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Trabalho de História Contemporânea

A "Guerra Fria" - teatros, crises e culturas da Guerra Fria - na imprensa da


época.

Foco: Guerra das Coreias

(Mydans, 1951)

Integrantes:

Juan José Albán Merino (nº 1170246)


Tatiana Cuellar Quiroz (nº 1170244)
Ana Beatriz Bastos (nº 1171155)
Matheus Dias C. dos Santos (nº 1170022)

Curso:

Comunicação e Media

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Índice

Introdução.................................................................................................................................3
Antecedentes da Guerra Fria...................................................................................................4
Guerra das Coreias..................................................................................................................5
Suspensão da Guerra..............................................................................................................7
Fim da Guerra: Consequências e atualidades.........................................................................8
Conclusão...............................................................................................................................11
Referências Bibliográficas......................................................................................................12
Bibliografia..............................................................................................................................14

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Introdução

Ao término da Segunda Guerra Mundial (1945), emergiram no mundo duas


superpotências económicas e militares, uma delas era os Estados Unidos (capitalista) e do
outro, União Soviética (Comunista) e, foi em nome de suas ideologias que ambos
começaram a fazer manobras políticas que iriam afetar o mundo inteiro. Apesar da
rivalidade política, ideológica e económica, a Guerra Fria nunca resultou, de fato, num
conflito entre os EUA e a URSS, resumindo-se em apenas conflitos indiretos entre essas
duas superpotências. Os EUA defendiam um mundo democrático e livre, mas não
pensavam duas vezes antes de apoiar ditadores pelo mundo, como aconteceu nas
Américas e também na Europa, com o governo americano apoiando publicamente o
fascismo de Oliveira Salazar, em Portugal, e de Francisco Franco, na Espanha. Os
comunistas soviéticos não ficavam de fora, financiando, armando revoltas e movimentos
extremistas pelo mundo inteiro. Foi assim na Guerra da Coreia (1950-1953) quando a União
Soviética e a China apoiaram a Coreia do Norte a invadir a Coreia do Sul, a qual foi apoiada
pelos Estados Unidos.

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Antecedentes da Guerra Fria

A guerra entre as Coreias (Coreia do Norte e Coreia do Sul), cada uma apoiada por
uma das grandes potências, URSS e EUA, respectivamente, foi marcada por uma série de
eventos relevantes, que serão cronologicamente expostos nesta primeira secção de análise.

O primeiro evento, que foi "influenciado" para a URSS por ação dos EUA e da URSS
na véspera do fim da Guerra do Pacífico e da Segunda Guerra Mundial. Este evento foi a
declaração de guerra da URSS em relação ao Japão em 08 de agosto: "El Comisario de
Asuntos Exteriores soviético, Molotov, recibió al embajador japonés Sato, y le comunicó que
el gobierno de la U.R.S.S. había accedido a la petición hecha por EE.UU. y la Gran Bretaña
de que se sumase a ambas potencias en la guerra contra el Japón para acelerar la victoria
total y asegurar la paz’’ (Jornal Imperio, 09-08-1945, p. 01).

Truman iria expor na Casa Branca, Washington, em suas palavras breves o inevitável:
‘‘Rusia ha declarado la guerra al Japón, esto es todo. ’’ (Jornal Imperio. 09-08-1945, p. 01).
As reações foram instantaneamente pronunciadas, uma vez que alguns dias antes o
governo japonês tinha pedido ao governo russo para interceder como mediador para
alcançar a paz no meio deste conflito no Pacífico.

O próximo evento, que marcaria o fim da disputa no Pacífico, foi a rendição do Japão
às quatro nações aliadas do bloco da oposição. Com estas palavras o primeiro-ministro
japonês, Atlee anunciaria sua rendição: ‘‘Su Majestad el Emperador ha proclamado un
decreto imperial sobre la aceptación por parte del Japón de los acuerdos contenidos en la
declaración de Potsdam...’’ (Jornal Imperio, 15-08-1945, p. 01).

O pedido da União Soviética em Potsdam não esperaria, o que seria rejeitado pelo
bloco dos aliados nestas palavras: ‘‘Em Potsdam, os Soviéticos solicitaram uma zona de
ocupação no Japão, semelhante à zona de ocupação americana na Alemanha. A resposta
de Truman foi na realidade, a de que os Soviéticos tinham chegado tarde à festa, por isso
não teriam zona de ocupação.’’ (Nye, 2002, p.10).

