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A importância do levantamento de queixas de idosos


institucionalizados durante a entrevista para o planejamento da
reabilitação fonoaudiológica
The importance of collecting complaints of institutionalized old people during the
interview for planning phonoaudiological rehabilitation
La importancia de coleccionar quejas de envejecidos institucionalizados durante la
entrevista de planeamiento de rehabilitación fonoaudiológica

Andréa de Souza*
Adriana Leico Oda**

Resumo: O objetivo do presente estudo foi caracterizar as queixas relatadas por idosos institucionalizados durante entrevista fonoaudiológica,
ressaltando a sua importância para o processo de reabilitação. Foram avaliados 28 idosos residentes em uma Instituição de Longa Permanência
Para Idosos (ILPIs), filantrópica, localizada no Município de Santo André-SP, sendo 18 (64,3%) do sexo masculino e 10 (35,7%) do sexo feminino;
com idade média de 66,86 (+/- 0.95) anos. A obtenção de dados foi realizada pelo levantamento de queixas fonoaudiológicas, feita por meio
de entrevista, auxiliada por um questionário que contemplou informações sobre dados pessoais, queixas referentes à saúde geral, audição, voz,
fala, alimentação, linguagem e cognição. Foram encontradas queixas fonoaudiológicas referentes à cognição (96,4%), linguagem (78,6%), mo-
tricidade oral / alimentação (53,6%), audição (46,4%), voz (35,7%) e fala (3,6%), podendo estar vinculadas ao envelhecimento ou a patologias.
Para diferenciá-las, o fonoaudiólogo proporcionará apoio em diagnóstico, tratamento e reabilitação. As entrevistas revelaram um alto índice de
queixas fonoaudiológicas de idosos institucionalizados, havendo necessidade do profissional configurá-la como um espaço de escuta e acolhimento
ao paciente, possibilitando, durante toda a reabilitação, confiança e credibilidade no profissional que agora, após escutar, irá direcionar o foco
terapêutico, construindo um planejamento individualizado ao quadro clínico e moldado pelos interesses e necessidades do paciente.
Palavras-chave: Idoso. Reabilitação. Instituição de longa permanência para idosos.
Abstract: The aim of the present study was characterizing complaints reported for institutionalized old people during the phonoaudiological
interview, emphasizing its importance for the rehabilitation process. 28 resident old people were evaluated at a philanthropic Long-Permanence
Institution for Old People (ILPIs), located in Santo André-SP, being 18 (64.3%) male and 10 (35.7%) female; mean age of 66.86 (+/-0.95) years.
Data collecting was carried out by receiving phonoaudiological complaints, done through interviews helped by a questionnaire that contemplated
information on personal data, complaints referring to general health, hearing, voice, speech, food, language and cognition. Phonoaudilogical
complaints were found referring to cognition (96.4%), language (78.6%), oral motor function / food (53.6%), hearing (46.4%), voice (35.7%)
and speech (3.6%) that may be linked to aging or to pathologies. To differentiate them, the phonoaudiologist will provide support in diagnosis,
treatment and rehabilitation. The interviews revealed a high rate of phonoaudiological complaints of institutionalized old people, and there is a
need for the professional to shape it like a space of listening and human support to the patient, making possible, during the entire rehabilitation
process, confidence and credibility in the professional, which, after listening, will direct the therapeutic focus, building an individualized plan
according to the clinical condition and molded by the interests and necessities of the patient.
Keywords: Old people. Rehabilitation. Home for the aged.
Resumen: El presente estudio intenciona caracterizar quejas hechas por envejecidos institucionalizados durante la entrevista fonoaudiológica,
enfatizando su importancia para el proceso de rehabilitación. 28 envejecidos residentes fueron evaluados en una Institución de Permanencia Larga
para Viejos (ILPIs), de naturaleza filantrópica, localizada en Santo André-SP, siendo 18 varones (64.3%) y 10 mujeres (35.7%); edad media de 66.86
(+/-0.95) años. El recogimiento de datos fue realizado recibiendo quejas fonoaudiológicas hechas en entrevistas ayudadas por un cuestionario
que contempló informaciones sobre datos personales, quejas que se refieren a salud general, audición, voz, habla, comida, lenguaje y cognición.
Quejas fonoaudiológicas fueron encontradas con referencia a la cognición (96.4%), el lenguaje (78.6 %), las funciones motoras-orales / comida
(53.6%), audición (46.4%), voz (35.7%) y habla (3.6 %) que pueden se deber al envejecimiento o a patologías. Para diferenciarlos, el fonoaudió-
logo proporcionará el apoyo en diagnóstico, tratamiento y rehabilitación. Las entrevistas revelaron una alta taja de quejas fonoaudiológicas de
envejecidos institucionalizados, y hay la necesidad del profesional formarlas como un espacio de escucha y apoyo humano al paciente, haciendo
posible, durante el proceso de rehabilitación entero, la creación de confianza y credibilidad en el profesional, que, después de la escucha, dirigirá el
foco terapéutico, construyendo un plan individualizado según la condición clínica y moldeado por los intereses y las necesidades del paciente.
Palabras llave: Envejecidos. Rehabilitación. Hogares para ancianos.

* Fonoaudióloga. Especialista em Gerontologia pela UNIFESP. Fonoaudióloga Clínica, Instituição Assistencial Nosso Lar.
** Fonoaudióloga. Doutoranda em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Docente do Centro Universitário
São Camilo, do CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) e do Setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da UNIFESP-EPM.
Coordenadora do Curso de Especialização “Reabilitação em Neurologia” (UNIFESP) e sócio-proprietária da Neurone – Clínica, Ensino e Pesquisa em
Fisioterapia e Fonoaudiologia.

