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PROVÃO DE EPÍSTOLAS PAULINAS

1. Na Epístola aos Gálatas, como é compreendida a salvação e a obra do Espírito


Santo?

A salvação é compreendida em sua perspectiva apropriada: a salvação não é uma


proposição legalista e sacramental, mas antes, é uma proposição mística, em que
o Espírito Santo regenera a alma. O próprio Espírito Santo se torna nosso guia
na vida, e nesse ofício ele se atarefa a forma a imagem de Cristo no íntimo dos
remidos.

2. Apresente o paralelo existente entre o judaísmo e a Epístola aos Gálatas.

A mensagem do judaísmo é diametralmente oposta à mensagem da Epístola aos


Gálatas, nela Paulo anulou todo sistema sacrificial do judaísmo, tendo exposto a
lei moral sob uma nova luz, como reveladora do pecado humano, como juiz e
condenador, e não como salvadora. O paralelo no caso é o de duas mensagens
seguindo em sentidos opostos, como em uma via de mão dupla.

3. Observando as objeções propostas contra a autoria paulina de Efésios, refute-as


e argumente a favor do documento paulino.

Quanto a primeira objeção, o fato de não haver o endereçamento para Éfeso nos
manuscritos mais antigos, não retira a possibilidade do escrito ser paulino, pois o
Paulo poderia escrever uma carta que desejava que circulasse entre todas as
igrejas, nada o impedia disto. Quanto à objeção pelo fato de que o vocabulário
usado não coincide com o de outras cartas paulinas, deve-se lembrar que os
assuntos abordados também são diferentes, o que exigia, é óbvio, o uso de
palavras apropriadas que poderiam não compor as abordagens dos assuntos das
demais cartas. Quanto a objeção da autoria paulina que menciona o estilo e a
estrutura das sentenças, convém observar o pequeno tamanho da carta, tamanho
este que não permite uma análise apropriada do estilo literário e da estrutura das
sentenças. O fato do uso de expressões não-paulinas coincide com o argumento
acima explicado do uso de vocabulário diferenciado, os assuntos eram diferentes
e a epístola pequena demais pra fortalecer tais conjecturas. Sobre o uso de
conceitos “por demais eclesiásticos”, deve-se recordar que a Epístola aos
Colossenses frisa fortemente a doutrina da igreja, e não existe a negligência,
como dizem os acusadores, pelo aspecto escatológico, já que o primeiro capítulo
consiste principalmente de questões escatológicas. Quanto a “descida ao hades”,
este era um assunto comum na época sendo visto em outras cartas do Novo
Testamento. Concluímos que a epístola é mui provavelmente paulina,
considerando-se que reflete grande gênio, profundas expressões e conceitos
profundos, possuidora de qualidades que a destacam acima de todos os demais
livros do Novo Testamento.

4. Cite os grandes temas da Epístola aos Efésios.

Seu tema principal é que Cristo Jesus é aquele que preenche tudo em todos.

A criação inteira está relacionada a Cristo e encontra nele seu alvo e seu
propósito de ser. No tocante aos remidos vemos que eles são “a plenitude
daquele que preenche a tudo em todos”, o que eleva a pessoa de Cristo muito
acima da ordem dos seres angelicais e, por conseguinte, os remidos são
elevados, em Cristo, acima dos anjos. A redenção dos gentios é um dos temas
centrais desta epístola, embora seja uma subcategoria da redenção humana. Uma
maneira digna de andar é o tema geral, o que requer a negação da vida antiga de
ignorância e de hábitos pecaminosos.

5. Argumente a favor da “Hipótese Efésia” para a escrita aos Filipenses.

A referência de Paulo à sua tencionada visita imediata se torna mais inteligível,


pois Éfeso ficava muito mais perto de Filipos do que Roma. Existem evidências
de que foram feitas várias visitas entre Filipos e o local onde Paulo se
encontrava aprisionado. Como Roma distava a quase mil e trezentos quilômetros
de Filipos, seria mais lógico tratar-se de Éfeso o local da prisão de Paulo, já que
estava a menos da metade desta distância de Filipos. A menção da dádiva de que
os crentes de Filipos enviaram a Paulo parece indicar que Paulo estivera há
pouco tempo com eles, e não um intervalo maior, como caso ele estivesse em
Roma.

6. Quais os propósitos para a escrita da carta aos Filipenses?

Esta carta foi enviada a fim de encorajar a boa acolhida a Timóteo e Epafrodito,
que foram enviados por Paulo a Filipos. Paulo também queria tratar de algumas
dificuldades encontradas ali, quase todas provocadas por questões pessoais.
Paulo também queria agradecer as ajudas que aquela igreja enviara a ele
anteriormente. Paulo também queria encorajá-los, pois tudo indica que estavam
sendo perseguidos. Paulo também repreendeu alguns de Filipos que queriam ser
superiores aos outros, mostrando ele que o Senhor era sua única base de
jactância e seu alvo único de perfeição.

7. Que dúvidas repousam sobre a autoria paulina com relação a Epístola aos
Colossenses?

O tipo de heresia atacada na epístola, o gnosticismo, teria sido posterior a época


de Paulo. A cristologia da epístola é por demais avançada para a teologia paulina
“normal”. O caráter literário e o estilo da epístola são diferentes dos encontrados
nos quatro escritos clássicos de Paulo.

