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E s p a n h o l • F r a n c ê s • I n g l ê s • P o r t u g u ê s

Deus Existe!
A igreja:
Conhecendo e vivendo
o seu propósito
Agostinho e a criação
"Combati o bom
combate": William Ellis
Foy – o milerita

3
Vo l u m e 2 5
REPRESENTANTES REGIONAIS
DIVISÃO AFRICANA MERIDIONAL-
OCEANO ÍNDICO
P. O. Box 4583 Rietvalleirand 0174, ÁFRICA DO
CONTEÚDO
SUL
Ella Kamwendo kamwendoe@sid.adventist.org artigos
Busi Khumalo khumalob@sid.adventist.org
DIVISÃO AFRICANA OCIDENTAL 5 Deus existe!
Nossas chances de ver Deus no futuro são infinitamente maiores que as
22 Boîte Postale 1764, Abidjan 22, COSTA DO
MARFIM chances de a ciência vir a descobrir um processo que explique a nossa
Chiemela Ikonne cikonne@wad-adventist.org
N. John Enang njenang@wad-adventist.org existência.
DIVISÃO AFRICANA ORIENTAL
John F. Ashton

8
P.O. Box 14756, 00800-Westlands, Nairobi,
QUÊNIA A igreja: Conhecendo e vivendo o seu
Andrew Mutero muteroa@ecd.adventist.org
Mwagulilo Mwakalonge mwakalongem@ecd.
propósito
adventist.org O propósito da igreja é revelar Deus ao mundo, ser uma sala de aula de
DIVISÃO ÁSIA-PACÍFICO NORTE treinamento para o discipulado, demonstrar como o povo redimido vive
P.O. Box 43, Koyang Ilsan 411-600, COREIA em comunidade e em parceria com Deus em Sua missão.
Chek Yat Phoon cyphoon@nsdadventist.org
Nak Hyujg Kim youth@nsdadventist.org Lowell C. Cooper
DIVISÃO ÁSIA-PACÍFICO SUL
P.O. Box 040, 4118 Silang, Cavite, FILIPINAS 11 Agostinho e a criação: Como a tradição
Lawrence Domingo ldomingo@ssd.org influenciou a aceitação da evolução
Jobbie Yabut jyabut@ssd.org A preocupação de Agostinho com as interpretações filosóficas gregas
DIVISÃO EURO-ASIÁTICA levaram a uma reinterpretação do relato bíblico das origens e abriu as
Krasnoyarskaya Street 3, 107589 Moscou, FED.
RUSSA portas para futuras possíveis substituições.
Vladimir Tkachuk vtkachuk@esd-sda.ru Raúl A. Kerbs
Kasap Gennady kgennady@esd-sad.ru
DIVISÃO INTERAMERICANA 16 “Combati o bom combate”:
P.O. Box 830518, Miami, FL 33283-0518, EUA
Gamaliel Florez gflorez@interamerica.org
William Ellis Foy – o milerita
Benjamín Carballo carballobe@interamerica.org Ao celebrarmos o 150º aniversário da Igreja Adventista do Sétimo
DIVISÃO intereuropEia
Dia, eis aqui a história de um milerita esquecido, que teve significativa
Schosshaldenstrasse 17, 3006 Berna, SUÍÇA influência sobre os fundadores do adventismo.
Barna Magyarosi barna.magyarosi@eud.adventist. Benjamin J. Baker
org
Stephan Sigg stephan.sigg@eud.adventist.org
DIVISÃO NORTE-AMERICANA
12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD SeçÕes
20904-6600, EUA
Larry Blackmer larry.blackmer@nad.adventist.org
James Black james.black@nad.adventist.org EDITORIAL 29 111 Tips For Managing Your Money
Gary Councell gary.councell@nad.adventist.org
3 O santuário da montanha por Gelyn Musvosvi
DIVISÃO PACÍFICO SUL John W. Taylor V Resenha de David Birkenstock
Locked Bag 2014, Wahroonga, N.S.W. 2076,
AUSTRÁLIA PerfiL Logos
Malcom Coulson mcoulson@adventist.org.au
Nick Kross nkross@adventist.org.au
20 John Ashton
Entrevistado por Don Roy
30 Espiritualidade e liderança: lições
do livro de Atos
DIVISÃO SUL-AMERICANA Ramón Rolando John M. Fowler
Caixa Postal 02600, Brasília, 70279-970 DF, 24 Garrido Quevedo ÍNDICE
BRASIL
Edgard Luz edgard.luz@adventistas.org.br
Areli Barbosa areli.barbosa@adventistas.org.br
Entrevistado por Enrique Becerra 32 Volumes 21-25 (2009-2013)
Livros Portfolio
DIVISÃO SUL-ASIÁTICA
P.O. Box 2, HCF Hosur, 635 110 Tamil Nadu, 28 The God We Worship 35 A arte de Ramón Rolando
ÍNDIA
por Daniel Scarone Garrido Quevedo
Nageshwara Rao gnageshwarrao@sud-adventist.org Resenha de Aecio E. Cairus
Lionel Lyngdoh lyngdoh@sud-adventist.org
DIVISÃO TRANSEUROPeIA
119 St. Peter’s St., St. Albans, Herts, AL13EY,
INGLATERRA
Daniel Duda dduda@ted-adventist.org
Paul Tompkins ptompkins@ted-adventist.org

2 DIÁLOGO 25 • 3 2013
EDITORIAL
Esta revista internacional de fé,
O santuário da montanha pensamento e ação é publicada três vezes
por ano em quatro edições paralelas
(espanhol, francês, inglês e português)
sob o patrocínio da Comissão de Apoio a
Universitários e Profissionais Adventistas
(Caupa), organismo da Associação Geral
Ao passar por uma curva na velha e esburacada estrada de asfalto, o nosso dos Adventistas do Sétimo Dia.
ônibus, completamente lotado, rangeu demoradamente enquanto fazia mais
Volume 25, Número 3
uma parada. As conversas logo se transformaram apenas em cochichos.
Copyright © 2014 pela Caupa.
Havíamos acabado de chegar ao santuário da montanha. Vários passageiros Todos os direitos reservados.
se ajoelharam diante do monumento, fazendo solenes reverências e deixando
Diálogo afirma as crenças fundamentais
ali as suas oferendas. Concluída a cerimônia, o nosso veículo iniciou a descida da Igreja Adventista do Sétimo Dia e apoia
pela estrada, ganhando mais e mais velocidade ao passar pelas curvas fechadas sua missão. Os pontos de vista publicados
que o impulsionavam rumo à cidade. O barulho das brincadeiras novamente na revista, entretanto, representam o
abafava o ronco do motor. pensamento independente dos autores.
Da janela do ônibus a toda velocidade, eu via a floresta se movendo rapida- Equipe Editorial
mente e comecei a me perguntar se, por vezes, também não erguemos alguns Editora-chefe Lisa Beardsley
santuários nas encostas da nossa vida. Poderíamos nós, involuntariamente, Editor John M. Taylor V
estar relegando a nossa religião ao monumento solitário de uma experiência Assistente Editorial Susana Schulz
Edições Internacionais Susana Schulz
de montanha? Poderia o cristianismo vir a se tornar um simples fragmento da Secretários editoriais internacionais
nossa vida, uma relíquia à qual nos devotamos apenas ocasionalmente? Não Susana Schulz (Espanhol)
estaríamos galgando até a crista de uma onda de fervor espiritual em um dia, Monique Lemay (Francês)
para apenas cair no desespero secular no outro? Será que, depois de nosso Karina Carnassale Deana (Português)
melhor momento, vamos abandonar a nossa vocação? Correspondência Editorial
O cristianismo genuíno, entretanto, deve envolver toda a vida. Seja por Diálogo
palavras ou por obras, devemos fazer tudo “em nome do Senhor Jesus” 12501 Old Columbia Pike
Silver Spring, MD 20904-6600; EUA.
(Colossenses 3:17).1 Quer comamos ou bebamos, ou o que quer que faça-
Telefone 301 680-5060
mos, devemos fazer tudo “para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). Fax 301 622-9627
Consequentemente, cada uma das atividades que nos dispomos a realizar E-mail schulzs@gc.adventist.org
deve estar conectada em Deus. Cada circunstância, cada fato ocorrido passa a Comissão (CAUPA)
adquirir um significado eterno e molda a nossa vida para a eternidade. Presidente Geoffrey Mbwana
Os cristãos não podem viver em uma falsa dicotomia – dividindo a vida Vice-Presidente Gary R. Councell
entre o reino espiritual e o secular. Não podemos adorar piamente no sábado Secretária Lisa Beardsley
e, em seguida, desconectar-nos de Deus como se fôssemos nós que estaríamos Membros Mario Ceballos, Lyndelle
Chiomenti, Gary Councell, John M.
conduzindo “o restante da nossa vida”. Não podemos simplesmente iniciar o Fowler, Linda Koh, Kathleen Kuntaraf,
dia com um breve pensamento devocional e, logo depois, correr para o traba- Dionne Rowe, Roy Ryan
lho sem pensar mais em Deus ou em Seus planos para a nossa vida. O cristia-
Correspondência sobre circulação
nismo é tudo ou nada. Não há território neutro – sem fidelidade ao longo do Deve ser dirigida ao Representante
caminho. Cristo mesmo afirmou: “Quem não está Comigo está contra Mim” Regional da Caupa na região em que
(Mateus 12:30). reside o leitor. Os nomes e endereços
Para viver a vida cristã plenamente, o cristão deve primeiro pensar “cristã- desses representantes encontram-se na
mente”. Cada pensamento deve ser levado em submissão a Cristo (2 Coríntios p. 2.
10:5). As Escrituras nos lembram: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Assinaturas US$13.00 por ano (três
Jesus” (Filipenses 2:5). Mas, de acordo com 1 Coríntios 2:16, o que significa números, via aérea). Ver cupom na p. 6
para detalhes.
receber “a mente do Senhor”? Receber a mente do Senhor significa que vemos
todas as coisas do ponto de vista dEle. Começamos a ver os outros como Website http://dialogue.adventist.org
Deus os vê – como candidatos para o Seu reino. Consideramos cada decisão Diálogo tem recebido correspondência
uma oportunidade para fazer o que Jesus faria. Vemos cada momento à luz de leitores de 120 países ao redor do
da eternidade. Como, então, começamos a ter essa perspectiva divina, essa mundo.
“renovação da mente”? (Romanos 12:2). Recebemos a mente de Cristo quan-
do passamos um tempo de qualidade com Deus – passamos tempo com Sua
Palavra e em conversa com Jesus. É contemplando que somos transformados
(2 Coríntios 3:18). E então passaremos a viver cada momento na presença

DIÁLOGO 25 • 3 2013 3
às vezes até pensamos secularmente Cristo invade o redemoinho das nossas
sobre questões religiosas, como no atividades e nos convida a “consolidar
caso das metas batismais, ofertas ou o chamado” que Ele nos faz (2 Pedro
cargos dentro da igreja. 1:10).
Referências cristãs, orações e textos A eternidade se estende à nossa
ocasionais são insuficientes. Estes, frente. A Cidade encontra-se bem
por si só, se tornam meros símbolos, diante de nós!
evidências de uma vida fragmentada,
dicotomizada. Entretanto, um com-
promisso espiritual efetivo não pode
ser banido para algum canto da nossa
vida. Deve permear continuamente os
limites da nossa existência, do nosso John Wesley Taylor V, Editor
próprio ser. Temos que aprender a
viver uma vida de fé plenamente. A
perspectiva da eternidade deve revo-
lucionar de forma radical o nosso
coração.
Não precisamos de um emblema
de cristão preso à lapela da vida.
Precisamos de vidas genuinamente
de Deus, de forma intencional (1 cristãs. Não precisamos de pessoas que
Tessalonicenses 5:17, 18). O resultado? demonstrem ser cristãs apenas em oca-
A mente cristã irá levar consequente- siões especiais. Precisamos de cristãos
mente ao pensamento cristão, a deci- consistentes, autênticos.
sões semelhantes às de Cristo, a ações O cristianismo é mais do que um
semelhantes às de Cristo e de verda- santuário. É um chamado para toda a
deiro testemunho cristão. vida, um compromisso para sempre.
Nos dias de hoje, é crucial a necessi- Os cristãos não devem viver apenas
dade de desenvolver essa mente cristã. para o trabalho, para a família ou em
O problema fundamental é que “os função do cargo que ocupam. Nós,
cristãos” pensam tanto em termos como cristãos, devemos viver para
seculares, que a perspectiva cristã Cristo.
chega a ser quase inexistente. Muitas É fácil nos tornamos perigosamente
vezes, pensamos apenas espiritualmen- tão presos ao ritmo frenético da vida,
te sobre a moralidade pessoal ou temas que nos esquecemos da nossa missão
doutrinários. Em nossa visão míope, e do nosso destino. O chamado de

Escreva-nos!
Recebemos seus comentários, críticas e
perguntas, mas, por favor, limite suas cartas
a 200 palavras. Escreva para:
DIALOGUE LETTERS
12501 Old Columbia Pike
Silver Spring MD 20904 EUA.
FAX 301 622 9627
E-mail schulzs@gc.adventist.org
As cartas selecionadas para publicação
podem ser editadas para maior clareza ou
por necessidade de espaço.

4 DIÁLOGO 25 • 3 2013
Deus existe!
John F. Ashton
Nossas chances de ver Deus no futuro
são infinitamente maiores que as chances
de a ciência vir a descobrir um processo
que explique a nossa existência.

Uma das grandes coisas sobre a fé e em orações respondidas. Algumas uma explicação sobre como a primeira
cristã é que ela está baseada em evi- das respostas que recebi foram com- matéria ou energia veio à existência, ou
dências – evidências reais – de que piladas e transformadas no livro On como as precisas leis da Matemática,
Deus é real, de que Jesus Cristo é Deus the Seventh Day: 40 Scientists and Física e Química, que restringem a
e de que se pode confiar na Bíblia. Academics Explain Why They Believe matéria e a energia, passaram a existir.
Infelizmente, porém, em muitos países, in God [No Sétimo Dia: 40 Cientistas Há uma lei da Física que diz que,
os jovens estão questionando a existên- e Acadêmicos Explicam Por Que enquanto a matéria pode ser converti-
cia de Deus e a validade das Escrituras, Acreditam em Deus]1. da em energia e vice-versa, de acordo
depois que a teoria da evolução passou Estes pesquisadores profissionais alta- com E = mc2, a matéria e a energia
a ser ensinada nas escolas e universi- mente qualificados descreveram as evi- não podem ser criadas ou destruídas
dades. Então imaginei que seria um dências pessoais que tinham de um Ser por processos físicos naturais. Uma
exercício bastante útil considerar algu- sobrenatural, real e pessoal – o Deus vez que constatamos que a matéria e
mas das evidências que encontrei e que da Bíblia. Há, literalmente, milhares de a energia existem, elas devem ter sido
fortaleceram a minha fé. relatos similares de respostas à oração criadas por um processo sobrenatural
Comecei a frequentar a igreja quando e de milagres testemunhados, tanto na não físico, não natural. A Bíblia explica
estava com pouco mais de vinte anos. literatura cristã como na secular, que que a matéria e a energia foram criadas
Pude então conhecer e ler a respeito apresentam muitas e sólidas evidências do nada, por um Deus sobrenatural,
de outros cristãos que experimentaram pessoais para a existência de Deus. autoexistente, para além do tempo e do
milagres e tiveram respostas muito Além dessas, há também evidências espaço que podemos “conhecer”. Essa
específicas às suas orações. Descobri objetivas, fora do âmbito pessoal. explicação é a que melhor se ajusta aos
que a Bíblia trazia relatos de respostas dados observados.
à oração, milagres realizados publica- A existência do Universo
mente e centenas de profecias que se Em primeiro lugar, podemos tomar Vida provém de vida
cumpriram ao longo da História. Ao por base a existência do Universo e a O segundo ponto objetivo da evi-
ler a Bíblia, passei a acreditar em Deus nossa própria existência. Uma série de dência é a observação de que nós e
– especialmente em Jesus, como sendo teorias têm sido propostas para expli- outras formas de vida estamos vivos.
Deus e meu Salvador – e comecei a car a origem do Universo: a teoria do No entanto, observamos também que
experimentar uma mudança interior Big Bang, teoria das cordas, teoria dos vida sempre provém de vida. De fato, a
para melhor e obter muitas respostas universos múltiplos, etc. Mas há gran- ressurreição de Jesus nós chamamos de
específicas à oração. Essas experiências des problemas com todas essas teorias. milagre porque sabemos que as coisas
são muito reais para mim e, portanto, Mesmo a do Big Bang, tão frequente- inanimadas não podem tornar-se vivas
Deus é também muito real em minha mente enaltecida, requer singularidade por processos naturais. Além disso, a
vida. (considerada como algo isolado), infla- partir da perspectiva da “teoria das ori-
Algum tempo depois, escrevi para ção hipotética, como também entidades gens”, não há nenhum mecanismo viá-
professores universitários cristãos, em imaginárias como a energia escura e vel que possa explicar como a primeira
várias partes do mundo, perguntando matéria escura, etc.2 célula viva poderia ter se formado. Na
por que eles acreditavam em milagres Nenhuma dessas teorias oferece verdade, agora sabemos que é bioqui-

DIÁLOGO 25 • 3 2013 5
micamente impossível. Isso é explicado mecanismo conhecido ou experiência hipóteses têm sido propostas na tentati-
pelos bioquímicos Dr. João Marcus que demonstre como os processos natu- va de quebrar o círculo, mas, até agora,
e Dr. George Javor em meu livro: In rais poderiam produzir tal código. O nenhuma delas parece ser realmente
Six Days: Why 50 Scientists Choose eminente biólogo Dr. Eugene Koonin coerente ou tenha obtido apoio sufi-
to Believe in Creation [Em Seis Dias: (do Centro Nacional de Informação ciente para reivindicar o status de uma
Por Que 50 Cientistas Escolheram Sobre Biotecnologia, nos Estados teoria verdadeira.” 4
Acreditar na Criação]. 3 Unidos) fez a seguinte declaração em Assim, a ciência não oferece nenhu-
Para que a primeira vida se forme, seu artigo, escrito em 2009, intitulado ma explicação naturalista para a origem
é necessário que se produzam “Origin and Evolution of the Genetic do código do DNA, mas sim, que se
quantidades massivas de biopolímeros. Code: The Universal Enigma” [“Origem constitui numa prova evidente do incrí-
No entanto, estes tipos de moléculas e Evolução do Código Genético: O vel design inteligente.5
gigantes não conseguem se formar Enigma Universal”]: “Na verdade, é Entretanto, há outra questão a
naturalmente em um ambiente aquo- lógico que qualquer cenário da origem ponderar. O fato de algo possuir um
so, de acordo com o princípio de Le e evolução do código permanecerá código de DNA, não significa que
Chatelier. O DNA, que contém os vazio se não for combinado com a ele seja vivo. Os cientistas não con-
códigos para os componentes dos seres compreensão da origem do princípio seguem pegar bactérias mortas, que
vivos, é uma grande molécula que da codificação em si e do sistema de tenham todo o seu DNA intacto, e
codifica enormes quantidades de infor- tradução nele incorporados. No cerne transformá-las em seres vivos. Para
mações. Por exemplo, a bactéria, a mais desse problema, está um monótono cír- fazer com que uma célula tenha vida,
simples forma de vida livre, tem um culo vicioso: Qual seria a força seletiva alguém teria que reorganizar centenas
código de DNA que contém 580.000 por trás da evolução do extremamente de reações bioquímicas em estado de
componentes de base. Além disso, o complexo sistema de tradução, antes desequilíbrio, exatamente nas con-
primeiro código genético transportado de existirem as proteínas funcionais? centrações corretas. Ou seja, a quí-
numa molécula de DNA também teve E, evidentemente, não poderia haver mica A teria que ser estabelecida na
que ser formado por algum processo nenhuma proteína sem um sistema de concentração certa, apenas para fazer
natural. No entanto, não há nenhum tradução suficientemente eficaz. Várias a B, que teria que estar na concentra-
ção exata para fazer a C, e assim por
diante, para centenas de reações, o que
é impossível de se fazer por meio de
qualquer tecnologia conhecida, e muito
Assine menos vir a acontecer naturalmente.
Assim, com base em nosso conhe-
Diálogo cimento científico, é impossível a vida
começar por algum processo natural.
Você quer ser um pensador e não meramente um refletor do pensamento de outras pessoas? A
No entanto, continuamos observando a
DIÁLOGO continuará a desafiá-lo a pensar criticamente, como um cristão. Fique em contato com
o melhor da ação e do pensamento adventista ao redor do mundo. Assine DIÁLOGO. vida. Dou mais detalhes em meu livro
Evolution Impossible: Twelve Reasons
Assinatura anual (3 exemplares – via aérea): US$13.00 Why Evolution Cannot Explain the
Números atrasados: US$4.00 cada. Origin of Life on Earth [Os Impossíveis
Gostaria de assinar DIÁLOGO em o Inglês o Francês o Português o Espanhol da Evolução: Doze Razões Por Que a
Edições Iniciem minha assinatura com a próxima edição. Evolução Não Pode Explicar a Origem
Gostaria de receber estes números anteriores: Vol.______. No ______. da Vida na Terra].6
Pagamento Estou juntando um cheque internacional ou ordem de pagamento.
Meu Mastercard ou VISA é _____________________________ A mente
Data de validade: ________________________
A terceira parte objetiva da evidên-
Por favor, preencha: cia é a observação de que temos uma
Nome ___________________________________________________________ mente, temos pensamentos, criamos
Endereço ___________________________________________________________ novas ideias e temos vontade individu-
___________________________________________________________ al. Acordamos e pensamos: “Eu vou
Remeta os dados para: DIALOGUE Subscriptions, Linda Torske sair da cama”, e esse pensamento ativa
12501 Old Columbia Pike; Silver Spring, MD 20904-6600; EUA. os impulsos nervosos, que por sua vez,
FAX 301 622 9627 ativam os músculos, e então nos levan-
E-mail torskel@gc.adventist.org tamos.

