Você está na página 1de 92

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

RAFAEL TADEU MOLINA GIL

ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA PARA IMPLEMENTAÇÃO DE


GERAÇÃO DISTRIBUÍDA PARA PEQUENAS EMPRESAS

Orientador: Professor Dr José Benedito Marcomini

São Carlos
2018
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

RAFAEL TADEU MOLINA GIL

ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA PARA IMPLEMENTAÇÃO DE


GERAÇÃO DISTRIBUÍDA PARA PEQUENAS EMPRESAS

Orientação de José Benedito Marcomini

Monografia apresentada ao Curso de Engenharia


de Materiais e Manufatura, da Escola de Engenharia
de São Carlos da Universidade de São Paulo, como
parte dos requisitos para obtenção do título
de Engenheiro de Materiais e Manufatura.

São Carlos
2018
AUTORIZO A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO,
POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS
DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes da
EESC/USP com os dados inseridos pelo(a) autor(a).

Gil, Rafael Tadeu Molina Gil


G717a Análise de viabilidade econômica para implementação
de geração distribuída para pequenas empresas / Rafael
Tadeu Molina Gil Gil; orientador José Benedito
Marcomini. São Carlos, 2018.

Monografia (Graduação em Engenharia de Materiais e


Manufatura) -- Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo, 2018.

1. Geração distribuída. 2. Placas fotovoltaicas. 3.


Consumo comercial. 4. Energia solar. 5. Análise
econômica. I. Título.

Eduardo Graziosi Silva - CRB - 8/8907


Agradecimentos

Aos meus pais, João Luis Molina Gil e Maria Valeria Ramponi Molina por todo o amor,
além da confiança, do apoio, da preocupação com a minha educação e do incentivo
incondicional por todas as etapas da minha vida.
À minha namorada e amiga Mariana Quinone pela parceria, pelos conselhos e pelo
carinho ao longo dos últimos anos.
Aos meus amigos Raul, Diego, Frederico, Juan, Hugo, Gian, Daniel, Leonardo, Gabriel
e tantos outros que sempre me apoiaram e incentivaram durante a minha jornada, não
apenas acadêmica, mas pessoal.

Aos meus amigos e companheiros de curso pelos anos incríveis e memoráveis, e


especialmente ao Thiago Marchesoni pelas inúmeras parcerias em trabalhos acadêmicos,
noites de estudos e cervejas, sem mencionar as caronas para o campus 2 que me
permitiram chegar a este momento: entregar meu TCC!

Ao meu orientador, José Benedito Marcomini, pelos ensinamentos e suporte sempre de


forma simpática e acolhedora.

À Lize Antunes pelo auxílio na estruturação e organização do trabalho.

À minha gestora Ana Carla na empresa Comerc pelos ensinamentos relacionados ao setor
elétrico e pelas práticas corporativas.

Ao Sidnei Tacão, amigo e dono da empresa em estudo, pela total disposição em fornecer
informações e dados para o projeto.

Por fim, a todos os professores e educadores que lutam diariamente por uma educação
mais justa e de melhor qualidade.
Resumo

GIL, R.T.M. Análise de viabilidade econômica para implementação de geração


distribuída para pequenas empresas. 2018. 72 f. Trabalho de Conclusão de Curso
(Engenharia de Materiais e Manufatura) – Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo, São Carlos 2018.

Atualmente, o estudo da viabilidade de instalação de painéis fotovoltaicos está crescendo


e difundindo-se de forma acelerada no Brasil nos últimos anos. Esse crescimento ocorre
principalmente nos grupos de consumo de pequeno e médio porte, classificados como
consumidores residenciais e comerciais. Os principais fatores motivadores para a opção,
por parte desses grupos, de gerar sua própria energia são: declínio do uso das fontes
energéticas derivadas dos combustíveis fósseis, implementações regulatórias favoráveis
ao uso de fontes renováveis, diminuição exponencial do custo das tecnologias envolvidas
na fabricação dos módulos fotovoltaicos e condições geográficas e climáticas favoráveis
do território brasileiro. Portanto, este trabalho tem como objetivo analisar a viabilidade
econômica para implementação de geração distribuída (GD), que, beneficiando-se de
fontes renováveis, permitiria aos consumidores gerar parte da energia elétrica que
consome. Foi demostrado, com sucesso, a possibilidade de implementação de projetos de
auto geração através do uso de um sistema de placas fotovoltaicas

Palavras-chaves: geração distribuída; placas fotovoltaicas; consumo comercial; energia


solar; análise econômica.
Abstract

Currently, the study of the viability of installation of photovoltaic panels is growing and
spreading through in Brazil in recent years. This growth occurs mainly in the small and
medium-sized consumer groups classified as residential and commercial consumers. The
main motivating factors for these groups to generate their own energy are: declining use
of energy sources derived from fossil fuels, regulatory implementations favorable to the
use of renewable sources, exponential decrease in the cost of technologies involved in the
manufacture of photovoltaic modules and favorable geographic and climatic conditions
of the Brazilian territory. Therefore, the objective of this work is analyzing the economic
viability for the implementation of distributed generation (GD), which, since it benefities
from renewable sources, would allow consumers to generate part of the electric energy
they consume. We have successfully demonstrated the possibility of implementing self
generation projects through the use of a photovoltaic system.

Keywords: distributed generation; photovoltaic panels; commercial consumption; solar


energy; economic analysis.


Lista de Figuras


Figura 1 - Mapa brasileiro de irradiação solar média anual...............................................................................6
Figura 2 - Índice de radiação solar no Brasil........................................................................................................
.........7

Figura 3 - Componentes essenciais para o sistema On-Grid............................................................................9


Figura 4 - Componentes essenciais para o sistema Off-Grid....................................................................
........10

Figura 5 - Cristal de silício não dopado.....................................................................................................................


........11

Figura 6 - Cristal de silício dopado: tipos “n” e “p”...........................................................................................


........12

Figura 7 - Hierarquia fotovoltaica.................................................................................................................................


........13

Figura 8 - Ilustração básica de uma célula de silício.......................................................................................


........14

Figura 9 - Representação do efeito fotovoltaico................................................................................................


........15

Figura 10 - As gerações dos sistemas fotovoltaicos e suas respectivas tecnologias


empregadas.............................................................................................. ..................................................................................... ...15
Figura 11 - Análise comparativa de custo-eficiência das três gerações de fotovoltaicos........
... 16

Figura 12 - Representação da célula monocristalista.....................................................................................


........17

Figura 13 - Representação da célula policristalina...........................................................................................


........18

Figura 14 - Exemplo de curva IxV de um painel solar.................................................................................


........22

Figura 15 - Curvas IxV em função da radiação solar e temperatura..................................................


........22

Figura 16 - Associação em série de painéis fotovoltaicos..........................................................................


........23

Figura 17 - Associação em paralelo de painéis fotovoltaicos..................................................................


........23

Figura 18 - Simbologia para inversor de frequência..........................................................................................


........24

Figura 19 - Sistema de compensação de energia elétrica por placas fotovoltaicas.....................


........25

FFigura 20 - Exemplo de aplicação de um diodo de bloqueio para impedir descargas


noturnas em uma bateria......................................................................................................................................................
........30

Figura 21 - Sistema com aterramento centralizado.........................................................................................


........32

Figura 22 - Procedimentos e etapas de acesso......................................................................................................


........35

Figura 23 - Consumo de energia em reais da empresa.................................................................................


........44

Figura 24 - Estimativa do perfil de consumo semanal...................................................................................


........44

Figura 25 - Estimativa do perfil de consumo diário dos dias úteis......................................................


........45

Figura 26 - Estimativa do perfil de consumo diário do final-de-semana........................................


........45

Figura 27 - Irradiação solar no plano inclinado ao longo do ano em Araraquara....................


........46

Figura 28 - Curva de potência x eficiência do inversor Fronius Symo............................................


........50

Figura 29 - Distribuição organizacional dos painéis.........................................................................................


........52
Figura 30 - Disjuntor tripolar............................................................................................................................................
........54

Figura 31 - Estrutura de fixação dos painéis em solo....................................................................................


........54

Figura 32 - Comparativo de geração e consumo.................................................................................................


........58

Figura 33 - Balanço energético ao longo da vida útil do projeto..........................................................


........60

Figura 34 - Fluxo de caixa do projeto ao longo do horizonte de projeção.......................................


........64

Figura 35 - Fluxo de caixa descontado do projeto ao longo do horizonte de projeção.........


........64

Figura 36 - Valor presente liquido do projeto......................................................................................................


........65

Figura 37 - Economia gerada...........................................................................................................................................


.........66





































Lista de Tabelas

Tabela 1- Perdas estimadas em sistemas fotovoltaicos...................................................................................33


Tabela 2 - Síntese das etapas de acesso da CPFL................................................................................................36
Tabela 3 - Consumo anual de energia elétrica da empresa........................................................................
........43

Tabela 4 - Base de dados de irradiação solar diária média........................................................................


........46

Tabela 5 - Dimensionamento dos cabos de condução...................................................................................


........53

Tabela 6 - Orçamento e valor final do projeto....................................................................................................


........56

Tabela 7 - Geração e consumo de energia ao longo do primeiro ano do investimento........ 57


Tabela 8 - Balanço de energia ao longo da vida útil do projeto.............................................................
........59

Tabela 9 - Variáveis econômicas para o investimento..................................................................................


........60

Tabela 10 - Valor tarifário projetado ao longo do projeto...........................................................................61


Tabela 11 - Análise econômica da planta..............................................................................................................
........63

Tabela 12 - Comparativo de gastos estimados....................................................................................................


........66
Lista de Símbolos

a-Si: silício amorfo


B: boro
CdTe: telureto de cádmio
CIGS: índio e gálio
CIS/CIGS: disseleneto de cobre e índio
CIS: disseleneto de cobre e índio
m-Si: monocristalino
p-Si: policristalino
P: fósforo
Si: silício
CdTe: disseleneto de cobre
Sumário

1. Introdução..........................................................................................................................................................................
...............1

2. Objetivos......................................................................................................................................................................................
. 4
2.1. Objetivo geral..................................................................................................................................................
.............4

2.2. Objetivos específicos.........................................................................................................................................


. 4
3. Revisão bibliográfica.................................................................................................................................................
..........5

3.1. Fonte de energia solar................................................................................................................................


5..........5
3.2. Sistema fotovoltaico.............................................................................................................................................8
3.2.1. Sistema conectado (On-Grid).....................................................................................................8
3.2.2. Sistema isolado (Off-Grid)...........................................................................................................9
3.3.3. Sistema híbrido.............................................................................................................................
........10

3.3. Efeito fotovoltaico........................................................................................................................................


........11

3.3.1. Semicondutores não-dopados.................................................................................................11


3.3.2. Semicondutores Dopados..........................................................................................................12
3.4. Componentes do sistema fotovoltaico................................................................................................13
3.4.1. Células e módulos fotovoltaicos...........................................................................................13
3.4.1.1. Princípio de funcionamento...............................................................................13
3.4.1.2. Tipos de células fotovoltaicas..........................................................................15
3.4.1.2.1. Primeira geração...............................................................................16
I Silício monocristalino..........................................................17
II Silício policristalino.............................................................18
3.4.1.2.2. Segunda geração..............................................................................19
I Silício amorfo (a-Si)..............................................................19
II Telureto de cádmio (CdTe)............................................19
III. Disseleneto de cobre e índio (CIS/CIGS)........20
3.4.1.2.3. Terceira geração.......................................................................... ....20
I. Células solares fotovoltaicas
orgânicas (OPV) .........................................................................21
3.4.1.3. Características elétricas dos módulos fotovoltaicos.......................21
3.4.2. Inversor solar.....................................................................................................................................24
3.4.3. Medidor bidirecional...................................................................................................................24
3.4.4. Controlador de carga...................................................................................................................25
3.4.5. Banco de baterias...........................................................................................................................26
3.4.6. Condutores..........................................................................................................................................27
3.4.7. Disjuntores...........................................................................................................................................28
3.4.8. Seccionadores....................................................................................................................................29
3.4.9. Dispositivo de proteção contra surto (DPS)..................................................................30
3.4.10. Diodo de bloqueio.......................................................................................................................30
3.4.11. Fusível de proteção da série fotovoltaica................................................................
.... .... ....31

3.4.12. Aterramento.......................................................................................................................................31
3.5. Perdas estimadas em instalações fotovoltaicas....................................................................32
3.6. Normas técnicas necessárias para o projeto...................................................................................33
3.7. Acesso à rede de energia elétrica...........................................................................................................34
3.8. Programas de incentivo governamentais..........................................................................................37
3.8.1. Resolução Normativa ANEEL 482/2012.....................................................................37
3.8.2. Resolução Normativa ANEEL 687/2015................................................................ ....37
3.8.3. Programa de desenvolvimento de geração distribuída (ProGD)..................38
3.8.4. Convênio ICMS 16.......................................................................................................................38
3.9. Critérios e indicadores para análise de viabilidade econômica do projeto........ ....39
3.9.1. Fluxo de caixa...................................................................................................................................39
3.9.2. Valor presente líquido (VLP).................................................................................................40
3.9.3. Taxa interna de retorno (TIR)...............................................................................................40
3.9.4. Payback descontado......................................................................................................................41
4. Metodologia científica e tecnológica.................................................................................................................41
5. Resultados e discussão.................................................................................................................................................43
5.1. Consumo energético......................................................................................................................................43
5.2. Local de instalação dos painéis.................................................................................................................45
5.3. Medição da radiação solar.............................................................................................................45
5.4. Dimensionamento dos componentes do sistema.......................................................................47
5.4.1. Painel fotovoltaico..........................................................................................................................47
I. Especificações técnicas do painel solar................47
II. Especificações mecânicas do painel solar........48
5.4.2. Dimensionamento do número de painéis necessários........................................48
5.5. Inversor solar........................................................................................................................................................50
5.6. Cabeamento.............................................................................................................................................................52
5.7. Proteção....................................................................................................................................................................53
5.8. Estrutura de fixação dos painéis.............................................................................................................54
5.9. Levantamento do valor dos componentes.......................................................................................54
5.10. Geração de energia esperada............................................................................................................ ....57
5.11. Análise da viabilidade econômica do projeto...........................................................................60
5.11.1. Taxas de tributações.............................................................................................................. ....60
5.11.2. Análise das variáveis econômicas...................................................................................62
6. Conclusões..........................................................................................................................................................................67
7. Recomendações para trabalhos futuros...................................................................................................... ....68
8. Referência Bibliográficas..........................................................................................................................................69
Anexo A - Catálogos de painel fotovoltaico utilizados no projeto....................................................73
Anexo B - Catálogos de inversor solar utilizados no projeto................................................................75


















1

1. Introdução

A humanidade encontra-se em um ponto de inflexão no que diz respeito a política


energética mundial: o modelo tradicional baseado em fontes energéticas derivadas dos
combustíveis fósseis está em declínio, e um novo paradigma sustentável pautado em fontes
renováveis emerge e difunde-se de forma acelerada, partindo dos países mais desenvolvidos e,
inclusive, dos menos desenvolvidos. Essa mudança de pensamento se deve à crescente
conscientização das nações sobre o uso de fontes de energia poluentes, associada à previsão de
diminuição da oferta dos combustíveis fósseis e ao barateamento das novas tecnologias ligadas
à geração sustentável.

O consumo de energia é um dos principais indicadores do desenvolvimento econômico


e do nível de qualidade de vida de qualquer sociedade. O Brasil, um país em desenvolvimento,
apresenta uma taxa de crescimento da demanda energética acima da média mundial. Esse índice
de crescimento mais acentuado é comum aos países de segundo mundo, que ainda desenvolvem
sua indústria nacional e cuja grande parcela da população, menos favorecida economicamente,
está, aos poucos, tendo maior acesso aos bens de consumo da linha branca (refrigeradores,
freezers, condicionadores de ar, lavadoras de louças, lavadoras de roupa, secadoras, etc). Outros
fatores inerentes a nossa sociedade que impulsionam a taxa de crescimento da demanda
energética são: avanço das novas tecnologias, aumento das atividades do setor de serviços e
crescente frota automobilística (INTERNATIONAL ENERGY AGENCY, 2017).

O Brasil fundou e estruturou as bases do seu setor elétrico na criação de uma matriz
prioritariamente hidrotérmica, baseada em um sistema complementar, composto por
hidrelétricas e termoelétricas. Os principais motivadores e direcionadores para a criação desse
modelo estão relacionados às características únicas do nosso território. A extensão territorial
brasileira é de 8.514.876 km², sendo o quinto maior país do mundo, apenas menor que Rússia,
Canadá, China e Estados Unidos. Por esses aspectos é considerado um país de dimensões
continentais. O potencial técnico de aproveitamento da energia hidráulica do Brasil está entre
os cinco maiores do mundo: o país não só tem 12% da água doce superficial do planeta como,
também, condições adequadas para exploração. O potencial hidrelétrico é estimado em cerca
de 260 GW, dos quais 40,5% estão localizados na Bacia Hidrográfica do Amazonas
(MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2007).

