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EXCELENTÍSSIMA SENHORA JUÍZA DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE XXXXXX-

ESTADO TAL

Distribuição por Dependência nº. 0000-00.0000.8.00000

XXXXXXXX, brasileiro, divorciado, portador da Cédula de Identidade RG nº. SSP/, inscrito no


CPF/MF sob o nº. XXX. XXX. XXX-XX, neste ato representado por sua CURADA, conforme Termo
de Curatela em anexo; XXXXXXXX brasileira, divorciada, portadora da Cédula de Identidade RG
nº. SSP/RO e inscrita no CPF/MF sob o nº. Ambos domiciliados na Rua das Flores, da Gleba 11,
Setor tal, no Município de xxx, Estado de xxxxx, por seus advogados subscritores que ao final
subscrevem, na qualidade de herdeiros dos bens deixados por Ciclano de Tal e Declano,
conforme Inventário em curso nesse D. Juízo, processo nº. 0000-00.0000.00000 vêm,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, apresentar PEDIDO DE REMOÇÃO DE
INVENTARIANTE, pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

1 – DOS FATOS

A inventariante, Srª. Fulana de Tal, foi nomeada em 29 de novembro de 2006 (fls. 70),
prestando regular compromisso em 01 de dezembro de 2006 (fls. 71).

No decorrer do processo, os suplicantes detectaram várias falhas, negligências, cometidos por


parte da inventariante. Os suplicantes passam a expor de forma fragmentada e detalhada,
tudo para facilitar a compreensão desse emérito magistrado a quem cabe decidir o caso em
concreto, os problemas encontrados até o momento atual do processo de inventário.
Vejamos:

Os suplicantes repudiam veementemente a atitude da inventariante e os meios pelo qual vem


administrando o espólio, sendo contraria as disposições legais que regem o inventário.

Do Andamento Regular do Processo:

Por haver falhas e erros no andamento do processo de inventário, após a expedição do Formal
de Partilha, foi neste momento que a inventariante se deu conta, em razão do empecilho
encontrado ao proceder com o registro do referido formal de partilha. O erro encontra-se
estampado com relação à partilha do imóvel, vez que consta apenas a partilha para 4
herdeiros, quando na verdade são 16 herdeiros com fração equivalente.

Ocorre que o referido imóvel foi alienado pelos herdeiros conforme contratos de compra e
venda, pelo que se considera coisa singularmente considerada do patrimônio a ser
inventariado, conduta esta vedada pelo artigo 1580 do Código Civil de 1916, conforme aduz
decisão de fls.166/168.

Logo não poderia servir a transmissão de bens singulares entre vivos.

Como retro demonstrado, a inventariante está protelando e dificultando o andamento regular


do processo, levantando incidentes e suscitando dúvidas infundadas. Conforme Várias
petições da inventariante para pretensão de retificação do formal de partilha, mas em nenhum
momento atendeu as orientações do Cartório de Registro de Imóveis.

A orientação do Cartório de Registro de Imóveis é para que atenda o principio da continuidade


e legalidade, em face de não haver comoriência entre as partes falecidas, o arrolamento e
formal de partilha dos bens, devem ser realizados distinta, sucessiva e sequencialmente,
devendo ser discriminados os pagamentos que cada herdeiro receberá por cada sucessão.

Mas até o momento a inventariante não atendeu a tal orientação protelando ainda mais o
findar dos autos de inventário, tendo os autos se arrastando desde o ano de 2006.

O comportamento da inventariante caracteriza irresponsabilidade administrativa, e está em


conformidade com as disposições previstas no rol do artigo 995, II e V, sendo assim, a remoção
da inventariante inevitável.

Verifica-se que a Srª. Fulana de Tal não pode continuar como inventariante, em face do
desrespeito aos deveres especiais de conduta inerentes ao cargo que decorrem do princípio da
boa-fé objetiva e pelos quais devem pautar sua conduta, devendo, portanto, ser nomeado o
herdeiro Ciclano, representado por sua Curadora Sra. Beltrana como inventariante.

III – Do Direito

O código de processo civil prevê a remoção do inventariante nos rol do art. 995 e seus incisos,
premissa vênia para transcrever o dispositivo legal:

Art. 995. O inventariante será removido:

I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras e as últimas declarações

II - se não der ao inventário andamento regular, suscitando dúvidas infundadas ou praticando


atos meramente protelatório

III - se, por culpa sua, se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem dano bens do espólio

IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, deixar de cobrar dívidas ativas ou
não promover as medidas necessárias para evitar o perecimento de direito

V - se não prestar contas ou as que prestar não forem julgadas boa

VI - se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.

Qualquer incidência das hipóteses prevista no dispositivo mencionado dará ensejo à remoção
do inventariante.

Vejamos alguns julgados a respeito da matéria em questão:

Agravo nº. 1.0024.05.818515-8/001 em conexão com o Agravo nº. 1.0024.03.024991-6/001 -


Comarca de Belo Horizonte - Agravante (s): Eudésia de Deus e Costa inventariante espólio de
Diva Ferreti Costa - Agravado (a)(s): Edila de Deus e Costa Araujo - Relator: Exmo. Sr. Des.
Kildare Carvalho.

