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A PARTICIPAÇÃO DOS ANJOS


J. R. Ward
Série – Os Reis Bourbon – 2

Em Charlemont, Kentucky, a família Bradford é a crème de lá crème1 da alta sociedade, assim


como sua marca exclusiva de bourbon. E suas vidas complicadas e vastas propriedades são
administradas por um pessoal discreto que inevitavelmente se envolve em seus assuntos. Isto é
especialmente verdadeiro agora, quando o aparente suicídio do patriarca da família está começando
a parecer cada vez mais com assassinato...
Ninguém está acima de suspeita, especialmente o filho mais velho Bradford, Edward. A hostilidade
entre ele e seu pai é conhecida em toda parte, e ele está ciente de que poderia ser nomeado como
suspeito. À medida que a investigação sobre a morte se intensifica, ele se mantém ocupado no
fundo de uma garrafa, bem como, a filha do seu ex-treinador de cavalos. Enquanto isso, o futuro
financeiro da família está nas mãos perfeitamente tratadas de um rival de negócios, uma mulher que
quer Edward para si.
Tudo tem consequências, todos têm segredos. E poucos podem ser confiáveis. Então, na eminência
da morte na família, alguém que pensava perdido para eles retorna à casa. Maxwell Bradford
chegou a casa. Mas ele é um salvador... ou o pior de todos os pecadores?

Traduzido e Revisado Inglês


Envio do arquivo e formatação: Cleusa
Revisão Inicial: Cleusa
Revisão Final: Ana Paula
Imagem: Elica
Talionis / Butterfly

1
Termo francês para a “nata da sociedade” em português.

2
NOTA DA AUTORA

A “participação dos anjos” é um termo de arte usado na indústria de produção de


bourbon. O bourbon produzido é colocado em barris de carvalho carbonizado por processo
de envelhecimento, que pode durar até doze anos ou mais. À medida que os barris são
armazenados em instalações não isoladas, o clima natural das quatro estações gloriosas de
Kentucky faz com que a madeira se expanda e se contraia no calor e no frio e, assim, interage
com o sabor, o bourbon. Este ambiente dinâmico, com o aditivo do tempo, é a alquimia final
que produz o produto mais distintivo, bem conhecido e bem aproveitado pela
Commonwealth. Também resulta em uma evaporação e absorção vital. Essa perda, que pode
significar cerca de dois por cento ao ano do volume original, e que varia de acordo com a
umidade do ambiente, oscilações de temperatura e o número de anos de envelhecimento,
entre outras coisas, é conhecida como a participação dos anjos.
Embora exista uma explicação perfeitamente razoável para o esgotamento que ocorre,
um raciocínio lógico, por assim dizer, adoro a noção romântica de que há anjos nos armazéns
dessas veneráveis destilarias de Kentucky, desfrutando de uma bebida enquanto flutuam
sobre a terra. Talvez seja um mint julep durante a Derby quando está quente, e depois um
bourbon puro durante os meses frios do inverno. Talvez eles estejam usando isso para fazer
torta de pecan ou para apimentar seus chocolates.
As funções para um bom bourbon, como estou aprendendo, são infinitas.
Eu também acho que o termo pode se aplicar ao tempo que nos muda ao longo do
tempo. Como o calor e o frio de nossas experiências, nossos destinos, expandimos e
contraímos nossas emoções, nossos pensamentos, nossas memórias, somos como um bom
bourbon, um produto diferente no final, e há um sacrifício envolvido: somos feitos dos
mesmos elementos centrais em que fomos construídos pela primeira vez, mas nunca somos
os mesmos depois. Somos alterados permanentemente. Se tivermos sorte e formos
inteligentes e livres no momento certo, somos melhorados. Se somos muito velhos, somos
arruinados para sempre.
O tempo, como o destino, é tudo.

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OS PERSONAGENS

Virginia Elizabeth Bradford Baldwine,


Baldwine também conhecida como Little V.E. Viúva de William
Baldwine, mãe de Edward, Max, Lane e Gin Baldwine, e uma descendente direta de Elijah Bradford,
o criador do bourbon Bradford. Uma reclusa com uma dependência química de comprimidos
prescritos, há muitas razões para o seu vício, alguns dos quais ameaçam a própria estrutura da família.
William Wyatt Baldwine:
Baldwine marido falecido de Little V.E. e pai, com ela, de Edward, Max, Lane e Gin
Baldwine. Também pai de um filho com a administradora agora falecida da família, Rosalinda
Freeland. Também o pai de uma criança por nascer da futura esposa de seu filho, Chantal. Chefe
executivo da Bradford Bourbon Company quando estava vivo. Um homem de padrões morais
baixos, grandes aspirações e poucos escrúpulos, cujo corpo foi encontrado recentemente no lado
oposto das Cataratas do Ohio.
Edward Westfork Bradford Baldwine:
Baldwine filho mais velho de Little V.E. e William Baldwine.
Formalmente o herdeiro aparente ao manto da Bradford Bourbon Company. Agora, uma sombra de
seu eu anterior, resultado de um trágico sequestro e tortura, planejado por seu próprio pai, ele virou
as costas para sua família e se aposentou nos estábulos Red & Black.
Maxwell Prentiss Baldwine:
Baldwine segundo filho mais velho de Little V.E. e William Baldwine. Ovelhas
negras da família que esteve longe de Easterly, a propriedade histórica dos Bradford em Charlemont,
Kentucky, há anos. Sexy, escandaloso e rebelde, o seu retorno à casa é problemático para várias
pessoas dentro e fora da família.
Jonathan Tulane Baldwine,
Baldwine conhecido como "Lane": o filho mais novo de Little V.E. e William
Baldwine. Playboy reformado e consumado jogador de pôquer na agonia de um divórcio de sua
primeira esposa. Com a fortuna da família em tumulto e desfalque abundante na Bradford Bourbon
Company, ele é forçado a assumir o papel de líder da família e deve confiar agora mais do que nunca
em seu único amor verdadeiro, Lizzie King.
Virginia Elizabeth Baldwine,
Baldwine em breve Pford, conhecida como "Gin": descendência mais jovem e
única filha de Little V.E. e William Baldwine. Uma rebelde que prospera em atenção, ela tem sido a
perdição de sua família, especialmente porque ela teve uma filha fora do casamento durante seus
anos de faculdade e mal se formou. Ela está à beira de se casar com Richard Pford, o herdeiro de
uma companhia de distribuição de bebidas alcoólicas e fortuna.
Amelia Franklin Baldwine:
Baldwine filha de Gin e com o verdadeiro amor de Gin, Samuel T. Lodge. Um
estudante da Escola de Hotchkiss, ela é uma cópia de sua mãe.

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Lizzie King:
King Horticultora que trabalhou em Easterly por quase uma década e manteve seus jardins de
renome nacional de vitrines de plantas e flores de espécimes raros. Apaixonada por Lane Baldwine e
totalmente comprometida com seu relacionamento. Não no drama da família, no entanto.
Samuel Theodore Lodge III:
III advogado, sexy cavalheiro do sul, elegante e pedigree, bad boy
privilegiado. O único homem que já mexeu com os sentimentos de Gin. Não tem ideia de que
Amelia é sua filha.
Sutton Endicott Smythe:
Smythe CEO recentemente eleita da Sutton Distillery Corporation, a maior rival da
Bradford Bourbon Company no mercado. Apaixonada por Edward há anos, ela se destacou
profissionalmente, mas estagnou em sua vida pessoal, em grande medida porque ninguém se
compara a Edward.
Shelby Landis: filha de uma lenda de corrida de puro-sangue, cujo pai, Jeb, aconselhava Edward
quando se tratava de cavalos. Uma mulher trabalhadora e forte, ela cuida de Edward, mesmo quando
ele não quer seus cuidados.
Senhora Aurora Toms:
Toms Chef chefe de Easterly durante décadas, capaz de servir comida da alma ou
Cordon Bleu cozinhando com uma mão forte e um coração quente. Sofrendo do câncer terminal.
Força materna nas vidas de Lane, Edward, Max e Gin e a verdadeira bússola moral para as crianças.
Edwin "Mack" MacAllan:
MacAllan Master Distiller da Bradford Bourbon Company. Cultivando uma nova
cepa de levedura, ele está correndo contra o tempo e recursos limitados para manter os alambiques
em execução. Não foi amado por uma mulher há muito tempo, se alguma vez foi. Casado com seu
trabalho.
Chantal Blair Stowe Baldwine:
Baldwine a ex-esposa de Lane. Grávida com a criança ilegítima de William
Baldwine. Uma rainha da beleza com toda a profundidade de um pires, ela está ameaçando expor a
paternidade de seu bebê não nascido como uma maneira de obter mais dinheiro da Lane no
processo de divórcio.
Rosalinda Freeland:
Freeland Ex-administradora da Estância da Família Bradford. Cometeu suicídio em seu
escritório na mansão tomando cicuta. Mãe de Randolph Damion Freeland, dezoito anos, cujo pai é
William Baldwin.

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Capítulo 1

Big Five Bridge


Charlemont, Kentucky

Jonathan Tulane Baldwine inclinou-se sobre o trilho da nova ponte que ligava Charlemont,
Kentucky, com a vizinha Indiana mais próxima, New Jefferson. O rio Ohio estava a quinze metros
abaixo, as águas lamacentas e volumosas refletindo as luzes multicoloridas que agraciavam cada um
dos cinco arcos de extensão. Quando ele se levantou nas pontas de seus mocassins, ele sentiu como
se estivesse caindo, mas isso era apenas uma ilusão.
Ele imaginou como seu pai saltou essa mesma borda para a morte.
O corpo de William Baldwine foi encontrado na base das Cataratas do Ohio há dois dias. E
por todas as realizações do homem na vida, por todas as suas atividades sublimes, ele terminou com
seu cadáver emaranhado e mutilado em um ancoradouro de barco. Ao lado de um velho barco de
pesca. Esse tinha um valor de venda de duzentos dólares. Trezentos, no máximo.
Oh, uma degradação social.
Como era cair? Deve ter havido uma brisa correndo na cara, quando William foi puxado pela
gravidade e para baixo até a água. A roupa deve ter flutuado como uma bandeira, batendo contra o
corpo e a perna. Os olhos provavelmente estiveram lagrimejando pelo vento, ou talvez mesmo de
emoção?
Não, teria sido o primeiro.
O impacto teve que ter doído. E então, o que? Uma inalação chocada quando sugou as ondas
sujas do rio? Uma sensação de asfixia? Ou um nocaute o deixou felizmente inconsciente? Ou...
talvez tudo terminou com um ataque cardíaco da sobrecarga de adrenalina da descida, uma dor
penetrante no centro do tórax irradiando pelo braço esquerdo, impedindo a tentativa de salva-vidas
atuarem. Ele ainda estava consciente quando a barcaça de carvão o atingiu, quando a hélice o havia
picado? Certamente, quando ele passou pelas quedas d’água, ele estava morto.
Lane desejou que ele soubesse com certeza que o homem sofreu.
Saber que houve dor, dor tremenda e agonizante, e também o medo, um medo irresistível,
teria sido um poderoso alívio, um bálsamo para o excesso de emoções que a morte aquosa de seu

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pai o fez se afogar, mesmo quando ele estava em terra firme.
— Mais de sessenta e oito milhões de dólares que você roubou, — Lane disse ao vento
indiferente, a gota desinteressada, a corrente entediada abaixo. — E a empresa tem ainda mais
dívidas. O que diabos você fez com isso? Para onde foi o dinheiro?
Não havia resposta para ele, é claro. E teria sido o mesmo se o homem ainda estivesse vivo e
Lane o confrontasse pessoalmente.
— E minha esposa, — ele vociferou. — Você fodeu minha esposa. Sob o teto que você
compartilhava com minha mãe e engravidou Chantal.
Nem o casamento de Lane com sua ex, Chantal Blair Stowe foi qualquer coisa além de um
certificado em que ele foi forçado a colocar seu nome. Mas pelo menos ele estava reconhecendo
esse erro e cuidando disso.
— Não é de admirar que a mamãe seja drogada. Não é de admirar que ela se esconda. Ela
deve saber sobre as outras mulheres, deve saber quem e o que você era, seu desgraçado.
Quando Lane fechou os olhos, viu um corpo morto, mas não a bagunça do cadáver de seu pai
inchado e manchado de lama sobre aquela mesa inox, quando Lane foi ao necrotério para identificar
os restos mortais. Não, ele viu uma mulher sentada em seu escritório na mansão da família, sua saia
sensata, modesta e blusa de botão arrumada perfeitamente, seu cabelo curto apenas um pouco
despenteado, tênis manchado de grama em seus pés em vez de sapatos flats que ela sempre usava.
Havia uma careta horrível no rosto. O sorriso louco brincalhão.
Da cicuta que tinha tomado.
Ele encontrou aquele corpo dois dias antes de seu pai ter saltado.
— Rosalinda está morta por sua causa, seu filho da puta. Ela trabalhou para você em nossa
casa por trinta anos, e você também pode tê-la matado você mesmo.
Ela era a razão pela qual Lane descobriu o desfalque na empresa. A velha administradora para
as contas domésticas da família deixou uma espécie de nota de suicídio para trás, uma unidade USB
com planilhas do Excel que mostrava levantamentos alarmantes, as transferências para a WWB
Holdings.
William Wyatt Baldwine Holdings.
Havia bem uns sessenta e oito milhões de razões que ela havia se envenenado. Tudo porque o
pai de Lane a forçou a fazer coisas antiéticas até que sua sensação de decência a quebrasse.
— E eu sei o que você fez com Edward. Eu sei também que foi sua culpa. Você fodeu seu
próprio filho na América do Sul. Eles o sequestraram por sua causa, e você se recusou a pagar o
resgate para que eles o matassem. Seu rival nos negócios desapareceu enquanto você aparecia com
o pai aflito. Ou você fez isso com ele porque ele também, suspeitava que você estava roubando?

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Edward sobreviveu, exceto que seu irmão mais velho não era nada além de uma concha
arruinada com batimentos cardíacos irregulares, não mais o herdeiro aparente para o negócio, o
trono, a coroa.
William Baldwine fez tanto mal.
E estas coisas eram apenas as que Lane sabia. O que mais estava lá fora?
Igualmente importante era o que fazer a respeito de tudo. O que ele poderia fazer?
Ele sentiu como se estivesse no comando de um grande navio que se dirigia para uma costa
rochosa, bem antes que seu leme quebrasse.
Com uma rápida onda de força, ele balançou as pernas para cima e sobre o pesado trilho de
aço, seus mocassins batendo no aro de quinze centímetros do outro lado. Coração acelerado, mãos e
pés adormecidos, boca seca até que ele não conseguia engolir, ele segurou por atrás de seus quadris
com um aperto firme e se inclinou ainda mais para dentro do abismo.
Como se sentiu?
Ele poderia pular, ou simplesmente pisar... e cair, cair, cair até que ele soubesse com certeza
o que seu pai passou. Ele acabaria no mesmo ancoradouro de barco? Seu corpo também encontraria
a hélice de uma barcaça e ficaria bem pálido nas águas doces e sujas do Ohio?
Em sua mente claro como o dia, ele ouviu sua mãe2 dizer em seu profundo sotaque sulista,
Deus não nos dá mais do que podemos lidar.
A fé da senhorita Aurora certamente atravessou mais coisas do que a maioria dos meros
mortais podia suportar. Como uma afro-americana que cresceu no sul nos anos cinquenta, enfrentou
discriminações e injustiças que ele nem podia imaginar, e ainda assim a senhorita Aurora mais do
que suportou, ela triunfou na escola de culinária, dirigindo a cozinha gourmet em Easterly, não
apenas como um chef francês, mas a melhor, tornando-se a alma de Easterly, a rocha para muitos,
enquanto sua mãe, seus irmãos e irmãs ninguém mais se tornou.
O farol, que até encontrar a Lizzie, foi a única luz no horizonte para ele.
Lane queria acreditar como sua mãe acreditava. E oh, Deus, a senhorita Aurora tinha fé nele,
a fé de que ele superaria isso, salvaria a família, fosse o homem que ela sabia que ele poderia ser.
Fosse o homem que seu pai não era e nunca foi, independentemente das armadilhas de sua
riqueza e sucesso.
Pular, ele poderia pular. E acabaria.
Foi o que seu pai pensou? Com a mentira e o desfalque sendo expostos, com a morte de
Rosalinda um prenúncio para o canto fúnebre da descoberta, William veio aqui porque só ele sabia

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Se refere a Senhorita Aurora a quem Lane considerava sua verdadeira mãe. A única que lhe deu amor e carinho.

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a verdadeira extensão do que ele havia feito e a profundidade do buraco que foi escavado? Se ele
reconheceu que o jogo estava acabado, seu tempo estava chegando, e mesmo com toda sua
perspicácia financeira, ele não conseguiria resolver o problema que ele criou?
Ou ele decidiu fingir sua própria morte, e falhou ao ter sucesso?
Estaria em algum lugar lá fora, talvez em uma conta em algum paraíso fiscal ou em um cofre
bancário na Suíça, sob seu nome ou outro, com tudo o que foi desviado?
Tantas perguntas. E a falta de respostas, juntamente com o estresse de ter que consertar tudo,
era o tipo de coisa que poderia deixá-lo louco.
Lane se focou na água. Ele mal conseguia ver a partir desse ponto alto. Na verdade... ele não
podia ver nada além da escuridão com a menor sugestão de um brilho.
Havia, ele percebeu, um certo canto de sereia atraindo o covarde, uma atração, como a
gravidade, um fim que ele poderia controlar: um grande impacto e tudo acabava com a morte, a
fraude, a dívida. Tudo limpo, a infecção purulenta a ponto de estourar e estava prestes a ser
desencadeada publicamente, nada mais para se preocupar.
Houve noites sem dormir para seu pai? Arrependimentos? Quando William ficou aqui, houve
um vai-e-volta sobre sua decisão / ele não deveria voar por alguns instantes e acabar com a terrível
confusão que ele criou? O homem até mesmo considerou as ramificações de suas ações, uma
fortuna de mais de duzentos anos acabou nem mesmo em uma geração, mas em questão de um ano
ou dois?
O vento assobiou nos ouvidos de Lane, aquele canto de sereia.
Edward, seu irmão mais velho, antes perfeito, não ia limpar tudo isso. Gin, sua única irmã,
era incapaz de pensar em algo além de si mesma. Maxwell, seu outro irmão, desapareceu a três
anos.
Sua mãe estava acamada e drogada.
Então, tudo estava nas mãos de um jogador de pôquer, ex-meretriz, sem experiência
financeira, gerencial ou prática relevante.
Tudo o que ele tinha, finalmente, era o amor de uma boa mulher.
Mas nesta horrível realidade... mesmo isso não o ajudaria.

As picapes da Toyota não deveriam fazer 90 quilômetros por hora. Especialmente quando
tinham dez anos de idade.
Pelo menos a motorista estava bem acordada, embora fosse quatro da manhã.
Lizzie King tinha um controle de morte no volante, e seu pé no acelerador estava realmente

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colado no assolho enquanto se dirigia para a auto estrada.
Ela acordou na cama na fazenda sozinha. Normalmente, esse seria seu status quo, mas não
mais, não agora que Lane estava de volta a sua vida. O playboy rico e a jardineira da propriedade
finalmente ficaram juntos, o amor entre os dois improvável era cada vez mais forte do que as
moléculas de um diamante.
E ela ficaria de acordo com ele, não importa o que o futuro reservasse.
Afinal, era muito mais fácil desistir da riqueza extraordinária quando nunca a conhecera,
nunca a aspirou, e especialmente quando você via atrás da cortina brilhante para o deserto triste e
desolado do outro lado do glamour e prestígio.
Deus, o stress Lane era intenso.
E então fora da cama quando conseguiu, desceu as escadas rangentes meio adormecida. E
vagou ao redor do primeiro andar da sua pequena casa.
Quando Lizzie olhou para fora, descobriu que o carro dele sumiu, o Porsche que ele dirigiu e
estacionou ao lado do bordo em frente à sua varanda não estava em nenhum lugar para ser visto. E
quando ela se perguntou por que ele partiu sem dizer a ela, ela começou a se preocupar.
Apenas uma questão de noites desde que seu pai se matou, apenas uma questão de dias desde
que o corpo de William Baldwine foi encontrado no lado oposto das Cataratas do Ohio. E desde
então, o rosto de Lane tornou um olhar distante, sua mente sempre agitada com o dinheiro sumido,
os papéis de divórcio que ele havia apresentado a Chantal, o status das contas domésticas, a situação
precária na Bradford Bourbon Company, a terrível condição física de seu irmão Edward, a doença
da senhorita Aurora.
Mas ele não disse nada sobre isso. Sua insônia foi o único sinal da pressão, e foi isso que a
assustou. Lane sempre fez um esforço para se recompor em torno dela, perguntando-lhe sobre o
trabalho dela nos jardins de Easterly, esfregando o ombro ruim, fazendo seu jantar, geralmente
ruim, mas quem se importava. Desde que isso limparam o ar entre eles e se comprometeram
completamente com seu relacionamento, ele quase tinha se mudado para a fazenda, e, tanto quanto
amava estar com ele, ela esperava a implosão ocorrer.
Quase teria sido mais fácil se ele estivesse esbravejando e delirando.
E agora ela temia que o tempo chegou, e um sexto sentido a deixou aterrorizada para onde ele
tinha ido. Easterly, a Estância da Família Bradford, foi o primeiro lugar em que pensou. Ou talvez
no Old Site, onde o bourbon de sua família ainda era feito e armazenado. Ou talvez a igreja Batista
da senhorita Aurora?
Sim, Lizzie tentou o telefone. E quando a coisa tocou na mesa do lado da cama, ela não
esperou mais. Com roupas. Chaves na mão. Correu para a picape.

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Ninguém mais estava na I-64 enquanto ela se dirigia para a ponte para atravessar o rio, e ela
acelerou até mesmo quando descia a colina e atingiu o declive para a borda do rio, no lado de
Indiana. Em resposta, a sua velha picape pegou ainda mais velocidade, juntamente com um
chocalho de morte que sacudiu as rodas e o assento, mas a maldita Toyota ia se segurar porque ela
precisava disso.
— Lane... onde você está?
Deus, todas as vezes ela lhe perguntou como ele estava e ele havia dito: — Tudo bem. —
Todas essas oportunidades para conversar que ele não retornou a ela. Todos os olhares que ela
atirou nele quando ele não estava olhando para ela, todo o tempo monitorando sinais de rachaduras
ou tensão. E, no entanto, houve pouca ou nenhuma emoção depois daquele momento que eles
tiveram juntos no jardim, aquele momento privado e sagrado, quando ela o procurou sob as flores
das árvores frutíferas e lhe disse que estava errada sobre ele, que ela o julgou mal, que estava
disposta a fazer uma promessa a ele com a única coisa que ela tinha: a escritura da sua fazenda, o
que era exatamente o tipo de ativo que poderia ser vendido para ajudar a pagar as taxas com os
advogados quando ele lutasse para salvar sua família.
Lane a abraçou e lhe disse que a amava, e recusou o presente, explicando que ele iria
consertar tudo ele mesmo, que iria de alguma forma encontrar o dinheiro roubado, pagar a dívida
enorme direto à empresa, ressuscitar a fortuna de sua.
E ela acreditou nele.
Ela ainda acreditava.
Mas desde então? Ele esteve tão quente e fechado como um aquecedor, fisicamente presente
e completamente ausente ao mesmo tempo.
Lizzie não o culpava no mínimo.
Porém, era estranhamente aterrorizante.
Ao longe, ao longo do rio, a zona comercial de Charlemont brilhava e cintilava, uma galáxia
falsa e restrita a terra que era uma mentira adorável, e a ponte que ligava as duas margens ainda
estava iluminada na primavera, verde e rosa brilhante para Derby, um formal arco-íris para a terra
prometida. A boa notícia era que não havia trânsito, então, tão logo que Lizzie estivesse do outro
lado, ela poderia tomar a saída da River Road fora da auto estrada, acelerar para o norte para a
colina de Easterly e ver se seu carro estava estacionado na frente da mansão.
Então ela não sabia o que ela ia fazer.
A ponte recém-construída tinha três pistas indo em ambas as direções, a do meio era separada
de concreto alto e largo à esquerda e à direita por motivos de segurança. Havia fileiras de luzes
brancas no meio, e tudo estava brilhando, não apenas pela iluminação, mas a falta de exposição aos

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elementos climáticos. A construção terminou apenas em março, e as primeiras linhas de trânsito
cruzaram no início de abril, reduzindo os atrasos nas horas de pico.
À frente, estacionado no que era realmente a faixa “lenta”, havia um veículo que seu cérebro
reconheceu antes que seus olhos estivessem devidamente focados nisso.
O Porsche de Lane. Era o Porsche de...
Lizzie pisou mais forte no pedal do freio do que ela estava pisando no acelerador, e a picape
fez a transição da força cantando pneus para uma parada completa com a graça de um sofá caindo
pela janela de um segundo andar. Tudo estremeceu e abalou, à beira da desintegração estrutural, e
pior, quase não houve mudança na velocidade, como se a Toyota tivesse trabalhado demais para
ganhar velocidade e não permitiria que a frenagem se desse sem uma briga.
Havia uma figura no beiral da ponte. Na extremidade mais distante. No lado da ponte sobre a
queda mortal.
— Lane! — ela gritou. — Lane!
Sua picape entrou em um giro, girando de tal forma que ela teve que enfiar a cabeça na janela
para mantê-lo em suas vistas. E ela saltou antes que a Toyota estivesse parada, deixando a
balançando em ponto morto, o motor funcionando, a porta aberta em seu rastro.
— Lane! Não! Lane!
Lizzie percorreu o pavimento e saltou as barreiras que pareciam frágeis, muito frágeis, dada a
distância até o rio.
Lane virou a cabeça...
E perdeu uma porção do trilho atrás dele.
À medida que seu aperto escorregou, o choque registrou-se no rosto, um instante de
surpresa... isso foi imediatamente substituído pelo horror.
Quando ele caiu em nada além de ar.
A boca de Lizzie não conseguiu abrir o suficiente para soltar seu grito.

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Capítulo 2

Pôquer.
Enquanto Lane se encontrava sem nada entre seus pés e o rio Ohio abaixo dele, quando seu
corpo entrou em uma queda livre, quando uma explosão de luta ou voo explodiu, muito tarde,
através de suas veias... sua mente se aproximou de um jogo de pôquer, que ele jogou no Bellagio
em Las Vegas, sete anos antes.
Bom, sua descida tinha sido em câmera lenta.
Havia dez sentados ao redor da mesa de altas apostas, o buy-in3 era de vinte e cinco mil, e
havia dois fumantes, oito bebedores de bourbon, três com óculos de sol, um com barba, dois com
bonés de baseball e um chamado pregador com um traje de seda branco estranhamente proporcional
ao que Elvis poderia ter usado na década de oitenta, se o rei colocasse manteiga de amendoim e
banana nos sanduíches e vivesse o suficiente para experimentar a influência do punk Me Decade.4
Mais importante ainda, como aconteceu, havia um ex-oficial da Marinha a dois assentos de
Lane e, logo, quando as duas pessoas haviam abandonado o jogo, eles acabaram com ninguém entre
eles. O ex-soldado não tinha dado nada, provavelmente resultado de estar em situações muito mais
mortais para viver do que uma mesa de feltro verde e um banquinho acolchoado. Ele também tinha
olhos estranhos, verde pálido e uma presença enganosa e despretensiosa.
E era estranho pensar que aquele cara, que Lane tinha acabado de bater com um par de reis,
ace-high5, seria a última pessoa que ele pensaria.
Bem, a segunda última.
Lizzie. Deus, ele não esperava que Lizzie viesse encontrá-lo aqui, e a surpresa causara o que
seria um erro fatal.
Oh, Deus, Lizzie-
Voltou para o jogador de pôquer. O cara falou sobre suas experiências em um porta-aviões no

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Termo usado no jogo de pôquer. O valor monetário mínimo requerido por um jogador para juntar-se a uma mesa
privada.
4
Estilo que marca a década de 1970, caracterizada por narcisismo, autoindulgência e falta de preocupação social em
muitos, especialmente pessoas mais jovens.
5
Uma mão com cinco cartas onde o Ás é a carta mais alta e que não tem nenhum par; se nenhum outro jogador tiver um
par, será a mão vencedora (similar "King-high", "Queen-high etc.).

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oceano. Como eles foram treinados para saltar de alturas de nove, doze, quinze metros acima da
água. Como, se você quisesse viver, havia um arranjo específico que você precisava para colocar
seu corpo antes de atingir a superfície.
Era tudo sobre o coeficiente de arrasto. O que você teria que obter o mais próximo possível
do zero.
Pés primeiro era um benefício, os tornozelos cruzados eram necessários, o último sendo
crítico, as pernas não podiam ficar abertas como o esqueleto em um peru de Ação de Graças.
Depois disso, você teria um braço na frente do seu tronco, com a mão agarrando o cotovelo oposto.
O outro braço você precisava colocar no meio do peito, a palma da mão esticada sobre a boca e o
nariz. A cabeça tinha que estar no nível da parte superior da coluna vertebral ou você arriscava
concussão ou chicote.
Entre como uma faca.
Caso contrário, a água, quando atingida a uma grande velocidade, tinha mais em comum com
o cimento do que qualquer coisa que pudesse derramar em um copo.
Deslize o mínimo possível.
Como um mergulhador de penhasco.
E reze para que seus órgãos internos de alguma forma retardem a uma taxa que fosse
compatível com a sua ancoragem segura em seu esqueleto. Caso contrário, o cara da Marinha havia
dito, seus interiores seriam uma omelete com pimenta, antes de bater na panela, apressando-se para
preencher os espaços em sua caixa torácica.
Lane se trancou, usando cada músculo que ele tinha para se transformar em aço fino e forte,
como aquela lâmina de faca. O vento, Deus, o som do vento nos ouvidos era como o rugido de um
tornado, e não havia aletas, ou pelo menos, nenhum dos quais ele estava ciente. Na verdade, a queda
teve uma qualidade estranha de jateamento, como se estivesse sendo atingido por ondas de
partículas.
E o tempo parou.
Ele sentiu como se estivesse pendurado no Everland entre a base sólida que ele teve e o
túmulo aquoso que o reclamaria, assim como seu pai.
— Eu te amo!
Pelo menos, era o que ele queria dizer. O que saiu da boca antes de bater? Nenhuma pista.
O impacto era algo que ele sentia nos quadris, nos quadris e nos joelhos, enquanto as pernas
estavam encostadas no tronco. E então houve uma onda de frio. À medida que a dor iluminava a
placa-mãe, tudo ficou frio, frio e frio.
O rio reclamou seu peito e sua cabeça como um saco de corpo sendo fechado sobre um

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cadáver, fechando o saco preto, trancando ar fresco, luz, som.
Agasalhado. Tão abafado.
Nada, pensou. Nada.
Seus braços não conseguiram obedecer, mas, quando seu impulso diminuiu, suas pernas se
soltaram, e então, sim, suas mãos agarraram a água, que agora era suave. Ele abriu os olhos, ou
talvez eles não estivessem fechados, mas sentiu uma fúria repentina lá, ácido contra suas pupilas.
Sem respiração. Tanto quanto seus instintos foram para liberar a sobrecarga da sensação com
uma exalação, ele acumulou seu oxigênio precioso.
Chutando. Agarrando.
Ele lutou.
Pela vida.
Então ele poderia voltar para a mulher que ele não quis deixar a primeira vez, e não queria
deixar nesse momento.
Então ele poderia provar que ele era diferente de seu pai.
E então ele poderia mudar o futuro falido que temia que fosse escrito na lápide da família.

Quando Lane caiu da ponte, o primeiro pensamento de Lizzie foi que ela estaria indo atrás
dele. Até o ponto em que quase pulou sobre o trilho e saltou para o rio.
Mas ela parou porque não podia ajudá-lo dessa maneira. Inferno, ela provavelmente pousaria
sobre ele quando ele viesse à tona para respirar. Assumindo que ele viesse... oh, Deus,
Desajeitada. Telefone. Telefone, ela precisava de seu...
Ela mal ouviu o grito dos pneus ao lado dela. E a única razão pela qual ela olhou para quem
parou foi porque seu celular surgiu da palma da mão e seus olhos foram voando naquela direção.
— Ele pulou! — o homem gritou. — Ele pulou...
— Inferno... — Ela pegou o telefone do nada antes de atingir o asfalto. — Ele caiu!
— Meu irmão é um policial.
— 911...
Ambos ligaram ao mesmo tempo, e Lizzie se afastou para ficar nas pontas dos pés e olhar
pelo trilho. Ela não conseguia ver nada abaixo por causa das luzes ao redor dela e as lágrimas que
ela estava piscando. O coração estava acelerando e iniciando, e ela tinha uma vaga ideia de que suas
mãos e pés estavam formigando. Quente, seu corpo estava quente, como se fosse meio-dia em
julho, e sentiu que estava suando baldes.
Deus. E se ninguém viesse à tona...?

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Quando ela se afastou, ela e o cara que se apressou de seu carro entreolharam, e ela tinha a
estranha sensação de que iria se lembrar desse momento pelo resto de sua vida. Talvez ele também.
— Olá! — ela gritou. — Estou na ponte, a Big Five Bridge! Um homem...
— Olá! — disse o homem. — Sim, temos um saltador...
— Ele não saltou! Ele caiu, o que? Quem se preocupa com meu nome! Envie alguém, não
para a ponte! Abaixo, abaixo, a jusante.
—... que acabou de cair da nova ponte. Eu sei que você está de plantão, você está sob a
ponte? Você consegue alguém?
—... para buscá-lo! Não, eu não sei se ele sobreviveu! — Então Lizzie fez uma pausa mesmo
em seu pânico e repetiu a pergunta que foi colocada a ela. — Quem foi?
Mesmo neste momento de crise, ela hesitou em dar o nome. Qualquer coisa envolvendo os
Bradfords era novidade, não só em Charlemont, mas, a nível nacional, e esta queda, maldição, era
algo que ela tinha certeza de que Lane não iria querer na mídia. Assumindo que ele sobrevivesse...
Dane-se. Isto era sobre a vida e a morte.
— O nome dele é Lane Bradford, ele é meu namorado. Eu saí porque...
Ela balbuciou nesse ponto e voltou para a queda. E então, ela estava inclinada sobre o trilho
novamente, rezando para que ela pudesse ver sua cabeça emergir a superfície. Deus, ela não podia
ver nada!
Lizzie desligou depois de ter dado seu nome, seu número e tanto quanto ela sabia. Enquanto
isso, o homem também estava fora de seu telefone e ele estava falando com ela, dizendo-lhe que seu
irmão, ou seu primo, ou o fodido ‘Papai Noel’ estava vindo. Mas Lizzie não estava ouvindo. A
única coisa que ela sabia era que ela tinha que chegar até Lane, tinha que...
Ela se concentrou em sua picape chocalhando, porcaria.
E depois olhou para o conversível 911 Turbo da Lane.
Lizzie estava atrás do volante do Porsche uma fração de segundo depois. Felizmente, ele
deixou a chave na ignição, e o motor ganhou vida quando ela socou a embreagem e acionou os
cavalos. Pisar no acelerador era um negócio diferente, inteiramente, se comparado ao seu Toyota
antigo, os pneus derrapando quando ela massageou o carro esportivo e correu na contramão.
Bem. Deixe o policial detê-la. Pelo menos, ela os levaria até a água.
Um conjunto de faróis que chegam a ela que a levou a lançar a Porsche à direita, e a buzina
do outro veículo foi como o terror em sua cabeça, uma distração gritante que poderia tê-la feito sair
da estrada, mas se concentrou em chegar a Lane.
Lizzie pegou a rampa de saída a 130 quilômetros por hora, e por algum milagre, ninguém
passou subindo a estrada. Ao fundo, ela vez outro contorno ilegal e conseguiu-se dirigir na mão

16
certa, mas mais uma das leis de trânsito quebrada quando ela saltou a calçada, arrancou uma faixa
de grama e abaixou-se em um caminho de duas faixas que levava até a beira do rio.
Lizzie levou o Porsche a cerca de 160 quilômetros por hora.
E então ela bateu nos freios.
Uma das sorveterias favoritas da região estava localizada na costa, em uma casa vitoriana
com um passado histórico, e, além de sorvetes, eles também alugaram bicicletas... e barcos.
Ela não estacionou o 911 tanto como o despejou ao lado da estrada na faixa de grama tão
torto como chapéu de bêbado. Ela deixou os faróis ligados e de frente para a água enquanto ela
saltou uma cerca e correu em um gramado raso para as docas flutuantes. Lá, ela encontrou uma
variedade de Boston Whalers6, nenhum dos quais tinha chaves neles, é claro, e um com fundo
plano, instável, velho, com um motor de popa puxa para iniciar.
Que, abençoadamente, alguém não tinha acorrentado ao poste.
Lizzie entrou, e levou dois arrancos para o motor pegar. Então ela arrancou as cordas e se
dirigiu para o rio, a lata conseguiu bater nas ondas e espirando água no rosto dela. Com a escassez
de luz artificial, ela podia ver um pouco, mas não muito, e a última coisa que queria era atropelá-lo.
Ela tinha percorrido apenas cem metros ou mais no rio, o que parecia ser o tamanho de um
oceano, quando viu a coisa mais milagrosa no horizonte.
Um milagre.
Foi um milagre.

6
Fabricante de barcos localizado na Flórida.

17
Capítulo 3

O rio Ohio estava muito mais frio do que Lane poderia ter imaginado. E a costa estava mais
distante, como se estivesse nadando no Canal da Mancha. E seu corpo mais pesado, como se
houvesse blocos de cimento amarrados a seus pés. E seus pulmões não estavam funcionando
corretamente.
A correnteza o estava levando rápido, mas isso era apenas uma boa notícia, se ele queria ir
pelas cataratas como seu pai. E, com a boa sorte, a correnteza implacável o puxava para o centro do
canal, longe de qualquer tipo de terra, e ele tinha que lutar contra isso se quisesse chegar...
Quando uma iluminação penetrante o atingiu por trás, ele pensou por uma fração de segundo
que a fé de sua mãe acabou por ser real e seu Jesus estava vindo para levá-lo aos portões celestiais.
— Eu peguei ele! Eu peguei ele!
Tudo bem, essa voz pareceu muito comum para ser qualquer coisa bíblica, e o sotaque do Sul
revelou que provavelmente era um mortal e não Deus.
Cansando água em sua boca, Lane rolou sobre suas costas e teve que colocar um braço sobre
os olhos quando ele estava cego pelo brilho.
— Ele está vivo!
O barco que parou ao lado dele tinha bem uns nove metros de comprimento e tinha uma
cabana, e seus motores desligado quando a popa girou em sua direção.
Ele foi puxado graças a uma garra metálica, e então ele se ajudou a sair do rio e a plataforma
sobre as hélices. Colocado de costas, olhou para a noite. Ele não podia ver as estrelas. O brilho da
cidade era muito intenso. Ou talvez seus olhos estivessem nublados.
O rosto de um homem apareceu em sua visão. Barba cinzenta. Cabelos desgrenhados. — Nós
o vimos pular. Bom, nós estávamos chegando...
— Alguém está se aproximando a estibordo.
Lane sabia sem olhar quem era. Ele simplesmente sabia. E com certeza, quando o holofote
foi girado manualmente naquela direção, ele viu sua Lizzie em um barco plano que chegava a eles,
a embarcação frágil, artesanal batia contra a água, seu corpo forte agachado no motor de popa,
aquele lamento agudo do pequeno motor sobrecarregado, a trilha sonora perfeita para o pânico no
rosto dela.

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— Lane!
— Lizzie! — ele se sentou e agarrou com suas mãos gotejando para gritar. — Estou bem! Eu
fiz isso!
Ela puxou para cima como uma perita em toda a popa, e mesmo que ele estivesse com roupas
molhadas e frio até os ossos, ele a agarrou. Ou talvez ela tenha pulado sobre ele. Provavelmente
foram os dois.
Ele a segurou contra ele, e ela o segurou de volta. E então, ela se afastou e golpeou-o no
bíceps com tanta força, quase o derrubou no rio.
— Oh!
— O que diabos você estava fazendo lá?
— Eu não estava...
— Você está louco...
— Eu não...
— Você quase se matou!
— Lizzie, eu...
— Estou tão irritada com você agora mesmo!
O barco de pesca estava balançando de um lado para o outro enquanto eles estavam em pé
plantados na amurada. E ele estava vagamente ciente de que havia três pescadores em um barco
maior.
— Eu poderia apenas esbofeteá-lo!
— Ok, se isso te faz sentir melhor...
— Não vai! — disse Lizzie. — Nada vai acontecer, pensei que você estivesse morto!
Quando ela começou a chorar, ele amaldiçoou. — Eu sinto muito. Eu sinto muito…
Ele a puxou de volta contra ele e a segurou firme, acariciando sua espinha e murmurando
coisas que ele não lembraria, mesmo que o momento em si fosse inesquecível.
— Sinto muito... sinto muito...
Típico de Lizzie, não demorou muito para se recompor e olhar para ele. — Eu realmente
quero bater em você.
Lane esfregou o bíceps. — E eu ainda mereço.
— Tudo bem? — um dos caras disse enquanto jogava uma toalha desbotada que cheirava a
isca. — Vocês precisam de 911? Ou um de vocês?
— Já foi chamado, — respondeu Lizzie.
E sim, claro, havia luzes vermelhas e azuis brilhantes na ponte agora, assim como as que
caíam na margem do rio, também no lado de Indiana.

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Ótimo, ele pensou quando se envolveu. Apenas fudidamente ótimo.
— Vamos ficar bem. — Lane estendeu a mão. — Obrigado.
O homem com a barba cinzenta pegou o que foi oferecido. — Fico feliz que ninguém esteja
ferido. Você sabe, as pessoas, eles pulam de lá. Só na semana passada, aquele cara, ele pulou e se
ferrou. Eles o encontraram no outro lado das quedas. Em uma casa de barcos.
Sim, era meu pai, pensou Lane.
— Realmente? — Lane mentiu. — Não houve nada na imprensa.
— Era a casa de barco do meu primo. Acho que o cara era importante ou algo assim. Eles
não estão falando.
— Bem, isso é uma vergonha. Para a família do homem, seja quem for.
— Obrigado, — disse Lizzie aos caras. — Muito obrigado por tirá-lo.
Houve uma conversa nesse ponto, não que Lane tenha prestado muita atenção a isso, além de
que eles desejam que ele ficasse com a toalha e ele agradecendo por isso. E então ele estava se
abaixando no barco, colocando tudo o que ele tinha em seu torso para conservar o calor do corpo.
Enquanto isso, Lizzie reiniciou o motor de popa com dois arrancos poderosos e os afastou, o doce
cheiro de gasolina e óleo que irradiou no ar, o fez pensar em verões de infância. Quando se viraram,
ele olhou para o barco maior.
E depois riu.
— O quê? — ela perguntou.
— O nome do barco. — Ele apontou para a rótulo na popa. — Inacreditável.
Aurora, foi escrita em letras douradas.
Sim, de alguma forma, mesmo quando ela não estava por perto, sua mãe o protegia,
salvando-o, apoiando-o.
— Isso é estranho, — disse Lizzie ao acelerar e eles abriram caminho para a costa.
Toda vez que Lane piscava, ele viu o abismo abaixo da ponte, revivendo aquele momento
quando ele entrou em uma queda livre. Era estranho perceber que, embora ele estivesse caminhando
para um terreno sólido com a mulher que ele amava, ele sentiu como se estivesse de volta a essa
terra de ninguém, toda a segurança, nada além de um ar descuidado entre ele e um duro e difícil
impacto que ele tinha certeza de que iria matá-lo.
Concentrando-se em Lizzie, ele mediu as linhas fortes de seu rosto e seus olhos afiados, do
jeito que seus cabelos loiros brilharam na brisa, o fato de que ela não se importou que ele a tivesse
molhado quando eles se abraçaram.
— Eu amo você, — ele disse.
— O que?

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Ele apenas balançou a cabeça e sorriu para si mesmo. O nome de sua mãe naquela popa... sua
mulher por trás desse leme...
— Você roubou esse barco? — ele disse mais alto.
— Sim, — ela gritou de volta. — Não me importou o que isso custasse. Eu ia buscá-lo.
Quando eles chegaram a uma doca, ela manobrou o barco como uma perita, dirigindo o
motor de popa, empurrando o punho na direção oposta de onde queria que o arco se dirigisse, e
depois voltando as coisas com tanta habilidade que, apesar da corrente, a lata metálica apenas
beijou os postes.
Lane ancorou o arco com uma linha, Lizzie pegou a popa, e então ele deu a mão a ela para
ajudá-la no barranco. Ela não veio até ele imediatamente. Em vez disso, ela enfiou a mão no bolso
da jaqueta solta. Tirando algo, ela o colocou na tampa do combustível.
Quando ela saltou para a margem sozinha, ele disse: — O que foi isso?
— Uma nota de cinco dólares. Usei um pouco de seu combustível.
Por um momento, Lane simplesmente ficou de pé diante dela, mesmo que ele estivesse frio
até os ossos, e eles eram invasores, e ele simplesmente mergulhou no Ohio.
Ah, e depois os policiais vieram para frente deles.
E aquela pequena queda livre, eu-estou-indo-para-morrer.
Estendendo a mão, ele segurou seu belo rosto na iluminação dos faróis. Lizzie era tudo o que
sua família não era. Em tantos níveis.
Era uma das muitas razões pelas quais ele a amava. E foi estranho, mas sentiu uma urgência
em tornar as coisas permanentes entre eles.
— O quê? — ela sussurrou.
Ele começou a ajoelhar. — Lizzie...
— Oh, Deus, você está desmaiando? — ela o arrastou de volta para seus pés e esfregou os
braços. — Você está desmaiando! Vamos, vamos até uma ambulância ...
— Coloquem suas mãos onde podemos vê-las, — veio a demanda. — Agora!
Lane examinou todas aquelas luzes e amaldiçoou. Havia momentos e lugares para pedir a sua
mulher para se casar com você. Na mira da Polícia Metro de Charlemont, molhado com água suja e
dois minutos depois de uma espiral de morte no Ohio?
Não. Isto.
— Ei, — disse um dos policiais. — Eu sei quem é esse. Essa é Lane Bradford...
— Cale a boca, — alguém sibilou.
— Eles fizeram este artigo sobre ele...
— Hicks, Cale-se.

21
Quando Hicks ficou quieto, Lane ergueu os dois braços e olhou para a brilhante iluminação.
Ele não viu nada do que estava por vir. Tipo apto, realmente.
— Eles podem me prender por levar esse barco? — Lizzie sussurrou enquanto ela colocava
as palmas das mãos para cima.
— Eu vou cuidar disso, — Lane disse calmamente. — Não se preocupe.
Merda.

22
Capítulo 4

Easterly, Estância da Família Bradford

— Eu te odeio!
Como a mais nova dos três filhos, Virginia Elizabeth da família Bradford avançou para um
abajur, Gin Baldwine, em breve Pford, não conseguiu. Provavelmente, para o melhor. A coisa foi
feita de um vaso Imari que ela sempre foi bastante afeiçoada e a sombra de seda foi feita à mão com
as iniciais bordadas em fio de ouro real.
Seria uma pena destruir tal beleza, e Deus sabia que não haveria nada além de cacos e
fragmentos depois que ela acabasse de jogá-lo.
O que a impediu foi a mão de seu noivo agarrando seus cabelos, segurando-a e chicoteando-a
de seus saltos. Depois de um breve momento de leveza, que foi um pouco divertido, houve um
golpe que ardeu os ombros, bateu os dentes e lembrou que o cóccix era, de fato, uma parte do corpo
muito desnecessária.
A dor resultante de lá também a levou de volta ao seu pai, espancando-a quando criança com
um dos cintos de pele de jacaré.
Claro, ela se recusou resolutamente a aprender algo dessas sessões felizes ou a alterar seu
comportamento de qualquer maneira. Apenas para provar que ele não dirigia a vida dela.
E sim, as coisas funcionaram tão bem desde então.
O rosto fino e anguloso de Richard Pford passou por cima da cabeça. — Odeie-me tudo o que
quiser, mas você não vai me desrespeitar novamente. Estamos entendidos.
Ele ainda estava puxando seus cabelos, forçando o pescoço e a espinha para contrariar sua
força ou arriscar-se a ser decapitada.
— O que eu faço ou não faço — ela grunhiu, — não vai mudar a opinião de ninguém sobre
você. Nada nunca muda.
Enquanto ela olhava para ele, ela também sorriu. Atrás daqueles olhos de rato dele, agora, ele
a levou em uma pequena viagem pela pista da memória, sua baixa autoestima através do roteiro de
insultos que havia sido atirado para ele no Dia do País de Charlemont enquanto eles foram colegas
de classe. Gin estava entre os insultantes, muito de uma garota má que liderava um bando. Richard,

23
por outro lado, foi um garoto magricela, cheio de espinhas com uma sensação de direito e uma voz
como a do Pato Donald. Nem mesmo a riqueza extraordinária de sua família o ajudou socialmente,
ou a fazer sexo.
E de fato, a gíria dos anos noventa rendeu uma nomenclatura tão estelar, não tinha: perdedor,
baba-ovo, careta, mala, filho da puta.
Richard voltou a trazê-la para o foco. — Espero que minha esposa esteja esperando em casa
por mim quando eu tenho um compromisso de negócios em que ela não seja bem-vinda. — Ele
puxou seu cabelo. — Eu não espero que ela esteja em um jato para Chicago.
— Você está morando em minha casa.
Richard voltou a segurá-la, como se estivesse estudando um cachorro com uma corrente no
pescoço. — Especialmente quando eu disse a ela, ela não podia usar nenhum dos meus aviões.
— Mas se eu tivesse tomado um avião Bradford, como eu poderia ter certeza de que você
descobriria sobre isso?
O olhar de confusão em seu rosto valia a pena tudo o que estava acontecendo, e o que
aconteceria depois.
Gin se libertou e ficou de pé. Seu vestido Gucci estava torcido, e ela discutiu se deveria
deixá-lo dessa forma ou alinhá-lo.
Desgrenhada, ela decidiu.
— A festa foi divina, — ela disse. — Como também, os dois pilotos. Você certamente sabe
que tipo de homens contratar.
Quando Richard explodiu e levantou a mão para seu ombro, ela riu. — Tenha cuidado com o
rosto. Meu maquiador é bom, mas há limites para ocultistas.
Em sua mente, em todo o corpo, a mania louca cantou como um coro no altar da loucura. E
por uma fração de segundo, ela pensou em sua mãe, deitada em sua cama no corredor, incapacitada
como qualquer viciado sem-teto nas ruas.
Quando um Bradford ficava viciado em narcótico, no entanto, eles os obtinham de seu
médico particular e tinha cama de luxo em vez de papelão, enfermeiro particular, em vez de abrigo.
“Medicação” em vez de “drogas”.
Seja qual for o vocabulário, pode-se apreciar como é melhor e mais fácil do que lidar com a
realidade.
— Você precisa de mim, — Richard assobiou. — E quando eu compro algo, espero que ele
funcione corretamente. Ou eu jogo fora.
— E quem quer ser o governador de Commonwealth de Kentucky algum dia deve saber que
bater em sua esposa apresenta um problema terrível de relações públicas.

24
— Você ficaria surpresa. Sou republicano, lembra-se.
Sobre o ombro de Richard, o espelho oval acima de uma de suas cômodas italianas Louis XV
do século XVIII apresentou-lhe uma imagem perfeitamente moldada dos dois: ela com o batom
borrando como sangue em seu queixo, o vestido azul subiu até o topo da renda no alto de suas
coxas, o cabelo escuro em ondas bagunçadas como o halo da prostituta que ela era, ele na sua
camisa de dormir à moda antiga, seu cabelo anos 80, partido de lado, seu corpo Ichabod Crane
amarrado como um fio prestes a tropeçar. Ao seu redor? Cortinas de seda como vestidos de baile ao
lado de janelas altas como cachoeiras, antiguidades dignas do Museu Victoria e Albert, uma cama
tão grande como uma sala de recepção com um edredom monograma.
Ela e Richard em seu penteado, e seu desprezo pelo discurso educado que era a nota errada
em uma sonata, a lágrima através do centro de um Vermeer, o pneu furado em um Phantom
Drophead.
E oh, Gin adorou a ruína. Ao vê-la e a Richard juntos, ambos tremendo à beira da insanidade,
arranhava a coceira que ela procurava reparar.
No entanto, eles eram todos certos. Com a inversão abrupta da fortuna financeira de sua
família e suas ambições governamentais, eles eram a união de um parasita e seu hospedeiro,
bloqueada em uma relação precária baseada em sua paixão de décadas no baile debutante mais
popular em Charlemont, e ela inesperadamente encontrando-se no lado vermelho do livro contábil.
Ainda assim, os casamentos foram construídos em bases muito inferiores... como a ilusão de
amor, por exemplo, a mentira da fidelidade, o venenoso Kool-Aid do “destino”.
De repente, ela ficou cansada.
— Eu vou para a cama, — ela anunciou quando ela se virou para o banheiro dela. — Esta
conversa me aborrece.
Quando ele a agarrou desta vez, não foi pelo cabelo. — Mas eu não terminei com você.
Quando ele a girou e a puxou contra ele, ela bocejou em seu rosto. — Seja rápido, você
poderia. Ah, está certo. Você não é nada rápido, é a única coisa que eu gosto de ter relações sexuais
com você.

25
Capítulo 5

Fazenda da Lizzie
Madisonville, Indiana

— Você realmente não achou que eu estava lá para pular, achou?


Quando o homem que Lizzie adorava falou do outro lado do sofá, ela tentou se recompor... e
quando não chegou a lugar nenhum, ela resolveu acariciar a colcha artesanal que ela puxou pelas
pernas. Sua pequena sala de estar ficava à frente na fazenda, e tinha uma grande janela de seis
painéis com vista para a varanda, o gramado da frente e o caminho de terra. A decoração era rústica
e aconchegante, sua coleção de ferramentas antigas de fazenda montadas nas paredes, seu antigo
piano ereto em frente, os tapetes trançados feitos em cores primárias para trazer a cor dos pisos de
madeira.
Normalmente, seu santuário nunca deixou de acalmá-la. No entanto, esta madrugada foi
exceção.
Que noite. Demorou cerca de duas horas para dizer à polícia o que aconteceu, se desculpar,
pegar os carros e voltar.
Se não fosse o amigo de Lane, o adjunto do xerife Mitchell Ramsey, eles ainda estariam à
beira do rio na sorveteira vitoriana, ou talvez na delegacia de polícia. Em algemas. Sendo revistada.
Mitch Ramsey tinha uma maneira de cuidar de situações difíceis.
Então, sim, agora eles estavam aqui em seu sofá, Lane tomou banho e em sua camisa U.Va.7,
ela mudou para uma de suas camisas com botões e uma calça. Mas caramba, apesar de ser maio no
sul, ela sentia frio em seus ossos. Qual era a resposta para a pergunta de Lane, foi isso.
— Lizzie? Você pensou que eu iria pular?
— Claro que não.
Deus, ela nunca iria esquecer a imagem dele no outro lado do trilho, virando-se para vê-la...

7
Universidade de Virginia.

26
perdendo o controle... saindo de vista...
— Lizzie...
Erguendo as mãos, ela tentou manter seu nível de voz. Falhou. — Se você não estivesse lá
para pular, o que diabos você estava fazendo lá fora? Você estava inclinado sobre a água, Lane.
Você estava indo...
— Eu estava tentando descobrir como era.
— Porque você queria se matar, — ela concluiu através de uma garganta apertada.
— Não, porque queria entendê-lo.
Lizzie franziu o cenho. — Quem? Seu pai...? — Mas vamos lá, como se ele estivesse
tentando descobrir alguém? — Lane, sério, existem outras maneiras de chegar a um acordo com
isso.
Por exemplo, ele poderia ir para um psiquiatra e sentar-se em um sofá diferente deste. O que
diminuiria suas chances de cair para a sua morte a zero enquanto ele tentava controlar o que estava
acontecendo em sua vida.
E como bônus, ela não teria que se preocupar em se tornar uma criminosa náutica.
Queria saber se aquela nota de cinco dólares ainda estava escondida na tampa de combustível,
ela pensou.
Lane estendeu um de seus braços, como se estivesse rígido e amaldiçoou quando o cotovelo,
ou talvez o ombro, fez um som de estalo. — Olha, agora que o pai está morto, nunca terei respostas.
Estou preso aqui, limpando sua bagunça, e estou ressentido como o inferno e simplesmente não
entendo. Qualquer um pode dizer que ele é um ser humano de merda, e essa é a verdade... mas isso
não é uma explicação dos detalhes. E eu estava olhando seu teto, não consegui dormir, e eu não
aguentava mais isso. Eu fui até a ponte, subi o trilho para ficar onde ele esteve parado... porque
queria ver o que ele via quando ele esteve lá. Queria ter uma ideia do que sentia. Queria respostas.
Não há outro lugar para elas, e não, eu não estava lá para me matar. Juro pela alma da senhorita
Aurora.
Depois de um momento, Lizzie se sentou para frente e pegou sua mão. — Eu sinto muito. Eu
simplesmente pensei, bem, eu vi o que eu vi, e você não fala comigo sobre isso.
— O que há para dizer? Tudo o que estou fazendo é dando uma volta em círculos na minha
cabeça até eu querer gritar.
— Mas pelo menos eu saberia onde você está. O silêncio é assustador para mim. Sua mente
está girando? Bem, a minha também.
— Desculpe. — Ele balançou a cabeça. — Mas eu vou lutar. Pela minha família. Por nós. E
confie em mim, se eu me suicidasse, a última maneira que eu terminaria a minha vida seria da

27
mesma maneira que ele fez. Não quero nada em comum com esse homem. Estou preso com o DNA,
nada que eu possa fazer sobre isso. Mas não vou encorajar outros paralelos.
Lizzie respirou fundo. — Posso ajudar de alguma maneira?
— Se houver algo que você possa fazer, eu informarei. Eu prometo. Mas está tudo sobre mim
agora. Tenho que encontrar o dinheiro perdido, pagar o Prospect Trust e rezar a Deus, para que eu
posso manter o negócio em andamento. Bradford Bourbon está por mais de duzentos anos, não
pode terminar agora. Simplesmente não pode.
Quando Lane virou-se para olhar para aquela grande janela, ela estudou o rosto dele. Ele era,
como sua avó teria chamado, um verdadeiro observador. Classicamente bonito, com os olhos azuis
da cor de um céu claro, e os cabelos escuros que eram grossos entre os dedos e um corpo que com
certeza capturava todos os olhos em qualquer sala.
Mas não foi amor à primeira vista para ela. Longe disso. O filho mais novo vagabundo, da
família de Bradford tinha uma reputação de mulherengo, pelo que ele estava preocupado, embora a
verdade fosse que, sob seu desdém, foi uma atração viciosa, ela moveu o céu e a terra para ignorar.
E então eles ficaram juntos... e ela se apaixonou por ele na típica moda Sabrina.
Bem, exceto que no caso dela, a “pessoa” era uma horticultora com um mestrado em
arquitetura paisagista de Cornell.
Mas então Chantal foi à imprensa quatro semanas depois e anunciou que estava noiva de
Lane, alegando que a criança que ela carregava era dele. Isso acabou com Lizzie e Lane se casou
com a mulher.
Somente para desaparecer para o norte logo depois.
Horrível. Foi um momento horrível. Após o término, Lizzie fez o possível para continuar
trabalhando em Easterly e manter o foco. Mas todos perceberam quando Chantal de repente não
estava mais grávida.
Veio descobrir mais tarde que a mulher não havia “perdido” o bebê. Ela “cuidou” disso em
uma clínica privada em Cinci.
Inacreditável. E, graças a Deus, Lane se separou dela.
Graças a Deus também que Lizzie viu a verdade e se permitiu confiar no homem e não na
reputação. Fale sobre quase colisão.
— O sol está chegando, — murmurou Lane. — É um novo dia.
Sua mão acariciou seu pé descalço e sobre o tornozelo dela, mantendo a pele de uma maneira
que não tinha certeza de que ele estava ciente. Ele fazia isso demais, tocando-a distraidamente,
como se o foco dele se afastasse dela, seu corpo fosse obrigado a fechar a distância mental com o
contato físico.

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— Deus, eu adoro isso aqui. — Ele sorriu para a luz dourada que atraía longas sombras no
gramado e nos campos que acabavam de ser semeados. — É tão quieto.
Isso era verdade. Sua fazenda com seu território e seus vizinhos distantes era um mundo
longe da propriedade de sua família. Por aqui, os únicos distúrbios eram o arado a distância e
ocasionalmente uma vaca fujona.
Easterly nunca foi quieta, mesmo quando seus quartos estavam vazios. Especialmente agora.
A dívida. As mortes. A desordem.
— Eu só queria saber o que ele experimentou quando ele morreu, — Lane disse suavemente.
— Eu quero que tenha doído. Eu quero que ele tenha machucado.
Lizzie apontou os dedos para acariciar seu antebraço. — Não se sinta mal com isso. A raiva é
natural.
— A senhorita Aurora me diria que eu deveria rezar por ele, em vez disso. Orar por sua alma.
— Isso é porque sua mãe é uma santa.
— Muito certo.
Lizzie sorriu ao imaginar a mulher afro-americana que era mais mãe de Lane do que a mulher
da qual ele tinha nascido. Graças a Deus pela presença da senhorita Aurora em sua vida. Havia
tantos lugares seguros para entrar naquela enorme casa histórica na qual ele foi criado, mas aquela
cozinha, cheia de comida com tanta variedade da alma do tipo francês, era um santuário.
— Eu pensei que você iria pular, — ela disse.
Ele olhou diretamente para ela. — Eu tenho muito para viver. Eu tenho nós.
— Eu também te amo, — ela sussurrou.
Deus, ele parecia muito mais velho do que uma semana antes, quando ele chegou em um jato
privado de seu refúgio em Manhattan. Ele voltou para Easterly para se certificar de que a senhorita
Aurora estava bem depois que ela entrou em colapso. Ele ficou em casa por causa de tudo o que
aconteceu em tão pouco tempo, a trajetória de sua família atingindo um iceberg escondido nas
correntes da fatalidade e do destino, o casco aparentemente impenetrável da história de duzentos
poucos anos de Bradford, de sua extraordinária posição financeira e social, perfurada por uma
inversão de fortuna da qual uma recuperação parecia... impossível.
— Nós podemos sair. — Lizzie arqueou o pé novamente. — Nós podemos vender esse lugar
e pegar o dinheiro e viver uma vida muito agradável longe de tudo isso.
— Não pense que não considerei isso. E ei, eu poderia nos sustentar jogando pôquer. Não é
elegante, mas estou aprendendo que as contas não se importam de onde vem o dinheiro para cobri-
las. — Ele riu forçadamente. — Embora minha família tenha vivido da receita de Bourbon durante
todos esses anos, então, como devo julgar?

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Por um momento, seu coração cantou enquanto imaginava os dois em outra fazenda em outro
estado, cuidando de um pequeno pedaço de terra boa e limpa que cultivava milho e cenouras,
tomates e feijão verde. Ela passaria seus dias trabalhando para uma pequena cidade cuidando de
suas plantações. E ele se tornaria professor na escola secundária local e talvez treinador de basquete
ou futebol, talvez ambos. Juntos, eles observariam um ao outro envelhecer regado pelo riso e pelo
amor, e sim, haveria filhos. Crianças de cabelos claros e lisos, meninos que trariam girinos para
casa e garotas que escalariam árvores. Haveria licença para dirigir e baile de formatura do ensino
médio bônus e lágrimas quando todos fossem para a faculdade e depois alegria nas férias quando a
casa preencheria com o caos.
E quando o sol finalmente se debruçasse sobre eles, haveria uma varanda com duas cadeiras
de balanço, colocadas lado a lado. Quando um morresse o outro logo seguiria. A coisa Nicholas
Sparks real.
Não haveria mais jatos particulares. Não haveria mais joias e pinturas a óleo do tataravô,
bisavô e vó. Sem Easterly com sua equipe de setenta pessoas e seus acres de jardins formais e sua
implacável moagem. Nada mais de festas e bailes, Rolls-Royces e Porsches, pessoas extravagantes
e sem alma sorrindo com os olhos vazios.
Nada mais Bradford Bourbon Company.
Embora o produto em si nunca tenha sido o problema.
Talvez ele levasse o sobrenome dela para que ninguém em sua nova vida soubesse quem ele
era, quem era a família dele.
Ele seria como ela, uma pessoa anônima que vivia uma vida modesta, e sim, talvez não
houvesse majestade em sua fantasia sobre os dois. Mas tomaria as graças simples da mediocridade
sobre a grandeza vazia de muito dinheiro todos os dias da semana. E duas vezes no domingo.
— Sabe, não posso acreditar que ele se matou, — murmurou Lane. — Simplesmente não
parece ser algo que ele faria. Ele era muito arrogante para isso, e, se o grande William Baldwine se
suicidasse, teria sido mais apropriado para ele colocar uma das pistolas de duelo de Alexander
Hamilton na boca e puxar o gatilho. Mas, saltar de uma ponte, ele considerou “brilhante”? Na água,
ele não se dignaria a algo tão mundano? Isso não faz sentido.
Lizzie respirou fundo. E ousou colocar em palavras algo que ela mesma estava imaginando.
— Você está... pensando que talvez alguém o tenha matado?

30
Capítulo 6

Estabulo Red & Black


Ogden Coutry, Kentucky

Cheiro doce de feno.


Oh, o doce cheiro de feno e o pisoteamento de cascos... e o concreto gelado do corredor que
corria entre as bancas de mogno.
Quando Edward Westfork Bradford Baldwine sentou-se ao lado do piso de serragem da baia
de seu garanhão puro-sangue, os ossos de sua bunda estavam sofrendo de uma recarga fria e ficou
maravilhado com o quanto, mesmo em maio, a pedra estava tão fria. Concedido, era o amanhecer,
mas a temperatura externa era de 21ºC, mesmo sem a ajuda do sol. Pensaríamos que a benevolência
ambiental do final da primavera seria mais generosa com suas atenções climáticas.
Infelizmente, não.
Felizmente, ele estava bêbado.
Levando a garrafa de... o que era? Ah, vodca. Justo o suficiente, em seus lábios, ele ficou
desapontado ao encontrar um peso tão leve na mão. Havia apenas dois centímetros na parte inferior,
e o que estava três quartos cheio quando ele abriu caminho para cá. Ele bebeu tudo aquilo? E
maldição, o resto do seu abastecimento estava a uma distância tão grande, embora fosse relativo, ele
supôs. A cabana do zelador, onde ele ficava em Red & Black, a fazenda de criação de raça puro
sangue, não estava a mais de cem metros de distância, mas também poderia ser quilômetros.
Ele olhou para suas pernas. Mesmo escondidas sob o jeans, a bagunça reconstruída e não
confiável com a qual ele tinha que andar era nada mais do que um par doloroso de varas finas,
desengonçadas com suas botas modestas, de tamanho quarenta e dois que pareciam sapatos de
palhaço ampliadas em proporções. E então você adiciona a embriaguez e o fato de que ele estava
sentado aqui por quanto tempo?
Sua única chance de arrumar mais vodca seria arrastando sua parte inferior do corpo para trás
como um carrinho de mão que caiu do pneu em seu lado.
No entanto, nem todos eram essencialmente não funcionais. Tragicamente, sua mente
permaneceu forte o suficiente para constantemente cuspir imagens nele, o impacto das construções
mentais como bolas de paintball atiradas em seu corpo frágil.

31
Ele viu seu irmão Lane de pé na frente dele, dizendo-lhe que seu pai estava morto. Sua irmã
linda e louca, Gin, com o enorme diamante de um homem cruel em sua mão elegante. Sua mãe
linda e louca ficando abatida e aturdida, sem saber de tudo o que estava acontecendo.
Sua Sutton, que não era, de fato, sua, e nunca seria.
E esse foi o foco principal em sua repetição mental. Afinal, as coisas antes de Edward ter
sido torturado e não resgatado estavam um pouco nebulosas.
Talvez essa fosse a solução para seus demônios internos. Bebidas alcóolicas não foram o
batante, mas oito dias na selva sendo espancado, morrendo de fome e provocado com a morte
iminente, certamente reduziu o volume das lembranças que tinham vindo antes de seu sequestro. E,
como bônus, ele não teria a chance de sobreviver a uma segunda rodada de tais ações...
O som de um pequeno par de botas de celeiro vindo para ele o fez revirar os olhos. Quando
pararam na frente dele, ele não se incomodou em olhar.
— Você novamente, — ele disse.
Em resposta a sua saudação alegre, a voz de Shelby Landis era algo de um desenho animado
para crianças, ou pelo menos o seu domínio feminino era. Sua entonação, como de costume, era
mais sargenta do que a Cinderela.
— Vamos começar, aqui agora.
— Deixe-me aqui, para sempre, e isso é uma ordem.
Subindo acima da cabeça de Edward, atrás das barras de ferro que impediam o garoto de
cortar pedaços de anatomia humana, Nebekanzer soltou um som idiota curiosamente perto de um
olá. Normalmente, o enorme garoto negro proferia homicídio equino a qualquer um além de
Edward.
E até mesmo seu dono nunca foi recebido com qualquer tipo de alegria.
— Nós podemos fazer isso da maneira mais difícil ou mais difícil, — manteve Shelby.
— Muitas opções você me apresenta. Quão magnânima de sua parte.
E a parte do contra nele queria ser obstinada apenas para descobrir o que o “mais difícil”
envolvia. Além disso, mesmo em sua condição enfraquecida, a maioria das mulheres de sua estatura
diminuta teria que se esforçar para manipulá-lo, e isso poderia ter apresentado uma diversão
adicional. Shelby, no entanto, tinha um corpo que foi talhado por uma vida inteira de horas e horas
de trabalho persistente em torno de puro sangue.
Ela ganharia essa. O que quer que fosse.
E seu orgulho era tudo o que lhe foi deixado para justificar sua masculinidade.
Embora por que ele sequer se importava com isso, ele não tinha ideia.
Empurrar-se em posição vertical foi um exercício que provocou ataques de dor brutais

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acertando internamente, mesmo com todo o álcool em seu sistema. O grunhido foi um
constrangimento, especialmente na frente de um serviçal, uma boa cristã que desprezava blasfêmia,
sem sentido dos limites, e um pai morto a quem Edward devia demais.
Foi por isso que ele teve que contratar Shelby quando ela apareceu na frente da cabana com
nada além de uma picape superaquecida, um rosto honesto e um olhar sólido para o nome dela.
Uma guinada originada de sua falta de equilíbrio enviou Edward de volta ao concreto, seu
corpo desabando como uma mesa dobrável, algo ruim acontecendo com um de seus tornozelos.
Mas Shelby o pegou antes que ele abaixasse a cabeça, seus braços fortes saíram e agarraram-
no, puxando-o contra ela. — Vamos.
Queria lutar com ela porque odiava tanto a si mesmo e sua condição. Este não era ele, esse
paralítico, bêbado, malvado descontente. Em sua vida antiga, antes de seu próprio pai orquestrar o
seu sequestro e depois se recusado a pagar o resgate, nada disso aconteceria.
— Não sei se você deveria andar.
Enquanto Shelby falava, ele soltou sua “boa" perna ruim porque o joelho não gostava de
dobrar, e então dependeu dela para carregar seu peso porque o tornozelo que apenas doía não teria
nada disso. — Claro que não deveria. Você me viu nu. Você sabe o quanto estou mal.
Afinal, ela o pegou no banheiro... quando ela atravessou uma porta fechada, esperando
claramente encontrá-lo morto e flutuando na banheira.
— Estou preocupada com o seu tornozelo.
Ele apertou os dentes. — Uma boa samaritana.
— Vou chamar o médico.
— Não, você não vai.
Quando eles emergiram na luz do sol, ele piscou, embora não porque estivesse com ressaca.
Primeiro tinha que estar sóbrio para isso. E, de fato, em comparação com a frieza dos estábulos, o ar
dourado da manhã sentiu-se como caxemira contra sua pele picante e, oh, a visão. Em todo o lado,
os campos de grama azul rolante com suas cercas de cinco trilhos e carvalhos solitários eram um
bálsamo para a alma, uma promessa de socorro às linhagens de equino impecáveis que vagariam e
cresceriam nos prados segregados, enquanto geravam futuras gerações de Derby e apostas campeãs.
Mesmo ganhadores da Triple Crown.
A Terra e suas doações poderiam ser confiáveis, pensou Edward. As árvores podem ser
invocadas para fornecer sombra no calor do verão, e as nuvens carregadas nunca deixaram de lhe
dar chuva, e os riachos podem inchar na primavera e secar no outono, mas um homem poderia
prever suas estações. Inferno, mesmo a fúria de tornados e tempestades de neve tinha ritmos que
não eram pessoais e nunca, sem escrúpulos.

33
Seja qual for a ira que possa cair do céu, não foi dirigida a nenhuma pessoa específica:
embora alguém possa se sentir visado, de fato, esse nunca foi o caso.
O mesmo era verdade para cavalos e cachorros, gatos de celeiro e guaxinins, mesmo o gambá
humilde e feio, e as cobras que comiam seus jovens. Com certeza, seu garanhão, Neb, era meio
vira-lata, mas esse animal nunca fingiu ser o que não era. Ele não sorriria e depois rasgava suas
costas quando você se afastasse.
Os seres humanos eram muito mais perigosos do que os chamados animais “imprevisíveis” e
os eventos do dedo de Deus.
E sim, isso o deixou amargo.
Então, novamente, ele ficava amargo com a maioria das coisas nos dias de hoje.
No momento em que ele e Shelby chegaram à cabana do zelador, seus pensamentos internos
foram temperados pela dor que borbulhou através de sua intoxicação, como se a sobrecarga ao seu
sistema nervoso forçasse tanto impulso elétrico ao cérebro que suas sinapses não tinham escolha
senão rebaixar seu pessimismo.
A porta velha rangeu quando Shelby a empurrou, e o interior estava tão escuro como a noite,
as cortinas de lã pesada se fechavam, a única luz na cozinha era como uma lâmpada de capacete de
minerador de carvão, embotada e sem problemas para cobrir todo o seu território. O mobiliário era
esparso, barato e antigo, o oposto das coisas preciosas com as quais ele crescera em Easterly,
embora ele supusesse que as prateleiras de troféus de corrida de prata esterlina, em todo o lado,
mantinham uma conexão comum.
Rompendo-se de sua muleta humana, cambaleou até sua poltrona Archie Bunker,
maltrapilha, o assento profundo que agarrava seu peso como um empacotador de carne. Sua cabeça
caiu para trás e ele respirou pela boca enquanto tentava não inflar suas costelas mais do que ele
absolutamente tinha que fazer.
Um puxão no pé direito o fez olhar para baixo. — O que você está fazendo?
A cabeça louca de Shelby estava inclinada em sua bota, as mãos de sua empregada movendo-
se muito mais rápido sobre os cadarços do que nunca. — Estou tirando isso para que eu possa ver o
quão ruim está o seu tornozelo.
Edward abriu a boca, uma bomba sarcástica na ponta da língua.
Mas Deus conteve usa grosseria quando a bota saiu com um rugido. — Droga!
— Eu acho que você quebrou isso.
Apertando as mãos contra a poltrona, seu coração pulou cordas com as costelas. E quando
tudo isso passou, ele cedeu.
— Eu vou trazer minha picape ao redor...

34
— Não! — ele soprou entre os dentes cerrados. — Você não fará tal coisa.
Quando Shelby olhou para ele do chão, no fundo da mente, ele tomou nota de quão raro foi
para ela encontrar seus olhos. Ela sempre estava disposta a aparrar suas espetadelas verbais, mas
raramente ela olhava em seus olhos.
Seus olhos eram... um pouco extraordinários. Rodeados com cílios grossos, escuros e naturais,
tinham manchas na luz do amanhecer em sua cor azul-céu.
— Se você não vai ao hospital, qual o nome do seu médico particular? E não finja que você
não tenha um. Você é um Bradford.
— Não mais, querida.
Ela estremeceu com o termo carinhoso, como se reconhecesse que ela não era a espécie de
mulher que alguma vez seria chamada assim, especialmente não por alguém com seu pedigree. E
ele estava envergonhado de admitir isso, mas ele queria machucá-la sem uma boa razão.
Na verdade, não era verdade. A falta de um motivo, isso era.
Shelby tinha uma habilidade infalível para pegá-lo em momentos vulneráveis, e a parte
defensiva dele a odiava por isso.
— Quanto tempo você cuidou do seu pai? — ele exigiu.
— Toda a minha vida.
Jeb Landis foi um terrível bebedor, jogador, mulherengo... no entanto, ele conhecia cavalos.
E ensinou Edward tudo o que sabia em um momento em que Edward nunca pensou em entrar no
negócio de corrida como algo diferente do hobby de um homem rico, e certamente nunca se
imaginou empregando a filha do homem.
Inferno, ele nem sabia que Jeb tinha uma filha.
Por algum motivo, Edward se viu perguntando quantos comentários sarcásticos Shelby
recebeu ao longo dos anos, a pista de obstáculos de drenagem de ego apresentado por seu pai
meliante a treinou bem... para ela continuar cuidando exatamente o tipo de homem que Edward se
tornou.
Era como se Jeb, ao enviá-la aqui, tivesse determinado que sua crueldade sobreviveria ao
túmulo.
Edward sentou-se à frente. Estendendo uma mão trêmula, ele tocou o rosto de Shelby. Ele
esperava que sua pele fosse áspera. Não era.
Quando ela recuou, ele se concentrou em seus lábios. — Eu quero beijar você.

De volta à fazenda de Lizzie, Lane olhou para o sol nascente enquanto suas palavras pendiam

35
no ar quieto entre eles.
Você está pensando que talvez alguém o tenha matado?
Pergunta difícil de responder, especialmente quando, para ele, ele se sentiu enganado porque
ele não foi quem matou o homem. E não era uma pílula difícil de engolir, especialmente quando ele
via um novo dia amanhecer através da paisagem plana de Indiana.
Em face de tanta beleza resplandecente, seus pensamentos escuros pareciam um palavrão
proferido em um altar.
— Bem? — perguntou Lizzie. — Você está?
— Eu não sei. Há uma série de pessoas que têm motivos, com certeza. A maioria dos quais
estou relacionado. Ele franziu a testa enquanto pensava em algo que o adjunto do xerife Ramsey lhe
havia dito no rio. — Você sabe, as câmeras de segurança na ponte ainda não foram ligadas.
— O que?
Lane fez arcos no ar. — Há câmeras montadas no espaço, elas deveriam ter gravado cenas
naquela noite. Mas quando a polícia verificou as gravações, eles descobriram que ainda não tinham
sido ligadas.
— Então, ninguém sabe o que realmente aconteceu?
— Acho que não. Mas a polícia do Metro pensa que, se ele pulou, tinha que ser a partir de lá.
Da outra ponte é muito difícil para alguém chegar as cataratas, que é algo que Mitch disse que eles
iriam se fixar na Big Five agora. — Lane balançou a cabeça. — No que diz respeito ao assassinato,
no entanto? Não, acho que ele saltou. Eu acredito que ele se matou. A dívida, o desfalque, tudo está
vindo a se tornar público, e meu pai sabia disso. Como diabos ele poderia aparecer na cidade agora?
Ou em qualquer outro lugar para esse assunto?
— Você sabe quando liberarão o corpo?
— Ramsey me disse que assim que a autópsia for concluída. Então, tem que ser apenas uma
questão dias. — Ele reorientou sobre ela. — Na verdade, há algo que você poderia fazer para me
ajudar.
— Diga. Qualquer coisa.
— É sobre o velório para o meu pai. Assim que os restos forem liberados, teremos que ter
gente em Easterly, e eu quero... quero dizer, eu quero que tudo seja como deveria.
Lizzie pegou sua mão e deu um aperto. — Eu me certificarei que seja correto. Claro.
— Obrigado. — Ele se abaixou e pressionou um beijo no interior de seu pulso. — Você sabe,
é engraçado... eu não me importo em honrar sua memória. Não é para o meu pai. É para o nome da
família Bradford, e sim, isso é superficial, mas eu meio que sinto que estou no comando, você sabe?
Aqueles que virão estarão procurando sinais de escândalo e fraqueza, e serei condenado se eles

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encontraram. E também estou preocupado com o fato de a mãe vá querer fazer uma aparição para
algo assim.
Sim, era verdade que a “jovem” Virginia Elizabeth Bradford Baldwine, que agora tinha mais
de sessenta anos, não esteve fora da cama nos últimos três anos para qualquer coisa além de cuidar
do cabelo, mas havia alguns padrões, mesmo uma viciada como ela reconheceria, e a visita a seu
marido era uma delas. E as pessoas já estavam ligando a casa, perguntando sobre os arranjos que
estavam sendo feitos. Não que isso fosse sobre seu pai também. A alta sociedade de Charlemont era
tão competitiva quanto a NFL8, e um evento como o velório ao Bradford era o Super Bowl.9
Todos queriam um bom assento na linha de cinquenta jardas.
Era tudo tão falso. E embora ele sempre soubesse disso, não aconteceu até Lizzie ter entrado
em sua vida que ele se importou com o vazio de tudo.
— Eu vou te prometer algo, — ele murmurou. — Depois que tudo isso acabar... depois de
corrigir tudo isso? Então você e eu iremos embora. Então, saímos. Mas eu tenho que ficar para
limpar essa bagunça. É a única maneira de que alguma vez estarei livre dessa família. Corrigir os
erros de meu pai é o único caminho para ganhar minha liberdade, ganhando seu amor.
— Você já tem isso.
— Venha aqui.
Ele a alcançou e a puxou para o colo, encontrando sua boca na luz da manhã. Deixá-la nua
era o seu trabalho no momento, e então ela estava empurrando-o e ele estava arrancando sua calça.
— Oh, minha Lizzie, — ele gemeu contra sua boca.
Seus peitos estavam cheios em suas palmas, e ela ofegou quando ele os segurou. Ela sempre
foi uma revelação, sempre nova para ele... cada beijo, cada toque como em casa e indo para a lua ao
mesmo tempo.
Perfeição.
Quando ela se levantou de joelhos, ele se posicionou, e então eles estavam juntos, ela se
movendo em cima dele, ele segurando-a. Ela tomou tudo com uma coordenação perfeita, e com os
olhos fechados, como se não quisesse distrações do que sentia.
Ele manteve os dele abertos.
Oh, ela era linda, a maneira como ela se curvou para trás, sua cabeça caindo, seus seios
levantando, a luz banhando sua nudez magnífica e seus cabelos loiros.
Isso ele lembraria também, ele disse a si mesmo. Este momento do lado oposto da queda, o
quase afogamento, o pânico... este momento maravilhoso e vital com aquela que ele amava, onde

8
National Football League.
9
É um jogo do campeonato da National Football League que decide o campeão da temporada.

37
eles estavam vivos, juntos e sozinhos, sequestrados em uma privacidade que ninguém mais poderia
tocar e ninguém poderia tirar, ele lembraria disso junto com tudo o resto que aconteceu hoje à noite.
Sim, pensou. Ele precisava recarregar sua força, sua esperança e seu coração com momentos
e lembranças como esses com sua Lizzie.
Ele tinha batalhas para lutar, e questionava se ele era digno, e preocupava-se com o que
estava acontecendo. Mas ela lhe deu o poder de ser o guerreiro que ele queria e precisava ser.
Esqueça o dinheiro, pensou ele.
Tudo o que ele realmente tinha que ter na vida estava aqui em seus braços.
— Eu amo você, — ele ofegou. — Eu te amo…

38
Capítulo 7

Edward ficou surpreso quando Shelby não saltou aos seus pés e se afastou com um golpe na
porta. Afinal, boas mulheres cristãs quando eram informadas de que seus patrões queriam beijá-las
elas tendiam a se ofender. Mas quanto mais ela permanecia onde estava, olhando-o com a bota em
suas mãos, mais intimidado ele se tornou.
Não era suposto ir assim, pensou para si mesmo. Ele recuou para trás, deixando-o sozinho,
esquecendo-se do maldito médico.
— Às vezes, a terra deve aceitar a tempestade, — sussurrou Shelby.
— O que?
Ela apenas balançou a cabeça enquanto subia a parte inferior do corpo. — Não é importante.
E ela estava certa. Nada era importante, pois era ela quem o beijava, seus lábios suaves e
tímidos, como se não soubesse nada sobre a sedução.
Isso não foi um problema para ele.
Edward pegou coisas a partir daí, e ele se viu com mais cuidado com ela do que tinha estado
com uma mulher... bem, talvez, nunca. Ele manteve as mãos limpas quando ele rodeou seu tronco,
instando-a entre suas pernas e contra seu peito. Debaixo da camisa, seu corpo era tão duro quanto o
dele, mas por uma razão diferente. Ela foi submetida a todo esse trabalho físico, cheia de saúde e
seus esforços, de seu trabalho com animais que pesavam mais de quatrocentos cinquenta quilos a
mais do que ela e exigiam galões de alimentação, carrinhos de mão serragem e quilômetros de
caminhada de baia para baia, de pasto para pasto.
Ela não estava usando sutiã.
Ele descobriu isso quando ele puxou essa camisa para cima e sobre sua cabeça. Ela também
não estava vestindo uma camiseta. E seus seios eram perfeitos, tão pequenos e duro quanto o resto
dela era. O fato de seus mamilos serem um rosa feminino foi uma surpresa...
E foi certo então que ele se deteve.
Mesmo quando uma avidez deliciosa agarrou seu intestino, algo muito mais imperativo
queimou na parte de trás da cabeça.
— Você é virgem? — ele disse.
— Não.

39
— Eu acho que você está mentindo.
— Apenas uma maneira de descobrir, não é certo?
Uma hesitação estranha e desconhecida o congelou e ele desviou o olhar, não porque não
gostou do que viu, mas porque gostou. Tudo sobre sua modéstia e sua estranheza fez com que ele
quisesse atacá-la e levá-la, reivindicá-la como um homem quando encontrava algo que ninguém
mais teve.
E tudo sobre a forma como ela não recuou disse que ela o deixaria fazer isso e muito mais.
Desviando os olhos, ele tomou um momento para pensar sobre isso, de uma maneira que era
característica como ele sempre tinha sido ao contrário do que ele se tornara, e foi quando ele viu o
dinheiro.
Mil dólares.
Dez notas de cem dólares, o pacote dobrado uma vez, abanando as extremidades.
Sobre o aparador junto à porta.
Ele deixou o dinheiro na sexta-feira anterior para uma das prostitutas que ele regularmente
pagava para estar com ele. E de fato, uma mulher apareceu naquela noite, exceto em vez de atuar e
se vestir como a que ele realmente queria... a própria mulher se aproximou.
Sua Sutton.
Eles tiveram relações sexuais, mas apenas porque ele assumiu que a perfeita sósia de Sutton
Smythe finalmente se apresentou. Sua primeira pista de que algo estava errado? Depois que acabou,
a mulher deixou o dinheiro onde estava. Sua segunda? Na manhã seguinte, ele encontrou uma bolsa
aos pés da cadeira. Quando ele abriu, encontrou a carteira de motorista de Sutton.
Às vezes, ele ainda não tinha certeza se realmente aconteceu ou se foi um sonho. Embora a
tensão quando ele devolveu a bolsa para ela, na noite seguinte foi nuclear, então sim, deve ter
ocorrido.
E sim, ele sabia exatamente por que teve relações sexuais com ela. Sutton era uma mulher de
negócios elegante, digna e brilhante, de quem ele esteve apaixonado por muitos anos para contar.
Por que ela permitiu que ele a tocasse, a beijasse, entrasse dentro dela?
Sim, ela lhe disse que pensava que também estava apaixonada por ele. Mas como isso
poderia ser verdade?
Edward voltou a focar na filha de Jeb. Reunindo seu moletom em suas mãos, ele o colocou
suavemente, cobrindo sua nudez.
— Nenhum médico, — ele disse remotamente. — Eu não preciso de um.
— Sim, você precisa.
Ele ficou desconcertando com a forma como ela se levantou calmamente e foi ao telefone

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como se nada tivesse acontecido. E quando ela pegou o receptor do antigo discador de parede, ele
franziu a testa e se ressentiu de seu pragmatismo.
— Moe me deu o número, — ela explicou quando começou a fazer círculos com seu dedo
indicador. — Dr. Qalbi é o nome, certo.
— Oh, puta que pariu, se você sabia tudo isso, por que você me incomodou sobre isso.
— Eu estava lhe dando a chance de ser razoável. Eu deveria ter sabido melhor.
— Santo Deus.
Voltando-se para ele, ela colocou o microfone no alto da orelha. — Eu te disse. Não tome o
nome do Senhor em vão na minha presença, e nenhum xingamento. Não em meu redor. E sim, eu
sei que você nunca vai se apaixonar por mim. Sempre será ela.
— Sobre o que você está falando? — ele revirou.
— Você diz seu nome em seu sono. Como é? Sut... Sutter?
Edward deixou sua cabeça cair de volta quando ele fechou os olhos com frustração. Talvez
estivesse sonhando com isso. Sim, talvez ele simplesmente tivesse desmaiado contra a baia de Neb,
e isso tudo foi apenas um produto da vodca que estava passando pela corrente sanguínea.
Alguém pode certamente esperar.

— Senhorita Smythe? Mais café?


Quando Sutton deu a atenção, ela sorriu para a mulher idosa uniformizada com o bule na
mão. Ellyn Isaacs trabalhava na propriedade da família enquanto Sutton pudesse se lembrar, uma
figura avó que sempre a fazia pensar em Hannah Gruen de Nancy Drew.
— Não, obrigado, Sra. Isaacs. É hora de eu ir, tanto quanto me dói.
— Seu carro está esperando por você.
Sutton limpou a boca com um guardanapo com monograma de damasco e levantou-se. — Eu
vou pegar papai.
A Sra. Isaacs sorriu e endireitou o avental branco pressionado que pendia na frente de seu
vestido cinza. — Seu pai está em seu escritório. E vou avisar Don que você está saindo.
— Obrigada.
A sala de jantar familiar era uma charmosa cinco por cinco, anexa, cheio de janela entre a
cozinha principal da mansão e a sala de jantar formal. Cheia de luz, especialmente pela manhã,
olhava as paredes de tijolos cobertas de hera e canteiros de rosas no jardim formal cuidadosamente
cuidado e tinha correspondentes papel de paredes botânicos Colephax e Fowler da velha escola. Foi
uma das salas favoritas de sua mãe. Quando ela estava viva, Sutton e seu irmão sempre tomaram

41
café da manhã antes de ir para a escola, toda a família conversava e compartilhava coisas. Depois
que sua mãe morreu, e Winn foi para U.Va., tem sido apenas seu pai e ela.
E, finalmente, quando ela foi para Harvard, foi apenas seu pai, nesse ponto, a Sra. Isaacs
tinha começado a lhe servir a refeição da manhã em sua mesa.
Foi um hábito que ele não quebrou mesmo depois que Sutton voltou da faculdade de
administração da Universidade de Chicago e começou a trabalhar para a Sutton Distillery
Corporation.
Quando ela dobrou o guardanapo e o colocou ao lado de sua metade da toranja comida, seu
prato com farelo de bolo e seu ovo cozido, ela se perguntou por que ela insistia em se sentar aqui
sozinha todas as manhãs.
Agarrada ao passado, talvez. Uma fantasia de um futuro, talvez.
A casa enorme que ela e seu pai agora habitavam sozinhos, exceto quando Winn vinha
visitar, tinha sete mil e quinhentos metros quadrados de grandeza histórica e manutenção intensiva,
todas as antiguidades passavam de geração em geração, o museu de arte, os tapetes Pérsias, exceto
quando eles foram feitos à mão na França. Era um santuário resplandecente, onde os trilhos de latão
e os acessórios de folhas de ouro brilhavam de inúmeros polidores, e o cristal pendurado brilhava
dos tetos e das paredes, e a madeira bem amadurecida pelo tempo oferecia calor com certeza como
banhado pelo fogo.
Mas era um lugar solitário.
O som de seus estiletes foi abafado quando lhe ensinaram a andar corretamente, o ritmo
silencioso de seus passos ecoando no vazio lindo enquanto seguia para a frente da casa, passando
por salas de estar e bibliotecas, salões e salas. Nada estava fora do lugar, nenhuma destruição
encontrada, tudo limpo com mãos reverentes, sem plumas, nem poeira em qualquer lugar.
As portas para o escritório de seu pai estavam abertas, e ele ergueu os olhos da mesa. — Aí
está ela.
Suas mãos ergueram os braços da cadeira de um reflexo nascido de se levantar sempre que
uma mulher entrava em uma sala ou saía. Mas era um gesto impotente, sua força não mais lá, o
impulso triste que ele não podia seguir em algo que ela ignorava com determinação.
— Você está indo agora, então? — ele disse quando ele deixou cair as mãos em seu colo.
— Nós entramos. — Ela passou e o beijou na bochecha. — Vamos. O Comitê de Finanças
começa em quarenta e cinco minutos.
Reynolds Winn Wilshire Symthe IV, acenou com a cabeça para o livro encadernado no canto
da mesa. — Eu leio os materiais. As coisas estão indo bem.
— Estamos um pouco fracos na América do Sul. Eu acho que precisamos...

