UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

ESTUDO E AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE UM SISTEMA DE GERAÇÃO EÓLICA

MAURÍCIO NUNES SANTANA

2009

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

MAURÍCIO NUNES SANTANA

ESTUDO E AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE UM SISTEMA DE GERAÇÃO EÓLICA

Trabalho

apresentado

ao

Curso

de

Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Bahia como parte dos requisitos para obtenção do título de Engenheiro Eletricista. Orientador: Profº. Caiuby Alves da Costa

SALVADOR 2009

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica

MAURÍCIO NUNES SANTANA

ESTUDO E AVALIAÇÃO DA OPERAÇÃO DE UM SISTEMA DE GERAÇÃO EÓLICA
Este Trabalho de Graduação foi julgado adequado para a obtenção do grau de Engenheiro Eletricista e aprovado em sua forma final pela Comissão Examinadora e pelo Colegiado do Curso de Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Bahia. _____________________________ Cristiane Corrêa Paim Coordenadora do Colegiado do Curso de Engenharia Elétrica

Comissão Examinadora _____________________________ Dr º. Caiuby Alves da Costa (Orientador)

Profº.

_____________________________ Prof. Bernardo Gustavo Paez Ortega

_____________________________ Prof. Francisco Lisboa

_____________________________ Eng º Antonio Bendocchi

Maurício Nunes Santana iii

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus pela família, pela saúde e pelo dom do aprendizado. À toda minha família, pelo incentivo, preocupação, confiança ao longo da vida. Em especial a meus pais, pelas oportunidades oferecidas por toda a vida, pela compreensão, afeto e companheirismo. Á Tia Kátia, pelo auxílio na formação e empenho em todas as ocasiões. Ao Prof. Dr. Caiuby Alves da Costa, pela orientação, apoio técnico e paciência na solução dos problemas ao longo do Trabalho. Ao Eng. Antônio Bendocchi, pela paciência, troca de informações e disponibilidade em prol do Trabalho. Aos colegas da Ecoluz, pelo incentivo, ajuda e troca de informações ao longo deste período. Ao colega Ramon Lago, pelo apoio durante a execução do Trabalho. Aos demais colegas e amigos da UFBA que ajudaram a enfrentar e superar as dificuldades até o fim do Trabalho.

Maurício Nunes Santana iv

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica “Pior que não terminar uma viagem é nunca partir” Amyr Klink Maurício Nunes Santana v .

composto por um aerogerador de 1kW. um controlador de carga. geração de energia Maurício Nunes Santana vi .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica RESUMO Este trabalho trata-se de um estudo de um sistema de energia eólica de pequeno porte. É feito ainda um estudo da viabilidade econômica do sistema diante do potencial eólico do local da instalação. desde a sua instalação até a sua operação. Palavras-Chave: Energia eólica. levandose em conta a carga a ser alimentada. aerogerador de pequeno porte. um banco de baterias de 24V e um inversor DC/AC. Avalia-se o dimensionamento do sistema.

η: rendimento do conjunto gerador/trnasmissões mecânicas e elétricas.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica LISTA DE SÍMBOLOS Fc: Força de Coriolis. T: temperatura ambiente. P: potência disponível no vento. A: área da seção transversal. antes da turbina. v: velocidade da partícula. α: latitude. ρ: massa específica do ar. ΔX: comprimento do volume de ar. PH: gradiente de pressão. Ω: velocidade angular da terra. E: energia cinética do vento. Ae: área da seção transversal do tubo de vazão do ar na entrada do rotor da turbina. Q: vazão de ar que atravessa a turbina eólica. V1: velocidade do vento. ΔP: diferença de pressão sobre o volume de ar. z: altitude do local. v: velocidade do vento livre. R: constante do ar. Maurício Nunes Santana vii . 𝑚: fluxo de massa de ar. Cp: coeficiente aerodinâmico de potência do rotor. Pa: pressão atmosférica. t: tempo.

Ca: coeficiente de arasto.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica ve : velocidade do vento na seção do tubo de vazão na entrada na turbina. Fc: fator de capacidade. vi : velocidade do vento registrada. i: identificação do registro f(v): função densidade de probabilidade Fa: força de arraste aerodinâmico. k: fator de forma. As área da seção transversal do tubo de vazão do ar na saída do rotor da turbina. c: fator de escala. n: número de registros. vs : velocidade do vento na seção do tubo de vazão na saída da turbina. Fs : força de sustentação aerodinâmica. Lmd: indutância de magnetização equivalente no eixo d Lmq: indutância de magnetização equivalente no eixo q Maurício Nunes Santana viii .

IVDN: Indice de vegetação por diferenças normalizadas . E: leste. AC: corrente alternada. RN: Rio Grande do Norte.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS EPUFBA: Escola Politécnica da UFBA. Rpm: Rotações por minuto. N: norte. W: oeste. HP: Horse Power. K: Kelvin. S: sul. EAG: energia anual gerada. Maurício Nunes Santana ix . DC: corrente contínua.

..................................1............................. Maurício Nunes Santana ...........................................................................3....2...................................................................3........................................................................................................ 27 Armazenamento de energia ... 32 x 3.................. 4 2...................................... 18 Ventos de superfície...........3........................................................ 3....................................................... 3 1................................................. 2....................................2.......................................................5......................................................................................................... 2...............................................................................................................................................................7... 23 A altitude e a temperatura ambiente ........4..................... 23 A velocidade do vento ........... 3........................ O VENTO .............. 8 A energia eólica no Brasil ..................................................................................... ENERGIA EÓLICA .................. INTRODUÇÃO .1....1.................. 15 3...................................... 2.......................................... 11 Potencial eólico na Bahia .............................................................. 20 Ventos Locais .. 3............................ 20 A potência do vento .................5....................1.. 3................................................................................................................................... 2............................................................................................... 10 Potencial eólico brasileiro .................................. 3............................................................................ 2 Justificativa........................... 16 Força de Coriolis ................................ 3....1..............................................................................................................................1..........5...................... 1...... 3............3............................ 3.................................................... 27 Extração da potência do vento e Máximo de Betz ........ 2 Metodologia .................... 1 Objetivos .................................................................................................................................................... 26 Área de varrimento do rotor...............................2............1............................. 17 Tipos de Vento ................ 1....... 1...........................5............................................................................................................ 12 2..................................... 15 Causas do vento ..... 4 Os Aerogeradores no século XX .........................................2..2.......................... 4 A evolução e aplicabilidades ...............................3................1...................................................................................6................... CAPÍTULO 2 ........................... 1 1.................2................................ CAPÍTULO 3 ....... 3...................................................................................... 3.........1...............3..................Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica SUMÁRIO CAPÍTULO 1 ..................................................................... 3............................................................................................. 21 Fatores que influenciam a energia do vento .............2................................................. 18 Ventos globais ........................... 2 Objetivos específicos .....................3......................................................................................................2.................................................................................1.... 3....................................................

. 6............................1........ 33 Função densidade de probabilidade do vento .......................................... 6............................................... 45 5... 47 Leme Direcionador ............................................................................................6..................................... 40 Número de pás em turbinas eólicas .................... 53 Performance de um aerogerador ..........2.................................. 42 Controle de passo .. 6.3................................. 42 Controle por estol ............................. 57 O inversor de frequência........... 37 Turbinas de arraste ................................................ 43 Controle por estol ativo .................................................2.................................................. 46 Pás/Captador Eólico.................................................................................................Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica CAPÍTULO 4 .................................................1.............................2............................. 6... 37 5............ 56 CAPÍTULO 7 ........................................................................................................................................... 52 Aerogerador com gerador síncrono de ímãs permanentes ... 5.............................1...................... AEROGERADORES ..................................2.....2....................................................................................1............................................... 6.................................. 47 Controlador de Carga ................ 37 Turbinas de sustentação ................................................. 38 Orientação do eixo de turbinas eólicas .... CAPÍTULO 5 ......................2..................................................3................................. 5........... 5................................................................................................................ 47 Características técnicas do aerogerador GERAR 246 ..................................... 45 O princípio da geração eólica .................2......1............................................................. 5................. 6................... 47 Cabeça Rotativa ........1...........................................5...............4......................................................................................1.............................2.3........................................................... 37 Tipos de turbinas ...6.. 6................................................. 46 Partes do aerogerador GERAR 246 ...............................................................1...... 5......................1.4.......... TURBINAS EÓLICAS ......................... 46 Alternador ..................................... 56 As baterias .............................................5...................2.......... O COMPORTAMENTO PROBABILÍSTICO DO VENTO ...........................................................4....................................................2........................................................ 4......................5...........................................4....... 6............... 50 O sistema de segurança do aerogerador ..........................1...................... 32 4........................................................................ 5.6.........................3............................. 6............... CAPÍTULO 6 .................................................................................................................. 58 6...................4. 6................................................................2................................... 32 A velocidade do vento..................................................................................................1.................................... 45 6....................................................... 33 Distribuição de frequência da velocidade do vento ..2........ 54 Fator de capacidade de um aerogerador ................................... porte ....................................... 41 Controle de potência e velocidade das turbinas eólicas ............. 6............. 6... 5..............................................................1.............................. 55 O sistema eólico de geração de energia de pequeno ....... 6................5...............................................................................................................................................4..........1.......................................................................................................... 60 Maurício Nunes Santana xi .........2......................... 4............................................................................................................ 5..... 35 4...................... 6..........................................

........ 66 TABELA 9.................... 69 REFERÊNCIAS ............... 69 10................ DIMENSIONAMENTO ............ 60 A Montagem do Gerar 246 e do quadro elétrico ................................................. CAPÍTULO 8 ...................... 9....................................... 60 7............................................................................................................................................................................................... 65 ESTUDO DA VIABILIDADE ECONÔMICA ...................................................................................................1 – CUSTOS PARA CARREGAMENTO DE BATERIAS .............................................................................................Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 7...............................................1...................................... MONTAGEM DE UM AEROGERADOR ................................................ 65 8................................................................................... CONCLUSÃO E DISCUSSÃO ............ 70 Maurício Nunes Santana xii ....................................

a participação da energia renovável declinou de 55. a produção de energia a partir de combustíveis fósseis revela uma dependência de recursos energéticos não renováveis.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Capítulo 1 1. os recursos finitos disponíveis no planeta poderão se exaurir. Além do consumo desenfreado de energia. apesar do crescimento significativo da participação de energia hidrelétrica. Introdução O uso da energia é imprescindível para as necessidade da manutenção da vida. a demanda de energia evoluiu de 8 milhões de TEP em 1980 para 9 milhões em 2006. é de 143 GW. Se o consumo energético continuar evoluindo neste ritmo. O Brasil dispõe de significativo potencial de energia renovável.4% para 37. possuindo 44. Durante este período. o Brasil encontra-se em posição favorável. A estrutura da matriz da oferta de energia entre os anos de 1973 e 2002 pouco se alterou.5% da sua oferta interna de energia oriunda de fontes renováveis. excluindo off-shore. Essa evolução desfavorável se deve ao crescimento significativo da participação do petróleo e do gás natural. por exemplo. contudo. bem como do declínio da participação da biomassa na matriz energética baiana. A humanidade evoluiu de um consumo de cerca de 2000 Kcal/dia para um consumo de cerca de 230. Na Bahia.000 Kcal/dia. mostrando uma forte predominância de recursos não renováveis. conforme o BEN 2007.[16] Maurício Nunes Santana 1 . como o petróleo. o que torna possível conseguir melhores condições de sustentabilidade na matriz energética brasileira. O potencial eólico brasileiro.9%. Diante deste contexto. o gás e outros.

A Bahia possui ainda potencial para geração de 14. responsáveis pelas emissões de poluentes locais e gases de efeito estufa.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Estes dados revelam que em relação à participação de energia renovável a evolução da matriz energética baiana se mostra mais desfavorável que a matriz energética brasileira. uma melhor compreensão da metodologia para a instalação de um aerogerador. buscar soluções que causem menos impactos ambientais possíveis ao se gerar energia. faz-se primordial para o atendimento das necessidades da sociedade que cada vez mais depende de energia.1. A geração de energia elétrica. o processo de montagem. [16] 1. desde sua instalação. Justificativa A energia elétrica é um insumo essencial à vida humana.2. Será estudado o potencial da região. uma vez que os padrões atuais de produção e consumo energéticos baseiam-se em fontes fósseis.1. o funcionamento será escolhida. desta forma. desta forma analisar-se-á a geração de energia elétrica através da força do vento e o atendimento da carga que 1.1. 1.500 MW de energia eólica. O grande desafio da humanidade hoje é. até a sua operação. Maurício Nunes Santana 2 . contudo. Objetivos Este trabalho tem como objetivo o estudo da implantação de um sistema eólico de pequeno porte. As possibilidades de participação de fontes renováveis na matriz energética são promissoras em curto e médio prazo. estudo da viabilidade da integração do gerador à rede elétrica. e o aproveitamento do aerogerador.Objetivos específicos Os objetivos específicos deste trabalho são a difusão dos conceitos inerentes ao projeto de sistema eólico de pequeno porte. análise da geração do sistema e do consumo de energia.