EMENTA: Processual Civil - Remoção de Inventariante - Inércia - Possibilidade. É possível a


remoção de inventariante que não der ao inventário andamento regular, nos termos do art.
995, II, do CPC.

ACÓRDÃO: Vistos etc., acorda, em Turma, a 3ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado
de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos
julgamentos e das notas taquigráficas, EM REJEITAR PRELIMINARES E NEGAR PROVIMENTO,
VENCIDA A SEGUNDA VOGAL. Belo Horizonte, 10 de agosto de 2006. DES. Kildare Carvalho –
Relator.

Agravo nº. 1.0194.05.052906-5/001 - Comarca de Coronel Fabriciano - Agravante (s): Elizabeth


Barbosa Rossoni Tristão - Agravado (a)(s): Edith Sathler Ribeiro Horts inventariante espólio de
Abner Tristão Ribeiro, e outros - Relatora: Exmª. Srª. Desª. Teresa Cristina da Cunha Peixoto.

EMENTA: Agravo de Instrumento - Inventário - Remoção de Inventariante - art. 995, I, V e VI,


do CPC - nomeação de herdeiro - obediência à ordem legal prevista no art. 990 do CPC. O juízo
que nomeou o inventariante também pode removê-lo do encargo, tendo essa remoção feitio
de ato punitivo, razão pela qual deve se verificar a ocorrência de infração dos deveres do
cargo, observado o contraditório e a ampla defesa.

ACÓRDÃO: Vistos etc., acorda, em Turma, a 8ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado
de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos
julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO AO
RECURSO. Belo Horizonte, 30 de março de 2006. DESª. TERESA CRISTINA DA CUNHA PEIXOTO –
Relatora.

Agravo (c. Cíveis isoladas) nº. 000.284.459-5/00 - Comarca de Uberlândia - Agravante (s):
Marlene Bernardes de Freitas Goulart - Agravado (s): André Luiz Lopes, assist. P/ mãe Eni
Lopes - Relatora: Exma. Srª. Desª. Maria Elza.

EMENTA: Inventário. Pedido de Remoção de Inventariante. Possibilidade. Desrespeito aos


deveres anexos e especiais de conduta. Violação ao princípio da boa fé objetiva. O
inventariante, no exercício de seu cargo, possui uma série de deveres legais que tem por fim
garantir-lhe a confiança, o respeito e a credibilidade dos demais herdeiros. O rigor no
cumprimento desses deveres é tamanho, que tanto doutrina e jurisprudência têm entendido
que a enumeração do art. 995 do CPC não é exaustiva, de sorte a não impedir que outras
causas, também reveladoras de deslealdade, improbidade, ou outros vícios, sejam válidas para
a remoção do inventariante. (precedente do STF: RE 88.166-RJ; do TJSP: ai n. 16.963-4). A
esses deveres legais, acrescento deveres anexos e especiais de condutas que resultam do
princípio da boa-fé objetiva e pelos quais deve pautar a conduta do inventariante. Seriam eles
o dever de informação, de transparência, de cooperação, de lealdade, de cuidado, de
visualização e de respeito pelo outro, ou seja, uma atuação refletida no herdeiro, respeitando
seus interesses legítimos, suas expectativas razoáveis, pena de frustrar o princípio da
confiança. Tais deveres de conduta repercutem também na sua relação com o juiz e com o
promotor de justiça.

ACÓRDÃO: Vistos etc., acorda, em Turma, a QUINTA CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do
Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos
julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO. Belo
Horizonte, 20 de fevereiro de 2003. DESª. MARIA ELZA – Relatora.

III - Postulação

Ante o exposto requer digne-se Vossa Excelência em determinar:

1) a autuação em apenso aos autos do inventário e a intimação da inventariante para


manifestar-se em 05 (cinco) dias, de conformidade com o previsto no artigo 996 do Código de
Processo Civil.
2) seja julgado procedente o pedido de remoção da inventariante e a nomeação do suplicante
Fulano, representado por sua Curadora Sra. Beltrana, para o cargo, a fim de que o processo de
inventário possa ter regular andamento e para correta administração dos bens do espólio.

Os suplicantes pretendem provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente pelos documentos acostado com a presente, além de outras que se fizerem
necessários.

