também o encerra- ma vez na TV, em 1970. "1'
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mento de um império jornalístico montado por Chateaubriand a partir da ir J
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compra de O Jornal (no Rio de Janeiro), em 1924, com o auxílio de Epitá- Rede Globo ""I

cio Pessoa, Alfredo Pujol e Virgílio de Melo Franco. A resistência da Tupi


Em dezembro de 1957, o fundador do grupo Globo, Roberto Mari-
ao governo provocou a anulação de sua concessão. A Manchete e o SBT
nho, recebeu do presidente Juscelino Kubitscheck uma concessão que só
partilharam os restos da Rede Tupi no início de 1981.
foi utilizada em 1962. Nesse período, o grupo iniciou negociações com o
Em 20 de janeiro de 1951, foi inaugurada, no Rio de Janeiro, a TV
grupo multimídia Time-Life, que já havia oferecido seus serviços ao Jornal
Tupi, que consolidou o pioneirismo dos Diários Associados. Houve festas
O Estado de S. Paulo e, principalmente, à cadeia dos Diários e Emissoras
de comemoração das primeiras transmissões regulares da TV Tupi-Rio, que
Associadas.
funcionava nas precárias instalações das dependências da Rádio Tamoio,
na Avenida Venezuela, perto da Praça Mauá. A TV Globo, canal 4, foi inaugurada às 11 horas da manhã de 26 de

Em fevereiro de 1972, ocorreu a primeira transmissão em cores para abril de 1965.


todo o país.,'
Acordo Globo & Time-Life
Em agosto de 1974, o Brasil toma-se o quarto usuário dos canais de
telecomunicações do sistema internacional de satélites Intelsat, utilizado A presença do grupo Time-Life no Brasil ocorreu nos anos 50 quan-
para garantir a eficiência das comunicações internas e externas. do, associado à família de origem italiana Civita, que fugira para o Brasil
com medo do fascismo de Mussolini, ajudou a criar o poderoso grupo edi-
Repórter Esso torial Abril.
Foi necessária a intervenção expressa do então presidente da Repú-
A partir de junho de 1953, no horário das 19h45min começou a ser
blica, o marechal Castelo Branco, para fechar o acordo Globo/Time-Life.
exibido o Repórter Esso na televisão brasileira.

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OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

o grupo estrangeiro investiu cinco milhões de dólares na jovem Na fase anterior ao VT não havia possibilidade de correção e tudo
emissora brasileira, que teve à sua disposição todos os conhecimentos téc- ficava por conta da capacidade de improvisação dos profissionais.
nicos da Time-Life. A criação de uma rede nacional de televisão tomou-se possível ape-
Em 1969, a Globo compra as ações que o grupo Time-Life detinha na nas após a introdução dos equipamentos de videoteipe.
sociedade e passa a estabelecer um padrão de grande rede nacional (network), Em 26 de março de 1969, a Embratel inaugurou seu primeiro tronco,
com produção centralizada e distribuição de programas em todo o país. o tronco sul, interligando as cidades de Curitiba e de Porto Alegre, o que
Uma comissão parlamentar de inquérito foi criada para investigar ampliou o alcance das emissoras.
o acordo. A conclusão da CPI, aprovada pelo congresso em 1966, foi a
de que os negócios entre as organizações Globo e o grupo Time-Life eram ASSIS CHATEAUBRIAND (MORAIS, 1994)
inconstitucionais e lesivos ao Brasil, pois criava assim sociedade com um
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu na cidade
grupo estrangeiro, o que era vetado pela Constituição.
de Umbuzeiro, na Paraíba do Norte.
Com o relatório final do Procurador da República a respeito do caso,
Seu primeiro trabalho em jornal ocorreu na Gazeta do Norte, ves-
o ConteI estipulou 90 dias a Roberto Marinho para regularizar a violação
pertino criado em 1906, em Pernambuco. No início, cuidava dos pequenos
das leis. Marinho recorreu ao presidente da República, Castelo Branco. O
anúncios e fazia algumas notas. A Gazeta do Norte foi à falência em 1907
recurso teve efeito suspensivo e Castelo garantiu a impunidade de Marinho e Chateaubriand ficou um bom tempo desempregado.
e o prosseguimento da violação da Lei.
A conselho do pai, usou o tempo livre para estudar, a fim de parti-
cipar do processo seletivo da Faculdade de Direito. Assim que ingressou
o Surgimento do Jornal Nacional e a Globo & Regime Militar
na faculdade, voltou a procurar emprego e foi contratado pelo jornal O
Em 1969, é inaugurado o Jornal Nacional, primeiro programa pro- Pernambuco como aprendiz.
duzido a partir de uma central do Rio para todos os estados. Alguns anos depois, montou um plano para assumir algum destaque
Acompanhando o regime instalado em 1964, nos seus objetivos de na imprensa. Já estava no Jornal do Recife, quando se envolveu numa briga
entre os seguidores de Hermes da Fonseca e Manuel de Oliveira Lima. Isso
integração do país, a Rede Globo se colocava como porta-voz oficioso do
ocorreu devido a seus artigos que contrariavam a política do jornal. Logo foi
governo. A Globo deu sustentação ao "milagre brasileiro" construído sobre
demitido sem publicar toda sua série de artigos, intitulada "Em defesa do
uma taxa efêmera de crescimento, elevado a um custo social de concentra-
Sr. Oliveira Lima". Não cotseguindo nenhum outro veículo que o publicasse,
ção das rendas.
pagou do próprio bolso um folheto de 40 páginas com o mesmo título. Esse
~; folheto lhe rendeu fama e um salário de cem mil réis no jornal A Cidade.
o Advento do Videoteipe e seus Efeitos na Programação
A convite do jornal Correio da Manhã, Chateaubriand passou um
'íf
O videoteipe passa a ser usado regularmente no Brasil em 1962. ano na Alemanha como correspondente internacional do jornal. Chegou
i"::!
à Itália, onde passou algum tempo antes de fixar-se em Berlim. A partir
Os novos recursos técnicos permitiam um melhor acabamento aos
de então, o jornal passou a publicar duas matérias semanais enviadas por
programas, enquanto se promoviam reformas internas nas emissoras.
Chateaubriand.

56 57

______
OBRAS JORNALÍSTICAS
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H.Mri, ••• '
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!, e uma agência publicitá"a. E se destacavam cada vez mais pelo mate"al '
Chateaubriand Compra os Primeiros Jornais
.
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humano que possuíam. Qualquer um que sobressaísse como repórter ou
Ao saber que O Jornal estava à venda, Chateaubriand pediu a Al- .~:; qualquer outra profissão que interessasse a uma das áreas dos Associados
fredo Pujol que negociasse o periódico sem que seu nome fosse citado. 11, era imediatamente contratado, muitas vezes, sem preocupação com os cus-
Toledo Lopes pediu seis mil contos pelo jornal. Chateaubriand usou suas
;i tos que isso traria.
amizades, suas economias e sua influência para levantar o dinheiro.
~~:.
~~ Chateaubriand trouxe a televisão para o Brasil. Essa novidade criou
Foi por meio de Lindolfo Collor que Chateaubriand conheceu Ge- uma agitação imensa em toda a rede dos Diários Associados, pois ninguém
túlio Vargas. O então Presidente da República se empolgou com a idéia de l' f~ tinha experiência em televisão. O que puderam fazer foi adaptar o que apren-
* f..~
:;'1'

Chateaubriand de criar uma rede de jornais, pois aquilo coincidia com o ~ ": i'
deram no rádio. Aliás, a maioria jamais tinha sequer visto televisão, já que,
ideal de criar uma unidade nacional. no mundo todo, só havia três canais: dois na Europa e um nos EUA.
O Jornal, em meados de 1925, era um sucesso absoluto. Devido
ao investimento na parte de publicidade, o faturamento havia aumentado o Condomínio dos Diários Associados
muito.
Em 1959, Chateaubrianddoou49% de suas empresas a22 empregados,
Ao saber que o jornal Diário da Noite estava em decadência, Cha-
criando o que ele chamaria de Condomínio Associado. Mas o império começa-
teaubriand foi a São Paulo e negociou a venda do vespertino. Pediram-lhe
va a desmoronar. O primeiro sintoma da queda foi a venda da Rádio Club.
cerca de um terço do que pagou pelo O Jornal, então Chateaubriand fechou
o negócio.
Doença e Morte de Chateaubriand
Em 10 de dezembro de 1928, Chateaubriand pôs nas bancas de todo
Brasil a revista Cruzeiro, a primeira a atingir todo território nacional. De- ~'~
.. ~, ' ;~
Chateaubriand foi atingido por uma trombose dupla, que o deixou
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vido à publicidade, esse veículo rendeu muito a Chateaubriand. :.~'
"ir.' :.1:.
'''1 tetraplégico e mudo. Mesmo debilitado, continuou a comandar seu impé-
;;/-,."
Em 1929, no intuito de aumentar sua rede de jornais, Chateaubriand '" ~. rio. Em setembro de 1960, voltou a escrever seus artigos. Ditava-os à sua
"It{
lançou, em São Paulo, o Diário de São Paulo, que tinha por objetivo ser A;, ,,0; secretária, em sua casa, e os enviava à redação dos jornais.
um jornal "sério". Chateaubriand usou uma jogada publicitária genial de 'I":~<:~
,:~,:~
~" '~'.
Chateaubriand morreu, em 4 de abril de 1968, de colapso cardíaco.
dar assinaturas gratuitas para um número de leitores durante um mês. Em
sua estréia, o Diário apresentou uma entrevista com Santos Dumont. o PAPEL DO JORNAL: UMA RELEITURA (DINES, 1986)
Em junho de 1931, foi adicionado às empresas o nono jornal, o Diá-
No livro O Papel do Jornal: uma releitura, há um histórico dos
rio de Pernambuco, que, aos 106 anos de existência, era a mais influente
publicação do Nordeste. jornais de grande circulação (especialmente do eixo Rio-São Paulo) apre-
sentando as principais dificuldades para a circulação do jornal impresso na
década de 70. O autor destaca que o maior problema enfrentado foi a crise
o Conglomerado de Chateaubriand
do papel conseqüente à crise do petróleo em 1973.
Os Associados não paravam de crescer. No começo, dos anos de No fim dos anos 40, iniciou-se a funcionalidade e a eficiência dos
1940, já contavam com 28 jornais, cinco revistas, oito rádios, uma editora meios de comunicação. Os jornais Diário Carioca, Tribuna da Imprensa,

58 59
OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

Última Hora e, mais tarde, Jornal do Brasil (fase de Odílio Costa Filho) duta, coerência. A edição isolada não é um produto em si. O conjunto das
voltaram-se para a valorização da notícia e de sua construção. Ocorreu, edições e sua unidade compõem o produto.
então, a introdução do lead, precisão no emprego das palavras. Foi a fase
O Correio da Manhã foi o mais importante matutino brasileiro até
de ouro do jornalismo brasileiro. o início dos anos 60:
Já apareciam, em 1965, no Brasil, os "Cadernos de Jornalismo"
Imprensa marrom, no Brasil, corresponde à imprensa sensacionalis-
(editados pelo Jornal do Brasil), que falavam em seu primeiro número em
ta. Essa expressão foi criada pelo então chefe de reportagem do Diário da
"engenharia de massas" e comunicação de massas. : .
Noite, Francisco Calazans Fernandes, que sugeriu usar uma cor mais forte
A atividade de jornalismo pode ser, segundo o autor, elaborada - o marrom - para designar a "imprensa amarela" (yellow press), expressão
combinando as teorias científicas com atitudes psicológicas fundamentais, comum no jargão jornalístico ocidental.
como o inconformismo, a disponibilidade e o dinamismo intelectuais.
A TV foi a terceira grande revolução nas comunicações. A primeira,
Dines ressalta quatro influências na demanda por falta de garantias a palavra escrita; a segunda, a descoberta dos tipos móveis por Gutem-
e estímulos: berg.
1) Velocidade de alfabetização; A "revistização" do JB - a reforma gráfica que priorizou a utilização
2) Taxa de urbanização; da fotografia e a ordenação dos assuntos conforme o valor jornalístico - e
3) Taxa de crescimento demográfico; o aparecimento de coberturas econômicas e do jornalismo especializado
4) Crescimento do Produto Nacional Bruto. ocorreram em 1963. O primeiro departamento de pesquisa desenvolveu-se
no ano seguinte, em 1964.
Classificação da mídia, além da dimensão tempo-espaço, de acordo
As revistas Cruzeiro e Manchete começaram a usar a cor regular-
com Schramm:
mente em 1957, como ação preventiva contra a invasão em preto-e-branco
1) Velocidade (o tempo em que a mensagem pode atingir sua au-
~ da TV. Dez anos depois, a abundância de fotos coloridas nas revistas brasi-
diência);
leiras superava os padrões internacionais.
2) Permanência (duração da mensagem);
O jargão "economês" foi criado pelo jornalista Carlos Lacerda.
3) Participação (número de pessoas envolvidas no processo).
"O papel do jornal é a sua valorização constante. A crise do papel
Além da chave da dimensão, temos como meio empregado para se não liquida os jornais, apenas os transforma".
comunicar:
O jornal subsistirá enquanto permanecerem inalteradas estas con-
1) O próprio homem (a voz, os gestos, a figura); dições:
2) A utilização do ambiente (sinalização urbana em geral);
A personalização da informação - quanto mais massificadas forem a
3) Os meios artificiais ou os veículos propriamente ditos Gornal, sociedade e a informação, mais o ser humano procurará formas "exclusivas"
i\ rádio, TV).
~ )1
:~
"

de informação, e os meios eletrônicos são coletivos pela própria natureza.


