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RELATÓRIO HIDROGEOLÓGICO PARA REQUISIÇÃO DE

ANUÊNCIA PARA PERFURAÇÃO DE POÇO TUBULAR

EMPREENDEDOR:
MUNICÍPIO DE IVOTI
RUA VALE DAS PALMEIRAS – COLÔNIA JAPONESA
IVOTI – RS
POÇO 1

Responsabilidade Técnica:
NEO GEO CONSULTORIA E PROJETOS AMBIENTAIS EIRELI – ME
Responsável Técnico:
FERNANDO PEREIRA
Geólogo CREA/RS 122.896-D

Ivoti – RS, Junho de 2016.


ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 2 MUNICÍPIO DE IVOTI

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO E OBJETIVO ..................................................................................................... 3


2. LOCALIZAÇÃO E DESCRIÇÃO DA ÁREA ............................................................................... 3
3. MÉTODOS.................................................................................................................................. 4
4. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA ÁREA DE ESTUDO .............................................................. 8
4.1. Meio Físico: Clima, Geologia, Geomorfologia, Recursos Hídricos e Solos ................... 8
4.1.1. Clima.............................................................................................................................. 8
4.1.2. Geologia ........................................................................................................................ 9
4.1.2.1. Geologia Regional ................................................................................................ 9
4.1.2.2. Geologia Local (vide também Anexos I e II) ..................................................... 12
4.1.3. Geomorfologia ............................................................................................................ 12
4.1.3.1. Geomorfologia Regional .................................................................................... 12
4.1.4. Recursos Hídricos ...................................................................................................... 14
4.1.4.1. Hidrologia e Hidrogeologia Regionais .............................................................. 14
4.1.4.2. Hidrologia e Hidrogeologia Locais .................................................................... 22
5. DISPONIBILIDADE HÍDRICA................................................................................................... 22
6. RISCOS DE CONTAMINAÇÃO DO AQÜÍFERO E CONCLUSÕES ......................................... 24

ÍNDICE DE FIGURAS E TABELAS


Figura 1...........................................................4 Figura 2.............................................................5
Figura 3...........................................................6 Figura 4.............................................................7
Figura 5.........................................................10 Figura 6...........................................................13
Figura 7.........................................................16 Figura 8...........................................................17
Figura 9.........................................................19 Figura 10.........................................................21
Figura 11.......................................................23 Figura 12.........................................................25

ANEXO I
Projeto geológico e construtivo do poço tubular

ANEXO II
Memorial descritivo do projeto de perfuração do poço tubular

OUTROS ANEXOS (Não numerados)

Cópia da matrícula do imóvel no Serviço de Registro de Imóveis da Comarca de Ivoti;


Projeto urbanístico do empreendimento com a sito-localização e limites da matrícula nº 5.996;
Licença de Instalação nº 004/2016 para atividade de Distrito/Loteamento Industrial/Pólo Industrial;
Certidão de cadastro de pessoa jurídica – CNPJ e pessoa física – CPF do Prefeito Municipal;
Declaração de inexistência de legislação de águas subterrâneas em Ivoti – RS;
Ficha de cadastro padrão DRH para anuência de poços tubulares;
ART nº 8588406 – Geólogo Fernando Pereira – CREA/RS 122.896-D.
Neo Geo Consultoria e Projetos Ambientais EIRELI – Estrada Afonso Strack nº 6930 – Campo Bom – RS – CPC Barrinha nº 25
CEP 93700-990 – Telefone: (51) 3597-6160 – Celular: (51) 9341-6143 E-mail: fepp@raufer.com.br
ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 3 MUNICÍPIO DE IVOTI

1. INTRODUÇÃO E OBJETIVO

O presente relatório apresenta o projeto construtivo e o resultado do levantamento técnico


acerca da hidrogeologia e geologia para verificação da viabilidade da perfuração de um poço
tubular para abastecimento humano e uso em atividades industriais que vierem a ser instaladas
no Loteamento Industrial Kaihatsu, na localidade da Colônia Japonesa, zona de expansão urbana
e industrial do Município de Ivoti, fundamentado nas informações do cadastramento do usuário em
anexo.

A captação será construída em propriedade do Município de Ivoti, a qual está situada na


Rua Albino Henrique Fritsch s/nº, Colônia Japonesa, Município de Ivoti, região da Encosta da
Serra, Estado do Rio Grande do Sul (Figuras 1 a 4). O poço a ser perfurado, segundo GPS portátil
Garmin Etrex, está georeferenciado pelo Datum SIRGAS 2000 em:

Captação UTM m E* UTM m N* Latitude –S* Longitude –W* Cota (m)

Poço 1 0.486.849 6.725.900 29º35’47.9” 51º08’08.9” 162**

*Datum SIRGAS 2000 **Cota obtida com o uso de GPS barométrico etrex 30.

Foi plotado em carta do exército escala 1:50.000, folha SH.22-V-D-VI-2 (MI-2970/2) de Novo
Hamburgo–RS (Figura 4).

A área em questão foi escolhida por oferecer melhores possibilidades de obtenção de um


poço com vazão suficiente para atender ao projeto ora proposto, mesmo que sejam necessárias
eventuais obras para instalação de reservatórios e bombas de recalque para vencer a distância e
o desnível entre a futura captação e os locais a serem abastecidos.

2. LOCALIZAÇÃO E DESCRIÇÃO DA ÁREA

O acesso ao local de estudo, a partir de Porto Alegre, é realizado pela Rodovia BR 116 no
sentido norte. Ao chegar ao acesso principal à Colônia Japonesa, em Ivoti, tomar a Rua Natal e
seguir pela mesma, fazendo uma curva acentuada a direita cerca de 150 metros adiante, e depois
tomando o rumo norte, ainda na mesma via, por quase 1 km. Entrar a esquerda, na Rua Vale das
Palmeiras, e seguir por essa via por pouco mais de 1 km até a rede de alta tensão, onde a via
projetada (Rua Albino Henrique Fritsch) para qual faz frente a área que abrigará a futura captação.

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Figura 1: Mapa rodoviário com os principais acessos ao Município de Ivoti (pontilhado laranja)
com a posição aproximada da Colônia Japonesa, demarcada pelo ponto vermelho.

