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Copyrighr © 2006 das autoras “Todos os direitos desta digo reservados 2 ‘Ede Contest (Eators Pinsky Lida.) Imagem da capa \Waldomira Sant Anna, Menta led, 2006 (Sle sobre tela), produzido especialmente pelo antsta para ustrar esta capa Aontagem de capa Gustavo 5. Vilas Boas Projeto prifico ¢ diagramacao ‘antonio Kehl Revista Uian Aquino ids tntefnacionais de Catalogacio ma Pi (Gimars Brasileira do Livro, SP, Bi Koch, ingedore Vilaga ere compeeendet 0 sentidos do texto / Ingedore Villas Koch e Vanda Maria Hist. 20d. ~ Sto Paulo ' Contexto, 2006, cn de ensino 1 Elias, Vanda Maia, epp-ni84 Introdusao .... Géneros textu: ‘Composiqao, conteudo e Generos GGeneros textuais¢ heterogeneidadetipol Sumario 2293 geeuy 2a4 BeSR RERESOe Binge vioca Koch + Vanda para, no momento da que 0 texto Ihes oferece, construir compativel com a proposta apresentada pelo seu produtor Cada um dos nove capitulos apresenta, a par de uma exposi¢io acerca do t6pico tratado, um conjunto de exemplos comentados, com a tar o seu entendimento. Trabalha-se com textos de diversos idades de cada um deles, bem iquilo que € comum a toda e qualquer manifestagao da linguagem mneros, procurando ressaltar as pecul |, preencher uma lacuna no mercado editoi ido as obras te6ricas sobre a ros diditicos. Nossa preocupacao é a de estabelecer uma ponte entre teorias sobre texto ¢ leitura — esta aqui considerada a habil compreensio/interpretagao de textos = e pi , no Juestio, ou, entio, os 10. Por esse motivo, so nossos interlocutores ados os professores dos varios iveis de ensino, em especial os de linguas — materna estrangeiras -, estudantes de cursos de Letras, de Pedagogia, bem como os dem interessados em questoes de compreensio de guagem de modo geral ‘Somos gratas 4 Editora Contexto por seu constante incentivo a nossa producao intelectual e por, mais uma vez, acolher € divulgar um de nossos tr * Sera, funcionamento da Ii pequeno livro. puder ivar € intensificar, em nosso As Autoras 1 Leitura, texto e sentido Concepcao de leitura Freqiientemente ouvimos falar — também falamos ~ sobre a vida, sobre a necessidade de se entre criangas ¢ jovens, sobre o papel da escola na formagaio de leitores competentes, com 6 que concordamos prontamente. dessa discussio, destacam-se questdes como: © que € Jer? Para que ler? Como ler? Evidentemente, as perguntas poderao set respondidas de diferentes modos, os quais revelaraio uma concepcao de leitura decorrente da concepgao de sujeito, de lingua, de texto © de sentido que se adote. Foco no autor Sobre essa questo, Kocit (2002) afirma que a concepeao de lingua como representacao do pensamento corresponde 2 de sujeito psicolégico, individual, dono de sua vontade ¢ de suas agdes. Trata- se de um sujeito visto como um ego que constrsi uma representacao mental e deseja que esta seja “captada” pelo interlocutor da maneira como foi mentalizada Nessa concepgio de lingua como representacao do pensamento © de Sujeito como senhor absoluto de suas agdes ¢ de seu dizer, 0 texto ic la aa 10 ingsdore vita Koch + Vanda Mavi os como um produto — ldgico ~ do pensamento (representagio mental) do autor, nada mais cabendo ao Ieitor senao ‘do autor, sem se levar em c leitor, a interaglo autor-texto-leitor com intengdes, e o sentido esta centrado no autor, bastando tio-somente ao leitor captar essas intencdes. Foco no texto Por sua vez, & concepgio de Fingua como estrutura coresponcle a de sujeito determinado, “assujeitado” pelo sistema, caracterizado por uma espécie de “nao consciéncia”. O principio ‘quer Social Nessa concepgao de lingua como cédigo — portanto, como mero instrumento de comunicacao ~ e de sujeito como (pre)determinado pelo sistema, o texto é visto co’ (0 da codificacao de sor a ser decodificado pelo bastando a este, para tanto, 0 conhe a leitura € uma ativi wearidade, uma vez qué 10 leitor cabia o reconhecimento da