É devido à periodicidade que os veículos de comunicação de massa " hi
têm logotipos, estilos de paginação, marcas, personalidade, linhas de con-
f
~~~
O ponto "ótimo" da periodicidade - o ritmo diário é o único capaz
de resistir ao desgaste do tempo, conservando o ingrediente da curiosidade.

60 61
OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

No caso das revistas, por exemplo, a periodicidade semanal, quinzenal ou do jornalismo educador e sensacionalista. Já o século XX foi o do jornalis-
mensal é o maior obstáculo à formação do hábito perseverante de adquiri-la. mo-testemunho, que o repórter acompanha os fatos a serem narrados.
Amplitude - o jornal é amplo e universal. Os veículos temporais ou
mistos só podem apresentar uma mensagem em cada momento. Pautas
No Jornal do Brasil, a produção de matérias "redondas", que conti- A pauta se propagou nos jornais diários brasileiros na era da reforma
vessem todo o desenvolvimento de um fato, iniciou-se em 1963. editorial no espaço gráfico pelo jornal Última Hora, fundado por Samuel
O autoritarismo de 1964 trouxe a imprensa para a era da "nota ofi- Wainer. Além disso, no Diário Carioca do Rio de Janeiro, houve mudança
cial", o repórter recebe o texto em vez de apurar suas próprias informações em relação ao tratamento do texto. Também, o perfil político tomou-se
em várias fontes. menos conservador.
Le Monde foi um jornal clandestino nascido na Resistência e le- No início da década de 60, o Jornal do Brasil introduziu pautas es-
gitimou-se em 1944, a pedido de De Gaulle, sob a inspiração de Hubert truturadas que deram continuidade à reforma iniciada no Diário Carioca.
Beuve-Mery.
Em 1966, o JB fundou a Agência JB, Serviços de Imprensa Ltda. Introdução do Lide no Brasil

O JB foi o primeiro jornal brasileiro a utilizar regularmente a pes- O jornal Diário Carioca introduziu o lide no Brasil sob a orientação
quisa de opinião pública como informação jornalística. de Danton Jobim e Pompeu de Souza que o adaptaram à língua portuguesa.
O Estado de São Paulo publicava poesias ou receitas culinárias no Também introduziu uma série de reformas por meio do movimento moder-
lugar de matérias proibidas pela censura no período da Ditadura Militar. nista desde a década de 20.
No ano de 1973, esse jornal e o Jornal da Tarde começaram a enviar cópias
das matérias proibidas às agências de propaganda e a leitores ilustres. o DESENVOLVIMENTO DA IMPRENSA

Em 15 de setembro de 1972, a Polícia Federal distribuiu aos jornais A Idade Moderna coincide com a invenção da imprensa. O livro foi
cariocas um decálogo intitulado "Regras Gerais de Censura" relacionando o meio de concentração do pensamento e do saber. O primeiro progresso
os temas proibidos para veiculação na mídia. ocorreu com a invenção do papel na China, no século I; posteriormente,
houve a invenção da imprensa, técnica que teve surgimento também na
Evolução e Publicismo (LAGE, 2001) China no século IX e que se desenvolveu na Europa no século xv.
No século XVII, depois dos livros, surgiram os panfletos e, mais
A linotipo foi inventada em 1880 pelo imigrante alemão de Boston,
tarde, os jornais, que proporcionaram um serviço de que o nascente capi-
Mergenthaler. Esse século foi o ápice dos tipógrafos.
talismo precisava. Dá-se, nesse contexto, as origens dos tipos de jornais
O sensacionalismo atingiu sua culminância nos EUA, no fim do sé- existentes hoje: imprensa comercial, imprensa sensacionalista, imprensa
culo XIX e início do século XX - o tempo da belle époque européia. de opinião ou militante. Sempre que havia um conflito político sob a forma
Os séculos XVII e XVIII simbolizam o auge do jornalismo publicis- de desafio à autoridade, a imprensa assumia o papel de porta-voz da opi-
ta que defendia os governantes e as idéias elitistas; e o século XIX, o ápice nião popular.

62 63

..
OBRAS JORNALÍSTICAS História da Imprensa

A maioria dos jornalistas se empenhava na causa do bem público. Essas agências facilitavam a abertura de novas vias comerciais e
Naturalmente, não respeitavam as autoridades e as suas atividades incomo- contribuíam para reduzir as dimensões do mundo. A opinião pública, tal
davam ou até ameaçavam o poder. qual é conhecida hoj~, tomou-se uma realidade.
A imprensa, tida como quarto poder, passou a ocupar um lugar im-
Liberdade de Imprensa portante como elemento integrante do Estado constitucional moderno.
Diante de uma autoridade que pretendia controlar, por meio da cen-
sura, a técnica principal de difusão das idéias (imprensa), os que militavam As Invenções
na oposição reivindicaram seu livre uso e a livre difusão de seus produtos.
Antes que a imprensa de massa atingisse seu apogeu, produziu-se o
Dessa forma, firmou-se a dimensão política da comunicação.
nascimento e o crescimento de meios de comunicação derivados da aplica-
A reivindicação principal se referia à expressão e difusão dos pen-
ção da eletricidade: telégrafo, telefone, cinema e rádio. O ritmo acelerou-se
samentos e de opiniões, segundo a fórmula da Declaração dos Direitos do
de uma invenção a outra: telégrafo (Charles Weatstone e Samuel Morse,
Homem proclamada na França, em 1789.
em 1840), gramafone (Edison, segunda metade século XIX).
Apesar de todos os obstáculos, os periódicos de opiniões nacionalis-
tas, radicais ou revolucionários exerceram influência despertando milhões A primeira mensagem pública transmitida pelo telégrafo ocorreu em
de pessoas que, até então, mantinham-se passivas. 1844. Em 1876, Bell enviou a primeira mensagem telefônica por fio. Em
1895, Marconi e Popoff conseguiram transmitir e receber mensagens sem
Pode-se dizer que o jornalismo era mais uma missão que uma pro- o uso do fio.
fissão.
Em 1906, Fessender transmitiu a voz humana pelo rádio e, em 1839,
Daguerre imaginou um procedimento prático para a fotografia. O primeiro
Imprensa de Massas
filme foi projetado em 1894 e, dez anos depois, foram tiradas as primeiras
Nos países ricos, os jornais já eram produzidos em um número de fotografias. O surgimento delas possibilitou a transmissão da primeira ima-
exemplares que indicava uma imprensa de massas. gem televisiva empreto-e-branco, em 1923. Na década de 30,já se iniciava
Com a crescente alfabetização, um número maior de pessoas já po- a difusão de televisão em cores.
dia comprar jornais, uma vez que aumentara a capacidade de leitura. A comunicação intercontinental remonta a instalação do primeiro
Muitos fatores estimularam a imprensa de massas: a adoção de téc- cabo telegráfico entre a América e a Europa em 1857.
nicas de impressão em grandes tiragens, o envio por estrada de ferro, o O primeiro cabo transatlântico entrou em uso em 1956.
apoio financeiro da publicidade e o aumento da difusão de notícias recen-
, O rádio deu origem a um novo ramo de jornalismo e a televisão,
tes, graças ao telégrafo. k

J;-,
.. freada pela Segunda Guerra Mundial, entrou no dia-a-dia dos países desen-
,"I,'!'1" volvidos no final da década de 40. A melhoria de definição, o surgimento
Agências de Notícias ~":
.,;
da TV em cores e do videocassete aumentaram a recepção .
Uma boa parte das notícias era facilitada pelas agências que se de- Em 1965 e em 1971, lançaram-se dois grandes sistemas internacio-
senvolveram no início do século XIX e estenderam suas operações por todo nais de satélites, chamados de Intelsat e o Intersputnik, que são internacio-
o mundo. Seu trabalho provocou o surgimento da imprensa de massas. nais de telecomunicações.

I: 64 65
OBRAS JORNALÍSTICAS

Em 1970, o laser de arsenito de gálio permitiu transmitir um grande


número de programas de TV por via de uma fibra que tem a espessura de
um fio de cabelo. Embora essas tecnologias se concentrassem em países
industrializados, abriu-se uma nova era da comunicação. A distância dei-
xou de ser um obstáculo.
.~t~
-.- Capítulo 11
TEORIAS DA COMUNICAÇÃO!

TEORIA HIPODÉRMICA (BULLET THEORY)

Os estudos sobre a teoria hipodérmica (baseados nas pesquisas sobre o


efeito da propaganda) iniciaram-se em 1920 e ocorreram no período das duas
guerras mundiais; a década de 30 é considerada a época de ouro dessa teoria.
O modelo comunicativo é a teoria psicológica da ação, que tem como
objetivo o estudo do comportamento humano por meio da experimentação
e da observação das ciências naturais e biológicas (behaviorismo). Ao se
centrar nos efeitos, essa teoria demonstra que estímulos e respostas seriam
capazes de descrever o comportamento.
Conforme Wrigh Mills, cada elemento do público seria pessoal e dire-
tamente atingido pela mensagem. O indivíduo é visto como um átomo isolado
que reage isoladamente às ordens e sugestões dos meios de comunicação.
A abordagem sobre os mass media é global, pois incide sobre toda a
estrutura dos meios de comunicação de massa.

A Sociedade de Massa

O esclarecimento do conceito de massa é fundamental para compreensão


da teoria hipodérmica. Segundo Ortega y Gasset, "a massa está na com-

I (WOLF, 1992)

66
~"l

ii
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

petência dos incapazes, representa o triunfo de uma espécie antropológica


que existe em todas as classes sociais e que baseia a sua ação no saber TEORIA EMPÍRICO-EXPERIMENTAL (OU DA PERSUASÃO)
especializado ligado à técnica e à ciência". O conceito homem-massa foi
Os estudos da teoria empírico-experimental ressaltam a possibilidade
utilizado pela primeira vez por Ortega y Gasset em 1930.
de se obter efeitos de persuasão desde que as mensagens sejam estruturadas
Já segundo Blumer (1936 e 1946), a massa é constituída por um de uma forma adequada às características psicológicas dos destinatários.
conjunto homogêneo de indivíduos e não possui tradições, regras de com-
É a dinâmica interna dos processos comunicativos que define o cam-
portamento ou estrutura organizativa.
po de interesse da teoria dos mass media.
A idéia de massa é elemento fundamental da teoria hipodérmica e
Tende a realçar as ligações causais diretas entre duas variáveis co-
implica o isolamento fisico (normativo) dos indivíduos.
municativas, em detrimento da complexidade própria da situação de co-
municação.
Modelo Comunicativo da Teoria Hipodérmica
Os indivíduos que constituem a amostra estão igualmente expostos
1) Estímulo/Resposta (E-R); à comunicação.

2) Estudo do comportamento humano; Essas pesquisas evidenciavam todos os obstáculos que se opunham
à comunicação linear.
3) O isolamento fisico (normativo) dos indivíduos;
4) Arte de influenciar as massas. A teoria empírico-experimental ocorre a partir dos anos 40 e repre-
senta abandono da teoria hipodérmica.
Esse modelo defendia uma relação direta entre a exposição às men-
sagens e o comportamento. Nesse caso, a pessoa, ao deparar com a propa- A abordagem sobre os mass media não é mais global, porque deixa
ganda, poderia ser manipulada e/ou controlada por ela. de incidir sobre o universo dos meios de comunicação de massa.
Toma-se evidente, pela primeira vez, a complexidade dos elementos
Modelo de Lasswell e a Superação da Teoria Hipodérmica que entram em jogo na relação entre emissor, mensagem e destinatário.

O modelo de Lasswell foi elaborado nos anos 30 (época de ouro da A persuasão só é possível se a forma de preparo da mensagem for
I

teoria hipodérmica) e proposto em 1948. adaptada aos fatores pessoais que o destinatário ativa quando interpreta a
'. ! :: l' própria mensagem.
"
A pesquisa de Lasswell mostra que uma forma adequada para se ~f
.\ 7,1
:1 descrever um ato de comunicação é responder: Quem? Diz o quê? Por Há variações nos efeitos da comunicação, devido às diferenças in-
dividuais.
meio de qual canal? Com que efeito? As perguntas correspondem, respec-
tivamente, ao emissor, à mensagem, ao meio e ao resultado. O modelo dessa teoria pode ser entendido da seguinte maneira: cau-
sa (estímulo) - processos psicológicos intervenientes _ efeito (resposta).

'"I.':.
Percebe-se, então, as várias formas de resistência dos receptores. } :}
I'

Eles interferem na influência exercida pelas comunicações de massa. ~ ~.


5' ,:i,
A superação da teoria hipodérmica ocorreu devido a abordagens l .~ FATORES RELACIONADOS À AUDIÊNCIA
j' r;~
;:
empíricas do tipo psicológico-experimental e do tipo sociológico (interli- .,
i ~:~
Características psicológicas da audiência podem determinar o grau
gadas e sobrepostas).
de exposição do público ao material informativo por meio de:

68
69
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

1) Interesse em obter informação - quanto mais expostas as pessoas são lI:


c~:~
OS FATORES RELACIONADOS À MENSAGEM
i,o ~
a um determinado assunto, mais o seu interesse aumenta; Credibilidade do Comunicador
'q,:{
, ,~.-'
2) Exposição seletiva - os elementos da audiência tendem a expor Há um questionamento para saber se a reputação da fonte é um fator
";1'
a informação que está de acordo com as suas atitudes e a evitar as
lf' que influencia as mudanças de opinião capazes de serem obtidas na audiên-
mensagens que estão em desacordo com elas; cia e, paralelamente, se a falta de credibilidade do emissor recai negativa-
3) Percepção seletiva - as pessoas se expõem aos meios de comuni- mente na persuasão.
cação revestidos e protegidos por predisposições já existentes, por
Pode existir apreensão do conteúdo, mas a escassa credibilidade da
processos seletivos e por outros fatores;
fonte determina a sua aceitação.
4) Efeitos de assimilação ou contraste - há assimilação quando o
O material atribuído a uma fonte credível provoca uma mudança de
destinatário considera as opiniões expressas na mensagem como as
opinião maior do que o atribuído a uma fonte sem credibilidade. Se a ava-
mais semelhantes às suas na realidade.
liação for realizada após algum tempo, ocorre o efeito latente.

Definição do "Campo de Aceitação"


Ordenação da Argumentação
1) Uma diferenciação não excessiva entre as opiniões do indivíduo
A meta é verificar em uma mensagem que contém argumentos prós
receptor e as do emissor;
e contras se são mais eficazes as argumentações iniciais a favor de uma
2) Um escasso envolvimento e uma fraca adesão do destinatário ao
posição (efeito primacy) ou se são mais eficazes as argumentações finais
assunto da mensagem e às suas idéias a respeito desse assunto;
de apoio à posição contrária (efeito recency).
3) Uma atitude positiva para com o comunicador.
Ressalta-se que os destinatários que não têm qualquer conhecimento
sobre o assunto abordado, tendem a perceber um efeito primacy.
Memorização Seletiva

Efeito Bartlett (1932) - à medida que o tempo passa, a memorização A Integridade das Argumentações
seleciona os elementos mais importantes para o indivíduo em detrimento
Estuda o impacto que provoca a apresentação de um único aspecto
dos mais discordantes ou culturalmente mais distantes. Esse efeito diz res-
ou de ambos os aspectos de um tema controverso, com a intenção de mudar
peito a um mecanismo específico da memorização das mensagens persuasivas.
a opinião da audiência.
Efeito latente (sleeper efeet) - em alguns casos, a eficácia persuasiva
é quase nula logo após a exposição à mensagem, mas eS,saeficácia aumenta
Os resultados dessa pesquisa são:
com o decorrer do tempo.

Obs.: a memorização seletiva atenua a atitude negativa do re- 1) No caso de pessoas que tinham uma opinião contrária em relação
ceptor em relação à fonte, o que constitui uma barreira eficaz contra a ao tema exposto, apresentar os argumentos prós e contras é mais
11';'
!I"
persuasão. eficaz;
i,i;'"
I
"

r, I

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li! i, 70
1'1,',
~lli
OBRAS JORNALÍSTICAS Teorias da Comunicação

2) Para as pessoas que já estavam convencidas quanto à questão Percebe-se a influência dos líderes de opinião - membros da socie-
apresentada, a inclusão dos argumentos referentes a ambos os dade que divulgam as mensagens transmitidas pela mídia dentro de seu
aspectos é menos eficaz; grupo comunitário -, não apenas da que é exercida pelos mass media, mas
3) Quem possui instrução mais elevada é mais influenciado pela da influência mais geral que transcorre nas relações comunitárias.
apresentação de ambos os aspectos da questão; as pessoas que Nesse estudo, há referência ao contexto social.
possuem grau de instrução mais baixo são influenciadas, sobre-
tudo pela comunicação que expõe apenas os argumentos a favor Fala-se de influências quantitativas e qualitativas. O rótulo "efeitos
limitados" indica, além de uma diferente avaliação da quantidade de efei-
do ponto de vista defendido;
tos, uma configuração desses efeitos qualitativamente diferentes.
4) Aqueles que possuem um grau de instrução mais baixo corres-
pondem às pessoas em relação as quais a apresentação de ambos Seu desenvolvimento cruzou-se constantemente com os trabalhos
I' os aspectos do problema não é eficaz. contemporâneos da pesquisa experimental.
Refere-se globalmente a todos os mass media do ponto de vista da
Explicitação das Conclusões sua capacidade de influência sobre o público.
",, I) Quanto maior o envolvimento com o tema, mais útil se toma É possível distinguir duas correntes: a primeira diz respeito ao estu-
deixar as conclusões implícitas; do da composição diferenciada dos públicos e de seus modelos de consumo
2) Quanto maior o conhecimento sobre o tema, menos necessária se de comunicação de massa; a segunda, e mais significativa, compreende as
pesquisas sobre a mediação social que caracteriza esse consumo.
toma a explicitação;
3) A conclusão explícita gera eficácia persuasiva em públicos pou-
co familiarizados com assuntos complexos. Pesquisas sobre o Consumo dos Mass Media

Lazarsfeld, em 1940, fala de efeitos pré-seletivos e de efeitos poste-


A ABORDAGEM EMPÍRICA DE CAMPO OU "DOS EFEI-
riores. Em primeiro lugar, o meio (no caso, o rádio) seleciona o seu público
TOS LIMITADOS" e só posteriormente exerce a sua influência sobre este.
Os estudos dessa teoria ocorrem a partir dos anos 40, sob orientação Para se compreender as comunicações de massa, é preciso observar,
sociológica, pois dizem respeito aos meios de comunicação de massa em no âmbito social mais amplo, em que essas comunicações operam e de que
relação à sua capacidade de influência sobre o público. fazem parte.
A abordagem empírica de campo explicita a escassa relevância dos
mass media em confronto com os processos de interação social. O Contexto Social Ligado aos Efeitos dos Mass Media
A audiência limita-se àqueles que, espontaneamente, expõem-se à
comunicação. Shils e Janowitz (1948) - "a eficácia dos mass media só é capaz de
ser analisada no contexto social em que funcionam".
A pesquisa de campo observa os comportamentos dos indivíduos
em relação a temas mais significativos e densamente acionados na sua per- Lazarsfeld (1940) - "os efeitos provocados pelos mídias estãosu-
sonalidade. jeitos às forças sociais que predominam num determinado período".

72 73
OBRAS JORNALÍSTICAS Teorias da Comunicação

Teoria dos Efeitos Limitados Teoria Funcionalista

A teoria dos efeitos limitados deixa de sobrepor a relação causal A teoria funcionalista estuda a presença normal dos mass media na
direta entre propaganda de massa e manipulação da audiência para persis- sociedade (o foco de estudo, a campanha política presentes nas teorias an-
tir num processo indireto de influência, cujas dinâmicas sociais se cruzam teriores não é mais priorizada).
com os processos comunicativos. Essa teoria preocupa-se com os estudos da função dos meios de co-
Os líderes de opinião são pessoas muito interessadas no tema e dota- municação de massa na sociedade.
das de maiores conhecimentos sobre ele. Esses indivíduos revelam o grau Os estudiosos dela dedicam-se aos problemas de manipulação, per-
máximo de interesse e de conhecimentos sobre o assunto abordado. Tam- suasão e influência para chegar às funções.
bém representam a parcela de opinião pública que busca influenciar o res-
Não se estudam os efeitos.
tante das pessoas e que evidenciam uma capacidade de reação e de resposta
mais atenta aos acontecimentos. Lazarsfeld, Berelson e Gaudet falam em A dinâmica do sistema social e o papel que nela desempenham as
três tipos de efeito em sua pesquisa em relação à campanha eleitoral: comunicações de massa são o campo de interesse dessa teoria.
Efeito ativação - transforma as tendências latentes em comporta-
mento de voto efetivo; Posição Estrutural-Funcionalista
Efeito de reforço - preserva as decisões tomadas, evitando mudan- Os estudiosos desse modelo destacam a ação social, e não o comporta-
ças de atitudes;
mento, como ocorria na teoria hipodérmica.
Efeito conversão - é limitado; quanto mais expostas e atentas as pes- Para Talcott Parsons, "os seres humanos aparecem como drogados
soas à campanha eleitoral, mais elas têm atitudes de voto bem estruturadas e culturais impelidos a agir segundo o estímulo de valores culturais interiori-
consolidadas. Por outro lado, as pessoas mais indecisas e dispostas a mudar
zados que comandam a sua atividade".
são aquelas que menos consomem os meios de comunicação de massa.
De acordo com essa teoria, existem imperativos funcionais (rela-
ções de funcionalidade) que todo o sistema social deve enfrentar:
FLUXO DA COMUNICAÇÃO A DOIS NÍVEIS (TWO STEP
FLOW OF COMMUNICATION) 1) A manutenção do modelo e o controle das tensões (os modelos
culturais vêm a ser interiorizados na personalidade dos indivíduos);
O fluxo de comunicação em dois níveis é determinado pela media- 2) A adaptação ao ambiente (para sobreviver, cada sistema social
ção que os líderes exercem entre os meios de comunicação e os outros
deve adaptar-se ao seu ambiente);
indivíduos do grupo. Essa dinâmica gera a formação da opinião pública.
3) A perseguição do objetivo (o sistema social tende a alcançar seus
A influência interpessoal demonstra ser mais eficaz que aquela deri-
objetivos com esforços de caráter cooperativo);
vada diretamente dos mass media. Há variáveis econômicas, sociológicas
4) A integração (as partes que compõem o sistema devem estar in-
e psicológicas que desempenham uma ação constante.
terligadas).
O modelo da influência interpessoal destaca o caráter não-linear do
A função é percebida como decorrência objetiva da ação social.
processo pelo qual se determinam os efeitos sociais dos mass media. Nesse
caso, a seletividade está mais associada ao contexto das relações sociais Os estudos referem-se às conseqüências de determinados elementos
que aos mecanismos psicológicos do indivíduo. regulares, estandardizados e rotinizados do processo comunicativo.

74 75
\
'. Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Laswell, em 1948, disse que as funções dos mídias são: fornecer 3) Necessidades de integração da personalidade (segurança, posi-
informações, fornecer interpretações que tomem expressivas e coerentes ção social etc.);
essas informações, exprimir os valores culturais e simbólicos. 4) Necessidade de integração social (corresponde ao reforço do
, ;
Wright, em 1960, acrescenta a função de entreter o espectador. contato interpessoal);
As funções dos meios de comunicação podem ser: 5) Necessidade de evasão (abrandamento das tensões e dos conflitos).
1) Manifestas - aquelas desejadas e reconhecidas;
2) Latentes - as que não são reconhecidas, nem conscientemente TEORIA CRÍTICA
desejadas.
A teoria crítica, conhecida como pars destruens, representa a
contracorrente da communication research (pesquisa sobre a comunica-
HIPÓTESE DOS "USOS E SATISFAÇÕES" (USES AND GRA-
ção) no campo administrativo.
TIFICATION)
É representada pelo grupo de estudiosos Max Horkheimer, Adorno,
o efeito da comunicação
de massa ocorre como resultado das satis- Marcuse e Habermas, que freqüentaram o Institut jUr Sozialjorschung de
fações às necessidades vivenciadas pelo receptor. Frankfurt (Alemanha), fundado em 1923.
Os mass media são eficazes na medida em que o receptor lhes atri- Devido ao nazismo, a Escola de Frankfurt foi obrigada a fechar e os
bui tal eficácia, ao demonstrar interesse pelo conteúdo emitido, baseando- seus principais representantes tiveram de sair do país. Primeiro, emigraram
se precisamente na satisfação das necessidades. para Paris; depois, para diversas universidades americanas; e, por fim, para
As mensagens são apreendidas, interpretadas e adaptadas ao contex- o Institute of Social Research, em Nova Iorque.
to individual das experiências, dos conhecimentos e das motivações.
Segundo Horkheimer, em 1937, "os fatos que os sentidos nos trans-
A hipótese dos "usos e satisfações" corresponde a uma abordagem mitem são pré-fabricados socialmente de dois modos - por meio do caráter
atenta aos aspectos individuais quanto mais voltada está para os processos histórico do objeto percebido e do caráter histórico do órgão perceptivo".
particulares de satisfação das necessidades.
Em tomo da visão marxista, os autores da Escola de Frankfurt en-
Associa o consumo, a utilização e os efeitos dos mass media à estru-
frentam temas inovadores como o autoritarismo, a indústria cultural e a
tura de necessidades que caracteriza o destinatário.
transformação dos conflitos sociais nas sociedades altamente industriali-
"O receptor age sobre a informação que está à sua disposição e utili- zadas.
za-a" (McQuail, 1975).
A teoria crítica é uma teoria da sociedade que implica uma avaliação
No processo de comunicação, tanto o emissor quanto o receptor são
crítica da própria criação científica.
ativos.
Katz, Gurevitch e Haas distinguem cinco classes de necessidades
INDÚSTRIA CULTURAL
que os mass media satisfazem:
1) Necessidades cognitivas; A expressão "indústria cultural" foi utilizada pela primeira vez por
i~~'
Horkheimer e Adorno no texto Dialéctica do Iluminismo, iniciado em 1942
2) Necessidades afetivas e estéticas;

76 77
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

e publicado em 1947. No texto, é descrita a "transformação do progresso Acredita-se que o controle psicológico exercido pela indústria cul-
cultural no seu contrário, a partir de análises de fenômenos sociais caracte- tural seja extraordinário. Ele é realizado por meio da onipresença, da repe-
rísticos da sociedade americana, entre os anos trinta e os anos quarenta". titividade e da estandardização.
Anteriormente à edição da obra Dialéctica do Iluminismo, usava-se A indústria cultural, juntamente com a sociedade (hierárquica e
o termo "cultura de massa", que se referia a uma cultura que surge natu- autoritária), transforma a mensagem de uma obediência passiva em valor
ralmente das próprias massas. Essa expressão foi substituída por "indústria
dominante e destruidor.
cultural" .
A sociedade é vista como a vitoriosa no processo, pois a pessoa é
De acordo com os pesquisadores, o "mercado de massas" impõe
estandardização e organização, pois os gostos do público e as suas necessi- manipulada pelas normas sociais (Adorno, 1954).
dades impõem estereótipos e baixa qualidade.
"Hoje a racionalidade técnica expressa a racionalidade do próprio Consumo dos Produtos Culturais da Indústria Cultural
domínio" (Horkheimer; Adorno, 1947).
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Segundo Horkheimer e Adorno (1947), os produtos da indústria cul-
"Aquilo que a indústria cultural oferece de continuamente novo não i '~
tural paralisam a imaginação e a espontaneidade. Para eles, "esses produtos
é mais do que a representação, sob formas sempre diferentes, de algo que é ~;
. t são feitos para impedir a atividade mental do espectador, se o indivíduo
sempre igual" (Adorno, 1947).
não quiser perder os fatos que lhe passam rapidamente pela frente".
A indústria cultural prefere a eficácia que determina o consumo por
meio da repetição de idéias que geram lucro, excluindo tudo o que é novo,
ou seja, o que não garante o lucro, o que significaria risco inútil. "Efeitos" dos mass media

A estrutura multi estratificada das mensagens reflete a estratégia de


Indivíduo na Fase da Indústria Cultural
manipulação da indústria cultural. De acordo com Adorno (1954), a men-
Segundo os pesquisadores, o indivíduo deixa de decidir autonoma- sagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê.
mente na fase da indústria cultural. A manipulação do público ocorre nos níveis latentes das mensagens,
Prevalece a idéia de que há adesão acrítica dos indivíduos em rela- 'i.i
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ou seja, é realizada a médio ou a longo prazo.
ção aos valores impostos. i~: "
O indivíduo encontra-se em poder de uma sociedade que o manipu- ;'f
Gêneros do Conteúdo Midiático
la; "o consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer
crer, é o seu objeto" (Adorno, 1967). Os gêneros definem o padrão de atitude do espectador.
"Divertir-se significa estar de acordo (...); significa sempre: não de- Os estereótipos impedem a confusão mental e de raciocínio, assim
ver pensar, esquecer a dor mesmo onde essa dor é exibida" (Horkheimer;
constituem algo essencial de economia na aprendizagem.
Adorno, 1947).
A tematização do conteúdo televisivo divide-se em vários gêneros,
A individualidade é substituída pela pseudo-individualidade, em
que a pessoa tem a identidade vinculada à sociedade. como drama, comédia etc.

:(

78 79
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

TEORIA CRÍTICA EM RELAÇÃO À PESQUISA ADMINIS-


E;sa teoria defende que a indústria cultural é incapaz de impedir
TRATIVA
totalmente a invenção, porque tudo, inclusive o standard (padronização),
A teoria crítica ressalta a contradição entre indivíduo e sociedade. precisa de originalidade.
Segundo essa teoria, os métodos de pesquisa empírica provocam a frag- O:sincretismo na cultura de massa (capacidade de fundir elementos
mentação do todo social. Os meios de comunicação tratam-se de instru- de culturas diferentes, originando nova cultura) leva à homogeneização tal
mentos de reprodução de massa que, na liberdade aparente dos-indivíduos, como a informação e a ficção.
reproduzem as relações de força do sistema econômico e social.
A lei fundamental da cultura de massa é a do mercado; sua dinâmica
A pesquisa administrativa percebe os meios de comunicação como resulta da relação constante entre produção e consumo numa relação desi-
instrumentos que são usados para alcançar algum objetivo, como vender f gual em que aquela se exprime por meio de uma linguagem e o consumidor
mercadorias, elevar o nível intelectual da população ou melhorar a sua %¥
responde apenas com um mero conceito superficial: sim ou não, para que
compreensão das políticas governamentais. J :~t
:,' se determine o sucesso ou não da produção.
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t \
Enquanto a teoria administrativa preocupa-se apenas em estudar os
efeitos materiais, radiofônicos ou impressos da comunicação, a teoria críti-
n
; .~-'
Conforme Morin (1986), os conteúdos fundamentais da cultura de
massa são os das necessidades individuais: afetivas, como amor e felicidade;
ca procura averiguar o material a que os mídia não têm acesso.
Para Adorno, a pesquisa empírica abordada na teoria administrativa
~f~-r imaginárias, como aventuras e liberdade; ou materiais, como o bem-estar.
O consumo dos produtos se transforma em auto-realização e ofere-
serve como domínio dos fenômenos culturais. i/.':'
ce, em forma de ficção, tudo o que é suprimido da realidade; o irreal toma-
:I~ ':7 se parte da vida dos consumidores.
TEORIA CULTUROLÓGICA r A cultura de massa contribui para o enfraquecimento da família e até
tí da classe social, constituindo, assim, a massa que fica ao-dispor da super-
A teoria culturológica, elaborada por Edgar Morin, em 1962, trata
máquina social (Morin, 1986).
de estudo de teóricos franceses sobre a cultura de massa.
A preocupação e a característica fundamental dessa teoria é o estudo
da cultura de massa, com o intuito de descobrir a nova forma de cultura PERSPECTIVA DOS CULTURAL STUDIES
contemporânea.
Trata-se de uma teoria estudada na Inglaterra, no Center for Con-
Essa teoria estuda a relação entre o consumidor e o objeto de consumo. temporary Studies de Birmingham, entre 1950 e os primeiros anos da dé-
Estabelece-se a contradição entre as exigências produtivas e técnicas cada de 60.
de estandardização e o caráter particular e inovador do consumo cultural. Ressaltam a contínua dialética entre sistema cultural, conflito e con-
A meta de Morin é elaborar uma sociologia da cultura contemporâ- trole social.
nea; ele sugere uma fenomenologia sistemática apoiada em uma pesquisa Os mass media são vistos como elemento ativo do desenvolvimento
empírica. da cultura.
I: A cultura de massa é dependente, pois ela se interage com diferentes Os cultural studies especificam-se nos trabalhos sobre a produção
tipos de cultura, como nacional, religiosa e humanística. dos mass media e os estudos sobre o consumo da comunicação de massa.
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80
81
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Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

o MODELO COMUNICATIVO DA TEORIA DA INFORMAÇÃO 6) Há um mecanismo comum entre comunicação interpessoal e de


massa.
A teoria da informação foi elaborada por Shannon e Weaver em 1949.
É considerada a teoria matemática da informação. MODELO SEMI ÓTICO-TEXTUAL
Trata-se da "teoria da transmissão" das mensagens, pois os estudos
"T
;~, Refere-se a mensagens elaboradas com base em certos códigos e
objetivam melhorar a velocidade de transmissão, diminuir as distorções e
decodificadas a partir dos códigos dos destinatários que podem mudar o
fazer passar, por meio de um canal, o máximo de informação em menos 'j'
:7~ ~,
n' .:'
real significado previsto pelo emissor.
tempo possível.
Já não se fala em mensagens veiculadas; há, portanto, uma relação
De acordo com o esquema do Sistema Geral de Comunicação pro-
comunicativa entre emissor e receptor.
posto por Shannon, a transferência de informação concretiza-se da fonte
para o destinatário, enquanto a transferência de energia se efetua do trans- Os receptores (destinatários) recebem conjuntos textuais, não ape-
missor para o receptor. nas mensagens reconhecíveis a partir de códigos conhecidos.

Esse modelo comunicativo pretendia constituir um meio mais eco- Há características específicas da comunicação de massa no processo
nômico, rápido e seguro de codificar uma mensagem sem que a presença de comunicação.
do ruído tomasse a transmissão problemática. É a relação comunicativa que se constrói em tomo de conjunto de
Percebe-se nessa teoria que se evidencia o código (um sistema de práticas textuais no modelo semiótico-textual.
regras que atribui aos sinais um significado). O modelo semiótico-textual descreve algumas características estru-
Até o surgimento do código, não existiam os significantes; somente turais específicas da comunicação de massa. Esse modelo estuda a dinâmi-
ele gera significante, pois sem o código têm-se apenas os sinais. ca existente entre emissor e receptor.

A teoria da informação privilegia a transferência da informação em


NOVAS TENDÊNCIAS DA PESQUISA SOBRE MEIOS DE
detrimento da transformação de um sistema em outro.
COMUNICAÇÃO
MODELO COMUNICATIVO SEMIÓTICo-INFORMACIONAL Estudo dos Efeitos a Longo Prazo

1) Essa teoria foi criada por Umberto Eco e Fabbri; em 1978; Nesse campo de estudo, trocam-se os efeitos tidos como mudanças
em curto prazo para os efeitos compreendidos como conseqüências de lon-
2) Agom se tmbalha com a transformação,não mais com a transmissão;
go prazo.
3) Coloca-se como prioridade a relação entre codificação e decodi-
Deixam de estudar casos únicos, como as campanhas, para análise
ficação;
de todo o sistema dos media.
4) A ação interpretativa é operada sobre as mensagens, por meio
Começam a utilizar metodologias integradas e complexas e passa-
dos códigos;
se à reconstrução do processo pelo qual o indivíduo modifica a sua própria
5) A linearidade da transmissão está conectada a fatores semânticos
representação da realidade social.
que são introduzidos por meio do conceito de código;

82 83
I
I OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

I:I, o estudo dos efeitos a longo prazo corresponde a um efeito cog- O impacto sobre os destinatários, mesmo que não de imediato, é
,i
I
nitivo sobre os sistemas de conhecimento que o indivíduo assume; não representado pela ordem do dia dos temas que são assuntos e problemas
mais está relacionado às atitudes, aos valores e aos comportamentos dos constantes na agenda dos mídia e a hierarquia de importância e de priori-
destinatários. dade em relação à difusão do conteúdo.
Trata-se de efeitos que o indivíduo acumula com o passar do tempo. Cada veículo de comunicação, em particular, tem uma capacidade
Para se avaliar os efeitos, é necessário analisar também o conteúdo diferente para estabelecer a ordem do dia dos assuntos considerados rele-
e o significado do que é exposto; não diz mais respeito à quantidade de vantes que diferem de um veículo de comunicação para outro.
consumo e de atenção prestada à comunicação de massa.
A mensagem televisiva demonstra ser menos influente do que a
A mudança de efeitos limitados para efeitos cumulativos correspon- transmitida por veículo impresso. Contudo, vale destacar que há diferentes
de à substituição do modelo transmissivo da comunicação por um modelo capacidades de os media exercerem influência cognitiva, como por exem-
voltado para o processo de significação da mensagem. plo, por meio da repetição contínua de idéias.
A acumulação diz respeito à capacidade que a mídia possui de criar Se o público é genérico, há um forte indício de agenda-setting; mas,
e manter a relevância de um tema. Não são efeitos pontuais (instantâneos), se é específico, a influência não é tão homogênea.
e sim resultados obtidos devido à repetição contínua da produção de comu- Tematizar um problema significa colocá-lo na ordem do dia da aten-
nicação de massa.
ção do público. Alguns temas que não demonstram importância político-
social são insuscetíveis de tematização.
A Hipótese da Agenda-Setting A natureza e os processos da agenda-setting estão relacionados ao
confronto do conteúdo dos meios com o conhecimento dos destinatários.
"As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios
Para abordar o conteúdo contido no texto, o receptor deve relacionar a infor-
collhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu pró-
prio conteúdo" (Shaw, 1979). mação nova com a informação já acumulada na memória (news memory).
Mackuen e Combs expõem dois modelos a respeito da nova infor-
Percebe-se a importância dos contatos interpessoais para a imposi-
mação adquirida pelo destinatário e adquirida por meio dos veículos de
ção efetiva do tema dos media sobre o público.
comunicação:
A possibilidade de influência dos meios de comunicação de massa
Da atenção - a receptividade à nova informação varia à medida
sobre o conhecimento do que se considera importante e relevante varia

~i
que a mensagem é exposta à capacidade cognitiva do receptor
conforme os assuntos abordados.
para abordá-la e compreendê-la adequadamente;
Um tema muito valorizado pelos media possivelmente o será pela
i'll Do enquadramento cognitivo - as pessoas mais atentas, mais
agenda dos receptores.
'1:1 interessadas e com maior poder cognitivo são menos receptivas
'I " Os media não pretendem persuadir, apenas expõem ao público uma à influência.
lliI lil lista dos assuntos que precisam ser discutidos .
O efeito da agenda-setting ocorre a longo prazo.
~!'~\ Os meios de comunicação dizem aos leitores sobre que assunto pensar.
'.~..ll'.I. 1'j1,. , São Cinco Parâmetros Temporais Estabelecidos pela Agenda:
:~i\I!
'li A hipótese da agenda-setting está relacionada ao efeito referente ao
1) O frame temporal - corresponde a todo o período de levanta-
;:1;, conjunto organizado de conhecimentos absorvidos por meio da mídia.
.\!'I'1 mento dos dados das duas agendas (dos media e do público);
':ll'!
'+1
1~'r\ 84
.~i " ~
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i! ~\li
11
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

2) O intervalo temporal (time-lag) - espaço de tempo entre o Newsmaking refere-se aos critérios de importância e noticiabilidade
levantamento da cobertura informativa dos media (variável in- (newsworthiness), que é definida pelo conjunto de requisitos exigidos dos
acontecimentos. Também está ligado aos estudos sobre a produção de infor-
dependente) e o levantamento da agenda do público (variável
mação que se relacionam ao andamento normal da cobertura informativa
dependente);
por períodos prolongados.
3) A duração do levantamento da agenda dos mass media - re- A noticiabilidade está vinculada aos processos de rotinização e de
lativo ao período total de cobertura informativa durante o qual a estandardização das práticas produtivas. Ela está sujeita a desacordo, mas
recolhe; sempre está subordinada aos interesses e necessidades do veículo de infor-
4) Duração de levantamento da agenda do público - intervalo de mação.
tempo em que é avaliado o conhecimento que o público possui
Os ValoreslNotícia (news values) são Critérios de Importância
sobre os temas de maior relevância;
da Notícia no Processo de Produção
5) Duração do efeito ótimo - período em que se analisa a corres-
As características substantivas das notícias dizem respeito ao acon-
pondência dos temas por parte dos meios de comunicação e o seu
tecimento a ser transformado em notícia.
destaque nos conhecimentos do público.
A disponibilidade do material e os critérios relativos ao produto in-
Distinguem-se três tipos de agenda do público, de acordo com
formativo referem-se ao conjunto dos processos de produção.
McLeod, Becker e Byners:
Ao público corresponde a imagem dos destinatários.
1) A agenda intrapessoal (ou realce individual) - corresponde A concorrência trata-se das relações entre os veículos de comunica-
aos temas que o indivíduo considera mais relevantes; ção no mercado informativo.
2) A agenda interpessoal (realce comunitário) - refere-se aos te- Na fragmentação da informação, citam-se somente os pormenores
mas que são discutidos pelas pessoas; da notícia, com mais ênfase no início; as causas e conseqüências são se-

3) A agenda que diz respeito à percepção que um indivíduo tem cundárias.


Todas as pesquisas de newsmaking utilizam a técnica da observação
do estado da opinião pública (perceived community salience) -
participante.
relaciona-se à importância que o indivíduo imagina que as outras
A abordagem do newsmaking articula-se dentro da cultura profissio-
pessoas atribuem ao tema.
nal dos jornalistas, da organização do trabalho e dos processos produtivos.
A pesquisa sobre os gatekeepers foi elaborada por Kurt Lewin em
Os Estudos sobre os Emissores 1947; ela aborda as dinâmicas que agem no interior dos grupos sociais.
Na seleção e na filtragem das notícias, o conjunto de valores, as normas
Os estudos sobre os emissores possuem desenvolvimento linear e
organizativas e profissionais demonstram ser mais significantes do que as
progressivo para conhecimentos mais coerentes. preferências pessoais. A principal fonte de expectativas, orientações e va-
O gatekeeper é o selecionador da notícia. Ele tem o poder de decisão lores profissionais constituem-se a partir dos colegas de trabalho ou dos
sobre que informação será divulgada. superiores.

86 87

~
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

Critérios Substantivos de Noticiabilidade Em relação aos critérios relativos à concorrência, pode ocorrer que
uma notícia seja selecionada, porque se espera que os veículos de comuni-
Referem-se ao conteúdo da notícia quanto à importância (que é prio-
,: cação concorrente~ façam o mesmo.
ridade) e interesse.
A importância é determinada por quatro variáveis:
AS FONTES
1) Grau e nível hierárquico dos indivíduos envolvidos no aconteci-
mento que será noticiado; Representam um elemento importante para a qualidade da informa-
2) Impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional - diz respeito ção produzida pela mídia.
11 à capacidade da notícia de despertar o interesse do país; o va- As agências de notícia, como fonte, são empresas especializadas pró-
lor/notícia da proximidade pode estar relacionado à vizinhança prias do sistema de informação.
:1
" geográfica e à afinidade cultural;
li As fontes estáveis pertencem e representam as instituições. Normal-
I
![ 3) Quantidade de pessoas envolvidas no acontecimento; mente, elas não são exclusivas à produção de informação.
iH 4) Relevância e significatividade do acontecimento quanto às conse-
I'
il! qüências futuras de uma determinada situação. Fatores Relevantes para a Fonte Ter Acesso ao Jornalista
!I!!!
'I,:
Quanto ao interesse, a notícia deve dar uma interpretação de um
''II '," •..
;

acontecimento baseada nas curiosidades que atraem a atenção. Para que um jornalista se interesse na aproximação da fonte até ele,
:i são relevantes:
Os critérios relativos ao produto estão relacionados à disponibilida-
de de materiais e de características específicas do produto informativo. 1) O poder da fonte;

Critérios de valor/notícia relativo ao produto informativo: 2) A sua capacidade de fornecer informações credíveis;

1) A disponibilidade da notícia; 3) Proximidade geográfica em relação aos jornalistas (esse é o de-


2) Atualidade; terminante entre os três fatores citados).

3) Critérios valor/notícia relativos ao meio de comunicação;


Fatores Relevantes para o Jornalista Utilizar uma Determinada
4) Relevância (relativo ao público);
Fonte
5) Freqüência da notícia condizente com a freqüência do meio de
comunicação; A oportunidade - quando a fonte faz parte do acontecimento e é
6) Formato (diz respeito aos limites de tempo e de espaço do produ- antecipadamente revelada;
to informativo). A produtividade - refere-se às razões pelas quais a preferência re-
Os critérios relativos ao público referem-se à imagem que os jorna- cai às fontes institucionais, pois elas fornecem material suficiente para se
listas têm do público. elaborar a notícia.

88 89
OBRAS JORNALÍSTICAS Teorias da Comunicação

:~i
~
A credibilidade - a informação é tão confiável que não exige ,)~ "Pais fundadores" da pesquisa em comunicação:
averiguações anteriormente à publicação. ~
Paul Lazarsfeld - era sociólogo, formado em Viena, dedicou-se
A garantia - o jornalista procura ater-se na credibilidade da fonte ':\1: aos estudos da audiência, à caracterização dos efeitos e aos pro-
"
i:l't
ou na sua honestidade. cessos de formação da opinião pública.
A respeitabilidade - corresponde às fontes oficiais ou que ocupam Harold Lasswell- era cientista político e trabalhou com opinião
posições institucionais de autoridade. pública; identificou as funções básicas da comunicação. Além
disso, estabeleceu um modelo paradigma da área: Quem? Diz o
Obs.: o repórter pode ser considerado fonte se ele faz parte do quê? Em que canal? A quem? Com que efeito?
que é observado por outro repórter. Kurt Lewin - era psicólogo, formado em Viena; realizou estu-
dos sobre a comunicação em pequenos grupos e sobre líderes de
As Agências opinião.
Carl Hovland - era psicólogo, trabalhava com pesquisas expe-
São fontes consideradas insubstituíveis, visto que o preço pago para
rimentais sobre influências e mudanças de atitude.
manter um correspondente no exterior, por exemplo, é muito oneroso.
No fim da década de 20 e início dos anos 30, surgiu uma importante
corrente de estudos sobre a cultura da sociedade industrial. Aparece, poste-
TEORIAS DA COMUNICAÇÃO, CONCEITOS, ESCOLAS E
TENDÊNCIAS (HOHFELDT, 2002) riormente, a teoria crítica, que promove um julgamento rígido à comer-
cialização da cultura e à manipulação ideológica operada pelos meios de
o vocábulo "comunicação" originou-se do latim communicatio, do comunicação de massa.
qual distinguem-se três morfemas: o radical munis, que significa "estar Na França, no final dos anos 30, é criado o Instituto Francês de
encarregado de", que, acrescido do prefixo co, expressa simultaneamente
Imprensa, onde Jacques Kayser inaugura a perspectiva das análises morfo-
"reunião". Então, tem-se a idéia de uma "atividade realizada conjuntamen-
lógicas dos jornais.
te", completada pela terminação tio, que reforça a idéia de atividade.

l í Os pesquisadores ingleses do Center of Contemporary Cultural


Hoje, o desenvolvimento da comunicação está mais complexo, a

~ Studies, da Universidade de Birmingham, procuram analisar a produção
modernidade a problematizou, promovendo o surgimento de múltiplas for- i ~.

cultural e os meios de comunicação de massa inseridos no contexto das


mas na sua realização.
atividades sociais cotidianas.
O alemão Otto Groth, que, em Estrasburgo, nas primeiras décadas
Na América Latina, as primeiras averiguações sobre meios de
do século XX, dedicou-se a escrever uma espécie de enciclopédia sobre
comunicação de massa sofreram grande influência americana.
o jornalismo (conhecida como "teoria do diário"), é considerado pioneiro
por muitos autores na área de teoria da comunicação. Umberto Eco, em 1979, distinguiu apocalípticos e integrados. O
Em 1930, começa a se desenvolver nos EUA pesquisa voltada para primeiro, referindo-se ao pensamento crítico que vê na cultura de massa a
os meios de comunicação de massa e para seus efeitos e funções (comuni-
;

1:,('1
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anticultura e o sinal da barbárie; o segundo, o pensamento administrativo,


cation research). marcado pela aceitação "passiva e feliz" da cultura de massa.

90 91
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E A SOCIEDADE DE l\-IASSA


A segunda corrente de estudos é a teoria dos efeitos limitados, que
A distinção entre a sociedade antiga (Gemeinschafl), de tipo comu- traz abordagens tanto psicológicas - de acordo com Kurt Lewin, interes-
nitário, e a sociedade moderna (Gesellschafl), caracterizada pelo contrato, sado nas relações dos indivíduos dentro de grupos e de seus processos de
é fundamental para se refletir sobre a sociedade moderna e as suas trans- decisão, nos efeitos das pressões etc. - quanto sociológicas _ de Paul La-
formações sociais. zarsfeld, que iniciou seus estudos preocupado com as reações imediatas da
A teoria hipodérmica refere-se à sociedade de massa e ao behavio- audiência aos conteúdos da comunicação de massa.
rismo - o indivíduo, ou o homem-massa (termo empregado pela primeira Um dos alunos de Paul Lazarsfeld, Leon Festinger, desenvolveu a
vez por Ortega e Gasset), perde seus vínculos com a sociedade em de- teoria da dissonância cognitiva em 1957. Festinger estudou um conjunto
corrência da falência das instituições ou dos laços primários que fOljam a de hipóteses em tomo da natureza do comportamento humano e de suas
sociedade e sociabilizam os indivíduos. Logo, isolados e desprendidos da motivações em relação às experiências de cada indivíduo.
sociedade, aparecem os meios de comunicação de massa, que vão introdu-
Alguns anos depois, Festinger desenvolveu estudos de abordagem
zir novamente esses indivíduos na sociedade.
empírica de campo. Procurou, então, estudar os fatores de mediação exis-
A expressão "agulha hipodérmica" foi criada por Lasswell para se tentes entre os indivíduos e os meios de comunicação.
referir à maneira como era projetada a notícia na sociedade. Dá a idéia de
Os resultados dos estudos levaram à descoberta do líder de opinião.
que a mensagem penetra a derme como se fosse uma injeção.
Criou-se o modelo two step jlow of comunication, que abrange a comuni-
A teoria social ressalta que o indivíduo está isolado e desprovido de cação como um processo que se dá num fluxo em dois níveis: dos meios de
cultura. Por outro lado, a teoria psicológica realça que ele age de acordo comunicação aos líderes e dos líderes às demais pessoas.
com os estímulos.
É o primeiro momento em que se percebe a influência das relações
interpessoais na configuração dos efeitos. Dessa forma, conclui-se que há
SUPERAÇÃO DA TEORIA HIPODÉRMICA
um processo indireto de influência.
A primeira corrente de estudos (teoria hipodérmica) ocorreu por A variação dessa corrente se dá pelo "enfoque fenomênico" reali-
meio de investigações empírico-experimentais com a abordagem de persua- zado por Klapper, aluno de Lazarsfeld. O estudo prevê que os meios não
são. Posteriormente, originaram estudos sobre os fenômenos psicológicos são causa única dos efeitos, mas, antes, acham-se envolvidos no meio de
individuais que constituem a relação comunicativa. muitos fatores.
Carl Hovland é o principal representante dessa área de estudos, com
Corrente de "usos e gratificações" (realizada por Katz, aluno de La-
pesquisas sobre a eficácia da propaganda, junto a soldados americanos.
~.
zarsfeld; Blumer e Elliott, nos anos 70, aperfeiçoam seu método até 1990)
Anula-se a idéia de processo linear à medida que se percebe que refere-se ao uso que as pessoas fazem com os meios. O receptor passa a
os efeitos não são diretos e que a resposta ao estímulo depara com fatores ser aceito como agente, capaz de praticar o processo de interpretação e
..:,1

psicológicos dos indivíduos. satisfação de necessidades.


,
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~
92
93
~
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

TEORIA CRÍTICA tos da indústria cultural são efetivados na relação existente entre o produto
e o consumidor.
o termo "indústria cultural" foi empregado, pela primeira vez, por
Hokheimer e Adorno (da escola de Frankfurt) no texto Dialéctica do Ilu- AAGENDA-SETTING E A ESPIRAL DO SILÊNCIO
minismo. A utilização dessa expressão substitui "cultura de massa", eli-
minando supostas interpretações de que a cultura fosse uma manifestação A agenda-setting e a espiral do silêncio significam a massificação
espontânea às massas. pela fala e pelo silêncio.
A teoria crítica vê as pessoas ligadas aos meios de comunicação de it' A agenda-setting percebe a massificação na migração dos temas
massa como bens de consumo. Para Adorno, os momentos de lazer do ho- ~, mediáticos enquanto temas ou agenda do público; dessa forma, os temas
,.~,
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mem moderno correspondem a períodos em que preenchem sua consciência ;~t
abordados nos veículos de comunicação se tomam conversa do dia-a-dia.
de maneira "coisificada". ~'

Já o espiral do silêncio abrange a massificação pelo enclausuramento dos


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indivíduos no silêncio, quando esses têm opiniões diferentes daquelas vei-
"

Os pensadores frankfurtianos criticaram a cultura de massa, porque ~\


~
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parte dela conserva as marcas das violências e da exploração a que as mas- culadas pelos meios de comunicação.
sas têm sido submetidas. A agenda-setting é conhecida como teoria dos efeitos a longo prazo.
A preocupação central dos pensadores era problematizar a existên-
"~t •
A sua hipótese afirma que a influência não está na maneira como os meios
cia dos meios e estudar seu significado do ponto de vista crítico e utópico. ,~r de comunicação de massa fazem o público pensar, mas em sobre o que
eles fazem o público pensar (o assunto/tema imposto pela mídia). Há um
A sociedade de massa, na teoria crítica, deve ser vista a partir da no-
ção acerca do desenvolvimento da razão, que se desdobra enquanto razão ;.;1'
i •.
~ deslocamento na imposição dos efeitos dos mass media de como pensar

emancipadora. Essa sociedade é resgatada numa perspectiva iluminista que


gera luz e liberdade ao homem.
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, para o que pensar.
A teoria crítica ressaltava a massificação porque os mass media não

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levavam as pessoas a pensar. O agendamento constrói a massificação como
A dialética negativa proposta por Adorno se toma uma crítica da ..
~.,".
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resultado daquilo que os receptores vão pensar.
cultura em particular e da sociedade em geral. Ela deve partir do ataque
à raiz da sociedade moderna, pelo desvio assumido no desenvolvimento
.~.~. A imposição do agendamento possui duas direções. Primeiro, exis-
iluminista, pela razão se transformando em instrumento do "sistema". te a tematização proposta pelos mass media, conhecida como ordem do
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A razão, ao renunciar a sua autonomia, deixou de ser crítica e pas- dia, que se tomará temas da agenda do público. Tudo o que é transmitido
sou a ser técnica para administrar o status quo. Assim, a racionalidade,
que está na base da civilização industrial, é apontada como um alicerce
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pelos mass media será objeto de conversa entre as pessoas. Os temas em
destaque na agenda midiática estarão também em relevo na agenda pública
decomposto. "A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio do- (seria uma imposição no nível hierárquico da tematização).
mínio, é o caráter repressivo da sociedade que se auto-aliena" (ADORNO; A ação dos meios ocorre como alteradora da estrutura cognitiva das
~
HORKHEIMER, 1985). pessoas por meio do agendamento (não como formadores de opinião, cau-
As características da indústria cultural e, por conseguinte, de seus :~~( ' sadores de efeitos diretos), isto é, da colocação de temas e assuntos na
produtos são transportadas para as características dos indivíduos. Os efei- i J sociedade.
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94 95
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OBRAS JORNALÍSTICAS Teorias da Comunicação

A agenda-setting não elimina as relações interpessoais como ocor- ligadas, elas estão também em mutação constante, com setores
ria na teoria hipodérmica, contudo demonstra que essas relações não são desorganizados e focos de resistência.
geradoras de temas.
O campo de pesquisa da agenda-setting teve origem em 1952, por A PESQUISA NORTE-AMERICANA
Kurt Lewin e Gladys Lang, sendo formulada por McCombs e Shaw no ar-
tigo The Agenda-Setting Function of Mass Media (HOHFELDT, 2002). No início do século XX, os pesquisadores Park, Burgess e Cooley,
A teoria da espiral do silêncio ressalta a imposição dos meios de reunidos na Escola de Chicago, elaboravam estudos com um enfoque
comunicação e a eficácia de provocar o silêncio. Elisabeth Noelle-Neu- micros sociológico de processos comunicativos. Eles tinham a cidade como
local de observação.
mann diz que os indivíduos buscam evitar o isolamento, o que os leva a
associarem-se às opiniões dominantes. Ela percebe esse mecanismo como No mesmo período, Charles Pierce implanta a semiótica, campo de
psicossocial, pelo qual se veêm os mass media como criadores da opinião estudo preocupado com os processos de formação de significados a partir
pública. No entanto, entre o indivíduo e o mass media se encontram grupos de uma perspectiva pragmática.
sociais que podem punir segundo a discordância, no que diz respeito às
Nos anos 40, autores da Escola de PaIo Alto, procedentes das áreas
opiniões predominantes.
de Sociologia e de Psiquiatria, inauguram uma outra tradição de estudos
em comunicação. Bateson, Goffman e Watzlawicd propõem uma compre-
TEORIA CRÍTICA NA VISÃO DE THOMPSON ensão da comunicação como processo social permanente, que deve ser es-
tudado a partir de um modelo circular.
John Thompson assinala algumas fragilidades da teoria crítica, ca-
racterizadas em três direções. A obra de Lasswell, Propaganda Tecniques in the World War
1) As características atribuídas à indústria cultural-padroniza- (HOHFELDT, 2002), publicada em 1927, é indicada como o marco inicial
ção, repetição, pseudopersonalização. Segundo Thompson, não da mass comunication research (pesquisa sobre os meios de comunicação
de massa).
houve investimento para conhecer minuciosamente a organiza-
ção e as práticas cotidianas dessa indústria, ou os ramos diferen-
tes que a compõem. TEORIA DA INFORMAÇÃO
2) A natureza e o papel dado à ideologia nas sociedades moder-
A teoria matemática da comunicação (teoria da informação) foi ela-
nas - conforme Thompson, não é óbvio que os indivíduos, ao
borada por dois engenheiros matemáticos, Claude Shannon e W. Weaver,
consumirem tais produtos, aderem, de maneira acrítica, à ordem
em 1949. Ela corresponde a uma sistematização do processo comunicativo
social. Ele não acredita que, consumindo tais produtos estandar-
a partir de uma perspectiva meramente técnica. Tem como ênfase os aspec-
dizados, o público passe a agir de forma imitativa, reproduzindo tos quantitativos.
o status quo.
3) A visão totalizante e freqüentemente pessimista das sociedades
O Sistema de Comunicação Segundo Shannon
modernas e a atrofia dos individuos no seu interior - Thompson
discorda que as sociedades sejam harmoniosamente integradas A comunicação é entendida como um processo de transmissão de
e os indivíduos, controlados. Segundo ele, mesmo que as socie- uma mensagem por uma fonte, através de um canal mecânico, a um desti-
dades modernas tendam a funcionar em forma de sistema, inter- natário. A fonte de informação seleciona uma mensagem desejada, codifi-

96 97
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Lasswell - engloba as seguintes funções: de vigilância (informati-


ca-a e transforma-a em sinal sujeito a ser enviado por um canal ao receptor,
va, função de alarme); de correlação das partes da sociedade (integração);
que fará o trabalho do emissor ao inverso.
e de transmissão da herança cultural (educativa). Às funções apresentadas
O objetivo da pesquisa de Shannon é avaliar a quantidade de infor-
por Lasswell acrescenta-se a função recreativa.
mação passível de se transmitir por um canal, sem distorções.
Lazarsfeld e Merton - estabelece as funções de atribuição de status
(estabilizar e dar coesão à hierarquia da sociedade); execução de normas
Alguns Conceitos Trabalhados pela Teoria da Comunicação
sociais (normatização); e efeito narcotizante (que seria, de acordo com os
Noção de informação - está ligada à incerteza, à probabilidade e ao autores, uma disfunção).
grau de liberdade na escolha das mensagens.
A INDÚSTRIA CULTURAL
Entropia - consiste na imprevisibilidade, na desorganização de
uma mensagem e na tendência de os elementos fugirem da ordem. Os estudiosos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Erich Fromm e Her-
O código - norteia a escolha da mensagem e atua no processo de bett Marcuse (HOHFELDT, 2002) ocuparam-se, sobretudo, com os fatores
sua produção. econômicos de formação e o significado sociológico da indústria cultural.
O ruído - trata-se da interferência que atua sobre o canal e emba- ~:.; Theodor Adorno e Max Horkheimer criaram o conceito "indústria
raça a transmissão. cultural". Essa expressão não se refere, pois, às empresas produtoras, nem
A redundância - é a repetição utilizada para garantir o perfeito en- li
i,t
às técnicas de comunicação. A indústria cultural representa, na verdade,
'j;;II-
certo uso dessas tecnologias.
tendimento. ;~
.,,-
O capitalismo desfez os limites da economia e penetrou o campo da
formação da consciência, transformando os bens culturais em mercadoria.
TEORIA FUNCIONALISTA '4~
Walter Benjamin e Sigfried Kracauer podem ser considerados, junto
A corrente funcionalista foi originada a partir dos estudos de Las-
swell. Ela aborda hipóteses sobre as relações entre os indivíduos, a so-
~I!'
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1;"
:\, ~.
com os demais, como criadores da pesquisa crítica em comunicação. Eles
negaram os fenômenos de comunicação como objeto de ciência especializa-
ciedade e os meios de comunicação de massa. O que define o campo de .il" o •

da e que podem ser estudados de maneira independente. As comunicações só


interesse já não é mais a dinâmica interna dos processos comunicativos, i.'
'L"',:;;';'
adquirem sentido em relação ao todo social; trata-se de uma mediação.
mas sim a dinâmica do sistema social. A teoria sociológica de referência Os pesquisadores se dedicaram especialmente ao estudo da cultura
para esses estudos é a estrutural-funcionalista. e da sociedade, a fim de esclarecerem as novas realidades surgidas com o
As diferenças dentro do sistema social funcionam com função de desenvolvimento do capitalismo no século XX.
integração e de manutenção do sistema. Entre alguns modelos de funções,
temos os de: DIALÉTICA DO ILUMINISMO E INDÚSTRIA CULTURAL
Wright - apresenta uma estrutura conceitual que prevê funções e
Dialética do Iluminismo significa que os tempos modernos criaram
disfunções dos meios, sendo que essas funções podem ser latentes ou mani-
a idéia de o homem ser livre e distinto, assim como ele pode construir uma
festas. A primeira trata de conhecimentos adquiridos de forma inconsciente
sociedade capaz de permitir vida justa e realização individual.
e gradativa e, a segunda, de forma consciente e por vontade do indivíduo

98 99
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

Segundo Adorno e Horkheimer (1985), "A elevação do padrão de


OS ESTUDOS CULTURAIS
vida das classes inferiores, materialmente considerável e socialmente lasti-
mável (...). Sua verdadeira aspiração é a negação da reificação".
O campo de Estudos Culturais surge de forma organizada, por inter-
Acerca das obras de arte na era da técnica da reprodução, Walter Ben- médio do Center f~r Contemporary Cultural Studies, diante da alteração
jamin, em 1935, defende a tese sobre a perda da aura da obra de arte. Para dos valores tradicionais da classe operária da Inglaterra do pós-guerra.
ele, as tecnologias de comunicação, surgidas depois da fotografia, caracteri- Inspirado em sua pesquisa, The Uses of Literacy (1957); Richard
zam-se por sua reprodutibilidade. O resultado desse processo é a dissolução Hoggart funda o Ce'utro de estudos culturais em 1964. O eixo principal de
da aura que cercava a antiga obra de arte. As obras de arte possuíam uma observação são as relações entre a cultura contemporânea e a sociedade
grandeza; o culto ocorria em virtude de seu caráter único e artesanal. Tudo (suas formas culturais, instituições e práticas culturais, assim como suas
isso gerava mitologia porque estava fora do alcance das massas. relações com a sociedade e as mudanças sociais).
As tecnologias modernas promovem uma desmistificação desses Fontes dos estudos culturais/autores fundadores:
conceitos. Reconhece-se que eles só serviam para legitimar as reivindica- Richard Hoggart (HOHFELDT, 2002) (The UsesofLiteracy/1957)
ções de autoridade da burguesia com a reprodução em série. - é, em parte, autobiográfico e, em outra, trata da história cultural
:~ Theodor Adorno nunca negou que os meios técnicos possuíssem um do meio do século XX. Na pesquisa, a atenção incide sobre ma-
potencial democrático e progressista. Os pensadores Kracauer e Benjamin teriais culturais que, anteriormente, eram desprezados pela cul-
manifestam repúdio pela idéia de cultura burguesa e simpatia pelas novas tura popular e pela mídia por meio de metodologia qualitativa.
i:, formas de arte tecnológicas. No âmbito popular existe resistência, além da submissão.
O capitalismo gerou, involuntariamente, uma democratização da Raymond WiIliams (HOHFELDT, 2002) (Cu/ture and Socie-
cultura, ao tomar os bens culturais como objeto de produção industrial. ry/1958) - constrói um histórico do conceito de cultura. A cultura
comum ou ordinária pode ser vista como um modo de vida em
condições de igualdade de existência com o mundo das artes, li-
SEGUNDA GERAÇÃO DA ESCOLA DE FRANKFURT
teratura e música. Ele expõe que a cultura é uma categoria-chave
Jürgen Habermas (HOHFELDT, 2002) procura criar uma teoria ge- que conecta a análise literária com a investigação social.
ral da ação comunicativa. Para ele, o crescente desinteresse da população E. P. Thompson (HOHFELDT, 2002) (The Making ofthe En-
para com a vida democrática está relacionado com a destruição da cultura. glish Working-class) - influencia o desenvolvimento da história
Em Mudança Estrutural da Esfera Pública (HOHFELDT, 2002), social britânica de dentro da tradição marxista.
Habermas mostra que conquistas e liberdades de que o homem goza atualmen- Os três autores abrangem as relações entre cultura, história e sociedade.
i
te são devidas à formação de uma esfera pública em que sujeitos, em princípio A cultura é vista como elemento heterogêneo; manifesta-se de ma-
livres, reúnem-se para discutir e deliberar sobre seus interesses comuns. neira diferenciada; não é experiência passiva. Analisam-se as práticas cul-
A esfera pública passou a ser colonizada pelo consumismo promovi- turais simultaneamente como formas materiais e simbólicas.
do pelos interesses mercantis e pela propaganda manipuladora dos partidos Na perspectiva marxista, percebe-se a cultura na sua autonomia re-
políticos e dos Estados pós-liberais. lativa; ela tem influência sobre as relações político-econômicas e sofre suas
conseqüências, apesar de ela não ser dependente das relações econômicas.

100
101
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

qual pontificaram os sociólogos Georges Friedmann e Edgar Morin, da qual


Os Estudos Culturais configuram uma área na qual diferentes disci-
também participou Barthes e onde nasceu a revista Comunications.
plinas interagem, visando ao estudo de aspectos culturais da sociedade.
Mauro Wolf refere-se a Edgar Morin nos primeiros estudos france-
Os Estudos Culturais britânicos se constituíram na tensão entre de-
ses de comunicação. Wolf cataloga as pesquisas como uma "teoria cultu-
mandas teóricas e políticas.
rológica" .
Stuart Hall (HOHFELDT, 2002) aponta o feminismo como uma das Os estudos de comunicação de Morin caminham para uma perspec-
rupturas teóricas que alterou uma prática acumulada em Estudos Culturais. tiva complexa: ele percebe o poder de estímulo, porém estabelece sistemas
No período de maior evidência, acrescentam-se ao seu interesse pelas sub- ,~,

de influência recíproca em que a mídia precisa do mundo e este da mídia.


~
culturas as questões de gênero e, em seguida, as que envolvem raça e etnia. Os meios de comunicação não possuem condições de tudo determinar.
Segundo David Morley (HOHFELDT, 2002) - The Nation Wide Au- Nos anos 60, Guy Debord (HOHFELDT, 2002) radiografou a "so-
dience - o estudo de audiência é considerado o marco inicial de uma área ciedade do espetáculo", que diz respeito à visão do mundo e à relação entre
de investigação que se consolida como própria dos Estudos Culturais. Nos as pessoas.
anos 80, tais estudos combinam análise de texto com pesquisa de audiên- Jean Baudrillard (HOHFELDT, 2002) analisou a "sociedade de con-
{~J
cia. Em 90, conjugam questões como a etnia, o uso e a integração de novas sumo", as "maiorias silenciosas" e, finalmente, as "estratégias fatais". Para
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tecnologias, como o videoteipe e a TV. ele, a sociedade não tem autonomia em relação ao imaginário hegemônico;
,~
;1)
Cada vez mais, o objeto de estudo, que é a recepção, diversifica-se, o interlocutor não existe mais, pois hoje não há troca.
fragmenta-se. Paul Virilio (HOHFELDT, 2002) inverteu um dos pilares da critica
tradicional aos meios de comunicação: a geração de isolamento. Ele teme a
A imprensa e a pesquisa dos estudos culturais identificam-se pela
ausência de isolamento, por se tratar de modalidade pós-moderna e sofisti-
tendência em refletir sobre o papel dos meios de comunicação de massa na
cada de encarceramento do ser em meio à ilusão coletiva.
constituição de identidades. Nesse caso, o receptor é focado por caracterís-
ticas individuais.
HIPÓTESES CONTEMPORÂNEAS DE PESQUISA EM CO-
Para Williams e Thompson, cultura correspondia ao conjunto de
MUNICAÇÃO
práticas e relações da vida cotidiana. O indivíduo estava em primeiro plano
dentro desse processo. Pressupostos da hipótese de agendamento:

Thompson não aceitava cultura como forma de vida global. Ele a O fluxo contínuO d'e informação - este fluxo gera o que Mc-
Combs (HOHFELDT, 2002) denominará efeito de enciclopédia,
entendia como enfrentamento entre modos de vida diferentes.
que pode ser provocado pela mídia. De manhã à noite, as pessoas
recebem inúmeras informações que, na maioria das vezes, le-
A VISÃO CONTEMPORÂNEA DOS CULTURAL STUDIES
vam-nas ao processo de entropia. Isso corresponde a um excesso
Armand Martterlart (2000) refere-se a uma escola francesa surgida, em de informações que, se não elaboradas corretamente pelo recep-
1960, com o Centro de Estudos de Comunicação de Massas (CECMAS), na tor, perdem-se ou geram situações imprevistas.

103
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OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

Dessa forma, os meios de comunicação influenciam o receptor a Centralidade - capacidade que os media têm de colocar determina-
médio e longo prazo. Não ocorre a curto prazo, como a maioria das antigas do assunto em destaque.
teorias imaginava.
Tematização - é a forma pela qual o assunto é exposto; está implici-
Os meios de comunicação, embora não sejam capazes de impor o tamente ligada à centralidade do tema, com o intuito de chamar a atenção.
que pensar em relação a um determinado tema, como propunha a teoria Ex.: suíte.
hipodérmica, são capazes de, a médio e longo prazo, influenciar sobre o
Saliência - valorização individual dada pelo receptor em relação ao
que pensar e falar.
conteúdo.
O agendamento somente ocorrerá de maneira eficiente quando houver
um alto nível de percepção de relevância para o tema e, ao mesmo tempo, Focalização - a maneira pela qual a mídia aborda o assunto, dando-
um grau de incerteza relativamente alto (entropia) em relação ao domínio lhe suporte, contextualizando-o, assumindo determinada linguagem etc.
do mesmo. Nesse caso, leva o receptor à busca de informações sobre aquele Newsmaking - são os elaboradores ou criadores da notícia. Fazem
assunto com maior intensidade - Wilbur Scharamm (HOHFELDT, 2002). parte dos costumes que os veículos de comunicação aprimoram para obter
determinado agendamento.
CONCEITOS BÁSICOS EM TORNO DAS HIPÓTESES DE A hipótese de newsmaking dá especial ênfase à produção de infor-
TRABALHO mações por meio da transformação dos acontecimentos cotidianos em no-
tícia.
Acumulação - capacidade que a mídia tem de dar relevância a um
determinado tema. Os newsmaking surgiram em tomo dos processos de gatekeeping
averiguados por Kurt Lewin em 1947. Os estudos sobre o newsmaking
Consonância - as mídias possuem traços em comum e semelhanças
~! constataram dois grandes blocos das diferentes rotinas e causas motiva-
na maneira pela qual atuam na transformação do relato de um aconteci-
cionais: a cultura profissional dos jornalistas; a organização específica do
mento que se toma notícia.
trabalho e dos processos produtivos da informação, apreciada em cada veí-
Onipresença - refere-se a um acontecimento que, transformado em culo de comunicação.
notícia, transpassa os limites anteriormente reservados a ele. Assim, torna-
se onipresente. Ex.: quando a página policial acaba por se ocupar de um Gatekeeping - determina quais acontecimentos são jornalistica-
assunto desportivo (roubo na federação, corrupção de juízes). mente interessantes e quais não são, atribuindo distintas relevâncias em
variáveis como a extensão (de tempo e de espaço), a importância (tama-
Relevância - avaliada pela afinidade do tema nas diferentes mídias.
nho da manchete, localização no jornal, freqüência de aparição, posição
Frame temporal quadro de informações a respeito da mídia que
-c
no conjunto de notícias e o grau de conflito (a maneira como se apresenta
se cria ao longo de um determinado período de tempo da pesquisa e que o material jornalístico). De acordo com esses critérios, algumas notícias
permite a interpretação contextualizada do acontecimento. Cobre dados de são tratadas detalhadamente, outras merecem pouca atenção e algumas são
duas ou mais agendas (a da mídia e a dos receptores, por exemplo). ignoradas.
Time-lag - é o intervalo entre o período de levantamento da agenda Os estudos sobre gatekeeping são abordados pelo newsmaking. A
da mídia e o da agenda do receptor. Isso está relacionado à influência dos filtragem de informação se distingue totalmente da censura; ela está mais
meios de comunicação, que não se dá imediatamente. vinculada às rotinas de produção da informação.

104 105
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

As primeiras conclusões admitiram que os processos de comuni- O termo mass media surgiu com o objetivo de designar a indústria
cação possuem uma função de controle social desenvolvido a partir do cultural.
estabelecimento de práticas socializadas entre os jornalistas. As mercadorias culturais da indústria se orientam de acordo com o
A função de gatekeeping sofre influências, tais como: princípio de sua comercialização, e não em razão de seu próprio conteúdo.

I) A autoridade institucional e sanções; "Novo", na indústria cultural, é o primado imediato e confesso do


2) Sentimentos de fidelidade e estima para com os superiores; efeito.
3) Aspirações à mobilidade social da parte do profissional; A indústria cultural aniquila a autonomia das obras de arte com ou

4) Ausência de fidelidade de grupos contrapostos; sem a vontade consciente de seus promotores.

5) Caráter agradável do trabalho; As "produções do espírito", no âmbito da indústria cultural, são


mercadorias que, de qualquer maneira, devem ser absorvidas.
6) O fato de a notícia ter-se transformado em valor (matérias feitas
por encomenda). A indústria cultural se transforma em public relations, a fabricação
de um simples consentimento, sem relação com os produtores ou objetos
A INDÚSTRIA CULTURAL SEGUNDO ADORNO E de venda particulares, pois procura-se o cliente para lhe vender um con-
HORKEHEIMER (1985) sentimento total, mas não crítico; cria-se, desse modo, receptores passivos.
Faz-se propaganda para o mundo, assim como cada produto da indústria
O termo "indústria cultural" foi empregado pela primeira vez no
cultural tem o seu próprio meio de chamar a atenção.
livro Dialektik der Auujkliirung, que Horkheimer e Adorno publicaram. A
O que importa na indústria cultural é a padronização da produção
expressão "problema da cultura de massa" foi substituída por "indústria
cultural" . em detrimento da inovação da mesma. A estandardização possibilita a ob-
tenção eficaz de lucro, já que ele é considerado mais importante do que a
A indústria cultural se distingue radicalmente da arte popular, pois
os produtos são adaptados ao consumo das massas. Além disso, a indústria própria cultura.
impõe, na maioria das vezes, o que deve ser consumido. O termo "indústria" só deve ser considerado em parte. Ele diz res-

Demonstra-se, dessa forma, a unificação de gostos e valores cultu- peito à estandardização da própria "coisa" (as produções) e à racionaliza-
rais por meio da padronização da produção do que é veiculado. ção das técnicas de distribuição, mas não se refere somente ao processo de
produção. Conservam-se também formas de produção individual que con-
Indiscutivelmente, a indústria cultural indaga sobre o estado de
consciência e de inconsciência de milhões de pessoas. As massas não são o tribuem para o fortalecimento da ideologia. A indústria cultural mantém-se
fator primeiro, mas um elemento secundário, um elemento de cálculo, um "a serviço" do processo de circulação do capital (o comércio), no qual tem
acessório da maquinaria. origem. Quanto mais essa ideologia, emprestada da arte individualista e da

O consumidor não é rei, como a indústria cultural gostaria de fazer sua exploração comercial, é desumanizada de sua ação e de seu conteúdo,

crer, ele não é o sujeito dessa indústria, é seu objeto. mais ativa e bem-sucedida é a sua propaganda de personalidade suposta-

106 107

l< & .
OBRAS JORNALÍSTICAS

mente grande. Ela é industrial mais no sentido da assimilação do conteúdo.


Há preferência a uma produção verdadeiramente racionalizada do ponto de
1 Teorias da Comunicação

delas. Os objetivos principais da indústria cultural são a dependência e a


sérvidão dos homens.

vista tecnológico. Os promotores da indústria cultural simplesmente ale- A satisfação que a indústria cultural oferece às pessoas, ao despertar
nelas a sensação confortável de que o mundo está em ordem, frustra-as na
gam que aquilo que eles fornecem não é arte, é indústria.
própria felicidade que essa indústria ilusoriamente lhes propicia.
O conceito de técnica na indústria cultural diz respeito mais à distri-
buição e à reprodução mecânica, que permanecem externas ao seu objeto O efeito de conjunto da indústria cultural é o de uma antidesmis-
(a massa). tificação, de um anti-iluminismo (anti-Aujkliirung). A desmistificação, a
A indústria cultural fica estática diante do processo de produção Aujkliirung, a saber, a dominação técnica progressiva, transforma-se em
ou com a determinação que a objetividade dessas técnicas provoca para atrativo sedutor e enganoso das massas, ou seja, bloqueia a sua consciência.
a forma intra-artística, também sem respeitar a lei formal da autonomia Ela impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes
estética. de julgar e de decidir conscientemente. Enfim, a indústria cultural impede
Essa indústria possui importância para a formação da consciência de as massas de atingir a emancipação.
seus consumidores, porque caracteriza a sociedade dominante.
A importância da indústria cultural na economia psíquica das mas- CARACTERÍSTICAS DO ATO COMUNICATIVO (DEFLEUR,
sas obriga a dispensa da reflexão sobre sua legitimação objetiva, sobre seu 1997)
ser em si. Os padrões de comportamento são conformistas.
A sociedade exerce influência sobre seus veículos de comunicação.
Segundo os pesquisadores, a indústria cultural rejeita o confronto com
os homens. As idéias de ordem que ela propõe são sempre as do status quo. O ato comunicativo é o meio necessário, graças ao qual as normas
Elas são aceitas sem objeção, sem análise, renunciando-se à dialética. do grupo são expressas.
Por intermédio da ideologia da indústria cultural, o conformismo A fonte seria o processo cognoscitivo do indivíduo em questão, o
substitui a consciência. Jamais a ordem por tal indústria transmitida é con- material empregado para experimentar as reações internas denominadas
frontada com o que ela pretende ser ou com os reais interesses dos homens. significado.
Observa-se esse aspecto visto que o conteúdo da mensagem não é ~:
O transmissor incide em codificar a mensagem em informação.
t~1
o fato mais importante. O que prevalece é o produto de fácil assimilação
A fonte e o transmissor são apenas fases diferentes do ato comunica-
para geração de lucro.
tivo. São funções analiticamente separáveis de um único indivíduo.
Os trabalhos intelectuais da indústria cultural são estimulações ao
conformismo em relação àquilo que esconde os interesses de poderosos. Sendo a mensagem recebida em forma de um conjunto de símbolos,
o destinatário reage a ela ao utilizar suas experiências externas e internas
Não se pode provar, com certeza, o efeito regressivo em cada pro-
denominadas significado (denotativo ou conotativo). Caso o significado do
duto da indústria cultural.
destinatário possua a mesma forma do significado da fonte, a comunicação
O sistema da indústria cultural reorienta as massas, praticamente
ocorre de fato.
não permite a fuga e impõe sem cessar os esquemas de comportamento

109
108
3
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

2) Gesellschaft - a condição essencial da relação social é o contra-


Nesse processo, a realização da correspondência perfeita raramente
é realizada. to, sendo então urna relação formal. Nessa sociedade, há relação
de independência entre os indivíduos que são tidos como isolados.
O ruído deve ser incluído como um componente adicional do siste-
Eles são colocados dentro de um sistema que é impessoal, anôni-
ma teórico do ato da comunicação.
mo e de relações competitivas.
Todos os leitores de jornal são, ao mesmo tempo, receptores e desti-
natários que transformam a informação visual em mensagem e que reagem
aos estímulos com reações apropriadas. TEORIA MECANICISTA

Em 1893, Émile Durkheim publicou a obra A Divisão do Trabalho


A SOCIEDADE DE MASSA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO na Sociedade. Ele reuniu os iversos temas relacionados com os escritos
de Comte, Spencer e Tõnnies. Comparou a solidariedade mecânica (base-
Em Teoria da Natureza da Sociedade (1830), Auguste Comte em-
ada na homogeneidade) com a orgânica (baseada na heterogeneidade). A
pregou, pela primeira vez, o termo sociologia a esse novo setor de conheci-
~.
divisão de trabalho que produz solidariedade orgânica aumenta o grau de
mento. Criou-se, então, o conceito orgânico da sociedade no qual ela pode
individualidade e de diferenciação social no in,terior da sociedade. A evo-
ser considerada como um tipo particular de organismo, ou seja, um orga-
lução da sociedade conduz a um aumento das relações de Gesellschaft.
nismo coletivo. Comte defendia que a sociedade era um organismo especí-
fico com estrutura. Para ele, um dos princípios básicos de organização era A primeira teoria da comunicação "teoria mecanicista" (estímulo-
a especialização. Logo, a divisão das atividades que os homens geralmente resposta) _ conhecida corno teoria da agulha hipodérmica, teoria da correia
praticam representa a chave da estabilidade, e também sua possível desor- de transmissão etc. - mostrava que os veículos eram considerados capazes
ganização. Comte notou que havia perigo numa excessiva especialização, de moldar a opinião pública e de manipular a massa. Para Katz e Lazars-
pois percebia que, quanto maior a diferença entre os indivíduos, menor feld, os veículos de comunicação podem tudo: enviam mensagens às mas-
seria a compreensão mútua. sas isoladas que, por outro lado, aguardam-nas passivamente (sem reagir).
Enquanto Comte defendia a transformação social planificada, Her-
bert Spencer pleiteava vigorosamente uma política de um laissez-jaire TEORIAS CONTEMPORÂNEAS DA MÍDIA
quase total. Aquele fazia referência às possíveis conseqüências da especia-
Pela teoria das diferenças individuais da comunicação (teoria da
lização excessiva, e este, a qualquer tentativa que interferisse no que era
psicologia geral), os indivíduos não são mais considerados uniformes. Os
considerado a evolução natural da sociedade.
efeitos dos veículos variam de pessoa para pessoa, em virtude das diferen-
Em 1887, Ferdinand Tõnnies analisou as formas de laços sociais
ças particulares na composição psicológica. Esses "efeitos" são o foco de
existentes entre os membros das sociedades e os grupos em dois tipos di-
atenção da pesquisa; os veículos são "causas" desses efeitos.
ferentes de organização:
O princípio da atenção e da percepção seletiva mostrou que tipos
1) Gemeinschaft - são os veículos interpessoais; as pessoas estão
diferentes de pessoas, numa determinada audiência, selecionavam e inter-
ligadas umas às outras por meio da tradição, do parentesco, da
pretavam o conteúdo da comunicação de massa de maneiras diversas. As
amizade etc. Essa organização deixa o indivíduo em sistemas
respostas às mensagens eram alteradas pela constituição psicológica.
fortes de controle social informal.

111
110
~:--

.
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

MODELO PSICODINÂMICO DO PROCESSO DA PERSUASÃO


1) Gosto vulgar - conteúdos consumidos pelas audiências de mas-
A mensagem persuasiva era considerada como possuidora de pro- sa. Ex.: filmes pornográficos e histórias policiais com violência.
priedades capazes de alterar o funcionamento psicológico do indivíduo. 2) Não-criticado - conteúdos amplamente distribuídose consumidos.
Esse modelo psicodinâmico do processo de persuasão demonstra que a
3) Alto-nÍvel- conteúdos amplamente distribuídos, mas não essen-
mensagem persuasiva altera processos psicológicos a longo prazo (latente)
cialmente consumidos pela massa.
e, conseqüentemente, alcança transformação na ação manifesta. .
Em 1948, Bernard Berelson demonstra que as variáveis indepen-
O QUE É COMUNICAÇÃO (UNESCO, 1983)
dentes (mensagens sobre um determinado assunto, apresentadas sob condi-
ções conhecidas) são modificadas no seu impacto sobre as variáveis depen- A comunicação traduz o pensamento em ato e reflete todas as emo-
dentes (efeitos) pela ação das variáveis atuantes em relação às diferenças ções e todas as necessidades dos gestos mais simples que permitem a conti-
individuais nas variáveis psicológicas de cada pessoa. nuidade da vida até as manifestações supremas de criação ou de destruição.
Ela reúne saber, organização e pode vincular o ser humano à memória das
FLUXO DE COMUNICAÇÃO EM DUAS ETAPAS suas origens e às aspirações mais nobres para uma vida melhor.

Os indivíduos que estavam em contato mais direto com os meios de Uma das primeiras preocupações do ser humano consistiu em au-
comunicação foram chamados líderes de opinião. Eles transmitiam tam- mentar o impacto, a diversidade e a inteligibilidade das suas mensagens ao
bém suas interpretações a respeito do conteúdo das comunicações que ti- mesmo tempo em que melhorava sua capacidade de recebê-las e decifrá-las.
nha sido exposto às outras pessoas de seu convívio. O desenvolvimento da linguagem, cuja importância se deve tanto ao
Paul Lazarsfeld, Bernard Berelson e Helen Gaudet denominaram alcance e à profundidade que oferece o conteúdo da comunicação quanto à
ativação em oposição à conversão. O modelo teria o seguinte aspecto se- precisão e ao grau de detalhes proporcionados à expressão, deu força à comu-
gundo Defleur: nicação humana e explica a predominância do homem no mundo animal.
MENSAGEM PERSUASIVA ~ DEFINE (OU REDEFINE) OS A escrita é a segunda grande inovação do ser humano que confere
PROCESSOS SOCIOCULTURAIS DO(S) GRUPO(S) ~ FORMANDO perenidade à palavra, expressando a continuidade de uma comunidade.
OU ALTERANDO DEFINIÇÕES DE COMPORTAMENTOS SOCIAL- Graças à evolução da escrita foi possível conservar as mensagens
MENTE APROVADOS PARA OS MEMBROS DO GRUPO ~ PRODUZ portadoras de símbolos mais plenos de sentido. Contudo, as grandes biblio-

I"':
TRANSFORMAÇÃO NA DIREÇÃO DO COMPORTAMENTO MANI- tecas da antigüidade estavam reservadas aos sábios e aos administradores.
FESTO. ~4,;
.:~ <.,'
Passou-se muito tempo para que a difusão de livros deixasse de se limitar
Essa teoria demonstra como a aceitação do objetivo do comunicador ao círculo dos privilegiados.
'~

~
~~'

é normativa no interior do grupo em que ele atua. Aquele que comunica é A comunicação como função social ficou submetida às tradições,
capaz de ressaltar como o indivíduo que não aceita as normas do grupo é aos ritos, às regras e aos tabus.
um desviante ou um insubmisso.
O estudo das sociedades tradicionais mostra que a evolução da co-
O conteúdo de um veículo poderia ser dividido nas seguintes catego- municação tradicional configurou-se pela evolução diferente das institui-
rias de acordo com Melvin Defleur: ções culturais, jurídicas, morais e religiosas.

112
113
\
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS
;~
No passado, a comunicação interpessoal servia para reforçar valo- Educação _ transmitir conhecimentos que contribuam para o desen-
~ volvimento do espírito, para a formação do caráter e para a aquisição de
res de companheirismo e de ajuda mútua, assim como para contrabalançar ~
a fragmentação imposta por uma autoridade longínqua. Pouco a pouco a informações e atitudes em todos os momentos da vida.
comunicação se institucionalizou para transmitir normas e costumes. En- Promoção cultural - difundir obras artísticas e culturais para pre-
tretanto, a comunicação estava limitada pela lentidão de sua difusão pelo servar o patrimônio do passado, ampliar o horizonte cultural e estimular a
próprio caráter estático das sociedades humanas. capacidade criadora.
Nessa época primitiva, a circulação da informação continuava sen- Distração - divulgar, por meio de signos, símbolos, sons e imagens,
do um fenômeno inseparável de qualquer sociedade organizada. No en- atividades recreativas individuais e coletivas, tais como teatro, dança, arte,
tanto, as notícias que chegavam permaneciam tendo um alcance restrito e literatura, música, esporte e jogos.
eram destinadas, principalmente, a fortalecer a tradição, a autoridade e a Integração - facilitar o acesso à diversidade de mensagens de que
fomentar a passividade e o fatalismo, ao consagrar a ordem estabelecida necessitam todas as pessoas, grupos ou nações para se conhecerem e se
pelo poder dos príncipes e de Deus. compreenderem mutuamente e para entender as condições, os pontos de
A comunicação tinha uma importância real para a difusão das gran- vista e as aspirações do outro.
des idéias e para as relações entre as autoridades e a maioria da população, A comunicação passou a ser uma atividade essencial para os orga-
assim como para a conservação e a estabilidade da sociedade. nismos coletivos e para as comunidades. As funções da comunicação estão
ligadas a todas as necessidades materiais e imateriais dos indivíduos. Cada
uma dessas funções depende do contexto e de características diversas. Nos
FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO
casos em que a persuasão passa a ser manipulação e propaganda, a infor-
Informação - coletar, armazenar, submeter a tratamento e difundir mação se corrompe facilmente.
notícias, dados, fatos, opiniões, comentários e mensagens necessários para
entender, de modo inteligente, as situações individuais, coletivas, nacionais, Função Social da Comunicação
internacionais e para estar em condições de tomar medidas pertinentes.
A função social da comunicação é estimular, socializar, homogeneizar
Socialização - constituir um fundo comum de conhecimentos e de
e até adaptar indivíduos à cultura. Os meios de comunicação de massa não só
idéias que permitam aos indivíduos integrar-se na sociedade e que impul- refletem opiniões, mas provocam e contribuem para a formação de atitudes.
sione a coesão social e a percepção dos problemas para uma participação
ativa na vida pública.
Comunicação Coletiva
Motivação - perseguir objetivos imediatos e finalidades da socie-
dade, promover as opções pessoais e as aspirações individuais ou coletivas A comunicação coletiva é um fenômeno social caracterizado pela
od~ntadas para a consecução de objetivos comuns. existência de organizações dedicadas a produzir, recolher, tratar e difundir
mensagens de um modo ilimitado e simultâneo, pelos meios de difusão
Debate e diálogo - apresentar e trocar os elementos de comunica-
coletiva, a um público heterogêneo, anônimo e disperso.
ção disponíveis para facilitar o acordo ou esclarecer pontos de vista sobre
assuntos de interesse público na resolução de problemas locais, nacionais Ela se tomou possível a partir do surgimento da imprensa, que pas-
e internacionais. sou a atuar como um centro de difusão de onde a mensagem parte ao en-

114 115
.,.

OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

contro da audiência. Esse fenômeno recebeu o nome de comunicação de efeitos da mídia. De acordo com o modelo dos efeitos limitados, a mídia
massa, comunicação social e informação.
provoca muito mais uma fixação do que já existe do que uma eventual mo-
A comunicação de massa foi uma expressão usada na communicatíon dificação. Os meios de comunicação de massa agem sobre seus receptores,
research em uma época em que pesquisadores centraram suas pesquisas em mas o fazem associados a outros fatores.
tomo da audiência e dos efeitos da mensagem. Na atualidade, o conceito
l ganhou enfoques diferenciados e passou a considerar a audiência ativa no : Essa limitação dos efeitos teria uma dupla causa: a existência de
li'
II
processo da comunicação coletiva (teoria dos usos e gratificações). uma rede de comtinicações interpessoais que concorrem na produção e di-
i
fusão de informações e, de outro lado, os mecanismos seletivos que cada
II
~I' Problemas da Comunicação receptor põe em prática e que condicionam a sua exposição, atenção, per-
II cepção e retenção da mensagem recebida.
I

I'i A partir do momento em que os meios de comunicação adquirem


Durante o auge das teorias da agulha hipodérmica e da bala de ca-
liu um caráter industrial, sofrem pressões quanto à uniformização, o que acar-
nhão, que sustentavam a ocorrência de efeitos sociais devidos à manipu-
reta uma qualidade inferior das mensagens e uma dependência crescente da
11
lação do receptor por parte dos meios, o discurso dominante da ética pre-
publicidade. Essa dependência traz uma mentalidade comercial pela qual o
consumo passa a ser um fim em si mesmo. conizava a necessidade de um controle que funcionaria como um escudo
protetor da sociedade. O receptor indefeso, sujeito à informação jornalísti-
O poder de informação concentrado na mão de uma minoria e a
ca, precisava de proteção.
obediência às leis de mercado podem desembocar em uma esterilidade in-
telectual. Passou-se a perceber que o público, na condição de inteligente e
seletivo, não precisava mais de tanta proteção externa. O discurso da ética
FASES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS SOBRE A MÍDIA mediática deixou de ser o do escudo e passou a ser o do controle da quali-
(BARROS FILHO, 1995) dade junto ao mercado informativo.
Concluiu-se que, para o receptor selecionar bem, necessitava de
Denis MacQuail divide em fases a pesquisa científica sobre a mídia
e suas relações com o receptor: até os anos 40, atribuía-se aos meios de bons produtos. Assim, os conceitos de objetividade, profundidade, diversi-
comunicação de massa grandes poderes para modificar atitudes e compor- dade temática, sobriedade (em relação ao sensacionalismo), utilidade, sele-
tamentos; até princípios dos anos 60, os meios de comunicação de massa tividade e busca de certeza por parte do receptor ganharam as páginas dos
eram considerados parcialmente eficazes; a partir de então, redescobriu-se, tratados de ética e dos manuais.
em uma terceira fase, que são os poderes da mídia de construção e manipu-
lação da realidade e suas representações. Nessa fase, as pesquisas indicam FILTRO QUADRIFÁSICO
uma influência negociada dos meios de comunicação.
O processo seletivo de recepção mediática é apresentado como um
TEORIA DOS EFEITOS LIMITADOS filtro quadrifásico, ou seja, composto por quatro camadas sobrepostas e
progressivamente seletivas: exposição e atenção seletivas; percepção e re-
Em 1960, Klapper, no livro The Effects of Mass Comunication, faz r~.;

tenção seletivas. Essas fases geram um resíduo filtrado e uma mensagem


t;;
uso das contribuições da psicologia social para pesquisar os limites dos potencial.
~t
,
4'":'

116 117
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

a favorável (ou mais favorável) será selecionada em prejuízo da não favo-


o produto mediático entra na parte superior do filtro. O resíduo fil-
rável (ou menos favorável).
trado é a reconstrução desse produto subjetivamente marcada. Esse resíduo
Essa hipótese de defesa de crenças, opiniões, comportamentos e
servirá de base para todas as comunicações interpessoais que se seguirem.
decisões tomadas anteriormente fundamenta-se na teoria da dissonância
Como em qualquer filtro, o resíduo que passa às camadas inferiores é con-
cognitiva, teoria sistematizada pela primeira vez por Festinger em 1957.
seqüência direta do trabalho de filtragem (seleção) operado pelas camadas
De acordo com essa pesquisa, a busca da consonância incide diretamente
superiores. sobre a exposição seletiva. Para evitar o desconforto da dissonância, o re-
No processo de seleção não há uma ordem rígida de etapas. A aten- ceptor se exporia seletivamente a determinados produtos e a outros não.
ção condiciona a exposição; a percepção tem incidência sobre a exposição;
a atenção e a retenção, sobre as três etapas anteriores. SUPPORTIVE INFORMATION

A redução da dissonância cognitiva na recepção dos meios de comu-


EXPOSIÇÃO E ATENÇÃO SELETIVAS
nicação de massa significa evitar informações dissonantes (desfavoráveis)
A exposição e atenção seletivas são a primeira etapa de seleção. Per- e selecionar as informações consonantes (favoráveis), ou seja, as que refor-
mitem o contato entre a mensagem e o receptor. Este abre ou não o jornal, çam convicções, pontos de vista, opiniões e gostos do receptor, denomina-
liga ou não a TV ou o rádio e muda ou não de canal, porque decide ou não das, na linguagem da psicologia cognitiva, supportive information.
se expor a um produto mediático. Assim, pode-se dizer que toda exposição Na tentativa de precisar as generalizações operadas por Festinger na
é, por definição, seletiva. Não há como se expor a mensagens sem eliminá- teoria da dissonância cognitiva, Cannon observa que a autoconfiança rela-
las em parte. tiviza os efeitos de exposição seletiva em caso de dissonância. Uma pessoa
segura de suas opiniões poderá, propositalmente, selecionar informações
A exposição seletiva é a tendência que tem o receptor de se expor a
diferentes das suas com o intuito de refutá-las.
produtos mediáticos que estejam de acordo com as suas estruturas de clas-
sificação do mundo social (convicções e comportamentos) interiorizadas
FATORES CONDICIONANTES DA EXPOSIÇÃO SELETIVA
durante sua trajetória social.
Por essa razão, argumenta-se que as comunicações atingem, princi- São eles: utilidade da informação para o receptor, intencionalidade
palmente, os já convencidos e, em menor escala, aqueles a quem se visa seletiva como conseqüência de características de personalidade do recep-
convencer. Isso porque há, por parte do receptor, uma predisposição a se tor, familiaridade ou envolvimento decorrentes da ritualização da recepção
expor a mensagens que estejam de acordo com interesses e atitudes já exis- de certos produtos mediáticos e o conseqüente acordo prévio que existe
entre informação e expectativa de informação (jactor selective exposure).
tentes.
_ A
A UTILIDADE DA INFORMAÇÃO - ESTUDO DOS "USOS E
A EXPOSIÇAO DEFENSIVA E A DISSONANCIA COGNITIVA
GRATIFICAÇÕES"
A exposição defensiva e a dissonância dizem ~espeito à seleção pelo .
A informação central deixou de ser o que a mídia faz com o receptor
receptor das informações que estejam de acordo com pontos de vista to-
(efeitos sociais) e passou a ser o que o receptor faz com a mídia (o que cor-
mados e assumidos anteriormente. Diante de duas mensagens hipotéticas,

119
118
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

responde ao estudo dos usos e gratificações). Trata-se de uma concepção um


quer outro referencial como o horário de transmissão, o título da matéria
pouco menos passiva do receptor, pela qual a recepção não é vista como um e outros.
processo de dependência maquinal, mas sim de busca de prazer e satisfação.
Em 1959, Katz, respondendo a Berelson, negava a morte das pes- ATENÇÃO SELETIVA
quisas em comunicação de massa indicando uma série de estudos sobre a
utilidade que tinha a mensagem da mídia para os receptores. Esses estudos É necessário que o contato com o produto mediático (exposição)
mostravam a análise da utilidade da mensagem mediática para o receptor seja marcado por níveis de atenção satisfatórios, que variam em função do
e o proveito que ele obtém do consumo, o que retira da exposição seletiva conteúdo, do receptor e das condições em que ocorre a exposição.
um caráter estritamente defensivo. Nesse sentido, as fonnas de seleção da
A atenção é um processo integrado à exposição. A seleção e a vigi-
informação não correspondem, necessariamente, i uma proteção de pontos lância são dois aspectos do processo de mediação que sustentam os efeitos
de vista e opiniões já incorporados, mas pode indicar uma expectativa de centrais do evento sensorial com implicação de seletividade, ou seja, de
utilidade, prazer, satisfação que uma eventual recepção poderia trazer. É bloqueio dos demais eventos sensoriais.
possível agrupar os principais elementos dessa teoria da seguinte forma:
Ao dar atenção a um produto mediático qualquer, o receptor o está
membros da audiência - características individuais (necessidade e interes-
fazendo em detrimento de outros eventos sensoriais. A vigilância remete ao
se); expectativa - do produto e do conteúdo; decisão - de usar os meios e
tema da exposição automática (tipo ideal de não-vigilância: alguns recep-
o seu conteúdo (exposição seletiva); uso dos meios - atenção, percepção
tores usam a mídia como pano de fundo para outras atividades. Ex.: ouvir
e retenção seletivas; quantidade e tipo - de conteúdo usado, relação com rádio ao lavar louça.
outro conteúdo e o modo de uso.
Além da seleção e vigilância, Clóvis Barros Filho destaca a intensi-
Nessa perspectiva funcional, Katz concluiu, nove anos depois,
dade. Não se trata, como na exposição, de prestar ou não atenção, mas de
que a utilidade da informação deveria ser um dos principais determi- prestar certo grau (intenso) de atenção.
nantes da exposição seletiva. Se a seleção utilitária indica uma intenção i
~ '

do receptor em buscar satisfazer uma necessidade, essa intencionalida-


PERCEPÇÃO E RETENÇÃO SELETIVAS
de é decorrente de características de personalidade de cada receptor, ou .~.
!j
do envolvimento do destinatário com o conteúdo do produto mediático Berelson & Steiner definiram percepção como processo complexo
oferecido. ~~]
pelo qual as pessoas selecionam, organizam e interpretam estímulos senso-
riais dentro de um quadro coerente de sentido.
EXPOSIÇÃO E EXPECTATIVA Diretamente dependente da percepção está a retenção seletiva, a ca-
n j

i pacidade de recall (chamar na memória) de certos segmentos da mensagem


Para que a exposição se inicie, é necessáriauma motivação (positiva- in-
veiculada. Ela dará o substrato final do filtro, que poderá ser novamente
tenção de expor-se ao produto; ou negativa - falta de intenção de fazer
usado em comunicações interpessoais. Esse recall é o substrato usado pelo
qualquer outra coisa). Essa motivação é condicionada por uma expectativa
;1
receptor para se relatar aos outros o que assi~tiu, leu ou ouviu. O recall
que se tem do produto, construída em função de experiências passadas em
parece surgir no momento em que, efetivamente, incrementa-se o consumo
relação ao mesmo produto, em função de relações interpessoais, ou qual-
informativo a partir dos 18 anos de idade.

120
121
>
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Fatores que Interferem na Retenção O primeiro estudo que mostra a evolução da hipótese foi publicado
na revista Opinion Quarterly e realizado por Chapel Hill e visava constatar
1) As condições em que se deu a exposição; a coincidência entre a agenda da mídia e a agenda do público durante as
2) O veículo de informação e a compreensão mais ou menos perfei- eleições de 1968 nos EUA.
ta da mensagem. Em 1972, McCombs e um grupo de estudiosos coordenado por ele
organizaram uma nova pesquisa, realizada na cidade de Charlotte, nos
AGENDA-SETTING EUA. Essa pesquisa foi desenvolvida durante as eleições presidenciais e
ficou conhecida como Charlotte Study. A partir dela foi possível identificar
As pessoas agendam o tema de suas conversas em função do que a
uma tipologia de estudos sobre a agenda-setting elaborada por McCombs,
mídia veicula. É um tipo de efeito social dos meios de comunicação. É a
conhecida por Tipologia de Aeapuleo.
hipótese segundo a qual a mídia, pela seleção, disposição e incidência de
suas notícias, determina temas sobre os quais o público falará e discutirá.
Tipos de Agenda

Agenda dos Meios = Agenda Pública I) Individual ou intrapessoal (individual issue salienee) - cor-
responde ao repertório de preocupações sobre questões públicas
Os temas expostos na mídia são os que mais ocorrem nas comuni-
que se interioriza em cada indivíduo.
cações interpessoais. A mídia impõe um conjunto de informações como
H) Interpessoal manifestada (pereeived issue salienee) - são os
sendo o que aconteceu e omite outras, impedindo que certos temas sejam
temas mencionados nas diferentes comunicações interpessoais,
conhecidos. Ao declarar seu desconhecimento pela sociedade, condena-os
que são percebidos pelos sujeitos e discutidos em suas relações.
à inexistência social.
IH) Agenda na mídia - os estudos da agenda-setting fazem alusão
Fixar uma agenda é fixar o calendário dos acontecimentos, é dizer o
a ela. É o menu temático selecionado pelos meios de difusão
que é importante e o que não é. É chamar a atenção sobre certo problema,
é ressaltar um tema. É determinar não só o que vai ser discutido, mas como coletiva.
e por quem o será. IV) Agenda pública - é a agenda que deu origem à hipótese de Mc-
Combs. Ela é um conjunto de temas que a sociedade como um
Histórico das Pesquisas sobre Agenda-Setting todo considera como relevantes e, por isso, dá-lhes atenção.
V) Agenda institucional - compreende as prioridades temáticas
A teoria já havia sido apontada por muitos sem receber exatamente
apresentadas nas instituições.
o nome de agenda, quando McCombs & Shaw a apresentaram com esse l'
~:
nome em 1972. O primeiro estudo sobre agenda-setting data de 1968. Mas ~.
."
. Dificuldades de Comprovação da Hipótese da Agenda-Setting
o artigo sobre a pesquisa só foi publicado em 1972. Em 1922, Lippmann, "'I

em Publie Opinion, já destacara o papel da imprensa para despertar a aten- A diversidade de tipos de estudos resultou em imprecisões termino-
ção dos leitores em direção a temas impostos como os de maior interesse lógicas que representaram, ao mesmo tempo, a riqueza e o ponto vulnerá-
coletivo. Esse livro publicado por Lippman, segundo McCombs, é a base
vel da hipótese.
doutrinária da hipótese da agenda.

122 123

l~,
OBRAS
JORNALÍSTICAS Teorias da Comunicação

Não há harmonia na definição de prazos para a verificação dos efei- diferentes estudos r.ealizados pela linha de pesquisadores dessa teoria toma
tOS.A maioria dos autores limita-se à análise de curto prazo. Outro ponto a comparação das pesquisas inviável.
discutível é a amplitude dos estudos que costumavam comportar um núme-
ro que variava de 150 a 300 indivíduos, o que poderia colocar em dúvida a
Posição da Hipótese na Doutrina
representatividade da pesquisa. ',j
~,;

Outro assunto a ser mencionado é a falta de rigor no emprego de A primeira geração da agenda-setting surgiu, de um lado, com o
termos utilizados. Essa falta de rigor começa pela própria noção de agen- declínio do behaviorismo e a aparição da psicologia cognitiva e, de outro,
damento - O que é a determinação da agenda? Trata-se de dar o conhecer como reação ao mo pelo dos efeitos limitados.
ao receptor (que, não fosse pelos meios, não se inteiraria do fato)? Ou se
trata de uma hierarquização temática (quando os meios determinam qual a A segunda geração da agenda-setting aproxima a teoria das teses
sobre o fenômeno da persuasão e da aculturação.
importância a ser dada aos fatos)?
A maioria dos estudos sobre a agenda-setting serve-se de uma per-
gunta: qual é para você o principal problema do país hoje? Elementos que Tornam o Fato Noticiável (newsworth)
A última crítica diz respeito à pouca pluralidade dos temas estudados Possibilidade de personalização do conteúdo da informação - per-
pela hipótese. Quase todas as pesquisas se limitavam a temas políticos.
mite à audiência uma identificação com o tema por meio do sujeito envol-
vido, como também toma temas complexos mais simples. Ex.: ao redi-
TimeLag gir uma reportagem sobre inflação, apresentar uma dona-de-casa fazendo
compras no mercado.
Alguns estudos recentes tentam precisar o período de eficácia do
agendamento, bem como o time lag; ou seja, o intervalo de tempo entre a Possibilidade de dramatização - via de regra, ocorre por intermé-
veiculação e a recepção. dio de um conflito. Ex.: campanhas eleitorais.
O tempo que leva uma mensagem para ser agendada pelo público
Possibilidade de dinamização do tema - desenvolve-se para que o
consumidor (time lag) depende do meio em que a mensagem foi difundida
receptor possa constatar uma ação ou um acontecimento.
e de sua incidência geográfica (se a notícia é local, regional ou nacional).
Essas três características decorrem de uma necessidade imperativa
Aagenda-setting envolve dois intervalos de tempo distintos: o inter-
I:,: dos meios de comunicação de empacotar a informação em pequenas uni-
,':
"li
valo de tempo entre a veiculação e o agendamento do tema veiculado. r
II dades de mensagem (packaging demand)o
,\ii Os dois intervalos variam em função do meio de difusão e do tema
:'1
veiculado. A medição exata desse intervalo é impossível. Contudo, busca- L t

'~'1;':~
, I
~iiil,i! se a definição de um tempo ótimo aproximado.
.:~;
,\ Ii
As Fontes e a Agenda dos Meios

O primeiro agente externo que influencia sobre a seleção temática


Metodologia Usada pela Agenda-Setting
são os outros meios de difusão. A dependência das mesmas fontes de no-
Fundamenta-se em dois procedimentos: análise de conteúdo e pes- tícias, sobretudo das agências internacionais, contribui para acentuar uma
quisa de opinião. Entretanto, a diversidade de variáveis que envolvem os homogeneização e padronização do conteúdo.

124 125
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

A canalização operada por agentes externos é destacada no trabalho Agenda-Setting e a Recepção


político de imposição de temas e enfoques (framing), visando à construção
Três aspectos devem ser considerados no processo de recepção:
de um eleitorado.
1) A concorrência informativa das comunicações interpessoais;
Além dos meios e das fontes, incorrerão para o agendamento todos
2) A necessidade de orientação do receptor;
aqueles que possam ter interesse nas publicações.
3) A limitação temática do receptor.
o Veículo da Mensagem )'If Quanto maior o índice de comunicações interpessoais, menor a de-
,-" pendência informativa dos diários e menor o consumo de diários.
Há mais formação de agenda por meio de mensagens impressas que " 1
1
,;,,:V

de televisivas. A ocorrência maior ou menor de determinados veículos dá-


J TWO STEP FLOW
se em função de dois fatores interdependentes: o tema tratado e o tipo de 7

abordagem, mais geral ou mais específica. A influência das relações pessoais concorrentes dos meios de comu-
~~~I'~~
Nesse sentido, alguns temas, pela sua própria natureza, requerem nicação como influenciadoras da decisão de voto foi apontada por Katz em
um maior grau de detalhamento. O veículo influi sobre o processo de agen- 1957. O pesquisador constatou que a mensagem mediática atinge primeiro
damento, porque condiciona o intervalo de tempo ótimo para que uma alguns receptores especiais, por ele denominados líderes de opinião, e es-
mensagem seja incorporada à agenda do público. ses repassam o que leram ou ouviram a outros receptores que estão sob sua
influência.
o Conteúdo da Mensagem Assim, o fluxo de comunicação tem como origem o meio de difusão
que se daria em duas etapas (two stepfiow): mídia-líder de opinião; e líder
Os estudos americanos denominam os temas temáticos de issues - con-
de opinião - receptor comum (receptor ordinário). Dessa forma, o processo
junto de questões de fundo que agrupam fatos ou reflexões mais ou menos
de agendamento, que tem como ponto de partida a agenda dos meios, teria
polêmicas sobre problemas sociais.
uma segunda etapa obrigatória: a agenda dos líderes de opinião.
Zucker chama os temas que têm grande presença na vida diária da
sociedade de obtrusive e os temas de pouca presença de non-obtrusive (que No início, destacou-se a influência possível das comunicações interpes-
escapam à experiência diária). Zucker mostra que os temas non-obtrusive soais sobre o agendamento e, mais recentemente, a agenda dos líderes de opi-
provocam elevada agenda-setting e que os obtrusive, pela presença no dia- ';1'1.
í'"
f!t,I."
nião. Há líderes de opinião distintos em função dos diferentes temas abordados.
a-dia das pessoas, não provocam agenda. fi'

