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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO 1º


JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE LONDRINA – PR.

AUTOS: 2003.3283-2

RIBAMAR ALVES RODRIGUES, brasileiro,


casado, publicitário, portador do RG nº 2.162.964-2/PR,
inscrito no CPF/MF sob o nº 462.352.729-87, residente e
domiciliado na Av. Juscelino Kubitscheck, nº 1.226, apto.
32, centro, nesta cidade, CEP: 86.020-000, por seu
advogado in fine assinado, regularmente inscrito na OAB/PR
sob o nº 30.664, ut instrumento de mandato, com escritório
profissional na Av. Paraná, nº 453, 9º andar, sala 904,
fones: 3321-3562 e 3344-2184, onde recebe avisos e
intimações,nos Autos 2003.3283-2 de AÇÃO DE COBRANÇA,
promovida contra YUAN CHEN CHING e YUEN HSIEN CHER, já
anteriormente qualificados, vem, mui respeitosamente, à
2

presença de Vossa Excelência para apresentar as presentes


CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO, em anexo,requerendo sejam as
mesmas recebidas e após os tramites legais remetidas ao
EGRÉGIA TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL EM
CURITIBA-PR, que por ocasião de seu julgamento, pela
sapiência e reexame dos Eméritos Julgadores, deverá ser
mantida em sua totalidade a Decisão de Primeira Instância.

Nestes Termos

J.esta e as inclusas Contra-Razões de


Apelação

Pede e Espera Deferimento

De Londrina para

Curitiba, 25 de julho de 2005.

MARCUS VINÍCIUS GINEZ DA SILVA


OAB/PR Nº 30.664
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APELADO: RIBAMAR ALVES RODRIGUES

APELANTES:YUAN CHEN CHING e YUEN HSIEN CHER

AUTOS: 2003.3283-2- AÇÃO DE COBRANÇA

ÓRGÃO JULGADOR: 1º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE


LONDRINA-PR.

CONTRA – RAZÕES DE APELAÇÃO

EGRÉGIA TURMA RECURSAL DO JUIZADO


ESPECIAL CÍVEL EM CURITIBA-PR

EMÉRITOS JULGADORES:

Em que pese, data maxima venia, o


inconformismo dos apelantes quanto a r. Sentença de
fls.74/77, esta por seus próprios fundamentos deve
prevalecer na íntegra, pois retrata especificamente todos
os fatos narrados e trazidos nos autos pelas partes, não
havendo razão para que haja qualquer reformulação desta
legítima e perfeita Decisão, eis que fundamentada nas
provas colacionadas, nos fatos e na legislação em vigor, e
principalmente, objetivando tratamento justo e equânime às
partes litigantes, razão pela qual não há o que se
requerer a título de reforma, pois retrata aplicação de
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fundamentos de direito e de Justiça pelo que seguem assim


as CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO.

I – DAS RAZÕES DOS APELANTES

Os apelantes alegaram em síntese:

a) Que a sentença não reconheceu a


ilegitimidade ativa do apelado, pelo fato de pleitear
direito alheio em nome próprio, uma vez que os prejuízos
foram suportados pela pessoa jurídica, sendo esta a
detentora de capacidade e legitimidade processual para
pleitear eventuais danos sofridos;

b) Apresentaram uma breve síntese dos


fatos, sustentando a tese de que “em nenhum momento os
apelantes pediram o imóvel de volta para uso próprio” e
que “houve a desocupação do imóvel por iniciativa do
apelado”;

c) Que o documento de fls. 18 é falso,


pois a assinatura constante na notificação não confere com
a do Sr. Yuan Chen Ching;

d) Os apelantes são chineses, não


assinam da forma constante no documento de fls. 18, e
sequer falam português (precisam de intérprete), além do
fato de não constar no documento qualquer menção sobre
desocupação para uso próprio;

e) Que a r. Sentença monocrática,


operou-se contra legem, por não observar os arts. 51, 52 e
57 da Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91);

f) Que a penalidade do art. 44, não se


aplica ao presente caso;
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g) Que o contrato de locação deve ser


regido pelo art. 56 e parágrafo único e art. 57 da Lei do
Inquilinato, não podendo o contrato ser considerado
prorrogado por prazo indeterminado, pois desocupou o
imóvel em 28/02/2003, ou seja, antes de 30 dias conforme
art. 56, parágrafo único da referida Lei;

h) Que a Lei do Inquilinato não


autoriza o pagamento de indenização para desocupação de
imóveis comerciais, sem que estejam presentes os
requisitos legais do art. 51 c/c art. 52, inexistentes no
presente feito;

i) Por fim, requereu que o apelo fosse


conhecido e provido, reformando-se a sentença monocrática
em sua totalidade, reconhecendo a ilegitimidade ativa do
apelado e extinção do feito com a condenação do apelado
nas custas processuais e honorários advocatícios.