O crescimento expressivo da matriz elétrica brasileira se deu no início do século XX


com o desenvolvimento das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Esse crescimento foi
2

marcado pela entrada de capital estrangeiro destinado para a instalação das primeiras
companhias de energia elétrica do país. A partir de 1920, com a economia voltada para a
industrialização, o número de hidrelétricas começou a subir, mas a presença do Estado naquele
contexto era limitada apenas a conferir autorizações para o seu funcionamento. Em 1934,
através do código das águas, foi atribuído à União o poder de autorizar ou conceder o
aproveitamento de energia hidráulica, bem como outras fontes, para efeito de usufruto
industrial. Com isso, todos os recursos hídricos foram incorporados à União, marcando o início
da estatização do setor elétrico através da absorção das empresas estrangeiras.

Até o final da década de 1970, apesar de fortes períodos inflacionários, desestabilidade


política e falta de investimento privado no setor, o Brasil conseguiu vivenciar importantes
processos de desenvolvimento econômico, proporcionados pela época do “Milagre econômico”
entre os anos de 1968 e1972. Naquele período, em virtude do crescimento anual do consumo
na ordem de 10%, o governo decidiu investir e executar dois grandes projetos hidrelétricos:
Itaipu e Tucuruí.

Durante as décadas de 1980 e 1990, o modelo estatal, no qual se vinha desenrolando o


setor elétrico, começou a perder força. A escassez de crédito nacional e internacional
experenciada na época causou a desaceleração dos investimentos em expansão e manutenção
do setor elétrico. Esse fator, somado ao baixo nível tarifário, desencadeou a necessidade de uma
nova estrutura na política de financiamento do setor. Assim se deu início ao processo de
privatização do setor elétrico.

Foi durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, através da lei 9.074,
que objetivava desonerar a máquina pública dos investimentos em infraestrutura por meio da
atração do capital privado, que o processo de privatização se consolidou. Após a privatização,
o setor começou a se remodelar de forma mais dinâmica. Daquele momento até os dias atuais,
grandes mudanças conjunturais e políticas aconteceram, as quais se deram principalmente pela
competitividade e complexidade gerada pela participação de empresas privadas no setor, além
das mudanças climáticas e do desenvolvimento e barateamento de novas tecnologias ligadas às
fontes sustentáveis.

Dentro do cenário elucidado, popularizou-se, em 2012, através da Resolução Normativa


nº 482/2012 (ANEEL, 2012) – posteriormente atualizada pela Resolução Normativa 687/2015
(idem, 2015a) –, a geração distribuída de energia elétrica. Esse tipo de geração pode ser definido
3

como uma fonte de energia elétrica conectada diretamente à rede de distribuição ou situada no
próprio local do consumidor.

O ano de 2012 foi um marco para a geração distribuída (GD) de pequeno porte no país.
Além de definir potências para a GD, estruturando-a em micro e minigeração distribuída, a
resolução estabeleceu as condições gerais para o acesso ao sistema de distribuição de energia
elétrica e definiu o sistema de compensação de energia, também conhecido como Net Metering.
Nesse sistema, a energia excedente é injetada na rede e converte-se em créditos de energia para
posterior compensação caso o consumo seja inferior à eletricidade gerada. A partir de então, o
interesse dos consumidores residenciais, comerciais e industriais de pequeno porte em
autogeração de energia aumentou e, por conseguinte, o número de sistemas de geração
distribuída instalados.

O número de conexões de micro e minigeração de energia chegou a mais de 20 mil


instalações em 2018, desde a sua criação, com atendimento a 30 mil unidades consumidoras, o
que representa uma potência instalada de 247,30 MW – suficiente para atender 367 mil
residências (ANEEL, 2018). A fonte mais utilizada pelos consumidores-geradores é a solar,
com mais de 20 mil adesões, seguida de termelétrica a biomassa ou biogás, com 76 instalações.
Os fatores que contribuíram para que esse tipo de geração se destacasse entre as demais estão
relacionados à posição geográfica do Brasil no globo e ao barateamento e ganho de rendimento
que essa tecnologia vem alcançando na última década. O país apresenta 92% de seu território
na zona intertropical (entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio); os 8% restantes estão na
zona temperada do Sul (entre o trópico de Capricórnio e o círculo polar Antártico), o que
possibilita altos índices de radiação solar anual quase que praticamente em todo seu território e
durante todas as estações do ano (FRANCISCO).

Dessa maneira, a variabilidade interanual em relação à média a longo prazo é menor que
a observada na geração eólica ou hidrelétrica, e, por tanto, a geração fotovoltaica tem menor
independência do comportamento temporal quando comparadas às demais fontes enquadradas
como GD. Esse fato colabora com a integração da energia solar aos sistemas das empresas, já
que esse tipo de fonte proporciona um menor número de incertezas quanto à disponibilidade de
energia e ao retorno do investimento.
4

2. Objetivos

2.1. Objetivo geral

Este trabalho teve como objetivo analisar a viabilidade econômica para implementação
de geração distribuída (GD) por empresas de pequeno porte a partir do conceito de geração de
energia por placas fotovoltaicas. Com esse intuito, o projeto foi desenvolvido e direcionado a
uma determinada empresa sediada em Araraquara.

É por meio da modalidade GD que o consumidor tem concessão para conectar um


sistema gerador de energia elétrica próprio oriundo de fontes renováveis. Com isso, espera-se
suprir a parcela majoritária do consumo de energia. O foco do projeto são empresas de pequeno
porte, caracterizadas por terem um consumo médio mensal acima do residencial, contudo não
suficiente para atingir os critérios mínimos de migração ao ambiente de contratação livre, no
qual o preço da energia é negociado, através de contratos bilaterais, diretamente com
comercializadoras, geradoras e outros agente do sistema de energia brasileiro.

A partir do contexto abordado, pretende-se desenvolver um projeto de instalação de


placas fotovoltaicas conciliado ou não com o uso de um sistema de baterias, analisando o custo-
benefício pela perspectiva do consumidor. Para isso, será apresentado um estudo de caso de
uma empresa de pequeno porte que presta serviços de limpeza e desinfecção de água. Os
levantamentos do custo total de implementação serão feitos pelo aluno, por meio do contato
com empresas brasileiras fornecedoras de equipamentos para geração.

2.2. Objetivos específicos

Define-se como objetivos específicos:

• Pesquisar os principais sistemas de armazenamento de energia de pequeno e médio


porte, seus custos de implementação e tempo de operação.
• Levantar e cotar dos principais sistemas de micro e mini geração de energia, associados
ao uso de placas fotovoltaicas, existentes e disponíveis no mercado nacional, além de
outros componentes indispensáveis ao projeto.
• Dimensionar o sistema fotovoltaico para atender uma parcela da demanda de energia.
• Definir o layout da usina de modo a atender os principais procedimentos para conexão
com a rede de distribuição.
5

• Calcular as variáveis econômicas: valor presente líquido (VLP), taxa interna de retorno
(TIR) e payback do projeto.

3. Revisão bibliográfica

3.1. Fonte de energia solar

O sol gera uma massiva quantidade de 3,94 x 10^23 kW todo o dia, alcançando
temperaturas de 5.700ºCelsius. Essa energia é irradiada, levando aproximadamente oito
minutos para cobrir os 129 milhões de quilômetros de jornada até alcançar a Terra. A energia
mensurada do sol é da ordem de 15x10^15 MWh por ano, o que equivale a 10 mil vezes o
consumo mundial de energia no mesmo período (GREENPRO, 2004).

O Brasil possui expressivo potencial para geração de energia elétrica a partir da fonte
solar, contando com níveis de irradiação solar superiores aos de países onde projetos para
aproveitamento dessa energia são amplamente disseminados, como Alemanha, França e
Espanha. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil, por estar localizado relativamente
próximo à faixa do equador, tem um grande índice de radiação solar, um dos mais altos do
mundo, estimado em 140.000 MW, o que representa aproximadamente 90% da potência
instalada da matriz elétrica brasileira (Figura 1).
6

Figura 1 - Mapa brasileiro de irradiação solar média anual.

Fonte: Pereira et al. (2006).

Focando nas regiões, observa-se que é no Nordeste, mais especificamente no estado da


Bahia, que ocorre a maior radiação, com índices de irradiância na ordem de 6,5 kWh/m².ano.
Já o menor índice de radiação ocorre no Sul do país, no estado de Santa Catarina, região mais
afastada da faixa equatoriana, com índices de 4,25Wh/m².ano (Figura 2).

Figura 2 - Índice de radiação solar no Brasil.

Fonte: adaptado de Pereira e Colle (1998).

Em geral, no Brasil, a radiação solar média anual varia de 1,2 a 2,4 MWh/m².ano, valor
bem superior ao dos países líderes em investimento em tecnologias ligadas ao aproveitamento
solar. A nível de comparação, a região mais ensolarada da Alemanha apresenta índices em torno
de 1,3MWh/m².ano, média bem abaixo da brasileira. Mesmo com índices de radiação solar
inferiores à média brasileira, a Alemanha possui potência instalada, referente aos sistemas
fotovoltaicos, de aproximadamente 114000 MW, contra apenas 24 MW do Brasil, valor que
corresponde a 0,06% da potência instalada em energia fotovoltaica da Alemanha.

O primeiro passo para iniciar um estudo de viabilidade de instalação de placas


fotovoltaicas é determinar a potência solar incidente por unidade de superfície na área de
interesse do projeto. Quanto mais próxima do real essa estimativa for, melhor a qualidade do
projeto; desse modo, a determinação do dimensionamento do sistema deve ser maximizada,
evitando custos desnecessários.
8

Existem diferentes formas de se determinar o índice solarimétrico de uma região. Uma


delas é através do sítio da CRESESB CEPEL1, no qual, a partir das coordenadas geográficas da
região que se deseja instalar os painéis, é possível verificar o índice solarimétrico das três
localidades mais próximas do local informado. Outro modo de determinação do índice
solarimétrico é através do software PVSyst2.

3.2. Sistema fotovoltaico

Um sistema de energia solar fotovoltaico – também chamado de sistema de energia solar


ou, ainda, sistema fotovoltaico – é aquele capaz de gerar energia elétrica através da radiação
solar. Existem dois tipos básicos de sistemas fotovoltaicos: Sistemas Isolados (Off-Grid) e
Sistemas Conectados à Rede (On-Grid). Uma terceira opção, ainda pouco explorada, é o
sistema híbrido, que mescla as características dos dois tipos básicos citados.

Os Sistemas Isolados são normalmente utilizados em locais remotos ou onde o custo de


se conectar à rede elétrica é elevado. São utilizados em casas de campo, refúgios, iluminação,
telecomunicações, bombeamento de água, etc. Já os Sistemas Conectados à Rede substituem
ou complementam a energia elétrica convencional disponível na rede elétrica (HEGEDEUS;
LUQUE, 2002).

3.2.1. Sistema conectado (On-Grid)

Os sistemas On-Grid são conectados à rede elétrica (Figura 3). Por isso, sempre que
houver excedente de energia gerada pela luz solar, a mesma é armazenada na rede elétrica,
gerando descontos na sua conta independentemente do período do dia. Se a energia gerada não
for suficiente ou se as condições meteorológicas não forem favoráveis, a rede elétrica compensa
o que faltar. Por fim, o consumidor só paga à distribuidora a energia consumida da rede elétrica
menos o que foi produzido pelo sistema fotovoltaico. Um ponto importante a destacar desse


1
Disponível em: <http://www.cresesb.cepel.br/index.php?section=sundata>.
2
Software de simulação que utiliza vasto conhecimento da tecnologia fotovoltaica, recursos de dados
meteorológicos e componentes.
9

tipo de sistema é o fato do consumidor não receber nenhum tipo de remuneração financeira pela
energia injeta na rede elétrica; ele apenas recebe uma compensação no balanço energético final.

Figura 3 - Componentes essenciais para o sistema On-Grid.

Disponível em: <http://www.eneldistribuicao.com.br/>. Acesso em: 15 mar. 2018.

3.2.2. Sistema isolado (Off-Grid)

Já os sistemas isolados ou Off-Grid são caracterizados por não estarem conectados à


rede elétrica (Figura 4). Esse sistema é utilizado para uso local e específico, abastecendo
diretamente os aparelhos que utilizarão a energia. Esta solução é bastante utilizada em locais
remotos já que muitas vezes é o modo mais econômico e prático de se obter energia elétrica.
Para evitar a quebra no fornecimento de energia nos horários de baixa radiação solar, esse tipo
de sistema é associado ao banco de baterias na maioria dos casos. Exemplos de uso são:
sistemas de bombeamento de água, eletrificação de cercas, geladeiras para armazenar vacinas,
postes de luz, estações replicadoras de sinal, etc. (PORTAL ENERGIA, 2018).
10

Figura 4 - Componentes essenciais para o sistema Off-Grid.


Disponível em: <http://www.eneldistribuicao.com.br/>. Acesso em: 15 mar. 2018.

3.2.3. Sistema híbrido

O sistema fotovoltaico híbrido é caracterizado como uma mescla do sistema isolado e


do sistema conectado por possuir características comuns aos dois sistemas. De modo geral, este
sistema é definido por estar conectado a rede básica, o que lhe permite a troca de energia com
a rede de distribuição em momentos de geração superior ou inferior a carga. Ele também possui
um banco de baterias acoplado, o que permite ao usuário armazenar a sobra de energia e liberar
à rede de distribuição no horário que lhe for mais conveniente ou usar em horários de baixa
geração para atender a carga local (CRESESB CEPEL, 2006).

Nesse trabalho foi dado enfoque ao sistema conectado à rede e ao sistema híbrido, já
que, para as indústrias e empresas de pequeno porte, a segurança no fornecimento de energia é
essencial: eventuais paradas na linha de produção ou prestação de serviços podem impactar em
grandes prejuízos financeiros. A conexão com a rede de distribuição minimiza as chances de
uma eventual falha técnica nos equipamentos de geração e armazenamento de energia; com
isso, o consumidor tem uma maior segurança no que diz respeito à estabilidade de fornecimento
de energia.
11

3.3. Efeito fotovoltaico

O efeito fotovoltaico é um fenômeno físico e químico no qual uma célula fotovoltaica


converte luz em eletricidade. Ele está diretamente relacionado ao efeito fotoelétrico, mas,
diferentemente deste, ocorre em materiais semicondutores, sendo que o mais utilizado para
compor células fotovoltaicas é o silício (Si), do qual cada átomo possui quatro elétrons em sua
banda de valência. Os átomos se ligam entre si formando uma rede cristalina. Para se entender
melhor o efeito fotovoltaico é necessário conhecer os materiais semicondutores, que são
divididos entre dopados e não-dopados (PORTAL ENERGIA).

3.3.1. Semicondutores não-dopados

Os semicondutores não-dopados são aqueles cujos cristais são formados apenas por um
elemento químico, podendo ser exemplificados pelo cristal de silício (Figura 5). Neste caso,
esse tipo de material se comporta como um efetivo isolante elétrico a temperaturas próximas
do zero absoluto, já que, assim, os orbitais eletrônicos dos átomos estão sempre completos. Em
temperaturas maiores, os elétrons da banda de valência do átomo possuem mais energia para
transitarem à banda de condução. Dessa forma, alguns elétrons ficam livres, gerando,
estruturalmente, lacunas no cristal. Essas lacunas passam a possuir a característica de atrair
cargas negativas, comportando—se, portanto, como íons positivos (SZE; NG, 2006).

Figura 5 - Cristal de silício não dopado.

Disponível em: <http://www.infoescola.com/quimica/dopagem-eletronica> (adaptado).


Acesso em: 15 mar. 2018.
12

3.3.2. Semicondutores Dopados

Os semicondutores dopados são aqueles que recebem em sua estrutura outros


elementos químicos para que o cristal se comporte de maneira diferente quando comparado
àqueles não dopados (Figura 6). Uma estrutura dopada pode ser dividida, ainda, nos tipos “n”
ou “p”. Quando o elemento químico dopante for da família 3A da tabela periódica, diz-se que
o dopante é do tipo “p”, e quando for da família 5A, dopante tipo “n”. Os dopantes do tipo “n”
são também conhecidos como doadores de elétrons. Isso acontece porque o semicondutor terá
um excesso de elétrons quando comparado ao número de lacunas. O fósforo (P) é um elemento
da família 5A e, portanto, um dopante desse tipo. No cristal semicondutor dopado com fósforo,
o elétron em excesso pertencente ao átomo do dopante ficará fracamente ligado a ele. Dessa
forma, esse elétron precisará de pouca energia para se deslocar à banda de condução,
diferentemente do semicondutor não dopado, no qual essa energia teria que ser maior. Se, por
outro lado, o dopante for um elemento químico da família 3A, como é o caso do boro (B),
haverá um excesso de lacunas no cristal. Este dopante é conhecido como do tipo “p” e é
caracterizado como receptor de elétrons. De forma análoga ao dopante da família 5A, o excesso
de lacunas faz com que, com pouca energia, um elétron seja atraído para preenchê-lo (SZE;
NG, 2006).

