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ACELERAÇÃO E ESGOTAMENTO DA OCUPAÇÃO POPULACIONAL DE UMA FRONTEIRA: O CASO DO OESTE DO ESTADO PARANÁ UMA ANÁLISE DE 1940 A 2000.

RICARDO RIPPEL (1) ; MIRIAN BEATRIZ SCHNEIDER BRAUN (2) ; VALDERICE CECÍLIA LIMBERGER RIPPEL (3) .

1,2.UNIOESTE - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, TOLEDO, PR, BRASIL; 3.FASUL - FACULDADE SUL BRASIL, TOLEDO, PR, BRASIL.

rippel@unioeste.br

APRESENTAÇÃO ORAL

DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL E RURALIDADE

Aceleração e Esgotamento da Ocupação Populacional de uma fronteira: O Caso do Oeste do Estado Paraná Uma Análise de 1940 a 2000.

11- Desenvolvimento Territorial e Ruralidade:

RESUMO: Este artigo tem por objetivo analisar o processo de ocupação demográfica da última área de fronteira do Paraná, a região Oeste, e seu o desenvolvimento, por meio da análise das taxas de crescimento demográfico, das taxas de migração, da modernização da produção rural regional e da distribuição da população total da área e que se deu segundo situação de domicílio, do início da colonização até o ano de 2000. Examina-se o a modernização do campo, a urbanização e a transformação da densidade demográfica regional e como estas mutações demográficas afetaram a região. Palavras Chave: Densidade Demográfica, distribuição da população, modernização do campo, urbanização.

SUMMARY: This article has for objective to analyze the process of demographic occupation of the last area of border of Paraná, the area West, and yours the development, by means of the analysis of the rates of demographic growth, of the migration rates, of the modernization of the regional rural production and of the distribution of the total population of the area and that it occurred second home situation, of the beginning of the colonization to the year of 2000. The is examined the modernization of the field, the urbanization and the transformation of the regional demographic density and as these demographic mutations they affected the area. Words Key: Demographic density, distribution of the population, modernization of the field, urbanization.

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1- INTRODUÇÃO

O Paraná, durante algumas décadas do século passado, especialmente no interregno de 1940 até 1980, apresentou taxas médias de crescimento econômico e demográfico superiores às das demais regiões brasileiras e à própria média nacional. Assistiu-se ali, nesse período, a uma acelerada expansão e consolidação da fronteira agrícola da área, movimento que foi mais intenso no Oeste do Paraná. Inserido neste contexto, o Estado e a região até o ano de 1970, eram considerados áreas de grande atração populacional e expressiva absorção de imigrantes internos. Esse processo iniciou-se nos anos 30 no Paraná e em meados da década de 1940 na região Oeste do Estado, sendo que teve seu apogeu auge, respectivamente nas décadas de 1950 e 1960. Nesse tempo a população paranaense cresceu até 1970 5,5 vezes passando de um total de 1.236 mil habitantes em 1940 para 6.929 mil habitantes em 1970, e a no Oeste de estimados 7.500 habitantes em 1940 para aproximadamente 750.000 em 1970, crescimento que segundo Rippel (2005) deu-se muito acima da média de crescimento anual brasileira, este desempenho da região pode ser visualizado no gráfico 01 a seguir. Gráfico 1 - Taxas de Crescimento Populacional Anuais - Paraná, Oeste do PR e Brasil -

1940-2000

25 20 15 10 5 0 1940-1950 1950-1960 1960-1970 1970-1980 1980-1991 1991-1996 1991-2000 1940-2000 Taxas
25
20
15
10
5
0
1940-1950
1950-1960
1960-1970
1970-1980
1980-1991
1991-1996
1991-2000
1940-2000
Taxas Anuais de Crescimento

Período

Paraná Oeste do Paraná Brasil

Paraná

Paraná Oeste do Paraná Brasil

Oeste do Paraná

Paraná Oeste do Paraná Brasil

Brasil

Fonte: Rippel (2005, pg. 114)

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Em 1940, dois terços da população paranaense residia no campo, já em 1970 aponta- se que a população urbana do Estado ultrapassava a rural, com 56% do total. Durante a década de 40, foi bastante elevado o ritmo de absorção de mão-de-obra na indústria estadual, principalmente nos setores da construção civil, da indústria de transformação e nas outras subdivisões do setor secundário da economia, tanto que para HOFFMAN (1980) e Rippel (1995), isto aconteceu porque a fronteira agrícola estadual gerou encadeamentos produtivos diversos atingindo outras. áreas Desta maneira, ainda segundo os autores evidência-se a existência de forte interdependência setorial entre a agricultura, indústria e comércio, tanto no Estado quanto na região. E mais neste cenário, segundo Rippel (2005) as imigrações vivenciadas nos dois ambientes ocorreram relacionadas e até mesmo atreladas às mudanças econômicas, ocorridas nestes setores. Ademais, como foi o setor agrícola que serviu de base para expansão dos outros setores, foi nele que surgiram às primeiras conseqüências das transformações econômicas ocorridas, tanto no Oeste quanto no Estado. Isso se deu inicialmente via expansão de fronteira agrícola, quando se ocuparam novas áreas no processo de produção extensiva, e num segundo momento, com as alterações na estrutura fundiária que intensificaram a produção estadual regional por meio do uso de novas técnicas produtivas. Esse processo ocorreu em nível nacional, porém no Paraná e mais ainda no oeste do Estado ele manifestou-se com maior intensidade. Há que se ressaltar que o que aconteceu ali se deu com características muito particulares e próprias. Assim a problemática está em identificar os fatores que contribuíram para que a Região Oeste do Paraná se tornasse um forte pólo de atração de indivíduos migrantes segundo o IBGE (1979), e num segundo momento de repulsão dos mesmos. Principalmente levando-se em conta que estes indivíduos se inseriram inicialmente nas áreas rurais da região; para depois, num momento logo a seguir, a região vivenciar um forte processo de esvaziamento dessa população. Assim esse trabalho tem como objetivo descrever algumas das principais nuances e características da dinâmica demográfica do Oeste Paranaense, do período entre 1940 e 2000, buscando apontar os fatores que mais promoveram esse processo, e relaciona-los com a tecnificação da produção rural da área.

2. PROCESSO HISTÓRICO

Milhares de colonos sulistas migraram para a Região Oeste do Paraná, quando o ciclo da erva-mate no Estado já estava extinto, efetuaram este movimento, atraídos que foram pelo ciclo da madeira e pelas oportunidades que o mesmo representava principalmente no período que vai de 1930 a 1950. Neste processo inúmeras famílias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, descendentes de poloneses, alemães e italianos, dedicaram-se ao corte da madeira, desmatando a região e substituindo árvores por lavouras de cereais, algodão e criação de suínos. Alguns municípios da área absorveram correntes migratórias estimuladas por colonizadoras oriundas das áreas cafeeiras do norte do estado e de São Paulo, além de o que proporcionou o fluxo de mineiros e nordestinos, outros por empresas oriundas do vizinho Estado do Rio Grande do Sul (AMOP-2004). Já o Paraná, segundo Wachowicz (1982) foi basicamente ocupado por três ondas de povoamento que se efetivaram em períodos e circunstâncias distintas em consonância com grandes ciclos econômicos verificados no Estado. Tais características delimitaram os contornos regionais de três grandes comunidades no Estado; muito embora cada uma destas apresente heterogeneidades internas, características e propriedades comuns que determinaram e circunscreveram seu âmbito. Assim é que o primeiro povoamento abrigou-se no chamado

