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1 Revista dos cursos de Tecnologia em Logística e Alimentos do Campus Jataí da Universidade

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1 Revista dos cursos de Tecnologia em Logística e Alimentos do Campus Jataí da Universidade Estadual

Revista dos cursos de Tecnologia em Logística e Alimentos do Campus Jataí da Universidade Estadual de Goiás

ISSN 2446-8878

Ano 03, Volume 01, 2017.

LOGALI – Revista dos cursos superiores de Tecnologia em Logística e Tecnologia em Alimentos da Câmpus Jataí da Universidade Estadual de Goiás, Ano 3, nº 01, 2017. (ISSN 2446-8878)

Corpo editorial

2

Alimentos Profª Dr. Lúcia Helena Pelizer

UFTM

Prof. Dr. Antonio Roberto Giriboni Monteiro

UEM

Profª. Dra. Mônica R. S. Scapim

UEM

Profª. Dra. Priscila Vianna

UNOPAR

Profª. Dra. Renata Dinnies Santos Salem

UEPG

Profa. Dra. Angélica M S Vieira

UEM

Profa. Dra. Grasiele Scaramal Madrona

UEM

Prof. Dr. Helio Hiroshi Suguimoto

UNOPAR

Logística Prof. Me. Antônio Guerra Junior

UMC

Prof. Dr. Eugenio Andrés Díaz Merino

UFSC

Prof. Me. Roberto Ednísio Vasconcelos Rocha

BNB

Prof.ª Dra. Alessandra de Linhares Jacobsen

UFSC

Prof. Dr. Rudimar Antunes da Rocha

UFSC

Prof. Me. Sebastião Carlúcio ALVES-FILHO

Editor-chefe Coordenador do projeto de extensão “Revista LOGALI”

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APRESENTAÇÃO

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A LOGALI (Revista Científica dos cursos superiores de Tecnologia em Logística e Tecnologia

em Alimentos do Câmpus Jataí da Universidade Estadual de Goiás) é um projeto de extensão mantido pelo Prof. Me Sebastião Carlúcio Alves Filho, e que está em sua terceira edição em 2017. O objetivo desta publicação é tornar acessível à comunidade acadêmica os trabalhos que são executados pelos diversos pesquisadores que tomam como objeto os temas abordados nesses dois cursos de graduação. Nesta edição, apresentam-se textos que abordam desde temas relacionados à aceitabilidade da mulher graduada em logística no mercado de trabalho até aqueles que investigam a presença (ou não) das Boas Práticas de Fabricação em estabelecimentos que comercializam produtos alimentícios. Está é uma ótima oportunidade para que se conheçam os cursos de Tecnologia em Logística e Tecnologia em Alimentos, bem como para entender como se produz conhecimento acerca dos temas abordados durante esses cursos de graduação.

A publicação de mais uma edição da Revista LOGALI representa mais um passo no caminho de

fazer com que o conhecimento produzido na universidade extrapole os muros desta e atinja lugares nos quais ele ainda se faz escasso. Que a leitura dos textos que compõem este volume possa se portar como um pontapé inicial para que mais trabalhos como estes tenham início e que o ciclo de produção de conhecimento tenha um impulso no sentido de contribuir para que ele se desenvolva.

Prof. Me. Sebastião Carlúcio Alves Filho

Editor-chefe e Coordenador do projeto de Extensão Revista LOGALI

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SUMÁRIO

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1. Aplicação da lista de verificação das Boas Práticas de Fabricação em estabelecimento

produtores/industrializadores de alimentos em um açougue presente no município de Jataí (GO)

05

2. Spray bucal de própolis: uma alternativa para os apicultores como fonte de renda

11

3. Aceitabilidade da mulher tecnóloga em logística no mercado de Jataí (GO)

18

4. Garantir a segurança alimentar: aplicação de procedimentos operacionais padronizados nas escolas do

29

5. Avaliação das normas de boas práticas de fabricação (BPF) em um estabelecimento alimentício no

Município de Jataí (GO)

município de Jataí (GO)

35

6. Administração Pública: formação – informação – caráter

44

7. A mobilidade urbana e a logística de transportes no município de Jataí (GO)

54

8. A aplicação da filosofia lean manufacturing na logística interna em uma indústria do Sul de Minas

Gerais

74

9. Avaliação do teor de fibra dietética em barras de cereal

84

10. Requisitos necessários à implantação da ABNT – NBR ISO/IEC 17025:2005

97

11. Avaliação do gerenciamento produtivo de frangos de corte em propriedades rurais do município de

Jataí (GO)

111

12. Elaboração e implantação de uma política salarial em empresa agroindustrial

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APLICAÇÃO DA LISTA DE VERIFICAÇÃO DAS BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO EM ESTABELECIMENTO PRODUTORES/INDUSTRIALIZADORES DE ALIMENTOS EM UM AÇOUGUE PRESENTE NO MUNICÍPIO DE JATAÍ, GOIÁS

APPLICATION OF THE LIST OF VERIFICATION OF GOOD MANUFACTURING PRACTICES IN FOOD PRODUCTION / INDUSTRIALIZER ESTABLISHMENTS IN AN AÇOUGUE PRESENT IN THE MUNICIPALITY OF JATAÍ, GOIÁS

Michelle Nogueira de JESUS Juliana Teodora de Assis REGES

RESUMO: Por ser um alimento saboroso e nutritivo, a carne bovina é um dos principais ingredientes presente na mesa da população, contudo existem cuidados a serem tomados em relação a esse alimento devido sua alta capacidade de deterioração, por isso são necessários no açougue cuidados higiênicos que vão desde os utensílios, limpeza dos equipamentos e do ambiente, até a chegada e acondicionamento dessa matéria prima. De acordo com essa problemática, o objetivo desse trabalho consistiu em aplicar a lista de verificação das boas práticas de fabricação em estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos a mesma está adaptada da resolução da ANVISA RDC 275 de 21 de outubro de 2016, no açougue de um comercial, localizado no município de Jataí, Goiás, a fim de analisar como está o açougue do comercio. A partir dos resultados encontrados, foram fornecidas medidas corretivas em relação aos itens que não se encontram conformes segundo a legislação. Palavras-chave: Carne bovina; Açougue; Higiene adequada; legislação.

ABSTRACT: Because it is a tasty and nutritious food, beef is one of the main ingredients present in the table of the population, however there are care to be taken in relation to this food due to its high capacity of deterioration, so it is necessary in the butcher hygienic care that goes From the utensils, cleaning of equipment and the environment, until the arrival and packaging of this raw material. According to this problem, the objective of this work was to apply the checklist of good manufacturing practices in food producing and processing establishments. The same is adapted from ANVISA Resolution RDC 275 of October 21, 2016, in the butcher's shop Located in the municipality of Jataí, Goiás, in order to analyze how is the butcher's shop. Based on the results found, corrective measures were provided in relation to items that are not in accordance with the legislation. Keywords: Beef; Butchery; Proper hygiene; Legislation.

Por ser um alimento saboroso e nutritivo, a carne bovina é um dos principais ingredientes presente

na mesa da população brasileira, sendo ainda, o produto de origem animal mais consumido no Brasil (ALVES

et al., 2011).

O artigo 17 do decreto de n° 30691 define: Por "carne de açougue" entendem-se as massas

musculares maturadas e demais tecidos que as acompanham, incluindo ou não a base óssea correspondente,

procedentes de animais abatidos sob inspeção veterinária. (MAPA, 1952). Dessa forma, os açougues são um

tipo de comercio varejista que realizam a venda de carnes in natura provenientes de animais, bovinos, suínos

e aves.

A qualidade final das carnes de um açougue, este diretamente ligada ao cumprimento de leis e

fiscalizações estabelecidas, para fornecer um produto melhor e de qualidade para o consumidor final. Quando

os estabelecimentos, não tomam as precauções necessárias, sendo essas a higiene adequada, a eliminação de

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contaminação pela

pragas que surgem no ambiente ou não cumpre as normativas estabelecidas, estão sujeitos a fornecer um

produto final sem qualidade e que poderá acarretar risco a saúde do consumidor final. Nos açougues/estabelecimentos comercializadores de carnes pode ocorrer

manipulação direta das carnes, sem o uso de luvas pelos manipuladores, os quais, mesmo assintomáticos

podem transmitir microrganismos patogênicos, pondo em risco a saúde do consumidor, que pode ser acometido por DTA’s - Doenças Transmitidas por Alimentos (OLIVEIRA et. al., 2008; LUNDGREN et al.,

2009).

Dessa forma, são necessários no ambiente do açougue: cuidados higiênicos que vão desde os utensílios, limpeza dos equipamentos e do ambiente, até a chegada e acondicionamento da matéria prima. Esses passos visam à prevenção e controle higiênico-sanitário, a fim de impedir a multiplicação dos microrganismos no alimento. A fim de aprimorar a confecção deste relatório, foi considerado o seguinte dispositivo legal vigente: BPF – Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de Alimentos (Portaria Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento n o . 368 de 04 de setembro de 1997). Segundo Roça e Cajamar (2000 apud PEREIRA, 2009) os açougues devem apresentar:

Portas com mola do tipo vai e vêm; Janelas teladas; Área da sala de desossa não inferior a vinte metros quadrados (exigida para açougues com mercearia). Não são permitidos móveis de madeira; mesas de manipulação feitas ou revestidas de material liso, resistente e impermeável (mármore, aço inox ou material equivalente); Pia com água corrente e tratada para higienização exclusiva de utensílios; Ralos para escoamento de águas servidas; O estabelecimento que comercializa carnes deverá dispor de gancheiras no compartimento de desossa, as quais devem ser mantidas em perfeito estado de conservação e limpeza; Os utensílios de manipulação, instrumentos e as ferramentas de corte devem ser de material inoxidável, bem como mantidos em rigoroso estado de limpeza; O estabelecimento deve dispor de câmaras frias ou refrigeradores com capacidade proporcional às suas necessidades; Carnes, miúdos e vísceras devem permanecer refrigeradas; Deve haver instalações sanitárias para uso dos funcionários, provido de pia, sabão, toalha de papel e papel higiênico.

Nesse sentido, e levando em consideração os dados acima, o objetivo desse trabalho consistiu em aplicar a lista de verificação das boas práticas de fabricação em estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos a mesma está adaptada da resolução da ANVISA RDC 275 de 21 de outubro de 2016 no açougue de um comercial, localizado no município de Jataí, Goiás.

MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho foi desenvolvido em um comercial varejista presente na cidade de Jataí, Goiás e teve sua fundamentação de pesquisa baseadas nos conhecimentos adquiridos durante o curso de Tecnologia em

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de Fabricação em

Alimentos da Universidade Estadual de Goiás- Câmpus Jataí na disciplina de legislação industrial e higiene e

em referências bibliográficas buscadas em livros, internet, artigos. Além disso, foi aplicada a lista de verificação das Boas Práticas

Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos (adaptada da resolução da ANVISA RDC 275 de 21 de outubro de 2016), a fim de analisar como está o açougue do comercio e em seguida fornecer medidas corretiva em relação aos itens que não se encontram conformes segundo a legislação. Além disso, para atender o objetivo desse trabalho, foi utilizada primeiramente a observação participante, ou seja, onde o acadêmico ao mesmo tempo em que trabalha na empresa, ele observa e participa de todas as atividades propostas. Após ser realizado às observações das áreas citadas na lista de verificação, foi trabalhado somente com duas sessões do cheklist, sendo essas edificações e instalações e manipuladores.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A partir da visita realizada ao estabelecimento, pôde-se verificar claramente que o açougue, de alguma forma, está em desacordo com o que a legislação determina o que compromete demasiadamente a saúde do consumidor. Em relação à organização pessoal da empresa, verificou-se que o estabelecimento é familiar e o proprietário trabalha em todos os setores do comercio, desde administração, processamento e comercialização. Após a observação e a tabulação dos dados, foram somente escolhidas as sessões 1 e 3 para realizar um plano de ação, visto que elas apresentaram mais itens não conformes. Na sessão 1 (item A) foram avaliados 68 itens, deles 30 estavam não conformes, já a sessão 3 (item C) foram 14 itens, desses 7 encontraram-se não conformes a legislação. Com isso, para melhorar as condições do estabelecimento, nas tabelas 1 e 2, estão listados ao lado dos itens que estavam não conformes, um plano de ação criado pelo pesquisador para que haja correção das não conformidades, uma vez que elas contribuirão para que o estabelecimento esteja em plenas condições de funcionamento com base nas normas da ANVISA e da Vigilância Sanitária. Tabela 1. Itens da Sessão 1 (edificações e instalações): 30 itens não conformes de 68.

ITENS NÃO CONFORMES

PLANO DE AÇÃO

ÁREA EXTERNA

Área externa livre de focos de insalubridade, de objetos em desuso ou estranhos ao ambiente, de vetores e outros animais no pátio e vizinhança; de focos de poeira; de acúmulo de lixo nas imediações, de água estagnada, dentre outros.

Fechamento dos portões, assim como avisos alertando sobre tal procedimento, adaptar portas-isca em quantidade adequada e identificar os mesmo para promover monitoramento periódico, instalar/abastecer dispositivo para sabão neutro e papel toalha e coletor de toalhas descartáveis.

ÁREA INTERNA

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Área interna livre de objetos em desuso ou estranhos ao ambiente.

Retirar materiais e utensílios de limpeza do interior do setor de produção.

TETOS

Acabamento liso, em cor clara, impermeável, de fácil limpeza e, quando for o caso, desinfecção.

Recomenda-se a pintura em cor clara e de fácil limpeza para a desinfecção.

Em adequado estado de conservação (livre de trincas, rachaduras, umidade, bolor, descascamentos e outros).

Recomenda-se a limpeza e correção das avarias do teto.

PAREDES E DIVISÓRIAS

PORTAS

Portas externas com fechamento automático (mola, sistema eletrônico ou outro) e com barreiras adequadas para impedir entrada de vetores e outros animais (telas milimétricas ou outro sistema).

Instalação de molas e batentes de fechamento gradativo. Substituir todas a tela milimetrada com avarias.

INSTALAÇÕES SANITÁRIAS E VESTIÁRIOS PARA OS MANIPULADORES

Presença de lixeiras com tampas e com acionamento não manual.

Aquisição de lixeiras com tampa e com acionamento de pedal.

Presença de avisos com os procedimentos para lavagem

das mãos.

Recomenda-se a criação de uma POP (Procedimento Operacional Padrão) para correta higienização das mãos.

LAVATÓRIOS NA ÁREA DE PRODUÇÃO

Lavatórios em condições de higiene, dotados de sabonete líquido inodoro anti-séptico toalhas de papel não reciclado

ou outro sistema higiênico e seguro de secagem e coletor de papel acionados sem contato manual.

Utilização de sabonete líquido inodoro, toalhas de papel não reciclado ou outro sistema higiênico e seguro de secagem e coletor de papel acionados sem contato manual.

ILUMINAÇÃO E INSTALAÇÃO ELÉTRICA

Luminárias com proteção adequada contra quebras e em adequado estado de conservação preventiva.

Colocar proteções nas luminárias para evitar explosão e quedas acidentais.

VENTILAÇÃO E CLIMATIZAÇÃO

Ventilação e circulação de ar capazes de garantir o conforto térmico e o ambiente livre de fungos, gases, fumaça, pós, partículas em suspensão e condensação de vapores sem causar danos à produção.

Instalar cortinas de ar na entrada dos setores de produção.

Existência de registro periódico dos procedimentos de limpeza e manutenção dos componentes do sistema de climatização (conforme legislação específica) afixado em local visível.

Recomenda-se fazer uma planilha e anote quando ocorreu a limpeza, por quem, e como.

HIGIENIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES

Existência de um responsável pela operação de higienização comprovadamente capacitada.

Contratação ou treinamento de funcionário capacitado para atuar na limpeza e supervisão de manutenção das condições higiênicas sanitárias

Existência de registro da higienização.

Criar um Procedimento Operacional Padrão contendo uma planilha de quem como, quando e o material utilizado para higienização do ambiente.

Produtos de higienização regularizados pelo Ministério da Saúde.

Manter o uso de produtos legalizados e seu devido uso conforme a necessidade de higienização.

Disponibilidade dos produtos de higienização necessários à realização da operação.

Adquirir produtos específicos para estabelecimentos que manipulem alimentos.

A diluição dos produtos de higienização, tempo de contato

instruções

recomendadas pelo fabricante.

e modo

de

uso/aplicação

obedece

às

Usar os produtos químicos de acordo com as indicações presente na rotulagem

Higienização adequada.

Realizar com frequência e ao final de cada turno.

CONTROLE INTEGRADO DE VETORES E PRAGAS URBANAS

Adoção de medidas preventivas e corretivas com o objetivo de impedir a atração, o abrigo, o acesso e ou proliferação de vetores e pragas urbanas.

Instalação de porta iscas identificados e telas milimetradas nas portas e janelas na parte externa, bem como o uso de grelhas e tampas nos ralos.

Em caso de adoção de controle químico, existência de comprovante de execução do serviço expedido por empresa especializada.

Contratar se necessário serviços terceirizados ou se responsabilizar um técnico para função desde que o mesmo tenha recebido treinamento.

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9 que deve ser
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que deve ser

ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Apropriada frequência de higienização do reservatório de água.

A caixa d’água deve conter tampa

lavada semestralmente ou sempre que houver necessidade.

Existência de registro da higienização do reservatório de água ou comprovante de execução de serviço em caso de terceirização.

Deverá ser feito um registro em planilha com a data de lavagem, produto utilizado e nome da quem realizou.

Existência de planilha de registro da troca periódica do elemento filtrante.

Trocar o filtro.

MANEJO DOS RESÍDUOS

Recipientes para coleta de resíduos no interior do estabelecimento de fácil higienização e transporte, devidamente identificados e higienizados constantemente; uso de sacos de lixo apropriados. Quando necessário, recipientes tampados com acionamento não manual.

Os lixos precisam ser acondicionados em baldes com

tampas e/ou em sacos plásticos resistentes.

Retirada

freqüente

dos

resíduos

da

área

de

processamento, evitando focos de contaminação.

Retirar do estabelecimento os lixos sempre, para que não haja transbordamento.

Existência de área adequada para estocagem dos resíduos.

O lixo retirado da unidade deverá ficar na área

externa e guardado em sacos resistentes bem

amarrados.

ESGOTAMENTO SANITÁRIO

Fossas, esgoto conectado à rede pública, caixas de gordura em adequado estado de conservação e funcionamento.

Identificar as caixas de gorduras presentes no estabelecimento e realizar se possível a higienização correta.

Tabela 2. Itens não conformes da sessão 2 (manipuladores): 7 itens não conformes de 14.

ITENS NÃO CONFORMES

PLANO DE AÇÃO

Cartazes de orientação aos manipuladores sobre a correta lavagem das mãos e demais hábitos de higiene, afixados em locais apropriados.

Confeccionar um cartaz contendo passo a passo da correta higienização das mãos. (Aluno estagiário confeccionou)

Existência de supervisão periódica do estado de saúde dos manipuladores.

Realização de exames admissionais e periódicos (anuais) pelo SUS

Existência de registro dos exames realizados.

Elaborar uma planilha de controle em relação aos exames realizados

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Utilização de Equipamento de Proteção Individual.