3. MÉTODOS

Para encaminhar o presente relatório foram necessárias algumas etapas de campo e


laboratório, realizadas no mês de junho do presente ano e descritas abaixo:

- A vazão pretendida baseada na disponibilidade hídrica local e informações bibliográficas;

- Locação do poço baseada em estruturas geológicas marcadas em fotogramas aéreos da


região da Colônia Japonesa, em Ivoti, e conferidas através de caminhamentos na área alvo;

- Localização no entorno do local de outros poços, cursos de água, fontes de poluição, etc,
bem como da captação em detalhe da carta geográfica do exército, escala 1:50.000;

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- Execução de projeto construtivo de um poço tubular profundo (em anexo), atendendo as


normas ABNT 12.212 (Projeto de poço para captação de água subterrânea) e 12.244 (Construção
de poço para captação de água subterrânea) com a caracterização do aqüífero previsto;

- Preenchimento de ficha de cadastramento para autorização prévia padrão DRH;

- Obtenção de certidão negativa sobre legislação de águas em Ivoti e registro do imóvel.

Figura 2: Mapa territorial de Ivoti, com a área urbana, localidades e a posição do futuro poço
(ponto em vermelho), dentro da área do Município. Fonte da imagem: www.ibge.gov.br.
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MUNICÍPIO DE DOIS IRMÃOS

Limite municipal (pontilhado)


Rua Natal

Rua Sakura
Colônia Japonesa

Rua Vale das Palmeiras


MUNICÍPIO DE IVOTI Rede de alta tensão

Córrego sem nome

Matrícula 5.996
(1.790,77 m2)

Rua Monte Fuji

Rua Vale das Palmeiras

Arroio Capim

Figura 3: Imagem de satélite mostrando a propriedade (pontilhado amarelo) com a localização do


futuro poço (ponto vermelho) e a ocupação do entorno. Outros poços das proximidades em azul.
O pontilhado laranja marca o entorno de 500 metros da captação, que é ocupado por minifúndios
com atividades do setor primário, indústrias (a sudeste), áreas de cultivo e mata nativa.
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Figura 4: Localização do poço a ser perfurado (círculo em vermelho) na carta geográfica do


exército escala 1:50.000 folha Novo Hamburgo – RS. Os outros poços das proximidades estão em
azul. A vazão média dos poços da região é próxima a 15 m3/h (fonte: Siagas/CPRM).
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4. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA ÁREA DE ESTUDO

4.1. Meio Físico: Clima, Geologia, Geomorfologia, Recursos Hídricos e Solos

4.1.1. Clima

O Rio Grande do Sul encontra-se situado entre as latitudes 27º e 33º44’ S e 50º e 57º35’ W,
portanto fora da faixa intertropical. Sua posição geográfica coloca o estado na área de
deslocamento das massas de ar Polar e Tropical, o que produz uma série de perturbações, que se
traduz em precipitações pluviométricas seguidas de abaixamento da temperatura.

A região da encosta da serra do nordeste do Rio Grande do Sul, onde se situa o Município
de Ivoti, apresenta temperatura média anual da ordem de 18ºC. A umidade do ar apresenta
valores em torno da média atual de 80 % com variações mensais médias entre 75% e 85%
correspondentes aos meses de janeiro e julho. A precipitação média é típica das porções centrais
do Estado, situando-se na faixa entre 1.600 e 1.800 mm anuais. A altitude é o agente diferencial
que favorece a maior quantidade de chuvas. Enquanto as chuvas de inverno são prolongadas e
finas, as de verão são em forma de aguaceiros. Segundo José A. Moreno, as precipitações no Rio
Grande do Sul ocorrem durante o verão pela sua posição de costa (ventos alísios e úmidos) e, no
inverno, as chuvas são originadas pelo deslocamento dos anti-ciclones (Massa Polar Atlântica e
Pacífica).

A evapotranspiração real da região de Ivoti está situada entre 700 e 800 mm/ano, fazendo
com que a região central do estado sofra pouco com um eventual déficit hídrico. Segundo o
sistema Köppen, o tipo fundamental de clima da região de Ivoti é o Cf. A variedade específica de
clima é a Cfakn, isto é, clima sub-tropical úmido com invernos frios e nevoeiros freqüentes. A sigla
Cfakn significa:

C: temperatura média do mês mais frio entre 3ºC e 18ºC;

f: sem estação seca – a precipitação média do mês mais frio é de uma a três vezes superior
a do mês mais quente;

a: média do mês mais quente superior a 22ºC – verões quentes e mais de 4 meses com
temperatura superior a 10ºC;

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k: temperatura média anual inferior a 18ºC – inverno frio;

n: incidência de nevoeiros superior a 60 dias ao ano.

A ocorrência de climas do tipo Cfa está associada com todo o Estado, exceção feita ao
Planalto do nordeste, Região do Escudo Sul-Riograndense e parte do litoral.

A insolação é avaliada pelo número de horas em que os raios solares atingem a superfície
da terra. A nebulosidade no Rio Grande do Sul diminui em 43% a 50% as horas de insolação. A
insolação anual corresponde a 2303 horas, com um valor mínimo de 143 horas em junho e 254
horas em dezembro.

Considerando a média anual, predominam na região em estudo, ventos leste-sudeste, com


intensidade de 2 a 4 m/s. Os ventos mais fracos mudam freqüentemente de direção, com leve
predominância dos ventos do norte. Os mais fortes também poucos freqüentes, sopram do leste.
Durante o inverno, predominam os ventos oeste e leste. Na primavera, aumenta a freqüência dos
ventos sudoeste. O verão e o outono são caracterizados por ventos sudoeste. Em fins de março,
já se faz sentir novamente um leve predomínio do vento leste.

4.1.2. Geologia

4.1.2.1. Geologia Regional

Em termos geológicos, ocorrem rochas da Bacia do Paraná e solos de idade Terciária e


Quaternária em Ivoti (CPRM 2006, vide Figura 5). A Bacia do Paraná é representada pelo Grupo
São Bento e com exposições em várias áreas do Município de rochas das Formações Botucatu e
Serra Geral.

Os depósitos de idade Terciária e Quaternária predominam na porção central do Município,


ao longo da várzea do Arroio Feitoria que marca a divisa entre a porção norte
(predominantemente rural) e a porção sul (predominantemente urbana) de Ivoti. Além disso, estes
depósitos inconsolidados ocorrem igualmente ao longo das várzeas e das planícies dos arroios
mais caudalosos da região.