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Paraná Tradicional (área litorânea, polarizada por Paranaguá, passando por Curitiba e que abrange vastas regiões de Campos no Centro-Sul do Estado), local que centralizava suas atividades nas pecuárias de extensão, nas indústrias de erva-mate e de madeira, desenvolvidas em latifúndios. Destaca-se o fato de que a predominância destas atividades estendeu-se até as primeiras décadas do século XX, imprimindo à economia do Paraná um incipiente nível de desenvolvimento das forças produtivas e uma baixa capacidade de acumulação de capital. Em meados da década de 1920, ocorreu uma segunda onda de povoamento, integrada no Estado principalmente por agricultores que ocuparam o Norte do Paraná, em busca das terras roxas, consideradas muito férteis, fator que possibilitaria o prolongamento da atividade cafeeira até do interior do Estado de São Paulo. Esta atividade veio propiciar as bases do dinamismo da economia paranaense no período subseqüente. Já a terceira frente de expansão povoou o Oeste e o Sudoeste do Estado, e foi, segundo Rippel (2005), basicamente composta de migrantes que eram em sua maioria provenientes dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, e que praticavam atividades econômicas da policultura agrícola alimentar e na pecuária suína, culturas que segundo Magalhães (1992) caracterizaram uma estrutura fundiária de pequenas propriedades familiares, ainda hoje presente nestas regiões do Paraná. Neste panorama tanto o Oeste como o Sudoeste do Estado, mantinham até 1980 como força de trabalho principal, a mão-de-obra familiar, sendo que nas propriedades rurais 59% e 82% respectivamente, tinham por responsável o proprietário (IPARDES, 1983). No caso destas regiões, dois fatores definiram as correntes de povoamento provenientes do Sul do País, o primeiro fator refere-se à saturação da capacidade das regiões originais dos migrantes de mantê-los, pois a maioria era oriunda do campo e nas suas áreas de origem as propriedades eram muito pequenas, não mais os comportando. O outro fator refere-se à importância que, especialmente o Oeste do Paraná, assumiu como lugar de destino dos migrantes, dada sua capacidade de absorção deste e a proximidade com seu local de origem. (Rippel, 2005). Isto ocorreu porque a região em função da inexistência quase que total de meios de comunicação, até a década de 20 1 , não era interligada ao restante do PR, deixando a área despovoada, a ponto de que ainda em 1940 no Censo Demográfico Brasileiro, a região ser denominada “Extremo Sertão do Oeste do Paraná”. Até então, a única atividade desenvolvida nessas áreas era a exploração predatória da erva-mate e da madeira. A essa mesma época, inicia-se no Rio Grande do Sul, um intenso processo de minifundização decorrente do sistema de subdivisão das terras por herança familiar conjugado a este movimento ocorre outro, a ampliação de grandes propriedades gaúchas voltadas à pecuária. (Padis, 1981). Isto gerou um excedente populacional rural que partiu em busca de oportunidades de sobrevivência. Esse fluxo populacional era em sua maioria de origem italiana e alemã, e em grande parte eram providos de algum recurso financeiro, de uma razoável capacidade produtiva e conhecimento técnico agrícola e de instrumentos de trabalho, o que lhes permitia obter sucesso na instalação de uma propriedade no meio rural (MAGALHÃES, 1995 apud PARISOTTO, 1996). Assim é que já na década de 1930 algumas companhias particulares é que exerceram o controle das iniciativas de colonização, na área. Porém, como essas empresas praticavam muitos desmandos e abusos contra os colonos, o gerenciamento dos fluxos migratórios no Estado passou ser operado e responsabilidade do governo, para tanto foram

1 Segundo Wachowicz (1988), por volta da década de 20, uma primeira leva de imigrantes instalou-se de forma espontânea em áreas rurais do Oeste e Sudoeste do Paraná, formando pequenas propriedades baseadas no trabalho familiar, direcionando a produção para lavouras de subsistência, tais imigrantes tinham uma característica eram sulistas. Entretanto o baixo dinamismo da Região Oeste paranaense perdurou por décadas, devido fundamentalmente à inexistência de estradas, e a indisponibilidades de infra-estrutura urbana.

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criados a Fundação Paranaense de Imigrações e Colonização (1947) e o Departamento Administrativo do Oeste (1948), que posteriormente passou a ser Departamento de Fronteira. Estes órgãos tinham por objetivo maior fomentar uma colonização organizada, estruturada e disciplinada da região, para dotá-la de infra-estrutura capaz de melhorar a qualidade de vida da população. De modo que a partir de 1939, o Governo do Paraná, estende de modo mais efetivo seus projetos colonizadores à região Oeste, fundando colônias e impulsionando o mercado de terras. Com isso, outras companhias de colonização, privadas viram-se estimuladas a investir em terras e implementar projetos de colonização na área. Segundo Rippel (2005), o mais significativo desses empreendimentos foi o da MARIPÁ - Industrial Madeireira e Colonizadora Rio do Paraná S/A, com sede em Porto Alegre e filial em Toledo, e que foi constituída com capital e empresários Gaúchos. Esta empresa assumiu para tanto, via compra uma antiga gleba de terras que havia pertencido à união e que havia sido negociada com uma empresa de capital inglês, com sede em Buenos Aires e que detinha na titulação da propriedade original títulos federais e estaduais, sendo que na divisão da área seguiu-se um padrão de pequenas propriedades, devido à escassez de capital por parte colonos (CIGOLI,1999). Essas iniciativas atraíram grandes contingentes de migrantes para o local, e já no início dos anos 50, uma grande parte dos loteamentos do Oeste PR já havia sido comercializada. Pois além da oferta a preços interessantes das terras, as características do processo na região, que via de regra prometia aos novos colonos a possibilidade de reproduzirem sua condição de produtores rurais nas novas propriedades aos moldes praticados em suas regiões de origem, exerceram sobre os mesmos um forte apelo de atração. Pois embora fossem pequenas propriedades, se, se levar em consideração a excelente qualidade do solo, elas podiam ser consideradas equivalente a uma propriedade de médio porte de seus locais de origem. Além do que, como a força de trabalho alocada na produção era, via de regra familiar, e como as condições topográficas da região eram favoráveis, isso permitiu a reprodução de práticas e atividades econômicas desenvolvidas anteriormente, notadamente em regiões gaúchas. Neste contexto também hábitos e costumes foram preservados, pela origem ítalo- germânica, de fortes tradições, que passava de descendência para descendência, e também porque essas comunidades mantiveram-se isoladas do restante do Estado, até o final dos anos 50, devido à falta de meios de comunicação e de transporte na região. Tal fato justifica em grande parte o surto de ocupação, do Oeste do Paraná, no início da década de 1950, composto por dois fluxos migratórios importantes. Um proveniente da população liberada do café e outro vindo do Sul do País. Essa expansão da agricultura se deu, fundamentalmente, através de explorações agrícolas que combinavam técnicas de cultivo rudimentar, intensivas em de mão-de-obra, constituída por pequenos proprietários. Cabe, contudo destacar que a condição de fronteira da área facilitou apenas o acesso a terra isso porque na verdade o que expandiu a fronteira do campo no oeste paranaense foi a característica de cultivo próprio que mantinha o trabalhador junto ao seu local de trabalho. De modo que o Oeste e Sudoeste paranaense detiveram a maior concentração de população rural do Estado até a década de 1970. (IPARDES, 1983). Durante as décadas de 30 e 40, a região produzia basicamente para o auto consumo, das unidades agrícolas, vez que não existiam meios de comunicação e transportes suficientemente eficientes para comercialização de produtos excedentes. Assim a integração e a dinamização, econômica e demográfica dessa região, deu-se apenas a partir no final da década de 50, com a implantação de um sistema viário que, conjugado à capacidade técnica dos produtores e à boa qualidade dos solos, impulsionou a produção de excedentes agrícolas para a comercialização, nos mercados de Curitiba e São Paulo (PARISOTTO, 1996).

