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KILDARE GONCALVES CARVALHO Professor de Diseito Constitucional na Faculdade de Direito Milton Campos Desembargador do Tsibunal de Justiga de Mioas Gerais, DIREITO CONSTITUCIONAL ‘TEORIA DO ESTADO E DA CONSITIUIGAO DIRETTO CONSTITUCIONAL, POSITIVO 14" EDICAO ~ Revista, atualizada e ampliada Belo Horizonte 00 Biblioteca Voltaire | [Prof Samuel wastes | Copyight ® 1991 tora Dal Rey ids 1993-2ead, —-2008-FFed SUMARIO Wedded 2004-10 1996 ed 2005-11 Wrst ed. Dogs read ool prea 2 2002-8 ed Nechre por ds ina pedi ser roped, sajam qual fron as mein ererogdes, mo permite, fporenae, ES, Pefreno o Bos | Pitedin Bro XXVIL Nota a 14*edicio avons oer A evden ir re Ore cna tito ‘THTULO 1—TEORIA DO ESTADO E DA CONSTITUIGAO or Acne: cada A abet Fino ees CAPITULO 1 = DIRBITO CONSTITUCIONAL wrrnvstnnsnennennumn 1 tir Aeetne i oueaceanee 1. Dieito Consttucionsl - Conecito, objeto econtetido clentfco.. 1 coardenoie Eero te Heat amen 2. Direito consttucional ~ teotia geral do estado e ciéncia politica ~ tee roe Getter ie sociologia politica e constiucional—histriaconstiveionel. 8 ei tien beet 3. Relagses do dissto contitucional com ostros ramos do diet. 16 Heelers oe 4. Metodologia do dircto constiecional. 9 2” serene 5. Foes do deo constincionle nnn 2 a ‘Herma Vichee Qearo 6, Sistemas Constitucionais... 22 es an ae ee 6:1 O sistema consttucional inglés ou beitnico. 28 See anes seit 6.2.0 sistema constitucional dos Estados Unides.. 2 Seen ‘Rénankhri Lage 6.3 O direito constitucional na América Latina. 29 meanaaeatae 635 O dliteito constitucional éa Asgeation 29 races 640 sisterna constitucional francés. 31 6.5 O sistema consticucional soviético. 33 6.6 O sistema constitucional suigo. 4 Canale, Yiare Gonashes c331 “Dato cenucona /Kldara Gorgas Colo. ~ 14, e, ete «emg 6.7 Os sistemas constitucionais da Espanha e de Portugal... 35 Belo Heros: Dl ey, 2008. is - 1382p 174 240m 6.8 0 sistema coastitucional italiano. 37 sega susie 6.9 sistema constcacional lero, 38 "Det onthe! Sa Tu 6.10 O sistema consttucional austaC0wunownnnnnnninennnannnnninne 40 coo: 38120901 { 6.11 Os sistemas conetivucionais dos Estados asisticos ¢ aftiean08 enon 40 — Saree 6.41.1 0 dieito constitucional da fn 2 6.12.0 dizeito mugulmano, 44 RBS 1007 aniatioy E2246 ete me Mera Aparecida Coste varie 15 CAPITULO PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS SUMARIO 1. Iatrodusio ~2. Acepeea do termo “pHiaelpia” —3. Pencpios esegeas eonstieaconals| = 4. Ciasiticacia doe prineipios constncionals ~ 5. Prneipios Fandamentsis do Estado brasileiro ~ 6. Republica ~ 7. Botado federal ~ 8, Esado Democritica de Diseito ~ 9. Separacio de poderes — 10, Soberanis 11, Cadania ~ 12. Dignidade da pestoa humana 713, Valores socais do trabalho eda ie inciatva ~ 14, Paralismo politico — inceresses toletivose difusos ~ 15, Objetvos fundsmeatis do Estado bruslsie ~ 16, Pinelpios da Principio da subsidiariedade ~ 18, ConsiderapSes finals. tordem internacional ~| 1. INTRODUGAO A Constituigio Federal de 1988 foi promulgada com 315 artigos, sendo 245 aa parte permanente © 70 no ato das dispasigées transitérias, superando em extenso ‘normativa as ConstituigSes brasileirs anteriores. Hssa circunstincia poderia conte. Duir para o ageavamento de conflitos ou tensdes normativas, nfo fosse a existéncia, no texto constitucional, de prinipiasfindamentais (Titulo 1), harmonizando ¢ dando coeréacia ¢ consisténcia 20 complexo normativo da Constituiglo, além de fxar as bases ¢ os fundamentos da nova ordem constitucional, Verifica-se, eatio, a indispensibilidede dos principios constitacionais na saa fungio cordenadora, no s6 porque harmonizem ¢ unificam o sistema constitucional, como tam- Dbém porque revelam 2 nova idéia de Direito (angio do justo no plano de vida € no plaao politico}, por expressazet o conjunto de valores que inspirou o constituiate na elaboea- ‘Gio da Constiuicio, orientando ainda as suss decisdes politcas fondamentais! De se norar que os principios expressam valores fundamentais adotados pela so- ciedade politica (Gungio axiolégica), vertidos no ordenamento jusidico, ¢ informam, ‘materialmence as demais normas, determiaando integralmente qual deve sera subs- tlncia © limite do ato que os executam. B, em decorséncis da sua “teferéacia a valores ou da sua relevincia oa proxi- midade axiolégica (a jastica, da idéia de direito, dos fins de uma comunidade), os T MIRANDA, Mase de als ostiaoat 2, p. 197206 S70 CONS TTUCIONAL POSTING, pptincipios tém uma fungio normagenitica © uma funcho sistimica: io os Fundamentos de regras juridicas ¢ t8m uma idomidade imadiante que lhes permite liger ou cimentar objetivamente todo o sistema constitucional”? Note-se, contudo, que antes de afforar 2 Fangio normogenétiea (que surge da ne- cessidade de densifcagio dos principios constitucionsis), ainda ligados a sua fun= do