42
— Sutton. Sente-se, por favor.
Com uma careta, ela se sentou em frente a ele, juntando os tornozelos sob a cadeira e
arrumando seu terno. Como de costume, ela estava vestida com Armani, a cor de pêssego era um
dos favoritos de seu pai.
— Há algo de errado?
— É hora de anunciar as coisas.
Como ele disse as palavras que ela temia, seu coração parou.
Mais tarde, ela se lembraria de todas as coisas sobre onde os dois estava sentado de frente
para o outro no escritório... e como ele estava lindo com a cabeça cheia de cabelo branco e seu terno
perfeitamente listrado... e com suas mãos, que eram como as dela, tinham aninhado no colo.
— Não, — ela disse sem rodeios. — Não é.
Quando Reynolds foi para estender o braço em sua direção, a palma da mão bateu no manto
de couro e, por um momento, tudo o que Sutton queria fazer era gritar. Em vez disso, ela engoliu a
emoção e encontrou sua tentativa de uni-los no meio do caminho, inclinando-se sobre a grande
extensão de sua mesa, desfazendo as pilhas de papéis.
— Minha querida. — Ele sorriu para ela. — Quão orgulhoso eu estou de você.
— Pare com isso. — Ela fez um show de virar o pulso e olhar para o relógio dourado. — E
nós temos que ir agora para que possamos nos encontrar com Connor antes de começar...
— Já disse a Connor, Lakshmi e James. O comunicado de imprensa será emitido para o
Times e o Jornal Wall Street assim que seu contrato de trabalho for alterado. Lakshmi está
redigindo enquanto falamos. Isto não é apenas algo entre você e eu mais.
Sutton sentiu um medo frio, do tipo que pica a parte de trás do pescoço e a fez você suar sob
seus braços. — Não. Não é legal. Deve ser ratificado pelo conselho...
— Eles fizeram isso na noite passada.
Ela se sentou de volta, afastando-se dele. E quando a cadeira dura bateu em seus ombros, por
algum motivo absurdo, ela pensou sobre o número de funcionários que eles tinham no mundo
inteiro. Milhares e milhares. E quantos negócios eles faziam entre sua destilação de bourbon, a filial
do vinho e, em seguida, suas linhas de vodca, gin e rum. Dez bilhões anuais com um lucro bruto de
quase quatro bilhões. Ela pensou em seu irmão e se perguntou como ele iria sentir sobre isso.
Então, novamente, Winn tinha dito há dois anos que era assim que as coisas iriam. E mesmo
ele tinha que saber que ela era a única com a cabeça nos negócios.
Sutton olhou para seu pai e logo se esqueceu da corporação.
Enquanto seus olhos se borravam com lágrimas, ela jogou todo o decoro e regrediu para
quando sua mãe morreu. — Eu não quero que você morra.

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— Eu também não. Não tenho intenção de ir a lugar algum. — Ele riu pesarosamente. — E
com a forma como este Parkinson está progredindo, temo que seja mais verdade do que eu deveria
gostar.
— Posso fazer isso? — ela sussurrou.
Ele assentiu. — Não estou lhe dando a posição porque você é minha filha. O amor tem um
lugar nas famílias. Não é bem-vindo no negócio. Você está me sucedendo porque você é a pessoa
certa para nos levar para o futuro. Tudo é tão diferente de quando meu pai deu esse escritório de
canto para mim. É tudo... tão global, tão volátil, tão competitivo agora. E você entende tudo.
— Preciso de mais um ano.
— Você não tem isso. Desculpe. — Ele moveu o braço novamente e depois apertou os dentes
com frustração, o que foi o mais próximo de um xingamento para ele. — Lembre-se disso, no
entanto. Eu não passei os últimos quarenta anos da minha vida derramando tudo o que tinha em um
esforço apenas para entregá-lo a alguém que não fosse apto para o trabalho. Você consegue fazer
isso. Além disso, você vai fazer isso. Não existe outra opção do que ter sucesso.
Sutton deixou seus olhos caírem até se abaixarem nas mãos. Ele ainda usava sua simples
aliança de ouro casamento. Seu pai nunca se casou novamente depois que sua mãe morreu. Ele nem
teve namorada. Dormia com sua foto ao lado de sua cama e com suas camisolas ainda penduradas
em seu armário.
A justificativa romântica para isso era o amor verdadeiro. Provavelmente era parte o amor
verdadeiro, a lealdade e a reverência a sua esposa morta, e parte a doença e seu curso.
O Parkinson provou ser debilitante, deprimente e assustador. E foi um testemunho da
realidade de que pessoas ricas não estavam em uma classe especial quando se tratava dos caprichos
do destino.
Na verdade, seu pai estava decaindo acentuadamente nos últimos dois meses, e só pioraria até
que ele estivesse acamado.
— Oh, papai... — ela engasgou.
— Nós dois sabemos que isso vem acontecendo.
Respirando profundamente, Sutton estava ciente de que esta era a única vez que ela poderia
deixar mostrar qualquer vulnerabilidade. Esta era a única chance de ser honesta sobre o quão
aterrorizante era ter trinta e oito anos e no comando de uma corporação global sobre a qual a fortuna
de sua família descansava, e também encarar a situação da morte de seu pai.
Escovando uma lágrima, ela olhou para a umidade na ponta do dedo e disse a si mesma que
não haveria mais choro depois que ela saísse da casa. Assim que chegasse à sede, todos a mediriam
para ver qual o tipo de líder que era. E sim, haveria cobras saindo da madeira para miná-la e as

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pessoas que não a levariam a sério porque era uma mulher e era família, e seu próprio irmão ficaria
com raiva.
Tão importante, ela também não mostraria qualquer fraqueza para seu pai depois disso. Se o
fizesse, ele se preocuparia se ele fez o que é certo e possivelmente até mesmo se questionaria, e o
estresse não ajudava as pessoas na condição dele.
— Eu não vou deixar você cair, — ela disse enquanto o encontrava bem nos olhos.
O alívio que permeou aquele rosto bonito foi imediato e a fez sangrar novamente. Mas ele
estava certo, ela não tinha mais o luxo da emoção.
O amor era para a família.
Não era para negócios.
Ao levantar-se, ela deu uma volta e deu um rápido abraço, e quando ela se endireitou, ela se
certificou de que os ombros estivessem de volta.
— Espero continuar a usá-lo como um recurso, — ela anunciou. E foi divertido ouvir esse
tom em sua voz: não era um pedido, e não era algo que ela dizia seu pai. Era de uma diretora
presidenta para o seu antecessor.
— Sempre, — ele murmurou enquanto inclinava a cabeça. — Seria uma honra.
Ela assentiu com a cabeça e se virou antes que as rachaduras na fachada dela aparecessem.
Ela estava no meio da porta quando ele disse: — Sua mãe está sorrindo agora.
Sutton parou e quase chorou. Oh, sua mãe. Uma arma de fogo pelos direitos das mulheres
quando esses não foram permitido no sul, em seu tipo de família.
Oh, ela iria adorar isso, era verdade. Isso foi tudo o que ela lutou, exigiu e buscou.
— No entanto, não é por isso que eu escolhi você sobre seu irmão, — ele acrescentou.
— Eu sei. — Todos sabiam por que Winn não era o verdadeiro candidato. — Estarei
conferenciando com você durante as reuniões de Finanças, embora oficialmente você não tenha
nenhum papel. Espero que você contribua como você teria feito.
Novamente, não é um pedido.
— Claro.
— Você continuará a atuar no conselho como administrador emérito. Vou nomeá-lo como
meu primeiro dever oficial na próxima reunião do conselho. E você será conferenciado durante o
Comitê Executivo e todas as reuniões dos Administradores até que você não seja mais capaz de
respirar.
Ela disse tudo isso enquanto olhava para o vestíbulo.
O riso que seu pai liberou tinha tanto orgulho paterno e da mulher de negócios para
empresária, que ela começou a piscar com força novamente.

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— Como quiser.
— Eu estarei em casa esta noite às sete para o jantar. Comeremos no seu quarto.
Normalmente, nessa hora, ele estava de volta à cama, sua vontade exaurida de lidar com a
rebelião de seu corpo.
— E eu espero por isso.
Sutton fez o caminho até a porta do escritório antes de parar e olhar para trás. Reynolds
parecia tão pequeno atrás daquela mesa, mesmo que as dimensões nem a forma do homem nem o
mobiliário mudassem. — Eu te amo.
— E eu te amo quase tanto quanto amei a sua mãe.
Sutton sorriu para isso. E então ela estava a caminho, indo até o aparador na porta da frente e
pegando sua pasta, antes de sair para a calorosa manhã de maio.
Suas pernas tremiam enquanto caminhava para o Bentley Mulsanne sozinha. Esperava que
seu pai estivesse à frente dela, o sutil whrrrrr de sua cadeira de rodas motorizada, algo que ela
ignorava resolutamente.
— Bom dia, senhorita Smythe.
O motorista uniformizado, Don, era o motorista de seu pai há duas décadas. E quando ele
abriu a porta traseira, não conseguiu olhá-la nos olhos, embora não por desagrado ou desconfiança.
Ele havia dito, é claro.
Ela apertou seu braço. — Você vai continuar. Enquanto você quiser o trabalho.
O homem suspirou aliviado. — Qualquer coisa por você.
— Eu vou deixá-lo orgulhoso.
Agora, Don olhou para ela. Os olhos dele brilhavam com lágrimas. — Sim você irá.
Com um aceno de cabeça, ela entrou na parte de trás e suspirou quando a porta foi fechada
com uma batida abafada. Um momento depois, eles saíram, deixando o caminho fora do pátio, fora
da propriedade.
Geralmente, ela e seu pai discutiam coisas no caminho do centro, e enquanto olhava para o
assento vazio ao lado dela, percebeu que o dia anterior foi a última vez que os dois foram para a
sede juntos. A viagem final... veio e foi sem ela saber disso no momento.
Não era esse o caminho das coisas.
Ela havia assumido que haveria muito mais à frente deles, inúmeras tarefas de orientação,
movimentos incessantes lado a lado.
A negação era adorável enquanto você estava nela, não era. Mas quando você saía do seu
casulo quente de ilusão, a realidade carregava uma fúria trêmula e fria. E sim, se o compartimento
que separava a frente da parte de trás do carro não tivesse baixada, provavelmente teria chorado tão

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forte como se estivesse indo ao funeral de seu pai.
Em vez disso, ela colocou a palma no assento que tinha sido dele, e olhou para o vidro
matizado. Eles estavam entrando na River Road agora, juntando-se à linha de tráfego que
eventualmente se espalhava pelas artérias da superfície que corria sob as estradas e pontes do
distrito de negócios de Charlemont.
Havia apenas uma pessoa a quem pudesse chamar. Uma pessoa cuja voz queria ouvir. Uma
pessoa... quem entenderia no nível visceral o que ela estava sentindo.
Mas Edward Baldwine não se importava mais com a indústria de bebidas alcoólicas. Já não
era ele o herdeiro de sua concorrente, sua contraparte no outro lado do corredor, o amigo sarcástico,
sexy e irritante que ela ansiava por muito tempo.
E mesmo que ele ainda fosse o número dois na Bradford Bourbon Company, ele certamente
deixou claro que ele não queria nada com uma relação pessoal com ela.
Apesar disso... louco... eles tinham tido na cabana do zelador no Red & Black.
O que ela ainda não podia acreditar que tinha acontecido.
Depois de todos os anos de fantasia, ela finalmente esteve com ele...
Sutton se afastou daquele buraco negro que não ia a lugar nenhum lembrando sua última
reunião. Ele esteve em um caminhão de fazenda estacionado fora de sua casa, e eles haviam brigado
contra a hipoteca que ela havia dado ao pai dele. Antes do homem ter morrido.
Dificilmente o material dos cartões Hallmark.
No entanto, apesar de tudo isso, Edward ainda era aquele com quem ela queria falar, a única
pessoa que não seu pai, cuja opinião ela se importava. E antes do seu sequestro? Ela absolutamente
teria discado para ele, e ele teria respondido no primeiro toque, e ele a teria apoiado, ao mesmo
tempo em que ele a colocaria em seu lugar.
Porque ele era assim.
O fato de ele não estar mais lá?
Apenas mais uma das perdas.
Mais uma coisa a perder.
Mais um pedaço do luto.
Deixando a cabeça cair de volta, ela olhou para o rio e desejou que as coisas fossem como
uma vez e sempre foram.
— Oh, Edward...

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Capítulo 8

Samuel Theodore Lodge III conduziu o seu conversível vintage Jaguar descendo a River Road
a um mísero vinte a trinta quilômetros por hora. O tráfego não era mais lento ou mais rápido do que
nunca, mas ele ficou menos frustrado do que o habitual na demora porque esta manhã, ele não teve
que ir até seu escritório de advocacia em Charlemont. Não, hoje, ele estava parando primeiro para
encontrar um de seus clientes.
Embora fosse justo, Lane era mais familiar do que qualquer outra coisa.
As grandes propriedades nas colinas estavam à sua esquerda, as águas lamacentas do Ohio
estavam à sua direita, e o céu azul leitoso prometia outro dia de maio quente e úmido. E, quando a
brisa calma brilhou através de seu cabelo, graças ao topo rebaixado, ele colocou na estação de
música clássica local para que ele pudesse ouvir o Nocturne Op de Chopin. 9, nº 2 melhor.
Em sua coxa, ele colocou a mão esquerda. No volante, ele manteve a direita.
Se ele não fosse um advogado, como seu pai, seus tios e seu avô foram ou atualmente eram,
ele teria sido um pianista clássico. Infelizmente, não o seu destino, e não apenas pelo legado legal.
Na melhor das hipóteses, ele era útil no piano, capaz de impressionar leigos em coquetéis e no
Natal, mas não suficientemente talentoso para desafiar os profissionais.
Ele olhou para o assento do passageiro, em uma maleta antiga que foi usada por seu tio, o
abençoado T. Beaumont Lodge, Jr. Como o carro, a cosia era um clássico de uma era anterior, seu
couro marrom bem desgastado, até mesmo manchas na alça e na aba com as iniciais douradas em
relevo. Mas foi feita à mão por um bom artesão de Kentucky, construída para durar e ficar bem à
medida que envelhecia, e como foi no tempo de seu tio, seu interior estava cheio de resumos, notas
e arquivos do tribunal.
Ao contrário do tempo de T. Beaumont, havia também um MacBook Air e um telefone
celular nela.
Samuel T. passaria a maleta para um primo distante, um dia. Talvez também seja um pouco
de seu amor pelo piano.
Mas nada iria para um filho. Não, não haveria nenhum casamento para ele e nenhum filho
fora do casamento, não porque ele fosse religioso, e não porque era algo que “Lodges simplesmente
não faz”, embora o último fosse certamente verdade.

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Era porque ele era inteligente o suficiente para saber que ele era incapaz de ser pai, e ele se
recusava a fazer qualquer coisa em que ele não se destacava.
Este princípio de toda a vida era por que ele era um grande advogado de julgamento. Um
mulherengo fantástico. Um bêbado estranho da melhor ordem.
Todos os quais eram um endossamento para o pai do ano, não eram?
— Interrompemos esta transmissão com as últimas notícias. William Baldwine, sessenta e
cinco anos, o diretor executivo da Bradford Bourbon Company, está morto em um aparente
suicídio. Numerosas fontes anônimas relatam que o corpo foi encontrado no rio Ohio...
— Oh... inferno, — murmurou Samuel T. enquanto ele se aproximou e aumentou ainda mais
o volume do rádio.
O relatório tinha mais do que substância, mas as partes móveis estavam todas corretas até
Samuel T. sabia. Claramente, seus esforços para segurar a história até que eles estivessem prontos
para avançar fracassaram.
—... segue uma acusação contra Jonathan Tulane Baldwine de abuso conjugal por sua
esposa, Chantal Baldwine, há apenas alguns dias. A Sra. Baldwine foi admitida na sala de
emergência do Hospital Suburbano de Bolton com contusões faciais e marcas de ligadura ao redor
da garganta. Inicialmente, ela acusou seu marido de infligir os ferimentos. Ela recuou sua história,
no entanto, depois que a polícia se recusou a acusar o Sr. Baldwine por falta de provas...
Quando Samuel T. ouviu o resto do relatório, olhou para a frente até a colina mais alta.
Easterly, a casa histórica da família Bradford, era um espetáculo glorioso no ápice da
acessão. Com vista para o Ohio, a mansão era uma grande dama caiada no estilo federal, com uma
centena de janelas encurraladas por persianas pretas brilhantes, muitas chaminés para contar e uma
entrada tão grande que os Bradfords a tornaram o logotipo da empresa. Terraços esparramados em
todas as direções, assim como jardins bem cuidados cheios de espécimes de flores e árvores
frutíferas, e magnólias excelentes que tinham folhas verdes escuras e flores brancas tão grandes
como a cabeça de um homem.
Quando a mansão foi construída, o dinheiro dos Bradford era novo. Agora, assim como
aquelas contas bancárias, houve um refinamento com a idade, mas todos os reis começaram como
indigentes, e todas as dinastias veneráveis foram novos ricos uma vez. O termo “aristocrata” apenas
media o quão longe você foi para chegar aos novatos.
Também dependia de quanto tempo você poderia manter sua posição no futuro.
Pelo menos os Bradford não precisavam se preocupar com o dinheiro.
A propriedade Bradford de muitos acres tinha duas entradas. Uma para os funcionários, que
dividia o jardim cortados e os campos de vegetais, e subia para as garagens até a traseira da mansão,

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e outra, um caminho formal, fechado, gloriosos para a família e convidados adequados. Ele tomou o
último, a que os Lodges usaram há um século, e ele ascendeu, ele estava olhando para si mesmo no
retrovisor.
Foi bom que ele tivesse óculos de sol. Às vezes, não é preciso ver os próprios olhos.
Gin estava tomando café da manhã, pensou quando ele parou na frente da casa. Com seu novo
noivo.
Saindo, ele passou uma mão para se certificar de que seu cabelo estava no lugar, onde ele
pegou a pasta do seu tio-avô. Seu terno azul e branco segue seu o mesmo caminho. Ele certificou-se
antes de sair da suíte do quarto.
— Bom dia!
Girando em seu sapato feito à mão, levantou uma mão para a mulher loira virando o lado da
casa. Lizzie King estava empurrando um carrinho de mão cheio de plantas de hera e tinha uma luva
sobre isso.
Não admira que Lane estivesse apaixonado por ela.
— Bom dia, — disse Samuel T. com um leve arco. — Estou aqui para ver o seu homem.
— Ele deverá estar aqui logo.
— Ah... você precisa de ajuda? Como um cavalheiro e um fazendeiro, sinto que devo
oferecer.
Lizzie riu e moveu as mãos. — Greta e eu temos isso. Obrigada.
— E eu tenho seu homem, — Samuel T. respondeu enquanto levantava a pasta.
— Obrigada, — ela disse suavemente.
— Não se preocupe. Vou fazer Chantal ir embora, e eu vou gostar de fazê-lo.
Com outro aceno, ele caminhou até a entrada da mansão. Os degraus de pedra pálida de
Easterly eram baixos e largos, e eles o levaram até as colunas Corinthian ao redor da porta preta
brilhante com a aldrava da cabeça do leão.
Samuel T. não se incomodou com as formalidades. Ele abriu o caminho para um vestíbulo tão
grande que poderia ter rolado nele.
— Senhor, — veio um sotaque britânico. — Você é esperado?
Newark Harris era o mais recente em uma longa linhagem de mordomos, essa encarnação
atual treinada no Bagshot Park através da lagoa, ou então Samuel T. tinha ouvido. O inglês estava
muito fora do David Suchet como o molde de Hercule Poirot, oficioso, pressionado como calças
finas e vagamente desaprovando os americanos que ele serviu. Em seu terno preto, camisa branca e
gravata preta, ele parecia que poderia estar neste lugar desde que a casa foi construída.
Infelizmente, isso era apenas aparências. E o homem tinha coisas para aprender.

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— Sempre. — Samuel T. sorriu. — Sempre sou esperado aqui. Então, se você me desculpar,
isso é tudo.
As sobrancelhas escuras do inglês levantaram-se, mas Samuel T. já estava girando. A sala de
jantar estava à direita e, emanando disso, ele podia sentir o cheiro de um perfume familiar.
Ele disse a si mesmo para ficar longe. Mas, como de costume, ele não podia.
Quando se tratava da jovem Virginia Elizabeth Baldwine, em breve, Pford, ele nunca
conseguia se distanciar por muito tempo.
Era a única falha de sua personalidade.
Ou melhor, a única falha de sua personalidade que o preocupava.
Atravessando o mármore preto e branco, ele entrou na sala comprida e estreita com a mesma
atitude que ele havia dispensado ao mordomo. — Bem, isso não é romântico. Afim aproveitando
uma refeição matinal juntos.
A cabeça de Richard Pford girou acima seus ovos e torradas. Gin, enquanto isso, não mostrou
nenhuma reação, publicamente, era isso. Mas Samuel T. sorriu pelo jeito que os nódulos ficaram
brancos em torno de sua xícara de café, e para deixar as coisas mais ferradas para ela, ele quase teve
o prazer de informá-la que o suicídio de seu pai era de conhecimento comum.
No entanto, ela era melhor em ser cruel do que ele.
E enquanto Richard dizia algo, tudo isso se registrou, o longo cabelo escuro de Gin caiu sobre
sua blusa de seda florida, o lenço de Hermès em volta do pescoço e o arranjo perfeito de seu corpo
elegante na cadeira Chippendale. O efeito geral era como se ela fosse posar para um grande artista.
Então, novamente, diga o que seria sobre o comportamento da mulher, ela sempre parecia elegante.
Era a estrutura óssea. A superioridade de Bradford. A beleza.
—... convite em breve, — disse Richard. — Esperamos que você participe.
Samuel T. olhou para o imbecil sentado em frente a ela. — Oh, para o seu casamento? Ou
estamos falando sobre o funeral de seu pai? Eu estou confuso.
— Nossas núpcias.
— Bem, estou tão honrado em estar em uma lista que sem dúvida será tão exclusiva quanto a
Wikipédia.
— Você não precisa vir, — disse Gin em voz baixa. — Sei que você está bastante ocupado.
Ele olhou para aquele anel de diamante em seu dedo e pensou, sim, ela fez bem para si
mesma. Ele certamente não teria podido pagar uma pedra desse tamanho, e ele não era um mendigo.
O dinheiro de Pford estava em níveis de Bradford, no entanto.
Então, sim, foi um bote salva-vidas que ela escolheu saltar. Teria sido mais seguro para ela
tentar nadar com os tubarões.

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— Eu não perderia isso por nada no mundo, — murmurou Samuel T. — E tenho certeza de
que sua filha está encantada por finalmente conseguir um pai.
Enquanto Gin empalideceu, ele se recusou a se sentir mal. Como muito da vida de Gin, “essa
filha”, Amelia, foi um erro, o resultado de uma de suas conexões aleatórias depois de ter ido para
faculdade, viva, respirando uma má decisão de que, na medida em que ele entendeu, ela não tinha
pais e mal reconhecida.
Por que ele não podia simplesmente odiá-la? Samuel T. imaginou. Deus sabia que havia razão
suficiente.
Mas o ódio nunca foi o problema.
— Você sabe, — Samuel T. disse: — Eu invejo muito vocês dois. O casamento é uma coisa
tão linda.
— Como o divórcio de Lane está indo? — disse Richard. — É por isso que você está aqui,
não é.
— Entre outras coisas. Você sabe, um em cada três casamentos termina em divórcio. Mas não
o de vocês dois. O verdadeiro amor é tão maravilhoso para ver ao vivo e pessoalmente. Vocês são
faróis para todos nós.
A sobrancelha de Richard levantou. — Eu não pensei que você era o tipo de se estabelecer.
— Eu não sou no momento. Mas a minha garota dos sonhos está lá fora. Eu só sei disso.
Isso não era uma mentira. Infelizmente, ela estava se casando com este imbecil tomando café
da manhã com ela, e o termo que melhor se adequava ao papel de Gin na vida de Samuel T. era
“pesadelo”. Mas ele quis dizer o que disse sobre o convite para o casamento. Estaria lá quando ela
caminhasse pelo corredor com esse idiota apenas para lembrar a si mesmo da realidade de seu
relacionamento.
À medida que o som de um poderoso motor de automóveis propagava através das janelas
antigas, de vidros individuais, Samuel T. assentiu para o casal feliz. — Chegou o meu cliente. Eu
posso reconhecer o ronronear de um Porsche em qualquer lugar. É como o som do orgasmo de uma
mulher, algo que você nunca esquece.
Afastando-se, ele parou no arco. — Uma coisa para você trabalhar com ela, Richard. Boa
sorte com isso, e me ligue se precisar de instruções. Eu dei-lhe seu primeiro.

Lane puxou para Easterly em seu 911 e estacionou ao lado do Jaguar clássico de seu
advogado.
— Que visão, — ele disse quando ele saiu.

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Lizzie ergueu os olhos do canteiro de hera que ela estava de joelhos na frente. Limpando a
frente com o antebraço, ela sorriu. — Eu apenas comecei há cerca de cinco minutos. As coisas
parecerão ainda melhores em uma hora.
Ele caminhou sobre a erva cortada. A distância, ele ouviu o zumbido de um cortador de
grama, a vibração de cortadores eletrônicos, um zumbido baixo de um soprador de folhas.
— Não estava falando sobre jardinagem. — Curvando, ele a beijou na boca. — Onde está...
— Guten Morgen.10
Lane endireitou-se e escondeu sua careta. — Greta. Como você está?
À medida que a parceira de Lizzie se aproximava da magnólia, ele se preparou para a
presença da alemã. Com seus cabelos loiros curtos, seus óculos de tartaruga e sua atitude absurda,
Greta von Schlieber era capaz de grandes feitos de jardinagem, e rancores profundos e duradouros.
Quando o olhar da alemã voltou para ele, ele estava bastante seguro de que ela estava lhe
desejando um bom dia, de tal forma que um piano caísse sobre ele.
— Eu vou me encontrar com Samuel T., — ele disse para Lizzie.
— Boa sorte. — Lizzie o beijou de novo. — Estou aqui se você precisar de mim.
— Eu preciso de você...
O bufo de Greta era parte coice de cavalo, parte mãe galinha... parte uma bazuca apontada a
cabeça dele, e ele tomou o som como sugestão para sair. Tanto quanto esta era a casa de sua família,
ele não estava prestes a mexer com a alemã, e ele não podia dizer que ele não ganhou seu desprezo.
Mas também era hora de começar a esclarecer os fatos.
— É sobre o divórcio, — ele murmurou para Greta. — Meu divórcio. De Chantal.
Olhos azuis gelados lhe lançaram punhais. — Estava na hora. E me conta, a tinta já está seca?
— Greta. — Lizzie amaldiçoou. — Ele está...
— Você entendeu. — Lane apontou um dedo no rosto da outra mulher. — Apenas assiste.
Dirigindo-se para a entrada dianteira de Easterly, ele contava com sorte de não ter uma
espátula na parte de trás do crânio. Mas quis dizer o que ele havia dito. Ele estava cuidando dessa
sua bagagem ruim.
Quando a grande porta se abriu, ele estava preparado para a recepção do mordomo. — Eu
tenho uma reunião...
Mas Samuel T., e não o temido Sr. Harris, fez as honras.
Seu advogado sorriu como o modelo Tom Ford que ele poderia ter sido. — A pontualidade
está próxima da piedade.

10
Bom dia em alemão.

53
— O que explica porque sempre estou atrasado.
— Pessoalmente, é a única religião que tenho.
As duas mãos batidas e uma palmada no ombro. — Eu preciso de uma bebida, Sam.
— É por isso que eu amo representar amigos. Particularmente com os negócios de bebidas.
Lane abriu caminho para o salão. — Amigos? Somos quase família.
— Não, ela está casando com outra pessoa. — Ao olhar para trás, Samuel T. acenou as
palavras. — Não o que eu quis dizer.
Besteira, Lane pensou. Mas deixou a relação torturante de sua irmã com Samuel T. apenas
bem o suficiente. O casal eram Scarlett e Rhett, apenas tirava o bigode e adicionava alguns
telefones celulares. E o inferno, com a forma como as finanças estavam indo, talvez Gin acabasse
fazendo um vestido com as cortinas desta sala. Eram amarelo claro, uma cor que ela gostava.
Pegando uma garrafa de Reserva da Família, Lane despejou dois bourbons em dois copos e
cristal Waterford e compartilhou metade da carga. Ambos beberam o líquido em um único gole,
então a recarga foi rápida.
E Lane levou a garrafa com ele enquanto desabava em um sofá coberto de seda. — Então, o
que nós temos, Samuel T. Quão ruim isso vai ser, quanto isso vai me custar.
Seu advogado ficou de frente para ele, do outro lado da lareira de mármore. Sobre a cornija, o
segundo Elijah Bradford, o antepassado que construiu Easterly como uma maneira de provar o
patrimônio líquido da família, pareceu deslumbrá-los.
— Você já ouviu o rádio esta manhã? — Samuel T. perguntou.
— Não.
— Está público. — Samuel T. levantou a palma da mão. — O suicídio do seu pai. Chantal
não está grávida. Eu ouvi na afiliada da NPR no caminho para cá. Me desculpe, e tenho que
imaginar que está em todos os jornais amanhã. A Internet já deve estar cheia disso.
Lane esfregou os olhos. — Maldito seja. Será que Chantal quem vazou a notícia?
— Eu não sei. As fontes citadas eram “anônimas”. Vou conversar com o adjunto Ramsey e
ver o que posso descobrir.
— Não foi um dos meninos de Mitch, vou te dizer isso. Ele os mataria.
— Concordo. E eu não acho que foi sua ex. Se fosse Chantal, por que ela conseguiu manter a
gravidez dela de fora? Se ela quisesse realmente nos ferrar, ela teria usado esse flash de notícias,
embora com base na escolha do advogado, é claro que ela não pretende ficar silenciosa sobre isso.
— Quem ela contratou?
— Rachel Prather.
— Quem é esse?

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— Pense em Gloria Allred encontrando o Hulk, embora o último não seja um comentário
sobre a aparência física, mais o que acontece se você a irrita. Ela está em Atlanta e ela me ligou
ontem à noite às dez horas. Eu estava no meu pijama. A mulher com quem eu estava não estava.
Lane só podia imaginar. — Eles não estão perdendo nenhum tempo com perguntas, eu vejo.
Quanto eles querem?
Samuel T. levantou o copo. — Você sabe, este é realmente o melhor bourbon que já tive. Tão
encorpado, e...
— Quantos.
Os olhos de Samuel T. atravessaram a mesa de café baixa. — Metade. De tudo em seu nome.
Qual é cerca de oitenta milhões de dólares.
— Ela está louca?
— Sim, mas para parafrasear, Chantal tem informações que você não quer que saia na
imprensa. Quando Lane não preencheu o silêncio, Samuel T. apontou o óbvio: — Essa gravidez é
um problema a esse respeito, mesmo que, em outras situações, eu poderia ter usado isso para
reduzir a pensão alimentícia.
— Seu evento abençoado é apenas um problema.
— É por isso que seu pai se matou? — perguntou Samuel T. suavemente.
— Eu não sei. — Lane encolheu os ombros, pensando que ele deveria estar fazendo uma
maldita lista. — Independentemente disso, não vou escrever esse tipo de cheque para ela, Samuel.
Isso não vai acontecer.
— Olhe, meu conselho para você, especialmente dado... suas circunstâncias e a morte de seu
pai? — Samuel T. parecia saborear mais o bourbon. — Eu acho que você deve pagar o dinheiro, e
eu não posso acreditar que estou dizendo isso. Eu estava preparado para lutar contra ela por tudo
menos o anel de noivado. A reputação da sua família precisa ser considerada, no entanto. E sim, eu
sei que é um buraco na sua linha de fundo, mas com a forma como o bourbon está vendendo agora,
em três anos, talvez menos, você estará inteiro. Este não é o momento de tomar uma posição de
princípio, por tantas razões, especialmente não se você se mudar com sua jardineira.
— Ela é uma horticultora, — gritou Lane.
Samuel T. levantou uma palma. — Me desculpe. Quanto a Chantal, vou redigir um acordo de
lei, não divulgado, forçá-la a desautorizar o parentesco e garantir nenhum contato para ela ou a
criança com qualquer um sob este teto.
— Mesmo que a Chantal tenha assinado algo assim, ainda não escrevo esse cheque.
— Lane. Não seja burro. Esta mulher tem o tipo de advogado que irá levar você e esta família
para a imprensa, como você não vai acreditar. E sua mãe não sabe sobre a gravidez, não é? —

55
Quando Lane balançou a cabeça, Samuel baixou a voz. — Então, vamos manter as coisas assim,
nós devemos.
Lane retratou a mulher que o gerará, deitada naquela cama de cetim no andar de cima. Era
tentador acreditar que ele poderia mantê-la isolada de todas as partes disto, mas as enfermeiras que
a cuidavam 24 horas por dia estavam todas no mundo, lendo jornais, ouvindo o rádio, em seus
smartphones.
Mas havia um problema maior, não era isso.
Parecia irônico estar derramando a Reserva da Família no copo enquanto ele dizia: — Nós
não temos o dinheiro.
— Eu sei que há uma cláusula perdulária em sua confiança. Meu pai colocou lá. Mas isso só
entra em ação se você for processado por um terceiro. Na sua direção, no entanto, sua empresa de
confiança pode configurar um plano de pagamento. Comprar seu silêncio provavelmente será mais
barato do que as consequências. Você tem um quadro muito exigente de garotos idosos que
acreditam que as amantes não devem ser vistas nem ouvidas e o suicídio é uma fraqueza criminal...
— Nós temos problemas maiores, Samuel T., do que aquela gravidez. Por que você acha que
Gin está casando com Richard?
— Porque ela precisa de um homem que ela possa controlar.
— É porque ela precisa do dinheiro.
Sob outras circunstâncias, teria sido divertido assistir a luz amanhecer em Marblehead, a
compreensão trazendo uma onda sobre o rosto de seu velho amigo.
— O que você está...? Desculpa, o que?
— Meu pai saltou por muitos motivos, e alguns deles são financeiros. Há uma grande
quantidade de dinheiro desaparecido nas contas domésticas, e temo que a Bradford Bourbon
Company esteja ficando sem dinheiro também. Eu, literalmente, não tenho dinheiro para pagar
Chantal, agora ou ao longo do tempo.
Samuel T. rodou seu bourbon ao redor, depois terminou. — Você terá que me desculpar,
mas... meu cérebro está tendo problemas para processar isso. E quanto ao portfólio de ações de sua
mãe? Sobre o quê...
— Nós temos sessenta e oito milhões no buraco agora. Pessoalmente. E acho que é a ponta
do iceberg.
Samuel T. piscou. Então ele estendeu o copo vazio. — Eu imploro para você, posso ter um
pouco mais?
Lane serviu o cara e depois se serviu novamente. — Eu tenho um amigo em Nova York
tentando descobrir isso. Jeff Stern, você se lembra dele da U.Va.

56
— Bom cara. Não conseguia segurar sua bebida como um sulista, mas, fora isso, ele era bom.
— Ele está no andar de cima com as finanças da empresa, tentando descobrir o quão ruim é
tudo. Seria um erro para nós assumir que meu pai não se apropriou de tudo. Afinal, há cerca de um
ano, ele declarou minha mãe incapaz e assumiu suas heranças. Só Deus sabe se ele deixou algo em
qualquer lugar.
Samuel T. balançou a cabeça por um tempo. — Você quer que eu seja simpático ou diga o
que penso honestamente?
— Honesto. Sempre seja honesto.
— É muito ruim que seu pai não tenha sido assassinado.
— Desculpa? Embora não seja que eu esteja discutindo com você, e eu gostaria de ter sido o
único a fazê-lo.
— Na maioria das políticas, o suicídio não permitirá você coletar, mas se alguém o matou?
Enquanto nenhum dos beneficiários o fizesse, o dinheiro seria seu.
Lane riu. Ele não conseguiu evitar isso. — Você sabe, esta não é a primeira vez que pensei
com carinho no homicídio quando se tratava desse homem.
De frente, um grito horrível cortou a manhã como um tiro.
— O que diabos é isso? — Samuel T. latiu enquanto ambos correram.

57
Capítulo 9

— Scheisse! Meine Gute, ein Finger! Ein Finger11...


Quando Lane se afastou da casa com Samuel T. apertado em seus calcanhares, bourbon
salpicava seu copo de cristal, e ele acabou jogando as coisas nos arbustos enquanto saltava dos
degraus de pedra. Mais à direita, Lizzie estava agachada acima de um buraco que havia sido cavado
no canteiro de hera, uma mão plantada na terra, a outra puxando sua parceira de volta enquanto
Greta continuava gritando e apontando em alemão.
— O que há de errado? — Lane disse quando ele veio correndo.
— É um... — Lizzie tirou o chapéu e olhou para ele. — Lane... nós temos um problema aqui.
— O que é...
— É um dedo. — Lizzie acenou para o canteiro de hera. — Eu acho que é um dedo.
Lane balançou a cabeça, como se talvez isso ajudasse a fazer sentido no que ela disse. E
então, ambos os joelhos se dobraram quando ele se baixou. Inclinando-se para uma olhada no
buraco raso...
Santa... merda. Era um dedo. Um dedo humano.
A pele estava marcada com sujeira, mas você podia ver que a digital ainda estava intacta todo
o caminho, e a coisa era gorda, como se tivesse inchado, já que tinha sido cortada ou... arrancada,
ou seja o que for. A unha estava mesmo no topo e o mesmo branco plano como a carne, e a base,
onde tinha sido cortada de sua mão, era uma fatia limpa, a carne dentro cinza, o ponto circular
pálido no fundo do osso.
Mas nada disso era o que realmente o interessava.
O anel de ouro pesado que era o problema.
— Esse é o anel de sinete do meu pai, — ele disse em um tom plano.
— Oh... merda, — sussurrou Samuel T. — Peça e você receberá.
Lane acariciou o bolso e tirou o telefone, mas não ligou.
Em vez disso, ele olhou para cima, para cima, para cima... e viu a janela do quarto de sua
mãe diretamente acima, onde o dedo foi enterrado na sujeira. Quando a mão de Lizzie foi ao ombro
dele e apertou, Lane a olhou.
11
Em alemão. “Merda. Minha querida, um dedo. Um dedo...”

58
Mantendo seus olhos trancados com os dela, ele dirigiu-se a seu advogado com o óbvio. —
Precisamos chamar a polícia, certo?
Quando Gin e Richard Pford saíram ao sol, Samuel T. colocou a palma da mão. — Vocês
dois, de volta à casa.
Gin olhou para o homem. — O que está acontecendo?
Lane assentiu. Ele não se importava se sua irmã viesse, mas isso não era nada de que Pford
precisasse ser exposto. Ele não era confiável. — Richard, leve-a de volta para dentro.
— Lane? — quando Gin se afastou, pelo menos seu noivo a pegou seu braço. — Lane, o que
é isso?
— Eu vou me certificar e vou explicar as coisas. — O que seria um trecho, porque ele não
tinha ideia do que diabos estava acontecendo. — Richard, por favor.
Pford começou a puxá-la de volta para dentro, mas Gin se liberou e atravessou o gramado em
seus sapatos de salto alto. Quando ela apareceu e olhou no buraco, uma expressão de horror deixou
feia sua beleza.
— O que é isso, — ela exigiu.
Samuel T. pegou Gin e falou com ela com uma voz calma. Então, quando ele começou a
levá-la de volta para a casa, ele olhou por cima do ombro. — Você liga ou eu devo?
— Eu vou.
Quando Lane abriu o iPhone com o número bem marcado do xerife Ramsey, notou distraído
que suas mãos não tremiam. Acho que ele estava se tornando um profissional em surpresas
desagradáveis, más notícias e a polícia chegando à casa de sua família.
Oh, ei, oficiais, há quanto tempo. E para fazer vocês se sentirem bem-vindo, designamos
estacionamento para vocês aqui mesmo na frente da casa.
Um toque. Dois toques...
— Eu estava prestes a ligar para você, — disse o xerife em saudação. — Eles vão libertar o
corpo do seu pai para a cremação amanhã.
— Não, eles não vão.
— Desculpe?
Lane se concentrou naquela fatia de carne pálida que estava toda manchada com fina camada
de Kentucky. — Encontramos algo enterrado. Bem abaixo da janela da minha mãe. Você e seus
meninos no departamento de homicídios vão querer voltar aqui.
— Sobre o que estamos conversando.
— É um pedaço do meu pai. Tanto quanto eu posso dizer.
Houve uma pausa. — Não toque em nada. Estou a caminho. Já convocou a polícia do Metro?

59
— Não.
— Chame-os...
— Então o relatório está logado.
—... sobre o relatório está logado.
Lane riu com uma forte explosão. — Eu já conheço o procedimento por agora.
Quando ambos desligaram, Lane se deixou encostar na grama para que ele, Lizzie e Greta
estivessem todos sentados em um semicírculo ao redor do buraco na verdadeira fogueira. Sem
marshmellows. Mas poderia haver uma história de fantasmas, pensou ele.
Um momento depois, da porta da frente aberta da mansão, sons de um argumento ferviam na
linda manhã, a voz de Gin mais alta, Samuel T. está bem atrás dela em termos de volume.
Muito ruim que ele não foi assassinado.
A hipótese de Samuel T. ecoou em torno da cabeça de Lane, quando ele desejou não ter
esvaziado seu copo nas árvores na porta da frente.
Essa poderia ser uma virada de jogo, pensou para si mesmo. Se era uma boa notícia... ou
ruim, era uma incógnita.
— Edward, — ele sussurrou. — Edward, o que você fez...

No Condado de Ogden, Edward sentou-se na cadeira Archie Bunker e se recusou a


cumprimentar o visitante. — Não há motivo para você estar aqui.
O Dr. Michael Qalbi sorriu do jeito gentil. O rapaz tinha trinta e cinco anos, pelo menos por
sua aparência, seu rosto bonito e os cabelos ruivos mostrando sua herança meio iraquiana, seus
olhos castanhos não perdia nada, não curvava para ninguém, para que não fossem levados ao pensar
que sua bondade poderia ser manipulada. Seu intelecto era tão formidável, ele devia ser Doogie
Howser12 em sua graduação e programas de residência, e depois entrou para ajudar seu pai com a
prática aqui na cidade.
Edward foi um membro de seu serviço há anos, mas ele não pagou suas dívidas desde que ele
voltou para Charlemont. Boa alma que ele era, Qalbi não parecia importar-se.
— Eu realmente não preciso de você, — Edward disse. — E isso é uma gravata de Scrabble
que você está vestindo?
O Dr. Qalbi olhou para a tira de seda multicolorida e de letras múltiplas que pendia de seu
pescoço. — Sim. E se você não precisa de mim, por que você não se levanta e me mostra a porta

12
É um seriado televisivo que foi exibido de 1989 a 1993. O personagem-título, interpretado por Neil Patrick Harris,
era um brilhante médico adolescente.

60
como o cavalheiro que você é?
— Vivemos no tempo dos computadores. Eu não gostaria de correr o risco de insultar sua
masculinidade. Isso poderia levar a uma enxurrada de reação na Internet.
O Dr. Qalbi acenou com a cabeça para Shelby, que estava atrás, com os braços cruzados
sobre o peito como uma lutadora de MMA na pesagem. — Ela disse que você tropeçou nos
estábulos.
— Diga isso cinco vezes rápido. — Edward apontou para a maleta preta à moda antiga na
mão do médico. — Isso é real ou é um suporte?
— Era do meu avô. E está cheio de guloseimas.
— Eu não gosto de pirulitos.
— Você não gosta de nada pelo que eu ouvi.
O médico avançou e se ajoelhou na frente dos chinelos com monograma de Edward, o único
que caberia em seus pés, graças ao tornozelo do inferno e todo seu inchaço.
— Estes chinelos são fantásticos.
— Eles eram do meu avô. Ouvi dizer que homens em Kentucky nunca compram nada novo,
exceto esposas. Os nossos guarda-roupas, por outro lado, são pães e peixes.
— Isso dói?
Quando o corpo quebrado de Edward voltou a sentar na cadeira e ele jogou as mãos para
cima, ele foi forçado a gritar, — Nem um pouco.
— Que tal agora?
Quando seu tornozelo se moveu na direção oposta, Edward sibilou: — Isso é pelo meu
comentário misógino?
— Então você admite que está com dor.
— Somente se você for um policial sendo um democrata.
— Vou dizer isso com orgulho.
Edward tinha a sensação de continuar a improvisação, mas seus neurônios se tornaram
invadidos com muita informação sensorial, nada bom. E enquanto ele grunhia e amaldiçoava, ele
estava muito consciente de que Shelby estava de pé ao lado, observando o show com um brilho.
— Você pode flexionar para mim? — perguntou Qalbi.
— Eu pensei que eu estava.
Depois de mais duas horas de tortura, tudo bem, foi mais como dois minutos, com interesse,
Dr. Qalbi se recostou nos calcanhares. — Eu não acho que esteja quebrado.
Edward olhou para Shelby. — Mesmo. Imagine isso.
— Está deslocado.

61
Quando a sobrancelha direita de Shelby, eu disse a você... estava em sua linha de cabelo,
Edward voltou a focar o médico. — Então, coloque-o no lugar.
— Você disse que fez isso nos estábulos? Como você chegou aqui?
— Eu andei.
— Não é possível.
— Eu estava bêbado.
— Bem, aí está. Nós precisamos levá-lo a um ortopedista...
— Eu não vou a nenhum hospital. Então, você pode corrigi-lo aqui ou me deixar.
— Esse não é um curso que eu recomendaria. Você precisa ser...
— Dr. Qalbi, você sabe muito bem que eu terminei. Já gastei minha parcela vitalícia de dias
nos hospitais. Um pouco eficiente, realmente. Então, não, não irei a nenhuma parte em uma
ambulância.
— Seria melhor começar...
— Primum non nocere13.
— É por isso que quero te levar para a cidade.
— E a afirmação, o cliente sempre está certo.
— Você é meu paciente, não um cliente. Então a sua satisfação não é o meu objetivo. O
cuidado apropriado é.
Mas Qalbi ficou em silêncio e fez a coisa toda com os olhos firmes, embora não estivesse
claro se ele estava fazendo outras avaliações médicas ou esperando que seu “paciente” chegasse a
seus sentidos.
— Não posso fazer isso sozinho, — concluiu o homem.
Edward assentiu com a cabeça para Shelby. — Ela é mais forte do que você. E tenho certeza
de que ela gostaria de me machucar agora mesmo, não é, querida.
— O que precisa, doutor? — Foi tudo o que ela disse quando aproximou.
Qalbi olhou diretamente para o rosto de Edward. — Se não houver pulso dorsalis pedis ou
tibialis posterior depois de terminar, você vai ao hospital.
— Eu não sei o que são esses.
— Você é o único que começou a citar latim. E esses são meus termos. Se você os recusar, eu
irei embora, mas eu também irei entregar você para o serviço social como portador de retardo metal,
e então você pode ter todo tipo de diversão lidando com pessoas do bem-estar.
— Você não se atreveria.

13
Latim. “Em primeiro lugar, não causar danos. ”

62
— Teste-me, — veio a resposta calma.
Cara bebê, minha bunda, pensou Edward.
— Você é um negociador difícil, doutor.
— Somente porque você está sendo ridículo.
E foi assim que, alguns instantes depois, Edward terminou com o jeans enrolado até uma
coxa esquelética, a perna mutilada dobrada no joelho e Shelby empurrando-o com as mãos presas
nos seus tendões de jarrete patéticos. Devido a lesões no quadril, a posição da perna direta não
funcionaria, de acordo com o bom médico.
— Eu vou puxar no três.
Quando Edward se preparou, ele olhou para frente... diretamente na parte traseira bastante
espetacular de Shelby. Mas sim, esse foi o resultado final quando você ganhava a vida no trabalho
físico e você tinha vinte alguma coisa.
Através da parede da cozinha, o telefone à moda antiga começou a tocar.
— Três...
Edward gritou e houve um forte estalo. Mas a dor recuou rapidamente para uma dor maçante.
E, quando ele respirou, o Dr. Qalbi fez uma sondagem.
— Os pulsos são fortes. Parece que você esquivou de uma bala. — O médico levantou em
seus pés funcionalmente invejável. — Mas este incidente invoca a maior questão de onde você está
em sua recuperação.
— Nesta cadeira, — Edward gemeu. — Eu estou nesta cadeira, obviamente.
— Você deveria ter uma mobilidade melhor até agora. E você não deve se automedicar com
álcool. E você deveria...
— A palavra “deve” não é um anátema moderno? Eu pensei que não havia mais “deveres”.
— A psicologia popular não me interessa. O fato de você estar tão fraco quanto você está.
— Então, eu acho que isso significa que uma receita para analgésicos está fora de questão.
Preocupado por conseguir um segundo membro da minha família engajado em narcóticos?
— Eu não sou o médico responsável pelo tratamento da sua mãe. E eu lhe asseguro que eu
não estaria lidando com as coisas como eles estão. — O Dr. Qalbi inclinou-se e pegou sua maleta.
— Eu insisto que você considere uma pequena readmissão em uma instalação de reabilitação.
— Não vai acontecer...
—... para construir sua força. Também recomendo um tratamento com programa...
—... porque eu não acredito nos médicos...
—... álcool. A última coisa que você precisa fazer...
—... e não há nada errado...

63
—... é adicionar álcool a esta mistura.
—... com a minha bebida.
O Dr. Qalbi pegou um cartão no bolso das costas. Oferecendo a Shelby, ele disse: — Pegue
isso. Tem o meu celular no verso. Se você continuar a viver com ele, você vai me ligar de novo, e
talvez possamos cortar o serviço de atendimento do intermediário.
— Eu não vivo com ele, — ela disse suavemente. — Eu trabalho aqui.
— Minhas desculpas pela suposição. — O Dr. Qalbi olhou para Edward. — Você também
pode me ligar. E não, você não precisa se preocupar. Eu sei que você vai dizer que você não vai.
A porta da casa de campo fechou e um carro voltou um momento depois. E no silêncio,
Edward olhou para o pé, que agora estava na posição correta e não estava inclinado para o lado. Por
algum motivo, ele pensou sobre a caminhada dos estábulos até aqui, ele apoiado em Shelby, sua
carne maltratada cobriu seu corpo magro como o peso morto que ele era.
Quando o telefone começou a tocar novamente, Shelby olhou para ele. — Você quer que eu...
— Me desculpe, — ele disse a grosso modo. — Você está me pegando em um momento da
minha vida quando eu sou como seu pai.
— Você não está me pedindo para cuidar de você.
— Então, por que você está?
— Alguém tem.
— Na verdade não. E você pode querer se perguntar se você deve ir embora.
— Eu preciso desse trabalho.
Ele encontrou seus olhos e alguma coisa em sua expressão a fechou. — Shelby. Eu tenho que
ser sincero com você. As coisas... só vão piorar daqui para frente. Mais difíceis.
— Então, não beba tanto. Ou pare.
— Não é disso que eu estou falando.
Bem, ele não era um cavalheiro. Tentando salvar sua vida quando ela foi para o inferno. E
maldição, ele desejava que esse toque parasse.
— Edward, você está bêbado...
Quando o telefone finalmente ficou em silêncio, tudo o que ele podia fazer era balançar a
cabeça. — Há coisas que aconteceram com minha família. Coisas... que vão sair. Não vai melhorar
do que é agora.
Um problema com o tornozelo seria o mínimo dos problemas.
Quando um carro estacionou, ele revirou os olhos. — Qalbi deve ter esquecido suas boas
maneiras.
Shelby foi até a porta e abriu. — É outra pessoa.

64
— Se é uma longa limusine preta com um terno rosa Chanel na parte de trás, diga-lhes
para...
— É um homem.
Edward sorriu friamente. — Pelo menos eu sei que não é meu pai que vem me ver. Essa
pequena dor de cabeça foi bem cuidada.
Quando Edward olhou para a porta aberta, ele franziu o cenho quando viu quem estava na
frente. — Shelby. Você vai nos desculpar por um momento? Obrigado.

65
Capítulo 10

No sol em Easterly, Lane terminou a chamada para a Polícia do Metro e olhou para Samuel
T., que voltou pela grande porta da frente.
— Ok, conselheiro, — disse Lane. — Temos quinze, vinte minutos antes da chegada da
equipe de homicídios. Neste ponto, eu sou o primeiro nome na lista de suspeito.
— Então, temos tempo suficiente para esconder evidências no caso de você ter feito isso. —
Quando Lizzie e Greta puxaram um suspiro, Samuel T. revirou os olhos. — Relaxe. Foi uma
piada...
Naquele momento, Jeff Stern saiu para fora da mansão. O antigo colega de quarto da
faculdade e irmão da fraternidade da U.Va. parecia tão relaxado e bem dormido como qualquer um
que tivesse passado muitas noites acordado, vivendo em café e planilhas financeiras microscópicas.
Um extra de The Walking Dead teve uma chance melhor com o GQ.14
— Nós temos um problema, — Jeff disse enquanto tropeçava pelo gramado.
Em circunstâncias diferentes, ele era realmente um cara bonito, um auto professo anti-
WASP15 com sua orgulhosa herança judaica e sotaque de Nova Jersey. Ele se destacou na U.Va. por
muitas razões, principalmente por causa de suas habilidades matemáticas, e posteriormente passou a
Wall Street para ganhar uma quantidade obscena de dinheiro como banqueiro de investimentos.
Lane passou os últimos dois anos no sofá do bastardo na Big Apple. E ele pagou o favor,
implorando a Jeff que tirasse “férias” e descobrisse o que seu pai fez com todo esse dinheiro.
— Pode esperar? — Lane disse. — Eu preciso...
— Não. — Jeff olhou para Lizzie e Greta. — Nós precisamos conversar.
— Bem, temos quinze minutos antes da polícia chegar aqui.
— Então você sabe? Que diabos? Por que você não me disse?
— Sabe o que?
Jeff olhou para as duas mulheres novamente, mas Lane cortou isso. — Tudo o que você tem
a dizer pode ser feito na frente delas.

14
Revista de moda masculina.
15
WASP é usado para se referir às pessoas da sociedade americana cujos antepassados vieram do norte da Europa,
especialmente a Inglaterra, e que são considerados como tendo muito poder e influência. WASP é uma abreviatura para
'Protestante anglo-saxão branco'.

66
— Você tem certeza sobre isso? — o cara colocou suas palmas e cortou qualquer argumento.
— Bem. Alguém está desviando da empresa também. Não é apenas o que quer que tenha
acontecido com suas contas domésticas. Há um rio de dinheiro saindo de Bradford Bourbon, e se
você quer ter alguma coisa, é melhor ligar para o FBI agora. Há fios do banco em todo o lugar,
muita coisa de RICO16 acontecendo, isso precisa ser tratado pelos Federais.
Lane olhou para Lizzie e quando ela estendeu a mão e pegou sua mão, ele se perguntou o que
diabos ele faria sem ela. — Você tem certeza?
Seu velho amigo lhe lançou um olhar de me-dá-um-tempo. — E eu nem sequer passei por
tudo isso. Isso é ruim. Você precisa obter gerenciamento sênior para interromper toda a atividade,
depois ligue para o FBI e bloquei esse centro de negócios por trás dessa casa.
Lane girou em direção à mansão. Depois que sua mãe “ficou doente”, seu pai converteu o
que já havia sido os estábulos atrás da mansão em uma instalação de escritório totalmente funcional
e de última geração no local. William mudou de direção, colocou cadeados em todas as portas e
transformou o centro de operações da matriz da empresa em insignificante, também funcionou
como repositório para vice-presidentes, diretores e gerentes medianos. Ostensivamente, a
deslocalização da confiança do cérebro tinha sido assim, o homem poderia ficar em casa mais perto
de sua esposa, mas na verdade, quem poderia acreditar nisso, dado que os dois raramente havia
estado na mesma sala juntos.
Agora Lane estava vendo o verdadeiro motivo. Mais fácil de roubar com menos pessoas ao
redor.
— Viagem de campo, — ele anunciou.
Com isso, ele soltou a palma de Lizzie e saiu, dirigindo-se ao pátio traseiro do campo de
futebol, onde o centro de negócios se estendia atrás da mansão. Na sua volta, as pessoas estavam
falando com ele, mas ele ignorou tudo isso.
— Lane, — disse Samuel T. enquanto ele pulava na frente. — O que você está fazendo?
— Economizar eletricidade.
— Eu acho que devemos chamar a polícia.
— Eu apenas chamei. Lembra o dedo?
A porta dos fundos do centro de negócios estava trancada com um grande parafuso morto e
seguro por um sistema codificado. Felizmente, quando ele e Edward haviam invadido há alguns
dias para obter as finanças, Lane havia memorizado a sequência correta de dígitos.
Apertando-os na tela, a entrada destrancou e ele entrou no interior silencioso e luxuoso. Cada

16
Lei das Organizações Influenciadas e Corruptas: uma lei dos EUA, promulgada em 1970, permitindo que as vítimas
do crime organizado processem os responsáveis por danos punitivos.

67
centímetro da estrutura de um andar de seis mil metros quadrados era feito em carpetes marrom e
dourado que eram grossos como um colchão. Paredes isoladas significavam que nenhuma voz ou
toque telefones ou em teclados viajavam fora de um determinado espaço. E havia tantas fotos nas
paredes como a maioria dos iPhones tinha selfies.
Com escritórios privados para gerência seniores, uma cozinha gourmet e uma área de
recepção que se assemelhava ao Escritório Oval da Casa Branca, as instalações representavam tudo
o que a Bradford Bourbon Company representava: os mais altos padrões de excelência, as tradições
mais antigas e o melhor do melhor para tudo.
Lane não se dirigiu para os mais altos e seus escritórios privados, no entanto. Ele foi para os
fundos, onde estavam os depósitos e a cozinha.
Bem como os utilitários.
Empurrando através de uma porta dupla, ele entrou num enclave quente e sem janelas cheio
de mecânicos que incluía exautores de calor e de ar, e um aquecedor de água quente... e o painel
elétrico.
As luzes aéreas eram ativadas por movimento, e ele passou diretamente pelo chão de
concreto para a caixa de fusíveis. Agarrando uma alça vermelha ao lado, ele puxou a coisa para
baixo, desligando todos as correntes para a instalação.
Tudo ficou escuro, e então os painéis de segurança pouco iluminados se acenderam.
Quando ele voltou para o corredor, Samuel T. disse secamente: — Bem, essa é uma maneira
de fazê-lo.
Como vespas irritadas no ninho, os executivos vieram correndo, os três homens, uma mulher
e a recepcionista que caminharam pelo corredor estreito ao mesmo tempo. Eles pararam assim que o
viram.
O diretor financeiro, um conhecido de 60 anos, chamado Ivy League, com mãos e sapatos
bem cuidados e brilhantes em seu clube privado, recuou. — O que você está fazendo aqui?
— Desligando esse lugar.
— Desculpe?
Enquanto outro terno veio derrapando no grupo, Lane apenas apontou para a porta de trás que
ele próprio havia entrado. — Saia. Todos vocês.
O diretor financeiro estufou o peito e o porta-voz. — Você não tem o direito de...
— A polícia está a caminho. — O que era tecnicamente verdadeiro. — Vocês podem
escolher saírem com eles ou em seus próprios Mercedes. Ou vocês dirigem um Lexus?
Lane observou suas expressões cuidadosamente. E não foi totalmente surpreendido quando o
diretor financeiro continuou com outra ofensiva você-não-tem-direito.

68
— Esta propriedade é privada, — disse Samuel T. suavemente. — Esta instalação não está
em terras corporativas. Você acabou de ser informado pelo proprietário que vocês não são bem-
vindos. Vocês parecem inteligentes o suficiente para conhecer a lei de transgressão em Kentucky,
mas estou mais do que feliz em lhe fornecer uma lição rápida ou uma atualização conforme
necessária. Isso envolverá uma espingarda, no entanto, e a...
Lane cutucou seu advogado no fígado para calar-se.
Enquanto isso, o diretor financeiro se separou e passou a mão pela gravata vermelha. —
Existem funções críticas gerenciadas por isso...
Lane ficou cara a cara com o cara, preparado para agarrá-lo pelos Brooks Brothers e arrastá-
lo para o gramado. — Cale a boca e comece a andar.
— Seu pai ficaria consternado!
— Ele está morto, lembra-se. Então ele não tem opinião. Agora, vá embora pacificamente, ou
pegarei uma arma como o meu advogado estava falando?
— Você está me ameaçando?
Samuel T. falou. — Você está saindo em três... dois... um...
— Vou contar à diretoria sobre isso...
Lane cruzou os braços sobre o peito. — Enquanto não estiver em um telefone aqui, não me
importo se você chama o Presidente dos Estados Unidos ou sua fada madrinha.
— Espere, — Jeff cortou. — Um de nós irá escoltá-los para seus escritórios para pegarem as
chaves dos seus carros. Vocês não estão autorizados a remover qualquer equipamento, unidade,
papelada ou arquivos das instalações.
— Bom, — disse Lane a seu amigo.

Na cabana do zelador Red & Black, Edward sorriu para o visitante quando Shelby se
despediu de ambos. Ricardo Monteverdi era o Gerente da Prospect Trust, a maior empresa privada
de confiança no centro do país, e ele olhou a parte, a figura aparente e a distinta apresentação desse
terno listrado fazendo Edward pensar em uma brochura para a Wharton School of Business, 1985.
Com a parede de troféus de prata criando um halo ao redor dele, o brilho sugeriu, falsamente, que
ele poderia ser portador de boas novas.
No entanto, alguém sabia melhor.
— Você veio prestar seus respeitos sobre o meu pai? — Edward dirigiu. — Você não precisa
se preocupar.
— Oh... mas é claro, — disse o banqueiro com um breve arco. — Sinto muito por sua perda.

69
— O que o torna apenas um de nós.
Houve uma pausa, e Edward não estava seguro de saber se o homem estava mastigando essa
briga ou se preparando para a razão de que ele não havia anunciado. Provavelmente o último.
— Há alguma outra coisa? — alertou Edward.
— Isso é muito estranho para mim.
— Claramente.
Houve outro silêncio, como se o homem preferisse muito que Edward chegasse ao ponto.
Mas isso não aconteceria. Como Edward havia aprendido há muito tempo nos negócios, ele, que
abriu a reunião em qualquer negociação perdida.
E sim, ele sabia por que o homem tinha ido a fazenda.
Monteverdi tossiu um pouco. — Bem agora. De fato. Com a morte de seu pai, certos...
arranjos... que ele fez precisa ser atendido, e no meu caso, com toda a altivez. Embora eu saiba que
você está de luto, tenho medo de que haja uma situação em particular, que não pode ser adiada e
que é iminente devido. Consequentemente, e para proteger o nome e a reputação de sua família, vou
até você para que as coisas possam ser tratadas discretamente.
— Não tenho ideia do que você está falando. — Mentiroso, mentiroso, calças em chamas. —
Então eu acredito que você precise ser mais específico.
— Seu pai veio a mim há vários meses por um empréstimo privado. Fiquei feliz em cuidar do
que ele precisava, mas deixe-nos dizer que eu tive de ser criativo com o financiamento. Os
dinheiros são devidos agora e eles devem ser reembolsados antes da reunião trimestral do Conselho
Prospect Trust ou...
— Ou você estará em maus lençóis?
O rosto de Monteverdi ficou duro. — Não, vou ser forçado a colocar sua família em maus
lençóis.
— Não posso ajudá-lo.
— Eu não acho que você entende. Se esse dinheiro não for reembolsado, eu vou ter que
tomar uma ação legal, e isso se tornará muito público, muito rapidamente.
— Então, processe-nos. Ligue para o New York Times e diga-lhes que devemos à sua
empresa fiduciária cinquenta e três milhões de dólares. Diga-lhes que somos parasitas, mentirosos,
ladrões. Eu não me importo.
— Eu pensei que você disse que não sabia disso.
Maldita bebida ainda estava em suas veias. Além disso, ele estava fora de prática com o
esporro verbal.
— Eu acho que o problema, — disse Edward com um sorriso, — é sua necessidade de se

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proteger. Você está tentando me intimidar para que você não precise dizer ao seu conselho que você
executou um empréstimo maciço e não garantido sem o seu conhecimento e admitir que você tem
agido em interesse próprio. Minha resposta é que eu não dou a mínima. Faça o que for necessário.
Não me importo porque não é meu problema.
— Sua mãe está em um estado delicado.
— Ela está em coma para todos os efeitos.
— Como o filho mais velho, eu pensei que você se importaria com o bem-estar dela mais do
que isso.
— Eu me mudei para esse luxo incrível, — Edward dirigiu uma mão para o mobiliário
precário, — para fugir de tudo isso e de todos eles por uma boa razão. Então afunde aquele grande
navio elegante naquela colina. Atire seus canhões na mansão da minha família até que o tudo
termine no fundo do mar. Não vai me afetar de uma forma ou de outra.
Monteverdi bateu um dedo no ar. — Você não é digno de se chamar um filho.
— Considerando quem são meus pais, estou orgulhoso de ter durado o tempo que durei sob
esse teto. E faça-nos um favor. Não tente mascarar seu próprio interesse na retórica do altruísmo
enquanto ameaça minha família. Diga-me, quanto interessou você? Dez por cento? Quinze? Se o
empréstimo for de seis meses, é pelo menos dois milhões e meio para você. Bom trabalho se você
consegue, hein.
Monteverdi puxou os punhos da camisa branca francesa. — Considero isso como uma
declaração de guerra. O que acontece a seguir é culpa sua.
— Quão dependente de você. — Edward indicou seu corpo. — Mas fui torturado por oito
dias por pessoas que me matariam, e no meu caso, isso não é uma hipérbole. Se você acha que há
algo que você possa fazer para chamar minha atenção, você está delirando.
— Apenas assista. Você pode não se preocupar com sua mãe, mas eu me pergunto se você se
sente tão cavalar sobre seus irmãos. Tanto quanto eu entendo, você sempre foi bastante protetor.
— Fui.
— Veremos.
O homem virou-se e saiu pela porta um momento depois. E quando o telefone à moda antiga
começou a tocar novamente, Edward olhou para as pernas arruinadas... e se perguntou, não pela
primeira vez, o que poderia ter sido.
O que deveria ter sido.
Muito tarde para tudo isso agora, no entanto.
Agarrando a cabeça para o lado, ele olhou para aquele receptor pendurado na parede da
cozinha. O pensamento de andar até lá o esgotou, mas principalmente, sabia do que provavelmente

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era o chamado.
Eles teriam que vir por ele se eles o desejassem, no entanto.

Capítulo 11

Edwin MacAllan, Master Distiller para a Bradford Bourbon Company, não estava chegando a
lugar nenhum. Sentado em seu escritório, que tinha sido o comando central de seu pai até o homem
ter morrido inesperadamente há uma década, Mack estava tentando chegar a alguém, qualquer um
no centro de negócios. Nada. Tudo o que estava recebendo era correio de voz, o que, considerando
que ele estava discando as linhas privadas da alta administração e não passando pela recepcionista,
não tinha precedentes.
O Diretor Financeiro, o Diretor de Operações, e os três vice-presidentes seniores não estavam
atendendo.
Lane também não estava respondendo o seu celular.
Quando Mack desligou o telefone novamente, ele sabia muito bem que o identificador de
chamadas nos telefones corporativos significava que as pessoas sabiam quem era. E que um ou dois
talvez não tenham respondido, todos os cinco? Sim, seu Diretor Presidente morreu, e havia caos,
mas o negócio tinha que continuar funcionando.
— Ei, estou fazendo isso...
Antes que Mack pudesse chegar à palavra “certo”, ele fechou a boca e lembrou-se de que seu
assistente executivo, que também foi o de seu pai, não estava mais lá fora. E não esteve desde que
seu irmão teve um ataque cardíaco antes de ontem.
Como se todas as entrevistas que ele fizera hoje não o lembrassem da perda?
Claramente, eles simplesmente o jogaram em uma negação.
Colocando os cotovelos nas pilhas de papelada, esfregou a cabeça. Contratar era muito
parecido com o namoro. O RH enviou vários candidatos, e cada um deles tiveram um deslize, os
assistentes executivos equivalentes a rainha de beleza de alta manutenção, cabeçudos, neuróticos,
Glenn Close, pegajosos ou sem sexos, bichas com axilas cabeludas, defensivos.
— Merda.
Ao levantar-se, ele caminhou em torno da velha mesa maltratada e deu um longo passeio,
olhando os artefatos que foram exibidos em caixas de vidro e vitrines. Havia o primeiro barril que

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foi marcado com o número quinze, a marca da empresa de bourbon a preços razoáveis. Uma linha
de garrafas especiais comemorando as vitórias do programa de basquetebol da Universidade de
Charlemont no torneio da NCAA em 1980, 1986 e 2013. Revólveres históricos. Mapas. Cartas de
Abraham Lincoln e Andrew Jackson para vários Bradfords.
Mas o papel de parede em si era o verdadeiro testemunho do produto da empresa,
longevidade e orgulho. Cada centímetro de espaço plano e vertical foi colocado em camadas com
rótulos de inúmeras garrafas, as diferentes fontes, cores e imagens que ilustram uma evolução de
marketing, proposição de valor e preço.
Mesmo que o produto que foi embalado permanecesse exatamente o mesmo.
Bradford Bourbon foi feito precisamente do mesmo jeito desde o final dos anos 1700, nada
mudou, nem a maquiagem do purê de grãos, nem a cepa de fermento, nem a fonte de água especial
de aquário calcada, nem o carvalho carbonado dos barris. E Deus conhecia as estações de Kentucky
e a quantidade de dias em um ano civil não foi alterada.
Ao medir a história que lhe precedera, parecia inconcebível que, ao longo de dois séculos de
tradição, pudesse acabar em seu turno. Mas os grandes empresários haviam decidido, antes que
William Baldwine morresse, congelar a compra de milho, o que significava que não haveria mais
purê, o que significava que Mack tinha que fechar a produção.
Não teria precedentes. Mesmo durante a Proibição, a BBC continuou a fazer seu Bourbon,
embora depois de uma deslocalização para o Canadá por um tempo.
Depois de lutar com os ternos e não chegar a lugar nenhum, Mack se tronou o denunciante
em Easterly e informou Lane sobre o encerramento, e então Mack ajudou o filho pródigo a ter
acesso a algumas das finanças corporativas. Mas depois disso? Ele não ouviu nada desde então.
Era como esperar resultados de biópsia, e o estresse o estava matando. Se ele perdeu esse
emprego, esse meio de subsistência? Ele estava perdendo seu pai, simples e simples.
E ele não gostaria de viver através disso pela primeira vez.
Impaciente e frustrado, ele saiu para a área de recepção. O espaço vazio estava muito calmo e
muito frio, o ar quente subindo até as vigas expostas do telhado de alto pico da cabana convertida, o
ar condicionado caiu pelas tábuas do chão. Como o resto do Old Site, como este lugar era
conhecido, o escritório do Master Distiller estava alojado em uma estrutura original remodelada, a
antiga argamassa e construção de troncos, adaptadas a tudo, desde a água corrente até o Wi-Fi da
maneira mais discreta possível.
Agarrando a porta de grandes dimensões, ele saiu e perambulou pelo gramado cortado. O Old
Site era uma instalação de produção de bourbon que funcionava, pois era uma atração turística,
ensinar a leigos e aficionados exatamente como fazer o melhor Bradford. Consequentemente, havia

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um elenco da Disney World para a área cultivada, no melhor sentido, os edifícios todos pitorescos e
pintados de preto e vermelho com pequenos caminhos que levam do silo de grãos para purê, a casa
para alambiques e celeiros de armazenamento. E, normalmente, haveria grupos de turistas liderados
por guias, os lotes de estacionamento cheios, a loja de presentes e os prédios de recepção
movimentados.
Por respeito à morte de William Baldwine, tudo foi fechado para pessoal não essencial pela
próxima semana.
Ou, pelo menos, isso foi o que a alta administração havia dito. Mais provável? O corte de
custos não parou apenas no fornecimento de grãos.
Eventualmente, Mack acabou na frente de um dos três celeiros de armazenamento. Os
prédios de madeira de sete andares, sem isolamentos, abrigavam centenas de barris de bourbon em
envelhecimento em grandes sistemas de armazenamento de madeira, as variantes de temperatura
das estações preparando o cenário para a alquimia que acontece com o álcool datado, se
apaixonaram e se casaram com as fibras carbonizadas é uma casa temporária de madeira.
Quando abriu uma porta com painéis, as dobradiças artesanais rangeram e o aroma rico e
terroso que o atingiu enquanto ele entrava no interior lembrou-o de seu pai. O interior era escuro, as
vigas apoiam as fileiras e fileiras de barris cortadas e desgastadas, os caminhos finos que cortavam
entre as prateleiras empilhadas, duas mesas largas de nove metros de comprimento.
O corredor central era muito mais amplo e feito de concreto, e ele colocou as mãos nos
bolsos de seus jeans enquanto seguia cada vez mais profundamente no prédio.
— Lane, o que estamos fazendo aqui, — ele perguntou em voz alta.
Bourbon precisava de tempo. Não era como fazer vodca, onde você poderia simplesmente
ligar a torneira e pronto. Se a empresa queria algo para vender sete anos, dez anos, doze anos a
partir de agora? Você tinha que manter os peitoris correndo agora...
— Um... desculpe-me?
Mack girou. De pé na porta aberta, com luz fluindo atrás dela, uma mulher com uma forma
de ampulheta e longos cabelos escuros era como uma aparição de alguma fantasia sexual. Deus...
ele podia até cheirar seu perfume ou seu sabão ou o que quer que fosse no ar fresco passando pelo
corpo e soprando nas pilhas.
Parecia igualmente surpresa ao olhar para ele.
— Sinto muito, — ela disse com uma voz baixa e não acentuada. — Estou à procura de
Edwin MacAllan. Tenho uma entrevista com ele, mas não há ninguém no escritório...
— Você me encontrou.
Houve uma pausa. — Oh. — Ela balançou a cabeça. — Eu sinto muito. Eu mesmo, de

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qualquer forma, meu nome é Beth. Beth Lewis. Você, ah, quer que eu volte outra hora?
Não, ele pensou enquanto seu cabelo pegava a brisa e se enrolava pelo ombro.
Na verdade... não quero que você vá embora.

— Eu não posso chegar a Edward.


Quando Lane atravessou a área de recepção do centro de negócios e no escritório de seu pai,
era como entrar em uma sala cheia de armas carregadas apontadas em sua direção: Sua pele pitada
de advertência e as mãos cruzadas em punhos e ele só queria se virar e correr de lá.
Então, novamente, o lugar era estranho como o inferno. A iluminação de segurança fraca do
corte de energia matizou tudo com um sinal sombrio, e o fantasma de William Baldwine parecia
espreitar nas sombras.
Lane não tinha ideia de por que havia vindo aqui. A polícia provavelmente estava dirigindo a
frente de Easterly agora mesmo.
Ele balançou a cabeça enquanto olhava para a mesa real e a grande cadeira esculpida que era
como um trono. Tudo sobre o lugar era como um cenário de um filme de Humphrey Bogart: um
decantador de cristal cheio de bourbon. Uma bandeja de prata com copos de cristal cortado. Uma
foto de Little V.E. em um porta-retratos de prata. Um recipiente com os cubanos que seu pai
gostava no outro canto sob uma lâmpada Tiffany. Um pacote de cigarros Dunhill e um isqueiro de
ouro ao lado de um cinzeiro Cartier limpo. Nenhum computador. Sem papelada. E o telefone era
um pensamento de alta tecnologia, enfadado pelo estilo de vida, o objeto de arrogância.
— Esta é apenas a segunda vez que estou neste escritório, — ele murmurou para Lizzie, que
tinha ficado perto da porta. — Eu nunca invejei Edward.
Enquanto olhava para os livros encadernados em couro, os diplomas e as fotografias de
William com proeminentes homens nacionais e internacionais, ele se concentrou nela: a maneira
como seus cabelos, que haviam sido loiros pelo sol, seus peitos enquanto eles preenchiam sua
camisa preta, suas longas e musculosas pernas, que foram exibidas por esses shorts.
Luxúria agarrou seu intestino.
— Lizzie...
Jeff entrou na porta aberta. — Tudo bem, eles saíram todos. O lugar está vazio, e seu
advogado voltou para a casa para encontrar a polícia. Você sabe como mudar o código nessa porta?
Porque eu mudaria, se eu fosse você.
Lane piscou para limpar a imagem mental dele empurrando tudo da mesa e colocando Lizzie
sobre ela nua.

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— Ah, eu não, mas vamos descobrir. — Lane estendeu suas costas. — Ouça, você pode me
dar uma ideia rápida do que você achou corporativo?
Jeff olhou ao redor e não parecia particularmente impressionado com a grandeza. — Na
superfície, as transferências que eu sinalizei pareciam seus pagamentos de serviços de dívida de
jardim para diferentes bancos. Mas, então, há esses pagamentos em grande balão, e foi isso que me
preocupou primeiro. Rastreando as transferências de dinheiro, descobri as notações para algo
chamado WWB Holdings, que acabou por ser William Wyatt Baldwine Holdings. Eu acredito que é
um caso de financiamento fora do balanço que saiu de controle e, em caso afirmativo, eu estou
certo, isso se qualifica como desfalque. Agora, quando fiz algumas pesquisas na Internet e chamei
um favor da UBS, não consegui encontrar nada em qualquer lugar com precisão sobre o WWB
Holdings ou onde está localizado, mas vou deixar você adivinhar quem foi o responsável por isso.
— Filho da puta, — murmurou Lane. — Foi aí que o dinheiro da casa também foi. WWB
Holdings. Então, de quanto estamos falando?
— Setenta e dois milhões. Até agora.
Enquanto Lizzie ofegava, Lane sacudiu a cabeça. — Droga.
Lizzie falou. — Espere, o que é financiamento fora do balanço.
— Financiamento fora do balanço. — Jeff esfregou os olhos como se ele tivesse a mesma dor
de cabeça que Lane tinha. — Basicamente, é quando você alavanca os ativos de uma empresa para
garantir a dívida por outra. Se a segunda entidade falhar, o banco ou credor espera que o primeiro
pague. Nesse caso? Estou disposto a apostar que os fundos emprestados à WWB Holdings foram
desviados e quando os termos do empréstimo não foram atendidos, o dinheiro da Bradford Bourbon
Company foi usado para cumprir as obrigações. É uma maneira de roubar isso um pouco menos
óbvio do que apenas escrever-se um cheque corporativo e descontá-lo.
— Mais de cento e quarenta milhões? — Lane atravessou seus braços sobre o peito quando
ele foi atingido por uma fúria que o fez querer destruir o escritório. — Esse é o total. Só pode estar
brincando comigo.
— E esse setenta milhões são apenas transferências das contas de operações até fevereiro.
Vai haver mais. Há um padrão escalonado para tudo. Jeff encolheu os ombros. — Estou lhe
dizendo, Lane, é hora de envolver o FBI. Isso é muito grande para eu continuar, especialmente
porque tenho que voltar para Nova York. No entanto, tem sido umas férias infernais.
O telefone de Lane começou a tocar, e quando ele tirou e viu que era Samuel T., ele
respondeu com: — Eles estão aqui? Estou chegando...
— O que você está fazendo!
A mulher que correu para o escritório tinha sessenta anos e construída como o navio de

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batalha que ela era. De seu terno cinza ao rolo de cabelos grisalhos, a Sra. Petersberg era uma
excêntrica que esteve na corrida vida comercial de William Baldwine há quase vinte anos. Mas foi a
compostura habitual. De rosto vermelho e olhos grandes, ela estava tremendo, os óculos de leitura
que pendiam de seu pescoço em uma fina corrente saltando em seu peito liso enquanto ofegava.
Lane manteve a voz pairada. — Pegue suas coisas. Saia.
— Você não tem o direito de estar neste escritório!
Hysteria entrou em erupção na mulher, e ela era surpreendentemente forte quando ela veio
até ele, seus dedos agarrando seu rosto, seus joelhos e pés chutando contra ele, maldições
estridentes e condenações pontuando o ataque. Lizzie e Jeff avançaram para tentar afastá-la, mas
Lane balançou a cabeça para eles. Captando as mãos, ele deixou que ela continuasse a gritar
enquanto ele a aliviava contra as estantes de livros tão gentilmente quanto podia.
No momento em que ela se desacelerou, aquele rolo limpo parecia uma salada jogada em sua
cabeça e sua respiração era tão irregular, como se ela precisasse de uma alimentação de oxigênio ou
que ela iria desmaiar.
— Você não pode salvá-lo, — Lane disse com severidade. — Já era tarde para isso há algum
tempo. E eu sei que você sabe as coisas. A pergunta que você precisa perguntar é quanto você está
disposto a pagar por sua lealdade a um homem morto. Estou descobrindo mais e mais o que
aconteceu aqui, e eu sei que você era parte disso. Você está disposta a ir à prisão por ele? Você é
tão insana?
Ele disse isso mesmo que não tivesse certeza se ele iria chamar os Federais ou não. A prisão
geralmente era um bom incentivo, no entanto, e ele não estava acima de usar essa vantagem no
momento.
E, além disso, ele disse a si mesmo, se a fraude fosse tão grande como Jeff disse que era?
Então, esses credores iriam começar a cair sobre eles quando os pagamentos não fossem feitos, e
sim, alguns chamariam advogados e quando os ativos secaram ainda mais?
Vai ser um caos de dívida na BBC.
— Ele era um bom homem, — disse Petersberg cuspiu. — Seu pai sempre foi bom comigo.
— Isso é porque você foi útil para ele. Não tome isso pessoalmente, e não arruíne sua própria
vida com a ilusão de que você era algo além de algo que ele poderia manipular.
— Nunca vou entender por que vocês rapazes o odeiam tanto.
— Então você precisa acordar.
Quando ela se liberou, ele a deixou ir para que ela pudesse arrumar o cabelo e reordenar suas
roupas.
— Seu pai sempre teve o melhor interesse de sua família e os interesses da empresa no

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coração. Ele foi…
Lane ficou fora do corpo enquanto a mulher ressaltava as virtudes que atribuía a um homem
que não tinha nenhuma. No entanto, tudo isso não era problema dele. Você não poderia mudar a
mente de um apostolado, não conseguia salvar alguém que não queria entrar no barco salva-vidas.
Então, essa mulher sempre eficiente cairia com seu ex-chefe.
Não é problema dele.
Quando seu telefone começou a tocar novamente, ela concluiu: — Ele sempre esteve lá
quando eu precisei dele.
Lane não reconheceu o número e deixou quem era entrar no correio de voz. — Bem, então,
espero que você goste das boas lembranças, quando você acabar na prisão.

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Capítulo 12

— Você tem alguma pergunta para mim?


Quando Mack resolveu as coisas lá fora, ele sentou-se na cadeira do escritório e olhou
novamente para o dedo anelar de sua entrevistada. Ainda vago. Sugerindo que Beth Lewis era tão
solteira como tinha estado no início de seu encontro.
Sim, uau. Maneira de ser profissional, MacAllan.
— Você vai precisar que eu fique até mais tarde com frequência? — Beth colocou as palmas
para fora. — Quero dizer, o candidato. O candidato terá? E não é porque tenho medo de trabalhar.
Mas eu cuido da minha mãe e preciso ter cobertura para ela depois das cinco. Eu posso arrumá-lo,
eu só preciso de um pequeno aviso.
— Sinto muito ouvir, você sabe, que alguém está... — Ele não tinha certeza sobre a política
de RH, mas estava certo de que não poderia perguntar muito sobre ela pessoalmente. — Que sua
mãe...
— Ela esteve em um acidente de carro há dois anos. Ela esteve no suporte de vida há meses,
e ela tem muitos desafios cognitivos agora. Me mudei para a casa dela para cuidar dela e, você sabe,
fazemos funcionar. Mas eu preciso de um emprego para nos apoiar e...
— Você está contratada.
Beth recuou, levantando as pernas escuras. Então ela riu em uma explosão. — O que? Quero
dizer, uau. Não esperava...
— Você tem quatro anos de experiência na recepção de uma empresa imobiliária. Você é
simpática, articulada e profissional. Não há nada mais que eu esteja procurando realmente.
— Você não deseja verificar minhas referências?
Ele olhou para o currículo que ela tinha dado a ele. — Sim. Claro.
— Espere, parece que estou tentando falar com você, mas estou tão animada. Obrigada. Eu
não vou deixar você na mão.
Quando ela se levantou, ele fez o mesmo, e ele forçou seus olhos a permanecer nos dela,
porque deixá-los por conta própria, eles estavam sujeitos a uma caminhada em direção ao sul. Cara,
ela era alta, e isso era muito atraente. E assim era esse cabelo comprido. E esses olhos que eram...

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Porcaria. Ele provavelmente gostou muito dela para contratá-la. Ela era, no entanto, muito
qualificada.
Estendendo a mão em sua mesa, ele disse: — Bem-vindo à festa.
Ela segurou a palma da mão. — Obrigada, — ela respirou. — Você não vai se arrepender.
Deus, ele esperava que fosse verdade. Ele era solteiro, ela poderia ser solteira, eles eram
adultos... mas sim, provavelmente não era uma ótima ideia adicionar “relacionamento sexual
empregador / empregado” a essa mistura.
— Eu vou te acompanhar até lá fora. — Atravessando o caminho até a porta do escritório e
depois pela área da recepção, ele abriu a saída para ela. — Você pode começar?
— Amanhã? Sim eu posso.
— Bom.
O carro que ela tinha estacionado na vaga de cascalho era um Kia que tinha vários anos de
idade, mas quando ele a escoltou, ele viu que estava bem conservado por dentro, limpo do lado de
fora, e sem amassados ou arranhões na lataria prata.
Pouco antes de Beth ficar atrás do volante, ela olhou para ele. — Por que está tão quieto
hoje? Quero dizer, eu estive aqui como turista, no ano passado, na verdade. Havia tantas pessoas
caminhando até nos dias de semana.
— Estamos de luto. Tenho certeza de que você já ouviu falar.
— Sobre? — ela se sacudiu. — Oh, espere, sim, eu estou com vergonha. Claro. A morte de
William Baldwine. Eu sinto muito.
— Como eu. Te vejo amanhã de manhã às nove?
— Às nove. E obrigada novamente.
Mack queria vê-la ir embora, mas decidiu emburrar isso de volta, nada de eu-apenas-
contratei-você-e-eu não-estou-trepando-com-ninguém. Caminhando de volta, ele estava a meio do
caminho quando ele decidiu que mais tempo de escrivaninha não era o que ele precisava.
Mudando de direção, ele passou a uma dependência que tinha uma alta cobertura ao redor,
sem janelas e tapume que eram painéis de aço modernos, não toras e argamassa. Tirando um cartão
de passagem, ele passou o objeto em um leitor e ouviu a liberação de vapor. No interior, havia uma
antessala com algum equipamento de proteção, mas ele não se preocupou com isso. Nunca, apesar
de todos os outros terem feito.
Por Deus, ele sempre pensou. Quando os primeiros Bradfords estavam fazendo o seu
bourbon, eles não precisavam de “equipamento”. Eles o faziam na floresta, e tudo funcionou bem.
Uma segunda porta de vidro também soltou um silvo, e a sala além era um laboratório como
algo que você encontraria nos Centros de Controle de Doenças. Mas eles não estavam rastreando

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nem tentando curar doenças aqui.
Ele ainda estava crescendo. Coisas secretas que ninguém mais poderia conhecer.
O cerne da questão era que todos os ingredientes em bourbon eram necessários e importantes,
mas havia apenas um elemento que não era verdadeiramente fungível. Supondo que você manteve
as porcentagens no purê igual, o milho era milho, a cevada era cevada e o centeio era centeio. A
fonte especial de água alimentada com calcário que eles usaram era exclusiva desta parte do
Kentucky, mas seu rendimento permaneceu ano a ano, a rocha subterrânea não mudou. Mesmo os
barris, feitos de árvores separadas, ainda eram construídos a partir da mesma espécie de carvalho.
Levedura, no entanto, era uma história diferente.
Embora toda a levedura de destiladores provenha de uma espécie chamada Saccharomyces
cerevisiae, havia muitas cepas diferentes naquela família, e dependendo de qual você usava para
fermentar seu puré, o sabor do seu bourbon poderia variar enormemente. Sim, o etanol foi sempre
um subproduto do processo metabólico, mas havia inúmeros outros compostos liberados à medida
que os açúcares no purê fossem consumidos pelo fermento. Chame isso de alquimia, chame isso de
magia, chame toque de anjos. Dependendo da tensão que você usasse, seu produto pode variar do
bom ao espetacular... até o épico.
A BBC estava usando as mesmas cepas em suas marcas nº 15, Reserva Família, Black
Mountain e Bradford I sempre.
Mas às vezes a mudança não era ruim.
Quando seu pai havia morrido, Mack estava trabalhando em novas cepas de fermento,
descascando mofo de nozes, de cascas e de solos de todo o Sul, cultivando os organismos preciosos
neste laboratório e analisando seu DNA entre outras coisas. Isolando as espécies adequadas, ele
começou a brincar com fermentações em pequenos lotes para testar todos os tipos de resultados
finais.
Houve um atraso prolongado no projeto quando ele assumiu o cargo de Master Distiller, mas
nos últimos três meses, ele teve um avanço, finalmente, depois de todo esse tempo, ficou satisfeito
com um dos resultados.
Enquanto olhava para todos os recipientes de vidro com seus topos de papel alumínio, as
placas de Petri, as amostras, os microscópios e os computadores, achou difícil imaginar que tal
beleza pudesse sair de um lugar tão alto. Então, novamente, era como um laboratório de IVF, onde
os milagres humanos receberam uma pequena ajuda da ciência.
Mack foi ao balcão e ficou na frente de seu bebê, a garrafa com a primeira nova cepa que
seria introduzida em um processo de fermentação de bourbon Bradford em duzentos anos. Era tão
bom, tão especial, produzindo uma suavidade incomparável com absolutamente nenhum enxofre ao

81
gosto. E ninguém mais, nenhum outro criador de bourbon, ainda havia reivindicado.
Ele iria patentear as coisas.
Esta era a outra razão pela qual a BBC não poderia falhar agora.
A maldita empresa tinha que permanecer viva o suficiente para conseguir isso no mercado.
Sua pequena descoberta de fermento ia mudar tudo.

— Você precisa comer.


Já faziam cinco horas no momento em que a polícia partiu, e o primeiro pensamento de Lane,
ao entrar na cozinha de Easterly, era mais que ele precisava de um drinque. Senhorita Aurora, no
entanto, tinha outras ideias.
Quando ela colocou seu corpo forte em seu caminho e seus olhos negros olharam para ele,
ele regrediu em um instante a cinco anos de idade. E era engraçado, ela parecia exatamente a
mesma de sempre, seus cabelos trançados na cabeça, o avental vermelho de U de C amarrado na
cintura ao redor de sua camisa branca de chef, ela não se encarregava de nada.
Dada a sua doença, a imortalidade era uma ilusão, mas no momento, ele se apegava à ficção.
E quando ela o encaminhou para o corredor da equipe, ele não lutou contra ela. Não porque
ele estivesse cansado, embora fosse, e não porque queria comer qualquer coisa, porque ele não
queria, mas porque ele nunca pôde negar nada a ela. Ela era uma lei da física no mundo, tão
inegável quanto a gravidade que o puxou naquela ponte.
Era difícil acreditar que ela estava morrendo.
Ao contrário das salas de jantar e de café da manhã familiares formais, a sala de descanso da
equipe era nada além de paredes brancas, uma mesa de pinheiros que tinha doze lugares e um piso
de madeira. Tinha algumas janelas com vista para um canto sombrio do jardim, embora esses vidros
fossem mais para preservar a simetria do exterior traseiro da mansão do que por qualquer
preocupação com o prazer de contemplar das pessoas que comiam lá.
— Eu não estou com muita fome, — ele disse para ela quando ela o deixou para sentar-se.
Um minuto depois, o prato que pousou na frente dele tinha cerca de duas mil calorias de
comida da alma. E enquanto ele respirava fundo, pensou... hein. Senhorita Aurora pode estar certa.
Lizzie sentou-se ao lado dele com seu próprio prato. — Isso parece fantástico, senhorita
Aurora.
Sua mãe tomou seu lugar na cabeceira da mesa. — Há alguns segundos no meu fogão.
Frango frito feito em uma frigideira de ferro. Couve. Pão de milho real. Hoppin’ John. Quiabo.
E o que você sabe. Após a primeira mordida, ele estava morrendo de fome, e então houve um

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longo período de silêncio enquanto ele saboreava a refeição na qual ele foi criado.
Quando o telefone tocou, foi como um choque elétrico pregando-o na bunda. Então, outra
vez, ultimamente, esse som sonoro era como uma sirene de tornado: nada além de más notícias,
com a única questão a ser definida, o que estava no caminho da destruição.
Quando ele respondeu, o sotaque oceano profundo do xerife Ramsey se aproximou da
ligação. — Você deve ter os restos mortais em cerca de quarenta e oito horas, o mais tardar. Mesmo
com o que foi encontrado, o médico legista fez o que precisa.
— Obrigado. Algo surpreendente no relatório preliminar?
— Eles iriam me tirar uma cópia. Assim que eu saiba de algo, eu entrarei em contato.
— A homicídio saiu cerca de meia hora atrás. Eles acham que alguém assassinou meu pai,
não é? Os detetives não me deram nada para continuar, mas quero dizer, era o fodido anel de meu
pai...
Quando Senhorita Aurora limpou a garganta bruscamente, ele estremeceu. — Desculpe,
senhora.
— O que? — disse Ramsey.
— Minha mãe está aqui. — Ramsey soltou um “uh-huh”, como se soubesse exatamente o
que estava acontecendo quando soltava um palavrão na frente de Senhorita Aurora Toms. — Quero
dizer, o detetive Merrimack disse que iria entrevistar pessoas. Quanto tempo até que eles tenham
uma ideia do que aconteceu?
— Sem falar. — Houve uma pausa. — Você conhece alguém que o tenha matado?
Sim. — Não.
— Nem sequer suspeitas?
— Você soa como aquele detetive.
— Desculpe, risco ocupacional. Então você está ciente de quem teve um motivo?
— Você sabe como era meu pai. Ele tinha inimigos em todos os lugares.
— É muito pessoal, no entanto, cortar esse anel. Enterrando-o em frente à casa.
Sob a janela do quarto de sua mãe, nada menos. Mas Lane não iria entrar nisso.
— Havia muitos empresários que o odiavam também. — Deus, isso parecia defensivo. — E
ele devia dinheiro às pessoas, Mitch. Muito dinheiro.
— Então, por que eles não mantiveram o anel? Muito ouro.
Lane abriu a boca. Então fechou. — Eu acho que estamos saindo da pista.
— Não tenho tanta certeza sobre isso.
— O que isso deveria significar?
— Digamos que apenas protegei os membros de sua família antes. E nada vai mudar isso.