Utilização de luvas de malha de aço para proteção do manipulador, se for o caso uso de óculos para proteger a visão, avental e botas de PVC para inibir o contato com o alimento.

PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DOS MANIPULADORES E SUPERVISÃO

Existência de programa de capacitação adequado e contínuo relacionado à higiene pessoal e à manipulação dos alimentos.

Capacitação técnica periódica em Boas Práticas de Fabricação e Procedimento Padrão de higiene Operacional por profissional qualificado.

Existência de supervisão da higiene pessoal e manipulação dos alimentos.

Supervisão por profissional qualificado. Para motivar os funcionários pode-se estabelecer medidas como sorteio de brindes, bonificação e folga para os manipuladores.

Existência de supervisor comprovadamente capacitado.

Realização da contratação de um profissional da área para que o mesmo possa ajudar no desempenho da área.

CONCLUSÃO

Este trabalho consistiu em fornecimento de medidas corretivas em relação aos itens que não se encontram conformes segundo a legislação. Todo o plano foi pensando, com intuito de melhorar as condições

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higiênicas do açougue do comercial. É importante destacar que o proprietário do açougue mostrou bastante

interesse em melhorar seu estabelecimento. Mas, algumas medidas demandam certo tempo para ser realizado,

dessa forma, até o momento da finalização das atividades, o açougue ainda estava em melhoria continua.

Acredita-se que as sugestões apresentadas proporcionarão maior norteamento ao responsável pelo

açougue quanto aos fatores que precisam ser corrigidos, melhorados e executados no estabelecimento para

estar de acordo com a legislação. Além disso, tais medidas, quando adotadas, resultarão em maior

lucratividade para os proprietários.

Sendo assim, espero que continue a correção das não conformidades para que, em um futuro breve,

o

estabelecimento apresente um nível de conformidades elevado, o que agregará qualidade em seus processos

e

irá atrair maior clientela, gerando uma maior lucratividade para a empresa.

REFERÊNCIAS

ALVES, C. V.; FILHO, F. das C.RIOS, F. P. B.; LIMA, C. E.; KELLER, K. M.; MURATORI, M. C. S. Coliformes e Salmonellaspp em carne moída comercializada em Teresina, PI. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 33, p. 32-36, 2011.

BRASIL. Decreto de n°30691 de 29 de março de 1952. Aprova o novo regulamento da inspeção industrial

e sanitária

Disponível em

< http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Aniamal/dipoa/DEC%20030691%2029%2003%201952%20

RIISPOA.rtf.>. Acesso em, 07 de Junho de 2016.

de

produtos

de

origem

animal.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n°275 de 21 de outubro de 2002. Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos. Disponível em <http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/5125403/4132350/ResoluuoRDC27. 10.2002.df>. Acesso em, 07 de agosto de 2016

LUNDGREN, P. U.; SILVA, J. A. da; MACIEL, J. F.; FERNANDES, T. M. Perfil da qualidade higiênico- sanitária da carne bovina comercializada em feiras livres e mercados públicos de João Pessoa/PB – Brasil. Alim. Nutri., v. 20, p. 113-119, 2009.

ROÇA, R. O. Exigências do código sanitário para casa de carnes ou açougue. Botucatu: Laboratório de tecnologia dos produtos de origem animal da Universidade Estadual de São Paulo, 2000. Disponível em:

<htpp://209.85.165.104/search?q=cachê:tqbydvqtwsuj:dgta.fca.unesp.br>. Acesso em 08 de agosto de 2016.

OLIVEIRA, R. B. A.; ROLIM, M. B. Q.; MOURA, A. P. B. L.; MOTA, R. A. Avaliação higiênicosanitária dos boxes que comercializam carnes em dois mercados públicos da cidade do RecifePE/Brasil. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v. 2, p. 10-16, 2008.

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SPRAY BUCAL DE PRÓPOLIS: UMA ALTERNATIVA PARA OS APICULTORES COMO FONTE DE RENDA

PROPOLIS NOSE SPRAY: AN ALTERNATIVE FOR BEEKEEPERS AS A INCOME

Raissa Lorena de Castro PERES Lázara Batista dos Santos SOUZA Juliana Teodora de Assis REGES

RESUMO: A própolis é conhecida principalmente por suas propriedades antibacterianas, antioxidantes, anti-inflamatórias, cicatrizantes, anestésicas, antissépticas entres outros que são utilizados. Este estudo teve por objetivo elaborar um produto de spray bucal de própolis com intuito de fazer um produto natural, sem conservantes e qualquer tipo de substância químicas, e mostrar para os apicultores que a própolis pode ser mais uma fonte de renda. Este trabalho foi realizado na apícola do Assentamento Rio Claro com parceria com a Universidade Estadual de Goiás. De acordo com os resultados da pesquisa em relação ao produto, podemos verificar que 80% dos entrevistados aprovaram o spray bucal de própolis, 5% deles consideraram o produto razoável, mais compraria, e 15% dos entrevistados, não tiveram uma boa aceitação em relação ao produto, devido ter um sabor marcante. Conclui- se que a própolis é um produto que possui propriedades que fortalecem o sistema imunológico, atuando na prevenção de várias doenças. De acordo com os resultados é possível a fabricação de uma solução de spray bucal de própolis natural, buscando a potencialidade da produção como alternativa de renda para apicultores. Relevante mencionar que a produção de própolis é uma atividade econômica que exige pouco investimento financeiro na instalação de um apiário, que não requer grande espaço territorial para as colmeias. Palavras-chave: Abelhas; Apicultores; Mel; Propriedades da própolis.

ABSTRACT: Propolis is known mainly for its antibacterial, antioxidant, anti-inflammatory, healing, anesthetic, antiseptic and

other properties that are used. The objective of this study was to develop a propolis oral spray product with the intention of making

a natural product, without preservatives and any kind of chemical substance, and to show to beekeepers that propolis could be

another source of income. According to the results of the research in relation to the product, we can verify that 80% of the respondents approved the oral spray of propolis, 5% of them considered the mouthwash of the Rio Claro settlement with a partnership with the State University of Goiás. Reasonable product, more would buy, and 15% of respondents, did not have a good acceptance in relation to the product, due to have a remarkable flavor. It is concluded that propolis is a product that has properties that strengthen the immune system, acting in the prevention of various diseases. According to the results it is possible to manufacture

a solution of oral spray of natural propolis, seeking the potential of production as an alternative income for beekeepers. It is relevant to mention that the production of propolis is an economic activity that requires little financial investment in the installation of an apiary, which does not require large territorial space for hives. Keywords: Bees; Beekeepers; Honey; Properties of propolis.

INTRODUÇÃO

O interesse pelo mercado externo do produto mel natural brasileiro é recente e importante para

incentivar o setor apícola, que tem papel de destaque no quadro socioeconômico mundial. A relevância desse

estudo está no fato de a apicultura ser uma atividade agropecuária que atende aos requisitos do tripé da

sustentabilidade: o econômico, o social e o ecológico (SOMMER, 1998). Com relação a atividade econômica

a

principal região produtora é o Sul com 49% da produção brasileira. Individualmente o Rio Grande do Sul é

o

maior produtor nacional com 20%, Paraná 16,2% e Santa Catarina 12,9% (SOMMER, 1998). Segundo o

IBGE em 2012 a produção de mel no Brasil gerou 40 milhões e cresceu 24% nos últimos seis anos, volume

de aproximadamente 33.931 toneladas. (PAULA, 2014).

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De acordo com Barbosa et al. (2007), a presença elevada de pequenos produtores, que exploram

até 150 colmeias, utiliza mão de obra familiar e mantêm atividades paralelas, seja como atividade principal ou complemento, é um fator marcante na apicultura brasileira. Entretanto há presença dos médios produtores, caracterizados pela exploração de 150 a 1.500 colmeias, que também atuam em outras atividades, contudo são mais especializados e utilizam maior capital. Além disso, há os grandes produtores, que exploram de 1.500 a 2.500 colmeias e tendem a ser mais especializados (PAULA, 2014). No Brasil, a apicultura forma uma cadeia produtiva composta por mais de 300 mil apicultores, e centenas de unidades de processamento de mel, que juntos empregam temporariamente ou permanente quase 500 mil pessoas (BACAXIXI et al., 2011).

O mel é considerado um produto apícola, fácil de ser explorado, conhecido pela facilidade de

comercialização, alto valor nutricional (MACHADO et. al., 2012). O mel pode ser armazenado por muito tempo sem perder suas características físicas e químicas, desde que embaladas adequadamente (OLIVEIRA et al., 2012). Outro destaque é a crescente participação do mel natural brasileiro no mercado internacional, decorrente da qualidade do produto e da competitividade internacional. O Brasil tornou-se um importante player no mercado mundial (PAULA, 2014). O mel Brasileiro é o mais cobiçado pelos mercados internacionais, por ser livres de defensivos e pelo excelente padrão de qualidade. (OLIVEIRA et al., 2012). No Brasil, a produção de própolis é estimada em torno de 100 toneladas anuais, sendo grande parte destinada à exportação, tanto na forma bruta como em produtos manufaturados, alcançando elevados preços no comércio exterior e representando uma importante fonte de renda (MACHADO et. al., 2012). O Japão é o principal importador da própolis e, de acordo com Pickler (2009), aproximadamente 92% do produto in natura consumido no Japão é de origem brasileira.

A própolis é uma substancia resinosa, gomosa e balsâmica, é colhido pelas abelhas através de

brotos, flores e exsudados de plantas nas quais elas acrescenta secreções salivares, cera e pólen para sua elaboração final do produto. Sua origem vem principalmente das resinas vegetais de diversas espécies, algumas dessas espécies dão origem a própolis verde que se caracteriza pelo seu alto teor de flavonóides e outros terpenoides que possui ação terapêutica. A própolis nas colmeias tem uma grande importância, pois ela e usada para vedar, selar a parte inferior das colmeias, imobilizarem os inimigos em pequenos espaços, prevenir doenças. (GREENWAY et al., 1990; BONHEVI et al., 1994; ROCHA, 2008).

A composição da própolis são resinas e substancias balsâmico (50 a 80%), Óleo essencial e outros

voláteis (4,5 a 15%), Cera (12 a 50%), substancia tânicas (4 a 10,5%), impureza mecânica (< 15%). A própolis tem grandes atividades biológicas combatendo ou auxiliando no combate de fungos, vírus, bactérias, fortalecendo o sistema imunológico, possuem atividades antibacterianas, antifúngicas, antiviral, antioxidante (ROCHA, 2008) e também anticariogênica (PARK et al.,1998).

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e de cosméticos

A própolis é usada pelo homem desde tempos mais remotos, sendo seu extrato de vital

importância, ressalta-se aqui a utilização deste, nas indústrias farmacêuticas

(GHISALBERTI,1979; BARBOSA et al., 2007). Também pela sua capacidade antioxidante utilizada na indústria alimentícia, a exemplo da indústria de linguiças (VIEIRA, 2012). Este estudo teve por objetivo elaborar um produto de spray bucal de própolis com intuito de fazer um produto natural, sem conservantes e qualquer tipo de substância químicas, é mostrar para os apicultores que o própolis pode ser mais uma fonte de renda.

MATERIAL E MÉTODOS

No Laboratório de manipulação do Projeto no Assentamento Rio Claro foi preparado um produto a base de própolis com intuito de fazer um produto natural, sem qualquer tipo de adição de conservante, corantes, utilizando apenas produtos naturais. Para a fabricação desse produto foi comprado na Bahia 1kg da própolis verde bruta no valor de 300,00 para produção do spray bucal de própolis. Ao iniciar o preparo do produto é preciso fazer o extrato de cada um dos componentes, o extrato de própolis é 1L de álcool de cereais 96 % e 500g de própolis bruta, deixar curtir por 15 dias e depois coar em um recipiente com tampa para não haver evaporação, pois os outros componentes: o gengibre, a romã, e o guaco são feitos com o mesmo processo (Figura 1).

e o guaco são feitos com o mesmo processo (Figura 1). FIGURA 1: Extrato do Componentes

FIGURA 1: Extrato do Componentes utilizando no spray de própolis FONTE: Elaboração dos autores

Depois de fazer os extratos começamos a preparar o spray bucal de própolis, em um recipiente esterilizado coloca- se 250g de mel, 30mL de extrato de própolis, 25mL de extrato de romã, 25mL de extrato de gengibre, 25mL de extrato de guaco, 20 mL de essência de menta, água deionizada. Misturar bem, e depois distribuir em recipientes de 30 mL com vidro escuro para não haver contato com a luz solar. Pois o contato

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com a luz pode ocorrer a perda dos nutrientes e a qualidade do produto, rende em média 16 vidros do spray

(Figura 2), para finalizar a rotulagem onde deve conter todas as informações do produto.

onde deve conter todas as informações do produto. FIGURA 2: Rendimento do produto final sem rotulagem

FIGURA 2: Rendimento do produto final sem rotulagem Fonte: Elaboração dos autores

A Figura 3 mostra 500g da própolis bruta verde, que foi utilizada na fabricação do spray bucal. A própolis é um produto difícil de ser encontrado, por ser de alto custo, pois, e preciso de uma grande produção de mel, grandes quantidades de colmeias para que possa ser feita a retirada uma grande quantia da própolis.

possa ser feita a retirada uma grande quantia da própolis. FIGURA 3: Própolis Bruto utilizado na

FIGURA 3: Própolis Bruto utilizado na fabricação do spray bucal. FONTE: Elaboração dos autores

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

TESTE DE ACEITAÇÃO

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Em entrevista realizada nos dias 03 e 04 de setembro de 2016 no Bairro Sebastião Herculano de Souza na Cidade de Jataí-GO, 20 pessoas se propuseram a participar do teste de aceitação do spray bucal de própolis (Figura 4) de forma voluntaria, onde as quais fizeram a degustação do mesmo. Após a degustação as pessoas envolvidas com o teste responderam a um questionário onde algumas questões foram tratadas, tendo como principais aspectos analisados o sabor, aroma e textura.

principais aspectos analisados o sabor, aroma e textura. FIGURA 4: Spray bucal de própolis final Fonte:

FIGURA 4: Spray bucal de própolis final Fonte: Elaboração dos autores

Ao termino do questionário os resultados obtidos foram: 70% dos entrevistados aprovaram o produto por ser natural, não possuir nenhuma substancia química e 30% não aprovaram devido ao sabor forte (Gráfico 1). Os resultados obtidos foram satisfatórios tendo em vista que todo o processo foi realizado em parceria da UEG (Universidade Estadual de Goiás) juntamente com a comunidade do Assentamento Rio Claro.

juntamente com a comunidade do Assentamento Rio Claro. Gráfico 1- Analise Sensorial Spray de Própolis Fonte:

Gráfico 1- Analise Sensorial Spray de Própolis Fonte: Elaboração dos autores

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CONCLUSÕES

Conclui-se a própolis é um produto que possuem propriedades que fortalecem o sistema

imunológico, atuando na prevenção de doenças. De acordo com os resultados mostraram que é possível a

fabricação de uma solução de spray bucal de própolis natural, buscando a potencialidade da produção como

alternativa de renda para apicultores. Relevante mencionar que a produção de própolis se mostra uma atividade

econômica que exige pouco investimento financeiro na instalação de um apiário, não requer grande espaço

territorial para as colmeias. E através da apicultura à Universidade Estadual de Goiás com parceria aos

moradores do assentamento Rio Claro e do Assentamento Santa Rita decidiram implantar um projeto junto

com a caixa ODM e PNUD, onde esses órgãos entraram com os equipamentos adequados para o projeto e os

moradores com a mão de obra, fazendo com isso um projeto de extensão onde os alunos possa trabalhar e ter

mais conhecimento dessa atividade, através dos moradores.

REFERÊNCIAS

BACAXIXI, P.; BUENO, C.E.M.S.; RICARDO, H.A.; EPIPHANIO, P.D.; SILVA, D.P.; BARROS, B.M.C.; SILVA, T.F.; BOSQUÊ, G.G.; LIMA, F.C.C.A Importância da Apicultura no Brasil. Revista Científica Eletrônica de Agronomia, Florestal de Garça, n.20, 2011.

BANKOVA, V.; POPOV, S. MAREKOV, N.L. Isopentenyl cinnamates from poplar buds and propolis. Phytochemistry, v.28, p.871-873, 1989.

BARBOSA, A. M.; LOPES, G. N.; BARBOSA, J. B. F. Análise Econômica da Apicultura no Estado de Roraima. Revista Agroambiente, v. 1, n. 1, 2007.

BONHEVI, J.S.; COLE, F.V.; JORDÁ, R.E. The composition, active components and bacteriostatic activity of propolis in dietetics. J. Oil Chem. Soc., v.71, p.529-532, 1994.

GHISALBERTI, E.L. Propolis; A review. Bee World, v.60, p.59-84, 1979.

GREENWAY, W.; SCAYSBROOK, T.; WHATLEY, F.R. The composition and plant origins of propolis: a report of work at Oxford. Bee World, v.71, p.107-118, 1990.

MACHADO, B. A. S. et al. Estudo prospectivo da própolis e tecnologias correlatas sob o enfoque em documentos de patentes depositados do Brasil. Revista Gestão, Inovação e Tecnologias, São Cristóvão, v. 2, n. º 3, 2012.

OLIVEIRA, L. J. de; RAUSCHKOLB, A. S.; FIGUEIREDO, A. M. R. Transações e governança na apicultura de Mato Grosso - o caso da Apisnorte. Revista de Política Agrícola, v. 21, n. 4, p. 20-34, 2012.

PARK, Y.K; KOO, M.H.; IKEGAKI, M.; CURY, J.A; ROSALEN, P.L.; ABREU, J.A.S. Antimicrobial activity of propolis on oral microorganisms. Cur. Microbiol., v.34, p.24-28, 1998.

PAULA, M. F. de. Desempenho das exportações brasileiras de mel natural. 2014.118f. (Tese doutorado:

Economia e Política Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

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PICKLER, M. A. Defensividade, higiene, produção de própolis e mel com duas gerações de ApisMellifera. Dissertação de Mestrado Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Marechal Cândido Rondon: 2009.

ROCHA, J. S. Apicultura: Manual Técnico. Programa Rio Rural. ISSN 1983-5671. Niterói – RJ: julho de 2008. Disponível em: <http://www.pesagro.rj.gov.br/downloads/riorural/05%20Apicultura.pdf>. Acesso em 10 nov. 2016.

SOMMER, P. G. O. Desenvolvimento da apicultura brasileira. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE

APICULTURA, 12., 1998, Salvador (BA). Anais

1998. 173 p.

VIEIRA, V. B. Obtenção do extrato de própolis assistida por micro-ondas, aplicação em linguiça toscana e avaliação da sua capacidade antioxidante. Dissertação, 55 f, Mestrado. Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria – RS: 2012.

