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GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Ana Karoline Kuner1

Laura Donadeli Macedo2

RESUMO

O objetivo deste artigo é discutir sobre a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica,
como é a matriz energética no Brasil, especialmente na região sudeste e como a tecnologia de
smart grid pode impactar aspectos econômicos de consumo. Por meio dessa ampla pesquisa, foi
esclarecido o que é a energia, observando sua grande quantidade de fontes geradoras, e assim
como ela é gerada, transmitida e distribuída até o consumidor final. Também, foi enfatizado
como o tema acontece no Brasil. Pode-se constatar que o centro de geração de energia brasileira
é na região sudeste e relatar as vantagens da implementação do smart grid no país, sendo uma
tecnologia energética de maior quantidade de informações e controle dos sistemas.

Palavras chave: ​Energia. Brasil. Smart grid.

ABSTRACT

The objective of this article is to discuss about the generation, transmission and electric power
distribution, as it is the energy head office in Brazil, especially in the southeast area and as the
technology of smart grid it can ​impact economic aspects of consumption​. Through that wide
research, what was explained is the energy, observing his/her great amount of generating
sources, and as well as her it is generated, transmitted and distributed until the final consumer.
Also, it was emphasized as the theme happens in Brazil. It can be verified that the center of

1
Centro Universitário Municipal de Franca Uni-FACEF - ​Karolkuner@gmail.com

2
Centro Universitário Municipal de Franca Uni-FACEF - ​Lauradonadeli407069@gmail.com
2

generation of Brazilian energy is in the southeast area and to tell the advantages of the
implementation of the smart grid in the country, being an energy technology of larger amount of
information and control of the systems.

Palavras chave: ​Energy. Brazil. Smart grid.

INTRODUÇÃO

A rede elétrica foi desenvolvida há mais de um século atrás, surgindo a fim de


substituir a máquina a vapor e tendo como objetivo o aumento da qualidade de vida, de serviços
e progresso econômico. Com o decorrer do tempo, a evolução do mercado e desenvolvimento de
novas tecnologias fez com que a necessidade de energia aumentasse. Assim, com a energia cada
vez mais presente no mercado, suas etapas desde a produção até entrega para o consumidor final
foi divida em: geração, transmissão, distribuição e comercialização.

Durante todo o processo, várias fontes passaram a ser exploradas para geração de
energia elétrica, como a água dos rios, sol, chuva, carvão, vento, petróleo e gás natural, etc. E
então, através de suas características, cada fonte foi classificada como fonte renovável ou não
renovável. Do mesmo modo, a transmissão e distribuição de energia começaram a ser utilizadas
de forma rápida e eficiente para que a energia elétrica chegue até o consumidor.

Atualmente no Brasil, a geração de energia pode ser considerada como


hidrotérmica, possuindo usinas hidrelétricas por todo país. Se for comparar sua matriz energética
com a matriz energética mundial, a do Brasil possui um índice com mais fontes de energia
renováveis que a mundial. Sua região sudeste possui uma das maiores concentrações de energia
elétrica em todo território nacional, utilizando mais da metade da energia consumida no país.

Para aumentar a eficiência da rede elétrica, foi desenvolvido o smart grid, também
conhecido como redes inteligentes. Contudo, o país ainda não é muito familiarizado com a
utilização do smart grid. Essa tecnologia de redes inteligentes têm como finalidade a melhoria
dos serviços de monitoramento, gestão, automação e qualidade da energia. Pode-se dizer que é
possível ter maior controle sobre a energia, no Brasil, com o incremento do smart grid.
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1 ENERGIA ELÉTRICA

Segundo Maxwell (1872) “energia é aquilo que permite uma mudança na


configuração de um sistema, em oposição a uma força que resiste a esta mudança”. Sendo assim,
a energia elétrica é a forma de energia que tem a capacidade de gerar trabalho. Foi descoberta
por volta de 600 AC, por um filósofo grego chamado Tales de Mileto. Ele observou que ao se
esfregar ámbar (petrificação da resina de árvores coníferas mortas) este passava a atrair corpos
leves, como a palha. Assim, devido a palavra grega ​élektron ​que significa ámbar, o fenômeno foi
nomeado como eletricidade. Desde sua descoberta, até os dias atuais, tornou-se na sociedade
uma dependência para a qualidade de vida e progresso econômico.

