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Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química e Tecnologias Educativas

MATERIAL INSTRUCIONAL PARA


IMPLEMENTAÇÃO DA SEQUÊNCIA
X
DIDÁTICA
Álcool, tabaco e outras drogas
(adaptado do projeto Prevenção também se ensina1

1 Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Projetos Comunidade Presente e


Prevenção Também se Ensina: sugestões de atividades preventivas para HTPC e sala de aula
/ Fundação para o Desenvolvimento da Educação. - São Paulo: FDE, Diretoria de Projetos
Especiais, 2012, p. 105-118.

1 Licenciatura em Ciências
Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química e Tecnologias Educativas

SUMÁRIO
Sequência Didática – Drogas? Pra que te quero!? .......................... 3

Objetivo geral ............................................................................... 3

Conteúdo e Temas ....................................................................... 3

Competências e Habilidades ........................................................ 3

Roteiro da Sequência Didática ........................................................ 4

Aula 1 .............................................................................................. 4

Aula 2 ............................................................................................. 5

Aula 3 .............................................................................................. 8

Aula 4 .............................................................................................. 9

Aula 5 ............................................................................................ 10

Aula 6 ............................................................................................ 11

Referências Bibliográficas ............................................................. 15

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SEQUÊNCIA DIDÁTICA
ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
OBJETIVO GERAL
Esta Sequência Didática propõe discussões cujos principais objetivos são
conhecer a realidade sobre o uso de drogas na escola, informando aos alunos
os prejuízos que podem ocorrer aos usuários de álcool e outras drogas (lícitas e
ilícitas). Ampliando o espaço de diálogo e de discussão sobre o tema,
proporcionando momentos de reflexão que acreditamos ser importante para
futuras decisões.
Neste cenário, propomos quatro oficinas que mesclam atividades diagnósticas,
situações que promovam reflexões e conflitos cognitivos, além de atividades
lúdicas que proporcionam a participação e integração dos alunos.

TEMPO PREVISTO: 8 AULAS


CONTEÚDOS E TEMAS: Tipos de drogas – drogas lícitas e ilícitas; Classificação
das Drogas quanto ao efeito produzido no Sistema Nervoso; Efeitos das drogas
no organismo humano – forma de ação e riscos à saúde; O perigo do consumo
de drogas lícitas e ilícitas; Drogas e seu contexto sócio-histórico-cultural nas
vidas dos alunos.

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: Interpretar situações do cotidiano; fazer


relações; ler e interpretar figura; produzir sínteses; criar registros claros em um
quadro para serem analisados pela classe. Ouvir a exposição dos colegas
fazendo anotações, e esperar sua vez de falar; pesquisar nos livros e meios
digitais; respeitar a opinião dos colegas, sabendo argumentar quando não
concordar; relacionar causa e efeito estabelecendo ligações entre fatos e
acontecimentos; levantar suposições; fazer generalizações indutivas e
construtivas.

ESTRATÉGIAS: estudo de texto, discussão, dinâmicas em grupo.

RECURSOS: Caderno de ciências; computador; Projetos multimídia; Caixa de


Som; Lousa; Giz; Papel sulfite.

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ROTEIRO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA


AULA 1
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Incentivar o diálogo e a reflexão sobre o que são drogas e os diferentes pontos
de vista sobre o uso dessas substâncias.

CONTEÚDOS
Classificação, definição sobre álcool.
Riscos ao consumo de álcool.

ATIVIDADE 1 – RODA DE CONVERSA: QUE DROGA!


TEMPO2
90 minutos
ABORDAGEM COMUNICATIVA
Interativa dialógica
PROPÓSITO
Verificação de conhecimentos prévios sobre o tema abordado, bem como,
inserção da problematização no contexto de aula. Motivar os alunos a participar
e socializar experiências e vivências.
DESCRIÇÃO
Antes de iniciar a roda, escreva uma pergunta no alto de cada folha de flip chart:
1. O que é o álcool?
2. Quem é que bebe?
3. Em que lugares o álcool está?
4. Quais são os riscos do uso excessivo do álcool?
5. Existe uma idade segura para o consumo de álcool?
6. Existe relação entre o consumo de álcool e violencia?
7. É proibido vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar bebida alcoólica a criança ou
Adolescente menores de 18 anos. Mesmo assim 47%, segundo pesquisa realizada pelo
IBOPE (2011), dos jovens entre 12 a 15 anos já consumiram álcool? Porque este fato
acontece em sua opinião?

