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-Caleb!

Minha mãe grita do outro lado do campo, sua feição parecia preocupada e exausta.
-Aonde esteve?
-Se acalme Elisa.
-Me acalmar? Isaac, ele poderia ter se ferido.
Meus pais andavam muito estranhos ultimamente, desde que os nazistas nos trouxeram
para este lugar, posso parecer ingênuo, mas sei muito bem o que está para acontecer.
Antes de vir, ouvi muitas histórias dos meus antigos colegas, eles contavam sobre
outros de nós que vieram aos campos e não conseguiram sair mais. Estranhamente, eu
não sentia um pavor extremo como os outros, porém adoraria saber o motivo de tanto
ódio sobre nós, Adolf Hitler, um homem com poder imenso sobre a Alemanha, mas
porquê?
-Caleb, meu filho, por onde andou?
Minha mãe parecia cada vez mais desesperada
-Eu não sei, apenas estava andando pelo campo...
-Isso foi total irresponsável, você ficou louco?
-Ok mãe, me desculpe. Berakhá!
Meus pais andavam muito fracos, meu pai principalmente, não sabia se ele resistiria
até podermos ir embora. Os nazistas não nos alimentavam direito, a comida era pouca e
ela não nos sustentava. No geral, meus pais comiam pouco para tentar me alimentar
melhor, mas eu não gostava da comida do campo e, me sentia mal por isso.
Eram seis e meia da manhã, alguns generais entraram em nosso bloco e levaram meus
pais à força, depois de um certo tempo decidi ir atrás, o estranho é que a única coisa que
escutava eram gritos e arranhões em algo sólido... Me aproximei cada vez mais rápido,
por que toda a gritaria? Será que meus pais estavam lá? Vi um corpo conhecido sendo
levado de lá, perdi a respiração por um segundo. Depois disso, não soube o que eu tinha
em mente, mas corri em direção ao general que o carregava, comecei a chorar. Minha
mãe estava morta. Neste momento a raiva tomou conta de mim, comecei a gritar para
soltá-la, ele parecia indiferente, até outro general me segurar, achei que ele fosse me
ajudar, mas ele começou a me espancar e gritar comigo. Retrucava tudo ele falava,
meus pais foram mortos por eles, não iria aceitar isso, porém parecia que eu não tinha
escolha...
Um dos nazistas me acerta na perna, caio no chão, já não sentia nada e ele não para.
Eles nunca param. De repente, tudo escurece. Pelo menos, acho que estou livre e junto
com meus pais novamente.

Berakhá (BIRKÁ): benção/bença