Com o crescimento da população mundial e da economia, a utilização de energia


elétrica tende a aumentar através dos anos, já que esta é produzida de acordo com a demanda,
logo tende a crescer devido às necessidades humanas e o desenvolvimento econômico. Assim,
com o setor elétrico introduzido no mercado, ele foi estratificado em 4 segmentos : geração,
transmissão, distribuição e comercialização. Na figura 1 pode se observar uma imagem geral de
um sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Figura 1​: Sistema elétrico.

[Fonte: Blume (2007)].


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2 GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

A geração de energia elétrica provém de usinas geradoras, estas geram energia


através do aproveitamento do potencial energético de fontes energéticas. Logo, a camada de
geração, como o nome já indica, é responsável pela produção de energia. Atualmente as usinas
geradoras são: usina hidrelétrica, usina solar, usina eólica, usina termelétrica, usina nuclear,
usina geotérmica, usina maremotriz e usina de biomassa. No conjunto de geração “a tensão
nominal usual é de 13,8KV encontrando-se tensões desde 2,2KV até grandezas de 22KV”,
segundo Kagan, Barionide e Robba (2008). No gráfico 1 é possível observar o crescimento da
geração mundial de energia até 2030, um crescimento maior que 50%.

Gráfico 1​: Geração mundial de energia elétrica.

[Fonte: International Energy Outlook 2009].

2.1 Energias renováveis e não renováveis

As energias renováveis são aquelas que naturalmente são reabastecidas pela


natureza, como sol, chuva e vento. As não renováveis são aquelas que se esgotam com o tempo e
exploração, como o próprio nome já diz, não se renova e os recursos utilizados para seu uso são
limitados.

Contudo, o sistema elétrico não foi projetado para energias não renováveis, pois
essas se esgotam com facilidade, enquanto a produção de eletricidade necessita de uma produção
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contínua. Assim, para fornecer energia ininterruptamente usinas de grande porte, como
hidrelétricas, de carvão e nucleares funcionam sem interrupção gerando energia para a rede
elétrica.

Devido a preocupação com o meio ambiente, a produção e consumo de energia


sofreu alterações visando amenizar os impactos ambientais que a má utilização de recursos
naturais pode gerar ao ecossistema. Assuntos como economia de recursos, emissão de gases
poluentes, efeito estufa, desmatamento, produção de rejeitos radioativos, poluição e reciclagem
entraram em discussão como pautas fundamentais para a preservação da vida e meio ambiente.
As tabelas a seguir mostram a participação dos recursos na produção de energia no mundo. É
possível observar o crescimento da utilização de energia eólica e solar, respectivamente de
58,29% e 163,49% entre 2012 e 2015.

Tabela 1​: Produção Mundial de energia elétrica.

Tabela 2: ​Mix da produção mundial de energia elétrica.

[Tabela 1 e 2. Fonte: ONU, Energy Profiles, United Nations Statistics Division (UNSD),
2015.]
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2.2 Fontes e usinas geradoras de energia

As usinas geradoras transformam as fontes renováveis e não renováveis em


energia elétrica. São fontes de energia: a força da água dos rios, calor e luz do sol, força dos
ventos, matérias orgânicas, calor do interior da terra, força das ondas, reação entre hidrogênio e
oxigênio, petróleo, carvão mineral, gás natural e a reação entre urânio e tório.

2.2.1 Usina hidrelétrica

A usina hidrelétrica é a transformação da água em energia elétrica, onde a água


captada do rio, forma um lago pela barragem e é conduzida até a casa de forças através de canais.
Em seguida ela passa pela turbina hidráulica, assim ela é transformada em potência mecânica,
fazendo que o gerador gire até estar ligado à turbina, assim a potência mecânica é modificada em
potência elétrica.

