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UNIVERSIDADE FEDERAL DE

PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA

Processamento Digital de
Imagens de
Sensoriamento Remoto
Profa. Dra. Thais A. Carrino
thais.carrino@gmail.com

Estereopar, estereoscopia e exemplo de


Parte 2
fotointerpretação em Carajás (PA)
Fotografias aéreas
Cada fotoaérea
possui indicação da
escala, número (ou
código) que a
distingue de outras,
fiduciais (marcas
que determinam a
posição do centro
de cada foto aérea),
distância focal (f),
Aquisição de fotos.... altura do voo, data
Fonte: http://www.seos-project.eu/modules/3d-models/3d-models-
c02-p04-s01.html
etc

Fotografias aéreas com


recobrimento longitudinal de
pelo menos 60% (estereopar)

... permitindo a paralaxe (visão 3D) por meio da


estereoscopia
Fotografias aéreas
“As fotografias aéreas são tomadas de tal maneira que um
mesmo objeto aparece em duas fotografias sucessivas,
tiradas de ângulos diferentes. Com essas duas fotografias,
faz-se chegar a cada olho uma imagem do objeto a ser
estudado. Uma vez feita a fusão das duas imagens
(CÉREBRO), obtém-se a percepção estereoscópica ou
tridimensional” (Carvalho e Araújo, 2009)

Uma das formas de realizar a “fusão” das informações é


usando um instrumento que permita a focalização do mesmo
alvo nas duas fotos simultaneamente, usando o olho
esquerdo e direito Estereoscópio
Fotografias aéreas
Cada foto subsequente possui
Foto 1 (55A) Foto 2 (55B) números/códigos consecutivos
(e.g., 55A e 55B)

Cada par
de fotos é
chamado
de
estereopar

pp = ponto principal da foto 1 pp = ponto principal da foto 2

As marcas (fiduciais) permite a obtenção do ponto principal (pp) de cada foto.


Uso destes pontos principais para localização de pontos comuns em ambas as
fotos
DEFINIÇÕES DO GLOSSÁRIO DO IBGE
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA) (http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/glossario/glossario_cartografico.shtm)

Estereoscopia
É a ilusão de ótica produzida quando observamos
documentos que dentro de uma determinada condição de
superposição de áreas, através de lentes apropriadas,
fornece-nos a sensação de tridimensionalidade.
É a ciência que trata com modelos tridimensionais e os
métodos pelos quais este efeito se produz.

Estereoscópio
Instrumento destinado ao exame de pares de
fotografias ou imagens vistas de pontos diferentes
resultando numa impressão mental de uma visão
tridimensional. Na sua construção são utilizados lentes,
espelhos e prismas.
Esteroscopia – visão humana
Base ocular
ESTEREOSCOPIA
“ciência da percepção de Olho Distância Olho
esquerdo interpupilar direito
profundidade usando-se
dois olhos” (Jensen, 2009)

Distância A
“Quando dois olhos estão θA
focados num certo ponto,

Distância B
os eixos ópticos dos
olhos convergem para
aquele ponto, formando Exemplo A
um ÂNGULO com alvos
AeB
PARALÁTICO (θ). Quanto θB
mais próximo estiver do O cérebro associa
diferenças nos ângulos
objeto, maior será o paraláticos com diferenças
ângulo paralático” nas distâncias aos objetos B
A e B. Isto permite ter-se a
(Jensen, 2009) percepção de profundidade
Esteroscopia – visão humana
De acordo com Jensen Base ocular
(2009), quando se Olho Distância Olho
caminha ao ar livre, a esquerdo interpupilar direito
máxima distância na qual
a percepção