axiologiea, tém os principios fsa jundamentadors por ocupacem a mais elevada posigio hierirquiea no sistema de fortes do direto, e serem o fundamento de toda a onder juridica. Jonge Miranda enuncia as seguintes casactecstcas dos principios, assinaladas pela dovrrina 4) A sua maior sproximacio da idela de Direito ou dos valores do ordent- mento; 4) A sua amplitude, 0 seu gran de maior generalidade ou indeterminagio frente As normas-regras; 4 Assuaiesadiagio on projecgio para um mimero vasto de regras ou precei- tos, correspondentes @ hipéteses de sensivel heterogeneidade; 4) A sua vorsailidade, 4 sua suscepribilidade de conteidos algo variiveis 20 longo dos tempos ¢ das circunstfincias, com densificacGes variiveis; 9) Asua abertaen, sem pretensfo de regulamentagio exaustiva, ou em pleni- tude, de todos os casos, A) Asua expansiblidade perante situaefies ou faetos novos, sem os absorver ou nels se espoter; ®) A-sua virtalidade de harmanizagio, sem revogagaio on invalidagio reciproca? Os principios fondamentais da Constimuigio de 1988 desempenham relevante Fangio no texto Constitueional Faneko teleol6gica ow diretiva) por ovientar a ago dos Poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judicfric), demarcando scas limi- tes e sua atuagio. Fala-se, neste ponto, em Const dirignie (Gomes Canotilho)* tuma ver que, da eriagio da lei até a sua aplicaco ¢ imvegracio, deve-se abservar contetido dos prineipios fundamentals emanados da Constituigio que condicionam ¢ determinam o processo legislativo ¢ a aplicagio da lei. Dai, inclusive, colocar-se a questio da inconstiucionalidade por violagio ds principios fandamentais, ciscuns- ‘nce que acentua ainda mais a sua fora jueidica,e nfo apenas ética on valorativa “A fungio hermenéutica dos principios permite aos juizes exteair a esséncia de soma determinada disposicio legal, servindo ainda de limite protesivo conten a asbi- trariedace. A propésit, Failsom Pereica de Farias, lembrado por Walter Claudius Rothenburg, assinala que “os principios sio iteis em primeiso lugar pare circ 27 CANOTILHO. Dini nttconale eri da conti, p. 157 MIRANDA. Tread erad «de ovis, p33 + CANOTILNO. Consist tire nea dled, 1983, paiwcinos Fuvoamen ats = TRIGUEIRO. Rue Boia de Ed Plir 60/3, p15. merece PRINGiPOS FUNDAMENTAIS ed bbem como ao determine, no artigo 159, 1, 2 entrega, pels Unito, dentre 47% do produto da atrecadagio dos impostos sobre a renda e sobre produtos industzalia. dos, do percentual de 3% “pass aplicagio em programas de financiamento 20 setot pprodutivo das regides Norce, Nordeste e Centro-Oeste, aravés de suas instituigdes ‘de caniter regional, de acordo com 0s planos regionais de desenvolvimento, feando assegurada ao semi-arido do Nordeste a metade dos recursos destinados & Regil sa forma que a lei estabeleces”. Defensor ardoroso do regionalismo, o Prof. Paulo Bonavides chega 4 afirmar que a federagio no Brasil, hoje, é muito mais um problema de regides do que um proble- ma de Estados.” Eo emnineate constitucionalista Rau! Machado Horta chegon até mesmo a propor 0 xegionalismo “como nivel de poder ¢ de administragio, de forma a incorporar 208 quadros do regionalismo constitucional as regides de desenvolvi- mento econdmico, de natuceza pluriestadual; as regides metropolitanas, de ambito plurimuaicipal, nas dreas das grandes concentragées urbanas, dotadas de adminis- tracio ¢ de govern, e, finalmente, a8 regides auttnomas, de estratuca intermunici- pal, paca congregat Manicipios da mesma regiio dentro do Estado, com estatato ¢ _governo priprios™.” ‘Mas o texto de 1988 no acolheu essas idéias, prevendo as regibes art. 43} num plano meramente administrativo-financeiso, c nfo em afvel de autonomia politica ‘Anote-se que 0 Prof. Raul Machado Horta concebe o federalismo simétrico como aquele dotado de uma sistematizacio aoemativa rigorosa, envolvendo a existéncia de ‘ordenamento jaridico central, sede das normas centrais do Estado Federal, e orte- ‘nementos jutidicos parciai,zesponsivels pelas norinas federas da Unio e cas locais dos Estados-Membtos. A simetsia federativa revels homogeneidade e permanéacia 1no$ quadros do constitucionalismo eontemporineo, expressas em instrumentos, 6r- ‘ios e técnica, asim identificadas: “a composicio plural do Estado; a repactisio de competéncias entre o Governo Central ¢ 05 Governos locas, abrangendo legislacio trbotagio; a intervengio federal nos Estados-Membros, pata preservar « integri- dade terstoril, 2 ordem pabliea ¢ principios consttucionais da federagzo; 0 Poder Judicidsio dual, repartido entre « Unigo e os Estados, dsiribuido entzc Tibunais ¢ Jolzes, assegurada a existzncia de um Supremo Tribunal, paca exereer a Fungio de ‘guarda da Constituisio, aplacac dissidios de competéncias e oferecer a interpreta- clo conclasiva da Constituigio Federal; 0 poder constitinte originitio, com sede ‘na Uni; 0 poder coastitainte derivado nos Estados-Memibtos, fonte da suto-or- ganizecio e da auionomia desses olenamentos parcais; a orgunizacio bicameral do Poder Legislativo Federal, obediente ao principio da representacio do povo ma ‘Cimnara dos Deputados e da representacio dos Estados no Senado Federal ou éxgio equivalente”. 