Nestes Termos

Pede e Espera Deferimento.

xxxxx

ADVOGADO

OAB/XXXXX
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DE VARA DE SUCESSÕES DA COMARCA
DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO

AUTOS Nº 0000000-00.2016.8.26.0100

NOME, brasileiro, divorciado, engenheiro mecânico, portador da cédula de identidade,


expedida pela, inscrito no CPF, endereço eletrônico, residente e domiciliado a Rua, número,
Bairro, Cidade de Campinas, Estado de São Paulo, vem, respeitosamente à presença de Vossa
Excelência, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (procuração anexa vide
documento 01), com endereço profissional à Rua, número, Bairro, Cidade São Paulo, Estado de
São Paulo, onde recebe notificações e intimações, com fulcro no artigo 617 e 622, do Código
de Processo Civil, requerer o que segue:

INCIDENTE DE REMOÇÃO DE INVENTARIANTE

I- DOS FATOS Devido ao descaso dado pela Inventariante NOME DA REQUERIDA, brasileira,
viúva, médica, portadora da cédula de identidade, expedida pela, inscrita no CPF, endereço
eletrônico, residente e domiciliada na Rua, número, Bairro, Cidade de São Paulo, Estado de São
Paulo, no tocante ao cumprimento de determinações judiciais, considerando que se manteve
silente em relação ao vosso despacho de fls..., correndo "in albis" o prazo concedido por Vossa
Excelência. Diante desta omissão, combinado com o fato de um dos imóveis inventariados,
para ser mais preciso o imóvel situado no município de Belo Horizonte, ter sido objeto de
invasão por terceiros, e a inventariante não ter até o momento exercido ou adotado qualquer
medida para a reintegração de posse do mesmo, não restando a menor margem de dúvida da
necessidade imperiosa de promover-se a remoção da Inventariante.

II- DO DIREITO

Na doutrina, encontramos na obra de Ulderico Pires dos Santos, em seu livro Inventário e
Partilha, da Editora Paumape, 1ª Edição, nas páginas 48/49, HIPÓTESES QUE AUTORIZAM A
REMOÇÃO DO INVENTARIANTE - O Inventariante pode ser removido:

a) se no prazo legal deixar de prestar as primeiras e últimas declarações;

b) se atrasar o andamento do inventário por dolo, culpa ou desídia, ou mesmo quando suscita
dúvidas sem qualquer fundamento, consideradas como atos protelatórios;

Omisis...

Tendo a requerida, obtido de Vossa Excelência, oportunidade para dar andamento ao


inventário. Caracterizando nitidamente descumprimento do compromisso firmado aos quais a
mesma estava obrigada, desta forma, atrasando o inventário.

PINTO FERREIRA (1998) afirma que: "Decorrido o prazo de cinco dias, com a defesa do
inventariante, nomeará na mesma sentença um outro inventariante, que deverá prestar o
respectivo compromisso em cinco dias, assumindo as responsabilidades da inventariança, após
o compromisso de estilo."

(PINTO FERREIRA. Inventário, Partilha e Ações de Herança, 2ª Ed. São Paulo:Saraiva, 1998.(p.
49/50)
À luz dos artigos 617, inciso III, CPC/2015, combinado com os artigos 622, incisos II, III e IV e
623 do mesmo diploma legal requerer-se-á a destituição da requerida do encargo de
inventariante do espólio do de cujus.

Por completa desídia, a Inventariante impede o andamento do inventário, acarretando na


deterioração dos bens, assim, como, não desempenha sua função de preservar e defender os
bens do espólio até que seja efetivada a partilha final.

III- DOS PEDIDOS

a) Diante do exposto, o requerente vem à presença de Vossa Excelência, através de seu


bastante procurador e advogado, efetuar o pedido de remoção da Inventariante, com a
imediata nomeação de outro, encargo ao qual o requerente desde já se coloca a disposição
para fielmente cumprir com as obrigações de inventariante, se desta forma Vossa excelência
decidir, e dentro do prazo legal prestar compromisso a dar andamento regular ao processo,
prestando as primeiras declarações, bem como, que seja deferido que o presente incidente
corra em apenso aos Autos do Inventário, nos exatos termos do Parágrafo Único do artigo 624
do Código de Processo Civil.

b) O requerente dispõe-se a conciliação e/ou autocomposição, nos termos dos artigos 334 e
487 do CPC/2015;

c) Requer ainda provar o alegado, por todos os meios de provas em direito admissíveis

Atribui-se a presente causa o valor aproximado dos bens a inventariar de R$ 2.700.000,00 (dois
milhões e setecentos mil reais).

Nestes termos,

Pede Deferimento.

São Paulo, 15 de julho de 2016.

(ASSINATURA DO ADVOGADO)

(NÚMERO DE INSCRIÇÃO NA OAB)


EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (JUÍZA) DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA
COMARCA DE SÃO PAULO/SP

ROGÉRIO ROCHA LIMA, brasileiro, 29 anos, divorciado, engenheiro mecânico, residente e


domiciliado em Campinas/SP, por intermédio de seu advogado (procuração em anexo - doc.
01), com escritório profissional sito à Rua __, n.º __, Bairro __, Cidade __, Estado __, onde
recebe notificações e intimações, na qualidade de herdeiro dos bens deixados por HENRIQUE
ANDRADE LIMA, conforme Inventário Judicial em curso nesse D. Juízo, processo nº__, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 622 do Código de Processo
Civil, apresentar:

PEDIDO DE REMOÇÃO DE INVENTARIANTE, com distribuição por dependência aos autos


principais do inventário de nº 0127446-72.2016.8.26.0100 pelos fatos e fundamentos que
passa a expor:

1. DOS FATOS

A inventariante, Helena Soares Rocha Lima, na condição de cônjuge supérstite, foi nomeada no
dia 25 de abril de 2016, nos autos do Inventário Judicial registrado sob. o n.º, em trâmite
perante este D. Juízo, prestando regular compromisso no dia 22 de junho de 2016, ocasião em
que foi intimada a apresentar as primeiras declarações no prazo de 20 dias.