palavras e estruturas do texto. Em ambas, porém, 0 leitor é caracterizado por realizar uma atividade de rect nto, de reproducio. Foco na interago autor-texto-leitor Diferentemente das concepgdes anteriores, na concepcio interacional (dialégica) da lingua, 0s sujeitos sao vistos como atores/ construtores sociais, sujcitos ativos que — dialogicamente — se constroem ¢€ sao construidos no texto, considerado o proprio lugar Lerecompreender 11 somente detectiveis quando se tem, como pano de fundo, 0 contexto sociocognitivo (ver capitulo 3) dos participantes da interacao. Nessa perspectiva, o sentido de um texto € construido na interagio texto-sujeitos ¢ nao algo que preexista a essa interacao. A leitura pois, uma atividade interativa altamente complexa de produgio de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos i i 12 ngedore vias Koch + Vanda Maro Eas Fundamentamo-nos, pois, em uma concep¢io sociocognitivo- interacional de lingua que privilegia os sujeitos ¢ seus conhe- cimentos em processos de interago. O lugar mesmo de interagio — como ji dissemos ~ € 0 texto cujo sentido “nao esté li", mas & construico, considerando-se, para tanto, as “sinalizagdes” textuais dadas pelo autor e 0s conhecimentos do leitor, que, durante todo o proceso de leitura, deve assumir uma atitude “responsiva ativa”, Em outras palavras, espera-se que 0 concorde ou no com as idéias do autor, complete-as, adapte-as etc., uma vez que “toda compreensio € prenhe de respostas ¢, de uma forma ou de outra, forgosamente, a produz” (Baxi, 1992:290) A interagao: autor-texto-leitor Nas consideragdes anteriores, explicitamos a concepsao de Jeitura como uma atividade de produgao de sentido. Pela consonincia com nossa posicao aqui assumida, merece destaque o techo a seguir sobre leitura, extraido dos Parimetros Curriculares de Lingua Portuguesa: idadies de compreensio, avancar na busca de esclarecimentos, validar no fexto suposigées feitas. In: Parimetros Currculares Nacionais:terceira e quarto ciclas de ensino funda ling pp. : tuguesa/Secretaria de Educacio Fundamental. ~ Brasilia: sac/ser, 1998, Lee compresnder 13 ‘Como vemos nesse trecho, encontra-se reforgado, na atividade de leitura, © papel do leitor enquanto construtor de sentido, ilizando- se, para tanto, de estratégias, tais como selegao, antecipacao, inferéncia ¢ verificacio. Estratégias de leitura Desse leitor, espers-se que processe, critique, contradiga ou avalic a informagao que tem diante de si rute ou a rechace, que dé sentido € significado ao que Ié (Cf. Sout , 2003:21). Essa concepgao de leitura, que poe em foco o leitor € seus conhecimentos em interagio com 0 autor € © texto para a construcao de sentido, vem merecendo a atencio de estudiosos do texto ¢ alimentando muitas pesquisas e discuss6es sobre a sua importincia para © ensino da leitura ‘A.titulo de exemplificagio, tentemos uma “simulacao” de como nés, Ieitores, recorremos a uma série de estratégias no trabalho de construcao de sentido. Para 0 nosso propés ‘GRGHTORSPARTAHSTE, de Ma da Fotha de S.Paulo. Nossa at s autor € 0 texto, omega cor conhecimentos. sobre: + 0 autor do texto: Marcelo Coelho + o meio de veiculacao do texto: Folha de $.Paulo miniconto = o titulo: elemento cor chamar a atengi0 do I Ise eM nosso + 0 género ja fungao €, geralmente, i-lo na produgao de sentido + a distribuigio ¢ configurasao de informagdes no texto Especificamente, ao nos depararmos com o titulo CSSGeROS BRRRRGERGS, fazemos antecipagdes, levantamos hipéteses que, no decorrer da leitura, serao confirmadas ou rejeitadas. Neste as hipdteses serio reformul que destaca a nossa ati arquivados na memoria (sobre a lingua, as coisas do mundo, outros 10 caso, 14 nga iaca Koch + Vand Moro Eo “Alfonso era 0 mais belo cisne do Jago Principe de Asturias. Todos os das, ele contemplava sua imagem refletida nas dguas daquele chiquérrimo e ‘exclusive condominio para aves milionarias. Mas