3 BONAVIDES. Conzinine ¢ Contino. 261. © HORTA. Anas do Spice Minas Gora econ, p. 304-506. Jo federalismo assiméttico é aquele entendido como forma que rompe com as linhas definidoras do federalismo simétrico, Podesé consistie em deformagies de estilo e das regras federsis, em razo do funcionamento do sistema federal. °O fede- talismo essimétrico poder, assim, localizar-se no fenémeno fatico, por deformacio de instiatos Federais, como no ato normativo, mediante a criagio de solugdes au- ‘Gnomas, oferecicas pela norm juridice”, apontendo o Prof. Ral Machado Horta algumas regras desse federalismo na ConsttuigSo de 1988, como a que introduziu o ‘Maunielpio na composiglo da Repiblica Federal no art. 1° da Constituigio; a do art 18, que, 0 enumerar as pessons juridieas que integram a organizagio politico-admi- aistrativa da Replica, qualifea a Unizo como ente suténomo, por equiparasio aos Estados, ao Distrito Federale aos Muniefpios.* Para Disco Tottecillas Ramos, a simetria, no sistema federal, “€ o nivel de conformidade ¢ do que tém em comum nas selagées de cada unidade politica separada do sistema para com o sistema como um todo ¢ para coin a3 outta uni- dades componentes”, 0 que significa a “uaifortnidade entre os Hstados-Membros dos padSes destes relacionamentos dentro do sistema federal”. Ba assimetsia “refere-se a uma situagio onde as diversidades dentro de uma sociedade maior encontra expressio politica, através dos governos componentes”** Ainda segundo ‘ste autor, virios sio os dispositivos da Constituicio de 1988 que manifestam a assimetria, reconheceado as diferencas ¢ procurando 0 equilibrio ou a diminuico sas desigualdades, como os arts. 23; 43; 45, § 1°; 151, I; 155, 1, & § 2°, VI, XI, g Ji-com relasio 2 represemtagio popular, a Constituicio estabelece, em seu art. 45, § 1%, crtétios para a composicéo da Cémara dos Deputados que acaba por pro vocar um desequilibrio que favorece os Estados mais populosos, nada obstante a paridade garantida para 0 Senado, 8. ESTADO DEMOCRATICO DE DIREITO Ao declarar que 4 Repsiblica Federation do Brasil constici-se em Estado Demo- eritieo de Direito (rt. 1°), Constituicio institucionaliza um tipo de Estado qe tem fandamentos ¢ objetivo contetos (rs. 1° 3) em torno de 8s poaios vacio da liberdade, o igualdade de direitos. Vincalado & idéia de demperaca, ttn na sua base o principio da maiora, 9 prin- cfpio da igualdade co principio da liberdade. Eneretnto, democracia é palavia ie designa nio apenas uma forma d mas deve ser entendida também como © HORTA. Dini couttconl 505-51. © RAMOS. O feeaims ani, p 62-63. © DALLARL Elmont dena god d td, p 2B pamcibos FuNOANENTAS os Como processo de netureza dialétice, « democracia “vai tompendo os contritios, as antiteses, para, a cada etapa da evoluglo, incorporar contesédo novo, enriquecido de novos valores", afitma com convicgio José Afonso da Silva, ao criticar a tese dos ~ que sustentam o elitismo democritico, procurando identificar pressupostos para a democracia, como certo amaducecimento cultural, detzeminado nivel de desenvol- ‘vimento econémico, educagio do povo € tantos cuttos requisites que acabam por fransformar a democracia em algo somente acessvel is elves Pablo Lucas Verdi entende por democracia “o regime politico que insitacionaliaa 1 partiipagio de todo 0 povo na organizacio e exercicio do poder politico, mediante 4 intercomunicacao ¢ 0 didlogo permanente entre govemnantes @ governadot, © © sespeito dos direitos ¢ liberdades fundamentais dentro de uma justa estrutura socioeconémica”# © Estado de Dirsito} expressio used pela primeira vez por Robest von Mol (Rechtsta’), aha vinculado historicamente a0 lberlisma politico e econémico, destacando Verdi os seguintes elementos: 4) primazia da lei, que regula toda 8 atividade da Estado; 4) sisvema hierirquico de normas, que ealiza a seguranga juridiea que se concretiza uma categoria distinta de normas com diferentes graus de validade; 9) legalidade da Admiaistragio, com um sistema de recursos em favor dos inteess sepsragio de Poderes como garantia da liberdade ¢ freio de possiveis abusos: 9) teconhecimento de direitos e liberdades fundamentals, incorporados 4 or- dem constitucional; A) sistema de controle da constizucionalidade das leis, como garaatia contra ceventuals abusos do Poder Legislativo.