Distância A
estereoscópica de θA
profundidade é possível,
compreende 1000 m, em

Distância B
média.
Exemplo A
Além desta distância, com alvos
AeB
ângulos paraláticos ficam
θB
muito pequenos, e as O cérebro associa
mudanças dos mesmos diferenças nos ângulos
paraláticos com diferenças
não podem mais ser nas distâncias aos objetos B
discernidas A e B. Isto permite ter-se a
percepção de profundidade
Fotografias aéreas
Ajustar a posição das Estereoscópio
lentes (para cada
usuário – distância de bolso
interpupilar) Uso de lentes de
aumento (1,5x, 4x,
“Estereoscópios são aparelhos etc): auxiliam visão
que permitem que os olhos paralela
trabalhem separadamente,
com linhas de visão
paralelas. Assim, é possível - Maior
que o objeto em comum das
ampliação
fotografias seja visualizado
nas duas fotografias ao
- Pequena área
mesmo tempo, com um olho analisada
em cada, criando a percepção
da profundidade” (Santos e
Estereo-base (ex. distância
Dias, 2011) dos nossos olhos)
Análise estereoscópica visão tridimensional do
terreno (relevo, morfologia do terreno)
Fotografias aéreas

(ou estereoscópio de mesa)

Princípio
da reflexão

- Maior área analisada


frente ao estereoscópio Estereo-base (ex. 20 cm)
de bolso
Fotografias aéreas
Primeiro estereoscópio de espelho foi Inventado em 1833,
por Charles Wheatstone (Jensen, 2009)

Usou um par de espelhos em frente a cada olho, orientados a 45°


permitir que imagens de fotos fossem fusionadas
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Estereoscópio com lentes David Brewster em 1849
(Jensen, 2009)
imagens ampliadas
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Maior parte do século XI fotos obtidas e,
posteriormente, com deslocamento do tripé, outra foto
deslocada também registrada PARALAXE
ESTEREOSCÓPICA
Passo a passo de como se alinhar
estereopares para visualização com
estereoscópio
FOTO 1 FOTO 2 Determinar o ponto
central (ou ponto
principal – PP) de cada
foto aérea: usar as
marcas fiduciais para
isto!
FOTO 1 FOTO 2
Alinhar os estereopares de
forma a posicionar,
PP1 PP2
continuamente, as áreas
com 60% de recobrimento
(overlap area)
Fonte: Shelton, J.S.1986. Aerial stereo photos – set 2. Crystal Productions, Aspen, Colorado. 20 stereopairs.
Passo a passo de como se alinhar
estereopares para visualização com
estereoscópio
FOTO 1 FOTO 2
Traçar a linha de voo
PP1 em cada foto (reta
PP1 PP2 traçada usando-se os
pontos principais 1 e 2)
PP2

FOTO 1 FOTO 2
Marcar os pontos principais
(PP1 e PP2) em cada foto PP1
PP1 PP2

PP2

Fonte: Shelton, J.S.1986. Aerial stereo photos – set 2. Crystal Productions, Aspen, Colorado. 20 stereopairs.
Passo a passo de como se alinhar
estereopares para visualização com
estereoscópio

FOTO 1 FOTO 2

Por fim, alinhar as foto


aéreas de acordo com
PP1 PP1
as linhas de voo
PP2 PP2
traçadas
anteriormente!

Fonte: Shelton, J.S.1986. Aerial stereo photos – set 2. Crystal Productions, Aspen, Colorado. 20 stereopairs.
Fotointerpretação
Feita com o uso de um overlay (papel
vegetal), sobreposto a um dos estereopares.

Recomenda-se a interpretação de
drenagem, formas de relevo etc, com o uso de
lápis de ponta fina ou lapiseira. Cores
diferenciadas são úteis para produção de
simbologias adequadas (e.g., drenagem, cristas,
estradas, delimitação de zonas homólogas).

Exemplo de simbologias é mostrado no


slide a seguir:
Fotointerpretação

Exemplos de
simbologias a serem
usadas na etapa de
fotointerpretação

Weijermars, R. 2011. Remote-sensing


maps. In: Weijermars, R (Ed.)
Structural Geology and map
interpretation. Alboran Science
Publishing, p. 257-283. Disponível em:
http://ocw.tudelft.nl/fileadmin/ocw/open
er/Structural_Geology___Map_Interpr
etation_E-Book_2011.pdf. Acesso em
05 jan 2016.
Resumindo alguns passos na
etapa de fotointerpretação
geológica....
(baseando-se em Soares e Fiori, 1976)