A energia gerada pela hidrelétrica é levada por meio de barras condutoras ou


cabos, do término do gerador até o transformador elevador, onde tem sua tensão corrigida e logo,
por meio de linhas da transmissão, passando pela distribuição até chegar nos consumidores.
Contudo a energia potencial da água está relativa a queda da usina, que são de diferentes níveis
de reservatórios e relaciona também a altura do rio sendo sujeito a variação através das vazões
afluentes e defluentes. Ela depende bastante dos vazões turbinados e dos motivos da queda
d’água.

Um benefício das usinas hidrelétricas é que elas não transmitem os gases do efeito
estufa, sendo um fator ótimo para o ecossistema. Além disso, o Brasil é rico em rios sendo assim
as hidrelétricas são a maior fonte de energia elétrica no país.

2.2.2 Usina solar

A usina solar converte a energia solar em energia elétrica através dos efeitos da
radiação (luz e calor) sobre alguns materiais, principalmente os semicondutores, destacam-se
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também os efeitos fotovoltaicos e o termoelétricos. Os fotovoltaicos compostos na luz solar são


alterados em energia elétrica, através do uso de células solares. Os termoelétricos
caracterizam-se pelo princípio de uma diferença de potencial, provocada pela ligação de dois
metais, em situações específicas.

No Brasil, são encontrados nas regiões Sudeste e o Sul, por conta da sua
característica climática. Em segundo nas regiões Norte e Nordeste, em algumas comunidades que
são isoladas da rede de energia elétrica.

Entre inúmeros processos de desenvolvimentos da energia solar, os mais usados


na atualidade são as gerações fotovoltaica da energia elétrica e o aquecimento de águas.

2.2.3 Usina eólica


Assim como a água e outras substâncias, o ar é um fluído com a diferença de que
suas partículas estão em forma gasosa ao invés de líquida. Quando o ar se move como qualquer
outra usina nuclear uma grande turbina eólica é capaz de gerar cerca de 1,8 MW de eletricidade,
ou 5,8 MW/H anualmente, o equivalente para energizar cerca de 600 residências. Rapidamente
na forma de vento, essas partículas também se movem, esse movimento é chamado de energia
cinética.
Para gerar energia através do ar,existe um equipamento chamado turbina eólica,
onde as pás da turbina são projetadas para capturar energia cinética contida no vento. Quanto
maiores as pás da turbina, mais energia ela pode capturar do vento, tendo grande capacidade de
geração de energia elétrica. Em uma escala global, as turbinas atualmente geram eletricidade
As duas maiores vantagens de usar a energia eólica para gerar eletricidade é que a
energia do vento é limpa e renovável, não havendo risco de escassez de vento. Porém, elas nem
sempre funcionam com 100% de potência como as outras fontes energéticas, pois a velocidade
do vento é variável. Outro ponto importante é que quando se trata de turbinas eólicas, a
localização é tudo. Saber quanto de vento existe no local e qual é sua velocidade e duração são
fatores decisivos para a construção das chamadas fazendas eólicas. O uso dessa energia vem
crescendo cada vez mais, principalmente em países desenvolvidos.
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2.2.4 Usina termelétrica

As usinas termelétricas são as mais comuns no mundo, para gerar energia há uma
queima de combustível para ferver a água, como o carvão e gás natural, assim, com o vapor
liberado, começa a girar a turbina e gerar a energia elétrica.

As termelétricas a carvão tem uma porcentagem de mais de 40% da produção


mundial de energia. Além do carvão ser mais barato, ele polui mais, pois emite gás carbônico e
substâncias como óxido nitroso e enxofre, que afetam a respiração e causam poluição. Há
passadores que diminui esses efeitos causados pelo carvão, mas eles são muito caros para as
construções de usinas.

2.2.5 Usina nuclear


A usina nuclear pode ser classificada com ‘’termonuclear” pois seu
funcionamento é igual aos das usinas termoelétricas, a diferença é o combustível. Os materiais
utilizados nas usinas nucleares são as fissões nucleares do urânio ou do plutônio, porém elas
geram calor, logo é um malefício pois produz material radioativo. Embora os acidentes sejam
singulares, o risco não pode ser considerado baixo. Ainda que haja riscos de acidentes, a energia
nuclear é um benefício para o meio ambiente em um ponto de vista, o combustível que é
utilizado é queimado. Dessa forma não há emissões de gases poluentes, ao contrário das usinas
termelétricas.