Cole cada uma dessas folhas em um local da sala.


Divida os alunos em sete grupos. Peça para que cada um se dirija à pergunta que está
em um local da sala. Entregue um canetão para cada grupo, peça que leiam a pergunta
colocada na parede, discutam as possíveis respostas e escrevam na folha a resposta
que acharem mais adequada. Dê para o grupo cerca de três minutos para que
respondam à pergunta.
Ao término do tempo, solicite que façam um rodízio, ou seja, quem respondia à pergunta
1, vai para a 2, e assim por diante. Peça que complementem a resposta do grupo

2
O tempo é estimado, cabendo ao professor a adequação com a sua prática pedagógica, bem
como, com a demanda da sala de aula.

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anterior. Três minutos depois, peça que, novamente, os alunos se desloquem para a
próxima questão e a complementem.
Quando os subgrupos responderem a todas as questões, solicite que voltem para a roda
e leiam as respostas do grupo. É importante que o professor esclareça as dúvidas e
corrija os equívocos.
Abra para o debate a partir das seguintes perguntas:
 Qual ou quais são as drogas mais consumidas pelos adolescentes?
 Se um adolescente do sexo masculino se recusa a beber algo alcoólico com os
amigos, o que acontece?
 Se um amigo ou uma amiga bebeu mais do que devia e ainda quer ir para casa
dirigindo, o que a gente deve fazer?
 O que vocês fariam caso um amigo ou uma amiga desmaiasse em uma balada
depois de consumir bebidas alcoólicas?
Finalize a roda de conversa explicando que:
 Ao contrário do que muita gente pensa, o álcool é a droga mais consumida
tanto por adolescentes quanto por adultos;
 O uso dessa substância provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases
distintas: uma estimulante e outra depressora. No início da ingestão de álcool
podem aparecer efeitos estimulantes como euforia, desinibição e maior
facilidade para se comunicar. Com o passar do tempo, começam a surgir efeitos
depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sono;
 Pessoas dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais
frequentes estão relacionadas ao fígado – hepatite alcoólica ou cirrose –, mas
outros órgãos dos sistemas digestório e cardiovascular também podem ser
comprometidos;
 No caso de um amigo desmaiar ou passar mal por ter utilizado tanto o álcool
quanto outra droga, é preciso entrar em contato o mais rápido possível com o
SAMU, pelo telefone 192, não forçar a pessoa a tomar água ou café ou a vomitar
e, se ela estiver consciente, fazê-la caminhar. Se a pessoa estiver inconsciente,
deitá-la de lado e colocar sua cabeça também de lado. Tanto a pessoa que
passou mal quanto quem telefonou e a acompanhou ao serviço de saúde estão
protegidas de inquérito policial.
O projeto “Movimento pé no chão” elaborado pela Secretaria da Educação do estado de
São Paulo, possui amplo material para enriquecimento das discussões.

AULA 2

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Discutir os motivos que levam as pessoas a utilizar determinados tipos de
drogas.

CONTEÚDOS
Classificação das drogas quanto ao efeito causado no sistema nervoso.
Efeitos das Drogas sobre o corpo.
Riscos à Saúde.

