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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS


CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CIMENTO PORTLAND: CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

São Luís

2016
CIMENTO PORTLAND: CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

Trabalho apresentado à disciplina de Materiais de


Construção Civil I vinculada ao Departamento de
Engenharia das Construções e Estruturas do Centro
de Ciências Tecnológicas no curso de Engenharia
Civil da Universidade Estadual do Maranhão para
obtenção de nota parcial.

São Luís

2016
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 4
2. FUNDAMENTAÇÃO .............................................................................................................................. 5
2.1 História .......................................................................................................................................... 5
2.2 Principais Tipos de Cimento Portland ........................................................................................... 5
2.3 Critérios de Seleção do Cimento Portland .................................................................................... 7
2.4 O Uso das Variedades do Cimento Portland nas Diferentes Aplicações ....................................... 8
3. CONCLUSÃO ...................................................................................................................................... 11
4. BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................... 12
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1. INTRODUÇÃO

Podemos definir o cimento portland como o produto obtido pela pulverização do


clinker. O clinker por sua vez, é definido como um produto resultante da calcinação de uma
mistura de cal (CaO), sílica (SiO2), Alumina (Al2O3), oxido de ferro (Fe2O3) e alguns
constituintes menores. (BAUER, p. 35)

O cimento portland é sem dúvidas o material de construção mais consumido no


mundo por suas características, como trabalhabilidade e moldabilidade, alta durabilidade e
resistência a cargas e fogo. Além de ser um aglomerante hidráulico, ou seja, é resistente a
presença de água.

No Brasil existem vários tipos de cimentos portland. Cada tipo é desenvolvido


com diferentes proporções entre seus constituintes e até adições de novos materiais. Gerando
então diferentes características no aglomerante.

Tornou-se então necessário a criação de critérios de seleção para cada tipo de


cimento, a fim de proporcionar o uso adequado do tipo de cimento portland para cada tipo de
solicitação ou situação em cada tipo de obra.
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2. FUNDAMENTAÇÃO

2.1 História
Segundo Arnaldo Forti Battagin, a história do cimento portland data-se de um período
com mais de 4000 anos atrás e passou por várias etapas até o seu aprimoramento.

A palavra cimento é originada do latim caementu, que designava na velha Roma


espécie de pedra natural de rochedos e não esquadrejada. A origem do cimento
remonta há cerca de 4.500 anos. Os imponentes monumentos do Egito antigo já
utilizavam uma liga constituída por uma mistura de gesso calcinado. As grandes
obras gregas e romanas, como o Panteão e o Coliseu, foram construídas com o uso
de solos de origem vulcânica da ilha grega de Santorino ou das proximidades da
cidade italiana de Pozzuoli, que possuíam propriedades de endurecimento sob a ação
da água. O grande passo no desenvolvimento do cimento foi dado em 1756 pelo
inglês John Smeaton, que conseguiu obter um produto de alta resistência por meio
de calcinação de calcários moles e argilosos. Em 1818, o francês Vicat obteve
resultados semelhantes aos de Smeaton, pela mistura de componentes argilosos e
calcários. Ele é considerado o inventor do cimento artificial. Em 1824, o construtor
inglês Joseph Aspdin queimou conjuntamente pedras calcárias e argila,
transformando-as num pó fino. Percebeu que obtinha uma mistura que, após secar,
tornava-se tão dura quanto as pedras empregadas nas construções. A mistura não se
dissolvia em água e foi patenteada pelo construtor no mesmo ano, com o nome de
cimento Portland, que recebeu esse nome por apresentar cor e propriedades de
durabilidade e solidez semelhantes às rochas da ilha britânica de Portland.”
(BATTAGIN, 20 – [?], p.[?])

2.2 Principais Tipos de Cimento Portland


Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP (2002, p. 9-24),
“Existem no Brasil vários tipos de cimento portland, diferentes entre si, principalmente em
função de sua composição [...]”. Dentre os quais se podem destacar: “o cimento portland
comum, o cimento portland composto, o cimento portland de alto-forno e por fim, o cimento
portland pozolânico”. Em contrapartida, existem outros tipos de cimento, como “o cimento
portland de alta resistência inicial, o cimento portland resistente aos sulfatos, o cimento
portland branco, o cimento portland de baixo calor de hidratação e o cimento para poços
petrolíferos”, cujo consumo se dá em menor escala, por motivos diversos, posto que os
mesmos tenham uma menor demanda e possuem características especiais de aplicação.
Cada um desses tipos de cimento portland tem suas características únicas, sendo o
cimento portland comum sem adição, servindo como base para os demais tipos. Existe
também um sistema de siglas para determinar cada tipo e classe dos aglomerantes em questão.
Eles vêm no formato “CP-X Y”, onde X é a sigla do tipo de cimento em algarismos romanos,
que podem vir com sufixos para indicarem os compostos adicionados ao cimento, e Y é a
classe do cimento. A classe vai indicar qual a resistência do cimento à compressão garantida
pelo fabricante após 28 dias de cura. (ABCP,2002)
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Tabela 1: Nomenclatura dos tipos de cimento portland.