Figura 6 - Cristal de silício dopado: tipos “n” e “p”.


Disponível em: <http://www.infoescola.com/quimica/dopagem-eletronica> (adaptado).


Acesso em: 15 mar. 2018.
13

3.4. Componentes do sistema fotovoltaico



Será apresentado e explicado todos os componentes necessários para a instalação de um
sistema fotovoltaico, tanto conectados quanto isolados. Será realizado as considerações do
projeto e uma análise do impacto que a evolução da ciência dos materiais vem proporcionado
no desenvolvimento dos componentes primários e essenciais do sistema fotovoltaico.

3.4.1. Células e módulos fotovoltaicos

Células fotovoltaicas são as unidades de repetição que constituem os módulos


fotovoltaicos. Segundo a NBR 5410, o conceito de módulo fotovoltaico é definido como “uma
unidade básica formada por um conjunto de células fotovoltaicas, interligadas eletricamente e
encapsuladas, com o fim de gerar energia elétrica” (ABNT, 2004).

Individualmente, as células fotovoltaicas geram uma quantidade de energia muito


pequena, geralmente em tensões muito baixas da ordem de 0,5 V. Desse modo, a fim de se obter
níveis de tensões e corrente estabelecidas pelo projeto (PINHO; GALDINO, 2014), são
necessárias 10, 50, 100 ou mais células interligadas em série para montar um modulo
fotovoltaico (Figura 7).

Figura 7 - Hierarquia fotovoltaica.

Fonte: Leva et al. (2004).

3.4.1.1. Princípio de funcionamento

Uma célula fotovoltaica possui em sua estrutura o que se chama de junção “pn”. Ela se
caracteriza por uma região em que há semicondutores dopantes dos dois tipos colocados juntos,
na qual cada um deles fica separado em uma metade. Em cada extremo dessa junção é
14

posicionada uma placa condutora, que facilita o movimento externo ao conjunto das cargas
elétricas.

Ocorre que os elétrons livres do lado em que há o semicondutor do tipo “n” passam para
o lado do tipo “p” e encontram as lacunas, sendo estas rapidamente preenchidas por eles. Isso
faz com que haja acúmulo de elétrons em um lado da junção, ficando este negativamente
carregado, e uma diminuição de elétrons do outro, que fica eletricamente positivo (Figura 8).
Esse acúmulo de cargas gera um campo elétrico que dificulta o trânsito dos elétrons de um lado
para o outro da junção, saturando quando elétrons livres remanescentes do lado do
semicondutor do tipo “n” ficam impossibilitados de transitar para o lado do tipo “p”.

Figura 8 - Ilustração básica de uma célula de silício.

Fonte: GreenPro (2004).

Quando uma célula fotovoltaica é exposta à radiação e sobre ela incidem fótons com
energia maior que a de gap (energia de separação entre a banda de valência e a de condução),
há a formação de pares de elétrons e lacunas – ou seja, as cargas ficam polarizadas na junção.
Na presença de um campo elétrico, as cargas são aceleradas, gerando, assim, uma corrente
através dela. Esse fenômeno define o efeito fotovoltaico: a geração de energia elétrica através
da energia solar com o uso de uma célula fotovoltaica (Figura 9).
15

Figura 9 - Representação do efeito fotovoltaico.

Fonte: GreenPro (2004).

3.4.1.2. Tipos de células fotovoltaicas

As tecnologias empregadas nos sistemas fotovoltaicos são classificadas em


três gerações (Figura 10), que se distinguem, entre outros aspectos, pela relação entre custo e
eficiência teórica máxima de cada geração (Figura 11).

Figura 10 – As gerações dos sistemas fotovoltaicos e suas respectivas tecnologias


empregadas.

Disponível em: <http://www.heliatek.com/technologie/organische-photovoltaik/?lang=en> (adaptado).

As células da primeira geração são as mais tradicionais do mercado e vêm sendo


empregadas há alguns anos pelo setor elétrico energético. São caracterizadas por possuírem um
limite teórico de eficiência intermediário (próximo a 40%) e pela precificação diversificada,
dependendo esta da região ou condições de transportes ao redor do globo. As células da
segunda geração, também chamada de células maleáveis, possuem um limite teórico de
eficiência e custos ligeiramente inferiores às células da primeira geração. Esse tipo de célula é
pouco difundido no mercado e grande parte de suas aplicações é dada para casos que exigem
16

maleabilidade. A terceira geração de células ainda não está inserida no mercado de modo
competitivo, porém a principal característica desse tipo de célula está associada à mescla de
baixo custo e alta eficiência através de processos de fabricação simples (baixo uso de energia)
e utilização de matérias abundantes (ELY; SWART, 2014).

Figura 11 - Análise comparativa de custo-eficiência das três gerações de


fotovoltaicos.

Fonte: Ely e Swart (2014).

3.4.1.2.1. Primeira geração

A primeira geração, basicamente constituída por células monocristalinas e


policristalinas, beneficia-se da tecnologia já desenvolvida pela indústria de microeletrônica,
possibilitando uma maior confiabilidade e experiência no processo produtivo, que facilitam a
produção e difusão dessa classe pelo mundo. A primeira geração tem como principal material
o silício, podendo ser dividida em duas cadeias produtivas: silício monocristalino (m-Si) e
silício policristalino (p-Si). São as tecnologias mais utilizadas, representando cerca de 85% do
mercado mundial devido as maiores eficiências que podem atingir –seu desempenho típico
varia de 15% a 20%. Além disso, os seus benefícios residem no seu bom desempenho e
estabilidade. Entretanto, esses tipos de células são rígidos e necessitam de uma grande
quantidade de energia durante a sua fabricação.

Tanto o silício monocristalino quanto o policristalino possuem vantagens e


desvantagens no que diz respeito à incorporação e aplicação em módulos fotovoltaicos. A
escolha da forma ideal do silício é dependente de diversas condições, como região do globo,
17

preço de mercado, eficiência de conversão elétrica, área de aplicação e temperatura local


(GREEN, 2009).

I. Silício monocristalino

É o mesmo material utilizado na fabricação de circuitos integrados para microeletrônica.


As células feitas com este material são historicamente as mais utilizadas e comercializadas
como conversor direto de energia solar em eletricidade. São formadas em fatias de um único
grande cristal (lingotes de silício de forma cilíndrica), previamente crescido e enfatiado (Figura
12). A grande experiência na sua fabricação e a pureza do material garantem alta confiabilidade
do produto e suas altas eficiências. Enquanto o limite teórico de conversão da luz solar em
energia elétrica para esta tecnologia é de 27%, valores nas faixas de 14 a 22% são encontrados
em produtos comerciais (PORTAL SOLAR). Outros pontos de destaque para esse tipo de painel
estão associados à sua alta durabilidade e ao melhor rendimento em regiões de baixa
luminosidade. A vida útil dos painéis fotovoltaicos monocristalinos é superior a 30 anos, e
grande parte dos vendedores oferecem esse tipo de painel com garantia mínima de 25 anos.
Em contrapartida, devido às quantidades de material utilizado e à energia envolvida na sua
fabricação, esta tecnologia apresenta sérias barreiras para a redução de custos, mesmo em
grandes escalas de produção. Outro aspecto que impacta negativamente a competitividade desse
tipo de tecnologia é a perda de eficiência em regiões com temperatura elevada (PORTAL
ENERGIA).

Figura 12 - Representação da célula monocristalina.

Disponível em: <http://www.elysia.com.br>. Acesso em 11 abr. 2018.


18

II. Silício policristalino

Silício multicristalino é também conhecido como silício policristalino ou, mais


simplesmente, por poli-Si (Figura 13). Células solares baseadas em poli-Si são muito
semelhantes aos módulos monocristalino. A mesma teoria das placas monocristalinas se aplica;
a principal diferença está no processo de manufatura, já que o processo de fabricação das placas
policristalinas consomem uma quantidade de energia significativamente menor, possibilitando
um preço de mercado mais baixo ao consumidor final.

As células poli-Si são feitas de Si puro derretido em um tanque similar a um cubo. A


refrigeração é uma etapa essencial, visto que determina o tamanho do grão e distribuição de
impurezas. Os lingotes obtidos são cortados em barras com uma secção transversal de 15,6 cm
x 15,6 cm, sendo, por fim, serrados para se obter bolachas finas. Em razão do seu modo de
produção, o módulo solar policristalino costuma ter uma cor azul e apresenta uma quantidade
de silício residual inferior quando comparado ao processo de fabricação monocristalino. Em
relação às desvantagens dessa modulo, se destaca a sua menor eficiência operativa – que varia
entre 13 e 18% (PORTAL SOLAR) – devido, principalmente, à menor pureza do poli-Si
(PORTAL ENERGIA).

Figura 13 - Representação da célula policristalina.


.

Disponível em: <http://www.elysia.com.br/>. Acesso em: 11 abr. 2018.


19

3.4.1.2.2. Segunda geração

A segunda geração é considerada aquela baseada em filmes finos inorgânicos, como


silício amorfo (a-Si), telureto de cádmio (CdTe), disseleneto de cobre e índio (CIS), disseleneto
de cobre (CIS/CIGS) e índio e gálio (CIGS). A alta maleabilidade que apresenta possibilita uma
gama de aplicações e configurações. A fabricação dessas células ocorre através do depósito de
uma ou várias camadas finas de material fotovoltaico sobre um substrato. Embora apresentem
menor rendimento, algumas empresas tendem a fabricar estruturas filme fino, já que alguns
modelos podem ser dobrados ou simplesmente prensados internamente ao vidro. Comparadas
àquelas de primeira geração, essas células apresentam um custo de fabricação baixo, mas ainda
possui uma limitação em relação a sua eficiência, que varia entre 7 e 13% (PORTAL SOLAR),
o que dificulta a penetração e expansão dessas células no mercado internacional e nacional.

I. Silício amorfo (a-Si)

O processo de produção do silício amorfo ocorre a baixas temperaturas, tornando


possível a utilização de substratos de baixo custo, o que garante, assim, a obtenção de painéis
solares semitransparentes, leves e flexíveis. Com isso, verifica-se uma ampla utilização dessa
tecnologia em projetos arquitetônicos que levem em consideração essa característica estética.

Com uma técnica de fabricação chamada "empilhamento", várias camadas de células


solares de silício amorfo podem ser combinadas, resultando em taxas mais elevadas de
eficiência (tipicamente entre 6% e 9%). Ainda que seu processo produtivo seja mais barato em
comparação ao silício cristalino, o silício amorfo necessita de maiores áreas, além de custos
mais elevados em mão de obra e material na instalação. Por outro lado, apresentam menores
coeficiente de temperatura e perdas de eficiência em condições de baixa irradiância
(HEGEDUS, 2006).

II. Telureto de cádmio (CdTe)

O telureto de cádmio é um composto cristalino formado por cádmio e telúrio. As células


solares mais comuns de CdTe consistem em uma heterojunção (junção p-n de condutores
20

diferentes). O CdTe é o semicondutor tipo “p”, enquanto o CdS é o material tipo “n” mais
comum.

De todas as tecnologias de filme fino que não utilizam silício em sua composição, as
células de telureto de cádmio são as líderes do mercado com uma produção anual de 5%
(MARWEDE; RELLER, 2012). Essa liderança no mercado deve-se em parte à eficiência de
painéis solares baseados nessa tecnologia, que opera normalmente na faixa entre 9% e 16%
(faixa tida como intermediaria).Duas grandes preocupações em relação a essa tecnologia podem
ser evidenciadas: os impactos negativos da contaminação do cádmio e a escassez do telúrio.
Logo, métodos de reciclagem durante a produção e ao final da vida útil dos módulos são
essenciais, uma vez que evitam a emissão do cádmio e conservam o telúrio.

III. Disseleneto de cobre e índio (CIS/CIGS)

O disseleneto de cobre e índio é composto pelos elementos cobre, índio e selênio. Esses
elementos químicos são estáveis e garantem propriedades semicondutoras com boas
características de absorção da radiação solar. A estrutura mais simples desse tipo de célula é
formada por uma camada bem fina de sulfeto de cádmio junto de um material condutor.

Módulos fotovoltaicos de CIS possuem boa aparência estética e são flexíveis, podendo
ser encontrados em janelas, revestimentos e formas de telhado. Além disso, têm vida útil
elevada e uma tecnologia que vem sendo cada vez mais aprimorada. Porém, a pouca abundância
e a toxicidade dos elementos que compõem essas células são fatores que devem ser
considerados. Desenvolvimentos nos métodos de produção, que ainda são complexos e de alto
custo, também necessitam de ponderamento para que a tecnologia de CIS seja competitiva no
mercado. Os índices de eficiência para painéis solares CIGS normalmente operam entre 10% e
12%, mas já existem modelos que passam dos 13% à venda no Brasil (PORTAL SOLAR).

3.4.1.2.3. Terceira Geração

De acordo com Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos (PINHO; GALDINO,


2014), as células solares de terceira geração, que ainda estão em fase de pesquisa, têm como
objetivo alcançar altos níveis de eficiência, utilizando as vantagens da primeira e segunda
geração. Pode-se incluir nessa geração células fotovoltaicas do tipo multijunção, células
21

fotovoltaicas para concentração, células sensibilizadas por corante e células orgânicas ou


poliméricas. Dizer que são células que permitem uma utilização mais eficiente da luz solar que
as células baseadas em um único band-gap eletrônico é uma definição útil para essa terceira
geração de células solares. De forma geral, deve ser altamente eficiente, possuir baixo
custo/watt e utilizar materiais abundantes e de baixa toxicidade. O principal destaque da terceira
geração são as células orgânicas (OPV, na sigla em inglês), que têm potencial para múltiplas
aplicações, seja como sistema não conectado ou embarcado.

I. Células solares fotovoltaicas orgânicas (OPV)

Células orgânicas fotovoltaicas são baseadas na multijunção de dois materiais


orgânicos, que podem ser do tipo molecular ou polimérico. A tecnologia de OPV utiliza
moléculas semicondutoras derivadas do carbono depositadas sobre um suporte de vidro ou
plástico para formar painéis que produzem eletricidade pela conversão direta da luz solar.

Os componentes básicos dessas células são oligômeros (pequenas moléculas) ou


polímeros (grandes moléculas). Os primeiros podem ser depositados a seco (evaporação a
vácuo) ou por jatos de tinta. Os segundos, mais pesados, são depositados no substrato apenas
por via úmida. Uma das principais vantagens das células OPV é a simplicidade e o baixo custo
de fabricação. Seus componentes contêm elementos encontrados em abundância e facilmente
recicláveis, como carbono, hidrogênio, oxigênio e azoto.

A pesquisa em OPV começou na década de 1990, mas a tecnologia ainda se encontra


em estágio de pré-industrialização. Dois fatores limitantes impedem sua competitividade com
as células de silício: o baixo rendimento e a curta durabilidade. O rendimento de painéis OPV
se situa entre 3 e 5%, e sua vida útil entre 3 e 5 anos, já que as moléculas utilizadas são altamente
sensíveis ao vapor d’água e ao oxigênio. O interesse comercial na produção dessas células é
alto, porém as eficiências alcançadas ainda são baixas para que possam ser competitivas.

3.4.1.3. Características elétricas dos módulos fotovoltaicos

As curvas características dos módulos fotovoltaicos, presente nos datasheets dos


fabricantes, são informações de extrema importância na hora do dimensionamento dos módulos
22

fotovoltaicos (Figura 14)3. Por meio dessas curvas, das características e das condições
particulares de cada projeto, torna-se possível maximizar o desempenho do sistema que será
projetado.

Figura 14 - Exemplo de curva IxV de um painel solar.

Fonte: Pinho e Galdino (2014).

Figura 15 - Curvas IxV em função da radiação solar e temperatura.

Fonte: Pinho e Galdino (2014).

4
Apesar das curvas características dos módulos fotovoltaicos informarem as condições
necessárias para atingir a máxima tensão de funcionamento (Figura 15)5, outras sistemáticas e


3
A figura apresenta um gráfico da curva IxV de um painel solar. Nele, temos “Isc” por corrente de curto
circuito, “Imp” por corrente de máximo potência, “Voc” por tensão de circuito aberto, “Vmp” por tensão
de máximo potência e, finalmente, “Pmp” por ponto máxima potência.
4
Importante frisar que as curvas típicas de um painel fotovoltaico são explícitas nas especificações
técnicas dos fabricantes.
5
Nos gráficos da figura 12, se encontram as curvas típicas de um painel fotovoltaico, os quais estão nas
especificações técnicas dos fabricantes, assim, em tal curva é possível ver o ponto de máxima potência
23

configurações podem ser adicionadas e implementadas para definir a tensão ótima do projeto.
Os módulos fotovoltaicos podem ser configurados e interligados de duas maneiras básicas: em
série ou paralelo. Essas configurações primárias podem ser combinadas e rearranjadas de modo
a formarem arranjos mais complexos (Figura 16, Figura 17), atingindo, assim, a tensão de
projeto desejada.