Em pesquisa sobre a influência da proximidade geográfica na agen-


da-setting, Palmgreen & Clarke observaram que as informações nacionais
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Reparos Conceituais - Críticas ao Modelo do Two Step Flow
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agendam mais receptores de uma região determinada que as informações ;r ~_


'l" ;~
De acordo com as críticas, a crescente diversificação e especializa-
locais dessa região. Isso porque os meios locais esbarram em receptores -f~~~-
~i
ção temática toma inviável a existência de um indivíduo líder de opinião
menos dependentes das mensagens mediatizadas e, portanto, mais autôno- .¥
mos na elaboração da agenda. por mais eclético que seja.

126 127

.
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

o fluxo é unidirecional e rígido nas duas etapas. Nada impede que, em


. maior será sua tendência a não se manifestar. Haverá uma tendência ao
alguns casos, a informação seja difundida em uma só etapa, ou em três. silêncio no grupo minoritário. Quando parte desse grupo se cala, a opinião
discordante que já era minoritária se toma ainda mais isolada e minoritária.
Recepção e Necessidade de Orientação do Receptor Nesse momento, a tendência ao silêncio será ainda maior. Aqueles que têm
uma opinião diferente estarão progressivamente isolados e não encontrarão
o condicionamento subjetivo da recepção como uma dependência quem lhes dê apoio.
pedagógica foi destacado por Weaver. Para ele, a dependência que cada re-
MEIOS - OPINIÃO DOMINANTE - RECEPTOR COM OPINIÃO
ceptor tem para satisfazer sua curiosidade em relação ao produto mediático DOMINADA - SILÊNCIO TENDENCIAL-
será um fator determinante da agenda. MUDANÇA DE OPINIÃO TENDENCIAL
A maior parte dos agentes sociais tende a evitar o isolamento, en-
A ESPIRAL DO SILÊNCIO tendido como o fato de se encontrar sozinho ao sustentar não só pontos
de vista como também atitudes, crenças etc. Assim, cada um observa seu
Por que o Silêncio?
próprio meio para constatar quais opiniões prevalecem ou se fortalecem e
De acordo com a autora da teoria, a professora alemã Elisabeth quais estão em declínio.
Noelle-Neumann, os agentes sociais têm medo de se encontrarem isolados Quanto mais os indivíduos percebem essas tendências e adaptam
em seus comportamentos, atitudes e opiniões. Esse medo faz com que as suas opiniões em função dessa percepção, tanto mais um grupo se mostra
pessoas, tendencialmente, evitem expressar opiniões que não coincidam dominante e outro, em declínio.
com a opinião da maioria dominante. É tendencial, porque os agentes so-
ciais têm nítida percepção de qual é a opinião dominante que, em grande Em que Medida a Espiral do Silêncio Depende Diretamente da
Objetividade Aparente?
parte, é imposta pelos meios de comunicação de massa.

Há uma tendência ao silêncio do indivíduo que, por medo de isola- Uma das condições para que a espiral se forme é a consonância te-
mento, não expressa sua opinião secundária. mática, ou seja, a abordagem relativamente homogênea dos mesmos fatos
pelos meios de comunicação de massa.

Por que Espiral? Essa consonância proporciona aos meios uma maior ou menor apa-
rência de objetividade, como também permite. canalizar um só fluxo de
MÍDIA - OPINIÃO DOMINANTE -
opinião como dominante.
ABORDAGEM CONSONANTE DE TEMAS
As diferenças, em alguns casos, permitem assegurar a aparência de
Mídia, opinião dominante e abordagem consonante de temas for-
liberdade informativa e, de outro lado, atendem a uma exigência do marke-
mam uma espiral. A idéia de espiral exemplífica a dimensão cíclica e pro-
ting por fornecerem aos diferentes produtos condições de se distinguirem
gressiva dessa tendência ao silêncio. Quanto mais a opinião for dominada,
entre si. Uma vez que a informação não tivesse aparência de objetividade,

128
129
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

se sua dimensão ficcional ou arbitrária fosse explícita, os efeitos próprios à majoritárias. O medo se manifesta de maneiras distintas. Nem sempre um in-
sua publicação e divulgação seriam outros. divíduo que sustenta uma opinião minoritária calar-se-á. Um dos fatores que
condiciona essa tomada de posição pública é a competência específica para
Posição da Espiral do Silêncio na Teoria da Comunicação de Massa abordar os temas em discussão, ou seja, os temas da agenda pública.

Essa hipótese, tal qual a agenda-setting, nega a tese dos efeitos limi- .~

'.x-
DIFICULDADE DE AFERIÇÃO E DEFINIÇÃO DA OPINIÃO
tados. No entanto, a espiral não se limita a apontar a coincidência temática ;~~

PÚBLICA
entre mídia e público (proposta inicial da agenda-setting).
"ti Desde a concepção platônica de opinião até a introdução do con-
o que é Necessário para que a Espiral se Desenvolva? ceito de opinião pública por Rousseau, esse conceito passou por várias

I) Que haja uma opinião dominante, uma seleção imposta de temas transformações.
e abordagens; Habermas define opinião com uma dupla conotação: de um lado,

2) Que haja o medo do isolamento por parte daqueles que não com- como ponto de vista subjetivamente marcado ao qual falta a comprovação
partilham da opinião dominante; da verdade; e, de outro, como reputação que tem um indivíduo ou uma
'RJ
idéia, permanentemente questionável e, portanto, mutável por um grupo.
3) Que esses últimos percebam qual é a opinião dominante e sua
Essas duas conotações constituem dois pólos de um grupo amplo de defini-
tendência para que possam compará-la com a própria opinião. Essa per-
cepção da opinião dominante é um ponto central da hipótese e talvez o ções histórica, ideológica e metodologicamente marcadas.
mais difícil. À imprecisão terminológica somaram-se as críticas referentes aos
procedimentos de aferição. Destacam-se os trabalhos de Patrick Champagne e
Fatores Condicionantes da Espiral Pierre Bourdieu.

o fator condicionante da espiral é o medo do isolamento. O ser hu- De acordo com Bourdieu, as pesquisas de opinião (sondagens) par-
mano tem horror ao isolamento opinativo. Ressaltar uma opinião diferente tem de três premissas falsas:
da maioria traz desconforto. Para Noelle, esse medo é generalizado e esta- 1) De que todos teriam uma opinião formada ou algo a dizer sobre
tisticamente comprovado. os temas perguntados;
Para se evitar esse tipo de isolamento, é preciso identificar qual é 2) Pressupõem que todas as opiniões emitidas se equivalem na
a opinião dominante. Só a percepção do que pensam os demais e em qual
composição da opinião pública;
sentido se dá a evolução das opiniões permitem ao ser humano manifestar- g!
~~
~' 3) O simples fato de fazer a mesma pergunta a todos pressupõe um
se em sociedade, sem suportar a reprovação dos outros.
acordo sobre os problemas e as questões que merecem ser abor-
O medo do isolamento faz com que as opiniões dominadas entrem
num processo de progressiva diminuição quando confrontadas com opiniões dadas.