II - DE PLANO

Destaca-se que em relação a


ilegitimidade de parte, alegado agora como preliminar,
temos a dizer:

Trata-se de matéria nova colocada


agora pelos réus em sede de apelação em total afronta ao
art. 303 do Código de Processo Civil, que assim
estabelece:

“Art. 303: Depois da contestação, só


é lícito deduzir novas alegações
quando:
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I - relativas a direito
superveniente;

II - competir ao juiz conhecer delas


de ofício;

III - por expressa autorização legal,


puderem ser formuladas em qualquer
tempo e juízo.”

(destacamos)

Desta forma, a ilegitimidade de parte,


conforme constante de fls. 82, não pode sequer ser objeto
de exame, em sede recursal, pelo simples fato, que não
fora alegado em sede de contestação, tendo ocorrido a
preclusão intercorrente.

Apenas, a título de se pretender


evidenciar ainda mais, que a matéria, não merece sequer
ser analisada, destacamos:

Resumidamente, alegam os apelantes que


o ora apelado tem legitimidade apenas para discutir
eventuais cláusulas contratuais, jamais poderia pleitear
indenizações em nome de pessoa jurídica, que estava
instalada no imóvel locado.

A r. Sentença proferida às fls. 74/77,


proferida com maestria, aplicou ao caso concreto a
prestação jurisdicional reclamada, conforme passamos a
destacar:

Fls.75: “A tese do autor foi


comprovada pela informação prestada pela
imobiliária, às fls. 63/65, tendo a resposta
ao ofício, citado claramente por duas vezes
que os réus solicitaram a desocupação do
imóvel para uso próprio e que tinham pressa na
desocupação.”
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Sendo assim, não resta dúvida de que a


rescisão se deu por solicitação dos réus. Nenhuma prova em
sentido contrário foi apresentada.

Sobre a atuação da Sra. Wu Mei Ling


como intérprete e intermediadora nas negociações com a
imobiliária, cabe destacar restou comprovada sua
participação, até mesmo por ocasião da interposição das
razões de apelação, através da qual os apelantes afirmam
categoricamente às fls. 84 que:

“Os apelantes são chineses, de idade


avançada, e não assinam daquela forma. Sequer
falam português (precisam de intérprete).
Seria um tanto quanto estranho o fato de
assinarem de uma forma nos contratos juntados
e de forma diferente a notificação juntada nas
fls. 18.” (destacamos)

Também, restou devidamente esclarecido


e comprovado nos autos, que a intermediação das
negociações foi feita pela Sra. Wu Mei Ling, e desta forma
decidido pelo MM. Juízo a quo, senão vejamos:

“Ao contrário do alegado pelos réus


na impugnação ao documento da imobiliária,
quando simplesmente alegaram desconhecer a
citada senhora, restou comprovado em instrução
que a mesma foi quem apresentou aos réus para
imobiliária, que eram amigos, e que os réus
não se recordam se a mesma intermediou as
conversas com a imobiliária. Ora, se em nada
tivesse a Sra. Ling participado, claramente se
recordariam os réus do fato.

Se nenhuma pessoa tivesse ajudado aos


réus de alguma forma nas relações com a
imobiliária, os réus não teriam qualquer
dúvida sobre o fato.
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Sendo assim, ficou comprovado que o


contrato de locação havia sido prorrogado por
tempo indeterminado e que os réus solicitaram
a desocupação do imóvel.”

Portanto, a preliminar de
ilegitimidade ativa alegada pelos apelantes em sede de
recurso, bem como a alegação de que não havia qualquer
pessoa autorizada a negociar e decidir em nome dos mesmos,
devem ser rejeitadas de plano por essa Egrégia Turma
Recursal.

III – DA R. SENTENÇA DE PRIMEIRO GRAU

A decisão de Primeiro Grau é o


resultado de toda coletânea produzida no caderno
processual, neste mister se faz necessário citar trechos
da r. Sentença, constante de fls. 74/77:

“MÉRITO

...

Os réus, entretanto, negaram que


tivessem recebido a comunicação do pedido de
renovação citada pela imobiliária. Sendo
assim, se se considerasse a notificação como
inexistente, verificaria-se que o autor
permaneceu no imóvel por exatos trinta dias,
após o término do prazo inicial do contrato de
locação.