2.2.6 Usina geotérmica


A usina geotérmica é a energia obtida através do calor existente nas camadas
subterrâneas da terra, sendo alternada em energia cinética de rotação e em energia elétrica. Para
gerar a energia elétrica são utilizados os centrais geotérmicos, que são aproveitamentos de
fluidos geotérmicos em centrais de alta temperatura, como 150°C, eles movimenta uma turbina e
produzem a energia elétrica.
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A vantagem da usina geotérmica é que as centrais geotérmicas podem ter


desenhos modulares, e podem funcionar 24 horas por dia sem nenhum problema de
intermitência. A desvantagem dessa energia é que quando há uma grande quantidade de fluido
aquoso retirado da terra, há sempre uma hipótese de ocorrer substância da superfície.

2.2.7 Usina maremotriz


As usinas Maremotriz é o modo de gerar energia por meio de utilização da
movimentação da água dos oceanos que são provocada pelas marés, pode se obter dois tipos de
energia maremotriz a energia cinética que são através das correntes devido às marés e a energia
potencial pela diferença de altura entre as marés baixas e altas.
As correntes marítimas fazem que as pás de cada turbinas seja rodadas, que por
trás disso a energia é convertida de energia mecânica a energia elétrica. A eletricidade gerada
pela maremotriz é produzida pelos geradores que descem pelos cabos ligados pela costa.

2.2.8 Usina de biomassa


A energia de biomassa é o aproveitamento de todo material sendo ele residual, de
origem animal ou plantado. Ela é encontrada nos resíduos florestais, agrícolas e municipais. Ela
é utilizada como combustível em três formas : combustíveis líquidos a partir da reação química e
sólida da conversão de açúcares e vegetais em etanol e metanol, combustíveis gasosos
produzidos por meio de recursos em alta temperatura e alta pressão, e combustíveis sólidos com
lascas de madeiras.
A duas formas de transformar a biomassa em energia. A primeira é a pirólise, em
que a biomassa é explanada a alta temperatura sem a presença de oxigênio e o que sobra é a
mistura de gases sólidos e líquidos. O resíduo vegetal, plantas, animais e outros organismos são
coletados em fazendas e queimados. Sua temperatura faz a água aquecer, fazendo assim que
evapore, então gera uma grande turbina fornecendo então energia. A outra é o resíduo animal,
conhecido como esterco de vaca, ele é levado e acumulado em tanques chamados de gestor, as
bactérias que contêm lá dentro comem os resíduos e os convertem em gás metano, logo depois o
gás metano é levado para aquecer a água e seu vapor gira turbina automaticamente.
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As vantagens da biomassa são que ela é renovável e tem baixo custo, e gera baixas
quantidades de poluentes, e pode contribuir para a redução do efeito estufa. Já as desvantagens
da biomassa são que tem maior número de desflorestação e cresce a chance de chuva ácida.

3 TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


O sistema de transmissão é responsável pelo deslocamento da energia elétrica dos
centros de produção até os centros de consumo. Sendo permanentemente monitorado e
controlado por uma central de controle. A segurança é algo fundamental para as redes de
transmissão. Pois qualquer falha pode causar falta de suprimento energético para uma grande
quantidade de consumidores. As tensões variam de acordo com cada país, mas geralmente estão
estabelecidos entre 220kV e 765kV.

3.1 Sub-transmissão de energia elétrica


A sub-transmissão recebe energia da rede de transmissão e a transporta para
pequenas cidades e alguns consumidores industriais. Na sub-transmissão existem linhas que
estão em preparação intermediária entre a transmissão da energia e a entrega para a consumação.
Em geral, a rede de sub-transmissão possui o um arranjo em formato de anel, para aumentar a
segurança do sistema, e sua estrutura em linhas aéreas ou as vezes em cabos subterrâneos.