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A transformação dos padrões atuais devem vir com o estímulo e investimentos na utilização de fontes renováveis de energia. compreendidos no chamado períoco seco (maio a novembro). Após esta fase. Metodologia Será realizada inicialmente uma revisão da literatura relacionada ao tema. artigos científicos. Maurício Nunes Santana 3 . e. incluindo livros. condições favoráveis em relação ao resto do mundo. uma análise da possibilidade de conexão do gerador à rede elétrica e um estudo da aplicabilidade desse tipo de sistema para alguns tipos de consumidores. Uma visita a uma instalação semelhante deverá ser feita para que já se possa familiarizar-se com o tipo e o funcionamento do equipamento a ser estudado. quando os reservatórios estão mais baixos devido à redução das chuvas. conforme seja necessário. as quais encontram no Brasil. também. particularmente. deve-se à energia hidráulica. 1. iniciar-se-á a fase de acompanhamento da montagem do aerogerador. serão feitas medições no sistema e seu acompanhamento. a fim de arraigar conceitos e conhecer a história evolutiva da energia eólica e suas aplicações. Serão feitas as devidas análises das medições e de aplicações do sistema para se definir a carga que será alimentada. como a energia eólica e solar. contra apenas 14% no mundo. pretende-se fazer um estudo da geração e consumo do período das medições. Por fim. Em seguida. dos ensaios no equipamento. porém outras alternativas. Grande parte desta matriz energética. manuais de instalação. A matriz energética brasileira é formada atualmente por 45% de fontes renováveis. devem ser incentivadas a fim de compensar os meses de baixa produção hidrelétrica.3.

dentro da qual era exercida a força motriz por homens ou animais que caminhavam.1. eram cada vez mais demandadas. Estes tipos de sistemas foram aperfeiçoados com a substituição da força de homens ou de animais pela força motriz de cursos d’água. Esta haste era movida por homens ou animais que caminhavam em círculos numa gaiola. Energia Eólica A energia eólica é a energia cinética do ar em movimento. portanto. Outra tecnologia existente e que também era utilizada para beneficiamento da agricultura consistia em uma gaiola cilíndrica conectada a um eixo horizontal. Neste capítulo. Tais tarefas exigiam cada vez mais esforço braçal e manual e. [5]. com o avanço da agricultura. o uso das rodas d’água precede a utilização dos moinhos de ventos devido a sua concepção mais simplista de utilização de cursos naturais de rios como força motriz. Historicamente. A evolução e aplicabilidades O desenvolvimento das formas mais primitivas de moinho de vento veio com a dificuldade encontrada pelo homem para realizar tarefas como a moagem dos grãos e o bombeamento de água. O vento varia tanto em velocidade de escoamento como na direção do deslocamento e para o seu aproveitamento energético. Maurício Nunes Santana 4 . 2. Como não se dispunha de rios em todos os lugares para o aproveitamento em rodas d’água. precisa-se do estudo do seu comportamento espacial e temporal. O modelo mais primitivo de moinho de vento foi utilizado. a percepção do vento como fonte natural de energia possibilitou o surgimento de moinhos de ventos substituindo a força motriz humana ou animal nas atividades agrícolas. o que resultou no surgimento das rodas d’água. será mostrada a evolução das aplicações da energia eólica e os potenciais eólicos no Brasil e na Bahia. para beneficiamento de produtos agrícolas e era composto por um eixo vertical acionado por uma longa haste presa a ele.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Capítulo 2 2.

mesmo possuindo baixa eficiência devido a suas características rudimentares. Os cata-ventos foram largamente utilizados e seu desenvolvimento bem documentado. o “direito ao vento”. eixos etc. Durante a Idade Média. sem dúvida. Os moinhos de vento na Europa tiveram. a maioria das leis feudais incluía o direito de recusar a permissão à construção de moinhos de vento pelos camponeses.C na Pérsia o primeiro registro histórico da utilização da energia eólica para bombeamento de água e moagem de grãos. o uso dos moinhos de vento propiciou a otimização de várias atividades utilizando-se a força motriz do vento.) e o Império Babilônico (por volta 1700 A. [5] Dentro das leis de concessão de moinhos também se estabeleceram leis que proibiam a plantação de árvores próximas ao moinho assegurando. o que os obrigava a usar os moinhos dos senhores feudais para a moagem dos seus grãos. principalmente. Com o desenvolvimento tecnológico das pás.C) também utilizavam cata-ventos rústicos para irrigação [5]). [5] A introdução dos cata-ventos na Europa deu-se. [5] Maurício Nunes Santana 5 . no retorno das Cruzadas há 900 anos. As máquinas primitivas persistiram até o século XII quando começaram a ser utilizados moinhos de eixo horizontal na Inglaterra. Acredita-se que antes da invenção dos cata-ventos na Pérsia. Os cata-ventos primitivos apresentavam vantagens importantes para o desenvolvimento das necessidades básicas de bombeamento d’água ou moagem de grãos. entre outros países. assim. tendo sido utilizado por vários séculos. a China (por volta de 2000 A. Pouco se sabe sobre o desenvolvimento e uso dos cata-ventos primitivos da China e Oriente Médio como também dos cata-ventos surgidos no Mediterrâneo.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Data-se de 200 A. Os moinhos de vento de eixo horizontal do tipo “holandês” foram rapidamente disseminados em vários países da Europa. Este tipo de moinho de vento de eixo vertical difundiu-se pelo mundo islâmico. na Europa. sistema de controle.C. França e Holanda. uma forte e decisiva influência na economia agrícola por vários séculos. Um importante desenvolvimento da tecnologia primitiva foram os primeiros modelos a utilizarem velas de sustentação em eixo horizontal encontrados nas ilhas gregas do Mediterrâneo.

entre os anos de 1608 e 1612. A área de Beemster Polder. surgiram moinhos de vento para acionar serrarias para processar madeiras provenientes do Mar Báltico. em 1586. Com o surgimento da imprensa e o rápido crescimento da demanda por papel.000 moinhos de vento existiam em pleno funcionamento na Holanda. O número de moinhos de vento na Europa nesse período mostra a importância do seu uso em diversos países como a Bélgica (3. a região de Schermer Polder também foi drenada por 36 moinhos de vento a uma vazão total de 1.000 moinhos de vento). Posteriormente. aproximadamente 9. Em meados do século XIX. foi drenada. Ao fim do século XVI. Maurício Nunes Santana 6 .000 moinhos de vento) e França (650 moinhos de vento na região de Anjou) [5]. foi construído. o primeiro moinho de vento para fabricação de papel. que ficava três metros abaixo do nível do mar.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 1. por 26 moinhos de vento de até 50 HP. Inglaterra (10. O primeiro moinho de vento utilizado para a produção de óleos vegetais foi construído em 1582.000 m³/min durante 4 anos. Principais marcos do desenvolvimento da energia eólica entre os séculos XI e XIX [5] O uso de moinhos de vento em larga escala esteve intimamente ligado com a drenagem de terras cobertas pelas águas na Holanda entre os séculos XVII e XIX. Os moinhos de vento na Holanda tiveram uma grande variedade de aplicações.

deu-se início o declínio do uso da energia eólica na Holanda com o surgimento da máquina a vapor. desde a segunda metade do século XIX. No início do século XX.500 moinhos de vento em funcionamento. uma sociedade holandesa para conservação. África e América Latina. favorecidos pelo alto torque fornecido pela grande número de pás. O sistema se adaptou muito bem às condições rurais tendo em vista suas características de fácil operação e manutenção.000 no ano de 1960. já que havia grande preocupação com a extinção dos moinhos de vento devido ao advento da Revolução Industrial. Até hoje esse sistema é largamente usado em várias partes do mundo para bombeamento d’água. Os cata-ventos de múltiplas pás foram usados também em outras regiões como a Austrália. sendo reduzidos para menos de 1. havia apenas 2. em 1923.2 – Moinho de vento da Holanda Um marco importante para a energia eólica na Europa foi a Revolução Industrial no final do século XIX. principalmente nas suas áreas rurais. A utilização de cata-ventos de múltiplas pás destinados ao bombeamento d’água desenvolveu-se de forma efetiva. melhoria do desempenho e utilização mais efetiva dos moinhos holandeses. Neste período. Criou-se. em diversos países. mais de 6 milhões de cata-ventos já teriam sido fabricados e instalados somente nos Estados Unidos para o bombeamento d’água em sedes de fazendas isoladas e para abastecimento de bebedouros para o gado em pastagens extensas. Toda a estrutura era feita de metal e o sistema de bombeamento era feito por meio de bombas e pistões. Maurício Nunes Santana 7 . [5]. Acredita-se que.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 2. então. Rússia.

foi introduzido um mecanismo de grande fator de multiplicação da rotação das pás (50:1) que funcionava em dois estágios. sem dúvida. construiu em Cleveland. Em primeiro lugar.3kV. o primeiro cata-vento destinado à produção de energia elétrica. Bruch. a altura utilizada pelo invento estava dentro das categorias dos moinhos de ventos utilizados para beneficiamento de grãos e bombeamento d’água.Os Aerogeradores no século XX Várias pesquisas foram desenvolvidas para o aproveitamento da energia eólica na geração de grandes quantidades de energia. os russos já investiam na conexão de aerogeradores de médio e grande porte à rede. Charles F.1. Em terceiro lugar. A energia gerada no ano chegou a 280. O invento de Bruch apresentava três importantes inovações para o desenvolvimento do uso da energia eólica para geração de energia elétrica. Isto foi possibilitado pelo avanço da rede elétrica que foi.1. O aerogerador Balaclava era um modelo de 100kW. inubitavelmente. Nesta época.ano. O industrial inspirou-se em um moinho para a construção do catavento. o que equivaleu a um fator médio de utilização de 32%. O sistema completo era sustentado por um tubo metálico central de 36 cm que permitia que todo o sistema girasse. enquanto os americanos difundiam o uso de aerogearadores de pequeno porte nas fazendas e residências rurais isoladas. consequência direta da revolução industrial do século anterior. Este sistema operou durante 20 anos e foi desativado em 1908. o vento predominante. possibilitando um máximo aproveitamento do dínamo cujo funcionamento estava em 500 rpm. Ohio.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 2. O equipamento fornecia 12 kW para um banco de baterias que alimentavam 350 lâmpadas incadescentes. desta forma. O cata-vento de Bruch foi. conectado a uma usina termelétrica de 20MW por uma linha de transimissão de 6. A roda principal possuia 144 pás e 17m de diâmetro em uma torre de 18m de altura. esse invento foi a primeira e mais ambiciosa tentativa de se combinar a aerodinâmica e a estrutura dos moinhos de vento com as recentes inovações tecnológicas na produção de energia elétrica. mais precisamente no ano de 1888. um marco na utilização deste aparato para a geração de energia elétrica. industrial formado para eletrificação em campo. [5] A Rússia deu um dos primeiros passos no desenvolvimento de aerogeradores de grande porte para aplicações elétricas em 1931. acompanhando.000 kWh. Maurício Nunes Santana 8 . Em segundo lugar. O início da adaptação dos cata-ventos para geração de energia elétrica teve início no final do século XIX.

contudo. apresentava três pás com um rotor de 35m. como um equipamento que operava com potência de 1. visavam à economia de combustíveis fósseis. sistema de orientação amortecida por rotores laterais e torre de tubos estaida. para fins de pesquisa.000 horas entre 1957 e 1968 e teve problemas de fadiga atenuados devido à composição das pás. Países como Inglaterra. Maurício Nunes Santana 9 . visando aprimoramento das técnicas aeronáuticas.085kW a vento de 16. Após a guerra. Ele operou por mais de 4. na faixa de 45kW na Dinamarca. desenvolveu-se um raro modelo de aerogerador de 100kW com pás ocas e com a turbina e o gerador na base da torre. França e Alemanha realizaram grandes estudos e experimentos nesse período e foram pioneiros no desenvolvimento de alguns tipos de aerogeradores. verificouse que suas pás ainda apresentavam perfeitas condições de uso. sendo que 20% da energia produzida no país advém da força dos ventos. Dinamarca. que se tornaram bastante competitivas economicamente e os aerogeradores passavam a ser construídos. pois os países em geral. a ventos de 8m/s. por exemplo. Johannes Juul ousou no projeto de um aerogerador de 200kW com 24m de diâmetro de rotor. A França empenhou-se nas pesquisas de aerogeradores conectados à rede elétrica e também foi responsável por diversos aerogeradores de grande porte. Quando o modelo foi desmontado em 1968 por falta de verbo para prosseguimento do projeto. Na Alemanha. Além da robustez. Na Inglaterra.5m/s. Com o sucesso da produção de aerogeradores de pequeno porte. instalado nos anos de 1956 e 1957 na ilha de Gedser. em grande parte. Possuía rotor leve em materias compostos. no desenvolvimento de pás e aperfeiçoamentos nos sistemas de geração. o que ainda é notado até hoje. O aerogerador de 34m de diâmetro operava com potência de 100kW. estes aerogeradores provavam a possibilidade da sua inteligação à rede de distribuição elétrica. os combustíveis fósseis. nesta época. duas pás a jusante da torre. foi construído um aerogerador que operou com o maior número de inovações tecnológicas na época.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi também um grande marco para o desenvolvimento dos aerogeradores de médio e grande porte. Eles enfrentavam agora a concorrência das grandes usinas hidrelétricas. A Dinamarca apresentou um dos crescimentos na geração de energia eólica mais significativos na Europa. voltaram a predominar mundialmente.

O Brasil possui atualmente potência instalada de 547 MW. operação de máquinas e equipamentos diversos. quando comparado ao cenário mundial. etc. irá determinar se este crescimento vai se manter.2. passando de aproximadamente 30 MW em 2004 para os atuais 547 MW. usos domésticos ou de pequenas empresas. Embora a utilização de recursos eólicos tenha sido historicamente destinada à movimentação de cata-ventos para o bombeamento de água. que é de aproximadamente 121. algumas regiões de Minas. aquecimento de ambientes.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 2. A energia eólica no Brasil A utilização da energia eólica no Brasil atualmente é voltada majoritariamente para a geração de energia elétrica para bombeamento de água.3 TWh. estudos recentes indicam um potencial eólico ainda não explorado de 143 GW (CEPEL. O próximo leilão de energia eólica. marcado para 14 de Dezembro de 2009.000 MW. Além dessas localidades. do Paraná.3 – Marcos no desenvolvimento da energia energia eólica no século XX [5] 2. possui um potencial eólico estimado de 75 GW o que corresponde a uma capacidade de geração de 144. 2005). No Brasil as áreas de maior potencial eólico são o litoral do Nordeste e a Chapada Diamantina na Bahia. o país tem apresentado um crescimento significativo. o que não chega a 1% da capacidade instalada mundial. Rio Grande do Sul e do nordeste do Rio de Janeiro também possuem potencial eólico. região de maior capacidade de aproveitamento eólico. O Nordeste. Apesar da ínfima contribuição. [2] [5] Maurício Nunes Santana 10 . moagem de grãos.