.:i4';;- 131
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OBRAS JORNALÍSTICAS

Teorias da Comunicação

A escolha da população a ser entrevistada, na maioria das vezes, não


é neutra e, se a amostragem deve ser representativa, é representativa de quê? admitem efeitos da mídia sobre si, mas reconhecem que esses efeitos exis-
Representativa da população ou das forças sociais que nela se distribuem? tem sobre as outras pessoas. Essa percepção dos efeitos sobre os demais se
acentua quando se trata de uma alteração de representação ou de compor-
Para Hall, a opinião pública e a manipulação parecem caminhar jun-
tamento percebida pelo entrevistado como negativa.
tas. Como se dá esse processo de manipulação? Como a opinião pública
se reproduz como opinião dominante? A hipótese da espiral do silêncio se
apresenta como uma tentativa de explicação desse processo. Hipótese do Knowledge Gap ou Intervalo de Conhecimento

A limitação temática dos meios de comunicação é um fator decisi-


A Percepção da Opinião Dominante - Hipótese do Olhar de Vidro vo na construção e imposição de uma opinião dominante. Todavia, outros
A hipótese da percepção do olhar de vidro desenvolvida por Fields fatores influenciam em uma possível manifestação pública de opinião. Um
deles é a competência específica para abordar o tema.
& Schuman e aperfeiçoada por Taylor passou a ser denominada depois por
efeito do falso consenso. A maior ou menor disposição para que um indivíduo se manifeste
Segundo essa hipótese, muitas pessoas acreditam que suas opiniões publicamente dependerá de seu maior ou menor conhecimento do tema.
são as mesmas da maioria. Ao assumirem que suas opiniões sobre um de- Esse conhecimento está vinculado a um grau de politização, o que envolve
terminado tema são razoáveis e ao pressupor que a maioria das pessoas elementos cognitivos, avaliativos e afetivos. O grau de politização depende
também tem opiniões razoáveis, acreditam que todos teriam sobre o tema também da capacidade de construção de um espaço mental sobre o tema e
uma opinião igual. da identificação dos elementos políticos envolvidos.
A competência para falar em público sobre política, em função di-
Hipótese da Projeção Dissonante reta do grau de politização, vai além da adequação eventual da opinião do
indivíduo com a opinião dominante.
A hipótese da projeção dissonante foi trabalhada por Glynn em 1986.
Diz que os indivíduos sucumbem às pressões sociais quando perguntados O medo do isolamento será maior quanto menor for a confiança do
sobre temas a respeito dos quais suas reais opiniões são socialmente con- indivíduo na sua argumentação, que, por sua vez, é dependente de um con-
denáveis. Quando questionados sobre esses temas, tenderão a dar respostas junto de elementos constitutivos do grau de politização.
politicamente corretas (dissonância). No entanto, quando sondados sobre Essa competência específica de cada um se traduz em um nível ma-
a opinião dominante, procurarão fornecer sua própria opinião (projeção). crossociológico, em intervalos de conhecimentos e de absorção da infor-
Isso lhes permite responder corretamente às perguntas, ou seja, adaptar mação entre grupos de indivíduos bem preparados e mal preparados. Esse
seu posicionamento social à opinião legítima sobre o tema, à expectativa intervalo é o ponto central do knowledge gap.
dos interlocutores e, ao mesmo tempo, ressaltar que sua real opinião, não
Para o senso comum, a mídia socializa o conhecimento, no entanto,
manifesta como tal, é a dominante. ;;~'.
'r 11. ",
pesquisas apontam que os grupos de maior capital cultural, que ocupam os
níveis mais altos da escala socioeconômica, apresentam uma absorção da
Hipótese do Efeito da Terceira Pessoa informação sempre superior aos grupos de nível de instrução menor.

A hipótese do efeito da terceira pessoa foi detectada por Davison e A distância entre esses grupos, em vez de diminuir, aumenta. Nesse
tem ampla comprovação empírica. Verifica-se que as pessoas dificilmente caso, os meios de comunicação de massa servem de instrumento para re-
.. ,,~-~~ produção das desigualdades culturais.
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~t!
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133
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

A absorção da informação é função do grau de instrução e do nível OPINIÃO PÚBLICA


socioeconômico do receptor. O intervalo de conhecimento cresce à medida O primeiro filósofo a usar o termo "opinião pública" com pretensões
que a recepção se desenvolve, conseqüentemente, o aumento da informa- conceituais foi Rousseau. Para ele, o Estado se estrutura em tomo de três
ção contribui para o intervalo. tipos de leis: direito público, privado e civil. Além dessas três, há uma
O intervalo de conhecimento poderá aumentar ou não de acordo com quarta que se refere à moral, aos costumes e, sobretudo, à opinião pública.
A opinião pública representa uma relação entre o consenso social e as con-
o conteúdo da mensagem. O primeiro elemento temático que tem incidência
sobre o intervalo é a sua complexidade. Quanto mais complexo for o tema, vicções individuais.
maior a probabilidade de o intervalo se acentuar. Outro fator é o da funciona- Essa preocupação em classificar as leis também fez com que Locke
ô desse importância ao conceito de opinião pública. David Hume diz que o
lidade: quando a informação é indispensável para o receptor, ele procura to- .
j\' governo só se guia pela opinião. Madison argumenta que a razão humana
das as fontes possíveis para aumentar sua compreensão. Essa funcionalidade
é, como o próprio homem, tímida e precavida quando se encontra só, mas
está ligada ao interesse do receptor pelo tema em pauta. O interesse poderá ,d

adquire força e confiança na proporção do número de pessoas que a susten-


levar um receptor menos preparado a diminuir o intervalo. .~.
ta. Esses autores citados por Noelle-Neumann como fontes de inspiração
Enquanto o receptor bem preparado atinge um ponto de saturação, da "espiral do silêncio" colocam em relevo o papel desempenhado pela
quando tende a desinteressar-se pelo tema e iniciar a absorção de outra opinião do grupo social.
informação, o receptor mal preparado quebra uma tendência de distancia- Última fonte citada por Noelle Tocqueville estudou a revolução
mento em relação ao bem preparado a partir de um ponto de recuperação, francesa e procurou avaliar qual a real influência da opinião pública da
por meio da repetição da informação pelos meios de comunicação, das época sobre os grupos e instituições. Seu conceito de opinião pública ser-
comunicações interpessoais e da própria reflexão pessoal sobre o tema. viu de base doutrinária para a hipótese do silêncio.
Isso significa que, enquanto o indivíduo bem preparado atinge um grau de Tocqueville anteviu todos os elementos envolvidos na espiral: o
conhecimento elevado, o outro começa a conhecer assuntos já ultrapassa- medo de isolamento, a tendência ao silêncio e a necessidade de consonân-
dos, devido à limitação psicossocial. ~i~'1~ cia. O autor observou que a pressão da opinião pública se faz sentir com
Outro fator é a proximidade geográfica do elemento gerador da in- maior intensidade quando a sociedade se encontra desestruturada ou em
formação em relação ao receptor. Quanto maior for a distância, maior a situação de aparente igualdade.

!
probabilidade de se produzir um intervalo de conhecimento crescente. "I' A tendência ao silêncio apontada por Tocqueville o toma um precursor
~' .-

•..,~ ">..,
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da espiral distinto dos demais. Daí ser citado como uma fonte direta da
À dependência dos meios como única fonte de informação soma-se ~'

"\l'
,~f.: hipótese da espiral.
a pouca familiaridade com temas que não são locais. Por essa razão, são as
matérias de jornalismo internacional que apresentam maior know/ege gap, .~;
por requererem mais referenciais. A CRÍTICA DA COMUNICAÇÃO SEGUNDO LUCIEN SFEZ

Todos esses fatores influenciam os desníveis de conhecimento num (SFEZ, 2000)


determinado universo social e são decisivos para a c~nstrução de uma opi- Conceito de Comunicação
nião dominante. Dessa forma, a competência específica do receptor também Comunicação consiste em estabelecer uma relação, ato de expressar
influencia a "espiral do silêncio". As diferenças de capacidade de absorção
alguma coisa a alguém, a coisa que se comunica, o meio pelo qual se co-
informativa pelo receptor passam pela vida escolar e pelo aprendizado.
';:
135
134
f~

~
OBRAS JORNALÍSTICAS
j
Teorias da Comunicação

munica (veículo, caminho), fazer parte, compartilhar idéias ou interesses, As Metáforas


estabelecer ou ter alguma coisa em comum.
As metáforas têm um efeito pedagógico. Um exemplo são as metá-
Comunicação e Tecnologia foras que comparam a idéia de pensamento com um tipo de computador,
fundando uma analogia entre o cérebro humano e os computadores. De
A comunicação projetou em tomo de si máquinas destinadas a sus-
acordo com Sfez, "a metáfora toma-se chave fundamental para toda a apre-
tentá-la, aperfeiçoá-la e contê-la.
ensão de uma ciência nascente".
Graças à comunicação, é possível estabelecer um melhor contato
com as nações, os grupos e os indivíduos. 1) Metáfora da Máquina - Faz-se uma analogia ao termo "má-

A questão de uma crítica da comunicação desloca-se para uma ques- quina" como um elemento exterior ao homem que a utiliza para
tão próxima: a crítica das tecnologias da comunicação. Nunca se falou tan- dominar a natureza. Diante da tecnologia, o homem recorre ao
to de comunicação quanto numa sociedade que não sabe mais se comunicar discurso da razão; o homem faz uso da técnica, mas não se sub-
consigo mesma. mete a ela.

Todas as tecnologias de vanguarda, das biotecnologias à inteligência 2) Metáfora do Organismo - Refere-se à visão fenomenológica
artificial, do audiovisual ao marketing e à publicidade, enraízam-se num em que sujeitos e objetos estão ligados.
princípio único: a comunicação. Comunicação entre o homem e a natureza
i 3) Metáfora de Frankenstein: o Tautismo - Nesse caso, o sujeito
(biotecnologia), entre os homens e a sociedade (audiovisual e publicidade),
só existe por meio do objeto técnico que atribui seus limites e
entre o homem e o seu duplo (a inteligência artificial); comunicação que
determina suas qualidades.
enaltece o convívio, a proximidade ou mesmo a relação de amizade (frien-
dship) por meio do computador.
O Conceito de Tautismo
Segundo Sfez:
1) A crítica da comunicação toma-se uma crítica da tecnocomuni- A comunicação morre por excesso de comunicação. É a isso que o
cação. autor dá o nome de tautismo: neologismo que une autismo e tautologia.
2) A técnica, essa atividade que invade até os menores arranjos do '!l'; A repetição imperturbável do mesmo (tautologia), no silêncio de um
~.
cotidiano, está ligada à visão global, simbólica, das relações ho- sujeito-morto, ou surdo-mudo, encerrado em sua fortaleza interior (autismo).
mem/mundo. ~',
,(
O nome tautismo condensa totalidade, autismo e tautologia.
3) Tecnologia e comunicação foram reunidas indissociavelmente.
Autismo: doença de autofechamento em que o indivíduo não sente a
4) A comunicação é o recurso de uma coletividade pobre de símbo- necessidade de comunicar seu pensamento a outrem.
los históricos.
O tautismo utiliza a tautologia como única verificação: "se repito, pro-
Os conteúdos atribuídos ao termo geral comunicação irão variar em
vo". O tautologismo está ao lado da surdez do autismo. Patologias das teorias
função das técnicas. A cada novo avanço tecnológico, a comunicação se
da comunicação que chegaram ao ponto extremo em que não restaria nada a
reafirma como devendo ser aquilo que as recentes invenções fazem dela.
dizer, a comunicar ao outro, permanecendo apenas a mera repetição artificial.

136
137
li .~~
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Esquece-se o que significa comunicar e passa-se a desconhecer se a Lazarsfeld


comunicação teve outro conteúdo que não a propriedade quase indefinida Da primeira geração de teóricos, procurava os efeitos dos mass me-
de provocar a cQnstrução de máquinas. dia sobre a audiência, mas sem encontrá-los.

Teoria da Informação Teorias que Levaram em Conta o Papel dos Intermediários


A partir da inteligência artificial ou da biologia behaviorista, o ponto
O emissor perde parte do seu poder e os intermediários/filtros são inse-
de partida para o estudo da comunicação é sempre seu esquema cartesiano
ridos no esquema. A ação desses filtros é estudada de maneiras diferentes por
representativo. Nesse esquema fragmentado e mecânico, o emissor é "todo
Westley e MacLean, Katz e Lazarsfeld e pelos teóricos da agenda-setting.
poderoso". O receptor é passivo e amplamente influenciado pela propaganda.
A massa é flexível e maleável. Esse esquema linear é proveniente
Modelo Westley e MacLean
também da teoria da informação de Shannon e Weaver. Mas Sfez explica
que Shannon e Weaver pensaram nesse esquema principalmente em termos Existe um feedbaek completo. É atribuída importância ao interme-
de sinais eletrônicos e não em comunicação humana. diário, que questiona tanto emissor quanto receptor e tenta determinar os
símbolos compartilhados pelos dois. Porém, Westley e MacLean não vão
Modelo Estímulo-Resposta adiante quando atribuem um poder de transformação ao emissor sem reco-

Ao modelo de estímulo e resposta são acrescentados filtros: a socie- nhecer o mesmo poder no destinatário. Há uma simples interiorização sem

dade, o mundo, a cultura e os modos de produção. criação. Só o emissor é criativo.

A cibernética, com a noção de feedbaek, complica o processo, uma


Two Step Flow
vez que aquele que recebe se toma um emissor. É sempre esse emissor que
Uma etapa no antigo sistema funcionalista, informativo e representa-
importa.
tivo da sociologia americana. Nesse modelo, os atores ainda continuam
separados.
Modelo de Lasswel
Lazarsfeld associa-se a Katz e apresenta o modelo: os meios de co-
Quem diz o quê? A quem? Por meio de que canal? Com qual efeito? municação não influenciam o público diretamente (one step flow), mas por
Questões pertinentes no sentido emissor/receptor e vice-versa. meio de grupos ou de líderes que retomam ou não a mensagem da mídia. São
formadores de opinião que se parecem muito com aqueles que influenciam.
Existe um fluxo de influência da mídia sobre os líderes e destes sobre
Modelo de Schramm
a opinião. Na atual evolução de Katz, de tanto insistir nos símbolos compar-
Semelhante ao de Lasswel: trata-se sempre do emissor apresentado tilhados pelos líderes e por aqueles que os escutam, acaba-se por desenvolver
ou não, por um momento, na situação de receptor. análises cada vez mais sutis de sociopsicologia do destinatário.

139
138
OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

Modelo de Ianis e Hovland ..cas; de outro, um uso dos sujeitos dos sistemas de signo em conformidade
com os contextos de um dado momento.
Contemplam o fenômeno de persuasão e, por isso, interessam-se
pela psicologia do receptor e por sua parcela de autonomia relativa. Perma- Os fatores psicológicos da comunicação não se reduzem à análise
nece o fato de essa autonomia ser sempre linearmente dependente (efeitos) das personalidades, mas se inscrevem numa psicologia lingüística fundada
dos estímulos originários. na intenção de comunicar denominada de "contrato de comunicação".
Nesses modelos, o emissor perde uma parcela do seu poder, mas o
representante e o representado continuam localizados em lugares diferen- Modelo de Barnlund
tes. Os atores continuam separados.
Orientado para o destinatário, o todo de uma mensagem está nas
A Agenda-Setting de McCombs palavras não-ditas que ela evoca e na atmosfera nas quais são ditas e es-
cutadas. Comunicação é transação: o sentido é mais inventado do que re-
Os pesquisadores McCombs e Shaw, em 1972, introduziram o mo- cebido; cada um tem sua capacidade interna de interpretação e controle. O
delo da agenda-setting. destinatário toma-se soberano.
De acordo com essa teoria, os editores e os programadores desem-
penham papel importante na formação da realidade social pela seleção e (.
Modelo Thayer
;
classificação de informações. Eles são, em suma, os autores de uma verda-
deira agenda pública que ordena e organiza o mundo. Esse modelo diz que o receptor é essencial à comunicação. De acor-
McCombs constrói uma ponte entre duas teorias: a teoria de efeito do com essa teoria, é possível que haja informação sem intenção de um
direto da mídia, que não deu grandes resultados, como constataram Katz sujeito emissor. Para Thayer, o receptor é o "criador de toda mensagem".
e Lazarsfeld, e a teoria psicológica e cognitiva dos usos e gratificações,
bastante utilitarista e funcional. Essa supõe uma necessidade de orientação Aculturação segundo Gerbner
caracterizada por um interesse em um objeto e a incerteza sobre ele. Inte-
Para Gerbner, o destinatário não é neutro, tem seu papel na comuni-
resse e incerteza que criam uma falta que o consumidor preenche por meio cação mediática, mas sob condição expressa de exercer sua crítica sobre o
de informação. A teoria de McCombs situa-se entre as duas. Há efeitos da sistema de mensagens.
mídia, mas não são diretos. A idéia básica é: a mídia não tem efeito sobre o Há uma possibilidade de interpretação crítica por parte do destina-
que pensar (conteúdo), mas, em compensação, diz como é preciso pensar a tário, mas apenas se ele toma consciência, não de uma mensagem isolada,
esse respeito. Segundo essa teoria, os efeitos são a longo prazo. mas do conjunto das construções fictícias oferecidas pelos programas te-
levisados.

Modelo de Ghiglione: o "Contrato de Comunicação"


Teoria da Informação (UNESCO, 1983)
Modelo psicolingüístico fundado em duas escolhas: de um lado sig-
nos, sujeitos e uma sociedade que apresenta um conjunto de regras sistêmi- Embora o modelo da teoria da informação tenha sido formulado
pela primeira vez em 1947, Claude Shannon e Warren Weaver deram-lhe

140
,~ ,~. 141
OBRAS JORNALÍSTICAS ,i] Teorias da Comunicação
.~

formulação definitiva em 1949. O modelo tem três elementos: uma fonte Teoria da Dependência (Modelo da Dependência) (DEFLEUR, 1993)
i!i:
de informação, que conta com um número mais ou menos importante de
~! A teoria da dependência explica por que a mídia pode ter tanto efei-
mensagens a comunicar; um transmissor, ou emissor, que pode transformar ,
-4; tos poderosos e diretos quanto indiretos e debilitados.
as mensagens em sinal para recuperar a mensagem iniciada; e um ponto de
Essa teoria retoma a preocupação funcionalista estrutural com a es-
destino, que pode ser uma pessoa ou suporte físico, ao qual, a princípio, a
mensagem será destinada. tabilidade societária, a ênfase na mudança do paradigma do conflito e na
~;,i

:l adaptação social do paradigma evolutivo, a concentração na construção do


1!~
significado (na perspectiva simbólica interacionista) e a explicação de fa-
Modelos de Inspiração Psicossociológica
tores individuais (motivação, valores, atitude e comportamento) extraídas
O estudioso Harold Lasswel1 foi quem definiu pela primeira vez que do padrão cognitivo.
uma ação de comunicação deveria responder às seguintes perguntas: Quem Trata-se de uma teoria "ecológica", pois visualiza os relacionamen-
fala alguma coisa? O que é que fala? Por quais meios? Com que efeito? tos entre sistemas de pequeno, médio e grande porte. Nesse caso, a teoria
A descrição dos emissores, a análise do conteúdo das mensagens, o percebe a sociedade como estrutura orgânica, examina como as partes mi-
estudo dos canais de transmissão, a determinação do público e a avaliação cro e macro se relacionam. Posteriormente, procura explicar o comporta-
dos efeitos são cinco pólos em tomo dos quais, segundo Lasswel1, são es- mento dos envolvidos (indivíduos, grupos, organizações e outros sistemas
truturados os estudos da comunicação. sociais que interagem com a mídia). Esses relacionamentos podem ser do-
minados por conflitos ou cooperações, dinâmicos e mutáveis ou estáticos e
Aproveitando as conclusões de diferentes pesquisas de campo rea-
ordeiros; ser diretos e poderosos ou fracos. Isso ocorria devido ao interesse
lizadas durante as campanhas eleitorais, Elilm Katz e Paul Lazarsfeld for-
comercial das agências que pretendiam oferecer uma visão aparentemente
mularam, em 1955, uma teoria chamada "teoria das duas fases da comuni-
desinteressada do mundo para, então, não decepcionar leitores e anuncian-
cação". Segundo eles, as mensagens dos meios chegam primeiro a algumas
tes com posições subjetivas em relação aos assuntos veiculados.
pessoas mais envolvidas e influentes que as outras. Em seguida, os reorien-
O relacionamento de dependência ocorre com o sistema de comuni-
tadores de opinião retransmitem, amplificando a informação recebida de
cação de massa como um todo ou em uma de suas partes (TV, rádio,jomal
acordo com relações diretas e no meio de grupos restritos. ou revista). Essa relação apóia-se em metas, por um lado, e recursos, por
outro, tais como:
Modelo de Inspiração Culturalista ou Antropológica 1) O primeiro recurso é coleta ou criação de informação - atende à
meta de representar ou divertir.
Na obra sobre os meios de comunicação, publicada em 1964,
2) O segundo é o de processamento da informação - refere-se à
MacLuhan inverte a perspectiva habitual ao afirmai- que a mensagem é o
. transformação de informações brutas em matérias.
próprio meio. A seu ver, o importante não é a emissão da mensagem, mas
3) O terceiro é a disseminação ou difusão - ocorre ao distribuir a
sim o modo como é transmitida. O modo de transmissão de uma cultura
exerce influência sobre ela e a transforma. informação a uma audiência de massa.

142 143
OBRAS JORNALÍSTICAS

Na relação de dependência estrutural entre os meios de comunica-


ção de massa e outros sistemas, o grau de relatividade de poder do sistema
econômico, religioso, familiar, educacional, militar recreativo ou por im-
I 'o
Teorias da Comunicação

A dependência em relação às informações fornecidas pela mídia está


inserida em redes interpessoais de amigos, família e colegas de trabalho.
Existem os "líderes de opinião", que mantêm sólida dependência com os
posição legal, é um produto da distribuição de recursos e dependências de
meios de comunicação para obter conhecimentos que não fazem parte de
cada sistema.
sua experiência direta ..
Os indivíduos buscam atingir três metas para orientar suas ações e
interações com outros: Quando o ambiente social é ambíguo (cheio de incertezas), ameaça-
dor e/ou de rápida mudança, a dependência do indivíduo e do grupo diante
1) Compreensão (em relação a si mesmo ou à sociedade);
da mídia toma-se intensa.
2) Orientação (de ação ou interação);
3) Divertimento (solitário ou social).
EFEITO DO CONHECIMENTO E DO SIGNIFICADO

A Teoria da Dependência e a Sociedade O efeito do conhecimento e do significado refere-se à relação de


dependência relacionada aos efeitos dos meios de comunicação sobre as
A teoria da dependência da mídia concebe o poder dos meios de co-
crenças e os comportamentos dos indivíduos (que assimilam a mídia como
municação de massa como controladores de certos recursos de informação
meio importante de compreensão). Dessa forma, os veículos de comunica-
de que os indivíduos necessitam para alcançar seus objetivos pessoais.
ção influem em como se pensa, sente e age.
A complexidade da sociedade determina a amplitude de metas pes-
soais que exigem acesso aos meios de comunicação de massa para os indiví-
duos se informarem. Quanto mais complexa a sociedade, mais ampla a Efeitos Diretos e Indiretos dos Conhecimentos
faixa de metas.
Os efeitos diretos e indiretos dos conhecimentos ressaltam que os
Conforme Ball-Rokeach e Grube, a televisão está relacionada com
indivíduos e grupos não decidem, simplesmente, depender da mídia para
todos os tipos de dependências já mencionadas. Os pesquisadores verifica-
adquirir conhecimento de si mesmos e de seus membros.
ram que a compreensão social é o tipo mais comum de dependência na TV
e que a compreensão de si próprio também é muito importante. As relações interpessoais são grupos estáveis capazes de serem indi-
vidualizados em função de suas relações de dependência com a mídia. Três
À medida que o indivíduo deseja receber informações importantes,
formas de influência podem ocorrer nesses grupos:
maior será a sua dependência (até que seja decepcionado, obtendo informa-
ções que não lhe agradem). 1) Influência indireta - ocorre por causa da exposição cumulativa
Ball-Rokeach e seus companheiros de pesquisa comprovaram que a aos meios de comunicação de massa por longo período de tempo
elevada dependência da mídia aumentava a possibilidade dos efeitos cog- (socialização política).
nitivos, da mesma forma que do comportamento a longo prazo. 2) Influência indireta por meio do processo de dois tempos _ pri-
'.
A construção do significado é uma preocupação primordial do intera- meiramente, os líderes de opinião são influenciados pelas men-
cionismo simbólico, assim como da teoria da dependência do sistema mi- sagens midiáticas e, depois, transferem suas interpretações a ou-
diático. tras pessoas.
:~i
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144
145
Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Qualquer mudança ocorrida em nível superior afetará as relações de


3) Inftuência indireta da mídia sobre os integrantes do grupo - ocor-
dependência nos níveis inferiores. Dá-se, então, o "efeito marola": inicia no
re possivelmente com mais freqüência quando nem os líderes de
alto do funil pela imposição do sistema da mídia na sociedade e desce em es-
opinião, nem os integrantes de grupos possuem conhecimentos
piral por meio de suas relações de dependência com outros sistemas (políticos,
políticos, seja na experiência direta ou interpretação concreta do
sociais, econômicos etc.), com organizações (empresas, associações etc.), com
problema abordado. redes interpessoais (família, amigos etc.) e, enfim, com indivíduos.

DEPENDÊNCIA VERSUS INTERDEPENDÊNCIA Teorias de Influência Seletiva

A relação de dependência baseia-se tanto na teoria do conflito quan- As teorias de influência seletiva mostram que há intervenientes so-
to na análise estrutural. A última corresponde à interdependência de suas ciais entre o estímulo e a resposta na audiência.
partes. Leva-se em consideração que comunicação de massa é essencial à 1) Estímulo - diferenças individuais - resposta.
organização social.
2) Estímulo - categorias sociais com subculturas - resposta.
A mídia e demais sistemas necessitam um do outro para sobrevi-
3) Estímulo - relações sociais - resposta.
ver e prosperar. Por carecerem de recursos, reciprocamente, mostra-se que
O princípio da atenção seletiva - as diferenças individuais resul-
a relação de dependência da mídia é, ao mesmo tempo, uma relação de
tam em vários padrões de atenção à mensagem transmitida pela mídia.
interdependência.
O princípio da percepção seletiva - as interpretações das mensa-
Essas relações de interdependência produzem tanto cooperação
gens veiculadas se divergem de acordo com atitudes, conhecimento, cren-
quanto conflito. Mas é a necessidade de cooperação que garante a sobrevi-
ças e interesses anteriores.
vência e bem-estar dos dois lados. Gera-se, então, uma troca de interesses
que assegura a estabilidade da sociedade de maneira geral. No caso de uma O princípio da recordação seletiva - diz respeito à atenção e per-
das partes destruir a ordem social, causaria sua própria destruição. cepção. Um sujeito pode guardar o conteúdo por muito tempo, mas outro
pode esquecê-lo rapidamente. Isso varia mediante as diferenças sociais e a
O conflito é aceito como uma circunstância normal, também como uma
força importante na criação de mudança social, principalmente em se tratando estrutura cognitiva.
da relação de dependência com os meios de comunicação de massa. O princípio da ação seletiva - cada um age de uma forma diferente
do outro quando expostos à determinada mensagem. Além disso, antes da
A relação de interdependência da mídia produz:
ação acontecer, o destinatário precisa assistir à programação veiculada pela
1) Cooperação motivada pelo interesse mútuo;
mídia e identificar seu significado, e também lembrar de seu conteúdo.
2) Conflito motivado pelo interesse próprio;
3) Mudança para maior simetria ou assimetria da dependência. Teoria das Expectativas Sociais
A adaptação e o conflito são considerados fontes de mudança na
A teoria das expectativas sociais baseia-se na idéia de que os meios
natureza das relações de dependência da mídia, visto que essa, sempre al-
de comunicação de massa emitem informações referentes às regras do
mejando o poder, procura oportunidades para maximizar seu controle dos
comportamento social de que o indivíduo recorda.
recursos e minimizar sua dependência.

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OBRAS JORNALÍSTICAS
Teorias da Comunicação

Essa teoria descreve a mídia como um agente (involuntário e não-


sistema social. Isso, porém, não deve ser atribuído a nenhuma lei evolutiva
planejado) de instrução. Espera-se que os indivíduos se comportem em da técnica enquanto tal, mas à sua função na economia atual.
conformidade aos programas retratados pela mídia (sendo ou não autênti-
Sob o poder do 'monopólio, toda cultura de massa é idêntica. O cine-
cos/confiáveis ).
ma e o rádio passam a ser um negócio cuja ideologia é o próprio negócio.

Teoria da Cultivação
Reprodução
A pesquisa de George Gerbner e seus colegas sobre a teoria da culti-
O estilo da indústria cultural é, ao mesmo tempo, a negação do esti-
vação girou em tomo da preocupação nacional com os efeitos da violência
lo, a reconciliação do universal e do particular.
dos anos de 60 e 70. Segundo eles, o conteúdo televisivo "desenvolve"
as crenças das pessoas. Há, por exemplo, as pessoas que assistem à TV O fato de milhões de pessoas participarem dessa indústria imporia
constantemente e, por conseqüência, têm medos exagerados a respeito da métodos de reprodução que, por sua vez, tomam inevitável a disseminação
violência que esperam encontrar na comunidade. de bens padronizados para a satisfação das necessidades.
O contraste técnico entre poucos centros de produção e uma recep-
CARACTERÍSTICAS DA INDÚSTRIA CULTURAL (ADOR- ção dispersa condicionaria a organização e o planejamento pela direção. Os
NO, 1985) padrões teriam resultado originariamente das necessidades dos consumido-
res razão pela qual são aceitos sem resistência.
A Padronização
; O terreno em que a técnica conquista seu poder sobre a sociedade
A indústria cultural apresenta a imitação como algo absoluto. De é o poder que os economicamente mais fortes exercem. A racionalidade
acordo com Adorno e Horkheimer, "o que é novo na fase da cultura de técnica é a racionalidade da própria dominação.
massas é a exclusão do novo". "O que é novo" significa que os elementos
A indústria cultural desenvolveu-se com o predomínio do efeito.
irreconciliáveis da cultura, da arte e da distração se reduzem mediante sua
dependência à totalidade da indústria cultural.
A Produção Artística Massificada
A indústria cultural consiste na repetição e os próprios meios técni-
cos parecem, cada vez mais, se uniformizar. O sistema de indústria cultural provém de países industriais liberais,
A cultura contemporânea dá a tudo um ar de semelhança. O cinema, o rá- pois neles triunfam todos os seus meios característicos, sobretudo o cine-
ma, o rádio e as revistas.
dio e as revistas constituem um sistema em que cada setor é coerente em si mes-
mo e todos o são em conjunto. Segundo esses autores, "tudo que vem a público No próprio mercado, o tributo a uma qualidade sem utilidade e ain-
está tão profundamente marcado que nada pode surgir sem exibir de antemão os da sem curso converteu-se em poder de compra.
traços do jargão e sem se credenciar à aprovação do primeiro olhar". Não somente os tipos de canções de sucesso, os astros, as novelas
ressurgem ciclicamente como invariantes fixos, mas o conteúdo específico
A Cultura de Massa como Mercadoria do espetáculo é, ele próprio, derivado deles e só varia na aparência. A breve
seqüência de intervalos, fáceis de memorizar, clichês prontos para serem
A técnica da indústria cultural levou à padronização e à produção empregados arbitrariamente e completamente definidos pela finalidade que
em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do lhes cabe no esquema.

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Teorias da Comunicação
OBRAS JORNALÍSTICAS

Em seu lazer, as pessoas devem se orientar por essa unidade que


Como a Produção Massificada Age sobre o Consumidor
caracteriza a produção. De acordo com Adorno e Horkheimer, "é a tomada
Os consumidores são os trabalhadores e os empregados, os lavradores 3?" ao sujeito pela indústria".
e os pequenos burgueses. A produção capitalista os mantém tão presos em Ao se assemelharem ao próprio trabalho, os produtos da indústria
corpo e alma que eles sucumbem sem resistência ao que lhes é oferecido.
cultural buscam a certeza de que até mesmo os mais distraídos vão consu-
Quanto maior a perfeição com que suas técnicas duplicam os obje-
mi-los.
tos empíricos, mais fácil se torna obter a ilusão de que o mundo exterior é
o prolongamento sem ruptura do mundo que aparece no filme.
o Esvaziamento do Ócio

A Perda do Intelecto As relações de trabalho levam a tanta exaustão que, no tempo livre,
o homem não busca senão reabilitar-se para enfrentá-las de novo. Qualquer
O filme não permite mais à fantasia e ao pensamento dos especta-
dores nenhuma dimensão na qual estes possam, sem perder o fio, passear e esforço é rejeitado, inclusive o intelectual. "Para ser um prazer não pode
divagar no quadro apresentado pela obra. exigir esforço".
É assim que o filme adestra, ao proibir a atividade intelectual do Ao processo de trabalho só se pode fugir adaptando-se a ele durante
espectador, caso ele não queira perder os fatos que desfilam rapidamente o ócio. O prazer acaba por se congelar, porquanto, para ser um prazer, não
diante de seu olhar. deve mais exigir esforço e, por isso, tem de se mover nos trilhos gastos das
associações habituais, "Toda ligação lógica que pressuponha um esforço
o Público intelectual é escrupulosamente evitada". O pensamento é, ele próprio, des-
pedaçado. "Divertir significa sempre: não ter de pensar nisso, esquecer o
A atitude do público, que pretensamente e de fato favorece o sistema
sofrimento até mesmo onde ele é mostrado".
da indústria cultural, é uma parte do sistema, não a sua desculpa. tt
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Reduzidos a um simples material estatístico, os consumidores são


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distribuídos nos mapas dos institutos de pesquisa (que não se diferenciam
mais dos de propaganda) em grupos de rendimentos marcados por zonas
vermelhas, verdes e azuis.

o Lazer Viciado pelo Trabalho

A diversão é a extensão do trabalho no capitalismo tardio. Ela é pro-


curada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado para se
pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecani-
zação atingiu tal poderio sobre a pessoa, em seu lazer e em sua felicidade,
que, ao determinar a fabricação de mercadorias destinadas à diversão, ela
reproduz o próprio processo de trabalho.
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Capítulo IH
OBJETIVIDADE JORNALÍSTICA

o SURGIMENTO DA OBJETIVIDADE JORNALÍSTICA


(BARROS FILHO, 1995)
o conceito de objetividade apareceu nos Estados Unidos da Améri-
ca no último quarto do século XIX, um período caracterizado pelo Positi-
vismo de Augusto Comte.
O Positivismo propunha que, se as ciências sociais pudessem co-
laborar com estudos para resolver a crise do mundo moderno, teriam de
oferecer soluções baseadas em resultados tão incontestáveis quanto os das
ciências exatas. Essa nova metodologia positivista associava a liberdade
criativa do homem a algo sem fundamento e irracional.
Nesse contexto, surgiu com o Positivismo a distinção entre o fato e o
juízo de valor, entre o acontecimento e a opinião. Essa distinção foi um ponto
divisor significativo na história do jornalismo. Derivou daí a diferenciação
que hoje é feita entre jornalismo opinativo e jornalismo informativo.
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Consolidada na última década do século XIX, a objetividade é tam-
bém conseqüência de interesses econômicos ligados à eficácia, à rentabili-
dade, ao menor esforço e ao menor risco. Seu aparecimento ocorreu como
uma forma de legitimação de um novo tipo de produto dentro de um campo
jornalístico em formação. Travava-se uma luta simbólica pela imposição
de um produto mediático mais "legítimo" que se diferenciasse da chamada
'it,
imprensa marrom, caracterizada pelo sensacionalismo.
Objetividade Jornalística
OBRAS JORNALÍSTICAS

Diante do conceito de objetividade, aos informadores cabia transmi- Advento da publicidade e das relações públicas - as duas ativida-
tir objetivamente os fatos de forma linear, sem interpretações, adjetivações des formadoras de imagem surgiram contestando a objetividade, sugerindo
e valorações. Não podiam realizar juízos de valor e opinar. Esse âmbito a interpretação e recriando o conceito de notícia que passou a ser mais
ficava restrito aos editorialistas. O humor e qualquer traço de subjetividade representação e menos narração dos fatos. A subjetivação foi admitida com
nos artigos, se percebidos, eram refutados e suprimidos. reserva pelos jornais. Mas, no início da década de 20, já apareciam maté-
rias assinadas em jornais americanos e não demorou para que surgissem
Quatro Acontecimentos Significativos no Contexto da Objetivi- textos de conteúdos mais interpretativos.
dade Jornalística (AMARAL, 1996)
AS DIVERSAS FASES DO JORNALISMO OBJETIVO (BARROS
Advento das agências de notícias - as agências foram criadas para
FILHO, 1995)
vender notícias a governos, banqueiros, diplomatas e negociantes. Logo
depois, passaram a atender a um público novo e diversificado representado Surgimento do Lide e da Pirâmide Invertida como Contribuição
pelos jornais. Como os clientes antigos e novos representavam diversos à Consolidação da Objetividade Jornalística
segmentos da população, as agências foram obrigadas a manter certo grau As técnicas jornalísticas do lide e da pirâmide invertida surgiram
de imparcialidade. Elas passaram a vender notícias uniformes, neutras e como opções que permitiam ao leitor tomar conhecimento dos fatos com
imparciais a jornais politicamente diversos. Esse contexto contribuiu para menor custo. As técnicas facilitavam a redação das manchetes e agilizavam
o surgimento do conceito de objetividade que alguns autores atribuem à o ajuste do texto. Para garantir a imparcialidade informativa, recomenda-
agência americana Associated Press. A busca do ideal de isenção passou a
va-se a redação impessoal, a atribuição das informações às fontes, a ausên-
ser perseguido não só na Europa e nos Estados Unidos, mercados originais
cia de adjetivos, a comprovação das afirmações feitas, a apresentação das
das agências, mas em várias partes do mundo.
partes ou das possibilidades em conflito (doutrina do equilíbrio) e o uso
Desenvolvimento industrial - o surgimento de equipamentos mo- das aspas.
dernos, a venda avulsa de jornais e o aparecimento de um novo conceito de
Essas novas regras que obedeciam rigidamente às normas do Po-
notíci,a mais voltada para o dia-a-dia da comunidade passaram a determinar
sitivismo, representavam uma ruptura simbólica com o passado de uma
que as matérias fossem fiéis ao cotidiano. O público passou a reagir aos
imprensa sensacionalista. A própria delimitação de jornalismo marrom le-
abusos praticados pela imprensa sensacionalista e os proprietários passa-
gitimava a representação daquilo que seria o jornal ideal.
ram a rever os critérios de noticiabilidade, utilizando normas de menos
O aumento da concorrência passou a exigir maior rapidez e eficiência
partidarismo, preconceito e distorções no repasse de notícias.
na produção e distribuição de produtos jornalísticos que precisavam aten-
Guerras Mundiais - nos EUA, a partir de 1933, a agitação da ati-
der a interesses comerciais de produção.
vidade intelectual resultou numa promoção do setor acadêmico com o sur-
gimento de diversos estudos na área de comunicação. A Primeira Guerra Às agências de notícias, como a americana Associated Press, inte-
Mundial, ao maximizar a propaganda, fez com que os jornalistas passas- ressava distribuir somente os fatos, deixando a interpretação para os jornais
sem a suspeitar dos fatos. A propaganda de guerra mostrou aOsjornalistas clientes, de ângulos diferenciados. A Agência Havas chegava a distribuir
as diversas formas como um mesmo fato pode ser relatado. três versões do mesmo informe para satisfazer a todos.
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OBRAS JORNALÍSTICAS Objetividade Jornalística

Isso ocorria devido ao interesse comercial das agências que preten- ,. O jornalista deveria fazer mais que retratar o fato, o que poderia dei-
diam oferecer uma visão aparentemente desinteressada do mundo para, xar de fora elementos centrais que tomam a realidade compreensível. Nessa
então, não decepcionar leitores e anunciantes com posições subjetivas em perspectiva, os defensores do jornalismo interpretativo diziam que oferecer
relação aos assuntos veiculados. ao leitor uma série de dados isolados era tirar o receptor da ignorância dos
As novas técnicas eram também convenientes aos repórteres, a quem fatos para deixá-lo confuso em relação aos inúmeros acontecimentos.
interessava o maior distanciamento possível do conteúdo das reportagens,
eximindo-se, assim, de responsabilidades éticas e até jurídicas daquilo que A Contribuição da Televisão para Consolidação do Jornalismo
Clovis Barros chama de "um uso justificacionista da objetividade": as es- Objetivo
colhas do jornalista, ao elaborar a matéria e a própria hierarquização da no-
tícia, representavam um risco para aqueles que participavam da produção O surgimento da televisão e da informação por ela veiculada deu
jornalística. O uso de técnicas precisas de descrição do real retirava parte novo vigor ao uso da objetividade. Os jornais televisivos, até pelas próprias
da responsabilidade do jornalista como elaborador da mensagem. O repór- características do meio, exigiram um retorno à rapidez e à síntese.
ter se eximia na medida em que, usando as técnicas, não era ele que falava A objetividade tomou-se uma exigência na produção jornalística e
ou escrevia, e sim a realidade por ele espelhada. passou a ser imposta em manuais de jornalismo, em estudos de deontologia
e em códigos de ética. A ênfase deontológica da objetividade é múltipla: o
A Metáfora do Espelho respeito à verdade, a expectativa do receptor e o dever de imparcialidade.
Para obtenção da realidade, não se pode admitir qualquer uso de elemen-
A metáfora do espelho pressupõe a coincidência perfeita entre a reali- tos subjetivos na captação e na comunicação dos fatos. A apresentação da
dade de primeiro tipo e suas distintas representações de segundo tipo - Watzla- informação é inseparável de sua verdade, da maior exatidão possível e da
wick; representação perfeita - Aumont; âncora absoluta no real - Legen- realidade que transmite ou noticia. A aplicação de regras do jornalismo
dre; ausência do incomunicável, da falta como elemento do simbólico; faz
objetivo tomou-se norma, porque existia uma expectativa de objetividade
crer numa forma de dissociação entre o enunciado e a referência - Lamizet. e de imparcialidade por parte do consumidor da mídia.
A metáfora pressupõe a anulação do sujeito como decodificador da men-
O jornalista devia se tomar, assim, um humilde servo dos aconte-
sagem.
cimentos e um servidor do povo, imune a qualquer pressão de interesses
políticos e econômicos. Dada a limitação de tempo por parte do receptor,
Evolução do Jornalismo Objetivo
os programas informativos tinham de ser imparciais, informativos, objeti-
Até o final da década de 1920, os preceitos da objetividade pare- vos e precisos.
ciam inabaláveis. Com o surgimento das grandes revistas e do jornalismo No início dos anos 90, a doutrina da televisão discutia a reality tele-
interpretativo, passou-se a questionar a possível retratação fiel da realidade. vision, composta somente por documentários incorporados aos dramas que
Os fundadores da primeira revista de informação a se propor a fazer retratavam situações da vida real e alguns tipos de jornais noticiosos. Mos-
jornalismo interpretativo, a americana Time, propunham como meta não só trando a vida como ela é, buscava-se fazer crer nessa coincidência entre o
oferecer o fato, mas também o fato sobre o fato. produto mediático e o real.

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OBRAS JORNALÍSTICAS Objetividade Jornalística

A objetividade, durante todo o século XX, foi preconizada com Objetividade como um Tipo de Mensagem - Comunicação/In-
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Ir maior ou menor força, como uma conquista necessária oujá obtida. Códi- formação
1

gos de ética viram na objetividade uma garantia de proteção social.