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Lane fechou os olhos, pensando em Edward. — Como eu vou pagar a você?
— Eu sou o único a pagar uma dívida de volta. Mas agora não é o momento para isso. E há
outra razão pela qual eu liguei. Os restos de Rosalinda Freeland foram apanhados hoje.
Lane empurrou o prato para longe. — Por sua mãe?
— Por seu filho. Ele acabou de completar 18 anos, por isso era legal.
— E?
Houve mais uma pausa, mais longa desta vez. — Eu estava lá quando ele entrou. Você o viu?
— Eu não tenho certeza de que eu sabia mesmo que ela tinha um filho.
— Sua fotografia vai estar na primeira página, amanhã.
— Por quê? Quero dizer, além do fato de que sua mãe se suicidou antes do corpo do meu pai
ser encontrado.
— Sim, vou enviar uma foto depois de desligarmos. Ligue para você mais tarde.
Quando Lane terminou a conexão, ele olhou para a senhorita Aurora. — Você conhece Mitch
Ramsey, não é?
— Conheço sim. Toda a vida dele. E se ele quiser te dizer o porquê, ele irá. Esse é negócio,
dele, não o meu.
Lane colocou o celular na mesa e deixou cair o assunto, porque, como se houvesse outra
opção? Olhando para Lizzie, ele disse: — Você acha que existe alguma maneira de fazer a visita
aqui na quinta-feira?
— Absolutamente. — Lizzie assentiu. — Os jardins e os terrenos estão em grande forma do
Derby Brunch. Tudo o mais é fácil de fazer em uma breve reviravolta. O que você está pensando?
— Quatro da tarde a sete da noite de quinta-feira. Podemos manter o enterro privado e fazê-
lo na sexta ou sábado. Mas eu quero tirar essa visita do caminho.
Senhorita Aurora inclinou-se para trás e empurrou o prato para trás na frente dele. — Coma.
Ele não teve a chance. Antes que ele pudesse começar a discutir, o Sr. Harris, o mordomo,
abriu a porta. — Sr. Baldwine, você tem um convidado na sala da frente. Eu acho que ele não é
esperado, mas ele se recusa a sair.
— Quem é?
— Sr. Monteverdi da Prospect Trust Company.
Lane pôs-se de pé e pegou seu celular e seu prato com ele. — Eu irei agora.
A senhorita Aurora tirou o prato das mãos. — E isso estará esperando por você quando você
terminar. Você não come naquela parte da casa.
— Sim, senhora.
Deixando cair um beijo na boca de Lizzie, Lane saiu, atravessando o corredor estridente que

84
levava ao conjunto de quartos do Sr. Harris, o escritório de Rosalinda Freeland, onde ela se matou,
e uma das três salas de lavandaria da mansão. Ele estava saindo para as salas públicas formais
quando seu telefone saiu com um texto.
Enquanto ele caminhava no chão de mármore preto e branco do vestíbulo, ele colocou sua
senha e estava apenas no arco do salão quando a imagem que Mitch Ramsey o enviou surgiu.
Lane parou estarrecido.
Ele não podia acreditar no que estava olhando.
O filho que havia reivindicado o corpo de Rosalinda ... poderia ter sido seu próprio gêmeo.

85
Capítulo 13

Folhas de cálculo impressas em todos os lugares. Vários notebooks com arquivos do Excel ao
redor dele em um semicírculo. Blocos legais amarelos cobertos com linhas pretas.
Para Jeff Stern, tudo isso era um negócio como de costume. Como um banqueiro de
investimentos de Wall Street, ele fazia dos números seu pão e manteiga, encontrando padrões e
furos em documentos de divulgação financeira corporativa. Ele era um mestre precisamente no tipo
de trabalho obsessivo, orientado para os detalhes e mente entorpecida o necessário para dar sentido
e concretizar a obstrução deliberada às vezes e técnicas de contabilidade criativas oleosas usadas
para avaliar grandes empresas multinacionais.
— Estou aqui para atualizar seu banheiro.
O que ele não estava acostumado quando estava trabalhando era uma loira de vinte e um em
um uniforme de empregada em pé na entrada da suíte de quarto digna de Four Seasons17 que estava
servindo como seu escritório.
Bem, pelo menos, não uma mulher que um misógino em algum buraco que ele trabalhou não
tinha pedido um serviço de acompanhante.
Ah, e com seu forte sotaque do sul, tudo que havia saído como — Ahhhhh esta aquui para
atualizar meuu banheiro.
Essa pilha de toalhas brancas em seus braços era como uma nuvem de verão capturada na
terra e ela cheirava incrível, algum tipo de perfume de garotas cruzando a distância e oferecendo
uma carícia como se estivesse acariciando-o. Seu rosto era o tipo de que a juventude era o seu
atributo mais atraente, mas seus olhos eram um azul centaura incrível, e seu corpo transformou esse
uniforme real em algo que poderia ter passado no Halloween para uma criada impertinente.
— Você sabe onde está, — ele murmurou.
— Sim, eu sei.
Ele observou a visão de trás enquanto ela passava, como se estivesse nua, e ela deixou a porta
bem aberta enquanto ela aproximou da pia... então se curvou para procurar algo no armário. Aquela
saia subiu tanto, as pontas de renda em suas coxas brilhavam.
Esticando, ela olhou para ele. — Meu nome é Tiphanii. Com um ph no meio e dois i no final.

17
Rede de hotéis.

86
Você está saindo?
— O que?
Ela se endireitou e recostou-se contra o balcão de mármore, apoiando as mãos em ambos os
lados dos quadris para que o topo de seu uniforme estivesse aberto. — Você está empacotando?
Jeff olhou para a cama. Com isso, as capas que ele tinha colocado com seus ternos estavam
abertos, roupas derramando fora delas como soldados com feridas de faca no intestino. E o material
ficaria assim. Seu TOC parava em planilhas e colunas de números. Ele não se preocupava com a
condição em que estava sua merda quando ele voltasse para casa em Manhattan. Isso era o que eles
faziam com a limpeza a seco.
Jeff voltou a se dedicar à empregada. — Eu tenho que voltar ao trabalho.
— É verdade que você é de Manhattan? Cidade de Nova York?
— Sim.
— Eu nunca estive lá. — Ela esfregou as pernas juntas como se ela tivesse uma necessidade
que queria que ele conhecesse. — Eu sempre quis ir lá.
E então ela apenas olhou para ele.
Esta não era uma boa ideia, pensou Jeff quando ele se levantou e atravessou o tapete oriental.
Esta não era realmente uma boa ideia.
Entrando no banheiro, ele fechou a porta atrás de si mesmo. — Eu sou Jeff.
— Eu sei. Todos sabemos quem você é. Você é aquele amigo de Lane.
Ele colocou o dedo indicador na base da garganta. — A notícia viaja rápido.
Em uma trilha lenta, ele rastreou sua pele macia no V que foi feito pelas lapelas do uniforme.
Em resposta, ela começou a respirar pesadamente, seus peitos bombeando.
— Estou aqui para cuidar de você, — ela sussurrou.
— Você está.
O uniforme era cinza com um colarinho branco e botões brancos perolados, e enquanto
pousava a ponta do dedo na parte superior, sua ereção latejava atrás de seu zíper. Foram uma brutal
setenta e duas horas, cheia de nada além de números cruéis, dores de cabeça e más notícias. Esta
oferta muito clara era como a chuva caindo sobre a terra seca, tanto quanto ele estava preocupado.
Jeff desfez o primeiro botão. O segundo. O terceiro. Seu sutiã era preto, assim como a renda
na coxa.
Inclinando-se, ele beijou seu pescoço e, enquanto se arqueava para trás, deslizou seu braço
em volta da cintura. Preservativo. Ele precisava de um preservativo, e sabendo a antiga reputação de
Lane, tinha que haver um por aqui...
Quando ele puxou o topo do uniforme e liberou o fecho dianteiro de seu sutiã, seus mamilos

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apertados foram expostos e oh, sim, eles eram perfeitos. E, ao mesmo tempo, olhou ao redor dela e
abriu a primeira das gavetas.
Bom trabalho, ele pensou quando encontrou um pacote de três Trojans azul brilhante.
A próxima coisa que ele soube, ele tinha a empregada nua, exceto pela calcinha. Ela era
magnífica, todos os seios reais e bons quadris, coxas flexíveis e carne doce. Ele ficou vestido e
escorregou uma dessas camisinhas sem perder uma batida.
Tiphanii, com dois i no final, sabia exatamente como envolver as pernas e trancar os
tornozelos atrás dos quadris e, oh, sim, o som que ela fazia no ouvido. Plantando uma palma ao lado
do espelho antigo na parede e segurando a cintura com a outra, ele começou a empurrar. Quando ela
agarrou seus ombros, ele fechou os olhos.
Era tão malditamente bom. Mesmo que isso fosse anônimo, e obviamente o resultado de seu
status de estrangeiro tornando-o exótico. Às vezes, porém, você tinha que aproveitar o que cruzava
seu caminho.
Ela encontrou seu orgasmo antes dele. Ou pelo menos ela colocou um show como se ela
tivesse. Ele não tinha certeza e não estava incomodado se fosse um ato.
Seu orgasmo era real, porém, poderoso e estonteante, lembrando que, pelo menos para ele, a
carne e o sangue eram melhores do que a alternativa a cada momento.
Quando ele terminou, Tiphanii aconchegou-se ao peito enquanto recuperava a respiração.
— Mmm, — ela sussurrou em sua orelha. — Isso foi bom.
Sim, foi, ele pensou quando ele se afastou.
— Então vamos fazer isso novamente, — ele gemeu enquanto a pegava e se dirigia para a
cama.

Lá embaixo no salão, Lane deixou Ricardo Monteverdi falar tudo, embora Lane soubesse
exatamente o quanto devia e quanto de problemas seria para Monteverdi se esses milhões não
fossem devolvidos.
Um copo de Reserva da Família ajudou a passar o tempo, e cortou a ardência da retina da
fotografia do filho de Rosalinda. O cabelo, os olhos, a forma do rosto, a construção do corpo...
— E seu irmão não foi útil.
Ok, então o discurso estava terminando. — Edward já não está mais envolvido na família.
— E ele se acha um filho...
— Tenha cuidado, — Lane mordeu. — Qualquer insulto a meu irmão é uma ofensa para
mim.

88
— O orgulho pode ser um luxo caro.
— Assim é a integridade profissional. Especialmente se for construído sobre falsidade. —
Lane brindou o homem com seu bourbon. — Mas nós divagamos. Eu não voltei aqui por dois anos,
e há muito para descobrir sobre a morte infeliz de meu pai.
Houve uma pausa, durante a qual Monteverdi estava claramente calibrando sua abordagem.
Quando o homem finalmente falou novamente, sua voz era suave e agressiva ao mesmo tempo. —
Você deve entender que esse empréstimo deve ser pago agora.
Engraçado, tinha sido apenas duas semanas há uma semana. Suponho que o conselho da
Prospect Trust ouviu alguma coisa, ou alguém pegou a trilha do empréstimo.
Lane se perguntou como o cara conseguiu fazer o acordo sem ser pego.
— O processo legal está sendo preparado, — disse Lane, — e não tenho acesso a nenhuma
das contas familiares, exceto a minha própria, pois não tenho procuração da minha mãe e meu pai
nomeou seu advogado pessoal, Babcock Jefferson, como seu executor. Se você está procurando ser
pago, você deve falar com o Sr. Jefferson.
Quando Monteverdi limpou a garganta, Lane pensou, Ahhhh, então o homem já havia ido
nesta rota e não conseguiu nada.
— Eu deveria pensar, Lane, que você preferiria ter um interesse mais pessoal nisso.
— E por que isto?
— Você tem o suficiente para ficar fora da imprensa como isto.
— A morte do meu pai já é notícia.
— Isso não é para o qual me refiro.
Lane sorriu e se levantou, voltando para o bar para o carrinho de bronze. — Diga-me algo,
como você vai liberar a informação de que minha família está quebrada e sem envolver você
mesmo? Ele olhou por cima do ombro. — Quero dizer, vamos deixar tudo ao ar livre, não é? Você
está me ameaçando com algum tipo de revelação, e mesmo que seja implícita de sua parte, como
exatamente isso vai acontecer para você quando seu conselho descobrir sobre esse empréstimo que
você e meu pai pensaram juntos? Não somos uma boa aposta agora, e você deve saber que entrou
no empréstimo. Você tem acesso a todas as informações de confiança. Você sabia muito bem o
quanto tinha e não tinha em nossas contas.
— Bem, eu pensaria que você gostaria de poupar sua mãe da grande desonra...
— Minha mãe não está fora da cama por quase três anos. Ela não está lendo o jornal, e os
únicos convidados que ela tem são suas enfermeiras, todas as quais seguiram a qualquer ordem de
silêncio que eu lhes dou ou elas perderão seus empregos. Diga-me, você também tentou isso com
meu irmão, quando falou com ele? Não imagino que você tenha chegado muito longe.

89
— Eu fiz nada além de ajudar um velho amigo. Sua família, no entanto, não vai sobreviver ao
escândalo, e você deve saber que os títulos da sua mãe estão severamente esgotados. Sem o meu
conhecimento, seu pai fez uma retirada de quase todos os bens um dia antes de morrer. Há menos
de seis milhões restantes. A reserva de sua irmã se foi. A de seu irmão Max está vazia. Ativos de
Edward estão em zero. E para você não achar que esta seja a nossa má administração, seu pai se
tornou o administrador em todos eles assim que ele declarou sua mãe incapaz. E antes de me
perguntar por que permitimos que ele fizesse o que fez, lembro-lhe que ele estava agindo dentro dos
seus direitos legais.
Bem. Não era tudo isso um pequeno flash de notícias adorável. Sessenta e oito milhões
pareciam um grande negócio. E depois os cento e quarenta milhões. E agora…
Centenas de milhões desapareceram.
Lane virou as costas para Monteverdi enquanto levantava o copo. Ele não queria que homem
e ele apertassem as mãos.
Os seis milhões na confiança de sua mãe eram uma fortuna para a maioria das pessoas. Mas
só com as despesas domésticas de Easterly, esse valor desapareceria em meio ano.
— Eu teria explicado isso a seu irmão, — murmurou Monteverdi, — mas ele não estava
disposto a ouvir.
— Você foi para ele primeiro e depois para Babcock.
— Você pode me culpar?
— Babcock lhe disse onde meu pai colocou todo o dinheiro? — Lane balançou a cabeça. —
Deixa para lá. Se ele tivesse, você não estaria aqui.
O cérebro de Lane pulou, e então ele olhou para a garrafa de Bourbon que ele tinha em sua
palma.
Pelo menos ele sabia onde ele poderia colocar as mãos em algum dinheiro.
— Quanto tempo dez milhões me comprarão? — ele ouviu-se dizer.
— Você não tem isso...
— Cale a boca e responda à pergunta.
— Eu posso te dar mais uma semana. Mas eu vou precisar de um visto. Amanhã à tarde.
— E isso reduzirá a dívida para quarenta e três milhões.
— Não. Esse é o preço para eu arriscar minha reputação por sua família. O nível da dívida
permanecerá o mesmo.
Lane lançou um olhar sobre o ombro. — Você não é um cavalheiro?
O homem distinguido balançou a cabeça. — Isso não é pessoal, Sr. Baldwine. É um negócio.
E da perspectiva de negócios, eu posso... atrasar as coisas por um curto período de tempo.

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Obrigado, seu bastardo, pensou Lane. — Você receberá o dinheiro por seu sangue. Amanhã.
— Isso seria muito apreciado.
Depois que o homem lhe deu os detalhes de onde os fundos precisavam ir, Monteverdi
curvou-se na cintura e se mostrou à saída. No silêncio que se seguiu, Lane tirou o telefone.
Ele sabia por onde conseguir o dinheiro. Mas ele precisaria de ajuda.

91
Capítulo 14

— Eu preciso que você faça isso.


Quando Edward segurou o receptor em sua orelha, a voz e seu irmão Lane era sombria, e
também as notícias. Tudo se foi. Reservas drenada. Contas apagadas. Gerações de riqueza
desmaterializadas.
— Edward? Você deve vê-la.
Por algum motivo, Edward olhou para a cozinha propriamente dita. Shelby estava no fogão,
mexendo algo em uma panela que cheirava chocantemente bem.
— Edward. — Lane amaldiçoou. — Olá?
Shelby tinha um fio de cabelo que havia se soltado do seu rabo de cavalo e o empurrou atrás
da orelha, como se estivesse irritando-a enquanto olhava para a sopa. Bobó. Molho. O que quer que
fosse.
Ela mudou o jeans, mas não as botas, a camisa, mas não seu casaco. Ela sempre estava
coberta, ele notou distraidamente, como se estivesse com frio.
Quando ele começou a pegar essas pequenas coisas sobre ela?
— Tudo bem, — Lane disparou. — Eu irei cuidar disso.
— Não. — Edward mudou de peso e se afastou da cozinha. — Eu irei.
— Preciso disso até amanhã. Monteverdi me deu os números de roteamento e conta. Vou
enviá-los para você.
— Eu não tenho um telefone celular. Vou deixar você saber onde enviar os detalhes da conta.
— Bem. Há outra coisa, porém. — Houve uma pausa. — Eles encontraram algo. De pai. Eu
tentei ligar para você mais cedo.
— Oh? Um pequeno pedaço do homem deixado para trás? Tem um valor monetário?
Podemos usar qualquer ajuda que possamos obter.
— Por que você diz isso assim?
— Essencialmente, você acabou de me dizer que não há dinheiro em lugar algum. Otimismo
razoável devido às restrições de caixa.
Houve outro período de silêncio. E então Lane explicou o que havia sido encontrado em um
canteiro de hera.

92
Quando Edward não disse nada, seu irmão murmurou: — Você não parece surpreso. Sobre
isso, na verdade.
Os olhos de Edward foram para as cortinas que foram puxadas pelas janelas.
— Olá? — Lane disse. — Você sabia, não sabia. Sabia que o dinheiro tinha desaparecido,
não foi?
— Eu tive minhas suspeitas.
— Me conte algo. Quanto é o seguro de vida do pai?
— Setenta e cinco milhões, — Edward ouviu-se dizer. — Seguro do homem chave da
empresa. Pelo menos era o que ele tinha quando eu estava lá. Eu vou agora. Eu vou te ligar.
Edward desligou e respirou fundo. Por um momento, o chalé girou em torno de onde ele
estava, mas ele queria as coisas direito.
— Eu preciso sair, — ele disse.
Shelby olhou por cima do ombro. — Onde você vai?
— É um negócio.
— A nova égua com quem você estava falando com Moe e seu filho?
— Sim. Guarda-me o jantar? — À medida que suas sobrancelhas se erguiam, o centro do
peito doía como se estivesse esfaqueado. — Por favor.
— Você vai realmente se atrasar?
— Acho que não.
Edward estava a meio caminho da porta quando ele lembrou que ele não tinha um carro. Seu
Porsche estava acumulando poeira na garagem de Easterly.
— Posso pegar emprestado sua picape? — ele perguntou.
— Você não vai com Moe ou Joey? — Quando ele apenas encolheu os ombros, Shelby
sacudiu a cabeça. — É dura.
— Eu vou lidar. O tornozelo já está melhorando.
— Chaves estão nela, mas eu não acho...
— Obrigado.
Saindo da casa, ele não tinha telefone celular, nenhuma carteira, sem carteira de motorista e
nada na barriga para sustentá-lo, mas estava sóbrio e sabia exatamente para onde estava indo.
A velha picape de Shelby tinha um volante com uma folga, um painel desbotado e tapetes liso
de tanto uso. Os pneus eram novos, no entanto, o motor funcionou sem problemas e acelerava como
um pião, e tudo estava limpo.
Pegando a Rota 42, ele entrou nos subúrbios. A embreagem não era tão dura, mas matou o
tornozelo e o joelho, e ele se viu gastando muito tempo na terceira. No geral, no entanto, ele estava

93
entorpecido enquanto caminhava. Bem, emocionalmente entorpecido.
Depois de muitos quilômetros, as casas começaram a ficar grandes e a terra começou a ser
tratada profissionalmente como se fosse um espaço interior e não exterior. Havia portas de fantasia,
paredes de pedra e pedaços de escultura em gramados ondulantes. Unidades longas e árvores de
espécimes. Câmeras de segurança. Rolls-Royces e Bentleys na estrada.
A propriedade familiar de Sutton Smythe estava à esquerda. A sua colina não era tão alta
quanto a que Easterly foi construída, e a mansão de tijolos da Geórgia só tinha sido construída no
início dos anos 1900, mas a metragem quadrada estava bem acima de nove mil metros quadrados,
tornando-a maior do que o velho antro de Edward.
Aproximando-se dos portões, ele rolou a mão pela janela e depois esticou e entrou com o
código de acesso em um teclado. À medida que as grandes barras de ferro se separavam pelo meio,
ele dirigiu a pista sinuosa, a mansão que se desenrolava diante dele, sua tremenda pegada espalhada
sobre a grama recortada. As magnólias enquadraram a casa, assim como Easterly, e havia outras
árvores maciças na propriedade. Uma quadra de tênis estava ao lado, discretamente escondida atrás
de uma sebe, e as garagens desapareceram a distância.
A calçada circulava a frente à mansão, e havia um Black Car Town, um Mercedes C63, um
modesto Camry e dois SUVs com janelas escurecidas estacionadas em uma linha.
Ele parou as quatro rodas de Shelby em uma vaga o mais perto que pôde até a entrada da
frente, em seguida, mancando para fora e até a porta esculpida da mansão. Quando ele pegou a
aldrava de bronze para bater, ele se lembrou de todas as vezes que ele veio aqui com gravata preta e
apenas entrou. Mas ele e Sutton não eram assim.
O mordomo Smythes, o Sr. Graham, abriu a porta. Tão composto quanto o homem era, os
olhos arregalados e não apenas no fato de que Edward estava com jeans e uma camisa de trabalho
em vez de um terno.
— Eu preciso ver Sutton.
— Desculpe, senhor, mas ela está recebendo...
— É um negócio.
O Sr. Graham inclinou a cabeça. — Mas é claro. A sala de estar, se você quiser?
— Eu sei o caminho.
Edward atravessou o caminho, atravessou o vestíbulo e um escritório, indo na direção oposta
do coquetel que estava acontecendo na sala de recepção principal. Dado o conjunto correspondente
de SUVs, era provável que o governador de Kentucky tivesse vindo para o jantar, e Edward só
podia imaginar o que estava sendo discutido. O negócio do bourbon. Talvez fosse angariação de
fundos. Escolas.

94
Sutton estava muito conectada com quase tudo no estado.
Talvez se dirigiria para o assento grande algum dia.
Ele certamente votaria por ela.
Quando ele entrou em um grande espaço, ele olhou ao redor e refletiu que fazia muito tempo
que ele esteve nesta sala em particular. Quando ele entrou pela última vez aqui? Ele não conseguiu
se lembrar... e, enquanto meditava o papel de parede de seda amarelo limão, as cortinas de damas
verdes da primavera, os sofás com franja e as pinturas a óleo de Sisley, Manet e Morisot, ele
decidiu que, como hotéis de luxo, havia uma certa qualidade anônima para casas de pedigree:
nenhuma arte moderna, tudo perfeitamente harmonioso e inestimável, sem bagunças, nem bastões,
as poucas fotos de família em aparadores em porta-retratos de prata esterlina.
— Esta é uma surpresa.
Edward se curvou e, por um momento, ele ficou quieto. Sutton estava vestindo um vestido
vermelho e tinha o cabelo escuro em um coque, e seu perfume era Must de Cartier, como de
costume. Mas mais do que tudo isso? Ela usava os rubis que ele tinha comprado.
— Eu lembro desses brincos, — ele disse suavemente. — E esse pino.
Uma de suas longas mãos pegou o lóbulo da orelha. — Eu ainda gosto deles.
— Eles ainda se adequam a você.
Van Cleef & Arpels, belezas birmanas invisíveis com diamantes. Ele conseguiu o conjunto
para ela quando ela foi eleita vice-presidente da Sutton Distillery Corporation.
— O que aconteceu com o tornozelo? — ela perguntou.
— Passando por todo o vermelho, você deve estar falando sobre UC hoje à noite. — A
Universidade de Charlemont. Go Eagles. Fodidos Tigres. — Bolsas de estudo? Ou uma expansão
para Papa John's Stadium.
— Então você não quer falar sobre seu tornozelo.
— Você está bonita.
Sutton brincou com o brinco de novo, mudando de peso. Esse vestido foi provavelmente feito
por Calvin Klein, de sua casa de alta costura, não o setor de produção em massa da empresa, suas
linhas tão limpas, tão elegantes, que a mulher que o vestisse era o foco, não a seda.
Ela limpou a garganta. — Não consigo imaginar que você veio me felicitar.
— Sobre o que? — ele perguntou.
— Deixa para lá. Por que você está aqui?
— Preciso que você faça essa hipoteca.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Sério. Essa é uma mudança de prioridade. A última vez que
você trouxe isso, você exigiu que eu rasgasse o objeto em pedaços.

95
— Eu tenho o número da conta para o depósito.
— O que mudou?
— Onde você quer que eu envie as informações da conta?
Sutton cruzou os braços e estreitou os olhos. — Eu ouvi sobre seu pai. Sobre as notícias de
hoje. Eu não sabia que ele havia cometido... desculpe, Edward.
Ele deixou isso para lá. Não havia como discutir a morte com ninguém, e muito menos com
ela. E no silêncio, ele mediu seu corpo, lembrou-se do que sentia como se estivesse tocando nela,
imaginou-se aproximando-se dela e cheirando os cabelos, a pele, só dessa vez, ele saberia que era
realmente ela.
Deus, ele a queria nua e esticada diante dele, nada além de pele lisa e gemidos enquanto ele a
cobria consigo mesmo.
— Edward?
— Você vai se apresentar na hipoteca? — ele pressionou.
— Às vezes ajuda se falar.
— Então, vamos discutir onde você pode enviar dez milhões.
Passos no corredor os levaram a erguer a cabeça.
E o que você sabe, ele pensou quando o próprio governador entrou na sala ornamentado.
O governador Dagney Boone era, sim, um descendente do Daniel original, e ele tinha o tipo
de rosto que deveria estar em uma nota de vinte dólares. Aos quarenta e sete anos, ele tem uma
cabeça cheia de cabelo naturalmente escuro, um corpo acentuado por horas de tênis e o poder casual
de um homem que acabara de ganhar seu segundo mandato de governo. Ele esteve casado por vinte
e três anos com sua esposa, teve três filhos e depois perdeu sua esposa quatro anos atrás para o
câncer.
Ele tem estado solteiro desde então, tanto quanto o público sabia.
Enquanto olhava para Sutton, no entanto, não era como um político. Esse olhar demorou um
pouco demais, como se estivesse apreciando respeitosamente a visão.
— Então, este é um encontro, — disse Edward. — Com tropas estatais como dama de
companhia. Quão romântico.
Boone olhou para cima, e fez uma dupla tomada, como se ele não tivesse reconhecido
Edward no mínimo.
Ignorando a brincadeira e sufocando seu choque, Boone avançou com uma palma estendida.
— Edward. Eu não sabia que você estava de volta na Commonwealth. Minhas condolências pela
morte de seu pai.
— Apenas uma parte de mim retornou. — Edward aceitou a mão que foi oferecida apenas

96
porque Sutton estava atirando adagas contra ele. — Parabéns pela sua vitória de novembro.
Novamente.
— Há muito trabalho a ser feito. — O governador olhou para Sutton. — Lamento
interromper, mas sua equipe estava se perguntando se você queria jantar? Ou talvez colocar outro
lugar na mesa? Eu me ofereci para descobrir.
— Ele não fica.
— Eu não vou ficar...
— No eco. — O governador sorriu. — Bem. Vou deixá-los. Foi bom vê-lo, Edward.
Edward assentiu e não perdeu a maneira como o homem deu uma pequena pressão à mão de
Sutton antes de sair.
— Novo namorado? — ele disse quando estavam sozinhos novamente.
— Não é da sua conta.
— Isso não é um não.
— Onde você quer o dinheiro enviado?
— Por que você não responde à pergunta?
— Porque eu não quero.
— Então é um encontro.
Os dois ficaram parados, o ar entre eles, a raiva e algo completamente erótico cobrando as
partículas que os separavam, ou, pelo menos, havia um componente sexual do lado dele. E ele não
podia se ajudar. Seus olhos desceram o vestido e ele a despiu em sua mente, vendo ela nua em toda
a sua glória.
Exceto que ela merecia melhor do que isso. Melhor do que ele. Ela merecia um cara inteiro
como o Merda Dagney com todo o seu passado, o lindo garoto e sua base de poder. O governador
era o tipo de homem que ficaria ao seu lado em todas as suas funções e tiraria sua cadeira para ela e
se levantaria quando ela tivesse que ir ao banheiro para refazer seu batom. Ele diria o que ela
precisaria ouvir, mas também o que queria que ele dissesse. Ele a ajudaria em seus negócios e
também com seu pai. O dois conseguiriam grandes coisas para o estado, também.
E sim... o Merda Dagney, sem dúvida, a trataria bem, de maneira que Edward não podia
suportar pensar.
Ele fechou as pálpebras e respirou fundo. — Sobre a hipoteca. Você executará os termos?
Não há motivo para você não fazer. A taxa de juros é boa e você terá um interesse primário e único
seguro em Easterly. Você está segura.
— O que mudou de ideia?
— Isso é um sim?

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Ela deu de ombros com um de seus ombros elegantes. — Eu fiz o acordo de boa-fé, e eu
tenho o dinheiro na mão.
— Bom.
Quando ele se ouviu explicar calmamente, que Lane indicaria os detalhes, pensou em como o
governador estava esperando por ela no corredor, ansioso para ela voltar, ficar bem e ser tentadora
não porque ela fosse uma mulher solteira, mas porque com quão linda e inteligente era, era
impossível para um homem não notar, cobiçar, ansiar.
E o que você sabe, Edward ficou impressionado com o desejo de entrar na outra sala e
cometer um assassinato, acertando o governador de Commonwealth na cabeça com uma terrina.
Claro, ele seria baleado no processo, com razão, mas então muitos problemas seriam resolvidos, não
é?
— Os fundos estarão lá pela manhã, — ela disse. — Às 11 horas.
— Obrigado.
— Isso é tudo?
— Dez milhões é o bastante, sim.
Edward começou a sair da sala, mas então ele voltou e ficou de pé na frente de Sutton. —
Tenha cuidado com nosso governador. Os políticos não são conhecidos por seus escrúpulos.
— E você é?
Estendeu a mão e roçou a boca com o polegar. — De modo nenhum. Me conte algo. Ele está
ficando a noite?
Sutton afastou a mão dele. — Não que seja da sua conta, mas não, ele não está.
— Eu acho que ele quer.
— Você está louco. E pare com isso.
— Porque eu estou reconhecendo que ele a acha atrativa? Como isso é um insulto?
— Ele é o governador de Kentucky.
— Como se isso fizesse a diferença? Ele ainda é um homem.
Inclinando o queixo dela, ela olhou para cima de seu ombro. — Você conseguiu o que você
veio. Você sabe o caminho para sair.
Ao seguir seu passo, ele disse: — Quando ele tentar te beijar no final desta festa, lembre-se de
que eu lhe disse.
— Oh, estarei pensando em você. Mas não assim.
— Então pense em mim sendo o único na sua boca.

98
Capítulo 15

Enquanto Lane atravessava os aposentos de Easterly, tudo ao seu redor estava quieto. Isso era
raro. Quando você tinha mais de setenta funcionários o tempo inteiro e meio tempo, meia dúzia de
membros da família sob o mesmo teto, geralmente havia alguém chegando e indo em todos os
níveis em todos os momentos.
Mesmo que o mordomo inglês estivesse ausente. Embora isso fosse menos estranho, tanto
quanto apreciado.
Do lado de fora, a noite estava caindo, a escuridão relaxando sobre a terra, manchando as
bordas das extraordinárias árvores de Charlemont e o ponto baixo, a água do Ohio com pastéis
cinza e preto.
Ao verificar seu telefone, ele amaldiçoou que Edward ainda não ligou, e para acelerar seu
mal-estar, ele abriu um conjunto de portas francesas e saiu para o terraço com vista para o jardim e
o rio abaixo. Caminhando até a borda distante, seus mocassins marcaram as lajes com um som
afiado que o fez pensar em maldizer.
Parecia inacreditável que a grandeza que o rodeava, as flores aparadas e os canteiros de hera,
as antigas estátuas de pedra, as árvores frutíferas floridas, a casa da piscina, a majestade do centro
de negócios... era algo diferente da rocha sólida. Permanente. Inalterável.
Ele pensou em tudo o que estava dentro da casa. As pinturas dos antigos mestres. Os tapetes
Aubusson e Persa. Os lustres de cristal Baccarat. O Tiffany e Christofle e até mesmo Paul Revere
genuíno. A porcelana Meissen, Limoges e Sèvres. O Royal Crown Derby conjuntos de pratos e
inúmeros copos Waterford. E então, havia as joias de sua mãe, uma coleção tão vasta, que tinha um
cofre tão grande quanto os armários de roupas de algumas pessoas.
Deve ter setenta ou oitenta milhões de dólares em todos esses ativos. Muito mais do que isso,
se você contasse as pinturas, afinal, eles tinham três Rembrandts devidamente documentados,
graças à obsessão de seus avós com o artista.
O problema? Nada disso estava em dinheiro. E antes de se tornar verde, por assim dizer, seria
necessário avaliar as estimativas, as estimativas, os leilões organizados e tudo isso seria tão público.
Além disso, você teria que pagar uma porcentagem para a Christie's ou a Sotheby's. E talvez
existissem disposições mais rápidas com vendas privadas, mas essas, também, teriam que ser

99
negociadas e levariam tempo.
Era como trazer blocos de gelo para um incêndio. Útil, mas não urgente o suficiente.
— Ei.
Ele girou em direção à casa. — Lizzie.
Enquanto ele estendia seus braços, ela chegou até ele prontamente, e por um momento, a
pressão estava fora. Ela era uma brisa através de seus cabelos quando estava quente, o doce alívio
quando ele colocava uma carga para baixo, o expirar antes de fechar os olhos para dormir que
precisava desesperadamente.
— Você quer ficar aqui esta noite? — ela perguntou enquanto acariciava suas costas.
— Eu não sei.
— Nós podemos, se você quiser. Ou posso ir dar-te um pouco de paz.
— Não, eu quero estar com você. — E enquanto ele corria a mão para cima e para baixo na
cintura, ele só queria se aproximar. — Venha aqui.
Ao levantar a mão, ele a conduziu até a esquina e entrou no jardim que ela tinha planejado, os
dois passaram pelo jardim de inverno formal e ligando-se ao caminho de tijolos que levava à
piscina. Seu corpo se acendeu ainda mais enquanto eles fechavam a casa da piscina com seus toldos
e o terraço, suas espreguiçadeiras, bar e churrasqueira. A piscina em si foi iluminada abaixo, o
brilho aquamarine ficando mais forte à medida que o último dos raios do sol desaparecia pelo lado
Indiana do rio.
Os grilos soaram, mas era muito cedo na temporada para que os vagalumes saíssem. O
encantamento da noite suave e úmida estava em toda parte, porém, uma melodia tão sexual como
uma forma nua, embora fosse invisível.
Na da casa da piscina, havia três vestiários, cada um com o seu próprio banheiro, e escolheu
o primeiro porque era o maior. Levando Lizzie para a área de estar, ele fechou e trancou a porta.
Ele deixou as luzes apagadas. Com o brilho da piscina que atravessava as janelas, ele podia
ver bem o suficiente.
— Eu estive esperando por fazer isso durante todo o dia.
Enquanto falava, ele a puxou para o corpo dele, sentindo-a contra o peito, os quadris no dele,
os ombros debaixo das mãos.
Sua boca era macia e doce, e enquanto ele vagava por dentro, ela sussurrou seu nome em um
suspiro que o fazia querer avançar muito mais rápido. Mas havia coisas que ele precisava dizer a
ela. Suspeitas que ele temia, mas tinham que compartilhar. Planos a serem feitos.
— Lizzie...
Suas mãos atravessaram seus cabelos. — Sim?

100
— Eu sei que esta é a hora errada. Em tantos níveis.
— Nós podemos voltar para a casa em seu quarto.
Lane se separou e começou a passear pelo espaço apertado. Que era como se alguém tentasse
dar uma volta pelo interior de um armário de ginásio. — Eu queria que isso fosse perfeito.
— Então vamos voltar.
— Eu gostaria de ter mais para te oferecer. E eu vou. Depois de tudo isso. Não sei como será,
mas haverá algo no futuro. — Ele estava ciente de que ele estava falando consigo mesmo. —
Talvez seja essa fazenda em seus devaneios. Ou uma garagem, graxa e macacão. Ou um jantar. Mas
eu juro que nem sempre será assim.
E ele estaria divorciado. Porra, talvez ele devesse esperar?
Exceto não, ele decidiu. A vida se sentia muito precária no momento, e sempre se arrependeu
do tempo que perdeu. Esperar fazer o certo, fazer o que queria e precisava para si mesmo e para
aquela que amava, era um luxo para um sem sorte que ainda tinha tragédias em suas vidas.
E também queria começar seu futuro longe de Easterly e Charlemont bem aqui, agora
mesmo. Ele queria que ela soubesse, a nível visceral, que ela também era uma prioridade para ele.
Mesmo quando Roma queimava, ela era importante, e não porque ela era uma espécie de bilhete de
avião fora do inferno para ele. Mas porque ele a amava e ele estava mais do que ansioso para
construir uma vida com ela.
Na verdade, ele estava desesperado pela liberdade que estava tentando ganhar durante este
horrível inferno.
Enquanto olhava para ela, Lizzie apenas sacudiu a cabeça e sorriu para ele. — Não preciso de
nada além de você.
— Deus eu te amo. E isso deve ser perfeito.
Como acontecer em um lugar diferente. Com um anel. Champanhe e um quarteto de cordas...
Não, ele pensou, quando devidamente focou em sua Lizzie. Ela não era Chantal. Ela não
estava interessada na lista de seleção do clube do país apenas para que ela pudesse compartilhá-la
com seus amigos nas Olimpíadas de casamento.
Afundando em um joelho, Lane tomou as mãos nas dele e beijou cada uma. Enquanto seus
olhos se acendiam, como se de repente adivinhasse o que estava por vir e não podia acreditar, ele se
viu sorrindo.
Uma casa de piscina. Quem sabia que isso aconteceria em uma casa de piscina?
Bem, melhor do que na frente da metade do Departamento de Polícia do Metro de
Charlemont, com suas armas apontadas.
— Você vai se casar comigo? — ele disse.

101
Capítulo 16

Edward percorreu o longo caminho de volta para casa, atravessando as estradas rurais que
serpenteavam dentro e fora das famosas fazendas de cavalos do Condado de Ogden, os faróis da
picape de Shelby, a única iluminação em qualquer lugar na paisagem ondulante, a janela todo o
caminho ao lado dele. O ar era quente e gentil em seu rosto e ele respirou profundamente... mas
suas mãos estavam apertadas no volante e seu intestino estava rolando.
Ele continuava pensando em Sutton com aquele político.
Na verdade, de tudo o que ele tinha ouvido, o Merda Dagney era realmente um cavalheiro. O
governador foi fiel à sua esposa e, ao contrário de muitos homens, depois de ter se tornado viúvo,
ele não escapou com uma fantasia, de vinte e cinco anos. Em vez disso, ele se concentrou em seus
filhos e em Commonwealth.
E você poderia realmente acreditar que tudo era verdade, porque se houvesse algo contrário,
os jornais teriam relatado ou os opositores do homem teriam trazido isso durante as campanhas.
Então, sim, parecia um cavalheiro e por completo. Mas isso não significava que ele estivesse
morto do pescoço para baixo. Inferno, um homem teria que ser louco para não reconhecer Sutton
como uma mulher cheia de sangue. E o fato de que ela valia bilhões de dólares também não doía.
Mesmo sem dinheiro, porém, ela teria sido uma atração além da medida. Ela era nivelada.
Divertida. Apaixonada. Silenciosa, doce e inteligente. Capaz de ficar de pé com um homem e
chamá-lo de sua estupidez, enquanto, ao mesmo tempo, faz você sentir cada gama de testosterona
em seu corpo.
Mas ela estava errada sobre uma coisa. Esse homem, governador ou não, iria fazer uma
jogada sobre ela hoje à noite.
A merda.
A coisa verdadeiramente patética foi, no entanto, que o lado amoroso do governador não era
o que realmente incomodava Edward. Foi a resposta legítima de Sutton que, tanto quanto ele odiava
admitir, era o verdadeiro motivo pelo qual ele estava aqui fora, dando uma volta em círculos.
No fundo, o Merda Dagney era um homem incrível, digno dela de muitas maneiras para
contar. E ela ia descobrir isso.
E não havia nada que Edward pudesse fazer sobre isso.

102
Ou deve fazer sobre isso, pelo amor de Deus. Vamos, o que diabos estava errado com ele?
Por que, na boa maldição, ele queria tirá-la de um relacionamento potencialmente satisfatório, feliz
e saudável...
Porque a quero por mim.
À medida que sua voz interior subia no centro do palco e o megafone, o único que o impediu
de dirigir em uma árvore apenas para fechar a coisa foi o fato de que ele não tinha o direito de
destruir a picape de Shelby.
Então ele resolveu bater o volante duas vezes e bombear o tapete no interior da cabine com a
palavra com f.
Muitos quilômetros depois, quando Edward finalmente decidiu ir realmente ao Red & Black
em vez de dirigir como um garoto de dezesseis anos, cuja namorada líder de torcida estava indo
para o baile com outro jogador de futebol, ele descobriu que havia conseguido queimar meio tanque
do combustível de Shelby. Dirigindo para um posto de combustível Shell, ele estacionou em uma
das três bombas vazias e foi para o cartão de crédito, mas não. Nenhuma carteira.
Xingando, ele voltou e entrou na entrada principal para Red & Black. Quando ele se virou
entre os dois pilares de pedra, ele não estava mais perto de se sentir em paz, mas dirigir a noite toda
e deixar Shelby com o tanque vazio não era a solução. Tudo o que ia conseguir era ter que pedir
uma carona e uma conversa embaraçosa quando ela e Moe e / ou Joey tiverem que ir e buscar sua
picape para casa.
Depois de estacionar frente ao celeiro B, Edward pegou as chaves com ele e depois dobrou
de volta para fechar a janela. Mancando até a cabana, abriu a porta e esperava que estivesse vazia.
Em vez disso, Shelby estava dormindo na cadeira, as pernas colocadas no peito e a cabeça
para o lado. Olhando além dela, ele viu que a cozinha foi limpa, e ele teria apostado a última de sua
mobilidade em que havia uma tigela cheia daquele cozido esperando na geladeira por ele.
Ele fechou a porta suavemente. — Shelby?
Ela acordou, saltando da cadeira com uma agilidade que o invejava. Seu rabo de cavalo foi
empurrado para fora do lugar, e ela puxou a fita, o cabelo caindo em torno de seus ombros.
Era mais longo do que ele pensava. Loiro, também.
— Que horas são? — ela disse quando ela reuniu as ondas, amarrando-o novamente.
— Quase dez horas.
— A égua não está chegando agora, está?
— Não, ela não está.
— Deixei uma tigela na geladeira para você.
— Eu sei. — Ele encontrou-se rastreando seus movimentos, tudo, desde a sutil mudança de

103
seus pés até a forma como ela enfiou aquele cabelo perdido atrás de sua orelha. — Eu sei que você
deixou. Obrigado.
— Vejo você de manhã, então.
Ao passar por ele, ele pegou seu braço. — Não vá.
Ela não olhou para ele. Seus olhos... eles ficaram no chão sob suas botas. Mas sua respiração
se acelerou e ele soube qual seria a resposta dela.
— Fique comigo esta noite, — ele se ouviu dizer. — Não para sexo. Apenas fique comigo.
Shelby não se moveu por um tempo.
Mas no final, ela pegou sua mão, e ele a seguiu até o quarto escuro. O brilho das luzes de
segurança nos celeiros filtrou através das cortinas de algodão feito à mão, lançando sombras suaves
a mesa simples e a cama modesta, de tamanho grande, que nem sequer tinha uma cabeceira.
Ele não tinha certeza de que havia lençóis debaixo do edredom.
Ele estava dormindo muito nessa cadeira desde que ele se mudou. Ou passava mais tempo na
maldita coisa.
Edward entrou no banheiro e usou as instalações antes de escovar os dentes. Quando ele saiu,
ela puxou as cobertas.
— Eu lavei isto ontem, — ela disse enquanto se aproximava do outro lado da cama. — Eu
não tinha certeza se você dormia aqui ou não.
— Você não deveria cuidar de mim.
— Eu sei.
Ela entrou primeiro, totalmente vestida, e mais uma vez invejava seus movimentos fáceis,
suas pernas esticando sem quebrar, as costas apoiadas, sem engasgar, nem tossir. Sua viagem à
horizontal constante, estava pavimentada com gemidos e maldições, e ele tinha que recuperar o
fôlego quando finalmente colocasse a cabeça no travesseiro fino.
Shelby se virou para ele e a mão dela atravessou o estômago oco. Ele endureceu, mesmo que
ele tivesse uma camiseta. E um casaco de algodão.
— Você está com frio, — ela disse.
— Eu estou? — ele virou a cabeça para o lado para olhar para ela. — Eu acho que você está
certa...
Ela o beijou, seus lábios suaves lavando o dele.
Inchando para trás, ela sussurrou: — Você não precisa dizer isso.
— O que?
— Você não me deve nada por esse trabalho. E eu não preciso de nada além de você.
Ele grunhiu quando ergueu o braço para que ele pudesse passar a ponta do dedo sobre o

104
queixo dela e descer em sua garganta. Ele descobriu que estava feliz que estivesse escuro.
— Eu não tenho nada para oferecer a ninguém. — Edward pegou sua mão calosa e a colocou
no centro de seu peito. — E eu estou com frio.
— Eu sei. E eu sei muito sobre você. Trabalhei ao redor de animais toda a minha vida. Não
espero que nenhum cavalo seja mais ou menos do que eles são. E não há motivo para que as pessoas
sejam diferentes do que são, também.
Foi a coisa mais estranha. Desde que ele foi sequestrado naquele hotel na América do Sul, ele
estava apertado em todo o corpo. Primeiro fora do terror. Mais tarde, a partir da dor, como a tortura
e a fome o derrubaram. E então, depois do resgate, seu corpo não funcionou bem em tantos níveis, e
também houve a luta para evitar que a sua mente se canibalizasse.
Mas agora, nesta escuridão silenciosa, sentiu um afrouxamento vital.
— Eu posso sentir que você está olhando para mim, — ele disse suavemente.
— Isso é porque eu estou. E está tudo bem. Como eu disse, você não me deve nada. Não
espero nada de você.
Por algum motivo, ele pensou no filho de Moe Brown, Joey. Belo e cintilante, apenas a idade
dela. Ótimo em torno dos cavalos, de tão boa índole quanto eles eram, e nenhum modelo.
Ela precisava passar suas horas noturnas com alguém assim.
— Então, por que você está fazendo isso? — ele murmurou.
— Essa é a minha decisão, não é. Minha escolha que não preciso explicar a ninguém,
incluindo você.
Sua declaração tranquila e direta, juntamente com a concepção de que ele foi aceito
exatamente como ele era... promoveu o desenrolar estranho e milagroso nele.
E quanto mais ele ficava ao lado de Shelby, mais seu corpo diminuía. Ou talvez fosse sua
alma. Mas então Shelby foi a única pessoa que não o comparou com quem ele tinha sido. Ela não
teve nenhum passado com ele para confrontar. Ela não estava esperando que ele triunfasse sobre sua
tragédia, para se juntar à BBC, para dirigir sua família.
Ele era um cavalo que se recuperava de uma lesão, fora do pasto, exposto aos elementos...
que ela estava preparada para alimentar e cuidar. Provavelmente porque era a única coisa que sabia
fazer quando confrontada com o sofrimento.
O exalar que ele liberou demorou anos para ele. Na verdade, ele não sabia do peso que ele
estava carregando dentro de seu coração. Ou o ressentimento que ele teve contra todos os que
estiveram em sua vida antiga. Na verdade... na verdade era que ele odiava todos, odiava cada um
deles que o encarava com olhos de compaixão, choque e tristeza. Ele queria gritar para eles que ele
não se ofereceu para o que tinha acontecido com ele, ou com o que ele parecia, ou onde ele havia

105
acabado, e que sua tragédia não era da conta deles.
Eles achavam que era perturbador colocar seus olhos nele? Dane-se. Ele tinha que viver com
tudo isso.
E sim, ele ainda se ressentia de Sutton, embora ela não tivesse mais culpa do que qualquer
um dos outros.
Shelby, porém... Shelby estava livre de tudo isso. Ela estava limpa em comparação com a
contaminação. Ela estava fresca em meio a um lixo. Ela era uma vista no que era de outra forma
uma cela sem janelas.
Edward gemeu quando ele se empurrou para o ombro e a beijou de volta. E embaixo de seus
lábios, sua boca era tão aberta e honesta como ela era. Ele endureceu instantaneamente.
Mas em vez de ficar debaixo de sua camiseta e em seu jeans, ele puxou para trás e colocou-a
contra ele.
— Obrigado, — ele sussurrou.
— Pelo que?
Ele simplesmente balançou a cabeça. E então ele fechou os olhos.
Pela primeira vez no que sentia como para sempre, ele se deitou para dormir... sóbrio.

— Casamento, hein.
Quando Lizzie estava acima de Lane, ela tomou o rosto entre as mãos e sorriu com tanta
força que as bochechas doíam. Deus, ele era tão bonito, tão atraente, mesmo com as bolsas sob seus
olhos e barba sem fazer, por dias, a barba e os cabelos estavam crescendo desgrenhados em sua
aparência.
— Você está me pedindo para me casar com você? — ela se ouviu dizer. E sim, ela estava
um pouco ofegante.
Ele assentiu. — E posso lhe dizer? Seu sorriso agora é um para a prosperidade.
— Você sabe — ela passou as mãos pelo cabelo — eu não sou uma dessas mulheres que
planejaram seu casamento quando tinham cinco anos.
— Isso não é uma surpresa.
— Eu nem tenho certeza se quero vestir um vestido e não estou fazendo isso em uma igreja.
— Eu sou ateu, então funciona.
— E quanto menor, melhor. A última coisa que me interessa é um evento da alta sociedade.
Ele esfregou as mãos para cima e para baixo nas partes de trás de suas pernas, amassando,
acariciando-a, girando-a. — Entendi.

106
— E o seu divórcio...
— É uma anulação, na verdade. E Samuel T. está cuidando de tudo isso.
— Bom.
Enquanto Lane ergueu a mão como se estivesse na escola, ela disse: — Mmm?
— Isso é um sim?
Inclinando-se, ela apertou os lábios dele. — É absolutamente um sim.
A próxima coisa que ela sabia, ele a levou para a espreguiçadeira, seu corpo pesado e quente
rolando sobre o dela, e então eles estavam se beijando profundamente, rindo e beijando um pouco
mais. E então ela estava nua e ele também.
Ela engasgou seu nome quando ele entrou nela, e oh, Deus, ele era bom, penetrando bem e
profundo, esticando-a, dominando-a. Ela nunca tinha dito a ele o quanto ela gostava da sensação de
ele nela, como ela ansiava os momentos em que ele pegava os pulsos e a segurava, como as sessões
onde ele era ganancioso e um pouco áspero com ela.
Mas ele sabia.
Então, novamente, Lane sabia tudo sobre ela, e essa proposta era perfeita. Nada vistosa, ou
sofisticada, e não, ela também não queria um diamante dele. Tudo o que ela precisava era ele. Tudo
o que ela queria eram os dois juntos.
Então eles estavam começando esse noivado com o pé direito, tanto quanto ela estava
preocupada.
Sim, Lane estava cercado pelo caos. Sim, não havia como saber como iria se livrar disso. E
não, a maioria das mulheres com metade de um cérebro não se comprometia com alguém com seus
antecedentes, nem mesmo os escavadores de ouro, agora.
Mas o amor tinha uma maneira engraçada de dar fé na pessoa que te amava. E nada era
garantido na vida, nem riqueza, nem saúde. No final do dia, você precisava se deixar ir... e o melhor
lugar para pousar estava nos braços de um bom homem.
Enquanto o prazer passava por ela, Lizzie gritou seu nome e sentiu sua cabeça cair no
pescoço dele enquanto ele amaldiçoava e se empurrou para dentro dela. Tão bonito. Tão perfeito.
Especialmente quando ele a abraçou um pouco mais tarde.
— Deus, te amo, — ele disse em seu ouvido. — Você é a única coisa que faz sentido agora.
— Não tenho medo, — ela sussurrou. — Você e eu vamos descobrir isso. De alguma forma.
E nós vamos ficar bem. Isso é tudo o que me importa.
Inclinando para trás, seus olhos azuis eram coisas de romances, reverentes, sinceros, cheios
de amor. — Eu vou te dar um anel.
— Eu não quero um. — Ela acariciou seus cabelos novamente, achatando-o onde ela

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arruinou. — Eu não gosto de nada em minhas mãos ou meus pulsos. Não com o meu trabalho.
— Então, um relógio de diamante está fora?
— Definitivamente...
O telefone dela tocou no bolso e ele balançou a cabeça. — Eu não me importo quem é. Eu
não estou...
— Você deveria provavelmente...
Ele resolveu o assunto beijando-a, seu corpo começando a se mover de novo. E Lizzie foi
junto com isso. Havia tantas coisas piores na vida do que fazer amor com seu noivo numa noite
quente no Kentucky.
Os problemas os aguardariam quando terminassem. Esta pequena fatia do céu? Era apenas
para os dois.
Uma festa para a qual ninguém mais foi convidado.

108
Capítulo 17

Quando o creme de caramelo foi limpo, Sutton estava pronta para gritar. Não era a conversa.
O governador Dagney Boone e Thomas Georgetow, o presidente da Universidade de Charlemont,
foram uma grande companhia, dois dos homens mais poderosos do estado brincando um com o
outro como os velhos amigos que eram. As outras pessoas ao redor da mesa também eram
maravilhosas: a esposa de Georgetow, Beryline, era tão do Sul e amável como um doce chá numa
tarde calorosa, e o Reverendo e a Sra. Nyce, líderes da maior comunidade batista do estado, eram
tão sólidos como granito e tão edificante como um raio de sol.
Sob qualquer outra circunstância, ela teria gostado da noite. Claro, havia um propósito
subjacente, mas todos eram bons, e o chefe da família havia superado a si mesmo.
Edward, no entanto, conseguiu arruinar a noite para ela. Se esse homem estivesse acordado
por noites tentando ficar debaixo de sua pele, ele não poderia fazer um trabalho melhor.
Dagney não estava interessado nela. Isso era louco.
— Então... — O governador voltou para a cadeira de estilo Queen Anne a direita de Sutton.
— Eu acho que todos devemos agradecer a Senhorita Smythe por sua hospitalidade.
Quando as xícaras de café foram levantadas, Sutton balançou a cabeça. — Foi um prazer.
— Não, foi nosso.
O governador sorriu para ela, e Deus a ajudasse, tudo o que ela podia ouvir era a voz de
Edward em sua cabeça. E isso levou a outras coisas, outras memórias. Especialmente da última vez
em que ela foi vê-lo quando eles tinham...
Pare com isso, disse a si mesma.
— Sentimos falta de seu pai esta noite, — disse o governador.
— Sim, como ele está? — perguntou o Reverendo Nyce.
Sutton respirou fundo. — Bem, na verdade, todos vocês ouvirão os detalhes amanhã, mas ele
está afastando. E eu o estou substituindo como Diretora Presidenta.
Houve uma calma momentânea, e então Dagney disse: — Parabéns e minhas condolências ao
mesmo tempo.
— Obrigada. — Ela inclinou a cabeça. — É um momento complicado pessoalmente, mas
profissionalmente, eu sei exatamente o que estou fazendo.

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— A Sutton Distillery Corporation não podia estar em melhores mãos. — O governador
sorriu e brindou-a com o seu descafeinado. — E estou ansioso para apresentá-la com algumas de
nossas novas propostas de código tributário. Você é uma das maiores empregadoras do estado.
Era estranho, mas ela podia sentir a mudança para ela, as pessoas à mesa, até o governador,
em relação a ela com um foco diferente. Ela sentiu isso primeiro na reunião do comitê de finanças
nesta manhã, e depois quando ela interagiu com a gerência sênior durante o dia. O poder posicional,
foi chamado, e com a tocha trocando de mãos, o respeito que seu pai havia recebido era agora dela
em virtude de sua promoção.
— E é por isso que eu pedi a todos vocês que viesse aqui, — ela disse.
— Eu teria vindo feliz pela a sobremesa, — disse o reverendo Nyce enquanto gesticulava
para o prato limpo. — Isso foi prova do bom Senhor, tanto quanto eu.
— Amém, — interpelou Georgetow. — Eu pediria um segundo...
— Mas eu diria ao médico, — finalizou Beryline para ele.
— Ela é minha consciência.
Sutton esperou que o riso morresse, e então ela se viu lutando contra as lágrimas. Limpando a
garganta, ela se recompôs.
— Meu pai significa o mundo para mim. — Ela olhou para o retrato dele que pendia na
parede no outro lado da sala. — E eu gostaria de reconhecer suas contribuições para este estado e a
comunidade de Charlemont de forma significativa. Depois de muito pensar, eu gostaria de dotar
uma cadeira na Universidade de Charlemont em economia em seu nome. Tenho um cheque de
cinco milhões de dólares para esse fim, e estou preparada para oferecer esse valor esta noite.
Houve um suspiro do presidente, e com uma boa razão. Ela sabia muito bem que presentes
grande não vinha todos os dias para a universidade, e certamente não sem um esforço e cultivo
considerável de sua parte. No entanto, ela estava aqui, jogando um no colo dele. Depois da sua
sobremesa favorita.
Georgetow sentou-se na cadeira. — Eu estou... eu não tinha ideia, obrigado. A universidade
agradece por isso, e será uma honra ter seu nome associado à escola.
Também haveria uma doação semelhante na Universidade de Kentucky, não que ela fosse
levantar isso nesse jantar: ela e sua família eram fãs da KU quando se tratava de basquete, algo que,
de novo, não seria falado em torno de Georgetow.
Sutton olhou para o Reverendo Nyce. — Meu pai não é um homem religioso, mas ele o
respeita diferente de qualquer outro homem de Deus no estado. Gostaria, portanto, de dotar um
fundo de bolsas de estudo para estudantes afro-americanos em seu nome para ser administrado por
você. Abrangerá as matrículas e os livros de qualquer escola no estado de Kentucky. — Ela brincou

110
com a mão para Georgetow. — E sim, mesmo a Universidade de Kentucky. Precisamos de
trabalhadores mais qualificados na comunidade que estão empenhados em estabelecer e manter suas
carreiras aqui. Além disso, meu pai há muito se compromete com os desatendidos, particularmente
no West End. Isso vai ajudar.
O Reverendo Nyce alcançou e pegou sua mão. — Os filhos e filhas afro-americanos e suas
famílias agradecem por essa generosidade. E eu me certificarei de que esta oportunidade seja bem-
sucedida em nome do seu pai.
Ela apertou a palma da mão. — Eu sei que você vai.
— Dirija-os em nossos caminhos primeiro, — brincou Georgetow. — Você e sua boa esposa
são ambos ex-alunos, afinal.
O reverendo levantou sua xícara de café. — É óbvio. Eu sangro vermelho primeiro e acima
de tudo.
— Meninos, meninos, vocês estão em companhia mista aqui. — Sutton apontou para si
mesma e então virou-se para o governador. — E, finalmente, gostaria de dar um presente ao estado
em nome do meu pai.
Dagney sorriu. — Eu aceitarei qualquer coisa...
— Eu comprei trinta mil acres no leste do Kentucky esta tarde. — O governador ficou rígido
em sua cadeira. — Você... você foi a única.
— Quatro cordilheiras. Quatro belas e íngremes cordilheiras...
— Isso estava à beira de ser extraído em tiras.
— Eu gostaria de doar a Commonwealth em nome do meu pai e dotar a área cultivada como
um parque que será para sempre selvagem.
Dagney, na verdade, olhou para a mesa por um momento. — Isto é…
— Meu pai caçou toda a vida dele. Cervo. Pomba. Pato. Sua coisa favorita era sair e estar no
ambiente natural. Há carne no meu freezer agora que ele trouxe para casa a sua família, e eu cresci
comendo o que ele nos forneceu. Ele não pode... ele não é capaz de fazer mais isso, mas eu lhe
asseguro que seu coração ainda está naquela floresta.
A remoção dos picos foi uma maneira eficiente e econômica de acessar o carvão tão
frequentemente encontrado nas colinas nas regiões orientais de Commonwealth. E a indústria do
carvão empregou muitas pessoas em áreas que eram tão pobres, as famílias morriam de fome no
inverno e não conseguiram obter bons cuidados de saúde. Ela entendia toda essa realidade, a
indústria do carvão era uma questão complicada que não era tão simples como sendo prejudicial ao
meio ambiente. Mas seu pai amava a terra e, dessa forma, ela sabia que pelo menos aquelas quatro
montanhas permaneceriam exatamente como eram há milênios.

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E na verdade, ela havia negociado durante meses com as sete famílias que possuíam a terra, e
mesmo com milhões e milhões que ela lhes havia dado, não era nada comparado com o que as
empresas do carvão haviam oferecido. Mas os donos haviam desejado exatamente o que ela
prometeu dar, além do dinheiro, e agora estava bem com isso.
Sempre selvagem. Para sempre, como o bom Senhor os criou, como seu pai, Reynolds, diria.
— Então, — ela disse com um sorriso, — você acha que o estado pagará por uma placa se eu
lhe der todos esses acres?
Dagney se inclinou para ela e tocou seu braço. — Sim, eu acredito que isso pode ser
organizado.
Por um momento, ela poderia ter jurado que seus olhos se esticaram em seus lábios, mas
então ela pensou, não, ela tinha imaginado.
Maldito seja, Edward.
A festa terminou pouco depois, com Georgetow saindo com um cheque de cinco milhões de
dólares no bolso e o reverendo com uma consulta com seus advogados.
Dagney ficou para trás enquanto os outros desceram a passarela da frente, entraram em seus
carros e saíram.
— Então, — ela disse quando se virou para ele. — Será difícil para mim acompanhar isso
com qualquer tipo de bis.
— Sua família sempre foi tão generosa, tanto aqui em Charlemont como na Commonwealth
em geral.
Sutton observou o último conjunto de luzes de freio desaparecerem pela colina. — Não é
para ser grande. Não neste caso comigo e meu pai. Eu tenho tudo isso... emoção... e eu tenho que
fazer algo com isso. Não consigo segurá-lo dentro, e não há nada para realmente dizer sobre os
sentimentos porque eles são demais para... — Ela tocou seu esterno. — Eles são muito aqui.
— Eu sei exatamente como é isso. — O rosto de Dagney ficou apertado. — Eu também andei
nesse caminho.
— Meu pai ainda não morreu, mas eu sinto que eu o estou perdendo a cada dia. — Ela se
concentrou nas copas das árvores a distância, medindo o contorno curvo de onde os galhos
esponjosos encontraram a escuridão de veludo do céu noturno. — Vê-lo diminuir mais dia a dia não
é apenas sobre o sofrimento atual. É uma lembrança da dor que vem quando ele morre, e eu odeio
isso... e, no entanto, cada momento conta com ele agora. Ele é tão bom como ele vai estar neste
momento.
Dagney fechou os olhos. — Sim, eu lembro como é isso. Eu sinto muito.
— Bem. — Ela desejou que ela não estivesse tão aberta. — Eu não queria continuar.

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— Fale o quanto quiser. Às vezes, é a única maneira de ficar na sua própria pele. Sendo o que
foi deixado para trás é um tipo especial de inferno.
Sutton olhou para ele. — Ele é tudo o que tenho.
— Você não está sozinha. Não se você não quiser estar.
— De qualquer forma. — Ela alisou o cabelo e esperou que se ela risse não soasse tão
estranha quanto sentia. — Na próxima vez, você está apenas recebendo o jantar.
— E quando isso será? — ele disse suavemente. — Estou feliz por ser paciente, mas espero
não ter que esperar por muito tempo.
Sutton sentiu suas sobrancelhas se erguerem. — Você está me convidando para sair?
— Sim, senhora. Eu acredito que sim. — Quando ela afastou os olhos, Dagney riu. —
Demais? Eu sinto muito.
— Não, eu, ah... não, eu só...
— Sim, temo que minhas intenções fossem honradas, mas não necessariamente platônicas,
quando cheguei aqui esta noite.
Maldito seja, Edward, pensou de novo.
E abruptamente, ela tomou conhecimento dos três policiais estaduais que estavam a um
discreto número de metros de distância. Bem como o fato de estar corando.
— Eu não queria complicar as coisas, — disse Dagney enquanto pegava sua mão. — E se eu
fiz isso difícil, podemos esquecer que eu cruzei essa linha.
— Eu, ah...
— Nós só vamos esquecer isso, ok? — concluiu o governador sem qualquer vantagem. — Eu
vou riscá-lo como experiência e seguir em frente.
— Experiência?
Ele esfregou a mandíbula com o polegar. — Não convidei muitas mulheres para sair. Desde
que minha Marilyn morreu, isso é. E você sabe, estatisticamente, isso aumenta minhas chances de
um “sim” em algum momento, e desde que eu sou um otimista, estou tirando isso positivo desta
noite, juntamente com essas quatro montanhas.
Sutton riu. — Então, outras pessoas lhe disseram que não? Acho isso difícil de acreditar.
— Bem, na verdade... você é a primeiro que eu pedi. Mas, como eu disse, recebi uma rejeição
e vivi para contar o conto. — Ele sorriu e estendeu a mão para o rosto dela. — Sua boca está aberta.
— Estou apenas surpresa. — Ela riu. — Que eu seja a primeira, quero dizer, oh ... porcaria.
O governador riu e então ficou sério. — Foi tão difícil quando perdi Marilyn, e faz muito
tempo que alguém se registrou, para ser honesto. E mesmo que isso não me faça parecer um espião
no mínimo... me levou dois meses para ter a coragem de te pedir.

113
— Dois meses?
— Lembra-se quando eu vi você no edifício do Capitólio em março? Foi quando eu decidi
que eu ia te convidar para um encontro. E então eu me acovardei. Mas você me convidou aqui esta
noite, e eu decidi ir por isso. No entanto, não se sinta mal. Sou um grande garoto, posso entender...
— Estou apaixonada por alguém, — ela disse.
O governador recuou. E então amaldiçoou suavemente. — Oh, sinto muito. Eu não sabia que
você estava com alguém. Eu nunca teria desrespeitado seu relacionamento...
— Nós não estamos juntos. — Ela balançou a mão. — Não há relacionamento. Não é algo
que faz sentido, na verdade.
— Bem... — Dagney olhou nos olhos dela. — Edward Baldwine é um tolo, então.
Sutton abriu a boca para negar, mas o homem na frente dela não era um idiota. — Não há
nada acontecendo entre nós, e acho que ainda tenho que conseguir isso na minha cabeça. E também
por causa do meu novo papel, não é um ótimo momento para mim.
— Com o risco de ir adiante, eu só quero dizer que no futuro, estou disposto a ser sua
recuperação. — Ele riu. — Sim, isso é desesperado, mas estou fora de prática com tudo isso, e você
é uma mulher muito inteligente e muito bonita que merece um bom homem.
— Eu sinto muito.
— Eu, também. — Ele estendeu a palma da mão para uma despedida. — Mas, pelo menos,
vamos nos ver muito, especialmente com esse novo trabalho.
— Sim nós vamos.
Ela deixou sua mão onde estava e entrou para o abraçou. — E estou ansiosa para isso.
Ele a segurou brevemente e ligeiramente e depois recuou. — Rapazes? Vamos.
A polícia estadual escoltou o governador em dois SUV preto-preto, e um momento depois, as
motos, dois motociclistas policiais entrando na fila.
A tristeza se fechou sobre ela, dando um calafrio ao ar noturno da noite.
— Maldição, Edward, — ela sussurrou para o vento.

114
Capítulo 18

Na manhã seguinte, Lane saiu da suíte do quarto em Easterly de bom humor. Mas isso não
durou enquanto olhava pelo corredor e via bagagem fora do quarto do avô.
— Oh, não, você não vai.
Aproximando das malas empilhadas, ele não se incomodou em bater na porta parcialmente
aberta. — Jeff, você não vai embora.
O velho colega de quarto da faculdade ergueu os olhos de uma prodigiosa pilha de papéis na
velha mesa. — Eu tenho que voltar para Nova York, amigo...
— Eu preciso de você...
—... mas eu me certifiquei de ter tudo pronto para os Federais. — O cara indicou várias
impressões e ergueu um pen drive. — Eu criei um resumo das...
— Você é miserável em Wall Street, você percebe.
—... retiradas que encontrei. Está tudo bem aqui. Apenas dê-lhes esse pen drive, na verdade,
e eles saberão o que fazer. Eles podem me ligar com perguntas. Vou deixar o meu cartão e do meu
número de celular.
— Você tem que ficar.
Jeff amaldiçoou e esfregou os olhos. — Lane, eu não sou um talismã mágico que vai fazer
tudo isso desaparecer. Eu não sou o melhor homem para esse tipo de coisa. Eu também não tenho
nenhum papel oficial na empresa e nenhuma autoridade legal.
— Eu confio em você.
— Eu já tenho um emprego.
— Que você odeia.
— Sem ofensa, mas os meus cheques de pagamento são enormes e eles não são devolvidos.
— Você tem mais dinheiro do que você precisa. Você pode morar em um modesto
apartamento do Midtown, mas você está sentado em uma fortuna.
— Porque eu não faço coisas estúpidas. Como deixar um trabalho perfeitamente bom...
— Trabalho miserável.
— Para um incêndio florestal.
— Bem, pelo menos você ficará quente. E podemos brindar com marshmallows. Cara.

115
Jeff começou a rir. — Lane.
— Jeff.
Seu amigo cruzou os braços sobre o peito e empurrou os óculos metrossexual para cima em
seu nariz. Em seu Oxford branco com botões e suas calças pretas, ele parecia estar preparado para ir
ao escritório diretamente do desembarque no aeroporto de Teterboro, N. J.
— Diga-me algo, — o cara começou.
— Não, eu não conheço a raiz quadrada de nada, não posso fazer isso no décimo primeiro
grau, e se você me perguntar por que o pássaro enjaulado canta, no momento, sinto que é porque a
maldita coisa tem uma arma na cabeça.
— Por que você ainda não ligou para os Federais?
Lane seguiu em um passeio, dirigindo-se para o conjunto de janelas com vista para os jardins
laterais e o rio. Abaixo, sob a luz do sol da manhã, o Ohio era um caminho deslumbrante e brilhante
para o distrito comercial de Charlemont, como se esses edifícios de vidro e aço fossem algum tipo
de nirvana.
— Foram cometidos crimes, Lane. Você está protegendo seu pai, mesmo que ele esteja
morto?
— De jeito nenhum.
— Então, chame-os.
— Somos uma corporação privada. Se houve prejuízos, minha família é que foi prejudicada.
É nosso dinheiro o perdido, não o de milhares de acionistas. Não é problema ou preocupação de
ninguém mais.
— Você está brincando comigo, certo. — Seu velho colega de quarto olhou para ele como se
houvesse um chifre saindo de sua testa. — As leis foram quebradas porque as divulgações
impróprias foram arquivadas com o procurador geral do estado e a Receita Federal. Eu encontrei
discrepâncias em seus relatórios anuais obrigatórios. Você poderia ser indiciado com acusações
federais de conspiração, Lane. Inferno, eu também, agora, agora que eu sei o que fiz.
Lane olhou por cima do ombro. — É por isso que você está indo?
— Talvez.
— E se eu dissesse que eu poderia protegê-lo?
Jeff revirou os olhos e foi até uma mochila sobre a cama. Quando fechou a coisa, ele
balançou a cabeça. — Você intitulado filho da puta pensa que o mundo gira em torno de você. Que
as regras são diferentes apenas porque você vem de uma árvore genealógica com algum dinheiro.
— O dinheiro se foi, lembra-se.
— Olha, ou você liga para os federais, ou eu vou. Eu te amo como um irmão, mas não estou

116
disposto a ir à cadeia por você...
— Aqui embaixo, as coisas são atendidas.
Jeff endireitou-se e girou a cabeça. Ele abriu a boca. Então fechou. — Você soa como um
mafioso.
Lane encolheu os ombros. — É o que é. Mas quando digo que posso protegê-lo, isso inclui
coisas como o governo.
— Você é louco.
Lane apenas olhou para o velho amigo. E quanto mais ele encontrou esses olhos atrás desses
óculos, mais pálido Jeff se tornou.
Depois de um momento, Jeff sentou-se na cama e apoiou as mãos nos joelhos. Olhando pelo
quarto elegante, ele disse suavemente, — Merda.
— Não, não merda. Você fica aqui, descubra tudo o que aconteceu, e eu vou lidar com isso
em particular. Esse é o curso que vamos levar.
— E se eu recusar?
— Você vai ficar.
— Isso é uma ameaça?
— Claro que não. Você é um dos meus amigos mais antigos.
Mas ambos sabiam a verdade. O homem não estava indo a lugar algum.
— Jesus Cristo. — Jeff pôs uma mão na têmpora, como se a cabeça estivesse batendo. — Se
eu soubesse que tipo de buraco de coelho era, nunca teria vindo aqui.
— Eu vou cuidar de você. Mesmo sem o dinheiro, há muitas pessoas que devem minha
família. Eu tenho muitos recursos.
— Porque você vai forçá-los também?
— É o que é.
— Foda-se, Lane...
— Vamos jogar isso, ok? Você termina o que começou, talvez você leve mais uma semana, e
então você pode ir. Sem danos, sem falta. É como se você nunca estivesse aqui. Vou pegar isso a
parti daqui.
— E se eu sair agora?
— Eu realmente não posso deixar você fazer isso. Eu sinto muito.
Jeff balançou a cabeça como se quisesse acordar de um sonho ruim. — O mundo real não
corre assim, Lane. Esta não é a década de 1950. Vocês Bradford não podem controlar coisas como
você costumava. Você não pode enterrar a responsabilidade no quintal só porque é inconveniente
ou você acha que um véu de privacidade é mais importante do que a lei da terra. E quanto a mim?

117
Não me empurre. Não me coloque nesta posição.
— Você ainda não é o único com informações. — Lane caminhou até a mesa e pegou o pen
drive. — De alguma forma, eu não acho que sua reputação profissional em Manhattan sobreviveria
à divulgação do anel de jogo que você executou na faculdade. Estudantes em cinco universidades
distribuíram centenas de milhares de dólares através de você e do seu sistema de apostas, e antes de
ir para o argumento de água abaixo da ponte, eu lembro que foi ilegal e de uma escala tão grande
que você tem alguma mancha RICO18 em você.
— Foda-se.
— É o que é.
Jeff olhou os punhos de sua camisa de negócios por um tempo. Então ele balançou a cabeça
novamente. — Cara, você é como seu pai.
— O inferno que sou...
— Você está me chantageando! Que merda!
— Isto é sobre sobrevivência! Você acha que quero fazer isso? Você acha que estou pegando
pesado com um dos meus melhores amigos para que ele fique no poço da víbora comigo? Meu pai
teria gostado disso, eu odeio isso! Mas o que mais eu deveria fazer?
Jeff se levantou e gritou de volta. — Ligar para os fodidos federais! Seja normal em vez de
algum tipo de Kentucky Fried Tony Soprano!
— Não posso fazer isso, — disse Lane com severidade. — Desculpe, mas não posso. E me
desculpe... mas preciso de você, e estou na trágica situação de ter que fazer qualquer coisa ao meu
alcance para fazer você ficar.
Jeff puxou um dedo pelo ar tenso. — Você é um idiota se você for nesta estrada. E isso não
muda apenas porque você está jogando o cartão pobre comigo.
— Se você estivesse na minha situação, você faria o mesmo.
— Não, eu não faria.
— Você não sabe disso. Confie em mim. Merda assim muda tudo.
— Você conseguiu isso, — disse Jeff.
Flashbacks deles quando estudantes universitários na U.Va., na casa da fraternidade, em aula,
nas férias que Lane pagou, filtrou-se por sua mente. Houve jogos de pôquer e piadas práticas,
mulheres e mais mulheres, especialmente na parte de Lane.
Nunca havia pensado que o cara não estaria em sua vida. Mas ele estava fora do tempo, fora
das opções, e no final da corda.

18
Sigla para Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act, é uma lei dos EUA, promulgada em 1970,
permitindo que as vítimas do crime organizado processem os responsáveis por danos punitivos.

118
— Eu não sou como meu pai, — disse Lane.
— Então, a ilusão também corre em sua família. Bastante genes que você tem, um bicho
genético bem-vindo.

— Aqui está a direção da empresa. Há o telefone. Um... o computador. Isso é uma


escrivaninha. E... sim, esta é uma cadeira. — Quando Mack ficou sem gás, ele olhou para a área de
recepção na frente de seu escritório no Old Site. Como talvez alguém pudesse pular de trás do
mobiliário rústico e dar-lhe uma tábua de salvação de orientação.
A perfeita Beth, como ele estava pensando nela, apenas riu. — Não se preocupe. Descobrirei.
Tenho um nome de usuário e uma senha para entrar no sistema? — em seu olhar em branco, ela
tocou o diretório. — Okkkkk, então eu vou ligar para o departamento de TI e começar isso. A
menos que a RH já esteja nisso?
— Ah...
Ela tirou a bolsa do ombro e a colocou debaixo da mesa. — Não se preocupe. Eu cuidarei de
tudo. Você informou se eu fui contratada?
— Eu…
— Certo, e você enviou um e-mail? E disse a eles que eu vou chamar vários lugares para
fazer tudo?
— Eu quero que você saiba, apesar da impressionante incompetência que atualmente estou
jogando por aqui, eu sou estelar em muitas coisas. Fazer o bourbon é o principal entre eles.
Quando ela sorriu para ele, Mack encontrou-se olhando nos olhos um pouco demais. Dentro
sua blusa vermelha e sua saia preta e seus sapatos planos, ela era tudo o que era competente,
atraente e inteligente.
— Bem, eu também sou bom no meu trabalho, — disse Beth. — É por isso que você me
contratou. Então você cuida das suas coisas, cuidarei da minha, e nós estaremos preparados...
A porta da cabana do Old Site abriu e Lane Baldwine entrou como se estivesse em um
acidente de carro e tivesse deixado as feridas não tratadas: o rosto dele estava abatido, os cabelos
uma bagunça e os movimentos coordenados como um pote de mármores entornado.
— Nós vamos dar uma volta, — ele disse sombriamente. — Venha.
— Beth Lewis, minha nova assistente executiva, este é Lane Baldwine. Sim, ele é quem você
pensa que é.
Quando Beth ergueu a mão, Mack ignorou cuidadosamente a quão assustada ela parecia estar.
Então, novamente, Lane tinha sido uma das pessoas mais elegíveis da revista People um par de

119
vezes. Também na TV e em revistas e online com namoro com atrizes. E então havia o artigo da
Vanity Fair sobre a família, onde ele desempenhou o papel de playboy fúnebre, comprometido e
fóbico.
Fale sobre o método de atuação.
E a coisa boa, o cara foi reformado e em um relacionamento totalmente comprometido ou
Mack teria querido socá-lo na garganta.
— Oi, — ela disse. — Sinto muito pelo seu pai.
Lane assentiu com a cabeça, mas não pareceu notar-se. — Bem-vinda a bordo. Mack,
estamos atrasados.
— Eu não sabia que tínhamos uma reunião. — Mas, aparentemente, era hora de chegar na
estrada. — Oh droga. Beth, você pode enviar esse e-mail para mim?
Quando Mack lhe entregou seus detalhes de login, Lane já estava fora da porta e
caminhou até Porsche. — E você terá que desculpá-lo. Há muita coisa acontecendo.
Beth assentiu. — Eu compreendo totalmente. E eu vou cuidar de tudo. Não se preocupe,
oh, qual é o seu celular? No caso de algo surgir, não consigo lidar.
Mack pegou um bloco BBC e uma caneta, e rabiscou seus dígitos por ela. — Eu não tenho
reuniões agendadas para hoje, mas então, eu não sabia que eu tinha essa, então quem diabos sabe o
que acontecerá depois.
— Vou ligar se eu precisar de você.
— Eu não sei por quanto tempo estarei fora. E não sei para onde vou.
— Seja otimista. Talvez seja a Disneylândia.
Quando ele se afastou rindo, ele se disse para não olhar para trás. E quase conseguiu sair
pela porta sem olhar por cima do ombro.
Quase.
Beth girado e se sentou no computador de mesa, seus dedos voavam sobre as teclas. Com
o cabelo puxado para trás em um baixo rabo de cavalo, seu rosto era a imagem de concentração
profissional, mas também adorável.
— Alguma chance de você ser um fã do U de C? — ele falou.
Aqueles olhos azuis se ergueram da tela e ela sorriu. — Existe outra faculdade no estado?
Tenho certeza de que não há.
Mack sorriu e lançou um adeus.
Mas quando ele caminhou até o Porsche e entrou, ele não estava mais rindo. — O que
diabos, Lane. Você não retorna minhas chamadas, mas aparece aqui chateado, estou atrasado para
algo que eu não sabia...

120
— Eu estou solucionando seu problema de grãos, é isso que eu estou fazendo. — O cara
colocou um Ray-Ban. — E você está vindo comigo porque alguém tem que dizer a minha solução o
quanto você precisa. Ainda está bravo comigo?
Quando Lane pisou no acelerador e derrapou do estacionamento de cascalho solto, Mack
clicou o cinto de segurança no lugar. — Você me arruma o milho que eu preciso, você pode me dar
um golpe no rosto com um peixe morto, se quiser.
— Eu gosto de um homem que seja criativo. E no meu humor atual, é provável que eu
assalte um pescetariano apenas por princípio.

121
Capítulo 19

O Aeroporto Internacional de Charlemont estava localizado a sul e um pouco a leste do centro


da cidade, e Lane pegou a via expressa de Paterson ao redor dos subúrbios em vez de lutar com o
trânsito através da junção espaguete. No alto, o céu estava azul intenso e o sol brilhava como uma
luz de teatro, o dia se apresentando como se nada de ruim pudesse acontecer com qualquer um sob
seus cuidados.
Claro, as aparências podem enganar.
— Você conhece John Lenghe, certo? — Lane disse sobre a brisa quando ele pegou a
primeira das saídas do aeroporto e entrou no anel viário.
— É claro que sei quem ele é, — gritou Mack. — Embora nunca o encontrei antes.
— Bem, coloque seu melhor sorriso. — Ao abrandar a velocidade do conversível, o motor e
o vento ficaram mais silenciosos. — E prepare-se para ser encantador. Nós temos vinte minutos,
para persuadi-lo nos ceder seu milho.
— Espere o que? Pensei... quer dizer, não estamos comprando dele?
— Não podemos dar-lhe o luxo de pagá-lo. Então eu estou tentando projetar um transporte
sem a situação de dinheiro.
Lane tomou uma saída marcada Acesso Restrito e dirigiu-se para a pista de pouso onde os
jatos particulares pousaram e decolaram.
— Então, não há pressão, — murmurou Mack enquanto diminuíam a velocidade no portão de
check-in.
— Não. Nenhuma mesmo.
O guarda uniformizado acenou Lane. — Bom dia, Sr. Baldwine.
— Bom dia Billy. Como está Nells?
— Ela está bem. Obrigado.
— Diga a ela que eu mandei lembranças.
— Sempre.
Lane prosseguiu do prédio modernista do porteiro e continuou indo passando hangares
redondos, onde centenas de milhões de dólares de aeronaves estavam estacionados. A entrada de
motorista para as pistas era um portão ativado por movimento em uma cerca com corrente de quatro

122
metros de altura, e ele acelerou, o 911 batendo o asfalto como algo saído de um anúncio de revista.
O Embraer Legacy 650 de John Lenghe acabou de chegar, e Lane pisou no freio e desligou
seu motor. Enquanto eles esperavam, ele pensou sobre a conversa dele com Jeff.
Cara, você é como seu pai.
Olhando para Mack, Lane disse: — Eu deveria tê-lo chamado antes e lhe dizer o que havia
acontecido. Mas no momento, há tantas coisas acontecendo, estou arranhando meu relógio e
enrolando minha bunda.
Mack encolheu os ombros. — Como eu disse, não temos problemas se meus silos estiverem
cheios. Mas explique-me algo.
— O que?
— Onde diabos está a gerência sênior? Não é como se sentisse falta dos desgraçados, mas caí
no correio de voz em todos eles ontem. Você despediu todos? E você poderia fazer o meu dia
dizendo que eles choraram como bebês.
— Basicamente. Sim.
— Espere o que? Foi uma piada, Lane...
— Eles não voltarão logo. Pelo menos não para o centro de negócios em Easterly. Agora,
quanto ao que eles estão fazendo na sede? Não tenho ideia, provavelmente procurando me atirar
numa ponte. Mas eles são o próximo na minha lista de tarefas para me divertir hoje.
À medida que o maxilar do Master Distiller se abriu, Lane saiu do conversível e levantou as
calças. O jato de Lenghe era semelhante ao que compunha a frota de seis da BBC, e Lane
descobriu-se fazendo as contas na venda de todo esse aço e vidro do céu.
Devia ter sessenta milhões ali.
Mas ele precisaria de corretores para lidar com as vendas corretamente. Você não anuncia um
Embraer em classificados.
Mack pisou na frente dele, o grande corpo do homem, o tipo de coisa que você não conseguiu
passar. — Então, quem está dirigindo a empresa?
— Agora mesmo? Neste momento? Lane colocou o dedo na boca e inclinou a cabeça como
Deadpool. — Ah... ninguém. Sim, se a memória serve, não há ninguém no comando.
— Lane... merda.
— Você está procurando por um trabalho de mesa? Porque estou contratando. As
qualificações incluem uma alta tolerância para jogos de poder, um armário cheio de ternos feitos
sob medida e um descontentamento com os membros da família. Oh espere. Esse era o meu pai e
nós já ficamos presos nessa rotina. Então, jeans azul e uma camiseta irão funcionar. Diga-me, você
ainda joga basquete e você costumava jogar?

123
O portal do jato se abriu e um conjunto de escadas se estendeu até o asfalto. O homem de
sessenta anos que emergiu tinha a robusta construção de um ex-jogador de futebol, um maxilar
quadrado como um super-herói de quadrinhos da velha escola e usava calções de golfe e uma
camiseta polo que provavelmente precisava de óculos de segurança para serem vistos corretamente.
Fogos de artifício de néon contra um fundo preto. Mas, de alguma forma, funcionou no cara.
Então, novamente, quando você valia cerca de três bilhões de dólares, você poderia usar
qualquer coisa que você quisesse.
John Lenghe estava no telefone quando ele desceu para o asfalto. —... desembarcou. Sim.
Certo, certo...
O sotaque do homem era plano como as planícies do meio-oeste, as palavras vieram sem
pressa como o passo de sua lenta descida. Mas era sábio não se enganar. Lenghe controlava sessenta
por cento das fazendas produtoras de milho e trigo da nação, bem como cinquenta por cento de
todas as vacas leiteiras. Ele era, literalmente, o Deus dos Grãos, e não era uma surpresa que ele não
acelerasse os passos em uma escada quando ele pudesse estar fazendo negócios.
—... estarei em casa mais tarde esta noite. E diga a Roger para não cortar minha grama. Esse
é meu maldito trabalho... o que? Sim, eu sei que eu o pago e é por isso que posso lhe dizer o que
não fazer. Eu te amo. O que? Claro que vou te fazer as costeletas de porco, querida. Tudo o que
você precisa fazer é pedir. Tchau.
Okkk, então era a esposa no telefone.
— Meninos, — ele gritou. — Surpresa inesperada.
Lane encontrou o homem a meio caminho, estendendo a palma da mão. — Obrigado por nos
ter visto.
— Sinto muito pelo seu pai. — Lenghe balançou a cabeça. — Perdi o meu há dois anos e
ainda não acostumei.
— Você conhece Mack, nosso Master Distiller?
— Primeira vez em pessoa. — Lenghe sorriu e bateu no Master Distiller no ombro. — Eu
gostei tanto de você quanto do bourbon de seu pai fazia.
Mack disse um monte de coisas certas. E então houve uma pausa.
— Então, — Lenghe puxou seus calções do Dia da Independência um pouco mais alto, — há
cerca de meia hora atrás, recebi uma chamada de seu presidente do conselho, filho. Você quer falar
sobre isso em particular?
— Sim, realmente. Eu preciso que tudo isso seja mantido em sigilo.
— Entendido, e considere isso no cofre. Mas eu não tenho muito tempo. Tenho que estar em
casa para jantar no Kansas, e eu tenho duas paradas para fazer antes de chegar lá. Vamos usar meu

124
pequeno avião como uma sala de conferências?
— Parece bom para mim, senhor.
O interior do jato de Lenghe não era como os aviões da BBC. Em vez de couro creme e
cinza, o Deus do Grão personalizou o seu para ser aconchegante e acolhedor, dos cobertores
trançados artesanais as almofadas da Universidade do Kansas. Balde de pipoca, não caviar, foi
esvaziado, e havia refrigerantes em vez de qualquer coisa alcoólica. Sem comissária de bordo. E se
houvesse uma, ela sem dúvida seria sua esposa, não qualquer tipo de bimba pneumática.
Quando Lenghe ofereceu Coca-Cola, ele estava claramente preparado para servi-los.
— Estamos bem, obrigado, — Lane disse enquanto se sentava em uma pequena mesa de
conferência.
Mack sentou-se ao lado dele e Lenghe ergueu o assento do outro lado do caminho, ligando
suas mãos de dedos grossos e inclinando-se, seus olhos azuis pálidos perscrutados em seu rosto
bronzeado.
— Eu ouvi que o gerenciamento sênior não está feliz com você, — disse Lenghe.
— Não, eles não estão.
— Seu presidente do conselho me disse que você os trancou fora de seus escritórios e
desativou o servidor corporativo.
— Eu fiz.
— Por que razão?
— Não tenho nada de que me orgulhar, acredito. Estou tentando chegar ao fundo de tudo
agora, mas tenho motivos para acreditar que alguém está roubando da empresa. E estou preocupado
com alguns ou que todos eles estão envolvidos. No entanto, não sei o suficiente para dizer algo mais
do que isso.
Mentiroso, mentiroso, campo de golfe em chamas.
— Então você não conversou com o presidente do seu conselho?
— Antes de ter a história completa? Não. Além disso, não lhe devo nenhuma explicação.
— Bem, filho, acho que ele tem uma opinião diferente sobre isso.
— Eu vou vê-lo assim que estiver pronto. Quando você tem evidências de roubo, na escala de
que estou falando, você não pode confiar em ninguém.
Lenghe puxou um balde de pipoca. — Sou viciados nessas coisas, você sabe. Mas é melhor
do que os cigarros.
— E uma série de outras coisas.
— Você sabe, você está dançando em torno da questão muito bem, filho, então eu vou
adiantar e dizer isso. Você finalmente descobriu sobre as minas do seu pai?

125
Lane sentou-se para a frente em seu assento. — Desculpa, o que?
— Eu disse a William para cortar a merda com aquelas minas de diamantes na África. Ideia
mais estranha do planeta. Você sabe, fui lá com a esposa no ano passado? Aposto que seu pai não
lhe disse que eu as verifiquei, disse? Não? Elas não são nem mesmo buracos no chão. Ou ele ficou
enganado ou, bem, a outra opção não suporto pensar.
— Minas de diamante?
— E isso não é tudo. WWB Holdings tinha muitos negócios diferentes sob seu guarda-chuva.
Ele disse que havia poços de petróleo no Texas, e, claro, agora você não pode deixar o petróleo em
bruto. Uma ferrovia ou duas. Restaurantes em Palm Beach, Nápoles e Del Ray. E, em seguida,
alguns dispositivos de tecnologia que eu não acho que foi em qualquer lugar. Alguma coisa sobre
um aplicativo? Eu não percebi por que diabos as pessoas perdem seu tempo com essa merda, perdoe
meu francês. Havia também alguns hotéis em Singapura e Hong Kong, uma casa de moda na cidade
de Nova York. Eu acho que ele mesmo investiu em um filme ou dois.
Lane estava muito consciente de ter que manter seu nível de voz. — Como você ouviu sobre
tudo isso?
— Quando você tem 18 buracos para passar por um campo de golfe, as coisas surgem. Eu
sempre disse a ele, fique com o negócio principal. Todas essas ideias brilhantes podem ser
tentadoras, mas mais do que prováveis, são apenas buracos negros, especialmente quando você não
conhece a indústria dada. Sou fazendeiro, simples e simples. Conheço os pormenores das estações,
da terra, das culturas e de um único tipo de vaca. Eu acho seu pai... bem, eu não quero desprezar os
mortos.
— Desprezar sua memória, eu não ligo. Eu tenho que saber, e qualquer coisa que você possa
me dizer vai ajudar.
Lenghe ficou em silêncio por um tempo. — Ele sempre me levou para Augusta. Você quer
saber por quê? — Quando Lane assentiu com a cabeça, o homem disse: — Porque aqueles meninos
nunca deixariam um tipo de unha suja como eu como membro. E enquanto estávamos indo ao redor
do curso, ele falava sobre todos esses investimentos que ele estava fazendo. Ele teve que competir
por tudo, e isso não é uma crítica. Eu também gosto de ganhar. A diferença entre nós, porém, é que
eu sei exatamente de onde eu venho e não tenho vergonha disso. Seu pai estava realmente
consciente de que tudo o que ele tinha não era dele. A verdade é que, sem ele se casar com sua mãe,
Augusta também não teria tido ele como membro.
— Eu acho que está certo.
— E você sabe, eu sempre me perguntei onde ele conseguiu o dinheiro para colocar nesses
empreendimentos. Adivinha que você está apenas descobrindo agora que ele se foi.