Alfonso no se esquecia de Sua origem humilde © pei Quo at ment em el er eoiesdoCoro'o Pati Fa. Um dia, ele sents saudades da mae, dos iemos & dos amiguinhos da escola Ee -chiquérrimo e exclusiva me condi bara vs moh aces referentes & personagem € 2 1 que concerne a o de novas antecipagdes do leitor ativo, Lerecompreender 15 hipoteses sobre o passado de Alfonso (Onde morava? Como era esse lugar?), bem como sobre as provaveis acdes do “mais belo cisne do lago Principe das Ast vadas pelo sentimento de saudade expresso de escola? a verificagio e confirmagio (ou nao) de fa coneysava Com as amigas eae Sia quachagésina nso aru suas lages asasbrancas, = Mamie Mainge! Voce se lembra de mim? no quadro: | ‘Omais belo cisne So 0 Patinho Feio | k ago Principe de Asturias Jagoa do Quaquenha “Chiquérimo © exusvo condominio—@ pequeno e barrento local para aves milionarias de sua infancia if © trecho se encerra com uma pergunta: (SRDS, cuja resposta — p 16 gene vis Koch antecipar e vamos verificar na continuidade da interacao com 0 texto. ‘Vejamos: © texto também nos desperta sentimentos, emogdes. Envoltos na atmosfera de emogdes sugerida pela leitura, que efeito 0 “esquecimento” ja provocara no Alfonso? © que pode acontecer? O que fari o pobre Alfonso? Voltara para o seu luxuoso condominio? Hipétese nimero um. Persist no seu intento de ser reconhecido € novamente aceito na comunidade? Hipotese ntimero dois. E verdade que outras hipéteses poderio ser formuladas, tantas quantas permitirem os conhecimentos € a criatividade dos leit nossa pretensio é a de uma mera simulacao de como 0 te com 0 texto, fiquemos naquelas duas apontadas © vamos confirmé-las (ou nao) na leitura do trecho a seguir: E, agora, 0 que nés, leitores, prevemos: Bianca responder afiemativa ow negativamente as perguntas do Alfonso? Estamos torcendo para que sim ou para que nao? Como vemos, até © momento, situacio-nao esté nada boa-para Alfonso. Diante da negativa da pata Quitéria e da patinha Bianca, 0 que | tere comprcender 17 Alfonso poder fazer? Voltar para o lago Principe das Astirias ¢ esquecer de vez seu pasado humilde? & uma Coutra) hipétese.. ‘Temos de confessar que por essa no esperivamos, nao & mesmo? (© que acontecera, entio? Resolverd o bruxo 0 problema do Alfonso? Ou insistimos na hipétese de que nenhuma tentativa dara certo, devendo Alfonso retornar ao seu luxuoso condominio esquecer de vez seu passado humilde? Tera a hist6ria um final (in)feliz? F 56 ler para ver: ‘Chegamos ao final da leitura do texto (SCGORSTEES, apresentado em fragmentos, para atender a nosso propésito. A seguir, texto sera apresentado de forma ininterrupta, para propiciar a sua reeleitura. 18 ingodorevitaa Koch + Vand Maria Eat Fonte: Coavo, Maelo. “O Retro do Patinho Fes. Fade Paulo, 19 2005, Fina. 8 Na atividade de leitores ativos, estabelecemos relagdes entre nossos -conhecimentos anteriormente constitufdos e as novas informagées contidas ho texto, fazemos inferéncias, comparacoes, formulamos perguntas relacionadas com 0 seu contetido. Mais ainda: processamos, criticamos, contrastamos e avaliamos as informagdes que nos sto apresentadas, produzindo sentido para 0 que Jemos. Em outras palavras, agimos estrategicaiente, o que nos permite dlirigir © auto-regular nosso proprio processo de leituea. Lerecompronder 19 Objetivos de leitura E claro que nao devemos nos esquecer de que a constante interacao entre 0 contetido do texto € o leitor & regulada também pela intencao com que lemos 0 texto, pelos objetives da leitura, periddicos cientificos); ha, ainda, outros textos cuja leitura € realizada por prazér, puro deleite (poemas, contos, romances); €, nessa lista, nao podemos nos esquecer dos textos que lemos para consulta (dicionarios, ‘catilogos), dos que somos “obrigados” a ler de vez em quando (manuals, mais tempo ou em menos tempo; com mais atengde ou com menos tengo; com maior intera¢io ou com menor