Você está na página 1de 353

Maria Armanda Viana Antunes Guimarães da Silva Dória

Evolução dos Fluidos Associados a Processos Mineralizantes:


Aplicação à Região Aurífera de Vila Pouca de Aguiar

Departamento de Geologia
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Dezembro 1999
Maria Armanda Viana Antunes Guimarães da Silva Dória

Evolução dos Fluidos Associados a Processos Mineralizantes:


Aplicação à Região Aurífera de Vila Pouca de Aguiar

Tese submetida à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto


para obtenção do grau de Doutor em Geologia

Departamento de Geologia
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Dezembro 1999
Este trabalho constitui um dos projectos que integra o Plano de
Actividades do Centro de Geologia da Universidade do Porto,
subsidiado pelo Programa de Financiamento Plurianual de I & D (FCT).

Este trabalho beneficiou do convénio Portugal/França, nomeadamente


do projecto "Rede de Formação e Investigação" R.F.R. 38/96 JNICT
(Portugal)/MESR (França).
As minhas filhas
Alexandra Maria, Claudia e Rita Isabel
AGRADECIMENTOS

A preparação e execução deste trabalho não seria possível sem a ajuda, de diversas formas, de
uma longa lista de pessoas a quem exprimo o meu reconhecimento.

Os meus primeiros agradecimentos vão para o Professor Doutor Fernando Noronha que
aceitou ser meu orientador científico e a quem devo a sugestão do tema deste trabalho, o
apoio científico constante, a disponibilização de todos os meios necessários à sua execução, a
leitura crítica e as valiosas propostas de alteração que contribuíram para o seu
enriquecimento. O encorajamento constante que sempre demonstrou nos momentos mais
difíceis do desenrolar deste trabalho foi determinante para a sua concretização.

Ao Doutor Michel Cathelineau e à Doutora Marie Christine Boiron pela sua disponibilidade
na orientação dos estágios realizados no "Centre de Recherches Sur la Géologie des Matières
Premières Minérales et Énergétiques" (CREGU), pelo apoio científico e discussão de alguns
capítulos deste trabalho. Não posso deixar de agradecer toda a amizade e acolhimento
caloroso manifestado durante a minha permanência em Nancy.

Ao Professor Doutor Lemos de Sousa, ao Professor Doutor Frederico Sodré Borges na


qualidade de Presidentes da instituição em desenvolvi a minha actividade, Museu e
Laboratório Mineralógico e Geológico actualmente Departamento de Geologia, pelo apoio
institucional pondo à minha disposição os meios necessários para a elaboração deste trabalho.

Ao Doutor Jacques Leterrier na qualidade de subdirector do CRPG, pelo seu acolhimento


aquando do meu primeiro estágio em Nancy como também, pelos seus preciosos conselhos e
encorajamento.

Ao Doutor Bernard Charoy pela orientação do meu estágio efectuado no CRPG-Nancy assim
como, pelo acolhimento e amizade.

A todos os colegas do Departamento de Geologia e do Centro de Geologia que com a sua


estima e incentivo contribuíram para a realização deste trabalho. Na impossibilidade de referir
todos gostaria de nomear de forma especial: a Maria dos Anjos, amiga que sempre me animou
e prestou toda a sua colaboração na discussão deste trabalho; a Helena Sant'Ovaia, a Helena
Cristina, o Alexandre Afonso, o Pedro Nogueira, a Alexandra Guedes, a Ângela e aos
restantes membros do GIMEF, pela sua solidariedade, amizade e encorajamento; o Rui Moura
pelo ajuda prestada a nível informático e na tradução de textos para inglês; a Deolinda, o João
Praia e a Helena Couto que sempre me motivaram; o José Pedro pela disponibilidade e
amizade.

Ao Doutor Farinha Ramos, responsável pela microssonda electrónica do Instituto Geológico


Mineiro, pela obtenção dos dados analíticos sobre minerais opacos.

Ao Professor Fernando Barriga e Doutor António Mateus que facultaram e/ou apoiaram na
utilização da microssonda electrónica da Faculdade de Ciências de Lisboa.

Ao Eng.° Carlos Sá, como responsável do Laboratório de Microscopia Electrónica do Centro


de Materiais da Universidade do Porto, o ter efectuado as análises ao MEV.

Ao Henrique Pinheiro pelo apoio prestado na elaboração do estudo da identificação da


matéria orgânica dispersa nos metassedimentos.

Ao Lopo de Vasconcelos pela ajuda prestada a nível informático e na tradução de textos para
inglês.

A Maria Manuela Tavares agradeço a disponibilidade e o empenho com que efectuou a


revisão da bibliografia.

Ao Fernando Araújo pela realização de alguns desenhos e pela ajuda na montagem das
estampas.

A Maria Manuela Valongueiro pela disponibilidade e pelo constante incentivo.

Ao Francisco Montenegro um saudoso obrigada pelo trabalho laboratorial de separação da


matéria orgânica e posterior polimento de superfícies.

Ao Sr. Joaquim Lima pela sua ajuda e disponibilidade para me acompanhar no trabalho de
campo.
Ao José Pinto devo-lhe o cuidado que pôs na execução das lâminas e superfícies polidas
estudadas.

A todo o corpo técnico do Departamento de Geologia que de diversas formas me prestaram a


sua colaboração e apoio.

Os meus agradecimentos às seguintes entidades:

- INIC, JNICT, através do Centro de Geologia da Universidade do Porto, CNRS e à


Embaixada de França pelos subsídios concedidos para a realização de estágios científicos de
curta duração no CRPG e no CREGU-Nancy, França.
- Ao CRPG, pela utilização de equipamentos durante o estágio aí realizado.
- Ao CREGU a disponibilização de todo o equipamento necessário à realização dos
diversos estágios, salientando a utilização da microssonda Raman.

A minha família e aos meus amigos o apoio, carinho e amizade.

As últimas palavras de agradecimento vão para o Miguel, Alexandra, Claudia, Rita, Ricardo e
Bernardo por me terem sempre apoiado e encorajado nos momentos mais difíceis.
ÍNDICE

Resumo i
Résumé v
Abstract ix
Lista de figuras xiii
Lista de tabelas xx
Lista de quadros xxi
Lista de estampas xxii

CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO GERAL 1

INTRODUÇÃO 3
A-OBJECTTVOS 5
B-MATERIAIS E MÉTODOS 6

CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO E GEOLÓGICO 9

II.l-LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA 11
II.2-TRABALHOS PRECEDENTES 11
II.3-HISTÓRIA MINEIRA 14
n.4- ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO DA REGIÃO AURÍFERA DE
VDLA POUCA DE AGUIAR 18
II.4.1 - Enquadramento geológico regional 18
II.4.2- Contexto geológico local 19
II.4.2.1-Litoestratigrafia 19
11.4.2.2- Tectónica e metamorfismo 22
11.4.2.3- As estruturas quartzosas 24
11.4.2.3.1- Estruturas estéreis do encaixante metassedimentar 26
11.4.2.3.2- Estruturas mineralizadas 26
11.4.2.3.3- Estruturas estéreis tardias 28
CAPÍTULO III - CARACTERIZAÇÃO PETROGRÁFICA E MINERALÓGICA
DAS ESTRUTURAS QUARTZOSAS 35

III.l-INTRODUÇÃO 37
in.2- TEXTURA E MINERALOGIA DOS QUARTZOS 38
111.2.1- Métodos e técnicas analíticas 38
111.2.2- Principais tipos de quartzo 39
III.2.2.1-Cronologia relativa 42
III.3-PARAGÉNESES SILICATADAS E METÁLICAS 44
III.3.1- Métodos e técnicas analíticas 44
III.3.2-Filossilicatos 46
III.3.2.1 - Micas brancas 46
III.3.2.1.1-Generalidades 46
III.3.2.1.2- Estudo cristaloquímico 49
III.3.2.2-Clorites 58
III.3.2.2.1-Generalidades 58
III.3.2.2.2- Estudo cristaloquímico 60
III.3.2.3- Conclusões do estudo dos filossilicatos 63
111.3.3- Minerais metálicos 67
111.3.3.1- Estruturas filonianas 67
111.3.3.2- Estruturas silicificadas 70
111.3.3.3- Caracterização química dos minerais 71
111.3.4- Conclusões do estudo das paragéneses 77

CAPÍTULO IV - ESTUDO DE INCLUSÕES FLUIDAS 101

IV.l- INTRODUÇÃO 103


IV.2- METODOLOGIA E TÉCNICAS DE ESTUDO DAS INCLUSÕES FLUIDAS 105
i- Microtermometria 105
ii- Espectroscopia Raman 108
iii- Análise global iónica 110
IV.3- CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS INCLUSÕES FLUIDAS 111
IV.4- CARACTERIZAÇÃO DOS FLUIDOS DO ENCAIXANTE METASSEDIMENTAR 113
IV.4.1- Os filonetes de quartzo de Castelares 113
IV.4.1.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 113
IV.4.1.2- Caracterização microtermométrica 114
IV.4.1.3- Caracterização físico-química dos fluidos 116
IV.4.1.3.1- Composição da fase volátil 116
IV.4.1.3.2- Composição global 118
IV.4.1.4-Conclusões 118
IV.4.2- Os filonetes de quartzo em liditos de Banho 120
IV.4.2.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 120
IV.4.2.2- Caracterização microtermométrica 120
IV.4.2.3- Caracterização físico-química dos fluidos 123
IV.4.2.3.1 - Composição da fase volátil 123
IV.4.2.3.2-Composição global 125
IV.4.2.4-Conclusões 128
IV.5- CARACTERIZAÇÃO DOS FLUIDOS DAS ESTRUTURAS MINERALIZADAS 129
IV.5.1-OfilãodeJogadouro 129
IV.5.1.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 129
A- As inclusões aquo-carbónicas 129
B- As inclusões aquosas 130
IV.5.1.2- Caracterização microtermométrica 131
A- As inclusões aquo-carbónicas 131
B-As inclusões aquosas 136
IV.5.1.3- Caracterização físico-química dos fluidos 138
IV.5.1.3.1- Composição da fase volátil 140
IV.5.1.3.2- Composição global 142
IV.5.1.4-Conclusões 146
IV.5.2-O filão de Argeriz 149
IV.5.2.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 149
A- Fluidos aquo-carbónicos 149
B- Fluidos aquosos 150
IV.5.2.2- Caracterização microtermométrica 150
A- Fluidos aquo-carbónicos 151
B- Fluidos aquosos 156
IV.5.2.3- Caracterização físico-química dos fluidos 157
IV.5.2.3.1 - Composição da fase volátil 158
IV.5.2.3.2-Composição global 159
IV.5.2.4-Conclusões 163
IV.5.3-O filão de Vale de Égua 166
IV.5.3.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 166
A- Fluidos aquo-carbónicos 166
B- Fluidos aquosos 167
IV.5.3.2- Caracterização microtermométrica 167
A- A- Fluidos aquo-carbónicos 168
B- Fluidos aquosos 173
IV.5.3.3- Caracterização físico-química dos fluidos 176
IV.5.3.3.1- Composição da fase volátil 176
IV.5.3.3.2- Composição global 179
IV.5.3.4- Conclusões 184
IV.5.4- As estruturas silicificadas de Três-Minas 186
IV.5.4.1 - Tipologia e cronologia relativa dos fluidos 186
A- Inclusões fluidas aquo-carbónicas 186
B- Inclusões fluidas aquosas 187
IV.5.4.2- Caracterização microtermométrica 188
A- Fluidos aquo-carbónicos 188
B- Fluidos aquosos 193
IV.5.4.3- Caracterização físico-química dos fluidos 194
IV.5.4.3.1- Composição da fase volátil 194
IV.5.4.3.2- Composição global 198
IV.5.4.4-Conclusões 203
IV.6-COMPOSIÇÃO GLOBAL IÓNICA 204
IV.6.1-Introdução 204
IV.6.2-Aniões 205
IV.6.2.1- Resultados e discussão 206
IV.6.3-Catiões 210
IV.6.3.1 - Resultados e discussão 210
IV.7-SÍNTESE DO ESTUDO DOS PALEOFLUIDOS 215

CAPÍTULO V - CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES P-T-X DOS FLUIDOS 245

V.l-INTRODUÇÃO 247
V.2-METODOLOGIA 247
V.3- RECONSTITUIÇÃO DAS CONDIÇÕES P T DE APRISIONAMENTO NAS
DIFERENTES ESTRUTURAS 251
V.3.1- Utilização dos filossilicatos como geotermómetros 251
V.3.2- Condições P-T dos fluidos das estruturas quartzosas do encaixante
metassedimentar 254
V.3.2.1- Os filonetes de quartzo de Castelares 254
V.3.2.2- Os filonetes de quartzo em liditos de Banho 255
V.3.3- Condições P-T dos fluidos das estruturas quartzosas mineralizadas 258
V.3.3.1-OfilãodeJogadouro 258
A- Fluidos aquo-carbónicos 258
B- Fluidos aquosos 261
V.3.3.1.1-Conclusão 263
V.3.3.2-O filão de Argeriz 265
A- Fluidos aquo-carbónicos 265
B- Fluidos aquosos 267
V.3.3.2.1-Conclusão 269
V.3.3.3-O filão de Vale de Égua 270
A- Fluidos aquo-carbónicos 270
B- Fluidos aquosos 271
V.3.3.3.1-Conclusão 272
V.3.3.4- As estruturas silicificadas de Três-Minas 274
A- Fluidos aquo-carbónicos 274
B- Fluidos aquosos 276
V.3.3.4.1-Conclusão 276
V.4- CONDIÇÕES DE OXIDAÇÃO-REDUÇÃO DOS FLUIDOS DAS ESTRUTURAS
MINERALIZADAS 279
V.5- RECONSTITUIÇÃO GLOBAL DAS CONDIÇÕES P-T-V-X DE CIRCULAÇÃO.

DOS FLUIDOS 282

CAPÍTULO VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS 293

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 303

ANEXOS 321
Anexo I- Composição química dos filossilicatos e respectivas fórmulas estruturais 323
Anexo II- Composição química de minerais metálicos 335
Anexo III- Composição iónica 341
RESUMO

A região de Vila Pouca de Aguiar (VPA) é o exemplo de um distrito aurífero em que, à excepção do
filão do Campo-Jales, o essencial das mineralizações ocorre em contexto intrametamórfico, com a
particularidade da ocorrência de termos ricos em matéria carbonosa, nas sequências metamórficas do
encaixante.

A região de VPA abrange essencialmente sequências metassedimentares com idades que vão do
Ordovícico superior ao Devónico inferior, as quais apresentam deformação hercínica devida à
actuação de fases de deformação dúctil (Dls D2 e D3) seguidas de fases de deformação frágil. Estas
sequências estão enquadradas pelos granitos hercínicos: a norte e sul, pelos granitos de duas micas sin-
a tardi-tectónicos, respectivamente os maciços de Chaves e de Vila Real; a oeste, pelos granitos
biotíticos pós-tectónicos de VPA.
As formações metassedimentares foram afectadas por metamorfismo regional de baixo grau (zona da
clorite ou da biotite) e por metamorfismo de contacto, este último resultante da acção dos granitos
biotíticos pós-tectónicos de VPA.

A área estudada caracteriza-se pela ocorrência de numerosas estruturas quartzosas (filões,filonetese


lentículas), quer estéreis quer mineralizadas, encaixadas nos metassedimentos.
Foram estudados as seguintes ocorrências: Três-Minas (TM) - estrutura silicificada aurífera,
relacionada com zonas de cisalhamento sin-D3 (N120° a N130°E); o filão de Vale de Égua (VE), de
atitude N40° a N50°E/subvertical, associado a um sistema (NE-SW); as estruturas quartzosas filonianas
de Jogadouro (JOG) (N0° a N20°W/subvertical) e Argeriz (ARGZ) (N100° a N120°E/subvertical).

Como pretendemos realizar um estudo comparativo, tendo como principal objectivo a reconstituição
da evolução dos paleofluidos da região, foi realizada, também, amostragem em estruturas quartzosas
estéreis, ante-D3, do encaixante metassedimentar: Banho (BAN) - filonetes encaixados em liditos e
Castelares (CAST) - filonetes encaixados nosfilitoscinzentos a negros.
Os estudos realizados possibilitaram a identificação de diferentes tipos de quartzo, em amostras
representativas quer das estruturas mineralizadas quer das estuturas estéreis dos metassedimentos
encaixantes, a saber: quartzo leitoso (QL), geralmente em agregados xenomorfos de dimensões
variáveis com evidências de deformação dúctil intracristalina; quartzo límpido (QLp), que corresponde
a bandas de quartzo mais límpido, no interior do QL e quartzo hialino (Qh), sem qualquer indício de
deformação intracristalina. Este último geralmente precede a cristalização da geração dos principais
sulfuretos (arsenopirite, pirite e galena).

i
A presença de várias gerações de fílossilicatos (micas brancas e clorites) nas estruturas mineralizadas,
assim como nas formações encaixantes, levou à sua utilização como paleotermómetros.

No seu conjunto as micas brancas das estruturas mineralizadas e das rochas encaixantes projectam-se
no diagrama de Velde (1977), segundo a recta de substituição fengítica (moscovite-celadonite), mas
próximo do pólo da moscovite. Contudo, a partir da sua projecção no diagrama de Hower & Mowatt
(1966), observa-se que, para além da substituição fengítica, se verifica também uma substituição ilítica
(correspondendo no caso específico de TM a estádios tardios de cloritização). Os pontos mais
próximos do pólo da moscovite, consequentemente com mais baixa substituição fengítica,
correspondem a micas associadas a um pico térmico (sin-D3) a que não deve ser estranha a
proximidade de corpos pegmatíticos.
As clorites são de diferentes tipos, projectando-se no diagrama de Velde entre os pólos 2R3 e 3R2,
indicando que não apresentam contribuição significativa de outros minerais.

O estudo das paragéneses minerais das estruturas filonianas (VE, JOG e ARGZ) revelou uma certa
homogeneidade na sua mineralogia, sendo a arsenopirite, pirite e galena/esfalerite os sulfuretos mais
abundantes. Nas estruturas silicificadas (TM) a pirite e a pirrotite ocorrem em maior abundância. Em
ambas as estruturas é possível distinguir três estádios primários de evolução da mineralização: um estádio
precoce, caracterizado pela deposição de quartzo leitoso deformado, arsenopirite I, pirite I e pirrotite;
um estádio intermédio, principalmente caracterizado pela associação paragenética arsenopirite II,
galena I (VE), esfalerite (JOG), associado à deposição do quartzo hialino caracterizando-se em TM
pela associação paragenética de arsenopirite e pirite, associado à recristalização do quartzo leitoso; um
estádio tardio, caracterizado por uma paragénese que se deposita em fracturas que afectam os
sulfuretos mais precoces e que, por vezes, se encontram preenchidas por quartzo hialino. Esta última
paragénese, essencialmente fissurai, é constituída por calcopirite, galena, bismutinite (ARGZ),
bismuto nativo (ARGZ e JOG), arsenates, ouro e/ou electrum e sulfuretos complexos (sulfossais) de
Ag, Cu, Sb, Pb, As, Te (VE) e de Bi, Pb, As, Ag, Te, Fe, Sb, Cu (ARGZ e JOG). Em TM o ouro foi
observado principalmente em espaços intergranulares, no contacto arsenopirite/pirite.

Para a reconstituição das características físico-químicas dos fluidos e seu enquadramento procedeu-se
ao estudo das inclusões fluidas, tendo-se encontrado dois tipos principais de fluidos: aquo-carbónicos
e aquosos.

Os fluidos aquo-carbónicos, contidos nos quartzos estéreis encaixados em filitos, pertencem ao


sistema H20-C02-CH4-N2±(H2S) com C0 2 dominante na fase volátil. Comparativamente aos
anteriores, as inclusões fluidas dos filonetes de quartzo estéreis encaixados em liditos caracterizam-se

n
pelo seu elevado conteúdo em CH4 e pela presença de uma fase sólida, identificada como grafite. Estes
resultados sugerem um controlo litológico sobre a composição dos fluidos.

No respeitante às temperaturas mínimas de aprisionamento as estruturas estéreis apresentam valores


dentro de um mesmo intervalo (TH entre 280° e 360°C). Os resultados apontam assim para a
existência de um controlo litológico da composição dos fluidos, estando o conteúdo em CH4
relacionado com os liditos quando estes são o encaixante imediato.

O estudo dos fluidos aquo-carbónicos das estruturas mineralizadas evidenciou, na globalidade, a


existência de uma tendência evolutiva idêntica no respeitante à composição da fase volátil. Contudo,
há a assinalar algumas diferenças, nomeadamente em termos composicionais. De uma forma geral,
observa-se uma diminuição da densidade da fase volátil (dv) acompanhada por um enriquecimento em
CR, dos fluidos aquo-carbónicos mais precoces para os fluidos mais tardios, embora este seja mais
significativo nos fluidos contidos nas estruturas silicificadas (TM). À semelhança das estruturas
estéreis, nas estruturas silicificadas de TM também se observam inclusões fluidas que contêm uma
fase sólida identificada à microssonda Raman como grafite. As temperaturas mínimas de
aprisionamento dos fluidos aquo-carbónicos contidos nas estruturas mineralizadas apresentam valores
dentro de um mesmo intervalo (TH entre 245° e 360°C), semelhante ao das estruturas estéreis.

No quartzo das estruturas mineralizadas foram observados dois tipos de fluidos aquosos: Lwl, fluidos
de baixa salinidade (0,2 a 4,0 eq.% NaCl) com temperaturas mínimas de aprisionamento
compreendidas entre 146° e 293°C e Lw2, com temperaturas mínimas de aprisionamento inferiores
(TH entre 82° e 175°C) e salinidades elevadas devidas à presença de CaCl2 (valores médios de 27 eq.%
CaCl2). Nas estruturas silicificadas de TM foi observado somente um tipo de fluido (Lw) apresentando
temperaturas mínimas de aprisionamento (TH) compreendidas entre 135° e 260°C e salinidades entre
l,5e6,0eq.%NaCl.
Enquanto que, os fluidos aquo-carbónicos estão relacionados com o essencial da deposição do quartzo
e sulfuretos das estruturas mineralizadas, os fluidos aquosos Lwl estão relacionados com a deposição
da mineralização aurífera, ocorrendo em planos de inclusões fluidas.

Os valores de_/02 posicionam-se no domínio entre os tampões Ni-NiO e Q-F-M, sendo indicadores de
um meio redutor tamponado pelo equilíbrio fluido-grafite registado durante o processo metamórfico.
A importância deste processo naquele equilíbrio é evidenciada pela presença de fluidos ricos em CH»,
quer em filonetes instalados em litologias ricas em matéria carbonosa, quer em estruturas
mineralizadas encaixadas em litologias mais diversificadas. Nestas últimas, o enriquecimento em
CH4±(N2) é resultante da desvolatilização de rochas mais ou menos carbonosas do encaixante
metassedimentar, durante o metamorfismo. A presença de grafite observada nas inclusões corrobora
estas afirmações, sendo justificada pela reacção do C0 2 com o CH4.

iii
No que respeita à evolução das condições P-T observa-se uma evolução geral correspondendo a uma
descompressão acompanhada por uma diminuição da temperatura.

Os fluidos aquo-carbónicos associados à deposição das paragéneses sulfuretadas precoces apresentam


condições de aprisionamento de T=450° a 550°C e de P=200 a 400 MPa. O estádio intermédio ocorreu
em condições de aprisionamento de T=370° a 450°C e de Pmin=95 MPa a Pmax=350 MPa. Os fluidos
aquo-carbónicos mais tardios, enriquecidos em CH4, foram aprisionados a temperaturas de 300° a
400°C e a pressões de Pmin=55 a Pmax=260 MPa. O episódio de mineralização aurífera esteve
relacionado comfluidosaquosos aprisionados a Tmin de 150°C a 280°C e Pmax<50±20 MPa.

IV
RESUME

La région de Vila Pouca de Aguiar (VPA) est un exemple d'un district aurifère où, à l'exception du
filon de Jales, l'essentiel des minéralisations est encaissé par des séries métamorphiques, où sont
habituels les termes riches en matière organique.

Les séquences métassedimentaires de VPA, essentiellement de l'Ordovicien supérieur au Dévonien


inférieur, sont structurées par des phases de déformation hercyniennes dúctil (Di, D2 et D3) et aussi par
des phases tardives. Ces séquences sont enquadrées à nord et sud par des granites hercyniens à deux
micas, en massifs concordants, les granites de Chaves et Vila Real, respectivement et à ouest par des
granites à biotite, postectoniques de VPA.
Les séries sédimentaires sont affectées par métamorphisme régional de bas degree (chlorite et/ou
biotite) et par métamorphisme de contact, qui accompagne la mise en place des granites à biotite.

Les structures à quartz stérile et/ou minéralisé sont très frequentes et recoupent principalment les
séquences métassedimentaires et les granites à deux micas.
Seulement des structures quartzeuses intra-métamorphiques ont été étudié: Três-Minas (TM -
structures silicifiées spatialement associées á des zones de cisaillement syn-D3 (NI20° - N130°E); le
filon subvertical, de Vale de Égua (VE), orienté N40° - N50°E (NE-SW) et des filons subverticaux de
Jogadouro (JOG) (N0° - N20°W) et Argeriz (ARGZ) (NIOO0 - N120°E).

En envisageant la comparaison avec les structures quartzeuses stériles, on a échantillonné des filonnets
encaissés dans des lydiennes à Banho (BAN) et dans des phyllites à Castelares (CAST).
Cette étude a permis l'identification de différents types de quartz, notamment: quartz laiteux (QL),
déformé; quartz limpide (QLp), qui correspondent á des bandes de croissance de quartz plus limpides,
à l'intérieur du QL et quartz hialin (Qh), non déformé. Ce dernier a précédé les sulfures plus précoces
et plus abundants (arsénopyrite, pyrite et galène).

La présence de plusieurs générations de minéraux phylliteux (micas blancs et chlorites) soit dans les
structures minéralisées, soit dans l'encaissant, a permis leur utilisation comme géothermomètres et/ou
géobaromètres.

Dans son ensemble les micas des structures minéralisées et de l'encaissant se placent dans le
diagramme de Velde (1977) sur la droite de substitution phengitique (muscovite-céladonite), vers le
pôle des muscovites. Cependent, sur le diagramme de Hower & Mowatt (1966), on peut constacter en
plus une substitution illitique correspondant aux stades tardifs de chloritization à TM. Les points situés
plus proches du pôle des muscovites, correspondent aux micas associées à un pic thermique (syn-D3).

v
Différents types de chlorites ont été identifiés. Dans le diagramme de Velde ces minéraux se placent
entre les deux pôles 2R3 e 3R2, dans le domaine des chlorites. Ça indique qu'elles n'ont pas une
contribution d'autres minéraux.

L'étude des paragenèses des filons (VE, JOG et ARGZ) a montré une certaine homogénéité de la
minéralogie, où l'arsénopyrite, pyrite et galène /sphalerite sont les sulfures plus abondantes. Dans
les structures silicifiées (TM), la pyrite et la pyrrhotite constituent la plus grande partie des sulfures.
Dans les deux types de structures minéralisées on a distingué trois stades primaires d'évolution de la
minéralisation: un stade précoce, caractérisé par la association QL, arsénopyrite I, pyrite I et pyrrhotite;
un stade intermédiaire, caractérisé par arsénopyrite II, galène I (VE), sphalerite (JOG), associées à du
quartz hyalin (à Três Minas ce stade est caractérisé par la présence d'arsénopyrite et pyrite, associées à
la recristalisation du quartz laiteux); un stade tardif, caractérisé par une paragenése dans les fractures
qui recoupent les sulfures plus précoces et associées à du Qh. Cette dernière paragenése est surtout
fissurai et est représentée par chalcopyrite, galène, bismuthinite (ARGZ), bismuth natif (ARGZ e
JOG), or et/ou electrum, sulfures complexes (sulfossels) de Ag, Cu, Sb, Pb, As, Te (VE) et de Bi, Pb,
As, Ag, Te, Fe, Sb, Cu (ARGZ e JOG). À TM l'or a été observé surtout dans le contactes
intergranulaires, arsenopyrite/pyrite.

Pour la reconstituition des caractéristiques physico-chimique des fluides et son encadrement, l'étude
des inclusions fluides a permis de distinguer deux types de fluides: aquo-carboniques et aqueux.

Les fluides aquo-carboniques des quartz stériles encaissés dans les phyllites, appartiennent au système
H20-C02-CH4-N2±(H2S) avec C0 2 dominant à la phase volatil. Par contre la phase volatil des
inclusions fluides des quartz stériles associés aux lydiennes est caractérisé par un teneur plus riche en
CH4 en présence d'une phase solide (graphite). Ces résultats suggèrent un contrôle lithologique sur la
composition des fluides. Dans ce qui concerne les températures minimales de piégeage elles sont
comprises entre 280° et 360°.

L'étude des fluides aquo-carboniques des quartz des structures minéralisées a montré une évolution
similaire en concernant la composition de la phase volatile, indépendamment du type de structure.
Cependant il faut signaler des différences de la composition et une diminuition de la densité de la
phase volatile (dv) avec un enrichissement en CH4 pour les fluides plus tardifs, plus évident à TM.
Dans ce dernier cas on observe aussi la présence d'une phase solide (graphite). Les températures
minimales de piégeage (TH) des fluides aquo-carboniques des structures minéralisées sont semblables
à celles des quartz stériles (245° à 360°C).

VI
Les fluides aqueux dans le quartz des structures minéralisées sont de deux types: Lwl- fluides de
basse salinité (0,2 à 4,0 % pds eq. NaCl) avec TH de 146° à 293°C; Lw2, avec TH comprise entre 82°
et 175°C et salinité plus élevée due à la presence de CaCl2 (valeur moyenne de 27 % pds eq. CaCl2). À
TM il a été observé un seul type de fluide aqueux avec TH entre 135° et 260°C, et salinité de 1,5 à 6,0
% pds eq. NaCl.
Les fluides aquo-carboniques sont en rapport avec l'essentiel du dépôt du quartz et des sulfures. À son
tour les fluides aqueux Lwl sont associés à la minéralisation d'or et observés le long des plans
d'inclusions fluides.

Les valeurs deJ02 se localisent dans le domaine entre les tampons Ni-NiO et Q-F-M, ce qui sugère un
milieu réducteur tamponné par la graphite. L'importance des processus métamorphiques est marquée
par la présence de fluides riches en méthane, soit dans les venules dans les lithologies riches en
matière organique, soit dans les filons. Dans ce dernier cas l'enrichissement en CH4±(N2) est résultant
de la dévolatilisation des roches encaissantes.

Dans ce qui concerne l'évolution des conditions P-T, on observe une évolution caractérisée par une
décompression et un décroissement de la température.

Les fluides aquo-carboniques associés aux sulfures plus précoces conrespondent à des conditions P-T
de piégeage de 200 à 400 MPa et de 450° à 550°C.
Au stade intermédiaire il correspond une température entre 370° et 450°C et pression de Pmin=95 MPa
à Pmax=350 Mpa. Pour les fluides plus tardifs enrichis en CH4, la température de piégeage est
comprise entre 300° et 400°C, pour des pressions variant entre Pmin=55 MPa et Pmax=260 Mpa.
L'épisode de dépôt de l'or est en rapport avec des fluides aqueux à température inférieure à 300°C
(Tmin=150°C à 280°C) et Pmax< 50±20 Mpa.

vu
ABSTRACT

The Vila Pouca de Aguiar (VPA) region is an example of a gold district where, with the exception of
the Campo-Jales area, mineralizations occur in an intra-metamorphic context. The existence of organic
matter-rich units is a remarkable feature in the host metamorphic sequences.

The VPA region corresponds essentially to metasedimentary sequences, with a Late Ordovician to
Early Devonian age, showing Hercynian ductile deformation (due to phases Di, D2 and D3), followed
by brittle deformation phases. These sequences are in close vicinity of Hercynian granites: the Chaves
and the Vila Real massifs, at North and South, respectively, corresponding to syn- to tardi-tectonic
two-mica granites, and, at West, the post-tectonic biotite granites of VPA.
The metasedimentary units show the results of the low-grade regional metamorphism (chlorite or
biotite zone) and of contact metamorphism, in relation to the emplacement of the post-tectonic biotite
granites.

In the area in study a large number of quartz structures (veins, lenses, either barren or mineralized)
occur into the metasedimentary units.
Aiming to reconstruct the evolution of palaeofluids in the region, the following mineralized
occurrences were studied: Três-Minas (TM), a silicified auriferous structure related to syn-D3 shear
zones (N120° to N130°); the Vale de Égua (VE) vein, a sub-vertical N40° to N50° structure, related
with a NE-SW system; the sub-vertical quartz veins of Jogadouro (JOG), NO0 to N20°W and of
Argeriz (ARGZ), N100° to N120°.

For comparative purposes barren quartz structures, ante-D3, were also sampled, in Banho (BAN),
corresponding to quartz veins in lydites, and in Castelares (CAST), corresponding to quartz veins in
gray to black phyllites.
Different types of quartz were identified, both in samples of mineralized structures and of barren ones,
as follows: milky quartz (QL), in general occurring in xenomorphic aggregates of variable dimension
and showing intracrystalline ductile deformation; clear quartz (QLp), present as bands inside QL, and
hyaline quartz (Qh), showing no intracrystalline deformation. The last one usually precedes the
generation of the main sulphide mineralization (arsenopyrite, pyrite and galena).

Different generations of phyllosilicates (K-micas and chlorites) in the mineralized structures and in the
host rocks allow its use as palaeofhermometers.

In the Velde diagram (1977), K-micas, both from mineralized structures and from the host rocks, are
plotted along the phengitic (muscovite-celadonite) substitution line, generally close to the muscovite

IX
pole. However, in the Hower-Mowatt diagram (1966), the same data shows a "illitic" substitution
(corresponding, in the TM structures to a late stage of chloritization). The points plotting the closest to
the muscovite pole (with the lowermost phengitic substitution) must be correlated with a maximum
thermal peak (syn-D3) probably associated with the proximity of pegmatite bodies.
Chlorites of different types, plotting in the Velde diagram between the 2R3 and 3R2 poles, indicate a
non-significant contribution of other minerals.

The study of mineral paragenesis of the vein structures (in VE, JOG and ARGZ) showed their
mineralogical similarity, with arsenopyrite, pyrite and galena/sphalerite as the most abundant
shulphides. In the silicified structures (TM), pyrite and pyrrhotite occur in greater abundance. In both
cases, the main mineralization stages could be distinguished: an earlier stage, characterised by the
association of milky quartz, arsenopyrite I, pyrite I and pyrrhotite; an intermediate stage, mainly
characterised by arsenopyrite II, galena I (VE), sphalerite (JOG) and hyaline quartz or, in the TM case,
by the re-crystallisation of the milky quartz, with arsenopyrite and pyrite; a late stage, with a
paragenesis filling fractures of the older sulphides, sometimes accompanied by hyaline quartz. This
essentially fissurai paragenesis is composed of chalcopyrite, galena, bismuthinite (ARGZ), native
bismuth (ARGZ and JOG), arsenates, gold and/or electrum, complex sulphides (sulphosalts) of Ag,
Cu, Sb, Pb, As, Te (VE) and of Bi, Pb, As, Ag, Te, Fe, Sb, Cu (ARGZ and JOG). In TM gold occurs
mainly in intragranular (arsenopyrite/pyrite) positions.

Fluid inclusions were studied in order to enlighten the physical and chemical characteristics and
constraints of the circulation of fluids. Essentially, two types of fluids were found: aqueous-carbonic
and aqueous.

The aqueous-carbonic fluids in barren quartz, hosted by phyllites, belong to the H2O-CO2-CH4-
N2±(H2S) system, with CO2 dominating the volatile phase. Comparatively, the fluid inclusions in
barren quartz hosted by lydites were characterised by a higher content of CH4 and the presence of a
solid phase, identified as graphite. Concerning the minimal trapping temperatures (TH), for both
situations, an identical interval was determined (TH from 280° to 360°C). Thus, data points out a
lithological control for fluid composition, being the CH4 content related to the vicinity of lydites.

The study of the aqueous-carbonic fluids in quartz from ore bearing structures showed an essentially
identical trend, with respect to the volatile phase, although some aspects of the compositional
behaviour should be taken into consideration. There is a main trend, from the early aqueous-carbonic
fluids to the younger ones, the density of the volatile phase (dv) decreases and CH4 content increases,
being this last aspect more evident in the TM silicified structures. Also in these structures a solid phase
was present, demonstrated by Raman probe to be graphite. In the mineralized structures, the minimal

x
trapping temperatures ranged in the same interval (TH from 245° to 360°C), quite similar to the one
corresponding to the barren structures.

In the quartz from ore bearing structures two types of aqueous fluids were observed: Lwl, low salinity
fluids (0.2 to 4.0 wt% NaCl), with minimal trapping temperatures ranging from 146° to 293°C, and
Lw2, with lower minimal trapping temperatures (TH from 82° to 175°C) and higher salinity, due to
the presence of CaCl2 (average content: 27wt% CaCl2). In the TM silicified structures only one type of
aqueous fluids was found (Lw), with minimal trapping temperatures ranging froml35° to 260°C and
salinity ranging from 1.5 to 6.0 wt% NaCl.
Aqueous-carbonic fluids are related to the quartz and sulphides deposition in the mineralized
structures. The Lwl aqueous fluids are related to the gold deposition, occurring in fluid inclusion
planes.

The data for / 0 2 plots in the domain between the buffers Ni-NiO and Q-F-M, indicating a reducing
environment buffered by the equilibrium fluid-graphite during the metamorphic processes. The crucial
importance of these processes is pointed out by the CHt-rich fluids presence, both in veins hosted by
lithologies with a high content in organic matter and in veins hosted by diverse other lithologies.
Concerning the latter veins, the higher content in CH4±(N2) is explained by the devolatization, during
the metamorphic processes, of surrounding organic matter-rich lithologies. The presence of graphite
(originated by the reaction between C0 2 and CH,) in the inclusions allows an additional argument in
favour of such interpretation.

Concerning the P-T conditions of trapping, the general trend corresponds to decompression
accompanied by temperature decrease.
The aqueous-carbonic fluids related to the earlier sulphide paragenesis show conditions corresponding
to T=450° to 550°C and Pmin=200 to Pmax=400 • MPa. The P-T conditions estimated for the
intermediate stage are: T=370° to 450°C and Pmin=95 MPa to Pmax=350 MPa. The later CH4-rich
aqueous-carbonic fluids were trapped at temperatures ranging from 300° to 400°C and pressions
ranging from Pmin=55 to Pmax=260 MPa. The gold deposition is related to aqueous fluids, and
considered to have occurred at Tmin 150°-280°C and Pmax<50±20 MPa.

XI
LISTA DE FIGURAS

Fig.I-1 Representação esquemática da sequência dos trabalhos laboratoriais.

Fig.II-1 Localização e enquadramento geológico da região aurífera de Vila


Pouca de Aguiar, simplificado de Carta Geológica de Portugal,
1:50 000, folha 6-D-Vila Pouca de Aguiar (1999).

Fig.II-2 Três Minas - zona arqueológica (Wahl, 1993, modificado). A: Corta de


Covas; B: Corta da Ribeirinha; C: Corta dos Lagoinhos; a: Galeria do Pilar;
b: Galeria do Texugo; c: Galeria dos Alargamentos; d: Galeria dos
Morcegos; e: Galeria do Buraco Seco; f: Galeria Esteves Pinto; 1:
aquedutos; 2: depósito de água; 3: anfiteatro?; 4: necrópole; 5: instalações
de lavagem; sombreado: superfícies presumivelmente construídas.

Fig.II-3 Mapa geológico simplificado e esboço dos Domínios Estruturais, segundo


Carta Geológica de Portugal, 1:50 000, folha 6-D-Vila Pouca de Aguiar
(1999).

Fig.II-4 Posição e representação esquemática das estruturas quartzosas estudadas.


Banho e Castelares (CAST): estruturas estéreis do encaixante
metassedimentar; Argeriz (ARGZ), Jogadouro (JOG), Vale de Égua (VE) e
Três Minas (TM): estruturas quartzosas mineralizadas; PH: plano
horizontal; PV: plano vertical. Todas as representações no PH mantêm a
orientação da carta.

Fig.III-1 Representação em diagramas de caracterização cristaloquímica da


composição das micas brancas dos metassedimentos da região de VPA.
A: % Paragonite versus % Celadonite; B: Si-3+Ti versus CI; C: Si-3+Ti
versus R2+; D: Aliv versus Ah/i-l+2Ti.

Fig.III-2 Diagramas de caracterização cristaloquímica de: A - Velde (1977);


B - Hower & Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nos
metassedimentos da região de VPA.

Fig.HI-3 Representação em diagramas de caracterização cristaloquímica da


composição das micas brancas das estruturas mineralizadas da região de
VPA. A: % Paragonite versus % Celadonite; B: Si-3+Ti versus Cl;
C: Si-3+Ti versus R2+; D: Aliv versus AlVi-l+2Ti.

Fig.III-4 Diagramas de caracterização cristaloquímica de: A - Velde (1977);


B - Hower & Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nas
estruturas mineralizadas da região de VPA.

xiii
Fig.III-5 Representação em diagramas de caracterização cristaloquímica da
composição das clorites da região de Vila Pouca de Aguiar. A: Fe/Fe+Mg
versus Si (Foster 1962); B: Fe versus Mg; C: AlVi versus AliV.
T: substituição Tchermak.

Fig.III-6 Diagramas de caracterização cristaloquímica de: A - Velde (1977);


B - Hower & Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nos
metassedimentos e nas estruturas mineralizadas da região de VPA.

Fig.III-7 Diagrama de caracterização cristaloquímica de Velde (1977) aplicado às


clorites da região de Vila Pouca de Aguiar.

Fig.III-8AeB Representação esquemática da sequência paragenética observada nas


estruturas filonianas de Vale de Égua (A) e de Argeriz e Jogadouro (B) :
cronologia relativa e relações genéticas com os diferentes tipos de quartzo.
Os traços representam os períodos de deposição principal e a sua espessura,
a abundância.

Fig.III-9 Representação esquemática da sequência paragenética observada nas


estruturas silicificadas mineralizadas de Três Minas: cronologia relativa e
relações genéticas com os diferentes tipos de quartzo. Os traços representam
os períodos de deposição principal e a sua espessura, a abundância.

Fig.III-lOAeB Diagrama As versus S aplicado às arsenopirites da região de VPA.


Diagrama B: valores médios. JOG: Jogadouro; ARGZ: Argeriz; VE: Vale
de Égua; TM: Três Minas.

Fig.III-llAeB Distribuição dos conteúdos em Au e Ag nas partículas de ouro e/ou


electrum das estruturas mineralizadas. Diagrama B: valores médios. JOG,
ARGZ e VE: estruturas filonianas; TM: estruturas silicificadas.

Fig.IV-1 Histogramas representativos das características microtermométricas das


inclusões aquo-carbónicas dos filonetes de quartzo de Castelares.

Fig.IV-2 Distribuição relativa da composição da fase volátil dos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo de
Castelares.

Fig.IV-3 Diagramas representativos da composição global das inclusões fluidas aquo-


carbónicas contidas nos filonetes de quartzo de Castelares.

Fig.IV-4 Histogramas representativos das características microtermométricas dos


diferentes tipos de inclusões fluidas contidas nos filonetes de quartzo
encaixados em liditos de Banho.

xiv
Fig.rV-5 Distribuição relativa da composição da fase volátil dos diferentes tipos de
inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo
encaixados nos liditos de Banho, cc: concordantes com a foliação; de:
discordantes.

Fig.IV-6 Diagramas representativos da composição global dos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo
encaixados nos liditos de Banho, cc: concordantes com a foliação; de:
discordantes.

Fig.rV-7 Histogramas representativos das características microtermométricas das


inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nas diferentes gerações de
quartzo dofilãode Jogadouro.

Fig.rV-8 Histogramas representativos das temperaturas de fusão do gelo (TfG) e


homogeneização global (TH), das inclusões fluidas aquo-carbónicas e
aquosas contidas nas diferentes gerações de quartzo dofilãode Jogadouro.

Fig.IV-9 Diagramas de correlação ThC02 e TfCl versus TfC02 e ThC02 versus TfCl
referentes aos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas
associadas aos diferentes estádios de quartzo dofilãode Jogadouro.

Fig.rV-lOA Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas. d: decrepitadas.

Fig.IV-lOB Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas.

Fig.rV-11 Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões


fluidas aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo do filão de
Jogadouro.

Fig.rV-12 Diagramas representativos da composição global dos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo
do filão de Jogadouro.

Fig.IV-13 Histogramas representativos das características microtermométricas das


inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas dofilãode Argeriz.

Fig.rV-14A Diagrama de correlação ThC02 versus TfC02 referente a inclusões fluidas


aquo-carbónicas do tipo Vc-w e Lc-w dofilãode Argeriz.

Fig.IV-14B Diagrama de correlação TfCl versus TfC02 referente a inclusões fluidas


aquo-carbónicas do tipo V/Lc-w e Lw-c(m) dofilãode Argeriz.

Fig.rV-15 Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas, d: decrepitadas.

xv
Fig.rV-16 Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões
fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes tipos de quartzo do filão
de Argeriz.

Fig.IV-17 Diagramas representativos da composição global das inclusões fluidas aquo-


carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo do filão de Argeriz.

Fig.rV-18 Histogramas representativos das características microtermométricas das


inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo
do filão de Vale de Égua.

Fig.rV-19 Histogramas representativos das temperaturas de fusão do gelo (TfG) e


homogeneização global (TH) das inclusões fluidas aquo-carbónicas e
aquosas contidas nas diferentes gerações de quartzo do filão de Vale de
Égua.

Fig.rV-20 Diagramas de correlação ThC0 2 e TfCl versus TfC0 2 ; ThC0 2 versus TfCl
referentes aos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas do filão
de Vale de Égua.

Fig.IV-21A Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas do filão de Vale de Égua.

Fig.IV-21B Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas do filão de Vale de Égua.

Fig.IV-22 Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões


fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes estádios de quartzo que
caracterizam o filão de Vale de Égua.

Fig.IV-23 Diagrama ternário C02-H20-CH4+(N2) representativo da composição global


das inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes estádios de
quartzo do filão de Vale de Égua.

Fig.IV-24 Diagramas: (A) C02/CH4 versus C0 2 e (B) C02/CH4 versus H 2 0


representativos da composição global das inclusões fluidas aquo-carbónicas
associadas aos diferentes estádios de quartzo do filão de Vale de Égua.

Fig.IV-25 Histogramas representativos das características microtermométricas das


inclusões fluidas tipo L/Vc-w contidas no quartzo límpido deformado das
estruturas silicificadas de Três Minas.

Fig.IV-26 Histogramas relativos a TfCl, TfG e TH de inclusões aquo-carbónicas e


aquosas contidas nos diferentes tipos de quartzo das estruturas
mineralizadas de Três Minas.

Fig.IV-27A Diagrama de correlação ThC0 2 versus TfC0 2 das inclusões fluidas aquo-
carbónicas contidas no quartzo límpido deformado de Três Minas.

xvi
Fig.rV-27B Diagrama de correlação TfCl versus TfCCh das inclusões fluidas aquo-
carbónicas contidas no quartzo límpido deformado de Três Minas.

Fig.IV-28A Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas das estruturas silicificadas de Três Minas,
d: decrepitadas.

Fig.IV-28B Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de


inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas das estruturas silicificadas de
Três Minas, d: decrepitadas.

Fig.rV-29 Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões


fluidas aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo
pertencentes às estruturas silicificadas de Três Minas.

Fig.rV-30 Diagrama ternário C02-H20-CH4+(N2) representativo da composição global


dos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas das estruturas
silicificadas de Três Minas.

Fig.rV-31 Diagramas: (A) CO2/CH4 versus C0 2 e (B) CO2/CH4 versus H20


representativos da composição global das inclusões fluidas aquo-carbónicas
contidas nas estruturas silicificadas de Três Minas.

Fig.rV-32 Diagrama ternário CI-SO4-B representativo das espécies aniónicas contidas


nas inclusões fluidas das diferentes estruturas quartzosas da região de Vila
Pouca de Aguiar.
Fig.rV-33 Diagramas: (A) Br versus Cl e (B) SO4 versus Cl das inclusões fluidas das
diferentes estruturas quartzosas da região de VPA. Sw: tendência evolutiva
da evaporação da água do mar.

Fig.rV-34 Diagrama bilogarítmo das razões molares dos halogénios Br/Cl e I/Cl das
inclusõesfluidascontidas em estruturas quartzosas de VPA.

Fig.rV-35 Diagrama ternário Na-K-Ca representativo dos fluidos contidos nas


diferentes estruturas quartzosas da região de Vila Pouca de Aguiar.

Fig.IV-36 Diagramas: (A) Na versus Cl e (B) K versus Cl representativo dos fluidos


contidos nas diferentes estruturas quartzosas da região de VPA.

Fig.rV-37 Diagrama Sr versus K representativo dos fluidos contidos nas diferentes


estruturas quartzosas da região de VPA.

Fig.rV-38 Diagrama ternário Mn-Fe-Cu representativo das espécies iónicas contidas


nas inclusões fluidas das diferentes estruturas quartzosas da região de Vila
Pouca de Aguiar.

xvii
Fig.IV-39 Composição e evolução da fase volátil dos fluidos aquo-carbónicos contidos
nas estruturas mineralizadas (A e C) e nas estruturas do encaixante
metassedimentar (B) pertencentes aos Domínios Estruturais de Três Minas
(DETM) e de Carrazedo (DEC).

Fig.IV-40 Diagramas de síntese da composição global manifestada pelos fluidos aquo-


carbónicos contidos nas estruturas mineralizadas do DEC (A) e do DETM
(B) e nas estruturas do encaixante metassedimentar (C).

Fig.V-lA Diagrama de correlação Aliv versus temperatura das clorites de VPA.


Temperatura calculada em função do conteúdo em Aliv-

Fig.V-lB Diagrama de correlação VAC versus temperatura das clorites de VPA.


Temperatura calculada em função do conteúdo em AW.

Fig.V-2A Isócoras representativas dos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-


carbónicas (Lc-w e Vc-w) contidas no quartzo Qlla dos filonetes de
Castelares. (*): TH.

Fig.V-2B Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos


filonetes de quartzo dos liditos de Banho. Inclusões do tipo Lm-w-S,
Lw-m-S e/ou Vm-(w) associadas ao quartzo QII e secundárias no QI.
(*): TH.

Fig.V-3A Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas (Lc-w e


Vc-w) associadas ao estádio de quartzo Qlla do filão de Jogadouro. (*): TH.

Fig.V-3B Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas (Lc-w e


Vc-w) associadas ao estádio de quartzo Qllb do filão de Jogadouro. (*): TH.

Fig.V-4 Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas Lw-c e Lw-m


(PIF), associadas ao estádio de quartzo QUI e isócoras representativas das
inclusões fluidas aquosas Lw. (*): TH; p.c: ponto crítico da água.

Fig.V-5 Condições P-T relativas aos diferentes estádios de percolação de fluidos no


filão de Jogadouro. p.c: ponto crítico da água.

Fig.V-6 Condições P-T relativas aos diferentes estádios de percolação de fluidos no


filão de Argeriz. p.c: ponto crítico da água.

Fig.V-7 Condições P-T relativas aos diferentes estádios de percolação de fluidos no


filão de Vale de Égua. p.c: ponto crítico da água.

Fig.V-8A Condições P-T relativas aos diferentes estádios de percolação de fluidos


aquo-carbónicos nas estruturas silicificadas de Três Minas. Silic: estruturas
silicificadas; Silicmin.: estruturas silicificadas mineralizadas.

xviii
Fig.V-8B Isócoras representativas das inclusões fluidas aquosas Lw. P.c.: ponto
crítico da H2O.

Fig.V-9 Diagramas log^C^ versus T(°C) representativos da distribuição de log/0 2


determinada para as inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nas
diferentes gerações de quartzo das estruturas filonianas de: (A) Jogadouro,
(B) Argeriz, (C) Vale de Égua e (D) Três Minas. H-M, Ni-NiO e Q-F-M:
tampões de oxidação-redução hematite-magnetite, níquel-óxido de níquel e
quartzo-faialite-magnetite, respectivamente.

Fig.V-lOA Perfis interpretativos da Carta Geológica da região de Vila Pouca de Aguiar,


folha 6-D. Ambos os perfis têm orientação SW-NE.

Fig.V-lOB Perfil esquemático representando as diferentes estruturas estudadas


pertencentes aos Domínios Estruturais de Três Minas (DETM) e de
Carrazedo (DEC).

Fig.V-11 Tendência em termos da composição global, manifestada pelos fluidos


aquo-carbónicos contidos nas estruturas mineralizadas do DEC e do DETM
(A) e nas estruturas estéreis do encaixante metassedimentar (B).

Fig.V-12 Síntese da evolução P-T dos fluidos de Vila Pouca de Aguiar. A tracejado:
curvas geotérmicas segundo Winkler in: Bûcher, K. & Frey, M. 1994,
modificado. A tracejado negro: regime litostático; tracejado azul: regime
hidrostático.

Fig.V-13 Evolução tectono-metamórfica, estruturas e regime de fluidos da região de


Vila Pouca de Aguiar.

xix
LISTA DE TABELAS

Tabela AI. 1 Análises químicas das micas brancas observadas no encaixante


metassedimentar da região de VPA.

Tabela AI.2 Análises químicas das micas brancas observadas nas estruturas
mineralizadas da região de VPA.

Tabela AI.3 Fórmulas estruturais de micas brancas observadas no encaixante


metassedimentar da região de Vila Pouca de Aguiar.

Tabela AI.4 Fórmulas estruturais de micas brancas observadas nas estruturas


mineralizadas da região de Vila Pouca de Aguiar.

Tabela AI. 5 Análises químicas de clorites observadas nas estruturas quartzosas estéreis,
nas mineralizadas e no encaixante metassedimentar da região de Vila Pouca
de Aguiar.

Tabela AI.6 Fórmulas estruturais de clorites observadas nas estruturas quartzosas


estéreis, nas mineralizadas e no encaixante metassedimentar da região de
Vila Pouca de Aguiar.

Tabela AII.l Composição química de arsenopirites das estruturas mineralizadas da região


de Vila Pouca de Aguiar. Análises à microssonda electrónica (%peso).

Tabela AII.2 Análises à microssonda electrónica e ao MEV do ouro e/ou electrum das
estruturas mineralizadas da região de VPA. Concentrações ponderais.

Tabela AIII.l Composição (ppm) rectificada, das inclusões fluidas da região de VPA.
Análises por esmagamento e lixiviação (Crush-leach).

Tabela AIII.2 Razões entre elementos obtidas a partir das análises Crush-leach indicadas
na tabela AIII. 1.

Tabela AIII.3 Composição (ppm) das inclusões fluidas das estruturas filonianas de
Jogadouro e Argeriz, obtida a partir de análises Crush-leach.

Tabela AIII.4 Razões entre elementos obtidas a partir dos resultados (posteriormente
recalculados) das análises Crush-leach das inclusões fluidas de Jogadouro e
Argeriz.

Tabela AIII.5 Composição molar (obtida por Crush-leach) das inclusões fluidas contidas
nas estruturas quartzosas da região de VPA.

Tabela AIII.6 Razões entre elementos obtidas a partir da composição molar indicada na
tabela AIII.5.

xx
LISTA DE QUADROS

Quadro IV-1 Quadro recapitulativo da composição da fase volátil e da composição e


densidade globais apresentada pelas inclusões fluidas aquo-carbónicas
(analisadas à microssonda Raman) contidas nas estruturas do encaixante
metassedimentar. Composição da fase volátil e global em mole%.

Quadro IV-2 Quadro recapitulativo da composição da fase volátil, da composição e


densidade globais apresentada pelas inclusões fluidas aquo-carbónicas
associadas aos diferentes tipos de quartzo do filão de Jogadouro.
Composições expressas em mole%.

Quadro IV-3 Quadro recapitulativo da composição da fase volátil, da composição e


densidade globais apresentada pelas inclusões fluidas aquo-carbónicas
associadas aos diferentes tipos de quartzo do filão de Argeriz. Composições
expressas em mole%.

Quadro IV-4 Quadro recapitulativo da composição da fase volátil, da composição e


densidade globais apresentada pelas inclusões fluidas aquo-carbónicas
associadas aos diferentes tipos de quartzo do filão de Vale de Égua.
Composições expressas em mole%.

Quadro IV-5 Quadro recapitulativo da composição da fase volátil, composição e


densidade globais referentes às inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas
nos diferentes tipos de quartzo das estruturas silicificadas de Três Minas.
Composições expressas em mole%.

Quadro IV-6A Quadro de síntese dos resultados microtermométricos das inclusões fluidas
observadas nas estruturas quartzosas estéreis e mineralizadas da região de
VPA.

Quadro IV-6B Quadro de síntese dos resultados de espectroscopia Raman das inclusões
fluidas observadas nas estruturas quartzosas estéreis e mineralizadas da
região de VPA.

xxi
LISTA DE ESTAMPAS

Estampa II-1 Três Minas

Estampa II-2 Aspecto macroscópico das estruturas sin-metamórficas estéreis do


encaixante metassedimentar

Estampa III-1 Aspectos texturais resultantes da deformação dúctil e frágil do quartzo

Estampa III-2 Aspectos texturais resultantes da deformação dúctil e frágil do quartzo

Estampa III-3 Aspectos texturais do quartzo de Vale de Égua

Estampa III-4 Aspectos texturais do quartzo de Vale de Égua

Estampa III-5 Aspectos texturais do quartzo de Jogadouro

Estampa III-6 Relações texturais observadas no filão de Vale de Égua

Estampa III-7 Relações texturais típicas do filão de Jogadouro

Estampa III-8 Paragéneses auríferas

Estampa III-9 Relações texturais observadas no filão de Vale de Égua

Estampa III-10 Paragéneses observadas nas estruturas silicificadas de Três Minas

Estampa IV-1 Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Estampa IV-2 Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Estampa IV-3 Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Estampa IV-4 Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Jogadouro

Estampa IV-5 Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Vale de
Égua

Estampa IV-6 Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Vale de
Égua

Estampa IV-7 Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos das estruturas
silicificadas de Três Minas

xxii
CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO GERAL

CAP. I - Introdução, objectivos, materiais


e métodos
INTRODUÇÃO

O estudo da natureza e da evolução de fluidos crustais nomeadamente os


relacionados com os processos metamórficos reveste-se nos nossos dias de primordial
importância para a compreensão dos processos geológicos em particular os
relacionados com a génese de concentrações minerais.

A natureza dos fluidos produzidos durante o metamorfismo regional Hercínico


que afectou metassedimentos do Paleozóico é controlada pela litologia e minerais
constituintes das rochas, nomeadamente sulfuretos ou minerais ricos em amónia e em
especial a presença de carbono, pois podem controlar o equilíbrio das fases voláteis
assim como, as condições de oxidação-redução. Parâmetros externos tais como, P e T
e a permeabilidade específica dos metassedimentos e a fracturação contemporânea das
fases de deformação, permitem a migração dos fluidos a partir das zonas de produção
e/ou a mistura com fluidos de outras origens.

Pouco se sabe acerca das condições P-T-X dos fluidos produzidos durante o
metamorfismo e a sua evolução em função da passagem de regime de deformação
dúctil a frágil. A falta de dados advém de duas dificuldades principais: i) a deposição e
os aspectos texturais do quartzo numa dada estrutura deformada (filões, veios, e
filonetes), não são necessariamente sincrónicos da formação dessa estrutura, em
consequência de uma sucessão complexa de vários estádios de recristalização e
reabertura; ii) os fluidos aprisionados em micro-cavidades {inclusões fluidas) podem
ter sido aprisionados num dado tipo de quartzo, em diferentes estádios após a
formação desse mineral. Estas dificuldades podem, contudo, ser em parte minimizadas
procedendo a um estudo sistemático dos paleofluidos contidos em inclusões tentando
correlacionar a sua tipologia com a textura e estrutura dos quartzos hospedeiros

A investigação acerca dos fluidos associados a estruturas quartzosas


mineralizadas em ouro do norte de Portugal e do noroeste de Espanha em contexto
intrametamórfico (Moura 1988; Mateus 1995) e intragranítico (Almeida & Noronha

3
1988; Essarraj 1992; Barakat 1995; Nogueira 1997) encorajou uma investigação
detalhada da origem e evolução dos fluidos desde as fases iniciais de deformação e
pico do metamorfismo até estádios mais tardios.

A região de Vila Pouca de Aguiar é o exemplo de um distrito aurífero em que, à


excepção do filão do Campo-Jales, o essencial das mineralizações ocorre em contexto
intrametamórfico cuja particularidade é a ocorrência de termos ricos em matéria
carbonosa, nas sequências metamórficas do encaixante. Esta região é caracterizada não
só pela ocorrência de mineralizações auríferas que foram alvo de explorações romanas
tais como, Gralheira e Três-Minas, como pela ocorrência de vários índices e
mineralizações auríferas em estruturas filonianas quartzosas, na área a norte de Curros
(Dória et ai. 1991, 1993a, 1993b, 1995a; 1995b; Cathelineau et ai. 1993a; Noronha et
ai. 1993a, 1993b; M. A. Ribeiro et ai. 1993, 1995; Guedes et ai. 1995).

A amostragem de estruturas preenchidas por quartzo teve em conta um


conhecimento detalhado das fases de deformação que afectaram os metassedimentos
(fases dúcteis seguidas por fases frágeis) e a relação destas com a instalação das
estruturas mineralizadas. A amostragem atendeu ainda à composição litológica das
unidades litoestratigráficas bem assim como, à sua caracterização químico-
mineralógica e metamórfica após uma cartografia litoestratigráfica e uma amostragem
sistemática de toda a área (M. A. Ribeiro 1998). O pico do metamorfismo regional da
sequência encaixante das estruturas permite estabelecer as condições P-T máximas
para a origem dos fluidos metamórficos.
Nesta conjuntura escolheram-se como alvos deste estudo pluridisciplinar, para
além das estruturas quartzosas mineralizadas de Argeriz, Jogadouro, Vale de Égua e
Três-Minas, as estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar (Banho e
Castelares). As razões que nos conduziram a esta escolha foram as seguintes:

- a ocorrência na região de índices e mineralizações de diferentes tipos (Au,


Ag, Sn, W...) em diferentes contextos estruturais e litológicos;

4
- uma boa visualização das relações encaixante/estruturas mineralizadas;

- a existência de litologias ricas em matéria carbonosa (liditos e xistos


negros) no encaixante metas sedimentar que poderão ter um papel importante
na composição e equilíbrio dos fluidos.

O presente estudo pretende contribuir para a caracterização dos fluidos


produzidos durante o metamorfismo regional Hercínico que afectou metassedimentos
do Paleozóico e para o conhecimento da sua relação com as mineralizações.

A-Objectivos

Assim, tendo como meta contribuir para a evolução dos conhecimentos sobre a
metalogenia da região aurífera de Vila Pouca de Aguiar, definiram-se os objectivos
fundamentais a atingir com este estudo:

- caracterização das diferentes texturas do quartzo para proceder ao


estabelecimento de uma cronologia relativa das principais gerações e a sua
relação com as paragéneses minerais, nomeadamente as auríferas;

- proceder à caracterização fisico-química dos fluidos formados durante o


metamorfismo das séries metassedimentares encaixantes das estruturas,
sobretudo das litologias ricas em matéria carbonosa, bem como dos fluidos
associados aos diferentes períodos de microfracturação e deposição do
quartzo nas estruturas mineralizadas, especialmente as auríferas;

- avaliar o eventual controlo litológico na composição dos fluidos isto é,


definir qual o papel do encaixante metassedimentar como condicionante das
condições físico-químicas favoráveis ao transporte e/ou deposição dos
metais;

5
- reconstituir as condições P-T-V-X de circulação dos fluidos desde o pico do
metamorfismo até aos episódios frágeis mais tardios;

- contribuir para uma melhor compreensão dos processos geradores de


concentrações minerais hercínicas em contexto metamórfico.

B-Materiais e métodos

Para dar cumprimento aos objectivos referidos foi necessário proceder a uma
abordagem metodológica pluridisciplinar. Neste sentido foram desenvolvidos:

Trabalhos de campo

Com base na cartografia geológica existente da folha 6-D - Vila Pouca de


Aguiar à escala 1:50000 (1999) e na caracterização litogeoquímica das sequências
metamórficas (M. A. Ribeiro et ai. 1993, 1995; M. A. Ribeiro 1998) foram realizados:

- o estudo das estruturas quartzosas e da cronologia relativa às fases de


deformação, com vista à definição e caracterização das diferentes gerações
de quartzo e à sua relação com as paragéneses minerais em função das fases
de deformação;

- colheita de amostras de estruturas quartzosas mineralizadas e do encaixante


metassedimentar para posteriores estudos petrográficos, geoquímicos e de
inclusões fluidas.

Trabalhos laboratoriais

As estruturas quartzosas são caracterizadas por uma sucessão complexa de


vários estádios de cristalização, deformação, recristalização e cicatrização do quartzo.
Assim, o estabelecimento de uma cronologia relativa das principais gerações de
quartzo e a relação destas com as paragéneses minerais (nomeadamente as auríferas),

6
bem como, o aprisionamento dos fluidos tendo como referência as diferentes fases de
deformação, é em geral difícil. Consequentemente, torna-se necessário recorrer a um
estudo pluridisciplinar (obedecendo a uma determinada sequência de estudo) a partir
do qual, com base na tipologia, texturas do quartzo e sua cronologia relativa às
paragéneses metálicas, proceder a uma completa caracterização físico-química dos
paleofluidos. Os trabalhos laboratoriais executados consistiram sobretudo (Fig. 1-1):

A - no estudo petrográfico das paragéneses minerais metálicas e silicatadas e


na caracterização da textura e tipologia dos quartzos, utilizando para o efeito
o microscópio óptico, microscópio electrónico de varrimento (MEV)
equipado com catodoluminiscência (CL) e microssonda electrónica;

B - na reconstituição P-T-V-X de circulação dos fluidos. Combinando para


tal os resultados microtermométricos e de espectroscopia Raman de
inclusões fluidas, com as análises dos fluidos após esmagamento e lixiviação
(análise de iões), utilizando para tal a cromatografia de iões (IC-"Ion
Cromatography"), espectrometria de emissão atómica (ICP-"Atomic
Emission Spectroscopy") e a absorção atómica (AA-"Atomic Absortion").