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No processo de transformação do Estado e da região, um dos resultados evidentes é a nova distribuição da população paranaense, que se alterou muito, pois até o início de 1970 o Paraná era área de atração de migrantes, mas em meados da década esta posição inverte-se: os fluxos partiam do Paraná e seguiam em direção ao Sudeste, Centro-Oeste e Amazônia. Na década de 80 esse quadro se agrava reduzindo a taxa de crescimento demográfico do Estado que se tornou uma das menores do país. Situação pode ser observada nos Gráficos 01 já apresentado e nos gráficos 02 e 03 a seguir.

GRÁFICO 02 POPULAÇÃO TOTAL, NO PARANÁ - 1940 - 80 (em mil habitantes). 8000 6000
GRÁFICO 02 POPULAÇÃO TOTAL, NO PARANÁ - 1940 - 80 (em mil habitantes).
8000
6000
4000
2000
0
1940
1950
1960
1970
1980

POPULAÇÃO TOTAL

FONTE: A partir de tabela de IPARDES (1983), p. 298.

GRÁFICO 03 TAXA DE CRESCIMENTO POPULACIONAL, NO PARANÁ - 1940 - 80. 120 100 80
GRÁFICO 03 TAXA DE CRESCIMENTO POPULACIONAL, NO PARANÁ - 1940 - 80.
120
100
80
60
40
20
0
1940
1950
1960
1970
1980
TAXA DE CRESCIMENTO

TAXA DE CRESCIMENTO

FONTE: A partir de tabela de IPARDES (1983), p. 298.

Com a integração e a dinamização do Oeste do Paraná, novos capitais ingressaram à região, a produção rural tecnificou-se, ocorreu um movimento de concentração fundiária e grandes propriedades agrícolas se formaram. Esta transformação, que ocorreu tanto no Estado quanto na região levou a necessidade de serem criadas estruturas de apoio e suporte à população, que se instalou no Paraná e no interregno de 1970 a 80, estabiliza-se o número de Municípios e há um pequeno crescimento em número de Distritos e Vilas no Estado. Isso indica que a ocupação do Estado passou a ser mais organizada e voltada para suportar o incremento populacional. Nesse cenário o crescimento das zonas urbanas teve que ser planejado, sob pena de uma implantação desordenada e onerosa: não só os serviços urbanos deverão ser ampliados para atender a esse contingente populacional, como também as atividades econômicas urbanas terão que gerar empregos suficientes para absorver a mão-de- obra (IPARDES, 1989). Nesse período, o governo do Estado iniciou um planejamento estratégico voltado para o desenvolvimento de alternativas que permitissem a manutenção do nível de emprego em atividades agropecuárias e no extrativismo vegetal e estabelecendo uma

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Política de Desenvolvimento Urbano – PDU, implantando o saneamento básico, uso do solo, aproveitamento de recursos hídricos e controle da poluição ambiental. Em síntese, o mesmo processo que determinou a acelerada expansão e consolidação de fronteira agrícola do Oeste do Paraná, marcada pela presença de um grande número de pequenos estabelecimentos, e por uma estrutura de posse da terra relativamente desconcentrada, condicionando ao notável crescimento demográfico da região. A exemplo do Estado, que superou em muito a média nacional entre 1940 e 1970, pois no final desse período, a população paranaense havia mais que quintuplicado em relação ao número de habitantes registrado em 1940 (PARISOTTO, 1996).

3. A Redistribuição e reorganização da população no território do Oeste do Paraná.

Após um período de ocupação acelerada do espaço rural do Estado, decorrente de sua expansão de fronteira agrícola, sobreveio o êxodo rural em praticamente todo o território estadual, principalmente no Oeste, fato este que se deu a partir dos anos 70, e que foi caracterizado pela emigração em massa da população rural em direção às áreas urbanas, muitas vezes fora do próprio Estado. Este fenômeno do esvaziamento populacional rural foi responsável pelo início de um rápido processo de urbanização (SAAD, 1998). Movimento que segundo o Ipardes (1985), pode ser facilmente visualizado através do Gráfico 04, a seguir.

GRÁFICO 04: TAXAS DE URBANIZAÇÃO E RURALIZAÇÃO DO PARANÁ – 1940-

1990

DE URBANIZAÇÃO E RURALIZAÇÃO DO PARANÁ – 1940- 1990 FONTE : IPARDES, 1985. Neste cenário a

FONTE: IPARDES, 1985.

Neste cenário a região Oeste paranaense reduziu seu contingente populacional, entre a década de 70 e 80, em 126.451 habitantes. Cerca de 50% desses migrantes procuraram os centros urbanos de São Paulo. Desse montante, somente em torno de 150 mil pessoas foram para as áreas rurais do Mato Grosso do Sul e Amazônia. Estima-se que aproximadamente 400 mil brasileiros deixaram o Estado para ocupar extensas faixas da fronteira do Paraguai-Brasil. Esses, denominados de “brasiguaios”, segundo MAGALHÃES (1996), em sua maioria desprovidos de posses, inseriam-se na estrutura de produção agrícola paraguaia, como agregados, parceiros e arrendatários ou assalariados (IPARDES, 1983).

Tabela 1: Evolução da Composição da População e Densidade Demográfica do Oeste Paraná. Por área urbana ou rural de residência - de 1970 a 2000

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População Urbana

 

População Rural

População Total

Ano

 

% no

   

% no

     

do

Censo

Total

Urbano

total

da Pop.

Regional

Densidade

Demográfica

(hab/Km2)

Total

Rural

total

da Pop.

Regional

Densidade

Demográfica

(hab/Km2)

Total

Geral

Densidade

Demográfica

(hab/Km2)

1.970

149.516

19,87

6,53

602.916

80,13

26,32

752.432

32,85

1.980

484.504

50,43

21,15

476.225

49,57

20,79

960.729

41,94

1.991

728.126

71,67

31,78

287.803

28,33

12,56

1.015.929

44,35

1.996

832.691

77,20

36,35

245.893

22,80

10,73

1.078.584

47,08

2.000

929.092

81,60

40,56

209.490

18,40

9,14

1.138.582

49,70

Fonte: Rippel (2005, pg. 121).

Outra parte da população rural da região deslocou-se para as áreas urbanas da própria região, tal como se pode perceber na distribuição populacional em cada município da área no período, fato que pode ser visualizado na tabela 01. Estas transformações na região impactaram diretamente na distribuição total da população da área, tanto que se colocando estes dados agregados num gráfico geral percebe a grande mudança ocorrida no Oeste do Paraná, que seguiu a tendência apontada para o Estado. Tanto que na área, segundo Câmara (1985) esse aparato e mobilização do Estado somente apresentou resultados anos depois, na década de 1980; pois, para eles, embora essa intensificação da produção agrícola tivesse ocorrido em praticamente todo o país, ela se deu de maneira mais contundente nas regiões do Paraná que na década de 1970 e início da de 80 já se encontravam num patamar de produção rural mais organizado e apto a receber tais incentivos e responderem com o crescimento da produtividade, mesmo que em diferentes graus, caso do Oeste do Estado; sustentam ainda que tais regiões eram as que se encontravam mais preparadas para desenvolverem uma produção agrícola maior, mais ampla, e capitalista. Este cenário nacional e estadual rebateu diretamente no Oeste do Paraná e isso, por sua vez, repercutiu num acelerado movimento de redução da população regional rural, tal como se pode perceber no gráfico 05, a seguir.