** ‘A concepedo de Estado de Direito corresponds, tinda, ao plano histérico, 4 usa contra 0 monaica, seu poder absoluto ¢ os prvilégios medievais do cleto, da nobreza © das corporacdes. © Estado de Direito, inspirado na ideologia liberal-burguesa, amplion a liberdade-autonomia, cor ‘aloe ab- -corthecimento co hameai ce soluro © centro de todas as coisas, numa concepsio no encanto formalist, pois © hhomem era visto na sua dimensia absteeta, dstente de sua concretitude histbrica Compée-se « idéia de Estado de Dircito, da limitacio do asbiteia do poder politico, i estabilidade joridica dos direitos e garantias individuais, da submissio de todos (govecnantes « goverado) ili, concretizada fo principio da legalidade (ar. 5, I, SILVA. Op a pt VERDO. Op. at, Ep. 202. © VERDO. Op i, I. 238-258 « “Yruto _ pRETO consTTUCIONAL Bosra a Constimigac), que se wade ro adigi “suporia aki que fizeste”. Os valozes fan: damentais da pessoa humana slo seconhécidos. A lei é 0 inscrumento da justiga e da seguranca. Um sistema de defesa das cidadiios contra os atos administrativos ilegais ‘propicia a responsabilidade da Administragio, eum controle da constituicionalidade prssera¢ Constuio como norma origins, epositrio dos valores bes Estado Constitacional, que evidenciam seus problemas, acentuando que se trata de ‘uma escala ligicae ao historca, e que sio os seguimus: 1. Estado delgaldade forma auto-obrigagio do Estado mediante estauigSes gerais¢ ebstrats, sancionadas por meio de procedimentos determiaados e dadas 4 publicidade;legalidade da adminis- tixgio, ererminagao da organizagio e das competéacas. 2. ita de divin matriak problemas de justia material garactas da iberdade edo aspecto social das normas joricasFormnis, é dizer, obrigago do legilador de respeiar os direitos fadamen- fais os diritos humans, e 0 princpio da proporcioaalidade, ou sea, limitagdes dha liberdade somente quando e na medida em que scjam adequadas, necesséias € Deoporciomts ao fi buscado;defesa ds coofiancs, artes soci previstasca Cons- ‘isi ademas, problemas da integragio do diets iaeepretario das leis formas conforme os cttétios de justiga, criagio do dizeto prt canta lee, questes de “calidade,)a rela entre o direco naturale o dizeito postivo, condiges para @ Tegitimidade da lepalidade. 3, Evads de glade proeouat control judicial da jusidici- dade formal c material; principios do procedianento justo (em especial, 0 dircito de se ouvido); do juiz legal eda presungio de inocéncasphualidade de instances. 4 Eslade conttucionel com dvs d Poder: garactia instisucional da independéncia pes- Soule msteral do juin visto insinacional entre o poder lgislativo eexecxtivo; 0 peincipio da reserva da lei (imitapdes da libexdade ¢ da propriedade someate com base em kis formal isa de limitagbes miruas dos poderes para obter « coope- rapio co controle a servigo das garantia da oridiciade formal e material (kt ond balonc,contolejuicial do Iegislador por meio da jusisdicio constirucional et. 5. stad onstituinalprlanentr prccrogativas do peslamento originado de eeigdes pe fiddicas, em especial oditelto de legislar ea priocidade da lel parlamentas; o ditto Ge dim o pressuposin, assim Goto tambéin 0 controle e, eventualmente, 2 eleigio do foverno, Tratse de uma scqiéncia Wgica no sentido de que toda gradasio su- petior inl a inferores, se bem que cio em forma necessiiae sem excegoes, 20 ‘menos, em gem. O conctito de Estado constiicional paslamentar 0 mais amplo, aque abrange todas as demas gredaghes do conceit de Estado de dirt.” O listado de Direioconctito politico que servis historicamente so liberalism, ‘vem-se transformando hoje em dia em legalism, onde nem sempre 0 cumpti- ‘mento da ei refit a Justga, desce que» mulkiplicdace ea nstabildade das leis vem. © KERIELE, Inch etre dl tds — fandnmenros bseésios den legiimiad del estado epastnucional democtitcn, p. 139-14. PRINCIPIOS FUNOAMENTAS, ea ‘comprometendo a justiga, Como acentua Manoel Gongalves Ferreira Filho, “esde ‘instante em que ¢ aprovada, antes mesmo cla promulgario, jé Ihe reclamam a revo- gagio, Alteram-se, entio, com as vatingdes do sistema de Forgas politics, leis sobre mesma matéri, dispondo uma o oposto da outta (de ebia edigéo pouco tempo de- corret}- Q.que era proibico torna-se permitido, para, logo mais, volta a ser proibido, depois, vols a ser permitido. O Leite o lito assim Aucuam, = quesem curvar-se i" ni ‘Alei; muitas vezes, representa uma resposta pontual, t6picac possfvel para ques- to conereta,e€ fruto de compromisios entre setores de interesses antagénicos, nem sempre relaco om a intencio de atender 0 interesse coletvo. Devesiors-se sinda © Estado de Diseto pelo formalismo. Silvio Drobowolsi ct tando Bordeas, efitma que, depois da conquista ds iberdade, iniciou-e a fise da exploricio da liberdade, O Estado de Diteito, por se vincular historicamente ao liberalism econémico, permit quase que um absolutismo da vontade privada, re- ‘etids na propriedade privada, no contrato ¢ a livre empresa. Assim, 6 como processo dinimico, & que propiciasi « realizagio dos objetivos presentes no “"Note-se ainda que o Estado de Dieito s6 € de diteito se for democritico. O.Es- _tado