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 10 MUNICÍPIO DE IVOTI

500
480

6720

6700

Figura 5: Detalhe do Mapa Geológico Integrado (CPRM 2006) para a RMPA (Região
Metropolitana de Porto Alegre). O ponto vermelho representa o local aproximado da futura
captação em Ivoti (território traçado em laranja). Retirado e modificado de www.cprm.gov.br.
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Terciário / Quaternário

Formados basicamente por Depósitos de Leques Aluviais (TQ), constituídos por depósitos
continentais de encosta e leques aluviais constituídos por arenitos arcoseanos, conglomerados e
arenitos conglomeráticos, imaturos, fracamente consolidados, areias e argilas, com cores que
variam entre vermelho, amarelo e cinza.

Mesozóico / Jurássico-Cretáceo

Constituído por parte do Grupo São Bento, através dos derrames da Formação Serra Geral
(Ksg). A Formação Serra Geral é constituída basicamente por rochas vulcânicas básicas a
intermediárias, cinza a cinza escuras, finas a afaníticas, freqüentemente com textura amigdalóide.
Constituem derrames principalmente de basalto e diques de diabásio relacionados ao
magmatismo toleítico da Bacia do Paraná.

Triássico - Jurássiico

Neste período o Grupo São Bento é representado pela Formação Botucatu (JKb). Esta é
constituída por arenitos finos a grosseiros, róseo-avermelhados com bimodalidade granulométrica
de gradação normal (“grain fall”), lentes subordinadas com gradação inversa (“grain flow”),
estratificações cruzadas acanaladas de grande porte, características de grandes campos de
dunas. Inclui arenitos intertrapianos na fácies eólica, bem como arenitos finos a médios, róseos,
argilosos, laminados, com freqüentes intercalações de drapes de argila e estratificações plano-
paralela ou tabular tangencial na base, relacionados à fácies de interdunas.

Na parte superior encontra-se interdigitada com os derrames basálticos da Formação Serra


Geral.

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4.1.2.2. Geologia Local (vide também Anexos I e II)

A área de estudo é caracterizada pela presença de solos basicamente argilo-siltosos com


presença eventual de areia muito fina, além de níveis de saibro. A cor predominante é marrom
avermelhada e avermelhada, mas também em tons castanhos a amarelados na base,
principalmente quando o horizonte de aproxima do nível de ocorrência do saibro. Em alguns
locais, de forma isolada e mesmo no meio da vegetação, ocorrem solos pedregosos, com
afloramentos e presença de seixos e fragmentos angulosos a subarredondados dispersos na
matriz silto-argilosa. Estes solos são oriundos da lixiviação, alteração e transporte dos
empilhamentos de derrames que compõem a região.

As rochas encontradas nas imediações, inclusive a poucos metros do local da futura


perfuração, correspondem a derrames vulcânicos de composição aparentemente básica a
intermediária e coloração cinza média a escura, provavelmente se tratando de basanitos ou
andesitos. Onde tais rochas afloram é comum a presença de fraturamentos e micro falhas, porém
nenhuma falha de grandes proporções foi constatada. As amígdalas são frequentes e, localmente,
nos pontos de maior alteração das rochas, são encontradas disjunções esferoidais. Cores
amareladas e castanhas formam uma capa nos derrames, ressaltando a incipiente formação de
argilo minerais.

Essa descrição e classificação corresponde também ao mapa geológico da CPRM para a


Região Metropolitana de Porto Alegre (Figura 5).

4.1.3. Geomorfologia

4.1.3.1. Geomorfologia Regional

De acordo com Hausman (1995) o Município de Ivoti está enquadrado na Província


Geomorfológica denominada de Basáltica e na Sub-Província Geomorfológica da Borda do
Planalto (Figura 6). Está situada entre a Depressão Periférica, por um lado e o Planalto por outro,
formando uma zona profundamente reesculturada, com interflúvios estreitos e apresentando vales
em canyon com altitudes decrescentes de norte para sul.

É uma das áreas do Estado com afloramento dos derrames de rochas efusivas da
Formação Serra Geral e ocorrência comum de morros testemunho dos arenitos da base. Com

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relação à topografia, nessa região predomina o relevo onde os basaltos apresentam-se


profundamente recortados, mas do ponto de vista geológico apresentam composição semelhante
às rochas do Planalto. À medida que se avança para norte e, conseqüentemente para cotas mais
altas do topo e talvegue, os recortes erosivos tornam-se mais profundos possibilitando a
exposição de fraturas. O perfil é geralmente escalonado, onde os terraços, que coincidem com as
juntas horizontais, são limitados por escarpas que coincidem com as juntas verticais. Nestes
patamares é normal a formação de depósitos de tálus, os quais muitas vezes mascaram a maior
declividade natural do relevo escarpado.

A vegetação costuma ser densa nas áreas altas, porém limitada ao grau de declividade do
terreno, desenvolvendo-se pouco nos paredões íngremes característicos da Formação Serra
Geral. Junto aos vales dos rios e arroios mais caudalosos, a vegetação igualmente é abundante,
apesar do caráter pedregoso do solo nestas planícies. Os solos possuem profundidade variável,
desde vários metros até poucos milímetros de espessura. São comuns os locais onde as rochas
são aflorantes em superfície.

Figura 6: Províncias Geomorfológicas do Rio Grande do Sul, conforme Hausman (1995). O ponto
em vermelho localiza, de forma aproximada, o Município de Ivoti.

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4.1.3.2. Geomorfologia Local

Em termos geomorfológicos a área é constituída pela porção média inferior de um morro


testemunho, que faz parte do sistema de elevações remanescentes da Borda Erodida do Planalto,
e que se estende, na região, desde o território de Ivoti seguindo para leste até o Vale do
Paranhana, nas proximidades de Igrejinha. Os limitadores naturais dos contrafortes da Serra
Geral são os cursos de água mais expressivos, como o Rio dos Sinos, o Rio Cadeia, o Rio
Paranhana e o Arroio Feitoria.

Os morros testemunho e outras elevações remanescentes são constituídos basicamente


pelo empilhamento dos sedimentos que constituem o pacote rochoso da Bacia do Paraná e pela
sequência de derrames que sucederam e, na maior parte dos casos, cobriram os mesmos. O
relevo muitas vezes apresenta-se acidentado, em parte escalonado, fruto da dissecação da
superfície por processos erosivos associados com sistemas estruturais de caráter regional e/ou
local. No local de estudo, a superfície do terreno é ondulada, com cotas entre 120 e 170 metros.
As cotas de entorno variam de pouco menos de 30 metros (nas proximidades com a calha do
Arroio Feitoria) chegando a no máximo 170 metros em um raio de até 1 km da futura captação.