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

Introdução voltada ao descanso. Os diálogos to, respeitado, pode sentir-se mais


podem ser escassos, assim como as confiante e com recursos renovados
As entrevistas terapêuticas são oportunidades de aprendizagem, para melhor se aceitar e se cuidar.
partes essenciais para a formulação de transformação comportamental Existe uma necessidade intrínseca
diagnóstica e para o estabelecimen- e participação sociocultural (Gia- ao ser humano de ser escutado. A
to das condutas fonoaudiológicas cheti, Duarte, 1997). comunicação pessoal e subjetiva
que irão beneficiar o paciente. É Em uma instituição asilar, o não é uma mera possibilidade hu-
pe­la entrevista que se inicia uma fonoaudiólogo tem o importante mana, mas uma necessidade vital
importante relação interpessoal. papel de resgatar a identidade do do homem (Moreira, 1979).
O objetivo da entrevista consiste idoso por meio da linguagem e da Esta pesquisa teve como objeti-
em formular simultaneamente um comunicação (Tubero, 1997). Na vo caracterizar as queixas relatadas
diagnóstico, um prognóstico e um Fonoaudiologia, existe uma preo- por idosos institucionalizados du-
plano de reabilitação (tratamento), cupação quanto às condições do rante entrevista fonoaudiológica,
e guia-se pela ética profissional do idoso no que diz respeito à audição, ressaltando a sua importância para
terapeuta, buscando resgatar todas à voz, à motricidade oral, principal- o processo de reabilitação.
as informações importantes para a mente relacionada à alimentação,
reabilitação de seu paciente, inte- e à linguagem, tendo em vista as
grando-o no diagnóstico, aumen- Métodos
modificações frente ao envelheci-
tando sua satisfação, sua aceitação mento natural e o patológico (Al- Esta pesquisa refere-se a um es-
do tratamento e contribuindo para ves, 2002). tudo observacional, descritivo, de
o quadro geral de sua saúde (Da- Durante a entrevista, as infor- delineamento transversal em base
vanzo-Corte, 2000). mações e queixas referentes à co- populacional.
No momento da entrevista, o municação, linguagem e cognição Este estudo incluiu 28 sujeitos
paciente sente-se como parte inte- estão associadas à possibilidade residentes em uma Instituição de
grante no processo de sua saúde. de os idosos desenvolverem dis- Longa Permanência Para Idosos
Apresentando suas queixas, suas túrbios da comunicação em con- (ILPIs), filantrópica, localizado no
necessidades e suas vontades. Ao seqüência da redução dos níveis Município de Santo André-SP, sen-
oferecer a escuta ao paciente, a en- de consciência, atenção seletiva, do 18 (64,3%) do sexo masculino e
trevista passa a ter um efeito psico- memória, raciocínio, resolução 10 (35,7%) do sexo feminino. Es-
lógico positivo e terapêutico sobre de problemas, linguagem e fala, ta amostra representa 30,11% do
a recuperação do doente (Santos, funções sensoriais integradoras e número total de idosos residentes
1999) modificando o papel do pa- funções motoras integradas (Gia- nesta ILPI.
ciente, de “aquele que aguarda” cheti, Duarte, 1997). Tais compro- A idade média dos entrevistados
para aquele que “faz parte de”. metimentos podem levar o idoso a foi de 66,86 anos, com desvio pa-
Além de oferecer ao paciente um ter queixas específicas ou não em drão de 0,95. A idade mínima foi de
momento individualizado e perso- relação à comunicação e aos aspec- 60 anos e a máxima de 77 anos.
nalizado. tos envolvidos. Os critérios de inclusão para
Este momento único ao pacien- A importância dada às quei- participação nesta pesquisa foram:
te é de suma importância para a sua xas relatadas pelo paciente é vista pacientes de ambos os sexos, com
aderência em terapias individuais como um elo entre o paciente e o idade superior a 60 anos, residentes
e/ou em grupos de reabilitação profissional. De acordo com a visão na referida instituição, que apre-
(Urzúa et al, 1999), principalmente hipocrática, não há doenças, mas sentassem condições físicas, men-
quando se trata do trabalho fono- apenas doentes (Epnay, Groddeck, tais e cognitivas para responder às
audiológico realizado em institui- 1988). Caso não seja dado o espaço questões abordadas em entrevista.
ções de longa permanência para necessário para o doente-paciente Foram excluídos deste estudo
idosos, pois muitas vezes a rotina colocar-se frente às suas dificulda- os idosos que tinham em seus re-
da instituição e os horários estipu- des e angústias, a relação médico- latórios médicos diagnósticos de
lados diminuem a individualidade paciente pode ser deficiente, já que Alterações Neurológicas, que le-
e a autonomia do idoso. Algumas não atende às necessidades de um vassem a prejuízos de julgamento,
instituições para idosos, longe de sujeito e sim de um corpo doente linguagem e/ou de cognição, De-
proporcionarem sua integração, (Moreira, 1979). mências e Depressão.
podem condená-los a uma vida Por outro lado, quando o pa- A obtenção de dados foi reali-
isolada, silenciosa e introspectiva, ciente se reconhece atendido, acei- zada pelo levantamento de queixas

