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Estado de perigo autor Lívio coelho

Cavalcanti
Ela está dentro do negócio jurídico, com características muito semelhantes ao estado
de necessidade, que se caracteriza como uma causa de exclusão de ilicitude no direito
penal
Configura-se em estado de Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido
da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela
outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. a pessoa que assume
obrigação excessivamente onerosa para salvar-se, ou pessoa de sua família, de grave
dano conhecido da outra parte. O estado de perigo está previsto no artigo 156, caput,
do Código Civil. A lei exige, para que se configure o estado de perigo, o conhecimento
do dano pela outra parte. É o que alguns doutrinadores chamam de dolo de
aproveitamento, caracterizador da má-fé. Deve ter em vista que a boa-fé se presume,
e a má-fé deve ser comprovada. Desconhecendo o perigo de grave dano, o negócio
jurídico não deverá ser anulado com fundamento no estado de perigo. O que o Código
veda é o enriquecimento sem causa.
Temos ainda que o estado de perigo deve ser o motivo determinante da manifestação
de vontade. Com efeito, deve haver um nexo de causalidade entre o perigo e a
manifestação da vontade. Para Gonçalves (2005, p. 397), a “vontade deve se
apresentar distorcida em consequência do perigo de dano”. A vítima do dano, por
desconhecê-lo, ou por não imaginar a extensa gravidade do dano ao celebrar um
negócio, não poderá requerer a anulação do negócio por esse fundamento, pois não
foi o motivo determinante da declaração de vontade. A vontade deve se apresentar
distorcida em consequência do perigo do dano.
Estado de perigo, não havia no código civil de 1916 menção ao estado de perigo como
defeito do negócio jurídico. A sua falta, doutrina e jurisprudência buscavam amoldar as
hipóteses de estado de perigo ao conceito de coação. Na coação, contundo, a vítima
age influenciada pela premente necessidade de afastar um dano dolosamente
ameaçado pelo coator. No estado de perigo, por sua vez, o perigo não e causado ou
ameaçado por ninguém, ocorrendo espontaneamente, sendo apenas aproveitado por
quem dele tenha tido conhecimento.
O art. 156 do Código Civil movimentaria à conclusão de que no estado de perigo,
diante da fraude de aproveitamento, ficaria inábil o aproveitamento do negócio
jurídico por meio a suplementação do negócio ou redução do proveito do beneficiário.
No entanto, asseverou-se a necessidade de interpretar o estado de perigo consoante
os princípios constitucionais e o tripé princípio lógico sobre o qual se assenta o novel
diploma civil. Diante disso, não se pode negar a ofensa à segurança jurídica e a boa-fé
de terceiros que causaria a eventual anulação do negócio, sem a possibilidade de
suplementação ou de redução do proveito.