Em termos geomorfológicos a área de estudo está inserida na Sub-Província da Borda


Erodida do Planalto do estado do Rio Grande do Sul.

4.1.4. Recursos Hídricos

4.1.4.1. Hidrologia e Hidrogeologia Regionais

II.I. Águas superficiais

II.I. Águas superficiais

O mais significativo recurso hídrico que drena o Município de Ivoti é o Arroio Feitoria, o qual
cruza a porção centro-norte do território de Ivoti (Figura 2). O Arroio Feitoria tem seu curso com
sentido preferencial de leste para oeste (bastante condicionado estruturalmente) até encontrar o
Rio Cadeia pouco depois da parte central do Município de Lindolfo Collor. O Rio Cadeia segue
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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 15 MUNICÍPIO DE IVOTI

então no rumo sudoeste até encontrar o Rio Caí, nas proximidades da área urbana de São
Sebastião do Caí. Entretanto, na porção sudeste do território de Ivoti, o controle estrutural e os
divisores de águas direcionam os mananciais para as sub bacias do Arroio Estância Velha ou
Preto. O Arroio Estância Velha cruza a zona urbana de Estância Velha onde encontra o Arroio
Portão, que por sua vez segue no rumo sul por pouco mais de 20 km até encontrar o Rio dos
Sinos, nas proximidades da zona urbana de São Leopoldo. Já o Arroio Preto também segue no
rumo preferencial sul, passando por boa parte da zona urbana central de Novo Hamburgo, até
encontrar, pouco mais de 15 km de sua nascente, o Rio dos Sinos, nas proximidades do limite
municipal entre Novo Hamburgo e São Leopoldo.

Além de sua função natural, a água dos principais cursos hídricos da região é utilizada como
fonte de abastecimento, de irrigação e via de transporte. A área em estudo, no contexto de Bacias
Hidrográficas, está inserida na Bacia Hidrográfica do Sinos e faz parte da Região Hidrográfica do
Guaíba. Entretanto, devido a proximidade do divisor de águas, a Bacia do Rio Caí também será
descrita.

A Bacia do Rio dos Sinos (Figura 7), com uma área de aproximadamente 4.328 Km², está
situada na Encosta Inferior da região Nordeste do Estado. Seu rio principal, o Sinos, possui 180
km de extensão e suas nascentes estão localizadas no Município de Caraá, numa altitude de 900
m acima do nível do mar. Os principais afluentes da margem direira são os Rios Rolante, da Ilha e
Paranhana e os arroios Pedra Branca, Sertão, Tucanos, Funil, Água Branca, Grande, Sapiranga,
Campo Bom, Schmidt, São José, Preto, Portão, Boa Vista, da Estância e Caju. Na margem
esquerda os afluentes principais são os arroios da Boco, Caraá, do Carvalho, Guarda, Pé de
Galinha, Morro Negro, Guari, Peão, Palmeira, Joaquim e Sapucaia.

A configuração do Rio dos Sinos mostra-se praticamente unilateral. Os principais afluentes


deságuam em sua margem direita e são originados em nascentes nas cotas altas das abruptas
escarpas da Serra Geral. Esses afluentes exercem uma importante influência na vazão do Rio dos
Sinos, em função das elevadas precipitações que normalmente ocorrem em suas cabeceiras
associadas com o relevo íngreme que confere grande energia as correntes de água. Os afluentes
da margem esquerda possuem declividades mais reduzidas, sendo que a jusante de Taquara o
Rio dos Sinos adquire meandros, característica típica de rios de baixa energia.

A Bacia do Rio Caí (Figura 8), com uma área de aproximadamente 5.027 Km², está situada
na Encosta Superior e Encosta Inferior do Nordeste do estado. O Rio Caí possui 264 km de
extensão e suas nascentes estão localizadas em São Francisco de Paula, cerca de 800 m acima
do nível do mar.

Os principais afluentes da margem direira são os arroios Lava-Pés, Juá, Macaco, Piaí, Belo,
do Ouro, Pinhal, Forromeco, Salvador, Maratá, Pimenta e Paulista. Na margem esquerda os
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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 16 MUNICÍPIO DE IVOTI

afluentes principais são os arroios Forqueta, Caracol, Mineiro e o Rio Cadeia.

A Bacia do Rio Caí (Figura 8), com uma área de aproximadamente 5.027 Km², está situada
na Encosta Superior e Encosta Inferior do Nordeste do estado. O Rio Caí possui 264 km de
extensão e suas nascentes estão localizadas em São Francisco de Paula, cerca de 800 m acima
do nível do mar.

Figura 7: Mapa de regiões e bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul. A sub bacia do Arroio
Preto (retângulo vermelho) pertence a Bacia do Rio dos Sinos (G020). Fonte: www.sema.rs.gov.br.

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 17 MUNICÍPIO DE IVOTI

Figura 8: Mapa de regiões e bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul. A sub bacia do Arroio
Feitoria (retângulo vermelho) pertence a Bacia do Rio Caí (G030). Fonte: www.sema.rs.gov.br.

Os principais afluentes da margem direira são os arroios Lava-Pés, Juá, Macaco, Piaí, Belo,
do Ouro, Pinhal, Forromeco, Salvador, Maratá, Pimenta e Paulista. Na margem esquerda os
afluentes principais são os arroios Forqueta, Caracol, Mineiro e o Rio Cadeia.

A configuração do Rio Caí mostra-se praticamente unilateral. Os principais afluentes


deságuam em sua margem direita e são originados das abruptas escarpas da Serra Geral. Esses
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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 18 MUNICÍPIO DE IVOTI

afluentes exercem uma importante influência na vazão do Rio Caí, em função das elevadas
precipitações que normalmente ocorrem em suas cabeceiras associadas com o relevo íngreme
que confere grande energia as correntes de água. Os afluentes da margem esquerda possuem
declividades mais reduzidas, sendo que a jusante de Feliz o Rio Caí adquire meandros,
característica típica de rios de baixa energia.

