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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – 00/2019 – FÍSICA 2 EXPERIMENTAL PARA QUÍMICA –

TURMA A

Relatório do Experimento 9 – Coeficiente de absorção

01/02/2019

Igor Santos Duarte Costa – 16/0008450


Rayane da Silva Cardoso – 14/0160451
Sthéfany Thays G. S. de Oliveira – 15/0021984
Wendel Araújo Pereira – 15/0048505

1) INTRODUÇÃO

A luz pode ser absorvida ou espalhada por partículas. O processo de absorção


remove energia radiativa do feixe incidente transformando-a em outras formas de
energia. No espalhamento, a energia que incide em uma direção é espalhada ou
desviada para outras direções, havendo a produção de radiação difusa.

Tais processos são promovidos por alguns constituintes atmosféricos e


dependem de suas características físicas, que podem ser o tamanho da partícula com
relação ao comprimento de onda da radiação incidente, de sua composição química,
do arranjo dos átomos que compõem as moléculas.

O coeficiente de extinção é uma medida que calcula a perda de intensidade


de luz pela distância que ela percorre. Esse valor depende de dois efeitos, a absorção
e o espalhamento da luz. A absorção ocorre quando a energia da luz é perdida para
um meio no qual está luz passa, energizando os elétrons dos átomos que compõem
este material e o espalhamento quando a raios de luz em direções próximas se
espalham em outras direções.

Uma das formas de espalhamento é pela reflexão de parte da luz quando esta
entra em um meio com maior índice de refração (do ar para a água como por
exemplo). Neste experimento consideraremos apenas o efeito da reflexão e da
absorção, desprezando outros tipos de espalhamento.

Neste contexto, também devemos introduzir o termo “transmissão”, que se


refere a razão entre a intensidade final e a intensidade inicial da luz quando esta
sofre absorção de um meio. O cálculo da transmissão de uma série de m lâminas, que
deverá ser calculado no experimento, é : T(m)=(If/I0) x m
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A intensidade final por sua vez pode ser calculada experimentalmente ou em


função da distância, pela formula: I(x) = I0 . e-αx

Onde x é a distância medida em centímetros e α é o coeficiente de absorção


do material com unidade em cm-1. O coeficiente de absorção α é propriedade do
material. Define-se a extensão a qual o material absorve energia, por exemplo, de
ondas de som ou radiação eletromagnética.

É uma medida de quão fortemente uma molécula específica irá absorver luz
e é suficiente para descrever a propagação de energia através de um sistema
homogêneo somente, pois a propagação através de um sistema heterogêneo é
afetada por dispersão.

Figura 1 – Incidência do raio luminoso quando muda de meio.

2) OBJETIVOS

Entender os princípios que regem a extinção ótica num meio absorvente.

3) MATERIAIS

- Uma fonte de luz com filtro vermelho;

- uma fonte de alimentação;

- uma lente;

- um diafragma;

- 8 filtros de vidro;

- um suporte para filtros;

- um medidor de intensidade luminosa (luxímetro);

- óleo mineral.
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4) PROCEDIMENTOS

- Montamos um sistema respeitando a ordem dos componentes, conforme figura 1.

- Colocamos o filtro no suporte e fechamos o diafragma até que a luz atinge o


detector estivesse passando totalmente por uma pequena região do filtro e
ajustamos a fonte de alimentação de luz, observando a capacidade do luxímetro.

- Inserimos, um a um, os filtros no suporte anotando os respectivos valores das


intensidades transmitidas.

- Com o conta gotas, pingamos óleo entre cada um dos filtros e repetimos o
procedimento anterior de medir a intensidade transmitida.

Figura 2 - Montagem de sistema do experimento

5) DADOS
Espessura do vidro: (0,0030 ± 0,0005) m cada vidro

N° de filtros (𝑰 ± ∆𝐈)𝒍𝒖𝒙 (𝒔𝒆𝒎 ó𝒍𝒆𝒐) (𝑰 ± ∆𝐈)𝒍𝒖𝒙 (𝒄𝒐𝒎 ó𝒍𝒆𝒐)


1 45 ± 1 48 ± 1
2 27 ± 1 31 ± 1
3 17 ± 1 21 ± 1
4 10 ± 1 15 ± 1
5 6±1 10 ± 1
6 4±1 7±1
7 2±1 5±1
8 1±1 3±1
Tabela 1 - Medidas experimentais.
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6) ANÁLISE DE DADOS

Intensidade Luminosa (LUX) 60

50

40

30
I(x) = (69 ± 1)e-(0,384 ± 0,007)x
20

10
I(x) = (81 ± 1)e-(0,53 ± 0,02)x
0
0 2 4 6 8 10
Número de filtros

I - sem óleo I - com óleo

Figura 3 - Intensidade de luz pelo número de lâminas.

