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Júlia Oliveira Galvão 510807

Baseado em sua experiência no estágio e no texto (01 ou 02), para você, como seria a
relação perfeita entre professores e estudantes, do ponto de vista das interações sociais?

A escola não é um lugar aonde vamos apenas para aprender os conhecimentos


curriculares de cunho científico. As crianças e jovens constroem nessa época da vida,
através das relações sociais, seja em casa com a família, seja na escola com professores,
colegas e funcionários, a sua própria identidade. O longo período que engloba essas
duas fases da vida é responsável por grande parte da nossa formação enquanto
detentores de conhecimento, mas mais do que isso, enquanto seres com princípios
éticos.

A incorporação da ética na vida tem muito haver com a forma como somos
tratados e somos ensinados a tratar todos os outros seres-vivos e até mesmo os objetos
em nossa volta. Aprendemos o valor do respeito, quando somos respeitados. A ausência
de respeito e afetividade tende a gerar ambientes violentos, onde as pessoas apenas
“gritam e não ouvem” e tendem a apelar para punições coercitivas ao invés do diálogo.

Em uma experiência de estágio no ensino fundamental consegui perceber


nuances muito interessantes da afetividade. Apesar de a professora ser muitas vezes
brava e gritar para obter o silêncio, eu conseguia sentir o afeto que ela demonstrava
pelo estudantes, e os mesmos tinham por ela. Mesmo que a aula ocorresse em um
sentido bastante tradicional, durante 30 minutos pelos menos, em uma aula de 50
minutos, a professora conseguia explicar a matéria. Em certas ocasiões realizava
atividade lúdicas propostas pelo caderno do estado ou passava filmes. Mesmo que o
temperamento da professora não fosse exatamente de uma pessoa “amorosa e delicada”
de certa maneira ela cativava seus alunos. Talvez essa relação afetiva muitas vezes surja
naturalmente quando existe certo apreço pelo próprio trabalho e/ou preocupação com as
crianças e jovens. O que quero dizer é que o afeto nem sempre aparece de uma forma
estigmatizada, muitas vezes ele está implicado naquela dedicação diária do professor
pelos alunos, mesmo com todas as limitações e problemáticas envolvidas. Os alunos,
por sua vez, criam laços afetivos, mesmo que os professores não sejam exatamente
pessoas doces e gentis, mas pergunto-me se não estariam eles aprendendo que o grito
muitas vezes resolve questões que deveriam ser dialogadas - e que por questão do tempo
não são colocadas em debate.

Uma segunda experiência me levou a um professor bastante afetuoso, alegre,


que brinca com seus alunos, que demonstra preocupação. Presenciei interrupções das
aulas para realização de diálogos profundos e essenciais sobre violência, identidade
masculina, autoritarismo, etc... Esse professor inclusive freqüenta o pátio no intervalo
das aulas, vi os estudantes se aproximarem dele, levarem suas preocupações e suas
vontades. Esse professor se demonstrou muito mais afetivo do que a professora citada
anteriormente, até mesmo com nós, as estagiárias. Sem dúvida, o afeto faz muita
diferença. Todos os estudantes respeitam esse professor, inclusive os mais
indisciplinados. Podem ter outras reclamações, do tipo que ele demora em avançar na
matéria (mas isso ocorre da indisciplina – mesmo que os estudantes mais enérgicos
participem ativamente da aula – são muitas brincadeiras de mau gosto que fazem o
professor parar a explicação). Mesmo assim, a grande maioria dos estudantes presta
atenção e participa da aula.

Para finalizar, posso dizer por experiência que o estágio é bem mais empolgante
e interessante quando o estagiário é bem recebido, tanto pela escola, quanto pelo
professor. A primeira experiência nos levou a uma pessoa com uma personalidade mais
fria, distante, que mal nos cumprimentava. Já a pessoa da segunda experiência nos levou
para a sala dos professores e nos ofereceu café. Senti-me muito feliz quando vi que o
tratamento seria afetuoso, me senti motivada a trabalhar e buscar atividades
interessantes. E mais do que isso aprendi a me aproximar dos estudantes seja pela
aproximação via linguagem, pelas brincadeiras, pelo despojamento, pela preocupação
com a vida pessoal, e mais do que tudo por situações educativas muito férteis que não
foram passadas em branco, mas impulsionadas por motivos éticos foram dialogadas e
pontuadas.