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ACEITABILIDADE DA MULHER TECNÓLOGA EM LOGÍSTICA NO MERCADO DE JATAÍ – GO

ACCEPTABILITY OF LOGISTICS TECHNOLOGIST WOMAN IN JATAÍ MARKET – GO

Ana Lúcia Brito Vilela Matheus Souza Assunção Valdinei Junio Brito Vilela

RESUMO: As Mulheres a muito tempo procuram pela igualdade entre os sexos, seja no direito, deveres e até no trabalho. O mundo contemporâneo demostra empiricamente que esse cenário vem se transmutando a favor, onde existe um número crescente de mulheres que já chefiam, trabalham e estudam, em reação as estatísticas passadas, porém ainda existe um grande caminho de destruição dos preconceitos e estigmas culturais a serem percorridos. O objetivo desse estudo é analisar como é a aceitabilidade do mercado de trabalho em Jataí para com a mulher graduada em tecnologia em logística pela Universidade Estadual de Goiás, partindo do ponto de inserção e aceitabilidade. Fora feito uma pesquisa quantitativa e qualitativa com empresas aleatórias, de atividades econômicas distintas, além de entrevista com ex acadêmica, descrevendo suas experiências e atividades pós colação. O estudo determinou que existe uma certa relutância, das empresas, na contratação de uma mulher para uma área de gestão, tipicamente masculina. A experiência relatada só demonstra o contrário, onde a mulher pode ir contra esse prejulgamento, e que vai depender inteiramente da capacidade, intenção e motivação da mulher, que desejar continuar nessa área. PALAVRAS CHAVE: mulher, aceitabilidade, mercado, igualdade, luta.

ABSTRACT: Women have long sought equality between the sexes, whether in law, duties or even at work. The contemporary world empirically demonstrates that this scenario has been transmuted in favor, where there is an increasing number of women who already lead, work and study, in reaction to past statistics, but there is still a great way to destroy the cultural prejudices and stigmas to be Traveled. The objective of this study is to analyze the acceptability of the labor market in Jataí to women graduated in logistics technology from the State University of Goiás, starting from the point of insertion and acceptability. A quantitative and qualitative research had been carried out with random companies of different economic activities, besides an interview with a former academic, describing their experiences and activities after collation. The study determined that there is a certain reluctance, of the companies, in the hiring of a woman to a management area, typically masculine. The reported experience only demonstrates the contrary, where the woman can go against this prejudice, and that will depend entirely on the capacity, intention and motivation of the woman, who wishes to continue in that area. KEYWORDS: woman, acceptability, market, equality, struggle.

INTRODUÇÃO

As mulheres há muito, vem lutando pela conquista de seu espaço, de direitos e deveres, os quais

só era destinado a homens. Historicamente, as mulheres sempre travaram lutas para conquistarem seu espaço

na sociedade. (CUNHA, 2008). É válido ressaltar que as mulheres eram vistas pelos homens e pela sociedade

como simples objetos de desejo sexual, sua importância como pilar da família, muitas vezes ignorada, tendo

apenas que desempenhar o trabalho doméstico: lavando, passando e cuidando dos descendentes.

Na tentativa de acabar com as ofensas criadas, em especial pelos homens, contra os direitos

femininos, movimentos revolucionários surgiram para mostrar que as mulheres têm iguais direitos aos homens

(feminismo). Ao longo do tempo foram ganhando espaço no mercado de trabalho, especificamente em escolas,

jornais, revistas e indústrias e foi em uma destas indústrias que, várias delas em um movimento feminista

revolucionário para obter igualdade perante a sociedade, morreram queimadas, determinando o dia

internacional da mulher.

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Mesmo com os esforços, até os dias de hoje observamos que as mulheres têm muitas dificuldades

para terem seu reconhecimento, ainda que desempenhando papéis iguais ou até superiores aos dos homens (CUNHA, 2008).

A aceitabilidade do mercado para com uma mulher hoje, já é diferente ao do século passado.

Mulheres já visam trabalhos, qualificação, melhores salários. Uma vida livre. Mesmo que a sociedade ainda

mantenha certos parâmetros preconceituosos a respeito de determinados casos. É visível uma evolução gradual no estilo de vida da mulher economicamente ativa nos diferentes tipos de mercado.

O mercado de trabalho ainda pode ser impiedoso para com várias mulheres. Cacciamali & Pires

(1995) faz uma discursão sobre a probabilidade acerca da aceitabilidade de trabalho feminino, mesmo com certo grau de instrução. Tema o qual é aplicado perante a tentativa de análise do mercado de jatai sobre uma profissão relativamente nova, em que a mulher é predominante, segundo estatísticas do centro de ensino público que o oferta. Este trabalho apresenta inicialmente uma revisão bibliográfica referente ao assunto pautado, para logo após caracterizar de forma quantitativo e qualitativo sobre a perspectiva de determinada amostra do mercado de Jataí. Por último é apresentado a entrevista com uma profissional que atua no mercado de jataí a certo tempo.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1.1. O Papel Da Mulher Na Sociedade

A presença das mulheres como força de trabalho no mundo vem aumentando de forma consistente e significativa nas últimas décadas. Abramo (2000) determina que a mulher em uma ótica de força eminente de trabalho econômico, evoluiu gradativamente entre os anos de 1960 e 1990. E que a estimativa para esse mesmo ano foi de um salto da taxa de participação feminina na População Economicamente Ativa (PEA) de 18,1% para 27,2%, enquanto a masculina diminuiu de 77,5% para 70,3%. Independentemente da grande incorporação no mundo do trabalho, as mulheres mantem uma grande diferença, em uma perspectiva nacional (ABRAMO, 2000). Isso significa, a existência das mulheres no mercado, como fator determinante de trabalho, contudo ainda existe uma diferença, sumariamente grande entre os homens e mulheres. Para Abramo (2000) a maior parte dos empregos femininos estão concentrados em alguns setores de atividade e associado em um pequeno número de profissões, e essa segmentação continua estando na base das desigualdades existentes entre homens e mulheres no mercado de trabalho, incluindo os salários.

No Brasil, em 1990, metade das mulheres trabalhadoras se concentrava em seis ocupações: empregadas domésticas, balconistas, vendedoras ou comerciantes por conta própria, costureiras, professoras de

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20 somente o setor formal
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somente o setor formal

ensino fundamental e empregadas em funções administrativas. Considerando

da economia, 54% das mulheres se concentravam em treze ocupações principais: professoras de ensino fundamental e médio, enfermeiras, funcionárias públicas de nível universitário, auxiliar de escritório, agente administrativo, auxiliar de contabilidade ou caixa, secretária, recepcionista, vendedora, trabalhadora em conservação de edifícios, cozinheira e costureira (Rais 1990, apud Cacciamali & Pires,

1995).

Nos anos 80, que ficou conhecido como os anos perdidos, no que se trata de economia, foi uma década marcada por um período de estagnação na produção industrial, vivido pelo Brasil e outros países da américa. Para Neto (2006) “na maioria destas nações, os anos 80 são o mesmo que crise na economia, inflação, crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB), volatilidade de mercados e aumento da desigualdade social”. Esse cenário desolador no qual vários países viviam, incluindo o Brasil, surge a necessidade, intensificada da mudança no âmbito econômico, onde a mulher teve que sair de seu seio familiar e adentrar no mundo de trabalho. Abramo (2000) designa esse momento na história como o pontapé inicial na emancipação do trabalho feminino, concretizando-se apenas pelo êxodo rural, onde as populações saíam do meio rural rumo as cidades com o intuito de procurarem trabalhos nas indústrias. Com o resultado da mudança de cenário da mulher rural para industrial, houve também a mudança no modelo de participação laboral feminino resultando em uma homogeneização do comportamento de atividade entre homens e mulheres, além do aspecto quantitativo. Abramo (2000) designa que em outra vertente, houve o aumento da porcentagem de famílias chefiadas por mulheres, questionando o poder da atividade trabalhista feminino e que a porcentagem de famílias chefiadas por mulheres na américa latina oscila entre 25% a 35%, além desse percentual existem mulheres que a renda é igual ou superior ao do homem. É possível determinar que a mulher é uma força íntegra no mercado de trabalho, onde a mesma ocupa cada vez mais espaço, mesmo com os preconceitos existentes na diferenciação dos sexos.

1.2. ÁREA DE ATUAÇÃO DA LOGÍSTICA

Segundo Nogueira (2010), o profissional de logística é um profissional que tem que estar disposto a trabalhar em horários alternativos, ter organização e gostar do funcionamento de todas as áreas da empresa. Ainda define que a pessoa que escolher essa profissão deverá ter como requisito básico: determinação, foco e efetividade.

A definição de logística está intrinsecamente entrelaçado a definição de movimento. Ou seja,

qualquer objeto, produto, matéria, pessoas, dinheiro que utiliza da movimentação é caracterizado como o uso

da logística. O referido conceito é relativamente novo, autores como Fonseca (2010) definem que o termo logística pode incorporar várias situações diferentes, porém não diverge seu significado principal.

O significado de logística empresarial, segundo Ballou (1992):

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serviços de distribuição

Estuda como a administração pode prover melhor nível de rentabilidade nos

aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivo para as atividades de movimentação e armazenagem que visam facilitar o fluxo de produtos

Partindo do pressuposto da definição citado logo acima, é determinante relatar que a área da logística possui uma gama variada de oportunidades. Nogueira (2010) ainda comenta que a logística é filha da administração, englobando toda as áreas mais práticas e fundamentais no processo administrativo.

O mercado de trabalho hoje, para o profissional da logística está crescendo em comparação a

outras áreas. Fonseca (2010) determina que a logística é uma área rentável, porém de difícil acesso e manutenção. Diante desse panorama é de vital relevância citar que a área principal de atuação da logística, segundo Ballou (1992) é a administração de materiais e recursos usados na empresa, controlando estoques e armazenagens, planejando a movimentação interna e a distribuição entre fábricas, centros de distribuição e varejo. Comunicando-se com fornecedores e clientes e operando sistemas eletrônicos, visando o perfeito fluxo da cadeia.

Rosa (2010) relata que a área da logística é relativamente masculina, onde muitas das atividades primarias, como: o armazenamento e o transporte ainda mantem traços machistas. E que a mulher para adentrar esse mundo, determinado e dominado por homens, tem que ter determinação, foco e efetividade. Diante do mundo moderno, a mulher vem conquistando um grande espaço, porém ainda é levantado o slogan que a mesma seja sexo fraco. Na logística existem áreas inteiramente de cunho machista, por serem intensas, onde tais atividades podem ser encorpados preconceitos e prejudiquem o desenvolvimento do mesmo.

Alencar (2000) determina que a mulher que escolher a profissão logística, deverá estar preparada para várias situações de estresses e assedio. Além das dificuldades, que poderão ocorrer pelo gênero empregado.

1.3. TECNOLOGIA X BACHARELADO

A área da logística está ligada intimamente a administração, tanto que autores como Ballou (1992)

defendem que a logística é um filho prodigo, na puberdade, o qual ainda irá crescer e se tornar uma grande e

respeitada área, dentro de todas as instituições e empresas, sejam elas públicas, privadas ou mistas. Como qualquer outro adolescente, a logística segue caminhos, os quais se divergem, mesmo que seja mínimo. É o caso dos níveis em que a logística pode ser empregada, ou seja, o grau que o curso de logística é apresentado, sendo ele de tecnologia ou bacharelado.

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O curso de logística com grau de tecnologia é o curso no qual são vistas matérias voltadas para a

gestão, onde se tem bases para os conhecimentos voltados para a gestão de processos logísticos, ou seja, gerenciar processos, com efetividade.

Já o curso de bacharelado em logística é voltado para vertentes da engenharia, onde são ofertados,

matérias, nas quais se cria conhecimentos de gerenciamento matemático, sendo mais prolongado. Caso a escolha determinada seja adentrar e estudar a logística, deve-se saber escolher entre as alternativas citadas anteriormente, uma modalidade na qual se encaixe e satisfaça suas necessidades. Salgado (2014) determina que a escolha da profissão deve vir de conceitos intrínsecos, determinados a partir de valores e conhecimentos passados. Os quais muitas vezes não são empregados. Cada pessoa é livre para escolher o que quiser, assim como o homem, a mulher tem o direito de querer estudar logística, mesmo indo contra o empírico de que a profissão seja de cunho masculino. A mulher tem o direito de estudar, direito esse previsto pela constituição brasileira.

2. RESULTDOS E DISCUSSÃO

A mulher no mercado de trabalho é um campo no qual são numerosos, divergentes e grandes os

números de publicações a respeito do mesmo. Entretanto, esse trabalho tem como foco analisar como é a aceitabilidade do mercado de trabalho em Jataí – GO, para com a mulher tecnóloga em logística, ofertada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), situada na mesma região.

É importante explanar que a UEG, com 10 anos em Jataí, desde do ano de 2007 até o ano de 2016,

totalizou 148 graduados na área de tecnologia em logística. Concluindo 42,5% homens e 57,5%, mulheres, ou seja, a UEG titulou mais mulheres do que homens. Se partir do ponto de vista centralizado, é viável dizer que existe mais tecnólogas do que tecnólogos em logística no mercado em jataí.

A aceitabilidade do mercado é algo relativo, Nogueira (2010) diz que o mercado é o resultado de

interações econômicas, que se modificam constantemente, o qual não determina sua capacidade ou vontade unicamente ou a prol de determinada vontade. Para detalhar a visão do mercado de Jataí em relação com a mulher tecnóloga em logística, fora feito uma pesquisa quantitativa e qualitativa, totalizando uma amostra

com 10 empresas aleatoriamente, cujas áreas utilizam a logística.

2.1. PESQUISA NO MERCADO

O mercado é formado por um conjunto de valores, metas e missões, onde a natureza na organização é ditada pela cultura organizacional criada pelos administradores e proprietários (CACCIAMALI, M. C. & PIRES, J. M.1995). Um conjunto de valores, os quais variam de empresa para empresa, determinando a subjetividade do caráter comprometedor da empresa diante a globalização e ações corretivas dos fatos

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errôneos definidas pela sociedade. Por essa coordenada fora determinado que a pesquisa, seria anônima, ou seja, não haverá a identificação direta da empresa em questão, protegendo a identidade e os parâmetros éticos do aceite de pesquisa.

Figura 1 - Identificação do conhecimento logístico na empresa

1 - Identificação do conhecimento logístico na empresa Fonte: Autores A figura 1, faz referência ao

Fonte: Autores

A figura 1, faz referência ao modo como as empresas visitadas veem a logística como atividades primárias, secundárias ou até inexistentes. Fica evidente que a amostra manifesta a falta de conhecimento, com um total de 30%. Ballou (1992) declara que a falta de conhecimento por parte dos setores componentes da empresa é possivelmente concretizada devido aos valores familiares clássicos, passado de geração em geração, o qual muitas empresas fecham as portas pelo mesmo motivo. Já Pereira (2014) determina que tais valores, que são, geralmente preservados em empresas familiares, perpetua preconceitos e superstições, as quais põem em risco toda a organização, por não conseguirem adaptar as mesmas ao mercado globalizado, pluralista e diversificado.

Figura 2 – A popularidade da UEG em Jataí

diversificado. Figura 2 – A popularidade da UEG em Jataí Fonte: autores LOGALI – Revista dos

Fonte: autores

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Popularidade para Kotler (1994) determina que os esforços aplicados estão dando resultados para que consiga ser admirado ou conhecido no mercado. Ou seja, 60% da amostra das empresas conhece a UEG, determinando que os esforços na divulgação estão gerando frutos. Contudo é previsto que só os esforços dos profissionais que passaram pela UEG, possam consolidar essa imagem.

Figura 3 – Contratação do profissional de logística

Figura 3 – Contratação do profissional de logística Fonte: Autores A logística representa uma área na

Fonte: Autores

A logística representa uma área na qual é favorável ao desenvolvimento econômico da empresa,

isso se a mesma maximizar sua importância (KOTLER 1994). O que não é o caso. A logística pode determinar uma variedade de custos que relativamente, pesam nas contas das empresas. Salgado (2014) descreve que toda operação logística detém de uma complexidade, na qual se deve ter capacidade de gestão e conhecimento de todos os processos que fundamentam a logística.

A pesquisa constatou que 60% da amostra em questão já teve contato trabalhista com um

profissional da área. É possível distinguir que o mercado em síntese entende como é importante o acompanhamento de um profissional da área que tenha conhecimentos e capacidade de gestão.

Figura 4 – Ocorrência da contratação da profissional em logística

Ocorrência da contratação da profissional em logística Fonte: Autores LOGALI – Revista dos cursos superiores de

Fonte: Autores

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25 uma ciência nova, a
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uma ciência nova, a

A

contratação deve obedecer a certos parâmetros, os quais são antecipadamente definidos pela

ficha profissiográfica, no qual consta uma serie de características a serem incorporadas na seleção para

determinado cargo (CHAVIANETO, 2003). Salgado (2014) determina que como sendo

logística muitas vezes é não é incorporada nos parâmetros de sua própria abrangência de trabalho. Ou seja,

muitos ainda não conhecem, ou muito menos o que faz. A figura 4 mostra exatamente essa questão, onde 40% das empresas entrevistadas não retinham conhecimento do que é logística ou o sua área de trabalho. Se observar em outra ótica, é explicito determinar parâmetros relacionados aos valores e preconceitos referentes a contratação da profissional em logística. Para Silvio (2010) o preconceito é um conceito associado à discriminação e as diferenças que existem no mundo, onde a pessoa preconceituosa

atribui um juízo de valor sobre determinado aspecto, seja a classe social, a cultura, a religião, a etnia, a cor da pele, a preferência sexual, etc.

O preconceito no qual se remete as mulheres é chamado de machismo, misoginia ou sexíssimo,

podendo acontecer em vários lugares, em situações diferentes. Silvio (2010) ainda faz alusão ao espaço da

mulher conquistado no mercado, que pode ser determinante na amenização de tais preconceitos relativos as mulheres em pleno século 21.

Figura 5 – Relacionamento com os colegas de trabalho

21. Figura 5 – Relacionamento com os colegas de trabalho Fonte: Autores A relação em ambiente

Fonte: Autores

A relação em ambiente de trabalho é muito difícil de ser equilibrada, pois o mundo do trabalho é

completamente paralelo ao mundo pessoal, as vezes podendo se colidir. Silveira (2011) determina que é

comum que pessoas de vários departamentos trabalhem juntas para desenvolver projetos e impulsionar o crescimento de determinada empresa, onde a boa comunicação é divisor de águas para qualquer tipo de relação.

A figura 5 traduz exatamente essa questão, a mulher com sua percepção e interação social no

ambiente de trabalho, que pode ser justifica por fatores biológicos. HAMMOND (2013) retrata uma pesquisa

cientifica que expõe o poder comunicativo da mulher, onde a mesma fala em média 20 mil palavras por dia,

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enquanto 7 mil por dia dos homens. A mulher tem, por natureza, um poder de comunicação maior do que a dos homens, como consequência uma interação social maia ampla e dinâmica, representada nos 60% positivo sobre a percepção dos gestores sobre a relação das mulheres, profissionais em logística, com os demais colegas.

2.2. EXPERIÊNCIA MERCADOLÓGICA

A experiência para Content (2013) são os momentos vividos, guardados no subconsciente. Essas

experiências podem ser identificadas e utilizadas de várias maneiras e situações diferentes, onde a vontade é o gatilho inicial para sua recordação. De certa maneira a experiência mercadológica tange aos momentos vividos na vida profissional do indivíduo, de forma a condensar informações especificas, criando conceitos e preconceitos. Sarate (2016) expõe que para se criar determinados conceitos em um ambiente de trabalho é preciso um completo distanciamento dos valores pessoais. Onde tais conceitos ficam limitados ao mundo profissional, nascendo assim o distanciamento de experiências profissionais das experiências pessoais. Sobre a perspectiva do distanciamento dos tipos de experiência, é valido determinar que a experiência é relativamente imensurável, assim como as vocações e os gostos. E que fica a critério do leitor tirar suas próprias conclusões acerca de sua experiência profissional e pessoal, relativa a área da logística.

