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Polímeros Condutores

José Correia, Nº 29426

Ivan Moraes, Nº 38152

Mestrado Engenharia Química

5 De Janeiro 2018

Introdução à ciência dos polímeros


Índice

Introdução ............................................................................ 3
História dos Polímeros Condutores........................................ 4
Síntese, estrutura molecular e propriedades de condução...... 5

Aplicações ............................................................................. 6
Introdução

Desde a sua descoberta, polímeros condutores têm atraído a atenção de vários


pesquisadores. Esses materiais combinam com propriedades típicas de plásticos e
propriedades ópticas e elétricas de metais e de semicondutores inorgânicos. Atualmente,
os polímeros intrinsecamente condutores são considerados como uma nova classe de
materiais chamados de “metais sintéticos”.

Dentre as várias aplicação desses novos materiais pode-se destacar a utilização


em baterias recarregáveis, blindagem contra radiação eletromagnética, dissipadores de
carga, construção de dispositivos electrocrómicos e eletromecânicos, proteção contra
corrosão e sensores.

O que são Polímeros Condutores?

Polímeros condutores são materiais orgânicos da classe dos plásticos, em sua


maioria derivados do petróleo, capazes de conduzir eletricidade.

Os polímeros condutores são materiais relativamente novos e já de tamanha


importância que acabaram garantindo aos principais pesquisadores do setor o Prêmio
Nobel da Química de 2000.

Sabe-se que os polímeros orgânicos, em geral, são isolantes elétricos, porém, os


polímeros condutores comportam-se de forma exatamente oposta, sendo capazes de
deslocar um fluxo de elétrons de forma ordenada ao longo de sua estrutura. Estes
elétrons que se podem deslocar equivalem aos pertencentes às camadas de valência de
cada átomo e, por isso, são os elétrons envolvidos nas ligações entre os átomos.
Portanto, o tipo de ligação química determina a disponibilidade de deslocamento destes
elétrons. Os polímeros condutores apresentam sequências de átomos de carbono ligados
a átomos de hidrogênio e também entre si por ligações simples e duplas.

As ligações duplas implicam que cada átomo de carbono tenha um orbital não híbrido
do tipo "p". Estes orbitais formam a segunda ligação da dupla, a ligação π, que pode ser
feita com um ou outro vizinho. O elétron deste orbital pode então deslocar-se ao longo
da sequência de átomos de carbono, isto é, ao longo da molécula, colaborando para a
corrente elétrica. Vários destes polímeros já estão sendo usados. Um dos mais famosos
é a polianilina, derivada da mesma substância usada como corante em doces. Ela pode
ser usada em cabos coaxiais, em baterias recarregáveis, na forma de lâminas finas e em
telas de televisores e de monitores de computador.

Outro polímero condutor eficiente é o polipirrol que contém átomos de nitrogênio


contribuindo para a condutividade. Ele é usado em "janelas inteligentes" pois, sob luz
de sol forte, pode passar de amarelo-esverdeado transparente para azul-escuro. O
polipirrol não reflete micro-ondas e por isso é usado em roupas de camuflagem para
evitar a deteção por radares.

História dos Polímeros Condutores

A descoberta dos polímeros condutores teve início acidentalmente no laboratório


do Instituto de Tecnologia de Tóquio. Em meados dos anos 70 o químico japonês
Hideki Shirakawa prescreveu a rota da síntese do poliacetileno - o polímero de
estrutura química mais simples hoje existente (a sua fórmula estrutural é formada
somente por carbono e hidrogênio).

Na tentativa de sintetizar o poliacetileno, um de seus assistentes de


nacionalidade chinesa que tinha um fraco domínio da língua japonesa e por isso errou
na composição molar de uma mistura catalítica importante no processo de síntese,
produziu um filme prateado, parecido com uma folha de alumínio. Mais tarde, verificou
que havia utilizado uma quantidade de catalisador 1000 vezes maior que a necessária, e
alguns anos mais tarde mostrou a "curiosidade" ao professor Alan G. MacDiarmid que
estava de visita e ao Japão. Imediatamente este percebeu que estava diante de um
material que, pela sua constituição mecânica, cor e brilho, era um sistema até então
desconhecido. MacDiarmid convidou, então, Shirakawa para trabalhar com ele na
Universidade da Pensilvânia, e junto com o professor Heeger iniciaram os estudos
químicos e físicos sobre o poliacetileno.