126
Lane pegou um punhado de pipoca em um reflexo e mastigou as coisas, mesmo que ele não
provasse nada disso. —Você sabe, — ele murmurou, — sempre tive a sensação de que ele se
ressentia de minha mãe.
— Eu acho que é por isso que ele estava tão determinado a encontrar essas outras
oportunidades. Quero dizer, recebo propostas o tempo todo, de amigos, associados, planejadores
financeiros. E eu as jogo no lixo. Seu pai estava procurando algo que fosse dele, sempre em busca
de uma base. Eu? Eu estava apenas em Augusta porque gosto do curso e adoro o golfe. Os ombros
poderosos de Lenghe encolheram, as costuras de sua camiseta polo lutando para segurar todo esse
músculo. — A vida é muito mais divertida se você cortar sua própria grama. Estou apenas dizendo.
Lane ficou em silêncio por um tempo, olhando a janela oval nos aviões de marrom e dourado
que estavam decolando um atrás do outro em uma parte distante do aeroporto. Charlemont estava
bem no meio do país, e isso significava que era um centro de transporte perfeito. Como a BBC e a
Sutton Distillery Corporation, a UPS era uma das maiores empregadoras da cidade e do estado.
Era quase inimaginável pensar que a empresa da família poderia falhar. Deus, havia tantas
pessoas que dependiam disso para seus cheques de pagamento.
Ele nunca pensou nisso antes.
— Você tem alguma informação sobre esses negócios? — ele disse. — Algum nome?
Locais? Tenho um amigo passando pelas contas corporativas e ele encontrou os desfalques, mas
quando ele procurou qualquer coisa sob o nome de WWB Holdings, ele não encontrou nada.
— Seu pai era bastante vago, mas ele me contou algumas coisas. Posso pensar sobre isso e
lhe enviar um e-mail com o que eu sei.
— Seria ótimo.
— Então... o que posso fazer para vocês, garotos? Tenho certeza de que você não veio aqui
para obter informações sobre que você desconhecia.
Lane limpou a garganta. — Bem, como você pode adivinhar... com a alta administração
fechada e esta investigação interna que estou conduzindo, o negócio está entrando em um período
de transição que...
— Quantos grãos vocês dois precisam em conta?
Mack falou. — Seis meses seria ótimo.
Lenghe assobiou. — Isso é muito.
— Nós lhe daremos excelentes termos, — disse Lane. — Uma grande taxa de juros e você
pode ter como fiança todo um armazém no valor de barris de bourbon. E tenha em mente, não
importa o que aconteça internamente, nosso produto vende bem e o bourbon está quente agora. O
fluxo de caixa ao longo do tempo não vai ser um problema.

127
Lenghe fez um zumbido, e você poderia quase cheirar a madeira queimando enquanto ele
pensava em tudo.
— Você e eu temos um conhecimento compartilhado, — ele disse. — Bob Greenblatt?
— O banqueiro de investimentos? — Lane assentiu. — Eu o conheço.
— Ele diz que você é o jogador de pôquer.
— Eu joguei cartas com ele.
— Você o limpou de algum dinheiro, quer dizer. — Lenghe sentou-se e sorriu enquanto ele
enxugava os dedos em um guardanapo de papel. — Eu não sei se você está ciente disso, mas sou
um jogador. Minha esposa é uma boa cristã. Ela realmente não aprova, ela faz vista grossa, porém,
você sabe.
Lane estreitou os olhos. — O que exatamente você tem em mente?
— Bem, eu recebi um convite para o velório de seu pai. Do seu mordomo. O e-mail foi uma
surpresa, mas com certeza economiza o dinheiro postal, então eu gostei disso. De qualquer forma,
eu irei para a cidade, e se você e eu tivéssemos uma pequena aposta amigável em alguns Texas
Hold. Podemos jogar pelos grãos. Aqui está a coisa. A conta da sua família foi a primeira grande
que já tive. — Lenghe assentiu com a cabeça para Mack. — E seu pai é a razão pela qual eu obtive.
Peguei um ônibus até três estados, porque eu não tinha o dinheiro para um carro, e o Big Mack,
como o chamávamos, se encontrou comigo e nós acabamos com isso. Ele me deu um pedido de três
meses. Então, seis. Dentro de três anos, eu era o único fornecedor de milho e, mais tarde, coloquei a
cevada.
— Meu pai sempre o respeitou, — disse Mack.
— O sentimento era mútuo. De qualquer forma, — o homem retornou a Lane, — Eu acho que
devemos jogar por isso.
— Ainda não estou realmente seguindo.
O que não era exatamente verdade. Ele não estava na linha de frente de fazer bourbon, mas
ele também não era um novato total. Seis meses de grãos eram muito para se antecipar. E dado que
seu portfólio de ações era noventa e nove por cento da BBC e a empresa era tão saudável quanto um
asmático em um campo de feno... ele não tinha ideia de como ele poderia ganhar dinheiro suficiente
para comprar no jogo.
Lenghe encolheu os ombros novamente. — Vou lhes fornecer seis meses de milho, centeio e
cevada de graça, se você ganhar.
— E se eu perder?
— Então você tem que me pagar com o tempo.
Lane franziu a testa. — Olha, não quero falar com você de um acordo favorável para mim,

128
mas como isso é justo? Você está apenas obtendo o que eu teria oferecido de qualquer maneira.
— Um, eu adoro um desafio. Dois, meu instinto me diz que você encontrou um buraco
financeiro realmente, muito profundo. Você não precisa confirmar ou negar isso, mas não acho que
você possa me pagar agora ou no futuro próximo. E mesmo que eu me interesse por um seguro de
mil barris? Você vai precisar da venda deles para manter a Bradford Bourbon Company passando
por tudo isso, porque sem dinheiro para operações, você não obtém renda para fazer a folha de
pagamento ou suas contas a pagar aos seus fornecedores. É por isso que estou fazendo isso. Bem, e
há mais um motivo.
— Qual?
Lenghe encolheu os ombros. — Sua família, de fato, faz o melhor bourbon do planeta. Meu
patrimônio líquido está bem acima de um bilhão de dólares, então eu posso dar ao luxo de ajudar a
empresa que me fornece minha bebida favorita. — O homem inclinou-se novamente e sorriu. — E a
capacidade de fazer isso? É muito mais valiosa do que entrar em um clube. Confie em mim.

Gin entrou no jardim de inverno formal de Amdega Machin de Easterly e cheirou os


deliciosos jacintos e lindos lírios no ar denso e úmido. Através do espaço elevado e iluminado, entre
as camas de flores cultivadas e os rostos plácidos de espécimes de orquídeas, sua futura cunhada
tinha as mãos em uma pilha de sujeira e uma mancha do mesmo na bunda de seus shorts cáqui.
Lizzie também não tinha nenhuma maquiagem e seus cabelos amarrados com o que parecia uma
borracha.
Como um elástico. Isso foi feito de borracha.
Na verdade, essa jardineira seria uma parente em breve. Lane se casaria com a mulher, e Gin
supunha, considerando o quanto sua esposa, Chantal, não era nada, qualquer coisa que não fosse um
animal de fazenda seria uma melhoria.
— Você certamente está trabalhando.
Lizzie olhou por cima do ombro enquanto mantinha as mãos onde estavam sobre o pote. —
Oh, olá.
— Sim. — Gin limpou a garganta. — Quero dizer, olá.
— Você precisa de algo?
— Na verdade, eu preciso. Preciso que você faça as flores para o meu casamento e recepção.
Esperamos até o velório, então faremos o evento no sábado, depois de me casar no tribunal na
sexta-feira. Eu percebi que isso é pouco tempo, mas você pode apressar o pedido, certamente.
Lizzie escovou as palmas das mãos uma contra a outra, conseguindo apenas soltar a sujeira

129
antes de se virar para enfrenta-la. — Você falou com Lane sobre isso?
— Por que eu deveria? Esta é a minha casa. Minha recepção. Ele não é meu pai.
— Eu apenas pensei com todos os desafios financeiros...
— Marfim e pêssego para esquema de cores. E antes de me falar sobre o corte de custos,
mantenho a recepção pequena, apenas quatrocentos. Então teremos quarenta mesas no máximo no
jardim. Ah, falando sobre qual, você pode cuidar de encomendar mesas e cadeiras também?
Também uma tenda, talheres e copos. Eu realmente não confio no Sr. Harris. E deixarei Senhorita
Aurora lidar com os pedidos relacionadas com alimentos.
— Quem vai pagar por isso?
— Desculpe?
— Esse é um evento de setenta e cinco mil dólares. Porque, além de tudo isso, você precisará
garçons. Manobrista e ônibus. E a senhorita Aurora terá que ter ajuda na cozinha. Quem vai pagar
por isso?
Gin abriu a boca. E então lembrou que Rosalinda estava morta. Então, não havia nenhum
sentido mencionar o nome da administradora.
— Nós vamos pagar por isso. — Ela ergueu o queixo. — É assim que será coberto.
— Eu acho melhor você conversar com a Lane. — Lizzie levantou as palmas sujas. — E isso
é tudo o que vou dizer. Se ele acha que pode pagar tudo isso agora, ficarei feliz em fazer o que for
preciso para que isso aconteça.
Gin abriu a mão e inspecionou sua manicure. Sem lascas. Perfeitamente arrumadas.
Vermelho como sangue e brilhante.
— Você pode estar dormindo com meu irmão, querida, mas não vamos nos anteciparmos a
nós mesmos, não é? Você ainda é pessoal e, como tal, isso não é da sua conta, não é?
Sim, havia... problemas... mas certamente uma pequena reunião não ia quebrar o banco? E
era uma despesa necessária. Ela era uma Bradford, pelo amor de Deus.
Lizzie desviou o olhar, abaixando as sobrancelhas. Quando seus olhos voltaram para trás, ela
falou com uma voz suave. — Apenas para que as coisas fiquem claras entre você e eu, sim, eu
posso ser pessoal, mas não preciso do despertar que está vindo em sua direção. Estou bem ciente da
situação em que esta casa está, e se você se sentir melhor em jogar Downton Abbey comigo, tudo
bem. Mas não vai mudar a realidade de que sua “modesta” recepção de casamento é mais do que
você pode pagar agora. E não estou pedindo tanto quanto uma cabeça de dente-de-leão sem a
permissão do seu irmão.
Gin sentiu os ramos de sua extensa árvore genealógica endireitar sua coluna vertebral. —
Bem, eu nunca...

130
— Olá mãe.
O som dessa voz despreocupada era como a garra de um martelo batendo na parte de trás do
pescoço e Gin não se virou imediatamente. Ela se concentrou no painel de vidro na frente dela,
vendo quem havia vindo por trás. O rosto que se refletiu mudou desde que a viu em setembro
passado. A coloração era a mesma, e os longos e grossos cabelos morenos permaneciam exatamente
como os de Gin, e sim, a expressão era exatamente como se lembrava. Mas essas maçãs do rosto
pareciam mais altas, por causa do processo de amadurecimento ou porque Amelia havia perdido
algum peso.
Nunca é uma coisa ruim.
Gin girou. Sua filha estava usando jeans skinny que faziam com que as pernas parecessem
canudinhos de refrigerantes, uma blusa preta Chanel com colarinho branco e punhos e um par de
rasteirinhas Tory Burch.
Diga o que você quisesse sobre sua atitude, ela parecia diretamente para as ruas de Paris.
— Amelia. O que você está fazendo em casa?
— É bom ver você também.
Olhando por cima do ombro, Gin foi dizer a Lizzie para sair, mas a mulher já havia
desaparecido por uma das portas de vidro de trás do jardim, ao sair fechando com um clique
silencioso.
Por um momento, as imagens de Amelia crescendo bombardearam sua mente, substituindo o
aqui e agora com o então e depois. O passado não teve nenhuma melhoria no distanciamento atual,
no entanto, a distância que criou a atual hostilidade forjada nos anos de Gin se comportando como
uma irmã em vez de uma mãe.
Uma irmã ressentida.
Embora fosse muito mais complicado do que isso para ela.
No entanto, as coisas certamente foram mais tranquilas no final. Então, novamente, Amelia
foi enviada para Hotchkiss não apenas como uma maneira de promover sua educação, mas para
silenciar a tempestade que produzia toda vez que ela e Gin estavam no mesmo ambiente.
— Bem, é sempre adorável ter você em casa.
— É isso.
—... mas isso é uma surpresa. Eu não sabia que as férias de verão começaram cedo.
— Não começaram. Eu fui expulsa da escola. E antes que você tente dar uma de mãe comigo,
posso lembrá-la de que estou apenas seguindo o exemplo que você deu?
Gin olhou para o céu buscando força, e o que você sabe, enquanto ela estava no jardim de
inverno, o teto de vidro permitia que ela visse o céu azul e as nuvens muito acima.

131
Na verdade, a criação para os pais seria muito mais fácil se alguém definisse qualquer tipo de
padrão.
Criar com qualquer tipo de padrão positivo.
— Eu vou me instalar no meu quarto, — anunciou Amelia. — E então vou encontrar meus
amigos para jantar esta noite. Não se preocupe. Um deles tem vinte e cinco anos e tem uma Ferrari.
Estarei perfeitamente bem.

132
Capítulo 20

Após a reunião com Lenghe, Lane entrou em Easterly e não chegou longe. O Sr. Harris, o
mordomo, saiu da sala de jantar com uma bandeja nas mãos. Nela havia meia dúzia de objetos de
arte de prata esterlina, incluindo o prato de doces Cartier que estava na cauda curva de uma carpa
de cabeça para baixo.
Mas o inglês não o abordou para falar sobre seus planos de polimento.
— Oh, muito bem, senhor. Eu estava indo a sua procura. Você tem um visitante. O xerife
Ramsey está na cozinha.
— Sim, vi o veículo do xerife estacionado lá fora.
— Além disso, a notificação para o horário do velório foi enviada. O e-mail foi necessário
devido às nossas restrições de tempo. Eu preferiria o correio apropriado, é claro. As respostas já
começaram a chegar, no entanto, e acredito que você ficará satisfeito com a participação.
Três coisas passaram pela mente de Lane, uma após a outra: espero que os convidados não
comessem ou bebessem muito, se perguntou o que as pessoas diriam se fizessem um bar para
vender as bebidas, e, finalmente, Deus, ele nunca pensou em custos antes.
Quando ele percebeu que o mordomo o olhava com expectativa, Lane disse: — Me
desculpe, o que foi?
— Também houve uma nova chegada na casa.
O mordomo interrompeu as notícias, como se ele tivesse sido ofendido pela recessão
mental de Lane e forçasse a interação como retorno.
— Então, quem é? — O Grim Reaper? Não, espere. Bernie Madoff em um programa de
liberação de trabalho. Krampus, não, temporada errada.
— Senhorita Amelia voltou. Chegou de táxi cerca de dez minutos atrás com algumas de
suas malas. Eu tomei a liberdade de coloca-las em seu quarto.
Lane franziu a testa. — Já é férias de verão? Onde ela está?
— Eu acho que ela foi encontrar sua mãe.
— Então, a nuvem de tempestades deverá atingir o horizonte em breve. Obrigado, Sr.
Harris.
— O prazer é meu, senhor.

133
Por algum motivo, com a forma como o homem disse as palavras, eles sempre saíram
como “dane-se”. O que fez querer pegar a gravata preta de seu pescoço e...
Não, chega com os corpos mortos, mesmo no hipotético.
Lane corou em seu cérebro, atravessou o vestíbulo e entrou no salão que precedia a
entrada da cozinha. Quando chegou ao antigo escritório de Rosalinda Freeland, ele fez uma pausa e
rastreou o selo da polícia que permaneceu na porta.
O fato de que não era permitido lá parecia emblemático do que toda a sua vida se tornara.
Talvez Jeff estivesse certo. Talvez ele não pudesse manter uma tampa em tudo o que
estava caindo aos pedaços. Talvez o mundo não tenha corrido como se estivesse de volta no dia do
seu avô e até mesmo do pai, quando famílias como essas tinham o poder de se proteger.
E, honestamente, por que diabos ele estava arruinando os relacionamentos que lhe
interessavam pelas besteiras de seu pai?
— Olá senhor.
Lane olhou por cima. Uma mulher loira com um uniforme de empregada estava saindo da
lavanderia, uma longa e solta camada de algodão fino sobre o braço.
— É Tiphanii, — ela disse. — Com um ph e dois i.
— Sim, claro. Como você está?
— Estou cuidando bem seu amigo Jeff. Ele está trabalhando tão duro lá. — Houve uma
pausa. — Existe alguma coisa que eu possa fazer por você?
— Não, obrigado. — As capas de edredom limpas de lado, ela não tinha nada que ele
quisesse. Ou alguma vez quereria. — Mas tenho certeza que meu velho colega de quarto aprecia o
serviço pessoal.
— Bem, você me avisará, então.
Ao sair, ele pensou na primeira temporada da American Horror Story e na empregada que
às vezes era velha, às vezes jovem. Aquele foi definitivamente o último. As boas notícias? Pelo
menos não tinha dúvida de que Jeff teria uma chance de queimar algum estresse. E Tiphanii não era
um fantasma que iria pós-menopausa no cara em um momento estranho.
Cara, você é como seu pai.
— Não, eu não sou.
Quando Lane entrou na cozinha extensa, profissionalmente montada, ele cheirou
pãezinhos quentes e encontrou Senhorita Aurora e o oficial Ramsey sentados lado a lado em sua
bancada de granito, duas canecas de café e um prato desses pães entre eles. O oficial estava com o
bronzeado, e o uniforme marrom e dourado, uma arma no quadril, um rádio no ombro enorme.
Senhorita Aurora estava com um avental e calças azuis soltas.

134
Ela parecia mais magra desde que ele chegou aqui, Lane pensou sombriamente.
— Bom dia”, — Lane disse enquanto ele se aproximava e batia as palmas com Ramsey.
— Bom dia para você também.
— Há espaço para um terceiro?
— Sempre. — A senhorita Aurora empurrou uma caneca vazia para ele e se levantou para
pegar a café da máquina. — E eu vou deixar vocês dois.
— Fique, — Lane disse enquanto se sentava. — Por favor.
Deus, ele tinha esquecido quão grande era Ramsey. Lane tinha um saudável um e noventa.
Mas quando ele pegou o tamborete ao lado do cara, ele se sentiu como uma boneca Barbie.
— Então, o relatório da autópsia. — Mitch olhou para trás. — O dedo é do seu pai.
Definitivamente. Havia marcas de corte nos restos que correspondiam à pontuação no osso do que
foi encontrado em seu quintal.
— Ele foi assassinado, então. — Lane acenou um pouco com o café que estava derramado
na frente dele. — Porque você não faz isso com você mesmo.
— Você sabia que seu pai estava doente?
— Da cabeça? Sim, muito.
— Ele tinha câncer de pulmão.
Lane baixou lentamente a caneca. — O que?
— Seu pai sofria de um câncer de pulmão avançado que tinha metástase no cérebro. O
médico legista disse que ele tinha mais seis meses no máximo, e, em breve, isso afetaria seu
equilíbrio e habilidades motoras até certo ponto que ele não teria conseguido ocultá-la dos outros.
— Aqueles cigarros. — Olhou para a senhorita Aurora. — Todos esses malditos cigarros.
— Observe sua boca, — ela disse. — Mas eu sempre quis que ele parasse. Eu não fui
voluntária para o meu câncer. Não sei por que alguém quer esta doença.
Olhando para Ramsey, Lane perguntou: — Era possível que ele não soubesse? E quanto
tempo ele poderia tê-lo?
Não que seu pai tivesse deixado um centavo para ele com um relatório de saúde ou
qualquer coisa. Inferno, conhecendo o grande William Baldwine, o homem poderia acreditar que
ele poderia simplesmente fazer as coisas em remissão.
— Eu perguntei ao médico legista sobre isso. — Ramsey balançou a cabeça. — Ele disse
que seu pai provavelmente teria sintomas. Falta de ar. Dores de cabeça. Tontura. Seus restos não
indicaram que uma cirurgia tenha sido realizada e não houve uma porta torácica ou qualquer coisa,
mas isso não significava que ele não estivesse com quimioterapia ou não tivesse radiação. As
amostras de tecido foram enviadas, e um relatório de toxicologia, embora os resultados de tudo isso

135
levem algum tempo para ficar pronto.
Lane esfregou a cabeça. — Então, ele realmente poderia ter se matado. Se ele soubesse
que ele iria morrer, e ele não queria sofrer, ele poderia ter saltado daquela ponte.
Exceto o que diz respeito ao dedo? Esse anel? O fato de que, de todos os acres que
compunham a propriedade, de todos os lugares escondidos e óbvios, o objeto havia sido enterrado
logo abaixo da janela de sua mãe?
— Ou seu pai poderia ter sido jogado, — sugeriu Ramsey. — Só porque o homem estava
doente não significa que alguém não poderia assassiná-lo, e a água foi encontrada nos pulmões, o
que prova que ele estava vivo e fez pelo menos uma respiração profunda depois que ele bateu no
rio. — Ramsey olhou para Senhorita Aurora — Senhora, sinto muito falar sobre isso em termos tão
frios.
A mãe de Lane simplesmente encolheu os ombros. — É o que é.
Lane olhou para a senhorita Aurora. — Eu estive o tempo todo em Nova York. Você
notou algo... diferente nele?
Embora seja qual for a sua condição, ele ainda tinha um desejo sexual. Pelo menos de
acordo com Chantal e aquele bebê que ela estava carregando.
A mãe dele sacudiu a cabeça. — Eu não peguei nada de incomum. Ele viajou muito nos
últimos meses, mas isso sempre foi verdade. E você sabe, ele se manteve consigo mesmo. Ele ia e
vinha desta casa para o centro de negócios na primeira hora da manhã, e muitas vezes ele estava
atrasado chegando em casa. Meus aposentos ficam de frente para as garagens, então eu via seu
motorista finalmente estacionar seu carro à meia-noite, uma da manhã, ou pegá-lo caminhando de
volta de seu escritório. Então eu não sei.
Ramsey falou. — Com o dinheiro e as conexões de sua família, ele poderia ter ido a algum
lugar nos Estados para tratamento.
— O que o homicídio pensa? — perguntou Lane.
Ramsey sacudiu a cabeça para frente e para trás. — Eles estão inclinados para um jogo
sujo. Esse dedo é a chave. Isso muda tudo.
Lane ficou um pouco mais e conversou com eles. Então ele se desculpou de sua
companhia, colocou a caneca na pia e dirigiu as escadas da equipe para o segundo andar. Senhorita
Aurora e Ramsey conheciam-se desde que o oficial estava em fraldas, e ele frequentemente a
visitava quando ele estava fora do serviço. Então eles poderiam estar lá por um tempo ainda.
Câncer.
Então, seu pai estava ocupado matando-se com tabaco... até que alguém decidiu acelerar o
processo e colocar o PAGO em uma etiqueta de dedo.

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Inacreditável.
Como de costume, durante as horas da manhã depois que a família estava para cima e para
fora dos seus quartos, a equipe trabalhava nessa parte da casa, e ele podia sentir o cheiro dos
utensílios de limpeza para os banheiros, os chuveiros e as janelas, os cítricos artificiais e vagamente
aromas de hortelã que o fazia coçar o nariz.
Procedendo até o quarto de seu pai, sentiu-se errado de não bater antes de abrir a porta,
embora o homem estivesse morto. E entrar no interior do quarto silencioso, escuro, masculino
estava todo errado, que o fazia olhar por cima do ombro sem nenhuma boa razão.
Havia poucos objetos pessoais nas mesas e nas mesas de cabeceira, tudo na suíte, um
conjunto conscientemente organizado e mantido que anunciava: “Um homem rico e poderoso deita
sua cabeça aqui à noite”: dos cobertores e travesseiros personalizado, aos livros encadernados em
couro e aos tapetes orientais, às margens de janelas que estavam atualmente escondidas atrás de
cortinas de seda pesadas, você poderia estar no Ritz-Carlton em Nova York ou um lugar na
Inglaterra ou um castelo na Itália.
O banheiro era um mármore antiquado do chão ao teto e molduras misturadas com novos
encanamentos, o sofisticado banheiro embutido que ocupava a metade do quarto. Lane fez uma
pausa quando viu o robe personalizado de seu pai pendurado em um gancho de bronze. E então
havia o kit de barbear com sua escova manuseada de ouro e sua lâmina de borda reta. A tira de
couro para aprimorar a lâmina de prata. O copo de prata esterlina para água. A escova de dentes.
Havia duas pias de ouro separadas por uma milha de balcão de mármore, mas não era
como se sua mãe tivesse usado a pia. E, ao longo da extensão, havia um espelho com contorno de
ouro em seus painéis reflexivos.
Nenhum armário de remédios.
Lane se inclinou e começou a abrir gavetas. O primeiro tinha um monte de preservativos
nele, e não que o fez querer esmagar algo por tantos motivos. Em seguida, havia suprimentos como
sabão, cotonete, máquinas de barbear regulares. Do outro lado estavam escovas, pentes. Sob as pias
havia papel higiênico, caixas de lenço, garrafas de antisséptico bucal.
Em algum nível, parecia estranho que seu pai já tivesse usado essas coisas triviais. Como
qualquer outra pessoa que estava se preparando para o trabalho ou para a cama.
Na verdade, um mistério sempre cercou o homem, embora não um saudável. Mais uma
onda de Jack o Ripper enraizada em sua falta de comunicação, falta de relacionamento, falta de
calor.
Lane encontrou os medicamentos no armário estreito e alto perto da janela.
Havia seis frascos de pílula laranja, cada um com vários números de pílulas ou cápsulas

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neles. Ele não reconheceu o médico que prescreveu ou os nomes dos medicamentos, mas, tendo em
conta o número de avisos nos lados sobre não usar maquinaria pesada ou dirigindo durante os
mesmos, ele supôs que eles eram analgésicos ou relaxantes musculares... ou compostos muito sérios
que o deixou mais doente do que sua doença, pelo menos no curto prazo.
Pegando seu telefone, ele digitou o nome do médico.
Bem. O que você sabe.
O médico estava no MD Anderson Câncer Center em Houston.
Seu pai sabia que ele estava doente. E provavelmente que ele estava morrendo.

— Você foi expulsa? — perguntou Gin por todo o ar perfumado do jardim de inverno.
— Sim, — respondeu a filha.
Fantástico, pensou Gin.
No silêncio que se seguiu, ela tentou algumas versões da indignação de pais, imaginando
se ela a espancava com um sapato de salto alto ou talvez ia para a velha escola do dedo indicador.
Nenhum se encaixava. A única coisa que realmente parecia apropriada era conseguir Edward para
lidar com isso. Ele saberia o que fazer.
Mas não. Essa avenida foi interrompida.
No final, ela foi com: — Posso perguntar por que você foi convidada a deixar a escola?
— Por que você pensa. Eu sou sua filha depois de tudo.
Gin ergueu os olhos. — Bebendo? Ou você foi pego com um garoto?
Como Amelia simplesmente ergueu o queixo, as matemáticas somaram uma infração
ainda maior.
— Você dormiu com um de seus professores? Você está louca?
— Você fez. É por isso que você teve uma pausa da escola...
A porta da casa abriu e Lane apareceu como um farol para um marinheiro no mar.
— Adivinha quem está em casa da escola, — disse Gin secamente.
— Eu ouvi. Venha aqui, Ames. Faz algum tempo.
Quando a menina entrou nos braços de Lane e suas duas cabeças escuras juntaram-se, Gin
teve que desviar o olhar.
— Ela tem novidades, — murmurou Gin enquanto vagava e pegava nas folhas de
orquídeas. — Por que você não diz a ele?
— Eu fui expulsa.
— Por dormir com um professor. — Gin acenou uma mão. — De todos os legados para

138
viver.
Lane amaldiçoou e recuou. — Amelia.
— Oh, ele está usando seu nome verdadeiro. — Gin sorriu, pensando que Lane parecia um
pai. — Isso significa negócios. Existe alguém que podemos ligar para Hotchkiss, Lane? Certamente
podemos conversar sobre isso.
Lane esfregou o rosto. — Alguém aproveitou de você? Você foi ferida?
— Não, — disse a menina. — Não foi assim.
Gin falou. — Tem que haver uma maneira de recuperá-la.
— Não estão chegando as finais? — Lane interrompeu. — Você vai perder seus créditos?
Jesus Cristo, Ames, a sério. Este é um grande problema.
— Eu sinto muito.
— Sim, — murmurou Gin, — você parece sentir. Gostaria de um lenço? Isso ajudaria você
a desempenhar melhor o papel?
— Esse é um bom diamante em seu dedo, — disse Amelia. — Você vai se casar, eu acho?
— O dia depois do velório do seu avô aqui.
— Sim, bom de sua parte em me ligar e me avisar, mãe.
— O casamento não é importante.
— Concordo. Estou falando sobre a morte do meu avô. Meu próprio avô morreu e fico
sabendo sobre isso em um jornal.
Os olhos de Lane se aproximaram. — Você não ligou, Gin? Sério?
— Peço desculpas, mas ela é a única que foi expulsa da escola preparatória. E você está
me olhando como se eu tivesse feito algo errado?
— Eu posso ir à escola aqui em Charlemont, — interveio Amelia. — Charlemont Country
Day é uma boa escola, e eu posso morar aqui em casa...
— O que faz você pensar que eles vão te receber agora? — Gin perguntou.
— Nossa família dotou a expansão há cinco anos, — respondeu Amelia. — Como eles
não vão? E com quem você está se casando, mãe? Deixe-me adivinhar. Ele é rico e sem espinhas...
— Basta! — Lane falou. — Gin, ela é sua filha. Por uma vez na sua vida, você vai agir
assim? E, Amelia, este é um problema maior do que você percebe.
— Mas é corrigível, — disse a garota. — Tudo é corrigível nesta família, não é.
— Atualmente isso não é verdade. E é melhor você rezar para que você não aprenda essa
lição sobre esse engano particular.
Quando Lane foi embora, Gin pensou em sua recepção de casamento e gritou: — Espere,
você e eu temos algo para discutir.

139
— Eu não vou ligar para Charlemont Country Day. Você fará isso por ela. É hora de você
assumir.
Gin cruzou os braços sobre o peito e estremeceu quando um dos hematomas de Richard no
cotovelo soltou um grito. — Amélia, você seria tão gentil para se mover para o seu quarto? Ou
talvez para a piscina? Tenho certeza de que, com a ajuda da sua conta do Twitter, você pode passar
umas horas agradáveis informando seus amigos da natureza abominável do seu retorno à casa.
— Meu prazer, — disse Amelia. — É certamente melhor do que estar na sua companhia.
A menina não discutiu, ela se afastou, deixando uma onda de fragrância no ar juntamente
com seu desdém.
Era uma maravilha que elas não se entendessem melhor.
Quando a porta de acesso a casa se fechou, Gin apertou: — Talvez ela devesse esquecer a
escola e ir a Nova York para modelar. Ela terá mais sorte usando o rosto dela do que a boca se ela
estiver procurando avançar.
— Sua boca não a impediu, — disse Lane. — Mas não te fez bem. Olhe com quem você
está se casando, por exemplo.
— Richard é um dos homens mais ricos do estado, e ele pode ajudar nossos negócios.
— Você o odeia.
— Assim como todos os outros. Isso não é uma novidade, mas isso me leva ao problema.
Sua queridinha, Lizzie, disse que preciso da sua permissão para ter minha recepção aqui. Eu disse a
ela que não seria uma grande coisa, quatrocentos, no máximo...
— Espere, o que?
— Minha recepção de casamento. As licenças estão sendo emitidas amanhã, e vamos ao
tribunal na sexta-feira. Será um dia depois do velório do meu pai. A recepção será aqui no sábado,
apenas coquetéis no jardim de trás, seguido de um jantar...
— Gin.
— O que?
— Quem vai pagar por tudo isso?
— Nós vamos. Por quê?
Os olhos de Lane se estreitaram. — Nós não temos dinheiro, Gin. Os cheques irão voltar.
Você entende o que eu estou lhe dizendo? Não há dinheiro agora. Estou tentando resolver isso, mas
não me importo se são quatrocentos e quarenta pessoas, não podemos escrever cheques que não são
necessários.
— Estamos pagando o velório do Pai.
— E é isso. As festas acabaram, Gin. Os aviões privados. Inferno, os táxis estão fora de

140
questão. Não há mais roupas, bailes ou viagens. Tudo está parando. Você precisa entender isso.
Ela franziu a testa enquanto seguia um movimento bastante alarmante de seu coração. E
então ela sussurrou: — Eu acho difícil acreditar que você vai colocar o funeral de um homem que
você odeia, mas não me dá a recepção que eu mereço.
Lane a encarou por um momento. — Você sabe, Gin, serei completamente honesto aqui.
Eu sempre soube que você era uma narcisista autônoma, mas nunca pensei que você fosse estúpida.
— Desculpe?
— Se não convidamos a metade do mundo aqui para prestar os respeitos, haverá
conversas, e será verdade. Eu não podia me importar com a reputação desta família, mas o negócio
é a nossa única chance de sair dessa bagunça. Não há nada além de fumaça mantendo a BBC à tona.
Estou preocupado com o pagamento de salários, pelo amor de Deus. Se alguma coisa chegar à
imprensa sobre a reversão financeira, corremos o risco de os fornecedores entrarem em pânico e
chamar contas a pagar ou nos cortar. Os distribuidores podem se recusar. A união poderia ficar
irritada. Há muito mais para isso do que apenas uma festa maldita. As horas de velório são uma
aranha necessária. Sua recepção não é.
Gin colocou a mão na garganta e pensou em estar no Phantom Drophead naquele posto de
gasolina no River Road... e seus cartões de crédito não funcionavam. Mas quando isso aconteceu no
outro dia, foi porque o pai a interrompeu, não porque os fundos não estivessem disponíveis.
E então ela se lembrou de seu irmão com a má notícias sobre as finanças ruins depois que
ele a pegou na delegacia de polícia.
Ela ainda sacudiu a cabeça. — Você disse que havia uma dívida de cinquenta ou sessenta
milhões. Certamente há outros fundos em algum lugar
— A dívida acabou por triplicar. Que encontramos até agora. Os tempos mudaram, Gin.
— Ele se virou. — Você quer uma festa, peça seu novo marido para assinar o cheque. É uma
fichinha para ele, e é por isso que você está se casando com ele, afinal.
Gin ficou onde estava, observando a porta de vidro se fechar de novo.
No silêncio, uma estranha sensação de deslocamento a superou, e demorou um momento
para perceber que era algo com que ela se familiarizara sempre que Richard...
Oh Deus. Sentia que ia vomitar.
— Tudo vai ficar bem, — ela disse às plantas. — E Pford pode também começar a se
tornar útil agora.

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Capítulo 21

A vassoura beijava ao longo do corredor central do estábulo, empurrando os detritos à frente,


chutando uma fina névoa de partículas de feno. Enquanto Edward caminhava atrás de sua vassoura,
os focinhos das fêmeas reprodutoras saíam de baias de portas abertas, aspirando a sua camiseta,
batendo o cotovelo, soprando os cabelos. Umidade tinha explodido em sua testa e uma linha desceu
sua espinha na cintura solta do jeans. De vez em quando, ele parou e passou o antebraço sobre o
rosto. Falava com Joey, o filho de Moe, que estava tirando o estrume das baias. Deu um tapa em um
pescoço gracioso ou alisou uma crina ágil.
Ele podia sentir o álcool sair de seus poros, como se estivesse marinado nas coisas. E ainda
assim, enquanto ele estava trabalhando a bebida no seu corpo, ele teve que cuidar de uma garrafa de
vodca duas vezes, caso contrário, a agitação ia à frente dele.
— Você está trabalhando duro, — veio uma voz do outro lado.
Edward parou e tentou olhar por cima do ombro. Quando seu corpo não lhe permitia a
margem de manobra, ele arrasou, usando o punho da vassoura para alavancar.
Apertando um raio de luz do sol, ele disse: — Quem é?
— Eu sou detetive Merrimack. CMP.
Um estridente conjunto de passos desceu o concreto, e quando eles pararam na frente dele,
uma carteira foi aberta, e uma identificação e um crachá foram apresentados para inspeção.
— Eu estava pensando se eu poderia fazer algumas perguntas, — disse o detetive. — Assim
como uma formalidade.
Edward mudou o foco da exibição para o rosto que combinava com a fotografia laminada.
Merrimack era afro-americano, com cabelos curtos, um maxilar forte e mãos grandes que sugeriam
que ele poderia ter sido jogador de futebol ao mesmo tempo. Ele estava usando uma camisa polo
branca brilhante com a insígnia do Departamento de Polícia do Metro de Charlemont no peito, um
bom par de calças e um conjunto de sapatos de couro com solas de borracha que faziam Edward
pensar que, na ocasião, o cara tinha que perseguir alguém.
— Como posso ajudá-lo, detetive?
Merrimack guardou suas credenciais. — Você quer ir a algum lugar para se sentar enquanto
conversamos em particular?

142
— Aqui está bom o suficiente para mim. — Edward coxeou até um fardo de feno e deixou
seu peso cair das pernas. — Não há ninguém mais neste celeiro agora. E você pode virar esse balde
se quiser se sentar.
Merrimack sacudiu a cabeça. Sorriu. Olhou ao redor. — Esta é uma reprodução que você tem
aqui. Muitos cavalos bonitos.
— Você é um homem de apostas na pista?
— Apenas coisas pequenas. Nada como você, tenho certeza.
— Eu não aposto. Mais isso é.
— Nem mesmo em seus próprios cavalos?
— Especialmente não nos meus. Então o que posso fazer por você?
O detetive atravessou a baia cuja parte superior estava fechada. — Uau. Este é uma beleza...
Edward balançou a cabeça. — Eu não ficaria tão perto se eu fosse...
Nebekanzer abriu os dentes e pulou nas barras, e Merrimack voltou para trás, dançando
melhor do que Savion Glover.
Enquanto o homem se segurava em uma porta torta oposta, Edward disse: — Você não está
familiarizado com os cavalos, não é?
— Ah... não. — O homem endireitou-se e arrumou a camisa. — Não, eu não estou.
— Bem, quando você entra em um celeiro cheio de baias aberta e há uma, e apenas uma, está
completamente fechada? As chances são de que é por uma boa razão.
Merrimack balançou a cabeça para o grande garanhão, que estava movendo de um lado para
o outro como se quisesse sair e não era para apertar a mão de forma educada. — Diga-me que
ninguém monta essa coisa.
— Só eu. E não tenho nada a perder.
— Você? Você pode entrar numa sela na parte de trás desse cavalo.
— Ele é meu garanhão, não apenas um cavalo. E sim, posso. Quando eu penso em algo,
posso fazer isso acontecer mesmo neste corpo.
Merrimack foi reorientado. Sorriu novamente. — Você pode. Bem, isso deve estar ajudando
com sua recuperação. Eu leio sobre o seu...
— Férias infelizes? Sim, o que eu atravessei nunca vai aparecer no Trivago. Mas pelo menos
eu consegui os pontos frequentes para a viagem. Nada, porém, para o norte. Eles tiveram que
transportar o que restava de mim para uma base do exército, e então a Força Aérea me trouxe de
volta aos Estados Unidos.
— Não consigo imaginar o que foi isso.
— Sim, você pode. — Edward recostou-se no fardo de feno e reorganizou suas pernas. —

143
Então o que posso fazer por você?
— Espere, você disse que a Força Aérea o trouxe para casa?
— O embaixador na Colômbia é um amigo da minha família. Ele foi muito útil. Assim como,
o adjunto do xerife amigo meu em Charlemont.
— Seu pai providenciou a ajuda?
— Não ele não fez.
— Não?
Edward inclinou a cabeça. — Ele tinha outras prioridades na época. Você veio até Ogden
County apenas para me perguntar sobre meus cavalos? Ou é sobre meu pai?
Merrimack sorriu de novo, assim parecia que ele estava pensando, mas não queria parecer
ameaçador. — Isto é. Apenas algumas perguntas de fundo. Em situações como essa, gostamos de
começar com a família.
— Pergunte à vontade.
— Você pode descrever seu relacionamento com seu pai?
Edward moveu a vassoura entre os joelhos e bateu a alça para frente e para trás. — Foi frágil.
— Essa é uma grande palavra.
— Você precisa de uma definição?
— Não, eu não. — Merrimack tirou um bloco do bolso de trás e o abriu. — Então vocês não
eram próximos.
— Eu trabalhei com ele por vários anos. Mas eu não diria que a relação tradicional pai-filho
era uma que compartilhamos.
— Você era seu herdeiro aparente?
— Eu era no sentido comercial.
— Mas você não é mais.
— Ele está morto. Ele não tem qualquer “mais”, tem? E por que você não vai e me pergunta
se eu o matei e cortei seu dedo?
Outro daqueles sorrisos. E o que você sabe, o cara tinha bons dentes, tudo em linha reta e
branco, mas não de uma maneira falsa e cosmeticamente melhorada. — Tudo bem. Talvez você
gostaria de responder sua própria pergunta.
— Como posso matar alguém? Eu mal consigo varrer esse corredor.
Merrimack olhou para baixo e para trás. — Você acabou de me dizer que era tudo sobre
motivação para você.
— Você é um detetive de homicídios. Você deve estar bem ciente de quanto esforço leva
para assassinar alguém. Meu pai era um homem saudável e, na minha condição atual, ele pesava

144
cerca de 20 quilos a mais do que eu. Talvez eu não tenha gostado muito dele, mas isso não significa
que o patricídeo esteja na minha lista de prioridades na vida.
— Você pode me dizer onde você esteve na noite em que ele morreu?
— Eu estava aqui.
— Existe alguém que possa corroborar isso?
— Eu posso.
Shelby saiu da sala de abastecimento, sem se importar e calma como um Buda. Embora
estivesse mentindo.
— Olá, senhorita, — disse o detetive, caminhando e estendendo a palma da mão. — Eu sou
do Departamento de Polícia do Metro de Charlemont. E você é?
— Shelby Landis. — Ela apertou a mão e deu um passo atrás. — Eu trabalho aqui como uma
mão estável.
— Por quanto tempo?
— Não muito. Uma semana ou mais. Meu pai morreu e ele me disse para vir aqui.
Merrimack olhou para Edward. — E naquela noite, na noite em que seu pai morreu, vocês
dois foram...
— Só aqui, — disse Edward. — Sentado ao redor. Essa é a extensão das coisas para mim.
— Bem, tenho certeza de que isso é compreensível. — Sorriso. — Deixe me perguntar algo.
Que tipo de carro você dirige?
Edward encolheu os ombros. — Eu não, na verdade. Meu Porsche está em Easterly. É
transmissão manual, então não é realmente tão prático mais.
— Quando foi a última vez que você voltou para casa?
— Aquela não é mais minha casa. Eu moro aqui.
— Tudo bem, quando foi a última vez que você foi em Easterly?
Edward pensou quando ele e Lane entraram no centro de negócios para que esses registros
financeiros pudessem ver a luz do dia. Tecnicamente, não estava entrando, mas Edward certamente
não teria sido bem-vindo lá. E sim, ele havia roubado informações corporativas.
Então ele teve esse momento com a senhorita Aurora, a mulher envolvendo seus braços ao
redor dele e quebrando-o por dentro.
Muitas câmeras de segurança em Easterly. Fora e dentro da casa. Dentro do centro de
negócios.
— Eu estive lá alguns dias atrás. Para ver meu irmão Lane.
— E o que você fez enquanto esteve lá?
— Falei com ele. — Usou uma porta traseira na rede para extrair informações. Observou seu

145
pai fazer um acordo com Sutton. Depois que o desgraçado a paquerou. — Nós apenas conversamos.
— Hmm. — Sorriso. — Você pegou emprestado um dos outros carros? Quero dizer, sua
família tem muitos carros diferentes, não é?
— Não.
— Eles não? Porque quando eu estive lá ontem, vi um grande número de portas de garagem
na parte de trás. Em frente ao centro de negócios onde seu pai trabalhou.
— Não, como em eu não peguei nenhum dos outros carros.
— As chaves desses veículos estão na garagem, certo? Em um caixa com uma combinação.
— Eu acho.
— Você conhece a combinação, Sr. Baldwine?
— Se eu sabia, esqueci disso.
— Isso acontece. As pessoas esquecem códigos de passaporte e senhas o tempo todo, não é o
caso. Diga-me algo, você está ciente de alguém que possa ter rancor contra seu pai? Ou queria
prejudicá-lo? Talvez tivesse uma razão para se vingar dele?
— É uma longa lista.
— É?
— Meu pai tinha o hábito de não ser simpático com os outros.
— Você pode me dar exemplos específicos?
— Qualquer um com quem ele já lidou com um nível pessoal ou profissional. Assim.
— Fracasso, na verdade. Você disse que seu pai estava saudável, em comparação com você.
Mas você estava ciente de qualquer doença que ele poderia ter tido?
— Meu pai acreditava que homens reais não ficam doentes.
— Ok. — O bloco ficou fechado sem que o detetive tivesse escrito nada nele. — Bem, se
você pode pensar em algo que nos ajude, você pode me ligar aqui. Ou um de vocês.
Edward aceitou o cartão de visita que lhe foi oferecido. Havia um selo dourado no centro, o
mesmo que estava na camisa do detetive. E o nome de Merrimack e vários números e endereços
foram impressos em torno dele como se fosse o sol.
No fundo, havia a frase “Para proteger e servir” na escrita cursiva.
— Então, você acha que ele foi assassinado? — disse Edward.
— Você? — Merrimack deu um cartão para Shelby. — O que você acha, Sr. Baldwine?
— Eu não tenho uma opinião de um jeito ou de outro.
Ele queria perguntar se ele era um suspeito, mas ele já sabia dessa resposta. E Merrimack
estava mantendo suas cartas perto de seu peito.
Sorriso. — Bem. É um prazer conhecer vocês dois. Você sabe onde me encontrar, e eu sei

146
onde encontrar vocês.
— O prazer era todo meu.
Edward viu o detetive sair na luz do início da tarde. Então ele esperou um pouco mais
enquanto um carro de polícia não marcado prosseguiu pela linha principal e para a estrada além.
— Você não estava comigo, — murmurou Edward.
— Isso importa?
— Infelizmente... importa.

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Capítulo 22

Pelo menos o advogado de seu pai não estava atrasado.


Quando Lane verificou o seu relógio, quatro e quarenta e cinco em ponto quando o Sr. Harris
trouxe o venerável Babcock Jefferson para o salão principal de Easterly.
— Saudações, Sr. Jefferson, — Lane disse enquanto se levantava. — Bom que você veio.
— Lane. Minhas condolências.
O executor de William Baldwine estava vestido com um terno azul-marinho com uma
gravata vermelha e azul, e um lenço branco no bolso do peito. Ele era uma versão rica de sessenta e
poucos, de um bom garoto, suas bochechas salientes sobre o colarinho de sua camisa formal, o
cheiro dos charutos cubanos e o Bay Rum o antecedeu quando ele se aproximou para apertar a mão.
Samuel T. levantou do outro sofá. — Sr. Jefferson. Estou aqui na qualidade de advogado de
Lane.
— Samuel T. Como está seu pai?
— Muito bem.
— Dê-lhe as minhas saudações. E qualquer um é bem-vindo aqui a convite da família.
— Sr. Jefferson, — Lane falou. — Esta é minha noiva, Lizzie King.
E praticamente uma pausa atingiu todos na sala: Gin ergueu os olhos, Samuel T. sorriu e o
Sr. Jefferson curvou-se na cintura.
Lizzie, entretanto, lançou um olhar surpreso na direção de Lane e depois se recuperou
estendendo a mão para o executor e oferecendo ao cara um sorriso. — É uma coisa muito recente.
Por um momento, o Sr. Jefferson parecia positivamente afetado com ela, seus olhos
cintilando de maneira amigável.
— Bem, parabéns! — O Sr. Jefferson assentiu na direção de Lane e depois voltou a se
concentrar nela. — Eu diria que você é uma melhora, mas isso seria desrespeitoso para sua ex-Sra.
Você é, no entanto, uma grande melhoria.
Lizzie riu. — Você é encantador, não é?
— Até minhas botas de caça, senhora. — O Sr. Jefferson ficou mais sério quando olhou para
Lane. — Onde estão seus irmãos?
Lane voltou a sentar-se novamente ao lado de Lizzie. — Eu não sei em que estado Max está,

148
muito menos como alcançá-lo, e Edward está...
— Bem aqui.
Edward se materializou na arcada e, embora Lane o visse um dia ou dois, a aparência física
ainda era o tipo de coisa que você tinha que ajustar. Ele estava barbeado e se banhou, seu cabelo
escuro estava úmido e ondulado de uma maneira que nunca havia sido permitida nos anos
anteriores. Sua calça estava quase caindo dos quadris, mantidas apenas por um cinto de couro de
jacaré. Sua camisa era lisa e azul, uma sobra de seu guarda-roupa de negócios. Era tão solta, porém,
era como se ele fosse uma criança tentando vestir a roupa do pai.
E, no entanto, ele impunha o respeito enquanto ele mancava e se sentou em uma das
poltronas. — Sr. Jefferson. Bom te ver de novo. Desculpe minha grosseria, mas preciso me sentar.
— Eu vou até você, filho.
O executor colocou a maleta em uma das mesas laterais e caminhou. — É bom ver você
novamente.
Edward apertou a mão do homem. — Da mesma forma.
Não houve conversa depois disso. Edward nunca foi de muita conversa, e o Sr. Jefferson
pareceu lembrar disso.
— Há alguém que você convidou?
O reflexo de Lane foi esperar que Edward respondesse, mas então ele se lembrou de que ele
foi o único a juntar todos.
— Não. — Lane se levantou e fechou as portas que abriram no escritório. — Estamos
prontos.
Ele fechou as duas metades e foi fazer o mesmo no arco para o vestíbulo. Quando ele se
virou, ele ficou com o olhar de Lizzie. Ela estava sentada no sofá de seda em seu short e camisa
polo, seus cabelos loiros se afastaram, o rosto aberto.
Deus, ele a amava.
— Vamos fazer isso, — Lane ouviu-se dizer.

Edward empurrou as mãos, colocando os cotovelos nos braços acolchoados da cadeira. Do


outro lado do salão, no sofá de seda, seu irmãozinho estava aconchegante, com a horticultora,
Lizzie, e tinha que admitir, a facilidade com que os dois se sentavam lado a lado era indicativo de
uma conexão normalmente não encontrada nos casamentos Bradford: estava na forma como ele
casualmente arrumou um braço sobre os ombros. Como ela apoiou a mão no joelho dele. O fato de
eles terem contato visual entre si como se ambos estivessem verificando se o outro estava bem.

149
Ele desejava o bem para Lane. Ele realmente desejava.
Gin, por outro lado, estava em um relacionamento mais tradicional com seu futuro esposo.
Richard Pford não estava em nenhum lugar, e isso também foi bom. Ele poderia se casar com um da
família, mas isso era privado.
— Estamos aqui para a leitura da última vontade e testamento de William Wyatt Baldwine,
disse Babcock enquanto se sentava na outra poltrona e abriu a pasta no colo.
— A Mãe deve ser incluída? — Edward interveio.
O executor olhou para a metade superior de seu caso e disse suavemente: — Eu não acredito
que seja necessário incomodá-la. Seu pai estava principalmente interessado em prover sua prole.
— Mas é claro.
Babcock retomou a extração de um documento bastante volumoso. — O falecido envolvido
me contratou nos dez anos anteriores como seu advogado pessoal, e durante esse período, ele
executou três testamentos. Esta é a sua vontade final, executada há um ano. Nele, ele prevê que
todas as dívidas de natureza pessoal sejam pagas, juntamente com os impostos e honorários
profissionais adequados, em primeiro lugar. Posteriormente, ele criou uma confiança para a maior
parte de seus ativos. Essa confiança deve ser dividida igualmente a favor da Senhorita Virginia
Elizabeth Baldwine, do Sr. Jonathan Tulane Baldwine e do Sr. Maxwell Prentiss Baldwine.
Pausa.
Edward sorriu. — Eu entendo que meu nome foi omitido de propósito.
Babcock sacudiu a cabeça com gravidade. — Sinto muito, filho. Defendi que ele o incluísse,
eu fiz.
— Cortar-me de seu testamento é o fardo menos oneroso que o homem me coloca, eu lhe
asseguro. E, Lane, deixe de olhar para mim assim, sim.
Enquanto seu irmão mais novo afastou os olhos, Edward levantou-se e dirigiu-se para o
carrinho do bar. — Reserva Família, alguém quer?
— Para mim, — disse Lane.
— Eu aqui, — Samuel T. falou.
Gin permaneceu em silêncio, mas seus olhos também, observavam todos os seus movimentos
enquanto o advogado descrevia os detalhes em relação à confiança que havia sido estabelecida.
Samuel T. passou por seu copo e Lane, e então Edward estava de volta a poltrona em que ele estava.
Ele poderia dizer honestamente que não sentiu nada. Não há raiva. Sem nostalgia. Sem
desejo ardente de fechar a distância, reconectar, reconfirmar. Corrigir algo.
O desprendimento tinha sido duro, afiado por ele vivendo com as contradições do fogo do
ressentimento de seu pai e o congelamento do distanciamento do homem.

150
Isso não faria que os outros sentissem qualquer coisa, pelo menos, quando se tratava dele e
sua deserdação. Seu relacionamento com seu pai, como era, era o negócio apenas dos dois. Edward
não queria cuidar da simpatia dos outros, seu irmão e sua irmã precisavam ser tão frios quanto ele.
Um ano atrás, ele pensou.
Perguntava-se por que a mudança no testamento foi feita. Ou talvez ele nunca tenha sido
mencionado nas versões anteriores também.
— ... até os legados individuais. — Neste ponto, Babcock limpou a garganta. — Eu gostaria
de notar que houve um legado significativo no testamento para a Sra. Rosalinda Freeland, que já
morreu. A casa em que residia, na Cerise Circle 372 em Rolling Meadows, era de fato propriedade
do Sr. Baldwine, e era seu desejo que a propriedade fosse livre e clara para ela. No entanto, no caso
em que ela falecesse, o que de fato aconteceu, foi feita uma disposição adicional neste instrumento,
que esta residência, juntamente com a soma de dez milhões de dólares, seja dotada para o filho
Randolph Damion Freeland. Disse que os ativos devem ser depositados em um fideicomisso em
benefício dele até aos trinta anos de idade, comigo ou a minha pessoa designada como
administrador.
Silêncio.
O tipo de críquete.
Ah, então foi por isso que você não queria que minha mãe estivesse aqui, pensou Edward
para si mesmo.
Samuel T. cruzou os braços sobre o peito. — Bem.
E isso foi o bastante, mesmo que ninguém mais disse nada. Era claro, no entanto, que a ex
esposa de Lane não foi a única mulher que William tinha impregnado fora do casamento.
Talvez também houvesse outros filhos ou filhas no mundo.
Embora, verdadeiramente, a resposta para isso não importasse mais para Edward do que
qualquer tipo de herança. Ele veio aqui por uma razão diferente do testamento. Apenas tinha que
parecer como se ele tivesse chegado para o mesmo encontro pelo qual todos se reuniram.
Ele precisava dispor, como sua avó teria dito.

151
Capítulo 23

Quando o Sr. Jefferson percorreu os longos parágrafos do documento, Gin não estava focada
na leitura do testamento ou, na verdade, pelo fato de Edward ter sido cortado. Seu único
pensamento era que Amelia estava em casa... e Samuel T., enquanto se sentava lá, naquele sofá,
representando o interesse de Lane em uma atividade profissional... estava sob o mesmo teto que sua
própria filha.
Nenhum deles sabia disso, é claro.
E essa era Gin.
Ela tentou não imaginar os dois sentados lado a lado. Tentou não ver, como ela lembrava os
dois com uma especificidade que queimava sua memória, as características comuns, os movimentos
semelhantes, o estreitamento do olho quando estavam concentrados. Ela também desviou
especialmente o fato de que os dois escondiam sua formidável inteligência por trás de uma
sociabilidade lacônica... como se fosse algo sobre o qual eles não queriam ser vistosos demais.
— E isso conclui as disposições salientes. — O Sr. Jefferson tirou os óculos de leitura. —
Gostaria de aproveitar esta oportunidade para responder quaisquer perguntas. O testamento está em
inventário no momento, e uma totalização dos ativos está começando.
Houve um silêncio. E então Lane falou. — Eu acredito que você disse tudo. Eu vou sair com
você. Samuel T., junte-se a nós?
Gin abaixou a cabeça e só então deixou seus olhos seguir Samuel T. enquanto ele se levantou
e abriu as portas duplas para seu cliente e o executor de seu pai. Ele não olhou de volta para ela.
Não a cumprimentou nem a olhou.
Mas isso era um negócio.
Uma coisa com a qual você sempre poderia contar com Samuel T., não importava quão
selvagem e louco pudesse ser depois do trabalho, assim que ele colocava o chapéu do advogado, ele
era inabalável.
Ela literalmente não existia. Mais do que qualquer outra pessoa que não afetasse os interesses
de seus clientes.
E, normalmente, essa atitude indiscutivelmente irritável a irritava e fazia com que ela
quisesse bater na sua cara e exigir atenção. Saber que Amélia estava em algum lugar na mansão a

152
curava de qualquer imaturidade, no entanto.
Com eles em tão perto na vizinhança, era impossível ignorar as implicações de sua falta de
divulgação. Ela era uma criminosa, roubando-os de anos que eram lhes devido, roubando-os de
conhecimento que era seus direitos. E pela primeira vez, sentiu uma culpa que era tão finamente
afiada que tinha certeza de que estava sangrando internamente.
Mas a ideia de sair com tudo isso? Essa era uma montanha insuperável de onde ela estava
agora, a distância, a altura, o território rochoso que todos os dias e noites de ausência, e eventos
pequenos e grandes, somados, era muito longe para viajar.
Sim, pensou. Foi por isso que ela causou o drama, essa foi a raiz de suas escapadas. Se
alguém batesse címbalos diretamente na frente do seu rosto... não se podia ouvir mais nada.
Especialmente a consciência de alguém.
Sua consciência.
— Como você está?
Agarrando a atenção, ela olhou para seu irmão Edward e teve que piscar as lágrimas ao vê-lo.
— Não, não, nada disso, — ele disse rigidamente.
Ainda bem que ele pensou que ele era a causa. — Mas é claro. — Ela fechou os olhos. —
Edward... você está...
Não estava bem, pensou enquanto deixava passar os próprios problemas.
E Deus, vê-lo encurvado e magro, tão diferente do chefe da família como ela sempre o
imaginou, era uma recalibração que ela não desejava fazer. Foi tão estranho. Nas formas que
importam, era mais fácil perder o pai do que a encarnação que seu irmão que sempre foi.
— Estou bem, — ele completou quando ela não conseguiu completar a frase. — E você?
Caindo aos pedaços, pensou para si mesma. Sou a fortuna da nossa família, desmoronando
primeiro em privado... e então para todos verem.
— Estou bem. — Ela bateu a mão dela. — Nos escute. Soamos como nossos pais.
Ela saiu da cadeira e o abraçou, e não conseguiu se segurar enquanto sentia os ossos e não
muito mais. Ele deu uma pancada estranha antes de dar um passo atrás.
— Eu entendo que há felicitações em ordem. — Ele se curvou com força. — Vou tentar vir
ao casamento. Quando é?
— Ah... sexta-feira. Não, sábado. Eu não sei. No entanto, nos casamos no tribunal na sexta-
feira. Não tenho certeza sobre uma recepção.
Abruptamente, era a última coisa que tinha algum interesse para ela.
— Sexta-feira. — Ele assentiu. — Bem, meus cumprimentos para você e seu noivo.
Com isso, ele se afastou, e ela quase saltou à frente dele e exigiu que ele dissesse o que ele

153
realmente pensava: Seu verdadeiro irmão, Edward, nunca teria sido tão compassivo com Richard.
Edward tinha feito negócios com os distribuidores Pford por anos e nunca ficou impressionado com
o homem.
E se o velho Edward soubesse o que acontecia atrás de portas fechadas?
Ele teria sido um assassino.
Mas ele evoluiu para um lugar diferente, mesmo quando parecia determinado a permanecer
no caminho. Nem foi uma melhoria, foi.
Deixada na sala sozinha, Gin se sentou de novo e ficou onde estava, uma paralisia estranha
ultrapassando seu corpo. Enquanto isso, as várias vozes e pisadas se afastaram. E então, fora do
gramado ao sol, não muito longe de onde aquela descoberta horrível havia sido feita no canteiro de
hera, os dois advogados e seu irmão caíram em uma conversa.
Ela olhou para Samuel T. através do copo borbulhante da janela à moda antiga. Seu rosto
nunca pareceu mudar. Era tão cinzelado e perfeitamente formado como sempre, seus cabelos eram
um pouco longo do lado e escovados atrás. Seu corpo longo e magro, carregava aquele terno feito à
mão como um cabide, as dobras do tecido, as mangas, os punhos das pernas das calças, caindo
exatamente como um alfa.
Pensou nele na adega do porão, fodendo aquela garota na mesa no Derby Brunch. Gin já
estava chorando quando ele se afastou e levou a mulher de uma forma que tinha feito o som bimba
como uma estrela pornô.
Passando pela história do seu relacionamento com Samuel T., era apenas mais um em uma
longa lista de eventos desagradável para lembrar... que começou no primeiro beijo quando tinha
quatorze anos e culminou em Amelia.
O problema foi, no entanto, quando eles pararam as brigas, o conflito, as imitações de preda-
no-sapato, chute-no-traseiro, ele poderia ser...
Apenas o homem mais incrível, inacreditável, dinâmico e vivo que já conheceu.
E no passado, ela teria dito que seu casamento não os teria impedido de estar juntos. O deles
sempre foi um caso de amor que foi como uma interseção ruim sem semáforo, o colapso uma e
outra vez, faíscas, o cheiro de gasolina, queimaduras, emaranhados de metal e borracha em todos os
lugares. Eles eram vidro de segurança rebentado na rede de aranha de rachaduras, bolsas de ar
empilhadas, os pneus apareciam e caíam.
Mas a corrida logo antes do impacto? Não havia nada parecido no mundo, especialmente não
com uma beleza entediada e subutilizada do sul como ela, e nunca importava se um ou outro
estivesse com outra pessoa. Namoradas, namorados, amantes sérios, encontro sexual. O constante
para ambos era o outro.

154
Ela viu o olhar em seu rosto quando ele descobriu sobre o seu noivado, no entanto. Ele nunca
a olhou assim antes, e essa expressão era o que ela via enquanto ela estava acordada à noite...
— Diamante excelente, ele te pegou.
Ela empurrou a cabeça para cima. Samuel T. estava encostado na arcada, os braços cruzados
sobre o peito, as pálpebras baixas nos olhos, a boca apertada, como se ele ressentia o fato de que ela
ainda estava na sala.
Gin afastou o anel da vista e limpou a garganta. — Não poderia ficar longe, Advogado?
Como provocações, foram um fracasso. A entrega suave apenas acabou de matar a ironia
completamente.
— Não fique lisonjeada, — ele disse quando entrou e se dirigiu para o sofá. — Eu deixei
minha pasta. Não vim para te ver.
Ela se preparou para essa velha e familiar onda de raiva, aguardava com expectativa, de fato,
mesmo que por sua familiaridade. A onda corrosiva em seu intestino não se aglomerou, no entanto,
em vez disso, como um convidado de jantar que grosseiramente não apareceu e, assim, desapontou
sua anfitriã. Samuel T., por outro lado, estava jogando com suas velhas regras, cutucando, irritando,
com uma vantagem que parecia cada vez mais nítida.
— Por favor, não venha à recepção de casamento, — ela disse abruptamente.
Ele se endireitou com aquela antiga maleta herdada de seu tio-avô na mão. — Oh, mas estou
ansioso para te assistir com seu verdadeiro amor. Planejo me inspirar em seu exemplo amoroso.
— Não há motivo para você vir.
— Oh, nós diferimos sobre isso...
— O que aconteceu? Acabou?
Amélia explodiu na arcada, toda a energia de dezesseis anos nesse corpo e com essa sensação
de estilo que já não era mais adolescente e as características que pareciam ser cada vez mais as de
seu pai.
Oh, Deus, pensou Gin com uma sacudida de dor.
— Oh, olá, — Samuel T. disse à menina com um tom entediado. — Vou deixar sua mãe
preencher as informações. Ela está se sentindo tão discursiva. Estou ansioso para ver você em
alguns dias, Gin. No seu vestido branco.
Quando ele simplesmente se afastou, sem dar uma olhada nem um pensamento a Amelia, Gin
ficou de pé e começou a ir atrás dele antes que ela pudesse se parar.
— Mãe, — a garota exigiu enquanto passava. — O que aconteceu?
— Não é da sua conta. Você não é uma beneficiária. Agora, se você me desculpar.
Amelia disse algo desrespeitoso, mas Gin estava focada em chegar a Samuel T. antes de

155
acelerar naquele Jaguar.
— Samuel T. — Gin sibilou enquanto corria pelo chão de mármore do vestíbulo. — Samuel!
Ela o seguiu pela porta da frente apenas a tempo de ver o executor de seu pai sair em uma
Mercedes grande e Lane, andar pela parte de trás da casa.
— Samuel!
— Sim, — ele disse sem parar ou olhar para trás.
— Você não precisa ser rude.
Em seu conversível, Samuel T. ficou atrás do volante, colocou a maleta no banco vazio e
olhou para ela. — Isso vem de você?
— Ela é uma criança...
— Espere, trata-se de Amelia?
— Claro que é! Você passou por ela como se ela não existisse.
Samuel T. balançou a cabeça como se alguma coisa estivesse chocalhando no crânio. —
Deixe-me ver se entendi. Você está chateada porque não reconheci a filha que você teve com outro
homem?
Oh. Deus. — Ela é inocente em tudo isso.
— Inocente? Para sua informação, essa foi a leitura do testamento do seu avô, não um
processo criminal. A culpa ou a relativa falta do mesmo não é relevante.
— Você a ignorou.
— Você sabe... — Ele bateu o dedo indicador em sua direção. — Pelo que entendi, você é a
última pessoa que deveria acusar alguém de ignorar aquela garota.
— Como você ousa.
Samuel T. olhou para o longo e ondulado capô da Jaguar. — Gin, não tenho tempo para isso.
Eu tenho que falar com o advogado da esposa do seu irmão agora mesmo, e isso, ao contrário da
sua pequena exibição de...
— Você simplesmente não aguenta ninguém dizendo que você não é Deus.
— Não, acho que não posso suportar você, na verdade. A coisa de Deus é uma questão
secundária.
Ele não esperou qualquer outro comentário dela. Ele ligou o motor, pisou no acelerador
algumas vezes para se certificar de que ele pegou, e então ele estava fora, seguindo o caminho pelo
qual o executor tinha forjado na colina, longe de Easterly.
Gin olhou para ele indo. Dentro de si mesma, ela estava gritando.
Por Amelia. Por Samuel T. Por Richard.
Principalmente... por si mesma e todos os erros que cometeu. E a tristeza que veio com o

156
conhecimento de que na idade madura dos trinta e três anos, não havia tempo suficiente na vida
para corrigir os erros que ela havia causado.

Lane passou pelos fundos, esperando pegar Edward antes de partir. Sem dúvida, seu irmão
havia pegado o caminho dos funcionários porque havia equipes de notícias estacionadas no portão
da frente desde que a história do suicídio havia se noticiado. E também, sem dúvida, Edward estava
com pressa para sair considerando o que havia no testamento.
Não havia palavras adequadas para o que seu pai tinha feito: cortar seu primogênito de uma
herança era ao mesmo tempo totalmente característico para William, e ainda uma surpresa cruel
também.
Um final foda-se que não poderia ser combatido, os mortos carregando um trunfo no seu
túmulo.
Então Lane queria... dizer algo... ou verificar ou... ele não tinha ideia. O que estava claro era
que Edward, sem dúvida, não se interessaria por qualquer coisa que ele tivesse a dizer, mas na
ocasião, você só tinha que tentar, com a esperança de que a outra pessoa, em um momento de
reflexão silenciosa, possa lembrar que você tinha feito o esforço, mesmo que fosse estranho.
Não havia nenhum caminhão Red & Black na linha curta de carros pelo centro de negócios,
mas Lane achou um antigo Toyota estacionado ao lado do Mercedes vermelho que ele havia dado a
Senhorita Aurora. Tinha que ser o que Edward tinha vindo, mas seu irmão não estava atrás do
volante, não estava mancando em sua direção. Na verdade, não estava em nenhum lugar.
Entrando pela porta traseira para a cozinha, Lane encontrou Senhorita Aurora no fogão. —
Você viu Edward?
— Ele está aqui? — ela perguntou quando ela se virou da panela. — Diga-lhe para vir me ver
se ele estiver aqui.
— Não sei onde ele está.
Lane fez uma rápida pesquisa ao redor do primeiro andar e depois parou na escada. Não
havia motivo para seu irmão se preocupar com o esforço de ir até os quartos.
— Onde você está? — disse para si mesmo.
Dirigindo-se aos jardins, ele atravessou o centro de negócios. Todas as portas francesas
estavam trancadas no lado de frente para as flores, e ele tinha que ter ido mais adiante para a entrada
traseira com sua fechadura codificada.
Assim que ele entrou, ele sabia que havia encontrado Edward: havia luzes acesas novamente,
então seu irmão devia ter ligado a energia elétrica.

157
— Edward?
Lane caminhou pelo salão acarpetado, olhando para os escritórios vazios. Seu telefone estava
explodindo com as chamadas do presidente do conselho, cada um dos vice-presidentes seniores
irritados e até mesmo o advogado corporativo. Mas nenhum deles se atreveu a se aproximar de
Easterly, e isso lhe disse que tinha algo sobre eles. E mesmo que esse bando de terno estivesse
ocupado desaparecendo com provas da sede central? Não importava. Jeff pode não gostar dele no
momento, mas aquele analista de números anuais salvou arquivos de tudo o que tinha na rede antes
que a denúncia fosse exposta.
Assim, todas as mudanças eram tão incriminadoras como os desfalques que exigiam um
encobrimento.
Quando Lane seguiu para o escritório de seu pai, ele estava ciente de que seu coração estava
batendo e que sua mente havia recuado atrás de uma parede de armadura.
Assim como alguém que estava pronto para uma bomba explodir pode se proteger atrás do
cimento.
— Edward?
Ele desacelerou quando chegou à antessala do escritório de seu pai. — Edward...?
A porta de William Baldwine estava fechada, e Lane não conseguia lembrar se ele tinha sido
o único a fechá-la quando eles fizeram a evacuação no dia anterior. Quando ele alcançou o botão,
ele não tinha ideia do que ele iria encontrar no outro lado.
E ele não tinha certeza de que ele queria ver.
Ele empurrou os painéis. — Edward...
O escritório estava escuro, e quando ele apertou o interruptor de luz na parede, ninguém
estava lá. — Onde diabos está...
Quando ele se virou, Edward estava logo atrás dele. — Procurando por mim?
Lane soltou uma maldição e agarrou a frente de seu próprio peito. — O que você está
fazendo aqui?
— Visitando as minhas velhas assombrações.
Lane procurou por coisas nas mãos do irmão, nos bolsos, atrás das costas de Edward. — A
sério. O que você está fazendo?
— Onde é a gerência sênior?
— Abaixo da sede em escritórios menores.
— Você os despediu?
— Eu lhes disse apenas para sair primeiro. — Ele mediu o rosto de seu irmão. — Ou eles
estavam indo para a cadeia.

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Edward sorriu. — Você vai dirigir a empresa você mesmo?
— Não.
Houve uma pausa. — Qual é o seu plano, então?
— Tudo o que eu queria fazer era tirá-los daqui.
— E você acha que isso vai parar o sangramento financeiro?
— O pai está morto. Eu acho que é isso que irá detê-lo. Mas até que eu saiba com certeza,
não vou correr riscos.
Edward assentiu. — Bem, você não está errado. De modo nenhum. Mas você pode querer
pensar sobre quem estará no comando agora que ele está morto.
— Alguma chance de você estar procurando um emprego?
— Eu tenho um. Sou alcoólatra agora.
Lane encarou o ombro de seu irmão na área de recepção vazia. — Edward. Eu tenho que
saber uma coisa, e é só você e eu aqui, ok?
— Na verdade, esse lugar inteiro é inspecionado. Câmeras, microfones escondidos. Não há
nenhum segredo sob este teto, então tenha cuidado com o que você pergunta.
Lane encontrou-se querendo outra bebida.
E depois de um momento tenso, ele simplesmente murmurou: — Você virá ao velório?
— Eu não sei por que eu faria isso. Não estou de luto e não tenho a intenção de prestar
nenhum respeito. Sem ofensa.
— Não me ofende, e posso entender tudo isso. Mas a mãe provavelmente descerá para isso.
— Você acha?
Lane assentiu e esperou por seu irmão dizer algo mais. O homem não disse. — Escute,
Edward... realmente sinto muito por...
— Nada. Você não sente nada porque nada disso, nada disso foi sua culpa. Você só pode
pedir desculpas pelos seus próprios erros. É isso tudo, irmãozinho?
Quando Lane não conseguiu pensar em mais nada, Edward assentiu. — Isso é tudo, então.
Tome cuidado e não me ligue se precisar de algo. Eu não sou o tipo de recurso que você deseja.

159
Capítulo 24

O Porsche chamou muita atenção enquanto Lane dirigia no bairro de Rolling Meadows, mas
não porque ele estava indo rápido. Apenas a visão do conversível e do som do motor eram
suficientes para atrair olhares dos caminhantes de cães, as crianças brincando nas calçadas, as mães
empurrando os carrinhos de criança. As casas eram amontoadas, mas eram de bom tamanho, a
maioria delas de tijolos com cúpulas ou janelas de sacada no primeiro andar e janelas sobre o
telhado ou varandas no segundo para distingui-las, um pouco como irmãos que compartilhavam a
mesma coloração, mas tinham diferentes características faciais. Havia Volvos ou Infinitis ou Acuras
estacionados em calçadas, arcos de basquete acima das portas da garagem, decks com
churrasqueiras na parte de trás.
Com o sol da tarde brilhando sobre árvores dignas de cartão postal, e todos os gramados
verde, e todos aquele bando de crianças correndo, foi um retrocesso diante da geração iChildhood.
Com insistência silenciosa, o GPS no 911 o navegou através das ruas que foram organizadas
por tipos de árvores, flores e, finalmente, frutas.
Cerise Circle não era diferente de nenhuma das outras pistas, estradas e caminhos do
desenvolvimento. E quando ele veio até a casa em que ele estava procurando, não havia nada para
distingui-la do seu grupo genético maior.
Lane deixou o conversível rolar para frente do outro lado da rua. Com a parte superior, ele
podia ouvir o drible rítmico de uma bola de basquete atrás de sua garagem, o salto-salto-rebote
ecoando da casa ao lado.
Desligando o motor, ele saiu e caminhou sobre o pavimento em direção ao som. O garoto que
era LeBron'ing19 estava fora de vista nos fundos, e Lane realmente queria apenas voltar ao seu
maldito carro e fugir.
Mas isso não era porque ele não conseguia enfrentar as evidências vivas e respiratórias das
infidelidades de seu pai, e ele não tinha medo de olhar para um rosto tão próximo do seu também. E
não, o fato de que algum estranho era seu sangue e estava no testamento não balançou seu mundo.
A verdade de fundo para a sua reticência? ele estava simplesmente muito exausto para cuidar
de qualquer outra pessoa. O problema era que esta pobre criança, sem culpa, estava prestes a ser

19
Referência a James Lebron jogador de basquete.

160
sugado para o buraco negro Bradford e como Lane não poderia, pelo menos, tentar orientá-lo um
pouco sobre o filho da puta.
Era uma loteria infernal para ganhar. Especialmente agora que o dinheiro havia desaparecido.
Não é muito positivo.
A calçada tinha apenas cerca de nove metros de comprimento, um mero espaço de
estacionamento em Easterly. E enquanto Lane continuava a andar, o menino de dezoito anos com o
basquete foi revelado gradualmente.
Alto. Ficaria mais alto. Cabelos escuros. Com grandes ombros já.
O garoto subiu para uma enterrada, e a bola ricochetou a borda.
Lane a pegou no ar. — Ei.
Randolph Damion Freeland parou primeiro porque ficou surpreso. E então porque ficou
chocado.
— Então, você sabe quem eu sou, então, — Lane disse suavemente.
— Eu vi sua foto, sim.
— Você sabe por que estou aqui?
Quando a criança cruzou os braços sobre o peito, havia um bom espaço entre os peitorais e os
bíceps, mas isso não duraria muito mais. Ele ia preencher e ser forte.
Deus, seus olhos eram o azul exato dos dele.
— Ele morreu, — o menino murmurou. — Eu li sobre isso.
— Então você sabe…
— Quem era meu pai? Sim. — Esse olhar baixou. — Você vai, como...
— Como o quê?
— Me levar preso ou algo assim?
— O que? Porque eu faria isso?
— Não sei. Você é um Bradford.
Lane fechou os olhos brevemente. — Não, eu vim te ver sobre algo importante. E também
para dizer que sinto muito, pela morte de mãe.
— Ela se matou. Na sua casa.
— Eu sei.
— Eles dizem que você encontrou seu corpo. Eu li isso no jornal.
— Eu encontrei.
— Ela não se despediu de mim. Ela simplesmente saiu naquela manhã e então ela se foi.
Você sabe, como, permanentemente.
Lane balançou a cabeça e apertou a bola entre as palmas das mãos. — Eu realmente sinto

161
muito...
— Não se atreva! Não se atreva!
Uma mulher mais velha disparou para a varanda com uma cabeça cheia de vapor, o rosto
torcido no tipo de raiva que fazia uma arma de mão desnecessária. — Você se afasta dele! Você se
afasta ...
— Vovó, pare! Ele está apenas conversando...
Quando a criança entrou entre eles, a avó era todo braços, lutando para chegar em Lane. —
Você fica longe! Como você ousa vir aqui?
— Ele é um herdeiro. É por isso que eu vim.
Quando os dois pararam em sua luta, Lane assentiu. — Ele ficou com casa e dez milhões de
dólares. Achei que você gostaria de saber. O executor estará em contato. Não sei quanto dinheiro
há, mas eu quero que vocês dois saibam que vou lutar para garantir que esta casa fique no nome do
seu neto.
Afinal, havia um cenário pelo qual, também, poderia ser liquidado, dependendo da situação
da dívida. E então, onde essa criança ia?
Quando a avó sorriu de sua surpresa, ela voltou ao trem do ódio. — Nunca mais venha aqui.
Lane trancou os olhos com o menino. — Você sabe onde eu moro. Se você tiver dúvidas, se
quiser conversar...
— Nunca! — Gritou a mulher. — Ele nunca irá até você! Você também não pode levá-lo!
— Babcock Jefferson, — Lane disse enquanto colocava a bola no caminho de entrada. —
Esse é o nome do advogado.
Ao se afastar, a imagem desse jovem garoto que segurava aquela velha estava esculpida em
seu cérebro, e Deus, ele odiava seu pai por novos motivos naquele momento, ele realmente odiava.
De volta ao Porsche, ele ficou atrás do volante e dirigiu. Ele queria gritar, bater um par de
carros estacionados, rolar algumas bicicletas. Mas ele não fez isso.
Ele estava saindo para a entrada do desenvolvimento quando o telefone tocou. Ele não
reconheceu o número, mas ele respondeu porque mesmo um telemarketing era melhor do que os
pensamentos em sua cabeça.
— Sim?
— Sr. Baldwine? — disse uma voz feminina. — Sr. Lane Baldwine?
Ele deu seta para a esquerda. — É ele.
— Meu nome é LaKeesha Locke. Eu sou a repórter de negócios para o Charlemont Courier
Journal. Eu queria saber se você e eu podemos encontrar em algum lugar.
— Sobre o que?

162
— Estou fazendo uma história de que a Bradford Bourbon Company está com séria dívida e
enfrenta uma possível falência. Está saindo amanhã de manhã. Eu pensei que você poderia querer
comentar.
Lane apertou o queixo para manter as maldições dentro. — Agora, por que eu ia querer fazer
isso?
— Bem, eu entendo, e é bem evidente, que a fortuna pessoal da sua família está
inextricavelmente ligada à empresa, não é?
— Mas eu não estou envolvido no funcionamento do negócio.
— Então você está dizendo que você desconhecia qualquer dificuldade?
Lane manteve seu nível de voz. — Onde está você? Eu irei até você.

O galpão de propriedade da Estância da Família Bradford era menos como um galpão e mais
como um hangar de avião. Localizado abaixo e na parte de trás da extensa propriedade, estava ao
lado do estacionamento dos funcionários e ao lado da linha de casas da década de cinquenta que
foram usadas por criados, trabalhadores e partidários por décadas.
Quando Lizzie entrou na caverna fumegante e com cheiro de óleo, suas botas estavam
ruidosas sobre chão de concreto manchado. Tratores, cortadores industriais, caminhões e
limpadores de neve foram estacionados de forma ordenada, os seus exteriores limpos e os motores
mantidos dentro de uma polegada de suas vidas.
— Gary? Você está aí?
O escritório do encarregado estava no canto mais distante, e através do vidro empoeirado,
uma luz brilhava.
— Gary?
— Não lá. Ou aqui.
Ela mudou a trajetória, andando em torno de um cortador de madeira e dois limpadores de
neve que eram do tamanho de seu velho Yaris.
— Oh, Deus, não levante isso! — ela gritou.
Lizzie se apressou, apenas para ser ignorada quando Gary McAdams levantou parte de um
bloco de motor do chão e para uma das mesas de trabalho. A façanha teria sido impressionante em
qualquer circunstância, mas considerando o cara tinha trinta anos mais que ela? Então, novamente,
Gary foi construído como um buldogue, forte como um boi, e resistente como um poste de cerca do
Kentucky.
— Suas costas, — ela murmurou.

163
— Está bem, — veio o sotaque do sul. — O que você precisa, senhorita Lizzie?
Ele não olhou para ela, mas isso não significava que ele não gostasse dela. Na verdade, os
dois funcionavam bem juntos: quando ela começou aqui, ela se preparou para um conflito que
nunca se materializou. O caipira auto proclamado provou ser um amor total sob esse exterior
grosso.
— Então você sabe sobre o velório, ela disse.
— Eu sei sim.
Colocando-se na mesa de trabalho, ela deixou os pés balançarem e observou como suas mãos
calosas faziam sentido da maquinaria, movendo-se rápido e seguro sobre o metal antigo. No
entanto, ele não fazia grande coisa sobre sua competência, e ele era assim. Pelo que Lizzie
entendeu, ele começou a trabalhar nos campos quando tinha doze anos e esteve aqui desde então.
Nunca foi casado. Nunca tirou férias. Não bebe. Vivi em uma das casas.
Dominava os trinta trabalhadores que estavam sob suas ordens com um punho justo, mas de
ferro.
— Você precisa da chave inglesa? — ela perguntou.
— Sim, eu sei.
Ela lhe entregou o que precisava, pegou de volta quando ele terminou, pegou-lhe outra coisa
antes de ter que pedir isso.
— De qualquer forma, — ela continuou. — O velório será amanhã, e eu só quero ter certeza
de que nós temos um corte fresco na entrada principal a manhã, um corte nos pingos de ouro na
estrada esta tarde, se pudermos fazer acontecer, e um corte por toda a frente e no pátio.
— Sim. — Alguma coisa que você precisa nos jardins traseiros?
— Eu acho que estão em boa forma. Eu vou passar por eles com Greta, no entanto.
— Um dos garotos vai fazer um corte dentro da piscina.
— Bom. Socket?
— Sim.
Ao trocarem as ferramentas novamente, ele perguntou: — É verdade o que eles dizem que
você encontrou?
— Greta encontrou. E sim, é.
Ele não deslocou os olhos de seu trabalho, aquelas mãos de dedos espessos e pesados nunca
perderam uma batida. — Hã.
— Eu não sei, Gary. Até agora, pensei, como todos os outros, que ele pulou. Mas não mais.
— A polícia veio?
— Sim, alguns detetives de homicídios. Os mesmos que estavam aqui pela morte de

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Rosalinda. Falei com eles por um tempo esta manhã. Provavelmente, eles vão querer interrogá-lo e
qualquer outra pessoa que esteja no terreno em torno do tempo que ele morreu.
— Negócio triste.
— Muito. Embora eu nunca tenha gostado do homem.
Ela pensou sobre a leitura do testamento. Deus, era como algo fora de um filme antigo, os
herdeiros reunidos em alguma sala elegante, um ilustre advogado recitando as provisões em uma
voz de Charlton Heston.
— O que eles te perguntam? Os detetives?
— Apenas como o encontramos. Onde eu estava nos últimos dias. Como eu disse, eles
falarão com todos, tenho certeza.
— Sim.
Ela entregou um par de alicates. — A equipe também está convidada para o velório.
— Para o velório?
— Uh-huh. É para todos os respeitos.
— Eles não querem nenhum macaco gordo como eu naquela casa.
— Você seria bem-vindo. Eu prometo. Eu vou.
— Isso é certo, é pelo seu homem.
Lizzie sentiu o rubor bater em suas bochechas. — Como você sabia sobre mim e Lane?
— Não há nada que aconteça por aqui que eu não sei, menina.
Ele parou o que estava fazendo e pegou um velho pano vermelho. Quando ele enxugou as
mãos, ele finalmente olhou, seu rosto curtido gentil.
— É melhor Lane fazer o certo para você. Ou eu consigo lugares para colocar o corpo dele.
Lizzie riu. — Eu o abraçaria agora, mas você poderia desmaiar.
— Oh, eu não sei sobre isso. — Exceto que ele estava mexendo seu peso como se ela o
tivesse envergonhado. — Mas acho que ele provavelmente é bom, ou você não estaria com ele.
Além disso, eu o vejo olhar para você. O menino teve amor nos olhos durante anos quando ele
olhava você.
— Você é muito mais sentimental do que você deixa transparecer, Gary.
— Eu não fui educado, lembre-se. Não sei o significado dessas grandes palavras.
— Eu acho que você sabe exatamente o que elas significam. — Lizzie o empurrou levemente
no braço. — E se você decidir vir para o velório, você pode ir comigo e Greta.
— Eu tenho trabalho para fazer. Não tenho tempo para isso.
— Eu entendo. — Ela pulou da mesa de trabalho. — Bem, vou sair. Eu cuidei tudo, e a
senhorita Aurora está com a comida, é claro.

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— Como está indo aquele mocinho?
— Ele não é tão ruim.
— Depende do que você está usando como comparação.
Com uma risada, ela levou a mão sobre o ombro como um adeus e se dirigiu para o exterior
ensolarado. Mas ela não chegou muito longe antes de ele falar novamente.
— Senhorita Lizzie?
Virando-se, ela arrumou sua camisa polo na cintura de seu short. — Sim?
— Eles farão alguma coisa para o aniversário do Little V.E. este ano? Preciso fazer algo para
isso?
— Oh Deus. Eu tinha esquecido que estava chegando. Não creio que fizemos nada no ano
passado, não é?
— Ela está completando sessenta e cinco. Essa é a única razão pela qual eu perguntei.
— Isso é um marco. — Lizzie pensou na mãe de nascimento de Lane naquele quarto. — Eu
vou perguntar. E, eu preciso colocar flores frescas amanhã.
— Há algumas peônias adiantadas chegando.
— Eu estava pensando a mesma coisa.
— Deixe-me saber se você quer que faça algo mais.
— Sempre, Gary. Sempre.

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Capítulo 25

Quando Lane finalmente voltou para Easterly, depois do que se sentiu como anos na presença
dessa repórter, ele foi diretamente para o segundo andar, ignorando o jantar que havia sido servido
na sala de jantar formal e ignorando a confusão do Sr. Harris sobre um monte de coisa.
Na porta do avô, ele bateu uma vez e a abriu,
Ao longo da cama, Tiphanii se sentou rapidamente e levou as cobertas com ela, escondendo
que claramente estava nua.
— Por favor, desculpe-nos, — ele disse a ela. — Ele e eu temos algum negócio.
Jeff acenou com a cabeça para que a mulher partisse, e meu Deus, ela levou seu tempo,
passeando com esse lençol enquanto Jeff puxava o edredom sobre ele e se sentou.
Depois de uma ida ao banheiro, ela surgiu em seu uniforme e desapareceu pela porta, embora
Lane estivesse seguro de que, propositadamente, deixou a calcinha preta no chão ao pé da cama.
— Foi totalmente consensual, — murmurou Jeff. — E eu tenho permissão para subir de...
— O jornal local sabe tudo. Tudo.
Quando Jeff abriu a boca, Lane ladrou. — Você não tinha que me foder assim!
— Você acha que eu falei com a imprensa? — Jeff jogou a cabeça para trás e riu. — Você
realmente pensa que eu peguei alguns centavos e deu-lhes qualquer coisa...
— Eles têm a informação que você está trabalhando. Página a página. Explique como isso
aconteceu. Pensei em poder confiar em você ...
— Me desculpe, você está me acusando de fraude depois que você me chantageou para fazer
isso por você? Mesmo?
— Você me ferrou.
— Tudo bem, antes de tudo, se eu fosse te ferrar, eu teria ido ao Wall Street Journal, não ao
Charlemont Herald Post Ledger ou a qualquer coisa que seja chamado. Posso nomear meia dúzia
de repórteres na Big Apple. Eu não poderia dizer-lhe quem chamar aqui no maldito Kentucky. E
mais ao ponto, depois que esse pequeno pesadelo acabar, eu voltarei para Manhattan. Você acha
que eu não poderia usar alguns favores devidos a mim? A merda sobre sua família e seu pequeno
negócio de bourbon é uma grande notícia, idiota. Maior que algum envoltório de diário de Podunk,
USA Today. Então, sim, se eu estivesse vazando qualquer coisa, eu gostaria de ter uma vantagem

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para mim pessoalmente.
Lane respirou com dificuldade. — Jesus Cristo.
— Eu também não o chamaria. Mas é porque sou judeu.
Deixando cair a cabeça, Lane esfregou os olhos. Então ele caminhou, indo entre a cama e a
mesa. A mesa e uma das janelas de painel longo. A janela e a mesa.
Ele voltou às janelas. A noite ainda não havia caído, mas estava chegando em breve, o pôr-
do-sol caindo no horizonte, fazendo com que a curva da terra sangrasse rosa e roxo. Em sua visão
periférica, todo o trabalho de Jeff, as notas, os computadores, as impressões eram como um grito no
ouvido.
E então, havia o fato de que seu antigo colega de quarto da faculdade estava nu no quarto,
olhando para ele com uma expressão remota: Atrás de toda a raiva que acabara de pular da boca de
Jeff, havia dano, ferida real.
— Desculpe, — Lane respirou. — Desculpe... coloquei as conclusões erradas.
— Obrigado.
— Também sinto muito por estar fazendo você fazer isso. Eu só... estou perdendo minha
maldita cabeça por aqui. Eu sinto que estou em uma casa que está em chamas, e todas as saídas não
são mais que chamas. Estou queimando e estou desesperado e estou cansado dessa merda.
— Oh, pelo amor de Deus, — seu velho amigo murmurou em seu sotaque de Nova Jersey. —
Veja, vá lá.
Lane olhou por cima do ombro. — O que?
— Sendo todo agradável. Odeio isso sobre você. Você me irrita e me deixa louco, e então
você torna tudo honesto e torna-se impossível para mim odiar sua bunda branca, privilegiada,
arrependida. E para sua informação, estava gostando de estar furioso com você. Era o único
exercício que eu estava obtendo... bem, não obstante, não é o caso de Tiphanii.
Lane sorriu um pouco e depois voltou a se aproximar da vista. — Honesto, hein. Você quer
honesto? Como em algo, eu não disse a ninguém?
— Sim. Quanto melhor eu sei o que está acontecendo aqui, mais eu posso ajudar e menos me
ressentir de estar preso.
Ao longe, um falcão subiu em correntes invisíveis, andando no céu com cantos afiados e
rápidos, como o crepúsculo da noite cheio de rodovias e estradas que só os pássaros podiam ver.
— Eu acho que meu irmão o matou, — Lane ouviu-se dizer. — Eu acho que Edward foi o
único que fez isso.

168
Cara, Jeff desfrutava tanto a coisa irritada e justa. Era um passeio suave, mas intenso,
queimava em seu peito um tanque de gás inesgotável que o mantinha acordado durante a noite,
focado nos números, movendo-se pelos dados.
Mas ele e Lane, o idiota, atingiram esses cantos antes, durante o longo relacionamento,
manchas de falta de comunicação ou estupidez que os separavam. De alguma forma, o sulista lá
sempre fechou a distância.
E sim, ele havia feito isso de novo. Especialmente com aquele pequeno flash de notícias.
— Merda, — Jeff disse enquanto se deitava contra os travesseiros. — Está falando sério?
Pergunta idiota.
Porque esse não era o tipo de coisa que alguém dizia, mesmo em brincadeira, dado o que
estava acontecendo nessa casa. E também não era algo que Lane teria pensado mesmo sobre o seu
herói mais velho, a menos que ele tivesse uma ótima razão.
— Por quê? — Jeff murmurou. — Por que Edward deveria fazer algo assim?
— Ele é o único com o motivo real. Meu pai era um homem terrível e ele fez muitas coisas
terríveis para muitas pessoas poderosas. Mas Monteverdi vai matá-lo sobre essa dívida? Não. Ele
vai querer recuperar o dinheiro. E Rosalinda não fez isso. Ela estava morta antes que meu pai fosse
às cataratas. Gin sempre o odiava, mas não gostaria de sujar as mãos. Minha mãe sempre teve
razão, mas nunca a capacidade. Quem mais poderia ter feito isso?
— No entanto, seu irmão não está em boa forma. Quero dizer, eu estava pegando algo para
comer e voltando para cá quando ele entrou na casa. Ele estava mancando como se sua perna
estivesse quebrada. Não parecia que ele pudesse lidar com a maldita porta, muito menos atirar
alguém para fora de uma ponte.
— Ele poderia ter tido ajuda. — Lane olhou por cima do ombro, e sim, aquele rosto bonito
pareceu ter passado pela lavadora, e não na melhor maneira. — As pessoas na fazenda são
dedicadas a ele. Meu irmão tem essa maneira sobre ele, e ele sabe como fazer as coisas.
— Ele esteve aqui? Na casa?
— Eu não sei.
— Existem câmeras de segurança, certo? Aqui na propriedade.
— Sim, e ele sabe disso. Ele colocou o maldito sistema, e se você apagar as coisas, isso vai
mostrar. Existem log-ins que podem ser rastreados.
— Os detetives pediram a filmagem?
— Ainda não. Mas eles vão.
— Você vai dar isso a eles?
Lane amaldiçoou. — Eu tenho escolha? E eu não sei... eu estava sozinho com Edward hoje.