6 DIÁLOGO 25 • 3 2013
No que se constitui a mente ou os ciência não consegue explicar a nossa científicos e publicou vários livros,
pensamentos? O cérebro é uma entida- existência. Ao contrário, a evidência incluindo Evolution Impossible:
de física, composta de moléculas quí- impressionante do design no Universo, Twelve Reasons Why Evolution Cannot
micas; tem massa e ocupa um espaço, em nosso Planeta e nos seres vivos, Explain the Origin of Life on Earth
mas a mente e os pensamentos não são aponta para um Designer inteligente, [Os Impossíveis da Evolução: Doze
materiais. Os pensamentos não têm sobrenatural, não material e criador, Razões Por Que a Evolução Não
massa. Eles não ocupam centímetros cujos pensamentos deram início à nossa Pode Explicar a Origem da Vida
cúbicos de espaço. Entretanto, mesmo existência – nosso Universo, nosso na Terra] (Green Forest, Arkansas:
não sendo materiais, os pensamentos Planeta e a vida em si. Esse cenário é Master Books, 2012). E-mail: john.
afetam os impulsos nervosos e movem compatível com nossas três observações ashton@sanitarium.com.au
o corpo para criar algo que poderíamos de evidências objetivas.
chamar de design inteligente (não algo O cenário de Deus como o Criador é
aleatório, que nunca existiu antes), consistente com o relato bíblico, como REFERÊNCIAS
como um poema, um telefone celular, também em relação aos muitos mila- 1. J. Ashton, ed., On the Seventh Day: 40
Scientists and Academics Explain Why They
um tanque do exército, uma pintura, gres sobrenaturais e respostas às orações Believe in God (Green Forest, Arkansas:
uma escultura, etc. Os pensamentos de relatadas na literatura cristã. Assim, Master Books, 2002).
2. Ver, por exemplo, http://www.cosmologysta-
Handel criaram a incrível composição com base nos argumentos acima expos- tement.org/ e http://metaresearch.org/cosmo
musical “O Messias”. Os pensamentos tos, a minha proposta é a de que temos logy/BB-top-30.asp.
de Jorn Utzon se tornaram o projeto evidências consistentes, tanto da ciência 3. J. Ashton, ed., In Six Days: Why 50 Scientists
Choose to Believe in Creation (Green Forest,
que está agora na Casa de Ópera de quanto da experiência pessoal, para Arkansas: Master Books, 2001).
Sydney, na Austrália. afirmar a existência de Deus. 4. Ver http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/arti-
No entanto, onde é que os pensa- Por outro lado, um ateu pode ser ten- cles/PMC3293468/.
5. Um ex-líder pesquisador na área da evolu-
mentos e a mente se originaram? Como tado a argumentar que, no futuro, des- ção química, o Dr. Dean Kenyon, professor
é que uma mente e pensamentos se cobriremos mecanismos aparentemente emérito de Biologia na San Francisco State
tornaram parte da vida? O cérebro é impossíveis para explicar o Universo, University, explica como ficou convencido de
que é impossível que a evolução química tenha
físico e incorpora processos químicos a vida e a mente. Em vista disso, eu produzido a primeira célula viva. Ver http://
que obedecem a leis químicas que não diria que, no futuro, vamos ver Deus, www.youtube.com/watch?v=a2RZzyFTTXo.
codificam a “inteligência ou força de porque isso está previsto na Bíblia. O 6. J. Ashton, Evolution Impossible: 12 Reasons
Why Evolution Cannot Explain the Origin of
vontade”. professor J. B. Payne, que obteve seu Life on Earth (Green Forest, Arkansas: 2012).
De acordo com a afirmação do doutorado no Seminário Teológico 7. 7T. Nagel, Mind and the Cosmos, Why the
eminente professor Thomas Nagel, da da Universidade de Princeton, EUA, Materialist Neo-Darwinian Conception of
Nature Is Almost Certainly False (New York:
Universidade de Nova York, em seu observa em seu livro Encyclopaedia Oxford University Press, 2012).
recente livro Mind and the Cosmos: of Biblical Prophecy [Enciclopédia da 8. J. Payne, Encyclopaedia of Biblical Prophecy
(Grand Rapids, Michigan: Baker Books,
Why the Materialist Neo-Darwinian Profecia Bíblica], publicada em 1973, 1973).
Conception of Nature Is Almost Certainly que há 737 eventos previstos na Bíblia,
False [A Mente e o Cosmos: Por já claramente cumpridos em sua maio-
Que a Concepção Materialista Neo- ria.8 Assim, nossas chances de ver a
Darwiniana da Natureza é Quase Que Deus no futuro são infinitamente
Certamente Falsa?], a evolução não maiores que as chances de a ciência vir
pode explicar a origem da mente.7 a descobrir um processo que explique a
Se os pensamentos humanos podem nossa existência.
causar reações físicas no corpo, então
os pensamentos de Deus podem tornar
possível a existência do Universo e de John F. Ashton (PhD pela
nós mesmos. Conclui-se que, assim como Universidade de Newcastle) é
os artefatos são evidência da atividade gerente de pesquisa estraté-
humana, o Universo é uma prova da gica para o Sanitarium Health and
existência de Deus. Wellbeing, e atua como profes-
sor adjunto de Ciências Aplicadas
O quadro geral no Royal Melbourne Institute, da
Quando levamos em consideração o Universidade de Tecnologia, na
quadro geral, podemos entender que a Austrália. É coautor de dezenas
de artigos relacionados a assuntos

DIÁLOGO 25 • 3 2013 7
A Igreja: Conhecendo e vivendo o
seu propósito
Lowell C. Cooper
O propósito da igreja é revelar Deus
ao mundo, ser uma sala de aula
de treinamento para o discipulado,
demonstrar como o povo redimido vive
em comunidade e em parceria com
Deus em Sua missão.

O que é a igreja? Por que temos uma Deus. Quando entendemos isso, a vida to é encontrado nas palavras de Jesus
igreja? cristã torna-se muito mais do que uma (Mateus 5:16), dos profetas Isaías e
Nossa visão de igreja é muitas vezes luta contínua para cultivar uma lista de Zacarias (Isaías 42:5-7, Zacarias 8:23),
bastante vaga e informal. É um edifício virtudes e evitar toda uma coleção de e de Pedro (1 Pedro 2:9).
na paisagem, um lugar para encontrar vícios. Começamos a ver a igreja como Ellen White também falou e escreveu
os amigos no sábado, apenas uma entre a representação ou manifestação de com frequência, mantendo esse tema
muitos grupos religiosos diferentes. Ou Deus neste mundo – a maneira como em mente: “O Senhor não deseja que
pode ser o meu patrão. vivemos e a forma como reagimos uns caminhemos na escuridão e perplexida-
Costumamos avaliar a igreja de acor- com os outros é parte de uma história e de. Ele quer que conheçamos a verdade,
do com o que ela tem a nos oferecer propósito muito maiores do que imagi- como ela é em Jesus, e onde quer que
quando vamos assistir aos cultos ou návamos. formos, proclamemos essa verdade. Por
programações. Assim, há uma infini- Nesse contexto, vamos considerar o palavra e por atos devemos revelar Jesus
dade de expressões que ouvimos sobre a propósito da igreja em quatro diferentes ao mundo.”2 “Os cristãos são postos
igreja: “Eu gosto / não gosto da música dimensões, mas todas inter-relaciona- como luminares no caminho para o
/ pregação / ambiente / sistema de som das. Céu. Cumpre-lhes refletir ao mundo a
/ escola sabatina / se é aquecida/ se é luz que de Cristo sobre eles incide. Sua
fria. Não há assentos suficientes nos 1. Chamar a atenção para Deus vida e caráter devem ser de molde a que
corredores. Por causa do junta-panelas é Não devemos nos surpreender ao outros possam obter por seu intermédio
que continuo indo lá.” descobrir que esse é um dos temas das uma justa concepção de Cristo e Seu
Qual é a utilidade da igreja? A Escrituras. O apóstolo Paulo resume serviço.”3
resposta previsível depende do que o propósito de seu chamado e propor- O objetivo da igreja é chamar a aten-
eu sinto que a igreja faz por mim. A ciona uma visão fundamental quanto ção para Deus, não para si mesma. O
resposta bíblica é diferente. De acordo ao propósito da igreja: “Foi-me conce- número de membros, a arquitetura dos
com as Escrituras, a importância da dida esta graça de anunciar aos gentios edifícios, a amplitude da presença no
igreja não diz respeito tanto ao que ela as insondáveis riquezas de Cristo... a mundo às vezes pode ser confundida
faz por você ou por mim, mas ao que intenção dessa graça era que agora, com o verdadeiro impacto que deve ter:
ela faz para Deus. mediante a igreja, a multiforme sabe- Até que ponto ela tem realmente apre-
Quando começamos a entender isso, doria de Deus se tornasse conhecida sentado ao mundo o caráter de Deus
deixamos de ter uma visão egocêntrica dos poderes e autoridades nas regiões e o Seu maravilhoso plano para a raça
com relação à igreja e passamos a ter celestiais, de acordo com o eterno humana?
uma percepção centralizada em Deus, plano que Ele realizou em Cristo Jesus,
que criou a igreja para o cumprimento nosso Senhor” (Efésios 3:8-11). Em 2. Ser uma sala de aula de
de Seus propósitos – que envolvem outros textos bíblicos, Paulo transmite treinamento para o discipulado
todos os que a frequentam em um ideias semelhantes (Colossenses 3:17, Uma das principais ênfases que
projeto grandioso que se origina em Gálatas 1:15, 16). O mesmo pensamen- damos na proclamação do evangelho é

8 DIÁLOGO 25 • 3 2013
que Deus, em Jesus Cristo, perdoou os tudo o que pertence à natureza terrena ser intercultural, multicultural, anticul-
nossos pecados. Mas nunca devemos de vocês: imoralidade sexual, impureza, tural e transcultural. Um lugar onde
parar por aí. O que realmente precisa paixão, desejos maus e a ganância, que as prioridades de baixo para cima,
ser proclamado e também demonstrado é idolatria... Mas agora abandonem relacionadas às Bem-aventuranças,
é que a salvação que nos é oferecida, todas estas coisas: ira, indignação, mal- entram em operação. Um lugar onde o
provida para nós, é a libertação do dade, maledicência e linguagem inde- serviço é considerado acima da posição
poder dominador do pecado em nossa cente no falar. Não mintam uns aos social, onde a humildade substitui a
vida. Jesus não veio apenas para nos sal- outros” (Colossenses 3:1-9). arrogância, onde reina o amor em lugar
var da punição por nossos pecados, mas Essas mudanças na convicção e con- do luxo e onde um espírito competitivo
nos dar forças para vencer a tendência duta não acontecem instantaneamente. transforma-se em espírito de coopera-
de continuarmos no pecado. Crescemos no desenvolvimento de pon- ção.
O papel do discipulado na igreja é tos de vista cristãos, em valores e graça. As admoestações de Paulo às igrejas
ajudar-nos a entender que o evangelho A igreja é a sala de aula para treinamen- sob seus cuidados envolveram novas
não é apenas um conjunto de crenças, to do discipulado, por meio do qual a dimensões do relacionamento humano
mas um poder que muda a nossa vida vida de uma pessoa é transformada até entre marido e mulher, pais e filhos,
profunda e continuamente. A salvação chegar à semelhança com Cristo e é patrões e empregados, judeus e gentios,
é muito mais do que a libertação das também onde a pessoa aprende a usar ricos e pobres, sábios e incultos.
consequências dos nossos pecados. Ela seus talentos, habilidades e energias Ao que parece, alguns cristãos em
também nos conduz a um novo campo no cumprimento da missão dada por Corinto teriam levado uns aos outros
de pensamento e sentimento em que o Deus. “Não há nada de que o mundo aos tribunais seculares para resolver
coração e a vontade se tornam puros, tanto precise como do conhecimento suas questões. Em sua carta, Paulo
em que o pecado é visto em sua verda- do poder salvador do evangelho reve- demonstra que não via com bons olhos
deira luz. Jesus veio para salvar o Seu lado em vidas semelhantes à de Cristo.”4 os membros da igreja processarem
povo de seus pecados, e não apenas do uns aos outros em tribunais seculares.
castigo por seus pecados (ver Mateus 3. Demonstrar como o povo Com relação a isso, ele diz: “Acaso não
1:21). redimido vive em comunidade há entre vocês alguém suficientemen-
A incontestável verdade do evangelho Deus não chama as pessoas para te sábio para julgar uma causa entre
é que ele recompõe tudo em nossa vida, viverem isoladas umas das outras. Pelo irmãos? Vocês não sabem que os santos
não apenas as nossas práticas religiosas. contrário, o chamado de Deus envolve hão de julgar o mundo?”
Mais cedo ou mais tarde, o evangelho o relacionamento com outros. Algumas E ele continua a escrever: “O fato de
nos leva a um confronto com nossos dessas expectativas de relacionamento haver litígios entre vocês já significa
hábitos e nossas atitudes. Ele inicia a podem ser muito desafiadoras, pois uma completa derrota. Por que não
guerra com os nossos ídolos e com o cruzam com muitas de nossas afinida- preferem sofrer a injustiça? Por que
nosso egocentrismo. Ele nos livra de des tanto culturais como cultivadas. não preferem sofrer o prejuízo?” (ver
uma forma egocêntrica de pensar. E, É realmente tentador adotar uma 1 Coríntios 6:1-8). De acordo com
finalmente, a verdadeira compreensão visão unilateral da espiritualidade – o conselho de Paulo, há uma opção
do evangelho apresenta-nos uma felici- concentrar-me em minha conexão com quando os crentes são confrontados
dade mais profunda do que a que pode Deus, negligenciando minha interação com as lutas da vida em comunidade:
ser encontrada em qualquer lugar na com as pessoas. Uma pressuposta espi- podem optar por renunciar aos seus
vida. ritualidade pode florescer em meio ao direitos.
Paulo escreveu à igreja em Éfeso a abandono da vida social (ver Malaquias De todos os propósitos para a igreja
respeito de seu desejo e oração de que 1:10; Jeremias 22:11-18). JB Phillips aqui descritos, este, sobre a demons-
eles fossem “cheios de toda a plenitude com razão afirma: “A verdade é que a tração de uma sociedade redimida,
de Deus” (Efésios 3:16-19). Apelou plenitude na qual Deus está trabalhan- é o mais desafiador, porque se opõe
também aos membros da igreja em do para alcançar nunca é completa em diretamente à tendência humana do
Colossos para que vivessem sob novas um indivíduo apenas, mas através de egocentrismo.
percepções e novos comportamentos: pessoas que vivem juntas, como um só O que poderia acontecer em nossa
“Portanto, já que vocês ressuscitaram corpo, suprindo as deficiências uns dos comunidade religiosa se o mundo real-
com Cristo, procurem as coisas que outros.” 5 mente visse a surpreendente diferença
são do alto, onde Cristo está assentado O desafio para a igreja é demonstrar que Deus faz em todas as relações
à direita de Deus. Mantenham o pen- como os seguidores de Cristo vivem humanas? É correto esperar que, como
samento nas coisas do alto, e não nas os princípios do discipulado em um resultado de ter Jesus em sua vida, o
coisas terrenas... Assim, façam morrer contexto social. A igreja é chamada a povo de Deus seja o grupo mais feliz,

DIÁLOGO 25 • 3 2013 9
o grupo mais saudável, mais tranquilo, e propósito. É um exemplo da atuação mos nossas responsabilidades diárias
mais disposto a ajudar, etc., em todo o de Deus ao empenhar-Se nessa missão. ou nos momentos dedicados para cum-
Planeta? Não é isso que Jesus quis dizer No Êxodo, Deus respondeu a todas as prir a missão. Na visão ampliada do
ao afirmar que Ele veio para que as dimensões das necessidades de Israel discipulado, porém, o trabalho diário
pessoas tenham “vida, e vida em abun- – políticas, econômicas, sociais e espiri- torna-se uma operação da soberania de
dância”? tuais. Nosso compromisso com a mis- Deus, uma plataforma para o serviço
são deve demonstrar a mesma ampla em favor de outros, em nome dAquele
4. Ser uma presença restauradora preocupação para com as necessidades que nos chamou e que nos capacitou
e reconciliadora no mundo humanas que Deus demonstrou em sua para realizar essa obra.
Muitos cristãos acreditam que são totalidade. É a participação na missão divina
chamados a se retirar do mundo. Jesus Há duas maneiras de ficarmos que consagra todo tipo de trabalho que
nos chama para sermos Seus seguido- aquém da nossa compreensão da mis- é realizado para o bem da humanidade.
res. Assim como Ele, nós também não são: uma é nos concentrarmos em seu Qualquer trabalho, qualquer profissão
somos do mundo. Mas Ele nos envia ao significado espiritual e marginalizar- exercida com o interesse de servir a
mundo (João 17:15, 16, 20:21). É Seu mos as dimensões políticas, econômicas Deus e promover o avanço do Seu reino
desejo salvar o mundo, e não apenas e sociais; a outra é nos concentrarmos na vida de cada um e na comunidade
a igreja. Ele nos chama para sermos tanto em suas dimensões políticas, eco- humana como um todo se torna uma
colaboradores com Ele nessa missão nômicas e sociais que perdemos de vista sagrada vocação. Devemos contestar a
especial de Deus a dimensão espiritual. “O mundo não ideia de que o trabalho ministerial é
Uma análise cuidadosa do ministério pode começar a acreditar na realidade mais santo que ensinar matemática ou
de Jesus revela que a sociedade como de um Deus invisível, extravagante em consertar máquinas.
um todo recebeu a Sua atenção e cui- misericórdia, pródigo em bondade,
dado. Jesus, porém, dedicou atenção empenhado em redimir, reconciliar e Conclusão
especial ao humilde, ao perdido, ao restaurar a criação, até que nossas igre- O propósito da igreja é revelar Deus
rejeitado, ao oprimido, ao excluído. Ele jas estejam vivendo lições práticas a esse ao mundo, ser uma sala de aula de trei-
deu atenção aos mais esquecidos pela respeito.” 6 namento para o discipulado, demons-
sociedade: às crianças, aos pobres, aos A missão de Deus envolve a restaura- trar como o povo redimido vive em
doentes, aos aleijados ou com proble- ção de tudo aquilo que Ele criou, bem comunidade e participar com Deus em
mas mentais e aos pecadores da pior como a erradicação de toda a maldade Sua missão. Que objetivo empolgante!
espécie (Mateus 4:23, 24). Na mente que tem traçado um caminho de des- Que desafio incrível! Que maravilhoso
de muitos, Sua reputação foi manchada truição neste mundo. Nossa missão, privilégio!
pelo tempo e atenção que Ele dedicava portanto, tem que ser tão abrangente
aos marginalizados pela sociedade. quanto o evangelho que nos é apresen-
Jesus ministrou aos endemoninhados tado em toda a Bíblia. Lowell C. Cooper é vice-presidente
e mutilados. Curou membros atrofiados Devemos ser cuidadosos para não da Associação Geral dos Adventistas
e espíritos feridos. Os cegos, surdos e assumir a ideia de que os indicadores do Sétimo Dia. E-mail: cooperl@
mudos foram os beneficiários de Suas de uma vida religiosa são o estudo da gc.adventist.org.
misericórdias. Jesus Se identificava com Bíblia, a oração e o testemunho. Esta é
as necessidades humanas. Na verdade, uma lista incompleta. Está faltando o
Ele faz disso um teste do verdadeiro serviço. A vida, em sua totalidade, deve REFERÊNCIAS
discipulado. O serviço que prestamos a ser vista como uma resposta à graça de 1. Todos os textos bíblicos foram extraídos da
Nova Versão Internacional.
Ele é visto através do nosso serviço em Deus. Tanto o trabalho quanto a ado- 2. Ellen White, Review and Herald, 19 de janeiro
favor de outros (ver Mateus 25:35-40). ração devem ser inteiramente dedicados de 1905, par. 24.
As comunidades religiosas têm falha- a Ele. 3. ___, Caminho a Cristo (Mountain View,
Califórnia: Pacific Press Pub. Assn., 1956), p.
do ao se importarem mais com a reli- Os membros da igreja tornam-se 115.
gião do que com a humanidade. Cristo facilmente vítimas da ideia de que ser- 4. ___, A Ciência do Bom Viver, (Mountain
se importava mais com a humanidade vimos melhor a Deus quando estamos View, Califórnia: Pacific Press Pub. Assn.,
1942), p. 132 e 133.
do que com a religião – de certa forma, na igreja, quando estamos orando, 5. J. Phillips, Making Men Whole (London:
o Seu cuidado com a humanidade foi a lendo a Bíblia, dando estudos bíblicos Fontana Books, 1964), p. 115.
6. Mark Buchanan, Your Church Is Too Safe
Sua principal expressão religiosa. ou distribuindo folhetos, e que o nosso (Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 2012),
A história do Êxodo é a metanarrati- trabalho não passa de uma necessida- p. 170.
va na qual o povo de Deus no Antigo de de buscar meios para servi-Lo no
Testamento encontra a sua identidade tempo que nos resta depois de cumprir-

10 DIÁLOGO 25 • 3 2013
Agostinho e a criação:
Como a tradição influenciou a
aceitação da evolução
Raúl A. Kerbs
A preocupação de Agostinho com as
interpretações filosóficas gregas levaram
a uma reinterpretação do relato bíblico
das origens e abriu as portas para futuras
possíveis substituições.