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1
Alguns estudiosos propõem distinções entre informação e comu-
I :1 A ordenança francesa, de 2 de novembro de 1945, que regulamenta nicação. O termo informação é polissêmico e apresenta três significados
.1

o funcionamento das agências de notícias, diz, no artigo terceiro, que as distintos: os dados, as notícias jornalísticas (news) e o saber de uma forma
geral (knowledge). A comunicação seria o processo, e a informação, o con-
"agências de notícias não podem realizar nenhum tipo de publicidade em
teúdo transmitido. A comunicação advém da intersubjetividade (processo
favor de terceiro".
entre sujeitos) e a informação se estabeleceria em relação ao real.
o estatuto da France Press de 1957 dispõe, em seu artigo primeiro, A instituição da objetividade no espaço simbólico da comunicação
sobre elementos de uma informação completa e objetiva. Em seu artigo se traduz na quantificação da informação, ou seja, na ênfase em seu con-
segundo, proíbe que a agência leve em consideração tudo que possa com- teúdo. A informação é amparada no real e faz uma ponte entre o real e o
prometer a exatidão e a objetividade da informação. campo da comunicação.
A informação dá uma forma mental à realidade e a realidade é o
Diante dessas distintas fases, o jornalismo objetivo serviu como ins-
paradigma, o dado primordial para a informação. Autores que utilizaram
trumento de legitimação e de deslegitimação dos produtos e produtores.
o modelo matemático linear Shannoniano entendem a informação como
medida de eficácia da comunicação.
Objetividade Ideal-Tipo
A comunicação seria o ato de dar, carregado de subjetividade, en-
quanto a informação seria aquilo que se dá, o seu conteúdo. Essa diferen-
A objetividade é um ideal-tipo, ou seja, um conjunto de caracte-
ciação entre comunicação e informação isola a subjetividade inerente à
rísticas e abstrações que não existem em estado puro na realidade. Nesse
construção da mensagem e propõe que a informação, enquanto significante
sentido, a objetividade representa uma racionalização impossível. da mensagem, é desprovida de subjetividade. A informação é instituidora
De acordo com a pesquisa de Barros, para os autores que defendem do significado, do real codificado.
essa tese, a objetividade é um modelo abstrato que, embora não possa ser
atingido na sua plenitude, deve significar uma tendência, uma orientação, INFORMAÇÃO E VERDADE

uma direção a ser buscada permanentemente pela informação jornalística. Estudiosos defendem que a informação é inseparável da verdade,
A objetividade jornalística seria tendencial. A notícia é uma comu- da exatidão e da realidade que transmite ou notifica. Se a informação não
é verdadeira, não é informação. No caso hipotético de adoção da mentira
nicação controlada e dirigida e o jornal informará o melhor que possa, não
como regra do processo comunicativo, o real deixaria de ser a referência.
sendo objetivamente verdadeiro, mas subjetivamente verdadeiro. Tomando
Para esses pesquisadores que falam em verdade tendencial, não há
como base essa idéia, teóricos defendem a inviabilidade de um jornal pura-
verdade sem comunicação. A verdade é um juízo que se diz ou se escreve
mente objetivo que, segundo esses pesquisadores, seria um meio frio, sem
e se interpreta. A verdade é uma busca do discurso, um horizonte a ser
demonstrar interesse humano sobre o que é divulgado. ., alcançado.

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OBRAS JORNALÍSTICAS
Objetividade Jornalística

Fatualidade e Imparcialidade Checabilidade


A fatualidade diz respeito a aspectos cognitivo-informativos, enquan-
Cheekability: quanto maior for o número de unidades informativas
to a imparcialidade faz alusão prioritariamente a aspectos avaliativos.
verificáveis num texto, mais factual ele será e, portanto, mais objetivo.
Dennis McQuail propõe três características para a fatualidade ifac-
A informação deve conter a possibilidade de verificação da referên-
tuality):
cia ou da fonte dada pela checabilidade. Mesmo que essa verificação rara-
1) clara separação entre fatos e opiniões, interpretações ou comen- mente seja feita, o direito de fazê-la é uma garantia ao destinatário, porque
tários, indicando as referências, nomeando claramente as fontes assegura uma objetividade aparente e reforça a credibilidade do veículo.
e evitando abstrações e ambigüidades (on the reeord); A ênfase à lógica do processo comunicativo depende dessa credibi-
2) correspondência entre reportagem e realidade (aeeuracy), especial- lidade, ou seja, de que a informação tenha um efetivo amparo no real.
mente em referências sobre o fato ou quantidades (rigor e precisão A prerrogativa de checar a fonte choca-se, muitas vezes, com o segredo
ao relatar números, lugares, nomes, atribuições, horários etc.);
.< profissional. Em alguns casos, o jornalista não revela sua fonte para protegê-la;
3) o número mínimo de informações relevantes para que a mensa- em outros, para garantir a fidelidade. O fontism02 pode proporcionar um "casa-
mento" de conveniência em que o repórter precisa da fonte e vice-versa.
gem seja compreensível (eompleteness).
Surgem dessa análise três medidas de objetividade informativa: o
valor da informação (information value), a legibilidade (readability) e a A OBJETIVIDADE IDEAL TÍPICA COMO INTENÇÃO OU
PROCEDIMENTO
checabilidade (eheekability).
Elementos como verdade, equilíbrio, checabilidade, clareza, legibi-
Valor da Informação lidade, igualdade para todas as partes e isenção são os mais citados como
componentes do ideal tipo de objetividade ou como medidores do grau de
O valor da informação segue dois parâmetros: objetividade. Porém, para muitos autores, a objetividade é um estado de
1) densidade (número de pontos informativos relevantes em rela- espírito, uma intenção e um procedimento daquele que enuncia.
ção ao total do universo informativo dado); "A objetividade não existe, mas a vontade de ser objetivo pode ou não
2) profundidade (elementos mencionados que ajudam a explicar os existir" (Alfred Grosser). Essa frase é a que melhor resume a visão subjetiva
pontos básicos). da objetividade. Transfere-se a ênfase da objetividade para o sujeito.
Se essa busca pela objetividade tendencial não for preconizada, admi-
Legibilidade te-se, implicitamente, a subjetividade radical ou o vale-tudo informativo.
Angel Benito diz que a objetividade é um problema de honestidade
Textos informativos com baixa incidência de fatos tendem' à redun- do informador. Segundo ele, é honesto quem põe todos os meios para in-
dância. A legibilidade é a contrapartida de clareza junto ao destinatário. , formar-se bem, quem procura ouvir todos os lados, quem não oculta nada
f~

Quanto maior for a clareza, menor será o custo da decodificação para o do que percebeu. Nesse sentido, a objetividade informativa seria dada pelo
receptor. Esse elemento, destacado por McQuail, propõe que a readability comportamento honesto e independeria do nexo com a realidade.
refere-se a dois critérios básicos: incidência de fatos mencionados no texto
e clareza de exposição. 2Fontismo - Relação promíscua entre fonte e repórter. A relação transforma-se em troca de
favores.

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~
Objetividade Jornalistica

OBRAS JORNALÍSTICAS

deve ser reduzido para se adaptar aos espaços predispostos pelo veículo.
A objetividade como produto mensurável, consumível se traduz A seleção temática é inevitável. Da valoração da notícia dependerão seu
pela não intencionalidade da mensagem informativa. A objetividade é uma espaço e sua posição no espaço hierarquizado do jornal. Esses são traços
disposição psicológica daquele que enuncia, visando a um fim. de subjetividade no produto mediático.
Nesse caso, a objetividade consistiria em que o informador cumpris-
se com o dever de liberar-se de todo elemento subjetivo para apreender o A AUTONOMIA DO ENUNCIADO
fato como ele é e comunicá-lo assim como o apreendeu.
No processo comunicativo, o enunciado é independente em relação
ao seu autor e não se esgota na designação de um objeto, pois tem seu
OBJETIVIDADE COMO CONTEÚDO, INTENÇÃO E PRO-
próprio objeto correspondente. Quando um locutor enuncia, ele se refere
CEDIMENTO não só a algo que existe no real, à realidade de primeira ordem, ao que é
Teóricos defendem que a objetividade, tal qual a justiça, é um valor passível de percepção, mas refere-se também a alguma coisa que existe no
tendencial, de modo que o informador tem o dever de ser o mais objetivo mundo social, enquanto totalidade das relações interpessoais e a alguma
coisa que existe no mundo subjetivo do locutor, como totalidade das expe-
possível.
Objetividade conteúdo (produto informativo), objetividade intenção riências subjetivas manifestáveis.
Esses elementos podem constituir uma realidade de segunda ordem
(produtor informativo) ou objetividade procedimento (produção informati-
va) são ênfases a momentos distintos de um processo comunicativo em que que diz respeito à significação, ao valor que se atribui ao real.
a informação e sua âncora no real têm especial importância.
Ao analisar a objetividade como conteúdo, mede-se sua eficácia por A CODIFICAÇÃO E A FALTA
meio do conteúdo da mensagem. No caso da objetividade como intenção, A falta é inerente a todo processo comunicacionaL Trata-se da dis-
o produtor é a própria medida da objetividade, sendo insignificante o re- tância inevitável entre a representação que o jornalista faz da realidade e a
sultado de sua produção. Na objetividade como procedimento, a ênfase se própria realidade a ser descrita. A falta é entendida como a impossibilidade
desloca para o processo de produção, não importando os valores éticos ou que tem o simbólico de representar o real.
morais do jornalista nem o resultado final da produção. A falta é um obstáculo para a objetividade pura de qualquer ati-
vidade codificadora, falseia a metáfora do espelho e institui o espaço da
OBJETIVIDADE IMPOSSÍVEL INDESEJÁVEL comunicação no campo simbólico e não no real.
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A objetividade absoluta é inalcançáveL O fato é imprevisto, não é É impossível para a mídia apresentar um quadro completo do mundo.
sujeito à repetição e o observador, ao tomar contato com ele, irá fazê-lo A notícia é um produto real que faz referência a algo exterior a ela e, por
de acordo com as limitações de seus sentidos e interpretá-lo segundo sua isso, é símbolo. O texto jornalístico, como qualquer instrumento da litera-
história, opiniões e preferências das quais é dificil distanciar-se. Esse traço tura, refere-se a um fato sem ser o próprio fato. Existe uma independência
de subjetividade está presente no contato do jornalista como observador- entre o produto jornalístico e o acontecimento que lhe deu origem.
fonte. s~
ir,~:
Existem dois tipos de filósofos que analisam a relação entre realida-
Com relação à elaboração informativa, as limitações são de espaço e de e ficção: os integracionistas, para quem não há nenhuma distinção entre
de tempo. O número de geradores de fatos que chegam às reuniões de pauta

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L
OBRAS JORNALÍSTICAS
Objetividade Jornalística

ficção e as descrições não-ficcionais do universo, e os segregacionistas, que


temas ,da vida social. Outros passaram a ditar a valoração da pessoa que
caracterizam os textos de ficção como pura obra de ficção, em que qualquer
informa, inviável para os ditames objetivos.
codificação é separada de referenciais da realidade. Eles tendem a acabar
com as fronteiras entre ficção e outros tipos de discurso como o jornalís-
Críticas à Pirâmide Invertida
tico-informativo. O jornal, ao selecionar temas e símbolos para descrever,
constrói um mundo possível, ficcional com aparência de mundo real. A pirâmide invertida é rígida (não permite outra estrutura e relato).
Os mundos possíveis construídos pela mídia são sempre plurais e É repetitiva (uniforme) e enseja um final fluido intercambiável. A
comparáveis entre si, tendo a consistência de enunciados dedicados a atrair exigência do lead e a hierarquização do texto retiram a flexibilidade e re-
a atenção sobre o mundo real. duzem a autonomia do jornalista para ordenar os fatos que coletou. É repe-
No texto informativo, mesclam-se aspectos semânticos inquestioná- titiva, porque a manchete, o lead e o desenvolvimento da notícia dizem a
veis, mas há também traços pragmáticos que condicionam a organização mesma coisa, o que acaba incentivando a criação de um leitor de manchete,
o leitor de banca de jornais.
dos mundos possíveis. A ficção e a falta são como dois lados de uma mes-
ma moeda.
As Manchetes - Macroproposições
Lamizet vê na falta um caráter estruturante fundado em dois tipos
de explicação: antropológica e psicanalítica. Para a antropologia, a falta Como macroproposição e abstração temática, a manchete constrói a
é aquilo que separa o sujeito de um objeto proibido. Para a psicanálise, a representação que o leitor faz do texto como um todo, antes de lê-lo. Apre-
falta é a separação entre o real e o simbólico. Ao apresentar um símbolo, o senta-se na forma de temas que denotam fatos, porém não são resultados
autor do enunciado escolhe. Essa escolha leva a pensar na dimensão polí- de uma característica simples da realidade, mas sim da forma como o autor
tica do ato comunicativo. Dessa forma, pode-se dizer que a notícia supõe percebe e interpreta a realidade.
manipulação e a transformação da matéria-prima (fato) em um produto
Na pirâmide invertida, o eixo de coerência do texto global será dado
jornalístico.
pelas macroproposições iniciais (manchete e lead).
A manipulação não é querer enganar, é uma seleção lexical e temá-
Os detalhes do corpo da notícia estão hierarquizados, subordinados
tica que impõe uma representação do fato. às macroproposições que lhe são superiores.

~,
A manchete é a última etapa de um conjunto de abstrações. Ela é o
A OBJETIVIDADE INDESEJÁVEL ::11 primeiro passo de objetivação do texto que está subordinado a ela em uma
unidade semântica.
O lnterpretative Reporting, de Curtis MacDougall, foi reeditado
oito vezes em 50 anos e permaneceu durante décadas sem alterações subs-
As Macrorregras
tanciais. A partir dos anos 80, autores passaram a criticar os procedimentos
jornalísticos de objetividade, como por exemplo, a pirâmide invertida. Para As macrorregras são as seqüências de abstrações que o jornalista
muitos, o rígido modelo da pirâmide impedia o tratamento de uma série de percorre para passar dos detalhes recolhidos junto à fonte da informação
~
até a manchete do texto final. Destacam-se três tipos de macrorregras:

164
165
OBRAS JORNALÍSTICAS Objetividade Jornalística

A INFORMAÇÃO E A FORÇA DA FORMA .~ A objetividade aparente é característica do texto informativo por sua
~:
,;.,
estrutura, seu léxico, seus limites e também sua posição entre os demais
Os meios de comunicação e seus produtos podem assumir diversas -;;'~

formas. Se durante muito tempo só o conteúdo interessou aos pesquisado- produtos da mídia.
res, nas últimas três décadas as formas dos meios de comunicação de massa Quando um jornalista redige uma matéria, materializa um processo
e suas características técnicas foram alvos de profundas pesquisas. Autores ininterrupto de escolhas e de eliminações que acabam formando uma men-
como Innis, McLuhan e Baudrillard destacaram a importância da forma na sagem entre numerosas opções preteridas. Além das escolhas estritamente
produção dos efeitos.
formais de sintaxe e léxicos, opera-se uma seleção temática.
Em 1950, o canadense Harold Innis publicou dois livros sobre a
Essa seleção é um imperativo de tempo e espaço e representa um
importância dos meios de comunicação numa democracia: Empire and
importante instrumento de redução da complexidade social. Ao oferecer,
Communication e The Bias of Communication. Innis busca demonstrar a
de forma mais ou menos consoante, um conjunto limitado de temas - menu
importância dos meios de comunicação sobre a natureza do saber e a distri-
buição do poder entre os grupos sociais nas diferentes civilizações. -, a mídia permite ao sujeito dominar uma realidade social simplificada. A
esse processo de simplificação Niklas Luhmann chama de tecnificação do
Marshall McLuhan (canadense, professor de Letras na Universida-
mundo da vida.
de de Toronto) procurou em seus trabalhos compreender a influência dos
meios sobre os indivíduos e a evolução da sociedade. O autor atribui às
características formais dos meios de comunicação a prerrogativa de motor Conjunto de Técnicas para Assegurar a Objetividade Aparente
da história e das organizações sociais. Ele relativiza a importância do con-
A objetividade aparente pode ser obtida pelas seguintes técnicas:
teúdo das mensagens e atribui aos aspectos técnico-formais dos meios uma
faculdade fisica ou intelectual específica. Os meios influem no equilíbrio 1) Estilo impessoal, freqüentemente anônimo;
psicofisico de seus receptores, nas personalidades dos indivíduos e na cultura 2) Predomínio de dados constitutivos do fato: nomes, datas, Índi-
geral. MacLuhan divide a história da humanidade em quatro etapas: oral,
ces, cifras, horários;
escrita, tipográfica e eletrônica. Cada uma marcada pela predominância de
um meio específico. 3) Busca-se evitar a adjetivação que, na maioria das vezes, denota
um juízo de valor;

O TEXTO INFORMATIVO E A OBJETIVIDADE APARENTE 4) Citação de fontes ou da pluralidade de pontos de vista;


5) Utilização de uma forma - pirâmide invertida - que supostamen-
A informação jornalística, na maioria das vezes, é transmitida em
código lingüístico. Porém, não se exclui a comunicação não-verbal. A prin- te dá ao texto um tratamento neutro e objetivo.
cipal característica do jornalismo informativo é a busca do fato livre de Dessa forma, constrói-se, no processo de codificação mediática, um
valorações, adjetivações ou da opinião pessoal do jornalista. O resultado sentido de realidade. A transmissão concreta e a coerência interna da cons-
obtido - a informação com aparência de objetividade - tem grande influência trução convertida em representação do real minimizam ao leitor a subjeti-
sobre a persuasão. vidade inerente ao trabalho de decodificação.

168 169

. _" -
OBRAS JORNALÍSTICAS
Objetividade Jornalistica

A Expectativa de Objetividade
na sua aparente objetividade será tanto maior quanto menos perceptível for a
arbitrariedade que está na origem de toda a produção mediática.
Claridade de exposição, simplicidade das estruturas, limitação lexi-
O público, diante de uma matéria aparentemente neutra e informa-
cal, velocidade de leitura e atualidade dos temas são algumas característi-
tiva, libertar-se-á dos próprios valores que funcionam como filtros e estará
cas que justificam a objetividade aparente e produzem o efeito real. Essa mais sujeito a aceitar o que lhe dita a mídia, por desconhecer a realidade
aparência gera no receptor um conjunto de expectativas, entre elas, a de fenomênica tratada e não ter nenhum registro sobre ela.
que as regras de objetividade sejam mantidas. Os filtros seletiyos que caracterizam a recepção (exposição, atenção,
Outra expectativa gerada é a da atualidade temática. O progresso percepção e retenção seletivas) tomarão a recepção mais vulnerável a to-
dos os elementos do produto mediático do que se nele fossem apresentados
tecnológico e as exigências econômicas forçaram uma rapidez produtiva
critérios de seleção e valoração explícitos.
que permite ao jornalista trabalhar em tempo real não só como testemunha,
~~
mas como ator dos acontecimentos. A contemporaneidade do tema em re- A IMAGEM INFORMATIVA
"
,:1;;;

lação ao produto começa a justificar sua presença e ajuda a disfarçar o


Nenhum elemento informativo pode ter maior aparência de objeti-
processo de seleção.
vidade (ilusão ou simulacro do real) que a imagem. Associada ou não ao
Para o receptor, o tema foi noticiado porque é atual e não porque foi texto, ela tende a apagar o sujeito.
selecionado pelo editor entre outros temas atuais possíveis. Ao noticiar um
fato não atual, os produtores poderiam romper com a expectativa de atuali- O Valor da Imagem em Movimento
dade que o receptor tem e mostrar o critério de escolha que foi usado.
O movimento, de acordo com Metz, quando percebido, é sempre
notado como real, conferindo à imagem um poder de convicção inédito.
li
Objetividade Aparente e Persuasão ti Por ser o principal instrumento mediático de informação, a imagem permi-
te aos seus receptores, de forma ritualizada, conhecer o real inacessível.
Elementos formais e de conteúdo do produto informativo fazem crer
na ausência (aparente) do autor-codificador, que faz crer na objetividade Pelo princípio da dupla realidade perceptiva, constata-se, simulta-
neamente, a imagem como um fragmento de superfície plana e como um
(aparente) que, por sua vez, faz crer na mídia como espelho da realidade e
fragmento de espaço tridimensional.
assim sucessivamente.
A adesão de idéias (frágeis, falsas ou não) por parte de um interlocutor Harmonia Temática
é tema central das teorias de comunicação de massa sob a denominação de
persuasão. Três fundadores da sociologia estudaram esse tema (Durkheim, Seria impossível dar a impressão de um mundo real mediatizado se
Weber e Pareto). Raymond Boudon elaborou a tipologia sobre as teorias ex- cada veículo oferecesse a seus consumidores temas distintos e dissonan-
plicativas da crença. Carl Hovland, em função da guerra, chefiou um estudo teso Por isso, a aparência de objetividade depende também de uma relativa
sobre a mudança de atitude (attitude change) com base na campanha mediá- harmonia temática na oferta informativa. Os veículos precisam apresentar
certa consonância (abordagem relativamente uniforme do mesmo tema pe-
tica. Habermas e Bourdieu afirmaram que a legitimidade jornalística fundada
los diversos meios).

170
171
~'k:.;

OBRAS JORNALÍSTICAS Objetividade Jornalística

Os Elementos da Notícia Relatada Objetivamente que o jornalista busca sempre o reconhecimento dos colegas de trabalho e
de seus superiores, assim como a dependência comum e rotineira a deter-
Os principais elementos da notícia são: minadas fontes, como por exemplo, agências de notícias.
1) O quê? - aproxima o ambiente do fato gerado e faz crer na obje-
tividade pela aproximação referencial; OBJETIVIDADE APARENTE E SUBJETIVIDADE - O QUE
2) Onde e quando? - permitem superar uma distância real (quilô- ÉOSUJEITO?
metros, horas, segundos) por outra fictícia (mediaticamente im-
Para Lamizet, o sujeito na comunicação pode ser observado em três
posta). A proximidade ou não da notícia deixa de ser real para
aspectos: um modo de descrição dos comportamentos e das práticas so-
ser funcional. Os meios constroem, assim, um espaço informativo
ciais; uma abordagem das relações entre os sujeitos no campo da cultura
cujas distâncias dependem do interesse do tema para o receptor e
e das representações simbólicas; e a dimensão enunciativa do sujeito, ou
para o emissor (conveniências editoriais);
seja, da função no discurso.
3) O porquê? - dizer o porquê é apontar causas e satisfazer necessida-
Lamizet observa que, por intermédio dessa dimensão do sujeito, é pos-
des psicológicas primárias do receptor. Explicar o porquê legitima sível se dar conta das práticas sociais e das regras de comportamento de deter-
a seleção do fato. Essa legitimação será mais eficiente quanto mais minado grupo. A segunda dimensão do sujeito, diretamente ligada à primeira e
evidente for a relação do fato escolhido com a vida do receptor. dela dependente, é a de pertencer a um grupo. Essa dimensão coincide com o
Os elementos o quê, onde, quando e o porquê permitem ao recep- papel desempenhado pelo sujeito nas sociedades caracterizadas pela sociedade
tor crer no produto como objetivo. Aquilo que, do ponto de vista do produ- mecânica (Durkheim) e pelos laços de comunidade (Tõnnies).
tor, é objetividade aparente, para o receptor é informação objetiva. A solidariedade mecânica expressa por Durkheim aponta para uma
solidariedade por semelhança. O sujeito existe na medida em que se pare-
Coincidência e Consonância Temática ce com os demais. A sociedade anterior ao indivíduo e fortemente marca-
da pela consciência coletiva constrói essa semelhança impondo aos seus
A coincidência temática atinge seu ponto máximo na cobertura de membros sentimentos comuns, valores comuns. Nesse sentido, observa
grandes assuntos nacionais. Encontra parte de sua explicação na existência Lamizet, a identidade do sujeito não é o que permite diferenciá-lo dos de-
de critérios comuns de seleção de fatos para a produção. Esses critérios mais, mas sim o que lhe permite reunir-se aos demais pela semelhança.
definem o que é notícia, legitimam o processo produtivo e contribuem para
prevenir as críticas do público. Subjetividade e Produção Informativa
Outra explicação, de acordo com Bourdieu, é que essa coincidência
O jornalista manifesta sua individualidade num compromisso com
é mais um dos efeitos de campo decorrentes da especificidade desse espaço
as restrições próprias ao universo a que pertence. Essa individualização
de produção cultural, em que a concorrência leva a um controle permanen-
do sujeito, socialmente reconhecida e que estabelece limites em relação
te das atividades dos concorrentes. ao outro, denomina-se subjetividade. Trata-se de um estado particular do
Segundo Noelle, os jornalistas da mídia impressa se orientam pelos sujeito enquanto manifestante de sua própria especificidade por meio da
programas de televisão, enquanto os jornalistas de televisão se orientam comunicação.
pela imprensa escrita. A produção da notícia tem um peso específico, visto Essa subjetividade dependerá do grau de liberdade que terá o sujeito.

172 173
OBRAS JORNALÍSTICAS
Objetividade Jornalística

A Singularidade de cada Profissional


O relato de fatos é marcado pelo modo como o sujeito ou organiza-
A singularidade do jornalista depende da liberdade que tem como ção se relaciona com o real. Nesse ponto de vista, o jornalismo não medeia
fatos reais, mas um dado da realidade apresentada ao seu público como a
profissional para expressar-se. De acordo com o grau de liberdade que o
realidade enquanto tal.
jornalista possui, o seu trabalho será mais ou menos padronizado, ou seja,
poderá fazer ver menos ou mais o seu ethos (singularidade). No estatuto da mediação, o jornalismo atua a partir da realidade,
mas opera seus recortes. em função da abordagem que pretende dar e da sua
própria capacidade técnica e dos recursos para cobertura.
o DEBATE EM TORNO DA OBJETIVIDADE (GUERRA, 1998)

Dois Estatutos do Jornalismo A OBJETIVIDADE E A COBERTURA INTERNACIONAL


.~ (BARROS FILHO, 1995)
A objetividade evidencia a existência de dois estatutos do jornalis- .1
,1;
mo: o de mediação e o de construção da realidade. Produção Internacional
Questiona-se essa mediação à proporção que, ao se reportar fatos
reais, se estão construindo fatos que não existem senão pelo modo como o A dependência de fontes comuns, os rígidos limites de tempo e es-
reportante é levado a vê-los a partir de sua condição no mundo. paço e o desconhecimento natural (por parte dos produtores informativos)
de regiões ignoradas pela mídia internacional tomam a produção de infor-
A realidade toma-se construída porque só passa a existir depois de uma
mação internacional mais consoante se comparada a outros produtos.
apropriação humana que lhe dê significado. Mas há um princípio comum nos
dois estatutos, que é o compromisso do jornalismo com a realidade. Essa consonância permite aos meios, mais que em qualquer outro
segmento informativo, construir e impor um mundo possível que, para o
A Mediação receptor, é o mundo real. Por trabalhar com uma realidade, em regra, mais
distante do receptor, a produção internacional é mais arbitrária e seletiva,
Mediação espaço-temporal - um fato ocorrido pode ser contado da já que o número de fatos para cobertura é maior.
forma como ele aconteceu para alguém que se situava em outro espaço de Ao propor um conceito para o noticiário internacional, Barros diz
tempo no momento de sua ocorrência. A realidade é dotada de sentidos nos que notícias internacionais compreendem todas as que se apóiam em acon-
quais o jornalismo opera sua circulação. Essa mediação é feita a partir do tecimentos ocorridos no próprio país, em outro país ou em vários países
mundo espaço-temporal. e que possuem um interesse informativo supranacional. Se seu alcance é
O jornalismo é efetivamente a mediação de fatos da realidade, não por mundial, cabe qualificá-las de notícias internacionais stricto sensu.
se constituir numa atividade transparente, mas por se tratar de uma prática dis- Toda notícia é, a princípio, local, mas, em razão da universalidade
cursiva que se propõe a falar de uma realidade intersubjetivamente partilhada. que tenha seu valor informativo, pode ir aumentando sua visibilidade até
Mediação ontológica - o olhar humano que objetiva a realidade ser considerada regional, nacional, estrangeira, internacional e mundial.
como determinados fatos e não como outros põe em análise a realidade dos Acontecimentos geograficamente muito próximos podem, às vezes,
fatos apurados e dá ênfase ao processo de atribuição de sentido construído não significar muito à população, e outros situados muito longe podem
pelo discurso jornalístico. afetar fortemente o interesse do público. Isso se dá porque, no espaço in-

174
175
OBRAS JORNALÍSTICAS

formativo, um dos critérios de localização das notícias ocorre em função


do interesse que a notícia tem para o receptor.
Barros aponta que a agenda-setting é igualmente aplicável à temá-
tica internacional. Na opinião de Walter B. Wriston (BARROS FILHO,
1995), cada vez mais, as agendas nacional e internacional são estabelecidas 'li'
;;:
$~
pelos meios de comuilicação de massa. ~}

Ji,
Capítulo IV
TÉCNICAS DE JORNALISMO
Barreiras Informativas

O processo comunicativo encontra três barreiras principais: a com-


plexidade do objeto informativo, sua acessibilidade como mensagem e
produto elaborados pelos meios e, finalmente, sua compreensibilidade pe- o QUE É NOTÍCIA
los públicos. "A notícia só é notícia se trouxer informação. Do contrário, ela é o
relato do nada". (LUSTOSA, 1996)
Estrangeirização dos Públicos ,"Do ponto de vista da estrutura, a notícia se define, no jornalismo
moderno, como um relato de uma série de fatos a partir de um fato mais
Surge por dois motivos: pela presença de grupos não-nacionais num
importante ou interessante; e de cada fato, a partir do aspecto mais impor-
país, por força do deslocamento constante da sociedade atual, e pela for-
tante ou interessante". (LAGE, 1985)
mação de grupos de leitores, ouvintes e telespectadores fora das fronteiras
"É impossível se definir o que é notícia e as tentativas de tentar
nacionais, graças à capacidade de produção dos meios de outros Estados.
defini-la são insatisfatórias (...). A notícia é a matéria-prima do jornalismo
(...). A notícia deve ser recente, inédita, verdadeira, objetiva e de interesse
Telemática
público". (ERBOLATO, 1991)
A telemática estabeleceu uma rede intervinculada e desterritoriali-
zou o processo comunicativo, reestruturando parâmetros centrais do siste- Características do Jornalismo Segundo 000 Groth (MELO, 1994-A)
ma político, cultural, econômico, social, familiar e até mesmo de lazer das
Atualidade - fatos novos, referentes ao dia-a-dia, ao cotidiano das
pessoas.
pessoas.
Periodicidade - aparecimento regular dos fatos; liga-se ao conceito
de atualidade.
Universalidade - compreende o acervo de conhecimentos referen-
tes a todas as áreas de conhecimento humano; variedade.
Difusão Coletiva - a difusão de mensagens por meio de canais
como a imprensa, o rádio e a televisão.
I'!,
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iti
Ii 176
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;.

; $----#-& 444 LJI


OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

De acordo com essas características, o jornalismo é um processo


'''Nariz-de-Cera segundo o Manual de Redação do Jornal Folha
social que se articula a partir da relação periódica e oportuna entre or- de S. Paulo (FOLHA DE SÃO PAULO, 1992)
ganizações formais - editoras e emissoras - e coletividades - públicos
receptores - por meio de canais de difusão jornal, rádio, televisão etc. Parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico
do texto.

PRINCIPAIS INTERESSES DO LEITOR (LUSTOSA, 1996) É sinal de prolixidade incompatível com jornalismo, porque leitores
dificilmente ultrapassam o obstáculo para chegar ao segundo parágrafo,
Interesse Humano que abriga a notícia propriamente dita.

O leitor se importa com notícias baseado nos pontos de vista de


interesse humano e temas de interesse geral. O Lide segundo o Manual de Redação do Jornal O Estado de
São Paulo (MARTINS, 1997)
Quanto ao interesse humano, ele visa se informar sobre:
1) o próprio leitor; Palavra aportuguesada do inglês lead - conduzir, liderar. O jornalis-
mo usa o termo para resumir a função do primeiro parágrafo: introduzir o
2) seus próximos; leitor no texto e prender sua atenção.
3) pessoas conhecidas;
O lide é a abertura da matéria. Ele deve incluir, em duas ou três fra-
4) os homens em geral; ses, as informações essenciais, que transmitam ao leitor um resumo com-
pleto do fato. Precisa ser objetivo, completo, simples e, de preferência, na
5) os animais;
ordem direta e responder às questões fundamentais do jornalismo: o quê,
6) os vegetais e as coisas. quem, quando; onde, como, por quê.

Graficamente, recomenda-se que o lide tenha de quatro a cinco linhas.


Temas de Interesse Geral

Em relação aos temas de interesse geral, os leitores valorizam mais O Lide segundo o Manual de Redação do Jornal Folha de.s. Paulo
as notícias sobre: O lide deve conter as informações essenciais do fato noticiado, de
1) sexo; preferência, a resposta às perguntas básicas (quem, quando, o que, onde,
como, por que). Deve ser tão completo que o leitor possa se sentir informa-
2) morte; do sobre o assunto apenas com a sua leitura.
3) destino;
É preciso ter até cinco linhas e jamais ultrapassar oito linhas.
4) dinheiro; O lide deve ser redigido na ordem direta (sujeito, predicado, objetos
e complementos).
5) tempo;
6) generosidade; Não se deve começar lide com advérbio ou gerúndio.

7) piedade. No lide não se deve utilizar, sem explicar, palavras ou expressões


pouco familiares para a média dos leitores.

178
179
Técnicas de Jornalismo

OBRAS JORNALÍSTICAS
;~,
Classificação dos Gêneros Jornalísticos
Redação do Lide
Informativo - a instituição jornalística assume o papel de observa-
Objetividade - não se deve fazer introdução ou valorizar detalhes dora da realidade, registrando os fatos e informando a sociedade.
que possam confundir o leitor. É necessário narrar o fato principal e ir di- Opinativo - a instituição reage diante das notícias e difunde opiniões; .
reto ao assunto. sejam opiniões da própria empresa, sejam as que lêem, ouvem ou veêm.
Clareza - só se deve falar o que se sabe. Não fazer suposições e Interpretativo - identifica as causas e motivos que deram origem
teorizar. ao fato. Busca compreender a significação e efetuar análises, comparações
Concisão - não se deve escrever em três palavras o que se pode e realizar previsões. É objetivo e determina o sentido de um fato.
dizer em duas. Diversional ou entretenimento - visa entreter e abrir espaço para
Precisão - nunca se deve deixar o leitor em dúvida. Nesse caso, é prender o interesse do público, divertindo-o.
preciso verificar os nomes, as datas e os números e comparar sempre que
necessário, para dimensionar.
'f;:'
t, Gênero Informativo
.i
Classificação brasileira:
GÊNEROS JORNALÍSTICOS (MELO, 1994-A) .~1
Nota _ corresponde ao relato de acontecimentos que estão em pro-
o estudo dos gêneros integra-se ao esforço de compreensão da pro- cesso de configuração, por isso é mais freqüente no rádio e na televisão;
priedade discursiva. Ele age como um ponto de partida para descrever e Noticia - relato integral de um fato que já apareceu para a sociedade;
estudar as características da linguagem e permitir avanços na análise das Reportagem - relato ampliado de um acontecimento que já reper-
relações que permeiam a totalidade do jornalismo. cutiu na sociedade e produziu alterações que são percebidas pela empresa
No início do século XVIII, o editor inglês Samuel Buckeley decidiu jornalística;
pela separação entre news e comments no Daily Courant. Ele iniciou a Entrevista - relato que privilegia um ou mais protagonistas de um
classificação dos gêneros que, na atualidade, varia de acordo com o país. A fato, possibilitando a eles um contato direto com a coletividade.
imprensa estadunidense somente utiliza dois gêneros: o comment e a story;
a latina usa mais categorias. Gênero Opinativo
Essa separação entre categorias (informativa e opinativa) emerge da
Editorial
necessidade de se separar os fatos das suas versões. Estudiosos apontam
O editorial expressa a opinião oficial da empresa diante dos fatos de
que os gêneros jornalísticos são as formas que o jornalista busca para se
maior repercussão no momento. É a forma mais eficiente de as empresas se
expressar. Eles dão estilo e forma própria à linguagem jornalística.
comunicarem com o Estado.
O jornalismo articula-se a partir de dois núcleos de interesse: a in-
Características:
formação (saber o que se passa) e a opinião (saber o que se pensa sobre o a
Impessoalidade - é impessoal, não é assinado. Utiliza a 3 pessoa
que se passa). Um caminho que percorre a descrição dos fatos e a versão
do singular ou a 1a pessoa do plural;
dos fatos (a reprodução do real e a leitura do real).

181
180
OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

Topicalidade - trata de tema bem delimitado, mesmo que ainda não ,.;;ll" 3) É atual (não se restringe ao cotidiano, mas ao momento histórico
tenha adquirido conotação pública (questões específicas); vivido);
Condensalidade - apresenta poucas idéias ao dar maior ênfase às
afirmações que às demonstrações;
.t', 4) Sendo colaboração espontânea ou solicitação nem sempre remu-
nerada, o artigo confere liberdade total ao autor;
Plasticidade - é flexível, maleável e não-dogmático (como o jorna- 5) É restrito à imprensa.
lismo nutre-se do efêmero, não pode ser estático).
Ensaio
Comentário
1) O ensaísta baseia a argumentação em fontes que legitimam a cre-
No comentário, o jornalista aprecia fatos, estabelece conexões, su- dibilidade documental do ensaio, permitindo confirmar as idéias
gere desdobramentos e procura manter certo distanciamento. O comenta- defendidas pelo autor;
rista tenta perceber o que transcende as aparências.
2) Apresenta pontos de vista mais definitivos e solidificados por
Características: uma compreensão mais abrangente dos fatos;
1) O comentário funciona como um editorial assinado; 3) É atemporal (o texto não perde a atualidade);
2) Método intermediário entre o editorial e a crônica, é uma alter- 4) É um gênero opinativo, mas pode ser literário.
nativa àquele, pois a ótica utilizada não é, exatamente, a da em-
presa. Há opiniões pessoais;
Resenha
3) É expositivo, mas tem ironia e humor;
4) Exige especialização. É geralmente feito por um jornalista ex- 1) A resenha faz apreciação das obras de arte ou dos produtos da
periente que possui farta bagagem cultural, e que tem, portanto, iridústria cultural com a finalidade de orientar os consumidores
elementos para emitir opiniões e valores com credibilidade; na escolha dos produtos em circulação no mercado;
5) É fartamente utilizado no jornalismo esportivo; 2) No Brasil, o termo é mais usado como crítica;
6) É assinado; 3) É feita no país por jornalistas que trabalharam no campo da análise;
7) É atual, surge junto com a própria notícia; como aparece junto 4) É assinada;
com ela, raramente é conclusivo, pois o comentarista ainda não 5) Está presente em jornais, revistas, rádio e TV.
possui bases suficientes para emitir conclusões definitivas.
Coluna
Artigo

1) O articulista desenvolve uma idéia e apresenta uma opinião (in-


';>1 ,ê
1) Tem caráter informativo, mas emite juízos de valor com sutileza
ou com ostensividade;
~'
terpreta, julga e explica); I' , 2) É publicada regularmente;
~
2) Geralmente é escrito por colaboradores em páginas de opinião e '. ;1". 3) Geralmente é assinada e está, intimamente, vinculada à persona-
suplementos; .k:.:
lidade de seu redator;
,j S [,
~i,:

182 i;t 183


ii\
~.'''.
Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

4) Compõe-se de notas, crônicas, artigos e textos-legenda; Carta

5) Apresenta um estilo leve e pessoal; Recurso em que o leitor tem a oportunidade de expressar seus pon-

6) Possui um título ou cabeçalho constante; tos de vista ao meio de comunicação.

7) É diagramada numa posição fixa e sempre na mesma página;


Divisão do Jornalismo Impresso
8) Costuma dar furos jornalísticos;
1) Quanto à periodicidade: diário, semanal, mensal etc.;
9) Em muitas ocasiões, funciona para as fontes como "balão de en-
saio" (as fontes lançam notícias para verificar a repercussão); 2) Quanto ao conteúdo: generalista, especializado;
10) Há vários tipos de coluna: miscelânea, high society, mexericos, 3) Quanto à cobertura: local, regional, nacional e internacional;
comentário etc. 4) Quanto ao interesse: corporativo, social, partidário, comunitário,
misto etc.
Crônica
Características do Jornal
1) Trata de uma composição breve relacionada à atualidade; ,~i
1) Trata de fatos ocorridos no dia anterior, podendo excepcional-
2) É publicada em jornal e em revista;
mente divulgar furos jornalísticos;
3) É o gênero jornalístico que mais contatos tem com os gêneros
2) Oferece ao leitorexame analíticoe reflexãosobre os acontecimentos;
literários clássicos;
3) É abrangente, pois cobre uma variedade de assuntos;
4) É assinada;
4) Combina dois códigos: o escrito e o visual;
5) Realiza uma tradução livre da realidade com ironia e humor.
1
Caricatura 1
.;+ I;
i't

_~t" ';.ij
"~~~~
5) É temporal;
6) É redundante, repete informações básicas já publicadas e acres-
centa fatos novos.
1) Uso da imagem de forma satírica e humorística como instrumen- O jornal precisa oferecer detalhes da matéria, pois, na maioria das
to de opinião; vezes, as pessoas já tomaram conhecimento dos fatos por outros veículos
2) É assinada; de comunicação.
3) Faz um retrato do ser humano ou de objetos.
Características da Revista
Charge
I) Possui um texto mais interpretativo;
1) Critica de maneira humorística um fato; 2) Não há preocupação com a construção de um lide;
2) Reproduz uma notícia segundo a ótica do desenhista; 3) Trata do fato sem isolá-lo de seus antecedentes, suas conseqüên-
3) Pode usar só imagens ou combiná-las com texto. cias, experiências anteriores e derivativos;

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OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

4) Tem um texto recuperativo; 4) Usar sempre nota e gravador;


5) Não possui tanto compromisso com o factual e com aconteci- 5) Fazer uma pergunta de cada vez.
mentos rotineiros.
A estrutura e o conteúdo oferecem riqueza de detalhes por meio de Cinco Classificações de Entrevista segundo Fraser Bond
citações, indicações e comparações; por isso, a revista apresenta o que se
chama de texto redondo (ao ler a revista, o leitor tem a sensação de estar 1) Noticiosa;
bem informado). 2) De opinião;
3) Entrevista com personalidade ou de ilustração;
Fatores que Influenciam a Forma e o Estilo dos VeÍCulos de Co-
4) Entrevista em grupo (ou enquete);
municação
5) Entrevista coletiva.
Periodicidade - vai definir o tratamento da informação e a atuali-
dade das notícias; REPORTAGEM
O formato do veículo - limitações técnicas e recursos materiais e
humanos; Segundo Luiz Amaral, a reportagem é a apresentação de um fato
ou acontecimento enriquecido pela capacidade intelectual, a observação
O perfil do consumidor/público alvo - poder aquisitivo, formação
atenta, sensibilidade e a narração fluente do autor.
acadêmica, hábitos culturais, a linguagem utilizada refletirá o nível médio
do leitor-padrão. Requisitos básicos: capacidade intelectual, observação atenta, sensi-
bilidade, criatividade, narração fluente, instrumento de luta (perseverança).
Classificação de Entrevista segundo Luiz Amaral (AMARAL, 1997)
Reportagem segundo Ricardo Kotscho (KOTSCHO, 1986)
Noticiosa - o entrevistado tem informação importante a dar e é inter-
rogado exclusivamente sobre ela; De acordo com Ricardo Kotsho, a reportagem classifica-se em:
Opinativa - geralmente solicitada a especialistas sobre um tema 1) Investigativa - pode ser fria ou quente.
em debate; Fria: trata de um assunto não urgente. Não tem prazo para ser con-
Atualidade - aquela em que o entrevistado exterioriza gostos, an- cluída e, muitas vezes, exige um levantamento nacional envolvendo rede
seios, preferências e opiniões. de sucursais e correspondentes para ser executada.
Quente: tem de ser feita na ocorrência do fato.
Requisitos Técnicos para Entrevista 2) Perfil - dá chance para se fazer um texto mais trabalhado, seja
sobre um personagem, um prédio ou uma cidade. Ao preparar o perfil, o
1) Conhecer o assunto;
repórter deve estar livre de qualquer preconceito, qualquer idéia pré-fixada
2) Inspirar confiança e ter simpatia;
pela pauta, contudo deve procurar informações prévias, preparar perguntas
3) Saber escutar; e levantar pontos polêmicos. É a sensibilidade que vai determinar o foco da

---
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Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

matéria. Ao iniciar o perfil, é bom deixar claro qual o objetivo da reporta- 3) Texto de natureza impressionista;
gem para se conseguir conquistar a confiança do entrevistado. 4) Relato objetivo dos fatos.
Sempre é bom conversar um pouco antes de começar a matéria. Um Esses elementos podem ou não aparecer com mais destaque, mas a
perfil pode ser feito em algumas horas, se for um assunto do dia que exija narrativa deve sempre estar presente ou não será uma reportagem.
urgência, ou levar mais de um mês para ficar pronto, por se ouvir dezenas
de pessoas que possam oferecer mais material sobre a personagem princi- Diferenças entre Notícia e Reportagem
pal. Há personagens que se revelam rápido demais, outras não.
A notícia toma público um fato por meio de uma informação: fato - in-
3) Levantamento - esse tipo de reportagem exige pesquisa e tem-
po, em razão da necessidade de bases documentais para compor -1 formação - público. Notícia seria o anúncio de um fato.
o produto final de apuração jornalística. A reportagem oferece mais detalhamento e contextualização do que
foi anunciado; embora não prescinda da atualidade, não terá o mesmo ca-
4) Drama social- a maior parte desse tipo de matéria é publicada
na editoria de polícia. Ex.: histórias de vida, de morte, de de- ráter imediato da notícia.
sempregados, de menores abandonados, o fim de uma linha da Além disso, a reportagem mostra circunstâncias que levam o leitor a
violência, o drama dos bóias-frias, sem-terra etc. desenvolver uma análise crítica, revelando-lhe ângulos ocultos, ressaltan-
5) Grande reportagem - de alto custo em termos humanos e finan- do outros e ampliando a visão dos fatos.
ceiros, explora o assunto em profundidade. É grande em número
de páginas e está desaparecendo pelo alto custo. A grande repor- o Gênero Narrativo
tagem rompe todos os organogramas e burocracia. O repórter
Anunciar _ mantém-se distanciamento em relação ao leitor, descre-
não pode fracassar, por isso tem de se preparar: ler todo o arqui-
vo do jornal antes, para se informar e não correr o risco de repetir ve-se, documenta-se. O ato narrativo reconstitui ações e apóia-se nelas e
uma história já contada. Depois tem de se montar um roteiro. .I no detalhamento. Existe um enunciado que produz a manifestação de um
r
d;;;
fato por meio de um discurso. O discurso é oculto, não se percebe que há
alguém narrando, por isso os acontecimentos parecem ter vida própria. O
Reportagem segundo Sodré e Ferrari (SODRÉ; FERRARI, 1896)
gênero narrativo está muito próximo da reportagem de ação que, seme-
Segundo os autores, não há narração sem um personagem e sem um lhantemente às histórias em quadrinho, apresenta os fatos que se sucedem
fato. O texto narrativo precisa despertar o interesse humano. Mesmo não diante do leitor.
sendo em primeira pessoa, a narrativa deverá conter um discurso de tom Enunciar - é o ato de atualizar os fatos ocorridos; usar a língua em
impressionista, em que o repórter é aquele que está presente e serve de determinado discurso. A enunciação distingue-se de competência lingüísti-
intermediário entre o leitor e o acontecimento.
ca, que é o conhecimento puro e simples da língua.
Pronunciar _ exprimir indiretamente um discurso crítico em rela-
Principais Caracteristicas da Reportagem conforme Sodré e Ferrari
ção à notícia, conduzindo o leitor ao âmbito do pronunciamento. Sutilmen-
1) Predominância da forma narrativa; te, a notícia pode vir a se pronunciar a respeito de um fato com expressões

2) Humanização do relato; que revelam um tom de avaliação.