169
Eu quase perguntei a ele.
— O que o impediu? Tem medo que ele fique chateado?
— Entre outras coisas, tive medo da resposta.
— Qual é a sua próxima jogada?
— Eu espero. Os detetives não estão indo embora. Eles vão sair para vê-lo na fazenda. E se
ele fez isso...
— Você não pode salvá-lo.
— Não, eu não posso.
— Por que exatamente seu irmão quer o seu pai morto? Um monte de problemas para ter
apenas porque você foi espancado um par de vezes quando criança.
— Pai tentou matá-lo na América do Sul.
— O que?
— Sim, Edward é o que ele é agora por causa do que foi feito lá. E houve muita história ruim
entre eles antes disso. Inferno, mesmo em seu testamento, o pai o deixou de fora deliberadamente.
Além disso, você sabe, meu irmão não é alguém que você ferra. Ele tem essa maneira sobre ele.
Querido Deus, pensou Jeff.
No silêncio que se seguiu, ele considerou seu irmão e irmã, ambos vivendo em Manhattan
também. Eles eram casados. Múltiplos filhos. Seus pais dividiram seu tempo entre a Florida e
Connecticut, mas tinham um pied-à-terre20 em SoHo21. Todos eles se reuniam em todos os feriados,
e havia calor e conflito, alegria, lágrimas e risos.
Sempre risos.
Lane tinha uma bela casa. Com muitas coisas agradáveis. Bom carro.
Não havia comparação, estava lá.
O sujeito passou e estacionou na cadeira na mesa. — De qualquer forma, basta disso. Então,
se você não vazou, quem fez?
— Administração sênior. Quero dizer, vamos lá. Recebi as informações de suas fontes. As
planilhas em que estou fazendo a análise são o produto de trabalho.
Lane esfregou a cabeça como se tudo doesse. — Claro.
— Olha, amigo, você não pode congelar esses ternos para sempre, e claramente, eles não
estão colorindo as linhas, o que não é uma surpresa. Agora não é um bom momento para não haver
ninguém ao leme.

20
Uma pequena casa que a pessoa fica por um curto período de tempo.
21
O SoHo é um bairro de Manhattan, na cidade de Nova York. Seu nome é a abreviação de South of Houston,
indicando que se trata da região ao sul da rua Houston, e um trocadilho com o conhecido bairro do Soho, em Londres

170
— Sim, eu preciso de alguém para dirigir a empresa de forma provisória. A diretoria quer se
encontrar comigo. Ele também deve pensar nisso.
— Bem, no caso de eu não colocar um ponto suficientemente bom nisso, a menos que você
tome controle, a gerência sênior, os próprios idiotas que você expulsou, estão no comando.
— Mas eu não sou qualificado. A única coisa que eu sou inteligente o suficiente para saber é
que eu não sei merda sobre um negócio nesta escala. — Lane puxou as mãos. — Pelo amor de
Deus, não posso me preocupar com isso agora mesmo. Eu tenho que passar pelo velório amanhã, e
depois iremos daqui. Maldita seja, Edward era aquele que iria assumir o controle.
Quando tudo ficou quieto, Jeff alisou o edredom sobre suas coxas porque ele não sabia o que
fazer mais. Eventualmente, ele disse meio de brincadeira: — Quando eu recupero a empregada? E
não para limpar o banheiro.
— Isso depende de você. Eu sou seu o empregador, e não o seu cafetão.
— Então você é responsável por esta família, hein.
— Ninguém mais é voluntário para o trabalho. — Lane pôs-se de pé. — Talvez por causa do
que aconteceu com o último cara que deu um tiro.
— Você conseguiu isso, cara. Você consegue.
Lane veio e colocou a mão. — Sinto muito, eu coloquei você nesta posição. Honestamente.
E depois que isso acabar, prometo que nunca mais entrar em contato com você para qualquer coisa.
Por um momento, Jeff mediu o que foi oferecido. Então ele apertou a palma da mão. — Sim,
bem, eu não o perdoo.
— Então, por que você está apertando a mão?
— Porque eu sou uma daquelas pessoas que esquece facilmente. Eu sei, eu sei, está para trás.
Mas funcionou para mim até agora, e está tirando você do gancho, então foda-se com seus
princípios.

171
Capítulo 26

— Agora, isso é mais parecido com isso.


Quando Richard Pford entrou na sala de estar da família de Easterly por volta das nove da
noite, Gin queria rolar os olhos e dizer-lhe que os anos 1950 queriam seus costumes de volta. Mas a
verdade era, sim, ela tinha ficado para falar com ele, e sim, enquanto ela o viu avançar para o bar
como se fosse o senhor da mansão, ela lembrou o quanto ela o desprezava.
Depois de se servir um bourbon, ele se aproximou e sentou-se na cadeira de couro ao lado do
sofá que ela tinha estado. A sala não era grande, e as pinturas a óleo dos puro sangue Bradford
premiados pendurados nas paredes, com os painéis tornavam as coisas ainda menores. Adicionando
a proximidade física de Pford à mistura? Bem, isso encolheu as coisas até o ponto em que a TV de
tela larga mostrando uma repetição de The Real Housewives of Beverly Hills parecia como se
pressionasse contra o rosto dela.
— Por que você está assistindo a essa droga? — ele disse.
— Porque eu gosto.
— É uma perda de tempo. — Ele pegou o controle remoto e mudou o canal para algum
comentarista financeiro em uma gravata vermelha e uma camisa azul clara. — Você deve ver coisas
de valor.
Então, deixe-me afastar meu olhar, pensou.
— Precisamos conversar sobre a recepção. — Ela estreitou os olhos. — E devo apresentá-lo
a Amelia.
— Quem? — ele disse sem tirar o olho do formigueiro do NASDAQ.
— Minha filha.
Isso chamou sua atenção e ele olhou por cima, uma sobrancelha fina levantando-se. — Onde
ela está? Ela está em casa da escola?
— Sim.
Gin estendeu uma mão para o telefone da casa que estava discretamente escondido atrás de
uma lâmpada feita de um troféu de ceras de prata esterlina das dezenove centenas. Pegando o
receptor, ela chamou a extensão do mordomo.
— Sr. Harris? Pegue Amelia e traga-a aqui? Obrigado.

172
Quando ela desligou, ela olhou para Richard. — Eu preciso que você pague pela recepção de
casamento que estamos tendo aqui no sábado. Você pode me escrever o cheque. Serão cerca de
cinquenta mil. Se for mais, eu voltarei para você.
Richard baixou o copo e voltou a se concentrar nela. — Por que estou pagando por qualquer
coisa?
— Porque nos casaremos. Nós dois.
— Em sua casa.
— Então você não vai dar nenhuma contribuição?
— Eu já tenho.
Ela olhou para o anel. — Richard, você está vivendo sob este telhado, comendo nossa
comida...
Ele riu e girou seu bourbon ao redor. — Você não está realmente fazendo esse argumento,
está?
— Você vai escrever esse cheque e é isso.
— Eu sugiro que você segure a respiração para que a tinta esteja seca, querida. — Richard a
brindou. — Agora, esse seria um show que vale a pena assistir.
— Se você não paga, cancelarei a festa. E não mente. Você está ansioso pela atenção.
Os troféus, afinal, precisavam de uma cerimônia de apresentação.
Richard sentou-se à frente, o movimento de sua bunda fazendo com que o couro enrugasse.
— Eu sei que você não está ciente disso, mas há problemas na empresa da sua família.
— Oh, realmente. — Ela ficou burra. — Alguém perde a chave para um armário de
fornecimento de escritório? Ah, que tragédia.
Não havia valor em deixá-lo entrar em sua fraude financeira, afinal. Certamente, não antes da
emissão do certificado de casamento.
Ele sorriu e, pela primeira vez, algo próximo à alegria realmente atingiu os olhos dele. —
Adivinha quem me ligou hoje? Uma amiga minha no Charlemont Courier Journal. E você quer
saber o que ela me disse?
— Que eles estão fazendo uma exposição sobre implantes penianos e querem que você seja
um sujeito?
— Isso é grosseiro.
— É verdade, mas acho que isso pode ajudar.
Richard sentou-se e cruzou as pernas, apertando-se a mandíbula. — Em primeiro lugar, é ela,
não eles. E, em segundo lugar, ela me disse que há problemas muito sérios na sua empresa, Gin.
Grandes questões financeiras. Haverá uma história a primeira hora da manhã sobre tudo. Portanto,

173
não tente me jogar com essa discussão sobre a necessidade um cheque para você para a recepção, de
modo que as coisas sejam equitativas entre nós. Seu pai morreu e seu testamento está sendo
homologado, os bens de sua mãe está amarrado até ela morrer, e a BBC está lutando com seus
dividendos lá embaixo. Se você quiser realizar um levantamento dos fundos e espera que eu
contribua, é melhor você se declarar para que eu possa obter a amortização. Caso contrário, não vou
te dar um centavo. Querida.
— Eu não sei do que você está falando.
— Você não? Bem, então, leia a primeira coisa da manhã e você aprenderá algo. — Ele
indicou a televisão. — Ou melhor ainda, venha aqui e veja este canal. Tenho certeza de que você
estará por toda a TV amanhã.
Gin levantou o queixo, mesmo quando seu coração entrou em um campo quebrado no peito.
— Nós temos muito dinheiro aqui na casa, e eu não sinto que não é razoável que você pague por
algo, então, se você não estiver preparado para compartilhar o custo, então a recepção está
cancelada.
Richard cuidou de seu bourbon. — Uma dica sobre as negociações. Se você for emitir
ameaças, certifique-se de que elas são respaldadas por um resultado em que a outra parte está
comprometida.
— Você quer me mostrar. Você quer provar que você me pegou. Não finjas que não sou um
prêmio para você.
— Mas, assim que a tinta estiver seca, você é minha. E isso também estará no jornal. Todos
lerão sobre isso. Não preciso de um coquetel para provar isso.
Gin balançou a cabeça. — Você é tão superficial.
O riso que encheu o quarto fez com que ela desejasse jogar algo nele novamente, e ela olhou
a lâmpada de prata esterlina.
— Isso vem de você? — ele disse. — Minha querida, o único motivo pelo qual você está se
casando comigo é por causa dos contratos favoráveis que eu concordei em dar a companhia de seu
pai. E eu gostaria de ter sabido sobre a crise na empresa. Eu provavelmente poderia ter conseguido
você por nada além desse anel, dado o estado financeiro das coisas.
Nesse ponto, houve uma batida na porta, e então o Sr. Harris entrou com Amelia.
A menina mudou para um calção de Gucci, e a cabeça dela estava enterrada em seu telefone,
seus dedos se movendo sobre a tela.
— Senhorita Amelia, madame, — o inglês entoou. — Haverá alguma outra coisa?
— Não, obrigado, — Gin o dispensou.
— O prazer é meu.

174
Quando o mordomo se curvou e a porta estava fechada, a menina não olhou para cima.
— Amelia, — disse Gin bruscamente. — Este é meu noivo, Richard.
— Sim, — disse a garota. — Eu sei.
— Como você não o cumprimentou, acho difícil acreditar.
— Estava na net. — Dar de ombros. — De qualquer forma, parabéns, para vocês dois. Estou
emocionada.
— Amelia, — disse Gin. — O que diabos é tão fascinante?
A menina virou o telefone, piscando uma tela que estava iluminada como uma Lite-Brite à
moda antiga. — Diamantes.
— Eu acho difícil argumentar com isso, — murmurou Gin. — Mas você está sendo
grosseira.
— É um novo jogo.
Gin indicou Richard. — Você vai pelo menos dizer olá de maneira adequada.
— Posso ver a semelhança, — Richard ofereceu. — Você é muito bonita.
— Eu deveria estar lisonjeada? — Amelia inclinou a cabeça. — Oh, muito obrigada. Estou
desejando de ter algo em comum com ela. É a ambição da minha vida, ser como a minha mãe
quando crescer. Agora, se me desculpar, eu prefiro estar em uma realidade virtual com diamantes
falsos do que perto dela ou de alguém que se ofereça para se casar com ela. Boa sorte para você.
Amelia estava na porta um segundo depois, mas não porque estava correndo.
Amelia não fugia de nada.
Ela cruzava os lugares. Assim como o pai dela.
— Missão cumprida, — Richard disse enquanto se levantava e voltou para o bar. — A maçã
não cai longe da árvore. E me permita reiterar, não vou lhe escrever qualquer tipo de cheque.
Cancele a recepção como desejar e nos casaremos no tribunal. Não importa para mim.
Gin focou na tela da TV, sua mente agitada. E ela ainda estava olhando para o espaço quando
Richard se colocou na frente dela.
— Basta lembra de uma coisa, — ele disse. — Você tende a se tornar criativa quando você
fica quieta assim. Posso lembrar que eu não tolero desrespeito, e você pode escolher lembrar as
consequências precisas de qualquer insulto a mim.
Oh, mas você gosta, seu desgraçado doente, pensou Gin amargamente. Gosta de cada minuto.

— John, você passou. Bom trabalho.


Quando Lizzie ouviu Lane falar, ela olhou para cima a partir da geladeira, principalmente

175
vazia. Através da cozinha da fazenda, ele estava sentado em sua mesa circular, conversando com o
notebook que estava aberto à sua frente, com as sobrancelhas cerradas, duas partes de uma porta
dupla puxadas.
— O que? — ela disse enquanto fechava as coisas.
— John Lenghe. O Deus do Grão. Ele me disse que ele me enviaria tanta informação quanto
pudesse sobre as empresas envolvidas na WWB Holdings. E aqui estão elas.
Quando ele empurrou a tela, ela se abaixou e olhou para um e-mail que parecia longo como
um livro. — Uau. Isso é um monte de nomes.
— Agora nós temos que encontrá-los. — Lane se sentou e esticou os braços sobre a cabeça,
algo estralando alto o suficiente para fazê-la estremecer. — Eu juro que isso é como um passeio de
montanha-russa sem fim, o tipo que não para, mesmo depois de você ter náusea.
Ficando atrás dele, ela massageou os ombros. — Você conversou de novo com essa repórter?
— Sim. — Ele relaxou. — Oh, Deus, isso é bom.
— Você está tão tenso.
— Eu sei. — Ele exalou. — Mas sim, acabei de falar com ela. Ela publicará a história. Não
há nada que possa fazer para detê-la. Um desses vice-presidentes deve ter falado. Ela sabia muito.
— Contudo, como pode compartilhar essa informação? A Bradford Bourbon Company não é
uma empresa pública. Não é uma violação da privacidade?
— Não há violação de privacidade quando se trata de negócios. E contanto que ela coloque
as coisas de uma certa maneira, ela ficará bem. Será como quando eles colocam a palavra “alegada”
na frente de quase tudo quando eles relatam crimes.
— O que vai acontecer a seguir?
— Eu não sei, e eu realmente estou deixando de me preocupar com isso. Tudo o que tenho a
fazer é superar o velório amanhã, e então a próxima crise terá toda a minha atenção.
— Bem, estamos prontos. O Sr. Harris e eu cuidamos da equipe, a senhorita Aurora está
pronta na cozinha. Os locais que serão ocupados receberão um toque final pela manhã. Quantas
pessoas você espera?
— Mil, talvez. Pelo menos tanto quanto... oh, aí mesmo. Siiiiim. — Ao deixar sua cabeça
cair no lado oposto, ela admirou a linha de seu forte pescoço. — Tanto quanto nós tivemos no
almoço do Derby pelo menos. Uma coisa que você sempre pode contar como certo, especialmente
se você perdeu seu dinheiro? As pessoas gostam de encarar a carcaça da grandeza. E depois desse
artigo amanhã, é isso que vamos parecer no balcão do açougueiro.
Lizzie balançou a cabeça. — Lembre-se da minha fantasia onde deixamos tudo isso para trás?
Lane se torceu e puxou-a para o colo. Quando ele afastou o cabelo e olhou para ela, seu

176
sorriso quase chegou aos olhos dele. — Sim, oh, sim. Diga-me como é novamente.
Ela acariciou sua mandíbula, sua garganta, seus ombros. — Nós vivemos em uma fazenda
muito longe. Você passa seus dias treinando basquete. Eu planto flores para a cidade. Todas as
noites, nos sentamos juntos na nossa varanda e observamos o sol descer sobre a lavoura de milho.
Nos sábados, vamos ao mercado de pulgas. Talvez eu venda coisas lá. Talvez você. Nós
compramos uma pequena mercearia onde Ragu é considerado uma iguaria estrangeira, e eu faço
muita sopa no inverno e salada de batata no verão.
Quando suas pálpebras afundaram, ele assentiu. — E torta de maçã.
Ela riu. — Torta de maçã também. E nós vamos nadar nus, em nossa lagoa nos fundos.
— Oh, eu gosto dessa parte.
— Eu pensei que você iria.
Suas mãos começaram a vagar, girando a cintura, movendo-se mais alto. — Posso confessar
uma coisa?
— Claro.
— Não vai refletir bem no meu caráter. — Ele franziu a testa. — Então, novamente, não há
muito a fazer no momento.
— O que?
Foi um pouco antes de ele responder. — Quando você e eu estávamos no escritório do meu
pai, queria empurrar tudo do topo de sua mesa e fazer sexo com você na maldita coisa.
— Mesmo?
— Sim. — Ele encolheu os ombros. — Depravado?
Lizzie considerou o hipotético com um sorriso. — Na verdade não. Embora eu não consiga
decidir se isso é erótico ou apenas criará uma bagunça no chão que vai me matar não limpar.
Enquanto ele riu, ela se levantou, mas ficou montada. — Mas eu tenho uma ideia.
— Oh?
Arqueando suas costas, ela tirou a camisa e lentamente a puxou para cima e sobre sua cabeça.
— Há uma mesa aqui e, embora não haja nada além do seu notebook, e eu não sugeriria jogá-lo no
chão, ainda podemos... você sabe.
— Oh, siiiiiim...
Quando Lizzie se esticou na mesa da cozinha, Lane estava bem sobre ela, inclinando-se sobre
ela, sua boca encontrando a dela em uma onda de calor.
— Por sinal, — ela ofegou, — na minha fantasia, fazemos isso muito...

177
Capítulo 27

Na manhã seguinte, Lane desacelerou enquanto se aproximava da Big Five Bridge do lado de
Indiana, o tráfego estrangulando a estrada com viajantes de manhã. O rádio do Porsche estava
desligado. Ele não verificou seu telefone. E não tinha ligado o notebook antes de deixar Lizzie.
O sol voltou a ser brilhante em um céu azul claro, algumas nuvens estriadas passando pelas
bordas. O tempo bom não deveria durar, no entanto. Um sistema de baixa pressão estava chegando
e as tempestades eram esperadas.
Parecia adequado.
Enquanto ele reduziu para a terceira macha, e depois, ele viu a frente que o congestionamento
era mais do que apenas a hora de pico. Mais à frente, há alguma construção no espaço, as linhas de
fusão de carros formando um gargalo que piscavam ao sol e jogavam ondas de calor. Avançando,
ele sabia que ele iria atrasar, mas ele não iria se preocupar com isso.
Ele não queria essa reunião agora. Mas ele não tinha escolha.
Quando ele finalmente entrou na única linha, as coisas começaram a se mover, e ele quase riu
quando ele finalmente puxou ao lado dos trabalhadores em seus macacões laranja, chapéus e jeans.
Eles estavam instalando alambrados nas bordas da ponte para evitar que as pessoas saltassem.
Nada de saltos. Ou, pelo menos, se você insistisse em tentar, precisaria escalar o alambrado.
Atingindo a junção espaguete, ele pegou uma curva apertada, disparou sob um viaduto,
entrou na I-91. Duas saídas mais tarde, ele estava na avenida Dorn e foi para River Road.
O posto Shell na esquina era o tipo de lugar que era parte farmácia, parte supermercado, parte
loja de bebias... e banca de revista.
E ele pretendia passar por ela quando entrou a direita. Afinal, haveria uma cópia do
Charlemont Courier Journal em Easterly.
No final, porém, suas mãos tomaram a decisão por ele. Girando o volante para a direita, ele
disparou para a estação de serviço, contornou as bombas de combustíveis e estacionou próximo ao
congelador de alumínio duplo com GELO pintado sobre ele junto com uma imagem de um pinguim
de desenho com um lenço vermelho em volta do pescoço.
O boné de beisebol que ele puxou sobre o rosto tinha o logotipo do U de C na frente.
Nas bombas, havia alguns caras enchendo seus caminhões. Um veículo municipal. Um CG &

178
E pegador de cereja. Uma mulher em um Civic com um bebê que ela continuava verificando no
banco de trás.
Ele sentiu que todos estavam olhando para ele. Mas estava errado. Se estivessem olhando em
sua direção, era porque estavam verificando seu Porsche.
Um sino tocou enquanto ele empurrava para o espaço frio da loja, e lá estava. Uma fila de
Charlemont Courier Journals, todos com a manchete que ele temia pendurado acima do cartaz de
Las Vegas Strip-sized.
A FALÊNCIA DE BRADFORD BOURBON.
O New York Post não poderia ter feito isso melhor, ele pensou quando conseguiu um dólar e
quinze centavos fora. Pegando uma das cópias, ele colocou o dinheiro no balcão e deu uma batida
de seus dedos. O cara da caixa registradora olhou de quem ele estava recebendo e assentiu com a
cabeça.
De volta ao Porsche, Lane ficou atrás do volante e observou a página. Escaneando o primeiro
conjunto de colunas, ele abriu para ler todo o artigo.
Oh, ótimo. Eles reproduziram alguns dos documentos. E havia muitos comentários. Mesmo
um editorial sobre a ganância corporativa e a falta de responsabilidade dos ricos com a sociedade.
Jogando a coisa de lado, ele se afastou e acelerou.
Quando chegou aos portões principais da propriedade, ele diminuiu a velocidade, apenas para
contar o número de caminhões de notícias estacionados no gramado como se estivessem esperando
que uma nuvem de cogumelos voltasse para Easterly a qualquer momento. Continuando, ele entrou
na propriedade pela entrada de funcionário e disparou pelo caminho de volta, passando pela horta
de vegetais que Lizzie cultivava para a cozinha da senhorita Aurora e, em seguida, as estufas de
barril e, finalmente, as casas e o galpão de terra firme.
O estacionamento dos funcionários estava cheio de carros, todos os tipos de ajuda extra já no
local para preparar as coisas para as horas de velório. A pista pavimentada continuava além disso,
montando a colina paralela à passarela que os trabalhadores costumavam chegar à casa. No topo,
havia as garagens, a parte de trás do centro de negócios e as entradas traseiras para a mansão.
Ele estacionou ao lado do Lexus marrom que estava em um dos pontos reservados para a alta
administração.
Assim que Lane saiu, Steadman W. Morgan, presidente do conselho de administração da
Bradford Bourbon Company, saiu de seu sedan.
O homem estava vestido com roupas de golfe, mas não como Lenghe, o Deus do Grão, tinha
estado. Steadman estava em roupas brancas de Charlemont Country Club, o símbolo da instituição
privada em azul real e dourado em seu peitoral, um cinto de precisão Princeton Tiger em torno de

179
sua cintura. Seus sapatos eram o mesmo tipo de mocassins que Lane usava, sem meias. O relógio
era Piaget. O bronzeado foi obtido nos campos de golfe, não artificial. A vitalidade era uma boa
criação, uma dieta cuidadosa, e o resultado do homem que nunca teve que se perguntar de onde sua
próxima refeição estava vindo.
— Bastante no artigo, — disse Steadman ao se encontrarem cara a cara.
— Agora você entende por que eu mandei todos eles fora daqui?
Não houve agitação das mãos. Sem formalidades honradas ou trocadas. Mas então, o bom
Stewart não estava acostumado a ser a segunda maior prioridade de ninguém e, claramente, seus
calções boxers dos Brooks Brothers diziam isso.
Então, novamente, ele acabou de saber que ele estava sentado na cabeça da mesa em um
momento muito ruim na história da BBC. E Lane certamente se relacionaria com isso.
Com um aceno de mão, Lane indicou o caminho para a porta de trás do centro de negócios e
ele digitou novo código de acesso para os dois. Acendendo as luzes enquanto seguiam, ele abriu o
caminho para a pequena sala de conferências.
— Eu lhe ofereceria café, — Lane disse enquanto se sentava. — Mas eu sugiro conversarmos.
— Não estou com sede.
— E é um pouco cedo para o bourbon ou qualquer bebida. — Lane uniu as mãos e se
inclinou. — Então. Gostaria de lhe perguntar o que está em mente, mas isso seria retórico.
— Teria sido bom se você tivesse me informado sobre artigo. Sobre os problemas. Sobre o
caos financeiro. Por que diabos você bloqueou a alta administração?
Lane encolheu os ombros. — Eu ainda estou tentando chegar ao fundo disso sozinho. Então
eu não tenho muito a dizer.
— Havia bastante nesse maldito artigo.
— Não é minha culpa. Eu não fui a fonte, e meu comentário não foi tão à prova de bala
quanto Kevlar. — Embora o repórter lhe tivesse dado um pouco para continuar. — Eu direi que um
amigo meu, que é banqueiro de investimentos que se especializou em avaliar corporações
multinacionais, está aqui de Nova York, e ele está descobrindo tudo.
Steadman parecia se recompor. O que era um pouco como uma estátua de mármore lutando
para manter um rosto direto: não muito trabalho.
— Lane, — o homem começou em um tom que fez Walter Cronkite parecer Pee-wee
Herman, — eu preciso que você entenda que a Bradford Bourbon Company pode ter o nome da sua
família, mas não é um carrinho de limonada, você pode fechar, abaixar ou mudar sua vontade
apenas porque você é sangue. Existem procedimentos corporativos, linhas de comando, formas de...
— Minha mãe é o maior acionista.

180
— Isso não lhe dá o direito de transformar isso em uma ditadura. A gerência sênior tem um
imperativo para voltar dentro dessa instalação. Temos de convocar um comitê de busca para
contratar um novo Diretor Presidente. Um líder interino deve ser nomeado e anunciado. E acima de
tudo, uma auditoria interna apropriada para esta bagunça financeira deve ser...
— Permita-me ser perfeitamente claro. Meu ancestral, Elijah Bradford, começou essa
empresa. E eu absolutamente vou fechá-la se eu precisar. Se eu quero. Estou no comando, e será
muito mais eficiente se você reconhecer isso e sair do meu caminho. Ou eu também o substituirei.
O equivalente a um ninho de vespa assassina de raiva estreitou o rosto de Steadman. O que,
novamente, não foi uma grande mudança. — Você não sabe com quem você está lidando.
— E você não tem ideia do quanto eu tenho a perder. Eu serei o único a nomear um sucessor
para meu pai, e não serão os vice-presidentes seniores que vieram aqui todas as manhãs para puxar
o saco dele. Vou descobrir onde o dinheiro foi, e eu vou nos manter no negócio, mesmo se eu tiver
que ir para baixo e administrar eu mesmo. — Ele pegou um dedo no rosto corado de Steadman. —
Você trabalha para mim. O conselho trabalha para mim. Cada um dos dez mil funcionários que
recebem um salário trabalha para mim, porque eu sou o filho da puta que vai dar a volta em tudo.
— E exatamente como você se propõe a fazer isso? De acordo com esse artigo, existem
milhões de dólares desaparecidos.
— Me veja.
Steadman olhou pela mesa brilhante por um momento. — O conselho...
— Saia do meu caminho. Ouça, cada um recebe cem mil dólares para se sentar e não fazer
absolutamente nada. Eu garantirei a cada um de vocês um quarto de milhão de dólares este ano.
Esse é um aumento de cento e cinquenta por cento.
O queixo do homem subiu. — Você está tentando me subornar? Nos subordinar?
— Ou eu posso fechar o conselho. Sua escolha.
— Há estatutos...
— Você sabe o que meu pai fez com meu irmão, correto? — Lane se inclinou mais uma vez.
— Você acha que eu não tenho os mesmos contatos que o meu velho fez nos Estados Unidos? Você
acredita honestamente que não posso tornar as coisas muito difíceis para você? A maioria dos
acidentes acontece em casa, mas os carros também podem ser complicados. Barcos. Aviões.
Supôs que o Kentucky Fried Tony estava saindo novamente.
E a coisa realmente assustadora foi, como ele disse as palavras, ele não tinha certeza se ele
estava blefando ou não. Sentado aqui, onde seu pai estava sentado, Lane se sentiu perfeitamente
capaz de assassinar.
De repente, a lembrança de cair da ponte, de ver a água chegar a ele, de estar naquele interior

181
entre segurança e morte, voltou para ele.
— Então, o que vai ser? — Lane murmurou. — Um aumento ou um túmulo? — Steadman
tomou seu tempo doce, e Lane deixou o homem olhar para seus olhos o tempo que ele quis.
— Eu não tenho certeza de que você possa prometer, filho.
Lane encolheu os ombros. — A questão é se você quer testar essa teoria sobre o positivo ou o
negativo, não é?
— Se esse artigo for verdadeiro, como você vai conseguir o dinheiro?
— Esse é o meu problema, não o seu. — Lane sentou-se de volta. — E eu vou deixar você
saber de um pequeno segredo.
— O que?
— O dedo anelar do meu pai foi encontrado enterrado na frente da casa. Ainda não foi
lançado na imprensa. Então não se engane. Não foi suicídio. Alguém o matou.
Havia um pouco de clareamento na garganta nesse ponto. E então, bom, Steadman disse: —
Quando exatamente receberíamos o pagamento?
Peguei você, Lane pensou.
— Agora, aqui vamos o que vamos fazer, — ele disse ao homem.

Jeff levou o café da manhã no andar de cima para o quarto do avô de Lane e ele estava no
telefone o tempo todo. Com o pai dele.
Quando ele finalmente desligou, sentou-se na cadeira antiga e olhou para a grama do jardim.
As flores. As árvores em flor. Era como um cenário para os Carringtons na década de oitenta. Então
pegou a cópia do Charlemont Courier Journal que ele roubou do andar de baixo na cozinha e olhou
para a história.
Ele leu primeiro online.
Depois disso, quando ele desceu para pegar um café e um dinamarquês, ele perguntou a
Senhorita Aurora se ele poderia pegar a cópia física. A mãe de Lane, como ela era chamada, não
olhou para cima do que ela estava cortando no balcão. Saia daqui, foi tudo o que ela havia dito.
Jeff memorizou todas as palavras, cada número, todas as imagens dos documentos.
Quando uma batida tocou, ele disse: — Sim?
Lane entrou com um café para si, e mesmo que ele se tenha se barbeado, ele parecia um
merda. — Então-oh, sim, — disse o cara. — Você viu isso.
— Sim. — Jeff colocou a maldita coisa para baixo. — É um ataque feroz. O problema é que
nada é deturpado.

182
— Eu não vou me preocupar com isso.
— Você deve.
— Acabei de comprar o conselho.
Jeff recuou. — Desculpa, o que?
— Preciso que me encontre dois milhões e meio de dólares.
Colocando suas palmas em seu rosto e segurando uma maldição, Jeff apenas sacudiu a
cabeça. — Lane, eu não trabalho para a Bradford Bourbon Company...
— Então eu vou pagar você.
— Com o que?
— Pegue uma pintura do andar de baixo.
— Sem ofensa, mas não gosto de museus e odeio arte representacional. Tudo o que você fez
foi feito antes do advento da câmera. É aborrecido.
— Há valor nisso. — Quando Jeff não deu uma resposta, Lane encolheu os ombros. — Tudo
bem, vou te dar uma parte das joias da minha mãe.
— Lane.
O colega de quarto da faculdade não se moveu. — Ou pegue o Phantom Drop-head. Eu vou
fazer isso com você. Nós possuímos todos os carros. E o meu um Porsche?
— Você está louco?
Lane indicou ao redor deles. — Há dinheiro aqui. Em toda parte. Você quer um cavalo?
— Jesus Cristo, é como uma venda de garagem.
— O que você quer? É seu. Então me ajude a encontrar esse dinheiro. Preciso de duzentos e
cinquenta mil por cada dez pessoas.
Jeff começou a balançar a cabeça. — Não funciona assim. Você não pode simplesmente
desviar fundos por um capricho...
— Não há capricho aqui, Jeff. Trata-se de sobrevivência.
— Você precisa de um plano, Lane. Um plano abrangente que imediatamente reduz as
despesas, consolida a função e antecipa uma possível investigação federal, especialmente com esse
artigo agora.
— O que me leva ao meu segundo motivo para estar aqui. Preciso que você prove que meu
pai fez tudo.
— Lane, que merda! Você acha que eu posso tirar essas coisas do meu...
— Eu não sou ingênuo e você está certo. A polícia virá batendo depois desse artigo, e quero
lhes apresentar um caminho claro para meu pai.
Jeff exalou. Estralou os nódulos. Perguntei o que sentiria se ele atingisse sua testa com a

183
mesa. Algumas centenas de vezes. — Bem, pelo menos, isso parece ser falta de inteligência.
— Essa é a beleza de tudo isso. Apenas veio para mim. Meu pai está morto, então não é como
se fossem desenterrá-lo e colocá-lo atrás das grades. E, depois de tudo o que ele puxou, não estou
preocupado em preservar sua memória. Deixe o desgraçado entrar em chamas por tudo, e então
vamos avançar com a empresa. — Ele tomou uma bebida da caneca. — Oh, o que me lembra. Eu
enviei um e-mail para você que Lenghe me enviou nas empresas da WWB Holdings. É mais do que
nós temos e ainda não é o suficiente.
Tudo o que Jeff poderia fazer era olhar para o cara. — Você sabe, eu não posso decidir se
você tem um título incrível ou simplesmente está tão desesperado que perdeu a sua maldita cabeça.
— Ambos. Mas posso dizer que o último é mais concreto. É difícil ter direito quando você
não pode pagar por nada. E quanto à sua compensação, no que me diz respeito, estou aqui em uma
situação de venda de fogo. Então, pega um caminhão e carregue a maldita coisa no telhado. Tudo o
que você acha que é justo.
Jeff olhou para o jornal novamente. Parecia apropriado que o artigo estava cobrindo todo o
trabalho que fazia.
— Não posso estar aqui para sempre, Lane.
Mas tinha algo que ele tinha que cuidar para si mesmo. Além da lista mais recente de
lavanderia de Lane e ideias brilhantes.
— E sobre os sêniores? — perguntou Jeff. — Você também os subornou?
— De modo nenhum. Para esse assunto, eu os coloquei em licença administrativa não
remunerada para o próximo mês. Achei que havia provas suficientes para que isso fosse justificado,
e a diretoria está enviando avisos. Os gerentes intermediários vão pegar a folga até encontrar um
Diretor Presidente interino.
— Vai ser difícil com isso. — Jeff bateu na primeira página. — Não é exatamente uma boa
plataforma de recrutamento.
Enquanto Lane simplesmente olhava para ele, Jeff sentiu um golpe de água fria figurativa
bater na cabeça dele. Colocando ambas as palmas das mãos para cima, ele começou a balançar a
cabeça novamente. — Não. Absolutamente não...
— Você seria responsável.
— De um navio torpedeado.
— Você poderia fazer o que quiser.
— Como me dizer que eu posso redecorar uma casa que está no meio de um deslizamento de
terra?
— Eu te darei equidade.

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Eeeeeeeeee indicam o grito dos pneus. — O que você acabou de dizer?
Lane virou-se e foi até a porta. — Você me ouviu. Estou lhe oferecendo equidade na mais
antiga e melhor empresa de Bourbon da América. E antes de me dizer que eu não tenho permissão
blá, blá, blá, posso lembrá-lo de que o tabuleiro está no meu bolso traseiro. Eu posso fazer o que
quer que eu queira e precise.
— Enquanto você conseguir o dinheiro para pagá-los.
— Pense nisso. — O bastardo liso olhou por cima do ombro. — Você pode possuir algo, Jeff.
Não são apenas números cruéis para um banco de investimento que está pagando para ser uma
calculadora glorificada. Você pode ser o primeiro acionista não familiar na Bradford Bourbon
Company, e você pode ajudar a determinar nosso futuro.
Jeff voltou a olhar para o artigo. — Você já me perguntou se as coisas estavam indo bem?
— Não, mas é porque nesse caso, eu não estaria envolvido na empresa.
— E o que acontece quando tudo acabar?
— Depende do que “parece”, não é? Isso poderia mudar sua vida, Jeff.
— Sim, há uma recomendação. Veja o que é feito por você. E P.S., a última vez que você
queria que eu ficasse, você me ameaçou. Agora, você está me subornando.
— Está funcionando? — quando ele não respondeu, Lane abriu a saída. — Eu não gostei de
ameaçar você duramente. Eu realmente não. E você está certo. Estou batendo cabeça aqui como um
idiota. Mas estou sem opções, e não há nenhum salvador vindo do céu para me dar um milagre e
fazer com que tudo isso vá embora.
— Isso é porque não há como fazer isso desaparecer.
— Não merda. Mas eu tenho que lidar com isso. Eu não tenho escolha.
Jeff amaldiçoou. — Não sei se posso confiar em você.
— O que você precisa de mim para que você possa confiar?
— Depois de tudo isso? Não tenho certeza de que posso.
— Então seja auto interessado. Se você possui parte do que você está economizando, se
houver uma enorme vantagem, e existe, então, esse é o incentivo que você precisa. Pense nisso.
Você é um empresário. Você sabe exatamente o quão lucrativo isso poderia ser. Eu lhe dou o
estoque agora, e depois as coisas giram ao entorno? Há primos Bradford que estarão morrendo de
vontade de comprar a merda de volta. Isso representa a melhor chance de um evento de
capitalização de oito dígitos para você, fora da fodida loteria.
Com essa nota, porque o bastardo sabia exatamente quando se retirar, Lane saiu, fechando a
porta silenciosamente.
— Foda. Me, — murmurou Jeff para si mesmo.

185
Capítulo 28

Lizzie dobrou seus shorts cáqui e colocou-os no balcão no banheiro de Lane ao lado de sua
camisa de trabalho. Ao se endireitar, o espelho lhe mostrou um reflexo que era familiar, mas
também estranho: o cabelo dela estava preso em seu rabo de cavalo, o protetor solar que colocou no
início da tarde tornava sua pele muito brilhante e seus olhos tinham bolsas sob eles.
No entanto, tudo isso era normal.
Pegando o vestido preto na frente dela, ela deslizou sobre sua cabeça e pensou, ok, aqui estava
a estranheza.
Na última grande festa de Easterly, há menos de uma semana, ela estava firme no caminho
junto com os funcionários. Agora, ela era uma híbrida estranha, parte da família em virtude de se
envolver com a Lane, mas ainda na folha de pagamento e muito envolvida nos preparativos e no
preparo para o velório.
Arrancando o cansaço fora, ela escovou os cabelos, mas aparecia a marca da borracha e
parecia ruim.
Talvez houvesse tempo para a...
Não. Quando ela olhou para o telefone, os números liam 3:43. Não é suficiente até mesmo
um banho rápido.
Em dezessete minutos, as pessoas começaram a chegar, os ônibus levando-os da área de
estacionamento na River Road até o topo da colina e a grande porta da frente de Easterly.
— Você parece perfeita.
Olhando para a porta, ela sorriu para Lane. — Você é tendencioso.
Lane estava vestido com um terno azul-marinho com uma camisa azul claro e uma gravata de
cor coral. Seus cabelos ainda estavam molhados do banho, e ele cheirava a colônia que ele sempre
usava.
Lizzie voltou a se concentrar, alisando a simples bainha de algodão. Deus, ela sentiu como se
estivesse vestindo roupas de outra pessoa, e jesus, ela supôs que era. Não tinha pego emprestado
este vestido de sua prima há uma década, também para um funeral? A coisa foi lavada o suficiente
para desaparecer em torno das costuras, mas ela não tinha mais nada em seu armário.

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— Eu preferiria estar trabalhando neste evento, — ele disse.
— Eu sei.
— Você acha que Chantal virá?
— Ela não ousaria.
Lizzie não tinha muita certeza disso. A breve a ser ex-esposa de Lane era uma agarradora de
atenção, e essa era uma excelente oportunidade para a mulher afirmar sua relevância apesar de seu
casamento não estar mais acontecendo.
Lizzie esfregou os cabelos e levou-o à frente. O que não fez nada para ajudar com a marca.
Dane-se, pensou. Ela ia deixar solto.
— Você está pronto? — ela disse quando ela foi até ele. — Você parece preocupado. Como
posso ajudar?
— Não, estou bem. — Ele ofereceu seu cotovelo. — Vamos. Vamos fazer isso.
Ele a levou para fora do seu quarto e entrou no corredor. Quando chegaram ao conjunto de
quartos de sua mãe, ele diminuiu a velocidade. Então parou.
— Você quer entrar? — ela perguntou. — Eu espero você no andar de baixo.
— Não, vou deixá-la aí.
Enquanto continuaram na grande escada e começaram a descer, sentiu-se como uma
impostora, até sentir a tensão no braço e percebeu que ele estava inclinado sobre ela.
— Eu não posso fazer isso sem você, — ele sussurrou quando chegaram ao fundo.
— Você não precisará, — ela disse calmamente quando eles entraram no piso de mármore.
— Eu não vou deixar o seu lado.
Ao redor, os garçons com gravatas e coletes pretos estavam prontos com bandejas de prata,
preparados para pegar o pedido de bebida. Havia dois bares montados, um na sala de jantar à
esquerda, outro na sala da frente à direita, com apenas Reserva Família Bradford, vinho branco e
refrigerante disponível. As flores que ela havia pedido e organizado foram exibidas de forma
proeminente em cada sala, e havia uma mesa circular antiga centrada na entrada com um livro de
condolências e uma bandeja de prata para receber cartões.
Gin e Richard foram o próximo da família a chegar, os dois descendo as escadas com a
distância de um campo de futebol entre eles.
— Irmã, — Lane disse enquanto ele beijava sua bochecha. — Richard.
Os dois passaram sem reconhecer Lizzie, mas em sua mente, foi um caso de: às vezes você
teve sorte. Tudo o que eles diriam ou fariam era provável se deparar-se com condescendentes de
qualquer maneira.
— Isso não está bem, — murmurou Lane. — Eu vou ter que...

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— Não faça nada. — Lizzie apertou sua mão para chamar sua atenção. — Ouça-me quando
digo isso. Isso não me incomoda. Em absoluto. Eu sei onde estou e se sua irmã me aprova ou me
desaprova? Não altera meu código postal no mínimo.
— É desrespeitoso.
— É meninas do ensino médio. E cheguei a isso há quinze anos atrás. Além disso, ela é assim
porque é miserável. Você poderia estar ao lado de Jesus Cristo, filho de Deus, e ela odiaria o fato de
ele estar com um manto e sandálias.
Lane riu e a beijou na têmpora. — E mais uma vez, você me lembra exatamente por que
estou com você.

— Espera. Sua gravata está torcida.


Mack torceu. Seu escritório vinha com um chuveiro, uma pia e um vaso sanitário, e ele não
tinha incomodado em fechar a porta quando entrou... bem, ferrado, com esse laço de seda em sua
garganta.
Beth colocou alguns papéis na mesa e veio.
O espaço apertado ficou ainda mais apertado quando ela entrou com ele, e Deus, seu perfume
enquanto ela esticava e deslizava o nó.
— Eu não acho que isso combina mesmo, — ele disse enquanto tentava não se concentrar em
seus lábios. — A camisa, quero dizer.
Cara, eles pareciam macios.
— Não. — ela sorriu. — Mas está tudo bem. Você não é julgado no seu senso de moda.
Por uma fração de segundo, ele imaginou colocar suas mãos em sua cintura e puxá-la contra
a frente de seus quadris. Então ele mergulharia a cabeça e descobriria o sabor dela. Talvez levantá-
la em cima da borda da pia e...
— Bem? — ela indagou quando ela jogou uma extremidade da gravata sobre a outra em seu
coração.
— O quê?
— Onde você está indo todo vestido?
— O velório de William Baldwine em Easterly. Estou atrasado. Começa às quatro.
O puxão de sua garganta foi erótico, mesmo que ele o levasse na direção errada: se Beth
estivesse mexendo com suas roupas, ele queria que ela estivesse tirando-as dele.
— Oh. Uau. — Mais puxão. Então ela recuou. — Melhor.
Ele se inclinou para um lado e verificou-se no espelho. A maldita coisa era reta como uma

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linha em uma rodovia, e o nó estava bem no colarinho, e nem todos foram conquistados de uma
forma ou de outra, também. — Muito impressionante.
Beth saiu, e ele a viu se afastar antes de chutar sua própria bunda. No momento em que ele
estava pronto para se voltar a focar, ela estava em sua mesa, fazendo um gesto para as coisas,
falando.
Ela estava encarnada novamente, o vestido estava sobre o joelho, mas não muito longe, e
abaixo no pescoço, mas não demais. As mangas eram curtas. Meias? Não, ele não pensava assim, e
maldito, essas eram boas pernas. Sapatos planos.
— Bem? — ela disse novamente.
Ok, ele precisava cortar a porcaria antes que ela pegasse aquela vibração hostil-trabalho-
ambiente que ele estava jogando.
— O quê? — ele perguntou quando ele saiu do banheiro.
— Você acha que eu poderia me juntar a você? Quero dizer, eu não trabalhei para o homem,
mas agora estou na empresa.
Não era um encontro, ele disse enquanto assentia. Absolutamente não. — Claro. — Ele
limpou a garganta. — É um evento aberto. Imagino que haverá muitas pessoas da BBC.
Provavelmente devemos ir no seu carro, no entanto. Minha picape não é um lugar para uma
senhora.
Beth sorriu. — Vou pegar minha bolsa. Feliz de dirigir.
Mack ficou para trás por um segundo enquanto ela foi até a mesa. Forçando a olhar para
todos os rótulos nas paredes, ele lembrou a sua ereção parcial de que ela era sua assistente
executiva. E sim, ela era linda, mas havia coisas mais importantes para se preocupar com sua vida
amorosa atualmente inexistente.
Hora de se acomodar em algum lugar, pensou. Esteve muito ocupado com o trabalho nos
últimos tempos, e isso foi o que aconteceu: você se tronava um cara desesperado ao redor de uma
mulher muito decente e seu pau assume o controle.
— Mack? — ela gritou.
— Chega... — Pare. Isto. — Não, quero dizer... eu estou, ah...
Oh, pelo amor de Deus.

189
Capítulo 29

Ninguém apareceu.
Cerca de uma hora e vinte minutos de velório, quando deveria ter havido uma fila pela porta
da frente e um carrossel de ônibus subindo e descendo a montanha, havia apenas alguns
retardatários, todos os quais examinaram a escassez de gente e batiam em retirada para a porta de
Easterly.
Como se tivessem usado trajes de Halloween para um baile. Ou branco após o Dia do
Trabalho. Ou estava sentado na mesa das crianças durante algum grande evento.
Supunha que ele estivesse errado sobre pessoas que queriam ver os poderosos caídos de perto
e pessoalmente.
Lane passou muito tempo vagando de uma sala para outra, com as mãos nos bolsos porque
sentia vontade de beber e sabia que era uma má ideia. Gin e Richard desapareceram em algum
lugar. Amélia nunca desceu. Edward não apareceu.
Lizzie estava ficando bem com ele.
— Com licença senhor.
Lane voltou para o mordomo uniformizado. — Sim?
— Há algo que eu possa fazer?
Talvez fosse o sotaque inglês, mas Lane poderia ter jurado que o Sr. Harris estava sutilmente
satisfeito com a desonra. E isso não fez que Lane quisesse se aproximar e transformar todo aquele
cabelo Brylcreem em uma bagunça só.
— Sim, diga aos garçons para arrumar os bares e então eles podem ir para casa. — Não há
motivo para pagá-los para ficar de pé. — E deixe os manobristas e os ônibus irem. Se alguém quer
vir, eles podem deixar seus carros na frente.
— Claro senhor.
Quando Harris desapareceu, Lane foi até a base da escada e sentou-se. Olhando pela porta da
frente até a luz do sol, ele pensou na reunião com o membro do conselho. As cenas com Jeff. O
encontro com John Lenghe.
Quem deveria aparecer em uma hora, mas quem sabia.
Jeff estava certo. Ele estava usando táticas de braço forte, e manipulando pessoas e dinheiro
ao redor. E sim, era sob o pretexto de ajudar a família de merda, salvando a família. Mas a ideia de

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que ele poderia estar se transformando em seu pai fez seu estômago revirar.
Engraçado, quando ele foi a essa ponte e se inclinou sobre essa borda, ele queria algum tipo
de conexão ou compreensão do homem. Mas agora ele estava arquivando isso sob cuidado com o-
que-você-deseja. Muitos paralelos estavam montando, graças à maneira como ele se comportava.
E se ele se transformasse no filho da puta...
— Ei. — Lizzie se sentou ao lado dele, enfiando a saia debaixo das coxas. — Como você
está? Ou espere, essa é uma pergunta estúpida, não é.
Ele se inclinou e a beijou. — Estou bem...
— Eu perdi isso?
Ao som de uma voz familiar que ele não tinha ouvido há muito tempo, Lane ficou rígido e
virou lentamente. —... mãe?
No topo da escada, pela primeira vez em anos, sua mãe estava com o apoio de sua
enfermeira. Virginia Elizabeth Bradford Baldwine, ou Little V.E. Como ela era conhecida na
família, estava vestida com um longo vestido de seda branco, e havia diamantes em suas orelhas e
pérolas ao redor de sua garganta. Seu cabelo perfeitamente colorido e sua coloração era adorável,
embora definitivamente o resultado de um bom trabalho de maquiagem em oposição à saúde.
— Mãe, — ele repetiu enquanto se levantava e subia as escadas duas de cada vez.
— Edward, querido, como você está?
Lane piscou algumas vezes. E então pegou o lugar da enfermeira, oferecendo um braço que
foi prontamente aceito. — Você quer descer as escadas?
— Eu acho que é apropriado. Mas ah, estou atrasada. Eu perdi todos.
— Sim, eles vieram e foram embora. Mas está tudo bem, mãe. Vamos prosseguir.
O braço de sua mãe era semelhante ao de um pássaro, tão magro sob a manga e, enquanto se
inclinava sobre ele, seu peso mal se registrou. Eles fizeram a descida devagar, e durante todo o
tempo, ele queria erguê-la e carregá-la, porque parecia que poderia ser uma opção mais segura.
Se ela tivesse uma queda? Tinha medo de que ela corresse o risco de se quebrar na base da
escada.
— Seu avô foi um grande homem, — ela disse, quando eles chegaram ao chão de mármore
preto e branco do salão. — Oh, olha, eles estão removendo as bebidas.
— Está tarde.
— Eu adoro as horas de sol no verão, não é? Elas duraram tanto tempo.
— Você gostaria de se sentar no salão?
— Por favor, querido, obrigado.
Sua mãe não caminhava tanto como embaralhava até a arcada, e quando finalmente chegaram

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aos sofás de seda em frente à lareira, Lane se sentou no que estava de frente para a porta da frente.
— Oh, os jardins. — Ela sorriu enquanto olhava pelas portas francesas do outro lado do
caminho. — Eles parecem tão maravilhosos. Você sabe, Lizzie trabalha tão duro em tudo.
Lane escondeu a surpresa ao passar e servir-se de um bourbon no carrinho da família. Foi
além do tempo que ele cedeu ao seu desejo. — Você conhece Lizzie?
— Ela me traz minhas flores, oh, você está. Lizzie, você conhece meu filho Edward? Você
deve.
Lane olhou a tempo para ver Lizzie fazer uma dupla tomada e depois cobrir a reação bem. —
Sra. Bradford, como você está? É maravilhoso ver você de pé.
Embora o sobrenome de sua mãe fosse legalmente Baldwine, ela sempre foi a Sra. Bradford
em torno da propriedade. Era assim como as coisas eram, e uma das primeiras coisas que seu pai
tinha aprendido a odiar, sem dúvida.
— Bem, obrigada, querida. Agora, você conhece Edward?
— Sim, — disse Lizzie suavemente. — Eu o conheci.
— Diga-me, você está ajudando com a festa, querida?
— Sim, senhora.
— Eu acho que perdi. Eles sempre me disseram que eu chegaria tarde para meu próprio
funeral. Parece que eu calculei mal o do meu pai também.
Quando dois garçons entraram para começar a desligar o bar no canto, Lane balançou a
cabeça em suas direções e eles se afastaram. Ao longe, ele podia ouvir o tintilar de copos e garrafas
e um pingo de conversa da equipe enquanto as coisas eram tratadas na sala de jantar, e ele esperava
que seu cérebro interpretasse como o fim de festa.
— Sua escolha de cor é sempre perfeita, — disse sua mãe a Lizzie. — Eu amo meus buquês.
Aguardo os dias em que você os muda. Sempre uma nova combinação de flores, e nunca um fora do
lugar.
— Obrigada, Sra. Bradford. Agora, se você me desculpar?
— É claro querida. Há muito o que fazer. Imagino que tínhamos uma terrível aglomeração de
pessoas. — Sua mãe acenou com a mão tão graciosa como uma pena que flutuava através do ar, seu
enorme diamante em forma de pera piscando como uma luz de Natal. — Agora, diga-me, Edward.
Como estão as coisas no Old Site? Temo que estive fora de circulação por um algum tempo.
Lizzie deu um aperto no braço antes de deixar os dois sozinhos, e Deus, o que ele não teria
dado para segui-la para fora da sala. Em vez disso, sentou-se no lado mais afastado do sofá, aquela
foto de Elijah Bradford parecia olhar para ele de cima da lareira.
— Tudo está bem, mãe. Tudo bem.

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— Você sempre foi um homem de negócios tão maravilhoso. Você assemelha ao meu pai,
você sabe.
— Isso é um elogio.
— É para ser.
Seus olhos azuis estavam mais pálidos do que ele se lembrava, embora talvez fosse porque
eles realmente não se concentravam. E o cabelo de sua rainha Elizabeth não era tão grosso. E sua
pele parecia tão fina como uma folha de papel e tão translúcida como a seda fina.
Ela parecia ter oitenta e cinco, não sessenta e cinco.
— Mãe? — ele disse.
— Sim querido?
— Meu pai está morto. Você sabe disso, certo? Eu te disse.
Suas sobrancelhas se juntaram, mas nenhuma linha apareceu e não porque ela tivesse Botox.
Pelo contrário, ela foi criada em uma época em que jovens senhoras foram educadas a não ir ao sol,
não que os perigos com o câncer de pele fossem plenamente conhecidos naquela época, e não por
causa de qualquer preocupação com a camada de ozônio sendo esgotada. Mas, porque as
sombrinhas e guarda-sóis no lazer eram acessórios elegantes para as filhas dos ricos.
Os anos sessenta no sul rico foram mais análogos aos anos quarenta em qualquer outro lugar.
— Meu marido…
— Sim, o pai morreu, não avô.
— É difícil para mim... o tempo é difícil para mim agora. — Ela sorriu de uma maneira que
não lhe deu nenhuma ideia de estar sentindo qualquer coisa ou se o que ele estava dizendo estava
afundando em tudo. — Mas eu vou ajustar. Bradfords sempre se ajusta. Oh, Maxwell, querido, você
veio.
Quando ela estendeu a mão e olhou para cima, ele se perguntou quem no inferno que ela
achou que chegara.
Quando ele se virou, ele quase derramou sua bebida. — Maxwell?

— Sim, por ali, por favor. E para a sala dos casacos.


Lizzie apontou um garçom segurando uma caixa de copos alugados e não utilizados em
direção à cozinha. Então ela voltou para pegar a última das garrafas de vinho branco não abertas de
uma caixa de bebidas no chão. Graças a Deus, havia algo para limpar. Se ela tivesse que ficar em
todas aquelas salas vazias por mais tempo, ela iria perder a cabeça.
Lane não parecia se importar de um jeito ou de outro que essencialmente ninguém veio, mas

193
Deus ...
Inclinando-se, levantou a caixa e caminhou por trás da mesa coberta de linho. Saindo da sala
de jantar pela porta lateral, ela colocou a caixa com as outras três no salão dos funcionários. Talvez
eles pudessem devolvê-las porque as garrafas não foram abertas?
— Cada centavo ajuda, — ela disse para si mesma.
Imaginando que ela começasse no bar no terraço, ela hesitou em uma das portas dos
funcionários, mesmo que, se ela usasse, ela teria que caminhar até o outro lado da casa.
Em Easterly, a família podia ir e vir de qualquer lugar a qualquer momento. Os funcionários,
por outro lado, foram regimentados.
Então, novamente...
— Dane-se.
Ela não estava fazendo esse esforço porque ela era uma empregada, mas porque o homem que
amava estava tendo um dia realmente de merda e a estava matando ver isso acontecer e ela
precisava melhorar a situação de alguma forma, mesmo que fosse apenas a arrumação para um
evento que nunca aconteceu.
Atravessando os cômodos, saiu as portas francesas da biblioteca e fez uma pausa. Este era o
terraço que tinha vista para o rio e o grande declive para a River Road, e todos os antigos móveis de
ferro forjado e mesas cobertas de vidro foram movidos para a periferia para acomodar todas as
pessoas que não vieram.
O barman posicionado lá fora deixou seu posto, e ela passou e levantou o forro de mesa de
linho do bar. Por baixo, caixotes vazios para os utensílios e caixas para o bourbon e o vinho
estavam bem ordenados, e ela arrastou alguns deles.
Justo quando ela estava prestes a começar a embalar, literalmente, notou a pessoa sentada
imóvel e silenciosa por uma das janelas, seu foco na casa, não na vista.
— Gary?
Enquanto falava, o chefe da maquinaria pulou tão rápido, a cadeira de metal em que ele
estava esbarrou na lareira.
— Oh, puxa, desculpe. — Ela riu. — Eu acho que todos estão no limite hoje.
Gary estava em um macacão e suas botas de trabalho foram mantidas, sem sujeira ou detritos
nelas. Seu velho boné de beisebol de Momma's Mustard, Pickles & BBQ estava em sua mão, e ele
rapidamente o empurrou para trás em sua cabeça.
— Você não precisa sair, — ela disse quando começou a transferir copos para uma caixa
embaixo.
— Eu não irei. Apenas quando eu vi...

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— Sem carros, certo. Quando você viu que ninguém estava chegando.
— As pessoas ricas têm um estranho senso de prioridade.
— Amém a isso.
— Bem, de volta ao trabalho. Você não está precisando de nada?
— Não, estou me dando algo para fazer. E se você me ajudar, eu terminarei mais rápido.
— Então é assim, hein.
— Sim desculpa.
Ele resmungou e saiu pela lateral distante do terraço, tomando o caminho que descia em
torno da base da muralha de pedra que impedia essa parte da mansão de cair de seu sublime poleiro.
Mais tarde, muito mais tarde, Lizzie se perguntou por que se sentia obrigada a sair do bar e
caminhar até onde o homem esteve sentado e olhando tão atentamente. Mas, por algum motivo, o
impulso foi inegável. Então, novamente, Gary raramente ficava quieto, e ele curiosamente
desinflou.
Inclinando-se no velho vidro... viu a mãe de Lane empoleirada, tão bonita quanto uma rainha,
naquele sofá de seda.

195
Capítulo 30

Lane pôs-se de pé e avançou para o irmão Maxwell. Ele queria abraçar o cara, mas ele não
tinha ideia do tipo de recepção que ele iria conseguir.
Os olhos cinzentos pálidos de Max se estreitaram. — Ei irmão.
Ainda mais alto e mais largo do que ele ou Edward, mas agora ainda mais. E havia uma barba
cobrindo a metade inferior do rosto. O Jeans foi tão bem lavado que pendia como uma brisa, e a
jaqueta feita de couro, em algum momento, mas a maior parte do couro estava gasto. A mão que se
estendia era calosa e as unhas tinham sujeira ou óleo debaixo delas. Uma tatuagem emergiu da
manga na parte de trás do pulso.
O gesto formal de saudação foi um retrocesso, Lane supôs, à maneira como eles cresceram.
— Bem-vindo de volta, — Lane ouviu-se dizer enquanto eles se cumprimentaram.
Seus olhos não podiam parar de vaguear enquanto tentava colher pistas físicas de onde seu
irmão tinha estado e o que ele fez nos últimos anos. Mecânico de carros? Lixeiro? Trabalhador de
estrada? Algo envolvendo trabalho físico com certeza, dado o tamanho que ele era.
O contato físico entre suas palmas durou apenas um momento e então Max recuou e olhou
para a mãe.
Ela estava sorrindo naquela maneira vazia, com os olhos suavemente focados. — E quem
pode ser você?
Mesmo que ela simplesmente percebeu o homem?
— Ah, é Maxwell, mãe, — Lane disse antes que ele pudesse parar-se. — Este é Maxwell.
Quando ele colocou a mão naquele pesado ombro, como se ele fosse um anfitrião do QVC
destacando uma torradeira à venda, Little V.E. piscou algumas vezes. — Mas é claro. No entanto
você é, Maxwell? Você está aqui por muito tempo?
Agora, ela não parecia reconhecer que Maxwell era seu filho, e não só porque ele estava com
barba, mas porque mesmo o nome não parecia se registrar como significado.
Max pareceu respirar fundo. E então ele soltou. — Eu estou bem. Obrigado.
— Talvez um banho para você, sim? E um barbear. Nós nos vestimos aqui para jantar no
Easterly. Você é um amigo íntimo de Edward então?
— Ah, sim, — ele disse remotamente. — Eu sou.

196
— Esse é um bom menino.
Quando Max olhou para trás como se estivesse procurando uma balsa salva-vidas, Lane
limpou a garganta e assentiu para o arco. — Deixe-me lhe mostrar o seu quarto.
Mesmo que o cara, sem dúvidas, não tivesse esquecido de onde era.
Lane acenou com a cabeça para a enfermeira que estava no canto para assumir o controle, e
então ele levou Max para o vestíbulo. — Surpresa, surpresa, irmão.
— Eu li sobre isso no jornal.
— Não pensei que anunciássemos o velório no CCJ.
— Não, a morte.
— Ah.
E então só houve silêncio. Max estava olhando ao redor, e Lane lhe deu um segundo para
absorver tudo, pensando em quando ele próprio havia retornado depois de dois anos. Nada mudou
em Easterly, e talvez isso fosse parte do que desarmava quando você voltava depois de um exílio: as
lembranças eram muito afiadas porque o palco permaneceu inalterado. E, também, exceto para
Edward, os atores também eram exatamente como você os deixara.
— Então você está ficando? — perguntou Lane.
— Eu não sei. — Max olhou para a escada. Em seguida acenou para a mala surrada que ele
tinha, obviamente caiu pela porta aberta. — Se eu ficar, não será aqui.
— Eu posso te dar um hotel.
— É verdade que vamos à falência?
— Estamos sem dinheiro. A falência depende do que acontece depois.
— Então ele saltou de uma ponte?
— Talvez. Há algumas circunstâncias atenuantes.
— Ah.
Agora, Max voltou a olhar para o salão, para a mãe que estava sorrindo agradavelmente para
a enfermeira quando a mulher lhe entregou um copo com água.
— Ela está morrendo também? — Max perguntou.
— Poderia estar também.
— E, ah, quando o evento começa?
— Estou fechando. — Lane alisou sua gravata. — Uma reversão da fortuna é uma doença
social não contagiosa. Ninguém veio.
— Pena...
— Onde diabos você esteve, Max? — Lane interveio. — Nós tentamos encontrá-lo.
Os olhos de Max giraram, e ele pareceu notar Lane pela primeira vez. — Você sabe, você

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parece mais velho.
— Não, merda, Max. Foram três anos.
— Você parece uma década mais velho.
— Talvez seja porque finalmente estou crescendo. Enquanto isso, claramente seu objetivo de
transformar-se em um evasivo está em andamento.
Naquele momento, um carro parou na frente da mansão e, no início, Lane estava muito
ocupado, pensando em estrangular seu irmão por desaparecer para perceber quem era. Mas, quando
um elegante homem afro-americano saiu, Lane teve que sorrir um pouco.
— Bem, bem, bem, o tempo é tudo.
Max olhou para o sol desaparecendo. A lembrança instantânea fez os olhos arregalar, e ele
realmente recuou como se de um golpe físico.
Não havia nenhum lugar para correr, no entanto.
O Reverendo Nyce viu o homem que havia quebrado o coração de sua filha em mil pedaços.
E o pregador podia ser um homem de Deus, mas mesmo Lane, como um terceiro desinteressado,
queria sair do caminho quando o cara se concentrou no vagabundo degenerado que havia voltado
para a casa para se albergar.
— Vou deixá-los dois para recuperar o atraso, — murmurou Lane enquanto se dirigia para o
salão.

Quando Edward chegou ao velório, ele não entrou pela porta da frente. Não, ele deixou a
picape de Shelby no caminho de trás e estacionou atrás da ala da cozinha, assim como o dia
anterior. Saindo, ele colocou a camiseta por baixo de sua calça caqui, alisou seu cabelo e ficou feliz
que ele tivesse se incomodado em se barbear. Mas seu tornozelo o fez sentir como se ele tivesse
uma bola de ferro amarrada à perna, e seu coração batia engraçado. A boa notícia, no entanto, era
que os dois goles de uma garrafa de gin antes de ter saído de Red & Black tinha uniformizado sua
síndrome de abstinência bem, e embora ele tivesse um frasco cheio no quadril da coisa, ele não
precisava beber ainda.
Seu coração desacelerou para um ritmo mais produtivo quando ele se aproximou da porta da
cozinha traseira de Easterly, e quando a tela rangeu quando ele abriu a coisa, ele percebeu um
cheiro revelador / doce / picante que o levou de volta à infância. No interior, a Srta. Aurora estava
sentada no balcão, os calcanhares colocados na parte inferior de um banquinho, o avental erguido
até as coxas. Ela parecia velha e cansada, e ele odiava sua doença com paixão naquele momento.
Olhando para longe, então não se sentia emocional, ele viu pilhas sobre pilhas de embalagem

198
de alumínio descartável com topos ajustados, o alimento embalado evidentemente pronto para ser
levado para São Vicente de Paulo para alimentar os sem-abrigo e abrigado.
— Um monte não apareceu? — ele disse, indo e puxando uma empanada de debaixo de uma
das tampas.
Seu estômago resmungou com o aroma de suas empanadas de cordeiro.
— É assim como você fala olá, — ela disse. — Onde estão seus modos, garoto.
— Me desculpe. — Ele se virou e inclinou-se para ela. — Como você está?
Quando ela apenas resmungou, ele se endireitou e olhou para ela corretamente. Sim, pensou
ele, ela sabia por que ele veio.
Então, novamente, ele talvez não fosse seu favorito, Lane segurou esse lugar no coração da
mulher, mas ela sempre foi uma das poucas pessoas a lê-lo como um livro.
— Você quer chá? — ela disse. — Está ali.
Ele coxeou até o jarro de vidro que ela apontou. Era o mesmo que ele usara quando era
criança, o fundo quadrado e pescoço fino com o padrão de flor amarela e laranja dos anos setenta
que estava ficando desgastado.
— Você deixa este copo especial para mim? — ele disse enquanto se servia de um pouco.
— Eu não quero que você esteja envolvido no meu negócio.
— Muito tarde.
Ele adicionou gelo do balde liso ao lado de seu cântaro usando as pinças de plástico.
Tomando um sorvo de prova, ele fechou os olhos.
— Ainda tem o mesmo gosto.
— Por que não teria?
Ele coxeou e pegou o tamborete ao lado dela. — Onde estão todos os seus empregados?
— Seu irmão lhes disse para ir para casa, e ele estava certo.
Edward franziu a testa e olhou para as portas da aba. — Então, verdadeiramente, ninguém
veio.
— Não.
Ele teve que rir. — Espero que haja um céu e meu pai veja isso. Ou que há um telescópio no
inferno.
— Eu não tenho energia para lhe dizer para não falar mal dos mortos.
— Então, quanto tempo você tem? — ele disse sem nenhum preâmbulo. — E eu não direi a
Lane, eu prometo.
Os olhos de Senhorita Aurora se estreitaram sobre ele. Até o ponto em que ele sentiu sua
bunda se contorcer. — Você se vê, Edward. Eu ainda tenho a minha colher, e eu posso ter o câncer,

199
mas você também não é tão rápido como costumava ser.
— É verdade. Agora responda à pergunta e saiba se você mentir, eu descobrirei.
Senhorita Aurora jogou as mãos fortes no balcão. A pele escura ainda era bonita e lisa, as
unhas cortadas e a falta de anéis uma constante por causa de seu trabalho.
No silêncio que se seguiu, ele sabia que ela estava tentando um cenário onde ela mentiria
para ele. Ele também sabia, em última análise, que ela não ia falsificar isso. Ela iria querer que
alguém preparasse Lane, e ela diria a verdade: que, por todo o afastamento de Edward da família,
havia pelo menos duas coisas das quais ele não afastaria.
— Parei o tratamento, — ela disse afinal. — Muitos efeitos colaterais, e não funcionou de
qualquer maneira. E é por isso que eu quero dizer quando digo que você não deveria se envolver
nisso.
— Tempo. Quanto tempo?
— Isso importa?
Então era tão pouco, ele pensou. — Não, acho que não, na verdade.
— Eu não tenho medo, você sabe. O meu Salvador me carregará na palma da mão.
— Você tem certeza? Mesmo agora?
A senhorita Aurora assentiu com a cabeça e levou uma mão ao seu pequeno tecido com os
cachos apertados. — Especialmente agora. Estou pronta para o que está por vir. Estou preparada.
Edward lentamente balançou a cabeça para frente e para trás, e então percebeu que se ela
podia ser honesta, então ele poderia. Em uma voz que não soava como a dele, ele se ouviu dizer: —
Eu realmente não quero ser sugado novamente nessa família. Quase me matou uma vez.
— Você é livre.
— Por um batismo de tortura naquela selva. — Ele amaldiçoou. — Mas como você sabe... eu
não posso suportar ver meu irmão sofrer. Você e eu sofremos de uma fraqueza similar quando se
trata de Lane, apenas por diferentes motivos.
— Não, é a mesma razão. Amor é amor. É assim tão simples.
Demorou um pouco antes de poder olhar para ela. — Minha vida está arruinada, você sabe.
Tudo o que planejei... tudo acabou.
— Você criará um novo caminho. E quanto a isso? — Ela indicou tudo em torno de si
mesma. — Não guarde o que não precisa guardar.
— Lane não vai se recuperar da sua perda.
— Ele é mais forte do que você sabe, e ele tem sua Lizzie.
— O amor de uma boa mulher. — Edward tomou outra bebida do chá. — Isso parece tão
amargo quanto eu acho?

200
— Você não precisa mais ser um herói, Edward. Deixe isso tomar seu curso apropriado e
confie em que o resultado seja predeterminado e como deveria ser. Mas espero que você cuide do
seu irmão. Nisso, você não me faltará.
— Eu pensei que você disse que não tenho que ser um herói.
— Não me tente. Você sabe a diferença.
— Bem, vou dizer que sua fé nunca deixou de me surpreender.
— E sua autodeterminação funcionou tão bem?
Edward a brindou. — Touché.
— Como você descobriu? — perguntou a senhorita Aurora depois de um momento. — Como
você sabia?
— Eu tenho meus caminhos, senhora. Posso estar para baixo, como eles dizem, mas não
estou fora. — Ele franziu a testa e olhou em volta. — Espere um minuto, onde foi aquele velho
relógio? Aquele que costumava estar na geladeira que você tinha antes deste lugar foi renovado?
— Aquele que clicava?
— Lembra-se desse som? — ambos riram. — Eu odiava aquilo.
— Eu também. Mas estou corrigindo agora. Quebrou um tempo atrás, e sinto falta dele. É
divertido como você pode sentir falta de algo que você despreza.
Ele bebeu seu chá gelado até que acabou. — Esse não é o caso do meu pai.
Senhorita Aurora alisou as bordas de seu avental. — Eu não acho que há muitos que sentiram
a falta dele. As coisas acontecem por uma razão.
Edward se levantou e levou o copo vazio para a pia. Colocando-o, olhou pela janela. As
garagens estavam do outro lado do caminho, e depois para a esquerda, estendendo-se para fora da
casa, o centro de negócios era uma ala maior do que a maioria das mansões de bom tamanho.
— Edward, você deixa isso ir. O que será, será.
Provavelmente um bom conselho, mas isso não estava em sua natureza. Ou, pelo menos,
nunca antes.
E parecia que algumas partes de seu velho eu não estava morto ainda.

201
Capítulo 31

Enquanto a limusine de Sutton aproximava-se dos portões principais de Easterly e parou, ela
franziu a testa e inclinou-se para dirigir-se a seu motorista.
— Eu acho que vamos direto?
— Sim, senhora, acho que sim. O caminho está aberto.
Geralmente, para grandes assuntos como o velório de William Baldwine, os Bradfords
dirigiam um sistema de ônibus para cima e para baixo da colina com os convidados deixando seus
carros fora para serem manobrado para os estacionamentos. Mas não havia nenhum manobrista
uniformizado. Não há veículos em nenhum dos estacionamentos, doze lugares na subida ou descida.
Ninguém mais movendo.
Mas pelo menos a imprensa não estava à vista. Sem dúvida, esses abutres haviam acampando
desde o momento em que a história tinha saído. Claramente, no entanto, eles foram enxotados em
deferência ao direito de um dono de propriedade de usar sua própria grama como estacionamento.
— Não posso acreditar que ninguém está aqui, — ela murmurou.
Ah, espere, Samuel Theodore Lodge estava atrás dela em seu conversível.
Ela pousou a janela e se inclinou para fora. — Samuel T.?
Ele acenou. — Senhorita Smythe. Como vai?
Samuel T. estava sempre elegante como sempre, um chapéu de palha com uma faixa de azul
e marrom na cabeça, aviadores que sombreavam os olhos, o terno listrado e a gravata borboleta
parecendo que ele estava indo para a pista ou já foi.
— Prazer em te ver, — ela respondeu. — Onde está todo mundo? É o momento certo?
— Até onde sei.
Eles se olharam por um momento, perguntando e respondendo perguntas sobre a história da
primeira página.
Então Samuel T. disse: — Dirija o caminho e eu seguirei.
Sutton voltou a entrar no Mercedes e assentiu com a cabeça. — Vamos subir.
A limusine começou a avançar, e Sutton esfregou as palmas das mãos. Estavam um pouco
suadas, e ela cedeu o impulso de tirar um compacto de sua bolsa e verificar seu batom. O cabelo.
Pare com isso, disse a si mesma.

202
Quando se aproximaram do topo, Easterly foi revelada em toda sua majestade. Engraçado,
apesar de ter estado na propriedade dos Bradford em Derby Brunch, ela ainda estava impressionada.
Não é de admirar que eles colocassem a grande casa branca em suas garrafas de bourbon. Parecia o
Rei da América, se houvesse um, moraria lá.
— Você gostaria que eu esperasse? — perguntou o motorista.
— Isso seria adorável. Obrigada, não, não saia. Abrirei a minha própria porta.
Quando Don se contorceu atrás do volante, ela fez o dever e sorriu para Samuel T. e seu
Jaguar vintage. — Bom carro, você tem aí, Procurador.
Samuel T. desligou o motor e puxou o freio de mão. — Eu gosto bastante dela. A mulher
mais consistente que tive na minha vida é a minha mais querida mãe.
— Bem, é melhor você colocar o teto. — Ela acenou para a cobertura de nuvens grossas
sobre a cabeça. — As tempestades estão chegando.
— Eu pensei que eles estavam brincando.
Sutton balançou a cabeça. — Acho que não.
O homem saiu e segurou a pequena cobertura de tecido do carro com alguns puxões e depois
um grampo em cada lado do para-brisa. Então ele fechou as janelas e aproximou-se dela, dando um
beijo na bochecha dela.
— A propósito, — ele entoou, — você está muito bem, Senhora Presidente, ou devo dizer
Diretora Presidenta. Parabéns pela promoção.
— Obrigada. Estou acelerando. — Ela ligou o braço entre eles enquanto ele lhe ofereceu o
cotovelo. — E você? Como está o negócio?
— Próspero. Sempre há pessoas que estão com problemas nesta cidade, que são as boas
notícias e as más notícias.
Aproximando-se da porta aberta da mansão, ela se perguntou se Edward estava dentro.
Certamente ele não perderia o velório de seu próprio pai?
Não que ela estivesse aqui para vê-lo.
— Reverendo Nyce, — ela disse quando entrou. — Como você está, Max! Esse é você?
Os dois homens estavam juntos, e Max se separou do que parecia ser uma conversa tensa
com óbvio alívio. — Sutton, é bom ver você.
Cara, ele mudou. Essa barba é uma coisa. E as tatuagens debaixo de sua jaqueta maltratada?
Então, novamente, ele sempre foi o selvagem.
Samuel T. incrementou e fez a saudação, mãos apertadas, gentilezas trocadas... e então o
reverendo olhou para Max.
— Eu acho que nós estamos claros sobre isso, não estamos? — O Reverendo Nyce fez uma

203
pausa para efeito. E então sorriu para ela. — E você e eu teremos uma reunião na próxima semana.
— Está certo. Estou ansiosa para isso.
Depois que o reverendo se despediu, houve mais conversas entre ela, Samuel T. e Maxwell,
durante as quais tentou não ser óbvia enquanto procurava as salas vazias. Onde estavam todos? O
velório ocorreria até as sete. A casa deveria estar cheia até transbordar.
Olhando do arco para o salão, ela quase ofegou. — É a Sra. Bradford? Sentada com Lane?
— Ou o que resta dela, — disse Max com força.
Sutton se desculpou e entrou na sala lindamente organizada, e assim que a mãe de Edward a
viu, a mulher sorriu e estendeu a mão. — Sutton. Querida.
Tão frágil, mas tão real e elegante, pensou Sutton quando se abaixou e beijou uma bochecha.
— Venha, sente-se e converse comigo, — insistiu a mãe de Edward.
Sutton sorriu a Lane enquanto se abaixava no sofá de seda. — Você está bem, Sra. Bradford.
— Obrigada, querida. Diga-me, você está casada?
Do outro lado, um tipo estranho de calor passou por ela, e Sutton olhou para o outro lado do
caminho. Edward entrou na periferia do salão, seus olhos se fecharam sobre ela enquanto ele se
apoiava na porta.
Sutton limpou a garganta e tentou lembrar o que ela lhe perguntou. — Não Senhora. Eu não
estou casada.
— Oh, como pode ser isso? Uma boa jovem como você. Você deveria ter filhos antes que
seja tarde demais.
Na verdade, estou um pouco ocupada administrando uma corporação de vários bilhões de
dólares no momento. Mas agradeço gentilmente o conselho.
— E como você está, Sra. Bradford?
— Oh, estou muito bem, obrigada. Edward está cuidando de mim, não é?
Quando a Sra. Bradford indicou Lane com sua mão fortemente diamantada, o homem
assentiu e sorriu como se estivesse assumindo esse nome por um tempo. Cobrindo sua surpresa,
Sutton olhou de novo para o outro lado da sala.
O verdadeiro Edward não estava parecendo muito Edward, pelo menos não pelo padrão que a
Sra. Bradford lembrava claramente de seu filho mais velho.
Por algum motivo, a discrepância fez Sutton querer chorar.
— Tenho certeza de que ele está fazendo um ótimo trabalho para você, — disse com voz
rouca. — Edward sempre sabe como lidar com tudo.

204
As senhoras deveriam usar uma meia-calça sob suas saias.
Quando Gin se sentou na beira da piscina no jardim de trás, ela moveu seus pés descalços em
círculos preguiçosos através da água morna, e ficou feliz por nunca ter usado meia-calça. Ou
combinação. Ou luvas.
Embora os dois últimos fossem ultrapassados agora. Bem, indiscutivelmente, o material da
L'eggs22 também foi o que aconteceu com a Spanx23, embora mulheres como sua mãe certamente
nunca saírem sem nylons.
No entanto, ela não era sua mãe. Não obstante os nomes.
E sim, estava quente aqui na borda de azulejos, sem vento chegando a esta parte do jardim
graças à alta parede de tijolos que circundava o layout geométrico dos canteiros e caminhos de
flores. Os pássaros chilram das árvores frutíferas em flor, e acima, nas correntes do que parecia ser
uma tempestade, um falcão navegava, sem dúvida, procurando um local de jantar.
Amelia estava na casa de Chesterfield Markum... ou então o Sr. Harris informou Gin antes do
velório. E isso foi bom o suficiente. Não havia ninguém aqui para ver, na verdade, e Field e Amelia
foram amigos desde que estavam nas fraldas. Nada de romântico ou sexual aí.
Um professor. Deus, Gin achou o desastre da expulsão de uma vez totalmente crível e
totalmente inconcebível. Então, novamente, ela realmente não conhecia muito a sua filha, o que
provavelmente era o motivo da ligação, não era. Ou talvez ela tenha dado a si mesma e seu
vadiagem muito crédito: seus próprios pais podem não ter sido grandes jogadores na vida do dia a
dia, mas ele teve a Senhorita Aurora.
E, no entanto, veja o quão bem ela acabou.
Sentindo-se fraca, Gin tirou a jaqueta curta, mas deixou o cachecol Hermès no lugar. Ela
estava a meio pensamento para cair na piscina com suas roupas, e em uma encarnação anterior de
sua rebeldia, ela teria. Agora, ela simplesmente não tinha energia. Além disso... sem audiência.
— Então, é o casamento ou apenas a recepção?
Gin fechou os olhos brevemente ao som dessa voz tão familiar. — Samuel T. Eu pensei que
você não viria.
Quando os passos se aproximaram por trás dela, ela se recusou a olhar para ele ou recebê-lo.
— Como eu não faria meus respeitos a sua família, — ele disse. — Oh, você estava falando
de suas núpcias?
Houve um som de Shhhhcht e então pegou o cheiro perfumado de tabaco.

22
L'eggs é uma marca de meia-calça introduzida em 1969 por Hanes.
23
Spanx, Inc. é um fabricante americano de roupas íntimas que se concentra na formação de cuecas e leggings, fundada
em Atlanta.

205
— Ainda com os cubanos, — ela murmurou enquanto se concentrava em seus pés se
movendo pela água aquamarine.
— Então, o quê? O e-mail enviado há apenas meia hora não foi específico. Também teve dois
erros ortográficos nele. Você precisa que eu mostre onde a verificação ortográfica está no Outlook?
— Eu estou casando com ele. Mas não haverá uma recepção. —Ela acenou uma mão sobre o
ombro dela, indicando a casa. —Como você vê, as pessoas têm uma visão bastante fraca de nós no
momento. Qual é o ditado? Oh, como os poderosos caíram?
— Ah. Bem, tenho certeza que você encontrará uma maneira de reorientar os fundos. Talvez
em algumas roupas? Uma pequena bugiganga para combinar o seu anel, oh, não, esse é o trabalho
de Richard, não é, e ele certamente está começando no pé direito. Quanto pesa esse brilhante? Um
quilo? Três?
— Foda-se, Samuel.
Quando ele não disse nada, ela se virou. Ele não partiu, no entanto. Pelo contrário, ele estava
de pé sobre ela, suas sobrancelhas embaixo de seus aviadores, um chapéu de palha em uma de suas
mãos, esse charuto na outra.
— O quê? — ela perguntou e tudo o que ele fazia era continuar a encará-la.
Ele a indicou com o charuto. — O que é isso no seu braço? — voltando para a água, ela
balançou a cabeça. — Não é nada.
— Isso é um hematoma.
— Não, não é.
— Sim.
Na próxima coisa que ela soube, ele se agachou ao lado dela e pegou o pulso em seu controle.
— Solte-me!
— Isso é um hematoma. Que diabos, Gin?
Ela se liberou e voltou a vestir a jaqueta. — Bebi um pouco demais. Eu bati em alguma coisa.
— Você bateu. Então, por que parece a impressão de mão de um homem?
— Você está vendo coisas. Foi uma porta.
— Besteira. — Ele a puxou para ele e então olhou mais baixo do que o rosto dela. — O que
está embaixo do lenço, Gin.
— O que?
— Tire o cachecol, Gin. Ou eu vou fazer isso por você.
— Você não vai remover minha roupa, Samuel T. — Ela ficou em pé. — E você pode sair
agora. Ou eu vou. De qualquer forma, essa conversa é...
— Você nunca usou lenços quando eu estava com você. — Ele ficou bem no rosto dela. — O

206
que está acontecendo, Gin?
— Nada...
— Eu vou matá-lo se ele desceu uma mão em você. Eu vou matar esse desgraçado. De
repente, o rosto de Samuel T. tornou-se uma máscara de raiva, e nesse momento, ela o viu pelo
caçador que ele era: Ele poderia estar em um de seus ternos listrado patenteados e sim, ele era
bonito como F. Scott Fitzgerald... mas não havia dúvida em sua opinião de que ele era capaz de
colocar Richard Pford, ou qualquer outro ser vivo, em uma sepultura precoce.
Mas ele não se casaria com ela. Ela já havia perguntado a ele e ele lhe falou.
Gin cruzou os braços. — Ele estava apenas tentando evitar que eu caísse.
— Eu pensei que você disse que foi uma porta.
— Eu bati o batente da porta primeiro e depois Richard me manteve de pé. — Ela revirou os
olhos. — Você pensa honestamente que eu me casaria com alguém que fosse duro comigo? Quando
eu não pedi deliberadamente que ele fosse?
Em resposta, Samuel T. apenas puxou um trago naquele charuto, exalando ao lado, de modo
que a fumaça não entrou no rosto.
— O quê, — ela retrucou. — Odeio quando você me olha assim. Apenas diga, seja o que for.
Ele levou o seu grande momento, e quando ele finalmente falou, sua voz parecia falsamente
nivelada. "Gin, você não está em uma situação tão desesperada quanto você pensa. Este material
financeiro, funcionará. As pessoas continuarão comprando esse bourbon e sua família vai se
recuperar. Não faça nada estúpido.
— Richard pode me bancar. — Ela encolheu os ombros. — E isso o torna valioso se a minha
família tem dinheiro ou não.
Samuel T. balançou a cabeça como se a dor fosse doida. — Pelo menos você nem está
tentando fingir que o ama.
— Os casamentos foram construídos em muito menos. Na verdade, há uma grande tradição
de casar bem na minha família. E não com médicos... ou advogados. Pelo dinheiro real.
— Eu deveria saber que isso estava chegando. — Com uma maldição, ele sorriu friamente.
— E você nunca me decepciona. Divirta-se com o seu homem, especialmente quando você está de
costas e pensando na Inglaterra. Ou é de Bergdorf?
Ela levantou o queixo. — Ele me trata lindamente, você sabe.
— Você escolheu claramente um vencedor. — Ele murmurou algo em voz baixa. — Bem, eu
vou deixar você com isso. Minhas condolências pela perda de seu pai.
— Não foi perda.
— Assim como seus escrúpulos, certo?

207
— Tenha cuidado, Samuel T. Sua maldade sugere uma fraqueza escondida. Você tem certeza
de que não está com ciúmes de um homem que você considera abaixo de você?
— Não, sinto muito por ele. É a maior maldição na vida de um homem que ele ama uma
mulher como você. Esse saco triste não tem ideia do que ele vai ter.
Quando ele se afastou, uma onda de emoção a atingiu. — Samuel.
Ele voltou a girar lentamente. — Sim.
Se ao menos não dissesse que não, pensou. Se você fosse o único que eu poderia recorrer.
— Não volte pela casa com esse charuto. A minha mãe está embaixo, e ela não os aceita
dentro de casa.
Samuel T. olhou para o comprimento ardente. — Certo. Claro.
E então ele se foi.
Por algum motivo, as pernas de Gin começaram a tremer e ela mal chegou a uma das
poltronas de Brown Jordan que estavam alinhadas pelos longos lados da piscina. Quando ela quase
caiu na cadeira, ela teve que tirar a jaqueta novamente.
Quando ela não conseguiu respirar, tirou o maldito cachecol. Por baixo, seu pescoço estava
dolorido, particularmente no lado direito onde estava o pior das contusões.
Yoga respira... três partes... só... precisava respirar fundo...
— Gin?
Ela olhou para a namorada-noiva de Lane... o que fosse. — Sim, — ela disse grosseiramente.
— Você está bem?
— Claro que sim, — ela retrucou. Mas então ela não conseguiu manter a raiva. — Eu estou
simplesmente bem.
— Tudo bem. Mas ouça, uma tempestade está chegando.
— É? — Deus, ela sentiu como se ela tivesse caído na piscina e estivesse se afogando. — Eu
pensei que estava ensolarado... ou algo assim.
— Eu vou pegar um pouco de água. Fique aí mesmo.
Gin estava meio que pensando em discutir, mas sua língua sentiu como se estivesse inchada
em sua boca e então sua cabeça começou a girar com seriedade.
Quando Lizzie voltou, foi com um copo de limonada longo / alto. — Beba isso.
Gin colocou a mão, mas estava tremendo tanto, não havia esperança de segurar nada.
— Aqui... deixe-me.
Lizzie levou o copo ao lábio de Gin e Gin tomou um gole. E depois outro. E depois outro.
— Não se preocupe, — disse a noiva de Lane. — Não vou perguntar.
— Obrigado, — Gin murmurou. — Eu aprecio muito isso.

208
Capítulo 32

Edward poderia ter passado o resto da visita apenas observando Sutton e sua mãe sentarem
juntas naquele sofá de seda. Ao contrário do relacionamento frio de Lane com a mulher da qual eles
tinham nascido, Edward se divertia um pouco com sua amargura represada, principalmente porque,
tendo trabalhado tão intimamente com seu pai, ele tinha um respeito saudável pelo que Little V. E.
foi forçada a suportar.
Por que não encontraria um alívio no fundo de uma garrafa de comprimidos?
Especialmente se você foi enganada, ridicularizada e relegada a todos, exceto um vaso
Tiffany em sua própria casa.
E agora parecia que sua irmã, Gin, estava caindo na mesma armadilha com Pford.
Sutton, por outro lado... Sutton nunca faria algo assim, nunca se inscreveria em um
casamento de conveniência apenas para que ela pudesse viver um determinado estilo de vida. Na
verdade, não precisava de um homem para defini-la. Não, seu plano de vida? Ela dirigiria uma
corporação multinacional como uma chefa...
Como se soubesse que ele estava pensando em algo sobre ela, seus olhos se dirigiram em sua
direção, e depois se voltou para sua mãe.
Seu próprio olhar permaneceu colocado em Sutton, mantendo em seus cabelos e a maneira
como foi retirado do pescoço e longe de seu rosto. Seus brincos eram pérolas gordas ancoradas por
diamantes brilhantes, e em um momento verdadeiramente não-carinhoso, ele se perguntou se o
Merda Dagney comprara aqueles para ela. Eles cumprimentaram o azul claro de seu terno, mas
gemas tão plácidas não faziam justiça.
Ela era melhor em rubis.
Seus rubis.
Mas, seja tesouros do Oriente ou da Birmânia, de um bom pretendente ou uma nota de rodapé
ruim em sua vida amorosa, ela ainda era atrativa e bonita: Eis a nova Diretora Presidente da Sutton
Distillery Corporation. E, no entanto, ela ainda tinha a graça e a classe para ter tempo para falar
gentilmente com uma alma perdida, como sua mãe. Quando terminasse aqui, no entanto? Ela
voltaria a sua limusine em seu terno azul de luar em um campo de neve e suas pérolas,
esperançosamente, não para o governador, e imediatamente se reconectaria com seus executivos

209
seniores, seus líderes de força de vendas, talvez um investidor japonês cuja amável oferta para
comprar a empresa seria rejeitado com um charmoso, mas totalmente inequívoco, não.
Sim, ele ouviu no rádio no caminho, que ela estava assumindo o controle da família. E não
poderia estar em melhores mãos...
Um homem entrou no salão, deu uma olhada em Edward e aproximou e, apesar da barba
desalinhada e das roupas maltratadas, Edward reconheceria seu irmão Maxwell em qualquer lugar.
Então, novamente, ele tinha motivos para fazê-lo.
— Edward, — o cara disse remotamente.
— Max, você está bem, como de costume, — Edward respondeu secamente. — Mas você
deve me perdoar, eu devo ir.
— Diga a Moe, que eu mandei lembranças.
— Claro.
Passando por seu irmão, ele se dirigiu direto para o salão. Parecia insuportavelmente rude,
mesmo para um idiota como ele mesmo, pelo menos, saudar a mãe da qual ele saiu.
Ele não tinha ideia do que dizer, no entanto.
Aproximando-se do sofá, Sutton olhou para ele primeiro. E então, sua mãe fez o mesmo.
Ao procurar por palavras apropriadas, Little V.E. sorriu para ele tão lindamente quanto um
retrato de Thomas Sully. — Quão amável dos funcionários ter vindo prestar seus respeitos. Qual é o
seu nome, filho?
Quando Sutton empalideceu, Edward curvou a cabeça. — Ed, senhora. Esse é o meu nome.
— Ed? Oh, eu tenho um filho chamado Edward. — Sua mão girou em direção a Lane em
indicação, e Deus, o pobre bastardo parecia ter preferido ser engolido por um inferno. — E onde
você trabalha na propriedade?
— Os estábulos, senhora.
Seus olhos eram o azul exato dele, e tão linda quanto uma glória da manhã no sol de julho.
Eles também estavam tão nublados quanto o vidro da janela em uma manhã esmerilada. — Meu pai
adorava seus cavalos. Quando ele for para o céu, haverá puro sangue para ele lá para competir.
— Certamente haverá. Minhas condolências, senhora.
Afastando-se, ele começou o que parecia ser uma longa viagem para fora do salão, apenas
para ouvi-la dizer: — Ah, e aquele pobre homem está paralisado. Meu pai sempre teve um ponto
fraco para os pobres e infelizes.
Foi um tempo antes que a consciência de Edward voltasse de onde ele se evaporou
momentaneamente e ele descobriu que ele havia caminhado pela grande porta da frente em vez de
voltar para a cozinha e onde ele estacionou o caminhão de Shelby.