CONCLUSÃO

A logística possui importância para as empresas e instituições. Por meio dela, pode-se obter

determinada redução de custos na área afim de trabalho. Sendo uma área difícil, com relativa determinação

machista e pré-conceitos, ainda existentes. Entretanto, é uma área livre, no qual pode se ter homens ou mulheres, evidenciado pelo maior número de mulheres graduados pela Universidade Estadual de Goiás - Campus Jataí.

É possível concluir que existem mais mulheres na área da logística, e que a mesma ainda é

desvalorizada em comparação ao homem, por pré-juízo, que vem a prejudicar o mercado para com as mulheres.

Entretanto, é verídico que o esforço e a experiência é algo intrínseco, onde a mesma terá que lutar, com garra, vontade e determinação, para conquistar seu espaço no mercado nesse mercado de trabalho vasto que é o da logística.

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27 p.76-93, abr. 2000.
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p.76-93, abr. 2000.

REFERÊNCIAS

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GARANTIR A SEGURANÇA ALIMENTAR: APLICAÇÃO DE PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PADRONIZADOS NAS ESCOLAS DO MUNICIPIO DE JATAÍ – GOIÁS

GUARANTEE FOOD SAFETY: APPLICATION OF STANDARDIZED OPERATIONAL

PROCEDURES IN THE SCHOOLS OF THE MUNICIPALITY OF JATAÍ - GOIÁS

Simone Duarte Ramalho da SILVA Juliana Teodora de Assis REGES

RESUMO: As doenças transmitidas por alimentos ocorrem devidos a técnicas inadequadas durante o processamento dos alimentos envolvendo microrganismos patogênicos e produtos tóxicos. A adoção de medidas e aplicação das ferramentas da gestão da qualidade proporciona garantir as condições higiênico-sanitárias necessárias à manipulação dos alimentos. Destacando a importância de implementar os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP’s) com vista nos equipamentos, utensílios e manipuladores proporcionando base técnica à garantir qualidade e segurança. Sendo objetivo de este trabalho garantir através dos POP’s à correção e adequação as condições higiênico-sanitárias nas salas de preparo das escolas visando melhoria da qualidade dos alimentos e a saúde dos alunos da rede pública de ensino Jataí-GO. Proporcionando treinamento e capacitação aos responsáveis e colaboradores a importância de padronizar as atividades rotineiras nos procedimentos de higienização dos equipamentos, utensílios e manipulação das mãos. Todos os procedimentos devem ser documentados e arquivados para quando solicitados estejam disponíveis ás autoridades sanitárias de ambas as esferas públicas. Palavras-chave: Higiênico-Sanitárias; Gestão da Qualidade; Microrganismos patogênicos

ABSTRACT: Foodborne diseases occur due to inadequate techniques during processing of foods involving pathogenic microorganisms and toxic products. The adoption of measures and application of the tools of quality management provides to guarantee the hygienic-sanitary conditions necessary for the manipulation of the food. Emphasizing the importance of implementing the Standard Operational Procedures (POPs) with regard to equipment, utensils and manipulators providing technical basis to guarantee quality and safety. The purpose of this work is to ensure, through the POP's, the correctness and adequacy of the hygienic- sanitary conditions in the preparation rooms of the schools aiming at improving the quality of food and the health of the students of the Jataí-GO public school system. Providing training and qualification to the responsible and collaborators the importance of standardizing the routine activities in the procedures of hygiene of the equipment, utensils and manipulation of the hands. All procedures should be documented and archived when requested to be available to the health authorities of both public spheres.) Keywords: Hygienic-Sanitary; Quality management; Pathogenic microorganisms.

INTRODUÇÃO

É fundamental garantir o controle de qualidade dos alimentos desde a hora que eles saem da

indústria até o preparo das refeições. Assim deve-se observar a qualidade da alimentação escolar no âmbito

nutricional, mas também quanto à inocuidade, ou seja, nos requisitos higiênico-sanitárias, pois, boa parte das

doenças transmitidas por alimentos pode ser amenizada através da utilização de Ferramentas da Qualidade em

sua cadeia de produção alimentar. A organização Mundial de Saúde (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE

SAÚDE, 2006) define Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) como uma enfermidade de natureza

infecciosa ou tóxica, causada por agentes que entram em contato com o organismo através da ingestão de

alimentos contaminados.

Portanto a importância em garantir a segurança alimentar antes e após o processamento. A refeição

produzida nas Unidades de Alimentação e Nutrição escolares devem atender às necessidades nutricionais dos

alunos, oferecendo-lhe produtos adequados sob aspectos sensorial e nutricional, mas, sobretudo, produtos

seguros quanto à condição higiênica sanitária para a proteção e promoção da saúde dos beneficiários

(CARDOSO et al.,2010). A degradação dos alimentos ocorre por meio de microrganismos patogênicos, que

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utilizam esses alimentos como fonte de nutrientes e por agentes físico e químico presentes em equipamentos,

utensílios e agentes químicos. Adoção do Manual de Boas Práticas de Fabricação nas unidades de ensino do município de Jataí é uma ferramenta importante para se obter um produto livres de contaminação. Pois através da aplicação da Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos/Industrializadores RDC 275/2002 da ANVISA, que permitir avaliar às condições higiênico-sanitárias através dos dados coletados que resultam em itens conformes e não conformes. Por meio destes dados monta-se um plano de ação para correção e adequação visando melhoria da qualidade dos alimentos e a saúde dos alunos da rede pública de ensino.

A Divisão de Higiene e Alimentação Escolar é um departamento que está sob a supervisão da

Secretária de Educação em conjunto com a merenda, ambas com a finalidade de gerenciar e monitorar a aplicação dos recursos destinados à alimentação escolar que é repassado ao município por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cuja finalidade é oferecer refeições a pré-escolares e escolares das redes públicas de ensino, de forma ajudar à complementar as necessidades nutricionais, favorecendo bons hábitos alimentares, motivando o aprendizado e a evasão escolar. De acordo com a lei n° 11.147, de 16 de junho de 2009:

Art. 3. A alimentação escolar é direito dos alunos da educação básica pública a dever do estado e será promovida e incentivada com vistas no atendimento das diretrizes estabelecidas nesta Lei. Art. 4. O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE tem por objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentar saudável dos alunos, por meio da ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as necessidades nutricionais durante o período letivo (BRASIL, 2009).

A aplicação desses recursos começa na compra de gêneros alimentícios através da divulgação de

atos da administração pública, como a chamada pública e licitação, processos utilizados para aquisição de merenda escolar. Sendo o departamento de Divisão de Higiene e Alimentação Escolar (DHAE), responsável pela recepção, armazenamento e distribuição dos gêneros alimentícios para os pré-escolares e escolares e entidades filantrópicas. Objetivo deste trabalho é propor aplicação de Procedimentos Operacional Padronizado (POP’s), cuja finalidade é oferecer informações que ajudem a padronizar e documentar as atividades rotineiras realizadas pelos colaboradores que atuam diretamente no preparo e distribuição das refeições oferecidas aos alunos da rede de ensino público no município de Jataí no estado de Goiás.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi desenvolvido nas Escolas Municipais de Jataí, no Estado de Goiás durante o período

de estágio I e estágio II com a duração de um ano, cuja disciplina de Legislação Industrial e Higiene e

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referências bibliográficas sobre Boas Práticas de Fabricação contribuíram de forma relevante para o aprimoramento da pesquisa durante o curso de Tecnologia em Alimentos na Universidade Estadual de Goiás – Câmpus Jataí. O estudo foi conduzido nas escolas das redes pública de ensino, distribuídos em centro municipal de Educação Infantil (CMEI), ensino fundamental e filantrópico, onde a alimentação escolar é preparada e distribuída, a fim de averiguar as condições higiênicas – sanitárias do local de preparação das refeições e o nível de capacitação das merendeiras. Na primeira etapa foi aplicada a lista de verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos (adaptada da resolução da ANVISA RDC 275 de 21 de outubro de 2016). Nas sessões de Equipamentos, Móveis e Utensílios e Manipuladores com objetivo de adequar o que não estava dentro das conformidades conforme instruções das legislações vigentes. Na segunda etapa, foram avaliados 4 itens, abrangendo Higienização de instalações, equipamentos e móveis, Controle integrado de vetores e pragas urbanas, Higienização do reservatório, Higiene e saúde dos manipuladores fazendo-se necessário aplicação de um plano de ação. Os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP’s), procedimentos escritos de uma forma simples com uma linguagem clara que instrui os colaboradores a realização procedimentos de rotina, por meio de documentos (adaptada da resolução da ANVISA RDC 216 de 15 de setembro de 2004) que regulamenta o técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados apresentados na primeira etapa foram insatisfatórios com vários itens que não estão conforme instruções das legislações vigentes, para garantir a qualidade e segurança sanitária em serviços de alimentação. Considerando a necessidade da elaboração dos Procedimentos Operacional Padronizado que objetiva monitorar, verificar, corrigir e prevenir através de ações padronizadas as atividades rotineiras realizadas pelos funcionários que trabalham diretamente com produtos do gênero alimentício. Visando capacitação e correção dos itens não conformes observa-se a necessidade de adoção de princípios que atenderão aos requisitos sanitários estabelecidos pela ANVISA e Vigilância sanitária. Conforme descrito na RDC 216/2004 (BRASIL, 2004), implementar POP nos itens relacionados nas tabelas 1 a 3.

Tabela 1. (Higienização das instalações, equipamentos e móveis)

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DA GELADEIRA

Objetivo: Higienizar corretamente o equipamento a fim de evitar a contaminação dos alimentos

Execução da tarefa: Manipuladores de Alimentos

Material necessário: Esponja, Sabão, Pano, Caixa de isopor e Gelo.

Quando:

necessidade.

Semanalmente

ou

conforme

a

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32 Como: Retirar todo produto existente na geladeira e armazenar em uma caixa de isopor
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Como: Retirar todo produto existente na geladeira e armazenar em uma caixa de isopor contendo
gelo; Utilizar, primeiramente, esponja e sabão para limpeza interna e externa;
Passar um pano úmido para retirar o excesso de sabão existente.
Ação corretiva: Realizar atividade novamente, até que a geladeira esteja completamente limpa; Se
for necessário, capacitação de pessoal.

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DO FOGÃO

 

Objetivo: Higienizar corretamente o equipamento a fim de evitar danos e também a contaminação dos alimentos.

Execução da tarefa: Manipuladores de Alimentos

 

Material necessário: Esponja, Sabão, Pano, Caixa de isopor e Gelo.

Quando:

Semanalmente

ou

conforme

a

necessidade.

Como: Fazer higienização das mãos e colocar luvas; Retirar os resíduos com esponja ou fibraço; Aplicar o detergente com o auxílio de uma esponja ou fibraço; Retirar as peças removíveis e colocar de molho com detergente desencrustante, por 10 minutos; Enxaguar até a retirada completa do

detergente; Aplicar o desencrustante por toda área fixa do fogão, com o auxílio de um fibraço; Deixar agir por 10 minutos; Enxaguar até a retirada completa do produto; Ligar os queimadores para agilizar

a

secagem.

Ação corretiva: Realizar atividade novamente, até que o fogão esteja completamente limpo; Se for necessário, capacitação de pessoal.

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DE LIXEIRA

Objetivo: Evitar a atração de pragas, odores e contaminação do ambiente.

Execução da tarefa: Auxiliar de serviços gerais.

Material necessário: Esponja (exclusiva para este fim); Detergente; Álcool 70%; Saco de lixo.

Quando: Diariamente. Se for necessário, recolher o lixo mais de uma vez.

Como: Levar as lixeiras para o exterior da Unidade de Produção e retirar o lixo; Acondicioná-lo em container ou lugar próprio; Esfregar com esponja e detergente todas as suas partes; Enxaguar com água corrente; Secar naturalmente; Borrifar álcool 70% e deixar secar naturalmente; Encaixar o saco plástico na lixeira; Voltar a lixeira para os respectivos locais.

Ação corretiva: Realizar atividade novamente até que a lixeira esteja completamente limpa e o lixo no devido lugar; Se for necessário, capacitação do pessoal.

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DE UTENSÍLIOS

Objetivo: Higienizar corretamente os equipamentos a fim de evitar a contaminação dos alimentos.

Execução da tarefa: Manipuladores.

Material necessário: Água; Detergente Neutro; Bucha; Álcool 70%.

Quando: Diariamente.

Como: Retirar as sujidades; Enxaguar o utensílio em água corrente; Esfregar com uma esponja com

detergente neutro até que toda a superfície esteja limpa; Enxaguar em água corrente, até retirar todo

resíduo de detergente; Colocar em recipiente limpo e higienizado; Borrifar álcool 70% e deixar secar naturalmente; Garantir a secagem completa antes de guardar os utensílios.

o

Ação corretiva: Realizar atividade novamente, até que os utensílios estejam completamente limpos; Se for necessário, capacitação do pessoal.

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DE TETO, PAREDES, PISO, PORTA

Objetivo: Evitar surgimento de pragas no ambiente assim como contaminação cruzada com os alimentos.

Execução da tarefa: Manipuladores.

Material necessário: Escada; Luvas; Rodo; Detergente neutro; Panos limpos; Solução

Quando: Mensalmente.

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33 desencrustanste; Água; Solução clorada a 200ppm Como: Operação deve ser realizada antes de qualquer
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desencrustanste;
Água;
Solução
clorada
a
200ppm
Como: Operação deve ser realizada antes de qualquer outra, respeitando sempre a ordem de cima
para baixo e do fundo para a porta; Colocar luvas; Limpar os cantos, com o auxílio de
uma escada,
removendo as teias de aranha ou outras sujeiras visíveis com um pano; Umedecer o local em solução
de detergente e esfregar com o auxílio do rodo e pano; Retirar as incrustações com produtos
específicos (desencrustantes); Enxaguar e retirar o excesso de água; Sanitizar com solução clorada
200ppm.
Ação corretiva: Realizar atividade novamente até que as superfícies estejam limpas;
- Se for necessário, capacitação do pessoal.

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENIZAÇÃO DE LIQUIDIFICADORES OU OUTROS EQUIPAMENTOS DESMONTÁVEIS

Objetivo: Higienizar corretamente o equipamento a fim de evitar a contaminação dos alimentos.

Execução da tarefa: Manipuladores de alimentos

 

Material

necessário:

Esponja;

Detergente;

Quando: Conforme a necessidade.

Desinfetante.

 

Como: Retire os resíduos sólidos; Lave com água e detergente; Enxágue; Desinfete (com água quente por 15 minutos ou pelo uso de desinfetantes apropriados); Deixe secar naturalmente.

Ação corretiva: Realizar atividade novamente, até que o equipamento esteja completamente limpo; Se for necessário, capacitação de pessoal.

Tabela 2. (Controle Integrados de Vetores e Pragas Urbanas)

Procedimento Operacional Padronizado: CONTROLE INTEGRADOS DE VETORES E PRAGAS URBANAS

Objetivo: Evitar contaminação por meio desses agentes.

Execução da tarefa: Empresas contratadas para realizar o trabalho.

Material necessário: Escada; Produto químico especifica da empresa contratada; Luvas e máscaras de proteção.

Quando: Mensalmente.

Como: Retirada de material em desuso nas áreas externas; Cuidados com a poda de canteiros e gramados; Vedação de buracos, frestas, vãos, nas paredes e calçamento; Fechamento automático das portas externas; Uso de lixeiras movidas a pedal; Faça a limpeza das instalações, utensílios e equipamentos adequadamente e no período necessário.

Ação corretiva: Realizar atividade novamente até que as superfícies estejam limpas; Se for necessário, capacitação do pessoal.

Tabela 3. (Higiene e Saúde dos Manipuladores)

Procedimento Operacional Padronizado: HIGIENE E SAÚDE DOS MANIPULADORES

Objetivo: Descrever os procedimentos relacionados com higiene e saúde dos colaboradores envolvidos com a manipulação de alimentos, direta ou indiretamente.

Execução da tarefa: Manipuladores

Material necessário Higienização das Mãos:

Quando: Ao entrar na área de manipulação; Em toda a troca de tarefa; Ao espirrar, tossir, coçar a cabeça ou o corpo; Sempre que necessário.

Água; Sabão bactericida; Papel toalha descartável; Álcool em gel.

Como: Abrir a torneira e molhar as mãos, evitando encostar-se à pia; Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de sabão para cobrir todas as superfícies das mãos; Ensaboar as palmas das mãos, friccionando-as entre si; Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda entrelaçando os dedos e vice-versa. Garantir que os espaços entre os dedos também sejam esfregados; Colocar as pontas dos dedos da mão esquerda contra a palma da mão direita, fechada em concha, fazendo movimento circular e vice-versa; Esfregar o polegar direito, com o auxílio da palma da mão esquerda, em movimento circulares e vice-versa; Esfregar o punho esquerdo, com o auxílio da palma da mão direita, utilizando movimento circular e vice-versa; Enxaguar as mãos, retirando os resíduos

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34 papel-toalha
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papel-toalha

de sabão. Evitar contato direto das mãos ensaboadas com a torneira; Secar as mãos com

descartável, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos. Desprezar o papel-toalha na lixeira para

resíduos comuns; Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de álcool para cobrir todas as superfícies das mãos e deixar secar naturalmente.

Cuidados Especiais: Não se esquecer de retirar anéis e alianças; Lavar as mãos a cada troca de tarefa; Utilizar a pia específica para lavagem de mãos para este fim.

Ação corretiva: Realizar atividade novamente; Se for necessário, capacitação do pessoal.

CONCLUSÃO

Diante disso, padronizar as atividades rotineiras dos serviços de alimentação poderá reduzir os

riscos de contaminação. Uma vez que, responsáveis e colaboradores estão cientes da importância de prevenção

e controle, por meio, dos Procedimentos Operacionais Padronizados reduzindo falhas e desperdícios

garantindo a segurança do alimento.

É fundamental que os POP’s sejam adotados pelos colaborados envolvidos direto ou indiretamente

nas salas de preparo das refeições servidas aos alunos matriculados nas escolas municipais de Jataí – Goiás.