7
0
ESTUDO PETROGRAFICO

Fases de deformação
Microscópio óptico
(luz transmitida/reflectida)
Estruturas quartzosas
t Microssonda electrónica
MEV/CL

Associações minerais
Texturas e tipologia
do quartzo

®
RECONSTITUIÇÃO DAS
CONDIÇÕES FÍSICO-QUÍMICAS
J)

Espectroscopia Raman Microtermometria


(% dos constituintes da fase volátil) (Salinidade; temperatura mínima de
aprisionamento; densidade)

Composição
FLUIDOS
Global

/
Análise de iões Condições
P-T
Geotermómetros

Fig.I-l- Representação esquemática da sequência dos trabalhos laboratoriais.

8
CAPITULO II

ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO E
GEOLÓGICO

CAP. U - Localização, trabalhos precedentes,


história mineira, enquadramento geológico
regional e local, caracterização litoestratigráfica
e estrutural da região de Vila Pouca de Aguiar,
estruturas quartzosas.
11.1- LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

O que neste trabalho se designa por, região de Vila Pouca de Aguiar (VPA),
situa-se nas províncias de Trás-os-Montes e Alto Douro, distrito de Vila Real,
abrangendo áreas pertencentes aos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Valpaços e
Murça. Esta região é abrangida pelas folhas topográficas dos Serviços Cartográficos do
Exército, à escala 1:25 000 de, Vidago (60), Loivos (61), Vila Pouca de Aguiar (74) e
S.ta M ade Emeres (75) as quais serviram de base para os trabalhos de cartografia
geológica da folha 6-D-Vila Pouca de Aguiar (1999). A elaboração desta carta,
efectuada sob a coordenação do Prof. Doutor Fernando Noronha, enquadra-se no
âmbito do projecto da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50 000 do Instituto
Geológico Mineiro (IGM).
O essencial do nosso trabalho centrou-se nas folhas de S.ta M ade Emeres (75) e
na parte sul da folha de Loivos (61) da carta militar 1:25 000 (Fig.II-1).

11.2- TRABALHOS PRECEDENTES

Os trabalhos especificamente relacionados com a área em estudo,


nomeadamente, os referentes a Três Minas, são trabalhos de caracterização geológica,
mineralógica, paragenética e litogeoquímica relacionados sobretudo com a prospecção
mineira (e.g. Oliveira & Farinha 1987; Farinha 1990; Oliveira 1990). No que respeita a
trabalhos sobre as regiões envolventes da área em estudo, ou em que esta é referida
genericamente citam-se: os trabalhos de índole petrológica, geológica-estrutural e
geoquímica, (e.g. Brink 1960; A. Ribeiro 1974; Noronha 1983; Ramos 1985; Pereira
1987; Almeida & Noronha 1988; Almeida 1994); os trabalhos relacionados com a área
das minas de Jales e Gralheira (e.g. J. Neiva & A. Neiva 1990; A. Neiva et ai. 1990; A.
Neiva & Gomes 1991; A. Neiva 1992; A. Neiva 1994) e os trabalhos de síntese sobre
mineralizações auríferas portuguesas e/ou do Maciço Ibérico (e.g. Cerveira 1952;
Thadeu 1977; Schermerhorn 1981; Noronha & Ramos 1993).

11
LEGENDA

a I Metassedimentos do Paleozóico inferior


* ^ ^ ^ (a) liditos e xistos negros

+ + +
+ + Granitos biotíticos pós-tectónicos
+ + +
Granitos de duas micas sintectónicos

Falhas

Carreamentos

Fig.II-1- Localização e enquadramento geológico da região aurífera de Vila Pouca de


Aguiar, simplificado de Carta Geológica de Portugal, 1:50 000, folha 6-D-Vila Pouca
de Aguiar (1999).

12
/

x x /( xx / /A
/ / /
/ / /
/ / / ■
X / / ' /

xxxxx/^
x xx x x

T
+ +
+ ,«.■•■ + + + 4­
,'
. + +1. + + 4­ + 4­
,xxxxx X
X

+
X ++ 4­4 + 4 4 ­ 4­ 4.
+ + 4- 1 + ­ +
+ + 4- + + +
V + + 4­ + 4 + 4 ­4­4 ­ + A
­. 4­X 4­ + 4­ 4­ 4­ + X
+ + ^ < t \ + + 4- + +
4- + Sv N- 4- + 4­ ­Íx // x^x<
+ + + 4 + + ^ N j ; + 4­ 4­
4 4 ' 4 x x^
U+ 4- 4- + + > t 4- 4 +
Í 4-% + + X + X , + . 4 4 ­ 4 ­ 4 x x
+ +
~ ,+ ,^V 4­ 4­4­ + +
+ + + 4 4 ­ 4 ­ 4 ­ 4­ *H­­
4­ + ^ ­ k 4­ y
+ + + 4­ + + 4­ + + + + ­~ '+ X
+ + 4 4 + 4­ 4­ + 4 4 + 4­ H + X x.
+ + + + 4­ 4­ 4­ 4­ 4­ 4­ + 4­ > ­ .+ .XXX x
4 + 4­ 4­ 4 ­4/ X /
+ 4­4 + vx
4 4­+ + + 4­ +, 4­+ + + + > X X
X
X
4 4­4­ 4 + 45
4- 4 + 4­ 4­ >X
xt 4- . I > ­t5 +
J x 4­ + 4­ X
X X x X +
X x + + 4
X x x , H 4-
x x x x + + 4
y X
\+ 4­ 4­
x xv +1
x x X 4­ 4 4­'
4 X 4 ­ 4 ­
+■ X
<h , + 41
X
X,
/ X
X/
/ /
>/ £ X w2l
Para além dos trabalhos anteriormente referidos foram desenvolvidos na
região de VPA estudos no domínio da litogeoquímica das unidades
metassedimentares (M. A. Ribeiro et ai. 1993, 1995, 1996, 1997; M.A. Ribeiro 1998)
assim como estudos sobre a geologia, geoquímica e petrofísica do maciço granítico de
VPA (Martins 1989; Martins 1998; Martins & Noronha 1991; Martins et ai. 1997 ;
Sant'Ovaia 1993; Sant'Ovaia et al. 1995, 1997).

Parte dos resultados obtidos no decurso do presente estudo, foram objecto de


comunicações em congressos, relatórios e de publicações (Dória et ai. 1991, 1993a,
1993b, 1995a, 1995b, 1999a, 1999b; Cathelineau. et ai. 1993a; 1993b; Noronha et ai.
1993a, 1993b 1995a; Guedes et ai. 1995, 1997a, 1997b; M. A. Ribeiro et ai. 1999;
Dória et ai. in prep.).

II.3- HISTÓRIA MINEIRA

Pensa-se que a actividade mineira da região de Vila Pouca de Aguiar já teria


começado durante os tempos proto-históricos mas, foi durante a ocupação romana da
Península Ibérica que ela sofreu um importante incremento embora, subsistam algumas
dúvidas acerca da idade dos primeiros trabalhos mineiros pois, os romanos nem
sempre seguiam o mesmo método de lavra (Carvalho & Ferreira 1954).
As mineralizações auríferas da região foram alvo de exploração na época
romana, nomeadamente em Jales, Gralheira e Três Minas.

Na mina de Jales, no "Filão de Campo" de orientação NNE-SSW,


imediatamente (500m) a SW dos filões da Gralheira (Fig.II-1) orientados WNW-ESE,
os romanos abriram uma sanja com a largura e profundidade aproximadas de lm x
50m (Mello Nogueira 1936 citado em: Carvalho & Ferreira 1954) suponde-se que os
trabalhos neste filão teriam atingido 150m de profundidade e que teriam sido abandonados
devido a dificuldades surgidas com o esgoto das águas (Lancastre 1966). A mina de Jales,
uma das minas de ouro mais importantes da Península Ibérica esteve em laboração até

14
Outubro de 1992. Entre 1933 e 1989 a mina produziu cerca de 25 t de ouro (Au) e lOOt
de prata (Ag) em trabalhos efectuados nos filões Campo e Desvio (J. Neiva & A.
Neiva 1990).
Nos filões da Gralheira, foram efectuados trabalhos de prospecção entre 1930 e
1932 pela empresa "Minas de Jalles Lda" (Lancastre 1966); na década de 60 pelo
Serviço de Fomento Mineiro (Viegas & Martins 1992) e mais recentemente
(1990/1991) pelo consórcio BP/RTZ-BRGM sendo estimadas reservas de 20 t em Au
(A. Neiva 1994).

Três Minas é um dos mais importantes conjuntos da arqueologia mineira da


época romana. Foi provavelmente entre os anos 27 a.C. e 14 d.C, durante o império de
Augusto, que começou a actividade mineira e que se prolongou até à época de Sétimo
Severo (193 - 211 d.C). Calcula-se que nas Cortas de, Covas, Ribeirinha e Lago
Pequeno (Fig.II-2), explorações romanas a céu aberto, extraíram-se cerca de 15 a 20
Mt de tal e qual (Wahl 1993).
Leuschner, 1877 no relatório sobre trabalhos antigos de mineração, refere que:
"Os trabalhos antigos eram trabalhos a céo aberto denominados Lagos, e trabalhos
por galerias e poços, denominados Gralheiros" (Estampa II-l). (....)" dois muito
grandes, denominados Lagos de Covas e Lago da Ribeirinha, de 300 metros pelo
menos de comprido por 100 metros de largo e 80 metros de profundidade cada um,
tendo sido desmontados em cada um 2 400:000 metros cúbicos de rocha firme. Um
mais pequeno, Lago Pequeno, de 20:000 metros cúbicos aproximadamente".
Neste relatório é também referida a existência de {..)"pedras de granito cada
uma de 1 metro de comprido por 0,30 de largura e grossura, com três concavidades
meio hemisphericas de 0,22 de diâmetro, chamadas estas pedras na localidade
Brueiras (Estampa II-l foto 3), e que serviram para britar os mineraes (....y'como
também a existência de pequenas mós, que serviram para a amalgamação dos
minerais preciosos "(...). Estas pedras desgastadas que serviram para a preparação do
minério foram utilizadas na construção de casas nas aldeias de Ribeirinha e Covas.

15
250000 250500 TRÈS MINAS v
! I I

Escala 1:10 000. Equidistância das curvas de nível 10 m

Fig.II-2- Três Minas - zona arqueológica (Wahl, 1993, modificado). A: Corta de Covas; B:
Corta da Ribeirinha; C: Corta dos Lagoinhos; a: Galeria do Pilar; b: Galeria do Texugo; c:
Galeria dos Alargamentos; d: Galeria dos Morcegos; e: Galeria do Buraco Seco; f: Galeria
Esteves Pinto; 1: aquedutos; 2: depósito de água; 3: anfiteatro?; 4: nécropole; 5: instalações de
lavagem; sombreado: superfícies presumivelmente construídas.

16
No final do relatório atrás referido o autor fazendo referência às descobertas e
às quantias despendidas assim como, às riquezas narradas nas antigas crónicas do
Contador Dargot e de Duarte Nunes de Leão acerca da antiga Lusitana cuja província
de Trás-os-Montes era parte integrante, sugere (...)"deveráformar-se uma empreza de
um capital de 50 contos de reis, dos quaes receberei dez contos de reis, para
indemnisação dos trabalhos e despezas feitos por mim até ao presente, que me serão
entregues logo que seja reconhecido o valor das referidas minas e resolvida a sua
lavra ; além d'isso receberei pelos direitos d'iniciativa e descoberta, 33 1/3 % dos
lucros líquidos que a empreza auferir. "

Na década de 50 a empresa londrina "Powell Duffryn Technical Services


Limited" efectuou estudos sobre trabalhos antigos. Posteriormente , o Serviço Fomento
Mineiro (SFM) procedeu a reconhecimento geológico da área, ao levantamento,
limpeza e amostragem de galerias. Foram também várias as companhias ou consórcios
que prospectaram e procederam a trabalhos de reconhecimento da área. Como exemplo
cita-se a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos (SPE) que efectou trabalhos de
prospecção entre 1984 e 1988 na corta de Covas e Ribeirinha (Oliveira & Farinha
1987; Viegas & Martins 1992).

Na região de VPA verifica-se ainda a ocorrência de mineralizações auríferas em


estruturas filonianas tais como, Vale de Campo, Vale de Égua, Sevivas-Velhaquinhas,
Argeriz e Jogadouro.
Na década de quarenta, à semelhança do que aconteceu no resto do país,
Sevivas-Velhaquinhas, Argeriz e Jogadouro foram objecto de numerosos trabalhos
mineiros para a exploração de Sn e W. Este facto é comprovado pelos numerosos
registos de concessões mineiras que se encontram na então denominada Circunscrição
Mineira do Norte.
Em Jogadouro, freguesia de Carrazedo de Montenegro, nos registos das "minas
de estanho e ouro" (1942) e de "estanho" (1946) é referida a existência de trabalhos
antigos ^épocas remotas") de desmonte.

17
Em Ribas, freguesia de Argeriz, há um registo de uma "mina de wolfrâmio"
datado de 1942. Na década de 50 o SFM procedeu a trabalhos de prospecção de Au
efectuando a cartografia geológica da área e amostragem das estruturas mineralizadas
(Viegas & Martins 1992).

Os registos respeitantes à mina de Vale de Campo datam de 1900. Esta mina foi
concessionada para o chumbo (Moura 1988).

Mais recentemente, confirmando o interesse potencial da área em


mineralizações auríferas, houve um incremento da sua prospecção conduzido quer por
operadores públicos, quer por privados. Assim, foram efectuados trabalhos de
prospecção nas áreas de: Sevivas-Velhaquinhas pela BP e RTZ (1988 e 1991) e na área
que abrange Três Minas, Vale de Campo e Penabeice pelas empresas SEREM
(BRGM)-EDM(1992).

II.4- ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO DA REGIÃO AURÍFERA DE


VILA POUCA DE AGUIAR

II.4.1- ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO REGIONAL

O Maciço Ibérico é um conjunto de unidades de idade ante-Mesozóica que se


alongam paralelamente à direcção das estruturas hercínicas. Com base em critérios
litológicos, estruturais, metamórficos e metalogénicos o Maciço Ibérico é dividido em
diferentes zonas geotectónicas (Julivert et ai. 1974; A. Ribeiro et ai. 1987, 1990).
A região em estudo pertence à zona Galiza Trás-os-Montes (Farias et ai. 1987;
Arenas et ai. 1988), localizando-se na sua maior parte no subdomínio
Peritransmontano (A. Ribeiro 1974) nas proximidades do limite, marcado por
carreamento, entre a zona Galiza Trás-os-Montes e a zona Centro ibérica (Fig. II-1).
Na região de Trás-os-Montes Ocidental o subdomínio Peritransmontano, de
carácter parautóctone, é caracterizado por possuir rochas metassedimentares do
Ordovícico superior a Silúrico inferior (Noronha 1983; Pereira 1987). O contacto da

18
unidade parautóctone com a autóctone (Domínio do Douro Inferior) da zona Centro
Ibérica fica próximo do limite sul da área em estudo.

II.4.2- CONTEXTO GEOLÓGICO LOCAL

II.4.2.1- Litoestratigrafia

A região de VPA abrange essencialmente sequências metassedimentares do


Ordovícico superior ao Devónico inferior enquadradas por granitos hercínicos; a norte
e sul pelos granitos de duas micas sin- a tarditectónicos, respectivamente os maciços de
Chaves e de Vila Real; a oeste pelos granitos biotíticos pós-tectónicos de VPA
(Martins 1989; Martins 1998; Martins & Noronha 1991; Noronha et ai. 1993b;
Noronha et ai. 1998).

Para esta região foram definidos dois domínios estruturais com diferentes
características litoestratigráficas e estruturais, o Domínio Estrutural de Três Minas
(DETM- sector SSW) e o Domínio Estrutural de Carrazedo (DEC- sector NNE)
que, por sua vez, é dividido em dois sub-domínios: sub-domínio inferior e sub-domínio
superior (M. A. Ribeiro 1998) (Fig.II-3).
Com base nos critérios litológicos, estratigráficos e litogeoquímicos foram
individualizadas para estes domínios várias unidades (M. A. Ribeiro et ai. 1993, 1995;
M. A. Ribeiro & Noronha 1997; M. A. Ribeiro 1998).

Domínio Estrutural de Três Minas

Este domínio (DETM) compreende, da base para o topo, as seguintes unidades:

Unidade das Fragas Negras (FN) - filitos cinzentos a negro, liditos, rochas
calcossilicatadas e algumas rochas carbonatadas;
Unidade de Curros (Cu) -filitos, xistos verdes, gresofilitos e grauvaques.

19
LEGENDA
METASSEDIMENTOS DO PALEOZÓICO

Domínio Estrutural de Três Minas Domínio Estrutural de Carrazedo


(DETM) (DEC)
Sub-domínio Inferior Sub-domínio Superior

DCU
Unidade de Curros
a Filitos, xistos verdes,
3 gresofilitos e .Sg^afil*
V)
o
u grauvaques
•c Unidade de Cubo
•a ma T Quartzofílitos, quartzitos(*),
filitos e microconglomerados
Unidade das Fragas Negras
Filitos cinzentos
a negros, liditos(*X Unidade de Vale de Égua
rochas calcossilicatadas
e algumas rochas carbonatadas
Sub-Unidade de Rancho
Filitos cinzentos, xistos negros e _v V
'SE
alguns liditos(*), quartzitos e
rochas calcossilicatadas Unidade de Santa
S
Maria de Émeres
\V AC y Quartzofílitos feldspáticos,
Sub-Unidade do Alto da Cheira vulcanites ácidos, xistos
Quartzofílitos feldspáticos, negros, filitos, rochas
vulcanites ácidos,filitose rochas calcossilicatadas e
calcossilicatadas quartzitos

Granitos

v±+ Granitos biotíticos pós-tectónicos

xxx Granitos de duas micas sintectónicos

Filões
Filões de quartzo

Falha
■— — Falha provável
v T — Carreamento
p- w Carreamento provável
•<£^ Minas a céu aberto

Exploração mineira
X abandonada ou suspensa

Fig. II-3- Mapa geológico simplificado e esboço dos Domínios Estruturais, segundo Carta
Geológica de Portugal, 1:50 000, folha 6-D - Vila Pouca de Aguiar (1999).

20
Domínio Estrutural de Carrazedo

O sub-domínio inferior é definido pelas seguintes unidades (da base para o


topo):
Unidade de Vale de Égua (VE)- constituída por, quartzofilitos feldspáticos,
vulcanites ácidos, filitos e rochas calcossilicatadas (sub-unidade do Alto da
Cheira- SAC), assim como, filitos cinzentos, xistos negros, liditos, quartzitos e
rochas calcossilicatadas (sub-unidade de Rancho- S^);
Unidade de Cubo (Cb)- sequência predominantemente quartzosa
apresentando, quartzofilitos, quartzitos, filitos e microconglomerados.

O sub-domínio superior é constituído pela Unidade de Sta Maria de Émeres


(SE), cuja litologia é essencialmente composta por: quartzofilitos feldspáticos, xistos
negros, filitos, rochas calcossilicatadas e quartzitos

II.4.2.2- Tectónica e metamorfismo

As sequências metassedimentares da região de VPA apresentam deformação


hercínica devida à actuação de fases de deformação dúctil (D,, D2 e D3) seguidas de
fases de deformação frágil (fase tardia, A. Ribeiro 1974):

- a fase Dl é responsável por uma xistosidade de plano axial (Sj). Esta


clivagem, nem sempre visível, apresenta atitudes variáveis com diferentes
relações angulares com a estratificação (S0);

- a fase D2, fase tangencial responsável pela transposição parcial ou total de


S, por uma foliação subhorizontal S2 que passa a ser a foliação principal. Esta
fase é interpretada como estando relacionada com os carreamentos do
domínio parautóctono sobre o autóctono da zona Galiza-Média-Trás-os-
Montes (A. Ribeiro 1974). A estruturação sub-horizontal do DEC é resultante

22
da actuação desta fase tangencial. No DETM esta fase é de difícil
visualização (M. A. Ribeiro et ai. 1995).

- a fase D3, intra-vestefaliana, (Noronha et ai. 1979) manifesta-se por uma


clivagem de crenulação (S3) associada a dobramento de plano axial
subvertical com direcção N120°E. No DEC, com estruturação prévia
horizontal, esta fase desenvolve dobramentos métricos de eixo sub-horizontal
NW-SE, seguidos de uma deformação dúctil-frágil tardi-D3 manifestada
sobretudo por fendas de tracção N40° a N50°E. No Domínio Estrutural de
Três Minas as estruturas resultantes de D3 têm uma orientação
subconcordante com as estruturas prévias reactivadas como cisalhamentos
dúcteis no decurso desta fase. Com efeito nos dois sectores são algo distintas
as estruturas resultantes de D3. Enquanto que no DETM há a registar
cisalhamentos em regime dúctil geralmente acompanhados por forte
actividade hidrotermal responsável por intensa cloritização e silicificação, no
DEC os eventos dão-se já em regime dúctil-frágil sendo mais evidentes as
fendas de tracção N40° a N50°E.

- fases tardias, essencialmente frágeis, responsáveis por dois sistemas de


fracturas conjugados NE-SW a NNE-SSW e NW-SE, este último retomando
estruturas prévias. A falha Régua-Verin (N10°E), situada a W da área
estudada, é resultante da deformação frágil tardia (pós-D3).

As formações metassedimentares foram afectadas por metamorfismo regional e


por metamorfismo de contacto, este último resultante da acção dos granitos biotíticos
pós-tectónicos de Vila Pouca de Aguiar.
O metamorfismo regional foi de baixo grau (zona da clorite/biotite): no DEC, o
metamorfismo corresponde à zona da biotite ; no DETM não ultrapassa a zona da
clorite com excepção de estreitas faixas nas proximidades dos granitos sintectónicos

23
peraluminosos onde são observadas biotite e andaluzite. Esta unidade posiciona-se
num nível estrutural superior, encontrando-se as estruturas da primeira fase hercínica
(Dj) bem preservadas. Estes aspectos correspondem às características definidas por
Noronha et ai. (1979) para o nível estrutural superior. Contudo, as condições referidas
para o metamorfismo regional da área em estudo, são relativamente constantes no
decurso da actuação das duas fases de deformação Dj e D2 razão pela qual, as foliações
são marcadas pela mesma associação mineralógica quartzo+mica branca+clorite.
Localmente, sobreposto a este metamorfismo observa-se uma blastese na dependência
de um pico térmico relacionado com a subida e instalação dos granitos de duas micas
sin a tardi-tectónicos (relativamente a D3). Este pico térmico define uma zonografia em
que as condições térmicas são mais acentuadas nas proximidades dos granitos e/ou dos
corpos aplito-pegmatíticos com eles relacionados. Esta zonografia corresponde a uma
associação mineral quartzo+moscovite+andaluzite± biotite. Em zonas mais afastadas
este pico manifesta-se por uma blastese de quartzo+moscovite+biotite (M. A. Ribeiro
1998).

O metamorfismo de contacto existente na região, está como referimos,


relacionado com a instalação dos granitos biotíticos pós-tectónicos de VPA, datados de
299±3 MA (Martins 1998), que provocam uma auréola de metamorfismo. Esta auréola
desenvolve-se sub-paralelamente ao contacto sendo aí, caracterizada por corneanas
(fácies das corneanas horneblêndicas) e blastese de biotite e clorite nas zonas mais
afastadas.

II.4.2.3- As estruturas quartzosas

A área estudada caracteriza-se pela ocorrência de numerosas estruturas


quartzosas (veios, filões, filonetes e lentículas), quer estéreis quer mineralizadas,
encaixadas nos metassedimentos. As estruturas mineralizadas ocorrem em diferentes

24
contextos estruturais e litológicos apresentando diferentes tipos de mineralização (Au-
Ag, Sn, W...) (Fig.II-3).

No DETM (sector SSW), localizam-se as antigas explorações auríferas romanas


de Três-Minas {pirite, calcopirite, esfarelite, arsenopirite pirrotite,....) e Gralheira
{arsenopirite, pirite, galena ...) assim como, as estruturas filonianas de Penabeice
(esfarelite, arsenopirite) e Sevivas-Velhaquinhas (arsenopirite, pirite, galena,...).
No DEC (sector NNE) verifica-se a ocorrência de mineralizações auríferas em
estruturas quartzosas filonianas de, Vale de Campo e Vale de Égua (arsenopirite,
pirite, galena,...), Argeriz (arsenopirite, pirite, bismuto,...) e Jogadouro (arsenopirite,
pirite, bismuto,....).

A amostragem das estruturas quartzosas foi realizada atendendo aos aspectos


estruturais dos metassedimentos encaixantes e à relação das estruturas mineralizadas
com a tectónica bem assim como, à composição litológica das unidades
litoestratigráficas e à sua caracterização químico-mineralógica e metamórfica.
Tendo em conta estes pressupostos e uma vez que, pretendemos realizar um
estudo comparativo tendo como principal objectivo a reconstituição da evolução dos
paleofluidos da região, a amostragem foi realizada, quer nas estruturas mineralizadas,
quer nas estéreis do encaixante metassedimentar (Fig.II-4).

Estruturas estéreis amostradas


- Banho (BAN)- Unidade das Fragas Negras (DETM)
- Castelares (CAST)- Unidade VE, sub-unidade SRA (DEC)

Estruturas mineralizadas amostradas


- Três Minas (TM)- Unidade das Fragas Negras (DETM)
- Argeriz (ARGZ)- Unidade de Santa Maria de Emeres (DEC)
- Jogadouro (JOG)- Unidade de Cubo (DEC)
- Vale de Égua (VE)- Unidade VE, sub-unidade SRA

25
11.4.2.3.1- Estruturas estéreis do encaixante metassedimentar

Estruturas ante-D3

São estruturas sin-metamórficas concordantes com a foliação principal S2 no


DEC e S3 no DETM. Os exemplos estudados consistem em filonetes de quartzo, com
possanças variáveis, desde milimétricos encaixados nos liditos (Banho) (Estampa II-2
foto 1), até à dezena de centímetros encaixados nos filitos cinzentos a negros
(Castelares) (Estampa II-2 fotos 2 e 3).

11.4.2.3.2- Estruturas mineralizadas

Estruturas sin a tardi D3

A- Veios de quartzo + sulfuretos + (Au) distribuídos por dois sistemas


principais: i) NS a NNW-SSE e NE-SW e ii) NW-SE este paralelo à clivagem de
fractura S3 (paralelo aos planos axiais das dobras D3).

O filão de Vale de Égua de atitude N40 a N50°E/subvertical com a espessura


aproximada de 1 metro está associado ao primeiro sistema (NE-SW).
O filão de Jogadouro associado ao primeiro sistema com uma atitude que varia
entre NO a N20°W/subvertical apresenta uma espessura variável entre 2 a 3 metros.
Argeriz é um exemplo do segundo sistema (NW-SE) consistindo em veios de
quartzo predominantemente subverticais com direcção variável, NI00 a N120°E.

Fig.II-4- Posição e representação esquemática das estruturas quartzosas estudadas. Banho e


Castelares (CAST): estruturas estéreis do encaixante metassedimentar; Argeriz (ARGZ),
Jogadouro (JOG), Vale de Égua (VE) e Três Minas (TM): estruturas quartzosas
mineralizadas; PH: plano horizontal; PV: plano vertical. Todas as representações no PH
mantêm a orientação da carta.

26
B- Estruturas silicificadas + sulfuretos + (Au) relacionados com zonas de
cisalhamento.

Em Três Minas, a mineralização ocorre associada a zonas de cisalhamento sin-


D3 (N120° a N130°), marcadas por silicificação mais ou menos intensa dos
metassedimentos. Esta zona de cisalhamento materializa o contacto entre os xistos
grafítosos pertencentes à Unidade das Fragas Negras (FN) e os quartzofílitos e xistos
siliciosos da Unidade de Curros (Cu).
Contrariamente aos exemplos anteriormente referidos, em Três Minas verifíca-
se que para além do controlo estrutural existe também um controlo litológico das zonas
mineralizadas.
Baseados em estudos de índole geológica e geoquímica Oliveira & Farinha (1987) e
Oliveira (1990), referem que a mineralização ocorre preferencialmente em lentícuias de
quartzo e nos xistos sericítico-cloríticos e respectivos encostos, sugerindo aqueles autores,
a existência de mineralização singenética (associada a processos sedimentares)
nomeadamente do tipo paleoplacer.

II.4.2.3.3- Estruturas estéreis tardias

No mesmo ambiente geológico verifíca-se a ocorrência de possantes filões de


quartzo tardi-hercínicos, estéreis, predominantemente subverticais, com direcções
variáveis (NNW-SSE a NNE-SSW). Referem-se como exemplos os filões, com
direcções aproximadas de N20°E, de Cabeço do Seixo (Moura 1988) e o que se
localiza a NW da corta da Ribeirinha (Três Minas). Estes filões localizam-se
respectivamente, no DEC e no DETM (Fig.II-3).

28
ESTAMPAS
ESTAMPA II-l

Três Minas

1. Corta da Ribeirinha (Galeria do Buraco Seco). Aspecto das explorações romanas a


céu aberto.
2. Aspecto das galerias que partiam da encosta do monte servindo para a extracção
e/ou drenagem das águas.
3. Blocos de granito conhecidos por Brueiras, que foram utilizadas, pelos romanos,
como almofariz para a moagem do minério.
ESTAMPA II-2

Aspecto macroscópico das estruturas sin-metamórfícas estéreis do encaixante


metassedimentar

1. Aspecto dos filonetes de quartzo, encaixados em liditos, concordantes com a


foliação principal ( amostra de Banho-DETM).
2. Aspecto dos filonetes de quartzo concordantes com a foliação principal (S2), em
filitos cinzentos a negros intercalados com metavulcanitos ácidos (amostra Castelares-
DEC).
3. Detalhe dos filonetes da foto 2.
CAPITULO III

CARACTERIZAÇÃO PETROGRAFICA E
MINERALÓGICA DAS ESTRUTURAS
QUARTZOSAS

CA? I I I . Introdução, textura e mineralogia


dos quartzos, paragéneses silicatadas e
metálicas: sequência paragenética e relações
genéticas com os diferentes tipos de quartzo.
III.l-INTRODUÇÃO

A região de Vila Pouca de Aguiar foi afectada por uma sobreposição


relativamente complexa de eventos deformacionais. Consequentemente, as estruturas
deformadas apresentam uma sucessão complexa de vários estádios de recristalização,
deformação e cicatrização dos minerais nomeadamente, do quartzo.

A deposição e os aspectos texturais do quartzo das estruturas deformadas não


são necessariamente sincrónicos da formação dessas estruturas. Assim, em face da
história complexa que uma dada amostra quartzosa pode apresentar torna-se necessário
desenvolver uma abordagem metodológica conducente ao estabelecimento de uma
cronologia relativa dos fluidos em função da cicatrização ou cristalização dos cristais
hospedeiros.
Esta complexidade foi posta em evidência em vários trabalhos relacionados
com texturas de quartzos auríferos (Hubert 1986; Dowling & Morrison 1988; Boiron
et ai. 1992; Essarraj 1992....).

O estudo das paragéneses minerais (metálicas e/ou não metálicas) do encaixante


metassedimentar e das estruturas mineralizadas reveste-se de particular interesse na
medida em que, nos auxilia à compreensão das interacções entre os fluidos e as rochas.
A caracterização dos minerais associados às diferentes paragéneses nomeadamente, às
paragéneses silicatadas, permite-nos obter estimativas das condições físico-químicas
da sua formação. Os dados geotermométricos assim obtidos, vão-nos auxiliar na
reconstituição das condições P-T de aprisionamento dos fluidos, deduzidas a partir de
outras técnicas de estudo nomeadamente, do estudo de inclusões fluidas, permitindo a
definição de domínios mais restritos de variação dessas condições P-T.

37
III.2- TEXTURA E MINERALOGIA DOS QUARTZOS

III.2.1- MÉTODOS E TÉCNICAS ANALÍTICAS

Neste estudo foram utilizadas várias técnicas nomeadamente: i) observação


macroscópica (lupa binocular); ii) observação ao microscópio óptico e ao microscópio
electrónico de varrimento (MEV) de lâminas polidas; iii) mapeamento de lâminas
polidas utilizando para o efeito o MEV equipado de um sistema de
catodoluminiscência (CL). Esta última técnica torna visível certos aspectos texturais
do quartzo (zonas recristalizadas e de neoformação) aspectos esses, difíceis de
discernir aquando da utilização da microscopia óptica de transmissão (Boiron et ai.
1992).
Assim, depois de uma observação cuidadosa das lâminas polidas ao
microscópio óptico procedeu-se à observação, daquelas que apresentavam uma maior
complexidade de microestruturas, ao MEV-CL. Foi utilizado para o efeito um aparelho
JEOL JSM 840 SEM equipado com um sistema EDS e de um sistema de
catodoluminiscência JEOL CL (Univ. Strasbourg). Este estudo foi realizado em
colaboração com M. C. Boiron.
O princípio (Tovey & Krinsley 1980; Meunier et ai. 1990) consiste no estudo
da luz emitida pela amostra quando sujeita ao bombardeamento de electrões. O sinal
CL é recolhido por um espelho elipsoidal colocado a poucos milímetros acima da
superfície da amostra. Este sinal é transmitido para um fotomultiplicador por um
espelho com uma inclinação de 45° sendo em seguida amplificado e transmitido a um
vídeo relacionado com o MEV.
As condições analíticas utilizadas foram as seguintes:
- um potencial de aceleração de 25kV;
- uma corrente de excitação de 3. 10" a 1. 10" A;
- vácuo: 2. IO"6 torr (atmosfera argon);
- tempo de exposição das fotografias, cerca de 40s e <60s.

38
A profundidade de excitação sob estas condições analíticas foi de
aproximadamente 4 mm (Grant 1978 em: Boiron et ai. 1992) e a resolução espacial de
pelo menos alguns |im.
A utilização deste equipamento tem as seguintes vantagens:

- a observação de sinais de fraca intensidade;


- fornece bons contrastes de catodoluminiscência especialmente em imagens
obtidas no quartzo (caracterizado por fracas intensidades de CL);
- permite o acesso rápido à observação a grandes ampliações (acima de
2000x).

As variações na intensidade e no comprimento de onda do sinal CL


correspondem a imagens MEV-CL a preto e branco com zonas de diferentes
intensidades. Infelizmente estas imagens não permitem a identificação das causas
destas variações, sendo geralmente consideradas por alguns autores (Smith &
Stenstrom 1995; Remond 1977) como o resultado de variações composicionais
como por exemplo, conteúdos anormais em elementos traço típicos das diferentes
gerações de quartzo. Micro fracturas cicatrizadas e microfilonetes de quartzo
autigénico formarão micromarcadores catodoluminescentes lineares nas imagens
MEV-CL. Os cristais de quartzo autigénico são geralmente caracterizados por
uma sucessão de bandas alternadas correspondendo a bandas de crescimento do
cristal. Contrariamente, os efeitos causados pelas variações na intensidade e no
comprimento de onda do sinal CL, devidos a deformação dúctil, são
significantemente menores (Boiron et ai. 1992). Assim, esta técnica é de grande
utilidade no estabelecimento da cronologia entre minerais e inclusões fluidas.

III.2.2- PRINCIPAIS TIPOS DE QUARTZO

A partir do estudo macroscópico e microscópico do quartzo, observado em


amostras representativas das estruturas mineralizadas e das estuturas estéreis dos

39
metassedimentos encaixantes previamente descritas (Fig.II-4), foi possível a
identificação dos seguintes tipos de quartzo:

Quartzo leitoso (QL)

Este quartzo apresenta-se, de modo geral, em agregados xenomorfos de


dimensões variáveis. O seu aspecto leitoso, deve-se ao facto deste, exibir uma grande
abundância de inclusões fluidas, em regra de dimensões reduzidas. Os cristais de
quartzo caracterizam-se pela manifestação visível (ao microscópio óptico) de
deformação dúctil intracristalina. Esta é materializada fundamentalmente, por:
extinção ondulante; bandas de deformação; desenvolvimento de subgrãos, já numa
fase de recuperação e recristalização (Estampa III-1). A fase de recristalização
caracteriza-se por uma rotação dos subgrãos devida à acumulação das deslocações nos
seus contornos (Spry 1969; Hubert 1986; Hibbard 1995). Pensa-se que a maior parte
das recristalizações operadas nas rochas se processa desta forma (Subgrain rotation
recrystallization) sendo comum na recristalização do quartzo (Hibbard 1995). Com o
aumento da deformação os subgrãos individualizam-se opticamente formando
neogrãos (ng) ou neoblastos (Estampa III-1). O desenvolvimento localizado destes
novos grãos nos agregados quartzosos, como por exemplo, em bandas de deformação
ao longo de planos S, em fracturas, clivagens..., sugere que, são locais de alta energia
mais propícios à sua formação (Estampa III-1 foto 2).

As imagens MEV-CL correspondentes aos grãos recristalizados (gr) apresentam


zonas cinzentas sem contraste de catodoluminiscência isto é, não revelam qualquer
tipo de micromarcadores catodoluminescentes (Estampa III-2 fotos 1 e 2).

Para além de deformação dúctil o quartzo leitoso sofreu deformação


frágil/dúctil a frágil que se manifesta por uma sucessão complexa de vários estádios de
microfracturação e preenchimento. Estas micro fracturas poderão ser colmatadas
(sealing) por quartzo, dando origem à individualização de um novo tipo de quartzo ou,

40
simplesmente cicatrizadas (healing) pelo aprisionamento de fluidos correspondendo a
planos de inclusões fluidas (PIF).

As imagens MEV-CL correspondentes a microfracturas cicatrizadas,


correspondentes a planos de inclusões fluidas (PIF), formam redes de
micromarcadores catodoluminescentes lineares finos que normalmente recortam todos
os outros domínios observáveis em catodoluminiscência (Estampas III-3, III-4 e III-5).

Quartzo límpido (QLp)

Corresponde a bandas de quartzo mais límpido, no interior do quartzo precoce


da matriz (quartzo leitoso). Esta característica resulta da menor abundância de
inclusões fluidas relativamente ao quartzo da matriz (Estampas III-3, III-4 e III-5). A
transição entre estes dois domínios não é facilmente observável ao microscópico
óptico. Contudo, a sua observação em catodoluminiscência (MEV-CL), mostra a
existência de bandas com diferentes intensidades de luminescência características de
bandas de crescimento do quartzo. Estas zonas de quartzo mais límpido (bleached
quartz zones) constituem, em imagens MEV-CL, bandas negras a cinzento-escuro
(luminescência fraca), contrastando com bandas brancas características da matriz
correspondentes a luminescência forte (Boiron et ai. 1992) (Estampas III-3 e III-4). As
imagens MEV-CL revelam que o quartzo límpido se formou em espaços abertos
estando fortemente afectado por microestruturas deformacionais colmatadas.

Quartzo hialino (Qh)

O quartzo hialino das estruturas filonianas não apresenta qualquer indício de


deformação intracristalina. Este quartzo geralmente precede a cristalização da geração
dos principais sulfuretos com formas euédricas (arsenopirite, pirite e galena) (Estampa
III-3).

41
As formas euédricas do quartzo hialino, facilmente identificáveis ao
microscópio óptico, contornam os sulfuretos ou, preenchem fendas de tracção {tension
gashes) e géodes, ou microfracturas em sulfuretos.

III.2.2.1- Cronologia relativa

Face à complexidade dos diferentes aspectos texturais do quartzo, apresentada


pelas estruturas (estéreis e mineralizadas) descritas no capítulo anterior, impõe-se o
estabelecimento de uma sequência cronológica para as principais gerações do quartzo.

Estruturas estéreis precoces

O quartzo leitoso é considerado como a geração de quartzo mais precoce


característico das estruturas ante-D3 (Banho e Castelares). Este tipo de quartzo -QI
apresenta deformação dúctil materializada por extinção ondulante e, numa fase
posterior de recuperação, recristalização. Nos filonetes mais finos presentes nos liditos
de Banho o tipo de quartzo dominante é o quartzo recristalizado -QII ao passo que,
nos filonetes mais espessos, é comum o desenvolvimento de mortar texture (Estampa
III-l foto 3).
Nos filonetes de quartzo de Castelares observa-se ainda um outro tipo de
quartzo. Trata-se de um quartzo mais límpido -Qlla que ocorre no interior do quartzo
leitoso (QI) da matriz e/ou preenchendo fendas de tracção sin-D3.

Estruturas mineralizadas

De um modo similar, nas estruturas mineralizadas quer nas filonianas, quer nas
silicificadas, o quartzo leitoso (QL) é o principal preenchimento e é considerado como
a geração de quartzo mais precoce (sin a tardi -D3) (Estampa III-l). Este tipo de
quartzo-QI apresenta extinção ondulante, bandas de deformação e subgrãos resultantes
de deformação dúctil intracristalina. Por vezes notam-se somente pequenas relíquias
de paleogrãos em consequência do aumento da densidade dos neogrãos.

42
Posteriormente, o quartzo leitoso precoce foi sujeito a deformação frágil/dúctil
a frágil, conduzindo a gerações sucessivas de micro fissuras. A cronologia estabelecida
para estes episódios é a seguinte:

Estruturas filonianas

- a formação polifásica de bandas de sobrecrescimento {overgrowth) de um


quartzo límpido (QLp): este tipo de quartzo -Qlla encontra-se no interior dos
grãos do quartzo leitoso -QI (Estampas III-3, ffl-4 e III-5).
- a formação de um quartzo hialino (Qh): este tipo de quartzo -Qllb
geralmente precede a deposição dos principais sulfuretos euédricos, e.g.
arsenopirite II (Vale de Égua, Argeriz e Jogadouro)e da galena I (Vale de
Égua) (Estampa III-3);
- cristais de quartzo hialino por vezes euédrico -QUI cimentando e/ou
cicatrizando fracturas dos sulfuretos (e.g. Vale de Égua, Jogadouro e
Argeriz).

Estruturas silicificadas

- bandas, concordantes com a foliação, de um quartzo límpido com extinsão


ondulante -QII (em amostras mais silicificadas);
- quartzo microcristalino -QUI observado nos interstícios do quartzo leitoso
e/ou em bandas de deformação e ao longo de planos S;
- quartzo hialino -QIV, por vezes euédrico, de preenchimento intersticial dos
sulfuretos, de fendas de tracção (tension gashes) e géodes. Este tipo de
quartzo está associado à paragénese de sulfuretos mais tardias e à clorite
vermicular.
Aos eventos dúcteis e frágeis, caracterizados pela deposição de várias gerações
de quartzo, segue-se uma sucessão de eventos frágeis tardios provocando uma
microfracturação mais ou menos intensa. As microfissuras poderão ser observadas
como planos de inclusões fluidas (PIF) atravessando todos os tipos de quartzos das
estruturas estéreis assim como, das mineralizadas (Estampas III-3, III-4 e III-5) ou, no

43
seio de sulfuretos de Fe-As precoces, preenchidas por sulfuretos ou sulfossais mais
tardios.

III.3- PARAGÉNESES SILICATADAS E METÁLICAS

III.3.1- Métodos e técnicas analíticas

A presença de várias gerações de filossilicatos (micas brancas e clorites), nas


estruturas mineralizadas assim como nas formações encaixantes, conduziu à realização
de um estudo cristaloquímico detalhado desses minerais, com o objectivo da sua
utilização como paleotermómetros.

Com o estudo das paragéneses minerais das estruturas filonianas de Vale de


Égua (VE), Jogadouro (JOG), Argeriz (ARGZ) e das estruturas silicifícadas
mineralizadas de Três Minas (TM) (Fig.II-4), pretendeu-se o estabelecimento de uma
sequência de cristalização e a sua relação com as principais gerações de quartzo e com
as paragéneses silicatadas de alteração descritas anteriormente.

Dada a similitude da mineralogia apresentada pelas estruturas filonianas a


descrição destas, será efectuada em conjunto salientando-se as suas diferenças.

As composições químicas dos filossilicatos foram determinadas utilizando:

- uma microssonda electrónica, JEOL JCXA 733 (Departamento de Geologia


da Faculdade de Ciências da Univ. de Lisboa) com um potencial de
aceleração de 25kV, uma corrente de emissão de 25 nA e tempo de contagem
de 20s;
- uma microssonda electrónica CAMEBAX SX-50 (Universidade de Nancy-
França).
A calibração das microssondas teve lugar no início de cada sessão de trabalho,
sendo a precisão dos resultados de 2 a 3%.

44
As fórmulas estruturais dos filossilicatos foram calculadas, na base de 11
oxigénios para as micas brancas e de 14 oxigénios para as clorites, a partir da
percentagem em peso dos óxidos que as compõem.
A técnica utilizada para estas análises não faz a distinção entre o ferro bivalente
(Fe2+) e trivalente (Fe3+) consequentemente, no cálculo adoptado, todo o ferro foi
considerado como Fe . Cathelineau & Nieva 1985 citam trabalhos respeitantes a
análises de clorites em que, os diversos autores (Foster 1962; Deer et al. 1962; Shirozu
T l

1978) demonstram que o Fe constitui menos de 5% do ferro total.

O estudo dos minerais metálicos foi efectuada em secções e lâminas polidas


utilizando para o efeito o microscópio metalográfico, o microscópio electrónico de
varrimento (MEV) equipado com espectrómetros de raios X e a microssonda
electrónica. As características apresentadas pelos diferentes equipamentos são
seguintes:

MEVJEOL JSM 35C (CEMUP - Porto)

- resolução limite de 6nm (lOx - 180000x);


- gama de energia do feixe electrónico - lkeV a 39 keV;
- possibilidade de observação em electrões secundários e rectrodifundidos;
- medida e controlo de corrente da amostra;
-facilidades de rotação de imagem e imagem múltipla;
- registo fotográfico.

Espectrómetros de raios X (CEMUP - Porto)

- de dispersão de energias (EDS)- Noran Voyager ou de comprimentos de


onda (WDS) JEOL FCS 35 que possibilitam a caracterização qualitativa e
quantitativa da composição de elementos desde o Na (com EDS) ou do B (com
WDS) até ao U.
Sistema de registo digital e análise quantitativa de imagem associado ao MEV

- imagens de camará TV;


- registo e processamento digital de imagens MEV;

45
- análise quantitativa de imagem.
As possibilidades do MEV, equipado com espectrómetros de raios X,
aproximam-se muito das da microssonda electrónica.

Microssonda electrónica CAMEBAXSX-50 (Universidade de Nancy-França)

- potencial de aceleração de 15kV;


- corrente de emissão de 6 nA;
- tempo de contagem de 6s.

Microssonda electrónica CAMEBAX (IGM-Porto)

- potencial de aceleração de 15kV;


- corrente de emissão de 20 nA.

IIL3.2- FILOSSILICATOS

III.3.2.1- Micas brancas

IIL3.2.1.1- Generalidades

A estrutura das micas caracteriza-se pela alternância regular de camadas de


folhas triplas: camada tetraédrica (t); camada octaédrica (o) e camada tetraédrica (t),
unidas por catiões (Dana 1976; Deer et ai. 1962; Lopes Nunes 1982). A substituição de
alguns átomos de Si por Al nas posições tetraédricas (Al ry) faz aparecer na superfície
da folha uma ou duas cargas eléctricas negativas livres. A compensação destas cargas
é feita, respectivamente, por catiões interfoliares monovalentes K+ e Na+ ("micas
verdadeiras" ou "flexíveis") e bivalentes Ca ou Ba ("micas quebradiças").
As três principais micas dioctaédricas são:
- moscovite K (Si3 Al) Al2 O10 (OH)2
- celadonite K (Si4)(Al R2+) O10 (OH)2 em que R2+=Mg, Fe, Mn,....
- paragonite Na (Si3Al) Al2 Oi0 (OH)2

46
Entre estes termos extremos existem outras de composição intermédia na série
contínua da moscovite-celadonite (fengites) e na série descontínua da moscovite-
paragonite. Entre estes três pólos são possíveis várias substituições:

Substituição fengítica

Al jy , Al vi < ^ Si jy , R yj

Uma parte do Aljy (trivalente) é substituído por átomos tretavalentes de Si


assim, para o restabelecimento da neutralidade eléctrica, o subsequente excesso de
2+ 2+ 2+ 2+

carga é compensado pela entrada de catiões bivalentes (R = Fe , Mg , Mn ) nas

posições octaédricas substituindo Alyi-


Substituição "paragonítica "

Na-K (K <^> Na)

As posições interfoliares são ocupadas por K ou Na (carga interfoliar CI=


Z Na+K+2Ca). A proporção de paragonite na série descontínua cujos termos extremos são
a moscovite (K) e a paragonite (Na) é determinada pelo parâmetro Na/(Na+K).

A fórmula estrutural para as micas dioctaédricas pode ser escrita da seguinte


forma:
(Na, K) (Si 3+x Al !.x) (Al) 2.x.y (R2+) x+y Ti y O10 (OH) 2

Os diagramas cristaloquímicos que foram utilizados na classificação e


caracterização do quimismo das diferentes micas dioctaédricas são seguintes:

diagramas binários

- % celadonite versus % paragonite, representa graficamente a contribuição


das moléculas de paragonite e celadonite na estrutura das micas;

47
- CI versus Si-3+Ti, diagrama que evidência a compensação de cargas
interfoliares (CI) devida às variações de cargas nas posições tetraédricas. Este
diagrama mostra duas tendências: a série "fengítica (série moscovite-
celadonite) cujo domínio apresenta uma carga interfoliar constante (CI>0,9) e
conteúdos variáveis de Si, e a substituição ilítica segundo a recta smectite-ilite
cujos termos extremos são a pirofilite e a moscovite;

2+

-R versus Si-3+Ti (Leroy & Cathelineau 1982) que ilustra a substituição


fengítica. Os pontos que se projectam no triângulo superior do diagrama
correspondem a micas que apresentam um excesso de carga nas posições
tetraédricas compensado por um défice de Cl (série ilite-smectite); os pontos
que se projectam no triângulo inferior indicam que parte do ferro é trivalente.
2+
Como meio de testar a quantidade de Fe existente em posição octaédrica
2+

associado a Mg utiliza-se o diagrama Si-3 versus Mg. Neste diagrama pontos


representativos das fengites que se projectam segundo a recta Mg=Si-3
indicam que o excesso de cargas é totalmente compensado pela entrada de
2+

Mg e todo o ferro presente está no estado trivalente. Se os pontos projectam-


se abaixo da recta Fe + e Mg + contribuem para a compensação de cargas;
- Alyj-l+2Ti versus Aljy permite caracterizar a substituição fengítica assim
como, o défice ou excesso de carga nas posições tetraédricas. Teoricamente
existe uma correlação positiva entre os teores de Alry e Alyi que neste
diagrama, é representada por uma recta de declive igual a 1 segundo a qual se
projectam as verdadeiras fengites (Saliot 1978). Projeccções que se afastem
+
dessa recta indicam substituições do tipo Al <^>Fe (Cathelineau 1981).

diagramas triangulares

Os principais diagramas utilizados na classificação das micas são:


3 3 2
- diagrama - 2R - MR - 3R , segundo Velde (1977), em que:

48
2R3 = (Al-(K+Na+2Ca))/2, (pólo pirofilite-caulinite);
MR3 = K+Na+2Ca (pólo feldspatos);
3R2=(Fe+Mg+Mn)/3 (pólo talco-clorite).

- diagrama - 2-Al VI -AlIV- 1-MR3, Hower & Mowatt (1966), em que:

2-Alyi (pólo celadonite)

Aliv (pólo moscovite)

1- MR3 (pólo pirofilite).

Este diagrama mostra a distribuição composicional do grupo das ilites,


ilites/montmorilonites e montmorilonites distinguindo-o das verdadeiras micas
dioctaédricas permitindo assim, uma melhor discriminação das micas.

III.3.2.1.2- Estudo cristaloquímico

A composição química e respectivas fórmulas estruturais das micas brancas do


encaixante, e das estruturas mineralizadas, apresentam-se respectivamente, nas
Tabelas AI-le 2 e Tabelas AI-3 e 4 (Anexo I).

Micas na rocha encaixante das estruturas filonianas

O estudo cristaloquímico foi realizado nas seguintes amostras:


- filito com andaluzite (Unidade de Cubo - Cb), pertencente ao encaixante do
filão de Jogadouro cuja paragénese é constituída por, quartzo + moscovite +
andaluzite + biotite;
- vulcanito (Unidade de S a Ma de Émeres - SE), pertencente ao encaixante do
filão de Argeriz apresentando uma paragénese composta por, quartzo +
albite + mica branca + biotite:

49
- filito grafitoso (Unidade de Vale Égua - VE), pertencente ao encaixante do
filão de Vale de Égua apresentando uma paragénese constituida por, quartzo
+ mica branca + grafite + ilmenite/pseudobrokite + alanite + pirite.

Características cristaloquímicas dos diferentes tipos de micas

- Micas do encaixante de Jogadouro (Mi-encJOG): micas associadas a um


pico térmico pós-foliação (sin D3). Apresentam uma carga interfoliar (Cl)
compreendida entre 0,90 e 0,95. O conteúdo em Si varia entre 3,05 e 3,10
(Tabelas AI-2). Os conteúdos nas moléculas celadonítica e paragonítica
variam respectivamente entre 6,7-10,9% e 11,1-14,9% (Fig.III-lA). No
diagrama C (R +/Si-3+Ti) e D (Alyi-l+2Ti /Airy) as micas projectam-se

sobre a recta de substituição fengítica. indicando que a compensação de


cargas provocada pela substituição fengítica é feita essencialmente pelo
2+

catião Mg . Nos diagramas de Velde e de Hower & Mowatt (Fig.III-2A e


B), estas micas localizam-se no pólo das moscovites apresentando uma
substituição fengítica cerca de 10 a 15%. A análise à microssonda electrónica
permitiu o cálculo da seguinte fórmula estrutural média:
(Na0,i2, Ko,8i) (SÍ3,os Al0,92) (Ali,92 Fe0)o6 Mg0;o3) Ti o,oi Oio (OH) 2

- Micas do encaixante de Argeriz (Mi-encARGZ): micas concordantes com a


foliação principal (ante-S3) e devidas ao metamorfismo regional.
Apresentam uma carga interfoliar (Cl) compreendida entre 0,89 e 0,93
(Tabela AI-2). O conteúdo na molécula celadonítica é variável (28,5 e
34,8%), enquanto que o conteúdo na molécula paragonítica permanece mais
ou menos constante (6,4 e 8,9%) (Fig.III-lA). Os teores em Fe e Mg nas
posições octaédricas variam entre 0,30 e 0,37. A projecção dos pontos no
triângulo inferior do diagrama C indicam que parte do ferro está no estado
trivalente (Fe ).

50
•a
■a

ca

I
-a

£ i
O >
-a <

-O
+
o

O
o
ts +
§ 3
s <*.
s u
cr - *
•a °
CU
o âo
t/->
cd H
+
o
<-> „
U M
o ■S "2
S + ed o
Cl O
■a 2 "S
1—H
"<E (U
o U
O
S §
E
â (U
iS S

3JIUOSB.IB(|%
I |
!I+€-íS ai s
I 0s-
u
tit) CL
No diagrama D estas micas colocam-se acima da recta Alrv=Alvi-l+2Ti, o
que indica um défice de Al nas posições octaédricas. Nos diagramas de
Velde e de Hower & Mowatt (Fig.III-2A e B), estas micas localizam-se no
campo das fengites. A sua fórmula estrutural pode ser escrita da seguinte
forma:

(Na0;o7, K0)84) (Si3,22 Al0)78) (Al!i72 Fe0,i9 Mg0)i3) Ti 0,oi Oi 0 (OH) 2

- Micas do encaixante de Vale de Égua (Mi-encVE): micas concordantes com


a foliação principal (ante-S3). Estas micas apresentam a carga interfoliar (Cl)
ligeiramente mais baixa que os exemplos anteriores (entre 0,83 e 0,88) . A
sua projecção ao longo da recta Si-3+Ti=CI assim como, o seu
posicionamento no diagrama de Hower & Mowatt, evidenciam já uma
substituição ilítica. A sua projecção no diagrama C evidência um excesso em
silica (apresentam o conteúdo mais elevado em Si -3,24 a 3,30) e
consequente défice de Al nas posições tetraédricas (diagrama D). O excesso
em silica é compensado pelo Al nas posições octaédricas e por um défice de
carga em alcalis. A fórmula estrutural destas micas pode ser representada do
seguinte modo:

(Na0,o2, K0)83) (Si3,27 Alo,73) (Ali,79 Fe0)o9 Mg0>i4) Ti 0)oi Oi 0 (OH) 2

52
Celadonite
75
MR3
Moscovite O Mi-encJOG
A Mi-encARGZ
D Mi-encVE

2R3

2R3 3R2
B
A1IV (moscovite)

fengites

A1IV

2-A1VI (celadonite) (pirofilite)l-MR3

50
2-A1VI 1-MR3

Fig.III-2- Diagramas de caracterização cristaloquímica de : A- Velde (1977); B- Hower &


Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nos metassedimentos da região de
VPA.

53
As micas das estruturas mineralizadas

O estudo cristaloquímico foi realizado em diferentes tipos de micas localizadas


em estruturas mineralizadas da região em estudo. Estes filossilicatos estão presentes:

- no encosto do filão de quartzo de Jogadouro com o filão pegmatítico


(Mi-JOG) localizados na Unidade Cb do Domínio Estrutural de Carrazedo
(DEC);

- no encosto filão de quartzo de Argeriz (Mi-ARGZ) com os filitos cinzentos


do encaixante imediato pertencentes à Unidade SE do DEC;

- no encosto de xistos sericítico-cloríticos com lentículas quartzosas


mineralizadas pertencentes à Unidade Cu do Domínio Estrutural de Três
Minas (Mi-TM).

Características cristaloquímicas dos diferentes tipos de micas

Mi-JOG: estas micas apresentam-se sob a forma de palhetas bem


desenvolvidas. Caracterizam-se por uma carga interfoliar (Cl) compreendida
entre 0,90 e 0,94. O conteúdo em Si varia entre 3,02 e 3,12 (Tabela AI-4). Os
conteúdos nas molécula paragonítica e celadonítica variam respectivamente
entre 4,2 e 8,3% e entre 1,2 e 8,5% (Fig.III-3A). No diagrama D (Al v r
l+2Ti/AlIV) projectam-se abaixo da recta de declive unitário indicando um
défice de Al nas posições tetraédricas. Nos diagramas de Velde e de Hower
& Mowatt (Fig.III-4A e B), estas micas localizam-se no pólo das moscovites.
O seu posicionamento no diagrama CI/Si-3+Ti assim como, no diagrama de
Hower & Mowatt evidenciam uma substituição fengítica. A sua fórmula
estrutural pode ser escrita do seguinte modo:
(Na0;o6, Ko)86) (Si3,07 Alo)93) (Ali,97 Fe0)04 Mg0,oi) O10 (OH) 2

Mi-ARGZ: micas associadas a turmalinização. Estas micas apresentam uma


carga interfoliar (Cl) compreendida entre 0,84 e 0,95. O conteúdo na

54
molécula celadonítica é variável (21,8 e 33,9%), enquanto que o conteúdo na
molécula paragonítica permanece mais ou menos constante (2,5 e 5,2%)
(Fig.III-3A), os teores em Fe e Mg variam entre 0,21 e 0,35. O seu
posicionamento no diagrama CI/ Si-3+Ti mostra duas tendências: "fengítica"
cujo domínio apresenta uma carga interfoliar entre 0,9 e 0,95 e conteúdos
variáveis de Si, e a substituição ilítica segundo a recta Si-3+Ti=CI. A sua
projecção sobre e abaixo da recta Si-3+Ti=Mg+ indicam que a compensação
2+

de carga é feita essencialmente pelo catião Mg estando o ferro


preferencialmente sob a forma de Fe . A fórmula estrutural destas micas é a
seguinte:
(Na0,o3, Ko,86) (Si3,i9 Al0>8i) (Alji72 Fe0>09 Mgo,i8) Ti 0,o5 Oi 0 (OH) 2
Mi-TM: estas micas apresentam-se sob a forma de palhetas finas. A sua
projecção ao longo da recta Si-3+Ti=CI (Fig.III-3B) assim como, o seu
posicionamento no diagrama de Hower & Mowatt (Fig.III-4B), evidenciam
uma substituição ilítica. Verifica-se a existência de dois pontos que se afastam
da restante população e consequentemente com características
cristaloquímicas próximas das ilites. Esses pontos correspondem à projecção
das análises químicas de micas próximas de uma fractura com cloritização.
Estas ilites apresentam uma carga interfoliar (Cl) entre 0,84 e 0,88 e a sua
projecção abaixo da recta Si-3+Ti= Mg+Fe (diagrama C) indicam que parte do
ferro está no estado trivalente (Fe ).
A restante população com características próximas das fengites apresentam
uma carga interfoliar (Cl) entre 0,82 e 0,91 e a sua projecção no diagrama C
evidência um excesso em silica (3,15 a 3,20) e consequente défice de Al nas
posições tetraédricas (diagrama D). A fórmula estrutural destas micas pode ser
representada do seguinte modo:
(Na0,o7, K0,8i) (Si3;i8 Al0,82) (Ali,87 Fe0)o6 Mg0,o6) Ti 0,02 O10 (OH) 2

55
« O o -a
o
i­j
*^ H
S n
03
2 2 2 U H
<D (N
• < O Ui
E "?
+
VI >
m
I­.
<
3
g S
fo
­*­>
1/2 i.
<D %>
co
C3
>
T3
>
c3 <
fi Q
c3
+ i­,

00
O
(/3

o
a+ &i
E
GO k
on vu
­es r^

f^ o H
cy
i03
<>­ +
r/i m
O ' T—1

O, t/J

MD E Ù
o" o
o . n
HH
03
T3 U
!X+£-!S AHV 03^ a
«XI


c>
f— f5<
E
fi .„
cr H
o
+
rvi m
■j­î ■
00
'C 00
f )

KTl
O m. rx
eu
o 4­*
03
N C
00 O
C
u ­a
03
o
03 <D
M U
O
£
a>
­o S
o" &o
03 £
+ E <4>
pi
03
es ^
Oh
<U
+J
c3 c
o" T! 0
01)
E 03
1­,
03
PH
â
03
o" ­i—> <
C
<D
<
(1) eu
a, >
<U «3
« ­a
■ 0
m m
3}iao3ejej% ►—i
ou
>—< <IJ
!X+£-!S
U .00
fe
03
T3
MR3

Ccladonite
75 MR3 • Mi-JOG
A Mi-ARGZ
O Mi-TM

2R3

B
AlIV (moscovite)

fengites

AIIV

2-A1VI (oeladonite) (pirofilite)l-MR3

2-A1VI 1-MR3

Fig.III-4- Diagramas de caracterização cristaloquímica de : A- Velde (1977); B- Hower &


Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nas estruturas mineralizadas da região
de VPA.

57
III.3.2.2- Clorites

III.3.2.2.1- Generalidades

A estrutura das clorites caracteriza-se pela alternância regular de camadas


triplas do tipo talco com uma camada do tipo brucite situada entre as camadas triplas
(t:o:t:o) ou (2:1:1) (Deer et ai. 1962; Lopes Nunes 1982).
Na maior parte das clorites o silício é substituído pelo alumínio nas posições
tetraédricas, provocando um desequilíbrio de carga na camada tipo talco. O magnésio
é substituído, nas posições octaédricas, pelo alumínio, pelo ferro férrico e pelo ferro
ferroso, tanto nos componentes tipo talco como nos tipo brucite (Dana 1976).
Estes minerais apresentam uma vasta gama composicional, podendo
generalizar-se a fórmula estrutural do seguinte modo:
(Ru2+ Ry3+ DZ)VI (SÍ4-x A1X)IV O10+w (OH)8.w (Caritat et ai. 1993), onde
u+y+z=6, z=(y-w-x)/2, sendo w geralmente zero, R2+ = Mg2+ou Fe2+,
T l l i T i

R =A1 , Fe e D representa vazios de ocupação octaédrica


("Vacancy"(VAC)= (6-AlVi)-(Mg+Fe2+)) (Cathelineau & Nieva 1985). Os
expoentes VI e IV representam respectivamente as posições octaédricas e
tetraédricas.

Variações na composição química das clorites podem ser descritas pelas


seguintes substituições:

- substituição Tchermak (T): (Si.i Al+i) (Al+j R A) a qual leva a uma


redistribuição de cargas entre as camadas tetraédricas e octaédricas,
mantendo o balanço de carga entre elas;
- substituição nas posições octaédricas (O): (Al R +.y2 VAC1/2)

Teoricamente, a substituição de Si + pelo Al + na posição tetraédrica (via


substituição T) deveria ser acompanhada por uma substituição de R2+ por Al3+ na
posição octaédrica de forma a conservar o balanço de cargas entre as camadas e
consequentemente os valores de Airy e Alyi seriam equivalentes. Todavia, o valor de

58
Alvi é geralmente diferente do valor de Airy (Foster 1962 in Caritat et ai. 1993),
indicando assim, para além desta, a existência de outras substituições.
Se Alvi > Airy, então os R em excesso nas posições octaédricas podem ser
2+

interpretados como tendo substituído os R numa proporção de 2:3. Contrariamente

se Alvi < Alp/, então os R nas posições octaédricas (e.g. sob a forma de Fe ),

podem ser interpretados como tendo substituído o Alyi numa proporção de 1:1.
Os principais diagramas utilizados neste estudo foram:
diagramas binários

- Si versus Fe/Fe+Mg: diagrama de classificação de Foster (1962). Este


diagrama discrimina as populações de clorites em domínios químicos cujos
limites de separação foram definidos arbitrariamente não tendo qualquer
significado genético;

- Mg versus Fe: este diagrama evidência o tipo de substituição nas posições


R 2+ ;
- Aljv versus Alyj: este diagrama descreve as relações entre as substituições T
e O e a sua combinação.

diagramas triangulares

- 2R - MR - 3R : diagrama de caracterização cristaloquímica de Velde


(1985).

59
III.3.2.2.2- Estudo cristaloquímico

O estudo cristaloquímico das clorites foi realizado em rochas e estruturas


quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar assim como, em estruturas
quartzosas mineralizadas.
No respeitante às estruturas mineralizadas este estudo foi realizado somente em
amostras de Três Minas em consequência da escassez destes filossilicatos nas restantes
estruturas estudadas.
A composição química e respectivas fórmulas estruturais das clorites
apresentam-se respectivamente, nas Tabelas AI-5 e 6 (Anexo I).

