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Chamon, Magda.

Cultura do Trabalho e identidade profissional in Trajetória de


feminização do magistério: ambiguidades e conflitos – Belo Horizonte: Autentica,
2005

Objetivos do Capítulo
 Buscar e resgatar os projetos e propostas republicanas sobre a organização
do sistema de Instrução Pública em Minas Gerais e os apelos à mulher para o
trabalho docente;
 A constituição da visão idealizada da profissão do magistério em suas
profissionais;

Objetivos Específicos

 As intenções das normalistas que frequentavam as escolas normais na


Primeira República;
 Qual a influência das estratégias de sobrevivência em suas escolhas?
 Como e porque teria sido gestada e mantida, no imaginário social, a visão da
professora de escola fundamental como uma profissional da virtude, do amor,
de dedicação e da vocação?
 Quais eram as expectativas das jovens normalistas e a de suas famílias com
relação aos cursos normais?
 Quais as implicações dessas questões com relação à configuração do ensino
fundamental em Minas Gerais.

Metodologia

 História Oral realizada com sete normalistas que atuaram ou não nas escolas
de ensino fundamental.
Breve apresentação geral das entrevistadas

Todas as normalistas entrevistadas nasceram entre 1906 e 1920 e cursaram


a Escola Normal entre 1918 e 1930. São filhas de profissionais liberais e
funcionários públicos, oriundas da classe média.

 Duas frequentaram a Escola Normal em regime de internato em Capanha e


Barbacena;
 Cinco frequentaram a Escola Normal em regime externato em diferentes
cidades mineiras;
 Três normalistas permaneceram solteiras, quatro ocuparam cargos de direção
em grupos escolares.
 Apenas uma por motivos familiares não lecionou embora tinha sido chamada
e se demonstra envergonhada, por ter priorizado a remuneração em outro
emprego ao invés de seguir seu sonho e ingressar na “melhor” opção
profissional para a mulher.

Idealismo e/ou necessidade: adesão feminina ao trabalho de ensinar


Hipótese lançada: A história da socialização das mulheres tem evidenciado
que as subjetividades femininas foram construídas nas mais diferentes épocas para
ser o “complemento emocional” do “homem racional” e vice-versa.
“O trabalho de transmissão da cultura e de integração simbólica entre grupos
sociais diversos tem-se dado pela reprodução de características e normas culturais
de vida por meio de uma impregnação cultural” (citação de Novoa, 1991 p.110). O
trabalho de ensinar em que a afetividade teria destaque no século XIX, devendo,
pois ser tarefa eminentemente feminina.
O autor busca compreender até que ponto a mulher ao alcançar o espaço
público carrega uma subjetividade construída ao longo de décadas e até que ponto
transformou-se de público para particular, ou seja, foram internalizados pelas
próprias mulheres tornando-se parte de sua identidade.

Justificando esse anseio ele cita Bertrand (1989, pg.37)


Um indivíduo não pode existir sem construir uma imagem de si que ofereça
uma certa coerência tanto no plano diacrônico, quanto sincrônico, de sua
personalidade e de sua história. Esta autoconsciência, por ser imaginária,
isto é, uma representação de sua identidade, nem por isto é, Uma
representação de sua identidade, nem por isto é menos real. Não apenas
por não poder viver sem esta representação de si, mas porque esta
representação informa e condiciona seus atos vindouros. (pg. 116).

Todas entrevistadas com exceção de uma acreditavam que o magistério era a


melhor escolha para a mulher. Algumas vinham de famílias onde, mães, irmãs, tia,
etc. eram professoras. Além disso, a escolha da profissão tinha um valor de prestígio
social e peso.

A gente via que era a melhor opção para a mulher naquele tempo,
principalmente no interior, lugar pequeno [...] Quem não tinha condições de
ser professora, ia ser costureira, ou outro servicinho assim [...]. Não tinha
escola. Era a única profissão abraçada pela mulher. (pg. 116)

Era comum o uso do poder político de liderança regional dos pais e da


barganha para conseguirem vagas e nomeações.
A entrevistada (nº6) obrigada a ir à escola normal e que queria ser costureira
não conseguiu vaga em sua cidade e teve de deslocar-se para a zona rural,
demonstrando a necessidade do trabalho e a insuficiência do poder de barganha da
sua família revelando a marca da dominação patriarcal na esfera pública.
As nomeações não eram por concurso, a pessoa só era nomeada se
caísse nas graças do cabo eleitoral (pg.118).