Garantindo as condições higiênico-sanitárias necessárias à produção de alimentos durante o processo, desde

o preparo até o consumo, favorecendo proteção e promoção à saúde dos beneficiários.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n° 216 de setembro de 2004. Dispõe sobre o regulamento técnico de Boas Práticas para Serviço de Alimentação.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n°275 de 21 de outubro

de 2002. Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos

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AVALIAÇÃO DAS NORMAS DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO (BPF) EM UM ESTABELECIMENTO ALIMENTÍCIO NO MUNICÍPIO DE JATAÍ-GO

APPRECIATION OF GOOD MANUFACTURING PRACTICES (GMP) STANDARDS IN A NON- MUNICIPAL FOOD ESTABLISHMENT OF JATAÍ-GO

Warley Rhuan Vieira TAVARES Juliana Teodora de Assis REGES

RESUMO: A legislação estabelece que Boas Práticas de Fabricação (BPF), definidos como procedimentos que garantem a segurança dos produtos comercializados ou produzidos/industrializados adequando-os aos padrões da legislação sanitária são de caráter obrigatório aos estabelecimentos alimentícios ou afins. Este trabalho teve por objetivo avaliar as BPF de um estabelecimento através de adoção de um check list que foram aplicados antes do levantamento situacional e depois da orientação das inconformidades. Um total de 131 questões foram aplicados, no primeiro momento 64% das questões estavam em desacordo com as BPF e 36% estavam dentro dos padrões normais e após a orientação das divergências, 62% permaneciam em desacordo com a legislação vigente e 38% estavam dentro dos padrões normais. Isso indica que a melhora gradativa do estabelecimento está relacionada com a necessidade de aperfeiçoamento constante, a presença de mão de obra qualificada para garantir a qualificação profissional dos manipuladores e, consequentemente, a qualidade dos alimentos e a segurança alimentar dos consumidores. Palavras-chave: Processamento de alimentos; Qualidade sanitária; Boas maneiras de fabricação.

ABSTRACT: The legislation establishes that Good Manufacturing Practices (GMP), defined as procedures that ensure the safety of marketed or manufactured products conforming to the standards of health legislation, are mandatory for food establishments or similar. The objective of this study was to evaluate the GMP of an establishment through the adoption of a checklist that was applied before the situational survey and after the orientation of the nonconformities. A total of 131 questions were applied, at first 64% of the issues were in disagreement with GMP and 36% were within normal standards and after divergence orientation, 62% were in disagreement with current legislation and 38% were in a normal standard. This indicates that the gradual improvement of the establishment is related to the need for constant improvement, the presence of skilled labor to guarantee the professional qualification of the manipulators and, consequently, the quality of the food and the food safety of the consumers.

Keywords: Food processing; Health quality; Good manufacturing ways.

INTRODUÇÃO

De acordo como Miranda (2011) às normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) estabelecidas

por legislação, além de ser um dever de todo estabelecimento alimentício ou de áreas afins junto aos órgãos

legisladores, também é uma obrigação no que diz respeito ao consumidor. As BPF devem ser algo que todos

devem adotar, mesmo antes de se iniciar a manipulação e o processamento dos alimentos e este processo se

inicia ao recebimento e acondicionamento da matéria prima para obter um alimento seguro e próprio para o

consumo.

Conforme Resolução da diretoria colegiada (RDC) N° 216 de setembro de 2004 da Agência

Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a definição de BPF são um conjunto de procedimentos que devem

ser adotados por estabelecimentos alimentícios com a finalidade de garantir a segurança dos produtos

comercializados ou produzidos/industrializados adequando-os aos padrões da legislação sanitária. Em outros

termos, BPF é o conjunto de Procedimentos fundamentais para a garantia da qualidade dos alimentos

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36 e documentado que
36
e documentado que

oferecidos aos consumidores, nesse caso todo estabelecimento que comercialize ou processe alimentos precisa

estar dentro dos parâmetros destes procedimentos. De acordo com Machado (2000) as BPF consistem em um sistema integrado

tem por finalidade diminuir os riscos de contaminação microbiológica, física ou química nos alimentos. Dentre as normas básicas de BPF tem-se os procedimentos de desinfecção de equipamentos e utensílios utilizados na manipulação de alimentos, a limpeza do ambiente de manipulação e arredores, o controle integrado de pragas urbanas, a assepsia dos manipuladores e o registro de todos os procedimentos adotadas pela empresa alimentícias, dentre os demais procedimentos regulamentados por legislação tais como Portaria N°368 de 04 de setembro de 1997 do Ministério da Agricultura Pecuária e do Abastecimento (MAPA), que dispõe sobre Regulamento Técnico das Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de Alimentos, a RDC N° 216 de setembro de 2004 da ANVISA que dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, a normativa RDC N° 275 define (anexo I) os procedimentos operacionais padronizados (POP) e (anexo II) traz um check list de verificação das condições de BPF em estabelecimentos com a finalidade de firmar e estabelecer as normas de BPF. Todos critérios de BPF são importantes para indústrias do ramo alimentício assim como para qualquer outro estabelecimento, e dessa forma, devem ser aplicados obedecendo a legislação que os regulamenta, é por se tratar de leis sua implantação é uma obrigação a todos os regulamentados pelas mesmas. Analisando a importância dos métodos de BPF para a segurança alimentar, este trabalho teve como objetivo averiguar utilizando um check list a presença ou não de inconformidades em um estabelecimento comercializador/processador de queijos do tipo frescal e maturado, apresentando caso haja necessidades, sugestões para melhorar as BPF no estabelecimento e em um segundo momento aplicar novamente o check list fazendo uma comparação com o primeiro analisando o que foi melhorado e os pontos positivos do estabelecimento utilizando como base as legislações regulamentadoras.

MATERIAL E MÉTODOS

A averiguação das BPF no estabelecimento foi realizada seguindo o anexo II da normativa RDC N° 275 de 21 de outubro de 2002 da ANVISA que traz uma lista de verificações podendo classificá-lo em grupos utilizando como critério as prioridades e estratégias para uma possível intervenção. A classificação dos estabelecimentos precede da seguinte forma, grupo I de 76 a 100% de atendimento satisfatório dos itens no check-list, grupo II de 51 a 75% atendimento satisfatório dos itens no check-list e grupo III de 0 a 50% atendimento satisfatório dos itens no check list. E este panorama classificatório é utilizado como critério para definição e priorização das estratégias institucionais de intervenção.

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37
37

Após uma análise do estabelecimento foi elaborado um plano de ação com a intenção de melhorar as condições higiênico sanitária do estabelecimento. Os resultados do check list aplicado, foi analisado segundo o método de comparação de conformidades e não conforme os pontos de não conformidades e foram listados no plano de ação para serem melhorados.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

O estabelecimento Produtor/comercializador de alimentos avaliado processa e comercializa

produtos destinados à alimentação humana, as observações das atividades desenvolvidas no estabelecimento, e conversas diretas com o proprietário que por sua vez é o responsável por todas as atividades desenvolvidas,

nos possibilitou verificar os níveis de conhecimento do mesmo em relação às legislações que regia seu estabelecimento.

No local havia comercialização de queijos dos tipos frescal, maturado e ralado, manteiga de porco,

leite, mel, doce de leite, queijada, peixes congelados, conservas de pimentas, pães de queijos industrializados.

Como não havia produção sendo somente processamento o queijo era ralado e em seguida, embalado em quantidades específicas sendo vendido por quilos, onde as observações foram mais focadas, nas condições estruturais do estabelecimento, à disposição dos produtos comercializados, armazenamento dos mesmo e condições do local de processamento do queijo maturado. Para obtenção das condições legislativas do local realizou-se a aplicação do check list contido no anexo II da RDC 275, utilizando para avaliação apenas itens pertinentes a realidade do estabelecimento avaliado, o mesmo foi aplicado sem que houvesse comunicação prévia ao proprietário para que pudesse classificar sem alterações as condições reais do estabelecimento. Os dados coletados serviram como base para estudo em comparação às exigências da legislação, facilitando a elaboração do plano de ação sugestiva. O plano de ação foi criado com intuito de orientar o proprietário sobre as mudanças necessárias ou apenas optimização do processo, respaldando-se em algumas legislações específicas para cada ação a ser tomada.

Foram realizados dois check list em datas distintas sendo o primeiro realizado em Maio de 2016 onde foram analisados 131 (cento e trinta e um) itens aplicáveis a realidade do estabelecimento, dentre esses foram encontradas 47 (quarenta e sete) conformidades nas atividades exercidas no estabelecimento e 84 (oitenta e quatro) não conformidades. Utilizando o método matemático da regra de três estabeleceu-se em termos de percentual 36% de conformidades e 64% não conformidades como observamos no Gráfico 1 abaixo.

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38 Gráfico 1- Percentual de conformidades do primeiro check list Fonte: Elaborado pelo autor. A
38
38

Gráfico 1- Percentual de conformidades do primeiro check list Fonte: Elaborado pelo autor.

A partir da aplicação do check list notou-se que seria necessária uma adequação para melhorar as

condições do estabelecimento e dos produtos oferecidos pela empresa em questão, não somente para atender

aos requisitos estipulados por lei, mas para oferecer aos seus clientes um melhor produto com qualidade e

segurança dirimindo-os de possíveis risco a saúde do consumidor.

Implantar as sugestões apresentadas na tabela de ação sugestiva irá trazer maior qualidade ao

estabelecimento assim como aos produtos oferecidos pelo mesmo, deste modo é essencial que não somente

sejam implantadas as sugestões mais que haja uma evolução contínua no que se diz respeito às condições de

BPF, colocando o comércio como um todo, na classificação de alta segurança e provido de boa qualidade dos

produtos por ele oferecido, minimizando em alta escala o risco de desenvolvimento de micro-organismos

patogênicos, grande responsáveis por internações e gastos hospitalares da população.

Seguindo esse raciocínio foi sugerido um plano de ação (Tabela 1), aonde foi apresentado ao

proprietário as especificações para melhorar o seu estabelecimento.

Tabela 1. Plano de Ação do estabelecimento

O produto que será analisado

 

O que fazer para a adequação ou melhorar

Legislação de

Como está

 

referência

     

Sistema

de

Versões

Concorrentes (CVS)

Piso interno de superfície de fácil limpeza. Apresenta acumulo de sujidades encrostadas.

Nº 6 de 10 de março

de

1999.

Piso Interno

PORTARIA Nº 326

Fazer limpeza

com

maior

DE

30

DE

JULHO

frequência, afim de eliminar

DE

1997

da

 

quaisquer sujidades que se acumulem ao piso

Secretaria

de

Vigilância

Sanitária

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39 do Ministério da Saúde Sistema de Versões Concorrentes (CVS) Nº 6 de 10 de
39
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
1999.
PORTARIA Nº 326
Teto
Teto forrado a madeira,
apresenta falhas no forro
como; rachaduras,
quebrados e mal encaixe
das partes.
de
Troca do forro interno ou reparo
das imperfeiçoes existentes.
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
Há um banheiro, mas não
contem sabonete líquido
antisséptico, papel toalha,
torneira de acionamento
automático, lixeiras a
pedal ou porta automática
de
1999.
Instalação de sabonete antisséptico,
papeis toalha, lixeiras a pedal, além
de mudanças na área do banheiro
tais como troca da pia.
PORTARIA Nº 326
Banheiro
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
de
1999.
Lixeiras
Lixeiras sem tampas, e
quantidades insuficientes
Implementação de lixeiras com
tampas e em locais mais indicados
como na área de manipulação,
vendas e banheiro.
PORTARIA Nº 326
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
de
1999.
PORTARIA Nº 326
Pias
Pia do banheiro plástica e
em más condições e pia
da segunda sala de inox
bem conservada.
Troca da pia do banheiro, por uma
de outro material como inox e
mármore
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde

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40 Sistema de Versões Instalação de armário em local afastado as matérias primas e Concorrentes
40
Sistema de Versões
Instalação de armário em local
afastado as matérias primas e
Concorrentes (CVS)
Nº 6 de 10 de março
Produtos de limpeza não
apropriados para
estabelecimento
alimentício por conter
cheiros e armazenado
junto a alimentos.
produto final
para
de
1999.
acondicionamento de produtos de
limpeza e adoção de produtos
específicos para higienização de
estabelecimento alimentício tais
como detergentes neutros para
limpeza e água sanitária para
desinfecção.
PORTARIA Nº 326
Produtos
químicos
DE
30
DE
JULHO
de limpeza
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
de
Acondicionamento
de matéria prima e
produto final
Matéria prima
acondicionada em
prateleiras sem proteção
de telas e matéria prima
em bacias colocadas no
chão.
Implementação de telas sobre as
prateleiras expositoras dos queijos
maturados e armazenamento dos
produtos a serem processados em
recipientes tampados e locais
adequados como prateleiras ou
mesas.
1999.
PORTARIA Nº 326
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
Proteção das janelas existente com
telas mosquiteiros, afim de impedir
que pragas ou sujidades que
possam a vir contaminar o alimento
sejam diminuídas.
de
1999.
Janelas com acesso à rua
e sem proteção de telas
PORTARIA Nº 326
Janelas
DE
30
DE
JULHO
contra
insetos ou
DE
1997
da
sujidades.
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Implementação de borrachas no
inferior das portas para impedir a
entrada de pragas urbanas e molas
para fechamento automático afim
de garantir que o manipulador não
precise entrar em contato com a
porta evitando contaminação e
entrada de pragas.
Nº 6 de 10 de março
Portas
da
sala
de
de
1999.
processamento
e
PORTARIA Nº 326
Portas
banheiros metálicas sem
proteção na parte inferior
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
ou
molas
para
Secretaria
de
fechamento automático.
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
Cobertura das paredes com
material que permita limpeza tais
como; tintas laváveis, cerâmicas ou
azulejos. Correção das
imperfeiçoes apresentadas afim de
evitar contaminação dos alimentos.
de
1999.
Paredes de cor clara, sem
superfície antiaderente
com imperfeições e
sujidades.
PORTARIA Nº 326
Paredes internas
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde

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41 Sistema de Versões Concorrentes (CVS) Nº 6 de 10 de março Revestimento das lâmpadas
41
Sistema de Versões
Concorrentes (CVS)
Nº 6 de 10 de março
Revestimento das lâmpadas com
proteção que impeçam que
estilhaços das lâmpadas caso
estourem venham a contaminar os
alimentos processados ou
vendidos.
de
1999.
PORTARIA Nº 326
Iluminação
Lâmpadas sem proteção
adequada.
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Agência Nacional de
Procedimentos
Operacionais
Padronizados (POP)
Não há a existência de
POP
Criação e implementação de POP,
afim de padronizar os processos do
estabelecimento de acordos com as
normativas além de documentar os
procedimentos como determina a
legislação.
Vigilância Sanitária,
Resolução RDC nº
275,21 de outubro de
2002
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
de
1999.
Saúde
dos
Não
existência
de
envolvidos
no
registros
de
exames
processamento
periódicos
Realização de exames periódicos e
arquivamento dos mesmos para
eventual consulta
PORTARIA Nº 326
DE
30
DE
JULHO
DE
1997
da
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde
Sistema
de
Versões
Concorrentes
(CVS)
Nº 6 de 10 de março
de
1999.
Não
existência
de
PORTARIA Nº 326
Controle
de
pragas
registro de dedetização do
DE
30
DE
JULHO
urbanas
estabelecimento.
DE
1997
da
Realização de dedetização por
empresas certificadas e
arquivamento dos registros para
eventual consulta
Secretaria
de
Vigilância
Sanitária
do
Ministério
da
Saúde

Após um período de três messes foi aplicado um novo check list analisando os mesmos 131 (cento

e trinta e um) itens aplicáveis a realidade do estabelecimento, dentre esses foram encontradas 50 (cinquenta)

conformidades nas atividades exercidas no estabelecimento e 81 (oitenta e um) não conformidades.

Utilizando o método matemático da regra de três, estabeleceu-se em termos de percentual 38% de

conformidades e 62% não conformidades (Gráfico 2), classificando o estabelecimento de acordo com os

critérios do check list, pertencente ao grupo 3, indicando uma priorização nas estratégias institucionais de

intervenção na qualificação.

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42 Gráfico 2: Percentual de conformidades do segundo check list Fonte: Elaborado pelo autor. Contudo,
42
42

Gráfico 2: Percentual de conformidades do segundo check list Fonte: Elaborado pelo autor.

Contudo, as normas de BPF são essenciais para melhorar o processo no estabelecimento, já que as mesmas são de fundamental importância para qualidade dos produtos alimentícios tendo assim uma maior garantia que o produto final possa ser comercializado livre de qualquer contaminação tendo em vista a saúde do consumidor final. Com a aplicação do plano de ação observou-se uma melhora pontual nas condições em relação a legislação vigente, e observou-se que as mudanças são necessárias pela melhoria da qualidade dos produtos. Todos os estabelecimentos sejam eles produtores, industrializadores ou comercializadores precisam ter como principal base as normas de BPF, e somente assim é possível produzir alimentos seguros, destacando aqui o papel de todo gestor da qualidade para garantir que os produtos estejam seguros aos seus consumidores.

CONCLUSÕES

Como resultado da pesquisa desenvolvida no estabelecimento, foram destacadas como pontos a serem corrigidos a precariedade da condição da instalação higiênico sanitário que por hora encontrava-se inadequado e a urgência da aplicação e/ou adoção de Boas Práticas de Fabricação para posteriormente oferecer aos consumidores qualidades e segurança no consumo dos produtos oferecidos. Após o processo de reaplicação do check list, é de notória interpretação que o estabelecimento teve uma ínfima melhora em sua qualidade depois da aplicação do plano de ação, destacando que o processo de aperfeiçoamento e melhora na qualidade é gradativa e é de suma importância a conscientização do proprietário/manipulador que o produto oferecido está diretamente ligado com o desenvolvimento obrigatório das boas práticas que regem o estabelecimento comercial. Com a orientação necessária pudemos perceber que há uma forma de melhorar o processo e produzir qualitativamente o produto oferecido, portanto é importante que no estabelecimentos, hajam, mãos

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de obra qualificada, com formação técnica, tendo conhecimento dos procedimentos, e domínio da legislação

para que sejam feitas as possíveis orientações para o responsável pelo estabelecimento, com a intenção de

diminuir o risco de contaminação aos alimentos, manter um padrão de qualidade nos produtos oferecidos e

que possa ter uma melhora no processo muitas vezes até minimizando perdas e maximizando qualidade.

REFERÊNCIAS

ANVISA – (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), RDC nº 216, 15 de setembro de 2004;

ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Resolução RDC nº 275,21 de outubro de 2002.

MACHADO, R. L. P. Boas práticas de armazenagem na indústria de alimentos. Rio de Janeiro: Embrapa Agroindústria de Alimentos, 2000. 28p. (Embrapa Agroindústria de Alimentos. Documentos, 42).

MAPA - Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Portaria N°368, 04 de setembro de 1997.

MIRANDA A. C. B. BAIÃO R. C. L. AVALIAÇÃO DAS BOAS PRÁTICAS NA FABRICAÇÃO DE PREPARAÇÕES À BASE DE PESCADOS CRUS EM RESTAURANTE JAPONÊS Vitóriada Conquista v.3, nº.1 p.52-61, 2011 Acesso em http://200.223.150.195/revista/index.php/memorias/article/view/82/85.

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, PORTARIA Nº 326, DE 30

DE JULHO DE 1997.

VIGILÂNCIA SANITÁRIA DA SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE, Portaria CVS n°6, de 10 de março de 1999, disponível em: <http://www.drsergio.com.br/Alimentos/anvisa.html> acessado em 10 de junho de 2016.

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: FORMAÇÃO- INFORMAÇÃO – CARÁTER

PUBLIC ADMINISTRATION: FORMATION- INFORMATION - CHARACTER

Ana Clara Pereira Assis Alves ALMEIDA.