210
Na verdade, ele estava de pé nos degraus de Easterly, a impressionante e bela vista do rio
abaixo, algo que ele conseguiu ignorar todo o tempo que ele morava na mansão, tanto como criança
quanto como jovem adulto e, mais tarde, como a líder empresarial que ele se tornou.
E, no entanto, como seus olhos via tudo isso agora, ele não estava impressionado pela beleza
da natureza ou inspirado pela amplitude da paisagem ou mesmo triste pelo que ele havia perdido e
estava faltando. Não, o que lhe ocorreu ... era que sua mãe, acreditando que ele fosse era um mero
funcionário, não teria aprovado sua saída. Os funcionários só podiam usar certas entradas prescritas,
todas as quais estavam na parte traseira da casa.
Ele saiu pela porta formal.
Suas pernas estavam fracas quando ele deu um passo para baixo. E depois outro. E, em
seguida, um final para os paralelepípedos da unidade circular e área de estacionamento.
Arrastando-se, abriu um caminho para a parte de trás da grande mansão branca, para a picape
de uma estranha que lhe fora emprestado com a generosidade de um membro da família.
Ou, pelo menos, como você desejava que um membro da família...
— Edward-Edward!
Claro, ele pensou enquanto continuava. Mas é claro que sua fuga não poderia estar livre.
Sutton não teve nenhum problema em alcançá-lo. E enquanto ela tocou seu braço, ele queria
continuar, mas seus pés pararam: como sempre, sua carne a escutava sobre qualquer coisa e
qualquer um, incluindo ele mesmo. E oh, ela estava corada de tristeza, sua respiração era muito
rápida pela curta distância que ela viajara, seus olhos tão largos.
— Ela não o reconheceu, — disse Sutton. — Ela simplesmente... não te reconheceu.
Deus, ela era linda. Esses lábios vermelhos. Esse cabelo escuro. O corpo alto e perfeitamente
proporcional. Ele a conhecia por tanto tempo, fantasiava com ela por tanto tempo, pensaria quando
a visse que não haveria mais revelações. Mas não, esse não era o caso.
Suas fantasias com ela teriam que mantê-lo assim. A maneira como as coisas estavam indo,
com o que estava acontecendo na propriedade... eram tudo o que ele iria ter por algum tempo.
— Edward... — Quando sua voz se quebrou, ele sentiu a dor que ela estava sentindo com
certeza como se fosse dela. — Edward, desculpe.
Ao fechar os olhos, ele riu com dureza para si mesmo. — Você tem alguma ideia de quanto
eu amo esse som? O som do meu nome em seus lábios? É bastante triste, realmente.
Quando ele abriu as pálpebras, ela o encarou com choque.
— Não estou em minha mente correta, — ele se ouviu dizer. — Não neste momento.
Na verdade, ele sentiu que as coisas estavam caindo das prateleiras ali, grandes pesos caindo
e batendo no fundo do crânio, o conteúdo derramando e ficando quebrado em fragmentos.

211
— Me desculpe? — ela sussurrou. — O que?
Ao pegar a mão dela, ele disse: — Venha comigo.

Com um coração batendo, Sutton seguiu Edward enquanto ele a conduzia. Ela queria
perguntar para onde eles estavam indo, mas a expressão assombrada em seu rosto manteve a calma.
E além disso, ela não se importava. A garagem. Os campos. O Rio.
Qualquer lugar. Mesmo que fosse uma loucura.
Ele era apenas... inegável.
Como sempre.
Enquanto eles se aproximavam da parte de trás da casa, havia uma série de garçons vagando
pela porta da tela da cozinha, seus laços da gravata pendurados ao redor de seus pescoços, um
cigarro aceso aqui e ali, uma série de refrigeradores em caixas de gelo portáteis, todas em U de C
vermelho, esperando para ser carregado em um caminhão Ford.
Edward os ignorou e continuou para o centro de negócios.
Não havia sedans de luxo estacionados ao longo de seu flanco. Sem luzes nas janelas, embora
isso possa ter sido porque as cortinas foram abaixadas. Ninguém vai e vem.
E não houve nenhum problema para ele entrar, o código que ele inseriu no teclado libertando
o bloqueio.
No interior, o ar era frio e seco, e a escuridão, juntamente com o teto relativamente baixo,
fazia sentir que estava entrando em uma caverna... uma caverna muito agradável com tapetes
macios e pinturas a óleo nas paredes e uma cozinha de serviço completo ela tinha ouvido falar, mas
nunca viu pessoalmente.
— O que estamos fazendo? — ela perguntou nas costas enquanto ele continuava mancando.
Ele não respondeu. Ele apenas a levou para uma sala de conferências... e fechou a porta.
E trancou.
Não havia nada além de iluminação de segurança fraca nos cantos da sala, as cortinas azuis
reais fechavam-se tão bem como se estivessem fechadas com zíper, a mesa lustrosa sem nada além
de um arranjo de flores no centro que parecia ter alguns dias.
Havia doze cadeiras de couro.
Ele empurrou um na cabeça da mesa do caminho e depois se virou para ela. Chegou a ela.
Abaixou os olhos para o corpo dela.
Quando seus pulmões começaram a ferrão devido a uma doce asfixia, ela sabia exatamente
por que eles estavam aqui... e ela também sabia que não iria negar isso.

212
Não fazia sentido. Mas ela estava desesperada e ele também, e às vezes o primordial
superava toda lógica e autoproteção.
— Eu quero você, — ele disse enquanto seus olhos vagavam sobre ela, quente e ganancioso.
— E eu diria que eu preciso de você, mas essa verdade me assusta demais para dizer isso em voz
alta. Oops.
Ela o alcançou. Ou talvez fosse o contrário.
E oh, Deus, a maneira como ele a beijou, com fome e exigente como uma das mãos dele presa
na parte de trás do pescoço dela, e a outra circundou sua cintura. Com uma sacudida, ele a
caminhou para trás até sentir a mesa bater contra a parte de trás de suas pernas.
— Você pode se subir sobre isso? — ele gemeu contra sua boca. — Não posso levantar você.
Típico dos Bradfords, tudo era o melhor dos melhores, e mesmo que ela fosse um peso
saudável, a mesa não se importou no mínimo quando ela pulou.
As mãos de Edward empurraram a saia cada vez mais alto quando ele a beijou ainda mais
profundamente. E então ele abriu caminho entre suas coxas, seus dedos arrastando sua blusa e
tirando a jaqueta de Armani sobre ela. Ela foi quem tirou os cabelos do seu coque.
Os botões ficaram soltos sob seus dedos hábeis, e então seus seios foram expostos, os bojos
de renda de seu sutiã foram afastados quando ele se abaixou e a deixou ainda mais quente.
Relaxando, ela recostou-se na mesa de conferência e ele seguiu, ficando com ela, cobrindo-a com
seu corpo.
Suas mãos varreram e seguraram seus seios enquanto seus quadris rolavam contra ela,
acariciando-a com uma ereção tão dura, tão distinta, que não sabia se ele tinha tirado as calças. Sua
saia não durou muito, Edward aproveitando enquanto ela se arqueava para a boca, para liberar o
fecho traseiro e acabar com isso.
Suas meias seguiram o exemplo.
E depois sua calcinha.
E então sua boca deixou seus seios... e foi a outros lugares.
O orgasmo foi tão forte, sua cabeça bateu na mesa dura, mas não se importou. Jogando as
palmas das mãos contra a madeira polida enquanto chamava seu nome livremente.
Não havia ninguém para saber.
Ninguém para ouvir.
E depois de passar na sede corporativa o dia inteiro, depois de fechar resolutamente a filha
preocupada, ela era a profissional que queria e precisava estar no escritório... depois de negar seus
sentimentos por Edward por tanto tempo... ela não iria reter algo de volta.
— Oh, Deus... olhe para você...

213
Quando o ouviu falar, levantou a cabeça. Ele estava olhando para ela, seus olhos cheios de
luxúria, suas mãos se fechando em seus seios.
E então, como se ele soubesse exatamente o que queria, ele se levantou e foi para a zíper se
sua calça caqui.
Alcançando-o, ela foi por sua camisa, suas mãos tentando com...
— Não, não, é preciso continuar.
Ela queria discutir. Mas então sentiu a cabeça contundente dele acariciando-a... e então a
penetrando.
Sutton gritou de novo e então Edward estava sobre ela, o sexo rápido e furioso, os impulsos
ameaçando deslizá-la para baixo na mesa. Travando as pernas ao redor de sua parte inferior do
corpo, os segurou juntos.
Ela odiava a camiseta que ele deixara. Odiava o motivo disso. Queria que ele fosse tão livre
quanto ela.
Mas ela tomaria o que ele lhe deu. E sabia melhor do que pedir mais.
Logo, o orgasmo de Edward era tão alto quanto o dela, os sons ásperos de sua respiração em
seu ouvido, suas maldições, o jeito que ele disse seu nome, ajudando-a a encontrar outro orgasmo.
Parecia como para sempre e não foi suficientemente longe antes de ele ficar imóvel.
E foi então que ela lembrou pela primeira vez desde que ele pegou sua mão e a trouxe para o
centro de negócios... que ele não era tão forte como antes.
Quando ele entrou em colapso contra ela, ele não pesava muito, e sua respiração estava
irregular há bastante tempo.
Descruzando as pernas do corpo dele, envolveu seus braços ao redor dele e o segurou
enquanto fechava os olhos.
E sentiu como a coisa mais natural do mundo abrir seu coração, mesmo quando ela manteve
a boca fechada: tão bom quanto isso, havia uma qualidade roubada inconfundível, e, mais cedo ou
mais tarde, ela teria que colocar suas defesas de volta com suas roupas...
Ele sussurrou algo no ouvido que ela não entendeu.
— O que disse.
— Nada.
Edward a impediu de perguntar novamente, beijando-a mais. E então ele estava se movendo
dentro dela, sua ereção ainda dura, seus quadris ainda fortes, sua necessidade ainda por ela.
Por algum motivo, seus olhos regaram. — Por que isso parece que você está dizendo adeus?
— Shhhh... — ele disse antes de beijá-la novamente.

214
Capítulo 33

— O meu carro nunca quebrou assim. Assim, nunca.


Quando Beth falou com Mack, a chuva começou a cair, as gotas atingiram a parte de trás do
paletó quando ele apareceu no capô e olhou para o motor sibilante.
— Está tudo bem, — ele disse. — Essas coisas acontecem. Então ouça, faça meu dia... e me
diga que você tem água engarrafada com você.
— Eu acho que sim, espere.
Acenando os braços, limpou as nuvens de vapor quente e cheiro de óleo enquanto, em cima,
um trovão rolava pelo céu como uma bola de boliche.
— Aqui, — disse Beth. — Consegui.
Tirando a jaqueta, ele cobriu a mão com uma manga e se curvou para o radiador. — Fique
para trás.
— Não, espere! Você vai arruinar o seu...
Ao afrouxar a tampa, a pressão explodiu e ele sofreu com uma queimadura afiada no fundo
do braço. — Filho da puta!
— Mack, você está louco?
Tentando ser um homem por ter sido estúpido, ele deixou cair a maldita jaqueta e abriu as
coisas. — Me dê a água, — ele apertou quando já não estava mais vendo em dupla.
Um relâmpago lhe forneceu uma visão de primeira classe sob o capô, e o som do trovão que
imediatamente seguiu significava que a tempestade estava chegando rápido e tinha um bom
objetivo.
— Volte para o carro, ok?
— E o seu braço?
— Vamos olhar para isso quando isto não estiver superaquecido. Vá.
Um dilúvio de chuva cortou o argumento, e Beth correu e voltou. A chuva úmida estava fria,
o que ajudou em muitos níveis, especialmente quando um pé d’água caiu sobre o motor. E o que
você sabe, encher o radiador foi melhor do que a catástrofe, e então ele estava fechando o capô e
voltando para o carro.
— Bem, isso foi divertido. — Ele puxou a porta e empurrou o cabelo molhado para trás. —

215
Você quer tentar à ignição?
— Como está seu braço?
— Ainda está anexado. Vamos ver se podemos dar a partida.
Beth murmurou e balançou a cabeça enquanto agarrava a chave. — Eu não sei nada sobre
carros, e depois disso, eu realmente estou olhando para manter as coisas desse jeito.
Mas o motor funcionou como um campeão, e quando ela olhou com um sorriso, Mack quase
esqueceu a dor em seu braço.
— Não fique muito impressionada, — ele zombou. — Todos os homens com nomes como
Mack ou Joe são constitucionalmente obrigados a consertar situações como esta.
Infelizmente, a pausa não durou. À medida que a chuva tocava o para-brisa dianteiro e mais
relâmpagos riscava o céu, a dor da queimadura voltou ao negócio e ele se viu amaldiçoando e não
querendo olhar para o dano.
Cerrando os dentes, ele começou a tirar a gravata por causa da náusea.
— Eu acho que devemos ir à sala de emergência, — ela disse.
— Deixe-me ver o quão ruim é.
Quando tudo o que ele podia fazer era tatear, Beth afastou as mãos dele do caminho. — Eu
vou tirá-la.
O nó de amarração que ela tinha feito para ele se dissolveu sob a sua mão deficiente, e então
ele inclinou a cabeça para que ela pudesse pegar o botão superior de sua gola.
De seu ponto de vista, ele podia vê-la no espelho retrovisor, suas sobrancelhas em
concentração, seus lábios se separaram.
Ele ficou duro.
Ele não quis. Ele não queria. E ele, com certeza, não faria nada sobre isso. Mas aqui estava, o
equivalente adulto de um caucasiano com problema de matemática e problema de matemática.
Cara, essa viagem continuou melhorando, os dois seriam atingidos por uma mistura
energética de suco de despertar.
Com um idiota, ele se certificou de que seu blazer estava cobrindo seu colo e, então, Beth
estava abrindo caminho pela camisa e puxando a extremidade da gravata enquanto a tirava. O que
significava que muito dele estava ficando duro.
Bem, pelo menos ele não estava tão preocupado com seu Freddy Krueger.
— Vou tirá-la a partir daqui, — ele disse bruscamente.
— Você não vai gerenciar. Incline-se para mim.
Mack lentamente se afastou para a parte de trás do assento, aproximando-os. Ela estava
falando sobre algo, só Deus sabia o que, continuando, como se nada particularmente notável

216
estivesse acontecendo... enquanto ela tirava o peito e os ombros.
—... manteiga, você sabe? Direto da geladeira. Eu não sei se funcionou no meu pescoço
queimado, necessariamente, mas eu cheirava como se tivesse tomado café da manhã no aroma
quando eu fui à dança. Os meninos estavam loucos por mim.
Ri, seu idiota, disse a si mesmo.
— Isso é divertido, — ele disse.
— Oh... Mack.
Quando ela olhou para baixo e balançou a cabeça, ele pensou por um momento fascinante
que ela notou sua ereção, mas não, seu blazer molhado ainda estava cobrindo tudo.
Na verdade, ela conseguiu tirar completamente a camisa de onde ele tinha queimado, o que
agora estava pendurada de forma úmida de seu braço “bom”. Como isso era deprimente não ia
chegar ao velório.
— Você vai precisar de um médico, — ela disse na horrível explosão de vermelho em sua
pele.
— Está bem.
— Você diria isso se você tivesse uma hemorragia arterial, não é?
Foi quando ela olhou para ele.
E, instantaneamente, ela ficou imóvel... como se soubesse exatamente onde seu cérebro tinha
ido, e certamente não estava no radiador, no braço ou em qualquer tipo de intervenção médica.
Não, a menos que ela estivesse brincando de enfermeira com o paciente e estava meio nua no
momento.
Droga, ele era um porco.
— Estou bem, — ele disse novamente enquanto se concentrava em seus lábios, e se
perguntou que gosto eles tinham. Saboreava como.
Seus olhos caíram até seu peitoral e seus abdominais, e ele ficou feliz que ele nunca teve
medo do trabalho físico. E que ele estava em uma liga de basquete que jogava duas vezes por
semana. E que ele poderia pressionar duas vezes seu peso, fácil.
Limpando a garganta, ela se afastou do alcance. — Ah... então, o hospital?
— Estou bem. — Sua voz era tão baixa, toda cascalho. E onde diabos o resto de suas
palavras foram? — Não se preocupe com isso.
Ela colocou as mãos no volante e olhou para o para-brisas dianteiro, como se pela vida dela
não conseguisse lembrar onde eles estavam indo. Ou por quê. Ou o que eles estavam fazendo no
carro.
— Não, — ela disse enquanto colocava o motor na estrada. — Estou levando você para a sala

217
de emergência. Passe um texto para quem quer que você precise, mas não vamos chegar ao velório.

— Fique em uma das casas, então.


Quando Lane falou com Max, ele tirou a gravata e dobrou a coisa no bolso lateral da jaqueta.
O salão estava vazio, mas esteve assim toda a tarde, não esteve.
Quando seu irmão não respondeu, Lane tomou isso como uma “porra nenhuma”. — Vamos,
e aí? Eu acho que ouvi de Lizzie que a segunda casa do final está vazia. A chave está debaixo da
esteira dianteira e está decorada.
Ele não tinha certeza se Max o ouviu ou não. O cara estava olhando pelo arco para o salão,
naquele retrato de Elijah Bradford.
No fundo, trovões e relâmpagos caíram pelo céu, a porta aberta parecendo convidar a
tempestade para dentro. Então, novamente, o tornado já estava na casa. Já fazia algumas semanas.
— Max? — Lane alertou.
— Desculpa. Sim, vou ficar lá embaixo. — Seu irmão olhou por cima. — Edward parece...
— Eu sei.
— Eu li nos jornais... mas os artigos não tinham tido muitas fotos com eles.
— Também está diferente em pessoa.
— Ainda não estou acostumado.
Quando o telefone de Lane sinalizou no bolso do peito, ele tirou a coisa e não ficou surpreso
com o texto indicando que o avião de John Lenghe tinha sido reencaminhado devido ao mau tempo.
Tão bem. Ele estava exausto e não estava preparado para um jogo épico de pôquer no momento.
Antes que ele pudesse afastá-lo, surgiu um segundo texto, quase como se as tempestades
tivessem causado que uma torre celular piscasse brevemente antes de começar a funcionar
novamente. Mack também não conseguiu. Algo sobre problemas no carro.
Não perdeu muito, Lane digitou a seu velho amigo.
— Você precisa de alguma comida? — ele perguntou Max.
— Eu comi antes de eu vir.
— Por quanto tempo você está aqui?
— Eu não sei. Enquanto eu suportar isso.
— Nesse caso, podemos dizer nossos adeus agora, — disse Lane com secura.
Engraçado, o exterior grosseiro de seu irmão desmentia o fato de que Max tinha uma
educação de Yale por trás dessa aparência. Prova positiva, você não deve julgar livros pelas capas, e
assim por diante... embora talvez o cara tenha feito tantas besteiras que enferrujou todo esse

218
aprendizado do ensino superior de suas células cerebrais.
— Você sabe... — Max limpou a garganta. — Não tenho ideia por que voltei.
— Bem, um conselho. Descubra isso antes de sair. É mais eficiente. Oh, mas certifique-se de
dizer olá para Senhorita Aurora, está bem? Ela vai querer vê-lo.
— Sim. E sim, eu sei que ela está doente.
Por uma fração de segundo, uma bandeira foi levantada, mas Lane perdeu o controle do aviso
ou instinto, ou seja, o que fosse. E então, um flash de azul prateado no lado de fora na unidade
circular chamou sua atenção. Era Sutton Smythe na chuva, seu penteado arruinado, seu terno
elegante embebido, seus saltos altos salpicando as poças de água. Ela não estava correndo, no
entanto. Ela estava caminhando tão devagar como se fosse apenas uma noite de verão.
— Sutton! — Lane gritou quando ele correu para a entrada. — Você quer um guarda-chuva?
Pergunta idiota. Era muito tarde para isso.
Ela se virou para ele com uma surpresa, e pareceu reconhecer onde ela estava pela primeira
vez. — Ah, ah, não, obrigado. Eu aprecio isso, no entanto. Minhas condolências.
Seu motorista saltou de trás do volante do C63 quando ela veio. Então, dobrou para trás e
procurou um guarda-chuva. — Senhorita Smythe!
— Estou bem, — ela disse ele enquanto corria para ela. — Don, estou bem.
Quando o homem a colocou no banco de trás do carro e depois o Mercedes desceu a colina
de Easterly, Lane ficou na entrada da mansão, o sopro da tempestade o atingindo com um beijo
molhado. Quando ele finalmente voltou, Max tinha desaparecido assim como a mala que ele trouxe
com ele.
Sem dúvida, ele seguiu para a cozinha.
Colocando as mãos nos bolsos de suas calças, Lane olhou em volta para as salas vazias. Os
garçons retiraram os bares e devolveram a mobília ao lugar certo. Sua mãe havia se retirado mais
uma vez, e ele tinha que se perguntar quando, se alguma vez, ela desceria uma vez mais. Lizzie
estava longe de ser vista, provavelmente organizando mantimentos alugados, guardanapos e copos
para se retirar para evitar que ele pulasse de sua pele.
E Edward? Ele deve ter ido embora.
Ao redor dele, a mansão ficou quieta enquanto o vento batia o ponto mais alto em
Charlemont, quando os raios mortais atacaram, quando o trovão amaldiçoava e jurava.
Tomando a indicação de Sutton, ele saiu da porta e levantou o rosto para toda a fúria. A
chuva estava fria contra sua pele e carregada com granizo. As rajadas batiam em seu corpo. A
ameaça de uma pancada aumentava à medida que o núcleo da tempestade rolava cada vez mais.
Suas roupas saltavam e batiam contra ele, lembrando-o da queda da ponte. A picada em seus

219
olhos o fez piscar, e a sensação de que ele estava caindo, a queda do rio abaixo parece tão próxima
quanto sua própria mão.
Mas havia um truísmo que o mantinha de pé, uma força que ele tocou, um poder que veio de
dentro.
Enquanto Easterly resistia à investida... então ele também.

220
Capítulo 34

Quando Edward voltou para Red & Black, ele estacionou a picape de Shelby na frente da
cabana do zelador, desligou o motor e tirou a chave da ignição. Mas não saiu imediatamente. Não
por causa da tempestade, no entanto.
À medida que os pingos de chuva caíam no para-brisa como se Deus estivesse irritado com
ele, mas não conseguiu colocar as mãos em nada melhor para jogar, a imagens de Sutton deitada
naquela mesa de conferência, seu corpo tão gloriosamente nu enquanto ela arfava e gemia,
substituiu até mesmo a tempestade esmagadora que estava correndo sobre a terra.
Olhando através do dilúvio para a cabana, ele sabia que Shelby estava esperando por ele lá.
Com o jantar. E uma garrafa de álcool. E depois que ele terminasse de comer e beber, eles voltariam
para aquele quarto e ficariam juntos lado a lado na escuridão, ele dormindo e ela... bem, ele não
sabia se dormia ou não.
Ele nunca perguntou.
Colocando a chave na viseira, ele desceu e foi empurrado contra o flanco molhado do capô
da picape pelo vento. Segurando firme, ele não queria entrar. Mas ficar aqui fora...
Logo, tudo foi esquecido.
Havia algum tipo de caos acontecendo na Baia B. Todas as luzes do lugar estavam ligadas,
por um lado, o que era raro. Mas ainda mais alarmante, havia uma dúzia de pessoas pululando em
torno das portas abertas na parte traseira.
Empurrando-se para longe da picape, Edward coxeou a grama contra o drama, e logo o
suficiente, mesmo no vento, ele ouviu os gritos dos cavalos.
Ou, antes, um garanhão particular.
Quando ele chegou até a porta mais próxima, ele mancou para dentro o mais rápido que
podia, passando pela sala de arreios e abastecimento, empurrando para a área de baias e descendo
pelo corredor.
— O que diabos você está fazendo? — ele gritou sobre os gritos e os relinchados.
Nebekanzer estava assustado em seu ancoradouro, o garanhão balançando e batendo, seus
cascos traseiros haviam quebrado a porta inferior da baia. E Shelby... como uma lunática delirante,
tinha subido ao topo das barras que ainda estavam no lugar e estava tentando pegar seu freio.

221
As mãos estáveis e também Moe e Joey estavam ali mesmo com ela, mas as barras estavam
separando-os, e oh, Deus, ela estava bem no alcance dos dentes rangendo do garanhão e da cabeça
batendo, era mais provável que ela fosse jogada no chão e tivesse a sua cabeça aberta como um
melão no cimento se ela fosse para o lado, ou pisoteou debaixo desses cascos se ela fosse para o
outro.
Edward moveu-se antes que ele estivesse consciente de tomar a decisão de conseguir tudo lá
dentro, mesmo que Joey estivesse mais perto, mais forte e mais jovem que ele. Mas quando ele
conseguiu ir todo o caminho até ...
Shelby pegou o freio do garanhão.
E, de alguma forma, enquanto ela fazia contato visual com a besta, ela conseguiu segurar seu
corpo no lugar de cabeça para baixo apertando as coxas no topo das barras, e simultaneamente o
arrasou e começou a soprar diretamente nas narinas do cavalo. Isso deu às mãos estáveis o tempo
suficiente para abrir a porta arruinada e tirá-la do caminho para que as aparas de madeira não
cortassem mais Neb e a substituiu por uma correia de nylon resistente. No mesmo momento, Shelby
jogou a mão pelas barras e um dos homens colocou uma máscara de cabeça dele.
Demorou uma fração de segundo para obter a máscara sobre os olhos de Neb e amarrá-la sob
seu pescoço.
Então ela continuou soprando nas narinas flamejantes, o garanhão se acostumando, seus
flancos em pânico e com sangue caindo em uma exibição torrencial de poder parcialmente
esmagado, sua barriga inchava e encolhia... mesmo quando seus cascos de aço ainda batiam na
serragem.
Shelby endireitou-se com a graça de um ginasta. Desceu. Abaixou-se na baia.
E Edward percebeu pela primeira vez desde que foi sequestrado que ele estava aterrorizado
com alguma coisa.
Uma das poucas regras que ele deu à filha de Jeb Landis quando ela começou a trabalhar aqui
era o mesmo em todos os aspectos que se aplicava a todos no Red & Black: Ninguém se aproximou
de Neb, apenas Edward.
No entanto, ela pesava 45 quilos e um e sessenta de altura, num espaço fechado com aquele
assassino.
Edward recostou-se e a observou alisar as palmas das mãos pelo pescoço do garanhão
enquanto falava com ele. Ela não era estúpida. Ela assentiu com a cabeça para uma das mãos, que
desatou a rede no lado mais próximo dela. Se Neb começasse a fazê-lo novamente, ela poderia
chegar à segurança em um piscar de olhos.
Como se estivesse sentindo sua consideração, Shelby olhou para Edward. Não havia nenhuma

222
desculpa em seu olhar. Nenhuma prepotência também.
Ela havia salvado o cavalo de ferir gravemente, ou até mesmo matar, ele mesmo, de forma
profissional e perita, sem se colocar em risco indevido. Afinal, Neb poderia ter perfurado uma
artéria naquela porta estilhaçada, arruinada e cortante, e ela poderia ter sido terrivelmente ferida
também.
Foi lindo ver, na verdade.
E ele não era o único que notara.
Joey, o filho de Moe, estava parado na periferia e olhava para Shelby com uma expressão no
rosto que sugeria que o homem de vinte e poucos anos tinha regredido para ser um menino de
dezesseis novamente... e Shelby era a rainha do baile com quem queria dançar.
O que foi prova de que erámos adolescentes em todas as fases da vida.
E também não algo que Edward particularmente apreciava. Com uma careta, ele ficou
impressionado com um impulso quase irresistível de se colocar entre os dois. Ele queria ser um
outdoor com TIRE AS MÃOS escrito nele. Uma fita viva de cautela. Uma buzina de advertência.
Mas o instinto protetor estava enraizado na preocupação de um irmão mais velho cuidando de
sua irmã caçula.
Sutton lhe lembrou, da maneira mais básica, que ela sempre seria a única mulher para ele.

No andar de cima, no quarto do antepassado Bradford, Jeff bateu imprimir e colocou a mão
na frente da máquina Brother. O jato de tinta fez um som rítmico, e momentos depois, apareceu
uma linha perfeita de números. E depois outro. E um final.
Havia pequenas palavras nas três páginas, também, explicações para itens de linha, anotações
que ele passara as últimas duas horas digitando em um notebook.
A coisa mais significativa na folha, no entanto, foi o título.
BRADFORD BOURBON COMPANY
RESUMO DO DEFICIT OPERACIONAL
Jeff colocou o documento na mesa, diretamente no teclado do notebook aberto. Então ele
olhou para a pilha de papéis, notas, relatórios de contas, tabelas e gráficos na mesa antiga.
Ele tinha acabado.
Finalizado.
Pelo menos com a parte em que ele rastreou o reencaminhamento dos pagamentos de contas
a receber e do capital operacional.
Pensando bem... ele pegou o relatório e se certificou de que ele estava desconectado do

223
notebook. Ele mudou sua senha. Codificou todo o seu trabalho. E enviou para sua conta de e-mail
privada uma cópia eletrônica.
Puxando o pen drive que ele usou na porta USB, ele colocou a coisa no bolso de suas calças.
Então ele se aproximou e sentou-se ao pé da cama bagunçada. Quando ele olhou para a mesa, ele
pensou .. sim, assim como seu escritório em Manhattan.
Onde ele trabalhava para uma corporação. Juntamente com mil outras calculadoras humanas,
como Lane colocou.
Do outro lado sua bagagem lotada estava alinhada perto da porta. Ele teve pescando através
de tudo pelo que ele precisava, sabendo que ele não estava ficando.
As malditas coisas pareciam ter sido mortalmente feridas e sangrando suas roupas e artigos
de higiene pessoal.
Ao bater na porta, ele disse: — Sim.
Tiphanii entrou, e uau, seus jeans eram tão apertados quanto a pele, e seu top solto era tão
curto como um biquíni. Com o cabelo caído e a maquiagem feita, ela era juventude, sexo e
excitação em um pequeno pacote impertinente que ela estava feliz em mostrar para ele.
— Parabéns, — ela disse quando fechou a porta e trancou. — E fico feliz que você enviou
mensagens de texto para que eu venha comemorar.
— Estou feliz que você esteja aqui. — Ele voltou para a cama e acenou com a cabeça para o
relatório. — Eu tenho trabalhado sem parar. Parece estranho não tê-lo pairando sobre mim.
— Eu subi as escadas traseiras, — ela disse enquanto colocava a bolsa para baixo.
— Isso é uma nova Louis? — ele disse enquanto ele acenava com a cabeça.
— Isto? — ela pegou de volta a bolsa impressa LV. — É, na verdade. Você tem bom gosto.
Eu amo os homens da cidade.
— Essa é a minha casa.
Os lábios de Tiphanii fizeram um beicinho. — Isso significa que você vai sair em breve?
— Você vai sentir minha falta?
Ela se aproximou e se esticou na cama ao lado dele, rolando sobre o seu lado e piscando os
seios. Sem sutiã. E ela já estava claramente excitada.
— Sim, sentirei sua falta, — disse ela. — Mas talvez você possa me levar até lá para vê-lo?
— Talvez.
Jeff começou a beijá-la, e então ele a estava deixando nua... e então ele estava ficando nu.
Eles já fizeram isso o suficiente agora para que ele soubesse o que ela gostava. Sabia exatamente o
que fazer para levá-la rapidamente. E ele estava ligado. Era difícil não estar. Embora seus olhos
estivessem abertos quanto ao motivo pelo qual ela estava aqui, o que ela queria e como exatamente

224
ela iria usá-lo, ele era bom com trocas e taxas de câmbio.
Ele era banqueiro, afinal.
E depois que ela passasse a noite? Depois que ela se saísse de manhã cedo para trabalhar,
vestir seu uniforme, fingiria que não estava na cama com ele? Depois disso, ele sentaria com Lane e
faria seu relatório completo. E então ele tinha um negócio que ele precisava cuidar.
Quando ele montou Tiphanii e ela ruminou em sua orelha, ele ainda não tinha certeza do que
ele ia fazer sobre a oferta de equidade. Lane parecia sério, e Jeff conhecia a empresa dentro e fora
agora. Havia risco envolvido, no entanto. Uma possível investigação federal. E ele nunca realmente
conseguiu alguém antes.
Era um problema de O Confronto. Direto.
Devo ficar ou devo ir …

225
Capítulo 35

O detetive de homicídio da polícia do Metro apareceu às nove da manhã seguinte. Lane estava
descendo as escadas quando ouviu a aldrava de bronze, e quando não viu o Sr. Harris aparecendo
para responder a porta, ele fez o dever ele mesmo.
— Detetive Merrimack. O que posso fazer para você?
— Sr. Baldwine. Você tem um momento?
Merrimack estava no mesmo uniforme que ele usava no outro dia: calças escuras, camisa
polo branca com a insígnia da polícia, sorriso profissional no lugar. Ele tinha seu cabelo aparado
ainda mais curto, e a loção de barba boa. Não muito.
Lane se afastou e indicou o caminho. — Eu estava indo tomar café. Quer juntar-te a mim?
— Estou trabalhando.
— Eu pensei que o álcool era um problema, não a cafeína?
Sorriso. — Existe algum lugar onde possamos ir?
— Aqui está bem. Considerando que você recusou o Starbucks Morning Blend na minha
cozinha. Então, o que você precisa? Minha irmã, Gin, não é um pássaro madrugador, então se você
quiser conversar com ela, é melhor voltar depois do meio-dia.
Merrimack sorriu. Novamente. — Na verdade, eu estava interessado em suas câmeras de
segurança. — Ele assentiu com as discretas câmeras no teto modelado. — Há muitas delas por aí,
não estão lá.
— Sim, esta é uma casa grande.
— E elas estão no lado de fora e no interior de sua casa, certo?
— Sim. — Lane colocou as mãos nos bolsos de suas calças, então ele não se preocupou com
o relógio Piaget. Ou o botão de seu colarinho desabotoado. — Há algo específico que você está
procurando?
Dã.
— O que acontece com a filmagem? Onde é gravado e armazenado?
— Você está perguntando se você pode vê-la?
— Você sabe, eu estou. — Sorriso. — Isso ajudaria.
Quando Lane não respondeu imediatamente, o detetive sorriu um pouco mais. — Escute, Sr.

226
Baldwine, eu sei que você quer ser útil. Você e sua família estiveram muito abertos durante essa
investigação, e meus colegas e eu apreciamos isso.
Lane franziu a testa. — Na verdade, não tenho certeza de onde é mantido.
— Como pode ser? Você não mora aqui?
— E eu não sei como ter acesso a isso.
— Mostre-me onde estão os computadores e eu lidar com isso. — Houve outra pausa. — Sr.
Baldwine? Existe uma razão pela qual você não quer que eu veja a filmagem das câmeras de
segurança da sua propriedade?
— Eu preciso primeiro falar com o meu advogado.
— Você não é um suspeito. Você não é mesmo uma pessoa de interesse, Sr. Baldwine. Você
estava na delegacia de polícia quando seu pai foi morto. Merrimack encolheu os ombros. — Então
você não tem nada para esconder.
— Eu retornarei para você. — Lane voltou para a porta e abriu-a. — Agora, se você não se
importa, vou tomar café da manhã.
Merrimack tomou o seu bom tempo caminhando até a saída. — Eu posso ter um mandato. Eu
ainda terei acesso.
— Então, isso não apresenta um problema, não é.
O detetive passou pelo limiar. — Quem você está protegendo, Sr. Baldwine?
Algo sobre o olhar no rosto do homem sugeriu que Merrimack sabia exatamente sobre quem
Lane estava preocupado.
— Tenha um dia maravilhoso, — disse Lane enquanto fechou a porta de Easterly com aquele
sorriso que sabia.

Quando Gin inspecionou sua garganta no espelho da sala de vestir, ela decidiu que os
machucados estavam desbotados, de modo que, com um pouco de maquiagem, ninguém a notaria.
— Marls. Ela sentou-se na cadeira acolchoada que ela usava quando estava maquiando. —
Onde está Tammy? Estou aguardando aqui.
Seu conjunto de quartos era feito em tons de branco. Cortinas de seda branca penduradas em
janelas antigas com cais brancos. Tapete branco de parede a parede grosso como glacê em um
cupcake no quarto, e mármore branco com traço de ouro no banheiro. Ela tinha uma cama branca
que era como dormir em uma nuvem e este enclave de closet / closet não era nada além de espelhos
e mais desse tapete. A iluminação era fornecida por lustre e castiçais de cristal que pendiam como
brincos de Harry Winston a partir dos principais pontos de vista, mas os acessórios eram os novos,

227
não aquele velho e distorcido material de Baccarat no andar de baixo e em outro lugar.
Ela estava farta de orientes indigestos e pinturas a óleo que eram como manchas escuras nas
paredes.
— Marls!
Esta área de vestir era um conector entre seu espaço de banho e onde suas roupas pendiam, e
ela há muito usou, mesmo antes da reforma de duzentos e cinquenta de milhão de dólares, como sua
área de preparação. Havia uma instalação profissional de cabeleireiro, cortar, colorir e lavar os
cabelos, uma estação de maquiagem para rivalizar com o balcão Chanel em Saks em Manhattan e
garrafas de perfume, loções e poções suficientes para colocar o goop.com na sombra.
Havia até uma longa janela com vista para os jardins traseiros caso quisessem ver alguma
coisa em luz natural. Ou olhar para algumas flores. Tanto faz.
Agarrando a mão no braço cromado, ela torceu a cadeira com o pé nu. — Marls! Nós
estamos saindo em meia hora para o tribunal. Vamos! Chame-a!
— Sim, senhora, — sua empregada afobada da suíte propriamente dita.
Tammy era a artista na maquiadora da cidade, e ela sempre agendava para Gin antes de seus
outros clientes por várias razões: um, Gin dava boas gorjetas; dois, a mulher divulgava que ela fazia
a maquiagem de Gin; e três, Gin permitia que Tammy participasse das festas em Easterly e em
outros lugares como se ela fosse realmente convidada.
Enquanto Gin esperava, ela inspecionou sua coleção de produtos de maquiagem, o lote dele
foi exposto em uma exibição montada profissionalmente, o lote completo das sombras de olho
MAC e blushes, um playground infantil de cores, as caixas organizadoras de maquiagem, produtos
de tratamentos de beleza e escova parecia como algo que você pode precisar de um PhD para
operar. Em frente a ela, um conjunto duplo de luzes de teatro iluminava de ambos os lados do
espelho e, por cima, havia um conjunto de iluminação de faixa que você poderia alterar a
tonalidade, dependendo se você queria ver os vermelhos, os amarelos ou os azuis de uma
determinada cor de cabelo ou aparência de maquiagem.
Diretamente atrás dela, pendurada em um gancho de cromo, seu “vestido de casamento”,
como era, parecia terrivelmente simples. Nada além de um terno Armani com um colar assimétrico,
e a coisa era branca, porque sim, ela era a maldita noiva.
Nude Stuart Weitzman estavam alinhados por baixo.
E em uma prateleira afastada, uma caixa de veludo de azul escuro Tiffany que estava
desgastada em todos os quatro cantos abrigava o enorme broche Art Deco que sua avó havia
recebido em seu casamento com E. Curtinious Bradford em 1926.
A dúvida era se ela iria usar as duas metades do seu broche e fazer uma Bette Davis, ou se ela

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fosse colocá-lo de lado como uma peça inteira naquele colar dramático.
— Marls...
No espelho, sua empregada apareceu na porta, olhando tão distorcido quanto um rato a ponto
de fazer um movimento ruim numa armadilha, o celular na palma da mão. — Ela não virá.
Gin lentamente virou a cadeira ainda mais. — O quê.
Marls colocou o telefone como se isso provasse qualquer coisa. — Eu simplesmente falei
com ela. Ela disse... não vem.
— Ela indicou exatamente por quê? — mesmo com uma fúria fria, Gin sabia. — Qual foi o
motivo dela?
— Ela não disse.
Aquela puta.
— Tudo bem, eu farei isso eu mesma. Você pode ir.
Gin pegou a maquiagem como uma profissional, uma conversa hipotética com Tammy
acendendo seu temperamento quando ela imaginou dizer isso, qual era a palavra... irresponsável,
aquela puta irresponsável que Gin não foi nada além de boa por todos esses anos... tudo aquelas
festas de galas que Tammy haviam sido aceitas... aquele maldito cruzeiro pelo Mediterrâneo do ano
passado, onde a única coisa que a mulher teve que fazer por seu atraente castigo de luxo foi colocar
algum rímel em Gin todos os dias, oh, e então, por não dizer as viagens de esqui para Aspen? E
agora a mulher não aparece...
Trinta minutos depois de um monólogo interno quase não coerente, Gin teve seu rosto, seu
terno e aquele broche, seus cabelos caindo sobre seus ombros, as sandálias dando a ela alguns
centímetros extra de altura. A mesa de maquiagem não ficou tão bem quanto ela ficou. Havia
escovas, tubos de rímel e cílios postiços espalhados por toda parte. Uma bagunça de fragmentos de
lápis apontados. E ela quebrou um de seu pó compacto, uma parte do encaixe da caixa quebrou e
desmontando toda a caixa.
Marls iria limpá-la.
Gin entrou no quarto, pegou a bolsa de ombro Chanel clara e acolchoada da mesa e abriu a
porta do quarto.
Richard estava esperando no corredor. — Você está seis minutos atrasada.
— E você pode contar a hora. Parabéns.
Quando ela levantou o queixo, ela passou por ele e não ficou surpresa quando ele agarrou seu
braço e puxou-a.
— Não me deixe esperando.
— Você sabe, eu ouvi que eles têm terapias com drogas eficazes para o TOC. Você poderia

229
tentar cianeto, por exemplo. Ou cicuta, eu acredito que temos alguns na propriedade? Rosalinda
resolveu esse mistério para nós bastante prontamente...
Duas portas para baixo, Lizzie saiu da suíte da Lane. A mulher estava vestida para o trabalho,
em shorts cáqui e uma camisa polo preto com a insígnia de Easterly sobre ela. Com o cabelo
puxado para trás em outro de seus elásticos e sem maquiagem, ela parecia jovial e invejável.
— Bom dia, — ela disse enquanto se aproximava.
Seus olhos a frente, como se estivesse andando nas ruas da cidade de Nova York, determinada
a não causar problemas ou procurá-lo.
— Você ainda está na folha de pagamento, — disse Richard, — ou ele não está mais
assinando cheques para você agora que você não está apenas trazendo flores para seu quarto?
Lizzie não mostrou nenhuma reação a isso. — Gin, você está linda como sempre.
E ela continuou.
Em seu rastro, Gin estreitou os olhos para Richard. — Não fale com ela assim.
— Por quê? Ela não é pessoal nem família, ela é. E dada a sua situação monetária, reduzir os
custos é muito apropriado.
— Ela não está em discussão ou em análise. Você a deixa em paz. Agora, vamos acabar com
isso.

230
Capítulo 36

Quando Lizzie desceu a escada principal, ela balançava a cabeça. Gin... defendendo-a. Quem
teria pensado que isso iria acontecer?
E não, ela não estava indo para o shopping para comprar um pingente BFFL24 para as duas.
Mas o apoio não tão sutil era muito mais fácil de lidar do que a condescendência e o ridículo não-
todo-sutil que tinha acontecido antes.
No vestíbulo, ela se dirigiu até a parte de trás da casa. Era hora de fazer buquês frescos, com
tantas flores de primavera atrasadas florescendo, não havia custo de florista, e criar algo bonito seria
fazê-la sentir que estava trabalhando para melhorar as coisas.
Mesmo que ela fosse a única que notasse.
Entrando no corredor dos funcionários, ela desceu para o antigo escritório de Rosalinda e o
conjunto de quartos do Sr. Harris...
Ela não chegou até a cozinha.
Fora da residência do mordomo, havia uma linha de malas. Algumas fotografias e livros em
uma caixa. Um suporte de rolamento que um monte de saco de terno pendurado.
Colocando a cabeça pela porta aberta, ela franziu a testa. — Sr. Harris?
O mordomo saiu do quarto além. Mesmo no meio de sua aparente movimentação, ele estava
vestido com um de seus ternos, seu cabelo estava pregado no lugar, seu rosto bem barbeado parecia
ter colocado uma leve camada de maquiagem sobre ele.
— Bom dia, — ele cortou.
— Você está indo a algum lugar?
— Eu peguei outra posição.
— O que?
— Estou indo. Estou serei pego em cerca de vinte minutos.
— Esperei, e você não cumprirá aviso?
— Meu cheque foi devolvido pelo banco esta manhã. Seu namorado, ou quem é para você, e
sua família me devem dois mil novecentos, oitenta e sete dólares e vinte e dois centavos. Eu
acredito que a falta de pagamento é motivo para eu redirecionar a cláusula no meu contrato

24
Best Friend For Life. (Melhores Amigas para a Vida)

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exigindo que eu cumpri aviso.
Lizzie balançou a cabeça. — Você não pode simplesmente sair assim.
— Não posso? Eu sugiro que você siga meu exemplo, mas você parece estar inclinada a se
envolver, e não menos assim, com essa família. Pelo menos, alguém pode supor que você está
emocionalmente envolvida em um nível adequado. Caso contrário, sua autodestruição seria risível.
Quando Lizzie se afastou, o Sr. Harris disse: — Diga a Lane que estou deixando minha carta
de renúncia aqui na mesa do mordomo. E tente não se afastar em um ataque de irritação, tudo bem.
Fora no corredor, Lizzie sorriu para o homem quando pegou sua caixa de coisas. — Oh, eu
não estou em um ataque de irritação, ou o que você chama. Eu vou ajudá-lo a sair desta casa. E
estou muito feliz de lhe dizer onde encontrar sua carta. Espero que tenha seu novo endereço, ou,
pelo menos, um número de telefone. Você ainda está na lista de entrevistados do Departamento de
Polícia do Metro de Charlemont.

Tudo bem, eu vou até você, Lane pensou quando puxou o Porsche entre os portões da
fazenda de Samuel T.
A pista prosseguiu em uma aleia de árvores, que havia sido plantada há setenta e cinco anos
pelos bisavós de Samuel T. Os troncos espessos e ásperos apoiavam grandes galhos de folhas
verdes espetaculares, e uma sombra foi jogada sobre os pequenos seixos claros da entrada. Fora na
distância, centrada entre os campos que rolavam com graça, a fazenda dos Lodges não era rústica
no mínimo. Elegante, de proporção perfeita, e quase tão antiga quanto Easterly, o telhado inclinado
em várias direções e uma varanda envolvente que rodeava toda a casa.
Depois de Lane estacionar ao lado do velho Jaguar, ele saiu e foi até a porta da frente, que
estava bem aberta. Ao tocar na tela, ele gritou: — Samuel T.?
O interior da casa estava escuro, e como não se conteve e entrou, gostou do cheiro do lugar.
Limão. Madeira velha. Algo doce como pãezinhos de canela frescos caseiros na cozinha.
— Samuel T.?
Um certo tipo de sussurro chamou sua atenção, e ele rastreou o som, entrando na biblioteca...
— Ah Merda!
Girando rápido da entrada, ele se afastou da imagem de uma mulher muito nua sentada em
Samuel T. em um sofá de couro.
— Eu bati, — Lane gritou.
— Está tudo bem, velho.
Samuel T. não parecia incomodado no mínimo, e a loiro estava solidamente nesse campo

232
também: do que Lane poderia dizer na sua visão muito periférica, ela não se preocupou em se
vestir. Então, novamente, talvez suas roupas estivessem em outra parte da casa. No gramado.
Penduradas de uma árvore.
— Aguarde-me no andar de cima, — ordenou Samuel T..
A mulher murmurou algo, e havia o som de um beijo. Tão modelo, porque ela era tão bonita
e tão alta em uma das camisas de trabalho de Samuel T.
— Oi, — ela disse em uma voz que era como uísque, suave e provavelmente embriagadora
para muitos caras.
— Sim, adeus, — Lane disse enquanto a ignorava e entrou para se juntar ao amigo.
Samuel T. estava puxando uma túnica de seda preta fechada e sentou com uma expressão
embaçada. Enquanto esfregava seus cabelos bagunçados e bocejava, olhou para fora. — Então é de
manhã, eu vejo. Onde a noite foi.
— Em uma escala de uma a dez, onde um é igreja dominical e dez é a última festa em que
você esteve, quão bêbado você está atualmente?
— Na verdade, eu estava tipicamente bêbado na igreja aos domingos, também. Mas eu me
daria seis. A menos que eu tenha que fazer um teste de sobriedade. Então talvez um sete e meio.
Lane sentou-se e pegou uma garrafa vazia de Bradford Reserva Família do chão. — Pelo
menos você está bebendo com coisas boas e permanecendo fiel.
— Sempre. Agora, o que posso fazer por você? E tenha em mente, eu estou acima do limite
legal, então não faça o pedido muito difícil.
Rolando a garrafa para frente e para trás em suas mãos, Lane voltou a sentar-se na cadeira. —
O detetive Merrimack apareceu na primeira hora esta manhã. Eu liguei para você imediatamente.
— Me desculpe. — Samuel T. apontou para o teto. — Eu acho que estava com sua irmã
naquele momento.
Lane revirou os olhos, mas não julgou. Ele passou por essa fase de meretriz em sua própria
vida, e embora pareceu divertido na época... ele não trocaria nada pelo o que ele tem com Lizzie.
— Eles querem acesso às fitas de segurança da propriedade.
— Não é uma surpresa. — Samuel T. esfregou o restolho na mandíbula. — Você os
permitiu? Onde está a sala de segurança, a propósito?
— Há duas delas. Uma sala de monitoramento no corredor dos funcionários em Easterly, e
depois a principal do sistema no centro de negócios. E não, eu não dei. Eu disse a eles para obter
um mandado.
Abruptamente, Samuel T. parecia sóbrio em pedra. — Qualquer razão específica? E gostaria
de lembrar que eu sou seu advogado. Pode ser tecnicamente para o seu divórcio, mas, a menos que

233
você esteja planejando ativamente cometer um crime, não posso ser intimado para testemunhar
contra você, então fale livremente.
Lane focalizou o rótulo na garrafa de bourbon, rastreando o famoso desenho de tinta da
extensão frontal de Easterly.
— Lane, o que está na filmagem?
— Eu não sei.
— O que você tem medo sobre isso?
— Meu irmão. E talvez outra pessoa. Levando meu pai vivo.
Samuel T. simplesmente piscou uma vez. O que era um sinal de que ele pensava o mesmo.
Ou talvez uma indicação do nível de álcool no sangue dele. — Você falou com Edward sobre isso?
— Não. — Lane balançou a cabeça. — Atualmente, estou fingindo que estou apenas sendo
paranoica.
— Como isso está funcionando para você?
— Bem o suficiente. — Lane exalou uma maldição. — Então, posso fazer qualquer outra
coisa para mantê-los afastados?
— Eles absolutamente voltarão a você com um mandado. — Samuel T. encolheu os ombros.
— Eles têm um caso provável suficiente com o que você encontrou na sujeira. Se você quisesse
mantê-los longe, meu conselho teria sido não chamá-los em primeiro lugar.
— Obstrução da justiça, advogado? E acredite em mim, não pense que não desejei ter
mantido a calma. Ah, e pegue isso. Eles descobriram que meu pai tinha câncer de pulmão terminal.
Ele morria de qualquer maneira, o que é apenas mais uma razão para apoiar a teoria do suicídio.
Desde que você se esqueça da parte dele que foi enterrada sob a janela da minha mãe.
O tamborilar de pés descalços sensuais ficou mais alto e depois parou na entrada para a sala.
Mas Samuel T. balançou a cabeça para outra mulher. — Não acabei aqui.
— Oh, meu Deus, — ela disse, — esse é ...
— Um amigo meu? Sim ele é. Agora, desculpe-nos.
Quando a mulher desapareceu, Lane disse: — Quantas estão nesta casa?
— Cinco? Talvez seis? Havia uma coisa de líder de torcida no Centro da Convenção de
Kentucky. Todos elas são treinadoras, não se preocupe.
— Somente você, Samuel T.
— Falso. Você também teve seus momentos.
— Então, como vai à automedicação? Isso o distrai do que minha irmã está fazendo agora?
O advogado desviou o olhar. Rápido.
Quando só houve silêncio, Lane amaldiçoou. — Eu não estava sendo um idiota, eu juro. Eu

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estava apenas falando.
— Eu sei. — Esse olhar voltou para trás. — Ela realmente se casou com ele? Espere, não é
uma música? Ela realmente está indo com ele...
— Sim, eles estão no tribunal agora.
— Então está feito, — disse Samuel T. distraidamente.
— Você conhece Gin, no entanto. Sua versão de casamento será uma porta giratória, e não
porque ela esteja indo às compras. Embora com Richard e seu dinheiro, ela também vai fazer
compras.
Samuel T. assentiu. — Sim. Muito verdadeiro.
— Mas, cara, eles discutem.
— O quê?
— Os dois brigam. Você pode ouvi-los através das paredes, e Easterly foi construído para
durar, se você entender o que quero dizer.
Samuel T. franziu a testa. Depois de um momento, ele disse: — Você sabe qual é o problema
real com sua irmã?
— Ela tem vários. Você quer me dar uma direção sobre qual setor da vida dela você está
focalizando?
— O problema com sua irmã... — Samuel T. bateu em sua têmpora. — É tão falha quanto ela
é, ninguém se compara a ela.
É assim que me sinto sobre minha Lizzie, pensou Lane.
Bem, exceto que sua Lizzie não tinha falhas.
— Samuel, — ele sussurrou com tristeza.
— Oh, eu posso ouvir a pena em sua voz.
— Gin é um caso difícil.
— Como sou eu, meu querido amigo. Como eu. — O advogado se sentou para frente. —
Eeee, vamos pegar esse pequeno intercâmbio, — Samuel T. fez um gesto entre os dois, — que eu
estou seriamente bêbado. Se você voltar a falar sobre isso, eu negarei. Também posso não me
lembrar de falar sobre isso. E isso seria uma bênção.
— Uau, realmente para um seis na escala bêbada.
— Posso estar subestimando as coisas. — Naquela nota, Samuel T. alcançou uma mesa
lateral e serviu mais bourbon em um copo de cristal. — Voltar para o problema da sua câmera de
segurança. Eles vão entrar e ver o que está lá, e além disso, eles notarão se alguma coisa está
faltando ou alterada. Eu aconselho você a não tentar mexer com nenhuma das imagens.
— E, ainda assim, você sugeriu que eu ficasse quieto sobre o que havia naquele canteiro de

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hera?
— Mas a diferença é que se você não os tivesse chamado naquele momento, eles nunca
saberiam. Se você tentar unir qualquer coisa nessas gravações, no entanto, ou sombrear a filmagem,
alterar ou excluir, eles serão capazes de saber. Uma coisa é fingir que algo nunca foi encontrado. É
uma perspectiva totalmente diferente do que tentar enganar seu departamento de TI quando você é
leigo e eles têm um esquadrão nerd cheio de pessoas que são membros da Anonymous no tempo
livre.
Lane levantou-se e foi às janelas. O vidro nas vidraças era o mesmo que o de Easterly, a bela
terra agrícola além, ondulada e manchada graças aos velhos bosques.
— Você sabe, — ele disse, — quando Edward estava na América do Sul, nas mãos daqueles
desgraçados? Não dormi por uma semana. Desde o momento em que veio o pedido de resgate e
quando ele finalmente foi resgatado e trazido de volta para os Estados. — As memórias do passado
se tornaram como os painéis do vidro antigo, obscurecendo o que estava diante dele. — Quando
estávamos crescendo naquela casa, Edward nos protegeu do Pai. Edward estava sempre no
comando. Ele sempre sabia o que fazer. Se eu tivesse sido sequestrada lá embaixo? Ele teria vindo e
me salvado se os papéis tivessem sido revertidos. Ele teria voado para aquela selva e cortado seu
próprio caminho se ele tivesse de fazer.
— Seu irmão foi, é, desculpe-me, seu irmão é um homem de qualidade.
— Eu não conseguia dormir porque não podia fazer o mesmo por ele. E me comeu vivo.
Demorou um tempo antes de Samuel T. falar.
— Você não pode salvá-lo agora, Lane. Se ele fez o que você acha que ele fez... e há
evidências de vídeo disso? Você não vai poder salvá-lo.
Lane se virou e amaldiçoou. — Meu pai merecia isso, ok? Meu pai mereceu o que veio a ele.
Ele deveria ter sido jogado de uma puta ponte anos atrás.
Samuel T. colocou as palmas das mãos. — Não pense que isso não me ocorreu também. E
sim, seu irmão teve toda a justificativa no mundo, em um cenário de Game of Thrones. A lei de
homicídio de Kentuchy discordar, no entanto, e vai ganhar nesta situação. A autodefesa só conta se
você atualmente tem uma faca na garganta ou uma arma na sua cabeça.
— Eu gostaria de ter encontrado aquele maldito dedo. Eu teria empilhado a terra de volta ao
topo da maldita coisa.
Mas ele não poderia colocar Lizzie e Greta na posição de mentir para as autoridades.
Especialmente não com Richard Pford ter saído da casa com Gin como ele fez. Aquele desgraçado
usaria sua própria mãe se isso o levasse a algum lugar.
— Você sabe... — O rosto de Samuel T. assumiu uma expressão filosófica. — O que seu

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irmão deveria ter feito era convidar seu pai ao Red & Black. E depois atirar nele quando ele
atravessasse o limiar.
— O quê?
— Essa é a maneira de matar alguém no Kentucky. Temos uma lei de propriedade que diz se
alguém está entrando, quer esteja ou não ameaçando você com uma arma, você tem o direito de
defender sua propriedade contra eles, desde que tenham entrado nas instalações sem sua permissão.
Apenas duas advertências. Você tem que matá-los. E eles não devem estar de frente para a saída ou
tentar chegar a uma saída. — Samuel T. abanou o dedo indicador. — Mas essa é a maneira de fazê-
lo. Enquanto ninguém sabia que seu pai tinha sido convidado a encontrá-lo lá fora? Edward teria se
safado com isso.
Enquanto Lane encarava seu advogado, Samuel T. acenou com a mão como se estivesse
limpando o ar das palavras que acabou de falar. — Mas eu não estou defendendo esse curso de
ação, no entanto. E estou bêbado, como você sabe.
Depois de um momento, Lane murmurou: — Lembre-me de nunca vir aqui sem um convite
escrito, Advogado.

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Capítulo 37

Na parte de trás do Phantom Drophead, que teve seu máximo em deferência ao cabelo dela,
Gin sentou-se ao lado de seu futuro marido e olhou pela janela. O rio estava cheio, e cheio das
tempestades da tarde e da noite anterior, as águas subindo tanto, parecia que elas estavam tentando
consumir partes de Indiana.
O centro da cidade estava à frente, os arranha-céus brilhavam ao sol, as faixas de asfalto de
vias rodoviárias cercando seus edifícios de aço e vidro. Havia uma pequena construção para lidar, o
motorista de seu pai freava de vez em quando, mas o atraso não lhes custaria muito tempo.
Quando se aproximaram da Big Five Bridge, ela olhou para os cinco arcos da ponte, nos
cabos que suspendiam o pavimento sobre a água... e se lembrou da briga que ela e seu pai tiveram
sobre se casar com Richard. Ela recusou, só para descobrir que ela foi cortada financeiramente,
abandonada em uma ilha desolada de insolvência.
E então ela cedeu.
E agora ela estava aqui.
Ao fechar os olhos, imaginou Samuel T. junto à piscina durante o velório que teve poucos
visitantes.
— Assine isso, você.
Abrindo as pálpebras, olhou os bancos de couro de creme. Richard estava segurando cerca de
vinte páginas de algum tipo de documento junto com uma de suas canetas Montblanc com
monograma preto e dourado.
— O que?
— É um acordo pré-nupcial. — Ele estendeu para ela. — Assine.
Gin riu e olhou para o motorista. O homem uniformizado com seu charmoso chapéu estava
prestes assistir um belo show.
— Não vou fazer tal coisa.
— Sim, você vai, — disse Richard.
Olhando de novo pela janela, ela encolheu os ombros. — Então, vire o carro. Revogue isso.
Faça o que for necessário, mas não vou abrir mão meus direitos como sua esposa.
— Posso lembrá-la da ajuda de distribuição que eu trago para sua empresa. Dado que está

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falindo, você vai precisar desses contratos favoráveis. E eles podem desaparecer rapidamente se eu
quiser.
— Dado que estamos falindo, pode não haver uma Bradford Bourbon Company no próximo
ano. Então, sua fortuna pessoal é uma aposta melhor para mim.
Ele recuou com isso, seu pescoço magro flexionou de uma maneira que lembrou a ela de um
cavalo que havia morrido de fome. — Você não tem vergonha?
— Não.
— Virginia Elizabeth...
— Mesmo o meu pai nunca me chamou assim. — Uma Porsche acelerou na pista veloz e, ao
atravessar todo o tráfego estagnado, ela percebeu que era seu irmão. — Não que eu tivesse achado
persuasivo se ele tivesse.
— Isso é importante, você sabe. E se você não está familiarizada com o termo, isso significa
que é muito simples. Você mantém tudo o que é seu antes do casamento. Eu mantenho tudo o que é
meu. E nunca os dois devem se reunir ou misturar.
— Simples, realmente? É por isso que é o formato de Guerra e Paz? — Ela olhou para ele.
— E se fosse tão simples, por que você não me deu uma chance de lê-lo e rever com um advogado
primeiro?
Como Samuel T., por exemplo. Embora pudesse adivinhar como isso iria.
— Você não precisa se preocupar com jargão legal.
— Não? Você pode estar interessado em descobrir que já investigue a lei do divórcio e você
quer saber o que eu aprendi?
— Gin, sério...
— Aprendi que vou ser muito fiel a você. — Quando ele recuou novamente, ela murmurou:
— Você sabe, eu realmente deveria me ofender com sua surpresa. Mas antes que você fique muito
animado que eu estou respeitando você de alguma forma, eu aprendi que, enquanto Kentucky é um
estado sem culpa para os motivos de divórcio, a evidência de infidelidade pode ser usada para
reduzir o apoio do cônjuge. Então, aqueles dois pilotos que fodi na outra noite são minhas últimas
incursões na infidelidade. Eu serei uma esposa honrosa para você e eu encorajo você a me fazer
seguir e fotografar. Espionar meu quarto, meus carros, meu armário, minha calcinha. Não lhe darei
oportunidade de achar falhas comigo.
Ela se inclinou para ele. — Como é isso para o jargão legal? E você não vai virar este carro
porque aqui está a verdade, eu não vou assinar, e ainda vamos nos casar. Toda a sua vida, você não
criou nada. Você não fez nada que seja seu. Você não é respeitado por seus méritos, apenas por sua
herança. Você vai se casar comigo porque, então, você pode manter sua cabeça alta em coquetéis e

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galas. Afinal, você ainda é aquele garoto que ninguém escolheu para as equipes na escola primária,
mas você pode ser o único a domar a grande Gin Baldwine. E isso valerá mais para o seu ego do
que qualquer coisa que eu possa tirar da sua conta bancária. — Ela sorriu docemente. — Então,
você pode tirar o seu clichê de doze libras e explodir sua bunda, querido.
Enquanto seus olhos brilhavam com puro assassinato, ela retomou sua leitura do rio Ohio. Ela
sabia muito bem o que estava vindo em sua direção quando ele voltasse para casa do trabalho mais
tarde esta noite, mas, à sua maneira, estava ansiosa para lutar contra isso.
E ela também estava certa.
— Ah, e outra coisa a considerar, — ela murmurou, pois havia o som da papelada colocada
de volta na pasta. — O abuso conjugal não vai funcionar bem no tribunal de divórcio, mais do que
ser uma prostituta. Você sabe, todas as coisas consideradas, é uma maravilha que nós dois não nos
demos melhor.

Lane acelerou, passando pela linha de trânsito que tinha um engarrafamento indo para a
cidade na junção espaguete. Em um ponto, pelo canto de seus olhos, ele tinha certeza de que ele viu
o Drop-head da família.
Sem dúvida, Gin e Richard no expresso nupcial.
Ela estava louca em se casar com aquele idiota, mas boa sorte tentando convencê-la de
qualquer coisa. Com sua irmã, a crítica simplesmente colocava um olho de touro no que quer que
você estivesse sugerindo que não era uma ideia tão boa. Além disso, como de costume, ele tinha
outras coisas para se preocupar.
A garagem de estacionamento que ele estava procurando estava no canto de Mohammad Ali
e Second Street, e ele desceu o 911 no primeiro lugar que não fosse raspelado por ambos os lados
por idiotas em SUVs que não podiam estacionar diretamente.
Engraçado, geralmente ele fazia o estacionamento defensivo porque queria proteger sua
pintura por princípio. Agora? Ele não queria pagar para reparar arranhões e amassados.
Ou fazer quaisquer reivindicações de seguro que possam aumentar suas taxas.
E falando de seguro...
Durante a noite, quando não conseguiu dormir, desceu as escadas e dirigiu-se ao centro de
negócios, onde ele deixou seus dedos caminhar na sala de arquivos. E lá, aninhado entre os
contratos de trabalho da alta administração, tudo o que ele havia puxado, e os estatutos corporativos
originais, tudo o que ele lera, com alterações posteriores, bem como um arquivo de alto nível do RH
que continha algumas pepitas chocantes de mau comportamento... havia a política de seguro de vida

240
corporativa de seu pai.
Depois de lê-lo três vezes, ele chamou o escritório que havia vendido a política e agendou
esta feliz pequena conversa privada.
Algumas coisas que você queria fazer pessoalmente.
A inglesa, Battle & Castelson Insurance Company estava localizado no andar trinta e dois do
antigo edifício nacional Charlemont, e quando ele saiu do elevador em seu sublime poleiro, ele
achou que ele tinha uma apreciação completamente nova para a vista.
Considerando que agora sabia o que realmente era a queda livre.
Dez minutos depois, ele estava em uma sala de conferências com uma Coca-Cola, esperando.
— Sinto muito por mantê-lo esperando. — Robert Englishman, da parte inglesa do nome,
entrou com um bloco legal, um sorriso e um ar de profissionalismo. — Foi uma manhã louca.
Conte-me sobre isso, pensou Lane.
Apertando as mãos. E então houve uma conversa das condolências, variedade palavras de
apoio. Lane não conhecia o inglês muito bem, mas eles tinham a mesma idade, e Lane sempre
gostou dele sempre que atravessaram o caminho um do outro socialmente. Robert era o tipo de cara
que usava calções de golfe com as baleias costuradas sobre ele e os ternos de algodão rosa listrado
para o Derby e aperfeiçoava o nó da gravata para o trabalho e para o clube da Brooks Brothers25, e,
não importa o que ele tivesse, parece sempre preparado para subir em um Hacker Craft da década
de trinta. Para uma festa onde Hemingway26 era convidado. E Fitzgerald estava bebendo na esquina
com Zelda27.
Ele era a velha escola reunida à nova escola, WASPy sem condescendência e preconceito,
beleza clássica como um anúncio de Polo Ralph Lauren ainda na terra firme como um pai de
comédia.
À medida que as gentilezas desapareceram, Lane empurrou o copo para o lado e tirou os
documentos dobrados do bolso do peito de sua jaqueta de linho. — Eu pensei que poderia vir aqui e
conversar com você sobre isso.
Robert pegou as páginas. — Qual é política?
— Meu pai através da Bradford Bourbon Company. Eu sou um beneficiário junto com meu
irmão e minha irmã.
Com uma careta, o homem começou a rever os termos.
— Ao contrário dos relatórios de notícias, — Lane interrompeu, — acreditamos que ele pode

25
Hacker-Craft é o nome dado aos barcos construídos por The Hacker Boat Co.
26
Escritor norte-americano que ganhou o prêmio Pulitzer de Ficção e o Nobel de Literatura na década de 1950.
27
Scott Fitgerald e Zelda Fitzgerald, casal de escritores norte-americanos da primeira metade do sec. XX.

241
ter sido assassinado. Eu sei que há uma cláusula que exclui o pagamento em caso de suicídio pelo
segurador, mas entendo que, desde que qualquer beneficiário não seja considerado o...
— Sinto muito, Lane. — Robert fechou os documentos e colocou a mão sobre eles. — Mas
esta política foi cancelada por falta de pagamento há cerca de seis meses. Tentamos repetidamente
entrar em contato com seu pai, mas ele nunca retornou nossas chamadas ou respondeu às nossas
perguntas. A MassMutual cancelou, e era uma política de termo de homem chave. Não houve
patrimônio nisso.
Quando o telefone de Lane disparou, ele pensou, bem, havia setenta e cinco milhões pelo
ralo.
— Há algo mais com o qual podemos ajudá-lo?
— Existem outras políticas? Pessoais, talvez? Eu só encontrei isso porque passei pelos
arquivos corporativos. Meu pai era bastante fechado sobre seus assuntos.
Pessoal e profissional. — Havia dois pessoais. Um era um termo de vida, muito menor que
este. — Robert tocou os documentos novamente. — Mas ele não agiu na renovação quando surgiu
há alguns meses atrás.
Claro, pensou Lane. Porque ele não poderia superar a morte, e ele sabia disso.
— E o outro? — ele perguntou.
Robert limpou a garganta. — Bem, o outro foi para beneficiar terceiro. E esse terceiro se
apresentou. Eu não posso divulgar sua identidade ou qualquer informação sobre a política porque
você não está envolvido.
O telefone de Lane tocou de novo. E por uma fração de segundo, ele queria jogar a coisa no
conjunto de janelas de vidro através da mesa.
— Eu entendo totalmente, — ele disse enquanto pegava o documento, enrolou e o colocou de
volta no bolso interno. — Obrigado pelo seu tempo.
— Eu realmente queria que eu pudesse ser mais útil. — Robert levantou-se. — Eu juro, eu
tentei fazer seu pai agir, mas ele simplesmente não fez. Mesmo sabendo que isso teria sido para o
benefício de sua família.
A história da vida do cara.
Oh, pai, pensou Lane. Se você não estivesse já morto...

242
Capítulo 38

Enquanto Lane estava no centro, verificando a questão da apólice de seguro, tentando ganhar
dinheiro, Jeff estava esperando esperançoso o retorno triunfante do rapaz em frente a Easterly, o sol
em seu rosto, os degraus de pedra sob sua bunda funcionando muito bem como aquecedor de
panela. Assim como ele estava começando a pensar sobre os méritos de Coppertone, ele ouviu o
motor da Porsche na base da colina. Momentos depois, Lane parou e saiu.
Jeff não se preocupou em perguntar. Ele podia ler esse rosto. — Então é inútil.
— Nada.
— Droga. — Jeff se levantou e roçou o assento de suas calças. — Escute, precisamos
conversar.
— Você pode me dar um minuto? — Quando Jeff assentiu, o cara disse: — Espere aqui. Eu
volto já.
Um minuto e meio depois, Lane voltou a emergir da mansão. — Venha comigo.
Jeff franziu a testa. — Isso é um martelo?
— Sim, e um prego.
— Você vai consertar alguma coisa? Não se ofende, mas você não é exatamente o tipo de
trabalhador. Eu deveria saber. Eu também não sou, e eu também vivi com você por quanto tempo?
Lane voltou para seu carro e se inclinou sobre a porta do lado do passageiro. Abriu o porta-
luvas, ele...
— Espere, isso é uma arma? — Jeff perguntou.
— Sim. Menino, você é observador. Vamos.
— Onde estamos indo? E vou andar sozinho no final disso?
Lane atravessou o pátio, mas não em qualquer direção que fazia sentido. A menos que você
estivesse saindo na floresta. Para atirar um velho colega de quarto.
— Lane, eu fiz uma pergunta. — Mas Jeff seguiu antes de receber uma resposta. — Lane.
— Claro que você estará andando.
— Eu realmente não estou interessado em me tornar sua Prostituta.
— Que faz de nós dois.
Quando Lane atingiu a linha da árvore e continuou indo mais fundo nos bordos e carvalhos,

243
Jeff ficou com o cara porque ele só queria saber o que diabos ele estava fazendo.
Mais de cinquenta metros ou mais, Lane finalmente parou e olhou em volta. — Isso vai fazer.
— Se você virar contra mim e me pedir para começar a cavar meu próprio túmulo com as
minhas mãos? Então, nosso relacionamento acabou.
Mas Lane simplesmente passou a uma árvore que estava morta, seus ramos esqueléticos e
tronco parcialmente oco em desacordo com o todo verde, o que tinha em volta. Colocando a arma
no bolso exterior de sua jaqueta de linho, tirou um feixe de papéis... e pregou na casca quebrada.
Então ele voltou para onde Jeff parou, colocou dois dedos em sua boca e soltou um assobio
tão estridente que a terceira bisavó de Jeff ouviu em seu túmulo. Em Nova Jersey.
— Fore!28 — gritou o cara.
— Não é isso para o golfe?
Pop! Pop! Poppoppoppoppopop!
Lane era um excelente atirador, as balas destruindo a papelada em uma enxurrada de pedaços
brancos que caíam nas folhas em decomposição e no mato verde brilhante.
Quando o cano da arma finalmente abaixou, Jeff olhou por cima. — Homem, você é louco do
sul que faz parte do Grupo Merdas Estúpidas. Apenas por curiosidade, o que era aquilo?
— A apólice de seguro de vida do termo do homem chave de setenta e cinco milhões de
dólares do meu pai através do MassMutual. Acontece que ele deixou de pagar os prêmios, então foi
cancelado.
— Ok. Bom saber. Para sua informação, a maioria das pessoas simplesmente jogaria a coisa
fora. Apenas dizendo.
— Sim, mas isso foi muito mais satisfatório, e eu tenho tido más notícias. — Lane virou-se.
— Então você queria me dizer algo?
— Você tem mais balas nessa coisa?
— Não. Esvaziou o tambor.
Lane puxou alguns movimentos extravagantes com a arma e produziu algum tipo de coisinha
deslizante que, aparentemente, estava vazio. Não que Jeff soubesse o que era.
— Então? — Lane alertou.
— Eu decidi aceitar sua pequena oferta de emprego, John Wayne.

Quando o velho colega de quarto da faculdade disse as palavras mágicas, a sensação de alívio

28
Terminologia do golfe. E significa o que tem de se gritar quando se bate uma bola para cima de outros jogadores para
os avisar do perigo iminente;

244
de Lane foi tão grande, ele fechou os olhos e caiu. — Obrigado, doce Jesus...
— E eu achei dois pontos cinco milhões de dólares.
Lane levantou em um arranque e agarrou seu velho amigo, arrastando Jeff para um duro
abraço. Então ele empurrou o cara de volta. — Eu sabia que se eu esperasse o tempo suficiente,
tinha que haver boas notícias. Eu sabia.
— Bem, não fique excitado demais. — Jeff recuou. — Há condições.
— Nomeie-os. O que quer que sejam.
— Número um, fiz reparos no vazamento de notícias.
Lane piscaram. — O que?
— Amanhã de manhã, você estará lendo no jornal que o que parecia fundos desviados de
forma inadequada eram realmente parte de um projeto de diversificação sancionado pelo diretor
executivo, William Baldwine. Os projetos falharam, mas as decisões comerciais precárias não são
ilegais em uma empresa privada.
Lane correu as palavras para frente e para trás na sua cabeça um par de vezes apenas para ter
certeza de que ele tinha razão. — Como você vai gerenciar isso?
Jeff verificou o relógio. — Se você realmente quer saber, me pegue um carro às cinco horas.
E não o seu tipo de carro, nada especial. Eu vou te mostrar.
— Combinado. Mas sim, uau.
— E eu decidi que quero investir em sua pequena empresa de bourbon. — O cara encolheu
os ombros. — Se houver uma investigação federal, com toda essa imprensa negativa? Isso vai
atrasar as vendas nesta era moralista, julgadora, todos e tudo do Facebook e do Twitter. E o que eu
preciso, se eu mudar a organização, é tempo. O rendimento das operações me dá tempo. Uma
investigação leva meu tempo. E você está certo. Sua família é a única acionista. Se a empresa está
em dívida, entra em falência, falha? Seu pai fodeu todos vocês, ninguém mais.
— Estou tão feliz que você esteja vendo as coisas do meu jeito. Mas e quanto aos dois
milhões e meio para os membros do conselho?
Jeff colocou a mão no bolso e segurou um pequeno cheque dobrado. — Aqui está.
Lane pegou a coisa e abriu. Olhou para o amigo. — Esta é a sua conta.
— Eu lhe disse, estou investindo no seu negócio. Esses são fundos ao vivo, e eu fiz isso
diretamente para você para que você possa manter esse incentivo fora dos livros corporativos por
enquanto. Pague-os em particular.
— Não sei como agradecer por isso.
— Espere por isso. Essa parte está por vir. Eu terminei minha análise e eu respondi por todo
o dinheiro, e o total desviado, incluindo esse empréstimo da Prospect Trust para sua conta pessoal, é

245
de cento setenta e três milhões, oitocentos setenta e nove mil e quinhentos, e onze dólares. E oitenta
e dois centavos. Os oitenta e dois centavos são o verdadeiro jogador, é claro.
Merda. E isso foi além dos cem milhões que faltavam da confiança de sua mãe.
A magnitude de tudo foi tão grande, o corpo de Lane sentiu o impacto mesmo que as perdas
fossem um conceito mental. Mas pelo menos o fundo final foi encontrado. — Eu estava esperando...
bem, é o que é.
— Estou preparado para embarcar de forma provisória e resolver tudo. Eu vou querer me
livrar de sua gerência sênior, todos eles...
— Eu li seus contratos de trabalho na noite passada. Há uma cláusula de confidencialidade
em cada uma delas. Então, podemos demiti-los por não pegar o desvio indevido de fundos, o que é
motivo, e mesmo que os relatórios de notícias digam que algo está acontecendo, não há nada que
eles possam dizer de outra forma. Não, a menos que eles desejem algumas penalidades anteriores, e
não o farão. Esses bastardos estarão à procura de empregos, e ninguém contrata insetos.
— Eles poderiam ir não oficial.
— Eu descobriria isso. Eu prometo.
Jeff assentiu brevemente. — Justo. Meu objetivo é manter os trens funcionando a tempo,
manter o dinheiro entrando, estabilizar o navio. Porque agora, você pode muito bem estar em uma
aquisição hostil para o que a moral tem que ser assim. E não temos o espaço de manobra para
atrasos em embarques, cobranças de contas, processamento de pedidos de produtos. Os funcionários
precisarão de motivação positiva.
— Amém para isso.
Lane virou-se e começou a atravessar a floresta para a casa.
— Onde você está indo? — gritou Jeff.
— De volta ao meu carro. — Lane continuou, alguma paranoia que Jeff mudaria de ideia
tornando-se ansioso. — Você e eu estamos indo para a sede agora.
— E em troca, eu quero um salário anual de dois pontos cinco milhões de dólares, e um por
cento de toda a empresa.
As palavras foram ditas como se fossem bombas sendo deixadas cair, mas Lane apenas
varreu o ar com a mão enquanto continuava a sair da floresta.
— Feito, — ele disse sobre o ombro dele.
Jeff agarrou o braço de Lane e girou-o de volta. — Você ouviu o que eu disse? Um por cento
da empresa.
— Você ouviu o que eu disse? Feito.
Jeff balançou a cabeça e empurrou os óculos para cima em seu nariz. — Lane. Sua empresa,

246
mesmo em suas dificuldades, provavelmente vale três a quatro bilhões de dólares, se fosse para
aquisição. Estou pedindo entre trinta e quarenta milhões aqui, dependendo da avaliação. Para um
investimento inicial de dois pontos cinco.
— Jeff. — Ele ecoou aquele tom estridente. — Seu dinheiro é tudo o que eu tenho neste fim
de dívida e eu não sei como administrar uma empresa. Você quer que um por cento para ser o
Diretor Executivo interino? Bem. Dândi. Fodem com isso.
Quando Lane começou a andar de novo, Jeff caiu no passo. — Se você soubesse, se eu
tivesse alguma ideia de que você ficaria tão empolgado, eu pediria três por cento.
— E eu teria pago cinco.
— Estamos fazendo uma cena de Pretty Woman?
— Eu não quero pensar assim, se não se importa. Ambiente de trabalho hostil. Você poderia
me processar. Ah, e há mais uma coisa do nosso lado. — Eles saíram da linha da árvore e entraram
na grama tratada. — Eu farei o conselho me nomear como presidente. Dessa forma, será mais fácil
para nós fazer o trabalho.
— Eu gosto do seu estilo, Bradford. — Jeff acenou com a cabeça para a arma. — Mas acho
que devemos deixar isso no porta-luvas. Como seu novo Diretor Executivo, eu gostaria de entrar em
uma nota conciliadora, se você não se importar. A segunda alteração é excelente e tudo, mas
existem algumas técnicas de gerenciamento fundamentais que eu gostaria de tentar primeiro.
— Não há problema, chefe. Sem problema.

247
Capítulo 39

Com um suspiro aliviado, Lizzie salpicou água fria no rosto quente. Ela estava tão feliz por
estar fora do sol e na suíte que ela estava compartilhando com a Lane, o ar condicionado seco
acalmou o suor do corpo superaquecido. Foi um longo dia trabalhando nos jardins, ela e Greta
atacaram os canteiros ao redor da piscina com um entusiasmo relacionado ao estresse que estava
garantido, mas, em última análise, inútil, exceto quando se relacionava com a remoção de ervas
daninhas. Nenhum deles disse nada sobre o velório, nem o assunto do envolvimento obteve muita
cobertura.
Greta permaneceu desconfiada de Lane e nada, exceto o tempo, mudaria isso.
Chegando cegamente por uma toalha, ela empurrou as fibras suaves para a testa, as
bochechas e o queixo, e quando ela olhou para cima, Lane estava de pé atrás dela.
Cara, ele parecia bem com essa jaqueta de linho e camisa de colarinho aberto, seus óculos
colocados no bolso do peito, seus cabelos arrepiados de uma maneira que significava que ele estava
dirigindo com o teto para baixo. E ele cheirava a sua colônia. Gostoso.
— Você é uma visão para os olhos doloridos, — ele disse com um sorriso. — Venha aqui.
— Estou fedendo.
— Nunca.
Colocando a toalha, ela entrou em seus braços. — Você realmente parece feliz.
— Eu tenho algumas boas notícias. Mas também tenho uma aventura para você.
— Me diga, me diga...
— Que tal ir espionar comigo e Jeff?
Lizzie riu e deu um passo atrás. — Ok, não o que eu esperava. Mas diabos, sim. Estou com a
espionagem.
Lane ergueu os ombros da jaqueta e desapareceu no armário. Quando voltou, ele tinha uma
viseira de golfe, um boné de baseball U de C e um chapéu de esqui com gorro cobrindo a orelha.
— Vou pegar o que está por trás da porta número dois, — ela disse, indo para o boné.
Lane bateu aquele chapéu de esqui miserável na cabeça. — Nós precisamos ir em sua picape,
no entanto.
— Sem problemas. Enquanto eu não sou aquela que tem que parecer o Pé-Grande.

248
— Tão ruim?
— Pior.
Lane atingiu uma pose, uma mão no quadril, a outra no ar. — Talvez eu possa emprestar um
dos chapéus da Derby de minha irmã?
— Perfeito, isso é muito menos perceptível.
Ela entrou no armário e voltou. — Havia esse outro chapéu de Eagles ali.
— Sim, mas queria que você pensasse que eu fosse fofo.
Lizzie colocou seus braços ao redor de seu pescoço e se inclinou para ele. — Eu sempre acho
que você é fofa. E sexy.
Enquanto suas mãos se moviam para a cintura, ele rosnou. — Agora não é o momento. Agora
não é o momento...
— O que?
Ele a beijou profundamente, segurando-a contra seu corpo, mesmo com os chapéus nas mãos.
E então ele amaldiçoou e recuou. — Jeff está esperando.
— Bem, vamos lá, então! Vamos.
Era bom rir, ser livre, vê-lo parecer assim uma vez que todo o peso do mundo não estava em
seus ombros. E sim, está bem, talvez agora ele estivesse sexualmente frustrado, mas mesmo assim
estava meio alegre.
— Então, o que está acontecendo? — perguntou enquanto saíam para o corredor.
— Bem, acabo de voltar da sede corporativa e...
Quando eles entraram no vestíbulo, ela estava parecendo-se surpresa. — Então você está
fazendo algum progresso. E você é o presidente do conselho?
— Você está com um homem que realmente tem um emprego. Pela primeira vez em sua vida.
Quando ele colocou as palmas das mãos para cima, ela bateu em uma. — Você sabe, eu amei
você mesmo quando você era apenas um jogador de pôquer.
— O termo técnico é card shark. E sim, eu percebi que não é um show de pagamento, — ele
segurou um dedo, — mas isso envolverá muito trabalho. E eu mesmo tenho um escritório no centro
da cidade. Ou aqui. Como queiras.
— E agora você também é um espião.
— Oh, duplo Baldwine. — Eles caminharam até seu velho companheiro de quarto que estava
esperando na porta. — E aqui está o Jeff meu parceiro no crime. Ou, bem, não crime, exatamente.
Responsabilidade fiscal.
Lizzie deu um forte abraço a Jeff. — Então, o que estamos fazendo, meninos?
Minutos depois, eles estavam amontoados no banco da frente de sua picape Toyota, dirigindo

249
a colina de Easterly na estrada dos funcionários, todos com os chapéus. Ela estava atrás do volante
com Lane preso no meio da cabine, sua cabeça quase atingindo o teto.
— Vá para o fundo e se esconda em torno da última estufa de frente, — disse Lane. E
apresse-se. Já são cinco e quinze.
— Quem estamos esperando?
Jeff falou do outro lado. — Se eu tiver razão, a empregada no andar de cima. Tiphanii.
— O quê? — ela torceu. — Vocês pensam que ela está roubando o Charmin29 ou algo
assim?
— Nem mesmo perto...
— Espere, esse é o seu carro! — Lizzie assentiu com a cabeça para o retrovisor. — Atrás de
nós.
— Ela vai embora cedo, — disse Lane com uma maldição. — Posso descontar seus catorze
minutos de pagamento?
— Como alguém que conhece sua situação financeira? — Jeff assentiu. — Sim, você
realmente deveria.
Lizzie balançou a cabeça. — Deixe-me ver se entendi. Você vai resolver todo esse problema
só para ver se ela está trabalhando até as cinco?
— Continue, — disse Lane. — E veremos para onde ela virar. Precisamos segui-la.
— Alguma ideia para onde ela está indo? — Lizzie veio até River Road. — Espere, eu sei o
que fazer.
Dirigindo para a direita, ela levou seu tempo doce acelerando, o que, com 180 quilos extras
de homem na cabine, não era apenas uma estratégia.
Lizzie assobiou em voz baixa. — Perfeito, ela vai para a esquerda! Preparem, senhores.
Quando os rapazes se prepararam, ela acelerou o mais rápido possível, ultrapassando uma
pista de terra e girou o volante fora da estrada, a parte traseira da picape derrapando enquanto ela
pisava nos freios e girava o volante. Alguém bateu a cabeça e amaldiçoado, mas estava muito
ocupada dirigindo de volta para River Road, de modo que o pequeno Saturno de Tiphanii estava
agora na frente.
No momento em que atingiram o semáforo para o posto Shell na Dorn Avenue, dois carros
estavam entre eles. Tiphanii virou à esquerda e dirigiu-se para a quarta pista... e depois para a
Broadsboro Lane até Hilltop, a estrada Halloween, onde as casas se iluminavam em outubro. Sobre
as vias férreas e à direita em Franklin, que era o lar de todo tipo de pequenas lojas e cafés que eram

29
Marca de papel higiênico.

250
de propriedade local.
Quando Tiphanii parou paralelamente nos quatro quarteirões, Lizzie passou por ela, os três
olhando pelo para-brisa dianteiro não fazendo absolutamente nada, com os chapéus baixos.
Um trio de estátuas a espera.
No próximo sinal, ela virou à esquerda abruptamente através de um sinal amarelo e correu
pelo beco atrás dos restaurantes e lojas. Quando ela pensou que ela tinha ido longe o suficiente, ela
freou e teve sorte ao encontrar um lugar lá.
— Vamos fazer isso, — ela disse enquanto ela desligava o motor e abria a porta. — E
preparem-se para dizer oi aos cães.
— O quê? — perguntou Jeff quando ele saiu. — Cães?
Lane deu uma saudação quando ele estava livre da cabine. — O que quer que ela diga, nós
vamos fazer.
Lizzie abriu o caminho através de um beco que era pouco mais largo do que os ombros.
Pouco antes de chegar ao fim, ela parou. — Oh, meu Deus, lá está ela.
Em frente a Franklin Ave. Tiphanii saiu do seu carro e correu pelo trânsito. Nas sombras,
Lizzie inclinou-se um pouco para ver onde a mulher estava indo.
— Sabia. Ela está entrando no Blue Dog. Vamos.
Lizzie saltou para os pedestres que estavam descendo a calçada, e apenas quatro metros e
meio depois, inclinou-se sobre um bulldog inglês que, segundo a etiqueta da coleira, se chamava
Bicks. Enquanto isso, Tiphanii estava dentro do café, bem na frente de uma janela de vidro.
Ela estava apertando as mãos com uma mulher afro-americana alta.
— Essa é a repórter que conheci, — Lane disse enquanto ele e Jeff se agrupavam em torno de
Bicks. Todos os três acenaram para o aparente proprietário de Bicks, que estava sorrindo e
acenando com a cabeça para dentro da loja de consignação ao lado. — E sim, ela está lhe dando
algo. Alguns papéis.
Jeff assentiu. — Bingo.
— O que tem na papelada? — perguntou Lizzie.
Jeff falou em tom silencioso enquanto se movia para acariciar um vira-lata chamada Jolene.
— É um relatório falso que deixei lá para a sua última noite. Há uma copiadora no corredor no
escritório do segundo andar. Tudo o que ela tinha que fazer era escorregar, fazer as xeroxes e
colocar o documento de volta onde o encontrou. Trabalho de dois minutos.
— Ela passou a noite? — disse Lizzie. — Contigo?
— Ah...
Lizzie riu. — Estou perguntando como parte da nossa tarefa aqui, não porque eu esteja

251
julgando.
Quando o cara corou, ela lembrou o quanto ela gostava dele.
— Tudo bem, sim, — ele disse, empurrando os óculos. — Esse foi o plano. E precisamos
dessa informação alçando voo, muito obrigado.
Lane se inclinou e a beijou. — Bom trabalho nos trazendo aqui, e agora, se me desculpar por
um minuto.
— Onde você vai?
— Eu vou dizer oi para aquela repórter. LaKeesha e eu somos velhos amigos depois de me
interrogar durante duas horas. E ouça, ela não fez nada de errado. Não é sua culpa que uma fonte
tenha chegado a ela com informações que encontraram em algum lugar, e qual a melhor maneira de
desenvolver nosso relacionamento do que falar sobre todas as coisas de emergência e nossas
promoções. Jeff, eu vou preparar uma reunião entre vocês dois as sete horas da noite. Eu não quero
que a primeira impressão dela de você ser quando você parece um vagabundo. Você precisa de um
barbear e um terno fresco antes de representar minha empresa na imprensa. Ah, e é hora de
dispensar a Tiphanii com dois i no final. Apenas na frente da minha boa amiga, repórter.
— Deixe-me cuidar disso, — disse Lizzie.
— Isso seria uma grande ajuda.
Depois que ele a beijou novamente, ele se endireitou até toda a altura e entrou no café.
Através da grande janela de vidro, Lizzie observou as duas mulheres virar-se para ele e
Tiphanii tropeçou para trás. Mas Lane era todo sorriso, apertando as mãos, falando. A repórter
olhou para ele com atenção, e então Lane virou-se para a jovem.
Ele estava totalmente no controle de si mesmo, e ela podia apenas imaginar sua voz calma,
dispensando a empregada, deixando-a na berlinda.
Ele está fazendo isso, pensou Lizzie com orgulho.
Seu futuro marido estava... tornando-se um líder. Um chefe de família. Um homem, em vez
de um playboy.
Um momento depois, Tiphanii saiu, mas ela não chegou longe quando Jeff pisou em seu
caminho. Lizzie pensou que seria melhor dar-lhes privacidade, mas como Bicks o bulldog e Jolene
olhavam para o drama, ela imaginou o que diabos, então, ela também.
— Ah... — A empregada estava tão vermelha como um tomate. — Jeff. Então, hum, não é
isso que parece...
— Oh, vamos. — O cara balançou a cabeça. — Pare. Eu vou ter mais respeito por você se
você não tentar fingir.
— E me desculpe, Tiphanii, — disse Lizzie, — mas seus serviços não são mais necessários

252
em Easterly. Estou despedindo você imediatamente, e se você for esperta, você vai se afastar.
O rosto da mulher mudou, ficando feio. — Eu sei coisas. E não apenas sobre as finanças.
Conheço muitas coisas sobre o que acontece naquela casa. Eu não sou o tipo de inimiga que a
família precisa agora.
— Há uma cláusula de não divulgação em seu contrato, — afirmou Lizzie. — Estou ciente
disso porque também há um no meu.
— Você acha que me importo com isso. — Tiphanii moveu uma bolsa muito cara em seu
ombro. — Você não ouviu o último de mim.
Quando ela entrou no trânsito, Lizzie balançou a cabeça. — Isso foi bem.
— Talvez ela seja atropelada enquanto atravessa, não, foi. Pena. — Quando Lizzie lhe lançou
um olhar, o cara levantou uma palma. — Eu sou de Nova Iorque. O que você quer de mim.