Pode-se dividir o Rio Caí em três trechos com características distintas:

Curso superior: das nascentes até a Foz do Rio Piaí, trata-se do trecho com maior
declividade (entre 0,15% e 3,5%) na região nordeste da bacia, caracterizada pelo planalto e
encosta do planalto. O leito do Rio Caí é nesta altura reduzido a uma calha estreita, com margens
íngremes. Os afluentes têm suas nascentes em cotas que podem ultrapassar os 800 metros,
sendo normal a formação de cascatas;

Curso médio: da foz do Rio Piaí até São Sebastião do Caí. Essa é a zona central e nordeste
da bacia, havendo alternância de trechos com corredeiras e trechos com escoamento lento;

Curso inferior: de São Sebastião do Caí até a foz. Essa é a parte mais plana do rio e da
bacia, onde o rio apresenta maior vazão mas, como percorre área plana, adquire menor
velocidade, podendo haver refluxo principalmente em épocas de estiagem.

II.II. Águas subterrâneas

Hidroestratifigraficamente, segundo Machado (2005), predominam na região de Ivoti (Figura


9) o Sistema Aqüífero Serra Geral II (sg2) e o Sistema Aqüífero Botucatu/Pirambóia (bp). O
primeiro recobre o segundo em praticamente toda a área do Município, exceção feita à calha do
Arroio Feitoria, onde o Botucatu/Pirambóia é aflorante.

O autor subdividiu os sistemas de acordo com a potencialidade para água subterrânea e


atributos físicos e químicos das rochas:

Aqüíferos com média a baixa possibilidade para águas subterrâneas em rochas e


sedimentos com porosidade intergranular

 O Sistema Aqüífero Botucatu/Pirambóia localiza-se quase integralmente de Taquari


até Santo Antônio da Patrulha. É composto por arenitos médios, róseos, endurecidos em
afloramentos e com condições topo-estruturais em geral desfavoráveis para armazenamento de
águas. Os arenitos finos a muito finos e avermelhados são muito argilosos. A capacidade
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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 19 MUNICÍPIO DE IVOTI

específica deste sistema aqüífero é baixa, com valores que raramente ultrapassam 0,5 m 3/h/m. As
salinidades geralmente são inferiores a 250 mg/l.

Aqüíferos com média a baixa possibilidade para águas subterrâneas em rochas com
porosidade por fraturas

 O Sistema Aqüífero Serra Geral II ocupa a parte oeste do Estado, os limites das
rochas vulcânicas com o Rio Uruguai e as rochas gonduânicas além da extensa área nordeste do
planalto associada com os derrames da Unidade Hidroestratigráfica Serra Geral. As rochas
constituintes deste sistema são basicamente riolitos, riodacitos e em menor proporção, basaltos
fraturados. A capacidade específica deste sistema aqüífero é normalmente inferior a 0,5 m3/h/m.
Porém, onde ocorre maior incidência de fraturas ou arenitos na base do sistema os valores podem
ser superiores a 2,0 m3/h/m. Os valores de salinidade são geralmente inferiores a 250 mg/l,
considerados baixos. Em áreas influenciadas por descargas ascendentes do Sistema Aqüífero
Guarani podem ser encontrados valores maiores de pH, salinidade e teores de sódio.

0 10 20 40 km

Figura 9: Caracterização hidrogeológica na região de Ivoti (sede em vermelho). Notar a norte o


predomínio dos derrames de lavas que compõem o Sistema Aqüífero Serra Geral II (sg2) e, a sul,
nas Bacias dos Rios dos Sinos e Caí, o aparecimento de forma predominante dos arenitos do
Sistema Aqüífero Botucatu/Pirambóia (bp). Retirado de Machado (2005).

Uma abordagem com maior nível de detalhe foi publicada pela CPRM em abril de 2006 na
RMPA (Região Metropolitana de Porto Alegre). Além da geologia e recursos minerais desta região
do Estado do Rio Grande do Sul, também foi abordada a questão hidrogeológica. A partir deste

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mapa (Figura 10) e em conjunto com observações de campo é que foi feita a definição do aqüífero
explorado pela perfuração em estudo.

Assim, os Sistemas Aqüíferos que predominam em Ivoti são 3 (três), colocados em solos e
rochas com idade desde o Quaternário até o Mesozóico:

-g3: Sistemas aqüíferos descontínuos restritos a zonas fraturadas;

-g4: Sistemas aqüíferos descontínuos restritos a zonas fraturadas encobrindo aqüífero


intergranular confinado;

-f3: Sistemas aqüíferos extensos confinados com influência de zonas fraturadas.

Sistemas aquíferos (g3)

Tratam-se de aqüíferos descontínuos restritos a zonas fraturadas. Permeabilidade média a


alta. Vazões na faixa dos 2-5 m3/h. Água de boa qualidade (bicarbonatada). Poços com
profundidade até 200 m.

Sistemas aquíferos (g4)

Tratam-se de aqüíferos descontínuos restritos a zonas fraturadas encobrindo aqüífero


intergranular confinado. Permeabilidade média a alta. Vazões na faixa dos 15-60 m3/h. Água de
excelente qualidade. Poços com profundidade entre 150 e 300 m; captação com filtros no aqüífero
intergranular.

Sistemas aquíferos (f3)

Consistem de aqüíferos extensos confinados com influência de zonas fraturadas.


Permeabilidade baixa. Vazões de 1 a 4 m3/h. Água de boa qualidade em poços de 150 a 250 m.

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 21 MUNICÍPIO DE IVOTI

500
480

6720

6700

Figura 10: Detalhe do Mapa dos Sistemas Aqüíferos para a RMPA (CPRM 2006). O ponto
amarelo apresenta o local aproximado da futura captação e os pontos vermelhos são os poços
cadastrados na CPRM. Modificado de www.cprm.gov.br.
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4.1.4.2. Hidrologia e Hidrogeologia Locais

Observações de campo em relação aos condicionamentos estruturais, ao fato de ser uma


zona de predomínio da descarga sobre a recarga e do uso de fotogramas aéreos permitiram inferir
o sentido predominante do fluxo freático local, como de SE (sudeste) para NO (noroeste). O fluxo
subterrâneo provavelmente estabelece direcionamento similar, visto que os arenitos da Formação
Botucatu tendem a estar inclinados para o centro da Bacia do Paraná, isto é, de S para N ou
mesmo de SE para NO.

O aqüífero local faz parte, provavelmente, do sistema sg2 de Machado (2005)  ver
Capítulo 6 – Hidrogeologia Regional. E, segundo o mapa hidrogeológico da RMPA (Região
Metropolitana de Porto Alegre) o sistema aqüífero a ser explorado é o g4 (Figura 7). Corroborando
esta informação, segundo informações do cadastro Siagas/CPRM e dados da RS Perfuração de
Poços Artesianos Ltda. ME (empresa que atua há vários anos na região) a captação de água é
realizada normalmente no arenito, o qual pode estar confinado localmente por algumas dezenas a
centenas de metros de derrames (vide perfil geológico e construtivo anexo).