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Figura 1: Evolução da resistência à compressão do cimento em função do tempo de cura.

2.3 Critérios de Seleção do Cimento Portland


A proporção das misturas dos principais constituintes do cimento portland e a
adição de outros materiais provocam alterações nas características dos mesmos. A tabela a
seguir relaciona o efeito de cada proporção ou mistura na característica do cimento, podendo-
se obter então um critério de seleção.

Tabela 2: Adições se suas características dadas ao cimento portland comum sem adição.

Tipo de Cimento Adição/Condição (em


Característica
Portland porcentagem)
CP-I Gesso (até 3%) Retarda o tempo de pega

CP-II-E Escórias de alto-forno (6-34%) Durabilidade e resistência

CP-II-P Materiais Pozolânicos (6-14%) Impermeabilidade

Trabalhabilidade (espécie
CP-II-F Materiais Carbonáticos. (6-10%)
de lubrificante)
Maior durabilidade e
CP-III Escórias de alto-forno (35-70%)
resistência
Maior impermeabilidade,
CP-IV Material Pozolânico (15-50%)
durabilidade e estabilidade.

CP-V-ARI Material Carbonático (0-5%) Alta resistência nos


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primeiros dias de aplicação

1- Aluminato tricálcio (até 8%) (no


clinker, Materiais Carbonáticos (até
5%); ou
2- Escórias de Alto-forno (60% e
Resistente a Resistência aos meios
70%); ou
Sulfatos agressivos sulfatados
3-Materiais Pozolânico (25 a 40%);
ou
4 – Ensaios que comprovem
resistência a sulfatos.
Gerar até 260 J/g e até 300 J/g aos 3
Baixo Calor de Evitar fissuras de origem
dias e 7 dias de hidratação,
Hidratação térmica
respectivamente. (NBR12006)
Baixo teor de óxidos de ferro e
manganês, condição especial de
Branco Estrutural Detalhamento da Arquitetura
referimento e moagem, Material
carbonático (0-25%)
Baixo teor de óxidos de ferro e
Branco Não manganês, condição especial de
Aplicações não estruturais
Estrutural referimento e moagem, Material
carbonático (26-50%)
Na sua composição se observam outros
componentes além do clinker e do gesso
Poços para retardar o tempo de pega. No Melhoramento das
Petrolíferos processo de fabricação são tomadas propriedades plásticas
precauções para garantir que o produto
conserve as propriedades reológicas.

2.4 O Uso das Variedades do Cimento Portland nas Diferentes Aplicações


Dada à variedade do cimento portland, fica claro que podemos determinar alguns
tipos mais adequados para determinadas situações dentro da engenharia civil levando em
conta a particularidade que cada um apresenta.
Em que pese à possibilidade de se ajustar, através de dosagens adequadas, os
diversos tipos de cimento às mais diversas aplicações, a analise das suas
características e propriedades, bem como de sua influência sobre as argamassas e os
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concretos já mostra que certos tipos são mais apropriados para determinados fins do
que outros. (ABCP, 2002, p. 22)

A tabela 3 a seguir aponta quais tipos de cimento à disposição no mercado podem ser usados
nas diferentes aplicações.

Tabela 3: Aplicação dos tipos de cimento portland


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NOTA: (*) Dada a pouca experiência que se tem no Brasil sobre uso do CP III e do CP IV na argamassa
armada deve-se consultar um especialista antes de especificá-los para esse uso.
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3. CONCLUSÃO

Os critérios de seleção são de suma importância para a determinação do tipo de


cimento portland, dentre os vários fabricados, que podem e devem ser usados para uma
determinada aplicação em uma obra de engenharia e até arquitetônicas. Dependendo do tipo
de material (gesso, carbonatos, pozolânas e escórias), adicionado ao mistura do cimento e as
condições de fabricação, respeitadas as devidas proporções, obtemos um cimento com uma
característica a mais em relação ao cimento portland comum sem adição (exceto adição de
gesso). Criando assim parâmetros para escolha do tipo de cimento portland.
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4. BIBLIOGRAFIA

BATTAGIN, Arnaldo Forti. Uma breve história do cimento Portland. Disponível em:
http://www.abcp.org.br/cms/basico-sobre-cimento/historia/uma-breve-historia-do-cimento-
portland/ Acessado em: 10/06/2016.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Guia básico de utilização do
cimento portland. 7ª Ed. São Paulo, 2002.
BAUER, L.A. Falcão. Materiais de Construção. 5ª Ed. Rio de Janeiro, Editora LTC. 2000. p.
35.