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INSTITUTO UNIVERSITÁRIO DA MAIA

3º ANO DA LICENCIATURA DE EDUCAÇÃO FISICA E DESPORTO

TRABALHO DE GRUPO DE ATIVIDADES SUPERVISIONADAS

Yo-Yo Intermittent Recovery Test

DOCENTES: Profª Doutora Ana Sousa


Prof. Doutor Pedro Figueiredo

Alunos:
Nuno Pereira nº 29168
Ricardo Martins nº 30616
Tiago Silva nº 30508

Castêlo da Maia, 20 de Junho de 2018


Ano letivo 2017/2018
1. Introdução

Podemos considerar tanto o basquetebol como o futebol desportos são caracterizados por
esforços intermitentes de alta intensidade. Um alto vo2max demonstra uma melhor
recuperação em exercícios intermitentes de alta intensidade (Tomlin et al., 1998 as cited
in Martínez-Lagunas, 2014) portanto é do interesse e útil tanto no basquetebol como no
futebol que os seus atletas apresentem um elevado vo2max.
Avaliações que determinem a capacidade aeróbica de atletas são de grande valia para
termos noção de como anda o aspeto físico geral dos atletas. Devemos sempre aplicar
testes que sejam específicos para as exigências do desporto a ser praticado. Um teste que
tem grande aceitação e validação para estimação do vo2max no meio científico é o yo-yo
teste de recuperação intermitente que é um teste de terreno e será sobre este teste que nos
iremos debruçar.
Existem três variações do Yo-Yo teste de recuperação intermitente: nível 1, nível 2 e teste
submáximo. O Yo-Yo nível 1 e no qual iremos aprofundar ao longo do trabalho consiste
em examinar a capacidade de um atleta realizar exercícios aeróbicos repetitivos de alta
intensidade.
Apesar dos nossos artigos se focarem em atletas e desses atletas praticarem desportos
com perfis fisiológicos relativamente parecidos, temos a particularidade de termos um
género diferente e com isso esperarmos resultados diferentes.
O primeiro artigo e que poderá ser denominado artigo nº1 daqui em diante, foi realizado
por Martinez-Lagunas et al., e tem o título de “Validity of the Yo-Yo Intermittent
Recovery Test Level 1 for Direct Measurement or Indirect Estimation of Maximal
Oxygen Uptake in Female Soccer Players” foi publicado no International Journal of
Sports Physiology and Performance em 2014. Este artigo conforme o nome indica está
relacionado com a avaliação através do Yo-Yo teste de recuperação intermitente em
atletas do sexo feminino que praticam futebol.
O segundo artigo e que poderá ser denominado artigo nº2 daqui em diante, foi realizado
por Castagna et al., e tem o título de “The Yo—Yo intermittent recovery test in basketball
players” foi publicado no Journal of Science and Medicine in Sport em 2008. Este artigo
conforme o nome indica está relacionado com a avaliação através do Yo-Yo teste de
recuperação intermitente em atletas do sexo masculino que praticam basquetebol.

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2. Métodos

2.1. Amostra
O estudo de Martinez-Lagunas et al. (2014) foi realizado com dezoito jogadoras de
futebol feminino que disputam na 2ª Liga Alemã. As dezoito atletas apresentaram uma
média de 21.5 anos, uma média de altura de 1.65m e um peso médio de 63kg. Para
participar os atletas estavam em boa saúde e livre de lesões no momento do teste.
O estudo de Castagna et al. (2008) foi realizado com vinte e dois jogadores de basquetebol
masculino que disputam a Serie C Italiana. Os vinte e dois jogadores uma média de 16.8
anos, uma média de altura de 1.81m e um peso médio de 72kg. Para participar os atletas
estavam sem lesões.

2.2. Metodologia
No estudo de Martinez-Lagunas et al. (2014), as atletas realizaram o Yo-Yo Intermittent
Recovery Test de nível 1 durante a segunda metade do temporada competitiva de futebol
feminino. Foi pedido aos jogadores para evitar grandes refeições por pelo menos 2 horas
e consumo de bebidas contendo cafeína por pelo menos 8 hora antes da sessão do teste.
Os participantes foram encorajados verbalmente para dar o seu esforço máximo durante
cada teste.
O Yo-Yo Intermittent Recovery Test foi realizado dentro de um pavilhão com piso de
com piso de madeira. Foi realizado um aquecimento de 10 minutos antes do inicio do
teste e o teste Yo-Yo Intermittent Recovery Test consistia em 2 x 20m de sprint em
velocidades com aumento progressivo e com um período de recuperação ativo de 10
segundos entre as execuções.
O teste começou a uma velocidade de 10 km/h, aumentou para 12km/h e depois para
13km/h sendo que depois era aumentada progressivamente 0,5km/h até os participantes
não conseguirem alcançar o tempo ou se sentirem incapazes de completar. Foi explicado
o protocolo do teste às atletas antes do inicio do mesmo.
No estudo de Castagna et al. (2008), os atletas realizaram o Yo-Yo Intermittent Recovery
Test de nível 1 durante a do temporada competitiva de basquetebol masculino.
O Yo-Yo Intermittent Recovery Test foi realizado dentro de um pavilhão com piso de
com piso de madeira. O teste começou a uma velocidade de 10 km/h, aumentou para
12km/h e depois para 13km/h sendo que depois era aumentada progressivamente 0,5km/h

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até os participantes não conseguirem alcançar o tempo ou se sentirem incapazes de
completar. Os atletas já se encontravam familiarizados com este teste.