Maurício Nunes Santana 11 . As velocidades médias anuais variam de 8-9 m/s na porção norte a uma faixa de 3. dessa forma. A região geográfica em que está inserido o sistema eólico a ser estudado é a Zona Litorânea Nordeste – Sudeste. [2] Os sistemas de alta pressão Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul e do Atlântico Norte e a faixa de baixas pressões da Depressão Equatorial são os que influenciam mais. altitude de terreno. a velocidade dos ventos atinge 7. estende-se a posição média da Depressão Equatorial. atual o centro de alta pressão Anticiclone Subtropical Atlântico. os deslocamentos de massa polares e a Depressão do nordeste da Argentina. No sul do Espírito Santo e nordeste do Rio de Janeiro.5 m/s. já que o ar acelera-se para o sul para aliviar o acúmulo de massa causado pelo bloqueio das formações montanhosas.5 – 6 m/s sobre grande parte da costa que se extende até o Sudeste. A localização e orientação da Bacia Amazônica coincidem com esta Depressão que é geralmente uma zona de pequenos gradientes de pressão e ventos fracos. Este perfil geral de circulação varia de acordo com a geometria. contudo. Acontece. conforme a figura abaixo. O perfil geral de circulação atmosférica induz ventos de leste ou nordeste sobre o território nacional ao norte da Bacia Amazônica e no litoral do nordeste. Isso é efeito do bloqueio de escoamento leste – nordeste feito pelas montanhas imediatamente a oeste da costa. uma aceleração por obstáculo. De oeste a leste do Norte do Brasil e sobre o oceano Atlântico adjacente. vegetação e distribuição de superfícies de terra e água. Os ventos alísios de leste a sudeste predominam entre a Depressão Equatorial e a latitude de 10º S.2.1. Esta zona está compreendida entre o Cabo de São Roque (RN) e o estado do Rio de Janeiro e tem aproximadamente 100km de largura. Ao sul desta latitude até o extremo sul do Brasil.Potencial eólico brasileiro A distribuição dos ventos sobre o Brasil é controlada pelos aspectos da circulação geral planetária de atmosfera próxima. Tais fatores que atuam em escala menor podem alterar as condições de vento locais que se afastam consideravelmente do perfil geral da larga escala da circulação atmosférica.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 2.

pois predominam altitudes inferiores à centena de metros e em raros locais a altitude ultrapassa 300m. ocupando uma área de 7. o relevo desce e sobe suavemente. o que possibilita uma geração anual de 31.46 GW.2.1. [3] Ao longo da extensão litorânea da Bahia. No estado vivem mais de 14 milhões de pessoas distribuídas numa área de 567.231 km². temperatura média e índice de vegetação por diferenças normalizadas (IVDN). [16] 2. o relevo não constitui obstáculo à progressão dos ventos e brisas marinhas. cuja rugosidade reduz a intensidade dos ventos médios de superfície.2. e entre as longitudes 46º36’ 59’’W e 37º 20’ 37’’W.692. sem grandes elevações e aerodinamicamente rugosa pela densa cobertura vegetal. O território baiano se situa entre as latitudes 18º 20’ 07’’S e 8º 32’ 00’’S.2.9 TWh/ano para ventos com velocideade mpedia anual de 7 m/s.Potencial eólico na Bahia A Bahia possui um potencial eólico de 5. Os dados de precipitação e temperaturas médias são oriundos de séries climatológicas Maurício Nunes Santana 12 .6 GW.798 km². ao longo de uma ampla faixa junto à costa. em seguida. surgem chapadões de orientação norte-sul. [3] A figura abaixo apresenta a sazonalidade dos índices de precipitação. o potencial eólico eleva-se para 14. o que possibilita uma geração anual estimada de 12. Para uma altura de setenta metros. ocupando uma área de 2. a 5ª maior extensão territorial entre os estados brasileiros de acordo com o IBGE 2005. predomina uma vegetação adensada e relativamente alta – floresta tropical pluvial e vegetação secundária. A Bahia se situa na região de transição de regimes de ventos distintos. Das chapadas até o vale do Rio São Francisco. Na parte central do estado. onde há uma extensa área plana com altitudes próximas a 1000m.32 TWh/ano para ventos com velocidade média anual de 7 m/s a uma altura de cinquenta metros. recoberta por agricultura intensiva e pouco rugosa.669 km².2. para o extremo oeste. Aspectos geofísicos do estado da Bahia A Bahia ocupa a região mais meridional do nordeste do Brasil. [3] A faixa atlântica da Bahia possui uma área extensa.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 2. com grandes elevações e onde ocorrem algumas áreas importantes de baixa rugosidade. No entanto. Mais ao norte circulam os ventos alísios que convergem para a Depressão Equatorial e mais ao sul predomina a dinâmica da interação entre o centro de altas pressões Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul e as incursões de massas polares.

[3] Figura 2.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica de 60 anos. [3] A distribuição das temperaturas médias apresentam. Esta região apresenta os maiores índices pluviométricos do Estado. principalmente na parte sul. o que resulta também em índices de vegetação mais estáveis nesta região.200 mm anuais. região de menor altitude e ao abrigo dos chapadões centrais. enquanto os índices de vegetação se referem ao período entre 1985 e 1988. [3] Maurício Nunes Santana 13 .Sazonalidade dos índices de precipitação. temperatura média e índices de vegetação É importante ressaltar a distribuição pluviométrica homogênea ao longo do ano para a faixa atlântica da Bahia. naturalmente. superiores a 1. As temperaturas mais elevadas da Bahia se encontram no vale do Rio São Francisco. mas são dominadas por outros fatores regionais. correlação com o relevo.4 .

o Anticiclone Subtropical do Atlântico influencia predominantemente perturbado pela dinâmica das ondas de massa polares que é intermitente.5 . Ao norte. são perceptíveis nas velocidades e direções de vento. os ventos alísios exercem uma maior influência de forma mais constante.2. Maurício Nunes Santana 14 . Estas brisas.2.Principais mecanismos sinóticos de influência nos regimes de vento na Bahia O território da Bahia. Figura 2. com ciclos tipicamente diurnos. predominante entre Nordeste e Sudeste. a Bahia se encontra na latitude de transição entre dois mecanismos importantes: ao Sul.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 2. O Estado da Bahia apresenta ventos máximos no segundo semestre. nas estações do inverno e primavera como pode-se ver a seguir na figura. por ser extenso. Os regimes Regime de ventos na Bahia de ventos resultam da sobreposição de mecanismos atmosféricos sinóticos e de mesoescala. globais e regionais. alterna diferentes mecanismos regionais. Quanto aos regimes globais. respectivamente.2. como mostrado abaixo. especialmente brisas marinhas/terrestres e brisas montanha/vale. Estas dinâmicas convergem quanto à direção.

Neste capítulo serão mostrados os tipos de vento. fatores que influenciam a energia eólica e formas de armazenamento.Potencial eólico sazonal [3] Capítulo 3 3. Maurício Nunes Santana 15 . O Vento O vento é o ar em movimento.6 . a potência do vento.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 2. provocado pelo aquecimento desigual da terra.

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3.1. Causas do vento
O vento é a principal característica da movimentação das massas de ar existentes na atmosfera e o seu surgimento está diretamente relacionado às variações das pressões de ar. Estas variações são originadas termicamente através da radiação solar e das fases de aquecimento das massas de ar. Nos locais mais quentes, o ar dilata-se, ficando mais leve e rarefeito, e sobe resultando numa queda de pressão atmosférica no local. Já nos locais mais frios, o ar se condensa ficando mais pesado, com maior pressão, tendendo a escapar para as áreas mais vazias, como os locais mais quentes, dando origem aos deslocamentos na forma de ventos. Em torno de 1 a 2% da energia solar é convertida em energia dos ventos. As regiões onde esse tipo de conversão de energia inicia-se são nas regiões existentes na linha do Equador, onde a latitude é 0º e ocorre um maior aquecimento nas massas de ar e posteriormente é estendida para as regiões norte e sul do planeta. [1] O sol aquece a superfície da terra de forma desigual, provocando os fluxos de vento. O sol tem uma temperatura na superfícies em torno de 5.600 K e fornece energia em forma de radiação. A energia recebida pela terra é em torno de 1,39 kW/m². Os gases da atmosfera são quase transparentes para os comprimentos da onda da radiação solar, que variam de 0,15 a 4 µm e, assim, grande parte da energia do sol penetra até a superfície da terra. Parte da radiação solar é difundida pela atmosfera devido à presença de poeira, gotículas de água, além das nuvens. Pouco menos da metade da radiação incidente é absorvida e outra parte é refletida, através da emissão de uma radiação para a atmosfera, chamada de radiação terrestre. Esta radiação tem comprimento de onda na faixa de 5 a 20 µm, cuja variação depende da superfície, ou seja, algumas superfícies têm uma maior absorção de energia que outras. O índice de absorção é definido como albedo, relação entre a radiação refletida pela superfície e o fluxo incidente. A parte da energia absorvida pela superfície é ainda parcialmente transferida à atmosfera na forma de calor, seja por condução ou por convecção. A condução, no entanto, é limitada somente à camada muito superficial de ar, com cerca de um milímetro de espessura, que se adere à superfície da terra. Acima desta camada o efeito da condução é desprezível comparado aos processos de radiação e convecção. A convecção envolve o intercâmbio vertical de massa de ar, que pode ser
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livre, ou natural, como quando a densidade da massa de ar é diferente ao seu circunvizinho e é movida pela força de empuxo, ou ainda pode ser forçada, como pela passagem de ar sobre o solo rugoso. Normalmente o movimento é pela combinação de ambos. Este movimento é manifestado como movimento de discretas massas de ar. [1]

3.2.

Força de Coriolis
O efeito de Coriolis, também chamado de força de Coriolis, é a aceleração

aparente provocada pela rotação da terra e que tende a desviar todo objeto movendo-se livremente. Esta força é muito importante, pois afeta o movimento do vento, alterando sua velocidade e, principalmente, sua direção. A terra é uma esfera que gira em torno de seu próprio eixo a uma velocidade tangencial de 1.600 km/h, no equador. Logo, um objeto situado na latitude 0º tem uma velocidade tangencial maior que outro objeto situado mais próximo a um dos pólos. A rotação dos objetos é, contudo, a mesma, alterando-se o raio de giro, já que ao aproximar-se de um dos pólos, um objeto aproxima-se do eixo de giro. Assim, uma massa que se desloque no sentido do pólo ao equador, ou viceversa, terá seu momento angular alterado. Porém, de acordo com a lei da conservação da quantidade de movimento, esta massa ao sofrer alteração em uma direção, irá variar também em outra direção. Esta variação será na proporção inversa o que resultará em uma quantidade de movimento transversal ao seu deslocamento. Em resumo, uma massa que se desloque no sentido do pólo ao equador terá um movimento circular com rotação no sentido oposto ao da terra, enquanto que uma massa se deslocando no sentido inverso, movimentar-se-á circularmente no mesmo sentido de rotação da terra. A força de Coriolis, por unidade de massa é calculada pela expressão abaixo: 𝐹𝑐 = 2. Ω. 𝑣. 𝑠𝑒𝑛 α (3.1)

Onde: Ω = velocidade angular da terra [7,29. 10−5 rad/s] v = velocidade da partícula [m/s] α = latitude [º]

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O efeito da força de Coriolis sobre o vento é fazer com que este apresente movimentos tipicamente circulares, ou em espirais, em torno dos centros de pressão, que tendem a provocar deslocamentos de massas de ar entre o equador e os pólos. A força de Coriolis foi calculada para o local em que o aerogerador foi instalado. Sabendo-se que a latitude do local é que o estamos localizados. 12º59’, a força é de aproximadamente 3,28.10-5 N. Uma força baixa tendo em vista a baixa latitude em

3.3.

Tipos de Vento

3.3.1.Ventos globais
No equador a força de Coriolis é zero, visto que a latitude é zero (α = 0). Sendo assim, qualquer gradiente de pressão horizontal moverá as partículas de ar em direção à baixa pressão. Como não há força de oposição ao movimento, exceto o atrito, as partículas se moverão da região de alta pressão para a de baixa pressão. Eventualmente, o fluxo reduzirá o gradiente de pressão a zero. Centros de alta ou baixa pressão, contudo, não se mantém próximos ao equador.

Figura 3.1 - Movimento de uma partícula de ar devido às forças de gradientes de pressão (PH) e às forças de Coriolis (FC) [1]

A figura acima ilustra o movimento de uma partícula de ar estacionada no ponto A, que encontra-se numa região de alta pressão atmosférica no hemisfério
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Norte. Devido à força de gradiente de pressão PH, dada pela equação abaixo, o ar é movimentado em direção à zona de baixa pressão atmosférica. No entanto, o movimento do ar faz que a força de Coriolis FC (equação 3.1) aja no sentido de forças se estabeleça. 𝑃𝐻= − 1 𝛥𝑃 . (3.2) 𝜌 𝛥𝑋 do movimento de rotação da terra e, assim, o ar gira nesta direção até que o equilíbrio

Quando o equilíbrio é estabelecido, tem-se:

P H = FC
Igualando-se as equações 3.1 e 3.3, obtem-se:
1 𝛥𝑃 𝜌 𝛥𝑋

(3.3)

.