3.2 Linhas de transmissão


São agrupados de condutores, isoladores, estruturas e acessórios, utilizados para o
transporte de energia elétrica entre as subestações. É importante ressaltar que uma interrupção
nas linhas de transmissão pode provocar o desabastecimento em grandes lugares, como regiões e
até estados. Para ligar os geradores para a distribuição a voltagem é elevada, para aprofundar as
linhas de transmissão. O benefício desse método é que aumentando a voltagem diminui a
corrente elétrica, assim alivia as perdas de energia.
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4 DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


A distribuição divide energia elétrica obtida do sistema de transmissão,
responsável de entregar aos grandes, médios e pequenos consumidores. Logo, é a etapa final
entre a geração de energia até a entrega para o consumidor final. A distribuição recebe uma alta
tensão das linhas de transmissão, e se responsabiliza de distribuir de forma fragmentada aos
consumidores, ela também é encarregada pelas redes de baixas tensões, que são os postes nas
avenidas e ruas que transmitem e entregam energias a sua casa. Assim, o setor de distribuição é o
mais próximo dos consumidores, as distribuidoras são encarregadas pela entrega da energia, o
reparo e a cobrança.
Os níveis de tensões de distribuição são classificados em três etapas: baixa tensão
de distribuição (Bt), média tensão de distribuição (MT) e alta tensão de distribuição (AT). A
baixa tensão é entre fases, cujo o valor é capaz, igual ou inferior a 1kV. Na média, a tensão é
entre fases cujo o valor seja eficaz, que é superior a 1kV e inferior a 69kV. A tensão alta é entre
fases cujo o valor efetivo é superior a 69kV e inferior a 230kV.
Entretanto, durante a distribuição de energia pode ocorrer perdas. A ANEEL
(Agência nacional de energia elétrica) define duas classes de perdas:

● Perdas técnicas: São perdas decorrente da dissipação de energia durante sua


condução pelos cabos e outras perdas por consumo em aparelhos.
● Perdas não-técnicas: São perdas consequente do furto de energia, também
conhecido como gatos, alteração de aparelhos de medição, erros de faturamento,
etc.

Contudo, no mundo cerca de ⅓ da população mundial não tem acesso a energia


elétrica. Segundo a diretora do Conselho Mundial de Energia Elena Nekhaeze a distribuição de
energia no mundo é muito desigual e sua concentração de consumo é na América do Norte,
enquanto metade de pessoas que não possuem energia se concentra no continente africano. O
fator que faz com que a distribuição seja desigual é o valor (preço) da energia, que parte da
população não possui condições de pagar. "A energia sozinha não resolve o problema da
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pobreza, mas melhora a exclusão social", afirmou Norberto Medeiros, presidente do Comitê
Brasileiro do Conselho Mundial de Energia.

5 SMART GRID
Smart grids são sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica que
usam tecnologia de informação e elevado grau de automação, com o intuito de aumentar a
eficiência operacional do sistema. Assim, o sistema se torna mais competente (economicamente
e energeticamente), confiável, seguro e sustentável.
As smart grids conectam itens descentralizados, de gerações pequenas e grandes
de energia, com os consumidores para produzir suporte amplo. Elas controlam a geração de
energia, interrompem sobrecargas na rede elétrica e durante todo o tempo somente é gerada
energia essencial. Além de disponibilizar diversas funcionalidades, como envio de eventos e
alarmes.
Um dos principais itens da smart grid é o medidor inteligente, ele ajuda a ordenar
a geração de energia e o consumo de energia elétrica de modo mais eficaz, principalmente se a
porcentagem de fontes de energia renovável continua com o crescimento elevado no futuro.
Com o mercado de smart grid crescendo, a implementação das redes inteligentes
passa a ser estendida para outros serviços, como na construção civil, evoluindo para a ideia de
cidades inteligentes (smart cities). Onde, através de uma estrutura de automação e informação,
recursos serão utilizados com mais eficiência e sua qualidade será aumentada, como por
exemplo: energia, água, trânsito, segurança, etc. Logo, se tem como benefício: baixo custo de
energia, energia limpa, conservação de energia, melhoramento da eficiência da energia e
aparelhos programados para não funcionar em horário de pico. Na figura dois pode-se observar
como as cidades inteligentes são parte das redes inteligentes.
Figura 2: ​Das redes inteligentes à internet das coisas.
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[Fonte: BNDES].
A tecnologia de smart grid pode afetar o mundo em vários aspectos econômicos.
O futuro produtor/consumidor que utilizar o smart grid vai passar a ter maior participação na
gestão energética. Assim, pode-se dividir em 4 tópicos as vantagens dos serviços sobre a
plataforma de redes inteligentes: serviços online, planos tarifários, planos emergentes e
automação.
● Serviços online: Visualização de consumos actuais e históricos, alteração de
condições via internet, alarmes e notificações por email.
● Planos tarifários: Novos planos de preços, possibilidade de tarifação em quase
real time e serviços de apoio à gestão do consumo.
● Planos emergentes: Serviços comerciais para microprodutores e abastecimento de
veículos eléctricos.
● Automação: Integração com serviços de domótica, controle remoto de
eletrodomésticos inteligentes, controle de Iluminação Pública.