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

fonoaudiológicas, feita por meio de Percepção da Memória (respostas Os analfabetos eram três indi-
entrevista, auxiliada por um ques- classificadas como “bom”, “falha” víduos (10,7%), os com escolari-
tionário fechado construído pelos ou “ruim”), desmembrada em Fa- dade inferior a oito anos, 18 idosos
pesquisadores e aplicado por eles. O cilidade para Memorizar Aconte- (64,3%), e os demais com escolari-
questionário contemplou informa- cimentos (o que almoçou ontem, dade superior a oito anos (25%).
ções sobre dados pessoais, queixas por exemplo) e Facilidade para Neste grupo de idosos, 14 eram
referentes à saúde geral, audição, Memorizar Datas (datas de aniver- solteiros (50%), 3 eram casados
voz, fala, alimentação, linguagem sários e datas comemorativas, por (10,7%), 4 eram viúvos (17,9%)
e cognição. exemplo). Além disso, Capacidade e 6 eram separados, divorciados
Em dados pessoais, foram feitas de Manter a Atenção, Realização ou desquitados (21,4%). Fazendo
anotações quanto ao gênero, ida- de Cálculos (contar e verificar tro- uma breve análise social, quatro
de, tempo de escolaridade, estado co, por exemplo) e Capacidade de idosos (14,8%) são ex-­moradores
civil, tempo de institucionalização, Planejamento (planejar seu dia, or- de rua, 11 (39,2%) têm histórico
histórico pessoal antes da institu- ganizar algum evento interno, por de alcoolismo e 19 (67,5%) apre-
cionalização e percepção da saúde exemplo). sentam dificuldade no convívio
geral. Quanto à linguagem, foram familiar.
Quanto à questão auditiva, questionadas suas percepções acer- A média de tempo de institucio-
foram pontuadas as queixas re- ca da Capacidade de Analisar Fa- nalização foi de 72,82 meses (com
ferentes à percepção de perda da tos (discutir e refletir sobre algum desvio padrão de 12,3). A mediana
acuidade auditiva, presença de acontecimento apresentado no no- foi de 54,5 meses. O período míni-
zumbido e tontura. ticiário, por exemplo); Facilidade mo de moradia do idoso entrevis-
Em relação às funções de fala e para Nomeação (objetos, lugares e tado foi de 06 meses e o máximo,
voz, foram questionadas percep- pessoas, por exemplo); Capacidade de 256 meses, ou seja, mais de 21
ções de eventuais alterações, classi- de Narrar ou Contar Fatos e Com- anos de institucionalização.
ficação vocal em “agradável” e “não preensão da Comunicação Verbal. Ao questionamento sobre
agradável” e percepção da quali- À medida que o questionário sua condição de saúde geral, 23
dade vocal, seguindo a classificação foi aplicado, foi realizado o pre- (82,1%) dos idosos referiram con-
da voz através da Qualidade Vocal, enchimento das respostas, em um siderar a sua Saúde Geral Ótima ou
utilizando a definição de Behlau e roteiro, representadas por suas va- Boa. Os demais consideraram sua
Dragone (2002). As queixas foram riáveis. Saúde Ruim ou Péssima (18,9%).
divididas em Neutra ou Normofô- O estudo foi realizado após Com relação às queixas fono-
nica, agrupando a classificação de aprovação do Comitê de Ética em audiológicas, todos os itens sobre a
voz normal e voz sadia, “neutra Pesquisa da UNIFESP/EPM em fala, a voz, a audição, a linguagem,
com desvio de ressonância”, agru- 2004, protocolo n. 01642/04. Pos- a cognição e a alimentação recebe-
pando a terminologia: voz nasal, sibilitou-se ao sujeito da pesquisa ram queixas dos idosos. Sendo as
voz laríngea, voz abafada e voz fra- o direito de recusa ou desistência queixas relacionadas à cognição e
ca, e, “não-neutra” ou “alterada”, em qualquer momento do es- linguagem as mais apontadas pe-
agrupando as queixas de rouqui- tudo. Garantiu-se ao participante los idosos, seguidas pelas queixas
dão, aspereza e soprosidade. a possibilidade de evitar responder de motricidade oral (alimentação)
Em relação à alimentação, foi qualquer pergunta do questionário e audição.
pontuada a presença de queixa que julgasse incompatível com suas A Figura 1 apresenta a quanti-
geral e de queixas específicas de crenças ou princípios. As informa- dade de idosos que apresentaram
mastigação, deglutição, presen- ções obtidas foram utilizadas para queixas fonoaudiológicas. As quei-
ça de tosse e engasgos durante finalidades científicas, preservan- xas relatadas foram particulariza-
as refeições, sensação de alimen- do-se o sigilo quanto à identidade das e distribuídas em gráfico para
to parado na garganta e queixas dos participantes. melhor visibilizar os dados.
gastro­intestinais (azia, queimação
e histórico de doença do refluxo Cognição
Resultados
gastroesofágico).
Às funções executivas, foram Após a aplicação do questioná- O número de idosos que con-
questionados: Percepção do Pensa- rio, foram realizadas as marcações siderou seus Pensamentos como
mento (respostas classificadas como das respostas no roteiro, as quais “Bom” foi de 24 (85,7%), e os 4
“bom”, “confuso” ou “ruim”); serão analisadas e discutidas. (14,3%) restantes consideram

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planejamento da reabilitação fonoaudiológica

Figura 1. Caracterização e Ocorrência das queixas fonoaudiológicas


(Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

seus pensamentos “Confusos” ou disseram ter dificuldades para lem- Sobre a capacidade de plane-
“Ruim”. brar datas. jar ou seqüencializar atividades
A Memória foi relatada como Questionados sobre a capacida- do cotidiano, como por exemplo,
“Boa” por 15 (53,6%) e conside- de de manter a atenção em um úni- planejar seu dia, programar suas
rada “Falha” ou “Ruim” por 12 co foco, 19 (67,9%) disseram que atividades neste dia ou organizar
(46,4%) dos indivíduos. às vezes se distraem e 2 (7,1%) dis- algum evento interno. A maioria
Sobre a capacidade de memo- seram não ter capacidade de man- dos entrevistados, 16 (57,1%) ido-
rizar acontecimentos, como por ter a atenção em somente um foco. sos, relatou não ter capacidade de
exemplo, o que almoçou ontem, planejamento ou execução de se-
7 (25%) disseram ter capacidade
dos 28 entrevistados, 22 (78,6%) qüências.
de atenção.
relataram ter dificuldade para lem- Foi questionado sobre a capa-
brar tais acontecimentos. Foi perguntado a respeito da cidade de analisar e opinar sobre
A maioria dos entrevistados, capacidade de realizar cálculos, diversos temas, por exemplo, dis-
23 (82,1%) idosos, disse ter faci- por exemplo, manipular dinheiro, cutir e refletir algum acontecimen-
lidade em lembrar datas. Desses, dar troco e verificar troco. Dos 28 to apresentado no noticiário. Dos
13 (46,4%) disseram ter sempre entrevistados, 6 (21,4%) disseram 28 entrevistados, 20 (71,4%) disse-
facilidade para lembrar datas e 10 que teriam dificuldade para realizá- ram sentir dificuldade para analisar
(35,7%) disseram que às vezes es- los e 5 (17,9%) disseram não fazer e opinar. Desses, 8 (28,6%) disse-
quecem. E 5 (17,9%) entrevistados cálculos de espécie alguma. ram sentir às vezes dificuldade e 12