O próximo evento que seria decisivo para o fim definitivo de duas das mais
importantes guerras da história. A primeira foi no Pacífico, assinado pelo Japão há menos
de um mês, agora seria o protagonista do encerramento final da Segunda Guerra Mundial, a
bordo do navio ‘Missouri’ em terras japonesas: ‘‘Se informa que los principales puntos
contenidos en el acta de la rendición incondicional del Japón estipulan que el gobierno y
Cuartel General Imperial japonés aceptan la declaración de los Gobiernos de los EE.UU.,
China y Gran Bretaña facilitada el día 26 de julio en Potsdam en la que se proclama la
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rendición incondicional a las potencias aliadas de todas las fuerzas armadas. También se
ordena a las fuerzas armadas niponas donde quiera que se encuentren y al pueblo japonés
que cesen las hostilidades inmediatamente y que cumplan todas las órdenes que emanen
del comandante supremo aliado. ’’ (Jornal Imperio, 02-09-1945, p. 01).

O chamado "paralelo 38" era conhecido desde o fim da Segunda Guerra Mundial
como a fronteira entre as duas Coreias, cada uma do lado dos protagonistas (EUA e URSS),
que seria intitulado como a linha da divisão ideológica: ‘‘En la Conferencia de Potsdam (julio
de 1945), se acordó que los soviéticos aceptarían la rendición de las fuerzas japonesas de
guarnición al norte del Paralelo 38 y los estadounidenses la de las guarniciones niponas
situadas al sur de aquella línea imaginaria. ’’ (Maglio, 2006, p.3).

Finalmente, na véspera de um dos maiores conflitos no meio desta guerra fria foi a tese
americana que previa o expansionismo soviético (NSC-68) e apenas alguns meses depois,
a Guerra da Coreia começaria. Os EUA protegendo a todo custo a sua ideologia em defesa
da Coreia do Sul: ‘‘O alarme em Washington foi exemplificado por um documento
governamental secreto, o Documento 68 do Conselho Nacional de Segurança (NSC-68),
que previa um ataque soviético dentro de quatro a cinco anos, como parte de um plano de
dominação global. O NSC-68 recomendava um vasto aumento nos gastos de defesa dos
EUA. Afligido por problemas orçamentais, o Presidente Truman resistiu ao NSC-68 até
junho de 1950, quando as tropas da Coreia do Norte atravessaram a fronteira com a Coreia
do Sul.’’ (Nye, 2002, p.12).

Guerra das Coreias

A guerra entre as Coreias começou oficialmente em 25 de junho de 1950, quando as


tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul ao ultrapassarem o paralelo 381, conforme
indicado na primeira página do jornal “San Francisco Chronicle”, de 26 de junho de 1950 e
como é mostrado na primeira página do jornal “Herald Tribute” a partir da mesma data, com
o título “North Koreans invade South Korea” e com o subtítulo que também atrai muita
atenção “Red Troops Are 20 Miles From Seoul, Security Council Orders a Cease-Fire”.
Cumings (2010) explica em seu livro “The Korean War: A History” que essa invasão foi a
primeira ação militar da Guerra Fria. As tropas geridas pela União Soviética conseguiram
avançar rapidamente, assumindo o controle da capital da Coreia do Sul, Seul, em 27 de

1
Linha divisora localizada a 38º norte da linha equatorial, que foi estabelecida a terminar a
Segunda Guerra Mundial como um limite entre as zonas de ocupação soviética e americana,
dividindo a Coréia em duas partes: Coréia do Norte e Coréia do Sul.(The Editors of Encyclopædia
Britannica, 1998)

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junho de 1950, e os Estados Unidos, que ocupavam o território sul-coreano, permaneceram
estabelecidos na cidade portuária de Busan. Este teve uma reação imediata e decidiu
contra-atacar, conforme indicado pela revista "Quick", em sua edição de 10 de julho de
1950: “The War: II - America’s Front Line: U.S. forces moved as quickly as they could to
bolster the new defence area proclaimed by Pres. Truman (...)”.