interacao, enfim, Leitura e producao de sentido Anteriormente, destacamos a concep¢io de leitura como uma atividade baseada na interacao autor-texto-leitor. Se, por um lado, nesse proceso, necessirio se faz, considerar a materialidade sobre © qual ¢ a partir do qual se constitui a interagio, por outro lado, € preciso também levar em conta os conhecimentos do leitor, condica0 fundamental para o estabelecimento da interacio, com maior ou menor intensidade, durabilidade, qualidade. Leitura e ativacdo de conhecimento E por essa raziio que falamos de um sentido para o texto, no do sentido, e justificamos essa posic2o, visto que, na atividade de leitura, ativamos: lugar social, vivéncias, relacdes com o outro, valores da ‘comunidade, conhecimentos textuais (cf. Pautiso et al. 2001), conforme ‘nos revela a leitura do texto a seguir: MENOS TONUS MUSCULAR, MENOS BRLLHO NO CABELO, MENOS PELTO, MENOS BUNDA... A MEDIDA QUE ENVELHECE, AGENTE VAL FLCANDO CADA VEZ MENOS..! SEJA MAIS POSITIVA, LAURINHA, PENSA EMTUDO O QUE TEM AGORA ENAOTINHAHA 20 ANOS.! E,TEMRAZAO. MAIS PAPADA, MAIS MANCHAS| MALS BARRIGA, MATS CELULITE.. Forte: Coleco Subindo nas Tamancas 1. Sleionndo pot a_da charge, dentre c + avelhice a Fonte: oa de Saul, 11 ayo. 197 A tirinha — que parte da proposta maior expressa ve esquerda como mote ~ apresenta trés le esmagamento do mosquito. na parede. ‘num total de 36, segundo a proposta do autor ~ vao se diferentemente dependendo do 1 — seu lugar soci: 22. tngadore VilagsKoeh + Vanda Mara Eis ere compreender 23 eee es rates pare casa, mas Dona Patroa me obvign! 2 fogar ‘do fora, _Pequelaprmors grat, bbs um copo @joque! 0 restora pa. | Pegi a quarts yorrafa, bebina pia jogust 0 resto no copo, © Peguei 0 quinto copo, joquei a rotha na pia e bebi a garate Peguii a sexta pia, bebl a gatvafa e joguei o capo ne resto, A sétima garrafa cu pequei no resto © bebi a pia Peguel no copo, bebi no resto e joque a pia na oitava garrafa Joquel a nena pia no copa, pegue’ na garrafa e bebi o resto 0 dékimo copo, eu peguel a garrafa no resto e me joque’ na pia. 'Nio me lembro do que fie com a Patroa! trata ita para esquerda, jeza. Observemos: até a quinta ¢ embriaga, mais cor 24 moans vag Koch No texto, a acentuacao do grau de embriaguez esti correlacionada &s construgées sintitico-semanticamente comprometidas: quanto mais incoetentes os enunciados, mais acentuado © grau de embriaguez isa com coisa mesmo, nao é?). Como vemos, itor que leve em conta 4 “incoeréncia” — = como uma indicagio relevante para a Fatores de compreensdo da leitura J4 € do nosso conhecimento que a compreensio de um texto varia segundo as circunstancias de leitura e depende de varios fatores, complexos ¢ inter-relacionados entre si (ALLENDE & Conbenaniy, 2002). Embora defendamos a correlagio de fatores implicados na compreensao da leitura, queremos que fatores relativos a0 autor/leitor, por um lado, ou a0 texto, por outro lado, podem interferir nesse proceso, de modo a dificulta-lo ou faciliti-to. Autor/leitor Esses fatores referem-se a conhecimento dos elementos lingtisticos ico antigo ctc.), esquemas ias em que © texto foi produzido. 0 que afirmamos, vamos ler 0 texto a seguir: cognitives, bagagem A fim de exemy i i ‘ i ' ; i i t ee ee 26 ingedorVilica Koch © Venda ‘© que nos chama a atengao no texto? Que conhecimentos sto necessarios da parte do leitor para compreender o texto? Respondendo & primeira pergunta, podemos dizer que nos chama 2 atengao a criacao de um “cédigo especifico” género bula. £ 0 que podemos verificar se compararmos.o conteido de uma bula qualquer com 0 contetido do texto apresentado no quadro a seguir [ 5 Em outras pal zer que os conhecimentos selecionados pelo autor na e para a constituicao do texto “criam” um 2B ingore Vilaca Koch + Vanda Mana Elst Ieitormodelo. Desse modo, 0 texto, pela forma como é produzido, pode exigir mais ou exigir menos conhecimento prévio de seus leitores. O