Figura 2. Caracterização e Ocorrência das queixas de cognição


(Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

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(42,9%) disseram sempre sentir dificuldade para narrar ou contar tinais (28,6%), que englobaram
dificuldade. fatos e 14 (50%) disseram sentir às queixas relativas a ardor na região
vezes dificuldade de narração. da garganta durante a deglutição,
Linguagem A respeito da compreensão da azia, queimação e refluxo gastro-
comunicação verbal, 7 (25%) dos esofágico.
A maioria dos entrevistados (21 entrevistados relataram ter dificul-
idosos) relatou ter dificuldade para dades para compreender a comuni-
Audição
nomear objetos, lugares e pessoas cação verbal.
(75%). Desses, 12 (42,9%) rela- A Figura 5 apresenta as queixas
taram que raramente esquecem o Motricidade Oral auditivas que foram relatadas por
nome de objetos, lugares e pessoas 13 (46,4%) entrevistados. Estas
(Alimentação)
e 9 (32,1%) relataram esquecer queixas referiram-se à percepção
freqüentemente o nome de obje- Quanto às queixas na alimenta- de perda auditiva, zumbido e/ou
tos, lugares e pessoas. ção, foram observados os seguintes tontura presentes. Consideramos
Foi questionado sobre a capa- relatos: dificuldade de mastigação percepção de perda auditiva, pois
cidade de narrar ou contar fatos. (28,6%) e deglutição (25%), pre- os entrevistados não tinham reali-
Dos 28 entrevistados, a maioria, 19 sença de tosse e engasgos durante zado exames auditivos que a diag-
entrevistados, disse não ter capaci- as refeições (17,9%), sensação de nosticassem, sendo relatadas por
dade de narração (67,9%). Desses, algo parado na garganta (28,6%) 11 (39,3%). Foram encontrados,
5 (17,9%) disseram sentir sempre e presença de queixas gastrointes- também, 6 (21,4%) idosos com

Figura 3. Caracterização e Ocorrência das queixas de linguagem


(Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

Figura 4. Caracterização e Ocorrência das queixas de motricidade oral, referentes à alimentação


(Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

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Figura 5. Caracterização e ocorrência das queixas auditivas (Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

queixas de zumbido e 8 (28,6%) dos entrevistados não souberam média de 66,8 anos. A maior parte
com queixas de tonturas. dizer sobre sua própria voz. da amostra apresentou grau de es-
colaridade inferior a oito anos de
Voz Fala estudo. O período médio de institu-
cionalização foi de 72,8 meses.
Dos 28 entrevistados, 10 (35,7%) Apenas 1 entrevistado (3,6%) As mudanças na constelação
apresentaram queixas referentes à se queixou de dificuldades para familiar (casamento dos filhos,
voz. Conforme o questionário apli- falar, relacionando-as ao compro- viuvez ou morte de algum mem-
cado, os entrevistados poderiam metimento do padrão articulatório bro da família) estão, muitas vezes,
classificar sua voz como “agradá- associado a uma prótese dentária relacionadas à condição de institu-
vel” ou como “não-agradável”. não adaptada. cionalização (Alves, 2002). Metade
Relataram considerar sua voz da presente amostra é constituída
“Normal/Neutra” 16 (57,1%) indi- Discussão por idosos solteiros, ou seja, que
víduos entrevistados. 3 indivíduos não relataram ter constituído vida
(10,7%) relataram considerar al- Foi possível observar nesta conjugal formal ou informal; segui-
gum desvio de ressonância em sua pesquisa um pequeno predomí- dos por separados, divorciados ou
voz de Neutra com desvio de Res- nio de idosos do sexo masculino, desquitados.
sonância; 9 indivíduos (32,1%) de na proporção de um homem para Um fator que se destaca é o lon-
Não-Neutra/Alterada e 4 (14,3%) cada 0,55 mulher (1:0,55), idade go período de institucionalização

Figura 6. Caracterização e ocorrência das queixas vocais (Instituição Assistencial Nosso Lar, 2005).