Figura 16 - Associação em série de painéis fotovoltaicos.

Fonte: do autor.

V = V1 + V2 + ...+ Vn (1)

I = I1 = I2 =...= In (2)

Figura 17 - Associação em paralelo de painéis fotovoltaicos.

Fonte: do autor.

V = V1 =V2...= Vn (3)

I = I1 + I2...+ In (4)


(Pmp) e a curva característica das células para diferentes valores de incidência solar. Além disso, há
valores de corrente e tensão para diferentes temperaturas.


24

3.4.2. Inversor solar


Sabe-se que o inversor solar é um componente fundamental para o bom funcionamento


do sistema fotovoltaico, já que é um equipamento desenvolvido para converter a energia gerada
pelos painéis solares fornecida em corrente contínua (CC) para corrente alternada (CA) na
frequência de 60 Hz (Figura 18). Além disso, esse componente possui alta eficiência e é
responsável por encontrar o ponto máximo do sistema (PINHO; GALDINO, 2014).

Figura 18 - Simbologia para inversor de frequência.

Fonte: Manual de engenharia fotovoltaica (2014).

Além de converter a corrente continua em corrente alternada, esses componentes


supervisionam a forma da onda de tensão e a frequência da rede, entrando em operação somente
quando os valores estão dentro da faixa de regime nominal de operação. O conjunto de
proteções de conexões dos inversores não permite que esse componente funcione de forma
ilhada (“anti-ilhamento”), garantindo que o sistema seja desligado com a queda de energia e
religado automaticamente com a rede voltando a operar normalmente. Essa função garante que
os sistemas não injetem energia quando a rede é desligada por algum tipo de manutenção
(VILLALVA; GAZOLI, 2012).

3.4.3. Medidor bidirecional

O medidor bidirecional opera de acordo com os mesmos princípios de um medidor


convencional de energia. A principal diferença é que aquele contabiliza não apenas a quantidade
de energia consumida pela residência, mas também a quantidade de energia ativa injetada na
rede. Sendo assim, para a instalação de painéis solares conectados à rede (Figura 19), é
necessário solicitar a troca do medidor convencional para um modelo com leitura bidirecional
para a concessionária responsável pela área de atendimento.
25

Figura 19 - Sistema de compensação de energia elétrica por placas fotovoltaicas.

Disponível em: < http://www.valeeco.com.br/solucoes/energia-fotovoltaica>.


Acesso em: 19 abr. 2018.

3.4.4. Controlador de carga

Um controlador de carga é parte essencial de um sistema fotovoltaico Off-Grid (sistema


desconectado da rede). Em sua forma mais simples, a função de um controlador de carga é
garantir que o painel fotovoltaico não danifique a bateria conectada a ele. Em outras palavras,
tem a função de controlar a carga e a descarga do banco de baterias, aumentando a vida útil
delas. Os sistemas fotovoltaicos isolados podem ser classificados basicamente de duas formas:
sistemas em série ou sistemas em paralelo, os quais se diferenciam pela forma com que o
sistema de armazenamento de energia é empregado.

O sistema em paralelo é mais utilizado se comparado ao sistema em série, e o principal


motivo dessa escolha está relacionado às vantagens operacionais que aquela configuração
apresenta. Em uma configuração em paralelo, os conversores que realizam a carga do banco de
baterias e a elevação de tensão não estão em série com os demais estágios de processamento de
energia. A redução no número de estágios em série resulta em um aumento na eficiência global
do sistema. Além disso, as baterias dessa configuração são acionadas apenas quando a energia
gerada pelo módulo fotovoltaico é inferior à demanda exigida pela carga, evitando cargas e
descargas desnecessárias e não comprometendo sua vida útil.
26

A existência de uma chave na entrada dos geradores fotovoltaicos é um exemplo do


funcionamento dos controladores em paralelo; assim, quando a bateria atinge a tensão máxima,
os painéis são curtos-circuitados. Para o seu dimensionamento, deve ser definida a tensão de
trabalho do sistema, e a capacidade do controlador deve ser dada pelo maior valor da corrente
dos painéis ou do consumo. É recomendada a instalação do controlador de carga o mais
próximo possível das baterias, de modo a evitar perdas de energia na fiação. Outro ponto
relevante está relacionado ao posicionamento da bateria e do controlador: ambos devem ficar
em locais com sombra e ventilação, pois os controladores fazem a compensação da carga da
bateria conforme a temperatura do ambiente (se colocados ao sol podem provocar leituras falsas
no sistema).

3.4.5. Banco de baterias

Segundo o Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos (PINHO; GALDINO,


2014), uma bateria pode ser definida como um conjunto de células ou vasos eletroquímicos,
conectados em série e/ou em paralelo, capazes de armazenar energia elétrica na forma de
energia química por meio de um processo eletroquímico de oxidação e redução (redox) que
ocorre em seu interior. Quando uma bateria carregada é conectada a um terminal de consumo,
o processo reverso ocorre, ou seja, uma corrente continua (CC) é produzida pelo processo de
conversão de energia química em energia elétrica.

As baterias podem ser divididas em dois grandes grupos, dependendo do tipo de células
que a compõe, sendo eles: carregáveis e não carregáveis. As células não recarregáveis, também
conhecidas por células primárias, compõem as baterias que apenas podem ser utilizadas uma
única vez. Quando esse tipo de célula é descarregado por completo, sua vida útil é encerrada e
é, então, descartada. Esse grupo de baterias normalmente é utilizado para equipamentos que
necessitam de baixa potência operativa ou em situações emergenciais, como relógios, lanternas,
barbeadores elétricos entre outros.

Já as células recarregáveis, também conhecidas por células secundárias, podem ser


carregadas com o auxílio de uma fonte de tensão ou corrente durante vários ciclos operativos,
que variam de acordo com os componentes de cada tipo de bateria. As recarregáveis são
comumente utilizadas em situações ou aplicações de longos períodos, como em sistemas
fotovoltaicos.
27

Dentre os vários tipos de baterias eletroquímicas existentes no mercado, a bateria de


chumbo ácido (Pb – ácido) ainda ocupa um segmento significativo do mercado, principalmente
pela sua utilização em grande escala no setor automotivo. Baterias com tecnologias mais
modernas, como Níquel - Cádmio (NiCd), Níquel - Hidreto metálico (NiMH), Íon de Lítio (Li
- ion), entre outras, embora apresentem diversas vantagens em comparação à bateria de chumbo
– maior eficiência, maior vida útil e maior densidade de energia –, geralmente ainda não são
economicamente viáveis para a aplicação em sistemas fotovoltaicos. Em resumo, a grande
vantagem da utilização de baterias de chumbo ácido em sistemas fotovoltaicos, está relacionada
ao seu baixo custo e ao fato de que o espaço ou volume ocupado não é ponto crítico para esse
tipo de composição.

3.4.6. Condutores

O dimensionamento dos cabos é uma parte importante do sistema e do projeto pois,


quando mal dimensionado, pode apresentar um funcionamento aquém e afetar o rendimento
esperado para o projeto. Os cabos devem ser capazes de suportar as condições climáticas,
térmicas e mecânicas do local onde serão instalados, bem como as tensões e correntes máximas
a que estão sujeitos. Normalmente, as tensões dos sistemas fotovoltaicos não ultrapassam os
valores dos cabos normalizados, com tensões nominais entre 0,3 e 1 kV para cabos CA. A
corrente que devem suportar depende não só da corrente máxima do sistema, mas também de
dois fatores externos importantes: a temperatura máxima que o cabo pode atingir e o
agrupamento de cabos.

Os fabricantes informam a corrente máxima suportada pelo cabo para as condições de


referência. Porém, está deve ser corrigida para a temperatura de funcionamento através da
multiplicação de fatores de correção. O agrupamento de cabos também contribui para a
diminuição da corrente máxima admissível, já que limita as condições de ventilação dos
mesmos, fato esse que deve ser considerado através da utilização de fatores de correção
adequados para o caso.

Outra consideração importante para o dimensionamento do cabeamento é o critério de


tensão. A queda desta faz com que os equipamentos recebam em seus terminais uma tensão
inferior aos valores nominais, o que prejudica o seu desempenho. Portanto, a queda de tensão
não deve ser superior aos limites máximos estabelecidos pela norma NBR 5410 (ABNT, 2004)
28

para que não prejudique o funcionamento dos equipamentos de utilização conectados aos
circuitos terminais ou de utilização.

Para medir a queda de tensão no condutor6, sugere-se:

(5)

Visando garantir um bom funcionamento aliado a um critério de segurança mais


elevado, é indicado, quando da aplicação em projetos, um arredondamento superior da secção
dos cabos após a realização dos cálculos de dimensionamento, de modo a minimizar as falhas.

3.4.7. Disjuntores

O disjuntor é um dispositivo eletromecânico que protege determinada instalação elétrica


contra possíveis danos relacionados a sobrecargas elétricas e curtos-circuitos. Pela definição da
NBR 60947-2 (ABNT, 1998), é um dispositivo capaz de controlar e conduzir a corrente elétrica
sob condições normais dos circuitos, também interrompendo imediatamente sua circulação em
caso de picos que ultrapassem o considerado adequado. Quando ocorre um pico de energia, o
disjuntor desarma, desligando toda a energia elétrica do circuito que está associado a ele e
atuando como um dispositivo de segurança que pode evitar acidentes, como destruição de
aparelhos eletrônicos e até incêndios.

Existem diferentes tipos de disjuntores, que variam desde pequenos dispositivos


indicados para utilização doméstica a grandes aparelhos que protegem a instalação elétrica de
circuitos de alta tensão, como os que alimentam as grandes cidades. O disjuntor mais utilizado
atualmente é o termomagnético, o qual possui um elemento eletromagnético para proteção
contra curtos-circuitos e um elemento térmico para proteção contra sobrecorrentes.

Segundo a NBR IEC 60898 (ABNT, 1995), os disjuntores são classificados de acordo
com a corrente nominal para a qual foram projetados e com o comportamento em condições de
sobrecargas, sendo eles divididos em curvas de disparos, nas classes B, C e D, que têm relação


6
Na fórmula demonstrada, temos “DeltaV” por queda de tensão no condutor, “In” por corrente nominal
do circuito, “Rcc” por resistência do cabo e “Vn” por tensão nominal do condutor.
29

com a sensibilidade e tempo de ação do disjuntor em situações de sobrecarga e curtos-circuitos.


Quanto às classes, temos que:

• Disjuntor curva B: possui curva de ruptura de 3 a 5 vezes o valor de corrente nominal.


Estes disjuntores são utilizados em redes de baixa intensidade (baixa demanda de
corrente em caso de curto circuito), como instalações elétricas residenciais, tomadas,
equipamento domésticos, chuveiro, entre outros.
• Disjuntor curva C: possui curva de ruptura de 5 a 10 vezes o valor de corrente nominal.
Estes disjuntores são utilizados em redes de média intensidade (média demanda de
corrente em caso de curto circuito), como ligação de bobinas, motores, sistemas de
comando, entre outros.
• Disjuntor curva D: possui curva de ruptura de 10 a 20 vezes o valor de corrente
nominal. Estes disjuntores são utilizados em redes de alta intensidade (alta demanda de
corrente em caso curto circuito), como em transformadores de grande porte.

3.4.8. Seccionadores

São dispositivos destinados a realizar manobras de seccionar e isolar um circuito


elétrico. Em condições normais e com seus contatos fechados, os seccionadores devem manter
a condução de sua corrente nominal, inclusive de curto-circuito até a abertura do disjuntor, sem
sobreaquecimento. De forma geral, a seccionadora é uma extensão do condutor que se desloca
quando acionado, abrindo e fechando através dos contatos fixo e móvel.

Segundo a norma NBR 5410 (ABNT, 2004a), em instalações de mini ou microgeração,


para garantir a desconexão da central geradora durante uma manutenção, deve-se ter um
dispositivo de seccionamento visível (DSV), o qual deve estar junto ao padrão de entrada, logo
após a caixa de medição. O parâmetro de dimensionamento dos seccionadores é muito
semelhante ao realizado para os disjuntores, tendo de ser realizado também através da potência
da carga.
30

3.4.9. Dispositivo de proteção contra surto (DPS)

Os dispositivos de proteção de surto (DPSs) foram desenvolvidos para proteger o


sistema elétrico e suas aplicações contra sobretensões e impulsos de corrente, assim como
contra descargas atmosféricas e chaveamentos. Os sistemas fotovoltaicos geralmente estão
localizados nas partes externas de edifícios e construções, ou até mesmo em grandes terrenos,
o que aumenta as chances de incidência de descargas atmosféricas.

Devido às dimensões do projeto apresentado neste trabalho (pequeno a médio porte) e


a sua localização urbana – sendo, portanto, fora de campo de aberto –, torna-se dispensável a
utilização de um DPS, visto que as chances de uma descarga direta e indireta são baixas quando
comparadas à incorporação dos seus custos ao projeto.

3.4.10. Diodo de bloqueio

O diodo semicondutor é um dispositivo eletrônico feito de silício ou germânio que tem


como função retificar a corrente elétrica ou chavear um circuito. Outra função do diodo de
bloqueio está associada a sistemas que utilizam armazenamentos: serve para impedir descargas
noturnas da bateria, já que, durante a noite, os módulos podem conduzir corrente reversa que,
apesar de pequena, pode descarregar a bateria (Figura 20).

Figura 20 - Exemplo de aplicação de um diodo de bloqueio para impedir


descargas noturnas em uma bateria.

Disponível em: <http://www.ifrn.edu.br>.


Acesso em: 20 abr. 2018.

Os diodos de bloqueio ocasionam uma queda de tensão menor que 1 V, valor este que
depende do tipo de diodo utilizado (HECKTHEUER, 2001), o que pode ser importante em um
31

sistema de menor porte. Para reduzir de forma mais significativa a queda de tensão, pode-se
substituir o diodo de bloqueio por fusíveis.

3.4.11. Fusível de proteção da série fotovoltaica

De acordo com o Manual de engenharia para sistema fotovoltaico (PINHO; GALDINO,


2014), assim como o diodo de bloqueio, o fusível de proteção tem a função de proteger a série
fotovoltaica do fluxo de corrente reversa de um conjunto em série com tensão maior para um
com tensão menor. Para ter efetividade, o fusível deve ser dimensionado para correntes menores
que a corrente reversa suportada pelo módulo, sendo que, normalmente, o seu valor nominal é
indicado no catálogo do modulo fotovoltaico.

O fusível deve ser aplicado na saída de cada série, tanto no pólo positivo quanto no
negativo, e em corrente continua. O padrão a ser utilizado deve ser preferencialmente do tipo
gPV, conforme a IEC 60269 (IEC, 1998) especifica em seu documento quanto ao conjunto de
padrões técnicos para fusíveis de baixa voltagem. Esse tipo de fusível é apropriado para o uso
em sistemas fotovoltaicos devido a sua alta durabilidade.

Tanto o diodo de bloqueio quanto o fusível de proteção apresentam a mesma


funcionalidade, porém, como Pinho e Galdino (2014) pontuam, ao longo dos anos vem se
observando que os diodos de bloqueio apresentam alto índice de falhas, prejudicando o
desempenho do sistema fotovoltaico.

3.4.12. Aterramento

Qualquer sistema elétrico, inclusive um sistema fotovoltaico, está sujeito a condições


de falha e efeitos da exposição ao meio ambiente – como a deterioração das conexões elétricas
e das instalações –, correntes de fuga, dispositivos de proteção inadequados e outros tipos de
problemas que podem ser contornados ou evitados através de um aterro qualificado (ASSAIFE,
2013).

Segundo a NBR 5410 (ABNT, 2004), que aborda o aterramento de sistemas elétricos
em baixa tensão, toda peça condutora da instalação elétrica que não for parte dos circuitos
32

elétricos, mas que eventual ou acidentalmente possa ficar sob tensão, deve ser aterrada, desde
que esteja em local acessível ao contato.

Em suma, pode-se dizer que as estruturas de metal, os painéis elétricos e tudo o que for
de material metálico e estiver dentro de um raio de três metros da instalação deverá ser
conectado ao borne de aterramento principal. Dessa forma, garante-se o funcionamento do
sistema de forma correta, proporcionando um caminho preferencial às correntes elétricas
indesejadas de curto e evitando avarias aos equipamentos.

Para plantas fotovoltaicas em nível de microgeração, pode-se considerar que o sistema


de aterramento seja de uso centralizado (Figura 21), com a finalidade de escoamento de
correntes indesejadas provenientes, por exemplo, dos inversores ou até mesmo das estruturas
metálicas de fixação dos módulos. Além disso, recomenda-se o aterramento da parcela de
alumínio correspondente às estruturas de fixação dos módulos fotovoltaicos ao circuito de
proteção.

Figura 21 - Sistema com aterramento centralizado.

Disponível em: <http://www.osetoreletrico.com.br/web/documentos/fasciculos/Ed83_fasc_energia_reno


vavel_cap11.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2018.

