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LUZ E VISÃO René Descartes (1596 - 1650)

Sabemos que na ausência de iluminação, e portanto de luz, o olho humano encontra


muita dificuldade para distinguir objetos. Isso significa que estes existem,
independentemente de nossa capacidade de enxergá-los. Por outro lado, uma
deficiência visual pode impedir a visão dos objetos, mesmo com a presença de luz.
Os físicos entendem, hoje, que o fenômeno da visão resulta da combinação desses
dois elementos: a luz e o olho. Em outras palavras, podemos dizer que o olho reage
à luz e isso possibilita o desencadeamento em nosso cérebro de uma série de
processos como memória, conhecimento, reconhecimento, etc.

Para enxergar nitidamente os objetos, distinguindo cor, forma, volume, é necessário


que estes estejam iluminados, ou seja, é preciso haver uma fonte de luz, como o Sol
ou as lâmpadas. Além disso, é igualmente necessário que nosso aparelho receptor"
da luz (o olho) e nosso "aparelho decodificador" (o cérebro) estejam em perfeito
funcionamento.
Há mais ainda: o objeto precisa estar dentro do campo de visão dos nossos olhos e
seu tamanho influencia na distância máxima em que poderemos reconhecê-lo.

AS CORES DOS OBJETOS Christian J. Doppler (1803 - 1853)

No final do século XVII, Newton realizou experiências que mostraram ser a luz branca
uma mistura de todas as cores.

Quando iluminado por luz branca, um objeto pode deixar de refletir todas as cores; ao
contrário, pode absorver algumas. Assim, um corpo verde, por exemplo, reflete
principalmente o verde e absorve as outras cores.

Um corpo é branco quando reflete todas as cores e um corpo tem cor negra quando
absorve toda a luz que incide sobre ele, isto é, quando não reflete nenhuma das ondas
eletromagnéticas do espectro visível. A luz branca é também chamada de luz
policromática, enquanto uma luz de cor pura, como o verde, por exemplo, é chamada
luz monocromática.

A cor não é uma característica própria do objeto, mas depende da luz que o ilumina.
Um corpo vermelho, quando iluminado por luz branca, absorve todas as cores, exceto a
radiação vermelha, que é refletida. Se esse corpo for iluminado por luz monocromática
amarela, por exemplo, ele será visto como um objeto preto, pois o amarelo é absorvido
e não há vermelho para ser refletido.
CÂMARA ESCURA Leonardo da Vinci (1452 - 1519)

Um fenômeno muito simples, que se deve à propagação retilínea da luz, pode ser
observado com auxílio de uma câmara escura, aparelho descrito pela primeira vez por
Leonardo da Vinci.

A câmara escura é uma caixa fechada, sendo uma de suas paredes feita de vidro fosco. No
centro da parede oposta, há um pequeno orifício. Quando colocamos diante dele, a certa
distância, um objeto luminoso ou fortemente iluminado, vemos formar-se sobre o vidro
fosco uma imagem invertida desse objeto.

Vejamos a razão desse fenômeno: Um ponto do objeto envia luz em todas as direções. A
parede de vidro fosco, no entanto, é atingida apenas pelo raio, que, passando pelo orifício,
alcança o fundo da câmara. Aplicando o mesmo raciocínio aos demais pontos do objeto,
constataremos que a imagem, que se forma sobre o vidro fosco, apresenta-se invertida.

A máquina fotográfica

De certo modo, a máquina fotográfica é urna câmara escura de orifício incrementada com
lentes e filme fotográfico. A lente convergente, chamada objetiva, é responsável pela
formação da imagem no fundo da máquina, onde fica o filme fotográfico, que registra a
imagem.
ESPELHOS PLANOS Hendrik A. Lorentz (1853 - 1928)

Reflexão da luz

Um objeto que não emita luz própria, como uma cadeira ou um livro, só pode ser visto se
for iluminado, isto é, se receber luz de alguma fonte. Apenas quando a luz refletida pelo
objeto atinge nossos olhos ele se torna visível.

Mas a reflexão da luz pode ter efeitos diferentes, dependendo do tipo de objeto. Veja a
diferença entre a reflexão da luz numa folha de papel e num espelho. Olhando para a folha
de papel, vemos a própria folha, mas olhando para o espelho, apenas vemos a imagem de
outros objetos.

Essa diferença ocorre devido à superfície refletora da luz: na folha, a superfície é irregular,
enquanto no espelho é muito lisa. Na folha, ocorre reflexão difusa e, no espelho, reflexão
regular.

Espelhos planos

Um espelho plano é uma placa de vidro cuja superfície posterior recebeu uma fina película
de prata. Quando a luz incide em uma superfície deste tipo, ela é refletida regularmente.
Essa regularidade da reflexão é que permite a formação de imagens. Como isso não
acontece nos corpos cujas superfícies são rugosas, estes não produzem imagens. As
superfícies rugosas, quando iluminadas, nos revelam somente sua própria forma, textura e
cor.
Quando vamos dirigir um carro, precisamos ajustar a posição dos espelhos retrovisores
para enxergar o que está atrás dele. Qualquer alteração na posição do espelho ou da cabeça
do motorista pode impedir esta visualização, porque os feixes de luz que incidem no
espelho plano são refletidos em direções determinadas. Ou seja, os feixes de luz emitidos
por um carro que está atrás só serão vistos pelo motorista se refletirem no espelho e
incidirem sobre seus olhos.