Ocorre que, após ter sido devidamente intimado e, em seguida, habilitado nos autos do
inventário, o que ocorreu no dia 10 de julho de 2016, o requerente, por meio do seu
advogado, verificou que Helena, como inventariante devidamente nomeada e compromissada
(termo de compromisso firmado em 22 de junho de 2016), ainda não havia realizado nenhuma
das providências determinadas no despacho inicial, de modo que, até a presente data, não
foram apresentadas as primeiras declarações.

Na oportunidade, deveria acostar aos autos as certidões e documentos que comprovassem a


propriedade de todos os bens inventariados, existência da dívida e os documentos que
atestassem o vínculo dos herdeiros com o autor da herança, bem como determinou que o
herdeiro Rogério fosse citado no endereço indicado na petição inicial.

Não bastasse isso, o requerente realizou uma viagem a Belo Horizonte/MG, oportunidade em
que decidiu visitar a casa que pertencia ao de cujus, quando descobriu que o lote, onde está
situada a referida construção, havia sido invadido por terceiros desconhecidos, e que Helena
nada tinha feito para proteger o imóvel e reintegrar-se na posse.

Assim, indignado com a inércia da inventariante diante das determinações judiciais, e com a
forma pela qual esta sendo feita a administração dos bens, o requerente deseja tomá-la para
si.

O comportamento da inventariante caracteriza irresponsabilidade administrativa, e está em


conformidade com as disposições previstas no rol do artigo 622, I e II, sendo assim, a remoção
da inventariante inevitável.

Verifica-se que a cônjuge supérstite Helena não pode continuar como inventariante, em face
do desrespeito aos deveres especiais de conduta inerentes ao cargo que decorrem do princípio
da boa-fé objetiva e pelos quais devem pautar sua conduta, devendo, portanto, ser nomeado
o requerente para tal encargo.
2. DO MÉRITO

2.1 DO INVENTARIANTE

Uma vez aberto o inventário, a administração dos bens deverá ser assumida pelo
inventariante.

O papel do inventariante, incialmente, equivale a um mandato, tendo em vista que,


inevitavelmente, independentemente de suas ações, ele representará o espólio em juízo ativa
e passivamente, nos termos do art. 75, inciso VII, do Código de Processo Civil.

O cargo de inventariante inicia-se com a nomeação e finda-se com a homologação da partilha,


consoante art. 1.991, do Código Civil, sobre o que veremos a seguir.

Quanto a isso, destaca-se que a inventariança é um múnus público, tratando-se, assim, de uma
atividade que alguém exerce como dever social. Por isso, é uma atividade sem remuneração,
salvo o inventariante dativo, a quem ela é devida.

2.2 ENCARGOS DO INVENTARIANTE

Uma vez nomeado, o inventariante será intimado para prestar, no prazo de 5 (dias) o
compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo, nos termos do art. 617, parágrafo
único, do Código de Processo Civil, a partir de quando ele, oficialmente representará o espólio,
assumirá a posse dos bens e exercerá a inventariança até a concretização da partilha,
conforme o mencionado art. 1.991 também do Código de Processo Civil.

No artigo 618 do Código de Processo Civil estão previstas as incumbências que podem ou não
acontecer e aquelas que dependem da manifestação dos interessados e autorização judicial no
art. 619 subsequente. Vejamos:

“Art. 618. Incumbe ao inventariante:

I - representar o espólio ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, observando-se, quanto ao


dativo, o disposto no art. 75, § 1º;

II - administrar o espólio, velando-lhe os bens com a mesma diligência que teria se seus
fossem;

III - prestar as primeiras e as últimas declarações pessoalmente ou por procurador com


poderes especiais;

IV - exibir em cartório, a qualquer tempo, para exame das partes, os documentos relativos ao
espólio;

V - juntar aos autos certidão do testamento, se houver;

VI - trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente, renunciante ou excluído;

VII - prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou sempre que o juiz lhe determinar;

VIII - requerer a declaração de insolvência.”


“Art. 619. Incumbe ainda ao inventariante, ouvidos os interessados e com autorização do juiz:

I - alienar bens de qualquer espécie;

II - transigir em juízo ou fora dele;

III - pagar dívidas do espólio;

IV - fazer as despesas necessárias para a conservação e o melhoramento dos bens do espólio.”

Dentre tais, importante destacar alguns desses encargos.

As primeiras declarações deverão ser apresentadas no prazo de 20 (vinte) dias contados da


data em que o inventariante prestou o compromisso, das quais se lavrará termo
circunstanciado, assinado pelo juiz, pelo escrivão e pelo inventariante. Nele deverão ser
relacionados todos os herdeiros e meeiro (conforme o caso), com suas respectivas
qualificações, assim como a do autor da herança, bem como a identificação completa e precisa
dos bens e dívidas a serem inventariados, nos termos do art. 620, do Código de Processo Civil.