3.5. Perdas estimadas em instalações fotovoltaicas

As perdas de um sistema fotovoltaico são considerações de alta relevância dentro de um


projeto na área de micro e minigeração distribuída, tanto para sistemas isolados quanto para
sistemas conectados à rede de distribuição. As perdas ocorrem em diversos componentes e por
diversos motivos. Sem a estimativa correta desse fator, o projeto pode ser mal dimensionado,
proporcionado resultados financeiros onerosos para o investidor ou parte interessada.
33

Nesta seção serão estimadas todas as perdas do sistema. Grande parte foi extraída do
Manual de engenharia para sistema fotovoltaico (PINHO; GALDINO, 2014), como painéis,
cabos e inversores. Com a soma de todos os valores de perdas é possível estimar a geração
fotovoltaica mais próxima da realizada, possibilitando, assim, a capacidade de geração da planta
e análise de viabilidade econômica com menores chances de erros e distorções.

Em alguns projetos são utilizados inversores sem transformador, o que, em geral, reduz
as perdas de transformação, mas que requer um sistema de proteção mais completo. As perdas
estimadas (Tabela 1) podem ser ocasionadas por diversos motivos, entre eles eficiência do
inversor, pontos de conexão, sujeira superficial, aquecimento dos cabos AD e AC, queda de
tensão, diodos, sombreamento, rendimento dos painéis e outros.

Tabela 1- Perdas estimadas em sistemas fotovoltaicos.

Fonte: adaptado de Laronde (2010).

3.6. Normas técnicas necessárias para o projeto

Para um projeto de instalação de painéis fotovoltaicos, faz-se necessário o atendimento


das Normas Brasileira (NBR) e das seguintes normas técnicas da distribuidora:

• ABNT NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos mínimos para
instalações em baixa tensão, incluindo as normas para instalação fotovoltaica (ABNT,
2004b).
• ABNT NBR 5419: Proteções estruturais contra descargas atmosféricas (idem, 2015).
34

• ABNT NBR 16149: Sistemas fotovoltaicos (FV) – Características da interface de


conexão com a rede elétrica de distribuição (idem, 2013a).
• ABNT NBR 16150: Sistemas fotovoltaicos (FV) – Características da interface de
conexão com a rede elétrica de distribuição – Procedimentos de ensaio de conformidade
(idem, 2013b).
• ABNT NBR 16274: Comissionamento de Sistema Fotovoltaico - Sistemas fotovoltaicos
conectados à rede – Requisitos mínimos para a documentação, comissionamento,
inspeção e avaliação de desempenho (idem, 2014).
• ABNT NBR 62116: Procedimento de ensaio “anti-ilhamento” para inversores de
sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica (idem, 2012).
• NR 10: Segurança em instalações e serviços em eletricidade (MINISTÉRIO DO
TRABALHO, 2016).
• Módulo 3 do Procedimento de distribuição de energia elétrica no sistema elétrico
nacional (PRODIST) – Acesso ao sistema de distribuição (ANEEL, 2017).
• GED 15303: Conexão de micro e minigeração distribuída sob sistema de compensação
financeira (CPFL, 2016).

3.7. Acesso à rede de energia elétrica

Segundo a seção 3.7 do Módulo 3 do PRODIST (ANEEL, 2017) e o caderno temático


para micro e minigeração (idem, 2016), para realizar a conexão da central geradora, classificada
como micro e minigeração distribuída, são obrigatórias apenas as etapas de solicitação de
acesso e parecer de acesso. A solicitação de acesso é o requerimento formulado pelo acessante
(consumidor), e que, uma vez entregue à acessada (distribuidora), implica a prioridade de
atendimento de acordo com a ordem cronológica de protocolo. A solicitação de acesso deve
conter o Formulário de Solicitação de Acesso para micro e minigeração distribuída,
determinados em função da potência instalada da geração.

O formulário específico para cada caso deve ser protocolado na distribuidora,


acompanhado dos documentos pertinentes, não cabendo à distribuidora solicitar documentos
adicionais àqueles indicados nos formulários padronizados. Caso a documentação esteja
incompleta, a distribuidora deve, imediatamente, recusar o pedido de acesso e notificar o
35

acessante sobre todas as informações pendentes, devendo este, portanto, realizar uma nova
solicitação de acesso após a regularização das pendências identificadas.

Em resposta à solicitação de acesso, a distribuidora deverá emitir o parecer de acesso,


que é um documento formal e obrigatório apresentado pela acessada, sem ônus para o acessante,
em que são informados as condições de acesso e os requisitos técnicos que permitam a conexão
das instalações do acessante com os respectivos prazos.

Ainda de acordo com o caderno temático da ANEEL (2016), no caso de ser necessária
alguma obra para atendimento, o parecer de acesso deve também apresentar o orçamento da
obra, contendo a memória de cálculo dos custos orçados, do encargo de responsabilidade da
distribuidora e da eventual participação financeira do consumidor

O prazo máximo para elaboração do parecer é de 15 dias para microgeração e de 30 dias


para minigeração (Figura 22)7. Esses prazos são dobrados caso haja necessidade de obras de
melhorias ou reforços no sistema de distribuição acessado.

Figura 22 - Procedimentos e etapas de acesso.

Fonte: ANEEL (2016).


7
Na figura ilustrativa das etapas e prazos vigentes do procedimento de acesso, destaca-se na cor azul o
que deve ser seguido pelo consumidor, e em vermelho, pela distribuidora.
36

Além dos pontos citados, é necessário levar em consideração a norma da concessionária


local. No caso do estudo proposto, aquela referente à Companhia Paulista de Força e Luz
(CPFL), atuante na região de Araraquara, é GED-15303 – Conexão de Micro e minigeração
distribuída sob sistema de compensação de energia elétrica (Tabela 2).

Tabela 2 - Síntese das etapas de acesso da CPFL.

Fonte: CPFL (2016).


37

3.8.Programas de incentivo governamentais

Nesta seção serão abordados os programas de incentivo propostos pelo governo a fim
de alavancar a micro e minigeração de energia no país, em especial para os projetos de geração
fotovoltaica, que contam com a diminuição dos impostos.

3.8.1. Resolução Normativa ANEEL 482/2012

Objetivando incentivar a geração de energia em local próximo ao ponto de consumo e


redução das barreiras para conexão de geração de pequeno porte à rede de distribuição, a
ANEEL publicou a resolução normativa nº 482/2012. Essa resolução definiu o sistema de
compensação de energia elétrica, permitindo que o consumidor instale pequenos geradores em
sua unidade consumidora, possibilitando a troca de energia com a concessionária ou
permissionária local através de um sistema de créditos. As principais definições estabelecidas
pela normativa são:

• Microgeração distribuída: central geradora de energia elétrica conectada à rede de


distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras, com potência instalada
menor ou igual a 75 kW e que utilize cogeração qualificada, conforme regulamentação
da ANEEL, ou fontes renováveis de energia elétrica.
• Minigeração distribuída: central geradora de energia elétrica conectada à rede de
distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras, com potência instalada
superior a 75 kW e menor ou igual a 5MW e que utilize cogeração qualificada, conforme
regulamentação da ANEEL, ou fontes renováveis de energia elétrica.
• Sistema de compensação de energia elétrica: sistema no qual a energia ativa injetada
por unidade consumidora com microgeração ou minigeração distribuída é cedida, por
meio de empréstimo gratuito, à distribuidora local e posteriormente compensada com o
consumo de energia elétrica ativa.

3.8.2. Resolução Normativa ANEEL 687/2015

A resolução normativa da ANEEL 687/2015 (2015a) teve como objetivo alterar algumas
das condições apresentadas pela resolução normativa 482/2012 (2012) e também acrescentar
38

algumas novas sistemáticas, ampliando o leque de opções para o consumidor. As principais


novidades trazidas com essa nova resolução foram:

• Geração compartilhada: caracterizada pela reunião de consumidores pessoa física ou


jurídica de uma mesma área de concessão ou permissão, por meio de consórcio ou
cooperativa, que possua unidade consumidora com microgeração ou minigeração
distribuída em local diferente das unidades consumidoras nas quais a energia excedente
será compensada.
• Autoconsumo remoto: caracterizado por unidades consumidoras de titularidade de
uma mesma pessoa jurídica, incluídas matriz e filial, ou pessoa física que possua
unidade consumidora com microgeração ou minigeração distribuída em local diferente
das unidades consumidoras, dentro da mesma área de concessão ou permissão, nas quais
a energia excedente será compensada.

3.8.3. Programa de desenvolvimento de geração distribuída (ProGD)

O programa de desenvolvimento de geração distribuída (ProGD), lançado no início de


2016, tem como objetivo ampliar a geração distribuída de energia elétrica proveniente de fontes
renováveis em residências, indústrias, comércios, escolas técnicas, universidades federais e
edifícios públicos. Estima-se que até 2030 sejam investidos R$ 100 bilhões em geração
distribuída, com grande enfoque na geração solar, que ocupa mais de 95% da geração de energia
residencial.

3.8.4. Convênio ICMS 16

Através de interações entre ANEEL, Ministério da Fazenda, Ministério do


Planejamento, Orçamento e Gestão, Ministério de Minas e Energia, Congresso Nacional e
Conselho Nacional, foi publicado o convênio ICMS 16, em 22 de abril de 2015, que revogou o
Convênio ICMS 6/2013 e autorizou as unidades federadas a conceder isenção nas operações
internas relativas à circulação de energia elétrica, sujeitas a faturamento sob o sistema de
compensação de energia. Dessa forma, nos estados que aderiram ao convênio ICMS 16/2015,
o ICMS incide somente sobre a diferença entre a energia consumida e a energia injetada na rede
no mês.
39

3.9. Critérios e indicadores para análise de viabilidade econômica do projeto

Segundo Hummel e Taschner (1995), existem duas formas de se tomar uma decisão:
por sentimento ou por estudos econômicos. Uma análise por sentimento é aquela sem nenhum
conceito técnico preliminar, enquanto que uma análise por estudos econômicos levará em
consideração uma gama de julgamentos da demanda e oferta. Assim, dentro de um ambiente
corporativo, em geral, as escolhas se embasam em indicadores de desempenho econômicos
capazes de maximizar o capital do investidor.

Para a implementação de um projeto dentro de uma empresa, faz-se necessário um


estudo e uma análise de viabilidade econômica. O estudo e a análise de viabilidade são de suma
importância para o investidor, já que ele a última etapa a ser considerada antes da tomada da
decisão final. Através do estudo de viabilidade, o investidor passa a entender financeiramente
quais os benéficos adventos da implantação do projeto e pondera o retorno que o mesmo pode
trazer para ele.

Existem diversas maneiras de se calcular a viabilidade de um projeto, e nessa seção


serão apresentados os principais métodos econômicos utilizados no mercado. Assim, será
mostrado os conceitos de Valor Presente Líquido, Taxa Interna de Retorno, fluxo de caixa e
paypack.

3.9.1. Fluxo de caixa

De acordo com Zdanowicz, o fluxo de caixa é definido pelo “conjunto de ingressos e


desembolsos de numerário ao longo de um período projetado” (2000, p. 40). De modo mais
explicativo, pode-se dizer que o fluxo de caixa é um instrumento de gestão financeira que
projeta para períodos futuros todas as entradas e as saídas de recursos financeiros da empresa,
indicando como será o saldo de caixa para o período projetado. A fim de analisar a viabilidade
do projeto, deve-se comparar o fluxo de caixa com outro investimento disponível. O ponto
negativo da utilização dessa metodologia em uma análise de viabilidade é o fato do indicador
não considerar a desvalorização monetária ao longo do tempo.
40

3.9.2. Valor presente líquido (VLP)

O valor presente líquido (VPL) é uma fórmula matemática-financeira utilizada para


calcular o valor presente de uma série de pagamentos futuros subtraída de uma taxa de custo de
capital estipulada. Este índice desloca as entradas e saídas de capital para a data inicial do
investimento, deduzindo a taxa de juros “i”, denominada Taxa Mínima de Atratividade (TMA)
(ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2007). Nota-se que a fórmula8 consiste na diferença entre o
custo do investimento inicial e o somatório do valor investido, já atualizado pela taxa de juros
e transformado ao valor presente.

(6)

No caso de um VPL positivo, efetua-se o investimento, pois este remunera o capital


investido. Caso o VPL seja negativo, deve-se rejeitar o investimento. Se o Valor Presente
Líquido for zero ou próximo dele, o investidor é indiferente quanto à execução do projeto.

3.9.3. Taxa interna de retorno (TIR)

A taxa interna de retorno (TIR) está diretamente ligada ao conceito de VPL e é obtida
ao se igualar o VPL de determinado investimento a zero (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE,
2007). O cálculo da TIR é realizado para verificar se a empresa é capaz de ter uma rentabilidade
superior ou inferior à taxa mínima de atratividade estipulada. Para efeitos de escolha, se a TIR
for superior à TMA, aceita-se o investimento. Caso contrário, rejeita-se. Na hipótese de uma
taxa igual ou muito semelhante à taxa exigida de retorno, o investidor mostrar-se-á indiferente.

(7)


8
Tanto na equação para cáculo de VPL como para de TIR, tem-se “FCk” como fluxo de caixa referente
a cada ano no horizonte de planejamento, “FCo” como investimento inicial, “K” como período e “I”
como taxa mínima de atratividade do projeto (TMA).
41

Em resumo, o critério para tomada de decisão consiste em comparar a TIR com a TMA
da empresa para verificar o desempenho do projeto.

3.9.4. Payback descontado

O payback corresponde ao tempo necessário para que os fluxos de caixa positivos


recuperem os fluxos de caixa negativos e é normalmente expresso em anos. Seu cálculo é obtido
a partir dos fluxos de caixas nominais, e a tomada de decisão em aceitar ou não um projeto é
baseada em algum período limite arbitrário. Ainda, segundo Casarotto Filho e Kopttke (2000),
este método, além de não levar em consideração a vida útil do investimento, pode ter sua
aplicação dificultada se o investimento inicial se der por mais de um ano ou os projetos
comparados tiverem investimentos iniciais diferentes.

4. Metodologia Científica e Tecnológica

Este trabalho teve como foco uma determinada empresa localizada em Araraquara,
sendo ela inserida em uma área urbana da cidade. O seu suprimento eletro energético e sua
demanda são atualmente fornecido pela concessionária local, a distribuidora Companhia
Paulista de Força e Luz (CPFL). A incorporação e implementação do projeto de geração
distribuída através do sistema de placas fotovoltaicas não visa a autossuficiência energética da
empresa; portanto, o modelo adotado de implementação será um sistema conectado à rede de
distribuição (On-Grid).

As resoluções 482/2012 (ANEEL, 2012) e 687/2015 (idem, 2015a) permitem que o


consumidor/investidor instale pequenos geradores em sua unidade consumidora e troque
energia com a distribuidora local, reduzindo, assim, o valor da fatura mensal de energia elétrica.
Dentre as principais fontes geradoras autorizadas e enquadradas nos termos das resoluções
citadas destaca-se a geração fotovoltaica, atualmente a mais utilizada nesse segmento.

Nos sistemas de geração On-Grid, enquadrados dentro das resoluções normativas legais,
se a quantidade de energia gerada em um determinado mês for superior a energia consumida
42

no mesmo período, o consumidor fica com créditos (em kWh) que podem ser utilizados para
diminuir a fatura dos meses subsequentes em período de até 60 meses.

É importante lembrar que, apesar da resolução permitir a instalação de novas fontes de


energia, ela limita a geração ao perfil de carga mensal do consumidor. O que explica isso é o
fato de no sistema Net Metering não existir compensação financeira pela energia sobressalente,
além da necessidade de consumir toda a energia gerada, já considerando o consumo de energia
mínima exigido pela distribuidora (custo por disponibilidade). Portanto, é de extrema
importância que o projetista faça um sistema para que se obtenha um retorno econômico o mais
rápido possível. Outros ponto de suma importância e que deve ser considerado para garantir o
dimensionamento do sistema da melhor forma possível são o estudo de perfil de cargas
(maquinários, iluminação, refrigeração e outras), a demanda média, os pontos máximos e
mínimos de demanda e os períodos de máxima incidência solar.

Durante o dimensionamento, o projetista deverá atentar-se para a localização e área


disponível para instalação dos painéis fotovoltaicos. Assim, poderá ser feito um estudo sobre
as condições de incidência solar, sombreamento local e espaço físico disponível para
incorporação da estrutura e cabeamento. Além disso, durante esse processo, é necessário
realizar a seleção do tipo de placa a ser utilizada, o levantamento dos materiais e a cotação com
diversos fornecedores, conciliando o melhor produto e baixo custo, objetivando a diminuição
do payback.