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Gráfico 05: Distribuição da população total segundo situação de domicílio - Oeste do PR - 1970/2000

90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 % da População Total
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
% da População Total

1970

1980

1991

1996

2000

 

Anos

População Urbana População Rural

População Urbana

População Urbana População Rural

População Rural

Fonte: Rippel (2005, pg. 122)

Analisando-se gráfico e as informações apresentadas percebe-se a inversão na composição da população do Oeste do Paraná, que, em 1970, apresentava 80,13% de seus habitantes com domicílio rural e apenas 19,87% nas áreas urbanas, e, no Censo de 2000, passou a ter apenas 18,40% do seu total de habitantes em domicílios rurais e 81,60% nas áreas urbanas. E mais os dados referentes à concentração demográfica da região demonstram, de forma clara, essa mudança da distribuição populacional da área e o seu crescimento urbano, pois estas áreas da região, ao longo do período, apresentaram um intenso adensamento populacional, em 1970 detinham uma densidade de 6,53 habitantes por quilômetro quadrado e em 2000 esse valor sobe para 40,56. Já a densidade demográfica rural regional vivenciou um movimento inverso, pois era de 26,32 habitantes por quilômetro quadrado em 1970, cai para apenas 9,14 em 2000. Esta mudança impactou diretamente na distribuição da população regional segundo área de domicílio, rural ou urbano, tal como se vê. Esse comportamento da área, segundo Rippel (2005), se deu essencialmente como resultante da modernização do setor rural, pois ocorreu, na região, a passagem da agricultura do chamado “complexo rural” para a dinâmica comandada pelos “complexos agroindustriais” (CAIs); impulsionados pelo aumento da produtividade agrícola. Desse modo, o comportamento demográfico regional foi parcialmente condicionado pela economia rural da área, de tal modo que a região vivenciou diversas alterações em seu padrão migratório.

3- As transformações produtivas na agricultura do Oeste PR e os impactos demográficos

Segundo Câmara (1985), a modernização do campo e a reconcentração fundiária no Oeste do Paraná geraram um elevado volume de desemprego rural na região, fruto da

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consolidação no setor de um padrão produtivo voltado para o mercado externo que implicou na redução da produção de diversas culturas, esta constatação é condizente com a argumentação de Wood e Carvalho (1994), para quem a queda da produção de culturas tais como as de feijão preto e mandioca constituem uma indicação da cada vez mais precária viabilidade econômica das pequenas propriedades agrícolas. Segundo eles, os analistas atribuem à produção estagnada ou declinante dos produtos alimentares tradicionais e às políticas creditícias e de subsídios, que discriminaram os pequenos agricultores em favor dos grandes estabelecimentos que desenvolvem culturas de exportação. Isto causou importantes

repercussões nas áreas urbanas das regiões agrícolas, especialmente as de fronteira, como era

o caso do Oeste do Paraná no período das décadas de 1950 a 1970. Mediante estes acontecimentos argumentam que, com o enfraquecimento da agricultura de pequena escala, as grandes empresas agroindustriais assumiram o papel dominante no setor rural brasileiro, onde a utilização de sistemas de produção e de transporte verticalmente integrados desalojou pequenos produtores rurais, bem como fornecedores e comerciantes também classificados como pequenos. Isso ocorreu, segundo Fleischfresser (1988), porque, em Estados como o Paraná, a política nacional para o setor agrícola apresentou um importante ganho de força na década de 70. Porém paulatinamente a estes ganhos passou a ocorrer o esgotamento de suas fronteiras

Tais políticas nasceram por pressão

do setor industrial e privilegiaram as tecnologias de “produto”. Esta postura gerou profundas mudanças na economia e no setor rural estadual e da região. Essa transformação ocorreu porque as bases modernizantes e industriais da “revolução verde” foram apenas adquiridas e não apreendidas, e deste modo geraram em sua implantação um acelerado movimento de expulsão de trabalhadores rurais, acirrando o do êxodo do campo paranaense. Essas medidas também estimularam a exclusão de certos tipos de produtores rurais, notadamente os minis e pequenos, numa época em que não havia mais a possibilidade de expansão da agropecuária paranaense de modo extensivo, vez que a maior parte da superfície territorial do Estado já se encontrava ocupada resultando em graves problemas no Oeste do Paraná, pois essa foi a área do Estado na qual a modernização agrícola se deu acompanhada de forma mais contundente, do êxodo rural e do crescimento da desigualdade no Estado, fato

as desigualdades sócio-econômicas

que pode ser visualizado na observação a seguir: “[

agrícolas e o crescimento dos problemas sociais na área

]

entre os produtores se acentuam, porque antes se já não dispunham de condições homogêneas de produção, com a introdução de técnicas produtivas externas ao meio rural as diferenças se intensificam. Assim, as condições materiais, a própria localização física, bem como os tamanhos da área apresentam-se para uns como oportunidade e para outros como barreira à introdução do progresso técnico e à apropriação de seus frutos” (Fleischfresser, 1988: 76). Neste cenário, o que se verificou é que as mudanças no setor agrário regional,

iniciadas durante meados da década de 1970, consolidaram-se na década de 1980 e desencadearam, entre diversas outras conseqüências, um evidente movimento de emigração

das áreas rurais da região. Este processo é explicado a partir de Manoel (1986, p. 58).

Segundo ele: “[

a questão do tamanho da empresa agrícola está estreitamente relacionada

com as da produtividade e da posse da terra e com as formas de organização do processo produtivo agrícola [ Isso decorre do fato de que a concentração da posse de terra determina a estrutura de

produção e exerce uma poderosa influência sobre diversos elementos importantes da produção agrícola, a saber: a) sobre a produtividade agrícola, b) sobre a inovação tecnológica e c) sobre

o emprego rural, suscitando preocupações dos mais variados níveis, como a busca de uma

]

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garantia de níveis mínimos para a população do campo, que a mantenha vinculada a esse campo; análise que Graziano da Silva (1978 a) efetuou e à qual já nos referimos 2 . Analisando este cenário e a distribuição fundiária da região, Rippel (2005) Piffer (1997), sustentam que, apesar do movimento de reconcentração fundiária, na área não existem propriedades classificadas como “latifúndio por exploração” 3 , vez que o solo da região é dos melhores e, em função disto e da topografia, o preço do hectare de terra na área é muito elevado, inviabilizando a aquisição de propriedades apenas para fins de especulação 4 . Assim a reestruturação da agricultura regional implicou na necessidade de organização de um eficiente sistema de comercialização e financiamento do setor, fato que, segundo Piffer (1997), permitiu mudanças qualitativas no tipo de atividade industrial na área, e que foram resultantes da interação que passou a existir entre os setores primário e secundário da economia. Assim, a maior mercantilização da agricultura regional gerou uma hierarquia de riqueza, status e poder que diferenciou as diversas camadas que compõem a população rural da área. Fato que está intrinsecamente ligado a propriedade da terra e com o êxodo rural. Vê- se então que na área, a partir de 1980, além dessa hierarquização ocorreu também, um acirrado processo de urbanização. Além do que, a região também vivenciou nesse período o dinamismo do setor agropecuário nacional, que passou a ser agroindustrial 5 , e que possibilitou a expansão dos setores de processamento de seus produtos, caso da soja e dos óleos vegetais, da carne, da madeira, do milho e das rações, etc. Rippel (1995) argumenta que este processo de grande emigração do campo 6 , de descapitalização de parte dos indivíduos da região, e acelerada urbanização da área, obrigou os empresários e políticos do local a buscarem respostas mais eficientes para enfrentar a crise. Tais respostas foram apoiadas na adoção de um modelo de economia alimentar industrializada que passou a ser o carro-chefe do crescimento econômico regional, já que os segmentos relativos à produção rural e à distribuição final foram gradativamente se constituindo nos pólos dinâmicos do complexo agroindustrial regional, o que converge com os estudos de Silva (1982). Aliado a isso, a abertura comercial em curso desde final dos anos 1980, possibilitou uma maior integração da economia da área com a nacional, especialmente no agronegócio, e