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OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

Denunciar - declarar-se contra ou a favor de alguma coisa, expli- Os modelos não são rígidos e é possível haver combinações. Po-
citamente, configurando notícias-denúncia. Mais do que o anúncio ou o dem-se aliar elementos de fact story ou action story para desenvolver a
simples enunciar de fatos, as notícias-denúncia representam uma abstração reportagem documental.
que visa a um conceito de natureza ideológica.
Os conceitos de anunciar, enunciar, pronunciar e denunciar podem Abertura da Reportagem
ser estabelecidos na reportagem.
1) A abertura da reportagem visa a chamar a atenção do leitor e a
conquistá-lo;
A Notícia como Prática Educativa
2) Usam-se palavras concretas, curtas, incisivas, afirmativas, estilo
A notícia poderá produzir dois tipos de conhecimento: o que traz direto e, quando for possível, indica o ângulo mais importante;
familiaridade com um tema e o que produz conceitos sobre um tema.
3) A reportagem documental talvez seja a que mais exija originali-
O jornalismo tem-se encaminhado no sentido de informar sobre o dade na abertura.
tema, em uma pedagogia da notícia com o objetivo de formar o leitor/te-
lespectador - educar.
Tipos de Abertura da Reportagem

Modelos de Reportagem Fotográfica - realça a visão por ser descritiva;


Citação/declaração real ou imaginada - realça a audição;
De fatos ({act story) - é o relato objetivo de um acontecimento. A
narração é feita na forma de pirâmide invertida. Em televisão, é possível se Comparativa ou imaginativa - realça a imaginação;
partir de um anúncio do fato (lide), mas também se pode fazer de cadaflash História pessoal - põe em cena o leitor; realça a pessoa;
uma notícia independente. O relato é objetivo, mas é possível encontrar Frases feitas ou clichês - joga com fórmulas;
exemplos em que o distanciamento é menor.
Trocadilhos, anedotas, paradoxos - joga com palavras.
De ação (action story) - é o relato mais movimentado, que começa
pelo fato mais atraente, para ir, aos poucos, descendo na exposição dos
Tipos de Reportagem
detalhes. O importante é o desenrolar dos acontecimentos para envolver o
I: leitor. Na TV, o repórter participa da ação e deixa de ser um mero observa- Reportagem conto - pode-se dizer que a reportagem é o conto jor-
I

dor para tomar-se parte da narrativa. nalístico. Tem características de conto: força, clareza, condensação, tensão,
Documental (quote story) - é o relato documentado que apresenta novidade. A reportagem conto começa por particularizar a ação, escolhe
II os elementos objetivamente, acompanhados de citações que complemen- um personagem para ilustrar o tema que pretende desenvolver. Busca no
tam e esclarecem o assunto. É habitual nos documentários de TV ou cine- conto o modelo condutor de seus textos. A situação dramatizada serve para
I: ma e comum no jornalismo escrito. Pode ter um caráter denunciante, mas, abrir a reportagem e pode, depois, por exemplo, enveredar pela pesquisa
na maioria das vezes, apóia-se em dados que lhe conferem fundamentação. documental. Geralmente, concentra a ação em tomo de um único persona-
Adquire caráter pedagógico e se pronuncia a respeito de um tema. gem, que atua durante toda a narrativa.
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Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Multiperfil - para pessoas significativas. Dá-se cobertura maior. Pu-


Reportagem crônica - geralmente, é menor que o conto e se detém
blicam-se artigos, crônicas que testemunham a vida e a obra do focalizado.
mais em situações fortuitas. A condução do relato é de natureza impressio-
nista. No conto, os personagens são autônomos (parecem ter vida própria).
Na crônica, os personagens são acidentes na narrativa. O narrador observa TÉCNICA DE REDAÇÃO (SODRÉ, 1987)
suas atitudes exteriores e flagra seu comportamento. Esse tipo de repor-
Estilo
tagem não possui propriamente um enredo com início, meio e fim. Tem
O jornalismo possui um estilo: um universo de escrita autônomo
caráter mais circunstancial e ambiental. Não se inscreve nos modelos de
com regras próprias, ou seja, um código que impõe normas próprias à co-
reportagem (fatos, ação e documental), mas também não é notícia. Chega
municação.
perto da crítica social e opinião velada.
O livro-reportagem - quando uma história se mantém como foco de
Conceito de Notícia
interesse, é quase certo virar reportagem-novela, e surge o livro-reportagem.
Pode ser a simples compilação de textos já publicados em jornal ou o traba- Notícia é todo o fato social que possui destaque em função de sua
lho feito para livro, mas concebido e realizado em termos jornalísticos. atualidade, interesse e comunicabilidade.
Reportagem perfil - significa dar enfoque à pessoa. O repórter se
mantém distante e deixa que o focalizado se pronuncie, ou compartilha Características do Receptor
com ele um determinado momento e passa para o leitor essa experiência.
Nesse caso, tem-se a entrevista clássica, que não exige necessariamente O receptor da mensagem informativa possui características perten-
o contato pessoal (pode ser por telefone ou por escrito). O texto consiste centes ao conceito de massa: extensão (dispersão fisica dos indivíduos),
numa apresentação sumária de dados referenciais e, em seguida, de per- heterogeneidade (diferentes classes, idades, sexos etc.) e anonimato (o
guntas e respostas. As perguntas funcionam como deixa, a fala é quase emissor não conhece os indivíduos a quem se dirige).
exclusiva do entrevistado. O próprio personagem se apresenta, pois não
há narrador para registrar. Pode-se misturar esses dois modelos, o narrador QUALIDADE DO TEXTO JORNALÍSTICO
desconhece o personagem e relata a experiência do encontro no momento
em que ele se dá. O perfil se classifica em indivíduo, tipo, caricatura, mini- Clareza - visão clara e exposição fácil;

perfil e multiperfil. Concisão - palavras indispensáveis, justas e significativas;


Personagem indivíduo - o retrato é mais psicológico que referen- Densidade - cada palavra deve estar cheia de sentido;
cial. O interesse recai sobre a atitude do entrevistado. Simplicidade - emprego de palavras comuns e familiares;
Personagem tipo - enfatiza no perfil aquilo que deu fama à pessoa. Exatidão - fugir de palavras ambíguas, buscar o termo justo;
Habilidade, talento, dinheiro etc. - sujeitos estranhos, grotescos, de atitu-
Precisão - evitar ambigüidades, rigor lógico-psicológico da frase;
des mirabolantes podem gerar um perfil assim.
Naturalidade - refere-se ao tom; evitar o pedantismo e a afetação;
Miniperfil - inserido na reportagem, o destaque é dado aos fatos, à
"li Variedade - diversificação expressiva de acordo com o que se nar-
li ação. Os personagens são secundários e o relato é interrompido para dar um
li,
enfoque rápido sobre eles, sob a forma de narrativa ou curta entrevi~a. ra, para evitar a monotonia estilística;
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OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

Ritmo - cada matéria tem seu ritmo próprio (grave, reflexivo, cô- Conativa - O receptor está em primeiro plano. Ex.: texto publicitário;
mico etc.); Fática - a comunicação é facilitada por sinais, seleção de palavras
Brevidade - equivale à concisão e à densidade. Trata-se de dizer e frases curtas;
somente o necessário.
Metalingüística - função dos textos explicativos ou didáticos;
Poética - forma de mensagem em que predomina o eu-lírico. Pode
Meio Combinatório ou Fraseológico
aparecer na crônica;
Nem sempre escrever bem é escrever certo. Não se domina uma lín- Essas funções aparecem combinadas na mensagem.
gua apenas pela propriedade com que se aplicam suas regras gramaticais.
O texto moderno é despojado e sintético, ou seja, deve-se evitar a perífrase -
Elementos Constitutivos da Informação
(rodeios do texto) e ir direto ao assunto.
Surpresa - aspecto novo;
A Construção dos Períodos Redundância - procurar ter o mínimo de redundância; o texto deve
ser condensado;
Coloquialismo - evitar expressões clássicas;
Economia combinatória - substituir as expressões extensas; Contexto - relações externas de uma informação;
Construção da frase - obedece a três ordens: sintaxe, lógica e har- Narração - ordenação de fatos. O texto informativo, desde a notícia
monia; à grande reportagem, é situado numa seqüência temporal.
Ordem sintática - sujeito, verbo e complemento;
Ordem lógica - ordem psicológica; implica dispor as idéias de acor- Elementos Essenciais da Informação
do com sua ordem de importância. },

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Situação - o que, o quando, o porquê;
Intensidade - a impressão que o fato deixa;
Processos de Composição do Texto Jornalístico
Ambiente - descrição do meio físico e mental. .
I As técnicas do texto jornalístico podem ser pensadas no quadro de
A narração jornalística concentra-se na situação. Aspectos dramáti-
uma retórica (meio destinado a organizar o discurso verbal de acordo com
-1-::
cos ou ambientais funcionam para o realce da notícia. O fato restringe-se a
il os objetivos visados). Existem quatro momentos de retórica: achar ou in-
elementos de situação.
ventar o que dizer, dispor os argumentos numa ordem vinculada ao objeti-
vo da mensagem, desenvolver e dizer o disçurso. A narração centrada na intensidade costuma ter um sentido que vai
além do simples noticiar. Há exploração do lado humano do fato.
Funções da Mensagem
ORDEM DE NARRAÇÃO DE UMA NOTÍCIA
Referencial- é objetiva, sem julgamento, comentário etc. Ex.: noticia;
Expressiva - está presente o emissor por meio de opiniões. Ex.: crô- 1) Enumeração dos fatos principais com sua conclusão;
nica; 2) Fatos que produziram a conclusão;
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Técnicas de Jornalismo

OBRAS JORNALÍSTICAS
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Descrição direta - o fato é descrito a partir de sua atualidade;
3) Detalhamento dos fatos principais;
Indireta _ reconstituição do fato por meio da memória.
4) Fatos posteriores, conseqüências. No texto informativo, predomina a descrição direta, mas não se exclui
a forma indireta. O perfil tanto pode ser tratado direta como indiretamente.
Suspense Reportagens-descritivas-perfil: utilizam entrevistas, narrativas,
Quando o fato for de pouco interesse, poder-se-á usar elementos acontecimentos passados e presentes de forma fragmentada.
como o suspense. Porém, há matérias cujo teor informativo deve ser pre- Na notícia, predomina a descrição fisica de lugares e pessoas. O re-
ponderante, exigindo um tratamento de distanciamento. Uma matéria que .gistro é visual, como o de uma câmera de cinema. Mas a notícia prende-se
usa o tempo todo a reportagem conto poderia esvaziar a forma narrativa, à situação: seu objetivo não é descrever o ambiente ou personagem, é con-
reduzindo o nível de significação. textualizar elementos que interfiram na ação. É o desenvolvimento da ação
que interessa. Nesse sentido, narrar é mais importante que descrever.
Objetividade A reportagem permite um enfoque mais descritivo, pois estende
mais o assunto da notícia. Nela, a ação é reduzida ao essencial, enquanto
o texto é objetivo quando o narrador é onisciente (texto narrado na
ambiente e personagens são descritos detalhadamente.
3a pessoa) e considera-se altamente subjetivo quando o narrador narra e
As frases nominais constituem o recurso de descrição moderna e
participa. A narração jornalística tem como característica o emprego domi- ~
nante de verbos e substantivos para prevalecer a objetividade. despojada. Os períodos curtos asseguram a objetividade.
A habilidade do redator pode fazer com que uma cena possa ser
descrita no intuito de refletir o lado psicológico da ação. Uma reportagem
DESCRIÇÃO
totalmente descritiva pode se tomar fria ou discursiva. Pode ser interessan-
Processo descritivo é a representação das coisas, seres e lugares. te utilizar elementos narrativos para dinamizar a descrição.
A descrição não se distingüe da narração porque representa com palavras
determinado objeto ou ser, mas porque se mobiliza em certo instante do
Exposição
processo narrativo. Narrar é seguir o percurso do objeto, acompanhá-lo;
descrever é fixar um momento. A descrição pode fazer parte da narração Apresentação de um fato e suas circunstâncias com a análise de
mesmo que não apareça de uma maneira formaL causas e efeitos de forma pessoal ou não. Predomina nas notas, crônicas,
editoriais e artigos.
Formas de Descrição
Nota e Suelto
Topográfica - descrição de lugar;
Nota _ pequena notícia destinada à informação rápida, breve e concisa;
Cronológica - descrição de época;
Suelto _ nota com comentários e juízos de valor. Hoje, o termo é
Prosopopéia - descrição fisica de pessoa;
pouco usado; mas, do ponto de vista estilístico, a nota-suelto caracteriza-se
Etopéia - descrição moral ou psicológica de pessoa;
por parágrafos curtos e frases breves em tom de ironia.
Perfil - descrição das qualidades fisicas e morais;

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OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

CRÔNICA, EDITORIAL, ARTIGO E DIALOGO O critério básico passou a ser a rentabilidade, o que dava primazia a
formulas de comprovado sucesso comercial.
Crônica - meio termo entre jornalismo e literatura. Tem o interesse
pela atualidade, mas procura ultrapassar o simples fato. O cronista não O trabalho passou a ser medido pelo princípio do desempenho, o
prescinde do acontecimento, mas paira sobre o fato, fazendo com que se que deixou cada vez menos espaço para a ação individual do jornalista.
destaque no texto o enfoque pessoal. É um gênero marcadamente impres- A nova racionalidade que caracterizou a empresa de notícias era re-
sionista, sendo resultado da impressão que o fato causa no autor. gida por critérios de desempenho, produtividade e rentabilidade.
Editorial - analisa o assunto de forma valorativa a partir do ponto A empresa deveria possuir organização e disciplina típicas das ativi-
de vista da empresa. Apresenta um diagnóstico e uma receita para a ques- dades industriais, algo totalmente diferente da década de 50, que se carac-
tão, enquanto na crônica a valoração se confunde com os próprios fatos, terizava por possuir redações com comandos de personalidades fortes de
no editorial a opinião do autor é o eixo do texto. Há certo dogmatismo uma tradição humanista. O estilo e a presença dos capitães de indústria são
que, em conseqüência, é marcado pela adjetivação, juízos, reclamação e substituídos pela ação racionalizadora dos administradores e engenheiros
indignação. de produção, que passaram a ocupar postos-chave. Para exemplificar esse
Artigo - diferencia-se do editorial por não apresentar enfaticamente contexto, pode-se tomar como base a frase do jornalista Edwin Shuman,
uma receita nem representar necessariamente a opinião da empresa. Compo- que, em 1903, escreveu "o jornal moderno é uma empresa de negócios e os
sição analítica que deve ser natural, densa, concisa. Possui as etapas da retó- homens que o dirigem são movidos em grande parte pelos mesmos motivos
dos homens que conduzem uma loja de departamentos".
rica: disposição, elocução e retoque. O projeto do artigo é a explicação de um
fato, segundo propósitos variados (informar, interpretar, persuadir, induzir).
O Grande Jornal
Diálogo - a pessoa expõe seu ponto de vista sobre um fato. É um
dos elementos da narração, mas no texto informativo tem seu uso restrito. Um grande jornal que produz milhares de exemplares é uma empre-
Normalmente, é usado na entrevista, entretanto costuma aparecer também sa, uma estrutura organizacional bem planejada e administrada com muitos
em reportagens e crônicas como recurso de variedade do texto. Naturalida- funcionários, em diferentes áreas de atuação, além da redação propriamen-
de e significação são as principais exigências do diálogo. O primeiro a usar te dita.
foi O Pasquim. A naturalidade não implica reproduzir ao pé da letra uma
Ojornal funciona sobre um tripé: redação, circulação e publicidade.
conversação; deve-se evitar o pedantismo e o rebuscamento.
Todas as partes são importantes, complementares e subordinadas. Isoladas,
elas não funcionam e perdem a razão de ser.
A ESTRUTURA DOS GRANDES E PEQUENOS JORNAIS
O funcionamento de um grande jornal implica também sucursais
(RIBEIRO, 1994)
nas maiores cidades do país e correspondentes nas principais nações, como
A Era Capitalista Estados Unidos, Inglaterra, França, Argentina e Alemanha.

Ao longo da década de 80, consolidou-se no Brasil um sistema de


A Redação
comunicação que se caracterizava pela lógica capitalista, a produção se
realizava dentro de complexos industriais que concentravam técnica e ca-
i,!: É o centro vivo do jornal. Um espaço que funciona 24 horas por dia
pital.

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e no qual se encontra a razão da existência do jornal: a produção de infor-
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J~ 198 199
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OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

mação. Se a notícia se encontra na rua, sua elaboração é feita na redação. téria de rua, bem como quem deve acompanhar pelo rádio ou telefone o
A redação se apresenta hierarquizada com posições de destaque e outras de desenrolar da cobertura.
menor prestígio.
Pauteiro - é o jornalista que madruga, lê todos os jornais do dia e
produz a pauta, que é o "programa do dia" do jornal, com as matérias pos-
Editorias (TRAVANCAS, 1993) síveis, os eventos mais marcantes etc.
Radioescuta - setor ligado à redação, que funciona em sala separada
A redação do jornal diário se divide geralmente por editorias. Cada
e trabalha 24 horas por dia. O profissional desta área acompanha pelo rádio
editoria conta com um editor, subeditor, um corpo de repórteres e uma
I1I e pela televisão o que acontece na cidade.
1'1 secretária para tratar de questões burocráticas como refeições, viagens,
:11
Editor-chefe - é o encarregado de toda a redação do jornal. Está
controle do automóvel e do motorista e escala do dia. Além disso, há um
Ir! em contato com todos os editores, discutindo e decidindo a forma final do
I'
1 contínuo que cuida do material como laudas e canetas, atende telefones e
11.
"

anota recados. jornal.


I:
Editorialista - é o jornalista destacado para escrever diariamente o
São seis ou sete editorias que têm por tema e objeto de trabalho
editorial que reflete a opinião do jornal.
os seguintes assuntos: esportes, cultura, notícia internacional, economia,
política, assuntos diversos, ciência e/ou saúde; cadernos especiais como
OS ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA MENSAGEM JORNA-
televisão, turismo, suplementos de domingo e/ou literatura.
LÍSTICA (MEDINA, 1988)

Funções do Jornalista Elementos Estruturais Característicos do Processo de Informação


Da realidade à sua representação num veículo de comunicação ocor-
Repórteres - são os profissionais que vão à rua apurar as informa- re uma série de interferências que irão afetar o conteúdo e resultado final da
ções e, de volta à redação, redigem a matéria. notícia. A consciência dessa codificação é importante para que o jornalista
Redatores - são os responsáveis pelo texto final do repórter, título e atue de maneira crítica, e não como mero executor.
legenda da foto.
Fotógrafo - acompanha o repórter na apuração. Níveis Comunicacionais da Angulação

Diagramador - planeja visualmente a página do jornal sob orienta- Grupal - identifica-se com a caracterização da empresa jornalística
ção do editor. em que a pauta é tramitada. A empresa está ligada a grupos econômicos e
Subeditor - assistente do editor, trabalha junto com o redator e o políticos e conduz o comportamento da mensagem à sua formulação esti-
1:'
diagramador na montagem da página. ~>'
~ lística. Está presente nas páginas editoriais, de opinião e em toda a codifi-
cação do jornalismo informativo.
Editor-chefe de editoria - responsável pelas matérias publicadas e o
espaço a elas destinado. Massa - está difuso em todas as mensagens do jornalismo informa-
tivo e interpretativo. Envolve a informação com ingredientes certos de con-
Chefe de reportagem - é quem decide em algumas editorias, como sumo. Nota-se na formulação de textos, títulos, manchetes, apelos visuais,
economia e cultura, o repórter mais apropriado para fazer detenrtinada ma- com a preocupação de atender a um gosto médio dos leitores. Está nas

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OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

aparências externas, formas de diagramação atraente, apelos lingüísticos MECANISMO DE EXPRESSÃO OPINATIVA (MELO, 1994-B)
e visuais. O jornalismo de entretenimento seria o ponto culminante deste
Mecanismo de Controle: Pauta
tipo de mensagem.
Pessoal - não se encontra isolado dos outros níveis comunicacio- A pauta é um~ contribuição norte-americana que adquiriu no Brasil
nais; a estrela de redação segue as tendências de consumo de massa e não características diferentes daquelas do seu país de origem. No Brasil, há
vai contra o nível grupal da empresa. Está mais relacionado ao revestimen- um detalhamento efQ relação ao conteúdo que se pretende divulgar. Isso
porque os repórteres "brasileiros são inexperientes se comparados aos dos
to externo (estilo) e não ao método de captação.
Estados Unidos da Aplérica, os quais também são mais bem remunerados.
c:I Por meio da pauta, fazem-se previsão, roteiro e pré-seleção das in-
Subcategorias de Angulação ;~;
formações a serem publicadas e também se distribuem as tarefas aos pro-
Angulação informativa - há presença de todos os níveis, mas predo- fissionais da redação.
mina o nível massa. A pauta não somente enumera temas ou assuntos, mas indica ângu-
Angulação interpretativa - há também a presença de todos os níveis, los pelos quais os fatos devem ser apresentados.
mas também predomina o nível massa.
~ Distorções da Pauta
Angulação opinativa - predomina o nível grupal, mas pode dar mar- ')~

",.",
gem à pessoalidade. A pauta é feita principalmente a partir do que publicam os próprios
jornais e esses se auto-alimentam, criando um círculo vicioso. Aquilo que
Edição foge da percepção imediata e não aparece nas edições em circulação deixa-
rá de ser objeto de informação.
O editor (gatekeeper) é o responsável pela angulação da matéria,
Em alguns casos, a pauta reflete a idealização das pessoas que per-
por isso está em perfeita sintonia com o nível grupal da empresa em que
manecem na redação e não daquelas que estão em contato direto com os
trabalha e o nível massa das demandas da indústria da informação.
fatos ou com os protagonistas das notícias.
O editor define a formulação da mensagem e seu acabamento: a co-
A pauta é decidida e discutida em um círculo muito fechado em
leta de informações, a orientação do repórter e a determinação da matéria reuniões em que participam exclusivamente editores, pauteirqs, chefes de
na página, a visual idade e acabamento do texto. reportagem e o editor-chefe. Da decisão final, participam também os diri-
gentes da empresa.
Captação de Dados A pauta, muitas vezes, pode limitar o comportamento dos repórteres
durante a cobertura ao condicionar os temas, assuntos e ângulos a serem
É feita pelas grandes agências de notícias, pelo corpo de repórteres
apresentados.
e pelas fontes. O repórter atua como intermediário e faz a interface entre a
realidade e sua representação.
Mecanismos de Controle: Cobertura
Seu trabalho é afetado pelas condições técnicas, potencial próprio e .i;
.ot:
carga cultural. Sofre interferências dos níveis grupal (quanto ao conteúdo) :l"',. ~ A cobertura é a estrutura organizada para garantir o acompanha-
e pessoal (estilo de argumentação). mento do que está ocorrendo na sociedade. Não implica, necessariamente,

202 203
Técnicas de Jornalismo

OBRAS JORNALÍSTICAS

Mecanismo de Controle: Copidesque


produção de matérias a serem difundidas, mas uma familiarização com os
fatos e seus personagens. O copidesque representa um papel de microfiltro dentro da redação.
Em geral, os grandes jornais estruturam a cobertura no sentido de Trata-se de um recurso editorial para a unificação da língua ou correção de
eventuais deslizes gramaticais. É um mecanismo final que dispõe a empre-
legitimar os núcleos de poder: a Presidência da República, congressos, se-
sa para controlar o que é publicado, especialmente nas páginas em que a
cretarias de estado etc. Nesse sentido, as mobilizações comunitárias e a
autoria é coletiva; sua atuação é restrita ao jornalismo informativo já que,
vivência dos leitores passam apenas a figurar quando surgem problemas de
nos textos de natureza opinativa, os articulistas têm liberdade maior para
grande repercussão como greves, acidentes, catástrofes etc.
conduzirem suas narrativas.
A tarefa do copidesque tem sido substituída, em parte, pelos ma-
Distorções da Cobertura
nuais de redação, porque os repórteres devem atender às recomendações
A cobertura se toma elitista tratando, principalmente, dos assuntos contidas neles para evitar possíveis erros.
de uma minoria, o que afasta os leitores dos jornais. Ela conduz o compor-
tamento dos repórteres que acabam aceitando, sem questionar, as versões Mecanismos de Controle: Títulos e Manchetes
dos informantes principais. Isso tem sido usado por assessorias de impren-
A expressão opinativa também é resultado do destaque ou da re-
sa para "plantar" notícias.
dução que se dá às unidades redacionais como títulos e manchetes. Isso
fica claro ao observar que uma matéria de primeira página provoca maior
Mecanismos de Controle: Fontes impacto e influi na formação do cidadão, fornecendo um referencial para

Fontes próprias - correspondem ao serviço noticioso da empresa a coletividade.


O título é o anúncio da notícia. No início do jornalismo, utiliza-
como correspondentes, sucursais e reportagem local. Quanto maior for a
utilização de fontes próprias, mais controle tem a empresa sobre o processo vam-se títulos-rótulos, pois pouco tinham a ver com a notícia publicada.
Somente com a popularização da imprensa e com a concorrência no mer-
de seleção; quanto maior a dependência de fontes externas, maior a possi-
fi" cado jornalístico é que os títulos ganharam novas formas, com o uso de
bilidade de ter sua linha editorial manipulada por interesses externos. ,",rn~d

manchetes e de títulos chamativos.


Fontes contratadas - são as agências informativas que se espe-
O uso do título e da manchete é uma forma de motivar o leitor. O
cializam na cobertura de fatos nacionais e internacionais. Dificulta a pos-
título anuncia a notícia e resume seu conteúdo, além de dar aspecto atraente
sibilidade de confrontação de dados, pois o fluxo noticioso é direcionado 'l,;
à página do jornal e ter valor editorial, pois indica a importância relativa
dos grandes centros - Nova York, Londres, Paris - para os pólos nacionais
como Rio de Janeiro e São Paulo, e desses para outras cidades do Brasil. ~. da notícia.
.1
Os títulos e manchetes emitem opinião, uma vez que a notícia atribui
Essa dependência se dá por fatores econômicos, visto que poucas empresas
um sentido ao fato. E o título, ao refleti-lo, também indica uma tendência.
têm condições de manter correspondentes no exterior.
Há títulos que dissimulam o conteúdo ideológico e os que emitem
Fontes voluntárias - funcionam a partir dos serviços de relações-
claramente um ponto de vista. Títulos e manchetes podem indicar a perso-
públicas e de assessorias de imprensa, por meio da propagação de press
releases por instituições relacionadas aos centros de poder. nalidade dos jornais.

205
204
OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

AS TÉCNICAS DE FETICIllZAÇÃO DOS FATOS(MELO, 1994-B)


maiores são as chances de tomarem-se notícia e integrarem o discurso jor-
nalístico.
A ideologia que apresenta a notícia como a exploração do fato ex-
traordinário e que foge à rotina leva à eterna busca do novo e do diferente Os acontecimentos jornalísticos são de natureza especial e distin-
e faz com que fatos pouco importantes tomem o espaço de questões de guem-se dos outros em função de uma classificação dada pelas leis da pro-
interesse social. babilidade. A notícia é, no mundo moderno, o negativo da racionalidade,
pois o racional é da ordem do previsível.
CRÍTICAS AO LIDE E À PIRÂMIDE INVERTIDA
I' REGISTROS DE NOTABILIDADE DOS FATOS
O lide e a pirâmide invertida são técnicas utilizadas no Brasil, dada :j'.'
a influência do jornalismo norte-americano. Essas técnicas pressupõem a Excesso - corresponde ao funcionamento diferente da norma. Ex.:
construção da matéria jornalística como um processo de seleção e exclusão massacre de aldeias por tropas, e o juiz aplica penas excessivas sem obser-
dos fatos, em que as informações importantes são apresentadas no primeiro var atenuantes.
parágrafo - lide. Falha - ocorre por defeito ou insuficiência. Ex.: a queda imprevi-
A pirâmide invertida provoca uma ruptura com a linearidade temporal sível e repentina da bolsa de valores, motim nas penitenciárias, acidentes,
dos fatos, configurando a notícia como uma construção parcial da realidade. cataclismos etc.
Seu uso induz a uma fragmentação dos conteúdos e desvirtua a realidade. Inversão - é a teoria que considera fato jornalístico o homem que
O critério de seleção para determinar assuntos de interesse social, a morde o cão e não o inverso. Ex.: quando um militar dispara contra o gene-
exposição fragmentada dos fatos e a narrativa dos acontecimentos fora da ral. É chamado também de acontecimento boomerang.
seqüência natural - possibilitados por meio do lide e da pirâmide - dão aos
veículos o poder de excluir, montar e transformar aspectos da realidade. QUEM PRODUZ NOTÍCIAS
A fragmentação é tomada pelos autores como uma técnica merca-
dológica. O sensacionalismo e a ruptura com a normalidade fornecem à Todos os indivíduos são produtores de notícias. Embora os profis-
notícia as marcas de um produto. sionais do jornalismo tenham necessidades suplementares de notícias, es-
tas são o resultado da necessidade invariante de relatos do que não pode
A desvinculação da notícia do seu fundo histórico-social e o seu ser observado.
surgimento nos veículos de comunicação como um dado imediato dão uma
sensação de eterna efemeridade dos fatos, como se fossem mercadorias que A mídia atua como uma agência na produção de acontecimentos nas
logo devem ser consumidas ou substituídas. salas de redação, como organização formal. As instituições de criação de
livros estão reflexivamente relacionadas ao conteúdo das notícias anterior-
mente publicadas.
O ACONTECIMENTO COMO REFERENCIAL JORNALÍS-
TICO (TRAQUINA, 1993)
UMA TIPOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS PÚBLICOS
É em função de sua maior ou menor previsibilidade que um fato
adquire status de acontecimento jornalístico. Quanto menos previsíveis, Acontecimentos de rotina - compreende a grande maioria das no-
tícias na imprensa diária, por isso são chamados de rotina. Nessa categoria,

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206 l.ii
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Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

TÉCNICAS DE DESCRIÇÃO E VALORIZAÇÃO DE ÂNGULOS


encontra-se, também, o trabalho de conferências de imprensa e dos promo-
tores de notícias. Descrição pictórica - apresenta o objeto, situação ou pessoa por
Acidentes - estimulam o que de outro modo seria deliberadamente meio de detalhes que, juntamente com o repórter, estão parados. Essa téc-
oculto por aqueles com recursos para criar acontecimentos de rotina. Um nica lembra o pintor diante de uma tela.
acidente com derramamento de petróleo, por exemplo, poderá fornecer in- Descrição topográfica - ressaltam-se determinados aspectos de um
formações ao público sobre o funcionamento das instituições políticas e objeto, pessoa ou situação. Numa paisagem no alto, por exemplo, as mon-
econômicas. tanhas, os rios etc. sobressaem. Destaca-se o aspecto de maior relevo e/ou
Escândalos - fornece traços normalmente ocultos da vida privada importância que deve ter prioridade na descrição.
ou dos processos nacionais e internacionais. Descrição cinematográfica - é a técnica mais dinâmica, pois admi-
J te constantes trocas de tempos e espaços. A imagem que se obtém é similar
Estrutura das Pirâmides segundo Torquato a de um filme para o telespectador. Pode-se, por exemplo, iniciar o texto
com um personagem em sua casa e, posteriormente, situá-lo no trabalho,
Pirâmide normal - corresponde ao relato do fato consoante com a ;~:
para retomar ao passado, à infância etc.
ordem cronológica; começa pelo fato menos importante para o mais impor-
tante. Esse tipo de texto é muito comum nas histórias de interesse humano,
nas matérias de perfil e que apresentam muito movimento. A narrativa é
toda seqüencial. TIPOS DE LIDE

Pirâmide invertida - as idéias do texto são distribuídas em ordem :~ Condensado - é o tipo mais tradicional. Procura responder às per-
decrescente. São relatados desde os fatos mais importantes que introduzem guntas básicas da notícia: o que, quem, quando, como, onde e por que.
a matéria no lide, até os menos importantes, que estão no final. É a mais Enumerado - é o lide que enumera os fatos principais da notícia.
usada pelos jornalistas. Chavão - emprega um dito popular para introduzir a informação.
Pirâmide mista - a estrutura textual une as anteriores. Caracteriza- Interrogativo - introduz a matéria com uma ou várias perguntas.
se por uma abertura, lide, abordando os fatos principais e, em seguida, a
Descritivo - é o lide que descreve uma ação.
entrada da matéria em ordem cronológica crescente. Geralmente, depois do
Suspense _ transmite um toque de mistério, de indefinição, a ser
lide de abertura, o texto começa a evoluir com o primeiro intertítulo.
~
.J:.,' decifrado no decorrer da matéria.
Retângulos iguais - nesse caso, há, de certa forma, igualdade na
Documentário _ enfatiza números, cifras, estatísticas ou dados his-
estrutura de idéias do texto. Cada parágrafo deve abordar o conteúdo trans-
tóricos. Utiliza-se de dados obtidos na pesquisa documental.
mitindo a idéia de mesma importância. O editorial, por exemplo, como
matéria persuasiva é uma seqüência de idéias numa estrutura de parágrafos Declaração textual- compõe-se de citação direta (uma ou mais) de

que apresentam a mesma importância. algum personagem da matéria.


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OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

Circunstancial - busca oferecer circunstâncias sob as quais o fato ",2) Eventos continuados (greves, festejos);
narrado pelo lide ocorreu.
3) Desdobramentos (suítes, continuações) de fatos geradores de in-
Ativador de interesse - procura despertar a curiosidade do receptor, teresse (acompanhamento de investigações policiais, recuperação
por meio de aspectos pitorescos da notícia. Em geral, usa-se a linguagem de vítimas);
coloquial e utiliza-se o apelo direto. 4) Fatos constatados por observação direta e que estão esperando
Dialogado - é formado pelo diálogo entre personagens da nlatéria. $'1. ser noticiados (ciclo de moda, mudanças nos costumes).
~' Conforme Lage, pautas de notícias devem conter:
'j,

PAUTAS (LAGE, 2001) I 1) Evento;


2) Hora e local;
A pauta é aplicada ao planejamento de uma edição ou parte dela.
3) Exigências para cobertura (credenciais, trajes etc.) e contatos
Relata fatos a serem cobertos, eventuais indicações logísticas e técnicas
para confirmação ou detalhamento da tarefa;
que correspondem ao ângulo de interesse, dimensão pretendida da matéria,
4) Indicação de recursos e equipamentos (mostrar se é com fotografia
recursos disponíveis, sugestões de fontes etc. '~.:,
ou sem; esclarecer as condições para captação de imagens etc.);
A pauta de reportagem normalmente é programada. Além de acom-
5) Deve-se dizer o que se espera em termos de aproveitamento edi-
panhar o desdobramento (ou fazer a suíte) de um evento, ela explora suas torial (tamanho, duração, previsão de destaque ou urgência). No
implicações, investiga antecedentes e interpreta os fatos. caso de rádio e TV, é necessário considerar a possibilidade de
O primeiro objetivo da pauta é planejar a edição. emissão local, regional ou nacional.
Caso seja necessário, ainda acrescentam-se:
A pauta pode também assegurar a consonância das matérias dos veí-
culos de comunicação com interesses empresariais ou políticos. 1) Alinhamento editorial, com dados sobre o contexto;

Geralmente, existe um pauteiro para as decisões de pauta, podendo 2) A indicação de fontes subsidiárias, consultores etc.;
o editor, em último caso, assumir tais decisões. Mas o pauteiro tem maior As pautas de reportagem ainda incluem:
autonomia, pois possui a qualidade de editor de planejamento. a) assunto;
As pautas de noticiários de rádio e jornais impressos são semelhan- b) fato gerador de interesse se houver;
tes, entretanto as de TV lembram, pelo detalhe, as de revista,ressaltando-se c) a natureza da matéria (se narrativa, exposição de tema etc.);
que ambas incluem dados relacionados com a captação de imagens. d) contexto;
e) a linha editorial;
Classificação das Pautas de acordo com Lage
f) uma definição mais precisa do que se espera em termos de apro-
veitamento;
As pautas (cobertura de fatos) contêm:
g) recursos e suporte técnicos disponíveis (em TV, tempo e condi-
1) Eventos programados Uulgamentos de acusados etc.) ou sazo-
ções de edição e sonorização, acesso a efeitos especiais e design
nais (início do ano letivo);
gráfico, participação eventual de produtores etc.).

210 211
Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALíSTICAS

A NATUREZA DAS FONTES LIMITAÇÕES EM UMA ENTREVISTA


t,
"';,
Fontes oficiais - são aquelas mantidas pelo Estado ou que mantêm o telefone limita a entrevista, pois o ambiente é controlado e não há
algum poder de Estado, como juntas comerciais e cartórios de oficio, e por ;;, a presença do outro.
empresas e organizações, como sindicatos, fundações etc. Nas entrevistas, especialmente ao vivo, no rádio e na TV, quando o
Fontes oficiosas - são aquelas ligadas a uma entidade ou indivíduo, jornalista e o repórter chegam a uma conformidade sobre o assunto abor-
entretanto não estão autorizadas a falar em nome dos mesmos. Isso denota dado, é porque a entrevista deve ser interrompida.
a possibilidade de se desmentir o que for dito por elas. Ao narrar uma história, as pessoas tendem a ser:
Fontes independentes - essas não possuem vínculo com o poder ou 1) Holísticas - partem do todo para análise de um ponto específico.
interesse específico. 2) Detalhistas - são minuciosas, pois agem analiticamente, item
As fontes oficiais são consideradas mais confiáveis. Também, ge- por item.
ralmente, não são mencionadas. Nesse caso, os dados são recebidos como Há dois aspectos que devem ser considerados numa entrevista:
verdadeiros. Ex.: estatísticas do IBGE.
1) O conteúdo.
2) A personalidade (simpática ou antipática do entrevistado).
Fontes Primárias e Secundárias

Fontes primárias - são aquelas que fornecem ao jornalista tudo que Entrevista segundo Cremilda Medina (1995)
seja fundamental para a matéria. Elas fornecem fatos, versões e números.
A entrevista é uma técnica de interação social, de interpenetração
Fontes secundárias - são aquelas que são consultadas para a pre-
informativa. Ela interrompe isolamentos grupais, individuais, sociais; pode
paração de uma pauta.
também servir à pluralização de vozes e à distribuição democrática da in-
formação.
Fontes Testemunhas e Experts
O diálogo, na entrevista, deve ser proposto de modo a ser trabalhado
1) Fontes testemunhas - normalmente, o testemunho é envolvido pela comunicação humana.
pela emoção e alterado pela expectativa criada em relação ao fato. Fonte de informação - repórter e receptor se interligam na mesma
2) Fontes experts - são fontes secundárias, na maioria das vezes. experiência durante a entrevista. O maior obstáculo é o comando em rela-
Estão à procura de versões ou interpretações de eventos. ção às tarefas de comunicação social que são executadas.
..'~
O diálogo é democrático; o monólogo é autoritário .
Jornalista como Fonte Toda comunicação está relacionada com a humanização do contato
Tanto na assessoria quanto no jornal ele é intermediário. Essa fonte interativo.
representa o leitor ou o ouvinte onde ele não pode estar. Fica subentendido Pa~a Charles Nahoum, a entrevista se classifica em: recolher fatos,
que o público lhe permite selecionar e divulgar o que possa ser interess;;nte, informar e motivar.

212 213
OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

Edgar Morin, na década de 60, retoma a contribuição da entrevista Co' Entrevistas de raridade
não-impositiva, não-diretiva, resgatada pela contribuição de Carl Rogers
I) A entrevista-diálogo - ocorre em forma de bate-papo em que o
ao refletir sobre a entrevista no rádio e na televisão.
entrevistador e o entrevistado cooperam no intuito de esclarecer
Ele acredita na prática do diálogo. Segundo Morin, o diálogo é uma os fatos que podem dizer respeito à pessoa do entrevistado ou a um
práxis que, de acordo com o marxismo, é o conjunto das atividades huma- problema. o: diálogo como entrevista surge no rádio e na TV.
nas que promovem a transformação social. 2) As neoconfissões - é uma entrevista em profundidade da psi-
Morin ressalta que a entrevista não-diretiva estabelece uma situação cologia social. Nesse caso, o entrevistador se apaga diante do
em que o entrevistado também tem direito à palavra, não há só a questões entrevistado.

preestabelecidas.
Subgêneros da espetacularização
A entrevista, na comunicação coletiva, segundo Me.dina, distingue-
se em dois grupos: entrevistas cujo objetivo é espetacularizar o ser humano I) Perfil pitoresco - é a caricatura do perfil humano. Ressalta-se
e entrevistas que esboçam a intenção de compreendê-lo. basicamente a fofoca, o grotesco, os traços sensacionalistas, o
picante de acordo com os modismos sexuais.
Entrevistas Extensivas e Intensivas 2) Perfil inusitado - procura-se extrair da pessoa o que a caracteri-
zaria como excêntrica, exótica.
Entrevista extensiva - como enquetes com aplicação de questioná-
3) Perfil da condenação - força o direcionamento da entrevista, fa-
rios pré-elaborados por uma equipe especializada. zendo que o indivíduo acusado seja implicitamente condenado.
Entrevista intensiva (a não-diretiva de que fala Rogers) - Morin 4) Perfil da ironia "intelectualizada" - extrai da pessoa, geralmente
se apega a essa. O entrevistado exerce o papel principal durante o diálogo; uma fonte do mundo artístico ou cultural, político ou científico,
a entrevista flui com naturalidade diante da situação inter-humana, sendo uma forma de condenação, pois suas idéias e sua contribuição
capaz de atingir a auto-elucidação. são ironicamente contestadas pelo jornalista.

Classificação da Entrevista segundo Edgar Morin (1968) Subgêneros da Compreensão - Aprofundamento

Entrevistas superficiais: Entrevista conceitual - é realizada a partir de capacitação infor-


mativa. O jornalista procura especialistas de várias áreas de atuação em
1) A entrevista rito - hic et nunc - as palavras dos jogadores, espe-
busca, sobretudo, de conceitos. Solicita-se o diálogo explícito, baseado em
cialmente campeões no final dos jogos; das misses após terem pergunta -e-resposta.
ganhado o concurso etc.
Entrevistalenquete - o tema da pauta é essencial. Além disso, pro-
2) A entrevista anedótica - ocorre em tomo dos mexericos. O cura-se mais de uma fonte para falar sobre ele. Admite-se uma pauta ou
entrevistador e o entrevistado permanecem afastados daquilo questionário, e a narração deve ser em terceira pessoa, com divisões - in-
que possa comprometê-los. tertítulos ou retrancas - por tema, tendência ou juízos de valor.