ATIVIDADE 1 – EM BUSCA DOS PORQUÊS


TEMPO
90 minutos

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ABORDAGEM COMUNICATIVA
Interativa dialógica.
PROPÓSITO
Permitir que o aluno construa conceitos formais pela investigação e debate.
DESCRIÇÃO
Explique que, nesta atividade, a discussão será sobre os motivos que levam as
pessoas a utilizar determinados tipos de drogas.
Antes de iniciar a atividade, explique que por drogas entendemos: as substâncias
que causam mudanças em nossa forma de ver, sentir e compreender a
realidade. De acordo com os pesquisadores da área, as drogas dividem-se em
três tipos: depressoras, estimulantes e perturbadoras.
Divida o quadro em três partes e escreva as palavras: depressora, estimulante
e perturbadora. Peça que, primeiramente, os alunos digam o que lhes vem à
cabeça quando escutam a palavra depressora. Escreva as contribuições no
quadro em forma de palavras-chave. Faça o mesmo com as palavras estimulante
e perturbadora.
Apresente o quadro “Tipos de drogas”, explique os efeitos de cada uma delas no
comportamento das pessoas e quais são as drogas que apresentam esse efeito.

DROGAS ESTIMULANTES Atuam na sinapse aumentando a


atividade do sistema nervoso central.
Há aumento da vigília, da atenção,
aceleração do pensamento e euforia.
Seus usuários tornam-se mais ativos,
'ligados'. Exemplo: Cocaína, Cafeína,
Nicotina, Anfetaminas.
DROGAS DEPRESSORAS Atuam na sinapse reduzindo a
atividade do Sistema Nervoso Central,
possuem algumas propriedades
analgésicas. Pessoas sob o efeito de
tais substâncias tornam-se
sonolentas, lerdas, desatentas e
desconcentradas. Exemplo: álcool e
alguns tranquilizantes
DROGAS PERTUBADORAS Dividida em dois grupos: as
(Psicoativas) analgésicas e as alucinógenas. As
analgésicas são tipicamente
relacionadas diminuição da dor,
exemplo codeína e morfina. Os
alucinógenos não se caracterizam por
acelerar ou lentificar o sistema
nervoso central. A mudança
provocada é qualitativa. O cérebro
passa a funcionar fora do seu normal
e sua atividade fica perturbada.
Modificando a percepção do
ambiente, as sensações o
comportamento e o equilíbrio São

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drogas relacionadas à produção de


quadros de alucinação ou ilusão,
geralmente de natureza visual. Os
alucinógenos não possuem utilidade
clínica (como os calmantes),
tampouco podem ser utilizados
legalmente (como o álcool, o tabaco e
a cafeína). Exemplo: LSD
(Adaptado CD-rom – Drogas: Prevenção à dependência química)

Uma vez definidas, dívida os alunos em três grupos e distribua os seguintes


blocos de questões para cada um deles:
 Grupo 01
a) Por que uma pessoa quer relaxar, dormir ou ficar mais calma?
b) O que ela poderia fazer para conseguir ficar desse jeito sem o uso de
drogas?

 Grupo 02
a) Por que uma pessoa quer ficar mais elétrica, acordada, ativa?
b) O que ela poderia fazer para conseguir ficar desse jeito sem o uso de
drogas?

 Grupo 03
a) Por que uma pessoa quer ver a realidade de outra maneira?
b) O que ela poderia fazer para conseguir ficar desse jeito sem o uso de
drogas?

Solicite que cada grupo discuta e responda a essas perguntas e, quando


terminarem, apresentem suas conclusões.
Escreva no quadro as conclusões elaboradas pelos grupos e explique que as
drogas são classificadas a partir dos efeitos que causam no cérebro. Esses
efeitos, entretanto, também dependem dos fatores individuais de quem as
consome: como ela está se sentindo naquele momento, como ela gostaria de
ser, com quem está etc.
Encerre a oficina explicando que existem diferentes fatores que fazem com que
as pessoas utilizem o álcool, o tabaco ou outras drogas e que devem ser levados
em consideração quando se pensa em ajudar um colega que faz uso de algumas
dessas substâncias. Reforce que existem, também, diversas condições que
podem deixar os adolescentes e jovens mais protegidos ou mais vulneráveis aos
danos associados ao uso de álcool e outras drogas, entre elas: o grupo familiar,
a existência de redes de apoio social, abertura de diálogo sobre o assunto nas
escolas – com professores e em grupos de adolescentes e jovens –, maior
igualdade de gênero nas relações entre homens e mulheres, acesso a
informações de qualidade e a serviços de saúde mais acolhedores para
adolescentes e jovens.