= 2. Ω. 𝑣. 𝑠𝑒𝑛 α (3.4)

Onde: ρ = massa específica do ar [kg/m³]; ΔP = diferença de pressão sobre o volume de ar [N/m²]; ΔX = comprimento do volume de ar [m]; Ω = velocidade angular da terra [7,29. 10−5 rad/s]; v = velocidade de uma partícula [m/s] α = latitude [º] O vento que satisfaz a equação acima é chamado de vento geostrófico. Este vento ocorre somente na atmosfera superior, quando não há atrito do solo e apenas aparecem as forças de Coriolis e de gradiente de pressão. Na figura 3.1 está representada uma situação de equilíbrio entre as forças de gradiente de pressão PH e de Coriolis FC. Esta situação ocorre com o vento movendo-se em sentido paralelo às linhas isóbaras, que são linhas de pressão constante e, desta forma, o vento seguirá o sentido indicado na figura até que o equilíbrio de forças termine. O ingresso de massa de ar em outra zona de pressão atmosférica pode alterar o equilíbrio, assim como a mudança da força de Coriolis alteraria o equilíbrio, pela alteração da latitude (α) ou da velocidade do ar. [1]

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3. ventos em vales e montanhas. nevoeiros. Assim.3.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 3. As direções perto da superfície são diferentes das dos ventos geostróficos.3. Durante o dia. Quando os ventos globais são suaves.Ventos Locais As circulações terciárias de vento são em pequena escala caracterizadas por ventos locais.Brisa marítima durante o dia [4] À noite. temporais e tornados. Assim a pressão do ar sobre a superfície da água é relativamente maior que sobre a terra. o fenômeno inverte-se. devido à rotação da terra. A direção do vento é influenciada pela soma dos efeitos globais e locais. Alguns exemplos de circulações terciárias são: brisas marítima e terrestre. A intensidade do vento é reduzida pela rugosidade da superfície da terra e pelos obstáculos. As brisas marítimas e terrestres são circulações de ar que ocorrem em áreas costeiras quando as diferenças térmicas entre a terra e a água são suficientemente grandes. Figura 3.Ventos de superfície Os ventos são muito influenciados pela superfície terrestre até altitudes de 100 metros. Vamos nos ater aqui aos dois primeiros exemplos por serem mais atuantes na região em estudo. o ar movimenta-se da região de alta para a de baixa pressão. a Maurício Nunes Santana 20 . Desta forma. o ar sobre a terra reflete mais energia para a atmosfera do que o ar sobre a água. resultando na brisa marítima.2. e o movimento do ar é no sentido da terra para a água. os locais podem dominar o regime de ventos. [1] 3.2 . Este movimento se deve ao fato de à noite a terra esfriar-se rapidamente. conhecido como brisa terrestre. tornando-se mais fria que a água. como mostrado na figura abaixo.

mais pesado.3 . movendo-se a velocidade V1.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica diferença de pressão entre a terra e a água inverte-se. Como as diferenças de temperatura à noite são menores.Brisa terrestre durante a noite As brisas marítimas e terrestres também podem ocorrer nas costas de grandes lagos. a brisa terrestre geralmente é mais fraca. devido à troca com o ar frio.4. que desce até o fundo do vale. Durante o dia. o ar morno aquecido pela terra sobe a montanha. À noite o processo é invertido. [4] 3. A seguir. pois agora a terra e rocha das montanhas são esfriadas. e a transforma em energia elétrica. a energia cinética da massa de ar m à velocidade V1 é: 𝑚 . mas a pressão é maior no vale. Figura 3.5) Maurício Nunes Santana 21 . Os ventos em vales e montanhas são causados por diferenças de pressão e relevos. A potência do vento Uma turbina eólica capta uma parte da energia cinética do vento. a figura ilustra a brisa terrestre. perpendicular à seção transversal de um cilindro.𝑉1 2 2 𝐸 = (3. invertendo-se também o fluxo de ar. que passa através da área varrida pelo rotor. Considerando-se um fluxo de ar.

7) . ρ = massa específica do ar [kg/m³]. V1 = velocidade do vento [m/s].4 .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 3.7) na (3. A = Área da seção transversal [m²].5). V1 = velocidade do vento [m/s]. temos que a potência disponível no vento que passa pela seção A é dada por: Maurício Nunes Santana 22 (3.6) P = potência disponível no vento [W]. O fluxo de massa de ar é dado por: 𝑚 = 𝜌 V1 A Onde: 𝑚 = fluxo de massa de ar [kg/s]. quando substitui-se a equação (3. E = energia cinética do vento [J]. 𝑚 = fluxo de massa de ar [kg/s]. Logo. t = tempo [s].Fluxo de ar através de uma área transversal A [1] A potência P disponível no vento é definida como a derivada da energia no tempo: 𝑑𝐸 𝑑𝑡 𝑚 𝑉1 2 2 𝑃 = Onde: = (3.

10) .3% e varia com o vento. de acordo com a lei de Betz.1.5. o vento que passa pela área varrida pelo rotor de uma turbina. Assim.5. ρ = massa específica do ar [kg/m³]. por sua vez. a energia cinética do vento depende da densidade do ar.9) 3. A escolha do local em que será feita a instalação de um aerogerador deve sempre levar em consideração a influência desses fatores de modo a otimizar o aproveitamento do recurso eólico para produção de energia elétrica. conforme a expressão abaixo: 𝜌 = onde: Maurício Nunes Santana 23 𝑃 𝑅 𝑇 (3. constata-se uma relação direta entre a potência disponível no vento e a massa específica do ar. devemos considerar o coeficiente aerodinâmico de potência do rotor (CP) e o rendimento do conjunto gerador /transmissões mecânicas e elétricas (η). a potência útil produzida pela turbina eólica deve ser escrita da seguinte forma: 1 . Fatores que influenciam a energia do vento Alguns fatores influem diretamente na energia que provém do vento. de 59. A = Área da seção transversal [m²].9). O coeficiente aerodinâmico de potência do rotor tem seu valor máximo teórico. 𝜌. 𝐴. contudo. A energia cinética de um corpo em movimento é proporcional a sua massa. varia com a temperatura e a pressão atmosférica. A densidade do ar. 𝜂 2 𝑃 = (3. V1 = velocidade do vento [m/s]. 3.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 𝑃 = 1 2 𝜌 𝐴 𝑉1 3 (3. sendo assim. rotação e parâmetros de controle da turbina. 𝑉1 3 . 𝐶𝑝 . Quando analisamos.8) Onde: P = potência do vento [W].A altitude e a temperatura ambiente A partir da expressão (3.

Em condições metereológicas padrão. A extensão pela qual a velocidade do vento aumenta com a altura é governado por um fenômeno chamdo “wind shear”. z = altitude do local [m]. R = constante do ar [287 J/kg. isto é: 15ºC e 1. velocidade do vento mais baixa e muito menos energia disponível do vento perto do solo.K].225 kg/m³. A massa específica do ar depende também da altitude e da temperatura ambiente. Maurício Nunes Santana 24 . A expressão abaixo estima a massa específica do ar ρ em função da altitude do local e da temperatura ambiente: 𝜌 = onde: 353. A fricção entre ventos mais lentos e mais rápidos leva ao aquecimento. a figura ilustra a relação de altura e velocidade em diferentes áreas. Pa = pressão atmosférica [Pa].2624 45271 273. T = temperatura ambiente [K].013 hPa.4 (1− 𝑧 )5.15+𝑇 (3. já que a altitude afeta a própria temperatura e a pressão atmosférica do local. A seguir.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica ρ = massa específica do ar [kg/m³]. a massa específica do ar ρ é 1.11) ρ = massa específica do ar [kg/m³]. T = tempertatura ambiente [ºC].

ainda é possível o aproveitamento nestas regiões.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 3. o vento só atinge velocidades razoáveis a uma determinada altura. A regra diz que o catavento tem que ficar a uma distância mínima de 7 vezes a altura que o obstáculo tem. Já em áreas em que só há casas e pequenas construções. como prédios. No caso do litoral. A conversão de energia em regiões com muitos obstáculos fica prejudicada. o vento atinge velocidades maiores do que os outros exemplos em alturas bem menores. como árvores ou elevações no solo. um estudo de viabilidade para a instalação de equipamentos que convertam a energia eólica em eletricidade. Maurício Nunes Santana 25 .12) onde: h1 = altura do solo do ponto 1 [m].Diferentes áreas e suas relações entre velocidade do vento e altura [4] Percebe-se que em regiões com grande concentração de construções elevadas. h2 = altura do solo do ponto 2 [m]. Há uma regra prática que permite a utilização de cata-ventos em locais com obstáculos naturais. sabendo-se sua velocidade em outra altura. o vento atinge velocidades satisfatórias em alturas menores.5 . tendo como base as medições de vento da estação coletora. É necessário. A equação abaixo foi utilizada para que se pudesse estimar a velocidade do vento no local da instalação do gerador na EPUFBA. todavia. 𝑣2 = 𝑣1 ( 2 )𝛼 𝑕 1 𝑕 (3. mesmo assim. O comportamento logarítmico da velocidade do vento pode ser usado para determinar a velocidade do vento em uma determinada altura.

8 vezes maiores. O gráfico a seguir mostra a variação da potência disponível no vento em função da velocidade do mesmo. por exemplo. No caso estudado. considerando-se velocidades 1. v2 = velocidade do vento no ponto 2 [m/s]. como cidades. 3. 𝛼 = Onde: 𝑙𝑛 𝑙𝑛 𝑉 2 𝑉 1 𝑍 2 𝑍 1 (3. apresenta 33% mais potência disponível.5. dispõe-se de potências aproximadamente 2. α = expoente de camada limite [adimensional]. calculou-se um fator de aproximadamente 1.9). V2 = velocidade do vento no ponto 2 [m/s].13) V1 = velocidade do vento no ponto 1 [m/s]. percebe-se que a potência disponível no vento é proporcional ao cubo da velocidade que ele apresenta.4. Z2 = altura no ponto 2 [m].4 para se estimar as velocidades do vento na altura do rotor do GERAR 246.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica v1 = velocidade do vento no ponto 1 [m/s]. para locais com rugosidade considerável. considerando-se a massa específica do ar constante.5 e do expoente de camada limite de 0. por exemplo. Este aspecto é muito importante e quer dizer que um vento com velocidade 10% superior. Maurício Nunes Santana 26 . tendo como base as velocidades medidas pela estação anemométrica. mantidas as demais condições.4 vezes maiores na altura do rotor do aerogerador. A partir da razão entre as alturas no rotor do aerogerador e do local de coleta de dados de vento que é de 2.A velocidade do vento A partir da expressão (3.2. Z1 = altura no ponto 1 [m].

Como a área do rotor aumenta com o quadrado do raio.3. uma turbina duas vezes maior recebe quatro vezes mais energia.5.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 3.6.6 . Maurício Nunes Santana 27 . Extração da potência do vento e Máximo de Betz O fluxo de ar através de uma turbina eólica de eixo horizontal é ilustrado na figura a seguir.Variação da potência disponível no vento com a velocidade do vento [1] 3. 3. por exemplo. a circunferência que o rotor abrange fisicamente é o que determina quanta energia do vento a turbina eólica é capaz de captar.Área de varrimento do rotor A área de varrimento do rotor ou.

Maurício Nunes Santana 28 . ve = velocidade do vento na seção do tubo de vazão na entrada na turbina [m/s]. v = velocidade do vento livre. As = área da seção transversal do tubo de vazão do ar na saída do rotor da turbina [m²].12) Q = vazão de ar que atravessa a turbina eólica [m³/s]. Assumindose que não haja fluxo de massa através dos limites do tubo de vazões e considerando-se a massa específica do ar constante. antes da turbina [m/s]. vs = velocidade do vento na seção do tubo de vazão na saída da turbina [m/s]. A = área da seção transversal do tubo de vazão que o ar atravessa a turbina. antes da turbina. válido para velocidades de vento menores que 100 m/s. tem-se: 𝑄 = 𝐴 𝑣 = 𝐴𝑒 𝑣𝑒 = 𝐴𝑠 𝑣𝑠 onde: (3. Ae = área da seção transversal do tubo de vazão do ar na entrada do rotor da turbina.7 .Fluxo de vento através de uma turbina eólica [1] A equação da continuidade de Bernouilli define a vazão de fluido como sendo constante para diferentes localizações ao longo do tubo de vazão.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 3. onde o vento é livre [m²].

conforme a expressão (3. Logo.16) .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A turbina eólica provocará a redução da velocidade do vento na saída do rotor ao converter a energia cinética do vento. Quando o vento perde muita velocidade atrás do rotor. Logo.12). Pode-se então escrever: Pt=Pe-Ps onde: Pt = potência extraída do vento pela turbina eólica [W]. Ps = potência disponível no vento na saída do rotor eólico [W]. A potência do vento extraída pela turbina eólica é a diferença de potência entre o fluxo de ar na entrada e na saída do rotor eólico.15) (3. vs = velocidade do vento na seção do tubo de vazão na saída da turbina [m/s]. A potência do vento na entrada da turbina eólica é dada por: 𝑃𝑒 = onde: Maurício Nunes Santana 29 1 𝑚𝑣 2 2 1 𝑣 3 (3. o ar flui em volta da área do rotor ao invés de atravessá-lo. para a máxima transferência de potência: 𝑣𝑒 = 2 𝑣 3 (3. Pe = potência disponível no vento na entrada do rotor eólico [W]. Sendo assim. a máxima potência que pode ser extraída do vento por uma turbina eólica apresenta uma limitação que é referente a uma velocidade do vento na saída do rotor eólico que não pode ser inferior a 1 3 (3.6). antes da turbina [m/s].13) da velocidade do vento incidente. o rotor absorve a energia equivalente a 2 3 da energia disponível no vento livre antes da turbina. o que resultará no aumento do diâmetro do tubo de vazões da figura (3. ve = velocidade do vento na seção do tubo de vazão na entrada da turbina [m/s].14) e 𝑣𝑠 = onde: v = velocidade do vento livre.

ve = velocidade do vento na entrada da turbina [m/s].17) e (3. a potência do vento na entrada da turbina eólica pode ser escrita como: (3.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Pe = potência disponível no vento na entrada do rotor eólico [W].19) Voltando à expressão (3.13). ρ = massa específica do ar [kg/m³]. v = velocidade do vento livre [m/s].19) na mesma. 𝑚 = fluxo de massa de ar [kg/s].20) Ou: Maurício Nunes Santana 30 .18) e (3.16). Substituindo-se as expressões (3. chega-se à máxima potência que pode ser extraída por uma turbina eólica: 𝑃𝑡𝑚𝑎𝑥 = 1 2 𝜌 𝐴 2 3 𝑣 𝑣 2 − 1 (𝜌 2 𝐴 𝑣)( 𝑣)² 2 3 1 3 (3.18) Similarmente.14) em (3. e substituindo-se as equações (3. da potência extraída pela turbina eólica. A = área da seção transversal [m²]. considerando-se 𝑣𝑠 = 3. pode-se determinar a potência do vento na saída da turbina: 𝑣 𝑃𝑠 = 1 2 𝜌 𝐴 2 3 𝑣 ( 1 3 𝑣)² (3. Sabendo-se que: 𝑚 = 𝜌 𝐴 𝑣𝑒 Onde: 𝑚 = fluxo de massa de ar [kg/s].17) 𝑃𝑒 = 1 2 𝜌 𝐴 𝑣 𝑣² 2 3 (3.