de Direito & aquele que 56 pode ser visto i luz do principio democritico, que Tegitima 6 dominio piiblico e o exercicia do poder. ‘A seu turno, o Estado Democritico, de Direito também 6 pode ser entendido 1a perspectiva de Estado de Dircito. Assim, como s6 existe um Bistado de, Dissito Democritico, também 6 existe um Estado Demoeritico de Dire eujos elementos ado de Digeito e a democracia como bjetos de disciplinas jerabieado por Marcelo Catena, acencua que, da ponto de vis- ta emplrico, bd ondens jasidicas em que 0 exércicio do poder politico nZo se dé sob 1 forma do Estado de Diceto, assim como ha Estados de Ditsito em que o poder politico nde se exerce damocraticamente. De qualquer modo, isso ato significa que ‘possa haver da ponto de vista notiativo Estado de Diseto sem democracig.” (© Estado Democritico de Diccto, em seu aspecto substancial, se acha vinculado um determinado regime. Nostras palavzas, 0 Estado Democritico de Diseito € axel democeatiamente lez pea ava formasioe pla seu contekdo Deve ele ser examinado e entendido em torno de questies acerca de pandigmas ge diseito, entendidos como “vis6es exemplares de ume comunidade juridiea gue FERREIRA FILHO. Esai deat oust, p48. © CATYONI DB OLIVBIRA. Coesio inrerea eate exado de dieto e democraca na ror Alscnnve do direto de Jngen Habermas ln Jie boasts coustconalp T7273, es oH WRETTO CONETTYCIONAL POETING considers como o mesmo ssteina de diritos © prinipios constinacionais podem ser realizados no contexto pertebido de uma dada cOtiedade, Umi paradigria de diceito delinea um modelo de sociedad contemporinea para explicar como direitos e prin cipiosconstinicionsis deve se concebdose implementados para que cimpramn ‘naquele dado contexto as fungdes normativamente atribuidas a eles”. A Constituigéo, portanto, quando menciona a expressio Estado Democritico de Ditto opta por confoxnar as estruturas do poder politico segundo a medida do iri, isto 6, reptas, formas, que excliem o arblro © a prepoténcia © que vem araciracftiragio dos dete fandamentais do homer, coma su antonomia pe- tante os poderes pblicos. Reconhece o texto constitucional que o Estado de Dieit> 46 se tealina quando democsaticamente legitimado, da mesma forma que o Estado Democritco tem a sua organizagio e 0 sex fancionamento assentados no ditito © ao oa prepoténcia. ‘A propésito, observa José A fonso da Silva que o “democritico qualifica o Estado, o que iradia 0s valores da democracia sobre todos os elementos consttutivos do Estado, pois, sobre a orem juice, A democracia due o Estado de Dist raliza Ji de ser um procesto de convivéaia social numa sociedade livre, juts e solidcia (art. 3%, TID, em que o poder emana do poro, que deve ser exercido em proveito do povo, detente ov por sus sepetentantes ees (at. 1" panigrafo Snes), Biattcpativay porque envolve a pariipagio crescent do pove no process declsS- 16 « aa formasio dos atos de governo; pluralist} porque respeita a plaralidade de idéias,coturnise étnias, epressupde assim o dilogo entre opinidese pensamentos divergenes ea possibilidae de convivénca de formas de organiacHo einteresses diferentes da sociedad; ha de ser um processo de liberacio da pessoa humana das formas de opressio que nio depeade apenas do reconhecimento formal de cetos direitos indviduas,pohicos e sciai, mas especialmente da vigéncia de condigbes ‘econémicas suscetiveis de favorecer 0 se seu pleno exercicio”.” Ja CGanceilte)opbc oll iada debe, Dissis) a0 Fatadp de Ditcito, Skindo thes és cainctelics extencns, Pia el, o primeiro “é um Estado que decreta lel ache sas, eri ou desumanas;& um Estado em que o Dire se idetifia com a ‘tazio do Estado importa eilominnda por ‘chefes;€ umn Estado pautado por ical injus ta edesigaldae na aplnaio do dieio Jo Estado de Diep, que se a8igus como um Estado constitueional, um Estado democtitico, um Estado ambien: 6 dizer, comprometido com a sustenabilidade ambiental, “esté suet 20 direits ataa através do dieito, psitiva normasjardicas informadas pela idéin de ditt” Assinala ainda Canotilio que “o Estado de Direito transporta principio ¢ valores rates para unit OEE hurmana de justiga ede paz, Sto eles: ibeedade do indi vido segoranga individual ecoletiva, a responsabilizagio dos titalares do poder, 5 HABERMAS. Buse fs ond som, p. 194-185, SILVA. Car de it smtitacionl at, p. 105306, a igualdade de todos 0s cidadios e proibicio de discriminapio de individuos e de [prupes. Para tornar efetivos estes prinepios e estes valores, o Estado de Direito ci- rece de instituigdes, de procedimentos de agio e de formas de sevelacio dos poderes © competéacias que permitam fax de um poder democeitico) de ussa soberania po- polar, de uma sepresencacio politica, de uma separasio de poderes, de fins crarefis Go Betado”* ‘Nessa perspectva, o Fstado Democritico de Digeito é um Estado de: 4. supremacia da Coasiewieo; 2. legalidade; 