RESUMO: Este trabalho apresenta os principais requisitos para uma boa Administração Pública à luz do Direito Administrativo e dos valores inerentes ao homem de bem. As ideias aqui apresentadas fundamentam-se em recortes da legislação pertinente, na postura de gestores públicos no contexto atual e em entrevistas com cidadãos administrados por estes gestores e outros de outros segmentos. Os dados recolhidos foram analisados de acordo com o que preceitua a Carta Magna e as demais leis correlatas. Objetivou-se apresentar os mecanismos legais e morais que o gestor público tem para amparar seus atos e apresentou-se ainda a importância de modificar paradigmas e exigir formação educacional para os cidadãos que pleiteiam o exercício da gestão pública. Face ao resultado exposto, considera-se relevante a criação de leis dispondo sobre o nível de escolaridade dos candidatos a cargos públicos exigindo destes habilitação na área em que vão atuar, assim como acontece nas demais profissões. Exige-se do médico, do pedagogo, do engenheiro, do odontólogo, do advogado, do administrador e de outros tantos profissionais que tenham formação acadêmica, especialização, mestrado, doutorado, constante atualização. Entende-se, então, que a formação educacional específica, aliada à formação moral contribui sobremaneira para a melhoria da qualidade da gestão pública no Brasil. PALAVRAS-CHAVE: administração, pública, legislação, formação do administrador.

ABSTRACT: IThis paper presents the main requirements for a good Public Administration in the light of Administrative Law and the values inherent to the good man. The ideas presented here are based on cuts in the relevant legislation, on the position of public managers in the current context and on interviews with citizens administered by these managers and others from other segments. The data collected were analyzed according to the provisions of the Magna Carta and other related laws. The objective was to present the legal and moral mechanisms that the public manager has to support their actions and also presented the importance of modifying paradigms and require educational training for citizens who claim the exercise of public management. Given the above, it is considered relevant to create laws on the level of education of candidates for public office requiring these qualifications in the area in which they will act, as in other professions. The doctor, the pedagogue, the engineer, the dentist, the lawyer, the administrator and so many professionals with academic training, specialization, master's degree, doctorate, constant updating are required. It is understood, then, that the specific educational formation, allied to the moral formation contributes greatly to the improvement of the quality of the public management in Brazil. KEYWORDS: administration, public, legislation, administrator training.

INTRODUÇÃO

Não é segredo para ninguém que o Brasil atravessa um dos piores momentos de sua história

política. Também não é segredo que o povo brasileiro é o retrato da insatisfação e do sofrimento.

A corrupção assola e assalta o país à luz do dia. O povo brasileiro traído e ultrajado nos seus

direitos e, além disso, sentindo-se totalmente desprotegido, uma vez que aqueles que deveriam zelar pelo bem

comum o fazem em benefício próprio ao locupletar a riqueza que não lhe é de direito.

E a pergunta incessante que também avassala as mentes e as falas indignadas dos que são

expropriados de bens materiais e de um bem muito maior que é a dignidade, é esta: E as leis? Isso tudo vai ficar na impunidade? Como barrar tanta falta de respeito, tanta imoralidade? Caminhos existem. E são estes caminhos que o presente artigo resolver percorrer ao analisar as leis existentes e ao propor a criação de novas leis que coíbam tamanha iniquidade no mundo político da gestão pública.

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REFERENCIAL TEÓRICO

Ao observarmos a história da formação das sociedades humanas percebemos claramente que, desde os primórdios, existiu uma certa administração nos grupos com organização de regras, estabelecimento de hierarquia, detenção de poder por parte de uma liderança.

A organização que existe hoje nas cidades distribuídas entre os poderes Executivo, Legislativo e

Judiciário, vem, de longo tempo, se aprimorando, evoluindo para que com isso tenhamos condições de vida

melhores em todos os aspectos necessários.

E é neste contexto que voltamos o foco para o Direito Administrativo e apontamos áreas deste

campo de estudo imprescindíveis à boa Administração Pública.

O direito administrativo, segundo MEIRELLES (2016), grande estudioso das leis, “é o conjunto

harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas, tendentes a realizar

concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”.

De acordo com o pensamento de Gasparini (2012, p.20), o direto administrativo é uma porção do direito público e vai além dos textos das leis englobando também os princípios jurídicos. Ao longo de nossas reflexões entendemos também que o Direito Administrativo realmente não está desvinculado do Direito Geral como um todo. Tem ligação explícita com o Direito Constitucional e outros tantos, uma vez que, seu conjunto de exigências e normativas conjuminam para tal. Por exemplo, ao disciplinarem a relação e o relacionamento da administração pública com os administrados.

O artigo 37 da Constituição da República Federativa do Brasil aponta-nos que a administração

pública direta e indireta de qualquer dos poderes de todos os entes que constituem a federação obedecerão aos

princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Para que o nosso objetivo seja alcançado e que as ideias que aqui discorremos estejam em perfeita transparência e sintonia falaremos sobre estes princípios. O princípio da legalidade traz a soberania da Lei. Nenhuma ação administrativa pode, em momento algum, desvincular-se da Lei. Deve, pois, o gestor público, pautar e realizar todos os seus atos subordinados à Lei. Lembrando bem que poderá fazer somente o que a lei permite e autoriza. Se assim não

proceder será responsabilizado civil e criminalmente pelo ato, bem como poderá ter a invalidação do mesmo.

A atividade administrativa tem que ser realizada para todos os administrados. Deve ser sempre

voltada para a coletividade e não para a individualidade de uma pessoa, ou um grupo. Essas são as exigências

do princípio da impessoalidade que defende os interesses coletivos sem distinção e discriminação. Jamais o gestor público poderá realizar suas ações beneficiando um pequeno grupo em detrimento dos reais interesses e necessidades da coletividade.

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moralidade, qualidade que, indubitavelmente, deveria ser parte integrante de todos os seres

humanos também é destacada no elenco dos princípios administrativos.

princípio de moralidade reza que a administração pública deve ter regras de conduta que

regulamentam suas ações e, claro, seguir estas regras pautando-se na disciplina e no rigor. Diógenes Gasparini (2012) nos relembra, neste princípio, que nem tudo que é legal é moral. É

preciso sempre medir o bem coletivo realizando o que for melhor e de maior utilidade para a população. Outro princípio importante é o princípio da publicidade. Faz-se necessário lembrar que não se trata aqui da mera notícia ou propaganda. Vai muito além. Trata-se da transparência da gestão e da abertura para que a população saiba o que se passa. Este princípio nos esclarece que é obrigatória a divulgação dos atos oficiais realizados pela administração pública direta ou indireta. Só ficam resguardados desde princípios as ações que são dados secretos de segurança e de segredo de justiça. Neste princípio é determinado que os informes sejam vinculados em órgãos oficiais destinados à publicação dos atos da administração pública. Além disso, a Carta Magna no §1º do art. 37 deixa-nos bem claro que não é permitida a menção de nomes, símbolos ou imagens que caracterizam a promoção de quaisquer que sejam os componentes da administração pública.

A administração pública tem ainda, em sua prática, a regência do princípio da finalidade que,

como o próprio vocábulo expressa, tem a administração que voltar seus atos para o fim exclusivo de atender aos interesses públicos e nunca a fim de satisfazer interesses privados. Finalidade administrativa que atenda ao interesse de toda a sociedade, interesse realmente público, do todo social. Até o presente momento percebemos que instruções, orientações e embasamentos legais nesta e em outras áreas do Direito não faltam. Nos princípios administrativos temos, além dos que a Constituição Federal apresenta outros que são apresentados por juristas, pensadores da área e que são inerentes à gestão pública equilibrada e honesta para todos os cidadãos. Mas, diante de tantas boas orientações, indagamos: como vai a administração pública no Brasil? Vejamos os demais princípios e depois analisaremos a realidade que pode responder a este questionamento. Diógenes Gasparini (2012), no princípio da continuidade, nos diz que:

os serviços públicos não podem parar porque não param os anseios da coletividade. Os desejos dos administrados são contínuos. A atividade da administração pública é ininterrupta.

A

O

Não pairam quaisquer dúvidas. Os serviços públicos precisam funcionar regularmente de acordo cada qual com a sua natureza, sem hiatos, mesmo que mude o gestor.

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resguardar o direito

Pela consciência e clareza da estrutura e contexto social no qual vivemos é explícito que o que é

do outro, é do outro e o que é nosso, é nosso, não devendo, pois, nem um nem outro se apropriar dos pertences

alheios. Neste sentido, para coibir ações indesejadas e amparar as ações administrativas e

da coletividade temos o princípio da indisponibilidade. Este princípio alerta que os bens, direitos, interesses e serviços públicos não são privados. Portanto, claro, não estão a livre disposição dos órgãos públicos e dos agentes públicos. Órgãos e agentes públicos têm, além do dever, a obrigatoriedade de zelar e gerir o que é de domínio público e nunca usufruir para si ou para qualquer outro indivíduo visto que não são seus proprietários e sim, reiteramos, estão investidos da confiança pública de realizar a gestão com os interesses e as ações voltadas e aplicadas para os benefícios coletivos.

No princípio da autotutela a administração pública tem a obrigação de policiar o mérito e a legalidade dos atos administrativos que exerce. Caso haja alguma irregularidade tem a autonomia e o dever de retirar do ordenamento jurídico

o que for ilegítimo inoportuno, inconveniente. Fácil não caminhar por caminhos tortos, pois os princípios anteriores direcionam as ações administrativas para os padrões e rigores da lei e da moral com vistas, sempre, para os fins sociais. Novamente destacamos o interesse público e o interesse particular no princípio da supremacia do interesse público. Entre o público e o particular tem-se que prevalecer o interesse público. Ressaltamos que o interesse de um ou de um pequeno grupo não pode sobrepor em detrimento de interesse pessoal ao interesse de todos. E, para nada ficar a desejar no que objetivamos, vem ainda o princípio da igualdade, que explicita que todos os cidadãos são iguais perante a lei. Entende-se então que não existe nenhum tipo de distinção ou

discriminação dos mesmos cidadãos perante a administração pública, pelo contrário, têm o direito de receber

o mesmo tratamento de igualdade, isonomia e impessoalidade. Depois de analisarmos este recorte do Direito Administrativo não nos aparenta dificuldades para que o homem público faça uma boa administração. Seguindo as regras da lei e se deixando permear de corpo, alma e coração pelos princípios legais e morais, tudo corre bem. Nada além, nada aquém. Equilíbrio. Mas, voltemos à indagação que ainda há pouco anunciamos: Como vai a administração pública no Brasil? Inegavelmente não vai muito bem. A mídia nacional e internacional não nos deixa mentir, omitir ou minimizar a questão. Salvo raras exceções, aqui e acolá eclodem escândalos que chocam prejudicam e lesam o cidadão brasileiro, como nunca houve na história deste país.

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André Petry (2006) foi fiel ao discorrer sobre as ações da administração pública de âmbito federal com o título “A ironia da história”. Por que ironia da história? Concordemos com Petry. Porque é contradizente, e fora dos princípios que ora explanamos que, “o partido com fortes raízes populares elege o primeiro presidente saído das camadas mais populares e, para manter o governo em pé, precisa calar e desmoralizar uma testemunha do povo. Propinas, comissões, corrupções explícitas nos mostra Felipe Patury, e nos faz questionar a aplicabilidade da lei que existe para ser cumprida. Deputados, Ministros e outros representantes eleitos para governar pelo povo e para o povo, ferem cruelmente os princípios da administração pública ao se venderem para beneficiar compadres e comparsas. Ora, onde está a igualdade, a isonomia, a finalidade, a autotutela, a supremacia do interesse público? Não exercem a vontade da lei e sim a vontade da própria ganância desenfreada. Por quê? É a pergunta que não cala na boca e na mente dos que não fazem parte do processo de alienação, porque os alienados, coitados, se satisfazem com uma política meramente pequena pautada no antigo assistencialismo. Contudo, não podemos ver, ouvir e conhecer tudo isso e nos calar. As fontes do Direito Administrativo são vastas, ricas em conteúdo e fundamentam bem quaisquer que sejam os gestores. As fontes escritas, compostas pelas leis não nos deixam enganar e caminhar inocentemente para a lama e a degradação de um país e de um povo. A Constituição da República Federativa do Brasil, muito elogiada no mundo todo, é realmente clara e, além disso, temos as emendas constitucionais, as leis complementares, leis ordinárias, medidas provisórias, regulamentos. Temos ainda as fontes não escritas, há a jurisprudência, os costumes e os princípios gerais do direito.

Questionamos novamente: O que falta? O que faz nossos representantes agirem distantes das leis, da moral, do caráter, da honestidade? Leis? Acreditamos que não. Estudando o assunto percebemos o quão ligado está o Direito Administrativo com o Direito Constitucional, com o Direito Tributário, o Financeiro, o Internacional, o Penal,

o do Trabalho e Previdenciário, o Eleitoral, o Processual Civil, o Comercial e por aí vai. Não, as leis estão aí

e bem elaboradas. Ao agente público é dado conhecer que tem deveres a ser seguidos. Tem que, sem desvios, ter claro e exercer os deveres de: agir, eficiência, probidade e prestar contas. O que serão esses deveres do administrador público? O agir é o desempenhar a tempo das atribuições do cargo ou da função da qual está investido. Precisa exercer o que lhe é atribuído plenamente, legalmente e a tempo, sem omissão. A eficiência é o dever do bom gestor. Obrigatoriamente o gestor público deve realizar seu trabalho com rapidez, perfeição, e rendimento, sempre observando e cumprindo bem as regras pertinentes, sem

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procrastinação. A visão do administrador tem que ser ampla e não se pode perder tempo e dinheiro e sim

maximizar resultados.

dever da probidade instrui o gestor a pautar suas ações na retidão, justiça, honestidade, enfim

com a integridade pertinente ao homem de bem.

O

E, o dever de prestar contas, é transparência da gestão em todos os aspectos, não só dos valores

financeiros e da esfera de patrimônio. Deve-se, pois, prestar contas, concomitantemente do plano de governo, dos acertos e desacertos ocorridos na gestão. Percebemos claramente que o dever de prestar conta é inerente

à gestão pública e atinge bens, direitos, serviços e, na esfera pública a responsabilidade é maior em função dos bens serem coletivos e das avaliações dos tribunais de contas. E, como a lei não é, para nós, neste enfoque, a justificativa para os desajustes de algumas administrações públicas, temos como norteador dos passos do bom administrador a Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o código civil e que traz, num percentual quase total, poderíamos dizer, as indicações para a caminhada equilibrada do homem na sociedade em que está inserido. No entanto nosso confronto com a realidade nos mostra uso e abuso de poder por parte de muitos gestores. Como se fosse moda, muitos seguem os descaminhos iludidos e seduzidos pelo poder. Olvidam suas promessas de campanha, olvidam o povo que os colocaram onde estão e vivem uma falta de limites exagerados.

Aliados a esse desvio para o qual buscamos e vislumbramos saídas plausíveis vêm o esquecimento da finalidade, do propósito do gestor e da gestão; a falta de planejamento e, conseqüentemente, a falta de equilíbrio.

E tudo isso é assistido passivamente? A legislação brasileira não aponta providências a serem

tomadas?

Sabemos que o povo clama por justiça como sabemos também que grande massa alienada se vende

e perpetua os mandos e desmandos e desarranjos. E mais, segue esta falta de estrutura com uma cegueira

indescritível que não percebem o quanto são explorados e prejudicados e o quanto impedem a si e aos outros

de atingirem o progresso real ao corroborarem, através do voto, com a corrupção e com o atraso.

A legislação brasileira traz, sim, as sanções aplicáveis àqueles que caminham em sentido oposto

ao que rezam as leis. Existem as penalidades cabíveis para a ingerência na administração pública. Estas percorrem a ilegitimidade da ação, perda da função publica, disponibilidade de bens, ressarcimento ao erário, mandato de

segurança previsto constitucionalmente. Já assistimos ao longo da história, gestores que foram responsabilizados por seus atos, receberam punição e responderam civil e criminalmente.

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Outra indagação permanece em nossas reflexões. Por que a riqueza e a transparência das leis e os exemplos de insucessos não coíbem as ações criminosas das grandes corrupções que estão estampadas na mídia brasileira, dia após dia, com refinamento de más ações cada vez maior e melhor? Falta a formação que vem do berço? E como está o berço? Entendemos que um dos caminhos para minimizar ou quem sabe chegar à solução da problemática

levantada nesta reflexão é o do conhecimento e da autocrítica. Faz-se necessário e urgente que dos administradores públicos seja cobrando rigorosamente como pré-requisito fundamental para candidatura a formação, a habilitação educacional para a área que vai atuar. Temos políticos de carreira. Está evidente que falta, para a maioria, formação e informação na área que atuam. Vivemos em plena era do conhecimento e a vida nos cobra a apropriação dos diversos saberes.

E os políticos, nossos gestores, ficarão à margem do saber agindo por instinto próprio ou guiados pelo instinto

selvagem do capitalismo neoliberal? Não. Não podemos aceitar passivamente à degradação de um Município, de um Estado, de um

País.

Para cada profissional exige-se legalmente sua habilitação acadêmica com graduação, especialização, mestrado, doutorado, enfim, com permanente construção de conhecimentos e retidão de caráter. Tudo isso também é possível de se exigir e aplicar à esfera política nas gestões de todos os entes integrantes da federação. Como? Fácil? Diríamos simples, porém não sem as críticas e os impedimentos que surgirão exatamente dos que desfrutam das mordomias, do enriquecimento ilícito e da apropriação indevida daquilo que não lhes pertence. Mas, quando se deseja muito e busca as forças necessárias para a realização, o que é virtual passa a ser real. Entrevistando pessoas da comunidade que pensam e agem no senso comum e pessoas com nível de formação intelectual na mesma proporção entre as partes obtivemos respostas ao questionamento levado um consenso espontâneo. Perguntamos se elas achavam que deveriam ser criadas leis que exigissem mais dos candidatos que, sendo eleitos, se tornariam os administradores públicos. Explicamos que estas leis instituíram uma gama de exigências, dentre as quais a formação acadêmica com especialidades em gestão pública juntamente com um atestado comprovado de conduta ilibada. Imediatamente a maioria respondeu que sim, que diante da crise que vivemos pela falta de valores importantes esta seria uma das alternativas satisfatórias para começar as mudanças necessárias. Alguns pessimistas, alienados ou desavisados responderam que nada adianta fazer. Que a situação

é esta mesmo e que sempre haverá esse tipo de gente que, de um jeito ou de outro levará vantagem.

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para a área política

Obtivemos respostas positivas aquiescendo à ideia de se criar novas leis

regulamentando desde candidaturas, a postura dos partidos e a conduta do que assumirá e realizará a gestão um percentual de 78% e, de 22% para os que acham que nada influencia figurando representativamente no gráfico abaixo.

influencia figurando representativamente no gráfico abaixo. Gráfico 1: opinião da população sobre criação de leis

Gráfico 1: opinião da população sobre criação de leis para reger a ingressão em cargos públicos. – Fonte: A autora.