é referente a uma formulação realizada pelo físico Albert Betz em 1919. e proporcionalmente à densidade do ar. Para a produção de energia elétrica em grande escala só locais com valores de velocidades médias anuais superiores a 6 m/s são interessantes. A expressão (3. [12] Maurício Nunes Santana 31 . porém as turbinas podem ser projetadas para uma eficiência máxima dependendo da zona de velocidade de vento onde esteja a maior parte da energia. P = potência disponível no vento [W]. e a turbina apenas começa a funcionar por volta dos 5 m/s.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 𝑃𝑡𝑚𝑎𝑥 = onde: 16 1 27 2 𝜌 𝐴 𝑣³ = 16 27 𝑃 (3. Como a potência varia com o cubo da velocidade do vento.21) traz uma informação muito importante em relação à potência extraída do vento por uma turbina. Este valor. abaixo deste valor já não existe viabilidade para este tipo de aplicações. Os valores ideais de aproveitamento estão em torno dos 9 ou 10 m/s. De fato a velocidade à qual os aerogeradores começam a rodar situa-se entre 3 e 5 m/s.21) 𝑃𝑡𝑚𝑎𝑥 = máxima potência que pode ser extraída do vento por uma turbina ideal [W]. no entanto abaixo de 5 m/s a quantidade de energia no vento é muito baixa. A = área da seção transversal varrida pelo rotor da turbina [m²]. a maior parte da energia eólica está localizada acima da velocidade média do vento de projeto. v = velocidade do vento livre [m/s]. O valor de 16 27 ou 59.3% é a máxima potência que uma turbina eólica pode extrair da potência disponível no vento. conhecido como Máximo de Betz. ρ = massa específica do ar [kg/m³].

deixando as carregadas para utilizar as mesmas mais tarde quando tiver insuficiência de vento. Capítulo 4 4. é necessário armazenar o excesso de energia durante os períodos de ventos de alta velocidade. para usá-la quando o consumo não puder ser atendido por insuficiência de vento. uma forma de armazenamento é necessária para adaptar e “racionalizar” o perfil aleatório de produção energética ao perfil de consumo. O comportamento probabilístico do vento O vento apresenta variações importantes e não determinísticas. Maurício Nunes Santana 32 . pode ser necessária a utilização de um sistema de armazenamento de energia que garanta o fornecimento adequado à demanda.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 3. não sendo necessário o armazenamento de energia.7. a energia gerada é injetada diretamente na rede elétrica. esse excesso de energia pode ser armazenada em baterias. bastando que o sistema elétrico convencional de base esteja dimensionado para atender à demanda durante os períodos de ventos insuficientes. Quando a energia eólica é utilizada como fonte primária de energia. Para isso. fazendo-se necessário seu estudo por meio de análise probabilística. Nos casos em que a energia eólica é utilizada para complementar a produção de energia convencional. Armazenamento de energia Como o comportamento do vento muda ao longo do tempo.

Ao longo de um ano o vento também varia.1 . Tem-se registros de diferenças de até 18% entre as médias anuais e a média de longo prazo em estações colocadas em regiões com significativas variações de vento. sazonal. faz-se necessário sua discretização. de forma a facilitar a análise. Até mesmo ao longo do dia.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 4. Na tabela a seguir é mostrada a discretização que deve ser feita.Variação da velocidade instantânea durante o dia 07/09/2009 4. do ano e a longo prazo também. contudo. do mês. Estes dados foram coletados a partir das medições do meses de agosto. Maurício Nunes Santana 33 . setembro e outubro de 2009 da estação anemométrica da escola Politécnica da UFBA. padrão atualmente usado em geral nos estudos relacionados à energia eólica. Esta variação é.Distribuição de frequência da velocidade do vento O vento tem uma característica estocástica e sua velocidade é uma variável aleatória contínua.1. Sendo assim. Figura 4. a velocidade do vento experimenta variações significativas como é verificado abaixo nos dados medidos no dia 07/09/2009 na estação anemométrica da Escola Politécnica da UFBA.1. Na maioria dos casos.1. pode haver uma variação de até 10% entre o valor médio anual e a média de longo prazo da velocidade do vento. A velocidade do vento A velocidade do vento varia ao longo do dia. Os dados de velocidade do vento são divididos em faixas de 1 m/s. apresentando o mesmo comportamento para períodos iguais de anos diferentes.

1 .2 – Frequência de distribuição de velocidade do vento Os dados tabulados e representados graficamente foram obtidos por meio de medições de vento realizadas na estação anemométrica da EPUFBA que mede continuamente e registra a velocidade média do vento em períodos discretos de 5 minutos.14 6-7 0 7-8 0 8-9 0 9-10 0 Total 2070 100 Tabela 4. Maurício Nunes Santana 34 .78 1-2 804 38.68 4-5 64 3.Dados de vento na forma de frequência de distribuição Na figura 4.09 5-6 3 0. Frequência de Distribuição da Velocidade do Vento 45 40 35 30 Frequência (%) Frequência 25 20 15 10 5 0-1 1-2 2-3 3-4 4-5 5-6 6-7 7-8 8-9 9-10 Figura 4.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Velocidade do vento (m/s) Número de ocorrências Frequência relativa (%) 0-1 368 17.84 2-3 610 29.2 é apresentado o gráfico referente à tabela acima com os histogramas das frequências de distribuição da velocidade do vento.47 3-4 221 10.

calculou-se a média ponderada dos três meses da seguinte forma: 1 𝑛 𝑛 𝑖=1 𝑣𝑖 (4.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A velocidade média do vento no período em estudo é facilmente obtida.3) onde v é a velocidade do vento [m/s]. A função de Weibull é. no entanto. Esta função é dada pela seguinte expressão: Maurício Nunes Santana 35 . 4. Função densidade de probabilidade do vento A função de densidade de probabilidade f(v) é uma forma de representação da distribuição da velocidade do vento.2. através da expressão: 𝑉 = onde: vi = velocidade do vento registrada [m/s] n = número de registros [adimensional] i = identificação do registro Como não foi possível obter todos os registros a cada 5 minutos nos meses estudados.1) 𝑉 = onde: vmi = velocidade média do intervalo NO = número de ocorrências TNO = total do número de ocorrências 𝑣𝑚𝑖 ∗𝑁𝑂 𝑇𝑁𝑂 (4.1.93 m/s.2) A média da velocidade no trimestre foi 1. A velocidade média é dada neste caso por: 𝑉 = ∞ 𝑣 0 𝑓 𝑣 𝑑𝑣 (4. a função de densidade de probabilidade mais adequada à distribuição do vento.

distribuição normal (k = 3. distribuição de Rayleigh (k = 2). quando não se Maurício Nunes Santana 36 . Observa-se que a variação do fator de forma altera a forma gráfica da função.5). 𝑘 𝑣 𝑘−1 −(𝑣)𝑘 ( ) 𝑒 𝑐 𝑐 𝑐 (4.Função de distribuição de Weibull para alguns valores do parâmetro de forma k Fonte: Energia Eólica para Produção de Energia Elétrica A função de Rayleigh é uma boa representação de casos de distribuição da velocidade do vento. Algumas curvas de Weibull para diferentes valores de k são mostradas na figura a seguir. Figura 4. c = fator de escala [m/s]. É usada normalmente em estudos preliminares. a função de Weibull passa a representar outra função conhecida de densidade de probabilidade.4) k = fator de forma [adimensional].2 . está relacionado com a variância da velocidade do vento em torno da velocidade média.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 𝑓 𝑣 = onde: v = velocidade do vento [m/s]. por sua vez. Para alguns valores específicos de k. O fator de escala c é expresso em unidades de velocidade e está relacionado com a velocidade média do vento no local. O fator de forma k. ou seja. como: distribuição exponencial (k = 1). representa a forma da função de distribuição da velocidade do vento.

Maurício Nunes Santana 37 . visto que apenas o conhecimento da velocidade média do vento é suficiente para a determinação da sua frequência de distribuição.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica conhece o perfil do vento. Turbinas eólicas As turbinas eólicas realizam a extração da energia cinética do vento. A potência do vento é convertida em potência mecânica para a realização de trabalho ou conversão em energia elétrica por meio das turbinas eólicas.1. fazendo o rotor girar.Turbinas de arraste As turbinas de arraste têm suas pás empurradas pelo vento. A distribuição de Rayleigh é dada pela expressão: 𝑓 𝑣 = 𝜋 𝑣 − 𝜋 ( 𝑣 )² 𝑒 4 𝑉 2 𝑉 (4. 5.1. V = velocidade média do vento [m/s].1. Tipos de turbinas 5.5) onde: v = velocidade do vento [m/s]. Três tipos de pás de turbinas de arraste são mostradas na figura a seguir: a plana. Neste capítulo serão mostradas turbinas eólicas usadas para a produção de energia elétrica. tipo cálice e Panemone. Capítulo 5 5.

então.1) Fa = força de arraste aerodinâmico [N].Turbinas de sustentação As turbinas de sustentação usam aerofólios. apresentando valores inferiores a 2. O vento v incide sobre a pá com um ângulo α em relação ao eixo da pá. v = velocidade do vento [m/s]. A = área da pá [m²]. similares a de aviões. O fluxo de ar. Estas turbinas são frequentemente usadas para bombeamento de pequenos volumes de água com ventos de baixa velocidade. pela segunda lei de Newton. no surgimento de uma força de empuxo Fe . ρ = passa específica do ar [kg/m³].5 kW para um rotor com diâmetro da ordem de 5m. O coeficiente de arrasto Ca depende da forma da pá e varia de acordo com o seu desenho e dimensões.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A força de arraste provocada pelo vento que flui sobre as pás é expresso por: 𝐹𝑎 = onde: 1 2 𝜌 𝐶𝑎 𝐴 𝑣² (5. Apresentam potência de 0. Ca = coeficiente de arasto [adimensional].2. é forçado a mudar sua direção na pá. como pás. Maurício Nunes Santana 38 .1. o que faz também mudar sua velocidade. Na figura abaixo representa-se o fluxo de ar na seção de uma pá de um rotor de uma turbina eólica de sustentação. A velocidade das pás em turbinas de arraste não pode ser maior que a velocidade do vento. Isto resulta. fator que limita sua eficiência. 5.

1 . fazendo com que este realize um trabalho ou torque (força x deslocamento). provocada pela pressão do vento sobre a superfície da pá. CS = coeficiente de sustentação [adimensional]. empurrando de forma semelhante à turbinas de arraste.Fluxo na seção da pá de um rotor de uma turbina eólica de sustentação [1] A força de empuxo pode ser decomposta em 2 parcelas. A força de sustentação sobre uma seção da pá do rotor é expressa por: 𝐹𝑠 = onde: FS = força de sustentação [N]. Este coeficiente poderá variar ao longo do comprimento longitudinal da pá. A = área da superfície superior da pá [m²]. devido à mudança dimensional da desta nesse sentido. no sentido da rotação do rotor da turbina. V = velocidade do vento [m/s].2) .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 5. depende das dimensões e características aerodinâmicas da seção da pá. O coeficiente de sustentação CS. responsável pela sustentação aerodinâmica da pá e a força de arraste 𝑭𝒂 . Ρ = massa específica do ar [kg/m²]. Maurício Nunes Santana 39 1 2 𝜌 𝑣² 𝐶𝑠 𝐴 (5. a força de sustentação FS. muitas vezes chamado de coeficiente de empuxo. O desenho da pá e sua inclinação com relação à direção do vento incidente deve ser feitos de forma a direcionar a força de empuxo resultante da Fe sobre a pá de forma conveniente.

já que há perda de sustentação aerodinâmica. menor será a transferência de potência do vento realizada pela pá. 5. o que resulta em um deslocamento entre o fluxo laminar do ar e a superfície da pá. mostrando duas situações.2. ou seja. com perda de sustentação. um com fluxo aderente à pá e outro com o fluxo separado. Logo. A figura a seguir mostra dois casos.Fluxos de ar no perfil de uma pá [1] Na primeira situação. Orientação do eixo de turbinas eólicas As turbinas eólicas podem ser construídas com o eixo horizontal ou vertical. não haverá força de sustentação aerodinâmica. dependendo do ângulo de incidência do fluxo de ar. FS = 0 e não haverá transferência de potência.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A incidência do vento sobre as pás de uma turbina eólica poderá provocar um deslocamento do fluxo de ar de parte da superfície da pá. Os rotores de eixo horizontal precisam se manter perpendiculares à direção do vento para capturarem o máximo de energia. o fluxo de ar é laminar e aderente à superfície da pá na primeira região. Figura 5. quanto maior for a região de perda numa pá em relação à região de sustentação. logo a sustentação aerodinâmica da pá também é maior e há maior transferência de potência do vento. A figura a seguir demonstra esse deslocamento. Nesta região. das dimensões e perfil da pá e da velocidade do vento incidente. Neste caso a força de sustentação é maior. Na segunda região o fluxo de ar sobre a pá é turbulento. Esta região é chamada de região de perda.2 . Este é o tipo de turbina mais usado Maurício Nunes Santana 40 .