Desde que Charles Darwin publicou uma perspectiva material e espaço- que o cristianismo chegou a pensar que
A Origem das Espécies, em 1859, a dou- temporal. Assim, a afirmação bíblica a criação não ocorreu da forma como
trina bíblica da criação tem estado sob de que Deus criou a vida na Terra seria o texto bíblico relata que aconteceu,
crescentes ataques. A ciência continua uma declaração que pertence à fé, e o ou seja, por meio de ações divinas no
promovendo constantemente a evolução papel da ciência seria demonstrar como domínio espaço-temporal?
como uma explicação plausível para a a vida se formou e evoluiu do simples Uma possível resposta para essas
origem da vida na Terra, acreditando para o complexo, ao longo de milhões perguntas pode ser encontrada não só
que, através de milhões de anos, o pro- e milhões de anos. Já por vários anos, a no progresso científico ou no desenvol-
cesso evolutivo resultou finalmente na Igreja Católica tem aceitado a posição vimento da teoria da evolução como
vida humana. A influência da teoria da de que as afirmações relacionadas à fé uma explicação das origens, mas tam-
evolução é tão dramática que a dou- e à teoria da evolução não são contradi- bém no longo processo com o qual a
trina bíblica da criação – de que Deus tórias, mas sim, complementares, uma tradição teológica cristã se deparou ao
criou a vida terrestre em suas múltiplas postura que também foi aceita pela lidar com os problemas que surgiram
formas, em sete dias de 24 horas – já maioria dos outros cristãos. na doutrina da criação. Uma vez que
não é aceita como verdadeira por mui- Entretanto, como foi que os cristãos não é possível fazer aqui um estudo
tos cristãos. Na verdade, em muitas passaram a acreditar que o relato bíbli- detalhado desse desenvolvimento his-
igrejas, tornou-se comum afirmar que a co é uma linguagem que se refere a um tórico, abordaremos apenas o mais
história da criação do Gênesis não deve reino espiritual, imaterial, e não a um influente teólogo da igreja nos primei-
ser tomada como literal; ao contrário, espaço temporal histórico? Como foi ros séculos, Agostinho, especialmente a
deve ser interpretada simbolicamente, forma como suas ideias influenciaram
como um relato feito “para nós”, “em as várias explicações sobre as origens da
linguagem humana”, relacionada a uma Embora a interpretação teologia cristã. Embora houvesse outros
realidade que está completamente fora pensadores cristãos antes de Agostinho
do âmbito da nossa compreensão. da criação bíblica dada (por exemplo, Justino Mártir, Orígenes,
Uma vez que a teoria da evolução por Agostinho não etc.), que pensavam que o texto bíblico
estabeleceu, dentro da ciência, uma tenha sido incluída na se refere não à esfera temporal, mas à
poderosa ascendência como sendo a espiritual, foi ele o padre mais impor-
explicação para as origens, muitos cris-
doutrina oficial da Igreja tante da igreja, entre os séculos quatro
tãos reagiram contra essa teoria tentan- Católica, ela contribuiu e cinco, a figura mais relevante que,
do harmonizá-la com a doutrina cristã para a formação da por sua poderosa autoridade e influ-
da criação. Essa harmonização levou à mentalidade cristã, tanto ência teológica e eclesiástica, abriu a
ideia de que o relato bíblico fala a partir porta para uma nova interpretação do
de uma perspectiva espiritual ou teo- no catolicismo como no relato bíblico da criação e que, poste-
lógica, ao passo que a ciência deriva de protestantismo. riormente, tornou mais fácil para os

DIÁLOGO 25 • 3 2013 11
cristãos aceitarem a teoria moderna da A interpretação filosófica de Agostinho sobre Deus
evolução. Embora a interpretação da como um Ser atemporal e imutável determina a
criação bíblica dada por Agostinho não
tenha sido incluída na doutrina oficial sua interpretação do relacionamento de Deus com
da Igreja Católica, ela contribuiu para a o mundo temporal e material. Agostinho fez uma
formação da mentalidade cristã, tanto clara distinção entre o Ser de Deus e a manifestação
no catolicismo como no protestantis-
mo. de Deus. Como a essência da divindade é invisível
Como veremos, a interpretação e imutável, ela nunca pode aparecer no mundo
de Agostinho com relação à criação temporal e material; só pode ser revelada através
bíblica não é coerente com o relato
bíblico, mas submete-a a certos prin-
de um ser criado. Isso estabelece a possibilidade de
cípios de interpretação que, na leitura interpretar o texto bíblico de uma forma que seja
de Agostinho, determinaram o signi- consistente com a interpretação filosófica de Deus.
ficado das declarações bíblicas. Esses
princípios de interpretação consistem
principalmente no conceito agostiniano é absolutamente perfeito e imutável.1 de tempo”.8 Deus não precede tempo-
do Ser referente a Deus e Sua relação Enquanto tudo o que é corporal é ralmente ao tempo; em Deus não há
com o mundo temporal. Para melhor mutável, Deus é imutável.2 A alma nenhum tipo de sucessão, em absolu-
compreensão da interpretação dada humana não é corporal, mas é mutável, to. Deus é eterno “hoje”, um eterno
por Agostinho sobre o texto bíblico, é por isso também temos que colocá-la presente, sem distinção entre passado,
necessário primeiramente apresentar de lado para definirmos o que é Deus. presente e futuro.9 Em Deus não há
seus princípios de interpretação. Assim, o que é negado não é apenas o tempo, não há mudança.10 Sob a influ-
aspecto físico de Deus, mas também a ência do pensamento grego, Agostinho
Princípios básicos de Agostinho Sua mutabilidade. Deus é o único que enfatizou que, se houvesse tempo e
para a interpretação bíblica não sofre qualquer forma de mudança.3 mudança em Deus, não haveria verda-
Embora a atitude dos primeiros “Há apenas uma única substância ou deira eternidade.11 Consequentemente,
padres da igreja quanto à conveniência essência imutável, que é Deus [...], por- a imutabilidade e a atemporalidade de
de usar conceitos filosóficos gregos tanto, somente Aquele que não muda Deus estão mutuamente relacionadas.
tenha se caracterizado por conflitos, nem pode mudar é, sem dúvida, verda- A interpretação filosófica de
a maioria deles aceitou e introduziu deiramente o Ser.”4 Agostinho pensou Agostinho sobre Deus como Ser
esses conceitos no desenvolvimento da que, para comunicar a revelação do atemporal e imutável determina a sua
teologia e da doutrina cristã. Agostinho Ser de Deus em Êxodo 3:14 (“Eu Sou interpretação do relacionamento de
usou explicitamente a distinção grega o que Sou... dirás aos filhos de Israel: Deus com o mundo temporal e mate-
entre o âmbito espiritual, imaterial, Eu Sou me enviou a vocês”), o escritor rial. Agostinho fez uma clara distinção
atemporal e o corpóreo, material e tem- bíblico estava assumindo a ideia de que entre o Ser de Deus e a manifestação de
poral. Ele considerou o primeiro como o que caracteriza Deus como o único Deus. Como a essência da divindade é
o campo da verdade e do conhecimen- que “é” verdadeiramente o Ser, é a Sua invisível e imutável, a divindade em Si
to, e o segundo como o campo das apa- imutabilidade.5 nunca pode aparecer no mundo tem-
rências e opiniões mutáveis. Agostinho Para Agostinho, a imutabilidade de poral e material; ela somente pode ser
entendia que os escritores bíblicos Deus implica na Sua eternidade: “Ele é revelada através de um ser criado.12 Isso
davam como certa essa distinção ao também a eternidade porque é imutá- estabelece a possibilidade de interpretar
falar do Deus eterno e do mundo tem- vel, sem começo nem fim e, portanto, o texto bíblico de uma forma que seja
poral. Vamos ver como isso funciona incorruptível. Dizer que Deus é eterno, consistente com a interpretação filosó-
na interpretação agostiniana da Bíblia, imortal, incorruptível e imutável é dizer fica de Deus. A separação entre o Deus
de forma geral, e como determinou a mesma coisa.”6 No entanto, ao seguir atemporal e o mundo temporal não
a sua interpretação quanto à criação a filosofia grega, Agostinho argumenta concorda com a revelação bíblica, mas
bíblica, em particular. que a eternidade de Deus não é uma sim com a filosofia grega. Seguindo o
Agostinho argumentou que, para temporalidade infinita: “Nada tem- pensamento grego, Agostinho acredita
entender o Ser de Deus, devemos poral pode existir em Deus”7; “Deus que a linguagem bíblica sobre um Deus
negar tudo o que é corporal e espiritu- deve ser concebido como eterno [...], que experimenta o tempo e a mudan-
almente mutável e concordar com os atemporal”; “no âmbito da Trindade ça é apenas uma forma analógica ou
“platonistas” ao afirmarem que Deus soberana, que é Deus, não há intervalos metafórica de falar “para nós”: “Nada

12 DIÁLOGO 25 • 3 2013
pode ser dito dignamente em relação a na frase: “No princípio criou Deus outras palavras, Deus criou e deu forma
Deus. No entanto, para nos alimentar- os céus e a Terra” (Gn 1:1). A Terra, às coisas (espécies de seres) na matéria,
mos e entendermos as coisas que não ainda caótica e sem forma, não per- mas em sua potencialidade, para que
podem ser expressas em qualquer forma tence à ordem espacial e temporal da pudessem existir verdadeiramente em
da linguagem humana, os termos são criação. Em segundo lugar, Agostinho ato posterior.24 Dessa forma, a criação
expressos em palavras que podemos salientou a diferença que há na Terra é interpretada como o desenvolvimen-
compreender.”13 Por exemplo, quando que Deus formou, organizando o caos to temporal de uma ação instantânea
as Escrituras atribuem a Deus alguma segundo a ordem temporal dos seis dias realizada por Deus, fora do tempo (a
coisa relacionada ao tempo, como no da criação.19 Agostinho compreendeu criação das formas ou espécies).
Salmo 90:1, que diz: “‘Senhor, Tu que a matéria universal, desordenada e Além disso, na interpretação do rela-
tens sido o nosso refúgio’, isso indica misturada fora criada a partir do nada to bíblico da criação, Agostinho faz dis-
que não há mutação em Deus, pois e estava pronta para receber as formas tinção entre uma operação intelectual e
Ele permanece inalterado [...]”.14 Para a serem dadas pelas mãos do Criador, a corporal. Quando é dito no Gênesis:
Agostinho, tudo o que as Escrituras dando assim origem a um mundo que “e assim foi feito”, Agostinho dá a
atribuem a Deus, com relação ao consiste de coisas distintas e separa- interpretação de que isso quer dizer que
tempo, é apenas dito de forma impró- das.20 O relato bíblico descreve que a algo foi criado “de acordo com a natu-
pria.15 Os relatos das aparições de Deus Terra era sem forma, vazia e escura, reza das razões intelectuais”. Quando
aos patriarcas do Antigo Testamento porque, afirma Agostinho, ela necessi- o relato diz, por exemplo, que “a água
sempre expressam, simbolicamente, a tava de forma, que é a essência das coi- foi ajuntada num só lugar e apareceu a
presença de Deus através de uma cria- sas.21 “Primeiramente, a matéria foi feita terra seca”, isso significa que a operação
tura mutável.16 confusa e sem forma para que dela, corpórea foi realizada. Essas distinções
Vejamos agora como a interpretação mais tarde, se fizessem todas as coisas refletem a distinção filosófica entre o
dada por Agostinho quanto ao Ser de que hoje estão separadas e formadas.”22 Ser atemporal de Deus e o ser temporal
Deus e do relacionamento de Deus Isto significa que, para Agostinho, do mundo. Em outras palavras, a “ope-
com o mundo determinou a interpre- Deus não criou as coisas durante seis ração intelectual” corresponde à ação
tação que ele fez do relato bíblico da dias, mas colocou na matéria as semen- de Deus que criou simultaneamente, e
criação. tes das coisas que surgiram depois: “Se em caráter atemporal, as “formas” das
levarmos em consideração a semente da coisas (as “sementes” que Deus colocou
A interpretação de Agostinho árvore, vamos dizer que nela estão as na matéria universal e caótica); a ope-
sobre a criação bíblica raízes, o tronco, os ramos, os frutos e as ração corporal corresponde ao processo
Em relação à criação do Universo, folhas, não porque eles já aparecem ali, sucessivo que, ao longo do tempo, fez
Agostinho argumentou que Deus criou mas porque dali vão nascer. Por isso, com que essas formas chegassem a ser
primeiro o que a Bíblia chama de “Céu foi dito: ‘No princípio criou Deus o céu coisas individuais e separadas. Para
dos céus”, que ele interpretou como um e a Terra’, como se fosse o sêmen do Agostinho, Deus criou a essência atem-
paraíso intelectual, sem espaço nem céu e da Terra, estando ainda confusa poral das coisas, mas as coisas tempo-
tempo. Esse Céu participa da eterni- a matéria do céu e da Terra. Aquela rais, individuais e materiais foram sur-
dade e imutabilidade de Deus, mas matéria foi chamada de céu e Terra gindo ao longo do tempo.25 Deus criou
não é eterno como Deus porque é algo porque era certo que de lá havia de pro- todas as coisas ao mesmo tempo na
criado.17 Em seguida, de acordo com ceder o céu e a Terra que vemos.”23 Em maneira de dizer, embora elas tenham
Agostinho, Deus teria criado o que a
Bíblia chama de “o céu e a Terra”, que
é o domínio visível aos sentidos.18 Em Agostinho deixou de lado o relato bíblico da
outras palavras, seguindo a distinção
grega entre a esfera atemporal e a tem-
criação divina, substituiu-o por uma interpretação
poral, Agostinho diz que Deus criou filosófica grega e abriu a porta para outras futuras
primeiro um Céu atemporal e imutável, substituições. Por um lado, Agostinho estabeleceu
e então o mundo temporal e mutável uma distinção entre o âmbito intelectual atemporal
que vemos através dos sentidos.
Com relação à criação da Terra, e corpo-temporal. Por outro, manteve uma
Agostinho distinguiu, em primeiro interpretação filosófica do Ser de Deus, um conceito
lugar, a Terra caótica, invisível, sem de Deus totalmente fora do conceito do texto bíblico.
forma e vazia, que não é colocada entre
os dias da criação, mas mencionada

DIÁLOGO 25 • 3 2013 13
sido feitas sucessivamente.26 Agostinho e os grandes teólogos católicos e protestantes
A base filosófica grega dessa aborda- que o seguiram introduziram no cristianismo a fatídica
gem é claramente evidenciada quando
Agostinho afirma que a alma humana ideia de que a ação e a revelação divinas no tempo,
foi criada – juntamente com os anjos tal como estão registradas nas Escrituras, devem ser
–,27 antes do corpo, já que este foi interpretadas não como a verdade, mas apenas como
criado apenas no sentido de que Deus
colocou na matéria as suas sementes, uma forma simbólica e analógica de transmitir o
enquanto que a alma, sendo espiritual, conhecimento sobre a realidade espiritual, atemporal e
foi criada no primeiro dia da criação28 imutável na qual Deus existe e age.
e, posteriormente, “inclinou-se por von-
tade própria para governar o corpo”.29
Portanto, de acordo com Agostinho, e ilustrativa de transmitir, de forma xou de lado o relato bíblico da criação
o relato bíblico da criação está formu- sucessiva e temporal, a criação que em divina, substituiu-o por uma interpre-
lado em uma ordem temporal, não Deus ocorre simultaneamente.34 Para tação filosófica grega e abriu a porta
porque Deus realmente criou dessa Agostinho, isso não implica em con- para outras futuras substituições. Por
maneira, mas, para que possamos tradição, pois as Escrituras (embora um lado, Agostinho estabeleceu uma
compreendê-lo, através dos olhos da ele não identifique onde está dito isso) distinção entre o âmbito intelectual
carne – isto é, a partir da nossa pers- apresentam somente para olhos carnais atemporal e corpo-temporal. Por outro,
pectiva temporal. Além disso, o relato algo que não aconteceu exatamente manteve uma interpretação filosófica
apresenta a obra divina em forma tem- como realmente se apresentam aos do Ser de Deus, um conceito de Deus
poral porque “as naturezas temporárias olhos carnais. totalmente fora do conceito do texto
executam temporariamente os seus Manifestando a sua convicção de que bíblico. Se Agostinho tivesse inter-
movimentos”,30 mas “tudo o que se as Escrituras retratam Deus da mesma pretado o Ser de Deus tal como Deus
diz de Deus, que se inicia ou termina, maneira que o faz a filosofia grega, Se revela na Bíblia, então poderia ter
de modo algum se deve entender que Agostinho põe como palavras da boca interpretado o relato bíblico da criação
acontece na natureza de Deus, mas na de Deus o seguinte: “O que dizem as como a verdadeira revelação da ação
criatura dEle”31. Por exemplo, “o espí- Minhas Escrituras, isso mesmo digo sucessiva de Deus durante sete dias de
rito de Deus Se movia sobre a face das Eu; mas elas dizem com relação ao 24 horas.
águas” não deve ser entendido como se tempo, enquanto que o tempo não tem
Deus tivesse Se movido para ocupar nada a ver com a Minha Palavra, que Conclusão
um lugar. De qualquer modo, deve ser permanece imutável comigo como na Foram pressuposições filosóficas, e
entendido, propõe Agostinho, como se eternidade; e assim, as coisas que vocês não bíblicas, que levaram Agostinho
referindo a uma criatura viva, na qual veem pelo Meu Espírito, Eu as vejo a descartar o relato bíblico da criação
estava contido o mundo visível e à qual também; e as coisas que vocês dizem como a verdadeira revelação da ação
Deus teria concedido o poder de reali- pelo Meu Espírito, Eu as digo também. de Deus no tempo. Ao partir de pres-
zar Suas obras.32 Mas assim como vocês as veem tempo- supostos filosóficos gregos, Agostinho
A substituição do relato bíblico da ralmente, e Eu não as vejo temporal- considerou a ação temporal criativa
criação para favorecer uma interpre- mente, do mesmo modo, vocês dizem a divina, registrada na Bíblia, como algo
tação filosófica grega caminha junto respeito delas temporalmente, e Eu não que não diz respeito ao modo em que
com a distinção feita por Agostinho as digo temporalmente.”35 Agostinho Deus realmente criou todas as coisas.
entre a verdade “em si mesma” e a afirmou claramente que a verdade não Na filosofia grega, Deus é imutável e
“verdade para nós”. A razão (ou seja, é da maneira como se apresenta na nar- atemporal. Para Agostinho, a filosofia
a filosofia grega) captura a verdade rativa bíblica: “Portanto, talvez tenha grega é a “ciência” que explica como as
“em si mesma”, enquanto que o texto sido dito: ‘e a tarde e a manhã repre- coisas realmente acontecem, bem como
bíblico apresenta apenas a verdade sentavam um dia’, primeiro conforme a natureza de Deus e Suas ações. Uma
“para nós”. Agostinho argumentou entende a razão que poderia ou deveria vez que nela Deus só pode agir atem-
que as Escrituras dizem que Deus ser feito, mas não da maneira que fun- poral e simultaneamente, Agostinho
criou tudo em seis dias, mas que elas ciona nos intervalos de tempo [...]. Na não levou em conta a revelação bíblica
também dizem (Agostinho não iden- atuação de Deus não há intervalos de do trabalho criativo temporal de Deus
tificou onde) que Deus criou tudo de tempo, embora eles se encontrem nas como sendo o verdadeiro conhecimen-
uma vez.33 Assim, o texto bíblico é próprias obras.”36 to. Para ele, o conhecimento verdadeiro
visto como uma maneira pedagógica Como se pode ver, Agostinho dei- só pode ser produzido pela “ciência”