Para a análise de retorno de investimento, deverá ser observado em todos os catálogos


dos fabricantes qual o tempo de vida útil dos equipamentos e a perda de eficiência durante esse
período. Em uma análise superficial de mercado, é possível estimar que, em média, a vida útil
de uma planta fotovoltaica padrão (primeira geração) é de, no mínimo, 25 anos, e que a perda
de eficiência é de aproximadamente 0,7% ano para grande maioria dos fornecedores. Portanto,
percebe-se que, em geral, há uma lenta deterioração do sistema. O único item que possui uma
vida curta é o banco de baterias, e isso também deverá ser relevante para a tomada de decisão
quanto à incorporação ou não desse componente ao projeto.
43

5. Resultados e discussão

O estudo de caso não visa a autossuficiência energética da empresa. O principal objetivo é


utilizar a minigeração distribuída para contribuir com a maior redução possível da parcela de
energia proveniente da distribuidora, considerando que a empresa necessita ter um consumo
mínimo advindo da distribuidora, o que garantiria, portanto, a disponibilidade de fornecimento
para situações de baixa ou nenhuma geração.

5.1. Consumo energético

A empresa está classificada no grupo B1 (residencial) na categoria C (ligação trifásica),


sendo atendida na tensão de 220 V. O consumo médio mensal de energia elétrica da empresa é
de aproximadamente 3800 kWh (Tabela 3, Figura 23), um número significativamente alto dada
a classe de tensão pertencente. Em valores monetários, isso representa uma média de R$
2.335,00 por mês (Figura 26).

Tabela 3 - Consumo anual de energia elétrica da empresa.

Mês Consumo (kWh) Consumo (R$)


mar/17 4397 R$2.907,13
abr/17 4172 R$2.536,53
mai/17 3430 R$2.502,61
jun/17 3170 R$1.724,86
jul/17 2804 R$1.676,39
ago/17 2832 R$1.770,35
set/17 3688 R$2.296,34
out/17 4288 R$2.691,34
nov/17 3736 R$2.313,16
dez/17 4609 R$2.963,60
jan/18 3660 R$2.244,73
fev/18 4030 R$2.388,54
Valor médio 3735 R$2.334,63
Fonte: do autor.

Devido ao enquadramento da empresa na categoria C (ligação trifásica), o custo por


disponibilidade, ou a energia mínima necessária a ser consumida através da rede de distribuição,
é de 100 kWh mensais. Essa informação deve ser considerada pelo projetista na hora do
dimensionamento dos painéis, de modo a não gerar energia elétrica acima do que pode ser
consumido.
44

Figura 23 - Consumo de energia em reais da empresa.

Fonte: do autor.

A empresa opera e funciona baseada no horário comercial, determinado entre 9 h e 18


h, durante todos os dias úteis da semana. Essa característica operativa faz com que seu perfil de
consumo semanal e diário sejam bem definidos, não se alterando significativamente durante o
decorrer do ano. Através do contato com os membros da empresa e posterior análise e estudo,
foi possível definir o perfil de carga estimado semanal e diário da companhia (Figura 24, Figura
25 e Figura 26).

Figura 24 - Estimativa do perfil de consumo semanal.

Fonte: do autor.
45

Figura 25 - Estimativa do perfil de consumo diário dos dias úteis.

Fonte: do autor.

Figura 26 - Estimativa do perfil de consumo diário do final-de-semana.

Fonte: do autor.

5.2. Local de instalação dos painéis

A espaço disponível para instalação dos módulos fotovoltaicos está localizado na cidade
de Araraquara, no mesmo local em que a empresa em estudo está inserida. O terreno possui um
espaço físico de 1.300 m², com área construída de 700 m², deixando disponível, para a
instalação dos módulos fotovoltaicos, um total de 600 m². Segundo as estimativas e o
dimensionamento realizado nas seções posteriores, o projeto irá ocupar uma área de 180 m², o
que corresponde a 30% de espaço livre.

5.3. Medição da radiação solar

Para o correto dimensionamento dos módulos fotovoltaicos, é necessário o histórico de


medição de radiação solar direta e difusa, de modo a garantir o melhor aproveitamento ao longo
do ano do sistema a ser levantado. Existem diversas maneiras de estimar os dados de radiação
solar direta e difusa, e para o trabalho será utilizado a base “SunData” do CRESESB – CEPEL.
46

A base “SunData” contém mais de 72.000 pontos espalhados pelo território brasileiro,
oferecendo, assim, uma estimativa de precisão razoável sobre os dados (Tabela 4, Figura 27).

Tabela 4 - Base de dados de irradiação solar diária média.


mensal
Irradiação solar diária média mensal (kWh/m^2.dia)
Ângulo igual a Maior média Maior mínimo
Plano Horizontal
latitude anual mensal
Ângulo
0º N 22º N 21º N 26º N
Mês
Janeiro 5,64 5,11 5,14 4,96
Fevereiro 5,87 5,60 5,62 5,49
Março 5,13 5,26 5,26 5,22
Abril 4,72 5,32 5,31 5,37
Maio 3,99 4,90 4,87 5,01
Junho 3,72 4,79 4,75 4,93
Julho 3,94 4,99 4,96 5,12
Agosto 4,85 5,73 5,7 5,82
Setembro 4,95 5,26 5,26 5,26
Outubro 5,63 5,40 5,42 5,31
Novembro 5,75 5,28 5,31 5,13
Dezembro 6,00 5,35 5,39 5,18
Delta 2,28 0,94 0,95 0,89
Valor médio 5,02 5,25 5,25 5,23

Fonte: adaptado de SunData.

Figura 27 - Irradiação solar no plano inclinado ao longo do ano em Araraquara.

Fonte: do autor.

Pode-se, portanto, notar a curva de irradiação diária média mensal para três ângulos de
incidência. Sob condições de céu claro e com o auxílio da geometria para cálculo da posição
relativa entre o sol e a terra, a geração solar pode ser prevista com altos índices de precisão.
Entretanto, em escalas de tempo menores, a presença e a disposição aleatória das nuvens podem
47

resultar em rápidas variações solares, afetando também a geração de energia elétrica dos
módulos fotovoltaicos.

Apesar de existir variação na radiação solar ao longo do ano, a radiação global


horizontal, que é aproveitada pela geração fotovoltaica em células da primeira geração, possui
baixa variação ao longo do ano. Mesmo a variabilidade interanual, proporcionada pelas estações
do ano, em relação à média de longo prazo, é menor do que a observada na geração eólica ou
hidráulica. Percebe-se, portanto, que existe pouca alteração nos índices médios de irradiação
anuais quando comparado para os diferentes ângulos de inclinação propostos (Tabela 4). Sendo
assim, de modo a maximizar a geração de energia elétrica, torna-se interessante para o projeto
utilizar a inclinação que proporciona a maior geração global, sendo, neste caso, o ângulo de 22º
N.

5.4. Dimensionamento dos componentes do sistema

Nesta seção será realizado o dimensionamento e a especificação dos componentes


utilizados no projeto da planta a ser instalada na empresa, que presta serviços de limpeza e
desinfecção de água, eleita para o estudo de caso.

5.4.1. Painel fotovoltaico

Os dados dos painéis escolhidos foram obtidos através do catálogo do fabricante


Canadian (Anexo A), marca altamente conceituada no ramo fotovoltaico e considerada
atualmente umas das quatro melhores marcas do mundo. O modelo adotado para o projeto foi
o CS6U – 330 W - STC. Os principais dados do painel são:

I. Especificações técnicas do painel solar

• Máxima Potência (Pm): 330 Watts


• Tolerância: 0 ~ + 5 Watts
• Voltagem de Máxima Potência (Vm): 37,2 Volts
• Corrente de Máxima Potência (Im): 8,88 Amps
• Voltagem de Circuito Aberto (Voc): 45,6 Volts
48

• Corrente de Curto-Circuito (Isc): 9,45 Amps


• Voltagem Máxima do Sistema: 1000 Volts
• Eficiência do Painel: 16,97%
• Coeficiente de Temperatura da Potência (Pm): -0,41 %/°C
• Coeficiente de Temperatura da Corrente (Isc): 0,053 %/°C
• Coeficiente de Temperatura da Voltagem (Voc): -0,31 %/°C
• Temperatura Nominal de Operação de Célula (TNOC/NOCT): 43±2°C

Condição padrão de teste STC/CPT: Irradiação de 1.000 W/m², Espectro de Massa de Ar 1.5
e Temperatura de Célula de 25°C.

II. Especificações mecânicas do painel solar

• Dimensões do painel: (1660 x 992 x 40) mm


• Áreado painel: 1,64 m^2
• Código IP da caixa de junção: IP 68, 3 diodos
• Número de células e tipo: 72, Silício Policristalino
• Peso do módulo: 22,2 kg
• Vidro, tipo e espessura: Vidro Temperado de alta transmissividade
(3,2mm), liga de alumínio anodizado

5.4.2. Dimensionamento do número de painéis necessários

Como apresentado na seção 5.3, o consumo mensal médio anual da empresa é de


aproximadamente 3800 kWh e a irradiação solar diária média, considerando a inclinação de 22º
N, é de 5,25 kWh/m^2.dia. A empresa atualmente é suprida pela distribuidora na categoria C,
o que implica em um sistema trifásico, proporcionando um custo por disponibilidade de
100kWh mensal. Sendo assim, o projeto deve ser dimensionado para atender a diferença entre
o consumo médio mensal e o custo por disponibilidade:

Consumo médio mensal para projeto (Cp) = 3800-100 = 3700 kWh (8)
49

Ainda, considerando que em média um mês tenha aproximadamente 30 dias, é possível


estimar o consumo médio diário:

Consumo médio diário (Cd) = 3700/30 = 123,33 kWh (9)

Uma variável de grande relevância para o dimensionamento do número ideal de painéis


fotovoltaicos é o número de horas diárias com irradiação solar acima de 1 kW/m², definido
como valor de potência nominal pelos fabricantes. O número de horas diárias de irradiação
necessária é definido com base na irradiação solar diária média:

Nº de horas de sol (Nsol) = 5,25 (kWh/m²) / 1 (kW/m²) = 5,25 horas (10)

Para o dimensionamento correto do número de placas para a planta, é necessário estimar


as perdas do sistema. Portanto, o fator de perda total a ser aplicado ao projeto será de 20%
(Tabela 1), ou seja, será aplicado um fator de rendimento de 80%.

N sistema = 0,8 (11)

Com o número de horas diária de sol, a eficiência do sistema e o consumo médio diário
definidos, é possível a realização do cálculo para definição da potência de pico exigida pelo
sistema:

Potência de pico = 123,333 (kWh)/(5,25 (h)*0,8) = 29,36 kW pico = 29365 W pico (12)

Considerando as especificações da placa fotovoltaico escolhida, com potência (Pot


painel) de 330 W, e já conhecendo o valor da potência de pico, considerando eficiência do
painel e eficiência geral, é possível dimensionar o número mínimo de painéis para suprir as
necessidades energéticas da empresa:
50

Número mínimo de painéis = 29365/330 = 90 (13)

((Cp-100)/30)*1000
Nº de painéis
necessário
= (Nsol)*Nsistema (14)
Pot painél

5.5. Inversor solar

Para o dimensionamento dos inversores foi utilizado o critério da potência, sendo que,
segundo a norma NBR 15149 (2004), os inversores devem estar na faixa de potência de 80% a
120% da potência nominal dos módulos fotovoltaicos. Observa-se, no catálogo do fabricante
eleito, a relação de eficiência do inversor e potência, autenticando e validando a utilização da
norma (Figura 28).

Figura 28 - Curva de potência x eficiência do inversor Fronius Symo.

Disponível em: <http://www.fronius.com.br>. Acesso em: 30 abr. 2018.

Para este projeto foram utilizados três inversores da marca Fronius. A escolha da marca
foi decidia com base nos critérios de qualidade, durabilidade e seu alto reconhecimento no
mercado brasileiro. O modelo escolhido foi o Symo, sendo dois inversores de 12,5 kW e um
inversor de 5 kW (Tabela 5).
51

Tabela 5 - Principais informações dos inversores.

Inversor: Fronius

Potência Potência Potência Máxima Tensão


Faixa de tensão Tensão Número de entradas
Modelo mínima recomendada máxima corrente de mínima
ideal - MPP (V) máxima (V) suportadas(MMPTs)
(kW) (kW) (kW) curto circuito requirida (V)

Symon 12.5-3 10 12,5 15 27 a 16,5 A 200 320-800 1000 2


Symon 5.0-3 4 5 6 16 A 200 163-800 1000 2

Fonte: catálogo dos fornecedores.

Esses inversores apresentam, como vantagem, o monitoramento de tensão, corrente e


frequência, sendo que entre suas funções o aparelho também apresenta sincronismo com a rede
elétrica. Além dos pontos citados, esses inversores também possuem sistema de proteção “anti-
ilhamento”, proteção galvânica e disjuntor DC integrado, o que descarta a necessidade de
compra de sistemas de proteção auxiliares.

A escolha da utilização de 3 inversores solares foi tomada com base em 3 principais


fatores, sendo eles:

• Minimização dos custos;


• Maximização da eficiência do sistema;
• Segurança operativa.

O inversor é um componente extremamente caro em um projeto de geração fotovoltaica


e seu preço é proporcional à faixa de tensão de funcionamento e ao seu número de entradas para
fileiras. Considerando esses aspectos, fez-se necessário montar um arranjo de inversores que
conseguisse suprir a potência de pico do sistema e respeitasse os limites de tensão e corrente
em cada fileira, sem superestimar o projeto. Para tanto, foi desenvolvido um arranjo de
inversores cuja estrutura se dá em cinco fileiras conectadas em série, sendo quatro delas
compostas por 20 placas e, a última, por 10 (Figura 29).

Ainda, segundo as especificações do fabricante, a vida útil é de 15 anos, sendo que esse
valor deve ser considerado nos gastos com manutenção da planta (1% ao ano), visto que o
fornecedor oferece assistência técnica para os aparelhos.
52

Figura 29 - Distribuição organizacional dos painéis.

...
1 2 3 20
Entrada 1

... 12,5 Kw
1 2 3 20
Entrada 2

...
1 2 3 20
Entrada 1

... 12,5 Kw REDE


1 2 3 20
Entrada 2

...
1 2 3 10
5 Kw

Fonte: do autor.

5.6. Cabeamento

O dimensionamento dos cabos necessários ao projeto ocorreu de acordo com o critério


de máximo desempenho aliado ao menor custo. Foi realizado de modo a encontrar o tamanho
ideal de bitola (secção transversal (S)) e o cumprimento necessário para suprir toda a estrutura
da planta. Quanto maior a área da secção da bitola, menor é a sua resistência, e
consequentemente menor é a sua perda térmica; em contrapartida, os preços por metro
aumentam. Sendo assim, foi necessário encontrar a relação ótima para o projeto, ponderando a
área de secção pelo preço. Os principais fatores que influenciam na tomada de decisão são:

• Corrente total das fileiras dos módulos fotovoltaicos;


• Tipo de material utilizado nos cabos;
• Distância estimada do condutor;
• Tensão total da fileira dos módulos fotovoltaicos;
• Resistividade do material utilizado nos cabos;
• Configuração das fileiras dos módulos fotovoltaicos.
53

Dessa forma, para o cálculo da área mínima de secção da bitola, foi considerado um cabo
de cobre com resistividade 0,017 Ω para as fileiras com 20 placas conectadas em série, somando
uma potência total de 744 V e corrente de 8,8 A ao sistema. Também foi considerado para o
dimensionamento uma distância do condutor de aproximadamente 40 metros por fileira e uma
perda máxima de tensão de 3%, como assim aconselha a norma NBR 5410 (2004).

• Perda máxima de tensão = 22, 32 V


• Comprimento do cabo = 40 metros
• Resistividade do cobre = 0,017 Ω
• Corrente = 8,8 A

Para um fio de cobre com área de secção de 4mm², a perda estimada na tensão por
resistência é de 1,50 V até o inversor, valor bem abaixo do limite proposto de 22,32 V. Assim,
para a fileira será utilizado um cabeamento de cobre com área de 4 mm², resultando em um
grande intervalo de segurança para o sistema. Ainda, para garantir um baixo fator de perda no
cabeamento do inversor até a ligação com a rede básica, considerando a baixa distância entre
os pontos (15 metros), foi selecionado o fio cobre com secção de 16 mm² (Tabela 5).

Tabela 3 - Dimensionamento dos cabos de condução.


Área da Distância Distância até a
Material Resistividade
secção por fileira rede básica
Entrada do inversor Cobre 4 mm² 0,0179 Ω 40 m -
Saída do inversor Cobre 16 mm² 0,0179 Ω - 15 m
Fonte: do autor.

5.7. Proteção

Os disjuntores DC já vem embutidos nos inversores solares, fato que reduz os gastos
com o cabeamento e anula a necessidade de sistema de proteção auxiliares na entrada do
inversor. Sendo assim, é necessário apenas o dimensionamento dos disjuntores de saída (AC),
cuja metodologia já fora explicitada. O disjuntor escolhido foi o Din curva C 25 A tripolar
(Figura 30), ou para três fases, da Siemens. A escolha da marca foi baseada na qualidade
oferecida pelos seus produtos e no seu baixo preço frente ao projeto como um todo.
54

Figura 30 - Disjuntor tripolar.