As turbinas Darrieus e Savonius são exemplos.Rotor Savonius A turbina Savonius possui um torque de partida médio ou alto. um maior número de pás aumenta o torque sobre o eixo do rotor. possibilita-se o controle de torque destas máquinas. Maurício Nunes Santana 41 . É usada para bombeamento e moagem devido à baixa velocidade do rotor. há mais material e. Uma pá girando no espaço que já foi ocupado por outra. Como torque e velocidade são inversamente proporcionais. o que facilita sua montagem e manutenção. Por meio da regulação da passagem de ar entre as pás. A seguir a figura mostra um rotor Savonius: Figura 5. Nesta máquina o aerogerador é instalado no solo. o que provoca um momento que deve ser suportado pela pá e que deve ser absorvido na base da torre. Número de pás em turbinas eólicas As turbinas eólicas de eixo horizontal podem ser fabricadas com diferentes números de pás no seu rotor. por sua vez. mais rápida será a rotação do rotor.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica atualmente.3. movendo-se mais rápido que o vento. Por outro lado. consequentemente. 5. As turbinas de eixo vertical não necessitam de mecanismos rotacionais e têm a vantagem do gerador e transmissão serem instalados no solo. o que reduz a velocidade do rotor. A grande vantagem da turbina Savonius é sua facilidade de construção. mas tem a característica de pá com grande área para interceptar o vento. mesmo com o rotor parado.3 . quanto menor for o número de pás. é utilizada na geração de energia elétrica. por isto a velocidade do rotor é alta. corta um ar perturbado. mais problemas com a força do vento para grandes velocidades. Usa-se um rotor que não é estritamente de arraste. Sendo assim. A turbina Darrieus.

Controle por estol Este tipo de controle é passivo e reage à velocidade do vento. O menor número de pás possível é um. chamado de controle por estol (stall control) e outro ativo. O movimento do rotor. usadas turbinas com várias pás. neste caso. necessita-se de um controle de potência do rotor efetivo e rápido para que se evite danos no rotor em virtude de ventos altos.2) e a potência extraída do vento. já que a incidência do vento é maior na pá que no contrapeso. conforme a expressão (3. turbinas com poucas pás. O ângulo de passo é escolhido de forma que para velocidades de ventos maiores que a Maurício Nunes Santana 42 . de forma que as forças aerodinâmicas geradas ao longo do perfil convertam a energia cinética do vento em energia mecânica rotacional. é muito irregular. por sua vez. O rotor de 3 pás tem movimento suave e estável. O balanceamento destes rotores é mais fácil e apresenta vibrações e emissões de ruídos menores. portanto. produz mais ruídos e apresenta dificuldades de balanceamento. 5. 5. Para essa aplicação são. conforme a expressão (5. resultando em impacto visual menor. As pás do rotor são fixas e não podem ser giradas em torno do seu eixo longitudinal. O rotor da turbina que será o objeto deste estudo possui 3 pás.1. O bombeamento de água e os processos de moagem. Um passivo. O rotor sofre grandes vibrações. devido à alta velocidade e à vibração. Sendo assim. requerem altos torques e baixas velocidades. então. Dois princípios de controle aerodinâmico são usados em turbinas.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica A geração elétrica exige alta velocidade e baixo torque. com a terceira potência de velocidade do vento.4. Com a velocidade do fluxo de ar aumentando. chamado de controle de passo (pitch control).4. Controle de potência e velocidade das turbinas eólicas A pá do rotor de uma turbina eólica tem um perfil especialmente projetado e que é similar aos usados para asas de aviões.9). as forças de sustentação aerodinâmicas aumentam com a segunda potência.

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica nominal.Curva de potência típica de uma turbina com controle por estol [1] 5. Quando a potência nominal do gerador é ultrapassada.4 . Na situação de estol.Controle de passo Este tipo de controle é ativo. O fluxo se afasta da superfície da pá. A curva de potência típica de uma turbina com controle por estol é mostrada na figura a seguir. como: a inexistência de sistemas de controle de passo. fazendo-se necessário um sinal do gerador de potência. Figura 5. as pás possuem uma torção longitudinal que as levam a um suave desenvolvimento do estol. requerem menos manutenção devido a um número menor de peças móveis. a força de sustentação é reduzida. o que reduziria consideravelmente a potência do rotor. produzindo sustentações menores e forças de arrasto mais elevadas. as pás do rotor serão giradas em torno do seu Maurício Nunes Santana 43 . Para evitar que o estol ocorra em todas as posições radiais das pás ao mesmo tempo.2. As turbinas com controle por estol são mais simples que as com controle de passo e apresentam certas vantagens. surgindo regiões de turbulência entre esse fluxo e a superfície. estrutura de cubo do rotor simples. o fluxo em torno do perfil da pá do rotor se descola da superfície (estol). enquanto a força de arrasto aumentada. permitem um auto-controle da potência. O fluxo em torno dos perfis das pás do rotor é deslocado da superfície. devido ao aumento das velocidades do vento.4. Esta dinâmica permite o controle da potência de saída da turbina.

o fluxo em torno dos perfis da pá do rotor é bem aderente à superfície. Maurício Nunes Santana 44 . A curva de potência típica de uma turbina com controle de passo é mostrada na figura a seguir. mudando o ângulo de passo para aumentar o ângulo de ataque do fluxo de ar.5 . Para que a potência permaneça constante.Representação do movimento de uma pá de uma turbina com controle de passo Fonte: Energia Eólica para Produção de Energia Elétrica O controle de passo determina um ângulo de passo de tal maneira que a turbina produza apenas a potência nominal para todas as velocidades do vento que superam a nominal. Este recurso faz que as forças aerodinâmicas atuantes e a extração de potência de vento pela turbina diminuam.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica eixo longitudinal. a perda de sustentação suficiente para a manutenção da potência transferida pelo rotor. o ângulo de ataque deve ser alterado de forma a produzir o estol e. assim. Figura 5. resultando em sustentação aerodinâmica e pequenas forças de arrasto. Até atingir a potência nominal.

controladas por estol. o princípio da Maurício Nunes Santana 45 . 5. partida simples do rotor pela mudança de passo. possibilidade de atingir a potência nominal mesmo sob condições de baixa densidade do ar.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 5. em comparação com turbinas com controle de passo.Controle por estol ativo O sistema de controle por estol ativo é um controle de potência e velocidade híbrido.6 . no caso de ventos baixos e maior simplicidade na construção. a possibilidade de controle de potência sob condições de potência parcial. A turbina eólica e o gerador são os principais componentes de um aerogerador. maior produção de energia sob as mesmas condições. etc.4. como: controle de potência ativa sob todas as condições de vento. Capítulo 6 6.Curva de potência típica de uma turbina com controle de passo [1] As turbinas com controle de passo. pás dos rotores mais leves. possuem algumas vantagens. Neste capítulo serão mostrados. Mistura-se os controles por estol e de passo.3. O aerogerador GERAR 246. possui este tipo de controle. objeto de estudo do trabalho. apesar de serem mais sofisticadas do que as de passo fixo. Aerogeradores Os aerogeradores são equipamentos para produção de energia elétrica a partir da energia cinética do vento. Como maiores vantagens deste tipo de sistema estão a necessidade de pequenas mudanças no ângulo de passo para se controlar a potência.

As pás do GERAR 246 têm formato torcido estreitando da raiz até a ponta. Partes do aerogerador GERAR 246 Um aerogerador é formado por diversas parte e sistemas.Pás/Captador Eólico O rotor do GERAR 246 é composto de três pás feitas de fibra de vidro fixadas na própria carcaça do alternador por meio de uma raiz tubular de aço inox que permite a sua modulação. objeto de estudo do presente trabalho. os componentes.1. devido às diferentes rotações das duas máquinas. O GERAR 246 permite o acoplamento direto ao captador eólico. Os componentes serão detalhados a seguir. Maurício Nunes Santana 46 . O gerador elétrico pode ser síncrono ou assíncrono. 6. contudo. A conversão de energia mecânica em energia elétrica pelo gerador elétrico é feita por meio de conversão eletromagnética.1. Há.2. que é transmitida ao gerador pelo eixo e convertida em energia elétrica posteriormente. alternador (gerador de magnetos permanentes). o que facilita a partida com vento de baixa velocidade e oferece alto desempenho nas maiores velocidades. cabeça rotativa e controlador de carga. que não requerem o uso de caixas multiplicadoras. ajustando o ângulo de ataque em função da velocidade do vento.2. sistemas e características do GERAR 246. O acoplamento entre a turbina e o gerador é feito por meio de caixas multiplicadoras na maioria dos grandes aerogeradores. alguns casos de acoplamentos diretos. O princípio da geração eólica A turbina eólica movida pelo vento produz energia mecânica. sendo o alternador uma máquina própria para uso em baixa velocidade. leme direcionador. 6. Há ainda para a fixação das hélices uma mola central que deve ser comprimida sobre as bases das hélices garantindo que estas atuem de acordo com a regulagem determinada e também para que haja a sincronização do sistema. além de baixo nível de ruído.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica geração de energia elétrica por meio de um aerogerador. 6. O GERAR 246 é formado pelas seguintes: Pás/captador eólico.

6. permitindo o acoplamento direto ao catador eólico. acionando-se uma chave no painel do Maurício Nunes Santana 47 . O leme direcionador tem como função a orientação do captador eólico no sentido da direção do vento e responde às mínimas alterações nesta direção. compacta e resistente.4. mas para aplicações mais usuais da energia. Para que não haja a torção no cabo elétrico durante a mudança de direção do gerador. Ele é composto do leme propriamente dito. é possível que se utilize a energia como ela é gerada.2. 6.Controlador de Carga A energia gerada pelo alternador chega ao controlador de carga na forma alternada e trifásica.5. é necessário acumular e estabilizar a energia. No interior da cabeça rotativa é feita a fixação do cabo elétrico que transmite a corrente elétrica do gerador que gira acompanhando a direção do vento para o controlador de carga.2. Os seus rolamentos internos permitem o giro completo. pode-se aplicar o freio magnético.2. O controlador de carga transforma a energia recebida do alternador para a forma de corrente contínua disponível para sistemas de 24/48 V.Alternador O GERAR 246 tem um alternador do tipo axial com duplo rotor.Leme Direcionador O leme direcionador é fabricado em fibra de vidro e é acoplado ao corpo da cabeça rotativa. o que dispensa o uso de sistemas multiplicadores de velocidade.Cabeça Rotativa A cabeça rotativa ajuda na fixação no tubo padrão que sempre deve existir no topo da torre. variam extremamente com a velocidade do vento. o que permite ter uma máquina potente. no entanto. O alternador produz corrente alternada trifásica que flui por mei de três cabos para a base da torre e daí ao controlador de carga. como bombeamento e aquecimento. O alternador utiliza magnetos permanentes feitos com base de neodímio.3. o GERAR 246 dispõe de um jogo de escovas que fazem a transferência da energia do aerogerador para o cabo elétrico. O nível de tensão e a freqüência.2. Através dele. facilitando o alinhamento do aerogerador com a direção do vento.2. Para algumas aplicações. 6. O alternador do GERAR 246 é uma máquina para uso em baixa velocidade.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 6.

[8] Maurício Nunes Santana 48 . aplica-se uma corrente elétrica que flui em sentido contrário. Abaixo a figura mostra um esquema do controlador de carga. Desta forma. Ao ser acionada a chave. Além do condicionamento da energia. o controlador de carga ajuda no aumento da vida útil do sistema e ainda possui indicações do estado de carga e descarga das baterias. A interação com o usuário é feita por meio de sinais luminosos que indicam o estado de carga das baterias e componentes que indicam a geração do equipamento. oriunda do banco de baterias. e através da indução magnética dos rolamentos do gerador elétrico para-se o aerogerador. quanto para consumo exagerado das baterias.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica controlador. tanto em situações de excesso de carga gerada. o controlador de carga executa funções de proteção das baterias. uma vez que se gera em corrente alternada (AC) e armazena-se em corrente contínua (DC). Dependendo das características da energia gerada por cada alternador é necessário maior ou menor complexidade no acoplamento do aerogerador com as baterias.

Controlador de carga do GERAR 246 [8] Figura 6.1 .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6. Controlador de carga abaixo ao lado esquerdo Maurício Nunes Santana 49 .2 – Painel elétrico aberto.

possui tensão de saída de 24/48 V. As pás do rotor são torcidas e possuem 5 aerofólios. havendo. a partir de 3 m/s. as curvas de potência e de produção mensal fornecidas pelo fabricante do aerogerador: Figura 6.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 6. O controle de potência utilizado é o estol ativo (Active Stall). hélices e cabeça rotativa é 32 kg e o material anti corrosão usado é o alumínio. controle por estol e controle de passo sincronizado para proteção contra altas velocidades. de 1000 Watts a uma velocidade do vento de 12. devido à baixa resistência de partida. [8] A seguir. Ele atinge a potência nominal.3 .Curva de Potência do GERAR 246 [6] Maurício Nunes Santana 50 . o que facilita o início da geração. Características técnicas do aerogerador GERAR 246 O GERAR 246 possui alto rendimento aerodinâmico. O gerador é de imã permanente com fluxo axial. portanto. A velocidade de partida do GERAR 246 é 2 m/s e seu toque de partida. O peso total. O sistema magnético do alternador utiliza magnetos permanentes com base de neodímio. incluindo-se alternador.46 m de diâmetro. O sistema elétrico é trifásico. pesa 25 kg e seu rotor tem 2.3. Este aerogerador foi projetado para captar energia a baixíssimas velocidades de vento. Este sistema de controle de potência consiste no giro das hélices sincronizadamente de acordo com a velocidade do vento.3 N/m. 0.5 m/s e seu rotor possui 3 pás.