253
Capítulo 40

Meia hora depois, Lane estava se sentindo muito bem com as coisas enquanto ele e Lizzie e
Jeff voltaram para Easterly em sua picape. LaKeesha estava morrendo de vontade de conhecer o
novo Diretor Executivo, e o fato de que Lizzie havia cuidado de Tiphanii? Fantástico.
A felicidade não durou, porém. Ao chegarem a ascensão para a porta da frente da mansão,
havia um carro de polícia não identificado e um CMP SUV estacionado no pátio.
Merrimack saiu do primeiro antes de Lizzie parar a picape.
— Merda, — Lane murmurou. — Eu tenho que lidar com isso.
— Eu te amo, — Lizzie disse enquanto Jeff saiu, então Lane poderia fazer o mesmo.
— Eu também te amo. — Ele se recostou. — Eu estava esperando que pudéssemos ir a
Indiana esta noite.
— Estou feliz por estar aqui ou lá. Tudo o que for melhor para você.
Por um momento, ele olhou nos olhos dela, tirando força de seu apoio. E então ele a beijou,
fechou a porta e levantou suas calças para cima.
Quando ele se virou, pôs sua cara de pôquer. — Estou tão feliz em vê-lo novamente, detetive.
Merrimack sorriu dessa forma e estendeu a palma da mão quando se aproximou. — Eu
também?
— Você está aqui para o jantar? E quem é seu amigo?
Um cara à paisana tinha uma tatuagem no pescoço por toda a parte. — Pete Childe. Eu sou
um investigador.
— E eu tenho uma papelada para você, Sr. Baldwine, — disse Merrimack.
— Você conhece Jeff Stern. — Lane recuou para a apresentação. — Agora, vamos verificar
sua lista de compras. Você lembrou dos ovos e da manteiga?
Quando Jeff voltou para dentro da casa, Lane passou seus olhos sobre o mandado, mesmo
que ele não soubesse como deveria parecer. Mas venha, era essencialmente um cupom para
transgressão legal, e havia selos e assinaturas.
E o que se diz expressamente que estava limitado a imagens de segurança por um período
que abrange o dia anterior, no dia seguinte à morte do seu pai.
— Então não tenho certeza se você está ciente disso, — Merrimack disse enquanto Lane
chegou à última página. — Mas sua porta da frente estava bem aberta. Bati e bati. Eventualmente,

254
uma empregada desceu. Eu também te ligue várias vezes.
— O telefone está no carro. — Lane caminhou até a Porsche e tirou o objeto do console. —
Então, vamos fazer isso, não é?
— Lidere.
Lane levou o detetive e Pete ao lado da mansão e para os fundos, e foi a caminhada mais
longa de sua vida. Sob sua cara de pôquer, sob sua compostura, ele estava gritando como se
estivesse de pé no lado da estrada quando dois carros vieram se derrapando um contra o outro em
gelo preto, e, ainda assim não importa quão alto ele gritou, os motoristas não podiam, ou não
atendiam seu aviso.
Mas na parte de trás de sua mente, desde o momento em que ele enviou Merrimack a frente,
ele sabia que esse impacto estava chegando.
Na porta traseira do centro de negócios, ele digitou o código e os escoltou para dentro.
— A segurança de toda a propriedade é mantida nos computadores aqui. — Ele foi para a
esquerda no corredor para onde estavam as salas dos servidores. — Aqui é onde fica a placa-mãe,
ou o que quer que você chama isto.
Parando na frente de uma porta de aço que não tinha sinalização, entrou com outro código, e
depois de um som estalado indicou que a trava estava livre, ele abriu o painel pesado amplamente.
À medida que as luzes de teto automáticas acenderam, ele queria continuar falando.
Continuar andando. Mas uma súbita conexão mental o destruiu.
— Sr. Baldwine?
Ele se sacudiu e olhou de volta para o detetive. — Desculpa, o que?
— Algo está errado?
— Ah, não. — Ele foi para o lado, saindo do caminho e indicando a estação de trabalho com
seu banco de monitores e teclados e cadeiras rolantes. — Fique à vontade.
Pete foi o capitão Kirk a iniciar o negócio, sentando-se atrás da coleção de tecnologia, como
se soube o que isso significava. — Eu vou precisar de acesso à filmagem. Você pode entrar?
Lane balançou a cabeça para limpá-la. — Desculpe, o que?
— Eu preciso de um log-in e uma senha para a rede.
— Eu não tenho isso.
Merrimack sorriu como se ele tivesse esperado isso. — É melhor nos entregar uma. Agora.
— Me dê um momento, sim?
Voltando para o corredor, ele se afastou e pegou o telefone. Enquanto olhava para a tela
brilhante, tudo o que ele podia fazer era balançar a cabeça.
Porque agora ele sabia o que seu irmão fazia durante o velório. Droga.

255
Respirando fundo, Lane discou a casa de campo do Red & Black. Um toque... dois toques...
três toques...
— Olá?
Quando a voz de Edward passou pela linha, Lane fechou os olhos. — Edward.
— Irmãozinho, como você está?
— Já estive melhor. A polícia está aqui comigo no centro de negócios. Eles têm um mandato
para a filmagem de segurança. — Quando só houve silêncio, ele murmurou: — Você ouviu o que
eu disse?
— Sim. E?
Por uma fração de segundo, ele queria dizer a Edward para pegar tanto dinheiro quanto
pudesse e encontrar um carro e fugir da cidade. Ele queria gritar. Ele queria xingar.
E ele queria a verdade.
Mas ele também precisava da mentira de que tudo estava bem, e que seu irmão não trocou
uma prisão figurativa por uma literal, tudo em nome da vingança.
Lane limpou a garganta. — Eles precisam entrar na rede para que possam copiar os arquivos.
— Dê-lhes os meus detalhes de login.
Por que diabos você fez, Edward? Edward, eles vão descobrir se você adulterou...
— Tendo alguma sorte, Sr. Baldwine?
Enquanto Merrimack se inclinou para fora da sala de segurança, Lane disse ao telefone: —
Diga para mim, ok?
— Você me ligou em um telefone giratório, lembra? — a voz de Edward era tão suave
quanto sempre, enquanto recitava os detalhes. — Você entendeu?
— Sim.
— Eles sabem onde me encontrar se tiverem dúvidas. É Merrimack com você? Ele saiu e me
visitou no outro dia.
— Sim, ele é o detetive.
Houve uma pequena pausa. — Tudo vai ficar bem, irmãozinho. Pare de se preocupar.
E então a chamada terminou no lado de Edward.
Lane baixou o telefone. — Eu tenho o que você precisa.
Merrimack sorriu novamente. — Eu tinha toda a fé que você cumpriria com a mandato. Esse
era seu irmão Edward?
— Sim.
Merrimack assentiu. — Cara legal. Sinto muito em vê-lo nessa condição. Ele falou que eu fui
vê-lo?

256
— Ele disse.
— Você sabe, ele realmente não se parece com você.
Lane seguiu o detetive para entrar na sala de monitoramento de segurança. — Ele costumava.

No Ogden County, no Red & Black, Edward desligou o receptor na parede da cozinha,
enquanto Shelby atravessava a porta principal da casa. Ela estava recém banhada, o cabelo secando
nos ombros, o jeans limpo, a camisa de manga curta azul e branca xadrez.
— O quê? — ela disse quando viu o rosto dele.
— O que o quê?
— Por que você está olhando assim para mim?
Ele balançou sua cabeça. — Eu não estou. Mas escute, eu quero sair para jantar. E eu quero
que você venha comigo.
Quando ela apenas piscou para ele, ele revirou os olhos. — Bem. Eu serei mais educado. Por
favor. Venha jantar comigo. Agradeceria muito a sua companhia.
— Não, não é isso. — Ela deu um tapinha na camisa. — Não estou vestida para nada
extravagante.
— Eu também não estou, e estou com disposição para um bom frango. Então devemos ir para
Joella's.
Mancando até a porta, ele abriu os painéis amplamente. — Você está pronta para isso? Seis
níveis de tempero, e cada um é um gosto do céu, e isso não é blasfêmia.
— Você quer chamar Moe?
— Não, eu só quero você. Para vir comer comigo, é isso.
Quando ele indicou o grande ar livre, houve uma pausa... e então Shelby saiu primeiro.
Quando passou por ele, respirou profundamente e ele teve que sorrir um pouco. Ela cheirava a um
shampoo antigo Prell, e ele se perguntou onde tinha conseguido o material. Já conseguiram fazer
isso? Talvez fosse uma sobra do pai de seu pai, ou talvez tenha sido abandonado pelo ocupante
anterior daquele apartamento em que fica em cima no Barn B.
Antes que Edward a seguisse, ele agarrou o dinheiro que ele havia deixado no canto da mesa
na noite em que Sutton tinha vindo e ele a confundiu...
Parando aquela pequena cascata de lembranças, ele fechou a porta da casa e olhou para o céu.
Por um momento, ele fez uma pausa para medir a ampla extensão e a gradação da cor do brilho de
brasa do pôr do sol no oeste até o azul veludo do início da noite a leste. Inalando profundamente
mais uma vez, ele cheirou a grama doce e a boa terra e algo vagamente carvão, como se Moe e Joey

257
estivessem grelhando hambúrgueres atrás de um celeiro.
A sensação do ar imóvel em sua pele era uma espécie de bênção.
É estranho que ele não tenha apreciado tudo. E isso era verdade mesmo quando ele estava
fora do mundo.
Naquela época, ele estava tão concentrado no trabalho, na empresa, na competição.
E depois, ele estava chocado com muita dor e muita amargura.
Muitas oportunidades perdidas.
— Edward? — Shelby disse.
— Chegando.
Aproximando-se de sua picape, ele voltou e abriu a porta, e embora ela não estivesse
familiarizada com o gesto ou a ideia de que ela fosse levada a algum lugar, ela entrou no banco do
passageiro. Então ele coxeou em um círculo e ficou atrás do volante.
Dando a partida, ele recuou e se dirigiu para a cidade. No início, havia apenas alguns outros
veículos na estrada com eles e ele até teve que ultrapassar um trator que estava no dirigindo no
acostamento. Mas logo havia carros adequados e até alguns semáforos.
Quando eles vieram para os subúrbios propriamente ditos, ele se viu olhando ao redor,
observando as mudanças nas escadarias. Bairros. Ele reconheceu novos estilos de carros. Outdoors.
Plantações nos canteiros e...
— Oh, meu Deus, eles se livraram do Castelo Branco.
— O que você diz?
Ele apontou para um novo edifício perfeitamente anônimo que abrigava um banco. —
Costumava haver um Castelo Branco ali mesmo. Enorme. Eu fui lá quando eu era jovem na minha
bicicleta. Gostava de economizar minha mesada e comprar sanduiches para meus irmãos e eu. Eu
tinha que esgueirá-los para dentro da casa porque nunca quis que Senhorita Aurora sentisse que não
amávamos sua comida. O que nós fizemos. Mas eu gostava, você sabe, obter algo que os fazia feliz.
Gin nunca comeu nenhum deles. Ela começou a se preocupar em engordar quando tinha três anos.
Edward ficou calado sobre o fato de que as viagens geralmente vieram depois que seu pai ter
tirado o cinto. Nove vezes em dez, Max foi o único que conseguiu escapar dele, se estava puxando
fogos de artifício do telhado da garagem, ou montando um cavalo pela porta da frente de Easterly,
ou levando um dos carros da família e dirigindo para os campos de milho abaixo da colina.
Ele sorriu um pouco para si mesmo. Certamente, em outras famílias, esse último talvez não
tenha sido algo tão grande. Rolls-Royces, no entanto, apesar de automóveis superiores ao redor,
foram projetados para ir a óperas e jogos de polo. Não tentar colher milho em agosto.
Deus, ele ainda pode imaginar aquele 1995 Corniche IV novinho com a grade dianteira cheia

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de espiga e palha. William Baldwine tinha ficado muito menos do que divertido em encontrar seu
novo brinquedo arruinado, e Max não conseguiu se sentar por uma semana depois.
Para limpar essa parte da memória do caminho, ele disse: — Fiquei bastante impressionado
com o que você fez na noite passada.
Shelby olhou por cima. Desviou o olhar. — Neb não é tão ruim. Ele quer estar no comando e
ele irá provar se ele tiver. Sua melhor opção é trabalhar com ele, não tentar fazê-lo fazer o que você
quer.
Edward riu, e a cabeça de Shelby girou. Quando ela olhou para ele, ele disse: — O quê?
— Nunca ouvi você... bem, mesmo assim.
— Rir? Sim, você provavelmente está certa. Mas esta noite é diferente. Eu sinto que um peso
está fora dos meus ombros.
— Porque Neb vai ficar bem? Foram apenas cortes superficiais, e as patas dianteiras estarão
bem. Poderia ter sido pior.
— Graças a você.
— Não foi nada.
— Você sabe... eu amo aquele garanhão. Posso me lembrar quando o comprei. Foi logo
depois que eu saí do hospital de reabilitação aqui. Eu estava com tanta dor. — Edward parou em um
sinal vermelho em uma grande igreja branca com sino de bronze. — Minha perna direita sentia
como se estivesse quebrando uma e outra vez, cada vez que colocava o peso nela. E eu estava sob
efeito de tantos opiáceos, meu aparelho digestivo tinha desligado completamente. — Quando o
sinal ficou verde, ele acelerou e olhou por cima. — SFI30, mas constipação induzida por opiáceos é
quase tão ruim quanto quando você está tomando drogas. Deus, eu nunca tinha apreciado as funções
corporais básicas. Ninguém aprecia. Você anda por aí nesses sacos de carne que são veículos para
nossa matéria cinzenta, dando tudo por certo quando nada é certo, resmungando sobre o trabalho e
quão difícil é, ou...
Edward fez uma dupla tomada em sua passageira: Shelby ainda estava encarando-o do
assento, e então ajudava a Deus, seu queixo estava totalmente caído.
Ela parecia menos surpresa quando ela estava lidando com aquele garanhão.
— O quê? — ele perguntou.
— Você está bêbado? Você deveria dirigir?
— Não. A última bebida que tive foi... ontem à noite? Ou antes disso. Perdi a pista. Por quê?
— Você está muito loquaz.

30
Ver artigo sobre a doença disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/10/22/opiniao/8.html

259
— Você quer que eu pare?
— Não, não. É só... uma boa mudança.
Edward aproximou-se de um cruzamento. E teve que chegar ao fundo para lembrar o
caminho a seguir. — Eu acho que fica aqui embaixo à esquerda.
Eles passaram por um shopping com um joalheiro, um cabeleireiro, um estúdio de Pilates e
uma loja de lâmpadas. E então havia um trecho de prédios de apartamentos de três andares e feito
de tijolos, com frotas de carros estacionados vãos pelas portas.
Tanta vida, pensou. Enchendo o planeta.
Engraçado, quando sua única maneira de se relacionar com o mundo foi seu elevado status de
Bradford, ele havia ignorado todas essas pessoas que estavam ocupadas vivendo suas vidas. Não era
que ele tivesse desprezado ou desrespeitado externamente, mas ele certamente se sentiu muito mais
importante por causa do número de zeros à esquerda de seus pontos decimais.
A dor e seus vários problemas físicos certamente o curaram dessa arrogância.
— Aqui está, — ele disse com triunfo. — Eu sabia que estava aqui.
Estacionando paralelo à frente do pequeno restaurante caseiro, ele tentou se aproximar para
pegar a porta de Shelby, mas com seu tornozelo e sua perna ruim, não houve movimento rápido o
suficiente, e ela não o esperou, desceu sozinha. Juntos, eles pararam para uma pausa no trânsito e
então eles estavam atravessando e ele estava segurando o caminho aberto para ela.
Enquanto respirava profundamente as especiarias e a galinha quente, seu estômago soltou um
rugido.
— Eu soube sobre esse lugar, — ele disse enquanto examinava o interior lotado, de Moe. Ele
começou a falar dele há alguns anos atrás e, finalmente, ele trouxe a comida para casa com ele. Foi
antes de eu... foi antes da América do Sul.
Eles foram encaminhados para uma mesa na parte de trás, o que lhe serviu bem. Ele parecia
muito diferente e ele não era deste bairro, mas ele não queria atenção. Esta noite? Ele só queria ser
como todos os outros no lugar era: parte da humanidade, não melhor, nem pior, nem mais rico, nem
mais pobre.
Pegando o cardápio, ele estava tão pronto para metade das coisas.
— Por quanto tempo você e Moe se conhecem? — Shelby perguntou sobre o barulho de
outros clientes.
— Anos. Ele começou a trabalhar no Red & Black quando eu tinha 14 ou 15 anos,
transportando fardos e barracas de limpeza. Ele é um cara inteligente.
— Ele fala sobre você com muito respeito.
Edward colocou o cardápio de volta. — O sentimento é inteiramente mútuo. Moe é como um

260
irmão de muitas maneiras. E Joey, seu filho? Conheci o garoto toda a sua vida.
Na verdade, Joey era o motivo pelo qual eles estavam aqui.
Edward estava pensando naquela expressão que o cara tinha tido enquanto ele observava
Shelby lidar com o pequeno pânico de Neb.
Normalmente, Edward não se intrometeria no negócio de outras pessoas assim. Mas ele se
viu querendo fazer o certo por Shelby.
Antes que as coisas mudassem.
Chegou a sua garçonete, e depois de pedir, ele tomou um gole de água. — Então, sobre Joey.
— Sim? — Os olhos de Shelby estavam abertos e inocentes. — O que?
Edward brincou com o garfo. — O que você acha dele?
— Eu acho que ele é muito bom com os cavalos. Ele nunca perde a paciência. Ele os entende.
— Você acha que ele é...
— Você não vai demiti-lo pelo que aconteceu ontem à noite, vai? Não foi culpa dele. Isso
não foi culpa de ninguém e...
— O que? Deus, não. — Edward sacudiu a cabeça. — Joey é um bom menino. Eu só estava
me perguntando o que você pensava dele, você sabe.
Shelby encolheu os ombros. — Ele é um bom homem. Mas se você me perguntar se eu vou
me enroscar com ele, a resposta seria não.
Quando ela ficou em silêncio, Edward pensou... claro, você não está interessada nele. Ele não
é uma bagunça quente de autodestruição.
— Shelby, eu preciso confessar alguma coisa.
— O que?
Ele respirou fundo. — Você está certa. Estou apaixonada por alguém.

261
Capítulo 41

O Seminário Teológico Presbiteriano de Charlemont ocupava cerca de quarenta hectares bem


cuidados ao lado de um dos belos parques da cidade de Olmstead. Com edifícios de tijolos distintos
e postes de iluminação que brilhavam laranja na escuridão, Gin imaginou o campus pitoresco como
um lugar onde ninguém bebia, o sexo seguro não era um problema porque todos ainda eram virgens
e o mais próximo de uma festa de fraternidade que havia era a o clube de xadrez estridente, que era
conhecido por servir o Red Bull ocasional.
Era, portanto, bastante irônico para ela que ela estivesse dirigindo para sua entrada...
considerando quem ela tinha vindo encontrar.
Todos os alunos foram para casa para o verão, sem dúvida, encontrar estágios valiosos para
os meses quentes fazendo o Bom Trabalho. Da mesma forma, não havia administradores e nenhum
acadêmico passeando, também. As lindas e sinuosas pistas, que lhe recordavam o tipo que via em
um cemitério, estavam vazias, como os dormitórios e as salas de aula.
Puxando o Drophead para um espaço de estacionamento, ela saiu e cheirou a grama recém-
cortada. Com um empurrão, ela fechou a porta pesada e verificou como ela se parecia no reflexo da
janela. Então ela trancou o carro e observou o Espírito de Êxtase afundar em seu pequeno abrigo
seguro dentro da grade dianteira.
O jardim refletindo do seminário era um bem fotografado e bem conhecido da instituição de
Charlemont, e embora não fosse exatamente aberta ao público, também não era exatamente privado.
Com um portão em cada um dos seus quatro lados, era a peça central da escola, o lugar onde a
formatura e as convocações aconteciam, e os ex-alunos às vezes casados e as pessoas vinham para...
bem, refletir.
Suas palmas suavam enquanto passava para uma de suas entradas arredondadas, de Hobbit, e
quando ela tocou o trinco antiquado e abriu caminho, sentiu-se de cabeça limpa.
Por um momento, a beleza e a tranquilidade eram tão resplandecentes, ela realmente respirou
fundo. Mesmo que fosse apenas em maio, havia flores em todo lugar, e folhas verdejantes e
passarelas de tijolos que levavam ao meio do gramado. As fontes ao longo das paredes de tijolos
cobertas de hera ofereciam uma sinfonia de sons calmantes e, quando a última luz escorrida do céu,
lanternas de sódio coloridas com pêssegos em altos estandes de ferro forjado faziam tudo parecer

262
Londres vitoriana.
Sem Jack o Estripador.
— Por aqui.
Ao som da voz masculina, ela olhou para a direita.
Samuel T. estava sentado em um dos bancos de pedra, e ele olhava para o gramado, os
cotovelos nos joelhos, o rosto tão sério quanto já a via.
Em seus saltos estiletes, ela teve que ter cuidado com a passarela de tijolo ou arriscar-se a
cortar a seda de seus calcanhares, ou, pior, tropeçar, cair e fazer uma estúpida de si mesma.
Ao aproximar-se dele, ele se levantou porque ele primeiro e acima de tudo era um cavalheiro,
e seria impensável para um homem não cumprimentar uma senhora adequadamente.
Depois de um abraço rápido e rígido, ele indicou o espaço vazio ao lado de onde ele estava.
— Por favor.
— Tão formal.
Mas sua voz não tinha o veneno normal. E quando ela se abaixou na pedra fresca, ela se
sentiu obrigada a puxar a saia para os joelhos e sentar-se corretamente com as pernas dobradas e os
tornozelos cruzados.
Ele ficou quieto por um tempo. Então ela.
Juntos, eles olharam para as sombras fantasmagóricas jogadas pelas flores. A brisa era tão
suave como uma carícia e perfumada como a água do banho.
— Você fez isso? — ele perguntou sem olhar para ela. — Você se casou com ele?
— Sim.
— Parabéns.
Em qualquer outra circunstância, ela teria oferecido um rápido retorno, mas seu tom era tão
grave, não forneceu nenhum alvo para desencadear qualquer agressão de sua parte.
No silêncio que se seguiu, Gin tocou tanto seu anel de noivado quanto a fina aliança de
platina que havia sido adicionada abaixo.
— Deus, por que você fez isso, Gin? — Samuel T. esfregou o rosto. — Você não o ama.
Embora tivesse a sensação de estar falando consigo mesmo, ela sussurrou: — Se o amor
fosse um requisito para o casamento, a raça humana não teria necessidade da instituição.
Depois de outro longo período de silêncio, ele murmurou: — Bem, eu tenho algo a lhe dizer.
— Sim, eu percebi, — ela entendeu.
— E eu não prevejo que isso vá mais além.
— Então, por que se preocupar.
— Porque você, minha querida, é como uma hera venenosa para mim. Embora eu saiba que

263
isso só piorará as coisas, não posso deixar de arriscar.
— Oh, os elogios. — Ela sorriu com tristeza. — Você é tão afável como sempre.
Quando ele ficou em silêncio novamente, ela balançou os olhos para ele e estudou seu perfil.
Ele realmente era um homem bonito, todos os ângulos de seu rosto em linha reta e até mesmo, seus
lábios cheios, seu maxilar proeminente sem ser pesado. Seu cabelo era grosso e se separava do lado.
Com seus óculos pendurado no V feito com sua camisa de botão fina, artesanal, ele parecia um
jogador de polo, um iatista, uma alma velha em um corpo jovem.
— Você nunca está quieto, — ela provocou, mesmo quando começou a se preocupar com o
que ele iria dizer. — Não por tanto tempo.
— Isso é porque... merda, eu não sei, Gin. Não sei o que estou fazendo aqui.
Ela não sabia o que a fez vir aqui, não, era uma mentira: quando ela estendeu a mão e
colocou a mão no ombro dele, foi porque ela reconheceu que ambos estavam sofrendo. E estava
cansada de ficar tão orgulhosa. Cansada de lutar uma batalha onde nenhum deles ganhou. Cansada
de tudo.
E, ao invés de empurrá-la, literalmente ou figurativamente, Samuel T. virou-se para ela... e
então ela o segurou enquanto ele se inclinou perto, quase no colo.
Era tão bom esfregar as costas em círculos lentos, confortando-se enquanto o consolava. E
oh, seu corpo. Ela esteve com ele muitas vezes, em muitos lugares, e de muitas maneiras, e ela
conhecia cada centímetro quadrado de sua forma muscular.
No entanto, sentiu-se como sempre desde que eles estavam juntos.
— O que te deixou tão chateado? — ela murmurou. — Conte-me.
Eventualmente, ele se endireitou e, enquanto ele passou as palmas das mãos sobre os olhos,
ela ficou alarmada. — Samuel T. O que está acontecendo?
Seu peito se expandiu e, enquanto ele exalava, ele disse: — Preciso que você me deixe
entender isso, ok? Por uma vez em sua vida, e eu não estou preparado para discutir aqui, uma vez
em sua vida, apenas escute. Não responda. Na verdade, se você não responde, provavelmente é
melhor. Eu só... preciso que você ouça o que estou dizendo, está bem?
Ele olhou para ela. — Gin, ok?
De repente, ela percebeu que seu coração estava batendo de forma louca e seu corpo tinha
explodido em suor.
— Gin?
— Tudo bem. — Ela colocou os braços em volta do estômago. — Ok.
Ele assentiu com a cabeça e esticou as mãos. — Eu acho que Richard bateu em você. — Ele
colocou uma palma para cima. — Não responda, lembre-se. Eu já decidi que ele bateu, e você me

264
conhece melhor que ninguém. Como você me disse muitas vezes, uma vez que eu ponho na cabeça,
é preciso um ato do Congresso para me fazer mudar, então não há nada que você possa fazer para
alterar esta conclusão.
Gin voltou a se concentrar nas belas flores... enquanto tentava ignorar o fato do que sentia
que não podia respirar.
— Eu acho que esses machucados vieram dele, e que você está usando lenços para encobri-
los. — Seu peito levantou e caiu. — E, embora eu possa dizer com bastante confiança que você me
levou à beira da loucura muitas, muitas vezes, nunca me ocorreu dar um tapa em você. Ou qualquer
outra mulher.
Ela fechou os olhos brevemente. E então se ouviu dizer tristemente: — Você é mais um
homem do que isso.
— A coisa é, eu só... eu preciso lhe dizer que a ideia de qualquer um, e eu não me importo
quem diabos seja, golpear você ou te empurrar ou ... oh, Deus, não posso pensar em o quê mais…
Ela nunca o havia escutado antes. Nunca ouvi isso, um homem irritante e contraditório parece
tão completamente derrotado.
Samuel T. limpou a garganta. — Eu sei que você se casou com ele porque você acha que sua
família está sem dinheiro e isso a assusta. No final do dia, você não sabe como ser nada além de
rica. Você não está treinada para fazer nada. Você quase abandonou a escola por causa da criança
que você teve. Você esvoaça em torno de criar drama para sua vida. Então, sim, a ideia de ter que
confiar em si mesma, sem uma rede de segurança de riqueza incrível, será realmente aterrorizante,
até o ponto em que você nem pode sequer compreender.
Ela abriu a boca.
E então fechou.
— O que eu realmente quero dizer é duas coisas, — continuou ele. — Primeiro, eu quero que
você saiba que você é melhor do que isso, e não porque você é um Bradford. A verdade é que, não
importa o que aconteça com o dinheiro, você é uma mulher forte, inteligente e capaz, Gin, e até
agora você usou essas virtudes de maneiras ruins, de maneira burra, porque, francamente, você não
tinha alguns desafios reais colocados na sua frente. Você foi uma guerreira sem um campo de
batalha, Gin. Uma lutadora sem inimigo, e você está atacando tudo e todos ao seu redor há anos,
tentando queimar a energia. — Sua voz ficou insuportavelmente rouca. — Bem, eu quero que você
canalize tudo isso de uma maneira diferente agora. Eu quero que você seja forte pelas razões certas.
Eu quero que você cuide de si mesma agora. Proteja-se agora. Você tem pessoas que... você tem
pessoas que a amam. Quem quer ajudá-la. Mas você precisará dar o primeiro passo.
Quando ele ficou em silêncio, Gin encontrou seus próprios olhos piscando com lágrimas, e

265
então sua garganta começou a doer tentando engolir sem fazer um som.
— Você pode me ligar, — ele disse grosseiramente. — A qualquer momento. Eu conheço
você e eu não faço sentido. Nós somos ruins um para o outro de todas as maneiras que contam, mas
você pode me ligar. Dia ou noite. Não importa onde você esteja, eu vou por você. Não vou pedir
explicações. Não vou gritar com você ou repreender você. Não vou julgá-la, e se você insistir, não
direi a Lane nem a ninguém mais.
Samuel T. se moveu para o lado e tirou o celular do bolso das calças. — Eu vou começar a
dormir com isso de agora em diante. Não farei perguntas, não solicitarei explicações, nem
falaremos durante ou depois. Você me liga, me manda um texto, você me chama no meio de uma
festa, e eu estarei lá por você. Estamos entendidos?
Quando uma lágrima escapou por sua bochecha, ele a afastou, e sua voz se quebrou. — Você
é melhor do que isso. Você merece algo melhor do que isso. O passado glorioso da sua família não
vale a pena ter um homem que bata em você no presente apenas porque teme que você não seja
nada sem o dinheiro. Você não tem preço, Gin, não importa o que tenha na sua conta bancária.
Agora ele era o único a puxá-la e segurá-la no peito.
Sob a orelha dela, a batida de seu coração apenas a fez chorar mais.
— Cuide-se, Gin. Faça o que for necessário para se proteger...
Ele simplesmente continuava dizendo essas palavras em um fluxo interminável, como se
estivesse esperando que a repetição pudesse passar por ela.
Quando ela finalmente se sentou, tirou o lenço de seu bolso traseiro e pressionou-o em suas
bochechas. E quando ele olhou para ela com olhos tristes, achou que era difícil acreditar que, depois
de tudo o que tinham passado, ele estava lá para ela assim.
Então, novamente, talvez tudo o que tinham passado fosse a explicação.
— Então, qual é a segunda coisa que você queria dizer, — ela murmurou olhando para seus
pés.
Quando ele não respondeu imediatamente, ela olhou para ele e recuou.
Seus olhos haviam ficado frios e seu corpo parecia mudar mesmo quando ele não se moveu.
— O segundo é... — Samuel T. amaldiçoou e deixou sua cabeça cair de volta. — Não, acho
que vou manter isso para mim. Não vai ajudar esta situação.
Mas ela podia adivinhar o que era. — Eu também te amo, Samuel.
— Basta pensar em quão forte você é. Por favor, Gin.
Depois de um momento, ele estendeu a mão e moveu esse grande diamante para que
estivesse escondido. Então ele levantou o pulso e apertou um beijo na parte de trás da mão. — E
lembre-se do que eu disse.

266
Levantando, ele mostrou seu telefone novamente. — Sempre. Sem perguntas.
Com uma última olhada nela, ele colocou as mãos nos bolsos e se afastou, uma figura solene
banhada na luz pálida dos faróis.
E então ele se foi.
Gin ficou onde eles ficaram sentados juntos por tanto tempo, o ar noturno ficou frio o
suficiente para levantar arrepios nos antebraços.
No entanto, achou impossível ir para casa.

267
Capítulo 42

Quando Edward disse as palavras no meio do restaurante ocupado, ele ficou impressionado
com o quão bom elas sentiram. Era uma simples cadeia de sílabas, nada de vocabulário, mas a
admissão foi tremenda.
Estou apaixonada por alguém.
E na verdade, ele já havia dito a Sutton a verdade de tudo. No centro de negócios depois de
ter feito amor. Ele tinha acabado de dizer tão suavemente, que ela não tinha ouvido as palavras.
Em resposta, Shelby olhou em volta para os outros comensais. A garçonete. As pessoas atrás
do balcão e as que cozinham nos fundos. — Ela é a razão pela qual você não... você sabe, fica
comigo?
— Sim. — Ele pensou nas noites que passaram lado a lado naquela cama. — Mas também
havia outro motivo.
— Qual é?
— Eu sei o que você está fazendo comigo. Lembro-me do que seu pai era. Às vezes, fazemos
coisas, você sabe? Quando sentimos que não os conseguimos na primeira vez.
Inferno, era a história dele e de seus irmãos e seu pai. Se Edward fosse brutalmente honesto
consigo mesmo, ele sempre quis salvar seus irmãos do homem, mas o dano já havia sido feito. Seu
pai tinha tanto poder, ao mesmo tempo ausente e, ao mesmo tempo, totalmente controlado.
E violento de uma maneira fria que de alguma forma era mais assustador do que explosões de
gritar e jogar coisas.
— Eu fiz isso sozinho, — ele disse calmamente. — Na verdade, ainda estou fazendo isso,
então você e eu somos o mesmo, realmente. Nós dois somos salvadores que procuram uma causa.
Shelby ficou quieta por tanto tempo, ele começou a se perguntar se ela ia sair ou ficar.
Mas então ela falou. — Eu cuidei do meu pai não porque o amei, mas porque se ele se
matasse, o que eu faria? Eu não tinha mãe. Eu não tinha para onde ir. Viver com a bebida era mais
fácil do que enfrentar as ruas às doze ou treze.
Edward estremeceu quando tentou imaginá-la como uma menina com ninguém para cuidar
dela, tentando desesperadamente consertar o vício de um adulto como mecanismo de sobrevivência

268
para si mesma.
— Desculpe, — Edward falou.
— Pelo quê? Você não teve nada a ver com a sua bebida.
— Não, mas eu tinha tudo a ver com estar bêbado ao seu redor. E colocá-la em uma posição
pelo amor de Deus em que você é muito...
— Você não fala...
— Desculpe, maldição.
— ... nome do meu Senhor em vão.
— ... boa.
Houve uma pausa. E então ambos riram.
Shelby tornou-se sério novamente. — Eu não sei o que mais fazer com você. E também odeio
o sofrimento.
— Isso é porque você é uma boa pessoa. Você é realmente uma boa pessoa de Deus.
Ela sorriu. — Você entende.
— Eu estou aprendendo.
A comida chegou, a galinha aninhada em cestas revestidas com papel vermelho e branco, as
batatas fritas finas e quentes, a garçonete perguntando se eles precisavam de mais refrigerantes.
— Estou morrendo de fome, — comentou Edward depois de estarem sozinhos com a comida.
— Eu também.
Quando se puseram a comer, caíram em silêncio, mas era o bom tipo. E ele se sentiu tão feliz
que eles nunca fizeram sexo.
— Você já contou a ela? — Shelby perguntou.
Edward limpou a boca com um guardanapo de papel. — O que? Oh sim. Não. Ela tem uma
vida totalmente diferente do que eu. Ela está onde eu costumava estar, e nunca mais voltarei lá.
Por mais motivos do que um.
— Você provavelmente deveria contar a ela, — disse Shelby entre as mordidas. — Se você
estivesse apaixonado por mim... eu gostaria de saber.
Enquanto falava, havia um tom melancólico na voz, mas seus olhos não estavam vidrados de
algum tipo de fantasia ou triste de algum tipo de perda. E quando ela não perseguiu o problema, ele
pensou sobre o que ela havia dito antes, sobre ela aceitando pessoas exatamente onde elas estavam,
assim como ela fazia com os cavalos.
— Eu quero que você saiba algo. — Edward bateu no fundo de uma garrafa de ketchup para
adicionar mais ao lado de suas batatas fritas. — E eu quero que você faça algo.
— Eu vou escolher qual delas você me diz primeiro?

269
— Certo.
— O que você quer que eu faça? Se é sobre o Neb, já agendado o checape do veterinário para
amanhã à tarde.
Ele riu. — Você leu minha mente. Mas não, não é isso. — Ele enxugou a boca novamente.
— Eu quero que você saia com Joey.
Quando ela olhou bruscamente, levantou a palma da mão. — Apenas um encontro de jantar.
Nada chique. E não, ele não me pediu para falar com você, e, francamente, se ele souber que falei,
ele me deixaria mancando pior do que eu já estou. Mas acho que você deveria dar ao pobre uma
chance. Ele tem uma paixão por você.
Shelby olhou para a mesa completamente confusa. — Ele tem?
— Oh vamos lá. Você é espetacular em torno de cavalos, e você é uma mulher muito bonita.
— Ele colocou o dedo para cima. — Eu não disse Deus.
— Eu nunca o notei muito, além do trabalho.
— Bem, você deveria.
Ela se sentou e balançou a cabeça. — Você sabe... eu realmente não posso acreditar nisso.
— Que alguém possa realmente estar atraído por você? Bem, alguém que não está tentando
sugá-la em seu próprio buraco negro de autodestruição, isso é?
— Bem, também. Mas eu nunca teria adivinhado que você estaria se abrindo assim.
Ele pegou sua Coca e considerou o bom gosto. — A sobriedade da suposição me afeta como
o álcool faz a maioria das pessoas. Me faz falar.
— É meio que...
— O que? E seja honesta.
— É muito legal. — Sua voz ficou macia e ela desviou o olhar. — É muito bom.
Edward se encontrou limpando a garganta. — Milagres acontecem.
— E nunca vi você comer assim antes.
— Faz algum tempo.
— Então, você apenas odeia minha culinária?
Ele riu e afastou as fritas dele. Mais uma e ele estouraria. Com essa nota, ele disse: — Eu
quero sorvete agora. Vamos.
— Eu não acho que ela deixou uma conta.
Edward se inclinou para o lado e tirou os milhares de dólares. Pegando duzentos dólares, ele
disse: — Isso deve cobrir.
Enquanto os olhos de Shelby ficaram incomodados, ele se levantou e estendeu a mão. —
Vamos. Estou cheio, então eu preciso desse sorvete agora.

270
— Isso não faz sentido.
— Oh, sim. — Ele começou a coxear pela porta, dando uma volta aos outros comensais nas
mesas. — Frio e doce acomoda o estômago. É o que minha mãe, Senhorita Aurora, sempre disse, e
ela sempre está certa. E não, eu não odeio sua comida. Você é muito boa nisso.
Do lado de fora, ele tomou um momento para apreciar o ar noturno novamente, e sentiu-se
bem ter uma certa leveza no peito por uma vez, uma sensação de canto que teria sido otimismo em
outra pessoa, mas no caso dele, foi um alívio.
— Exceto que você não quer ficar pesado com o sorvete, — ele a informou enquanto
caminhava a frente, verificando se havia algum carro. — Mantenha leve. Somente de baunilha.
Talvez com flocos de chocolate, mas nada com nozes e nada demais. Do Graeter é melhor.
Com a vista clara através das duas faixas para a picape, Shelby deu um passo ao lado dele,
reduzindo seu passo para acomodar sua falta de velocidade.
— Senhor! Ah, senhor?
Edward olhou para trás quando chegaram do outro lado da rua. A garçonete tinha saído do
restaurante com o dinheiro que ele havia deixado.
— Sua conta é apenas vinte e quatro e alguma gorjeta, — a mulher disse do outro lado da
rua. — Isso é muito.
— Você fica com a gorjeta. — Ele sorriu enquanto seus olhos se ampliam, e então ela olhou
o dinheiro como se ela não soubesse o que era. — Eu aposto que ficar de pé todo o turno faz suas
costas doer como o inferno. Eu deveria saber das dificuldades. Tire uma noite fora ou algo assim.
Ela se concentrou nele, apenas para franzir o cenho. — Espere um minuto... você é...
— Ninguém. Eu não sou ninguém. — Ele acenou adeus e virou-se para a picape. — Apenas
outro cliente.
— Bem, obrigado! — ela gritou. — É a maior gorjeta que eu já recebi!
— Você merece isso, — ele disse por seu ombro.
Dirigindo ao redor da cabine, ele abriu a porta de Shelby e a ajudou, apesar de não precisar
da ajuda.
— Foi uma coisa muito legal de fazer, — ela disse.
— Bem, provavelmente é a melhor refeição que tive desde então, sem ofensa.
— Nenhuma. — Ela colocou a mão em seu braço antes que ele pudesse fechar a porta. — O
que você quer que eu saiba?
Antes que ele respondesse, Edward se encostou na porta, tirando o peso do seu mau
tornozelo. — Você sempre vai ter um emprego no Red & Black. Por quanto tempo você quiser,
você sempre terá o trabalho e o apartamento. Inferno, eu posso ver você e Moe administrando o

271
negócio juntos, quer você deixe o filho dele levá-la para um encontro ou quer você goste ou não de
Joey.
Shelby desviou o olhar daquela maneira que parecia quando estava emocionada. E enquanto
Edward estudava o rosto, ele pensou, Huh, isso deve ser o que é ter uma boa irmãzinha.
Gin era mais como ter uma alma penada em sua casa.
Ou um tornado.
Afinal, muito como ele amava aquela mulher, ele nunca se sentiu particularmente próximo
dela. Ele não tinha certeza se alguém era próximo de Gin.
E sim, foi bom se sentir protetor, mas não possessivo, sobre alguém. É bom fazer uma ou
duas coisas boas. É bom enviar algo além da raiva ácida no mundo.
Abruptamente, ela olhou para ele.
— Por que tenho a impressão de que você está indo embora? — ela perguntou sombriamente.

No final, Gin voltou para Easterly porque não havia outro lugar para ela ir. Estacionando o
Drophead em seu ancoradouro nas garagens, ela caminhou até a entrada da cozinha e entrou pela
porta de tela.
Como de costume, tudo estava limpo e em ordem, sem panelas na pia, a máquina de lavar
louça funcionando silenciosamente, os balcões brilhando. Havia uma doçura persistente no ar, o
sabão antiquado que a senhorita Aurora usava.
O coração de Gin estava batendo enquanto seguia para a porta para os aposentos privados da
mulher. Enrolando um punho, ela hesitou antes de bater.
— Entre garota, — veio a demanda do outro lado. — Não fique aí parada.
Abrindo o caminho, Gin ergueu a cabeça porque não queria mostrar as lágrimas nos olhos. —
Como você sabia que era eu?
— Seu perfume. E eu estive esperando por você. Também viu o carro entrar.
O espaço que a senhorita Aurora vivia estava configurado exatamente da mesma forma que
sempre esteve, duas grandes cadeiras estofada colocadas contra janelas longas, prateleiras cheias de
fotos de crianças e adultos, uma cozinha galley que era tão impecável e ordenada como a grande
cozinha profissional da mulher. Gin nunca esteve no quarto e no banheiro, nem ocorreu a ela pedir
para vê-los.
Eventualmente, Gin olhou para cima. A senhorita Aurora estava na cadeira que ela sempre
usava, e ela indicou a vazia. — Senta.
Gin passou e fez o que ela lhe disse. Enquanto alisou a saia, pensou em fazê-lo quando ela

272
tinha estado no jardim refletindo com Samuel T.
— É chamada de anulação, — disse a senhorita Aurora abruptamente. — E você deve fazê-lo
imediatamente. Eu sou uma mulher cristã, mas vou dizer-lhe claramente que você se casou com um
homem ruim. Então, novamente, você age antes de pensar, você é rebelde, mesmo quando ninguém
está lhe fazendo mal e sua versão de liberdade está fora de controle, não é sobre fazer escolhas.
Gin teve que rir. — Você sabe, você é a segunda pessoa que me dilacerou esta noite.
— Bem, isso é porque o bom Deus claramente acha que precisa ouvir a mensagem duas
vezes.
Gin pensou em sua coisa fora de controle. Lembrou-se dela e Richard brigando em seu quarto
apenas na outra noite, e ela estava indo para a lâmpada Imari. — O meu estado de espírito tem
estado em todo lugar ultimamente.
— Isso é porque a areia está se movendo debaixo de seus pés. Você não sabe o que está em
pé, e isso faz com que um corpo esteja tonto.
Colocando o rosto em suas mãos, ela balançou a cabeça. — Eu não sei o quanto mais disso
posso aguentar.
Durante a viagem de volta do seminário, ela vacilou entre aquela conversa emocionalmente
difícil, mas clara, com Samuel T... e seu desejo de abraçar novamente a sua mania calculista de
fazer as coisas a moda antiga.
— Não há nada que não possa ser desfeito, — disse Aurora. — E sua verdadeira família não
o abandonará, mesmo que o dinheiro acabe.
Gin pensou na grande casa em que estavam. — Eu não consegui ser mãe.
— Não, você não tentou.
— É tarde demais.
— Se eu dissesse isso quando entrei nesta casa e encontrei vocês quatro, onde vocês todos
estariam?
Gin se lembrou de todas as noites em que os cinco haviam comido na cozinha. Mesmo
quando uma frota de babás tinha circulado pela casa, principalmente por serem torturadas e
abatidas, a senhorita Aurora era a única pessoa que poderia encorajá-la e seus irmãos.
Buscando as fotografias nas prateleiras, Gin tornou-se lágrima novamente quando viu várias
dela, e ela apontou uma foto dela em tranças. — Isso foi no caminho para o acampamento de verão.
— Você tinha dez.
— Eu odiava a comida.
— Eu sei. Eu tive que alimentá-la por um mês depois de chegar em casa, e você só esteve
ausente por duas semanas.

273
— Aquela, é Amelia, não é.
Senhorita Aurora resmungou enquanto se virava na cadeira. — Qual? A rosa?
— Sim.
— Ela tinha sete anos e meio.
— Você também esteve lá para ela.
— Sim, eu estava. Ela é a coisa mais próxima de uma neta verdadeira porque você é a mais
próxima de uma filha que tenho.
Gin escovou sob seus olhos. — Estou feliz que ela tenha você. Ela foi expulsa de Hotchkiss,
você sabe.
— Foi o que ela me disse.
— Estou tão feliz que ela vem falar com você...
— Você sabe que não vou estar aqui para sempre, certo? — Quando Gin olhou, os olhos
escuros de Senhorita Aurora estavam firmes. — Quando eu for embora, você precisa preencher o
espaço com ela. Ninguém mais irá, e ela tem um pé na infância, uma na idade adulta. É um tempo
precário. Você se compromete, Virginia Elizabeth, ou eu juro que vou te assombrar. Você me ouve,
garota? Eu voltarei como sua consciência e não vou deixar você descansar.
Pela primeira vez, Gin concentrou-se devidamente em Senhorita Aurora. Sob a sua roupa de
casa, ela estava mais magra do que nunca, o rosto desenhado com bolsas sob os olhos. — Você não
pode morrer, — Gin se ouviu dizer.
— Você simplesmente não pode.
Senhorita Aurora riu. — Isso depende de Deus. Não de você ou eu.

274
Capítulo 43

Lane não deixou o centro de negócios até que os detetives tivessem terminado. Como
resultado, portanto, ele se viu entrando e saindo dos escritórios, matando o tempo até que
finalmente, ele se viu abrindo o caminho para o espaço de seu pai e sentando-se na cadeira em que
seu querido pai sempre se sentou.
E foi quando ele teve uma aha! momento.
Empurrando-se em torno do trono de couro, ele balançou a cabeça e perguntou-se por que
não se tinha percebido mais cedo.
Havia prateleiras atrás da escrivaninha, prateleiras que estavam preenchidas com sua edição
padrão, volumes em couro e diplomas emoldurados e efeitos viris de uma vida vivida para
impressionar outras pessoas com dinheiro: troféus de vela, fotos de cavalos, garrafas de bourbon
que eram incomuns ou especial. Mas nada disto era o que o interessava.
Não, o que de repente percebeu e se preocupou com os armários embutidos, de mão e de
madeira, que estavam embaixo da exibição do ego.
Inclinando-se, tentou dois, mas todos estavam trancados, e, no entanto, não parecia haver
nenhum lugar óbvio para colocar chaves ou entrar com códigos
Uma das portas francesas para o terraço se abriu, e Lizzie entrou, com dois chás doces nas
mãos e algo que parecia um pacote de biscoito Fig Newtons no bolso de seus shorts.
— Estou com fome, — ela disse. — E eu sinto como compartilhar a riqueza.
Quando ela se dirigiu e deu um beijo em seus lábios, ele a puxou para o seu colo e a ajudou a
abrir os biscoitos. — Parece bom para mim.
— Como vão as coisas aí?
— Eu não faço ideia. Eu continuo esperando que eles digam que copiaram os arquivos e
estão indo, mas ainda não.
— Faz um tempo. — Ela abriu a embalagem de plástico e lhe ofereceu um. Quando ele
balançou a cabeça, ela colocou um biscoito na boca. — Mas eles não pediram mais nada?
— Não. — Tomando um gole do que ela trouxe, ele suspirou. — Oh sim. Isso é bom.
— Então adivinhe?
— Conte-me.

275
— Estou me dando uma promoção. — Enquanto ele riu, ela assentiu. — Estou me nomeando
gerente da casa.
No instante em que ela disse, ele pensou: Oh, graças a Deus. Porque sim, as contas estavam
empilhando-se, e a equipe precisava ser orientada, e os detalhes intermináveis da propriedade
tinham que ser tratados, mesmo que houvesse um congelamento dos gastos. Mas…
— Espere, você já trabalha muito. Os jardins, e...
— Aqui está a coisa. O Sr. Harris se demitiu.
Lane balançou a cabeça. — Você sabe, estou realmente aliviado.
— Sim, eu também. Eu o ajudei a sair hoje. Eu não quis falar com você no momento, porque
ele havia decidido e havia tantas outras coisas acontecendo. Mas seu cheque foi devolvido, e isso
me fez pensar sobre o que está acontecendo com suas contas domésticas, esse lugar é caro para ser
administrado com muitas partes móveis. Quero dizer, como, precisamos pagar todos aqueles
garçons. Não podemos deixá-los sem receber. Os jardineiros têm cheques que sai automaticamente,
eu simplesmente não sei quando? E se não houve fundos suficientes para o Sr. Harris? Então não há
o suficiente para as outras pessoas.
— Merda, nem pensei nisso.
— Eu sei que você quer fazer tudo certo para todos. Então, temos que conseguir dinheiro na
conta doméstica, e precisamos fazer planos de pessoal. Se os cortes tiverem que ser feitos, devemos
avisar as pessoas. Não podemos fazer com que as pessoas que trabalham aqui de boa-fé se
machuquem.
— Eu concordo. — Ele a beijou de novo. — Cem por cento.
— Mas eu vou descobrir. Passarei por tudo e depois deixarei você saber onde estamos. Não
sei onde podemos encontrar o dinheiro...
— Na verdade eu faço. Cuidarei disso primeiro na manhã antes que Lenghe venha.
— Lenghe?
— Sim. Vou jogar pôquer com muitas apostas amanhã à noite. E antes que você diga que é
louco, eu lembro que eu tenho que trabalhar com o que eu tenho, e não é muito.
— Quem é Lenghe? Como diz isso?
— Lang-ee. E nós o chamamos de Deus de Grão, e isso é autoexplicativo. Você realmente
vai gostar dele. Ele está bem no seu mundo, uma boa alma que ama a terra. E lembre-se, joguei
pôquer na faculdade e depois. É minha única habilidade.
Ela colocou os braços em volta do pescoço dele. — Eu acho que você tem alguns outras...
— Estou interrompendo alguma coisa?
Lane girou a cadeira em direção à porta e achou que era tão malditamente apropriado que

276
Merrimack escolhesse esse momento para fazer uma aparição. — Vocês acabaram lá, detetive?
Eeeeeee o sorriso. — Chegando lá. Senhora, é bom ver você novamente.
Lizzie ficou em pé, mas ficou junto à Lane. — A você também.
— Bem, eu pensei que você gostaria de saber que estou removendo o selo no escritório da
administradora. — Merrimack sorriu. — Temos tudo o que precisamos de lá.
— Bom, — disse Lane.
— Nós estávamos pensando sobre isso, — murmurou Lizzie.
— Você estava? Que coincidência. — O detetive pegou um pequeno bloco. — Agora, eu
gostaria de uma lista de pessoas que têm acesso ao setor de segurança da rede informática. Você
sabe quem tem essa informação?
— Nem uma pista. — Lane encolheu os ombros. — Fico feliz em perguntar ao departamento
de TI nas empresas. Talvez eles saibam.
— Ou talvez seu irmão Edward soubesse.
— Possivelmente.
— Diga-me algo, ele desempenhou um papel na instalação dos programas de segurança?
— Eu não sei. — Ok, isso foi uma mentira. — Por quê?
— Você não sabe se ele fez ou ele não fez?
— Eu não tenho me envolvido muito com esta casa ou o negócio até recentemente. Então eu
realmente não posso te dizer.
— Ok. — O detetive bateu o bloco contra a palma aberta. — Eu acho que vou chamar seu
irmão diretamente, então.
— Ele não tem um telefone celular. Mas eu posso lhe dar uma mensagem para entrar em
contato com você.
— Não há necessidade. Eu sei onde ele mora. — O detetive olhou em volta. — Claro, é
impressionante aqui.
— Isto é.
— Você deve sentir falta de seu pai.
Qualquer um que for enganado por essa rotina casual, é um idiota, pensou Lane.
— Ah, claro. Sinto falta dele.
— Pai e filho. É um vínculo especial.
— Sim.
Houve uma pausa, e quando Lane não pegou coisas paternas além disso, Merrimack sorriu de
novo. — Ouvi que seu irmão Max estar em casa novamente. Isso é uma espécie de surpresa. Faz um
tempo desde que ele foi de Easterly, não é.

277
— Sim.
— Mas ele esteve em Charlemont por vários dias. — Enquanto Lane franziu a testa, o
detetive ergueu uma sobrancelha. — Você não sabia disso? Mesmo? Bem, eu tenho algumas
testemunhas que dizem que ele e Edward estavam juntos. Na tarde do dia em que seu pai morreu.
Você sabia que os dois se encontravam?
Lane sentiu uma maldição disparar na garganta, mas ele manteve-se para si mesmo com força
de vontade. — Você está esperando uma confirmação, você percebe.
— É isso? É apenas uma pergunta simples.
— Sem ofensa, detetive, mas você está conduzindo uma investigação de homicídios. Não há
perguntas simples vindo de você.
— Não enquanto você está dizendo a verdade e não tentando proteger alguém. Você está
protegendo alguém, Sr. Baldwine? Ou você tem algo de si mesmo que está escondendo? Porque
temos muita informação que está funcionando para mim. Eu o encorajo a ser tão aberto e honesto
quanto possível.
— Você está dizendo que eu sou um suspeito?
— Se você fosse, eu estaria falando com você no centro da cidade. E nós ainda não estamos
lá, estamos. — Sorriso. — Estou curioso, no entanto, sobre se você estava ciente de que seus dois
irmãos se encontraram.
Lane respirou profundamente, recusando-se a ceder ao impulso de pular, correr até a casa
onde Max estava acampando e espancar o cara até descobrir o que estava acontecendo.
O detetive sorriu de novo. — Bem, acho que é bem claro que você não sabia disso. As
testemunhas dizem que eram apenas os dois. Eles foram vistos no lado Indiana do rio. Abaixo das
quedas. Direito por onde o corpo do seu pai foi encontrado, na verdade.
Lane sorriu de volta. — Talvez eles estivessem apenas desfrutando a vista do rio.
— Ou talvez eles estivessem falando sobre o que poderia acontecer com um corpo se ele fosse
jogado da Big Five Bridge. — Merrimack encolheu os ombros. — Ou talvez poderia ter sido a
visão. Você está certo.

— Onde você esteve?


Quando Gin entrou na suíte do quarto, ela não se surpreendeu ao encontrar Richard sentado
em uma de suas cadeiras de seda branca, o rosto torto de raiva, seus braços e pernas magras se
contorcendo como se ela estivesse por conta própria à noite fosse uma afronta pessoal para ele.
Como alguém cortar seus pneus. Pintar de graffiti em todo o escritório. Colocar uma Bíblia

278
em chamas frente a ele.
Ao fechar a porta, ela esperou o sentimento habitual que sentia ao redor dele colocar gás nas
veias. Ela se preparou para a corrida louca, a pessoa que a ajudou a superar essas situações. Ela se
preparou para as palavras cortantes que vinham para a sua mente do nada, e aquele sorriso
malicioso e malandro bater em seu rosto.
Nada disso se materializou.
Em vez disso, ela experimentou um peso esmagador se instalando por todo o corpo, até o
ponto em que, mesmo quando ele explodiu da cadeira e atravessou o tapete branco até ela, ela não
conseguiu se mover. Não era porque ela tinha medo dele, pelo menos, ela não achava que era o que
estava acontecendo. Em vez disso, seu corpo se transformou em um bloco dormente... enquanto sua
consciência navegava acima da pedra imóvel de sua carne.
Ela observou por sobre o ombro direito enquanto ele esbravejando e enfurecido, agarrou seu
braço, sacudiu-a e jogou-a na cama.
Passando por cima dela, ela testemunhou o que aconteceu depois, não sentindo nada, não
fazendo nada... mesmo vendo a parte de trás da cabeça, os ombros e as pernas de seu alto ponto de
vista, enquanto rasgava suas roupas e puxava seus membros.
Debaixo do corpo dela, o edredom estava ficando tão bagunçado, a organização anterior
arruinada, o fino algodão egípcio enrugava enquanto suava sobre ela.
Gin concentrou-se principalmente em seu próprio rosto. As características eram bastante
lindas. Os olhos, no entanto, estavam totalmente vazios, com toda a luz interna e a vida como um
par de paralelepípedos. A compostura era admirável, ela supôs. Deitada e pensando na Inglaterra,
ou algo assim.
Bergdorf, foi isso que Samuel tinha dito?
Quando Richard terminou, ele caiu e depois se retirou. E o corpo de Gin ficou deitado lá
enquanto ele dizia mais coisas. Então ele levantou e saiu com o queixo erguido, como um menino
que havia defendido com sucesso a caixa de areia das crianças mais velhas e agora estava satisfeito
em exercer o domínio sobre a coisa, e não a posse em particular.
Depois de um tempo, Gin flutuante desceu do alto da cama e se sentou ao lado da Real Gin.
Ela ainda não queria voltar para o corpo dela. Era melhor estar separada de tudo. Mais fácil…
Enquanto ela pensava que deveria se cobrir, o braço da Real Gin se moveu e puxou o
edredom sobre a parte inferior do corpo.
Na quietude, Gin refletia que talvez ela merecesse o que obteve. Tinha tratado a todos ao seu
redor com escárnio, deliberadamente e conscientemente ostentava cada regra que havia, foi crítica e
cruel por esporte, liderava o clube das meninas em todas as séries, acampamento e escola em que

279
ela já havia estado, e agora que todas as salas de aula e reuniões da escola estava no espelho
retrovisor, ela estava na vanguarda das mulheres maliciosas e ociosas.
Bem, pelo menos, esse foi o caso.
Dado o esmagador número de pessoas que não apareceram no velório de seu pai? E o fato de
que Tammy não viria mais? Ela foi claramente rebaixada.
Então talvez isso fosse carma.
Talvez seja o que acontece quando você jogou energia ruim no mundo. Talvez este tenha sido
o tsunami do que ela fez para os outros voltando para bater em sua costa.
Então, novamente... talvez ela simplesmente tivesse se casado com um idiota por todas as
razões erradas e Richard era um estuprador sádico e as vítimas nunca tinham a culpa, e era para ela
ser clara e corajosa e acabar com isso antes que ele a matasse.
Porque era aonde eles estavam indo: ela tinha visto os olhos de Richard ficar excitados como
um caçador. Ele não ficaria satisfeito ao longo do tempo com o nível de violência que estavam
atualmente. Ele continuaria empurrando porque ele saiu do ferimento e da subjugação, mas apenas
se tivesse uma vantagem nova para fazer as coisas realmente chiarem para ele.
Ele aprendeu a intimidar aos pés dos mestres. E agora ele estava começando a ser a
intimidação.
Talvez ela deveria simplesmente matá-lo primeiro?
Esse foi seu último pensamento, enquanto o sono reclamava ambas as partes dela, seu corpo
e sua alma, o cobertor da inconsciência aliviando o congestionamento na cabeça: sim, talvez a saída
fosse apenas se livrar dele.
E não em um tipo de anulação.

280
Capítulo 44

Na manhã seguinte, Lane deixou Lizzie dormindo em sua cama grande em Easterly enquanto
tomava um banho rápido e se vestia. Antes de partir, passou um momento observando-a no sono e
pensando que ele havia escolhido a mulher certa.
E então, ele estava a caminho, atravessando o corredor, descendo as escadas dianteiras,
deixando a entrada principal.
O Porsche acordou na virada da chave, e ele correu colina abaixo, indo para a esquerda e para
o posto Shell. Um café grande e um sanduíche em uma embalagem de papel foi seu café da manhã
mais tarde e ele estava indo para filial local do banco, andando em torno de ciclistas, ficando preso
atrás de um ônibus escolar, xingando enquanto uma minivan cheia de crianças quase o raspou.
Então, novamente, isso poderia ter sido sua culpa. Ele não dormiu bem e o café ainda não o
havia sido despertado devidamente.
Que diabos seus dois irmãos estavam fazendo naquela margem do rio? E por que essa merda
não surgiu na conversa?
Porque eles tinham algo a esconder. Dã.
Depois que o detetive Merrimack e Pete o nerd finalmente deixaram o centro de negócios,
Lane teve o impulso de dirigir para o Red & Black, mas não tinha certeza se a equipe do
Departamento de Polícia Metro iria se encaminhar para frente. Afinal, Edward raramente respondia
aquele telefone para qualquer um, e o detetive tinha o foco e o seguimento de um sabugo sobre um
aroma.
A última coisa que Lane queria era confrontar a polícia, e ele estava certo e pronto para fazer
um ataque quente aos seus dois irmãos.
No final, ele e Lizzie ficaram na propriedade, fazendo amor na casa da piscina novamente e
depois no andar de cima na banheira... e na cama.
Grande alívio do estresse. Mesmo que não alterasse o que estava acontecendo.
Puxando para o estacionamento do banco, ele encontrou um espaço vazio e percebeu que ele
havia escolhido o mesmo que usara antes quando descobriu que havia problemas.
Ele quase recuou para deixar o carro em outro lugar.
Reconhecendo que o pensamento mágico não iria ajudar, ele saiu e deixou o teto abaixado

281
mesmo que o céu estivesse pesado com a chuva ainda por cair e a meteorologia dando alerta de
tornado. Essa era a coisa em Kentucky. Não havia tempo sazonado: você poderia começar a manhã
em calções e uma camiseta, precisar do seu equipamento de chuva torrencial ao meio dia e terminar
a tarde com uma parca e botas de neve.
Quando o telefone tocou, ele tirou o bolso da jaqueta de linho que usara no dia anterior.
Quando ele viu quem era, ele quase o deixou entrar no correio de voz.
Com uma maldição, ele aceitou a ligação e disse: — Eu estou recebendo o dinheiro.
Embora ele não tivesse ideia de como.
A cueca de Ricardo Monteverdi estava cheia de maço de dinheiro, a injeção de dez milhões
de dólares, graças a Sutton comprou menos dias de paz do que Lane se lembrou de negociar. O
homem estava mais uma vez puxando a coisa toda fora do tempo, salvo-minha-bunda-antes-que-eu-
arruíne-sua-família, e enquanto ele brincava, Lane mediu o céu mais uma vez.
O jato de Lenghe deveria chegar em quarenta e cinco minutos, e se não chegasse na hora,
isso ficaria atrasado por horas e horas.
— Tenho que ir, — disse Lane. — Eu estarei em contato.
Pendurado, ele esperou um SUV passar e depois caminhou até as portas duplas. A filial local
do PNC era sua caixa padrão de frente de vidro, de um único andar, e ao entrar, aquela gerente loira
atraente se apresentou para cumprimentá-lo.
— Sr. Baldwine, que bom vê-lo de novo.
Ele apertou a mão e sorriu. — Importa se conversamos por um minuto?
— Mas é claro. Entre.
Entrou no escritório e sentou-se na cadeira para os clientes. — Então meu pai morreu.
— Eu sei, — ela disse enquanto se sentava do outro lado de sua mesa. — Eu sinto muito.
— Eu não vou mexer isso, obrigado, obrigado por isso. De qualquer forma, não vou mexer
com tentar mudar os signatários da conta doméstica. Eu quero abrir uma nova, e eu vou depositar
trezentos mil dólares o mais rápido possível. Nós teremos que transferir os pagamentos automáticos
para todos os funcionários de Easterly para a nova conta efetiva imediatamente, e eu preciso de uma
lista de qualquer um cujos salários caíram na antiga conta e foram devolvidos. É uma grande
bagunça, mas quero cuidar de tudo hoje, mesmo que os fundos não estejam ativos até segunda-feira.
Lizzie iria trabalhar com Greta para lidar com o pessoal esta manhã, e ele esperava que elas
pudessem resolver tudo e fazer as pessoas sair da folha de pagamento imediatamente. Quanto mais
rápido eles pudessem cortar os funcionários, menos despesas deveriam cobrir.
— Mas, claro, Sr. Baldwine. — O gerente começou a digitar no teclado. — Preciso de uma
identificação e me diga, de onde vêm os fundos?

282
Do lado de fora, ele ouviu a voz de Jeff em sua cabeça: estou investindo em sua pequena
empresa de bourbon.
Inferno, se seu amigo pôde escrever um cheque, então ele poderia. E havia mais fundos que
ele poderia tirar de sua herança se ele tivesse que fazê-lo, mas ele teria que começar a vender ações
depois disso. A chave era certificar-se de que ele mantinha o teto de Easterly sobre a cabeça de sua
mãe, a pequena equipe que eles iriam reter na propriedade paga, comida na despensa, e a
eletricidade e a água corrente. Ah, e os pagamentos da hipoteca de Sutton Smythe também precisam
ser cobertos.
Depois disso? Tudo não era essencial até que eles conseguissem isso tudo funcionando.
Ao entregar sua carteira de motorista e seu número de conta em J. P. Morgan, ela sorriu. —
Muito bem, Sr. Baldwine. Fico feliz em cuidar disso para você imediatamente.
Lane deixou o banco cerca de vinte minutos depois. Ele havia assinado tudo o que tinha que
fazer, iniciou a transferência e chamou Lizzie para lhe dar a atualização. A triagem através dos
depósitos diretos seria uma coisa, e Lizzie iria deixar o gerente do banco saber quem estava ficando
e quem estava saindo.
Lane parou no meio do estacionamento.
De pé logo ao lado de seu carro, com uma bicicleta de montanha ao seu lado e um olhar
muito velho em seu rosto... estava o filho de Rosalinda Freeland.

Lizzie terminou sua ligação com Lane e sentou-se na primeira cadeira no escritório da
administradora que chamou sua atenção. Não foi até que ela colocou as mãos nos braços
acolchoados e se recostou... que ela percebeu que era a poltrona que Rosalinda Freeland havia sido
encontrada morta.
Saltando de repente, ela puxou o assento de suas calças, mesmo que o manto tivesse sido
removido e as almofadas fossem limpas.
— Então, o que você acha? — perguntou a Greta.
A alemã ergueu os olhos do notebook na velha mesa de Rosalinda. Como o resto do
escritório, que era tão alegre e cheio de luz como um buraco de toupeira, a mesa estava livre de
objetos não-funcionais, nada além de uma lâmpada, um suporte de caneta cheio de Bics azuis e um
carimbo sobre a almofada.
Da mesma forma, não houve efeitos pessoais para remover após a morte. E não porque a
mulher esvaziou o lugar antes da tragédia.

283
— Ela manteve registros muito bons, ja31. — Por trás de um conjunto de óculos de leitura
rosa brilhantes, redondos, os olhos azuis pálidos estavam alertas e focados. — Venha ver. Iz todos
os bens.
Lizzie deu uma volta e espiou o ombro da parceira. Havia um gráfico na tela do notebook de
nomes, informações de contato, taxas horárias e bônus. Ao deslocar-se para a esquerda, Greta
conseguiu mostrar tudo o que havia sido pago a qualquer um nos últimos cinco anos, mês a mês.
— Muito bom. Isso é muito bom. Greta tirou os óculos e voltou a sentar-se. — Eu chamo
nomes, você me diz o que nós fazemos com eles.
— Quantas pessoas estão aí?
Greta alcançou o mouse e rolou. Rolou. Rolou.
Eeeeeeee rolou.
E ainda com a rolagem.
— Setenta. Não. Setenta e dois.
— Uau. Ok, vamos passar por eles um por um. — Lizzie pegou um bloco branco que tinha
gravado EASTERLY em cima do topo e depois agarrou uma das Bics. — Eu vou tomar notas.
Greta levantou a mão. — Eu quero parar. Recebendo salário, isto é. Me coloque, no topo da
lista.
— Greta, escute...
— Não, Jack e eu não precisamos do meu trabalho. Meus filhos, eles se foram, eles estão por
conta própria. Eu tinha o salário porque eu tinha direito e eu ainda tenho. Mas agora? — Greta
apontou para a tela. — Estes precisam mais do dinheiro. Eu ainda trabalho, no entanto. O que mais
eu poderia fazer?
Lizzie respirou fundo. Com ela tinha pago sua fazenda, ela decidiu deixar de aceitar dinheiro
também por um curto prazo, mas isso se sentiu diferente.
Esta era a família dele agora.
— Nós lhe pagaremos, — ela disse, — em atraso quando podermos.
— Se isso faz você se sentir melhor.
Lizzie colocou a palma da mão sobre a dela. — É a única maneira de eu concordar.
Quando Greta estendeu a frente, seu grande anel de diamante brilhou, e Lizzie balançou a
cabeça. Sua parceira era provavelmente a única horticultora do país que era quase tão rica quanto as
propriedades as quais ela “trabalhava”. Mas a mulher era constitucionalmente incapaz de não estar
ocupada em alguma coisa.

31
Sim em alemão.

284
Ela também era, além de Lane, a fonte de sanidade de Lizzie.
— Não sei por quanto tempo vai demorar, — disse Lizzie enquanto apertavam as mãos. —
Poderia ser...
— Onde está seu mordomo?
Ao som de uma voz feminina muito familiar, Lizzie olhou para cima.
E rapidamente soltou uma série de maldições em sua cabeça: De pé na entrada, parecendo
possuir o lugar, estava a ex-esposa de Lane. Quer dizer quase ex-esposa.
Chantal Baldwine ainda estava tão loira quanto foi quando Lane a expulsou, o que foi
destacado como bom gosto. E ela manteve seu bronzeado delicado e sua manicure curta, perfeita e
seu código de vestimenta de Rica, Jovem e Socialite Superior.
O traje de hoje, por exemplo, era pêssego e rosa, flutuante como uma brisa, e equipado como
se tivesse sido feito para ela. O que significava que estava sempre tão apertado em torno de sua
barriga baixa grávida.
— Posso ajudá-la? — Lizzie disse de maneira uniforme.
Ao mesmo tempo, ela colocou a mão no ombro de Greta e apertou. A mulher tinha começado
a sair da cadeira, mas era difícil dizer se era para dar a Lizzie e Chantal alguma privacidade, ou
perfurar a garganta da outra mulher por princípio.
— Onde está Lane? — Chantal retrucou. — Eu o chamei duas vezes. Meu advogado
repetidamente pediu que me conceda acesso à minhas coisas, mas ele se recusou a responder. Então
estou aqui agora para obter minhas coisas.
Lizzie deu a Greta um olhar de senta e fica e foi até Chantal. — Eu ficaria feliz em
acompanhá-la até andar de cima, mas não posso deixá-la desacompanhada nas instalações.
— Então agora você também é segurança? Ocupada, ocupada. Ouvi dizer que ninguém veio
ao velório do Sr. Baldwine, por sinal. Que vergonha.
Lizzie passou pela mulher, não dando a Chantal nenhuma opção ao não ser segui-la. — Você
tem homens para carregar? Caixas? Um caminhão?
Chantal parou no meio do corredor dos funcionários. — Do que você está falando?
— Você disse que estava aqui pelas suas coisas. Como você pretende carregá-la?
Okkkkk. Era como assistir um aluno da primeira série tentar fazer física avançada.
— Sr. Harris lida com tudo isso, — foi a resposta final à pergunta.
— Bem, ele não está aqui. Então, qual é o seu plano?
Quando o silêncio demostrou a falta de compreensão no belo rosto, Lizzie ficou tentada a
deixar a mulher ali durante as próximas doze horas e curtir a cãibra do cérebro. Mas havia muito
trabalho a ser feito, e francamente, ter Chantal aqui era desconfortável.

285
— Em que carro você entrou? — perguntou Lizzie.
— Uma limusine. — Como se qualquer outra coisa fosse impensável.
— Greta? — Lizzie gritou. — Você poderia conseguir algum...
A alemã saiu e dirigiu-se para as escadas da adega. — Caixas de plástico. Ja. Chegando.
Claramente, ela estava ouvindo e quase a havia matado não resolver o problema. Com talvez
uma espingarda.
— Vamos lá, — disse Lizzie. — Eu vou levá-la lá em cima. Faremos isso de alguma forma.
Ela já havia movido um fanfarrão da casa com a partida do Sr. Harris. Ela manteve isso, e iria
se tornar uma competência básica.

— Randolph. — Lane começou a caminhar em direção a seu carro, e seu meio-irmão. —


Como você está?
— É Damion, na verdade. — O garoto puxou sua jaqueta aberta, mas dado seu corpo magro e
o fato de que não estava fechada com zíper, a coisa não era muito apertada. — E eu não estava
seguindo seu carro. Eu não te segui, bem, eu estava indo no caminho para a escola.
— Em que escola você está? — Mesmo, considerando as calças caqui, a camisa branca e a
gravata azul e verde, Lane sabia.
— Charlemont Country Day.
Lane franziu a testa. — Não está fora do caminho?
O garoto desviou o olhar. Olhou para trás. — Eu vou pela longa rota porque queria, eu
quero... ver como é. Você sabe, a casa... onde ele mora. Morava.
— Isso é totalmente compreensível.
Damion olhou para o pavimento. — Eu pensei que você ficaria com raiva de mim ou de algo.
— Por quê? Nada disso é culpa sua. Você não pediu isso, e só porque eu não quero lidar com
o que meu pai fez, não significa que eu serei duro com você.
— Minha avó me disse que todos vocês me odiariam.
— Eu não a conheço e não vou desrespeitá-la, mas isso não acontecerá. Eu quis dizer o que
eu disse. Você vá lá a qualquer momento, eu o levaria lá agora, mas estou encontrando alguém no
aeroporto.
Quando Damion olhou para a colina de Easterly, Lane refletiu que sim, seria difícil levar o
garoto para a casa com a mãe ainda viva e no andar de cima. Mas ela nem conseguiu reconhecer
seus próprios filhos neste momento, e ela nunca saiu de seu quarto.
— Estou atrasado para um evento escolar, de qualquer maneira.

286
Depois de uma pausa embaraçosa, Lane disse: — Nós vamos enterrá-lo. Nós deveríamos
fazer isso hoje, mas com o tempo, e algumas outras coisas, foi atrasado. Como posso entrar em
contato com você? Eu vou deixar você saber, e você também pode trazer sua avó. Se ela quiser.
— Eu não tenho um telefone. E eu não sei. Eu não acho que eu gostaria de ir. É muito
estranho. Você sabe... eu não o vi muito. Ele realmente não se aproximou. Você sabe.
Eeeee aqui novamente. Outro filho está sofrendo graças a aquele homem.
Lane amaldiçoou em sua cabeça. — Eu realmente sinto muito. Ele era... um homem muito
complicado.
Leia: idiota e meio.
— Talvez eu queira ir mais tarde.
— Que tal isso. — Lane se inclinou para o carro e pegou a embalagem de seu sanduiche e
biscoito. — Você tem uma caneta?
— Sim. — O garoto abriu sua mochila e puxou um lápis do Charlemont Country Day. —
Aqui.
Lane escreveu seu número. — Me ligue quando estiver pronto. E eu direi exatamente onde
ele está enterrado. Além disso, deixe-me saber quando você quer ir até a casa.
Sim, Easterly era o legado de sua mãe, mas William Baldwine morou lá há décadas e
décadas. Se Lane estivesse na posição do garoto e mal conhecesse seu pai, ele gostaria de ver onde
o cara tinha trabalhado e onde ele dormiu, mesmo que fosse depois de o homem estar morto.
— Ok. — Damion olhou para a embalagem. Então colocou em sua mochila. — Sinto muito.
Lane franziu a testa novamente. — Sobre o que?
— Eu não sei. Acho porque você também tem uma mãe. E ela... ele...
— Um conselho que você pode aceitar que vale a pena. — Lane tocou o ombro do menino.
— Não tente assumir problemas ou falhas que não sejam suas. Não é uma boa estratégia em longo
prazo.
Damion assentiu. — Eu vou te ligar.
— Faça isso.
Lane observou o menino subir e pedalar. E por algum motivo, quando percebeu que não havia
capacete naquela cabeça, ele queria chamar Damion de volta e levá-lo com segurança para a escola.
Mas talvez ele devesse seguir seu próprio conselho. Damion tinha um guardião, e ele tinha,
hipoteticamente, dez milhões de dólares, dependendo de como as coisas acabassem. O prato de
Lane, por outro lado, estava cheio de trincados, deixando mais espaço na porcelana fraturada de sua
atenção e capacidade.
Ficando atrás do volante, ele acelerou o motor e correu para Dorn, pegando a estrada de

287
superfície para o aeroporto, para evitar a junção espaguete. Quando ele finalmente atravessou o
portão para a pista de jato particular, John Lenghe estava apenas desembarcando. Uau. Os calções
de golfe desta vez eram feitos de tecido com um padrão de grama sobre ele. Lâminas verdes
brilhantes em um fundo preto. Como mil delas.
Era um traje que apenas alguém com seu patrimônio líquido poderia usar.
O homem acenou com a mão livre, a outra segurando uma mala velha batida.
— Imaginei que eu poderia ficar preso aqui, — disse o cara quando ele veio para o Porsche e
indicou sua bagagem. — Melhor carregar uma escova de dentes dado o tempo.
— Nós temos muitos quartos. E minha mãe cozinha a melhor comida da alma em qualquer
lugar. Você gosta de comida da alma?
Lenghe colocou sua mala no assento traseiro de quinze centímetro. — Jesus é meu Senhor e
Salvador?
— Eu gosto do seu estilo.
Quando o homem entrou, olhou para a jaqueta de linho de Lane e apertou calças. — Mesmo?
Você tem certeza disso, filho?
Lane colocou o carro em marcha e pisou no acelerador. — Não estou dizendo que eu poderia
usar seu guarda-roupa. Mas em você? Isso funciona.
— Você é liso, você sabe disso? — Lenghe piscou. — Você descansou bem? Pronto para
jogar pôquer?
— Sempre, velho, sempre.
Lenghe deu uma gargalhada, e enquanto Lane os levava de volta para Easterly, a conversa
ficou surpreendentemente relaxada. Enquanto esperavam na base da colina para que os portões se
abrissem, Lenghe sentou-se à frente e olhou para a extensão branca de Easterly.
— Assim como o que está nas garrafas. — Ele balançou a cabeça. — Eu tenho que dar
crédito a vocês. Esta é uma grande envergadura.
Especialmente se conseguimos mantê-la na família, Lane pensou ironicamente.
A chuva começou a cair exatamente quando eles subiram, mas Lane se esqueceu do tempo
enquanto via uma longa limusine preta estacionada na entrada da frente.
— Quem diabos é essa? — ele disse em voz alta.
Depois que John saiu com sua bagagem, Lane pôs o teto e foi até o motorista uniformizado.
Quando a janela baixou, Lane não reconheceu o motorista. — Posso te ajudar?
— Olá senhor. Estou aqui com Chantal Baldwine. Ela está pegando suas coisas.
Filho da puta.

288
Capítulo 45

— Não, não estou usando papel de seda.


Quando Lizzie abriu a gaveta após a gaveta de roupas, ela pensou para si mesma, não só eu
não estou envolvendo suas coisas em papel de seda, mas você tem sorte de não abrir uma janela e
começar a lançar coisas em cima de sua limusine.
— Mas as rugas.
Lizzie ergueu a cabeça na direção de Chantal. — São os menores problemas. Agora, vamos,
ao trabalho. Não farei isso sozinha.
Chantal pareceu ofendida quando ficou de pé sobre as cinco caixas Rubbermaid que Greta
trouxe para o guarda-roupa. — Eu não costumo fazer coisas assim, você sabe.
— Você não diz.
Agarrando uma das caixas, Lizzie começou a transferir coisas dobradas, calças, jeans, roupas
de ioga, em um fluxo constante. Então ela se mudou para a próxima gaveta. Roupa íntima. Eita, ela
se lembrou de passar por isso antes, quando ela se veio para combinar a lingerie que ela encontrou
sob a cama de William Baldwine para algo que Chantal possuía.
Secretamente, ela olhou para a mesa de maquiagem.
O sangue no espelho trincado foi limpo. Mas o copo ainda estava quebrado.
Ela só podia imaginar a briga que William e Chantal tiveram. Mas não era esse o assunto.
Qual era seu negócio? Levar essa mulher tão longe de Lane e Easterly como ela poderia.
Era como capinar um canteiro de hera, ela decidiu. Tira o ruim, mantenha o bom.
— Comece nas coisas penduradas, — ela ordenou a mulher. — Ou eu vou tirá-las daquela
vara de qualquer jeito.
Isso fez com que Chantal se movesse, suas mãos tratadas abrindo as portas de vidro e tirando
roupas por cabide. Mas pelo menos ela fez uma pilha para ser carregada da suíte.
Lizzie estava no terceiro compartimento quando Lane entrou no vestiário.
Chantal virou-se, olhou-o... e colocou a mão na parte inferior do abdômen.
Sim, sim, todos sabemos que você está grávida, querida, pensou Lizzie para si mesma. Como
nós esqueceríamos?
— Estas são minhas coisas, — Chantal disse com auto importância. — E eu vou removê-las.

289
Como se ela fosse Maggie-fodida-Smith32...
Okkkk, talvez alguém precisasse de uma barra de cereal, Lizzie decidiu. E não era a rainha da
beleza.
Afinal, não havia motivo para ficar malvada. Não ia melhorar a situação e Deus sabia que já
havia bastante disso sob este teto.
— Sim, — disse Lane, entrando. — Você realmente deveria tirá-las da minha casa.
Ele caminhou até um dos armários de frente de vidro, abriu as portas e colocou toda a parte
superior do corpo na linha de roupas suspensas. Quando ele ressurgiu, seus braços fortes estavam
cheios de faixas coloridas e sedas caras, tafetá e organza.
— John! — ele gritou. — Precisamos de um par de mãos extras aqui!
— O que você está fazendo! — Chantal correu para frente. — O que você está...
Um homem mais velho e pesado apareceu vestindo... uau, um conjunto absolutamente
incrível de calções de golfe. Quem sabia que você poderia fazer roupas de grama?
— Ei, aí, — disse o cara com um sotaque plano do meio-oeste e um sorriso largo. — Como
posso ajudar?
— Pegue alguns e carregue até a limusine.
— Claro, filho.
— Você não pode! Você não vai! Eu não posso...
— Ah, e esta é minha noiva, Lizzie. — Lane sorriu em sua direção. — Eu não acho que você
a conheceu antes.
— Noiva! — Chantal bateu seu salto estilete. — Noiva?
Quando ela bateu pé novamente, Lizzie pensou, uau, ela sempre assumiu que a jogada estava
reservada para episódios de Friends.
— Este é o meu amigo John, — disse Lane a Lizzie. — Você se lembra, o Deus do Grão?
— Oi. — Ela ofereceu ao homem um aceno. — Obrigado por ajudar.
— Eu sou fazendeiro, senhora. Não tenho medo do trabalho!
O cara olhou para Chantal, que ainda estava soltando fogo pelas ventas, e então a contornou,
abriu o próximo compartimento e abraçou fortemente cerca de duas dúzias de vestidos longos.
Era como se estivesse abraçando um arco-íris.
Quando os dois saíram com as roupas, Chantal os seguiu, tropeçando sobre os cabides
acolchoados que caíram no chão em seus rastros, uma trilha de migalhas de pão indumentária.
Lizzie sorriu para si mesma e voltou a embalar.

32
Atriz britânica.

290
Cara, sentiu-se bem em limpar a casa.

Fora do quarto de Gin, algum tipo de comoção estava subindo pelo corredor.
Ela estava muito ocupada tentando encontrar seu telefone celular para se importar, no entanto.
A última vez que ela usou... os pilotos. Ela tinha usado isso quando ela estava no cockpit do jato de
Richard. Ela perdeu a coisa?
Não estava no suporte da cama. Nem debaixo da cama. Nem em cima da mesinha de canto.
E não estava na bolsa dela.
Distantemente ciente de um crescente pânico, ela entrou no seu quarto de vestir. A bagunça
que ela fez na sessão de maquiagem foi arrumada, e por um momento, ela parou para pensar sobre o
que poderia estar envolvido na limpeza de tudo. Havia pó em toda a mesa rolante, as cascas de lápis
para os olhos, tubos de batom e delineador deixados de fora. Então, além de colocar tudo o que
ainda era útil de volta em seu lugar, Marls deve ter um limpador de vidro ou algo assim, toalhas de
papel... quem sabia o que.
Mesmo o tapete embaixo, o tapete branco, estava impecável.
— Obrigada, — ela sussurrou, apesar de estar sozinha.
Caminhando até as prateleiras abertas onde manteve sua coleção de bolsas Gucci, Vuitton,
Prada e Hermès, ela tentou lembrar qual ela tinha levado com ela...
O som de zumbir passou a cabeça.
Rastreando o ding-a-ling-a-ling para as secções penduradas do quarto, ela abriu o painel mais
próximo do barulho... e tirou um casaco de seda rosa, branco e cremoso Akris.
Ela encontrou o telefone no bolso e respondeu a chamada, mesmo que quem fosse não se
registrou nos contatos.
Talvez fosse Deus, deixando-a saber o que fazer a seguir.
Afinal, era inteiramente concebível que Senhorita Aurora pudesse ter esse tipo de atração.
— Olá?
— Senhora. Baldwine? — disse uma voz feminina.
— Sim?
— Oi, sou Jules Antle. Eu sou a responsável pelo andar de sua filha no dormitório?
— Oh. Sim. Sim, claro. — Isso explicou o código de área 860. — Você está. Procurando por
mim para fazer arranjos para pegar as coisas de Amelia?
Merda, o Sr. Harris partiu. Quem poderia lidar...
— Desculpe? Pegue suas coisas?

291
— Sim, eu terei alguém recolhendo suas coisas imediatamente. Qual dormitório ela está de
novo?
— O semestre não acabou.
— Então, você prefere esperar até que os outros alunos saíam?
— Eu, por favor me perdoe, mas não estou entendendo. Liguei para ver quando ela voltará.
Eu tomei a liberdade de falar com seus professores, e se ela precisar fazer os exames finais após o
intervalo do estudo, ela é mais do que bem-vinda.
Gin franziu a testa. — Exames?
A Sra. Antle, ou Jules, ou a Sra. Responsável, diminuiu o discurso, como se achasse que Gin
tinha dificuldades cognitivas. — Sim, os testes antes das férias de verão. Eles serão realizados em
breve.
— Mas por que ela... desculpe, entendi que Amelia foi convidada para deixar a escola.
— Amelia? Não. Por que ela teria sido? Na verdade, ela é uma das nossas melhores alunas
aqui. Eu posso vê-la como um auxiliar quando ela for uma sênior. Ela sempre está ajudando as
pessoas, generosa com tutoria, sempre lá para qualquer um. Foi por isso que ela foi eleita presidente
da classe.
Gin piscou e percebeu que ela se virou de tal forma que podia ver seu próprio reflexo em um
dos espelhos pela cadeira de cabeleireiro. Querido Senhor, ela parecia horrível. Mas então ela
adormeceu com toda a sua maquiagem, de modo que, embora seu cabelo não estivesse muito
emaranhado, seu rosto parecia um palhaço malvado com olhos assombrados.
Um pouco irônico de que ela tenha percebido tal bagunça ao descobrir que a vida da sua filha
realmente estava indo muito bem.
— Olá? — Senhorita Antlers ou Anteater ou o que quer que o nome dela fosse solicitou. —
Senhora. Baldwine?
Não havia motivo para entrar na mentira com a mulher. — Eu sinto muito. Há muita coisa
acontecendo aqui.
— Eu sei, e nós sentimos muito. Quando Amelia soube que seu avô morreu, ela realmente
queria ir para casa para o funeral. E, novamente, se ela quiser ficar e estar com a família,
entendemos e estamos dispostos a fazer concessões. Precisamos saber o que ela vai fazer, no
entanto.
— Eu vou falar com ela, — Gin se ouviu dizer. — E chamá-la de volta diretamente.
— Isso seria bom. Mais uma vez, pensamos no futuro dela. Você está criando uma jovem
maravilhosa que fará fazer muito bem no mundo.
Quando Gin terminou a ligação, ela continuou a olhar seu reflexo. Então ela foi até o cabelo e

292
a cadeira de maquiagem e sentou-se.
Como ela desejava que houvesse um guru que pudesse endireitar tudo na sua vida. Pode-se
tentar diferentes estilos de reparações: mãe carinhosa, profissional carismática; atraente, mas não
moralmente corrompida aos trinta e três anos de idade.
Não havia nenhum estande Chanel para o que a amargava, no entanto.
E, sim, ela supôs que ela poderia seguir seu primeiro impulso, que era ir até Lane e fazê-lo
em primeiro lugar descobrir por que Amelia pensou que era uma ótima ideia mentir sobre sair da
escola e depois deixá-lo lidar com enviar a garota de volta para Hotchkiss para finalizar seus
exames... mas abruptamente que faltava recurso.
Deus, ela nem sabia onde ficava a escola realmente, apenas seu código de área.
Ela certamente não sabia onde estava sua filha.
Entrando em seus contatos, ela encontrou Amelia e iniciou uma conexão. Quando ela recebeu
correio de voz, ela desligou sem deixar uma mensagem.
Onde estava a menina?
Levantando, Gin entrou no quarto e abriu a porta para o corredor principal do andar de cima.
Qualquer que fosse o drama que acontecesse, encontrou uma resolução ou um local diferente, então
ficou sozinha quando ela caiu e bateu na porta de Amelia.
Quando não houve resposta, ela abriu os painéis e olhou para dentro. A menina estava em sua
cama, profundamente adormecida, ou, pelo menos, fingia estar dormindo, e não estava em lingerie.
Ela estava usando uma camiseta de Hotchkiss e estava de seu lado de frente para a porta, os cílios
dela, que eram tão longos quanto os de Samuel T., baixando em suas bochechas.
Amelia franziu a testa e estremeceu as sobrancelhas, e então ela rolou sobre suas costas. E
então continuou em seu outro lado.
Com um profundo suspiro, ela pareceu afundar em seu repouso.
Gin saiu do quarto.
Provavelmente era melhor se limpar antes de tentar falar com qualquer um.
De volta à sua própria suíte, ela entrou no banheiro e tirou o vestido que ela dormiu.
Amassando-o, ela o jogou de lado e depois entrou no chuveiro.
Estava com uma toalha no braço quando o diamante gigante na mão esquerda piscou na luz
do teto.
Do nada, ela ouviu a voz de Samuel T. em sua cabeça: você precisa cuidar de si mesma.

293
Capítulo 46

— Você está noivo? — Chantal exigiu enquanto Lane fechou o porta-malas da limusine.
— Sim, — Lane respondeu. Pelo o que foi, a centésima vez?
Toda a coisa do noivado foi a música do tema da mulher, sendo um pé no saco dos infernos,
enquanto todos os outros reuniam toda a sua roupa, maquiagem e bijuterias, o quanto coube no
grande corpo prolongado da limusine. E agora ela e Lane estavam sozinhos, mas o motorista, que
estava no veículo com as portas fechadas e o rosto enterrado no celular. Como se ele não quisesse
pegar estilhaços.
Boa sorte em conseguir uma gorjeta dela, pensou Lane.
— Realmente Lane, — Chantal disse quando as gotas de chuva começaram a cair de novo.
— Você não poderia esperar até que a tinta estivesse seca mesmo em nossos papéis de
separação.
— Eu deveria ter me casado com ela em primeiro lugar, — Lane cortou. — E você não está
em posição de se indignar com qualquer coisa.
Quando ele olhou diretamente para a barriga inferior, Chantal sorriu com tanta doçura como
se tivesse uma pistola de nove milímetros. — Quando o testamento vai ser lido?
— Do meu pai?
— Não, o papa. Claro que é o seu maldito pai!
— Já foi. Não havia nenhuma provisão para você ou seu filho. Se você quiser contestá-lo, vá
em frente, mas isso vai ser tão lucrativo quanto sua carreira profissional, oh, espere. Você não tem
uma, você. Nenhuma legal, pelo menos.
Ela pegou um dedo em seu rosto. — Eu estou mantendo esse bebê.
— Ao contrário do meu, certo? — ele ignorou a dor em seu peito. — Ou você vai fazer
aquela viagem para a clínica em Cinci novamente quando descobrir que não há dinheiro nele.
—Talvez eu só quisesse o filho de seu pai.
— Provavelmente. Na verdade, não duvido que seja verdade. — Ele abriu a porta traseira da
limusine. — O executor do testamento é Babcock Jefferson. Procure por ele, ligue, entre na fila e
processe sua vontade ou não. Tudo o que funcionar para você.
Quando ela entrou, ela disse: — Você vai ouvir meu advogado.