Disponível em: <https://w3.siemens.com.br/automation/br/pt/downloads-bt/Documents/Minidisjuntores/ >.


Acesso em: 29 abr. 2018.

5.8. Estrutura de fixação dos painéis

A área para implementação da planta fotovoltaico é um terreno sem área construída, o


que implica na necessidade do uso de suportes ou estruturas de maneira a proporcionar o correto
posicionamento dos painéis ao ângulo de maior exposição a irradiação solar. A estrutura de
sustentação selecionada para o projeto é da marca alemã Krannich-solar. Ela é própria para uso
em solos rústicos e é fabricada através de uma liga de alumínio e aço inoxidável A2
(KRANNICH SOLAR), o que configura alta leveza, durabilidade e resistência à corrosão
(Figura 31).

Figura 31 - Estrutura de fixação dos painéis em solo.

Disponível em: < https://pt.krannich-solar.com/>.


Acesso em: 1 mai. 2018.

5.9. Levantamento do valor dos componentes

Em qualquer empresa ou projeto de engenharia, o orçamento, seja de um produto ou de


um investimento, é um item de extrema relevância. O orçamento expõe, através da linguagem
financeira, os recursos necessários a serem aportados para determinada tomada de decisão. Por
55

essa razão, deve ser realizado da forma mais transparente possível, de forma a apresentar cada
um dos custos envolvidos, seja da mão de obra ou do material empregado.

Neste projeto, o preço dos componentes foi orçado com diversos fornecedores, e deles
foi realizado uma média com os preços mais competitivos, conciliado baixo preço e qualidade
(Tabela 6). Ainda, para o projeto foi considerada uma reserva técnica de 4% de seu valor total,
levando em conta possíveis riscos no seu desenvolvimento, e 8% do valor total para gastos com
mão de obra. Conclui-se, portanto, que o valor de cada kW do projeto foi de R$ 5371,41 e o
valor do projeto é de R$ 159.531,00.

Item/ Produto Descrição Preço unitario Unidade Quantidade Preço total

Paínel Fotovoltaico Canadian CS6U 330 Wp - Policristalino R$ 729,00 Peça 90 R$ 65.610,00


Inversor solar Fronius Symo 12.5-3-M (12.500 W) R$ 20.690,00 Peça 2 R$ 41.380,00
Inversor solar Fronius Symo 5.0-3-M (5.000 W) R$ 10.500,00 Peça 1 R$ 10.500,00

Fonte: do autor.
Disjuntor tripolar 25 A Siemens R$ 89,00 Peça 1 R$ 89,00
Cabo Solar 4 mm² R$ 3,85 Metros 200 R$ 770,00
Cabo Solar 4 mm² R$ 3,85 Metros 200 R$ 770,00
Cabo EPROTENAX Prysmian 16 mm² R$ 46,00 Metros 15 R$ 690,00
Conector Fêmea MC4 R$ 5,60 Peça 60 R$ 336,00
Conector Macho MC4 R$ 5,60 Peça 60 R$ 336,00
Kit Suporte de Chão para Painéis Forseti R$ 150,00 Peça 90 R$ 13.500,00
Conduíte, Sealtube, Condulete, Arruela,
Infraestrutura elétrica R$ 8,50 Peça 300 R$ 2.550,00
abracadeira, bucha, parafuso
Projeto elétrico com documentação - - - 1 R$ 7.000,00
Mão de obra - - - 1 R$ 10.000,00
Reserva técnica - - - 1 R$ 6.000,00
Tabela 6 - Orçamento e valor final do projeto.

TOTAL R$ 159.531,00
R$/kW R$ 5.371,41
56
57

5.10. Geração de energia esperada

A geração de energia mensal (Em) dos painéis ao longo do primeiro ano do investimento
(Tabela 7) é dada em função do número de painéis (N), número de horas com irradiação solar
diária média mensal acima de 1 kW/m² (H), potência de pico dos painéis considerando a
eficiência dita pelo fabricante (Pot), eficiência dos sistemas (Ns) e eficiência dos cabos (Nc).

Em = N x H x 30 x Pot x Ns x Nc (15)

Tabela 7 - Geração e consumo de energia ao longo do primeiro ano do investimento.


Energia gerada Energia gerada Energia Energia
Mês
(kWh) (R$) consumida (kWh) consumida (R$)
Janeiro 3688,55 R$ 1.788,94 4397 R$ 2.132,55
Fevereiro 3651,06 R$ 1.770,76 4172 R$ 2.023,42
Março 3796,82 R$ 1.841,46 3430 R$ 1.663,55
Abril 3716,25 R$ 1.802,38 3170 R$ 1.537,45
Maio 3536,96 R$ 1.715,43 2804 R$ 1.359,94
Junho 3346,03 R$ 1.622,82 2832 R$ 1.373,52
Julho 3485,73 R$ 1.690,58 3688 R$ 1.788,68
Agosto 4136,08 R$ 2.006,00 4288 R$ 2.079,68
Setembro 3674,34 R$ 1.782,06 3736 R$ 1.811,96
Outubro 3897,88 R$ 1.890,47 4609 R$ 2.235,37
Novembro 3688,31 R$ 1.788,83 3660 R$ 1.775,10
Dezembro 3861,78 R$ 1.872,97 4030 R$ 1.954,55
Média anual 3706,65 R$ 1.797,72 3734,67 R$ 1.811,31
Anual 44479,79 R$ 21.572,70 44816,00 R$ 21.735,76
Fonte: do autor.

Nota-se, após análise, que a planta solar atende uma parcela próxima do total, e observa-
se a relação entre a energia gerada pelos módulos e a consumida pela empresa (Figura 32).
Esses dados demonstram que a empresa não corre risco de perdas financeiras.
58

Figura 32 - Comparativo de geração e consumo.

Fonte: do autor.

A energia gerada no plano de projeção do investimento é observada já considerando a


perda de eficiência anual de 0,7% dos módulos fotovoltaicos (Tabela 8, Figura 33) e o aumento
do valor da tarifa da energia elétrica advinda da distribuidora. Os valores de perda de eficiência
e ajuste tarifário anual serão utilizados e considerados na formulação da análise econômica.
59

Tabela 8 - Balanço de energia ao longo da vida útil do projeto.

Energia gerada Energia gerada Energia Energia


Ano
(kWh) (R$) consumida (kWh) consumida (R$)

0 44479,79 R$ 21.572,70 44816,00 R$ 21.735,76


1 44185,77 R$ 23.680,26 44816,00 R$ 24.018,01
2 43876,47 R$ 25.983,52 44816,00 R$ 26.539,91
3 43569,34 R$ 28.510,81 44816,00 R$ 29.326,60
4 43264,35 R$ 31.283,91 44816,00 R$ 32.405,89
5 42961,50 R$ 34.326,74 44816,00 R$ 35.808,51
6 42660,77 R$ 37.665,53 44816,00 R$ 39.568,40
7 42362,14 R$ 41.329,07 44816,00 R$ 43.723,08
8 42065,61 R$ 45.348,94 44816,00 R$ 48.314,01
9 41771,15 R$ 49.759,81 44816,00 R$ 53.386,98
10 41478,75 R$ 54.599,69 44816,00 R$ 58.992,61
11 41188,40 R$ 59.910,33 44816,00 R$ 65.186,83
12 40900,08 R$ 65.737,51 44816,00 R$ 72.031,45
13 40613,78 R$ 72.131,47 44816,00 R$ 79.594,75
14 40329,49 R$ 79.147,34 44816,00 R$ 87.952,20
15 40047,18 R$ 86.845,60 44816,00 R$ 97.187,18
16 39766,85 R$ 95.292,64 44816,00 R$ 107.391,84
17 39488,48 R$ 104.561,28 44816,00 R$ 118.667,98
18 39212,06 R$ 114.731,43 44816,00 R$ 131.128,12
19 38937,58 R$ 125.890,78 44816,00 R$ 144.896,57
20 38665,01 R$ 138.135,55 44816,00 R$ 160.110,71
21 38394,36 R$ 151.571,31 44816,00 R$ 176.922,34
22 38125,60 R$ 166.313,89 44816,00 R$ 195.499,18
23 37858,72 R$ 182.490,41 44816,00 R$ 216.026,60
24 37593,71 R$ 200.240,34 44816,00 R$ 238.709,39
25 37330,55 R$ 219.716,72 44816,00 R$ 263.773,88

Fonte: do autor.

Figura 33 - Balanço energético ao longo da vida útil do projeto.

Fonte: do autor.
60

5.11. Análise da viabilidade econômica do projeto

No intuito de implementar o projeto em uma empresa, é necessário apresentar a proposta


e as premissas econômicas adotadas aos membros da diretoria, e, para tanto, é essencial o estudo
de viabilidade técnica. Nesta seção será realizado o estudo econômico do projeto através dos
principais indicadores: valor presente líquido (VPL), payback e taxa interna de retorno (TIR).
Para a análise será considerado como valor inicial do investimento o montante geral (Tabela 7).
De forma complementar, foram consideradas a energia produzida anualmente e a estimativa de
entrada de fluxo de caixa calculada para o presente caso, sendo que, na componente energia,
foram considerados o aumento do seu preço e a perda de rendimento do sistema. Ainda, foi
levado em conta o custo da manutenção do sistema, o qual contém manutenção preventiva
(limpeza e inspeção geral) e a manutenção corretiva (substituição de componentes danificado).
Em análises e estudos realizados anteriormente em sistema fotovoltaicos, é comum considerar
de 0,5% a 1% do montante do investimento total para a manutenção. Para fins do trabalho, será
considerado o caso mais extremo: o valor de 1%.

5.11.1. Taxas e tributações

Será apresentado todas as taxas e tributações que foram consideradas nos cálculos de
análise econômica (Tabela 9).

Tabela 9 - Variáveis econômicas para o investimento.

Variáveis econômicas Valor


Tarifa de energia atual R$0,485
Taxa de manutenção anual 1,0%
Taxa de aumento tarifário 10,50%
Taxa mínima de atratividade (TMA) 6,5%
Perda de eficiência dos painéis 0,70%
Investimento inicial (FCo) R$159.531
Inflação 3,80%
Fonte: do autor.

• Tarifa de energia elétrica atual: a empresa pertence ao grupo residencial B1, no qual
é aplicado uma tarifa única sobre o consumidor e não há separação entre demanda e
energia. Neste grupo residencial, pertencente a área da concessionária CPFL, a tarifação
61

atual é de R$ 0,485 por kWh consumido, valor ajustado no mês de abril de 2018, com
alta de 21% em relação ao ano anterior (ANEEL, 2015b).

Nos últimos anos, o setor elétrico vem passando por grandes adaptações estruturais em sua
matriz energética, substituindo o convencional modelo hidrotérmico por um modelo
hidrotérmico-eólico, causando, assim, um aumento no número de fontes intermitentes. Esse
fato, somado às mudanças climáticas dos últimos anos (baixas vazões e chuvas), vem
proporcionando um aumento brusco das tarifas energéticas, ocasionado principalmente pelo
maior uso de térmicas com altos preços de combustíveis. Neste contexto, em uma perspectiva
otimista, é razoável admitir uma taxa de aumento tarifário anual de 10,5%, o que permite
observar, a longo do tempo, a projeção do projeto (Tabela 10).

Tabela 10 - Valor tarifário projetado ao longo do projeto.

Preço da tarifa
Ano
de energia

0 R$ 0,485
1 R$ 0,529
2 R$ 0,576
3 R$ 0,628
4 R$ 0,685
5 R$ 0,746
6 R$ 0,813
7 R$ 0,887
8 R$ 0,966
9 R$ 1,053
10 R$ 1,148
11 R$ 1,252
12 R$ 1,364
13 R$ 1,487
14 R$ 1,621
15 R$ 1,767
16 R$ 1,926
17 R$ 2,099
18 R$ 2,288
19 R$ 2,494
20 R$ 2,718
21 R$ 2,963
22 R$ 3,229
23 R$ 3,520
24 R$ 3,837
25 R$ 4,182
Fonte: do autor.
62

• Inflação: este valor foi obtido através do Banco Central (BC), considerando a cotação
de 3,8% de abril de 2018, para atualização do preço da manutenção anual incorporado
ao projeto.
• Selic: a taxa Selic, também chamada de taxa básica de juros, é um dos indicadores
econômicos mais importantes do mercado financeiro e é utilizada como referência pela
política monetária. Logo, é coerente a sua utilização nos cálculos financeiros do
trabalho, como a taxa mínima de atratividade (TMA), para, assim, definir a viabilidade
econômica do projeto. A taxa de 6,5% foi obtida através do Comitê de Política
Monetária (COPON) na data de 17 de maio de 2018.
• Impostos sobre os equipamentos: os equipamentos utilizados no projeto foram
orçados através de fornecedores diretos presentes no Brasil. Desse modo, serão
desconsiderados os custos de importação e os impostos tais como COFINS, IPI e PIS,
pois estes já estão inclusos no valor total da nota dos equipamentos orçados.

5.11.2. Análise das variáveis econômicas

Os valores resultantes da análise econômica do projeto foram obtidos através das


equações (6) e (7) (Tabela 11). Foi considerada a geração de energia durante o tempo de vida
do sistema, com perda de eficiência anual de 0,07% dos módulos (valor estipulado pelo
fabricante). Em complemento, a valoração da energia gerada foi calculada com base na taxa de
crescimento tarifário anual (Tabela 10). No fluxo de saída anual, foram considerados os gastos
com manutenção, que correspondem a 1% do investimento.
63

Tabela 11 - Análise econômica da planta.

Economia com a Gastos com Fluxo de caixa Valor presente


Ano Fluxo de caixa
energia gerada manutenção descontado líquido (VPL)
0 R$ 21.572,70 R$ - -R$ 159.531,00 -R$ 159.531,00 -R$ 159.531,00
1 R$ 23.680,26 -R$ 1.655,93 R$ 22.024,33 R$ 20.680,12 -R$ 138.850,88
2 R$ 25.983,52 -R$ 1.718,86 R$ 24.264,66 R$ 21.393,17 -R$ 117.457,71
3 R$ 28.510,81 -R$ 1.784,17 R$ 26.726,63 R$ 22.125,62 -R$ 95.332,09
4 R$ 31.283,91 -R$ 1.851,97 R$ 29.431,94 R$ 22.878,13 -R$ 72.453,97
5 R$ 34.326,74 -R$ 1.922,35 R$ 32.404,39 R$ 23.651,35 -R$ 48.802,62
6 R$ 37.665,53 -R$ 1.995,40 R$ 35.670,13 R$ 24.445,96 -R$ 24.356,66
7 R$ 41.329,07 -R$ 2.071,22 R$ 39.257,85 R$ 25.262,67 R$ 906,01
8 R$ 45.348,94 -R$ 2.149,93 R$ 43.199,01 R$ 26.102,19 R$ 27.008,20
9 R$ 49.759,81 -R$ 2.231,63 R$ 47.528,18 R$ 26.965,27 R$ 53.973,46
10 R$ 54.599,69 -R$ 2.316,43 R$ 52.283,27 R$ 27.852,66 R$ 81.826,12
11 R$ 59.910,33 -R$ 2.404,45 R$ 57.505,88 R$ 28.765,15 R$ 110.591,27
12 R$ 65.737,51 -R$ 2.495,82 R$ 63.241,69 R$ 29.703,54 R$ 140.294,80
13 R$ 72.131,47 -R$ 2.590,66 R$ 69.540,81 R$ 30.668,66 R$ 170.963,47
14 R$ 79.147,34 -R$ 2.689,11 R$ 76.458,23 R$ 31.661,37 R$ 202.624,84
15 R$ 86.845,60 -R$ 2.791,29 R$ 84.054,31 R$ 32.682,55 R$ 235.307,38
16 R$ 95.292,64 -R$ 2.897,36 R$ 92.395,28 R$ 33.733,08 R$ 269.040,47
17 R$ 104.561,28 -R$ 3.007,46 R$ 101.553,82 R$ 34.813,92 R$ 303.854,39
18 R$ 114.731,43 -R$ 3.121,75 R$ 111.609,69 R$ 35.926,01 R$ 339.780,40
19 R$ 125.890,78 -R$ 3.240,37 R$ 122.650,41 R$ 37.070,33 R$ 376.850,73
20 R$ 138.135,55 -R$ 3.363,51 R$ 134.772,05 R$ 38.247,91 R$ 415.098,63
21 R$ 151.571,31 -R$ 3.491,32 R$ 148.079,99 R$ 39.459,78 R$ 454.558,41
22 R$ 166.313,89 -R$ 3.623,99 R$ 162.689,90 R$ 40.707,01 R$ 495.265,42
23 R$ 182.490,41 -R$ 3.761,70 R$ 178.728,71 R$ 41.990,72 R$ 537.256,14
24 R$ 200.240,34 -R$ 3.904,65 R$ 196.335,69 R$ 43.312,04 R$ 580.568,19
25 R$ 219.716,72 -R$ 4.053,02 R$ 215.663,70 R$ 44.672,15 R$ 625.240,33
Fonte: do autor.