4 4.3 0.30 Power curve data kW Energy curve data MWh 0.2 4.7 0.1 1.1 1.7 0.8 2.5 4.2 1.8 0.2 0.0 Maurício Nunes Santana 51 .6 0.3 1.7 4.4 0.4 .7 4. Abaixo seguem os gráficos encontrados e a tabela com os dados que geraram os gráficos: Wind speed m/s 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 .9 1.1 0.6 4.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6.5 0.7 3. plotou-se as curvas abaixo com base nos dados da curva de potência do aerogerador.5 1.Produção mensal de energia em função da velocidade média anual [6] Utilizando-se o RETscreen. software de análise de projetos de energias limpas.1 4.1 0.0 0.5 4.

Este sistema é simples e possui um arranjo mecânico robusto.Dados para as curvas de potência e energia do aerogerador Figura 6. A partir desta velocidade. viável economicamente e sem a necessidade de . A velocidade de rotação. regulando o aumento da rotação. o que permite o aproveitamento de grande parte da energia disponível no vento. é bem semelhante à fornecida pelo fabricante. a escala do eixo da energia está indicando uma geração de energia 10 vezes maior.4. na verdade. Além disso. 6.5 m/s e 16 m/s. no intervalo entre 3. mas sob o controle do sistema.5 .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6. Maurício Nunes Santana 52 confiável. O sistema atua mantendo as pás fixas até a velocidade de 12. tornando-o extremamente manutenção. contudo. A inclinação da reta. Este aproveitamento ocorre entre 12. chega-se a essa conclusão. o controle de passo é acionado mecanicamente.6: Curvas de potência e energia gerados no RETscreen O software apresentou algumas limitações na entrada de dados não permitindo a entrada de valores de potência da curva para velocidades acima de 15 m/s. continua aumentando. A partir desta velocidade. a rotação é reduzida em dois terços.5 e 7.5 m/s do vento. O sistema de segurança do aerogerador O sistema de controle de passo sincronizado desenvolvido para este aerogerador possui o mesmo nível de eficiência e confiabilidade das máquinas de grande porte. Ao comparar-se com o gráfico de produção mensal fornecido pelo fabricante.5 m/s.

Lls é a indutância de dispersão e Rs é a resistência dos enrolamentos do estator. que permite a produção de altas densidades de fluxos magnéticos da ordem de 0. para bombeamento ou em sistemas híbridos.5. A corrente i´m é a corrente de magnetização equivalente dos imãs permanentes referida ao estator. mesmo em velocidades de vento muito elevadas. aumentando o rendimento e a relação torque/volume. causadores das perdas por excitação. Estes geradores possuem alta eficiência. possuem fáceis sistemas de resfriamento. O circuito equivalente de um gerador de imã permanente é apresentado na figura abaixo. Lmd e Lmq são as indutâncias de magnetização equivalentes no eixo d e q. Maurício Nunes Santana 53 .6 T. Este tipo de gerador é normalmente utilizado em geração isolada (autônoma) ou em conjunto com outras fontes de energia em sistemas híbridos. Este sistema é ainda responsável pelo baixo nível de ruído que apresentam os equipamentos deste fabricante. mas em nível menor. Aerogerador com gerador síncrono de ímãs permanentes O GERAR 246 possui um gerador síncrono de ímas permanentes. Além disso.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica deixando o aerogerador em segurança. A geração continua. Estas máquinas não possuem escovas ou fonte de tensão contínua.5 a 0. reduzindo as manutenções. Em geradores eólicos de pequeno porte operando de forma autônoma utiliza-se normalmente geradores síncronos. mesmo com o aumento da velocidade do vento. que correspondem entre 20 e 30% de todas as perdas da máquina. pois não possuem enrolamentos rotóricos. em especial o de ímãs permanentes para unidades de até 50 kW. 6. tamanho reduzido e o uso do Neodímio Ferro Boro como material magnético.

por correntes parasitas e por saturação magnética.1. elétricas e magnéticas. que gera perdas em forma de calor. Os geradores apresentam perdas mecânicas. O aerogerador GERAR 246 por não possui multiplicador de velocidades.5. no transformador e nos sistemas elétricos associados ao aerogerador. Os fluxos magnéticos no núcleo do gerador provocam perdas por histerese. transformando-se energia em calor. Isto ocorre devido a perdas que reduzem o rendimento. produzindo calor também. portanto os rendimentos individuais de cada componente. não sofre perda em seu rendimento devido ao atrito nas engrenagens. no gerador. ocorrem as perdas elétricas causadas pela circulação de corrente nos enrolamentos.7 – Circuito equivalente de um gerador de ímãs permanentes [9] 6. As perdas mecânicas são causadas pelo atrito das partes móveis.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6. As perdas normalmente concentram-se no multiplicador. O rendimento total do aerogerador leva em conta todas as perdas.Performance de um aerogerador Um aerogerador comercial não produz energia a todo tempo a plena capacidade. incluindo a turbina eólica. como mancais e ventilação. potência elétrica gerada por um aerogerador pode ser escrita como: 𝑃 = Maurício Nunes Santana 1 2 A 𝐶𝑃 𝜂 𝜌 𝐴 𝑉³ (6. indisponibilidades e variações da velocidade do vento nos locais da instalação. Os aerogeradores apresentam perdas em seus componentes que influenciam no seu rendimento. Devido ao efeito Joule.1) 54 .

[1] 6. Este fator pode ser calculado para qualquer período de tempo.5. portanto já incluem o rendimento total do aerogerador. são dados os fatores de capacidade do aerogerador GERAR 246 para diferentes velocidades médias de vento.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica onde: P = potência do aerogerador [W]. se multiplicado por 100]. P = potência nominal [kW]. Na tabela seguinte. O fator de capacidade está intimamente ligado ao perfil do vento no local onde o aerogerador é instalado. pois o perfil de vento afeta a energia anual gerada.2) Fc = fator de capacidade [adimensional ou %. Cp = coeficiente de potência [adimensional]. V = velocidade do vento que incide na turbina eólica [m/s]. η = rendimento do aerogerador [adimensional]. ρ = massa específica do ar [kg/m³]. Maurício Nunes Santana 55 . As curvas de potência fornecidas pelos fabricantes já levam em consideração as potências de saída do gerador elétrico. sendo expresso por: 𝐹𝑐 = onde: 𝐸𝐴𝐺 8760 ∗𝑃 (6. mas sua verificação anual é mais usual. EAG = energia anual gerada [kWh].Fator de capacidade de um aerogerador A relação entre a energia gerada e sua capacidade de produção é denominada fator de capacidade de um aerogerador. A = área da seção transversal do rotor da turbina eólica [m²].2.

Há dois tipos de torres que são mais usadas: Estaiada – Possui uma haste central de sustentação onde se lançam cabos de aço que são ancorados por bases que suportam toda a carga de força lateral. devido às condições locais. controlador de carga. torre. A energia que é armazenada é utilizada quando não há vento apropriado.0 4 438 5. O sistema eólico de geração de energia de pequeno porte O sistema eólico de geração de energia de pequeno porte é constituído por aerogerador.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Velocidade Média do Vento(m/s) Energia anual gerada (kWh) Fator de capacidade(%) 3 263 3. Normalmente as torres estaiadas são as mais viáveis economicamente para pequenos aerogeradores.314 15.5 . Elas são importantes para o armazenamento da energia quando a geração for maior que o consumo. de terreno. Neste tópico. Aconselha-se a utilização de baterias específicas para este tipo de energia. As baterias desempenham um papel importante num sistema de geração de energia de pequeno porte. A torre do aerogerador da EPUFBA é deste tipo. A altura da torre do aerogerador da EPUFBA é de 5.0 5 1.0 Tabela 6.0 9 5256 60.6. Autoportante – Pode ser treliçada ou tubular e não há necessidade de estais.20 m. o que possibilita um maior aproveitamento do sistema.0 10 6833 78. mas necessitam de espaço para sua instalação.0 8 4380 50. Maurício Nunes Santana 56 .Fatores de capacidade do GERAR 246 em função da velocidade média do vento no local 6. bateria e inversor. Requerem estruturas mais robustas e caras.0 7 3329 38. a bateria e o inversor serão mais detalhados. A torre é um componente que pode ter grande variabilidade. obstáculos ao vento e disponibilidade da área para instalação. a torre.0 6 2190 25.

O inversor funciona como um filtro que compatibilizará a energia disponibilizada nas baterias (DC) com a energia da rede (AC). como ciclagem e flutuação. A capacidade de corrente da associação é 115 Ah. cuja capacidade é 115 Ah.A. Ele retém as partículas ácidas que são arrastadas pelas moléculas de oxigênio e hidrogênio emitidas no processo de eletrólise. já que uma tensão de 24V é requerida. Esta liga permite bons desempenhos em uma ampla faixa de variação de temperatura e em diferentes regimes de operação. . a bateria Tudor estacionária pode ser utilizada no mesmo ambiente de pessoas e equipamentos eletrônicos. Onda senoidal perfeita – Tem qualidade muitas vezes superior a energia disponibilizada pela rede pública e não tem restrições de uso. pois como a produção de energia eólica é irregular.As baterias As baterias utilizadas no sistema em estudo são baterias Tudor de 12 V.6. Há basicamente dois tipos de inversor: Onda senoidal modificada – São em geral mais baratos e possuem certas restrições em aparelhos eletrônicos mais sensíveis. maximizando a vida útil das baterias Tudor Estacionária.1. Este filtro é composto por duas camadas de filtros com porosidades e funções diferentes. com alto teor de estanho e Chumbo – Cálcio (PbCa) na placa negativa.A. As baterias foram ligadas em série. Esta liga permite ainda que a tensão de equalização seja reduzida em comparação a liga Cálcio . Graças ao filtro A. [10] Maurício Nunes Santana 57 . necessita-se de uma bateria que suporte uma descarga maior sem afetar sua durabilidade.Cálcio com baixo teor de estanho.Estanho (PbCaSn).G.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica São as baterias estacionárias ou de descarga profunda. Esta bateria utiliza na placa positiva a liga Chumbo – Calcio . além de impedir a passagem de centelhas que podem provocar a explosão das baterias. o que resulta em um mínimo consumo do eletrólito.G. Estas baterias utilizam tecnologia Ventilada com Sistema de Retenção de Partículas Ácida (VSRPA) e filtro A. 6.

capaz de operar sem dificuldades em instalações em que se requer boa qualidade de onda.2. O inversor de frequência 6. Maurício Nunes Santana 58 . Studer AJ 400 O inversor de tensão (CC/CA) utilizado no sistema eólico em estudo é o Studer AJ 400. A potência nominal do inversor é de 400W.8 – Baterias Tudor de 12V ligadas em série 6.6.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6. o que corresponde a 40% da capacidade nominal no aerogerador. A tensão de entrada CC é de 24V. Sua potência máxima atinge 1400W e sua eficiência máxima é 94%. A linha AJ da Studer foi desenvolvida usando-se um sofisticado controle digital por meio de microprocessadores.2.6. lâmpadas incandescentes.1. É um inversor de onda senoidal pura. O inversor pesa 4.5 kg e tem garantia de 2 anos. [13] A forma de onda senoidal pura é a melhor opção para utilização das cargas que serão alimentadas. O tipo de carga a ser atendida e a forma de onda de saída do inversor devem ser compatibilizadas para evitar problemas no acionamento destas cargas. A tensão de saída é 220 V com frequência de 60 Hz.

xPower 400 Como houve alguns problemas na qualidade da energia obtida ao se utilizar o inversor Studer. resultando numa potência de entrada de 65 W. porém acredita-se que quando operando mais próximo de sua potência nominal esse valor atinja 90%. o inversor xPower 400 foi utilizado provisoriamente. desativando a saída e voltando a trabalhar normalmente. tensão de 119 Vca e fator de potência de 0.2 A e a tensão de entrada 12. devido ao reator eletrônico das lâmpadas fluorescentes. Na saída a potência medida foi de 54. para uma corrente de saída de 0.9 – Inversor Studer AJ 400 6. Este é um inversor de onda senoidal modificada que possui alto rendimento na conversão da energia e proteções contra sobreaquecimento e sobrecarga. O inversor desliga automaticamente em caso de sobrecarga.6 W. o que corresponde a 40% da capacidade nominal no aerogerador. A corrente medida na entrada do inversor foi de 5. A tensão de entrada é 12V e a de saída.6. Sua potência de surto atinge 600W em 5 segundos e sua eficiência calculada foi de 84%.47 A.2.5 V. 115 Vca com frequência de 60 Hz. Maurício Nunes Santana 59 . quando a condição de sobrecarga é corrigida.2. A potência nominal do inversor é de 400W.97.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 6.

requer infra-estrutura adequada e um planejamento rigoroso. Montagem de um aerogerador A montagem de um aerogerador é feita no local de operação do mesmo. Inicialmente foram colocados os tubos de PVC galvanizados por dentro.1. A torre geralmente é dividida em partes. Depois foi providenciada a construção de uma base. sendo montada no local. até o seu 8º andar. até o local da instalação requer cuidados especiais e. que pode ser de 100 metros ou mais. A Montagem do Gerar 246 e do quadro elétrico No dia 28/09/09 foram iniciados os trabalhos para a montagem do aerogerador na EPUFBA. Para a montagem de grandes máquinas são necessários guinchos de alta capacidade e com lanças de elevado comprimento. para facilitar o transporte. 7. eletrodutos roscáveis de PVC rígido antichamas ¾’’. sempre superior à altura do aerogerador. onde fica o quadro elétrico. Maurício Nunes Santana 60 . como as pás. muitas vezes. local da instalação. sobre a qual o mastro foi fincado por meio de 4 parafusos. na fabricação. exige a preparação de estradas e acessos.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Capítulo 7 7. como alargamentos e ajustes nos raios das curvas. braçadeiras e conduletes para se levar a fiação do terraço da Escola. [1] O transporte de componentes de grandes dimensões.