Mas, os Estados Unidos não agiram sozinhos. No mesmo dia em que a guerra
começou, 25 de junho, as Nações Unidas recém-criadas aprovaram uma resolução
convidando a Coreia do Norte a retirar todas as tropas que estavam na Coreia do Sul,
mostrando todo seu apoio aos Estados Unidos e ao exército sul-coreano. Os norte-coreanos
ignoraram totalmente esta decisão e, em 27 de junho, a ONU tomou outra resolução,
declarando que a invasão de tropas da Coreia do Norte no território sul-coreano era uma
violação da paz e apoiava-a a interferir militarmente e ser capaz de recuperar território. Isto
é mostrado em um artigo de uma edição de 1950 em Collier's Magazine: “Russia has spent
only military equipment in Korea. America has spent equipment and lives, not to protect its
own territory, not to gain any material prize, but to fight the U.N.’s war.”

No outono do mesmo ano, o general Douglas MacArthur, um grande comandante


militar dos Estados Unidos, estava encarregado das tropas americanas e decidiu realizar um
ataque na cidade de Inchon com o objetivo de recuperar o território sul-coreano. Nesta
batalha, as tropas das Nações Unidas foram vencedoras, recuperando Seoul e cruzando o
paralelo 38, como o jornal Leomister Daily Enterprise mostra em sua edição de 15 de
setembro de 1950. Eles alcançaram seu objetivo, mas não estavam felizes, então seu
próximo objetivo era invadir a Coreia do Norte e libertar toda a Coreia do comunismo.

No final de outubro, eles tomaram a capital da Coreia do Norte, Pyongyang, mas o


que as tropas da ONU não esperavam era a intervenção da China apoiando a Coreia do
Norte. Mao Tsé-Tung, na época, presidente da China, pediu ajuda à União Soviética para
participar da Guerra da Coreia, mas a sua ajuda foi limitada a vários materiais aeronáuticos
e antiaéreos, e apesar de ser limitado, ajudou o suficiente para a Coreia do Norte atacar
efetivamente as tropas inimigas. Em novembro, as tropas norte-coreanas recuperaram
novamente seu território (Cumings, 2010, pp. 27-33). Em um artigo publicado em 13 de
novembro de 1950 na revista Quick, se pode observar: “Gen. MacArthur told the U.N.
“lawless” Chinese Army units had invaded Korea, opened a new war just as he was about to
end the old one. This gave the U.N a fresh problem: whether to order MacArtur to attack the
invaders’ Manchurian bases”. O ataque ao território norte-coreano continuou em tudo o que
faltou no ano e, no início de 1951, as tropas chinesa e norte-coreana já estavam no poder
novamente de Seoul. MacArthur teve a ideia de realizar um bombardeio atómico ao norte da
China, uma ideia que não era apreciada pelo presidente Truman e a maioria do congresso
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da ONU, pois isso poderia levar a um conflito nuclear com a União Soviética. Então,
MacArthur foi demitido de seu cargo, substituindo-o o general Matthew Ridgway, como pode
ser lido no jornal Springfield Union em sua edição de 12 de abril de 1951, que foi lançado
com o título “Truman says ouster of M’Arthur is move to block World War”, e um texto onde
diz: “President Truman explained to the world tonight that he fired Gen. Douglas MacArthur
because the Far Eastern commander’s policies carried a ‘very grave risk’ of starting World
War III”.

A Suspensão da Guerra

Em 23 de junho de 1951, Adam Malik, o representante da União Soviética propôs que as


discussões começassem entre os beligerantes para organizar o cessar-fogo. O presidente
dos Estados Unidos, Harry Truman, concordou e a reunião foi feita na capital da Coreia
Antiga Kaesong, que é dividida pelo paralelo 38. As discussões a respeito da trégua
começaram em 10 de julho, lideradas inicialmente pelo vice-almirante C. Turner Joy pelo
lado da ONU, e pelo tenente general Nam Il por parte da Coreia do Norte. As conversas
intermináveis arrastaram-se com intervalos e a mudança do sítio da trégua para
Panmunjeom (que permanece até os dias de hoje). A demarcação adequada e justa
provocou de cada lado das linhas militares intermináveis pechinchas, mas a questão
principal que desencadeou as negociações foi a disposição de um grande número de
prisioneiros de guerra de todos os lados. A questão crítica era a liberdade de escolha em
relação ao repatriamento, apresentada pelos Estados Unidos em janeiro de 1952. Cerca de
um terço dos prisioneiros de guerra norte-coreanos e um grande percentual de prisioneiros
de guerra chineses não queriam regressar ao controle comunista. Enquanto isso a Coreia
do Sul recusou-se a assinar qualquer armistício que mantivesse a Coreia dívida, nos
meados de junho de 1953, Syngman Rhee (presidente da Coreia do Sul) libertou
repentinamente cerca de 25.000 prisioneiros de guerra - forçando aos Estados Unidos a
desenvolver um esquema (‘Operation Everready’) para tirar Rhee do poder com um golpe de
estado.