Na década de 80, os pesquisadores Naarmann e Theophilou, em Ludwingshafen,


Alemanha, conseguiram incrementar ainda mais a condutividade do poliacetileno.
Usando um novo catalisador e orientando o filme por estiramento, conseguiram, após
dopagem, condutividade semelhante à do cobre metálico à temperatura ambiente. A
descoberta do poliacetileno condutor mostrou que não havia nenhuma razão para que
um polímero orgânico não pudesse ser um bom condutor de eletricidade.
Desta forma, foram produzidos os primeiros artigos científicos na área, entre os
anos de 1978 e 1981, lançando a base de toda uma enorme linha de pesquisa hoje
existente em muitos centros de pesquisa no mundo: a dos polímeros eletronicamente
ativos.

Síntese, estrutura molecular e propriedades de condução

Os polímeros condutores podem ser sintetizados por três métodos de


polimerização: química eletroquímica e foto-eletroquímica. Dentre estes métodos, a
síntese química é a mais utilizada e industrialmente é a mais vantajosa por possibilitar a
produção de grandes quantidades de material.

São geralmente chamados de “metais sintéticos” por possuírem propriedades


elétricas, magnéticas e ópticas de metais e semicondutores. O mais adequado seria
chamá-los de “polímeros conjugados” porque são formados por cadeias contendo
duplas ligações C=C conjugadas (figura 1). Esta conjugação permite que seja criado um
fluxo de elétrons em condições específicas, como discutido a seguir.

Os orbitais π podem, facilmente, receber (redução) ou doar elétrons (oxidação)


formando um íon. Esses agentes de carga que efetuam a redução ou a oxidação do
polímero, tornando-o, de isolante para condutor são chamados de dopantes, em analogia
à dopagem em semicondutores. Estes processos resultam em cargas deslocalizadas ao
longo da cadeia polimérica e são neutralizadas através da entrada e saída de catiões ou
ânions. De acordo com a terminologia da física do estado sólido, o uso de agentes
oxidantes caracteriza uma dopagem tipo-p e o uso de agentes redutores, dopagem tipo-n
(tabela 1).

Polímero Condutor Tipo de dopagem


Poliacetileno (PA) n,p
Poliparafenileno (PPP) n,p
Poliparavinileno (PPV) p
Polipirrol (PPY) p
Politiofeno (PT) p
Polianilina (PANI) p
Tabela 1: Alguns polímeros condutores e suas condutividades máximas e o tipo
de dopagem.

Figura 1.Estrutura dos principais polímeros intrinsecamente condutores.

Aplicações

A facilidade de processamento e o baixo custo das matérias primas tornaram os


materiais poliméricos presentes em nossa vidas devido as excelentes propriedades
mecânicas, aliado a leveza dos produtos manufaturados.
A alta condutividade obtida para esses materiais e o baixo custo de sua produção
possibilitou a utilização em novas aplicações como a blindagem contra radiação
eletromagnética e a proteção antiestática de circuitos eletrônicos. Esses novos polímeros
foram denominados condutores extrínsecos, uma vez que são cargas incorporadas que
irão assegurar a condução eletrônica do material.
Os polímeros intrinsecamente condutores (ICPs) são materiais isolantes que podem ser
dopados ao reagir com fortes agentes oxidantes ou redutores, ou por tratamento com
ácidos fortes. Este fenômeno de dopagem origina modificações químicas na rede
polimérica, provocando drásticas mudanças nas propriedades físicas destes materiais.
Os ICPs podem ser misturados com polímeros convencionas por exemplo,
termoplásticos, termofixos e elastômeros, combinando as características de ambos os
materiais: mecânicas e de processamento dos polímeros convencionais com as
propriedades elétricas e ópticas dos ICPs. Essas propriedades são responsáveis pelo
grande número de aplicações desses materiais poliméricos em diferentes campos, tais
como, componentes em dispositivos ópticos e eletrônicos, blindagem eletromagnética e
absorção de ondas na faixa de microondas revestimento de pinturas para proteção
anticorrosão, sensores químicos, colas condutoras, diodos emissores de luz , filmes
para dissipação da carga elétrica , janelas inteligentes entre outros.

Tabela 2. Principais aplicações dos polímeros condutores.

Os polímeros mais estudados atualmente são a polianilina e o polipirrol por terem uma
boa conciliação de propriedades como, baixo custo de matérias primas, facilidade de
sintetizar, estabilidade química na forma condutora em condições ambientais e
excelente nível de condutividade elétrica.
Bibliografia

Anderson Tomas de Santana, “ POLÍMEROS CONDUTORES: ESTUDOS E


UTILIZAÇÃO DE POLÍMEROS CONDUTORES “ . 2012, UEZO, Rio de Janeiro.

Álvaro de Mello Almeida “ Aplicações tecnológicas da Polianilina - Um polímero


condutor “. 2014, Revista Tecnologia e Tendências.

Semicondutores e condutores. Disponível em :


<http://semicondutores.wixsite.com/materiais/polipirrol > . Acesso em 04 Jan. 2018