Sendo assim, de qualquer forma há de


se considerar o contrato de locação renovado
por prazo indeterminado.

...

A tese do autor foi comprovada pela


informação prestada pela imobiliária, às fls.
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63/65, tendo a resposta do ofício, citado


claramente por duas vezes que os réus
solicitaram a desocupação do imóvel para uso
próprio e que tinham pressa na desocupação.

Sendo assim, não resta dúvida de que


a rescisão se deu por solicitação dos réus.
Nenhuma prova em sentido contrário foi
apresentada.

Sobre a atuação da Sra. Wu Mei Ling


como intérprete e intermediadora nas
negociações com a imobiliária, cabe destacar
que restou comprovada sua participação.

...

Sendo assim, comprovado que o


contrato havia sido renovado por prazo
indeterminado e que a desocupação do imóvel
deu-se por pedido dos réus, e ainda que o
imóvel não foi utilizado pelos réus, mas
novamente alugado, entendo ser aplicável a
multa de doze meses do valor do último aluguel
atualizado.

Diante do exposto, e de tudo mais que


nos autos consta, julgo PROCEDENTE o pedido,
pra condenar os réus ao pagamento de doze
meses do último aluguel pago pelo autor,
atualizado, tudo com base nos fundamentos
desta sentença que passam a fazer parte
indissociável deste dispositivo. Sem
condenação em honorários, uma vez que
incabíveis neste grau de jurisdição. Submeto a
presente sentença ao MM. Juiz de Direito de
competência para os fins do art. 40 da Lei nº
9.099/95. Nada mais.

Publique-se. Registre-se. Intime-se.”


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IV – DAS RAZÕES DE MANUTENÇÃO DO


DECISIUM

Por todos os ângulos que se observa, o


recurso interposto não merece provimento eis que as
fundamentações traduzidas no mesmo, já se encontram
completamente superadas, senão vejamos:

Como defesa, os apelantes houveram por


bem atacar a r. Sentença monocrática, alegando que esta
operou-se contra legem, por não atender o disposto nos
arts. 51, 52 e 57 da Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91).

Ocorre que os apelantes encontram-se


equivocados quanto à aplicação de tais dispositivos.

Entretanto, destaca-se que o art. 52


estabelece como excludente à obrigação de renovar o
contrato se o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio
ou para transferência de fundo comércio existente há mais
de um ano.

Contudo, não é o que se verifica no


presente caso, eis que os apelantes procederam a
notificação do apelado para desocupar o imóvel para uso
próprio, o que de fato não ocorreu.

Cabe ressaltar que o imóvel não foi


utilizado para o fim a que se destinava, isto é, para uso
próprio, eis que após o apelado ter desocupado o
respectivo imóvel, o mesmo foi disponibilizado para
locação, desvirtuando a finalidade pleiteada que originou
na desocupação por parte deste.
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Assim, os apelantes não deram a


destinação prometida ao imóvel, uma vez que pretendiam que
o imóvel fosse imediatamente desocupado para uso próprio,
os quais iriam residir no imóvel e instalar comércio de
produtos importados no imóvel ao lado, situado na Rua
Benjamin Constant, n.º 1.831, também de propriedade dos
requeridos.

Além do que, residindo e trabalhando


naquele endereço, poderiam acompanhar de perto a
construção de uma obra em terreno de sua propriedade, que
encontra-se localizado entre na Rua Benjamin Constant,
entre a Av. Juscelino Kubitschek e a Rua Paranaguá.

Não foi o que ocorreu, pois o imóvel


foi locado para uma outra empresa de nome “Estetic Center”
por aluguel inferior, o que causou uma grande revolta por
parte do apelado, que possuía como maior clientela, os
membros da Igreja Presbiteriana Central, localizada na
mesma rua, o que possibilitava que suas cientes
realizassem habitualmente suas compras, fato que restou
prejudicado após sua efetiva mudança.

Dispõe ainda o art. 52 em seu §3º que:

“Art. 52: O locador não estará


obrigado a renovar o contrato se:
...

II - o imóvel vier a ser utilizado


por ele próprio ou para transferência de fundo
de comércio existente há mais de um ano, sendo
detentor da maioria do capital o locador, seu
cônjuge, ascendente ou descendente.
...
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§ 3º - O locatário terá direito a


indenização para ressarcimento dos prejuízos e
dos lucros cessantes que tiver que arcar com
mudança, perda do lugar e desvalorização do
fundo de comércio, se a renovação não ocorrer
em razão de proposta de terceiro, em melhores
condições, ou se o locador, no prazo de três
meses da entrega do imóvel, não der o destino
alegado ou não iniciar as obras determinadas
pelo Poder Público ou que declarou pretender
realizar.”