A intenção é que seja trazido aos autos o conhecimento do que será inventariado e a quem
deverá ser entregue, sendo possível acrescentar novas informações a qualquer tempo,
sobretudo nas últimas declarações, que representam o momento final e anterior à partilha
para identificação dos acervos, da ordem de vocação hereditária e definição da divisão.

Destaca-se, também, o encargo de prestar contas, estabelecido no inciso VII.

Em razão do seu dever de agir com transparência, o inventariante deverá prestar contas
quando ultimadas suas atividades ou sempre que o juiz determinar, as quais serão realizadas
em apenso aos autos do inventário, sendo dispensada a solenidade da ação de exigir contas,
propriamente dita, prevista nos arts. 550 a 553, do Código de Processo Civil, a qual deverá ser
respeitada tão somente quando haver impugnação.

Importante observar que as incumbências devidas pelo inventariante não se restringem a


essas previstas no citado artigo 618, tendo em vista que o importante é ele atingir a boa
administração do acervo, agindo com responsabilidade, diligência, transparência e celeridade,
como se a ele pertencesse todo o acervo. Assim, verifica-se que o rol do 618 é elucidativo, mas
o do 619 é taxativo, pois, sempre que for necessário ocorrer tais incumbências, a autorização
judicial será imprescindível.

Além disso, sua atuação dependerá do rito a ser adotado para o inventário, por exemplo, no
caso do arrolamento sumário e o inventário extrajudicial, não há que se falar em primeiras e
últimas declarações, previstas no inciso II. E, ainda, além destas, temos ainda o dever de
requerer a declaração de insolvência do espólio, se o valor da herança não for suficiente para
quitar o passivo, nos termos do art. 618, inciso VIII, do Código de Processo Civil.

Assim, caso o inventariante não realize tais incumbências, caberá a exclusão dele de seu
encargo, conforme será exposto nas linhas que seguem.

2.3. DA REMOÇÃO DA INVENTARIANTE


Conforme mencionado anteriormente, se o inventariante tem um múnus público de agir com
diligência, transparência, agilidade e eficácia na administração dos bens, assim não fazendo,
outra opção não cabe senão a exclusão dele desta função.

A esse respeito, dispõe o Código de Processo Civil, em seu artigo 622, o seguinte:

“Art. 622. O inventariante será removido de ofício ou a requerimento:

I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras ou as últimas declarações;

II - se não der ao inventário andamento regular, se suscitar dúvidas infundadas ou se praticar


atos meramente protelatórios;

III - se, por culpa sua, bens do espólio se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem dano;

IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, se deixar de cobrar dívidas ativas
ou se não promover as medidas necessárias para evitar o perecimento de direitos;

V - se não prestar contas ou se as que prestar não forem julgadas boas;

VI - se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.”

A doutrina distingue as hipóteses de remoção das de destituição, entendendo que as primeiras


estão relacionadas à falta no exercício da função de inventariante em relação ao procedimento
do inventário, enquanto, as segundas estariam relacionadas por fato externo ao processo,
como exemplo, uma condenação criminal do inventariante por fato estranho ao inventário.

Em qualquer das hipóteses, elas poderão ser requeridas pelos interessados ou serem
reconhecidas de ofício pelo juiz, mas sempre dependerão de decisão judicial para que
ocorram.

Verifica-se que a não apresentação das primeiras e das últimas declarações no prazo legal −
como visto, as primeiras devem ser apresentadas no prazo de 20 (vinte) dias a contar do
compromisso firmado pelo inventariante – justificam a remoção do inventariante, tendo em
vista que, como dito, é objetivo primordial da inventariança que ela seja realizada de forma
célere não se admitindo atos procrastinatórios.

O dever de prestar contas, novamente, é enaltecido, colocado como causa de destituição do


cargo se não forem prestadas ou se não forem aprovadas, hipótese em que o inventariante
precisa pagar eventual saldo, ficando sujeito ao sequestro dos bens sob sua guarda. Ressalta-
se que, nesta hipótese, se o inventariante for o testamenteiro, sujeita-se à perda do prêmio a
que teria direito, podendo o juiz determinar as medidas para composição do prejuízo, sobre o
que trata o art. 553, do Código de Processo Civil.

Mas, é importante destacar que, na prática, vimos muitos inventários se arrastarem por anos
sem que para isso tenha dado causa o inventariante, de modo que é sempre necessário
perquirir as falhas culposas ou dolosas no exercício da inventariança para que seja justificada a
remoção do inventariante.

Acrescenta-se ainda a observação referente à falha na descrição dos bens, tendo em vista que
ela também sujeita não só à remoção do inventariante como às penalidades de sonegados,
que corresponde à perda do bem que não trouxe à colação, nos termos do art. 1.992 e 1.993
do Código Civil e 621 do Código de Processo Civil. O instituto será estudado oportunamente,
mas para que esteja ciente, a colação corresponde ao dever dos descendentes em conferir
eventuais valores recebidos por doação, pelo autor da herança, que dele recebeu em vida, no
intuito de atingir a igualdade entre as legítimas.