14 DIÁLOGO 25 • 3 2013
racional (a filosofia grega) de seu ralidade eterna, ou seja, como um Ser de Evaristo Seijas, Obras de San Agustín, V.
III, Madri, Biblioteca de Autores Cristianos,
tempo. Por isso, Agostinho e os grandes que pode agir no tempo sem ser limita- 1963), II, 6, 14.
teólogos católicos e protestantes que o do pelo tempo, não pode se misturar a 4. TST, V, 2, 3; ver também V, 4, 5; V, 5, 6.
seguiram introduziram no cristianismo uma explicação evolutiva dos processos 5. TST, V, 2, 3; VII, 5, 10.
6. TST, XV, 5, 8; I, 6, 10; II, 9, 16.
a fatídica ideia de que a ação e a reve- temporais e mutáveis pelos quais o 7. TST, V, 16, 17.
lação divinas no tempo, tal como estão Universo e a vida surgiram ao longo do 8. TST, XV, 25, 45; IV, 21, 30.
registradas nas Escrituras, devem ser tempo. A teoria da evolução, como uma 9. C, XI, 13, 16.
10. CD, XI, 21.
interpretadas não como a verdade, mas explicação do processo criativo, só pode 11. C, 11, 7, 9; 11, 10, 12; 11, 13, 16; 11, 14, 17;
apenas como uma forma simbólica e ser introduzida no cristianismo caso TST, III, 11, 26.
analógica de transmitir o conhecimento leiamos equivocadamente o Gênesis 12. TST, II, 15, 26; II, 14, 24; II, 18, 35; III, 5,
10.
sobre a realidade espiritual, atemporal como sendo um relato “metafórico”. 13. San Agustín, Del Génesis contra los maniqueos
e imutável na qual Deus existe e age. Mas a Bíblia não dá espaço para tal (tradução de Balbino Martín, Obras de San
leitura metafórica. Todo o relato bíblico Agustín, V. XV, Madrid, Biblioteca de Autores
Seguindo a filosofia grega, Agostinho Cristianos, 1957) I, 8, 14. (Em espanhol.
e a tradição teológica cristã separaram da criação mostra que ela ocorreu como Citaremos esta obra como GCM).
nitidamente Deus do tempo. Mais uma sequência de ações realizadas por 14. TST, XV, 3, 5.
15. TST, V, 8, 9; DC III, 11; San Agustín,
tarde, quando a ciência moderna apare- Deus no tempo. Portanto, os cristãos Enquiridión (tradução de Andrés Centeno,
ceu em cena, Deus já havia sido exclu- que creem na Bíblia não podem har- Obras de San Agustín, V. IV, Madri, Biblioteca
ído do âmbito temporal pela tradição monizar a criação bíblica com a teoria de Autores Cristianos, 1956), 33 (em espa-
nhol).
teológica cristã. Por isso, os cientistas da evolução, uma vez que ambas são 16. TST, II, 17, 32.
modernos começaram a explicar a ori- mutuamente excludentes e contraditó- 17. C, XII, 9-11, 13; XII, 15, 19-20.
gem do mundo e da vida, independen- rias. 18. C, 12, 12, 15.
19. C, XII, 12, 15.
temente da existência do Deus bíblico. 20. C, 12, 3, 3; San Agustín, Del Génesis a
Agostinho já tinha adotado a mesma la letra, incompleto (tradução de Balbino
atitude, pois ele explicou a origem do Raúl A. Kerbs (Doutor em Filosofía Martín, Obras de San Agustín, V. XV, Madrid,
Biblioteca de Autores Cristianos, 1957), 3, 10;
mundo e da vida a partir da “ciência” pela Universidade Nacional de 4, 13-14. (Em espanhol. Citaremos esta obra
de seu tempo (a filosofia grega). No Córdoba, Argentina) é professor de como GLI.).
entanto, Agostinho não se tornou Filosofia na Universidad Adventista 21. GLI, 5, 25; GCM, I, 7, 11; I, 4, 7.
22. GCM, I, 5, 9; I, 6, 10.
um ateu porque essa ciência aceitava del Plata, Argentina. E-mail: raulk- 23. GCM, I, 7, 11; ver também GLI, 10, 32.
a existência de um Deus atemporal e erbs@gmail.com 24. San Agustín, Del Génesis a la letra (tradução
de Balbino Martín, Obras de San Agustín, V.
imutável. XV, Madri, Biblioteca de Autores Cristianos,
A ciência moderna não aceita Deus 1957), IV, 33, 51; VIII, 3, 6; IX, 17, 32; TST,
porque a Sua existência não pode ser REFERÊNCIAS: III, 9, 16 (em espanhol).
1. San Agustín, La ciudad de Dios, (tradução de 25. GLI, 10, 32, 35.
comprovada através da observação e 26. C, 11, 7, 9; 11, 10, 12
José Morán, Obras de San Agustín, V. XVI,
experimentação. No entanto, como Madri, Biblioteca de Autores Cristianos, 27. CD, XI, 9.
a ciência moderna não pode provar a 1958), VIII, 6. (Em espanhol. Citaremos esta 28. Del Génesis a la letra, VII, 24, 35.
obra como CD.) 29. Del Génesis a la letra, VII, 25, 36.
não existência de um Deus eterno e 2. San Agustín, De la naturaleza del bien: 30. GLI, 7, 28.
imutável, muitos cristãos harmonizam Contra los maniqueos (tradução de Mateo 31. GLI, 5, 19.
a explicação científica evolucionista Lanseros, Obras de San Agustín, V. III, Madri, 32. GLI, 4, 16-17
Biblioteca de Autores Cristianos, 1963), 1 (em 33. Del Génesis a la letra, IV, 33, 52; 34, 53, 55.
da origem do mundo material com a espanhol). 34. Del Génesis a la letra, VII, 24, 35.
crença no Deus atemporal, imutável 3. San Agustín, De la doctrina cristiana 35. C, 13, 29, 44.
e espiritualizado que Agostinho e a (tradução de Balbino Martín , Obras de 36. GLI, 7, 28; 9, 31.
San Agustín, V. XV, Madri, Biblioteca de
tradição teológica cristã introduziram Autores Cristianos, 1957), I, 8 (Em espa-
no cristianismo. Isso pode ser chamado nhol. Citaremos esta obra como DC.); San
de uma abordagem cristã tradicional, Agustín, Tratado de la Santísima Trinidad
(traduçã de Luis Arias; Obras de San
mas não bíblica. Os cristãos que levam Agustín, Vol. V, Madri, Biblioteca de Autores
a sério a ação bíblica de Deus e sua Cristianos, 1956), IV, Prólogo, 1; V. VIII, 2,
revelação no tempo não podem harmo- 3; V. XII, 14, 22; V, 16, 17; VII, 3, 5; I, 1,
3; XV, 4, 6; V, 1, 2; C, VII, 7, 11; VII, 11,
nizar a criação bíblica com a teoria da 17 (Em espanhol. Citaremos esta obra como
evolução, pois a Bíblia explica a origem TST); San Agustín, Confesiones (tradução de
do Universo e da vida assumindo uma Ángel Custodio Vega; Obras de San Agustín,
V. II, Madri, Biblioteca de Autores Cristianos,
interpretação temporal e histórica da sétima edição, 1979), VII, 7, 11; VII, 11, 17
natureza e da ação de Deus. O conceito (Em espanhol. Citaremos esta obra como C.);
bíblico de Deus – como uma tempo- San Agustín, Del libre albedrío, (tradução

DIÁLOGO 25 • 3 2013 15
“Combati o bom combate”
William Ellis Foy - o milerita
Benjamin J. Baker
Ao celebrarmos o 150º aniversário da
Igreja Adventista do Sétimo Dia, eis aqui
a história de um milerita esquecido,
que teve significativa influência sobre os
fundadores do adventismo.

O movimento milerita da década de sobre a infância de William, provavel- e tornou-se plenamente integrado à vida
1830 e 40 é um dos mais dinâmicos na mente ele a tenha passado ajudando nos da igreja, até mesmo aprendendo a ler.
história religiosa dos Estados Unidos, trabalhos da fazenda e formando suas Após “três meses de desobediência”,
na qual se destacam alguns nomes: amizades entre os filhos de outras famí- resistindo aos apelos, Foy então foi bati-
William Miller, seu fundador; Joshua lias negras da região. Quando Foy tinha zado por Curtis. Pouco tempo depois,
Himes, mentor de relações públicas; quinze anos, a família mudou-se para ele decidiu se tornar um ministro.
Charles Fitch, ousado pregador e, então, Palermo, também no Maine.
Ellen Harmon, Tiago White e José As frequentes visitas à cidade vizinha Mudança para Boston
Bates, que viriam a ser os fundadores de Augusta colocaram Foy em contato Foy casou-se com Ann,4 por volta de
da Igreja Adventista do Sétimo Dia. com Silas Curtis, um pastor local da 1836, e o casal teve a primeira filha,
Entretanto, uma das figuras que teve Igreja Batista Livre. Foy lembra: “No Amélia, no ano seguinte. Mudaram-
papel preponderante no milerismo é ano de 1835, durante a pregação do pas- se depois para Boston, em 1840, e
bem menos conhecida. A esse indivíduo tor Silas Curtis, fui levado a perguntar passaram a residir no histórico bairro
foi confiado o mais raro dos dons, que sobre o que devo fazer para ser salvo. Os de Beacon Hill. Lá, Foy se estabele-
ele usou em um dos momentos mais cristãos me conduziram ao ‘Cordeiro ceu, preparando-se então para obter
hostis da História. Mesmo diante de de Deus, que tira o pecado do mundo’.” as credenciais de clérigo episcopal e
tremendas dificuldades, ele se destacou Depois de um período de desespero, aprendeu um ofício para sustentar a
como ministro, abençoando a vida de desejando saber se Deus aceitaria um família. Os anos em Boston mantive-
milhares de pessoas. Ellen White ainda pecador como ele, o jovem de dezessete ram o calouro pregador ocupado com
se lembrava dele vividamente, mais de anos de idade avançou grandemente em palestras em muitas igrejas na movi-
meio século depois de tê-lo encontrado sua fé, ao perceber a extensão da graça mentada cidade. Pouco depois de sua
pela primeira vez. Seu nome: William de Deus: “Eu, então, estava disposto a mudança para Boston, Foy começou
Ellis Foy. 1 desistir de tudo… . Senti tal plenitude a se familiarizar com os ensinamentos
em Cristo, que meu desejo era procla- mileritas. Embora, inicialmente, fosse
Os primeiros anos mar essa graça a todo o mundo. Oh, a avesso a esses ensinos, o jovem pregador
Foy nasceu numa área rural, mais ao glória de Deus enchia a minha alma! logo abraçou a doutrina do Segundo
norte de Augusta, no Maine, em 1818, Três meses se passaram, nos quais des- Advento.
e era filho de pais afro-americanos, frutei de uma doce comunhão com meu Por essa época, no auge do movi-
Joseph e Elizabeth Foy. Como acontecia Deus.”2 mento milerita, Foy teve a sua primeira
naquela época, a família Foy vivia em Os meses de alegria que havia passado experiência como profeta. Em 18 de
um pequeno aglomerado de famílias foram interrompidos por “uma provação janeiro de 1842, na Igreja Batista de
negras, ganhando a vida por meio do por parte daqueles que deveriam ter sido Twelfth Street, em Southock Street, o
cultivo de um modesto pedaço de terra pais em Israel…”.3 Mas Foy aceitou o jovem de 23 anos “encontrou-se com
que possuía. Embora pouco se saiba sábio conselho de outro “pai em Israel”, o povo de Deus… ‘onde os crentes

16 DIÁLOGO 25 • 3 2013
estavam reunidos em solene oração, e Foy lhe disse para compartilhar o que Em um último esforço, o apavorado
a minha alma se regozijou no amor de havia presenciado. Foy pediu ao pastor Husted para iniciar
Deus. Imediatamente, fui dominado Naquela época, é claro, milhões de a reunião com uma oração, na esperan-
por uma agonia como a da morte, e compatriotas da raça de Foy foram ça de que a ocasião se transformasse em
minha respiração me deixou; pareceu- escravizados em plantações ao sul do rio uma reunião de oração e ele ficasse livre
me que eu era um espírito separado Mississippi. Essa realidade afligia Foy, do seu dever. No entanto, enquanto o
deste corpo.’”5 Nessa visão, Foy visitou e ele escreveu: “... sabendo do precon- pastor orava, Foy ouviu uma voz que
o Céu, e mais tarde ele o descreveu ceito contra as pessoas da minha cor, a dizia: “Eu estou contigo e prometi estar
poderosamente com ricas metáforas e incumbência tornou-se muito pesada.” contigo!” Naquele momento, “meu
simbolismos. Esses receios, combinados com a singu- coração começou a arder dentro de
Logo após contemplar as glórias laridade da experiência da visão, faziam mim, o medo das pessoas desapareceu
indescritíveis do Céu, Foy caiu em com que o jovem continuamente se de repente, e uma glória inexprimível
depressão e desânimo, achando que questionasse: “Por que é que estas coi- encheu minha alma.” 13 William, com-
deveria compartilhar o que tinha visto, sas me foram dadas para eu transmitir partilhou então suas visões de forma tão
mas não o fez: “Eu fui desobediente, ao mundo, e não para os sábios, ou a eloquente e poderosa que, logo depois,
tomando este ponto como uma descul- alguém de uma condição diferente da foi bombardeado com pedidos para
pa: a de que meu guia não havia me minha?” 8 Ao falar de sua “condição”, falar em outros lugares; os compro-
mandado assim proceder, e eu, por essa poderia estar se referindo a uma série de missos em sua agenda tinham que ser
razão, trouxe trevas e morte sobre a coisas: à sua raça, idade, relativa pobre- marcados com meses de antecedência.
minha alma. Mas não conseguia encon- za, status social ou mesmo à sua recente John Loughborough, o primeiro histo-
trar paz ou conforto. Comecei a duvidar alfabetização. Independentemente de riador do adventismo, disse o seguinte
de que minha alma, alguma vez, real- qual fosse o caso, um fardo oprimia sobre Foy: “As visões do Sr. Foy estão
mente tivesse sido convertida e, embora fortemente a sua alma, a ponto de quase relacionadas com o próximo advento
me encontrasse frequentemente com sufocá-la. de Cristo, à viagem do povo de Deus
o povo de Deus, não conseguia obter Quatro dias após a segunda visão, para a cidade celestial, a Nova Terra, e
nenhum alívio; sentia-me angustiado J. B. Husted, pastor da igreja vizinha à glória dos remidos. Tendo um bom
e solitário. Parecia que minhas orações de Broomfield Street, visitou Foy com domínio do idioma, com rebuscados
deixaram de ser ouvidas.”6 vários de seus paroquianos. Seu pedido poderes descritivos, ele causava grande
Para aliviar esse seu estado desespera- foi simples e direto: “Conte à nossa igre- sensação onde quer que fosse. A convite,
dor, Foy escreveu a visão e a publicou. ja o que você já viu.” Foy concordou, ele ia de cidade em cidade para contar
Lamentavelmente, porém, ele ficou e combinaram que ele falaria na tarde as coisas maravilhosas que havia visto; e
insatisfeito com a publicação e conti- seguinte. Depois que saíram, Foy se a fim de acomodar as vastas multidões
nuou sentindo-se muito mal. arrependeu da decisão tomada, pensan- que se reuniam para ouvi-lo, grandes
do consigo mesmo: “Se o mundo fosse salões eram reservados, onde ele relatava
Mudança de situação meu, alegremente eu o teria dado para a milhares de pessoas o que lhe havia
A situação de Foy em breve iria ter esse encontro adiado.” 9 sido mostrado a respeito do mundo
mudar. Em 4 de fevereiro de 1842, na Ao aproximar-se a hora de ir para celestial, da beleza da Nova Jerusalém
Igreja Metodista Episcopal Africana, Broomfield Street, “as tentações come- e das hostes angelicais. Quando insistia
em Beacon Hill, Boston, ele novamente çaram a [me] afligir intensamente. no terno e compassivo amor de Cristo
teve uma visão. Dessa vez, o templo Eu temia que meu guia não estivesse pelos pobres pecadores, ele exortava aos
estava lotado, havia lugar somente em comigo, e não fosse capaz de contar não convertidos a buscarem a Deus, e
pé, e Foy ofereceu o seu assento a um às pessoas as coisas que me haviam dezenas respondiam aos seus apelos.” 14
amigo. “Imediatamente, caí ao chão e sido mostradas.” 10 Ironicamente, isso Após três meses de constantes
não dei conta mais desse meu corpo, aconteceu com outro milerita a quem pregações, temendo que sua família não
durante doze horas e meia depois que Deus também concedeu visões. 11 Mas a estivesse recebendo a devida manuten-
havia desfalecido, segundo fui infor- disposição de Foy o salvou, pois ele foi ção, Foy fez trabalhos manuais por um
mado.” 7 Essa revelação retratava uma escoltado até a igreja por um “bando de período de três meses, mas, disse ele,
cena de solene julgamento em que a irmãos” que, perceptivelmente, entende- “não podia encontrar descanso nem de
entrada no Céu foi recusada a algumas ram sua luta. Quando entrou no tem- dia nem de noite, até que novamente
pessoas que Foy conhecia. A seguir, plo, um grande grupo o cumprimentou consenti em fazer o meu dever”. Foy
ocorreu uma cena impressionante. Era a e, como ele mesmo descreveu, “cada começou a viajar, atestando que, embo-
daqueles que entraram no Céu em uma um deles parecia mais uma montanha à ra ele “sofresse perseguição”, seu guia
panóplia surreal. Dessa vez, o guia de minha frente.” 12 estava com ele.

DIÁLOGO 25 • 3 2013 17
Ellen White e as recordações de fiz o que você me disse para fazer’, disse “Quando as previsões alarmantes
Foy ela. ‘Eu me escondi. Fiz o que você me cessarão? Os mileritas desta cidade,
Por volta dessa época, Foy e a família disse.’ (Para que ele não visse o rosto recentemente importaram um gran-
mudaram-se para Portland, no Maine, dela.) Ela deveria estar muito ansiosa, de touro negro, que fica revirando o
a cidade onde a família de Ellen White pois repetia baixinho exatamente as branco dos olhos, mostrando o seu
vivia. Numa entrevista, em 1906, ela já palavras que ele falava. Após o encerra- marfim, e está assustando pessoas boas
septuagenária, recordou a experiência mento da reunião, ele veio procurá-la, com seus sonhos e prognósticos. Dizem
que teve quando era adolescente, ao ir e ela lhe disse: ‘Eu me escondi. Você que esse negro gordo e pegajoso não
com a família, em várias ocasiões, ouvir não me viu.’ Ele era um homem muito sabe ler nem escrever – mas ele falou
William Foy falar: “Ele [William Foy] alto, de cor parda. Realmente, foram sobre as alegrias dos bem-aventurados
veio [realizar palestras sobre suas visões] notáveis [os] testemunhos que ele deu e dos gemidos dos condenados com tal
direto ao salão, o Beethoven Hall, o naquele dia. entusiasmo que até mesmo o mais fraco
grande salão onde nos reuníamos. Isso “Eu sempre me assentava à direita da discípulo do profeta estalava os lábios
foi pouco tempo depois das visões. plataforma. Agora sei por que me assen- querendo mais. Qual será o fim dessas
Foi em Portland, no Maine. Fomos tava lá. Tinha dificuldades para respirar, coisas, não podemos adivinhar... . Pode
então para Cape Elizabeth para ouvir e com tantas pessoas respirando ao meu ser que muito em breve estejamos vendo
outra palestra dele. Papai sempre me redor, sabia que seria mais fácil respirar esse gordo touro negro soberbamente
levava com ele quando ia; costumava junto à plataforma, assim, eu sempre vestido, sentado em uma carruagem,
ir de trenó e me convidava para subir tomava o meu lugar ali.”16 sendo puxado em nossas ruas pelos fiéis
no trenó com ele; eu gostava muito de É bem provável que Foy tenha exer- discípulos de Miller, que vão se curvar e
viajar com o grupo. Isso foi antes de eu cido uma significativa influência sobre adorá-lo como se fosse um deus.”18
ter qualquer tipo de familiaridade com Ellen Harmon durante seus anos de Editoriais como esse provam que
Foy.” 15 formação na adolescência. Antes que Foy não era nem paranoico nem estava
A Sra. White lembrou-se também ela mesma recebesse o dom proféti- delirando por temer os ânimos raciais
da oportunidade que teve de falar com co, viu esse carismático jovem negro contra ele em suas pregações. Também
o popular pregador milerita: “Eu tive compartilhar eficazmente suas visões e não estava exagerando quando relatou
uma entrevista com ele. Ele queria me ganhar almas para Cristo – tudo isso que passou a sofrer perseguições depois
ver, e pudemos conversar um pouco. sob circunstâncias bastante difíceis e que começou a dar palestras. E esse
Haviam me indicado para falar naquela não muito diferentes dos obstáculos da artigo foi destaque no jornal oficial de
noite, e eu não sabia que ele estava lá. idade, sexo, educação precária e proble- uma cidade racialmente progressista e
Eu não sabia, no início, que ele estava mas de saúde que ela teria que superar tolerante como Portland, no Maine.
lá. Enquanto eu falava, ouvi um grito. para se tornar uma convincente porta-
Ele era um homem alto corpulento, e o voz de Deus. Ela também possuía uma Mais visões
telhado era bastante baixo. Dava pulos cópia do folheto com as visões de Foy, e Foy continuou a ter visões – pelo
de alegria e oh, ele louvava ao Senhor, que mais tarde ele viria a publicar. Além menos mais duas. Loughborough
louvava ao Senhor. Era por tudo o que disso, suas primeiras visões possuem fala de uma terceira visão em que três
ele tinha visto, por tudo o que ele tinha impressionante semelhança com as degraus [ou plataformas] flamejantes
visto. Mas eles o elogiavam muito, acho visões de Foy, como ele mesmo deixou davam acesso a um caminho; sobre
que isso fez mal a ele, e não sei o que claro, com todo entusiasmo, quando os cada degrau estavam multidões de
aconteceu com ele depois disso. dois trocaram os papéis após o Grande pessoas que começaram a cair no esque-
“Nesse dia, a esposa de Foy estava Desapontamento, e Foy ouviu-a falar de cimento, enquanto outros avançaram
muito ansiosa. Ela sentou-se e ficou sua visão. Finalmente, os mileritas que para o Céu. 19 Ellen White insiste que
olhando para ele, e isso o perturbou. se tornaram adventistas do sétimo dia Foy teve uma quarta visão cujo conte-
‘Agora’, disse ele, ‘você não deve se testemunharam o fervor do espírito de údo é desconhecido, embora ela talvez
assentar onde possa ficar olhando para profecia na vida de William Foy como estivesse a par dos detalhes da revelação
mim quando eu estiver falando’. Ele prova de que a profecia das 2.300 tardes final, agora perdidos para nós. O que se
estava com um manto episcopal. Sua e manhãs, de Daniel 8:14, aproximava- sabe é que Foy teve essas duas visões em
esposa veio então assentar-se ao meu se do seu cumprimento.17 torno do verão de 1844.
lado; continuava se mexendo sem parar Em Portland, William Foy encon- No início de 1845, Foy colaborou
e escondendo a cabeça atrás de mim. trou a mesma forma de perseguição com dois irmãos mileritas, John e
Por que ela se mexia tanto daquela racial que ocorreu em outros lugares. Charles Pearson – filhos do respeitado
maneira? Descobrimos, no final, quan- O Portland Tribune, de 10 de Fevereiro adventista-sabatista Father Pearson,
do ele foi até onde estava a esposa. ‘Eu de 1844, publicou o seguinte artigo: e com outros pioneiros de menor