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AULA 3

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conhecer os diferentes termos referentes ao álcool, tabaco e outras drogas.

CONTEÚDOS
Classificação das drogas.
Termos associado a forma de apresentação, consumo e/ou “apelido” das drogas.
Definição de consequências do uso de drogas.

ATIVIDADE 1 – BINGO DAS DROGAS


TEMPO
60 minutos
ABORDAGEM COMUNICATIVA
Interativa dialógica.
PROPÓSITO
Abordar o tema de forma lúdica, utilizando do jogo para a construção de
conteúdos conceituais e atitudinais.
DESCRIÇÃO
Inicie a atividade perguntando se alguma vez eles e elas ouviram falar de um
jogo chamado bingo.
Explique que, nesse jogo, as pessoas recebem cartelas com vários números.
Estes números são sorteados e ganha quem preencher primeiro sua cartela.
Só que a proposta agora é um pouco diferente: cada participante recebe uma
cartela em que existem palavras que têm a ver com o tema drogas.
Distribua as cartelas e explique que serão sorteadas descrições de cada uma
dessas palavras e os participantes terão que adivinhar qual é ela. Quando
adivinharem a correta, quem tiver a palavra deve fazer um X no quadradinho ao
lado delas.
Ganha quem preencher a cartela toda em primeiro lugar. No entanto, o jogo
continuará até todas as palavras serem sorteadas.
Quando terminar o jogo, abra para perguntas e esclarecimentos.
Finalize a atividade enfatizando que um dos grandes problemas do uso de
qualquer droga, seja ela legal ou ilegal, é que elas afetam o grau de consciência
das pessoas, dificultando a prevenção. Quando a pessoa está sob o efeito do
álcool ou de outra droga, pode não se lembrar da camisinha na hora do sexo. Da
mesma forma, uma menina sob o efeito dessas substâncias pode não se sentir
à vontade para pedir que o parceiro utilize o preservativo. Da mesma forma, as
pessoas podem achar que estão em condições de dirigir e provocarem um
acidente.
CARTELAS

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ATIVIDADE 2 –LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO


TEMPO
30 minutos.
ABORDAGEM COMUNICATIVA
Interativa dialógica
PROPÓSITO
Permitir ao aluno a ressignificação de conteúdos conceituais, além da
possibilidade de construção de conteúdos atitudinais. Utilizando de ferramenta
cultura para investigação e pesquisa.
DESCRIÇÃO
Trabalhando a habilidade leitora, através de uma leitura compartilhada, o
professor, deve incentivar os alunos a lerem. Ao termino da leitura do texto, você
lê a primeira pergunta, e discuta com os alunos. Repita esse procedimento com
as outras questões. Peça para que registrem as suas respostas.

Texto: Fumo, Cigarro e Suas Conseqüências3

O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. Comanda legiões


de compradores leais e tem um mercado em rápida expansão. Satisfeitíssimos, os
fabricantes orgulham-se de ter lucros impressionantes, influência política e prestígio. O
único problema é que seus melhores clientes morrem um a um.
A revista The Economist comenta: “Os cigarros estão entre os produtos de consumo
mais lucrativos do mundo. São também os únicos produtos (legais) que, usados como

3
Adaptado dos sites http://www.areaseg.com/toxicos/fumo.html - último acesso: Out/15 e
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/uma_vida_sem_cigarro.html - último acesso: Out/15