As clorites do encaixante metassedimentar

No encaixante metassedimentar foram distinguidos os seguintes tipos de


clorites:
- clorites de alteração hidrotermal, dispersas e discordantes da foliação (S2)
em filito com andaluzite do encaixante do filão de Jogadouro (Clo-enc): estas
clorites apresentam-se sob a forma de palhetas bem desenvolvidas. Segundo
a classificação de Foster (1962) estas clorites distribuem-se pelo domínio das
ripidolites próximo do limite com o domínio das turingites (Fig.III-5A).
Caracterizam-se por um teor em Si nas posições tetraédricas que varia entre
2,53 e 2,57; conteúdos em Fe e Mg respectivamente de 3,07±0,04 e
1,25+0,02 átomos por "meia malha" (Tabelas AI-6). Os conteúdos em Airy e
Alvi são respectivamente de 1,44±0,02 e 1,56±0,02. O diagrama (Fe/Mg) da
Fig. III-5B evidência uma correlação negativa entre o ferro e o magnésio,
indicando a existência de uma substituição mútua entre estes dois elementos.
A análise à microssonda electrónica permitiu o cálculo da seguinte fórmula
estrutural média:
(Si 2,56 Al 1>44) (Al i;56 Fe 3;o7 Mg 1;25 Mn 0,04) Oio OH 8

60
- Clorites contidas nosfilonetes metamórficos de Castelares (Clo-cast): a sua
fórmula estrutural média é a seguinte:
(Si 2,86 Al i)U) (Al 1>52 Fe 1)77 Mg 2,43 Mn o.osj O10 OH8
Estas clorites são tardias relativamente a um quartzo (Qlla) de
preenchimento de clivagem de fractura sin-S3. Distribuem-se pelo domínio
das brunsvigites (Fig.III-5A) e são caracterizadas por teores em Si da ordem
de 2,86 átomos por "meia malha"e por teores em Fe de 1,77±0,03,
apresentando os teores mais elevados em Mg (2,43+0,12). Os conteúdos em
Aliv e Alvi são respectivamente de 1,14±0,02 e 1,52+0,06 (Tabelas AI-6).
No diagrama Fe/Mg da Fig.III-5B observa-se uma correlação negativa entre
o ferro e o magnésio, indicando a existência de uma substituição mútua entre
estes dois elementos.

As clorites das estruturas mineralizadas

- Clorites associadas a sulfuretos (Clol-sulf): estas clorites ocorrem sob a


forma lamelar, sendo também frequente a forma vermicular associdas ao
quartzo hialino de Três Minas. Estas clorites segundo a classificação de
Foster (1962) estão no domínio das ripidolites (Fig.ffl-5A). Caracterizam-se
por teores em Si da ordem de 2,6 átomos por "meia malha"e por teores em
Fe e Mg respectivamente de 2,24+0,06 e 2,11+0,11 átomos por "meia
malha". Os conteúdos em Airy e Alyi são respectivamente de 1,40+0,05 e

1,54+0,04 (Tabelas AI-6). No diagrama da Fig.III-5B (Fe/Mg) observa-se


uma correlação negativa entre o ferro e o magnésio. Estas clorites
apresentam a seguinte fórmula estrutural média:

(Si 2,60 Al 1)40) (Al 1,54 Fe 2,24 Mg 2,11 Mn 0,02) O ] 0 OH 8

61
1,00
Turingite Chamosite • Clo-enc(JOG)
OB 0,75 A Clo-cast(CAST)
o Cio I-sulf(TM)
t> 0,50 Ripidolite oo^o Brunsvigite Diabantite D Cio II-frac(TM)
ta
"33
to
0,25
Sheridanite Clinocloro Peninite
0,00
+
2,00 2,20 2,40 2,60 2,80 3,00 3,20 3,40 3,60 3,80
Si

3,0 - ~-_^ "" - - - a <*\_^


<u

2,0-

1,0 - i i i i ^T^^-
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0
Mg

c 2,8
2,4
2,0
£ 1,6
< 1,2
0,8
0,4
0,0

Fig.III-5- Representação em diagramas de caracterização cristaloquímica da composição das


clorites da região de VPA. A: Fe/Fe+Mg versus Si (Foster 1962); B: Fe versus Mg; C: AlVi
versus Aliv; T: substituição Tchermak.

62
- Clorites em fracturas tardias (CloII-frac): estas clorites ocorrem sob a forma
lamelar no encosto de fracturas abertas. Segundo a classificação de Foster (1962) estas
clorites distribuem-se no limite entre os domínios da chamosite e da brunsvigite
(Fig.III-5A), apresentando os valores médios em Si mais elevados (3,07+0,07).
Caracterizam-se por conteúdos em Fe e Mg respectivamente de 2,99+0,13 e 0,08+0,01
átomos por "meia malha". Os conteúdos em Airy e Alyi são respectivamente de

0,93+0,07 e 1,62+0,05. A fórmula estrutural média para este tipo de clorites é a


seguinte:
(Si 3,07 Al 0,93) (Al i,62 Fe 2,99 Mg 0,93 Mn 0,0s) O10 OH 8

III.3.2.3- Conclusões do estudo dos filossilicatos

Micas brancas

No seu conjunto, as micas das estruturas mineralizadas e das rochas encaixantes


projectam-se no diagrama de Velde, segundo a recta de substituição fengítica
(moscovite-celadonite) mas próximo do pólo da moscovite (Fig.III-6A). Contudo, a
partir da sua projecção no diagrama de Hower & Mowatt (Fig.III-6B), observa-se que
para além da substituição fengítica, no que respeita às amostras de: Mi-encVE; Mi-
ARGZ e Mi-TM, torna-se também evidente a substituição ilítica (correspondendo no
caso específico de TM a estádios tardios de cloritização). Os pontos mais próximos do
pólo da moscovite, consequentemente com mais baixa substituição fengítica,
correspondem a micas (Mi-JOG e Mi-encJOG) associadas a um pico térmico (sin-D3)
a que não deve ser estranho a proximidade de corpos pegmatíticos.

Clorites

No diagrama de Velde (1977) (Fig.III-7), os diferentes tipos de clorites


estudados projectam-se no domínio das clorites entre os pólos 2R3 e 3R2, indicando
que as clorites não apresentam contribuição significativa de outros minerais. Contudo,
sob o ponto de vista químico estas apresentam algumas diferenças.

63
O Mi-encJOG
A Mi-encA RGZ
□ Mi-encVE
• Mi-JOG
A Mi-A RGZ
O Mi-TM

2R3 3R2

A1IV (moscovite)

lcngiti

2-AIVI (celadonite)

2-AIVI 1-MR3

Fig.III-6- Diagramas de caracterização cristaloquímica de : A- Velde (1977); B- Hower &


Mowatt (1966), aplicados às micas brancas observadas nos metassedimentos e nas estruturas
mineralizadas da região de VPA.

64
MR3

2R3 50 3R2

Fig.III-7- Diagrama de caracterização cristaloquímica de Velde (1977) aplicado às clorites da


região de Vila Pouca de Aguiar.

65
A projecção dos resultados analíticos no diagrama Si versus Fe/Fe+Mg
(Fig.III-5A) revelam, no respeitante ao encaixante metassedimentar, valores mais
elevados da razão Fe/Fe+Mg e teores mais baixos de Si para as clorites observadas no
filito do encaixante do filão de Jogadouro (Clo-enc). No caso de Três Minas verifica-
se um aumento da razão Fe/Fe+Mg e do teor em Si das clorites associadas a sulfuretos
(Clol-sulf) para as clorites em fracturas tardias (CloII-frac).
Pela análise das distribuições das clorites no diagrama Mg versus Fe
(Fig.III-5B) verifica-se, na generalidade, a existência de uma correlação negativa entre
os teores em ferro e magnésio, indicando a existência de uma substituição mútua entre
estes dois elementos. A variação importante dos conteúdos em Fe e Mg está
provavelmente associada à disponibilidade local destes parâmetros e às condições
físico-químicas de cristalização das clorites. No caso de Três Minas, a composição das
clorites leva a concluir que houve um enriquecimento em ferro nos eventos
hidrotermais mais tardios (CloII-frac).
A projecção dos diferentes tipos de clorites no diagrama Alyi versus h\\y
(Fig.III-5C) mostra a existência de uma certa variabilidade nos teores em Aliv para
teores em Al vi relativamente constantes. O posicionamento, próximo da recta de
substituição de Tchermack (T), das clorites Clo-enc e Clol-sulf. mostra que estas
clorites caracterizam-se pela fraca existência de vazios de ocupação octaédrica
podendo ser interpretadas como sendo formadas a temperaturas mais elevadas do que
as populações constituídas pelas clorites Clo-cast e CloII-frac (Cathelineau comun.
oral). Estas últimas, apresentam progressivamente mais vazios octaédricos que
atingem o seu valor máximo (VAC=0,45) nas clorites mais tardias (CloII-frac.)
observadas em Três Minas.

A utilização dos dados obtidos a partir do estudo cristaloquímico das fengites


(Velde 1967), e da determinação das temperaturas de cristalização das clorites
deduzidas a partir dos seus teores em Alry (Cathelineau & Nieva 1985; Cathelineau
1988), será realizada em termos da estimativa geotermo-barométrica, no Capítulo V
(Caracterização das condições P-T-X dos fluidos)

66
III.3.3- MINERAIS METÁLICOS

III.3.3.1- Estruturas filonianas

O estudo das paragéneses minerais das estruturas filonianas (Vale de Égua,


Jogadouro e Argeriz) revelou uma certa homogeneidade na sua mineralogia sendo a
arsenopirite, pirite e galena os sulfuretos mais abundantes. Nestas estruturas, foi
possível distinguir quatro estádios principais de evolução da mineralização (Fig.III-8A e B):

1- estádio precoce: caracterizado pela deposição de quartzo leitoso


deformado (QI), arsenopirite I, pirite I e pirrotite. Nesta associação
paragenética a arsenopirite e a pirite representam a fase sulfuretada principal,
sendo a arsenopirite o mineral predominante.
A arsenopirite ocorre geralmente em cristais deformados e intensamente
fracturados, anédricos a subédricos de grandes dimensões.
A pirite apresenta-se em cristais subédricos a euédricos com uma fracturação
menos intensa.
As relações arsenopirite/pirite nem sempre são evidentes, mas por vezes, há
evidências da precocidade da arsenopirite em relação à pirite (Estampa III-6
foto 1);

2- estádio intermédio: principalmente caracterizado pela associação


paragenética: arsenopirite II, galena I (Vale de Égua) e esfalerite (Jogadouro)
e quartzo hialino.
A arsenopirite apresenta-se, com formas euédricas ou finamente cristalizada,
provavelmente devido à brechificação da arsenopirite precoce (Argeriz).
A galena ocorre em fracturas do QI (Estampa III-6 foto 2) ou em agregados
relativamente grosseiros com formas irregulares junto ou em fracturas da
arsenopirite I contendo por vezes, inclusões de Ag-tetraedrite (pirargirite-
freibergite) (Estampa III-6 fotos 3 e 4).
A esfalerite é observada em fracturas da arsenopirite precoce, ou em massas
anédricas contendo, "inclusões" de calcopirite, pequenos cristais euédricos

67
de pirite e cristais com hábito acicular de sulfuretos complexos Bi, Ag, Pb,
Zn, Fe, Au, Te, Cu (Jogadouro e Argeriz) (Estampa III-7).

3- estádio tardio: caracterizado por uma paragénese que se deposita em


fracturas que afectam os sulfuretos mais precoces. Essas fracturas por vezes
encontram-se preenchidas por quartzo hialino.
Esta paragénese, essencialmente fissurai, é constituida por calcopirite,
galena, bismutinite (Argeriz), sulfuretos complexos (sulfossais) de Ag, Cu,
Sb, Pb, As, Te e de Bi, Pb, As, Ag, Te, Fe, Sb, Cu, arsenatos, bismuto nativo
(Argeriz e Jogadouro) e ouro e/ou electrum (Estampa III-8 ).

4- estádio supergénico: este estádio é caracterizado, em Vale de Égua,


essencialmente pela deposição de marcassite, goethite, lepidocrocite cerussite
e escorodite. A escorodite é o mineral mais comum deste estádio. De uma
maneira geral as fracturas da arsenopirite são preenchidas por escorodite. A
galena I apresenta-se bastante alterada em cerussite, sendo visível os
diferentes graus de alteração. A marcassite em Vale de Égua deposita-se em
torno dos cristais de pirite e arsenopirite ou preenchendo fracturas no quartzo
e na arsenopirite (Estampa III-9).

68
/^-•^^ESTÁDIOS PRECOCE INTERMÉDIO TARDIO SUPERGÉNICo\
MINERAIS^"-^^^
I II
ARSENOPIRITE
• •••
PIRITE 1^*
PIRROTITE I II
GALENA
FREIBERGITE
PIRARGIRITE
CALCOPIRITE
SULFOSSAIS Ag, Pb,
As, Cu e Te
OURO
ARGENTITE
MARCASSITE
(HID) ÓXIDOS de Fe
CERUSSITE
ESCORODITE

QUARTZO H * IIa lib III

L DEFORMAÇÃO DÚCTIL/FRÁGIL FRÁGIL ,

f -^fíSTÁDIOS PRECOCE INTERMÉDIO TARDIO SUPERGÉNICo\


MINERAIS^^^^^^

^1 II
ARSENOPIRITE
PIRITE
PIRROTITE
ESFALERITE ••• v
GALENA
BISMUTINITE
CALCOPIRITE
SULFOSSAIS Bi, Pb,
As, Ag
BISMUTO
OURO
COVELITE
(HID) ÓXIDOS de Fe
ESCORODITE

QUARTZO ^ ^ I l a lib III

V DEFORMAÇÃO DÚCTIL/FRÁGIL FRÁGIL J

Fig.III-8A e B- Representação esquemática da sequência paragenética observada nas


estruturas filonianas de Vale de Égua (A) e de Argeriz e Jogadouro (B) : cronologia relativa e
relações genéticas com os diferentes tipos de quartzo. Os traços representam os períodos de
deposição principal e a sua espessura, a abundância.

69
III.3.3.2- Estruturas silicificadas

Com base na amostragem possível de realizar em Três Minas, uma vez que a
mineralização é actualmente de difícil observação, constata-se que a mineralização se
concentra preferencialmente no contacto das lentículas de quartzo com o xisto. À
semelhança das estruturas filonianas podem-se distinguir quatro estádios principais de
evolução da mineralização (Fig.III-9):

1- estádio precoce: caracterizado pela deposição de quartzo leitoso


deformado (QI), arsenopirite I, pirite I e pirrotite. Nesta associação
paragenética a pirite representa a fase sulfuretada mais abundante deste
estádio. A arsenopirite ocorre geralmente em cristais intensamente
fracturados, subédricos a euédricos (Estampa III-10 foto 1).

2- estádio intermédio: Em Três Minas a paragénese característica deste


estádio é constituída essencialmente por arsenopirite idiomórfica e pirite
associada ao quartzo microcristalino (QUI).

2- estádio tardio: este estádio é caracterizado essencialmente, pela deposição


de uma paragénese constituída por pirite III, esfalerite, calcopirite e galena
(rara) associada ao quartzo hialino (QIV) e à clorite (Estampa III-10 foto 5).
Esta paragénese posiciona-se no contorno do quartzo microcristalino QUI
(Estampa III-10 fotos 3, 4 e 5) e em fracturas do quartzo leitoso e dos
sulfuretos precoces. O ouro foi observado nos espaços intergranulares,
pirite/arsenopirite em contacto com a escorodite (Estampa III-10 fotos 1 e 2).

4- estádio supergénico: A escorodite é o mineral mais comum deste estádio,


preenchendo as fracturas da arsenopirite (Estampa III-10 fotos 1 e 2).
Constata-se também a presença de marcassite, covelite e limonite.

70
/^•v^ESTÁDIOS PRECOCE INTERMÉDIO TARDIO SUPERGÉMOoN
MINERAIS^^^
I
ARSENOPIRITE
PIRITE " ^HH^^
PIRROTITE
COBALTITE
ESFALERITE
GALENA
CALCOPIRITE
OURO
MARCASSITE
(HID) ÓXIDOS de Fe
COVELITE —
ESCORODITE

I
QUARTZO Oïl Qin IV

Clo-sulf Clo-fra
CLORITE

VpEFORMAÇÂO DÚCTIL FRÁGIL j

Fig.III-9- Representação esquemática da sequência paragenética observada nas estruturas


silicificadas mineralizadas de Três Minas: cronologia relativa e relações genéticas com os
diferentes tipos de quartzo. Os traços representam os períodos de deposição principal e a sua
espessura, a abundância.

III.3.3.3- Caracterização química dos minerais

Foram efectuadas análises à microssonda electrónica e ao MEV equipado com


espectrómetros de raios X, com o objectivo de, complementar o estudo mineralógico
das paragéneses e/ou identificar alguns minerais, especialmente aqueles que se
apresentam em inclusões cujas dimensões geralmente não ultrapassam as 10p,m.

71
Arsenopirite

Na Tabela AII-1 (Anexo II) apresentam-se as análises, efectuadas à


microssonda electrónica, representativas da composição química de arsenopirites das
estruturas mineralizadas da região em estudo. Neste trabalho complementa-se o estudo
anteriormente realizado (Noronha & Ramos 1993; Noronha et ai. 1993b) com os dados
referentes a Argeriz.

A projecção dos resultados analíticos no diagrama As versus S (Fig.III-lOA)


evidência uma boa correlação negativa entre o arsénio e o enxofre. É ainda possível,
utilizando as concentrações em As e S, distinguir três grupos principais de
arsenopirites :i) um grupo com conteúdos em enxofre relativamente baixos (valor
médio igual a 18,7% peso) e concentrações médias em arsénio de, 46,3% peso,
correspondendo às arsenopirites de mais alta temperatura (arspl de Jogadouro);ii) um
grupo intermédio em que os cristais de arsenopirite de ARGZ (arspll) e VE (arspl),
apresentam concentrações médias em enxofre e arsénio de, respectivamente, 20,1/44,7
e 20,1/44,4% peso; iii) um terceiro grupo que corresponde às arsenopirites I de TM
caracterizado por apresentar os conteúdos em enxofre mais elevados (valor médio
igual a 21,4% peso) e concentrações médias em arsénio de 42,4% peso.

Relacionando estes três grupos com as associações minerais encontradas


constata-se que, o grupo que apresenta conteúdos em enxofre mais baixos é
caracterizado pela associação As-Fe-Bi-Au-Ag-(Zn-Cu) enquanto que, a associação
As-Fe-Pb-Zn-Cu-Ag-Au corresponde ao grupo com valores de enxofre mais elevados
(Fig.III-10B).

72
A
S%peso • JOG
23 AARGZ

22 ■ VE

21 n"H%%i oTM

20

19

18 As%peso
17 H h H h
40 41 42 43 44 45 46 47 48 49

B
S%peso
23 As-Fe-Pb-Zn-Cu-Au-Ag

22

21 As-Fe-Bi-Au-Ag(Zn-Cu)

20 ■*>
19

18
As%peso
17
40 41 42 43 44 45 46 47 48 49

Fig.III-10A e B- Diagrama A s versus S aplicado às arsenopirites da região de VPA. Diagrama


B: valores médios. JOG: Jogadouro; A RGZ: A rgeriz; VE: Vale de Égua; TM: Três Minas.

73
Galena

O estudo das galenas efectuado à microssonda e ao MEV equipado com


espectrómetros de raios X revelam que as galenas dos veios mineralizados exibem
valores médios das concentrações em enxofre e chumbo que variam de 12,7 a 17,1%
peso e 80,2 a 83,6% peso, respectivamente. As galenas observadas nas estruturas
silicificadas (Três Minas) apresentam valores médios de enxofre e chumbo de 13,2 e
85,8% peso, respectivamente. As concentrações em Ag são mais elevadas nos veios
mineralizados (com valores médios de 0,4 a 1,2% peso) do que em Três Minas (valor
médio igual a 0,08% peso).

Sulfuretos complexos

O estudo realizado MEV equipado com espectrómetros de raios X permitiu a


identificação de alguns sulfuretos complexos (sulfossais):
- da freibergite (tetraedrite argentífera) com conteúdos médios em Ag de
28,9% peso; da pirargirite (com valores medianos de Ag e Sb iguais a 33,7 e
36,4% peso, respectivamente) assim como, outros sulfossais de Ag e Te. Em
Vale de Égua a freibergite e a pirargirite ocorrem em inclusões na galena I ou
na pirite associados a uma geração de galena mais tardia. Foi também,
identificada a presença de sulfossais de Pb e As associados à galena, em
fracturas da arsenopirite.
- de sulfossais de: Pb (38,3% peso), Bi (37% peso), Ag (7,8% peso)
associados à galena e calcopirite (Argeriz); de Bi (47,3% peso), As (14,0%
peso), Ag (7,5% peso), na esfalerite (com hábito acicular) e na pirite em
Jogadouro observados, por vezes, em partículas mistas compostas por
bismuto e calcopirite.
- sulfossais de Bi (45,0 a 46,3% peso), Ag (7,7 a 26,9% peso), Pb (17,6 a
27,9% peso) na arsenopirite (Argeriz) e na pirite (Jogadouro), associados ao
bismuto e ao ouro.

74
Ouro e electrum

O ouro ocorre essencialmente sob a forma de ouro nativo, ou de electrum,


geralmente em pequenas partículas de 2 a 10 \im. As análises efectuadas à
microssonda electrónica não revelaram quantidades significativas de ouro na rede dos
sulfuretos (arsenopirite e pirite); os valores obtidos em pirites e arsenopirites não
ultrapassam 0,13% peso (0,03% at) (Três Minas) e 0,12% peso (0,03% at.) (Argeriz),
respectivamente. O ouro foi observado (Estampas III-8 e 10):

- em partículas orientadas na arsenopirite associado à galena II (Vale de Égua


e Argeriz), ao bismuto nativo (Jogadouro) e a sulfuretos complexos
essencialmente compostos por Bi, Pb e Ag (Argeriz); na pirite associado a
sulfuretos complexos de bismuto (Argeriz e Jogadouro);
- em espaços intergranulares (Três Minas);
- em fracturas da arsenopirite, preenchidas por escorodite (Vale de Égua).

Os resultados obtidos a partir da análise das partículas de ouro e/ou electrum


efectuada à microssonda electrónica bem como, ao MEV equipado com
espectrómetros de raios X, encontram-se na Tabela AII-2 (Anexo II). A partir da
leitura desses resultados (Fig.III-llA e B) observa-se que, as partículas associadas a
paragéneses contendo sulfuretos complexos de Bi, Pb, As e Ag, de Argeriz e
Jogadouro, exibem um enriquecimento em ouro com conteúdos máximos que variam
entre 87,4 e 97,3% peso. Pelo contrário as partículas associadas às paragéneses que
contêm essencialmente As-Fe Pb-Ag-Sb-Cu-(Te) apresentam conteúdos em prata mais
elevados compreendidos entre 13,5 e 29,5% peso.

75
A 40 -r
• JOG
35
AARGZ
30 ■ VE
OTM
?25^
a
S 20
< 15
A
10
A
5
• • \
H h
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Au (% peso)

40
35
As-Fe
30 Pb-Ag-Sb-Cu-(Te) ► O
? 25
a.
£20
J 15
10
5
0 0
+
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Au (% peso)

Fig.III-11A e B- Distribuição dos conteúdos em Au e Ag nas partículas de ouro e/ou electrum


das estruturas mineralizadas. Diagrama B: valores médios. JOG, A RGZ e VE: estruturas
filonianas; TM: estruturas silicificadas.

76
III.3.4- CONCLUSÕES DO ESTUDO DAS PARAGÉNESES

Na globalidade, o estudo das paragéneses permitiu salientar os seguintes aspectos:

A arsenopirite e a pirite correspondem, tanto nas estruturas filonianas de


Vale de Égua, Jogadouro e Argeriz como nas estruturas silicificadas de Três
Minas, a uma mineralização relativamente precoce. Nas estruturas filonianas
a arsenopirite é o mineral predominante deste estádio precoce contudo, nas
estruturas silicificadas a pirite ocorre em maior abundância.
Nas estruturas filonianas este estádio está associado à deposição do quartzo
leitoso (tardi-QI) e ao quartzo límpido (sin-QIIa). Em Três Minas a
paragénese precoce está associada ao quartzo leitoso (sin a tardi QI).

O estádio intermédio é caracterizado: em Vale de Égua, pela deposição de


arsenopirite, pirite e galena contendo sulfossais de Ag; em Jogadouro e
Argeriz, por arsenopirite e esfalerite contendo sulfuretos complexos de Bi,
Ag, Pb, Au, Te, Cu,... e em Três Minas por arsenopirite e pirite.
Em Vale de Égua, Jogadouro e Argeriz este estádio está associado à
deposição do quartzo hialino e em Três Minas está associado à
recristalização do quartzo leitoso. O quartzo hialino, Qllb geralmente
precede a deposição dos principais sulfuretos associados a este estádio.

A deposição da paragénese aurífera ocorre tanto nas estruturas filonianas,


como nas estruturas silicificadas, durante um estádio tardio do processo
mineralizante. Esta paragénese que, essencialmente se deposita em fracturas
que afectam os sulfuretos mais precoces, está associada à galena em Vale de
Égua e Argeriz, ao bismuto nativo e a sulfossais de Bi, Pb e Ag em Argeriz e
Jogadouro. Em Três Minas o ouro é observado em espaços intergranulares
(arsenopirite/pirite).

77
Em Três Minas, observou-se uma clorite vermicular cuja cristalização foi
posterior ao quartzo microcristalino-QIII. Nas estruturas filonianas, não
foram observados filossilicatos relacionados com este estádio mais tardio.
Na globalidade dos exemplos estudados, este estádio está
predominantemente associado a uma rede de microfissuras cicatrizadas pelo
aprisionamento de fluidos (PIF).

78
ESTAMPAS
ESTAMPA III-l

Aspectos texturais resultantes da deformação dúctil e frágil do quartzo

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Deformação dúctil intracristalina do quartzo leitoso (QL) materializada por extinção


ondulante, bandas de deformação, desenvolvimento de subgrãos e formação de
neogrãos (ng) ou neoblastos. Deformação frágil: microfracturas cicatrizadas pelo
aprisionamento de fluidos, correspondendo a planos de inclusões fluidas (PIF) (NX).
2. Desenvolvimento localizado de neogrãos (ng) nos agregados quartzosos
(Três-Minas) (NX).
3. Desenvolvimento de mortar texture (grãos deformados de quartzo precoce, QL
rodeados por grãos recristalizados, gr) nos filonetes de quartzo, discordantes da
foliação principal, em liditos. Note-se a microfracturação sublinhada por planos de
inclusões fuidas (PIF) (NX).
4. Predominância do quartzo recristalizado nos filonetes mais finos dos liditos
concordantes com a foliação principal (NX).
ESTAMPA III-2

Aspectos texturais resultantes da deformação dúctil e frágil do quartzo

Observação ao microscópio electrónico de varrimento equipado de catodoluminiscência


(imagens MEV-CL)

1. Exemplo de imagens MEV-CL correspondentes ao quartzo precoce deformado e ao


quartzo recristalizado, observado nos filonetes dos liditos (Estampa II-1.3 e 1.4).
Observam-se zonas cinzentas sem contraste de catodoluminiscência isto é, não
revelam qualquer tipo de micromarcadores catodoluminescentes.
2. Pormenor da fotografia anterior.
ESTAMPA III-3

Aspectos texturais do quartzo de Vale de Egua

Observação de laminas espessas polidas ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Vista de conjunto de uma zona mostrando o quartzo leitoso (QL) com zonas mais
claras de quartzo límpido (QLp) e uma banda de quartzo hialino (Qh).

2. Pormenor da fotografia 1 mostrando a transição entre o quartzo leitoso (QL) com


abundantes inclusões fluidas; o quartzo límpido (QLp) com menor abundância de
inclusões e o quartzo hialino (Qh) no qual a ausência de inclusões é notória.

Imagens MEV-CL

3. O mesmo campo representado em 1. Observam-se marcadores catodoluminiscentes


(bandas negras a cinzento escuro) no quartzo leitoso, correspondentes a bandas de
crescimento do quartzo (ZC) e redes de finos marcadores recortando todo o conjunto
que correspondem a planos de inclusões fluidas (PIF). As imagens MEV-CL do
quartzo hialino apresentam uma alternância de bandas de crescimento com diferentes
intensidades de luminiscência.

4. Pormenor da fotografia 3, mostrando o quartzo límpido e o quartzo hialino (Qh).


Note-se a presença de finos marcadores lineares de catodoluminiscência
correspondendo a PIFs.
ESTAMPA III-4

Aspectos texturais do quartzo de Vale de Égua

Observação de lâminas espessas polidas ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Vista de conjunto do quartzo leitoso (QL) com zonas mais claras de quartzo límpido
(QLp). Note-se a abundância de inclusões fluidas de dimensões reduzidas, conferindo
ao cristal de quartzo um aspecto "sujo".

Imagens MEV-CL

2. Sobreposição de quartzo leitoso e quartzo límpido materializada pelos marcadores


catodoluminiscentes escuros sobrepostos a zonas de crescimento (ZC) mostrando uma
alternância nas intensidades de CL.

3. Pormenor da fotografia anterior.

4. Observam-se bandas de crescimento do quartzo, contornos de grãos (Cg) e planos


de inclusões fluidas (PIF) traduzidos por marcadores catodoluminiscentes finos
recortando todo o conjunto do quartzo.
ESTAMPA III-5

Aspectos texturais do quartzo de Jogadouro

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida (lâmina espessa)

1. Vista de conjunto do quartzo leitoso (QL) com zonas mais claras de quartzo límpido
(QLp). Observe-se a abundância de inclusões fluidas de dimensões reduzidas,
conferindo ao cristal de quartzo um aspecto "sujo".

Observação ao MEV-CL

2. Observação de um perfil de quartzo leitoso (QL) com zonas de quartzo límpido


(QLp). O quartzo QL apresenta numerosos marcadores catodo-luminiscentes escuros.
O conjunto é recortado por uma rede densa de planos de inclusões fluidas (PIF).
200pm
ESTAMPA III-6

Relações texturais observadas no filão de Vale de Égua

Observação ao microscópio óptico em luz reflectida

1.Cristais de arsenopirite I (Asp) inclusos na pirite I (Pi). Note-se a fracturação da


arsenopirite e a substituição da pirite por galena.

2. Ocorrência da galena I (Ga) em fracturas do quartzo leitoso.

3. Aspecto típico dos agregados de sulfuretos do estádio intermédio da mineralização.


Note-se as formas euédricas da arsenopirite e a alteração da galena e sua substituição
por cerussite.

4. Pormenor da fotografia anterior mostrando exsoluções de freibergite (Ag-


tetraedrite) na galena.
ESTAMPA III-7

Relações texturais típicas do filão de Jogadouro

Observação ao microscópio óptico em luz reflectida

1. Cristal de arsenopirite (Asp) incluso na pirite (Pi). Aspecto da esfalerite (Esf)


contendo no seu interior, calcopirite, cristais euédricos de pirite, bismuto nativo e
cristais aciculares de sulfossais.

2. Pormenor da fotografia anterior mostrando a paragénese típica do estádio tardio da


mineralização: calcopirite (Cp), bismuto nativo (Bi) e cristais aciculares de sulfossais
(Bi, Ag, Pb,...).

3. Galena, bismuto e sulfossais (Bi, Pb, Ag, Te,...).

4. Pormenor da fotografia anterior: partículas mistas de Bi e sulfossais de Bi.


ESTAMPA III-8

Paragéneses auríferas

Observação ao microscópio óptico em luz reflectida

1. Ouro (Au) na arsenopirite (Asp) do filão de Jogadouro.

2. Partículas de ouro (Au) em fracturas da arsenopirite (Asp) do filão de Vale de Égua.

3. Arsenopirite (Asp) contendo partículas de ouro associado à galena (filão de


Argeriz).

4. Ouro em fracturas da arsenopirite (Asp), preenchidas por escorodite (Vale de Égua).

5. Partículas de ouro na arsenopirite, associadas a sulfossais (As, Bi, Te,...).

Observação ao microscópio electrónico de varrimento (MEV)

6. Pormenor da fotografia anterior.


V
25KU X1000 0008 10.0U CEMi ^6
ESTAMPA III-9

Relações texturais observadas no filão de Vale de Égua

Observação ao microscópio óptico em luz reflectida

1. Crescimento de marcassite (Mes) em volta de um cristal de arsenopirite alterado em


escorodite (Esc).

2. Alteração da galena (Ga) em cerussite.

3. Crescimento de marcassite em volta da arsenopirite (Asp) e da pirite (Pi). Note-se a


substituição da pirite por galena.
ESTAMPA III-10

Paragéneses observadas nas estruturas silicificadas de Três Minas

Observação ao microscópio óptico em luz reflectida

1. Ouro (Au) em espaços intergranulares: arsenopirite (Asp)/pirite (Pi).

2. Imagem obtida ao MEV da partícula de ouro da foto anterior.

Observação de lâminas espessas polidas em luz reflectida

3. Calcopirite (Cp) e pirite (Pi) posicionando-se no contorno do quartzo recristalizado


(QUI).

4. Calcopirite (Cp) e esfalerite (Esf) contornando o quartzo QUI.

5. Clorite (cl) associada à calcopirite e posterior ao quartzo QUI.


CAPITULO IV

ESTUDO DE INCLUSÕES FLUIDAS

CA? IV. Introdução, metodologias de estudo,


classificação, nomenclatura, tipologia e
cronologia relativa dos fluidos, caracterização
microtermométrica e físico-química dos
fluidos, síntese e discussão.
IV.l- INTRODUÇÃO

O papel representado pelos fluidos no decurso dos processos geológicos, quer


sejam hidrotermais, magmáticos ou metamórficos é de grande importância.
O estudo da natureza e da evolução desses fluidos reveste-se nos nossos dias de
primordial importância para a compreensão dos processos relacionados com a génese
de concentrações minerais.
Relíquias de fluidos aprisionados em microcavidades intracristalinas,
resultantes de imperfeições na malha cristalina dos minerais, lacunas de cristalização,
(Deicha 1955), designam-se por inclusões fluidas (IF). Citando Deicha, 1955:
(...) "La présence d'inclusions fluides dans les cristaux peut être considérée
comme une de ces anomalies extrêmes, puisqu 'elle associe étroitement dans
un même édifice les trois états de la matière: solides, liquides et gaz. Certes,
les liquides et gaz emprisonnés sont des corps étrangers, mais l'inclusion de
ces corps étrangers nécessite la formation spontanée de cavités capables de
les retenir captifs ".

As inclusões fluidas representam as amostras directas de fluidos que presidiram


à génese dos minerais (inclusões primárias), ou que cicatrizam microfracturas
contemporâneas do crescimento do mineral (inclusões pseudo-secundárias), ou ainda
de fluidos posteriores à sua formação (inclusões secundárias) (Weisbrod & Poty 1975;
Roedder 1981, 1984).

O objectivo principal do estudo das inclusões fluidas é a reconstituição das


características físico-químicas de circulação dos fluidos contribuindo deste modo, para
uma melhor compreensão das interacções fluido-rocha. Assim, através do estudo das
inclusões fluidas, podem-se obter informações directas da composição e das condições
de pressão e temperatura de aprisionamento dos paleofluidos.

O estudo das inclusões fluidas não se confina ao nosso século pois já em 1858,
Henry Clifton Sorby argumentava que, as inclusões fluidas nos minerais

103
representavam porções aprisionadas de líquidos, gases e "melt" a partir das quais o
cristal crescia e desta forma, poderiam ser usadas para o estabelecimento do ambiente
de formação dos minerais ou das rochas.
Contudo, a utilização das inclusões fluidas na caracterização das condições
termobarométricas que presidiram aos diferentes processos geológicos, está
condicionada por duas hipóteses fundamentais (Weisbrod et ai. 1976):

- o fluido aprisionado é representativo da solução original;


- o fluido uma vez aprisionado, num reservatório supostamente estanque e
quimicamente inerte, as suas características físico-químicas (composição e
densidade) não podem ser modificadas.

Caso as inclusões não tenham sido alvo de temperaturas superiores a 500°C


e/ou, as suas pressões internas não ultrapassem os 0,8-1 kbar, de um modo geral, estas
comportam-se como reservatórios estanques (Leroy 1979; Weisbrod & Leroy 1987;
Bodnar et ai. 1989). Como na maior parte dos casos, o estudo das inclusões fluidas é
efectuado em minerais pouco solúveis, as reacções com o mineral hospedeiro e, em
particular com o quartzo, são muito limitadas e podem ser desprezáveis. Contudo,
certas modificações físicas ocorridas nas inclusões após o seu aprisionamento,
conduzem à interpretação incorrecta dos resultados obtidos. Como exemplo, citam-se
as mudanças na forma (estrangulamento) e no volume (decrepitação) e a "fuga"
{leakage) de fluidos (Roedder 1979, 1981, 1984 e Bakker & Jansen 1990).
O estrangulamento {necking down) de uma inclusão é a separação de uma
inclusão inicial única, em duas ou mais inclusões com composições e densidades
diferentes consequentemente, nenhuma delas é representativa do fluido original.
A decrepitação (natural ou no laboratório) das inclusões ocorre quando a
pressão no seu interior se torna superior à resistência das paredes da inclusão (Leroy
1979), conduzindo a uma fuga total ou parcial do seu conteúdo.
A perda de fluido {leakage out) pode ocorrer na decrepitação como também,
resultar da micro fissuração causada pela deformação do mineral hospedeiro. A

104
microfracruração poderá causar a reabertura de inclusões preexistentes e a sua
contaminação por fluidos tardios ("leakage in").

No que respeita à primeira hipótese há a ter em conta que nem todas as


inclusões são formadas a partir de um fluido homogéneo. Uma grande parte das
inclusões aprisionaram fluidos heterogéneos. Deste modo, a sua distinção é crucial
para uma interpretação válida dos resultados obtidos.

IV.2- METODOLOGIA E TÉCNICAS DE ESTUDO DAS INCLUSÕES


FLUIDAS

Na caracterização dos fluidos foram utilizadas, no presente estudo, técnicas não


destructivas: i) a micro termometria e a ii) espectroscopia Raman.

i- Microtermometria

Entre as várias técnicas de estudo utilizadas na caracterização dos fluidos a


análise microtermométrica é indiscutivelmente uma das técnicas não destructivas mais
utilizada e uma das primeiras etapas a realizar no estudo das inclusões fluidas.
O estudo microtermométrico consiste na observação e reconhecimento das
mudanças de fase dos fluidos ocorridas nas inclusões, quando sujeitas a ensaios de
arrefecimento (criometria) ou aquecimento (termometria). A caracterização
microtermométrica dos fluidos foi efectuada em lâminas espessas (espessura de cerca
de 200pm) polidas de ambos os lados utilizando para o efeito, o microscópio óptico de
luz transmitida ao qual se adapta uma platina para arrefecimento e aquecimento. O
arrefecimento foi efectuado através da circulação de azoto líquido, permitindo arrefecer até
-180°C. O aquecimento é obtido através de resistências eléctricas, podendo-se atingir
temperaturas na ordem dos 800°C.
A execução do arrefecimento e aquecimento numa mesma platina pode
acentuar as diferenças entre a temperatura da amostra e a temperatura registada no
sensor. Para contornar este problema, neste estudo, foram utilizadas duas platinas, uma
para o arrefecimento a platina Chaixmeca, que permite atingir temperaturas

105
compreendidas entre -180 e 600°C e outra para o aquecimento, a platina Linkam
(-180°C/800°C), descritas por Poty et ai. 1976 e Shepherd et ai. 1985 respectivamente.
Para uma boa repetibilidade das leituras torna-se necessário proceder à
calibração das platinas com uma certa regularidade.
Para a calibração da platina a baixas temperaturas utilizaram-se como padrões,
inclusões naturais contendo C0 2 puro (Tf C0 2 = -56,6°C) e inclusões sintéticas (H 2 0-
NaCl) de salinidade conhecida cuja fusão do gelo ocorre à temperatura de TfG= -
0,4°C. A precisão das medidas é de ±0,1°C.
Na calibração a temperaturas superiores a 30°C foram utilizados como padrões
produtos sólidos manufacturados pela Merck Co. Schemlzkorper com pontos de fusão
conhecidos. A escolha dos padrões recaiu naqueles que mostraram boa repetibilidade,
nomeadamente: +70°C (Merck 9670); +135°C (Merck 9735); +180°C (Merck 9780);
+306,8°C (NaN0 3 ) e +398°C (K 2 Cr 2 0 7 ). Como as temperaturas de fusão dependem da
velocidade de aquecimento e do tamanho dos cristais, o aquecimento foi efectuado em
pequenas quantidades de produto, a uma velocidade de 0,25°C/minuto, nos 10°C que
antecedem o ponto de fusão. A precisão das medidas é cerca de 1°C.

Principais mudanças de fases a observar em criometria (-180°C a +30°C)

As leituras das temperaturas das mudanças de fase são efectuadas no decurso do


aquecimento gradual da inclusão até à temperatura ambiente, após estas terem sido
submetidas a um congelamento. O aquecimento deve ser feito a uma velocidade
suficientemente lenta para que os equilíbrios sejam atingidos.

TfCC>2 (< -56,6°C) - Temperatura de fusão do CO2. Temperaturas inferiores


ao ponto triplo (-56,6°C) indicam a presença de outras espécies voláteis
(CH 4 ,N 2 ,H 2 S,...).
Tfi - Temperatura de fusão inicial do gelo ("first melting"-Tfm). Representa
o ponto eutético da solução aquosa, permitindo determinar a natureza dos
sais predominantes dissolvidos na fase aquosa (Crawford 1981b; Roedder
1984). Valores da temperatura de fusão inicial em torno de -20,8°C, -10,6°C,

106
-49,8°C, -33,6°C, 22,9°C, -52,0°C, -35,0°C, são diagnósticos da presença de,
NaCl, KC1, CaCl2, MgCl2; NaCl-KCl, NaCl-CaCl2 e NaCl-MgCl2
respectivamente.
r

TfG (< 0,0°C) - Temperatura de fusão (final) do gelo. E utilizada na


estimativa da salinidade que se exprime convencionalmente, em %
equivalente em peso de NaCl (eq.%NaCl) da fase aquosa para o sistema
H20-NaCl (Bodnar 1993). O cálculo é sobrestimado na presença de clatratos
(Collins 1979).
TfCl - Temperatura de fusão de clatratos (hidratos de CO2, CH4...). Permite
calcular a salinidade da fase aquosa, salientando o facto que, para este
método se tornar válido é necessário que a fusão dos clatratos se efectue na
presença de CO2 líquido e CO2 vapor (Larson 1955; Takenouchi & Kennedy
1965; Chen 1972; Bozzo et al. 1975; Collins 1979). Trabalhos recentes de
Dubessy et al. 1992; Bakker & Thiery 1994; Bakker 1995 e Bakker et al.
1996 utilizam a TfCl para o cálculo da salinidade e composição global.
Tfhy- Temperatura de fusão de hidratos de sal.
ThC02 (< 31,1°C) - Temperatura de homogeneização do CO2 que poderá
ocorrer em fase líquida (L), vapor (V), ou crítica (C), esta última,
caracterizada pelo esbatimento do menisco que separa a fase líquida da fase
vapor. Parâmetro importante para o cálculo da densidade da fase carbónica,
assim como, para a determinação do volume molar da fase gasosa recorrendo
a diagramas de Thiéry et ai. 1994a; 1994b.

Registos efectuados em termometria (>30°C)

TH- Temperatura de homogeneização global da inclusão cujo processo


poderá ocorrer em fase líquida (L), vapor (V) ou crítica (C), neste último
caso por esbatimento do menisco que separa a fase líquida da fase vapor.
Corresponde à temperatura mínima de captura do fluido ou à temperatura
real de aprisionamento quando este tenha decorrido em presença de ebulição

107
ou caso haja fenómenos de imiscibilidade como por exemplo entre H2O e
C0 2 (Shepherd et ai. 1985).
TfS- Temperatura de fusão de fases sólidas. O conhecimento da TfS das
fases sólidas contidas nas inclusões fluidas, juntamente com a avaliação das
suas proporções relativas, permitirá não só a sua identificação, como também
contribuirá para o conhecimento da composição química do fluido
aprisionado. No caso de soluções saturadas em sais (e.g. inclusões fluidas
contendo cubos de halite), o cálculo da salinidade poderá ser obtido a partir
da TfS.
Td- Temperatura de decrepitação (fracturação do mineral hospedeiro). É um
parâmetro dependente da densidade, forma e tamanho das inclusões (Leroy
1979; Hollister et ai. 1981). Dá-nos uma estimativa mínima (subestimativa)
da TH

ii- Espectroscopia Raman

O efeito Raman é um fenómeno de variação de frequência de onda que


acompanha a difusão da luz efectuada através de um meio material (Delhaye 1975).
A espectroscopia Raman é uma técnica não destrutiva utilizada nomeadamente,
na identificação e na análise quantitativa de gases (C0 2 , CH4, N2, H2S...) contidos na
fase volátil das inclusões fluidas. Esta técnica foi pela primeira vez levada a cabo com
sucesso em 1974 por Delhaye & Dhamelincourt (Delhaye & Dhamelincourt 1975). Os
primeiros resultados efectuados em inclusões fluidas naturais foram publicados por
Rosasco et ai. 1975 seguidos por Guilhaumou et ai. 1978; Rosasco & Roedder 1979;
Dhamelincourt et ai. 1979.
Para o presente estudo as análises foram realizadas no CREGU - Nancy num
espectrómetro Raman multicanal DILOR X-Y, com a colaboração de M. C. Boiron e
J. Dubessy, seguindo a metodologia proposta por Dubessy 1984 e Dubessy et ai. 1989.
A radiação de excitação utilizada foi de um feixe de argon ionizado com o
comprimento de onda de 514,5nm. Os principais constituintes são identificados pela

108
posição das bandas Raman e a sua quantificação é feita a partir da integração de áreas
dos picos dos diversos constituintes identificados.

Cálculo da composição e densidade globais

A determinação da composição e densidade globais requer; o conhecimento


prévio das fracções volumétricas das fases aquosas e não aquosas; das fracções
molares dos diferentes gases obtidas através da análise Raman; da salinidade e do
volume molar.

A fracção volumétrica ocupada pela componente aquosa à temperatura


ambiente (Flw) é um dos parâmetros de difícil estimativa conduzindo a incertezas nos
resultados que poderão atingir os 10%. Para a estimativa visual de Flw recorreu-se, aos
quadros de referência de Roedder 1972 e Shepherd et ai. 1985 concebidos para
inclusões fluidas em que é visível a fase aquosa. Dubessy et ai. 1992 demonstraram,
recorrendo à análise via espectroscopia Raman, a existência de pequenas quantidades
de água em inclusões aparentemente sem água visível. Assim, como forma de testar a
influência deste parâmetro sobre o volume molar, composição global do fluido e
isócoras, recorreu-se a cálculos adicionais com quantidades de água variáveis (0%, 5%
e 10%).
O volume molar da componente volátil foi deduzido a partir dos diagramas
propostos por Thiéry et ai. 1994a, b relativos aos sistemas CO2- CH4 e CO2-N2,
utilizando os dados de microtermometria e espectroscopia Raman.

Os cálculos da composição e densidade globais foram efectuados combinando


os dados microtermométricos com os espectroscópicos, utilizando as equações de
estado devidas a Bowers & Helgeson 1983 e "software" desenvolvido no CREGU por
Dubessy, 1984. Para efectuar o cálculo da composição e densidade globais de
inclusões com clatratos, nas quais não foi possível observar a temperatura de
homogeneização do CO2, recorremos aos trabalhos sobre modelação e estabilidade de
clatratos de: Thiery et ai. 1994a, 1994b; Bakker, 1995 e Bakker et ai. 1996.

109
iii- Análise global iónica

A análise global iónica consiste na determinação do conteúdo iónico de uma ou


várias populações de inclusões fluidas. As técnicas analíticas utilizadas para este efeito
estão bem desenvolvidas aplicando-se normalmente, a produtos resultantes da
lixiviação do conteúdo das inclusões fluidas, após esmagamento do mineral
hospedeiro (quartzo, carbonatos,fluorite,....). Actualmente estão em curso de
desenvolvimento processos de análise localizada de inclusões fluidas (Boiron &
Dubessy 1994).
As análises por esmagamento e lixiviação (crush-leach), efectuadas em
fragmentos de quartzo, foram realizadas no Departamento das Ciências da Terra da
Universidade de Leeds com a colaboração de D. Banks utilizando a metodologia
descrita por Bottrell et ai. 1988 modificada por Yardley et ai. 1993.
Partindo do pressuposto que um fragmento quartzo poderá ter aprisionado
várias gerações de inclusões fluidas, torna-se necessário ter algumas precauções na
selecção das amostras a analisar. Os grãos de quartzo enviados para análise foram
separados à lupa binocular afim de remover os grãos mistos (quartzo e rocha
encaixante ou/e mineralização). Posteriormente estes grãos passaram por uma ou mais
técnicas de purificação tais como, separação magnética ou por líquidos densos ou
mesmo separação manual. Em seguida os grãos de quartzo são purificados por
processos electroquímicos (ácido nítrico e em células electrolíticas).
Aproximadamente 1 grama de quartzo purificado e seco é moído num almofariz de
ágata e lixiviados em água destilada, DDW (double distilled water) ou, numa solução
acidificada de cloreto de lantânio (LaC^), dependendo do tipo de análise a efectuar
(respectivamente, análise de aniões ou análise de catiões). Depois de centrifugado o
lixiviado é filtrado antes de se proceder à sua análise.
Como já foi referido, o peso da amostra a ser utilizado é de, aproximadamente,
lg de amostra contudo, Banks & Yardley (1992) mostram que é possível obter análises
multielementares de inclusões fluidas a partir de amostras com cerca de 70 mg
(0,025cm ). A utilização deste volume de amostra, correspondente a parte de uma

110
lamina espessa utilizada para a análise microtermométrica, tem como vantagem a
minimização do efeito da mistura de várias gerações de inclusões fluidas.
Os trabalhos de Banks et ai. (1994) demonstram que é possível a análise (por
ICP-MS) de terras raras, contidas nas inclusões fluidas, em amostras que apresentem
uma só geração de fluidos com uma salinidade relativamente elevada.

Análise de catiões

A maior parte dos catiões (Ca , Mg , Ba , Al , Li , Sr , Fe , Mn ,


2+ 2+

Zn ,Cu ,...) foram analisados por ICP-AES {Inductively Coupled Plasma-Atomic


Emission Spectrometer) utilizando uma solução lixiviante acidificada de LaCB com
propriedades inibidoras da absorção de catiões. O Na e o K , foram analisados por
absorção atómica-fotometria de emissão pela chama (AA-FES -Atomic Absorbtion-
Flame Emission Spectrometer).
Análise de aniões

Os aniões F", Cl", Br" e SO4 ", lixiviados de DDW, foram analisados por
cromatografia iónica (IC -Ion Cromatography).

W3- CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS INCLUSÕES FLUIDAS

A classificação e nomenclatura adoptada no presente trabalho baseou-se na


análise microtermométrica e de espectroscopia Raman (a detecção e ou confirmação
da presença de espécies voláteis, C-H-0-(N-S)). Utilizou-se a seguinte notação:

- L: para as inclusões cuja homogeneização global ocorre em fase líquida;


- V: para as inclusões cuja homogeneização global ocorre em fase vapor;
- índice c: quando o CO2 é a espécie dominante na fase volátil;
- índice m: quando o CH4 é a espécie dominante na fase volátil;
- índice w: indica a presença de uma fase aquosa(H20±sais);

111
- índice S: indica a presença de uma fase sólida.

Definiram-se assim, os seguintes tipos de inclusões fluidas:

Inclusões com CO2 dominante na fase volátil

Vc: inclusões monofásicas (à temperatura ambiente) sem H 2 0 visível;


Lc-w/Vc-w: inclusões aquo-carbónicas em que são observáveis as Tf CO2 e
Th C0 2 ;
Lw-c: inclusões cuja fase aquosa é dominante e a presença do C0 2 é
detectada, devido à sua baixa densidade, somente pela fusão de clatratos ou
por espectroscopia Raman;

Inclusões com CH4 dominante na fase volátil

Vm-(w): inclusões essencialmente monofásicas com CH4 dominante na fase


volátil, observando-se o aparecimento de uma terceira fase (um menisco
de CH4 líquido) quando arrefecidas a temperaturas inferiores a -100°C;
Lm-w: inclusões aquo-carbónicas bifásicas (à temperatura ambiente) com
CH4 dominante na fase vapor, observando-se o aparecimento de uma
terceira fase (um menisco de CH4 líquido) quando arrefecidas a
temperaturas inferiores a -100°C;
Lm-w-S: inclusões caracterizadas pela presença de fases sólidas, geralmente
grafite, com CH4-N2 vapor, à temperatura ambiente;
Lw-ra: inclusões cuja fase aquosa é dominante e a presença do CH4 é
detectada pela temperatura de fusão dos clatratos >10°C (é sabido que a
presença do CH4 conduz a um aumento da temperatura de fusão dos
clatratos) e confirmada por espectroscopia Raman;
Lw-m-S: inclusões bifásicas caracterizadas pela presença de uma fase sólida
importante e por clatratos de CH4.

112
Inclusões aquosas

Lw: inclusões somente com fase aquosa (H20±sais).

A caracterização dos fluidos será apresentada em função das diferentes


estruturas e os resultados obtidos serão apresentados num quadro de síntese no final do
capítulo.

IV.4- CARACTERIZAÇÃO DOS FLUIDOS DO ENCAIXANTE


METASSEDIMENTAR

Embora o estudo das inclusões fluidas em metassedimentos se possa fazer em


diferentes minerais tais como, granada, feldspato, apatite, turmalina, fluorite, halite,
carbonatos, cordierite, cianite , o quartzo é de longe o mineral hospedeiro que
apresenta mais vantagens na sua utilização para este tipo de estudos. Tal justifica-se
pelo facto de que, para além do quartzo participar na maior parte das reacções
metamórficas, apresenta características físicas (transparência, fraca refringência,
ausência de clivagem) e químicas (quimicamente inerte) favoráveis à preservação do
volume da cavidade e consequentemente, da composição global e densidade do fluido
aprisionado (Crawford, 1981a; Roedder, 1979, 1981, 1984; Shepherd et ai. 1985).

IV.4.1- Os filonetes de quartzo de Castelares

IV.4.1.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

Nos filonetes de quartzo de origem metamórfica de Castelares foram


observados fundamentalmente, os seguintes tipos de fluidos (Estampa IV-1):
- inclusões aquo-carbónicas primárias do tipo Lc-w: ocorrem dispersas no
quartzo límpido-QIIa (correspondendo a bandas de quartzo mais límpido no
interior QI e/ou a quartzo que preenche fendas de tracção), com formas
regulares e dimensões frequentemente compreendidas entre 17 e 32 fim. São

113
inclusões bifásicas ou trifásicas à temperatura ambiente, caracterizadas por
um volume aquoso que varia entre 30 e 75%;
- inclusões aquo-carbónicas, do tipo Vc-w em alinhamentos no quartzo
límpido-QIIa: apresentam-se, na sua maioria, como inclusões trifásicas à
temperatura ambiente. Distinguem-se das anteriores pela sua dimensão
menor (10 a 27um), pela sua forma de cristal negativo, modo de ocorrência
(observadas em planos de inclusões fluidas), menor fracção volumétrica
ocupada pela fase aquosa (20 a 30%).
Por vezes são observadas inclusões secundárias do tipo Lw-c no Qlla.
As inclusões fluidas aprisionadas pelos cristais de quartzo da geração mais
precoce destas estruturas (QI) são abundantes, de dimensões reduzidas (em torno de
5 um) apresentando-se com formas irregulares e deformadas consequentemente, não
foram objecto de estudo microtermométrico.

IV.4.1.2- Caracterização microtermométrica

No decurso do arrefecimento foi possível observar, nas inclusões aquo-


carbónicas do tipo Lc-w, três pontos de congelamento com temperaturas de,
aproximadamente, -36°C (solidificação dos clatratos), -49°C (solidificação da fase
aquosa) e -105°C (solidificação da fase volátil-CC^).

Inclusões aquo-carbónicas Lc-w

A fusão do CO2 (TfCC>2) ocorre a temperaturas que variam entre -59,9 e


-58,7°C com uma moda a -59,5°C (Fig.IV-1).
A medida da temperatura de fusão do gelo (TfG) nem sempre pôde ser
efectuada uma vez que a formação de clatratos dificulta a sua observação; as medidas
efectuadas em algumas inclusões apresentam uma amplitude de variação
compreendida entre -11,6 e -5,5°C.
A temperatura de fusão dos clatratos (TfCl) varia entre 4,2 e 9,6°C com uma
moda a 8,0°C (Fig.IV-1).

114
■M

>
<N
í?
<N
T
o
?o U
CO
c3

O O t-H > M
o Xu!
M
at
i—i
OS
1—1
H H
ert
h—I
t­H
t ­ert
1—(
H
a■ aE3 ci
cr
a a
13
T3
■ C/5
+-»

c
o
!■■«■■■*■ • ■ • i i t m i i M a l l i l á ■•*•■■■■■■■«■*»■
■«•«■■■■«■■•■■•■■■••■■■•■■■■■■■■■■•■a
tn
■ m i tiMi» O
T3
«
o3
o
•T­H

1
o
Õ
3
cr
LO
(D
«O
en
=3
O
C
If)
os
T3

fi
„—„ C5 ^ S
£ is £ i* o
o o
HH > >
ffit
­M
crt
ert
M
rrt
(—H o
u
h__
t­H
t­H t­H
o
O
a a a s
■ S3 ■s GO
03
O

g
C3
O
CO

11/3
O
>
•*­H

1
a
en

g
03

3
00

on
A temperatura de homogeneização do CO2 (Th CO2) é observada entre -1 e
18°C contudo, a maioria dos resultados varia entre 15 e 18°C em fase vapor (V).
No decurso do aquecimento, três das sete inclusões estudadas decrepitaram a
temperaturas entre 266 e 309°C, obtendo-se para as restantes temperaturas de
homogeneização total (TH) entre 283 e 330°C em fase líquida pelo aumento do
volume aquoso (Fig.IV-1).

Inclusões aquo-carbónicas Vc-w

A fusão do CO2 ocorre a temperaturas que variam entre -58,5 e -51,TC com
uma moda a -57,5°C. A TfG não pôde ser observada devido ao fraco conteúdo da
componente aquosa que caracteriza este tipo de inclusões. TfCl varia entre 6,5 e 6,7°C.
A homogeneização da fase volátil (Th C0 2 ) é observada entre 19 e 21,1°C em fase
líquida (L). A homogeneização global é efectuada pelo aumento do volume da fase
volátil a temperaturas compreendidas entre 330 e 340°C (Fig.IV-1).

IV.4.1.3-Caracterização físico-química dos fluidos

IV.4.1.3.1- Composição da fase volátil

As composições da fase volátil (Quadro IV-1) encontram-se representadas no


diagrama ternário CH4- C0 2 -N 2 +H 2 S (Fig.IV-2A) e no diagrama binário, densidade da
fase volátil (dv) versus C0 2 (Fig.IV-2B).
As inclusões do tipo Lc-w são inclusões com C0 2 dominante na fase volátil
variando entre 78 e 98 mole%. O conteúdo em CH4 apresenta valores que variam entre
2 e 14 mole% e com conteúdos em N2 que podem atingir 12 mole%. A presença de
H2S foi observada em algumas inclusões com conteúdos que podem atingir 0,4
mole%.
A composição da fase volátil das inclusões do tipo Vc-w é semelhante às do
tipo Lc-w. O conteúdo em C0 2 é da ordem de 88 mole% com valores de CH4 e de N2
de 10 e 2 mole%, respectivamente (Fig.IV-2A).

116
C02

■ QIIa(Lc-w)
A QIIa(Vc-w)

CH4 N2+H2S

B
dv
0,40
0,35
0,30
0,25
0,20
0,15
0,10
0,05
C02
0,00
20 40 60 80 100

Fig.IV-2- Distribuição relativa da composição da fase volátil dos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo de Castelares.

117
No diagrama dv em função do conteúdo em C0 2 (Fig. IV-2B) a densidade da
fase volátil dos fluidos do tipo Lc-w varia entre 0,1 e 0,4 g/cm3 com valores
intermédios para o tipo Vc-w.

IV.4.1.3.2- Composição global

Os resultados da composição global são apresentados no Quadro IV-1 e as suas


representações gráficas são observadas no diagrama ternário C02-H20-CH4+N2
(Fig.IV-3A) e nos diagramas binários C0 2 / CH4 versus C0 2 (Fig.IV-3B) e C0 2 / CH4
versus H 2 0 (Fig.IV-3C).
Nas inclusões do tipo Lc-w a fase líquida é dominante varia entre 84 a 93
mole%. C0 2 / CH4 varia entre 0,01 e 0,14. O conteúdo de NaCl varia entre 2 e 3
mole%. A densidade global varia entre 0,7 e 0,9 (Quadro IV-1 ).
As inclusões do tipo Vc-w distinguem-se das anteriores por possuírem
conteúdos em H 2 0 mais baixos (52 mole%) e conteúdos mais elevados em C0 2 da
ordem dos 41 mole%. Contudo o valor da razão C0 2 /CH 4 (0,1) encontra-se dentro do
intervalo admitido pelas inclusões do tipo Lc-w. A salinidade é mais fraca (da ordem
de 1 mole%) assim como, a densidade global (0,6).

IV.4.1.4- Conclusões

Nos filonetes de Castelares os dois tipos de fluidos Lc-w e Vc-w na


generalidade apresentam características semelhantes. São fluidos com C0 2 dominante
na fase volátil; apresentam temperaturas mínimas de aprisionamento dentro de um
mesmo intervalo de temperatura (TH entre 280 e 340°C); o parâmetro C0 2 /CH 4 é da
mesma ordem de grandeza apresentando diferenças nos conteúdos em H 2 0.

118
,—v
l/í
£ is
o o a
> ­o cu
o d
crt 01
HH t­H
t—i >—i

O o ^
aM o
ta
o
■ c/5 c
O «
c "O
o
o G
O
CS O
T3 c/1
CO
03
O O
> '3

H—>
C
I
-o
03
O
<U I
C/5
(D
U
o CAI

(D
cr
OH 03 &
oo <D
s .­s
C/J 03
T3
H—>
CO
03
03
03 t/j D
OJ T3
O

>
c/a
3
G
1
o

03
dû "5 cr
•.­i 03 eu
fa T3 T3
IV.4.2- Os filonetes de quartzo em liditos de Banho

IV.4.2.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

Nestas estruturas foram observados fundamentalmente, três tipos de fluidos:

- fluidos aquo-carbónicos do tipo Lw-m-S e/ou Lm-w-S contidos em


inclusões primárias no quartzo recristalizado-QII, tanto nos filonetes
concordantes com a foliação como nos discordantes ou, em inclusões
secundárias em PIF no quartzo leitoso deformado-QI. São inclusões que
contêm à temperatura ambiente uma fase aquosa importante variando entre
70 e 90%, uma fase gasosa e uma fase sólida identificada posteriormente ao
Raman como grafite. Apresentam-se com formas regulares e dimensões
compreendidas entre 15 e 40p.m (Estampas IV-2 e 3);
- fluidos aquo-carbónicos do tipo Vm-(w) em inclusões secundárias contidas
no quartzo leitoso-QI. Apresentam-se como inclusões essencialmente
monofásicas à temperatura ambiente. Distinguem-se das anteriores pelo
modo de ocorrência (observadas somente em PIF no quartzo QI), ausência da
fase sólida, fraca fracção volumétrica ocupada pela fase aquosa (0 a 10%) e
pelas dimensões reduzidas (<15um) (Estampa IV-3);
- inclusões aquosas do tipo Lw observadas em PIF no quartzo leitoso-QI
(Estampa IV-3.3)e em menor abundância no quartzo recristalizado-QII. A
fase líquida ocupa um volume que varia entre 80 e 90%. As suas dimensões
variam entre 5 e lOpm.

IV.4.2.2- Caracterização microtermométrica

Inclusões Lm-w-S e/ou Lw-m-S

Por vezes no decurso dos ensaios de arrefecimento, em torno de -110°C,


observa-se o aparecimento de uma nova fase identificada como CH4 líquido. Para estas

120
inclusões (Lm-w-S) a temperatura de homogeneização da fase carbónica (Th) ocorre
entre -94,3 e -91,4°C em fase vapor.
A amplitude de variação obtida para a fusão do gelo dos filonetes concordantes
e discordantes da foliação encontra-se dentro de uma mesma gama de valores
(compreendida entre -1,7 e -0,1°C). A TfCl para os filonetes concordantes varia entre
10,0 e 16,0°C. Para os discordantes obtiveram-se valores intermédios (em torno de
12,0°C). Estas temperaturas indicam a presença de CH4 na fase volátil. Nas inclusões
em que foi possível observar a temperatura da homogeneização global (TH) esta,
efectua-se invariavelmente em fase líquida, a temperaturas compreendidas entre 297 e
360°C. A decrepitação é observada a temperaturas aproximadamente dentro da mesma
amplitude de variação (297 e 325°C) (Fig.IV-4).

Inclusões Vm-(w)

A escassez de resultados microtermométricos apresentados para este tipo de


inclusões é devida às suas dimensões reduzidas, ao fraco conteúdo da sua fase líquida,
dificultando assim a sua observação assim como, a fenómenos de "implosão" (Vitik &
Bodnar 1995; 1998) (Estampa IV-3 foto 4) que conduzem à modificação da
composição e densidade do fluido e consequentemente a uma certa dificuldade na
interpretação correcta das condições P-T de aprisionamento.
A homogeneização da fase carbónica foi observada à temperatura de -81,5°C,
em fase vapor. A fusão do gelo e dos clatratos observa-se, respectivamente, a -3,0°C e
a +15,2°C. A TH global não foi possível ser medida como consequência do fraco
conteúdo da fase aquosa apresentado por este tipo de inclusões (Fig.IV-4).

Inclusões aquosas-Lw

A temperatura de fusão do gelo das inclusões aquosas foi observada entre -2,2 e
-0,9°C (Fig.IV-4).