18 DIÁLOGO 25 • 3 2013
destaque, com direitos próprios – e Lições do ministério de Foy preparar a humanidade para um dos
publicou o panfleto de 24 páginas The As lições dos três anos de William maiores eventos da história da salvação:
Christian Experience of William E. Foy Foy, como centro das atenções do a entrada de Jesus no santuário celeste, a
[A Experiência Cristã de William E. Movimento Milerita, são abundantes e fase final de Sua obra de intercessão. Os
Foy]. Nesse panfleto, Foy compartilhou poderosas. Primeiro, podemos sentir um adventistas do sétimo dia, especialmente
sua experiência de conversão e descreveu grande impacto em um breve espaço nós que vivemos neste tempo, também
as duas primeiras visões que teve. Na de tempo. A carreira visionária de Foy somos o povo da profecia, chamado
última página, está o testemunho de durou apenas três anos, mas ainda nos para anunciar a segunda vinda de Jesus.
dez pessoas que atestam a autenticidade anima e instrui 170 anos depois. Você pode ser usado de maneira vital,
das visões de Foy, bem como uma cópia Em segundo lugar, Deus usa o recém- assim como Deus usou Foy.
do seu registro de membro da igreja, convertido de maneiras jamais vistas. Durante as comemorações dos 150
ambos requisitos para atestado de boa Foy tinha 17 anos quando se entregou anos do adventismo, que a brilhante
fé naquela época. 20 Foi algo significa- a Cristo e 23 quando teve sua primeira estrela do ministério de William Foy
tivo o fato de Foy ter publicado esse visão. Foram esses anos suficientes para nos inspire a finalizar a missão que
livreto após o Grande Desapontamento, prepará-lo? Que credenciais tinha ele Deus nos confiou.
indicando um compromisso contínuo para realizar uma tarefa tão pesada? O
com a segunda vinda de Jesus e enco- que fazemos dela, não importa. Deus
rajamento para os crentes que ficaram ordenou, e é isso que vale. Benjamin J. Baker, PhD, é arquivista
tão desanimados. Sua participação em Em terceiro lugar, a nossa fraqueza é assistente na Associação Geral
uma reunião realizada em 1845, em que a força de Deus. Na sua conversão, Foy dos Adventistas do Sétimo Dia,
Ellen Harmon falou sobre sua visão, era um garoto negro, analfabeto, mora- em Silver Spring, Maryland. E-mail:
também confirma isso. dor de uma fazenda. Poucos anos mais bakerb@gc.adventist.org
E, assim, foram esses os aconteci- tarde, ele era um poderoso e sofisticado
mentos da era milerita para William pregador de Boston. A maior parte das
Foy. Depois de 1845, tanto quanto se pessoas de sua raça estava em cativeiro REFERÊNCIAS:
sabe, ele perdeu o contato com aqueles no mesmo país em que Foy iluminava 1. Para um confiável trabalho sobre William
Foy, veja Delbert Baker, The Unknown Prophet
que acabariam por se tornar adventistas aos brancos falando a respeito da men- (Hagerstown, Maryland: Review and Herald
do sétimo dia – Ellen Harmon e John sagem dada por Deus. Pub. Assn., 2013).
Loughborough – e continuou o seu 2. William Foy, Christian Experience (Portland,
Em quarto lugar, é a necessidade Maine: J. and C. Pearson, 1845), 7-8.
ministério, ainda que em um âmbito absoluta de continuar sendo humilde. 3. Ibid., 8.
consideravelmente menor. Ao se mudar Foy reconhecia e sabia da sua fraqueza e 4. O sobrenome de solteira de Ann não é conheci-
depois para outros lugares, como New do.
incapacidade; portanto, não passava por 5. Foy, Christian Experience, 9.
Bedford, Massachusetts, Maine e depois sua mente confiar em sua própria força, 6. Ibid., 15.
para as cidades de Chelsea, Burnham, porque ele não tinha nenhuma. 7. Ibid., 16.
8. Ibid., 21.
Mount Desert Island e East Sullivan, Em quinto lugar, muito pode ser dito 9. Ibid., 21.
Foy pastoreou congregações batistas sobre a obediência de William Foy. Ele 10. Ibid., 22.
inter-raciais, como também outras pre- afirmou que as pessoas nos lugares em 11. Um homem chamado Hazen Foss recebeu
visões, mas recusou-se firmemente a relatá-las,
dominantemente de brancos. que fora chamado para falar pareciam mas quando ele finalmente tentou compartilhá-
Em Sullivan e Sorrento, a partir de montanhas, e ele estava com medo delas, -las, não pôde recordar-se do que lhe havia sido
1760 [livro publicado em 1953], a mas concentrou-se em Cristo e fez o que mostrado.
12. Ibid., 22.
genealogista Lelia Clark Johnson lhe fora dito para fazer. Além de per- 13. Ibid., 22.
relembra Foy como sendo um “esti- tencer à sua raça, ter visões não era uma 14. J. Loughborough, The Great Second Advent
mado e amado” ministro que realizou coisa normal e aceita, mesmo para um Movement (Washington, D.C.: Review and
Herald Pub. Assn., 1906), 146.
reuniões religiosas em vários lugares.21 profeta rico na Nova Inglaterra do século 15. Ellen White, “Interview with Mrs. E.G. White,
William Foy morreu em 9 de novembro 19. A vulnerabilidade de Foy em admitir re: Early Experiences” (Manuscrito 131, 1906), 6.
de 1893, e está sepultado no Cemitério 16. Ibid., 4-6.
seu medo e incapacidade nos tocam pro- 17. Veja Loughborough, 146.
Bétula, em Sullivan, no Maine. Em sua fundamente, e todos nós podemos nos 18. “When will wonders cease?” Portland Tribune,
lápide está esculpido o seguinte epitáfio: identificar imediatamente, em maior ou February 10, 1844.
19. Loughborough, 146-147.
Combati o bom combate, menor grau, com o seu dilema. 20. William Foy, Christian Experience (Portland,
Terminei a carreira, Por fim, assim como Foy, somos o Maine: J. e C.H. Pearson, 1845), 24.
Guardei a fé: povo da profecia. Por mais imprová- 21. Lelia Clark Johnson, Sullivan and Sorrento since
Seventeen-Sixty (Ellsworth, Maine: Hancock
Desde agora está guardada vel que possa parecer, Deus usou esse County Publishing Company, 1953), 65-66.
para mim a coroa da justiça. 22 jovem despretensioso para anunciar e 22. Baker, 132.

DIÁLOGO 25 • 3 2013 19
Perfil
John Ashton
Diálogo com um cientista adventista
da Austrália
Entrevistado por Don Roy

John Ashton nasceu em Newcastle, Sanitarium Health and Wellbeing, um que só aquilo. Eu aspirava me tornar
Austrália. Ali cresceu com seu irmão dos maiores produtores de cereais e um cientista, mas não havia nada no
mais novo em um lar metodista, mas alimentos saudáveis da Austrália. Além comportamento deles que me inspi-
não praticante. O pai de Ashton tra- dessa função, ele é professor adjun- rasse.
balhava na Marinha australiana como to de Ciências Aplicadas no Royal
engenheiro eletricista, e sua mãe era Melbourne Institute of Technology n Que aspecto da ciência, particular-
uma talentosa artista fotográfica. (RMIT) e de Ciências Biomédicas na mente, mais lhe interessava?
Depois que John foi batizado na Igreja Universidade de Victoria, tendo atua- Meu envolvimento inicial com a
Adventista, em 1971, sentiu um grande do também como consultor-chefe na BHP foi como físico, porque tinham
desejo de partilhar sua fé com os cole- área de pesquisas em sete universida- me oferecido uma vaga de estágio em
gas da universidade. Para essa tarefa, des australianas e como orientador de Física. Mas, na época, percebi que a
ele recebeu a ajuda de uma jovem pesquisas para vários alunos PhD. O maioria das pessoas que seguiam esse
professora do Ensino Fundamental Dr. John também é membro do Royal caminho acabavam fazendo programa-
do Avondale College, Colleen Bryan. Australian Chemistry Institute. ção de computadores. Assim, mudei
Com o passar do tempo, a amizade para Química e terminei o curso
deles se tornou mais forte, ao des- n John, quando você iniciou sua jor- como o melhor aluno de Química da
cobrirem que tinham muitos amigos nada como adventista? Universidade de Newcastle, em 1969.
e interesses em comum, como o Comecei a frequentar a Igreja Lembro-me de que nessa época eu
gosto pelas caminhadas e pela vida Adventista pouco depois de me formar pensava muito sobre isso e me per-
no campo. Eles se casaram um ano na Universidade de Newcastle. Na guntava: “Existe algum propósito
depois, em 1974. Atualmente, moram época, trabalhava no laboratório cen- para a vida?” Conversei com minha
em uma pequena propriedade rural tral de pesquisas de uma empresa que mãe sobre o assunto e lhe perguntei:
nas imediações do Lago Macquarie. é hoje a maior mineradora do mundo, “Como é que a senhora descobriu a
O casal tem duas filhas casadas, dois a BHP (Broken Hill Proprietary). Os verdade sobre Deus?” Ela me disse:
filhos adultos e três netos. Colleen, melhores cientistas de todo o mundo “Vá à igreja!” Como nos considerá-
que se especializou em massagem e trabalhavam lá, mas a coisa que mais vamos metodistas, fui então a uma
terapias complementares, está diri- se destacava era que, apesar de esses pequena igreja que havia na esquina,
gindo sua própria clínica e participa cientistas terem frequentado algumas bem perto da minha casa, onde ouvi
ativamente no Ministério da Mulher, das melhores universidades, como a respeito da mensagem do evangelho
enquanto que John se dedica a apre- Oxford e Cambridge, o seu estilo de e de que deveria aceitar o Salvador em
sentar palestras sobre a criação e vida e hábitos indicavam que eles leva- minha vida. Eu sabia que precisava
temas sobre saúde nas igrejas locais. vam uma vida vazia e sem realização fazer isso, mas era tímido. Mesmo
O Dr. Ashton é atualmente o pessoal. Então pensei comigo mesmo assim, queria saber mais.
gerente de pesquisas estratégicas no que deveria haver algo mais na vida Perguntei novamente à minha mãe

20 DIÁLOGO 25 • 3 2013
como poderia conhecer mais sobre a chefe no Laboratório de Pesquisa de
Bíblia. Nove anos antes, meu pai havia n Creio que foi nessa época que você pas- Alimentos da Sanitarium Health Food
morrido de repente, e quando algumas sou por outro acontecimento especial em Company. Passei então a concentrar
pessoas adventistas nos visitaram, elas sua vida, não é? meu interesse nos alimentos. Fui con-
nos deixaram um exemplar de Your Sim, eu conheci uma jovem profes- vidado a ser um dos dois colaboradores
Bible and You [A Sua Bíblia e Você]. sora, Colleen, que hoje é minha esposa. australianos em um projeto interna-
Minha mãe havia ido à igreja adventis- Ela é uma companheira maravilhosa e cional para o desenvolvimento de um
ta algumas vezes e, assim, decidi ir até tem sido um grande apoio para o meu método de análise da fibra dietética.
lá, pois sabia que faziam um estudo da crescimento pessoal. Participei também de outro projeto
Bíblia todo sábado de manhã. Entre Depois de terminar o mestrado, da International Union of Pure and
outras coisas, falaram sobre o sábado. lecionei Física e Matemática por vários Applied Chemists que estava anali-
Comecei então a fazer uma pesquisa anos no Hobart Technical College. sando a toxicidade do alumínio nos
em minha enciclopédia e descobri que Durante esse período, dediquei um alimentos. O envolvimento nesse setor
o sábado é o sétimo dia. Isso apelou à pouco mais de tempo ao estudo da ajudou-me a desenvolver uma boa
minha mente lógica e científica! Senti Bíblia e apliquei algumas das minhas reputação como químico. Comecei a
que desejava começar tudo de novo e habilidades de pesquisa ao estudo das publicar vários trabalhos nessas áreas.
orei pela orientação divina. profecias e às evidências históricas e O supervisor de pesquisa com quem
Nessa época, estava sendo oferecida arqueológicas associadas ao seu cum- eu estava trabalhando, o Dr. Ron
uma bolsa de estudos para pesquisas primento. Laura, tinha estudado nas universida-
sobre o Tióxido. Era a bolsa de estu- des Harvard, Oxford e Cambridge. Ele
dos de pós-graduação em Química de n John, você é uma pessoa com amplos estava bem entrosado na área de publi-
maior prestígio e mais bem paga na interesses, mas, por favor, explique o seu cações e nós começamos a escrever
Austrália. Candidatei-me e prometi ao interesse especial quanto à criação e a alguns livros juntos. Isso foi realmente
Senhor que eu iria comprar uma Bíblia evolução. providencial. Nosso primeiro livro,
e começar a frequentar a igreja. Em Eu estava com quase 40 anos de Hidden Hazards [Perigos Ocultos], que
1970, ganhei aquela bolsa de estudos idade, já tinha filhos e era razoa- analisava o impacto da tecnologia sobre
e mantive minha promessa: a partir velmente bem estabilizado quando o meio ambiente, foi muito vendido e
daquele dia, passei a frequentar a Igreja me senti fortemente impressionado a editora nos convidou para escrever
Adventista. Continuei meus estudos a dedicar minha atenção ao estudo outro livro. Então comecei a pensar
universitários, frequentando a igreja e da criação, especialmente na área de a respeito de questões importantes e
fazendo um curso bíblico por corres- Epistemologia, por estar relacionada às minha mente se deteve sobre o tema
pondência. Fui batizado em 1971. Ciências e Ciências Biomédicas, tendo do impacto do álcool na comunidade.
em vista que essa é uma área particu- Ninguém falava sobre isso. Foi justo na
n Sei que seu interesse no debate sobre larmente relevante para as teorias evo- época em que as propagandas estavam
a criação e a evolução foi despertado lucionistas. Interessei-me em examinar incentivando as mulheres a ingerirem
no início de sua experiência na igreja. os fundamentos da pesquisa científica bebidas alcoólicas com o objetivo de
Como isso aconteceu? e por que a ciência pode saber. A ciên- aumentarem as vendas. Houve um
Como a ciência fazia parte dos meus cia biológica levou-me a explorar as período na Austrália, por exemplo, em
estudos, um bom número de membros ciências ambientais e médicas, bem que o índice de mulheres que bebiam
da igreja me questionava sobre a cria- como as implicações da doença iatro- excessivamente dobrou. A falta de
ção. Comecei então a ler temas a favor gênica. Isso me fez verificar uma série consciência quanto aos perigos do
e contra a criação e a evolução. Eu de questões relacionadas à ação huma-
tinha um amigo na universidade que na e o meio ambiente. Estava interessa-
estudava Geoquímica. Ele tinha um do em saber de que maneira a ciência
cabo de pá, encontrado na Europa, que poderia fazer melhores afirmações e
supostamente teria milhares de anos, evitar alguns dos efeitos colaterais.
o que parecia não fazer sentido algum
para nós. Isso atiçou minha mente n Você também se tornou bastante co-
para o fato de certamente existir algum nhecido por suas publicações na área de
grave problema com o método de data- saúde. Conte-nos sobre isso.
ção radiométrica. E assim comecei a Depois de ter morado em Hobart,
estudar essa área. Aliás, ele também se mudei-me para New South Wales e
tornou adventista! comecei a trabalhar como químico-

DIÁLOGO 25 • 3 2013 21
álcool e seu impacto, principalmente tinua sendo ainda bastante vendido.
sobre as mulheres, era muito preocu- São mais de vinte edições, e já foi tra-
pante. Foram feitas algumas pesquisas duzido para várias línguas. Trabalhar
excelentes sobre esse assunto, mas esse com cientistas de todo o mundo, que
conhecimento não estava sendo difun- passaram por profundas experiências
dido. Meu editor ficou surpreso com o cristãs, foi uma fonte de inspiração
tema, e então, sabendo que o primeiro maravilhosa para mim.
livro havia saído tão bem, concordou Richard Dawkins fez a objeção de
em prosseguir. Assim, fiz várias pes- que alguns dos colaboradores tinham
quisas sobre o uso do álcool para a estudado em universidades religiosas,
publicação desse livro, durante vários como Loma Linda, por exemplo. Então
anos. Infelizmente, a editora achou o comecei a entrar em contato com pro-
texto bastante “cansativo”. Foi somente fessores universitários que obtiveram
oito anos depois, em 2004, que a Signs as suas qualificações educacionais e
Publishing Company publicou-o sob o ensinaram em universidades secula-
título Uncorked! The Hidden Hazards Teologia, especialmente por Isaías e a res, mas que acreditavam em Deus.
of Alcohol [Garrafa Aberta! Os Perigos declaração feita por Deus de que “Ele Perguntei a eles sobre suas crenças em
Ocultos do Álcool]. é como nenhum outro” e que anuncia milagres, na ressurreição de Jesus e nas
Quando me tornei adventista, lecio- “o fim desde o princípio” (Is 46:10). respostas às orações. Os temas por eles
nava na Hobart Technical College e Assim, comecei a buscar evidências apresentados deram origem ao livro
tive grande interesse em testemunhar. históricas para o relato daqueles que The God Factor [O Fator Deus], publi-
Eu estava muito feliz por me associar à previram o que ia acontecer no futu- cado pela Harper-Collins. Nos Estados
perspectiva adventista de saúde, assim, ro. Dessa pesquisa, nasceu o livro Unidos, foi publicado sob o título On
comecei a escrever artigos curtos nessa The Seventh Millennium [O Sétimo the Seventh Day [No Sétimo Dia]. A
área, e eles foram muito bem recebidos Milênio]. editora achou que seria uma boa forma
em todos os lugares. Ao me mudar Na época, senti que precisava dar de dar sequência ao livro publicado
para New South Wales, compartilhei continuidade ao material sobre as evi- anteriormente: In Six Days. Trocar
esses artigos com Ron Laura, e decidi- dências da criação. Durante uma visita correspondências e trabalhar com os
mos escrever alguns livros sobre saúde à livraria do museu, The Answers in colaboradores foi uma inspiração para
juntos. Nessa época, escrevemos outro Genesis, uma pessoa me reconheceu e mim e a confirmação de minha fé.
livro sobre meio ambiente, The Perils falou de um seminário realizado recen-
of Progress [Os Perigos do Progresso], temente na Universidade Macquarie, n Qual foi o resultado de todo esse tra-
publicado pela editora da Universidade em Sydney, onde o curador do Museu balho?
de New South Wales, abordando o de Sydney fez a declaração de que Não é de se estranhar o fato de
impacto da tecnologia e práticas ali- nenhum cientista experiente e com alguns críticos do livro terem afirmado
mentares sobre o meio ambiente e a doutorado acreditaria em uma cria- que os colaboradores estavam indo
saúde humana. O livro foi bem recebi- ção literal em seis dias. Essa pessoa além de seus domínios. Eu tinha um
do e também republicado nos Estados me disse ainda que tinha dado o meu jovem amigo, estudante universitário,
Unidos, Reino Unido, Canadá e África nome ao cientista, afirmando que eu que teve a ideia de escrever respostas
do Sul. Em seguida, fui convidado era o químico-chefe da Companhia de às inúmeras questões que desafiam
para participar como coautor de um Alimentos, e acrescentou: “Fiz mal?” os estudantes universitários adventis-
livro sobre intoxicação alimentar, inti- “Claro que não!”, foi minha resposta. tas. Dessa vez, fizemos contato com
tulado Risky Foods and Safer Choices Alguns dias mais tarde, enquanto colaboradores que tiveram experiência
[Alimentos de Risco e Escolhas Mais fazia minha caminhada, ocorreu-me nas áreas relacionadas a esses temas,
Seguras], e por ter publicado tantos o seguinte pensamento: “Por que não que depois se transformaram no livro
livros, o meu desejo de testemunhar perguntar a cientistas com PhD a The Big Argument: Does God Exist?
escrevendo livros aumentou ainda razão de não acreditarem na criação?” [A Grande Questão: Será Que Deus
mais. E esse pensamento resultou no livro Existe?].
In Six Days: Why 50 Scientists Believe Quando estávamos trabalhando no
n Que outros interesses estavam se for- in Creation [Em Seis Dias: Por que 50 livro, tivemos dificuldade de encontrar
mando? Cientistas Acreditam na Criação]. Esse um acadêmico para escrever sobre as
A minha mente voltou-se novamente livro foi publicado pela primeira vez evidências do Êxodo. Então alguém
para o interesse que sempre tive pela em 1999. Catorze anos depois, con- sugeriu David Down, e ele concordou.