Ideologia e subjetividade feminina

De maneira a situar-nos no contexto do período CHAMON cita de Ware(1993):

A partir desse período a história passou a ensinar que o bem estar social e
a qualidade de vida de uma nação eram determinados pelas causas morais.
Também a história ensinava que somente as sociedades que respeitavam
suas mulheres, defendiam-nas contra os males do mundo, valorizando-as
em suas tarefas especificamente femininas, tornar-se-iam pródigas, nobres
e capazes de afirmar-se como nação. Essa ideologia repassava às
mulheres a responsabilidade de liderar uma cruzada civilizatória no sentido
de restaurar o senso de moralidade do mundo. Tal cruzada foi assumida de
uma forma idealizada pela sociedade e pelas próprias mulheres.

Com a urbanização na Primeira República as cidades tornaram-se


laboratórios para a civilização. Era necessário, criar novos costumes e novas
maneiras de pensar para legitimá-los. A escola tinha esse papel de legitimação das
novas ideias, mas antes precisava ser modificada estruturalmente e pensada de
maneira diferente. Agora ela era vista como uma instituição que traria a civilidade à
população e cabia à mulher, nas classes iniciais fazer o papel de ensinar a moral e
os bons modos que deveriam ser cultivados pelo resto da vida.

Questão às entrevistadas: Qual o motivo do magistério primário ter se tornado uma


profissão feminina?

Nº1: vocação especial que só a mulher tem;


Nº2: mulher tem mais paciência do que o homem, algo necessário à
profissão;
Nº3: o salário é um complemento já que as filhas vivem da renda dos pais;
Nº4: Identificação com a criança; papel de substituição com a mãe;

Ser professora era sem duvida, a melhor profissão para a mulher [...]. A
gente era “a Professora”. Além do mais, a profissão permitia, por exemplo, a
mãe de família trabalhar, dando aulas quatro horas por dia, ou seja, permite
a pessoa exercer a profissão para ganhar “ um dinheirinho” e ainda cumprir
o dever de dona de casa. Neste ponto, a profissão ainda é vantajosa para a
mulher embora a maioria das professoras trabalhem demais [...] A lida da
professora sempre foi grande[...] O homem não tolera esse regime de
trabalho [...] principalmente com o salário da profissão [...] Além do mais o
trabalho de reger classe nas séries iniciais é difícil e tem que ter uma
vocação especial, muito desprendimento mesmo. (p.121)

Os discursos mais recorrentes eram repletos de apelos às mulheres, eles


continham justificativas para o trabalho docente nas séries iniciais, como a
continuação do trabalho do lar, período especial de férias escolares, preparação
para ser boa mãe e dona de casa, remuneração suficiente por não ser a provedora
da casa, patriotismo, missão, vocação, devoção, trabalho em tempo parcial, etc.
.
Assujeitadas pelos valores dominantes da sociedade patriarcal e portadoras
de poucas alternativas profissionais, essas mulheres transcendiam suas
finalidades particulares por ideais sociais que lhes foram ensinados e que
passavam a transmitir. (pg. 120).

Havia neles estreita vinculação entre os projetos e as propostas contidas no


ideário das políticas públicas republicanas e os apelos às mulheres, que por sua
vez, relaciona-se com o processo de formação da subjetividade feminina, suscitando
a adesão e legitimação dessa nova cultura escolar em construção e o novo papel da
mulher dividido entre dois espaços e papeis desempenhados no público e o privado.
Assim as mulheres foram internalizando como “natural”, os constantes apelos
ideológicos lançados para o trabalho de ensinar, fato esse que, entretanto, nem
sempre se dera sem confrontos e resistências.

Desvendando as aparências: a importância do trabalho


feminino para construção da nova cultura escolar

A feminização no magistério não se dá apenas pela falta de oportunidade


da mulher no âmbito profissional, mas também pelos preconceitos enfrentados
diariamente para escolha e exercer de uma profissão, além de anos de uma cultura
profissional de hegemonia masculina, que inferioriza a mulher não só no mercado de
trabalho, mas na vida em geral, além de um grande interesse das políticas públicas
em uma nova cultura escolar. Esse agravante foi de grande influência na construção
da identidade feminina e na sua obtenção de confiança no espaço público até então
de dominação masculina, trazendo uma consciência para as mulheres e a sociedade
ditada por normas externas.