Portanto, todos os argumentos dos


apelantes encontram-se destituídos de respaldo legal e
ético, tendo em vista que não comprovou nenhuma de suas
alegações, bem como não honrou os termos propostos para o
pedido de desocupação do imóvel.

Por tudo isto é que se vê, que nenhuma


guarida merece ao apelante, que insiste em discutir
matéria pacífica, já restando comprovado que pediram para
que o apelado desocupasse o imóvel para uso próprio,
inobstante já se encontrar em vigor o Contrato de Locação
prorrogado por prazo indeterminado.

Cumpre ressaltar ainda, que o apelado


sempre cumpriu rigorosamente com o Contrato avençado entre
partes, no que tange suas obrigações de locatário, ou
seja, sempre pagou em dia todos os aluguéis, e nunca teve
qualquer problema em os ora apelantes.

Por certo que o recurso ora


interposto não merece provimento, eis que o que pretendem
os apelantes é, sem qualquer amparo, discutir matéria já
preclusa, bem como questões que restaram amplamente
comprovadas nos presentes autos, através dos documentos já
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colacionados, demonstrando a clareza e certeza das


alegações apresentadas pelo apelado.

Neste mister, a questão ora em debate


já foi decidida com maestria pelo MM. Juízo Monocrático,
afastando qualquer possibilidade de acolhimento das
pretensões dos apelantes.

Por fim, afastados de plano a alegação


de ilegitimidade ativa, alegada pelos apelantes, por ser
matéria preclusa, e constatado que o Contrato estava
vigorando por prazo indeterminado,

Ressalta-se que o requerente, por


ocasião da desocupação do imóvel, sofreu prejuízos de
grande monta, eis que perdeu clientela, sendo inclusive
obrigado a dispensar funcionários.

Assim, requer-se o pedido de


manutenção do decisium de primeiro grau, ou seja, a
condenação dos apelantes no pagamento da multa, tendo em
vista que não foi dada ao imóvel a destinação que lhe
cabia.

Ainda que, tais fatos causaram,


grandes prejuízos à atividade comercial desenvolvida pelo
apelado, em decorrência exclusivamente da desocupação do
imóvel, atendendo aos pedidos suplicantes dos apelantes.

Pelo que se vê, o apelante não


vislumbra outra possibilidade senão a condenação dos
apelantes, objetivando responsabilizá-los pelos prejuízos
causados ao apelado em razão da desocupação do imóvel para
uso próprio, o qual foi alugado posteriormente em total
desvio de finalidade, inclusive por valor de locação
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inferior, posto que o imóvel foi requisitado para uso


próprio, o que de fato não veio a ocorrer.

V – DOS REQUERIMENTOS FINAIS

Pelo exposto, respeitosamente requer


aos Eméritos Julgadores, que por ocasião do julgamento
neguem provimento ao Recurso de Apelação, eis que
inexistem fatos ensejadores de reforma da r. Sentença do
Juízo a quo que deve ser mantida por seus próprios
fundamentos, pelos princípios, ampla prova documental e
legislação pertinente ao caso concreto.

Destaca-se ainda, que o MM. Julgador


a quo julgou acertadamente a lide e estando o apelado
incontestavelmente legitimado a atuar no processo, não
podem os apelantes em sede de recurso, pretenderem a
discussão de tal matéria, eis que já ocorreu a preclusão
intercorrente, o que impede tal propósito.

Assim, a r. Sentença de primeiro grau


deve ser mantida na integralidade de todos os seus termos,
principalmente no que concerne ao pagamento de doze meses
do último aluguel pago pelo autor, não merecendo qualquer
reparo, até porque depois de tudo o que aconteceu com o
apelado o Poder Judiciário torna-se o seu único refúgio,
no qual deposita inteira confiança de que no caso
presente, prevalecerão a Justiça e a perfeita aplicação do
direito ao caso concreto, como de fato ocorreu por ocasião
da prolatação da r. Decisão monocrática, que por medida de
Justiça deve ser mantida integralmente, é o que se requer
e espera.
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Termos em que

Pede deferimento.

De Londrina para

Curitiba, 25 de julho de 2005.

MARCUS VINÍCIUS GINEZ DA SILVA


OAB/PR Nº 30.664