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manda o figurino, viciam a maioria dos consumidores e muitas vezes o matam.” Isso dá
grandes lucros para a indústria do tabaco, mas enormes prejuízos para os clientes.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, a vida
dos fumantes americanos é reduzida, coletivamente, todo ano, em uns cinco milhões de
anos ,cerca de um minuto de vida a menos para cada minuto gasto fumando.“ O fumo
mata 420.000 americanos por ano”, diz a revista Newsweek. “Isso equivale a 50 vezes
mais mortes do que as causadas pelas drogas ilegais”.
No mundo todo, três milhões de pessoas por ano -seis por minuto- morem por causa do
fumo, segundo o livro Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-2000,
publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, da Grã-Bretanha,
pela OMS(Organização mundial de Saúde) e pela Sociedade Americana do Câncer.
Essa análise das tendências mundiais com relação ao fumo, a mais abrangente até a
presente data, engloba 45 países. “Na maioria dos países”, adverte Richard Peto, do
Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, “o pior ainda está por vir. Se persistirem os
atuais padrões de tabagismo, quando os jovens fumantes de hoje chegarem à meia-
idade ou à velhice, haverá cerca de 10 milhões de mortes por ano causadas pelo fumo
- uma morte a cada três segundos.
O fumo é diferente de outros perigos”, diz o Dr. Alan Lopez, da OMS. “Termina matando
um em cada dois fumantes”. Martin Vessey, do Departamento de Saúde Pública da
Universidade de Oxford, diz algo parecido: “Essas constatações no período de 40 anos
levam à terrível conclusão de que metade de todos os fumantes terminará morrendo por
causa desse hábito – uma idéia muito aterradora.” Desde a década de 50,60 milhões de
pessoas morreram por causa do fumo. Essa idéia é muito aterradora também para a
indústria do tabaco. Se todo ano, no mundo todo, três milhões de pessoas morrem por
motivos ligados ao fumo, e muitas outras param de fumar, então todo ano é preciso
encontrar três milhões de novos fumantes.
Uma fonte de novos fumantes surgiu por causa do que a indústria do tabaco aclama
como liberação das mulheres. O fumo entre as mulheres é fato consumado já por alguns
anos nos países ocidentais e agora está ganhando terreno em lugares em que se via
nisso um estigma. Os fabricantes de cigarro pretendem mudar tudo isso. Querem ajudar
as mulheres a comemorar a prosperidade e a liberação recém – conquistadas. Marcas
especiais de cigarro que alegam ter baixos de nicotina e alcatrão engodam as mulheres
que fumam e que acham esse tipo de cigarro menos prejudicial. Outros cigarros são
perfumados ou então são longos e finos – o visual que as mulheres talvez sonhem
conseguir fumando. Os anúncios de cigarro na Ásia apresentam modelos orientais,
jovens e chiques, elegante e sedutoramente vestidas no estilo ocidental.
Mais de 24 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais fumam derivados de tabaco. É
o que mostram os resultados da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab) feita em 2008
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério
da Saúde e com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os resultados mostraram que
entre os que fumavam diariamente a média é de 15 a 24 cigarros em 24 horas – o que,
para um casal de fumantes, representa cerca de R$ 1.495,20 por ano, valor equivalente
ao de uma TV LCD de 32 polegadas. As maiores porcentagens foram observadas entre
os homens, na região Sul, moradores de áreas rurais e entre os que têm menor
escolaridade e renda.
Por serem os mais vulneráveis às propagandas e os que menos procuram ajuda para
abandonar a dependência, os jovens estão no foco das indústrias de tabaco. Para
conquistar esse público, elas investem em produtos coloridos, aromatizados e com
sabor – podem ser encontradas versões com cheiro de chocolate e cereja, por exemplo.
Uma pesquisa brasileira publicada este ano pela revista britânica Lancet mostra que nas
duas últimas décadas o número de fumantes caiu pela metade. As mulheres, porém,
estão na contramão dessa tendência: entre 2006 e 2010, a porcentagem em São Paulo
passou de 15% para 17%, o que ajuda a explicar a incidência do câncer de pulmão entre
elas – o segundo mais comum entre as brasileiras, atrás apenas dos tumores de mama.
Apesar de ações como a Lei Antifumo, criada em 2009, e dos debates sobre a proibição

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de cigarros aromatizados e de qualquer tipo de propaganda do tabagismo, cigarros


ainda provocam cerca de 200 mil mortes por ano.