Soares, P.C; Fiori, A.P. 1976. Lógica e sistemática na análise e


interpretação de fotografias aéreas em Geologia. Not. Geomorfol.,
Campinas, 16(32): 71-204.
Etapas bem simplificadas
Extração de Quais são os
drenagem padrões de Zonas
drenagem homólogas
presentes?
Densidade de
drenagem? Integrar com
conhecimento
Ex.: rede de drenagem Sinuosidade?
geológico mapa
etc
fotointerpretativo
Extração de relevo
(e.g., cristas ou Quais são os
quebras negativas padrões de Zonas
relevo (linear, homólogas
elíptico etc)
presentes?
Densidade?
Ex.: crista
Tabela com descrição das zonas
homólogas (Uma opção para apresentar sua interpretação...)
Padrão de
Zonas drenagem (e Densidade Sinuosidade Forma
grau de
estruturação anômala
Zona Dendrítico Alta Curvos ----
homóloga 1 de (fracamente
drenagem estruturada)

Zona Linear Moderada Retilíneos -----


homóloga 2 de (fortemente
drenagem estruturada)

Zona Em cotovelo baixa mistos cotovelo


homóloga 3 de (fortemente
drenagem estruturada)

... ... ... ... ...


Outras análises a serem consideradas
Elementos que compões a foto
analisar forma, tamanho,
posição dos mesmos, a
sombra, a tonalidade (etc)

FORMA:
Exemplo a drenagem,
identificada por linhas
contínuas, e com
sinuosidade

SOMBRA:
área não iluminada pelo Sol
no horário de aquisição da
Vulcão Menan Buttes (Idaho, Estados foto aérea. Dá a sensação
Unidos) – Fotografia vertical
de tridimensionalidade
Fonte da figura: Weijermars, R. 2011. Remote-sensing maps. In: Weijermars, R (Ed.) Structural Geology and map interpretation.
Alboran Science Publishing, p. 257-283. Disponível em:
http://ocw.tudelft.nl/fileadmin/ocw/opener/Structural_Geology___Map_Interpretation_E-Book_2011.pdf. Acesso em 05 jan 2016.
VARIAÇÃO DE TONALIDADE Exemplo 1 basalto
(platô) em cor preta; rochas félsicas do embasamento Pré-
Cambriano, de cor mais clara (Escudo da Arábia)
TONS DE CINZA INDICAM
VARIAÇÃO DA
REFLETÂNCIA DOS ALVOS
Platô

Média da
refletância: - Faixa de registro de fotografias:
caso do VISÍVEL/INFRAVERMELHO PRÓXIMO
filme preto - Exemplo: água, vegetação, rochas Fonte das figuras: Weijermars, R. 2011. Remote-sensing maps. In:
e branco Weijermars, R (Ed.) Structural Geology and map interpretation.
máficas/ultramáficas: refletem pouco Alboran Science Publishing, p. 257-283. Disponível em:
http://ocw.tudelft.nl/fileadmin/ocw/opener/Structural_Geology___Ma
nesta faixa espectral p_Interpretation_E-Book_2011.pdf. Acesso em 05 jan 2016.
VARIAÇÃO DE
TONALIDADE de alvos
Exemplo 2 relação com
diferentes tipos de estratos (tipos
de rochas sedimentares)

Fonte das figuras: Weijermars, R. 2011. Remote-sensing maps. In: Weijermars, R (Ed.) Structural Geology and map interpretation.
Alboran Science Publishing, p. 257-283. Disponível em:
http://ocw.tudelft.nl/fileadmin/ocw/opener/Structural_Geology___Map_Interpretation_E-Book_2011.pdf. Acesso em 05 jan 2016.
VARIAÇÃO DE TONALIDADE Exemplo 3
rochas básicas em cor preta; rochas supracrustais (e.g.,
sedimentares, vulcânicas metamorfizadas), de cor mais clara
POSIÇÃO Exemplo deslocamento de unidade máfica
e inferência de falha dextral
Fonte das figuras:
Weijermars, R. 2011.
Remote-sensing
maps. In: Weijermars,
R (Ed.) Structural
Geology and map
interpretation. Alboran
Science Publishing, p.
257-283. Disponível
em:
http://ocw.tudelft.nl/file
admin/ocw/opener/Str
uctural_Geology___M
ap_Interpretation_E-
Book_2011.pdf.
Acesso em 05 jan
2016.
Lembrando ainda que...
- Qualquer imagem, seja analógica (e.g., fotografias
aéreas), seja imagem digital (multiespectral,
hiperespectral, de radar de abertura sintética), pode ser
empregada para:
etapas de interpretação de drenagem e relevo produção
de mapa de zonas homólogas interpretação de
significado geológico