5.1 Smart grid no Brasil


O smart grid ou também conhecido como redes inteligentes, demonstra uma
modificação no setor elétrico, fazendo que toda a entrega de energia seja recíproca para cada
região ou país. Contudo, mesmo o Brasil sendo um país em desenvolvimento, não é transmitido
para todos os estados, por exemplo o sudeste, que é uma da região com afetuoso sinal de energia
elétrica, enquanto alguns estados não é da mesma maneira.
A fixação das Redes inteligentes no Brasil teria como principal motivo de buscar
das eficiências energética e comercial, a segurança operacional e sistêmica, sustentabilidade
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econômica e ambiental e o aumento da confiabilidade do sistema elétrico. A figura três ilustra os


estados brasileiros que possuem projetos de redes inteligentes e cidades inteligentes.
Figura 3: ​Projetos piloto de redes inteligentes no Brasil .

[Fonte: ​http://redesinteligentesbrasil.org.br​ (2018), página 1].

6 ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL


O sistema de produção e transmissão de energia elétrica no Brasil pode ser
classificado como hidrotérmico, com usinas hidrelétricas de médio e grande porte, localizadas
por todo território nacional e distribuídas em 12 diferentes bacias hidrográficas, que são: Bacia
Amazônica, Tocantins-Araguaia, São Francisco, Paraná, Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental,
Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Sul, Uruguai e
Paraguai. A tabela a seguir mostra os agentes elétricos e suas potências de energia.
Tabela 3:​ Maiores de agentes da capacidade instalada no Brasil.
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[Fonte: Aneel].
No Brasil o regime de chuvas é diferente em cada região, gerando pontos com
produção insatisfatória, então estes pontos são abastecidos por grandes linhas de transmissão
que partem de centros de geração em situação favorável.
As linhas de transmissão costumam ser extensas, porque as usinas hidrelétricas
geralmente ficam em locais mais afastados. Contudo o país é quase totalmente interligado.
Os sistemas de distribuição de energia elétrica no Brasil são divididos em três
tipos: baixa tensão (BT), média tensão (MT) ou alta tensão (AT).
Nas imagens a seguir é possível observar os maiores transmissores de energia no
Brasil, as linhas de transmissão e os 10 maiores distribuidores.
Tabela 4: ​Maiores transmissores de energia do País.
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[Fonte: ABRATEE (Maio de 2008)].


Figura 4: ​Sistema de transmissão brasileiro.

[Fonte: Aneel].
Tabela 5: ​Os dez maiores agentes de distribuição do Brasil.

[Fonte: ABRADEE (Dezembro de 2007)].


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7 MATRIZ ENERGÉTICA
O conjunto de fontes de energia é chamado de matriz energética. Logo, é o
conjunto de fontes que geram energia. No mundo a matriz energética é composta principalmente
por fontes não renováveis. Fontes renováveis correspondem por apenas 14% na matriz energética
mundial.