À medida que são colocadas mais lâminas de vidro no anteparo, a absorção


da luz aumenta e a intensidade luminosa diminui exponencialmente. No caso em que
não se usa o óleo a intensidade de luz é ainda menor, pois há também o fenômeno
da reflexão, já que a diferença entre os índices de refração do ar e do vidro e grande
parte da luz é refletida pelo vidro. O uso de óleo diminui a reflexão da luz já que seu
índice de refração se assemelha ao do vidro.

A regressão elucidada na equação é:

𝐼(𝑥) = 𝐼0 × 𝑒 −𝛂𝐱

Onde o “x” é a distância percorrida pelo feixe no meio em que ocorrerá a


absorção. Considerando a espessura de cada vidro com (0,0030 ± 0,0005) m, pode-
se tirar o coeficiente de absorção óptica da própria regressão.

𝐼(𝑥) = (69 ± 1) × 𝑒 −(0,384 ± 0,007)𝑥 → com óleo

𝐼(𝑥) = (81 ± 1) × 𝑒 −(0,53 ± 0,02)𝑥 → sem óleo

Este experimento sem a adição de óleo, já fornecera um coeficiente de (0,53


± 0,02) m-1, porém os dados estão enviesados, uma vez que há uma camada de ar
entre os vidros. Problema, o qual, pode ser minimizado com a adição de óleo entre
os filtros.
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Uma vez que o óleo também terá um coeficiente de absorção própria e a


refração continuará a ocorrer, não se pode afirmar com toda certeza se tratar do
coeficiente de absorção do material, porém essa pode ser vista como uma medida
mais confiável, uma vez que seu índice de refração se assemelha ao do vidro.

Obteve-se, portanto, um coeficiente de (0,384 ± 0,007) m-1. Sendo realizado


com sucesso o objetivo do experimento.

Outra forma de análise dos dados é criar um gráfico mono-log da intensidade


pelo número de filtros para se encontrar o coeficiente de absorção.

4,5
4
3,5
ln (I(x)) = -(0,384 ± 0,007)x + (4,23 ± 0,03)
3
ln (I(x))

2,5
2
1,5
1
ln(I(x)) = -(0,53 ± 0,02)x + (4,40 ±0,08)
0,5
0
0 2 4 6 8 10
Número de filtros

I - sem óleo I - com óleo

Figura 4 - Mono-log da intensidade de luz pelo número de lâminas

A equação da reta fica ln(I(x)) = -αx + ln(I0). Assim podemos visualizar na


regressão linear os coeficientes absorção com ar e com óleo.

α (sem ar) = (0,53 ± 0,02) m-1

α (com óleo) = (0,384 ± 0,007) m-1

Com o gráfico mono-log da intensidade pelo número de filtros observamos


possíveis erros evidenciados por não apresentar uma reta perfeita.

7) CONCLUSÃO

Foi possível medir com sucesso o coeficiente de absorção do vidro, embora


não muito preciso, de forma que o experimento serviu de base para estudo do
fenômeno.
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Também é importante frisar a diferença dada pela existência de um meio de


propagação entre os filtros – o que foi testado na prática – gerando debates sobre
deveria ser feita idealmente a medida.

No experimento a absorção não foi o único fator na diminuição da


intensidade da luz e pudemos ver que fenômenos como o da reflexão também são
responsáveis. Alguns possíveis erros podem ser evidenciados pelo fato do gráfico
mono-log não ter sido uma reta perfeita. Estes erros incluem algo sujo nas laminas
e/ou a medição do detector de luz, que, no momento em que a anotamos, poderia
não estar mostrando o valor máximo

8) REFERÊNCIAS
[1] Apostila de Física 2 Experimental para Química, Universidade de Brasília – UnB,
2014;
[2] Halliday, D., Resnick, R., Walker, J. – “Fundamentos de Física 4” - São Paulo: Livros
[3] http://www.dca.iag.usp.br/www/material/hallak/rad1/apostila_cap_05.pdf
[4] http://alfaconnection.net/images/LUZ080213a.gif - Figura 1;