Portanto, tendo em vista os fatos narrados, em cotejo com os fundamentos jurídicos expostos,
necessária se fez a remoção da inventariante nomeada, para posterior nomeação do
requerente para o exercício de tal encargo.

2.4. DO CABIMENTO DO PRESENTE INCIDENTE DE REMOÇÃO DE INVENTARIANTE E DA


NOMEAÇÃO DE ROGÉRIO COMO INVENTARIANTE.

A remoção ou a destituição do inventariante pode ser requerida por qualquer interessado ou


determinada de ofício pelo juiz, nos termos do caput do art. 622, do Código de Processo Civil, e
a qualquer tempo no curso do inventário.

Sobre o tema, verifica-se o seguinte dispositivo legal:

“Art. 623. Requerida a remoção com fundamento em qualquer dos incisos do art. 622, será
intimado o inventariante para, no prazo de 15 (quinze) dias, defender-se e produzir provas.

Parágrafo único. O incidente da remoção correrá em apenso aos autos do inventário.”

Conclui-se, portanto, que se trata de um procedimento incidente, que deverá tramitar em


autos apartados, sendo assegurada a defesa, no prazo de quinze dias, e dilação probatória.

Importante observar, contudo, que nem o art. 622, nem o 623, ambos supracitados, não
exigem prazo para que o incidente seja proposto, de modo que ele pode ser requerido a
qualquer tempo pelos interessados.

Após o referido prazo, produzindo-se ou não prova, conforme for o caso, o art. 624 do mesmo
Diploma, estabelece que o juiz decidirá sobre o pedido. E, sendo determinada a
desconstituição do inventariante, na mesma oportunidade, o juiz deverá nomear o novo em
substituição, observada a ordem estabelecida no art. 617.

Assim ocorrendo, a posse dos bens do acervo deverá ser imediatamente transferida ao novo
inventariante, sob pena de busca e apreensão e imissão na posse, conforme se tratar de bem
móvel ou imóvel, bem como estará sujeito à incidência de multa a ser fixada pelo juiz em
montante não superior a três por cento do valor dos bens inventariados, nos termos do art.
625, também do Código de Processo Civil.

Conclui-se, portanto, que se trata de um procedimento incidente, que deverá tramitar em


autos apartados, sendo assegurada a defesa, no prazo de quinze dias, e dilação probatória.

Desse modo, com fundamento no artigo 617, III do CPC, o requerente requer sua nomeação à
inventariante do espólio

3. DO PEDIDO

Ante o exposto, requer-se:


A) a autuação do presente incidente em apenso aos autos do inventário judicial n.º 0127446-
72.2016.8.26.0100, em conformidade com o parágrafo único do artigo 623 do Código de
Processo Civil;

B) a intimação da inventariante para defender-se e produzir provas, no prazo de 15 dias, nos


termos do artigo 623 do Código de Processo Civil.

C) seja julgado procedente o pedido de remoção da inventariante e a nomeação do requerente


para o cargo, a fim de que o processo de inventário possa ter regular andamento e para
correta administração dos bens do espólio;

D) a designação de audiência de conciliação ou de mediação, tendo em vista a intenção do


requerente em realizar uma composição

Requer, ainda provar o alegado, por todos os meios de provas em direito admissíveis.

Dá-se a causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para meros fins fiscais.

Nestes termos, pede deferimento.

São Paulo/SP, data...

_______________________________-

Advogado (A):

OAB/UF
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ..... VARA CÍVEL DA COMARCA DE ....., ESTADO DO .....

....., brasileiro (a), profissional da área de ....., portador (a) do CIRG n.º ..... e do CPF n.º ..... e
....., brasileiro (a), profissional da área de ....., portador (a) do CIRG n.º ..... e do CPF n.º .....,
casados entre si, residentes e domiciliados na Rua ....., n.º ....., Bairro ....., Cidade ....., Estado
....., por intermédio de seu (sua) advogado(a) e bastante procurador(a) (procuração em anexo -
doc. 01), com escritório profissional sito à Rua ....., nº ....., Bairro ....., Cidade ....., Estado .....,
onde recebe notificações e intimações, vem mui respeitosamente à presença de Vossa
Excelência propor

AÇÃO DE SONEGADOS PELO RITO ORDINÁRIO

em face de

....., brasileiro (a), profissional da área de ....., portador (a) do CIRG n.º ..... e do CPF n.º ..... e
....., brasileiro (a), profissional da área de ....., portador (a) do CIRG n.º ..... e do CPF n.º .....,
casados entre si, residentes e domiciliados na Rua ....., n.º ....., Bairro ....., Cidade ....., Estado
....., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS

Ao que se verifica pela fotocópias inclusas (docs. nºs .... e ....) foi aberto, nesse MM. Juízo, o
INVENTÁRIO nº .... dos bens deixados pelos finados .... e sua mulher ...., avós dos ora autores.