Com otimismo vislumbramos a esperança estampada no rosto e no íntimo das pessoas. Esperança esta que nos convida a abrir os olhos, os ouvidos e a boca. Nos obriga a soltar a voz clamando pela aplicação real da Lei nº. 8429, de 2 de junho de 1992 e pela criação de novas leis que imputem responsabilidades para aqueles e aquelas que sonham e almejam um cargo público. Acreditamos que o longo preparo que se exige para os profissionais da área médica, odontológica, administrativa, jurídica, pedagógica e tanta e todas as outras deva também existir obrigatoriamente para o administrador público. Sabemos que o caráter, a honestidade, o amor ao semelhante, o senso de justiça e tantos outros valores não têm sua aquisição direta nos bancos de uma escola. Mas também sabemos e temos plena convicção que aliado ao bom trabalho na formação do administrador público possa ser feito o plantio de sementes que germinarão, se tornarão árvores frondosas e produzirão bons frutos que nos privarão da vergonha e do arrependimento do exercício do ato de votar cedendo lugar ao orgulho e à admiração de ser brasileiro, goiano, jataiense ou de ser de outros confins, mas ter a certeza de que vive em um mundo melhor, que contribuiu para a construção contínua de saberes nobres que libertam da opressão, da alienação, da desigualdade e que conduz para a apropriação e exercício digno da cidadania. Estratégias administrativas, psicológicas, pedagógicas e coronárias, críticas e crísticas 1 darão conta da implementação das mudanças necessárias. Basta que queiramos e comecemos já a agir a favor da edificação de um mundo mais equitativo e humano.

1 Crísticas - vocábulo usado como figurativo para aqueles que têm atitudes e ações de cristãos, que agem com Cristo em suas vidas. Independente de religião, mas com religiosidade.

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Já dizia o poeta que “o caminho só se faz caminhando” e é isso, estamos fazendo e vamos fazer

cada vez melhor. Vamos. Avante. Basta querer que o poder de transformar acontece.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As reflexões que por ora encerramos tiveram e terão sempre alta relevância na construção dos nossos conhecimentos e mais ainda na aplicação destes conhecimentos. Entendemos que a gestão pública não pode jamais caminhar sem estar amparada em todas as leis pertinentes já existentes e em novas leis que precisam ser criadas para coibir que pessoas de má índole, má conduta e má formação administrem um Município, um Estado, um País. Acreditamos que a postura de normatizar os novos aspectos da formação dos profissionais da política, elucidará e conduzirá o gestor e seus colaboradores a zelarem com responsabilidade e transparência dos bens públicos que lhes foram confiados pela fé real neles depositada através do voto. Ao estudarmos todos estes aspectos concluímos, até o presente momento, que todos os que pleiteiam o cargo político, quer seja em qualquer esfera, uma vez que temos muitos seguindo carreira, devem ter como requisito imprescindível para candidatar-se e ser elegível uma capacidade real comprovadamente acadêmica sobre os conhecimentos inerentes a uma boa gestão pública como também deverão apresesentar um documento que ateste bons antecedentes na honra, no caráter, na honestidade, na justiça, n equilíbrio emocional e no trato intrapessoal e interpessoal.

REFERÊNCIAS

CONSTIUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. 22 ED. São Paulo: Saraiva, 1999.

FARIA, Edimur Ferreira de. Curso de Direito Administrativo Positivo. 8 ed. Belo Horizonte: Fórum, 2015.

FERNANDES, Jorge Ulisses Jacob. (Org.) Lei de Responsabilidade Fiscal. Belo Horizonte: Fórum, 2004.

GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

MEIRELLES, Hely lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 42 ed. São Paulo: Malheiros, 2016.

NOVO CÓDIGO CIVIL. Exposição de Motivos e Texto Sancionado. Brasília: Senado Federal, 2005.

PATURY, Felipe. Um ensaio da transposição. Veja. Rio de Janeiro: Abril, ano 39, nº. 11, p. 72-73, mar. 2006.

PETRY, André. A ironia da história. Veja. Rio de Janeiro: Abril, ano 39, nº. 11, p. 70, mar. 2006.

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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. CASA CIVIL. SUBCHEFIA PARA ASSUNTOS JURÍDICOS. Lei nº. 8.429, de 2 de junho de 1992. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8429.htm Acesso em 02/06/2017.

Acesso em 02/06/2017 . LOGALI – Revista dos cursos superiores de Tecnologia em

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A MOBILIDADE URBANA E A LOGÍSTICA DE TRANSPORTES NO MUNICÍPIO DE JATAÍ - GO

URBAN MOBILITY AND TRANSPORT LOGISTICS IN THE MUNICIPALITY OF JATAÍ – GO

Daniel Luizmar Ferreira da Silva Arquidânia Lásara Franco Maciel

RESUMO: O presente trabalho teve o objetivo de fazer uma análise sobre as atuais condições da mobilidade urbana no município de Jataí, no Estado de Goiás, correlacionando esse tema com a logística de transportes, pois o município é reconhecido nacionalmente pela sua produção agroindustrial e tamanha produtividade necessita de mecanismos e legislações que garantam um eficiente processo de escoamento de produção. Nesse sentido, buscamos realizar um estudo na legislação vigente sobre o tema e posteriormente realizar pesquisas de campo sobre as condições do transporte público no município e a influência direta do transporte de cargas pesadas em perímetro urbano no processo de deslocamentos dos indivíduos. Constatamos que o município não apresenta legislação proibitiva para transporte de cargas em perímetro urbano, e que esse fator impacta diretamente os usuários das vias públicas. Além disso, o transporte urbano é insuficiente e ineficaz, necessitando de uma completa reestruturação. Por fim, constatamos também que o município não tem um plano de mobilidade urbana, o que acaba por promover um crescimento desordenado da malha viária urbana que é diretamente influenciada pela especulação imobiliária, o que resulta em uma cidade menos compacta e deslocamentos mais longínquos. Diante deste quadro, nos propusemos a apresentar algumas possíveis soluções que viabilizariam melhores condições na mobilidade urbana para os usuários das vias públicas, estando ou não em veículos motorizados. Mas definitivamente a ação de maior importância é o estabelecimento de um plano de mobilidade urbana viável e coerente ante a realidade e as necessidades do município. Palavras-chave: Mobilidade Urbana, logística de transportes, transporte de carga pesada.

ABSTRACT: This present work had the goal of analyzing the current conditions of urban mobility in the county of Jataí, in the state of Goiás, correlating this issue with logistic of transportation, given that the county is nationally recognized for its agroindustrial production, and such productivity requires mechanisms and legislations that guarantee an efficient process of distribution of the production. Based on that, we managed to conduct a study of the current legislation about the theme, and subsequently conduct field researchs about the conditions of the public transportation in the county and the direct influence of heavy duty transportation within the urban perimeter in the process of people’s commuting. We noticed that there are no restrictive regulations for heavy duty transportation in the urban perimeter, and that this factor has a direct impact on road users. Moreover, urban transportation is insufficient and ineffective, which demands a complete restructuring. Finally, we also noticed that the county does not have an urban mobility program, which results in an inadequate growth of road network, a problem that is a direct consequence of real state speculation, resulting in a less compact city and longer commutings. Given this context, we proposed to present some possible solutions that might improve urban mobility conditions for public road users, using motorized vehicles or not. But definitely, the most important action is the stablishment of a coherent and viable urban mobility plan, taking into account the county reality and necessities. Keywords: Urban mobility, Logistic of Transportation, Heavy duty transportation.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho buscou realizar uma análise da mobilidade urbana no município de Jataí no

intuito de acompanhar a atual situação da frota de veículos que circulam pela cidade, as medidas que têm sido

adotadas para reduzir o crescente aumento dessa frota e o que se tem feito para priorizar os modos de transporte

coletivo e não motorizados.

Além disso, buscou-se verificar se o município apresenta um Plano de Mobilidade Urbana e se o

mesmo segue os parâmetros nacionais, além de verificar o que tem sido efetivamente colocado em prática

para promover condições eficientes de deslocamento aos munícipes e o quanto o transporte de produtos

agroindustriais no perímetro urbano tem influenciado na mobilidade de pessoas e produtos. Por fim este

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falhos encontrados,

trabalho pretende apresentar algumas propostas com intuito de amenizar alguns aspectos

a fim de melhorar a qualidade de vida dos munícipes no tocante da mobilidade urbana.

acordo com a Lei Nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012 a Mobilidade Urbana é definida como

sendo as condições em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano. Essa é uma definição bem simplificada, mas esse tema afeta diretamente o cotidiano de todos os brasileiros por estar diretamente envolvido com os aspectos do mercado imobiliário, expansão das cidades, tipo de transporte nos deslocamentos, transportes de cargas, sustentabilidade, qualidade de vida e planejamento, abrangendo todos os processos adotados pelas entidades políticas municipais para garantir que o cidadão tenha maior comodidade e menor consumo de tempo em seus deslocamentos.

De

Na geografia urbana, o deslocamento nas cidades é analisado e interpretado em termos de um esquema conceitual que articula a mobilidade urbana, que são as massas populacionais e seus movimentos; a rede, representada pela infraestrutura que canaliza os deslocamentos no espaço e no tempo; e os fluxos, que são as macro decisões ou condicionantes que orientam o processo no espaço (RAIA JR, 2000).

Por suas características, a Mobilidade Urbana é um tema complexo e exige maior atenção por

parte das políticas públicas municipais, haja vista que a mesma tem impacto direto sobre a saúde, economia e

a qualidade de vida das pessoas, sugerindo novas formas de pensar e agir para garantir a acessibilidade de todos os cidadãos e um modelo sustentável de deslocamentos. Nesse contexto a mobilidade passa a ser um dos grandes desafios das cidades contemporâneas

uma vez que cada vez mais as pessoas têm a necessidade de realizarem deslocamentos rápidos e eficientes.

Até pouco tempo uma solução para tornar os deslocamentos mais rápidos e práticos era a aquisição

de um veículo próprio, mas nos dias de hoje essa ação passou a ser o fator responsável pela paralisia no trânsito

em várias metrópoles brasileiras, ocasionando o desperdício de tempo, combustível, aumento nos índices de poluição do ar e diminuição da qualidade de vida. Em se tratando de mobilidade urbana, o individualismo dos usuários das vias em fazer utilização de veículos próprios em detrimento à utilização de veículos de transporte coletivo, colaboram de forma significativa para o aumento dos congestionamentos.

De acordo com a repórter Juliana Diógenes (2016), o Rio de Janeiro é a quarta cidade em que os

moradores mais perdem tempo em congestionamentos no mundo. No ranque das 10 cidades com maior número de congestionamentos, o Brasil ainda apresenta as cidades de Salvador em 7º lugar e Recife em 8º.

A mobilidade urbana deve sempre estar presente nas políticas públicas para que o

desenvolvimento da cidade seja feito de forma planejada garantindo sempre a estrutura adequada de deslocamento para todos.

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Descongestionar o centro das cidades para fazer frente às exigências do trânsito aumentar a densidade do centro das cidades para realizar o contato exigido dos negócios; aumentar os meios de circulação, ou seja, modificar completamente a concepção atual de rua, que se acha sem efeito ante o fenômeno novo dos meios de transporte modernos: metrôs ou carros, bondes,

aviões; aumentar as superfícies arborizadas, único meio de assegurar a higiene suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo ritmo novo dos negócios (LE CORBUSIER, 2000, p. 91).

Assim sendo, a mobilidade urbana deve ser tratada por meio de políticas de transporte e circulação que visam a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no espaço urbano, garantindo o acesso rápido e prático a todos os moradores da comunidade, isso só é possível através da priorização dos modos de transporte coletivo e não motorizados de maneira efetiva, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável.

1. REVISÃO DE LITERATURA

1.1 LEGISLAÇÃO RELATIVA À MOBILIDADE URBANA.

A legislação federal que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana é a Lei Nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012 que passou a vigorar em 13 de abril de 2012. De acordo com essa legislação

os municípios com mais de 20 mil habitantes deveriam elaborar seus Planos de Mobilidade Urbana até 2015 para que pudessem fazer jus ao recebimento de recursos federais destinados a esse tema. De acordo com a lei podem ser destacadas algumas definições importantes:

Ø Transporte Urbano: conjunto dos modos e serviços de transporte público e privado utilizados

para o deslocamento de pessoas e cargas nas cidades integrantes da Política Nacional de Mobilidade Urbana;

Ø Acessibilidade: facilidade disponibilizada às pessoas que possibilite a todos autonomia nos

deslocamentos desejados, respeitando-se a legislação em vigor;

Ø Transporte Público Coletivo: serviço público de transporte de passageiros acessível a toda a

população mediante pagamento individualizado, com itinerários e preços fixados pelo poder público; e

Ø Transporte Urbano de Cargas: serviço de transporte de bens, animais ou mercadorias.

Dentre os princípios, diretrizes e objetivos da referida lei podemos destacar:

Ø Acessibilidade universal;

Ø Desenvolvimento sustentável das cidades;

Ø Equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo;

Ø Eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano e na circulação

urbana, dentre outros; e

Ø Prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de

transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado.

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A referida lei define e classifica os modos, os serviços de transporte público e privado, além de estabelecer critérios de tarifas e de exemplificar infraestruturas de mobilidade, de modo que todos os projetos e obras que estejam sob sua regulamentação e atualmente em andamento devam estar alinhados às suas disposições legais produzindo benefícios efetivos e proporcionais aos recursos empregados. Isto significa que a construção de uma via pública que prevê a exclusividade para os automóveis, por exemplo, vai contra o princípio estabelecido pela lei sobre a equidade no uso do espaço público de circulação, a priorização do transporte coletivo e não motorizado. Além dessa legislação, a Mobilidade Urbana também está indiretamente explícita na Constituição Federal na PEC 90/2011, a qual garante transporte público de qualidade a todo cidadão brasileiro, podendo ainda destacar o artigo 6º da Carta Magna, onde o direito ao transporte público vem junto com os direitos à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e infância e à assistência aos desamparados. Na Política Nacional de Trânsito (PNT), DENATRAN (2016), consta em suas diretrizes gerais cinco ações. A saber:

Ø Aumentar a segurança de trânsito;

Ø Promover a educação para o trânsito;

Ø Garantir a mobilidade e acessibilidade com segurança e qualidade ambiental a toda população;

Ø Promover o exercício da cidadania, a participação e a comunicação com a sociedade; e

Ø Fortalecer o Sistema Nacional de Trânsito.

Também pode ser observado a presença indireta da mobilidade urbana na Constituição Federal no seu art. 5º, o qual fala sobre os direitos de ir e vir de todo cidadão, garantindo o mesmo a acessibilidade de todos independente de suas limitações físicas. Não obstante, é importante ressaltar que a mobilidade urbana é diretamente influenciada pelo deslocamento de veículos de carga em perímetro urbano, e que não há nenhuma legislação proibitiva dessa prática, a restrição de circulação de veículo de cargas fica a critério de leis municipais.

1.2 FATORES INFLUENCIADORES NA MOBILIDADE URBANA BRASILEIRA

Atualmente o Brasil é um país que adotou o transporte rodoviário como a sua principal forma de realizar deslocamentos, más nem sempre foi assim. Segundo Gordinho (2003), até a década de 1950 o Brasil era um país voltado à utilização de fontes de energia elétrica, era comum o uso de bondes e de trens para realizar grandes deslocamentos populacionais. Até então, a quantidade de veículos movidos a combustíveis fósseis era pequena.

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Ainda em Gordinho (2003) a partir de 1950 houve um intenso processo de urbanização, o qual foi acompanhado pela expansão das empresas automobilísticas. Essa tendência foi acentuada através de políticas que diminuíram as taxas nas compras de veículos automotores e o incentivo a ampliação das rodovias, ocasionando a ampla utilização de automóveis e de ônibus nos deslocamentos populacionais. Dessa forma, as metrópoles foram aos poucos passando de uma mobilidade essencialmente pública e movida por energia elétrica para uma mobilidade privada movida por combustíveis fósseis. Nesse período, os automóveis ampliaram as possibilidades de locomoção das pessoas, redefinindo a autonomia em relação ao espaço e ao tempo, o que acabou acentuando a individualidade das pessoas e reduzindo a sociabilidade dos tempos dos trens e dos bondes. Mas esta foi uma realidade dos primeiros anos de expansão das malhas asfálticas, atualmente a relação de economia de tempo e redução de espaço é totalmente oposta, o excesso de veículos levou aos congestionamentos diários que dificultam a locomoção e elevam a demanda de tempo em deslocamentos, além do fato de que os veículos movidos por combustíveis fósseis são grandes contribuintes para a poluição atmosférica nos centros urbanos. A falta de planejamento urbano, combinado com a alta concentração de pessoas nas grandes metrópoles e a facilidade de aquisição de novos veículos foram fatores determinantes para o crescimento da frota. Esses fatores associados a ineficiência de políticas de urbanização que vislumbrem infraestruturas que resolvam questões como moradia e transporte tem influenciado nas escolhas dos meios de transportes que garantam a mobilidade urbana da população brasileira. Sendo assim, é visto que uma das principais causas dos problemas de mobilidade urbana no Brasil está diretamente relacionado ao aumento do uso de transporte individual para os deslocamentos. A população normalmente adota a aquisição de um automóvel como a solução para otimizar e reduzir o tempo gasto em seus deslocamentos, devido a fatores históricos já expostos no texto e as políticas econômicas do país que favorecem esse tipo de transporte em detrimento dos demais, o que acaba por acarretar no aumento de fluxo de veículos nas vias, causando congestionamentos e ocasionando um significativo aumento na poluição atmosférica. De uma certa forma os interesses políticos e financeiros ainda levam a adoção de políticas de expansão das malhas asfálticas, o que acaba por incentivar essa “ideologia do carro” que é manifestada nos comerciais das grandes montadoras de veículos, nas quais os carros são vendidos como a solução ideal para o problema de mobilidade, garantindo rapidez, conforto e segurança de um ponto a outro, nessas propagandas as cidades estão vazias e não existem congestionamentos, sempre existem vagas para estacionar e as ruas não apresentam buracos. Entretanto a realidade é bem diferente da mostrada nos comerciais, atualmente os pedestres e ciclistas acabam tendo que circular em meio aos veículos, pois em muitos municípios não se tem áreas

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destinadas para os deslocamentos de veículos de tração humana e as calcadas e passeios são inexistentes ou

em péssimas condições de uso. Além disso, a quantidade de transporte coletivos é insuficiente e muitas vezes precária às necessidades da população ocasionando horas de esperas nos pontos e excesso de passageiros nos veículos, as panes são corriqueiras nos trens e metrôs, levando os passageiros a esperas intermináveis ou até mesmo terem que se aventurar em meio as linhas de conexão desses veículos, em relação aos veículos de transporte individual, os congestionamentos são rotineiros e o risco de acidentes são constantes. Nos últimos anos, milhões de pessoas têm se deparado com situação de longos congestionamentos que resultam em perdas financeiras (BERTINI, 2005), além disso, de acordo com Rufolo e Bianco, (1998); registra-se um aumento considerável no preço das viagens de automóvel durante os congestionamentos. Indiscutivelmente um dos principais fatores que interferem nos tempos de deslocamentos e que influenciam diretamente as medidas a serem adotadas no planejamento da Mobilidade Urbana é o gradativo aumento do número de veículos nas vias, mas a falta de manutenção da sinalização, principalmente a

horizontal também o afeta diretamente, pois a ausência de pintura nas vias fere a legislação. Com o crescimento desordenado das cidades a logística de transporte de veículos de carga tem se tornado cada vez mais um fator a ser levado em consideração pelas políticas públicas, não somente pelo alto índice de poluição desses veículos, como também a emissão de ruídos de grande intensidade, mas pelos transtornos causados diariamente no trânsito pela circulação dos mesmos nos centros urbanos, normalmente

a dimensão das vias não são adequadas para o trânsito deste tipo de veículo com curvas de raio de giro muito

fechadas, o que impossibilita ou dificulta a manobra dos mesmos, outro agravante de meio físico para o trânsito desses veículos é a altura relativa da fiação elétrica nos postes de energia, que não foram projetados a

uma altura adequada para a circulação de veículos de grande porte. Além disso, o trânsito de veículos de carga pesada em malhas asfálticas urbanas, acaba por promover a deterioração desse material em curto espaço de tempo, pois a espessura da malha asfáltica não é devidamente projetada para a circulação desses veículos o que acaba promovendo gastos públicos na manutenção dessas vias. A adoção de caminhões de carga, com dimensões e funcionalidade adaptados ao tráfego urbano

e adequação às normas ambientais, é uma tendência nacional, até mesmo porque vários municípios têm

adotado políticas públicas que restringem o trânsito desse tipo de veículos em vias urbanas. De acordo com o Portal Transporta Brasil, até novembro de 2014, mais de 100 municípios do Brasil já criaram restrição ao

trânsito de caminhões e 17 capitais já haviam apresentado alguma proibição ao tráfego de veículos de carga. Essa ação faz com que sejam criadas empresas coletoras nas malhas rodoviárias que recebem os produtos e os distribui em perímetro urbano em veículos de menor porte, garantindo uma melhor fluidez do

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60 transporte de cargas
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transporte de cargas

trânsito e assim minimizando os congestionamentos. Os veículos mais indicados para o

nos centros urbanos são os 3/4 (três quartos) que tem capacidade de carga útil para 3 toneladas e são dotados de baús, pois estes apresentam um comprimento compatível com as manobras necessárias a serem realizadas nas vias urbanas. Para uma melhor eficiência na aplicabilidade das restrições de circulação de veículos de carga, é importante que os gestores das empresas prestadoras desse tipo de serviço levem em consideração as características da Logística de Carga Urbana, visando reduzir custos de transporte com trajetos que aproveitem eficientemente a frota e a mão de obra disponível, além de planejar as rotas de modo que elas iniciem e terminem nos depósitos, atender bairros e clientes somente uma vez e que a demanda total da rotas não superem a capacidade do veículo.

