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O General Dundwoody, trabalhando para o exército dos Estados Unidos inventou, também,

em 1906 o detector de Carborundum para detecção de ondas eletromagnéticas.


A detecção de ondas de radio por meio de cristais foi uma grande inovação devido a sua
sensibilidade e praticidade.
Entretanto, considerando-se que ele não tinha a capacidade de amplificação dos sinais, logo
começou a ser abandonado sendo substituído pelos chamados dispositivos termiônicos,
como o diodo de Fleming em 1904 e, finalmente com o surgimento do triodo, inventado
por Lee de Forest em 1906.

DO DIODO AO TRANSISTOR - O CRISTAL FEITO PELO HOMEM


Por meio da Física do estado sólido, os pesquisadores descobriram então, que a estrutura atômica de
certos materiais como o Germânio ou o Silício continha alguns elétrons livres os quais escapavam,
deixando buracos ou vacâncias de cargas na matriz do cristal.
Assim formatada a chamada
camada de contorno ou junção P-
N, permitia o fluxo da corrente em
apenas uma direção após a
aplicação de uma corrente
alternada entre os dois pontos de

Ilustração do princípio de operação do diodo semicondutor


onde:
a) estrutura cristalina
b) junção P-N
c) curva mostrando função operacional
contatos no cristal.

Basicamente, este tipo de diodo feito pelo homem consiste em


conformar a estrutura atômica do Germânio adicionando-se a sua
matriz pequenas quantidades de impurezas conhecidas como
DOPE.
Estas impurezas são átomos de diversos elementos químicos,
geralmente metais, os quais tem a sua própria configuração Macrofotografia mostrando
eletrônica. Assim, por exemplo, enquanto alguns elementos detalhes de um diodo de
químicos como o Fósforo, o Arsênico, e o Antimônio tem 5 Germânio de contato pontual.
elétrons na sua órbita externa por outro lado o Alumínio, o Índio, o
Gálio ou o Boro somente 3.
Estes átomos são chamados de doadores ou receptores respectivamente devido a sua capacidade de
doar ou receber elétrons.
Ao adicionar-se estas impurezas na matriz do cristal de Germânio, obtêm-se dois tipos de estrutura
cristalina: uma mistura contendo excesso de elétrons livres, também chamada de Germânio
negativo e, outra com falta de elétrons, chamada de Germânio positivo.
Agora, ou juntar-se estes dois tipos de estrutura ou seja, o Germânio P e N, ocorre uma
transferência de carga elétrica na camada de contorno da junção P-N. Desta forma, o cristal P e N
tem um excesso e falta de elétrons respectivamente. Estas cargas repelem-se entre si evitando-se
uma posterior difusão de elétrons e buracos no cristal, gerando ao
mesmo tempo, uma diferença de potencial.
Na realidade este tipo de arranjo cristalino opera como um
retificador, ou seja quando uma tensão positiva em relação ao
cristal P é aplicada ao cristal N, a mesma é aumentada sem
qualquer fluxo de corrente. Por outro lado, se uma
tensão negativa é aplicada ao cristal N, é neutralizada, permitindo
o aparecimento de uma pequena tensão de forma que a mesma
induz o movimento de elétrons continuamente. Tem-se, assim, a
formação de um diodo cujo
cristal ou material semicondutor é
o Germânio.
Em princípio, o diodo de contato
pontual era quase idêntico aos
primitivos detectores a cristal.
Sua estrutura consistia de uma
pequena bolacha de Germânio,
onde em sua face plana era feito Aspectos da evolução do diodo
o contato por meio de um fio de a cristal onde:
Tungstênio espiralado, a) cristal de galena
semelhante ao princípio do b) detector de carborundum
bigode de gato inventado por c) Um primitivo diodo de
Ilustração do primeiro diodo Pickard. Fig 249 Germânio pontual
termiônico inventado pro O diodo de Germânio quando
Fleming em 1904. comparado ao seu congênere termiônico, tinha várias vantagens
como ausência do filamento, tamanho e custo reduzido, uma vez
que podia atuar tanto como elemento detector como comutador. Assim foi largamente empregado
nos primeiros tipos de televisores e computadores.
Entretanto, como visto o diodo contato pontual nada mais era do que uma versão melhorada do
primitivo detector a cristal.
Desta maneira, foram logo substituídos por dispositivos mais avançados, os chamados diodos sem
contato, cujo principio operacional estava agora intimamente ligado na conformação de espessuras
uniformes das junções, diretamente no material semicondutor.

Primitivos tipos de diodos de Macrofotografia do diodo de


Germânio usados em circuitos Germânio tipo 1N38A.
de alta freqüência para Radar,
fabricados no final da década
de 1940.

O diodo de Germânio para uso


geral tipo 1N38A.