8. Fale sobre a proveniência da carta aos Colossenses.

A proveniência, ou seja, a fonte da carta aos Colossenses, foi a pessoa de Paulo


estando aprisionado. Os estudiosos divergem quanto ao local deste
aprisionamento. Uns defendem que foi em Roma, outros em Cesaréia, sendo a
possibilidade mais discutida com argumentos e refutações é de que Paulo estava
encarcerado em Éfeso, como foi defendido anteriormente sobre a hipótese
efésia.
9. Comente sobre o tipo de Gnosticismo presente na carta aos Colossenses.

O gnosticismo presente combatido nesta carta dizia que Cristo era apenas um
dos “aeons”, que eram emanações angelicais de Deus. Este gnosticismo também
não tinha idéia da expiação pelo sangue e falava sobre a grande hierarquia de
poderes angelicais.

10. Resuma em poucas linhas o trabalho da igreja em Tessalônica.

Paulo, Timóteo e Silas realizaram um trabalho evangelístico em Tessalônica.


Durante o período de evangelização o grupo se sustentou através de um trabalho
manual árduo. Paulo não exigiu dos convertidos ali o seu sustento financeiro.
Alguns poucos judeus, acompanhados de um numeroso grupo de gregos, além
de muitas mulheres das melhores classes sociais creram no Senhor ali.

11. Onde pode ser encontrado na Epístola aos Tessalonicenses o que chamamos de
“Tom Apologético”? O que isso significa?

O tom apologético desta epístola transparece especialmente em I Tes. 2:1-12,


onde Paulo se defende de várias acusações, como se ele fosse insincero e usasse
de palavras lisonjas a fim de obter suas finalidades, como se ele fosse
mercenário e impuro.

12. Explique os dois diferentes pontos de vista escatológicos existentes em I e II aos


Tessalonicenses.

O trecho de I Tes. e seguintes, indica que a segunda vinda de Cristo era esperada
para breve, se não para imediatamente, sem quaisquer sinais precedentes. Já a
passagem de II Tes. 2:1-12 declara, de forma igualmente enfática, que aquele dia
não seria cumprido imediatamente, mas antes, que seria precedido por vários
sinais e acontecimentos, como por exemplo, o aparecimento do anticristo.
13. Segundo os Eruditos, qual o argumento contrário mais forte para a autoria
paulina de II aos Tessalonicenses?

Segundo o texto ora estudado, o primeiro argumento, o da diferença dos pontos


de vista escatológicos, foi questionado pelos “estudiosos”. O texto menciona
“alguns eruditos” ao expor a evidência que se embasa na semelhança entre os
textos das cartas de I e II Tessalonicenses como algo que questiona a autoria
paulina da segunda carta. A semelhança entre as cartas gerou nestes eruditos a
suspeita de que alguém copiou grandes porções da primeira carta, acrescentando
o que é agora o segundo capítulo da segunda epístola. Este fato gerou a suspeita
de que Paulo não foi o autor desta epístola, mas este copista desconhecido.

14. Que heresias são apresentadas no contexto da carta de I Timóteo?

Heresias judaico-cristãs, heresias gnósticas e a heresia marcionita, de Márciom.

15. Mostre o Problema Linguístico presente em I Timóteo.

O vocabulário das epístolas pastorais, incluindo I Timóteo, é diferente do usado


nas demais obras clássicas de Paulo. Alguns termos do vocabulário teológico e
eclesiástico usados nas epístolas pastorais não são encontrados nos outros
escritos paulinos. Faltam termos e expressões paulinos comuns nestas cartas. As
palavras que dão estilo, e o próprio estilo usado nas cartas pastorais é diferente
das demais obras paulinas, incluindo mesmo a frase de saudação comumente
usada por Paulo.

16. Explique a frase “O DEUS QUE NÃO PODE MENTIR...” contida na Epístola a
Tito.

O autor está confirmando o que foi dito em Números 23:19, “Deus não é
homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa.
Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”
e em Hebreus 6:18 parte a, “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é
impossível que Deus minta...” . O Comentário Bíblico Moody diz sobre esta
veracidade da mensagem que o autor quer explicitar: “Verdade traz a implicação
de "fiel revelação de Deus", pois Jesus disse, "Eu sou . . . a verdade".

17. Resuma e escreva sobre o tema: “O Cristianismo e a Escravatura” abordado na


Epístola a Filemom.

O autor do comentário lamenta o fato de que o cristianismo primitivo tenha


perdido a oportunidade de ser mais incisivo em uma conduta contra a
escravatura. O cristianismo recomendava tratar bem os escravos, mas nunca
encarou de frente o fato de que a escravidão era diametralmente oposta ao amor
cristão. Paulo de certa forma decepcionou a comunidade cristã ao se acomodar e
não combater de forma incisiva a escravatura. Poderíamos fazer diversas
conjecturas para tentarmos descobrir os propósitos do apóstolo, mas nada ficará
totalmente claro, ficando apenas a tristeza da oportunidade perdida.

Lembramos, analisando este fato, da conduta da igreja brasileira diante da


ditadura iniciada em 1964. A igreja evangélica, na época apoiada e expandindo-
se graças ao trabalho de missionários americanos, preferiu ver os manifestantes
contrários ao governo como comunistas semelhantes aos soviéticos, ou seja,
inimigos do cristianismo. Esta posição foi cômoda, pois garantiu uma paz para
que o evangelismo continuasse sem ser incomodado pelo governo. Mas será que
a igreja não poderia ter clamado por justiça e amor para que os “inimigos do
Estado” não recebessem um tratamento digno? Fica a pergunta a Paulo, que nos
responderá na eternidade, bem como aos líderes evangélicos da época, os que
tiverem sido salvos, claro!