Nesse inventário foi compromissada inventariante, a ora autora, .... (doc. nº ....). Inobstante e
apesar de iniciado o inventário há mais de 9 anos (longos 108 meses) não foi possível concluí-
lo pela resistência imposta ao processo pelos ora réus, que estão utilizando a totalidade do
valiosíssimo patrimônio dos espólios e dele tirando proveito, tendo em vista a excelente
localização dos mesmos, tratando-se de .... enormes apartamentos, .... enormes lojas e ....
terreno contendo .... casa residencial, todos situados na Rua .... no procuradíssimo Bairro ....,
há menos de .... metros da Praça ....

Os autores da herança, doaram aos réus os seguintes bens imóveis:

1. Loja Comercial nº ...., com área construída exclusiva de .... m² e área correspondente ou
global de .... m², localizada no pavimento .... do prédio que tem o nº .... da Rua ...., nesta
Capital;
2. Apartamento nº ...., com área construída exclusiva de .... m² e área correspondente ou
global de .... m², localizada no .... andar do prédio que tem o nº .... da Rua ...., nesta Capital;
3. Lote de Terreno nº ...., da planta ...., medindo .... metros de frente para a Rua ...., nesta
cidade, por .... metros de extensão da frente aos fundos, .... metros do outro lado, com área de
.... m², contendo uma casa de .... sob nº ....

Em virtude desses herdeiros, os réus, estarem com todo o patrimônio em detrimento dos
demais herdeiros e dos espólios a inventariante, representando os espólios, propôs a Ação
Ordinária de Arbitramento de Aluguel autuada sob nº .../... que está aguardando julgamento
(doc. nº ....).

No inventário a inventariante e os demais herdeiros, por diversas oportunidades requereram


que os réus trouxessem os bens que foram doados que estão em seu poder para a partilha,
estando os mesmos resistindo injustificadamente, com a intenção inescondível de ficarem com
o patrimônio dos espólios, pois se recusam a trazê-los à colação e de prejudicarem os ora
autores que receberiam menos do que têm direito.

A inventariante nas declarações prestadas nos autos relacionou todos os bens imóveis
deixados por seus avós (doc. nº .... e ....), requerendo que a loja nº .... com ....m², sita na Rua ....
nº ...., o apartamento nº .... com a área construída de .... m², sito também na Rua .... nº .... e o
lote de terreno nº ...., contendo uma casa na Rua .... nº ...., que foram doados aos réus pelos
autores da herança (docs. nºs ...., .... e ....), fossem trazidos à colação, por importar em
adiantamento de herança com fundamento nos artigos 544, 2002, e 2003 do Código Civil
Brasileiro contra o que se insurgiram os réus, (docs. nºs ...., .... e ....) não querendo trazer à
colação esses bens sob a alegação de que aqueles doados devem ser transmitidos aos
donatários (ora réus) devendo ser revogadas as declarações finais.

Ninguém em sã consciência e desde que não esteja agindo de má-fé e querendo lesar os
interesses e os direitos de terceiros, sabe que qualquer doação feita à apenas um dos quatro
filhos do casal e em prejuízo dos herdeiros, ora autores, importa adiantamento de legítima,
nos precisos termos do artigo 544 do Código Civil Brasileiro, "in verbis":

"Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa


adiantamento do que lhes cabe por herança.."

Por importar em adiantamento de herança, os donatários, ora réus, eram obrigados a trazer à
colação os bens recebidos, nos precisos termos do artigo 2002, "in verbis":

"Art. 2002. Os descendentes, que concorrerem à sucessão do ascendente comum, são


obrigados para igualar as legítimas, a conferir o valor das doações que dele em vida
receberam, sob pena de sonegação."

A resistência dos réus de trazerem à colação bens doados que receberam dos autores da
herança, releva a má-fé e a intenção de sonegarem os bens do inventário, objetivando com até
aqui vêm conseguindo, os réus, receber maior parte na herança e continuar utilizando a
totalidade dos valiosos bens, indefinidamente, tudo em prejuízo dos ora autores.

A alegação visivelmente improcedente de que os doadores dispuseram de seus bens parte


disponível e poderiam em testamento conceder-lhe 50% (cinqüenta por cento) do patrimônio,
não procede, pois se fosse intenção dos doadores de que os bens doados não fizessem parte
da colação como adiantamento de legítima teriam declarado expressamente na escritura
firmada ou quando não teriam mandado lavrar um testamento outorgando a metade da
herança em favor dos réus Mas esta não era e nunca foi a intenção dos autores da herança,
que com toda certeza não sabiam o que estavam assinando, pois além de serem idosos e
praticamente analfabetos, foram deslocados do centro da cidade, onde existem inúmeros
cartórios e tabeliães e foram levados à localidade de .... para assinar a malsinada escritura
mandada lavrar pela má-fé dos réus. De qualquer forma nessa escritura os doadores nada
declararam a respeito de suas intenções de que os réus se locupletassem e ficassem com a
maior parte na herança do que os outros herdeiros, incidindo, sem dúvidas os transcritos
artigos 544 e 2002 do Código Civil Brasileiro.