2 Vê-se então que no Oeste do Paraná a modernização agrícola regional e o aumento da produtividade da área somente foram possíveis mediante a ocorrência de três importantes fenômenos econômicos e dois demográficos. Vejamos: 1) a adoção de um novo padrão produtivo implicou no uso de novas tecnologias demandantes de áreas de terras mais extensas para se viabilizarem; 2) como conseqüência ocorreu uma acelerada concentração das terras; e, 3) isto provocou a expulsão dos pequenos proprietários, dos arrendatários e dos trabalhadores braçais do campo que não mais conseguiram se inserir no novo processo. Tais fatos repercutiram no comportamento demográfico da região que: a) tornou-se eminentemente mais urbana; e, b) deixou ser uma área de destino de imigrantes e passou a ser uma área de origem de importantes movimentos de emigração.

3 Latifúndio por exploração – extensas áreas de terras de propriedade única, utilizadas como reserva de valor e como elemento de especulação imobiliária.

4 Segundo Mellos (1988), isso ocorreu no Oeste do Paraná pelos motivos previamente apontados, mas também porque, na área, o processo caminhou de uma ampla gama de pequenos e mini produtores rurais para uma situação de concentração de propriedades classificadas como empresas rurais.

5 Tais atividades são usualmente instaladas em áreas urbanas, estimulando a migração para as cidades, seja pela oferta de oportunidades de trabalho, seja pela comodidade e conforto que se desenvolvem nas cidades, também de efeitos sinérgicos de geração de outros empregos, fatores muito atrativos para os indivíduos que já não mais conseguiam manter-se no campo.

6 Diante da complexidade daquele cenário, os pequenos produtores que não conseguiram mais se inserir no novo sistema produtivo regional passaram a vender suas propriedades e emigraram para distintos destinos: parte deslocou-se para as áreas urbanas da própria região, parte migrou para novas áreas de fronteira – especialmente o Mato Grosso, Rondônia e Roraima –, parte deslocou-se para outras áreas do próprio Estado e parte emigrou para o interior do Estado de São Paulo e do Estado de Santa Catarina. Rippel (2005)

12

que aconteceu como conseqüência da expansão da produção de soja, trigo e outras culturas, cuja área plantada e produção se ampliaram dada a maior capacidade de inserção no mercado.

Tabela 2: Evolução qüinqüenal da produção da soja e do trigo no Oeste do Paraná – 1970-2000

   

SOJA

   

TRIGO

 

ANOS

 

Variação

Produção

(t)

Variação %

qüinqüenal

 

Variação %

qüinqüenal

Produção

(t)

Variação %

qüinqüenal

Área(ha)

%

qüinqüenal

Área (ha)

1970

195.000

-

228.230

-

92.100

-

81.363

-

1975

1.091.800

459,90

2.669.523

1069,66

324.741

252,60

180.529

121,88

1980

1.304.561

19,49

2.542.900

-4,74 1.013.446

212,08

1.028.130

469,51

1985

740.720

-43,22

1.429.807

-43,77

476.640

-52,97

1.040.354

1,19

1990

685.370

-7,47

1.474.051

3,09

492.928

3,42

277.394

-73,34

1995

693.112

1,13

1.929.996

30,93

305.420

-38,04

657.538

137,04

2000

759.612

9,59

1.947.650

0,91

211.591

-30,72

73.075

-88,89

Fonte: Rippel (2005, pg. 126)

Deste modo, estas culturas passaram a ser as principais da base agrícola regional. Percebe-se então que, na região, houve uma maior incorporação de áreas para o cultivo da soja e do trigo, e, grosso modo, os dados apontam como a região respondeu de modo contundente à tecnificação no campo, em termos de produção e de área plantada dos produtos de exportação, cenário que propiciou um nível razoável de enriquecimento para a área, mas que trouxe consigo também problemas sociais, tais como urbanização desordenada, êxodo rural e um volume elevado de emigração, observável na análise dos saldos migratórios da região no período como se pode ver abaixo:

Tabela 3: Saldos Migratórios Estimados para o Oeste do Paraná Segundo Situação do Domicílio e Sexo - 1970/80, 1980/90, 1990/2000.

Período

Urbano

Rural

Total

1970-1980

298.459

-354.638

-56.179

1980-1990

93.871

-293.925

-200.054

1990-2000

80.893

-156.401

-75.508

Fonte: Rippel (2005, pg. 126)

Analisando-se a tabela 3, vê-se que, de 1970-80, a região apresentou um volume de emigração que resultou num saldo migratório negativo estimado em 56.179 pessoas, fato muito diferente de estimados 370.000 imigrantes a mais do que emigrantes. Na década seguinte, essa tendência de emigração na região manteve-se, porém os volumes de emigração tornaram-se ainda maiores, se comparados aos da imigração, e o saldo migratório estimado foi de aproximadamente 200.000 emigrantes a mais do que imigrantes; de 1990-2000, os volumes de emigrantes e de imigrantes na região caíram e muito, de tal modo que o saldo no período foi de aproximadamente -75.000 pessoas, mantendo-se assim a tendência de perdas de população da região. Na verdade, os volumes, as quantidades de pessoas envolvidas nos processos migratórios da região diminuíram, e muito ao, longo do período, provavelmente em função do surgimento de novas áreas de atração migratória – especialmente novas áreas de fronteira e novos núcleos urbanos economicamente mais atraentes, e isto repercutiu na manutenção da tendência de perdas de migrantes da área, mesmo que, como se pode perceber, as áreas urbanas tenham apresentado em todo o período, um saldo migratório positivo.

13

Há que se ressaltar, porém, que este comportamento de áreas urbanas do Oeste do Paraná não foi o suficiente para reverter à tendência de perdas populacionais na região, pois os volumes da migração rural maiores que os urbanos, tanto que os saldos migratórios rurais no período sempre foram negativos e bem maiores que os urbanos. Percebe-se também que, a década de 1980 apresentou os resultados mais negativos, fato que, de certo modo, confirma as colocações anteriores, que indicam que na área foi nesse período que os efeitos da concentração fundiária e da acelerada tecnificação da produção rural transpareceram de modo mais contundente, impactando contundentemente no processo migratório e no desempenho demográfico regional. Como, porém, os saldos migratórios dão apenas uma noção dos volumes do processo há a necessidade de se entender melhor o que ocorreu, principalmente em termos da intensidade, assim utilizaremos também do cálculo das Taxas Migratórias Líquidas Anais - TMLs 7 da área, com a intenção de obter mais aspectos capazes de melhor nos esclarecerem o processo, pois, com os saldos, temos a noção do volume do processo e com as Tmls teremos a noção da intensidade do mesmo, vejamos. Na tabela 4 vê-se que as taxas apontam que a distribuição da população da regional corrobora o cenário de esvaziamento demográfico do rural, em oposição ao crescimento das

áreas urbanas da região, pois, durante todo o período as taxas do setor urbano foram positivas

e as do setor rural negativas. Entretanto, a análise destas taxas também permite ver que nos três períodos, o rural da área apresentou-se sempre com perdas expressivas, ao passo que o urbano, no primeiro espaço de tempo 1970-1980 apresentou um ganho expressivo, porém inferior às perdas do rural.