294
— Cara, essas palavras rolam diretamente da sua língua, não são rolam. E estou ansioso pela
chamada, desde que possa manter você fora da minha propriedade. Tchau.
Ele fechou a porta no que quer que ela fosse dizer depois e tomou o tempo para dar um aceno
ao motorista. Então Lane voltou para a casa. Ao fechar os painéis pesados de Easterly, ele não tinha
ideia do que horas eram.
Pareceu que foi um dia.
Chegando mais fundo na mansão, ele encontrou John Lenghe e seus shorts de grama na sala
de jogos. Mas o cara não estava flexionando seus dedos sobre os dois tacos de cartas na mesa de
pôquer de feltro. Ele não estava empunhando bolinhas na mesa de bilhar antiga. Ele não estava
jogando xadrez contra si mesmo no topo de mármore com as peças esculpidas e nem estava
mexendo com o tabuleiro de gamão.
Lenghe estava na parede mais distante, olhando para a pintura pendurada no centro dos
painéis de carvalho incrível.
Por cima do alto, a representação do rosto de Jesus Cristo foi feita em tons de marfim e
marrom profundo, os olhos baixos do Salvador tão realistas, você poderia praticamente sentir o
sacrifício divino que ele estava prestes a fazer.
— Não está mal, hein, — Lane disse suavemente.
Lenghe virou-se e agarrou seu coração. — Eu sinto muito. Não queria vagar. Bem, eu fiz.
Mas achei que você e essa senhora poderiam usar alguma privacidade.
Lane entrou na sala e parou na mesa de bilhar. As bolas estavam na prateleira e prontas para
jogar, mas ele não conseguia se lembrar da última vez que alguém colocou um taco para elas.
— Eu aprecio isso, — ele disse. — E sua ajuda. Você cortou o tempo que desastre teria
tomado pela metade.
— Bem, sem significar desrespeito à senhora, posso ver por que você pode encorajá-la a
encontrar hospedagem mais feliz em algum outro lugar.
Lane riu. — Vocês do meio oeste têm o melhor modo de desrespeitar alguém.
— Posso te perguntar algo? — Lenghe voltou à pintura. — Este quadro de identificação
aqui... diz...
— Sim, é um Rembrandt. E foi autenticado por várias fontes. Toda a documentação sobre ele
está em algum lugar nesta casa. Na verdade, no ano passado, um colecionador privado que veio ao
Derby Brunch ofereceu meu pai quarenta e cinco milhões para isso, ou então eu ouvi.
Lenghe colocou as mãos nos bolsos como se estivesse preocupado que pudessem entrar em
contato com a superfície da pintura a óleo.
— Por que está escondido aqui? — O homem olhou ao redor. — Não que está não seja uma

295
grande sala ou nada. Eu simplesmente não entendo por que uma obra-prima como essa não seria
exibida de forma mais proeminente, talvez naquela linda sala de estar na frente.
— Oh, há uma boa razão para isso. Minha avó, Big V.E. Como ela era chamada, não
aprovava jogos de azar, beber ou fumar. Ela comprou a pintura no exterior nos anos 50 e a instalou
aqui para que, sempre que meu avô e seus bons meninos tivessem um desejo de ser pecaminosos,
eles lembrariam exatamente quem eles estavam desrespeitando.
Lenghe riu. — Mulher inteligente.
— Ela e meu avô colecionaram pinturas de antigos mestres. Eles estão por toda a casa, mas
esta é provavelmente a mais valiosa mesmo que seja as das pequenas.
— Eu queria que minha esposa pudesse ver isso. Eu tiraria uma foto no meu telefone, mas
não faria justiça. Você tem que ficar na frente dela pessoalmente. São os olhos, você sabe?
— Ela é bem-vinda aqui a qualquer momento.
— Bem, minha esposa, ela não gosta de viajar. Não é que ela esteja preocupada com o voo
ou qualquer coisa. Ela apenas odeia deixar suas vacas e suas galinhas. Ela não confia em ninguém
com elas ou com os cães. Nem mesmo eu. Aqueles animais e aquelas aves são seus bebês, entende.
Enquanto Lenghe voltou a se concentrar na obra-prima com uma expressão melancólica no
rosto, Lane franziu a testa e colocou um quadril na mesa de bilhar.
— Você realmente gosta, não é, — disse Lane.
— Sim.
Lane empapou a bola branca e jogou a coisa no ar um par de vezes, pegando-a enquanto
pensava.
— Você sabe, — ele disse, — houve algumas mudanças na Bradford Bourbon Company
desde que você e eu nos víamos da última vez.
Lenghe olhou por cima do ombro. — Eu li sobre isso no jornal. Novo Diretor Executivo
interino, um estranho. Movimento inteligente, e você precisa de números vitais se você for exercer
controle sobre as finanças. E eu deveria ter parabenizado você imediatamente, presidente do
Conselho.
Lane inclinou a cabeça. — Obrigado. E sim, estamos desenvolvendo um plano que otimiza o
fluxo de caixa. Acho que vejo um caminho para fora do nosso buraco negro, graças a Jeff.
Enquanto o trovão batia as portas francesas, Lenghe assentiu. — Eu tenho fé em você, filho.
— Meu ponto é, acho que posso dizer com segurança que, se você nos dar apenas dois meses
de grãos, devemos estar bem. Nós vamos dar-lhe termos favoráveis, é claro. Mas, na verdade,
depois do que Jeff propõe fazer, isso deve nos manter em frente.
— Então você está dizendo que não quer jogar cartas comigo, filho?

296
— Não em tudo. — Lane estreitou os olhos. — Na verdade, eu tenho outra coisa sobre a qual
você pode estar interessado em jogar.

Graças às tempestades que estavam borbulhando sobre os trechos planos das áreas das
Planícies e à deriva sobre Indiana e Kentucky, o calor da tarde foi misericordioso.
E isso significava que Edward estava gostando do trabalho que ele estava fazendo no Red &
Black.
Nenhuma vassoura no final de uma vara, no entanto. Não dessa vez.
Quando a chuva começou a cair mais uma vez do céu roxo e cinza, e o relâmpago fez mais
demonstrações de força, baixou o martelo na mão e enxugou a testa com o braço livre. Já faz...
anos... desde que ele cuidou de cercas, e ele já sabia, passando pelos dores nos ombros, que ele
pagaria por essa insensatez por dias depois. Mas, enquanto ele olhava a trilha de cinco postes,
pintados de marrom que cortava o pasto, e ao contar o número de pregos que ele havia adicionado e
tábuas soltas que ele tinha prendido, um resplendor de orgulho simples passou por ele.
Sim, ele estava fazendo isso há apenas uma hora e estava pronto para sair. E de fato, um
homem real teria trabalhado os campos por oito ou dez horas no pique.
Mas foi um início.
Antes do final.
Quando ele voltou para a picape Red & Black com sua bolsa de suprimentos, ele pensou
sobre a vodca que ele trouxe com ele, mas tinha deixado na cabine.
Ele precisaria apenas um pouco mais. Mas não muito.
Ficando atrás do volante, ele fechou a porta e tirou o frasco. Um gole. Dois goles. Então ele
regou com Gatorade como se fosse remédio. Se ele tivesse mais dois dias, dada a forma como os
tremores estavam diminuindo, ele provavelmente iria ficar bem. Ele não estava certo de que as
coisas iriam se manter até então, no entanto.
Ligando o motor, ele começou a fazer a caminhada de volta ao chalé, dirigindo ao longo do
capim cortado, na calha de água dois pardais de um ninho próximo se lavavam chamando a atenção
de um falcão que estava em uma das árvores sombras, em um galho baixo.
Edward teve o cuidado de memorizar tudo sobre a terra gentil... e a forma como as cercas
cortaram linhas artificiais na área verde perfumada... e como a imensidão majestosa dos celeiros
vermelhos e cinzentos de ardósia o fazia pensar em seu avô. Enquanto o suor rolava entre os
ombros, ele ainda não ligou o ar-condicionado na cabine. Qualquer um que já fez trabalho físico
sabia que uma vez quente, fique quente. O alívio de curto prazo em sua picape só faria seus

297
problemas de temperatura corporal piorem quando você tivesse que voltar para o calor.
Além disso, sentia-se bem em transpirar.
Quando ele veio até Barn B, ele estacionou a picape na parte traseira e saiu com o saco de
pregos e seu martelo. Ambos pareciam ganhar cerca de cinquenta quilos de peso desde que ele
começou. Inferno, desde que ele os colocou na cabine para a viagem para casa.
Entrando pela baía traseira, ouviu vozes, de um homem e de uma mulher, e ele parou.
Shelby e Joey estavam de pé na frente da barraca de Neb, lado a lado. Shelby estava falando
sobre o garanhão, provavelmente sobre como eles iriam lidar com a mais nova onda de mau tempo
com ele. E Joey estava de acordo com o que ela estava dizendo, provavelmente sobre como foi uma
boa ideia colocar o capuz de volta na cabeça de Neb e mantê-lo lá.
Jogada inteligente. Exatamente o que Edward tinha em mente para fazer também.
Joey disse algo. Ela disse algo de volta.
Shelby olhou para Joey. Desviou o olhar.
Joey olhou para Shelby. Desviou o olhar.
Inclinando-se contra os feixes robustos do celeiro, Edward colocou o saco em baixo, cruzou
os braços sobre o peito... e sorriu.
Só para abrandar abruptamente.
Enquanto ele estava assistindo os dois... havia uma figura do outro lado das baías abertas da
parte frontal do celeiro.
Observando-o.

Espera. O que você disse?


De volta à sala de jogos de Easterly, John Lenghe se virou do Rembrandt e, ao expressar o
rosto do homem, Lane provavelmente poderia ter deixado uma bomba de fumaça no centro da mesa
de bilhar e o cara não teria notado.
Lane assentiu com a cabeça da avó. — Vamos jogar por isso.
— Você não pode estar sério.
— Por quê? Porque vale pelo menos quarenta e cinco milhões de dólares e isso é muito em
jogo.
— De modo nenhum. Por que você quer se separar disso?
Sim, apenas um bilionário poderia dizer isso com um rosto sério. E significa cada palavra.
Você realmente tinha que sorrir para coisas assim, pensou Lane.
— Então você ficaria interessado. — Ele ergueu uma palma. — Desde que, naturalmente, eu

298
lhe dê uma chance de rever a documentação, a apólice de seguro que temos para isso e conversar
com sua esposa. E sim, eu sei que você vai querer verificar com ela, mas tenha em mente, se você
me vencer, você conseguirá levá-lo para casa.
Lenghe esfregou seu maxilar forte, seus grandes bíceps curvando-se grossos. — Deixe-me
ver se entendi. Eu colocarei quarenta e cinco milhões. Você colocou a pintura.
— Tem que ser quarenta e cinco milhões mais quaisquer despesas que eu teria que pagar.
Preciso apagar sobre os quarenta e cinco. Posso chamar uma pessoa de imposto agora e dar-lhe a
quantia exata. E essa pintura não é parte da herança do meu pai. É um bem de minha mãe, deixada a
com ela por sua mãe quando Big V.E. mudou-se e minha mãe tornou-se a Senhora de Easterly.
Então eu posso te arrumar um título limpo.
— Será que sua mãe não...
— Ela nunca esteve apegada a ele. Ela é uma pessoa Maxfield Parrish. O gosto de sua mãe
sempre foi muito pesado, em sua opinião.
Sim, pode haver uma questão legal do lado de sua mãe, mas isso realmente não seria um
problema. Tudo o que ele precisava era que Samuel T. providenciasse uma procuração por ela, a
favor de Lane, algo seu velho amigo faria em um segundo.
Lane resumiu tudo para que estivessem claros um com o outro. — Quarenta e cinco milhões
mais capital a longo prazo pelos os custos de transferência de posse desta pintura. Cinco cartas,
Texas Hold. O mesmo número de fichas. Nós jogamos mano a mano até que um de nós esteja fora.
Eu lhe dou toda a documentação que temos, e se, por qualquer motivo, você obtê-lo avaliado e vale
menos do que eu determinei, vou lhe dar tantas outras pinturas quanto eu tenho para cobrir a
diferença. — Lane apontou para a pintura. — Eu vou te dizer isso, no entanto. O curador do Old
Masters da MFA esteve no Derby Brunch no ano passado. Meu pai perguntou ao homem se ele
deveria vender por quarenta e cinco e a resposta foi não, porque valia cerca de sessenta.
John voltou-se para a pintura novamente.
— Nunca valerá menos, — disse Lane. — Seu dinheiro não poderia estar em um lugar mais
seguro. Ou mais bonito. Supondo que você me vença.
Foi um momento antes que o homem voltasse para Lane.
Em uma voz sombria, como ele realmente desejava que sua resposta pudesse ser diferente, o
Deus do Grão disse: — É melhor eu chamar a minha esposa. E é melhor você pegar essa papelada.

299
Capítulo 47

Sutton estava entre reuniões.


Realmente.
Ela estava entre as reuniões e acabou de ter decidido dirigir da sede da Sutton Distillery
Corporation, no centro de Charlemont, até o Ogden County.
Onde sua Mercedes teve, por sua vontade própria, um giro à esquerda em uma pista
perfeitamente pavimentada que passou a ser a entrada para o venerável Estábulo Red & Black.
Depois disso, o sedan seguiu o caminho através dos campos, passando pelos celeiros perfeitamente
nomeados... e ainda para a casa pequena do zelador onde Edward estava morando.
Depois de ter puxado para o espaço de estacionamento que ela usou antes, ela tinha saído
com a intenção de... bem, diabos, ela não tinha chegado tão longe. Mas ela tinha caminhado até a
porta, bateu, e quando não houve resposta depois de algumas tentativas, ela abriu caminho.
Quando ela olhou para a cadeira no centro da sala, ela esperava encontrar Edward ereto e
inconsciente, morto de tanta: dor, amargura e álcool.
Mas não.
Sentindo-se como se tivesse sido salva de fazer papel de tola, ela recuou, fechou a porta e
decidiu que, se voltasse ao carro e acelerasse, ela ainda poderia fazer um treino antes da reunião do
jantar que ela teria com Richard Pford sobre novos contratos de distribuição de produtos Sutton. O
que não era algo que desejava. O homem era tão carismático como um ábaco, mas havia milhões de
dólares na mesa e haveria pelo menos quatro advogados e três membros da alta gerência com eles.
Então, sim, um treino era exatamente o que ela precisava.
A visão de uma picape Red & Black puxando para trás do celeiro mais próximo tinha captado
sua atenção. E quando Edward tinha saído e entrado sem vê-la, ela estava rasgada.
No final, ela caminhou até a baía da frente, apesar da chuva.
Com a luz entrando por trás dela, ela viu uma mulher parada em uma baia mais longe do que
meio caminho, conversando com alguém... e Edward parou e a encarava, seus braços se ligavam ao
peito, o corpo encostado na abertura apoia.
A expressão em seu rosto...
Bem, não era nada que Sutton já visse antes. Caloroso. Terno. Um pouco melancólico.

300
E tudo isso a fez se voltar para focar na fêmea. Ela era baixa e estatura muito forte, suas
coxas apertando o jeans, as botas desgastadas, os cabelos loiros puxados para trás em um rabo de
cavalo prático. Era difícil julgar as características de apenas um perfil, mas sua pele foi beijada pelo
sol e ela irradiava positivamente juventude, saúde e competência em seu ambiente.
De vez em quando, ela se virou para o homem ao lado dela.
Ela não pareceu notar Edward.
Edward certamente não percebeu Sutton.
Como se ele tivesse lido sua mente, seus olhos se deslocaram e ele se endireitou. E no mesmo
momento, a mulher e o homem a quem ela estava olhando, descobriram que não estavam mais
sozinhos e ficaram surpresos.
Sutton saiu pela baía aberta tão rápido que quase torceu o pé, graças a seus saltos estiletes, e
não foi um lembrete de que, enquanto a mulher na frente daquela baia estava claramente em seu
elemento, Sutton estava perdida aqui, não mais capaz de montar um cavalo em seu terno Chanel
atual do que se afastar dali um em seu Louboutins.
E essa era a nova vida de Edward. Ele sempre teve interesse em cavalos, mas agora ele estava
criando e administrando seu estoque com seriedade.
Aquela mulher, aquela mulher naturalmente bela, fisicamente apta, era perfeita para a
fazenda. Perfeito para o novo ele.
Sutton, com o Mercedes que estava dirigindo, e os compromissos do conselho e suas
estratégias corporativas, era tudo sobre sua existência antiga.
Ela não deveria ter vindo.
— Sutton!
Ao chamar seu nome, ela estava tentada a ir ainda mais rápido para o carro, mas estava
preocupada que ele tentasse segui-la e se machucasse.
Parando na chuva, ela quase não podia suportar se virar: ela estava pensando nele sem parar
desde que eles estiveram juntos, mas, entretanto, ele estava aqui fora, com essa mulher, e mesmo
que ele não estivesse atualmente “com” ela? Passando por esse olhar em seu rosto? Ele iria estar.
Esquadrinhando os ombros, Sutton girou na grama. E por um momento, ela ficou surpresa.
A coloração de Edward era boa, sua pele não era cinzenta como tinha sido, mas corado com...
Bem, diabos, talvez ele estivesse com vergonha de ter sido apanhado. Exceto que ele não
estava fazendo nada de errado, estava. Ela só o viu em um momento particular, e eles certamente
não estavam em um relacionamento.
— Desculpe, — ela disse. — Eu não deveria ter vindo.
Ele parou na frente dela. — Está chovendo.

301
— É? — enquanto ele olhava para ela estranhamente, ela acenou com a mão. — Quero dizer,
é claro que sim. Sim.
— Venha para dentro.
Quando ele pegou o cotovelo, ela balançou a cabeça. — Não, honestamente, está bem...
— Eu sei. Mas entre. Há relâmpagos...
O flash e violento CRACK! de um fio de eletricidade batendo em algo feito de madeira, ela
sentiu que Deus estava determinado a lhe ensinar uma lição. Por sua vida, no entanto, não sabia o
que era.
Oh, a quem ela estava enganando? Ela precisava deixar toda essa coisa com Edward ir. Era
isso que ela tinha que colocar em sua cabeça dura.
— Venha, — ele sugeriu. — Antes de nos matarmos aqui.
Dirigindo-se ao chalé, lembrou-se de que o governador do Commonwealth se ofereceu como
voluntário para ser seu encontro de superação, e sabe, que não parece ser uma má ideia, afinal.
Uma vez dentro, Edward acendeu as luzes, e a parede de troféus de prata brilhava.
— Deixe-me te pegar uma toalha.
— Estou bem. — Sério? Ela estava bem? — Honestamente, não deveria ter vindo.
Supunha que esse fosse seu refrão, não era.
Ignorando seu protesto, ele passou para ela algo que era a cor de framboesa. Ou tinha sido
antes de ter sido lavado cem vezes. O pano de feltro era tão suave quanto a camurça e, ao pressioná-
lo em seu rosto de forma que não manchasse a maquiagem dos olhos, decidiu que suas toalhas
Matouk caras não eram tão boas.
Também decidiu que sua pequena namorada naquele estábulo simplesmente esfregava e ia.
Ou talvez não estivesse seca, então ela parecia tão gelada quanto ela.
Vinte. Vinte e dois no máximo. E Sutton, aos trinta e oito, sentiu-se com uma centena em
comparação.
— Eu ia ligar para você, — disse Edward enquanto entrava na cozinha.
Os sons dos armários abrindo e fechando pareciam tão altos como os motores a jato
decolando.
— Não preciso de nada para beber.
Quando ele voltou e lhe apresentou um copo, ela franziu o cenho enquanto ela percebeu um
cheiro revelador de... — Essa é minha limonada?
— Sim. Ou, pelo menos, deveria estar perto disso. Ele coxeou até a cadeira e soltou uma
maldição enquanto se sentava. — Eu lembrei da receita. Da sua avó.
Ela tomou um sorvo de teste. — Oh, você acertou.

302
— Me levou uma eternidade espremer os limões.
— Eles precisam estar frescos.
— Faz a diferença. — Ele olhou para ela, seus olhos rastreando suas características. — Você
parece... tão bem.
— Vamos, meu cabelo está molhado e eu...
— Não, você está tão bonita como sempre.
Sutton olhou para a limonada enquanto sentia que ele olhava para ela. — Por que você está
olhando assim para mim?
— Estou re-memorizando tudo sobre você.
— E por que você está fazendo isso?
— Preciso de algo para me manter aquecido à noite.
Ela pensou naquela mulher naquele celeiro e quase perguntou o que estava acontecendo. Mas
ela não tinha razão. Ou... mais provável, ela não queria saber.
— Sutton, eu realmente...
— O que?
Ele amaldiçoou suavemente. — Eu queria poder te dar o que você merece. Eu realmente
queria. Você é... uma das pessoas mais incríveis que já conheci. E eu deveria ter dito isso antes. Eu
queria ter. Eu queria ter... bem, fiz muitas coisas. Mas é só... a vida mudou para mim, como você
sabe. Nunca mais serei o que eu era. As coisas que costumava fazer, a pessoa que costumava ser, a
empresa que mantive... diabos, a empresa para a qual trabalhei? Tudo se foi para mim e nunca mais
voltará.
Sutton fechou os olhos. E quando um silêncio floresceu, como ele estava esperando por ela
responder, tudo o que podia fazer era acenar com a cabeça: tinha medo se ela tentasse falar, os
soluços que ela segurava escapassem.
— O que você precisa em um homem, é nada que eu possa lhe fornecer. Não vou ser bom
para o seu perfil público...
— Não me importo o que as pessoas pensam.
— Você tem. Você é a chefe de toda aquela empresa. Você é a Sutton Distillery Corporation.
Quero dizer, talvez não seja tão ruim se você não estivesse vendendo seu próprio nome, se você
fosse uma simples empresária, mas você não é. Além disso, você precisa de estabilidade em sua
vida. Você merece alguém que vai segurá-la à noite e estar lá em férias e ficar ao seu lado em suas
coisas civis. Não mente para si mesma, Sutton. Você sabe que estou certo.
Ela tomou outro gole da limonada. — Por que você me fez amor comigo antes de ontem?
— Porque eu sou um idiota fraco. E às vezes fazemos coisas que achamos que precisamos

303
mesmo que não estejam realmente corretas.
— Ah.
— Eu nunca vou me esquecer de você, Sutton. Nunca.
— Você faz parecer que Ogden County está do outro lado do mundo.
Então, novamente, não era a distância geográfica o problema. — Se você quer me odiar, —
ele disse a grosso modo, — eu não vou culpar você.
— Eu não quero fazer isso. — Ela passou e se concentrou nos troféus porque não queria que
ele visse seus olhos. — Me conte algo.
— O que?
— Quando eu ver você, você sabe, fora e sobre...
— Você não vai.
Abruptamente, ela imaginou que ele a evitava no Derby correndo e saltando atrás das colunas
de apoio e das portas do banheiro.
— Você não vai me ver, Sutton.
— Então você está realmente me fechando, hein. — Ela se virou e indicou seu copo. — Você
se importa se eu colocar isso em algum lugar? Não tenho muita sede.
— Eu vou levar.
Levantando o queixo, ela se aproximou e colocou o copo na mão dele. Parecia apropriado
que o trovão sacudisse a cabana quando ela recuou.
— Me faz um favor? — ela disse com voz rouca.
— O quê?
— Não tente me acompanhar no meu carro, ou sugerir que fique aqui um minuto mais.
Deixe-me sair com um pouco de orgulho, ok?
Seus olhos, aqueles fodidos olhos, olhou para ela com tanta intensidade que sentiu como se
ele a estivesse memorizando para uma longa exposição.
Ele assentiu uma vez.
Piscando forte, ela sussurrou, — adeus, Edward.
— Adeus, Sutton.
Fora da casa. Na tempestade.
A chuva caindo estava gelada, e ela ergueu o rosto para o céu quando ela foi para Mercedes,
pensando que era a terceira maldita vez que ela andava na chuva por causa dele. E depois que ela
ficou atrás do volante e bateu a porta, ela segurou o volante enquanto o granizo caía sobre o metal e
o vidro que a abrigavam como um pequeno exército que tinha inúmeras pequenas botas.
Ao contrário da primeira vez que ela pegou o C63 para vir aqui sozinha, ela agora sabia como

304
realizar a mudança de marchas. Não procuraria como dar macha ré... de modo que uma prostituta
que se parecia exatamente com ela tivesse que dizer-lhe o que fazer.
Quando ela dirigiu para a rota rural que a levaria de volta para onde ela pertencia, ela fez
tantas respirações profundas que ela tinha que estar tonta.
Maldita seja, ela ainda podia provar aquela limonada na boca.

Quando Edward ouviu o carro de Sutton puxar e acelerar, ele exalou por muito tempo e lento.
Então ele olhou para os dois copos nas mãos.
Derramando o que tinha sido dela, ele colocou o copo vazio de lado e bebeu o que sua avó
lhe ensinou a fazer nas quentes tardes de Kentucky: uma dúzia de limões. Corte ao meio em uma
tábua de madeira com uma faca robusta. Água fresca de Kentucky que carregava o beijo de pedra
calcária nela.
Açúcar. Açúcar de pura cana. Mas não muito.
Você coloca o gelo nos copos, não no jarro. Você mantém o jarro na geladeira com um selo
de papel de alumínio, de modo o que você tinha dentro, não saía por exposição.
Você compartilhava com as pessoas que você amava.
Ao fechar os olhos, ele viu imagens dela do passado, como de volta quando tinha doze anos e
ele a perseguiu no Charlemont Country Day porque ela foi uma das primeiras turmas de meninas
que eles deixariam entrar. Ou quando tinha dezesseis anos e aquele idiota a tinha levado para o baile
de formatura... e ele deu um soco no filho da puta no rosto. E então, mais tarde, aos vinte e um,
quando se formou e voltou para o verão, parecendo uma mulher completa pela primeira vez.
E então ele se lembrou das histórias sobre a avó de Sutton, uma mulher que não tinha tido
“classe”. Na verdade, o avô dela saiu para o oeste como um jovem fanfarrão e criar gado em rancho
contra os desejos de sua família de classe, e lá ele conheceu uma bela jovem que montava melhor
do que ele, atirava melhor do que ele, e discutia melhor do que ele.
Quando ele a trouxe para casa, ela fez que aquela família de classe se inclinasse para a sua
vontade. Não o contrário. E era como Sutton sempre dizia, foi um grande romance para aqueles
tempos.
O amor permaneceu vivo na limonada que ele estava tomando agora. Quando a porta da casa
abriu, ele sabia que não era Sutton. Ela não voltaria agora, nem nunca, e embora seu coração
doesse, essa era a resposta certa à sua equação.
Shelby fechou a porta pesada e escovou os cachos molhados do cabelo do rosto.
Ele limpou a garganta. — Neb está bem?

305
— Sim, ele está indo bem. Joey está com ele.
— Obrigada por vir me contar.
— Não é por isso que estou aqui. — Houve uma pausa. — Aquela é sua mulher? — quando
ele não respondeu, Shelby assobiou suavemente. — Ela é bonita. Quero dizer, ela quase não parecia
real. Não vejo pessoas como ela muitas vezes. Fora de revistas, talvez.
— Oh, ela é real.
— Onde ela foi?
— Casa.
— Por quê? Por que você a deixa ir?
Edward tomou um gole do copo de Sutton. — Porque é a coisa certa a fazer.
— Essa é a limonada que você passou toda a manhã fazendo? Você fez isso por ela?
— Não, eu não sabia que ela viria. — Ele olhou para isso. — Eu fiz isso porque eu tinha que
ter isso.
Uma última vez.
— Você vai deixar Joey levá-la para sair? — ele perguntou sem olhar para cima. Houve uma
pausa.
— Sim.
Edward sorriu. — Eu posso ouvir o rubor em sua voz.
— Eu não estou corando.
— Besteira.
Quando ela resmungou, ele piscou para ela. — Vamos, eu precisava ter certeza de que você
estava prestando atenção. E não havia um 'Deus' em nenhum lugar.
Shelby olhou para ele por um minuto. Então ela começou a sorrir. — Ah, mas ele está em
todos os lugares. E sabe de uma coisa?
— O que?
— Estou feliz que Ele tenha colocado você e eu juntos.
Edward balançou a cabeça. — Esse foi o seu pai, lembra-se.
— Talvez tenha sido o pai com uma indicação Dele.
— Qual a diferença, é tudo a mesma coisa.
— Bem... — Ela olhou em volta. — Eu vou voltar para o apartamento. A menos que você
precise de alguma coisa? Deixei a sobra do almoço na geladeira para o seu jantar.
— Isso foi bom de sua parte, obrigado. E não, eu estou bem. Mas, novamente, obrigado.
Com a mão na trava da porta, Shelby olhou por cima do ombro. — Você estará aqui de
manhã?

306
— É claro que estarei. — Ele deixou sua cabeça cair de volta e tirou uma foto mental dela. —
Onde mais eu estaria?
Ele deu-lhe um amplo tempo para medir sua expressão, ler sua energia, avaliar sua intenção
como faz com um cavalo, e ele deve ter passado no teste porque ela assentiu com a cabeça e saiu e
entrou na tempestade.
Para Joey.
Era bom estar onde você pertence, Edward pensou enquanto olhava para todos os troféus. E o
melhor fazer as coisas com as quais você pode viver.
Mesmo que isso mate você em curto prazo.

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Capítulo 48

Berkley Sedgwick Jewelers foi a terceira mais antiga joalheria em todos os Estados Unidos.
Aninhado em um bairro que misturou habitação residencial com empreendimentos comerciais, o
estabelecimento foi instalado em uma antiga casa vitoriana encantadora... que tinha barras em todas
as janelas, câmeras de segurança em todos os beirais e um ex-guarda do exército que patrulhava as
instalações.
Gin foi uma cliente fiel há anos, e também gostou de saber mais sobre esse homem em
uniforme.
Muito além disso.
Mas todos esses divertimentos e jogos pareciam um milhão de anos no passado, no entanto,
enquanto estacionava o Drophead no estacionamento traseiro. Eram oito horas, então os outros
espaços estavam vazios, exceto por um enorme SUV preto que tinha, muito tragicamente, uma
placa da Universidade de Kentucky na traseira.
Era realmente a única coisa que ela não gostava sobre Ryan Berkley, o dono.
O negócio estava fechado para clientes regulares, mas não foi a primeira vez que ela entrou
depois das horas, e antes que ela pudesse bater na porta traseira metálica aparafusada, Ryan abriu
para ela.
— Estou tão feliz que você me ligou, — ele disse quando ela apareceu.
Ryan era um descendente direto de um lado dos fundadores, e compartilhando isso em
relação aos negócios de sua própria família, ela sempre sentiu um parentesco com ele. Essa era a
extensão de sua afiliação, no entanto, além de comprar coisas de vez em quando: mesmo que Ryan
fosse alto e musculoso, ainda se adequava ao jogador de basquete da primeira divisão, ele estava na
faculdade, na Universidade de Kentucky, pena, e apesar de ter um rosto bonito, um corte de cabelo
excelente e olhos azuis que combinavam com as cores da escola, nunca houve nada entre eles.
Ryan era um bom homem, casado com uma ex-Senhorita Kentucky e interessado apenas em
sua esposa, seus quatro filhos e sua loja.
— Como se eu confiasse em mais alguém, — disse Gin ao entrar.
Depois de trancá-los, Ryan a levou para o escritório e o espaço de armazenamento, como se
odiasse a qualquer cliente que visse as partes menos formais de seu estabelecimento. Passado tudo

308
isso, a loja propriamente dita foi feita em azul real com tapete grosso e cortinas pesadas que
estavam fechadas para a privacidade. As caixas de vidro se estendiam por ambos os lados do espaço
longo, estreito, de teto alto e lustres vintage e iluminação discreta, tinham incríveis gemas e piscam
a atenção.
Ryan bateu as grandes mãos juntas. — Então, me diga, o que posso fazer por você?
— Você tem champanhe?
— Para você? Sempre. DP Rosé?
— Você sabe do que eu gosto.
Quando ele desapareceu para os fundos novamente, ela caminhou, parando nas caixas da
propriedade. Milhões de dólares estavam à venda sob as formas de pulseiras tutti-frutti da Cartier,
broches da Tiffany, anéis que tinham pedras centrais tão grandes quanto as miniaturas.
Havia mesmo um colar Schlumberger particularmente impressionante de safiras rosa e
amarelo com acentos turquesa e diamante. Final dos anos sessenta. Tinha que ser.
— Você sempre conhece o melhor, — disse Ryan enquanto ele se aproximava dela com uma
taça. — E eu acabei de receber isso.
— Este é o da venda da Christie no mês passado?
— É.
— Você pagou novecentos e oitenta mil e mudou com o prêmio do comprador. Qual é a
margem de lucro? Porque acho que você pagou demais por isso.
Ele riu. — Você sabe, se uma socialite sempre o aborrece, você sempre pode vir me
consultar.
— É apenas um hobby.
Embora ele estivesse certo, a joia era uma obsessão para ela, e ao longo do ano, ela serviu
para todos os catálogos de Christie e Sotheby para as vendas das casas em Nova York, Genebra e
Hong Kong. Muitas vezes, no passado, ela tinha sido compradora.
Não mais.
Gin olhou para ele. — Eu preciso de você faça algo discretamente para mim.
— Sempre. — Ele indicou duas cadeiras que foram puxadas para perto da caixa de diamante.
— Venha, me diga o que você precisa.
Seguindo-o, sentou-se e colocou a taça na caixa de vidro. Tirando o anel de noivado, ela
segurou o objeto.
— Eu quero que você remova essa pedra e a substitua por uma zircônia cúbica.
Ryan pegou o diamante, mas não olhou para ele. — Por que não fazemos apenas uma cópia
para viagem? Posso ter uma pronta para você amanhã às dez da manhã.

309
— Eu quero que você compre a pedra de mim. Esta noite. Por ouro.
Ryan sentou-se para trás, deslocando o anel na ponta do dedo indicador. E ainda assim ele
ainda não olhou para o objeto. — Gin, você e eu fizemos muitos negócios juntos, mas não tenho
certeza...
— Eu acredito que é uma cor H. VVS2. Harry Winston na haste, e eu acho que ele conseguiu
isso novo. O peso do quilate tem que ser 17, ou 19, abaixo de vinte. O valor é de cerca de um
milhão e meio, varejo, um milhão em leilão. Estou pedindo quinhentos mil, que é um pouco maior
do que o atacado, eu sei, mas sou uma cliente fiel, número um e número dois, eu sei que você leu os
jornais. Eu posso estar em posição de ter que liquidar parte da coleção da minha mãe, e se você não
quer que eu vá até Nova York para as casas de leilões, você tem que fazer bem comigo neste
acordo.
Mais uma vez, ele não examinou o anel, continuou olhando para ela. — Você sabe que eu
quero ajudá-la, mas não é tão simples quanto você está fazendo parecer. Existem implicações
fiscais...
— Para mim, não você. E o anel é meu. Foi dado a mim em contemplação do casamento, e
me casei com Richard Pford ontem. Mesmo se divorciarmos amanhã, fica comigo legalmente.
— Você está me pedindo para ser cúmplice na fraude do seguro, no entanto. Isso deve ser
segurado, não há como este bem não esteja assegurado.
— Mais uma vez, meu problema, não o seu. E para tornar as coisas mais fáceis, estou lhe
dizendo agora que cancelarei o seguro, seja qual for e onde for. Você não tem motivos para pensar
que não seguirei isso, e não sei como saber se não.
Finalmente, ele olhou para a pedra, segurando-a a olho nu.
— Este é um bom negócio para nós dois, — ela disse.
Ryan levantou-se. — Deixe-me vê-lo sob o microscópio. Mas tenho que tirá-lo da haste.
— Faça o que for necessário.
Deixando o champanhe de lado, ela o seguiu em uma antessala que era usada para consultas
privadas em horário comercial, geralmente por homens comprando diamantes para suas amantes.
Richard, seu bastardo barato, pensou. É melhor essa pedra ser real.

De volta a Easterly, Lane entrou na cozinha e seguiu o som de cortar para onde Senhorita
Aurora estava fazendo um rápido trabalho de um saco de cenouras, reduzindo os comprimentos
para discos laranja perfeitamente perfeitos, de um quarto de polegada de espessura.
— Tudo bem, — ele disse, — então somos você, Lizzie, eu, John e Jeff para o jantar. Não

310
acho que Max venha, e não tenho ideia de onde estão Gin ou Amélia.
Para matar o tempo enquanto Lenghe estava olhando sobre toda a documentação de
Rembrandt, Lane foi até a fila de casas de funcionários para tentar falar com Max. Quando ele
encontrou o cara adormecido, ele tentou Edward, mas não obteve nenhuma resposta, e como não
sabia quando receberia uma resposta de seu potencial oponente de pôquer, ele não quis sair da
estância.
— O jantar está pronto e servido, — disse a senhorita Aurora enquanto buscava outra
cenoura no cesto. — Eu fiz-nos uma rosbada com purê de batatas e feijão cozido. E este é para
Gary. Meu purê é o único vegetal que ele vai comer, e ele também se juntou a nós para o jantar.
— Você tem alguma sobra de torta de fruta?
— Fiz uma nova. Achei que os meninos estarão com fome.
Passando as palmas das mãos no granito, Lane inclinou-se em seus braços e viu Senhorita
Aurora trabalhar essa faca como um metrônomo no topo de um piano, o ritmo sempre o mesmo.
Ele limpou a garganta. — Então, Lizzie e Greta fizeram uma lista dos funcionários que terão
que ir.
— Oh sim?
— Muitas pessoas estão sendo demitidas.
— Quem fica?
— Você, Lizzie, Reginald, Greta e Gary. Gary vai querer manter Timbo, e isso faz sentido.
Todo mundo vai. Parece que Greta adora o trabalho com papel, ela se tornará a nova administradora
para as contas a meio tempo. Lizzie diz que vai assumir a limpeza da casa e ajudar Gary e Timbo
com o corte.
— Boa garota. — A senhorita Aurora fez uma pausa no corte e olhou para cima. — E essa é
uma boa equipe. Podemos lidar com tudo.
Lane exalou em alívio. — Isso é o que eu acho. A mãe vai manter seus enfermeiros, é claro.
— Eu não abalaria sua gaiola demais. Mantenha as coisas lá em cima.
— Nós vamos economizar... quase cem mil dólares por mês. Mas eu me sinto mal, você
sabe? Eu também vou conversar com cada um deles.
— Você vai contratá-los de volta. Não se preocupe.
— Eu não sei sobre isso, senhorita Aurora.
— Você verá.
Quando ela continuou cortando, ela franziu a testa e moveu o ombro como se estivesse
rígido. E então a senhorita Aurora fez uma pausa, colocou a faca e pareceu ter que conseguir o
equilíbrio com a ajuda da bancada.

311
— Senhorita Aurora? Você está bem...
— Estou bem, garoto. Bem.
Balançando a cabeça como se estivesse limpando, pegou a faca e respirou fundo. — Agora,
vá buscar o seu amigo de fora da cidade. Esse assado está secando no meu forno, e eu não quero
desperdiçar toda essa carne.
Lane procurou seu rosto. Deus, ele sentia que ela perdia mais peso toda vez que ele olhava
nela. — Senhorita Aurora...
— O fora da cidade está aqui, — disse Lenghe enquanto entrava na cozinha. — E ele está
com fome, e pronto para jogar pôquer.
Virando-se, Lane fez uma nota mental para acompanhar a senhorita Aurora. Talvez ela
precisasse de mais ajuda na cozinha?
— Então, — Lane disse quando bateu palmas. — Nós vamos fazer isso?
— A documentação não poderia ser mais impressionante. — Lenghe sentou-se no balcão
depois de cumprimentar a senhorita Aurora com um “senhora”. — E o valor está lá.
— Eu também verifiquei com meu cara de imposto. — Que era um amigo de Jeff em Nova
York. — Com a nossa taxa de imposto, que é a mais alta sobre os ganhos de capital de longo prazo
em um colecionador é de vinte e oito por cento. Minha avó, como você sabe da papelada, pagou um
milhão de dólares pela pintura quando ela comprou. Assim, o homem do imposto vai procurar por
dez milhões, novecentos e vinte mil de mim.
— Então, cinquenta milhões, novecentos e vinte é o número mágico.
— Parece assim.
Lenghe pôs as mãos para fora. — Você colocou a pintura e estou preparado para transmitir
essa soma à conta de sua escolha na manhã de segunda-feira, se eu perder. Ou, se você se sinta mais
à vontade fazendo uma garantia no exterior, onde agora há um mercado aberto, também podemos
fazer isso.
Lane segurou a palma do homem mais velho. — Combinado. Não é necessária nenhuma
garantia, eu confio em você.
Enquanto eles balançavam as mãos, Lenghe olhou para a senhorita Aurora. — Você é nossa
testemunha, senhora.
— Sim. — Então ela assentiu com a cabeça para Lane. — E tanto quanto eu gosto de atender
aos nossos hóspedes aqui em Easterly, você entenderá que, quando jogar, vou rezar pelo meu filho.
Lenghe inclinou a cabeça. — Eu não esperaria nada diferente.
— Lava as mãos para o jantar, — ela ordenou enquanto colocava a faca e se virou para o
fogão. — Estou servindo estilo família esta noite na pequena sala de jantar.

312
Lane se dirigiu para a pia em frente ao corredor e Lenghe caiu no passo junto com ele.
Quando ele ligou a água, ensaboou as mãos e passou o sabão para o Deus dos Grãos, ele teve que
sorrir. Somente a senhorita Aurora não pisca um olho em um jogo de pôquer com mais de cinquenta
milhões em jogo, e, tão alegremente, pede a um bilionário que lave as mãos antes de se sentar em
sua mesa.
Na verdade, ele amava sua mãe assim.

313
Capítulo 49

Quando Ryan Berkley tomou seu tempo no microscópio, Gin voltou para a taça e voltou a
sorrir para o Dom Pérignon enquanto esperava. De vez em quando, ela olhou para as caixas lá na
área privada, onde os diamantes eram ainda maiores do que os exibidos na frente da joalheria.
Ainda assim, eles eram apenas chips em comparação com o que Richard tinha conseguido por ela.
Assumindo que não fosse falso.
Quando Ryan finalmente se afastou do equipamento, ela disse: — Bem?
— Você está certa. VVS1. H ou talvez um I com fluorescentes de azul médio chutando a cor
até um grau.
Ele foi para outra máquina, uma luz de infravermelho brilhou, e ele assentiu. — Não, é um H.
Você avaliou bem, Gin.
— Obrigada.
Ryan respirou fundo. — Ok. Você tem um acordo.
Para esconder o alívio, bebeu outro gole do champanhe. — Bom. Isso é bom.
— Você percebe que quinhentos mil em ouro vai pesará mais de dez quilos?
— Dois sacos. Cinco em cada um. Eu posso carregá-los bem. — Seu joalheiro franziu a testa.
— Isso é muito dinheiro apenas para sair daqui. Você vai ficar bem? Onde você vai colocar?
— Tudo foi cuidado. Não se preocupe.
Ryan inclinou a cabeça. — Tudo bem. Eu vou ter que dividi-lo entre barras e moedas. Eu não
tenho o suficiente de um ou outro. E de acordo com a APMEX, o preço atual por quilo é de
quarenta mil, cento oitenta e oito dólares e quarenta centavos. Você quer ver o relatório?
— Não. E eu confio em você.
— Justo.
Levou um bom quarenta e cinco minutos para organizar tudo, e então ele a levou para a
adega onde ele fez a pesagem e a medição do ouro na frente dela em uma longa mesa de trabalho.
As barras pesaram cerca de um quilo cada, e ela gostou da sua sensação na mão. Carimbadas com
EMIRATES GOLD em uma crista e gravado com 1 KILO, GOLD e números de série, os blocos
finos eram do tamanho de seu iPhone e ele tinha sete para dar a ela.

314
O restante foi composto de moedas de ouro sul-africanos, pesando uma onça troy33 de ouro
de vinte e dois quilates. Ryan explicou, eles pesavam um pouco mais por causa dos quase três
gramas de liga de cobre adicionadas para tornar as moedas mais duras e, portanto, mais duráveis.
Muitas moedas. O saque de moedas de um pirata.
Os sacos eram de nylon pesado, e sob as luzes sobre a mesa de trabalho, o brilho da pilha
diminuiu gradualmente à medida que o ouro se deslocava para dentro dos sacos.
Quando tudo foi repartido, ela assinou a papelada e levantou-se para sair.
— Espere, — disse ele. — Precisamos colocar uma zircônia no anel.
Gin fechou os olhos quando imaginou a reação de Richard ao aparecer com um anel vazio.
— Mas é claro.
Ryan fez um rápido trabalho com isso, encontrando um “diamante” de esmeralda falso
adequado e colocando-o na gaiola de platina. Então, ele limpou a coisa e voltou a ela.
Quando ela deslizou o anel de volta em seu dedo em cima de sua aliança de casamento, ela
abriu a mão. — Perfeito.
— Você vai ter que manter isso realmente limpo se você quiser que pareça real. As zircônias
são excelentes, mas qualquer óleo da pele ou resíduo de sabão, embaçam imediatamente.
Ela assentiu e foi para os sacos. Com um grunhido, levantou-os. — Pesado...
— Você vai me deixar levar para o seu carro para você?
— Na verdade, acho que vou. Obrigado.
Ela o seguiu da adega e voltou para a parte extravagante da loja. E quase chegaram à porta
traseira.
Mas Ryan parou. — Eu não posso... Gin, isso realmente não é seguro. Eu sei que o St.
Michael's é uma área relativamente segura da cidade, mas por favor, deixe-me levá-la para casa
com estes. Ou chame um detalhe de segurança você. Por favor.
— Eu não vou para casa.
Seus olhos azuis eram graves. — Eu tenho licença para transportar. Eu tenho uma arma
comigo o tempo todo e duas no meu carro. Deixe-me chegar até onde você estiver indo, nunca me
perdoarei de outra forma, especialmente se algo acontecer.
Ela olhou para os dois sacos e pensou em quanto valor havia nelas.
Engraçado, ela passara toda a vida em torno de enormes quantidades de dinheiro... mas eram
representados principalmente por números em contas bancárias, cartões de créditos que se
encaixavam em sua carteira e maços de dinheiro que não chegara perto de metade de um milhão

33
Sistema de medida para metais preciosos.

315
dólares. Mesmo o valor na obra de arte, antiguidades e prata na casa, ou as joias no cofre pareciam
diferentes, mais afirmações de estilo, decoração e grande vida do que valia a pena.
Havia algo de fundamento sobre sacos de ouro.
— Eu posso dirigir no meu SUV, — Ryan empurrou, — que é adaptado para segurança. E
então trazê-la de volta aqui para o seu carro.
— Você tem certeza?
Ele revirou os olhos. — Eu sou um bom menino católico cujo pai está prestes a revirar em
seu túmulo se eu deixar você sair desta loja sozinha. Então sim, tenho certeza.
— Tudo bem. Obrigada. Muito obrigada.
Minutos depois, ele tinha apoiado o SUV até a porta traseira, colocou-a no banco do
passageiro... e colocou os dois sacos no colo.
— Nós estamos indo para o banco, — ela disse a ele quando ele deu marcha ré.
— Obrigado, Jesus, — ele murmurou.
A filial local do PNC subia um pouco a estrada e, assim que pararam, o gerente, que era uma
mulher loira atraente, abriu a porta de entrada nos fundos.
Ela estava vestida de ioga e tinha o cabelo em um rabo de cavalo, parecendo muito mais
jovem do que ela em seus ternos de negócios.
— Olá, — ela disse quando a eles, quando ele saiu arrumando o peso mais uma vez. — Ryan,
esta é uma agradável surpresa. Deixei sua Stacy na aula cerca de vinte minutos atrás.
— Posso dizer-lhe o quanto estou feliz em vê-la? — ele disse quando deixou cair um beijo na
bochecha da mulher.
— Isso é bom de ouvir.
Depois que eles entraram em um espaço estreito e simples que não eram normalmente para
clientes, a mulher fechou as portas, girando uma roda até um clank! À medida que avançavam,
passando para a parte normal do banco, as luzes estavam baixas, tudo era silencioso e ordenado.
— A papelada está bem aqui.
Gin se sentiu um tanto deslumbrante quando ela atravessou e assinou algumas coisas em uma
bancada. E sim, a caneta estava presa a um bloco de data com uma pequena coleira metálica de
pequenas ligações de prata. A coisa sibilou como uma cobra enquanto rabiscava seu nome aqui...
aqui... e... aqui mesmo, obrigada.
— Esta é a sua chave, — disse a mulher. — E eu vou levá-la para a caixa agora.
Ryan falou. — Você quer entrar sozinha, Gin?
— Não, se você puder carregar isso?
— Absolutamente.

316
Os três entraram no cofre que tinha sido aberto apenas para ela, e ela foi escoltada para um
cofre no chão que parecia o tamanho de uma lixeira de cozinha. Retendo a chave, a gerente se
inclinou e colocou no encaixe, adicionou uma das suas e então a escotilha foi aberta.
A mulher extraiu um recipiente de metal quadrado para fora do compartimento com um
grunhido. — Este é o nosso maior tamanho.
— Por favor, não se preocupe. — Gin se virou para Ryan. — Posso?
Ela queria ser a pessoa a colocar o ouro lá dentro, e assim que fez, ela olhou para os dois.
— Eu quero que você seja minhas testemunhas. Isto é para minha filha. No caso de qualquer
coisa me acontecer, isso é tudo dela. Estou dando a Amélia.
Gin tirou um envelope fechado da bolsa. — Coloquei isso nesta carta. Isto é para Amelia.
E a declaração para quem ficaria com o ouro não eram as únicas coisas que ela havia escrito.
Samuel T. também estava lá.
Ele sem dúvida seria um pai fantástico. Uma vez que ele superasse o choque... e a onda de
ódio por Gin.
Colocando a carta em cima dos sacos de nylon, ela podia sentir os dois olharem para ela
engraçado e ela não podia dizer que os culpava. Afinal, seu pai acabara de se matar, ou talvez não
tivesse, quem sabia.
Eles provavelmente estavam se perguntando se ela era a próxima.
— E se eu for morta, eu quero que vocês saibam que Richard Pford fez isso. — Ela olhou
para ambos os olhos, ignorando o alarme que ela causou. — Isso também está na carta. Se eu for
morta, ele me assassinou.

Lizzie dificilmente podia comer.


Não era que a companhia fosse ruim. Não era que a pequena sala de jantar, com a sua coleção
de pratos Imari montados em suas paredes de seda creme e seu tapete Aubusson, não fosse elegante.
E certamente não havia nada de errado com a comida de Senhorita Aurora.
Era mais o fato de que seu homem estava prestes a jogar pôquer por um prêmio totalizando
mais de cinquenta mil...
Milhão, ela se corrigiu. Cinquenta milhões de dólares.
Deus, ela não conseguia entender a soma.
— Boa ideia na época, — Lane estava dizendo quando ele se sentou atrás de sua segunda
porção e enxugava a boca. — O rio estava em seu ponto alto, e venha, Land Rovers são veículos
abundantes. Eu queria o desafio. Então peguei Ernie...

317
— Espere, — ela disse, conectando a história. — Quem é Ernie?
Lane se inclinou e a beijou na boca. — Meu primeiro carro. Ernie. Jeff falou do outro lado da
mesa. — Por que eu acho que isso não acabou bem com Ernie?
— Não. — Lane tomou um gole de sua cerveja de gengibre. — De qualquer forma, eu fui até
River Road, atravessei a fita da polícia...
Senhorita Aurora sacudiu a cabeça, mesmo quando tentava esconder o sorriso. — Estou tão
feliz por não ter sabido sobre isso antes ou eu teria tido algumas palavras para você, jovem.
— Você ainda pode ter a chance, — disse John com uma risada quando pegou sua Coca-
Cola. — A noite é jovem.
— De qualquer forma, — interveio Lane, — eu aprendi que, enquanto você continua
avançando, você consegue. Aquela água veio todo o caminho até que estava batendo sobre o capuz.
— Isso foi sem um snorkel? — disse Lizzie. — Ou com?
— Sem. E esse foi um pouco o problema. Veja, havia esta árvore flutuando sob a superfície...
— Oh, Deus, — murmurou Lizzie.
—... e me pegou diretamente na grelha. Minha velocidade desacelerou... e sim, quando Ernie
morreu. Ele ficou preso lá até o rio baixar, e você quer falar sobre limusine? O interior desse carro
pareceu ter passado quinze dias no deserto durante uma tempestade de areia.
Enquanto as pessoas riam, Lizzie teve que perguntar: — Espere, então, o que aconteceu
depois? O que você contou ao seu pai?
Lane ficou sério, o sorriso deixando seu rosto. — Oh, você sabe... Edward entrou e salvou o
dia. Ele tinha um monte de dinheiro que ele estava investindo: não era dinheiro familiar, era de
empregos de verão e presentes de aniversário. Ele me comprou um usado que parecia exatamente
com Ernie, o mesmo interior, o mesmo exterior. Mais algumas milhas, mas como o pai verificaria o
velocímetro? Sem Edward ... cara, isso não teria ido bem.
— Pelos grandes irmãos, — disse John enquanto levantava o copo.
— Pelos grandes irmãos, — todos responderam.
— Então, — Lane murmurou enquanto todos baixavam suas bebidas de volta à mesa. —
Você está pronto para fazer isso?
John levantou-se e pegou o prato. — Logo que ajudemos a limpar. Eu não posso esperar.
Estou com sorte hoje à noite, filho. Estou me sentindo com sorte!
Enquanto Jeff e Senhorita Aurora se levantam, Lizzie ficou onde ela estava, e Lane, como se
estivesse sentindo seu humor, não se moveu, quando todos os outros saíram.
— Você tem certeza que esta é uma boa ideia? — ela sussurrou enquanto tomava suas mãos
na dela. — Não que eu não confie em você. É só... é tanto dinheiro.

318
— Se eu ganhar, Ricardo Monteverdi e esse empréstimo no Prospect Trust em grande será
quitado, e então temos uma meia chance porque Jeff vai reverter a situação da empresa. Deus, você
deveria tê-lo visto na sede. Ele é incrível. Simplesmente incrível. Teremos alguns meses magros,
mas até o final do ano? Estaremos atualizados sobre as contas a pagar e a Mack não terá que se
preocupar com a origem dos grãos de seu puré.
— Eu não posso acreditar que você está tão calmo. — Ela riu. Ou amaldiçoou. Era difícil
saber o que esse som saiu era dela. — Eu me sinto uma pilha de nervos e estou apenas à margem.
— Eu sei o que estou fazendo. O único assunto com que estou preocupado é a sorte, e que
você não pode controlar. Você pode compensá-la com habilidade, no entanto. E tenho isso em
espadas.
Ela alcançou o rosto dele. — Estou tão orgulhosa de você.
— Ainda não ganhei.
— Eu não me importo com o resultado, bem, eu importo. Eu apenas... você está fazendo o
que você disse que faria. Você está salvando sua família. Você está cuidando do seu negócio. Você
é... você é realmente incrível, você sabe disso?
Quando ela entrou para beijá-lo, ele riu profundamente em seu peito. — Não sou um playboy
mais obstinado, sou. Veja o que o amor de uma boa mulher faz por um cara?
Eles se beijaram por um momento, e então ele a puxou para o seu colo. Colocando os braços
em volta do pescoço, ela sorriu.
— Absolutamente. — Lizzie alisou o cabelo na base do pescoço dele. — E adivinha?
— O que?
Lizzie colocou a boca em sua orelha. — Ganhe ou perca... você está com sorte hoje à noite.
Lane soltou um grunhido, apertando as mãos na cintura e os quadris roçando debaixo dela.
Quando ele a beijou de novo, ela o deteve. — É melhor nos dirigir para a sala de jogos agora antes
que eu o distraio.
— Já está ambientado, — ele disse secamente. — Confie em mim.
— Apenas lembre-se, — ela murmurou enquanto ela se afastava dele. — Quanto mais cedo
você terminar... mais cedo podemos ir...
Lane explodiu de sua cadeira, quase derrubando a coisa. Agarrando a mão, ele começou a
arrastá-la para fora da sala em uma corrida lenta.
— Você vai deixar de perder tempo, mulher! — ele disse enquanto ria alto. — Eita, eu tenho
pôquer para jogar...!

319
Capítulo 50

Cerca de meia hora depois, Lane sentou-se na mesa de pôquer circular na sala de jogos a
cerca de três cadeiras de Lenghe. Os espectadores, por mútuo acordo dos jogadores, haviam tomado
um alinhamento de cadeiras no lado oposto de onde as cartas estavam sendo jogadas para que
ninguém pudesse ver sobre os ombros de ninguém. Lizzie e Senhorita Aurora estavam juntas, com
Jeff e Gary, o zelador chefe, sentado ao lado deles.
Não havia como fingir que não era um desses momentos que inevitavelmente se tornaria uma
coletânea Bradford, como quando um dos ancestrais de Lane tinha emprestado dinheiro a Abraham
Lincoln ou outro teve que lutar contra um incêndio no Old Site com água do aquífero, ou quando os
cavalos Bradford haviam cruzado a linha em primeiro, segundo e terceiro no Derby de 1956.
Essa trifecta rendeu ao seu avô o suficiente para pagar por um novo celeiro no Red & Black.
— Estamos atrasados?
Lane olhou para a porta. — Mack, você veio.
— Como eu perderia isso?
O Master Distiller de Lane entrou com uma jovem de aparência bonita, oh, a assistente,
pensou Lane. Está certo.
— Sr. Lenghe, — Mack disse quando ele passou. — Bom vê-lo de novo.
— Bem, se não é meu destilador favorito.
Após o aperto de mãos, Mack disse: — Esta é minha amiga e minha assistente, Beth Lewis.
Foram feitas apresentações e saudações a todos, e Lane não conseguiu resistir a levantar as
sobrancelhas ao rapaz atrás das costas de Beth. O que o fez virar de volta.
— Alguém mais está vindo? — perguntou John enquanto o grupo se reassentava.
— É isso, — disse Lane.
— Cara ou Coroa?
— Você é o convidado, você escolhe.
— Cara.
John virou uma moeda no centro da mesa. — Cara. Eu lido primeiro. Big blind34 é cem Little

34
Termo do pôquer em que o número de fichas que compulsoriamente deverão ser colocadas à mesa pelo segundo
jogador a esquerda do carteador, antes mesmo de ver suas cartas.

320
blind35 cinquenta.
Lane assentiu com a cabeça e viu o sujeito baralhar as cartas. Eles concordaram mutuamente
em valores arbitrários para as pilhas de fichas vermelhos, azuis e amarelos, com ambos tendo o
mesmo número de cada um. Não haveria buy-ins, o que significava quando você estiver sem fichas
ou não conseguiu blind, estava acabado.
Lane colocou uma ficha vermelha como big blind, John a azul, e então John distribuiu a eles
duas cartas cada. Haveria uma rodada de apostas com base no que eles tinham em suas mãos, e
então o negociante “queimaria” uma carta colocando-a de lado e colocando a próxima carta virada
para cima. Mais apostas. Outra “queima” e carta virada para cima. Mais apostas, e assim por diante,
até que houvesse alinhado para cima cinco cartas que cada um deles era livre para usar para
completar sequências com a ajuda de tudo o que eles pessoalmente tiveram e mantiveram privado.
A carta alta batia a salada de frutas se ninguém tivesse nada. Dois pares superavam um par.
Três pares de um tipo batem dois pares. Um flush, que era cinco cartas do mesmo naipe, batia uma
linha reta, que era cinco cartas em ordem numérica, independentemente do naipe. Um full house era
uma trinca acompanhada de um par, batia um flush. E um flush direto, que era cinco cartas em
ordem do mesmo naipe, batia quatro de um tipo, que batia um full house.
Um flush real, que era ás, rei, rainha, valete e dez, todos de um naipe, batia tudo.
E provavelmente significava que Senhorita Aurora, de fato, tinha uma linha direta para Deus.
Assumindo que Lane segurasse essas cartas e não Lenghe.
Se John puxasse algo assim? Bem, então sua esposa que estava no Kansas estava rezando
mais do que Senhorita Aurora estava aqui em Kentucky.
Lane pegou sua primeira mão. Seis de ouro. Dois de paus.
Em suma... nada.
Nem uma carta alta o suficiente para ficar entusiasmado.
O flop, como as três primeiras cartas voltadas para cima eram chamadas, era a única
esperança dele.
Ao longo do caminho, John estava estudando seu par, suas sobrancelhas juntas, seus ombros
pesados se curvaram como se estivesse se preparando para um ataque. Ele mordiscou o lábio um
pouco. Esfregou o fundo do nariz. Deslocou em sua cadeira.
Ele estava mais encenando do que nervoso, no entanto: Com tanto tempo de jogo à frente
deles, nenhum pot36 ainda se desenvolveu, e cinco cartas ainda por vir, era muito cedo em muitas
frentes para que o cara exibisse ansiedade.

35
Ou small blind, a menor aposta compulsória.
36
O dinheiro ou as fichas no centro da mesa que os jogadores têm como objetivo

321
Lane, por outro lado, era absolutamente calmo, mais interessado no que estava acontecendo
na cadeira do adversário do que em seus próprios cartas.
A chave era lembrar os tiques e contrações de seu oponente. Alguns deles caiam no
esquecimento enquanto o jogo avançava e eles entraram em um sulco. Um ou dois, o cara,
continuaria, ou lutaria para não mostrar.
Ou talvez algo mais fosse revelado.
Mas como Lane havia aprendido há muito tempo, havia três coisas que importam na mesa
ainda mais do que a quantidade de dinheiro que você ou seu oponente tinha à sua disposição: a
matemática das cartas em jogo, o que vai mano a mano seria difícil para aplicar com qualquer
especificidade porque não havia outros jogadores fazendo apostas; as cartas que você tinha e
aquelas no flop; e as reações faciais e corporais do seu oponente em torno de seus padrões de
apostas.
John poderia ter tido sorte.
Eles teriam que ver se era o suficiente.

Apenas dez minutos depois que Ryan Berkley deixou Gin de volta ao Rolls atrás de sua loja,
ela puxou o conversível para a baía na garagem e verificou o relógio.
No momento ideal. Nove e meia.
Richard tinha dito que ele tinha uma reunião de negócios muito importante que ia atrasar, e
isso significava que ela estava em casa antes que ele soubesse qualquer coisa.
Circulando pela frente da casa, ela passou pelas janelas da antiga sala de jogos que não era
muito usada. Através das cortinas meio puxadas, ela viu seu irmão e um homem mais velho, de
cabelos grisalhos, que não reconheceu na mesa de pôquer, pares de cartas em suas mãos, pilhas de
fichas multicoloridas no feltro verde ao lado deles.
Havia algumas pessoas alinhadas observando-os, e todos estavam tão sérios. Seu irmão
parecia ter mais fichas do que o outro, mas então... não, parecia que o oponente de Lane ganhasse
algo, o homem balançou suas cartas e depois arrastando a pilha no centro em direção a si mesmo.
Gin continuou, dando uma volta à grande entrada e olhando para o segundo andar.
Sem luz no quarto de Amelia.
Entrando na mansão, Gin entrou no salão e sentou-se no sofá que lhe permitiu ver o vestíbulo
através do arco.
Ela esperou.
E esperou.

322
E esperou mais um pouco.
Os sons do jogo de pôquer borbulharam pelos quartos silenciosos de Easterly. Houve gritos
ocasionais, um torcedor, uma maldição. Risos que pareciam estranhos, embora apenas porque
parecia pouco desde que havia algum na casa.
Perplexa, ela se perguntou sobre quem Lane estava jogando.
Ela não iria até lá, no entanto... ela tinha que estar aqui.
Amelia finalmente chegou pela porta depois que Deus só sabia por quanto tempo. A menina
estava com calças jeans, mais uma vez lápis, e uma blusa Stella McCartney, que tinha blocos de cor
na frente e grupos de jogo da velha na parte de trás.
Ao atravessar o piso de mármore preto e branco, indo para a escada, Gin gritou: — Um
momento, se você não se importa.
Amelia parou em sua rasteirinha no primeiro degrau. — O que?
— Eu estive esperando por você. Por favor, venha aqui.
— Vou dormir.
— Falei com a sua supervisora.
Isso chamou a atenção da menina e ela se virou. — O que?
— Sua supervisora, Sra. Antler.
— Ok, essa é minha responsável do dormitório, Sra. Antle. Uma supervisora é uma sênior
que é como uma conselheira residencial. O que você saberia se você tivesse ido na minha escola.
— Por que você mentiu sobre ser expulsa? — Gin virou uma mão e observou que o diamante
falso estava bom. — E eu não estou confrontando você sobre isso. Tenho certeza de que você teve
seus motivos e estou curiosa sobre quais são.
Amelia entrou no salão, claramente preparada para brigar. — Não voltarei lá.
— Essa não foi a pergunta que eu fiz.
— Eu não lhe devo nenhuma explicação a nada.
— Verdade. — Isso pareceu surpreender a garota. — Mas eu gostaria de saber por quê.
— Tudo bem. — Amelia cruzou os braços sobre o peito e ergueu o queixo. — Ninguém me
chamou para me informar que meu avô morreu. Eu li sobre isso na Internet e tive que me trazer para
casa, e não vou voltar para a escola. Eu me recuso. Achei que se eu lhe dissesse que eu desisti, você
me faria voltar, mas se você pensasse que fui expulsa, você me deixaria ficar.
— Você está infeliz com Hotchkiss?
Amelia franziu a testa. — Não.
— Há algo de errado com os acadêmicos? Os dormitórios? Outro colega de classe?
— Não.

323
— Existe outra escola na qual você gostaria de estar?
— Sim.
— E qual escola é essa?
— O que há de errado com você? — exigiu Amelia, e não de forma hostil. Mais como se ela
estivesse pensando quem matou sua mãe atual e a substituiu por esse fac-símile. — O que está
acontecendo?
Gin segurou os olhos da menina mesmo que fosse difícil. — Eu não fui mãe para você. E me
desculpe por isso. Estou muito... desculpe por isso. Eu era tão jovem quando eu tive você, e embora
você fez o seu trabalho em crescer... não posso dizer que o mesmo foi verdade para mim em relação
à maturação. E, honestamente, quando a responsável me chamou, meu primeiro pensamento foi
procurar Lane e tê-lo lidando com você. Mas o que é isso... meu pai está morto. Minha mãe também
bem poderia estar. Edward foi para todos os efeitos. Lane está ocupado tentando fazer tudo por
todos nós. E a senhorita Aurora não está se sentindo... bem, de qualquer forma, no final do dia, você
e eu nos conhecemos, e é isso. Não há mais ninguém a quem recorrer.
— E o seu novo marido? — Amelia disse amargamente. — E quanto a ele?
— Ele é meu problema, não seu. Na verdade, ele é o melhor exemplo de tudo o que eu
sempre fiz errado e preciso lidar com ele.
Gin olhou em volta para a sala familiar e elegante e depois reorientou. — Nós, literalmente,
não temos ninguém a não ser uma a outra. E você pode me odiar o quanto quiser, eu mereço isso.
Eu vou aceitar. Não vou questioná-la, e não vou me irritar. Essa emoção, porém... por mais
justificável que seja ... não vai mudar o fato de que se você não quer estar em Hotchkiss, você e eu
somos as únicas que podem abordar isso. E se você mudar de ideia e queira ficar lá? Você e eu
precisaremos levá-la de volta ao campus. E se você quiser abandonar... bem, eu não vou deixar você
fazer isso. Porque se você me respeita ou não, você é menor e eu sou sua mãe aos olhos da lei, se
nenhum outro. E você vai pelo menos obter seu diploma de ensino médio. Depois disso? Em mais
dois anos? Não tenho direito sobre a sua vida exceto o que você me concede gratuitamente.
Amelia piscou duas vezes.
E foi engraçado. Ela parecia ficar mais jovem diante dos olhos de Gin, mesmo que nada
particularmente mudou sobre ela, a regressão em grande parte intangível resultou de alguns
sentimentos ou pensamentos ou... Gin não sabia o que.
— Fale comigo, — disse Gin depois de um momento. — Diga-me o que você está pensando.
— Tenho medo se eu ficar lá em cima... — A menina desviou o olhar. — Eu tenho medo se
eu ficar lá em cima, todos vão desaparecer aqui e não vou ter para onde ir. Quero dizer, eu sei sobre
o dinheiro. Será que Easterly ainda permanecerá nossa? E a empresa? Como, o poder vai ser

324
cortado aqui?
— Honestamente? Eu não sei. E odeio que não posso dar uma resposta. Mas eu prometo a
você que ficará tudo bem para você.
— Como?
Gin alcançou a bolsa e tirou a chave de depósito do cofre. — Eu vou te dar isso agora. Você
não poderá entrar no cofre enquanto eu estiver com vida, e se eu morrer, você precisa ir ao seu tio
Lane e lhe dizer que eu dei isso. Ele é o executor do testamento que assinei esta tarde. Esta chave é
de um cofre na filial do PNC pela Taylor's Drugstore. Eu não vou te dizer o que está lá, e como eu
disse, você não poderá acessá-la até eu ter ido. Mas o que está dentro irá mantê-la segura,
independentemente do que aconteça aqui.
Quando Amélia não aproximou, Gin estendeu mais longe. — Pegue. Coloque-o onde quiser,
mas não perca. Entende.
Amelia se aproximou cautelosamente, e quando ela se aproximou, Gin se viu piscando para
conter as lágrimas. Em toda a sua negligência e egoísmo, ela havia perdido o sofrimento que ela
causou por essa criança inocente, e a cautela que se mostrava agora era um julgamento tão doloroso
que Gin não podia respirar.
— Me desculpe, — Gin engasgou quando a chave mudou de mãos. — Não posso me
desculpar o suficiente, e não vou culpá-la se você nunca me deixar entrar. Mas vamos... nos
próximos dois anos, vamos tentar fazer o que você quiser. Agora me diga, para que escola você
quer ir?
Amelia olhou para a chave por mais tempo. — Charlemont Country Day. Field está lá.
Conheço muitas crianças. Eu gosto de lá.
— Ok. Então, é o que eu gostaria de sugerir. Eu acho que seu tio Lane planeja enterrar seu
avô amanhã ou no dia seguinte. Sua responsável no dormitório disse que você pode fazer seus
exames aqui ou de volta na escola. O que você quer fazer?
— Umm...
— Se você decidir que quer ir à escola, eu vou levá-la após o funeral, ou podemos voar. Se
você quiser ficar em casa e fazê-los aqui, eu vou pegar suas coisas e trazê-las de volta eu mesmo.
Amelia revirou os olhos. — Você não teria ideia de como organizar minhas coisas.
— Caixas e sacos. Quão difícil isso pode ser?
— Você faria isso? Você iria todo o caminho até Connecticut e pegaria minhas coisas?
— Sim.
— Com Tio Lane, é claro...
— Não, eu faria isso sozinho. Posso descobrir. Então o que você quer fazer?

325
Amelia atravessou e sentou-se no outro sofá. Quando ela enfiou as pernas debaixo de si
mesma, ela continuou olhando a chave. — O que há no cofre?
— Eu não vou te contar. Você saberá quando for a hora.
— Eu acho que eu quero subir e fazer exames lá. Será mais fácil. E posso dizer adeus às
pessoas a todos.
— Ok. Então partiremos juntas após o funeral. Por quanto tempo você acha que os testes
serão realizados?
— Oh, Deus, como dez dias.
— Tudo bem. Eu vou voltar aqui e depois faço outra viagem para pegar você e suas coisas.
Depois disso, nós a registraremos no Charlemont Country Day para o semestre de outono.
Os olhos de Amelia se estreitaram quando ela finalmente olhou de novo. — Qual é o plano?
— Não há um. Não há nenhum plano. E também não tenho expectativas para o nosso
relacionamento. Além de garantir que você fique na escola.
A menina respirou fundo... e enfiou a pequena chave estranha no bolso do jeans. — Ok. Tudo
bem. Isso é... nosso plano.
Gin fechou os olhos em alívio... do corredor, um monte de gritos se estendiam da sala de
jogos.
— Bom, — ela sussurrou para sua filha. — Isso é bom.

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Capítulo 51

Era o jogo de pôquer mais caro que Lane já havia associado.


E John foi um jogador de pôquer, incrivelmente calmo, especialmente quando ele se instalou.
Ele era inteligente, decisivo, nunca perdeu a paciência, e cem por cento tolerante a regra.
Isso deu uma boa ideia de por que ele teve tanto sucesso em seus negócios.
No final, depois de horas de jogo, eles estavam pescoço a pescoço. Lane não cometeu
nenhum erro, mas John também não. Houve disputas sérias e flushes, três tipos, dois pares, casas
cheias... a maré rolando em uma direção antes de corrigir e mudar o curso.
Sobre a formação de testemunhas, Lizzie estava claramente exausta. E a senhorita Aurora
estava até se segurando no antebraço de Lizzie, já que as coisas pareciam não acabar.
Mas o fim veio, e aparentemente do nada.
— Meu acordo, — disse o Deus dos Grãos ao recolher as cartas de sua última mão
vencedora. — Você está pronto para mim?
— Sempre.
John tratou as cartas, e Lane olhou para o que ele conseguiu.
Ele tinha... os dois corações. E... o ás de espadas.
Ok, então, talvez ele tivesse trabalhando um flush aqui. No mínimo, ele tinha uma carta alta.
Ele colocou seu big blind. John fez o mesmo com o little blind. E então houve uma batida de
John. Lane segurou e bateu também.
Primeiro do flop foi um dez de ouros.
O segundo do flop foi o oito de ouro.
Porra.
Então o ás de ouro desembarcou, o que foi uma boa notícia. Mais ou menos.
E sim, John também gostou dessa carta, ou pelo menos pareceu, indo pelo seu aceno de
cabeça. — Ok. Eu vou…
O coração de Lane começou a bater. E sabia disso antes que o cara até dissesse as palavras.
— Estou indo com tudo.
Então ele teve um flush. Que batia um par de ases todos os dias da semana e duas vezes no
domingo. Também venceu três tipos. A única chance de Lane era um full house.
Enquanto as pessoas na sala ofegavam, Lane estava vagamente ciente de Gin e Amelia

327
entrando e encontrando assentos. Ambas pareciam surpresas, já que houve um sussurro quando as
pessoas as informaram, e então as duas pareciam chocadas quando começaram a ter a história
completa.
— Eu vou ver você, — Lane disse enquanto empurrava suas fichas para frente. — Vamos dar
a volta, e o rio e deixar Deus decidir.
— Amém.
John colocou as duas cartas para baixo, e sim, seu rei e par de ouro eram um poderoso
número dois. Em resposta, Lane compartilhou seu ás e o par de ouro.
— Não é mal, — murmurou John.
— Isso é porque você está ganhando, — Lane disse com uma piscadela.
O próximo carta foi ...
Um ás de paus.
— Oh, olhe, olhe. — John se sentou, apoiando a mão que não estava segurando as cartas
sobre a mesa. — Essa é um grande.
— Dependendo do que é o último, sim senhor.
Lane estava ciente de seu coração começar a pular atrás de seu esterno. Não havia nenhuma
razão para esconder qualquer reação de sua parte porque as apostas estavam feitas e o resultado
predeterminado neste ponto: haveria uma carta queimada, e então qualquer coisa que aconteça a
seguir seria decisivo. Fim da história, sem necessidade de tentar e enfrentar o pôquer.
E, no entanto, ele não quis deixar nem o medo nem a excitação, a superstição, nada prendê-lo
no lugar como se suas emoções pudessem derrubar a sorte de maneira ruim para ele.
Olhando para Lizzie, ele descobriu que ela estava focada nele, e não nas cartas, como talvez
estivesse esperando que ele procurasse o seu caminho. E quando ela falou, eu te amo, tudo o que ele
podia fazer era sorrir para ela e maravilha-se que, para um homem que tinha crescido com grande
riqueza... aquela mulher que ele escolheu era aquela que o lembrava repetidas vezes que o dinheiro
não importava. As posses não eram o problema. O carro que você dirigia e a casa em que vivia e as
roupas que usava... eram meros vocabulário. Não eram a verdadeira comunicação que importava,
não eram as conexões que eram importantes.
Pensou naquele momento em que ele caiu da ponte. Engraçado, ele estava preparado para o
forte impacto da água abaixo, colocando-se em si mesmo para suportar, para sobreviver, o golpe
que ele tinha convencido que poderia matá-lo.
Na realidade, a queda que era o perigoso, no entanto. Não o rio.
O rio o salvou.
Eu também te amo, ele respondeu.

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E então ele se ouviu dizer: — Próxima?
O Deus do Grão queimou uma carta...
Todos engasgaram.
O ás de copas.
— Filho de uma... — Lenghe não terminou o xingamento, como era o seu caminho.
E Lane? Ele olhou para a senhorita Aurora. A mulher não estava focada no jogo. Seus olhos
estavam fechados e sua cabeça estava para trás e seus lábios estavam se movendo.
E mais tarde, muito mais tarde... essa era a imagem que voltaria para ele, ambas as mãos
agarrando o corpo de Lizzie, todo seu corpo trancado em uma corda de devoção e oração, sua
crença em seu Deus e Salvador tão forte, Lane poderia ter jurado que sim, ela era capaz de chamar
um milagre do céu.
Ele olhou para o Rembrandt. O fato de Jesus Cristo parecer estar encarando sua mãe se sentiu
certo. — Suponho que você fica na família, — ele murmurou para a pintura.
A torcida que entrou em erupção foi alta quando ele ecoou, e Lenghe foi um cavalheiro total
sobre tudo, vindo não para um aperto de mão, mas para um abraço forte. E então, Lane estava
vagamente consciente de Mack e Jeff apressando-se para ele e sacudindo-o até que seus dentes
tremessem, e Lizzie pulando para cima e para baixo e até Gin e Amelia entrando no zumbido.
Lenghe estava, obviamente, um pouco abalado. Então, novamente, quando de repente você
deve mais de cinquenta milhões de dólares? Seu mundo ficou um pouco vacilante.
Lane sabia disso de primeira mão.
— Você sabe, — Lenghe disse quando Lane voltou, — se eu não tivesse visto isso sozinho...
— Eu também.
— E você sabe alguma coisa, você é um bom menino. Você é um lutador e você vai
conseguir. Você vai fazer tudo bem, filho.
Quando Lenghe sorriu para ele com uma consideração tão honesta, Lane realmente não sabia
como lidar com isso.
— Peguem um pouco de champanhe, — o Deus dos Grãos anunciou à multidão. — Vocês
Bradfords tem algo para comemorar!
Enquanto outra rodada de saudações, o homem sacudiu a cabeça. — Eu, por outro lado,
preciso fazer um telefonema muito difícil. Cara, eu vou dormir no sofá por... meses depois disso.
Lane riu, e então Lizzie estava em seus braços, e eles estavam se beijando.
— Chamarei Monteverdi agora, — disse Lane. — Então teremos um pouco de champanhe.
Ela inclinou o corpo para o dele. — E depois…?
— Eu vou começar a me sentir realmente, realmente cansado, e eu terei que ir para a cama,

329
— ele disse enquanto a beijava profundamente. — Com o amor da minha vida.
— Não posso esperar, — ela sussurrou contra sua boca.

330
Capítulo 52

Na manhã seguinte, Lane levou John Lenghe de volta ao aeroporto no Porsche antes do café
da manhã. Enquanto ele desacelerava no check-in e acenou para o guarda, Lenghe olhou.
— Você sabe, esse foi um jogo do inferno.
Lane pisou novamente no acelerador e levou-os para o prédio do porteiro. — Isso foi.
Realmente foi.
— Ainda não consigo acreditar. Bem, é assim que é a Senhora Sorte, e não há discussão com
isso.
Desacelerando de novo, Lane passou pelo portão aberto na cerca de corrente e depois dirigiu
para o jato de Lenghe, que estava abastecido e esperando. — Francamente, ainda não acredito. Eu
não dormi nada depois.
— Eu, também, por uma razão diferente. — Lenghe riu. — Mas pelo menos a esposa ainda
está falando comigo. Ela não está satisfeita, mas ela me ama mais do que deveria.
Lane parou o carro esporte a alguns metros do conjunto de escadas de metal que se estendiam
para fora do jato como uma língua brilhante. — Ela realmente vai fazer você dormir no sofá?
— Não. — Lenghe saiu e pegou sua pequena mala no banco traseiro quase inexistente. — A
verdade é que seus pés ficam frios e ela precisa de mim, então ela tem algo para aquecê-los.
Lane puxou o freio de mão e saiu também. Quando Lenghe chegou à grade dianteira, Lane
disse: — Eu nunca vou esquecer isso.
Lenghe bateu uma mão carnuda no ombro de Lane. — Eu quis dizer o que eu disse na noite
passada, filho. Você vai fazer bem. Não estou dizendo que não vai ser uma luta, mas você vai dar
certo em seu navio. Estou orgulhoso de você.
Lane fechou os olhos. — Você tem alguma ideia... — Ele limpou a garganta e riu
desajeitadamente. — Você sabe, eu adoraria ter meu pai me dizendo isso uma vez.
Lenghe riu, mas sua versão do som era natural e relaxada. — Por que você acha que estou
incomodando em lhe dizer? Só porque ele não falou, as palavras não significam que não sejam
verdadeiras.
Com um toque final no ombro de Lane, Lenghe virou-se. — Vejo você em breve, filho. Você
sempre pode me ligar...
— Espere, — gritou Lane. — Eu tenho algo para você. Você sabe, para lembrá-lo do jogo.

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Lenghe girou de volta com uma risada. — Se for aqueles quatro ases para emoldura? Você
pode mantê-los.
Lane sorriu e se abaixou de volta sob a alavanca do lado do motorista. — Não, aquelas cartas
são minhas.
Quando o capô do Porsche estalou, Lane passou, ergueu o painel e expôs um quadrado
embrulhado em marrom com cerca de noventa centímetros de comprimento e setenta e cinco de
largura. A coisa quase não coube dentro.
Com um grunhido, ele levantou o pacote. — Aqui.
John baixou sua maleta. — O que é isso?
Mas o homem sabia o minuto em que a pintura mudou de mãos.
Antes que Lenghe pudesse dizer qualquer coisa, Lane colocou as mãos na mão dele. — Leve
para casa para sua esposa. Deixe-a pendurar onde quer que ela queira, e toda vez que você olha para
isso, lembre-se... você é uma figura de pai para um cara que quis um toda sua vida, está bem? E
antes de me lembrar que você perdeu, vamos dizer como você comprou para sua esposa um ótimo
presente por um preço muito justo, e você e eu conseguimos jogar um jogo de cartas.
Lenghe segurou o quadro por muito tempo. Então ele limpou a garganta. — Bem. Agora.
— A documentação está aí. Na parte de trás da pintura. Não à frente.
Lenghe limpou a garganta novamente e olhou para longe. Depois de um momento, ele disse:
— Seu pai lhe disse?
— Sobre o que? E antes de você responder, ele e eu não falamos muito.
— Meu, ah... minha esposa e eu nunca pudemos ter filhos, você sabe. — Mais limpeza da
garganta. — Assim. Aí está.
Acho que foi um pouco perfeito, Lane decidiu. Um homem que não tinha filhos sendo pai de
um cara sem pais.
Sem um pensamento consciente, Lane encerrou a discussão, segurando aqueles ombros
fortes.
Quando ele deu um passo atrás, o rosto de John Lenghe estava florido de emoção, tão
vermelho que era como se ele tivesse queimado o cabelo cortando seus acres.
— Você vai sair para o oeste e ficar com a gente no Kansas, — anunciou John. — Com essa
sua linda garota. A esposa vai querer agradecer pessoalmente, e ela faz essas coisas com comida.
Então venha com fome.
— Você entendeu.
Com um aperto de mão final, o Deus dos Grãos colocou o Rembrandt debaixo de um braço e
pegou a maleta com a mão livre. Então ele subiu as escadas e desapareceu em seu avião.

332
Lane recostou-se contra o Porsche e viu através das janelas oval enquanto o sujeito sentava e
colocava o celular na orelha.
E então, com um aceno final e um grande sorriso que sugeria que “a esposa” estava sobre a
lua, o jato estava deslocando... e decolando.
Assim como o início da luz do sol piscou sua fuselagem, e Lane começou a pensar sobre o
iminente funeral de seu pai naquela tarde, o telefone tocou. Ele respondeu sem olhar. — Olá?
— Lane, é Mitch Ramsey. Vá para o Red & Black. Eles vão prender seu irmão pelo
assassinato. Rápido, rápido!

Lizzie estava voltando para a cozinha com suas roupas de trabalho quando ouviu o ronrom do
Porsche de Lane desaparecer na colina. Que noite. Que milagre.
E foi bom o que Lane decidiu fazer.
Ela encontrou o rolo de papel marrom e ajudou-o a tirar cuidadosamente a pintura da parede
e a cobrir com segurança. Então, eles tiveram a diversão de ver se ele se encaixava no espaço do
porta-malas extremamente limitado do Porsche sob o capô da frente. No final, no entanto, assim
como com o jogo de cartas, a sorte tinha estado do seu lado, e ela só podia imaginar o prazer do
homem ao levar a obra-prima para sua esposa.
Deus, ela queria conhecer a Sra. Lenghe em algum momento, ela realmente queria. Dólares
por rosquinha, como dizia o ditado, a mulher seria tão realista e tão amável quanto o bilionário.
E agora, era hora de voltar ao trabalho.
O plano para a manhã, depois de comer a ambrósia que a senhorita Aurora estaria servindo,
era ir para uma turnê de verificação no terreno e tentar encontrar algo para cortar: fazer uma
limpeza de um John Deere lá fora, no ar fresco, parecia como sua ideia do paraíso.
Afinal, o enterro de William Baldwine estava marcado para aquela tarde, e ver Lane colocar
seu pai em repouso não seria fácil.
Indo em direção a cozinha, ela disse: — Senhorita Aurora, o que está cozinhando...
Exceto que a mulher não estava no fogão. E não havia café pronto. Sem frutos. Nenhum
cheiro doce de pão de canela.
— Senhorita Aurora?
Lizzie foi mais adiante, verificando a sala de máquinas e a despensa. Mesmo puxando a
cabeça para fora da porta dos fundos para ver se o Mercedes vermelho que Lane tinha dado a
mulher ainda estava lá, e estava.
Foi tarde da noite, verdade, e seus convidados da cidade também partiram logo, mas ainda

333
havia pessoas na casa para se alimentar, e mesmo que a mulher tivesse trabalhado o quarto de julho
até uma da manhã, ela sempre fazia o café da manhã, além disso, já era oito da manhã
Isso era quase o meio do dia para a mulher.
Passando pelos aposentos privados de Senhorita Aurora, Lizzie bateu. — Você está aí,
senhorita Aurora?
Quando não houve resposta, o medo enrolou um punho em seu intestino.
Batendo mais alto, ela disse: — Senhorita Aurora...? Senhorita Aurora, se você não
responder, eu vou entrar.
Lizzie deu todas as oportunidades para que houvesse uma resposta, e quando não chegou, ela
girou a maçaneta e empurrou. — Olá?
Dando alguns passos para dentro, ela não viu nada fora do lugar. Nada além...
— Senhorita Aurora!
Correndo para o quarto, ela se agachou pela mulher, que estava esparramada no chão como
se tivesse desmaiado.
— Senhorita Aurora!

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Capítulo 53

Lane chegou ao Red & Black em tempo recorde, e quando parou ao lado dos três carros de
polícia estacionados na frente da casa do zelador, o pó e o cascalho foram lançados em todo o lugar.
Ele não sabia se ele desligou ou não o motor. E ele não se importava.
Dando passos rápidos sem igual, ele explodiu em um quadro que ele nunca esqueceria: três
policiais uniformizados estavam de pé com as costas contra a parede dos troféus, enquanto o oficial
Ramsey apareceu no canto oposto, parecendo querer bater em alguém.
E no centro da sala, o detetive Merrimack estava de pé sobre Edward, que estava sentado
naquela cadeira.
—... pelo assassinato de William Baldwine. Tudo o que você disser pode e será usado contra
você...
— Edward! — Lane correu para frente, mas Ramsey o pegou e segurou-o de volta. —
Edward, o que diabos está acontecendo!
Mesmo sabendo. Maldita seja, ele sabia.
— Você pode parar com os direitos Miranda, — Edward disse com impaciência. — Eu fiz
isso. Eu o matei. Leve-me, prenda-me, e não se incomode em me conseguir um advogado de defesa.
Hoje estou declarando culpado.
Eeeeeee, foi assim que você desviou o volume do universo inteiro: Lane literalmente ficou
surda enquanto Merrimack dizia algo mais, e Edward respondeu, e havia mais conversas...
Uma mulher loira entrou na casa da mesma maneira que Lane entrou, em pânico.
Mas, ao contrário dele, ninguém a arrastou para trás. Ela parou por conta própria e, depois de
ter a atenção de todos, ela cruzou os braços sobre o peito e ficou em silêncio.
— Edward... — Lane não estava consciente de falar. — Edward, não.
— Eu vou te dizer como eu fiz, — seu irmão disse enquanto olhava. — Então você pode ter
sua paz sobre isso. Mas depois que eu terminar de falar... Lane, você não vai me ver lá. Você
continua com sua vida. Você se casa com aquela sua boa mulher. Você cuida da família. Você não
olha para trás.
Merrimack abriu a boca e Edward calou o cara. — E você simplesmente cala a boca, ok.
Retire seu bloco. Tome notas. Ou espere que eu faça isso novamente cem vezes na delegacia, eu

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não ligo. Mas ele merece ouvir a história.
Edward voltou a focar em Lane. — Eu agi sozinho. Eles vão tentar dizer que eu tive ajuda.
Eu não tive. Você sabe o que o Pai fez comigo. Você sabe que ele me fez ser sequestrado e
torturado. — Edward indicou seu corpo. — Essas cicatrizes... essa dor... é tudo por causa dele. Ele
providenciou tudo e depois não pagou o resgate, então ele aparece com a vítima. Eu o odiei toda a
minha vida... e então isso aconteceu e... digamos que eu tive muito tempo para pensar em maneiras
de matá-lo enquanto eu estava deprimido, incapaz de dormir ou comer, porque estou arruinado.
— Edward, — Lane sussurrou.
— Eu acordei a noite em que o matei. Eu fui a nossa casa para confrontá-lo porque eu
simplesmente não podia aguentar mais. Parei nos fundos e esperei que ele saísse do centro de
negócios por ter trabalhado tarde, como de costume. Eu não pensei que eu ia matá-lo no momento,
mas então, quando eu estava saindo da picape, ele se moveu, caiu no chão e rolou sobre suas costas
como se algo estivesse errado. — O rosto de Edward assumiu uma expressão distante. — Eu me
aproximei dele e me deparei com ele. Eu conheço os sinais de um acidente vascular cerebral, os
sintomas e ele estava tendo um. Ele estava fazendo uma careta e fazendo gestos para a cabeça
dele... e então seu lado esquerdo não pareceu funcionar, seu braço e perna flutuando como se ele
não pudesse mexer com eles.
— A autópsia mostrou evidência de um acidente vascular cerebral, — o detetive declarou. —
Por causa do tumor cerebral.
Edward assentiu. — Eu o vi sofrer. Eu não tenho telefone celular, e pensei em entrar na casa
e ligar para 911, mas você sabe o que? Eu decidi não fazê-lo. Foi divertido... a forma como ele se
contorceu daquele jeito? — Edward enrolou uma de suas mãos em punho. — Foi como o que eu
faço. Quando eu realmente estou com dor e os remédios da dor ainda não fizeram efeitos... senti-me
bem em vê-lo assim. Justo. Certo. E não posso dizer-lhe quando exatamente eu cheguei à decisão de
que eu realmente iria matá-lo, acho que quando se tornou aparente que ele não iria morrer naquele
momento e ali.
Edward encolheu os ombros. — De qualquer forma, fui a picape Red & Back que eu dirigi. É
a que está estacionada atrás do celeiro B agora. As chaves estão nela, e acho que vocês, homens em
azul, vão querer levar a coisa com você. Então... sim, fui atrás e o coloque na picape. Há um
guincho ligado ao lado de fora da cabine. Havia um pouco de corda, e eu o amarrei, liguei o gancho
e o arrastei para a carroceria porque sabia que não seria forte o suficiente para levantá-lo. Então eu
dirigi até as margens do Ohio. Essa foi a parte mais difícil. Eu o tirei da picape, mas ao arrastá-lo
pelo chão? Eu machuquei o meu tornozelo, até o ponto em que alguns dias depois, ela, — Edward
disse para a loira, — teve que chamar o Dr. Qalbi para ver sobre isso.

336
Lane franziu a testa enquanto a loira parecia recuar, mas depois voltou a focar em seu irmão.
— Mas espere, — interveio Lane. — Ele caiu da ponte.
— Não, — disse Merrimack. — Ele não caiu. Ou, pelo menos, não há imagens indicando se
ele caiu ou não caiu. As câmeras de segurança que deveriam estar operacionais não estavam
naquela noite, parte de uma série de falhas que a cidade teve desde o recém-inauguração. Portanto,
não temos imagem, e dada a má condição do corpo, o tempo prolongado no rio explicaria a
extensão do dano às extremidades e ao tronco.
Edward assentiu. — Então eu o joguei no limite da água. Tivemos tanta chuva, a corrente era
forte. Encontrei uma grande vara e comecei a empurrá-lo... mas voltei para a picape, peguei uma
faca de caça e cortei o dedo. Eu queria o anel. Ele gritou quando eu fiz, então ele estava claramente
vivo, mas ele mal podia se mover para poder lutar contra mim. Então um último empurrão com a
vara e ele se foi. Eu joguei a faca depois dele, segurei o dedo e voltei. Eu a enterrei debaixo da
janela do quarto de minha mãe porque ele a tratou com desrespeito em todo o casamento, ele teve
pelo menos uma criança fora do casamento que conhecemos e ele fodia sua esposa e a deixou
grávida! Eu só... então sim, eu fiz essa coisa no canteiro de hera, e então voltei aqui. Eu vivo
sozinho, então ninguém sabia que eu tinha saído, e ninguém soube que eu também o esperava.
— Mas então o dedo foi encontrado, — disse Merrimack.
— Foi quando eu soube que eu tinha que fazer alguma coisa. Cheguei no velório e fugi para
o centro de negócios. Eu fui a sala de segurança, me inscrevi no sistema, apaguei as imagens
daquela noite e esperei para ver se vocês poderiam descobrir.
— E nós descobrimos. — Merrimack olhou em volta para os outros oficiais e assentiu. —
N