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Introdução: Este trabalho surgiu no âmbito da disciplina de Filosofia e

tem como principal objetivo caracterizar os argumentos não dedutivos e


algumas das falácias informais, nomeadamente: Generalização precipitada;
Amostra não representativa; falsa analogia; Apelo à autoridade; Petição de
princípio; Falso dilema; Falsa relação casual; Ad Hominem; Ad Populum;
Apelo à ignorância; Boneco de Palha; Derrapagem.

Desenvolvimento:
1. Noção de argumentos não dedutivos:
Num argumento não dedutivo, a verdade das premissas apenas
sugere a plausibilidade da conclusão ou a probabilidade de ela ser
também verdadeira. Neste tipo de argumentos, as premissas apenas
dão um suporte parcial à conclusão, fornecendo razões a seu favor,
mas não a tornando necessariamente verdadeira.
A sua validade depende de aspetos que vão para lá da forma lógica
do argumento. Um argumento não dedutivo é válido quando é
improvável, mas não propriamente impossível, ter premissas
verdadeiras e conclusão falsa.

2. Definir argumentos por indução (indução por


generalização e por revisão) por analogia e de
Autoridade:
2.1 Argumentos indutivos: indução por generalização:
Argumento cuja conclusão é mais geral do que a(s)
premissa(s).

2.2 Argumentos indutivos: indução por previsão:


Argumento que, baseando-se em casos passados, antevê casos
não observados, presentes ou futuros.

2.3 Argumento por analogia:


Argumento que consiste em partir de certas semelhanças ou relações
entre dois objetos ou duas realidades e em encontrar novas
semelhanças ou relações. Baseia-se, assim, na comparação que se
estabelece entre as realidades, supondo semelhanças novas a partir
das já conhecidas.
2.4. Argumento de autoridade:
É o argumento que se apoia na opinião de um especialista ou de uma
autoridade para fazer valer a sua conclusão.

3. Definir o termo falácia:

O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar.


Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de
verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento
logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na
tentativa de provar eficazmente o que alega.

4. Definir e dar exemplos das Falácias informais que se


seguem:

4.1 Generalização Precipitada:


Analisa vários casos particulares e conclui que todos são.
Exemplo: O Manuel tem olhos verdes, o Gonçalo tem olhos
verdes, logo todos os homens têm olhos verdes.

4.2 Amostra não representativa:


Há diferenças relevantes entre a amostra usada na inferência
indutiva e a população como um todo

Exemplos:

Para ver como os Portugueses vão votar na próxima eleição


sondou-se uma centena de pessoas em Bragança. Isto mostra,
sem dúvida, que a direita vai limpar as eleições. (As pessoas
de Bragança tendem a ser mais conservadoras e, portanto,
mais propensas a votar em partidos de direita do que as outras
pessoas no resto do país.)
4.3 Falsa Analogia:
Numa analogia mostra-se, primeiro, que dois objectos, a e b,
são semelhantes em algumas das suas propriedades, F, G, H.
Conclui-se, depois, que como a tem a propriedade E, então b
também deve ter a propriedade E. A analogia falha quando os
dois objectos, a e b, diferem de tal modo que isso possa
afectar o facto de ambos terem a propriedade E. Diz-se, neste
caso, que a analogia não teve em conta diferenças relevantes.

Exemplos:

Os empregados são como pregos. Temos de martelar a cabeça


dos pregos para estes desempenharem a sua função. O mesmo
deve acontecer com os empregados.

4.4 Apelo à Autoridade:


Falácia ad verecundiam (apelo à autoridade): faz apelo à
autoridade, prestígio de alguém para sustentar a conclusão.
Exemplo: Invocar especialistas.

4.5 Petição de Princípio:


Falácia que consiste em assumir como verdadeiro aquilo que
se pretende provar. A conclusão é usada, de forma implícita,
como premissa, encontrando-se muitas vezes disfarçada com
palavras de significação idêntica à das da conclusão.

EXEMPLOS:

Andar a pé é um desporto saudável. Logo, andar a pé é um


desporto que faz bem à saúde.