22 DIÁLOGO 25 • 3 2013
David me contou que estava escre- longas eras associadas à coluna geológi- direito às suas opiniões e crenças;
vendo um livro sobre a história do ca. A questão, porém, tornou-se extre- quando questionadas, demonstre con-
Egito e me convidou para participar mamente política, e quem fala contra fiança ao explicá-las. No entanto, nes-
desse trabalho. Juntos, elaboramos ela atrai a oposição e o ridículo. Por ses ambientes eu não tentaria alardear
uma cronologia que harmonizava a exemplo, temos o caso do Dr. Stephen minhas crenças. Pelo contrário, iria
Bíblia com as cronologias egípcias. Meyer, que estudou na Universidade de tentar ser a pessoa mais útil, generosa
Esse livro, Unwrapping the Pharaohs Cambridge, e publicou um artigo afir- e atenciosa que poderia ser. As ciências
[Desvendando os Faraós], abriu novos mando que o registro fóssil não fornece biológicas são apoiadas pela teoria da
caminhos ao ser publicado em 2006. evidência para a evolução. Houve uma evolução e, para a pesquisa do dia a dia
Antes disso, quando eu estava estu- série de críticas argumentando que ele nessas áreas – como na microbiologia
dando os aspectos dos alimentos, inte- já estava predisposto à sua cosmovisão e virologia – a teoria funciona, e os
ressei-me pelas incríveis, porém, não do design inteligente. O documento trabalhos teóricos e documentos têm
reconhecidas, propriedades benéficas ainda está disponível na internet. E que ser escritos dentro dessa estrutura.
do cacau e do chocolate. Mais tarde, então surgiu o artigo de Jerry Fodor, A teoria falha onde ela não consegue
minha nora passou a trabalhar comigo “Why Pigs Don’t Have Wings” [Por explicar a origem dos complexos códi-
para adaptar a linguagem a fim de que os Porcos Não Têm Asas], em que gos genéticos do DNA e o incrível
alcançarmos um público maior. Esse ele diz essencialmente a mesma coisa, o design na natureza – somente uma
livro tornou-se o popular A chocolate a que causou grande protesto. criação tendo sido feita por um Deus
Day [Um Chocolate Por Dia], publica- A evolução, porém, ainda não tem com inteligência superior pode explicar
do em 2010. um mecanismo para explicar como os isso. Ao serem desafiadas quanto às
Em 2009, na época do novos organismos superiores podem se questões de criação, as pessoas apon-
Sesquicentenário de A Origem Das formar. Mais recentemente, em 2012, tam para recursos, tais como os livros
Espécies, de Darwin, eu me senti Thomas Nagel, professor de Filosofia Six Days: Why 50 Scientists Choose
realmente compelido a escrever sobre da Universidade de Nova York, publi- to Believe in Creation ou Evolution
por que a evolução é algo impossível. cou The Mind and the Cosmos: Why the Impossible, ou para os websites como
Temos agora inúmeras evidências Material Neo-Darwinian Conception o www.creation.com. Seja qual for a
que desafiam os pressupostos da evo- of Nature Is Almost Certainly False situação, firme a sua fé em Cristo. Ele
lução, particularmente na área da [A Mente e o Cosmos: Por Que a nunca o deixará nem desamparará.
Bioquímica. É impossível que o código Concepção Material Neo-Darwiniana Ore e leia a Bíblia diariamente. Ela vai
genético tenha se formado por acaso – da Natureza é Quase Que Certamente lhe dar coragem e as palavras certas
ou seja, a probabilidade é muito menor Falsa]. Esse livro enfraquece toda a para falar no momento certo.
que 1 em 10150. Quando levamos em posição naturalista do ponto de vista
consideração que há apenas 1080 áto- da Biologia, da teoria da evolução e da n Obrigado por compartilhar a sua
mos no Universo conhecido, esse já cosmologia. Em 2012, os estudantes história inspiradora. Se pudesse resumir
é um número imenso. Alguns estu- e professores da Universidade Emory em poucas palavras a sua principal moti-
diosos calcularam que a possibilidade reagiram fortemente ao Dr. Ben vação, o que você diria?
da formação de um DNA, de forma Carson, o eminente neurocirurgião, Minha paixão é fazer com que essas
aleatória, é da ordem de menos de 1 por sua total rejeição à teoria da evolu- informações atinjam os jovens, para
em 105000 ! Assim nasceu o meu mais ção. Isso é política, não ciência! É triste que possam ter confiança na Palavra
recente livro: Evolution Is Impossible [A ver que cientistas que estão se mani- de Deus.
Evolução é Impossível]. Minha paixão festando contra a evolução estão sendo
é ajudar nossos jovens a verem através demitidos e os artigos que eles escreve-
das suposições feitas pelos evolucionis- ram acabam sendo retirados de circula- Don Roy (PhD, Deakin University,
tas e compreenderem que elas realmen- ção. Essas ações devem soar como sinal Victoria, Austrália) é professor
te não podem ser apoiadas. de alarme e chamar a atenção para a sênior adjunto no Avondale College
gravidade do que está acontecendo. of Higher Education, Cooranbong,
n Parece que grande parte da oposição New South Wales, Austrália.
dos evolucionistas à criação é mais n Que conselho você daria aos estudantes E-mail: doncroy@gmail.com.
política do que científica. Qual é a sua adventistas de instituições seculares e aos
opinião sobre isso? profissionais adventistas que trabalham John Ashton E-mail: john.ashton@
É interessante que inúmeros filósofos em ambientes que desafiam a sua fé? sanitariumcom.aur.
na área científica estão agora falando Nesses ambientes, acredito que é
veementemente contra a evolução e as importante assumir sua fé. Você tem

DIÁLOGO 25 • 3 2013 23
Perfil
Ramón Rolando
Garrido Quevedo
Diálogo com um artista adventista
chileno
Entrevistado por Enrique Becerra

Ramón Rolando Garrido Quevedo à comunidade. Finalizou seus estu- graças a alguns livros e à motivação
nasceu na cidade de Concepción, na dos no Chile e na Universidade de que recebia dos professores, quando
região centro-sul do Chile. A mãe o Montemorelos, no México, e depois ainda estava no nível fundamental.
descreveu como um garoto alegre, trabalhou como enfermeiro e assisten- Eles se divertiam vendo o que eu podia
que vivia desenhando e pintando, e te odontológico nas áreas montanho- fazer com um lápis na mão. Claro, eu
que mais tarde abraçou a pintura com sas e ilhas remotas do sul do Chile. costumava participar de cada concurso
muita paixão, a fim de realizar uma Atualmente, Garrido atua no campus da escola em que estivessem envolvidos
missão que ele sempre teve em mente. da Universidade Adventista do Chile, algum tipo de desenho ou representação
Embora a arte não seja a profissão próximo à cidade de Chillán, onde vive gráfica. Quando olho para trás, reco-
principal de Garrido (que trabalha com sua esposa, Elizabeth. nheço que algum tipo de treinamento
como paramédico), ele passa cada profissional teria sido muito útil para
minuto de seu tempo livre desenhando n Como você descobriu sua vocação para mim, mas, no meu caso, foi mais uma
e pintando – uma atividade que lhe dá a pintura? vocação que veio de forma progressiva
imensa alegria e lhe oferece uma forma Foi muito espontâneo. Quando cur- ou um hobby, e não tanto como um
de compartilhar seu amor pelo belo sava o Ensino Fundamental, minha meio profissional para ganhar a vida.
com outros. mãe tentava me ajudar a fazer a tarefa
Garrido tinha 20 anos quando acei- de casa das aulas de desenho. Foi nessa n Que tipo de desenhos e pinturas você
tou Jesus como seu Salvador pessoal, época que percebi que tinha muita produziu nessa primeira fase?
uma experiência que influenciou gran- facilidade para desenhar, bem mais do Durante o Ensino Fundamental, eu
demente a sua expressão artística. A que ela que estava tentando me ensinar. desenhava e pintava dentro do ambiente
partir de então, ele passou a encontrar Descobri que minha mão era capaz de das escolas onde eu estudava. Participei
inspiração nas várias histórias da Bíblia desenhar como se tivesse água brotan- de concursos escolares, trabalhos de
e ajudou a tornar mais coloridas as do dela. Não era perfeito, mas era fácil arte, ilustrados e projetados em telas,
igrejas adventistas do sétimo dia da fazer. Logo percebi que para os meus para eventos educacionais, e assim
região onde vive. Mas o seu testemu- colegas de classe, ou mesmo para minha fiquei conhecido nos jornais locais, que
nho não se limita às artes. Atualmente, mãe não era tão simples assim. costumavam me pedir ilustrações para
Garrido serve sua igreja local em várias trabalhos específicos. Esse começo me
funções, inclusive pelo testemunho n Você chegou a ter aulas de desenho ou proporcionou a oportunidade de tra-
direto, uma vez que seu sonho é plan- foi para uma escola de artes? balhar para uma editora em Santiago,
tar uma nova congregação em um futu- Não, eu não tive essa oportunidade; capital do Chile.
ro próximo. na verdade, eu não estava consciente
Além de seu hobby artístico, as ati- dessa necessidade. A arte era apenas um n Em que momento você decidiu colocar
vidades profissionais de Garrido são hobby, mas, como eu me empenhava essas oportunidades de lado e se concentrar
orientadas também para o serviço bastante, comecei a fazer progressos, em diferentes temas e estilos?

24 DIÁLOGO 25 • 3 2013
formando como que um monumento não especificamente pela recompensa
natural sólido no isolado e distante sul financeira.
do Chile. Nesse quadro, tentei retratar o
que representa a vida segura de alguém n Você pode nos dar alguns detalhes a
que se apega à Rocha dos Séculos, Jesus respeito de suas escolhas técnicas?
Cristo. Por outro lado, ao me inspirar Prefiro a pintura a óleo. Gosto dela
cada vez mais nos personagens bíblicos, porque o trabalho fica flexível, mesmo
comecei a me interessar em melhorar quando decido fazer alterações no trans-
minha técnica de pintar mãos. Assim, curso ou quando não me sinto particu-
pintei uma mão mais ao alto, muito larmente inspirado. Posso até deixar o
forte, segurando outra, mais abaixo, que projeto de lado por um tempo e voltar
parece estar segura sob a poderosa mão dias depois a ele. Gosto de pintar no
de Deus. Criei também um quadro em formato de 70 por 80. Qualquer hora
que o foco é um barco sendo sacudido do dia é boa para mim. Quando me
A grande mudança ocorreu quando pelas ondas em meio a uma grande sinto inspirado, é só pegar um pedaço
eu conheci Jesus Cristo e decidi ser tempestade, mas que, de alguma forma, de papel, alguns lápis e fazer um esboço
batizado na Igreja Adventista do Sétimo continua flutuando, graças à proteção da ideia.
Dia. Naquele momento, senti uma de Deus.
vontade imensa de melhorar e crescer; n Você tem vivido em áreas de paisagens
senti o desejo de expressar a presença n Pude perceber que você serviu à igreja variadas e cheias de cores. Você acha
de Deus, que havia se tornado uma em vários esforços evangelísticos ao mesmo que, por estar perto da natureza, isso tem
realidade muito importante em minha tempo. O que tem a dizer sobre isso? ajudado a aumentar a sua sensibilidade
vida. Assim, comecei a me inspirar em Frequentemente me pediam ilustra- artística? Estou falando não só em relação
motivos religiosos, concentrando-me ções para diversos programas e ativida- à própria paisagem, mas também sobre o
especificamente em rostos de persona- des da igreja. Por exemplo, a partir da seu interesse em cores, luz, etc.
gens bíblicos. Eu estava particularmente arte inspirada na fantasia, nos dias de Naturalmente. Estar perto da natu-
interessado em dominar melhor o uso minha juventude, comecei a ilustrar as reza ajudou a desenvolver a minha
de luz e sombras e em utilizar a pintu- profecias bíblicas, especialmente durante percepção. Tornei-me mais sensível,
ra a óleo com mais frequência e com a época em que era comum pregar sobre mais atento aos detalhes, e meu leque de
melhores técnicas. Daniel e Apocalipse. Trabalhei também temas ficou bem mais amplo.
na pintura de quadros inspirados em
n O que você quer dizer com melhorar e cenas da Bíblia. Comecei a refletir a n O que você acha: alguém já nasce
crescer? minha experiência pessoal com base na artista ou se torna um artista?
Quero dizer que, durante os meus Bíblia. Assim, tenho muitos quadros Pela minha experiência pessoal, eu sei
primeiros anos como adventista do que procuram ilustrar a bondade e a que não posso negar que há um dom,
sétimo dia, eu estava sendo nada mais misericórdia de Deus, expressas em Sua uma inclinação natural a partir do nas-
do que um copista ou um imitador dos criação e nas maravilhas da natureza. cimento, algo que está dentro de você.
mais renomados artistas adventistas, Para mim, tem sido sempre uma grande No entanto, é essencial que ocorra um
como Harry Anderson ou Nathan satisfação ver essas pinturas em igrejas processo de crescimento e desenvolvi-
Green. A partir de então, o meu cres- ou casas de amigos, tanto quanto em mento para que o que é ainda incipiente
cimento espiritual ajudou a produzir exposições, mas como um testemunho ou rudimentar seja aprendido e aperfei-
minhas próprias criações, nas quais sou de minha vida. No entanto, é muito çoado. Dia após dia, sou grato pelo meu
capaz de me expressar da maneira que claro para mim que, desde que passei a dom, mas também estou consciente de
desejo. pertencer à Igreja Adventista do Sétimo minhas limitações. Assim, estou pla-
Dia, o meu dom deveria ser usado para nejando frequentar uma escola de arte
n Você pode explicar esse tipo de cres- servir à Igreja. Algum tempo atrás, pin- para obter ajuda profissional. Acho que
cimento, referindo-se especificamente a tei um mural de 2,75m por 5,50m para minha expressão artística será impulsio-
alguns de seus quadros? uma de nossas escolas. Muitas vezes, eu nada com a ajuda e orientação de pinto-
Claro. Trabalhei em uma pintura acabo doando esses projetos, tendo em res profissionais. Estou certo de que não
tendo como fundo uma bela cordilhei- vista que nem todas as congregações só a minha técnica vai melhorar, mas
ra, conhecida como Torres del Paine, podem pagar por eles, e também porque também minha criatividade. Comecei
cujas imponentes formações rochosas minha maior motivação é a satisfação imitando outros pintores, sendo mais
se elevam de forma impressionante, que tenho de pintar em uma igreja, e um copista com a intenção de apenas

DIÁLOGO 25 • 3 2013 25
Portofólio de pinturas de
Ramón Rolando Garrido Quevedo
Liberdade
70 x 80 cm. Pintura a óleo sobre tela.
Tentei mostrar a liberdade, a força
e a obstinação dos cavalos em uma
paisagem aberta, de modo a refletir de
alguma forma, a força original e a
tenacidade de um ser humano criado.

Encontro
70 x 80 cm. Pintura a óleo sobre tela.
Enquanto eu vivia na cidade de La
Paz, Bolívia, geralmente observava os
detalhes de minha janela no sétimo
andar. Como artista, tentei descrever
o local perfeito para um encontro
romântico.

Natureza Morta
80 x 70 cm. Pintura a óleo sobre tela.
Há luz, brilho e profundidade, os ingredientes básicos que um artista tenta incorpo-
(Continua na pág. 35.) rar em uma pintura, de modo a transmitir realismo na forma de algumas frutas.

26 DIÁLOGO 25 • 3 2013
acrescentar alguns toques pessoais. Mas
um artista está sempre tentando mos-
trar mais de sua própria personalidade e
sentimentos através de suas pinturas; é a
maneira que ele tem de se expressar.

n Como você definiria o processo criativo?


Penso que é como o ato de usar o
pincel para expressar algo que é pessoal,
um detalhe – até mesmo íntimo – da
minha vida. Por exemplo, algumas das
minhas pinturas mostram como Deus
me alcançou e me transformou. Por
outro lado, a pintura é uma forma de
explicar a maneira como vejo e enten-
do o que é a vida. Todo artista “fala”
através de suas obras; é uma forma de
expressão. No meu caso, eu faço isso
usando formas e cores. Outras pessoas
usam sons e ritmos, matéria e volu-
me. A arte pode ser expressa de várias
formas diferentes. méritos de nosso Salvador. O Céu é o desejo de transformar seus sonhos em
oposto do fracasso. realidade. Deus me ajudou a perceber
n Já aconteceu com você de sentir que o que nem tudo é fácil de ser alcançado.
que vê na tela não está de acordo com o n Você segue uma filosofia em especial na Compartilhei esse conselho com outros
que estava tentando transmitir? Você já sua arte? antes e pude ver, com satisfação, que
descartou ou deixou alguns de seus tra- Claro. A arte é a expressão da forma várias pessoas foram beneficiadas. Com
balhos de lado? Você continua trabalhan- como eu vejo a vida, uma expressão muita alegria, hoje sirvo como paramé-
do neles, mesmo quando não está satisfeito visível da minha cosmovisão. No meu dico e encontro tempo para me dedicar
com os resultados? caso, isso resulta na tendência de expres- à minha paixão, que é a pintura. Tenho
Sim. Houve ocasiões em que eu tive sar a imagem que faço de Deus. Dessa um sentimento de grande satisfação por
de deixar o meu trabalho de lado e forma, passei a conhecê-Lo como o poder usar os dons que Deus me deu.
voltar em outro momento, quando me Deus da arte, o que demonstra o quan-
sentia mais inspirado para completá-lo. to dependo dEle.
Essa é uma das vantagens da pintura a Enrique Becerra (Doutorado em
óleo: você sempre pode deixá-la e reini- n Você não acha que a arte e o Deus da Ciências Religiosas pela Université
ciar depois de muitos dias, ou, definiti- arte são muito abstratos? de Strasbourg, França) é natural
vamente, fazer grandes mudanças nela. Acho que não. É verdade que temos do Chile e ex-diretor associado
a pintura abstrata, que não é meu estilo do Departamento de Educação da
n Bem, sob seu ponto de vista, o que é preferido, pois muitas vezes se presta Associação Geral dos Adventistas
fracasso? a várias interpretações, algumas delas do Sétimo. E-mail: ebecerra36@
O fracasso é ter sido derrotado, é não mutuamente exclusivas. Prefiro seguir o gmail.com
conseguir alcançar seu objetivo. Isso realismo e o impressionismo, por meio
pode ser aplicado a todos os aspectos de dos quais sinto que posso transmitir Ramón Garrido Quevedo pode ser
nossa existência, e não apenas à criação uma mensagem, dar um testemunho. contatado através de seu endereço
artística. Mas, graças a Deus, não ter- de e-mail: rolandoquevedo7@hot-
mina aí, porque o Senhor já fez tudo n Você tem algum conselho para os nossos mail.com
para que possamos ser vencedores. Eu leitores?
acho que nós nascemos para ser bem- Com base na experiência que tenho, Veja mais amostras das pinturas fei-
sucedidos, apesar de todas as circuns- o meu conselho é que ninguém deve se tas por Ramón Garrido Quevedo na
tâncias que enfrentamos. O Céu será sentir intimidado com os resultados de página 35.
o triunfo final; não vamos chegar lá contratempos aparentes ou reais. Nunca
por nossos próprios méritos, mas pelos permita que alguém destrua o seu

DIÁLOGO 25 • 3 2013 27
Livros tamente harmoniosa e com unidade de propósitos, mensa-
gem e ação; assim, Deus é efetivamente Um e não vários.
The God We Worship Scarone percebeu a necessidade de continuar a explicar
Daniel Scarone (Nampa, Idaho: Pacific os fatos bíblicos sobre a trindade de Deus, que, a despeito
Press Publishing Association, 2011), 128 de sua centralidade, é alvo de discussões dentro e fora do
páginas, brochura. adventismo. É de grande vulto o que está em risco nessa
luta. “Se a doutrina da trindade é verdadeira, então aqueles
Resenha de Aecio E. Cairus que a negam não adoram o Deus das Escrituras. Se for
falsa, os trinitarianos, por prestarem ao Filho e ao Espírito
Santo a honra devida a Deus, são igualmente culpados de
idolatria” (Raoul Dederen, conforme citado na p. 19).
O autor está de parabéns pelo seu esforço. Precisamos de
mais livros sobre o assunto. O livro é pequeno e compacto
(128 páginas). Por não ser adornado com excesso de pala-
vras ou ilustrações gráficas, o livro é também muito claro.
Esse é um livro sobre a trindade, embora não seja algo O trinitarianismo tem que lutar especialmente em duas
evidenciado no título. Dois capítulos utilizam o termo frentes: em primeiro lugar, contra aqueles que concordam
“triunidade”, que é comum entre os autores de língua ingle- que Jesus não é a mesma pessoa que o Pai, mas O tornam
sa. O termo “trindade” é evitado pelo fato de a unidade um pouco menor que Deus; em segundo lugar, contra
de Deus ser tão evidente na Bíblia que algumas pessoas se aqueles que concordam que qualquer das Pessoas da trinda-
assustam com a visão de um termo que sugere três seres de, ou pelo menos o Espírito de Deus, é Deus, mas negam
(trinitas, em latim). Essas pessoas, porém, não precisam se ser Ele uma Pessoa diferente do próprio Pai. Muitos atacam
preocupar. ambas as frentes, e Scarone lida com elas em sequência.
A trindade é uma qualidade (não precisa ser escrita com Scarone inicia, no capítulo 2, uma análise das referências
letra maiúscula): significa uma tríplice característica a res- do Antigo Testamento sobre a trindade de Deus. Em segui-
peito de Deus, não que Deus seja três. Ele é apenas um. da, o autor dedica os capítulos 3 a 8 para tratar da plena
Quando falamos sobre a “unidade” de algo, não significa divindade do Filho (como participante da Divindade). O
que ele seja realmente um: a unidade da nação, da igreja, capítulo 9 retoma a personalidade separada do Espírito de
ou de qualquer outra coisa composta de mais de indivíduo, Deus. Segue-se então uma descrição do mundo não trinitá-
mas que, em alguns aspectos, é ou deveria ser como um. rio no capítulo 10. Objeções frequentes são respondidas no
Não faz muito sentido falar sobre a unidade de uma só capítulo 11. Após a conclusão (capítulo 12), dois capítulos
pessoa. Por outro lado, quando falamos sobre a trindade de tratam da história do trinitarianismo na época de Ellen
Deus, estamos falando de um Deus que é único, mas que White e de outros pioneiros da igreja.
Se revela como três Pessoas. Não faz sentido também falar O livro é recomendado para leitores informados entre os
sobre a trindade de três: a trindade é uma qualidade de membros da igreja em geral; os seminaristas também irão
Um. A ideia de unidade, portanto, é mais forte no termo identificar tópicos encontrados frequentemente em cursos
“trindade” do que no termo “triunidade”. universitários a respeito da doutrina sobre Deus e pensa-
“Pessoa”, nesse caso, significa “alguém”, não um ser mentos Bíblicos em hebraico. O livro é também um bom
humano: alguém que possa enviar outro dos três (Deus Pai recurso para estudo, bastante apropriado para seminários
envia o Deus Filho, e o Pai e o Filho enviam o Espírito de realizados nas igrejas, uma vez que nem sempre é possível
Deus), para honrá-Lo, falar com Ele ou sobre Ele. Sabemos abranger todo o assunto adequadamente apenas em ser-
disso, não porque nos atrevemos a especular sobre Deus, mões.
mas porque isso está muito claro na Bíblia. Somos bati-
zados em nome de todos os três, não só porque Jesus nos
ordenou fazê-lo em Mateus 28:19, mas também porque Aecio E. Cairus (PhD pela Universidade Andrews), pro-
é assim que Ele próprio foi batizado: o Pai proclama Seu fessor de Teologia aposentado, trabalhou na Universidad
Filho na presença física do Espírito Santo (Mateus 3:16, 17; Adventista del Plata (UAP), na Argentina, no Adventist
Marcos 1:10, 11; Lucas 3:21, 22; João 1:33, 34. Observe International Institute of Advanced Studies (AIIAS), nas
que esse fato é, excepcionalmente, relatado pelos quatro Filipinas, e na Asociación Casa Editora Sudamericana
evangelhos, em uníssono). Mas a trindade ou três pessoas (ACES), na Argentina. E-mail: aecair@yahoo.com
incorporadas em Deus não O fazem três: as três pesso-
as colaboram em cada uma das ações da Divindade no
Universo (como na criação e na redenção), de forma perfei-