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dos idosos, muitas vezes, sem re- dades específicas da senilidade, são a modelos acaba por prejudicar
torno à sociedade e a família. Es- promovendo ações preventivas e o desenvolvimento da entrevista
te longo período de permanência de reabilitação dos distúrbios fo- (Lowenkron, 1984).
pode contribuir para um processo noaudiológicos, principalmente A importância dada às queixas
gradual de perda de autonomia relacionados à comunicação e à dos idosos referentes à cognição,
civil, à medida que as instituições alimentação, freqüentes no idoso linguagem e audição, sendo as duas
assumem um caráter de custódia devido à sua perda esperada de primeiras mais citadas pelos idosos,
sobre os residentes, sendo uma das capacidade funcional geral e espe- está na junção das mesmas no pro-
grandes problemáticas existentes cífica (Bilto, Soares, Tega, Santos, cesso de comunicação. A entrevista
nas instituições asilares (Vieira, 1999). inicial é o ponto de partida em que
2003). Assim, quanto maior o pe- Ao questionamento sobre sua todo o processo de comunicação,
ríodo de institucionalização, maior condição de saúde geral, a maioria interação e intenção será formado,
poderá ser o grau de comprometi- dos idosos referiu considerar a sua envolvendo terapeuta e paciente;
mento de sua comunicação (Tube- Saúde Geral Ótima ou Boa. Du- ambos com suas próprias percep-
ro, 1997). rante a entrevista, ao responderem ções e expressões, além das relações
Os resultados encontrados nesta tal pergunta, alguns idosos consi- interpessoais (Moran, 1996). Cabe
pesquisa e apresentados na Figura deraram sua saúde geral boa, pois ao fonoaudiólogo, configurar a en-
1 revelam que há um alto índice de em seus relatos, comparavam-na trevista como um espaço de escuta
queixas fonoaudiológicas relatadas com o estilo de vida e de saúde que e acolhimento ao paciente.
por idosos institucionalizados du- tinham antes de ingressarem na IL-
rante entrevista, nos diversos cam- PI. Por se tratar de uma instituição Cognição
pos, a saber, por ordem de maior filantrópica, muitos idosos são ex-
freqüência: cognição, linguagem, moradores de rua ou apresentam Conforme explicitado na
motricidade oral / alimentação, au- histórico de alcoolismo e rompi- Figura 2, ao questionamento sobre
dição, voz e fala. mento de vínculos – previamente pensamento e memória, a maioria
Tais queixas podem estar vin- à institucionalização –, por dificul- considerou seu pensamento bom
culadas ao envelhecimento ou a dade no convívio familiar. e pouco mais da metade dos idosos
patologias, o que necessitará de Tais relatos foram possíveis de consideraram sua memória boa;
uma avaliação e diagnóstico dife- ser coletados, principalmente por demonstrando ter uma percepção
renciados. Este percentual expõe se tratar de uma situação mais in- positiva de seu pensamento e me-
a necessidade do fonoaudiólogo formal de entrevista aberta, em que mória.
como integrante de uma equipe os idosos tiveram liberdade para fa- Contudo, quando as questões
gerontológica de uma ILPI. Na zer relatos, dar opiniões e/ou expli- foram desmembradas em suas
ausência deste profissional na ins- cações sobre suas respostas. particularidades, observou-se um
tituição, tal demanda implicará o A anamnese é essencial para aumento de queixa de memória
encaminhamento destes idosos a formulação diagnóstica e para o quando esta foi dividida e questio-
aos serviços de fonoaudiologia, se- estabelecimento das condutas que nada com mais especificidade. Dos
ja em unidades de saúde da rede beneficiarão o paciente. Ela própria entrevistados, 78,6% relataram ter
pública, convênios de saúde, ou, em si tem um efeito psicológico po- dificuldade para memorizar acon-
ainda, serviços privados. Este pro- sitivo e terapêutico sobre a recupe- tecimentos, como por exemplo, o
cesso pode se tornar oneroso para a ração do paciente (Santos, 1999). que almoçou ontem, e, 53,6% refe-
instituição, considerando-se toda a Saindo de um plano dominan- riram ter dificuldade para lembrar
logística, que envolve, ainda, trans- temente biológico, a história clíni- datas, como por exemplo, datas de
porte, tempo, além da necessida- ca se desenvolve dentro de uma aniversários e datas comemorati-
de de acompanhante que, muitas perspectiva histórico-biográfica. A vas, sendo esta esporádica (35,7%)
vezes, pode não ser disponibiliza- partir da descrição da importância ou freqüente (17,9%).
do pela instituição para atividades dos fenômenos de transferência e A maioria das falhas de me-
externas. contra-transferência na relação te- mória em idosos consiste em
O fonoaudiólogo presente na rapêutica, abre-se uma visão nova esquecimento de nomes, rostos co-
equipe proporcionará apoio em e fundamental também para as si- nhecidos, objetos, compromissos,
diagnóstico, tratamento e reabili- tuações de entrevista. Embora não locais, endereços e números de te-
tação; abordará os aspectos gerais se possa prescindir de um roteiro lefones, e tende a ocorrer principal-
do envelhecimento e as necessi- para a anamnese, uma rígida ade- mente quando os idosos saem de