214 215
.--1...
OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

Entrevista investigativa - é conhecida como "o Caso Watergate" 2) Fonte lidertípica - são os produtos produzidos em países alta-
pela imprensa dos Estados Unidos. O objetivo, nessa entrevista, é investi- mente industrializados. É o caso do rock nos EUA ou na Ingla-
gar além do que está acessível ao jornalista. A entrevista em o.ff(quando o terra; a exportação é inevitável;
entrevistado não é identificado na matéria) e em on (quando o entrevistado 3) Fonte osmotípica - decorre da dinâmica de trocas culturais.
é identificado na matéria) é técnica essencial da entrevista investigativa. O
A entrevista jornalística passa por diferentes níveis entre o momento
texto narrativo, normalmente, é elaborado em discurso indireto e na tercei-
ra pessoa. de definição de pauta e sua consecução:

Confrontação-polemização - geralmente, ocorre quando existem I) É relevante o sustentáculo demarcado pelo estágio histórico da
temas polêmicos em que se percebem as contradições e ambigüidades técnica comunicacional;
diante dos fatos. Os veÍCulos de comunicação coletiva utilizam o debate, 2) O nível de interação social desejado pelo entrevistador;
a mesa-redonda, o painel, o simpósio ou o seminário. Nesse caso, usam
3) As possibilidades de criação dos jornalistas e de ruptura com as
parágrafo e travessão na pergunta-e-resposta.
rotinas das empresas ou instituições comunicacionais que, geral-
Perfil humanizado - é uma entrevista aberta que pretende com- mente, empobrecem o trabalho jornalístico;
preender conceitos, valores, comportamentos e histórico de vida do entre-
4) Propósito que ultrapassa os limites da técnica imediatista, ou
vistado. Pode recorrer à primeira pessoa (do entrevistado), segunda pessoa
(o uso apelativo de você). O caráter pergunta-e-resposta poderá também seja, a tentativa de desvendamento do real- uma atitude de pro-
ser utilizado em determinados perfis em que os conteúdos verbais se des- funda especulação acerca da pauta;
tacam. 5) Ao lidar com o perfil humanizado, consciente ou inconsciente-
De acordo com Medina, as ações ou decisões jornalísticas atendem mente, se faz presente o imaginário, a subjetividade;
sempre a três variantes fundamentais no processamento da informação em 6) O uso do travessão proporciona mais vivacidade à entrevista.
relação à indústria cultural atual:
Três linhas de montagem das informações:
I) Influência grupal- a oferta na sociedade capitalista ou a ideolo-
1) Modelo lógico, linear - é conhecido como a pirâmide invertida;
gia do grupo institucional que coordena ou orienta certo veículo
de comunicação; 2) Modelo fragmentário, mosaico - Abraham Moles disse que o
2) Influência coletiva - sofre influências do consumidor ou exigên- meio moderno estimula a fragmentação. Ele conceitua assim esta
cias do público a quem se dirige o produto informativo; oposição: tradicionalmente, o pensamento coerente, linear; mo-
dernamente, o pensamento-mosaico. A matéria-mosaico pode ser
3) Criação e iniciativa dos produtores individualizados - atende
montada na página, por intermédio de blocos, massas de texto,
às influências grupal e coletiva.
fotos, ilustração, os quais "costuram" o todo;
O conteúdo informativo ressalta sua identidade com uma das três
fontes de inspiração: 3) Modelo alógico, alinear (antimodelo) - são conquistas expres-
sivas que efetivamente simbolizam o alógico e o alinear de nosso
1) Fonte arquetipica - os conteúdos comuns da cultura de massa
mundo imaginário, subjetivo. Seu repertório se constitui, de um
representam a herança de temas arquetípicos. Ex.: As tramas de
novelas; lado, pelo humano, de outro, pelo intelectual (artístico e científico).

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OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

Classificação de Entrevistas Segundo Lage (2001) para fazer um briefing (resumo) de sua atividade. A entrevista co-
letiva tem como principal limitação o bloqueio do diálogo.
Quanto aos objetivos:
4) Dialogal - é a entrevista considerada excelente. Em princípio,
I) Ritual- é breve e a entrevista está mais situada na exposição (da
ela é marcada com antecedência; além disso, reúne entrevistado
voz, figura) do entrevistado do que no que ele tem a dizer. Ex.:
e entrevistador em ambiente controlado. Há um enriquecimento
entrevista de jogadores, visitantes ilustres. Buscam-se desvios da conversação, permitindo o aprofundamento e detalhamento
ou falhas de protocolo, nuanças na fala diplomática. dos aspectos abordados.
2) Temática - aborda um tema sobre o qual se sUpõeque o entrevista-
do tenha condições e autoridade para discorrer. Geralmente, consis- A Entrevista na TV
te na exposição de versões ou interpretações de acontecimentos.
A apresentação da entrevista na TV pode ser ocasional ou ao vivo.
3) Testemunhal- trata-se do relato do entrevistado sobre algo de
Em ambos os casos, há riscos e restrições. A entrevista televisiva tem um
que ele participou ou a que assistiu. A reconstituição do evento enorme poder de devassar a intimidade do entrevistado por meio da imagem,
é feita do ponto de vista do entrevistado que, usualmente, acres- a partir de dados como sua roupa, seus gestos, seu olhar, a expressão facial e
centa suas próprias interpretações. o ambiente. A produção na TV é mais bem planejada e o entrevistador pode
4) Em profundidade - o objetivo da entrevista não é um tema parti- se tomar o centro das atenções do programa, prejudicando a informação.
cular ou um acontecimento específico, mas a figura do entrevis-
tado. Procura-se construir uma novela ou um ensaio sobre o per- ~.
TÉCNICAS DE CODIFICAÇÃO EM JORNALISMO (ERBO-
sonagem, a partir de seus próprios depoimentos e impressões. " I"" LATO, 1979)
Quanto às circunstâncias de realização, as entrevistas podem ser: Reportagem em Profundidade
i"'l'1i.1

I) Ocasional - não é programada ou, pelo menos, não combina- A reportagem em profundidade oferece ao leitor os antecedentes
da previamente. O entrevistado dará, provavelmente, respostas completos dos fatos que originaram a notícia.
mais sinceras ou menos cautelosas do que se houvesse aviso pré-
Ela ilustra as circunstâncias no momento em que os fatos ocorreram.
vio. Políticos, por exemplo, formulam declarações maliciosas, Além disso, diz o que poderá resultar no futuro, em conseqüência delas.
que poderão corrigir ou desmentir posteriormente.
Comenta todos os fatos e situações anteriormente descritas, o que
2) Confronto - o repórter lança sobre o entrevistado acusações e constitui uma análise.
contra-argumentos, eventualmente com vigor, tendo como base
Reportagem investigativa pode ser aplicada a quase todos os temas.
algum dossiê ou conjunto acusatório. O recurso é comum em A reportagem em profundidade exige:
jornalismo panfletário.
I) Antecedentes - são as informações complementares às notícias
3) Coletiva - o entrevistado é submetido a perguntas de vários repór- do dia.
teres, que representam diferentes veículos, em ambiente de maior
2) Humanização - significa levar a informação até o ambiente do
ou menor formalidade. Altas autoridades, situadas em um centro
leitor, de maneira que ele o sinta. Enquadrar o personagem de um
de decisões, costumam dar entrevistas coletivas periodicamente
acontecimento no mesmo cenário que a maioria dos leitores.

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218 Ao' 'I, ~~ 219


OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

Vantagens dos Jornais Impressos sobre o Rádio e a TV 2) Precisão (deve ser sintética, sem rodeios);

Tempo - o leitor decide quando e onde deve ler.


~. 3) Honestidade;
. 4) Imparcialidade .

.~
\
Espaço - pode-se dar profundidade às reportagens.
Durabilidade - a notícia está ao dispor do leitor enquanto o jornal AS CATEGORIAS DO JORNALISMO
não for danificado.
Somente a partir da Segunda Guerra Mundial é que o jornalismo de
Jornalismo Diversional interpretação das notícias foi adotado.
A interpretação é uma forma de valorizar a opinião pública.
Para Mário Erbolato, o jornalismo diversional corresponde à des-
Conforme John Hohemberg, "O novo não só trata de explicar e in-
crição de fatos reais, mas com o texto intercalado por diálogos. O repórter
formar, mas atreve também a ensinar, a medir e a valorizar". O jornalismo
procura vivenciar o ambiente e os problemas dos envolvidos e não se limi-
,~
interpretativo procura atribuir significado e sentido às ocorrências que rela-
tar às entrevistas superficiais. Ex.: revistas ilustradas.
ta. Ele estabelece conexões entre um fato e uma situação ou contexto mais
amplo. Seguem-se três direções:
Conceito de Notícia
I) Os antecedentes de um fato;
A notícia deve ser inédita, verdadeira, objetiva e de interesse públi- 2) O respectivo contexto social;
co. Ela varia no tempo, espaço geográfico e segundo critérios das empresas 3) As conseqüências do que ocorreu.
jornalísticas.
As categorias do jornalismo são:
Toda redação é, ao mesmo tempo, receptora de mensagens (despa- I) Informativo;
chos de agências, sucursais) e emissora de parte do que recebe (a matéria
2) Interpretativo (jornalismo em profundidade, explicativo ou
publicada).
motivacional);
O noticiário deve ter utilidade pública para os leitores e influen-
3) Opinativo;
ciá-los pessoalmente. A melhor qualidade da notícia é representada pelo
aumento do número de leitores. 4) Diversional.

A notícia é o relato de algo novo, mas também pode ser uma nova
Características do Jornalismo Interpretativo
etapa de um fato que aconteceu há muito tempo. Ex.: as matérias que fa-
lavam sobre um ano de desabamento das torres doWorld Trade Center em Há explicação das causas de um fato, localização dele no contexto
Nova Iorque. social (ou histórico) e suas conseqüências.
O critério de seleção da notícia não é fixo, pois varia de acordo com
é
1, A finalidade do jornalismo interpretativo é aquela que sugere clare-
.t:
as empresas. za e ilustração.
A notícia deve ter características como: O jornalismo interpretativo não deve ser usado para dirigir ou con-
I) Objetividade; dicionar a opinião do povo.

220 221
OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

o novo jornalismo pretende aprofundar-se na análise das ocorrên-


,. Aventura e conflito - são as matérias que revelam a ousadia de pes-
cias e complementá-las com matérias paralelas, mas sem que seja emitido
soas que planejam golpes fantásticos, visando ao enriquecimento ilícito.
juízo de valor em relação aos fatos.
Ex.: assassinatos, rixas.'
É preciso separar informação, interpretação e opinião.
Conseqüências - são matérias que tratam de epidemia ou outros
Segundo Lester Markes, são três os aspectos da divulgação de um
fatos que geram implicações como, por exemplo, uma epidemia que come-
fato:
çou na Argentina, mas tem possibilidade de atingir o Brasil.
1) Notícia - informar algo;
2) Interpretação - explicar por que; Observação: se~ a possibilidade, deixa de ter conseqüências.
3) Opinião - expressar um juízo de valor.
Humor - além da informação, há também entretenimento.
Para Lester, a interpretação é essencial nas colunas das notícias. No
Raridade - notícias que escapam do cotidiano. Ex.: fruta com for-
entanto, a opinião deve ficar limitada às colunas editoriais.
mato de corpo humano, nascimento de crianças grudadas por algum órgão
O editorial é institucional. Ele pode esclarecer, ilustrar, formar opi- de seus corpos.
niões, induzir à ação e até entreter.
Progresso - o conteúdo da matéria transmite a idéia de melhores
A interpretação ou comentário somente ocorreu de forma intensa condições de vida. Ex.: construção de novas escolas.
depois do surgimento do rádio e da TV.
Sexo e idade - referem-se às notícias populares direcionadas às
A interpretação deve ser pessoal e precisa. Ela representa ponto de classes C e D. Ex.: em relação ao sexo: as fotos de mulheres nuas; adulté-
vista e opinião pessoal exclusivos de quem a elabora. rio em função da homossexualidade. Idade: casamentos entre pessoas de
idade avançada.
"*!
CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DAS NOTÍCIAS Interesse pessoal - embora os jornais destinem-se à massa, abor-
dando assuntos de repercussão geral, eles devem também divulgar notícias
Proximidade - são todas as notícias locais e fatos que ocorreram fi
-'!{ que afetem pessoalmente cada um dos leitores.
perto do leitor e são ligados a ele.
Interesse humano- ao narrar o fato, deve-se ressaltar o drama dos
Marco geográfico - refere-se à notícia, mas não à sua procedência. {JI
envolvidos, descrevendo o que a vítima e o assassino sentiram, por exem-
Ex.: acordo assinado em Paris que beneficia Brasília (isso é assunto para {'
..-\) plo. Também devem ser expostas as conseqüências do fato .
todos os jornais da capital do Brasil).
Impacto - abalo moral causado por acqntecimentos impressionan- Importância - o editor é quem avalia qual matéria é a mais impor-
tante para então selecioná-la.
tes. Ex.: filho que mata os pais; proibição de última hora de realização de
um grande festival. Rivalidade (dentro da notícia) - o fato transmite a idéia de antago-
nismo. Ex.: campeonatos.
Proeminente - é tudo que está relacionado a pessoas importantes
e/ou famosas. Ex.: matérias frias que falam sobre a vida amorosa de artistas Utilidade - são os informativos de fim de semana, cinema, cotação
ou milionários. do dólar. Aparentemente não têm muito valor, mas são muito procurados
pelos leitores.

222
223
Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Política editorial do jornal - depende de cada órgão e de suas di- Sintética - 3Q (Quem, O Que, Quando).
retrizes; pode ser dado mais destaque ao crime, ao esporte, à política ou à Valorização dos elementos da notícia:
agricultura. 1) Quem - pode-se valorizar o sujeito ativo no lead. Só será em-
Oportunidade (gancho) - deve haver sempre um motivo para a di- pregado na voz passiva, quando o sujeito passivo for pessoa mais
vulgação de qualquer reportagem. Mesmo as matérias frias. importante que o ativo. Ex.: o papa João Paulo 11foi baleado ...
Dinheiro (dentro da notícia) - são as matérias cujo assunto está di- 2) Que - trata-se do fato propriamente dito. Ex.: foi baleado;
retamente relacionado ao dinheiro. Ex.: Quando alguém ganha sozinho a
3) Quando - apresenta o momento em que ocorreu o fato. Ex.:
loteria.
ontem, às 15 horas ...
Expectativa ou suspense - assuntos que levam o leitor a procurar
os jornais diariamente para acompanhar determinados fatos. Ex.: terroris- 4) Por que - é o motivo pelo qual o fato ocorreu. Ex.: por ofensiva
mo em Nova Iorque, em 200l. às ideologias da Igreja Católica ...
Originalidade - são situações, a princípio originais, pois não cos- 5) Onde - explicita-se o local em que ocorreu o fato. Ex. em uma
tumam acontecer. A originalidade pode se confundir com as classificadas praça, em ...
como raridade. Ex.: dois irmãos gêmeos que, num desastre, têm o mesmo 6) Como - mostra-se de que forma se originou o fato. Ex. com dois
ferimento.
tiros ...
Culto de heróis - recordar os gestos de bravura e patriotismo de
Técnica para a apresentação das matérias:
pessoas que se tomaram parte da história. Ex.: Pessoas que lutaram na
1) Pirâmide invertida - a matéria é elaborada a partir da entrada
guerra.
ou fatos culminantes; fatos importantes ligados à entrada; por-
Descobertas e invenções - fala-se sobre novas tecnologias e inven-
menores interessantes e detalhes dispensáveis.
ções. Ex.: declaração de um cientista sobre descobertas.
, 2) Pirâmide normal (forma literária) - detalhes da introdução; fa-
Repercussão - trata-se de um fato que só se toma relevante devido
à circunstância na qual ele ocorreu. Ex.: o assassinato de um brasileiro em tos em ordem crescente em relação à importância do fato, visan-
um país estrangeiro. Caso essa mesma pessoa fosse assassinada no Brasil, a do a criar suspense; fatos culminantes e desenlace.
notícia provavelmente não seria transmitida com a mesma intensidade. 3) Sistema misto - há exposição de fatos culminantes; a narração
Confidências - são confidências de indivíduos que dependem da ocorre em ordem cronológica.
preferência popular. É um tipo de texto utilizado pelos cronistas sociais.
Tipos de lead
Ex.: casamento de ator ou gente famosa.
Lidão - é aplicado em matérias especiais de qualquer extensão e
quando o jornal dedica uma página inteira a um só assunto geral, mesmo
NOTÍCIA QUANTO AOS ELEMENTOS QUE A COMPÕEM
que possua vários títulos. O lidão oferecerá um resumo de todos os en-
Analítica - 3Q + O + P + C (Quem, O Que, Quando, Oride, Por que, foques e servirá também como roteiro e índice. Ele deve ser redigido em
Como); corpo maior, diferente de uma chamada.

224 225
---------============l!I!!li~=>IIl!,

OBRAS JORNALÍSTICAS
Técnicas de Jornalismo

I) Lead simples - refere-se apenas a um fato principal;


2) Imprevisíveis - são os fatos que acontecem sem que se possa
2) Lead composto (lead resumo) - abre a notícia Com anúncio de prevê-los.
vários fatos importantes;
3) Mistas - é o caso de o repórter sair para cobrir um fato previ-
3) Lead integral- contém todos os elementos da notícia (3Q + O +
sível e, enquanto esse acontecimento se desenvolve, um outro,
P + C). Transmite o conhecimento exato e completo do fato;
relacionado com ele, e geralmente de maior importância, surge
4) Lead suspense ou dramático - é capaz de provocar emoção em de modo imprevisto.
quem lê;
Quanto à oportunidade de publicação, a notícia pode ser:
5) Lead-jlash - introdução resumida de uma notícia;
1) Quente (competitiva) - deve ser divulgada imediatamente.
6) Lead citação - inicia a notícia por uma citação; transcreve um
2) Fria (não-competitiva oufeature) - é a notícia que pode ser ar-
pronunciamento;
quivada por algum tempo antes de ser publicada.
7) Lead contraste - expõe fatos diferentes e opostos. Ex.: mencio-
na na matéria que, no mesmo momento que o pai era preso, o Quanto ao local da ocorrência (procedência), a notícia pode ser:
filho recebia um prêmio; 1) Internacional;

8) Lead chavão - apresenta um ditado popular ou um slogan, mas 2) Regional (estaduais e regionais);
não é muito usado; 3) Local (da própria cidade).
9) Lead documentário - serve de base histórica. O texto, no futu- Erros das notícias:
~-'
ro, poderá servir como instrumento de pesquisa; -".1
1) Lapso fisiológico - corresponde à falta de atenção do repórter
10) Lead direto - anuncia a notícia com precisão; vai direto ao fato; ~~?~
por não ouvir ou não ver bem.
't~
11) Lead pessoal - fala ao leitor;
2) Falhas técnicas de transmissão - quando ocorre troca de pala-
12) Lead retardado - leva o leitor a percorrer diversos parágrafos vras, saltos ou interferências.
do texto, para descobrir o que aconteceu. Não se trata de um lead
3) Posição psicológica do informante e até do jornalista - quan-
autêntico, mas sim de gênero jornalístico.
do esse ou aquele deixa de abordar sobre o fato com objetividade
e passa a opinar sobre ele.
Classificação das Notícias 'fi.'
'.'.
Quanto à ocorrência em si: ~_-t; INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE JORNALISMO
1) Previsíveis - são referentes aos fatos que o jornalista sabe que
Off-the-record - esclarecimento que a fonte dá ao repórter para que
irão ocorrer. Nesse caso, elabora-se antecipadamente o esquema
o,l ele entenda completamente a questão em pauta, mas que não deverá ser
de cobertura.
publicado. Deve ser evitado sempre que possível.

226
227
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• I!1:11Ii1:/.,'£!"'" •... ...•
,'~' '-------
Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

os locais. O mais importante é a massa (conjunto do que ele vê e mais lhe


Barriga - é a publicação de uma notícia que não aconteceu.
chama a atenção). É uma descrição livre e subjetiva.
Segundo clichê - ocorre quando se altera o jornal ou substitui qual-
Cinematográfica - pode ser comparado com o que se vê movimen-
quer uma de suas páginas enquanto ele ainda estiver sendo impresso. Caso
tar em uma tela, pois o jornalista está parado e os objetos se movimentam.
chegue alguma notícia importante, substitui-se uma daquelas já editadas da
Além dos elementos massa, cor e luz, há também o som. Ex.: festas, parada
edição normal pela que acaba de ser apreciada.
O copy desk possui a missão de selecionar e condensar textos de militar etc.
várias procedências, adaptando-os a um espaço predeterminado.
Entrevista (BAHIA, 1990)
Jornalismo vivo - é agente e com histórias humanas. Ex.: particula-
ridades de histórias de vida como: que dificuldade enfrentava para viver? Juarez Bahia diz que, na entrevista, a autenticidade representa um
Quais características apresenta a favela onde morava? importante fator. Isso quer dizer que as declarações atribuídas ao interlo-
Índice de nebulosidade (fog index) - é integrado pelas palavras cutor devem ser facilmente provadas. Outra exigência é a identificação do
complexas (formadas por prefixos e sufixos) ou abstratas. Quanto maior a entrevistado ou das pessoas envolvidas na entrevista de forma adequada.
porcentagem de palavras conhecidas em um texto, maior a legibilidade. Para Juarez Bahia, a entrevista é reportagem provocada.
Suíte - é o seguimento de um assunto nas edições posteriores do Classificação das entrevistas como geradoras de matéria jornalística:
jornal, em se tratando de matéria quente que continua a despertar o interes-
1) De rotina - é aquela que visa a fornecer ao repórter elementos
se dos leitores por vários dias. O redator deve expor fatos novos, além de
sobre fatos do dia-a-dia.
sintetizar a notícia original, para ativar a lembrança daqueles que leram a
2) Caracterizada - são as apresentadas em forma de diálogo ou
notícia antes, e para os que não leram possam entender.
de reprodução textual de palavras ou idéias de um ou de vários
Nova redação - refere-se a um tratamento diferente dado à matéria
personagens nomeados no texto.
que foi furada por outro concorrente no dia seguinte à notícia.
Texto-legenda - é o texto, sem explicação, que se elabora a respeito Entrevista quanto aos entrevistados:

de uma foto e que se coloca em tomo dela. 1) Individual- há um entrevistador e um entrevistado. Nesse caso,
a entrevista é exclusiva.
TIPOS DE DESCRIÇÕES DA NOTÍCIA 2) De grupo _ ocorre quando várias pessoas falam a um ou a vários

Pictórica (relativo à pintura) - as áreas de observação ôo repórter jornalistas.


3) Enquete _ o repórter entrevista várias pessoas sobre o mesmo
são restritas; o jornalista e os objetos descritos apresentam-se estáticos. O 'ri
lr-
jornalista utiliza a luz e a cor como elementos descritivos. ~~1I.
assunto.
4) De pesquisa - é aquela que colhe informações necessárias para a
Topográfica - corresponde à sensação de que o jornalista ~~ mo-
elaboração de matérias interpretativas. O jornalista investiga al-
vimenta e os objetos ficam parados. Ex.: andar pela cidade observando

229
228
OBRAS JORNALÍSTICAS Técnicas de Jornalismo

guns assuntos para esclarecê-los ao público. Ex.: entrevista com isso nem sempre ocorre, e o jornalista visa, então, somente aos
especialistas. elementos básicos para a produção da matéria.
~. 2) Opinativas - são as entrevistas com especialistas que possuem
!
Observação: a opinião não precisa ser citada nominalmente na autoridade para falar sobre determinados assuntos. Ex.: econo-
matéria. .;'Ii mista, advogado.
3) De personalidade - a intenção é mostrar quais os hábitos de
Entrevista quanto aos entrevistadores: uma pessoa e suas ambições, por meio de entrevista com a mes-
ma ou com os seus parentes, amigos e vizinhos. É diferente da
I) Pessoal ou exclusiva - quando a pessoa ouvida fala a um só jor-
biografia que é elaborada mediante consulta a livros, a recortes
nal. Há veículos que pagam determinada importância para que e a pastas do arquivo. Ex.: um personagem participa de um pro-
haja exclusividade. grama de TV como o Big Brother, transmitido pela Rede Globo,
2) Coletiva - o entrevistado se dirige a diversos jornalistas ao mes- e de uma hora para a outra fica famoso. Nesse caso, procuram-se
mo tempo. informações sobre sua vida desde antes do sucesso.

3) Conferências de imprensa - foram instituídas nos EUA por


Fontes
Teodoro Roosevelt e somente jornalistas credenciados podem
participar. As perguntas são formuladas por escrito, com nomes Fonte é qualquer pessoa que presta informações ao repórter. Confor-
do jornal e do repórter. São direcionadas a autoridades, notada- me Erbolato, classifica-se em:
mente ao presidente da República, quando pretendem se comu- 1) Fixas - são as fontes a quem o jornalista recorre todos os dias. Ex.:
nicar com os jornalistas. Polícia, Corpo de Bombeiros, Detran, Administração, Prefeitura etc.
2) Fora de rotina - são procuradas especialmente para esclarece-
4) O pool - ocorre quando um número exagerado de jornalistas
rem um fato.
comparece a uma entrevista e apesar de estarem credenciados,
3) Não declarada - segundo Luiz Orlando Carneiro, são pessoas
não há lugares suficientes para todos no recinto. Por esse motivo,
bem informadas que adiantam alguma notícia ou fazem um jul-
é selecionado um grupo apenas, por sorteio, ou considerando o
gamento ou análise sobre acontecimentos delicados.
tempo de profissão.
4) O porta-voz - trata-se de alguém que fala em nome de uma
Entrevistas quanto ao conteúdo: autoridade. Precisa ser uma pessoa reconhecida e nunca deve ser
I) Informativas - nesse caso, busca-se a descrição de um fato, por usada como sinônimo de uma fonte qualquer.
meio do diálogo com alguém que seja responsável por uma nova
idéia, testemunhou um evento ou participou de uma determinada Fonte Autorizada
situação. Muitas vezes, apenas o nome do entrevistado já equiva- A fonte autorizada substitui o porta-voz nos casos em que a autoridade
le à notícia em razão de sua popularidade e/ou poder. Entretanto, não pode oficializar a informação que, muitas vezes, pretende tomar pública.

230 231
Técnicas de Jornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Juarez Bahia assinala que, de um ponto de vista formal, as fontes 2) Passiva - as fontes que se manifestam apenas quando procura-
podem ser: das ou provocadas.

I) o repórter; 3) Institucional- é aquela que fala formal e legalmente em nome


de alguém ou alguma instituição. Ex.: bombeiros, rnOE etc.
2) o correspondente;
4) Oficiosa - é aquela que, por vezes, divulga uma informação que
3) as agências noticiosas;
pode chegar a gerar constrangimento junto à autoridade. Por
4) as sucursais do interior e do exterior; isso, ela prefere não ser identificada, principalmente porque é
5) as agências de variedades; uma integrante da estrutura administrativa.
6) os informantes; Fonte quanto à continuidade de suas atividades:
7) as entidades públicas e privadas, sindicatos e associações; I) Provisórias - aquelas que se constituem diante de um fato ou acon-
8) os setores de relações públicas governamentais e privadas; tecimento isolado. Ex.: um afogamento pode tomar um salva-vidas
uma fonte.
9) os amigos do pessoal do jornal;
2) Permanentes - é fonte que o jornalista ou o órgão de comunica-
10) o pessoal voluntário.
ção procura de acordo com o tipo de informação ou tema. Ex.: o
As fontes de informação podem ser: jornalista recorre a um médico se o tema da matéria é saúde.
1) Diretas - as pessoas envolvidas em um acontecimento, assim Fontes quanto à localização espacial:
como os comunicados e notas oficiais a respeito de um fato.
I) Centrais - aqueles que integram os grandes centros de decisão
2) Indiretas - são profissionais que sabem de um fato circunstancial- ou as agências situadas nos grandes centros globalizados.
mente.
2) Territoriais ou regionais - que se situam em territórios proviso-
3) Adicionais - segundo Octávio Bonfim, são aquelas que fornecem riamente importantes diante do desdobramento de determinados
informações acessórias ou ampliam a dimensão da história. Ex.: li- acontecimentos. Ex.: Mercosul, Mercado Europeu etc.
vros de referência, enciclopédias, almanaques, atlas, relatórios etc.
3) De base - são fontes particulares, ou relativas a eventos e episó-
Classificação das fontes em relação à forma pela qual elas aparecem
dios. Ex.: boa parte das ONOs.
na notícia:
4) Primárias - atuam em áreas específicas de informação.
I) Ostensivas - quando o leitor sabe quem forneceu os elementos
para a matéria.
<,' Apuração da Notícia
2) Indeterminadas - quando não há menção sobre quem forneceu
as informações. Segundo Octávio Bonfim, são cinco formas para a apuração da no-
~,I

~ tícia:
Fontes 1) A observação direta - consiste na observação direta dos fatos
Em relação ao fornecimento da informação, a fonte pode ser: pelo jornalista. Ele vai ao local do acontecimento para contar
como é o ambiente, a ação e as pessoas que dele participam.
1) Ativa - aquela que toma a iniciativa da informação. Ex.: ONOs.

232 233
':t~~~'~l~.'
OBRAS JORNALÍSTICAS

2) A coleta - é a apuração dos fatos por meio elerecebimento de comu-


nicados oficiais ou de conversas com fontes diretas ou indiretas.
3) Levantamento - é o processo para obter dados sobre algo que
permanece reservado.
i
'i 4) Despistamento - o jornalista utiliza recursos circunstanciais
!;Ii para levar alguém a fazer revelações de fatos que, em princípio,
11;

rir pretendia conservar em segredo. Capítulo V


II1
'il, 5) A análise - é o processo pelo qual o repórter faz um exame críti- RADIOJORNALISMO
"
co e confronta os fatos presentes com os do passado, a fim de dar
ao leitor o panorama e a perspectiva de um acontecimento.

Agências de Notícia segundo Erbolato A MENSAGEM DE RÁDIO (ORTRIANO, 1985)


Flash - acontecimento importante que deve ser divulgado imedia-
As agências de notícia podem receber as seguintes classificações,
tamente. O flash não faz parte de nenhum programa específico e pode ser
quanto à organização jurídica e finalidade:
parte de todos os programas. Nem sempre responde todo o lide. Dá somen-
1) Particulares - surgidas por iniciativa não-oficial e administra-
te o fato que está ocorrendo, sem pormenores.
das como um órgão ou empresa privada;
Edição extraordinária - semelhante ao flash, mas, neste caso, a
2) Cooperativas - há o consórcio de vários jornais que contribuem
notícia já é apresentada com mais pormenores. De acordo com a importân-
para mantê-las, repartindo, então, os lucros;
cia do fato, a emissora pode interromper a programação e ficar informando
3) Estatais - criadas pelos governos;
sobre o acontecimento enquanto houver novidade. Tanto o Flash quanto a
4) Gerais - divulgam quaisquer noticiários que possam interessar edição extraordinária podem ser emitidos diretamente do local da ação. A
aos assinantes e ao público; linguagem utilizada aproxima-se das manchetes com o emprego de uma
5) Especializadas - dedicam-se, exclusivamente, a divulgar uma ca- linguagem determinativa. São tipos de mensagens utilizadas por emissoras
tegoria específica de serviços. Ex.: notícias econômico-financeiras, que têm preocupação em fazer um jornalismo de natureza substantiva (com
agrícolas, estudantis, cinematográficas ou seções recreativas etc.; maior investimento em informação).
6) De atualidades fotográficas - distribuem apenas as ilustrações Programa especial - analisa determinado assunto de importância
dos fatos com as respectivas legendas; para a atualidade ou interesse histórico. Pressupõe pesquisa profunda sobre
7) De artigos - contratam matérias assinadas por nomes de destaque o tema no que diz respeito às informações textuais, às sonoras e às entre-
no jornalismo nacional ou internacional para interpretar os fatos; vistas. Sua emissão deveria ser opcional, mas também pode ser apresen-
8) Nacionais - referem-se apenas aos fatos nacionais e têm por fi- tado com periodicidade fixa ao se escolher os fatos importantes para cada
nalidade fornecer notícias apenas aos jornais do país onde pos- edição.
suem a sede; Boletim - noticiário apresentado com horário e duração determi-
9) Internacionais - divulgam informações de e para todo o mundo. nados. Possui características musicais de abertura e de encerramento. In-

234

I
,I
Radiojomalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

"
forma o ouvinte sobre os acontecimentos importantes entre uma emissão 4° nÍvel- tratamento mais profundo da informação. Apresenta fatos
e outra. Pode abranger noticiário local, nacional, internacional. Duração da atualidade e os comentários sobre esses fatos podem, casualmente, ser
média de 3 a 5 minutos. Não apresenta pormenores, limita-se à informação apresentados: os jornais;
sobre os fatos. 50 nível - informação integrada a outros assuntos não propriamente
Jornal - apresenta assuntos de todos os campos de atividades, jornalísticos que servem para manter o interesse do programa. Ex.: progra-
estruturados em editorias; contém informações mais detalhadas dos fatos. ma de variedades (ou radiorrevista).
Contém reportagens gravadas e ao vivo. Também podem estar presentes
comentários opinativos/ou interpretativos. A duração do jornal varia de Estrutura Jornalística do Rádio
quinze minutos a uma hora. Precisa ter o script bem estruturado, para que
possa ir ao ar sem problemas. Apresenta características de abertura e encer-
o rádio tem condições de transmitir a informação com mais rapidez
que qualquer veículo (imediatismo à notícia), em razão da utilização de
ramento, vinhetas etc. Horários mais adequados: entre 6h e 9h, 12h e 14h,
poucos recursos. Ele pode divulgar os fatos quando estão acontecendo.
18h e 19h e 22h e 24h. Tem duração e periodicidade fixas.
Necessita, portanto, de menos recursos materiais e humanos do que a TV.
Informativo especial - informações sobre determinado assunto ou
setor específico. Ex.: noticiário esportivo. Pode ter característica de bole-
tim ou jornal em função da duração. Geralmente, existe enquanto tal assun- Barreiras do Rádio
to está em evidência como, por exemplo, campeonato mundial de futebol. 1) A improvisação que, por muito tempo, predominou nas emissões
Eventualmente, é possível que ele seja também transmitido permanente-
informativas;
mente na programação.
2) Desconhecimento ou menosprezo pelas características do rádio;
Programa de variedades - sem estar diretamente ligado à atualida-
3) Subordinação do radiojomalismo à direção artística (profissio-
de, possui variedade em seu conteúdo, como música, humor, esclarecimen-
nais que não são do rádio) e falta de profissionais qualificados.
to de dúvidas e prestação de serviços.

Níveis de Informação no Rádio segundo Fans Belan Potencial do Rádio

É imediato; tem flexibilidade na gravação, que pode dispensar mais


São classificados cinco níveis estabelecidos em ordem de interesse
e atualidade decrescente: atenção ao noticiário local; tem maior facilidade para cobrir acontecimen-
'11
1° nÍvel- notícia emitida assim que ocorreu o fato:jfashes e edições tos imprevistos.
extraordinárias;
CARACTERÍSTICAS DO RÁDIO (PRADO, 1989)
2° nível - informativos especiais a fim de tratar do fato de modo
mais complexo possível: os especiais, cujo fato que lhes dá origem moti- Tipologia de Notícia em Rádio
voujfashes e edições extraordinárias;
Notícia Estrita
3° nível - conjunto de notícias selecionadas, avaliadas e tratadas no
A notícia estrita corresponde aos serviços de hora em hora.
primeiro estágio informativo: os boletins;

237
236
"~~.
'~>'
OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojornalismo

Estrutura da notícia estrita D Direta - é a mais difícil de executar, pois não há possibilidade
1) Entrada; de retificação ..Tem de se controlar o ritmo e o tempo, pois a en-
trevista é feita ào vivo;
2) Dados mais atraentes;
2) Diferida - é montada antes da emissão, controla-se sua duração
3) Um dos dados novos;
e corrigem-se possíveis erros.
4) Um redundante;
5) Um dado novo; Tipos de Entrevistas
6) Um redundante;
Noticiosas- o entrevistado expõe de forma espontânea e desordena-
7) Um dado novo; da os dados que respondem às perguntas. Em uma segunda fase, a
8) Este mesmo esquema até esgotar todas as informações; pergunta é redundante e o entrevistado oferece a mesma informação
mais elaborada literariamente. Na montagem, pode-se eliminar uma
9) Encerramento: os dados que podem ajudar a fixar o fato mais ;,
das fases da resposta, permitindo modificar as perguntas confusas.
importante. t
De caráter - tem como eixo a personalidade do entrevistado, que é
mais importante do que o conteúdo de suas respostas. A montagem
Notícia com Citações
não é aconselhável, pois esse tipo de entrevista não pode tirar a fi-
A notícia com citações possui estrutura semelhante à notícia estrita, delidade expressiva. Para se fazer este tipo de entrevista, é preciso
porém alguns dados são expressos pela voz do protagonista dos fatos, ou conhecer profundamente o entrevistado. Entrevistador e entrevista-
seja, pelas fontes. Com essa estrutura, a notícia ganha ritmo e sustentação. do travam um diálogo. Inicia-se com uma apresentação breve do en-
trevistado e, durante a entrevista, deve-se repetir a todo o momento
Em geral, a citação não está incluída na entrada, mas nos parágrafos se-
o nome dele.
guintes.

Tipos de Entrevistas Noticiosas


Notícia com Entrevista
As entrevistas noticiosas têm como eixo a informação. Existem três
A notícia com entrevista contém o início atrativo que responde "a
tipos:
quem" e "o que". Depois da entrada, segue a entrevista para fornecer os da-
'I 1) Estrita - é a mais usada e se caracteriza pela brevidade. Serve
dos dos fatos e responder ao porquê. No encerramento, usa-se a função de
para veicular uma informação pelo seu protagonista ou fonte.
redundância para reforçar a mensagem, para que ela não seja prejudicada
N esse caso, o encerramento é opcional, podendo-se concluir
II pela falta de permanência.
com a última resposta. Possui um ritmo rápido;
I~ Tipologia de Entrevistas de Rádio
2) Informação em profundidade - exerce papel reflexivo. Vai
além da informação estrita, pois apresenta dados adicionais, rit-
I As entrevistas de rádio podem ser: mo mais pausado e duração maior;

238 239
I OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojomalismo

3) De declarações ou falsas entrevistas - somente se produz uma Penetração - é mais abrangente que todos os meios. Ao mesmo
comunicação unidirecional direta: a do entrevistado. Sua função tempo, podem existir regionalismos.
é levar ao público, em forma noticiosa, a opinião de representan- Mobilidade - o emissor pode estar presente mais facilmente no lo-
tes de instituições.
cal do acontecimento e o receptor está livre de fios e tomadas; o rádio pode
ficar em qualquer lugar.
Forma de Realização da Entrevista em Rádio
Baixo custo - o aparelho receptor é o mais barato.
É necessário seguir os procedimentos abaixo para realizar a entre- Imediatismo - os fatos podem ser transmitidos no instante em que
vista em rádio:
acontecem.
1) Buscar documentação; Instantaneidade - a mensagem precisa ser entendida no momento
2) Elaborar esquema; em que é transmitida.
3) Não monopolizar o microfone; Sensorialidade - faz um diálogo mental com o ouvinte. Desperta a
4) Não perder tempo com declarações óbvias; imaginação por meio da emoção das palavras e dos recursos de sonoplas-
5) Observar os ciclos de respiração do convidado para introduzir tia, que dão à mensagem nuances individuais.
a pergunta seguinte e, entre pergunta e resposta, esperar cinco Autonomia - sem fios e tomadas, o rádio pode ser usado individual-
segundos para que o ouvinte se situe novamente;
mente.
6) Ao longo da entrevista, deve-se repetir o nome do entrevistado
várias vezes. Texto Manchetado (PORCHAT, 1993)

O texto manchetado é o aprimoramento dos radiojornais dos anos


Reportagem no Rádio
40, em que trechos de uma mesma notícia eram lidos por vários locutores.
1) Simultânea - é a reportagem transmitida ao vivo. Sua criação é
No texto manchetado, as notícias devem ter em tomo de oito man-
executada durante o desenrolar do acontecimento. Esse tipo de
chetes, com uma linha e meia cada (cerca de 100 toques datilográficos).
reportagem dá ao ouvinte um sentido de participação nos fatos.
Em notícias com mais de dez manchetes, é recomendável recuperar o fato
A narração é improvisada, por isso a reportagem simultânea é a
mais importante no fim do texto. O padrão usado é o de 72 toques datilo-
mais dificil de ser executada.
gráficos ou caracteres por linha.
2) Diferida - esse tipo de reportagem permite a montagem. A estrutura
Hoje, nessa técnica, as informações são distribuídas em períodos
apresenta entrada, desenvolvimento e encerramento da notícia.
cuja redação lembre as manchetes da imprensa.
Características do Rádio (CESAR, 1999) O texto manchetado precisa de dois ou mais apresentadores e é mui-
to usado nas rádios de São Paulo.
Linguagem oral - o rádio "fala" e, para receber essa mensagem,
Não se usam barras no texto manchetado. Nele, o ritmo é marcado com
é necessário apenas ouvir. Por isso, ele leva vantagens sobre os veículos
reticências, dois pontos, travessões, pontos de interrogação e exclamação.
impressos: o ouvinte não precisa ser alfabetizado.

240 241
OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojomalismo

As notícias são redigidas em frases curtas, sintéticas, duas a duas, Regras do Texto Corrido
para serem lidas alternadamente, sem prejuízo de nitidez. O número de
1) O texto corrido é o modo de escrever para o rádio oriundo da
pares da manchete depende da importância do assunto.
leitura sem preparação especial de notícias de jornais, prática
A primeira manchete é o lide que apresenta o fato importante, se- comum nos primeiros anos da história do veículo.
guindo o modelo da pirâmide invertida em que as frases, após o lide, vão
2) Lido por um locutor, no texto corrido, cada período segue-se ao
perdendo a importância.
outro na composição da notícia. Esse é o formato adotado na
Manchetar não significa retirar elementos essenciais da linguagem, maioria dos textos radiofônicos: boletins, comentários, edito-
porém o estilo manchetado exige síntese.
riais, notas para sínteses noticiosas.
O lide do rádio deve ser forte, direto e enxuto. Frases de conteúdo 3) Os textos devem adotar o tamanho de seis a oito linhas de 65
opinativo devem ser lidas e desenvolvidas por um comentarista. Os comen- toques datilográficos com períodos de duas linhas e meia em mé-
tários podem ser mais soltos e coloquiais, com recursos que possibilitem dia. Apenas em casos extremamente importantes o texto poderá
diferenciar informação de opinião e interpretação. ultrapassar o limite de uma lauda de 12 linhas.
4) Existem dois padrões de laudas no Brasil. Ambos consideram
Regras do Texto Manchetado como base 12 linhas. O tamanho de cada linha, no entanto, di-
fere: 65 (quatro ou cinco segundos em cada linha) ou 72 toques
1) Depois do lide, outros pares de manchetes desenvolvem a notí-
cia, selecionando os fatos principais. datilográficos ou caracteres (mais próximo de cinco segundos).

2) Cada frase ou manchete deve conter apenas uma informação


COMO DEVE SER O TEXTO EM RÁDIO
completa. Seu tamanho não deve ultrapassar uma linha e meia
de lauda, ou cem toques. 1) Devem-se evitar lides opinativos.
3) Notícias grandes e de utilidade pública básica devem repetir a 2) O lide deve começar com o fato e não com elementos de tempo,
informação no final. lugar ou outras circunstâncias.
4) Em citações, deve-se redigir o lide da frase direta, em seguida, 3) A palavra "ontem", em lide, só deve aparecer quando necessário
manchetar a pessoa que a pronunciou. à informação, mas jamais no começo da frase, pois envelhece a
5) Tudo que é indefinido ou que confunda deve ser evitado. É pre- notícia; em fatos policiais, não há restrições à palavra "ontem".
ferível ser exato e utilizar expressões simples e curtas. ";t, 4) Não se deve começar lide com uma seqüência de nomes ou objetos
6) Artigos e pronomes devem ser suprimidos, caso isso não dificul- (sem saber do que se trata, o ouvinte não prestará atenção aos nomes).
,
te o entendimento da notícia. .}i

5) Deve-se ir direto ao ponto principal e evitar ser vago e apelativo .