3. direitos fundamentaiss 4. sepa 5. publicidades 6. sistema hiewixquico de normas, que realiza a segusancajusidica, mediante cxtegorias distintas de leis de diferentes nives, como se extai do att 59 da _Constiaiggo, que tua da proceso legislative 7 1. sesponsabilizagio da administragio pablica, dos detentoses do poder e da legalidace da adminiseracio, Afiguram-se, ademais, como subprineipios do Estado Demoeritico de Diteito 1. garantia do acesto& Jusica¢independéocia dos Tebuaais; 2. garantia das selagesjusidicas (a> juidico perteito, diteito adquirido ¢ coisa lade); 3, garantias processuais especialmente de ealizagio de urn dieito justo: am- _Hedelen cong de poderes; absense chlataai dpe eta ir peascalnmana, pe ralcerseciands caballo ¢ da live iniciativa,o plutalismo politico. E, segundo o art, 3° do texto constitu ional, sio objetivos fundamentais da Repiblica Federativa do Brasil a construgio de uma sociedade livre, justae solidria, o desenvolvimento nacional, a reducio dss desigualdades socinise regionals, a promocio do bem estar cormum sem preconceito de origeon, raga, sexo, idade oa qualquer outra forma de discriminacZo, Desse modo, o simples enunciado dos fundamentos e dos objetivos é suficiente para se concluir ‘que 0 constituinte colocou, nos trés primeiros artigos da Constituicio o seu projeto de sociedade, cuja construsio se antevé. esse modo, no dmbito do\Estado Democritico de Diseto bs paradigmas tradi ionais so superados plas aovas ExigeHtias detorrentes das (rans ormacGcs sociais } © pela necessidade de se concretizarem as premissas deljutiga social) 3 CANOTILAO, Brae de dita Lisbon: Grad, 1998, p, 12-21 0 iry.o norms consriTucioNAL poseTVE (O'Bstado Democeitico de Dirtito traduz, segundo Glauco Barreira Magalhies Filho, férmula que estabelece a ideologia politica que da unidade a Constituigio, ¢ Fanciona como critério objetivo de harmonizacio dos principios constitucionss, conn “0 Estado Democritico de Direito & aguele que se estrutura através de ¢ phusalista, bem como o que garante inclusive dos direitos sociais, através de insiramentos aproptiados confetidos 10s cidadios, sempre weido em vista a dig- ‘dade humana, ‘As bases do Estaclo Democritico de Direto sfo a soberania do povo; expressa a sanifestagio da vontade popular, e a dignidade humana, consagrads na enunciagio os diteitos fundamentais. Bm razio desse segundo plas, evidencia-se uma amplia- sdndo conceito de democracia a qual rer que realizar-se ilo apenas no plano poli co, mas também nas dimensées econdémice, social e cultural. Na esfera econdmica, 0 trabalhador, parte mais fraca nas telagdes laborzs, deve ser protegido juridicamente para que gio seja explorado por aquele que dispde de vantagem econémica, isto é, pelo empregador. Na perspec al, exige-sc justia social, sendo esta no ape- ‘nas a justiga distributiva que estabelece que cada um deve receber de acondo com os sens méritos on capacidades, mas também aquela que prociama que deve ser dado a cada um segundo as suas necessidades, ou seja, as necessidades humanas prinordias _dever ser atendidas. Finalmente, no plano cultusal, exige-se que a todos seja ase- “purada a educagio. Assim, a estrutuea democritica da sociedade consiste no clima socinecontimico favorével a vivéncia concreta dos direitos fundanmentas.”® 9. SEPARACAO DE PODERES © princtpio da separagio de Poderes, embora concebido na Antigidade por Aris- tdteles, teve sua formulacio tedrica com Locke ¢ Montesquieu. Locke mencionev 0 Poder Federativo, que tratava do que dissesse respeito as relagdes exteriores do Estado, 0 Poder Legislativo e o Poder Jndiciério, aludindo ainda a um quarto Po- der, 2 Prertogativa, de competéncia do principe, para a promosio do bem comum. ro e280 de omisso ou lncuna da lei. O principio serviu historcamente para limitae © poder absoluto dos monarcas (Século XVII) ¢ de fisndamento para o liberalismo cmergente. Por isso mesmo € que distingue Montesquieu trés Poderes do Estado: 0 Poder Legislativo, o Poder Executivo (poder excentivo das coisas que dependem do direito das gentes) ¢ o Poder Jdicidsio (poder exccutivo das coisas que dependem do dieico civi), correspondendo 4 cada um desses Poderes uma funcio do Bstedo. © itor de O sspinio as fs exclarece, entio, que a lbetdade do homem estaria em pperigo caso se concentrassem numa #6 pessoa os trés Poderes antes refetidos, pois s-experiéncia mostra que toclo homem que detém o poder tende a abusar dele. Mas, como os Poderes sio dinimicos e nfo estéticos quanto 20 seu exercicio, € preciso 3 MAGALHABS FILHO. Hormenintiea «mide ovina de mai 108-104, PRINCIIOS FINDAMENTAS os concebé-los como harménicos e interdepencientes, Dai a formulagio da técnica dos frcios e contrapesos (hicks and balen), comecada por Montesquieu e desenvolvida pot Bolingbroke, na Inglaterra, durante o século XVII. José Afonso da Silva fandamensa principio da divisdo