121
GO CT) ^.
1
& «
H T3
ai
s £ £ £ 4-J «
K-l - J > -J 4;
S3 S a
■m o
ta
en
O
O
M
u T3
«j
o
C
O
O
cri
</)
T3
3
53
S/2
<u
O
</)
3
c>
a
■ i—<

d>
T3
CO
O
O-
+-»
en
OJ
- ^ J

S
tu
1-1
.11
01" T3
o o o o t ^ v D i r i ' v r - m r s i ^ o M
O
T3
t/l
ce
O
1-4
r/l ,—«, -*-»
-<i>
i
É 00

£
&0
£
g so
£ £ £
►J > £
HJ
£
-J >
M
+->
S!
■ ■ m O o
S-H

O
S
M
ce
o
H £ J
en
G
■4-»fl)
O
T8- ce
H H
ce
o
t/i
£8- ce
T3 O

58- o
>
1
ce
ce
m
12- £tu r/1
O
S-ip
68" Ou T l
tu • H

16- ce £
r/1
ce O
€6" T3
o ce
55 ce
Ç6- I
1
1)
"Cf
>
fcû
eoce
Un cr
IV.4.2.3-Caracterização físico-química dos fluidos

Algumas inclusões aquo-carbónicas, representativas dos diferentes tipos de


fluidos, foram selecionadas a fim de serem analisadas à microssonda Raman. As
análises efectuadas mostram que os fluidos apresentam como característica principal a
presença dominante de CH4 na fase volátil, confirmando os resultados obtidos pela
análise microtermométrica. Os resultados da composição da fase volátil, composição e
densidade globais são apresentados no Quadro IV-1.

IV.4.2.3.1- Composição da fase volátil

A projecção, no diagrama triangular CH4-CO2-N2+H2S (Fig.IV-5A), das


composições analisadas, recai praticamente sobre a linha CH4-N2+H2S junto ao pólo
CH4. Nas inclusões analisadas o CO2 está ausente com excepção de uma inclusão
(Lw-m-S) contida no QII dos filonetes discordantes da foliação, cujo valor é de
4 mole%. O N2 foi detectado quer nos filonetes concordantes, quer nos discordantes,
com conteúdos máximos de 11 mole%. A presença de H2S foi observada em inclusões
contidas no QII dos filonetes concordantes, com conteúdos que podem atingir
0,7 mole%.
A composição da fase volátil dos diferentes tipos de inclusões é semelhante:

As inclusões do tipo Lm-w-S contidas no QII dos filonetes concordantes


com a foliação, apresentam conteúdos em CH4, N2 e H2S compreendidos
entre 89 e 91 mole%, 9 e 10 mole% e 0,5 e 0,7 mole%, respectivamente. Na
fase volátil das inclusões Lw-m-S foi somente detectado o CH4.
As inclusões do tipo Lw-m-S contidas no QII dos filonetes discordantes
distinguem-se das anteriores por conterem na sua fase volátil, para além do
CH4 (85 mole%), C0 2 (4 mole%) e N2 (11 mole%). Nas inclusões Lw-m-S
contidas em PIF no QI o CH4 é o único componente da fase volátil.
A composição da fase volátil da inclusão do tipo Vm-(w) apresenta
conteúdos em CH4 e N2 de, respectivamente, 98 e 2,3 mole%.

123
C02
A QII cc(Lm-w-S)
■ QII cc(Lw-m-S)
• QI dc(Vm-w)
o QII dc(Lw-m-S)
■ QI dc(Lw-m-S)

CH4 N2+H2S

0,40 dv
0,35
0,30
0,25
0,20
0,15
0,10
0,05
0,00 CH4
0 20 40 60 80 100
Fig.IV-5- Distribuição relativa da composição da fase volátil dos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo encaixados nos liditos de Banho, cc:
concordantes da foliação; de: discordantes.

124
No diagrama dv versus C 0 2 (Fig.IV-5B) verifica-se que a densidade da fase
volátil dos fluidos é praticamente constante apresentando valores compreendidos entre
0,08 e 0,12 g/cm3. As inclusões do tipo Lm/Lw-m-S apresentam um valor médio de
dv (0,10 g/cm3) similar ao valor encontrado na inclusão do tipo Vm-w (0,1 lg/cm3).

IV.4.2.3.2- Composição global

As projecções das composições globais dos fluidos aquo-carbónicos (Quadro


IV-1), contidos nas diferentes gerações de quartzo (QI e QII), estão representadas no
diagrama ternário C0 2 -H 2 0-CH 4 +N2 (Fig.IV-6A) e no diagrama binário d versus H 2 0
(Fig.IV-6B).

Apesar da escassez de resultados no respeitante às inclusões Vm-w, da análise


dos diagramas é possível distinguir essencialmente duas populações com
características distintas:
- a população constituída pelas inclusões Lw-m-S e Lm-w-S caracteriza-se
por possuir conteúdos em H 2 0 elevados, variando entre 96 e 98 mole% para
as inclusões dos filonetes concordantes e entre 90 e 97 mole% para os
discordantes (Fig.IV-6Ae B). O conteúdo de NaCl varia entre 0 e 0,6 mole%
(Quadro IV-1). Os valores obtidos para a densidade global das inclusões
contidas no QII dos filonetes concordantes com a foliação variam entre 0,72 e
0,86. Os valores obtidos para as inclusões dos filonetes discordantes,
apresentam uma amplitude de variação maior (0,55 a 0,82);
- as inclusões do tipo Vm-(w) distinguem-se das anteriores por possuírem
conteúdos em H 2 0 mais baixos (48 mole%), conteúdos mais elevados em
CH4 da ordem dos 51 mole% e densidade global mais baixa (d=0,2).

125
H20

▲ QII cc(Lm-w-S)
■ QII cc(Lw-m-S)
• QI dc(Vm-w)
▲ QII dc(Lw-m-S)
■ QI dc(Lw-m-S)

C02 CH4+N2

B i,u - - u


0,8 m

0,6-
m

0,4-

0,2- •

0,0- 1 1 H20
H 1 1 i
40 50 60 70 80 90 100

Fig.IV-6- Diagramas representativos da composição global dos diferentes tipos de inclusões


fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes de quartzo encaixados nos liditos de Banho, cc:
concordantes com a foliação; de: discordantes.

126
0s­
CU
O m 00 ^ ON 1—1 r» CN CN CN VO CN 0 m CN
o S TJ r^ r­ 00 0O r~­ m r­~ 00 00 00 00 CN >r> 00
d 0 0 0 O 0 0 O O 0 0 0 0 0 0
cr
CS
co
CS
1
cr) Des t­~ O ^O so 0 Ni) NO m m 0 t , CN
T3 xs (N CN m CN (N ■—■ O O 0 0 0 0 O
■3 0 Z
ÇH CJj J
<s 00 un r~ 0 rn en
r/1
<U
Cl) <i
ca SB 0
(N
O 0 O ,_" O
C l
0
CN
^_T 0
O O
­es
3 ­1 in m m r^ rf Os _
0 ffl NO VI O CN ON
°°« as
> '—' O O O O ■<t c> CN m r—l CN % ^ CN
.9 Cl) O u
CO co ><
CO
C+­1 o­ O
CN
0"
CN O O
CN
CU

O,
CS HM NO Nu" SQ 5 0"

O u
T5
03
O
cS ÍCS
O o. 0 00 r~ t­» CN ■tf m ON ■<t m 00 __ 0 0 _
O O ffi ­et
00
0 ON O m (N m sa NT) r­~ r~­
O
00 0 t­~
ON
(L) O ON 00 ON ON m ON as ON ON "* ON
U
(1)

ft
ft
g
0
t/5 TJ ­n "* TJ ­O X) </1 p­ •a ­O T3 ­O TJ TJ
I
(Tl U C C O C C c O 0 c C C C c C CL)
ca
J3 ­a
0 _ >n ­ri 0 O
a
"5b cl)
«S
Z 00
00
<"»■
VO
0\ CN
c
m
CN
r­~
00
0
T3
C
-a
c
T3
C
c^i
CN
T3
C '"­, ,1
c
TJ £ ­J
­d
CS
­o 0
O CD 00 c
­a NO tN O" 0" 0"
t/3 c/5 SC < * 0" 0 ON" O 0 O
d « CN ON"
ON
00 00 T!
<u
T3
CS
CU
O u 1—1

es
> CO
CU
0
s
eu W <N Os ON ON ON 00 — T3 ­0 ­O T3 ­O TJ TJ ,_( 1)
O •s­ 00 r­ 00
c
•< u
-i-^ ■t
m
0 t» ON 00
C C C C C C

CO M
X to
00
C
O
ft CS
Ê 0 0 m m O 0 O 0 0 «"> 0 O O 0 1)
cu \r> 1— r­~ r~­ r^ CN r~­ 00 00 00 00 1—1 en 00 ­a
d
O te, 0 0 0 O O O 0 O 0 O 0 O O 0
0
0
0

CS Tl ci d. à ci ex
T3 CO ©
0
3
2 O 2 2 & O
CO
O
CO
0
CO
O
CO
0
CO
0
CO Ê
U CS u O eu
CO
eu
G j3 0 0 a a ce!

42 5
73
>
ëCO
a
0
ï ? =5 ? £ 1
ty)
1
C/)
1
C/)

Ë1
1
&0 t/J

S El V S Ê
t/3
«S
0 0 CJ 0 CJ 0 1 1
(
1 t
CO H H­t e S 8
CO
CS CS ij > _1
« d o
crt CO

I'
CS 0
Tl f"* ­
CN CN
TJ O ON r­. CN
(! S 1 J,
KS
G in TI­ m
> >
O
•*
CN VO U U W
io~

co CU O > 0 0 0 0
O

CN O CN CN CN CN fs, CN a.
o­ d CN

I I
O cS
'3 1 ^­^
^—s
[—J
0
5

es UÍ
"O CS
CS
c;
O

ca
a
­o a
en
a^^ N 0 ­0 8
> d ^—
0 ^
0
__ T3 cS
o
o C) m es N
CS CO r "2
'5.
CL>
"2
'5.
CO
ry 1 13
5
ti
as 0
cr £ fi 1)
u
CO

*n O
ft .a 0)
■O
O
C
UM
TJ
0
5 S N N N
fi
0
a O O "S
S ­« a N
H O
2
"d 43
12
§ S E
S­ si E
cS
n.
o
CO

O "3 0
U0 N

0
C) Õ S. 0 5
Filonetes c

es eu ­4—»
C c
Filonetes de

CD
discordantes

CO
quartzo

CN O O
T3 0) 'u C
­*■*
* V) J5 0. <53
­0 D.
> CS 1 .§
CN
CO
0
"3 0 E S
(S
C/3 O fc
o
o E 0 "S ÍC0
o 'S 0 CO
■ * *
0 cj
es c ej c ­0 0 O
< _o ■5
u. -o U 0 u. .5
TJ 0 O t
CS ■§
=3
O
0C
n 1
CS 1
ce)
O

O
IV.4.2.4- Conclusões

A partir dos estudos microtermométricos e de espectrometria Raman das


inclusões fluidas pertencentes aos filonetes de quartzo dos liditos de Banho foi
possível a identificação de fluidos aquo-carbónicos e fluidos aquosos.

Os fluidos aquo-carbónicos, com CH4 dominante na fase volátil, são


observados: em inclusões fluidas primárias no quartzo QII associadas à recristalização
do quartzo QI; em inclusões secundárias em PIF no quartzo QI (tipo Lm-w-S e
Lw-m-S) ou em inclusões secundárias do tipo Vm-(w) no quartzo QI associadas à
microfracturação relacionada com a deformação frágil. São fluidos com composição e
densidades da fase volátil similares apresentando diferenças nos conteúdos em H2O e
na densidade global.

Os fluidos aquosos mais tardios são observados em planos de inclusões fluidas


(Lw) que atravessam as diferentes gerações de quartzo (QI e QII) embora, com mais
frequência no quartzo precoce-QI. Apresentam salinidades mais elevadas (2 a 4 eq.%
NaCl) do que as inclusões Lm-w-S e Lw-m-S (valor médio 0,9 eq.% NaCl).

128
IV5-CARACTERIZAÇÃODOSFLUIDOSDAS ESTRUTURAS MINERALIZADAS

IV.5.1- O filão de Jogadouro

IV.5.1.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

Associados à deposição e microfracturação do quartzo, foi possível distinguir


fundamentalmente dois grandes tipos de fluidos presentes sob a forma de inclusões
fluidas aquo-carbónicas e aquosas.

A- As inclusões aquo-carbónicas

As inclusões aquo-carbónicas associadas a bandas de sobrecrescimento de um


quartzo mais límpido (quartzo QUa) no interior do quartzo leitoso-QI são inclusões
bifásicas ou trifásicas à temperatura ambiente, do tipo Lc-w. Ocorrem em grupos com
distribuição aleatória, evidenciando formas regulares e dimensões frequentemente
compreendidas entre 15 e 40 um. A fracção volumétrica ocupada pela fase aquosa
varia entre 50 e 90% (Estampa IV-4 foto 2). As inclusões fluidas aprisionadas pelo
quartzo leitoso precoce QI, apresentam-se como bifásicas à temperatura ambiente, são
abundantes e distribuem-se de modo aleotório. Contudo, em consequência da sua
irregularidade morfológica, assim como, da sua variabilidade dimensional (entre 40 e
<5um), características atribuíveis à deformação, não foram objecto de estudo
microtermométrico (Estampa IV-4 foto 1).
As inclusões fluidas que ocorrem em alinhamentos no quartzo Qlla são do tipo
Lc-w e/ou Vc-w. São bifásicas ou trifásicas à temperatura ambiente, a sua morfologia
é variável, embora a regular predomine. Distinguem-se das anteriores pela sua
dimensão menor (entre 5 e 20 um) e menor percentagem volumétrica ocupada pela
componente aquosa (10 a 60%) (Estampa IV-4 fotos 3 e 5).
As inclusões fluidas associadas ao estádio de quartzo Qllb (quartzo hialino),
são do tipo Lc-w e/ou Vc-w. Estas inclusões fluidas são observadas em planos de
inclusões fluidas (PIF) no quartzo Qlla e como inclusões primárias ou pseudo-
secundárias no quartzo Qllb. Ocorrem como inclusões bifásicas ou trifásicas à

129
temperatura ambiente, com formas regulares e dimensões frequentemente
compreendidas entre 6 e 37 fim. O volume ocupado pela componente aquosa varia
entre 10 e 70% (Estampa IV-4 foto 4).
As inclusões fluidas, tipo Lc-w, observadas em PIF no quartzo Qllb, são
bifásicas à temperatura ambiente, apresentam formas regulares e dimensões
compreendidas entre 10 e 18 pm. A percentagem volumétrica ocupada pela fase
aquosa é relativamente constante, variando entre 50 e 60% (Estampa IV-4 fotos 6 a 8).
As inclusões fluidas associadas ao estádio de quartzo QUI são observadas
como inclusões pseudosecundárias no quartzo QUI ou sob a forma de PIF nos quartzos
das gerações anteriores. Evidenciam sempre duas fases à temperatura ambiente,
apresentam formas regulares e dimensões compreendidas entre 8 e 25 pm. A fracção
volumétrica da componente aquosa apresenta uma amplitude de variação
compreendida entre 50 e 90%>.
As inclusões fluidas (tipo Lw-m) observadas em PIF no quartzo QUI
apresentam-se como bifásicas à temperatura ambiente, com formas regulares e
dimensões compreendidas entre 10 e 18 um. O volume ocupado pela fase aquosa é
relativamente constante, variando entre 55 e 75%.

B- As inclusões aquosas

Em função das características microtermométricas distinguem-se dois tipos


fundamentais de fluidos aquosos: fluidos com uma salinidade baixa (Lwl) e fluidos
ainda mais tardios com salinidade mais elevada (Lw2). Os dois tipos de inclusões
fluidas aquosas, Lwl e Lw2, são sempre observados em planos de inclusões fluidas
(PIF).
As inclusões fluidas do tipo Lwl são observadas em PIF atravessando todos os
tipos de quartzos. Apresentam morfologia variável, embora as formas regulares
predominem. As suas dimensões distribuem-se pelos intervalos [10 , 20] pm e [5 , 10]
pm correspondendo, respectivamente, às inclusões com formas irregulares e regulares.
A fase aquosa ocupa 80 a 95% do volume da inclusão.

130
As inclusões fluidas do tipo Lw2 ocorrem em PIF no quartzo hialino, mas com
menor frequência que as do tipo Lwl. Distinguem-se também, das anteriores pela sua
dimensão menor (5 a 10 pm em média) e maior volume da fase aquosa (90 a 95%).

IV.5.1.2- Caracterização microtermométrica

Os dados obtidos a partir da caracterização microtermométrica das inclusões


fluidas definidas anteriormente, são apresentados em função dos diferentes estádios da
deposição do quartzo (Figs IV-7 e 8).

A- As inclusões aquo-carbónicas

Inclusões-Lc-w primárias no Qlla

A fusão do CO2 ocorre a temperaturas relativamente próximas do valor -56,6°C,


distribuindo-se pelo intervalo [-57,9 , -56,7]°C. A fusão do gelo é de difícil observação
em virtude da formação de clatratos contudo, as medidas efectuadas em algumas
inclusões apresentam valores constantes (entre -7,5 e -7,4°C).
A temperatura de fusão dos clatratos (TfCl) varia entre 10 e 10,8°C. A
homogeneização da fase carbónica é observada nas fases líquida (L), crítica (C) e
vapor (V), respectivamente, a temperaturas que variam entre 25,0 e 25,6°C, 22,9 e
23,5°Ce entre 19,5 e 20,0 °C.
No decurso do aquecimento, três das nove inclusões estudadas decrepitaram, as
restantes homogeneizaram em fase líquida (pelo aumento do volume aquoso),
independentemente do tipo de homogeneização da fase carbónica, a temperaturas de
308 a 340°C.

Inclusões-L/Vc-w em PIF no Qlla

As inclusões fluidas que ocorrem orientadas no quartzo Qlla apresentam


temperaturas de fusão do CO2 mais baixas que as anteriores, repartindo-se pelo
intervalo [-58,1 , -57,2°C]. A TfG é também de difícil observação e as medidas
efectuadas apresentam valores que variam entre -8,0 e -7,5°C. Nos valores obtidos para

131
u

O
u
X!

1? /■—N
/—*\
o ri h
1?
ii s o
►J 'o" 3
^—' g «5 *
J
i—i

ce
£ QJ
a cr OH PH
a
■□ D a B B

(N 00 VO

,_,
?
^—N Cl
^-^
£
i> o>
•s (4
1
çj S'
XS
1—■1 aft| att)
c/ a a. a.1
ms B D o

* * < N O 0 0 ^ D T t ­ ( N O

IXi X)
12
■ QHa(Lc-w)
HQIIb(L/Vc-w)
10
nPIFQIIa(L/Vc-w)
BPIFQIIb(Lc-w)
8
HQIII(Lw-c)
n IIPIFQlïï(Lw-m)
6 HI wl
Tf"H
11*1
■ !■■ BLw2
4-

2^

1 TfG(0C)
0^n ■ S îf
*■

^
^
i
m
,-H
i
c?\
1
>r>
1
fj
^
1

Fig.IV-8- Histogramas representativos das temperaturas de fusão do gelo (TfG) e


homogeneização global (TH), das inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas contidas nas
diferentes gerações de quartzo do filão de Jogadouro.

133
a TfCl, regista-se um aumento relativo da sua amplitude de variação (entre 7,0 e
12,0°C).
A homogeneização da fase volátil é observada entre 18,9 e 24,0°C em fase
líquida (Th CC>2-»L) e crítica (Th C0 2 ->C). A homogeneização global é efectuada a
temperaturas compreendidas entre 301 e 340°C, tanto em fase líquida, como pela
expansão da fase volátil, embora a homogeneização em fase líquida predomine.

Inclusões-L/Vc-w primárias no Qllb

A fusão do CO2 ocorre a temperaturas que se distribuem pelo intervalo


[-58,8 , -56,7]°C. Os valores obtidos para a fusão do gelo distribuem-se pelo intervalo
[-7,0 , -4,5]°C. A amplitude de variação obtida para a temperatura de fusão dos
clatratos (TfCl) encontra-se compreendida entre 7 e 13,5°C. A homogeneização da fase
carbónica é observada, sempre em fase vapor (ThCC>2-»V), a temperaturas que variam
entre 17,5 e 23,5°C. A homogeneização global ocorre, quer em fase líquida, quer em
fase vapor, a temperaturas que variam entre 312 e 357°C.

Inclusões-Lc-w em PIF no Qllb

As inclusões fluidas que ocorrem orientadas no quartzo Qllb distinguem-se das


anteriores por apresentarem temperaturas de fusão do CO2 mais baixas (entre -61,3 e
-58,6°C) e TfCl mais elevadas (entre 14,3 e 16,5°C), fazendo supor a existência de
conteúdos mais elevados (em média) de CH4 e/ou N2.
Os valores para a TfG são relativamente constantes (entre -4,5 e -4,1°C).
Contrariamente, verifica-se uma grande amplitude de variação no que respeita aos
valores obtidos para a homogeneização da fase volátil, esta ocorre em fase vapor, entre
-6,0 e 1,5°C. A homogeneização global ocorre em fase líquida a temperaturas
compreendidas entre 326 e 340°C.

Inclusões-Lw-c associados ao estádio de quartzo QUI

Neste tipo de inclusões, nas quais a presença de voláteis (CO2, CH4 e/ou N2) é
detectada somente pela observação de clatratos, os valores admitidos para a sua fusão

134
distribuem-se no intervalo [7,5 , 12,3]°C. Os valores obtidos para a fusão do gelo
variam entre -8,6 e -2,8°C. A homogeneização global ocorre em fase líquida a
temperaturas que variam entre 280 e 331°C.

Inclusões-Lw-m em PIF no QUI

Este tipo de inclusões distinguem-se das anteriores por apresentarem valores


mais baixos para a TfG (entre -4,3 e -0,1) e TfCl mais elevadas (entre 12,9 e 16,5°C).
A homogeneização global foi observada sempre em fase líquida a temperaturas que
variam entre 256 e 330°C.

As principais diferenças entre os fluidos aquo-carbónicos - L/Vc-w

Com o objectivo de salientar as características microtermométricas dos


diferentes tipos de fluidos aquo-carbónicos, Lc-w e Vc-w, associados aos diferentes
estádios de quartzo, assim como, realçar as suas diferenças, os resultados
microtermométricos obtidos são apresentados nos diagramas de correlação Th CO2
versus Tf C0 2 , TfCl versus TfC0 2 e ThC0 2 versus TfCl Fig.IV-9.

Com base nas características microtermométricas verifica-se que, de um modo


geral, os fluidos podem ser distribuídos por três grupos. A análise individual dos
diferentes diagramas, mostra que:

- no diagrama ThC0 2 versus TfC0 2 (Fig.IV-9A) verifica-se uma correlação


positiva para estes dois parâmetros. Os fluidos aquo-carbónicos, associados
aos diferentes estádios de quartzo, distinguem-se fundamentalmente, pela
temperatura e modo de homogeneização do C0 2 , se bem que, haja também
diferenças no que respeita à TfC0 2 . Efectivamente, as TfC0 2 das inclusões
fluidas contidas em PIF no Qllb apresentam valores <-58,6°C. As inclusões
fluidas contidas no quartzo Qlla e ao Qllb apresentam uma amplitude de
variação para ThC0 2 semelhante contudo, nestas últimas, a homogeneização

135
da fase volátil efectua-se sempre em fase vapor. A TI1CO2 dos fluidos aquo-
carbónicos mais tardios (PIF em Qllb) apresentam os valores mais baixos
(<+9°C) ocorrendo invariavelmente em fase vapor.

- os diagrama TfCl versus TfC0 2 (Fig.IV-9B) e ThC0 2 versus TfCl (Fig.IV-9C)


evidenciam uma correlação negativa entre estes parâmetros. Os fluidos
distinguem-se fundamentalmente, pela TfCl embora, como já foi
anteriormente referido, haja também diferenças no que respeita à TfCÛ2 e
ThCÛ2. Observa-se um aumento da temperatura de fusão dos clatratos dos
fluidos associados às gerações de quartzo Qlla e Qllb, para os fluidos aquo-
carbónicos mais tardios (PIF em Qllb) estes últimos, apresentam valores
superiores a 14°C.

B- As inclusões aquosas

Inclusões-Lwl

As inclusões fluidas com salinidade baixa (Lwl) apresentam TfG que variam
entre -2,5 e -0,2°C. Os valores estimados para a salinidade são da ordem dos 0,35 a
4,18 eq.%NaCl. A homogeneização global ocorre em fase líquida a temperaturas
compreendidas entre 146 e 163°C (Fig.IV-8).

Inclusões-Lw2

Estas inclusões fluidas apresentam valores para a temperatura de fusão inicial


do gelo (Tfi) em torno de -55°C e TfG que variam entre -44,2 e -37,1°C. Estas
características sugerem a presença de catiões bivalentes, nomeadamente Ca + ou Mg +
(Crawford 1981b). Assim, os valores estimados para a salinidade variam entre 27 e 29
eq.% de sal em solução. A homogeneização global é observada em fase líquida a
temperaturas inferiores às dos fluidos Lwl, da ordem dos 82 a 125°C.

136
ThC02(°C)
30
AQIIa(Lc-w)
APEFQIIa(L/Vc-w)
■ QIIb(Lc-w)
DPIFQIIb(Lc-w)
+ PBFQIIb(Lc-w)

TfC02(°C)
-66 -65 -64 -63 -62 -61 -60 -59 -58 -57

TfCl(°C)
B

TfC02(°C)
-62 -61 -60 -59 -58 -57

.ThCO2(0C)

TfClfC)

10 12 14 16 18
Fig.IV-9- Diagramas de correlação ThC02 e TfCl ver sus TfCÛ2 e TI1CO2 ver sus TfCl
referentes aos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes
estádios de quartzo do filão de Jogadouro.

137
Comparação entre os diferentes tipos de fluidos

A análise dos diagramas binários, temperatura de fusão dos clatratos (TfCl)


versus temperatura de homogeneização global (TH) (Fig.IV-lOA) e TfG versus TH
(Fig.IV-lOB) permite tecer algumas considerações relativas à evolução composicional
admitida pelos diferentes tipos de fluidos associados às diferentes gerações de quartzo.
Com efeito, da análise do diagrama da Fig.IV-lOA constata-se que em termos
globais os diferentes tipos de inclusões, associadas aos diferentes tipos de quartzo
apresentam, para TH, amplitudes de variação idênticas.
Relativamente à TfCl, verifica-se um aumento deste parâmetro no sentido dos
fluidos capturados pelas gerações de quartzo mais tardias (PIF em Qllb e QUI),
sugerindo a presença em quantidades significativas de outros componentes voláteis
para além do C0 2 , nomeadamente, CH4 e N2.
Pelo exame do diagrama TfG versus TH (Fig.IV-lOB) verifíca-se que, a
globalidade dos fluidos pode ser agrupada em três grandes grupos: (1) fluidos aquo-
carbónicos; (2) fluidos fluidos aquosos de baixa salinidade-Lwl; e (3) fluidos aquosos
de salinidade elevada-Lw2.
Os fluidos aquo-carbónicos (L/Vc-w, Lw-c e Lw-m) apresentam temperaturas
mínimas de aprisionamento superiores a 280°C. No seio deste grupo observa-se uma
diminuição das TH médias no sentido dos fluidos Lw-c e Lw-m.
Os fluidos aquosos Lwl de salinidade baixa, apresentam temperaturas mínimas
de aprisionamento inferiores às dos fluidos aquo-carbónicos (entre 146 e 163°C).
Os fluidos aquosos tardios, Lw2, caracterizam-se por apresentarem salinidades
elevadas e TH mais baixas que os anteriores, compreendidas entre 82 e 125°C.

IV.5.1.3- Caracterização físico-química dos fluidos

Foram selecionadas algumas das inclusões fluidas aquo-carbónicas


representativas dos diferentes tipos de fluidos, para análise em espectroscopia Raman.
Os resultados da composição da fase volátil, composição global e densidade das
inclusões fluidas analisadas, são apresentados no Quadro IV-2.

138
AQIIa(Lc-w)
APIFQIIa(L/Vc-w)
■ QIIb(L/Vc-w)
aPIFQIIb(Lc-w)
+ PIFQIIb(Lc-w)
• Qffl(Lw-c)
oPIFQin(Lw-m)

TH(°C)
160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360

FigXV-10A- Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas. d: decrepitadas

B TfGfC)
u
*V . °o o O
-5 -
▲ Qna(Lc-w)
-10 -
APIFQIIa(L/Vc-w)
-15 - ■ QIIb(L/Vc-w)
DPIFQIIb(Lc-w)
-20 - + PIFQIIb(Lc-w)
• QIII(Lw-c)
-25 -
O PIFQffl(Lw-m)
-30 xLwl
-Lw2
-35 -

-40 - -

-45 - =—) 1 h 1 1 1
TH(°C)
50 100 150 200 250 300 350 400

Fig.IV-10B- Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas e aquosas.

139
As análises revelam que estamos na presença de fluidos pertencentes ao sistema
H20-C02-CH4±(N2, H2S) e que a fase volátil é constituída por C0 2 , CH4, N2 e, por
vezes, pequenas quantidades de H2S.
Para uma melhor visualização da composição da fase volátil e global, assim
como, da evolução química dos diferentes tipos de fluidos aquo-carbónicos, os
resultados obtidos são apresentados em diagramas binários e ternários.

IV.5.1.3.1- Composição da fase volátil

As composições da fase volátil encontram-se representadas no diagrama


ternário CH4-C02-N2+H2S (Fig.IV-llA) e no diagrama binário, densidade da fase
volátil (dv) versus C0 2 (Fig.IV-1 IB).
As projecções dos resultados no diagrama ternário CH4-C02-N2+H2S, recaem
sobre o eixo C0 2 -CH 4 , tendo-se obtido para o CH4 um valor máximo de 51 mole%. O
conteúdo máximo em N 2 é de 12 mole%. A presença de H2S foi observada em
algumas inclusões com conteúdos que podem atingir 2,5 mole%.

Embora haja uma certa analogia composicional relativamente à fase volátil, das
inclusões fluidas aprisionadas pelo Qlla e Qllb, os diferentes tipos de inclusões fluidas
associados aos diferentes estádios de quartzo formam populações distintas.

Os conteúdos em C0 2 para as inclusões primárias (Lc-w) e em PIF no Qlla


(L/Vc-w) variam, respectivamente, entre 83 e 91 mole% e entre 82 e 91 mole%. O
CH4 apresenta uma amplitude de variação compreendida entre 8 e 17 mole% e entre 6
e 15 mole%, respectivamente, para Qlla e PIF no Qlla. Os conteúdos em N2 para as
inclusões associadas ao Qlla variam entre 0 e 3 mole% exibindo, as inclusões em PIF
no Qlla, um leque de valores mais amplo (entre 1 e 12 mole%).
As inclusões fluidas associadas ao Qllb (L/Vc-w) apresentam, um leque de
valores um pouco mais restrito, quer para os conteúdos em C0 2 (80 a 90 mole%), quer
para o CH4 (11 a 16 mole%), sendo também, de assinalar a presença de H2S em

140
algumas inclusões com conteúdos que podem atingir os 2 mole%. Os conteúdos em N2
são mais baixos variando entre 0 e 2 mole%.
O posicionamento das projecções dos resultados relativos às inclusões que
ocorrem em diferentes alinhamentos do Qllb, permite pôr em evidência a sua evolução
composicional confirmando assim, a interpretação efectuada aquando da análise dos
resultados microtermométricos. Assim, as inclusões (Lc-w), cuja projecção se situa
mais próximo do pólo CO2, apresentam: conteúdos em CO2 que variam entre 68 e 75
mole%; quantidades em CH4 que variam entre 19 e 24 mole% e conteúdos médios em
N2 e H2S da ordem dos 4 mole%. A outra família de inclusões distingue-se da anterior
pelo maior conteúdo em CH4 (variável entre 35 e 45 mole%) e consequente
diminuição da quantidade em CO2 (entre 53 e 59 mole%), e conteúdos máximos em
N2 e H2S, de 5 mole% e 2 mole%, respectivamente.

As inclusões fluidas do tipo Lw-c, associadas ao estádio de quartzo QUI,


exibem uma tendência evolutiva para um enriquecimento em CH4, manifestada no
diagrama por uma dispersão gráfica significativa. Essa tendência acentua-se no sentido
das inclusões fluidas do tipo Lw-m, observadas em PIF no QUI. A análise em
espectrometria Raman das inclusões Lw-m apresentou algumas dificuldades
ocasionadas pelo movimento efectuado pela bolha de vapor quando sujeita à
incidência do laser. Consequentemente, apresenta-se somente os resultados da análise
de uma inclusão representativa deste tipo. A inclusão analisada caracteriza-se por
apresentar os conteúdos mais elevados em CH4 (51 mole%) e obviamente os mais
baixos em CO2 (45 mole%). A composição em N2 é de 3 mole%.

O diagrama densidade da fase volátil (dv) em função do conteúdo em CO2


mostra que os fluidos representativos das inclusões primárias e dos alinhamentos no
Qlla apresentam uma evolução composicional idêntica. Com efeito, mostram uma
dispersão significativa de dv (0,14 a 0,45 g/cm3) para valores relativamente constantes
de CO2. As inclusões associadas ao Qllb apesar de apresentarem um comportamento
similar no que respeita ao parâmetro CO2, exibem um leque de valores mais restritos
para dv (compreendidos entre 0,21 e 0,33). As inclusões contidas no QUI e em planos

141
de inclusões fluidas do Qllb mostram uma evolução composicional idêntica
manifestada por um empobrecimento em CO2.
De um modo geral, observa-se uma diminuição da densidade da fase volátil
acompanhada por um enriquecimento em CH4 dos fluidos aquo-carbónicos mais
precoces para os fluidos mais tardios.

IV.5.1.3.2- Composição global

As composições globais dos fluidos aquo-carbónicos estão representadas no


diagrama ternário CO2-H2O-CH4+N2 (Fig.IV-12A) e nos diagramas binários CO2/CH4
versus C0 2 (Fig.IV-12B) e C0 2 /CH 4 versus H 2 0 (Fig.IV-12C).

Projectando os resultados da composição global no diagrama ternário CO2-


H2O-CH4+N2 obtem-se uma distribuição, não discriminativa, ao longo do eixo H 2 0-
CO2 apresentando para todas as inclusões (com excepção de uma inclusão tipo Vc-w),
valores de H2O superiores a 79 mole%.

Comparativamente, o diagrama binário CO2/CH4 versus CO2 permite


discriminar populações de inclusões fluidas evidenciando composições distintas. Com
efeito:

- as inclusões fluidas primárias no Qlla apresentam razões CO2/CH4 que


variam entre 6 e 21 e conteúdos em CO2 entre 4 e 18 mole%.;
- as inclusões em PIF no Qlla embora apresentem similitudes relativamente à
evolução composicional, distinguem-se das anteriores por apresentarem uma
amplitude de variação mais restrita, quer para CO2/CH4 (entre 7 e 15), quer
para os conteúdos em CO2 (entre 4 e 14 mole%, com uma excepção);
- as inclusões fluidas associadas ao Qllb apresentam, para a razão CO2/CH4,
valores intermédios relativamente às populações anteriores (entre 6 e 12),
assim como, para os conteúdos em CO2 (variando entre 8 e 17 mole%);

142
C02

CH4

CH4 N2+H2S

dv
B 0,6
AQIIa
0,5 —
A
A PIF Qlla
0,4 ■ Qllb
A
aPIFQIIb

0,3 — • + PIF Qllb
• Qm
0,2 — + D
„ t o PIF QUI
«1
O
!.
+
0,1 ^^

0,0 1 \- 1 1 \ 1 1 ! 1 C02
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Fig.IV-11- Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões fluidas


aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo do filão de Jogadouro.

143
­a
2 O

o
O
O

I 1 ! H
o in o m o
O
o
u

o
©
o

o
ri
+
Q
00

1
<

I8
4
m
u o
00
+ ?î
o
u

t­­
o O </"> o O O
cl o

­O O
ta

es a £ S ë H o
so CTS
-o
03
&0
o O
h 1—I Pi o e H­i
O1 u­ a
1
CL OH OH Pi
■írrt2* CU
T3
< < ■ D + • O
o
o o
R<
id
o § t«
o cr o
CS ­ O
m c/2
T3
rvt o
t/5
O ­a ■ H
=3 cd
> ça
aj on
s
cr
CU cu
ri fO
d)
c/i i/i ­a
CU 3 o
O
a, o.
(!) a

C/}
c/)
03 ­a <U
C
CU
s o
feb C­M
03 T3
s r/1
CU

H
c/3
O

c
1 C/3


«
T3
1—<

C/1
'"■D
O S
o
UH T3 o
- as inclusões fluidas associadas aos diferentes PIF em Qllb apresentam uma
diminuição das razões CO2/CH4 (respectivamente, entre 4 e 5; 1 e 3)
acompanhada de um empobrecimento dos conteúdos em CO2;
- as inclusões fluidas associadas ao QUI exibem uma tendência evolutiva
traduzida por uma diminuição da razão CO2/CH4 (de 6 para 2). Essa
tendência acentua-se no sentido das inclusões fluidas do tipo Lw-m que
ocorrem em PIF no QUI (CO2/CH4=0,9).

Analisando o diagrama binário CO2/CH4 versus H2O (Fig.IV-12C) verifica-se


que:
- com base na razão CO2/CH4 e à semelhança do que se observa no diagrama
CO2/CH4 versus CO2, os fluidos aquo-carbónicos associados aos diferentes
estádios de quartzo formam populações distintas;
- de um modo geral observa-se uma correlação negativa entre os parâmetros
CO2/CH4 e H2O, sendo mais notória para os fluidos associados ao Qlla, PIF
em Qlla e ao Qllb.

Da observação do Quadro IV-2 é possível realçar os seguintes aspectos:

- a densidade global das inclusões fluidas primárias no Qlla apresenta uma


certa dispersão de valores (entre 0,70 e 0,96). O conteúdo de NaCl estimado
é da ordem de 1 mole%;
- com excepção de uma inclusão fluida cujo valor calculado para a densidade
global foi de 0,59, as restantes inclusões em PIF no Qlla apresentam valores
que variam entre 0,73 e 0,82. O conteúdo de NaCl estimado é da ordem dos 2
mole%;
- as inclusões fluidas associadas ao Qllb apresentam conteúdos de NaCl
variando entre 1 e 2 mole%. A densidade global apresenta uma gama de
variação entre 0,62 e 0,84;
- para as inclusões fluidas associadas aos diferentes PIF em Qllb
verifica-se uma diminuição da densidade global (compreendida entre 0,61 e

145
0,73). Para. o conteúdo de NaCl obtiveram-se valores que se situam em torno
de 1 mole%;
- os valores estimados para o conteúdo de NaCl para as inclusões fluidas
associadas ao QUI são da ordem de 1 mole%. A densidade global situa-se
entre 0,77 e 0,86;
- para a inclusão contida em PIF no QUI (tipo Lw-m) obtiveram-se valores
mais baixos que os precedentes, tanto para o conteúdo de NaCl (0,3 mole%),
como para densidade global (0,64).

IV.5.1.4- Conclusões

Os estudos microtermométricos e de espectrometria Raman das inclusões


fluidas pertencentes ao filão de quartzo de Jogadouro permitiram a identificação de
três grandes grupos de fluidos: (1) fluidos aquo-carbónicos; (2) fluidos aquosos de
baixa salinidade Lwl e (3) fluidos aquosos de salinidade elevada Lw2.

(1) Os fluidos aquo-carbónicos, Lc-w, Vc-w e Lw-c(m), pertencem ao sistema


H20-C02-CH4±(N2, H2S) e as suas diferenças composicionais permitem constatar que,
de um modo geral, estes se distribuem por três estádios principais de percolação de
fluidos:
i)- os fluidos mais precoces (L/Vc-w) são observados em inclusões primárias
no Qlla e no Qllb, assim como, em PIF no Qlla. São fluidos com CO2
dominante na fase volátil (80 a 93 mole%) apresentando, amplitudes de
variação idênticas para as temperaturas mínimas de aprisionamento (TH
entre 302 e 357°C) e diferenças nos conteúdos em H 2 0 e na densidade
global. A analogia composicional manifestada pelas inclusões fluidas dos
alinhamentos e pelas inclusões primárias no Qlla sugere que, os
alinhamentos, representam o sistema mais precoce de microfissuras;
ii)- as inclusões fluidas que caracterizam a segunda migração ocorrem em
PIF no Qlla e Qllb e como inclusões pseudo-secundárias em QUI. Embora o
CO2 seja o composto dominante da fase volátil estes fluidos, apresentam no

146
entanto, conteúdos significativos de CH4 (13 a 24 mole%). Os valores
médios da temperatura mínima de aprisionamento para este estádio situam-se
por volta de 302°C;
iii)- os fluidos aquo-carbónicos mais tardios são observados sob a forma de
inclusões fluidas em PIF no Qllb e como inclusões pseudo-secundárias e
secundárias no QUI. Neste estádio assiste-se a uma evolução traduzida por
um enriquecimento em CH4 (podendo atingir valores da ordem dos 51
mole%) e por uma diluição dos fluidos.

(2) Os fluidos aquosos Lwl são observados em planos de inclusões fluidas


atravessando todos os tipos de quartzo. Apresentam temperaturas mínimas de
aprisionamento compreendidas entre 146 e 163°C e salinidades entre 0,35 e 4,18
eq.%NaCl.

(3) fluidos aquosos mais tardios, Lw2, e por conseguinte capturados a


temperaturas mais baixas (TH entre 82 e 125°C), caracterizam-se por apresentarem
salinidades elevadas devidas à provável presença de CaCl2.

147
CN o NO CN 00
_ ON m 0N (N (N NO •<t m •* ^_^ m m r~­ N0 m 00 ­tf
ON 00 r­ 00 m r~­ NO víJ NO 00 N0 Nf3 Nf) r^­ NO
T! r­ r­ NO r­­ 00 00 r­ NO
c_> o O O O O O O
o o o o o O O o O o o O o o o

033
<N 00 m C^5 O"! r» m rn t­« ON NO NO m cn NO m (N m ■tf O cn
CN CN CN CN
o
z ~
!» O CN CN Tf CN m
S o O O o O O O

< CN t"» <N CN Tf cn CN •d NO 0\ cn


g o" o" o" o" o" o"
■tf
O* o" CD o" o" CD d o" o" o"
o Tf
ti rn NO CN m O
"tf i—t 0N O m in
^~­ NO r— in m 00 r~- 00 ON m 00 00
as '~H CN O
~ CN
—* m O <N CN CN CN
o — CN
^ m *~' o O in (N tf
o o
o
00 ON
CO
N0 <N m
P—H
^O
m
ON
Cl
O ON
NO
00
NO
NO
C^l
m in «tf 00 r­ t­­ m N.0 ON m
r^ m rn
u
C/l
•tf "tf r­ ON ON. 00 'O •tf ■tf in 00 tf tf
p
o 00 m NO m d oo _^ CN ■tf ^> in ON rn '-a ON N0 m o cn m m ■tf m
CN ON i—i m oo 0 0 rn C3 f­ in 00 ND cn
O o —< ■tf ■tf ■tf CN CN o o
s2
■tf
00 00 ON 00 00 00 in oo 00 r~­ r­~ 00 ON oo oo oo 00 ON ON ON 00 ON ON

u 05
fN ­d T3 •d ­d ­d ­d ­d T3 "d CN •d 0 0 ­d Tf o in r» ND T3 ­o ­a ­a ­a
CS c C c c O c e e c o c 1 ' c O)
•tf (N
" '' C c c c c

T3 ON tf; rn CN NO.
q CN in r­^ ■d ­d m ­d NO NO^ CN ­d °V tf
­i CD G o" <N d c tf C ■tf" ON" c 2 tn
H
_ 00
f» ■tf r> O m "tf 00 0N <D CN in r)­ CN m 00 NO ON NO o 00 CN
B ND m m in m NO o <N ^J­ CN ON
O U 0N ■tf
­* 1 1 T •*
CN
ON ■tf

m •tf
■~' 1 cn
1­1

m
1­1

in
> ~ '' *""* ^^ ' ' ' ' ~" ^^ tf '
C<l m (N 00 r­ ON r» cri _ m r~ r­4 C I in CN m r­~ TT
^ ! NO CN o cn ­tf
oi
3 o
t­i ND in CN CN C7 in i—i
ON
ro
00 00
m
00
m
00 00
O
00 00
Tf
00 ^t (T\ r­~ •tf cn O m OO r~­ in
ON 00 00 00 00 NO r> m m 00 r­­ O in •tf
u
É O O O o m O in o o o o o os o O O o m o o o O m
vi m ON NO cri >n
NO CN in ^r >* m I ­ in m m NO in r>~ n o r^­ f » in
u. o O O O
o o O o o o o O o O O O O O o O o O o

ò cj ci
J
IA C/5 CO c/5 CJ
ca
CO CS CS ca ca CS X) Xi X X aj 0)
Hl
.2 Hl M 1—1 cn cn cn

o
u
a a
1—1 H­4
ry ry O

Ó O
­o -a ­a
i
ô O
b c .ti PU PU Pi PH PU
c c
Ë .8 PU Pi pi PU 3
O C w 1—1
CU
1—1 Hl 1—1
Pu cu eu eu eu eu eu
i—t 1 1 i—i h­H
3
cu OJ 3
S E
CU CU cu CU CU CU PH OH cn cn CD
cu cu cu
m
Cu
eu
o £ £ £ £ s £ s £ £ ? S 5 ^ £ ^ ? ? £ o
1
o o
? s
•S" CJ o Ci CJ Cl o CJ o o o o o C) o c) o c> O £ i. «
H uJ i­J 1­1 HJ ­4 ­4 > > > > > ­J HJ HJ HJ ­4 HJ HJ H4 H4 HJ
J HJ

,<D
e
B ON CN o
i 1 CN 1 m i i CN
"õ > 00
m
t—( m r­~ H I
i—i 00
Hl CN NO 1
l­H ­ CN m ■
ON
t—1
i—1 i—i
i

O < < < < >


i—\
S
l­H
u O

O"
«
ts
cci
H­H £ M

o
a.
c a a
H

n O
u
s
•­ ­a o
■a
O >&
S CS
ou
­5 E o
1­9
IV.5.2- O filão de Argeriz

IV.5.2.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

Nas inclusões fluidas pertencentes ao filão de Argeriz foi possível distinguir


fundamentalmente dois grandes tipos de fluidos: fluidos aquo-carbónicos e fluidos
aquosos.

A- Fluidos aquo-carbónicos

Os fluidos aquo-carbónicos associadas aos diferentes estádios de deposição do


quartzo são observados como:
- inclusões fluidas primárias num quartzo mais límpido (quartzo Qlla) no
interior do quartzo leitoso precoce-QI. São trifásicas à temperatura ambiente
e preponderantemente do tipo Vc-w, evidenciando formas regulares e
dimensões frequentemente compreendidas entre 10 e 15 um. A fracção
volumétrica ocupada pela fase aquosa varia entre 20 e 50%;
- inclusões fluidas alinhadas no quartzo QI e no Qlla. São do tipo Lc-w e
essencialmente bifásicas à temperatura ambiente. Evidenciam formas
regulares e dimensões médias compreendidas entre 10 e 20 um. A fracção
volumétrica ocupada pela componente aquosa varia, respectivamente, entre
(50-70% e 55-60%);
- inclusões fluidas primárias e/ou pseudosecundárias associadas ao estádio de
quartzo Qllb (quartzo hialino euédrico). São do tipo Lc-w e/ou Vc-w.
Ocorrem geralmente como inclusões bifásicas à temperatura ambiente, com
formas regulares e dimensões frequentemente compreendidas entre 15 e 25
um. A quantidade relativa da componente aquosa é relativamente constante,
variando entre 40 e 50%;
- inclusões fluidas pseudosecundárias, do tipo Lw-c(m) e Lw-m, associadas
ao estádio de quartzo QUI. Apresentam, frequentemente, formas em cristal
negativo e dimensões médias compreendidas entre 15 e 20 um. A

149
temperatura ambiente exibem duas fases, ocupando a componente aquosa
uma fracção compreendida entre 50 e 60%.

As inclusões fluidas aprisionadas pelo quartzo leitoso precoce -QI, são


abundantes, de dimensões reduzidas (<5um) apresentando frequentemente figuras de
estrangulamento, não tendo sido, portanto, objecto de estudo microtermométrico.

B- Fluidos aquosos

Se bem que os fluidos aquosos ocorram de forma similar (em planos de


inclusões fluidas-PIF), podem-se distinguir, com base nas suas características
microtermométricas, dois tipos de fluidos aquosos: fluidos de baixa salinidade-Lwl e
fluidos de salinidade elevada-Lw2.

As inclusões fluidas do tipo Lwl são observadas em PIF atravessando todos os


tipos de quartzos. Apresentam predominantemente formas regulares e dimensões que
se distribuem pelo intervalo [5 , 10] um. A fracção volumétrica média ocupada pela
fase aquosa cifra-se em torno de 95%.

As inclusões fluidas do tipo Lw2 ocorrem em PIF no quartzo hialino, mas em


menor quantidade que as do tipo Lwl. São também caracterizadas por apresentarem
dimensões reduzidas (5 a 10 um em média) e valores elevados para a fracção
volumétrica da componente aquosa (90 a 95%).

IV.5.2.2- Caracterização microtermométrica

A caracterização microtermométrica dos fluidos aquo-carbónicos e aquosos


contidos nas inclusões fluidas definidas anteriormente, será apresentada em função dos
diferentes estádios da deposição do quartzo que lhes são associados (Fig.IV-13).

150
A- Fluidos aquo-carbónicos

Inclusões-V(L)c-w primárias no Qlla

A fusão do CO2 ocorre a temperaturas que se distribuem pelo intervalo [-60,1 ,


-58,8]°C. A fusão do gelo, embora de difícil observação em virtude da formação de
clatratos, apresenta valores que variam entre -8,0 e -2,5°C.
A temperatura de fusão dos clatratos (TfCl) apresenta valores que se situam entre 7,0 e
8,2°C. A homogeneização da fase carbónica é observada, sempre em fase líquida
(ThC02—»L), a temperaturas que variam entre 18,5 e 25,9°C.
A homogeneização global efectua-se a temperaturas compreendidas entre 337 e
340°C com expansão da fase volátil. As temperaturas de decrepitação observadas para
esta população são em média da ordem dos 281°C.

Inclusões-Lc-w em PIF no Qlla

As temperaturas de fusão do CO2 observadas nas inclusões fluidas que ocorrem


orientadas no quartzo Qlla, apresentam valores que se repartem pelo intervalo [-59,7 ,
-58,9°C]. As escassas medidas efectuadas para a TfG apresentam valores que variam
entre -6,8 e -6,0°C. Os valores obtidos para a TfCl, registam um pequeno aumento
relativamente às anteriores (entre 9,0 e 9,3°C).
A homogeneização da fase volátil é observada entre 10,0 e 15,0°C em fase
vapor (ThC02~>V). A homogeneização global é efectuada a temperaturas
compreendidas entre 351 e 368°C em fase líquida. As temperaturas de decrepitação
observadas cifram-se em torno de 350°C.

Inclusões-Lc-w em PIF no QI

As inclusões fluidas que ocorrem orientadas no quartzo leitoso deformado QI


apresentam temperaturas de fusão do CO2 mais baixas que as anteriores, repartindo-se
pelo intervalo [-62,5 , -60,2°C]. As inclusões, nas quais foi possível a observação da
temperatura da fusão do gelo (TfG), apresentam uma gama de valores que variam
entre -8,0 e -2,0°C. Os valores obtidos para a temperatura de fusão dos clatratos (TfCl)

151
são um pouco superiores aos anteriores (compreendidos entre 9,5 e 11,4°C). A
homogeneização da fase volátil é observada a temperaturas compreendidas entre 13,8
e 19°C, tanto em fase vapor (ThC0 2 -»V) como em crítica (ThC0 2 -»C), embora a
homogeneização em fase vapor predomine. A homogeneização global foi observada
sempre em fase líquida a temperaturas que variam entre 256 e 344°C.

Inclusões-L(V)c-w primárias no Qllb

A temperatura de fusão do C0 2 é observada a temperaturas que variam entre


-62,6 e -61,8°C. A TfG apresentam valores compreendidos entre -3,5 e -5,3°C. A
amplitude de variação obtida para a temperatura de fusão dos clatratos (TfCl)
encontra-se compreendida entre 6,5 e 12,5°C. A temperatura de homogeneização da
fase carbónica é observada em fase vapor, a temperaturas que variam entre 9,1 e
18,8°C. A homogeneização global ocorre, quer em fase líquida, quer em fase vapor, a
temperaturas que variam entre 327 e 370°C.

Inclusões-Lw-c e Lw-m associadas ao estádio de quartzo QUI

Para este tipo de inclusões o menisco de C0 2 líquido nem sempre é visível,


tornando-se por isso difícil a observação, quer da temperatura de fusão, quer da
temperatura de homogeneização do C0 2 . A TfC0 2 observada apenas em duas
inclusões ocorreu a-66,1 e a -66,0°C. Esta população caracteriza-se por apresentar
TfCl mais elevadas (entre 13,0 e 14°C), fazendo supor a existência de conteúdos (em
média) mais elevados em CH4.
Os valores para a TfG são constantes (entre -4,0 e -3,5°C). Durante o
aquecimento duas das quatro inclusões analisadas decrepitaram entre 290 e 320°C, a
homogeneização das restantes ocorreu em fase líquida a 320 e 324°C.

152
■ *
QIIa(V/Lc-w)
PIF QIIa(Lc-w)
PIF QI(Lc-w)
QIIb(V/Lc-w)

I B D H E 3
QIH(Lw-c(m))


J
0

c
1

—'

..................
y
O
H

o
Zv-

*£>
I
H
S3

u
O
As principais diferenças entre os fluidos aquo-carbónicos

Os resultados microtermométricos obtidos para as inclusões fluidas aquo-


carbónicas associadas aos diferentes estádios de quartzo são apresentados nos
diagramas de correlação ThC0 2 versus TfC0 2 e TfCl versus TfC0 2 (FigsIV-14A e IV-
14B).

No diagrama ThC0 2 versus TfC0 2 (Fig.IV-14A) verifica-se que, os fluidos


aquo-carbónicos associados aos diferentes estádios de quartzo distinguem-se
fundamentalmente, pela temperatura e modo de homogeneização do C0 2 , se bem que,
hajam também diferenças no que respeita à TfC0 2 . Efectivamente, este diagrama
mostra uma correlação positiva para estes dois parâmetros observando-se uma
diminuição da TfC0 2 e da ThC0 2 no sentido dos fluidos associados ao Qlla para os
fluidos associados ao Qllb. Nas inclusões fluidas associadas ao Qlla a
homogeneização do C0 2 efectua-se invariavelmente em fase líquida, ao passo que, nas
inclusões fluidas contidas no quartzo Qllb e associadas a PIF no QI e Qlla, a
homogeneização da fase volátil efectua-se sempre em fase vapor ou crítica.

O diagrama TfCl versus TfC0 2 (Fig.IV-14B) evidência uma correlação


negativa entre estes dois parâmetros. Os fluidos distinguem-se fundamentalmente, pela
TfC0 2 , atingindo as inclusões associadas ao QUI valores de -66,1°C. Contudo,
observam-se também diferenças no que respeita à TfCl. Com efeito, verifica-se um
aumento da temperatura de fusão dos clatratos dos fluidos associados às gerações de
quartzo Qlla, para os fluidos aquo-carbónicos mais tardios (associados ao QUI). Estes
últimos, apresentam valores máximos de 14,0°C.

154
ThC02(°C)

A A ; AQIIa(V/Lc-w)
25 - ▲ APIFQIIa(Lc-w)
+ PIFQI(Lc-w)
20 ■ QIIb(V/Lc-w)

15 / + + A\
+

v
10 -

5 -
■ O v y
A

0 -■ 1 1 f- TfC02(°C)
-64 -63 -62 -61 -60 -59 -58 -57

Fig.IV-14A- Diagrama de correlação ThC0 2 ver sus TfC0 2 referente a inclusões fluidas aquo-
carbónicas do tipo Vc-w e Lc-w do filão de A rgeriz.

TfCIfC)
B
A QIIa(V/Lc-w)
A PIF QIIa(Lc-w)
+ PIF QI(Lc-w)
■ QIIb(V/Lc-w)
• QIII(Lw-c(m))

TfC02(°C)
-67 -66 -65 -64 -63 -62 -61 -60 -59 -58 -57

Fig.IV-14B- Diagrama de correlação TfCl ver sus TfC0 2 referente a inclusões fluidas aquo-
carbónicas do tipo V/Lc-w e Lw-c(m) do filão de A rgeriz.

155
B- Fluidos aquosos

Inclusões-Lwl

As inclusões fluidas Lwl apresentam valores para a TfG que variam entre -2,0 e
-0,1°C. Os valores estimados para a salinidade variam entre 0,18 a 3,39 eq.%NaCl. A
homogeneização global ocorre em fase líquida a temperaturas compreendidas entre
163e293°C.

Inclusões-Lw2

Estas inclusões fluidas distinguem-se das precedentes por apresentarem valores


inferiores para TfG (entre -41,7 e -37,5°C), apontando para valores de salinidade
semelhantes aos encontrados para as inclusões do tipo Lw2 de Jogadouro («27 eq.%
de sal em solução). A homogeneização global é observada em fase líquida a
temperaturas inferiores às anteriores (entre 128 e 175°C).

Comparação entre os diferentes tipos de fluidos

A projecção dos resultados microtermométricos no diagrama binário da


Fig.IV-15, temperatura de fusão do gelo (TfG) versus temperatura de homogeneização
global (TH), permite evidenciar a evolução composicional admitida pelos fluidos
aquo-carbónicos e aquosos associados à deposição e microfracturação do quartzo.
Com efeito, analisando o diagrama TfG versus TH verifica-se que, na globalidade, os
fluidos podem ser distribuídos por três grandes grupos: (1) fluidos aquo-carbónicos;
(2) fluidos fluidos aquosos de baixa salinidade-Lwl; e (3) fluidos aquosos de
salinidade elevada-Lw2.
O diagrama TfG versus TH mostra ainda que, os fluidos aquo-carbónicos
apresentam para TH amplitudes de variação idênticas, com temperaturas mínimas de
aprisionamento superiores a 256°C.
Os fluidos aquosos Lwl, de mais baixa salinidade, apresentam temperaturas
mínimas de aprisionamento inferiores aos fluidos anteriores (valor máximo 293°C).

156
Comparativamente aos fluidos de Jogadouro, estes parecem evidenciar uma
continuidade evolutiva a partir dos fluidos aquo-carbónicos traduzida por uma diluição
dos fluidos.
Os fluidos aquosos mais tardios Lw2, caracterizam-se por apresentarem
salinidades elevadas e TH mais baixas que os precedentes, compreendidas entre 128 e
175°C.

TfG
0 ^ 5 T
AQIIa
-5 d .
+ PIFQI
-10 A PIF QUa
-15 ■ Qllb
-20 - • QUI
-25 xLwl
-Lw2
-30
-35 -
-40
-45 TH
50 100 150 200 250 300 350 400

Fig. IV-15- Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas e aquosas, d: decrepitadas.

IV.5.2.3- Caracterização físico-química dos fluidos

Os resultados da composição da fase volátil, da composição global e densidade


das inclusões fluidas aquo-carbónicas, decorrentes da análise em espectroscopia Raman,
são apresentados no Quadro IV-3. Na apresentação dos resultados serão utilizados
diagramas de correlação binários e ternários.
As análises revelam que estamos na presença de fluidos pertencentes ao sistema
H20-C02-CH4±(N2, H2S) sendo, o C0 2 seguido do CH4 e do N2 os principais
constituintes da fase volátil.

157
IV.5.2.3.1- Composição da fase volátil

As composições da fase volátil encontram-se representadas no diagrama


ternário CH4-CO2-N2+H2S (Fig.IV-16A) e no diagrama binário, densidade da fase
volátil (dv) versus C0 2 (Fig.IV-16B).
Projectando no diagrama ternário CH4-CO2-N2+H2S os resultados da
composição da fase volátil das inclusões aquo-carbónicas associadas aos diferentes
estádios de quartzo, obtem-se uma distribuição ao longo do eixo CO2-CH4 com
conteúdos de CH4 que atingem os 73 mole%. O conteúdo máximo em C0 2 e em N2 é
de, respectivamente, 91 e 4 mole%. A excepção de uma inclusão, na qual se registou
um conteúdo em H2S de 0,6 mole%, a presença de H2S não foi detectada.

As inclusões primárias no Qlla caracterizam-se por apresentarem os conteúdos


mais elevados em C0 2 , tendo-se obtido para a inclusão representativa desta população:
91 mole% de C0 2 ; 6 mole% de CH4 e 3 mole% de N2.
As inclusões fluidas associadas a PIF no QI apresentam conteúdos em CO2 que
variam entre 82 e 86 mole%; conteúdos em CH4 e N2 variando entre 11 e 18 mole% e
0 e 3 mole%, respectivamente. Nas inclusões contidas em PIF no Qlla regista-se uma
ligeira diminuição do C0 2 acompanhada de um leque de valores um pouco mais
amplo, quer para os conteúdos em C0 2 (77 a 89 mole%), quer para os de CH4 (11 a 21
mole%).
As inclusões fluidas associadas ao Qllb apresentam um conteúdo em CO2 mais
baixo que as populações precedentes (varia de 73 a 79 mole%). Contrariamente, para o
CH4 regista-se um aumento (18 a 23 mole%) como também, é de assinalar a presença
de H2S numa inclusão (0,6 mole%). Os conteúdos em N2 apresentam um ligeiro
aumento (variando entre 3 a 4 mole%).
As inclusões representativas do estádio de quartzo QUI exibem uma tendência
evolutiva que se traduz por um enriquecimento em CH4, manifestado no diagrama por
uma dispersão gráfica significativa, tendo sido os conteúdos deste composto estimados
entre 45 e 73 mole%. Deste modo, este tipo de inclusões revela uma composição em

158
CC>2 significativamente inferior às precedentes, com percentagens estimadas entre 27 e
55 mole%. Os conteúdos máximos de N2 são similares aos das inclusões associadas
aos outros estádios de quartzo (3 mole%).

Da análise do diagrama densidade da fase volátil (dv) em função do conteúdo


em CO2 verifíca-se que os fluidos associados ao Qllb e a PIF no Qlla mostram uma
dispersão significativa de dv (respectivamente, entre 0,17 e 0,35 g/cm3 e 0,15 e 0,21
g/cm3) para valores relativamente constantes de CO2. Os fluidos contidos em PIF no
QI apresentam valores constantes de dv, entre 0,23 e 0,24, para conteúdos
relativamente constantes de CO2. Os fluidos associados ao QUI evidenciam uma
diminuição de dv (de 0,18 a 0,13 g/cm3) acompanhada por um empobrecimento em
CO2 (diminuindo de 55 para 27 mole%).

De uma forma geral, os fluidos mostram uma evolução composicional


manifestada por uma diminuição da densidade da fase volátil acompanhada por um
enriquecimento em CH4, dos fluidos aquo-carbónicos mais precoces para os fluidos
mais tardios.

IV.5.2.3.2- Composição global

Projectando os resultados da composição global no diagrama ternário CO2-


H 2 0-CH 4 +N 2 (Fig.IV-17A) verifica-se que, na sua maioria, as projecções localizam-se
ao longo do eixo H2O-CO2, próximo do pólo H2O. Com efeito, constata-se que os
valores obtidos para H2O distribuem-se, preferencialmente, entre 84 e 91" mole% com
uma diminuição da quantidade de H2O (para 60 mole%) no sentido das inclusões (tipo
Vc-w) representativas dos fluidos associados ao Qlla.
Os conteúdos mais elevados em CH4 (cerca de 7 mole%) verificam-se nas
inclusões fluidas associadas ao QUI.

159
C02

AQIIa
+ PIF QI
A PIF QHa
■ Qllb
• QUI

CH4 N2+H2S

0,5 dv Média

0,4

0,3

0,2
C02

0,1

0,0 C02
20 40 60 80 100

Fig.IV-16- Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões fluidas


aquo-carbónicas associadas aos diferentes tipos de quartzo do filão de Argeriz.

160
53
toD
<
<D
23 T3
1> ­~
oW3 *C3
Q
M m
o
8­3
■ <M S O
T3 ­g
M
«5
i—i
i—i
z+
■«*

a a a 1 |
KJ
)—t
t—H
t­H
h—(
UH
M
XJ
1—1
1—1
1—1
HH
1—1
u O *

CL, a,
a< + <
a a• g ­s

nica s contidas nos di ?erentes
nas representativos d a comp

o
m

«S
O S o
o~
>r-, u S>1
•2
Q Só
■ 3
r» cr
l—lctí

'­! "O
SP ' 3
E «
A projecção dos resultados da composição global, no diagrama binário
C0 2 /CH 4 versus CO2 (Fig.IV-17B), permite pôr em evidência as evoluções
composicionais exibidas pelos fluidos contidos nas inclusões primárias e em PIF
associadas aos diferentes estádios de quartzo. Efectivamente, observa-se um
empobrecimento em CO2 no sentido das inclusões (tipo Lw-m) associadas ao QUI.
Da observação das projecções dos resultados é possível ainda, verificar a
existência de algumas diferenças composicionais registadas pelos fluidos aquo-
carbónicos, a saber:

- a inclusão fluida representativa da população associada ao Qlla apresenta


para a razão CO2/CH4 16 mole% e conteúdos em CO2 de 35 mole% (Fig.IV-
17B);
- as inclusões em PIF no Qlla apresentam razões CO2/CH4 mais baixas
relativamente às inclusões primárias (entre 5 e 12 mole%) e conteúdos em
CO2 também mais baixos (cerca de 9 mole%);
- as inclusões em PIF no QI embora apresentem semelhanças com as
precedentes, relativamente à evolução composicional. Distinguem-se destas,
por apresentarem uma amplitude de variação ligeiramente mais restrita para a
razão CO2/CH4 (entre 8 e 13 mole%) e pelos conteúdos sensivelmente mais
baixos em CO2 (entre 7 e 8 mole%);
- nas inclusões fluidas associadas ao Qllb a razão C0 2 /CH 4 apresenta valores
mais baixos do que as populações anteriores (variando entre 4 e 6 mole%).
Os conteúdos em CO2 encontram-se compreendidos entre 9 e 12 mole%;
- as inclusões fluidas associadas ao QUI são caracterizadas por apresentarem
um decréscimo da razão C0 2 /CH 4 (valor máximo de 2 mole%) assim como,
do conteúdo em CO2 (entre 3 e 5 mole%).
O diagrama binário CO2/CH4 versus H 2 0 (Fig.IV-17C) mostra que,
contrariamente ao observado no diagrama da Fig.IV-17B, verifica-se uma tendência
evolutiva traduzida por uma correlação negativa entre os dois parâmetros (CO2/CH4 e
H2O). Assiste-se, de um modo geral, a uma diminuição do conteúdo em CO2

162
acompanhada por um aumento do conteúdo em H2O no sentido dos fluidos aquo-
carbónicos contidos no QUI.