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

sua rotina diária ou quando que- não ter capacidade de planejar ou Sejam estas dificuldades prove-
rem evocar informações que não seqüencializar tais atividades. nientes da historicidade, das regras
eram solicitadas há muito tempo Sabe-se que o planejamento, a ditadas pelo regimento interno e
(Ashman, Mohs, Harvey, 1999). organização e a execução dos com- estatuto da ILPI, ou de uma dificul-
Em pesquisa anterior, foi observado portamentos orientados para um dade relacionada às suas funções
que 72,4% dos demenciados apre- fim fazem parte das funções exe- executivas, sejam estas resultantes
sentaram queixas de dificuldades cutivas, junto com a formulação de uma dificuldade ou de uma não
com a memória (Almeida, Garrido, de conceitos e objetivos, manipula- utilização da voz ativa, é imprescin-
Tamai, 1998). ção de conhecimentos adquiridos, dível dar escuta a tais queixas. Pen-
Para a evocação ser perfeita, o insight, auto-regulação, abstração, sando no processo de reabilitação,
homem deve possuir a capacidade flexibilidade mental e análise (Du- que contempla o sujeito enquanto
de identificar, focalizar, processar ffy, Campbell, 1994), além de criati- elemento ativo, como ponto-chave
e sustentar o contato com a infor- vidade na resolução de problemas, do sucesso da reabilitação, o pro-
mação por tempo suficiente para persistência e manutenção de um fissional fonoaudiólogo deverá
iniciar e efetuar outras operações padrão de respostas, a considerar propor dentro da ILPI momentos
cognitivas (Abreu, Wagner, 1985), estímulos distratores e capacidade individuais e também de integra-
mantendo sempre sua atenção, de análise crítica (Caixeta, 2004). ção entre os idosos, para que, du-
caso contrário, a armazenagem de Entretanto, vale considerar, rante o processo terapêutico, eles
dados não será adequada e o resul- neste caso, que em uma ILPI, mui- possam reconfigurar suas queixas
tado será o esquecimento (Pereira, tas vezes, o planejamento e a roti- (Ieto, Cunha, 2007) podendo surgir
Zaché, Castellón, 2004). Tais difi- na são estruturados e organizados elementos relativos a seus desejos e
por normas da empresa, o que anseios, considerando a dificuldade
culdades podem estar associadas
deixa o idoso sem necessidade e/ referida de analisar e opinar.
a outros fatores, como depressão,
ou sem possibilidade de planejar e Para uma comunicação ser efe-
ansiedade e isolamento social, tão
organizar seu dia. Tal fato pode ser tiva, os aspectos lingüístico-cogniti-
presentes nas ILPI.
secundário a várias situações, que vos, os movimentos articulatórios,
Em relação à capacidade de
merecem ser cuidadosamente ana- a atenção e a memória devem es-
manter a atenção, a maioria refe-
lisadas: os idosos podem apresentar tar preservados (Mansur, Viúde,
riu que às vezes se distrai, e uma
dificuldades reais para atividades de 1996). Devido ao processo de en-
pequena porcentagem referiu não velhecimento, a comunicação sofre
planejar, organizar e executar; ou
ter capacidade de manter a aten- algumas interferências, afetando,
eles podem não querer participar
ção; totalizando 75% de queixa re- principalmente, a relação social do
do planejamento, por assumirem
ferente a esta habilidade. Este total uma posição de assistidos perante à idoso (Neves, Benedito, 2003).
é elevado e faz pensar na importân- instituição, sobretudo por seu cará- No que diz respeito ao estado
cia destas mudanças, pois poderá ter filantrópico; ou os idosos podem físico, psíquico e à linguagem do
prejudicar o desempenho de outras não se interessar em ser elemento idoso, há possibilidade de eles de-
áreas cognitivas, como memória ativo do seu planejamento por sen- senvolverem distúrbios da comuni-
linguagem e funções executivas, tirem que não têm autonomia para cação em conseqüência da redução
como cálculo, execução, plane- tal, diante do corpo administrativo dos níveis de consciência, atenção
jamento e organização (Siegler, e clínico da ILPI. seletiva, memória raciocínio, reso-
Poow, Maddew, Welsh, 1999). No mesmo sentido, foi ob- lução de problemas, linguagem e
Talvez seja por isto que o núme- servado que, ainda em relação às fala, percepção espaço-temporal e
ro de queixas a respeito da capaci- funções executivas, a maioria dos praxias (Giacheti, Duarte, 1997).
dade de realizar cálculos, como por entrevistados referiu dificuldade Tais funções intelectuais são afeta-
exemplo manipular dinheiro, dar e para analisar e opinar sobre diver- das pelas características próprias de
verificar troco, foi de quase metade sos temas, enfatizada como uma cada indivíduo e do ambiente em
dos idosos entrevistados. queixa muito freqüente por quase que está inserido, além dos aspec-
O percentual encontrado tam- metade destes idosos. tos culturais e estímulos à que é
bém foi expressivo quando abor- Na idade avançada, há dimi- exposto (Koening, 2001).
dada a capacidade de planejar nuição dos potenciais relacionados
atividades do cotidiano, como por às funções executivas, incluindo a Linguagem
exemplo planejar seu dia, seqüen- capacidade de se adaptar a novas si-
cializar suas atividades neste dia. A tuações e de solucionar problemas Os problemas lingüísticos nos
maioria dos entrevistados relatou inéditos (Mattos, 1993). idosos podem estar afetados pelas