dos Poderes em dois clementos: 9) especializasio funcional, attibuindo a cada éxgio o exerccio de uma fsn- fo (ao Congresso cabe a funcio legisatva, a0 Presidente da Repiblica 2 Funcio exceutiva eco Jadiciiio a fangio jursdicional) 4} independéncia orginica, indicando a nio-subordinagio de um érgio # qualquer outro. A Constitnicfo de 1988, a0 consagear no artigo 2° o principio da sepasacio de Poderes, os declara independentes e harménicos, Embora nilo tenba 0 texto re produzido cléusola constante da Constituicko anterior, vedando a indelegabilidade de atribuigdes, ela continua existindo pela nogao mesina do principio. Assinale-s, contuelo, que essa independéncia nio 6 absoluta, pois a propria Constituigio prevé expressamente a atsibuigio de fungoes atipicas 20s trés Poderes do Estado. Citem- se, como exemplos, a compettncia do Executivo para expedir medidas provisos, Iniciar o processo legislativo e velar projetos dele, como atos de natuscza legisativa; a competéacia do Legislativo para julgar o Presidente da Repiiblica por crime de responsabilidade (Fancio jurisdicional), aprovar a indicacio de determinadas tial res de cargos péblicos Gungio executiva) ea competéncia do Judiciio para iniciar © processo legislativo referentemente a determinadas matésias (fungio legislativa) ce nomear os magiserados de carreira Fangio executiva). Mas tais fungies axipicas tém sempre em vista a nogio de fieins e contrapesos: essim, as medias provisGrias baixadas pelo Presidente da Repiblica deverio, paca se converterem em ki set apro- vvadas pelo Congresso Nacional, que poderi também rejeitar o veto presidencial a projeto de lei, pelo voto da maioria dos Deputados e Senadores, em escrutinio secre- 10 art. 66, § 4%); a0 Poder Judicfrio nio cabe elaborar as leis, pode declarar a sua inconsttucionalidade, compeasando-se, neste caso, a fala dessa prerropativa, Pode-se concluir no sentido de que o principio da separacao de Poderes, tio e210 40s liberais, se acha em procesto de iereversivel transformagio: o Estado contem- pporinea no aceita mais a tigidez da separagio de Poderes. Sem negar 0 principio, cumpre, no entanto, aualizg-lo de modo a compatibilizara eficiéncia do Estado com ‘a preservariio das liberdades constitucionsis 10, SOBERANIA, Soberania, palavra que tem sua origem em sper oon, sxperanus ow suprenitas indica co poder de mando de iltima instincia numa sociedade politicamente organizada. No STEVA. Op a, p96 os2 ‘ruto paso cONSTITUGONAL PosTO plano interno, consiste na suprémacia on superioridade do Estado sobre as demais ‘organizagSes, ¢, no externo, quer dizer independéncia do Estado em relagio aos ddemais Estados. Acconcep¢io de soberania surgiu no século XVI para ustificaro Estado absolutis- ta, entio emergente, com eliminagio dos poderes intermeditios dos senbores feu- dais. O Estado moderno nascen soberano, chegando-se até mesmo a falar que 4 80- berania constinuia taco essencial do Estado. O surgimento do Estado Federal criou, 1 entanto, 0 Estado no soberano dosado apenas de autonomia. Além do Estado Federal, o aprimoramento da teoria da separagio de Poderes ¢ a consolidagio dos dizeitos fundamentais do homem, que provociram a rupeura do Estado absoluto, cempolgsram 0 conceito de soberania com o fracionamento do poder absoluto, que ppassou assim o softer limitagdes, A erie da nocio de soberania temn-se ageavado n0 ‘mundo contemporineo, havendo, inclasive, quem sustente que vivemos 0 ocaso da soberania, em razio, sobretado, da superacio do Estado nacional por outras formas ee convivéncia social, Por isso mesmo é que Pablo Lucas Vere, examinando a ques to, acentua que “s crise do Estado nacional soberano exige a eriagio e consolidagio de estruturas e instieaigdes supranacionais de diversos tipos: econdmico, militar, ccaltural (.), de modo que 2 questio da soberania se redimensione principalmente-no plano das relagdes exterires”® 11. CIDADANIA, A cidadania constitui outro fundamento do Estado Demoeritico de Direito (art 1, I) “Se nasonaidade€ a sujeigio, por nascimento ou por edogio, do individo a0 Estado, para gozo e exerciio dos direitos politicos, cdadania € a habiltagio do aa- ‘ional para o exercicio dos direitos politicos", esclarece José Cretela.