Tabela 4: Taxas de migração líquida anual oeste do PR segundo domicílio - anos de 1970/80, 1980/90, 1990/2000

Período

1970-1980

1980-1990

1990-2000

Urbano

6,16

1,34

0,87

Rural

-7,45

-9,77

-7,47

Total

-0,58

-1,20

-0,66

Fonte: Rippel (2005, pg. 128).

Nos períodos seguintes os ganhos urbanos foram menores, em termos proporcionais do que as perdas rurais, porém estes ganhos passaram a ser significativos se considerarmos

que a população urbana cresceu e a rural encolheu muito. Assim segundo Rippel (2005) pode- se perceber que há, efetivamente, uma relação entre os saldos migratórios negativos, as taxas de migração líquidas, a concentração fundiária e a tecnificação da produção rural no Oeste do Paraná. Fato que pode ser visualizado quando se comparam as informações já apresentadas e se analisam os dados da Tabela 5 a seguir que aponta o crescimento do parque de máquinas. Ali como se pode ver, a modernização da agricultura regional se confunde com a expansão da produção de commodities, pois, conforme cresceu a produção, cresceu também o uso de tecnologia na produção, principalmente daquela representada por máquinas de plantio

e de colheita, bem como de tratores, três importantes equipamentos para uma produção mais eficiente, mas que também geram um volume expressivo de desemprego no campo.

7 A escolha de TMLs anuais deve-se ao fato de que assim estas podem ser comparadas com as taxas de crescimento demográfico e de constituírem-se em indicadores mais consistentes de exposição dos movimentos migratórios.

14

Tabela 5: Números de arados, máquinas e tratores na região Oeste do Paraná nos anos de 1975, 1980, 1985 e 1995

ANOS Equipamento
ANOS
Equipamento
   

Var %

 

Var %

 

Var %

Var %

1975

1980

1975/80

1985

1980/85

1995

1985/95

1975/95

Arados (tração animal) Arados (tração mecânica) Máquinas (plantio) Máquinas (colheita) Tratores

35.414

35.819

1,14

38.535

7,58

20.618

-46,50

-41,78

13.684

21.761

59,03

22.173

1,89

17.625

-20,51

28,80

13.704

-

19.389

41,48

18.357

-5,32

5.968

9.064

51,88

5.235

-42,24

4.801

-8,29

-19,55

10.216

16.247

59,03

20.667

27,21

31.986

54,77

213,10

Fonte: Rippel (2005, pg. 128).

Segundo Ambercombie (1972) 8 , em média, cerca de 19 trabalhadores eram substituídos por um trator em fazendas com tamanho entre 50 e 200 hectares de terra. Ele também aponta que a taxa de substituição entre máquinas e trabalhadores caía regularmente com o aumento do número de hectares cultivados, e que, era maior em cereais como o trigo, por exemplo. Assim se, à guisa de exemplo, levarmos em consideração o crescimento do total de tratores na região, verificaremos que este valor se eleva concomitantemente à diminuição da população rural da área, e, se aprofundarmos nossa especulação sobre o assunto e multiplicarmos a diferença nominal do total de tratores na região entre 1975 e 1999 obteremos 21.770 equipamentos a mais entre um período e outro.Multiplicando esta diferença por dezenove, número médio de trabalhadores substituídos no campo por trator, conforme sustenta Ambercombie (1972), obteremos um total estimado de mais de 416.000 trabalhadores desalojados da zona rural no período apenas em função da introdução de mais tratores nas áreas de produção rural da região. Ou seja, há uma clara ligação entre a modernização da produção agrícola do Oeste do Paraná e a emigração destas áreas. Desta forma, é evidente que a modernização da produção rural no Oeste do Paraná exerceu forte influência no comportamento demográfico da área. Há que se ressaltar que as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, concentram atualmente 35% das lavouras temporárias do Estado, e são as principais produtoras de milho, feijão, soja e suínos. Em 1980, só o Oeste do Paraná, respondia por 27% da área colhida de soja, 45% da área total de lavouras, incluindo consumo de pacotes tecnológicos, e 23% do aumento de tratores (os maiores índices do Estado). Incorporou 12% das áreas novas do Estado, sendo que 59% dos estabelecimentos tinham por responsável o proprietário da terra (IPARDES, 1983). Nas duas áreas os processos de urbanização e industrialização foram causa e motivo do movimento migratório para as cidades, paralelamente, ocorreram modificações no ambiente rural. Expandiram-se as técnicas capitalistas, produzindo o desemprego e conseqüentemente a expulsão dos trabalhadores do campo. Há que se destacar, porém, que segundo Rippel (2005) as transformações da estrutura fundiária do Oeste paranaense se deram no sentido de reforçar os estabelecimentos médios, e que a adequação da base agrícola na região, não produziu os mesmos efeitos do Norte do Estado, deixando uma massa de trabalhadores sem terra, nem generalizou nas mesmas dimensões o trabalho assalariado. O

8 Autor cujo estudo sobre a agricultura latino-americana permitiu observar, o impacto da mecanização sobre a absorção de mão-de-obra, e que aponta que o mesmo dependia do tamanho da fazenda; e que utilizando-se de dados referentes à Colômbia indica que a mecanização traz produtividade mas gera desemprego no campo.

15

acréscimo de terras incorporadas ao processo produtivo foi viabilizado no Oeste, sem o incremento da força de trabalho (IPARDES, 1983), conforme quadro a seguir.

QUADRO 1 : VARIAÇÃO DAS ÁREAS DE LAVOURA E PESSOAL OCUPADO, SEGUNDO MRH EXTREMO-OESTE PARANAENSE E SUDOESTE PARANAENSE – 1970 / 1980

MRH

ÁREA DE LAVOURAS (ha)

 

PESSOAL OCUPADO

 

1970

1980

Var %

1970

1980

Var %

Extremo-Oeste Paranaense Sudoeste Paranaense

658.509

1.198.599

82,0

309.372

285.698

(7,7)

387.544

659.385

70,1

195.330

218.730

11,9

FONTE: IPARDES (1983).

que

ocorreram nas migrações paranaenses do tipo rural-urbana e urbana-urbana e eles podem ser visualizados a seguir.

Estes movimentos podem ser agrupados em movimentos migratórios distintos

GRÁFICO 06 COMPOSIÇÃO DE FLUXOS MIGRATÓRIOS SELECIONADOS DE ACORDO COM O TIPO DE MIGRAÇÃO, ESTADO DO PARANÁ, 1986-2000

100

80

60

40

20

0

Urbana-Urbana Urbana-Rural Rural-Urbana Rural-Rural
Urbana-Urbana
Urbana-Rural
Rural-Urbana
Rural-Rural

Outros Estados/PRPR/São Paulo Oeste(*)/PR PR/Outros Estados Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) São Paulo/PR PR/Santa Catarina

PR/São PauloOutros Estados/PR Oeste(*)/PR PR/Outros Estados Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) São Paulo/PR PR/Santa Catarina

Oeste(*)/PROutros Estados/PR PR/São Paulo PR/Outros Estados Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) São Paulo/PR PR/Santa Catarina

PR/Outros EstadosOutros Estados/PR PR/São Paulo Oeste(*)/PR Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) São Paulo/PR PR/Santa Catarina

Santa Catarina/PROutros Estados/PR PR/São Paulo Oeste(*)/PR PR/Outros Estados PR/Oeste(*) São Paulo/PR PR/Santa Catarina

PR/Oeste(*)Outros Estados/PR PR/São Paulo Oeste(*)/PR PR/Outros Estados Santa Catarina/PR São Paulo/PR PR/Santa Catarina

São Paulo/PROutros Estados/PR PR/São Paulo Oeste(*)/PR PR/Outros Estados Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) PR/Santa Catarina

PR/Santa CatarinaOutros Estados/PR PR/São Paulo Oeste(*)/PR PR/Outros Estados Santa Catarina/PR PR/Oeste(*) São Paulo/PR

(*) Incluir os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. FONTE: Dados extraídos do Quadro 12, anexo.