Os norte-coreanos abusaram de muitos prisioneiros de guerra americanos privando-


os severamente de comida e especialmente de horas de sono. Muitos eram, também,
sujeitos a uma reforma do pensamento político que foi criticada pelos Estados Unidos como
“lavagem cerebral”.

A questão dos POWs (prisioneiros de guerra) foi resolvida em Junho de 1953, quando o
lado comunista concordou em colocar os POWs que recusaram o repatriamento sob o

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controle da Comissão de Supervisão das Nações Neutras por três meses: no final desse
período, aqueles que ainda recusavam a repatriação, seriam libertados.

Duas ofensivas comunistas finais e onerosas em junho e julho procuraram ganhar


mais terreno, porém falharam, e a Força Aérea dos EUA atingiu muitas barragens de
irrigação que forneciam água para 75% da produção de alimentos do Coreia do Norte.

Com a morte de Stalin em março de 1953 não demorou muito para que
três dos quatro principais partidos da guerra assinassem o acordo de armistício (a Coreia do
Sul continuava a recusar). O armistício declarou uma zona de 2,5 milhas de extensão de
costa a costa no meio da Coreia, a partir da qual as tropas e as armas deveriam ser
retiradas. Atualmente, esta “zona desmilitarizada” fortemente fortificada ainda mantém a paz
na Coreia, assim como o acordo de cessar fogo de 1953. Nenhum tratado de paz foi
assinado, e assim a península permanece em um estado técnico de guerra. (Cumings,
2010, pp. 42-45).

Fim da Guerra: Consequências e Atualidades

A assinatura do armistício, consequentemente, fim da Guerra da Coreia, ocorreu no dia


28 de julho de 1953, terça-feira, após 3 anos e 31 dias de guerra, conforme nos diz o Jornal
Brasil do mesmo dia. “De Junho de 1950 a Julho de 1953 (assinatura do armistício) foram
cometidos os maiores crimes contra o povo coreano. No mundo, ainda mal refeito dos
horrores da Segunda Guerra Mundial, levantaram-se por toda a parte os protestos contra
essa guerra, contra os crimes diariamente aí cometidos (…)”. (Morgadinho, O Militante,
2013)
Este término da Guerra já era desejada por muitos e “poderia ter sido assinado há
dois dias, poupando-se milhares de vidas inutilmente sacrificadas, se o ditador comunista
norte-coreano, Kim Il Sung, não houvesse recusado apresentar-se em público para assistir à
cerimónia’’. (Diario Carioca, 26-07-1953, p.1) Este ‘‘fim de guerra’’ era visto por muitos como
a vitória e a conquista da paz, já à muito aguardada. O armistício foi assinado em
Panmunjeom, pelas figuras representantes dos dois lados opostos da guerra “o general
William Harrison pelas Nações Unidas, e o general norte-coreano Nam II pelos comunistas”
numa primeira fase, e mais tarde foi também retificado nas línguas inglesa, chinesa e
coreana pelos “general Mark Clark (…) Kim II Sung e do general chinês Veng The Huai”.
(Diario Carioca, 26-07-1953, p.1)

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A Guerra da Coreia, agora cessada com a assinatura do armistício, trouxe consigo
diversas consequências dos mais variados setores, sendo os mais significantes, os
quantitativos populacionais e os monetários.

A nível populacional, foram perdidas cerca de 24.962 vidas norte-americanas, foram


contados 101.368 feridos de nacionalidade americana e houveram mais de 10.000
pessoas que foram feitas reféns ou que tiveram fim desconhecido. (Jornal Brasil, 28-07-
1953, p.7)

Monetariamente, foram assinalados valores que chegaram aos 15 bilhões de


dólares. (Jornal Brasil, 28-07-1953, p.7)

Nas 72 horas após a assinatura do armistício, os exércitos das Nações Unidas e das
forças comunistas norte-coreanas e chineses recuaram até uma linha fixada pelos
negociadores e criaram assim uma espécie de corredor desmilitarizado. (Diario Carioca, 26-
07-1953, p.1)

