Você está na página 1de 4

Teoria Sociológica 1

Aluno: Leonardo José Gomes da Silva


Prof: Dra. Luciana Mendonça
Data: 11/12

1) Na definição de Weber, a posição em relação à produção ou aos meios


de produção seria um parâmetro correto ou suficiente para definir as
desigualdades sociais? Por que? Que outras dimensões são
consideradas? (4 pontos)

Seria um parâmetro a partir que os meios de produção ou produção são


intrínsecos ao fenômeno da distribuição de poder, logo, possui poderio para traçar e
desenhar as possíveis discrepâncias nas dinâmicas sociais vigentes, penetradas no
estilo de vida, status, economia e política. Max Weber traz a distinção no início do
texto entre classes e comunidade, afirmando sobre a estruturação da primeira e o
caráter de “comunalização” da última, que é capaz de unir os indivíduos e partilhar
algumas configurações regulares, levaria então à “deformação” o movimento de
similaridade entre os conceitos. É importante destacar também o argumento analógico
de Weber em trazer a contraposição entre as Sociedades Antigas e Idade Média, as
mesmas tentaram contra o monopólio, esses embates se deram na transição para o
mundo moderno e alude a uma mutabilidade reacionária contra esses ditames que
acentuam disparidades no seio social. Tal fato chama atenção para questão trazida pelo
autor, a de estratificação, o arranjo em camadas, de indivíduos motivados por uma
lógica, por quê não, capitalista?, afinal a mesma se esquematiza com a “monopolização
de bens” ou “oportunidades ideais e materiais”. Para ilustrar esse exemplo, é
mencionado o fenômeno de “castas”, encontradas comumente nas sociedades indianas,
isso porque Weber também traz o exemplo do desenvolvimento desse status como
“fechamentos endogâmicos”, baseados numa usurpação em suas maneiras de se
manifestar. Essa segregação baseada em uma presunção étnica transforma as
coexistências de seus atores, dadas de forma horizontal e desconexas, como uma forma
mais religiosa de tratar os estamentos. Ao viver sob “o signo do poder” desempenham
também uma ação comunitária política, de acordo com a produção de bens e no
contexto de ordem econômica. Portanto, à vista do exposto, outros predicamentos são
explorados embora ainda alicerçados essencialmente entre o domínio político da
produção como principiadora das ações dos sujeitos por ela ordenados.

2) Sabemos que os processos de racionalização são centrais para a


definição de Weber de capitalismo ou de sociedade moderna. Em que
planos eles se manifestam de acordo com os textos que trabalhamos do
autor? (4 pontos)
Com tendências neo-kantianas, Weber compreendia a sociedade como dada em
fragmentos, desorganizada. Esses processos de racionalização seriam como disposições,
buscando orientar ou dar sentido ao conjunto de ações coletivas dadas numa certa
trajetória temporal de desenvolvimento da humanidade. Eles são centrais para definição
de capitalismo, porque é decorrente dele que se engendra a peculiaridade específica no
mundo ocidental em comparação com o oriente; “por que lá o desenvolvimento científico,
artístico, político ou econômico não enveredou pelo mesmo caminho da racionalização
que é peculiar ao ocidente?”(WEBER, 2005, p. 13). A ação humana estava então sendo
racionalizada, autônoma e analisada disruptiva de um ethos protestante, mas sob a cultura
e outras esferas do valor, concretizava-se então essa realidade ensaiada pela
intelectualização dando forma teórica aos seus pressupostos, a ciência imputa-se então de
outras configurações. No texto trabalhado, “A ética protestante e o espírito do
capitalismo”;

“O único modo de vida aceitável por Deus não era o superar a moralidade
mundanna pelo ascetismo monástico, mas unicamente o cumprimento das obrigações
impostas ao indivíduo pela sua posição no mundo. Esta era sua vocação” (Weber, 1905)

Sendo assim, se efetivaria uma interdependência dos valores identificados como


primordialmente religiosos para os de cunho econômico, tendo em vista a
institucionalização de suas racionalizações. O desencantamento se daria pelo
esfacelamento desses ideais, era necessitário então abordar através de outras perspectivas.
A religião e ciência entrariam como esquema acessório para entender o trabalho como
um dos pontos de partida da racionalidade moderna, firmando seu Estado. Esse último,
seria elemento chave para fundir-se um monopólio da violência legitimada, “tradicional”,
“legal” e carismática, era assim dada uma das formas de dominação. Por conseguinte, é
possível evidenciar também:
“Uma economia racional é uma organização funcional orientada para os preços
monetários que se originam de interesses dos homens no mercado. O cálculo não é
possível sem a estimativa de preços em dinheiro e, daí, sem lutas no mercado. O
dinheiro é o elemento mais abstrato e “impessoal” que existe na vida humana”.
(WEBER, 1982, p. 379).

Esse caráter é específico do ocidente e reitera a regularidade de suas leis, bem como sua
generalidade constitutiva de uma mentalidade sistemicamente demarcada por um
regime econômico e político.

3) Para Simmel, seria correto dizer que o tipo metropolitano de sociedade


traduz, no plano da subjetividade individual, um conjunto de traços
fundamentais da modernidade? Sim ou não e por quê? (2 pontos)

No primeiro instante seria necessário pontuar alguns aspectos lineares e


cambiais entre Simmel e Weber, o primeiro tratava da análise causal e afinidade
coletiva em grandes períodos históricos e o outro focava nas relações interindividuais,
sob uma psicologia “psico-social”. Como então a modernidade fomenta um tipo de
subjetividade individual sendo esta uma expressão do capitalismo? Ela altera de
diversas formas, inclusive sobre os fundamentos sensoriais da vida psíquica, com uma
atitude blasé, de indiferença às exterioridades da vida moderna, se transmutando em
um movimento frenético de defesa, em não se impregnar pela inconstância do
“exterior”. Afinal, a massa de conhecimentos está objetivada nas coisas, no social,
enquanto que o indivíduo no subjetivo, se refletindo no estilo de vida que constrói
sobre essas estruturas seus aportes de categorias psicológicas e fisiológicas, o dinheiro
então coloca essas pessoas de forma intercambiáveis. É possível então estabelecer uma
conferência entre a vida rural em que essas complexificações não são passíveis de
observação à demanda de suas vicissitudes de caráter simples. Por fim, tendo em vista
suas conexões epistemológicas, a liberdade é algo como possível para esse autor:

“Simmel persegue incansavelmente as mil formas que assume a aproximação


sempre assintótica da totalidade, seja no conjunto social, seja nos seus componentes
singulares” (Cohn, 1998, p. 54).
Bem como, esses “conjuntos de traços fundamentais da modernidade” estão retificados
pelo tipo metropolitano, que condiz também sob uma economia monetária reiterados pela
tentativa brusca de apreender e ditar as faculdades mentais dos atores.