Esses bens doados pelos avós dos autores aos réus, portanto, deveriam ser trazidos à colação
por eles no inventário de .... e ...., mas nunca sonegados, como pretendem os réus para
prejudicar os suplicantes e enriquecer às custas dessa manobra de má-fé, devendo serem, os
réus, apenados por sua intenção dolosa de excluir do inventário os aludidos bens.
DO DIREITO

Dispõe o artigo 1.992 do Código Civil Brasileiro que:

"O herdeiro que sonegar bens da herança, não os descrevendo no inventário, quando estejam
em seu poder, ou, com o seu conhecimento, no de outrem, ou que omitir na colação, a que os
deva levar, ou o que deixar de restituí-los, perderá o direito que sobre eles lhe cabia."

Por sua vez, dispõe o artigo 1.995:

"Se não se restituírem os bens sonegados, por não os ter o sonegador em seu poder, pagará
ele a importância dos valores, que ocultou, mais as perdas e danos."

É o caso dos autos. Os réus sonegaram e pretendem que esses bens doados como
adiantamento de legítima não sejam trazidos à colação para o efeito de igualarem os legítimas,
motivo pelo qual os autores sairiam imensamente prejudicados, não recebendo praticamente
nada no inventário do seus finados avós.

Ação de sonegados é, pois, a que compete a qualquer herdeiro, ou credor da herança, contra o
inventariante, que dolosamente não deu a inventário bens da herança, ou contra o herdeiro,
que omitiu na colação, a que os devia levar, ou deixou de os restituir, a fim de ser condenado a
restituí-los com os seus rendimentos, e a perder o direito que sobre eles tinha. (Cfr. VAMPRÉ,
vol. 3, § 299)

Além de terem direito nesses bens tem os autores direito às rendas proporcionadas por eles
durante o tempo em que eles permaneceram, irregularmente, em poder das réus, pois a
Constituição Federal garante, no inciso XXX do art. 5º o direito de herança e aberta a sucessão
o domínio e a posse da herança transmitem-se, a todos os herdeiros, ao teor do artigo 1784 do
Código Civil Brasileiro:

"Artigo 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, os herdeiros legítimos e
testamentários."

E nem poderia ser de modo diferente, sob pena de ocorrer o que está ocorrendo no caso dos
autos, pois os herdeiros, ora autores, tiveram a infelicidade de não estar em poder dos bens,
exatamente porque perderam seu pai, prematuramente, pelo que foram afastados dos bens
de seus avós, tendo o filho mais esperto que sempre viveu às custas dos bens da herança,
conseguido obter a escritura de doação, continuando a usufruir não só dos bens foram
doados, como de todos os demais da herança, enriquecendo às custas do empobrecimento
dos demais herdeiros, ora autores que não gozaram das rendas proporcionadas pelos
excelentes imóveis.

DOS PEDIDOS

FACE AO EXPOSTO, propõem os autores a presente AÇÃO DE SONEGADOS, pelo rito


ORDINÁRIO contra os réus, para que seja julgada procedente, para que os réus façam a
colação dos bens que lhes foram doados por .... e ...., anulando as transferências posteriores,
se houverem, afim de que os bens sonegados e relacionados acima e que foram omitidos na
colação, sejam restituídos com seus rendimentos, a se calcular em execução de sentença na
forma dos artigos 402 a 404 do código Civil, perdendo os réus o direito que sobre esses bens
tinham, nos precisos termos do artigo 1.992 do Código Civil Brasileiro ou alternadamente, caso
assim não entenda, em determinar apenas a restituição proporcional dos imóveis que pelos
quinhões caiba aos autores por suas condições de herdeiros para serem inventariados, uma
vez que essa decisão depende da propositura desta ação, não podendo ser decididos no bojo
dos autos de inventário sob nº ...., apesar de isso ter sido pedido lá, contra o que se opuseram
os réus, condenando-se os mesmos ao pagamento das custas processuais e honorários
advocatícios, estes na base usual de 20% sobre o valor da condenação.

Requerem, os autores, se necessária, a produção de todas as provas em direito permitidas,


notadamente: depoimento pessoal do réus, pena de confesso; inquirição de testemunhas;
juntada de novos documentos; perícia, em execução de sentença, para apuração dos prejuízos
que sofreram com as atitudes de má-fé dos réus, retroativo desde a data do falecimento dos
autores da herança.

Requerem, mais, os autores, a citação dos réus, através de carta AR, com fundamento nos
artigos 221 e seguintes do Código de Processo Civil, para que contestem, querendo a presente
ação, no prazo legal, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato.

Requerem, por último, a distribuição da presente a esse MM. Juízo, em face da tramitação dos
autos de inventário nº .... dos Espólios de .... e .... e em face da tramitação da Ação Ordinária
de Arbitramento de Aluguel promovido pelos Espólios contra os ora réus, autuada sob nº ....

Dá-se à causa o valor de R$ .....

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura do Advogado]
[Número de Inscrição na OAB]