Apesar de toda a ideologia romântica em cima do trabalho docente da


mulher, durante esse período da primeira república, oque realmente interessava era
a construção de uma nova cultura escolar que atendesse aos ideais capitalistas.
Para se adequar e esse novo modo de produção era necessário que fossem
formados novos profissionais que fossem dóceis e úteis.
Como a mulher era criada e formada de forma patriarcal, além de ser
detentora da organização, submissão, a vasta experiência doméstica e na disciplina
com seus filhos, ela era perfeita para exercer a profissão de professora na visão
capitalista. Já que como a criação da escola compulsória o estado precisava moldar
as futuras gerações de acordo com seus ideais e parâmetros alienatórios. Assim foi
implantado na sociedade vários discursos sobre a profissão que seria de vocação
feminina, esses discursos foram adotados até mesmo pelas mulheres da época
fazendo-se valer a vontade do capital se tornando uma profissão de monopólio
feminino.

Como afirma Paixão (1991) a institucionalização e a expansão do ensino, na


república velha, foram acompanhadas da definição dos atributos necessários ao
exercício do magistério. Esse fato estimulou a participação da mulher nos quadros
docentes e gerou um monopólio feminino do trabalho de ensinar nas escolas
primárias.

Durante esse período o cargo do diretor foi instituído dentro da escola, sobre
isso a entrevistada (n°1) comenta:

Aconteceu qualquer coisa com aqueles homens que eram mestres-escolas,


E o homem que se interessava em ser do magistério primário era só para
ser diretor do grupo escolar. No principio do século, as mulheres diretoras
eram poucas. Aqui em Belo Horizonte, por exemplo, as primeiras eram
mulheres, mas de famílias de classe mais alta. Eu própria tive diretor
homem no grupo escolar.[...] (informação verbal)

Hierarquia e confronto nas relações de gênero

O autor deixa um questionamento: Por que há essa diferença em relação ao cargo


de diretor no estado de Minas Gerais? O fato é que no interior do estado, os
primeiros diretores eram do sexo masculino. Entretanto na capital do estado, as
mulheres é que ocuparam os primeiros cargos de diretoras.

Era responsabilidade do diretor a fiscalização do andamento do ensino em


sua escola além de prezar os bons costumes escolares e a construção da identidade
profissional das professoras. Os diretores eram de maioria do sexo masculino,
frisando assim o fato de que as mulheres ainda eram fiscalizadas pelos homens, e
os mesmos assim mantinham os cargos e salários superiores aos das mulheres.

O estado adotou um politica de que as mulheres não eram capacitadas para o


cargo de direção, pois era uma espécie de ameaça. A diretoria deveria ser ocupada
por homens, pois esses sim tinham senso de dominação, eram enérgicos e
habituados ao comando, além de possuir a habilidade de fazer o outro obedecer,
impor ordem e disciplina. Podemos perceber como essa idéia fazia parte do
imáginário social da época na interpretação da entrevistada (n°2):

[...]Havia vários diretores homens, praticamente todos os diretores dos


grupos escolares do interior eram homens. Eu penso que eles impunham
mais respeito e disciplina; e que, portanto, estavam mais aptos para o
cargo. Também nesse cargo ganhavam mais[...]. o homem nunca gostou de
ganhar pouco[...]

Havia também os inspetores que desempenham um papel importante na


observação e na exigência de dedicação total dessas diretoras ao exercício do seu
cargo. E como afirma o autor “A cobrança constante dos inspetores sobre os(as)
diretores(as) e professores(as) era apenas o inicio de um controle burocrático mais
refinado que, gradativamente, ia sendo imposto sobre os subordinados(as), sobre o
currículo e praticas docente”.(pág.000 )

Consolidando identidades profissionais: das escolas normais


ao controle burocrático cotidiano.