A análise do Quadro IV-3 permite ainda as seguintes observações:

- o conteúdo estimado para o NaCl para a inclusão primária no Qlla é da


ordem de 2 mole% e a densidade global é de 0,48;
- as inclusões contidas em PIF no Qlla apresentam um valor constante para a
densidade global (0,65) e um conteúdo de NaCl que varia entre 1 e 2 mole%;
- as inclusões contidas em PIF no QI registam valores em NaCl próximos de
0,97. Os valores calculados para a densidade global situam-se entre 0,74 e
0,75;
- o conteúdo máximo de NaCl para as inclusões fluidas associadas ao Qllb é
de 3 mole%. A densidade global varia entre 0,59 e 0,73;
- para as inclusões associadas ao QUI (tipo Lw-m), obtiveram-se valores
mais baixos para o conteúdo de NaCl (cerca de 0,3 mole%). Os valores da
densidade global situam-se entre 0,57 e 0,69.

IV.5.2.4- Conclusões

Os resultados decorrentes do estudo microtermométrico e de espectrometria


Raman das inclusões fluidas pertencentes ao filão de quartzo de Argeriz, conduziram à
identificação de três grandes grupos de fluidos: (1) fluidos aquo-carbónicos; (2)
fluidos aquosos de baixa salinidade Lwl e (3) fluidos aquosos de salinidade elevada
Lw2.

(1) Os fluidos aquo-carbónicos, L/Vc-w, Lw-c(m) e Lw-m pertencentes ao


sistema FÍ20-C02-CH4±(N2) distribuem-se essencialmente por três estádios principais
de percolação de fluidos:

i) os fluidos mais precoces, essencialmente do tipo Vc-w, são observados em


inclusões primárias no Qlla. O CO2 é o componente dominante na fase

163
volátil (91 mole%) apresentando os mais baixos conteúdos em H2O (valor
estimado-60 mole%). Os valores estimados para as temperaturas mínimas de
aprisionamento (TH) estão compreendidas entre 351 e 368°C;
ii) a analogia composicional manifestada pelos fluidos aprisionados pelas
inclusões fluidas primárias no Qllb e pelas inclusões contidas nos
alinhamentos dos quartzos mais precoces (QI e Qlla), permite considerá-las
como pertencentes ao mesmo estádio de fluidos. Deste modo, os fluidos
associados à segunda migração caracterizam-se por apresentarem conteúdos
significativos de CH4 (de 11 a 23 mole%) embora, o CO2 seja ainda o
componente dominante na fase volátil (valor mínimo-73mole%). Para este
estádio, a temperatura média de aprisionamento estimada é de 341°C e os
valores médios para os conteúdos em H2O são da ordem dos 88 mole%;

iii) dos fluidos aquo-carbónicos analisados, os mais tardios estão contidos em


inclusões associadas ao QUI. Neste estádio assiste-se a uma tendência
evolutiva traduzida por um enriquecimento em CH4 (atingindo para a fase
volátil valores da ordem dos 73 mole%) e por uma diluição dos fluidos.
Efectivamente, estes fluidos apresentam, relativamente aos estádios
precedentes, conteúdos médios de H2O ligeiramente superiores (90 mole%) e
temperaturas mínimas de aprisionamento levemente inferiores (em média
300°C).
(2) Os fluidos aquosos Lwl ocorrem em planos de inclusões fluidas
atravessando todos os tipos de quartzo, apresentando temperaturas mínimas de
aprisionamento compreendidas entre 163 e 293°C e salinidades estimadas entre 0,2 e
3,4 eq.%NaCl.
(3) fluidos aquosos mais tardios Lw2, são também observados em PIF mas,
ocorrendo preferencialmente no quartzo hialino. Distinguem-se dos Lwl por
apresentarem temperaturas mínimas de aprisionamento mais baixas, entre 128 e
175°C, e salinidades mais elevadas devido à provável presença de CaCl2 na fase
aquosa.

164
en
«J 00 vs Tt <r> v­> Os OS m os r­
XJ t~~ C­ V£> VO vo m r~
x) <* >o «­>
o O
o o o O o
'3
G
o o o
__
«5 U OS o O OS ,—1
■«t OS vO •* m
tu es
«5 o* <N o o" o"
Z
3en ­3 \A
ta
*o «! ÍS <D "~i 'H to m Tt •a
03 Z f­H o" o" o" o" o" 3
en
et]
O ta
eu
'O
ex
at
0 X
o
<N
<N
o m 00 r­
­«" o" ­T o"
00
­<" —"
</­> o
tn °. ^
m" vo" 3
O
resentad;

c
mole%.

'<
00 eu
u­ 0 «et
VO
t­"
""1 °°.
r­" oo" oo' os" os"
o «ri

>n" rn
•o
U CO
O
o *­H
.2
C

D, a *t (N ­et C» <N vo "S.


eu 0 o" o" C­" oC vo" —r os"
O «s VO OS
—H" Tt S
os oo 00 00 00 00 OS 00 eu
• 23 en
a a U
X ce!
r\ en '5c
imposições près
lo e densida glo

«5
13 •o •O ti •à xi •ci VO •ci x» <cu
ci ri ri ri ri ri o" ri ri t
X G
o
a> x o
X) o o
«s T3* •ci 0 0 VO^ xi xi
Z ci ri ci CÍ
ri c i ci" ro"
ri ri
>—• eu
H oo m VO^ 00 C5
en
es
o
X C­" o" o" o" oo" r­" <n" m"
:i
vo" m"
^H "" r^ •o
1—(
O M <N (N TJ­
c
ÍTO CJ > 3
eu
.2" U W «s <N (S fi vo "t "S­ VO (N vq^ os^
C/!
en
O N o *—* (N VO vo Os oo 00 m •«S­" vo" O
. comp
Argeri

<j OS 00 oo r» 00 r­ r­ r­ <n t N T3
&H 3
eu
on
m o
«o v> «n «o
£ O<N VO V~l in
irs
vo
«n > n
O
VO
o
«o
</">
o" o" Ò
•3 «2 E d o" o" o" o" o" o" o" eu
en
« "O ■
■3 o •ri •o" •ci O
•o
es es 3 3U 3 ■8 É 3

J
Pseudo-S'
PIFQI

Pseudo-si
PIF QII

eu
PIF QII
da fase vol
aartzo do fi

il U
u
o
o en en en en

PH
Pu
u s s
0 a,
PH

•c
•c
OH OH
icet

X)
c
0, 3
w-c(m)

O
Lw-m

e Si
eu
en
a i i
•M*
en
"S H >
u Ò
_}
O
►J
ej
J
O
►3 J
u i

>O J
O
l
O
­o
i

eu
3
» S J en
o.
S •&
oreca pitulativo idaco:

3
ciadas aos difere ntes t

fN) O vo m O
1 1 ■ i (N i i
TI­ ■t Cl 1
o *êf
n m o m eu
S OS Os os os OS S" Os •4 Os Os en
Os as S3
N N N ^ N N
"u
e O a
o O O O
^
O O O O
"C
­ta
S
Pá fi Pá
OH
< % 33 < 3 Í < < <
c
o.

•o
N 3
cr en
eu es es
•a o O s
o
a. PH
.„ O
OS en CCÍ T3
3 ci Í5 +H
O' s <eu eu
adro IV-3-

Ocorr.:ocon
n.d.: nãodet
o-carbonic

es
Argeriz
Filão de

£
tn
O
S
à 2.
O c? J
IV.5.3- O filão de Vale de Égua

IV.5.3.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

Nas inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas representativas da deposição e


microfracturação do quartzo, observam-se, fundamentalmente, os seguintes tipos de
fluidos:

A- Fluidos aquo-carbónicos

As inclusões aquo-carbónicas que caracterizam o estádio de quartzo Qlla, são


fundamentalmente do tipo Lc-w e Vc-(w). Ocorrem em planos de inclusões fluidas
(PIF) no quartzo mais precoce-QI (Estampa IV-5 foto 1), e como inclusões primárias
e/ou pseudosecundárias no quartzo Qlla. São inclusões bifásicas ou trifásicas à
temperatura ambiente, com formas regulares e/ou cristal negativo e com dimensões
frequentemente compreendidas entre 5 e 15 jim. Caracterizam-se por uma grande
amplitude da variação do volume da fase aquosa (de 0 a 60%) (Estampas IV-5 fotos 2
a 4). Este último parâmetro apresentou uma certa dificuldade no seu cálculo
nomeadamente nas inclusões de dimensões reduzidas e em que a fase volátil é
predominante (tipo-Vc-(w)).
As inclusões fluidas associadas ao quartzo QI são abundantes, distribuem-se de
modo aleatório, apresentando formas irregulares e deformação evidenciada por figuras
de estrangulamento {necking down) consequentemente, não foram objecto de estudo
mi crotermométri co.

As inclusões fluidas características do estádio de quartzo Qllb são do tipo


Lc-w, bifásicas ou trifásicas à temperatura ambiente, com formas regulares e por vezes
de cristal negativo. Ocorrem como inclusões pseudosecundárias no quartzo hialino-
Qllb (Estampa IV-5 foto 1) e em PIF no Qlla e com dimensões compreendidas entre 8
e 37 um. A fracção volumétrica ocupada pela fase líquida varia entre 45 e 75%
(Estampas IV-5 fotos 5 e 6).

166
As inclusões fluidas associadas ao estádio de quartzo QUI (Estampa IV-6 fotos
1 e 2) são do tipo L/Vm-w, apresentam-se como bifásicas à temperatura ambiente e
com dimensões geralmente compreendidas entre 8 e 19 um. Ocorrem como inclusões
pseudosecundárias no QUI com formas, frequentemente, de cristal negativo. A fracção
volumétrica ocupada pela fase aquosa é relativamente constante, variando entre 50 e
60% (Estampa IV-6 fotos 3 a 6).

As inclusões aquo-carbónicas do tipo Lw-c, nas quais a presença do CO2 é


detectada somente pela fusão de clatratos, apresentam duas fases à temperatura
ambiente e são sempre observadas em PIF. Evidenciam morfologia regular e
dimensões inferiores a 20 um. A fracção de volume ocupada pela componente aquosa
é elevada (entre 70 e 95%).

B- Fluidos aquosos

A semelhança dos exemplos anteriores, no filão de Vale de Égua foram também


observados dois tipos de fluidos aquosos: fluidos de baixa salinidade e fluidos de
salinidade elevada contidos, respectivamente, em inclusões fluidas do tipo Lwl e Lw2.
As inclusões do tipo Lwl ocorrem em PIF em todos os tipos de quartzo, com
morfologia diversa em que a regular é predominante. As dimensões das inclusões
analisadas encontram-se repartidas pelo intervalo [7, 25 fim]. A fracção volumétrica
ocupada pela componente aquosa (Flw) varia entre 70 e 95%.

As inclusões do tipo Lw2 foram observadas em PIF no QUI, evidenciando, de


um modo geral, morfologia regular. Distinguem-se das Lwl pela sua dimensão menor
(entre 5 e 10 fim), maior Flw (em torno de 95%) e menor frequência.

IV.5.3.2- Caracterização microtermométrica

Os resultados microtermométricos das inclusões fluidas, definidas


anteriormente, são apresentados em função dos diferentes estádios e microfracturação
do quartzo (Figs IV-18 e IV-19).

167
A- Fluidos aquo-carbónicos

Inclusões-Lc-w e Vc-(w) associadas ao estádio de quartzo Qlla

A fusão do CO2 ocorre a temperaturas que se distribuem pelo intervalo [-58,3 ,


-57,0]°C. A fusão do gelo (de difícil observação) foi observada nalgumas inclusões a
temperaturas que variam entre -6,1 e -4,4°C. A temperatura de fusão dos clatratos
(TfCl) foi observada entre 6,4 e 10,0°C. A homogeneização da fase carbónica efectua-
se sempre em fase líquida (L), a temperaturas compreendidas entre 10,8 e 25,6°C.
No decurso do aquecimento, algumas inclusões estudadas decrepitaram a
temperaturas de 300±20°C, as restantes homogeneizaram em fase líquida (pelo
aumento do volume aquoso) e em fase vapor a temperaturas que variam,
respectivamente, entre 312 e 323°C e em torno de 330°C.

Inclusões-Lc-w associadas ao estádio de quartzo Qllb

As inclusões fluidas associadas a este estádio e que ocorrem orientadas no


quartzo Qlla, apresentam temperaturas de fusão do C0 2 que se repartem pelo intervalo
[-59,0 , -57,0°C]. As medidas efectuadas para a TfG apresentam valores que variam
entre -7,2 e -4,6°C. A amplitude de variação obtida para a temperatura de fusão dos
clatratos (TfCl) encontra-se compreendida entre 8,6 e 9,9°C. A homogeneização da
fase volátil é observada entre 16,8 e 24,2°C em fase vapor (ThCC»2->V) e crítica
(ThC02—>C). A homogeneização global ocorre invariavelmente em fase líquida a
temperaturas que variam entre 280 e 303°C.
Nas inclusões fluidas pseudosecundárias no Qllb observam-se algumas
diferenças relativamente à população anterior. Apresentam temperaturas de fusão do
CO2 relativamente mais baixas (entre-60,9 e -58,3°C). Nos valores obtidos para a
fusão do gelo regista-se uma diminuição da sua amplitude de variação, distribuem-se
pelo intervalo [-5,3, -4,0]°C. Para TfCl observa-se aumento relativo (entre 11,1 e
12,3°C). A homogeneização da fase carbónica é observada, sempre em fase vapor
(ThC02—>V), a temperaturas que variam entre 11,0 e 17,0°C. Embora a

168
homogeneização global se efectue em fase líquida, esta população apresenta, para TH,
uma gama de valores mais ampla (entre 235 e 313°C).

Inclusões Vm-w e Lm-w associadas ao estádio de quartzo QUI

As inclusões fluidas que ocorrem como pseudosecundárias no quartzo QUI


distinguem-se das anteriores por apresentarem temperaturas de fusão do CO2 mais
baixas (entre -70,5 e -62,7°C) e TfCl mais elevadas (entre 14,6 e 16,6°C), fazendo
supor a existência de conteúdos mais elevados (em média) de CH4 e/ou N2. As TfG
situam-se entre -6,0 e -4,0°C). A homogeneização da fase volátil ocorre em fase vapor,
a temperaturas entre -37,0 e -25,0°C. A homogeneização global ocorre tanto em fase
líquida, como em fase vapor, respectivamente, a temperaturas que variam entre 335 e
360°C, e 345 e 366°C.

Inclusões-Lw-c em PIF

Neste tipo de inclusões a presença de voláteis (CO2, CH4 e/ou N2) é detectada
somente pela observação da fusão dos clatratos com valores que se distribuem no
intervalo [4,8 , 11,0]°C, apresentando fusões do gelo entre -6,0 e -2,0°C. A
homogeneização global foi observada em fase líquida a temperaturas que variam entre
265 e 305°C.

As principais diferenças entre os fluidos aquo-carbónicos(L/Vc-w e Lm-w)

Os resultados microtermométricos obtidos para as inclusões aquo-carbónicas


são apresentados nos diagramas de correlação ThCÛ2 versus TfCÛ2, TfCl versus
TfC0 2 e ThC0 2 versus TfCl (Fig.IV-20).
Pela observação dos diferentes diagramas verifica-se:

169
co
1? £
o * ti
i

e N '
>
ç4
CS
1
M
—1 1—1 to

a O a
B D

u !
o
o
O
o
u c
H

*? T
1o
33 õ
91
> 1

o 1 i
3
cf
ri;,.

IHTÏÏ 01
3

a a a OH

■ H mB
nnn 83-
O
<D

CO
fr£" O

g
Olr
00
^o (N %
H T3
CO
ai
O
■fi

o
(H
O

o
O
y

1
o
c (M
M
T3
CO

Cd

"S <o

e >
s
S
Où T3
B
*5 Q
CN
X
3
oo cr
u
-a
CO
•o—< O
Un a.
16i
m ■ QIIa(L/Vc-w)
14 SQIIb(Lc-w)
BQIH(L/Vm-w)
12 ! IDPIF(Lw-c)
10 11 HPIF(Lwl)
SPIF(Lw2)
n
8
I
6^

4- fk-
*

I í1

III
a 1 H
■ ■ -
■ ■ -
2i CTS ■ • Jl

0 Ml | , 11// p-* n Hf TfGCC)


< m■ CM —■ ■ i
■ i i ■

■ QIIa(L/Vc-w)
SQIIb(Lc-w)
BQIII(L/Vm-w)
DPIF(Lw-c)
0Lwl
HLw2

TH(°C)
o o
(N 00
m m

Fig.IV-19- Histogramas representativos das temperaturas de fusão do gelo (TfG) e


homogeneização global (TH), das inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas contidas nas
diferentes gerações de quartzo do filão de Vale de Égua.

171
- a existência, no diagrama TI1CO2 versus TfC02 (Fig.IV-20A), de uma
correlação positiva entre estes dois parâmetros. Os fluidos aquo-carbónicos,
associados aos diferentes estádios de quartzo, distinguem-se
fundamentalmente, pela temperatura de fusão e modo de homogeneização do
CO2, se bem que, essa diferença seja mais notória para as inclusões
associadas a QUI. Efectivamente, as inclusões fluidas associadas a Qlla e
Qllb apresentam uma certa sobreposição de valores para TfCÛ2 e para
ThCÛ2 contudo, nas primeiras, a homogeneização da fase volátil efectua-se
em fase líquida. A TI1CO2 dos fluidos aquo-carbónicos mais tardios
apresentam os valores mais baixos, ocorrendo invariavelmente em fase
vapor;

- que o diagrama TfCl versus TfC0 2 (Fig.IV-20B) mostra uma correlação


negativa entre estes parâmetros. Com efeito, assiste-se de um modo geral, a
uma diminuição da temperatura de fusão dos clatratos acompanhada de um
aumento da temperatura de fusão do CO2, dos fluidos aquo-carbónicos mais
precoces para os fluidos aquo-carbónicos mais tardios;

- que, de uma forma análoga, o diagrama TI1CO2 versus TfCl (Fig.IV-20C)


mostra uma correlação negativa manifestada por uma diminuição da
temperatura de homogeneização do CO2 acompanhada de um aumento da
temperatura de fusão dos clatratos, no sentido dos fluidos aquo-carbónicos
mais tardios. Contudo, o aumento da temperatura de fusão dos clatratos é
mais significativo nos fluidos aquo-carbónicos associados ao QUI.

172
B- Fluidos aquosos

Inclusões-Lwl

Os fluidos aquosos, de salinidade baixa, contidos nas inclusões fluidas do tipo


Lwl apresentam TfG que variam entre -2,3 e -0,3°C. Os valores estimados para a
salinidade estão compreendidos entre 0,53 e 3,87 eq.%NaCl. A homogeneização
global ocorre em fase líquida a temperaturas compreendidas entre 141 e 305°C
(Fig.IV-19).

Inclusões-Lw2

Os fluidos aquosos contidos nas inclusões fluidas do tipo Lw2 distinguem-se


dos anteriores pelas valores apresentados para a TfG, variando entre -40,1 e -37,7°C,
apontando para valores de salinidade em torno de 27 eq.%CaCl. A homogeneização
global é observada em fase líquida a temperaturas inferiores às anteriores, da ordem
dos 85 a 175°C (Fig.IV-19).

Comparação entre os diferentes tipos de fluidos

Relativamente à evolução composicional, admitida pelos diferentes tipos de


fluidos, manifestada graficamente nos diagramas, temperatura de fusão dos clatratos
(TfCl) versus temperatura de homogeneização global (TH) (Fig.IV-21A) e TfG versus
TH (Fig.IV-21B) constata-se que:

- de um modo geral, as inclusões fluidas aquo-carbónicas c-w e w-c mostram


variações de TfCl para amplitudes de variação idênticas de TH (Fig.IV-21 A).
Relativamente às inclusões m-w verifica-se um aumento da TfCl
acompanhado de um aumento da TH. De uma forma global, assiste-se a um
aumento da TfCl no sentido dos fluidos capturados pelas gerações de quartzo
mais tardias sugerindo a presença em quantidades significativas de
componentes voláteis tais como, CH4 e N2;

173
ThC02(°C)

AQIIa-ThC02(L)
■ QIIb-ThC02(V,C)
O Qm-ThC02(V)

TfC02(°C)

TfC02(°C)
-68 -67 -66 -65 -64 -63 -62 -61 -60 -59 -58 -57

ThC02(°C)

TfClfC)
10 12 14 16 18

Fig.IV-20- Diagramas de correlação TI1CO2 e TíCl ver sus T1ÏCO2; TI1CO2 ver sus TfCl
referentes aos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas do filão de Vale de Égua.

174
18 TfClfC)

16 4 ▲ QIIa(L/Vc-w)
> • ■ QIIb(Lc-w)
14 • QHI(IWm-w)
♦ PIF(Lw-c)
12 lA
♦♦
io 4
8

6 A


4

TH(°C)

50 100 150 200 250 300 350 400

Fig.IV-21A- Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas do filão de Vale de Égua.

B o TfGfC)
>^ X
X *m* *x#x ▲ QIIa(L/Vc-w)
-5 -
■ QIIb(Lc-w)
-10 - • QIII(L/Vm-w)
♦ PIF(Lw-c)
-15 - xLwl
-Lw2
-20 -

-25 - =

-30 -

-35 -

-40 - —
MM

, ^ TH(°C)
-45 - 1— Í i i
50 100 150 200 250 300 350 400

Fig.IV-21B- Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos de inclusões
fluidas aquo-carbónicas e aquosas do filão de Vale de Égua.

175
- o diagrama TfG versus TH (Fig.IV-21B) mostra que, de uma forma geral e
à semelhança do que já foi anteriormente definido para os outros filões, os
fluidos podem ser divididos em três grandes grupos: (1) fluidos aquo-
carbónicos; (2) fluidos aquosos de salinidade baixa -Lwl; e (3) fluidos
aquosos de salinidade elevada-Lw2.
(1)- Os fluidos aquo-carbónicos, independentemente do seu tipo, apresentam
temperaturas mínimas de aprisionamento superiores a 242°C.
(2)- Os fluidos aquosos Lwl de salinidade baixa, apresentam temperaturas
mínimas de aprisionamento em média inferiores às dos fluidos aquo-
carbónicos, sugerindo uma uma tendência evolutiva a partir dos fluidos
aquo-carbónicos, traduzida por uma diluição dos fluidos.
(3)- Os fluidos aquosos mais tardios, Lw2, caracterizam-se por apresentarem
salinidades mais elevadas e temperaturas mínimas de aprisionamento mais
baixas que os anteriores.

IV.5.3.3-Caracterização físico-química dos fluidos

Os resultados da composição da fase volátil, composição global e densidade,


referentes às inclusões fluidas aquo-carbónicas selecionadas para análise em
espectroscopia Raman, são apresentados no Quadro IV-4.

As análises revelam que estamos na presença de fluidos pertencentes ao sistema


H20-C02-CH4±(N2,H2S) em que a fase volátil é constituída, essencialmente, por CO2
e CH4 e em menor quantidade, N2.

IV.5.3.3.1- Composição da fase volátil

Da observação do diagrama ternário CH4-CO2-N2+H2S (Fig.IV-22A) constata-


se que, as projecções dos resultados da composição da fase volátil dos diferentes tipos
de inclusões fluidas associados aos diferentes estádios de quartzo, Fig.IV-21

176
posicionam-se ao longo do eixo CO2-CH4 formando populações distintas, obtendo-se
para CH4 um conteúdo máximo de 54 mole%, para N2 7 mole% e para H2S (detectado
somente em duas inclusões) 0,5 mole%.

Da análise individual das diferentes populações verifica-se que:

- os fluidos, contidos nas inclusões do tipo Lc-w e Vc-(w) associados ao


estádio de quartzo Qlla, caracterizam-se por: conteúdos em CO2 de 84 a 98
mole%; de CH4 de 2 a 16 mole% e de N2 de 1 a 4 mole%. H2S foi detectado
apenas numa inclusão apresentando um conteúdo de 0,2 mole%;

- as inclusões fluidas, do tipo Lc-w, associadas ao estádio de quartzo Qllb


apresentam, relativamente às anteriores, fluidos com conteúdos mais baixos
em CO2 (78 a 87 mole%), mais elevados em CH4 (13 a 22 mole%) e em H2S
(0,5 mole%, observado numa inclusão). Os conteúdos em N2 são da mesma
ordem de grandeza (de 1 a 3 mole%);

- as inclusões fluidas do tipo L/Vm-w, associadas ao estádio de quartzo QUI,


distinguem-se das precedentes por apresentarem conteúdos mais elevados em
CH4 e N2 (respectivamente, entre 41 e 54 mole% e 3 e 7 mole%) e
consequentemente mais baixos em CO2 (48 a 52 mole%).

A análise do diagrama densidade da fase volátil (dv) em função do conteúdo em


CO2 (Fig.IV-22B) permite constatar que, de um modo geral, observa-se uma
diminuição da densidade da fase volátil acompanhada por um enriquecimento em CH4
no sentido dos fluidos aquo-carbónicos associados ao QUI. Com efeito, os fluidos
representativos do estádio Qlla e QUI apresentam uma diminuição de dv
(respectivamente, de 0,78 a 0,45 g/cm3 e de 0,37 a 0,25 g/cm3) acompanhada por um
empobrecimento em CO2. Comparativamente, as inclusões associadas ao estádio de
quartzo Qllb apresentam, para dv, valores médios intermédios (0,36 g/cm3), para um
leque de valores de C02 um pouco mais restrito.

177
C02

CH4 N2+H2S

C02
20 40 60 80 100

Fig.IV-22- Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões fluidas


aquo-carbónicas associadas aos diferentes estádios de quartzo que caracterizam o filão de
Vale de Égua.

178
IV.5.3.3.2- Composição global

As representações gráficas das composições globais dos fluidos aquo-


carbónicos observam-se no diagrama ternário CO2-H2O-CH4+N2 (Fig.IV-23) e nos
diagramas binários CO2/CH4 versus CO2, e CO2/CH4 versus H 2 0 (Fig.IV-24).

As projecções dos resultados da composição global no diagrama ternário CO2-


H 2 0-CH 4 +N 2 (Fig.IV-23) distribuem-se, preferencialmente, ao longo do eixo H 2 0-
CO2 próximas do pólo H2O. Efectivamente, os valores encontrados para o conteúdo
em H 2 0 variam no intervalo [72, 80], [85, 93] e [89, 90] mole% , respectivamente,
para os fluidos associados ao estádio Qlla, Qllb e QUI. Os conteúdos em CO2,
observados nos fluidos associados ao Qlla e em CH4 associados ao QUI, cifram-se em
torno de 26 mole% e 5 mole%, pela mesma ordem.

A projecção dos resultados no diagrama binário CO2/CH4 versus CO2


(Fig.IV-24A) permite pôr em evidência as diferenças composicionais observadas pelas
diferentes populações. Com efeito, a comparação dos resultados permite afirmar que:

- as inclusões associadas ao Qlla apresentam valores para as razões CO2/CH4


que variam entre 64 e 8 mole% e conteúdos em CO2 entre 26 e 15;

- as inclusões fluidas associadas ao Qllb apresentam uma diminuição das


razões CO2/CH4 (entre 11 e 4 mole%) acompanhada de um empobrecimento
dos conteúdos em CO2 (variando entrei 1 e 6 mole%);

- as inclusões fluidas associadas ao QUI exibem os valores mais baixos quer


da razão CO2/CH4 (entre 2 e 1), quer dos conteúdos em CO2 (compreendidos
entre 6 e 5 mole%.

Analisando o diagrama CO2/CH4 versus H2O (Fig.IV-24B) verifica-se que:

179
H20

C02

C02 CH4+N2

Fig.IV-23- Diagrama ternário C02-H20-CH4+(N2) representativo da composição global das


inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes estádios de quartzo do filão de
Vale de Égua.

180
C02/CH4
70 -]
Vc-w ▲ QIIa(V/Lc-w)

60
1 ■ QIIb(Lc-w)
o Qni(V/Lm-w)
50 - /

40 -

30 -

20 - ▲

10 -

0 -

■ r ■
i — L
AA
A

h- 1 1
C02

0 10 15 20 25 30

C02/CH4
B 80 -

Vc-w

60 -

A(\

20 ~ ▲

à.
*
H20
0 - 1 1 - ^ 1
60 70 80 90 100

Fig.IV-24- Diagramas: (A ) CO2/CH4 versus CO2 e (B) CO2/CH4 versus H 2 0 representativos


da composição global das inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas aos diferentes estádios
de quartzo do filão de Vale de Égua.

181
- as inclusões associadas ao Qlla formam uma população que se distribui ao
longo do eixo CO2/CH4 apresentando, relativamente às outras populações,
valores mais baixos para os conteúdos em H 2 0;

- as inclusões associadas ao Qllb apresentam uma diminuição das razões


CO2/CH4 acompanhada de um aumento dos conteúdos em H 2 0;

- as inclusões associadas ao QUI apresentam, comparativamente à população


representativa do estádio de quartzo Qllb, valores mais baixos da razão
CO2/CH4 e conteúdos médios em H 2 0 idênticos.

Da observação do Quadro IV-4 é possível realçar os seguintes aspectos:

- a densidade global das inclusões fluidas associadas ao Qlla apresenta uma


certa dispersão de valores (de 0,72 e 0,90). O conteúdo de NaCl estimado
varia entre 2 e 4 mole%;

- as inclusões fluidas associadas ao Qllb distinguem-se das anteriores por


apresentarem uma gama de variação para a densidade global um pouco mais
restrita (entre 0,77 e 0,85) e conteúdos de NaCl inferiores (entre 0,1 e 3
mole%;

- a dispersão dos valores para a densidade global das inclusões fluidas


associadas ao QUI são idênticos à população anterior, situando-se entre 0,72
e 0,83. Os valores máximos estimados para o conteúdo de NaCl são da
ordem dos 0,2 mole%.

182
o </­) , ­ H
Tf CN Tf ^_ V) o r^ Tf m NO O0 CN
CU TTi
o (*» oo l>> r­~ 0 0 00 00 oo r^ 00 00 r^ (■^ t­­
O ­d o O o O o o o
o o o o o o o o
3 ^
13 Já U NO o l , Tf o Tf
_ ■o _ >o NO CN H O
C O CS 1
CN CN Tf
m CN m o o ' o o O
co G Z o o
cd p

cl S H <N CN t~­ m
_ _ CN NO Tf NO CN
Z o o O o o O o O O o
_T <«
Od KJ O
7C3 co Tf
Cu S
Tf «n —. oo Os o 00 ON NO Tf o NO oo NO 00
co CU
i—i CN o i—i O o CN Tf cn Tf
ÇU CU
o u <_> " ~ ' m
Cu 2?
—,„ oo —; r~­ ^
u- o NO t*­
­­<„ 00
Tf
oo CN NO
OO
CN CN m cN
co CN r^ 00 r­~ «O NO o oo NO «/"> NO NO
O
T—1 5 1
o
u
1—1
O -a
o Cu
O oo r­ o <N ■o r^ m o
cu O So t­H
oo oo o 00
r­ CN
rN
</~i
ON
ON
ir\
ON
Tf
ON
Tf
ON
00
00
O a f­ r^ oo r­> m oo oo oo
"2 ^ r« r­­ 00 00 ON ON 00 O0 00

Ca
T3 03
u í/3
'55 3 T3 ~ó 73 73 CN T3 >o T3 73 T3 T3 ~á 73 73 T3
C M « C c C C O C o c C c C c G c a
"° <u
CU 7 3 rn m ­03
O CU
<N 73 73 T3 CO NO 73 ­d CN NO^ 0 0 Vi
­o
Z G c G Tf en o" ' — 1
C C ff NO" T f NO" o f c
O­ ^ ri 3
CO
O CU
***" B

CU T 3 H B
Tf
NO t>» O r­­ Tf m o NO rn o CN oo f­ ON C­ o
o m oo i—i ­o
u
r­H CN Tf
S
O oo </> * ■ — ,
T—H T—1 CN 1—^ m
.—i
T—H

CN 1—1 Tf
m
>o
O
Tf
ON
Tf 3
o > a»
CS
O
­a o w Tf cn Tf o O Tf >r> oo t­» O NO m r­ rn oo
1/3 O oo r—" Tf m Tf m r­ ON NO O N CN CN t­­
­td N < O O oo o OO oo r^ r­ 0 0 r­ oo <o Tf «O TJ­
ta u
>
3 * o o O
*r> «ri NO
m
<^i
O
»T)
o u­i V~i o o o o O o o
r­~ vO r^ r^ NO r^ NO NO NO NO
CU CT ta, O o o O O o o o o o o O o o o •c
O.
cl 3 T3 *T3 cd cd
MH 73 C 3 3

3
•—i t­H
t H M 73 T3 ­T3 T3 T3 Tl 73 73
p
55
ccj oo u
cu cu CU r> rv 3 3 3 3 3 3 3 3
o O c/
P/Ps
P/Ps
P/Ps

73 O CL) CU cu CU CU CU CU CU
o CO en co CO CO CO CO
O .& CO
cu eu eu eu Cu Cu
ÍCCJ
O
*­•
co o Cu eu eu CU
eu eu 03
73
"55 S
Cu S
ota. £ £ £ £ £ Le £ £ £ £ 15 £ £ £ *
H >
O o
t­3
o
­4
o O o o
HH1
o
J
o o
­4
o B £ £ <U
H­l H4 H4 H4 HJ
H­5> > IO
tzi
_3
•3 ® o o ■
Tf
mi I i
t—t
U
i H )­H _g
o co­
co
a t—4 >
CN
1
1—4 oo (­H t­H
1—1 tâ 00 ON o m a>
h—1 T­H
+> "c3 LU
J Cd
cd t 3
—> £ g g£ ^ g g
73
xr>
O
3 ­2 C
_çç
•ti o t—j a.
Cu O t­H
fi
t­H S
N
t­, CO O*
4)
a a a <D
03
o o
2 .9 73 T3
c c
'5
-g S
• »—1

O c
O, cd *c3 «D
§ S H
Xi J3
o
U
O
N N N
O o
? à «
3
a &
PU
es cu ca
o * «< 73
*w 'õ
se O cu
U co O icd •O c
*^­* CU t
a 3 S
«< tu S3 O
O» «a > 8
ti
o
o
o
IV.5.3.4- Conclusões

A semelhança do que foi anteriormente definido para os filões quartzosos de


Jogadouro e Argeriz, no filão de quartzo de Vale de Égua foram identificados, com
base nos estudos microtermométricos e de espectrometria Raman, três grandes grupos
de fluidos: (1) fluidos aquo-carbónicos; (2) fluidos aquosos de baixa salinidade Lwl e
(3) fluidos aquosos de salinidade elevada Lw2. Estes últimos com menor
representatividade.
(1) Os fluidos aquo-carbónicos, Lc-w, Vc-(w) e L/Vm-w, pertencem
fundamentalmente ao sistema H20-C02-CH4±(N2) distribuindo-se por três estádios
principais de percolação de fluidos:
i) os fluidos aquo-carbónicos mais precoces são observados em inclusões do
tipo Vc-(w) e Lc-w ocorrendo em PIF no quartzo QI e como inclusões
primárias e/ou pseudosecundárias no Qlla. Apresentam CO2 dominante na
fase volátil (84 a 98 mole%) e conteúdos máximos em H2O da ordem dos 80
mole%. Os valores estimados para as temperaturas mínimas de
aprisionamento (TH) estão compreendidos entre 312 e 330°C;

ii) os fluidos que caracterizam o segundo estádio estão contidos em inclusões


que ocorrem orientadas no quartzo Qlla e como pseudosecundárias no Qllb.
O C0 2 é ainda o componente dominante na fase volátil (78 a 87 mole%)
contudo, o CH4 apresenta conteúdos significativos (13 a 22 mole%). Os
valores máximos estimados para as temperaturas mínimas de aprisionamento
(TH) são da ordem dos 313°C e os conteúdos máximos em H2O são da
ordem dos 93 mole%;

iii) os fluidos aquo-carbónicos, associados ao terceiro estádio estão


representados em inclusões fluidas, dos tipos Lm-w e Vm-w, ocorrendo
como pseudosecundárias no quartzo QUI. Neste estádio observa-se um
enriquecimento em CH4, apresentando conteúdos máximos na fase volátil de
54 mole%. Relativamente ao segundo estádio os conteúdos em H2O são em

184
média da mesma ordem de grandeza (89 mole%). Os valores médios
estimados para a temperatura mínima de aprisionamento são em torno de
350°C.

(2) Os fluidos aquosos mais frequentes são do tipo Lwl. São observados em
planos de inclusões fluidas que atravessam todos os tipos de quartzo. Apresentam
salinidades compreendidas entre 0,5 e 4 eq.% NaCl e temperaturas mínimas de
aprisionamento que variam entre 141 e 305°C com uma moda entre 220 e 240°C.

(3) Os fluidos aquosos mais tardios, Lw2, ocorrem do mesmo modo em


inclusões fluidas contidas em PIF, contudo, apresentam salinidades mais elevadas
(valores médios em torno de 27 eq.% CaC^) e temperaturas mínimas de
aprisionamento inferiores, variando entre 85 e 175°C com uma moda entre 160 e
180°C.

185
IV.5.4- As estruturas silicificadas de Três Minas

IV.5.4.1- Tipologia e cronologia relativa dos fluidos

O estudo das inclusões fluidas das estruturas silicificadas de Três Minas foi
realizado nos diferentes tipos de quartzo representativos destas, que podem ou não
conter mineralização: quartzo leitoso (QI), quartzo límpido deformado (QII) quartzo
microcristalino (QUI) e quartzo hialino (QIV).
Contidos nestes quartzos foram observados fundamentalmente, dois grandes
tipos de fluidos: fluidos aquo-carbónicos e fluidos aquosos.

A- Inclusões fluidas aquo-carbónicas

Os fluidos aquo-carbónicos estão presentes sob a forma de inclusões fluidas


aquo-carbónicas essencialmente do tipo: L/Vc-w, Lw-c-S/Lw-m-S, Lm-w/Lw-m e
Lw-c.

L/(V)c-w- este tipo de inclusões foi observado exclusivamente no quartzo


límpido deformado-QII característico das estruturas silicificadas não
mineralizadas (Estampa IV-7 foto 1). Ocorrem como inclusões
pseudosecundárias com formas regulares e dimensões compreendidas entre 6
e 13 fim. São bifásicas à temperatura ambiente. A fracção de volume
ocupada pela componente aquosa é relativamente constante para as inclusões
do tipo Lc-w, variando entre 50 e 70% (Estampa IV-7 foto 2). As do tipo
Vc-w apresentam valores inferiores a 30%.

Lw-c-S/Lw-m-S- são inclusões que contêm à temperatura ambiente uma fase


aquosa (variando entre 30 e 70%), uma fase gasosa e uma fase sólida,
identificada posteriormente à Raman como grafite (Estampa IV-7 foto 6).
Apresentam variabilidade morfológica e dimensional. Com efeito, as
inclusões deste tipo apresentam vulgarmente contornos irregulares, assim
como, figuras de estrangulamento e dimensões que variam entre 10 e 100

186
[ira, sendo mais comum as dimensões contidas no intervalo entre 10 e 45 um
(Estampa IV-7 fotos 4 e 5). As inclusões Lw-c-S foram observadas em PIF
no quartzo leitoso QI e as do tipo Lw-m-S ocorrem em PIF no QI e/ou no
quartzo límpido QII.

Lm-w/Lw-m- apresentam-se como inclusões bifásicas à temperatura


ambiente. Distinguem-se das anteriores pela ausência da fase sólida, pela
morfologia (regularidade de formas) e por dimensões um pouco mais
reduzidas variando entre 6 e 33 um. A fracção de volume ocupada pela
componente aquosa varia entre 50 e 90%. Ocorrem em PIF no QI e no QII
(Estampa IV-7 foto 3) e em grupos (clusters) no quartzo microcristalino QUI
e no quartzo hialino euédrico QIV.

Lw-c- são inclusões bifásicas à temperatura ambiente, com um


preenchimento da fase líquida que varia entre 50 e 90%, apresentando formas
regulares e frequentemente formas de cristal negativo. Foram observadas
orientadas no quartzo hialino-QIV, com dimensões que variam entre 4 e 27
um (Estampa IV-7 foto 7).

B- Inclusões fluidas aquosas

- As inclusões aquosas do tipo Lw foram observadas em PIF em todos os tipos


de quartzo. São pequenas inclusões em que as dimensões, das inclusões
analisadas, variam entre 4,5 e Hum. Apresentam-se normalmente com
contornos regulares em que a fase líquida ocupa um volume que varia entre 70
e 95%.

187
IV.5.4.2- Caracterização microtermométrica

A- Fluidos aquo-carbónicos

Inclusões L/(V)c-w

O histograma da Fig.IV-25 mostra um intervalo das medidas para TfC0 2 , que


vai> de -65,7 a -61,9°C. A amplitude de variação de TfG (Fig.IV-26) obtida nalgumas
inclusões (entre -6,4 e -3,0°C) evidencia tendência para as temperaturas que se
repartem pelo intervalo [-3,9, -3,0]°C. O intervalo obtido para a temperatura de fusão
dos clatratos (10,7 a 14,3°C) assim como, as temperaturas de fusão do CO2, sugerem a
presença de outros componentes voláteis para além do C0 2 . A homogeneização do
C0 2 ocorre em fase vapor entre -21,2 e -13,0°C (Fig.IV-25). A temperatura de
homogeneização global das inclusões Lc-w ocorre no intervalo [302, 327]°C em fase
líquida (Fig.IV-26).

Inclusões Lw-c-S/Lw-m-S

A amplitude de variação obtida para a fusão do gelo encontra-se compreendida


entre -3,7 e -2,1°C. A TfCl varia entre 11 e 14°C indicando a presença de CH4. Nas
inclusões em que foi possível observar a temperatura da homogeneização global (TH)
esta, efectua-se em fase líquida, a temperaturas que variam entre 280 e 326°C
(Fig.IV-26). A decrepitação é observada a temperaturas na gama dos 260°C.

Inclusões Lm-w/Lw-m

No decurso dos ensaios de arrefecimento (temperaturas <-100°C) observa-se,


nas inclusões Lm-w, o aparecimento de uma nova fase identificada como CH4 líquido.
Para estas inclusões a temperatura de homogeneização da fase carbónica (Th) ocorre
entre -108,0 e -84,0°C em fase vapor. A fusão do gelo e dos clatratos foi observada a
temperaturas que variam entre -4,6 e -1,0°C e entre 11,0 e 15,5°C, respectivamente. Os
valores obtidos para TfCl indicam a presença de quantidades significativas de CH4. A

188
homogeneização global efectua-se em fase líquida a temperaturas variando entre 310 e
327°C.
As inclusões do tipo Lw-m apresentam valores similares às do tipo Lm-w.
Assim, as medidas efectuadas para a fusão do gelo apresentam valores compreendidos
entre -5,5 e -0,5°C embora apresentem tendência para temperaturas que se repartem
pelo intervalo [-3,5, -1,7]°C. A TfCl varia entre 10,3 e 15,2°C. A homogeneização
global efectua-se em fase líquida a temperaturas que variam entre 298 e 357°C.

Inclusões Lw-c

Este tipo de inclusões fluidas é caracterizado por apresentar temperaturas de


fusão do gelo que variam entre -3,9 e -1,8°C e temperaturas de fusão de clatratos mais
baixas que os tipos anteriores (entre 5,8 e 10°C). A homogeneização global, em fase
líquida, decorre no intervalo [245, 340]°C (Fig.IV-26).

Diagramas de correlação

Os diagramas de correlação dos diferentes parâmetros microtermométricos das


inclusões fluidas aquo-carbónicas, nas quais foi possível observar a temperatura de
fusão e de homogeneização do CO2, estão representados na Fig IV-27.

No diagrama da Fig.IV-27B nota-se uma tendência do aumento da TfCC>2 com


uma diminuição das TfCl. Este aumento é acompanhado por uma diminuição das
TI1CO2 (Fig.IV-27A), que pode ser explicado por uma diminuição da densidade da
fase carbónica (ThC02—>V) em correlação com uma diminuição do conteúdo em CH4.

189
nvc-w
□ Lc-w

n 1 (£=?

TfC02(°C)
=F=i= ? i* t f t f f f r
v\ *f\ v\ v\ *r> >n *n V) in *n *c>
t> vo *r? rt rn (N —* ©" oC oo" r­"
> ■ I I I I I I I I I

n1

ThC02(°C)
=Z= ;z=7"
©„ <o o_ o^ o_ o o o o o o
ÍN <—i O O OO t­­ ^o" v~T Tf" c"f rsf

Fig.IV-25- Histogramas representativos das características microtermométricas das inclusões


fluidas do tipo L/Vc-w contidas no quartzo límpido de formado das estruturas silicifícadas de
Três Minas.

190
T3

3
cr
o
T3

O
O,

g
ai
CS
E/3

'%
O
£ S £ S o O
1/3
ò s e £ £ ^ t/J
J ­J J J HJ _)
O
D D D D D D 33
H cr
cd
<D
ai
09e
IT1
cd
O
'3
oze ­o
cd
O

I' 082 ó
TTz: 01^2
cr
cd
ai

O
ai
J3
002 o
c
■ 1—I

091 u
­o
021
O O O V O - * < N O O O ^ T
*
J - ( N O
(N i—H <—I I—* 1—I r—I

C
cd
on a i
O «D

_cd tu
"OS ­O
ai
>­ cd
ai ■es
cd
cd N
S
bû cd
cd
o b
ai G

S
(N
sai
2
> ë
h—tS
Où +­»
ai
■ *—I
ThC02 (V)
ThC02(°C

DLC-W
Vc-w

TfC02(°C)

-66 -65 -64 -63 -62 -61 -60

Fig.IV-27A- Diagrama de correlação ThC02 versus TfC02 das inclusões fluidas


aquo-carbónicas contidas no quartzo límpido deformado de Três Minas.

líS rfci(°c)

D
14 -
D
D

12

D
10

TfC02(°C)
8- 1 F —1 1 1
-66 -65 -64 -63 -62 -61 -60

Fig.iV-27B- Diagrama de correlação TfCl versus TÍC02 das inclusões fluidas


aquo-carbónicas contidas no quartzo límpido deformado de Três Minas.

192
B- Fluidos aquosos

Inclusões Lwl

As inclusões fluidas aquosas (Lw) apresentam temperaturas de fusão do gelo


entre -3,8 e -0,9°C com uma concentração de medidas entre -2,0 e -1,0°C (Fig.IV-26),
correspondendo a uma salinidade compreendida entre 1,5 a 6 eq.%NaCl e 2 a 3
eq.%NaCl, respectivamente. As temperaturas de homogeneização global (TH) variam
entre 135 e 260°C com um máximo entre 240 e 260°C (Fig.IV-26), ocorrendo sempre
em fase líquida.

Comparação entre os diferentes tipos de fluidos

Analisando os diagramas TfCl versus TH e TfG versus TH verifíca-se que:

- o diagrama da Fig.IV-28A evidencia variações da TfCl para as inclusões


fluidas aquo-carbónicas. Efectivamente, de um modo geral, os fluidos aquo-
carbónicos formam duas populações. Uma população constituída pelas
inclusões Lw-c em que os valores máximos de TfCl não ultrapassam os 10°C
e uma outra população (Lc-w, Lw-m-(S) e Lm-w) apresentando valores de
TfCl mais elevados (entre 10,3 e 15,5°C). Nesta última população as
inclusões Lc-w formam uma população intermédia relativamente a TH.

- o diagrama da Fig.IV-28B mostra três grupos de fluidos: (1) um grupo


constituído pelas inclusões aquo-carbónicas Lc-w, Lw-m-(S) e Lm-w; (2) um
segundo grupo constituido pelos fluidos aquo-carbónicos Lw-c; e (3) o grupo
das inclusões aquosas.

(1)- Para este grupo verifica-se uma dispersão das TfG para amplitudes de
variação mais ou menos idênticas de TH.
(2)- Os fluidos Lw-c apresentam uma certa homogeneidade composicional e
temperaturas mínimas de aprisionamento em média inferiores às do grupo
precedente.

193
(3)- Neste grupo verifica-se uma composição homogénea das inclusões
aquosas à excepção de duas inclusões que apresentam TfG um pouco mais
elevadas conduzindo a salinidades mais elevadas. Estes fluidos apresentam
temperaturas mínimas de aprisionamento em média inferiores às dos fluidos
aquo-carbónicos.

Na globalidade, verifica-se uma tendência evolutiva a partir dos fluidos aquo-


carbónicos manifestada por uma diluição e por uma diminuição das temperaturas
mínimas de aprisionamento.

IV.5.4.3-Caracterização físico-química dos fluidos

Os resultados (decorrentes da análise em espectroscopia Raman) da composição


da fase volátil, composição global e densidade de algumas inclusões fluidas aquo-
carbónicas representativas dos diferentes tipos de fluidos encontrados nestas estruturas
são apresentados no Quadro IV-5. Para a projecção destes mesmos resultados serão
utilizados diagramas binários e ternários.

As análises à microssonda de efeito Raman confirmam que as inclusões fluidas


aquo-carbónicas de Três Minas pertencem ao sistema H20-C02-CH4-N2-(H2S) sendo,
o CH4 e o CO2 os principais constituintes da fase volátil. O N2 encontra-se em menor
quantidade e o conteúdo em H2S é pouco significativo.

IV.5.4.3.1- Composição da fase volátil

As composições da fase volátil encontram-se representadas no diagrama


ternário CH4-CO2-N2+H2S (Fig.IV-29A) e no diagrama binário, densidade da fase
volátil (dv) versus C 0 2 (Fig.IV-29B).
As projecções no diagrama ternário CH4-CO2-N2+H2S (Fig.IV-29A) dos
resultados da composição da fase volátil dos diferentes tipos de inclusões aquo-
carbónicas, contidas nos diferentes tipos de quartzo, posicionam-se ao longo do eixo

194
CO2-CH4 distribuindo-se essencialmente, por três populações distintas com conteúdos
máximos de CO2 e de CH4 que atingem os 90 mole%. O conteúdo máximo em N2 e
em H2S é de, respectivamente, 16 e 1 mole%.
As inclusões do tipo Lw-m-S e Lm-w/Lw-m, que ocorrem em PIF no quartzo
leitoso (QI) e no quartzo límpido (QII) e em grupos no quartzo microcristalino (QUI) e
no quartzo hialino (QIV), caracterizam-se por apresentarem os conteúdos mais
elevados em CH4, variando entre 56 e 90 mole%.
As inclusões fluidas Lc-w que ocorrem no quartzo QII constituem uma
população intermédia apresentando conteúdos em CO2 que variam entre 48 e 80
mole%; conteúdos em CH4 entre 20 e 43 mole% e em N2 de 0 e 9 mole%.
Nas inclusões Lw-c-S e Lw-c observadas em PIF respectivamente, no QI e no
QIV, regista-se um aumento do conteúdo em CO2. Dada a dificuldade em analisar à
microssonda Raman este tipo de inclusões só dispomos de uma análise para cada tipo
obtendo-se assim, 72 mole% de CO2 e 28 de CH4 para as do tipo Lw-c-S e 90 mole%
de CO2, 7 mole% de CH4 e 3 mole%de N2 para as Lw-c.

Da análise do diagrama densidade da fase volátil (dv) em função do conteúdo


em CO2 verifica-se uma dispersão significativa dos valores de CO2 para uma gama
pouco alargada dos valores da densidade da fase volátil (dv). Na generalidade, os
fluidos com densidades mais elevadas (de 0,26 a 0,30 g/cm3) apresentam conteúdos
em CO2 mais elevados (entre 48 e 80 mole%).

Na globalidade, os fluidos mostram uma evolução composicional manifestada


por uma ligeira diminuição da densidade da fase volátil acompanhada por um
enriquecimento em CH4, dos fluidos aquo-carbónicos Lc-w para os fluidos Lm-w/Lw-
m(S) parecendo haver posteriormente, um enriquecimento em CO2.

195
TfCIÇC)

16
□ Lc-w
14 A Lw-m (c)-S
q p <* oLm-w
o o°o
12 - <k o Lw-m
— Lw-c
10

TH(°C)
200 220 240 260 280 300 320 340 360

Fig.IV-28A- Diagrama de correlação TfCl versus TH referente aos diferentes tipos


de inclusões fluidas aquo-carbónicas das estruturas silicifícadas de Três Minas,
d: decrepitadas.
0 TffGTC)

B + *
D Lc-w
+
+ d A Lw-m (c)-S
o2« £ ♦ Lm-w

O O D O Lw-m
OO D
— Lw-c
D + Lw

-5

-6
D
-7

-8
TH(°C)
120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360

Fig.IV-28B- Diagrama de correlação TfG versus TH referente aos diferentes tipos


de inclusões fluidas aquo-carbónicas e aquosas das estruturas silicifícadas de
Três Minas, d: decrepitadas.

196
C02 aLc-w
A Lw-m(c)-S
oLm-w
Lw-c-S o Lw-m
-Lw-c

CH4 N2+H2S

C02

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Fig.IV-29- Diagramas representativos da composição da fase volátil das inclusões fluidas


aquo-carbónicas contidas nos diferentes tipos de quartzo pertencentes às estruturas
silicificadas de Três Minas.

197
IV.5.4.3.2- Composição global

A composição global dos fluidos aquo-carbónicos está representada no


diagrama ternário CO2-H2O-CH4+N2 (Fig.IV-30A) e nos diagramas binários C0 2 /CH 4
versus C0 2 (Fig.IV-31A) e C0 2 /CH 4 versus H 2 0 (Fig.IV-31B).
Os valores projectados da composição global no diagrama ternário C0 2 -H 2 0-
CH4+N2 concentram-se no pólo H 2 0. Efectivamente, estes fluidos apresentam
conteúdos em H 2 0 elevados (variando entre 83 e 97 mole%).

Comparativamente, o diagrama binário C0 2 /CH 4 versus C0 2 (Fig.IV-31A) é


mais discriminativo uma vez que, são utilizados parâmetros correspondentes à
composição das espécies voláteis não entrando em conta com o seu conteúdo em água
limitando assim, as imprecisões inerentes à estimativa visual da fracção volumétrica
ocupada pela fase aquosa (Flw). Deste modo, verifíca-se que:

- as inclusões fluidas Lc-w e Lw-c-S ocorrendo respectivamente, em PIF no


quartzo límpido e no quartzo leitoso apresentam as razões C0 2 /CH 4 mais
elevadas (entre 2 e 5) para conteúdos em C0 2 também mais elevados (entre 5
e 12 mole%);

- no respeitante às inclusões do tipo Lw-m-S e Lm-w/Lw-m, exibem uma


tendência evolutiva traduzida por uma diminuição da razão C0 2 /CH 4 e do
conteúdo C0 2 . Essa tendência acentua-se no sentido das inclusões fluidas do
tipo Lm-w/Lw-m que ocorrem no quartzo microcristalino QUI. Estas últimas
apresentam valores para a razão C0 2 /CH 4 para C0 2 entre 0 e 1 e 0 e 28
mole%, respectivamente;

- as inclusões Lw-c contidas alinhadas no quartzo hialino-QIV apresentam o


valor de C0 2 /CH 4 mais elevado (35) com um conteúdo aproximado de C0 2
de 4 mole%.

198
H20

C02

C02 CH4+N2

Fig.IV-30- Diagrama ternário C02-H20-CH4+(N2) representativo da composição global dos


diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas das estruturas silicificadas de Três
Minas.

199
C02/CH4
36
32
n Low
28 A Lw-m(c)-S
oLm-w
24
O Lw-m
20 — Lw-c
16
12 -
8
Lw-c-S
4 A
D C02
+
0 1 2 3 4 8 9 10 11 12

B C02/CH4

H20

Fig.IV-31- Diagramas: (A) CO2/CH4 versus CO2 e (B) CO2/CH4 versus H 2 0 representativos
da composição global das inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nas estruturas
silicifícadas de Três Minas.

200
De um modo geral as inclusões fluidas apresentam razões CO2/CH4 baixas (0 a
5 com uma excepção cujo valor é de 35) distribuindo-se paralelamente ao eixo da
composição de CO2, o que mostra que as inclusões se diferenciam principalmente pelo
seu conteúdo em água embora, seja evidente uma tendência evolutiva correspondendo
a um enriquecimento em CH4 no sentido dos fluidos Lm-w/Lw-m que ocorrem no
quartzo microcristalino.

Analisando o diagrama binário CO2/CH4 versus H 2 0 (Fig.IV-31B), verifica-se


a existência de uma tendência evolutiva traduzida por um aumento do conteúdo em
H 2 0 dos fluidos (Lc-w) contidos no quartzo límpido para os fluidos (Lw-m/Lm-w)
contidos no quartzo microcristalino, corroborando as deduções efectuadas a partir da
análise do diagrama CO2/CH4 versus CO2. Comparativamente, os fluidos Lw-c
apresentam valores idênticos de H2O para valores mais elevados da razão CO2/CH4.

Da observação do Quadro IV-5 é possível focar os seguintes aspectos:

- a densidade global das inclusões fluidas Lc-w apresenta uma certa


dispersão de valores (entre 0,65 e 0,80). O conteúdo de NaCl estimado varia
entre 1 e 2 mole%;

- as inclusões fluidas Lw-m(c)-S apresentam, do mesmo modo, uma certa


dispersão de valores para a densidade global embora estes sejam inferiores
(entre 0,45 e 0,63). Os conteúdos de NaCl são também inferiores (entre 0,1 e
0,3 mole%);

- a densidade global das inclusões fluidas Lm-w varia entre 0,65 e 0,78. Os
conteúdos estimados para NaCl são da mesma ordem de grandeza
relativamente às inclusões precedentes (0,2 a 0,6 mole%).
Comparativamente, as inclusões Lw-m apresentam valores mais baixos para
a densidade global (entre 0,57 e 0,70) e valores um pouco mais elevados para
o conteúdo de NaCl (entre 0,2 e 1 mole%);

201
NO «o O l~­ N£ Vi 00 o e«­ Vi
NO^ NO oo w­i NC » t­­ h o ON
"C NO NC NO
o c c o c c c c o o o" C O O o"

U r­ r­ NC CN vi a- t NO CN •* r^ en CN ON
es
O O r—
a o O O o o O o O O

H
•< «s (N «n O >* cn *­H 00 NT> ^ H

PQ S5 «—i
o o o" o O O o' ­' o"
O
CN NO 00 <­« en 00 NO CN S O Os O 0 0 »—* CN
CN VI CN NO en —' ­ * "* >rv en r­
ow
.**< —
»OSIÇ, —' NO CN
° ­S
I C02 «n r­­ ­ * 0 0 NO en Vi ^ 1 O NO en oo 00
*­< 0 0 «n en CN CN O »—( en •"^ CN CN r­ en "O
o
c
SR
o S
«o oo r^ o
CN o o
«o NO

en i»H VI r^ f«H Vi ON ON 1—1
li

0 w
00 00 ON Os ON 3 Os
CN
ON ON CJ C?
<3N ON
ON
00
oT
00
"^ ci

05 — £
T3 ■ *
• ­Si
•o •o T 3 0 0 T> en NO
S S3
c c a o a ' '
1—1
"O
d
T3
«
T3
C o

S
T3
ri
TJ 55
ri ­2
NO
tig ri ON"
ON
*©" ri ©"
en
«n en o "
VI

ri s£
oo" 1—t
o
13 *T3 m o
G0

ri ri en §■
^1 "* CN
O
o r^­ t^
ON ON
■<a­ NO V) 00 «o NO 00 NO en o a
CN
o cn 00 en ON o Vi Vi oo oo
sa so 00 oo r­ Vi CN ^ g
FASE

00 oo en
C02

v­j 00
ON" h­" en" o " oo"
00 T5 Os" v­T * 8
•ri CN
CN CN CN ci CN CN <N S 'S
c
— 3
o o O o O
? O O o «n O O Vi NO o o >
v> l*» v i SD 00 t­ r^ NO r~­ NO Vi Tt Vi 1­ f
S o o o o O o o o o o O o O O <
3
• — «

h.
§* g. à,
13 EX
i. S3 3 g QH d, 9.
o <D
a, (—H M h
u en CM 0H OH 0H t >H
OH PU eu, ­a

o 0H
o
O.
£ £ £ S S s S s* & ? B
CO
■ ■
? 2
S S
H N3
o
3 3& JJ S Í J H­l
I
i ­a
03

J H'33
OS _ CO oo w iO
t—t
OH
CN <N CN CN i—i r­~ r­~
s 1 CN NO CN O ­H 3
< < < <3 < m
s ■o W l VI Vi VI >ri
PQ en
Ê
v>
< < 5 .S
<n V~i en Vi Vi m «■» ­S
S gH gH g g
H g H l 5 **S s
­1 "S.
s
1—1
t—4
—^
• O a a *—j f—t
^­1 >
t—HI

rv
i rv

!—• e
■y cS
er V c
hi
1 «S t.

1>
1­4 M

a« a« a
­H —H
—4 —H ■
c2 ■a
tfH ­Il
i <§
o •o T3 T3 T3 +­* ­a o
1
■*­»

O O O O
■ ts î o
o.
"2 'S S S S S o o
"S n
S ­s> °
■o ■o o O O c
H D. S, «­4
o o o S 'S. —H

1
o o
a ex ht 2
'3 ­I 1 O G
­J
a, I .|jË
­1
­1 " o
08
L.
<8
\—
•** u
an
O 1 | 3^ o
q
a t
o
1 to H o
1 O
- para a inclusão representativa das do tipo Lw-c, obtiveram-se valores para o
conteúdo de NaCl de 0,9 mole% e para densidade global de 0,79.

IV.5.4.4- Conclusões

Os estudos microtermométricos e de espectrometria Raman das inclusões


fluidas pertencentes às estruturas silicificadas de Três Minas, permitiram a
identificação de dois grandes grupos de fluidos: (1) fluidos aquo-carbónicos; (2)
fluidos aquosos Lwl.

(1) Os fluidos aquo-carbónicos pertencem ao sistema H20-C02-CH4±N2-(H2S).


São fluidos relativamente ricos em CH4 na fase volátil embora, em termos de
composição global os conteúdos de CH4+N2 não ultrapassam os 7 mole%,
caracterizando-se por possuirem quantidades elevadas em H2O.
Para estes fluidos podem-se pôr em evidência três tipos de fluidos
correspondentes a diferentes estádios de percolação:
i)- os fluidos mais precoces são observados, em inclusões pseudosecundárias
(Lc-w), exclusivamente no quartzo límpido QII das estruturas silicificadas
não mineralizadas. São fluidos com conteúdos máximos em C02 e em NaCl
da ordem dos 12 e 2 mole%, respectivamente. As temperaturas mínimas de
aprisionamento (TH) situam-se entre 302 e 327°C. Apresentam diferenças
nos conteúdos em H 2 0 (mínimo 83 mole%) e na densidade global;

ii)- o segundo tipo de fluidos contidos nas inclusões fluidas do tipo


Lm-w/Lw-m-(S), observadas em PIF no quartzo leitoso-QI e no QII, em
grupos no quartzo microcristalino-QIII e no quartzo hialino-QIV, apresentam
uma diminuição dos conteúdos CO2 (máximo 4 mole%) e em extremo a sua
ausência. Os valores médios da temperatura mínima de aprisionamento
(situando-se em torno de 321°C) assim como, os conteúdos máximos em
NaCl (da ordem dos 2 mole%) são sensivelmente da mesma ordem de
grandeza dos do estádio precedente. Contudo, os fluidos contidos no quartzo

203
microcristalino apresentam os valores mais elevados da temperatura mínima
de aprisionamento. Do mesmo modo, estes fluidos apresentam em função do
tipo de quartzo, algumas diferenças em termos composicionais. Assim, os
fluidos associados ao quartzo microcristalino (QUI) apresentam os conteúdos
mais elevados em CH4 (na fase volátil) e H2O;

iii)- os fluidos aquo-carbónicos mais tardios são observados sob a forma de


inclusões fluidas (Lw-c) orientadas no quartzo hialino-QIV. Estes fluidos
apresentam os conteúdos mais elevados CO2 na fase volátil embora, em
termos de composição global, apresentem um conteúdo semelhante ao
máximo do tipo precedente (4 mole%). Assiste-se a uma diminuição das
temperaturas mínimas de aprisionamento (com um valor médio de 270°C)
relativamente aos fluidos mais precoces.

(2) Os fluidos aquosos Lw são observados em planos de inclusões fluidas


atravessando todos os tipos de quartzo. Apresentam temperaturas mínimas de
aprisionamento (TH) inferiores aos fluidos aquo-carbónicos, compreendidas entre 135
e 260°C e salinidades entre 1,5 e 6 eq.%NaCl.

IV.6- COMPOSIÇÃO GLOBAL IÓNICA

IV.6.1- Introdução

As análises por esmagamento e lixiviação (crush-leach), foram efectuadas em


fragmentos de quartzo pertencentes às estruturas filonianas mineralizadas de Vale de
Égua (VE), Argeriz (ARGZ) e Jogadouro (JOG) e às estruturas estéreis sin-
metamórfícas correspondentes a filonetes contidos em liditos do encaixante
metassedimentar - Banho (BAN). Apresentam-se também, como comparação, os
resultados referentes às estruturas filonianas mineralizadas de Vale de Campo (VC) e
de Velhaquinhas (VQ) situadas na área em estudo (ver CapII-Fig.3).

204
Contrariamente às estruturas filonianas em que não há uma predominância de
um só tipo de quartzo e consequentemente de um tipo de fluido, o quartzo dominante
dos filonetes em liditos é o quartzo recristalizado. Deste modo, as inclusões fluidas
analisadas nos filonetes são essencialmente aquo-carbónicas.
Cada lixiviação foi analisada para o Na e K e as análises dos outros elementos é
normalizada a 10000 ppm de Na. Subsequentemente, os resultados das análises são
corrigidas para uma aproximação à verdadeira concentração das inclusões fluidas com
base na estimativa da salinidade média (eq.% NaCl) obtida a partir da análise
microtermométrica individual das inclusões fluidas.
Os resultados das análises do conteúdo iónico das inclusões fluidas são
apresentados nas Tabelas AIII.l, 2, 3,4 e 5 (Anexo III).