Destaca-se o fato de que na década de 70, o crescimento da população rural do Paraná sofreu uma reversão, perdendo mais de um quarto de seu contingente populacional. A população urbana, paralelamente, teve um crescimento de 78% (IPARDES, 1983). Conforme Gráficos 6, 7 e 8 apresentam. Gráfico 7: População rural, urbana e total do Paraná valores absolutos, nas décadas de 40 a 80.

8000 6000 4000 2000 0 1940 1950 1960 1970 1980 FONTE: SAAD, 1998.
8000
6000
4000
2000
0
1940
1950
1960
1970
1980
FONTE: SAAD, 1998.

Rural AbsolutoUrbana Absoluto Total Absoluto

Urbana AbsolutoRural Absoluto Total Absoluto

Total AbsolutoRural Absoluto Urbana Absoluto

Gráfico 8 Crescimento %l e taxa de urbanização da população nas décadas de 40 a 70

150 100 50 0 1940/50 1950/60 1960/70 1970/80
150
100
50
0
1940/50
1950/60
1960/70
1970/80

16

%

FONTE: SAAD, 1998.

Este cenário global demonstra que a população rural estadual cresceu em níveis elevados até a década de 60, chegando a 74,8%, mas este percentual passa para 28,6%, entre a década de 70 e 80. Paralelamente, a população urbana cresce e ultrapassa a rural do percentual de 74,8% para 148,3%. No total, a população cresce até a década de 60, caindo para 10,1% no período entre 1970 e 1980. A significativa redução da população rural caracteriza o esvaziamento populacional do Estado. “Os fatores de expulsão definem as áreas de onde se originam os fluxos migratórios, mas são os fatores de atração que determinam a orientação destes fluxos e as áreas à quais se destinam. Entre os fatores de atração, o mais importante é a demanda por força de trabalho, entendida esta não apenas como a gerada pelas empresas industriais mas também a que resulta da expansão dos serviços, tanto dos que são executados por empresas capitalistas como os que são prestados por repartições governamentais, empresas públicas e por indivíduos autônomos” (SINGER, 1985, p.40). Como as cidades não cresceram o suficiente para absorver o contingente populacional expulso do campo, de acordo com o Censo Demográfico de 1980 da FIBGE, os 1.168.000 paranaenses que migraram, cerca de 590.000 se dirigiram para o Estado de São Paulo. Esse esvaziamento se deve em grande parte às mudanças estruturais na economia, que afetaram diretamente o setor agrícola (IPARDES,1983). E de acordo com PARISOTTO (1996), os dados censitários de 1980 indicam um montante de aproximadamente 350 mil pessoas teriam deixado o Paraná em direção ao Norte do Brasil nos dez anos anteriores. Milhares de famílias, na maioria procedentes das regiões Oeste e Sudoeste, puseram-se em marcha para Rondônia, e nos últimos anos da década de 70, para Mato Grosso e Pará. O caráter restrito da modernização pode ser constatado pela precária difusão de máquinas agrícolas, o número de tratores, No início da década de 70, aumentou 326,3% e o Paraná passou a ser o segundo parque de máquinas no Brasil. Mas apenas 7% do total dos estabelecimentos empregavam máquinas agrícolas nas suas atividades, mesmo sob a condição de aluguel. A existência de mais de 70% de produtores na condição de pequeno produtor dá a dimensão de quanto o processo de modernização foi restrito na incorporação do progresso técnico e violento na redução de população (IPARDES, 1983). As dificuldades dos pequenos produtores na incorporação do progresso técnico parecem estar calcadas na estrutura fundiária, concentrada e rígida, deteriorando gradativa e relativamente, as condições de vida e de trabalho desses produtores, conseqüentemente, implicando na perda da propriedade ou posse da terra e na migração. Durante a década de 70, 185 mil estabelecimentos no Paraná, passaram a utilizar força mecânica na agricultura, significando um aumento de 1.135% no emprego de máquinas. O período de maior intensidade situa-se entre 1970-75, quando 106 mil estabelecimentos foram mecanizados. Cerca de 63 mil tratores foram adquiridos, sendo a maioria deles (93%)

17

concentrada entre produtores proprietários, mostrando o privilégio dessa categoria, na concessão do crédito para investimento (MAGALHÃES, 1996). Este comportamento foi praticamente presente em todo o Estado do Paraná, mas fica muito mais evidente nos os municípios do Oeste paranaense que viram sua população rural encolher muito, enquanto a urbana crescia, tal como se pode verificar no quadro 2 a seguir.

Quadro 2- População do Oeste do PR total por município e por área de residência - 1970, 1980, 1991 e 2000

 

Pop. Urbana de 70-2000

 

Pop. Rural de 1970-2000

 

Pop. Total de 1970-2000

 

Municípios

Urb 70

Urb 80

Urb 91

Urb 00

Rur 70

Rur 80

Rur 91

Rur 00

Tot 70

Tot 80

Tot 91

Tot 00

Anahy Assis Chateaubriand Boa Vista da Aparecida Braganey Cafelândia Campo Bonito Capitão Leônidas Marques Cascavel Catanduvas Céu Azul Corbélia

     

1.640

     

1.371

     

3.011

9.915

23.810

28.828

27.052

54.365

20.718

10.872

6.265

64.280

44.528

39.700

33.317

1.341

3.225

3.224

4.565

4.420

7.578

7.145

3.858

5.761

10.803

10.369

8.423

0

2.030

3.009

2.780

0

5.154

5.049

3.411

0

7.184

8.058

6.191

0

1.935

5.181

8.551

0

4.180

2.908

2.592

0

6.115

8.089

11.143

1.196

971

1.467

2.260

7.533

5.192

3.579

2.868

8.729

6.163

5.046

5.128

2.110

7.092

7.772

9.753

15.385

22.928

10.053

4.624

17.495

30.020

17.825

14.377

34.331

102.103

177.668

228.673

48.878

20.481

15.216

16.696

83.209

122.584

192.884

245.369

773

3.575

3.710

4.944

10.434

11.158

6.092

5.477

11.207

14.733

9.802

10.421

2.504

5.467

5.820

7.197

10.436

6.033

4.753

3.248

12.940

11.500

10.573

10.445

2.985

11.968

13.923

12.542

36.687

16.749

8.880

3.261

39.672

28.717

22.803

15.803

18

Diamante do Oeste Diamante do Sul Entre Rios do Oeste Formosa do Oeste Foz do Iguaçu Guaíra Guaraniaçu Ibema Iguatu Iracema do Oeste Itaipulândia Jesuítas Lindoeste Marechal Cândido Rondon Maripá Matelândia Medianeira Mercedes Missal Nova Aurora Nova Santa Rosa Ouro Verde do Oeste Palotina Pato Bragado Quatro Pontes Ramilândia Santa Helena Santa Lúcia Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu São José das Palmeiras São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu Serranópolis do Iguaçu Terra Roxa Toledo Três Barras do Paraná Tupãssi Vera Cruz do Oeste