Com a consolidação dessa nova identidade dos profissionais do magistério,


ocorreu um rompimento com o antigo modelo. Por essa visão o fato de serem as
mulheres a ocuparem os primeiros cargos de direção na capital mineira consolidou
ainda mais essa nova cultura, proporcionando toda uma modificação na estrutura do
magistério até então. Consequentemente se adequando assim ao novo modo de
produção capitalista. Tendo como prioridade a ordem, o cumprimento de horários, a
moral, os bons costumes, as festividades, e a boa aparência das escolas.
Essa imagem da mulher como profissional maternal, dedicada era reforçada
pelas próprias professoras e diretoras, criando uma identidade profissional que era
cobrada pelos inspetores das escolas.
Sobre esse papel assumido pela mulher o autor cita Lopes,1991.

Estes pareciam ser os papéis assumidos pelas diretoras: papel de


reforçadoras de um discurso que vinha se alongamento por meio de lento e
tenaz processo de convencimento e persuasão; papel de formadora de um
ethos pedagógico, “que emerge de certa forma, do campo religioso e
privado, e desliza para leigo e público.[...]

Outro ponto colocado pelo autor é que o ensino era técnico, mais preocupado
com aspectos superficiais como afazeres doméstico, obediência, baseado em
normas e controles, como podemos perceber com clareza nas palas da entrevistada
(n° 7):
As escolas normais eram muito voltadas para o aprimoramento das
qualidades femininas, para o desempenho de atividades domésticas
Como: a socialização, as prendas domésticas, o papel de mãe na família,
que enriquecem o currículo da moça normalista. Além disso, era-nos
repassada uma grande sode de idealismo e muita disciplina.

Mas para a mulher desse período o autor, através da voz das entrevistadas,
apresenta a hipótese de que trabalhar como professora significa uma oportunidade,
de realizar atividades fora do cenário doméstico e familiar. Era um meio de poder se
envolver socialmente, oque até então era limitado aos homens.
Além disso, outra ideia demostrada nos depoimentos é que elas não tinham o
salário como umas das prioridades, mas sim a dedicação abnegada pela educação
das crianças até por que existia a ideia de que a professora como segunda mãe.
Havia incentivo por parte da família dessas jovens, pois ser professora na
época trazia certo prestígio social. Durante esse período as escolas normais
mineiras difundiam a ideia de que ser professora é mais do um trabalho qualquer é
algo “especial”.
Uma das entrevistadas percebeu que, apesar de todo o reconhecimento
recebido pela família e sociedade, havia uma forte cobrança tanto pela escola
normal quanto pela secretária de educação.
Nessa época as avaliações passam a ser utilizadas como mecanismo de
controle. Para essa afirmação o autor autor nos apresentas os apontamentos de
Foulcaut (1991) sobre o exame como uma instrumento que combina as técnicas da
hierarquia que vigia com as da nações que normaliza:

[...] É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar,


classificar e punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através
da qual eles são diferenciados e sancionados. É por isso que, em todos os
dispositivos de disciplina, o exame é altamente ritualizado [...]. (Foucault,
1993p. 164-165)

Trabalho desqualificado: sálario minguado

Assim como a gestão da cultura escola escolar se redefiniu, o mesmo


acontece com a administração do estado. A educação passa ser concebida nos
centros de decisões, longe da realidade das da escola como afirma CHAMON “(...)
na medida em que as escolas iam se expandindo para as classes populares,
acentuava-se um modelo técnico burocrático que, além de gerar a redução da
autonomia do (professor) (a) em relação ao ensino e à organização de escola,
gerava, também, outras alterações. Entre elas, podemos citar: absorção da mão de
obra feminina para a escola fundamental, a divisão de tarefas, novas forma de
controle; enfim, todas essas alterações acentuaram o grau de dependência do(a)
trabalhador(a) em relação ao poder central”.

Outra hipótese lançada pelo autor é que a feminização desqualificou a


profissão do magistério, o que resultou em perda de prestigio e diminuição do
salário. Cada vez mais o homem perdia o interesse em ingressar no magistério. O
autor cita diversos pesquisadores com argumentos como Philips; Taylor(1986);
Florin(1989); Loura(1989); Enguita (1991); MCDowell(1992); Albisetti(1993);
Apple(1995) que “vem afirmando que, historicamente, os empregos femininos têm
se prestado muito mais a uma maior pressão para o controle e a racionalização.
Eles têm sofrido um processo maior de desqualificação e proletarização do que
aquele considerados do sexo masculino”.(Chamon, p. 000)
Sobre essa hipótese o autor cita Apple, que a partir de suas análises, avalia
que:

Historicamente, os empregos femininos têm de prestado muito mais à


proletarização do que os masculinos, sofrendo também maiores pressões
de racionalização. Isso se explica pelo fato de que em nossa economia
houve uma expansão muito maior de posições com pouca autonomia ou
controle, enquanto declinaram os empregos com altos níveis de autonomia.
Essas ocupações proletarizadas são amplamente preenchidas por mulheres
[...]. Como o mercado de trabalho vai mudando no tempo, o declínio de
empregos com autonomia está intimamente associado a mudanças na
divisão sexual do trabalho. [...] (Apple, 1995 p.55)

Podemos perceber nos relatos das entrevistadas que apesar de toda a ideia
de vocação, dedicação e amor, a mulher recebia menores salários. E como
profissional pela própria condição do gênero, era considerada submissa ao homem.
Gerando assim uma ideia de que quem dedica ao trabalho social é por que faz uma
renuncia a ambição econômica. Ilustrando essa questão o autor apresenta as
palavras da entrevistada (n°///):

Sempre a professora ganhou pouco, sempre. Quando eu comecei a


trabalhar, na década de 1920, eu ganhava 200,000 reis. No entanto, eu
ganhava 100,000 reis a mais por que eu era normalista, pois ganhava ao
todo 300,000 reis. Este valor dava para se manter na época, era muito
melhor que hoje [...] mas não era grandes coisa não. Para mim, ele fazia
uma certa fartura, por que eu era solteira e não tinha maiores despesas. [...]
(informação verbal).

Contudo, mesmo com condições baixa de salário, a profissão de professora


era uma oportunidade para a mulher se tornar independente da família. Uma
possibilidade ao não casamento.
Com todas essas mudanças no quadro social da mulher, Paixão (1991) revela

A figura do “marido da mulher” pode ser encarada por dois ângulos, quando
se considera a mulher. Se, por um lado, ela, enquanto professora, corria o
risco de casar com um homem preguiçoso, que subvertia, em termos,
evidentemente, o conteúdo dos papéis do homes e da mulher, por outro
lado, o fato de ser a professora poderia ser um fator de atração, mas
atração de parceiros mal vistos socialmente.(Paixão,1991p.16)

Outro fator importante nesse sentido é que apesar da mulher apresentar certo
conformismo em relação ao salário, percebe que era de grande importância para a
manutenção de sua sobrevivência. Nesse sentido percebemos alguma revolta nas
palavras da entrevistada

Toda essa mudança ocorrida longa e lentamente na feminização do


magistério revela uma ambiguidade, pois enquanto o salário da mulher era baixo e
representava uma profissão de baixo prestígios, as funções confiada a elas trazem a
ideia de respeito e prestigio social.
A partir de década de 30 várias mudanças ocorreram no Brasil como
ascensão de um Estado autoritário e o fortalecimento da igreja católica, que apesar
de sua força ser incontestável, durante esses quarenta anos de República, as ideias
que circulação era de um Estado Laico, e positivista. Nesse período nossa senhora
aparecida fora consagrada a Padroeira do Brasil. E também é construído o Cristo
Redentor, na então capital brasileira Rio de Janeiro. Além disso, o ensino religioso
se torna obrigatório, o que por alguns foi aplaudido por outros foi rechaçado.
Indo totalmente na contramão do processo lento ocorrido na feminização do
magistério durante a primeira republica, esse novo estado por meio de decretos e
divulgações pública traz a proibição da mulher ao trabalho e o seu retorno ao seio
familiar. Fica expresso no artigo 14 do estatuto:

No entanto, essas novas regras não foram muito aceita e muitos intelectuais
inclusive mulheres se posicionaram contra, e acabaram sendo perseguidos por
Vargas. Cecilia Meirelles uma das intectuais que se posicionavam nesse sentido se
manifestou dizendo:

Mais uma vez na História, a mulher estava sendo forçada a se manter no


papel secundário na sociedade. Como se estivesse voltando no tempo. No entanto,
todas as mudanças ocorridas durante a primeira república deixaram marcas, novas
ideias, e possibilidades, que é oque podemos perceber na colocação de Cecilia
Meirelles.
Como o próprio autor afirma que a partir da reconstrução histórica realizada
podemos perceber que foi a partir das mudanças políticas que a feminização do
magistério com uma identidade pessoal e profissional se moldou. Baseado no
materialismo histórico de Marx.