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

alterações da memória operacio- poucos períodos de comunicação Na presente pesquisa, foi ques-
nal, lentificação no processamen- verbal, ao isolamento, à diminuição tionado sobre alguns sintomas que
to, déficits visuais e auditivos e da autonomia e à diminuição da in- podem trazer indícios de disfagia, e
afastamento da função sócio-ope- teração e intenção comunicativa. foram obtidas porcentagens signi-
racional (Koening, 2001). Além das A respeito da compreensão da ficativas referentes à presença de
alterações relativas ao nível semân- comunicação verbal, apenas uma tosse e engasgos durante as refei-
tico-lexical e nível discursivo (Da- parte dos entrevistados relataram ções, sensação de alimento parado
masceno, 2000; Mac-Kay, 2003). ter dificuldades para compreender a na garganta e queixas de natureza
Conforme apresentado nas Fi- comunicação verbal. Durante a en- gastrointestinal.
guras 1 e 3, a maioria dos entrevis- trevista, muitos idosos atribuíram Modificações anatomofisioló-
tados relatou ter dificuldade para tais dificuldades, por conseqüência gicas do sistema estomatognático,
nomear objetos, lugares e pessoas de não acompanharem noticiários, como atrofia dos músculos da lín-
(75%), quase metade dos idosos por estarem sem conexão com a gua, diminuição do tônus mus-
relataram que raramente esque- comunidade e por não saírem da cular faríngeo e esofágico, menor
cem o nome de objetos, lugares e instituição. Além deste fato a ser mobilidade de laringe, entre outros
pessoas e uma terça parte relatou considerado, é importante ressaltar (Marchesan, 1998), são sinais que
esquecer freqüentemente. que houve um grande número de podem ser secundários à patologia
A dificuldade de nomeação po- idosos com queixas de audição, o e/ou ao envelhecimento, e podem
de ser causada por lesão em diver- que pode também dificultar a com- gerar dificuldades de deglutição
sos locais do encéfalo (Engelhardt, preensão de fala. no idoso (Neves, Benedito, 2003;
Laks, Cavalcanti, Razenthal, 2003), Estas dificuldades relatadas pe- Krieger, Dias, 2002).
configurando uma alteração de lin- los idosos, por meio de suas quei- A deglutição é uma função bas-
guagem. Contudo, a função nomi- xas, fazem pensar sobre o papel tante estudada na população em
nativa pode ainda relacionar-se a da linguagem para o ser humano geral e em idosos (Castilhos, 2001),
uma dificuldade de análise percep- como participante na elaboração pois há distúrbios de deglutição
tual do objeto a ser nomeado, como das representações como tomada que causam alterações funcionais
também a imprecisão ou a incorre- de consciência de uma realidade importantes (Granville, Musson,
ção na nomeação pode estar asso- por meio da comunicação. Ela traz 1999), manifestada por uma série
ciada ao processamento conceitual representações, significados e valo- de sintomas ocasionados pela fra-
(Mac-Kay, 1999). res existentes em um grupo social, queza nas estruturas envolvidas,
As queixas referentes à lingua- e para o indivíduo é condição ne- como dificuldade em manipular
gem relativa ao nível discursivo sur- cessária para desenvolvimento do o bolo alimentar, movimento ro-
giram durante o questionamento pensamento (Abreu, 1985). tatório deficiente, dificuldade em
sobre as dificuldades de narrar his- Ampliar os momentos de co- cortar, lateralizar e triturar alimen-
tórias e nas dificuldades encontra- municação, interagindo e integran- tos sólidos, dificuldade em iniciar
das para a compreensão da fala do do os idosos em assuntos variados e a deglutição, refluxo nasal, acú-
interlocutor. A maioria relatou não de grau de importância para os ido- mulo de resíduos na cavidade oral
ter capacidade de narração, retrata- sos institucionalizados, faz com que e faríngea (Oda, Chiappetta et al,
da pela dificuldade em contar uma ele se sinta integrado à sociedade e 2002), controle de saliva diminu-
cena de novela, não exatamente cidadão, mesmo residindo em uma ído, tosse e/ou engasgos durante
por ter esquecido os fatos relacio- instituição de longa permanência. as refeições, presença de resíduos
nados à história, mas por não con- após a deglutição em valéculas e
seguir organizar o conteúdo a ser Alimentação hipofaringe e, por fim, a aspiração
narrado. (Kahrilas, 1994).
Tal queixa pode estar vinculada A respeito do ato de se alimen- A preocupação a respeito da
à própria linguagem característica tar, foram observadas queixas que disfagia é por conta de suas conse-
do idoso, e que, em nível discur- incluem dificuldade de mastigação qüências na vida do idoso, como a
sivo, podemos notar um discurso e deglutição, podendo estar asso- deficiência nutricional, desidrata-
pouco denso quanto ao volume ciadas ao envelhecimento natural, ção, riscos de aspiração, levando a
de informações, uso constante de às doenças, como a Doença do Re- pneumonia de repetição, perda do
pressuposições e grande incidên- fluxo Gastro-esofágico e Gastrite, prazer para alimentar-se, depres-
cia de repetições (Preti, 1991). Mas às condições dentárias e ao uso de são, ansiedade e isolamento social
também pode estar associado aos próteses e sua adaptação. (Feijó, Rieder, 2003).