* Cidadania constitu, portant, staterdo nacional pasa o exercicio dos dixitos pol- ticos. No ambito dos direitos politicos € conceito aplicivel apenas is pessoas fiscas que podem wotar e ser votadas, enquaato que nacionalidade se aplica também a coisas (navios e aeronaves). © texto constitucional em vigor ampliou os mecanismos de participagio popular ‘no processo politico, redimensionando assim a cidadania: I~ artigo 5°, LXXVIL, que diz serem gratuits as ages de habeas couse babear deta c, na Forma da le, os atos necessitios 20 exexeicio da cidadania; TI artigo 14, que afiema que a soberania popular seré exercida pelo suftigio universal ¢ pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante plebiscito, ceferendo ¢ iniciativa populas; 5” VERDE Op a, 1, p. 132, 4 CRETELLAJUNIOR, Op. itp. 138 Preinios FUNOAMENTANS a TIT artigo 14, I, 4 que institui o alistamento e 0 voto facultative pata os maiores de dezesseis e menores de 18 anos, notando-se que, além da Constituiglo brasileira, 2 Gnica no mundo, em vigor, que prevé 0 voto do maior de 16 anos é « Constituigio da Repiblica da Nicarégua, de 19 de novembra de 1986, e publicada a9 de janeiro de 1987; IV= artigo 37, I, que assegura 0 acesso a cargos, empregos e fungdes pt bilicas; V— artigo $°, LXXIIL, que preve legitimidade 2o cidadio para a propositura de aco popular que vise anular ato lesiva a0 patriménio pablico ou de contidade de que o Estado pasticipe, a moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patziménio histérico e cultural, Observe-se ainda qué, por expressa determinagio da Constituiclo, matéria referente 2 cidadania nil pode ser objeto de delegacio legisativa ao Presidente da Repiblica (act, 68, § 1%, 1D. A Constituicio considera, desta forma, o estigio atual de evoluelo da vida dos po- ‘vos, para admitie que a idéia de cidadania no se acha restrza a0 cidado eleitor, mas se ‘projeta em virios insteumeatos juridico-politicos imprescindiveis para viabili-ts. A cidadania significa, nessa perspectiva, patticipagio no Estado Demoetitico de Dist. Deve-se destacat, ainda, o parigrafo tinico do artigo 1° da Consttuicio, que prevé, so lado da representagio politica, 0 exercicio direto de poder pelo povo, reminiscéncia da democracia dizeta © que se traduz no plehiscito, referendo e iniciativa popular. A democracia participativa, no entanto, segundo entendemos, deve ser valorizada io como substitutiva da democracia indireta ou representativa, mas como técnica capaz de corrigit 08 excessos e as insuficiéneias da representacio politica, ‘Assim, as das formas de democeacia que emergem do texto constitucional nio se excluem mutuamente, mas antes se completarn.” [A despeito do impacto que a demacracis participativa possa ter, pela uilizacio dos meios eletrGnicos, sobre a vide politica, com destaque para o caniter interntivo dda internet, € preciso notar que a zapidez na transmissio de informagdes e no conhe- cimento das preferéacias populares, embora favoreca a formacio de opiniio ea par- 37 Nads obstaate, a foros usta tosia material da Constcuigto quanto’ democraca partici ties, 0 Prof. Paulo Bonavdes susteta que “s demacracia dizer do voto 90 computador ea terea o ccpiscalo da intermediagto, peculiar democeacaindizeta do voto a urn, O fataro Imminent revoga o pasado, abotndo a técnica d bloqoio, mais dif deafastas, Descortina-se tssim aidade nova da demmocracia dirt, emoeraca do século XI, democraiediveito da {uarta gees, coroand, aa lina hineria, um proceso que leva 0 povo das egies metas as do contrato social aede das conszsetesiavestidas na sobernia populac” (BONAVIDES, “Teri consi da denon paiva — pow dii oustitsonal eet mit ona brmetnie~ por ama rpg midds, p50). ose “HnuLo t= OREO ConsTTUCIONAL POSTIVE ticipagio politica, nfo significa convergéncia que afaste ocorséacia de divergéncia ‘ou colisio entre fins. Onde, portanto, hoaver divergéncia, conflto, haverd politica € necessidade de negociagio com vistas i busca de acordo ou entendimento, o que se ‘i pelas insttuigSes democriticas representativas, € dizes, nos paelamentos. 12. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. ‘A dignidade da pessoa humana, que a Consttuigio de 1988 insereve como funda- mento do Estado, significa nfo s6 um reconihecimento do valor do homem em sua imensio de libendade, como também de que.0 proprio Bstado se constréi com base nesse principio. O termo dignidade designa o respeito que merece qualquer pessoa. A dignidade da pessoa humana significa se ela, diferenternente das coisas, um ser ‘que deve ser tratado e considerado como um fim em si mesmo, eno para a obtencio de algum resultado. A dignidade da pessoa humana decorre do fato de que, por ser sacional, a pessor € capaz de viver em condigdes de autonomia e de guine-se pelas leis que ela propria ediza: todo homem tem dignidade ¢ nfo um prego, como as coi- sag, i que é marcado, pela sua prOpria natureza, como fim em si mesmo, alo sendo algo que pode servir de meio, o que limita, consegiientemente, o seu livre atbtrio, ‘consoante 0 pensamento antiano. “© conceito de dignidade humana repousa na base de todos os direitns fund: _mentais (ivi, politicos ou socials). Consagra assim a Constituicio em favor do ho- mem, um direito de resistencia. Cada individ possui uma capacidade de liberdade. Ele esti em condigées de orienear a sua prdpria vida. Ble é por si s6 depositario e responsivel do sentido de sua existéncia, Certamente, na peitica, ele suposta, como ‘qualquer um, pressbes ¢ infludacias, No entanto, nenituma autoridade tem o drcito