É também possível visualizar e comparar o fluxo de caixa e o fluxo de caixa descontado


ao longo dos 25 anos de vida útil do projeto (Figura 34, Figura 35).
64

Figura 34 - Fluxo de caixa do projeto ao longo do horizonte de projeção.

Fonte: do autor.

Figura 35 - Fluxo de caixa descontado do projeto ao longo do horizonte de projeção.

Fonte: do autor.

Foi também calculado o valor do VPL ao longo da vida útil da planta (Figura 36), e é
possível notar que o mesmo se torna positivo após sete anos (exatamente 6,94 anos). Portanto,
o payback do projeto – ou seja, o tempo de retorno do capital investido – é de 6,94 anos. Esse
resultado é bem interessante sobre a ótica do investidor, já que o investimento é pago com
utilização de apenas 27,76% da vida útil do projeto, o que indica, em termos de rendimento e
negócios, uma alta rentabilidade a longo prazo.
65

Figura 36 - Valor presente liquido do projeto.

Fonte: do autor.

Para a realização de uma análise mais completa, também foi calculado a economia
proporcionada pela implementação do projeto, baseando-se nos custos atribuídos pelo consumo
de energia na distribuidora CPFL e no horizonte de projeção (Tabela 12, Figura 37). Lembrando
que, para realização do comparativo, também foram considerados as atualizações tarifarias
anuais e o preço de investimento inicial do sistema.
66

Tabela 12 - Comparativo de gastos estimados.


Sem o Projeto Com o Projeto
Gastos estimados com Gastos estimados com
Ano consumo de energia eletrica consumo de energia eletrica
0 -R$ 21.735,76 -R$ 159.867,21
1 -R$ 23.691,98 -R$ 630,23
2 -R$ 25.824,26 -R$ 939,53
3 -R$ 28.148,44 -R$ 1.246,66
4 -R$ 30.681,80 -R$ 1.551,65
5 -R$ 33.443,16 -R$ 1.854,50
6 -R$ 36.453,05 -R$ 2.155,23
7 -R$ 39.733,82 -R$ 2.453,86
8 -R$ 43.309,86 -R$ 2.750,39
9 -R$ 47.207,75 -R$ 3.044,85
10 -R$ 51.456,45 -R$ 3.337,25
11 -R$ 56.087,53 -R$ 3.627,60
12 -R$ 61.135,41 -R$ 3.915,92
13 -R$ 66.637,59 -R$ 4.202,22
14 -R$ 72.634,98 -R$ 4.486,51
15 -R$ 79.172,12 -R$ 4.768,82
16 -R$ 86.297,62 -R$ 5.049,15
17 -R$ 94.064,40 -R$ 5.327,52
18 -R$ 102.530,20 -R$ 5.603,94
19 -R$ 111.757,92 -R$ 5.878,42
20 -R$ 121.816,13 -R$ 6.150,99
21 -R$ 132.779,58 -R$ 6.421,64
22 -R$ 144.729,74 -R$ 6.690,40
23 -R$ 157.755,42 -R$ 6.957,28
24 -R$ 171.953,41 -R$ 7.222,29
25 -R$ 187.429,21 -R$ 7.485,45
-R$ 2.028.467,56 -R$ 263.619,51
Fonte: do autor.

Figura 37 – Economia gerada.


Fonte: do autor.
67

6. Conclusões

Dentre as vantagens apresentadas neste trabalho, destaca-se a importância da energia


fotovoltaica na matriz energética brasileira, que, além de promover autonomia ao consumidor,
ajuda na diversificação da matriz energética, reduzindo a dependência do recurso hídrico. Esse
tipo de geração, dita como sustentável, também contribui para a redução de poluentes tóxicos
depositados na atmosfera, construção de uma sociedade mais engajada em questões ambientais
e menos dependente dos combustíveis fosseis e da alta volatilidade que esses apresentam no
mercado nacional e internacional.

Em relação aos resultados, verifica-se que a energia gerada pelos painéis no primeiro
ano atende quase que totalmente a carga da empresa, cumprindo, portanto, o objetivo proposto
de suprir a parcela majoritária do consumo e maximizando o dimensionamento do sistema. Em
sistemas conectados à rede (On-Grid), a maximização econômica é dada quando a geração
global é abaixo do consumo global, já que não existe remuneração financeira pelo excedente,
mas, sim, uma prática de créditos com validade máxima de cinco anos. Assim, o trabalho
proposto foi capaz de cumprir com seu objetivo, e todo crédito de energia será utilizado no
horizonte projetado.

Com o resultado financeiro apresentado no projeto e o comparativo econômico com a


distribuidora local, fica evidente que a incorporação e instalação de um projeto fotovoltaico,
além de contribuir para a diminuição de componentes poluentes, também se apresenta como
um ótimo investimento nacional, aliando altas taxas de retorno com baixos riscos para o
investidor. A condição socioeconômica atual do Brasil torna ainda mais atrativo o investimento
nesse segmento: a baixa taxa SELIC, somada ao crescimento acelerado do preço da energia, e
o avanço das tecnologias ligadas aos sistemas fotovoltaicos abrem caminhos para a criação de
novos negócios nesse segmento.

Em relação ao posicionamento da empresa sobre a incorporação e adoção do projeto,


ela se mostrou interessada com a oportunidade de economia apresentada, porém, devido aos
custos inicias com equipamentos, a diretoria optou por fazer uma reserva de caixa durante o
ano de 2018 e implantar o projeto em 2019, minimizando, assim, os efeitos econômicos.
68

7. Recomendações para trabalhos futuros

Para estudos futuros, são sugeridas temáticas como:

• Análise do crescimento do consumo da empresa ao longo dos anos: neste trabalho,


assumiu-se como premissa que o consumo da empresa é constante ao longo dos anos.
Para desenvolvimentos futuros, sugere-se a realização de uma análise mais criteriosa,
alinhada às perspectivas de crescimentos da empresa e do mercado que ela está inserida,
possibilitando um perfil de consumo variável ao longo dos anos, o que torna o resultado
projetado mais próximo do realizado.
• Crescimento tarifário: a componente tarifária é extremante complexa, e a sua
composição é dependente de vários fatores de mercado e condições climáticas, visto
que as hidrelétricas no Brasil têm grande influência no preço da energia. Dito isso, outra
sugestão futura de trabalho é a projeção da taxa de crescimento tarifário e seu estudo
mais profundo, de modo a obter resultados mais condizentes com a realidade.
69

8. Referências bibliográficas

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 1549: Sistemas de subdutos de polietileno para
telecomunicações – Verificação da resistência à tração de subdutos conjugados. Rio de Janeiro:
ABNT, 2004a.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão –
Requisitos mínimos para instalações em baixa tensão, incluindo as normas para instalação
fotovoltaica. Rio de Janeiro: ABNT, 2004b.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 5419: Proteções de estruturas contra descargas
atmosféricas. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 16149: Sistemas Fotovoltaicos (FV) – Características
da interface de conexão com a rede elétrica de distribuição. Rio de Janeiro: ABNT, 2013a.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 16150: Sistemas fotovoltaicos (FV) – Características
da interface de conexão com a rede elétrica de distribuição – Procedimentos de ensaio de
conformidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2013b.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR 16274: Comissionamento de Sistemas Fotovoltaicos


– Sistemas fotovoltaicos conectados à rede- Requisitos mínimos para documentação,
comissionamento, inspeção e avaliação de desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR IEC 60947-2: Dispositivos de manobra e comando de
baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 1998.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR IEC 60898: Disjuntores para proteção de
sobrecorrentes para instalações domésticas e similares. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.

ABNT. Norma Brasileira ABNT NBR IEC 62116: Procedimento de ensaio anti-ilhamento
para inversores de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Rio de Janeiro: ABNT,
2012.

ANEEL. Avaliação dos resultados da Resolução Normativa Nº 482/2012 na visão do


regulador. Brasília: ANEEL, 2014. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/hotsite/mmgd/slides/Carlos Alberto Calixto Mattar.pdf>. Acesso
em: 20 abr. 2018.

ANEEL. Atlas de Energia Elétrica no Brasil da Agência Nacional de Energia Elétrica. 3.


ed. Brasília: ANEEL, 2008. Disponível em:
<http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas3ed.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2018.

ANEEL. Cadernos temáticos ANEEL: Micro e Minigeração Distribuída Sistema de


Compensação de Energia Elétrica. 2. ed. Brasília: ANEEL, 2016. Disponível em: <
http://www.aneel.gov.br/documents/656877/14913578/Caderno+tematico+Micro+e+Miniger
a%C3%A7%C3%A3o+Distribuida+-+2+edicao/716e8bb2-83b8-48e9-b4c8-a66d7f655161>.
Acesso em: 21 abr. 2018.
70

ANEEL. Geração distribuída ultrapassa 20 mil conexões. Brasília, 2018. Disponível em:
<http://www.aneel.gov.br/sala-de-imprensa-exibicao/-
/asset_publisher/XGPXSqdMFHrE/content/geracao-distribuida-ultrapassa-20-mil-
conexoes/656877>. Acesso em: 10 mar. 2018.

ANEEL. Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional


- PRODIST. Brasília: ANEEL, 2017. Disponível em: <
http://www.aneel.gov.br/documents/656827/14866914/PRODIST-
M%C3%B3dulo3_Revis%C3%A3o7/ebfa9546-09c2-4fe5-a5a2-ac8430cbca99>. Acesso em:
1 mai. 2018.

ANEEL. Ranking das tarifas. Brasília, 2015b. Disponível em:


<http://www.aneel.gov.br/ranking-das-tarifas>. Acesso em: 17 mai. 2018.

ANEEL. Resolução Normativa Nº 482/2012. Brasília: ANEEL, 2012. Disponível em:


http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf>. Acesso em: 2 abr. 2018.

ANEEL. Resolução Normativa Nº 687/2015. Brasília: ANEEL, 2015a. Disponível em:


http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf>. Acesso em: 2 abr. 2018.

ASSAIFE, B.M. Aterramento e proteção de sistemas fotovoltaicos. 2013. 32 f. Trabalho de


Conclusão de Curso (Engenharia Elétrica) – Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio
de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.

CASAROTTO FILHO, N.; KOPITTKE, B.H. Análise de investimentos: matemática


financeira, engenharia econômica, tomada de decisão, estratégia empresarial. 9. ed. São Paulo:
Atlas, 2000.

CPFL. Norma Técnica CPFL GED 15303: Conexão de micro e mini geração distribuída sob
sistemas de compensação de energia elétrica. 2016. Disponível em:
<http://sites.cpfl.com.br/documentos-tecnicos/GED-15303.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2018.

CRESESB CEPEL. Energia Solar: Princípios e aplicações. Rio de Janeiro: CRESESB


CEPEL, 2006. Disponível em:
<http://www.cresesb.cepel.br/download/tutorial/tutorial_solar_2006.pdf>. Acesso em: 30 abr.
2018.

PINHO, J.T.; GALDINO, M.A. (Org.). Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos.
Rio de Janeiro: CRESESB CEPEL, 2014. Disponível em: <
http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/Manual_de_Engenharia_FV_2014.pdf>.
Acesso em: 15 abr. 2018.

FRANCISCO, W.C. Localização Geográfica do Brasil. In: Brasil Escola. Disponível em


<https://brasilescola.uol.com.br/brasil/localizacao-geografica-brasil.htm>. Acesso em 21 de
maio de 2018.

GAZOLI, J.R.; VILLALVA, M. Energia solar fotovoltaico: Sistemas Conectados à rede


elétrica: requisitos para a conexão e proteções. In: O Setor elétrico. v. 7, cap. 6, p. 34-42.
Atitude Editorial: São Paulo, 2012.
71

GITMAN, L.J. Princípio de administração financeira. 10. ed. São Paulo: Harbra, 2007.

GREEN, M.A. The path to 25% silicon solar cell eficiency: History of silicone cell evolution.
In: Progress in Photovoltaics: Research and applications. v. 17. 3. ed. Chichester: Wiley, 2009.
p. 183-189.

GREENPRO. Energia Fotovoltaica: Manual sobre tecnologias, projeto e instalações. União


Europeia: ALTENER, 2004.

HECKTHEUER, L.A. Análise de associação em módulos fotovoltaicos. 2001. 117 f. Tese


(Doutorado em Engenharia Mecânica) – Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre, 2001.

HEGEDUS, S. Thin Film Solar Modules: The Low Cost, High Throughput and Versatile
Alternative to Si Wafers. In: Progress in Photovoltaics Research and Applications. v. 14. 5.
ed. Chichester: Wiley, 2006. p. 393-411.

_________; LUQUE, A. Handbook of Photovoltaic Science and Engineering. Chichester:


Wiley, 2003. Disponível em: < https://kashanu.ac.ir/Files/Content/Handbook.pdf>. Acesso em:
17 abr. 2018.

HUMMEL, P.R.V., TASCHNER, M.R.B. Análise e decisão sobre investimentos e


financiamentos: engenharia econômica: teoria e prática. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

ELY, F.; SWART, J.W. Energia solar fotovoltaica de terceira geração. São Paulo: IEEE, 2014.
Disponível em: <http://www.ieee.org.br/wp-content/uploads/2014/05/energia-solar-
fotovoltaica-terceira-geracao.pdf>. Acesso em: 17 mai. 2018.

IEC. International Standard 60269-1: General information. 3. ed. Genebra: IEC, 1998.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Key World Energy Statistics 2017. Paris: IEA, 2017.
Disponível em: <https://webstore.iea.org/key-world-energy-statistics-2017>. Acesso em: 9 abr.
2018.

KRANNICH SOLAR. Estrutura de fixação para painéis em solo. Disponível em:


<http://pt.krannich-solar.com/fileadmin/contect/datasheets>. Acesso em: 27 abr. 2018.

LEVA, F.F. et al. Modelo de um projeto de um sistema fotovoltaico. In: Encontro de energia
no meio rural. Campinas, 2004. Disponível em: <
http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC000000002200>. Acesso em: 23 abr.
2018.

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias


Hidrográficas Edição 2007. Brasília, 2007. Disponível em:
<http://www.mme.gov.br/web/guest/publicacoes-e-indicadores/manual-de-inventario-
hidroeletrico-de-bacias-hidrograficas>. Acesso em: 9 abr. 2018.

MARWEDE, M; RELLER, A. Future recycling flows of tellurium from cadmium telluride


photovoltaic waste. Resources, Conservation and Recycling, v. 69, p. 35-49, 2012.
72

MINISTÉRIO DO TRABALHO. NR 10: Segurança em instalações e serviços em eletricidade.


2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR-10-atualizada-
2016.pdf>. Acesso em: 7 mai. 2018.

MOTTA, R.R.; CALÔBA, G.M. Análise de Investimentos: Tomada de Decisão em Projetos


Industriais. São Paulo: Atlas, 2002.

NEOSOLAR. Fornecedor de equipamentos de energia solar. Disponível em:


<https://www.neosolar.com.br>, acesso em: maio, 2018.

PEREIRA, E.N. et al. Atlas Brasileiro de Energia Solar. 1. ed. São José dos Campos: INPE,
2006. Disponível em: < http://ftp.cptec.inpe.br/labren/publ/livros/brazil_solar_atlas_R1.pdf>.
Acesso em: 7 mai. 2018.
_________; COLLE, S. Atlas de Irradiação solar do Brasil. Brasília, 1998. Disponível em:
<http://www.lepten.ufsc.br/pesquisa/solar/atlas_de_irradiacao.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2018.
PORTAL ENERGIA. Energia Fotovoltaica: Manual sobre tecnologias, projecto e instalação.
2014. Disponível em: <https://www.portal-energia.com/downloads/guia-tecnico-manual-
energia-fotovoltaica.pdf>. Acesso em: 5 abr. 2018.
PORTAL SOLAR. Tipo de painel solar fotovoltaico. Disponível em:
<https://www.portalsolar.com.br/tipos-de-painel-solar-fotovoltaico.html>. Acesso em: 10 abr.
2018.

ROSS, S.A.; WESTERFIELD, R.W.; JAFFE, J.F. Administração Financeira: Corporate


Finance. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

SOUZA, R. Análise financeira simplificada de sistemas fotovoltaicos conectados a rede.


BlueSol Energia solar, 2015.

SUNDATA. Base de dados sobre radiação solar no Brasil CRESEB. Disponível em:
<www.creseb.cepel.br>. Acesso em: 10 mai. 2018.

VILLALVA, M.; GAZOLI, J. Energia solar fotovoltaica: conceitos e aplicações. São Paulo:
Erica, 2012.

ZDANOWICZ, J. E. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiros. 8.


ed. Porto Alegre: Sagra-DC Luzzatto, 2000.

SZE, S.M.; NG, K.K. Physics of Semiconductor Devices. 3. ed. Chichester: Wiley, 2006.

73

Anexo A – Catálogos de painel fotovoltaico utilizados no projeto


74
75

Anexo B – Catálogos de inversor solar utilizados no projeto


76
77
78