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

Em pacientes institucionaliza- Estas queixas apresentam alta sen- O fato de parte dos entrevista-
dos e com agravamento do quadro sibilidade, sugerindo que devem ser dos classificarem suas vozes como
cognitivo foi averiguado um au- consideradas como um forte indica- “Não-Neutra” e “Alterada” pode
mento de sinais clínicos de aspira- tivo de perda auditiva (Sindhusake ser conseqüência da presbifonia,
ção (Lacerda, 2004). Em sujeitos et al, 1998). como também de patologias vocais
com alterações cognitivas leves, As queixas referentes à presen­- e/ou associadas a ela. E uma pe-
ou apresentando quadro demen- ça de tontura e zumbido, apre­ quena parte dos idosos considerou
cial em seu estágio inicial, neces- sentados na Figura 5, são freqüen- sua voz “neutra”, mas com desvio
sitavam de algum tipo de auxílio temente relatadas pelos idosos de ressonância. Este desvio agrupa
durante alimentação. Estes auxílios com presbiacusia, principalmente terminologia de voz nasal, laríngea,
foram caracterizados por estímu- quando o zumbido está associado abafada, fraca e com redução da ve-
los verbais para iniciar a refeição a um aumento desproporcional da locidade, características presentes
e manter atenção à alimentação sensação da intensidade (Bertachi- na presbifonia (Bertachini, Gonçal-
(Souza, 2004). ni, Gonçalves, 2002), e à tontura ves, 2002).
Estes dados ressaltam a impor- quando há relatos de exposição Uma vez realizado o levan-
tância do trabalho fonoaudiológico anterior a ruídos durante sua vida tamento das queixas auditivas,
frente à alimentação e queixas re- laboral (Nemr et al, 2005). pode-se fazer a associação com a
lacionadas a elas, devendo abordar A perda auditiva pode restrin- presbifonia e outras possíveis pa-
não somente a deglutição, mas sim gir a habilidade para desempenhar tologias, direcionando a primeira
uma abordagem que ressalte a ca- uma atividade esperada, em termos avaliação clínica, realizada na pró-
pacidade funcional para a alimen- de autonomia; e, pode limitar e im- pria instituição, uma vez que há
tação destes. Faz-se necessário ter pedir o indivíduo de desempenhar uma concordância entre a avalia-
evidência de alteração na função de maneira adequada suas ativida- ção perceptivo-auditiva vocal e os
alimentar mesmo precocemente des de vida diária (Bertachini, Gon- exames complementares (Souza,
em indivíduos demenciados, çalves, 2002). Schultz, 2003). Vale lembrar que,
acompanhar periodicamente os dentro de um contexto institucio-
pacientes, orientando, realizando Voz nal filantrópico, muitos idosos de-
adaptações, privilegiando, também, pendem da rede pública de saúde
seu ambiente habitual de refeição, A terça parte dos idosos entre- para avaliações clínicas, com o
prevenindo alterações e perdas vistados relatou queixa referente à médico otorrinolaringologista, por
maiores da capacidade funcional voz, caracterizada na Figura 6. Este exemplo. A marcação de tais ava-
relacionada à alimentação (Lacer- número baixo de queixas pode es- liações pode ser demasiadamente
da, 2004). tar vinculado ao próprio processo demorada, retardando o processo
de envelhecimento, a presbifonia, de reabilitação das eventuais pato-
Audição não implicando necessariamente logias vocais presentes, por falta de
uma desordem vocal, embora mui- precisão diagnóstica.
Conforme a Figura 1, quase tas vezes torne-se difícil estabelecer
me­tade dos idosos apresentaram uma diferença clara entre o proces- Fala
queixas auditivas, que podem estar so vocal fisiológico decorrente da
associadas à presbiacusia, caracte- idade e uma desordem vocal es- Apenas uma reduzida porcen-
rizada pela diminuição da acuidade tabelecida (Bertachini, Gonçalves, tagem dos idosos relatou queixa
sensorial, podendo dificultar as ati- 2002). Por esta razão, nem sempre referente à fala, a qual estava re-
vidades comunicativas, principal- os idosos são capazes de apontar lacionada à alteração do padrão
mente quando associada à déficit impressões sobre a sua qualidade articulatório, dada pela prótese
cognitivo (Lopes, 1998; Kieling, vocal ou sobre as possíveis varia- dentária não adaptada.
1999). ções vocais que possam ocorrer, Para falar e ser considerado um
A presença de queixas auditi- uma vez que o desenvolvimento bom falante, a produção dos sons
vas presentes na população é fre- da presbifonia define um processo da fala envolve o aspecto ou nível
qüente, devendo ser investigadas de deterioração gradativa e lenta, fonológico da linguagem, articula-
criteriosamente, pois chega a repre- dependendo da percepção de cada ção precisa, emissão clara, fluência
sentar 80,9% das perdas auditivas indivíduo, da sua história de vida e (fluxo da fala contínuo), velocida-
detectadas em exames audiométri- de sua saúde (Bertachini, Gonçal- de de fala adequada ao objetivo da
cos (Marini, Halpen, Aerts, 2005). ves, 2002). mensagem e adequada utilização

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A importância do levantamento de queixas de idosos institucionalizados durante a entrevista para o
planejamento da reabilitação fonoaudiológica

vocal como recurso contribuinte quais os testes a serem aplicados e maneira individualizada ao quadro
para a eficácia da comunicação se haverá a necessidade futura de clínico e moldado pelos interesses
(Sierra, 1995) . encaminhamento deste paciente do paciente.
A fala é algo próprio do sujeito, para a realização de algum exame No contexto de uma ILPI, a en-
a utilização das palavras e a esco- ou mesmo avaliação clínica de ou- trevista poderá trazer informações
lha destas fazem com que o sujei- tro profissional. não somente referente ao idoso
to torne sua fala individualizada Sabe-se que uma avaliação institucionalizado, mas também
(Behlau, Pontes, 1995) e, através bem detalhada fornece informa- referente à instituição, sua histori­
das características da voz, timbre, ções ricas sobre o trabalho fono- cidade, suas conquistas e suas vi-
intensidade, velocidade e prosódia, audiológico, podendo aprimorar sões apresentadas pelo olhar de um
tornam-se diferenciada de pessoa o planejamento terapêutico, ade- morador, o que poderá ser útil para
para pessoa (Provenzano, 2003). quando a sua metodologia e seu o direcionamento do trabalho reali-
A fala é ainda o principal canal material utilizado às reais necessi- zado em toda a esfera institucional
de comunicação utilizado no pro- dades do paciente. (Provenzano, 2003).
cesso de anamnese e entrevista, Pensando no idoso institucio-
realizados previamente à avalia- nalizado, a entrevista individu-
ção clínica. E este momento, em- alizada pode ser um dos poucos
Conclusão
bora nem sempre seja considerado momentos em que sua identidade As entrevistas revelaram um al-
com a importância que merece, é está em destaque, em que ele será to índice de queixas fonoaudioló-
o momento destinado à escuta das ouvido individualmente, poderá gicas de idosos institucionalizados,
queixas, fundamental por propiciar expor seus anseios, suas dificulda- havendo necessidade do profissio-
a reflexão sobre o papel do fono- des, mas também sua opinião, sua nal configurá-la como um espaço
audiólogo frente ao seu paciente. percepção, seu ponto de vista e sua de escuta e acolhimento ao pacien-
Além disso, é importante conside- satisfação. Estes minutos poderão te, possibilitando, durante toda a
rar que o recolhimento das queixas gerar um vínculo entre profissional reabilitação, confiança e credibi-
e o direcionamento das perguntas, e paciente, que perdurará durante lidade no profissional que agora,
seguido pela ética profissional e todo o processo de reabilitação, pois após escutar, irá direcionar o foco
embasamento científico, poderão gerará confiança e credibilidade no terapêutico, construindo um plane-
trazer informações que direcio- profissional que agora, após escu- jamento individualizado ao quadro
narão a avaliação a ser abordada, tar e direcionar o foco terapêutico, clínico e moldado pelos interesses e
podendo verificar, por exemplo, irá construir um planejamento de necessidades do paciente.

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Recebido em 4 de fevereiro de 2008


Versão atualizada em 28 de fevereiro de 2008
Aprovado em 27 de março de 2008

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