7.1 Matriz energética no Brasil


O Brasil apresenta a matriz energética mais renovável que a matriz mundial , com
45,3% de sua elaboração de fontes como a biomassa, recursos hídricos, energia solar e eólica.
Esses valores são muitos importantes, pois as fontes não renováveis são as responsáveis pela
emissão de gases do efeito estufa,assim o país emite menos gases que a maioria dos outros
países. O Brasil possui 43 usinas de biodiesel distribuídas nas regiões brasileiras: Norte com 5%,
Centro-Oeste com 33%, o Sul com 25% e o Sudeste com 18%, Portanto isso representa
capacidade instalada suficiente para 3,6 Bilhões de litros/ano. O gráfico 2 mostra a composição
da matriz energética nacional no período de 2010.
Gráfico 2:​ ​Oferta interna de energia no Brasil (2010).

[Fonte: Ministério de Minas e Energia].


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7.3 Matriz energética na região sudeste


O sudeste é uma das regiões com forte concentração de energia elétrica e renda,
que mostra um padrão de consumo menor que as de pequeno recurso aquisitivo. O consumo
residencial no sudeste em (GWh) é de 56.839 já no Brasil é de 108.407, sendo assim o sudeste
consome mais que a metade no Brasil inteiro.

Entre as cinco regiões no Brasil, o sudeste é o terceiro território com mais fontes
renováveis em sua matriz energética, com 40,5% do seu total, considerando os dados da
verificação de 2015 do.

O IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística) elaborou um registro para


ver a distribuição e logística energética na região sudeste. O estado de são Paulo é responsável
por 7,2% na produção de petróleo, o Rio de Janeiro corresponde há 34,8% da produção de gás
natural e 70% petróleo e o Espírito Santo é dirigente por 16,3% da formação de petróleo. Na
produção de gás natural, o Rio de Janeiro tem a participação de 34,8%, o Espírito Santo 14,9% e
São Paulo 13,1%. Logo, no Brasil 39% da capacidade de refino fica no interior de São Paulo,
10,9% no Rio de Janeiro e 9,3% no Rio Grande do Sul. Assim as regiões Sudeste e Sul possuem
59,2% da capacidade de refino no Brasil. O levantamento do IBGE também constata que São
Paulo é o estado que mais fabrica combustível no país.

CONCLUSÃO

A diferença de potencial entre dois pontos de um condutor gera a corrente elétrica,


conhecida como energia elétrica. Ela tem como principal função a capacidade de originar outros
tipos de energia, como a energia mecânica e a energia térmica. Todos os dias várias fontes de
energia são utilizadas continuamente para sua geração, transmissão e distribuição.

No mundo cerca de ⅔ da população possui acesso a energia, a solução para uma


distribuição mais igualitária seria acordos entre governo e indústria, com a finalidade de redução
de preços. No Brasil os impostos são altos e representam 45% das contas dos brasileiros, no Rio
de Janeiro, na região sudeste, os cariocas comprometem 15,57% da sua renda de gastos com
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energia. Os valores são altos e nem sempre o consumidor recebe uma boa qualidade de energia e
de serviço em sua casa. Com isso, passa a ser interessante a implementação do smart grid no
país.

O smart grid permite a união de pequenos sistemas de geração, fotovoltaicos e


eólicos, para consumidores de baixa tensão. Também, proporciona um bom funcionamento do
sistema, em simultaneidade com todo o sistema elétrico. Assim, sua instalação em todo país
tornaria possível, futuramente, a geração de energia descentralizada e de forma pulverizada, no
caso, cada consumidor poderia gerar sua própria energia. Essas características favoreceriam o
Brasil com mais segurança no suprimento de energia e com redução do capital investido na
ampliação do sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica, da mesma maneira do
parque gerador. Contudo, a forma de repartir os custos e benefícios deve considerar que todos os
benefícios podem ser incertos e difusos. Pois, com a ausência de uma avaliação adequada de
custo-benefício, a divisão dos custos de maneira proporcional aos benefícios pode ser
questionável.

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