1.3. METODOLOGIA

A pesquisa desenvolvida foi cunhada por meio de estudo de caso.

O estudo de caso como modalidade de pesquisa é entendido como uma metodologia ou como

a escolha de um objeto de estudo definido pelo interesse em casos individuais. Visa à

investigação de um caso específico, bem delimitado, contextualizado em tempo e lugar para

que se possa realizar uma busca circunstanciada de informações (

de caso como metodologia de investigação mostrou a possibilidade da definição de quatro fases relacionadas: delimitação da unidade-caso; coleta de dados; seleção, análise e interpretação dos dados e elaboração do relatório do caso. Como complemento, destacou-se, também, o desdobramento do caso naturalístico (VENTURA, 2008, p. 384).

O delineamento do estudo

)

Os instrumentos de pesquisa utilizados no decorrer da investigação foram: estudo bibliográfico de produções sobre a temática; pesquisa documental, tendo como referência leis, recomendações e resoluções estaduais, federais e municipais sobre a mobilidade urbana, bem como dados estatísticos disponibilizados por sites oficiais e pela Superintendência Municipal de Trânsito de Jataí - SMT ; não obstante, foi realizado o acompanhamento junto aos agentes de trânsito, à população e aos órgão de transporte público para a verificação das condições da mobilidade na região central de Jataí, e os impactos causados nas vias devido ao transporte de carga no perímetro urbano. No intuito de compreender melhor todos os fatores que permeiam a mobilidade urbana do município, em um primeiro momento, foram realizados uma busca a respeito das definições e legislação sobre o tema para melhor compreender as suas influências governamentais na gestão urbana. Em um segundo momento, um levantamento de dados estatísticos governamentais e não governamentais sobre a frota de veículos, a situação da mobilidade urbana nacional e municipal e dados sobre a logística de transportes de veículos de carga oriundas da agroindústria local.

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Por fim, foi realizado uma vistoria pelas rodovias que passam por perímetros intuito de verificar os impactos físicos causados pela logística de transporte de carga.

61 urbanos em Jataí no
61
urbanos em Jataí no

2.

ANÁLISE E RESULTADOS

2.1.

SITUAÇÃO DA MOBILIDADE URBANA NO PAÍS E EM JATAÍ

Segundo dados do Observatório das Metrópoles, um instituto virtual composto por diversas organizações governamentais e não governamentais sob a coordenação geral do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR), entre os anos de 2002 a 2012, a população brasileira teve um aumento efetivo de 12,2% enquanto que a frota de veículos registrou um crescimento de 138,6%. Dados mais atuais disponibilizados pelo Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), mostram que a frota de veículos em junho de 2016 chegou a 92.281.081, desses 55,49% são automóveis/utilitários, 26,9% são motocicletas/motonetas/ciclomotores, 10,52% são caminhonetes/caminhonetas, 3,54% são caminhões e somente 1,06% de toda a frota nacional é composta de veículos de transporte coletivo, ou seja, até aquela data existiam somente 976.348 ônibus/micro ônibus registrados circulando no território nacional. Com certeza esse número é consideravelmente maior devido aos veículos coletivos de transporte clandestino, é importante ressaltar que esses nem sempre garantem a devida segurança aos usuários. Esses dados se tornam mais significativos quando comparados ao número de habitantes no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016), a população brasileira está estimada em 206.522.612, comparado ao valor da frota de veículos nacional chegamos a uma média de aproximadamente um carro circulando nas ruas para cada 2 brasileiros. Em relação à frota de veículos de carga no país, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), apresentou em janeiro de 2014 o perfil desses veículos e a quantidade de cada tipo de veículo circulando no território nacional.

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Quadro 01 – Perfil da Frota Nacional de Veículos de Carga por Transportador Fonte: ANTT- Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas - jan/2014.

De acordo com o quadro 01 percebemos que a maioria dos veículos de carga são compostos de caminhões simples de 8 a 29 toneladas e semirreboques, ou seja, veículos que transportam um volume de carga relativamente grande, segundo dados apresentados no dia 22 de julho de 2015 em Brasília, durante o Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Cargas (Fórum TRC) o Brasil possui uma frota de caminhões com 350 mil veículos a mais do que o necessário. De acordo com o fórum grande parte desses veículos foram adquiridos em programas como o Finame e Pro caminhoneiro que promovem o financiamento de caminhões para indivíduos que desejem trabalhar no setor de transportes de carga, porém com a atual crise financeira, muitos desses veículos encontram-se com as prestações atrasadas e seus donos sem trabalho fixo para arcar com as despesas de manutenção do veículo. No entanto, esses dados são apenas um indicativo geral e não uma realidade em si, haja vista que leva em consideração apenas o número de carros registrados e não o total de veículos que realmente circulam no país, pois existem veículos importados e não cadastrados circulando nas ruas e as regiões de fronteira são constantemente percorridas por veículos de outras nações. Já o município de Jataí está situado na região sudoeste do Estado de Goiás, e de acordo com os dados do IBGE o município ocupa um território de 7.174,228 $ com uma população estimada até julho de 2016 de 97.077 habitantes, com uma frota aproximada de mais de 68 mil veículos, a vegetação predominante no município é o Cerrado, sua maior fonte de renda é a produção de grãos e leite, sendo considerado um dos maiores produtores nacionais de milho.

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01.

A

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produção agropecuária em Jataí é referência no senário nacional e está representada na tabela

Produto

 

Produção

Soja

863 100 toneladas

Milho

1 221 000 toneladas

Sorgo

70

000 toneladas

Banana

6

633 toneladas

Laranja

6

000 toneladas

Feijão

19

200 toneladas

Mandioca

4

500 toneladas

Cana-de-açúcar

1 300 00 toneladas

Arroz

3

600 toneladas

Algodão

4

284 toneladas

Girassol

3

530 toneladas

Trigo

1

750 toneladas

Frangos

336

400 cabeças

Ovos

2 691 000 dúzias

Bovinos

352

000 cabeças

Vacas ordenhadas

48

870 cabeças

Suínos

54

280 cabeças

Litros/Leite/Ano

141 723 litros

Tabela 01 – Principais produtos agropecuários de Jataí (2013) Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Devido ao seu elevado índice de produção o município deve se atentar à logística destinada ao transporte dessas cargas. O escoamento da produção é um fator que pode elevar significativamente o valor do produto final ou, quando bem estruturado, minimizar as perdas oriundas do processo de transporte. O município conta com acesso pelas rodovias federais BR-158, BR-060 e BR-364, sendo percorrida em perímetro urbano pela BR-158, GO-050 e GO-184, nos quais diariamente circulam uma grande quantidade de veículos de carga que promovem o escoamento da produção do município e da região. Como já exposto, esses veículos afetam diretamente a estrutura de circulação dessas vias o que influencia na mobilidade urbana dos usuários das vias, que diariamente transitam entre caminhões para se deslocarem do centro comercial para os bairros e vice e versa.

A situação mais marcante do trânsito de veículos nas vias urbanas é registrada na BR-158 que

percorre grande parte do município apresentando 7 semáforos nesse trecho e 3 redutores de velocidade, radares eletrônicos, o que retarda o escoamento de carga e causa um transtorno muito grande à população local que utiliza a via. Devido ao grande fluxo de veículos de carga nesse trecho a malha asfáltica da rodovia

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constantemente tem que passar por reformas e é comum acontecerem acidentes nesse trecho, as fotos abaixo representam o fluxo de veículos de carga e a atual situação da malha asfáltica dessa rodovia no perímetro urbano.

da malha asfáltica dessa rodovia no perímetro urbano. Foto 01 – Fluxo de veículos de carga

Foto 01 – Fluxo de veículos de carga e quantidade de semáforos na rodovia BR-158 em perímetro urbano em Jataí. Fonte: O autor

BR-158 em perímetro urbano em Jataí. Fonte: O autor Foto 02 – Redutores de velocidade e

Foto 02 – Redutores de velocidade e degradação da malha asfáltica na rodovia BR-158 em perímetro urbano em Jataí. Fonte: O autor

BR-158 em perímetro urbano em Jataí. Fonte: O autor Foto 03 –Deformidades na malha asfáltica na

Foto 03 –Deformidades na malha asfáltica na rodovia BR-158 em perímetro urbano em Jataí devido ao grande fluxo de veículos de carga. Fonte: O autor

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Assim como foi feito com o cenário nacional, não podemos deixar de ressaltar o volume da frota de veículos no município, o quadro 02 representa um comparativo da frota de veículos no município, no Estado e no país.

da frota de veículos no município, no Estado e no país. Quadro 02 – Frota de

Quadro 02 – Frota de veículos Municipal, Estadual e Nacional (2015) Fonte: Ministério das Cidades, Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN - 2015.

Através destes gráficos percebemos que ambos seguem um mesmo padrão de distribuição de

veículos de acordo com as suas proporções, e que a frota de automóveis e motocicletas/motonetas ainda estão

muito além da frota de transportes coletivos e de cargas.

De acordo com os registros da SMT de Jataí, a frota de veículos no ano de 2016 até o mês de

outubro chegou a 68.818 veículos que atende a uma população de aproximadamente 97.077 habitantes,

ocasionando a proporção aproximada de 2 veículos para cada 3 habitantes, um valor maior do que a média

nacional. Dessa frota 166 veículos são micro-ônibus e 265 são ônibus, ou seja, somente 0,6% da frota de

veículos em jataí é destinada ao transporte coletivo, sendo que além desses o munícipio não dispõe de

nenhuma outra forma de transporte que garanta o deslocamento de grandes quantidades de indivíduos. O

quadro 01 representa toda a frota de veículos de Jataí e as suas porcentagens em relação à frota total.

Tipo de Veículo

Quantidade

Percentual

Automóvel

28.137

40,89%

Caminhão

2.328

3,38%

Caminhão Trator

841

1,22%

Caminhonete

8.413

12,22%

Camioneta

1.187

1,72%

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Ciclomotor Denatran

147

0,21%

Micro-ônibus

166

0,24%

Motocicleta

15.261

22,18%

Motoneta

8.192

11,90%

Ônibus

265

0,39%

Reboque

2.028

2,95%

Semirreboque

1.427

2,07%

SIDECAR

1

0,001%

Triciclo3

10

0,01%

Utilitário

415

0,60%

TOTAL DE VEÍCULOS

68.818

100%

66
66

Tabela 02- Frota de Veículos em Jataí (outubro/2016) Fonte: Superintendência Municipal de Trânsito de Jataí.

A grande maioria dos veículos do município são destinados ao uso de transporte individual, isso se deve em grande parte a ineficiência de políticas que garantam a prioridade nos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado. A respeito do transporte público municipal, o mesmo é composto por 8 linhas urbanas e 3 linhas que vão dos bairros até a empresa multinacional RAIZEN que se localiza na região rural do município. As tarifas são de R$ 3,00 para o transporte coletivo urbano, além disso, a concessionária prestadora do serviço cobra R$ 8,00 por funcionário da referida empresa que é transportado dos bairros para a indústria. De acordo com uma matéria publicado em 06 de janeiro de 2016, no portal de notícias do site da editora O Globo (G1), as tarifas para transporte público aplicadas no Brasil estão em uma média de 3 a 4 reais, ou seja, o valor tarifário do transporte público em Jataí está na média nacional, porém para 2017 praticamente todos os municípios já fizeram reajuste dessas tarifas, até o dia 6 de janeiro de 2017 o município de Jataí ainda não tinha apresentado os novos valores tarifários para o transporte público municipal. Além disso a qualidade do transporte público está bem a quem de atender as necessidades da população. Acompanhando o trabalho dos agentes de trânsito municipal no dia 23 de janeiro (sábado) de 2016 para verificar a situação do transporte coletivo em Jataí foram observados os seguintes fatos e transcritos em um relatório que se encontra na SMT:

1. Intervalo de tempo entre os ônibus:

ü Segundo os motoristas, nos finais de semana os ônibus desta linha percorrem em intervalos de 45 a 50 minutos até o meio dia, pois até esse período em média são dois ônibus percorrendo as linhas. Após o meio dia o intervalo de espera pelo transporte coletivo se estende para 1 hora e 10 minutos.

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ü

Segundo os usuários a espera em dias da semana e no sábado até o meio dia costuma ser de

intervalos de 40 minutos a 1 hora, nos demais períodos a espera é de até 3 horas.

ü

De acordo com a observação dos agentes foi registrada a passagem de ônibus com intervalos

de 55 minutos e 1 hora e 20 minutos.

2. Estado geral dos ônibus:

ü Todos os ônibus observados apresentaram um estado geral de funcionamento e de conservação

adequado aos usuários e aos condutores, tanto no tocante de ergometria dos usuários quanto aos quesitos de

segurança e funcionalidade.

3. Reclamações dos Usuários:

ü A principal reclamação registrada foi o reduzido número de veículos para atender à crescente

demanda de usuários o que acaba por onerar longos períodos de espera. Além disso, alguns poucos usuários reclamaram do excesso de velocidade por alguns condutores quando dirigindo em bairros mais distantes da região central da cidade.

4. Reclamação dos Condutores:

ü Segundo os condutores os ônibus e as condições de trabalho são bons, a principal reclamação

foi a necessidade de criação de um ponto final para algumas linhas, pois na ausência do mesmo os condutores

têm a obrigatoriedade de permanecerem em circulação durante todo o seu período de trabalho, não havendo a oportunidade de pausa e de descanso, tornando a atividade mais exaustiva.

5. Sugestões dos usuários para solucionar os problemas do transporte público:

ü De acordo com a grande maioria dos usuários o maior problema do transporte público em Jataí

é o longo tempo de espera dos ônibus, fato este que poderia ser solucionado com a implantação de mais veículos.

Segundo dados prestados pela Auto Viação Jataí (empresa responsável pela prestação do serviço de transporte público no município) junto à SMT, os bairros que são atendidos por linhas de ônibus e a quantidade de veículos por setores são:

LINHA DE ÔNIBUS

SETOR

QUANTIDADE

DE VEÍCULOS

Linha 1 e 2

Conjunto Rio Claro

2

Linha 3

Extra

1

Linha 4, 5 e 6

Cidade Jardim

3

Linha 7 e 8

Colmeia Park

2

Linha 100, 200, 300

Bairros x Empresa RAIZEN

6

Linha 111

Jataí x Distrito de Naveslândia

1

Tabela 03- Quantitativo de Veículos Operando no Transporte Público do Município de Jataí (julho/2016)

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68 a atender interesses
68
a atender interesses

Fonte: Superintendência Municipal de Trânsito de Jataí/Empresa Auto Viação Jataí

No total são 15 ônibus atuando no perímetro urbano do município de Jataí, porém desses, somente

9 estão à disposição para atender às necessidades da população, pois 6 estão voltados

comerciais e ficam à disposição da empresa multinacional RAIZEN. Segundo dados do site da prefeitura de Jataí estima-se que o município conta com 33.002 domicílios particulares distribuídos em 79 bairros, a quantidade dos domicílios é estimada pois a cidade permanece em constante expansão e muitos domicílios não são registrados, e com a expansão dos domicílios novos bairros vão sendo criados. Dos 79 bairros de Jataí, os 4 principais bairros são atendidos em sua plenitude pelo transporte público, os demais contam com um ou nenhum ponto de espera do ônibus, o que impossibilita grande parte da população de adotar esse tipo de transporte para atender as suas necessidades de locomoção. A utilização de meios de transporte não motorizados como meio de transporte no município é prejudicada pelo relevo do local, a cidade é repleta de aclives e declives. É comum observar ciclistas pelas ruas, porém esse veículo raramente é usado como meio de transporte, mas sim como um esporte ou lazer. Esses fatores associados acabam por influenciar na escolha dos munícipes em adotarem os meios de transporte automotivos individuais como meio de transporte prioritário nos deslocamentos. Por ser uma cidade de pequeno porte o município ainda não tem registros de engarrafamentos, mas com o aumento da frota de veículos nas ruas a tendência é que a incidência de acidentes no trânsito se tornem cada vez mais constantes a tabela 03 representa os acidentes registrados em 2015.

Mês

Quantidade de

Número de

Percentual de

Número de

Acidentes

Vítimas

Vítimas

Mortos

Janeiro

48

17

35,42%

0

Fevereiro

29

26

41,38%

0

Março

37

22

59,46%

0

Abril

26

23

88,46%

0

Maio

30

23

76,67%

0

Junho

22

18

81,82%

1

Julho

15

11

73,33%

0

Agosto

23

15

65,22%

0

Setembro

30

20

66,67%

0

Outubro

24

23

95,83%

0

Novembro

19

16

84,21%

0

Dezembro

17

11

64,71%

1

Total

320

225

70,31%

1

Tabela 04 - Quantitativo Acidentes de Trânsito em Jataí (2015) Fonte: Superintendência Municipal de Trânsito de Jataí