IV.6.2- Aniões

Os halogéneos Cl, Br e em menor dimensão o I têm um papel importante na


distinção de fluidos de diferentes origens (Banks et ai. 1991; Bohlke & Irwin 1992).
Estes aniões apresentam como característica principal a preservação das suas
concentrações. São considerados "elementos conservadores" {conservative elements).
Isto é, as interacções fluido-rocha não têm grande efeito no conteúdo em Cl e Br do
fluido (Banks & Yardley 1992). Com efeito um fluido de baixa salinidade tal como a
água do mar, apresenta valores para as concentrações em Cl (19000 ppm) e Br
(65 ppm) significativamente maiores do que as das rochas crustais (média crustal 130
e 2,5 ppm, respectivamente). Todavia, a interacção fluido-rocha já tem significado no
respeitante à concentração de I no fluido uma vez que, a concentração de I na água do
mar (0,06 ppm) é muito mais baixa do que a da média crustal (0,5 ppm) devido à sua
incorporação nos organismos marinhos. Assim, não é de estranhar que as razões I/Cl
sejam significativamente afectadas pela interacção fluido-rocha e em especial pelas
litologias ricas em matéria orgânica (Meere & Banks 1997).

205
IV.6.2.1- Resultados e discussão

O anião dominante em todas as amostras analisadas é o Cl (Fig.IV-32) embora


seja de assinalar a presença, em quantidades significativas, de sulfato (SO4) e borato
(B0 3 ) como também, de flúor (F) nos filões de JOG e ARGZ (Tabela AIII.l).
Tomando em consideração o balanço de cargas, verifica-se que a maior parte
das análises apresentam um défice de cargas negativas. Este défice resulta da presença
do bicarbonato (HCO3) que não pode ser analisado directamente e que se estima em
cerca de 20% do total (em equivalentes) dos aniões analisados.

Da projecção dos resultados na Fig IV-33A verifica-se a existência de dois


grupos distintos de fluidos: o grupo constituído pelos fluidos pertencentes a VE, VC,
VQ e BAN posicionando-se acima da tendência evolutiva da evaporação da água do
mar e o grupo representado pelos fluidos das inclusões de JOG e ARGZ. No primeiro
os fluidos são enriquecidos em Br relativamente à água do mar ao passo que, no
segundo os fluidos apresentam valores para a razão Br/Cl inferiores aos da água do
mar.
A projecção dos resultados na Fig.IV-34 mostra que os fluidos pertencentes a
VE, VC, VQ e BAN são também enriquecidos em Br relativamente à "Terra Global".
A excepção de VE a amplitude de valores da razão I/Cl é intermédia entre estes
dois valores de referência. Os resultados referentes aos fluidos pertencentes às
amostras de Jogadouro e Argeriz não se encontram projectados no diagrama Br/Cl
versus I/Cl em virtude de ainda não ter sido possível analisar o I. Estes fluidos
apresentam valores para a razão Br/Cl inferiores (entre 0,0004 e 0,0021 ppm) ao da
água mar (0,0034 ppm) e semelhantes aos valores apresentados pelos fluidos
magmáticos associados a mineralizações de Sn-W dos granitos hercínicos do SW de
Inglaterra (Banks et ai. 1993). Esta característica está de acordo com o contexto de
ocorrência destes filões uma vez que se tratam de filões de quartzo espacialmente
associados a corpos aplito-pegmatíticos. Bohlke & Irwin 1992 sugerem que, valores da
razão Br/Cl aproximadamente metade dos da água do mar, podem ser considerados
como uma estimativa razoável de fluidos magmáticos.

206
Cl

S04

Fig.IV-32- Diagrama ternário CI-SO4-B representativo das espécies aniónicas contidas nas
inclusões fluidas das diferentes estruturas quartzosas da região de Vila Pouca de Aguiar.

207
Os fluidos, de uma forma geral, apresentam concentrações em SO4 mais baixas
(entre 394 e 2648 ppm) do que as da água do mar (2717 ppm) embora os fluidos de
VE e VQ apresentam valores para a razão de SO4/CI próximos dos da água do mar
(Fig.IV-33B).

A análise do conteúdo de aniões, nomeadamente em F e nos elementos


"conservadores" Cl e Br, nos fluidos das diferentes estruturas permite identificar dois
conjuntos de fluidos com características distintas: um conjunto constituído pelos
fluidos contidos nos filões mineralizados de Jogadouro e Argeriz e outro
correspondente aos fluidos dos filões mineralizados de Vale de Égua, Vale de Campo
e Velhaquinhas e aos fílonetes estéreis de Banho.
Os fluidos de Jogadouro e Argeriz apresentam concentrações elevadas em F ao
passo que nos restantes o F apresenta, quase sempre concentrações inferiores aos
limites de detecção deste elemento (ver Tabelas AIII.l e 3). Esta característica está de
acordo com o modo de ocorrência destes filões. Como já foi anteriormente referido,
estes ocorrem espacialmente associados a corpos aplito-pegmatíticos.
Comparativamente aos fluidos de VE, VC, VQ e BAN estes apresentam razões Br/Cl
inferiores.
Comparando os resultados obtidos para os fluidos contidos nos filões de VE,
VC e VQ e nos filonetes metamórficos de BAN, com os resultados referidos para
fluidos da crusta superior tais como os obtidos para os Escudos do Canadá e do Báltico
e para algumas bacias petrolíferas (Oilfield Brines), verifica-se a existência de uma
semelhança a nível da composição de halogénios.

Com base nas diferentes características observadas pode-se concluir da existência de


diferentes origens para estas estruturas: os fluidos de Jogadouro e Argeriz terão um
maior contributo de fluidos magmáticos enquanto que, nos restantes esse contributo
não é evidenciado.

208
7
LU O (J <r
> > > CQ
4 O
+ l

■g
3 m
•a
ia

Ï O

N
CO Cl) 2T
o i r LU O o <r
­» < > > > m
• ■ 4 o + 1

o
o o o
(O

H
IV.6.3- Catiões

Contrariamente aos halogéneos, o conteúdo em catiões nos fluidos é o reflexo


das interacções entre o fluido e a litologia das rochas encaixantes originais. Com
efeito, as concentrações em catiões dos fluidos são facilmente alteradas pela
interacções fluido-rocha.

IV.6.3.1- Resultados e discussão

Os resultados das análises de catiões mostram que na generalidade, os catiões


dominantes dos fluidos são Na, K e Ca sendo contudo, de assinalar quantidades
apreciáveis de Mg (Tabelas AIII.l e 3 - Anexo III). Na Fig.IV-35 podem-se observar
as relações entre estes catiões. Embora haja uma certa uniformidade no conteúdo
destes catiões, eles apresentam variações das razões K/Na e Ca/Na (Tabelas AIII.2 e 4
- Anexo III).
Analisando a Fig.IV-36 observa-se que, à excepção de BAN as amostras
apresentam razões Na/Cl posicionadas perto da tendência evolutiva da evaporação da
água do mar significando que o conteúdo em Na não sofreu modificações
significativas relativamente à tendência evolutiva da composição da água do mar à
medida que a evaporação se vai efectuando. De facto, não se verifica a ocorrência de
albite em qualquer dos filões estudados.

O diagrama K versus Cl (Fig.IV-36B) mostra que os fluidos se posicionam


acima da recta da tendência evolutiva da evaporação da água do mar significando que
os fluidos são enriquecidos em K relativamente à água do mar.
O enriquecimento dos fluidos em K pode ser imputado à lixiviação dos
feldspatos-K e/ou à sua alteração em fengites que em geral se efectua com uma perda
de potássio (Cathelineau 1987). Efectivamente, o diagrama Sr versus K (Fig.IV-37)
evidencia uma correlação positiva entre o K e o Sr, elemento traço encontrado em
concentrações relativamente elevadas no feldspato-K.

210
• JOG
■ A RGZ
Na AVE
— BA N
OVC
+ VQ

Fig.IV-35- Diagrama ternário Na-K-Ca representativo dos fluidos contidos nas diferentes
estruturas quartzosas da região de Vila Pouca de Aguiar.

211
A
100000 ­­ • JOG
■ ARGZ
80000
AVE

Na 6 0 0 0 0 oVC
(PPm)40000 + VQ
• / ­BAN
20000
!iw
n I i i ,
I I ! 1
0 50000 100000 150000 200000
Cl(ppm)

B
10000 T

o
8000

K 6000 ­ o
(PPm)4000_.

2000 ­

—4­ I I i
' i l l
0 50000 100000 150000 200000
Cl(ppm)

Fig.IV-36- Diagramas: (A) Na versus CI e (B) K versus Cl representativo


dos fluidos contidos nas diferentes estruturas quartzosas da região de VPA.

2000 4000 6000 8000 10000


K(ppm)

Fig.IV-37- Diagrama Sr versus K representativo dos fluidos contidos nas


diferentes estruturas quartzosas da região de VPA.

212
Este diagrama mostra que, à excepção de BAN, as amostras apresentam uma tendência
única da razão Sr/K observando-se para os fluidos de JOG os teores mais elevados de
Sr e K. Estes teores poderão ser devidos à lixiviação dos feldspatos-K dos aplito-
pegmatitos associados ao filão quartzoso.

Na Fig.IV-38 podem-se observar as quantidades relativas referentes ao Mn, Fe


e Cu. Comparativamente com os fluidos contidos nos filões de Jogadouro e Argeriz, os
fluidos dos filões de Vale de Égua, Vale de Campo e Velhaquinhas e dos filonetes de
Banho apresentam concentrações extremamente baixas em Fe, inferiores aos limites de
detecção deste elemento, e elevadas em Mn (Tabelas AIII.l e 3-Anexo III). Os teores
elevados em Fe dos fluidos de JOG e ARGZ são comparáveis aos fluidos dos granitos
hercínicos do SW de Inglaterra confirmando este aspecto, o contributo magmático que
os fluidos de JOG e ARGZ apresentam.
As amostras, de uma forma geral, evidenciam quantidades apreciáveis de Cu
verificando-se contudo, que os filões de JOG e ARGZ apresentam concentrações
inferiores aos outros filões.

213
Fe

Fig.IV-38- Diagrama ternário Mn-Fe-Cu representativo das espécies iónicas contidas nas
inclusões fluidas das diferentes estruturas quartzosas da região de Vila Pouca de Aguiar.

214
IV.7- SÍNTESE DO ESTUDO DOS PALEOFLUIDOS

Nos quadros IV-6A e B apresenta-se uma síntese dos resultados


microtermométricos e de espectroscopia Raman das diferentes estruturas quartzosas
estudadas.

O estudo dos fluidos aquo-carbónicos revela diferenças em termos


composicionais entre as estruturas localizadas no Domínio Estrutural de Carrazedo
(DEC) e as localizadas no Domínio Estrutural de Três Minas (DETM) (Fig. IV-39).

Os fluidos aquo-carbónicos contidos nos filonetes de quartzo estéreis


encaixados em filitos do DEC, pertencem ao sistema H2O-CO2-CH4-N2, (H2S) com
CO2 dominante na fase volátil. Comparativamente aos anteriores, as inclusões fluidas
dos filonetes de quartzo estéreis encaixados em liditos caracterizam-se pela presença
de uma fase sólida, identificada como grafite, e pelo seu conteúdo elevado em CH4
(Fig. IV-39B).

Em termos de composição global os fluidos aquo-carbónicos de ambos os


domínios estruturais apresentam, de um modo geral, um conteúdo elevado em H2O.
Contudo, no DEC observa-se uma tendência evolutiva composicional segundo o eixo
CO2-H2O enquanto que, no DETM esta tendência manifesta-se paralelamente ao eixo
CH4-H2O (Fig. IV-41).

No respeitante às temperaturas mínimas de aprisionamento os fluidos aquo-


carbónicos das estruturas estéreis apresentam valores dentro de um mesmo intervalo
(TH entre 280 e 360°C).
Os aspectos referidos apontam para a existência no DETM, de um controlo
litológico da composição dos fluidos, estando o conteúdo em CH4 relacionado com os
liditos quando estes são o encaixante imediato.

215
S3
c o
S
O O
O CQ
o
•'8
"S
-03

o
00

o
S S

I •a u
o
■t

m 1 §1
o
Q <
o
-d
Ci)

M
%
-+-»
£
oCO

o
-o
•»-í
o
*KS
co
O
+-í
-t--

§
O ^—N

o
^
S cti
4» CQ
S CO
(U O
+-<
ce t/l
«0 o
+3 •a
.55
-1-»
*i—i

sE sO
N
O

u fi

i
t- 3
Sd CC
cr
-o
<L>
ID
«3 §

I1 I
CO
S3 T3
53 o" co u
-t-^
S
a
w 11
t/5
U <u o
CO O q
T3 S
O
1
(JH

t/l o t/5 pc.


I

5 w -o w 9
1

H u1 CO
u oS
1

Ú H
W w o Ui W Ud
O a ^> O < CS O

11
U
O estudo dos fluidos aquo-carbónicos das estruturas mineralizadas, localizadas
nos dois domínios estruturais (DEC e DETM) evidencia, na globalidade, a existência
de uma tendência evolutiva idêntica no respeitante à composição da fase volátil.
Contudo, há a assinalar algumas diferenças nomeadamente, em termos
composicionais.

De uma forma geral, observa-se uma diminuição da densidade da fase volátil


(dv) acompanhada por um enriquecimento em CH4 dos fluidos aquo-carbónicos mais
precoces (V/Lc-w) para os fluidos mais tardios (V/Lm-w, Lw-m), embora este seja
mais significativo nos fluidos contidos nas estruturas silicificadas do DETM (Três
Minas) (Fig.IV-39). A semelhança das estruturas estéreis do DETM, nas estruturas
silicificadas de Três Minas também se observam inclusões fluidas que contêm uma
fase sólida identificada à Raman como grafite (ver estampa IV-7). A análise da "rocha
total" (whole rock) e da "fracção leve" (light fraction) efectuada à microssonda
Raman, nas rochas do envolvente metassedimentar destas estruturas evidenciou a
presença de matéria orgânica dispersa com composição idêntica.

Em termos da composição global observa-se uma tendência evolutiva traduzida


por um aumento do conteúdo em H 2 0 no sentido dos fluidos mais tardios. No DEC
esta tendência manifesta-se segundo o eixo CO2-H2O (Fig.IV-40A). No DETM
embora os fluidos mais precoces (Lc-w) evidenciem uma evolução semelhante, nos
fluidos mais tardios esta dá-se segundo o eixo CH 4 -H 2 0 (Fig.IV-40B). Estes aspectos
apontam para a existência no DETM, de um controlo externo da composição dos
fluidos indicando para este domínio estrutural uma maior interacção fluido/rocha
encaixante, a que não deve ser estranho a estrutura e a litologia.

As temperaturas mínimas de aprisionamento dos fluidos aquo-carbónicos


contidos nas estruturas mineralizadas de ambos os domínios estruturais apresentam
valores dentro de um mesmo intervalo (TH entre 245 e 360°C).

218
Os diferentes tipos de fluidos aquo-carbónicos estão relacionados com a
deposição do quartzo das estruturas mineralizadas e com as paragéneses associadas.
Dos fluidos aquo-carbónicos estudados, os fluidos V/Lc-w associados ao QII
caracterizam essencialmente o estádio intermédio da mineralização. Os fluidos
enriquecidos em CH4 associados ao quartzo hialino, QIIb/QIII das estruturas filonianas
e QIV das estruturas silicificadas, caracterizam as paragéneses sulfuretadas mais
tardias.

Nas estruturas do DEC foram observados dois tipos de fluidos aquosos: i)Lwl,
fluidos de baixa salinidade (0,2 a 4 eq.% NaCl) e com temperaturas mínimas de
aprisionamento compreendidas entre 146 e 293°C e ii) Lw2, fluidos com temperaturas
mínimas de aprisionamento inferiores (TH entre 82 e 175°C) e salinidades elevadas
devidas à presença de CaCl2 (valores médios em torno de 27 eq.% CaCl2).
Nas estruturas silicificadas do DETM (Três Minas) foi observado somente um
tipo de fluido (Lw) apresentando temperaturas mínimas de aprisionamento (TH)
compreendidas entre 135 e 260°C e salinidades entre 1,5 e 6 eq.%NaCl.

Os fluidos aquosos Lwl relacionados com a deposição da mineralização


aurífera, ocorrem em planos de inclusões fluidas (PIF) associados a uma rede de
microfissuras cicatrizadas pelo aprisionamento desses fluidos.

219
Quadro IV-6A- Quadro de síntese dos resultados microtermométricos das inclusões fluidas observadas nas estruturas quartzosas estéreis e
mineralizadas da região de Vila Pouca de Aguiar.

Tipo/estádio de quartzo / Ocorrência Tipo de fluido Th-V TCC02 TfG TfCI ThC02 TH

ESTRUTURAS ESTÉREIS ANTE-D3


DEC -filonetes de quartzo concordantes com a foliação principal (S2) encaixados emfilitos cinzentos a negros - Castelares

Primárias no qz. Qlla Lc-w -59,9 / -58,7 -11,6/-5,5 4,2 / 9,6 -1,0/ 18,0(V) 283 / 330 (L)
PIF no qz. Qlla Vc-(w) -58,5 / -57,7 6,5/6,7 19,0/22,1(L) 330 / 340 (V)

DETM -filonetes de quartzo nos liditos, concordantes e discordantes com a foliação principal (S3) - Banho

Primárias no qz. recristalizado QII e PIf no qz. leitoso Qi Lw-m-S/Lm-w-S -94,3/-91,4 -1,7/-0,1 10,3/15,0 297 / 360 (L)
PIF no quartzo QI Vm-w -81,5 -3,0 15,2
PIF no QI e QII Lw -2,2 / -0,9
ESTRUTURAS MINERALIZADAS Sin D3
DETM - estruturas siliciflcadas associadas a zonas de cisalhamento sin-D3 (N120 a N130°E) - Três Minas

Pseudosecundárias no qz. límpido Qllb L(V)c-w -65,7/-61,9 -6,4 / -3,0 10,7/ 14,3 -21,2 /-13,0(V) 302 / 327 (L)
PIF no qz. leitoso deformado QI Lw-c-S -3,7 12,0 280 (L)
PIF no qz. límpido Lw-m-S -2,4/-2,1 11,0/ 14,0 300 / 326 (L)
Grupos no qz. microcristalino Qlr e no qz.hialino QUI Lw-m -5,5 / -0,5 10,3/ 15,2 298 / 357(L)
e PIF no qz. leitoso e no límpido Lm-w -108,0/-84,0 -4,6/-1,0 11,0/ 15,5 310/ 327(L)
PIF no qz. QUI Lw-c -3,9/-1,8 5,8/10,0 245 / 340 (L)
Lw -3,8 / -0,9
ESTRUTURAS MINERALIZADAS Tardi D3
DEC - estruturas filonianas quartzosas em sistema de fracturas NNW-SSE (N-S a N20°W) associadas t aplito-pegmatitos - Jogad ouro

Primárias no qz. límpido Qlla Lc-w -57,9 / -56,7 -7,5 / -7,4 10,0 / 10,8 19,5 / 25,6 (L/V/C) 308 / 340 (L)
Primárias no qz.hialino Qllb L/Vc-w -58,8 / -56,7 -7,0 / -4,5 7,0/ 13,5 17,5/23,5 (V) 3 1 2 / 3 5 7 (L/V)
PIF no Qlla L/Vc-w -58,1/-57,2 -8,0 / -7,5 7,0 / 12,0 18,9/24,0 (V) 3 0 1 / 3 4 0 (L/V)
PIF no Qllb Lc-w -61,3/-58,6 -4,5/-4,1 14,3/ 16,5 -6,0/1,5 (V) 326 / 340 (L)
Pseudosecundárias no qz. hialino QUI Lw-c -8,6/-2,8 7,5/ 12,3 280/331 (L)
PIF no QUI Lw-m -4,3/-0,1 12,9/16,5 256 / 300 (L)
PIF Lwl -2,5 / -0,2 146/ 163 (L)
PIF Lw2 -44,2/-37,1 85 / 125 (L)

DEC - estruturas filonianas quartzosas em sistema de fracturas NW-SE (N100 a N120") associadas a aplito-pegmatitos - Argeriz

Primárias no qz.límpido Qlla V/Lc-w -60,1/-58,8 -8,0/-2,5 7,0 /8,2 18,5/25,9(L) 337 / 340 (V/L)
PIF no qz. leitoso QI Lc-w -62,5 / -60,2 -8,0/-2,0 9,5/ 11,4 13,8 / 19,0 (V/C) 256 / 344 (L)
PIF no qz. límpido Qlla Lc-w -59,7 / -58,9 -6,8 / -6,0 9,0 / 9,3 10,0/15,0 (V) 3 5 1 / 3 6 8 (L)
Primárias no qz. euédrico hialino Qllb L(V)c-w -62,6/-61,8 -5,3 / -3,5 6,5/ 12,5 9,1/18,8 (V) 327 / 330 (LA/)
Pseudosecundárias no qz. hialino euédrico QUI Lw-m(c) -66,1/-66,0 -4,0 / -3,5 13,0/ 14,0 320 / 340 (L)
PIF Lwl -2,0/-0,1 163/293 (L)
PIF Lw2 -41,7/-37,5 128/ 175 (L)

DEC - estruturas filonianas quartzosas associadas ao sistema de fracturas NE-SW(N40 a N50") - Vale de Égua

Qz.límpido Qlla (Pseudosecundárias no Qlla e PIF no QI) L/Vc-(w) -58,3 / -57,0 -6,1 /-4,4 6,4/ 10,0 10,8 / 25,6 (L) 312/340(L/V)
Qz. hialino QIIb(PIF no qz. Qlla) Lc-w -59,0 / -57,0 -7,2 / -4,6 8,6 / 9,9 16,8 / 24,2 (V/C) 280 / 303(L)
Qz. Qllb (Pseudosecundárias) Lc-w -60,9 / -58,3 -5,3/-4,0 11,1 / 12,3 11,0/ 17,0 (V) 2 3 5 / 3 1 3 (L)
Qz. hialino QUI (Pseudosecundárias) L/Vm-w -70,5 / -62,7 -6,0 / -4,0 14,6 / 16,6 -37,0 / -25,0 (V) 345 / 366 (L/V)
PIF no Qlla e Qllb Lw-c -6,0 / -2,0 4 , 8 / 11,0 265 / 305 (L)
PIF Lwl -2,3 / -0,3 1 4 1 / 305 (L)
PIF Lw2 -40,1/-37,7 8 5 / 175 (L)
Temperaturas em °C; composições expressas em mol%; PIF: ocorrência em planos de inclusões fluidas.

221
Quadro IV-6B- Quadro de síntese dos resultados de espectroscopia Raman das inclusões fluidas observadas nas estruturas quartzosas estéreis e mineralizadas
da região de VPA.

FASE VOLÁTIL COMPOSIÇÃO CLOBA1


Tipo/estádio de quartzo / Ocorrência Tipo de fluido C02 CH4 N2 H2S H20 C02 CH4 N2 H2S NaCI d

ESTRUTURAS ESTÉREIS ANTE-D3


DEC -fdonetes de quartzo concordantes com afoliação principal (S2) encaixados emfúitos cinzentos a negros - Castelares

Primárias no qz Qlla Lc-w 77,9/84,9 10,3/14,0 4,8/8,1 n.d. 84,8 / 90,7 6,6/10,2 0,5/1,5 0,2 / 0,8 1,99/2,68 0,73 / 0,78
PIF no qz. Qlla Vc-(w) 77,9/93,4 2,2/11,1 0/12,5 0/0,4 52,5 / 93,4 4,0/41,2 0,0 / 4,3 0/ 1,0 <0,1 0,99/3,09 0,57 / 0,89

DETM -fdonetes de quartzo nos liditos, concordantes e discordantes com afoliação principal (S3) - Banho

Primárias no qz. recristalizado QII e Plfno qz. leitoso QI Lw-m-S/Lm-w-S n.d. 89,3/100 0/10,0 0/0,7 95,9/97,8 1,9/3,4 0/0,3 <0,1 0,01 / 0,58 0,72 / 0,86
PIF no quartzo QI Vm-w n.d. 97,7 2,3 n.d. 48,0 50,8 1,2 n.c. 0,20

ESTRUTURAS MINERALIZADAS Sin D3


DETM - estruturas siliciftcadas associadas a zonas de cisalhamento sin -D3 (N120 a N130°E) - Três Minas

Pseudosecundárias no qz. límpido Qllb L(V)c-w 47,8/79,8 20,2/43,0 0/9,1 n.d. 82,9 / 90,7 5,4/11,5 2,2/5,6 0/1,2 0,61 / 1,74 0,65 / 0,80
PIF no qz. leitoso deformado QI Lw-c-S 72,0 28,0 n.d. n.d. 89,9 7,8 2,2 0,12 0,6
PIF no qz. límpido Lw-m-S 21,7/27,8 55,6/78,3 0/16,0 0/0,6 89,9 / 92,5 2,3 / 2,8 3,8/7,2 0/1,1 <0,1 0,22 / 0,28 0,45 / 0,63
Grupos no qz. microcristalino Qlr e no qz.hialino QUI Lw-m 4,8/30,3 63,6/88,5 0/14,6 0/1,4 90,0/94,6 0,5/3,8 1,8/6,1 0/0,6 0,16/ 1,48 0,57 / 0,84
e PIF no qz. leitoso e no límpido Lm-w 0/29,4 70,6/89,5 0/10,5 0/1,3 91,7/97,1 0/3,0 1,2/6,6 0/0,8 0,18/0,56 0,65 / 0,78
PIF no qz. QUI Lw-c 89,6 7,1 3,3 n.d 95,1 3,9 0,1 0,1 0,87 0,79

ESTRUTURAS MINERALIZADAS Tardi D3


DEC - estruturas ftlonianas quartzosas em sistema de fracturas NNW-SSE (N-S a N20°W) associadas a aplito-pegmatitos - Jogadouro

Primárias no qz. límpido Qlla Lc-w 83,2/91,3 8,1/16,8 0/3,3 n.d. 80,8 / 94,6 4,3/ 17,8 0,2 / 2,6 0/0,1 0,85/ 1,19 0,70 / 0,96
Primárias no qz.hialino Qllb L/Vc-w 80,3/89,5 10,5/16,2 0/2,0 0/2,4 78,5 / 90,3 7,5/ 16,9 0,6 / 2,5 0/0,3 0,0 / 0,2 1,33/1,88 0,62 / 0,84
PIF no Qlla L/Vc-w 82,1/90,5 6,4/14,7 0,9/11,6 n.d. 59,1 / 84,8 11,3/35,7 0,9/3,1 0,1/1,7 1,69/2,30 0,59 / 0,82
PIF no Qllb Lc-w 53,4/74,7 19,3/44,8 0/4,6 1,7/4,0 85,9/92,0 4,7/9,4 1,5/5,8 0/0,4 0,1/0,4 0,60/1,33 0,61 /0.73
Pseudosecundárias no qz. hialino QUI Lw-c 57,3/83,6 12,6/39,0 0/10,9 n.d. 84,5/93,3 4,7 / 8,6 0,9/5,5 0/0,9 0,50/ 1,40 0,77 / 0,86
PIF no QUI Lw-m 45,4 51,2 3,4 90,3 4,3 4,8 0,3 0,3 0,64

DEC - estruturas ftlonianas quartzosas em sistema de fracturas NIV-SE (NlOO a N120°) associadas a aplito-pegmatitos - Argeriz

Primárias no qz. límpido Qlla V/Lc-w 91,2 6,0 2,8 n.d. 60,1 34,8 2,2 1,0 1,87 0,48
PIF no qz. leitoso QI Lc-w 82,2/86,3 10,7/17,8 0/2,9 n.d. 90,4/91,2 7,1 /7,6 0,5 / 1,0 0/0,1 0,97 / 0,98 0,74 / 0,75
PIP no qz. límpido Qlla Lc-w 76,6/89,4 10,6/20,5 0/2,9 n.d. 87,4 / 89,7 8,5 / 8,8 0,7/1,8 0/0,2 1,08/1,90 0,65
Primárias no qz. euédrico hialino Qllb L(V)c-w 73,2/78,6 17,8/23,0 2,8/3,6 0/0,6 84,5 / 87,8 9,0/11,5 1,5/3,0 0,3 / 0,4 <0,1 0,36/2,88 0,59 / 0,73
Pseudosecundárias no qz. hialino euédrico QUI Lw-m(c) 26,9/54,6 45,4/73,1 n.d. n.d. 89,6/91,3 3,4/5,4 3,0/6,6 0,31 /0,36 0,57 / 0,69

DEC - estruturas ftlonianas quartzosas associadas ao sistema de fracturas NE-SW (N40 a N50°) - Vale de Égua

Qz.límpido Qlla (Pseudosecundárias no Qlla e PIF no QI) L/Vc-(w) 84,0/98,4 1,6/15,6 0/4,3 0/0,2 71,8/80,0 14,8/26,1 0,4/2,1 0/0,7 <0,1 1,60/4,35 0,72 / 0,90
Qz. hialino QIIbIPIF no qz. Qlla) Lc-w 77,5/83,4 13,3/22,0 0,1/3,3 0/0,5 87,2 / 87,5 7,8/8,7 1,0/ 1,7 0,1 /0,3 2,40/3,11 0,81 /0,84
Qz. Qllb (Pseudosecundárias) Lc-w 78,9/86,7 13,3/21,2 0/3,2 n d. 85,2 / 93,0 6,2/10,8 0,6 / 2,4 0/0,2 0,08/1,60 0,77 / 0,85
Qz. hialino QUI (Pseudosecundárias) L/Vm-w 41,7/52,3 40,9/53,7 2,5/6,9 n.d. 88,8/89,5 5,2/6,3 3,6/4,8 0,2 / 0,6 0,01 /0,17 0,72 / 0,83

Composições expressas em mol%; PIF: ocorrência em planos de inclusões fluidas; n.d :não detectado

223
ESTAMPAS
ESTAMPA IV-1

Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto geral das inclusões fluidas no quartzo leitoso QI e no quartzo límpido Qlla
dos filonetes de Castelares.
Tipologia das inclusões fluidas

2. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas (Lc-w) em zonas de quartzo mais límpido


(Qlla) no QI.
3. Inclusões aquo-carbónicas trifásicas (Lc-w) em zonas de quartzo mais límpido no
QI.
4. e 5. Aspecto das inclusões aquo-carbónicas do tipo Vc-w alinhadas no quartzo
límpido que preenche fendas de tracção. Note-se que a maior parte das inclusões são
de pequenas dimensões.
ESTAMPA IV-2

Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto geral das inclusões fluidas no quartzo recristalizado QII dos filonetes
encaixados em liditos de Banho.
2. Pormenor da fotografia anterior: inclusão aquo-carbónica rica em CH4 (Lw-m-S)
contendo sólidos (S) identificados como sendo grafite.
3. Espectro obtido à microssonda Raman da fase sólida da inclusão da foto anterior.
Note-se a obtenção de um pico a 1578,8 cm"1 (espectro Raman de primeira ordem da
grafite: de 1200 a 1700 cm"1) que se aproxima do pico, a 1582 cm"1, considerado por
vários autores como correspondendo ao da grafite bem cristalizada.
4. e 5. Inclusões aquo-carbónicas ricas em CH4 (Lm-w-S) isoladas no quartzo QII.
%

OPERATOR JJ EXCITRTIONln.l SU.5 SPECT.5UI KIDTHlc.­U 9.93


OBTE ia­12­1995 LSSER POW.laWI 0380 DETECTORInbr »/ d l o d i t l 1324
5HMDLE 23/VI/7 FCREMONO. l e m ­ í l 1 ­ 5 3 . 3 FILTER ,
«HTM isca SPECTSQ.ic­i 1 i­sc [NTECRATICN T I K E I , I KI
MCCE MLLTICHSM.EL 5LIT WlûTHlcflJ 3CJ NLI­IEER CP S C C U ­ I I L A T I C I I S 13

'■'. ■".'■. ', . , I ' ' Í I '.V, h

hv'm^:
2Q(jm
ESTAMPA IV-3

Estruturas quartzosas estéreis do encaixante metassedimentar

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto geral das inclusões fluidas em PIF no quartzo deformado QI dos filonetes
encaixados em liditos de Banho.
2. Pormenor da fotografia anterior: inclusões aquo-carbónicas monofásicas do tipo
Vm-(w).
3. PIF de inclusões aquosas Lw no quartzo QI.
4. Fenómenos de "implosão" observados nas inclusões do tipo Vm-(w).
5. Inclusão do tipo Lw-m-S observada nos filonetes de quartzo discordantes da
foliação.
6. Espectro obtido à microssonda Raman da fase sólida da inclusão da foto anterior
com a obtenção de um pico a 1566,2 cm" .
10prn ^ CRECU.CS CNR5
OPERBroR *cb ExcirariONin-.) s u . s SPEcr.suT v i o m u . - t j 9.95
OOrt 84-IS-199S LSSER POW. I»*) 1S3G OETECTORlnb* al d i o d . . l IÍ2J
Nfi-NCY FiRHCf.
SWPLE 20-E-2 FCRE^CNO.Um-ll 1^53.3 FILTER ,
. r s l „ n l.XS IBM
cwriNG isaa SPECTRO.i c «-ii usa INTECRÍUICN TIHEC.I ia
*0CE Mu.riCH£fí£i_ SLIT liIûTHlc*! 520 .'AJ-'BER CF íCC-MU-STICNS 13
PE."I».: , 3a

10pm :- " ;ÍTJ sina i isa


ESTAMPA IV-4

Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Jogadouro

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto geral das inclusões fluidas aprisionadas pelo quartzo leitoso deformado QI.
2. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas (tipo Lc-w) associadas ao quartzo Qlla.
3. Inclusão aquo-carbónica trifásica do tipo Lc-w que ocorre em alinhamentos no
quartzo Qlla.
4. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas (tipo Lc-w) associadas ao estádio de quartzo
Qllb.
5. Aspecto geral dos alinhamentos de inclusões fluidas observados no quartzo Qlla.
6. Aspecto geral dos alinhamentos de inclusões fluidas observados no quartzo Qllb.
7 e 8. Pormenor da fotografia anterior mostrando as formas mais comuns das inclusões
fluidas bifásicas do tipo Lc-w.
ESTAMPA IV-5

Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Vale de


Égua

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto do quartzo leitoso QI e do quartzo hialino Qllb.


2. Aspecto geral das inclusões fluidas associadas ao estádio de quartzo Qlla.
3. Pormenor da fotografia anterior: inclusão aquo-carbónica bifásica do tipo Vc-w.
4. Pormenor da fotografia 2: inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo Lc-w.
5 e 6. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas (tipo Lc-w) observadas no quartzo Qllb.
. . ?" .jrf' Á i B­^i ■•'. * « »
j i l f ^ j l b 4 *­■ •> i . «■. ' ­ •*
ESTAMPA IV-6

Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos do filão de Vale de


Égua

Observação à lupa binocular

1. Quartzo QUI em fracturas da arsenopirite euédrica.

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

2. Aspecto geral das inclusões fluidas contidas no quartzo QUI.


3 e 4. Pormenor da fotografia anterior: inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo
Lm-w.
5 e 6. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo Vm-w observadas no quartzo QUI.
10(jm
ESTAMPA IV-7

Tipologia das inclusões fluidas contidas nos quartzos das estruturas


silicificadas de Três Minas

Observação ao microscópio óptico em luz transmitida

1. Aspecto geral das inclusões fluidas contidas no quartzo límpido deformado QII.
2. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo Lc-w contidas no quartzo límpido
deformado.
3. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo Lw-m em PIF no QII.
4. Inclusão aquo-carbónica contendo uma fase sólida (tipo Lw-m-S) observadas em
PIF no QII.
5. Inclusão aquo-carbónica contendo uma fase sólida (tipo Lw-c-S) observadas em PIF
noQI.
6. Espectro obtido à microssonda Raman da fase sólida da inclusão da foto 5 com a
obtenção de um pico a 1560,9 cm"1.
7. Inclusões aquo-carbónicas bifásicas do tipo Lw-c orientadas no quartzo hialino
QIV.
OffJWrcS reb EXCITHTiaK.nnl 5 U . 5 SPECr.SUT WIDri(c„-I> 9.9J
CKECU.GS CNRS
OOrE 89-21 -19-33 LASER POW. talfl 530 DETECTORI.ib- »l l i o j . , 1 1024
N f f C FRKÍE
^ t u l o - i 2.30 I5M SP'LE I . 1~„ F0RBOI0.le.-ll I4S3.3 FIUTER ,
GRP'irc 1533 SPECTRO. icm-u usa INTECRPTIDII T I P E I S J 13
MODE MULT!0"=\«EL SLIT M O T I l i . l 333 NJ-S£S 3F PCCLfLUiraiS 13
RE,'«TS: .33 l a o l i i i n
CAPITULO V

CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES


P-T-X DOS FLUIDOS

CA? V. Introdução; metodologia; geotermó-


metros; estimativa das condições P-T de
aprisionamento nas diferentes estruturas;
estimativa das fOz. reconstituição global das
condições P-T-X de circulação dos fluidos.
V.l-INTRODUÇÃO

As propriedades P-V-T-X de cada inclusão determinam uma isócora no plano


P-T. A reconstituição das condições P-T de aprisionamento dos fluidos é deduzida com
base no traçado das isócoras representativas das diferentes tipologias. Deste modo, um
conjunto de isócoras das inclusões que caracterizam um determinado episódio de
fluidos, delimitam um domínio de pressão de aprisionamento dessas inclusões, sendo a
pressão mínima de aprisionamento fixada pela temperatura de homogeneização global
(TH) das inclusões.

V.2- METODOLOGIA

Fluidos aquo-carbónicos

O cálculo das isócoras relativas às inclusões fluidas foi obtido, combinando os


dados da composição e volume molar (X-V), obtidos por espectrometria Raman e
microtermometria, com as equações de estado indicadas por Kerrick & Jacobs 1981,
Jacobs & Kerrick 1981 (sistema H 2 0-C0 2 -CH 4 ) e Bowers & Helgeson 1983 (sistema
H20-C02-CH4-NaCl) nos termos do programa de cálculo desenvolvido por J. Dubessy
(Dubessy 1984; Dubessy et ai. 1987, 1989).

E necessário ter em conta um certo número de incertezas que podem afectar o


traçado das isócoras e consequentemente a estimativa dos valores da pressão. Entre
elas refere-se principalmente, os problemas inerentes às estimativas da quantidade de
água (Flw) em inclusões pertencentes a uma mesma geração de fluidos, implicando
grande variação no calculo da densidade e consequentemente do traçado das isócoras.
Estes factos foram também referidos em estudos de mineralizações filonianas auríferas
nomeadamente, no Maciço Central Francês (Boiron et ai. 1990; Essaraj 1992), em
Marrocos (Bastoul 1992) e no NW da Península Ibérica (Essaraj 1992; Barakat 1995;
Nogueira 1997).

247
Cathelineau et al. 1993b aponta as várias causas que poderão conduzir à
coexistência espacial de fluidos carbónicos com fluidos aquosos salientando a
necessidade de recorrer a estudos complementares (e.g., observação do quartzo ao
MEV-CL) a fim de obter respostas claras e concretas sobre a confirmação ou a
negação de sincronismo entre os diferentes tipos de fluidos.

Para além dos problemas associados às variação da quantidade de água (uma


estimativa de ± 5% causa uma incerteza que pode variar em média entre 10 a 50 MPa,
aumentando com a temperatura e com a quantidade de água nas inclusões) outros, de
ordem analítica e incertezas de vária ordem podem intervir no traçado das isócoras e
nas estimativas dos valores da pressão,tais como:

- as imprecisões devidas à estimativa da salinidade calculada quer a partir da


temperatura da fusão dos clatratos, quer fundamentalmente da temperatura de
r

fusão do gelo. E de assinalar que a um aumento da salinidade da ordem dos


0 a 5 eq.%NaCl corresponde um incremento da pressão em torno de
10 ± 5 MPa;

- os erros cometidos durante as diferentes etapas de cálculo da composição


global das inclusões fluidas, sobretudo a determinação do volume molar da
fase carbónica.

A determinação da pressão mínima de aprisionamento acarreta também algumas


incertezas, pois nem sempre é possível determinar a temperatura de homogeneização
global (TH) tanto pelo facto das inclusões aquo-carbónicas decrepitarem com uma
certa frequência, como por apresentarem dimensões reduzidas.

248
Fluidos aquosos

Para o cálculo da pressão mínima de aprisionamento e das isócoras relativas a


inclusões fluidas pertencentes ao sistema H20-NaCl recorreu-se ao programa
FLINCOR, desenvolvido por Brown & Hagemann 1994, recorrendo às equações de
Zhang & Frantz (1987).

Condições reais de aprisionamento

As condições P-T mínimas de aprisionamento são definidas pelo par PH-TH


que correspondem às condições P-T reais de aprisionamento caso haja evidências de
fenómenos de ebulição de fluidos. Na ausência de evidências de ebulição o conjunto
das isócoras projectadas num diagrama P-T dá uma estimativa grosseira do domínio P-
T de aprisionamento. Assim, torna-se necessário recorrer a dados adicionais,
especialmente no que concerne à temperatura (geotermómetros) a fim de restringir os
domínios de variação das condições P-T reais de aprisionamento dos fluidos.

A delimitação dos domínios de variação das condições P-T reais de


aprisionamento dos fluidos pode ser obtida pelo método da intersecção de isócoras de
inclusões, supostamente sincrónicas ou, pelo emprego de geotermómetros e/ou
geobarómetros independentes.
A aplicação de geotermómetros e/ou geobarómetros requer a satisfação de
alguns pressupostos, nomeadamente a confirmação de equilíbrio paragenético entre o
mineral ou minerais utilizados e o quartzo hospedeiro das inclusões fluidas.
Entre os dados geotermométricos utilizados neste estudo referem-se os obtidos a
partir da:

- dedução dos domínios P-T de estabilidade das micas potássicas, a partir dos
conteúdos em silício por unidade de fórmula de acordo com Velde (1967) e
revisto por Massone & Schreyer (1987). A intersecção dos campos P-T
encontrados experimentalmente por estes autores com as isócoras das

249
inclusões fluidas permite restringir um domínio P-T de aprisionamento dos
fluidos;

- dedução dos domínios de temperatura de cristalização das clorites. Segundo


Cathelineau & Nieva 1985 e Cathelineau 1988 a temperatura de cristalização
das clorites pode ser deduzida a partir dos seus teores em A1IV. A intersecção
destes domínios com as isócoras permite obter um domínio P-T mais restrito
de aprisionamento dos fluidos.

As temperaturas podem também ser limitadas por outros minerais ou


associações mineralógicas que caracterizam a evolução metamórfica da área em
estudo. Como exemplo citam-se:

- a presença ou ausência da biotite cuja estabilidade indica temperaturas


superiores a 450°C (Bûcher & Frey 1994);
- a presença de andaluzite permitindo utilizar os campos de estabilidade dos
polimorfos Al 2 Si0 5 ;
- a ausência de granada permitindo utilizar a curva de equilíbrio

moscovite+clorite+quartzo <=> almandina+anite (biotite) +H20 (Bûcher &


Frey 1994);
- o equilíbrio grafite-fluido, podendo indicar temperaturas superiores a 350o-
400°C.

250
V.3- RECONSTITUIÇÃO DAS CONDIÇÕES P T DE APRISIONAMENTO
NAS DIFERENTES ESTRUTURAS

V.3.1- Utilização dosfílossilicatoscomo geotermómetros

Micas potássicas

Dos exemplos estudados, as populações do encaixante assim como as do filão


de Jogadouro apresentam os conteúdos em Si mais baixos, 3,08±0,02. Os valores mais
elevados foram obtidos para as micas do filito grafitoso no encaixante próximo de Vale
de Égua (Si=3,27±0,02). As populações pertencentes ao encaixante e ao filão de
Argeriz apresentam conteúdos em Si semelhantes, 3,20±0,04.
As micas das estruturas mineralizadas de Três-Minas com características mais
próximas das fengites, apresenta conteúdos em Si da ordem dos 3,16+0,03.
Verifica-se que as estimativas dos domínios de estabilidade das micas
potássicas, analisadas em função do seu conteúdo em Si, se coadunam com as
condições P-T estabelecidas para a área em estudo: pico barométrico do metamorfismo
regional sin a pós-D2 com P=350 a 400 Mpa e T=350 a 450°C sobreposto por um pico
térmico sin-D3 com P=300 a 350 Mpa e T=500 a 550°C. Comparativamente , as micas
sin-D3 do encaixante e do filão de Jogadouro caracterizam-se por apontarem, para
valores de pressão idênticos aos dos outros exemplos estudados, temperaturas mais
elevadas (Velde 1967; Massone & Schreyer 1987).

Clorites

As temperaturas de cristalização das clorites foram calculadas com base na


expressão que relaciona a temperatura com os conteúdos em A1IV (Cathelineau &
Nieva 1985 e Cathelineau 1988).

As clorites de alteração hidrotermal inclusas no encaixante do filão de


Jogadouro (Clo-encJOG) apresentam os valores mais elevados para os conteúdos em

251
A1IV (Tabela AI.6-Anexo I) e os valores mais baixos para os "vazios de ocupação
octaédrica"(VAC), com valores médios da ordem de 1,44±0,02 e 0,07±0,02,
respectivamente.
As clorites contidas nas estruturas quartzosas estéreis de Castelares (Clo-cast)
apresentam, por sua vez, valores mais baixos para o conteúdo em A1IV (entre 1,12 e
1,16) e mais elevados para VAC (entre 0,16 e 0,24).
O conteúdo em A1IV das clorites contidas nas estruturas mineralizadas de Três-
Minas decresce das clorites associadas aos sulfuretos (Clol-sulf) para as gerações mais
tardias (CloII-frac), i.e., de 1,40 para 0,93 (valores médios). Esta tendência é
acompanhada por um aumento de VAC, de 0,08 para 0,37 (valores médios).
As temperaturas deduzidas a partir dos seus conteúdos em A1IV estão
representadas no diagrama da Fig.V-lA (A1IV versus T). Este diagrama mostra uma
correlação positiva entre o conteúdo em A1IV e a temperatura calculada isto é, as
clorites com maior conteúdo em A1IV são as que apresentam temperaturas de
cristalização mais elevadas. Deste modo, Clo-encJOG e Clol-sulf são clorites de mais
alta temperatura. Os valores médios deduzidos para as temperaturas de formação
destas clorites situam-se respectivamente, em torno de 400 e 390°C. O posicionamento
destas clorites ao longo da recta de substituição de Tchermack, no diagrama A1VI versus
A1IV (Fig.III-5-CAP.III), já indicava uma temperatura elevada (>300°C) para a sua
formação (Cathelineau, comun. oral).
As gerações mais tardias das clorites contidas nas estruturas mineralizadas de
Três-Minas (CloII-frac) apontam para valores de temperatura de formação
compreendidos entre 210 e 250°C. O seu afastamento relativamente à recta de
substituição de Tchermack (Fig.III-5) já sugeria temperaturas de formação, inferiores a
300°C (Cathelineau, comun. oral).

252
1,5 A1ÏV

• Clo-enc(JOG)
A Clo-cast(CAST)
oCloI-sulf(TM)
1,0
a CloII-frac(TM)

T°C
0,5
150 200 250 300 350 400 450

Fig.V-lA- Diagrama de correlação A V versus temperatura das clorites


de VPA. Temperatura calculada em função do conteúdo em A1IV.

B
0,5 T VAC

0,4

0,3
A
0,2 A

0,1 O

* . T°C
0,0
150 200 250 300 350 400 450

Fig.V-lB- Diagrama de correlação VAC versus temperatura das clorites


de VPA. Temperatura calculada em função do conteúdo em A1IV.

253
Relativamente aos vazios de ocupação octaédrica estas clorites apresentam os
valores mais elevados. Efectivamente, através do diagrama VAC versus T (Fig.V-lB)
verifica-se que estes dois parâmetros se correlacionam negativamente.
As temperaturas médias de formação calculadas para as clorites das estruturas
estéreis de Castelares (Clo-cast) são da ordem dos 300°C.

V.3.2- Condições P-T dos fluidos das estruturas quartzosas do encaixante


metassedimentar

V.3.2.1- Os filonetes de quartzo de Castelares

As isócoras projectadas no diagrama P-T da Fig.V-2A correspondem às


inclusões fluidas aquo-carbónicas do tipo Lc-w e Vc-w contidas no quartzo límpido
Qlla.

O quartzo Qlla é caracterizado por inclusões fluidas do tipo Lc-w cujas


temperaturas de homogeneização global e de decrepitação estão compreendidas entre
283 e 330°C e 266 e 309°C, respectivamente. Excluindo a inclusão cuja densidade
(d=0,89) é superior à média apresentada pelas outras inclusões e fixando a temperatura
mínima de aprisionamento destes fluidos a 330°C obtêm-se pressões mínimas de
aprisionamento que oscilam entre 75 e 140 Mpa.
As inclusões fluidas do tipo Vc-w encontram-se em alinhamentos no quartzo
Qlla. As inclusões nas quais foi possível medir a temperatura de homogeneização
global, observaram-se TH compreendidas entre 330 e 340°C. Para a inclusão
representativa destes fluidos não dispomos da temperatura de homogeneização global
em virtude de esta ter decrepitado. Assumindo uma temperatura mínima de
aprisionamento de 300°C a pressão mínima de aprisionamento correspondente será de
80 Mpa.

Na estimativa das condições reais de aprisionamento dos fluidos Lc-w foram


utilizados como geotermómetros e/ou geobarómetros: a temperatura de estabilidade da

254
biotite (>450°C), a curva de equilíbrio mo+cl+qz^>alm+an+H20 e as condições P-T
gerais da evolução metamórfica da área em estudo. Deste modo, fixando um limite
inferior de 450°C, temperatura mínima de estabilidade da biotite, correspondem
pressões compreendidas entre 180 e 265 Mpa.

Utilizando como limite máximo a intersecção das isócoras com a curva de

equilíbrio mo+cl+qz<=>alm+an+H20 obtêm-se pressões máximas de aprisionamento

de 350 Mpa (Fig.V-2A).

Para as inclusões fluidas Vc-w é difícil determinar as condições reais de


aprisionamento em virtude da falta de geotermómetros e/ou geobarómetros. Assim,
poder-se-á utilizar como limite inferior as temperaturas de cristalização, deduzidas
para as clorites tardias (304±7°C) e como limite superior as temperaturas reais mínimas
de aprisionamento do estádio de quartzo Qlla. Assim, as temperaturas de
aprisionamento prováveis para estes fluidos estarão compreendidas entre 300 e 450°C
a que correspondem pressões que variam entre 80 e 130 Mpa (Fig.V-2A).

V.3.2.2- Os filonetes de quartzo em liditos de Banho

No diagrama P-T da Fig.V-2B encontram-se projectadas as isócoras calculadas


para as inclusões fluidas aquo-carbónicas do tipo Lw-m-S, Lm-w-S e Vm-(w)
associadas ao quartzo recristalizado QII e/ou como inclusões secundárias no quartzo
deformado QI. É de notar que, em consequência da impossibilidade do observação da
temperatura de homogeneização global a projecção de algumas isócoras começam à
temperatura de 300°C (temperatura fixada pelo programa de cálculo utilizado).

As inclusões fluidas do tipo Lw-m-S e Lm-w-S, características do quartzo QII,


apresentam, respectivamente, temperaturas de homogeneização global e de
decrepitação compreendidas entre 297 e 360°C e 297 e 325°C. As TH que
correspondem às isócoras projectadas no diagrama P-T (Fig.V-2B) variam entre 297 e

255
350°C correspondendo a estas temperaturas, pressões mínimas de aprisionamento que
oscilam entre 110 e 230 Mpa.

A restrição no campo da temperatura de aprisionamento é dada principalmente,


pela ausência da biotite no domínio estrutural em que se localizam estas estruturas
(DETM). Deste modo, as condições reais de aprisionamento destes fluidos foram
deduzidas utilizando como limite máximo a temperatura abaixo da qual a biotite se
torna instável (<450°C). Fixando este limite de 450°C, obtêm-se para estes fluidos
pressões máximas de aprisionamento entre 220 e 400 Mpa (Fig.V-2B).

No quartzo QI foram somente observadas inclusões fluidas secundárias do tipo


Lw-m-S e Vm-(w). Estas últimas encontradas somente neste tipo de quartzo.
Como uma grande parte das inclusões decrepitaram não foi possível obter
temperaturas de homogeneização global para as inclusões fluidas cujas isócoras se
encontram representadas no diagrama P-T. Assumindo temperaturas mínimas de
aprisionamento entre 300 e 350°C, obtêm-se pressões mínimas de aprisionamento de
50±20 Mpa.
Fixando a temperatura máxima em 450°C, obtêm-se aproximadamente para
estes fluidos, pressões máximas de aprisionamento entre 70 e 140 Mpa (Fig.V-2B).

256
PMPa

Vc-w

T°C

200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig. V-2A- Isócoras representativas dos diferentes tipos de inclusões fluidas aquo-carbónicas
(Lc-w e Vc-w) contidas no quartzo Qfla dos filonetes de Castelares.(*): TH

B
PMPa
500

400

300

200
PIF

100 m-(w)

T°C
0 H h H 1

200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-2B- Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas contidas nos filonetes
de quartzo dos liditos de Banho. Inclusões do tipo Lm-w-S, Lw-m-S e/ou Vm-(w) associadas ao
QII e secundárias no QI. (*): TH

257
V.3.3- Condições P-T dos fluidos das estruturas quartzosas mineralizadas

V.3.3.1- O filão de Jogadouro

A- Fluidos aquo-carbónicos

As isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas


aos diferentes estádios de quartzo (Qlla, Qllb e QUI) e dos fluidos aquosos mais
tardios estão representadas nas Figs.V-3A, B e V-4.

Fluidos associados ao quartzo Qlla

As inclusões fluidas que caracterizam este estádio de quartzo são do tipo Lc-w e
Vc-w cujas isócoras estão representadas no diagrama da Fig.V-3A. As temperaturas de
homogeneização global obtidas para estas inclusões variam entre 301 e 340°C, em fase
liquida e entre 318 e 340°C em fase vapor. A estas temperaturas correspondem
pressões mínimas de aprisionamento que oscilam entre 120 e 175 Mpa e 90 e 140 Mpa,
respectivamente. As pressões mínimas de aprisionamento indicadas pelas isócoras das
inclusões Vc-w poderão estar subestimadas. Efectivamente, a isócora utilizada no
cálculo da pressão corresponde a uma inclusão que apresenta um Flw (25%) que é
inferior à média (50%) e consequentemente representa um fluido de densidade mais
baixa.

O campo P-T pode ser delimitado utilizando como geotermómetro e/ou


geobarómetro: a paragénese mineral do encaixante do filão de Jogadouro caracterizada
pela associação mineralógica quartzo+moscovite+andaluzite+biotite. Assim, na
estimativa das condições reais de aprisionamento foram utilizados como limite
superior, os campos de estabilidade dos polimorfos Al 2 Si0 5 (Robie & Hemingway
1984) e o conteúdo em SiIV das micas brancas (Massone & Schreyer 1987), como
limite inferior a temperatura de estabilidade da biotite (<450°C). Deste modo, o
domínio de aprisionamento destes fluidos situa-se entre 450 e 550°C a que

258
correspondem pressões mínimas de 200 e 280 Mpa e pressões máximas de 300 a 350
Mpa (Fig.V-3A).

Fluidos associados ao quartzo Qllb

As isócoras representadas no diagrama da Fig.V-3B correspondem a inclusões


fluidas do tipo Lc-w e Vc-w que caracterizam o estádio de quartzo Qllb.
As temperaturas de homogeneização global obtidas para estas inclusões variam
entre 340 e 375°C (TH ->V) e entre 302 e 350°C (TH -»L). A estas temperaturas
correspondem pressões mínimas de aprisionamento que oscilam respectivamente, entre
85 e 120 Mpa e 50 e 75 Mpa exceptuando a isócora de pressões mais elevadas (230
Mpa) que corresponde a uma inclusão com um Flw mais elevado (70%) que o habitual
(50%).
Na estimativa das condições reais de aprisionamento destes fluidos foram
utilizados como limite superior a temperatura de estabilidade da biotite (>450°C) e
como limite inferior as temperaturas de cristalização, deduzidas para as clorites tardias
hidrotermais do encaixante (390±10°C). Deste forma, fixando como limite inferior a
temperatura de 400°C e como limite superior a temperatura de 450°C, correspondem
pressões compreendidas respectivamente, entre 95 e 200 Mpa e 130 e 250 Mpa (Fig.V-3B).

Fluidos associados ao quartzo QUI

Os fluidos aquo-carbónicos mais tardios associados ao quartzo QUI e em PIF


neste mesmo quartzo, estão representados por inclusões fluidas do tipo Lw-c e Lw-m.
As temperaturas de homogeneização global destas inclusões, cujas isócoras mais
representativas se projectam no diagrama da Fig.V-4, estão compreendidas entre 280 e
340°C a que correspondem pressões mínimas de aprisionamento de 50 a 160 Mpa.
Na ausência de geotermómetros e/ou geobarómetros associados a este estádio
de quartzo foram utilizados como limitação do campo P-T, as temperaturas reais
mínimas de aprisionamento do estádio precedente. Assim, poder-se-á utilizar como
limite superior as temperaturas de cristalização (400°C) deduzidas para as clorites.

259
500 PMPa

Vc-w
200

T°C
I 1
200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-3A- Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas (Lc-w e Vc-w)


associadas ao estádio de quartzo Qlla do filão de Jogadouro.(*): TH

B
500 T
PMPa

Si=3,10

T°C

200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-3B- Isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas (Lc-w e Vc-w)


associadas ao estádio de quartzo Qllb do filão de Jogadouro.(*): TH

260
Desta forma, as temperaturas de aprisionamento prováveis para os fluidos associados
ao QUI estarão compreendidas entre 300-340°C (TH) e 400°C a que correspondem
pressões que variam entre 55 e 80 Mpa e 100 e 200 Mpa estimando-se, para as
inclusões do tipo Lw-m contidas em PIF, condições P-T ligeiramente inferiores
(Tmin=286°C e Pmin=50 Mpa) (Fig.V-4).

B- Fluidos aquosos

As temperaturas de homogeneização dos fluidos aquosos tardios Lwl,


associados à deposição do ouro estão compreendidas entre 146 e 163°C. São fluidos de
salinidade baixa, estimada entre 0,4 e 4 eq.%NaCl.
A isócoras representativas destes fluidos encontram-se projectadas, conjuntamente
com os fluidos do estádio de quartzo QUI, no diagrama P-T da Fig.V-4.

Para os fluidos aquosos não dispomos de dados suplementares que permitam


delimitar o domínio P-T de aprisionamento. Em todo o caso, pela sequência evolutiva
manifestada por estes fluidos, não parece descabido considerar temperaturas e pressões
de aprisionamento de respectivamente, T<300°C e P<50 Mpa isto é, inferiores às dos
fluidos aquo-carbónicos precedentes.

261
Si=3,10

100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-4- Isócoras representativas das inclusõesfluidasaquo-carbónicas Lw-c e Lw-


m
(PIF), associadas ao estádio de quartzo QUI e isócoras representativas das inclusões
fluidas aquosas Lw. (*): TH; p.c: ponto crítico da água.

262
V.3.3.1.1- Conclusão

No diagrama de síntese relativo às condições P-T de aprisionamento dos fluidos


dos diferentes estádios de quartzo (Fig.V-5) observa-se uma evolução geral
manifestada por uma descompressão acompanhada por uma diminuição da
temperatura.

Os fluidos aquo-carbónicos L/Vc-w associados à deposição do quartzo Qlla e às


paragéneses sulfuretadas precoces, apresentam condições P-T reais de aprisionamento
de T=450 a 550°C e de Pmin=200 a Pmax=350 Mpa.

Os fluidos aquo-carbónicos L/Vc-w associados ao quartzo hialino Qllb que


geralmente precede a deposição da paragénese do estádio intermédio da mineralização,
mostram condições P-T reais de aprisionamento de 400 a 450°C e de Pmin=95 a
Pmax=250 Mpa.

Os fluidos aquo-carbónicos mais tardios do tipo Lw-c e Lw-m estão


relacionados com o quartzo QUI e com as paragéneses de transição do estádio
intermédio para o estádio tardio. Considerando para o seu aprisionamento temperaturas
de 300 a 400°C, as pressões de aprisionamento estimadas para estes fluidos serão de
Pmin=55 e Pmax=200 Mpa.

O último episódio de fluidos relacionados com a mineralização, corresponde à


circulação de fluidos aquosos de baixa temperatura e salinidade. Estes fluidos estão
associados à deposição da paragénese aurífera. As temperaturas e pressões de
aprisionamento estimadas, são inferiores às dos fluidos aquo-carbónicos do estádio
precedente, 163 (TH)<T<300°C e P<50 Mpa.

263
ISo
o
•—>
-g
â
g
■8
3
u
­d
o
«ca
o
J2
o

D.
U
T3
O
T5
-ta
o w
"3­ u
C/3
(D
o
in
CO

• I — <

X)
o
ca
c/3

>
■ mH

"S d
^ 3
H too
­c3
a, ctí
T3
CO

o
es O
o O
U ­t—*
c
o
■ ex
>
E ex
V.3.3.2- O filão de Argeriz

A- Fluidos aquo-carbónicos

Na Fig.V-6 representam-se, as isócoras calculadas para as inclusões fluidas


aquo-carbónicas que caracterizam os diferentes estádios da deposição de quartzo (Qlla,
Qllb e QUI) assim como, as isócoras dos fluidos aquosos mais tardios.

Fluidos associados ao quartzo Qlla

As inclusões fluidas que caracterizam este estádio de quartzo são


dominantemente do tipo Vc-w. As temperaturas de homogeneização global obtidas
para estas inclusões variam entre 337 e 340°C, com expansão da fase volátil. Para uma
temperatura mínima de aprisionamento de TH=340°C corresponde uma pressão
mínima de aprisionamento de 65 Mpa.

Para a delimitação do campo P-T foram utilizados como geotermómetros e/ou


geobarómetros: a temperatura de estabilidade da biotite (>450°C); a curva de equilíbrio

mo+cl+qz<=>alm+an+H20 e as curvas P-T das fengites (Velde 1967). Como se


verifica pela análise do diagrama P-T a isócora representativa destes fluidos não
intersecta as curvas dos geotermómetros a temperaturas superiores a 450°C tornando-
se deste modo, difícil a estimativa das condições reais máximas de aprisionamento.
Este facto poderá advir da subestimação da densidade da isócora em consequência da
quantidade da componente aquosa (Flw =20%) ser inferior à média (Flw=50%)
apresentada pelas inclusões associadas a este tipo de quartzo. Do mesmo modo, a
pressão mínima de lOOMpa, fixando como limite inferior a temperatura de 450°C,
estará subestimada.

Inclusões em PIF no Ql

As inclusões fluidas que ocorrem em alinhamentos no quartzo leitoso são do


tipo Lc-w com temperaturas de homogeneização global entre 256 e 344°C em fase

265
líquida. As inclusões cujas isócoras se encontram projectadas no diagrama P-T (Fig.V-
6) apresentam valores da temperatura de homogeneização global e de decrepitação
respectivamente, de 321 e 315°C. A estas temperaturas correspondem pressões
mínimas de aprisionamento de 101 e 109 Mpa.

A temperatura máxima de aprisionamento foi limitada pela curva de equilíbrio

mo+cl+qz<=>alm+an+H20 e pela presença de fengites. A temperatura mínima de


aprisionamento foi limitada pela estabilidade da biotite (>450°C). Deste modo, o
domínio de aprisionamento destes fluidos situa-se entre 450 e Tmáx=520°C a que
correspondem pressões mínimas entre 190 e 230 Mpa e pressões máximas de 280 a
300 Mpa (Fig.V-6).

Fluidos associados ao quartzo Qllb

As isócoras representadas no diagrama da Fig.V-6 correspondem a inclusões


fluidas do tipo Lc-w e Vc-w que caracterizam o estádio de quartzo Qllb.
As temperaturas de homogeneização global obtidas para estas inclusões variam
entre 327 e 370°C (TH —»L/V). As TH correspondentes às isócoras estão comprendidas
entre 327 (TH ->V) e 368°C (TH ->L) e decrepitam a temperaturas de 300 a 350°C. A
estas temperaturas correspondem pressões mínimas de aprisionamento variando
respectivamente entre 50 e 110 Mpa e 80 e 120 Mpa.
Para estimar as condições reais de aprisionamento destes fluidos foram
utilizados como limite superior, a temperatura abaixo da qual a biotite se torna instável
(<450°C) a que correspondem pressões aproximadamente de 190 Mpa. Na ausência de
geotermómetros a nível da limitação das P-T mínimas de aprisionamento foi utilizado
como limite inferior temperaturas de 370 a 400°C (próximas das TH) correspondendo
deste modo, pressões comprendidas entre 130 e 140 Mpa (Fig.V-6).

266
Fluidos associados ao quartzo QUI

Os fluidos aquo-carbónicos mais tardios associados ao quartzo QUI e em PIF,


estão representados por inclusões fluidas do tipo Lw-c e Lw-m, por esta ordem. As
inclusões fluidas, cujas isócoras mais representativas se encontram projectadas no
diagrama da Fig.V-6, decrepitaram, entre 290 e 320°C, antes de ser observada a TH as
pressões mínimas de aprisionamento correspondentes de 30 e 80 Mpa serão inferiores
às estimadas para o par TH-PH.
Na ausência de geotermómetros e/ou geobarómetros associados a este estádio
de quartzo foram utilizados como limitação do campo P-T, as temperaturas reais
mínimas de aprisionamento do estádio precedente. Utilizando como limite superior a
temperatura de 370°C e como limite inferior a temperatura de 320°C (Td), os valores
estimados para a pressão real de aprisionamento situar-se-ão em torno de 90±10 Mpa
(Fig.V-6).

B- Fluidos aquosos

As temperaturas de homogeneização dos fluidos aquosos tardios Lwl,


associados à deposição da paragénese aurífera estão compreendidas entre 163 e 293°C.
As salinidades estimadas são baixas, variando entre 0,2 e 3,4 eq.%NaCl.
Para estes fluidos aquosos não dispomos de dados suplementares que permitam
delimitar o domínio P-T de aprisionamento (Fig.V-6). Contudo, o estudo
microtermométrico parece evidenciar uma continuidade evolutiva a partir dos fluidos
aquo-carbónicos. Sendo assim, não parece descabido considerar, pressões de
aprisionamento de 40 ±10 Mpa a que correspondem temperaturas em torno de 300°C.