1 .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 7.Base do aerogerador Figura 7.2 . o cabo elétrico. primeiramente. Maurício Nunes Santana 61 . Ele foi passado por dentro do tubo (2 ´’’) de sustentação da torre e conectado nos terminais que se encontram na base do aerogerador.Tubos de PVC instalados no terraço da EPUFBA No dia 21/10/09 o aerogerador foi montado. Conectou-se.

fixou-se a nacele frontal. facilitando a colocação dos parafusos de fixação. com os parafusos para a fixação na torre. que possui uma numeração indicando o posicionamento correto.Cabo elétrico que passa por dentro da torre conectado aos terminais da base. Passou-se uma arruela clara no eixo frontal até o final do curso do eixo e colocou-se as hélices e pinos de fixação. O aerogerador já vem pré-montado. então. o encaixe das hélices e aperto da mola central. Maurício Nunes Santana 62 .3 . Depois foi passada outra arruela pelo eixo frontal. até que esta fosse encostada nas bases das hélices.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 7. Foi feito. Depois da mola. Esta numeração garante o perfeito encaixe da nacele. Em seguida foi colocada a mola e passada outra arruela clara pelo eixo frontal até que ela encostasse no batente da mola.

com o auxílio de um andaime fixou-se o GERAR 246 sobre a torre de 5. o fabricante numera as hélices determinando o local de instalação. fixando-se os 4 parafusos pré-determinados. instalou-se o leme direcionador. Ele foi posicionado na parte traseira do equipamento. garantindo uma operação mais serena do equipamento.5 . No dia 22/10/09.Hélices e mola central do rotor do GERAR 246 Para que se facilite a instalação. Figura 7. elevou-se o mastro sobre a base e em seguida.Aerogerador fixado sobre o mastro Maurício Nunes Santana 63 .20m. Esta numeração deve ser respeitada. Por fim. pois o GERAR 246 é previamente balanceado.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Figura 7.4 .

armazenada em baterias. foi instalado o quadro elétrico no 8º andar da EPUFBA. ou da COELBA. Ou utilizando-se a energia do aerogerador.6 – Quadro elétrico com chave na posição 1 (aerogerador) Maurício Nunes Santana 64 .Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica No dia 27/10/09. Figura 7. O quadro permite a ligação de duas cargas de forma comutável.

de 10%. A carga total seria também adequada do ponto de vista do inversor.8 kWh. 𝐶𝑎𝑝𝑎𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝐴𝑕 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝐴 𝑕 𝑑𝑖𝑎 𝑥𝐴𝑢𝑡𝑜𝑛 𝑜𝑚𝑖𝑎 (𝑑𝑖𝑎𝑠 ) 𝑃𝑟𝑜𝑓𝑢𝑛𝑑𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑛𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑎𝑢𝑡𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 (𝑝𝑢 ) (8. tem-se que a energia que deve ser gerada para atender a esta carga é de 400Wh. o consumo diário desta carga é de 320 Wh.1) Como o tempo de funcionamento diário das cargas é de 5h.5 Ah/dia. e no inversor. pois este tem 400W de potência e como recomenda-se que a potência do Maurício Nunes Santana 65 . equivale a um consumo mensal de 8. totalizando 2 lâmpadas de 32W. Levando-se em conta que. tem-se um consumo de 16.30 A. Este consumo diário. Seria possível. dentre os meses estudados. pela expressão abaixo. A corrente nominal destas cargas é de aproximadamente 0. Inicialmente alimentou-se apenas um ponto de luz. portanto. pela expressão a seguir o consumo da carga seria de 13.60 p.u e a autonomia de 20h. aquele em que a geração de energia estimada mais baixa foi de 9. Sabendose que a capacidade da associação das baterias é 115 Ah. Considerando-se as perdas nas baterias.8 Ah/dia. considerando-se funcionamento das lâmpadas durante 22 dias úteis no mês. de 15%. localizadas no 8º andar da EPUFBA. conclui-se que o aerogerador atenderia a esta carga no período estudado. Com uma potência instalada de 64W e um regime de funcionamento de 5h diárias.75 Ah/dia. a profundidade máxima de descarga de baterias estacionárias tem valor típico de 0. a alimentação de 5 pontos de luz com duas lâmpadas de 32W. o sistema atenderia uma carga que consumisse até 82.56 kWh. Dimensionamento As cargas atendidas pelo aerogerador são lâmpadas fluorescentes. Admitindo-se o consumo no inversor como 20% do consumo total das cargas.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Capítulo 8 8.

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica inversor seja a da carga mais 20%. a produção mensal de energia é de aproximadamente 70 kWh. 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐴𝑕 𝑑𝑖𝑎 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐴 𝑥 𝑈𝑠𝑜 𝑕 𝑑𝑖𝑎 𝑥 𝑉𝑐𝑐 𝑉𝑐𝑎 (8. segundo o seu fabricante. Vale frisar que desprezou-se as perdas no reator eletrônico por serem muitos baixas. Estudo da viabilidade econômica O estudo da viabilidade econômica é fundamental para toda instalação eólica e deve contemplar os custos iniciais e custos anuais de operação e manutenção.2) Se for considerado o consumo de 400 Wh/dia durante um mês. porém no caso de reatores eletromagnéticos serem usados. Os custos de operação e manuenteção são devido a manuntenções preventivas e reposições ocasionais. Os gastos iniciais para a instalação do GERAR 246 na EPUFBA foram reduzidos ao custo do equipamento e da sua instalação. de fato. o cálculo deve ser refeito para um melhor ajuste. assumindo-se que a carga funcione durante todos os dias do mês. já que nao houve ônus para se avaliar o potencial eólico do local. logo 320W estaria dentro do limite. acredita-se que esta carga possa ser alimentada pelo aerogerador sem maiores problemas. tem-se um consumo mensal relativo à carga escolhida de 12 kWh. Por meio do gráfico de produção de mensal do GERAR 246 e considerando-se uma velocidade média anual de aproximadamente 4 m/s no local da instalação. pode ser contemplada. como em baterias que tem vida útil de 3 anos. Capítulo 9 9. o que significa que mais alguma carga. Maurício Nunes Santana 66 . Para a velocidade citada a cima.

Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Para uma estimativa do potencial do local foram utilizadas informações encontradas no software RETscreen International que apresenta dados climatológicos. de humidade relativa. mas estimadas para uma altura diferente. Calculando esta média para o local onde o aerogerador foi instalado. utilizando-se dados da curva de potência fornecida pelo fabricante.96 m/s. calculou-se o custo anual da energia gerada. radiação solar.14 m/s. A velocidade média do vento de acordo com as informações encontradas no software RETscreen International é 2. encontrou-se 4. O cálculo da produção de eletricidade do gerador eólico foi feita com base nas velocidades de vento encontradas no software RETscreen. Foi utilizado o método do fator de recuperação de capital [14]: Maurício Nunes Santana 67 . como mostrado abaixo na figura: Figura 9. visto que o aerogerador foi instalado em um local diferente de onde se encontra a estação anemométrica da UFBA.1 – Dados de referência do local Foi calculado o custo para o carregamento de baterias. anemométricos. As informações necessárias em relação aos custos do gerador eólico e toda infra-estrutura necessária para sua instalação foram obtidas com o engenheiro responsável pela instalação do sistema. A partir dos custos iniciais e anuais de operação e manutenção.

de duas baterias 115 Ah cada.500 14. controlador de carga. 400W. Na tabela abaixo são mostrados os custos para carregamento de baterias. onda senoidal pura. 𝑖. i = taxa mínima de atratividade financeira atual. Com o custo anual necessário para recuperação do capital investido e a geração anual de energia. 1+𝑖 𝑛 ] (9. foi calculado o custo do kWh. do inversor de freqüência. da torre.1) 1+𝑖 𝑛 −1 R = retirada anual para que se recupere o investimento P.000 13. dos acessórios de instalação e do frete.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica 𝑅 = 𝑃. Carregamento de baterias (R$) Custo Inicial Operação e manutenção total Baterias sobressalentes 4. [ onde: P = investimento total.500 Maurício Nunes Santana 68 . Os custos iniciais para aplicação de carregamento de baterias são compostos pelos gastos com aquisição do gerador. n = vida útil da turbina.

fora da ponta. Com a retirada anual R e a energia anual gerada tem-se um custo da energia elétrica gerada de 6.207. visto que o aerogerador foi instalado sem maiores preocupações em relação ao potencial eólico do local e dimensionamentos do sistema. comparado com o preço da energia inviável. Conclusão e discussão Foi verificado que o custo dos geradores eólicos sofre a influência de fatores como a característica do sistema e do potencial eólico do local da instalação.49 R$/kWh. chegou-se a uma retirada anual R de R$ 4. Maurício Nunes Santana 69 . Além disso. quinze anos. pago por consumidores A4 Poder Público Federal inseridos na Tarifa Horosazonal Verde de R$ 1.81. Este valor. o que corresponde a um fator de capacidade Fc de 7. sobretudo. constatou-se a inviabilidade econômica na implantação do sistema eólico da EPUFBA.84 no horário de ponta e R$1. é Capítulo 10 10. Estimou-se uma produção de energia anual no local da instalação do GERAR 246 de 648 kWh.4%. o aerogerador tem fins didáticos e deverá.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica Tabela 9.16. principalmente de Engenharia Elétrica. Considerando-se a vida útil das baterias de aproximadamente três anos e a do aerogerador. motivar corpos docente e discente da escola. Com as premissas até então apresentadas. o que não causou grande surpresa.1 – Custos para carregamento de baterias Estimou-se uma taxa mínima de atratividade financeira de 10%. a montar grupos de pesquisa com foco em energias renováveis e criar disciplinas voltadas para esta área de estudo. calculou-se o uso de 10 baterias durante a vida útil do aerogerador. Na análise econômica do projeto.

Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia. Além da relação com as alturas. projeta-se uma geração de energia anual de 648 kWh. contudo. do aerogerador é de REFERÊNCIAS [1] CUSTÓDIO. Salvador. Os ventos que incidem na EPUFBA e são medidos pela estação anemométrica não apresentam grande potencial para a produção de energia elétrica. Brasília. contra 262.Ministério de Minas de Energia.8 kWh. Maurício Nunes Santana 70 . O fato de o gerador estar instalado em um local mais alto que a estação coletora. CEPEL – centro de pesquisas de energia elétrica. é possível determinar a velocidade do vento em alturas diferentes. Foi estimado um fator de 1. Atlas do Potencial Eólico Brasileiro. aquém da velocidade de início de geração que é de 3 m/s. Governo Federal. Pela lei de potência. Energia Energia Elétrica. Rio de Janeiro. Estado da Bahia Atlas Eólico do Estado da Bahia. Eletrobrás. a determinação da velocidade em um ponto de maior altura deve levar em consideração a rugosidade dos terrenos. pode significar um maior potencial de geração de energia elétrica. [3] COELBA .4%. O fator de capacidade apenas 7. A velocidade do vento em um ponto mais alto é proporcional à razão entre as alturas deste ponto e do ponto onde se sabe a velocidade do vento. 2002. CRESESB. já que ocorrem mais frequentemente a velocidades entre 1 e 2 m/s. Com esse incremento de velocidade.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica O estudo do perfil do vento da região é também um passo fundamental para que se possa estimar cada vez melhor o potencial de geração do sistema. 2007 Eólica para Produção de [2] MME .4 pelo qual as velocidades de vento medidas devem ser multiplicadas para se atingir a velocidade no local da instalação do aerogerador. RONALDO DOS SANTOS. 2001. no caso de o aerogerador estar instalado no local da coleta de dados de vento.

C. ALISON.ufba. E. Modelo para a simulação de uma microturbina [10] Tudor. KINGSLEY. Engenharia Econômica.com. 1975.p df.tudor. [8] Enersud. www.energiasrenovaveis..com. [5] CRESESB Centro de Referência para Energia Solar e Eólica. Santos.es/uploads/media/SOLTEC_Inversors_Studer_02.cresesb. São Paulo: Editora Bertrand. Manual de Instalação/Garantia GERAR 246.br [16] Araújo.cepel.enersud. 2006. Universidade Santa Cecília. 2008 Maurício Nunes Santana 71 .br [11] M. acessado em 29/10/2009 [14] Hess et all. dispositivos e sistemas. www. Salvador. Flexibilização do Arcabouço Regulatório vigente a partir do estudo e projeto de sistema híbrido eólico – fotovoltaico isolado. Rio de Janeiro [9] SAMUEL DE BONA.br [6] Enersud. 1992. Rafael Gonçalves Bezerra de.br.Estudo e avaliação da operação de um sistema de geração eólica [4] ALVES DOS SANTOS. FELIPE.com. acessado em 08/10/2009 [7] FITZGERALD. Estudo de Viabilidade Econômica de Geradores Eólicos de Pequeno Porte no Modo Autônomo [12] www. KUSKO. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil.M Reis. acessado em 27/09/2009 [13]http://www. www. Projeto de Geração de Energia Eólica. Máquinas elétricas: conversão eletromecânica da energia.geotecnia.soltecsolar. processos.. A. [15] www. A. Projeto de Graduação.

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