Sombra contida nas


imagens auxilia nossa
interpretação de variação
de relevo
Lembrando ainda que...
Exemplo: imagem ASTER (visível Exemplo: imagem de radar de
ao infravermelho de ondas curtas) abertura sintética (SAR)
Banda 3

...outras imagens
de
sensoriamento
remoto podem
ser usadas para
a etapa de
fotointerpretação
geológica

Faixa do espectro refletido Faixas das micro-ondas (fonte


(fonte SOL) ATIVA – construída pelo homem)
Lembrando ainda que...
Infravermelho
termal: imagens
possuem muito
ruído

- Dificilmente
usamos para
fazer
fotointerpretação,
já que dispomos
de boas imagens
no visível-
infravermelho de
ondas curtas,
muitas vezes em
melhor resolução
espacial (e.g.,
ASTER, Landsat)
INTERPRETAÇÃO
GEOLÓGICO-ESTRUTURAL
DE IMAGEM SAR
____________________

EXEMPLO EM CARAJÁS (PA)


RECORTE DE IMAGEM SAR/RADARSAT-1
(Santos et al. 2001*)

*Santos A.R., Paradella W.R., Veneziani P., Morais M.C. 2001 Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção
mineral: aplicações. São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 103 p. (INPE-8117-PUD/45).
INTERPRETAÇÃO DE
DRENAGEM

(Santos et al. 2001)


INTERPRETAÇÃO DE
FEIÇÕES LINEARES DE
REDE DE DRENAGEM

(Santos et al. 2001)


INTERPRETAÇÃO DE
FEIÇÕES LINEARES DE
RELEVO

(Santos et al. 2001)


INTERPRETAÇÃO DE
QUEBRAS NEGATIVAS DE
RELEVO

(Santos et al. 2001)


GERAÇÃO DE MAPA DE
FOTOANÁLISE
INTEGRADO

(Santos et al. 2001)


INTEGRAÇÃO COM
CONHECIMENTO
GEOLÓGICO DA ÁREA
PRODUÇÃO DO MAPA
TECTÔNICO-
ESTRATIGRÁFICO

(Santos et al. 2001)


Referências citadas
Carvalho, E.A.; Araújo, P.C. 2009. As fotografias aéreas e sua utilização pela cartografia. Natal,
EDUFRN, 24p. Disponível em:
http://www.ead.uepb.edu.br/arquivos/cursos/Geografia_PAR_UAB/Fasciculos%20-
%20Material/Leituras_Cartograficas_II/Le_Ca_II_A10_IZ_GR_260809.pdf

Jensen, J.R. 2009. Fotogrametria. In: Jensen, J.R. (Ed.), Sensoriamento Remoto do Ambiente: Uma
Perspectiva em Recursos Terrestres. Tradução da 2ª. Edição. Prentice Hall/Ed. Parêntese, p. 151-194.

Santos A.R., Paradella W.R., Veneziani P., Morais M.C. 2001 Radar aplicado ao mapeamento
geológico e prospecção mineral: aplicações. São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, 103 p. (INPE-8117-PUD/45).

Santos, D.S.; Dias, F.F. 2011. Uso de anaglifos como alternativa para práticas de estereoscopia em
sensoriamento remoto. Anuário do Instituo de Geociências – UFRJ, 34(2): 104-111.

Shelton, J.S.1986. Aerial stereo photos – set 2. Crystal Productions, Aspen, Colorado. 20 stereopairs.

Soares, P.C; Fiori, A.P. 1976. Lógica e sistemática na análise e interpretação de fotografias aéreas em
Geologia. Not. Geomorfol., Campinas, 16(32): 71-204.

Weijermars, R. 2011. Remote-sensing maps. In: Weijermars, R (Ed.) Structural Geology and map
interpretation. Alboran Science Publishing, p. 257-283. Disponível em:
http://ocw.tudelft.nl/fileadmin/ocw/opener/Structural_Geology___Map_Interpretation_E-Book_2011.pdf.
Acesso em 05 jan 2016.