texto anterior € um exemplo de que um texto nao se destina a todos fe a quaisquer leitores, mas pressupde um determinado tipo de leitor. Em nosso dia-a-dia, deparamo-nos com intimeros textos veiculados em meios diversos Gomais, revistas, rédio, 1v, internet, cinema, teatro) cuja produgio € “orientada” para um determinado tipo de leitor (um especifico), © que, alias, vem evidenciar o principio interacional ivo do texto, do uso da lingua. ‘Texto ‘Além dos fatores da compreensio da leitura derivados do autor e do leitor, hd os derivados do texto que dizem respeito & sua legibilidade, podendo ser materiais, linglisticos oir de conteddo (cf. Atuenoe & Cowpens, 2002). Dentre os aspectos materiais que podem comprometer a compreensio, 08 autores citam: 0 tamanho e a clareza das letras, a cor ea textura do papel, o comprimento das finhas, a fonte empregada, a variedade tipogrifica, a constituigio de parigrafos muito longos; e, em se tratando da escrita di ou excesso de abreviacdes. ‘Além dos fatores materiais, ha fatores Hingiiisticos que podem dificultar a compreensao, tais como: 0 léxico; estruturas sintaticas complexas caracterizadas pela abundancia de elementos subordinados; ‘races super-simplificadas, marcadas pela auséncia de nexos para indicar relacdes de causa/efeito, espaciais, temporais; auséncia de sinais de pontuagao ou inadequacdo no uso desses sinais. imos, a seguit, um clissico éxemplo de um géneto textual (bula) no qual a conjugacao de fatores materiais ¢ lingiisticos compromete a compreensiio leitora. er ecampreensor 29 pronta. Sabe-se apenas que ela passa pelo bom do que cera vez prociamou um sdbio, 0 bom se ido entra tod 0s eres hursanos, tere compreender 32 ingarevitaga Koch + Vanda Miia Ea Escrita e leitura: contexto de producdo e contexto de uso aque com raza0 me quekxo da vossa formosura”. € tnbém quando fa: "0s altos céus que de vossa divindade divinamenté com as estrelas vos fortifcam, e vos fazem merecedora do merecimerito que merece a vossa grandéza”* te Cena Sucns, Negul e.Dom Quote dee Mancha, 86 Pau: Now Ctra 2002. p31 Texto e leitura arecompreenter 35 fas, na verdad, eu também sent 2, neste nosso inicio de bate-papo. que eu te conhegs de uma vida ineira ~Ganhei nada, sou deste ja reférn do sua simpatia, seu jelto, sua forma de f expressar. é ~ Obrigada, Jo30. = Nem agradeca, Maria. Varnas conversar mais, quero saber tudo de voce. Quem 6 voce? 36 Insedoevitaca Koch + Vanda Mata ls ‘oe: Lui Femande Els &cardlogst e, mas horas 3935, cons. tere comprcenier 37 Como leitores, a0 iniciarmos a intera¢io com 0 autor por meio do texto, situamos a hist6ria no seguinte quadro: um homem e uma mulher esto em um bate-papo de internet ¢, geralmente, como € esperado nessa situacao, comportam-se como dois desconhecidos. © modo pelo qual o autor constréi a historia pressupde do leitor a consideragio a esse esquema, que guiara a compreensio até a pentiltima linha do texto, quando a hipétese inicial, reforgada pelo desenvolvimento da historia, deve ser alterada e reconstruida pelo leitor: 0 homem © a mulher que conversavam numa sala de bate-papo via intemet nao eram dois desconhecidos — nao se levarmos em conta o sentido mais cortiqueito da palavra -, eram, para surpresa dos dois personagens (do mundo textual) € dos virtuais leitores (do mundo real), marido ¢ mulher. Assim, o texto € um exemplo de que © autor pressupée a participacio do leitor na construgio do sentido, considerando a (teorientagao que the € dada, Nesse processo, ressalti-se que @ compreensdo nao requer que ‘0s conhecimentos do texto € os do leitor coincidam, mas que possam interagir dinamicamente (Aue & Coxnewaniy, 2002: 126-7). Se, como vimos, a letura é uma atividade de construcio de sentido que ressupde a interaglo autor-te atividade, além das pistas e sinalizacdes que o texto oferece, entram em jogo 0s conhecimentos do leitor. £ desses conhecimentos que trataremos a seguir.