267
o
o
N
<L>
ÛÛ
o t­
in <
O
­a
o
O 22
o
IO
S
o
c
í/5

T3
o
o ■ 1 — 1

3
■tf G
U
T3
o
O ici
o o
■tf o3
"o
o

o
m 8,
<u
rn
­o
«
o
■ . —

T3
O ­03
o *­•
m «
<U
in
<U
•<­>
C
o <D
04 >­
,U
«
43
CO
O
O 03
c/>
o 03
.>
•íjj
J3 03
CS
O 13
>­. 3
Û. 1 ­03
OH 03
I/Í ­a
o
o
o
o o o o O
o T3 s
c
o o o o C o
tf o O o
a a
o
*ò D­
>
to ò
u. d
V.3.3.2.1- Conclusão

No diagrama P-T (Fig.V-6) de aprisionamento para os fluidos contidos nos


diferentes estádios de quartzo (QI, Qlla, Qllb e QUI) observa-se de um modo geral,
uma evolução manifestada por uma descompressão acompanhada por uma diminuição
da temperatura.

Relativamente aos dados de temperatura e pressão de aprisionamento dos


fluidos aquo-carbónicos, o registo mais precoce diz respeito aos fluidos contidos em
inclusões (Lc-w) alinhadas no quartzo leitoso QI. Estes fluidos apresentam condições
P-T reais de aprisionamento de 450°C<T<520°C e de Pmin=190 a Pmax=300 MPa.
Estes valores são ligeiramente inferiores aos registados pelos fluidos do estádio de
quartzo Qlla do filão de Jogadouro sugerindo que estes alinhamentos representem o
sistema mais precoce de microfissuras.

Os fluidos aquo-carbónicos L/Vc-w associados ao quartzo hialino Qllb e à


deposição de arsenopirite II foram estimadas condições P-T reais de aprisionamento de
T=370 a 400°C e Pmin-130 a Pmax=140 MPa.

Para os fluidos aquo-carbónicos mais tardios do tipo Lw-c e Lw-m (PIF)


relacionados com o quartzo QUI e essencialmente com a bismutinite, estimaram-se
temperaturas de aprisionamento de 320 a 370°C e pressões correspondentes de 90+10
MPa.

Os fluidos aquosos de baixa salinidade associados à deposição da paragénese


aurífera foram capturados em condições de T<300°C e pressões de aprisionamento de
40 ±10 MPa.

269
V.3.3.3- O filão de Vale de Égua

A- Fluidos aquo-carbónicos

As isócoras representativas das inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas


aos diferentes estádios de quartzo (Qlla, Qllb e QUI) e dos fluidos aquosos mais
tardios estão representadas no diagrama P-T da Fig.V-7.

Fluidos associados ao quartzo Qlla

As isócoras correspondentes às inclusões fluidas do tipo Lc-w e Vc-(w) que


caracterizam este estádio de quartzo, encontram-se representadas no diagrama da
Fig.V-7. As temperaturas de homogeneização global obtidas para as inclusões que
caracterizam este tipo de quartzo variam entre 312 e 323°C, em fase líquida e em torno
de 330°C em fase vapor. A decrepitação das inclusões foi observada a temperaturas de
300±20°C. As isócoras representadas no diagrama correspondem a inclusões que na
sua maioria decrepitaram. As TH observadas são de 320 e 340°C a que correspondem
pressões mínimas de aprisionamento de 130 e 300 MPa.

Na estimativa das condições reais de aprisionamento foram utilizados para a


delimitação do campo P-T as curvas P-T das fengites (Velde 1967) e a temperatura de
estabilidade da biotite (>450°C). Deste modo, o domínio de aprisionamento destes
fluidos no campo da temperatura situa-se entre 450 e 500°C a que correspondem
pressões máximas de 400 a 450 MPa e pressões mínimas de 300 MPa a T=450°C
(Fig.V-7).

Fluidos associados ao quartzo Qllb

As inclusões fluidas que caracterizam o estádio de quartzo Qllb são do tipo


Lc-w, nas quais as temperaturas de homogeneização global foram observadas entre
280 e 303°C em fase líquida. As inclusões que se encontram projectadas no diagrama

270
(Fig.V-7) apresentam temperaturas de 286 a 304°C a que correspondem pressões
mínimas de aprisionamento de 120 a 190 Mpa
O campo P-T das condições reais de aprisionamento foi delimitado utilizando as
curvas P-T das fengites e a temperatura de estabilidade da biotite, como limite
superior. Deste forma, fixando como limite superior a temperatura de 450°C e como
limite inferior a temperatura de 400°C, obtêm-se pressões compreendidas entre 320 e
380 Mpa e 270 e 300 Mpa, respectivamente.

Fluidos associados ao quartzo QUI

Os fluidos aquo-carbónicos associados ao quartzo QUI estão representados por


inclusões fluidas do tipo Vm-w e Lm-w. A homogeneização global destas inclusões
ocorre tanto em fase liquida, como em fase vapor a temperaturas que variam entre 335
e 360°C, e 345 e366°C, respectivamente. As inclusões respeitantes às isócoras
projectadas no diagrama da Fig.V-7, apresentam TH compreendidas entre 348 e 360°C
(TH ->L) e 350 366 (TH ->V). A estas temperaturas correspondem pressões mínimas
de aprisionamento de 190 a 290 Mpa e 170 a 210 Mpa, respectivamente.
Na ausência de geotermómetros e/ou geobarómetros associados a este estádio
de quartzo foram utilizados como limitação do campo P-T, as temperaturas reais
mínimas de aprisionamento do estádio precedente. Assim, poder-se-á utilizar como
limite superior a temperatura de 400°C. Desta forma, as temperaturas de
aprisionamento prováveis para os fluidos associados ao QUI estarão compreendidas
entre 350-370°C (TH) e 400°C a que correspondem pressões que variam
respectivamente, entre 170 e 200 Mpa e 200 a 260 Mpa (Fig.V-7).

B- Fluidos aquosos

Os fluidos aquosos Lwl associados à deposição da paragénese aurífera,


apresentam temperaturas de homogeneização compreendidas entre 141 e 305°C com
uma moda entre 220 e 240°C. São fluidos de salinidade baixa, entre 0,5 e 4 eq.%NaCl.

271
Na ausência de dados suplementares toma-se difícil a delimitação do domínio
P-T de aprisionamento dos fluidos aquosos contudo, considerando a sequência
evolutiva a partir dos fluidos aquo-carbónicos, não parece de todo irreal estimar para
os fluidos aquosos, pressões de aprisionamento de 50 a 90 Mpa.

V.3.3.3.1- Conclusão

O diagrama P-T da Fig.V-7 mostra que, de um modo geral, a evolução P-T dos
fluidos é semelhante aos exemplos descritos anteriormente. A evolução é manifestada
por uma diminuição da pressão acompanhada por um arrefecimento dos fluidos.

Os fluidos aquo-carbónicos associados à deposição do quartzo Qlla e às


paragéneses sulfuretadas precoces, apresentam condições P-T reais de aprisionamento
de T=450 a 550°C e de Pmin=300 a Pmax=450 Mpa.

Os fluidos aquo-carbónicos L/Vc-w associados ao quartzo hialino Qllb que


geralmente precede a deposição dos sulfuretos do estádio intermédio da mineralização
(e.g., arsenopirite II), mostram condições P-T reais de aprisionamento de 400 a 450°C
e de Pmin=270 a Pmax=380 Mpa.

Os fluidos aquo-carbónicos mais tardios e enriquecidos em CH4 estão


associados ao quartzo hialino QUI que geralmente se encontra a preencher fracturas
nos sulfuretos precoces. Estimando para estes fluidos temperaturas de aprisionamento
de 350 a 400°C as pressões de aprisionamento correspondentes serão de Pmin=170 a
Pmax=260 Mpa.

O último episódio de fluidos corresponderá à circulação de fluidos aquosos de


salinidade baixa e temperatura inferior aos episódios precedentes. A deposição da
paragénese aurífera (ouro+sulfossais de Ag, Pb, As, Cu e Te) está associada a estes
fluidos. Para os fluidos aquosos estimam-se pressões de aprisionamento de 70 ±20
Mpa.

272
o
o

O
o

O
-3"

O
O

O
o S
m >-
caa
=3
o
<N
2
05

s
O 03
o
i
H m
IH
H
-CS
OH RJ
O r/l T3
O
O
* ^ H
73
ei O
O o o
o O ■fcj
c
r-- o
■ u*
>
bo o
UH CL,
V.3.3.4- As estruturas silicificadas de Três Minas

A- Fluidos aquo-carbónicos

Foram calculadas as isócoras das inclusões fluidas aquo-carbónicas associadas


aos diferentes tipos de quartzo contidos nas estruturas silicificadas, que podem ou não
conter mineralização assim como, para os fluidos aquosos mais tardios.

Fluidos associados ao estádio de quartzo QII

As inclusões do tipo Lc-w e Vc-w são exclusivamente observadas no quartzo


límpido deformado- QII característico das estruturas silicificadas não mineralizadas.
As temperaturas de homogeneização global obtidas para as inclusões Lc-w são
observadas a temperaturas que variam entre 302 e 327°C.
A isócora calculada para a inclusão representativa deste tipo de fluidos
apresenta um valor da temperatura de homogeneização global de 325°C (TH -»L) a
que corresponde uma pressão mínima de aprisionamento de 195 MPa (Fig.V-8A).

A restrição no campo da temperatura de aprisionamento é dada principalmente,


pela ausência da biotite no Domínio Estrutural de Três Minas. Fixando como limite
máximo a temperatura abaixo da qual a biotite se torna instável (T<450°C) obtêm-se
para estes fluidos pressões máximas de aprisionamento de 340 MPa (Fig.V-8A).

Fluidos associados ao estádio de quartzo QUI

As inclusões fluidas do tipo Lw-m e Lm-w associadas a este estádio de quartzo


ocorrem no quartzo microcristalino QUI das estruturas silicificadas não mineralizadas
e em PIFs no QI das estruturas silicificadas mineralizadas. As isócoras representadas
no diagrama P-T da Fig.V-8A correspondem a inclusões fluidas cujas temperaturas de
homogeneização global estão comprendidas entre 310 e 357°C. As pressões mínimas
de aprisionamento correspondentes variam entre 85 e 175 MPa.

274
Para a delimitação do campo P-T foram utilizados como geotermómetros, as
curvas P-T das fengites contidas nos xistos sericítico-cloríticos situados no encosto
destes com as lentículas quartzosas mineralizadas e as temperaturas de cristalização
das clorites pós-QIII. Utilizando como limite máximo a curva das fengites
correspondente ao conteúdo máximo Si=3,20 e como limite inferior as temperaturas
obtidas para a cristalização das clorites (Tmáx«400°C) as condições P-T reais de
aprisionamento definidas para os fluidos associados ao quartzo QUI, serão de:
T=450°C e P=280 a 200 Mpa; T=400°C e P=220 a 150 Mpa.

Fluidos associados ao estádio de quartzo QIV

As inclusões fluidas associadas a este estádio de quartzo ocorrem no quartzo


hialino QIV associado aos sulfuretos tardios (Lw-m) em PIFs no QII (Lw-m-S). As
inclusões fluidas representativas deste estádio apresentam grande variação da
densidade e consequentemente as isócoras correspondentes abrangem um domínio
alargado de pressões (Fig.V-8A). As pressões mínimas de aprisionamento,
correspondentes às temperaturas de homogeneização global de 312°C (Lw-m) e de
326°C (Lw-m-S) são respectivamente, de 100 Mpa e 25 MPa.
Para a delimitação do campo P-T foram utilizados como geotermómetros, a
temperatura de cristalização das clorites associadas a este estádio (T=388±15°C). Deste
modo, as condições P-T prováveis de aprisionamento definidas para este estádio de
quartzo serão de: T=400°C e P=180 a 60 Mpa; T=370°C e P=150 a 40 Mpa.

As condições P-T de aprisionamento estabelecidas para os fluidos


aquocarbónicos mais tardios contidos em inclusões que ocorrem em PIFs no QI
(Lw-c-S) e no QII (Lw-m) serão de: Pmin=20 a 40 Mpa (correspondentes às TH);
Pmáx=70 Mpa para Tmáx=370°C.

275
B- Fluidos aquosos

As temperaturas de homogeneização dos fluidos aquosos tardios, associados à


deposição da paragénese aurífera, estão compreendidas entre 135 e 260°C com um
máximo entre 240 e 260°C.
A delimitação do domínio P-T de aprisionamento dos fluidos aquosos foi
realizada utilizando como geotermómetro as temperaturas de cristalização das clorites
tardias que variam entre 210 e 250°C. Considerando a intersecção da isócora média
com a média das temperaturas de cristalização obtêm-se para os fluidos aquosos,
pressões máximas de aprisionamento de 50 Mpa (Fig.V-8B).

V.3.3.4.1- Conclusão

Comparativamente às estruturas filonianas os fluidos aprisionados nas estruturas


silicificadas também manifestam uma tendência evolutiva caracterizada por
diminuição da pressão acompanhada pelo decréscimo da temperatura.

A evolução geral dos fluidos aquo-carbónicos das estruturas silicificadas


encaixantes da mineralização apresentam variação entre condições P-T máximas de
Pmáx=340 Mpa e Tmáx=450°C atribuídas ao QII, até Pmáx=70 Mpa para
Tmáx=370°C para os fluidos contidos em PIFs no mesmo quartzo (Fig.V-8A).

O registo das condições P-T dos fluidos contidos nos quartzos mineralizados
começa a pressões mais baixas Pmáx=200 MPa para Tmáx=370°C, evoluindo para
pressões e temperaturas idênticas às precedentes (Fig.V-8A). Deste modo, os fluidos
contidos no quartzo microcristalino QUI associado ao estádio intermédio da
mineralização (arsenopirite+pirite), apresentam P=260 a 200 Mpa para T=450 a 400°C.

Os fluidos contidos no quartzo hialino QIV associado à deposição dos


sulfuretos tardios apresentam condições P-T reais de aprisionamento estimadas de,
P=180 a 150 Mpa e T=400°C a 370°C.

276
A 500 -, PMPa
3,20 ,
# y' 3,16
QII
bi -x-Qin
X QIV
— X - PIFQIV
400 - s * <w S x — ô — PIF
on,
clol-sulf. A 4
' WX
, /'*Zr
X'
. *
<* Silic.
300 - 1 J r T ^ r* S* X mm silicinm
-
1
^* X
,•*
200 -
^P¥QIUX ,
^-*'"'" X
X
y X
100 - Xv .'■•.■■-.'■•X,.** i

X
xjj BUI *
PII 1
0- 1— —1— 1 1 1 11T°C
200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-8A- Condições P-T relativas aos diferentes estádios de percolação defluidosaquo-


carbónicos nas estruturas silicifícadas de Três Minas. Silic. : estruturas silicifícadas; Silic.min.
estruturas silicifícadas mineralizadas.

B 500TPMPa

T°C
100 150 200 250 300 350 400 450 500

Fig.V-8B- Isócoras representativas das inclusões fluidas aquosas Lw. p.c: ponto crítico da H 2 0.

277
As condições P-T reais de aprisionamento estabelecidas para os fluidos
aquocarbónicos mais tardios, contidos em inclusões que ocorrem em PIFs são, P=70
Mpa para Tmáx=370°C. A queda acentuada da pressão deverá ser consequência da
falta de dados relativos ao estádio de quartzo QIV.

Para os fluidos aquosos relacionados com a deposição do ouro, estimam-se


pressões de aprisionamento inferiores a 50 Mpa para temperaturas em torno de 230°C
(Fig.V-8B).

278
V.4- CONDIÇÕES OXIDAÇÃO-REDUÇÃO DOS FLUIDOS DAS
ESTRUTURAS MINERALIZADAS

Para a avaliação das condições de oxidação-redução dos fluidos contidos nas


inclusões fluidas representativas das estruturas mineralizadas recorreu-se às equações de
estado de Jacobs & Kerrick (1981) e Kerrick & Jacobs (1981). Estas equações permitem o
cálculo dos coeficientes de fugacidade do oxigénio (/0 2 ) e do enxofre (/S2) utilizando as
fracções molares dos componentes voláteis obtidas por análise Raman das inclusões
fluidas, considerando os seguintes equilíbrios químicos:

CH4+202Cí>2H20+C02

2H2+S2<=>2H2S

Estimativa da fugacidade do oxigénio f02

No presente estudo foram estimadas somente asy0 2 uma vez que a presença de
H2S não foi detectada em todas as amostras. As^D2 foram calculadas para um leque de
temperaturas semelhante ao das temperaturas deduzidas para o aprisionamento dos
diferentes estádios de fluidos aquo-carbónicos em equilíbrio no sistema C-O-H
(Dubessy et ai. 1989).
Os diagramas \ogj02 versus T(°C) da Fig.V-9 revelam que, de uma forma geral,
as J02 dos fluidos posicionam-se no domínio entre o tampão Ni-NiO e o Q-F-M
aproximando-se do percurso do tampão Ni-NiO à medida que a temperatura diminui.

Jogadouro
Para um leque de temperaturas compreendido entre 300 e 550°C obtiveram-se
J02 que variam entre 10 34'5 e IO"22 (Fig.V-9A). Contudo, relacionando as fugacidades
com as temperaturas estimadas para o aprisionamento dos fluidos verifica-se um
decréscimo do valor de J02 (IO 22 a 550°C) desde os fluidos Lc-w (Qlla), para os

279
fluidos associados ao Qllb (10 a 450°C) até aos fluidos Lw-c/m associados ao QUI
(IO"31 a350°C).

Argeriz
Os valores dasy0 2 obtidos para uma gama de temperaturas compreendidas entre
300 e 500°C são semelhantes aos precedentes variando entre IO"24 a 500°C (Qlla) e
IO"35 a 300°C (QUI) (Fig.V-9B).

Vale de Égua
A f02 nos fluidos aprisionados pelas inclusões aquo-carbónicas contidas nas
diferentes gerações de quartzo (Qlla, Qllb e QUI) variam no intervalo [IO23,5 , IO"34 ]
para um leque de temperaturas compreendido entre 300 e 500°C (Fig.V-9C).
Relativamente às temperaturas de aprisionamento estimadas para estes fluidos
verifica-se uma evolução manifestada pela diminuição das/0 2 no sentido dos fluidos
enriquecidos em CH4 na fase volátil (QUI). Deste modo, os fluidos mais ricos em C0 2
(Qlla) apresentam valores defD2 de IO"23-5 a 500°C; Qllb IO"25,5 a 450°C e os fluidos
mais ricos em CH4 (QUI) IO31 a 350°C.

Três Minas
Para os fluidos contidos nas inclusões das estruturas silicificadas de Três Minas
obtiveram-se, para um leque de temperaturas compreendido entre 300 e 450°C,yO2 que
variam entre IO"35 e IO"26 verificando-se uma aproximação às fugacidades fixadas pelo
tampão Ni-NiO à medida que a temperatura diminui. Assim, os fluidos Lc-w
associados ao QII apresentam valores d a / 0 2 de IO"26 para uma temperatura de 450°C.
Para a mesma temperatura, os fluidos do tipo Lm-w/ Lw-m associados ao QUI,
apresentam valores d e / 0 2 média semelhantes(10"27), embora exibindo maior amplitude
de valores. Os fluidos do tipo Lw-m-S (em PIFs no QI e QII) apresentam à temperatura
de 350°C, valores dey0 2 de IO"32, atingindo valores de IO"35, nos fluidos mais tardios (a
T=300°C).

280
O

­O
Xi
z
. r.

a1 s1

O
<U
V,
3
cr m tí
es .s 3
co
cd >
• i­H
CO +­*
"2 «1) O
'3
(11
CO
<u
^H

CO

g ­D
o ai tu
g
co
11
(Ti
cd V i
T3 • H
a
O i <U ' S

1 ­a> s
O
1

1
cd

N
(D
O fl>
3,
cr
"O
<N
00 <i>
*
a 1
o m '3cr
o <i>
TJ
Tl 3
o
£ ­a T3
00 ' O
'3 I—i
o
<t>
S< Fr
T5
cd a
­o T3 (U
oo 03
O ­*­»

f<u 1
<n
«
CD
co

&1 1
li
^­v o X
M
a O
u ­i ícd
H cr
ff
T3
S
f\
TJ
co
CD

tu íO
O
IN cd
T3
m
8ou oo
CO
'p
o cu
I/l d ■a
IH
(O
§ 'O
*n T3 o*
cd CO
c
cd +­»
Q
a
cd
Os
X)
S ­S fa
.9 S ex
ti­ O Ci
Na globalidade os valores dey0 2 posicionam-se no domínio entre os tampões
Ni-NiO e Q-F-M, sendo indicadores de um meio redutor. Dado que neste ambiente não
ocorre nem magnetite nem faialite, os valores encontrados para/0 2 deverão ter sido
tamponados pelo equilíbrio fluido-grafite registado durante o processo metamórfico. A
importância do processo metamórfico neste equilíbrio é evidenciada pela presença de
fluidos ricos em CH4 quer em fílonetes instalados em litologias ricas em matéria
carbonosa, como por exemplo, liditos e xistos negros, quer em estruturas mineralizadas
encaixadas em litologias mais diversificadas. Nestas últimas, o enriquecimento em
CH4±(N2) é resultante da desvolatilização de rochas mais ou menos carbonosas do
encaixante metassedimentar durante o metamorfismo. A presença de grafite observada
nas inclusões vem corroborar estas afirmações, sendo a sua presença justificada pela
reacção do C0 2 com o CH4:

CH 4 +20 2 O2H 2 0+C0 2

V.5- RECONSTITUIÇÃO GLOBAL DAS CONDIÇÕES P-T-X DE


CIRCULAÇÃO DOS FLUIDOS

Na generalidade a composição e a evolução P-T dos fluidos das diferentes


estruturas estudadas na região VPA, evidencia grande semelhança. Contudo,
verificam-se algumas diferenças condicionadas pelo contexto litológico e estrutural.
Estas variações de contexto decorrem da localização num dos dois domínios estruturais
definidos para esta região, respectivamente Domínio Estrutural de Três Minas (DETM)
e Domínio Estrutural de Carrazedo (DEC) (Fig.V-lOA e B).
De um modo geral, em ambos os domínios estruturais, a evolução
composicional dos fluidos manifesta-se por um decréscimo da temperatura e da
pressão, acompanhada por uma diluição. Os fluidos evoluem a partir de condições P-T
máximas (P=350 a 450 MPa e T=450 a 550°C) compatíveis com as pressões e
temperaturas estimadas para o metamorfismo regional (P=350 a 400 MPa e T=500 a

282
550°C), até temperaturas T <300°C e pressões P<100 Mpa (Dória et ai. 1999; M.A
Ribeiro et ai. 1999).

No DEC a evolução P-T dos fluidos é semelhante tanto para as estruturas


estéreis como para as estruturas mineralizadas. Este domínio apresenta uma
estruturação regional sub-horizontal e as litologias mais representadas são
quartzofilitos, filitos, rochas quartzo-feldspáticas (vulcanitos ácidos), xistos negros,
quartzitos e rochas calcossilicatadas (Fig.II-3 e Fig.V-lOA e B).

Os fluidos, quer das estruturas estéreis, quer os das estruturas mineralizadas


evidenciam uma evolução, em termos de composição global, ao longo do eixo C0 2 -
H 2 0, no sentido de uma composição sucessivamente mais aquosa (Fig.V-llA e C).
Embora o C 0 2 seja o composto dominante na fase volátil das estruturas estéreis e nos
fluidos mais precoces das estruturas mineralizadas, nestas últimas verifica-se um
aumento significativo de CH4-(N2) nos fluidos mais aquosos associados aos quartzos
mais tardios (Fig.V-1 IA).

Nas estruturas filonianas de Vale de Égua a evolução P-T começa em regime


litostático a pressões que variam de 450 para 350 Mpa e a temperaturas de 500 e
450°C, respectivamente. Comparativamente com estas, as estruturas filonianas de
Jogadouro e Argeriz, associadas a aplito-pegmatitos, registam uma evolução a partir de
condições de pressão mais baixa e de mais elevada temperatura (550°C) num contexto
de mais elevado gradiente geotérmico (Fig.V-12). Esta evolução é compatível com as
condições de metamorfismo regional da área em que estão inseridas estas estruturas
uma vez que, o pico barométrico precede no tempo o pico térmico associado à
instalação dos granitos sin-tectónicos (Fig.V-13). As idades determinadas para os
granitos sin-tectónicos da área são de 320+12 Ma e 292+11 Ma para os granitos de
Alfarela de Jales (Neiva & Gomes 1991) e de 311±6 Ma para o Maciço de Cabeceiras
(Almeida 1994).

283
in
S
c
U •a
LU o
Q «u
­*—>

/ftyv
a
O
­4T y o
­D

TC)
I—I

•—
.<
3
<
u -o
O
LU
Q O
OH

>

O
id
■ r­H

o
­o
LU i—<

O
Q
a
cd

o
cd
"O
CO
O
>
• —I

3
1-
&

>­H

UU u
OH
Q ÍÍS I
<
O
>
• i—i
d ­s
C « a
(S d 6J3 /"•s
ô
­M
M ^M
U
S ki O.
S —
«U es
­M
0 es
1? ce

cinz
O

(Cai
d
M) ­d
«« ce
.2
ÍP
O O ■d
'3
o
­M ­M

fili
ce

ani
es
"ëS
eu S t73 '3
•s
h
5eu #2
"■C

« S 1 Èf
n^o
CU
CU g
N M
O V £!
N ce d © b
"S o % N S
es "d o
s .2
cr s 2 «
» F e
ds S. ex
cr ©
■s g cr
CU 1­5
"d w

titos
eu d ­ CU

Iões
te *
■M —«
­d
d o o
O SH tes i— es
a ex
CE, eu
I
H E
rr, « 1/1 ft
4
+

/"■s
eu
es
d
d
es
S 'es
m u
<cu d
H eu
o
­d
o
tes ce
e^­ O
■4­1
es
eu T3
sa

•M
S
09 eu
ce
S *S
U
o
u «U
o ce ^
u ­M
d
eu
eu 2

es
+ B
O es
es £ •
.a S, *
51! es
ce
c r es
• M

V ce d
■d « .S
es eu "d
d d «
o g ce
N 53 es
« eu
i—( c\ S
DETM
Estruturas silicificadas em zonas de cisalhamento NI20° (Três Minas)

DEC
Estruturas filonianas NNW-SSE associados a pegmatitos (Jogadouro e Argeriz)
Estruturas filonianas NE-SW (Vale de Égua)

H20

C02 CH4+N2

DEC [ Filonetes de quartzo em filitos e metavulcanitos ácidos (Castelares)

DETM | Filonetes de quartzo em liditos (Banho)

H20
B

C02 CH4+N2
Fig.V-11- Tendência em termos da composição global, manifestada pelos fluidos aquo-
carbónicos contidos nas estruturas mineralizadas do DEC e do DETM (A) e nas estruturas
estéreis do encaixante metassedimentar (B).

286
DEC - Estruturas quartzosas estéreis (Castelares)
DEC - Estruturas filonianas mineralizadas (Vale de Égua)
DEC - Estruturas filonianas mineralizadas
associadas a pegmatites (Jogadouro e Argeriz)

DETM - Estruturas quartzosas estéreis( Banho)


DETM - Estruturas silicificadas (Três Minas)
DETM - Estruturas silicificadas mineralizadas (Três Minas)

P(Mpa)
600

500 23,47Km 19 Km

400-

300
52°/Kní 10 Km
207Km

200 19Km

30°/Km
5 Km
100
10 Km

0 T°C
100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600

Fig.V-12- Síntese da evolução P-T dos fluidos de Vila Pouca de Aguiar. A tracejado: curvas
geotérmicas segundo Winkler in: Bûcher, K. & Frey, M. 1994, modificado. A tracejado
negro: regime litostático; tracejado azul: regime hidrostático.

287
A descida de pressão verificada no decurso da evolução dos fluidos de Vale de
Égua (260 para 170 MPa), Jogadouro (220 para 80 MPa) e Argeriz (200 para 70 MPa)
deverá estar relacionada com o acentuado "uplift" e/ou uma mudança de regime
litostático para hidrostático. No DEC a evolução dos fluidos dá-se sobretudo em
regime litostático a profundidades entre os 15 e 10 Km. A estruturação regional que se
verifica neste domínio estrutural permite que se mantenham as condições de regime
litostático a profundidades inferiores àquelas para as quais no DETM já se verificam
condições de regime hidrostático. No DEC só a deformação frágil-dúctil a frágil tardi a
pós-D3 gerou estruturas verticais ou subverticais que permitiram a mudança de regime
litostático para hidrostático. Esta mudança ter-se á verificado a profundidades da
ordem dos 10 Km, sendo importante realçar que no DETM a evolução dos fluidos
decorreu sobretudo em regime hidrostático e a maiores profundidades (Fig.V-10B e
Fig.V-12).
As oscilações de pressão que acompanham as mudanças de regime
litostático/hidrostático verificam-se a partir da interface D3/Fases tardias (Fig.V-13).

No DETM a estruturação regional é subvertical e as litologias representadas são


essencialmente, liditos, filitos cinzentos a negros, grauvaques e algumas rochas
carbonatadas (Fig. II-3 e Fig. V-10A e B). Comparativamente com o que se verifica
nas estruturas do DEC, neste domínio estrutural o CH4 é o composto dominante na fase
volátil embora, os fluidos mais precoces (Lc-w) das estruturas silicificadas apresentem
conteúdos em C0 2 mais elevados. Estes fluidos manifestam uma tendência evolutiva
traduzida por um enriquecimento em CH4 distinguindo-se dos do DEC pelo seu maior
conteúdo em H 2 0 (Fig.V-llB). Os fluidos mais tardios evidenciam uma evolução em
termos de composição global similar à das estruturas estéreis. A evolução
composicional dá-se no sentido de composições sucessivamente mais aquosas ao longo
do eixo (CH4+N2)-H20 (Fig.V-1 IB e C).

288
IDADE
(Ma)
H 1 1 h H 1 1 1 h H 1 1
380 360 350 330 310 300 290 280 270

FASES TARDIAS
>\
Met. de Contacto
/ \ T=500 to 550°C
\ P=f/-200MPa
Pico Barométrico Pico Térmico
CONDIÇÕES P-T Regional Regional
DO T=350 to 450°C T=500 to 550°C
METAMORFISMO P=350 to 400 MPa P=300 to 350 MPa

(IÓS-D3
INSTALAÇÃO
DOS
GRANITOS

sin-D3

ESTRUTURAS
QUARTZOSAS

REGIME
BAROMÉTRICO
DOS FLuroos
Q
ESTÉREIS
EZZZZZZZZZZ2
MINERALIZADAS

0
Variações de regime
Oscilações de pressão .drostático
Litostático

ESTÉREIS VSJJJ;W///////S///7777*
QI Qlla PIFs
D H20,C02,(CH4,N2)

E
C MINERALIZADAS
QI QII QUI PIFs
H20,C02,CH4,(N2)
»-»CH4, H20

ESTÉREIS V/////////////////77T), •
D QI QII PIFs
H20,CH4,(N2)
E »-»H20

T MINERALIZADAS i ™ w ^ w w ^ w ^ ™
M QI QII QUI QIV PIFs
H20,CH4,C02,(N2)
»-»CH4,H20

rdS

Fig.V-13- Evolução tectono-metamórfica, estruturas e regime de fluidos da região de Vila Pouca


de Aguiar.

289
A evolução P-T registada pelos fluidos das estruturas pertencentes a este
domínio estrutural manifesta um acentuado decréscimo de pressão (400 para 100 MPa)
para pequena variação de temperatura (450 para 350°C), evidenciada por linhas
evolutivas muito verticalizadas, relativamente às linhas de gradiente geotérmico
normal (Fig.V-12). É de notar que, quer os fluidos das estruturas silicificadas de Três
Minas, quer os dos quartzos dos filonetes estéreis encaixados em liditos apresentam o
mesmo tipo de evolução P-T. O registo P-T inicia-se em condições de T ou de T e P
inferiores às registadas nas estruturas estudadas no DEC evidenciando, essencialmente
em Três Minas, um processo evolutivo mais longo. A evolução efectua-se sobretudo
em regime hidrostático, a profundidades desde 30 até 10 Km (Fig.V-12). O aporte de
fluidos relativamente profundos e a sua rápida ascenção a níveis mais superficiais
deverá ter sido facilitada pela verticalidade da estruturação regional no DETM. A
ascenção relativamente rápida dos fluidos explica o acentuado decréscimo de pressão,
acompanhado por uma diminuição de temperatura pouco significativa. A verticalidade
da estrutura não só facilita a passagem dum regime litostático a um regime
hidrostático, assim como facilita a circulação vertical dos fluidos e a mistura de fluidos
metamórficos relativamente profundos com fluidos de origem meteórica (Fig.V-10 A e B).

A mineralização aurífera está relacionada com a circulação do último episódio


de fluidos registado nas estruturas de ambos os domínios estruturais. São fluidos
aquosos (Lw), de baixa salinidade (<5 eq.% NaCl) e aprisionados em condições P-T
inferiores às dos fluidos aquo-carbónicos: Pmáx<50±20 MPa e T mínimas de
aprisionamento compreendidas entre 150 e 280°C (Fig.V-12).

290
CAPITULO VI

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A região de Vila Pouca de Aguiar corresponde a um distrito aurífero onde o
essencial da mineralização ocorre em contexto intrametamórfico. A região abrange
essencialmente sequências metassedimentares do Ordovícico superior ao Devónico
inferior, enquadradas por granitos hercínicos: a norte e sul pelos granitos de duas
micas sin- a tarditectónicos, respectivamente os maciços de Chaves e de Vila Real; a
oeste pelos granitos biotíticos pós-tectónicos de VPA.

Os dois domínios estruturais definidos nesta região, respectivamente o Domínio


Estrutural de Três Minas (DETM) e o Domínio Estrutural de Carrazedo (DEC),
embora apresentando algumas diferenças litoestratigráficas e estruturais, têm em
comum a presença de litologias ricas em matéria carbonosa. As litologias
representadas no DETM são essencialmente, liditos, filitos cinzentos a negros,
grauvaques e algumas rochas carbonatadas. No DEC as litologias mais representadas
são quartzofilitos, filitos por vezes carbonosos, rochas quartzo-feldspáticas, vulcanitos
ácidos, quartzitos e rochas calcossilicatadas.

A estruturação da região resultou da actuação da Orogenia Hercínica no


decurso de três fases de deformação dúctil (Di, D 2 e D3), seguidas de deformação
frágil (fases tardias). A fase D! implicou uma xistosidade Si que, sobretudo nas
unidades do DEC, é totalmente transposta no decurso da actuação da fase D2. A fase
D3 desenvolve uma foliação sub-vertical NI20°, em ambos os domínios estruturais
embora apresentando diferenças na tipologia das estruturas resultantes.

No DETM a estruturação regional é subvertical em consequência da


sobreposição das estruturas D3 com as das fases anteriores; no DETM há a registar,
como estruturas resultantes de D3, cisalhamentos em regime dúctil geralmente
acompanhados por forte actividade hidrotermal responsável por intensa cloritização e
silicificação.

293
O DEC apresenta uma estruturação regional sub-horizontal em consequência da
actuação da fase D2. Neste domínio as estruturas sin a tardi-D3 desenvolvidas em
regime dúctil-frágil, manifestam-se sobretudo por fendas de tracção N40° a N50°E.
Em ambos os domínios as fases tardias desenvolvem fracturas conjugadas NE-
SW a NNE-SSW e NW-SE, este último sistema sobrepondo-se a estruturas anteriores.

O metamorfismo regional foi de baixo grau, zona da clorite na grande maioria


da extensão do DETM, com estreitas faixas na zona da biotite e da andaluzite restritas
às proximidades do granito sintectónico da Gralheira. No DEC o metamorfismo
regional corresponde à zona da biotite em toda a sua extensão.
Em ambos os domínios, regista-se um pico térmico, sin-D3 em condições P-T
de P=300 a 350 MPa e T=500 a 550°C (plutonometamorfismo), sobreposto a um pico
barométrico, sin a tardi-D2, em condições de mais baixa temperatura e pressão mais
elevada (T=350 a 450°C e P=350 a 400 MPa). O pico térmico define uma zonografia
em que as condições térmicas são mais acentuadas nas proximidades dos granitos e/ou
dos corpos aplito-pegmatíticos com eles relacionados.
Posteriormente à fase D3 verificaram-se condições de metamorfismo
retrógrado.

A sequência metassedimentar encaixante das estruturas quartzosas apresenta


um fundo geoquímico anómalo. O conteúdo em elementos metálicos das unidades da
região de VPA, nomeadamente o conteúdo em Au (média no DETM=9,88 ppb; média
no DEC=11,97 ppb) é bastante superior à média crustal (3,2 ppb). Os outros elementos
que mostram enriquecimento são sobretudo os elementos mais móveis, nomeadamente
o As e Sb, assim como os elementos metálicos de fonte básica: Sc, Ti, V, Co, Cr e Ni.
A análise da distribuição do ouro nas diferentes litologias não apresenta
correspondência com a distribuição do As e do Sb, permitindo fazer as seguintes
considerações: i) não foram detectadas pré-concentrações sedimentares de Au do tipo
paleoplacer; ii) as litologias que apresentam um fundo em Au mais elevado são as
mais argilosas, evidenciando uma importante evolução sedimentar a partir de fonte

294
básica ou ultrabásica; iii) os vulcanites ácidos das unidades do DEC, embora
apresentem alguns valores anómalos em Au têm maioritariamente teores inferiores ao
limite de detecção (<5 ppb) (M. A Ribeiro 1998).

As estruturas quartzosas (filões, filonetes e lentículas) quer estéreis, quer


mineralizadas, são numerosas e ocorrem em diferentes contextos estruturais e litológicos.

As estruturas estéreis sin-metamórficas (ante-D3) estudadas, apresentam-se


como filonetes encaixados quer em liditos, quer em filitos cinzentos a negros
localizando-se respectivamente, no DETM e no DEC.

As estruturas mineralizadas localizam-se em ambos os domínios estruturais


apresentando diferentes tipos de mineralização (Au-Ag, Sn-W,...). Não há grandes
diferenças entre as unidades em termos do número de ocorrências, mas o mesmo já não se
verifica quanto à importância das mineralizações. Nas unidades do DEC verifica-se a
ocorrência de estruturas filonianas com índices e mineralização aurífera, enquanto que no
DETM existem estruturas mineralizadas cuja dimensão e importância justificou a sua
exploração por longos períodos em épocas distintas (e.g. Três Minas e Gralheira).

No DEC as estruturas estudadas são estruturas filonianas sub-verticais geradas


essencialmente tardi a PÓS-D3, distribuídas pelos seguintes sistemas: i) NS a NNW-SSE
e NE-SW; ii) NW-SE.

No DETM as estruturas portadoras de mineralização aurífera correspondem a


zonas silicificadas relacionadas com zonas de cisalhamento sin-D3 (NI20° a NI30°)
que materializam o contacto entre diferentes litologias (xistos grafitosos e os
quartzofilitos e xistos siliciosos) com grandes diferenças de competência. Estes factos
apontam para um controlo litológico e estrutural das zonas mineralizadas.

O estudo das paragéneses silicatadas mostrou que no seu conjunto, as micas brancas
das estruturas mineralizadas e das rochas encaixantes projectam-se, no diagrama de
Velde (1977), segundo a recta de substituição fengítica (moscovite-celadonite)

295
próximo do pólo da moscovite. Contudo, a partir da sua projecção no diagrama de
Hower & Mowatt (1966) observa-se que, para além da substituição fengítica também
se verifica uma substituição ilítica (correspondendo no caso específico de TM a
estádios tardios de cloritização). Os pontos mais próximos do pólo da moscovite,
consequentemente com mais baixa substituição fengítica, correspondem a micas
associadas a um pico térmico (sin-D3) a que não deve ser estranho a proximidade de
corpos pegmatíticos.
As clorites são de diferentes tipos, projectando-se no diagrama de Velde entre
os pólos 2R3 e 3R2, indicando que não apresentam contribuição significativa de outros
minerais. Contudo, sob o ponto de vista químico estas apresentam algumas diferenças.

O estudo das paragéneses metálicas das estruturas filonianas (Vale de Égua,


Jogadouro e Argeriz) revelou uma certa homogeneidade na sua mineralogia sendo a
arsenopirite, pirite e galena os sulfuretos mais abundantes. Nas estruturas silicificadas
de Três Minas a mineralização é de difícil observação concentrando-se
preferencialmente no contacto das lentícuias de quartzo com o xisto. Quer nas
estruturas filonianas, quer nas silicificadas foi possível distinguir vários estádios de
evolução da mineralização: estádio precoce; estádio intermédio; estádio tardio e estádio
supergénico.

O estádio precoce, tanto nas estruturas filonianas de Vale de Égua, Jogadouro e


Argeriz, como nas estruturas silicificadas de Três Minas, está representado por uma
fase sulfuretada constituída essencialmente por arsenopirite e pirite. Nas estruturas
filonianas a arsenopirite é o mineral predominante enquanto que nas silicificadas a
pirite ocorre em maior abundância.
Nas estruturas filonianas este estádio está associado à deposição do quartzo
leitoso deformado (tardi-QI) e ao quartzo límpido (sin-QIIa). Nas silicificadas a
paragénese precoce está associada ao quartzo leitoso (sin a tardi QI).

296
O estádio intermédio está associado à deposição do quartzo hialino
caracterizando-se: em Vale de Égua, pela deposição de arsenopirite II, piritell e
galena I contendo sulfossais de Ag; em Jogadouro e Argeriz por arsenopirite II e
esfalerite contendo essencialmente sulfossais de Bi, Ag, Pb, Au, Te, Cu. Em Três
Minas este estádio caracteriza-se pela deposição de arsenopirite idiomórfica e pirite II
associadas à recristalização do quartzo leitoso.
O estádio tardio do processo mineralizante é caracterizado por uma paragénese
que se deposita em fracturas que afectam os sulfuretos mais precoces e que, por vezes,
encontram-se preenchidas por quartzo hialino. Esta última paragénese, essencialmente
fissurai, nas estruturas filonianas é constituida por calcopirite, galena, bismutinite
(ARGZ), arsenatos, bismuto nativo (ARGZ e JOG), ouro e/ou electrum, sulfuretos
complexos (sulfossais) de Ag, Cu, Sb, Pb, As, Te (VE) e de Bi, Pb, As, Ag, Te, Fe, Sb,
Cu (ARGZ e JOG). Nas estruturas silicificadas de TM o ouro foi observado
principalmente no contacto arsenopirite/pirite. Nestas últimas, a cristalização de clorite
vermicular é posterior ao quartzo microcristalino (QUI) enquanto que, nas estruturas
filonianas, não foram observados filossilicatos relacionados com este estádio mais
tardio.

As análises efectuadas (à microssonda electrónica e ao MEV equipado com


espectrómetros de raios X) nas partículas de ouro e/ou electrum revelaram conteúdos
em ouro mais elevados (entre 87,4 e 97,3% peso) nas partículas associadas a
paragéneses contendo sulfossais de Bi, Pb, As e Ag. Contrariamente, as partículas
associadas às paragéneses que contêm essencialmente sulfossais de Pb-Ag-Sb-Cu-(Te)
apresentam conteúdos em prata mais elevados (entre 13,5 e 29,5% peso).
As análises efectuadas à microssonda electrónica não revelaram a presença de
ouro na rede dos sulfuretos, com excepção de quantidades pouco significativas em
pirites de Três Minas (0,13% peso) e arsenopirites de Argeriz (<0,12% peso). Estes
resultados mostram que não há evidências de pré-concentrações de ouro durante os
estádios precoce e intermédio da mineralização. O ouro nativo é observado
essencialmente em fracturas nos sulfuretos precoces, fundamentalmente na
arsenopirite e pirite.

297
O modelo preconizado por Bonnemaison & Marcoux (1987; 1990) defendendo
a hipótese de pré-concentração de ouro invisível nos sulfuretos precoces e a sua
posterior libertação (nos estádios tardios) associada à evolução de zonas de
cisalhamento, não foi verificado no presente estudo.

O estudo dos fluidos revela diferenças composicionais entre as estruturas


localizadas no DEC e as do DETM, quer no que se refere às estruturas quartzosas
estéreis quer às mineralizadas.

Nos fluidos aquo-carbónicos contidos nos filonetes de quartzo estéreis


encaixados em filitos do DEC, o CO2 é o componente dominante na fase volátil.
Contrariamente aos anteriores, os fluidos dos filonetes encaixados em liditos do
DETM caracterizam-se pelo seu conteúdo elevado em CH4, quase total ausência de
CO2 e pela presença de uma fase sólida, identificada à microssonda Raman, como
grafite. Não se verificam grandes diferenças no respeitante às temperaturas mínimas de
aprisionamento no DEC (entre 280 e 340°C) e no DETM (295 e 360°C).
Em termos de composição global os fluidos de ambos os domínios estruturais
apresentam, de um modo geral, um conteúdo elevado em H 2 0. Contudo, no DEC
observa-se uma tendência evolutiva composicional segundo o eixo C0 2 -H 2 0 enquanto
que, no DETM esta tendência manifesta-se paralelamente ao eixo CH 4 -H 2 0. O
conteúdo elevado em CH4 será dependente de um controlo litológico da composição
dos fluidos exercido pela abundância dos liditos no encaixante imediato.

O estudo dos fluidos aquo-carbónicos das estruturas mineralizadas, localizadas


nos dois domínios estruturais (DEC e DETM), evidencia uma tendência evolutiva
idêntica no respeitante à composição da fase volátil. De um modo geral, estes
distribuem-se por três estádios principais de percolação: i) fluidos mais precoces do
tipo V/Lc-w com C0 2 dominante na fase volátil; ii) fluidos essencialmente do tipo
Lc-w, caracterizados por um aumento do conteúdo em CH4 e por uma diluição e
diminuição da densidade da fase volátil; iii) fluidos mais tardios mais ricos em CH4 e

298
mais diluídos (este enriquecimento e diluição são mais significativos nas estruturas
silicificadas de Três Minas-DETM). Estes aspectos apontam para a existência no
DETM, de um controlo externo da composição dos fluidos indicando para este
domínio estrutural uma maior interacção fluido/rocha encaixante, a que não deve ser
estranho a estrutura e a litologia.

As temperaturas mínimas de aprisionamento dos fluidos aquo-carbónicos


contidos nas estruturas mineralizadas de ambos os domínios estruturais, apresentam
valores dentro de um mesmo intervalo (TH entre 245 e 360°C).

Nas estruturas filonianas do DEC foram observados dois tipos de fluidos


aquosos,: i)Lwl, fluidos de baixa salinidade (0,2 a 4 eq.% NaCl) e com temperaturas
mínimas de aprisionamento compreendidas entre 146 e 293°C e ii) Lw2, fluidos com
temperaturas mínimas de aprisionamento inferiores aos anteriores (TH entre 82 e
175°C) e salinidades elevadas devidas à presença de CaCl2 (valores médios de 27 eq.%
CaCy. Nas estruturas silicificadas do DETM (Três Minas) foi observado somente um
tipo de fluido (Lw) apresentando temperaturas mínimas de aprisionamento (TH)
compreendidas entre 135 e 260°C e salinidades entre 1,5 e 6 eq.%NaCl.

Os diferentes tipos de fluidos aquo-carbónicos estão relacionados com as


diferentes gerações de quartzo e com as paragéneses associadas. Assim, os fluidos
V/Lc-w associados ao QII caracterizam essencialmente o estádio intermédio da
mineralização; os fluidos enriquecidos em CH4, associados ao quartzo hialino
QIIb/QIII das estruturas filonianas e ao QIV das estruturas silicificadas, caracterizam
as paragéneses sulfuretadas mais tardias.
Os fluidos aquosos Lwl estão relacionados com a deposição da mineralização aurífera,
ocorrendo numa rede de microfissuras orientadas e cicatrizadas pelo aprisionamento
dos fluidos.

Na globalidade os valores deJ02 posicionam-se no domínio entre os tampões


Ni-NiO e Q-F-M, sendo indicadores de um meio redutor. Dado que neste ambiente

299
não ocorre nem magnetite nem faialite, os valores encontrados para f02 deverão ter
sido tamponados pelo equilíbrio fluido-grafíte registado durante o processo
metamórfico. A importância do processo metamórfico neste equilíbrio é evidenciada
pela presença de fluidos ricos em CH4 quer em filonetes instalados em litologias ricas
em matéria carbonosa, como por exemplo, liditos e xistos grafitosos, quer em
estruturas mineralizadas encaixadas em litologias mais diversificadas. Nestas últimas,
o enriquecimento em CH4±(N2) é resultante da desvolatilização de rochas mais ou
menos carbonosas do encaixante metassedimentar durante o metamorfismo. A
presença de grafite observada nas inclusões vem corroborar estas afirmações, sendo a
sua presença justificada pela reacção do CO2 com o CH4.

Em ambos os domínios estruturais no que respeita à evolução das condições


PTX observa-se uma evolução geral manifestada por uma descompressão
acompanhada por uma diminuição da temperatura. Os fluidos evoluem a partir de
condições P-T máximas (P=350 a 450 MPa e T=450 a 550°C) compatíveis com as
pressões e temperaturas estimadas para o metamorfismo regional (P=350 a 400 MPa e
T=500 a 550°C), até temperaturas T <300°C e pressões P<100 MPa.

No DEC a evolução P-T dos fluidos aquo-carbónicos é semelhante tanto para as


estruturas estéreis como para as estruturas mineralizadas.
Nas estruturas filonianas de Vale de Égua a evolução P-T começa em regime
litostático a pressões que variam de 450 para 350 MPa e a temperaturas de 500 e
450°C. Nas estruturas filonianas de Jogadouro e Argeriz (associadas a aplito-
pegmatitos) regista-se uma evolução a partir de condições de pressão mais baixa e de
mais elevada temperatura (550°C) num contexto de mais elevado gradiente
geotérmico. A descida de pressão verificada no decurso da evolução dos fluidos de
Vale de Égua (para 170 MPa), Jogadouro (para 80 MPa) e Argeriz (para 70 MPa)
deverá estar relacionada com o acentuado "uplift" e/ou uma mudança de regime
litostático para hidrostático (de 15 para 10 Km). As oscilações de pressão que

300
acompanham as mudanças de regime litostático/hidrostático verificam-se a partir da
interface D3/Fases tardias.

No DETM os fluidos das estruturas silicificadas de Três Minas e os dos


filonetes estéreis encaixados em liditos apresentam o mesmo tipo de evolução P-T. O
registo P-T inicia-se em condições de T ou de T e P inferiores às registadas nas
estruturas estudadas no DEC manifestando um acentuado decréscimo de pressão (400
para 100 MPa) para pequena variação de temperatura (450 para 350°C). A evolução
efectua-se sobretudo em regime hidrostático, a profundidades desde 30 até 10 Km
evidenciando, essencialmente em Três Minas, um processo evolutivo mais longo. O
aporte de fluidos relativamente profundos e a sua rápida ascenção a níveis mais
superficiais deverá ter sido facilitada pela verticalidade da estruturação regional neste
domínio estrutural. A verticalidade da estrutura não só facilita a passagem dum regime
litostático a um regime hidrostático, assim como facilita a circulação vertical dos
fluidos e a mistura de fluidos metamórficos relativamente profundos com fluidos de
origem meteórica.

A mineralização aurífera está relacionada com a circulação de fluidos aquosos


nas estruturas quartzosas de ambos os domínios estruturais. Os fluidos são de baixa
salinidade (<5 eq.% NaCl) e foram aprisionados em condições P-T inferiores às dos
fluidos aquo-carbónicos: Pmáx<50±20 MPa e T mínimas de aprisionamento
compreendidas entre 150 e 280°C.

301
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, A., 1994. Geoquímica, petrogénese e potencialidades metalogénicas dos granitos
peraluminosos de duas micas do Complexo de Cabeceiras de Basto. 305 pp. Centro de
Geologia da Universidade do Porto, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
(Tese de doutoramento).

ALMEIDA, A. & NORONHA, F., 1988. Fluids associated with W and Au-Ag deposits of the
Mirandela area, NE Portugal: an example of peri-granitic zoning. Bull. Miner., I l l :
331-341.

ARENAS, R , FARIAS, P., GALLASTEGUI, G, IBARGUCHI, J. G, LODEIRO, F. G,


KLEIN, E., MARQUINEZ, J., MARTIN PARRA, L., CATALAN, J. R. M., ORTEGA.
E., PABLO MACIA, J., PEINADO, M. & RODRIGUEZ FERNANDEZ, L., 1988.
Características geológicas y significado de los dominios que componen la Zona de
Galicia-Trás-os-Montes. In: Simpósio Sobre Cinturones Orogénicos; II Congresso de
Geologia de Espana, Granada: 75-84.

BARKER, R. J., 1995. The application of a computerised and optimized clathrate stability
model to fluid inclusion studies. In: XIII ECROFI Conference, Stiges, Barcelona. Bol.
Soc. Esp. Miner., 18: 15-17.

BARKER, R. J., DUBESSY, J. & CATHELINEAU, M., 1996. Modifications in clathrate


modelling I: The H 2 0-C0 2 system with various salts. Geochim. Cosmochim. Acta, 60:
1657-1681.

BARKER, R. J. & JANSEN, B. H., 1990. Preferential water leakage from fluid inclusions by
means of mobile dislocations. Nature, 345: 58-60.

BARKER, R. J. & THIERRY, R., 1994. Application of clathrates to fluid inclusion studies.
In: B. De Vivo & M. L. Frezzoti, Eds, Fluid inclusions in minerals: methods and
applications, Short Course of the Working Group (IMA) "Inclusions in minerals ",
Pontignano, Siena, 1994. p. 191-208. Virginia Polytechnic Institute and State
University.

BANKS, D. A. & YARDLEY, B. W. D., 1992. Crush-leach analysis of fluid inclusions in


small natural and synthetic samples. Geochim.Cosmochim.Acta, 56: 245-248.

BANKS, D. A. & YARDLEY, B. W. D., CAMPBELL, A. R. & JARVIS, K. E., 1994. REE
composition of an aqueous magmatic fluid: A fluid inclusion study from the Capitan
Pluton, New Mexico, U.S.A. Chem.Geol, 113: 259-272.

BANKS, D. A., YARDLEY, B. W. D., McCAIG, A M. & GRANT, N. T., 1991. The
chemistry of brines from an Alpine thrust system in the Central Pyrenees: An
application of fluid inclusion analysis to the study of fluid behaviour in orogenis.
Geochim.Cosmochim.Acta, 55: 1021-1030.

305
BANKS, D. A., YARDLEY, B. W. D., MILLER, M. F., SHEPERD, T. J., CATHELINEAU,
M., BOIRON, M. C , URBANO, R., FLORIDO, P. GARCIA PALOMERO, F.,
PEREIRA, E., NORONHA, F., BARRIGA, F., 1993. Fluid inclusion chemistry of
hercynian granite hosted vein Au-mineralization. In: P. Fenol-Hach-Ali, J. Torres-Ruiz
& F. Gervilla, Eds, Current Research in Geology Applied to Ore Deposits, p. 403-406.
Departamento de Mineralogia y Petrologia, Universidad de Granada. Granada. (Proc.
2th Biennial SGA Meet., Granada).

BARAKAT, A., 1995. Percolations fluides et transferts de métaux: les gisements d'or
intragranitiques d'Europe de l'ouest (Corcoesto, Tomino (Galice), Mokrsko
(République Tchèque). 373 pp. (Thèse de l'LN.P.L.).

BASTOUL, A. M., 1992. Origine et évolution des fluides hydro-carbo-azotés dans les
formations métamorphiques: relations avec les minéralisations associées, (U, Au,
graphite). Thèse d'état. Univ. Nancy I: 311 pp.

BODNAR, R. J., 1993. Revised equation and table for determining the freezing point
depression of H20-NaCl solutions. Geochim. Cosmochim. Acta, 57: 683-684.

BODNAR, R. J., BINNS, P. R. & HALL, D. L., 1989. Synthetic fluid inclusions IV.
Quantitative evaluation of the decripitation behaviour of fluid inclusions in quartz at one
atmosphere confining pressure. J. Metamorphic Geol., 7: 229-242.

BOHLKE, J. K. & IRWIN, J. J., 1992. Laser microprobe analysis of CI, Br, I and K in fluid
inclusions: Implications for sources of salinity in some ancient hydro thermal fluids.
Geochim. Cosmochim. Acta, 56: 203-226.

BOIRON, M. C , CATHELINEAU, M., DUBESSY, J. & BASTOUL, A., 1990. Fluids in


Hercynian Au-veins from the french variscan belt. Min. Mag., 54: 231-243.

BOIRON, M.C. & DUBESSY, J., 1994. Determination of fluid inclusion compositions:
microanalytical techniques. Curso de Sienna. In: Benedetto De VIVO & Marie Luce
FREZZOTI, Fluid inclusions in minerals: methods and applications, Short Course of the
Working Group (IMA) "Inclusions in minerals", Pontignano, Siena, 1994. p. 45-71.
Virginia Polytechnic Institute and State University.

BOIRON, M. C , ESSARRAJ, S., SELLIER, E., CATHELINEAU, M., LESPINASSE, M. &


POTY, B., 1992. Identification of fluid inclusions in relation with their host
microstructural domains in quartz by cathodoluminescence. Geochim. Cosmochim.
Acta, 56: 175-185.

BONNEMAISON, M.. & MARCOUX, E., 1987. Les zones de cisaillement aurifères du socle
hercynien français. Chron. Rech. min., 488: 29-42.

BONNEMAISON, M.. & MARCOUX, E., 1990. Auriferous mineralization in some shear -
zones : A three stage model of metallogenesis. Mineralium Deposita, 25: 96-104.

BOTTRELL, S. H , YARDLEY, B. & BUCKLEY, F., 1988. A modified crush-leach method


for the analysis of fluid incluion electrolytes. Bull. Miner., I l l : 279-290.

306
BOWERS, T. S. & HELGESON, H. C , 1983. Calculation of the thermodynamic and
geochemical consequences of nonideal mixing in the system H20-C02-NaCl on phase
relations in geologic systems : Equation of state for H20-C02-NaCl fluids at high
pressures and temperatures. Geochim. Cosmochim. Acta, 47: 1247-1275.

BOZZO, A. T., CHEN, H. S., KASS, J. R. & BARDUHN, A. J., 1975. The properties of the
hydrate of chlorides and carbon dioxide. In: 4th International Symposium on Fresh
Water from the Sea, Vol.3, p. 437-451.

BRINK, A. H., 1960. Petrology and ore geology of the Vila Real-Sabrosa-Vila Pouca de
Aguiar region, northern Portugal. Comun. Serv. geol. Portg., 43,143 pp. (Tese).

BROWN, P. E. & HAGEMANN, S. G, 1994. MacFlincor: a computer program for fluid


inclusion data reduction and manipulation. In: Benedetto De VIVO & Marie Luce
FREZZOTI, Fluid inclusions in minerals: methods and applications, Short Course of the
Working Group (IMA) "Inclusions in minerals", Pontignano, Siena, 1994. p. 231-
250.Virginia Polytechnic Institute and State University.

BUCHER, K. & FREY, M., 1994. Petrogenesis of metamorphic rocks. 6th Ed. 318 pp.
Springer-Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, NY.

de CARITAT, P., HUTCHEON, I. & WALSHE, J. L., 1993. Chlorite geothermometry: a


review. Clays and Clay Minerals, 41: 219-239.

CARTA GEOLÓGICA DE PORTUGAL, Escala de 1: 50 000. Folha 6-D- Vila Pouca de


Aguiar. Instituto Geológico e Mineiro. Lisboa. 1998.

CARVALHO, J. S. & FERREIRA, O. da Veiga, 1954. Algumas lavras auríferas romanas.


Estud. Notas Trab. Serv. Fom. min., 9: 20-46.

CATHELINEAU, M., 1981. Les gisements d'uranium liés spatialement aux leucogranites
sud-armoricains et à leur encaissant métamorphique: relations et interactions entre les
minéralisations et divers contextes géologiques et structuraux. Mém. Sci. Terre, 42,
375 pp.

CATHELINEAU, M., 1987. Les interactions entre fluides et minéraux: thermométrie et


modélisation. L'exemple d'un système géothermique actif (Los Azufres, Mexique) et
d'altérations fossiles dans la Chaine Varisque. Thèse Doc. Etat. I.N.P.L., Nancy. 515 pp.

CATHELINEAU, M., 1988. Cations site occupancy in chlorites and illites as a function of
temperature. Clay Minerals, 23: 471-485.

307
CATHELINEAU, M., BOIRON, M. C , ESSARRAJ, S., BARAKAT, A., GARCIA
PALOMERO, F., URBANO, R., TOYOS, J. M., FLORIDO, P., PEREIRA, E. S.,
MEIRELES, C , FERREIRA, N., CASTRO, P., NORONHA, F., DÓRIA, A.,
RIBEIRO, M. A., BARRIGA, F., MATEUS, A., YARDLEY, B. & BANKS, D., 1993a.
Major structural factors of Au concentrations in the northwestern Iberian Massif (Spain-
Portugal): a multidisciplinary and multiscale study. In: P. Fenol-Hach-Ali, J. Torres-
Ruiz & F. Gervilla, Eds, Current Research in Geology Applied to Ore Deposits, p. 613-
616. Departamento de Mineralogia y Petrologia, Universidad de Granada. Granada.
(Proc. 2th Biennial SGA Meet., Granada).

CATHELINEAU, M.; BOIRON, M. C ; ESSARRAJ, S.; DUBESSY, J.; LESPINASSE M. &


POTY, B., 1993b. Fluid pressure variations in relation to multistage deformation and
uplift: a fluid inclusion study of Au quartz veins. European. J. Miner., 5: 107-121.

CATHELINEAU, M., BOIRON, M. C , GARCIA PALOMERO, F., URBANO, R.,


FLORIDO, P., PEREIRA, E. S., NORONHA, F., BARRIGA, F., MATEUS, A.,
YARDLEY, B. & BANKS, D., 1993c. Multidisciplinary studies of Au-vein formation:
Application to the western part of the Hesperian massif (Spain-Portugal). In: Project N°
MA2M-CT90-0033, Multiannual R&D Programme (1990-1992) on "Primary raw
materials and recycling of non-ferrous metals "-CEC.

CATHELINEAU, M. & NIEVA, D., 1985. A chlorite solid solution geothermometer The Los
Azufres (Mexico) geothermal system. Contribuí. Miner. Petrol, 91: 235-244.

CERVEIRA, A., 1952. Relações entre os jazigos hipogénicos portugueses de ouro e de


tungsténio. Boi. Soe. geol. Port, 10: 133-145.

CHEN, H. S., 1972. The thermodynamics and composition of carbon dioxide hydrate, 67 pp.
Syracuse University. (Thesis).

COLLINS, P. L. F., 1979. Gas hydrates in C02-bearing fluid inclusions and the use of
freezing datra for estimation of salinity. Econ. Geol.,74: 1435-1444.

CRAWFORD, M. L., 1981a. Fluid inclusions in metamorphic rocks-low and medium grade.
In: L.S.Hollister & M. L. Crawford, Eds., Fluid Inclusions: Applications to Petrology,
Short Course Handbook, Vol. 6. p. 157-181. Mineralogical Association of Canada.
Calgary, Alberta.

CRAWFORD, M. L., 1981b. Phase equilibria in aqueous fluid inclusions. In: L. S. Hollister
& M. L. Crawford, Eds., Fluid Inclusions: Applications to Petrology, Short Course
Handbook, Vol. 6. p. 75-100. Mineralogical Association of Canada. Calgary, Alberta.

DANA, J. D. & HURLBUT, Jr., C. S., 1976. Manual de Mineralogia. 3aEd. 2 vols. 642 pp.
Livros Técnicos e Científicos Editora S. A. Rio de Janeiro. (Tradução de Rui Ribeiro
Franco).

DEER, W. A., HOWIE, R. A. & ZUSSMAN, J., 1962. Rock forming minerals. 3- Sheet
silicates. Wiley, New York: 270 pp.

308
DEICHA, G., 1955. Les lacunes des cristaux et leurs inclusions fluides. Signification dans la
genèse des gîtes minéraux et des roches. 126 pp. Masson. Paris.

DELHAYE, M. & DHAMELINCOURT, P., 1975. Raman microprobe and microscope with
laser excitation. /. Raman Spectrosc, 3: 33-43.

DHAMELINCOURT, P., BÉNY, J. M. , DUBESSY, J. & POTY, B., 1979. Analyse


d'inclusions fluides à la microsonde MOLE à effet Raman. Bull. Miner., 102: 600-610.

DÓRIA, A., BOIRON, M. C. & NORONHA, F., 1991. Metamorphic fluids in quartz veins
and their surroundings. An example of an Au-district of Northern Portugal. In: ECROFI
XI, European Current Research on Fluid Inclusions, Firenze, 1991. Plinius 5: 60-61.

DÓRIA, A., BOIRON, M. G, RIBEIRO, M. A. & NORONHA, F., 1999a. P-T-X evolution
of the fluids in a context of retrograde metamorphism: the example of VPA Au-district
(Northern Portugal). In: Volkers Luders, Andreas Schmidt-Mumm & Rainer Thomas,
Eds, ECROFI XV, European Current Research on Fluid Inclusions, Postdam-Germany,
1999, Abstracts. Terra Nostra, p. 86-88.

DÓRIA, A., NOGUEIRA, P., CATHELINEAU, M. & NORONHA, F., 1995a.


Fluid/deformation relationships in contrasted lithologies: an integrated fluid inclusion
study of Northern Portugal Au-quartz veins. In: XIII ECROFI Conference, Stiges,
Barcelona. Bol. Soc. Esp. Miner., 18: 62-63.

DÓRIA, A., NORONHA, F., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M., 1993a. Fluid
evolution in an auriferous district. The example of Vila Pouca de Aguiar (Northern
Portugal). In: ECROFI XII, European Current Research on Fluid Inclusions, Warsaw-
Cracow, 1993, Abstracts. Arch. Miner., 49: 59-61.

DÓRIA, A., NORONHA, F., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M., 1993b. Geochemical
characterization of the fluids from a gold district. The example of Vila Pouca de Aguiar
(Northern Portugal). In: F. Noronha, M. Marques & P. Nogueira, Eds, IX Semana de
Geoquímica e II Congresso de Geoquímica dos Países de Língua Portuguesa, Porto,
1993. Mem. Mus. Labor, miner, geol. Fac. Ciênc. Porto, 3: 227-231.

DÓRIA, A., NORONHA, F., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M., 1995b. Fluid rock
interactions in C-rich units during ductile to brittle deformation related to regional
metamorphism (Vila Pouca de Aguiar, Northern Portugal). Terra Abstracts, 7: 312.
(Abstract Supplement n°l to Terra Nova, EUG 8, Strasbourg).