28 DIÁLOGO 25 • 3 2013
111 Tips For Managing Your Embora a autora apresente importantes princípios de admi-
Money nistração de forma profissional, ela tece uma filosofia bíblica
Gelyn Musvosvi (Somerset, África do Sul: de gestão financeira ao longo do livro. A filosofia ressalta não
African Publishing Company, 2013), 116 só o apelo aos valores cristãos de mordomia, mas também
páginas, brochura. desafia os jovens adultos e as famílias com a ideia de que seu
futuro financeiro torna-se seguro apenas quando eles se com-
Resenha de David Birkenstock prometem com os valores bíblicos de gestão do tempo, talen-
tos, posses e relacionamentos. A autora enquadra todos esses
conceitos em linguagem simples, sem sacrificar o valor acadê-
mico. A sabedoria da Bíblia vem por meio de muitas ilustra-
ções que são utilizadas para explicar a gestão financeira.
A autora apresenta um forte argumento mostrando que
Gelyn Musvosvi é bem qualificada para escrever esse todos os bens pertencem a Deus e que é Ele quem nos dá a
livro, que é destinado tanto a leigos como a profissionais de capacidade para ganharmos dinheiro; somos administradores
administração, já que ela possui formação acadêmica na área dos bens que já pertencem a Deus. Ela argumenta que cada
de negócios e larga experiência em liderança administrativa. pessoa deve reconhecer e confessar, por palavras e atos, que
Atualmente, é reitora da Faculdade de Administração no ela é apenas administradora das bênçãos de Deus. Uma vez
Heidelberg College, África do Sul, tendo trabalhado ante- que Deus é reconhecido como nosso Sócio e o Dono de nossa
riormente na Universidade de Solusi. Sua experiência de vida e de nossos bens, podemos trilhar o caminho de uma
ensino inclui palestras nas empresas, com ênfase em finanças mordomia e gestão conscientes sem ficar estressados.
e contabilidade. Embora o alvo principal do livro seja a família, ela também
Musvosvi usa uma nova abordagem para o tema, apresen- dirige seu apelo aos jovens e àqueles que estão envolvidos em
tando 111 dicas fáceis de ler e fáceis de entender, para uma negócios e gestão financeira. As dicas apresentadas são úteis
gestão eficaz do dinheiro. Uma página inteira é dedicada a todos: casados, solteiros, crianças, usuários do dinheiro
à discussão de cada dica, apresentando exemplos práticos já experientes e para a pessoa que está apenas começando a
do dia a dia sobre a questão do dinheiro. Alguns dos temas ganhar a vida. Os temas incluem orientação básica para a
abordados são: a importância dos conceitos financeiros, dicas gestão financeira, manutenção de documentos, arquivamento
bancárias, o que procurar na hora de investir, o valor de um manual e eletrônico, tarefas para as crianças, despesas fixas
bom histórico de créditos, a compra de um carro, a filosofia e variáveis, orçamentos, o cuidado que se deve ter para lidar
do dinheiro, prevenção de fraudes; planejamento de sua dívi- com os instrumentos financeiros, bancários e contas eletrô-
da, investimentos, etc. nicas, uso de caixas eletrônicos, compra e direito de proprie-
A autora começa com uma premissa básica: a família é dade de automóveis, seguros, gestão da dívida, manutenção
o centro principal para a prática da gestão financeira, e os de linhas de crédito, direito de propriedade, gestão de investi-
pais são os primeiros professores a respeito do tema sobre o mentos, planejamento para a educação dos filhos, etc.
dinheiro. As crianças podem aprender com os pais as habili- O livro também discute o que o dinheiro pode e não pode
dades necessárias na gestão do dinheiro, ao exemplificarem fazer: não pode comprar o amor e a felicidade, pois é apenas
eles, de forma conscienciosa e prudente, a devida observância um recurso a ser administrado. É bem escrito e tem muito a
da mordomia, a necessidade de serem econômicas sem serem oferecer aos seus leitores. Apresenta várias ilustrações que tor-
mesquinhas, a importância da poupança e também a serem nam de fácil compreensão os princípios envolvidos. O forma-
caridosas. Quando os pais ensinam os filhos a serem par- to favorece o seu manuseio, fazendo com que o livro seja não
cimoniosos e os envolvem desde cedo nos conceitos básicos somente uma ferramenta valiosa para a gestão financeira, mas
da gestão do dinheiro, eles, crescem com uma visão mais também um recurso para palestras sobre as responsabilidades
adequada quanto ao seu uso e, assim, passam a compreender quanto à administração do dinheiro e prática da mordomia.
o significado da boa cidadania e da formação de um caráter
sólido.
Musvosvi atingiu bem seu propósito ao escrever o livro David Birkenstock (EdD pela Universidade Andrews) foi,
em linguagem para leigos, visando à família como unidade ao longo da vida, educador e administrador adventista
de ensino básico. As ilustrações são apropriadas e podem ser do sétimo dia. Antes de se aposentar, serviu como pre-
compreendidas por todos, já que se baseiam em experiências sidente do Adventist International Institute of Advanced
da vida real. Princípios contábeis e financeiros complexos são Studies, em Silang, Cavite, nas Filipinas. Ele escreveu esse
muito bem definidos e ilustrados, e podem ser facilmente artigo diretamente de Somerset West, África do Sul.
compreendidos até mesmo por aqueles que não têm experiên- E-mail: birksd@absamail.com.za
cia ou conhecimento em gestão financeira.

DIÁLOGO 25 • 3 2013 29
Logos
Espiritualidade e Liderança:
lições do livro de Atos
John M. Fowler
Quando a liderança é caracterizada pela
espiritualidade, a igreja e as suas instituições
como um todo devem se voltar para a sua
principal função: proclamação, evangelismo,
missão, ensino, cura e espera.
A liderança em qualquer nível – seja esperada de um líder. Para preencher a Getsêmani, para dar a conhecer o cálice
na igreja local, na escola, nas reuniões, vaga deixada pela tragédia forjada por da vontade de Deus; na cruz, a fim de
ou mesmo na Associação Geral – é Judas, os discípulos estavam convencidos dar testemunho da reconciliação e da
uma paixão espiritual emocionante para de que precisavam de uma pessoa que redenção; no túmulo vazio, para pro-
alguns e um mecanismo administrativo tivesse testemunhado o ministério de clamar o Senhor vivo e a vitória sobre
para outros. Os que foram nomeados Cristo durante todo o tempo em que Ele a morte; na ascensão, para aceitar uma
atribuem o funcionamento do processo “esteve conosco” (Atos 1:21).1 Teologia, missão de caráter global, experimentar
eletivo à orientação do Espírito Santo, cultura, erudição, administração, boa o poder do Sumo Sacerdote celestial e
e aqueles que ficaram decepcionados aparência e persuasão eram habilidades aguardar a Sua segunda vinda.
sugerem que todo o processo é político, que a igreja poderia ter feito uso em
impulsionado pela influência do lobby. sua administração, mas nenhuma delas 2. “Uma testemunha da Sua
Sempre que nos deparamos com a ques- tomaria o lugar da experiência de conhe- ressurreição” (Atos 1:22)
tão da liderança e da administração, é cer Jesus pessoalmente, de coração a Essa é outra qualificação que a igreja
bom considerarmos alguns princípios coração, de mente para mente e de forma deve buscar na liderança. A ressurrei-
com base no livro de Atos, que registra as individual. ção não pode estar separada da cruz. A
lutas da igreja apostólica na escolha dos Essa pessoa não deveria ter sido ape- cruz vindica o plano redentor de Deus
líderes que seriam incumbidos de expan- nas mera espectadora dos maravilhosos para o pecado, e a ressurreição oferece a
dir o reino de Deus na Terra, ao mesmo eventos da vida e ministério de Jesus, esperança de renovação. Não se pode ser
tempo em que aguardavam a Parousia. mas apresentado uma identificação cristão, e muito menos um líder cristão,
Quatro episódios de Atos nos dão as pessoal e sem reservas com o ministério sem experimentar o poder da cruz e do
qualidades espirituais que esperamos e com o chamado: no Jordão, para um túmulo vazio. Poucas semanas após a
encontrar nos líderes, bem como os voto batismal de obediência ao Pai; crucificação, os discípulos já insistiam
princípios que a igreja deve seguir na em Nazaré, para proclamar liberdade na afirmação de que o Senhor cruci-
escolha de sua liderança para qualquer aos pobres e oprimidos; em Caná, ficado e ressurreto era essencial para o
uma de suas entidades. Esses episódios para estender a mão a uma necessidade discipulado cristão. Testemunhar da res-
são: a substituição de Judas (Atos 1:21, urgente; com Nicodemos, para falar surreição, segundo Paulo, era imperativo
26); a escolha dos diáconos (Atos 6:16); do novo nascimento; com a mulher para ser um proclamador do evangelho
a missão em Antioquia (Atos 11:19, 25); samaritana, junto ao poço, para ajudar a (1 Coríntios 15:8).
a missão aos gentios (Atos 13:2). quebrar a barreira do preconceito; com Ser testemunha não significa veraci-
os leprosos, os cegos e os mortos, para dade teológica ou convicção doutriná-
1. Experiência pessoal com Jesus mostrar que Deus é o Deus da esperan- ria. Inclui esses requisitos, mas também
A experiência pessoal com Jesus é a ça e o precursor de uma nova vida; na insta com os líderes cristãos que cami-
primeira e mais importante qualificação comunhão, cingindo-se para servir; no nhem com Jesus diariamente, falem

30 DIÁLOGO 25 • 3 2013
com Ele, apresentem suas súplicas a Ele, 4. “Cheio do Espírito Santo e de jejuam e oram antes de os líderes serem
tanto por si mesmos como em favor dos Fé” (Atos 11:24) eleitos, podemos ter a certeza de que
outros e experimentem o poder media- Esse é outro elemento que a igreja o Santo Espírito de Deus frustrará as
dor do Sumo Sacerdote celestial. Os primitiva buscou em sua liderança. Esses ambições políticas e orientará na escolha
líderes cristãos não podem ser de modo termos descrevem não um processo polí- de pessoas cheias “do Espírito Santo e de
algum menos que isso. tico, mas a maturidade espiritual; não fé” (Atos 11:24). Tudo deve ser submeti-
um desejo de poder, mas a submissão a do a Deus, que verdadeiramente indicará
3. “Idoneidade” (Atos 6:3, 5) um chamado superior; não uma disputa a melhor escolha. Esta foi a oração de
Boa reputação foi uma qualificação por posição na administração, mas von- abertura feita pelos discípulos, conforme
em que a igreja apostólica insistiu para tade de serem líderes usados pelo Espírito está relatado em Atos 1: “Senhor, Tu
a escolha de seus líderes. Vemos isso como mediadores de Sua graça. conheces o coração de todos, mostra-nos
na escolha dos diáconos para cuidar Um líder cristão está disposto a ser qual destes dois tens escolhido” (v. 24).
das necessidades de rotina da igreja em conduzido pelo Espírito ao longo do O segundo é a unidade dos crentes
Jerusalém e na escolha de Barnabé (Atos caminho e em cada bifurcação onde a ao buscarem saber qual é a vontade
11:22) para investigar os acontecimen- estrada se divide. Um líder cristão aguar- de Deus, na certeza de que o Senhor
tos milagrosos em Antioquia e liderar da de joelhos dobrados a indicação clara conhece o coração de todos e revelará
a igreja estabelecida naquele lugar. Em e o poder para realizar a tarefa. Um líder os Seus propósitos. A história da igreja
ambos os casos, a igreja queria ter pes- cristão tem sabedoria para distinguir nos diz que sempre que o povo de Deus,
soas boas e confiáveis. As diretrizes para entre o essencial e o periférico, entre de forma unida, procurava conhecer e
a escolha definiram a bondade de duas as exigências do Reino e as preocupa- fazer a Sua vontade, Ele nunca deixou
maneiras que a igreja de hoje pode vir ções consigo mesmo; entre as pessoas de ouvir suas preces. O Senhor deixa de
a ignorar apenas por sua própria conta e as coisas. Um líder cristão tem muita nos ouvir somente quando, por causa da
e risco. Em primeiro lugar, bondade confiança em Deus e consideração por nossa arrogância e egoísmo, por nossa
significa “boa reputação”, pessoas de seus semelhantes. Manifesta a graça do demonstração de força corporativa ou
integridade. O trabalho deles requeria perdão, a habilidade de capacitar outras por nossa indiferença laodiceana, pro-
o manuseio do dinheiro: os diáconos pessoas e a generosidade de ser inclusivo. curamos nós mesmos agir como deuses,
de Jerusalém estavam encarregados de Se essas são as qualificações a serem não dando importância à Sua suprema
cuidar dos necessitados; Barnabé levava buscadas nos líderes em potencial, quais vontade e propósitos.
os fundos de Antioquia para os pobres são os princípios que a igreja deve seguir O terceiro é o reconhecimento de
de Jerusalém. Os líderes não podem se para a indicação desses líderes? que escolhemos líderes que levem
permitir serem relapsos com relação à avante os propósitos de Deus. A esco-
sua própria integridade. Três Princípios lha da liderança da igreja, em qualquer
Em segundo lugar, a bondade clama Os casos a que o livro de Atos se refere nível, não tem nenhum outro significado
por justiça, ao lidar com todos os seg- também apontam para três princípios a não ser esse. “Pregar a palavra” (Atos
mentos da igreja em pé de igualdade, que a igreja deve seguir na escolha de 6:2, 5) não pode depender das conveni-
reconhecendo não haver distinção entre seus líderes. ências administrativas. A Missão Global
raça, etnia, sexo, nem tribo, tanto em O primeiro é a Oração. Quer na não pode ser entravada pelas “conquistas
Jerusalém como em Antioquia. Barnabé indicação de um substituto para Judas, gloriosas de Antioquia”. O ensino da
era tão consciencioso a esse respeito que na escolha dos diáconos ou ao enviar Palavra não pode ser reprimido por uma
a igreja de Antioquia talvez tenha sido missionários para os gentios, a igreja estrutura onerosa. O evangelismo não
o primeiro grupo de membros a que- primitiva colocou sua maior ênfase na deve ser refém do sentimento de que “nós
brar corporativamente toda barreira de oração. Os discípulos devem ter apren- prosperamos e de nada temos falta”.
separação; como resultado, cresceu em dido esse processo com seu Senhor que A igreja a que pertencemos é um
grandes proporções. Na verdade, pode- “dependia inteiramente Deus, e no lugar corpo transcendente, embora frágil e
mos dizer que foi Antioquia que lançou oculto de oração buscava força divina, a humano em suas condições. Não é uma
o primeiro projeto de Missão Global fim de poder sair fortalecido para o dever instituição política. Tem eleições não
da Igreja Cristã. Quando temos líderes e provação.”2 para provar sua democracia, não para
que são honestos e justos, amorosos e Antes de enviar Paulo e Barnabé converter o corpo de membros em uma
compassivos, “prudentes [na] adminis- como missionários para os que ainda perpétua arena política, mas para esco-
tração e piedosos... [no] exemplo”, o não haviam sido alcançados com o lher seus líderes. Assim que é encerrado o
crescimento da igreja pode cuidar de si evangelho, a igreja de Antioquia jejuou e processo de nomeações, as inadequações
mesmo (ver Atos 6:7; 11:24). orou. Quando a igreja, como um todo, e
também seus membros, individualmente, (Continua na pág. 34.)

DIÁLOGO 25 • 3 2013 31
Índice Duda, Daniel. Livro de Jón Barna 24.3
Editores. A 59ª Sessão da Associação Geral se reúne em
Atlanta 21.2-3
Matthews, Lionel. Por que os cristãos devem estudar
Sociologia 24.1
Mayer, Lorena. Livro de Heather Thompson 23.2
Diálogo Universitário ___. Reavivamento, reforma, discipulado e evangelismo
22.2-3
___. Perfil de Margaret Ashby 25.2
Mendoza, Ruth e Escobar, Iván. Argentina em ação
Volumes 21-25 ___. Livro de Reinder Bruinsma 23.2
___. Declaração de Consenso da Igreja Adventista do
21.1
Mora Angomás, Alexandra. Espanha em ação 24.1
Sétimo Dia sobre a Teologia da Ordenação 25.2 Müller, Ekkerhardt. Livro de Gerhard Padderatz 21.1
Por autor: Escobar, Iván e Mendoza, Rocío. Argentina em ação ___. Quem deve se dedicar à Teologia? 23.2
Adams, Roy. A religião enfrenta o fundamentalismo ateu
21.1 ___. O presente da sexualidade: uma visão bíblica 24.2
21.1
Esperante, Raúl. E se eu aceitar a evolução teísta? 25.2 Musvosvi, Joel. Livro de Ron du Preez 23.1
Alexe, Adelina. Livro de John Ortberg 21.1
Falconier, Marcelo. Nossa escuridão ou Sua luz? 23.3 Mutazindwa, Charles. Uganda em ação 24.3
__. Livro de Monica Reed e Donna Wallace 21.2-3
Fischer, Roland. Aprendizagem com propósito: lições de Nedley, Neil. Inteligência emocional: uma
Aranda Fraga, Fernando. Jerusalém e Atenas: duas cos-
Apolo 21.2-3 compreensão bíblica 23.2
movisões, duas escolas de pensamento 23.1
Ford, Heide. Perfil de Cynthia Primel 21.1 Nolan Freesland, Shelley. Perfil de Norma Nashed
Aromäki, Kalervo. Perfil de Hannu Takkula 23.1
Fowler, John. O qué significa desenvolver a salvação? 23.3
Ashton, John. Um cristão pode ser um bom cientista? 24.3
21.1 Norheim, Hanna. As mulheres a serviço de Cristo 21.2-3
___. Deus existe! 25.3
___. Sábado: um dia de alegria, um dia de liberdade Nunes Lima, Creriane. Doador de órgãos: ser ou não
Babalola, David. Perfil de Michael Abiola Omolewa
21.2-3 ser 22.2-3
21.2-3
___. Siga adiante: o apelo da 59ª Assembleia da Oestreich, Bernhard. Jesus dá liberdade 24.2
Babalola, Funmilola. Meu Deus está acima de tudo 23.3
Associação Geral 22.1 Oliveira Japhet de. Livro de Roy Gane, Nicholas Miller
Badenas, Roberto. À procura da verdade presente 24.3
___. Firme e forte 22.2-3 e Peter Swanson 24.2
Bailey, Karl. Você, seus neuronios e o livre-arbítrio: dúvi-
___. A agulha e o camelo 23.1 Oluikpe, IIkechukwu. Livro de Jon Paulien 21.1
das sobre o reducionismo e a popularização da ciência
___. Necessitamos de doutrinas? 24.1 Omeonu, Chimezie. O cristianismo no namoro 24.1
congnitiva 25.1
___. “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor” 24.2 Paseggi, Marcos. Perfil de Trudy Morgan-Cole 23.1
Baker, Benjamin. “Combati o bom combate” William
___. Diálogo: celebrando um ministerio 25.2 ___. Matar ou recuperar o tempo? 23.3
Ellis Foy o milerita 25.3
___. Espiritualidade e liderança: lições do livro de Atos ___. Livro de Lionel Matthews 24.1
Bartley, Christopher. Livro de Allan Martin, Shayna
25.3 Paulien, Jon. Livro de Samir Selmanovic 22.1
Bailey e Lynell LaMountain 22.1
Galusha, Joe. Livro de James Gibson e Humberto Rasi Paulsen, Jan. Criação: a posição bíblica da Igreja
Beardsley, Lisa. Comunique-se com a mente pós-moderna
23.1 Adventista 21.2-3
21.1
García, Hugo. A maravilha da água: um desafio para a Pearson, Michael. Uma nova “trinidade” 25.2
___. Alguém está orando por você 21.2-3
evolução? 23.2 Penner, David. Perfil de Patrick Allen 22.2-3
___. Encontrei Faith em Cingapura 22.1
Garilva, Don e Criscel. Filipinas em ação 22.2-3 Pereyra, Mario. Zípora, a voz do silêncio 25.1
Beardsley-Hardy, Lisa. A fé que vem da amizade 23.1
Gibson, Annette e Tidwell, Charles. Livro de Michael Pfandl, Gerhard. Livro de Herbert Douglass 23.3
___. Cuidado com as falsificações 24.2
Cafferky 25.2 ___. Livro de Humberto Rasi e Nancy Vyhmeister
___. Sesquicentenário 24.3
Gibson, James e Cowles, David. Evolução e diversidade 24.1
___. Coisas que não mudam 25.1
da vida 23.3 Pereyra Suárez, Roberto. Livro de Emilson dos Reis
Becerra, Enrique. Perfil de Ramón Garrido Quevedo
Giebel, Herb. Um legado de negócios inacabados: lições 23.1
25.3
da vida de Saul 24.1 Phillips, Suzanne. Livro de John Ashton 24.3
Birkenstock, David. Livro de Gelyn Musvosvi 25.3
Gregorutti, Sylvia. Perfil de Humberto Rasi 25.1 Pickell, Ron. U.S.A. em ação 24.2
Blackmer, Sandra. O Criador e as catástrofes 23.1
Hankins, Raewyn. Livro de Kelly Kullberg 21.2-3 Plenc, Daniel. Livro de Joseph Kidder 24.1
___. Livro de Richard Litke 23.2
Hayes, Floyd e William. O que os adventistas têm a Puni, Erika. Diálogo responde sobre fidelidade e vida
___. Da fazenda à mesa: como os adventistas devem con-
dizer sobre gestão ambiental? 25.2 estudiantil 22.1
siderar o mundo sombrio das fazendas de confinamento?
Hernández Vital, Ruth. O que eles viram? 24.3 Rasi, Humberto. Os cientistas e as diferentes interpreta-
25.1
Hill, Barry. Livro de CindyTutsch 21.2-3 ções da realidade 23.1
Brand, Leonard. A teoria da evoluão é científica? 24.1
Hodgkin, Georgia. Perfil de Donna Galluzzo 24.1 ___. Diálogo: 25 anos de ministério global 25.2
Brasil de Souza, Elias. A Bíblia e a Igreja: revisitando o
Idowu, Olubunmi. Perfil de Rebecca Oyindamola Razmerita, Gheorghe. É racional crer na criação
óbvio 25.1
Olomojobi 22.2-3 recente em seis dias? 21.2-3
Burt, Merlin. Ellen White e as terapias de saúde mental
Kerbs, Raul. Agostinho e a criação: Como a tradição Reis, Emilson dos. Traduções da Biblia na língua por-
21.1
influenciou a aceitação da evolução 25.3 tuguesa 23.1
Cafferky, Michael. Carreira de negócios é apropriada para
Kharbteng, Boxter. Livro de Sigve Tonstad 22.2-3 Robinson, Marlon. Livro de Mark Noll 22.1
um cristão? 23.3
Kibuuka, Hudson. Paz e confiança no Senhor 22.1 ___. Namoro e sexualidae: orientação aos jovens 22.2-3
Cairus, Aecio. Livro de Daniel Scarone 25.3
___. Perfil de Daniel Ntanda Nsereko 23.2 Romand, Raymond. O custo ecológico do que comemos
Cangy, Gilbert. Regras de engajamento 23.3
___. Livro de Kwabena Donkor 23.3 22.1
Carvalho dos Reis, Suelen. Administre seu tempo 24.3
___. Perfil de Doris Mendoza 24.1 Roy, Don. A educação cristã realmente é um
Chimpén, Carlos. Relacionamentos: contornos culturais
___. Perfil de Christopher Mbulwa 24.2 “ministério”? 25.1
ou orientação bíblica? 24.3
King, Greg. O Antigo e o Novo Testamento apresentam o ___. Perfil de John Ashton 25.3
Cooper, Lowell. A igreja: conhecendo e vivendo o seu
mesmo Deus? 24.1 Sanchez-Sabaté, Ruben. Perfil de Francisco Badilla
propósito 25.3
Klingbeil, Chantal e Gerald. Ir à igreja ou não? 22.1 Briones 21.1
Cooper, Rae. Qual sera sua escolha? 22.2-3
Krumm, Sonia. Perfil de Graciela Fuentes 21.2-3 ___. Perfil de Davide Sciarabba 23.2
Covrig, Duane. Consciência moral: lições de Huss e
Lam-Phoon, Sally. O meu Ribeiro de Carite: quando a ___. Perfil de Edino Biaggi 24.3
Jerônimo 21.1
vida seca 21.1 Santrac, Alexandar. Divinitatis sensus e a missão da
Cowles, David e Gibson, James. Evolução e diversidade
Lichtenwalter, Larry. Verdade e moral absolutas 24.2 igreja 21.2-3
da vida 23.3
Lima, Valdecir. Um sorriso em sua alma 24.2 Schulz, Susana. Isaac Newton: cientista e teólogo 22.2-3
Davidson, Richard. Criação e dilúvio global: relato literal
Magyarosi, Barna. França em ação 23.2 ___. Superando obstáculos 24.1
ou alegórico? 22.2-3
___. Perfil de Uli Nees 24.2 Scott, Marilyn. Uma comunidade habitável 22.2-3
___. A homossexualidade e a Biblia: o que está em jogo no
Mamani, Isidro e Tapia, Estela. Perfil de Amalia Suaña ___. Quem dizeis que Eu sou? 24.3
debate atual 24.2
25.2 Shipton, Warren. Palavras que permanecem 24.2

