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Notícia… Encontro… Comunhão…

A experiência pascal é sempre uma experiência Comunitária e Pessoal. A catequese pascal de Tomé é
muito rica. “Tomé não estava com eles”… O Re-Suscitado “aparece”, isto é, faz-se presente, faz-se sentir. É
uma presença nova, mas é ele mesmo. É um Encontro. Os discípulos conhecem-no, conviveram com ele
tanto tempo… porque o Conhecem, a experiência pascal é uma experiência em que o Reconhecem, ou seja,
percebem a sua Presença mas de uma maneira nova. “Estavam as portas fechadas”… duas vezes! O
evangelista insiste neste símbolo… “Estando as portas fechadas”… É uma presença nova, um chegar novo,
diferente… mas é ele mesmo! O sinal de que é ele mesmo são as marcas históricas da sua fidelidade, da
sua entrega, as suas feridas. Não é um fantasma, não é uma imaginação deles, mas é o próprio Jesus, com
toda a sua história re-suscitada pelo poder de Deus, que volta a estar com eles.

Tomé não estava com eles e não fez esta experiência, porque é Comunitária. Mas é também
profundamente Pessoal, e por isso não lhe chega o que os outros dizem: “Vimos o Senhor!” A Tomé não
lhe basta a NOTÍCIA da Ressurreição. Quer o ENCONTRO com o Re-Suscitado! A maior parte dos
discípulos de Jesus, hoje, talvez se bastem com a Notícia da Ressurreição, ainda que fria, desencantada,
sem vida nem consequências… mas não Tomé! A Vida Nova não acontece por “ouvir dizer” mas por
Encontrar-se com aquele que é capaz de nos recriar.

Tomé é o rosto visível de todos os que, na altura em que os evangelhos foram escritos, estavam na
condição de catecúmenos, isto é, aqueles que estavam a aderir à fé numa comunidade de discípulos. É o
que vem de fora, não está lá desde o princípio, não esteve ainda com Jesus, recebe a notícia da sua vida re-
suscitada e quer experimentar também ele esse mesmo encontro pascal.

O evangelho termina como um testamento que se deixa, um testemunho que se oferece aos outros como
quem confia um tesouro para ser cuidado e preservado. O objectivo? “Para acreditardes que Jesus é o
Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu Nome”. Este é o caminho da
experiência pascal para nós. Nós não convivemos historicamente com Jesus, não o conhecemos assim, e por
isso a nossa experiencia pascal não é a de o reconhecermos como os primeiros. A nós essa experiência foi-
nos transmitida por eles para que, pelo seu testemunho, encontremos nós o caminho para a nossa própria
experiência. Como Tomé que, depois da NOTÍCIA da Ressurreição quis o ENCONTRO com o Re-
Suscitado!

Na segunda leitura escutamos que quem prepara para nós a transmissão deste tesouro que é o testemunho
dos Apóstolos é o Espírito Santo. Aliás, é-nos dito que “É o próprio Espírito quem dá testemunho, porque
o Espírito é a verdade!”

Se o evangelho nos fala de uma passagem importante que é passar da Notícia da Ressurreição ao Encontro
com o Re-Suscitado, a primeira leitura complementa ainda com outra: do Encontro com o Re-Suscitado à
COMUNHÃO dos Irmãos. Nos Actos dos Apóstolos aparecem-nos estes modelos de comunidades de
discípulos de Jesus, em que a Fé gerava um dinamismo de partilha fraterna que fazia com que
desaparecesse a pobreza e a marginalização de pessoas. E, por isso, esta Comunhão Fraterna tornava-se o
mais eloquente testemunho da Ressurreição de Jesus como acontecimento salvador para toda a
Humanidade capaz de criar gestos de Esperança e Vida Nova que antecipam o Mundo Novo que sai
permanentemente do Coração de Deus e da Vida Glorificada de Jesus.

“Páscoa” significa, em hebraico, “Passagem”… É nestas passagens que hoje meditamos que se guardam os
segredos de comunidades novas, uma Igreja renascida, e os baptizados a tornarem-se verdadeiramente os
arautos de uma Nova Humanidade.