3. Resultados

Vo2max
Velocidade FC máxima
Distâncias (m) (mL.kg-1.
Máxima (km/h) (batimentos/minutos)
min-1)
Artigo nº1
1678m 17.1 km/h 198 bpm 60 mL.kg-1. min-1
Basquetebol
Artigo nº2
1051m 15.2 km/h 190 bpm 49.9 mL.kg -1. min-1
Futebol

Quando olhamos para os resultados podemos observar que os atletas masculinos de


basquetebol apresentaram resultados superiores em todos os parâmetros de avaliação em
relação às atletas femininas.
No que diz respeito à distância total percorrida no teste de Yo-Yo os atletas de
basquetebol percorreram uma maior distância que as atletas de futebol, tendo sido
percorrido 1678m e 1051m, respetivamente.
Quanto à velocidade máxima que foi atingida durante o teste os atletas de basquetebol
atingiram os 17.1 km/h enquanto as atletas de futebol não foram além dos 15.2 km/h.
No que diz respeito à frequência cardíaca máxima as atletas de futebol registaram
batimentos por minuto inferiores (190) aos atletas de basquetebol (198).
O vo2max relativo dos atletas masculinos foi cerca de 60 mL.kg -1. min-1 , bastante
superior ao vo2max relativo registado das atletas femininas de futebol 49.9 mL.kg -1. min-
1
.

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4. Discussão dos Resultados

Em ambos os estudos temos a idade, o nível de atividade física e o tipo de exercício


praticado semelhantes, contudo foi comparado grupos de géneros diferentes daí
encontrarmos diferenças.
O vo2max foi baixo no artigo nº2 em que a sua amostra é do sexo feminino, o que já era
expectável uma vez que a literatura mostra que os homens apresentam um vo2max cerca
de 40-60% maior que as mulheres em termos absolutos e esses valores reduzem-se
quando comparados em termos relativos (ie ml . kg -1 . min -1) para cerca de 20-30%
(Hutchinson et al., 1990 as cited in Speechly, 1995) .
São vários os fatores que interferem na determinação do VO2max, como faixa etária,
género, genética, composição corporal, nível de atividade física e tipo de exercício
praticado (Wasserman et al., 2005).
É bem documentado que o VO2máx é uma importante variável fisiológica relacionada ao
transporte de O2 e ao metabolismo muscular, refletindo como se ajustam e interagem os
sistemas cardíaco, muscular, respiratório e vascular. Hipóteses apontam para uma
possível diferença das respostas frente ao esforço das atividades denominadas aeróbias
entre os gêneros masculino e feminino, havendo, entretanto, contradições sobre as
possíveis vantagens e desvantagens de cada gênero (Azevedo et al., 2010)
Segundo Midgley et al. (2007), o VO2máx explica a performance de endurance e
apresentam altos coeficientes de correlação para a relação com o tempo, velocidade, e
distância de corrida.
Nas distancias o grupo masculino percorreu cerca de mais 600 metros que o grupo
feminino e na velocidade máxima atingida foi registado em média mais 2km/h.
Segundo Withers et al. (2000) e uma vez que o consumo máximo de oxigénio é
comprovado como índice de performance, isto é, que existe de uma forte correlação entre
o VO2máx e o tempo ou distância de corrida e conforme visto anteriormente que o grupo
masculino apresentou um vo2max maior que o grupo feminino estas diferenças estão em
parte justificadas.

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5. Referências Bibliográficas
Castagna, C., Impellizzeri, F. M., Rampinini, E., D’Ottavio, S., & Manzi, V. (2008). The
Yo–Yo intermittent recovery test in basketball players. Journal of Science and Medicine
in Sport, 11(2), 202–208
Martínez-Lagunas, V., & Hartmann, U. (2014). Validity of the Yo-Yo Intermittent
Recovery Test Level 1 for Direct Measurement or Indirect Estimation of Maximal
Oxygen Uptake in Female Soccer Players. International Journal of Sports Physiology
and Performance, 9(5), 825–831
Withers, R., Gore, C., Gass, G. & Hahn, A. (2000). Determination of maximal oxygen
consumption (VO2 max) or maximal aerobic power. In: C. J. Gore. Physiological tests
for elite athletes. Human Kinetics, Sidney
Midgley, A.W.; McNaughton, L.R. & Jones, A. M.(2007). Training to enhance the
physiological determinants of long-distance running performance: can valid
recommendations be given to runners and coaches based on current scientific
knowledge? Journal Of Sports Medicine.; V: 37 (11):1000