32 DIÁLOGO 25 • 3 2013
___. História, filosofia e destino: percepções de Daniel Agostinho e a criação: Como a tradição influenciou a Nossa vida, nosso trabalho, que espécie de influência exer-
25.1 aceitação da evolução. Kerbs, Raul 25.3 cemos? Thomsen, Halvard 21.1
Standish, James. Dê-lhes um pouco de verdade 25.1 Carreira de negócios é apropriada para um cristão? O Antigo e o Novo Testamento apresentam o mesmo
Standish, Timothy. Os seres humanos e os chimpanzés Cafferky, Michael 23.3 Deus? King, Greg 24.1
são quase idênticos? 23.2 Coisas que não mudam. Beardsley-Hardy, Lisa 25.1 O Criador e as catástrofes. Blackmer, Sandra 23.1
Steed, Lincoln. A revolução de que todos nós precisamos “Combati o bom combate” William Ellis Foy o milerita. O cristão e a política: risco ou oportunidade? Taylor,
23.3 Baker, Benjamin 25.3 John W. (V) 22.1
Stele, Artur. Sua Palavra permanence para sempre! 23.3 Comunique-se com a mente pós-moderna. Beardsley, O cristianismo no namoro. Omeonu, Chimezie 24.1
Steward, David. Injustiça para um, justiça para todos Lisa 21.1 O custo ecológico do que comemos. Romand, Raymond
23.2 Consciência moral: lições de Huss e Jerônimo. Covrig, 22.1
Swanson, Gary. Pode haver separação entre fé e ciência? Duane 21.1 O evangelho que chegou a Abraão. Tasker, David 22.1
21.1 Criação e dilúvio global: relato literal ou alegórico? O meu Ribeiro de Carite: quando a vida se. Lam-Phoon,
Tapia, Estela e Mamani, Isidro. Perfil de Amalia Suaña Davidson, Richard 22.2-3 Sally 21.1
25.2 Criação: a posição bíblica da Igreja Adventista. O presente da sexualidade: uma visão bíblica. Müller,
Tasker, David. O evangelho que chegou a Abraão 22.1 Paulsen, Jan 21.2-3 Ekkerhardt 24.2
Taylor, John W. (V). O cristão e a política: risco ou Cristo, nossa justiça, salvação, missão e esperança. O que eles viram? Hernández Vital, Ruth 24.3
oportunidade? 22.1 Wilson, Ted 23.3 O que os adventistas têm a dizer sobre gestão ambiental?
___. Escapar da visão do túnel 23.2 Cuidado com as falsificações. Beardsley-Hardy, Lisa 24.2 Hayes, Floyd e William 25.2
___ e John W. (VI). Quem é você? O senso de identida- Da fazenda à mesa: como os adventistas devem conside- O qué significa desenvolver a salvação? Fowler, John 21.1
de em uma perspectiva cristã 23.1 rar o mundo sombrio das fazendas de confinamento? O santuário da montanha Taylor, John W. (V) 25.3
___ e Miriam. Toda cidade precisa de um carpinteiro Blackmer, Sandra 25.1 Os cientistas e as diferentes interpretações da realidade.
24.3 Declaração de Consenso da Igreja Adventista do Sétimo Rasi, Humberto 23.1
___. O santuário da montanha 25.3 Dia sobre a Teologia da Ordenação. Editores 25.2 Os seres humanos e os chimpanzés são quase idênticos?
Thomsen, Halvard. Nossa vida, nosso trabalho, que espé- Dê-lhes um pouco de verdade. Standish, James 25.1 Standish, Timothy 23.2
cie de influência exercemos? 21.1 Deus existe! Ashton, John 25.3 Palavras que permanecem. Shipton, Warren 24.2
___. Itália em ação 21.2-3 Diálogo responde sobre fidelidade e vida estudiantil. Paz e confiança no Senhor. Kibuuka, Hudson 22.1
Tidwell, Charles (Jr.) Perfil de Dennis Tidwell 23.3 Puni, Erika 22.1 Pode haver separação entre fé e ciência? Swanson, Gary
___ e Gibson, Annette. Livro de Michael Cafferky Diálogo: 25 anos de ministério global. Rasi, Humberto 21.1
25.2 25.2 Por que os cristãos devem estudar Sociologi. Matthews,
Tornalejo, Remwil. Livro de Nikolaus Satelmajer 25.2 Diálogo: celebrando um ministerio. Fowler, John 25.2 Lionel 24.1
Unknown. Indonésia em ação 23.3 Divinitatis sensus e a missão da igreja. Santrac, Qual sera sua escolha? Cooper, Rae 22.2-3
Weigert, Ursula. Perfil de Leonid Hrytsak 22.1 Alexandar 21.2-3 Quem deve se dedicar à Teologia? Müller, Ekkerhardt
White, Ellen. Fé e aceitação 21.1 Doador de órgãos: ser ou não ser. Nunes Lima, Creriane 23.2
___. A luta continua 22.2-3 22.2-3 Quem dizeis que Eu sou? Scott, Marilyn 24.3
Wilson, Ted. Cristo, nossa justiça, salvação, missão e É racional crer na criação recente em seis dias? Quem é você? O senso de identidade em uma perspectiva
esperança 23.3 Razmerita, Gheorghe 21.2-3 cristã. Taylor, John W. (V) e John W. (VI) 23.1
___. Um momento para relembrar, um chamado para E se eu aceitar a evolução teísta? Esperante, Raúl 25.2 Reavivamento, reforma, discipulado e evangelismo.
prosseguir 25.2 “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”. Fowler, Editores 22.2-3
Wong, Johnny. Austrália em ação 25.2 John 24.2 Regras de engajamento. Cangy, Gilbert 23.3
Yi, Zane. U.S.A. em ação 22.1 Ellen White e as terapias de saúde mental. Burt, Merlin Relacionamentos: contornos culturais ou orientação bíbli-
21.1 ca? Chimpén, Carlos 24.3
Por título Encontrei Faith em Cingapura. Beardsley, Lisa 22.1 Sábado: um dia de alegria, um dia de liberdade. Fowler,
A 59ª Sessão da Associação Geral se reúne em Atlanta. Escapar da visão do túnel. Taylor, John W. (V) 23.2 John 21.2-3
Editores 21.2-3 Espiritualidade e liderança: lições do livro de Atos. Sesquicentenário. Beardsley-Hardy, Lisa 24.3
A agulha e o camelo. Fowler, John 23.1 Fowler, John 25.3 Siga adiante: o apelo da 59ª Assembleia da Associação
A Bíblia e a Igreja: revisitando o óbvio. Brasil de Souza, Evolução e diversidade da vida. Cowles, David e Geral. Fowler, John 22.1
Elias 25.1 Gibson, James 23.3 Sua Palavra permanence para sempre! Stele, Artur 23.3
A educação cristã realmente é um “ministério”? Roy, Evolução e diversidade da vida. Gibson, James e Superando obstáculos. Schulz, Susana 24.1
Don 25.1 Cowles, David 23.3 Toda cidade precisa de um carpinteiro. Taylor, John W.
A fé que vem da amizade. Beardsley-Hardy, Lisa 23.1 Fé e aceitação. White, Ellen 21.1 (V) e Miriam 24.3
A homossexualidade e a Biblia: o que está em jogo no Firme e forte. Fowler, John 22.2-3 Traduções da Biblia na língua portuguesa. Reis,
debate atual. Davidson, Richard 24.2 História, filosofia e destino: percepções de Daniel. Emilson dos 23.1
A igreja: conhecendo e vivendo o seu propósito. Cooper, Shipton, Warren 25.1 Um cristão pode ser um bom cientista? Ashton, John
Lowell 25.3 Injustiça para um, justiça para todos. Steward, David 24.3
A luta continua. White, Ellen 22.2-3 23.2 Um legado de negócios inacabados: lições da vida de Saul.
A maravilha da água: um desafio para a evolução? Inteligência emocional: uma compreensão bíblica. Giebel, Herb 24.1
García, Hugo 23.2 Nedley, Neil 23.2 Um momento para relembrar, um chamado para prosse-
À procura da verdade presente. Badenas, Roberto 24.3 Ir à igreja ou não? Klingbeil, Chantal e Gerald 22.1 guir. Wilson, Ted 25.2
A religião enfrenta o fundamentalismo ateu. Adams, Isaac Newton: cientista e teólogo. Schulz, Susana 22.2-3 Um sorriso em sua alma. Lima, Valdecir 24.2
Roy 21.1 Jerusalém e Atenas: duas cosmovisões, duas escolas de pen- Uma comunidade habitável. Scott, Marilyn 22.2-3
A revolução de que todos nós precisamos. Steed, Lincoln samento. Aranda Fraga, Fernando 23.1 Uma nova “trinidade”. Pearson, Michael 25.2
23.3 Jesus dá liberdade. Oestreich, Bernhard 24.2 Verdade e moral absolutas. Lichtenwalter, Larry 24.2
A teoria da evoluão é científica? Brand, Leonard 24.1 Matar ou recuperar o tempo? Paseggi, Marcos 23.3 Você, seus neuronios e o livre-arbítrio: dúvidas sobre o
Administre seu tempo. Carvalho dos Reis, Suelen 24.3 Meu Deus está acima de tudo. Babalola, Funmilola 23.3 reducionismo e a popularização da ciência congnitiva.
Alguém está orando por você. Beardsley, Lisa 21.2-3 Namoro e sexualidae: orientação aos jovens. Robinson, Bailey, Karl 25.1
Aprendizagem com propósito: lições de Apolo. Fischer, Marlon 22.2-3 Zípora, a voz do silêncio. Pereyra, Mario 25.1
Roland 21.2-3 Necessitamos de doutrinas? Fowler, John 24.1
As mulheres a serviço de Cristo. Norheim, Hanna 21.2-3 Nossa escuridão ou Sua luz? Falconier, Marcelo 23.3

DIÁLOGO 25 • 3 2013 33
Em ação (Por país) Padderatz, Gerhard. Amerika: Mit Gewalt in den Prime, Cynthia. Empresária adventista com o coração
Argentina. Estudantes adventistas se reúnem na Gottesstaat 21.1 voltado para os órfãos do HIV/Aids en Suazilândia
Argentina 21.1 Paulien, Jon. Armageddon at the Door 21.1 21.1
Austrália. Estudante adventista recebe importante prêmio Preez, Ron du. Judging the Sabbath. Discovering Rasi, Humberto. Diálogo com o fundador deste revista
na Austrália 25.2 What Can’t Be in Colossians 2:16 23.1 25.1
Espanha. Estudantes adventistas realizam convenção na Rasi, Humberto e Gibson, James. Understanding Sciarabba, Davide. Diálogo com um pastor adventista
Espanha 24.1 Creation: Answers to Questions on Faith and Science e capelão esportivo na Itália 23.2
Estados Unidos. Divisão Norte-Americana realiza pri- 23.1 Suaña, Amalia. Diálogo com uma educadora da
meiro encontro do ministério universitário 24.2 Rasi, Humberto e Vyhmeister, Nancy. Always Educação Infantil no Peru 25.2
Estados Unidos. Pesquisadores adventistas, pastores e Prepared 24.1 Takkula, Hannu. Diálogo com um adventista membro
estudantes se reúnem para discutir a organização de Reed, Monica e Wallace, Donna. The Creation do Parlamento Europeu 23.1
uma sociedade filosófica 22.1 Health Breakthrough 21.2-3 Tidwell, Dennis. Diálogo com um oficial adventista do
Filipinas. Universitários das Filipinas se unem em projeto Satelmajer, Nikolaus. The Book that Changed the U.S. Foreign Service 23.3
evangelístico 22.2-3 World: The Story of the King James Version 25.2
França. Trezentos jovens se reúnem em Paris para a con- Scarone, Daniel. The God We Worship 25.3
venção da Caupa 23.2 Selmanovic, Samir. It’s Really All About God:
Indonésia. Universitários adventistas criam associação Reflections of a Muslim Atheist Jewish Christian
nacional na Indonésia 23.3 22.1 Atos...
Itália. Conferências na Itália unem fé e ciência 21.2-3 Swanson, Peter; Gane, Roy e Miller, Nicholas. (Continuação da pág. 31.)
Uganda. Universitários adventistas de Uganda realizam Homosexuality, marriage, and the Church: Biblical,
conferência evangelística 24.3 Counseling and Religious Liberty Issues 24.2
Thompson, Heather. Hook, Line and Sinker: How to são colocadas de lado. O corpo, como
Keep from Swallowing Popular Myths 23.2 um todo, deve se voltar para a sua prin-
Livros (Por autor): Tonstad, Sigve. The Lost Meaning of the Seventh Day cipal função: proclamação, evangelismo,
Ashton, John. Evolution Impossible: 12 Reasons Why 22.2-3
Evolution Cannot Explain the Origin of Life on Tutsch, Cindy. Ellen White on Leadership 21.2-3 missão, ensino, cura e espera. Essas são
Earth 24.3 Vyhmeister, Nancy e Rasi, Humberto. Always as dimensões transcendentais às quais
Bailey, Shayna; Martin, Allan e LaMountain, Prepared 24.1 somos chamados a servir.
Lynell. GOD encounters: Pursuing a 24/7 Wallace, Donna e Reed, Monica. The Creation
Experience of Jesus 22.1 Health Breakthrough 21.2-3
A história nos diz que quando os
Barna, Jón. Ordination of Women in Seventh- membros da igreja ou líderes estão pre-
day Adventist Theology: A Study in Biblical Perfil ocupados com qualquer outra coisa que
Interpretations 24.3 Abiola Omolewa, Michael. Diálogo com um embai-
Bruinsma, Reinder. The Body of Christ: A Biblical
não seja isso, inicia-se então o processo
xador adventista e delegado permanente da Unesco
understanding of the Church 23.2 21.2-3 de decadência. Daí o chamado para um
Cafferky, Michael. Management: A Faith-Based Allen, Patrick. Diálogo com o governador-geral da terreno mais elevado: o poder e a pompa
Perspective 25.2 Jamaica 22.2-3 devem ceder lugar a uma paixão pelo
Donkor, Kwabena. The Church, Culture and Spirits: Ashby, Margaret. Diálogo com uma destacada funcio-
Adventism in Africa 23.3 nária adventista do serviço de correios de Barbados
ministério e exemplo de vida; cargos
Douglass, Herbert. Red alert: Hurtling Into Eternity 25.2 eclesiásticos devem se transformar em
23.3 Ashton, John. Diálogo com um cientista adventista da instrumentos de compaixão e serviço; as
Gane, Roy; Miller, Nicholas e Swanson, Peter. Austrália 25.3
Homosexuality, marriage, and the Church: Biblical,
instituições tornam-se dispensárias do
Badilla Briones, Francisco. Diálogo com um artista
Counseling and Religious Liberty Issues 24.2 adventista e filósofo estético chileno 21.1 amor e da graça para as comunidades ao
Gibson, James e Rasi, Humberto. Understanding Biaggi, Edino. Diálogo com um músico adventista da redor; um senso de responsabilidade e
Creation: Answers to Questions on Faith and Science Argentina 24.3 integridade passa a permear as relações
23.1 Fuentes, Graciela. Diálogo com uma juíza adventista
Kidder, Joseph. Majesty: Experiencing Authentic na ONU 21.2-3
tanto em nível pessoal como organizacio-
Worship 24.1 Galluzzo, Donna. Diálogo com uma executiva adven- nal. Quando isso acontecer, o triunfo da
Kullberg, Kelly. Finding God Beyond Harvard: The tista do ramo de home care 24.1 igreja não estará muito distante.
Quest for Veritas 21.2-3 Garrido Quevedo, Ramón. Diálogo com um artista
LaMountain, Lynell; Martin, Allan e Bailey, adventista chileno 25.3
Shayna. GOD encounters: Pursuing a 24/7 Hrytsak, Leonid. Diálogo com um pintor adventista
Experience of Jesus 22.1 da Ucrânia 22.1 John M. Fowler (M.A., EdD, Andrews
Litke, Richard. What Jesus Really Meant 23.2 Mbulwa, Christopher. Diálogo com um policial adven- University; M.S., Syracuse University) é
Martin, Allan; Bailey, Shayna e LaMountain, tista em Botsuana 24.2
Lynell. GOD encounters: Pursuing a 24/7
editor da Revista Diálogo. E-mail: fowl-
Mendoza, Doris. Diálogo com uma professora adven-
Experience of Jesus 22.1 tista de Medicina nas Filipinas 24.1 erj@gc.adventist.org.
Matthews, Lionel. Sociology: A Sevneth-day Adventist Morgan-Cole, Trudy. Diálogo com uma escritora
Approach for Students and Teachers 24.1 adventista do Canadá 23.1
Miller, Nicholas; Swanson, Peter e Gane, Roy. Nashed, Norma. Diálogo com a president e fundadora
Homosexuality, marriage, and the Church: Biblical, do Restore a Child 23.3
REFERÊNCIAS
Counseling and Religious Liberty Issues 24.2 1. Todas as passagens bíblicas foram extraídas da
Nees, Uli. Diálogo com um piloto alemão adventista Nova Versão Internacional.
Musvosvi, Gelyn. 111 Tips For Managing Your da Lufthansa 24.2 2. Ellen White, O Desejado de Todas as
Money 25.3 Ntanda Nsereko, Daniel. Diálogo com um juiz adven- Nações (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora
Noll, Mark. The Scandal of the Evangelical Mind tista do Tribunal Penal Internacional em Haia 23.2 Brasileira, 1990), p. 362, 363.
22.1 Oyindamola Olomojobi, Rebecca. Diálogo com uma
Ortberg, John. The Life You’ve Always Wanted 21.1 juíza nigeriana adventista 22.2-3

34 DIÁLOGO 25 • 3 2013
Portofólio de pinturas de
Ramón Rolando Garrido Quevedo

Fortaleza A Tempestade Vou Segurá-Lo Firme


80 x 70 cm. Pintura a óleo sobre tela e 80 x 60 cm. Pintura a óleo sobre 60 x 40 cm. Pintura a óleo sobre
técnica mista, pintura realista. madeira. madeira.
Trabalhei nessa pintura a óleo tendo a Como artista, procurei capturar a fúria Essa pintura é uma das minhas
região sul da Patagônia Chilena como do mar, como se estivesse tentando favoritas. Podemos ver a poderosa
fonte de inspiração. Essas montanhas, engolir os marinheiros, e o perigo de mão de Deus que desce para agarrar
Torres del Paine, são tão imponentes passar por uma situação tão complexa, a minha mão direita. As Suas mãos
quanto uma fortaleza e, para mim, elas assim como podemos experimentar me mantêm firme e seguro para eu
se assemelham à Rocha, Jesus Cristo. em nossa vida diária. não cair. Sei que Sua mão não vai
A superfície da pintura inclui técnica descansar até que eu chegue em
mista. segurança ao lar celestial. Essa é a
ideia básica que tento compartilhar
nessa pintura.

DIÁLOGO 25 • 3 2013 35
E s p a n h o l • F r a n c ê s • I n g l ê s • P o r t u g u ê s

A lgumas coisas nunca mudam – assim como


a missão e o foco da Diálogo. Mas outras coisas são
transformadas e ampliadas – é o que acontece com os
novos caminhos para você ter acesso à revista. Além
da versão impressa, Diálogo está disponível online, no
seguinte endereço: dialogue.adventist.org.
No site da Diálogo, você terá a oportunidade de ler
todos os artigos, desde a primeira edição até a mais
recente. Além disso, poderá ler os artigos em qualquer
um dos quatro idiomas em que a Diálogo é publicada.
Espalhe essa boa notícia aos seus amigos e colegas para
que todos tenham acesso à Diálogo. Queremos que a
Diálogo esteja disponível a todas as pessoas em todos os
lugares!

dialogue.adventist.org.

36 DIÁLOGO 25 • 3 2013