Imagens nos espelhos planos

Em um espelho plano comum, vemos nossa imagem com a mesma forma e tamanho, mas
parece que encontrar-se atrás do espelho, invertida (esquerda na direita e vice-versa), à
mesma distância que nos encontramos dele.

Os raios que partem de um objeto, diante de um espelho plano, refletem-se no espelho e


atingem nossos olhos. Assim, recebemos raios luminosos que descreveram uma trajetória
angular e temos a impressão de que são provenientes de um objeto atrás do espelho, em
linha reta, isto é, mentalmente prolongamos os raios refletidos, em sentido oposto, para
trás do espelho.
ESPELHOS ESFÉRICOS Leon Foucault (1819 -1868)

Chama-se espelho esférico o que tem a forma de uma calota esférica, isto é, quando sua
superfície refletora é parte de uma superfície esférica. Pode ser côncavo ou convexo,
conforme a superfície refletora seja a interna (voltada para o centro da esfera) ou a
externa.
Os espelhos esféricos atuam como lentes, podendo aumentar ou diminuir o tamanho
das imagens.
Os raios de luz do Sol são paralelos, fazendo a luz solar incidir num espelho côncavo,
os raios refletidos se concentram num ponto, e o ponto onde se concentram esses raios
se chama foco do espelho. Se, inversamente, colocarmos no foco uma fonte luminosa
de pequenas dimensões, por exemplo: uma vela ou uma pequena lâmpada elétrica, os
raios enviados e refletidos no espelho, formam um feixe paralelo. Utiliza-se esta
propriedade nos faróis de carros, ou mesmo nas lanternas, para se obter um feixe
luminoso visível a grande distância.
Os espelhos côncavos são também utilizados nos telescópios, permitindo-nos observar
(ou fotografar) estrelas e galáxias.
Uma colher é um espelho curvo rudimentar. Mesmo não sendo lisa e polida como um
espelho verdadeiro, ela nos envia as imagens dos objetos que se refletem em sua
superfície. Vamos, por exemplo, observar nosso rosto refletido numa colher. Se
olharmos para a face convexa (o lado externo) da colher, a imagem refletida aparecerá
direita, mas reduzida. Os espelhos convexos conseguem concentrar em pouco espaço
uma cena bastante ampla. Eles são, por isso, utilizados como retrovisores em
automóveis. Às vezes, são também instalados em ruas curvas e muito estreitas, onde há
pouca visibilidade.
REFRAÇÃO Thomas Young (1773 - 1829)

Quando um feixe de luz incide sobre a superfície de um tanque de água, verticalmente,


parte da luz entra na água e propaga-se para baixo ao longo da mesma direção. Se a luz
incidir sobre a água obliquamente, o feixe terá sua direção inclinada para baixo. Esta
mudança de direção de propagação da luz, ao passar de uma substância para outra,
chamamos refração. O ângulo entre o raio refratado e a normal à superfície é o ângulo de
refração.
Você pode demonstrar a refração fazendo um feixe de luz entrar na água contida num
recipiente dotado de paredes laterais de vidro, como um aquário. Adicione um pouco de
corante ou de leite à água, a fim de espalhar a luz para os lados, de modo que você possa
ver o rastro do feixe.
Mergulhe parte de um lápis num recipiente com água. Os raios luminosos provenientes
desta parte do lápis mudarão de direção ao atravessarem a superfície da água. O lápis
parecerá quebrado e a água parecerá menos profunda que é realmente. Um menino, para
fisgar um peixe, deve apontar o arpão para baixo de sua posição aparente.
A refração também nos permite enxergar o Sol abaixo da linha do horizonte. Isto ocorre
porque a densidade do ar é maior à baixa altitude e diminui gradualmente à medida que nos
afastamos da Terra. Dessa forma, a luz incidente sofrerá refração de maneira progressiva e
gradual, desviando-se e fazendo com que o nascer e pôr-do-sol sejam vistos quando o Sol
se encontra abaixo da linha do horizonte.
REFLEXÃO TOTAL
Wolfgang Pauli (1900 - 1958)
DA LUZ