Inexistem cursos hídricos superficiais nas proximidades. O manancial mais próximo é o


canal do Arroio Capim, tributário da margem esquerda do Arroio Feitoria, cuja nascente está a SO
e que, na parte mais próxima da margem do seu leito em linha reta, dista pouco mais de 400
metros para oeste da futura captação. A partir desse ponto, o Arroio Capim segue de SE para NO
por pouco mais de 1,0 km, muito condicionado estruturalmente, até encontrar o Arroio Feitoria, a
nordeste da sede municipal de Ivoti. O Arroio Feitoria mantém o curso de leste para oeste,
encaixado entre os morros testemunho, com algumas áreas de várzea entremeando-se ao longo
de seu canal, por pouco mais 10 km até desaguar no Rio Cadeia, no extremo oeste do território do
Município de Lindolfo Collor. O Rio Cadeia, por sua vez, segue uma trajetória preferencial de NE
para SO, bastante condicionada estruturalmente, até encontrar o Rio Caí alguns quilômetros
adiante (vide Figura 7).

5. DISPONIBILIDADE HÍDRICA

O Município de Ivoti está inserido no limite do contexto geológico da Bacia do Paraná e no


contexto hidrogeológico do Aqüífero Guarani, apresentando principalmente zonas de recarga do
referido aqüífero (Campos 2000).

A CPRM (Siagas) tem diversos poços cadastrados no Município (Figura 11). A vazão dos

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 23 MUNICÍPIO DE IVOTI

poços varia desde 1,42 m3/h até mais de 50 m3/h, com média próxima de 15 m3/h. A grande
maioria faz captação no Aqüífero Botucatu/Pirambóia, mas também pode haver captação
simultânea com o Sistema Aqüífero Serra Geral, o que é explicado pela conformação geológica da
região de Ivoti. O mapa dos Sistemas Aqüíferos (RMPA, Figura 10) mostra alguns destes poços
estudados pela CPRM no Município, cuja média de profundidade de perfuração é de 178,60
metros. É bastante provável que ainda existam outros poços nas redondezas desta captação,
(além dos marcados nas Figuras 3, 4, 10 e 11), porém nem sempre há acesso aos mesmos ou
disponibilidade de informações.

Cabe ressaltar que a área de Ivoti onde se localizará a futura perfuração não dispõe de
rede de abastecimento de água potável pública (Autarquia Água de Ivoti) e, por esse motivo,
a finalidade principal de uso da água no local é o abastecimento humano dos sócios,
administradores, funcionários e colaboradores das empresas que vierem a se instalar no
loteamento industrial, em um volume total (inicial) estimado de 100,000 m3/dia.

Colônia Japonesa

Figura 11: Poços cadastrados pela CPRM na região de Ivoti (Fonte: siagas.cprm.gov.br). O ponto
vermelho marca, de forma aproximada, o poço a ser perfurado.

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Tabela 1: Campos (2000) menciona os seguintes dados gerais acerca dos aqüíferos que
predominam no Município de Ivoti:

Aqüífero Guarani Aqüífero Serra Geral

Capacidade específica de 0,5 a 16 m3/h/m; Capacidade específica de 0,1 a 10 m3/h/m;


Condutividade hidráulica de 0,2 a 4,6 m/d;

Vazão de 10 a 200 m3 /h (faixa aflorante); Vazão de 5 a 100 m3 /h;


Vazão de 50 a 800 m3 /h (confinado);

Profundidade de 50 a 250 m (faixa aflorante); Profundidade de 150 m;


de 200 a 1700 m (confinado);

Produtividade média a alta; Produtividade média;

Teor salino inferior a 300 mg/l, pH 5,4 a 9,3; Teor salino inferior a 250 mg/l, pH 5,4 a 9,9;

Águas bicarbonatadas cálcicas a sódicas. Águas bicarbonatadas cálcicas-magnesianas

6. RISCOS DE CONTAMINAÇÃO DO AQÜÍFERO E CONCLUSÕES

Os riscos eminentes de contaminação ao aqüífero em um raio de 500 metros vem


principalmente dos minifúndios, onde são exercidas atividades de porte familiar ligadas ao setor
primário (Figura 3), incorrendo na provável aplicação de defensivos agrícolas e de adubos de
origem animal. Porém, a própria atividade a ser exercida no local, que é loteamento industrial,
também será potencialmente poluidora de acordo com a tipologia industrial que vier a ser
implantada nos lotes disponíveis para ocupação. Outros riscos de contaminação são relativos à
ocupação humana, como o efluente doméstico porventura não tratado nas residências do entorno,
visto que se trata de uma região ainda pouco habitada e de incipiente urbanização, mas ainda
com características predominantemente rurais.

Entretanto, na própria locação do poço (Figura 12) procurou-se manter a captação a


montante (ponto mais alto do terreno) das futuras atividades produtivas e sistemas de tratamento
sépticos e industriais, assim como distanciar o local de perfuração das áreas de plantio, de modo
a minimizar as probabilidades de impacto ao aqüífero a ser explorado. Também foi mantida
distância da locação do poço em relação a APPs (Áreas de Preservação Permanente), evitando-
se a necessidade de corte de árvores nativas ou eventuais impactos a fontes de água superficial.

Sendo este nosso relatório,

____________________________
Fernando Pereira
Geólogo CREA/RS 122.896-D
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Rua Albino Henrique Fritsch


Rua Reinaldo Willybaldo Becker

Rua Vale das Palmeiras

Matrícula nº 5.996

Rede de alta tensão

Figura 12: Vista em perspectiva do local destinado à perfuração do poço (ponto vermelho).

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 26 MUNICÍPIO DE IVOTI

BIBLIOGRAFIA:

ABNT. 2006. NBR 12212 Projeto de poço para captação de água subterrânea. Rio de Janeiro,
Editora da ABNT, 5 p.

ABNT. 2006. NBR 12244 Construção de poço para captação de água subterrânea. Rio de Janeiro,
Editora da ABNT, 6 p.

Foster S., Hirata R. 1993. Determinação do risco de contaminação de águas subterrâneas – Um


método baseado em dados existentes. São Paulo, Instituto Geológico. 93 p.

ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas_estatisticos/censo_2007/mapa_municipal_estatistico/rs/ivoti.pdf

Hausman, A. 1995. Províncias hidrogeológicas do Estado do Rio Grande do Sul – RS. Acta
Geologica Leopoldensia. Série Mapas. nº 2. p. 1-127.

http://siagas.cprm.gov.br

Machado J. L. F, Freitas M. A. 2005. Mapa hidrogeológico do Estado do Rio Grande do Sul,


Escala 1:750.000. Ministério de Minas e Energia, CPRM. Brasília.

www.cprm.gov.br. 2006. Mapa dos Sistemas Aqüíferos, Escala 1:250.000. Projeto Plano Diretor
de Mineração da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ministério de Minas e Energia,
CPRM. Brasília.

www.cprm.gov.br. 2006. Mapa Geológico Integrado, Escala 1:250.000. Projeto Plano Diretor de
Mineração da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ministério de Minas e Energia, CPRM.
Brasília.

www.ivoti.rs.gov.br

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR 27 MUNICÍPIO DE IVOTI

ANEXOS

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR ANEXO
28 MUNICÍPIO DE IVOTI

PROJETO GEOLÓGICO E CONSTRUTIVO*


DE POÇO TUBULAR
RESPONSÁVEL TÉCNICO (ANUÊNCIA): Nome: MUNICÍPIO DE IVOTI
GEÓLOGO FERNANDO PEREIRA Poço 1
CREA/RS 122.896-D
Local / Município: LOTEAMENTO INDUSTRIAL KAIHATSU, Vazão: 10,000 m3/h**
COLÔNIA JAPONESA / IVOTI – RS

Nível estático: Nível dinâmico: Edutores: Quadro de comando: a definir***

UTM (m E) 0.486.849 UTM (m N) 6.725.900 Cota (m) 162.00 Cota da boca (m)
Coordenadas geográficas S Coordenadas geográficas W Equipamento de bombeamento: Rede elétrica: trifásica
29º35’47.9” 51º08’08.9” A definir*** Cabo elétrico: a definir***

Todas as Profundidades estão em metros (m) – Perfuração e Revestimento em Polegadas (pol)


Prof. Furo Espaço Anular Revesti- Filtros Descrição pedológica/geológica Eleva-
(m) mento cão (m)
_ _
_ 12” Cimentação 6”Geomecânico Camada de solo e rocha alterada c/níveis de saibro _
_ 9.00 _
_ 12.00 12.00 12.00*** _
15 _ _ 15
_ _
_ _
_ _
_ _
30 _ _ 30
_ _
_ Rochas efusivas da Formação Serra Geral _
_ (Sistema Aqüífero Serra Geral) _
_ Prováveis basaltos e/ou andesitos _
(entradas de água estimadas em fraturas
45 _ entre 50 e 75 m de profundidade)
_ 45
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
60 60
_ _
_ _
_ _
_ _
_ 75.00 _
75 75
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
90 90
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
105 105
_ _
_ _
6” Cimentação
_ _
_ _
_ _
120 120
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
135 135
_ _
_ _
_ _
_ _
_ Arenitos finos a médios intercalados com siltitos na base. _
150 Sistema Aquífero Botucatu/Pirambóia (entradas de água _ 150
_
_ estimadas entre 75 e 225 m de profundidade) _
_ _
_ _
_ _
165 165
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
180 180
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
195 195
_ _
_ _
_ _
_ _
_ _
210 210
_ _
_ _
_ _
_ _
_ 225.00 225.00 225.00 225.00 _
225 225
_ _

*Perfil baseado na geologia regional e observações no local. ** Vazão pretendida (total de 100 m3/dia). ***Será definido após o teste de produção no poço.

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR ANEXO
29 II MUNICÍPIO DE IVOTI

MEMORIAL DESCRITIVO

PROJETO PARA CONSTRUÇÃO DE POÇO TUBULAR


DO MUNICÍPIO DE IVOTI, NO LOTEAMENTO INDUSTRIAL KAIHATSU,
COLÔNIA JAPONESA, MUNICÍPIO DE IVOTI – RS

O objetivo deste memorial é descrever as atividades pertinentes à futura construção de um


poço tubular em área de terras parcelada para fins industriais, para a captação de água
subterrânea com a finalidade de abastecimento humano e uso industrial nas atividades fabris que
vierem a se instalar nos lotes a serem disponibilizados no Loteamento Industrial Kaihatsu. A futura
captação será construída em uma área de terras pertencente ao Município de Ivoti, situada na
Rua Vale das Palmeiras s/nº, Colônia Japonesa, Município de Ivoti – RS.
As atividades abaixo descritas tem como base aquilo que está descrito nas NBRs 12.212 e
12.244. Entretanto, tanto para a norma, quanto para o texto abaixo, deverá valer para execução
da obra o que for considerado mais rigoroso do ponto de vista de preservação da qualidade e
quantidade de água disponíveis no aqüífero a ser explorado.

1. Informações gerais

1.1. Poço 1
 Localização do poço (Lat/Long): 29º35'47.9" S e 51º08'08.9" O;
 Localização do poço (UTM): 0.486.849 m E e 6.725.900 m N;
 Cota do poço: 162 m;
 Vazão pretendida: 10,000 m3/h;
 Bombeamento diário: 10 horas;
 Vazão diária estimada: 100,000 m3/dia;
 Finalidade de uso da água: abastecimento humano e de acordo com a tipologia
industrial dos empreendimentos que vierem a se instalar nos lotes disponíveis no
Loteamento Industrial Kaihatsu, na Colônia Japonesa, Município de Ivoti;
 Aqüífero a ser explorado: Aqüífero Serra Geral (fraturado); e/ou Botucatu/Pirambóia
(granular/fraturado);
 Modo de exploração do aqüífero: perfuração de poço tubular;
 Bacia hidrográfica: G40-Taquari-Antas (Região Hidrográfica do Guaíba);
 Vulnerabilidade do aqüífero: de insignificante a baixa;
 Número de poços necessários: 1.

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR ANEXO
30 II MUNICÍPIO DE IVOTI

2. Antes da execução da obra

 Acesso: o local deverá dispor de acesso trafegável para pelo menos 2 caminhões e
terreno com terraplenagem em espaço suficiente para a instalação do equipamento
de perfuração;
 Preparação do canteiro de obras: instalação da perfuratriz em bases previamente
colocadas no solo. Instalação de equipamentos auxiliares (gerador, etc.), disposição
dos materiais e instalações diversas;
 Instalações para funcionários da empresa perfuradora: junto ao local da obra deverá
existir local para instalação de trailer com dormitório para os funcionários e água
potável com instalações sanitárias por conta do contratante dos serviços;
 Reservatório de água: deverá existir nas proximidades alguma fonte de água (arroio,
açude, cacimba, etc.) para o correto funcionamento do equipamento de perfuração.

