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16-O MISTÉRIO DOS ANJOS-01/Outubro/2004

Este é um assunto controverso, como não poderia deixar de ser. Afinal, todo mistério que se preza,
suscita dúvidas, gera questionamentos, senão não o seria, é evidente. Mas, como faz parte do
imaginário do ser humano, não me custa fazer breves comentários sobre o mesmo. Inicialmente,
devo dizer que anjos, segundo rezam os “manuais” acerca do tema, são seres invisíveis, dito
angelicais, cuja função precípua é proteger o ser humano, livrando-o dos iminentes males que
possam cruzar-lhe o caminho durante sua trajetória no planeta em que vive. Sabermos se de fato tal
proteção acontece, é que são elas. Tudo, claro, é suposição. Se os anjos são elementos celestes não-
visíveis ao olho comum, torna-se difícil de comprovar a sua real existência Mas, como o homem
vive de fé, não podemos questionar a sua opinião, já arraigada no seu âmago desde que ficou
consciente da sua própria existência. Contudo, não devemos esquecer daquela velha máxima de que
“a verdade é somente aquilo que permanece incólume diante da perpétua mutação universal,
mantendo-se aplicável a todas as épocas e aberta ao espírito-investigador”.
Por isso mesmo, devemos analisar tal “verdade” com o “pé-no-chão” (mas cabeça no céu). Como
os mistérios são aparentemente insolúveis, resta-nos, pois, apenas especular, nada mais.
Muitas pessoas se “protegem” ou se sentem protegidas logo após rezar a famosa oração “Santo
Anjo”. Isto pode acontecer geralmente antes de fazer qualquer coisa, ou, às vezes, antes de dormir e
depois de acordar. O fato é que a auto-sugestão passa a atuar, porque fica de certo modo “presa” às
palavras dessa prece e isto é o que torna eficaz o “escudo” requerido. Quando os pedidos são
efetivados, o indivíduo passa a se fiar na oração e começa a acreditar na presença – mesmo que não
visualizada - do seu “anjo-protetor”. Ele não quer nem saber se a lógica da vida pressupõe que os
anjos existam ou não. O que lhe importa, é que, efetivamente, se sente amparado por forças ocultas,
não vistas, porém sentidas e isso já basta para enfrentar o dia-a-dia, devidamente escudado. O
mesmo acontece em se tratando de outras entidades invisíveis, sejam santos, ou mesmo o Deus
correspondente à sua religião.
Dizem os escritos sobre a matéria, que existem 72 seres angelicais ao todo e estes estão divididos
em nove hierarquias, que são as dos Serafins, Querubins, Tronos, Potências, Virtudes, Principados,
Arcanjos e Anjos. A palavra "anjo" vem do grego “angelus”, que significa "mensageiro". Para a
cultura hebraica o termo é “malakl”, que também quer dizer “emissário”. Dizem os entendidos
que “as mensagens dos anjos poderiam ser comparadas ao sistema via satélite, no qual os sinais
que passam pelo céu são enviados para todos os receptores”, no caso os pedintes. Apregoam ainda,
que também são considerados anjos, os chamados “daimones” que, apesar de serem conhecidos,
não são muito invocados pelos seres humanos. Seriam eles os “silfos”, elementais do ar que
ajudariam na propagação dos recados; as “ondinas”, os elementais correspondentes à água, que
controlam as emoções e os “gnomos” e “duendes”, que são os elementais correspondentes à terra,
no caso, à prosperidade.
Tudo, como dito, são crenças. Verdade ou não, elas estão na boca do povo.
O importante, em suma, são os fins e não os meios, pois o campo magnético que a mente humana
cria ao lidar com tais “forças” é inimaginável. Eis a proteção almejada que surge do nada, mas a
partir da solicitação feita verbalmente ou através do pensamento.
Anjos quer queiram, quer não, desempenham um papel preponderante na vida de quem é
considerado mais crédulo e confia na sua proteção, que passa a ser divina.
O escudo protetor gerado graças à sua invocação é o que conta, enfim.
Complemento este ensaio, invocando (já que esta é a palavra propícia no momento) um velho e
sábio dito popular: "Deus dorme no mineral, sonha no vegetal, age no animal e desperta no
homem".