Um feixe de luz que se propaga na água, por exemplo, atinge a fronteira com o ar. Uma
parte da luz volta para a água, gerando um feixe refletido. O restante passa para o ar,
gerando um feixe refratado.
O feixe refletido e o feixe incidente formam ângulos iguais com a direção normal. O
feixe refratado forma um ângulo maior. Se aumentarmos o ângulo de incidência, o feixe
refratado se afastará mais da normal.
Aumentando mais o ângulo de incidência, chegará uma situação em que o feixe refratado
será quase paralelo à superfície. Nessa situação, quase toda a luz é refletida.
Aumentando um pouco mais o ângulo de incidência, o feixe refratado desaparece e toda
a luz passa a ser refletida. Esse fenômeno chama-se reflexão total.
Para que a reflexão total ocorra, são necessárias as seguintes condições:
- A luz deve provir do meio mais refringgente (mais denso) para o meio menos
refringente (menos denso).
- O ângulo de incidência devve ser maior que um determinado valor, chamado ângulo-
limite de refração. Esse ângulo depende do par de meios considerados, no caso da água e
ar, é aproximadamente 49º.
Um exemplo de aplicação da reflexão total é o das fibras ópticas, largamente usadas nas
telecomunicações, na endoscopia (medicina) etc. Nas fibras ópticas um raio de luz
penetra por uma extremidade e emerge pela outra extremidade, após sofrer diversas
reflexões totais.
LENTES ESFÉRICAS Albert Michelson (1852 - 1931)

As leis da reflexão e da refração permitem determinar o caminho dos raios


luminosos nos meios transparentes. Essas leis são a base de conhecimento para a
construção dos instrumentos ópticos. Em tais instrumentos (lentes de óculos,
microscópios, lunetas, máquinas fotográficas, ... ) a luz é levada a percorrer um
caminho bem-determinado.
As partes essenciais dos instrumentos ópticos são constituídas por lentes esféricas,
ou seja, corpos refringentes delimitados por superfícies curvas. Elas têm a
propriedade de produzir imagens ampliadas ou reduzidas de objetos externos sem
grandes deformações.
Existem lentes de formas muito diversas, mas, do ponto de vista do efeito que
produzem, elas podem ser classificadas em apenas dois grupos:
(1) Lentes convergentes. São mais espessas no centro do que nas bordas. São assim
chamadas porque fazem convergir para um ponto os raios luminosos paralelos que
as atravessam. São convergentes as lupas e as lentes de óculos para hipermetropia.
(2) Lentes divergentes. São mais espessas nas bordas do que no centro. Quando
atingidas por raios paralelos, elas os fazem divergir, ou seja, abrir-se como um
leque. As lentes de óculos para miopia, assim como os olhos-mágicos instalados nas
portas, são lentes divergentes.
Um raio de luz que atinge a superfície de uma lente é refratado duas vezes:
primeiramente, quando passa do ar para o vidro; depois, ao passar do vidro para o
ar. Em geral, o raio emergente apresenta um desvio em relação à direção do raio
incidente. Esse desvio é voltado para a parte mais espessa da lente, ou seja: o raio se
desvia para o eixo se a lente é convergente, e se distancia do eixo se ela é
divergente.
O OLHO HUMANO Christian Huygens (1629 - 1695)

De maneira simplificada, podemos considerar o olho humano como constituído de urna


lente convergente, denominada cristalino, situada na região anterior do globo ocular. No
fundo deste globo está localizada a retina, que funciona como um anteparo sensível à luz.
As sensações luminosas, recebidas pela retina, são levadas ao cérebro pelo nervo ótico.
Quando olhamos para um objeto, o cristalino forma uma imagem real e invertida deste
objeto, localizada exatamente sobre a retina e, nestas condições, enxergamos nitidamente
o objeto. Embora a imagem formada na retina seja invertida, a mensagem levada ao
cérebro faz com que enxerguemos o objeto em sua posição correta.
Conseguimos enxergar nitidamente um objeto quer ele esteja mais próximo ou mais
afastado de nosso olho. Isto acontece porque a imagem está se formando sempre sobre a
retina, qualquer que seja a distância do objeto ao nosso olho. Para que isto ocorra, a
distância focal do cristalino deve ser diferente para cada posição do objeto. Este efeito é
produzido pela ação dos músculos do olho que, atuando sobre o cristalino, provocam
alterações em sua curvatura. Esta propriedade do olho é denominada acomodação visual.

Defeitos na visão
Para muitas pessoas, a imagem de um objeto não se forma exatamente sobre a retina e,
assim, estas pessoas não enxergam nitidamente o objeto. O motivo pelo qual isto ocorre
pode ser ou uma deformação do globo ocular, ou uma acomodação defeituosa do
cristalino.
Em algumas pessoas, a imagem se forma na frente da retina: estas são as pessoas míopes.
Para se corrigir este defeito, isto é, para que se tenha a imagem do objeto formada sobre a
retina, uma pessoa que tem miopia deve usar óculos com lentes divergentes.
Por outro lado, em outras pessoas, os raios luminosos são interceptados pela retina antes
de se formar a imagem (a imagem se formaria atrás da retina). Isso ocorre porque essas
pessoas têm um globo ocular mais curto do que o normal (hipermetropia) ou uma perda
da capacidade de acomodação do olho com a idade ("vista cansada"). Este defeito é
corrigido usando-se óculos com lentes convergentes.