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Robert ©. Paxton Projet gifs «dngramagto: Gregan CUPBrasl, Conogisaonefonte Sindito Nacional dos Etores de Livros, RI ise Po, Raber. (Rabert Ove), 1932 ‘won do fm Rober. Panton radugo de Patri Zabes «Pala Zinbes- Ss Palo fe Te, 2007 end dT aon sin Para Sarah, Ica ibigri 1. fs. 2. Fale - Bupa. 1 Tl orcas pp. 320533 orca epu. 321.74 IDTORADAZ ETERRAS/A Winco 7 | Sa ign Sa SP_CHPOT2BO1O | Tasor ana Bal vn poerace Somhor resem oat 207 Impreso no Bras / Prine in Bri PREFACIO Durante muitos anos, ministrei cursos universitirios sobre o fascismo, as vezes como seminério de pas-graduagio, outras, de graduagao. Quanto ima lia € diseutia o tema com os alunos, mais perplexo eu ficava, Embora uum grande nimero de monografias brilhantes tratasse de forma esclarece- dora de aspectos espectficos da Itlia de Mussolini, da Alemanha de Hitler «de outros casos semelhantes, as obras sobre o fascismo como fendmeno gonérico, comparativemente, me pareciam abstratas, estereotipadas e ané- presente livro representa uma tentativa de trazer a literatura mo- nografica para mais perto das discusses sobre o fascismo em geral ¢ de apresenté-lo de uma forma que leve em conta suas variagBes e sua comple: xidade. Ele tenta descobrir como o fascismo funcionava. E por essa razi0 que se centra mais nasages dos fascistas que em suas palavras, 0 contrério da pritica comum. Além disso, um tempo maior que o normal & dedicado a seus aliados € climplices, e As maneiras pelas quais os regimes fascistas interagiam com as sociedades que eles pretendiam transformar. Esta obra ¢ um ensaio, no uma enciclopédia. Muitos letores, prova velmente, verlo seus temas favoritos serem tratados aqui com maior brevi- dade do que gostariam, Espero que o que escrevi os induza a outras leita ras, Esse é 0 propésito das notas e do amplo ensaio bibliogréfico-critico, “Tendo trabalhadonesse tema em diversas ocasides, ao longo de muitos anos, minhas dividas intelectuais ¢ pessoais sio mais numerosas que 0 nor~ 2 AANATOMIA DO FASCISMO mal. A Fundago Rockefeller me permitiu redigir 0 rascunho dos capitulos na Villa Serbelloni, is margens do Lago Como, onde os partisans mataram ‘Mussolini, em abril de 1945. A Bcole des Hautes fitudes en Sciences So- ciales de Paris, 0 Istituto Universitario Europeo de Florenga, algumas universidades americanas permitiram-me testar algumas dessas idéias em suas salas de aula e auditérios. Toda uma geragio de alunos da Columbia University questionou minhas interpretagbes. Philippe Burrin, Paul Corner, Patrizia Dogliani e Henry Ashby Turner Jr. generosamente comentaram uma versio anterior deste trabalho. Carol Gluck, Herbert $, Klein ¢ Ken Ruoff leram partes do manuscrito, Todos me salvaram de erros embaragosos, ¢ aceitel a maior parte de suas suges- ‘t6es, Caso eu tivesse acolhido todas, este livro provavelmente seria melhor. Agradeco também a ajuda de diversos tipos prestada por Drue Heinz, Stu- art G. Woolf, Stuart Proffit, Bruce Lawder, Carlo Moos, Fred Wakeman, Jeffrey Bale, Joel Colton, Stanley Hoffmann, Juan Linz ¢ as equipes de re- feréncia das bibliotecas da Columbia University. Os erros que permanece- ram sio de minha exclusiva responsabilidad. E, sobretudo, Sarah Plimpton foi firme em seu estimulo e sibia © cri- teriosa em sua leitura critica Robert. 0, Paxton _1_ INTRODUGAO A INVENGAO DO FASCISMO, (© fascismo fei a grande inovagio politica do século xx, € também a origem de boa parte de seus sofrimentos. As demais grandes correntes da cultura politica do Ocidente moderno — 0 conservadorismo, o liberalismo 6 socialise —aringiram forma marlura entre fins do século xvi ¢ mea- dos do século xrx. Na década de 1890, contudo, o fascismo nao havia ainda sido imaginado, Friedrich Engels, no preficio de 1895 para a nova edicio de A luta de clases na Franga, de Karl Marx, deixa claro que acreditava que a ampliagio do eleitorado, fatalmente, traria mais votos para a esquerda. Se gundo a firme crenga de Engels, nto 0 tempo quanto os nimeros estavamn do lado dos socialistas. “Se [a crescente votagio socialista] continuar assim, ao final deste sécu.o [0 século xx], nbs [os socialistas] teremos conquistado a maior parte dos estratos médios da sociedade, os pequenos burgueses e ‘os camponeses, transformando-nos na fora decisiva do pais."“Os conser- vadores”, escreveu Engels, “ja haviam percebido que a legalidade trabalhava, contra eles. Ao contrério, “nés [os socialistas], sob essa legalidade, adquiri- mos miisculos rijs, faces rosadas, e a aparéncia de vida eterna, A eles [os cconservadores] nada resta a fazer seniio encontrar, eles também, brechas nessa Jegalidade”. Embora Engels previsse que os inimigos da esquerda 1. Friedrich Engels, 1895, preficio a Karl Marx, The Class Struggles in France (1848-1850), em TheaforEngels Rader. ed, Robert C. Tucker, 2. ed., Nova York: W.W. Norton, 1978, p. $71