DÓRIA, A., NORONHA, F., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M. (em prep.). Fluid-rock
interactions in C-rich units during ductile to brittle deformation related to regional
metamorphism (Vila Pouca de Aguiar, Northern Portugal). J. Metamorph. Geol.

DÓRIA, A., RIBEIRO, M. A. & NORONHA, F., 1999b. "Conjugação de um segmento


crustal anómalo com condições favoráveis de evolução de fluidos. O exemplo do
distrito aurífero de Vila Pouca de Aguiar". In: Aires-Barros; L., Matias, Ma J. & Basto,
Ma J. Eds., Actas do Congresso, II Congresso Ibérico de Geoquímica e XI Semana de
Geoquímica, p. 281-184,1ST, Lisboa.

309
DOWLING, K. & MORRISON, G., 1988. Application of quartz textures to the classification
of Gold deposits using North Queensland examples. Economic Geology Monographs,
Vol. 6.

DUBESSY, J., 1984. Simulation des équilibres chimiques dans le système C-O-H.
Conséquences méthodologiques pour les inclusions fluides. Bull. Miner., 107: 155-168.

DUBESSY, J., BOIRON, M. C , MOISSETTE, A., MONIN, C. & SRETENSKAYA, N.,


1992. Water, hydrates and pH determinations by micro-Raman spectrometry in fluid
inclusions. European. J. Miner.

DUBESSY, J., POTY, B. & RAMBOZ, C , 1989. Advances in the C-O-H-N-S fluid
geochemistry based on micro-Raman spectroscopic analysis of fluid inclusions.
European. J. Miner., 1: 517-534.

DUBESSY, J., RAMBOZ, C , NGUYEN, T. C , CATHELINEAU, M., CHAROY, B.,


CUNEY, M., LEROY, J., POTY, B. & WEISBROD, A., 1987. Physical and chemical
controls (f0 2 , T, pH) of the opposite behaviour of U and Sn-W as exemplified by
hydrothermal deposits in France and Great Britain, and solubility data. Bull. Miner.,
110:261-281.

ESSARRAJ, S., 1992. Migration des fluides, microfissuration et conditions de dépôt de l'or
dans les veines de quartz aurifères. 399 pp. Nancy. (Thèse de 1T.N.P.L.).

EUGSTER, H. P., ALBEE, A. L., BENCE, A. E., THOMPSON Jr., J. B. & WALDBAUM,
D. R., 1972. The Two-Phase Region and Excess Mixing Properties of Paragonite-
Muscovite Crystalline Solutions. J. Petrol, 13, P.l: 147-179.

FARIAS, P., GALLASTEGUI, G., GONZALEZ LODEIRO, F., MARQUTNEZ, J.,


MARTÍN PARRA, L. M., MARTINEZ CATALAN, J. R.., PABLO MACIÁ, J. G. &
RODRIGUEZ FERNANDEZ, L. R., 1987. Aportaciones al conocimiento de la
litoestratigrafia y estrutura de Galicia Central. In: IX Reunião sobre a Geologia do
Oeste Peninsular, Porto, 1985, Actas e Comunicações. Mem. Mus. Labor, miner, geol.
Fac. Ciênc. Porto, 1: 411-431.

FARINHA, J. A., 1990. Geology of the Três Minas deposit (in Portuguese). DGGM Internal
Report.

FOSTER, M. D., 1962. Interprétation of the composition and a classification of the chlorites.
U.S. Geol. Surv. Professional Paper, 414A, 27 pp.

GRANT, P. R., 1978. The role of scanning electron microscope in cathodoluminescence


petrology. In: Scanning electron microscopy in the study of sediments. A symposium,
Norwich, England, p. 1-12.

GUEDES, A., DÓRIA, A., NORONHA, F., & BOIRON, M. C , 1997a. Fluid inclusions
studies in Paleozoic C-rich metasedimentary rocks from Northern Portugal. In: M. C.
Boiron & J. Pironon, Eds, Proceedings of the XlVth European Current Research On
Fluid Inclusions - XIV ECROFI, Nancy, France: 138-139.

310
GUEDES, A., DÓRIA, A., NORONHA, F., & BOIRON, M. C , 1997b. Contribuição para o
estudo do comportamento de fluidos associados ao metamorfismo de rochas carbonosas.
In: Actas X Semana de Geoquímica & IV Congresso de Geoquímica dos Paises de
Língua Portuguesa, Univ do Minho, Braga: 63-66.

GUEDES, A., DÓRIA, A., PINHEIRO, H. & NORONHA, F., 1995. Fluids and organic
matter studies in paleozoic C-rich metasedimentary rocks from northern Portugal:
preliminary results. In: F.Sodré Borges & M. M. Marques, Coords, IV Congresso
Nacional de Geologia, Porto, 1995. Resumos Alargados. Mem. Mus. Labor, miner, geol.
Fac. Ciênc. Porto, 4: 741-746.

GUILHAMOU, N., DHAMELINCOURT, P., TOURAY, J. C. & BARBILLAT, J, 1978.


Analyse à la microsonde à effet Raman d'inclusions gazeuses du système N 2 -C0 2 . C. R.
Acad. Sci. Paris, D 287: 1317-1319.

HIBBARD, M. J., 1995. Petrography to petrogenesis. 587 pp. Prentice Hall. Englewood
Cliffs.

HOLLISTER, L. S., CRAWFORD, M. L., ROEDDER, E., BURRUSS, R. C , SPOONER, E.


T. C. & TOURET, J., 1981. Praticai aspects of microthermometry. In: L.S.Hollister &
M. L. Crawford, Eds., Fluid Inclusions: Applications to Petrology, Short Course
Handbook, Vol. 6. p. 278-304. Mineralogical Association of Canada. Calgary, Alberta.

HOWER, J. & MOW ATT, T. C , 1966. The mineralogy of illites and mixed layer
illite/montmorillonites. Amer. Mineralog., 51: 825-854.

HUBERT, P., 1986. Textures et inclusions fluides des quartz aurifères. Application au gîte de
Cros Gallet (Haute Vienne - France) et au prospect de Sanoukou (district de Kinieba -
Mali). 350 pp. BRGM. Orléans. (Document du BRGM 114). (Thèse).

JACOBS, G. K. & KERRICK, D. M., 1981. Methane: an equation of state with application to
the ternary system H 2 0-C0 2 -CH 4 system. Geochim. Cosmochim. Acta, 45: 607-614.

JULIVERT, M., FONTBOTÉ, J. M., RIBEIRO, A. & CONDE, L., 1974. Mapa tectónico da
Peninsula Ibérica y Baleares. Escala 1:1 000 000. Memoria explicativa. 113 pp.
Instituto Geológico y Minero de Espana. Madrid.

KERRICK, D. M. & JACOBS, G. K., 1981. A remodified Redlich-Kwong equation for H 2 0-


C0 2 and H 2 0-C0 2 mixtures at elevated pressures and temperatures. Amer. J. Sci., 281:
735-767.

LANCASTRE, S. M., 1966. As Minas de Jales. Bol. Min., 3: 177-190.

LARSON, S. L., 1955. Phase studies of the two-component carbon dioxide-water system
involving the carbon dioxide hydrate. 248 pp. University of Ann Arbor. Michigan.
(Thesis).

311
LEROY, J., 1979. Contribution to the evaluation of internal pressure in fluid inclusions when
they decrepitate. Bull. Minér.,102: 584-593.

LEROY, J. & CATHELINEAU, M. ,1982. Les minéraux phylliteux dans les gisements
hydrothermaux d'uranium. I. Cristallochimie des micas hérités et néoformés. Bull.
Miner.,105: 99-109.

LEUSCHNER, A., 1877. Relatório sobre os trabalhos antigos de mineração e os jazigos


metalliferos descobertos em redor d'elles na Freguezia de Très Minas do Concelho de
Villa Pouca D'Aguiar, Districto de Villa-Real. 8 pp. Porto.

LOPES NUNES, J. E., 1982. Filossilicatos. Características químico-estruturais gerais.


Geonovas, 4: 43-53.

MARTINS, H. C , 1989. Contribuição para o conhecimento dos granitóides biotíticos da


região de Vila Pouca de Aguiar. 94 pp. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
(UTAD). Vila Real. (Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica).

MARTINS, H. C. B., 1998. Geoquímica e petrogénese de granitóides biotíticos


tarditectónicos e pós-tectónicos. Implicações metalogénicas. 288 pp. Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro. Vila Real. (Tese de doutoramento).

MARTINS, H. C. & NORONHA, F., 1991. Geoquímica e petrologia dos granitóides


biotíticos pós-tectónicos de Vila Pouca de Aguiar. Geociências, 6: 1-15.

MARTINS, H. C , NORONHA, F. & LETERRIER, J., 1997. Evolução geoquímica dos


granitóides biotíticos tarditectónicos e pós-tectónicos do quadrângulo Vieira do Minho-
Moreira de Rei-Vila Pouca de Aguiar-Boticas. Estudo comparativo. In: Actas da X
Semana de Geoquímica e IV Congresso de Geoquímica dos Países de Língua
Portuguese, Univ. do Minho, Braga: 87-90.

MASSONE, H. J. & SCHREYER, W., 1987. Phengite geobarometry based on the limiting
assemblage with K-felspar, phlogopite and quartz. Contr. Miner. Petrol, 96: 212-224.

MATEUS, A. M. N., 1995. Evolução tectono-térmica e potencial metalogénico do troço


transmontano da Zona de Falha Manteigas-Vilariça-Bragança. 994 pp. Departamento de
Geologia, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Lisboa. (Tese de
doutoramento).

MEERE, P. A. & BANKS, D. A., 1997. Upper crustal fluid migration: an example from the
Variscides of SW Ireland. J. Geol Soc., London, 154: 975-985.

MEUNIER, J. D., SELLIER, E. & PAGEL, M., 1990. Radiation-damage rims in quartz from
uranium-bearing sandstones. J. Sediment. Petrol., 60: 53-58.

MOURA, A., 1988. Caracterização de quartzos filonianos em região potencialmente aurífera.


132 pp. Faculdade de Ciências Universidade do Porto. Porto. (Relatório de Estágio).

312
NEIVA, A. M. R., 1992. Geochemistry and evolution of Jales granitic system, northern
Portugal. Chem. Erde, 52: 225-241.

NEIVA, A. M. R., 1994. Gold-quartz veins at Gralheira, northern Portugal: mineralogical and
geochemical characteristics. Trans. Instn. Min. Metallurgy Sect. B, Applied Earth
Sciences, 103: B188-B195.

NEIVA, A. M. R. & GOMES, M. E. P., 1991. Geochemistry of the granitoid rocks and their
minerals from Lixa do Alvão-Alfarela de Jales-Tourencinho (Vila Pouca de Aguiar,
northern Portugal). Chem. Geol, 89: 305-327.

NEIVA, A. M. R., NEIVA, J. M. C. & SILVA, M. M. V. G, 1990. Geochemistry of gold


quartz vein walls from Jales (northern Portugal). Chem. Geol., 82: 217-251.

NEIVA, J. M. C. & NEIVA, A. M. R., 1990. The gold area of Jales (northern Portugal). Terra
Nova, 2: 243-254.

NOGUEIRA, P. M. M. P., 1997. Estudo de paleofluidos mineralizantes (Au, Ag, As) e sua
migração. Aplicação a regiões auríferas do Norte de Portugal. 220 pp. Universidade do
Porto, Faculdade de Ciências, Departamento de Geologia. Porto. (Tese de
doutoramento).

NOGUEIRA, P. & NORONHA, F., 1993. A evolução de fluidos hidrotermais associados a


mineralizações de (Au-Ag-As) em contexto granítico. Os exemplos de Grovelas e
Penedono, Norte de Portugal. In: F. Noronha, M. Marques & P. Nogueira, Eds, IX
Semana de Geoquímica e II Congresso de Geoquímica dos Países de Língua
Portuguesa Porto, 1993. Mem. Mus. Labor, miner, geol. Fac. Ciênc. Porto, 3: 275-278.

NORONHA, F., 1983. Estudo metalogénico da área tungstífera da Borralha. 413 pp.
Universidade do Porto. Porto (Tese de doutoramento).

NORONHA, F., CATHELINEAU, M., BOIRON, M. C , DÓRIA, A., NOGUEIRA P., &
BANKS, D., 1998. Fluid evolution in late-hercynian Au-quartz veins in Northern
Portugal. Metallogenic implications. In: D. Arias, A. Martín-Izard & A. Paniagera, Eds,
Gold Exploration and Mining in NW Spain, Fac. De Geologia, Univ. de Oviedo,
Oviedo: 160-164.

NORONHA, F., DÓRIA, A., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M., 1993a. Geochemical
characterization of the fluids from a gold bearing metamorphic area in north Portugal.
In: Metamorphic Fluid and Mineral Deposit, Final Meeting oflGCP 291, Prague, p.
39-40.

NORONHA, F., DÓRIA, A., NOGUEIRA P., BOIRON, M. C. & CATHELINEAU, M.,
1995 a. A comparative study of the fluid evolution in late-hercynian W (Sn-Cu) and Au
(As) quartz veins in northern Portugal. Metallogenic implications. In: F.Sodré Borges &
M. M. Marques, Coords, IV Congresso Nacional de Geologia, Porto, 1995. Resumos
Alargados. Mem. Mus. Labor, miner, geol. Fac. Ciênc. Porto, Porto, 4: 587-592.

313
NORONHA, F., DÓRIA, A., RIBEIRO, M. A. & NOGUEIRA, P., 1993b. Gold
mineralizations on Vila Pouca de Aguiar metasedimentary area. 19 pp. Universidade do
Porto. Porto. (Relatório interno para o "Programa EC Raw Materials", Projecto
N°A2M - CT 90-0033).

NORONHA, F. & RAMOS, J. M. F., 1993. Mineralizações auríferas primárias no norte de


Portugal. Algumas reflexões. Cuad. Labor. xeol. Laxe, 18: 133-146.

NORONHA, F., RAMOS, J. M. F., REBELO, J., RIBEIRO, A. & RIBEIRO, M. L., 1979.
Essai de corrélation des phases de déformation hercynienne dans le Nord-Ouest
Péninsulaire. Bol. Soc.geol. Port., 21: 227-237.

NORONHA, F., VINDEL, E., LOPEZ, J. A., DÓRIA, A., BOIRON, M. C. &
CATHELINEAU, M., 1995 b. Fluid evolution associated with W(Sn)-sulphide-quartz-
vein in the Iberia Peninsula. In: XIII ECROFI Conference, Stiges, Barcelona. Bol. Soc.
Esp. Miner., 18: 164-165.

OLIVEIRA, J. M. S., 1990. Geological, mineralogical and lithogeochemical studies in the


Gois and Vila Pouca de Aguiar - Vila Real region, Portugal. Estud. Notas Trab. Serv.
Font, min., 32: 35-75.

OLIVEIRA, J. M. S. & FARINHA, J. A., 1987. Estudos de geoquímica aplicada na região


aurífera vizinha de Três-Minas (Vila Pouca de Aguiar, Norte de Portugal). Estud. Notas
Trab. Serv. Fom. min., 29: 3-25.

PEREIRA, E. S., 1987. Estudo geológico-estrutural da região de Celorico de Basto e a sua


interpretação geodinâmica. 274 pp. Universidade de Lisboa. Faculdade de Ciências.
Sociedade Geológica de Portugal. Lisboa. (Tese de doutoramento).

POTY, B., LEROY, J. & JACHIMOWICZ, L., 1976. Un nouvel appareil pour la mesure des
températures sous le microscope, l'installation de microthermométrie Chaixmeca. Bull.
Soc. Franc. Miner. Cristallogr., 99: 182-186.

RAMOS, J. M. F., 1985. Dados geoquímicos sumários sobre as mineralizações de Au-Ag de


Jales. Bol. Soc. geol. Portg., 24: 63-72.

REMOND, G, 1977. Applications of cathodoluminescence in mineralogy. J. Lum., 15: 121-


155.

RIBEIRO, A., 1974. Contribution à l'étude tectonique de Trás-os-Montes Oriental. Texte, 168
pp., Cartes hors texte. Serviços Geológicos de Portugal. Lisboa. (Memória. Serviços
Geológicos de Portugal, N. S., N°24). (Thèse).

RIBEIRO, A., PEREIRA, E. & DIAS, R , 1990a. Structure in the NW of the Iberia Peninsula
(Alloctonous sequences). In: R. D. Dallmeyer & E. Martinez Garcia, Eds, Pre-Mesozoic
Geology of Iberia, p. 220-236. Springer- Verlag. Berlin, Heidelberg.

314
RIBEIRO, A., QUESADA, C. & DALLMEYER, R. D., 1987. Tectonostratigrafic terranes
and the geodynamic evolution of the Iberian Variscan Fold Belt. In: Conference on
Deformation and Plate Tectonics, Gijon Spain, Abstract. Vol. 60-61.

RIBEIRO, A., QUESADA, C. & DALLMEYER, R. D., 1990b. Geodynamic evolution of the
Iberian Massif. In: R.D.Dallmeyer & E.Martinez Garcia, Eds, Pre-Mesozoic Geology of
Iberia, p. 399-410. Springer-Verlag. Berlin, Heidelberg.

RIBEIRO, M. A. M., 1998. Estudo litogeoquímico das formações metassedimentares


encaixantes de mineralizações em Trás-os-Montes Ocidental. Implicações
metalogénicas. 231 pp. Departamento de Geologia, Centro de Geologia, Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto. Porto. (Tese de doutoramento).

RIBEIRO, M. A., DÓRIA, A. & NORONHA, F., 1999. The role of fluid evolution in Au
enrichment in Vila Pouca de Aguiar area, Portugal. In: Stanley C. J. et al, Eds., Mineral
Deposits: Processes to Processing, II, Balkema, Rotterdam: 1029-1032.

RIBEIRO, M. A., GUEDES, A. & NORONHA, F., 1996. Relações deformação-


metamorfismo em diferentes unidades estrututrais na região de Vila Pouca de Aguiar.
In: Actas da 2a Conferência Anual do Grupo de Geologia Estrutural e Tectónica
(GGET); Faculdade de Ciências de Lisboa.

RIBEIRO, M. A. & NORONHA, F., 1993. Lithogeochemical study of the metasedimentary


units of Vila Pouca de Aguiar area (westhern Trás-os-Montes, northern Portugal). In: F.
Noronha, M. Marques & P. Nogueira, Eds, IX Semana de Geoquímica e II Congresso
de Geoquímica dos Países de Língua Portuguesa, Porto, 1993. Mem. Mus. Labor, miner,
geol. Fac. Ciênc. Porto, 3: 299-303.

RIBEIRO, M. A. & NORONHA, F., 1997. Ensaio de correlação das unidades


litoestratigráficas e estruturais definidas na região de Trás-os-Montes Ocidental e sul da
Galiza". In: XIV Reunião de Geologia do Oeste Peninsular e Reunião Anual do PICG -
376, coordenação de C. Pires ; M. E. Gomes & C. Coke: 203-204.

RIBEIRO, M. A., NORONHA, F. & CUNEY, M., 1995. Unidades litoestratigráficas e


estruturais na região de Vila Pouca de Aguiar - sua validação como unidades
litogeoquímicas. In: F.Sodré Borges & M. M. Marques, Coords, IV Congresso Nacional
de Geologia, Porto, 1995. Resumos Alargados. Mem. Mus. Labor, miner, geol. Fac.
Ciênc. Porto, 4: 361-366.

RIBEIRO, MA., NORONHA, F. & CUNEY, M., 1997. Estudo litogeoquímico comparativo
das unidades litoestratigráficas localizadas a este e a oeste da falha Régua-Verin, na
região de Vila Pouca de Aguiar (Trás-os-Montes Ocidental). In: Actas da X Semana de
Geoquímica /IV Congresso de Geoquímica dos Países de Língua Portuguesa; Braga,
Portugal: 131-134.

315
ROBIE, R. A. & HEMINGWAY, B. S., 1984. Entropies of kyanite, andalusite, and
sillimanite: additional contraints on the pressure and temperature of the Al2 SiO triple
point. Amer. Mineralog., 69: 298-306.

ROEDDER, E., 1972. Composition of fluid inclusions. U.S. Geol. Surv. Professional Paper,
440-JJ, 164 pp.

ROEDDER, E., 1979. Fluid inclusions as samples of ore fluids. In: H. L. Barnes, Ed.,
Geochemistry of Hydrothermal Ore Deposits, p.684-737. Wiley & Sons. New York.

ROEDDER, E., 1981. Origin of fluid inclusions and changes that occur after trapping. In: L.
S. Hollister & M. L. Crawford, Eds., Fluid Inclusions: Applications to Petrology, Short
Course Handbook, Vol. 6. p. 101-137. Mineralogical Association of Canada. Calgary,
Alberta.

ROEDDER, E., 1984. Fluid inclusions. In: Reviews in Mineralogy. Vol. 12. 644 pp.
Mineralogical Society of America.

ROSASCO, G. J. & ROEDDER, E., 1979. Application of a new Raman microprobe


spectrometer to nondestructive analysis of sulfate and other ions in individual phases in
fluid inclusions in minerals. Geochim. Cosmochim. Acta, 43: 1907-1915.

ROSASCO, G. J., ROEDDER, E & SIMMONS, J. H., 1975. Laser activated Raman
spectroscopy for nondestrutive partial analysis of individual phases in fluid inclusions in
minerals. Science, 190: 557-560.

SALIOT, P., 1978. Le métamorphisme dans les Alpes françaises. 183 pp. Paris. (Thèse
d'État).

SANT'OVAIA, H. M., 1993. Características magnéticas dos granitóides biotíticos pós-


tectónicos de Vila Pouca de Aguiar. 130 pp. Faculdade de Ciências da Universidade do
Porto. Porto. (Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica).

SANT'OVAIA, H. M., LEBLANC, D., NORONHA, F. & BOUCHEZ, J. L., 1995. Plutão
granítico de Vila Pouca de Aguiar - estudo da anisotropia da susceptibilidade magnética
(ASM) - Nota prévia. In: F.Sodré Borges & M. M. Marques, Coords, IV Congresso
Nacional de Geologia, Porto, 1995. Resumos Alargados. Mem. Mus. Labor, miner, geol.
Fac. Ciênc. Porto, 4: 809-812.

SANT'OVAIA, H. M., NORONHA, F. & BOUCHEZ, J. L., 1997. Estudo comparativo do


"fabric" magnético e mineralógico em granitos biotíticos do Plutão de Vila Pouca de
Aguiar. In: XIV Reunião de Geologia do Oeste Peninsular e Reunião Anual do PICG -
376, coordenação de C. Pires ; M. E. Gomes & C. Coke: 223-224.

SCHERMERHORN, L. J. G., 1981. Framework and evolution of hercynian mineralization in


the Iberian Meseta. Leidse Geol. Meded., 52: 23-56.

SHEPHERD, T. J., RANKIN, A. H. & ALDERTON, D. H. M., 1985. A Praticai Guide to


Fluid Inclusions Studies. 239 pp. Blackie, Chapman and Hall. Glasgow and London.

316
SHIROZU, H., 1978. Chlorite minerals. In: Developments in Sedimentology, 26: 243-264.
Elsevier, Amsterdam.

SMITH, J. V. & STENSTROM, R. C , 1965. Electron-excited luminescence as a petrologic


tool. J. Geol, 73: 627-635.

SPRY, A., 1969. Metamorphic textures. Pergamon Press, Oxford.

TAKENOUCHI, S. & KENNEDY, G. C , 1965. The solubilty of carbon dioxide in NaCl


solutions at high temperatures and pressures. Amer J. Sci., 263: 445-454.

THADEU, D., 1977. Hercynian paragenetic units of the Portuguese part of the Hesperic
Massif. Bol. Soc. geol. Portg., 20: 247-275.

THIERY, R., Van den KERKHOFF, A. M. DUBESSY, J., 1994a. VX properties of CH4-C02
and C02-N2 fluid inclusions : modelling for T< 31°C and P< 400 bars. European J.
Miner., 6: 753-771.

THIERY, R , VIDAL, P. & DUBESSY, J., 1994b. Phase equilibria modelling applied to fluid
inclusions: Liquid-vapour equilibria and calculation of the molar volume in the C0 2 -
CH4-N2 system. Geochim. Cosmochim. Acta, 58: 1073-1082.

TOVEY, N. K. & KRTNSLEY, D. H., 1980. A cathodoluminscence study of quartz sand


grains. J. Microscopy, 120: 279-289.

VELDE, B., 1967. Si4+ content of natural phengites. Contribui Miner. Petrol., 14: 250-258.

VELDE, B., 1977. Clays and clay minerals in natural and synthetic systems. 218 pp. Elsevier.
Amsterdam. (Development in Sedimentology 21).

VELDE, B., 1985. Clay minerals. A physico-chemical explanation of their


occurrence. 422 pp. Elsevier. Amsterdam. (Development in Sedimentology 40).

VIEGAS, L. F. & MARTINS, L. P., 1992. Notas sobre a prospecção do ouro em Portugal.
Estud. Notas Trab. Serv. Fom. min., 34: 95-106.

VITYK, M. O. & BODNAR, R. J., 1995. Textural evolution of synthetic fluid inclusions in
quartz during reequilibration, with applications to tectonic reconstruction. Contribuí.
Miner. Petrol, 121: 309-323.

VITYK, M. O. & BODNAR, R. J., 1998. Statistical microthermometry of synthetic fluid


inclusions in quartz during decompression reequilibration. Contribuí. Miner. Petrol.,
132: 149-162.

WAHL, J. & R., Eds, 1993. Minas Romanas de Três Minas, Vila Pouca de Aguiar. 12 pp.
Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, Câmara Municipal de
Vila Pouca de Aguiar. (Versão portuguesa: F. Cordeiro Voges, Porto, O. Kukleta,
Zurique).

317
WEISBROD, A., 1984. Utilization des inclusions fluides en géothermobarométrie. In: M.
Lagache, Eds, Thermométrie et barométrie géologiques Soc. Franc. Miner., 2: 415-459.

WEISBROD, A. & LEROY, J., 1987. Comportement métastable des inclusions monophasées
dans les minéraux des roches. Conséquences. C. R. Acad. Sci. Paris, Sér.II, 305: 455-
459.

WEISBROD, A. & POTY, B., 1975. Thermodynamics and geochemistry of hydrothermal


evolution of the Mayers pegmatite. Southeastern Massif Central (France). Pétrologie, 1:
1-16.

WEISBROD, A. , POTY, B. & TOURET, J., 1976. Les inclusions en géochimie-petrologie:


tendances actuelles. Bull. Soc. Franc. Miner. Cristallogr., 99: 140-152.

YARDLEY, B. W. D., BANKS, D. A. & BOTTRELL, S. FL, 1993. Post-metamorphic gold-


quartz veins from N.W. Italy: the composition and origin of the ore fluid. Min. Mag.,
57: 407-422.

ZHANG, Y. G. & FRANTZ, J. D., 1987. Determination of the homogenization temperatures


and densities of supercritical fluids in the system NaCl-KCl-CaCl2-H20 using synthetic
fluid inclusions. Chem. Geol, 64: 335-350.

318
ANEXOS
A NEXO I
COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS FILOSSILICATOS E
RESPECTIVAS FÓRMULAS ESTRUTURAIS

323
Tabela AI-1- Análises químicas das micas brancas observadas no encaixante metassedimentar da região de VPA.

Amostra Tipo/N 0 Si02 Ti02 A1203 Cr203 FeO MnO MgO CaO Na20 K 2 0
Filito com andaluzite Mi-encJOG
(Unidade de Cubo-Cb) 2 46,50 0,15 37,16 0,02 1,06 0,00 0,24 0,00 0,94 9,61
3 46,68 0,08 37,32 0,03 0,89 0,00 0,20 0,00 1,10 9,53
4 46,99 0,08 37,12 0,00 1,06 0,00 0,19 0,00 0,93 9,91
7 46,75 0,18 36,96 0,00 0,85 0,02 0,23 0,00 0,89 9,56
8 46,87 0,28 36,35 0,00 1,18 0,07 0,36 0,00 0,98 9,49
10 46,35 0,35 37,03 0,06 1,22 0,00 0,26 0,02 1,03 9,59
11 46,81 0,25 36,52 0,00 1,12 0,04 0,36 0,00 0,85 9,69
12 47,03 0,53 36,24 0,05 0,92 0,00 0,30 0,00 0,95 9,79
13 46,89 0,30 36,34 0,01 0,90 0,00 0,29 0,00 0,88 9,87
14 46,35 0,43 36,14 0,02 0,80 0,03 0,25 0,00 0,96 9,76
15 46,90 0,27 36,33 0,00 0,99 0,04 0,29 0,00 1,02 9,63
16 46,59 0,31 36,67 0,00 1,27 0,10 0,31 0,00 0,92 9,64
17 47,07 0,39 36,69 0,00 1,27 0,06 0,38 0,00 0,99 9,56
18 47,17 0,22 36,58 0,05 1,33 0,00 0,36 0,00 0,94 9,45
19 47,04 0,00 36,30 0,00 1,16 0,02 0,45 0,00 0,78 9,50
26 46,59 0,05 36,60 0,07 0,83 0,00 0,39 0,00 0,80 9,60
Média 46,79 0,24 36,65 0,02 1,05 0,02 0,30 0,00 0,94 9,64
Desvio padrão 0,26 0,15 0,37 0,02 0,17 0,03 0,07 0,01 0,08 0,13
Mínimo 46,35 0,00 36,14 0,00 0,80 0,00 0,19 0,00 0,78 9,45
Máximo 47,17 0,53 37,32 0,07 1,33 0,10 0,45 0,02 uo 9,91

Vulcanito Mi-encARGZ
ta 0,55 10,03
(Unidade S M° Émeres-S SE ) 52 49,02 0,29 32,24 0,09 3,22 0,05 1,40 0,00
55 48,98 0,33 31,49 0,00 3,28 0,09 1,45 0,00 0,59 9,80
56 47,46 0,22 32,37 0,07 3,36 0,06 1,19 0,00 0,54 9,80
63 48,10 0,22 31,58 0,05 4,13 0,00 1,39 0,00 0,64 10,00
64 48,33 0,20 32,33 0,00 3,03 0,08 1,27 0,02 0,44 9,77
Média 48,38 0,25 32,00 0,04 3,40 0,06 1,34 0,00 0,55 9,88
Desvio padrão 0,65 0,06 0,43 0,04 0,42 0,04 0,11 0,01 0,07 0,12
Mínimo 47,46 0,20 31,49 0,00 3,03 0,00 1,19 0,00 0,44 9,77
Máximo 49,02 0,33 32,37 0,09 4,13 0,09 1,45 0,02 0,64 10,03
Filito grafitoso Mi-encVE
(Unidade VE-Subunidade SR,,) 1 49,12 0,21 31,73 0,00 1,55 0,00 1,46 0,04 0,15 9,79
2 48,25 0,32 31,89 0,09 1,89 0,05 1,22 0,08 0,18 9,29
3 48,31 0,26 31,69 0,09 1,82 0,01 1,39 0,05 0,14 9,43
4 48,88 0,26 31,09 0,05 1,83 0,00 1,39 0,08 0,18 9,30
5 48,58 0,34 31,36 0,07 1,45 0,08 1,40 0,04 0,02 9,87
6 48,65 0,28 31,71 0,04 1,32 0,03 1,40 0,03 0,21 9,89
7 48,31 0,31 32,52 0,05 1,26 0,00 1,29 0,02 0,19 9,90
Média 48,58 0,28 31,71 0,05 1,59 0,03 1,37 0,05 0,15 9,64
Desvio padrão 0,33 0,04 0,45 0,03 0,26 0,03 0,08 0,02 0,06 0,28
Mínimo 48,25 0,21 31,09 0,00 1,26 0,00 1,22 0,02 0,02 9,29
Máximo 49,12 0,34 32,52 0,09 1,89 0,08 1,46 0,08 0,21 9,90

325
Tabela AI-2- Análises químicas das micas brancas observadas nas estruturas mineralizadas da região de VPA.

Amostra Tipo/N 0 Si02 Ti02 A1203 Cr203 FeO MnO MgO CaO N a 2 0 K 2 0
Jogadouro Mi-JOG
Filão de quartzo 56 45,69 0,05 35,46 0,04 0,97 0,16 0,22 0,04 0,39 9,82
(Unidade de Cubo-Cb) 57 45,52 0,00 35,72 0,00 0,82 0,00 0,09 0,00 0,46 9,94
58 45,08 0,11 36,52 0,00 0,22 0,05 0,00 0,00 0,44 9,95
59 46,33 0,00 35,64 0,00 0,93 0,00 0,20 0,00 0,30 10,44
60 48,15 0,00 31,38 0,00 1,66 0,08 1,77 0,00 0,11 8,96
62 45,23 0,00 35,35 0,02 1,32 0,00 0,09 0,03 0,43 9,77
63 45,80 0,14 36,58 0,00 0,38 0,00 0,06 0,03 0,47 9,82
64 46,03 0,00 36,10 0,00 0,98 0,03 0,00 0,00 0,48 9,86
65 45,25 0,06 35,88 0,00 0,75 0,03 0,07 0,03 0,43 10,07
66 48,13 0,07 30,26 0,00 2,69 0,00 1,85 0,03 0,04 10,68
68 44,80 0,00 36,74 0,00 0,29 0,06 0,02 0,00 0,51 9,97
69 45,22 0,00 36,77 0,00 0,28 0,02 0,00 0,01 0,50 9,92
70 45,33 0,00 36,88 0,00 0,21 0,00 0,00 0,00 0,51 10,03
71 46,54 0,15 33,42 0,00 1,26 0,00 0,98 0,06 0,18 9,99
73 45,44 0,00 36,69 0,09 0,18 0,07 0,00 0,02 0,51 9,66
74 45,06 0,00 37,58 0,00 0,28 0,00 0,00 0,01 0,46 10,00
75 45,62 0,01 35,86 0,00 0,83 0,07 0,06 0,03 0,41 10,02
76 44,85 0,07 37,42 0,00 0,33 0,00 0,00 0,00 0,59 9,94
77 45,30 0,01 37,49 0,02 0,28 0,02 0,00 0,04 0,50 9,95
78 45,21 0,07 36,71 0,00 0,33 0,00 0,00 0,00 0,32 10,14
79 45,30 0,09 36,92 0,00 0,50 0,00 0,04 0,05 0,40 9,85
80 45,60 0,00 37,30 0,00 0,35 0,04 0,00 0,00 0,52 10,00
Média 45,70 0,04 35,85 0,01 0,72 0,03 0,25 0,02 0,41 9,94
Desvio padrão 0,90 0,05 1,88 0,02 0,61 0,04 0,55 0,02 0,14 0,31
Mínimo 44,80 0,00 30,26 0,00 0,18 0,00 0,00 0,00 0,04 8,96
Máximo 48,15 0,15 37,58 0,09 2,69 0,16 1,85 0,06 0,59 10,68
Argeriz Mi-ARGZ
Filão de quartzo 17 46,94 0,78 32,53 0,06 1,42 0,01 1,74 0,00 0,36 10,58
(Unidade Sta M" Émeres-SSE) 18 46,40 0,94 31,42 0,08 1,49 0,00 1,97 0,00 0,36 9,81
19 45,60 1,30 30,63 0,01 1,69 0,08 1,97 0,05 0,31 9,11
20 47,07 0,68 32,95 0,06 1,62 0,00 1,93 0,01 0,26 9,48
21 46,50 0,87 31,66 0,10 1,79 0,00 1,92 0,02 0,31 9,77
22 46,74 1,17 31,48 0,00 1,51 0,08 1,92 0,01 0,28 9,87
26 47,95 1,65 31,18 0,00 1,53 0,07 2,02 0,00 0,25 10,40
27 47,45 0,93 31,33 0,00 1,62 0,13 2,25 0,00 0,27 10,31
28 47,62 1,03 32,74 0,00 1,36 0,04 1,44 0,00 0,23 9,66
31 47,59 1,08 31,80 0,00 1,17 0,00 1,69 0,01 0,32 10,11
33 47,69 0,98 32,39 0,05 1,46 0,15 1,51 0,06 0,30 10,11
35 46,08 0,91 32,06 0,09 1,61 0,01 1,65 0,04 0,32 10,23
36 47,33 1,59 31,29 0,08 1,38 0,00 1,95 0,02 0,30 9,96
37 46,07 0,93 31,90 0,00 1,29 0,08 1,56 0,07 0,27 9,81
38 47,56 0,86 32,96 0,00 1,40 0,06 1,33 0,00 0,25 10,39
39 47,13 1,11 32,24 0,00 1,41 0,08 1,84 0,00 0,25 9,88
40 47,58 0,84 32,13 0,00 1,76 0,00 1,70 0,00 0,24 10,43
41 47,65 0,84 30,93 0,05 2,29 0,00 2,14 0,01 0,21 9,63
42 46,78 0,67 30,90 0,03 1,67 0,01 1,66 0,03 0,17 10,20
43 46,56 0,72 30,84 0,00 2,17 0,10 1,94 0,03 0,17 9,94
44 45,74 0,76 29,94 0,01 2,31 0,06 2,00 0,01 0,20 9,73
45 47,76 0,57 30,32 0,00 1,63 0,00 2,13 0,03 0,20 9,29
46 48,05 0,87 32,03 0,00 1,93 0,00 1,76 0,03 0,21 10,13

326
Tabela AI-2 (cont.) - Análises químicas das micas brancas observadas nas estruturas mineralizadas da região de
Vila Pouca de Aguiar.
Amostra Tipo/N 0 Si02 Ti02 A1203 Cr203 FeO MnO MgO CaO Na20 K 2 0
Mi-ARGZ
47 47,02 0,75 31,25 0,00 2,39 0,07 1,98 0,01 0,21 10,03
48 46,59 0,47 32,26 0,02 1,58 0,07 1,73 0,06 0,28 10,14
49 47,27 0,40 32,59 0,00 1,85 0,01 1,68 0,00 0,34 10,15
50 46,98 1,08 31,74 0,10 1,58 0,00 1,61 0,00 0,25 10,09
52 47,08 1,04 31,53 0,02 1,36 0,00 1,89 0,00 0,31 9,91
Média 47,03 0,92 31,68 0,03 1,65 0,04 1,82 0,02 0,27 9,97
Desvio padrão 0,66 0,28 0,78 0,04 0,32 0,05 0,22 0,02 0,05 0,34
Mínimo 45,60 0,40 29,94 0,00 1,17 0,00 1,33 0,00 0,17 9,11
Máximo 48,05 1,65 32,96 0,10 2,39 0,15 2,25 0,07 0,36 10,58
Três Minas Mi-TM
Lentículas de quartzo 1 47,55 0,24 33,85 0,00 1,05 0,02 0,74 0,00 0,50 8,83
(Unidade de Curros-D cu ) 2 47,51 0,30 33,73 0,00 1,05 0,05 0,63 0,00 0,51 9,48
4 45,81 0,37 33,71 0,02 1,68 0,00 0,97 0,00 0,47 9,38
5 47,34 0,46 34,22 0,00 1,08 0,02 0,59 0,01 0,48 9,89
6 47,02 0,80 34,29 0,00 0,88 0,03 0,58 0,01 0,54 9,78
7 47,38 0,28 34,23 0,01 0,88 0,02 0,61 0,01 0,62 9,62
8 47,81 0,34 34,77 0,00 1,01 0,00 0,56 0,00 0,50 9,63
9 46,03 0,33 33,55 0,00 3,20 0,04 0,98 0,01 0,50 8,98
Média 47,06 0,39 34,04 0,00 1,35 0,02 0,71 0,01 0,51 9,45
Desvio padrão 0,74 0,18 0,40 0,01 0,79 0,02 0,17 0,01 0,05 0,37
Mínimo 45,81 0,24 33,55 0,00 0,88 0,00 0,56 0,00 0,47 8,83
Máximo 47,81 0,80 34,77 0,02 3,20 0,05 0,98 0,01 0,62 9,89

327
o ^ o o o o o o o o o o o o o o o ^ î oooooooooor^r­oe­­.
­­ ^H ­H ­­ ^H ^ (£, "^ "~" 0 0 0 0 0 0 0 S 0
o" o o" o" o" o" o" o" o" o" o" o ' o" o" o" o" Ca" o o" o" o" o" «f d" O" d" o" o" cT o ' o" o" o es" ca
O. M M Is (N
OsOsOsOSO\OsOsOsOsOsOsO\OsOsOsOs&<, r ­ r ~ o o r ­ ­ o o o ^© cfS K (n
stN ûo Prj <N rs) w­j
00 Cl oo oo
o" O o o" o" o o" o" o" o" O o o " o " o " o " Cs" o" o" o" o" o" cT cf o* Cf © © © © © © © C s C s C s C s

Cs O Os Os O s O S ^ O O O s C s O o O s OOOOOOOOOOOOOOôoCsOoOo
o' o' o o o ' o ' o ' © o" o ' o ' o ' o o ' o ' o " «T Cs* es* o* o" o " o o " o " Cs" O" Cs' CS o ' o " o " o " O " O " O Cs Cs Cs d "

— rN i n u~) t-» ^o iri —« m f*l ç j n­j rs) ^O <—■ (N tr> i n oes


O r> v\ o\ h f 00 I N
CT
Vï ^ . M ^ > N ^t­ oo Tt­ r ­ ■■t os
oo" s d ^ ^ O - O N O O h rCh ft­T
X ^ o^ ^ ^ O O a o

O t ~ - ( N © 0 0 0 0 > * n - i ( 2 ) C o
- ■% Cs co r ^ O r n o r­^ o­) o\ fr> es
r ­ o o r ­ o o s o t N C s ^ o o o " <N r i r í d w N " r í es" es" *■>"

't f) f« so «n r ­ r­ so \ o —. ni (N
O ©, Cs o ©^ ©^ o ©^ Cs Cs Cs 2 O O O o o O O Cs Cs Cs Cs 2
<N (N (N (N <N ÍN <N fS <N fS CN ri fN ÍN fs" C-í <"i (N (N (N «s r i r T es" <N rN <N (N <N (N tN (N <N <N|

o o r ­ o o r ­ o c ^ o c o o o r ­ C T s — ^ ­ —■ oo (N f l >­• P" O ff) (Vi


o o o o ^ o ^ o o o o — — —< o ,—
_. m m m m m r o es
O O O O O O O O O O O O O O O O C i C s C s C S o" o " o " o " o " es* es* O O O O O O O C s C s C s C S
*—•<Z>~*mOs*+,r^O\er)
Os CS Os Os OsOsOsQNOOOsCsOoOs
o" o" o" o" o" o o o o o" o" o o o" o ' o" es Cs" Cs" Cs" o o d o" o c? es* es* es* O O O O O O O C S C S C S C S
«N <N Ci ^ OO C\ OO r ­ 00 00 —« a . N K «,
Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os Os CS Os Os h h h N I ^ ^ O O K O N O o

oo i r i — as oo oo © CS
r ­ r^ oo r ­ f ­ »­­. oo r­ Cs
O O O O O O O O O O O O O O O O C s C s C s C s " © " © " © " © " © " Cs" es" Cs" CS" ©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" Cs" Cs" (\ Cs"

—'
q
O O
q ©^
—'
©^
—< <N
©^ ©
—<
©r © © © © © o o © ©
CS
CS CS CS © © © © © ©^ ©^ CS
Cs
Cs
Cs"
x
o" ©" ©" ©" o " ©" ©' ©" o " o " o " ©" ©" ©" o o cT Cs" es" es" © © © © © CS Cs' Cs" Cs' ©" ©" ©" ©" © " © " © " cT Cs' Cs' Cs'

— ■ © m © © © — r i m c i ­ ^ — © O © ^ ■s, -^ Os ^ m 't in m > © © in c


o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o r ­ o o o o ©0 CS IN. OO 00 OO oo oo a© Cs OO OO 0 0 0 0 0 0 0 0 OO oo 00 *o S CS
OO oo
o
H3
©" o " ©" o" o" o" c " CS CS CS © © © © © © © C S C 5 C 5 C 5
© © © o © © © © cT es" es" ©" ©" ©" ©" © " Cs
r~­oor~ ­o o^ot^­^\ooo
©^ ©^ © ©m © CS CS Cs Cs © © © © © © © C s O C s C S
o" o" o" ©" o" o" o" ©" © © © © © O ©" ©" Cs" Cs* Cs* Cs* ©"©"©" o" © " cT es" CS* CS* ©" o " ©" o 1 © " o " © " Cs" CS* Cs* CS*

O O O O O O O O O O O O O O O O t t C i O O Cs CS CS CS O r ­ O r H O O O ^ C C l S
O O O O O O O O O O O O O O O O f t O d O Cs CS CS CS © © © © © © © C s C s C s C s
o " ©" o " ©" ©" ©" ©" o " ©" ©" o © " © " © " o " © " «T Cs* CS* CS* © © © © © cT CS* CS* es" © " o * © " o " © " © " © " Cs" CS* CS* CS*
© © © © © © © © © © © © © © © © C s C s C s C s O O O O O û O O O © © © © © © © C s C s C s C s
© ©m ©^ © , ©^ ©^ ©^ O © © , © , © , ©^ ©^ O ©^ CS CS CS CS © © © © © C s C s C S C S © ^ © ^ © ^ © ^ © ^ © ^ © ^ CS CS CS CS
©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" © " © " © " © " ©" o" O" ©" cT es* Cs* Cs* © " © " © " © " © " Cs" Cs" CS* Cs* © " © " © " © " © " © " © " Cs Cs" Cs" Cs"

o o o o o o o o o o o o o o o o ^ o o o © © © © © C s C s C s C s © © © © © © © Ç i O C S C S
O O O O O O O O O O O O O O O O ^ O O O © m C^ © m © m © C9 CS CS CS © © © © © © © C S C S C S C S
©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" O* ©" ©" ©" ©" ©" ©" O" O" Cs* Cs* Cs* Cs* © " © " © " © " © " cT es" es* es" © * © " © " © " © " © " © " Cs Cs* Cs* Cs*

© © © © © © © © © © o © © © © © © © © © C s C s C s C s
© © © © © © © © © © o © © Cs CS CS CS © © © © © © © C s C s C s C s
©" o " ©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" ©" © © ' © ' © ' ©"' © " Cs" Cs* Cs* Cs* © " © " © " es1 es" es" es" © " © " © " © " o " © " o " Cs" Cs* Cs* Cs*

M M (N (N " í n Tt Tf Tf (N r j ­ n ») N,
© © © © © © © © " " " ^ © © © © © © c s
©" ©" o" o" o" c )" © " © " © " © " © " © " Cs" o " © " © " o " © " Cs" O" © © © © © © © C s C s C s C s "

»N N 8s
ff) oo i > r - os -s,
M
© © © © ©
O O O O O O O O O O ^ C
© ' © " © " © " © " © " © " o " © " © " © " Cs" Cs*
CS "Si <N
»N, © © © CS CS +d
© © © © © C s C s C s C s © © © © ' © " © " O* C5 C5 CS' Cs' •A
OOOs^Or­ ­(Nr­>fO'­­fNrOfS »^)rn (N(N^O'^r sj O *û ^O CO Tf
00^ CO 00_ 1» oo « OO
B oon M CO oo_ M B oo^ CO oo_ M «e CS »n Tf i n r t <n ir,
N
»n »n »n ^ »/| i n in ws Cs g
r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i r i ri es" ri ri ri ri ri ri r i r i r i r i r i r i r i r i o* FN* FN*

^ y o h c o o i n o o o o o o o h o o o o o O t e N , N VI 0\ H N N fsi O, ift
T
©^ ©^ ©_ ©^ ©^ ©^ ©^ ©^ ©^ ©^ ©^
m m f i f i f/í n n m" f f n f í f î f î
©^ ©^ ©^ ^ ©^ Cs
f i w M <*Î
Cs
es'
*H ^H *~1 **! ^i *^ ° **■ ^
rn ro n to ro "n es* **** 'n* m r o c o r n f i m r ^ e ^ c s
> Cs
^N
^1
f*"!
P^i
o
.­£
Ç
SI
■o >
N m ^ r­ oo O ^ N n t v l ^ l ^ M O v ^ O S, s .s — (N r*"i ^ i/*i so r - ■w
•S a g £
es .S ­il
S * il si
1
&>U
N
SI

3
o
XI
B
n 3
S U
o
F &
O 3 2 O W
< ■5
a •S >
■a

b S
O O ON o o oo oo ON
o o o o o o o o o o o o o^ © q o^ c^ o o r ©_ q q «a cq o o
o — t- q o , ©„
o ' ©" o o o " ©" o " o o o o o " o " ©" o o" o" o o" O O O ÇS C> CÎ Ci* o o o o o „o —
o oo o" o" o"

i n N o t ^ © T f r ^ r — O N o o t " ~ i > ­ — © t ~ ­ — m i > CNCN — — © v I N ^ I * ­ ! — c N c n o o r o ­ r ­ ­ o o N O — CN t s


oo oo oo oo oo oo ^ t ^ co oo oo oo
cv ON ON O O ON O^ ON^ Ov^ ON O^ o ^ ©^ ©^ <o\ o ^ o o ^ O O O 0_ CSV S3 CSN O
o" o" o" o" o" o" o" o" cf o" o" o"
o " o " o " —" o " o " o " o " o " o " o " <—" —' —" o " —> — o " —r —r « —r cr cs" o* »■
m O N O i f l O N O M N i n ­ ­ " t
ON ON ON ON ON ON ON ON G\ Q\ O ^ ON CN 0\ ON^ C\ 0 \ C\ ON^ 0\ C3N ON^ ©v C i ON CS\ ON ON OO 0O OO ON ON ON OO^ ON ON^ ON_
o" O ­ O* o" o" o" o" o" ©" o" O* o" o" o" o" o" o" o" O­ o" o" O C55 G? Cs" Ci* o o o o o o" o o" o" o" o" o"

o l o o v N o ^ ^ ­ c v m o v o o i / ï ^ ­
T f t ^ O c o r ^ T f i n i ­ n O N ­ c n f ­ * o o o o i n — T f i n c o i n i n N O N © i N o o t \
4 <t m n_ H o o cN^ i > m — © , — N O — c » T f >n MD c » v o c » » ­ <s >o ­­,_ > r^ v o t ~ ~ ~ ­ r n o o v o m m r o v " ^ r o
■T­ t " ^ O o " i n " ^ F ^ t ^ " o o " c N " i n " i n " i n " c N " ^ ­ " N O " » ­ ^ — In — — — roV'lN"­­"0©* vT oo" o " P­" Ov" oo" o " r i CN Tf" Tf" NO"
CN N n N N N n i n N N N C '

^ O N ^ O O O f ^ t ^ O O C N C N M ' ­ < C N f ^ i n m c O i n r ^ © 0 0 ­ o o o o o o t ^ CN O O C N O O m c N m O N O V C N T f
t-^ NO_ </■» ro ■—' N O cN l> c» O^rn CN — —<_ t—„ Tf >o oo cN — in e» rs ON —I IN ON C N O N O N O ' — I I A co TfB v i n in
U­l U­l VO NO Tf" in" NO" NO" NO" NO* NO" P-^ r*-" r-^ Tf" r^" NO" in" OO" r-^* Tf" in" NO** es" *"f oo" Tf" k O T f " T f " T t T f m r O r ^ T f T f T f

CN CN —. « « N IO H N « ­ — — — — © cN —< N CN — C N ~ , ~ , c i v , m i n r ^ o o v o m r o u i T f c N r r i T f
O O O O O O O O O O O © ^ CD O O r © ^ © ^ CS © ^ © ^ © ^ 0_^ Cs o O cq o o o o q q o_ o ^ © n o_ o_ o_
CN CN CN CN CN" CN CN CN CN CNCN CN CN CN" CN CN CN CN" CN CN" <N CN r i Cs" CN" IN" CN CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN"

M O N v O C N t ^ o O O O m v O VI'O ( N | c S ^ t ^ ^ N v O C ' N f v i i f l > ( Y 1 N O \ Ov — O O O O v O N C N C N T f T f v o


CN m cN m CN cN m CN CN CN CN
O o _ ©^ q ©__ ©^ c q o _ o _ o ^ q q e q o _ o ^ o_ O K O O ^ O ^ q q ca cq cq eq
o o o o o o " o o" o" o" o" o"
o" d o d o" o d o o" o o d d o o d o o o" o o o ç? cí o" o'
— O c N c N r n c N ^ O ^ ­ r O T f r o c N m ­ ^ O c N C N r o c N C N O CN» "­, C i > NDU­lONONCNCNU­l — — Tf
3 0 0 0 0 0 0 0 0 O N O N 0 0 O N O N O N
U O N O N O N O N O N O N O N O N O V O N O N O N O N O N O N O N O N O V O N O V O N O N Ov O Ov Ov
< o o o o o o o o o o " o " o o o © o o o o o © © " ^ " •*" 0 <=>
" © © © o © © o o o o o
a T f C ­ > N O O N T f T f T f r ^ v O N O V O O N O N © T f O N © l / 1 © © O N O V t x p ^ r » ­ 1 C i Tf ­ ^ O N N o c N © N o o o r ­ m T f m
o ON ON ON ON 0\ 0\ 0\ 0\ 0\ ON^Ov^ ON^ ON^ © ^ Ov^ ON C ; ON o ^ q O R q 0 \ C3 CA Ci t*^ r­Nor^r~t^NONor~­r­r­r^
3
O
OH Tf c N C N T f r o C N O — ' — ON — in
o o O ' ­ T f O N — — ­ ■ c N © c N c N > r i T f T f o m r ­ — ooNOTfiOfv^ rv-j O O Co
OOONONONOOONONONONONONONONONONONONONONONON ON^ Ov Ci oo Ov oo oo o o o o o o oo o o oo oo h <a oo
© * © " © " © " © " © " © " © " © " © " © " c" t~s <~S <~f fs" <~? í~T n o o o o" ©" ©" ©" o " o " o " ©" ©" ©" o " o " o "
© © O — o © o — © © © © © © © 0 0 © 0 0 © 0 8 O O N Tf i n r ^ r O T f N o o o i n v o v s i n i r i
© ©^ ©^ 0_ O^ © ©_ ©_ CD ©,©„ ©, ©„ ©, ©„ ©, ©„ ©„ 0„ ©„ ©„ ©„ es o c Ci o ©^ ©__ q ©__ o ^ ©_ ©__ ©^ o ^ O K ©^
O © " © " © " o " © " © " © " © " © " © " © " © " © " o " © " © " © " © " o " o " o " © " c? es* es" es" ©" o " ©" o " o " o " ©" ©" o " o " o " o "
(CO
Now­iNONooNr~NnTfknp~r^">NONONornNor~>^iinoo>nvo'­~.'v­iOv ^ v o — — « i n N O C v O N c N t ^ N O O v
'Sb OOOOOOOOOOOOCtóCtóOOCOOOOOOOOOOOCtóCtóOOOO^OO^OO^OO^OoCiOOOO ON X M 0O 00 OO M O0 OO W n » M
© " © " o " © " © " © " © " © " © " © " © " © " © " o " o " © " © " o " © " © " © " © " cT o " es" es" ©" o " o " ©" ©" o " o " o " o " o " ©" o "
ca
•O u ­ i i / i N o v o T f x ­ i N O N O N O N O N o r ^ r ^ r ^ T f r ^ N o w o ­_
o r ­. T f , >n vo •­, ­vj. oo ITÏ i r S T f C ^ l T f T f m T f r O T f T f T f
t/S © © K o_ CD ©__ ©^ ©__ ©_ ©_ o „ o „ © „ © „ © „ o „ © , ©_ ©_ o ^ q o _ q a o o o ©^ q ©_ o__ o^ ©__ o_ O K o_ ©__ o__ o_
© " © " o " © " © " © " © " o " © " © " o " o " © " © " o " o " © " © " o " © " o " o " cT es" e>" o "
o" o" ©" o" ©" o" o" o" o" o" o" o"
es © © 0 © © 0 0 0 © © © 0 0 © © 0 0 © 0 © 0 © C 5 C s C s C S
N © © © © O © © ©^ © © © © © © © ©^ Or ©__ o _ o _ OB q es es es es © o © o © o o © o o o o
o " o " o " ©" ©" ©" ©" ©" ©" © " © " o " ©" o" ©" o" ©" ©" o " ©" o" ©" s? es" es" es" o ©_ ©_^ o r ©^ ©__ o_ ©__ ©_ o o^ ©_
0 0 O O O O O ­ 0 0 0 O 0 0 ­ ­ 0 O 0 0 0 0 C S C 3 C 3 N o" ©" ©" ©" ©" ©" o" o" ©" o" ©" ©"
© © © _ © _ ©_ © ©_ ©__ ©_ © „ © „ ©„ ©„ ©„ ©„ ©^ © ©„ © „ © „ ©, ©„ " * es es es
©" ©" ©" ©" o" o" o " o " ©" © " © " ©" ©" ©" ©" ©" o" ©" ©" o " o" ©" c f es" es" es" o © o o © o o — © o o ©
© o © © o © © o © © © © © o © o o © © o © O c a ci c c q ©^ ©__ q ©__ q ©_ ©_ ©_ ©_ q o__
° „ ©_ ©_ ©_ ©_ ©_ ©_ ©^ © r o ^ © ^ ©_ © „ © , © „ © , © „ © „ o o „ © , o , es es es es o" ©" o" o" ©" ©" ©" ©" o" o" o" o"
o " © " © " o " © " o " © " o " o " © " © " © " © " o " o " o " o " © " © " o " © " © " cT es" es' es"
o © o o — o o o © © o o
© — 0 0 0 0 © © 0 © 0 0 © © 0 © © © © 0 © © c s C 5 C s ­ ­ . © o _ o ^ ©_ © r o_ ©__ o__ o^ OK OK o^
o _ ©^ ©__ ©_ ©_ ©__ ©__ ©_ ©_ © „ o „ o „ © „ © o „ © r © , o „ © , © „ © , © „ es es es es ©" ©" o " ©" o " o " ©" o " o" o" o" o"
© " o " o " © " © " © " o " o " © " © " © " © " © " © " © " © " © " © " © " © " o " o " «s es" es" es" © o © o o o o — © o ­ ©
ca CNCN — ©c N — — — © — 0 0 0 © C N O © " 0 © 0 © > » , ­ ­ , C s ! N © o o © © © © _ _ OK o_ o_ o_ ©_
C ©" ©" ©" ©" o " o " o " ©" ©" ©" o " o"
c/s © © o^ ©_ ©_ ©_ o_ ©_ ©^ © ^ © , o „ © „ © K ©^ o ^ © „ © „ ©_ ©__ o ^ ©_ es es es es
ca o " ©" ©" o" ©" ©" o " ©" ©" © " © " ©" o " ©" ©" o " ©" ©" o " © " o " © " ci" es" es" es" r­ © © o v © o v © c ­ i T f r ^ i / ­ i f ­
— CN CN — CN — CN CN — — — —

1 voNOio
© . ©_ ©^
©" o " o "
— i/­ir­­oocNNOTfincNCN —
© K o_ q ©^ ©__ ©_ © „ © _ © „ © , © ,
©" o " o " o " ©" o " © " © " o " ©" o "
m — cNNnc
©_ © „ © „ © „ q
o " ©" o " ©" o "
NcNcNro>r^­
q q q , s es
© " o " o " es* es"
~,oo
o es
es" es"
©"
00
o
© " © " o " © " o " o " o " © " © " o " ©"

©
O N © O N © O N O N O N 0 0 r ­ 0 O O N
— o — © o o o o o o
CNTfNOCNcN«­lin©NOO000U­imTfTfCN00NOt­~NOmmcsly­ilN00 o" ©" ©" o " o " o " ©" ©" o " ©" o " o "
o OO 0O 00^ C3N 00^ OO^ 00^ ON^ 00^ 00^00^ G\ G\ G\ 00^ ON^ ON 00^ Ov^ ON^ Ov^ ON^ Ov CS oo Ov oo T f c N O T f c N N o o v o o m i n o o
w CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" es" CNCN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" »N* es" IN" IN" »o u"^ io^ NO^ v\ i/^ Tf^ Tf^ i/s^ i n in^ w­>^
ca CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN" CN CN" CN" CN" CN"
o CNOONNO — CN0N00O0000i/­)V0N0Or^r<­iaNeNTfN0u­iK!vi<NiN NO 00 0 0 V O r ^ 0 0 © O N O N — ONI/-1
r H ^ o o ­ o o o ­ o o o o o ­ o o o o o o o c s e s e s N
m m r ^ m m m m i ^ i r O f O i ^ i i ^ ï m i ^ s m m r o m c o m c n ' n e s ^ n ^ n

es es
N o r ^ o o O N O c N r o T f i n N o o o o N © — i^iTfinvor^oooN
° "S"
si o o o v o — cNNor^oo — m i n
NnNnNnNovovoNONo^ovoNONor­­r­­f~­r^r^f^t^­r^t^ s .s — — CNCNCNCNCNCNromm

s!
Cfl

o £
o ! ■ *
L.
3
o
s­y •Ë it
""3 o>
es -B a
S ,2 •*= < S «
ss
a a
C\ -^ o a\ ca o
S
co
O O O O O — ' O — « o —< o o o o
© © o o © © o o © © o o o © © o c s c s " c s " c s *
q q_ o_ ei q ©„ q o_ es es es es
+
o" o" o" o" ©" o" o" o" es* es" es" es"
00

2 C v ^ f T f ' i f ' ­ ^ O O O a s O ^ ^ O m m f N , ^ pa r\i rx oo


i > c» oo,c» oo c» t­­_ oo_ r~ M _ co_ c« oo oo O0 CO oçi o tx 00 Os^ O C T N C ^ O V O O V CA O S C S O N ^
s
CN
o o " o o o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " 5? o " o ' es" o" © o " © " o " o " © " © " es* es" es" es" t
È
2 O — C N 0 0 C N V O C N © © " d ­ O V © C O —' — O CS <0 M­ K"v
o ^ c> c^oo^ a ^ oo^ o\^ c> c> o q o q o\ o ^ o\ ov av CN o oç, oí
N C O r H O l O V l l O t N m M ­ ,
00^ 00^ 0\ <> 0 0 00^ OO^ 00 00 CS oo CA
Y
scu o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " es* es" es" ca" o " o " o " o " o " o " o " © " es" es" es" es"
2
■*­»

'S
o — oovocs\otNr­~'*voTt­Tt­r>­ir^ — o r ­ ro vo co
u
73
O0^ ©^ r ^ C > C> 1/­^ 0 q q o q CN^ ~ ^ O^ CN ^ 00 CN "5, N Cv.
vo VO
OO
00

^1 >o ^^ " i
oo
CO O
CO
00
o ■o OO
es
_« oo" r t —■"vo" vo" ro" vo" CN" ro" © " oo" r i vo" vo" u­f p­' cv 1 co CN oo CN I—I ^ —„ vo vo
—* ^, —• > —
—^,
­ — 1
■o
"33 'N 1*1 CN
^ IN
U
£
CJ

a
o oo — co©oO'—p~eocop­­inooco'<tcOTroocn
st
r n q _ i n ^ r o CN ■* cn ©^ <™ © © © oc^ vo i n So K > rs) •o rn oo
CS OO \ 0 O CX3^ t ^ OO^ (N^ OO S© vo oo oo
■^t ^ r m r o m m M cN n r n r n f í ■d*" * t m " ^ t ' n C> «N1 t/í
cd
CL,
­ r­»" r ^ r*^ ^o t> co" t^" r­" <^ es" vo" oo"

£

u r o ^ r o i n ^ e r P ­ c o v o r ­ v o í o p ^ i o c n c o T r i ^ CM r^ rí­j^­^O — 0 ­ ^ C N © c « ­ , ço es es
fcj o ©_ o © „ © „ o ©^ o_ ©_ CD o ©^ ©_ o_ O O O «S CS CS ©__ o ^ ©_ ©^ o ^ q _ q _ — es es es —.
Cd W CN CN CNCN CN CN CN CN CN CN CN CN r i CN" CN CN <N* es" IN" CN" CN" CN" CN CN" CN" CN" CN" CN es" IN <N

'3 OJO p~ T T — P ~ P ~ ^ t r - f n v i ^ o o T í t ^ c — i n r — oo ■*»■ --,


< + *1 1 1 *1 " * 1 * 1 * Í ^ ^ " ­ *N
cd
O
2 CN CN CN CN CN CO CN CO rn CO CN r<\ CN CN CN CN es Cs <N
o " o " o " o " o " o " o " o " © " o " © " o " o " o " o " o " «T es" o "
© © © o o " o " © " © " es* es* es" es'
3 cr, \ ) . c N c o c o — • •— O co ^ io » , m N
O _
U o o c N o o c N M S c N O O ' d ­ c y i O c N — — O c a O oo oq_ oo^ M 0\ a\ o\ oo^ oo oo es oo ov
CL,
O^ C\^ O^CO C T , C O C h c 7 \ C ^ C O M C 7 \ O C T , C I \ C í i O o" o" o " © " © " © " o " © " o " © " es* es" es" es"
cd
o" o"
oo en o"
r- o"
co o" o" ro
m oo o" o"
© Co"
O Co"
N eo"
N Co"
T \ Vo"
O Vo"
O Co" N r ­c
N C o" ia* OvC— • " d " V O V O O O O V © v © * > ­ 1 C S O \
~ 2 vo p~ r- r~ p- vo p~ P~ V O P ­ P ­ V O P ~ P ~ P ­ P ­ K oo^ oo^ oo^ co oo^ oo oo oo oo es oo oo
>O <
•o
o > — co CN r o —• c o o o © c v c o © ^ ­ ' r o e N ~ ­ ~ ­ * ­ rsi tf)
co oo^ oo^oo^ oo^ p ^ r>^ oo^ r* r— oo oo oo oo oo oo oo C3 c^ OO © © r ­ c o i / ^ C N r o o o ^ r n c s o o
co^ oo^ COK oo^ oo^ oo^ oo^ oq^ oo es oo oo
icd
< o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " o " « í cs" c* es" o " o " © " © " © " o " © " © " es* es" es" es"
'S0>b co vi ^vO ^ ■ ^ m ^ - ^ - r n ^ T f N n v O v i in oo « — N N ­ d ­ — N N M ­ , ~ , >
LH
H o_ q o_o_ o o_ o o o O K o_ o o o o o ca es q © © © © © © © es es es es
ca o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" o" 5S" o " o " es" © " © " © " o " © " © " © " o " ci* es" es' es"
73
CO vovooou­icvcoor—r­ — vor~cor~r~vovor<­i­~. V O — ^ C N &