3. Configuração do projeto

 Método de perfuração: Rotopneumático;


 Profundidade estimada (mínima/máxima): 150/225 m, desde que não obtida
quantidade de água suficiente em profundidade inferior aquela que está acima
prevista. Da mesma forma, caso aos 225 m não ocorra água suficiente que atenda a
vazão almejada, pode ser acordado a continuação da perfuração até a profundidade
limite da perfuratriz;
 Diâmetro nominal da perfuração: 12” nas camadas de solo, rocha alterada e, pelo
menos 3 metros dentro da rocha sã; 8” por 2 (dois) metros e 6” até o final da
perfuração;
 Diâmetro nominal útil: câmara de bombeamento com 6”;
 Geologia prevista: Derrames da Formação Serra Geral e arenitos das Formações
Botucatu e/ou Pirambóia. Esta porção do Município de Ivoti é caracterizada pela
presença de dezenas de metros de derrames cobrindo os arenitos;
 Aqüífero previsto: Sistema Aqüífero Serra Geral II e/ou Aqüífero Botucatu/Pirambóia;
 Coleta de amostras: a cada mudança de haste, variação geológica ou entrada de
água, o que ocorrer primeiro. Serão acondicionadas, depois de secas, em caixas
numeradas com os respectivos intervalos de profundidade;
 Profundidade de ocorrência de entradas de água: previsão entre 50 e 75 m nos
derrames; e entre 75 e 225 m no arenito;
 Hidroquímica das águas captadas: bicarbonatadas cálcicas-magnesianas a cálcicas-
sódicas, segundo Campos (2000);

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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR ANEXO
31 II MUNICÍPIO DE IVOTI

 Revestimento: 6” de PVC Geomecânico, previsto para toda a extensão de solo,


rocha alterada e, pelo menos 3 metros dentro da rocha sã. Previsão de 1 (uma) a 2
(duas) barras de revestimento, em um total estimado entre 6 (seis) a 12 (doze)
metros. Este tubo deverá ficar pelo menos 0,50 (meio) metro acima da superfície do
terreno. Em caso de coeficiente muito alto de fraturas na rocha trespassada, pode
ser estudado o revestimento total do poço a fim de maior nível de segurança a
permanência da obra. Neste caso, então, além da colocação de filtro, o espaço
anular será preenchido com pré-filtro;
 Reforço do revestimento: um tubo calandrado de 10” será colocado entre a parede
de perfuração e o tubo de revestimento de 6” em um espaço de pelo menos 0,50
(meio) metro acima do solo e 1 (um) metro abaixo deste;
 Cimentação: Calda de cimento injetada por bombeamento contínuo entre o
revestimento de 6” e a parede de 12” nas profundidades de colocação do
revestimento. Desta forma será cimentada também a parede existente entre o
calandrado e o revestimento de 6”;
 Registro diário: será feito de acordo com a evolução de cada etapa acima descrita,
indicando profundidades atingidas, tipo de solo ou rocha trespassado e materiais
utilizados. Com base nestas informações e das amostras coletadas, será montado o
perfil composto definindo a posição dos intervalos ou zonas aqüíferas;
 Desinfecção: Adição de 50 mg de Cl- livre por litro de água existente na coluna do
poço após conclusão da obra. O cloro deverá permanecer pelo menos 2 (duas)
horas no interior do poço. Após este período, bombear a água do poço com retorno
para o interior do próprio poço por 12 (doze) horas e, por fim, bombear a água para
fora do poço por mais 12 (doze) horas para eliminação do excesso de cloro;
 Laje de proteção: com área de 1m2 (1x1 metro) tendo como centro geográfico o tubo
de revestimento. A espessura da laje será de 15 (quinze) cm a partir da superfície do
solo e a mesma deverá ter uma leve declividade do centro para a borda;
 Tampa: no poço será colocada uma tampa de chapa de aço entre o tubo de reforço e
o tubo de revestimento.

4. Após a execução da obra

 Teste preliminar: Se a vazão obtida na perfuração indicar valores acima de 20m 3/h, o
teste preliminar deve ser conduzido por um período de 8 (oito) horas, levando-se o
nível dinâmico (ND) até 1 (um) m acima da entrada de água principal ou da última
entrada de água caso exista dúvida quanto às importâncias relativas de cada uma. A
partir deste teste é que será escolhido o correto equipamento de bombeamento a ser
utilizado no teste definitivo e a vazão máxima estimada para esta próxima etapa;
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ANUÊNCIA DE POÇO TUBULAR ANEXO
32 II MUNICÍPIO DE IVOTI

 Tubos de nível: a instalação dos mesmos será executada após o teste preliminar,
para permitir durante o teste definitivo (e posteriormente durante a utilização do
poço) que sejam medidos os níveis estático e dinâmico da água dentro do furo;
 Teste definitivo: Será realizado por um período mínimo de 24 (vinte e quatro) horas,
iniciado quando verificada a estabilidade do nível da água (=NE) e de modo
escalonado quando precedido por teste preliminar. Caso não tenha ocorrido a
realização de teste preliminar, o teste definitivo deve ser conduzido com vazão
constante, admitindo-se um máximo de 10% (dez por cento) de variação ao longo do
teste. As medidas de vazão deverão ser efetuadas em correspondência com as do
nível da água. A recuperação mínima medida deve ser de 90% (noventa por cento);
 Hidrômetro: será instalado após a realização do teste definitivo para monitoramento
do volume explotado da captação. Sua capacidade nominal deve permitir passagem
de volume de água superior aquela explotada pela bomba submersa instalada em
definitivo no poço;
 Análise: na fase final do teste de bombeamento será coletada uma amostra de água
para realização de análise físico-química e bacteriológica em laboratório
devidamente credenciado para tal;
 Relatório final: todos os documentos pertinentes a obra de perfuração do poço, bem
como dos testes realizados, Perfil Geológico, Perfil Construtivo, Memória de Cálculo,
Laudo Analítico da qualidade da água (físico-química e bacteriológica) e Caixa de
Amostras deverão ser entregues para que a obra seja aceita.

Ivoti, 10 de Junho de 2016.

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Fernando Pereira
Geólogo CREA/RS 122.896-D

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