7) O ouvinte deve ser situado em relação à notícia; por isso, é pre- 6) É necessário evitar lides que representem um título ou uma re-
~:,?
ciso localizar o país e a região a que pertence a cidade. tranca. É melhor ir direto ao fato redigindo uma frase inteira.
8) A notícia deve ser atualizada com dados novos para não haver Entretanto, quando o lide contiver números que dificultam a in-
repetição de informações. formação, a frase poderá ficar dividida.
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242 243
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OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojomalismo

7) Aposto, orações intercaladas e subordinadas quebram o ritmo da LINGUAGEM DO RÁDIO


frase, por isso devem ser evitados.
Nitidez - frases curtas, enxutas, corretas, exatas com repetição para
8) Não se deve deixar de determinar o tempo e o espaço quando reforçar a comunicação oral.
quiser dar ao ouvinte a dimensão do fato.
Síntese - frase concisa que traduza o máximo com o mínimo de
palavras.
COMO DEVE SER A LINGUAGEM DE RÁDIO
Precisão - de momento: se for ao vivo, deve-se informar a hora
I) A linguagem de rádio deve ser nítida, simples, rica, repetitiva, certa e determinar com exatidão o horário em que o fato aconteceu; preci-
forte, concisa, correta, invocativa e agradável. são de local: ao vivo, o repórter deve transmitir com rigor o local onde se
encontra.
2) No rádio, é preciso repetir as informações de importância; repe-
Devem-se evitar palavras técnicas e termos científicos. Quando es-
tir sempre as cifras que precisam ser exatas, a informação básica
ses forem indispensáveis precisam ser acompanhados de explicação.
no final de notícias longas e a informação importante como as de
utilidade pública. As palavras estrangeiras devem ser evitadas e os números simpli-
ficados, mas as cifras que servem de base de cálculos devem ser exatas,
3) As palavras básicas do texto devem ser repetidas, evitando o em-
como os números do índice oficial de inflação, rendimento da poupança,
prego de pronomes pessoais e demonstrativos que substituam as
salário referência, piso nacional de salário, dólar etc.
pessoas.
Proporção - a linguagem é mais nítida por meio de porcentagem do
4) Nas notícias de suíte, isto é, seqüência de um episódio, o redator que de números totais.
deve relembrar o ouvinte registrando, após o lide que traz o fato
Identificação das pessoas - antes do nome, é necessário identificar
novo, a frase-resumo do episódio.
a forma como a pessoa é conhecida (cargo ou profissão).
Siglas - precisam ser identificadas. Ao se redigir, não se escreve em
FLUXOGRAMA DA INFORMAÇÃO
uma mesma manchete sigla e identificação. Se a sigla não for muito conhe-
A pauta é o ponto de partida para a elaboração da notícia. É elabora- cida, usa-se assinalar na primeira manchete o nome da entidade.
da em reunião de pauta, da qual participam o pauteiro, o chefe de reporta- Ausência de ambigüidade - as palavras de duplo sentido e os pro-
gem, o editor e o diretor de jornalismo. nomes possessivos devem ser evitados.

Depois da elaboração da pauta, o primeiro passo é o levantamento


e a checagem de informações: essa etapa é cumprida por repórteres, noti- Meio Lexical do Rádio (SODRÉ, 1987)
ciaristas, pesquisadores e radioescutas. Esse processo passa pelas seguintes Meio lexical - trata-se de identificar os vocábulos ou expressões
etapas:
mais adequadas ao discurso comunicacional.
I) Chefia de reportagem ~ Reportagem ~ Edição ~ Apresentação A linguagem de rádio, de TV e de jornal não deve empregar palavras
2) Editoria ~ Redação ~ Texto ~ Locução ou expressões, jargões que têm seu lugar em contextos específicos. Não se

244 245

iiiiiiiliiiiIii~~=--."""~. ; _1 - .
OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojornalismo

pode usar expressões de vocabulário que compliquem a mensagem como, P.ropriedadevocabular - utilização correta de um significante para ex-
por exemplo, termos técnicos. pressar o significado segundo a acepção da comunicação. Isso não ocorre quan-
Individualmente, a palavra é escolhida em função de sua freqüência do se esquece o contexto furidamental para determinar o uso de uma palavra.
na comunicação. No contexto comunicacional, a seleção do vocabulário Aceitação moral do vocábulo - evitar palavras contrárias à moral
deverá levar em conta possíveis equivalências (sinônimos, palavras de sig- e também o uso de eufemismos pejorativos.
nificado próximo). A linguagem mais coloquial será a mais adequada.
Tonicidade - a boa sonoridade vocabular é atingida por graves REGRAS PARA RÁDIO (AMARAL, 1997)
(paroxítonas) e agudos (oxítonas). Logo, a tendência é evitar as proparo- 'i

xítonas que podem dar à linguagem um tom pedante. O ponto nunca deve separar demasiado número de palavras; o pa-
rágrafo deve ser breve, compreensível, com tom popular e expressões
Silabação - evitar palavras muito grandes que dificultam a leitura e
acabam com a clareza do texto. simples usadas na língua falada; usar ordem direta, pontuação e número
reduzido de adjetivos.
Retórica - devem ser usadas as figuras que expressam a semantiza-
ção dos sentidos humanos (paladar, olfato, visão etc.). A metáfora só deve ser .~
~l\
A frase, para ser bem captada, não deve conter mais de 13 palavras e
recomenda-se o uso de 13% de verbos no conjunto da emissão.
usada quando determinada expressão já estiver incorporada ao uso comum. 'fi,

Substantivação - a substantivação do uso do verbo no infinitivo deve


Texto de Rádio
ser evitada, pois não tem tradição na linguagem popular. Ex.: o cair, o dizer.
Em discurso informativo deve ser usado com cuidado para não ficar pedante. 1) Uma linha possui 65 toques com um total de tempo em tomo de
quatro a cinco segundos;
Vocabulário do Rádio 2) Uma lauda tem doze linhas de um minuto;

Harmonia vocabular - refere-se à sonoridade harmônica e relacio- 3) O primeiro período do rádio é o lide;
na-se à tonicidade. Ex.: as proparoxítonas constroem períodos de ritmos 4) Utilize uma barra (I) em cada ponto de período do texto e duas

!
desagradáveis. Observar a existência de cacofonia, rimas, vícios de lingua- barras (lI) depois do ponto final da nota;
gem, cujo emprego precisa ser evitado. ~.
5) Nunca se deve separar sílabas, nomes etc. no final da linha, É pre-
Riqueza vocabular - expressividade da língua que evita a repetição '~!~
ferível continuar com a expressão completa na próxima linha.
de palavras.
c,
r~

3-~;

Vernaculismo - qualidade de idioma nacional. Não se confunde Cuidados na Utilização do Gravador (MELLO, 1996)
com o purismo, que é o apego exagerado aos termos clássicos. A lingua-
gem informativa deve refletir com moderação e sem distorção a língua Gravador - o ideal é um pequeno do tipo walk man, mas que grave
atual. Nesse sentido, alguns estrangeirismos acabam sendo incorporados. com fitas normais, pois fitas pequenas costumam dar problemas.
Controle do vocabulário - as palavras usadas devem refletir a evo- Em caso de transmissão ao vivo por celular, deve-se verificar o nível
lução do idioma. É preciso buscar uma linguagem atual com novas realida- do sinal. Se numa escala de zero a cinco estiver dando sinal abaixo de quatro,
des, como os neologismos criados por colunistas, comentaristas etc . deve-se arranjar outra posição, senão a transmissão poderá sair ruim no ar.
.
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246 247
L
Radiojornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Em fluxo - encerra toda a programação com wn grande programa


Para se obter um bom áudio, o microfone do gravador não deve estar
posicionado a mais de um palmo da boca do entrevistado. dividido em faixas bem definidas. As mudanças são de âncora ou de comu-
nicadores do horário.
Formas de Recepção da Mensagem do Rádio
Formato dos Programas de Rádio
Escrita ambiental - o ouvinte busca apenas fundo musical.
Escrita em si - o ouvinte faz outra coisa enquanto ouve. Puros
Atenção concentrada - o ouvinte awnenta o volwne e concentra-se. 1) Informativo;
Escrita por seleção - o ouvinte sintoniza intencionalmente wn pro- 2) Musical;
grama. 3) Comunitário (utilidade pública);
4) Educativo - cultural;
Funções no Rádio 5) Místico - religioso (há emissoras compostas exclusivamente por

Coordenador de produção - planeja e providencia os elementos correntes religiosas).


básicos à produção do conjunto de programas. Híbridos
Coordenador de programação - responsabiliza-se pela execução 1) Com participação do ouvinte;
dos programas. 2) Música;
Direção - instância divisória máxima da organização. 3) Esporte;
Gerências de jornalismo, esportes, operações, comercial- traçam 4) Notícia.
os parâmetros gerais de atuação de suas áreas, coordenando sua aplicação.
Departamento de notícias - composto por coordenador, chefe de Tipos de Programas de Rádio
reportagem, pauteiro, repórteres, editores, redatores, produtores e escutas.
1) Informativos: noticiário, programa de entrevista, programa de
Departamento de produção - responsabiliza-se pelos programas de opinião, mesa-redonda, documentário e radiorrevista;
opinião, entrevistas e variedades, mesas-redondas e docwnentários. Inclui coor- 2) De entretenimento: programa humorístico, dramatização, pro-
denação e produtores. O trabalho é integrado ao departamento de notícias.
grama de auditório, programa musical e radiorrevista.

Programação do Rádio (FERRARETTO, 2001)


Noticiário
Linear - programação homogênea em que os programas no seu Neste tipo de programa, predomina a difusão de notícias. Subdivi-
conjunto, mesmo com características próprias, seguem uma linha seme-
lhante. Ex.: emissoras dedicadas ao jornalismo 24 horas. de-se em:
1) Síntese noticiosa;
Mosaico - conjunto eclético de programação variada e diferencia-
da. Há wna segmentação de horários. 2) Radiojornal;

249
248

.. ;.
OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojornalismo

3) Edição Extra; Mesa-Redonda


4) Toque informativo;
A opinião de convidados ou de participantes fixos constitui a base
5) Informativo especializado.
do programa. Tipo de programa que fornece dados à opinião pública sobre
Síntese noticiosa: sintetiza os principais fatos ocorridos desde sua temas que ,afetem diretamente a população. É uma fórmula completa, ágil,
última transmissão. Nesse tipo de informativo, os textos são curtos e dire-
dinâmica e atraente de polemizar no rádio. Dela participam representantes
tos e a edição é feita por similaridade de assuntos com destaque para o fato
de diversos pontos de vista sobre o assunto a ser debatido. As opiniões po-
mais importante no fim do noticiário (os fatos são hierarquizados em or-
dem ser contrapostas ou complementares. Pode ser de dois tipos:
dem crescente de importância). Sua duração varia de três a cinco minutos.
Geralmente, é apresentada a cada trinta minutos ou uma hora. Algumas I) Painel - cada participante expõe suas opiniões, que vão se com-
emissoras produzem edições mais longas, de dez minutos, no início ou plementando. O objetivo principal é fornecer um quadro com-
fim de cada turno do dia. As sínteses são também conhecidas por boletins pleto a respeito do tema enfocado.
noticiosos ou simplesmente boletins.
2) Debate - a produção do programa busca pessoas com pontos de
Radiojornal: reúne várias formas jornalísticas como boletins, comen- vista conflitantes para proporcionar o confronto de opiniões.
tários, editoriais, seções fixas, entre outros. Os fatos são agrupados por edito-
rias, regiões geográficas, similaridade ou, mas recentemente, em fluxo.
Documentário
Edição extra: trata-se de um mini-informativo marcado por uma trilha
forte. Pode interromper qualquer programa para noticiar um acontecimento, Aborda determinado tema em profundidade. Baseia,..seem pesquisa de
cuja divulgação não pode esperar o próximo noticiário da emissora. dados e de arquivos sonoros, reconstituindo ou analisando um fato importante.
Toque informativo: bastante usado em emissoras musicais em fre- Inclui recursos de sonoplastia e envolve montagens e um roteiro prévio.
qüência modulada. Apresenta uma ou duas notícias e é transmitido, em
geral, nas horas cheias.
Radiorrevista ou Programa de Variedades
Informativo especializado: diferencia-se de um radiojornal pela es-
pecificidade dos assuntos tratados. Concentra-se em uma área de cobertura. Reúne aspectos informativos e de entretenimento. Junta a prestação
São exemplos os noticiários esportivos. de serviços, a execução de músicas, a transmissão de notícias, horóscopo, en-
trevistas. Pode aparecer na forma de espaços dedicados à música e ao lazer.
Programa de Entrevista
Programa Humorístico
O apresentador é fundamental. Ele chama repórteres, conduz as entre-
vistas e, quando necessário, emite opiniões. No entanto, a interpelação dos Presente na era de ouro do rádio nas décadas de 30, 40 e 50, nos
protagonistas dos fatos ou de analistas ocupa a maior parte do programa. últimos anos retomou ao rádio nas FMs musicais jovens.

Programa de Opinião Dramatização

Representa uma visão quase pessoal da realidade. O sucesso do pro- Desde os anos 70, a produção brasileira nesta área é bastante redu-
grama está vinculado às polêmicas geradas pelo apresentador. zida. Pode ser de três tipos:

250 251
OBRAS JORNALíSTICAS Radiojomalismo

I) Unitária: peça radiofônica, cujo enredo encerra-se em um único to segue as normas de redação radiofônica, embora adaptadas a algumas
programa. situações particulares. Se o programa for apresentado por apenas um locutor,
2) Seriada: tipo de dramatização periódica. Os personagens prin- o texto deve ser disposto em blocos não superiores a cinco linhas. Com
cipais são sempre os mesmos de um programa para outro, no dois ou mais locutores, o texto deve ser fragmentado, com uma técnica
entanto, a história tem início, meio e fim em cada edição. semelhante à forma manchetada. Nos dois casos, o roteiro deve seguir as
3) Novelada: o enredo desenvolve-se ao longo de vários capítulos regras de texto corrido.
em uma narrativa encadeada. Programa ao vivo ou gravado espelho ou fichas - é a forma mais co-
mum de organizar a produção de um programa em emissoras de rádio. Pre-
Programa de Auditório para-se um espelho do programa, prevendo as entrevistas ou reportagens.
Em geral, o apresentador entrevista uma pessoa por bloco, e, eventualmen-
Forma que não sobreviveu ao fim do rádio espetáculo, centra-se em te, chama uma ou outra participação de repórteres. Para cada entrevista, o
um apresentador que comanda números musicais e humorísticos. produtor deve preencher uma ficha com o nome do programa, data, nome
do produtor, dados do entrevistado, o assunto com um resumo sobre o tema
Programa Musical e os pontos básicos que podem ser questionados.

As transmissões desse tipo de programa predominam em emissoras FORMATOS DE EDIÇÃO NO RÁDIO


em freqüência modulada.
I) Edição por similaridade de assunto;
Classificação dos Programas quanto à Produção 2) Edição por zonas geográficas;
;.., '-:r
> 3) Divisão por editorias;
I) Programa montado com roteiro; ~~
4) Edição em fluxo de informação.
2) Programa ao vivo ou gravado com espelho ou fichas.
~l~,: Edição por similaridade de assunto: não é uma edição ideal, por de-
Programa montado com roteiro - em desuso na maioria das emis-
notar falta de infra-estrutura na emissora. A opção por essa forma deve-se
soras, esse tipo de programa utiliza um roteiro ou script, em que estão
mais aos poucos recursos disponíveis para cobertura.
indicadas as falas dos locutores e inserções sonoras. O roteiro é um tipo de
Edição por zonas geográficas: as noticias são, em geral, separadas
material elaborado geralmente para programas especiais, em que a apre-
sentação está baseada no texto e não no improviso do apresentador. em blocos - local, nacional, internacional.
Divisão por editorias: deve atender às necessidades das editorias em
Regras Básicas para Produção do Roteiro que o radiojornal é dividido.
Edição em fluxo de informação: a programação é dividida em mó-
O roteiro deve apresentar informações para quem vai fazer a lo- dulos, por exemplo, de trinta minutos. Nos momentos fixos de cada bloco,
cução ou apresentação do programa e para os sonoplastas, operadores de são recuperadas as informações já noticiadas. Ao longo de cada edição,
gravação e de áudio. Para diferenciar uma da outra, convencionou-se usar vão sendo repetidas as notícias mais importantes, situação do tempo, dos
maiúsculas sublinhadas para os dados destinados à técnica, enquanto o tex-
aeroportos, do tráfego, entre outros.

252 253
OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojornalismo

Edição e Apresentação de Programa de Variedades ,9) O apresentador deve manter-se na frente do microfone, numa
distância média de 20 centímetros.
1) O texto de abertura deve ser coloquial, invocativo, para apro-
ximar o ouvinte do assunto que vem a seguir. Este texto pode
Estrutura Básica de um Boletim no Rádio
falar na importância do assunto e o local o'nde um determinado
repórter se encontra. Boletim é a informação de aproximadamente um minuto e meio
2) Durante a apresentação, é necessário deixar bem registrado, que, depois de apurada, será transmitida pelo próprio jornalista, sempre
quantas vezes forem necessárias, o nome e sobrenome dos entre- que possível no momento e do local em que ocorre o fato.
vistados. Estrutura:
3) Ao redigir nas fichas ou laudas frases interrogativas, deve-se Cabeça - lide;
mudar de linha e digitar o ponto de interrogação no início da Ilustração - entrevista que ilustra o boletim;
frase, entre parênteses, e no final também: (?) compreendeu? A Passagem - texto adicional transmitido pelo repórter;
interrogação precisa ser expressa no começo da frase para que o
Encerramento - informação complementar. Em geral, o encerra-
locutor seja avisado, com antecedência, da entonação.
mento é acompanhado pela identificação do entrevistado;
4) O ritmo do texto pode ser marcado com vírgula, ponto, travessão
Assinatura - identificação do local de onde é transmitida a informa-
e reticências. ção e do repórter.
5) Ao falar em voz baixa, deve-se verificar se certas combinações "o
<~~

i!.<i

de palavras dificultam a locução. A combinação "todas as exi- Estrutura do Boletim com uma Ilustração
gências" é exemplo de erro fatal no momento da locução. Deve-
se evitar frases difíceis de pronunciar. 1) Cabeça;

6) Ao redigir palavras e nomes próprios estrangeiros, deve-se su- 2) Ilustração;


blinhar e usar a grafia correta, com um asterisco (*). No alto da ,; 3) Encerramento;
folha, escreve-se a pronúncia correta, de forma aportuguesada, r 4) Assinatura.
no qual devem constar todas as recomendações.
7) O apresentador deve dar a entonação adequada ao texto do reda- Estrutura do Boletim com Duas Ilustrações
tor. Para tanto, é preciso atenção e leitura prévia.
1) Cabeça;
8) O apresentador, no comando da programação, deve julgar a qua-
2) Ilustração um;
lidade do som e a clareza das informações transmitidas ao vivo. i
3) Passagem;
Se um repórter entra com uma informação de trânsito sem per-
ceber que há problema técnico na transmissão, o apresentador; 4) Ilustração dois;
atento, deve pedir que repita a informação, após ter solucionado 5) Encerramento;
o problema. l. 6) Assinatura.

254 255
...
L-
Radiojornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Comunicação unidirecional diferida - as respostas do entrevistado


Classificação do Boletim quanto à Realização
são provocadas pelo entrevistador.
1) Ao vivo; Comunicação unidirecional descritiva - refere-se a um paralelo às
2) Gravado ou diferido; observações narradas e às descrições do apresentador ou repórter.
3) Misto. Comunicação bidirecional - comunicador e entrevistado são, de
modo alternado, emissor e receptor.
Classificação do Boletim quanto à Montagem
Gênero Opinativo no Rádio
1) Com ilustração;
2) Sem ilustração. Os textos opinativos no rádio são genericamente chamados de co-
mentários. No entanto, podem ser classificados em:
TIPOS DE ENTREVISTA NO RÁDIO I) Editorial;

I) Noticiosa - o que mais importa é a informação em si. 2) Comentário;


2) Opinião - são apresentados os pontos de vista do entrevistado. 3) Crônica;
3) Com personalidade - o foco principal é a pessoa entrevistada. 4) Crítica.
4) De grupo ou enquete - entrevistam-se várias pessoas sobre um Editorial- espaço opinativo em que a emissora expressa sua opinião
mesmo assunto. a respeito de um fato.
5) Coletiva - vários jornalistas entrevistam uma personalidade Comentário - corresponde, no rádio, à coluna assinada dos jornais.
É um texto opinativo em que um jornalista ou colaborador analisa um as-
sobre um assunto relevante, em um mesmo espaço físico e um
sunto, explicando-o e expressando um ponto de vista
mesmo tempo. É melhor ao vivo.
Crônica - meio termo entre jornalismo e literatura. Não possui o
dogmatismo e o rigor do editorial. Alguns correspondentes internacionais
Fases da Entrevista
de emissoras brasileiras usam essa técnica para transmitir informação e
I) Ao vivo: preparação - realização - transmissão. impressões sobre o dia-a-dia de outros países.
2) Gravada: preparação - realização - tratamento (edição) - trans- Crítica - o termo refere-se aos comentários acerca da cultura e das ar-
missão. tes. Sua ocorrência é mais comum em emissoras em freqüência modulada.

A Comunicação na Entrevista Estrutura do Texto Opinativo

Comunicação interpessoal - a comunicação entre o entrevistador e I) Introdução/posicionamento - situa o assunto e explicita a posi-
o entrevistado é bidirecional; ocorre reciprocamente. ção contrária ou a favor do comentarista;

Comunicação bidirecional direta - as respostas dadas pelo entrevis- 2) Argumentos -'- enumeram-se os argumentos, reservando-se o
tado ao ouvinte são espontâneas. mais forte para a conclusão;

256 257
Radiojornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

3) Conclusão - procura-se apresentar uma sugestão, solução ou ad- .Doutrina sociodinâmica - decorrente da doutrina culturalista, pres-
vertência. supõe ação direta sobre o todo social, constituindo um retrato permanente
da cultura, o que implica optar pela tomada de atitude conservadora ou
FUNÇÃO SOCIAL DO RÁDIO (ORTRIANO, 1985) progressista, ou acelerar' ou retardar a evolução social.

Teoria da responsabilidade social - dá prioridade à informação, Quadro Sociocultural


ao entretenimento, servindo para impulsionar as vendas por intermédio da ~~
veiculação de publicidade. Segundo Moles, todas as doutrinas acima estão fundamentadas na
"'.'" idéia de um quadro sociocultural em oposição à doutrina demagógica, que
Função dos meios de comunicação de massa (empregos sociais dos
meios de comunicação): se baseia essencialmente na sondagem de audiências.

1) Coleta e difusão de informações;


''''''".
','
Empresas Comerciais, Educativas e Comunitárias
2) Expressão de opiniões;
i As empresas de radiodifusão do tipo comercial estão voltadas para a
3) Função econômica e de organização social;
t.
doutrina demagógica: dar maior satisfação ao maior público possível sem
4) Entretenimento e distração;
i
se preocupar com o conteúdo. A pesquisa citada por Gisela Ortriano mostra
5) Função psicoterápica; que, na prática, o que há é uma mistura em proporções variáveis das quatro
'~i
'" 6) Instrumento de identificação e de envolvimento social; doutrinas básicas: "os meios de comunicação de massa utilizam, geralmen-
te de maneira inconsistente, as quatro doutrinas que operam invariavel-
7) Função ideológica como instrumento de coesão social e de legi-
mente, muitas vezes, em função do quadro de valores dos gatekeepers".
timação política a serviço da ideologia dominante da sociedade.
Nas empresas do sistema estatal, predomina um misto entre doutri-
Doutrinas que Definem o Papel da Radiodifusão segundo na eclética ou culturalista.
Abraham Moles Sem fins lucrativos, as rádios educativas são mantidas pela União,
governos estaduais ou municipais, fundações constituídas com essa finali-
Teoria demagógica dos publicitários - tem no rádio um auxiliar dade. As emissoras comunitárias passaram a ter existência legal em 20 de
técnico do campo publicitário. fevereiro de 1998, com a Lei n° 9.612. Operando em Freqüência Modula-
Doutrina eclética ou culturalista - pretensões culturais existentes da, com transmissões de baixa potência e antenas não superiores a 30 me-
na maioria dos meios de comunicação de massa, buscando representar o tros, essas emissoras devem atender a comunidade em que estão instaladas,
reflexo da atividade universal do espírito. difundindo idéias, elementos culturais, tradições e hábitos locais.
Doutrina dogmática - o quadro dos valores não é fixado por crité- As emissoras comerciais que constituem as empresas voltadas à ge-
rios econômicos, mas por critérios dogmáticos representados pela propa- ração de lucro funcionam mediante concessões do Estado. O Poder Público
ganda. No rádio, funciona como um filtro seletivo dos assuntos que serão competente concede ou permite a pessoas físicas ou jurídicas, de direito
defendidos. público ou privado, a faculdade de operar em seu nome ou por conta pró-

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Radiojornalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

Comentarista - pessoa especializada dentro do esquema editorial


pria OS serviços de radiodifusão, por um tempo determinado. Conforme a
da empresa, elabora pareceres para que o ouvinte compreenda melhor a
legislação, as emissoras comerciais podem dedicar 25% da sua programa-
ção à veiculação de publicidade e são obrigadas a transmitir, no mínimo, 16 matéria.
horas por dia, destinando 5% da transmissão a serviços noticiosos. Coordenador artístico - contrata o time de locução de uma emis-
sora, promove eventos, define o estilo da programação musical, juntamente
com o perfil escolhido pelos diretores da rádio. A audiência é definida pelo
RÁDIO AMlFM (CESAR, 1999)
seu trabalho.
A transmissão em Freqüência Modulada - FM - é submetida a me- Departamento promocional- é o departamento mais ligado ao ou-
nor incidência de ruído e lhe é inerente uma faixa mais ampla de repro- vinte. Quando bem usado, aumenta a audiência e a popularidade da rádio.
dução do áudio, o que lhe dá maior fidelidade. A transmissão de sinais É ferramenta de trabalho das rádios AM e FM, onde as pomoções são feitas
permite a emissão e recepção de som em qualidade muito superior às em por telefone, cartas ou gincanas.
Amplitude Modulada. As FMs operam em freqüências que variam de 87,5 Editor-chefe - é responsável pela linha editorial, orienta o trabalho
a 108 MHz. Seu alcance é limitado a um raio máximo de 150Km. dos redatores.
Na Amplitude Modulada - AM -, a transmissão de sinais pela mo- Editor de reportagem - monta as matérias, seleciona e revisa,
dulação da amplitude das ondas varia em freqüências de 525 a 1.720kHz. acompanha sua edição junto à técnica em estúdio, determina o tempo da
AAM caracteriza-se por uma qualidade de som inferior à das emissões em matéria no ar.
FM, porque os receptores AM sofrem interferência de fenômenos naturais, Locutor - lê os textos preparados pela redação ou apresenta progra-
como raios. As transmissões podem ser feitas em ondas médias e curtas. mas. Seu trabalho é importante em razão da credibilidade junto ao ouvinte
As ondas médias são utilizadas para transmissões a média distância em que ele pode alcançar.
emissoras locais e regionais. As ondas curtas são utilizadas para transmis- Pauteiro - seleciona os assuntos que poderão gerar reportagem e
sões a longa distância em emissoras internacionais. Na AM, a essência da recebe os jornais e releases; seu trabalho é diretamente ligado ao chefe de
programação é o jornalismo por meio de noticiários regulares ou de co-
reportagem.
mentaristas e comunicadores especializados nos mais variados estilos de Produtor - elabora todas as programações; dá a plástica da progra-
programação.
mação, seja musical ou específica.
Produtor de comerciais - trabalha diretamente com o departamen-
PROFISSIONAIS DE RÁDIO to comercial. Produz e redige textos comerciais, faz a sonorização e dirige
Apresentador - profissional da locução que segue um perfil próprio a gravação desses textos junto ao locutor, em estúdio.
em sua programação. Pode seguir ou não um roteiro preestabelecido pela Programador musical- faz a programação musical, trabalha direto
produção. Se segui-lo, deve ser à risca; se não, deve usar a criatividade e o com o coordenador artístico, seguindo suas orientações quanto ao que tocar
improviso para que tenha condições de opinar e analisar os fatos. ou não. Também recebe os lançamentos das gravadoras, seleciona, esque-
~
"
matiza a programação com o estilo da música.
Chefe de reportagem - determina as matérias a serem cobertas por
sua equipe externa. Radioescuta - ouve outras emissoras.

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260

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OBRAS JORNALÍSTICAS Radiojornalismo

Redator - redige textos. Ao redigir um texto para rádio, não basta conhecer as regras grama-
Repórter - cobre a notícia, coleta e grava entrevistas, anota depoimen- ticais e de sintaxe; deve-se possuir a habilidade de preparar o texto para
tos e elabora a mensagem informativa; deve ser criativo e improvisador. ser ouvido.
Setorista - repórter que faz cobertura em local fixo. O texto escrito para emissão oral (oral-escrito) tem uma única chance
de ser ouvido, uma única oportunidade de emissão, por isso deve criar ima-
A EXPRESSÃO VERBAL NA LINGUAGEM RADIOFÔNICA gens mentais que projetem palavras e, ao criar idéias, frases, situações, preci-
(BIANCO, 1999) sa ter um conteúdo tão claro e expressivo que não exija esforço do ouvinte.

Características da Linguagem Radiofônica


A Capacidade de Recepção do Ouvinte
O texto no rádio exige correção gramatical e adequação técnico-lin-
güística concernente à estrutura do veículo. .y.~ O ouvinte só é capaz de receber frações de construções complexas.
O rádio é o veículo mais fugidio de expressão da linguagem, pois Por isso, são uma barreira à informação oral muito mais que à escrita. O
tem uma única chance de ser ouvido. .~ locutor lê uma frase de sete linhas em 15 a 20 segundos, sobra, portan-
O texto do rádio só pode usar o som com os recursos verbais e não-ver-
:~I~
...• to, pouco tempo para o ouvinte assimilar a informação de forma rápida.
bais para atingir o ouvinte. Antes, porém, de apoiar-se na oralidade e audição,
:~~
Além disso, o meio ambiente possui estímulos que distraem os receptores.
apóia-se em um texto redigido previamente. Esse compromisso simultâneo da A atenção do receptor varia entre o ouvir primário e o ouvir secundário.
língua falada com a língua escrita chama-se estilo comunicativo oral. Ao entender, o ouvinte se sente estimulado a ouvir mais, já que não
A complexidade da construção textual noticiosa para o rádio está no precisa de esforço para compreender.
fato de que o texto é escrito para ser falado e para ser ouvido. Embora a
voz humana seja rica e persuasiva, o texto radiofônico não se deve valer da Como Facilitar o Entendimento do Ouvinte
improvisação, visto que não se fala como se escreve e vice-versa.
O texto para rádio deve procurar uma identidade própria, pois, ao Para facilitar o entendimento e memorização do ouvinte, pode-se
render-se à norma culta, pode ficar rígido demais e, ao exceder no estilo recorrer à freqüência de palavras com uma repetição sem exageros, com o
oral, pode ficar espontâneo em excesso. uso de sinônimos e variação lexical. Devem ser usados mais verbos e me-
A linguagem radiofônica é o conjunto de elementos sonoros que se nos substantivos, evitar a monotonia das frases combinando frases curtas
difundem para produzir estímulos sensoriais estéticos ou intelectuais ou com frases longas e usar um vocabulário conhecido.
para criar imagens. Em outras palavras, a linguagem de rádio deve criar Deve-se evitar o uso de estrangeirismos e gírias, jargão, vocabulário
no ouvinte imagens mentais construídas a partir da palavra, da música, dos de baixo calão, a não ser que o tipo de programa o exija; também observar
efeitos sonoros e do silêncio. o vocabulário ativo e passivo do ouvinte para evitar dificuldades de deco-
dificação.
O Estilo Verbal na Linguagem Radiofônica
..
1, O Uso de Estrangeirismos e Jargão
O estilo verbal no rádio nem sempre usa os mesmos elementos es- ~f,
tilísticos da linguagem culta. Vai depender da intenção da emissão e do Ao usar estrangeirismos, deve-se apresentar uma explicação adicio-
público que se deseja alcançar. nal para facilitar o entendimento da expressão em entrevistas, comentários

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~
Radiojomalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

etc. É importante adequar a linguagem ao tipo de programa e variar o estilo nias. É preciso saber quando usar palavras fortes, doces, musicais ou emo-
para evitar monotonia. O uso do jargão é responsável por alguns problemas cionais.
durante as entrevistas. Além disso, médicos, engenheiros e economistas Sons complementares - recursos que não se configuram como en-
usam vocabulário especializado, exigindo o cuidado em se esclarecerem
trevista, isto é, são do tipo declarações e testemunhos que só ampliam os
termos obscuros.
dados.
Voz humana - por ser rica em inflexões e persuasiva, a voz é capaz
Linguagem Ativa e Passiva
de conduzir qualquer tipo de mensagem.
Com relação à linguagem ativa e passiva, pode-se observar que al-
Articulação - a voz deve transmitir clareza, volume e intensidade.
gumas palavras não provocam no ouvinte uma experiência conhecida, por
isso é preciso usar dados e exemplos que conectem tais expressões ao mun- Linguagem - seja qual for o estilo, é essencial observar a formação
do experimental do ouvinte. adequada do texto radiofônico.
Para o rádio, a clareza é ainda mais importante que para a TV e o
NORMATIVIDADE LINGÜÍSTICo-GRAMATICAL DO RÁDIO
jornal. Contudo, uma linguagem simplesmente clara poderia não estimular
o ouvinte. Por isso, além de clareza é preciso criar texto atrativo. No rádio, o jornalista deve usar uma linguagem espontânea seme-
lhante à fala, porém sem vícios, pausas e desvios gramaticais da oralidade.
A CONSTRUÇÃO DO TEXTO JORNALÍSTICO NO RÁDIO Usa-se a linguagem escrita retirando-se dela o rigor excessivo e tudo que
soe pedante aos ouvintes.
Requer estilo próprio oral-auditivo, conseguido a partir de carac- O texto deve usar os seis elementos do lide: o quê, quem, quando,
terísticas específicas no que se refere às condições de tempo, dinâmica, onde, como, por quê. Podendo se restringir aos quatro primeiros por falta
melodia, sons complementares, voz, articulação e linguagem. de informação ou pela brevidade do tempo/espaço, ou, ainda, por não pra-
ticar jornalismo interpretativo.
Recursos Radiofônicos No lide, o redator deve definir a ordem de importância dos elemen-
tos para que o fato mais importante não apareça apenas no final.
Tempo - refere-se à velocidade da fala. Os textos devem apresentar,
A sobriedade é necessária na hora da escolha adequada de palavras
em média, de seis a oito linhas, de 65 toques, com períodos de duas linhas
e expressões que não sejam chulas, irônicas ou pejorativas, preservando a
e meia para serem considerados enxutos.
imagem de grupos ou indivíduos que são notícias.
Dinâmica - refere-se à ênfase da frase, aos elementos estilísticos A redundância é uma característica da linguagem radiofônica. Ela
relacionados às pausas, às alternações rítmicas. Embora a notícia seja uma se dá pela retomada da informação principal de uma notícia, por meio da
redação despersonalizada, o comunicador pode se valer de recursos estilís- repetição de uma palavra, uma sigla, um nome etc. Isso significa o uso da
ticos para ser claro e expressivo. sinonímia e da variação lexical. A reiteração do lide é indicada quando a
Melodia - deve-se selecionar palavras eufOnicas para serem usadas - de notícia é longa.
preferência usa-se a forma singular e conjuntos harmônicos sem cacbfo-

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~.,
OBRAS JORNALÍSTICAS
Radiojomalismo

Usos não Recomendáveis no Texto de Rádio uma carga de emoção, humor, suspense tem mais efeito no entendimento
Pronomes possessivos - existe a identificação imediata do ouvinte da mensagem.
com notícias do tipo: invadiram sua casa. Linguagem coloquial- utilizam-se palavras e frases simples e dire-
Frases negativas - elas confundem o ouvinte. tas. Evite uma linguagem 'solene, pedante, difícil ou intelectualizada.
Orações intercaladas - quebram o ritmo da frase. Argumentação - a linguagem ideal é aquela ql;leexplora apenas um
Termos como "ontem", "permanecer", "manter" e "continuar" - di- argumento de venda. A idéia é dizer o suficiente, mas com força e impacto.
minuem o impacto da notícia, uma vez que denotam que não há nada de Não se pode ignorar o fato de que a linguagem do rádio é som.
novo, portanto não há notícia. ~'

.;;
,
Verbos no gerúndio - atenuam o impacto da notícia. Tipos de Mensagem de Propaganda no Rádio
Verbos no futuro - exceto quando são indispensáveis, caso em que
Spot - é a mensagem lida por uma só voz, com ou sem fundo musi-
usa-se o futuro composto, por ser mais coloquial.
cal. Geralmente, é um apelo de vendas franco e direto, simples e objetivo.
Citação - em um primeiro momento, pode levar o ouvinte a pensar
Mensagem dialogada - peça publicitária em que duas ou mais pes-
que a afirmação é do apresentador.
soas conversam sobre as vantagens e beneficios de um determinado produ-
to ou serviço, suas razões de compra e seus apelos de venda.
Usos Recomendáveis no Texto de Rádio
Mensagem dramatizada - uma ou mais vozes representando per-
Ordem direta, voz ativa, verbos ativos, verbos dicendi, como afirmar, sonagens reais ou fictícios.
alertar ou anunciar. Esses verbos dão credibilidade às notícias. O radialista Mensagem com efeitos sonoros - texto, diálogo ou dramatização
não deve usar o vocábulo "falar", visto que toma-se redundante no rádio. aliado a efeitos musicais, ruídos ou qualquer outra forma de representação
sonora.
PEÇAS PUBLICITÁRIAS PARA RÁDIO .Jingle - combinação harmoniosa de música e letra em uma mensa-
gem comercial que se assemelha a uma pequena canção.
Princípios Gerais
Lei da repetição - é necessário repetir uma mensagem um número GLOSSÁRIO
adequado de vezes para que ela tenha algum efeito. A quantidade exata vai
depender do impacto desejado. Cuidado com os exageros! ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televi-
são. Congrega as emissoras de rádio e de TV.
Lei da associação - procura-se associar sons e sensações (por meio de
palavras e músicas) para que, juntos, eles reforcem o efeito da mensagem. Abertura da matéria - início de matéria. O repórter abre com o lide.

Ritmo - usam-se frases ou expressões que possuam certa cadência Acorde - passagem musical.
(não confundir com verso ou rima); frases feitas não devem ser exemplos Apagador - o mesmo que bulk-eraser. Dispositivo que apaga ou
de ritmo. A combinação de palavras fortes, de impacto e que contenham elimina a informação de fitas já gravadas.

266 267
OBRAS JORNALíSTICAS Radiojomalismo

Background - música, vozes ou ruído em fundo que servem de su- Jabá - gíria que significa "picaretagem" no serviço de uma emisso-
porte para a fala, o mesmo que BG. O BG precisa ser característico, pois se ra, o mesmo que jabaculê.
não será confundido com falha técnica.
Jacaré - o mesmo que garrincha. Conector que o repórter usa para
Balão de ensaio - boato que se faz circular para verificar as tendên- transmitir a mensagem gravada por telefone.
cias de opinião e as reações do público sobre alguém ou determinado tema. Jingle - combinação harmoniosa de música e letra em uma mensa-
Barriga - notícia publicada que não é verdadeira. gem comercial que se assemelha a uma pequena canção.
Branco - espaço de tempo em que a fala é interrompida. Lauda - cada página redigida que será lida pelo locutor.
Briefing - resumo de instruções transmitidas pela chefia aos respon- Limpar - apagar uma fita.
sáveis por um trabalho.
Off - o mesmo que off the Record - informação confidencial.
Brilho - gíria usada para o recurso técnico de aumentar as freqüên- Retranca - palavra usada para identificar, de maneira genérica, os
cias com o objetivo de dar destaque a um som.
assuntos, no alto da página, para que eles sejam transmitidos em horas
Cabeça da matéria - o mesmo que lide; introduz a matéria. determinadas.
Cacófato - combinação final de uma palavra com o início de outra Ritmo - variação de intensidade, emoção e pausas na fala, confor-
que resulta em uma terceira inconveniente. me o assunto vai sendo tratado.
Chamada - flash gravado sobre matéria ou programa, transmitido Spot - mensagem lida por uma só voz, com ou sem fundo musical.
várias vezes durante a programação, para despertar o interesse do ouvinte. Geralmente, é um apelo de vendas, simples e objetivo; é breve, em tomo
Checking - profissional que controla o horário dos comerciais. de quinze a trinta segundos.
Cozinhar - trabalho de reescrever textos.
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Teaser - pequena chamada de anúncio ou notícia que visa a criar

Cortina - palavra em desuso que significa o mesmo que vinheta. expectativa no receptor.
Vinheta - mensagem transmitida nos intervalos de programas, com-
Deixa - palavras finais da matéria que indicam ao operador e ao
posta de um pequeno texto, música, efeitos sonoros, de conteúdo variado:
locutor o momento em que outro segmento deverá entrar. .'<~'

chamada de uma matéria ou programa, campanha institucional, comemo-


Enxugar - redigir um texto eliminando todos os supérfluos para
rações etc.
tomá-lo claro, denso, conciso; o mesmo que limpar.
Espelho- a primeira edição que serve de modelo para um programa ou
matéria.

Espião - receptor de freqüência privada usado pela polícia e outros


órgãos, instalado na sala do radioescuta para apuração e levantamento.
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J;.-
Garrincha - conector que o repórter usa para transmitir a matéria \,;~
gravada por telefone.
Girafa - suporte de fixação do microfone.

268 269
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Capítulo VI
TELEJORNALISMO

TIPOS DE ROTEIROS (BONÁSIO, 2002)


1) Tratamento - é o resumo informal do roteiro que aborda o con-
ceito, o formato, a estrutura da história, personagens, ambiente
físico e identifica a audiência para um tipo específico de progra-
ma. Serve para o produtor mostrar sua idéia ao patrocinador ou
programador da emissora de TV.
2) Roteiro de televisão - direciona as ações de toda a equipe du-
rante a pré-produção, ensaio e produção. Nos roteiros usados em
cena, deve-se usar papel em tons pastéis, como amarelo, azul,
verde ou rosa.
3) Roteiro para telejomalismo - deve-se utilizar uma folha específica
para cada história. Cada página deve ser etiquetada com um cabe-
çalho que descreva a história por meio de um "título resumo".
4) Roteiro detalhado - o formato inclui diálogos específicos, ele-
mentos visuais e efeitos sonoros. Ele é tão importante quanto o
conteúdo.
5) Roteiro parcial- é usado para televisão e eventos esportivos, talk
shows, game, reality e outros programas que tenham elementos
imprevisíveis. Este roteiro estimula a espontaneidade. O roteiro
para a televisão com duas colunas foi feito para o diretor, que
seleciona takes de múltiplas câmeras cobrindo a ação simultanea-
mente de vários ângulos.

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Telejomalismo
OBRAS JORNALÍSTICAS

6) Roteiro em estilo de cinema (ou de câmera única) não está di- Comandos de câmeras
vidido em colunas, mas em muitas cenas com o diálogo a ser
1) Panorâmica - trata-se do movimento horizontal;
falado pelos diversos atores. Cada cena é numerada e descrita
pela hora do dia, localização e informações adicionais para situar 2) Dolly - é o movimento da câmera e do tripé que se aproxima ou
melhor o receptor a respeito da atmosfera geral do programa. se afasta do sujeito;
Esse modo de produção de câmera única tomou-se uma opção
3) Truek - é o movimento lateral da câmera e do tripé para direita
prática com a disponibilidade dos equipamentos EFP e edição
ou esquerda, em relação ao sujeito;
exata de pós-produção.
4) Tilt - é a inclinação da câmera para cima e para baixo;
Produção 5) Arco - é o movimento em truek, mas em curva, formando um arco.

o produtor possui quatro métodos diferentes de gravação, porém


o meio de produção mais usado é o de gravação em videoteipe, devido à Lentes
segurança e controle de produção. São eles:
A lente zoom é muito usada na TV. Permite iniciar a gravação com
1) ao vivo/estilo ao vivo em fita;
qualquer alcance focal e, em seguida, aproximá-lo ou afastá-lo. Pode va-
2) câmera/VTs múltiplos; riar a ampliação do sujeito e o tamanho do campo de visão horizontal em
3) câmera/VT; qualquer velocidade.
4) gravação em segmentos - take a take. Lentes especiais - são de alcance focal fixo, usadas em câmeras
O orçamento para programas é dividido em duas seções:
portáteis.
1) custos acima da linha - incluem os custos dos salários de todo o Lentes "olho de peixe" (jisheye) - têm um ângulo muito aberto, que
pessoal criativo, como o produtor, o diretor, o redator e o elenco;
dá visão panorâmica de 180 graus. Consegue efeitos subjetivos ou surrea-
2) custos abaixo da linha - incluem as despesas da produção, como
listas bem dramáticos.
o custo de pessoal e a estrutura técnica.
Lentes splitters e diopters - permitem enquadrar e focalizar dois
O produtor deve incluir no orçamento as despesas adicionais, como
sujeitos em dois planos de dist