O ser humano é inteligente, porque é um ser que possui


inteligência.

4.6 Falso Dilema:


Consiste em reduzir as opções possíveis a apenas duas,
ignorando-se as restantes alternativas, e em extrair uma
conclusão a partir dessa disjunção falsa.
Exemplo de uma disjunção falsa:
Ou votas no partido x ou será a desgraça do país.
(Outros partidos são ignorados.)

EXEMPLO DE UMA FALÁCIA DO FALSO DILEMA:


Ou votas no partido x ou será a desgraça do país!
Não votas no partido x.
Logo, será a desgraça do país.

(Embora seja válido em termos dedutivos, este argumento


exprime a falácia do falso dilema.)

4.7 Falsa Relação Causal:


A expressão “post hoc, ergo propter hoc” significa “depois
disto, logo por causa disto”. Esta falácia comete-se sempre
que se toma como causa de algo aquilo que é apenas um
antecedente ou uma qualquer circunstância acidental. Trata-
se, por isso, de concluir que há uma relação de causa e efeito
entre dois acontecimentos que se verificam em simultâneo ou
em que um se verifica após o outro.

4.8 Ad Hominem:
É o tipo de argumento dirigido contra o homem. É a falácia
que se comete quando, em vez de se atacar ou refutar a tese de
alguém, se ataca a pessoa que a defende.
Os ataques pessoais poderão centrar-se, por exemplo, na
classe social, no partido político ou na religião da pessoa em
causa. Muitas vezes, o objetivo destes argumentos consiste
em desviar as atenções daquilo que está em causa.

EXEMPLOS:

A tua tese de que tudo é composto de átomos está errada,


porque cheiras mal da boca sempre que a proferes.
Sartre estava errado a respeito do ser humano, porque não ia
regularmente à missa.

4.9 Ad Populum:
É a falácia que se comete quando se apela à opinião da
maioria para fazer valer a verdade de uma conclusão.

EXEMPLOS:

A maioria das pessoas considera que a leitura é uma perda de


tempo. Logo a leitura é uma perda de tempo.

A maioria dos contribuintes considera legítimo fugir ao fisco.


Logo, é legítimo fugir ao fisco.

4.10 Apelo à Ignorância:


Comete-se esta falácia sempre que uma proposição é tida
como verdadeira só porque não se provou a sua falsidade ou
como falsa só porque não se provou que é verdadeira.

EXEMPLOS:

Não se sabe se os fantasmas existem. Logo, é falso que


existam fantasmas.

Não existem fenómenos telepáticos, porque até agora


ninguém provou que eles existem.

A alma é imortal. Isto porque ninguém provou que a alma


morre com o corpo.

4.11 Boneco de Palha:


É a falácia cometida sempre que alguém, em vez de refutar o
verdadeiro argumento do seu opositor/interlocutor, ataca ou
refuta uma versão simplificada, mais fraca e deturpada desse
argumento, a fim de ser mais fácil de rebater a tese oposta.
Trata-se de distorcer as ideias do interlocutor para que elas
pareçam falsas.

EXEMPLO:
António defende que não devemos comer carne de animais
cujo processo de industrialização os tenha sujeitado a
condições de vida e morte cruéis.
Manuel refuta António dizendo: “António quer que apenas
comamos alface!”.

[Em momento algum António defende que não devemos


comer todo e qualquer tipo de carne, sugerindo que sejamos
vegetarianos (“comer alface”), mas apenas aquele tipo de
carne sujeito às condições descritas. O argumento é assim
deturpado e simplificado.]

4.12 Derrapagem
a falácia cometida sempre que alguém, para refutar uma tese
ou para defender a sua, apresenta, pelo menos, uma premissa
falsa ou duvidosa e uma série de consequências
progressivamente inaceitáveis.

EXEMPLO

Se jogares a dinheiro, vais viciar-te no jogo. Se te viciares no


jogo, perderás tudo o que tens. Se perderes tudo o que tens,
terás de mendigar. Se tiveres de mendigar, ninguém te dará
nada. Se ninguém te der nada, morrerás à fome. Logo, se
jogares a dinheiro, morrerás à fome.