A assinatura do Armistício trouxe também a necessidade de manter a trégua


estagnada durante diversos anos. Desta necessidade surgiram as mais variadas ideias
“surgiram cinco mecanismos para manter a trégua entre as Coreias: a) Linha de
Demarcação Militar (MDL), separando oficialmente os países; b) Zona Desmilitarizada
(DMZ), que se estende na fronteira com uma extensão de 250 km e uma largura de 2 km em
cada país; c) Comissão de Armistício Militar (MAC), responsável por investigar e resolver
violações no armistício; d) Área de Segurança Conjunta (JSA), localizada dentro da DMZ,
inclui a sede do MAC e Panmunjom, e, finalmente, d) Comissão de Supervisão por Nações
Neutras (NNSC), responsável por assegurar o cumprimento do armistício (PARK, 2009)”.
(Senhoras e Ferreira, 2013, p.137)

No período do pós-guerra da Coreia, a Coreia do Sul continuava a apresentar-se


com um perfil mais sereno, estando sob a alçada constante do seu aliado, Estados Unidos,
perante os mais diversos perigos, quer da parte da China “continuam a garantir os
equilíbrios regionais indispensáveis perante a ressurgência da China como grande potência”
(C. Gaspar, 2003, pp. 162-163), quer pela parte da vizinha Coreia do Norte.

Divergentemente, a Coreia do Norte apresentava-se como uma ameaça nuclear


temida por muitos, inclusive pela grande potência, os EUA. Era reconhecida a necessidade
de se travar a possível expansão nesta área, e “tentar obrigar o regime comunista da Coreia
do Norte a desistir dos seus programas de desenvolvimento e proliferação de vetores e
armas de destruição maciça.” (Gaspar, 2003, p. 161)
9
Muitos defendem, até hoje que “(…) o conflito nunca terminou, mas apenas fora
interrompido por tempo indefinido.” (Senhoras e Ferreira, 2013, p.137), tempo esse que
pode se esgotar a qualquer momento, e uma guerra estará sempre iminente.

Num contexto de fim da Guerra fria, existem duas realidades paralelas das duas
grandes potências. O bloco ocidental-capitalista, liderado pelos Estados Unidos, assume a
sua posição enquanto vencedor e não tenta qualquer aproximação à Coreia do Norte,
esperando pelo cair do regime socialista, como aconteceu na Europa. Por outro lado, temos
um regime socialista-ditatorial norte-coreano, que procura fugir ao ostracismo ao se abrir,
nos anos 90, para a Coreia do Sul e ao se impor na negociação no tabuleiro multilateral das
relações internacionais. (Senhoras e Ferreira, 2013, p.138)

“Na década de 1990, observa-se parcial adesão da Coreia do Norte a uma sunshine
police sul-coreana, que findava promover a reunificação da península, gradualmente, por
mecanismos de soft power, na dimensão sociocultural, com a promoção de reencontros de
famílias separadas e com a diplomacia turística e esportiva” (Senhoras e Ferreira, 2013,
p.138)

Em 2013, toda esta paz mostrou-se apenas ilusória. Kim Jong-un confirmou a sua
posição quanto ao armistício e declarou oficialmente que o mesmo não teria mais efeito,
revelando uma posição que ia contra a “longa duração da declaração Norte-Sul de não-
agressão”. (Senhoras e Ferreira, 2013, p.139)

A convivência atual entre as Coreias não está, de todo, pacífica. A Coreia do Norte
foi no mês de novembro de 2017 acusada, pelas Nações Unidas, de ter violado o armistício
assinado a 28 de julho de 1953, que tinha sido em 2013 “anulado” por Kim Jongun. Como
causa desta acusação esteve um vídeo onde é possível avistar um militar que fora atingido
ao longo da zona desmilitarizada por diversas vezes, quebrando assim o acordo assinado à
anos. (Euronews, 22-11-2017).

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Conclusão

A Guerra das Coreias foi um dos principais conflitos da Guerra Fria que acabou por
deixar cerca de 4 milhões de feridos sendo a maioria composta por civis, foi responsável por
dividir o país em dois regimes, sendo a Coreia do Norte com o regime comunista e a Coreia
do Sul com um sistema democrático capitalista. Vale também ressaltar que é nessa guerra
que as duas superpotências (EUA e URSS) procuraram espalhar as suas ideologias por
toda a Ásia.
Esta guerra é lembrada como um dos primeiros conflitos armados que seguiram e
que mais tarde dariam lugar a outros confrontos, como a Guerra do Vietnã e o Crise dos
mísseis em Cuba.

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