0

1.443

2.878

1.115

0

6.488

6.373

2.544

0

7.931

9.251

3.659

2.480

2.398

4.878

1.991

1.337

3.328

4.491

10.063

7.182

5.030

39.787

25.937

7.961

3.725

44.278

36.000

15.143

8.755

18.864

93.542

186.362

256.524

9.196

31.247

3.753

2.019

28.060

124.789

190.115

258.543

11.219

19.578

22.757

24.878

21.656

9.591

7.214

3.781

32.875

29.169

29.971

28.659

2.356

6.596

8.610

8.126

17.564

21.709

17.386

9.075

19.920

28.305

25.996

17.201

292

1.341

3.782

4.438

2.044

2.373

2.307

1.434

2.336

3.714

6.089

5.872

1.227

1.028

2.255

2.131

820

2.951

3.757

3.079

6.836

0

0

5.537

5.408

0

0

7.308

4.424

0

0

12.845

9.832

0

1.486

940

2.382

0

8.794

5.936

3.842

0

10.280

6.876

6.224

7.189

25.076

26.425

31.246

36.587

31.134

22.916

9.761

43.776

56.210

49.341

41.007

3.001

2.888

5.889

2.651

8.573

10.382

10.151

21.910

16.922

6.950

4.193

24.561

25.495

17.332

14.344

6.756

22.192

29.538

33.246

14.287

14.578

9.091

4.581

21.043

36.770

38.629

37.827

1.496

3.112

4.608

491

2.183

3.678

4.972

9.608

10.408

6.691

5.461

10.099

12.591

10.369

10.433

2.845

6.335

8.359

9.061

27.743

12.054

7.127

4.580

30.588

18.389

15.486

13.641

682

1.759

3.154

3.897

2.773

5.141

3.889

3.228

3.455

6.900

7.043

7.125

1.746

2.743

3.367

3.383

8.077

5.286

2.966

2.089

9.823

8.029

6.333

5.472

5.252

12.843

19.658

20.740

37.753

15.405

10.952

5.031

43.005

28.248

30.610

25.771

2.343

1.706

4.049

1.794

1.852

3.646

1.754

2.114

3.868

2.082

5.416

6.500

9.818

24.752

19.830

12.350

10.673

26.834

25.246

18.850

20.491

2.184

1.942

4.126

630

18.174

3.304

7.534

6.082

6.326

2.810

3.220

6.712

24.500

6.114

10.754

1.283

7.788

11.657

16.299

4.623

3.744

2.493

2.069

5.906

11.532

14.150

18.368

0

1.807

2.355

2.259

0

7.831

3.243

1.843

0

9.638

5.598

4.102

2.178

7.881

10.908

14.260

23.064

26.366

13.930

10.172

25.242

34.247

24.838

24.432

4.003

3.274

7.277

1.928

2.812

4.740

6.310

10.696

11.787

11.042

31.927

14.519

8.019

5.258

38.237

25.215

19.806

16.300

12.558

40.251

72.380

85.920

43.049

33.002

22.477

12.280

55.607

73.253

94.857

98.200

1.126

3.709

4.089

4.931

11.057

14.175

10.872

6.891

12.183

17.884

14.961

11.822

1.681

4.566

5.365

5.420

12.639

5.537

3.450

2.598

14.320

10.103

8.815

8.018

1.679

6.287

6.570

6.966

8.600

7.657

4.792

2.685

10.279

13.944

11.362

9.651

Total

149.516

484.504

728.126

929.092

602.916

476.225

287.803

209.490

752.432

960.729

1.015.929

1.138.582

FONTE: IBGE - Censos Demográficos Brasileiros 1970 à 2000

De acordo com a com dados, percebe-se que o Estado do Paraná e mais ainda a região Oeste, apresentou grandes mudanças na distribuição de sua população regional e na variação populacional, que atingiu um crescimento positivo de 466,26%, nas décadas de 60 a 70. Na década seguinte, 70 a 80, a variação percentual caiu para 31,39%, evidenciando o fim do processo de expansão de fronteira agrícola. Essa tendência continua na próxima década de 80 a 91 quando o índice vai para 3,82%. De 91 a 96 a variação se eleva para 5,84% mostrando uma ligeira reacomodação do processo que é segundo Rippel (2005) resultante o próprio desenvolvimento do estado e da Região.

4 - CONCLUSÃO

19

Por volta dos anos 30 e 40, quando o ciclo da erva-mate já estava em extinção, inúmeros migrantes atraídos pelo ciclo da madeira, ingressaram na Região Oeste do Paraná. Esses migrantes eram em grande parte poloneses, alemães e italianos, além de mineiros e nordestinos. O ciclo da madeira promoveu a substituição de árvores por grandes lavouras de cereais e a criação de rebanhos de suínos, algodão e feijão. A colonização era liderada por companhias particulares, mais tarde passando para o gerenciamento do governo do Estado, que criou o Departamento Administrativo do Oeste (1948), que passou posteriormente a se chamar Departamento de Fronteira. Este órgão tinha por objetivo estabelecer uma ocupação disciplinada e implantar infra-estrutura com capacidade de melhoramentos na qualidade de vida da população. A Região Oeste do Paraná passou por vários recortes, ou seja, divisões municipais, ao longo do período de 1948 a 1954. Através desses recortes, o governo ampliava sua presença, assegurando a eficácia de sua ação colonizadora. A partir dos anos 50, a Região Oeste do Paraná passa a ser ocupada com maior intensidade. Duas correntes migratórias compõem os fluxos mais importantes, que chegaram ao Oeste, são em parte procedentes da população liberada do café no Norte do Estado, quando esta cultura estava em declínio, e outra que veio do Sul do País, especialmente do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Um grande número de migrantes era resultado do processo de minifundização decorrente do sistema de subdivisão das terras por herança familiar, e devido a ampliação de grandes propriedades voltadas à pecuária no Rio Grande do Sul. Esse fluxo populacional de gaúchos e catarinenses, era em sua maioria de origem italiana, alemã, e possuíam algum recurso financeiro e instrumentos de trabalho, o que lhes permitia a instalação de uma propriedade no meio rural. Essa expansão da agricultura se deu fundamentalmente com base em técnicas de cultivo rudimentar utilizando trabalho intensivo de mão-de-obra familiar, formada por pequenos proprietários, voltados à policultura alimentar e à pecuária suína. Essas culturas caracterizaram uma estrutura fundiária composta por pequena propriedade familiar. Isso pode justificar o fato de a Região Oeste do Paraná permanecer até 1970, com um índice mais elevado de população rural, cerca de 80,84%, se comparado com índices do Estado, 63,86%, ou com índices Região do Sul do País, 44,3%. A partir dos anos 70, a Região Oeste do Paraná reverte essa situação. A estrutura fundiária se transforma reforçando os médios e grandes estabelecimentos, porém o acréscimo de terras incorporadas ao processo produtivo não incrementa a força de trabalho, liberando parte de seu contingente populacional, que segundo o IPARDES (1983), o Extremo-Oeste paranaense reduziu sua população em 126.451 habitantes entre as décadas de 70 e 80, caracterizando o esvaziamento populacional, num processo de migração rural-urbana. O esvaziamento populacional se deve em grande parte às mudanças estruturais na economia, que afetaram diretamente o setor agrícola. Paralelamente, inicia-se rapidamente um processo de urbanização e industrialização, o que dá continuidade a essa evasão da população rural. Nos anos 80, o crescimento urbano expandiu-se associado à persistência e expansão do esvaziamento rural. Consolidam-se as aglomerações concentradoras e insinuam-se novas concentrações, como as de Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu. No período de 1986 a 1991, essas concentrações absorveram 43% dos imigrantes da própria mesorregião e 58% da demais. Foz do Iguaçu recebeu o maior contingente de imigrantes vindos de outras mesorregiões, enquanto cascavel e Toledo receberam em maior proporção, os imigrantes da própria mesorregião, o que pode justificar em parte a perda de população da maioria dos municípios do Oeste Paranaense.

20

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