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África Está melhor

Inês Campos e Luís Mah


Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações Unidas

Há histórias de sucesso que passam despercebidas, em Numa era em que existem os recursos e a tecnologia para
vésperas de uma cimeira nas Nações Unidas para “salvar” os construir um mundo mais justo, a pobreza extrema torna-se
Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). inaceitável. Mas ainda há muito por fazer. Alguns países em
Estudos recentes revelam a liderança surpreendente de situação de conflito ou pós conflito, vítimas de desastres
países africanos a caminho dos ODM, contrariando a ideia ambientais ou a recuperar de longos períodos de
de que o subdesenvolvimento se mantém uma constante instabilidade política e colapso económico, conseguem
em África. escassos ou nenhuns progressos. É o caso, por exemplo, do
Numa escala de 20 países com maiores progressos, 11 são Burundi, da Guiné Bissau ou da Tanzânia .
na África Subsariana, incluindo a Etiópia, o Uganda, Burkina Nas vésperas da Reunião Plenária das Nações Unidas, de
Faso, o Malávi e o Gana. Estes têm obtido resultados 20, 21 e 22 de Setembro, onde um novo plano de acção
surpreendentes na luta contra a pobreza extrema e a fome será proposto para a realização dos ODM, sabemos que o
e lideram hoje a lista de países capazes de atingir os alvos mundo em desenvolvimento se desloca a uma velocidade
mais ambiciosos dos Objectivos de Desenvolvimento do média, com progressos significativos em alguns indicadores
Milénio (ODM) - diz um estudo recente do Center for e grandes atrasos noutros.
Global Development, de Washington. Estes são os países
Depois daquela cimeira decisiva, será fundamental que a
pioneiros no cumprimento dos ODM.
velocidade média se transforme numa corrida veloz até à
Propostos em 2002, pelo então Secretário-geral das meta final de 2015.
Nações Unidas, Kofi Annan, na sequência da Cimeira do
Milénio em 2000, 189 países, incluindo Portugal,
comprometeram-se a acabar com a pobreza extrema e as
suas principais causas até 2015.
Na última década, os avanços extraordinários de alguns dos
países mais pobres do mundo constituem um marco na luta
contra o subdesenvolvimento. No entanto, estas histórias de
sucesso continuam a passar despercebidas na generalidade
dos média nacionais e internacionais. A nossa imagem de
África continua a ser pautada por uma visão miserabilista e
reducionista.
Desde que foram lançados, os ODM têm sido acusados de
serem irrealistas e de proporem metas inatingíveis para a
maioria dos países africanos, transformando enormes
sucessos no desenvolvimento em percepções de fracasso –
que por sua vez podem minar futuras reformas
governamentais e concessões de Ajuda Pública ao
Desenvolvimento (APD).
Os ODM foram capazes de redireccionar a atenção dos
países doadores para indicadores de desenvolvimento não
só claros e quantificáveis mas que também visam, acima de
tudo, a realização de direitos humanos básicos. Esta nova
consciência internacional tem estimulado a comunidade
doadora a basear a sua APD segundo princípios
humanitários e desligada de interesses geoestratégicos e
económicos.