1. Relacione alguns motivos que na sua opinião, levam uma pessoa a fumar?
2. Quais os problemas trazidos pelo cigarro?
3. O fumo oferece riscos apenas para quem fuma? Explique.
4. O que causa a dependência do cigarro?

AULA 4

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Favorecer a percepção dos sentimentos de uma pessoa que, por utilizar uma
determinada substância, é discriminada por seus pares e pelas instituições.

CONTEÚDOS
Conceitos Atitudinais: postura crítica e reflexiva, pertinente à posição que
assumem frente ao coletivo e a si próprios.
Drogas e seu contexto sócio-histórico-cultural nas vidas dos alunos.
Classificação e tipos de drogas.
Efeitos das Drogas sobre o corpo.
Riscos à Saúde.

ATIVIDADE 1 – TEATRO-FÓRUM
TEMPO
90 minutos
ABORDAGEM COMUNICATIVA
Interativa dialógica.
PROPÓSITO
Conflitar a concepções prévias dos alunos.
Discutir com os alunos o que são fatores de riscos à saúde e segurança, bem
como fatores de proteção.
Construção do entendimento que vício é pessoal, afeta as pessoas de formas
diferentes. Retomar as discussões de aulas anteriores.
DESCRIÇÃO
Pergunte aos alunos quem gostaria de participar da criação de uma cena de
teatro.
Quando os voluntários se apresentarem, informe que a proposta é que eles criem
uma história que trate do uso de medicamentos para emagrecer por uma menina
e o uso de anabolizantes por um menino. Explique que, nessa cena, será preciso
que inventem situações em que as pessoas do entorno – amigos, professores,
profissionais da saúde, grupo familiar – só critiquem o uso dessas substâncias e
que o final seja infeliz. Essa cena será apresentada para o resto do grupo e eles
entrarão no lugar dos personagens para falar das consequências do uso dessas
drogas e o que o casal poderia fazer em vez de tomar esses medicamentos. Um
dos participantes deverá fazer o papel de curinga, ou seja, irá narrar a cena e
perguntar se alguém de fora do grupo quer entrar no lugar de um personagem

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para dar outro rumo à história. Por exemplo: se alguém achar que o professor
está mal informado, deve entrar no lugar dele para dar a informação correta. A
cena será repetida com os “novos rumos”, até que a maioria concorde com o seu
desfecho.
Quando o final da história foi aprovado por todos (ou maioria), abra para a
discussão a partir das seguintes perguntas:
1. O que você sentiu quando a cena foi apresentada pela primeira vez?
2. Por que os personagens principais da cena utilizavam anabolizantes e
remédios para emagrecer?
3. Vocês acham que homens e mulheres sofrem influência dos ideais de beleza
feminino e masculino que aparecem nas novelas e filmes? Como?
4. O que seria preciso fazer para que as pessoas cuidassem do corpo sem apelar
para medicamentos que trazem problemas para a saúde?
5. O que acharam das modificações que foram feitas ao final da cena?

Explique que essa técnica é conhecida como Teatro do Oprimido ou Teatro-


fórum. Nela busca-se romper os rituais tradicionais do teatro que reduzem o
público ao imobilismo, à passividade. A ideia é o estabelecimento de um diálogo
entre palco e plateia, em que os espectadores se auto ativariam ao entrar em
cena para transformar a peça.
Encerre explicando que, muitas vezes, existe uma pressão muito grande para as
mulheres serem magras nos dias de hoje. Assim, muitas meninas utilizam
medicamentos para emagrecer influenciadas pelos ideais de beleza presentes
na mídia. Em relação aos meninos, os anabolizantes – são substitutos sintéticos
da testosterona, hormônio sexual masculino usados frequentemente para
aumentar os músculos do corpo – são muito utilizados por aqueles que buscam
um corpo “sarado” (forte, desenvolvido). Ambas as substâncias trazem uma série
de problemas de saúde para quem os utiliza.

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